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Numero do processo: 13851.902216/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 22 16 /2 00 9- 89 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13851.902216/200989 Acórdão n.º 1302002.521 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (CSLL) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13851.902216/200989 Acórdão n.º 1302002.521 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13851.902216/200989 Acórdão n.º 1302002.521 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13851.902216/200989 Acórdão n.º 1302002.521 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13851.902216/200989 Acórdão n.º 1302002.521 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000973/2010-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 30/09/2009
INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. INAPLICABILIDADE EM FUNÇÃO DA PRIMAZIA DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
O legislador adotou a teoria da responsabilidade objetiva para as multas por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos.
JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência á taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
PENALIDADE MAIS BENÉFICA. MP 449/08. COMPARAÇÃO DE MULTAS.
Para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, no caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias não recolhidas e não informadas em GFIP, realizado após a entrada em vigor da MP 449/08 e em relação a fatos geradores ocorridos na vigência da legislação anterior, deverá ser comparada a multa de 24%, da sistemática anterior, somada à multa do CFL 68, com a multa de 75%, da nova sistemática.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIUDADE SOLIDÁRIA.
Nos termos da legislação previdenciária, as empresas integrantes de Grupo Econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dessa legislação.
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. A cientificação regular e eficaz de todas as empresas integrantes do grupo econômico permite o exercício pleno do contraditório e ampla defesa.
Numero da decisão: 2301-005.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário na questão de responsabilidade solidária do grupo econômico; vencidos o relator e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Wesley Rocha, que acompanhavam o relator por suas conclusões; (b) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário na questão das multas aplicadas; vencidos o relator e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni, que davam provimento ao recurso voluntário para aplicar a multa do art. 32-A da Lei 8.212, de 1991; (c) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nas demais questões. Redigirá o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
EDITADO EM: 11/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2007 a 30/09/2009 INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. INAPLICABILIDADE EM FUNÇÃO DA PRIMAZIA DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O legislador adotou a teoria da responsabilidade objetiva para as multas por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência á taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. MP 449/08. COMPARAÇÃO DE MULTAS. Para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, no caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias não recolhidas e não informadas em GFIP, realizado após a entrada em vigor da MP 449/08 e em relação a fatos geradores ocorridos na vigência da legislação anterior, deverá ser comparada a multa de 24%, da sistemática anterior, somada à multa do CFL 68, com a multa de 75%, da nova sistemática. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIUDADE SOLIDÁRIA. Nos termos da legislação previdenciária, as empresas integrantes de Grupo Econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dessa legislação. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. A cientificação regular e eficaz de todas as empresas integrantes do grupo econômico permite o exercício pleno do contraditório e ampla defesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário na questão de responsabilidade solidária do grupo econômico; vencidos o relator e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Wesley Rocha, que acompanhavam o relator por suas conclusões; (b) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário na questão das multas aplicadas; vencidos o relator e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni, que davam provimento ao recurso voluntário para aplicar a multa do art. 32-A da Lei 8.212, de 1991; (c) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nas demais questões. Redigirá o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado EDITADO EM: 11/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 30/09/2009 INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. INAPLICABILIDADE EM FUNÇÃO DA PRIMAZIA DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O legislador adotou a teoria da responsabilidade objetiva para as multas por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência á taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. MP 449/08. COMPARAÇÃO DE MULTAS. Para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, no caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias não recolhidas e não informadas em GFIP, realizado após a entrada em vigor da MP 449/08 e em relação a fatos geradores ocorridos na vigência da legislação anterior, deverá ser comparada a multa de 24%, da sistemática anterior, somada à multa do CFL 68, com a multa de 75%, da nova sistemática. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIUDADE SOLIDÁRIA. Nos termos da legislação previdenciária, as empresas integrantes de Grupo Econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dessa legislação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 09 73 /2 01 0- 09 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10920.000973/201009 Acórdão n.º 2301005.122 S2C3T1 Fl. 210 2 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. A cientificação regular e eficaz de todas as empresas integrantes do grupo econômico permite o exercício pleno do contraditório e ampla defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado: (a) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário na questão de responsabilidade solidária do grupo econômico; vencidos o relator e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Wesley Rocha, que acompanhavam o relator por suas conclusões; (b) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário na questão das multas aplicadas; vencidos o relator e os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni, que davam provimento ao recurso voluntário para aplicar a multa do art. 32A da Lei 8.212, de 1991; (c) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nas demais questões. Redigirá o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado EDITADO EM: 11/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Mauricio Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros da Silveira, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por WIEST S/A., em face de decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito tributário. De acordo com a fiscalização (fls. 33 a 76), a autuação abrange as contribuições da empresa, destinadas a financiar a Previdência Social, apurado com base na Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10920.000973/201009 Acórdão n.º 2301005.122 S2C3T1 Fl. 211 3 Folha de Pagamento, inclusive incluindo na análise, Recibo de Pagamento de Salário e Rescisão de Contrato de Trabalho. Consta do Relatório Fiscal (fl. 38) que a apuração dos fatos geradores se deu da seguinte forma: Levantamento: F1 – FP NÃO DECLARADA EM GFIP SE: Referente à contribuição de segurado empregado – SE, descontada em FP/RPS/RCT, não informada em GFIP, aplicandose a multa de 24%; Levantamento: F12 – FP NÃO DECLARADA EM GFIP SE: Referente à contribuição de segurado empregado – SE, descontada em FP/RPS/RCT, não informada em GFIP, aplicandose a multa de 75%; Levantamento: F2 – FP NÃO DECLARADA EM GFIP CI: Referente à contribuição de contribuinte individual – CI (Diretores), descontada em FP/RPS, não informada em GFIP, aplicandose a multa de 24%; Levantamento: F22 – FP NÃO DECLARADA EM GFIP CI: Referente à contribuição de contribuinte individual – CI (Diretores), descontada em FP/RPS, não informada em GFIP, aplicandose a multa de 75%; Levantamento: G1 – FP NÃO DECLARADA EM GFIP SE: Referente à contribuição de segurado empregado – SE declarada em GFIP; Levantamento: G2 – FP NÃO DECLARADA EM GFIP CI: Referente à contribuição de segurado contribuinte individual – CI (Diretores) declarada em GFIP; Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, “nesta autuação o débito apurado se refere a contribuições descontadas de segurados, destinados a Previdência Social; muito embora sejam mencionadas neste REFISC, as demais contribuições, tais como: contribuições empresa, destinadas a Previdência Social, e contribuições empresa, destinados a TERCEIROS, estão sendo apuradas em outros processos de autuações, próprios, distintos deste, também relacionados Obrigação Principal”. A fiscalização caracterizou a existência de “Grupo Econômico de Fato e Regular”, emitindo os Termos de Sujeição Passiva Solidária para responsabilização das empresas, a saber: • WIEST AUTO PEÇAS LTDA. CNPJ 73.790.230/000175; • RJN INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PROD. METALURGICOS LTDA. CNPJ 07.703.406/000180; • PPW IND. COM. PROD. METALURGS LTDA (ATUAL BRAESP). CNPJ01.507.760/000152; • W 5 SERVIÇOS EMPRESARIAIS SC LTDA. CNPJ 83.792.713/000162; • WIEST PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ 00.063.697/000140; • ADM ADMINISTRADORA DE BENS LTD. CNPJ 05.284.477/000160; Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10920.000973/201009 Acórdão n.º 2301005.122 S2C3T1 Fl. 212 4 • TECFOR AUTO CENTER LTDA. CNPJ 03.547.556/000190; • WIEST NORDESTE LTDA. CNPJ 02.080.169/000124; • WIEST TUBOS E COMPONENTES LTDA. CNPJ 00.960.705/000150; • TOPTEC AUTO CENTER LTDA. CNPJ 01.282.686/000113; Na impugnação (fls. 80 a 92), foi alegado que os sóciosadministradores e o contador da impugnante não poderiam ser considerados devedores solidários, já que não havia ocorrido nenhuma das hipóteses que autorizariam a solidariedade, assim como as sociedades empresárias seriam regidas pelo princípio da separação patrimonial. Ademais, há a alegação de que não poderia prosperar a incidência da taxa Selic, já que ela possui um caráter remuneratório, assim como as multas aplicadas possuem efeito confiscatório, além de não levarem em conta a possível boafé do contribuinte. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. O acórdão de primeira instância (fls. 105 a 112) referendou o lançamento fiscal e restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 30/09/2009 RELATÓRIO DE VÍNCULOS. INDICAÇÃO DE PESSOAS LIGADAS À SOCIEDADE. A mera indicação de pessoas no Relatório de Vínculos não implica em sua sujeição passiva. MULTA. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. INCOMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DE JULGAMENTO PARA APRECIAR ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade lançadora perquirir acerca da validade das normas jurídicas, restandolhe tão somente aplicar a lei então vigente, em obediência ao princípio da legalidade. MULT. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. INAPLICABILIDADE EM FUNÇÃO DA PRIMAZIA DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O legislador adotou a teoria da responsabilidade objetiva para as multas por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos. JUROS SELIC. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10920.000973/201009 Acórdão n.º 2301005.122 S2C3T1 Fl. 213 5 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência á taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS IMPUGNAÇÃO. Transcorrido o prazo de impugnação, somente é permitida a produção de provas se o impugnante demonstrar o atendimento das condições estabelecidas no Decreto nº 70.235/72 para sua aceitação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com decisão que manteve o débito tributário, a recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 118 a 129) aduzindo em síntese o seguinte: a) alega que não tem razão a Turma julgadora ao asseverar que não poderia afastar a incidência da legislação em questão, ante a incompetência da autoridade julgadora administrativa para declarar a ilegalidade ou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo legal, eis que é assente o entendimento no sentido de que cabe ao órgão julgador administrativo, como guardião da vontade do Estado, garantir que, na apreciação da legalidade do lançamento tributário, as condutas do contribuinte e do Fisco sejam avaliadas em consonância com os valores constitucionais inerentes ao ato; b) que não pode prosperar a incidência da taxa de juros SELIC, conforme estabelecido pela Lei nº 9.528/97, pois constituise a mesma em espécie de juro remuneratório, não sendo este o tipo de juro previsto pelo CTN para obrigações tributárias; c) sustenta que as multas aplicadas, nos percentuais de 24% (fatos geradores até 11/2008), e 75% (fatos geradores a partir de 12/2008), não há como prosperarem eis que, além de não serem razoáveis, são totalmente desproporcionais aos fatos alegados, gerando efeito confiscatório, portanto inconstitucionais, assim, devem ser excluídas; d) que a recorrente, ao perceber a necessidade de complementar às GFIP`s anteriormente transmitidas, apresentou GFIP`s retificadoras, contudo, o Fisco substituiu todos os dados anteriormente enviados nas declarações originais pelas informações complementares apresentadas pela recorrente, gerando ausência relativa aos fatos geradores constados pela fiscalização, ressalta que não há que se falar em máfé por parte da empresa; Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. Em 16/10/2012, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF aprovou a Resolução nº 2301000.310 (fls. 141 a 145), que converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal notifique todos os sujeitos por ela nominados. As intimações (fls. 148 a 157) aos sujeitos nominados pela autoridade fiscal foram feitas em dezembro de 2013. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10920.000973/201009 Acórdão n.º 2301005.122 S2C3T1 Fl. 214 6 Diante da devolução de grande parte das intimações pelos Correios, verificouse a necessidade de intimação por edital pelas Delegacias Regionais da localidade onde estão situadas as empresas a serem intimadas (fls. 186 a 188). Em resposta à intimação por edital, a RJN Indústria e Comércio de Produtos Metalúrgicos Ltda. apresentou petição (fls. 190 a 193) alegando que diante da caracterização de grupo econômico, as partes de fato deveriam ser intimadas do próprio Auto de Infração para que pudessem apresentar defesa, dando oportunidade ao contraditório e a ampla defesa, de modo que deveriam ser nulos os despachos e decisões proferidas com preterição do direito de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator O recurso é tempestivo, no entanto, no Recurso Voluntário é mencionada a potencial inconstitucionalidade da multa aplicada (fl. 122) diante da ofensa ao princípio da vedação ao confisco (artigo 150, IV, da Constituição Federal). Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade. Da Aplicação da Taxa Selic Com relação à alegação pela não aplicação da taxa de juros SELIC por esta ser uma espécie de juro remuneratório, esta não deve prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada no âmbito do CARF. Nesse sentido, cabe ressaltar a redação da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, não há reparos a ser feito no lançamento no que tange à aplicação da taxa SELIC. Da Questão da Boafé como Critério para Abrandamento da Multa Tal qual exposto no Acórdão de Impugnação (fls. 2006 a 2007), é importante citar o artigo 136 do Código Tributário Nacional, que determina a responsabilização objetiva pelo cometimento de infrações tributárias, conforme pode ser observado abaixo: Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10920.000973/201009 Acórdão n.º 2301005.122 S2C3T1 Fl. 215 7 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessa forma, resta claro que o legislador tributário adotou a teoria da responsabilidade objetiva para as multas por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos como a boafé ou máfé do infrator. Nesse sentido, não deve prosperar a alegação de boafé do contribuinte para um eventual abrandamento da pena. Multa e Retroatividade Benigna Considerando que a autuação abrange tanto o período anterior quanto posterior à inclusão dos artigos 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, cabe ressaltar que o artigo 106, III, c, do Código Tributário Nacional estabelece a aplicação da lei a fato pretérito quando cominar penalidade menos severa do que a prevista na lei vigente ao tempo da prática do fato, conforme pode ser observado abaixo: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, é possível observar no próprio Relatório de Fiscalização (fls. 53 a 57) que o fiscal fez o comparativo entre as multas potencialmente aplicáveis para determinar a aplicação da multa mais benéfica. Assim, foi aplicada multa de 24% (conforme artigo 35, II, a, da Lei nº 8.212/91 para as competências de 02/2007 a 11/2008, e a multa de 75% para os fatos geradores posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/08, conforme a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009. Ousamos divergir do referido entendimento no tocante ao período anterior à vigência da Medida Provisória nº 449/08. Nesse sentido, entendo que o novo artigo 35 da Lei nº 8.212/91 somente poderá retroagir com o objetivo de limitar a 20% o percentual da multa constante do antigo artigo 35. Por seu turno, o art. 35A da Lei nº 8.212/91, por inovar a legislação previdenciária Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10920.000973/201009 Acórdão n.º 2301005.122 S2C3T1 Fl. 216 8 de custeio, seria aplicável aos lançamentos de ofício realizados a partir da vigência da Lei nº 11.941/2009. Tal posição foi inclusive sustentada de maneira reiterada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme pode ser observado no seguinte trecho do voto do Min. Humberto Martins (os grifos são nossos): A jurisprudência desta Corte é dominante no sentido de que se aplica o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN na execução fiscal não julgada definitivamente na esfera judicial, independentemente da natureza da multa, sem descaracterizar a liquidez e certeza da Certidão de Dívida Ativa, pois tal normativo estabelece que a lei aplicase a ato ou a fato pretérito quando lhe comina punição menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. Verificase que o art. 35 da Lei n. 8.212∕91 foi alterado pela Lei n. 11.941∕09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20%, que, sendo mais benéfico ao contribuinte, deve lhe ser aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN. (...) Cumpre destacar que o art. 35 da Lei n. 8.212∕91, com a redação anterior à Lei n. 11.940∕09, não distinguia a aplicação da multa em decorrência da sua forma de constituição (de ofício ou por homologação), mas levando em consideração, essencialmente, o momento em que constatado o atraso no pagamento: antes da notificação fiscal, durante a notificação e existência de recurso administrativo, e após a inscrição em dívida ativa. (...) Com efeito, a nova redação do art. 35 da Lei n. 8.212∕91, dada pela Lei n. 11.941∕09, ao prever que as multas aplicadas obedecerão os parâmetros estabelecidos no art. 61 da Lei n. 9.430∕96, possibilitou a aplicação da multa reduzida aos processos ainda não definitivamente julgados. (...) A distinção quanto à forma de lançamento para fixação de multa somente foi prevista com o advento da Lei n. 11.940∕09, que introduziu o art. 35A à Lei n. 8.212∕91 (...) Com efeito, sua aplicação restringese aos lançamentos de ofício existentes após sua vigência, sob pena de retroação. STJ, 2ª Turma, EDcl no AgRg no RESP nº 1.275.297/SC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 03/12/2013 Na mesma linha, cumpre citar o seguinte trecho do voto da Min. Regina Helena Costa (os grifos são nossos): Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10920.000973/201009 Acórdão n.º 2301005.122 S2C3T1 Fl. 217 9 Controvertese acerca do percentual de multa moratória aplicável ao lançamento de ofício após a alteração do art. 35 da Lei n. 8.212∕91 pela Lei n. 11.941∕09 que, ao incluir o art. 35A naquele diploma normativo, determinou a observância do parâmetro mais gravoso do art. 44 da Lei n. 9.430∕96, qual seja, de 75% (setenta e cinco por cento). Com efeito, esta Corte possui entendimento segundo o qual deve ser observado o percentual original da multa moratória previsto no art. 35 da Lei n. 8.212∕91, porquanto as ulteriores disposições do art. 35A cominam penalidade mais severa, autorizando a aplicação do preceito anterior, mais benéfico, a teor do disposto no art. 106, II, c, do CTN. (...) Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial para fixar o percentual da multa moratória em 20% (vinte por cento). STJ, 1ª Turma, RESP nº 1.585.929/SP, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 19/04/2016 Ante o exposto, para fins de aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional, voto por comparar a multa por descumprimento de obrigação acessória e a multa por falta de pagamento de contribuição previdenciária impostas ao contribuinte de forma englobada, limitandoas ao percentual de 20% constante do novo art. 35 da Lei nº 8.212/91 (já com as alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009), por força interpretação mais favorável ao acusado, conforme determina o art. 112 do Código Tributário Nacional. Da Questão de Responsabilidade Solidária do Grupo Econômico Da leitura do relatório fiscal (fls. 58 e seguintes), notase que foi entendido que há caracterização de "grupo econômico de fato”, passível de responsabilização tributária nos termos do artigo 30, IX, da Lei nº 8.212/91, conforme pode ser observado abaixo: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; O dispositivo normativo supracitado é lacônico, ao não prever requisitos para que a responsabilidade tributária solidária de empresas de grupo econômico seja aplicável aos casos concretos. No caso em tela, não resta dúvida da existência de grupo econômico de fato, ainda que o grupo não esteja constituído como de direito na forma da Lei n° 6.404/76. No Relatório de Fiscalização, são trazidos diversos elementos que constatam a existência de grupo econômico de fato, tais quais informações obtidas no próprio sítio da empresa, transações entre Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10920.000973/201009 Acórdão n.º 2301005.122 S2C3T1 Fl. 218 10 partes relacionadas registradas nas contas contábeis, processo trabalhista, mandado de segurança para desbloqueio de contas, dentre outros. Todavia, não há que se confundir a responsabilidade solidária existente no âmbito trabalhista, prevista no artigo 2, §2º, da CLT — Consolidação das Leis do Trabalho, com a responsabilidade tributária. Nesse sentido, a existência de processo trabalhista no qual aplicouse a responsabilidade solidária a empresas do grupo não pode ser elemento preponderante para caracterização de grupo econômico para fins de responsabilidade tributária. Tampouco a mera existência de contas contábeis que denotam a existência de transações entre as empresas ou a menção no sítio da empresa de que se trata de grupo de empresas. Todos estes elementos somados indicam sim que se trata de grupo econômico de fato, mas não são passíveis de gerar uma responsabilidade tributária solidária. Para tanto, seria necessária a comprovação de que as empresas que integram o grupo econômico tenham alguma relação com o fato gerador. A responsabilidade tributária solidária do artigo 30, IX, da Lei nº 8.212/91 seria aplicável caso fosse comprovado, por exemplo, que empregados são registrados em uma pessoa jurídica do grupo econômico, mas prestam efetivamente seus serviços em outra pessoa jurídica do grupo econômico. Assim, seria necessária a comprovação de ocorrência de uma "confusão patrimonial" entre empresas, caso em que haveria uma simulação na constituição de pessoas jurídicas formalmente autônomas, mas, na realidade, sujeitas a comando único, invariavelmente se revestem das máculas do "abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial" (art. 50, Código Civil) ou "atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos" (art. 135, CTN). A partir da leitura do Relatório de Fiscalização, não parece ser o caso concreto, uma vez que não houve comprovação de simulação ou de “confusão patrimonial”, além do que há empresas do grupo econômico situadas em diferentes cidades, algumas em diferentes estados da federação, o que denota substância econômica. Assim, não deve prosperar a sujeição passiva das pessoas jurídicas integrantes do grupo econômico de fato, devendo somente a Wiest S.A. permanecer como sujeito passivo da obrigação tributária. Da Questão do Cerceamento de Defesa das Pessoas Jurídicas Integrantes do Grupo Econômico No tocante a alegação de cerceamento de defesa, eis o que a Instrução Normativa INSS/DC n° 100/2003 prevê que na hipótese do lançamento de crédito previdenciário de grupo econômico, todas as empresas serão cientificadas da NFLD, possibilitando a cada integrante (como responsável solidário) a apresentação de defesa, sendo ainda, assegurada a cada uma das impugnantes a vista do processo administrativo fiscal, conforme pode ser observado abaixo: Art. 779. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10920.000973/201009 Acórdão n.º 2301005.122 S2C3T1 Fl. 219 11 obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei n°8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. §1 Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. §2° É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do §1 'deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. No caso em tela, considerando que todas as pessoas jurídicas foram devidamente citadas, podendo exercer regularmente seu direito de defesa, dentro das normas previstas pela legislação em vigor, uma vez que houve a oportunidade de vista dos autos a todos os interessados, assim como prazo para impugnação e posterior manifestação, sendo permitida a extração de cópias dos documentos. Assim, sendo possibilitado as pessoas jurídicas integrantes do grupo econômico o pleno acesso aos autos do processo administrativo, fica afastada a alegação de cerceamento de defesa. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, e darlhe parcial provimento para (i) as multas aplicadas estejam limitadas ao montante previsto no artigo 32A, I da Lei nº 8.212/91 no tocante ao período anterior à vigência da Medida Provisória nº 449/08, e (ii) exclusão dos sujeitos passivos autuados por responsabilidade solidária em virtude de pertencerem a um mesmo grupo econômico. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Acompanho o Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto à aplicação da multa prevista no art. 35, da Lei 8.212/91, e quanto ao afastamento da sujeição passiva das empresas integrantes do Grupo Econômico. Da multa aplicável em face à retroatividade benigna Primeiramente, para melhor análise da questão, vejamos o que dispõe a legislação de regência sobre as multas aplicáveis ao caso, antes e depois da entrada em vigor da MP 449/08: Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10920.000973/201009 Acórdão n.º 2301005.122 S2C3T1 Fl. 220 12 Antes da MP 449/08 Lei 8.212/91 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Após a MP 449/08 Lei 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10920.000973/201009 Acórdão n.º 2301005.122 S2C3T1 Fl. 221 13 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Conforme se observa nos dispositivos transcritos acima, independente do nomen iuris dado a cada multa (ofício ou mora), em essência, todas são multas de mora, sendo aplicadas em razão da mora do contribuinte. A diferença é que a multa do art. 35, inciso I, alínea “c”, da Lei 8.212/91, e a multa do art. 61, da Lei 9.430/91, são aplicadas quando o contribuinte recolhe em atraso as contribuições, porém, espontaneamente, ou seja, sem que a fiscalização seja acionada. Por sua vez, a multa prevista no art. 35, inciso II, alínea “a”, da Lei 8.212/91, e a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, são aplicadas quando o contribuinte recolhe em atraso, porém, de forma não espontânea, ou seja, após as contribuições serem lançadas de ofício pela fiscalização. Tal situação explica o porquê da Lei 8.212/91 incluir em seu art. 35, que trata da multa de mora, a multa de ofício prevista no inciso II, alínea “a”. Portanto, diante desse quadro, somente é possível compararmos recolhimento espontâneo com recolhimento espontâneo e recolhimento não espontâneo com recolhimento não espontâneo, da seguinte forma: Sendo assim, como a multa aplicável (de ofício) na sistemática anterior à MP 449/08, era a multa de 24%, prevista no art. 35, inciso II, alínea “a”, da Lei 8.212/91, a multa correspondente, na nova sistemática, é a multa de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Além do mais, para que não paire qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade mais benéfica, devemos lembrar que na sistemática anterior, para o caso em análise, seria aplicada a multa de 24% mais a multa do CFL1 68, prevista no art. 32, § 5º, da Lei 8.212/91, em razão do contribuinte ter apresentado GFIP2 com omissão ou incorreção de fatos geradores de contribuições previdenciárias. 1 Código de Fundamentação Legal 2 Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10920.000973/201009 Acórdão n.º 2301005.122 S2C3T1 Fl. 222 14 Na nova sistemática, porém, para o caso em análise, é aplicável apenas a multa de 75%, pois esta já engloba o não recolhimento e a pena por apresentação de GFIP como omissão ou incorreção. Pois bem, segundo se observa no item 7 do Relatório Fiscal, fls. 41 a 46, foi exatamente isso o que a fiscalização fez, concluindo pela aplicação da multa de 24%, nas competências de 02/2007 a 11/2008, e da multa de 75%, nas competências de 12/2008 em diante. De qualquer forma, cabe destacar que será verificada a multa mais benéfica a ser mantida quando do pagamento do presente crédito ou quando do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), nos termos da Portaria PGFN/RFB n° 14, de 4/12/09. Da responsabilidade solidária das empresas integrantes do Grupo Econômico Antes de considerações outras, vejamos qual foi o entendimento consignado pelo Relator, em seu Voto: Todos estes elementos somados indicam sim que se trata de grupo econômico de fato, mas não são passíveis de gerar uma responsabilidade tributária solidária. Para tanto, seria necessária a comprovação de que as empresas que integram o grupo econômico tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal nos termos do artigo 124, I, do Código Tributário Nacional. Como se vê, o Relator reconhece a existência de Grupo Econômico de fato, porém, entende que a sua mera existência não gera a responsabilidade solidária das empresas integrantes, pois, em sua ótica, para tal responsabilidade, seria necessária, também, a existência de interesse comum na situação que constitua o fato gerador, nos termos do art. 124, inciso I, do CTN, porém, não comungamos desse entendimento. No tocante às contribuições devidas à Seguridade Social, a Lei 8.212/91 estabelece, em seu art. 30, inciso IX, a responsabilidade solidária das empresas integrantes de Grupo Econômico, nos seguintes termos: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Conforme se observa no dispositivo transcrito acima, a Lei de Custeio da Seguridade Social prevê a responsabilidade solidária ex lege e objetiva das empresas integrantes de Grupo Econômico, ou seja, basta que uma empresa faça parte de um Grupo Econômico para que se tenha por configurada a sua responsabilidade solidária por débitos previdenciários das demais empresas do grupo. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10920.000973/201009 Acórdão n.º 2301005.122 S2C3T1 Fl. 223 15 Ademais, segundo se infere do item 8 do Relatório Fiscal, fls. 46 a 72, que trata da “Caracterização de Existência de Grupo Econômico”, há, no caso em tela, uma ligação umbilical entre as empresas integrante do grupo, ligação esta que se dá na área jurídica, contábil, societária e comercial, sendo inegável o interesse das empresas pelos fatos jurídico/tributários afetos às empresas do grupo. Portanto, diante do quadro que se apresenta, não vejo como afastar a responsabilidade solidária das empresas integrantes do Grupo Econômico. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000469/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2008
EMBARGOS INOMINADOS. ACÓRDÃO QUE INCORREU EM ERRO RELATIVAMENTE À APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA DA MULTA. EMBARGOS ACOLHIDOS PARA SANAR O VÍCIO.
Constatada inexatidão material no Acórdão, acolhem-se os Embargos Inominados com efeito modificativo para que seja sanado o vício apontado. Inteligência do artigo 66 do RICARF.
Numero da decisão: 2401-005.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos e acolhê-los para, sanando a contradição apontada, alterar o dispositivo do acórdão embargado para: "ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) conhecer parcialmente do recurso; e II) na parte conhecida, negar-lhe provimento."
