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Numero do processo: 11128.002417/2006-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/08/2004
INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. INFRAÇÃO. TIPIFICAÇÃO LEGAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ANTINOMIA.
A denúncia espontânea da infração não exclui a responsabilidade quando a penalidade tem por objeto a própria conduta extemporânea do administrado, materializada no cumprimento a destempo da obrigação de fazer.
Aplica-se a multa prevista em lei à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga, quando deixarem de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a informação tenha sido prestada antes do início de qualquer procedimento fiscal.
Numero da decisão: 9303-006.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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PRAZO. INOBSERVÂNCIA. INFRAÇÃO. TIPIFICAÇÃO LEGAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ANTINOMIA. A denúncia espontânea da infração não exclui a responsabilidade quando a penalidade tem por objeto a própria conduta extemporânea do administrado, materializada no cumprimento a destempo da obrigação de fazer. Aplicase a multa prevista em lei à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta aporta, ou ao agente de carga, quando deixarem de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a informação tenha sido prestada antes do início de qualquer procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 24 17 /2 00 6- 91 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11128.002417/200691 Acórdão n.º 9303006.503 CSRFT3 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3101001.183, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/08/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 102 do DecretoLei nº 37/66 às obrigações de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. ” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, requerendo o conhecimento do presente recurso e a reforma da decisão recorrida para manter a aplicação da multa por descumprimento da obrigação acessória, afastando a aplicação da denúncia espontânea. Em Despacho às fls. 182 a 184, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, solicitando o não provimento do recurso. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11128.002417/200691 Acórdão n.º 9303006.503 CSRFT3 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os pressupostos de admissibilidade, nos termos do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre a lide – qual seja, aplicação ou não da denúncia espontânea com o intuito de se afastar a multa por falta de cumprimento de obrigação acessória, que se torna ostensivo com o decurso do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma, entendo que assiste razão ao sujeito passivo. Eis que a denúncia espontânea em matéria aduaneira se encontra positivada no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, reproduzido no art. 683 § 2º do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6759/2009). Para melhor elucidar, trago síntese cronológica do art. 102 do DecretoLei 37/66 – que trata da denúncia espontânea no âmbito aduaneiro. Antes do advento da MP 497/10, vêse que o § 2º do art. 102 era taxativo ao prescrever que a denúncia espontânea excluía apenas as penalidades de natureza tributária (Grifos meus): “Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11128.002417/200691 Acórdão n.º 9303006.503 CSRFT3 Fl. 5 4 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988)” Com o advento da MP 497/10, convertida na Lei 12.350/2010, a denúncia espontânea passou a afastar também as penalidades de natureza administrativa, além da tributária, in verbis (Grifos meus): “Art.102 – A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Com tal dispositivo, a denúncia espontânea passou a ser aplicada para as penalidades de natureza administrativa, salvo as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Ademais, quanto à intenção do legislador ao trazer a menção à penalidade administrativa quando da aplicação da denúncia espontânea, importante reproduzir a Exposição de Motivos daquela MP 497/10 (Grifos meus): “[...] 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11128.002417/200691 Acórdão n.º 9303006.503 CSRFT3 Fl. 6 5 para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. (…) 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao não pagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória. ” Nesse ínterim, cumpre destacar ainda que para que a exclusão da responsabilidade ocorra devese observar se não houve início de procedimento fiscal, mediante ato de ofício, tendente a apurar a infração ou o cumprimento da obrigação acessória aduaneira. Sendo assim, considerando o caso vertente, em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali é de se aplicar o art. 102, §2º, do DecretoLei 37/66 com a redação dada pela MP 497/10 (convertida na Lei 12.350/10 – que manteve a mesma redação) para os casos de entrega a destempo de obrigação acessória aduaneira. Ademais, cabe trazer que o Direito aduaneiro é considerado autônomo, inclusive porque se originam de fontes peculiares – tais como, acordos e tratados internacionais, códigos e regulamentos aduaneiros, ainda que tenha dependência com outros ramos de direito. As relações jurídicas observam as peculiaridades de regimes próprios, ainda que envolva outros ramos científicos. Sendo assim, podese considerar que deve observar um regramento especial – tal como o que preceitua o art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66. Não há como ignorar a redação do art. 102, §2º do Decretolei nº 37/66, conferida pela Lei 12.350/2010, que exclui “expressamente” a penalidade da multa administrativa pelos efeitos da denúncia espontânea. Digo “expressamente”, pois, ao meu sentir, não há como “interpretála” ou “interpretála restritivamente”, Fl. 265DF CARF MF Processo nº 11128.002417/200691 Acórdão n.º 9303006.503 CSRFT3 Fl. 7 6 vez trazer claramente que o instituto da denúncia espontânea afasta toda a penalidade pecuniária de natureza administrativa sem ao menos ressalvar hipóteses excludentes. Nos termos do art. 5º, inciso II, da CF/88, temos que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei – ou seja, somente a lei poderá criar, entre outros, vedações. O que, por conseguinte, entender que a norma em questão seria “expressa” reflete o respeito ao Princípio da Legalidade. Caso o legislador da Lei 12.350/2010, que alterou o art. 102, § 2º do DecretoLei 37/66, incluindo no campo de alcance da aplicação do instituto da denúncia espontânea, tivesse a pretensão de se excluir as hipóteses de entrega de obrigações acessórias aduaneiras a destempo, deveria ter trazido tal vedação de forma expressa, promovendo ao sujeito passivo a segurança jurídica que tanto merece. Não obstante a isso, vêse que apenas incluiu o termo penalidade de natureza administrativa e ainda esclareceu na exposição de motivos que o instituto da denúncia espontânea alcança “toda” penalidade pecuniária. Ademais, ignorar o dispositivo de lei, sem ao menos, ter sido declarado inconstitucional, traria insegurança jurídica aos sujeitos passivos que observam o disposto na lei, além de ferir a regra trazida pelo art. 62, Anexo II, do RICARF/2015, in verbis (Grifos meus): “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...]” Quanto à aplicação do disposto no art. 102, § 2º do DecretoLei 37/66 aos períodos anteriores à sua vinda no ordenamento jurídico, entendo ser plenamente aplicável o instituto da retroatividade benigna – tal como estabelece o art. 106 do Código Tributário Nacional (Grifos meus): "Art. 106 . A lei aplica se a ato o u fato pretérito: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 11128.002417/200691 Acórdão n.º 9303006.503 CSRFT3 Fl. 8 7 1 em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática ". Sendo assim, verificase a subsunção do caso concreto à norma referendada. Ora, com a aplicação do instituto da retroatividade benigna, no caso vertente, há de ser afastada a aplicação da multa pela entrega a destempo da obrigação acessória aduaneira. Ainda em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali, não mais aplico, por analogia, a Súmula CARF 49, eis que, ainda que tenha como fundamento original o art. 138 do CTN, trata especificamente da entrega a destempo de DCTF, e não da obrigação acessória aduaneira. Essa última possui regra especial tratada expressamente no art. 102, §2º do Decretolei nº 37/66, conferida pela Lei 12.350/2010. Ademais, quanto à Súmula CARF nº 49 que traz que "a denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração", entendo que deva ainda sua aplicabilidade ser afastada no presente caso (obrigação acessória aduaneira), pois as decisões reiteradas e uniformes que consubstanciaram a referida súmula se deu anteriormente à edição da MP 497/2010. O que, por conseguinte, não há que se falar em obrigatoriedade de os conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais observarem a Fl. 267DF CARF MF Processo nº 11128.002417/200691 Acórdão n.º 9303006.503 CSRFT3 Fl. 9 8 referida súmula no presente caso, invocando equivocadamente o caput do art. 72, Anexo II, do RICARF/2015 (Portaria MF 343/2015). Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas divirjo do seu entendimento quanto a esta matéria. A matéria objeto dos autos é de amplo conhecimento deste Colegiado. Como já me manifestei em outras ocasiões, trilhando o mesmo caminho escolhido nos autos do processo nº 10283.002493/200993, acórdão nº 9303003.559, da relatoria do i. Conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho, pela maestria como aborda a matéria, adoto, mais uma vez, os fundamentos declinados no voto do i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, em decisão tomada no processo nº processo 11128.002765/200749, acórdão 380200.568, datado de 05 de julho de 2011, a seguir reproduzido. Do instituto da denúncia espontânea no âmbito da legislação aduaneira: condição necessária. É de fácil ilação que o objetivo da norma em destaque é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações relativas ao descumprimento das obrigações de natureza tributária e administrativa. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 11128.002417/200691 Acórdão n.º 9303006.503 CSRFT3 Fl. 10 9 Nesse sentido, resta evidente que é condição necessária para a aplicação do instituto da denúncia espontânea que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à Administração tributária pelo infrator, em outros termos, é elemento essencial da presente excludente de responsabilidade que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, com base no teor do art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações, está claro que as impossibilidades de aplicação do referido instituto podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. São dessa última modalidade todas as infrações que têm, no núcleo do tipo, o atraso no cumprimento da conduta imposta como sendo o elemento determinante da materialização da infração. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados do embarque da carga transportado em veículo de transporte internacional de carga. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 11128.002417/200691 Acórdão n.º 9303006.503 CSRFT3 Fl. 11 10 Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar a informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação da informação intempestivamente materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a prestação da informação fora do prazo estabelecido, porém antes do início do procedimento fiscal, realizando o cumprimento da obrigação, mediante a denúncia espontânea, com exclusão da responsabilidade pela infração. (...) Logo, no caso em destaque, se o registro da informação a destempo materializou a infração tipificada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, não pode ser considerada, simultaneamente, como uma conduta realizadora da denunciação espontânea da mesma infração. De fato, se a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque materializa a conduta típica da infração sancionada com a penalidade pecuniária objeto da presente autuação, em consequência, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que a conduta que materializasse a infração fosse, ao mesmo tempo, a conduta que concretizasse a denúncia espontânea da mesma infração. No caso em apreço, se admitida pretensão da Recorrente, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da mencionada infração nunca resultaria na cobrança da referida multa, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, simultaneamente, a conduta que representativa da denúncia espontânea. Em consequência, tornarseia impossível a imposição da multa sancionadora da dita conduta, ou seja, existiria a infração, mas a multa fixada para sancionála não poderia ser cobrada por força da exclusão da responsabilidade Fl. 270DF CARF MF Processo nº 11128.002417/200691 Acórdão n.º 9303006.503 CSRFT3 Fl. 12 11 do infrator. Tal hipótese, ao meu ver, representaria um contra senso do ponto de vista jurídico, retirando da prática da dita infração qualquer efeito punitivo. Nesse sentido, porém com base em fundamentos distintos, tem trilhado a jurisprudência do C. Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). II Agravo regimental improvido.(STJ, ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Os fundamentos da decisão apresentados pela E. Corte, foram basicamente os seguintes: (i) a inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária; e (ii) o descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Com a devida vênia, tais argumentos não representam o melhor fundamento para a conclusão esposada pela E. Corte no referido julgado. No meu entendimento, para fim de definição dos efeitos do instituto da denúncia espontânea, é irrelevante a questão atinente à natureza intrínseca da multa tributária ou Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11128.002417/200691 Acórdão n.º 9303006.503 CSRFT3 Fl. 13 12 administrativa, isto é, se punitiva (ou sancionatória) ou indenizatória1 (ou ressarcitória), uma vez que toda penalidade pecuniária tem, necessariamente, natureza punitiva, pois decorre sempre da prática de um ato ilícito, consistente no descumprimento de um dever legal, enquanto que a indenização tem como pressuposto um dano causado ao patrimônio alheio, com ou sem culpa do agente. Essa questão, no meu entendimento, é irrelevante para definição do significado e alcance jurídicos da excludente da responsabilidade por denunciação espontânea em análise, seja no âmbito das penalidades tributárias ou administrativas. É consabido que todo ato ilícito previsto na legislação tributária e aduaneira configura, respectivamente, infração de natureza tributária ou aduaneira, independentemente dela decorrer do descumprimento de um dever de caráter formal (obrigação acessória) ou material (obrigação principal). Ademais, toda obrigação acessória tem vínculo indireto com o fato gerador da obrigação principal, instrumentalizandoo e, dessa forma, servindo de suporte para as atividades de controle da arrecadação e fiscalização dos tributos, conforme delineado no § 2º do art. 113 do CTN. No caso concreto, há certas particularidades que devem ser anotadas. Como se depreende dos autos, a empresa informou os dados de embarque antes de as mercadorias terem sido embarcadas e não depois do prazo. De fato, o embarque foi realizado no dia 13/08/2004 e os dados foram inseridos no Sistema dia 06/08/2004 (efolhas 5). Havia, contudo, incorreções nos dados inseridos no Sistema. Observese como os fatos são relatados no Relatório Fiscal. Ocorre que a empresa responsável pelo transporte da mercadoria informou indevidamente, no SISCOMEX, os dados referentes à presente exportação, ficando incorretos o nome do 1 A origem dessa discussão está na jurisprudência do C. STF (RE nº 79.625/SP) que tratou da natureza jurídica da multa moratória (se punitiva ou ressarcitória), quando julgou questões acerca da aplicação do art. 184 do CTN, que trata dos privilégios do crédito fiscal, no âmbito do processo de falência. Segundo o referido julgado, entendeu a Corte Suprema que a dita multa tinha natureza punitiva. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 11128.002417/200691 Acórdão n.º 9303006.503 CSRFT3 Fl. 14 13 navio, a data de embarque (05/08/2004) e a data de emissão do manifesto (05/08/2004), (...) No voto condutor da decisão de primeira instância (efolhas 82), a relatora esclarece que a retificação dos dados de embarque ocorreu somente no dia 24/08/2004, mais do que 7 dias depois do efetivo embarque, que ocorreu no dia 13/08/2004. Como é cediço, a infração de que aqui se trata é por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela RFB. A toda evidência, na situação em tela, a empresa incorreu na infração de que é acusada. A prestação de informação antes do prazo determinado pela Secretaria da Receita Federal, por óbvio, em nada facilita o exercício de controle das atividades comerciais que se pretende exercer e, no aspecto material, não elide a inobservância do prazo. Tratase de uma conduta errática, mediante a aposição de informações inverídicas, dando conta de um embarque de mercadoria que ainda não havia ocorrido. Por certo, os equívocos cometidos pela informante tem a ver com o fato de as informações terem sido prestados em momento inoportuno, quando não se sabia ainda a data exata do embarque e o navio onde as mercadorias seriam embarcadas. Ainda mais, como já se disse, a retificação que, no caso concreto, representa a verdadeira informação prestada pelo operador, foi realizada depois dos sete dias admitidos pela Secretaria da Receita Federal para prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada ou sobre as operações que execute. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 273DF CARF MF
