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Numero do processo: 15504.020545/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se verifique a existência de pedido de parcelamento total ou parcial dos créditos lançados e, em caso de pedido de parcelamento parcial, indique os créditos abrangidos nele.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Relatório
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se verifique a existência de pedido de parcelamento total ou parcial dos créditos lançados e, em caso de pedido de parcelamento parcial, indique os créditos abrangidos nele. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem, para que se verifique a existência de pedido de parcelamento total ou parcial dos créditos lançados e, em caso de pedido de parcelamento parcial, indique os créditos abrangidos nele. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 20 54 5/ 20 09 -8 5 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 15504.020545/200985 Resolução nº 2402000.654 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório A fiscalização lavrou os seguintes Autos de Infração (AI) em face do sujeito passivo: (a) AI 37.237.6630 PAF 15504.020542/200941, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte da empresa, inclusive a alíquota GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação; (b) AI 31.231.6665 PAF 15504020545/200985, para a constituição de multa devida pelo descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa apresentado a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação; (c) AI 37.237.6657 PAF l5504.020544/200931, para a constituição das contribuições devidas a outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação; (d) AI 37.237.6649 PAF 15504020543/200996, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte dos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação De acordo com a acusação, a execução inadequada do Programa de Alimentação do Trabalhador ou o desvirtuamento de suas finalidades pela empresa participante acarretaria o cancelamento de sua inscrição no Ministério do Trabalho e Emprego, com a consequente perda dos incentivos fiscais. No caso concreto, o fornecimento de alimentação pela contribuinte estaria ligado a sistema de premiação ou punição do trabalhador, conforme conclusões do Processo 46016.0002969/200811 SIT/MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. As modalidades de serviços de alimentação fornecidas pela empresa seriam: a) administração de cozinha; b) cestas básicas; c) ticket alimentação; d) ticket refeição; e) alimentação e lanches. Os valores tributáveis foram extraídos da escrituração contábil da empresa e das folhas de pagamento. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 15504.020545/200985 Resolução nº 2402000.654 S2C4T2 Fl. 4 3 Os fatos geradores não foram declarados em GFIP. O sujeito passivo apresentou impugnação tempestiva, a qual foi julgada improcedente, conforme decisão assim ementada: AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fato gerador de contribuição previdenciária. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. Os valores pagos aos trabalhadores a título de auxilio alimentação somente são excluídos do campo de incidência das contribuições sociais quando fornecidos em conformidade com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. DECADÊNCIA. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após cinco anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o crédito poderia ter sido constituído. DECISÕES JUDICIAIS. As decisões judiciais, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A Autoridade Fiscal deverá formalizar Representação Fiscal para Fins Penais sempre que tiver conhecimento da ocorrência, em tese, do crime de sonegação de contribuição previdenciária. PRÁTICAS REITERADAS ADOTADAS PELO FISCO. A prática reiterada pelo Fisco tem sido a de autuar os contribuintes que, inobservando os ditames contidos na legislação, efetuam o pagamento da parcela in natura em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Intimada da decisão em 07/01/2011, através de aviso de recebimento, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 19/01/2011, no qual, reafirmando os fundamentos de sua impugnação, suscitou o seguinte: Decadência (a) decadência: os créditos tributários são relativos às competências janeiro a dezembro de 2004, ao passo que a recorrente foi autuada somente em dezembro de 2009, estando decaídas as contribuições do período de janeiro a novembro; (b) é aplicável o art. 150, § 4º, do CTN; Do auxílioalimentação Fl. 242DF CARF MF Processo nº 15504.020545/200985 Resolução nº 2402000.654 S2C4T2 Fl. 5 4 (c) apenas o ticket alimentação estava condicionado à assiduidade do empregado; (d) não há como se cogitar da incidência de contribuição previdenciária sobre os valores gastos pela recorrente com a manutenção de restaurante interno, bem como a título de cesta básica, alimentação e lanches e ticket refeição, haja vista o inegável caráter indenizatório de tais verbas, pagas para o trabalho e não pelo trabalho; (e) além de estar restrita ao ticket, a condição estipulada em acordo coletivo de trabalho jamais poderia ser assemelhada a um sistema de premiação; (f) maior prova de que o pagamento de ticket alimentação não é uma espécie de premiação ao empregado é o fato de a recorrente efetivamente possuir um programa de prêmios para seus funcionários, este sim visando a maior produtividade; (g) não existe previsão em lei ou em decreto que proíba essa condição estabelecida pela recorrente; (h) a Portaria 87, que teria excluído a requerente do PAT, é datada de 19/03/2009, tendo sido publicada no DOU de 23/03/2009, mas pretende produzir efeitos de forma retroativa, cancelando inscrições de 1995 a 2008; (i) inscrição no PAT não é condição indispensável à caracterização da natureza indenizatória das verbas alimentares pagas pela recorrente aos seus empregados. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 15504.020545/200985 Resolução nº 2402000.654 S2C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Da necessidade de diligência Conforme preceitua o § 2º do art. 78 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), o pedido de parcelamento importa a desistência do recurso, não havendo necessidade de pedido expresso de desistência: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (destacouse) Como se vê, o RICARF preleciona que basta o pedido de parcelamento para que se tenha como consequência a desistência do recurso. Desta forma, é irrelevante, para fins de aferição da desistência, se o parcelamento está ou não ativo, importando, sim, analisar se houve pedido. Neste caso concreto, há uma informação expressa, à fl. 255 (PAF 15504.020542/200941), de que a empresa teria incluído a totalidade dos seus débitos no parcelamento: Todavia, a informação contida à fl. 254 (PAF 15504.020542/200941) é a de que a empresa não teria incluído a totalidade dos débitos da PGFN e da RFB no parcelamento. Ou seja, tais informações aparentemente se contradizem e é necessário verificar se houve a inclusão da totalidade dos débitos, e, se não tiver havido a inclusão da totalidade, se houve pedido de inclusão dos débitos controlados neste processo no parcelamento, ainda que o parcelamento tenha sido posteriormente rescindido. Lembrese: é irrelevante, para fins de aferição da desistência, se o parcelamento está ou não ativo, importando, sim, analisar se houve pedido. Realizada a diligência, o contribuinte deve ser intimado para, querendo, apresentar sua manifestação no prazo legal. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 15504.020545/200985 Resolução nº 2402000.654 S2C4T2 Fl. 7 6 2 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem verifique a existência de pedido de parcelamento total ou parcial dos créditos lançados e, em caso de pedido de parcelamento parcial, indique os créditos nele abrangidos. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901111/2014-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 11 11 /2 01 4- 52 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13888.901111/201452 Acórdão n.º 1402003.073 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi indeferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE 1. que, “a r. decisão primitiva sequer detalhou ou especificou por quais razões o contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, análise esta que era condição sine qua non para alicerçar as razões de decidir do despacho decisório”; 2. que, “em outras palavras, foi dificultado ao recorrente repelir, amplamente, a decisão do julgador de primeiro grau, o que é direito constitucionalmente assegurado. A falta destes elementos concretos, fundamentos embasados na legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar o r. despacho rescisório implicam na anulação do mesmo, pois ao não garantir o amplo direito de defesa à recorrente, o r. despacho decisório avilta também, conseqüentemente, o princípio do devido processo legal”; 3. que, “na falta de elementos que confiram ao contribuinte chance de defenderse amplamente da r. decisão do órgão fiscal originário, o presente processo administrativo não terá seu deslinde normal, razão pela contrariouse o consagrado devido processo legal”; 4. que, “ante à ausência de fundamentos legais imprescindíveis, desde o momento em que foi exarado o r. despacho decisório o curso deste processo administrativo foi atingido por uma nulidade, o que somente poderá ser sanada Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13888.901111/201452 Acórdão n.º 1402003.073 S1C4T2 Fl. 4 3 através da integral anulação do processo administrativo desde o início, inclusive do V. Acórdão recorrido que manteve o despacho decisório”; 5. que, “requerse que estes Ínclitos Julgadores em sede prelibatória anulem este processo administrativo desde o r. despacho decisório de origem, determinando o retorno dos autos à origem para que seja preferida decisão compatível com os princípios que norteiam os processos administrativos”. NO MÉRITO Depois de fazer breve histórico da COFINS e do PIS, aponta para decisão prolatada pelo STF acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo naquelas contribuições. Literalmente: “Recentemente a matéria foi definitivamente arraigada pelo C. Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG, onde o contribuinte se consagrou vencedor e foi definitivamente julgada a questão no sentido de que se deve excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Oportuno ressaltar os ensinamentos do Min. Marco Aurélio que nos autos do aludido julgamento cravou: (...) Assim, somente se pode concluir que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de "faturamento", mas mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas, razão pela qual por todas as razões aqui expendidas, bem assim pelo quanto retro sustentado, é que se faz de solar clareza a necessidade de reformar a r. decisão guerreada e homologar as compensações levadas a termo através das PERDCOMPs cotejadas. Reiterese, porque se cuida de decisão recente e nova no mundo tributário, posto que o Supremo Tribunal Federal decidiu definitivamente que o ICMS não entra na base de cálculo da Cofins e do PIS (Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG), de modo que a inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições ao PIS e à Cofins é ilegítima e inconstitucional, pois fere o princípio da estrita legalidade previsto no artigo 150, I da CF/88 e 97 do CTN, o artigo 195, I, “b” da CF/88 e o art. 110 do CTN, porque receita e faturamento são conceitos de direito privado que não podem ser alterados, pois a Constituição Federal os utilizou expressamente para definir competência tributária, pelo que resta evidente o crédito da Recorrente e se requer a reforma do V. Acórdão neste particular para que sejam definitivamente homologadas as compensações levadas a termo pelo contribuinte recorrente”. DO DIREITO DO CONTRIBUINTE À COMPENSAÇÃO Prossegue argumentando ter direito à compensação em face da exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS e que, por este motivo, “caberia à Autoridade recorrida verificar o crédito do Recorrente, para aferir pela sua procedência ou não, sendo certo que se assim o fizesse a autoridade administrativa singular, certamente homologaria a compensação em Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13888.901111/201452 Acórdão n.º 1402003.073 S1C4T2 Fl. 5 4 apreço, sendo que de tudo quanto exposto, somente se pode inferir que o V. Acórdão em questão deve mesmo ser reformado, o que se requer adiante”. DO PEDIDO E conclui requerendo “o regular processamento, ulterior apreciação, concessão de efeito suspensivo e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar o V. Acórdão exarado pela instância a quo, para que, preliminarmente, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que seja anulado o vertente processo administrativo, nos moldes da fundamentação supra, tendo em vista a ofensa ao princípio do contraditório e do devido processo legal, e para que, no seu mérito, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que sejam homologadas as almejadas compensações e finalmente reconhecido o crédito da Recorrente”. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.018, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901078/2014 61, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.018): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Afasto, de plano, a preliminar de nulidade do acórdão a quo, tendo em vista não presentes quaisquer fatos que pudessem levar a esta decisão. De fato, o que se observa é a irresignação da recorrente em razão da decisão de 1º Piso lhe ter sido desfavorável e não porque tenha o aresto qualquer ponto ou item que afronte a legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação. Digase, o acórdão foi prolatado em estrita obediência às normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13888.901111/201452 Acórdão n.º 1402003.073 S1C4T2 Fl. 6 5 documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da contribuinte. Se o decidido lhe foi desfavorável não significa nulidade. Só entendimento da Turma Julgadora. Preliminar rejeitada. Passo ao mérito. Sabidamente, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I). No caso de pedidos de ressarcimento ou restituição, o interessado deve trazer provas de que possui direito líquido e certo contra a Fazenda Pública e assim deve ser repetido tributariamente para recompor o patrimônio subtraído por pagamento de um tributo de forma indevida. Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e seu direito se perde. Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Concretamente, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. No caso, o DARF foi utilizado para pagamento do tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte. É certo que este quadro pode ser alterado. Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é ela a autora e para modificar o ato administrativo cabelhe demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Não o fazendo – como não o fez , o indeferimento permanece. Acresçase que, concretamente, a contribuinte não acostou um documento sequer, nem escrituração contábil ou fiscal que possa mostrar o direito que alega ter. Sua linha de argumento limitase em afirmar que a Suprema Corte (em decisão ainda sem efeito erga omnes) teria decidido pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e COFINS), sem sequer quantificar o reflexo disso em seus demonstrativos contábeis. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13888.901111/201452 Acórdão n.º 1402003.073 S1C4T2 Fl. 7 6 Ou seja, meras alegações sem que tenham vindo aos autos quaisquer provas, cálculos ou decisão que lhe aproveitasse. Sabidamente, a base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. E que só pode ser mudado por via legislativa ou decisão judicial, esta que aproveite individualmente a recorrente ou que seja prolatada com efeito erga omnes. Não há, no caso, nem um nem outro. Desse modo, especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, somente podem ser excluídos da receita (base de cálculo do PIS e da COFINS) o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos os regimes. Admitir qualquer outra exclusão equivaleria a afastar a aplicação da lei, o que é vedado na esfera administrativa. Portanto, essa discussão é estéril em sede de julgamento administrativo. Finalmente, como bem observado pela decisão de 1º Piso, a recorrente transmitiu inúmeras declarações de compensação informando como crédito passível de compensação um único DARF e nos pedidos de compensação formalizados pela recorrente, os débitos que intenta compensar ultrapassam – e muito o valor desse suposto crédito. Por fim, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13888.901111/201452 Acórdão n.º 1402003.073 S1C4T2 Fl. 8 7 pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida.' Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, rejeito a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.723136/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
Ainda que se trate de tributo sujeito ao lançamento por homologação, não havendo pagamento antecipado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai com o transcurso do prazo de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
VENCIMENTO DO MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES.
O CARF tem posicionamento consolidado no sentido de que o MPF é apenas procedimento gerencial da receita federal, sendo que mesmo sua inexistência não gera nulidade da infração.
INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. SIGILO BANCÁRIO.
Com a edição da Lei Complementar nº 105/2001, passou a ser permitido ao fisco, independentemente de autorização judicial, o exame de informações relativas às movimentações bancárias do contribuinte e obtidas junto às instituições financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O arbitramento do lucro é medida prudente para o atingimento aproximado da realidade econômica do contribuinte, considerando que sua escrituração fiscal e contábil evidencia deficiências que tornam-na imprestável para a identificação do efetivo lucro auferido.
Numero da decisão: 1201-002.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário,e, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Ainda que se trate de tributo sujeito ao lançamento por homologação, não havendo pagamento antecipado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai com o transcurso do prazo de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. VENCIMENTO DO MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES. O CARF tem posicionamento consolidado no sentido de que o MPF é apenas procedimento gerencial da receita federal, sendo que mesmo sua inexistência não gera nulidade da infração. INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. SIGILO BANCÁRIO. Com a edição da Lei Complementar nº 105/2001, passou a ser permitido ao fisco, independentemente de autorização judicial, o exame de informações relativas às movimentações bancárias do contribuinte e obtidas junto às instituições financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento do lucro é medida prudente para o atingimento aproximado da realidade econômica do contribuinte, considerando que sua escrituração fiscal e contábil evidencia deficiências que tornam-na imprestável para a identificação do efetivo lucro auferido.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Ainda que se trate de tributo sujeito ao lançamento por homologação, não havendo pagamento antecipado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai com o transcurso do prazo de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. VENCIMENTO DO MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES. O CARF tem posicionamento consolidado no sentido de que o MPF é apenas procedimento gerencial da receita federal, sendo que mesmo sua inexistência não gera nulidade da infração. INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. SIGILO BANCÁRIO. Com a edição da Lei Complementar nº 105/2001, passou a ser permitido ao fisco, independentemente de autorização judicial, o exame de informações relativas às movimentações bancárias do contribuinte e obtidas junto às instituições financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento do lucro é medida prudente para o atingimento aproximado da realidade econômica do contribuinte, considerando que sua escrituração fiscal e contábil evidencia deficiências que tornamna imprestável para a identificação do efetivo lucro auferido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 31 36 /2 01 1- 15 Fl. 1049DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário,e, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratam os autos de autos de infração cientificados em 19/12/2011 para a exigência de débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativos ao anocalendário de 2006 (fls. 846881), acrescidos de multa de ofício de 150% e juros de mora. De acordo com o relatório fiscal de fls. 841845, o procedimento de fiscalização foi iniciado (i) por existir diferença de R$7.178.181,10 entre as compras lançadas na DIPJ (R$22.065.261,55) e a receita bruta do período (R$14.887.080,45), (ii) porque a movimentação financeira informada pelo Banco Bradesco por meio da declaração de CPMF foi superior à receita bruta em R$7.029.711,63 e (iii) porque a contribuinte apurou prejuízos fiscais elevados em todos os trimestres do anocalendário de 2006 (R$5.221.556,58, R$6.744.431,63, R$2.732.596,18 e R$2.541.005,34, respectivamente). O auditor fiscal concluiu pela imprestabilidade da escrituração e realizou a apuração do lucro pela sistemática do arbitramento, tendo indicado no relatório fiscal os diversos vícios que entendeu estarem presentes nas demonstrações contábeis da contribuinte. Foi consignado, no relatório fiscal, que em 22/10/2010 foi lavrado termo de intimação e devolução de documentos, no qual foram solicitados esclarecimentos sobre falhas e omissões encontradas nos livros razão e diário e a contribuinte foi intimada a retificar tais informações, sob pena de arbitramento do lucro. A contribuinte apresentou esclarecimentos, mas não retificou as incorreções apontadas pela autoridade fiscal, exceto quanto à identificação do contador responsável. Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10280.723136/201115 Acórdão n.º 1201002.099 S1C2T1 Fl. 3 3 Em 21/10/2011 a contribuinte foi novamente intimada a comprovar os valores da conta 211.01.02 “Fornecedores” e da conta 221.01.01 “Empréstimos a Coligada a Longo Prazo”, mas tais esclarecimentos não foram prestados até o encerramento da ação fiscal, que ocorreu em 13/12/2011. Também foi registrado no relatório fiscal que a contadora da contribuinte, em depoimento prestado à Fiscalização, afirmou ser a contabilidade imprestável para apurar o lucro real. Em razão (i) das fraudes na contabilidade objetivando apurar um prejuízo inexistente e (ii) tendo em vista a imprestabilidade da escrita contábil para a apuração do lucro real, a autoridade fiscal procedeu à qualificação da multa para 150% e formalizou representação fiscal para fins penais. Foi observado o prazo decadencial previsto pelo art. 173, I do CTN pois (i) não houve apresentação de DCTF e DACON, tampouco (ii) pagamentos a título de IRPJ, CSLL, COFINS E PIS; (iii) foi desclassificada a “DIPJ como apuração pelo lucro real” e (iv) houve fraude na escrita contábil com qualificação da multa. Impugnação Em 17/01/2012 a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 908927 alegando, em suma, o que segue. Houve cerceamento do direito de defesa, pois a contribuinte não foi intimada das nove renovações do prazo do MPF 02.1.01.002010000277, sendo assim o auto de infração nulo nos termos do art. 12, II do Decreto nº 7.574/11; Os autos de infração estão fundamentados em provas obtidas ilicitamente, pois a contribuinte foi coagida a apresentar seus extratos bancários, uma vez que, se tais documentos não fossem exibidos à Fiscalização, seria caracterizado embaraço à fiscalização e lavrado auto de infração mediante a utilização do critério de arbitramento. Cita o RE nº 389.808PR, em que o STF decretou a inconstitucionalidade do art. 6º da LC 105, de 10/01/2001; Ocorreu a decadência dos créditos tributários correspondentes aos três primeiros trimestres de 2006 (considerandose a apuração trimestral), pois deve ser aplicado o art. 150, §4º do CTN, e não o art. 173, I. Isso porque foi apresentada a DIPJ relativa ao ano calendário de 2006 e a contribuinte apenas não recolheu IRPJ, CSLL, PIS e COFINS porque apurou prejuízo fiscal. Além disso, não houve fraude, pois não foi praticada conduta dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou evitar ou diferir o seu pagamento; Auditor fiscal agiu de forma equivocada ao declarar a imprestabilidade da escrita fiscal da contribuinte, pois inexistiram os elementos necessários para tanto, fixados na legislação vigente. Isso porque (i) o auditor fiscal teve acesso à movimentação financeira e bancária da contribuinte, (ii) foram prestados todos os documentos e esclarecimentos Fl. 1051DF CARF MF 4 solicitados durante o procedimento de fiscalização, (iii) a escrita fiscal da contribuinte era regular, com o preenchimento de todos os livros exigidos pela legislação para as empresas optantes pelo lucro real; Subsidiariamente, o lançamento deve ser declarado nulo, ainda que parcialmente, em relação à CSLL, ao PIS e à Cofins, pois o MPF foi expedido com o objetivo inicial de apurar a regularidade do cumprimento de obrigações tributárias relativas ao IRPJ, ou seja, o auditor fiscal extrapolou sua competência; Deve ser afastada a qualificação da multa, pois essa penalidade foi substituída por uma mais benéfica e não foi caracterizado o evidente intuito de fraude; e Tendo sido demonstrado que não foi realizada fraude pela contribuinte, deve ser declarada a perda de objeto da representação fiscal para fins penais. Acórdão da DRJ Às fls. 949967, os membros da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) julgaram procedente em parte a impugnação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. DECADÊNCIA. Nos lançamentos cuja exação se faz por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realizase a contagem do prazo decadencial pelo disposto no §4º do art. 150 do CTN, de outra forma, aplicase a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I, do CTN. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA. DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO CIÊNCIA O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. LUCRO ARBITRADO. APLICAÇÃO. O contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou deixar de apresentar o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária, quando optar pelo lucro presumido e não mantiver escrituração contábil regular, deve ser tributado pelo Lucro Arbitrado. SIGILO BANCÁRIO. Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 10280.723136/201115 Acórdão n.º 1201002.099 S1C2T1 Fl. 4 5 Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados não constitui quebra do sigilo bancário, mas mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. PROVA PERICIAL. LIMITES OBJETIVOS. Destinamse as perícias à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para suprir a ausência de provas que já poderiam as partes ter juntado à impugnação ou para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. É necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo para autorizar a qualificação da multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: PIS e COFINS. Dada a íntima relação de causa e efeito, o lançamento decorrente segue a sorte do lançamento principal, se não houver razão para decidir diversamente. Em suma, e nos termos do voto do Relator, a DRJ afastou a qualificação da multa de ofício por não ter sido demonstrado o evidente intuito de fraude pela autoridade fiscal. Não havia sido interposto recurso de ofício. Recurso Voluntário Contra o referido acórdão a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 974993, no qual reiterou os argumentos tecidos em sede de impugnação, exceto quanto à multa qualificada. Resolução 1103000.171 Por meio da Resolução 1103000.171 a 3° Turma da 1°Câmara converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos do voto relator: Desse modo, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA: Fl. 1053DF CARF MF 6 a) Interponha recurso de ofício contra o Acórdão nº 0125.734, proferido em 30/11/2012 nos autos do presente processo administrativo; b) Cientifique o contribuinte sobre a interposição do recurso de ofício, para, se assim desejar, apresentar manifestação limitada ao objeto de tal recurso, no prazo de 30 (trinta) dias, conforme o art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; e c) Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. A DRJ/Belém cumpriu a resolução em seus exatos termos e os autos retornaram a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recursos Voluntário e de Ofício interpostos são tempestivos e preenchem os demais requisitos legais, por isso, merecem ser analisados. Do Recurso Voluntário Decadência Alega a contribuinte que tendo sido optante pelo Lucro Real Trimestral e considerando que foi cientificada do Auto de Infração apenas em 13/12/2011, ocorrera a decadência dos fatos geradores de 31/03/2006; 30/06/2006 e 30/09/2006, conforme regra prevista no art. 150, § 4°do CTN. Baseia também a contribuinte sua alegação de decadência nos moldes do art. 150, § 4°do CTN no fato de inexistir em sua conduta qualquer indício de fraude ou simulação que pudesse levar à aplicação da regra do art. 173, I do CTN. Discordo do racional da Contribuinte, pois, resta incompleta. Explico. A análise deste ponto norteia a construção lógica de que a consumação do instituto da decadência depende diretamente do termo a quo adotado, variando de acordo com a situação fática que se concretiza. O fator que opera esta variação, no caso em tela, é o pagamento antecipado do tributo. Outros fatores, ocasionalmente, podem ser levados em conta, como a constatação Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 10280.723136/201115 Acórdão n.º 1201002.099 S1C2T1 Fl. 5 7 da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, mas, conforme se verá em análise posterior do mérito, o presente caso não exige a aplicação de quaisquer destes. Neste albor, uma vez constatado o pagamento antecipado do tributo, necessária a aplicação do art. 150, § 4º do CTN, definindo, desta forma, o momento da ocorrência do fato gerador como o termo a quo para contagem do prazo decadencial. Em contrapartida, não havendo indícios de pagamento antecipado do tributo, irretorquível a aplicação do art. 173, I do CTN, considerando o início do prazo decadencial no 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o caso em tela, pois, não foram identificados pagamentos nos períodos em discussão, ainda que em valores menores que o devido. Desta sorte, deve ser aplicada a regra do art. 173, I do CTN ao presente caso e por consequêcia, deve ser afastada a alegação de decadência de qualquer dos períodos ora em discussão. Cerceamento ao direito de defesa. Nulidade do MPF. Alega a contribuinte o cerceamento de seu direito de defesa em razão de nulidade do MPF, pois, teria expirado o prazo deste. Discordo da Contribuinte. A jurisprudência da CSRF é no sentido que o MPF é apenas um ato interno da SRF, de cunho gerencial, que, por consequência, não afeta o auto de infração quando expedido ou executado sem respeitar os termos da Portaria ou mesmo quando não expedido, como podemos ver em recentes julgados das três turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1ª Turma da CSRF “O MPF é apenas uma medida interna, de controle administrativo e sua ausência não contamina a essência do lançamento quando levado a efeito por autoridade competente.” (...) “Frisese, não é o MPF que dá legitimidade ao Auditor da RFB para lançar tributos, mas a lei stricto sensu, e esta não restou violada.” (Acórdão nº 9101001.798, Relatoria Cons. Marcos Aurélio Pereira Valadão. Decisão por maioria. Data da sessão: 19/11/2013) Fl. 1055DF CARF MF 8 2ª Turma da CSRF “Todas infrações ligadas ao descumprimento do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN:” (...) “Cumpre ressaltar também que a inobservância da Portaria SRF nº. 1.265, de 22 de novembro de 1999 pode acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos praticados pelo Auditor, em cumprimento ao disposto nos arts 950, 951 e 960 do RIR/94. 142 do Código Tributário Nacional.” (Acórdão nº 9202003.063, Relatoria Cons. Manoel Coelho Arruda Júnior. Decisão por maioria. Data da sessão: 13/02/2014) 3ª Turma da CSRF “O auto de infração e, consequentemente o lançamento, somente seria nulo se tivesse sido lavrado por pessoa incompetente ou sem fundamentação legal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 59, inciso I, in verbis: Por maioria de votos, afastouse a preliminar de nulidade do MPF. Vencidas as Conselheiras Maria Teresa Martínez López (Relatora) e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas;” (Acórdão nº 9303001.194, Relatoria Cons. Maria Teresa Martinez López. Redator Voto Vencedor Cons. Rodrigo Costa Pôssas. Decisão por maioria. Data da sessão 25/10/2010) Do primeiro acórdão, notamos que não há nulidade do procedimento de fiscalização, mesmo inexistindo MPF. O segundo acórdão deixa claro que a inobservância de MPF gera apenas consequências disciplinares à autoridade administrativa, não gerando nulidade para a fiscalização realizada. Por fim, o terceiro acórdão conclui que, tratandose de ato administrativo, só será nulo quando proferido por pessoa incompetente. Concordo com esse entendimento. Analisando a legislação tributária, vemos que no plano constitucional o art. 145, § 1º possibilita que os entes tributantes identifiquem o patrimônio, os rendimentos e as atividades do contribuinte, desde que “respeitados os direitos individuais e nos termos da lei”: Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 10280.723136/201115 Acórdão n.º 1201002.099 S1C2T1 Fl. 6 9 § 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Em nosso entender, o direito individual mencionado acima é o direito de defesa, bem como outras garantias estabelecidas por lei que, desrespeitadas, haja previsão expressa de ensejarem a nulidade do procedimento. No que tange à prescrição “nos termos da lei”, encontramos no Código Tributária Nacional, por sua vez, os seguintes dispositivos: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (...) Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. Parágrafo único. A legislação a que se refere este artigo aplica se às pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal. (...) Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas. Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo. Fl. 1057DF CARF MF 10 Em outros termos, a lei estabelece que a constituição do crédito tributário, por autoridade administrativa, deve respeitar os seguintes requisitos: i) a autoridade ter competência para a prática do ato; ii) deve ser instaurado um procedimento; iii) se o procedimento depender de intimação do sujeito passivo, deve ser lavrado termo para que se documente a data de início; iv) prazo para findar; e, se necessário, v) lavratura de auto de infração contendo a RMIT. Os dispositivos acima estabelecem, também, que a legislação tributária, ou seja, “os decretos e as normas complementares”, inclusive1, regulará, observado o disposto nesta Lei, “a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação”. Nesse sentido, o art. 7º do DecretoLei nº 70.235/72, recepcionado pela CF/88 com nível de lei ordinária, dispõe: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Entendemos que o art. 194, do CTN possibilita a instituição de duas espécies de normas: i) inaugurais e ii) regulamentares; podendo ser subdivididas em normas de direito material e normas processuais. Na lição do Prof. PAULO DE BARROS CARVALHO, pautandose no art. 5º, § 2º da CF/88, “A lei e os estatutos normativos que têm vigor de lei são os únicos veículos credenciados a promover o ingresso de regras inaugurais no universo jurídico brasileiro, pelo que as designamos por “instrumentos primários”, e “Todos os demais diplomas regradores de conduta humano, no Brasil têm sua juridicidade condicionada às disposições legais, quer emanem preceitos gerais e abstratos, quer individuais e concretos. São, por isso mesmo, considerados ‘instrumentos secundários’ ou ‘derivados’, não apresentando por si só, a força vinculante que é capaz de alterar as estruturas do mundo jurídicopositivo.”2 1 CTN: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 24. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 90. Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10280.723136/201115 Acórdão n.º 1201002.099 S1C2T1 Fl. 7 11 Ainda sobre o tema, ressalta que os instrumentos secundários não podem inovar a ordem jurídica, “fazendo surgir novos direitos e obrigações”3. Em sentido contrário, entendese que tampouco poderá restringir direitos ou obrigações. Pois bem. O art. 6º da Lei nº 10.593/2002 é exemplo de norma inaugural de direito material, quando confere, privativamente, ao AuditorFiscal da Receita Federal a competência para “constituir, mediante lançamento, o crédito tributário”. Por sua vez, o Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, que confere atribuições às delegacias e departamentos internos são normas de direito material regulamentares. A importância da classificação acima está no fato que, a nulidade de um ato só deve ser declarada quando a norma for: i) inaugural de direito material ou ii) de direito processual, com previsão expressa de uma consequência em caso de desrespeito à previsão legal ou infralegal. A partir dessa premissa, auto de infração lavrado por quem não é auditorfiscal é “nulo”, pois o art. 142 do CTN combinado com o art. 6º da Lei nº 10.953/2002 confere apenas a essa autoridade administrativa a competência para constituir o crédito tributário por meio de auto de infração. Todavia, procedimento estabelecido por ato regulamentar, “observado o disposto nesta Lei” (art. 194, do CTN), que não preveja expressamente uma consequência quando ela não for respeitada, na seara tributária, não gera nenhum efeito, exceto se provado prejuízo ao exercício do direito de defesa – esta com base em instrumento inaugural, qual seja o art. 59 do Decreto nº 70.235/72. É o que ocorre com o Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal – TDPF, outrora denominado Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). À época da fiscalização, o MPF tinha como fundamento a Portaria da RFB nº 3.014/2011, instituída com o fim de dispor “sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Já pela ementa da Portaria é possível depreender o seu fim: norma de natureza gerencial da Receita. Todavia, ainda que se entenda que a legislação outorga “direitos” ao administrado, esses são, apenas, de natureza processual, e, desse modo, não há que se falar em nulidade, sem que se configure o prejuízo. Ademais, não encontramos na citada portaria nenhum dispositivo que atribua consequência, por exemplo, nulidade, quando qualquer dos requisitos do ato seja desrespeitado. Como bem fundamentou o ilustre Cons. Antônio Bezerra Neto: “O ônus de provar o prejuízo é do interessado e ele não o faz, limitandose a entrar em um argumento circular em que apenas a legalidade pela legalidade é que foi prejudicada.” Acórdão n.º 1401001.223. Somase aos argumentos retro o fato que as garantias e privilégios do crédito tributários não podem ser afastados por meio de ato infralegal, nem mesmo por aplicação do “princípio da legalidade, da ampla defesa e do devido processo legal”, haja vista que o art. 194 do CTN limita a regulamentação dos atos procedimentais “observando o disposto nesta lei”. Frisamos, nenhuma lei em sentido estrito foi ofendida. 3 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 24. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 108. Fl. 1059DF CARF MF 12 Por fim, como já fundamentado acima, a competência para lavrar auto de infração é privativa de auditorfiscal, nos termos do art. 142 do CTN, combinado com o art. 6º da Lei nº 10.953/2002. Eventual desrespeito a ato infralegal de “repartição de competência”, não gera nulidade do AI. Em suma, não há que se falar em nulidade de acordo com o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, seja porque a autoridade lançadora era competente, seja porque não houve cerceamento do direito de defesa. Da obtenção das informações protegidas por sigilo bancário Alega a Contribuinte que as provas foram obtidas pela fiscalização de maneira ilícita, vez que foi coagida a apresentar seus extratos bancários. Assim, tais provas não poderia subsidiar o lançamento ora em combate. Mais uma vez não assiste razão à Contribuinte. Quanto à nulidade decorrente da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, pleiteia o Recorrente o cancelamento do auto de infração, por terem, os Auditores, procedido a quebra do sigilo bancário da Recorrente, e utilizado os extratos bancários como prova, sem a devida autorização judicial. Tal ponto é objeto de constante discussão no judiciário. Conforme decisão da 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, é descabido que a fiscalização tributária tenha de ajuizar ação na Justiça cada vez que precisar de informações da vida financeira de contribuintes. Além disto, como bem argumentou o julgador da primeira instancia, não há o que se falar em quebra indevida de sigilo bancário, visto que há amparo legal para tal procedimento, no artigo 6º da Lei Complementar 105 de 2001: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. O dispositivo legal acima encontrase em plena vigência, não cabendo a este julgador a análise sobre eventual inconstitucionalidade por respeito `Súmula CARF n. 2. De fato, já foi externada posição a respeito da matéria pelo Plenário do Eg. Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do RE 389.808/PR, conforme ementa abaixo: “SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 10280.723136/201115 Acórdão n.º 1201002.099 S1C2T1 Fl. 8 13 quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte.” (RE 389808/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, Julgado em 15/12/2010, Publicado em 10/05/2011) Não obstante minha posição se assemelhe bastante ao julgado acima, o fato é que tal decisão não foi proferida pelo STF sob o rito da Repercussão Geral, sendo assim, considerando a existência e vigência de lei que permite a quebra do sigilo bancário sem autorização, bem como, o teor da Súmula CARF n. 2 que veda aos Conselheiros do CARF a análise de inconstitucionalidade, devo afastar a presente preliminar de nulidade. Desta forma, tendo o processo de fiscalização e o auto de infração preenchido todos os requisitos previstos em lei, todas as alegações de nulidade merecem ser afastadas. Arbitramento do Lucro Tributável Conforme já bem destacado na decisão da DRJ, a não apresentação dos livros e da documentação contábil e fiscal, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, assim como a apresentação dos mesmos em desacordo à técnica de escrituração contábil, impossibilita ao fisco a apuração do lucro real, restando como única alternativa o arbitramento da base tributável. O Decreto nº 3.000/99 – Regulamento do Imposto de Renda – apresenta as hipóteses em que o imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, verbis: Art. 529. A tributação com base no lucro arbitrado obedecerá as disposições previstas neste Subtítulo. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Fl. 1061DF CARF MF 14 (...) VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. O arbitramento é consequência lógica à instalação de total ou parcial insegurança jurídica nas atividades fiscalizatórias, especificamente na determinação da matéria tributável, e assim, na constituição definitiva do próprio crédito tributário. O ato de lançamento tem como pressupostos a certeza e a liquidez do título que o instrumentaliza, no caso o Auto de Infração, de forma que qualquer indefinição precedente contaminao e desnaturao perante o ordenamento jurídicotributário. Devese adotar como premissa que as informações prestadas pelo contribuinte façam prova a seu favor. O posicionamento do presente julgador, já externado em outros tantos votos, é de que, inicialmente, com o nascimento da obrigação tributária e, no caso dos tributos aqui analisados, cujo o lançamento se dá por homologação, a documentação apresentada pelo contribuinte possui presunção relativa de veracidade, transferindo e compulsionando o ônus de mitigar tal presunção à fiscalização. Quando a fiscalização enxerga inconsistências e pleiteia a prestação de esclarecimentos, bem como a apresentação de documentações outras, e o contribuinte não concretiza tal almejo, detémse a possibilidade legal de utilização de outros meios eficazes a atingir as informações não prestadas ou inexistentes (através de RMFs, informações de órgãos públicos, dentre outros). Neste momento, contrastando as informações prestadas pelo contribuinte em um primeiro momento, com as informações colhidas unilateralmente pela Fiscalização, eventuais disparidades robustecem o permissivo de transferência da presunção relativa de veracidade e, assim, o contribuinte passa a deter o ônus probante. A presunção de omissão de receitas, legalmente disposta no art. 42 da Lei nº 9430/96, materializa esta presunção relativa da Fiscalização. Cabe ao contribuinte ilidir tal presunção, caso apresente documentação hábil e idônea, apta a comprovar a origem dos recursos correspondentes. Importante ressaltar que a Fiscalização, neste momento, carreia inúmeras oportunidades ao contribuinte para que este desnature tal presunção, intimandoo para a apresentação de documentos comprobatórios. Em referência ao caso em tela, o ora recorrente se manteve omisso quanto a apresentação da documentação que suportasse sua escrituração comercial e fiscal. Veja, a fiscalização analisa a documentação inicialmente apresentada e instiga o contribuinte a cooperar com o atingimento de uma verdade absoluta. Diante de todo o exposto, então, o arbitramento tornase o instrumento utilizado pela fiscalização como ultimação da atribuição de presunção relativa aos fatos, após todas as tentativas vãs e falhas no sentido de busca pelas informações e documentações do contribuinte. Não obstante, o instrumento em si, leiase, o arbitramento, é dotado de presunção absoluta de veracidade, ressaltando que os fatos ali contidos são relativizados. Veja, Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 10280.723136/201115 Acórdão n.º 1201002.099 S1C2T1 Fl. 9 15 uma presunção absoluta (“jure et de jure”) é uma ficção legal: não deixa de ser uma presunção, considerando aqui o alcance conteudístico significativo deste signo, apesar de uma maior proximidade a realidade concreta do que uma presunção relativa de veracidade. Sob outra ótica, não há o atingimento da verdade propriamente dita, principalmente quando a análise dos fatos é respaldada sobre a égide da aplicação do princípio da verdade material. Em contrapartida, o princípio da verdade formal, impulsiona o firmamento de uma presunção absoluta de veracidade, uma vez que todos os meios legais foram consumados e exaustos na busca pela verdade dos fatos, e legitima o arbitramento do lucro no caso concreto, inadmitindo prova em contrário que o desnature. Quanto aos fatos que o precederam e que o originaram, reiterase, mantémse a mesma presunção relativa da qual todo o processo fiscalizatório fora alagado. Para melhor entendimento da situação no campo fático, imprescindível a aplicação do art. 148 do CTN, o qual, sob um olhar perfunctório, tem o escopo de aproximar os valores arbitrados o máximo possível da verdadeira base de cálculo do tributo. Ainda assim, referido dispositivo legal, contudo, não encerra a possibilidade de prova em contrário no momento de formação do lançamento: o legislador estendeu a garantia do contraditório também à ocasião posterior ao arbitramento. Eis a dicção legal do art. 148 do CTN: “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” A jurisprudência instaurada no CARF, alicerçada pelo normativo supracitado, amparada, agora sim, integralmente no princípio da verdade material, concretiza os princípios do contraditório e da ampla defesa à todo o processo administrativo. Permitese que o contribuinte faça prova a seu favor em sede de impugnação e recurso voluntário, no intuito claro de ilidir a presunção relativa ultimada por meio do arbitramento, mantendo intacta, no entanto, a presunção absoluta deste último. Tal assertiva é consolidada através de entendimento sumulado: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Fl. 1063DF CARF MF 16 Tornase cristalina a conclusão de que o arbitramento, por si, não pode ser invalidado, pois em momento anterior fora eivado de presunção absoluta de veracidade. Conquanto, os fatos ali dispostos, dotados de presunção relativa, são passíveis de serem ilididos pelo contribuinte a qualquer momento. Não cabe, ao presente julgador, desnaturar o arbitramento e seus efeitos propagados desde o lançamento: foge a lógica do ordenamento jurídicotributário; é expressamente vedado por entendimento súmula, que respalda toda a jurisprudência neste sentido; e, além, chocase com toda a sistemática criada pelo legislador para a otimização da busca pela verdade absoluta. Quanto a este último ponto, restou demonstrado que as presunções de veracidade relativa são institutos oscilantes e voláteis, justamente para funcionarem como um instrumento que impulsiona, a todo o custo, o aprimoramento da verdade e, posteriormente, o atingimento de uma verdade absoluta. Enquanto isso, as presunções absolutas, apesar de não perfazerem uma verdade absoluta de fato, não instigam a possibilidade de prova em contrário, o que as reserva um caráter de estagnação, imutabilidade momentânea. Inviabilizar o arbitramento pelas provas apresentadas em momento posterior, portanto, tornase um meio incapaz de eivar de ilegalidade todo o processo fiscalizatório e o lançamento concretizado e insuficiente para a decretação de nulidade. Reiterase, que o arbitramento é a consequência de todo um processo fiscalizatório, concretizando a verdade até então apurada. Neste contexto o arbitramento só será desnaturado como consequência lógica a ilição concreta de todas as presunções relativas ali construídas, por natural perda de seu objeto. Tributação Reflexa Em relação à tributação reflexa, de PIS e COFINS, dada a íntima relação de causa e efeito e inexistência de fatos diversos que justificassem uma análise diferente, o lançamento decorrente segue o racional do lançamento principal. Recurso de Ofício Da multa Qualificada Entendo que fora acertada a decisão da DRJ que afastou a multa qualificada de 150% em razão da inexistência de fraude da contribuinte. Comungo do mesmo entendimento dos julgadores a quo no sentido de que o arbitramento do lucro por si só não justifica a aplicação da multa qualificada de 150% se ausente a comprovação de fraude. Também aqui me socorro da Súmula CARF n. 14 que assim dispõe: “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10280.723136/201115 Acórdão n.º 1201002.099 S1C2T1 Fl. 10 17 multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” Entendo também aplicável ao presente caso a Súmula CARF n. 25: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A fiscalização não conseguiu comprovar no presente caso o evidente intuito de fraude da Contribuinte, tendo tido êxito somente para fins de justificar o arbitramento aplicado. Assim, não merece reparo a decisão da DRJ que afastou a multa qualificada. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO DE OFÍCIO para NEGAR LHE PROVIMENTO e CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para AFASTAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS e no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1065DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.000347/2004-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999
LANÇAMENTO. ATO ADMINISTRATIVO. ESPÉCIE. VÍCIOS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O lançamento, como espécie de ato administrativo, deve observar a regularidade de seus elementos constitutivos (competência, forma, objeto, motivo e finalidade), não se verificando qualquer nulidade no auto de infração que, além de preencher os requisitos de validade, estatuídos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não viola as disposições do art. 59 do mesmo diploma legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999
COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO. ATOS LEGAIS E INFRALEGAIS. OBSERVÂNCIA. NECESSIDADE.