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ACÓRDÃO QUE INCORREU EM ERRO RELATIVAMENTE À APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA DA MULTA. EMBARGOS ACOLHIDOS PARA SANAR O VÍCIO. Constatada inexatidão material no Acórdão, acolhemse os Embargos Inominados com efeito modificativo para que seja sanado o vício apontado. Inteligência do artigo 66 do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 04 69 /2 00 7- 10 Fl. 415DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos e acolhêlos para, sanando a contradição apontada, alterar o dispositivo do acórdão embargado para: "ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) conhecer parcialmente do recurso; e II) na parte conhecida, negarlhe provimento." (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 15956.000469/200710 Acórdão n.º 2401005.110 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, às fls. 406/409, em face do Acórdão nº 2401003.697, contextualizado às fls. 393/401, de relatoria do Conselheiro Igor Araújo Soares. Alega a Embargante a existência de obscuridade no Acórdão ao determinar, em cumprimento à retroatividade benigna, que a multa seja limitada ao valor disposto no artigo 32A, I da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que não foi mencionado que o referido dispositivo está sujeito ao valor mínimo de R$ 200,00 (ausência de fato gerador) e de R$ 500,00 (demais casos) por competência, conforme artigo 32A, § 3, II da Lei nº 8.212/1991 e, por conseguinte, o valor da multa mantida na decisão da primeira instância já seria mais benéfico ao interessado, conforme razões a seguir: “[...] o contribuinte apresentou Recurso Voluntário o qual foi provido em parte, nos termos do Acórdão n° 2401.003697 proferido pela 4ª Câmara/1º Turma Ordinária, que deu provimento em parte ao recurso voluntário e decidiu pela aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte, que seria calculada de acordo com o art. 32A, I da lei 8.212/91 (fls. 393/401). Ocorre que na transcrição da referida legislação (fl. 400), não foi observado que o referido valor constante no Art. 32A, I da lei 8.212/91está sujeito ao valor mínimo de R$ 200,00 para omissão de declaração sem ocorrência fato gerador e de R$ 500,00 nos demais casos. [...] Através da análise da tabela [que segue nos embargos], fica evidenciado que ao aplicarmos o Art. 32A da lei 8.212/91, o valor da multa aplicada por competência, no valor de R$ 20,00, sujeitase ao valor mínimo de R$ 500,00 e, desse modo, verificase que o valor lançado no AI e mantido em cobrança pela DRJ é mais benéfico ao contribuinte em cumprimento à retroatividade benigna conforme art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional..” Submetido à análise de admissibilidade, os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho da Presidente da Turma, Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, o admitindo para aclarar a inexatidão material apontada, com devolução do processo para relatoria e inclusão em pauta de julgamento (fls. 411/413). Distribuídos os presentes Embargos, ad hoc, a esta Relatora já com Despacho de acolhimento e determinação de inclusão em pauta, consoante Despacho encimado, assim o faço. É o relatório. Fl. 417DF CARF MF 4 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Os Embargos Inominados não se sujeitam à análise da tempestividade por força do artigo 66 do RICARF (Portaria nº 343/2015). 2. DO MÉRITO 2.1 Da contradição Tratase de Embargos Inominados apresentados pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Ribeirão Preto contra acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção. Aponta a existência de obscuridade no Acórdão embargado ao determinar, em cumprimento à retroatividade benigna, que a multa seja limitada ao valor disposto no artigo 32A, I da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que não foi mencionado que o referido dispositivo está sujeito ao valor mínimo de R$ 200,00 (ausência de fato gerador) e de R$ 500,00 (demais casos) por competência, conforme artigo 32A, § 3º, II da Lei nº 8.212/1991 e, por conseguinte, o valor da multa mantida na decisão da primeira instância já seria mais benéfico ao Embargado. Compulsando o acórdão embargado, observase que a decisão consignada em seu dispositivo analítico, ao tratar da aplicação da multa mais benéfica, limitou o valor da multa ao montante previsto no art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24/07/2016: “ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) conhecer parcialmente do recurso; e II) na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso para limitar o valor da multa ao previsto no art. 32A, I da Lei nº 8.212/91.” Tal posicionamento também foi estampado na seguinte ementa constante do acórdão: “MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106, II, “C”. LEI 11.941/09. GFIP. INCORREÇÕES NÃO RELACIONADAS COM FATOS GERADORES. Diante das disposições constantes no art. 106, II, “c”, do CTN, a infração por apresentar GFIP´s com incorreções, submetesse a multa prevista no art. 32A, I da Lei 8.212/91.” Ocorre que na transcrição da referida legislação não foi observado que o referido valor constante no artigo 32A, I da Lei nº 8.212/91 está sujeito ao valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos reais) para omissão de declaração sem ocorrência fato gerador e de R$ 500,00 (quinhentos reais) nos demais casos: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 418DF CARF MF Processo nº 15956.000469/200710 Acórdão n.º 2401005.110 S2C4T1 Fl. 4 5 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. [...] § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Acontece que a multa aplicada pela fiscalização, e mantida pela DRJ, foi de R$ 59,75 por competência, porém, ao se aplicar a regra do art. 32A, estarseá aplicando uma multa de R$ 500,00 por competência, ou seja, uma multa mais gravosa. Assim, constatada a inexatidão material, voto no sentido de acolher os Embargos Inominados opostos em face do Acórdão nº 2401003.697, para sanar o erro de cálculo da multa, aplicandose o valor de R$ 59,75 por competência (fl. 15), posto que mais benéfica ao contribuinte. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para conhecer dos embargos e acolhêlos para, sanar a contradição apontada, alterar o dispositivo do acórdão embargado para: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) conhecer parcialmente do recurso; e II) na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 419DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16692.726232/2015-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010, 2011
ESTIMATIVAS MENSAIS DE CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. INAPLICABILIDADE. INEXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CUJO LANÇAMENTO DEU ORIGEM À PENALIDADE.
É inaplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixe de ser recolhido pelo contribuinte, quando verificada a impossibilidade da cobrança do crédito tributário pleiteado em outro processo administrativo e que deu causa a imposição da penalidade.
Numero da decisão: 1401-002.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010, 2011 ESTIMATIVAS MENSAIS DE CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. INAPLICABILIDADE. INEXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CUJO LANÇAMENTO DEU ORIGEM À PENALIDADE. É inaplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixe de ser recolhido pelo contribuinte, quando verificada a impossibilidade da cobrança do crédito tributário pleiteado em outro processo administrativo e que deu causa a imposição da penalidade.
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MULTA ISOLADA. INAPLICABILIDADE. INEXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CUJO LANÇAMENTO DEU ORIGEM À PENALIDADE. É inaplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixe de ser recolhido pelo contribuinte, quando verificada a impossibilidade da cobrança do crédito tributário pleiteado em outro processo administrativo e que deu causa a imposição da penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 69 2. 72 62 32 /2 01 5- 75 Fl. 301DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n. 1151.725 3ª Turma da DRJ/REC, que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, considerou improcedente a impugnação, para manter integralmente o crédito tributário exigido. Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo em parte o relatório da DRJ, naquilo que interessa a solução da lide: Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o auto de infração de fls. 107/110, através do qual foi constituído o crédito tributário referente a multa regulamentar no valor de R$ 22.104.541,90. 2. De acordo com o auto de infração e com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 103/106), a multa isolada foi aplicada em decorrência de compensações não homologadas no âmbito do Processo nº 10880.905482/201312. A penalidade foi calculada pela aplicação do percentual de 50% sobre o valor do crédito objeto da declaração de compensação não homologada. 3. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 173/186), alegando, em síntese: a) nulidade do auto de infração ante erro insanável na fundamentação legal; b) suspensão da exigibilidade do crédito tributário; c) que o processo deve ser decidido simultaneamente com o processo em que se discutem as compensações; d) que o processo deve ser sobrestado até que seja apreciada a legitimidade do crédito pleiteado no processo 10880.905482/201312; e) que a constitucionalidade do dispositivo legal a sustentar o lançamento está sob análise do Supremo Tribunal Federal – STF, com repercussão geral reconhecida, o que enseja o sobrestamento deste feito; f) que a empresa agiu com boafé; g) que o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, viola princípios constitucionais. Apreciada a Impugnação, o lançamento da multa isolada foi mantido. Inconformada, a Recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado, no qual, em sua reprisa os argumentos da Impugnação, embora de forma mais aprimorada e requer o sobrestamento do feito para que se aguarde o julgamento pelo STF do tema 736 "Constitucionalidade da multa prevista no art. 74, §§ 15 e 17, da Lei 9.430/1996 para os casos de indeferimento dos pedidos de ressarcimento e de não homologação das declarações de compensação de créditos perante a Receita Federal", para o qual foi reconhecida repercussão geral (RE 796939 RG / RS). Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 16692.726232/201575 Acórdão n.º 1401002.093 S1C4T1 Fl. 302 3 Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O Recurso apresenta os requisitos essenciais para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, a decisão de piso manifestouse no sentido de que o sujeito passivo apresentou declarações de compensação que constituíram o processo 10880.905482/201312, utilizando, como crédito, saldos negativos de CSLL que não foram reconhecidos pela Delegacia Especial da Receita Federal de Administração Tributária – Derat. Em decorrência, não foram homologadas as compensações, o que deu azo à presente exigência, que tem amparo no art. 74, § 17, da Lei nº 9.430, de 1996, introduzido pelo art. 62 da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010. Quanto ao argumento da impugnação de que o dispositivo foi alterado pela medida Provisória nº 656, de 7 de outubro de 2014, posteriormente convertida na Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015. Na sua ótica, tendo sido o auto de infração lavrado em 14/05/2015, já vigia a nova redação do dispositivo, em razão do que teria havido erro insanável de fundamentação. O argumento não procede. Nos termos do art. 144 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ademais, a infração ocorre na data da transmissão da declaração de compensação. A propósito, trago ementa da Solução de Consulta Interna Cosit nº 8, de 8 de novembro de 2010, que tratou da decadência na aplicação da multa isolada: O prazo decadencial para lançamento de ofício da multa isolada, na hipótese de compensação não homologada ou não declarada, iniciase no primeiro dia do exercício seguinte ao da data da entrega da Declaração de Compensação Assim, como no caso concreto, foram consideradas as declarações transmitidas de 21/07/2010 até 02/08/2011, todas, portanto, na vigência da Lei nº 12.249, de 2010, não havendo que se falar em nulidade. Por sua vez, a Recorrente insiste na nulidade da autuação no Auto de Infração está expresso que “o presente Auto de Infração é amparado pelo § 17 do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei 12.249, de 2010, que prevê a aplicação de multa isolada calculada no percentual de 50% (cinquenta por cento) aplicado sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada.”. Não obstante, a redação do aludido § 17 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, conferida pela Lei n.º 12.249/10, foi alterada pela Medida Provisória n.º 656, de 7 de outubro de 2014, e posteriormente convertida na Lei n.º 13.097, de 19 de janeiro de 2015. Assim, nos termos do artigo 8º da Lei n.º 13.097/15 – que conferiu a novel redação ao § 17 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96 – vigente desde a data de sua publicação, em 19 de janeiro de 20157, verificase que o lançamento está fulcrado em lei revogada 4 (quatro) meses antes de sua lavratura. Fl. 303DF CARF MF 4 Argumenta também, no sentido de que o fato gerador da multa isolada de que trata o § 17 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, ocorre no momento da lavratura do Auto de Infração e não na data de transmissão do PER/DCOMPs outrora parcialmente homologados, razão pela qual eram aplicáveis as modificações trazidas pela Lei n.º 13.097, de 19 de janeiro de 2015, vigente ao tempo da lavratura do auto, conforme dispõe o art. 144 do CTN. A mera transmissão de pedido de compensação não se revela um ato infracional, como vislumbrou o v. Acórdão recorrido. Além disso, assevera a que o caso deveria ser sobrestado até posicionamento do E. STF acerca da constitucionalidade do fundamento legal que serviu de fundamento para a autuação, conforme RE com repercussão geral já reconhecida (RE 796939 publicado em 23/06/2014) : Contudo, deixo de analisar as preliminares para conceder o mérito, uma vez que o processo principal 10880.905482/201312, foi julgado procedente para reconhecer a homologação das estimativas nos moldes das súmulas CARF 82 e 84, não remanescendo mais causa à imputação da penalidade em discussão. Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Diante dessa constatação, é perfeitamente possível superar o pedido preliminar formulado pela Recorrente, visto que é desnecessário sobrestar o feito para que se possa avançar no mérito e dar provimento ao Recurso Voluntário. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 304DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.911355/2011-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009
NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO
Deve ser afastada a preliminar de nulidade, uma vez que o despacho decisório foi devidamente fundamentado em documentos carreados aos autos e na legislação aplicável.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009
CRÉDITOS. INSUMOS. "GÁS GLP CILINDRO P-20". COMBUSTÍVEL PARA EMPILHADEIRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO
Não deve ser admitido o crédito, quando o contribuinte alega que foi aplicado em empilhadeira, porém não prova que este bem integra o ativo imobilizado.
BENS PARA REVENDA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO NO DACON
Os incisos I dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 admitem créditos sobre bens adquiridos para revenda.
Assim, devem ser admitidos créditos sobre as aquisições cujos CFOP indicavam tratar-se de "compras para comercialização", exceto às de "Gás GLP Cilindro P-20", tratado em tópico específico, e as tributadas à alíquota zero.
O fato de terem sido erroneamente classificados no DACON em linha destinada a insumos não tem o condão de impedir a tomada do crédito autorizada em lei.
CRÉDITOS. INSUMOS. PALLETS
Os pallets são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrando-se no conceito de insumos.
CRÉDITOS. INSUMOS. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO E COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. COMPROVAÇÃO
Deve ser reconhecido o crédito calculado sobre "Dedo de Borracha A 50", indicado no Laudo Técnico como componente de depenadeiras. Não devem ser admitidos os créditos calculados sobre os demais itens, pois o contribuinte não apresentou comprovação de que relacionavam-se com máquinas e equipamentos utilizados na produção.
CRÉDITOS. INSUMOS. GÁS ARGÔNIO, DICOFLENACO SÓDICO INJETÁVEL, PLASMA SANGUÍNEO ULTRAFILTRADO, GRILLER, AMÔNIA ANIDRA E DESINFETANTE ORTOZOOL
Admite-se na base de cálculo dos créditos apenas as compras de "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo" e "amônia anidra", posto que somente nestes casos restou comprovado que eram insumos industriais.
CRÉDITOS INTEGRAIS. COMPRAS COM SUSPENSÃO DE BENS DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL.
Nos termos dos artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04, não davam direito a créditos integrais, porém presumidos, as compras de produtos de origem animal e vegetal beneficiadas com suspensão.
CRÉDITOS. INSUMOS. REPALETIZAÇÃO E REFORMA DE PALLETS, SERVIÇOS DE APLICAÇÃO DE STRECHT
Os pallets e o strecht (filme plástico que envolve o pallet) são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrando-se no conceito de insumos. Da mesma forma, devem ser considerados como insumos os serviços de repalletização e reforma de pallets e os de aplicação do strecht.
CRÉDITOS. SERVIÇOS DE CARGA E DESCARGA "TRANSBORDO"
Devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, por serem gastos conexos aos de frete e armazenagem, que são expressamente autorizados pelos incisos II e IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03.
SERVIÇOS DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO
Não devem ser admitidos os créditos, quando o contribuinte não apresenta comprovação de que relacionavam-se com máquinas e equipamentos utilizados na produção.
CRÉDITOS. INSUMOS. SERVIÇOS E PRODUTOS DECORRENTES DE EXIGÊNCIAS LEGAIS
Os serviços e produtos adquiridos para utilização nos setores industriais, em razão de exigências legais, porém cujo objetivo maior era o de preservar a qualidade do alimento, devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, na qualidade de insumos.
CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULO DE CARGA
Não devem ser admitidos, por não terem sido abrangidos pelos incisos IV dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03.
CRÉDITOS. FRETES E ARMAZENAGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO
Não devem ser admitidos, por não ter sido comprovado que foram incorridos em operações de venda (incisos IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03).
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 8° DA LEI 10.925/04
A alíquota do crédito presumido deve ser determinada com base na posição NCM dos produtos finais nos quais os insumos foram aplicados.
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 33 DA LEI 12.058/09
Somente podem ser calculados créditos presumidos sobre insumos aplicados em processo industrial. O benefício não se aplica a mercadorias adquiridas para revenda.
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 34 DA LEI 12.058/09
A recorrente não fazia jus ao crédito, pois enquadrava-se na exceção à regra, prevista no § 1° do art. 34 da Lei n° 12.058/09, qual seja, industrializava os produtos das posições 01.02, 02.01 e 02.02.
INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE CRÉDITOS ESCRITURAIS
A decisão vinculante do STJ, que determina o cômputo de juros, não se aplica ao caso, pois não houve qualquer "ato estatal, administrativo ou normativo" que tenha oposto qualquer óbice `a aplicação do regime da não cumulatividade.
MATÉRIAS NÃO INTEGRANTES DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO
Não devem ser conhecidos os argumentos atinentes à inaplicabilidade de multa de mora e juros sobre débitos considerados como não liquidados, em razão de não homologação de DCOMP, e à suposta dupla punição do mesmo fato, em razão de cobranças de multa de mora e multa isolada, por não serem integrantes da lide.
DILIGÊNCIA. PEDIDO NEGADO
Deve ser negado o pedido de diligência, uma vez que os autos contêm os elementos necessários à formação da convicção do julgador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento à preliminar de nulidade e no mérito: (i) por maioria de votos, negar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre o "Gás Gás GLP Cilindro P 20", vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (ii) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a legitimidade de créditos relativos aos bens adquiridos para revenda, sob os CFOP 1.102, 1.403 e 2.403, exceto quanto àqueles cuja compra foi realizada com alíquota zero e ao "Gás Gás GLP Cilindro P 20"; (iii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, no que concerne aos créditos sobre as compras de pallets; (iv) quanto a "Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes", por maioria de votos, dar provimento parcial, para reconhecer os créditos sobre "dedo de borracha A 50", vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões, Valcir Gassen e José Henrique Mauri, que davam provimento também aos créditos sobre óleos de Manona WS786, óleo hydrodrive HP 68 Houghton, óleo diesel aditivado e Acomplamento de Borracha; (v) por unanimidade de votos, dar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre os produtos "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo ultrafiltrado" e "amônia anidra" e, por maioria de votos, negar provimento aos demais itens, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões e Valcir Gassen que concediam também para o "gás argônio"; (vi) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos integrais dos produtos listados na planilha "SUSPENSÃO - Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ Suspensão obrigatória", e, por maioria de votos, conceder o crédito presumido admitido pelo art. 8° da Lei n° 10.925/04, vencido o Conselheiro Antonio; (vii) por unanimidade de votos, dar provimento, reconhecendo os créditos relativos aos serviços de repaletização, reforma de pallets, aplicação de strecht e carga e descarga (transbordo) e, por maioria de votos, negar os referentes aos serviços de montagem e manutenção de equipamentos, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (viii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo os créditos relativos aos "serviços e produtos decorrentes de exigências legais", excetuados os tributados à alíquota zero; (ix) por maioria de votos, negar provimento ao crédito relativo ao aluguel de empilhadeiras e caminhões munck, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (x) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos sobre despesas com armazenagem e fretes; (xi) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo que o percentual a ser aplicado sobre a alíquota da contribuição, para fins de cálculo do crédito presumido previsto no inciso I do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04, deve ser determinado de acordo com a posição da TIPI do produto em que o insumo foi aplicado; (xii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 33 da Lei n. 12.058/09; (xiii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 34 da Lei n. 12.058/2009; (xiv) por unanimidade de votos, negar provimento à incidência de juros SELIC sobre os créditos escriturais; (xv) por unanimidade de votos, não conhecer dos demais argumentos apresentados pela Recorrente, por não integrarem o presente litígio; (xvi) por unanimidade de votos, negar provimento ao pedido de realização de diligência ou perícia.
José Henrique Mauri - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri, Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento à preliminar de nulidade e no mérito: (i) por maioria de votos, negar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre o "Gás Gás GLP Cilindro P 20", vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (ii) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a legitimidade de créditos relativos aos bens adquiridos para revenda, sob os CFOP 1.102, 1.403 e 2.403, exceto quanto àqueles cuja compra foi realizada com alíquota zero e ao "Gás Gás GLP Cilindro P 20"; (iii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, no que concerne aos créditos sobre as compras de pallets; (iv) quanto a "Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes", por maioria de votos, dar provimento parcial, para reconhecer os créditos sobre "dedo de borracha A 50", vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões, Valcir Gassen e José Henrique Mauri, que davam provimento também aos créditos sobre óleos de Manona WS786, óleo hydrodrive HP 68 Houghton, óleo diesel aditivado e Acomplamento de Borracha; (v) por unanimidade de votos, dar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre os produtos "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo ultrafiltrado" e "amônia anidra" e, por maioria de votos, negar provimento aos demais itens, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões e Valcir Gassen que concediam também para o "gás argônio"; (vi) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos integrais dos produtos listados na planilha "SUSPENSÃO - Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ Suspensão obrigatória", e, por maioria de votos, conceder o crédito presumido admitido pelo art. 8° da Lei n° 10.925/04, vencido o Conselheiro Antonio; (vii) por unanimidade de votos, dar provimento, reconhecendo os créditos relativos aos serviços de repaletização, reforma de pallets, aplicação de strecht e carga e descarga (transbordo) e, por maioria de votos, negar os referentes aos serviços de montagem e manutenção de equipamentos, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (viii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo os créditos relativos aos "serviços e produtos decorrentes de exigências legais", excetuados os tributados à alíquota zero; (ix) por maioria de votos, negar provimento ao crédito relativo ao aluguel de empilhadeiras e caminhões munck, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (x) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos sobre despesas com armazenagem e fretes; (xi) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo que o percentual a ser aplicado sobre a alíquota da contribuição, para fins de cálculo do crédito presumido previsto no inciso I do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04, deve ser determinado de acordo com a posição da TIPI do produto em que o insumo foi aplicado; (xii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 33 da Lei n. 12.058/09; (xiii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 34 da Lei n. 12.058/2009; (xiv) por unanimidade de votos, negar provimento à incidência de juros SELIC sobre os créditos escriturais; (xv) por unanimidade de votos, não conhecer dos demais argumentos apresentados pela Recorrente, por não integrarem o presente litígio; (xvi) por unanimidade de votos, negar provimento ao pedido de realização de diligência ou perícia. José Henrique Mauri - Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri, Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Marcos Roberto da Silva.
