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Numero do processo: 10580.724724/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
INDEFERIMENTO DE PERÍCIA E DE REQUERIMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS FORA DO PRAZO ESTABELECIDO EM LEI. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Considera-se não formulado o requerimento de perícia apresentado em desacordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal.
A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
A prova documental será exibida na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual, a menos que ocorra alguma das hipóteses previstas na legislação que possibilite sua apresentação em circunstância diversa.
DECISÃO ADMINISTRATIVA CLARA E FUNDAMENTADA. NULIDADE. NÃO VERIFICAÇÃO.
Estando a decisão de piso adequadamente fundamentada e as razões de decidir claramente expostas, possibilitando o adequado exercício à ampla defesa e ao contraditório, inexiste justificativa para sua anulação.
CLAREZA DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade da autuação quando todos os requisitos previstos em lei para a lavratura do auto de infração tenham sido observados pela autoridade responsável pelo lançamento.
ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKET/CARTÃO MAGNÉTICO. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN N.º 03/2011.
Para o gozo da isenção prevista na legislação própria, no caso do pagamento de auxílio alimentação em ticket/cartão magnético, a empresa deverá comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Inaplicável o Ato Declaratório PGFN n.º 03/2011, considerando não se tratar de fornecimento de alimentação in natura.
PARCELA SALARIAL PAGA SOB A DENOMINAÇÃO DE AJUDA DE CUSTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. INCIDÊNCIA.
Incide contribuição previdenciária e destinada a terceiros sobre parcelas salariais pagas aos segurados da empresa, independentemente da denominação que lhe tenha sido dada.
CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE E AO INCRA. CONTRIBUINTES. EMPRESAS EMPREGADORAS EM GERAL.
As contribuições destinadas ao SEBRAE e ao INCRA têm natureza jurídica de contribuições de intervenção no domínio econômico, não exigindo vinculação direta do contribuinte ou a possibilidade de auferir benefícios com a aplicação dos recursos arrecadados.
Incluem-se no pólo passivo dessas exações tributária as empresas empregadoras em geral, sejam elas urbanas ou rurais, de natureza civil ou comercial, independentemente de seu porte.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
Numero da decisão: 2402-006.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir os pedidos de realização de perícia, produção de novas provas e de ciência do resultado do julgamento no endereço dos representantes legais da recorrente, afastar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro, Jamed Abdul Nasser Feitoza Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento parcial exclusivamente para afastar a incidência da contribuição em relação ao auxílio alimentação.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 INDEFERIMENTO DE PERÍCIA E DE REQUERIMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS FORA DO PRAZO ESTABELECIDO EM LEI. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Considerase não formulado o requerimento de perícia apresentado em desacordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. A prova documental será exibida na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual, a menos que ocorra alguma das hipóteses previstas na legislação que possibilite sua apresentação em circunstância diversa. DECISÃO ADMINISTRATIVA CLARA E FUNDAMENTADA. NULIDADE. NÃO VERIFICAÇÃO. Estando a decisão de piso adequadamente fundamentada e as razões de decidir claramente expostas, possibilitando o adequado exercício à ampla defesa e ao contraditório, inexiste justificativa para sua anulação. CLAREZA DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da autuação quando todos os requisitos previstos em lei para a lavratura do auto de infração tenham sido observados pela autoridade responsável pelo lançamento. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKET/CARTÃO MAGNÉTICO. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 47 24 /2 01 0- 01 Fl. 631DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN N.º 03/2011. Para o gozo da isenção prevista na legislação própria, no caso do pagamento de auxílio alimentação em ticket/cartão magnético, a empresa deverá comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Inaplicável o Ato Declaratório PGFN n.º 03/2011, considerando não se tratar de fornecimento de alimentação “in natura”. PARCELA SALARIAL PAGA SOB A DENOMINAÇÃO DE AJUDA DE CUSTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. INCIDÊNCIA. Incide contribuição previdenciária e destinada a terceiros sobre parcelas salariais pagas aos segurados da empresa, independentemente da denominação que lhe tenha sido dada. CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE E AO INCRA. CONTRIBUINTES. EMPRESAS EMPREGADORAS EM GERAL. As contribuições destinadas ao SEBRAE e ao INCRA têm natureza jurídica de contribuições de intervenção no domínio econômico, não exigindo vinculação direta do contribuinte ou a possibilidade de auferir benefícios com a aplicação dos recursos arrecadados. Incluemse no pólo passivo dessas exações tributária as empresas empregadoras em geral, sejam elas urbanas ou rurais, de natureza civil ou comercial, independentemente de seu porte. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10580.724724/201001 Acórdão n.º 2402006.085 S2C4T2 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir os pedidos de realização de perícia, produção de novas provas e de ciência do resultado do julgamento no endereço dos representantes legais da recorrente, afastar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro, Jamed Abdul Nasser Feitoza Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento parcial exclusivamente para afastar a incidência da contribuição em relação ao auxílio alimentação. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0644.159, da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA) que julgou improcedente impugnação apresentada em face de Auto de Infração lavrado sob o Debcad nº 37.249.1421 para a apuração de contribuições previdenciárias relativas à parte dos segurados, das competências 01/2007 a 12/2007. Por bem retratar as razões expostas no Relatório Fiscal e na impugnação, transcrevese a parte correspondente do acórdão recorrido (fls. 576/594): Relatório Fiscal 3. Segundo o Relatório Fiscal, os valores da base de cálculo foram extraídos das folhas de pagamento/resumos (fls. 58 a 454) e GFIPs (fls. 455 a 506), sendo observado que: nas competências 01 a 08/2007 a Autuada não recolheu a contribuição previdenciárias devida, referente aos valores pagos a titulo de ajuda de custo ao Sr. Wanderley dos Santos (valores esses obtidos nas folhas de pagamento); no ano de 2007 a empresa não possuía inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, instituído pela Lei nº 6.321, de 1976, conforme consulta ao MTE. Assim, os valores pagos referentes à alimentação, por se constituírem em uma liberalidade, foram considerados base de cálculo de contribuições previdenciárias. Para o cálculo foram utilizados os valores pagos Fl. 633DF CARF MF 4 mensalmente a titulo de alimentação obtidos nas folhas de pagamento da empresa, nas competências 01 a 12/2007, referente ao escritório centralmatriz, tendo sido abatido o valor descontado dos segurados; 3.1. As contribuições incluídas neste lançamento foram apuradas nos seguintes levantamentos: AL1 (valor Alimentação sem GFIP); e AC1 (valor ajuda de custo sem GFIP). Segundo o Relatório Fiscal, foi aplicada a multa imposta pela legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores por ser mais benigna (24% multa de mora). 4. Conforme informa a autoridade fiscal, foram emitidas Representações Fiscal para Fins Penais (RFFP), referentes à configuração, em tese, de sonegação de contribuições previdenciárias e crime contra a ordem tributária. Impugnação 5. Regularmente cientificada em 24/05/2010 (fl. 2), a Contribuinte apresentou impugnação de fls. 522 a 555, em 22/06/2010, alegando, em síntese que: a) “a presente Defesa é plenamente tempestiva, atendendo a este pressuposto de admissibilidade a contento”; b) “as contribuições destinadas ao INCRA e SEBRAE não podem ser cobradas da empresa contribuinte, pois esta não tem relação com estas entidades”; c) os valores apresentados não condizem com a realidade verificada nas GFIPs, demonstrando total ausência de clareza quanto à motivação dos valores cobrados. A “autuação imposta não possui clareza bastante capaz de se sustentar, bem como de caracterizar a infração, uma vez que não traz informações precisas e necessárias acerca da suposta infração, fato que impede o exercício da ampla defesa por parte do autuado”, sendo a presente cobrança “completamente descabida, não encontrando amparo legal que confira suporte aos seus fundamentos”, dada a inexistência de débito e a ilegalidade da multa aplicada; d) a limitação ao direito de a Impugnante ter acesso aos motivos ou documentos em que se baseou o auditor para lavrar dois autos de obrigação principal e dois de obrigação acessória, “cujos fundamentos são os mesmos e geram confusão à defesa, justamente porque indevidamente seccionados, quando em verdade a motivação é única, dificultando ao defendente fazer a ampla defesa, porque repetitiva”. Desse modo, o agir do Fiscal não repercutiu apenas na ofensa ao contraditório em seu sentido estrito (formal), mas também no “desatendimento ao devido processo em sentido material, justamente porque resultou ausente a fundamentação objetiva das autuações”, tornando nulo o ato administrativo, sendo sua invalidação perfeitamente possível, “através do procedimento de revisão dos lançamentos, desencadeado com a presente defesa administrativa, o que desde já requer”; e) “o AI impugnado não condiz com a realidade fática da situação fiscal da empresa, pois lança créditos INDEVIDOS e, ainda que fossem devidos, apresenta divergências de valores em seus demonstrativos de débito, assim como deixa de observar com perfeição as bases de cálculos das exações previdenciárias lançadas”, motivo pelo qual requer sua revisão em face dos valores lançados; f) quanto aos valores pagos a título de alimentação aos empregados, entende que o fato da empresa não ter apresentado sua inscrição no PAT ensejou indevido lançamento, tomando aqueles valores gastos a titulo de alimentação como base tributável para a contribuição previdenciária, não considerando o fiscal que a autuada desenvolve, e já desenvolvia à época, a proteção alimentar dos seus trabalhadores; Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10580.724724/201001 Acórdão n.º 2402006.085 S2C4T2 Fl. 4 5 g) “Ademais, existem previsões reiteradas nas convenções coletivas de trabalho dos Sindicatos da Indústria da Construção do Estado da Bahia, firmadas pelo sindicato ao qual a empresa é filiada e o sindicato dos trabalhadores da respectiva categoria, de que seria subsidiado o custo da refeição fornecida aos funcionários”; portanto, já havia na empresa a prática de fornecer alimentação aos empregados; h) o art. 3º da Lei nº 6.321, de 1976, declara que “não se inclui no saláriode contribuição a parcela paga pela empresa a título de Programa de Alimentação do Trabalhador, justamente porque não é salário. Assim, a parcela in natura recebida pelo empregado que estiver de acordo com o PAT não terá incidência da contribuição previdenciária”; i) “A falta da inscrição formal no PAT somente pode gerar, na forma do art. 8º do Decreto 5, de 1991, a vedação da empresa para se valer do incentivo fiscal de dedução dos gastos no seu Imposto de Renda (perdendo o direito de créditos remanescentes, inclusive) e a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação tributária acessória ou instrumental (como é a mera e formal inscrição no PAT, que se processa perante os Correios e está automaticamente aprovada neste mesmo momento)”. Tal raciocínio encontra guarida no art. 113, § 2º do CTN, que trata das obrigações acessórias, e que se aplica ao caso concreto, afirmandose no § 3º do mesmo dispositivo legal que a sua inobservância acarretaria somente a aplicação de multa, se houvesse previsão legal, mas nunca a cobrança de tributo; j) os julgamentos proferidos pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal, abonam o direito da Defendente e reafirmam o direito à desconstituição do presente lançamento, uma vez que expressam o entendimento de que parcelas como a alimentação fornecida pela empresa não integram o salário de contribuição. Assim, não há que se falar em declarar tais valores atinentes ao PAT em GFIP e em infração ao art. 32 , IV e § 5º da Lei nº 8.212/91; k) na improvável hipótese de superação das razões expostas, protesta pela realização de perícia técnica, “visando apurar a real base de cálculo do suposto débito, cujos números foram obtidos através de amostragem”; l) traça um paralelo entre o pagamento de valores a título de ajuda de custo (mensalmente, a Wanderley dos Santos) e valores recebidos a título de licença prêmio não usufruída, auxílio transporte, auxíliocreche, auxíliobabá e outros, alegando que tais verbas não possuem natureza salarial, o que afasta a incidência da contribuição previdenciária, afirmando textualmente que “as verbas pagas ao empregado para auxiliar nas despesas de aluguel, ainda que tenham denominação de auxílio ou de ajuda de custo e mesmo que pagas com habitualidade, como no caso em concreto, têm nítida natureza indenizatória, posto que visam a ressarcir o empregado pelas despesas com moradia em localidade distante do seu domicilio”; m) fazse necessária a realização de perícia, a título de demonstrar que os valores pagos a título de ajuda de custo, buscam restituir despesas inerentes a própria atuação, jamais complementação de salário, uma vez que a autuação não é clara ao tentar desnaturar a ajuda de custo suportada pela empresa autuada; n) a empresa autuada “não integra a categoria das micro e pequenas empresas, de modo que, na forma do art. 149 da Constituição, não pode ser compelida ao recolhimento da contribuição do SEBRAE, pois esta só é exigível dos respectivos beneficiários da política de apoio às micro e pequenas empresas”; Fl. 635DF CARF MF 6 o) “Segundo entendimento jurisprudencial pacífico é inexigível a contribuição destinada ao INCRA relativamente às empresas filiadas exclusivamente à previdência urbana, em período posterior à lei n° 8.212/91”; p) a exigência da contribuição ao INCRA de quem é filiado exclusivamente à previdência urbana não guarda nenhuma referibilidade a uma atuação estatal em prol destes sujeitos passivos, seja direta ou indireta, uma vez que os únicos beneficiários dessa exação são os contribuintes filiados à previdência rural, sendo inconstitucional a contribuição que não se destina à categoria a qual pertence a contribuinte; q) é “indevida a cobrança do SAT, vez que a empresa apenas comporta alíquota mínima”; r) a obrigação discutida no presente auto de infração deriva de suposto descumprimento da obrigação analisada no AI 32.249.1413, sendo imprescindível, assim, a suspensão do presente AI até o julgamento daquele, no qual será realizada a necessária prova pericial; s) “o lançamento ora atacado, realizado em desobediência à legalidade, se prosperar, resultará em aplicação de penalidade despropositada, permitindo o enriquecimento do Fisco, sem causa que o justifique”; t) “temse o sintoma de que o presente processo administrativo pode vir a ser concluído, sem que tenham sido examinadas matérias constitucionais, situação em que os julgadores restringiriam sua atuação à aplicação de exclusivas normas de inferior escalão jurídico. O que não se pode admitir”, eis que ao solucionar uma questão tributária devem ser considerados os diversos princípios e normas plasmadas na Constituição, de natureza genérica (legalidade, tipicidade, anterioridade, irretroatividade, capacidade contributiva, isonomia, vedação de confisco, ampla defesa, contraditório, etc), e específica (nãocumulativa, seletividade, progressividade, generalidade, universalidade, competência, etc); u) insurgese quanto a aplicação de juros capitalizados e da taxa Selic aos créditos previdenciários, alegando que “o STJ já tem posição consolidada de que a Taxa Selic não pode ser aplicada cumulativamente, com outros índices de reajustamento, motivo pelo qual, não devem prosseguir as formas de cálculo elaborados pelo agente autuante”; v) compulsando o DAD anexado à NFLD, verificase que foram aplicadas multas que atingiram o patamar de 75% do débito, sendo certo que o valor seria fixo, considerando que o contribuinte entregou GFIP em todos os meses, sendo que a multa em percentual sobre lançamentos indevidos possui inequívoco intuito confiscatório, o que leva à conclusão necessária de que o lançamento de débito operado pela autuação em referência deve ser julgado improcedente; x) protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, em especial, a perícia por Auditor estranho ao feito, a ser realizado especialmente no AI 37.249.1313, a posterior juntada de documentos que se fizerem necessários, bem como a produção de contra prova; y) reitera, ao final, que todos os documentos estão à disposição da Receita Federal, pleiteando “a comunicação quanto ao resultado desta defesa no endereço profissional dos patronos do contribuinte, sob pena de nulidade (art. 39, I, do CPC)”. Decisão de Primeira Instância Administrativa A DRJ/CTA julgou a impugnação improcedente, conforme pode se verificar da ementa da decisão recorrida: Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10580.724724/201001 Acórdão n.º 2402006.085 S2C4T2 Fl. 5 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. As contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos, denominados TERCEIROS, sujeitamse aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios das contribuições destinadas à Seguridade Social. NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ALIMENTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. AUSÊNCIA. Integram o saláriodecontribuição as verbas pagas pela empresa, a título de alimentação, sem a inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. AJUDA DE CUSTO. A parcela recebida pelo segurado empregado a título de ajuda de custo integra o saláriodecontribuição, exceto quando paga em decorrência de mudança de local de trabalho e em parcela única. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao Poder Judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. JUROS. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. Possui previsão legal a incidência de juros com base na taxa Selic para fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1995, sendo de caráter irrelevável. MULTA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal referese a tributo e é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. PROVA PERICIAL. LIMITES. OBJETIVOS. A perícia se destina à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos Fl. 637DF CARF MF 8 autos, devendo o julgador refutar aquelas que entender desnecessárias ou prescindíveis. PROVAS DOCUMENTAIS. MOMENTO PARA A PRODUÇÃO. O momento para produção de provas documentais é juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas na legislação pertinente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário Em sede de recurso voluntário o sujeito passivo repisa questões trazidas na impugnação e alega adicionalmente o que segue: a necessidade de perícia de ofício pelo julgador de 1ª instância se mostra flagrante quando se demonstra que houve majoração de bases de cálculo no confronto simples entre os balancetes e Livros Razão apresentados pela recorrente à fiscalização e os constantes dos Discriminativos Analíticos de Débito DAD emitidos pela autoridade autuante; há grande divergência sobre as bases de cálculos, vez que se computou bases sobre as quais não incidem as contribuições sociais apuradas, no caso os valores pagos a título de auxilio alimentação e ajuda de custo; a produção de prova pericial não se realizou, não sendo nem mesmo fundamentada a sua negativa, culminando numa decisão equivocada que julgou procedente o lançamento tributário, apesar de reconhecer pela necessidade de adequar o percentual da multa aplicada para uma mais benéfica; a garantia da ampla defesa possui previsão constitucional, art. 5º, inciso LV da Carta Magna de 1988, sendo aplicada a todos os processos, judiciais e administrativos, além do que, na forma do art. 37 da Constituição Federal, os agentes estão sujeitos ao princípio da legalidade estrita, sob pena de nulidade de seus atos caso firam as garantias ou descumpram as normas jurídicas vinculantes ao seu agir; a produção de prova pericial seria o único meio para um convencimento do julgador para a improcedência da notificação ora recorrida, não seria prescindível ou impraticável; ainda que podendo ser designada de ofício, diligências probatórias não foram determinadas ou sequer efetivadas, apesar de ser imprescindível para o julgamento da presente demanda; a ausência de produção da prova técnica, pericial, implicou em um prejuízo visível para a recorrente, que teve uma notificação a si imputada como procedente sem que lhe fosse garantido o direito de produzir as provas possíveis e necessárias para combater a notificação, provas estas que em sua grande maioria encontramse nos contratos ajustados, e nos lançamentos efetuados; a decisão ora recorrida, carece de fundamentação, contrariando o disposto no art. 93, inciso IX da Constituição Federal, o qual exige a apresentação dos fundamentos em que as autoridades administrativas se baseiam para realizar os atos de sua competência; Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10580.724724/201001 Acórdão n.º 2402006.085 S2C4T2 Fl. 6 9 a decisão recorrida limitouse a repetir os termos da autuação inicial, ou seja, adotou os termos da peça de notificação inicial e repisou sua fundamentação legal, negandose, terminantemente, a enfrentar o aspecto da constitucionalidade da norma; as razões de decidir não foram expostas pelo julgador de origem, ferindo o princípio constitucional da moralidade administrativa, que reside em analisar a norma na forma determinada pelo legislador, e não amoldála à necessidade do órgão autuante. Repisa pedidos apresentados por via impugnatória, requer que seja declarada a nulidade da decisão recorrida e a juntada de novas provas. É o relatório. Fl. 639DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. PRELIMINARES Nulidade da Decisão Recorrida e Pedido de Perícia e Apresentação de Novas Provas Com relação à nulidade da decisão recorrida, suscitada em razão do indeferimento de perícia requerida em sede de impugnação, e à produção de novas provas, tem se que os arts. 16 e 18 do Decreto nº 70.235/1972 estabelecem: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10580.724724/201001 Acórdão n.º 2402006.085 S2C4T2 Fl. 7 11 § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...] Observase, a princípio, que o inciso IV do art. 16 acima reproduzido é bastante claro quanto à obrigatoriedade de o sujeito passivo em formular os quesitos referentes aos exames desejados e indicar o nome , endereço e qualificação profissional designado para a realização da perícia tida por necessária. Além disso, o § 1º do mesmo artigo preceitua que, em caso de inobservância ao disposto no inciso IV, o pleito pericial considerarseá não formulado. Examinandose o conteúdo da impugnação, constatase inexistir referência ao a quesitos ou exames desejados e ao perito que deveria ter sido indicado pela recorrente, fato que se mostra suficientemente apto a afastar a argumentação recursal quanto à nulidade da decisão recorrida, em vista de o requerimento trazido na impugnação ter sido apresentado em desacordo com a legislação que rege a matéria, ou seja, tratase de pleito pericial considerado como “não formulado” a teor das disposições normativas supracitadas. Além disso, a análise das normas jurídicas afetas à autuação e o exame das provas já trazidas aos autos mostramse suficientes para os deslinde de quaisquer dos questionamentos com base nos quais a recorrente busca fundamentar o pleito pericial, o qual revelase, consoante art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, absolutamente prescindível, como bem concluiu a decisão recorrida, conforme trechos que se faz mister reproduzir: Da prova pericial e documental 19. A Autuada protesta pela realização de perícia para apurar a real base de cálculo em relação aos valores pagos a título de alimentação, cujos números, segundo alega, teriam sido obtidos por amostragem. Também pretende demonstrar que os valores pagos a título de ajuda de custo, buscam restituir despesas inerentes a própria atuação e não complementação de salário. 19.1. O Relatório Fiscal é bastante claro ao informar que, “Para o cálculo do valor do salário de contribuição referente à alimentação foram utilizados os valores pagos mensalmente a titulo de alimentação obtidos nas folhas de pagamento da empresa, nas competências 01 a 12/2007, referente ao escritório centralmatriz, tendo sido abatido o valor descontado dos segurados” (subitem 3.3, fl. ). Portanto, não se trata de “amostragem”. 19.2. Também os valores pagos a título de ajuda de custo a Wanderley dos Santos foram obtidos nas folhas de pagamento da empresa (subitem 3.2, fl. ), as quais foram juntadas aos autos pela autoridade fiscal. Fl. 641DF CARF MF 12 19.3. A matéria em julgamento, portanto, não demanda conhecimento técnico específico que não seja da competência da autoridade julgadora. Com efeito, como ensina Antônio da Silva Cabral, a perícia “supõe a pesquisa de fatos por pessoas de reconhecido saber, habilidade e experiência, que permitam o esclarecimento de certas dúvidas surgidas com o processo”. 1 E acrescenta que “antes de tudo, portanto, é necessário que o simples exame dos autos pelo julgador não seja suficiente, exigindose o pronunciamento por parte de técnico especializado no assunto”, não sendo este o caso, todavia. 19.4. Por outro lado, nos termos do art. 16, § 1°, do Decreto n° 70.235, de 1972, considerase não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972 (necessária a formulação de quesitos e a indicação do nome, endereço e qualificação profissional do seu perito, o que não ocorreu no caso presente). 19.5. Há que esclarecer, ainda, que a prova pericial não é substitutiva do ônus que possui a Impugnante de provar suas alegações. Assim, ante a conduta da Contribuinte, que do seu ônus não se desincumbiu, por considerar prescindível a realização de perícia e por não atender aos requisitos legais, rejeitase o pedido, com base no art. 18, do Decreto nº 70.235, de 1972. O fato de o Colegiado a quo ter indeferido o pedido de realização de desnecessária perícia ou mesmo para a apresentação de provas fora do prazo estabelecido na legislação não implica preterição do direito de defesa como tenta fazer crê a recorrente. Trata se de decisão pautada nas disposições normativas que tratam do tema. Sobre os artigos da Portaria MPAS nº 357/2002, suscitados na peça recursal, embora não acudam a recorrente por fazerem referência à “faculdade” atribuída ao julgador administrativo para determinar, de ofício, a realização das perícias que entender necessárias, deveria saber o representante do sujeito passivo que, nos termos do art. 25 da Lei nº 11.457/2007, a norma aplicável ao Processo Administrativo Fiscal – PAF, inclusive que no diz respeito às contribuições previdenciárias e às destinadas a outras entidades ou fundos, os denominados “terceiros”, é, desde 1º/03/2008, o Decreto nº 70.235/1972. De igual modo, inaplicável ao presente caso a redação do art. 17 do citado Decreto nº 70.235/1972 reproduzida no recurso voluntário, cujo texto foi alterado ainda em 1997 e também do art. 19 de referida norma, que se encontra revogado desde 1993. Relativamente à assertiva aventada no apelo recursal de que a negativa de produção de prova pericial não teria sido fundamentada, “culminando numa decisão equivocada que julgou procedente o lançamento tributário, apesar de reconhecer pela necessidade de adequar o percentual da multa aplicada para uma mais benéfica”, o trecho da decisão fustigada que acima se reproduziu evidencia carecer de razão essas alegações, eis que demonstra claramente os fundamentos da decisão da DRJ/CTA. No que respeita a aplicação da multa mais benéfica ao caso ora analisado, essa constatação não tem nenhuma relação com situação que pudesse demandar a realização de perícia. Tratase tãosomente de esclarecimento sobre a aplicação de penalidade em relação a infrações tributárias a que legislação superveniente tenha atribuído sanção menos severa, de acordo com previsão contida no art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional – CTN, em razão das alterações promovidas na Lei nº 8.212/1991, pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Aliás, o cálculo da multa com a aplicação da denominada “retroatividade benigna” foi efetuado ainda por ocasião da autuação. Dessarte, tendo em vista o indeferimento de perícia e de apresentação de novas provas requeridas na impugnação encontrarse respaldado na legislação disciplinadora Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10580.724724/201001 Acórdão n.º 2402006.085 S2C4T2 Fl. 8 13 do PAF, não se verifica nenhuma ofensa a princípios constitucionais como o da ampla defesa, do contraditório ou da legalidade. Tampouco existem elementos que possam levar à decretação de nulidade do acórdão atacado. Ademais, pelas razão acima expostas, indefiro o pedido de perícia reiterado no recurso voluntário, assim como o requerimento para a produção de provas extemporâneas, tendo em conta que, a menos que reste demonstrada uma das situações previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o que não é o caso, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual. Nulidade da Decisão Recorrida por Falta de Fundamentação da Decisão Recorre o sujeito passivo ao inciso IX do art. 93 da Constituição com o intuito de demonstrar que o decisum de primeira instância administrativa carece de fundamentação. Consoante aduz, “a decisão recorrida limitouse a repetir os termos da autuação inicial, ou seja, adotou os termos da peça de notificação inicial e repisar (sic) sua fundamentação legal, negandose, terminantemente, a enfrentar o aspecto da constitucionalidade da norma”. Mais uma vez a contribuinte busca fundamentar sua discordância em relação ao julgamento de primeira instância administrativa a partir de normas inaplicáveis ao PAF. O art. 93 da Constituição encontrase inserido no seu Capítulo III, “Do Poder Judiciário”, ou seja, referido dispositivo está direcionado à atuação daquele Poder no julgamentos das lides judiciais. A respeito do art. 27 do ato denominado “Portaria nº 148/96” (reproduzido no apelo da contribuinte), vêse tratarse da Portaria Ministro de Estado do Trabalho MTB Nº 148, de 25 de janeiro de 1996 (publicada no DOU de 26/01/1996). Deveria o responsável pela defesa do sujeito passivo saber que esse ato normativo não tem aplicação no âmbito do Ministério da Fazenda, ainda mais em se tratando de PAF, que segue rito próprio, disciplinado em lei específica. Somente com o fim de melhor esclarecer toda essa situação, a necessidade de motivação das decisões administrativas decorre dos princípios do contraditório e da ampla defesa, insculpidos no inciso LV do art. 5º da Constituição/1988. Em termos legais, é o art. 31 do Decreto nº 70.235/1972 que estabelece a obrigatoriedade de que as decisões adotadas no âmbito do PAF sejam devidamente fundamentadas. Vejamos: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Além do que, diferentemente do que afirma a recorrente, até mesmo em um exame perfunctório do acórdão vergastado é perceptível que a decisão nele contida encontrase perfeitamente fundamentada nas leis instituidoras das contribuições sociais abrangidas no lançamento. Ocorre que o intento da apelante é de que o julgador administrativo se ponha “a enfrentar o aspecto da constitucionalidade da norma” tributária, afastando sua aplicação, o que, conforme se verá mais adiante é vedado pelo art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, pelo art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Fl. 643DF CARF MF 14 aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF e pela Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória por este Colegiado. Desse modo, não restando verificada a aduzida ausência de fundamentação ou ainda falta clareza na decisão de piso, afastase a presente preliminar, posto que as razões de decidir expostas no acórdão da DRJ/CTA mostramse assaz inteligíveis, inexistindo qualquer tipo de prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo ou mesmo ofensa ao princípio constitucional da moralidade administrativa. Nulidade por Falta de Clareza na Autuação Neste ponto, convém inicialmente asseverar que não somente o lançamento e as decisões administrativas necessitam ser fundamentadas, mas, de acordo com o inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, também as razões trazidas na impugnação ou no recurso voluntário precisam evidenciar a motivação fática e os fundamentos jurídicos em que se acostam. Digo isso porque a reclamante discorre que o fato de se ter efetuado quatro lançamentos distintos em razão da mesma base de cálculo teria dificultado sobremaneira sua defesa, mas não aponta qualquer irregularidade no procedimento administrativo e nem ao menos os motivos que teriam acarretado o mencionado prejuízo ao contraditório ou à ampla defesa. Os lançamentos relacionados à obrigação principal (contribuições previdenciárias da empresa, contribuição para o financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, e contribuição destinada a outras entidades ou fundos, os denominados “terceiro”) têm, de fato, a mesma base de cálculo, que é a remuneração paga aos segurados empregados, mas isso está definido em lei. Já o auto de infração por não informação de fatos geradores das contribuições sociais em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, tratase de autuação por descumprimento de obrigação acessória, que em nada se confunde com as autuações pelo não recolhimento de tributo, estando, inclusive, fundamentada em disposição legal diversa. Não se pode olvidar ainda que todos os autos de infração estão apropriadamente fundamentados, carecendo de plausibilidade a tese de prejuízo à defesa, sendo natural e recorrente a adoção desse tipo de procedimento na esfera tributária. A sistemática adotada pela autoridade autuante não implica qualquer tipo de ilegalidade como sugerem as alegações recursais. Em outra esteira, o art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 traz os requisitos para a lavratura de auto de infração: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10580.724724/201001 Acórdão n.º 2402006.085 S2C4T2 Fl. 9 15 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Analisandose o presente Auto de Infração, o Relatório Fiscal e seus demais anexos constatasese que todos os requisitos previstos em lei para sua lavratura foram regiamente observados pela autoridade fiscal, verificandose completamente descabida a asserção recursal de que a autuação padeceria de vício de forma tendente a atrair a aplicação da Súmula nº 346 do STF, com a consequente anulação do lançamento. Além disso, não se vislumbra a alegada falta de clareza no Auto de Infração e em seus anexos, acrescentandose ainda que o crédito foi constituído por servidor competente, a autuação encontrase devidamente motivada e dela consta a qualificação do sujeito passivo, a discriminação dos fatos geradores das contribuições devidas e do período a que se refere, o valor do crédito tributário, o prazo para recolhimento ou impugnação, as disposições legais infringidas, a assinatura da autoridade autuante (com a indicação do seu cargo e do número de sua matrícula), o local e a data de sua lavratura. Tudo em conformidade com a disciplina legal. Dito isso, rejeito preliminar de nulidade do lançamento. Ciência do Resultado do Julgamento no Endereço dos Representantes Legais da Recorrente Com relação à ciência do resultado do julgamento, cumpre esclarecer que essa é feita na forma do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, onde não se inclui a notificação do representante legal do recorrente, razão pela qual indefiro o pedido. Suspensão do Auto de Infração até Julgamento do Recurso Interposto nº AI 37.249.1413 Conquanto entenda inexistir necessidade de suspensão do presente julgamento até a tomada de decisão em relação ao presente processo relativo ao Auto de Infração lavrado sob o Debcad 37.249.1413, referida autuação foi submetida a esse colegiado nesta mesma sessão de julgamento, implicando perda de objeto do pedido. MÉRITO Impugnação dos Valores Lançados Diz a recorrente que o Auto de Infração “não condiz com a realidade fática da situação fiscal da empresa, pois lança créditos INDEVIDOS e, ainda que fossem devidos, apresenta divergências de valores em seus demonstrativos de débito, assim como deixa de observar com perfeição as bases de cálculos das exações previdenciárias lançadas”. Aduz ainda que: A empresa constatou resultado diverso daquele apresentado pelo AFRF. Dessa forma, com o objetivo de verificar a realidade dos fatos apurados pelos respeitáveis auditores fiscais, requer a realização de todas as provas admitidas, em especial a revisão do Auto de Infração, em face dos valores lançados. Fl. 645DF CARF MF 16 A despeito das alegações apresentadas, não foram exibidos, em época própria, nenhum resquício de prova que pudesse atestar as argumentações da recorrente. Ademais, restará demonstrado adiante que o cálculo dos tributos foi corretamente efetuado. Em razão disso, nego provimento ao recurso neste ponto. Base de Cálculo das Contribuições para Outras Entidades ou Fundos, os Denominados Terceiros As bases constitucionais para a instituição das contribuições destinadas outras entidades ou fundos, os denominados terceiros, são o art. 149 e o § 5º do art. 212 da Constituição Federal que dispõem: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. [...] 