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Numero do processo: 19679.016448/2003-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/1993 a 31/08/2003
ASSUNTO: PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3201-003.673
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESSARCIMENTO. Recorrente SILEX TRADING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1993 a 31/08/2003 ASSUNTO: PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 64 48 /2 00 3- 51 Fl. 404DF CARF MF 2 Tratase de pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com fundamento no art. 1º, inciso I, do Decretolei nº 1894/81, no valor de R$ 82.250.961,14. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditoprêmio de IPI, correspondente ao período compreendido entre dezembro de 1993 e agosto de 2003, no valor de R$ 82.250.961,14, que indica como fundamento o DecretoLei nº 1.894, de 1981 (fl. 03)1. Não há notícia nos autos a respeito da existência no âmbito administrativo de pleitos compensatórios atrelados a esta solicitação de ressarcimento. O pedido em apreço foi indeferido, nos termos do Despacho Decisório de fls. 295/299, essencialmente em razão de o contribuinte pretender se creditar do IPI referente à aquisição de produtos destinados à exportação que saíram do estabelecimento industrial com suspensão do imposto. Consta também informado nos autos que o requerente impetrou Ação Judicial (n° 2004.61.00.0110640), ainda pendente de decisão definitiva, na qual discute a suspensão da tributação do IPI nas operações de aquisição de produtos para fins de exportação, objetivando a obtenção de sentença reconhecendo o direito aos créditos oriundos de tais operações. Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade (fls. 302/315) na qual, em síntese, alega que: a) O recurso é tempestivo, nos moldes dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com as alterações da Lei nº 10.833/2003; b) Conforme precedentes do antigo Conselho de Contribuintes (transcreve ementas), o ato administrativo combatido é nulo, haja vista a inexistência de procedimento administrativo imprescindível à validade e continuidade do processo administrativo fiscal, face à ausência no referido ato da assinatura do Delegado da Receita Federal; c) Em vista da supremacia do Princípio Constitucional da Desoneração das Exportações sobre o disposto no artigo 170A do CTN e considerando a irretroatividade da Lei Complementar n° 104/01, merece reforma o despacho que não homologou o procedimento compensatório; d) “Faz jus aos créditos previstos no artigo 1º, inciso I, do Decretolei n° 1.894/81, convalidados pela Lei n° 8.402/92, já que a aquisição dos produtos que exporta sofre a incidência do IPI, muito embora apenas sua cobrança é que fica suspensa por disposição legal inserta no artigo 39 da Lei n° 9.532/97”; e) Em consonância com a Lei nº 8.383/91, os créditos pleiteados devem sofrer incidência da correção monetária. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 19679.016448/200351 Acórdão n.º 3201003.673 S3C2T1 Fl. 405 3 Por fim, expõe sua confiança na anulação do Termo de Intimação nº 7088/2008, assim como na apreciação da presente petição, ao tempo em que requer sejam os créditos tributários objeto da citada intimação suspensos até a decisão administrativa final. É o que importa relatar. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/REC n.º 11 50.942, de 26/08/2015 (fls. 365 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/1993 a 31/08/2003 DIREITO CREDITÓRIO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto da solicitação administrativa, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. CRÉDITOPRÊMIO. RESSARCIMENTO. O créditoprêmio instituído pelo DecretoLei nº 491/1969, benefício fiscal de natureza financeira, vigorou somente até 30/06/1983, nos termos da legislação tributária aplicável. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste amparo legal para a incidência de atualização monetária calculada sobre ressarcimento de créditos de IPI, sendo esta hipótese distinta de restituição de tributo pago indevidamente ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 381 e ss., por meio do qual, depois de requerer a nulidade da decisão proferida pela DRJ ou, alternativamente, a concessão dos créditos pleiteados, alega, em síntese: O pedido de ressarcimento de créditos do IPI decorre do estímulo fiscal na área deste imposto, garantido pelo art. 39 da Lei nº 9.532/97. Não houve renúncia à instância administrativa em razão de interposição de ação judicial, pois o pedido de ressarcimento nada tem a ver com “créditoprêmio de IPI”. Sequer é necessário requerêlos ao Poder Judiciário, eis que se trata de créditos reconhecidos por lei. Fl. 406DF CARF MF 4 Nas aquisições que o contribuinte faz com suspensão do IPI, ao contrário do que acontece nas situações de alíquota zero, isento e NT (não tributado), o imposto de fato incide, porquanto ocorre o fato gerador, verificase a base de cálculo e há alíquota, ocorrendo apenas e tão somente a suspensão da exigibilidade do seu pagamento/recolhimento, condicionada a um evento futuro que se verifica na efetiva destinação do produto (exportação), já que a Recorrente se trata de uma trading company e por isso atrai a incidência do art. 39, § 1º, da Lei nº 9.532/97. O implemento da condição resolutória que, no caso sub judice, é a exportação, não somente confirma a aquisição com suspensão, nada mais sendo preciso ser recolhido a título de imposto, como também gera para o contribuinte o direito de manter aquele crédito das entradas com suspensão. O critério da mencionada incidência positiva é claramente identificável nos dispositivos legais que fundamentaram o pedido de ressarcimento, quais sejam, o artigo 1º, inciso I, do Decretolei nº 1.894, de 1981 (confirmado pelo inciso III, do artigo 1º, da Lei nº 8.402, de 1992) e o artigo 39, caput e § 1º, da Lei nº 9.532, de 1997. O legislador concedente do incentivo fiscal não exigiu o pagamento do IPI, mas, sim, a sua incidência positiva como critério de eleição para a fruição do benefício. Nas aquisições de produtos no mercado interno e nas aquisições dos respectivos produtos intermediários, matériasprimas e embalagens com suspensão do recolhimento do IPI, há incidência positiva do imposto, tanto que é positiva a correspondente alíquota prevista na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), que servirá de critério de cálculo do valor do benefício fiscal a partir de sua aplicação sobre a respectiva base de cálculo. O pleito judicial mencionado no acórdão recorrido se refere à legitimidade do crédito a que faz jus a Recorrente, e não a sua quantificação, que precisa ser aferida pela Administração Pública, nos moldes preceituados por lei. Devido à diversidade de objetos, e pretensões almejadas diferenciadas, não pode ser obstado o acesso à via administrativa, tal como procedera a autoridade recorrida, sob pena de violação do Princípio Constitucional da Ampla Defesa e do Contraditório, que garantem aos litigantes, tanto no processo judicial, como no Administrativo, o direito de terem oportunidade de formular suas defesas de forma ampla e irrestrita. Foi negado pela decisão recorrida, também, o direito à correção monetária de seus créditos. A correção monetária é consectário legal indissociável dos créditos de IPI que detém a Recorrente, garantidos pela legislação de regência e reconhecidos por decisão judicial. A correção monetária não constitui um plus ao patrimônio da Recorrente, mas somente a atualização do débito face à desvalorização da moeda, devendo incidir desde o pagamento indevido. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento de IPI fundado no art. 1º, inciso I, do Decretolei nº 1.894, de 1981, que conferiu às empresas que exportarem, contra pagamento em moeda estrangeira conversível, produtos de fabricação nacional, adquiridos no mercado interno, o crédito do imposto que haja incidido na sua aquisição. Esse benefício difere do estabelecido no art. 1º do Decretolei nº 491, de 1969, o chamado créditoprêmio de IPI, Fl. 407DF CARF MF Processo nº 19679.016448/200351 Acórdão n.º 3201003.673 S3C2T1 Fl. 406 5 como facilmente se pode constatar do art. 1º do Decretolei nº 1.894, de 1981, que expressamente o menciona no inciso seguinte. Confirase: Art. 1º Às empresas que exportarem, contra pagamento em moeda estrangeira conversível, produtos de fabricação nacional, adquiridos no mercado interno, fica assegurado: I o crédito do imposto sobre produtos industrializados que haja incidido na aquisição dos mesmos; (Vide Lei nº 8.402, de 1992) II o crédito de que trata o artigo 1º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969. (g.n.) É o que aponta, com razão, a Recorrente. Notese, porém, que o inciso I do art. 1º do Decretolei nº 1.894, de 1981, exigiu que o crédito a ser ressarcido equivale ao IPI que incidiu na aquisição, de modo que, não havendo incidência do imposto, crédito não há. Sendo esse o cenário, a Recorrente impetrou o Mandado de Segurança de nº 2004.61.00.0110640 (ver fls. 212 e ss.), no qual discute a suspensão da tributação do IPI nas operações de aquisição de produtos para fins de exportação, objetivando a obtenção de provimento judicial que reconhecesse o direito a créditos oriundos de tais operações (aquisição de produtos, no mercado interno, com suspensão do IPI, para fins de exportação). No pedido de suspensão de segurança feito pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, a questão foi assim exposta pela Presidente do TRF da 3ª Região (fl. 221): Narra a União Federal, em síntese, que SILEX TRADING S/A impetrou ação mandamental, objetivando o reconhecimento de seu direito à utilização de créditos incentivados de IPI, de que trata o art. 1°, inciso I, do DecretoLei n° 1.894/81, convalidado pela Lei no 8.402/92, observada a alíquota dos produtos não fosse a suspensão da sua respectiva cobrança, nos termos das Instruções Normativas n°s 21/97 e 210/02 e arts. 71 e 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação da Lei n° 10.637/02. No caso, há identidade de objetos entre a ação mandamental e o pedido de ressarcimento, de modo a restar configurada a concomitância entre as instâncias administrativa e judicial, o que obsta a apreciação por este Colegiado da matéria submetida ao Poder Judiciário, nos termos da Súmula CARF nº 1 ("Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". A questão cuja apreciação remanesceria diz com a correção monetária dos créditos judicialmente vindicados (não há nos autos cópia da petição inicial e da sentença para aferir se o tema foi levado ao à apreciação do Poder Judiciário). Fl. 408DF CARF MF 6 De toda sorte, ainda que não tenha constado da petição inicial, tratandose, como se sabe, de pedido implícito à ação judicial1, caberá ao Poder Judiciário, se a Recorrente for vencedora na demanda, determinála, de modo que é absolutamente desnecessário apreciála aqui, mesmo porque, como se sabe, firmouse jurisprudência no STJ de que a correção só cabe quando há resistência ilegítima do Fisco ao reconhecimento do crédito pleiteado, fato sobre o qual, no caso, e como já registramos, não cabe a esta instância administrativa decidir. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 1 PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. PROGRAMA DE GARANTIA DE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA (PROAGRO). HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA. PEDIDO IMPLÍCITO. EXCESSO DE EXECUÇÃO. INEXISTÊNCIA. 1. A inclusão de juros de mora e de correção monetária, em sede de liquidação de sentença, mercê de implícitos no pedido (art. 293 do CPC), não configura julgamento ultra ou extra petita. Precedentes do STJ: AgRg no REsp 970.912/PE, QUINTA TURMA, DJe 13/04/2009; REsp 708.191/MG, PRIMEIRA TURMA, DJe 05/03/2008; e REsp 488.931/SP, SEGUNDA TURMA, DJ 23/11/2007. 2. Agravo Regimental desprovido. (STJ, AgRg no AgRg no REsp 1156581 DF 2009/01749880, Min. Luiz Fux, DJe 16/08/2010) Fl. 409DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901667/2014-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. No despacho decisório o direito creditório não foi reconhecido porque o pagamento em questão fora integralmente utilizado na quitação de débito devidamente declarado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 01 66 7/ 20 14 -5 6 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10675.901667/201456 Resolução nº 1201000.461 S1C2T1 Fl. 3 2 Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado tratarse de pagamento de tributo já retido pela fonte pagadora. A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, pelos elementos de prova carreados aos autos, não se observa ter ocorrido pagamento em duplicidade de tributo sujeito à retenção na fonte. O pagamento referese a tributo devido pela sistemática do lucro presumido, regularmente apurado e declarado. No Recurso Voluntário foi alegado: a) que houve prestação de serviços da recorrente e a fonte pagadora efetuou a retenção do imposto; b) a recorrente também recolheu imposto do período, ocasionando o recolhimento em duplicidade; c) foram produzidas provas que comprovam o recolhimento em duplicidade. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.457, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10675.901644/201441, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.457): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Segundo o recorrente, houve pagamento em duplicidade, uma vez a retenção na fonte relativamente aos serviços por ele prestados e, posteriormente, pagamento do imposto desse mesmo período. Ocorre que o valor pago referese ao imposto apurado no período trimestral pela sistemática do Lucro Presumido e, conforme pode ser visto desde o Despacho Decisório, esse pagamento corresponde ao valor apurado e devidamente declarado. Esse o motivo do indeferimento do pleito. Contudo, não consta dos autos a DIPJ do período correspondente, pelo que não é possível verificar se houve ou não a dedução do IRRF na apuração do imposto e, ainda, o resultado dessa apuração. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10675.901667/201456 Resolução nº 1201000.461 S1C2T1 Fl. 4 3 Fazse pois necessária a juntada aos autos da DIPJ do período e a demonstração do imposto a pagar apurado. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para: a) juntadas das cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação das retenções do IRRF; c) verificação quanto à dedução do imposto retido; d) que se apure eventual pagamento a maior (crédito passível de utilização). O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a juízo da autoridade diligenciante. A conclusão deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar a este colegiado para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.917682/2013-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
SALDO NEGATIVO DE CSLL ESTIMATIVAS COMPENSADAS. INTEGRAÇÃO.