Conforme dispõem os arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, a compensação de créditos de um contribuinte com débitos de outro, na forma do do art. 15 da IN SRF 21/97, deve observar a ordem de prioridade definida no art. 7º do Decreto-Lei nº 2.287/86, segundo o qual, antes de se proceder à restituição ou ao ressarcimento de tributos, deverá a RFB verificar se o contribuinte, titular do direito de crédito, é devedor da Fazenda Nacional e, em caso positivo, promover a compensação, total ou parcialmente, com os seus débitos próprios, para só então, remanescendo direito de crédito, compensar os débitos de outros contribuintes, quando permitido.
MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
É descabida a exigência de multa de ofício no lançamento realizado na forma do art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, pelo indeferimento de compensação de um contribuinte com crédito de outro, com fulcro no art. 15 da IN SRF 21/97, tendo em vista a superveniência do art. 18 da Lei nº 10.833/03 e a aplicação do instituto da retroatividade benigna inserto no art. 106, II, a do Código Tributário Nacional.
DCTF. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. JUROS DE MORA. FLUÊNCIA.
Consoante arts. 161 do CTN e 61 da Lei nº 9.430/96, os débitos para com a União, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, serão acrescidos de juros moratórios à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-005.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para exonerar a multa de ofício aplicada, mantidos o principal e os juros moratórios.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999 LANÇAMENTO. ATO ADMINISTRATIVO. ESPÉCIE. VÍCIOS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O lançamento, como espécie de ato administrativo, deve observar a regularidade de seus elementos constitutivos (competência, forma, objeto, motivo e finalidade), não se verificando qualquer nulidade no auto de infração que, além de preencher os requisitos de validade, estatuídos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não viola as disposições do art. 59 do mesmo diploma legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999 COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO. ATOS LEGAIS E INFRALEGAIS. OBSERVÂNCIA. NECESSIDADE. Conforme dispõem os arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, a compensação de créditos de um contribuinte com débitos de outro, na forma do do art. 15 da IN SRF 21/97, deve observar a ordem de prioridade definida no art. 7º do DecretoLei nº 2.287/86, segundo o qual, antes de se proceder à restituição ou ao ressarcimento de tributos, deverá a RFB verificar se o contribuinte, titular do direito de crédito, é devedor da Fazenda Nacional e, em caso positivo, promover a compensação, total ou parcialmente, com os seus débitos próprios, para só então, remanescendo direito de crédito, compensar os débitos de outros contribuintes, quando permitido. MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. É descabida a exigência de multa de ofício no lançamento realizado na forma do art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, pelo indeferimento de compensação de um contribuinte com crédito de outro, com fulcro no art. 15 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 03 47 /2 00 4- 41Fl. 353DF CARF MF 2 da IN SRF 21/97, tendo em vista a superveniência do art. 18 da Lei nº 10.833/03 e a aplicação do instituto da retroatividade benigna inserto no art. 106, II, “a” do Código Tributário Nacional. DCTF. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. JUROS DE MORA. FLUÊNCIA. Consoante arts. 161 do CTN e 61 da Lei nº 9.430/96, os débitos para com a União, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, serão acrescidos de juros moratórios à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para exonerar a multa de ofício aplicada, mantidos o principal e os juros moratórios. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Relatório Cuidase de lançamento para exigência de COFINS, outubro/1999, fundado no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, decorrente do indeferimento de compensação de débito de um contribuinte com crédito de outro, no bojo do PA 10660.001897/9955. Em impugnação o contribuinte defendeu a legalidade da compensação efetuada; pugnou pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário até prolação de decisão definitiva no PA 10660.001897/9955, onde se encontra a compensação vinculada à exigência; asseverou a inaplicabilidade da multa de ofício e dos juros de mora e, por fim, sustentou a nulidade do auto de infração em função dos vícios apontados. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 16327.000347/200441 Acórdão n.º 3401005.055 S3C4T1 Fl. 354 3 A DRJ São Paulo I/SP manteve integralmente a autuação: “AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, incabível cogitarse de nulidade do Auto de Infração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de exigência fiscal, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade) COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO. A legislação de regência, vigente à época da autuação, impõe o lançamento de ofício do crédito tributário, quando não homologada a compensação pretendida pelo sujeito passivo. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Manifestação de inconformidade contra o indeferimento de pedido de compensação, com créditos de terceiros, não suspende a exigibilidade dos débitos objeto do pedido, por inadequação às hipóteses descritas no art. 151, do CTN. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Aplicase a multa prevista no artigo 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, nos casos de lançamento de ofício de de crédito tributário cuja compensação não foi homologada. JUROS DE MORA CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, seja qual for o motivo determinante da falta.” O recurso voluntário insistiu na nulidade do auto de infração, na regularidade da compensação, suspensão da exigibilidade do crédito tributário e descabimento da multa de ofício e dos juros de mora. Em 04/02/2011, por intermédio da Resolução nº 3401000.238, foi reconhecida a conexão com o PA 10660.001897/9955 e convertido o julgamento em diligência para juntar a decisão administrativa definitiva a ser prolatada naqueles autos. A diligência foi cumprida e o processo devolvido para prosseguimento. Em função do relator original não mais compor o colegiado houve a redistribuição, por sorteio, do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Cuidandose de retorno de diligência, o juízo de admissibilidade recursal já foi oportunamente realizado, quando da primeira inclusão em pauta do processo. Fl. 355DF CARF MF 4 Preliminarmente, quanto à nulidade do lançamento, na mesma toada que a decisão de primeiro grau, não a vislumbro, uma vez que não se verifica qualquer vício nos elementos constitutivos do ato administrativo, do qual o lançamento é espécie – competência, objeto, forma, motivo e finalidade – atendendo plenamente os requisitos de validade insertos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, além do que, não há violação às disposições do art. 59 do mesmo diploma legal. De outra banda, o pretenso defeito na constituição do crédito e a inflição de multa de ofício e juros de mora implica na procedência ou improcedência da exigência tributária, porque diz respeito ao mérito, não inquinando o lançamento de nulidade, como sustentado. Tocante à legalidade da compensação, alguns ajustes nas premissas adotadas pelo recurso são necessários, principiando pela tese segundo a qual a compensação aviada extinguiria o crédito tributário, a teor do art. 156, II do Código Tributário Nacional, isso porque a compensação como causa de extinção do crédito tributário é aquela tratada no art. 170, do mesmo codex, que exige a liquidez e certeza dos direitos creditórios de titularidade do contribuinte. Nessas hipóteses, a Administração Tributária se manifesta antes do procedimento compensatório, com o reconhecimento antecedente da procedência jurídica (certeza) e quantificação (liquidez) dos créditos invocados pelo contribuinte, situação jurídica que torna o encontro de contas definitivo e, nessa condição, apto a extinguir o crédito tributário. Todavia, as formas de compensação implementadas pelas Leis nºs 8.383/91 e 9.430/96 prescindem dos pressupostos de liquidez e certeza do direito de crédito, sendo oportunizado ao contribuinte promover a compensação sob condição resolutória de sua ulterior homologação, tácita ou expressa, como posteriormente veio a constar da norma de regência, pelas modificações introduzidas pela Lei nº 10.637/02 e seguintes, de modo que a extinção do crédito não ocorreria, no momento da compensação, mas com a homologação do procedimento, expressamente, pela autoridade fiscal, ou tacitamente, pelo decurso do tempo. Outrossim, distintamente do que aduz o recorrente, a matriz legal da compensação aviada – entre contribuintes diversos – não é o art. 66 da Lei nº 8.383/91, que estatuiu a compensação de tributos da mesma espécie, e foi normatizada pela IN DPRF 67/92, que estabelecia a sua realização no âmbito do lançamento por homologação, diretamente na escrita contábil do sujeito passivo, mas sim os arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, que instituíram a possibilidade de compensação entre tributos de espécies diversas, mediante requerimento do interessado, com disciplina na IN SRF 21/97, que, mesmo não contando com respaldo legal aparente, permitiu a compensação de débito de um contribuinte com crédito de outro, através da entrega dos formulários de requerimento lá previstos. A redação dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, à época dos fatos, era a seguinte: “Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; Fl. 356DF CARF MF Processo nº 16327.000347/200441 Acórdão n.º 3401005.055 S3C4T1 Fl. 355 5 II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração.” (destacado) A normatização da compensação se deu pelo art. 15 da IN SRF 21/97: “Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) § 2º Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRFA diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) § 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRF A da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) § 4º Na hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2º do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) Fl. 357DF CARF MF 6 § 5º Nas compensações de que trata este artigo, o Documento Comprobatório de Compensação de que trata o Anexo V será emitido em duas vias, devendo ser entregue uma via para cada contribuinte. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000)” Pelo que se extrai dos autos, o formulário pedido de compensação do detentor do direito creditório (Exportadora Princesa do Sul Ltda.) foi protocolado no PA 10660.001897/9955, enquanto o requerimento do titular do débito a compensar, o recorrente, no PA 16327.002872/9946, sendo a compensação realizada no período em que vigorava a permissão para esse procedimento. Portanto, a compensação sob análise, a priori, é válida, ao passo que obedece as prescrições infralegais, no entanto, não tem a capacidade de extinguir o crédito tributário, mas apenas impedir a sua cobrança, por decorrência da condição resolutória, que produz efeitos jurídicos imediatos e vincula sua ineficácia à ocorrência do evento futuro – a homologação do procedimento. Daí a motivação da conversão em diligência: a verificação da ocorrência do evento futuro impeditivo da exigibilidade do crédito tributário. Feitas as ressalvas e já adentrando o meritum causae, a unidade preparadora juntou cópia das principais peças do PA 10660.001897/9955, valendo referenciar o Despacho nº 11/2017RFB/DRFVAR/SAORT/GEDOC, de 06/02/17 (efls. 324/326), que fixou as balizas da execução da decisão administrativa irreformável lá exarada. A partir dessa manifestação foi expedido o Despacho nº 51/2017 RFB/DRFVAR/SAORT/GEDOC, de 11/04/2017, onde foi apurado o direito de crédito e o processamento e liquidação das compensações e dos débitos pendentes (efls. 327/329). Devidamente intimado a se manifestar sobre a compensação, especialmente o procedimento de ofício, com fulcro no art. 73 da Lei nº 9.430/96, o contribuinte detentor do direito de crédito não concordou com a providência, o que impediu o prosseguimento da compensação com débitos de terceiros, dada a ordem de prioridade compensatória lá insculpida, conforme Despacho nº 121/2017RFB/DRFVAR/SAORT/GEDOC, de 19/07/2017 (efls. 344/345), que ora se reproduz: “O presente processo (10660.720289/201713) foi formalizado com a finalidade de viabilizar o encontro de contas e a operacionalização da compensação dos débitos relacionados no(s) Pedido(s) de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, referente à empresa acima identificada (UAM – ASSESSORIA E GESTÃO DE INVESTIMENTOS LTDA.), os quais foram protocolados no eprocesso nº 10660.001897/9955, cujo detentor do Fl. 358DF CARF MF Processo nº 16327.000347/200441 Acórdão n.º 3401005.055 S3C4T1 Fl. 356 7 crédito é a empresa Exportadora Princesa do Sul Ltda, CNPJ nº 25.865.247/000100. Os débitos foram cadastrados neste processo visando agilizar o procedimento de compensação, tendo em vista a grande quantidade de terceiros envolvidos na compensação, sendo que os mesmos débitos também estão controlados nos processos nº 16327.000347/200441 e 16327.000346/200405 sendo que na época do cadastramento estavam localizados na DIV CONTROLE ACOMP TRIBUTARIODEINFSP. Visando não causar prejuízo a empresa identificada em epígrafe, após o cadastramento dos débitos foi informado no sistema SIEF questionamento/revisão de lançamento para suspensão da cobrança dos débitos cadastrados. Observando que após a compensação efetuada o presente processo seria encaminhado à jurisdição para providências relativas aos débitos dos processos nº 16327.000347/2004 41 e 16327.000346/200405. Ocorre que, por meio da Intimação no 139/2017 RFB/DRFVAR/SAORT/GEDOC, constante do processo digital nº 10660.001897/9955, o contribuinte detentor do crédito foi intimado a autorizar o procedimento de compensação de ofício com débitos próprios, porém a empresa não aquiesceu desta compensação, fato este que impede o prosseguimento do procedimento da compensação com quaisquer débitos de terceiros.” (destacado) Como mencionado alhures, a compensação com crédito de terceiros é figura que não contava com previsão expressa na lei, porém, foi admitida como espécie de compensação com tributos de espécies distintas, nos moldes dos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, realizada mediante requerimentos dos interessados, como dispunha o art. 15 da IN SRF 21/97. Ocorre que, nos termos do art. 74, acima transcrito, o direito à restituição/ressarcimento/compensação deveria primordialmente observar a ressalva do art. 73, que por sua vez, atrelava a repetição de indébito ou ressarcimento à observância do disposto no art. 7º do DecretoLei nº 2.287/86, assim redigido à época: “Art 7º A Secretaria da Receita Federal, antes de proceder a restituição ou ao ressarcimento de tributos, deverá verificar se o contribuinte é devedor à Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito em nome do contribuinte, o valor da restituição ou ressarcimento será compensado, total ou parcialmente, com o valor do débito. Fl. 359DF CARF MF 8 § 2º O Ministério da Fazenda disciplinará a compensação prevista no parágrafo anterior.” O dispositivo não deixa dúvida que a prioridade de abatimento do direito creditório do contribuinte recai sobre débitos próprios perante a Fazenda Nacional, que deverão ser compensados em primeiro lugar, para só então, acaso remanesça saldo de crédito, empregarse nas compensações a requerimento, aí incluídas, aquelas realizadas com débitos de outro contribuinte, com lastro no art. 15 da IN SRF 21/97. Então, se o contribuinte detentor do direito creditório não concordar com o procedimento compensatório de ofício, nos termos do art. 73 da Lei nº 9.430/96 c/c art. 7º do DL 2.287/86, independente dos motivos alegados, fica obstada a compensação a requerimento, como ocorre nesses autos (16327.000347/200441). Assim, sustada a compensação da COFINS, outubro/1999, acostada no PA 16327.002872/9946, correto, por ocasião da lavratura, o lançamento para constituição do crédito tributário respectivo, com lastro no art. 90 da MP 2.15835/2001. Quanto à suspensão da exigibilidade do crédito, a partir da conexão processual, uma vez encerrado o feito principal (PA 10660.001897/9955), a sua ocorrência se dá exclusivamente pelo contencioso que se desenvolve no presente processo. Relativamente aos juros de mora, estabelece o art. 61 da Lei nº 9.430/96, que os débitos de tributos administrados pela RFB serão acrescidos de juros à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento, de maneira que não assiste razão à reclamação do recorrente. Respeitante à multa de ofício, estribandose a autuação no art. 90 da MP 2.15835/2001, como destacado no relatório de autuação (efl. 5), destinavase à cobrança das diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Entretanto, posteriormente, com o advento da Lei nº 10.833/03, de 29/12/2003 (DOU 30/12/2003), por intermédio de seu art. 18, a necessidade de lançamento prevista no art. 90 da MP 2.15835 passou a ser restrita aos casos nele enumerados, não alcançando a situação destes autos – compensação indeferida – verbis: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964.” Considerando que o indeferimento da compensação não se funda na verificação de quaisquer das circunstâncias arroladas no preceptivo, ainda que mantida a constituição do principal e dos juros moratórios, deve ser exonerada a multa de ofício, por aplicação do instituto da retroatividade benigna previsto no art. 106, II, “a” do Código Tributário Nacional: Fl. 360DF CARF MF Processo nº 16327.000347/200441 Acórdão n.º 3401005.055 S3C4T1 Fl. 357 9 “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; (...)” Por conveniente, a liquidação dessa decisão fica atrelada ao destino dos processos onde se processam as compensações (PA's 10660.001897/9955 e 16327.002872/99 46). Em face de todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para exonerar a multa de ofício aplicada, mantidos o principal e os juros moratórios. Robson José Bayerl Fl. 361DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.000939/2002-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. FUNDAMENTOS.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. No caso, os documentos carreados aos autos suprem a contradição dos fundamentos que serviram de base ao voto condutor.