212. [...] [...] § 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salárioeducação, recolhida pelas empresas na forma da lei. [...] O art. 149 da Constituição Federal recepcionou as leis instituidoras das contribuições destinadas a terceiros existentes em período anterior à sua promulgação e possibilitou a criação de outras de mesma índole. Sem entrar em maiores detalhes, posto que desnecessário neste momento, as contribuições aqui referida ostentam em alguns casos natureza jurídica de contribuições sociais de intervenção no domínio econômico e, em outros, de contribuições sociais de interesse das categorias profissionais ou econômicas, exceto no caso da contribuição para o SalárioEducação, previsto no § 5º do art. 212 da Carta da República, que, segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal – STF, tem natureza jurídica de contribuição especial. Questão de grande importância para o deslinde da presente controvérsia é que as contribuições de terceiros abranginadas no Auto de Infração (Contribuição para o Salário Educação, INCRA, SEBRAE, SESI e SENAI) têm como base de incidência o salário dos empregados das empresas sujeitas a tais exigências tributárias (vide leis listadas no FLD – Fundamentos Legais do Débito – fls. 22/23). É certo que as normas instituidoras das contribuições aqui referidas, sendo normas de caráter tributário, não podem alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado1, como, no meu entender, é o caso do Direito do Trabalho. Assim, ao utilizar os salários de empregados como bases de cálculos das contribuições de terceiros, as normas tributárias hão de preservar o alcance da expressão tomada de empréstimo da legislação trabalhista, em toda a sua abragência. 1 CTN, art. 110. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10580.724724/201001 Acórdão n.º 2402006.085 S2C4T2 Fl. 10 17 O conceito de salário trazido para a legislação pátria tomou por base o art. 1º da Convenção nº 95 da Organização Internacional do Trabalho – OIT, que tem o Brasil entre seus signatários. De acordo com referido dispositivo: ARTIGO 1º Para os fins da presente convenção, o termo "salário" significa, qualquer que seja a denominação ou modo de cálculo, a remuneração ou os ganhos susceptíveis de serem avaliados em espécie ou fixados por acôrdo ou pela legislação nacional, que são devidos em virtude de um contrato de aluguel de serviços, escrito ou verbal, por um empregador a um trabalhador, seja por trabalho efetuado, ou pelo que deverá ser efetuado, seja por serviços prestados ou que devam ser prestados. Na mesma linha, o caput do art. 458 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT arrolou como parcelas integrantes dos salários do trabalhadores utilidades decorrentes do contrato laboral como alimentação, habitação, vestuário, dentre outras: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. Assim, a princípio, a base de cálculo das contribuições destinadas a terceiros abrangem toda e qualquer forma de benefício habitual destinado a retribuir o trabalho, seja ele pago em pecúnia ou sob a forma de utilidades, aí incluídos alimentação, habitação, vestuário, além de outras prestações e in natura. Excluise da tributação somente aqueles benefícios abrangidos por alguma regra isentiva ou que tenham sido disponibilizados para a prestação de serviços, a exemplo de vestuário, equipamentos e outros acessórios destinados a esse fim. Dessarte, a definição sobre a incidência ou não das contribuições sociais em relação às rubricas objeto de lançamento deve levar em consideração sua natureza jurídica, a existência ou não de normas que lhes concedam isenção e o cumprimento dos requisitos necessários ao usufruto desse favor legal. Auxílio Alimentação Nos termos das normas trabalhistas encimadas, não somente o pagamento em dinheiro, mas todos os benefícios resultantes da relação laboral, inclusive a parcela referente à alimentação in natura recebida pelo trabalhador integram o conceito de salário. Contudo, a despeito do que dispõe a legislação trabalhista, o entendimento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça – STJ é de que, em se tratando de pagamento in natura, o auxílio alimentação não sofre incidência de contribuição previdenciária, independentemente de inscrição no PAT, visto que ausente a natureza salarial da verba. Nesse sentido é a decisão consubstanciada no AgRg no REsp nº 1.119.787/SP: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. Fl. 647DF CARF MF 18 1. O pagamento do auxílioalimentação in natura , ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, razão pela qual não integra as contribuições para o FGTS. Precedentes: REsp 827.832/RS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007 p. 298; AgRg no REsp 685.409/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 24/08/2006 p. 102; REsp 719.714/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/04/2006, DJ 24/04/2006 p. 367; REsp 659.859/MG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 27/03/2006 p. 171. 2. Ad argumentandum tantum, esta Corte adota o posicionamento no sentido de que a referida contribuição, in casu, não incide, esteja, ou não, o empregador, inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 3. Agravo Regimental desprovido. Considerandose que essa e outras decisões exaradas no âmbito do STJ são no sentido de que o auxílioalimentação in natura não possui natureza salarial, conquanto tais julgados estejam relacionados às contribuições previdenciárias, entendo o entendimento neles consubstanciado se estende também às contribuições de terceiros em razão de referidos tributos incidirem sobre a mesma base. Em virtude do entendimento pacificado no STJ, foi editado Ato Declaratório n° 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, com base em parecer aprovado pelo Ministro da Fazenda, o qual autoriza a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”, independentemente de inscrição no PAT. Nesse ponto acrescento o meu entendimento de que o Ato Declaratório da PGFN também pode ser utilizado em relação às contribuições destinadas às outras entidades ou fundos, embora a manifestação da Procuradoria não faça referência expressa a essas espécies tributárias. Conforme alínea “c” do inciso II do § 1º do art. 62 RICARF, os membros das turmas de julgamento do CARF podem afastar a aplicação de lei com base em ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522/2002 (como é o caso do Ato Declaratório nº 3/2011). Resta, portanto, avaliar se a situação retratada nos autos se amolda ou não ao previsto em referido Ato Declaratório. Verificase das folhas de pagamento da empresa (fls. 58/454) a existência de rubrica com a denominação “alimentação” no período abrangido lançamento. O recurso voluntário esclarece que o pagamentos dessa utilidade foi feito por meio de “impressos, cartões eletrônicos, magnéticos ou outros oriundos de tecnologia adequada”, ou seja, de ticket/cartão magnético. Contudo, o Ato Declaratório nº 3/2011, bem assim os julgados do STJ que fomentaram sua edição, dentre os quais encontrase o AgRg no REsp nº 1.119.787 (ementa reproduzida acima), fazem referência a auxílioalimentação in natura, o que, nos termos da jurisprudência daquela Corte, quer dizer: “alimentação fornecida pela empresa”, o que não abrange ticket/cartão magnético que é a forma com que a recorrente disponibiliza essa espécie de salário utilidade a seus obreiros. Nos termos do art. 3º da Lei nº 6.321/1976, no salário de contribuição não está incluída a parcela a parcela paga in natura , pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Meu entendimento é de que referido dispositivo legal Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10580.724724/201001 Acórdão n.º 2402006.085 S2C4T2 Fl. 11 19 buscou isentar essa parcela de todas aquelas contribuições incidentes sobre os salários dos empregados da pessoa jurídica regularmente inscrita no Programa do Ministério do Trabalho, inclusive aquelas destinadas a terceiros. Ocorre que para se beneficiar dessa isenção a empresa necessita cumprir rigorosamente os requisitos previstos no dispositivo legal, o que não se verifica na situação ora analisada. De se esclarecer que o fato de o benefício encontrarse previsto em convenções coletivas de trabalho firmada por sindicato do qual a recorrente se diz filiada não supre a necessidade de que seu pagamento seja feito de acordo com os programas de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Tampouco tem o sindicato competência para certificar a qualidade da alimentação fornecida com base no PAT, como imagina a recorrente. O cumprimento dos requisitos do PAT pressupõe a regular inscrição da empresa no referido programa, em observância ao art. 2º da Portaria MTE nº 3/2002, in verbis: Art. 2º Para inscreverse no Programa e usufruir dos benefícios fiscais, a pessoa jurídica deverá requerer sua inscrição à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), através do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em impresso próprio para esse fim a ser adquirido nos Correios ou por meio eletrônico utilizando o formulário constante da página do Ministério do Trabalho e Emprego na Internet (www.mte.gov.br). § 1º A cópia do formulário e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet deverá ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal do trabalho. § 2º A documentação relacionada aos gastos com o Programa e aos incentivos dele decorrentes será mantida à disposição da fiscalização federal do trabalho, de modo a possibilitar seu exame e confronto com os registros contábeis e fiscais exigidos pela legislação2 . § 3º A pessoa jurídica beneficiária ou a prestadora de serviços de alimentação coletiva registradas no Programa de Alimentação do Trabalhador devem atualizar os dados constantes de seu registro sempre que houver alteração de informações cadastrais, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar informações a este Ministério por meio da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Asseverese que, ao revés do que apregoa o sujeito passivo, a inscrição no PAT não é mera formalidade. Tratase de medida necessária que impõe à pessoa jurídica o cumprimento dos requisitos do programa e possibilita a fiscalização de sua regular execução. Digase de passagem que não é competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil verificar o cumprimento do Programa de Alimentação do Trabalhador e sim do Ministério do Trabalho e Emprego e para isso, repisese, a empresa precisa estar regularmente inscrita nesse programa. Ao órgão de fiscalizador cabe somente o lançamento das contribuições devidas em relação a pessoa jurídica que, não fazendo parte PAT, tenta se valer indevidamente da isenção de contribuições sociais. Fl. 649DF CARF MF 20 Sobre a afirmação de que a falta de inscrição no PAT somente poderia ocasionar a vedação para que autuada pudesse se valer da dedução dos gastos com o auxílio alimentação no seu imposto de renda, na forma do art. 8º do Decreto nº 5/1991, de se dizer que essa afirmação não tem amparo legal, pois a exclusão do auxílioalimentação das bases de cálculo das contribuições aqui referidas pressupõe, nos termos do art. 3º da Lei nº 6.321/1976, que essa parcela seja paga no âmbito do programa de alimentação instituído pelo Ministério do Trabalho. O descumprimento dos requisitos necessários ao gozo da isenção têm como consequência lógica a incidência da exação tributária, corretamente formalizada por meio do presente auto de infração. Cabe aqui esclarecer que, não obstante o que consta do apelo recursal, o art. 111 do CTN estabelece que as normas afetas a outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente. Vale ressaltar que os pareceres e a jurisprudência suscitada pela recorrente, além não vincularem os julgadores administrativos, abordam circunstâncias diversas da retratada nos autos, não acudindo a recorrente. Quanto à realização de perícia técnica para apurar a real base cálculo do tributo (que teria sido apurado por amostragem), cabe aqui somente reproduzir trecho do acórdão recorrido a esse respeito, o qual é esclarecedor: 19.1. O Relatório Fiscal é bastante claro ao informar que, “Para o cálculo do valor do salário de contribuição referente à alimentação foram utilizados os valores pagos mensalmente a titulo de alimentação obtidos nas folhas de pagamento da empresa, nas competências 01 a 12/2007, referente ao escritório centralmatriz, tendo sido abatido o valor descontado dos segurados” (subitem 3.3, fl. ). Portanto, não se trata de “amostragem”. Ademais a informação contidas da decisão de piso pode facilmente ser conferida a partir das folhas de pagamento (65/461) e do relatório denominado “DD – Discriminativo do Débito” (fls. 6/8). Em virtude das questões aqui evidenciadas, nego provimento ao recurso quanto a esta matéria. Ajuda de Custo Inicialmente, é preciso ressalvar que a rubrica aqui analisada não guarda identidade com valores relacionados licença prêmio, auxílio transporte, auxíliocreche, auxílio babá, auxílio préescola, prêmio por produtividade, gratificação semestral ou de balanço, diárias para viagem ou participação nos lucros e resultados. Desse modo, a cantilena contida no apelo recursal a esse respeito não será objeto de análise, pois não têm nenhuma relação com a matéria em litígio e seu conteúdo não socorre o sujeito passivo em seu intento de ver afastada a atuação. As quantias em relação às quais foi efetuado o lançamento, esclarece a recorrente, foram pagas a um de seus empregados com habitualidade para auxiliar nas despesas de aluguel e, segundo entende, teriam natureza indenizatória. Como forma de dar sustentação a seus argumentos, a apelante recorre ao § 2º do art. 457 da CLT para afirmar que as ajudas de custos não se incluem no salário, devido à sua natureza indenizatória. Ocorre que referido dispositivo, na redação vigente quando da ocorrência do fato gerador, estabelece o seguinte: Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10580.724724/201001 Acórdão n.º 2402006.085 S2C4T2 Fl. 12 21 Art. 457. [...] [...] § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinqüenta por cento) do salário percebido pelo empregado. [...] Não se discorda que valores pagos pelas empresas a seus empregados, a título de ajuda de custo, como forma de ressarcir despesas comprovadamente havidas com o desempenho da atividade laboral ostentam natureza indenizatória e, dessa forma, não integram o salário ou a base de cálculo das contribuições previdenciárias e de terceiros. Ocorre que não se inclui na definição de ajuda de custo valores decorrentes da relação de trabalho destinados ao pagamento de despesas com aluguel, como na situação que aqui se apresenta. O conceito de salário trazido da legislação própria e reproduzido alhures, abrange, dentre outros, os valores pagos pela empresa para o dispêndio com moradia pelos empregados. Não é concebível que se suponha que ao rotular parcelas dessa natureza de “ajuda de custo” sobre elas deixarão de incidir contribuições previdenciárias ou de terceiros. No caso concreto, é fácil constatar que as quantias pagas ao empregado Wanderley dos Santos, sob a denominação de “ajuda de custo” não têm natureza indenizatória, restando claro seu caráter remuneratório, sendo absolutamente desnecessária a realização de perícia para se chegar a essa constatação. Também nesse ponto, a jurisprudência suscitada não guarda identidade com o caso concreto, não acudindo a recorrente. Nego provimento ao recurso. Contribuição ao SEBRAE Segundo se aborda na defesa da recorrente, a contribuição destinada ao SEBRAE tem por finalidade única e exclusiva o financiamento da Política de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, sendo que a autuada, por não integrar a categoria das micro e pequenas, não pode ser compelida ao seu recolhimento. Aduz que “o artigo 149 da Constituição Federal não deixa dúvidas de que as contribuições sociais instituídas pela União para atender os interesses de categorias econômicas, devem ser cobradas obrigatoriamente somente das respectivas empresas que se beneficiarão da contribuição”. A despeito das argumentações apresentadas no recurso voluntário, a contribuição que tem o SEBRAE como destinatário não se trata de contribuição de interesse de categorias profissionais ou econômicas, mas de contribuição de intervenção no domínio econômico. Essa questão, relativa à natureza jurídica da referida exação, está há muito pacificada no âmbito do STF tendo como importante precedente o RE nº 396.2662/SC. Também é pacífico na jurisprudência da Suprema Corte que as contribuições de intervenção no domínio econômico não exigem vinculação direta do contribuinte ou a necessidade de que esse venha a auferir benefícios com a aplicação dos recursos arrecadados em razão da tributação, como entende a recorrente. Do mesmo modo, é remansoso o entendimento jurisprudencial quanto a inclusão no pólo passivo da exação tributária das Fl. 651DF CARF MF 22 empresas empregadoras em geral, independentemente de sua natureza (civil ou comercial) ou ainda de seu porte. Diante disso, irretocáveis as conclusões insertas no acórdão recorrido, aqui adotadas como razão de decidir: Da exigibilidade das contribuições ao SEBRAE 14. Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, argumenta a defesa ser esta indevida por não integrar a empresa autuada a categoria das micro e pequenas empresas, não podendo, assim, ser compelida ao recolhimento da referida contribuição. Fazse necessário observar, no entanto, que a Constituição Federal, em seu artigo 149, estabelece que as contribuições sociais são instituídas no interesse das categorias econômicas, sem qualquer menção ao porte dos contribuintes. 