Integram o saldo negativo de CSLL as estimativas compensadas, independentemente do resultado da DComp, uma vez que os valores serão cobrados no próprio processo de compensação.
Numero da decisão: 1302-002.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os Conselheiros Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado que votaram pelo sobrestamento do processo.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 SALDO NEGATIVO DE CSLL ESTIMATIVAS COMPENSADAS. INTEGRAÇÃO. Integram o saldo negativo de CSLL as estimativas compensadas, independentemente do resultado da DComp, uma vez que os valores serão cobrados no próprio processo de compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os Conselheiros Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado que votaram pelo sobrestamento do processo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo e Flávio Machado Vilhena Dias.
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INTEGRAÇÃO. Integram o saldo negativo de CSLL as estimativas compensadas, independentemente do resultado da DComp, uma vez que os valores serão cobrados no próprio processo de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os Conselheiros Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado que votaram pelo sobrestamento do processo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo e Flávio Machado Vilhena Dias. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 76 82 /2 01 3- 18 Fl. 134DF CARF MF 2 Adoto o relatório do acórdão recorrido por bem descrever os fatos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação Eletrônica – Dcomp com demonstrativo do crédito a de nº 29492.94529.261110.1.3.034828, utilizando crédito relativo a saldo negativo de CSLL do exercício 2010 para quitação de débitos diversos. A esse mesmo direito creditório foram vinculadas as DComps de nº 34338.03022.280212.1.3.039024 e 06034.08586.190312.1.3.039821. Nos termos do Despacho Decisório de fl. 09, a Dcomp de nº 34338.03022.280212.1.3.039024 foi homologada parcialmente e a de nº 06034.08586.190312.1.3.039821 não foi homologada, uma vez que o crédito do saldo negativo informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ relativa ao período analisado foi insuficiente. A inexistência do saldo negativo no valor total requerido foi decorrente da não confirmação da quitação de estimativa que compunha o saldo negativo. Regularmente cientificado do Despacho Decisório, o contribuinte protocolou sua manifestação de inconformidade (fls. 15/29), onde vem argumentando inicialmente que as estimativas cuja compensação não foi homologada seriam objeto de cobrança em processo próprio, devendo, por este motivo, serem acatadas para composição do saldo negativo que se pleiteia. Argumenta ainda que a manifestação de inconformidade, apresentada no processo que trata das estimativas em questão, tem efeito suspensivo, sendo imperioso que se aguarde o julgamento definitivo do processo 10880.967559/201259. A seguir passa a argumentar que teria havido falta de motivação do despacho decisório o que implicaria em cerceamento do seu direito de defesa, circunstância que levaria à nulidade do ato administrativo. Ao final requer o reconhecimento da nulidade ou, alternativamente, o deferimento do direito creditório com a homologação das compensações. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) de Juiz de Fora julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, adotando a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Nos termos da legislação tributária, as estimativas devidas no curso do anocalendário constituemse em meras antecipações do IRPJ/CSLL devidos no encerramento do período de apuração, e assim apesar de obrigatórias, não atendem os pressupostos de certeza e liquidez, para serem exigíveis, mediante lançamento, cobrança e inscrição em Dívida Ativa da União. Somente se extintas, mediante pagamento, ou reforma Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.917682/201318 Acórdão n.º 1302002.729 S1C3T2 Fl. 135 3 definitiva da decisão administrativa de não homologação de compensação, as estimativas devem integrar o saldo negativo do período. No voto condutor do acórdão recorrido, o Relator afasta a preliminar de nulidade e, no mérito, afirma que o entendimento predominante na Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) é de que, apesar do caráter de confissão de dívida da DComp, a exigibilidade das antecipações devidas a título de estimativa é bastante controvertida, tanto que o lançamento feito após o término do anocalendário limitase à multa isolada, sem cobrar o principal (artigos 15 e 16 da IN SRF nº 93, de 1997). E prossegue o I. Relator: Como consta das informações contidas do documento juntado pela manifestante à fl. 47, o Despacho Decisório não convalidou as estimativas compensadas relativas aos meses de julho e setembro de 2009. Tais declarações de compensação foram objeto do processo 10880.967559/201259. Intimado do indeferimento do seu pleito, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade naquele processo. O julgamento da manifestação de inconformidade resultou no acórdão DRJ nº 0955.792 – 2ª Turma da DRJ/JFA . O julgamento manteve a decisão proferida no despacho decisório, como se extrai do comando do acórdão que vai a seguir transcrito. “Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por MAIORIA de votos, considerar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade apresentada para manter inalterado o despacho decisório atacado. Foi vencida na votação a julgadora Mônica Barros de Andrade Tavares que entende ser possível o aproveitamento o IRRF mesmo quando os rendimentos são, comprovadamente, oferecidos à tributação em exercícios anteriores.” (...) Disto decorre que, mesmo declarada/confessada a antecipação (estimativa) do tributo como débito em DCTF ou DCOMP, em não sendo homologada a compensação, ela deve ser tida por inexistente porque o débito não será passível de cobrança e de inscrição em dívida ativa. Concluise daí que não se deve admitir a inclusão ao saldo negativo do período da estimativa cuja compensação fora não homologada, antes de regularmente extinta, pelo pagamento, ou pela reforma da decisão administrativa. Devese registrar, finalmente, que não existe previsão legal de sobrestamento de julgamento na esfera administrativa. Ao contrário, vigora no âmbito administrativo o princípio da oficialidade, devendo o agente administrativo dar andamento ao processo administrativo fiscal, independentemente, de Fl. 136DF CARF MF 4 provocação. Neste contexto, mantida a não homologação das compensações das estimativas, ainda que em decisão passível de recurso, fica também mantida a não convalidação das estimativas compensadas. Cientificada, a Empresa apresentou Recurso Voluntário alegando, resumidamente, que caso seja dado provimento ao Recurso Voluntário apresentado no processo 10880.967559/101259, que versa sobre a compensação dos débitos de estimativa, ou, mesmo, seja improvido o referido recurso, tão logo a Companhia quite a sua cobrança, fará jus à utilização das estimativas discutidas no saldo negativo deste processo. Caso assim não seja decidido, requer o sobrestamento deste julgado até que se decida o processo apontado. É o relatório. Voto A ciência do acórdão se deu em 20 de maio de 2015 (fl. 100). O Recurso Voluntário foi apresentado em 18 de junho de 2015, portanto, tempestivamente. A representação é regular. Conheço do Recurso Voluntário. Afasto a preliminar de nulidade por falta de motivação do Despacho Decisório (DD) por considerar que tal não ocorreu. O motivo legal está descrito e o motivo de fato que levou à negativa de aproveitamento total do IRRF na composição da base de cálculo negativa está claro, tanto que foi plenamente entendido pela Recorrente. No mérito, estamos tratando de uma sistemática de compensação e cobrança que vinha sendo entabulada normalmente nos procedimentos da RFB: a compensação das estimativas mensais e seu aproveitamento na composição da base negativa independentemente do resultado da DComp, uma vez que a cobrança seria realizada no processo de compensação. Ocorre que a natureza jurídica das estimativas não é de tributo, mas de antecipação deste, o que motivou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) a emitir Pareceres que impediam a inscrição em dívida ativa dos débitos dessa natureza. Assim, todo o sistema que estava acertado deixou de ser saudável, na medida em que quebrouse a possibilidade de cobrança dos valores compensados a título de estimativa. Prevalecendo este entendimento só seria aceitável a utilização das estimativas compensadas na composição da base negativa após a homologação da compensação. Registrese, contudo, que no anocalendário de 2009 a polêmica ainda não tinha sido estabelecida, pois foi com a edição do Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 que a inscrição em dívida ativa dos débitos declarados em DComp relativos às estimativas foi vedada. Naquele ano ainda vigorava o aproveitamento, na formação do saldo negativo de CSLL, das estimativas compensadas, cobráveis que eram no próprio processo de compensação. Em 2014 foi emitido o Parecer PGFN/CAT nº 88 que assim concluiu sobre a possibilidade de cobrança dos valores de estimativas compensadas: Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.917682/201318 Acórdão n.º 1302002.729 S1C3T2 Fl. 136 5 a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Desta forma, a cobrança das estimativas compensadas foi viabilizada no Parecer, já que, nas circunstância nele descritas, os créditos tributário inadimplidos seriam inscritos em dívida ativa. A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já se manifestou a respeito em julgado posterior ao referido Parecer 18, Acórdão 9101002.493 de 23 de novembro de 2016, da relatoria do I. Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP.DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Importa salientar que das soluções possíveis, portanto, para as declarações de compensação cujos débitos de estimativa integram o saldo negativo, não há, em nenhuma delas, prejuízo para o Erário, pois: (i) se homologada a compensação o crédito relativo à estimativa é extinto; (ii) se não for homologada a compensação os valores serão cobrados no próprio processo de compensação. Por outro lado, na ótica do contribuinte, o mesmo não ocorre, haja vista que na eventual exclusão da estimativa compensada do saldo negativo ele poderá ser alvo de dupla cobrança: no processo de compensação da estimativa (não homologada) e no processo de compensação do saldo negativo que a incluía. Pelo exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório relativo às estimativas compensadas e homologar as declarações de compensação até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Fl. 138DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004182/2001-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
NORMAS PROCESSUAIS CONVERSÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa na data em que passou a vigorar a novel legislação disciplinadora da matéria serão considerados declaração de compensação, desde o momento de seu protocolo na repartição fiscal.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 05 anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.
AUTOCOMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXTINÇÃO DO DÉBITO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PRAZO QUINQUENAL.