Numero da decisão: 2401-005.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição apontada.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
1.0 = *:*
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CONTRADIÇÃO. FUNDAMENTOS. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. No caso, os documentos carreados aos autos suprem a contradição dos fundamentos que serviram de base ao voto condutor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhêlos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição apontada. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 09 39 /2 00 2- 90 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13558.000939/200290 Acórdão n.º 2401005.433 S2C4T1 Fl. 107 2 Relatório Cuidase de embargos de declaração do representante da Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 30134.572, da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 86/93), cuja ementa e dispositivo estão está assim redigidos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1998 Áreas de preservação permanente e reserva legal. Para ser excluída da área tributável, a área de preservação permanente deve ser assim reconhecida pelo IBAMA ou órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental, ou laudo que comprove existir a referida área. Estando averbada à margem da matricula, deve ser excluída da área tributável a área de reserva legal. ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Às fls 103/105, consta despacho de admissibilidade dos embargos efetuado pelo Presidente da 2ª Seção de Julgamento do CARF, nos seguintes termos: [...] Segundo a Procuradoria da Fazenda Nacional, o Conselheiro Relator expôs argumentos contraditórios no voto condutor do acórdão, denotando vicio no raciocínio que ensejou o deferimento do pedido de inclusão da Área de Reserva Legal não averbada na matricula do imóvel na data do fato gerador. Destacou trecho do voto para demonstrar a alegada contradição: "Consta averbação da reserva legal no ano de 2003, conforme documentos de fls. 57 e seguintes, mas nenhum documento ou laudo atestando que a época da ocorrência do fato gerador havia a referida reserva legal. Muito embora à época da ocorrência do fato gerador a reserva legal não estivesse averbada, a averbação em momento posterior deve ser considerada. A averbação é ato que somente exterioriza, faz repercutir no campo jurídico a existência de reserva legal. Somente no caso de direito real é que a averbação requisito de formação do direito. No caso, a reserva legal já existia antes da averbação, cumprindo esse ato jurídico apenas a função de dar publicidade, servir de meio de prova e repercutir juridicamente, para todos os efeitos legais, a existência da referida reserva. Portanto, deve ser reconhecida a área de reserva legal." (grifos do embargante) Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13558.000939/200290 Acórdão n.º 2401005.433 S2C4T1 Fl. 108 3 Acrescenta que, na hipótese em questão, podese observar que o colegiado entende que mesmo não estando averbada a área de reserva legal no momento do fato gerador do tributo, pode ser mantida a isenção se houver documento ou laudo que ateste a contemporaneidade daqueles — área e fato gerador. Ressalta que, o próprio voto condutor afirma veementemente que não existe tal comprovação nos autos, tornando lógico concluir que se mostra cabível a glosa nas áreas indicadas pela contribuinte. Afirma que, não obstante a constatação, a seqüência do raciocínio mostra se equivocada, na medida em que o Conselheiro afirma que a área de reserva legal em questão já existia quando da averbação, sem se referir ao fato gerador, momento adequado para analisar a veracidade das informações prestadas na DITR de 1998. Ao final, requer sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração para sanar a contradição apontada, e, considerando a constatação de ausência de comprovação da Área de reserva legal por documento ou laudo técnico a época do fato gerador, conclua o colegiado pela negativa de provimento ao recurso voluntário em análise. É o breve relato. Passo ao exame. Considerando que se trata de embargos opostos contra decisão proferida por colegiado extinto, analiso sua admissibilidade, na qualidade de Presidente da Seção competente para apreciação da matéria. Com relação a contradição apontada, assiste razão à Embargante. Ao mesmo tempo em que o acórdão afirma textualmente que não há nenhum documento ou laudo nos autos, que comprove a existência da área de Reserva Legal à época do fato gerador, reconhece que a averbação da referida área na matrícula do imóvel em data posterior possibilita a exclusão da área da base tributável do ITR. Diante do exposto, devese acolher os Embargos e, conseqüentemente, submeter os autos novamente à apreciação do Colegiado, com vistas a sanar o vício apontado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13558.000939/200290 Acórdão n.º 2401005.433 S2C4T1 Fl. 109 4 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Os presentes aclaratórios devem ser recepcionados no sentido de que seja analisada a contradição no decidido no Acórdão nº 30134.572, datado de 19 de junho de 2008. A questão da controvérsia, segundo a representante da PFN, podese ser resumida nas seguintes passagens do voto condutor: Consta averbação da reserva legal no ano de 2003, conforme documentos de fls. 57 e seguintes, mas nenhum documento ou laudo atestando que a época da ocorrência do fato gerador havia a referida reserva legal. ... No caso, a reserva legal já existia antes da averbação, cumprindo esse ato jurídico apenas a função de dar publicidade, servir de meio de prova e repercutir juridicamente, para todos os efeitos legais, a existência da referida reserva. Portanto, deve ser reconhecida a área de reserva legal. Os embargos declaratórios tem por finalidade tornar clara a decisão embargada, suprir eventuais contradições entre os fundamentos e a decisão ou, ainda, trazer à discussão matéria que foi omitida no julgamento, de tal sorte que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre, com clareza, haver sido o objeto do litígio enfrentado em sua inteireza, de forma lógica e coerente. Compulsando os autos, verifico que existe às fls. 19 o Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado no IBAMA 19/06/1998, com a especificação da área de Reserva Lega de 301,7 ha, exatamente o valor da glosa perpetuada no lançamento de ofício às 2/8. Pois bem. A decisão do colegiado foi no sentido de que mesmo não estando averbada a área de reserva legal no momento do fato gerador, pode ser mantida a isenção se houver documento ou laudo que ateste a contemporaneidade da área e do fato gerador. Portanto, à vista do ADA protocolado no órgão ambiental, entendo que está suprida a contradição apontada pelo representante da Fazenda Nacional. Conclusão Em vista do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração, para rejeitar a contradição com fundamentos no voto acima. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000278/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 28/02/2005
AUTUAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PAGAMENTOS DE SALÁRIOS A DIVERSOS EMPREGADOS SEM DECLARAÇÃO EM GFIPS. PAGAMENTOS POR FORA. PERÍODO DE 06/2002 A 02/2005 E CIÊNCIA EM 22/10/2007. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO ARTIGO 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
Não comprovação de pagamento antecipado de contribuições previdenciárias pelo contribuinte. Aplicação da Súmula CARF nº 99, aplicação do disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN).
Numero da decisão: 2201-004.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes e Douglas Kakazu Kushiyama.
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2004 a 28/02/2005 AUTUAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PAGAMENTOS DE SALÁRIOS A DIVERSOS EMPREGADOS SEM DECLARAÇÃO EM GFIPS. PAGAMENTOS POR FORA. PERÍODO DE 06/2002 A 02/2005 E CIÊNCIA EM 22/10/2007. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO ARTIGO 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Não comprovação de pagamento antecipado de contribuições previdenciárias pelo contribuinte. Aplicação da Súmula CARF nº 99, aplicação do disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN).
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PAGAMENTOS DE SALÁRIOS A DIVERSOS EMPREGADOS SEM DECLARAÇÃO EM GFIPS. PAGAMENTOS POR FORA. PERÍODO DE 06/2002 A 02/2005 E CIÊNCIA EM 22/10/2007. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO ARTIGO 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Não comprovação de pagamento antecipado de contribuições previdenciárias pelo contribuinte. Aplicação da Súmula CARF nº 99, aplicação do disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 02 78 /2 00 7- 62 Fl. 462DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes e Douglas Kakazu Kushiyama. Relatório O presente Auto de Infração (DEBCAD 37.034.6270 CFL 68) decorre do descumprimento de obrigação acessória, ou seja, por apresentar o documento a que se refere a Lei Nr. 8.212/1991, Ar. 32, Inciso IV e Parágrafo 3°., acrescentados pela Lei Nr. 9.528/1997, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei Nr. 8.212/ 1991, Art. 32, IV e parágrafo 5°., também acrescentado pela Lei Nr. 9.528/1997, combinado com o Art. 225, IV e parágrafo 4°. Do Regulamento da previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06.05.1999. A Fiscalização constatou que a empresa efetuou pagamentos de salários a diversos empregados e NÃO DECLAROU TAIS PAGAMENTOS EM GFIPS., deixando, portanto, de informar mensalmente todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias Referidos pagamentos de salários foram efetuados pela empresa mediante Cheques e, também, através de Folhas de Pagamento “EXTRAFOLHA”, ou seja, em ambos os casos ocorreu pagamentos de salários “POR FORA” das Folhas de Pagamento de Salários mensais dos empregados da empresa. Significa dizer que o “Salário Real”, Salário efetivamente pago pela empresa aos seus empregados, foi registrado/anotado A MENOR, respectivamente, na Carteira de Trabalho e Previdência Social CTPS e no Livro de Registro de Empregados LRE. Competências 06/2002 a 02/2005 e ciência em 22/10/2007. Há a informação de que foi lavrado o Auto de Infração DEBCAD 35.564.9039 (Código de Fundamento Legal 56), que cobrava multa decorrente do fato de a Autuada, ora Recorrente, contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra oriundas das empresas contratadas, deixou de reter 11% (onze por cento) do valor bruto das nota fiscais de serviço NFS relacionadas e efetuar o recolhimento das contribuições retidas em nome das referidas empresas cedentes de mãodeobra (contratadas). Naquele auto (DEBCAD 35.564.9039), aplicouse multa e o contribuinte efetuou o pagamento com o benefício da redução de multa em 50% (cinquenta por cento). Posteriormente, foi emitida DecisãoNotificação DN Nr. 11.428.4/0062/2004 que determinou a extinção do crédito, em razão do pagamento da penalidade imputada, dentro do prazo deferido para interposição de defesa, ocorrendo redução de 50% do valor da autuação. No caso, entendeuse que a prática de nova infração a dispositivo legal diferente, dentro de 5 (cinco) anos da data da decisão administrativa homologatória da extinção do crédito referente à infração anterior configura reincidência genérica, fato que enseja a aplicação de multa em seu valor mínimo, elevado em duas vezes, nos termos do art. 290, inciso V e parágrafo único, combinado com o art. 292, inciso IV, ambos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 12963.000278/200762 Acórdão n.º 2201004.289 S2C2T1 Fl. 443 3 De acordo com a fiscalização o contribuinte incidiu em circunstâncias agravantes (reincidência genérica), a multa aplicada, face a natureza do presente AI( Código de Fundamento Legal: 68 ), é a prevista no Parágrafo 5°, Art. 32 da Lei Nr. 8.212/1991, acrescentado pela Lei Nr. 9.528, de 10.12.1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto Nr. 3.048, de 06.05.99, Art. 284, Inciso II, respeitandose a graduação prevista no Parágrafo 4°., Art. 32 da citada Lei, ou seja, o valor da multa é limitado ao número de segurados da empresa em cada competência (mês). O valor da multa pela infração praticada foi atualizado pela PORTARIA Nr. 142, de 11.04.2007, do Ministério da Previdência Social (Art. 9°., Inciso VI), nos termos do Art. 102 da lei Nr. 8.212/1991 e Art. 373 do RPS, sendo a mesma no valor de R$ 1l.211,18 (Onze Mil, Duzentos e Onze Reais e Dezoito Centavos). O contribuinte apresentou defesa e documentos (fls. 162/182) em que requereu a improcedência da autuação ou, alternativamente, a relevação ou atenuação da mesma, alegando em apertada síntese, conforme relatado na decisão recorrida: Primeiramente, demanda seja concedida a decadência qüinqüenal das supostas infrações cometidas antes de 10/2002, com base em jurisprudência que considera inconstitucional o prazo decadencial de 10 (dez) anos das contribuições previdenciárias. No mérito, argumenta que nas cópias das GFIP referentes às competências 06 a 12/2002 e 01 a 03/2003, acostadas aos autos, entregues anteriormente à fiscalização, verificase que foram declarados corretamente os pagamentos efetuados a todos os empregados relacionados no relatório fiscal. Por outro lado, acrescenta que não pode ser aceita a informação de que se trata de pagamentos de salários “por fora”, pois não foi indicado qual o valor da remuneração registrada, o valor da remuneração que o fiscal entende correta, o valor relativo à parte do empregado e se a remuneração considerada já atingiu ou não 0 teto do saláriobase. Quanto às competências 10/2003 e 08/2004 a 02/2005, diz que não se consegue saber sequer a quais trabalhadores se referem os salários apurados, o que causa cerceamento do direito de defesa da empresa e prejuízo ã mesma, por não possuir dados suficientes para contestar a infração ou corrigir a falta. Relativamente à multa, alega que esta desprovida de amparo legal, pois no Auto de Infração vêse a informação de que se refere a contribuições previdenciárias, porém em seu cálculo foram considerados valores referentes a terceiros (na alíquota de 5,8%). Discorda da caracterização da reincidência da infração e do consequente agravamento do valor da multa por dois motivos. Primeiro, porque a ação fiscal que culminou com a lavratura da presente autuação teve como motivação nova constituição de crédito devido à anulação da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 35.564.9047, de 08/04/2004, devendo Fl. 464DF CARF MF 4 assim a presente ação ser considerada continuação daquela e não uma nova, o que desconfiguraria a reincidência. Em segundo lugar, independente do primeiro argumento, aduz que o art. 290, V, parágrafo único, estabelece que caracteriza reincidência a prática de nova infração dentro de cinco anos da extinção do crédito referente à infração anterior. No presente caso, as infrações relatadas foram anteriores ao trânsito em julgado administrativo do Auto de Infração n° 35.564.9039, apontado como a infração que gerou a reincidência, o que se deu em 21/10/2004, com a emissão da Decisão que extinguiu o crédito quitado em 13/09/2004. Por fim, o autuado protesta pela produção de provas adicionais incluindose a juntada de documentos, no momento e condições que se apresentarem necessários. (...) Analisando os argumentos de defesa, foi proferida decisão (fls. 427/436) pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora (MG), que julgou o lançamento procedente em parte, cujos tópicos de defesa podem ser resumidos da seguinte forma: "DECADÊNCIA (...) Assim, a Lei n° 8.212/91 regula inteiramente a questão do prazo decadencial da contribuição previdenciária, não cabendo aplicar o Código Tributário Nacional, que dispõe sobre normas gerais, para suprir eventuais lacunas na legislação. Cumpre assim à Administração Tributária, portanto, seguir expressamente o que preceitua a legislação pertinente à matéria previdenciária, a qual determina que o referido prazo decadencial é de 10 (dez) anos, posto que o mesmo não foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. A informação mensal ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) dos dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e de demais informações de interesse da autarquia foi instituída pela Lei n° 9.528/1997. O Decreto n° 3.048/1999 definiu que tais informações darse iam através da GFIP estipulando sua obrigatoriedade relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999 (art. 225, inciso IV, § 3°). A Lei n° 9.528/1997, acrescentando dispositivos à Lei n° 8.212/1991, também estabeleceu no § 5° de seu art. 32, que a apresentação do documento acima referido com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitaria o infrator à pena administrativa correspondente à cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitadas aos valores previstos no § 4°, art. 32 da mesma lei. Fl. 465DF CARF MF Processo nº 12963.000278/200762 Acórdão n.º 2201004.289 S2C2T1 Fl. 444 5 A fiscalização apurou, conforme mencionado no Relatório Fiscal da Infração, que a empresa deixou de informar na GFIP os fatos geradores de contribuição previdenciária ali detalhados, ensejando a lavratura da presente autuação, nos termos estritos do previsto no an. 293 do RPS. E oportuno salientar que os valores lançados pela fiscalização foram apurados a partir dos documentos apreendidos do contribuinte para análise, como Folhas de Pagamento e Livros de Registros de Empregados, conforme documentos de fls. 19/26. Quanto ao ônus da prova, fazse necessário esclarecer à impugnante que a legitimidade do ato administrativo traz ínsita a inversão do ônus da prova. Ensina Hely Lopes Meirelles que os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção da legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. (Direito Administrativo Brasileiro, 21ª ed., pág.l4l/2). Neste sentido, manifestase com precisão Lídia Maria Lopes Rodrigues Ribas, em sua obra Processo Administrativo Tributário, Malheiros Editores, 2000, pg. 184 185: As alegações de defesa que não estiverem acompanhadas de produção das competentes e eficazes provas desfiguramse e obliteram o arrazoado defensório, pelo que prospera a exigibilidade fiscal. Dessa forma, cabia ao contribuinte o ônus de provar em contrário, não tendo o mesmo se desincumbido a contento desse mister, já que alegou genericamente que os valores estavam incorretos e que deviam ter sido analisados outros documentos. Não foram especificadas as provas dos seus argumentos, tampouco foram precisos os fatos alegados. Assim, na falta de prova regular e formalizada, a fiscalização lançou corretamente os valores. Sobre o cerceamento de defesa alegado pelo contribuinte, salientamos que este não restou caracterizado. No AI em tela não houve descumprimento de qualquer formalidade obrigatória (artigo 37 da Lei n.° 8.212/91), eis que constam dos autos relatórios que discriminam, por competência, todos os dados e fatos necessários à perfeita compreensão do lançamento, senão vejamos: Na folha de rosto (fls. 01) estão elencados os anexos que integram o AI em pauta, os quais discriminam os fundamentos legais e a documentação que serviu de subsidio à lavratura. O Relatório Fiscal (fls. 29/39) descreve as infrações cometidas, os elementos e o período examinados e a forma de cálculo da penalidade. A multa cominada para a infração tem previsão no art. 32, § 5°, da Lei n° 8.212, de 24.07.91, acrescentado pela Lei n° 9.528, de Fl. 466DF CARF MF 6 10.12.97 e art. 284, Il, e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, atualizada pela Portaria MPS n° 142, de 11/04/2007. Verificase no relatório de fls. 37/39 que o demonstrativo de cálculo atendeu parcialmente aos ditames do art. 32 da Lei n° 8.212/1991 e ao art. 284, II, do Decreto n° 3.048/1999, senão vejamos: consta a competência em que houve a infringência, o número de segurados para fins de aplicação do multiplicador sobre o valor mínimo da infração por ocorrência; os valores da contribuição devida não declarada e, por fim, o valor da multa aplicada por ocorrência, respeitandose o limite estabelecido pelo art. 32, § 4° da Lei n° 8.212/1991 Porém, a autoridade lançadora considerou indevidamente, nos valor da contribuição devida, a alíquota de 5,8% relativa às outras entidades e fundos (“terceiros”) que por não ser contribuição devida à Previdência, não deve constar do cálculo da multa. Os valores retificados seguem abaixo:. (quadro à fl. 434) (...) A impugnante alega que não cabe considerar a existência de agravante reincidência para fins de gradação da multa aplicada, uma vez que a ação fiscal que originou a lavratura do presente AI é continuação da ação iniciada em 2004, onde foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 35.564.9047, de 08/04/2004, tomada nula por meio da Decisão Notificação DN n° 11.431.4/0001/2006, de 06/01/2006, que determinou a lavratura de NFLD substitutiva, e não um novo procedimento fiscal. A nova NFLD recebeu o n° 37.034.6289, de 22/10/2007. Determina o art. 657, § 1° da IN SRP n° 03, de 14/07/2005 : (...) Assim, resta claro que os procedimentos devem ser considerados distinto para fins de caracterização de reincidência. Caso fosse continuidade da ação anterior, teria sido emitido um Mandado de Procedimento Fiscal Complementar para seqüência da mesma, conforme a IN SRP n° 03/2005. Com relação à alegação de não ter ocorrido nova infração após o pagamento do Auto de Infração lavrado na ação anterior, também não assiste razão ao defendente. Em pesquisa junto aos arquivos informatizados DATAPREV/INSS, constatase o pagamento do AI 35.564.9039 em 13/09/2004. Constatase no Relatório Fiscal que as infrações ocorreram de 06/2002 a 02/2005. Assim, quando das novas ocorrências, nas competências de 10/2004 a 02/2005, a empresa passou a ser reincidente, confonne art.290, inciso V e parágrafo único do RPS, que dispõem: (...) Fl. 467DF CARF MF Processo nº 12963.000278/200762 Acórdão n.º 2201004.289 S2C2T1 Fl. 445 7 Contudo, conforme relatado pelo Auditor Fiscal, a infração em epígrafe não permite agravamento do valor da multa, em que pese a caracterização de reincidência. Passase à análise da solicitação de atenuação ou relevação da multa. Os requisitos necessários para tais benefícios relativos à multa administrativa, aplicada em razão de descumprimento de obrigação acessória à legislação tributária, que versa sobre a cobrança de contribuições previdenciárias, estão previstos no an. 291 do RPS, que diz: (...) Da análise dos autos, constatase que a autuada não corrigiu a falta apontada. Desta forma, não apresentou circunstância atenuante, consoante o estabelecido no caput do art. 291 do RPS. Também ocorreu a circunstância agravante de reincidência e, por conseqüência, concluise pela manutenção do valor da multa aplicada, de acordo com a legislação vigente acima explicitada, não tendo como relevála ou atenuala, uma vez que a autuada não se ' enquadra no disposto no § 1° do art. 291 e inc. V do art. 292, ambos do RPS. Em relação ao requerimento de juntada posterior de documentos, devese observar que a Portaria RFB n° 10.875, de 16/08/2007, exige que as provas sejam apresentadas na impugnação, precluindo o direito de apresentálas em outro momento processual, a menos que se demonstre a ocorrência de um dos casos previstos nos incisos I a III do parágrafo primeiro de seu artigo 7°, caso em que deverá ser requerida tal juntada, mediante petição e demonstrando, com fundamentos, a ocorrência de uma destas condições, in verbis: (...) Face ao exposto, o presente voto é no sentido de julgar PROCEDENTE EM PARTE a autuação, excluindo do cálculo da multa o valor referente às contribuições devidas a outras entidades e fundos, alterando o valor da mesma para RS 9.492,13 (nove mil, quatrocentos e noventa e dois reais e treze centavos). Cientificada do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, conforme fl. 438, tempestivamente, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 439 a 442, no qual pugna apenas pelo reconhecimento da decadência quinquenal. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Fl. 468DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama Relator Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Decadência Por constituir matéria preliminar de mérito e por ser a única matéria em discussão no Recurso Voluntário do contribuinte, passo à análise da alegação de que os débitos lançados são relativos a períodos de apuração alcançados pela decadência. Como se viu no relatório supra, tanto a Autoridade Fiscal quanto o Julgador de 1ª Instância ampararam seus atos (lançamento e decisão) nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91, cuja redação então vigente era a seguinte: art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. O débito ora sob análise foi lavrado pela não inclusão nas Guias de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social – GFIP do período 06/2002 a 02/2005 de pagamento de salários a diversos empregados efetuados pela empresa mediante cheques e folhas de pagamentos “Extrafolha”, ou seja, o salário real efetivamente pago para empresa foi registrado a menor nas Carteiras de Trabalho e Previdência Social – CTPS e no Livro de Registro de Empregados – LRE, conforme detalhado no Relatório Fiscal da Infração de fls. 29/36. No presente caso, considerando os termos do art. 45 da Lei 8.212/91, levandose em consideração os estritos termos da legislação vigentes na época do lançamento, não haveria que se falar em decadência. Não obstante, em Sessão Extraordinária realizada em 12 de julho de 2008, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, editando a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, resta evidente a inaplicabilidade do art. 45 da lei 8.212/91 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º, e 173 da Lei 5.172/66, Código Tributário Nacional (CTN), cujo teor merece destaque: Fl. 469DF CARF MF Processo nº 12963.000278/200762 Acórdão n.º 2201004.289 S2C2T1 Fl. 446 9 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Grifouse Ocorre que o prazo decadencial, no presente caso, tem início da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto na Súmula CARF 99, uma vez que decorre de diferenças e presumese que parte das contribuições foram pagas. O prazo decadencial, no presente caso, nos termos do disposto na súmula CARF nº 99, devese reconhecer o pedido do Recorrente: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Desta forma, nos presentes autos, não se trouxe prova de que houve pagamento antecipado do valor considerado pelo contribuinte, de modo que só me resta concluir pela aplicação do disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN). No caso em questão, a ciência do contribuinte da lavratura do presente auto de infração ocorreu em 22/10/2007 de modo que não há que se falar em decadência. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 470DF CARF MF 10 Fl. 471DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.002995/2010-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/09/2008
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE.
Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37 de 1966.
Numero da decisão: 3001-000.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhaes e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE. Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhaes e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 29 95 /2 01 0- 61 Fl. 109DF CARF MF 2 Auto de Infração Inicia sua síntese narrativa definindo as principais partes envolvidas nos relacionamentos, jurídicos e negociais, do comércio internacional marítimo. Destaca, o comprador importador e vendedor exportador. Definidas as condições do negócio, contratase a armação do navio. Ressaltando, a existência de representantes diretos ou por agências de navegação. Acrescenta, ainda, a figura do NVOCC, empresas consolidadoras de carga, responsáveis pelo transporte e, em chegando no destino, a desconsolidação da carga mediante seus representantes, as agências de cargas. Poderá haver, a consolidação de carga já consolidada, havendo duas ou mais empresas de agenciamento de carga. Por este motivo, é necessário a prestação de informações em tempo hábil, caso contrário, o poder de polícia aduaneiro teria prejuízo na sua capacidade de controle. O conhecimento de carga (bill of landing BL) é o documento emitido pelo transportador ou consolidador, que representa os termos do contrato de transporte marítimo e prova a posse da carga. Ainda, identifica proprietário, consignatário, último endossatário ou o portador do título, em via de conseqüência, o titular do despacho aduaneiro. O transportador procedente do exterior, tem o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, sobre a chegada de veículo e as cargas transportadas. Conjugado o artigo 37 do Decreto Lei 37/66, com seu parágrafo primeiro, conclui a autoridade fazendária pela responsabilidade do agente de cargas Controle Aduaneiro Informatizado Os dados transmitidos eletronicamente, obedecem a forma e prazos estabelecidos pela RFB, e os atos detém validade, fiscal e aduaneira, em razão das disposições legais expressas no artigo 64 da Lei 10.833/03, atinentes sobre a certificação digital. Neste ambiente, o Siscomex Carga é sistema informatizado para o controle de movimentação de embarcações e cargas nos portos alfandegados. Os dados ali são inseridos pelos transportadores, agentes de carga ou seus representantes, e submetidos ao controle aduaneiro relatam as escalas, com dados dos Manifestos e Conhecimentos de carga, nos parâmetros do Sistema de Conhecimento Eletrônico (CE Mercante) Da Equiparação a Transportador A indicação prevista no artigo 5.º, combinado com o artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007, equipara, para efeitos fiscais, empresas de navegação, desconsolidadores e agentes de carga Informações a ser prestadas. O artigo 6.º da IN 800/2007 impele ao transportador, o dever de prestar informações sobre veículo e cargas para cada escala em porto alfandegado. Dentre as informações, o veículo e escalas, e a carga. Sobre a carga, informações sobre o manifesto, a vinculação à escala, conhecimentos de transportes, informações sobre a desconsolidação e a associação do Conhecimento de Carga ao novo manifesto, em caso de transbordo ou baldeação. Prazos dado às prestações de informações Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10711.002995/201061 Acórdão n.º 3001000.341 S3C0T1 Fl. 110 3 São os artigos 22 e 50 da IN 800/2007, com alteração dada pela IN 899/2008, os prazos mínimos para a prestação de informações, sendo que após a leitura de seus dispositivos, verificase a ocorrência de dois períodos distintos: de 31/03/08 a 31/03/09; e a partir de 1.º de abril de 2009. No período inicial (31/03/08 a 31/03/2009), foram estipulados prazos de menor antecedência, e, aplicando a norma mais benéfica, presente no artigo 50, os prazos mínimos para as prestações de informações são os presentes no artigo I e II: I as relativas ao veiculo e suas escalas, cinco horas antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, b em como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala a) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, guando o item de carga for granel; b) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; C) antes da salda da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) antes da chegada da embarcação no primeiro Porto Nacional, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas a conclusão da desconsolidação, antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Ausência de Denúncia Espontânea Requer a aplicação do artigo 683, parágrafo 3.º do Regulamento Aduaneiro. Dos Danos Causados à Fiscalização Explica que as ações de fiscalização são planejadas a partir das informações do Siscomex Cargas. O gerenciamento de risco é a ferramenta para dar celeridade ao despacho de mercadorias com a conseqüente redução do custo incidente sobre o comércio exterior. Tal análise dos dados, devem ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados que nortearão os atos da RFB. Por este motivo, a falta de prestação de informações, ou sua ocorrência fora de prazo, inviabiliza a análise prévia, causando entrave no exercício do controle aduaneiro. Da Infração pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos Foi aplicado o disposto no artigo 107, IV, e, do Decreto Lei 37/66, com novel redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03. Dos Fatos A chegada da embarcação MSC Tamara no Brasil, porto de Suape, ocorreu dia 23/09/2008, tendo atracado as 19hrs30, conforme informações constante no extrato de manifesto e detalhes de escala. A data e hora da atracação, servem como limites para que a Fl. 111DF CARF MF 4 agência de navegação presta as informações sobre a carga. A agencia MSC Mediterranean Shipping, informou sobre o manifesto e efetuou sua vinculação às escalas de forma tempestiva. Por sua vez, a empresa Craft Multimodal, na qualidade de agente de cargas, promoveu a desconsolidação e introduzindo as informações de forma tempestiva. Nova desconsolidação, com envio de informações também de forma tempestiva, ocorreu pela empresa Hafen. Consta como consignatária, a empresa Braservice, como desconsolidadora. Esta última, constituiu como sua representante a empresa Rioport Assessoria Aduaneira, também cadastrada como desconsolidadora. A embarcação prosseguiu viagem, tendo atracado no Rio de Janeiro dia 29/09/2008, figurando como transportador representante o agente de carga Rioport, tendo havido a desconsolidação da carga somente no dia 29/09/08 as 17hrs12min29. Impugnação Tratase do combate ao auto de infração, cuja lavratura do auto de infração deuse em 11/05/2010, por ter prestado informações sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN 800 e 899/08 e com aplicação de multa por infração ao artigo 107, IV, e do Decreto Lei 37/66, com novel redação estabelecida pela Lei 10.833 03.Aponta que em 11 de maio de 2010 foi lavrado auto de infração impondo multa regulamentar no valor de R$ 5.000,00, com fundamento no artigo 107, IV, alínea e, do Decreto Lei 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03, cujo descritivo aponta a não prestação de informações sobre carga transportada, nos prazos estabelecidos pela Receita Federal. A empresa Braservice Assessoria em Comércio Exterior Ltda., constituiu junto ao Departamento do Fundo de Marinha Mercante DEFMM, como sua representante a ora impugnante. A embarcação MSC TAMARA atracou dia 29/09/2008 às 18 hrs., conforme escala 08000211740 fls. 28, argumento que o auditor fiscal atesta ter sido as informações prestadas em 29 /09/08 as 17;12, em fls. 29 e 30 argumento que o auditor fiscal atesta ter sido as informações prestadas em 29 /09/08 as 17;12. No mérito, argumenta que não haveria como imputar a multa aplicada haja vista estar a legislação em referência sob vacatio legislação, em razão da nova redação do artigo 22 da IN 800/07, dada pela IN 899 de dezembro de 2008 Repete o artigo 50 destacando, em negrito, a parte referente ao "somente serão obrigatórios a partir de 01 de abril de 2009 ... antes da atracação ou desatracação". Alternativamente, argumenta pela não obrigatoriedade da prestação de informações. DRJ/FLN O presente processo foi dispensado de ementa, sendo mister a transcrição de seu relatório, para o fiel entendimento do cerne discutidos nestes autos. O presente Auto de Infração referese à multa capitulada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, no valor de R$5.000,00, por prestação de informação sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN SRF n.º 800/2007, com a alteração da IN SRF n.º 899/2008. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10711.002995/201061 Acórdão n.º 3001000.341 S3C0T1 Fl. 111 5 Segundo relato da fiscalização, a autuada prestou informações acerca da desconsolidação de CE (MHBL) n.º 130805182616644 intempestivamente. Junta às fls. 16/32 cópia das telas de informações das escalas e conhecimentos eletrônicos. Nos termos, então, da IN SRF n.º 800/2007, com a alteração da IN SRF n.º899/2008, arts. 22 e 50, respeitadas as vigências das referidas normas, o prazo limite para prestação de informações relativas às cargas transportadas é a data da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Por não ter sido cumprido referido prazo pela autuada, foi lançada a multa por prestação de informação a destempo estatuída no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003. Intimada da autuação, a interessada apresentou impugnação alegando que as informações foram prestadas tempestivamente às 17:12 horas do dia 29/09/2008, já que a atracação se deu às 18:00 horas do mesmo dia, segundo relato no auto de infração. Ainda assim alega também que a IN SRF n.º 800/2007 somente estipulou prazo para a prestação das informações a partir de 01/04/2009 (art. 50) com vistas à adequação dos procedimentos por parte dos usuários e como o fato alegado de informação intempestiva se deu antes daquela data é improcedente o lançamento da multa por violação ao princípio Constitucional de Reserva Legal. Examinando o que consta no processo, foi constatada divergência nas datas de atracação que constam na autuação e n os documentos que acompanham o auto de infração (Detalhes da Escala, às fls. 30). Por esta razão foi diligenciado à unidade preparadora para que saneasse tal erro material (fls. 49/50). A ALF/Porto do Rio de Janeiro procedeu, então, a retificação da data de atracação para o dia 28/09/2008, conforme dados da escala, emitindo auto de infração complementar do qual foi novamente cientificada a autuada. A interessada apresentou aditamento à impugnação às fls. 61/63 reiterando os argumentos já apresentados e contestando a alteração procedida pela fiscalização na autuação. Alega que tal erro material caracteriza vício intransponível, cabendo a nulidade do auto de infração para atender aos princípios da legalidade e ampla defesa. Ao longo do voto, o colegiado julgador de primeiro piso esclarece os fundamentos do voto: A presente autuação referese à exigência da multa capitulada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, tendo em vista que a interessada prestou informações acerca da desconsolidação da carga na data/hora de 29/09/2008, às 118:00 h, de forma intempestiva, já Fl. 113DF CARF MF 6 que a atracação da embarcação se deu no dia 29/09/2008, às 17:12 h. Quanto ao mérito, o argumento trazido pela interessada para contestar a autuação é de que o artigo 50 da IN SRF n.º 800/2007, estabelecia que os prazos previstos no art. 22 seriam obrigatórios a partir de 1.º de abril de 2009. Todavia está equivocada a impugnante em sua análise. Isto porque o indigitado art. 50 da IN SRF n.º 800/2007, em vigor a partir de 31/03/2008, possuía, originalmente a seguinte redação: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1o de janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais. (grifei) Vêse, portanto, que apesar de os prazos de antecedência estabelecidos no art. 22 serem obrigatórios a partir de 01/01/2009, já havia desde o estabelecimento de seus efeitos em 31/03/2008, a obrigação da prestação das informações referentes às cargas antes da atracação da embarcação no País. Recurso Voluntário Em sua defesa, a recorrente ressaltou o argumento de que o prazo seria obrigatório apenas a partir de 01 de abril de 2009 ,conforme artigo 50 da IN 800/07 e 899/08 No mérito, repete o artigo 50 destacando, em negrito, a parte referente ao "somente serão obrigatórios a partir de 01 de abril de 2009 ... antes da atracação ou desatracação", mencionando o artigo 22 prazos de antecedência, com sua referência legal. Destaca do voto condutor do acórdão recorrido, o argumento de que mesmo estando suspensa a obrigatoriedade, não exime o contribuinte de prestar as a informações, contrapondo que as informações foram, efetivamente, prestadas Do texto destacado do referido acórdão de piso, evidencia o início do termo dos prazos em 01 de abril de 2009 Ainda, menciona o artigo 76, I, h da Lei 10.833/03, a qual, em eu entendimento, impõe a sanção de advertência, no atraso por mais de 03 vezes Na seqüência, conclui que a aplicação da multa conforme efetivada, não é contemplada pelo regulamento aduaneiro, não havendo, portanto, fundamento legal para sua imposição, ocasionando ofensa ao princípio constitucional da reserva legal, em nome da preservação da segurança jurídica. Pela efetividade do princípio da Razoabilidade, menciona doutrina e precedentes do STJ quanto à inexigibilidade de multa administrativa em procedimento de Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10711.002995/201061 Acórdão n.º 3001000.341 S3C0T1 Fl. 112 7 vistoria e revisão aduaneira ante a inexistência de prejuízo ao fisco e a boa fé do sujeito passivo. Neste sentido, indica a inocorrência de dano ao erário É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto pela recorrente a fim de verse livre da imposição de multa, mediante lavratura de auto de infração, cujo antecedente normativo prevê, em caso de ocorrência de atraso na prestação de informações ao Siscomex, a aplicação de multa. Mérito Termo Inicial da aplicação de multa aplicável à prestação em atraso das informações exigidas pelo artigo 22 e 50 da IN 800/2007, alterada pela IN 899/2008 A multa combatida encontrase prevista no artigo transcrito a seguir: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; A legislação tributária que merece atenção, é o mencionado artigo 50 da IN 800 modificado pela IN 899. IN 800/2007, modificada pela IN 899/2008 Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e Fl. 115DF CARF MF 8 II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. E, por fim, mister transcrever o artigo 22 da mencionada IN. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; Em que pese a existência de precedentes deste Conselho, favoráveis à aplicação da multa em comento, no caso de atraso prestação de informações consubstanciadas na declaração, entendo que: 1. há previsão normativa de postergação do prazo para a incidência da multa cujo fato gerador é a envio de comunicação, por parte do consignante, em momento posterior à atracação da embarcação. IN 800, de 27 de dezembro de 2007 Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Ainda, em segundo momento, houve norma posterior, abrandando a aplicação da penalidade, postergando o início de sua obrigatoriedade para somente após de 01 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10711.002995/201061 Acórdão n.º 3001000.341 S3C0T1 Fl. 113 9 de abril de 2009, devendo ser obedecido o artigo neste sentido. Por este motivo, se socorre da aplicação do artigo seguinte do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em caso semelhante, tal raciocínio fora empreendido. O caso do precedente acostado abaixo, relacionase com a extensão do prazo, de 05 para 07 dias, como necessário à prestação de informações. Como é sabido, no caso presente, tratase de legislação que determinava a ocorrência de multa, IN 800, posteriormente revogada pela IN 899, a qual concedeu o prazo para início da obrigatoriedade apenas em 01 de abril de 2009. IN 899, de 29 de dezembro de 2008 Art. 1º O art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009 Deste modo, devese aplicar o entendimento da legislação mais benéfica ao contribuinte. Acórdão nº 3302004.717 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 22/03/2008 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETOLEI 37/1966 (IN SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da Fl. 117DF CARF MF 10 IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna. Após a lavratura do auto de infração foi publicada a Instrução Normativa RFB n. 1.096, de 13/13/2010, que ampliou o prazo para registro dos dados pertinentes no SISCOMEX para 7 dias2. Afirma que o art. 106 do CTN permite que a dilação do prazo pela publicação da recente norma deve gerar benefícios a seu favor, já que não é mais considerada infração o não fornecimento de informações no prazo de 2 dias. Considerando que não poderão ser objeto de deliberação por este Colegiado as matérias abordadas no recurso voluntário e que já foram objeto de deliberação, nos resta apreciar, unicamente, o argumento sobre o fato superveniente, que é a publicação da IN RFB n. 1.096/2010 e se seus efeitos retroagem à data dos fatos descritos no auto de infração. E, sobre esse tópico, filiome à vasta jurisprudência deste Conselho, que reconhece que os efeitos benignos da IN RFB n. 1.096/2010 devem surtir efeitos em hipóteses análogas à dos autos. Isso porque estamos diante de uma sanção (ainda que na seara tributária) e a melhor interpretação sobre o texto contido no inciso XL do artigo 5º da Constituição Federal 1988 impõe o reconhecimento que a lei penal deverá retroagir, sempre que for para beneficiar o réu (no caso, o contribuinte apenado pela multa). A propósito, e ilustrativamente, segue a ementa de julgado deste Conselho, o qual adoto como fundamento: TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO / 2ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA / ACÓRDÃO 3202000.486 em 25/04/2012 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. Data do fato gerador: 04/07/2006, 06/07/2006, 10/07/2006, 11/07/2006, 13/07/2006, 15/07/2006, 23/07/2006 e 29/07/2006 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, 'E' DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, 'e' do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo de dois dias para o registro desses dados no Siscomex. Uma vez que a IN SRF no 1.096/2010 fixou o prazo de sete dias para o registro dos dados Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10711.002995/201061 Acórdão n.º 3001000.341 S3C0T1 Fl. 114 11 no Siscomex, deve ser aplicada, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, a norma mais benéfica ao contribuinte. CONTAGEM DE PRAZO. DIA ÚTIL. A contagem dos prazos estipulados na legislação tributária deve seguir os ditames do artigo 210 do Código Tributário Nacional. Os prazos iniciam e terminam apenas em dias úteis. SISCOMEX. INDISPONIBILIDADE. PROVA. A parte que alega a indisponibilidade do sistema SISCOMEX deve apresentar prova irrefutável sobre tal situação. A mera alegação, sem comprovação do alegado, não é capaz de influir no entendimento do julgador. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N. 02 DO CARF. De acordo com a Súmula n. 02 do CARF, o órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, preliminar de nulidade do auto de infração não acolhida e, no mérito, recurso voluntário provido em parte. (grifos adicionados) Assim, entendo que o recurso voluntário deve ser provido para que as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN SRF n.1.096/2010) sejam canceladas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, fazendo se valer o artigo 50 da IN SRF n.º 800/2007, estabelecia que os prazos previstos no art. 22 seriam obrigatórios a partir de 1.º de abril de 2009. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Redator Designado Fl. 119DF CARF MF 12 Preâmbulo 1 Em que pese o elogiável argumento que fundamentou o Voto Vencido, peço vênia para submeter a este Colegiado entendimento diferente do esposado pelo Ilustre Conselheiro Renato Vieira de Avila, acompanhado que foi pelo Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, em seu bem fundamentado voto como Relator. Procurarei, em breves linhas, expor por que entendo que se deve negar provimento ao recurso voluntário quanto à exoneração da exigência da multa em debate, posição diametralmente oposta à do ilustre relator, que proveu o recurso voluntário. Neste passo, alerto que o desencontro de entendimento restringese tão somente ao fundamento jurídico adotado, segundo o qual "houve norma posterior, abrandando a aplicação da penalidade, postergando o início de sua obrigatoriedade para somente após de 01 de abril de 2009". Preâmbulo 2 Ainda, antes de adentrarse à questão jurídica que motivou a presente divergência de entendimento, destacase, por oportuno, que o caso sob exame processo 10711.002995/201061 (Acórdão 3001000.341), afora os dados concernentes ao nome da embarcação, a da data e hora de atracação da embarcação no Porto do Rio de Janeiro/RJ, o número do conhecimento eletrônico e a data e hora que o recorrente registrou a desconsolidação da carga, é congêrene àqueles tratado nos processos 10711.003775/201054 (Acórdão 3001000.342), 10711.004007/201018 (Acórdão 3001000.343), 10711.006048/201049 (Acórdão 3001000.344), 10711.008214/200916 (Acórdão 3001 000.345), 10711.008215/200952 (Acórdão 3001000.346), 10711.721400/201151 (Acórdão 3001000.347) e 10711.724279/201119 (Acórdão 3001000.348), tanto que igualmente são idênticos os argumentos de direito trazidos nos respectivos recursos voluntários. Desta feita, revela destacar também que a decisão encartada neste Voto Vencedor seguirá a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Portanto, o aqui decidido será adotado em todos os demais processos deste contribuinte, conforme destacados no parágrafo anterior, vez que tratamse, como já delineado, de processos paradigmas, o que importará na transcrição, como solução da controvérsia o entendimento que prevaleceu na decisão vencedora tratada nos autos deste processo (Acórdão 3001000.341). Da divergência do entendimento jurídico A questão pareceme bastante simples. O recorrente está certo quando defende que as disposições do artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 não são aplicáveis ao caso em exame, visto que alguns os fatos datam de período posterior 2008 e os efeitos do artigo supramencionado fluiriam somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50 da referida norma regulamentar, com redação dada pela IN RFB 899 de 2008. Entretanto, a fiscalização foi bastante clara e correta ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800 de 2007, cuja redação mais adiante reproduzse. Vejase que tanto o transportador quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere o ora recorrente, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, têm o dever de prestar Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10711.002995/201061 Acórdão n.º 3001000.341 S3C0T1 Fl. 115 13 informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos estabelecidos pela própria Administração, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ora, não me parece razoável supor que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da IN RFB 800 de 2007, deixarseia de aplicar a regra prevista no caput do artigo 50 da mesma Instrução Normativa. Tal dispositivo, conforme transcreverseá, mais adiante, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”. Tendo em vista que o recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga após a atracação das embarcações, é patente que houve desrespeito aos prazos de antecedência previstos na legislação normativa em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, cuja finalidade me parece bastante razoável para fins de efetivo controle aduaneiro, impõese sim a aplicação da correspondente multa. E em relação à multa, não há como eximir o recorrente, pois esta decorre de lei específica, na forma da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 18.11.1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 29.12.2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) Explicito melhor o tema em debate. Fl. 121DF CARF MF 14 Atendendo ao determinado no dispositivo legal supratranscrito, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) publicou a Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007, que “dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados”. Relativamente aos prazos mínimos para a prestação das informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil a referida Instrução Normativa estabeleceu no artigo 22 da seguinte forma, in verbis: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10711.002995/201061 Acórdão n.º 3001000.341 S3C0T1 Fl. 116 15 Todavia, o artigo 50 da IN RFB 800 de 2007 previa, desde sua publicação, a data a partir da qual referidos prazos seriam implementados e, depois da alteração promovida pela IN RFB 899 de 29.12.2008, ficou com a seguinte redação, in verbis: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (destaquei) Como a norma transcrita esclarece, os prazos previstos em seu artigo 22 somente serão exigidos a partir de 1º de abril de 2009. Todavia, seu parágrafo único estabelece expressamente que, a despeito dos prazos passarem a viger na data determinada, isso não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Portanto, reforço, a intempestividade da informação de carga após a atracação da embarcação, quando se trata de carga de estrangeira, enseja a aplicação da penalidade. Desta forma, está preservado o princípio da legalidade pela combinação da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com os dispositivos 22 e 50 da Instrução Normativa nº 800 de 2007. Salientese, o princípio da irretroatividade não se macula quando a lei vigente coaduna com a época do fato gerador como se esclareceu no presente caso. Da conclusão Pelas razões que expus acima entendo que o Colegiado a quo agiu consoante os princípios constitucionais e legais, a lei processual administrativa e as leis que motivam o lançamento e a exigência em discussão. Portanto, proponho a este Colegiado, especificamente quanto a este item, seja negado provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência fiscal, nos termos em que lavrado o auto de infração. É como penso e voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 123DF CARF MF 16 Fl. 124DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.002120/2004-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS A TERCEIROS. NÃO INCLUSÃO.