14.1. Nesse sentido: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AO SEBRAE. LEI COMPLEMENTAR. A cobrança da contribuição social ao SEBRAE, por incidir sobre a folha de salários, encontra seu fundamento no art. 195, I, da Constituição da República, podendo ser viabilizada por lei ordinária. Desnecessária, pois, lei complementar. O que fez o legislador, ao criar o SEBRAE, foi instituir um adicional à contribuição já existente. Não se trata aqui de contribuição de interesse de categoria econômica a exigir a filiação do sujeito passivo, mas de contribuição de intervenção no domínio econômico que dispensa seja o contribuinte virtualmente beneficiado. (TRF QUARTA REGIÃO, AG 58786, Processo: 2000.04.01.0357476, RS, 2a Turma, Data da Decisão: 15/06/2000, DJU 06/09/2000, p. 152. (grifouse) 14.2. Cabe também observar, que a finalidade do SEBRAE se atrela aos princípios gerais da atividade econômica abrigados nos arts. 170 a 181 da CF/88, em especial nos artigos 170, IX, e 179: Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: IX tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. (Redação dada ao inciso pela Emenda Constitucional nº 06/95) Art. 179. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentiválas pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei. 14.3. A conclusão a que se chega, da análise da legislação pertinente, é que a contribuição ao SEBRAE não se destina ao financiamento de atividade própria do Estado, mas que, pela sua profunda repercussão social, interessalhe incentivar e desenvolver, não sendo, pois, o seu fato gerador que a identifica (como ocorre com Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10580.724724/201001 Acórdão n.º 2402006.085 S2C4T2 Fl. 13 23 os outros tributos, ex vi do art. 4º do CTN), mas a vinculação de sua receita aos propósitos que justificaram a sua instituição. 14.4. Assim, em virtude de sua natureza (contribuição de intervenção no domínio econômico), estando vinculada tal contribuição a uma atividade essencialmente social, cujo beneficiário é, em última análise, a coletividade como um todo, não se concebe que a obrigação em pagála, pelo sujeito passivo, pressuponha qualquer tipo de contraprestação direta ou indireta. 14.5. Cumpre observar, ainda, que o plenário do Superior Tribunal Federal já se manifestou sobre a natureza jurídica e constitucionalidade da contribuição ao SEBRAE, conforme evidencia a ementa abaixo: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. C.F., art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. As contribuições do art. 149, C.F. contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, C.F., isto não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, C.F., decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: C.F., art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: C.F., art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. II. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do D.L. 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE, no rol do art. 240, C.F. III. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º, do art. 8º, da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. IV. R.E. conhecido, mas improvido. (RECURSO EXTRAORDINÁRIO 396266 / SC SANTA CATARINA Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO – publicação DJ1 n.º 39, de 27/02/04, p. 22– Ementário n.º 21417– Tribunal Pleno). Fl. 653DF CARF MF 24 14.6. Logo, correto o lançamento, não assistindo razão à Contribuinte Contribuição ao INCRA Também a contribuição destinada ao INCRA tem natureza jurídica contribuição de intervenção na atividade econômica e, assim como já se abordou no tópico anterior, temse que a definição dos contribuintes desse tributo não exige sua vinculação direta à atividade rural ou a possibilidade de que esse possa auferir benefícios com a aplicação dos recursos advindos do tributo arrecadado. Neste ponto, também não há o que acrescer às conclusões trazidas na decisão recorrida, cujos termos fazse mister reproduzir: Da exigibilidade das contribuições ao INCRA 15. Quanto à alegação ausência de referibilidade na cobrança de contribuição ao INCRA, pelo fato de ser a Impugnante empresa urbana, assim como no caso da contribuição anteriormente tratada, é de se ressaltar que a contribuição destinada ao INCRA não tem natureza jurídica de contribuição para o custeio da Seguridade Social, tratandose, na verdade, de contribuição de intervenção no domínio econômico (itens 23 e 25 do Parecer/CJ nº 1.113/98, aprovado pelo Ministro da Previdência e Assistência Social, DOU nº 18 de 27/01/1998). Tal entendimento, a partir do julgamento dos Embargos de Declaração no REsp 770.451/SC, encontrase pacificado no Superior Tribunal de Justiça (STJ). 15.1. Assim é que, ao analisar as finalidades da autarquia INCRA (Decreto Lei n° 1.110/70, conjugado com a Lei n° 4.504/64 e com a Constituição Federal de 1988), resta evidenciada a sua natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, por ser o INCRA o órgão por meio do qual a reforma agrária é executada, de forma a implementar os preceitos constitucionais relativos à ordem econômica contidos nos arts. 170, 184 e seguintes, da Constituição Federal. 15.2. Dessa forma, para fazer frente a esses objetivos, a contribuição para o INCRA, enquanto contribuição de intervenção no domínio econômico, não se sujeita ao disposto no art. 240 da CF/88 e não se submete à exigência de vinculação direta ao contribuinte, não exigindo, assim, que esse venha a auferir benefícios diretos com a aplicação dos recursos arrecadados; basta que a contribuição descontada tenha como sujeito passivo pessoa cuja atividade econômica esteja disciplinada no Título VII da Constituição Federal. 15.3. Nesse contexto, entendese que não há qualquer inconstitucionalidade ou ilegalidade na submissão de empresas urbanas ao pagamento da questionada contribuição ao INCRA, pois não é necessário que os contribuintes sejam diretamente beneficiados pela atividade desenvolvida pelo destinatário dos recursos, ao contrário do que ocorre com as contribuições no interesse das categorias profissionais ou econômicas. 15.4. A Impugnante alega, ainda, ser indevida a cobrança do SAT, uma vez que a empresa comportaria alíquota mínima (fl. 546). Ressaltese que no presente processo não se exige a contribuição da empresa para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de capacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, mas apenas a contribuição destinada a outras Entidades ou Fundos, denominados TERCEIROS, sendo totalmente impertinente o argumento contido na peça impugnatória. Anotese, por fim, que as decisões judiciais suscitada na peça recursal, além de superadas pela jurisprudência dos tribunais superiores, não vinculam o julgador administrativo. Pelas razões trazidas a baila, nego provimento ao recurso nessa parte. Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10580.724724/201001 Acórdão n.º 2402006.085 S2C4T2 Fl. 14 25 Âmbito Constitucional das Decisões Administrativas O sujeito passivo dedica boa parte de seu apelo para defender que o julgador administrativo está obrigado a apreciar questões afetas as aspectos constitucionais das normas relacionadas ao processo administrativo fiscal. No seu entender: 87. As decisões devem se revestir de plena juridicidade, atendendo aos requisitos extrínsecos e Intrínsecos, indispensáveis à validade do ato administrativo, em razão do que têm que examinar o ordenamento jurídico aplicável às contendas que lhes são submetidas à analise, principalmente a sua adequação aos ditames constitucionais. 88. Não devem ficar vinculadas e adstritas a determinados campos normativos (leis complementares, ordinárias, regulamentos, etc), nem obedecer cegamente às orientações internas das Fazendas, no caso desses preceitos encontraremse eivados de inconstitucionalidade. Não obstante os argumentos trazidos no apelo recursal, a teor art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, aos órgãos de julgamento administrativo é vedado afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, excetuando apenas os casos elencados no próprio Decreto, os quais não têm relação com o objeto da presente lide. Vejamos: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. No mesmo sentido é o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em relação à segunda instância administrativa: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 655DF CARF MF 26 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Em vista das normas processuais reproduzidas acima, vêse que não é lícito a este Colegiado a análise da constitucionalidade de atos legais ou regulamentares, mediante afastamento de sua aplicação. Além disso, de conformidade com a Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, é vedado a esta Corte Administrativa pronunciarse sobre constitucionalidade de lei. In verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta feita, temse como não sendo possível aos órgãos de julgamento administrativos afastarem lançamento de crédito tributário sob o fundamento de que as normas legais que lhe dão suporte ferem princípios consagrados na Carta da República, pois, admitir ao julgador administrativo tal análise equivaleria invadir competência exclusiva do Poder Judiciário. Sem razão a recorrente. Caráter Confiscatório da Multa Aplicada Embora entenda sobremaneira exagerada a afirmação recursal de que a multa aplicada, no valor de R$ 127,06 (vide DD – Discriminativo do Débito – fl. 8), tenha intuito confiscatório e, do mesmo modo, entenda despropositada a assertiva de que a incidência da Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10580.724724/201001 Acórdão n.º 2402006.085 S2C4T2 Fl. 15 27 penalidade representaria um locupletamento sem razão de ser na esfera patrimonial da contribuinte, apenas por respeito ao debate jurídico, passo à análise do pleito da recorrente. A partir do exame do Auto de Infração e seus anexos, verificase que a autoridade autuante pautouse nas disposições legais relativas à matéria para a determinação da multa aplicada. Do mesmo modo, já se esclareceu que o CARF não tem competência para afastar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade. De mais a mais, a vedação ao confisco referida no texto constitucional é regra dirigida ao legislador, e que deve ser observada por ocasião da elaboração das leis. À autoridade administrativa, cabe aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Sobre a contestação apresentada de que “foram aplicadas multa que atingiram o patamar de 75% do débito (setenta e cinco por cento), embora no Acórdão recorrido informe a RFB ter utilizado a multa em 25%”, não é preciso um grande esforço matemático para constatar o equívoco cometido pela recorrente, pois, considerando que o tributo apurado equivale a R$ 529,51, e a multa de ofício a 127,06, concluise com certa facilidade que o percentual da multa equivale a 24% do valor do tributo e não a 75% como imagina o sujeito passivo. Confirase os dados extraídos do DD – Discriminativo do Débito: CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso para, indeferir os pedidos de realização de perícia, produção de novas provas e de ciência do resultado do julgamento no endereço dos representantes legais da recorrente, afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 657DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.907763/2011-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Estabelece-se como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerando-se pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Havendo despacho decisório antes de ultrapassado o lapso temporal da decadência, não há que se falar em homologação tácita.
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
LucianaYoshihara Arcangelo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelece-se como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerando-se pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Havendo despacho decisório antes de ultrapassado o lapso temporal da decadência, não há que se falar em homologação tácita. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Havendo despacho decisório antes de ultrapassado o lapso temporal da decadência, não há que se falar em homologação tácita. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto da Relatora. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 77 63 /2 01 1- 96 Fl. 101DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) LucianaYoshihara Arcangelo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10680.907763/201196 Acórdão n.º 1401002.433 S1C4T1 Fl. 102 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do 0655.949 2ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o despacho decisório. O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 930816021 emitido eletronicamente em 04/05/2011, fls. 38, referente ao PER/DCOMP nº 41313.01028.040608.1.7.048805 (doc. de fls. 39/46). A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a CSLL, recolhido em 24/04/2001 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade (fl. 2/9), alegando o que se segue: Com vistas a evitar a decadência de seu crédito, apresentou, em 19/05/2007, pedido de restituição, para que não perdesse o direito a sua utilização e durante o prazo de cinco anos a Fazenda Pública não se manifestou a respeito do pedido de restituição, ocorrendo, desta forma, a sua homologação em 19/05/2010. Na data de 24/04/2001, recolheu indevidamente valores a título de CSLL relativos ao anocalendário de 1997. Neste contexto, em 2007, enviou DCOMP (retificada posteriormente), utilizando o crédito de CSLL, para quitar débitos. Ao final requereu a reforma do despacho decisório recorrido para que seja julgada a manifestação de inconformidade procedente, declarando a insubsistência da cobrança do débito constante na Declaração de Compensação não homologada. Após reconhecida a inexistência de decadência em relação ao pedido de restituição protocolado pelo contribuinte, quanto ao mérito, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, considerando as quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ. Inconformada apresentou Recurso Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado para o reconhecimento do seu saldo creditório de CSLL Fl. 103DF CARF MF 4 É o relatório do essencial. Tabela do plano Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresentam os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. O Acórdão DRJ entendeu que não houve, em relação ao pedido de restituição original, a homologação tácita do direito creditório nele envolvido, como sustenta a Impugnante. Isso porque não existe para o pedido de restituição nenhum prazo legal para a homologação do correspondente crédito, por parte da Fazenda Pública. O que se tem, no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação da Lei n° 10.833, de 2003), é que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Ou seja, a lei prevê prazo de homologação para a compensação, e não para o crédito objeto de pedido de restituição. Vale lembrar, nesse sentido, que somente a lei é quem pode determinar prazo limite para que o interessado (seja contribuinte ou fisco) aja, por si só, no sentido de constituir o seu direito. E, como já se viu, o que há é o prazo legal para que o sujeito passivo exerça o seu direito de pleitear restituição de suposto crédito (art. 168, do CTN), mas não para que a fazenda o homologue expressamente. Entretanto, como contraponto disso, a lei impôs à Fazenda Pública o prazo de 5 (cinco) anos para homologar, ou não, expressamente a compensação declarada pelo sujeito passivo. Ocorreu, então, que o contribuinte, valendose do mesmo crédito que suponha possuir, enviou, 2007, DCOMP, para quitar débitos. Logo, o prazo de homologação dessa compensação contra a Fazenda Pública teve início em 2007; e o termo final seria em 2012. Portanto, em data posterior à do despacho decisório. Preliminar homologação tácita. A princípio, esclareço que, no que diz respeito possibilidade da ocorrência de homologação tácita de Declaração de Compensação protocolizada em 30/03/2001, portanto anterior a Lei 10.833/03, adoto os fundamentos de precedente recente da 3a. Turma da CSRF, no sentido de que nos pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Autoridade Administrativa, convertidos em declarações de compensação, por força da Lei nº 10.637/2002, a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da declaração de compensação. De maneira que, tendo transcorrido este prazo, homologase tacitamente a compensação declarada, sendo definitivamente extintos os débitos tributários ali contemplados, independentemente da existência ou suficiência dos direitos creditórios. Referido Acórdão n. 9303003.900, proferido em 19/05/2016, restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10680.907763/201196 Acórdão n.º 1401002.433 S1C4T1 Fl. 103 5 compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Recurso Especial do Procurador Negado. Contudo, no caso em questão, os requisitos para reconhecimento da homologação tácita, não encontramse preenchidos, pois conforme descrito minuciosamente conforme relatado. Mérito. Quanto ao mérito, o acórdão DRJ restou fundamentado na inexistência de crédito recolhido indevidamente ou a maior a ser compensado. Na sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alega, genericamente, que o seu crédito originouse de um pagamento a maior realizado em 24/04/2001, referente à CSLL (cód. 2484), cujo período de apuração era 01/09/1997. Por sua vez, a Declaração de Compensação aqui analisada indica, como origem do crédito, pagamento indevido ou a maior, discriminando DARF utilizado no recolhimento de estimativa Como se verifica, os recolhimentos foram efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados (o suposto crédito postulado no presente processo referese ao período de apuração 01/09/1997). Portanto, não se caracterizou a existência de pagamento indevido ou a maior. Inexiste, pois, direito creditório a ser reconhecido para o contribuinte, como pagamento indevido ou maior, uma vez que o pagamento da estimativa foi exatamente igual ao débito apurado. Durante o recurso voluntário, afirma que encerrou o ano de 1997 com prejuízo, contudo ser oferecer maiores elementos em relação esse processo. Por isso, nego provimento ao Recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 13931.000126/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/08/2005
DECADÊNCIA - OCORRÊNCIA. Aplica-se o § 4º, do artigo 150, do CTN, para o mês de março de 2005, já que o tributo é sujeito ao lançamento por homologação e houve pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inciso III, do RIPI/2002, reproduzido no art. 183, parágrafo único, inciso III, do RIPI/2010.
GLOSA DE CRÉDITO - LEGALIDADE. A escrituração de créditos do IPI, sobre a aquisição ou consumo de gás, oxigênio e energia elétrica, não atende o conceito regulamentar de insumos e a inexistência de ordem judicial, em sentido contrário, na parte dispositiva da sentença ou acórdão, autoriza a glosa efetuada.
CORREÇÃO MONETARIA. NÃO APLICAVEL SÚMULA 411/STJ. Não atendidos os requisitos para aplicação da sumula STJ já que não houve oposição administrativa à utilização do crédito.
Numero da decisão: 3401-005.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência em relação às glosas anteriores a 23/03/2005..
