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Numero do processo: 10680.723502/2016-20
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF. DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA OFICIAL
O contribuinte apresentou diversas GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) obrigação acessória criada pela Lei nº 9.528/97, determinando que todas as pessoas físicas ou jurídicas, a partir de janeiro de 1999, sujeitas ao recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, estão obrigadas a apresentar tais informações ao Fisco, cumprindo a obrigação acessória.
Numero da decisão: 2002-000.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência da conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. No mérito, acordam, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IRPF. DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA OFICIAL O contribuinte apresentou diversas GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) obrigação acessória criada pela Lei nº 9.528/97, determinando que todas as pessoas físicas ou jurídicas, a partir de janeiro de 1999, sujeitas ao recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, estão obrigadas a apresentar tais informações ao Fisco, cumprindo a obrigação acessória.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência da conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. No mérito, acordam, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA OFICIAL Recorrente REGIS PINHEIRO DE CAMPOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 IRPF. DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA OFICIAL O contribuinte apresentou diversas GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) obrigação acessória criada pela Lei nº 9.528/97, determinando que todas as pessoas físicas ou jurídicas, a partir de janeiro de 1999, sujeitas ao recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, estão obrigadas a apresentar tais informações ao Fisco, cumprindo a obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência da conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. No mérito, acordam, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 35 02 /2 01 6- 20 Fl. 927DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 08 a 12), relativa a dedução indevida de Previdência Oficial relativa a rendimentos recebidos de pessoa jurídica e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 8.081,69, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, em 21/06/2017, à e fl. 02 a 683 dos autos que, em síntese, alega: · após solicitação da fiscalização, o contribuinte apresentou toda a documentação que comprova a regularidade do recolhimento do imposto de renda retido na fonte; · os mesmos argumentos são apresentados para o cancelamento da autuação quanto a dedução de previdência oficial da base de cálculo do imposto de renda, quando do preenchimento da Declaração de Ajuste Anual; A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/FNS que, por unanimidade, em 22/09/2017, no acórdão 0738.907, às efls. 716 a 720, julgou a impugnação parcialmente procedente, nos seguintes termos: Desta forma, se constata da documentação anexada, o contribuinte logrou demonstrar que a pessoa jurídica responsável pelo recolhimento do IRRF procedeu o recolhimento deste tributo para os meses de janeiro e fevereiro e para o período março a dezembro de 2012, enviou a Receita Federal do Brasil a DCTF,declarando os valores retidos, e indicando em cada mês na DCTF os respectivas declarações de compensação (Dcomp). Constatase ainda pela analise da Dirf enviada ao fisco pela fonte pagadora, CNPJ 19.403.252/000190, que o CPF do contribuinte consta da relação de retenções do IRRF, para o citado ano calendário, conforme documento fl. 701 dos autos. Desta forma, deve ser restabelecido na declaração de ajuste do contribuinte a glosa do IRRF no valor de R$ R$ 6.666,91. Recurso voluntário Fl. 928DF CARF MF Processo nº 10680.723502/201620 Acórdão n.