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO Deve ser afastada a preliminar de nulidade, uma vez que o despacho decisório foi devidamente fundamentado em documentos carreados aos autos e na legislação aplicável. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITOS. INSUMOS. "GÁS GLP CILINDRO P-20". COMBUSTÍVEL PARA EMPILHADEIRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não deve ser admitido o crédito, quando o contribuinte alega que foi aplicado em empilhadeira, porém não prova que este bem integra o ativo imobilizado. BENS PARA REVENDA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO NO DACON Os incisos I dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 admitem créditos sobre bens adquiridos para revenda. Assim, devem ser admitidos créditos sobre as aquisições cujos CFOP indicavam tratar-se de "compras para comercialização", exceto às de "Gás GLP Cilindro P-20", tratado em tópico específico, e as tributadas à alíquota zero. O fato de terem sido erroneamente classificados no DACON em linha destinada a insumos não tem o condão de impedir a tomada do crédito autorizada em lei. CRÉDITOS. INSUMOS. PALLETS Os pallets são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrando-se no conceito de insumos. CRÉDITOS. INSUMOS. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO E COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. COMPROVAÇÃO Deve ser reconhecido o crédito calculado sobre "Dedo de Borracha A 50", indicado no Laudo Técnico como componente de depenadeiras. Não devem ser admitidos os créditos calculados sobre os demais itens, pois o contribuinte não apresentou comprovação de que relacionavam-se com máquinas e equipamentos utilizados na produção. CRÉDITOS. INSUMOS. GÁS ARGÔNIO, DICOFLENACO SÓDICO INJETÁVEL, PLASMA SANGUÍNEO ULTRAFILTRADO, GRILLER, AMÔNIA ANIDRA E DESINFETANTE ORTOZOOL Admite-se na base de cálculo dos créditos apenas as compras de "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo" e "amônia anidra", posto que somente nestes casos restou comprovado que eram insumos industriais. CRÉDITOS INTEGRAIS. COMPRAS COM SUSPENSÃO DE BENS DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. Nos termos dos artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04, não davam direito a créditos integrais, porém presumidos, as compras de produtos de origem animal e vegetal beneficiadas com suspensão. CRÉDITOS. INSUMOS. REPALETIZAÇÃO E REFORMA DE PALLETS, SERVIÇOS DE APLICAÇÃO DE STRECHT Os pallets e o strecht (filme plástico que envolve o pallet) são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrando-se no conceito de insumos. Da mesma forma, devem ser considerados como insumos os serviços de repalletização e reforma de pallets e os de aplicação do strecht. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE CARGA E DESCARGA "TRANSBORDO" Devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, por serem gastos conexos aos de frete e armazenagem, que são expressamente autorizados pelos incisos II e IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. SERVIÇOS DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não devem ser admitidos os créditos, quando o contribuinte não apresenta comprovação de que relacionavam-se com máquinas e equipamentos utilizados na produção. CRÉDITOS. INSUMOS. SERVIÇOS E PRODUTOS DECORRENTES DE EXIGÊNCIAS LEGAIS Os serviços e produtos adquiridos para utilização nos setores industriais, em razão de exigências legais, porém cujo objetivo maior era o de preservar a qualidade do alimento, devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, na qualidade de insumos. CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULO DE CARGA Não devem ser admitidos, por não terem sido abrangidos pelos incisos IV dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. CRÉDITOS. FRETES E ARMAZENAGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não devem ser admitidos, por não ter sido comprovado que foram incorridos em operações de venda (incisos IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03). CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 8° DA LEI 10.925/04 A alíquota do crédito presumido deve ser determinada com base na posição NCM dos produtos finais nos quais os insumos foram aplicados. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 33 DA LEI 12.058/09 Somente podem ser calculados créditos presumidos sobre insumos aplicados em processo industrial. O benefício não se aplica a mercadorias adquiridas para revenda. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 34 DA LEI 12.058/09 A recorrente não fazia jus ao crédito, pois enquadrava-se na exceção à regra, prevista no § 1° do art. 34 da Lei n° 12.058/09, qual seja, industrializava os produtos das posições 01.02, 02.01 e 02.02. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE CRÉDITOS ESCRITURAIS A decisão vinculante do STJ, que determina o cômputo de juros, não se aplica ao caso, pois não houve qualquer "ato estatal, administrativo ou normativo" que tenha oposto qualquer óbice `a aplicação do regime da não cumulatividade. MATÉRIAS NÃO INTEGRANTES DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO Não devem ser conhecidos os argumentos atinentes à inaplicabilidade de multa de mora e juros sobre débitos considerados como não liquidados, em razão de não homologação de DCOMP, e à suposta dupla punição do mesmo fato, em razão de cobranças de multa de mora e multa isolada, por não serem integrantes da lide. DILIGÊNCIA. PEDIDO NEGADO Deve ser negado o pedido de diligência, uma vez que os autos contêm os elementos necessários à formação da convicção do julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte
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FALTA DE MOTIVAÇÃO Deve ser afastada a preliminar de nulidade, uma vez que o despacho decisório foi devidamente fundamentado em documentos carreados aos autos e na legislação aplicável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITOS. INSUMOS. "GÁS GLP CILINDRO P20". COMBUSTÍVEL PARA EMPILHADEIRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não deve ser admitido o crédito, quando o contribuinte alega que foi aplicado em empilhadeira, porém não prova que este bem integra o ativo imobilizado. BENS PARA REVENDA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO NO DACON Os incisos I dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 admitem créditos sobre bens adquiridos para revenda. Assim, devem ser admitidos créditos sobre as aquisições cujos CFOP indicavam tratarse de "compras para comercialização", exceto às de "Gás GLP Cilindro P20", tratado em tópico específico, e as tributadas à alíquota zero. O fato de terem sido erroneamente classificados no DACON em linha destinada a insumos não tem o condão de impedir a tomada do crédito autorizada em lei. CRÉDITOS. INSUMOS. PALLETS Os pallets são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrandose no conceito de insumos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 13 55 /2 01 1- 24 Fl. 2103DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.104 2 CRÉDITOS. INSUMOS. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO E COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. COMPROVAÇÃO Deve ser reconhecido o crédito calculado sobre "Dedo de Borracha A 50", indicado no Laudo Técnico como componente de depenadeiras. Não devem ser admitidos os créditos calculados sobre os demais itens, pois o contribuinte não apresentou comprovação de que relacionavamse com máquinas e equipamentos utilizados na produção. CRÉDITOS. INSUMOS. GÁS ARGÔNIO, DICOFLENACO SÓDICO INJETÁVEL, PLASMA SANGUÍNEO ULTRAFILTRADO, GRILLER, AMÔNIA ANIDRA E DESINFETANTE ORTOZOOL Admitese na base de cálculo dos créditos apenas as compras de "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo" e "amônia anidra", posto que somente nestes casos restou comprovado que eram insumos industriais. CRÉDITOS INTEGRAIS. COMPRAS COM SUSPENSÃO DE BENS DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. Nos termos dos artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04, não davam direito a créditos integrais, porém presumidos, as compras de produtos de origem animal e vegetal beneficiadas com suspensão. CRÉDITOS. INSUMOS. REPALETIZAÇÃO E REFORMA DE PALLETS, SERVIÇOS DE APLICAÇÃO DE STRECHT Os pallets e o strecht (filme plástico que envolve o pallet) são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrandose no conceito de insumos. Da mesma forma, devem ser considerados como insumos os serviços de repalletização e reforma de pallets e os de aplicação do strecht. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE CARGA E DESCARGA "TRANSBORDO" Devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, por serem gastos conexos aos de frete e armazenagem, que são expressamente autorizados pelos incisos II e IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. SERVIÇOS DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não devem ser admitidos os créditos, quando o contribuinte não apresenta comprovação de que relacionavamse com máquinas e equipamentos utilizados na produção. CRÉDITOS. INSUMOS. SERVIÇOS E PRODUTOS DECORRENTES DE EXIGÊNCIAS LEGAIS Os serviços e produtos adquiridos para utilização nos setores industriais, em razão de exigências legais, porém cujo objetivo maior era o de preservar a qualidade do alimento, devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, na qualidade de insumos. CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULO DE CARGA Não devem ser admitidos, por não terem sido abrangidos pelos incisos IV dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 2104DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.105 3 CRÉDITOS. FRETES E ARMAZENAGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não devem ser admitidos, por não ter sido comprovado que foram incorridos em operações de venda (incisos IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03). CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 8° DA LEI 10.925/04 A alíquota do crédito presumido deve ser determinada com base na posição NCM dos produtos finais nos quais os insumos foram aplicados. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 33 DA LEI 12.058/09 Somente podem ser calculados créditos presumidos sobre insumos aplicados em processo industrial. O benefício não se aplica a mercadorias adquiridas para revenda. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 34 DA LEI 12.058/09 A recorrente não fazia jus ao crédito, pois enquadravase na exceção à regra, prevista no § 1° do art. 34 da Lei n° 12.058/09, qual seja, industrializava os produtos das posições 01.02, 02.01 e 02.02. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE CRÉDITOS ESCRITURAIS A decisão vinculante do STJ, que determina o cômputo de juros, não se aplica ao caso, pois não houve qualquer "ato estatal, administrativo ou normativo" que tenha oposto qualquer óbice `a aplicação do regime da não cumulatividade. MATÉRIAS NÃO INTEGRANTES DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO Não devem ser conhecidos os argumentos atinentes à inaplicabilidade de multa de mora e juros sobre débitos considerados como não liquidados, em razão de não homologação de DCOMP, e à suposta dupla punição do mesmo fato, em razão de cobranças de multa de mora e multa isolada, por não serem integrantes da lide. DILIGÊNCIA. PEDIDO NEGADO Deve ser negado o pedido de diligência, uma vez que os autos contêm os elementos necessários à formação da convicção do julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento à preliminar de nulidade e no mérito: (i) por maioria de votos, negar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre o "Gás Gás GLP Cilindro P 20", vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (ii) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a legitimidade de créditos relativos aos bens adquiridos para revenda, sob os CFOP 1.102, 1.403 e 2.403, exceto quanto àqueles cuja compra foi realizada com alíquota zero e ao "Gás Gás GLP Cilindro P 20"; (iii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, no que concerne aos créditos sobre as compras de pallets; (iv) quanto a "Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes", por maioria de votos, Fl. 2105DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.106 4 dar provimento parcial, para reconhecer os créditos sobre "dedo de borracha A 50", vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões, Valcir Gassen e José Henrique Mauri, que davam provimento também aos créditos sobre óleos de Manona WS786, óleo hydrodrive HP 68 Houghton, óleo diesel aditivado e Acomplamento de Borracha; (v) por unanimidade de votos, dar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre os produtos "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo ultrafiltrado" e "amônia anidra" e, por maioria de votos, negar provimento aos demais itens, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões e Valcir Gassen que concediam também para o "gás argônio"; (vi) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos integrais dos produtos listados na planilha "SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória", e, por maioria de votos, conceder o crédito presumido admitido pelo art. 8° da Lei n° 10.925/04, vencido o Conselheiro Antonio; (vii) por unanimidade de votos, dar provimento, reconhecendo os créditos relativos aos serviços de repaletização, reforma de pallets, aplicação de strecht e carga e descarga (transbordo) e, por maioria de votos, negar os referentes aos serviços de montagem e manutenção de equipamentos, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (viii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo os créditos relativos aos "serviços e produtos decorrentes de exigências legais", excetuados os tributados à alíquota zero; (ix) por maioria de votos, negar provimento ao crédito relativo ao aluguel de empilhadeiras e caminhões munck, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (x) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos sobre despesas com armazenagem e fretes; (xi) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo que o percentual a ser aplicado sobre a alíquota da contribuição, para fins de cálculo do crédito presumido previsto no inciso I do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04, deve ser determinado de acordo com a posição da TIPI do produto em que o insumo foi aplicado; (xii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 33 da Lei n. 12.058/09; (xiii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 34 da Lei n. 12.058/2009; (xiv) por unanimidade de votos, negar provimento à incidência de juros SELIC sobre os créditos escriturais; (xv) por unanimidade de votos, não conhecer dos demais argumentos apresentados pela Recorrente, por não integrarem o presente litígio; (xvi) por unanimidade de votos, negar provimento ao pedido de realização de diligência ou perícia. José Henrique Mauri Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri, Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Marcos Roberto da Silva. Fl. 2106DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.107 5 Relatório Adoto o realtório da decisão de primeira instância: " Tratase de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativa – PER/DCOMP nº 32643.65447.290110.1.5.090243, transmitido em 29/01/2010 vinculados à receita de exportação, apurados no 4º trimestrecalendário de 2009, no valor de R$ 26.597.813,98. Do Despacho Decisório O Pedido de Ressarcimento foi indeferido e a compensação nº 06383.73603.301213.1.3.090635 não homologada. Tendo em vista a ocorrência de declarações de compensação não homologadas e transmitidas na vigência da Lei nº 12.249/2010, foi lavrado auto de infração para exigência de multa isolada correspondente, tratado no processo nº 11516.722502/201413. Por conta das glosas efetuadas, foram alterados os valores utilizados para desconto dos débitos informados em Dacon, sendo consumidos todos os créditos disponíveis e restando saldo a pagar o qual foi lançado através do auto de infração, tratado no processo nº 11516.722481/201428. No relatório fiscal, a autoridade fiscal informa: os processos nºs 11516.722481/201428, 10983.911358/201168, 10983.911355/201124, 10983.911352/201191, 10983.911360/201137, tratam da mesma matéria fática, divididos apenas por razões processuais em processos de ressarcimento e processos de auto de infração de cada trimestre, e que, portanto, devem ser analisados em conjunto, por trimestre; os autos de infração para exigência de multa isolada devida pela não homologação das compensações, foram tratados nos processos números 11516.722503/201450, 11516.722502/201413, 11516.722510/201451, 11516.722509/201427. Após descrever o procedimento fiscal, passa a identificar as glosas realizadas conforme as linhas do Dacon, como segue. 1. Ficha 16A do Dacon Aquisições no Mercado Interno Da base de cálculo dos créditos apurados em Dacon, Ficha 16A –, foram glosados os valores que seguem: 1.1. Linha 01 – Bens para Revenda Foram glosados: 1.1.1. os valores das aquisições de bens sujeitos a alíquota zero, listadas na planilha NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota zero; 1.1.2. os valores dos bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, Fl. 2107DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.108 6 listados na planilha NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos. 1.2. Linha 02 – Bens Utilizados como Insumo Da linha 02 foram glosados os valores referentes a: 1.2.1. aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, listados na planilha NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos; 1.2.2. aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota zero; 1.2.3. notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito; 1.2.4. notas fiscais que representam aquisições de insumos de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória; 1.2.5. notas fiscais de aquisição de serviços de fretes e carretos lançados na Linha 2 do Dacon sem a identificação e CNPJ do fornecedor ou prestador dos serviços; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na planilha SEM Identificação Notas Fiscais Glosadas sem identificação do Fornecedor. 1.3. Linha 03 Serviços Utilizados como Insumo 1.3.1. notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito; 1.3.2. aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, tais como SERVICO MANUTENCAO EQUIP INFORMATICA, SERVICO LIMPEZA GERAL EM INSTALACOES, SERVICO TREINAMENTO e SERVICO DE COPIA E IMPRESSÃO; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na planilha NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos. 1.4. Linha 05 – Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica Foram glosadas as diferenças entre os valores informados no Dacon e os valores comprovados por meio da memória de cálculo apresentada pela contribuinte. 1.5. Linha 06 – Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica Foram glosadas: Fl. 2108DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.109 7 1.5.1. as diferenças entre os valores informados no Dacon e os valores comprovados por meio da memória de cálculo apresentada pela contribuinte; 1.5.2. os valores relativos a ALUGUEIS DE VEICULOS, ALUGUEL PALCO EVENTOS E SERVIÇO DE LOCAÇÃO E MANUTENÇÃO DE SOFTWARE, estes, por não se enquadram no art. 3º, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, que somente contempla “aluguéis de máquinas e equipamentos, pagos à pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na planilha NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos. 1.6. Linha 07 – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Foram glosadas: 1.6.1. as despesas com fretes em relação aos quais a interessada, apesar de intimada e reintimada para tanto, não logrou apresentar a vinculação com as vendas efetuadas, de modo a possibilitar a confirmação das exigências legais para o creditamento. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na FVNC Fretes de Vendas Não Comprovados; 1.6.2. notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito. 2. Ficha 16A – CRÉDITOS PRESUMIDOS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS Linha 25 – Calculados sobre Insumos de Origem Animal Linha 26 – Calculados sobre Insumos de Origem Vegetal A autoridade fiscal relata que a contribuinte lançou nas linhas 25, 26 e 27 (Ajustes Positivos de Crédito) o crédito presumido de sua atividade agroindustrial Lei nº 10.925/2004 e nº Lei 12.058/2009 , conforme resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 001/00555 (fls. 525), presente neste processo a fls. 562 e seguintes, e informa que, dos dados apresentados nas planilhas citadas no item b da referida intimação (planilha com a composição dos valores informados na linha 27 das fichas 06A e 16A ), verificase que, apesar de citar os artigos 32 e 33, a contribuinte apurou na linha 27 apenas os créditos previstos no art. 34 da lei 12.058/2009. Traz em seu relatório a listagem dos insumos adquiridos com o benefício do crédito presumido da Lei nº 10.925/2004 e da nº Lei 12.058/2009 que sofreram alteração de alíquotas e glosa, totalizados por descrição em cada mês e informa que as notas fiscais cujos valores foram glosados estão devidamente individualizadas no arquivo não paginável denominado CREDITO PRESUMIDOdetalheBRF2009 04trim.xlsx anexado a este processo. Informa que foram realizados os seguintes ajuste: a) glosa das operações que não configuram aquisições de insumos com qualquer crédito presumido. Nesta categoria se incluem aquisições de produtos industrializados, aquisições de quaisquer bens para revenda ou aquisições para entrega futura. Estas situações estão corrigidas para alíquota zero de crédito presumido nas listagens anexas e nos resumos acima; Fl. 2109DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.110 8 b) as aquisições de bens de origem vegetal ou animal, mas não classificadas nas posições da NCM listadas no art. 8º da Lei 10.925/2004, enquadrados, portanto, no §3º, inc III do citado artigo, tiveram a alíquota corrigida para 2,66% para a Cofins e 0,5775% para o PIS/Pasep; c) as aquisições de soja e seus derivados, enquadradas na Lei 10.925/2004, art. 8º, §3º, inc. II e aquisições de bovinos vivos da posição 01.02 da NCM, enquadradas na Lei nº 12.058/2009, art. 33, §3º, tiveram a alíquota corrigida para 3,8% para a Cofins e 0,825% para o PIS/Pasep; d) as aquisições de bens de origem animal, enquadradas na Lei 10.925/2004, art. 8º, §3º, inc. I, que embora estivessem com a alíquota correta, 4,56% para a Cofins e 0,99% para o PIS/Pasep, tiveram os valores de crédito corrigidos porque o valor constante da planilha do contribuinte não correspondia à multiplicação da alíquota pela base de cálculo; e) os valores informados na linha 27 (Ajuste Positivos de Créditos) foram glosados porque a empresa não faz jus ao crédito presumido do art. 34 da Lei nº 12.058/2009, tendo em vista o § 1º daquele artigo. 3. Ficha 16B Aquisições de Insumos no Mercado Externo 3.1. Linha 01 – Bens para Revenda Foram glosados os valores das aquisições de bens cujo CFOP não representa aquisição de insumos. 3.2. Linha 02 – Bens Utilizados como Insumo Foram glosados os valores referentes a: 3.2.1. Aquisições de bens cujo CFOP não representa aquisição de insumos; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito 3.2.2. Aquisições de bens sujeitos à alíquota zero da contribuição; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota zero. Da manifestação de inconformidade Inicialmente, a recorrente requer a reunião do presente processo aos processos nºs 10983.911358/201168, 10983.911355/201124, 10983.911352/201191, 11516.722502/201413, 11516.722503/201450, 11516.722509/201427, 11516.722510/201451 e 11516.722481/201428. Suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando, em síntese, cerceamento do direito de defesa e ofensa ao princípio da motivação ante a “fundamentação precária do despacho decisório”. Reclama que a fiscalização indicou o motivo das glosas através de siglas, “igualmente repetidas para cada item” e que não é “razoável” que esta se limite a justificar sua glosa alegando tão somente que os mesmos não se enquadram na definição de "insumos" trazida pela IN SRF nº 404/04, sem tecer quaisquer considerações sobre o processo produtivo da empresa. Nesse sentido, defende, em síntese, que cabia ao fisco “ter aprofundado a análise do emprego do insumo no processo produtivo da requerente” e dizer o motivo de cada glosa indicada na listagem de glosas. Fl. 2110DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.111 9 A fim de afastar o conceito de insumo adotado pela Fiscalização, e defender que a palavra "insumo", empregada pelas Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, possui abrangência muito maior do que pretende lhe dar a RFB, nas Instruções Normativas SRF nº 247, de 11/11/2002, e nº 404, de 12/3/2004, tece considerações sobre a não cumulatividade das contribuições em tela estabelecendo o seu entendimento sobre o conceito de insumo aplicável ao caso, à luz da interpretação que faz da legislação, da jurisprudência e da doutrina. Conclui, então, que o conceito de insumos empregado pelas referidas lei é amplo, “alcançando todos os custos, despesas e encargos vinculados ao produto vendido, ainda que incorridos após a fase de produção, mas que com ele se relacionem, e não apenas aqueles previstos nos atos fazendários”. Traz a descrição das atividades produtivas da empresa e, na sequência, passa a discorrer especificamente sobre cada tipo de glosa. Bens adquiridos para revenda Em relação às glosas das aquisições de Bens adquiridos para revenda, aduz que a fiscalização equivocouse ao glosar créditos apurados nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833/03 sob o fundamento de que os itens considerados na base de cálculo “não estariam enquadrados no conceito de insumo contido na IN SRF n. 404/04”. Diz que a fiscalização confundiu os incisos I e II do art. 3º e alega que a tomada de créditos nos termos do inciso I exige tão somente que os bens sejam adquiridos para posterior revenda, não havendo qualquer vinculação da tomada do crédito com o conceito de insumo. Bens e serviços utilizados como insumo Inicialmente a Recorrente menciona que ficou demonstrado que a ausência de uma investigação mais aprofundada dos fatos, aliada à equivocada fundamentação jurídica, levou a fiscalização a glosar indevidamente diversos itens usados diretamente na produção, muitos deles podendo ser classificados, inclusive, como matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem. Em relação aos itens glosados por não consistirem de insumos, diz que “não irá proceder a uma justificação individuada de cada um deles”, que se aterá a “fazer observações adicionais pontuais, sobre alguns dos mais relevantes”. Assim segue. Em relação aos Pallets, explica que são utilizados em diversas etapas do processo produtivo, uma vez que (...) são usados na própria industrialização, para a movimentação das matériasprimas e dos produtos em fase de industrialização, evitando seu contato direto com o solo, diminuindo o risco de contaminação. Os pallets também garantem a segurança na movimentação das cargas, permitem a mecanização e levantamento dos produtos e cargas nele transportados, mas, principalmente, possibilita a unitização de todo um quantitativo de produtos e de matérias primas entre fornecedores e a requerente e entre as diversas etapas da produção. Menciona que a jurisprudência do CARF reconhece o direito ao crédito quanto aos pallets, na qualidade de insumo. No título Serviços utilizados como insumo, a interessada defende que dão direito ao crédito os serviços relacionados com a movimentação dos produtos e matériasprimas nas diversas etapas da produção, os quais foram glosados; cita Fl. 2111DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.112 10 como exemplo: serviços de repaletização e reforma de pallets; serviços de aplicação de strecht nos pallets; serviços de carga e descarga; serviços de montagem dos equipamentos usados na produção; bem como os serviços de manutenção dos mesmos, dentre outros. Também defende o direito ao crédito em relação aos custos com serviços de transporte de matériasprimas e de produtos adquiridos como insumos, bem como seu transporte do fornecedor até à empresa e seu deslocamento durante a fase de produção alegando que o CARF os reconhece como custo de produção. No título Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes defende o crédito em relação as despesas com a aquisição de peças de reposição de máquinas e equipamentos, dentre outros instrumentos utilizados na produção, além dos serviços para a sua manutenção e dos combustíveis e lubrificantes necessários ao funcionamento das máquinas e equipamentos, alegando que próprio fisco reconhece que são também passíveis de creditamento; cita a Solução de Consulta nº 9, de 12/01/2012, da 9ª Região Fiscal, Solução de Consulta nº 11, de 27/1/2011, da 8ª Região Fiscal; Solução de Consulta nº 520, de 26/10/2004, da 7ª Região Fiscal; Solução de Divergência COSIT nº 14, de 31/10/2007. A Recorrente defende o direito a crédito em relação “todos os gastos realizados na produção da requerente que sejam decorrentes de exigências legais”. No item Serviços e produtos decorrentes de exigências legais, alega, em síntese, que existem normas do Poder Público que impõe procedimentos de higiene dentro da área fabril, bem como a utilização de equipamentos de proteção individual e também o controle e manutenção da segurança sanitária, cujo descumprimento ensejaria a “inviabilização da própria atividade, não estando a critério da requerente furtarse ou não a estes gastos”. Defende o crédito em relação: aos serviços aplicados e à aquisição de produtos utilizados na higienização das dependências do setor fabril, das máquinas da produção e do pessoal que lá trabalha; à aquisição de uniformes e equipamentos de proteção individual; aos serviços de análises físicoquímicas e laboratoriais. No mesmo tópico defende o crédito em relação às aquisições de: “Equipamentos como facas, brincos de marcação para suínos e produtos químicos usados em diversas etapas da produção são exemplos de exigências das normas reguladoras às quais a requerente não pode deixar de se submeter”; equipamentos usados na atividade, que embora não sejam os de uso ordinário, igualmente devem obedecer as especificações dos órgãos reguladores; carimbos de marcação que seguem os padrões impostos pelo Poder Público. Já no tópico Outros itens, a Recorrente diz que “não é possível proceder a uma análise minuciosa, trazendo detalhes de cada item listado pela fiscalização”, mas aduz que “confia que a descrição de suas atividades, em todo seu processo produtivo, permita esclarecer o seu direito ao crédito face à natureza dos bens elencados nos autos” Hipótese de bens adquiridos com suspensão Em relação às aos bens adquiridos com suspensão, a interessada alega que a fiscalização equivocouse ao realizar as glosas dos itens listados, isto porque, segundo alega, os créditos apurados no período em questão, e glosados pela fiscalização sob a rubrica "bens utilizados como insumos", não são relativos à operações sujeitas à apuração do crédito presumido (art. 8o da Lei n. 10925/04) nem, tampouco, à suspensão (art. 9o da referida lei). Crédito presumido da agroindústria Fl. 2112DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.113 11 No que se refere ao crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei n° 10.925/2004, a interessada alega que o método para o cálculo do crédito presumido, conforme seu parágrafo 3º, está vinculado à natureza do produto desenvolvido pela empresa adquirente do insumo e titular do direito de crédito. Afirma que o parágrafo 10, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, incluído pela Lei nº 2.865/2013, confirma exatamente a interpretação que sustenta. E acrescenta que é esse o entendimento adotado pelo CARF. Quanto ao crédito presumido previsto no art. 33 da Lei n. 12.058/2009, alega que o entendimento da Autoridade Fiscal de que as aquisições para revenda não geram esse tipo crédito não seria a interpretação correta do dispositivo. Afirma que, na redação vigente à época dos fatos, não há qualquer restrição para apuração do crédito presumido sobre a revenda; defende que para a apuração do referido crédito presumido exigiase: (i) ser pessoa jurídica que produza mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM; (ii) que as mercadorias fossem destinadas à exportação; (iii) que os créditos presumidos fossem apurados sobre as aquisições de bens classificados na posição 01.02 da NCM; e (iv) que tais bens fossem adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Acrescenta que, ademais, que no seu caso, não há simples revenda de mercadorias ao exterior. Pois os produtos classificados na posição 01.02 da NCM ("BOI VIVO") foram transformados em outros produtos derivados, tais como cortes in natura, sebo, aproveitamento de couro, dentre outros, devidamente destinados à exportação. Por fim, em relação aos créditos presumidos previstos no art. 34 da Lei nº 10.925/2004, diz que não merece prosperar o entendimento da fiscalização de que a requerente estaria enquadrada na hipótese de vedação do parágrafo 1º do referido dispositivo, eis que, supostamente, ela industrializaria apenas bovinos vivos das posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM. Nesse sentido alega: que industrializa outros produtos além daqueles descritos no parágrafo 1º do art. 34; que a apuração do crédito presumido nos termos acima é realizada pela requerente apenas nas hipóteses de aquisição de cortes e carcaças (classificados nos códigos 0201 e 0202 da NCM), nos exatos termos exigidos no caput do art. 34, empregados em outros produtos que não