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/03/2005 a 31/08/2005 DECADÊNCIA - OCORRÊNCIA. Aplica-se o § 4º, do artigo 150, do CTN, para o mês de março de 2005, já que o tributo é sujeito ao lançamento por homologação e houve pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inciso III, do RIPI/2002, reproduzido no art. 183, parágrafo único, inciso III, do RIPI/2010. GLOSA DE CRÉDITO - LEGALIDADE. A escrituração de créditos do IPI, sobre a aquisição ou consumo de gás, oxigênio e energia elétrica, não atende o conceito regulamentar de insumos e a inexistência de ordem judicial, em sentido contrário, na parte dispositiva da sentença ou acórdão, autoriza a glosa efetuada. CORREÇÃO MONETARIA. NÃO APLICAVEL SÚMULA 411/STJ. Não atendidos os requisitos para aplicação da sumula STJ já que não houve oposição administrativa à utilização do crédito.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 255 1 254 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13931.000126/201003 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.037 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2018 Matéria IPI Recorrente METALURGICA SCHIFFER S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2005 a 31/08/2005 DECADÊNCIA OCORRÊNCIA. Aplicase o § 4º, do artigo 150, do CTN, para o mês de março de 2005, já que o tributo é sujeito ao lançamento por homologação e houve pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inciso III, do RIPI/2002, reproduzido no art. 183, parágrafo único, inciso III, do RIPI/2010. GLOSA DE CRÉDITO LEGALIDADE. A escrituração de créditos do IPI, sobre a aquisição ou consumo de gás, oxigênio e energia elétrica, não atende o conceito regulamentar de insumos e a inexistência de ordem judicial, em sentido contrário, na parte dispositiva da sentença ou acórdão, autoriza a glosa efetuada. CORREÇÃO MONETARIA. NÃO APLICAVEL SÚMULA 411/STJ. Não atendidos os requisitos para aplicação da sumula STJ já que não houve oposição administrativa à utilização do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência em relação às glosas anteriores a 23/03/2005.. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 1. 00 01 26 /2 01 0- 03 Fl. 255DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração, no valor de R$384.932,80, decorrente da glosa de créditos de IPI, nos períodos de 03/2005 a 08/2005, conforme Despacho Decisório nº 31/2010, proferido no processo nº 10940.000251/200029, que trata da análise e acompanhamento do Mandado de Segurança nº 2000.70.09.0006310, favorável ao contribuinte, transitado em julgado em 18/03/2004. A autoridade fiscal entendeu que os custos com energia elétrica, gás e oxigênio, não estão incluídos no conceito de insumo, previsto no Art. 164, I do RIPI/02, recomendando, dentre outras providências administrativas, a lavratura de lançamento de ofício em relação aos débitos não declarados em DCTF. A interessada tomou ciência do Auto de Infração em 23/03/2010, fls. 219, e irresignada apresentou sua Impugnação em 08/04/2010, fls. 155 a 213. A DRJ em Ribeirão Preto, por unanimidade de voto, julgou improcedente a impugnação publicando a ementa do Acórdão nº 1442.321, de 29 de maio de 2013: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA. Verificado nos autos que a ciência do lançamento se operou dentro do quinquênio decadencial subsequente ao período de apuração da escrituração dos créditos indevidos e que foram glosados pela autoridade fiscal, há de se reconhecer a inexistência de decadência. NULIDADE – INEXISTÊNCIA. A imutabilidade material advinda da coisa julgada não protege fatos e situações que estejam fora do direito reconhecido judicialmente, possuindo, a autoridade fiscal, legítimo interesse para corrigir os efeitos decorrentes na defesa do crédito tributário, indisponível que é. GLOSA DE CRÉDITO – LEGALIDADE. A escrituração de créditos do IPI, sobre a aquisição ou consumo de gás, oxigênio e energia elétrica, não atende o conceito regulamentar de insumos e a inexistência de ordem judicial, em sentido contrário, na parte dispositiva da sentença ou acórdão, autoriza a glosa efetuada. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13931.000126/201003 Acórdão n.º 3401005.037 S3C4T1 Fl. 256 3 Cientificada do acórdão de impugnação a empresa apresentou recurso voluntário em que alega e solicita: 1. Preliminarmente, alega falta de interesse de agir em virtude da não observância de decisão judicial e decadência do período de 10/03/2005; 2. Que tem direito a crédito de insumos e matériaprima; 3. Que a vedação imposta pelo fiscal ao aproveitamento dos créditos, sob o argumento de que os gastos com energiaelétrica, gás e oxigênio devem seguir o entendimento oficial da Receita Federal do Brasil, não pode prosperar, posto que solicitou em sua petição inicial o provimento judicial ao creditamento ora negado; 4. Critério para utilização dos créditos de IPI nas aquisições; 5. Que tem direito à correção dos créditos, uma vez que a vedação ao aproveitamento de tais créditos foi efetuada pela própria Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e tempestividade, por isso dele tomo conhecimento. Decisão Judicial Preliminarmente a recorrente alega falta de interesse de agir em virtude da não observância de decisão judicial. Em 12/03/2010 a requerente apresenta resposta ao termo de início de fiscalização, fls. 120 a 122, onde declara que “não possui processos administrativos e judiciais, em andamento ou transitado em julgado, que visem questionar quaisquer aspectos referentes ao IPI do período de jan/2004 a dez/2005”. Entretanto, a recorrente possuía ajuizado o MS nº 2000.70.09.0006310, na 2ª Vara de Ponta Grossa/PR, desde 25/02/2000, visando o reconhecimento de seu direito ao creditamento do IPI das matériasprimas isentas, não tributadas ou reduzidas à alíquota zero, empregadas na fabricação de produtos industrializados, como ela própria afirma em impugnação e depois em Recurso Voluntário. Sendo que o acórdão do TRF 4ª Região foi publicado em 02/05/2001, “dando parcial provimento para reconhecer o direito ao crédito resultante das operações de aquisição de produtos isentos do pagamento do IPI ou tributados à alíquota zero, ressalvado o prazo de prescrição quinquenal”. Em 02/03/2004 a decisão transitou em julgado no STJ, a qual negou seguimento ao recurso da Fazenda Nacional. A DRF Ponta Grossa/PR emitiu o despacho decisório nº 31/2010, em 22/02/2010, onde analisa a abrangência da ação judicial transitada em julgado e autua a empresa, fl. 145, sobre o creditamento indevido de matériasprimas que não são enquadradas Fl. 257DF CARF MF 4 no conceito do insumo conforme art. 164, inciso I, do RIPI/2001, já que a decisão judicial não se manifesta sobre o que seja insumo. Da leitura da inicial, da decisão judicial e dos votos no acórdão do TRF4 não encontrei a definição do que deverá ser considerado insumo para fins de aplicação da decisão judicial. O pleito judicial da recorrente foi genérico, o que induziu a decisão judicial a ser genérica também. Portanto o melhor entendimento é que deve ser seguido o conceito de insumo adotado pelas normas legais, no caso deve ser aplicado o art. 164, inciso I, do RIPI/2002 cc Parecer CST 65/79. Quanto a alegação de falta de interesse de agir por não ter sido observado os limites da decisão judicial, entendo incabível a alegação já que foi respeitado pela autoridade fiscal os limites da ação. A fiscalização acatou a decisão judicial que determinou “parcial provimento para reconhecer o direito ao crédito resultante das operações de aquisição de produtos isentos do pagamento do IPI ou tributados à alíquota zero, ressalvado o prazo de prescrição quinquenal”, entretanto, como já explicado, havia insumos que não se enquadravam no conceito estipulado no art. 164, inciso I do RIPI 2002. O que a fiscalização fez foi separar os insumos segundo o comando legal e refazer os cálculos. Decadência A recorrente alega decadência do período de 10/03/2005, conforme expõe em seu recurso voluntário: Alega que a contagem de prazo decadencial deve ser contada da data da ocorrencia do fato gerador, confome art. 150 CTN: As diferenças cobradas decorrem de apuração do IPI decorrentes da glosa administrativa de compensações de créditos de IPI, e que foram objeto de auto de infração, cuja ciência ocorreu em 23/03/2010. O contribuinte apresentou DCTF e nos cálculos refeitos pela fiscalização apurouse que o saldo era insuficiente para cobrir os débitos calculados pela contabilidade da empresa. Ressaltese que a fiscalização afirma que os débitos não foram confessados em DCTF, por isso foi efetuado o lançamento: Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13931.000126/201003 Acórdão n.º 3401005.037 S3C4T1 Fl. 257 5 ... A respeito da decadência, já se pronunciou por diversas vezes esse colegiado. Reproduzo o voto do ilustre Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, no acórdão nº 3401 003.840, de 29 de junho de 2017, com basicamente a mesma composição do colegiado atual, que trata de assunto similar: ... Tendo sido o presente lançamento de ofício cientificado em 20/10/2010, alega a recorrente que o prazo decadencial do § 4º, do artigo 150, do CTN, deve ser aplicado ao caso, no período de julho a setembro de 2005, já que o tributo é sujeito ao lançamento por homologação. Sobre a matéria, a decisão recorrida concluiu que, no caso concreto, devese observar que a empresa não destacou IPI nas notas fiscais de venda, não incluiu estes valores no livro de apuração de IPI, não informou os valores devidos em DIPJ e DCTF, nem mesmo com suspensão de exigibilidade, nem existe depósito judicial quanto aos valores devidos a este título, não havendo que se falar em homologação tácita ou expressa, sendo que e a análise da decadência deve ser feita como no lançamento de ofício, que é regido pelo art. 173, I, do CTN, abaixo transcrito. Quanto à controvérsia estabelecida, sobre o termo inicial de contagem do prazo decadencial, aplicase a regra hermenêutica do Código Tributário Nacional CTN, dependente da existência (150, § 4º) ou inexistência (173, I) de pagamento antecipado, consolidada pelo Superior Tribunal de Justiça, na Súmula STJ nº 555 e no julgamento do REsp nº 973.733/SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, do art. 543C, do Fl. 259DF CARF MF 6 CPC/1973, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015. ... Sendo incontroversa a inexistência de pagamento antecipado, deverseia, portanto, ser aplicada a regra do art. 173, inciso I, do CTN, afastandose, assim, a decadência argüida, visto que, a ciência ocorreu em 20/10/2010, dentro do prazo decadencial para lançamento de ofício referente a janeiro de 2005, que se encerraria em 31/12/2010. Porém, dentre os diversos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, especificamente para o IPI, importante destacar que, existe dispositivo normativo equiparando dedução de créditos à pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inciso III, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/20022, aprovado pelo Decreto 4.544/02, com fulcro no art. 150, caput e §1º, na Lei nº 5.172/66; reproduzido no art. 183, parágrafo único, inciso III, do RIPI/2010, aprovado pelo Decreto nº 7.212/10. Compulsando os autos, constatase às fls. 49/149, o Livro Registro de Apuração do IPI RAIPI, cujos DEMONSTRATIVO DE IPI, reproduzem a apuração do imposto, com a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, considerandose pagamentos, nos termos da legislação supracitada. Portanto, assiste razão à recorrente ao alegar que o prazo decadencial previsto no § 4º, do artigo 150, do CTN deve ser aplicado ao caso, para os meses de julho, agosto e setembro de 2005, já que o tributo é sujeito ao lançamento por homologação e houve pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inciso III, do RIPI/2002, reproduzido no art. 183, parágrafo único, inciso III, do RIPI/2010, ainda mais, apurados saldos credores nesses três meses, mesmo depois da reconstituição da escrita (fl. 197). Assim, acolho o recurso voluntário, nesse ponto, reconhecendo a decadência suscitada, para o período de julho a setembro de 2005, cancelandose o efeito do lançamento efetuado, sobre a recomposição do saldo da escrita reconstituída, visto, nesse período, inexistir cobrança de tributos ou multas, mesmo isoladas, mantendose o saldo credor, acumulado até 09/2005, em R$ 63.984,21, conforme valor escriturado antes da reconstituição (fl. 199). Assim, tomandose o saldo credor acumulado, até setembro de 2005, no valor original de R$ 63.984,21, temse, como efeito reflexo, o cancelamento integral das cobranças dos PA de 10/2005 (R$ 6.037,84); 11/2005 (R$ 24.336,75); 12/2005 (R$ 21.819,06); e, parcial, da cobrança do PA de 01/2006 (de R$ 17.859,61, para R$ 6.069,05). Portanto, a decadência deve ser contada a partir da ciência do lançamento, realizado de ofício e sem confissão de dívida em DCTF, ou seja a partir de 23/03/2010. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13931.000126/201003 Acórdão n.º 3401005.037 S3C4T1 Fl. 258 7 Entretanto, conforme explicado no acórdão citado, existe dispositivo normativo equiparando dedução de créditos à pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inciso III, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/20022, aprovado pelo Decreto 4.544/02, com fulcro no art. 150, caput e §1º, na Lei nº 5.172/66; reproduzido no art. 183, parágrafo único, inciso III, do RIPI/2010, aprovado pelo Decreto nº 7.212/10. Compulsando os autos, constatase às fls. 91 e sgs, o Livro Registro de Apuração do IPI RAIPI, podemos observar que houve acertos de contas, débitos com créditos, resultando em valor devedor, pago em DARF, conforme informado pelo contribuinte, fls 121 e sgs, ainda que, conforme relata a fiscalização, os débitos que estão informados não refletem a totalidade dos débitos apurados. Portanto, assiste razão à recorrente ao alegar que o prazo decadencial previsto no § 4º, do artigo 150, do CTN deve ser aplicado ao caso, para o mês de março de 2005, já que o tributo é sujeito ao lançamento por homologação e houve pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inciso III, do RIPI/2002, reproduzido no art. 183, parágrafo único, inciso III, do RIPI/2010. Assim, acolho o recurso voluntário, nesse ponto, reconhecendo a decadência suscitada, para as glosas anteriores a 23 de março de 2005. Insumos A recorrente alega que tem direito a crédito de insumos e matériaprima e que a vedação imposta pelo fiscal ao aproveitamento dos créditos, sob o argumento de que os gastos com energiaelétrica, gás e oxigênio devem seguir o entendimento oficial da Receita Federal do Brasil, não pode prosperar, posto que solicitou em sua petição inicial o provimento judicial ao creditamento ora negado. Conforme já esclarecido inicialmente no voto deve ser aplicado os limites impostos pela decisão judicial que determinou dar “parcial provimento para reconhecer o direito ao crédito resultante das operações de aquisição de produtos isentos do pagamento do IPI ou tributados à alíquota zero, ressalvado o prazo de prescrição quinquenal”. Não há na decisão judicial a indicação de quais os insumos deverão ser considerados. Apesar de o contribuinte ter citado em sua inicial, genericamente, quais os insumos que utiliza em seu processo produtivo e que considera devem ser creditados para efeitos de IPI. Por isso, em reiteradas decisões, esse Conselho tem entendido pela aplicação do art. 164, inciso I do RIPI 2002. Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no Fl. 261DF CARF MF 8 processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Também socorre a interpretação o Parecer Normativo CST nº 65/1979, que apesar de já publicado há muitas décadas é o entendimento utilizado até hoje para definição do alcance da lei e ele é citado reiteradas vezes nas decisões do CARF: 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matériasprimas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matérias primas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matérias primas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matérias primas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13931.000126/201003 Acórdão n.º 3401005.037 S3C4T1 Fl. 259 9 consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. 7 Outrossim, aceita, em que pese a contradição lógico formal, a tese de que para os produtos que não sejam matérias nem produtos intermediários ‘stricto sensu’, vigente o RIPI/79, o direito ou não ao crédito deve ser deduzido exclusivamente em função do critério contábil ali estatuído, estarseia considerando inócuas diversas palavras constantes do texto legal, de vez que bastaria que o referido comando, em sua segunda parte, rezasse “...e os demais produtos que forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens ao ativo permanente”, para o mesmo resultado. 7.1 Tal opção, todavia, equivaleria a pôr de lado o princípio geral de direito consoante o qual ‘a lei não deve conter palavras inúteis’, o que só é lícito fazer na hipótese de não se encontrar explicação para as expressões inúteis. 8 No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão ‘incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto forem consumidos no processo de industrialização’ é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do artigo 27 de Decreto 56.791/65, inciso I do artigo 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários ‘stricto sensu’, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1 A norma constante do direito anterior (inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito do crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2 O dispositivo vigente inciso I do artigo 66 do RIPI/79 por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9 Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no Fl. 263DF CARF MF 10 novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão ‘consumidos’ sobretudo levandose em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 11 Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente.” Logo da leitura do artigo 164 e do Parecer acima reproduzido temos que somente darão direito a crédito, além das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens, que não forem contabilizados no ativo permanente, que se consumam por decorrência de um contato físico sobre o produto em fabricação. Conforme já decidido reiteradas vezes por esse CARF somente podem ser considerados produtos intermediários para aproveitamento de créditos do IPI aqueles produtos que forem consumidos no processo produtivo mediante ação direta do insumo sobre o produto em fabricação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/07/2003 a 31/12/2003 IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CARACTERIZAÇÃO. Caracterizamse como produtos intermediários, para a finalidade de aproveitamento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aqueles não compreendidos entre os bens do ativo permanente que, embora não se Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13931.000126/201003 Acórdão n.º 3401005.037 S3C4T1 Fl. 260 11 integrando ao novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados imediata e integralmente no processo de industrialização, em função de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. Inteligência dos Pareceres Normativos CST nºs 181/74 e 65/79 e REsp 1.075.508/SC (art. 543C do Código de Processo Civil). Acórdão nº 3401003.057, de 26 de janeiro de 2016, Conselheiro Robson José Bayerl. Ora, a recorrente industrializa carrocerias e derivados, e para a produção dos produtos, segundo consta em seu Recurso Voluntário, adquire vários produtos que classifica como insumos. A fiscalização propôs a glosa de energia elétrica, gás e oxigênio. A empresa alega que o gás e o oxigênio são utilizados no processo de solda do produto final e a energia elétrica é imprescindível no seu processo de industrialização. A recorrente não demonstrou ou apresentou provas sobre o enquadramento dos produtos glosados serem produtos intermediários e sofrerem ação direta sobre o produto em fabricação. Do mesmo modo, o contribuinte não apresenta provas sobre o uso do gás e do oxigênio no produto final, apenas alega que são utilizados no processo de solda, sem apresentar documentos. Logo, não merece prosperar o pedido de considerar esses insumos glosados pela fiscalização. Utilização dos créditos de IPI A recorrente alega que a escrituração do crédito de IPI foi efetuada utilizandose a alíquota média de saída prevista para os produtos industrializados que a empresa produz. Baseou seu procedimento em precedentes jurisprudenciais. Segundo consta no Despacho Decisório foi aplicada a alíquota do IPI indicada para o produto final: Fl. 265DF CARF MF 12 Conforme já analisado no acórdão recorrido, reproduzo parte do acórdão ao qual me filio: Esclarece, a Impugnante, que na escrituração dos créditos de IPI utilizou se da alíquota média de saída de seus produtos, baseandose em vários precedentes jurisprudenciais. Ocorre que a Impugnante abandonou o mandamento judicial, transitado em julgado, a ela específico, quanto a apuração de seus créditos e apuração do IPI. À Impugnante não lhe está autorizado fazer o que lhe é conveniente. Lembro, que a atividade tributária é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 3º do CTN, sendo a lei o parâmetro de comportamento esperado e exigido, ou, no caso concreto dos autos, a decisão judicial transitada em julgado. Portanto, não se espera outra conduta dos agentes públicos se não o cumprimento da ordem judicial transitada em julgado. E foi exatamente isso que fez a autoridade fiscal e que redundou no lançamento ora impugnado. Direito a corrigir os créditos Por fim, a recorrente alega que tem direito à correção dos créditos, uma vez que a vedação ao aproveitamento de tais créditos foi efetuada pela própria Fazenda Nacional. Sobre a matéria, o STJ pacificou entendimento, sob a sistemática de recursos repetitivos, de que é devida a atualização monetária dos créditos escriturais de IPI nos casos em que o direito ao creditamento não foi exercido no momento oportuno, em razão da oposição de ato administrativo ou normativo reiterado, REsp nº 1.035.847/RS, de reprodução obrigatória nos julgados deste Conselho, a teor do art. 62 do Anexo II do RICARF: 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13931.000126/201003 Acórdão n.º 3401005.037 S3C4T1 Fl. 261 13 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. (REsp 1035847 RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) O REsp restou sumulado pelo STJ: SÚMULA nº 411/STJ É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Entretanto, para o que seja aplicada a súmula é de se observar que não há previsão legal para a atualização monetária de crédito escritural e cabe a atualização quando constatada a oposição ilegítima e constante da Administração, seja por ato administrativo ou normativo. No caso concreto não se constata a oposição ilegítima da administração, logo não está atendido o requisito necessário para aplicação da atualização monetária do crédito pleiteado. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e dar provimento parcial para reconhecer a decadência do mês de março de 2005. Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 267DF CARF MF 14 Fl. 268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14486.000622/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/09/2003, 01/12/2003 a 31/01/2004