Não devem ser incluídas as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo do PIS/Pasep não-cumulativo.
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVO. RECEITAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. IMUNIDADE.
As receitas das variações cambiais ativas integram as receitas decorrentes de exportação, atraindo, assim, a regra da imunidade do art. 149, §2º, inciso I, da Constituição Federal para afastar a incidência do PIS/Pasep não-cumulativo.
TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF.
Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Não é possível a concessão de créditos sobre despesas com manutenção predial, pois nem são insumos de produção e nem são encargos de depreciação.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic.
Numero da decisão: 9303-006.596
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa dos créditos com manutenção predial e excluir a aplicação da taxa Selic no ressarcimento de PIS e COFINS, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS A TERCEIROS. NÃO INCLUSÃO. Não devem ser incluídas as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo do PIS/Pasep nãocumulativo. PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVO. RECEITAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. IMUNIDADE. As receitas das variações cambiais ativas integram as receitas decorrentes de exportação, atraindo, assim, a regra da imunidade do art. 149, §2º, inciso I, da Constituição Federal para afastar a incidência do PIS/Pasep nãocumulativo. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 21 20 /2 00 4- 45 Fl. 351DF CARF MF Processo nº 11065.002120/200445 Acórdão n.º 9303006.596 CSRFT3 Fl. 3 2 serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Não é possível a concessão de créditos sobre despesas com manutenção predial, pois nem são insumos de produção e nem são encargos de depreciação. COFINS NÃOCUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa dos créditos com manutenção predial e excluir a aplicação da taxa Selic no ressarcimento de PIS e COFINS, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 11065.002120/200445 Acórdão n.º 9303006.596 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 262 a 296) com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3201000.902 (fls. 240 a 251) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 28/02/2012, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO. Os valores correspondentes às transferências de ICMS não são base de cálculo do PIS, pois não constituem receita. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA. A incidência de PIS sobre as receitas decorrentes de variações cambiais positivas deve ser afastada em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, estimuladora da atividade de exportação, e da expressa isenção prevista nas normas instituidora daquela contribuição. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. HEDGE Por falta de previsão legal, não geram direito ao crédito de PIS as despesas realizadas ou incorridas com hedge. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. UNIFORME DE FUNCIONÁRIOS. Não é possível o creditamento de PIS sobre gastos com uniformes de funcionários de lojas, já que não guardam relação direta com a produção. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS. Não é possível o creditamento sobre despesas com combustíveis quando não comprovado pelo recorrente em quais veículos eram utilizados os mesmos. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. GASTOS COM PUBLICIDADE. Não é possível o creditamento de PIS sobre gastos com publicidade, já que não guardam relação direta com a produção. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 11065.002120/200445 Acórdão n.º 9303006.596 CSRFT3 Fl. 5 4 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. GASTOS COM MÉDICOS E DENTISTAS. Os gastos com médicos e dentistas não dão direito ao crédito de PIS, pois não guardam relação direta com a produção. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. GASTOS COM MANUTENÇÃO DE PAVILHÕES INDUSTRIAIS. Os gastos com manutenção de pavilhões industriais dão direito ao crédito de PIS, conforme expressa previsão legal. TAXA SELIC – CORREÇÃO MOENTÁRIA – CABIMENTO. É cabível a correção monetária dos créditos objeto de discussão, da data da negativa do crédito até seu pagamento, forte no entendimento do STJ, submetido ao rito dos recursos repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo, vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. No mérito, por unanimidade, foi dado provimento ao recurso voluntário para afastar a tributação das transferências de ICMS, por maioria de votos, foi dado parcial provimento quanto à variação cambial ativa, vencido o conselheiro Sérgio Celani, foi negado provimento unânime quanto ao direito de crédito das despesas com uniformes, combustíveis, hedge e médicos e dentistas, foi dado provimento por maioria de votos quanto ao creditamento das despesas com manutenção de prédios, vencidos os conselheiros Sérgio Celani e Marcos Aurélio Pereira Valadão, negado provimento por maioria de votos quanto ao creditamento das despesas com publicidade, vencidos os conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Adriana Oliveira e dado provimento por maioria de votos quanto à taxa SELIC, vencida a conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim. No julgamento do recurso voluntário, portanto, decidiu o Colegiado a quo por rejeitar o pedido preliminar de sobrestamento do processo e, no mérito, dar provimento ao recurso afastando a tributação sobre as transferências de créditos de ICMS a terceiros e sobre a variação cambial ativa. Com relação aos créditos, foi negado o pedido de aproveitamento com relação aos créditos de despesas com uniformes, combustíveis, médicos e dentistas e despesas com publicidade, e dar provimento em relação ao creditamento das despesas com manutenção de prédios. Por fim, foi reconhecido o direito à atualização dos créditos pela taxa Selic. Os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional foram conhecidos e negados. Nessa oportunidade, a Recorrente alega divergência com relação (a) à ilegalidade da incidência da COFINS sobre as receitas referentes às transferências de créditos de ICMS a terceiros; (b) à tributação pela COFINS das variações cambiais ativas decorrentes de exportação, devido à imunidade do art. 149, §2º, inciso I da CF/88; (c) ao reconhecimento como insumos aptos a gerar créditos de COFINS dos gastos com manutenção predial; e (d) e Fl. 354DF CARF MF Processo nº 11065.002120/200445 Acórdão n.º 9303006.596 CSRFT3 Fl. 6 5 ao reconhecimento do direito à atualização dos créditos pela taxa Selic. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos 10322.937 e 330100.230 (divergência "a"); 330200.642 e 310200.862 (divergência "b"); 20312.448 (divergência "c") e 330100.809 (divergência "d"). Foi dado seguimento ao recurso especial, nos termos do despacho S/Nº, de 22/06/2015 (fls. 299 a 305), proferido pelo Ilustre Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF em exercício à época, por ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões requerendo a negativa de provimento ao recurso especial (fl. 308 a 347). O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, cingese a controvérsia à possibilidade de incidência do PIS/Pasep nãocumulativo sobre: (a) as receitas referentes às transferências de créditos de ICMS a terceiros; (b) as variações cambiais ativas decorrentes de exportação, devido à imunidade do art. 149, §2º, inciso I da CF/88. Além disso, discutese o direito ao reconhecimento como insumos aptos a gerar créditos de PIS/Pasep dos gastos com manutenção predial e a possibilidade de atualização dos referidos créditos pela taxa Selic. Na sessão de julgamento, o presente voto foi vencido quanto ao restabelecimento das glosas dos gastos com manutenção predial e a possibilidade de correção do crédito de PIS pela taxa Selic, por ter a maioria do Colegiado entendido pela Fl. 355DF CARF MF Processo nº 11065.002120/200445 Acórdão n.º 9303006.596 CSRFT3 Fl. 7 6 impossibilidade da tomada do referido crédito e, além disso, ser indevida a correção dos créditos de PIS e COFINS pela Selic. Passase à análise dos temas do recurso especial: (a) à ilegalidade da incidência do PIS sobre as receitas referentes às transferências de créditos de ICMS a terceiros; Com relação à não inclusão das receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo do PIS/Pasep e COFINS nãocumulativos, a matéria restou decidida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, pela sistemática da repercussão geral, consoante art. 543B da Lei nº 5.869/1973 Código de Processo Civil vigente à época do julgado, declarando a inconstitucionalidade da inclusão, na base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos, dos valores de créditos de ICMS oriundos de exportação cedidos onerosamente a terceiros. O acórdão de relatoria da Ministra Rosa Weber recebeu a seguinte ementa: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que Fl. 356DF CARF MF Processo nº 11065.002120/200445 Acórdão n.º 9303006.596 CSRFT3 Fl. 8 7 determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe231 DIVULG 22112013 PUBLIC 25112013) (grifouse) Nos termos do art. 62, §2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recurso no âmbito do CARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 357DF CARF MF Processo nº 11065.002120/200445 Acórdão n.º 9303006.596 CSRFT3 Fl. 9 8 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (grifouse) Portanto, há de ser mantido o afastamento da incidência do PIS nãocumulativo sobre os valores das transferências de ICMS a terceiros decorrentes das operações de exportação. (b) à tributação pelo PIS das variações cambiais ativas decorrentes de exportação, devido à imunidade do art. 149, §2º, inciso I da CF/88; e A Fazenda Nacional pretende, ainda, ver reformado o acórdão recorrido no que tange ao afastamento da incidência do PIS nãocumulativo sobre as variações cambiais ativas decorrentes das operações de exportação. Também neste ponto não assiste razão à Recorrente. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 11065.002120/200445 Acórdão n.º 9303006.596 CSRFT3 Fl. 10 9 Ocorre que as variações cambiais ativas são oriundas e inerentes aos contratos de exportações de bens, decorrendo diretamente do negócio jurídico realizado pela empresa. Assim, não podem as operações cambiais ser dissociadas da exportação das mercadorias, por resultarem de exigência de outros países para os quais a Contribuinte efetua as exportações. Portanto, a imunidade do PIS e da COFINS (cumulativas e nãocumulativas) prevista no art. 149, §2º, inciso I da Constituição Federal para as receitas decorrentes de exportação, abrange as variações cambiais ativas. A regra da imunidade visa impedir a incidência das contribuições sobre todas as receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços para o exterior, originadas do mesmo fato gerador, qual seja, a operação de exportação. Não é possível segregar as receitas da venda de mercadorias das variações cambiais ativas, por se constituírem em exigência das relações de comércio internacional. O Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, reconheceu que as receitas das variações cambiais ativas integram as receitas decorrentes de exportação, atraindo, assim, a regra da imunidade para afastar a incidência do PIS e da COFINS. A decisão foi proferida nos autos do recurso extraordinário nº 627.815/PR, de relatoria da Ministra Rosa Weber, cujos fundamentos foram sintetizados na seguintes ementa, in verbis: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 11065.002120/200445 Acórdão n.º 9303006.596 CSRFT3 Fl. 11 10 (RE 627815, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 23/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe192 DIVULG 30092013 PUBLIC 01102013) No mesmo sentido, manifestouse o Superior Tribunal de Justiça ao julgar o AgRg no AREsp 23033/RS, de relatoria do Ministro Arnaldo Esteves Lima, e cujos fundamentos do acórdão foram sintetizados na seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. VARIAÇÃO CAMBIAL. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A incidência de PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes de variações cambiais positivas deve ser afastada em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, estimuladora da atividade de exportação (AgRg no REsp 1.143.779/SC, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma). 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 23.033/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/12/2011, DJe 12/12/2011) Colacionase outras duas ementas de julgados proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça no mesmo sentido de afastar a tributação pelo PIS e COFINS das variações cambiais ativas, in verbis: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS. COFINS. MANDADO DE SEGURANÇA. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. NORMAS DE ISENÇÃO E IMUNIDADE. PRECEDENTES. 1. Tratase de agravo regimental interposto pela Fazenda Nacional contra decisão que, ao negar seguimento ao recurso especial fazendário, entendeu que não incide tributação de PIS e COFINS sobre variações cambiais positivas decorrentes das receitas de exportação de mercadorias. 2. "A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, em um caso análogo, decidiu que: "Ainda que se possa conferir interpretação restritiva à regra de isenção prevista no art. 14 da Lei nº 10.637/2002, deve ser afastada a incidência de PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes de variações cambiais positivas em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da CF/88, estimuladora da atividade de exportação, norma que deve ser interpretada extensivamente." (REsp 1.059.041/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 4.9.2008). 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1143779/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 25/11/2010) Fl. 360DF CARF MF Processo nº 11065.002120/200445 Acórdão n.º 9303006.596 CSRFT3 Fl. 12 11 TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL COFINS PIS VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA NÃOINCIDÊNCIA MANDADO DE SEGURANÇA DECLARAÇÃO DE COMPENSABILIDADE DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS SÚMULA 213/STJ TAXA SELIC INCIDÊNCIA A PARTIR DOS PAGAMENTOS INDEVIDOS SUFICIÊNCIA DA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. 1. Não ocorre ofensa ao art. 535, II, do CPC, se o Tribunal de origem decide, fundamentadamente, as questões essenciais ao julgamento da lide. 2. O mandado de segurança é instrumento adequado para a declaração de compensabilidade do crédito tributário, que será efetuada, respeitado o prazo prescricional, junto à Administração tributária. Precedentes. 3. Incide a Taxa Selic, como correção monetária e juros de mora, desde o pagamento indevido. Precedentes. 4. Segundo a jurisprudência desta Corte, a receita decorrente da variação cambial positiva relativa às operações de exportação não se sujeitam à tributação pelo PIS e pela COFINS. 5. Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. 6. Recurso especial do contribuinte provido. (REsp 982.870/PE, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/09/2010, DJe 20/09/2010) Pelos argumentos expostos, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional também neste ponto. (c) ao reconhecimento como insumos aptos a gerar créditos de PIS dos gastos com manutenção predial Com relação a esse tópico, a discussão referese ao conceito de insumos para determinação do que pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS nãocumulativo, em especial em relação aos gastos com manutenção predial. De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 11065.002120/200445 Acórdão n.º 9303006.596 CSRFT3 Fl. 13 12 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotar se o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 362DF CARF MF Processo nº 11065.002120/200445 Acórdão n.º 9303006.596 CSRFT3 Fl. 14 13 definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processo no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11065.002120/200445 Acórdão n.º 9303006.596 CSRFT3 Fl. 15 14 Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11065.002120/200445 Acórdão n.º 9303006.596 CSRFT3 Fl. 16 15 SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou se) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11065.002120/200445 Acórdão n.º 9303006.596 CSRFT3 Fl. 17 16 Até a presente data não houve a publicação do acórdão do julgamento do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos. No entanto, conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros são obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos. De posse do critério a ser adotado para definição dos insumos aptos a gerar créditos de PIS e COFINS não cumulativos, adentrarseá a análise do caso concreto. No caso específico, a Fazenda Nacional insurgese com relação ao reconhecimento da possibilidade de creditamento de PIS e COFINS nãocumulativos dos gastos incorridos com a manutenção predial do estabelecimento do Contribuinte. Ocorre que a própria legislação contempla hipótese de exclusão da base de cálculo das contribuições em tela dos gastos com manutenção predial, consoante disposto no art. 3º, inciso VII da Lei nº 10.833/2003, aplicável também ao PIS por força do art. 15, inciso II da referida lei, in verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...] II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; [...] Os dispêndios com a conservação dos imóveis e suas instalações, utilizados na atividade industrial da Recorrida, enquadramse no conceito de benfeitorias estabelecido no art. 96 do Código Civil, mostrandose necessárias para conservação do bem evitando que o mesmo se deteriore, além de aumentar ou facilitar o uso das instalações para a produção das mercadorias. Portanto, além de apresentarem relevância para o processo produtivo, uma vez que as instalações são utilizadas pela empresa para o seu processo produtivo, os dispêndios em exame constituemse em benfeitorias, amoldandose à legislação do PIS e da COFINS não cumulativas que permite a apropriação de créditos. (d) da atualização dos créditos de PIS pela SELIC Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11065.002120/200445 Acórdão n.º 9303006.596 CSRFT3 Fl. 18 17 Com relação a este tópico, adotase como razões de decidir aquelas trazidas no julgado ora recorrido: [...] É certo que a legislação que trata sobre os créditos de PIS e COFINS não permitem a correção monetária dos valores. Entretanto, o presente caso é diferente, pois discutese o direito à correção monetária entre o pedido e o recebimento em face da resistência do fisco, matéria já decidida pelo STJ pelo rito dos recursos repetitivos: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO DE IPI. OPOSIÇÃO DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. MATÉRIA DECIDIDA SOB O REGIME DOS RECURSOS REPETITIVOS. RESP 1.035.847/RS. SÚMULA 411/STJ. 1. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), reiterou entendimento no sentido de que não incide correção monetária nos créditos escriturais de IPI, por ausência de previsão legal. 2. Contudo, no mesmo julgado, ficou ressalvado que o ressarcimento efetuado com demora por parte da Fazenda Pública justifica a incidência da correção monetária, visto que caracterizada a chamada "resistência ilegítima". 3. Aplicase ao caso a multa do art. 557, § 2º, do CPC no percentual de 10% (dez por cento) sobre o valor da causa, por questionamento de matéria já decidida em recurso repetitivo. Agravo regimental improvido. (STJ – 2ª Turma AgRg no REsp 1265457/RS – Rel. Min. Humberto Martins – Dje 14/10/2011) Assim, neste caso, é de ser deferida a correção monetária dos créditos pretendidos. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11065.002120/200445 Acórdão n.º 9303006.596 CSRFT3 Fl. 19 18 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo do seu posicionamento quanto ao conceito de insumos refletidos em seu voto, mais especificamente quanto à possibilidade de se deferir créditos, da não cumulatividade de PIS e Cofins, sobre despesas incorridas com manutenção predial. Também fui designado redator quanto a matéria referente à possibilidade de incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de PIS e Cofins. Passemos então à análise das citadas matérias. Possibilidade de reconhecimento de créditos da Cofins sobre gastos com manutenção predial A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional referese à possibilidade de crédito nas despesas incorridas com manutenção predial. A relatora entende pela manutenção do crédito adotando um conceito ampliado do termo insumos, além de ter manifestado o entendimento pela aplicação do disposto no inc. VII do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 combinado com o inc. II do art. 15 da mesma Lei. Transcrevo abaixo o art. 3º da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins nãocumulativa, cuja redação é semelhante à Lei 10.637/2002, aplicável ao PIS nãocumulativo. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11065.002120/200445 Acórdão n.º 9303006.596 CSRFT3 Fl. 20 19 exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11065.002120/200445 Acórdão n.º 9303006.596 CSRFT3 Fl. 21 20 III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (...) 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. Os créditos na aquisição de insumos estão previstos no inc. II do art. 3º, acima transcrito e destacado. Tratamse dos insumos utilizados no processo produtivo do produto destinado a venda. Portanto, não há leitura, por mais alargada que seja, que possa tratar as despesas incorridas com manutenção predial dentro do conceito de insumos tratados no citado inc. II. Porém a relatora, além de destacar que se trata de um insumo em seu conceito mais abrangente, afirma que o crédito estaria previsto no inc. VII do art. 3º, também transcrito e destacado mais acima. Ocorre que aqui, a legislação permite o crédito em benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, mas vejam que esse crédito não são com as despesas incorridas nas benfeitorias ou manutenção predial. Mais adiante, no inc. III do § 1º, também transcrito e destacado acima, a lei informa que o crédito previsto no inc. VII do art. 3º são somente sobre os encargos de depreciação. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11065.002120/200445 Acórdão n.º 9303006.596 CSRFT3 Fl. 22 21 Portanto, indubitavelmente, não existe previsão legal para a concessão de créditos sobre as despesas incorridas com manutenção predial, pois não são insumos do processo produtivo e nem são encargos de depreciação. Diante do exposto, voto em dar provimento nesta parte ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Possibilidade de aplicação da Taxa Selic nos ressarcimentos de PIS e Cofins A atualização monetária do ressarcimento de saldo credor da Cofins não cumulativa, calculados à taxa Selic, é expressamente vedado pela própria Lei nº 10.833, de 2003, que instituiu o regime nãocumulativo, assim dispondo: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” Contra disposição expressa da lei não é cabível aplicar analogias com decisões judiciais não aplicáveis ao caso concreto, como pretende a relatora e o acórdão recorrido. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional em relação a essa matéria. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 371DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001372/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99.