aqueles listados nas 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM, tais como os produtos classificados nos códigos 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 e 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24, 41.04.41.30 da NCM. Despesas de aluguel com máquinas e equipamentos Contra à glosa dos alugueis de veículos a Interessada alega que os chamados "Caminhões Munck" ou "guindautos", não são somente veículos, mas máquinas com um guindaste acoplado utilizadas para movimentar os animais e os materiais essenciais ao processo produtivo da requerente, sendo sua semelhança com um veículo tão somente funcional, qual seja, a capacidade de locomoção. E que o aluguel desses e de empilhadeiras elétricas e outros equipamentos utilizados nas atividades da requerente, está em estrita observância ao disposto no inciso IV, do art. 3º, da Lei n. 10833/2003; cita: "ALUGUEL EMPILHADEIRA ELÉTRICA" e ALUGUEL VEICULO CARGA", dentre outros. Despesas com armazenagem e frete nas operações de venda A Recorrente inicialmente aponta a precariedade do trabalho fiscal que glosou todos os gastos com serviços de frete, limitandose a alegar a ausência de vinculação Fl. 2113DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.114 12 entre as notas fiscais de venda e o conhecimento de transporte, quando, segundo alega, restou comprovado, pelos arquivos apresentados pela requerente no curso do procedimento fiscal, que efetivamente ocorreram dispêndios desta natureza geradores de crédito. Reclama que a alegação da Fiscalização foi no sentido de que não seria possível afirmar que os fretes em questão seriam efetivamente relacionados à venda de mercadorias. Mas que, além dos fretes de venda, tem direito a crédito em relação a fretes na aquisição de insumo e fretes de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos da requerente. Aduz que apesar de restar consignado na informação fiscal que "não foram alterados os valores relativos à armazenagem", verificouse, pela análise das planilhas apresentadas pela fiscalização, glosas relativas a despesas incorridas a tal título. Defende, assim, que são indevidas as seguintes glosas: "SERVIÇO ARMAZENAGEM" (código do produto 808592), lançados na linha 7 do DACON ("despesas de armazenagem e fretes na operação de venda"); bem como, "MOVIMENTAÇÃO SEPARAÇÃO MERCADORIA SADIA" (código do produto 920999); "SERVIÇO CARGA E DESCARGA (TRANSBORDO)" (código do produto 810135); "SERVIÇO DE APLICAÇÃO DE STRECH PALLET" (código do produto 918832); "SERVIÇO DE OPERADOR LOGÍSTICO" (código do produto 928863), lançados de forma equivocada nas linhas 2 e 3 do DACON; dentre outros. Direito à atualização do crédito postulado pela SELIC Com fundamento em julgados do STJ, a interessada defende que faz jus à atualização do crédito postulado, mediante remuneração pela taxa Selic. Inaplicabilidade da multa sobre os débitos compensados A contribuinte alega que, ainda que se entendesse pela inexistência do direito creditório, nestas situações sobre as quais o fisco já se pronunciou favoravelmente ao creditamento – através de soluções de consulta ou de divergência, tal como das despesas relativas a fretes, peças de reposição de máquinas e equipamentos, dentre outros instrumentos utilizados na produção, além dos serviços para a sua manutenção e dos combustíveis e lubrificantes necessários ao funcionamento das máquinas e equipamentos não poderia ser cobrada com acréscimos legais atinentes a juros e multa em virtude da não homologação das compensações de débitos com aqueles créditos e nem ser aplicada a multa isolada. Aduz que agiu em cumprimento a essas práticas reiteradas, que são verdadeiras normas complementares das leis tributárias, descabendo, neste caso, a imposição de penalidades e a cobrança de juros, nos termos do art. 100, inciso III, e parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Diante dos argumentos expendidos, a interessa requer que seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade, para o fim de que seja reformado o despacho decisório com o deferimento do pedido de ressarcimento formulado e a homologação das compensações vinculadas. Protesta por provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a realização de diligências, perícia e a juntada de documentos. É o relatório." A DRJ em Florianópolis (SC) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 0736.507 foi assim ementado: Fl. 2114DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.115 13 "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. Por expressa previsão legal, não cabe atualização monetária ou incidência de juros sobre o crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, passível de utilização através de desconto, compensação ou ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 NULIDADE/ CERCEAMENTO DE DEFESA Respeitados pela Administração Fazendária os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, é improcedente é alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. MATÉRIA INCONTESTE. O julgador administrativo é impedido de manifestarse em relação a matéria contra a qual o contribuinte não se manifestou expressamente, pelo que se reputa definitivo, na esfera administrativa, a glosa de crédito na parte relacionada a tal matéria. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. DESCARACTERIZAÇÃO COMO NORMAS COMPLEMENTARES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As decisões judiciais prolatadas em ações individuais não produzem efeitos para outros que não aqueles que compõem a relação processual. E as decisões administrativas, não formalmente dotadas de caráter normativo, igualmente se aplicam inter partes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 2115DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.116 14 Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que,sta é,xaustiva ao,numerar os custos,,ncargos passíveis de creditamento, não,stando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua,ssencialidade na atividade da,mpresa ou à sua,scrituração na contabilidade como custo operacional. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO No regime não cumulativo da Cofins somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis, lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem, quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas,,m função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda,, os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS PAR REPOSIÇÃO. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. As partes e peças de reposição aplicadas em máquinas e equipamentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento na sistemática não cumulativa da Cofins, desde que as máquinas e equipamentos em que foram utilizadas sejam diretamente utilizados no processo produtivo do bem destinado à venda e desde que não repercutam em aumento, superior a um ano, de vida útil do bem. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No regime não cumulativo da Cofins ss aquisições de combustíveis e lubrificantes geram crédito desde que tais produtos sejam diretamente utilizados nas máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo da empresa. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. SC FLORIANOPOLIS DRJ Fl. 1226 Os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento na sistemática não cumulativa da Cofins, entretanto, desde que as máquinas e equipamentos em que são aplicados sejam Fl. 2116DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.117 15 diretamente utilizados no processo produtivo do bem destinado à venda. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO INSUMO COM SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado que a venda Leite in Natura e outros produtos agropecuários ocorreu com o benefício da suspensão da Cofins, prevista no art. 9º da nº10.925/2004, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei nº 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, as despesas com serviços de frete somente geram crédito quando: o serviço consista de insumo; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de venda, tendo as despesas sido arcadas pelo vendedor; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de aquisição de insumo, tendo as despesas sido arcadas pelo adquirente. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. ALUGUEIS DE VEÍCULO. CRÉDITO INEXISTENTE. A hipótese de crédito prevista no art. 3º, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, somente contempla alugueis “prédios, máquinas e equipamentos”, não se aplicando a alugueis “veículos”. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos do artigo 34 da Lei nº 12.058/2009, caput e § 1º, em sua redação original, a pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real fazia jus a créditos presumidos da Cofins referentes às mercadorias adquiridas no mercado interno com a suspensão prevista no inciso II do art. 32, da mesma lei, e destinadas à revenda ou industrialização, desde que as receitas das vendas desses bens ou das vendas das mercadorias produzidas a partir deles não se sujeitassem a esta mesma suspensão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Fl. 2117DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.118 16 Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, basicamente, repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou contrarazões, por meio das quais pretendeu robustecer os argumentos da fiscalização e da DRJ e requereu que seja negado provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.119 17 Voto O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Foi emitido Despacho Decisório (fls. 1.090 a 1.091), instruído por relatório titulado "Informação Fiscal" (fls. 1.041 a 1.089), por meio do qual foi indeferido o Pedido de Ressarcimento (PER) nº 32643.65447.290110.1.5.090243, no montante de R$ 26.597.813,98, em razão de glosa de créditos da Contribuição para o COFINS, vinculados `a receita de exportação do 4° trimestre de 2009. Outrossim, não foi homologado o Pedido de Compensação n° 06383.73603.301213.1.3.090635, de R$ 24.000.000,00, que redundou na lavratura de auto de infração para a cobrança de multa isolada, tratado no processo n° 11516.722502/201413, que encontrase na pauta para julgamento nesta reunião. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1.106 a 1.170), julgada integralmente improcedente pela DRJ em Florianópolis (SC). Apresentou, então, recurso voluntário (fls. 1.287 a 1.410), essencialmente, com os mesmos argumentos. Enfrento a preliminar. Em seguida, apresento o conceito de insumos que adoto e os dispositivos das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Então, a partir de cada um dos tópicos da "Informação Fiscal", analiso os correspondentes argumentos de defesa. I) PRELIMINAR: "A NULIDADE DO TRABALHO FISCAL DECORRENTE DE INVESTIGAÇÃO INSUFICIENTE DOS FATOS QUE ENSEJARAM AS GLOSAS REALIZADAS" A recorrente alega que o auto de infração não foi devidamente motivado, pelo que deveria ser considerado nulo, nos termos do inciso II do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Em suma, a fiscalização não teria apresentado os motivos pelos quais teria glosado os créditos, limitandose a tecer alegações genéricas, o que teria impossibilitado o pleno exercício do direito de defesa. Transcrevo trechos da preliminar: Fl. 2119DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.120 18 Ao compulsar os autos, ao contrário do que foi alegado pela recorrente, encontrei trabalho detalhado e adequadamente suportado. Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.121 19 Com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte, a fiscalização revisou o processo produtivo. E, à luz da legislação aplicável, listou uma séria de bens e serviços que, em seu entender, não davam direito a créditos e apontou os motivos correspondentes, tais como: por não se incluírem no conceito de insumos; cuja compra conferia direito a crédito presumido e não integral; ou cuja compra fora beneficiada com alíquota zero. Todas as compras de bens e serviços foram pormenorizadamente identificadas (nota fiscal, lançamento no Livro Registro de Entradas, ficha e linha do DACON), para fins da realização do exame de legitimidade. E as inadmitidas nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS foram incluídas, individualmente, em planilhas, por meio das quais encontrase o total glosado. Não resta dúvida, portanto, que o contribuinte dispunha de todos os elementos necessários ao pleno exercício dos direitos à ampla defesa e contraditório. Uma vez verificado que o auto de infração foi devidamente motivado e que foram cumpridos os requisitos previstos nos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, nego provimento à preliminar de nulidade. II) MÉRITO II a) CONCEITO DE INSUMOS Inicio, trazendo o conceito de insumos que adoto e instrui os votos que profiro sobre o tema. Extraio trecho do Acórdão n° 3301002.966, de 17/05/2016, que é de minha autoria e, por mero acaso, referese a processo no qual o contribuinte em questão também estava envolvido: (. . .) Sob o regime da não cumulatividade, é admitido o cálculo e registro de créditos de PIS e COFINS sobre aquisição de bens e custos e despesas, a serem abatidos das contribuições devidas sobre vendas. O art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 dispõe sobre diversos tipos de crédito. Listo alguns, próprios de empresas industriais, como a Recorrente: Lei n° 10.833/03 'Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e Fl. 2121DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.122 20 b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (. . .) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (. . .) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; (. . .) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (. . .) § 2º Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (. . .)' Sobre o conceito de insumos, de suma importância para o processo em comento, transcrevo o § 4° do art. 8° da IN SRF n° 404/04: '(. . .) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (grifo nosso) Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.123 21 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.' O conceito de insumos ainda não está pacificado no âmbito do CARF e dos tribunais. Em decisão recente e muito importante, o Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.246.317/MG, publicado em 29/06/2015) adotou um conceito de insumos mais amplo do que o da IN SRF n° 404/04, acima transcrita: '(. . .) Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n.10.637/2002, e art.3º, II, da Lei n. 10.833/2003, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (. . .)' Enquanto a IN SRF n° 404/04 limita o conceito de insumos a elementos aplicados diretamente no processo de produção ou prestação do serviço, o STJ ampliou. Podem ser considerados como tal os que forem imprescindíveis para a consecução do objetivo final. Ainda mais amplo é conceito de insumos do Dr. Marco Aurélio Greco, para o qual é possível calcular créditos de PIS e COFINS sobre todo o custo ou despesa que contribuir para a formação da receita: 'Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS, a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’ e não ‘produto’.' (MARCO AURELIO GRECCO “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen, São Paulo: IOB Thomsom, 2004) Por fim, em uma posição intermediária entre o entendimento do STJ e o do Dr. Marco Aurélio Greco, há o do Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, aposto no Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.124 22 Acórdão 9303003.079, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em sessão do dia 13/08/04: 'Por conseguinte, em face de todo o exposto, entendemos que a linha mestra de interpretação quanto às despesas que geram créditos de PIS e COFINS só pode ser uma: se o legislador quis alcançar todas as receitas, justo que todas as despesas incorridas para gerar tais receitas devem ser passíveis de creditamento, observadas as limitações postas pela própria lei. Não cabe ao intérprete, assim, impor limites além do que a lei já o fez. (...) Portanto, “insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo.' Entendo que o conceito de insumos trazido pela IN SRF n° 404/04, que assemelhase ao do IPI, é demasiadamente restrito e sua aplicação severa muitas vezes afronta a sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Também considero inapropriado que qualquer despesa ou custo possa gerar crédito, não obstante o fato de serem indiretamente computadas no preço final do produto, pois, do contrário, nenhum negócio seria econômica e financeiramente viável. E, se são computadas no preço de venda, naturalmente, sofrem incidência das contribuições. Se as leis de regência falam em processo fabril e de prestação de serviços, estabelecem, ainda que de forma precária, as áreas da empresa, cujos bens, custos e despesas podem gerar créditos. Assim, não podemos cogitar a possibilidade de calcular créditos, por exemplo, sobre despesas com material de escritório incorridas pelas gerências financeira e contábil de uma fábrica de sapatos ou de uma prestadora de serviços técnicos de engenharia. Em suma, repisando as palavras do Conselheiro Rodrigo C. Miranda e trecho da citada decisão do STJ, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, considero como insumo '(. . .) todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo (. . .)' e '(. . .) cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.'" Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.125 23 II b) "FICHA 6A LINHA 01 BENS PARA REVENDA" A fiscalização glosou créditos de COFINS, calculados sobre compras de mercadorias classificadas na Ficha 6A Linha 01 Bens para Revenda do DACON, sob duas alegações: a compra fora tributada à alíquota zero; ou o bem não se enquadrava no conceito de insumo. A fiscalização cometeu uma falha, consignada na "Informação Fiscal", apontada pela recorrente em suas peças de defesa e também reconhecida pela DRJ: glosou valor classificado no DACON como "bens para revenda", alegando não se tratarem de "insumos". Contudo, veremos adiante que este lapso não implicou em prejuízo à construção da defesa, não tendo sido levantado pelo contribuinte qualquer argumento sobre possível nulidade do ato de glosa. Os valores glosados foram indicados nas seguintes planilhas preparadas pela fiscalização (nos autos, arquivos não pagináveis): a) "NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota Zero". b) "NI Notas Fiscais Glosadas que não representam aquisição de insumos". As glosas relativas a compras de produtos tributados à alíquota zero não forma contestadas. Quanto à planilha "NI", relativamente à "Ficha 6A Linha 01 Bens para Revenda" do DACON, verificase que houve tão somente uma glosa: compra de "Gás GLP Cilindro P20", em cuja nota fiscal constava o Código Fiscal de Operações (CFOP) 1102, concernente a "compras para comercialização". A DRJ ratificou o procedimento adotado pela fiscalização, pelo simples fato de que a recorrente não tinha em seu rol de atividades o da revenda de gás GLP. Foi apenas no recurso voluntário que a recorrente trouxe informações específicas sobre o produto. Afirma que era combustível para empilhadeiras utilizadas no setor de produção. Que classificou incorretamente na linha "bens para revenda" o correto seria na linha de "bens utilizados como insumo". E que era legítimo o crédito de COFINS, pois que tratavase de insumo (inciso II do art. 3° da Lei n° 10.833/03). Citou ainda as Soluções de Consulta n° 11/11 e 520/04, que corroborariam com o seu entendimento. Concordaria com a recorrente, sem relutar, caso tivesse comprovado que era a proprietária da empilhadeira e que, por conseguinte, integrava o seu ativo imobilizado. Minha conclusão fundase em uma interpretação sistemática do art. 3 ° da Lei n° 10.833/03. O inciso II inclui, expressamente, combustíveis e lubrificantes no conceito de insumos "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes (. . .)". O inciso IV admite créditos sobre "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos". Como minha interpretação é a de que a lista de bens, custos e despesas provida pelo art. 3° é taxativa, aluguel de veículos não gera créditos de COFINS. Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.126 24 Por fim, o inciso VI permite o cálculo de créditos sobre bens utilizados na produção, porém desde que sejam de propriedade da pessoa jurídica: "máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços." Da análise conjunta dos incisos II, IV e VI, depreendo que os combustíveis e lubrificantes que o inciso II considera como insumo é aquele utilizado nos bens próprios, que são registrados no ativo imobilizado, e nas máquinas e equipamentos alugados. Não encontro sentido em admitir créditos sobre combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos locados, quando o custo com seu aluguel não é permitido. Assim, para que o valor da compra do gás GLP fosse acatado na base de cálculo dos créditos, a recorrente teria de ter apresentado evidências documentais de que as empilhadeiras em que foi aplicado eram de sua propriedade, o que não ocorreu. Agrava ainda mais a situação o fato de que a recorrente efetivamente incorreu em custos com aluguel de empilhadeiras, cujos créditos, inclusive, foram glosados e serão objetos de discussão em tópico seguinte. Com base no acima exposto, nego provimento aos argumentos contidos neste tópico. II c) "FICHA 6A LINHA 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS" Foram efetuadas glosas, em razão dos seguintes argumentos: a) Aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumos, tais como PALLET, REFEIÇÃO, LANCHE, OUTROS SERVIÇOS, GÁS ARGÔNIO e PLATAFORMA MÓVEL. Cada uma das notas fiscais glosadas encontrase na planilha "NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos". b) Aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero de COFINS, que não podem gerar crédito, de acordo com o art. 3º, §2º da Lei n° 10.833/03. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na planilha "NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota zero". c) Notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito. Cada uma das notas fiscais glosadas está na planilha "CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito". d) Notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de COFINS. São compras de produtos de origem animal ou vegetal, que dão direito a crédito presumido e não integral, as quais indicadas na planilha "SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória". e) Notas Fiscais de aquisição de serviços de fretes e carretos lançados na Linha 2 do Dacon sem a identificação e CNPJ do fornecedor ou prestador dos serviços. Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.127 25 Inicialmente, pontuo o seguinte: i) as glosas relativas a compras à alíquota zero (letra "b") e de serviços de fretes e carretos (letra "e"), sem identificação e CNPJ do fornecedor, não foram contestadas; e ii) nas planilhas "NI", "NT" e "CFOP", há aquisições de bens para revenda, indevidamente classificadas no DACON na linha destinada a insumos foram indicados nas respectivas notas fiscais os CFOP de "compras para comercialização" 1.102, 1.403 e 2.403. O segundo caso ("ii") citado no parágrafo precedente foi abordado pela recorrente, a qual contestou a glosa, com fundamento no inciso I do art. 3° da Lei n° 10.833/02. Mencionou expressamente compras para revenda de "Batata Palito, Creme de Leite e Guaraná". Sobre o argumento da recorrente, a DRJ limitouse a analisar a compra do "Gás GLP Cilindro P20" e ratificar a glosa. A compra deste produto foi tratada no tópico anterior. O inciso I do art. 3° da Lei n° Lei n° 10.833/03 autoriza o desconto de créditos de COFINS em relação a "bens adquiridos para revenda", exceto os mencionados no inciso III do § 3o do art. 1o e nos §§ 1o e 1oA do art. 2° (alíneas "a" e "b" do inciso II do art. 3°) e os não sujeitos à tributação pelo COFINS (inciso II do § 2° do art. 3°). A recorrente adquiriu produtos de pessoas jurídicas e apontou nas respectivas notas fiscais tratarse de "compra para comercialização" (CFOP 1.102, 1.403 e 2.403). Observase, inclusive, nas cópias dos balancetes (fls. 655 a 1.031), que auferiu receita com revenda de bens. E a classificação fiscal indicada nas notas fiscais não foi contestada pela fiscalização. Assim sendo, acato os créditos das compras de pessoas jurídicas, em cuja nota fiscal restou consignado que era destinada à revenda, isto é, CFOP 1.102, 1.403 e 2.403, incluídas nas planilhas "NI" e "CFOP", porém com as seguintes ressalvas: i) As compras para comercialização sujeitas à alíquota zero (planilha "NT") não dão direito a créditos, de acordo com o §2º do art. 3ºda Lei nº 10.637/02. ii) A compra do "Gás GLP Cilindro P20", constante na planilha "NI", tratada no tópico anterior ("FICHA 6A BENS PARA REVENDA"). Por terem sido expressamente mencionados no recurso, destaco que admito os créditos sobre "Cremes de Leite" (planilha CFOP). Contudo, não reconheço os relativos aos produtos "guaraná" e "batata palito". O guaraná consta na planilha "NT" como tributado à alíquota zero e a "batata palito" não foi adquirida sob CFOP de compra para comercialização, porém de "outras entradas" (3.949). Teria a recorrente de ter trazido elementos complementares que provassem que haviam sido realmente adquiridos para revenda. Por fim, registro que reputo irrelevante o fato de ter sido cometido erro na classificação dos valores no DACON indicou as compras para comercialização na linha de Fl. 2127DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.128 26 "bens utilizados como insumos" ao invés de na linha "bens para revenda". Esta falha formal não tem o condão de impedir o creditamento autorizado por lei. Com base no acima exposto, dou provimento parcial, reconhecendo a legitimidade de créditos relativos a bens adquiridos para revenda, cuja compra foi efetuada sob os CFOP 1.102, 1.403 e 2.403, exceto quanto àqueles cuja compra foi realizada com alíquota zero. Passo à análise das demais glosas, listas nas letras "a", "c" e "d" do primeiro parágrafo deste tópico as glosas da letra "b" não foram contestadas. "a) Aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumos, tais como PALLET, REFEIÇÃO, LANCHE, OUTROS SERVIÇOS, GÁS ARGÔNIO e PLATAFORMA MÓVEL. Cada uma das notas fiscais glosadas encontrase na planilha "NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos." "c) Notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito. Cada uma das notas fiscais glosadas está na planilha 'CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito'." Antes de adentrar na análise de cada um dos subtópicos acima listados, consigno que a recorrente fez em suas peças de defesa detalhada descrição do processo produtivo de cada uma de suas áreas de negócio. E robusteceua, com dois laudos técnicos independentes: o "Relatório explicativo das operações relativas às Linhas de Produção da BRF S.A." (fls. 1.488 a 2.031), preparado pela Tyno Consultoria e validado pela Secretaria de Abastecimento e Agricultura do Estado de São Paulo, que emitiu "Declaração de Validação" (fl. 1.487); e o "Relatório Descritivo Lactalis e a Planilha Itens Lactalis" (fls. 2.033 a 2.092), preparado pela Tyno Consultoria e validado pela Ital (fl. 2.032). A fiscalização glosou créditos oriundos da compra de um grande número de produtos, por entender que não se enquadravam no conceito de insumos e os indicou nas planilhas "NI Notas Fiscais Glosadas que não representam aquisição de insumos" e "CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a crédito". A DRJ ratificou a conduta da autuante. Em seu recurso, primeiramente, a recorrente alega, de forma genérica, que todos os produtos listados pelo Fisco são insumos e, assim, poderiam gerar créditos. E, em seguida, apresenta alegações específicas sobre determinadas glosas. Nos termos dos artigos 15 ao 17 do Decreto n° 70.235/72, enfrentarei tão somente os argumentos que disserem respeito a tipos específicos de compras de produtos ou Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.129 27 serviços, cujos créditos de COFINS tenham sido glosados. Além, naturalmente, da Lei n° 10.833/03, apoiarmeei nos citados laudos técnicos. "Pallets" Com fulcro na descrição de seu processo industrial, sustenta a recorrente que os pallets são utilizados nas diversas etapas do processo produtivo, para a movimentação das matériasprimas, produtos intermediários e produtos acabados. Evitam o contato com o solo, diminuindo o risco de contaminação e preservando suas integridade e qualidade. Menciona o Acórdão n° 3403002386, de 25/07/13. De acordo com o laudo técnico, são também utilizados como embalagem de produtos acabados. Em razão do fim a que se destinam, entendo que enquadramse no conceito de insumos, tanto os pallets aplicados para proteger as mercadorias, quanto os utilizados como embalagem do produto final (inciso II do art. 3° da Lei n° 10.833/03). Portanto, voto pelo provimento dos argumentos. "Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes" A fiscalização e a DRJ glosaram os valores relacionados aos itens em epígrafe, por falta de comprovação de que foram aplicados no processo industrial. A recorrente alegou que todos os itens classificados no DACON na "Ficha 6A Bens utilizados como insumos" são realmente os legalmente classificáveis como insumos. Citou o "Dedo de Borracha A 50", aplicado na manutenção de depenadeiras. Os lubrificantes "Óleos de Mamona WS786" e o "Óleo Hydrodrive HP 68 Houghton". O combustível de caldeiras "Óleo Diesel Aditivado". E, por fim, o "Acomplamento de Borracha", que evita rachaduras ou trincas em partes metálicas das máquinas. Não obstante concordar com a recorrente, no plano conceitual, da leitura dos autos, notadamente, do laudo técnico acostado, não é possível afirmar estarmos diante de bens comprovadamente enquadrados no conceito de insumos. Identificase no relatório técnico o uso de depenadeiras no setor de frangos. Contudo, não há comprovação de que "Dedo de Borracha A 50" foi aplicado naquele equipamento. A recorrente teria de ter carreado aos autos uma correlação entre as partes e peças de reposição e os gastos com combustíveis e lubrificantes e as máquinas e equipamentos que encontramse no laudo técnico, indicando os lançamentos dos valores em contas contábeis de custos de produção "Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios." (art. 226 da Lei n° 10.406/02 Código Civil). Isto posto, nego provimento. "Outros itens: gás argônio, dicoflenaco sódico injetável, plasma sanguíneo ultrafiltrado, griller, amônia anidra e desinfetante ortozool" Fl. 2129DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.130 28 A fiscalização e a DRJ entenderam produtos em epígrafe não se enquadravam no conceito de insumo e, portanto, não conferiam direito a créditos de COFINS. A recorrente apresentou as seguintes explicações: A leitura das explicações da recorrente e do laudo técnico "Relatório explicativo das operações relativas às Linhas de Produção da BRF S.A.", formalmente ratificado pela Secretaria de Abastecimento e Agricultura do Estado de São Paulo, por meio sa "Declaração de Validação", nos autos, às fls. 1.487 e 1.488 a 2.031, respectivamente não deixa dúvidas de que os produtos "dicoflenaco sódico injetável" e "plasma sanguíneo ultrafiltrado" enquadramse como insumos (inciso II do art. 3° da Lei n° 10.833/03) e devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos de COFINS. Sobre os demais, cujos créditos não acato: não encontrei o produto "griller" nas planilhas de glosas; não foram trazidas provas de que o "gás argônio" foi aplicado em soldas na área industrial; e o "desinfetante ortozool" era tributado à alíquota zero (vedação ao crédito no §2º do art. 3ºda Lei nº 10.833/03). Portanto, dou provimento parcial, admitindo créditos sobre os produtos "dicoflenaco sódico injetável" e "plasma sanguíneo ultrafiltrado". "d) Notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de COFINS. " Este subtópico cuida de glosas de créditos integrais sobre compras de produtos de origem animal ou vegetal, que, segundo a fiscalização e a DRJ, davam tão somente direito a crédito presumido e foram indicadas na planilha "SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória." A fiscalização glosou créditos de COFINS derivados de compras de cooperativas ou pessoas físicas de leite in natura e outros produtos agropecuários animal ou vegetal, que gozavam de suspensão da incidência do COFINS e conferiam direito a crédito presumido e não integral, nos termos dos artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04. Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.131 29 A recorrente contraargumentou, alegando que os produtos cujos créditos foram glosados não gozavam da referida suspensão, notadamente o leite in natura. Ressalta que não havia menção quanto à suspensão nas notas fiscais, não se lhe cabendo fazer contraprova das informações prestadas pelo vendedor. Reproduzo os artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04: "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. [...] Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 2131DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.132 30 § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)" Não tenho reparos à decisão recorrida, da qual extraio trecho e dele faço minha razão de decidir: "Em análise à listagem SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória, verificase que a alegação da interessada não se confirma, pois, tendo em conta a descrição do processo produtivo da empresa e as descrições dos itens glosados, verificase que estes consistem de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, enquadrandose, portanto na hipótese de suspensão prevista no inciso III do art. 9º da nº10.925/2004. Os itens listados referemse a mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos: 2 carnes e miudezas, comestíveis, exceto os produtos vivos desse capítulo; 4 – leite e lacticínios, ovos de aves, mel natural, produtos comestíveis; 15 – gorduras e óleos animais ou vegetais, produtos da sua dissociação; 16 – preparação de carne. Em relação ao leite, configurase a hipótese de suspensão prevista no inciso II do art. 9º da nº10.925/2004: os produtos descritos como LEITE CRU REFRIGERADO TIPO C, utilizados como insumo no processo produtivo do leite e seus derivados, foram adquiridos de pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º da nº 10.925/2004, no caso, pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso, a empresa Lacticínios Tirol Ltda, CNPJ 83.011.247/001293 (https://www.infoplex.com.br), e a Cooperativa Mista Tucunduva Ltda, CNPJ 98.244.577/001620 (http://empresasdobrasil.com). Comprovado que a venda Leite in Natura e outros produtos agropecuários ocorreu com o benefício da suspensão da contribuição para a Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins prevista no art. 9º da nº10.925/2004, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Diante do exposto, mantémse a glosa." Nego provimento aos argumentos que combatiam a glosa dos produtos listados na planilha " SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória". Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.133 31 III) FICHA 6A LINHA 03 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS Foram glosados valores classificados na Ficha 6A linha 03, por não se tratar de serviços que pudessem ser enquadrados como insumos. As notas fiscais glosadas encontramse nas planilhas "CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito" e "NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos". A DRJ ratificou o entendimento da autuante. Consta na "Informação Fiscal" que, dentre as glosas, "encontramse SERVICO MANUTENCAO EQUIP INFORMATICA, SERVICO LIMPEZA GERAL EM INSTALACOES, SERVICO TREINAMENTO e SERVICO DE COPIA E IMPRESSAO". Vamos aos argumentos de defesa contidos no recurso voluntário. "Serviços utilizados como insumos" A recorrente elenca como passíveis de inclusão na base de cálculo dos créditos os seguintes serviços: i) repaletização e reforma de pallets; ii) serviços de aplicação de strecht (filme plástico que envolve o pallet e contribui com a preservação do alimento); iii) serviços de carga e descarga de matériaprima, produtos intermediários e produtos acabados, quando transportados do fornecedor até seu estabelecimento, de sua fábrica até o cliente e também entre seus estabelecimentos, durante a fase de produção; e iv) serviços de montagem e manutenção de equipamentos usados na produção. Em tópico anterior, manifesteime favoravelmente aos créditos sobre compras de pallets, por têlos como insumos (inciso II do art. 3° da Lei n° 10.833/03). Como os serviços de repaletização e reforma de pallets têm como objetivo os de recolocar pallets em condições de uso, os custos correspondentes devem ser considerados como partes integrantes dos custos com os pallets. Assim, tal qual o custo original com a compra dos pallets, os citados serviços também devem ser admitidos como insumos e, por conseguinte, na base de cálculo dos créditos. Em relação à aplicação de strecht, reconheço os créditos correspondentes, pois, tal qual o pallet, é utilizado para proteger o alimento de contaminações. Sobre os serviços de carga e descarga, consta a seguinte descrição na planilha de glosas: "carga e descarga (transbordo)". De acordo com a obra "Vocabulário Jurídico" ( De Plácido e Silva Ed. Forense Rio de Janeiro, 2004), "transbordo", em direito comercial marítimo, significa "transferência da carga de um navio para o outro" ou, em um sentido mais genérico, "qualquer espécie de transpasse de cargas de um veículo para o outro". Fl. 2133DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.134 32 Pelo número de notas fiscais listadas, a natureza do gasto e ser o contribuinte empresa importadora e exportadora de MP e PA, reputo que podemos concluir, sem exigir elementos complementares de prova, tratarse de carga e descarga de MP e PA. E vejo a carga e descarga como atividades imprescindíveis e, por isto, inseparáveis dos serviços de frete e armazenagem, cujos custos são admitidos na base de cálculo dos créditos, a saber: na compra de MP, como integrante do custo de aquisição (art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99) e, portanto, como insumo (inc. II do art. 3° da Lei n° 10.833/03); na venda de PA, como parte dos custos com transporte até o consumidor final, abrigados pelo inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.833/03 (frete na operação de venda). Desta forma, admito os créditos de COFINS sobre custos com carga e descarga "transbordo". Por fim, nego provimento aos argumentos relativos aos serviços de montagem e manutenção de equipamentos, por falta de comprovação de sua utilização na área industrial. A recorrente teria de ter trazido alguma evidência de que estavam relacionados a máquinas e equipamentos utilizados na indústria. Com efeito, as depreciações de máquinas e equipamentos industriais são admitidas na base de cálculo dos créditos (inciso VI c/c inciso III do § 1° do art. 3° da Lei n° 10.833/03). Nesta linha, os custos com manutenção e montagem, incorporados ao custo do bem, para fins de depreciação, ou, no caso da manutenção, circunstancialmente lançados diretamente em conta de resultado do exercício, devem ser admitidos, por imprescindível ao seu pleno funcionamento. O próprio Fisco já se pronunciou neste sentido, inclusive na Solução de Consulta n° 11/11 mencionada pela recorrente. Em suma, dou provimento parcial, reconhecendo os créditos relativos aos serviços de repaletização, reforma de pallets, aplicação de strecht e carga e descarga (transbordo) e negando os referentes aos serviços montagem e manutenção de equipamentos, por falta de comprovação de que estavam relacionados ao processo industrial. "Serviços e produtos decorrentes de exigências legais" A fiscalização glosou os serviços e produtos em epígrafe, por entender não serem insumos. A DRJ ratificou. A recorrente discorreu acerca da necessidade de manter em constante funcionamento processos de desinfecção de ambientes, recipientes, máquinas e indumentária especial, utilizada pelos profissionais que têm contato com os alimentos. E da importância de análises laboratoriais, comprovando que os alimentos estão em perfeitas condições para o consumo. Citou alguns produtos utilizados para tais fins, como vestimentas e material de proteção, facas e brincos de marcação para suínos e o processo "carimbagem", que identifica as carnes liberadas para consumo e as rejeitadas. Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.135 33 E mencionou normas das autoridades sanitárias, contendo inúmeras exigências. Ao fim do laudo técnico (fls. 1.168 a 1.487), no "Capítulo 13 SIF (Sistema de Inspeção Federal), há detalhada explicação acerca dos procedimentos adotados para preservação da integridade dos produtos alimentícios. A meu ver, ainda que não fossem requeridos pelas autoridades sanitárias, indubitavelmente deveriam ser tidos como insumos, pois guardam íntima e indissociável relação com a preparação do produto e a preservação de sua integridade. Vale mencionar que há vários precedentes no CARF neste sentido, tais como, os Acórdãos n° 3802001619, de 28/02/13, e 9303004.382, de 07/04/17. Desta forma, todos os serviços e produtos adquiridos para utilização nos setores industriais, em razão de exigências legais, porém cujo objetivo maior era o de preservar a qualidade do alimento, devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos de COFINS, na qualidade de insumos (inciso II do art. 3° da Lei n° 10.833/03). Dada a natureza específica dos produtos tratados no tópico e sua explícita conexão com o processo produtivo, não vejo motivo para que fossem exigidos evidências documentais complementares acerca de sua aplicação na atividade industrial. Novamente faço ressalva aos produtos tratados no presente tópico, cujas compras foram beneficiadas com a incidência à alíquota zero e que, por este motivo, não dão direito a créditos (§2º do art. 3ºda Lei nº 10.833/03). IV) FICHA 6A LINHA 06 DESPESAS COM ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOA JURÍDICA De acordo com a planilha de glosas "NI", em relação à linha 06, foram glosadas notas fiscais contendo as seguintes descrições: i) "SERVICO DE LOCACAO E MANUTENCAO SOFTWARE" ii) "ALUGUEL VEICULO CARGA" iii) "SERVICO LOCACAO DE PROJETOR MULTI MIDIA" iv) "ALUGUEL PALCO EVENTOS" Segundo a fiscalização, não foi atendido o disposto no inciso IV do art. 3° da Lei n° 10.833/03, que permite o creditamento somente sobre "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa". A DRJ ratificou o procedimento fiscal, destacando que, para fins fiscais, não se pode considerar que os veículos estejam inseridos no conceito de máquinas e equipamentos. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, a recorrente combate exclusivamente a glosa dos aluguéis de "veículos de carga". Fl. 2135DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.136 34 Informa que são imprescindíveis ao processo produtivo, pois são empilhadeiras para deslocamento interno de MP, PI e PA e "caminhões munck", usado para transporte de materiais pesados. Apresentou duas notas fiscais, como exemplos de compras destes itens. Protesta contra a decisão recorrida, acusandoa de alterar o fundamento da acusação, quando esta dispôs que o aluguel de veículos não se encontra no inciso IV do art. 3° da Lei n° 10.833/03, pois não estão compreendidos no rol das máquinas e equipamentos. Não obstante, contesta tal argumento, aprofundandose no estudo do significado do vocábulo máquinas. Conclui que abrangeria veículos. Entendo que a DRJ não inovou, porém justificou o posicionamento da fiscalização, com o qual, inclusive, estou de pleno acordo. Não obstante quaisquer digressões semânticas acerca dos vocábulos "máquinas" e "veículos", que eventualmente pudessem levar à conclusão de que o segundo é espécie e o segundo gênero, tradicionalmente, a legislação dispõe sobre os aspectos fiscais relacionados a veículos e máquinas de forma absolutamente distinta. E foi isto que a DRJ, com muita propriedade, demonstrou, citando diversos exemplos, dentre os quais repiso os seguintes: i) o caput do art. 1° da Lei n° 10.485/02: "As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos (. . .)." ii) incisos III dos art. 2° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03: " no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos (. . .)." Desta forma, não obstante reconhecer a imprescindibilidade dos citados veículos à operação do contribuinte, mais uma vez expresso que considero que o art. 3° traz uma lista taxativa de hipóteses de tomada de créditos, não podendo o intérprete ampliála. Assim, nego provimento aos argumentos. V) "FICHA 6A LINHA 07 DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA" A fiscalização glosou despesas com fretes, indicando as respectivas notas fiscais na planilha "FVNC Fretes de Vendas não Comprovados", e com armazenagem, na planilha "CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a crédito". Em ambos os casos, as glosas ocorreram, porque, apesar de intimada e reintimada, a recorrente não relacionou as notas fiscais de fretes e armazenagem às Fl. 2136DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.137 35 correspondentes operações de venda, o que satisfaria o previsto no inciso IX da Lei n° 10.833/03: "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (. . .) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (. . .)" A DRJ ratificou a conclusão da autuante. Em suas peças de defesa, a recorrente alega que apresentou arquivos, contendo notas fiscais, com número, série, data, fornecedor, CNPJ, valor do frete, código da empresa e CFOP da operação. E apresenta extensa argumentação em defesa dos créditos calculados sobre armazenagem e fretes em operações de compra de insumos, venda de produtos acabados e deslocamentos entre seus estabelecimentos de insumos, produtos em elaboração e produtos acabados. Não obstante concordar com todos os argumentos de defesa relacionados à interpretação e aplicação do dispositivo legal que permite o desconto de créditos de COFINS sobre armazenagem e fretes, de fato, a recorrente não conciliou os valores computados na base de cálculo de créditos de COFINS com as correspondentes notas fiscais de venda. Diante disto, não há alternativa que não a de negar provimento. VI) "FICHA 6A CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA LINHA 25 CALCULADOS SOBRE INSUMOS DE ORIGEM ANIMAL E LINHA 26 CALCULADOS SOBRE INSUMOS DE ORIGEM VEGETAL" Neste tópico, há glosas de valores computados em bases de cálculo e alterações de alíquotas de créditos presumidos previstos nos artigos 8° da Lei n° 10.925/04 e 33 e 34 da Lei n° 12.058/09. VI a) Artigo 8° da Lei n° 10.925/04 A controvérsia gira em torno do cálculo do crédito presumido sobre insumos aplicados na produção de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/04. A fiscalização e DRJ entendem que o percentual (incisos I ao II do § 3°) a ser aplicado deve ser determinado com base na classificação na TIPI do insumo. A Recorrente, por sua vez, na posição da TIPI do produto final no qual o insumo é aplicado. A recorrente adotou o percentual do inciso I do § 3° (60% das alíquotas regulares) para todos os insumos. A fiscalização, sobre parte dos insumos (ex: soja e Fl. 2137DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.138 36 derivados), aplicou os percentuais de 50% e 35%, previstos nos incisos II e III do § 3° (ex: soja e derivados). Concordo com a interpretação da recorrente. Assim dispõem os artigos 8° da Lei n° 10.925/04, na redação vigente à época, e o 33 da Lei n° 12.865/13: Lei n° 10.925/04 "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: (. . .) § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e ( Redação dada pela Lei n o 11.488, de 15 de junho de 2007 ) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , para os demais produtos. (Renumerado pela Lei n o 11.488, de 15 de junho de 2007 ) (. . .)" (g.n.) Fl. 2138DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.139 37 Lei n° 12.865/13 "Art. 33. O art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, passa a vigorar com as seguintes alterações: (. . .) § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” (g.n.) Realmente, a redação dos incisos I ao III do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/04 enseja dúvidas. Mas, com a edição da Lei n° 12.865/13, a controvérsia terminou. O percentual de 60% previsto no inciso I deve ser determinado, de acordo com a classificação na TIPI do produto no qual o insumo é aplicado. E seus efeitos são efeitos são retroativos, abrangendo o caso em tela anocalendário de 2009 em razão do art. 106 do CTN: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (. . .)" Assim, voto pelo provimento das alegações da Recorrente. O percentual a ser aplicado sobre as compras de insumos, para cálculo do crédito presumido previsto no inciso I do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04, deve ser determinado com base na posição da TIPI do produto final em que foram empregados. VI b) Artigo 33 da Lei n° 12.058/09 A fiscalização reconheceu que a recorrente fazia jus ao crédito presumido previsto no dispositivo em epígrafe, no tocante aos insumos classificados na NCM 01.02 e aplicados na produção para exportação dos produtos classificados nas posições listadas no caput do artigo. Contudo, glosou os créditos calculados, quando verificou que a mercadoria foi comprada para revenda e não para emprego em processo industrial. Dispõe o art. 33 da Lei n° 12.058/09 (redação então vigente): "Art. 33. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens classificados na posição 01.02 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.' Fl. 2139DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.140 38 § 1o O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições de pessoa jurídica que exercer atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária. (. . .) § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 50% (cinquenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003." (g.n.) Em sua defesa, a recorrente aduziu que impedir a tomada de créditos presumidos sobre os produtos adquiridos para a revenda é impor restrição à fruição do benefício que contraria o objetivo perseguido pelo legislador, quando de sua instituição, e previsto no inciso I do § 2° do art. 149 da Constituição Federal, qual seja, o de desonerar as exportações. Não vejo controvérsia na interpretação do caput do art. 33 da Lei n° 12.058/09, a qual deve ser restrita, por se tratar de benefício fiscal. Como dispõe que o direito é conferido às "pessoa jurídicas (. . .) que produzam mercadorias classificadas nos códigos (. . .)", o crédito presumido somente pode ser calculado sobre as mercadorias da posição 01.02, quando adquiridas para utilização como insumo de processo industrial. Quando forem adquiridas para revenda, não haverá direito ao crédito presumido do art. 33 da Lei n° 12.058/09. Assim, nego provimento. VI c) Artigo 34 da Lei n° 12.058/09 Inicio, transcrevendo os artigos 32 e 34 da Lei n° 12.058/09: "Art. 32. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: (...) II produtos classificados nas posições 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30, da NCM, quando efetuada por pessoa jurídica que industrialize bens e produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM. Parágrafo único. A suspensão de que trata este artigo: I não alcança a receita bruta auferida nas vendas a consumidor final; II aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 2140DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.141 39 (...) Art. 34. A pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, que adquirir para industrialização ou revenda as mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM poderá descontar da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, determinado mediante a aplicação, sobre o valor das aquisições, de percentual correspondente a 40% (quarenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 1º É vedada a apuração do crédito de que trata o caput deste artigo nas aquisições realizadas pelas pessoas jurídicas mencionadas no inciso II do caput do art. 32 desta Lei." (g.n.) A fiscalização constatou que a recorrente adquiriu insumos classificados na posição 01.02 e produziu produtos classificados nas posições 02.01.30.00, 02.02.20.90 e 02.02.30.90. Com isto, fica impedida de registrar os créditos presumidos, nos termos do § 1° do art. 33 c/c o inciso II do caput do art. 32. A recorrente, por seu turno, alegou o seguinte: Não assiste razão à recorrente. Fl. 2141DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.142 40 Não assiste razão à recorrente. E para justificar meu posicionamento, adoto os argumentos da DRJ, de cujo Acórdão extraio o trecho correspondente: "(. . .) Com o regramento estabelecido pelo art. 32, II, da Lei nº 12.058/2009, o legislador desonerou a cadeia econômica de produtos derivados de carne bovina dos custos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, prevendo a suspensão no pagamento desses tributos na linha produtiva e comercial desses bens, desde que atendidas certas condições. Do exame do texto legal acima, verificase que a suspensão das contribuições era para as operações de vendas de bens classificados nas posições 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30, realizadas por pessoa jurídica que os produzisse a partir da industrialização dos bens (insumos) classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM (bovinos vivos, carnes bovinas frescas, refrigeradas ou congeladas). Já o art. 34 da Lei nº 12.058/2009, em sua redação original, tratava do direito de a pessoa jurídica, sujeita ao lucro real, a descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas no período crédito presumido apurado a partir dos valores das aquisições de bens destinados à industrialização (insumo) ou revenda, ocorridas no mercado interno e realizadas com suspensão da Contribuição para o PIS e da Cofins, dos bens classificados nos códigos 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM. Entretanto, a apuração de tal crédito, por força do disposto no § 1º desse mesmo artigo, é vedada para aquisições realizadas pelas pessoas jurídicas mencionadas no inciso II do art. 32 da Lei nº 12.058/2009; ou seja, as pessoas jurídicas que industrializem bens e produtos (insumos) classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM. Ou seja, nos termos do artigo 34 da Lei nº 12.058/2009, caput e § 1º, na sua redação original, a pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real faz jus a créditos presumidos da Cofins referentes às mercadorias adquiridas no mercado interno com a suspensão prevista no inciso II do art. 32, da mesma lei, e destinadas à revenda ou industrialização, desde que as receitas das vendas desses bens ou das vendas das mercadorias produzidas a partir deles não se sujeitem a esta mesma suspensão. No caso presente, verificase que a fiscalizada foi intimada, através do Termo de Intimação Fiscal nº 002/00236 (fls. 127 a136), a prestar, dentre outras informações, a relação dos produtos fabricados e/ou industrializados. Com base na informação prestada, a Fiscalização apurou que a empresa adquiriu bens classificados na posição 01.02 (insumo) e comercializou bens classificados nas posições 02.01.30.00, 02.02.20.90, 02.02.30.90 e, assim, concluiu que esta não faz jus ao crédito presumido previsto no art. 34 da citada Lei nº 12.058/2009, como segue: Com relação ao crédito presumido previsto no art. 34 da citada Lei nº 12.058, a contribuinte não faz jus, por conta da exclusão prevista no §1º do mesmo art. 34, uma vez que a empresa industrializava bens e produtos com insumos classificados na posição 01.02 e produzia bens classificados nas posições 02.01.30.00, 02.02.20.90, 02.02.30.90, conforme informações prestadas na resposta ao item 03 do Termo de Intimação Fiscal nº 002/00236. Foi confirmado através de pesquisa nas notas fiscais informadas como resposta ao item 22 do citado Termo de Fl. 2142DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.143 41 Intimação 002/00236 que houve compras de bens classificados na posição 01.02 e que houve vendas das posições 02.01 e 02.02 no período de novembro e dezembro de 2009. Assim é que não procede a tese da interessada de que tal vedação não se aplica ao seu caso, com base no argumento de que apura crédito “apenas nas hipóteses de aquisição de cortes e carcaças (classificados nos códigos 0201 e 0202 da NCM)” os quais, segundo afirma, utiliza não só na produção de produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02, mas também nas de produtos classificados nas posições 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 e 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24, 41.04.41.30 da NCM. Notese que ao contrário do que alega a Recorrente, o direito ao crédito previsto no artigo 34 não foi afastado em razão de a Fiscalização entender que “ela industrializaria apenas bovinos vivos das posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM”. Destarte, a Fiscalização não faz essa limitação, apenas informa que verificou, a partir das informações prestadas pela interessada, que “houve vendas das posições 02.01 e 02.02 no período de novembro e dezembro de 2009”. Fato, salientese, expressamente confirmado pela interessada em sua Manifestação de Inconformidade. Na verdade o direito ao crédito foi afastado por restar configurada, no caso concreto, a hipótese de vedação prevista no parágrafo 1º do referido artigo, qual seja, a utilização dos bens adquiridos, classificados nas posições listadas no caput do art. 34, na produção dos bens listados no inciso II do caput do art. 32 da mesma lei, no caso, bens classificados na posição 01.02, 02.01 e 02.02. Fato, salientese novamente, expressamente confirmado pela interessada em sua Manifestação de Inconformidade. Diante do exposto, mantémse a glosa." Nego provimento aos argumentos contidos no presente tópico. VII) "O DIREITO À ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO POSTULADO PELA SELIC" A recorrente pleiteia o acréscimo de juros Selic aos saldos de créditos de COFINS acumulados, "seja em razão das ilegalidades contidas nas instruções normativas que disciplinam a não cumulatividade das contribuições para o PIS e COFINS, quando tratam do conceito de insumo, seja em virtude da mora na apreciação do pleito de ressarcimento, ocasionada, sobretudo, em decorrência das inúmeras barreiras impostas pela fiscalização ao aproveitamento de crédito"." Fundamenta seu pedido na Súmula do STJ n° 411 e no REsp 1.035.847/RS, submetido ao rito dos recursos repetitivos, que admitiram o cômputo de juros Selic em saldo credor de IPI, quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Citou o Acórdão CARF n° 3402002.003, de 03/05/2013, em que foi admitido o acréscimo de juros Selic a crédito de IPI, em virtude da demora na análise do pedido de ressarcimento, posicionamento que encontraria respaldo em outras decisões do STJ, tal qual no REsp 1129435/PR. Fl. 2143DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.144 42 Reproduzo a ementa do REsp 1.035.847/RS, ao qual as decisões deste colegiado estão vinculadas, por força do § 2° do art. 62 da Portaria MF n° 343/15 (RICARF): "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR , Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS , Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR , Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS , Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS , Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (g.n.) A meu ver, a decisão vinculante do STJ não se aplica ao caso em tela. Não houve qualquer "ato estatal, administrativo ou normativo" que tenha oposto qualquer óbice `a aplicação do regime da não cumulatividade do COFINS e, por conseguinte, ao registro e utilização de créditos. O crédito foi lançado no cotejo periódico entre débitos e créditos. Não utilizado em sua totalidade, foi objeto de apresentação de Pedido de Compensação (DCOMP), vinculado a Pedido de Ressarcimento (PER), os quais já não dependiam de anuência prévia do Fl. 2144DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.145 43 Fisco para produzirem o efeito fiscal de extinção do crédito tributário, sujeita a ulterior homologação. Isto posto, e também diante da ausência de previsão legal acerca da incidência de juros Selic sobre créditos escriturais de COFINS, nego provimento aos argumentos contidos neste tópico. VIII) INAPLICABILIDADE DA MULTA DE MORA SOBRE OS DÉBITOS COMPENSADOS, VISTO QUE A RECORRENTE AGIU EM OBSERVÂNCIA AO ENTENDIMENTO DO PRÓPRIO FISCO IX) "DA INAPLICABILIDADE DA MULTA MORATÓRIA DIANTE DA IMPOSSIBILIDADE DE DUPLA PUNIÇÃO DO MESMO FATO" A recorrente alegou que registrou créditos de COFINS em consonância com diversos pronunciamentos formais do Fisco. Assim, eventual glosa não poderia acarretar na cobrança de multa de mora e juros, calculados sobre os débitos que foram liquidados por meio das compensações não homologadas. Pelo mesmo motivo, não poderiam ser exigidas multas isoladas, por não homologação de DCOMP. Fundamenta seu pleito no art. 100 do CTN e na alínea "a" do inciso II do art. 76 da Lei n° 4.502/64. Por fim, alegou que a cobrança da citadas multa moratória e multa isolada por não homologação de DCOMP configurarseia como aplicação de duas punições distintas sobre um mesmo fato, o que vem sendo rechaçado pelo CARF e a doutrina. Tal qual a DRJ, não conheço dos argumentos, posto que tais matérias não integram o presente litígio. X) "DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS" Ao fim de seu recurso, protestou pela realização de diligência ou perícia. Nego o pedido, posto que os autos contêm os elementos necessários para a formação da convicção dos julgadores. Saliento que diligências não são destinadas a produção de provas que deveriam ter sido carreadas aos autos nos momentos processuais devidos. Cumpre também destacar, não obstante o mencionado no parágrafo anterior, que não foram cumpridos os requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72 apresentação dos motivos e quesitos e, no caso de perícia, nomeação do perito responsável. Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.146 44 CONCLUSÃO Em suma, dou provimento parcial ao recurso voluntário. Abaixo, indico o voto para cada um dos tópicos acima tratados: I) "Preliminar": nego provimento à preliminar de nulidade. II b) "Bens para revenda Gás GLP Cilindro P 20": nego provimento. II c) "Bens utilizados como insumos": dou provimento parcial, admitindo os créditos sobre as compras para revenda sob os CFOP 1.102, 1.403 e 2.403, indevidamente classificadas na linha 2 da Ficha 6A do DACON, exceto em relação aos produtos tributados à alíquota zero e ao "Gás GLP Cilindro P 20", tratado no tópico anterior. II c) "Pallets": dou provimento. II c) "Partes, peças de reposição, combustíveis e lubrificantes": dou provimento parcial, reconhecendo créditos exclusivamente sobre as copras de "Dedo de Borracha A 50". II c) "Outros itens: gás argônio, dicoflenaco sódico injetável, plasma sanguíneo ultrafiltrado, griller, amônia anidra e desinfetante ortozool": dou provimento parcial, admitindo créditos sobre os produtos "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo ultrafiltrado" e amônia anidra. II c) "Notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de COFINS": nego provimento aos argumentos que combatiam a glosa dos créditos integrais, calculados sobre os produtos listados na planilha " SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória". Não obstante, na execução do acórdão, a unidade de origem deve reconhecer o direito ao crédito presumido, previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/04. III) "Serviços utilizados como insumos": "repaletização e reforma de pallets": dou provimento. "serviços de aplicação de strecht (filme plástico que envolve o pallet e contribui com a preservação do alimento)": dou provimento. "serviços de carga e descarga de matériaprima, produtos intermediários e produtos acabados, quando transportados do fornecedor até seu estabelecimento, de sua fábrica até o cliente e também entre seus estabelecimentos, durante a fase de produção": dou provimento. "serviços de montagem e manutenção de equipamentos usados na produção": nego provimento. III) "Serviços e produtos decorrentes de exigências legais": dou provimento. Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 10983.911355/201124 Acórdão n.º 3301004.057 S3C3T1 Fl. 2.147 45 IV) "Aluguel de veículos de carga": nego provimento. V) "Despesas com armazenagem e fretes na operação de venda": nego provimento. VI a) "Crédito presumido da agroindústria artigo 8° da Lei n° 10.925/04": dou provimento, admitindo que o percentual a ser aplicado sobre a alíquota da contribuição, para fins de cálculo dos créditos presumidos previstos no inciso I do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04, deve ser determinado de acordo com a posição da TIPI do produto em que o insumo foi aplicado. VI b) "Crédito presumido da agroindústria artigo 33 da Lei n° 12.058/09": nego provimento. VI c) "Crédito presumido da agroindústria artigo 34 da Lei n° 12.058/09": nego provimento. VII) "O direito à atualização do crédito postulado pela Selic": nego provimento. VIII) "Inaplicabilidade da multa de mora sobre os débitos compensados, visto que a recorrente agiu em observância ao entendimento do próprio fisco": não conheço dos argumentos. IX) "Da inaplicabilidade da multa moratória diante da impossibilidade de dupla punição do mesmo fato": não conheço dos argumentos. X) "Diligências e perícias": nego provimento. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 2147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003510/2007-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/08/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 35 10 /2 00 7- 05 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10865.003510/200705 Acórdão n.º 9202005.829 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10865.003510/200705 Acórdão n.º 9202005.829 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10865.003510/200705 Acórdão n.º 9202005.829 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10865.003510/200705 Acórdão n.º 9202005.829 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10865.003510/200705 Acórdão n.º 9202005.829 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10865.003510/200705 Acórdão n.º 9202005.829 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10865.003510/200705 Acórdão n.º 9202005.829 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10865.003510/200705 Acórdão n.º 9202005.829 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10865.003510/200705 Acórdão n.º 9202005.829 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10865.003510/200705 Acórdão n.º 9202005.829 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.000772/2009-89
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. ESTADO DA BAHIA. RIR/1999, ART. 443. DECRETO ESTADUAL 7.351/1998. BAHIAPLAST.
A concessão de crédito presumido de ICMS, como forma de estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, caracteriza-se como subvenção para investimentos, para fins de aplicação do artigo 443, do RIR/1999, notadamente quando comprovado o efetivo incremento do ativo imobilizado.