01/03/2004 a 31/12/2006
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-001.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Sílvia de Brito Oliveira, Helder Massaaki Kanamaru (Suplente convocado), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
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Recorrida DRJ CURITIBA (PR) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/09/2003, 01/12/2003 a 31/01/2004 01/03/2004 a 31/12/2006 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Sílvia de Brito Oliveira, Helder Massaaki Kanamaru (Suplente convocado), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta (Presidente à época do julgamento). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 6. 00 06 22 /2 00 8- 01 Fl. 846DF CARF MF Processo nº 14486.000622/200801 Acórdão n.º 3402001.780 S3C4T2 Fl. 847 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o presente processo de auto de infração, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, lavrado em 24/06/2008, contra a contribuinte em epígrafe, exigindo crédito tributário total de R$ 1.359.639,81, calculado até maio de 2008. Cientificada da exigência fiscal em 30/06/2008 (fl. 12), a interessada, por intermédio do procurador habilitado, apresentou impugnação em 24/07/2008 (fls. 569 a 621), cujo teor é sintetizado a seguir. No item "I. Breve Relato Fático" a contribuinte informa que é uma empresa que atua no ramo de prestação de serviços de terceirização de mãodeobra temporária e que para efetuar esta atividade possui autorização junto ao Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei n° 6.019/74. Discorre sobre a pretensão da Receita Federal postulada através do auto de infração, quanto ao recolhimento das contribuições (PIS e Cofins), o qual realiza a tributação sobre o total das Notas Fiscais emitidas pela recorrente e paga pelos seus clientes, sem observar a composição das mesmas, bem como a real remuneração pelos serviços prestados. Diz que as Notas Fiscais e Faturas são compostas de salários dos trabalhadores temporários, encargos devidos sobre a folha de pagamento e da taxa de agenciamento ou administração. Alega que a base de cálculo para os tributos PIS e COFINS deve ser o valor da taxa de agenciamento ou administração constantes em suas faturas, que a tributação pretendida sobre o valor total das Notas Fiscais e Faturas é improcedente, e que em todo o período compreendido pela fiscalização efetuou o recolhimento com base de cálculo superior à sua taxa de administração, tendo em vista que seus tomadores efetuaram a retenção prevista no artigo 3º da Lei n° 10.833/2003 sobre os totais das notas fiscais, tendo, portanto, créditos em vez de débitos. Traz a informação que o objeto social principal da empresa é a locação de mãodeobra temporária, mas que também exerce as atividades de Marketing e Eventos de forma sazonal e com acréscimo extraordinário de serviços. Diz que atividade de intermediação de mãodeobra tem por finalidade intermediar e agenciar trabalhadores temporários, em prol da empresa tomadora de serviços, que o custo da intermediação e da administração desta mãodeobra é comumente denominado pelo setor de "taxa de administração" Fl. 847DF CARF MF Processo nº 14486.000622/200801 Acórdão n.º 3402001.780 S3C4T2 Fl. 848 3 ou "taxa de serviços" e que "a empresa recorrente não presta os serviços que serão executados pelos empregados temporários contratados, bem como, não possui qualquer tipo de relação de subordinação com os mesmos, mas apenas seleciona e os cedem a terceiros, que são os tomadores de serviços". Reafirma que a base de cálculo correta para o seu caso é a efetivo valor recebido a título de "taxa de agenciamento ou administração” e informa que ajuizou, em 31 de julho de 2007, o Mandado de Segurança de n° 2007.70.00.0222765, distribuído para a 4º Vara Federal de Curitiba/PR, pretendendo a tributação nos exatos termos expostos. Informa, também, que em abril de 2008, o Tribunal Regional da 4º Região concedeu parcialmente a segurança pleiteada no mandado de segurança acima citado, conforme a ementa do julgado, a qual dispõe: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS TEMPORÁRIOS. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. LCS 70/91 E 07/70. LEIS N° 9.718/98, 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS todas as entradas havidas na contabilidade das empresas prestadoras de serviços temporários, senão que apenas as receitas por ela auferidas, sendo, tãosomente neste particular, irrelevantes o tipo de atividade exercida ou a classificação contábil adotada para as receitas. 2. No que tange às empresas de serviços temporários, portanto, cuja função é arregimentar trabalhadores que, por sua vez, prestam labor às empresas tomadoras, os valores por estas transmitidos àquelas e que têm por destino a remuneração dos empregados, vez que não são apropriados pela empresa cedente de mãodeobra, senão que pelos trabalhadores mesmos, não se sujeitam à incidência do PIS e da COFINS. restando não alcançados pelos arts. 2º da LC nº 70/91 e 3º da LC n° 07/70, nem tãopouco pelos art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e art. 1º da Lei n° 10.833/2003. 3. Apelação provida em parte. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 1" Turma do Tribunal Regional Federal da 4" Região, por unanimidade, dar provimento parcial à apelação, nos termos do relatório, votos e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 09 de abril de 2008. Cópia do citado Acórdão foi juntado pela contribuinte à impugnação, conforme se verifica às fls. 614 a 621. Fl. 848DF CARF MF Processo nº 14486.000622/200801 Acórdão n.º 3402001.780 S3C4T2 Fl. 849 4 No item "II. Do Direito" a impugnante discorre sobre a tese jurídica que lhe concede suporte para o seu entendimento, brevemente relatado no item I. Fundamenta sua posição nos subitens "Da locação de mãodeobra”', "Da correta conceituação de receita". "Da incidência do PIS e COFINS sobre a prestação de serviços da autora" e "Importantes precedentes jurisprudenciais", reafirmando o seu entendimento, ou seja, em síntese, que a receita para o seu caso deve ser somente a "taxa de agenciamento ou administração" e que esta receita é que deve ser a base de calculo para a incidência do PIS e COFINS sobre a prestação de serviços realizado pela empresa. No item ''III – Da necessidade de realização de perícia contábil a empresa sustenta a necessidade de perícia contábil "para se apurar nos registros contábeis da empresa quais valores integram sua efetiva receita ou faturamento, e quais valores compõem meras entradas e saídas, verificandose quais os valores efetivamente devidos a título de PIS e COFINS", e também para se verificar o possível crédito em favor da recorrente, tendo em vista a sistemática de retenção sobre os valores totais das notas fiscais emitidas. Por último, no item IV. Dos Pedidos a contribuinte faz as seguintes solicitações: o recebimento da impugnação administrativa; a realização da necessária perícia administrativa; e a anulação do auto de infração lavrado, com posterior lavratura de novo auto de infração, se for o caso, ou o creditamento de valores de indébito tributário recolhido a maior pela empresa. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ Curitiba julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 0629.437, cuja ementa abaixo reproduzo, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/09/2003, 01/12/2003 a 31/01/2004, 01/03/2004 a 31/12/2006 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após o procedimento fiscal do lançamento, com o mesmo objeto, implica a renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela Autoridade Administrativa a que caberia o julgamento. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. Considerase nãoformulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos legais. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Fl. 849DF CARF MF Processo nº 14486.000622/200801 Acórdão n.º 3402001.780 S3C4T2 Fl. 850 5 Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese: a) Que é empresa de intermediação de mãodeobra é prestadora de serviços e tem por finalidade intermediar e agenciar trabalhadores temporários, em prol da empresa tomadora de serviços, possibilitando que esta possa focalizar seus esforços em sua atividade primordial, deixando a encargo da agenciadora o cuidado de administrar os recursos humanos colocados à sua disposição; b) Que não presta os serviços que serão executados pelos empregados temporários contratados, bem como, não possui qualquer tipo de relação de subordinação com os mesmos, mas apenas seleciona e os cedem a terceiros, que são os tomadores de serviços. Portanto, a base de cálculo do PIS e da Cofins deve ser o valor da taxa de agenciamento ou administração constantes em suas faturas; c) Que ajuizou, em 31 de julho de 2007, Mandado de Segurança, pretendendo a tributação na forma acima exposta. Contudo, não renunciou ao procedimento administrativo, pois o ajuizamento da ação aconteceu em momento anterior à ação fiscal; d) Que a ação judicial e o recurso administrativo possuem objetos distintos, o que afastaria a concomitância. Afirma que no âmbito judiciário pretendeu ter como base de cálculo do PIS e da Cofins apenas as receitas referentes às taxas de administração cobradas pelos serviços prestados, excluindose os salários e encargos da mão de obra temporária. Já no processo administrativo pretende ver reconhecida a inexigibilidade e nulidade da autuação fiscal que constituiu o crédito tributário referente aos períodos de apuração compreendidos entre 2003 e 2006. Termina sua petição recursal pedindo a nulidade da decisão combatida por violação ao direito do contraditório administrativo. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade, passo a análise. CONCOMITÂNCIA O recorrente afirma que não há renuncia a esfera administrativa quando a ação judicial for proposta antes da ação fiscal. Alega, também, que não há congruência entre os objetos do recurso administrativo e do MS nº2007.70.00.0222765. Para uma perfeita análise da lide, passo aos fatos que compõe os autos: Fl. 850DF CARF MF Processo nº 14486.000622/200801 Acórdão n.º 3402001.780 S3C4T2 Fl. 851 6 Pedido feito no MS nº 2007.70.00.0222765, fl. 16: Ante o exposto, vem a Impetrante à presença de V. Exa., presentes os requisitos do relevante fundamento e do periculum in mora, com fundamento no art. 7o , II, da Lei 1.533/51, requerer a concessão de MEDIDA LIMINAR para o fim de garantir seu direito líquido e certo de não ser compelida ao recolhimento da Cofins sobre os salários e encargos previdenciários referentes à mãodeobra fornecida. Razão recursal apresentada na impugnação, (...) Inadvertidamente, o presente Auto de Infração demonstra a pretensão da Receita Federal do Brasil ap recolhimento dos tributos sobre o total das Notas Fiscais emitidas pela recorrente e pagas pelos seus clientes, sem'observar a composição das mesmas, bem como, a real remuneração pelos serviços prestados. As Notas Fiscais e Faturas são compostas de salários dos trabalhadores temporários, encargos devidos sobre a folha de pagamento dos temporários e da taxa de agenciamento ou administração, real Remuneração pelos serviços “prestados pela" recorrente, equivalente ao seu faturamento ou mesmo receita bruta. Porém, entende a recorrente que a base de cálculo para os tributos PIS e COFINS é valor da taxa de agenciamento ou administração constantes em suas faturas. Assim, não pode ser procedente a tributação pretendida, a qualquer pretexto, no Auto de Infração, que equivale a suposta diferença de PIS e COFINS, em caso desta recolher as referidas contribuições utilizando como base de cálculo o valor da taxa de serviços. (...) A relação jurídica existente entre a recorrente, o trabalhador temporário e a empresa tomadora desenvolvese da seguinte forma: Esta verifica a necessidade de mãode obra em seu quadro de colaboradores e manifesta a intenção de utilizar determinada quantidade de profissionais, em especial, de vigilância. Definidos os valores de remuneração destes profissionais e o custo para administrar a mãodeobra, este comumente denominado pelo setor de taxa de administração ou'taxa de serviços, que reflete exatamente o custo da intermediação, é firmado contrato entre a recorrente e a empresa cliente. Formalizado o contrato interempresarial, a recorrente firma contratos individuais com os trabalhadores, que trabalharão em prol da empresa cliente. A intermediação ou terceirização de mãodeobra temporária é resultado da necessidade de especialização e fiscalização das empresas em seu objetivo social, que buscam desobrigarse das atividades não inerentes à sua atividade, desburocratizando atividades internas e transferindo a terceiros, mediante remuneração, a administração da mãodeobra. Concluise, portanto, que a empresa recorrente não presta os serviços que serão executados pelos empregados temporários contratados, bem como, não possui qualquer tipo de relação de subordinação como os mesmos, mas apenas seleciona e os cedem a terceiros, que são os tomadores de serviços. Destarte, a base de cálculo correta para o caso em tela é a efetiva receita da recorrente, que é representada pelo valor recebido a título de "taxa de agenciamento ou administração". Fl. 851DF CARF MF Processo nº 14486.000622/200801 Acórdão n.º 3402001.780 S3C4T2 Fl. 852 7 Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inclusão ou não dos valores referentes às receitas sobre os salários e encargos previdenciários referentes à mãodeobra fornecida. Quando há processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, podem resultar em efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Nestes casos, quando o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota, como já mencionado, o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Posta assim a questão, entendo que este Colegiado não pode apreciar matéria já submetida ao Poder Judiciário, na linha da Súmula Carf nº 01. Na linha do entendimento fixado, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 852DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.727088/2009-27
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte.
Numero da decisão: 9202-006.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.726609/2009-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
EDITADO EM: 05/05/2018
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.726609/2009-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator EDITADO EM: 05/05/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
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NATUREZA SALARIAL. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.726609/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator EDITADO EM: 05/05/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 70 88 /2 00 9- 27 Fl. 237DF CARF MF 2 Relatório Tratase de lançamento, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O acórdão recorrido manifestou o entendimento de que referida verba tem natureza tributável. Consoante despacho de exame de admissibilidade proferido pelo Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, o recurso especial de divergência interposto pelo sujeito passivo, em face do acórdão recorrido, obteve seguimento parcial para que a divergência relacionada à natureza indenizatória da URV fosse apreciada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido, por seus próprios e jurídicos fundamentos. É o relatório. Voto Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.334, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726609/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos proferidos naquela decisão (Acórdão 9202006.334): Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de processo de Autuação, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios de 2005, 2006 e 2007, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 178.526,73, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10580.727088/200927 Acórdão n.º 9202006.353 CSRFT2 Fl. 3 3 O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à definição da natureza da verba URV. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias (como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode Fl. 239DF CARF MF 4 recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastála no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência (fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional, por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10580.727088/200927 Acórdão n.º 9202006.353 CSRFT2 Fl. 4 5 “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Fl. 241DF CARF MF 6 Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10580.727088/200927 Acórdão n.º 9202006.353 CSRFT2 Fl. 5 7 tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário. (VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória. Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada Em que pese o brilhantismo e a logicidade do voto da ilustre Relatora, ouso dela divergir, com a máxima vênia, quanto à incidência do imposto de renda sobre o valor recebido a título de diferenças da Unidade Real de Valor (URV). Argumenta o Recorrente, em síntese, a não incidência do imposto de renda sobre a diferença de URV, considerando a natureza indenizatória de tais verbas. A primeira apreciação a ser feita referese à natureza das verbas sob análise. E o segundo ponto a ser analisado é sobre a existência ou não de isenção relativa à URV. Entendo que os valores recebidos pelos contribuintes decorrem da compensação pela falta de correção no valor nominal do salário, oportunamente, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Não obstante o meu entendimento anteriormente destacado acerca da natureza salarial da diferença de URV, cabe ressaltar que, no caso do Ministério Público da Bahia, foi publicada uma Lei Estadual (LC 20/2003) que dispôs de modo diverso, tratando a verba como indenização. Tendo em vista que o imposto de renda é regido por legislação federal, tal dispositivo não possui efeito tributário para a análise do tributo em questão. Assim, estando a mencionada lei em plena vigência, prestase apenas ao fim por ela almejado, qual seja o pagamento de precatório, de forma especial. Fl. 243DF CARF MF 8 Cabe destacar que a inaplicabilidade da LC 20/2003 não decorre de um juízo de inconstitucionalidade, mas sim de uma interpretação sistemática das normas, em observância do princípio da legalidade, tendo em vista a ausência de lei isentiva, no presente caso. Sobre a aplicação da Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) 245/2002 pugnada pela recorrente, notase que foi conferida natureza jurídica indenizatória ao abono variável concedido à Magistratura Federal e ao Ministério Público da União, não se confundindo com as diferenças decorrentes de URV, ora analisadas. Desse modo, deve ser considerada a natureza salarial das diferenças sob apreciação. Ainda que fosse caracterizada como indenizatória a verba sob análise, ressaltase que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento, pois as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica concessiva de isenção. Havendo, notadamente, acréscimo patrimonial, sob a forma de diferenças de vencimentos recebidos a destempo, resta evidente a incidência do imposto de renda, não havendo lei concessiva de isenção apta a afastar a tributação, nesse caso. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, negarlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 244DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.904202/2011-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 42 02 /2 01 1- 10 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10380.904202/201110 Acórdão n.º 1301003.088 S1C3T1 Fl. 1.904 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10380.904202/201110 Acórdão n.º 1301003.088 S1C3T1 Fl. 1.905 3 Relatório Transcrevo os trechos de interesse do despacho quando da admissão dos embargos: No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10380.904202/201110 Acórdão n.º 1301003.088 S1C3T1 Fl. 1.906 4 Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator. Conforme já relatado, no acórdão embargado o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. De fato, no acórdão embargado, o colegiado entendeu por bem superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superada a citada preliminar, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o resultado mais adequado para o julgado seria dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analise o mérito do pedido. Caberá à DRF de origem analisar o mérito do crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas. Saliento que a autoridade fiscal deverá considerar que o IRPJ e a CSLL devem ser apurados mediante aplicação dos coeficientes, respectivamente, de 8% e de 12%, nos termos do acórdão no REsp 1.116.399/BA, decidido sob a sistemática de Recurso Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça. Nessa hipótese, eventual indeferimento do pleito do contribuinte, ainda que parcial, poderá ensejar nova apresentação de manifestação de inconformidade, e, se, for o caso, interposição de novo recurso voluntário, garantindo ao contribuinte o pleno exercício de sua defesa. CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10380.904202/201110 Acórdão n.º 1301003.088 S1C3T1 Fl. 1.907 5 Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.720445/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004.
Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplica-se desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004.
AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE APROVEITAMENTO.
O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. SELIC. VEDAÇÃO.
Para as contribuições de PIS/Cofins, o ressarcimento de saldos credores admitido pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não se sujeita à remuneração pela taxa Selic em virtude da expressa vedação contida nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833/03.
Recurso Voluntário provido em parte
Aguardando nova decisão
Numero da decisão: 3402-005.123
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a vigência do benefício de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 a partir de 1º de agosto de 2004, determinando à Unidade de Origem que analise se a contribuinte faz jus a esse benefício e, sendo o caso, efetue o ajuste do saldo do montante a ressarcir ou a compensar.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinícius Guimarães (Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004. Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplica-se desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE APROVEITAMENTO. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. SELIC. VEDAÇÃO. Para as contribuições de PIS/Cofins, o ressarcimento de saldos credores admitido pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não se sujeita à remuneração pela taxa Selic em virtude da expressa vedação contida nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833/03. Recurso Voluntário provido em parte Aguardando nova decisão
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a vigência do benefício de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 a partir de 1º de agosto de 2004, determinando à Unidade de Origem que analise se a contribuinte faz jus a esse benefício e, sendo o caso, efetue o ajuste do saldo do montante a ressarcir ou a compensar. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinícius Guimarães (Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado.
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ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004. Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplicase desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE APROVEITAMENTO. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. SELIC. VEDAÇÃO. Para as contribuições de PIS/Cofins, o ressarcimento de saldos credores admitido pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não se sujeita à remuneração pela taxa Selic em virtude da expressa vedação contida nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833/03. Recurso Voluntário provido em parte Aguardando nova decisão Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a vigência do benefício de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 a partir de 1º de agosto de 2004, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 04 45 /2 01 1- 71 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10820.720445/201171 Acórdão n.º 3402005.123 S3C4T2 Fl. 0 2 determinando à Unidade de Origem que analise se a contribuinte faz jus a esse benefício e, sendo o caso, efetue o ajuste do saldo do montante a ressarcir ou a compensar. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinícius Guimarães (Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre PER/DCOMP mediante o qual o contribuinte pleiteia ressarcimento de PIS não cumulativa vinculada à receita do mercado interno. A autoridade administrativa deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, homologando as declarações de compensação até o limite dos créditos e determinando a cobrança dos débitos não compensados. Inconformada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: a) a suspensão do PIS/Cofins nas vendas de leite in natura foi criada pelo art. 29 da Lei n° 11.051/2004, que entrou em vigor na data da publicação da Lei, ou seja, em 30/12/2004; b) nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e do art. 16 da Lei n° 11.116/2005, tem direito ao ressarcimento de créditos básicos na aquisição no mercado interno vinculados à receita tributada e do crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. O julgador de primeira instância não acatou os argumentos da impugnante, sob os seguintes fundamentos: O art. 9º da Lei nº 10.925/2004, instituiu a suspensão da incidência das contribuições PIS e Cofins não cumulativas sobre diversas operações com produtos agropecuários. A regulamentação desse dispositivo se deu, inicialmente, pela IN SRF nº 636, de 24/03/2006, a qual foi revogada pela vigente IN SRF nº 660, de 17/07/2006, que, por sua vez, determinou a vigência da suspensão a partir de 4 de abril de 2006. Ao contrário do que entende a contribuinte, a Lei nº 10.925/2004 fala apenas em dedução, não mencionando a possibilidade de manutenção ou utilização de eventual saldo, condição indispensável para a subsequente compensação com débitos de outros tributos, ou ressarcimento em dinheiro de valor remanescente. Ademais, o art. 2º do ADI SRF nº 15/2005 refere que não poderão ser objeto de compensação ou ressarcimento eventuais créditos presumidos apurados na forma do art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10820.720445/201171 Acórdão n.º 3402005.123 S3C4T2 Fl. 0 3 Tratandose de ressarcimento de PIS não cumulativo, o art. 13 da Lei nº 10.833/2003 combinado com o art. 15 da mesma Lei vedam a atualização monetária no período entre a protocolização do pedido de ressarcimento e o efetivo pagamento. Cabe aos contribuintes, em defesa ao crédito pretendido, provar o teor das alegações contrapostas aos argumentos da autoridade fiscal para não acatar, total ou parcialmente, o alegado crédito. No caso em tela, entendese que a contribuinte não conduziu aos autos elementos necessários à comprovação de suas alegações. Limitouse a afirmar a existência dos pretendidos créditos, nada apresentando de novo. Cientificada da decisão de primeira instância a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, mediante o qual repisa as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.118, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10820.720440/201148, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.118): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. O pedido da recorrente para notificação para sustentação oral deve ser indeferido à míngua de previsão legal ou regimental. Ademais, o § 1º do art. 55 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2016, determina que a pauta de julgamento deve ser publicada no Diário Oficial da União com dez dias de antecedência, sendo perfeitamente possível ao patrono do autuado acompanhar tais publicações para, caso lhe aprouver, formular sustentação oral na sessão de julgamento, em conformidade com os arts. 58 e 59 do referido Regimento Interno. Em análise de vários pedidos de ressarcimento da contribuinte de PIS/Cofins, constantes em diversos processos administrativos, relativos aos períodos de apuração do primeiro trimestre de 2005 até o último trimestre de 2007, concluiu a fiscalização no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal que: Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10820.720445/201171 Acórdão n.º 3402005.123 S3C4T2 Fl. 0 4 a) O sujeito passivo tem direito ao ressarcimento ou compensação de saldos credores de créditos básicos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre aquisições no mercado interno vinculadas à receita tributada à alíquota zero no mercado interno. Os valores desses créditos apurados pela fiscalização estão demonstrados nas planilhas três e quatro; b) O sujeito passivo não tem direito ao ressarcimento de créditos básicos decorrentes de aquisições no mercado interno vinculadas à receita tributada no mercado interno. Os valores apurados pela fiscalização estão demonstrados nas planilhas três e quatro. Tais créditos não são passíveis de ressarcimento ou compensação, por falta de previsão legal, sendo a sua utilização restrita ao abatimento dos débitos da própria contribuição, relativos ao mesmo período ou aos subseqüentes;e, c) O sujeito passivo não tem direito ao ressarcimento de créditos decorrentes de aquisições no mercado interno presumido, relacionados às atividades agroindustriais. Os valores apurados pela fiscalização estão demonstrados nas planilhas três e quatro. Os valores desses créditos não são passíveis de ressarcimento ou compensação, podendo ser utilizados apenas na dedução da própria contribuição devida no mesmo período de apuração ou nos subseqüentes, devendo ser apurados de forma segregada, com o seu saldo controlado durante todo o período de sua utilização. i) Vigência da suspensão: Com relação à suspensão, a fiscalização entendeu que seria aplicável somente a partir de 04.04.2006, com a vigência da Instrução Normativa nº SRF nº 636/2006, posteriormente revogada pela IN SRF nº 660/2006. Sobre a suspensão das contribuições não cumulativas, dispõe o art. 9º da Lei nº 10.925/2004: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10820.720445/201171 Acórdão n.º 3402005.123 S3C4T2 Fl. 0 5 Conforme expresso no art. 17 da própria Lei nº 10.925/2004, a referida suspensão deveria produzir efeitos a partir de 1º de agosto de 2004: Art. 17. Produz efeitos: (...) III a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei; (...) A então Secretaria da Receita Federal veio regulamentar a referida suspensão, nos termos do §2º do art. 9º acima transcrito, com a Instrução Normativa SRF nº 636, de 24/03/2006, que entrou em vigor na data de sua publicação 04/04/2006 , mas produzia efeitos desde 1º de agosto de 2004, em consonância ao disposto no art. 17 da Lei. Ocorre que, posteriormente, essa Instrução Normativa foi revogada pela IN SRF nº 660/2006, a qual veio dispor que a suspensão das contribuições produziria efeitos a partir de 04/04/2006, data da publicação da primeira regulamentação (Instrução Normativa SRF nº 636/2006). Assim, a fiscalização excluiu o benefício da recorrente relativo ao período sob análise, pois anterior a 04/04/2006. A matéria não comporta maiores digressões, eis que a própria Lei nº 10.925/2004 determinou que o referido benefício produziria efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. Estando perfeitamente definida a data do início da suspensão pela Lei, é certo que a regulamentação reservada à Secretaria da Receita Federal, nos termos do §2º do art. 9º da referida Lei, não dizia respeito a esse aspecto. Nesse sentido, a primeira regulamentação da suspensão, dada pela Instrução Normativa SRF nº 636/2006, já tinha reconhecido a sua produção de efeitos retroativa, a partir de 1º de agosto de 2004. A matéria já foi objeto de análise por esse CARF no Acórdão nº 3401002.078 da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária desta 3ª Seção, j. 28.11.2012, Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis, no qual se fixou o entendimento de que a suspensão das contribuições prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004 aplicase desde 1º de agosto de 2004, conforme trecho da ementa abaixo: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 VENDA DE PRODUTOS IN NATURA. SOJA E CAFÉ. SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10820.720445/201171 Acórdão n.º 3402005.123 S3C4T2 Fl. 0 6 Em conformidade com o art. 17, III, da Lei nº 10.925, de 2004, e a Instrução Normativa nº 636, de 2006, aplicase desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, que atinge a venda de soja e café in natura efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no Lucro Real. (...) Também no Acórdão nº 3402003.171, 20/07/2016, este Colegiado, por unanimidade de votos, reconheceu o benefício pleiteado de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004, no período de apuração de 01/01/2006 a 31/03/2006. Assim, há de ser considerado vigente o benefício da suspensão pleiteado no período do presente pedido, reformando se a decisão recorrida nesta parte. ii) Créditos básicos: Conforme consignado no PARECER SAORT, as receitas não tributadas no mercado interno foram constituídas de vendas com alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência. Para tais receitas foram apurados os créditos da contribuição não cumulativa na forma dos arts. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, cuja manutenção na escrita contábil pelo estabelecimento vendedor encontrava amparo legal no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, tornandose passíveis de resssarcimento ou compensação com outros tributos administradas pela RFB, com a entrada em vigor, em 19/05/2005, do art. 16, incisos I e II da Lei n° 11.116/2005. A fiscalização considerou a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins, incidentes sobre a receita bruta de vendas de leite pasteurizado no mercado interno, somente a partir de 30/12/2004. Quanto aos demais produtos fabricados pela contribuinte, a redução da alíquota a zero foi considerada apenas a partir de 1° de março de 2006 (queijos tipo mussarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota e requeijão); e de 15 de junho de 2007 (bebidas e compostos lácteos, queijo provolone, queijo parmesão), conforme disposições contidas, respectivamente, nos incisos II e III do art. 3º do Decreto n° 5.630/051. No que nada há a reparar. 1 Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno de: (...) Xleite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, destinado ao consumo humano; (Vigência) XIleite em pó, integral ou desnatado, destinado ao consumo humano; e (Vigência) Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10820.720445/201171 Acórdão n.º 3402005.123 S3C4T2 Fl. 0 7 Com relação à suspensão, a fiscalização entendeu que seria aplicável somente a partir de 04.04.2006, com a vigência da Instrução Normativa nº SRF nº 636/2006, posteriormente revogada pela IN SRF nº 660/2006, o que deverá ser objeto de reforma conforme item precedente deste Voto. A recorrente não contesta que não tem direito ao ressarcimento de créditos básicos decorrentes de aquisições no mercado interno vinculadas à receita tributada no mercado interno, para os quais a utilização é restrita ao abatimento dos débitos da própria contribuição, relativos ao mesmo período ou aos subsequentes. Apenas questiona: "Como poderá restar saldo credor a ser ressarcido se as receitas de venda são tributadas?" Ora, de todo modo, o ressarcimento, quando permitido, só é possível, obviamente, quando houver saldo de créditos remanescente na escrita da contribuinte. iii) Crédito presumido da agroindústria: Acerca do crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, sustenta a recorrente que teria direito ao ressarcimento com relação às vendas efetuadas à alíquota zero, nos termos dos arts. 17 da Lei nº 11.033/2004 e 16 da Lei n° 11.116/2005, que assim dispõem: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) XIIqueijos tipo mussarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota e requeijão. (Vigência) XIIIleite em pó semidesnatado, leite fermentado, bebidas e compostos lácteos e fórmulas infantis, assim definidas conforme previsão legal específica, destinados ao consumo humano ou utilizados na industrialização de produtos que se destinam ao consumo humano; (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). XIVqueijo provolone, queijo parmesão e queijo fresco não maturado; (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). XVsoro de leite fluido a ser empregado na industrialização de produtos destinados ao consumo humano. (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). (...) Art.3o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de: I30 de dezembro de 2004, em relação ao disposto nos incisos VIII a X do caput do art. 1º deste Decreto; e II1º de março de 2006, em relação ao disposto nos incisos XI e XII do caput do art. 1º deste Decreto. III15 de junho de 2007, em relação ao disposto nos incisos XIII, XIV e XV do caput do art. 1o e no § 3o do mesmo artigo deste Decreto. (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). Art.4o Fica revogado o Decreto no 5.195, de 26 de agosto de 2004. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10820.720445/201171 Acórdão n.º 3402005.123 S3C4T2 Fl. 0 8 II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Como se vê, o ressarcimento permitido pelo art. 16 da Lei nº 11.116/2005 é cabível somente na hipótese de saldos credores decorrentes da apuração na forma: a) dos arts. 3ºs das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 ou b) do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, não havendo qualquer previsão nesse sentido quanto ao crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, para o qual, inclusive, só foi autorizada a dedução dos valores das contribuições devidas em cada período de apuração, nos seguintes termos: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Conforme já decidido na Apelação Cível Nº 2006.72.00.0078654/SC, do Tribunal Federal da 4ª Região, "as próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes créditos o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições". Nessa esteira, a Receita Federal do Brasil dispôs em normas complementares, mediante a Instrução Normativa SRF nº 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 sobre a impossibilidade de compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas: IN SRF n° 660/2006 Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10820.720445/201171 Acórdão n.º 3402005.123 S3C4T2 Fl. 0 9 Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não cumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Do cálculo do crédito presumido Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7 º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. (...) § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. O Superior Tribunal de Justiça também já manifestou seu entendimento, no REsp 1240714/PR (Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013), conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. PRODUTOR RURAL. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 8º DA LEI 10.925/04. LEGALIDADE DA ADI/SRF 15/05 E DA IN SRF 660/06. PRECEDENTES DO STJ. MORA DO FISCO. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10820.720445/201171 Acórdão n.º 3402005.123 S3C4T2 Fl. 0 10 INEXISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. "A jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ é no sentido de que inexiste previsão legal para deferir restituição ou compensação (art. 170, do CTN) com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil do crédito presumido de PIS e da COFINS estabelecido na Lei 10.925/2004, considerandose, outrossim, que a ADI/SRF 15/2005 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação já prevista no art. 8º, da lei antes referida" (AgRg no REsp 1.218.923/PR, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJe 13/11/12). 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido ser legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há demora no exame dos pedidos pela autoridade administrativa ou oposição decorrente de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento, o que não ocorre na hipótese, em que os atos normativos são legais. 3. "O Fisco deve ser considerado em mora (resistência ilegítima) somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, aplicandose o art. 24 da Lei 11.457/2007, independentemente da data em que efetuados os pedidos" (AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Min.NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 21/2/13). 4. Recurso especial conhecido e não provido. Nessa linha também foi decidido no Acórdão nº 3401 01.716– 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 15 de fevereiro de 2012, conforme trecho do Voto do Relator Odassi Guerzoni Filho abaixo: (...) Com a devida vênia, não partilho do mesmo entendimento da Recorrente, haja vista a clareza do dispositivo que passou a tratar do crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins, qual seja o artigo 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, segundo o qual, “As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, [...], destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003, adquiridos de pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física.” Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10820.720445/201171 Acórdão n.º 3402005.123 S3C4T2 Fl. 0 11 Ora, a menção que referido dispositivo legal faz ao artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 tem como único objetivo o de identificar os produtos adquiridos que podem gerar o direito ao crédito presumido e não o de estender a este o mesmo direito de aproveitamento [ressarcimento e compensação] que está contemplado, ressaltese, de forma taxativa, nas hipóteses constantes dos incisos do referido artigo 3º. Nem me valerei aqui das regras específicas trazidas pelas instruções normativas que regem os procedimentos de compensação e de ressarcimento, e tampouco discorrerei sobre o argumento de que o crédito presumido seria uma subvenção financeira, porquanto vislumbro na argumentação da Recorrente mero inconformismo com a forma com que o legislador tratou a matéria. Assim, consoante consta de forma clara no art. 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, o crédito presumido somente pode ser deduzido da contribuição eventualmente devida, e não ser aproveitado via ressarcimento e/ou compensação. (...) Dessa forma, a decisão recorrida há de ser mantida também nesta parte. iv) Correção monetária Por fim, requer a recorrente a correção monetária do saldo credor a ser ressarcido, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei, que assim dispõem: Art. 13 . O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10820.720445/201171 Acórdão n.º 3402005.123 S3C4T2 Fl. 0 12 (...) VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) De outra parte, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, ora transcrito, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997) [negrito desta Relatora] Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301 002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC/73, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há, na lei, a vedação expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a vigência do benefício de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 a partir de 1º de agosto de 2004, determinando à Unidade de Origem que analise se a contribuinte faz jus a esse benefício e, sendo o caso, efetue o ajuste do saldo do montante a ressarcir ou a compensar. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10820.720445/201171 Acórdão n.º 3402005.123 S3C4T2 Fl. 0 13 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a vigência do benefício de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 a partir de 1º de agosto de 2004, determinando à Unidade de Origem que analise se a contribuinte faz jus a esse benefício e, sendo o caso, efetue o ajuste do saldo do montante a ressarcir ou a compensar. assinado digitalmente Waldir Navarro Bezerra Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 13629.900730/2013-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1401-002.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