Os débitos tributários autocompensados pelo sujeito passivo e não homologados expressamente pela autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) até o final do prazo de cinco anos, contado da entrega da DCTF, são extintos definitivamente pela homologação tácita do procedimento de constituição do crédito pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1201-002.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Ester Marques Lins de Sousa e José Carlos de Assis Guimarães acompanharam a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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PRAZO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa na data em que passou a vigorar a novel legislação disciplinadora da matéria serão considerados declaração de compensação, desde o momento de seu protocolo na repartição fiscal. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 05 anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. AUTOCOMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXTINÇÃO DO DÉBITO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PRAZO QUINQUENAL. Os débitos tributários autocompensados pelo sujeito passivo e não homologados expressamente pela autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) até o final do prazo de cinco anos, contado da entrega da DCTF, são extintos definitivamente pela homologação tácita do procedimento de constituição do crédito pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Ester Marques Lins de Sousa e José Carlos de Assis Guimarães acompanharam a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 41 82 /2 00 1- 68 Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10830.004182/200168 Acórdão n.º 1201002.114 S1C2T1 Fl. 3 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: "Trata o presente processo de pedido de restituição, formulado pela contribuinte em epígrafe, em 13/06/2001, pleiteando o reconhecimento de direito creditório, correspondente ao imposto de renda pessoa jurídica, no importe de R$ 47.615,13, relativo ao anocalendário de 2000. Foram apresentados, também, vários pedidos de compensação, pelas quais pretende a requerente utilizar o valor solicitado, para quitar diversos débitos de períodos de apuração subseqüentes. Ao apreciar os pleitos formulados, a DRF/Campinas, por seu Serviço de Orientação e Análise Tributária — SEORT, proferiu o despacho decisório de fls. 296/297, em 09/01/2006, reconhecendo o saldo negativo do imposto de renda pessoa jurídica, do anocalendário de 2000, no importe de R$ 39.424,04, em contraposição ao valor constante da DIPJ/2001, da ordem de R$ 47.615,13. Informa, ainda, a autoridade administrativa que, em pesquisas nas DCTF dos anos posteriores, constatouse a existência de diversas compensações sem processo, com a utilização do saldo negativo do IRPJ, do anocalendário 2000, razão pela qual, após a imputação dos valores compensados, chegouse ao saldo negativo disponível de R$ 33.121,33. Em vista dessa apuração e utilizandose do saldo disponível, foram homologadas todas as compensações constantes do presente processo, bem como daqueles de n° 10830.010818/200291 e 10830.010819/200236, nos quais constava como crédito exatamente o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2000. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10830.004182/200168 Acórdão n.º 1201002.114 S1C2T1 Fl. 4 3 Foi apurado, ao final, saldo original disponível de R$ 9.829,35, relativo ao saldo negativo de IRPJ, do anocalendário 2000 (fls. 296verso). Cientificada, em 09/04/2009, da solução dada aos pleitos formulados, conforme AR de fls. 573, a contribuinte, por seu representante legal, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 320/324, expondo em sua defesa as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: 1) faz uma breve introdução do histórico do processo e passa a abordar a questão do imposto de renda retido na fonte, cujo valor pleiteado de R$ 28.604,10 foi reduzido a R$ 22.730,75 pela autoridade administrativa; 2) informa que o montante das retenções do IR na fonte sobre serviços prestados no anocalendário de 2000 é da ordem de R$ 17.994,10, conforme as informações prestadas nos anexos que discrimina: relação das notas fiscais e recibos relativos aos serviços prestados, com indicação do valor bruto da receita e do IR incidente; relação das mesmas NF totalizadas por mês de apuração; e relação das NF por fonte pagadora; 3) além do IR incidente sobre serviços prestados, houve retenções sobre rendimentos de aplicações financeiras, no importe de R$ 10.610,00, conforme planilha do Anexo D, além de comprovantes de rendimentos; 4) A soma das duas importâncias totaliza R$28.604,10 e não R$ 22.730,75, considerado pela fiscalização; 5) Todas as fontes pagadoras foram indicadas na Ficha 43 da DIPJ/2001, sendo os valores corroborados pelas cópias das notas fiscais e recibos, juntados à manifestação de inconformidade; 6) diz que o pagamento do tributo e a prestação das informações são obrigações atribuídas às fontes pagadoras, que necessitam fornecer os Comprovantes de Rendimentos e IRFonte às beneficiárias; 7) e arremata, quanto a este tópico: "O crédito relativo ao IR Fonte indicado na Ficha 43 da DIPJ/2001, no valor de R$ 28.604,10, deve ser reconhecido, a beneficiária não pode ser penalizada quando a fonte pagadora omite informações que deveriam ser prestadas através da DIRFs. Isto levanos a seguinte indagação: Quando a beneficiária presta informações através da DIPJ / 2001 que divergem das prestadas pelas fontes pagadoras através da DIRF qual é o procedimento da RFB junto a fonte pagadora? A quem cabe cumprimento da obrigação tributária e acessória? A responsável não é identificada através da DIPJ / 2001 quem deve prestar informações através da DIRF? Em que momento as fontes pagadoras foram contatadas pela RFB quanto às informações indicadas da DIPJ / 2001?" Fl. 767DF CARF MF Processo nº 10830.004182/200168 Acórdão n.º 1201002.114 S1C2T1 Fl. 5 4 8) passa a seguir ao tema das estimativas, caso em que a fiscalização não aceitou a compensação do valor de R$ 2.317,74, feita no mês de março/2000, com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999; 9) informa que, de fato, retificou a declaração desse período (1999), passando o imposto a pagar de R$ 2.354,25 para R$ 13.693,45, sendo que a diferença de R$11.339,20 foi incluída no PAES, no qual constou indevidamente a quantia total de R$ 13.693,45, objeto de pedido de retificação, conforme processo administrativo fiscal, que elenca; 10) a compensação pleiteada, de R$ 2.317,74, foi feita muito antes da retificação da declaração, há mais de 5 (cinco) anos; 11) faz um quadro demonstrativo das estimativas, no qual se registram os valores pagos (R$ 39.791,25), o imposto compensado (R$ 2.317,74) e o IRFonte utilizado nas quitações das estimativas (R$ 13.941,35), totalizando o montante de R$ 56.050,34, a título de antecipações do imposto de renda pessoa jurídica, no anocalendário de 2000; 12) assevera que, somandose o IRFonte de R$ 28.604,10, com as estimativas pagas, de R$ 39.791,25, e o valor compensado de R$ 2.317,74, alcançase a cifra de R$ 70.713,09 como valor do imposto antecipado, o qual, confrontado com a quantia de R$ 23.097,96, apurada como imposto devido, resulta em saldo negativo de R$ 47.615,13, como pleiteado no pedido de restituição; 13) informa que, após a apresentação do pedido de restituição, há débitos que foram compensados, através de Pedido de Compensação, bem como outros débitos compensados sem processo, relacionados no Anexo E, no total de R$ 27.928,92; 14) aduz que o valor apurado disponível de R$ 33.121,33 está incorreto, os débitos deverão ser revistos e corrigidos de acordo com as compensações declaradas em DCTF, conforme Anexo E, e indaga sobre a previsão legal para homologação ou não das compensações, tendose em conta que o último pedido de compensação, para utilização do saldo negativo de IRPJ, do anocalendário 2000, foi formulado em 07/11/2002, há mais de 5 (cinco) anos do seu vencimento; 15) e arremata, com os seguintes requerimentos: “A vista dos esclarecimentos e dos documentos juntados, solicitamos a reconsideração do montante do IR Fonte retido no valor de R$ 28.604,10; bem como o Valor Pleiteado como Saldo Negativo IRPJAC 2000 de R$ 47.615,13; a homologação total dos débitos declarados nas DCTFs, tanto os vinculados ao Processo formulados através de Pedido de Compensação como os demais compensados "sem processo" declarados em DCTFs vinculados ao Saldo Negativo: 31/12/2000 e não apenas a diferença entre R$ 39.424,04 (Tabela II do Comunicado) e R$ 33.121,33 (Tabela III do Comunicado)."" Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10830.004182/200168 Acórdão n.º 1201002.114 S1C2T1 Fl. 6 5 2. Em sessão de 03 de setembro de 2009, a 4ª Turma da DRJ/CPS, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, em considerar procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada, reconhecendo direito creditório adicional de R$ 5.508,52, nos termos do Acórdão nº 0526.684 (fls. 656/666), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA. IRPJ Anocalendário: 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A apresentação de informe de rendimentos, comprovando a retenção de imposto de renda na fonte, em valor superior ao declarado em DIRF pela fonte pagadora, acarreta o reconhecimento do direito creditório, correspondente à diferença existente entre os dois documentos. O reconhecimento do restante do direito creditório, pleiteado pela contribuinte, se mostra inviável, por não terem sido exibidos os demais informes de rendimentos das fontes pagadoras, contendo valores não informados em DIRF. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte” 3. A DRJ/CPS acolheu em parte os argumentos da Recorrente para reconhecer o direito creditório adicional de R$ 5.508,52 relativo ao IRPJ, vinculando este montante as compensações discriminadas no demonstrativo de fls. 513/515. Alguns pontos da decisão merecem destaque: 3.1. Em relação a divergência entre os valores de IRRF, foi construído quadro comparativo entre os valores apresentados na manifestação de inconformidade e os valores considerados pela fiscalização. Cada diferença apontada foi analisada em contraposição aos documentos juntados pelo contribuinte (fl. 660) . 3.2. Partindo do pressuposto de que é obrigatório à fonte pagadora o fornecimento do documento anual comprobatório da retenção do IRRF e que compete aos beneficiários a sua guarda e contabilização, apenas um dos valores destoantes no quadro comparativo foi considerado hábil a ser adicionado enquanto crédito em benefício do contribuinte. Com efeito, a r. decisão acabou por reconhecer direito creditório adicional de R$ 5.508,52 (comprovante de rendimentos de fls. 405/406). 3.3. Acerca do suposto crédito de R$ 2.317,74, a r. voto condutor considerou que os recolhimentos do IRPJ devem ser alocados preferencialmente aos débitos apurados de IRPJ (anocalendário 1999, valores incluídos no PAES), verbis: "Retruca a contribuinte, afirmando que essa compensação de R$ 2.317,76 foi feita muito antes da retificação da DIPJ/2000, além de esclarecer que a diferença de tributo apurada foi incluída no Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10830.004182/200168 Acórdão n.º 1201002.114 S1C2T1 Fl. 7 6 parcelamento especial (PAES), em que constou erroneamente o total de R$13.693,45, em lugar da diferença de R$11.339,20. Em que pesem as alegações da recorrente, não é possível o atendimento ao seu pleito, considerandose que os recolhimentos do imposto de renda pessoa jurídica devem ser alocados preferencialmente aos débitos apurados. Tendose em conta que o valor do IRPJ apurado como devido, mesmo que reconhecido apenas em declaração retificadora, todos os recolhimentos à esse titulo devem ser alocados aos débitos, com o reconhecimento do indébito apenas nos casos de os pagamentos superarem os valores devidos." 3.4. Em relação ao pedido da contribuinte de homologação tácita das compensações declaradas em DCTFs, a r. decisão consignou que todos os pedidos de compensação foram homologados pela autoridade fiscal na prolação do despacho decisório, verbis: "Finalmente, em relação ao prazo de 5 (cinco) anos para homologação das compensações, devese esclarecer à contribuinte que todas as compensações por ela declaradas, em pedidos de compensação, foram homologadas pela autoridade fiscal, quando da prolação do despacho decisório, que ocorreu em 09/01/2006, não cabendo qualquer contestação a respeito, tendose em conta que o pedido de restituição foi feito em 13/06/2001 e as compensações, posteriormente." 4. Cientificada da decisão (AR de 22/10/2013, fls. 712), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 19/11/2013 (fls. 714/733) reiterando parcialmente as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade (fls. 287/304), em especial para: (i) ser reconhecida a homologação tácita da totalidade das compensações categorizadas pela Recorrente como “sem processo” em razão do decurso de cinco anos desde a apresentação das DCTFs até sua cientificação; (ii) alternativamente, ser integralmente reconhecido o direito creditório pleiteado no pedido de restituição, revertendo os créditos alocados em parcelamento especial; (iii) que seja mantida a suspensão de exigibilidade dos créditos transferidos ao processo 10830.726020/201318. 5. Seguem os fundamentos apresentados pela Recorrente para tanto: 5.1. Na época dos fatos acobertados por estes autos, a DCTF consistia em instrumento hábil para a informação de procedimentos de compensação pelos contribuintes, pois era aplicado o artigo 7º da Instrução Normativa SRF nº 73/96, que previa a obrigatoriedade da informação de compensações em DCTF. Esse cenário foi alterado apenas com a Lei 10.637/2002, que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96, tal como segue: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10830.004182/200168 Acórdão n.º 1201002.114 S1C2T1 Fl. 8 7 § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. 5.2. Em razão de terem sido convertidos em declaração de compensação, os pedidos de compensação feitos por meio da DCTF passaram a se submeter ao prazo de homologação de cinco anos, nos termos do §5º do art. 75, da Lei 9.430/96. § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. 