O direito da fazenda pública constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária extingue-se com o decurso do prazo decadencial previsto no CTN.
Na hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 173, I.
Caso tenha havido antecipação do pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 150, § 4º, conforme súmula CARF nº 99.
SUJEIÇÃO PASSIVA.
O sujeito passivo da obrigação principal diz-se contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador.
Numero da decisão: 2401-005.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. O direito da fazenda pública constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária extingue-se com o decurso do prazo decadencial previsto no CTN. Na hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 173, I. Caso tenha havido antecipação do pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 150, § 4º, conforme súmula CARF nº 99. SUJEIÇÃO PASSIVA. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. O direito da fazenda pública constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária extinguese com o decurso do prazo decadencial previsto no CTN. Na hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplicase o disposto no CTN, art. 173, I. Caso tenha havido antecipação do pagamento, aplicase o disposto no CTN, art. 150, § 4º, conforme súmula CARF nº 99. SUJEIÇÃO PASSIVA. O sujeito passivo da obrigação principal dizse contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 72 /2 01 0- 91 Fl. 420DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 16327.001372/201091 Acórdão n.º 2401005.398 S2C4T1 Fl. 420 3 Relatório Tratase de Auto de Infração AI (Debcad 37.234.0261) lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe, referente à contribuição social previdenciária arrecadada dos segurados, incidente sobre valores pagos a segurados contribuintes individuais, vendedores e gerentes de vendas vinculados à rede de concessionárias Volkswagen, por intermédio de cartão premiação. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 36/42): · O Contribuinte Banco Volkswagen S/A (CNPJ nº 59.109.165/000149) é sucessor, por incorporação, da empresa Volkswagen Leasing (CNPJ nº 49.324.619/000140). · Os códigos de levantamento utilizados para fatos geradores do Banco Volkswagen foram B, B1 e B2. Os códigos de levantamento utilizados para fatos geradores da Volkswagen Leasing foram L e L1. · O Banco Volkswagen e a Volkswagen Leasing contrataram os serviços da empresa DPTO Promoções Ltda (CNPJ nº 03.490.964/000153) para que esta promovesse campanhas de vendas, através das quais remunerava segurados vinculados à rede de concessionárias da marca Volkswagen (gerente de vendas e vendedores). · Essa remuneração seria devida como recompensa do desempenho desses segurados em vender produtos da empresa autuada, conforme metas estabelecidas nos regulamentos das campanhas. · Nos contratos de prestação de serviços celebrados entre a autuada (contratante) e a empresa DPTO Promoções Ltda (contratada), havia cláusula que determinava a obrigatoriedade de autorização expressa da contratante para que fossem disponibilizados créditos nos cartões dos beneficiados. · A autuada esclareceu que nunca efetuou recolhimento de tributo relacionado às premiações. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, alegando em síntese: decadência, que os pagamentos foram feitos pela DPTO, que a DPTO declarou e recolheu as contribuições previdenciárias, que o adicional de 2,5% é inconstitucional e questiona a multa aplicada. Diante dos argumentos de impugnação apresentados, especialmente com relação ao fato da empresa DPTO PROMOÇÕES ter efetuado o pagamento das contribuições lançadas, às fls. 289/294 a DRJ determinou a realização de diligência para que fossem esclarecidos os seguintes pontos: Fl. 422DF CARF MF 4 4.1. As remunerações declaradas nas GFIP da empresa DPTO Produções Ltda correspondem a valores pagos a título de premiação por meio de cartão, decorrente da prestação de serviços para com a autuada? 4.2. Em caso positivo, todos os valores pagos a título de premiação por meio de cartão aos segurados relacionados nas planilhas apresentadas pela autuada (fls. 76), que serviram de base de cálculo para as contribuições incluídas nas autuações n" 37.234.0253, 37.234.0261, foram declarados nas GFIP da empresa prestadora de serviços DPTO Produções Ltda, considerandose todo o período autuado (01/2005 a 12/2008)? 4.3. Em sendo a declaração retromencionada parcial, solicitase a elaboração de discriminativo detalhado (meio papel ou arquivo digital) informando quais segurados e remunerações integrantes das planilhas de fls. 76 foram declarados cm GFIP pela empresa DPTO Produções Ltda. 4.4. Considerando que o Relatório Fiscal (fls. 95/102) aponta para a conclusão de que os contribuintes individuais que receberam premiações por meio de cartão teriam seus vínculos estabelecidos diretamente com a autuada (Banco Volkswagen S/A e a sucedida Volkswagen Leasing), solicitase que a Autoridade Fiscal, frente às análises e esclarecimentos apresentados em resposta aos questionamentos anteriores, esclareça, conclusiva e justificadamente, se o vínculo dos contribuintes individuais que receberam as citadas premiações é com a autuada. 4.5. Havendo, em consequência, qualquer alteração no valor das contribuições previdenciárias incluídas na presente notificação, deverá a referida Autoridade demonstrar, justificadamente, tal alteração. A Autoridade Fiscal responsável pela diligência pronunciouse por meio do Relatório de Fiscal Complementar (fls. 295/299), onde apresenta vários argumentos e conclui que há inequívoca relação direta e pessoal da autuada com a situação que constitui o fato gerador, ressaltando a impossibilidade de mudança do sujeito passivo por convenções particulares (art. 123 do CTN). Relembra que o art. 89 da Lei nº 8.212/91 garante o direito de restituição ou compensação no caso de recolhimento indevido ou a maior. Foi proferido o Acórdão 1633.123 13ª Turma da DRJ/SP1, em 10/8/11, fls. 336/357, que julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento. Cientificado do Acórdão em 6/9/11 (Aviso de Recebimento AR de fl. 359), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 6/10/11, fls. 360/387, que contém, em síntese: Sustenta a decadência de parte do lançamento (01/05 a 09/05), com fundamento no art. 150, §4º do CTN. Afirma, que os valores pagos aos contribuintes individuais através dos cartões CASH PLUS da empresa DPTO não podem ser considerados como base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois classificamse como prêmios esporádicos não vinculados a uma contraprestação em prol do recorrente, pois para o seu pagamento depende de fatores econômicos do mercado de venda de automóveis e caminhões. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 16327.001372/201091 Acórdão n.º 2401005.398 S2C4T1 Fl. 421 5 Defende que não havia habitualidade nos pagamentos e que o CASH PLUS era um prêmio excepcional, desvinculado do pagamento dos salários e trabalho. Cita a Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, item 7, segundo o qual as parcelas recebidas a título de ganhos eventuais não integram o salário de contribuição e afirma que os prêmios pagos não são passíveis de sofrerem incidência da contribuição previdenciária. Entende que a autuação foi levada a efeito com erro na eleição do sujeito passivo, pois, deveria ter sido efetuada em face da empresa DPTO, contratada para executar políticas de marketing de incentivo, sendo esta a responsável pelos pagamentos efetuados, e não a recorrente. Diz que não obstante tenha suportado o ônus financeiro dos valores em discussão, a assunção do encargo econômico não equivale ao ato de pagamento. Relata que não se trata de um caso no qual se pretende transferir a sujeição passiva relativamente à contribuição a outra pessoa jurídica por meio de contrato, mas apenas demonstrar que no presente caso, quem era a responsável por recolher os tributos incidentes sobre os pagamentos efetuados, conforme prevê o contrato firmado entre as partes era a DPTO, empresa que decidia inclusive sobre qual o montante do prêmio a ser pago. Aduz que em matéria de contribuição previdenciária, a legislação determina a obrigação do recolhimento do tributo pela empresa que venha a pagar os segurados. Cita a Lei 8.212/91, art. 22, I e art. 33, I, 'a' e 'c'. Afirma que o sujeito passivo é o responsável por disponibilizar os rendimentos. Cita jurisprudência sobre restituição. Acrescenta que se o desconto da contribuição dos segurados é feito por ocasião do pagamento da remuneração, somente quem o faz é que pode ser o sujeito passivo da obrigação fiscal. Diz que todos os pagamentos da recorrente foram feitos para a DPTO, a título de prestação de serviços relativos ao programa de marketing de incentivo, com aplicação do regime fiscal pertinente à relação, tendo ocorrido as retenções de imposto de renda, CSLL, PIS e Confins. Defende que o fato da DPTO receber recursos da recorrente, os as quais são consumidos no exercício de sua atividade (campanha de marketing), englobando inclusive os pagamentos aos vendedores, não significa que tais pagamentos estejam sendo efetuados pela recorrente. Argumenta que a obrigação tributária está extinta pelo pagamento, tendo em vista que conforme contrato firmado entre as partes, a DPTO, ao efetuar os creditamentos de valores aos contribuintes no cartão CASH PLUS também levou a efeito o pagamento das contribuições previdenciárias devidas sobre referidos pagamentos. Que a prova da correlação entre os pagamentos efetuados e os beneficiários dos valores creditados em cartão se faz através do confronto do relatório de pagamentos do programa de incentivo do banco Volks com as GFIPs apresentadas pela DPTO. Que o próprio relatório fiscal complementar reconheceu a identidade entre os pagamentos e os beneficiários do serviços. Que a DRJ ilegalmente afastou todo o conjunto probatório constante dos autos, quando deveria reconhecer o aproveitamento dos pagamentos efetuados pela DPTO em favor da recorrente. Fl. 424DF CARF MF 6 Entende que não pode prevalecer o entendimento da DRJ, tendo em vista o adimplemento da obrigação. A manutenção da exigência fiscal viola o art. 150, I da CR/88 e os artigos 142, 124, 125, I e 156 do CTN. Ainda quanto ao pagamento, sustenta que o art. 124 do CTN permite o reconhecimento do pagamento efetuado pela DPTO em favor da recorrente, sobretudo diante do princípio da busca da verdade material. Por fim sustenta a ilegalidade da cobrança da alíquota de 2,5% prevista na Lei 8.212/91, art. 22, § 1º, em virtude de sua sistemática não encontrar amparo no texto constitucional, bem como ser necessária a correção da aplicação da multa aplicada no patamar de 75%, quando, em verdade, deveria ter sido aplicado ao caso a multa de 24%, diante da impossibilidade da comparação da multa mais benéfica de 24% acrescida da multa pelo descumprimento da obrigação acessória com a multa de 75%. Pede o reconhecimento da decadência do período de janeiro a setembro de 2005 e o cancelamento da autuação. Os autos foram baixados em diligência, conforme Resolução 2401000.302 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, fls. 402/408, onde se renovou os questionamentos efetuados pela DRJ na diligência por ela solicitada, tendo em vista que o fiscal autuante, a margem de responder os questionamentos formulados, apontou seu entendimento acerca da sujeição passiva no presente caso. Observouse na diligência que conforme previu o contrato entabulado entre as partes (fls. 153), no presente caso, a empresa DPTO responsabilizouse pelo pagamento das contribuições sociais em decorrência dos valores creditados no cartão premiação em favor dos contribuintes individuais vinculados a recorrente. Confirase: CLÁUSULA SEGUNDA – Obrigações da Contratada 2.1. [...] h) Responsabilizarse pelo pagamento de todos os tributos e outros encargos, incluindo previdenciários, que incidam ou venham a incidir, direta ou indiretamente, sobre os créditos disponibilizados aos BENEFICIÁRIOS; Em resposta à diligência solicitada, a fiscalização elaborou o Relatório Fiscal, juntado ao processo principal 16327.001371/201046, ao qual o presente está apensado, às fls. 914/927, que contém as seguintes conclusões: · As remunerações declaradas pela DPTO Promoções correspondem a valores pagos a título de premiação por meio de cartão, decorrente da prestação de serviços dos beneficiários dos respectivos prêmios para com a autuada. Os beneficiários foram declarados em GFIP pela DPTO por força de previsão contratual. · Todos os beneficiários das premiações estão declarados nas GFIPs da DPTO Promoções Ltda. · As contribuições previdenciárias foram feitas de maneira integral. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 16327.001372/201091 Acórdão n.º 2401005.398 S2C4T1 Fl. 422 7 · Reafirma seu entendimento de que o sujeito passivo da obrigação tributária é a autuada e que o recolhimento indevido pode ser objeto de restituição. O sujeito passivo foi cientificado do Relatório Fiscal em 3/6/14 (assinatura à fl. 927 do processo 16327.001371/201046) e, em 1/7/14, apresentou manifestação às fls. 413/418, que contém, em síntese: A fiscalização confirmou a coincidência entre os valores autuados e declarados pela DPTO. Mensalmente o requerente transmitia à DPTO recursos para executar os serviços e arcar com a contribuição previdenciária sobre os prêmios distribuídos A DPTO alegou ter recolhido e declarado os pagamentos dos tributos em seu nome, na condição de responsável. Afirma que não se trata de compromisso contratual, mas de cumprimento da legislação fiscal, que decorre da constatação de que os recolhimentos das contribuições competem à empresa, na qualidade de fonte disponibilizadora dos recursos. Assim, como o desconto dos tributos era feito por ocasião do pagamento da remuneração, somente quem o fez é que poderia ser o sujeito passivo das obrigações fiscais. Alega que se a DPTO era a intermediária responsável por repassar os prêmios que fizeram surgir o fato gerador da contribuição, não há razão para não se aceitar também com legitimada a satisfazer a obrigação tributária. Acrescenta que, no caso, há evidente configuração de sujeição passiva solidária por interesse comum (CTN, art. 124, I) entre a requerente e a DPTO. Logo, com a satisfação do crédito tributário por um deles, a obrigação fiscal comum a ambos restou extinta, conforme CTN, art. 125, I. Conclui que o lançamento deve ser cancelado, pois representa bis in idem, que haveria, quando muito, descumprimento de obrigação acessória, e mesmo que o contribuinte fosse o sujeito passivo, deveria ser aceito os recolhimentos dos tributos pagos. É o relatório. Fl. 426DF CARF MF 8 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. DECADÊNCIA Para verificar se houve decadência, quando se tratar de crédito tributário o qual o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento do tributo, aplicase o disposto no CTN, art. 150, § 4º: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por outro lado, quando ocorrer lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, aplicase o disposto no CTN, art. 173, I: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; A Súmula CARF nª 99, dispõe que: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Quanto ao sujeito passivo autuado, o que consta nos autos é que nenhuma contribuição foi, por ele, declarada ou recolhida. Não consta dos autos informação quanto a Fl. 427DF CARF MF Processo nº 16327.001372/201091 Acórdão n.º 2401005.398 S2C4T1 Fl. 423 9 outros recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo. Assim, não há que se falar em lançamento por homologação, mas sim de ofício, devendo ser aplicado o disposto no CTN, art. 173, I. O presente lançamento ocorreu em 29/10/10 (assinatura à fl. 5), portanto, poderia retroagir a 12/04 (vencimento da obrigação em 01/05). Para a competência mais remota, objeto de lançamento, 01/05, o prazo decadencial começou a fluir em 01/06, extinguindose o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento em 31/12/10. Portanto, não se operou a decadência em relação a todos os valores lançados no auto de infração de que trata o presente processo. SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA Quanto à sujeição passiva, assim dispõe o CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; [...] A Lei 8.212/91, determina que: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; E a Lei 10.666/03, dispõe que: Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. No caso em análise, temse que foram firmados contratos de prestação de serviços com a empresa DPTO Promoções Ltda (fls. 152/215) para que esta promovesse campanhas de vendas, através das quais remunerava segurados vinculados à rede de concessionárias da marca Volkswagen (gerente de vendas e vendedores). Consta de referidos contratos que o objeto do contrato é a prestação de serviços, pela contratada à contratante de marketing de incentivos relacionado aos programas denominados "Campanha de Customização", "Campanha Seguro Proteção Financeira 2006", "Campanha Consórcio 2006", "Campanha de Incentivo Sem Limite 2006", "Campanha Vendas Premiadas para o seguro Proteção Financeira", "Projeto Rateio 2006", "Fim de Ano Premiado Fl. 428DF CARF MF 10 2006", "Financiamento de Peças", "CUSTOMIZAÇÃO MARTE 2", "CUSTOMIZAÇÃO MARTE 3", "CUSTOMIZAÇÃO SORANA SUL 4", "CUSTOMIZAÇÃO BRASILWAGEN 4", "CUSTOMIZAÇÃO BRASILWAGEN 3" e "GUSTOMIZAÇÃO BRASiLWAGEN 5". Em todos eles consta o seguinte: 2. Obrigações da Contratada 2.1. [...] c) Registrar e lançar créditos nos cartões OUROCARD CASH PLUS de cada um dos beneficiários, de acordo com solicitação da contratante enderaçada a instituição financeira e contra o pagamento dos referidos valores. Os pagamentos relativos às cargas dos cartões OUROCARD CASH PLUS serão faturados pela contratada, com reembolso das despesas, contra a contratante, conforme ajuste por ocasião das solicitações, e, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas após a confirmação do pagamento pela contratante os créditos estarão disponíveis aos beneficiários. [...] h) Responsabilizarse pelo pagamento de todos os tributos e outros encargos, incluindo previdenciários, que incidam ou venham a incidir, direta ou indiretamente, sobre os créditos disponibilizados aos BENEFICIÁRIOS; [...] Como relata a fiscalização, há cláusula que determinava a obrigatoriedade de autorização expressa da contratante para que fossem disponibilizados créditos nos cartões dos beneficiados. Da leitura dos contratos, vêse que seu objeto era o incentivo à várias campanhas que tinham por objetivo a venda de produtos da autuada. Inferese, então, que quem poderia confirmar se o vendedor ou gerente efetivou a venda do produto (financiamento, leasing, seguro etc), fazendo jus ao prêmio, tinha que ser a autuada, pois não é de se esperar que a DPTO tivesse acesso a essas informações da sua contratante Volkswagen. Logo, entendo aceitáveis as cláusulas contratuais que determinavam a necessidade de autorização da autuada para o crédito dos prêmios nos cartões dos beneficiados (elemento que levou a fiscalização a constituir o crédito tributário e a DRJ a manter o lançamento). A alínea 'c' acima transcrita determina que a obrigação pelo pagamento de referidas remunerações, em que pese o custo ser suportado pela Volkswagen, seria da DPTO e ainda, na alínea 'h', restou acordado que o recolhimento dos tributos, incluindo previdenciários, estaria a cargo da DPTO. Ora, se cabia à DPTO remunerar os segurados contribuintes individuais, é ela que deveria preparar a folha de pagamento e prestar as informações em GFIP. Logo, nos termos da legislação acima citada, havia relação pessoal e direta da DPTO com a situação constitutiva do fato gerador, na condição de contribuinte, sendo, portanto, o sujeito passivo da obrigação tributária. E sendo a remuneração paga pela DPTO aos contribuintes individuais, ela deveria arrecadar a contribuição de tais segurados. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 16327.001372/201091 Acórdão n.º 2401005.398 S2C4T1 Fl. 424 11 Com razão a recorrente ao afirmar que quem remunera é quem pode fazer a retenção da contribuição previdenciária do segurado. E ainda, se foi a DPTO que prestou as informações em GFIP também cabia a ela recolher as contribuições. Assiste razão ao recorrente ao discorrer sobre a possível responsabilidade solidária. Mas este não foi o caso. Apesar da fiscalização entender que o sujeito passivo da obrigação é a empresa autuada, ela também afirma que todos os beneficiários das premiações estão declarados nas GFIPs da DPTO Promoções Ltda. e as contribuições previdenciárias foram feitas de maneira integral. Acrescenta a fiscalização que tais recolhimentos (considerados indevidos) poderiam ser objeto de pedido de restituição. Acontece que tal hipótese não seria mais possível, pois os fatos geradores ocorreram no período de 01/05 a 12/08, já tendo expirado o prazo de cinco anos para o pedido de restituição, nos termos do CTN, art. 168. Não se verifica no presente caso qualquer prejuízo aos segurados, já que, conforme informado pela fiscalização, eles foram declarados em GFIP e as contribuições integralmente recolhidas. Assim, no presente caso, levar a efeito o crédito tributário lançado importaria em enriquecimento ilícito da Fazenda Pública. Sendo assim, dou provimento ao recurso voluntário. Por evidente perda de objeto, desnecessário discorrer sobre os demais argumentos apresentados pelo recorrente. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 430DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.003433/2002-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 20/08/1998 a 30/11/2000
IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. RESULTADO DA DILIGÊNCIA. ACOLHIMENTO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DA MERCADORIA. CONCOMITÂNCIA.