Numero da decisão: 9101-003.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. ESTADO DA BAHIA. RIR/1999, ART. 443. DECRETO ESTADUAL 7.351/1998. BAHIAPLAST. A concessão de crédito presumido de ICMS, como forma de estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, caracterizase como subvenção para investimentos, para fins de aplicação do artigo 443, do RIR/1999, notadamente quando comprovado o efetivo incremento do ativo imobilizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 07 72 /2 00 9- 89 Fl. 771DF CARF MF 2 Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Leonardo de Andrade Couto (suplente convocado), Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Relatório Tratase de processo originado por Autos de Infração de IRPJ e CSLL, quanto aos anoscalendário de 2005 e 2006, sendo aplicada multa de 75% e multa isolada sobre valor de estimativas mensais. Consta do Auto de Infração (fls. 69/72): Da Infração Contabilização indevida de valores relativos a subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas no período de apuração, gerando redução indevida do lucro sujeito à tributação. O Contribuinte, no período de 2005 e 2006, era beneficiário do incentivo fiscal de redução do ICMS, definido no Decreto Estadual n o 7.439/98 e alterações (BAHIAPLAST). O incentivo consistia na utilização de um crédito presumido de 41,1765% do ICMS destacado nas saídas para o mercado estadual e de 70% do ICMS destacado nas saídas interestaduais, lançados em sua escrita contábil/fiscal. O correspondente benefício fiscal (subvenção) era contabilizado em conta de reserva capital do grupo patrimônio líquido, sem transitar pelo resultado do exercício. A Administração Tributária, em relação ao tema, adotou o Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, que interpretou a Lei n° 4.506, de 1964 (que trata das subvenções correntes), e o Decretolei nº 1.598, de 1977 (que trata das subvenções para investimentos), com rigorosa observância dos respectivos ditames. Conceituou subvenção como sendo: "sob o ângulo tributário para fins de imposição do imposto de renda às pessoas jurídicas, é um auxílio que não importa em qualquer exigibilidade para o seu recebedor". Estabeleceu serem as expressões "subvenções para custeio" e "subvenções para operação" sinônimos, que abarcam a transferência de recursos com a finalidade "de auxiliála nas suas operações, ou seja, na consecução dos seus objetivos sociais", que seria o mesmo que "auxiliála a fazer face ao seu conjunto de despesas". "A subvenção para custeio ou operação é uma subvenção corrente ou comum. Já subvenção para investimento é uma subvenção especial. Neste caso, a utilização do adjetivo ‘corrente’ no art. 44 da Lei nº 4.506/64 teve, apenas, a finalidade de destacar o caráter de normalidade próprio das subvenções para custeio ou operação". Fl. 772DF CARF MF Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 9101003.084 CSRFT1 Fl. 743 3 Nas subvenções para investimento, a verba deve ser destinada "a aplicação em bens ou direitos" integrantes do ativo fixo, essa a finalidade última das subvenções para investimento objeto do Decretolei no 1.598, de 1977 (vide item 2.11 do PN CST 112, de 1978). A caracterização dessas subvenções não se dá apenas com a intenção do subvencionador; fundamental é a efetivação do investimento. O objetivo da norma que outorga a isenção é incentivar o investimento. Se não há investimento, é descabida a isenção na literalidade da lei (subvenção para investimento). Nesse sentido, o PN CST 112, de 1978, exige "efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico", bem como "sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado" (vide item 2.12 do PN CST 112, de 1978). Os itens 3.6 e 3.7 do PN CST no 112, de 1978 demonstram uma modalidade típica de subvenção para investimento: (...) Assim, procedo ao lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL que deixaram de ser apurados e recolhidos, pelo não reconhecimento das subvenções correntes para custeio ou operações recebidos do Estado da Bahia, nos termos do Decreto Estadual 7.439/98 e alterações (BAHIAPLAST), conforme planilhas de cálculos anexadas e demonstrativos constantes dos respectivos Autos de Infração. Da Apuração O contribuinte, nos anos de 2005 e 2006, é tributado pelo Lucro Real Anual, apurando as estimativas mensais com base em Balancetes de suspensão e/ou redução do imposto, conforme LALUR e DIPJ. Os valores mensais do benefício fiscal estão lançados como Crédito Presumido de no campo Outros Créditos, do Livro de Apuração de ICMS e creditados na conta Reserva de Incentivos Fiscais em contrapartida a conta ICMS A RECOLHER, na sua contabilidade. Esses montantes mensais foram incluídos como OUTROS RESULTADOS OPERACIONAIS, nos termos do art. 392, inciso I, do Decreto no 3.000, de 26/03/99 RIR/99, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, assim como, para o cálculo da multa por não pagamento das estimativas mensais devidas, conforme planilhas anexadas. (...) O contribuinte apresentou Impugnação Administrativa (fls. 189, volume 2), decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador pela manutenção do lançamento (fls. 256/275, volume 2): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 773DF CARF MF 4 Anocalendário: 2005, 2006, 2007 SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. FALTA DE RECONHECIMENTO DA RECEITA. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não vinculados ao efetivo investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. LANÇAMENTO DE MULTAS. FATOS DISTINTOS. A insuficiência de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ autoriza o lançamento de ofício da multa isolada, ainda que coexistindo com a multa de ofício incidente sobre o IRPJ anual apurado em decorrência da constatação de infrações à legislação fiscal, pois são decorrentes de fatos geradores diversos. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, em razão da relação de causa e efeito. Impugnação improcedente. Crédito tributário mantido. O contribuinte apresentou recurso voluntário, ao qual foi dado provimento pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho, conforme acórdão do qual se extrai a ementa (fls. 355): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. Os atos normativos que regulam a matéria, os atos de concessão e o incremento do ativo imobilizado no período autorizam afirmar que os incentivos fiscais estaduais foram concedidos como estímulo a investimentos de implantação/expansão do empreendimento projetado, caracterizandose, para fins de Fl. 774DF CARF MF Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 9101003.084 CSRFT1 Fl. 744 5 apuração do IRPJ e da CSLL, como subvenções para investimento. Em 08/04/2015, os autos foram remetidos à Procuradoria (fls. 559), que interpôs recurso especial em 28/04/2015, tratando da divergência na interpretação da lei tributária quanto ao incentivo fiscal analisado nos autos, que entende configurar subvenção para custeio. Apresenta acórdão paradigma nº 20400.420 (processo administrativo nº 10380.009536/200378), no qual se decidiu que: “nem toda isenção e/ou redução de imposto se "caracteriza como subvenção para investimento, como ocorre com a isenção e/ou redução do ICMS que evidencia, antes, um nãodesembolso financeiro, isto é, um benefício que passa a integrar o capital de giro do negócio”. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da 1ª Câmara da Primeira Seção do CARF (Conselheiro André Mendes de Moura), destacandose trecho da decisão a seguir: Examinando o acórdão paradigma verificase que traz o entendimento de que "nem toda isenção e/ou redução de imposto se caracteriza como subvenção para investimento, como ocorre com a isenção e/ou redução do ICMS que evidencia, antes, um nãodesembolso financeiro, isto é, um benefício que passa a integrar o capital de giro do negócio". O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que "os atos normativos que regulam a matéria, os atos de concessão e o incremento do ativo imobilizado no período autorizam afirmar que os incentivos fiscais estaduais foram concedidos como estímulo a investimentos de implantação/expansão do empreendimento projetado, caracterizandose, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, como subvenções para investimento". Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN. (...) Com fundamento nas razões acima expendidas, dou seguimento ao recurso especial da PGFN. O contribuinte foi intimado em 25/04/2016, apresentando contrarrazões ao recurso especial (fls. 691) em 17/05/2016 – intempestivamente , em síntese, alegando: (i) O Sr. Lars Gunnar Nyh seria portador de moléstia grave, justificandose a tramitação preferencial do processo; (ii) Não deveria ser conhecido o recurso especial pois o acórdão paradigma trataria de COFINS; (iii) O caso seria de subvenção para investimento, nos exatos contornos do artigo 238, §2º, a e b, do DecretoLei nº 1598/77, bem como do Parecer Normativo CST nº 112/78; Fl. 775DF CARF MF 6 (iv) Não seria possível aplicar a multa isolada após o encerramento do ano calendário; (v) Da restrição da aplicação da multa isolada às hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias; (vi) Impossibilidade da cobrança de multa isolada concomitantemente à multa de ofício. Em 26/12/2016, o Sr. Lars Gunnar Nyh novamente requereu agilidade no julgamento do processo, diante de moléstia grave / estatuto do idoso (fls. 725). Em 25/07/2017, o Presidente deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais recebeu intimação quanto ao mandado de segurança nº 100754009.2017.4.01.3400, no qual foi deferida liminar para “imediata distribuição do recurso especial interposto”, como também para sua inclusão em pauta para julgamento (fls. 733/740). Nesse contexto, o processo foi sorteado para minha relatoria em agosto de 2017, incluindose em pauta para julgamento na sessão seguinte. Em 06/09/2017, foi apresentada pelo contribuinte cópia da sentença proferida nestes autos (fls. 743/748), pela qual se determinou que: Ante o exposto, concedo em parte a segurança para determinar à parte impetrada que proceda à imediata distribuição do Recurso Especial interposto nos autos do Procedimento Administrativo PAF n. 13502.000772/200989, para a Turma Competente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sorteando ao relator e incluindo para julgamento na próxima pauta para julgamento disponível. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Inicialmente, não tomo conhecimento das contrarrazões apresentadas pelo contribuinte, diante da sua intempestividade. O recurso é tempestivo, razão pela qual passo à apreciação da existência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o único acórdão identificado como paradigma (20400.420). O único acórdão paradigma apresentado pela Recorrente tem o seguinte contorno fático, descrito em seu relatório: Tratase de lançamento da COFINS, referente ao período de 19992000, mantido pela primeira instância. Fl. 776DF CARF MF Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 9101003.084 CSRFT1 Fl. 745 7 A Recorrente foi autuada por meio do Auto de Infração de fls. 04/10, referente à COFINS — Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. Notificada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação, alegando, em síntese o cerceamento de defesa (...). No mérito, aduziu a inconstitucionalidade da Lei nº9.718/98 (...), impossibilidade de utilização de Medida Provisória para instituição de tributo(...). Aduziu ainda que o Auditor não considerou a reclassificação contábil; aventou a isenção tributária de parte da exação lançada no auto de infração, nos termos do art. 14, II e IX da MP n° 215835; a inexistência de receita nos valores agregados por força de subvenção do ICMS; cobrança de valores da Cofins já recolhidos por meio de compensação; direito à redução da alíquota de 3% para 2%; erro na aplicação da base de cálculo; e princípio da capacidade contributiva. Pediu, ao final, o acolhimento da preliminar, anulandose o auto de infração e no mérito a improcedência do lançamento ou, alternativamente a realização de perícia contábil. Nesse sentido, julgou a Turma do acórdão paradigma (20400.420), analisando o artigo 3º, §2º, da Lei nº 9.718/1998: Subvenção para Investimento. Isenções e Reduções de Impostos. A redução do ICMS imposto não se caracteriza como subvenção para investimento, mas um desembolso financeiro, isto é, um benefício que passa a integrar o capital de giro do negócio, portanto, integra a base de cálculo do tributo para o presente caso. É que com a redução do ICMS a recolher a Recorrente inevitavelmente auferiu receitas decorrentes de recuperação de custos ou despesas que, como visto, não integra a lista exaustiva das exclusões da base de cálculo da contribuição em apreço no §2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, motivo pelo qual rejeito a argumentação da Recorrente. (...) No caso em discussão, a impropriedade de sua classificação como subvenção para investimento avulta da leitura da documentação acostada aos autos, da qual inequivocamente se conclui não haver qualquer exigência para que os recursos recebidos dos cofres do Estado do Ceará sejam obrigatoriamente aplicados .na aquisição de ativos necessários à implantação ou à expansão do parque fabril da autuada. A despeito do acórdão paradigma mencionar o artigo 3º, §2º, da Lei nº 9.718/1998 e tratar de COFINS, este define o que são subvenções para investimento, definição que depende de interpretação de norma comum para o IRPJ e COFINS. Tanto assim que o acórdão paradigma analisa o Parecer Normativo CST 112/78, que trata de requisitos para a caracterização da subvenção para investimentos. Diante disso, voto por conhecer o recurso especial da Procuradoria. Fl. 777DF CARF MF 8 Passo a apreciar o mérito. O auto de infração afastou a aplicação das normas de subvenção para investimento quanto ao incentivo fiscal concedido pelo Estado da Bahia: O Contribuinte, no período de 2005 e 2006, era beneficiário do incentivo fiscal de redução do ICMS, definido no Decreto Estadual n o 7.439/98 e alterações (BAHIAPLAST). O incentivo consistia na utilização de um crédito presumido de 41,1765% do ICMS destacado nas saídas para o mercado estadual e de 70% do ICMS destacado nas saídas interestaduais, lançados em sua escrita contábil/fiscal. O correspondente benefício fiscal (subvenção) era contabilizado em conta de reserva capital do grupo patrimônio líquido, sem transitar pelo resultado do exercício. A Administração Tributária, em relação ao tema, adotou o Parecer Normativo CST nº 112, de 1978, que interpretou a Lei n° 4.506, de 1964 (que trata das subvenções correntes), e o Decretolei nº 1.598, de 1977 (que trata das subvenções para investimentos), com rigorosa observância dos respectivos ditames. Conceituou subvenção como sendo: "sob o ângulo tributário para fins de imposição do imposto de renda às pessoas jurídicas, é um auxílio que não importa em qualquer exigibilidade para o seu recebedor". Estabeleceu serem as expressões "subvenções para custeio" e "subvenções para operação" sinônimos, que abarcam a transferência de recursos com a finalidade "de auxiliála nas suas operações, ou seja, na consecução dos seus objetivos sociais", que seria o mesmo que "auxiliála a fazer face ao seu conjunto de despesas". "A subvenção para custeio ou operação é uma subvenção corrente ou comum. Já subvenção para investimento é uma subvenção especial. Neste caso, a utilização do adjetivo ‘corrente’ no art. 44 da Lei nº 4.506/64 teve, apenas, a finalidade de destacar o caráter de normalidade próprio das subvenções para custeio ou operação". Nas subvenções para investimento, a verba deve ser destinada "a aplicação em bens ou direitos" integrantes do ativo fixo, essa a finalidade última das subvenções para investimento objeto do Decretolei no 1.598, de 1977 (vide item 2.11 do PN CST 112, de 1978). A caracterização dessas subvenções não se dá apenas com a intenção do subvencionador; fundamental é a efetivação do investimento. O objetivo da norma que outorga a isenção é incentivar o investimento. Se não há investimento, é descabida a isenção na literalidade da lei (subvenção para investimento). Nesse sentido, o PN CST 112, de 1978, exige "efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico", bem como "sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado" (vide item 2.12 do PN CST 112, de 1978). Os itens 3.6 e 3.7 do PN CST no 112, de 1978 demonstram uma modalidade típica de subvenção para investimento: (...) Fl. 778DF CARF MF Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 9101003.084 CSRFT1 Fl. 746 9 A subvenção para investimento é regrada pelo artigo 443, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999): Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. No caso destes autos, tratase de benefício do Estado da Bahia, regulado pelo Decreto nº 7.351/1998, que estabeleceu o “Regulamento do Programa Estadual de Desenvolvimento da Indústria de Transformação Plástica”. Este Decreto previa em seu artigo 5º: Art. 5º As empresas interessadas em instalar ou ampliar projetos industriais no território baiano, com incentivos do Programa BAHIAPLAST, poderão pleitear os seguintes benefícios: I. infraestrutura física; diferimento do lançamento e pagamento do Imposto sobre Operações Relativas a Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS devido; II. crédito presumido nas operações de saídas de produtos transformados, derivados de produtos químicos, petroquímicos básicos e petroquímicos intermediários, de estabelecimentos onde sejam exercidas atividades indicadas no art. 10, deste Regulamento, desde que fabricados nesses estabelecimentos. (Redação do inciso do art. 5º de acordo com o art. 1º do Decreto nº 7.732, de 29 de dezembro de 1999) O reconhecimento de subvenção para investimento, que não é computada no lucro real, depende de: (i) intenção do Poder Público (ente subvencionador) em estimular a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; (ii) registro como reserva de capital da subvenção para investimentos; (iii) efetiva implantação e expansão de empreendimentos econômicos. Sobre a necessidade de efetiva implantação e expansão do empreendimento requisito sobre o qual eventualmente algum componente desta Turma divirja destaco a adoção de parte das razões do Parecer Normativo CST nº 112, de 29/12/1978, no qual consta que é necessária a efetiva aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento: Fl. 779DF CARF MF 10 Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. É pertinente lembrar que consta do acórdão recorrido o expresso reconhecimento de que estão presentes tais requisitos no caso dos autos, diante: (i) da intenção do Estado da Bahia em estimular a implantação e expansão de empreendimentos; (ii) do registro como reserva de capital e, ainda, (iii) efetiva implantação e expansão da planta industrial (identificando o acórdão recorrido o crescente aumento do ativo imobilizado). Destaquese trecho do acórdão recorrido nesse sentido: Inicialmente, constatase que se atendeu à condição da contabilização dos valores das subvenções em reserva de capital (art.38, §2º, “a”, do Decretolei nº 1.598/77), consoante explicitou a autoridade fazendária: “...O correspondente benefício fiscal (subvenção) era contabilizado em conta de reserva de capital do grupo patrimônio líquido, sem transitar pelo resultado do exercício”. Entretanto, para a fiscalização os valores decorrentes dos incentivos fiscais estaduais não se caracterizariam como Subvenções para Investimento, porque o benefício previsto no Decreto nº 7.439/98 e alterações (BAHIAPLAST), do Estado da Bahia, não previa “...absoluta correspondência e vinculação entre a percepção da vantagem e a aplicação dos recursos (aplicação efetiva e específica do recursos – ativo fixo)”. Ainda no entender da autoridade autuante, “...o objetivo da norma que outorga isenção é incentivar o investimento. Se não há investimento, é descabida a isenção na literalidade da lei (subvenção para investimento)”. Na presente análise, não se pode olvidar que a condição primeira para o enquadramento de benefícios fiscais como Subvenções para Investimento, repitase, é que devem ter sido concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos. Senão, vejamos novamente o que dispõe o RIR/99, com base no Decretolei nº 1.598/77: (...) O Decreto Estadual nº 7.439, de 17/9/98, que aprovou o Regulamento do Programa Estadual de Desenvolvimento da Indústria de Transformação Plástica – BAHIAPLAST, dispôs (fls.70/79 do Anexo): Assim, dúvidas não há, à luz do Decreto Estadual nº 7.439/98, de que os benefícios fiscais de que tratava seriam concedidos para fomentar a instalação de novos empreendimentos no parque industrial baiano, ou a ampliação de projetos industriais existentes. Consta dos autos cópia do requerimento da Fly Pack Ltda, atual Prisma Pack (fls.40/68), formulado em 1º/10/01 perante a Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração do Estado da Bahia para a obtenção dos incentivos do Programa BAHIAPLAST, do qual se extraem as seguinte informações: o projeto consistiu na instalação de planta de transformação de resinas de polietileno pelo processo de extrusão plana em filmes para fraudas descartáveis e absorventes higiênicos, que contemplaria no primeiro ano de operação a produção de 3.600 Fl. 780DF CARF MF Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 9101003.084 CSRFT1 Fl. 747 11 t/ano, atingindo 7.200 t/ano no segundo ano e, a partir do quarto ano de operação, 14.400 t/ano; fixação da área construída de 4.000 m2 no município de Camaçari (BA); a constituição da sociedade deuse em 20/8/01 (40 dias antes da formulação do pedido). Em 11/6/02, à Prisma Pack – Indústria de Filmes Técnicos e Embalagens Ltda concedeuse a habilitação no BAHIAPLAST sob a forma de crédito presumido e diferimento do pagamento do ICMS até 31/12/07, nos termos da Resolução nº 10/2002, do Conselho Deliberativo do BAHIAPLAST (fl.69 do Anexo). Apesar de os benefícios fiscais serem concedidos por um Estado com o objetivo de, por exemplo, manter determinado empreendimento em seu território, fomentando a geração de empregos, inclusive indiretos, e o desenvolvimento ou manutenção de determinado setor produtivo, no contexto da chamada “guerra fiscal”, a legislação tributária federal apenas autoriza a não inclusão nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, caso visem concretamente a estimular a “implantação ou expansão de empreendimento”, o que não dispensaria a efetiva contrapartida pelo empreendedor em tais objetivos. (...) Na espécie, à luz do Decreto Estadual nº 7.439, de 1998, e do projeto de implantação e expansão da planta industrial, aprovado pela Resolução nº 10/2002, do Conselho Deliberativo do BAHIAPLAST, o estímulo à implantação ou expansão de empreendimento restou comprovado. Por sua vez, acerca da “efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado”, não se pode afastar a concreta possibilidade de os recursos decorrentes do crédito presumido de ICMS terem sido aplicados na implantação e consequente expansão da planta industrial, havendo evidências em tal sentido (v.g., o crescente aumento do ativo imobilizado – fl.167 do Anexo). Ademais, registrese, a autoridade autuante, mesmo à vista das explicações do contribuinte no curso do procedimento fiscal, não apontou efetivamente os elementos comprobatórios da não aplicação da subvenção nos investimentos de implantação/expansão do empreendimento econômico. (...) Com efeito, consta às fls. 167 do Anexo I Balanço Patrimonial do contribuinte que houve aumento substancial do seu ativo imobilizado entre os anos de 2003 e 2009 (lembrando que os fatos geradores em discussão nestes autos ocorreram entre 2006 e 2008). Reproduzo informações deste Balanço Patrimonial: Julho 2009 Dezembro 2008 Dezembro 2007 Dezembro 2006 Dezembro 2005 Dezembro 2004 Dezembro 2003 Fl. 781DF CARF MF 12 Imobilizado 19.178.667 17.215.509 10.839.847 10.297.106 7.875.219 6.591.084 3.313.084 O citado documento foi apresentado à ocasião da impugnação administrativa (doc. 05). Ressalvo que adotar as razões do acórdão recorrido, no presente caso, não ocorre pela admissão única de investimento em ativo fixo para caracterização de subvenção para investimento. Destaco que os Pareceres Normativos CST nº 2/1978 e 142 de 1978, aparentemente, orientam entendimento nesse sentido. Colaciono trecho do PN CST 142/78: 2.11. Uma das fontes para pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO seria destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendendose um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Por fim, compartilho o entendimento do acórdão recorrido a respeito da impossibilidade de "carimbar" o dinheiro, notadamente se considerado que é possível e razoável a existência de despesas préoperacionais quando se implanta empreendimento. Nesse sentido, destaco trecho do acórdão recorrido, que adoto como razões de decidir, mencionando voto lavrado pelo exConselheiro Marcos Shigueo Takata: A propósito, é oportuno mencionar que esta Terceira Turma Ordinária (acórdão nº 110300.555, de 20/10/2011) já entendeu, não obstante com composição distinta, que determinado benefício fiscal, igualmente concedido pelo Estado da Bahia, poderia ser considerado, para fins da legislação do IRPJ e da CSLL, como Subvenção para Investimento. O I. Cons. Marcos Shigueo Takata, em seu voto vencedor, esclareceu, com base na legislação regente, que, caso a intenção de quem transfere os recursos (ou tem o custo econômico) é de subvencionar investimento, estáse diante de transferência de capital e, pois, de subvenção para investimento, ressaltando, com bastante perspicácia, que o dinheiro aplicado na instalação/expansão de empreendimento econômico não se “carimba”. Vejamos, verbis: “[...] se um incentivo fiscal é concedido sob a ‘condição’ de instalação, expansão ou ampliação de empreendimentos, o custo econômico desse incentivo representa uma subvenção para investimento. A caracterização de subvenção para investimento não se dá pela vinculação dos recursos recebidos aos empreendimentos, no sentido de destinação dos recursos a esses investimentos. Isso se ocorrer, constitui elemento acidental: o cerne é o que descrevi acima para configuração de subvenção para investimento. Com a devida vênia, subvenção para investimento não depende da vinculação no sentido de destinação dos recursos, por três razões básicas. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 13502.000772/200989 Acórdão n.º 9101003.084 CSRFT1 Fl. 748 13 Primeiro porque, ordinariamente, o beneficiário primeiro aplica seus recursos, para a realização dos empreendimentos, para depois passar a receber a subvenção para investimento. Basta pensar naquele que resolveu instalar sua fábrica em determinado Estado, por conta da subvenção para investimento na forma de incentivos fiscais. É evidente que só receberá os recursos da subvenção, após ter aplicado seus recursos próprios (ainda que obtidos mediante financiamento). Mesmo nos casos de ampliação de empreendimentos já existentes em certo Estado, o que se dá, em geral, é a aplicação de recursos próprios, e depois o recebimento dos recursos de subvenção para investimento. Segundo porque o aumento de estoque de capital como evidência da intenção de subvencionar investimento não depende da destinação dos recursos aos empreendimentos. Depende (aumento de estoque de capital) certamente da intenção de se subvencionar investimento (empreendimento), geralmente expressa (a intenção) por meio de estímulos ao investimento quando a subvenção se dá através de incentivos fiscais. Noutras palavras, nem o art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/77 prevê referida destinação dos recursos, ao tratar de subvenção para investimento para fins de IRPJ sob regime de lucro real tampouco o direito contábil (art. 182, §1º, “d”, da Lei de S.A.). Terceiro, que não deixa de ser um desdobramento das duas razões citadas, porque o dinheiro não ‘se carimba’, não é possível se ‘carimbálo’. Aliás, no caso de subvenção para investimento por meio de incentivos fiscais, em geral nem se recebe dinheiro, mas outro ativo. E, é claro, mesmo numa subvenção em que se receba dinheiro e o beneficiário o destine a algum empreendimento, se a subvenção for dada com intenção de cobrir despesas ordinárias ou para giro normal da empresa, a subvenção será de custeio ou corrente, e não de investimento. Logo, a contrapartida contábil do recurso recebido será receita (transferência de renda), e não reservas de capital (transferência de capital). Pelo que foi deduzido, e como corolário, a caracterização de subvenção para investimento não se dá, não depende de estreita correlação entre os recursos e aplicação específica nos empreendimentos, ou seja, de sincronismo. Para fins da subvenção, vinculação é relacional ao propósito da subvenção. Ou seja, podese falar em vinculação como relacional à intenção do subvencionador. Neste sentido (e somente neste) se pode dizer em vinculação dos recursos a projetos Fl. 783DF CARF MF 14 de investimento aprovados, para o caráter de subvenção para investimento. (...) Por tais razões, voto por conhecer do recurso especial da Procuradoria e negarlhe provimento, mantendo integralmente o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 784DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.900816/2013-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI 1.510/76. DIREITO ADQUIRIDO APENAS AO TITULAR. NÃO TRANSFERÍVEL PELA VIA DA SUCESSÃO.
A isenção de Imposto de Renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação de participação societária adquirida sob o Decreto-lei 1.510/76 e negociada após cinco anos da data de aquisição, na vigência da Lei 7.713/88, é direito personalíssimo, não se transferindo ao herdeiro em caso de morte do titular.
Numero da decisão: 2201-003.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski. Vencidos os Conselheiros Ana Cecília Lustosa da Cruz e José Alfredo Duarte Filho, que davam provimento ao recurso. A Conselheira Dione Jesabel Wasilewski manifestou a intenção de apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Acórdão formalizado sem a Declaração de Voto, por não apresentação dentro do prazo regimental.