5.3. A Recorrente alega que apresentou em DCTFs do ano de 2001 até a competência de setembro de 2002 (fls. 520/620) compensações de créditos oriundos de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2000, com débitos de IRRF. Em virtude da conversão dessas compensações em declaração de compensação, estariam elas sujeitas ao prazo de homologação previsto no § 5º do artigo 75, da Lei nº 9.430/96. 5.4. Apesar da decisão do DRJ/CPS afirmar que todas as compensações declaradas foram homologadas, a Recorrente afirma que existem débitos em aberto que estão sendo cobrados. Esses débitos são referentes a créditos que deveriam ter tido sua compensação homologada tacitamente, pois a Recorrente foi cientificada da decisão que julgou seus pedidos de compensação apenas em 16/03/2009 (Comunicação nº 206/2009, fls. 319), aproximadamente sete anos depois do pedido de compensação ter sido feito (fls. 718/720). 5.5. A Recorrente considera que são dois argumentos que justificam a reversão da alocação de seus créditos ao PAES: (i) a diferença apurada a título de IRPJ do ano calendário 1999, que constituiu o saldo negativo foi pago posteriormente, o que legitima a integralidade do montante do crédito compensado; e (ii) quando houve o deslocamento dos créditos para o PAES da Recorrente, tal parcelamento já se encontrava liquidado. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora. 6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Da Compensação de créditos informados em DCTF e homologação tácita 7. Conforme exposto no Recurso Voluntário, os valores em cobrança por força do não reconhecimento da integralidade do direito creditório propugnado pela Recorrente (saldo negativo de IRPJ, anocalendário 2000), referemse a compensações sem processo, ou seja, compensações de débitos declarados em DCTF pela Recorrente, relativos a todo ano calendário de 2001 e janeiro até setembro de 2002. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10830.004182/200168 Acórdão n.º 1201002.114 S1C2T1 Fl. 9 8 8. Ocorre que, as doutas autoridades fiscais insistem em dizer que a totalidade os pedidos de compensação foram homologados. Contudo, conforme quadro analítico de fls. 718/720, há valores em aberto. 9. É certo que, a Recorrente foi cientificada da decisão que julgou seus pedidos de compensação apenas em 16/03/2009, aproximadamente sete anos depois do pedido de compensação ter sido feito e das DCTFs terem sido transmitidas. 10. Portanto, independente das demais questões de mérito aqui ventiladas, entendo que houve a homologação tácita dos pedidos de compensação com ou sem processo administrativo, em razão do decurso do prazo de 5 anos. 11. Até o advento da Lei nº 10.637/2002, aplicavase às compensações, no âmbito federal, os ditames do artigo 7º da IN SRF nº 73/96, cuja redação era expressa no sentido de que as compensação teriam, obrigatoriamente, de ser informadas em DCTF. Confirase: "Art. 7º A DCTF deverá conter as seguintes informações, relativas ao trimestre de competência: (...) XI compensações" 12. Neste contexto, a matriz legal aplicável às compensações estava assentada na redação original do artigo 74, da Lei nº 9.430/96, in verbis: "Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ela restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração." 13. Este cenário legislativos apenas veio a ser alterado com a Lei nº 10.637/2002, que modificou a redação do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, nos seguintes termos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10830.004182/200168 Acórdão n.º 1201002.114 S1C2T1 Fl. 10 9 § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (destaques nossos) 14. Em conformidade com a novel redação do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 os pedidos de compensação pendentes de decisão quando do advento da Lei nº 10.637/2002 que passou a produzir efeitos a partir de 1º de outubro de 2002, conforme artigo 68, I da Lei nº 10.637 foram "convertidos" em declaração de compensação, passando, então, a se submeter ao prazo de homologação preconizado pelo §5º do citado artigo 74, a saber, de 5 anos, contados da data da entrega da declaração de compensação. 15. Ora, inconteste que, ao mesmo tempo em que cuidou de regulamentar o procedimento de compensação no âmbito federal, objetivando, fundamentalmente, trazer mais segurança aos contribuinte e, simultaneamente, dirimir fraudes, a Lei nº 10.637/2002 também definiu um prazo para que a Administração Pública se posicionasse sobre tais procedimentos, prazo este que, uma vez inobservado, ensejaria como efeito a homologação das compensações. 16. Em termos práticos, tal homologação implica no reconhecimento quanto à veracidade e suficiência dos créditos, bem assim a extinção dos débitos contrapostos. 17. Diversas outras alterações legislativas se sucederam à Lei nº 10.637/2002, entretanto, no que importa ao caso em tela, a essência não se alterou: a Administração Pública Federal dispõe de 5 anos para intimar o contribuinte acerca de suas impressões quanto aos procedimentos de compensação por ele levados a efeito, sob pena de sua homologação tácita. 18. Vejase que, de fato, o prazo apenas se interrompe com a intimação da decisão ao sujeito passivo, conforme artigo 73 da Instrução Normativa nº 460/2004, verbis: Art. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 56, 61, e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. (destaques nossos) 19. Aplicandose os dispositivos supra ao caso concreto, resta perceptível que a Recorrente procedeu à compensação de créditos oriundos de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 com débitos de IRFonte (códigos 0561; 0588; 1708 e 3280) informados em DCTFs do ano de 2001, até a competência de 09/2002, cabendo o registro de que todas as DCTFs foram transmitidas tempestivamente, consoante se depreende das fls. 674 a 678 dos presentes autos, em que detalhadas tais declarações, cujos débitos foram liquidados por meio dos procedimentos de compensação em debate, inclusive com a informação sobre se original ou retificadora e a data de recepção. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10830.004182/200168 Acórdão n.º 1201002.114 S1C2T1 Fl. 11 10 20. Anotese, em complemento, que as cópias das DCTFs encontramse acostadas aos presentes autos às fls. 520 a 620. 21. Logo após, no mês de Outubro/2002 passaram a produzir efeitos as disposições introduzidas na legislação tributária pela Lei nº 10.637/2002, de sorte que, a partir daí, restaram definidos os conceitos de "declaração de compensação" e "compensação tácita", norteados pelo prazo atribuído ao Fisco para apreciação dos procedimentos de compensação efetivados, os 5 anos. 22. Desta feita, temse que as compensações informadas em DCTF pela Recorrente foram convertidas em declarações de compensação, a elas se aplicando, portanto, o prazo legal para manifestação por parte do fisco federal. 23. Como a Recorrente apenas veio a ser cientificada quanto ao resultado do julgamento de suas compensações sem processo por intermédio da Comunicação nº 206/2009, expedida em 16/03/2009 (fls. 319), portanto, aproximadamente 7 (sete) anos após a "declaração" das compensações, resta evidente o transcurso de prazo superior a 5 anos. 24. Tal fato impõe o reconhecimento da homologação tácita de tais procedimentos, nos termos do artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96, com a redação definida pela Lei nº 10.637/2002. 25. No mais, embora a primeira decisão exarada date de 09/01/2006, apenas há que ser considerado interrompido o prazo homologatório com a intimação pessoal do contribuinte, portanto em 16/03/2009, o que, de fato, confirma a ocorrência da homologação tácita, impondo a extinção total dos créditos tributários apontados como remanescentes, em fase de cobrança, eis que todas as compensações informadas em DCTFs pela Recorrente apenas foram apreciadas em prazo superior a 5 anos, contato da data da transmissão/retificação das referidas declarações. 26. É nesse sentido a jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consoante se denota dos julgados que seguem: Assunto: Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2003 NORMAS PROCESSUAIS CONVERSÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa na data em que passou a vigorar a novel legislação disciplinadora da matéria serão considerados declaração de compensação, desde o momento de seu protocolo na repartição fiscal. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 05 anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo sem que a autoridade administrativa se pronuncie, considerarseá homologada (homologação tácita) a Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10830.004182/200168 Acórdão n.º 1201002.114 S1C2T1 Fl. 12 11 compensação declarada pelo sujeito passivo e, definitivamente, extinto o crédito tributário nela declarado. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, Recurso Voluntário, Processo nº 10166.013481/200254, acórdão 2801002.863 1ª Turma Especial, julgado em sessão de 22/01/2013, Relator Conselheiro Carlos César Quadros Pierre). Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de Apuração: 01/01/1989 a 31/12/1991 AUTOCOMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXTINÇÃO DO DÉBITO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PRAZO QUINQUENAL. Os débitos tributários autocompensados pelo sujeito passivo e não homologados expressamente pela autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) até o final do prazo de cinco anos, contado da entrega da DCTF, são extintos definitivamente pela homologação tácita do procedimento de constituição do credito pelo sujeito passivo. (CARF, 3ª Seção de Julgamento, Recurso Voluntário, Processo nº 10070.000138/9998, acórdão 310200.587 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, julgado em sessão de 04/02/2010, Relator Conselheiro José Fernandes do Nascimento). 27. Observase que a última ementa, retro transcrita, amoldase ao vertente caso, porquanto se trata de hipótese em que o contribuinte declarou compensações via DCTF, sendo certo que, a tais declarações, foram aplicados os efeitos próprios das declarações de compensação, inclusive os prazos para homologação. 28. Enfim, frente a todo o exposto, não restam dúvidas acerca da configuração da homologação tácita ao presente caso, o que impõe o reconhecimento total da extinção dos créditos tributários vinculados ao Pedido de Restituição nº 10830.004182/2001 68, inclusive aqueles em cobrança, detalhados no relatório de informações fiscais do contribuinte, transferidos ao processo administrativo nº 10830.726020/201318, com fulcro no artigo 156, II, do CTN. Conclusão 29. Diante do exposto, VOTO por CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10830.004182/200168 Acórdão n.º 1201002.114 S1C2T1 Fl. 13 12 Fl. 776DF CARF MF
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Numero do processo: 13411.000673/2004-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/1999 a 30/09/2000, 01/11/2000 a 30/11/2000, 01/01/2001 a 31/12/2003
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-006.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 41 1. 00 06 73 /2 00 4- 10 Fl. 1468DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009 (RICARF/2009), contra Acórdão nº 340200.929, cuja ementa é a seguinte: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/1999 a 30/09/2000, 01/11/2000 a 30/11/2000, 01/01/2001 a 31/12/2003 CRÉDITOS DE IPI. Tratandose o processo de exigência do PIS e da COFINS não pode o Colegiado manifestarse sobre matérias estranhas ao litígio. Recurso não Conhecido DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o credito pertinente contribuição para a Seguridade Social Cofins é de 05 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador quando há pagamento, nos termos do art. 150,§ 4° do CTN. EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO. Incabível exclusão da base de cálculo da contribuição de valores relativos aquisição de mercadorias, insumos e serviços necessários à fabricação de produtos posteriormente vendidos no nome da própria empresa. COMPENSAÇÃO. A compensação supostamente efetuada pela contribuinte deve ser efetivamente comprovada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 13411.000673/200410 Acórdão n.º 9303006.985 CSRFT3 Fl. 1.469 3 A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. Aplicação de Sumula do CARF. BASE DE CALCULO. FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE A TOTALIDADE DAS RECEITAS. ENTENDIMENTO INEQUÍVOCO DO E. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A base de cálculo da Cofins e do PIS, depois da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1° do artigo 3° da Lei 9718/98, passou a ser o faturamento, assim entendida as receitas que correspondam As atividades operacionais próprias da empresa. Recurso parcialmente Provido ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 NS/PASEP Período de apuração: 01/08/1999 a 30/09/2000, 01/11/2000 a 30/11/2000, 01/01/2001 a 31/06/2003 CRÉDITOS DE IPI. Tratandose o processo de exigência do PIS e da COFINS não pode o Colegiado manifestarse sobre matérias estranhas ao litígio. Recurso não Conhecido DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente A. contribuição para a Seguridade Social Cofins é de 05 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador quando há pagamento, nos termos do art. 150,§ 4° do CTN. EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO. Incabível exclusão da base de cálculo da contribuição de valores relativos A aquisição de mercadorias, insumos e serviços necessários a fabricação de produtos posteriormente vendidos no nome da própria empresa. COMPENSAÇÃO. A compensação supostamente efetuada pela contribuinte deve ser efetivamente comprovada. BASE DE CALCULO. FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE A TOTALIDADE DAS RECEITAS. ENTENDIMENTO INEQUÍVOCO DO E. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Fl. 1470DF CARF MF 4 A base de cálculo da Cofins e do PIS, depois da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1° do artigo 3° da Lei 9718/98, passou a ser o faturamento, assim entendida as receitas que correspondam As atividades operacionais próprias da empresa. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MATÉRIA SUMULADA. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. Aplicação de Sumula do CARF. Recurso Parcialmente Provido". O Colegiado recorrido deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos até 24/08/99. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração questionando a redação do dispositivo do acórdão e, em seguida, em novo embargo, indagou a existência de recolhimentos e a aplicação do art. 173, I do CTN, por inobservância do disposto no art. 62A do RICARF. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, suscitando divergência quanto à aplicação do art. 150, §4º, do CTN, sem aferir sobre a existência de pagamento antecipado, em relação ao acórdão nº 910100.460, juntado por inteiro teor ás fls. 659/662. Em seguida, o Presidente da 4 º Câmara, deu seguimento ao Recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 1433/1434. No essencial é o Relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 13411.000673/200410 Acórdão n.º 9303006.985 CSRFT3 Fl. 1.470 5 Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Passo ao julgamento. In caso, tratase de auto de infração objetivando a exigência do PIS e da COFINS relativos aos períodos de apuração de agosto de 1999 a setembro de 2000, novembro de 2000 e janeiro de 2001 a junho de 2003, e agosto de 1999 a setembro de 2000, novembro de 2000 e janeiro de 2001 a dezembro de 2003, respectivamente, em virtude de falta de recolhimento das contribuições apurada em decorrência de divergência entre os valores escriturados e os declarados/pagos. Por sua vez, a Terceira Câmara do extinto Conselho de Contribuintes, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, para acolher a preliminar de decadência com relação aos fatos geradores ocorridos em dezembro de 1998, com fundamento no artigo 150, § 4º, do CTN, quando há pagamento antecipado. Alega a Fazenda Nacional, que as competências ocorridas a partir de 01/1999 poderiam ter sido lançadas em 1999. Logo, 01/01/2000, primeiro dia do exercício seguinte, é o termo inicial da contagem do prazo decadencial, que somente se encerra em 01/01/2005. Como a Contribuinte foi cientificada em 24/08/2004, o credito tributário foi regular e tempestivamente constituído em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/1999, inexistindo pagamento parcial (competências do ano de 1999), conforme se depreende dos autos, impõese a aplicação da regra de contagem constante do art. 173, I, do CTN. Prima facie, auto de infração foi lavrado em 24/08/2004, tendo sido lançados períodos de apuração de agosto/99 a fevereiro/00, Analisando a quaestio, para comprovar a divergência jurisprudencial, a Fazenda Nacional aponta como paradigma o acórdão nº 910100.460, cuja ementa transcreve se: DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR 1RIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do cm. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Pelo confronto entre a ementa do acórdão recorrido e o excerto do voto condutor paradigma, não se comprova divergência. Como se vê, acórdão recorrido deu provimento parcial para reconhecer a decadência para os fatos geradores ocorridos até 24/08/1999. Contudo, o fato gerador do PIS e Fl. 1472DF CARF MF 6 da Cofins não é diário e sim mensal, ou seja o faturamento do mês, conseqüentemente, no último dia útil do mês. Sem embargo, a decisão parcial da Câmara Baixa que reconheceu a decadência para os fatos geradores ocorridos até 24/08/99, de fato, não beneficiou o contribuinte, tendo em vista que o fato gerador das contribuições é o faturamento do mês, em 31/08/1999, ficando, portanto, prejudicado o julgamento do recurso especial da Fazenda Nacional. Portanto, é caso de não conhecimento do Recurso Especial, a decisão recorrida aplicou o artigo 150, §4º, do CTN, quando há pagamento antecipado, enquanto que o acórdão paradigma também externou o mesmo entendimento, ou seja, " quando há pagamento antecipado", ademais a decisão não atingiu nenhum fato gerador do lançamento. Neste sentido, a Portaria MF Nº 343, DE 09 DE JUNHO DE 2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) nos termos do artigo 67, dispõe sobre as condições de interposição de Recurso Especial. In verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º Para efeito da aplicação do caput, entendese que todas as Turmas e Câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou do CARF são distintas das Turmas e Câmaras instituídas a partir do presente Regimento Interno. § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. § 4º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. § 7º Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartandose os demais. § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 13411.000673/200410 Acórdão n.º 9303006.985 CSRFT3 Fl. 1.471 7 § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. Dessa forma, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Dispositivo Ex positis, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução de divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1474DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.724372/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o Dr. André Luiz Falcão Tanabe, OAB/RJ nº 95.452.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - PRESIDENTE.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o Dr. André Luiz Falcão Tanabe, OAB/RJ nº 95.452. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - PRESIDENTE. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o Dr. André Luiz Falcão Tanabe, OAB/RJ nº 95.452. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA PRESIDENTE. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de novo Recurso Voluntário de fls 4820 em face de decisão da DRJ/MS de fls. 4804 que decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade de fls. 4549, apresentada em oposição ao Despacho Decisório de fls. 4531, que não homologou a compensação de Cofins. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 24 37 2/ 20 09 -0 9 Fl. 5037DF CARF MF Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201001.310 S3C2T1 Fl. 5.038 2 Como de costume, transcrevo o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia de Julgamento de primeira instância: "A contribuinte acima identificada transmitiu a Dcomp 22980.45181.150409.1.3.046650 em 15 de abril de 2009, consignando como crédito o valor de R$ 21.337.651,48 relativo à Cofins (código 5856) de fevereiro de 2009. A compensação não foi homologada, tendo em vista o resultado da análise que apurou de ofício o débito da Cofins do mês de fevereiro de 2009 (código 5856) no valor de R$ 207.717.218,96 e não somente R$ 168.990.135,01 conforme DCTFs apresentadas. Os fundamentos para o aumento do valor da Cofins devida no referido mês e o consequente não reconhecimento do direito creditório foram, em resumo, glosas de créditos relativos a serviços utilizados como insumos, de despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda e de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica. No Despacho Decisório acostado às fls. 4.531 a 4.543 há a descrição pormenorizada do procedimento efetuado e dos valores apurados. A ciência quanto ao despacho decisório ocorreu em 25 de julho de 2013, conforme Termo de fl. 4.547. Em 14 de agosto de 2013, foi protocolada a manifestação de fls. 4.549 a 4.571, na qual, após relato dos fatos, foi alegado, em apertada síntese, que: a) o valor do crédito foi apurado pelo abatimento das parcelas dedutíveis da base de cálculo que, por equívoco, não havia sido efetuado, no valor total de R$ 280.572.768,50; b) as glosas efetuadas de ofício estão baseadas na corrente restritiva que considera insumo apenas o bem ou serviço que integra o produto final, tese já superada pela melhor doutrina, no CARF e, inclusive, no STJ; c) é absurdo o entendimento de que, em uma empresa cuja atividade principal seja a extração de petróleo, principalmente em áreas marítimas distantes da costa, serviços como de rebocador, movimentação de cargas marítimas, praticagem, amarração de navios, manutenção de embarcações e de equipamentos de comunicação não sejam considerados insumos. Após o protocolo do Recurso Voluntário os autos foram distribuídos e pautados conforme regimento interno deste Conselho. d) mesmo que informadas em campo impróprio do Dacon, as despesas com transportes internos e táxi, aéreo e terrestre, geram a possibilidade de crédito da Cofins, em face dos motivos já esposados (letra “c” acima) e , também, pela necessidade da movimentação de produtos da área de exploração para as refinarias; e) a glosa relativa ao transporte de gás da Bolívia merece ser revertida, já que efetuado após o desembaraço aduaneiro, entre municípios situados em território nacional; f) quanto às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica, apesar da classificação errônea no Dacon, elas são passíveis de dedução da Cofins; g) as notas Fl. 5038DF CARF MF Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201001.310 S3C2T1 Fl. 5.039 3 de débito fazem prova em favor da contribuinte e são suficientes para a fruição dos créditos de Cofins, não havendo necessidade da emissão da Nota Fiscal para esse fim, uma vez não haver essa exigência na legislação; h) a alocação de créditos provenientes de meses anteriores, não representa prejuízo ao regime de competência do tributo, bastando ao contribuinte demonstrar a ocorrência do custo/despesa previsto em lei para ter direito ao crédito da contribuição em momento futuro; i) o descumprimento de obrigação acessória, quando possível a demonstração do crédito inerente à obrigação principal, está sujeito apenas à sanção administrativa por tal descumprimento, mas não à rejeição do crédito arguido para fins de compensação, devidamente demonstrado. Ao final, é requerido: a) a juntada posterior de documentos e a produção de outras provas necessárias ao deslinde da questão; b) as intimações sejam dirigidas ao endereço informado no preâmbulo da manifestação, mais precisamente à sala 1804; c) a homologação da compensação declarada." A decisão recorrida, consubstanciada no Acórdão nº 0434.173, de 19/11/2013, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, restou assim ementada: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009 APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal as provas documentais devem ser apresentadas junto com a impugnação. CRÉDITOS DE COFINS. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. PRESCRIÇÕES LEGAIS. Os créditos relativos à Cofins não cumulativa só são reconhecidos no caso de as operações que lhe deram origem estarem balizadas nas estritas raias das prescrições legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs o seu recurso voluntário tempestivamente, reiterando, em síntese, os argumentos suscitados em sua defesa inaugural. Além disso, pugnou pela reforma da decisão recorrida para que o seu direito creditório seja integralmente reconhecido. Este conselho converteu o julgamento em diligência conforme Resolução de fls. 4904, nos seguintes termos: Fl. 5039DF CARF MF Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201001.310 S3C2T1 Fl. 5.040 4 "Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente, para no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços, que pretende aferir créditos para apuração da COFINS não cumulativa; b) A Unidade Preparadora deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída tais verificações, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento." O contribuinte discriminou as atividades da empresa nos moldes solicitados em fls. 4933, a fiscalização apresentou seu entendimento em fls. 4953 e o contribuinte apresentou sua manifestação do resultado da diligência em fls. 4972. Os autos foram novamente pautados e distribuídos para julgamento nos moldes do regimento interno deste conselho. É o breve relatório. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Conforme a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresento e relato o seguinte Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do tempestivo Recurso Voluntário. É preciso trazer aos autos as razões pelas quais se forma a convicção de que o presente procedimento administrativo não está em condições de julgamento. Algumas considerações anteriores à diligência devem ser registradas. O despacho decisório de fls. 4531, que não homologou a compensação, tratou a questão de uma forma diferente da esperada pelo contribuinte, uma vez que considerou que os créditos seriam oriundos da sistemática não cumulativa da Cofins, dentro do conceito de Fl. 5040DF CARF MF Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201001.310 S3C2T1 Fl. 5.041 5 insumos e outras situasses que poderiam gera créditos, mas não geraram por diversas outras razões. Além disso, a partir das linhas 03 e 07 da ficha 16A da Dacon, a fiscalização tratou de outro tributo (cód. 6840), além do solicitado (5856), com discussão em outro processo administrativo fiscal, o de n.º 16682.901394/201437. Ponto crucial é a elaboração de uma análise distante das linhas 16 e 17 da dacon, de forma que a fiscalização considere também os demais documentos para fins de cálculo das parcelas dedutíveis, de acordo com o que foi originalmente explicado. Diante do exposto, votase para que o julgamento seja novamente convertido em diligência, para que: a fiscalização analise novamente os créditos e considere também os demais documentos para fins de cálculo das parcelas dedutíveis, de acordo com o que foi originalmente explicado na manifestação sobre a diligência de fls 4972 e de acordo com Cod. 5856 (cofins não cumulativo) e não o Cod. 6840 (cofins combustivel); além disso, a autoridade de origem deve confirmar se há ou não esse crédito.no Cod 5856 (cofins não cumulativo), assim como verificar os DARFs e se houve pagamentos a maior ou não; a fiscalização pode intimar o contribuinte para os esclarecimentos necessários; se necessário, a fiscalização deve juntar cópia dos autos do processo de n.º 16682.901394/201437; Após, o contribuinte deve ser cientificado do resultado do relatório fiscal e se manifestar. Por fim, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento. Resolução proferida. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 5041DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.900762/2008-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO.
O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE
As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Portaria 343/2015 e alterações.