Acolhe-se a Informação Fiscal formalizada por meio de Diligência, e, havendo concomitância no tocante à classificação fiscal da mercadoria, incide a Súmula CARF 1.
Numero da decisão: 3401-004.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, acolher o resultado da diligência, e reconhecer, em relação à classificação da mercadoria, concomitância de objeto entre a discussão administrativa e a judicial, devendo ser aplicado ao caso o entendimento que prevalecer definitivamente em juízo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Vinicius Guimarães (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl), Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado), Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausentes o Conselheiro Robson José Bayerl e, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-06-12T00:04:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-06-12T00:04:01Z; Last-Modified: 2018-06-12T00:04:01Z; dcterms:modified: 2018-06-12T00:04:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:d53fce91-58f2-3a4e-b8cc-7090e3e5456e; Last-Save-Date: 2018-06-12T00:04:01Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-06-12T00:04:01Z; meta:save-date: 2018-06-12T00:04:01Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-06-12T00:04:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-06-12T00:04:01Z; created: 2018-06-12T00:04:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2018-06-12T00:04:01Z; pdf:charsPerPage: 1328; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-06-12T00:04:01Z | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2.102 1 2.101 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11543.003433/200276 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.410 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2018 Matéria IPI Recorrente CISA TRADING SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/08/1998 a 30/11/2000 IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. RESULTADO DA DILIGÊNCIA. ACOLHIMENTO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DA MERCADORIA. CONCOMITÂNCIA. Acolhese a Informação Fiscal formalizada por meio de Diligência, e, havendo concomitância no tocante à classificação fiscal da mercadoria, incide a Súmula CARF 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, acolher o resultado da diligência, e reconhecer, em relação à classificação da mercadoria, concomitância de objeto entre a discussão administrativa e a judicial, devendo ser aplicado ao caso o entendimento que prevalecer definitivamente em juízo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 34 33 /2 00 2- 76 Fl. 2102DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Vinicius Guimarães (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl), Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado), Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausentes o Conselheiro Robson José Bayerl e, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratase de recurso voluntário, referente a exigência do IPI, mais multa de ofício e juros de mora. Três foram as infrações informadas pelo auditorfiscal (efls. 764 e seguintes), reiterado no relatório da DRJ de Juiz de Fora/MG (efls. 1.444/1.445): Infração 001 IPI LANÇADO NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR Foram constatadas algumas diferenças entre os valores apurados na escrita fiscal do imposto e os declarados/pagos pela contribuinte. Intimada a justificar as diferenças constatadas, a contribuinte apresentou justificativa para a maior parte das diferenças, à. exceção das seguintes, que estão sendo exigidas de oficio, após reconstituição da escrita fiscal: Decêndio Escriturado Declarado Diferença 205/1998 178.258,29 171.619,12 6.639,17 305/1998 2.304.132,42 2.295.043,54 9.088,88 Infração 002 IPI LANÇADO E NÃO ESCRITURADO FALTA DE ESCRITURAÇÃO No período fiscalizado, o contribuinte não efetuou corretamente a escrituração dos créditos e débitos do IPI destacado em algumas notas fiscais, o que ocasionou pagamento a menor do imposto devido. Os valores que estão sendo exigidos foram apurados segundo demonstrativo de fls. 733/735, e referemse ao imposto que deveria ter sido apurado/recolhido pela contribuinte por estar fora da discussão levada à esfera judicial por intermédio do processo n° 98.00037829, ação ordinária com pedido de antecipação de tutela, deferido. Na referida ação ordinária o contribuinte requer seja o produto "depurador de ar" classificado na posição 8421.39.90, enquanto o Fisco defende a classificação 8414.60.00. Em razão das diferentes classificações resultam diferentes alíquotas aplicáveis. No entendimento do auditor, não existe controvérsia em relação à aliquota aplicável à classificação, defendida pela empresa Fl. 2103DF CARF MF Processo nº 11543.003433/200276 Acórdão n.º 3401004.410 S3C4T1 Fl. 2.103 3 (8421.39.90, 8%), o que significa que ela deveria ter efetuado o recolhimento do imposto apurado, com a aplicação desta alíquota, tanto na importação (pagamento do IPI vinculado) quanto nas saídas dos depuradores. Com base nesse entendimento foi elaborado o demonstrativo de fls. 733/735, que apura os montantes do IPI a que o auditor denominou "IPI pacifico", que deveriam ter sido recolhidos pela contribuinte, por extrapolar os limites da lide judicial. Infração 003 — CRÉDITOS INDEVIDOS. DEMAIS CASOS A fiscalização constatou a utilização de créditos indevidos nos montantes, valores e períodos de apuração relacionados a seguir: Para cada um dos valores glosados existe um fundamento especifico justificando a glosa, indicados pela fiscalização na descrição dos fatos, fls. 746 a 748. A Recorrente apresentou impugnação, fazendo as seguintes considerações, de acordo com o relatório da DRJ (efl. 1.446/1.447): a) no que diz respeito à infração 001, recolheu os valores mediante os DARFs de fls. 849/850; b) quando aos créditos glosados, infração 003, procedeu ao recolhimento dos montantes a seguir discriminados, segundo DARFs de fls. 851 a 855; Fl. 2104DF CARF MF 4 c) quanto à infração 002, discordou da exigência efetuada pelo Fisco, apresentando as seguintes alegações, de forma resumida: "17. Conforme mencionado acima, a_ IMPUGNANTE ajuizou a Ação de Rito Ordinário n°. 98.37829, com pedido de antecipação da tutela pretendida, a fim de ver reconhecido o seu direito à classificação dos produtos depuradores de ar, sob o código TIPI n° 84.21.39.90, conforme se depreende do pedido formulado na petição inicial, in verbis: (...) "d) seja, ao final, JULGADO PROCEDENTE o pedido da ação, para reconhecer por sentença o direito à classificação fiscal dos DEPURADORES como aparelhos para depurar gases (código 8421.39.90, da TIPI atual e da TEC, e 8421.39.99.00, das antigas TIPI e TAB) e, consequentemente ao recolhimento do II e IPI na importação e IPI na revenda, com as aliquotas correspondentes. " (g. n) 18. A cautela pleiteada foi concedida, em 15/05/98, pela I. Juiza da la Vara Federal da Seção Judiciária de Vitória (Doc. 10), nos seguintes termos: "A vista do exposto, defiro, em parte, a tutela antecipada pretendida pela autora e determino ao Inspetor da Alfândega e a autoridade responsável pela exigência questionada, que consta ser o Delegado da Receita Federal em Vitória (no caso de revenda) a se absterem de reclassificar os depuradores de ar e de exigir diferenças do II e IPI, na importação, e IPI na revenda, mantendo os códigos anteriores a que alude a autora na petição inicial, até ulterior deliberação." (g.n) 19. Posteriormente, a I. Juíza acolheu o pedido de depósito formulado pela IMPUGNANTE, relativamente a diferença das alíquotas entre as duas classificações, ou seja, a parte controversa nos termos a seguir transcritos: (...) 21. Doutro turno, em razão do deferimento do pedido de depósito, foi assegurado a IMPUGNANTE o direito ao recolhimento do IPI segundo a alíquota do código 84.21.39.90 na TIPI e à realização do depósito judicial da diferença em relação ao código n° 8414.60.00 da TIPI, pretendido pela SRF. Fl. 2105DF CARF MF Processo nº 11543.003433/200276 Acórdão n.º 3401004.410 S3C4T1 Fl. 2.104 5 (...) 32. Frisese que as alíquotas decorrentes da classificação fiscal 8421.39.90 variaram no decorrer do tempo, razão pela qual, muitas vezes, o recolhimento do IPI não foi realizado à alíquota pretendida pelo Sr. AFRF (8%), mas, sim, às alíquotas estabelecidas posteriormente, através de Decretos. (...) 40. Nos períodos de 08/99 até 09/00, por um equívoco a IMPUGNANTE não se deu conta das alterações de alíquota do IPI, havidas na classificação 8421.39.90, razão pela qual, ao invés de recolher o IPI conforme as mencionadas alíquotas, e depositar a diferença, a IMPUGNANTE, por considerar ser devida ainda a alíquota de 0%, continuou depositando todo o IPI (15% 0%). 41. Em que pese realmente ter ocorrido tal equívoco, o mesmo não é apto a ensejar a cobrança desses valores, eis que estão depositados em juízo e poderão, facilmente, ser convertidos em renda a favor da Unido Federal. 42. Com efeito, uma vez que a IMPUGNANTE depositou judicialmente o IPI total, correspondente à alíquota de 15%, no período de ago/99 a set/00, não há que se falar em exigência de multa de oficio e juros de mora. (...) 48. Sendo assim, resta claro que o Sr. Agente Fiscal não considerou as variações de alíquotas ocorridas ao longo do tempo na classificação fiscal n.° 8421.39.90, bem como os yalores depositados judicialmente, o que demonstra, cabalmente, que a exigência fi,scal em comento não merece prosperar, devendo ser totalmente cancelada." d) quanto d. parte contestada relativa à infração 003 (glosa de créditos indevidos), a Impugnante alegou, com relação as glosas nos montantes de R$ 4.714,98 e 5.737,18, que referemse a valores depositados em juízo e que podem ser convertidos em renda da unido; e, no tocante à glosa de R$ 9.827,34, insiste na alegação de que se trata de pagamento efetuado à maior (doc. fls. 1323 a 1337), e cujo direito ao crédito encontra amparo no art. 190 do RIPI/98. À efl. 1.443, a DRJ/JFA, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento, de acordo com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 20/08/1998 a 30/11/2000 IPI DESTACADO MAS NÃO RECOLHIDO. AÇÃO JUDICIAL. PARCELA INCONTROVERSA. Fl. 2106DF CARF MF 6 É de se exigir, de oficio, o valor do IPI que deixou de ser recolhido, em virtude, de não estar abrangido no pedido levado à esfera judicial (parcela incontroversa). GLOSA DE CRÉDITOS. PAGAMENTO À MAIOR QUE 0 DEVIDO. Se comprovado ter ocorrido destaque e pagamento a maior, é de se afastar o lançamento relativo à glosa do crédito, na escrita fiscal, do valor do imposto destacado/pago à maior. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte À efl. 1.941, no dia 28/11/2011, a Recorrente recebeu a intimação do acórdão da DRJ, e no dia 27/11/2011 (efls. 1.942 e seguintes), a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, pedindo o conhecimento e provimento de seu recurso, pelos seguintes argumentos: 1. Ao rever os procedimento adotados, entendeu por bem não questionar a infração do item 001 (IPI Recolhido a menor nos decêndios 2 e 3 de maio de 1998) e parte das exigências do item 003 (Créditos indevidos); 2. Depois do julgamento da DRJ, o processo judicial transitou em julgado em favor da Recorrente, reconhecendo o direito da classificação do seu produto no código NCM pretendido, e a aplicação das alíquotas que entre 0 a 8%, conforme variação dos respectivos períodos de apuração; 3. Os depósitos judiciais são incontroversos. Posteriormente, os valores realmente devidos serão convertidos em favo da União. Logo, não existe débito em aberto, passível de levantamento judicial; 4. Recalculandose a exigência, conforme determinou a DRJ no v. Acórdão recorrido, chegase a um valor de “IPI pacífico” consideravelmente inferior ao que fora originalmente apurado, valor este que, confrontado com os pagamentos efetuados e reconhecidos pelo próprio I. AFRFB, não deixa dúvidas de que os débitos estão totalmente extintos nos termos do art. 156, I, do CTN; 5. Quanto às glosas dos créditos, as quais o auditor fiscal entendeu que não houve recolhimento a maior, a Recorrente impugna somente três períodos: 1o decêndio de setembro de 1998 (R$ 4.714.98); 3o decêndio de dezembro de 1998 (R$ 5.737,18) e 2o decêndio de dezembro de 1999 (R$ 9.827,34); 6. O recolhimento foi reconhecido pelo próprio auditor fiscal, de modo que não há que se falar em glosa; 7. A multa e os juros aplicados são indevidos, pois o depósito judicial suspende a aplicação de ambos. Destacase seus pedidos (efl. 1.961): Fl. 2107DF CARF MF Processo nº 11543.003433/200276 Acórdão n.º 3401004.410 S3C4T1 Fl. 2.105 7 Informou ainda a Recorrente que em alguns períodos efetuou o pagamento por DARF e fez o depósito judicial, sendo o pagamento por DARF reconhecido pela autoridade fiscal. Informou, ainda, que efetuou o levantamento integral do depósito judicial, pois, depois dos recálculos, considerando os valores que já haviam sido recolhidos por DARFs e as variações de alíquota ao longo do período, chegou à conclusão de que recolheu mais do realmente devia, existindo, a seu favor, saldo credor e não devedor. À efl. 2.006 e seguintes, sobreveio decisão unânime desta C. Turma, pela tempestividade recursal e solicitação de diligência, nos seguintes termos: (...) para que se refaçam os cálculos, a fim de saber se restou saldo devedor por parte da Recorrente. Nos cálculos, devese levar em consideração as seguintes variáveis: 1. Classificação fiscal dos depuradores de ar no código NCM nº 8421.39.90; 2. As variações de alíquota aplicáveis em cada período lançado; 3. Os créditos referentes ao recolhimento do IPI na entrada/importação; 4. Os valores efetivamente já recolhidos por DARF. Fl. 2108DF CARF MF 8 A partir da efl. 2.079 e seguintes, adveio a Informação Fiscal, destacandose: Sendo assim, através da análise do Processo de Auto de Infração (Infração 2) e demais informações prestadas pela empresa, confeccionamos tabela demonstrando os valores devidos, levando em consideração a classificação fiscal dos depuradores de ar, as variações de alíquotas nos períodos lançados, os créditos referentes ao recolhimento do IPI na entrada/importação e os valores recolhidos através da escrituração fiscal (DARF). (...) Verificamos, através da análise da tabela acima, que os valores devidos de IPI a ser Cobrado (por competência) e mantido neste Auto de Infração, somente ocorreram do 3° decêndio de agosto de 1998 ao 2° decêndio de dezembro de 1998, totalizando o valor de R$ 76.419,24. Já os valores de IPI Pago a Maior (por competência) ocorreram do 2° decêndio de janeiro de 1999 ao 3° decêndio de setembro de 2000, totalizando o valor de R$ 113.888,69. Concluímos, portanto, sem considerar os valores de depósito judicial que foram levantados pela empresa, que em relação a infração 2 foram efetuados recolhimentos a maior no valor total de R$ 37.469,45. Manifestouse a Recorrente (efl. 2.090) pela concordância da Informação Fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos, relator O recurso voluntário é tempestivo e como se viu do relatório desta C. Turma que decidiu pela conversão em diligência, portanto, dele tomo conhecimento. A questão se restringe em saber se há IPI devido sobre a autuação efetivada, o que fora respondido negativamente pela Informação Fiscal, e mais, enfatizou que, sem considerar os valores dos depósitos judiciais feitos pela Recorrente em ação judicial que já transitou em julgado, foram efetuados recolhimentos a maior no valor total de R$ 37.469,45, de acordo com a planilha elaborada pela Informação Fiscal, levandose em consideração o "IPI Recolhido" e o "Cálculo do IPI Correto": Fl. 2109DF CARF MF Processo nº 11543.003433/200276 Acórdão n.º 3401004.410 S3C4T1 Fl. 2.106 9 Demais disso, ainda esclareceu a Informação Fiscal (efl. 2.078): No dia 26/02/2015 intimamos a empresa a apresentar os livros de entrada, saída e registro de apuração de IPI de 1998, 1999 e 2000, as notas fiscais de entrada e saída de mercadorias dos produtos “Depuradores” questionados no citado processo de Auto de Infração e as declarações de importação dos produtos “Depuradores” questionados no citado processo de Auto de Infração. No prazo estipulado, a empresa entregou os documentos solicitados e um relatório contendo várias explicações, dentre elas o fato da ação judicial 98000337829 ter transitado em julgado, reconhecendo o direito da recorrente à classificação dos produtos importados no código 8421.39.90, com o recolhimento de IPI nas alíquotas de 0 a 8% e não a alíquota de 15%. Informou ainda que após o trânsito em julgado efetuou o levantamento de todos os valores depositados judicialmente. Fl. 2110DF CARF MF 10 Ao que se viu, a Informação Fiscal cumpriu o designado pela solicitação de diligência 1. Classificação fiscal dos depuradores de ar no código NCM nº 8421.39.90, submetida a juízo; 2. As variações de alíquota aplicáveis em cada período lançado; 3. Os créditos referentes ao recolhimento do IPI na entrada/importação; 4. Os valores efetivamente já recolhidos por DARF. Diante da inexistência de IPI a ser recolhido, objeto da autuação fiscal, não há reparo a ser feito à Diligência. Quanto à classificação da mercadoria, viuse que a Recorrente ingressou com ação judicial, razão pela qual, sem maiores digressões, incide a Súmula CARF 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Demais disso, houve trânsito em julgado na aludida ação judicial, favorável a Recorrente, medida que se impõe. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acolher o resultado da diligência, e reconhecer, em relação à classificação da mercadoria, concomitância de objeto entre a discussão administrativa e a judicial, devendo ser aplicado ao caso o entendimento que prevalecer definitivamente em juízo. André Henrique Lemos Fl. 2111DF CARF MF
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