EDITADO EM: 25/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETOLEI 1.510/76. DIREITO ADQUIRIDO APENAS AO TITULAR. NÃO TRANSFERÍVEL PELA VIA DA SUCESSÃO. A isenção de Imposto de Renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação de participação societária adquirida sob o Decretolei 1.510/76 e negociada após cinco anos da data de aquisição, na vigência da Lei 7.713/88, é direito personalíssimo, não se transferindo ao herdeiro em caso de morte do titular. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski. Vencidos os Conselheiros Ana Cecília Lustosa da Cruz e José Alfredo Duarte Filho, que davam provimento ao recurso. A Conselheira Dione Jesabel Wasilewski manifestou a intenção de apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 08 16 /2 01 3- 19 Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10850.900816/201319 Acórdão n.º 2201003.900 S2C2T1 Fl. 702 2 Acórdão formalizado sem a Declaração de Voto, por não apresentação dentro do prazo regimental. EDITADO EM: 25/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 665/697, interposto contra decisão da DRJ em Fortaleza/CE, de fls. 139/148, a qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade da ora RECORRENTE pelo indeferimento do pedido de restituição de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF no valor de R$ 164.717,49 pago sobre o ganho de capital apurado a título de alienação de participação societária. A RECORRENTE apresentou sua Manifestação de Inconformidade de fls. 07/24 em 14/05/2013. Em apertada síntese, afirma que em 29/01/2004, houve a alienação da participação societária na Usina São Domingos por parte do Espólio do Sr. Aurélio Zancaner (seu pai, falecido em 02/09/2000). Tal operação foi realizada por meio de uma entrada e mais 7 parcelas semestrais, estas pagas entre julho de 2004 e julho de 2007. Ocorre que, no entendimento da RECORRENTE, o ganho de capital em questão não estava sujeito à incidência do IRPF, por força da isenção prevista no artigo 40, "d", do DecretoLei n° 1.510/76. Afirma possuir o conhecimento de que tal regra foi revogada pela Lei n° 7.713/88, no entanto, argumenta ter direito adquirido à isenção de IRPF na operação de alienação integral de participação societária, pois, à época da revogação do Decretolei nº 1.510/76, já havia sido cumprido o requisito exigido para o seu gozo, qual seja, a manutenção da propriedade de participação societária pelo prazo de 05 (cinco) anos contados de sua subscrição ou aquisição. Assim, o direito à isenção teria sido adquirido já no ano de 1982, enquanto que a revogação do Decretolei se deu tão somente em 01/01/1989. Após a morte de seu pai, a Recorrente e sua irmã herdaram, cada uma, metade dos bens do de cujus, nos termos do Formal de Partilha. Durante o período de pagamento das parcelas decorrentes da alienação da participação societária, houve a conclusão do processo de inventário do Sr. Aurélio Zancaner tendo havido trânsito em julgado da sentença em 29/09/2005. Assim, da 4ª parcela em diante, os pagamentos passaram a ocorrer não mais para o Espólio do de cujus, mas diretamente para as herdeiras, no montante de 50% para cada. A restituição pleiteada no presente caso (R$ 164.717,49) referese ao valor do IRPF recolhido, já em nome da RECORRENTE, quando do recebimento da 5ª e da 6ª parcela Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10850.900816/201319 Acórdão n.º 2201003.900 S2C2T1 Fl. 703 3 do pagamento devido pela alienação da participação societária (datadas de 15/07/2006 e 15/11/2006, respectivamente). Quando da apreciação do caso, a DRJ de Fortaleza/CE julgou improcedente a manifestação de inconformidade e, por consequência, o pedido eletrônico de restituição formulado pela interessada, referente ao PER/DCOMP nº 01609.38548.270710.2.2.044532 (acórdão às fls. 139/148). Tal decisão, em síntese, fundouse na argumentação de que a isenção pleiteada pela contribuinte poderia ser revogada a qualquer tempo, uma vez que não estaria configurada a existência de direito adquirido à isenção de IRPF nos ganhos de capital decorrentes da alienação de participações societárias adquiridas antes da Lei n° 7.713/88. Considerou, por outro lado, que mesmo que se entendesse pela existência de direito adquirido, caberia, ainda, a averiguação sobre o requisito de permanência da participação societária alienada no patrimônio pelo prazo de 05 (cinco) anos durante a vigência do Decretolei nº 1.510/1976. Por fim, pontuou que a RECORRENTE não teria legitimidade para pleitear o direito à restituição, pois a ela caberia apenas 50% da parcela, sendo os outros 50% correspondentes à parte da outra herdeira. É o que depreende de sua ementa, colacionada abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 ISENÇÃO CONDICIONADA. PRAZO INDETERMINADO. LEI CONCESSORA. REVOGAÇÃO. POSSIBILIDADE. Somente a isenção condicionada concedida por prazo certo torna irrevogável a lei concessora do benefício fiscal. A isenção sob condição onerosa concedida por prazo indeterminado permite a revogação da lei concessora do beneficio fiscal por ato legal que lhe sobrevenha. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A isenção prevista no art. 4o do Decretolei no 1.510, de 1976, foi expressamente revogada pelo art. 58 da Lei no 7.713, de 1988, sendo, portanto, inaplicável a alienações ocorridas a partir da entrada em vigor da lei revogadora em 1o de janeiro de 1989, inexistindo direito adquirido a regime jurídico. ISENÇÃO CONDICIONADA. PROVA DE ATENDIMENTO. ÔNUS. Cabe ao interessado no benefício fiscal fazer prova do atendimento da condição exigida pela lei concessora da isenção. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEGITIMIDADE. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10850.900816/201319 Acórdão n.º 2201003.900 S2C2T1 Fl. 704 4 Tem legitimidade para pleitear a restituição de valor indevido o sujeito passivo interessado ou seu representante legal habilitado por instrumento hábil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 12/04/2016, conforme AR de fl. 151, apresentou o recurso voluntário de fls. 665/697. Apesar de não haver chancela com a data indicativa do protocolo, verifico que o recurso foi juntado aos autos do processo em 12/05/2016, conforme atesta o termo de fl. 698. Sendo assim, é de rigor reconhecer que o mesmo foi apresentado dentro do prazo de 30 dias. Inicialmente, requereu prioridade na tramitação do presente feito, tendo em vista possuir mais de 60 (sessenta) anos, nos termos do art. 71, §3º da Lei nº 10.741/03 – Estatuto do Idoso. Em suas razões, em suma, reiterou os argumentos da Manifestação de Inconformidade, no sentido de ter direito adquirido à isenção de IRPF na operação de alienação integral de participação societária havida pelo Sr. Aurélio Zancaner na Usina São Domingos S/A e realizada pelo seu Espólio em 29/01/2004, pois, à época da revogação do Decretolei nº 1.510/76 pela Lei n° 7.713/88, já havia sido cumprido o requisito exigido pela regra isentiva. Ressalta que tal direito, por ser patrimonial e não pessoal, integra definitivamente a herança do de cujus, sendo, portanto, transmitido de imediato às suas herdeiras no instante do óbito. Logo, uma vez que o Sr. Aurélio Zancaner, à época do óbito, já havia cumprido os requisitos de isenção, possuía o direito adquirido a tal, o qual teria sido transmitido à recorrente através da sucessão. Além disso, rebate o argumento de que não há uma condição onerosa ao contribuinte que justifique a vedação da revogação do benefício da isenção a qualquer tempo. Para tanto, alega que a manutenção das cotas de participação em sociedade no patrimônio do contribuinte representa uma renúncia à possibilidade de auferir lucro com elas, o que configuraria o não usufruto de ganho imediato e certo com vistas a obter benefício maior, porém incerto. Esse fato, segundo a contribuinte, demonstra a onerosidade da isenção em tela. Argumentou que o aumento de algumas ações durante o período de manutenção das mesmas pelo Sr. Aurélio Zancaner não se trata de aquisição de ações, mas na verdade de bonificações (capitalizações de reservas de lucros e/ou correção monetária do capital social), com o aumento do valor nominal das ações ou o aumento proporcional do número de ações. Por outro lado, esclareceu que, de fato, houve aquisição de quantidades ínfimas de ações nos anos de 1987, 1988, 1991 e 1994, e reconhece que estas parcelas não teriam direito à isenção do IRPF. Assim, fez o cálculo às fls. 691/692 para demonstrar que tais parcelas não isentas representam apenas 5,22% do total alienado, de modo que pleiteia a restituição do valor de R$ 156.121,40 e não do valor de R$ 164.717,49. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10850.900816/201319 Acórdão n.º 2201003.900 S2C2T1 Fl. 705 5 Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. MÉRITO Do direito adquirido à isenção de IRPF em alienação de participação societária A RECORRENTE defende possuir direito adquirido à isenção de Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF sobre os lucros auferidos em operação de alienação de cotas societárias ocorrida em 2004. Para tanto, alude que o Sr. Aurélio Zancaner, de cujus, adquiriu as ações no período de vigência do Decretolei nº 1.510/76, o qual concedia o benefício fiscal, bem como que já havia cumprido o requisito exigido por tal Decretolei quando este fora revogado pela Lei n° 7.713/88. Como o ato jurídico já tinha se aperfeiçoado, argumenta que o direito subjetivo à isenção do IRPF incidente sobre o ganho de capital eventualmente auferido em futura alienação foi transferido à sua sucessora, ora RECORRENTE. No entanto, entendo que não assiste razão à RECORRENTE. Primeiramente, fazse mister enfatizar o meu entendimento sobre o assunto, no sentido de que, após a manutenção por 05 (cinco) anos das ações em seu patrimônio durante a vigência do Decretolei nº 1.510/77, considerase que o contribuinte titular possui direito adquirido para fazer gozo da isenção tributária no momento da alienação, mesmo após a revogação da regra isentiva pela Lei n° 7.713/88. Este posicionamento encontrase consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ. Ocorre que tal direito é personalíssimo, não podendo ser transferido aos herdeiros no momento da sucessão. É que a regra do art. 40, “d”, do DecretoLei n° 1.510/76 previa o seguinte: Art. 40 Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1°: (...) d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Ou seja, a isenção do IRPF valia tãosomente para a alienação seguinte ao período de permanência de 05 anos com a participação societária no patrimônio do contribuinte. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10850.900816/201319 Acórdão n.º 2201003.900 S2C2T1 Fl. 706 6 Ao se transferir as ações aos herdeiros pela via da sucessão causa mortis, tal fato jurídico já é uma alienação (mesmo que não onerosa). Conforme o dicionário Michaelis da língua portuguesa (http://michaelis.uol.com.br/modernoportugues/busca/portuguesbrasileiro/alienar/), o termo alienar possui a seguinte definição: 1. Tornar alheios determinados bens ou direitos, a título legítimo; transferir a outrem o domínio de; alhear: A revendedora alienou o carro enquanto o comprador não quitasse a dívida. O pai resolveu alienar seus bens aos filhos. Não diferente é a definição dada pelo dicionário Priberam (https://www.priberam.pt/dlpo/alienar): a∙li∙e∙nar Conjugar (latim alieno, are) verbo transitivo 1. Transferir para domínio alheio (por venda, troca, doação, etc.). 2. Alucinar. 3. Malquistar. verbo pronominal 4. Enlouquecer; alhearse. Ou seja, a alienação é o ato pelo qual o titular transfere sua propriedade a outro interessado, podendo ser a título oneroso ou gratuito. Sendo assim, esse ato de transferência da participação societária via herança foi a alienação acobertada pela isenção do IRPF prevista no art. 40, “d”, do DecretoLei n° 1.510/76. O fato de a alienação não onerosa decorrente da herança não ser fato suscetível de apuração de lucro (a ensejar a apuração do IRPF) jamais pode servir de argumento para transferir o direito de isenção do art. 40, “d”, do DecretoLei n° 1.510/76 para uma futura a alienação onerosa. Esta hipótese não foi prevista na regra isentiva, que deve ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111, II, do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; Esse posicionamento, vale ressaltar, foi reafirmado em recentíssima decisão do STJ, datada de 02 de maio de 2017, proferida nos autos do Agravo Interno no Recurso Especial 1.647.630/SP. Confirase, abaixo, esta decisão, bem como decisões análogas: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10850.900816/201319 Acórdão n.º 2201003.900 S2C2T1 Fl. 707 7 2015. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973. INOCORRÊNCIA. IMPOSTO SOBRE A RENDA. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO. DECRETOLEI N. 1.510/76. NECESSIDADE DE IMPLEMENTO DAS CONDIÇÕES ANTES DA REVOGAÇÃO. TRANSMISSÃO DO DIREITO AOS SUCESSORES DO TITULAR ANTERIOR DO BENEFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. ISENÇÃO ATRELADA À TITULARIDADE DAS AÇÕES POR CINCO ANOS. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplicase o Código de Processo Civil de 2015. II A Corte de origem apreciou todas as questões relevantes apresentadas com fundamentos suficientes, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao posicionamento jurisprudencial aplicável à hipótese. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. III O acórdão adotou entendimento consolidado nesta Corte segundo o qual a isenção de Imposto sobre a Renda concedida pelo art. 4º, d, do DecretoLei n. 1.510/76, pode ser aplicada às alienações ocorridas após a sua revogação pelo art. 58 da Lei n. 7.713/88, desde que já implementada a condição da isenção antes da revogação, não sendo, ainda, transmissível ao sucessor do titular anterior o direito ao benefício. IV O recurso especial, interposto pelas alíneas a e/ou c do inciso III do art. 105 da Constituição da República, não merece prosperar quando o acórdão recorrido encontrase em sintonia com a jurisprudência desta Corte, a teor da Súmula n. 83/STJ. V Os Agravantes não apresentam, no agravo, argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. VI Agravo Interno improvido. (STJ AgInt no REsp 1647630 SP 2017/00034220. Relatora: Ministra Regina Helena Costa. Data de Julgamento: 02/05/2017. Data de Publicação: 10/05/2017) – Grifos acrescidos RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/1973. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE A ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ALIENAÇÃO EFETIVADA PELO HERDEIRO APÓS SUCESSÃO CAUSA MORTIS . ART. 4º, "D", DO DECRETOLEI N. 1.510/76. INEXISTÊNCIA DE ISENÇÃO. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO (ART. 932, IV, CPC/2015 C/C ART. 255, § 4º, II, RISTJ). Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10850.900816/201319 Acórdão n.º 2201003.900 S2C2T1 Fl. 708 8 (STJ REsp: 1650844 SP 2017/00147128, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de Publicação: DJ 09/05/2017) – Grifos acrescidos Ademais, colacionase trecho de mais uma decisão do STJ, a qual considera que a transferência causa mortis já é uma alienação, in verbis: "Com efeito, ficou expressamente registrado a não mais poder que o art. 4º, "b", do DecretoLei nº 1.510/1976, considerou como sendo alienações as transferências de ascendentes para descendentes "mortis causa". Se esse entendimento é válido para a alínea "b", também o é para a alínea "d" do mesmo art. 4º, do DecretoLei nº 1.510/1976. Transcrevo: DecretoLei nº 1.510/1976 Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: [...] b) pelo espólio, nas alienações "mortis causa"; b) nas doações feitas a ascendentes ou descendentes e nas transferências "mortis causa"; (Redação dada pela Decreto lei nº 1.579, de 1977) [...] d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Desse modo, se houve morte, houve alienação. Assim, a cada morte de cada ascendente, houve uma alienação para o respectivo herdeiro, de modo que o último herdeiro não completou 5 (cinco) anos na posse da ação durante a vigência do art. 4º, "d" do DecretoLei n. 1.579/77, pois somente a recebeu após o término da vigência do decreto isentivo." (STJ Edcl no REsp. nº 1.632.483/SP. Segunda Turma. Rel. Min. Mauro Campbell Marques. Julgado em 04.04.2017) No caso em tela, a RECORRENTE adquiriu as mencionadas ações transmitidas por herança, em razão do óbito de seu pai, cuja participação societária foi adquirida sob a égide do Decretolei nº 1.517/76, tendo permanecido em seu patrimônio por mais de cinco anos. Considerase que os requisitos para obtenção da isenção tributária foram preenchidos somente pelo de cujus e revestindose o benefício fiscal de caráter personalíssimo, incabível sua transferência para os seus descendentes, no caso a RECORRENTE. Transferida a titularidade das ações para a sucessora causa mortis, não mais subsiste o requisito da titularidade para fruição do direito adquirido à isenção de Imposto de Renda sobre o lucro auferido com a alienação das ações. Conforme já exposto, o art. 111, II, do CTN, prevê que a lei acerca de outorga de isenção tributária deve ser interpretada literalmente, o que impede o reconhecimento da pretensão da RECORRENTE. Ou seja, o fato de o então titular das ações, Sr. Aurélio Zancaner, não ter usufruído o direito adquirido à isenção de Imposto de Renda prevista na alínea 'd’ do art. 4º do Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10850.900816/201319 Acórdão n.º 2201003.900 S2C2T1 Fl. 709 9 DecretoLei nº 1.510/1976, não transfere tal isenção para sua sucessora, uma vez que o benefício está atrelado à titularidade das ações pelo prazo de cinco anos. Importante esclarecer que, nos termos do art. 1.784 do Código Civil, a transmissão da herança ocorre no momento da morte do de cujus: Art. 1.784. Aberta a sucessão, a herança transmitese, desde logo, aos herdeiros legítimos e testamentários. Ou seja, conforme o princípio da Saisine, com da morte do de cujus a propriedade e a posse da herança são transmitidas imediatamente aos herdeiros legítimos e testamentários, independentemente da abertura do inventário. Vale lembrar que a herança é um bem indivisível até a sentença da partilha, de modo que enquanto esta não sobrevier, os herdeiros serão coproprietários do todo. No presente caso, o Sr. Aurélio Zancaner faleceu em 02/09/2000, ao passo que a alienação da participação societária do de cujus na Usina São Domingos ocorreu em 29/01/2004. Deste modo, nem mesmo as parcelas recebidas pelo espólio durante a ação de inventário estariam isentas do IRPF, pois, no momento da venda, já havia ocorrido a transmissão da herança aos herdeiros (a RECORRENTE e sua irmão), não subsistindo o direito do benefício fiscal da isenção de IRPF, pois este é de natureza personalíssima. Ante o exposto, resta claro que a RECORRENTE não possui direito adquirido à isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física incidente sobre o ganho de capital auferido pela alienação de participação societária, vez que é sucessora do Sr. Aurélio Zancaner. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para rejeitar o direito à restituição do Imposto de Renda da Pessoa Física tributado sobre alienação de participação societária ocorrida no ano de 2004, vez que a RECORRENTE, na condição de sucessora do contribuinte, não possui direito adquirido à isenção instituída no art. 4º, alínea d, do DecretoLei nº 1.510/76. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 709DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002037/2010-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 03/11/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, JoãoVictor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 37 /2 01 0- 81 Fl. 238DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, JoãoVictor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial da Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 240203.772, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF em 18/09/2013, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida deu provimento parcial ao recurso para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 03/11/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INCIDÊNCIA. A empresa deve arrecadar as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, mediante desconto na remuneração, e recolher os valores aos cofres públicos. O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuno e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto em lei. DECADÊNCIA PARCIAL. ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA VINCULANTE 08 do STF. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, em que os fatos geradores efetuouse antecipação de pagamento, deixa de ser aplicada a regra geral do art. 173, inciso I, para a aplicação do art. 150, § 4º, ambos do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação Fl. 239DF CARF MF Processo nº 19515.002037/201081 Acórdão n.º 9202005.757 CSRFT2 Fl. 239 3 tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Na origem, tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais cooperados, que deveriam ter sido arrecadadas pelo empregador e não foram integralmente repassadas em época própria à Previdência Social. O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 01/2005 a 12/2005. O Relatório Fiscal (fls. 44/54) informa que a empresa enquadrase como cooperativa de trabalho (categoria 17), que presta serviço a empresas, cujo encargo previdenciário é transferido para o tomador dos serviços, já que apenas intermedeiam o trabalho dos seus associados, ou seja, funcionam como meras agenciadoras das atividades dos cooperados, que mantém, na relação sua condição de contribuintes individuais. Assim, a cooperativa de trabalho é obrigada a descontar onze por cento do valor da quota distribuída ao cooperado por serviços por ele prestados por seu intermédio, mediante desconto da remuneração paga, devida ou creditada a este segurado, e recolher o produto arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. Esse Relatório Fiscal informa ainda que a empresa não apresentou os recibos referente pagamentos aos segurados cooperados e a relação individualizada dos mesmos (Nome, CPF, PIS, Valor pago, Valor retido do INSS), bem como a respectiva Folha de Pagamento, a cooperativa foi autuada, conforme Código de Fundamentação Legal 35 e 38. A cooperativa informou que não apresentou referida documentação, pois não os tem, conforme declaração anexa ao processo. Com relação a documentação entregue, constatou a fiscalização que a autuada não procedeu conforme a legislação no que toca a base de cálculo, pois a cooperativa descontou e recolheu a contribuição dos segurados apenas sobre a base de cálculo declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social (GFIP), não o fazendo sobre a totalidade dos pagamentos efetuados aos segurados cooperados, ou seja, sobre a conta contábil número 2.1.5.0001= Cooperados (pró labore) no valor de R$ 906.961,96. Fl. 240DF CARF MF 4 Assim, diante da constatação dos fatos geradores acima relatados não terem sido declarados em GFIP, sofreu imposição de penalidades legais, com a emissão de AI com base no Código de Fundamento Legal 68, bem como AI CFL 59, já que a Autuada deixou de arrecadar mediante desconto as contribuições dos segurados. O presente levantamento foi feito por aferição, pois segundo as informações constantes no relatório fiscal, a autuada não apresentou os documentos/recibos solicitados pela fiscalização, referentes aos lançamentos efetuados em suas contas contábeis com base em seus Livros Diários, bem como deixou de individualizar os segurados cooperados. Os valares apurados referemse as contribuições dos segurados, verificados na contabilidade (conta 2.1.5.0001=Cooperados – Pró Labore), com incidência da alíquota de 11%. Em seguida os valores apurados na aplicação da referida alíquota, foram deduzidos das contribuições dos segurados declaradas em GFIP, tendo como resultados o valor total não declarado em GFIP. Informa, ainda, a fiscalização que foi subtraído do valor não declarado em GFIP, período 01/2005 a 12/2005, as GPS apresentadas pela empresa. Registra também que os valores apurados no presente lançamento não se enquadram na legislação referente as sobras dos atos cooperados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo/SP1 – por meio do Acórdão 1636.160 da 14a Turma da DRJ/SP1 (fls. 141/154) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. O Contribuinte apresentou recurso (fls. 159/182), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, que obteve a decisão supra colacionada. A Fazenda Nacional considera patente a divergência no que toca ao procedimento a ser adotado para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, pois o Colegiado a quo sustenta ser desnecessária a soma da multa da obrigação principal com a multa da obrigação acessória para efeitos de comparação com o que dispõe o art. 35A da lei nº 8.212/91, requerendo: ...(b) seja dado total provimento ao presente recurso com a consequente reforma acórdão recorrido a fim de que prevaleça a forma de cálculo utilizada pela autoridade fiscal para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa SRF nº 1.027/2010. Não houve apresentação de contrarrazões do contribuinte, comunicado do resultado do julgamento via editalícia. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Fl. 241DF CARF MF Processo nº 19515.002037/201081 Acórdão n.º 9202005.757 CSRFT2 Fl. 240 5 Entendo cumpridos os requisitos de admissibilidade motivo pelo qual conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional, pois presentes, àquela oportunidade controvérsia relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Hoje, entretanto, esta Câmara Superior já pacificou o entendimento no sentido em que a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É Fl. 242DF CARF MF 6 necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 19515.002037/201081 Acórdão n.º 9202005.757 CSRFT2 Fl. 241 7 Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 244DF CARF MF 8 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão Fl. 245DF CARF MF Processo nº 19515.002037/201081 Acórdão n.º 9202005.757 CSRFT2 Fl. 242 9 deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 246DF CARF MF 10 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo se encontrar em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multas de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 19515.002037/201081 Acórdão n.º 9202005.757 CSRFT2 Fl. 243 11 Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Ante ao exposto, dou Provimento Parcial ao Recurso da Fazenda Nacional para que seja aplicada a multa de acordo com o constante da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 248DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001922/2008-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.
Não havendo exceções na lei, correta a exigência a título de multa de ofício e juros de mora.
MULTA DE OFÍCIO.
A multa de ofício devida no lançamento ex-oficio em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal, não constitui tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei; o percentual de multa aplicado deve estar de acordo com a legislação de regência, sendo incabível a alegação de inconstitucionalidade baseada na noção de confisco, por não se aplicar o disposto constitucional à espécie dos autos.
DENUNCIA ESPONTÂNEA.
O instituto da denúncia espontânea pressupõe o pagamento do tributo dos juros de mora, ou o depósito de quantia arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante de tributo dependa de apuração
PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA.
O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ estende seus efeitos sobre os lançamentos das contribuições PIS, COFINS e CSLL lançadas em decorrência da omissão de receitas apurada.
Numero da decisão: 1402-002.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Não havendo exceções na lei, correta a exigência a título de multa de ofício e juros de mora. MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício devida no lançamento ex-oficio em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal, não constitui tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei; o percentual de multa aplicado deve estar de acordo com a legislação de regência, sendo incabível a alegação de inconstitucionalidade baseada na noção de confisco, por não se aplicar o disposto constitucional à espécie dos autos. DENUNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea pressupõe o pagamento do tributo dos juros de mora, ou o depósito de quantia arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante de tributo dependa de apuração PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ estende seus efeitos sobre os lançamentos das contribuições PIS, COFINS e CSLL lançadas em decorrência da omissão de receitas apurada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1755; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.442 1 1.441 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001922/200857 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.789 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2017 Matéria LUCRO ARBITRADO Recorrente AVS SEGURADORA S/A EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Não havendo exceções na lei, correta a exigência a título de multa de ofício e juros de mora. MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício devida no lançamento exoficio em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal, não constitui tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei; o percentual de multa aplicado deve estar de acordo com a legislação de regência, sendo incabível a alegação de inconstitucionalidade baseada na noção de confisco, por não se aplicar o disposto constitucional à espécie dos autos. DENUNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea pressupõe o pagamento do tributo dos juros de mora, ou o depósito de quantia arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante de tributo dependa de apuração PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ estende seus efeitos sobre os lançamentos das contribuições PIS, COFINS e CSLL lançadas em decorrência da omissão de receitas apurada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 22 /2 00 8- 57 Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 16327.001922/200857 Acórdão n.º 1402002.789 S1C4T2 Fl. 1.443 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 16327.001922/200857 Acórdão n.º 1402002.789 S1C4T2 Fl. 1.444 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1212 a 1226) interposto contra Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I/SP (DRJ/SP1) (fls. 320 a 330) que negou provimento à Impugnação apresentada (fls. 1106 a 1115). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 16 21.105, proferido em 16 de abril de 2009, pela 8ª Turma da DRJ em São Paulo I (SP1) (fl. 1.212/1.226), além de tecer as atualizações processuais pertinentes. "Em conseqüência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias foram lavrados, em 22/12/2008, contra a contribuinte acima identificada, os Autos de Infração, a seguir discriminados, decorrentes de irregularidades verificadas em relação a OMISSÃO DE RECEITAS (Receita Operacional Omitida e Ganhos financeiros): a) Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) (fls. 653 a 661): Total do Crédito Tributário (IR, juros e multa de ofício150%): R$ 6.726.283,64; Fatos Geradores: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003 e 31/12/2003; Enquadramento legal: art. 530, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (arbitramento); artigos 530, 532 e 533 do RIR/99 (Receita Operacional Omitida Lucro arbitrado Receita Conhecida Seguradora); e art. 536 do RIR/99 (Outras Receitas Ganhos Financeiros). b) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 662 a 669) Total do Crédito Tributário (CS, juros e multa de ofício 150%): R$ 723.391,57; Fatos Geradores: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/200 e 31/12/2003; Enquadramento legal: art. 2o e §§ da Lei n° 7.689/1998; art. 20 da Lei n° 9.249/1995; art. 29 da Lei n° 9.430/1996 e art. 37 da Lei n° 10.637/2002 (CSLL sobre Receitas omitidas); art. 2o e §§ da Lei n° 7.689/1998; art. 20 da Lei n° 9.249/1995 e art. 37 da Lei n° 10.637/2002 (CSLL sobre receita não operacional). c) Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 670 a 677) Total do Crédito Tributário (PIS, juros e multa de ofício 150%): R$ 379.781,88; Fatos Geradores: 31/01/2003 a 31/12/2003; Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 16327.001922/200857 Acórdão n.º 1402002.789 S1C4T2 Fl. 1.445 4 Enquadramento legal: Lei n° 8.212, de 1991, art. 33, caput e §§ 3o e 6o; Lei Complementar n° 70, de 1991, art. 10, parágrafo único; Lei n° 9.715, de 1998, arte. 9o a 11, e Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24; arte. 2o, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3o, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/02. d) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 678 a 685) Total do Crédito Tributário (PIS, juros e multa de ofício 150%): R$ 1.752.840,61; Fatos Geradores: 31/01/2003 a 31/12/2003; Enquadramento legal: arts. 2o, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3o, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/02. 2. No Termo de Verificação Fiscal (TVF fls. 686 a 711), o Auditor Fiscal autuante, ao descrever os fatos, expõe que, (1) em 31/07/2007, foi decretada (Portaria SUSEP n° 2.717) a liquidação extrajudicial da interessada, que, desde o ano de 2001, apresentava irregularidades em suas operações (emissão não autorizada de bilhetes de seguro DPVAT, sem registros contábeis dessas emissões e de contas correntes bancárias) e (2) a Seguradora fora submetida a auditoria do Ministério Público e inspeções da SUSEP. Cópia do volumoso Relatório de Apuração produzido, em 12/05/2008. por Comissão de Inquérito Administrativo da SUSEP no Processo SUSEP n° 15414.100624/200716, foi encaminhado à Secretaria da Receita Federal do Brasil pela Advocacia Geral da União/ProcuradoriaGeral Federal (fls. 310/399; 402/432). Antes disso, em 22/04/2008, o Liquidante da AVS já havia encaminhado expediente à DEINF/SP comunicando a apuração de irregularidades quanto ao não recolhimento do repasse aos cofres públicos de prêmios do seguro DPVAT (Categorias 3 e 4) recebidos; à existência de contas bancárias não escrituradas; e à falta de recolhimento do IOF. 2.1. O autuante relata, ainda, que o Serviço de Programação da DEINF/SP verificou que, a despeito da interessada ter apresentado DIPJs com declaração de inatividade, as movimentações financeiras detectadas por meio das DCPMF haviam sido de R$ 23,7 milhões em 2003 e R$ 2,9 milhões em 2004. Também apontou que as DCTF desses períodos ou haviam sido apresentadas "em branco" (1º ao 4º trimestres de 2003 e 4° trimestre de 2004), ou sequer haviam sido apresentadas. Não consta o recolhimento de tributos IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IOF relativamente a esses períodos. 