Numero da decisão: 9303-006.575
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Portaria 343/2015 e alterações.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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MULTA DE MORA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CACAU'S DISTRIBUIDORA LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria 343/2015 e alterações. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 07 62 /2 00 8- 98 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10950.900762/200898 Acórdão n.º 9303006.575 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 3201001.452. No caso, o colegiado a quo considerou aplicável o instituto da denúncia espontânea, afastando a exigência da multa de mora sobre recolhimento de tributo efetuado antes de apresentada a declaração do montante devido, acrescido dos juros de mora. A divergência suscitada no recurso especial referese à exigência de multa de mora no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação pagos a destempo sem prévia declaração em DCTF. O Recurso Especial foi admitido por intermédio de despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente. O contribuinte apresentou Contrarrazões defendendo a manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.571, de 10/04/2018, proferido no julgamento do processo 10950.900696/200856, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.571): "Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Mérito A matéria em litígio não é novidade para este Colegiado. Pelo menos por meio dos acórdãos nºs 9303004.191, 9303003.489, 9303003.490, 9303003.364, 9303003.220, 9303 003.203 , 9303003.202, o assunto foi discutido e decidido no mérito. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10950.900762/200898 Acórdão n.º 9303006.575 CSRFT3 Fl. 4 3 Como é de sabença, o Superior Tribunal de Justiça, na pessoa do então Ministro Teori Albino Zavascki, decidiu, nos autos do processo nº 2007/01428689, sobre a aplicação do instituto da denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação previamente declarados pelo contribuinte e pagos a destempo, nos seguintes termos. EMENTA 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. (REsp 962379 RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) Mais tarde, no REsp 1149022, da relatoria do Ministro Luiz Fux, ficou consignado o entendimento de que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do tributo sujeito a lançamento por homologação, acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica a declaração. A intelecção induvidosa da decisão acima transcrita é no sentido de que o pagamento que não fora previamente declarado em DCTF está albergado pela denúncia espontânea quando pago antes de qualquer procedimento fiscal. Noutro giro, é translúcido o entendimento de que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte (item 7 da ementa a seguir transcrita). EMENTA 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10950.900762/200898 Acórdão n.º 9303006.575 CSRFT3 Fl. 5 4 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. (REsp 1149022 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) O artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações, determina que as matérias decididas em Repercussão Geral, pelo STF, sejam reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte. Em acréscimo, destacase que, por força do disposto no art. 21 da Lei nº 12.844/2013, que deu nova redação ao art. 19 da Lei nº 10.522/2002, a própria Procuradoria da Fazenda Nacional, com base nas disposições do art. 2º, inciso VII, da Portaria PGFN nº 502/2016, especifica em seu site uma relação de temas que não devem mais ser objeto de recurso. Dentre eles está elencado a denúncia espontânea, nos seguintes termos. 1.13 Denúncia espontânea a) Declaração parcial Diferença a maior Multa moratória REsp 1.149.022/SP (tema nº 385 de recursos repetitivos) Resumo: (i) A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente; e (ii) A denúncia espontânea exclui a multa moratória. Vide Atos Declaratórios nº 08/2011 e nº 04/2011. Ressaltase que ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ entendem, de maneira pacífica, que, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, se o crédito não foi previamente declarado pelo contribuinte, mas foi pago, podese configurar a denúncia espontânea, desde que ocorram as demais hipóteses do art. 138 do CTN (REsp 1155146/AM, AgRg nos EDcl no Ag 1009777/SP, AgRg no REsp 1046285/MG e AgRg no REsp 1046285/MG). Todavia, isso não afasta a tese Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10950.900762/200898 Acórdão n.º 9303006.575 CSRFT3 Fl. 6 5 firmada no tema nº 61 de recursos repetitivos (REsp's nº 962.379/RS e nº 886.462/RS), no sentido de que "Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos declarados, porém pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que o pagamento seja integral". Vide, ainda, a Súmula 360/STJ. I (grifos meus) Neste mesmo sentido, recente decisão tomada por meio do acórdão nº 9303004.431, de 07 de dezembro de 2016, da relatoria do i. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/12/2003 a 31/07/2007 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 CTN. AFASTAMENTO DA MULTA MORATÓRIA. POSSIBILIDADE. A denúncia espontânea, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se aplica aos casos em que não houve a declaração do tributo, porém houve o pagamento antes de iniciado qualquer procedimento administrativo fiscal visando sua exigência. No caso concreto, é incontroverso que o pagamento do contribuinte não foi precedido de declaração, razão pela qual não está sujeito à incidência de multa moratória. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo também "é incontroverso que o pagamento do contribuinte não foi precedido de declaração, razão pela qual não está sujeito à incidência de multa moratória". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.001375/2005-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/04/2000
Ementa:
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. EQUÍVOCO RECONHECIDO.
Identificado o erro material tal equívoco deve ser sanado, sem que isso implique em efeitos infringentes.
Embargos acolhidos apenas para fins de retificação de erro material.
Numero da decisão: 3402-005.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para retificar o erro material no acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2000 a 30/04/2000 Ementa: EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. EQUÍVOCO RECONHECIDO. Identificado o erro material tal equívoco deve ser sanado, sem que isso implique em efeitos infringentes. Embargos acolhidos apenas para fins de retificação de erro material.
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HOLDING S/A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2000 a 30/04/2000 Ementa: EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. EQUÍVOCO RECONHECIDO. Identificado o erro material tal equívoco deve ser sanado, sem que isso implique em efeitos infringentes. Embargos acolhidos apenas para fins de retificação de erro material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para retificar o erro material no acórdão embargado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 13 75 /2 00 5- 52 Fl. 223DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição do contribuinte, manifestação essa julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto. 2. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando a legitimidade do seu crédito, bem como a submissão do Poder Executivo ao precedente vinculante do STF veiculado no âmbito do julgamento do RE n. 390.840/MG. Tal recurso foi provido por esta Turma julgadora, conforme retratado no acórdão n. 3402004.82 (fls. 205/213). 3. Ocorre que, em sede de cumprimento da decisão alhures mencionada, o titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão, interpôs os embargos de declaração de fls. 218/219, tendo por escopo suprir erro material. 4. Tal recurso foi admitido pelo r. despacho de fls. 221/222. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. 7. No mérito tal recurso merece ser provido, já que de fato possui notório erro material. Isso porque, ao se analisar o teor do relatório do voto embargado, bem como sua parte dispositiva, este Relator, por um lapso, afirmou que o presente caso tratarseia de compensação declarada pelo contribuinte e não homologada pelo fisco, enquanto que, em verdade, o que se tem aqui é pedido de restituição indeferido pela fiscalização. 8. Tal lapso está presente tanto no relatório do voto, quando na sua parte dispositiva, motivo pelo qual os embargos inominados interpostos devem ser conhecidos e provido para a retificação do acórdão embargado. Dispositivo 9. Ante o exposto, voto por conhecer e dar provimento aos embargos inominados interpostos, sem efeitos infringentes, devendo o acórdão embargado ser retificado para que, onde se lê 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte... seja lido 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10850.001375/200552 Acórdão n.º 3402005.247 S3C4T2 Fl. 224 3 despacho decisório que indeferiu pedido de restituição apresentado pelo contribuinte... bem como para que, onde se lê 10. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. seja lido 10. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que o pedido de restituição apresentado pelo contribuinte seja analisado pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. 10. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720446/2012-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO. QUESTIONAMENTO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA ATRIBUÍDA A TERCEIRO. NÃO CONHECIMENTO.
Não tendo o responsável solidário apresentado recurso voluntário em nome próprio, falece capacidade postulatória ao sujeito passivo principal para questionar a imputação da responsabilidade tributária ao terceiro, ainda que sócio administrador, deixando-se de conhecer do recurso nesta parte.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO PARCIAL DOS TRIBUTOS DEVIDOS. CONSTATAÇÃO DE DOLO OU FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
O prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, nos caso dos tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, ainda que tenha ocorrido o recolhimento parcial dos tributos devidos, quando constatada a presença de dolo, fraude ou simulação é de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, na hipótese tipificada no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64.
O ato omissivo ou comissivo do agente nem sempre se exterioriza ou se identifica por uma única ação, mas por um conjunto delas que revela a prática e o intuito de suprimir ou de reduzir tributo. Há que se diferenciar a possibilidade de ocorrência de mero erro fortuito do erro intencional. Este último se exterioriza pelas características, pelas circunstâncias e/ou pela prática reiterada. Em geral, o cuidado em tentar ocultar o erro ou a omissão, é revelador do intuito doloso. Incumbe ao Fisco trazer aos autos os elementos que possam demonstrá-lo. No caso concreto, os elementos trazidos aos autos pela autoridade fiscal convergem no sentido de caracterizar o intuito sonegatório da contribuinte.
Numero da decisão: 1302-002.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto e, no mérito, afastar a preliminar de decadência e negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Rogerio Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. QUESTIONAMENTO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA ATRIBUÍDA A TERCEIRO. NÃO CONHECIMENTO. Não tendo o responsável solidário apresentado recurso voluntário em nome próprio, falece capacidade postulatória ao sujeito passivo principal para questionar a imputação da responsabilidade tributária ao terceiro, ainda que sócio administrador, deixando-se de conhecer do recurso nesta parte. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO PARCIAL DOS TRIBUTOS DEVIDOS. CONSTATAÇÃO DE DOLO OU FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, nos caso dos tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, ainda que tenha ocorrido o recolhimento parcial dos tributos devidos, quando constatada a presença de dolo, fraude ou simulação é de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, na hipótese tipificada no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. O ato omissivo ou comissivo do agente nem sempre se exterioriza ou se identifica por uma única ação, mas por um conjunto delas que revela a prática e o intuito de suprimir ou de reduzir tributo. Há que se diferenciar a possibilidade de ocorrência de mero erro fortuito do erro intencional. Este último se exterioriza pelas características, pelas circunstâncias e/ou pela prática reiterada. Em geral, o cuidado em tentar ocultar o erro ou a omissão, é revelador do intuito doloso. Incumbe ao Fisco trazer aos autos os elementos que possam demonstrá-lo. No caso concreto, os elementos trazidos aos autos pela autoridade fiscal convergem no sentido de caracterizar o intuito sonegatório da contribuinte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2162; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 3.698 1 3.697 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720446/201224 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.791 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2018 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. DECADÊNCIA. Recorrente CAPRI INDÚSTRIA E COM. DE PRODUTOS PARA LAZER LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. QUESTIONAMENTO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA ATRIBUÍDA A TERCEIRO. NÃO CONHECIMENTO. Não tendo o responsável solidário apresentado recurso voluntário em nome próprio, falece capacidade postulatória ao sujeito passivo principal para questionar a imputação da responsabilidade tributária ao terceiro, ainda que sócio administrador, deixandose de conhecer do recurso nesta parte. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO PARCIAL DOS TRIBUTOS DEVIDOS. CONSTATAÇÃO DE DOLO OU FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, nos caso dos tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, ainda que tenha ocorrido o recolhimento parcial dos tributos devidos, quando constatada a presença de dolo, fraude ou simulação é de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, na hipótese tipificada no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. O ato omissivo ou comissivo do agente nem sempre se exterioriza ou se identifica por uma única ação, mas por um conjunto delas que revela a prática e o intuito de suprimir ou de reduzir tributo. Há que se diferenciar a possibilidade de ocorrência de mero erro fortuito do erro intencional. Este AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 04 46 /2 01 2- 24 Fl. 3698DF CARF MF Processo nº 19515.720446/201224 Acórdão n.º 1302002.791 S1C3T2 Fl. 3.699 2 último se exterioriza pelas características, pelas circunstâncias e/ou pela prática reiterada. Em geral, o cuidado em tentar ocultar o erro ou a omissão, é revelador do intuito doloso. Incumbe ao Fisco trazer aos autos os elementos que possam demonstrálo. No caso concreto, os elementos trazidos aos autos pela autoridade fiscal convergem no sentido de caracterizar o intuito sonegatório da contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto e, no mérito, afastar a preliminar de decadência e negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Rogerio Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Fl. 3699DF CARF MF Processo nº 19515.720446/201224 Acórdão n.