º 2002000.155 S2C0T2 Fl. 928 3 Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 18/10/2016 às efls. 727 a 925, no qual alega, em resumo, que: § Preliminarmente, não deve prosperar o lançamento tributário quanto dedução indevida de Previdência Oficial relativa a rendimentos recebidos de pessoa jurídica; § no mérito, junta toda comprovação comprobatória de recolhimento da previdência oficial realizada pela empresa, em nome do recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 07/10/2016, efls. 725, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 18/10/2016, também às efls. 727, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado a dedução indevida de Previdência Oficial relativa a rendimentos recebidos de pessoa jurídica e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Quanto a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, a DRJ afastou o lançamento, mantendo a exigência quanto a dedução indevida de Previdência Oficial da base de cálculo do Imposto de Renda da pessoa física, motivo pelo qual insurgese o contribuinte, apresentando Recurso Voluntário. A norma que autoriza a dedução da contribuição devida à Previdência Social está contida na alínea 'd', do inciso II, do artigo 8º da Lei nº 9.250/95. Assim, quando do preenchimento da Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte poderá abater o valor pago à Previdência Oficial da base de cálculo do imposto de renda, como se ve: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) d) às contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; (...) Quando da apreciação da matéria pela DRJ, o colegiado exarou a seguinte decisão: Fl. 929DF CARF MF 4 No caso concreto, constato que o contribuinte apresenta impugnação genérica, na qual alega estar contestado o valor glosado. Entretanto, não comprova nos autos a retenção da contribuição previdenciária oficial, bem como não apresenta qualquer documento que demonstre a ocorrência do recolhimento da contribuição. O contribuinte, em sede de impugnação apresenta tão somente comprovantes de recolhimento do IRRF por meio de comprovantes de arrecadação de receitas federais (DARF), e no caso das DCTF anexas, como os respectivos Dcomp, temse que estes não contemplam as contribuições previdenciárias descontadas dos segurados. Desta forma, deve ser mantida a glosa efetuada a este titulo pela autoridade lançadora. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou diversas GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) obrigação acessória criada pela Lei nº 9.528/97, determinando que todas as pessoas físicas ou jurídicas, a partir de janeiro de 1999, sujeitas ao recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, estão obrigadas a apresentar tais informações ao Fisco, cumprindo a obrigação acessória. Como a documentação é vasta, segue quadro indicando todos os recolhimentos efetuados: COMPETÊNCIA FOLHA DOS AUTOS (GFIP) 01/12 fls. 827 02/12 fls. 842 03/12 fls. 857 04/12 fls. 874 05/12 fls. 890 06/12 fls. 904 07/12 fls. 922 08/12 fls. 741 09/12 fls. 758 10/12 fls. 776 11/12 fls. 793 12/12 fls. 810 Desta forma, conheço do presente Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para, no mérito, darlhe provimento. Thiago Duca Amoni Relator Fl. 930DF CARF MF Processo nº 10680.723502/201620 Acórdão n.º 2002000.155 S2C0T2 Fl. 929 5 Fl. 931DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000123/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
Os impostos e contribuições exigidos na sistemática do lucro arbitrado são apurados sobre a Receita Bruta conhecida que, no caso de omissão de receitas por presunção legal, corresponde ao montante dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO.
Aplicável a qualificação da multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado, se a contribuinte, reiteradamente, não atendeu, no prazo marcado, intimação para prestar esclarecimentos, apresentar os arquivos ou sistemas e/ou livros e documentos de natureza contábil e ocultou existência de conta bancária.
DEPÓSITOS EM CONTAS BANCÁRIAS. VERIFICADA DUPLICIDADE DE VALORES E TRANSFERÊNCIAS INTERBANCÁRIAS CONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO DEVIDA
Diante da plausibilidade das justificativas e das evidências documentais apresentadas pela recorrente há que se concluir pela exclusão dos valores depositados em contas bancárias, considerados em duplicidade, bem assim os valores relativos a transferências interbancárias.