2.2. Ao discorrer sobre as intimações e verificações efetuadas, o autuante explicita a respeito das intimações e correspondentes respostas, destacando que o LALUR de 2003 não foi apresentado (não foi localizado), os Razões da Contabilidade continham lançamentos sem indicação da correspondente contrapartida (a desrespeitar regra básica de contabilidade) e os Relatórios Analíticos (IOF art. 43 do Decreto n° 4.494/2002) nem foram produzidos pela seguradora no período. Em relação aos extratos das contas mantidas junto a instituições financeiras, por terem sido apresentados apenas em parte, teve a fiscalização de recorrer ao instrumento da RMF Requisição de Movimentação Financeira, nos termos do art. 6º da Lei Complementar n° 105, de 10/01/2001 e do Decreto nº 3.724/2001. 2.3. Assinala, ainda, que quase ao final dos trabalhos, a fiscalização produziu um documento denominado Termo de Constatação, no qual expõe a análise efetuada sobre os valores dos prêmios de seguro recebidos pela AVS através das agências da CEF, visando Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 16327.001922/200857 Acórdão n.º 1402002.789 S1C4T2 Fl. 1.446 5 determinar a parcela líquida de IOF. Esse termo foi cientificado ao contribuinte, que dias depois encaminhou correspondência informando que "nada temos a manifestar sobre as assinalações e conclusões emitidas no referido Termo de Constatação ". 2.4. Com relação a "Falta de Contabilização da Movimentação Bancária da Empresa no ano de 2003", confronta os dados obtidos via RMF com aqueles constantes da contabilidade da fiscalizada, constatando uma grande diferença entre a real movimentação financeira da AVS no ano de 2003 e os valores que foram escriturados no grupo das contas Bancomovimento (crédito em contas no total de R$ 28,6 milhões X entradas contabilizadas de R$ 6,8 milhões). Apenas 24% do movimento bancário foi escriturado e ainda não foram escrituradas ao longo de todo o período: Período de 2003 2.5. Quanto ao período de 2004, em que a empresa já estava sob o regime de Direção Fiscal pela SUSEP, o autuante apontou que a escrituração está compatível com a movimentação bancária, e que a diferença localizada com relação ao Banco do Brasil, diz respeito ao resgate de títulos, não estando, portanto, relacionada com possível emissão não contabilizada de prêmios de seguros (vide tabela à fl. 690). 2.6. Em relação ao "AJUSTE DE RECEITA EFETUADO NA CONTABILIDADE EM 31/12/2003", o autuante explica que em 2003 a contabilidade da AVS registra uma emissão de prêmios de seguros no valor total de R$ 17.254.586,33, sendo que grande parte dos valores recebidos não transitou pela pelas contas Bancoc/movimento, impossibilitando a correta auditoria das receitas auferidas. Em 31/12/2003, foram escriturados, sem indicação da contrapartida, vultosos valores (R$ 13.612.852,10) de Prêmios Emitidos sob o histórico "vir. ref. Ajuste de receita cfe. Demonst.", distribuídos por cinco ramos de seguro em montantes incompatíveis com as médias mensais verificadas até então (página 7 do Balancete de Dezembro/2003 e grupo 31.11.11 páginas 125 a 127 do Razão 2003). Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 16327.001922/200857 Acórdão n.º 1402002.789 S1C4T2 Fl. 1.447 6 2.7. Informa também que na conta 11.58.10.000001 "OUTROS VALORES E BENS" foram laçados valores expressivos, também sem contrapartida e com o mesmo histórico dos ajustes de prêmios emitidos, porém, apesar de serem da mesma ordem de valores, não apresentam perfeita identidade com as receitas dos ajustes, prejudicando assim a auditoria das receitas da Seguradora por meio de sua Contabilidade. Observou ainda que o referido ajuste decorreu da instauração do regime especial de Direção Fiscal pela SUSEP em 03/11/2003 e que essa contabilização do ajuste de receitas não corresponde à realidade porquanto a participação do DPVAT é muito maior do que aquela escriturada, como informa trecho do relatório (item 3.1.3 fls. 25.534) da Comissão de Inquérito SUSEP que transcreve. 2.8. Assinala ainda o autuante que essa descaracterização da real distribuição da receita de prêmios pelos vários ramos de seguros, acarreta erros fundamentais no cálculo das provisões técnicas e, conseqüentemente, compromete a correta apuração do resultado da empresa. 2.9. Em relação ao "Levantamento da Receita de Prêmios Emitidos", o autuante expõe que a falta de contabilização da maior parte da movimentação bancária da empresa em 2003 e a não apresentação dos relatórios analíticos obrigatórios que possibilitariam o controle das emissões diárias de operações de seguro impôs que a fiscalização procedesse à análise dos extratos bancários (obtidos via RMF) com o fim de identificar os créditos relacionados ao recebimento de prêmios. Passa, então, a descrever o que apurou em relação ao Banco do Brasil (Anexo 1); Banco Bradesco (anexo 2) e da Caixa Econômica Federal (anexos 3, 4 e 5 fls. 709 a 711 ressaltandose a importância de seis contas desta instituição bancária que totalizaram receitas com prêmios em 2003 de R$ 19.431.608,54). Manifestação da empresa quanto às cobranças efetuadas através da CEF Agência 0263 c/c n° 21.672 (R$ 7.306.302,46, em 2003) esclareceu que (1) em sua quase totalidade os créditos referiamse a bilhetes de seguro do ramo DPVAT; (2) uma parte dos bilhetes correspondia a valores líquidos do IOF, conseqüência da isenção gozada por órgãos públicos e (3) em sua maior parte os prêmios recebidos correspondiam à tabela de "Prêmio Bruto (com IOF cálculo efetuado baseado no § único do art. 1º da Resolução CNSP n° 35) ". Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 16327.001922/200857 Acórdão n.º 1402002.789 S1C4T2 Fl. 1.448 7 2.10. No item 6 "DETERMINAÇÃO DA PARCELA DE PRÊMIOS EMITIDOS EM 2003, LÍQUIDA DE I.O.F." (fls. 695/697), o autuante explicita como apurou e consolidou os valores mensais de prêmios emitidos pela AVS Seguradora em 2003: 2.11. No tópico 7, o autuante discorre a respeito do ARBITRAMENTO DO LUCRO NO ANOCALENDÁRIO DE 2003, expondo que a AVS está obrigada à apuração do Lucro Real (inc. II do art. 246 do RIR/99) e explicando a contabilização para a apuração dos Prêmios Retidos que, por sua vez, é ajustado pela variação das provisões técnicas (as quais são resultantes de complexos cálculos atuariais), para a apuração do Prêmio Ganho. A Resolução CNSP n° 86, de 2002 estabelece as normas com vistas a padronização de procedimentos e registros pelas Seguradoras. A existência de erros ou vícios na escrituração distorce significativamente a distribuição dos prêmios emitidos pelos diversos ramos de seguros, afetando, por conseguinte, os resultados de aprovisionamento, agrupados sob a rubrica "Variação das provisões Técnicas". O erro na apuração no Lucro Líquido maculará também o levantamento do Lucro Real. 2.11.1. Sobre o arbitramento do Lucro, reportase o autuante aos artigos 529e 531) do RIR/99, indicando que, no caso, verificamse mais de uma das hipóteses de arbitramento do lucro previstas no Regulamento, a saber: • apesar de intimado e reintimado, o contribuinte não apresentou o LALUR do ano de 2003, impossibilitando a identificação dos ajustes, adições e exclusões, aplicáveis ao Lucro Líquido do Exercício • conforme apresentado no item 03 deste Termo de Verificação, a contabilidade da empresa apresenta erros técnicos e inconsistências que a desclassificam para dar suporte à apuração do Lucro Real. • a escrituração mantida não contém e nem fornece meios para a identificação da efetiva movimentação financeira da AVS no período as contas bancárias foram apenas parcialmente contabilizadas (item 03 deste Termo) • a receita que foi escriturada, apresenta evidentes indícios de fraude, uma vez que a distribuição dos prêmios recebidos dentre os diferentes ramos de Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 16327.001922/200857 Acórdão n.º 1402002.789 S1C4T2 Fl. 1.449 8 seguro não corresponde à realidade, conforme analisado no item 04 deste Termo, comprometendo o correto cálculo das provisões técnicas aplicáveis 2.11.2. O autuante explana, então, a respeito do Arbitramento com receita Conhecida no ano de 2003, tendo resultado na seguinte tabela: 2.12. Ao expor sobre o resultado do anocalendário de 2004, o auditor fiscal conclui não existirem razões (observadas no período anterior) para o arbitramento do lucro nesse anocalendário. 2.13. O autuante discorre, em seguida, sobre as circunstâncias qualificantes da infração, evidenciando a declaração de inativo em período em que auferiu rendimentos e a apresentação de DCTFs sem declaração de débitos, atitudes que ocultaram do Fisco suas atividades econômicas, seu auferimento de receitas e a apuração de lucros, concluindo, assim, pela verificação da conduta prevista nas hipóteses de qualificação da multa de ofício (art. 957, inciso II, do RIR/99), bem como naquela prevista no artigo 71, inciso I, da Lei n° 4.502, de 30/11/1964 (sonegação). 2.14. Por fim, o autuante explana sobre a constituição do crédito tributário referente ao IRPJ, à CSLL, ao PIS e á COFINS devidos no anocalendário de 2003, mediante, autos de infração. Aponta as disposições legais infringidas e, em relação ao IRPJ, esclarece: Considerando as receitas conhecidas de Prêmios Retidos, calculadas no item 07, bem como os ganhos financeiros contabilizados (valores dos balancetes mensais, grupo de contas 36 RESULTADO FINANCEIRO), temse as duas parcelas que compõem a base de cálculo para o arbitramento do lucro da AVS Seguradora em 2003: Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 16327.001922/200857 Acórdão n.º 1402002.789 S1C4T2 Fl. 1.450 9 3. Irresignada com o lançamento, do qual tomou ciência em 23/12/2008, a interessada, por intermédio de seus advogados e procuradores (Procuração à fl. 725), apresentou, em 22/01/2009, a impugnação de fls. 714 a 723, acompanhada dos documentos de fls 724 a 799. 3.1. A interessada ao descrever os fatos ressalta que a presente apuração fiscal só foi possível porque o Liquidante, nomeado pela Superintendência de Seguros Privados SUSEP, devido à decretação do regime especial de Liquidação Extrajudicial, enviou correspondência para a DEINF competente para tanto, informado a existência de indícios de irregularidades, o que gera a ocorrência da Denúncia Espontânea, neste diapasão argúi que: o Liquidante adiantouse até mesmo à Advocacia Geral da União em noticiar a ocorrência de irregularidades na empresa; verificouse, in casu, a ocorrência do instituto da Denúncia Espontânea, conforme "art. 138 do Código Tributário Nacional; Somente após a análise e apuração por parte da Receita Federal é que se pôde saber se existiam irregularidades e quais eram o somente foi possibilitado pela informação prestada pelo Liquidante, e que se efetuou antes mesmo de qualquer ato fiscalizatório, o que exclui a incidência do Parágrafo único do artigo 138, do Código Tributário Nacional; o instituto da Denúncia Espontânea deve ser analisado à luz do art. 3º, inciso I, da Constituição Federal do Brasil; é importante observar a matéria sob a ótica de que não merece aquele que informa a possível existência de irregularidades, dando azo à devida apuração pelo órgão competente, o mesmo tratamento do que aquele que se mantém inerte. Caso seja o entendimento dado à matéria contrário ao que ora se explicito, estarseá negando vigência a nossa Carta Política, que visa o tratamento justo observadas as circunstâncias particulares de cada caso. Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 16327.001922/200857 Acórdão n.º 1402002.789 S1C4T2 Fl. 1.451 10 3.2. Contrapõese a interessada à aplicação dos Juros de mora e da multa de ofício, com base no artigo 18, alíneas "d" e "f" da lei n° 6.024/1974, apresentando os seguintes, argumentos: em face dos débitos da Massa Liquidando, não são aplicados juros, enquanto não pago integralmente o passivo, quanto menos multas de qualquer espécie. Tal fato decorre da atual situação jurídica em que se encontra submetida a ora Impugnante, pois a interessada encontrase sob a égide da Lei n° 6.024/1974 (lei que orienta e prevê o regime especial de Liquidação Extrajudicial no qual se encontra a impugnante desde 11/07/2007); Decretado o regime especial de Liquidação Extrajudicial, no mesmo ato é nomeado Liquidante para gerir a Massa, com o principal escopo de angariar todo o ativo existente, apurar o passivo, para que ao final possa o último ser saldado. Importante frisar que, existe uma ordem legal de classificação dos créditos, que está devidamente expressa no artigo 83, da Lei n° 11.101/05, que é aplicada subsidiariamente ao regime especial de Liquidação Extrajudicial, no que couber, e não for conflitante, por força do artigo 34, da Lê n° 6.024/74; os juros, não fluem contra a Massa, enquanto não pago integralmente todo o passivo, e isto tem uma razão lógica de ser, uma vez que a Lei tenta proteger o principal que é devido, assegurando ao credor que este receba ao menos o valor principal, e após, caso sobre ativo, sejam saldados os acessórios. Tal entendimento se extrai observando o critério utilizado pelo legislador infraconstitucional, quando da instituição da ordem legal dos créditos, existente no artigo 83, da Lei n° 11.101/05, onde se vê que, tenta fazer uma distribuição igualitária, atendida a finalidade do crédito devido, e, ainda, tentando fazer de forma que todos recebem ao menos parte do crédito, ou o principal; A multa tem nítido caráter de punição, sanção, pelo descumprimento da obrigação resultante da Lei, e não pode ser transmitida aos credores, uma vez que diminuirá sensivelmente o patrimônio existente e destinado ao pagamento dos créditos, após a regular habilitação deste no regime Liquidatário. Neste sentido é a mais conceituada e renomada doutrina; a jurisprudência já pacificou o assunto, pois a multa ora aplicada tem caráter de pena administrativa, e como observamos do disposto na alínea f, do artigo 18, da Lei n° 6.024/74, não se aplica a multa por infração à lei administrativa, e como salientou o Superior Tribunal de Justiça, a multa fiscal tem natureza de pena administrativa." Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. O Acórdão da 8ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1, por unanimidade de votos, considerou PROCEDENTE o lançamento, mantendo integralmente o crédito tributário exigido. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 16327.001922/200857 Acórdão n.º 1402002.789 S1C4T2 Fl. 1.452 11 Anocalendário: 2003 DENUNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea pressupõe o pagamento do tributo dos juros de mora, ou o depósito de quantia arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante de tributo dependa de apuração MULTA DE OFÍCIO. EMPRESA SOB LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. CABIMENTO. É cabível a aplicação de multa de lançamento de oficio em face de empresa sob liquidação extrajudicial, pois não há previsão legal que afaste a imposição de multa tributária punitiva. JUROS DE MORA. EMPRESA SOB LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. APLICABILIDADE. Os créditos tributários de responsabilidade de empresas sob liquidação extrajudicial também sofrem incidência de juros de mora. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ espraia seus efeitos sobre os lançamentos das contribuições PIS, COFINS e CSLL lançadas em decorrência da omissão de receitas apurada. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho (fls. 1234 a 1241) , repisando os argumentos trazidos na Impugnação: · Importante ressaltar o fato de que, em face da Recorrente, em decorrência do regime especial de Liquidação Extrajudicial ao qual se encontra, submetida, não incidem correção monetária, juros, enquanto não pago o passivo e multas pecuniárias de qualquer espécie, o que, inclusive, possui amparo legal. · A cobrança do Fisco não é constituída meramente dos operações não declaradas, integra o valor total do débito a aplicação da MULTA DE 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre o valor da dívida, VERDADEIRO CONFISCO. · A Recorrente não aduzirá pretensão contra texto expresso de lei e espera que a Recorrida também não o faça, até mesmo ante ao princípio da legalidade que rege o procedimento administrativo, sem falar do princípio da moralidade, isso porque o artigo 18, alínea "f", da Lei 6024/74, veda a aplicação de multa em prejuízo de empresa submetida ao regime especial de liquidação extrajudicial. Neste sentido, com| permissiva vénia, a ora Recorrente traz o texto prescritivo do dispositivo legal citado: "Art. 18. A decretação da liquidação extrajudicial produzirá, de imediato, os seguintes efeitos: (...) Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 16327.001922/200857 Acórdão n.º 1402002.789 S1C4T2 Fl. 1.453 12 d) não fluência de juros, mesmo que estipulados, contra a massa, enquanto não integralmente pago o passivo; f) NÃO RECLAMAÇÃO de correção monetária de quaisquer dívidas passivas, nem DE PENAS PECUNIÁRIAS POR INFRAÇÃO de leis penais ou ADMINISTRATIVAS." (grifos nossos). · A Lei 6024/74, prescreve a inexigibilidade de multa, e no que concerne a esse fato, não existe permissivo legal em favor da pretensão da Recorrida, ademais, lex especiale derrogat generale. · Assim, a lei que regulamenta especificamente o procedimento de liquidação deverá ser observada para o afastamento da cobrança da multa. · Noutro passo, como demonstrado, aos valores demandados, o mesma artigo 18, em sua alínea "d", prescreve a não incidência de correção monetária e juros enquanto não integralizado o passivo, de modo que, a Lei especial deverá ser observada, sendo, portanto, aplicada no caso em apreço. · A multa tem nítido caráter de punição, sanção, pelo descumprimento da obrigação resultante da Lei, e não pode ser transmitida aos credores, una vez que diminuirá sensivelmente o patrimônio existente e destinado ao pagamento dos créditos, após a regular habilitação deste no regime liquidatário. Neste sentido é a mais conceituada e renomada doutrina. Vejamos: Neste sentido, comenta o Ilustre Professor Miranda Valverde: "As penas pecuniárias, segundo Miranda Valverde, são sanções penais de ações ou omissões, pelas quais respondem pessoalmente os infratores. E sendo penalidade que o infrator pessoalmente deve sofrer, não seria justo que se transmitisse, ferindo o direito de outrem, com conseqüente enfraquecimento do patrimônio do devedor." (Curso de Direito Falimentar Rubens Requião, vol. 1, pág 150). (grifos nossos). · Importante destacar que a jurisprudência já pacificou o assunto, pois a multa ora aplicada tem caráter de pena administrativa, e como observamos do disposto na alínea "f", do artigo 18, da Lei n.° 6.024/74, não se aplica a multa por infração à lei administrativa, e como salientou o Superior Tribunal de Justiça, a multa fiscal tem natureza de pena administrativa. Vejamos: "RECURSO ESPECIAL ALÍNEA "A". MASSA FALIDA. JUROS DE MORA E MULTA FISCAL NÃO INCIDÊNCIA. ALEGADA VIOLAÇÃO DOS ARTS. 22, Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 16327.001922/200857 Acórdão n.º 1402002.789 S1C4T2 Fl. 1.454 13 § 22, § 1º, DA LEI N.° 8.036/90, BEM COMO 23 E 25 DO DECRETOLEI N° 7661/45. NÃOOCORRÊNCIA. SÚMULAS 192 E 565 DO STF. ITERATIVOS PRECEDENTES. ACÓRDÃO RECORRIDO MANTIDO PELOS SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. É firme a orientação deste Sodalício no sentido de que não incidem juros sobre a massa falida, bem como o entendimento de que não se inclui a multa fiscal moratória sobre o crédito habilitado em falência, por constituir pena administrativa. Súmula n° 192 do STF: 'Não se inclui no crédito habilitado na falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa.' Súmula 565 do STF: 'A multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado na falência.' Recurso especial improvido." (grifos nossos) · Tendo assim, a multa aplicada in casu, caráter de pena administrativa, não pode incidir nos débitos da Massa, por expressa previsão legal da Lei n|° 6.024/74, como já destacado, e quanto aos juros, devem estes ser afastados, por não incidirem, tão pouco podem ser reclamados enquanto não pago integralmente todo o passivo. · Demonstrado a decadência ocorrida em parte do crédito tributário lançado, bem como da não incidência de multas de qualquer espécie, e juros, enquanto não pago integralmente o passivo, importante demonstrarmos a existência, in casu, da Denúncia Espontânea. Vejamos: · Consoante o que se extrai do Termo de Verificação Fiscal, mais precisamente no item 01, sob o título "BREVE HISTÓRICO SOBRE A AVS SEGURADORA E SOBRE A MOTIVAÇÃO DA PRESENTE FISCALIZAÇÃO", podese de forma clara extrair o informação de que o Liquidante, nomeado pela Superintendência de Seguros Privados SUSEP, do seu cargo, e em atendimento ao que consigna a lei, encaminhou correspondência à DEINF competente, com o qual relatou a detecção de irregularidades. Para demonstrar, pedimos, permissiva vénia, para transcrever o trecho pertinente. Vejamos: "Antes disso, em 22/04/2008, o Liquidante da AVS já havia encaminhado correspondência a esta DEINF relatando a detecção de irregularidades com relação aos prêmios recebidos pela AVS a titulo de seguro DPVAT, categorias 3 e 4, a partir do exercício 2001. Foram citados a existência de contas bancárias não contabilizadas, a falta de Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 16327.001922/200857 Acórdão n.º 1402002.789 S1C4T2 Fl. 1.455 14 recolhimentos do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) e não recolhimento do repasse de 50% dos prêmios seguros DPVAT emitidos, que são devidos aos SUS E DENATRAN." · Importante consignar que o Liquidante adiantouse até mesmo â Advocacia Geral da União/ProcuradoriaGeral Federal, pois esta encaminhou alerta sobre a existência de "indícios de prática de ilícitos penais contra o Sistema Financeiro e outros" em 10/09/2008, ou seja, até antes mesmo de que se iniciasse qualquer ato fiscalizatório. · Verificase, então, in casu, a ocorrência do instituto da Denúncia Espontânea, conforme corrobora a inteligência do artigo 138, do Código Tributário Nacional. Vejamos a disposição do cânone citado: "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração." · Importante e oportuno destacar que, o Liquidante, quando nomeado para o cargo, pela autarquia competente, recebe a empresa liquidando no estado em que se encontra, e iniciase um processo de verificação e apuração de todo o passivo, e também a arrecadação de todos os livros. · No vertente caso, assim que se apurou a existência de práticas duvidosas, realizadas pela administração afastada, tratou imediatamente de informar a autoridade competente acerca de possíveis de irregularidades, principalmente perante o Fisco. Foi nesta oportunidade que se iniciou todo o procedimento fiscalizatório e de apuração, pois não havia como se saber o valor devido, ante a falta de elementos e da documentação necessária. · Somente após a análise e apuração por parte da Receita Federal é que se pôde saber se existiam irregularidades e quais eram, o que somente foi possibilitado pela informação prestada pelo Liquidante, e que se efetuou antes mesmo de qualquer ato fiscalizatório, o que exclui a incidência do parágrafo único do artigo 138, do Código Tributário Nacional · Assim, qualquer responsabilidade deve ser afastada, e até mesmo a multa moratória. Este é o entendimento da mais nobre e renomada doutrina. Vejamos: "A denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional, exclui qualquer penalidade, inclusive a multa de mora.". (MACHADO, Hugo de Brito. Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 16327.001922/200857 Acórdão n.º 1402002.789 S1C4T2 Fl. 1.456 15 Curso de Direito Tributário. 29." ed., Malheiros Editores, 2008, p. 164.). · Não podemos deixar de destacar que tal fato implica diretamente o afastamento das penalidades, como multa moratória, entre outros, o que reforça a nossa tese que será exposta a seguir, quanto aos juros e multa, os quais devem ser afastados. · Tal instituto deve ser analisado à luz da nossa Constituição Federal, mais precisamente, quanto ao disposto no artigo 3º, inciso I, da Carta Magna. Vejamos: "Art. 3. Constituem objetivos fundamentais da República |Federativa do Brasil: I construir uma sociedade livre, justa e solidária;"(grifos nossos). · Nesse sentido, é importante observar a matéria sob a ótica de que não merece, aquele que informa a possível existência de irregularidades, dando azo à devida apuração pelo órgão competente, o mesmo tratamento do que aquele que se mantém inerte. Caso seja o entendimento dado à matéria contrário ao que ora se explicita, estar seá negando vigência à nossa Carta Política, que visa o tratamento justo observado as circunstância" particulares de cada caso. · É assente o entendimento da doutrina pátria, neste exato sentido. Vejamos: "Em face do disposto no art. 3°, inciso I, da Constituição Federal, temos o dever de buscar a solução justa.". (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 29° ed.. Malheiros Editores, 2008, p. 167.). · Assim, devem ser ponderadas as circunstâncias do caso em tela, atendidos os requisitos encampados em nossa Carta Magna, como bem demonstrado, reconhecendose a aplicabilidade do instituto da Denúncia Espontânea no presente caso. · Reforçando a tese, necessário frisar que, o próprio julgador "a quo", deixou expresso na r. decisão, como já salientado alhures, que "Antes disto, em 22/04/2008, o Liquidante da AVS encaminhara correspondência à DEINF relatando a detecção de irregularidades com relação aos prêmios recebidos pela AVS a título de seguro DPVAT, categorias 3 e 4, a partir do exercício 2001. Na ocasião, alertouse para: a existência de contas bancárias não contabilizadas, a falta de recolhimentos do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o não repasse ao SUS e ao DENATRAN, nos termos da legislação própria, de 50% dos prêmios de seguros DPVAT emitidos;". Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 16327.001922/200857 Acórdão n.º 1402002.789 S1C4T2 Fl. 1.457 16 · Em decorrência, mediante ao princípio da moralidade, boafé e eficiência, deve ser reconhecida a caracterização do instituto da denúncia espontânea, pois partiu do Liquidante da ora Recorrente, seu representante legal, nomeado pela Superintendência de Seguros Privados SUSEP, as informações peculiares a apuração realizada em atendimento ao princípio do dever de contribuição e boafé. A Recorrente requer que seja afastada a aplicabilidade da multa imposta, por se tratar de nítido confisco, vedado pelo ordenamento jurídico, e em respeito ao disposto no artigo 18, alínea "f", da Lei n.° 6.024/74, assim como, seja reconhecida a não incidência de correção monetária e juros, este último enquanto não intregalizado o passivo, nos termos da alínea "d", do mesmo dispositivo legal, bem como seja reconhecida a caracterização do instituto da denúncia espontânea, com base no artigo 138, do Código Tributário Nacional. Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 16327.001922/200857 Acórdão n.º 1402002.789 S1C4T2 Fl. 1.458 17 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Da incidência da multa e juros regime especial de liquidação extrajudicial A alegação da Recorrente de que se encontra em liquidação extrajudicial e por isso não deveria incidir no lançamento a multa e os juros nos termos do art. 18 da Lei 6.024/74 não deve prosperar, pois a decretação de liquidação extrajudicial não exclui do lançamento de oficio a multa e os juros, cujas exigências devem ser examinadas na fase da execução. Quanto à penalidade aplicada, o §1º, do artigo 44, da Lei 9.430/96 determina que a aplicação de multa de 150%, nas hipóteses que enumera. Sendo tal exação prevista em lei, os argumentos relacionados à impossibilidade de se cobrar o percentual aplicadas em face dos princípios da vedação ao confisco e da proporcionalidade demandariam uma análise da sua constitucionalidade, o que é vedado a este Tribunal, nos termos da Súmula CARF nº2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". No caso da liquidação extrajudicial, a intervenção é reversível, de modo que não se deve afastar a incidência da multa de ofício durante a fase administrativa de discussão do crédito tributário. A questão da reclamação de multa das empresas em processo de liquidação extrajudicial diz respeito à fase de execução, onde se examinará o concurso de créditos, não cabendo ao julgador declarála previamente indevida quando configurados os pressupostos legais para sua imposição. A restrição à reclamação de penas pecuniárias por infração de natureza administrativa prevista no artigo 18 da Lei 6.024/74 mencionada pela Recorrente, não impede a analise e o julgamento da exigência tributária, incluindo sua multa e juros, para fins de constituição definitiva do crédito, eis que o lançamento é ato administrativo vinculado e obrigatório. As restrições impostas pela Lei n° 6.024, de 1974, no art. 18, alíneas "d" e "f" dizem respeito à fase de execução fiscal, e devem, portanto, serem analisadas naquele momento. O julgamento administrativo é parte do processo de constituição definitiva do crédito tributário que não deve ser prejudicado por circunstâncias que diz respeito à reclamação ou cobrança desse crédito na via judicial, vale dizer, à fase de execução. Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 16327.001922/200857 Acórdão n.º 1402002.789 S1C4T2 Fl. 1.459 18 O processo administrativo um dos meios pelo qual se constitui o crédito tributário a ser posteriormente exigido no judiciário não pode ser confundido com a aplicação de penas pecuniárias por infração de natureza administrativa. A legislação tributária é clara ao prescrever a incidência de multa de oficio e dos juros de mora no caso de lançamento de oficio. Sendo assim, não se vislumbra razão para excluir tais encargos nessa fase. A jurisprudência e doutrina colacionadas pela recorrente não se aplicam à fase de constituição do crédito tributário. Da denúncia espontânea A Recorrente alega que deve ser aplicado aos lançamentos o instituto da Denúncia Espontânea, art. 138 do CTN, e que esse deve ser analisado à luz da nossa Constituição Federal, mais precisamente, quanto ao disposto no art. 3º, Inciso I, da Carta Magna. Esclarece que a própria encaminhou correspondência à Receita Federal, relatando a detecção de irregularidades com relação aos prêmios recebidos pela AVS a título de seguro DPVAT, categoria 3 e 4, a partir do exercício 2001. No vertente caso, assim que se apurou a existência de práticas duvidosas, realizadas pela administração afastada, tratou de informar a autoridade competente acerca de possíveis irregularidades, principalmente perante o Fisco. A Recorrente argumenta que não havia como se saber o valor devido, ante a falta de elementos e da documentação necessária. Somente após análise e apuração por parte da Receita Federal é que se pôde saber se existiam irregularidades e quais eram, o que somente foi possibilitado pela informação prestada pelo liquidante, e que se efetuou antes mesmo de qualquer ato fiscalizatório, o que exclui a incidência do parágrafo único do art. 138 do CTN. O instituto da denúncia espontânea é previsto art. 138 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), transcrito a seguir: "Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo depende de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Extraise do preceptivo colacionado que a responsabilidade do sujeito passivo pela infração é excluída pela denúncia espontânea da mesma, acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito de quantia arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Portanto de acordo com o artigo 138 do CTN, a comunicação feita pelo Liquidante à DEINF/SP desacompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 16327.001922/200857 Acórdão n.º 1402002.789 S1C4T2 Fl. 1.460 19 (ou depósito de quantia arbitrada pela autoridade administrativa) não produziu o efeito de denúncia espontânea. A Recorrente conforme comunicação feita à Receita Federal já tinha conhecimento das irregularidades, portanto deveria ter realizado a apuração dos tributos devidos, e em seguida ter realizado o pagamento do tributo com juros para que se produzissem os efeitos de denúncia espontânea. Transcrevo o trecho pertinente que demonstra o conhecimento das irregularidades pela recorrente. "Antes disso, em 22/04/2008, o Liquidante da AVS já havia encaminhado correspondência a esta DEINF relatando a detecção de irregularidades com relação aos prêmios recebidos pela AVS a titulo de seguro DPVAT, categorias 3 e 4, a partir do exercício 2001. Foram citados a existência de contas bancárias não contabilizadas, a falta de recolhimentos do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) e não recolhimento do repasse de 50% dos prêmios seguros DPVAT emitidos, que são devidos aos SUS E DENATRAN." Não se aplica ao caso concreto a doutrina colacionada pela Recorrente, pois não atendeu ao previsto na norma para que se configurasse a denúncia espontânea. Quanto à alegação da Recorrente que o instituto da denuncia espontânea deve ser analisado à luz à luz da nossa Constituição Federal, mais precisamente, quanto ao disposto no artigo 3°, inciso I, da Carta Magna, também, não se aplica ao caso concreto, pois dessa análise não poderia resultar entendimento diverso das condições postas no art. 138 do CNT para obter os efeitos da denuncia espontânea. A recorrente alega que, sob a ótica do fundamento disposto no artigo 3°, inciso I, da Carta Magna, não merece, aquele que informa a possível existência de irregularidades, dando azo à devida apuração pelo órgão competente, o mesmo tratamento do que aquele que se mantém inerte. Somente por hipótese, olhando sob a ótica da interpretação que a recorrente quer dar ao art. 138 do CNT, também não poderia se dar àquele que realiza o pagamento do tributo devido acompanhado de juros o mesmo tratamento daquele que não o faz. Os princípios da moralidade, boafé e eficiência, alegados pela recorrente não produzem, no presente caso, os efeitos da caracterização do instituto da denúncia espontânea. Registrase que aplicase o resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ sobre os lançamentos das contribuições PIS, COFINS e CSLL lançadas em decorrência da omissão de receitas apurada. Conclusão Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 16327.001922/200857 Acórdão n.º 1402002.789 S1C4T2 Fl. 1.461 20 Fl. 1462DF CARF MF
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