º 1302002.791 S1C3T2 Fl. 3.700 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1645.282, de 28 de março de 2013, proferido pela 4ª Turma da DRJ São Paulo I/SP, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente contra os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, conforme sintetizado na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 NORMAS PROCESSUAIS. RERATIFICAÇÃO. Retificase o acórdão n.º 1644.290, de 28 de fevereiro de 2013, anteriormente proferido, ante a apreciação do mérito, ratificandose os demais termos do acórdão. MÉRITO. OMISSÃO DE RECEITA. Não tendo sido apresentado pela Impugnante o motivo das diferenças apuradas pela fiscalização entre as receitas declaradas nas DIPJ’s e DCTF’s e as escrituradas nos Livros de Registros de Saídas deve ser mantido o lançamento realizado em decorrência da omissão de receitas. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. PIS E COFINS. Não havendo recolhimento antecipado ou ocorrendo sonegação fiscal o termo inicial para contagem do prazo decadencial é de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, conforme previsto no inciso I do artigo 173, do CTN. Exercício seguinte se refere ao exercício financeiro posterior àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamento cientificado antes da ocorrência da decadência. MULTA QUALIFICADA. Correta a aplicação da multa qualificada prevista na legislação quando o contribuinte subtrai informações à RFB, com vistas a impedir o conhecimento do montante de sua receita bruta, configurando o evidente intuito de fraude, tendo se verificado o dolo específico, caracterizado pela vontade voltada à ocultação dos tributos devidos. SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE. Respondem solidariamente pelo crédito Tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes à obrigações tributárias Fl. 3700DF CARF MF Processo nº 19515.720446/201224 Acórdão n.º 1302002.791 S1C3T2 Fl. 3.701 4 resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A acusação fiscal é centrada nas divergências apuradas entre os valores das receitas declarados na DIPJ e que serviram de base para a apuração dos tributos informados em DCTF e os valores das receitas escriturados nos Livros de Registro de Saídas, caracterizando omissão de receitas. A fiscalização apurou, ainda, em vários meses dos anoscalendário fiscalizados, divergências de valores entre os valores escriturados nos próprios Livros de Registros de Saída e os valores constantes de notas fiscais emitidas, o que determinou a intimação da recorrente para o refazimentos desses livros com os valores corretos constantes nas notas fiscais. A recorrente foi intimada do acórdão de primeiro grau em 22/08/2013, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo (fls. 3646), tendo apresentado seu recurso voluntário em 10/09/2013 (fls. 3648/3669), no qual alega, em síntese: a) a decadência do lançamento das contribuições ao PIS e à Cofins relativos aos meses janeiro/2007 e fevereiro/2007, mediante a aplicação do prazo previsto art. 150, §4º do CTN, uma vez que efetuou recolhimentos dos tributos, ainda que parciais; b) o descabimento da aplicação da multa qualificada sobre as exigências, uma vez que os motivos apontados no Termo de Verificação Fiscal TVF são "absurdamente frágeis", não tendo sido demonstrado o intuito doloso específico, cujo ônus é da autoridade fiscal; c) que é essencial que o Fisco colija provas que demonstrem suficientemente o intuito fraudulento do contribuinte; d) que a simples apuração de omissão de receitas, com base nas divergências apuradas entre a escrituração fiscal e notas fiscais emitidas e os valores informados na DIPJ, não é suficiente para a qualificação da multa; e) que o simples comportamento omissivo não legitima a majoração da penalidade, nos termos da Súmula CARF nº 14; e f) que não estão presentes os requisitos para a imputação da responsabilidade solidária ao sócio administrador Umberto Petro Movizzo, feita com base nos arts. 134, inc. VII, 135, inc. III e 124, inc. I e II do CTN, refutando a aplicação de todos os dispositivos mencionados no TVF ao presente caso. Ao final requer que seja dado provimento integral ao recurso, a fim de que seja cancelada a autuação, ou subsidiariamente o reconhecimento da decadência relativa ao PIS e à Cofins, seja cancelada a qualificação da multa de ofício aplicada, e reconhecida a improcedência da atribuição de responsabilidade imputada ao sócio administrador. É o relatório. Fl. 3701DF CARF MF Processo nº 19515.720446/201224 Acórdão n.º 1302002.791 S1C3T2 Fl. 3.702 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário interposto é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, deve ser conhecido, exceto quanto à matéria relacionada à atribuição de responsabilidade solidária ao seu sócioadministrador Umberto Petro Movizzo. Explicase. O responsável solidário, acima indicado, não apresentou recurso voluntário em seu nome quanto à imputação da responsabilidade. Quem o fez foi a contribuinte indicada como sujeito passivo principal da obrigação. Ocorre que falta capacidade postulatória à recorrente para questionar a atribuição de responsabilidade solidária à terceiro, ainda que seu sócioadministrador, sobre o crédito tributário dela exigido. Ante ao exposto, voto por não conhecer do recurso sobre esta matéria. A recorrente não ataca propriamente o mérito da exigência, exceto quanto à ocorrência de decadência parcial do lançamento de PIS e Cofins e à aplicação da multa qualificada. Passo a apreciálas. Da alegação de decadência parcial das exigência de PIS e Cofins A recorrente alega a decadência do lançamento das contribuições ao PIS e à Cofins relativos aos meses janeiro/2007 e fevereiro/2007, mediante a aplicação do prazo previsto art. 150, §4º do CTN, uma vez que efetuou recolhimentos dos tributos, ainda que parciais. A recorrente alega que os créditos referentes aos 1º, 2º e 3º trim/2002, estão atingidos pela decadência, na forma do art. 150, § 4º, do CTN. A questão do prazo decadencial aplicável ao lançamento de ofício dos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação foi definida pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, no REsp. 973.733/SC, julgado no rito de recursos repetitivos estabelecidos no art. 543C do antigo CPC, conforme ementa, verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 3702DF CARF MF Processo nº 19515.720446/201224 Acórdão n.º 1302002.791 S1C3T2 Fl. 3.703 6 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREs p 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 3703DF CARF MF Processo nº 19515.720446/201224 Acórdão n.º 1302002.791 S1C3T2 Fl. 3.704 7 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. De acordo com o art. 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, revelase obrigatória a observância do entendimento do STJ acima, exarado no rito dos recursos repetitivos, com vistas à aferição da alegação de decadência. No que concerne à existência de pagamentos relativos às contribuições citadas, nos meses de janeiro e fevereiro de 2007, estes restam efetivamente comprovados nos autos, conforme extratos da DCTF (fls. 38/41). Ocorre que, no presente caso, o lançamento foi realizado com aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, ou seja, com acusação de dolo fraude ou simulação do contribuinte, o que também deslocaria o prazo decadencial para o previsto no art. 173, inc. I do CTN. Assim, revelase imprescindível apreciar as alegações da recorrente contra a aplicação da multa qualificada para, só então, decidir acerca da alegação de decadência suscitada. Da aplicação a multa qualificada. A recorrente questiona a aplicação da multa qualificada sobre as exigências, uma vez que os motivos apontados no Termo de Verificação Fiscal TVF seriam "absurdamente frágeis", e que não teria sido demonstrado o intuito doloso específico, cujo ônus é da autoridade fiscal. Alega que é essencial que o Fisco colija provas que demonstrem suficientemente o intuito fraudulento do contribuinte e, que a simples apuração de omissão de receitas, com base nas divergências apuradas entre a escrituração fiscal e notas fiscais emitidas e os valores informados na DIPJ, não é suficiente para que seja qualificada a multa aplicada. Aduz que o simples comportamento omissivo não legitima a majoração da penalidade, nos termos da Súmula CARF nº 14. Passo ao exame das alegações. Com efeito, a Súmula Carf nº 14 dispõe que a apuração de omissão de receitas, por si só, não autoriza a qualificação da multa, sendo necessária a comprovação do intuito doloso do sujeito passivo. A autoridade fiscal justificou a qualificação da multa, nestes termos: Como a empresa apresentou as DIPJ dos anos calendário de 2007 a 2009 com os valores de receitas menores que os valores escriturados nos Livros de Registro de Saídas, conforme cópias das DIPJ e dos Livros em anexo, bem como omitiu informações nos próprios Livros de Registros de Saídas, tais fatos caracterizam as práticas descritas nos artigos 71,72 e 73 da Lei nº 4.502/64, o que implica em Fl. 3704DF CARF MF Processo nº 19515.720446/201224 Acórdão n.º 1302002.791 S1C3T2 Fl. 3.705 8 agravamento da multa de ofício em 100%, de acordo com o artigo 44, inciso I e parágrafo 1º da Lei 9430/96 (com alterações posteriores). Embora bastante sucinta a descrição, a autoridade fiscal apontou os elementos e fatos que entende ter caracterizado a conduta dolosa da contribuinte, ora recorrente. Cumpre analisálos. Verificase pelas planilhas anexas ao TVF (fls. 3351/3355) e do cotejo entre as receitas declaradas (fls. 29/31) com os valores informados no Livros de Registro de Saídas, que na maior parte dos meses dos anos calendário 2007 a 2009 a recorrente adotou a prática reiterada de reduzir o montante das receitas oferecidas à tributação em suas DCTF/DIPJ em face dos reais valores apurados em sua escrituração fiscal, resultando em expressiva omissão de receitas, conforme demonstrado no quadro abaixo, extraído do acórdão recorrido: 2007 2008 2009 Receita Declarada 20.968.356,77 15.565.951,39 21.529.583,60 Receita Omitida 14.171.990,18 13.458.252,00 14.141.402,04 Receita Total 35.550.346,35 29.024.203,39 35.670.985,64 % Omissão 39,86% 46,37% 39,64% A fiscalização constatou, também, a ocorrência em diversos períodos de apuração do escrituração à menor, nos Livros de Registro de Saídas, dos valores das notas fiscais emitidas, tendo determinado ao contribuinte o refazimento dos livros. As divergências mensais apuradas podem ser identificadas na tabela abaixo, conforme dados extraídos, por amostragem, dos Livros de Registro de Saídas trazidos aos autos: MÊS/ANO CFOP Livro Saídas Original Livro Saídas Retificado Diferença Fls. jan/07 5101 1.260.729,74 2.550.032,42 1.289.302,68 199/1833 fev/07 5101 586.210,59 791.464,59 205.254,00 231/1862 jan/08 5101 1.919.838,61 2.662.228,27 742.389,66 717/2282 jan/09 5101 2.103.115,89 3.228.432,70 1.125.316,81 1232/2685 fev/09 5101 540.017,62 1.144.257,03 604.239,41 1267/2719 mar/09 5101 814.219,97 1.884.230,51 1.070.010,54 1308/2762 abr/09 5101 299.206,04 861.013,26 561.807,22 1328/2785 nov/09 5101 4.079.100,21 2.120.826,31 1.958.273,90 1611/3079 dez/09 5101 2.862.250,96 5.273.117,34 2.410.866,38 1667/3138 A autoridade fiscal trouxe, por amostragem, algumas notas fiscais do mês de dezembro de 2009, na qual é possível identificar o modus operandi adotado pela recorrente para escamotear parte de suas receitas nos livros de registro de saídas, mediante o registro de parte do valor da operação constante das notas fiscais, conforme se extrai da a tabela abaixo: Data NF Vlr Total NF Vlr.Livro Saídas NF/Livro Fls. 02/12/2009 56218 26.272,96 2.627,29 3257/1620 Fl. 3705DF CARF MF Processo nº 19515.720446/201224 Acórdão n.º 1302002.791 S1C3T2 Fl. 3.706 9 Data NF Vlr Total NF Vlr.Livro Saídas NF/Livro Fls. 02/12/2009 56217 42.072,00 4.207,20 3258/1620 02/12/2009 56216 42.072,00 4.207,20 3259/1620 02/12/2009 56215 42.072,00 4.207,20 3260/1620 02/12/2009 56214 42.072,00 4.207,20 3261/1620 02/12/2009 56213 74.301,60 7.430,16 3262/1619 02/12/2009 56212 64.926,60 6.492,66 3263/1619 02/12/2009 56211 44.838,80 4.483,80 3264/1619 02/12/2009 56210 44.838,80 4.483,80 3265/1619 02/12/2009 56209 44.838,80 4.483,80 3266/1619 02/12/2009 56198 104.807,64 1.048,07 3267/1619 02/12/2009 56196 122.748,00 1.227,48 3268/1619 02/12/2009 56191 20.564,67 2.056,48 3269/1619 02/12/2009 56190 42.816,00 4.281,60 3270/1619 01/12/2009 56154 125.485,20 1.254,85 3271/1617 01/12/2009 56145 36.000,00 3.600,00 3272/1617 01/12/2009 56086 41.921,00 4.192,10 3273/1615 01/12/2009 56085 17.496,00 1.749,60 3274/1615 Os dados acima demonstram o "cuidado" de transcrever no registro de saída valores numéricos parecidos com os indicados na nota fiscal (ora 10%, ora 1% do valor), como se o erro no registro fosse mera casualidade, hipótese que, no meu entender, fica completamente afastada, ante a cuidadosa repetição. Entendo que a prática reiterada e sistemática de omitir as receitas efetivamente auferidas ao Fisco, nas suas declarações DIPJs e DCTFs, e de escamoteálas em seus Livros de Registros de Saídas, revelam inequivocamente o intuito doloso de sonegar os tributos devidos. A lei nº 4.502/1964 definiu os conceitos de sonegação e fraude, verbis: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Como se vê, a lei difere as condutas de sonegação e fraude, mas ambas, quando constatadas, implicam na qualificação da multa qualificada, conforme dispõe o art. 44, § 1º, com a redação dada pela Lei nº11.488/2007, verbis: Fl. 3706DF CARF MF Processo nº 19515.720446/201224 Acórdão n.º 1302002.791 S1C3T2 Fl. 3.707 10 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Quando a Súmula CARF nº 14 dispôs sobre a necessidade da presença de "evidente intuito de fraude" para a qualificação da multa, reportavase à antiga redação do art. 44, inc. II da Lei nº 9430/19961, antes da alteração promovida pela Lei nº 11.488/2007. Assim, por óbvio, a aplicação da referida súmula deve ter em conta a alteração legal ocorrida após a sua edição. Entendo, conforme já assinalado, que no presente caso restou caracterizada a conduta descrita na lei como de sonegação, qual seja, a toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. O ato omissivo ou comissivo do agente nem sempre se exterioriza ou se identifica por uma única ação, mas por um conjunto deles que revela uma prática e o intuito, de suprimir ou de reduzir tributo. Há que se diferenciar também a possibilidade de ocorrência de mero erro fortuito do erro intencional. Este último se exterioriza pelas características, pelas circunstâncias, pela prática reiterada. Em geral, o cuidado em tentar ocultar o erro ou a omissão, é revelador do intuito doloso. Incumbe ao Fisco trazer aos autos os elementos que possam demonstrar e aferir tal conduta. Penso que, no presente caso, os elementos trazidos aos autos pela autoridade fiscal convergem no sentido de caracterizar o intuito sonegatório da contribuinte, ora recorrente. 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: [...] II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Fl. 3707DF CARF MF Processo nº 19515.720446/201224 Acórdão n.º 1302002.791 S1C3T2 Fl. 3.708 11 Assim, voto pela manutenção da multa qualificada. Na esteira desta conclusão, voto também para afastar a alegação de decadência parcial das exigências das contribuições ao PIS e a Cofins, tendo em vista estarem caracterizadas as circunstâncias autorizadoras para a aplicação do prazo previsto no art. 173, inc. I do CTN. Conclusão Ante ao exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto e, no mérito, afastar a preliminar de decadência e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 3708DF CARF MF
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