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ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatandose dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refazse a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurandose crédito disponível, aplicase ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 90 07 30 /2 01 3- 08 Fl. 192DF CARF MF 2 Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso. O presente processo trata da Declaração transmitida eletronicamente, por meio da qual se pretende compensar débito(s) da Interessada com crédito originário de pagamento indevido ou maior que o devido (PGIM). O crédito está consubstanciado em um recolhimento a título de estimativa de IRPJ, devida mensalmente, de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. O despacho constatou a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por se tratar de pagamento já alocado a débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Foi dada ciência do despacho em 13/08/2013 e apresentouse manifestação de inconformidade em 11/09/2013, nos seguintes termos em síntese: 1Tratase de compensação de débito de IRPJ e CSSL, pagos no período de janeiro de 2011 a maio de 2011, apurados pelo regime estimativa mensal, com base na Receita Bruta e Acréscimos, devidamente pagos, conforme relatório de pagamentos obtido junto ao E CAC (doc. 03) e informado nas DCTFs do período (doc. 04). 2 Em junho de 2012, levantou balancete de suspensão/redução, para verificar os recolhimentos existentes, suspendendo, a partir deste mês, os recolhimentos de IRPJ e CSLL. 3 Em 31 de dezembro de 2011, na apuração final do exercício, a empresa apresentou resultado fiscal negativo (doc. 05), ficando, assim, todos os recolhimentos efetuados no período, compondo o saldo de base negativa de IRPJ e CSLL. 4 Em trabalho de revisão interna, foram detectadas divergências na Declaração de Informações Econômicas Fiscais da Pessoa Jurídica, enviada via internet em 30/06/2012. Esta declaração, ainda não retificada, não constitui óbice ao aproveitamento do crédito por se tratar de declaração meramente informativa. Há de se ressaltar que tais divergências não implicariam em alteração do resultado apresentado no exercício. 5 Diante do exposto nos itens 01 a 03, a Contribuinte efetuou em 2012, através de PERDCOMP, compensação dos valores recolhidos em 2011, com os mesmos tributos apurados em 2012 , utilizando, para isso, no preenchimento da ficha de tipo do crédito no pedido de restituição erroneamente a opção pagamento indevido ou maior e não a opção base de cálculo negativa de IRPJ e CSLL, nos termos do artigo da Lei nº 9.430/96 e Ato Declaratório SRF 03/00. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual aduziu as seguintes alegações: Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13629.900730/201308 Acórdão n.º 1401002.521 S1C4T1 Fl. 193 3 Que teria cometido erro na apresentação do PER/DCOMP que trataria de saldo negativo e não de pagamento indevido, como fora originalmente solicitado; Que apresentou documentos que comprovariam a veracidade das suas alegações e a existência de crédito de igual valor ao solicitado, só que tratando de saldo negativo; Que a jurisprudência do CARF é pacífica em aceitar a possibilidade de demonstração da efetividade do crédito posteriormente à decisão que analisou o crédito. Ao fim solicita que sejam revistas as decisões anteriormente proferidas, sendo reconhecido o crédito e homologadas as compensações apresentadas. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação de inconformidade julgou pela sua improcedência em razão de não ser possível a modificação do tipo de crédito após a emissão do despacho decisório. Cientificada de decisão a interessada apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade, junta precedentes deste CARF e pleiteia que lhe seja reconhecido o direito de crédito. É o breve relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O caso em análise no presente processo diz respeito á possibilidade de o contribuinte, que apresentou declaração de compensação pretendendo créditos de pagamento indevido por estimativa de IRPJ/CSLL, possa ter reconhecido o direito de crédito relativo a Saldo Negativo de IRPJ/CSLL no exercício. Verificase, no presente caso que o contribuinte, optante pelo lucro real, recolheu IRPJ e CSLL por estimativa nos meses de janeiro a junho de 2011. Apresentou regularmente as DCTFs destes períodos informando os débitos e a sua quitação por DARF que, posteriormente, entendeu se referirem a pagamentos indevidos. Em sua DIPJ apresentou informações de que entre janeiro e junho/2011 apurou o IRPJ e CSLL com base na receita bruta, passando à apuração com base em balancetes de redução e suspensão apenas a partir de julho/2011. No final do exercício apurou prejuízo o que, por consequência, importou em inexistência de IRPJ e CSLL a pagar no exercício. Fl. 194DF CARF MF 4 Na mesma DIPJ, entretanto, sequer preencheu as fichas de apuração do IRPJ e CSLL devidos informando a existência de pagamentos por estimativa e os respectivos saldos negativos apurados. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário pretende que, em razão da apuração de prejuízo no exercício, seja reconhecido o crédito como saldo negativo de IRPJ e CSLL no exercício. Diante dos fatos acima narrados e da confirmação da existência dos pagamentos realizados temos a seguinte decisão a tomar: O contribuinte cometeu os seguintes equívocos: 1 – Optou pela apuração das estimativas entre janeiro e junho/2011, recolheu os valores e os confessou em DCTF tendo, posteriormente, solicitado o crédito destes mesmos pagamentos sem retificar suas DCTF e DIPJ; 2 – Apresentou a DIPJ sem realizar a correta apuração dos saldos negativos de IRPJ e CSLL a que faria jus; Por sua vez a decisão que não reconheceu o crédito está juridicamente correta vez que analisou o pedido de pagamento indevido a partir das informações da DCTF e DARF da empresa. Constatamos, no entanto, com base nos documentos acostados ao processo, que efetivamente o contribuinte faz jus aos saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário 2011 no montante equivalente aos pagamentos realizados por estimativa, visto inexistir saldo de devido de IRPJ ou CSLL. Com base nestas informações a nossa análise prendese ao fato de considerar que, no presente caso, o contribuinte incidiu apenas em erro de fato ao preencher a PER/DCOMP ou se houve um erro de direito ao pleitear crédito diferente do que deveria ter sido solicitado. A este respeito entende este relator que não se trata de simples erro de fato. Ora, errarse o período de apuração, o exercício ou mesmo o tipo de tributo solicitado no PER/DCOMP pode se considerar um erro de fato. Neste caso o problema não é tão simples. Aqui o contribuinte solicitou crédito absolutamente diverso do crédito que efetivamente lhe assistia direito. Tratase, claramente de erro material que, digase de passagem, sequer é escusável, haja vista o porte da empresa, a apuração pelo lucro real e o período de tempo decorrido entre a instituição dos PER/DCOMP eletrônicos (2003) e os pedidos do contribuinte (2012). Ocorre, entretanto, que por mais que este relator entenda que o erro cometido na empresa não se adequa aos precedentes apresentados em sede recursal, sou firme na corrente que entende no sentido de que a verdade material deve prevalecer como fundamento de decidir em todos os processos, sejam administrativos, sejam judiciais. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. (Acórdão nº 3401003.096, de 23/02/2016) Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13629.900730/201308 Acórdão n.º 1401002.521 S1C4T1 Fl. 194 5 DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado. (Acórdão nº 1201002.106, de 16/03/2018) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. (Acórdão nº 1302 002.031, de 26/01/2017) Neste sentido é que não pode este relator se furtar a decidir contra a verdade apresentada nos autos. A verdade é que, com base na apuração do lucro do exercício, não existiu lucro tributável e, assim, não era devido, ao final do exercício a apuração do IRPJ e CSLL devidos. Em razão deste fatos os recolhimentos abaixo realizados, relativos aos pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, tornaramse saldo negativo de IRPJ e CSLL ao final do exercício. À vista do exposto e em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, precedentes abaixo, que rege o processo administrativo fiscal, constatandose que, no mérito, assiste razão ao contribuinte quanto à existência de créditos, mesmo que não da espécie originalmente pleiteada, entendo que deve ser reconhecido o direito de crédito da empresa, não em relação aos pagamentos indevidos da forma por ela solicitada, mas sem em razão da existência de saldos negativos de IRPJ e CSSL que se formaram a partir destes mesmos pagamentos. Registro, para bem deixar delineado meu entendimento, que não entendo que o princípio da informalidade e da fungibilidade sejam aplicáveis de qualquer forma e em qualquer situação. Esta aplicação deve ser casuística e se adequar à realidade de cada processo. Neste processo, em específico, a utilização da informalidade prendese a um fato singelo. Para a aferição da existência do crédito, a partir das informações apresentadas em petição simples de duas páginas, se daria apenas pela análise da ficha de apuração do IRPJ e CSLL a pagar, nas quais resta demonstrada a inexistência de saldos dos tributos a serem pagos. Em razão da facilidade de conhecimento do verdadeiro direito da empresa é que entendo poder ser aplicada a informalidade e a fungibilidade neste processo de modo a garantir um direito que, de fato, sempre assistiu ao contribuinte. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESSARCIMENTO DE IPI. DEFERIMENTO PARCIAL. INCONFORMIDADE POSTERIOR A PARECER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E ANTERIOR A DESPACHO DECISÓRIO QUE O HOMOLOGA. APRECIAÇÃO PELA DRJ. CABIMENTO. Contra indeferimento de ressarcimento do IPI cabe manifestação de inconformidade, Fl. 196DF CARF MF 6 a ser apreciada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento nos termos do Decreto n° 70.235/72. Tendo o contribuinte tomado ciência de parecer da administração tributária que propõe o deferimento parcial do seu pedido, e ingressado com manifestação de inconformidade antes do despacho decisório que homologa tal parecer, considerase instaurado o litígio e, por isso, deve a primeira instância analisar a inconformidade, sob pena de ofensa à ampla defesa e ao contraditório e desprezo pelos princípios da informalidade moderada e da fungibilidade, que norteiam o processo administrativo fiscal. Por não ter sido conhecida pela DRJ a inconformidade, anulase a decisão a quo para que outra seja produzida com apreciação das razões de inconformismo. (Acórdão nº 3102001.572, de 19/07/2012) PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando se trata de erro material no seu preenchimento. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte, como foi o caso.(Acórdão nº 1401001.655, de 09/06/2016) Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência, facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. (Acórdão nº 1401000.737, de 15/03/2012) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. A competência das DRJ pode ser alterada por ato interno da RFB, para melhor distribuição de quantidade de processos ou concentração de assuntos, sem que isso fira, de plano, qualquer direito do Contribuinte. As formalidades não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.053, de 08/12/2015) Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13629.900730/201308 Acórdão n.º 1401002.521 S1C4T1 Fl. 195 7 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. Padece de nulidade o Auto de Infração com inobservância ao art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, não contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais individualizados por infração, em diferentes fatos geradores do imposto de renda retido na fonte, levando o contribuinte a equivocadas interpretações que confundiram a impugnação. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa. As formalidades não são um fim em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.671, de 07/02/2017) Por isso, entendo que assiste razão ao recorrente quanto à existência de saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, anocalendário 2011, nos montantes de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72, formados a partir do recolhimento das estimativas destes tributos realizados durante o ano. Fl. 198DF CARF MF 8 Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: a) Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, anocalendário 2011, nos valores originais de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72; b) Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2012, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, c) Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de IRPJ e CSLL relativos aos recolhimentos dos meses de janeiro a junho/2011, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13629.900730/201308 Acórdão n.º 1401002.521 S1C4T1 Fl. 196 9 Fl. 200DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.903906/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.239
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte arguiu que a decisão expressa no despacho combatido era simplória e que o fundamento de ausência de crédito disponível para restituição não se sustentava, pois ele não era sequer contribuinte da Cofins. Alegou o então Manifestante ser ele uma sociedade cooperativa que não praticava atos “não cooperados”, tratandose sua atividade de coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados (ato entre cooperativa e cooperado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 03 90 6/ 20 12 -1 9 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10830.903906/201219 Resolução nº 3201001.239 S3C2T1 Fl. 167 2 Ressaltou, ainda, quanto à declaração de débito da Cofins em DCTF ao qual o pagamento indicado como origem do crédito encontravase alocado , que, como esperava resposta do Pedido de Restituição, não retificara a DCTF e que, ultrapassados os cinco anos da data de sua entrega, viuse impossibilitado de fazêlo. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na inexistência do crédito, tendo em vista que o recolhimento alegado como sua origem encontravase integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. Ainda segundo o órgão julgador de primeira instância, a isenção da Cofins para as cooperativas, prevista no art. 6°, I, da Lei Complementar n° 70, de 1991, vigorou até outubro de 1999, tendo sido revogada expressamente, a partir de novembro de 1999, pela Medida Provisória (MP) nº 1.8586, de 1999, passando as cooperativas, a partir de então, a apurar a base de cálculo da contribuição da mesma forma das demais pessoas jurídicas, com as exclusões específicas contidas na referida MP. Cientificado da decisão, o contribuinte pleiteou o provimento do Recurso Voluntário, interposto de forma hábil e tempestiva, ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência, em respeito ao princípio da verdade material, arguindo o seguinte: a) no acórdão proferido pela DRJ, não foi consignada nenhuma objeção ao fato de se tratar de uma cooperativa, cujos atos cooperativos não sofrem a incidência da Cofins; b) a Constituição Federal prevê tratamento diferenciado às cooperativas e os artigos 3°, 4º e 5º da Lei n° 5.764/1971 trazem, respectivamente, a definição de sociedade cooperativa, as suas características e a possibilidade de adoção de objeto de qualquer gênero de serviços, operação ou atividade; c) a discussão travada nos autos não diz respeito à isenção da Cofins, mas à não incidência da contribuição sobre os atos cooperativos, estes preceituados pelo art. 79 da Lei n° 5764/1971; d) no caso em apreço, há o exercício de coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados, decorrendo das contribuições desses mesmos cooperados todos os valores nela ingressados, valores esses destinados à contratação de médicos, dentistas, psicólogos, serviços de laboratórios e de hospitais, todos eles diretamente ligados à sua atividade. Por fim, o contribuinte pleiteou a análise pelo órgão recursal dos Balancetes do período e do Parecer elaborado pela empresa de auditoria SGC Auditores Independentes, trazidos aos autos juntamente com o Recurso Voluntário, que, segundo ele, comprovam que os valores dos ingressos se referem a contribuições dos cooperados (ato cooperativo), constituindose prova cabal do erro no preenchimento da DCTF. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10830.903906/201219 Resolução nº 3201001.239 S3C2T1 Fl. 168 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.236, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10830.903904/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.236): Depreendese do caderno processual, que não há oposição em relação ao fato de que a recorrente praticou atos cooperativos. Assim, o cerne da questão está em apreciar o direito de a recorrente ter afastada a tributação pela COFINS, dos atos cooperativos típicos por ela praticados, quais sejam, de operações entre a Cooperativa e seus associados, o que lhe conferiria o direito de ter retornado ao seu patrimônio o valor pago a maior a título de COFINS, o que viabilizaria a compensação pretendida. Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10830.903906/201219 Resolução nº 3201001.239 S3C2T1 Fl. 169 4 Os fatos que ensejaram a conversão em diligência do julgamento do processo paradigma também se encontram presentes nestes autos, justificando, por conseguinte, a aplicação da mesma decisão a este processo. Portanto, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem intime o Recorrente para, no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, apresente (i) os cálculos e (ii) outros documentos porventura ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado e se ele é suficiente para a extinção do débito existente, tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que tome conhecimento dos procedimentos realizados pela repartição de origem, inclusive do relatório a ser elaborado pela Fiscalização, e se manifeste, a seu critério, acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.900928/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.936
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 09 28 /2 00 8- 03 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13884.900928/200803 Acórdão n.º 3401004.936 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.597, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13884.900928/200803 Acórdão n.º 3401004.936 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13884.900928/200803 Acórdão n.º 3401004.936 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13884.900928/200803 Acórdão n.º 3401004.936 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13884.900928/200803 Acórdão n.º 3401004.936 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 73DF CARF MF
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