Numero da decisão: 1302-002.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminar de nulidade suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flavio Machado Vilhena Dias, que cancelavam o agravamento da multa e, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. Os impostos e contribuições exigidos na sistemática do lucro arbitrado são apurados sobre a Receita Bruta conhecida que, no caso de omissão de receitas por presunção legal, corresponde ao montante dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO. Aplicável a qualificação da multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado, se a contribuinte, reiteradamente, não atendeu, no prazo marcado, intimação para prestar esclarecimentos, apresentar os arquivos ou sistemas e/ou livros e documentos de natureza contábil e ocultou existência de conta bancária. DEPÓSITOS EM CONTAS BANCÁRIAS. VERIFICADA DUPLICIDADE DE VALORES E TRANSFERÊNCIAS INTERBANCÁRIAS CONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO DEVIDA Diante da plausibilidade das justificativas e das evidências documentais apresentadas pela recorrente há que se concluir pela exclusão dos valores depositados em contas bancárias, considerados em duplicidade, bem assim os valores relativos a transferências interbancárias.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminar de nulidade suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flavio Machado Vilhena Dias, que cancelavam o agravamento da multa e, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2051; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12571.000123/200900 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1302002.766 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2018 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS EM CONTAS BANCÁRIAS. INTERMEDIAÇÃO Recorrentes L. ANTUNES TRANSPORTES LTDA. EPP e FAZENDA NACIONAL . ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. Os impostos e contribuições exigidos na sistemática do lucro arbitrado são apurados sobre a Receita Bruta conhecida que, no caso de omissão de receitas por presunção legal, corresponde ao montante dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO. Aplicável a qualificação da multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado, se a contribuinte, reiteradamente, não atendeu, no prazo marcado, intimação para prestar esclarecimentos, apresentar os arquivos ou sistemas e/ou livros e documentos de natureza contábil e ocultou existência de conta bancária. DEPÓSITOS EM CONTAS BANCÁRIAS. VERIFICADA DUPLICIDADE DE VALORES E TRANSFERÊNCIAS INTERBANCÁRIAS CONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO DEVIDA Diante da plausibilidade das justificativas e das evidências documentais apresentadas pela recorrente há que se concluir pela exclusão dos valores depositados em contas bancárias, considerados em duplicidade, bem assim os valores relativos a transferências interbancárias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 01 23 /2 00 9- 00 Fl. 1966DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminar de nulidade suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flavio Machado Vilhena Dias, que cancelavam o agravamento da multa e, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto pela DRJ (fl. 885) e Recurso Voluntário interposto por L. ANTUNES TRANSPORTES LTDA., visando a reforma do Acórdão no 0629.685, de 16/12/2010, da 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. A fiscalização concluiu pelos seguintes lançamentos: a) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 609/622): valor de R$ 1.096.929,52, devido a: Omissão de receita, identificada devido a depósitos bancários recebidos em contas de sua titularidade em instituições financeiras, de origem não comprovada (período de apuração 01/01/2006 a 31/12/2007); Receitas de Transporte informadas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica PJSI; arbitramento do lucro; b) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fls. 623/634): valor de R$ 511.951,81, relativa à mesma infração e períodos; c) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins Simples (fls. 638/650): valor de R$ 1.430.931,35, relativa às mesmas infrações, nos períodos mensais de 01/2006 a 12/2007; Fl. 1967DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 4 3 d) Contribuição ao Programa de Integração Social PIS (fls. 654/666): valor de R$ 311.626,13, relativa às mesmas infrações, nos períodos mensais de 01/2006 a 12/2007; e) multa de ofício de 112,50% do art. 44, I, § 2° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, da Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007, e da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007; e juros de mora segundo o art. 61, § 3° da Lei n° 9.430, de 1996. Os autos de infração relativos aos trimestres 1° a 4°, de 2006, e 1° a 4°, de 2007 foram lavrados com base no regime do lucro arbitrado, visto que a recorrente, que declarava pelo Simples, não possuía escrituração na forma exigida pela legislação comercial e fiscal, conforme descrito no Relatório do Procedimento Fiscal, às fls. 598/603 e 606/607, itens 28 a 39.5 e 56 a 58, às fls. 885/886. Além do presente processo administrativo, foi constituído o processo n° 12571.000018/200962, Representação para Exclusão de Ofício Simples Nacional a partir de 01/01/2006, e foram lavrados autos de infração, na sistemática do Simples, relativamente ao anocalendário 2005, objetos do processo administrativo n° 12571.000111/201019 (fl.886). O acórdão recorrido julgou parcialmente procedente a Impugnação registrando a seguinte ementa:: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. DETERMINAÇÃO LEGAL. A legislação autoriza à autoridade competente requisitar informações referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, e depois de o sujeito passivo ter sido intimado para a apresentação de informações sobre movimentações financeiras necessárias à execução do Mandado de Procedimento Fiscal MPF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. Fl. 1968DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 5 4 LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NAO FOI COMPROVADA. RECEITA BRUTA Os impostos e contribuições exigidos na sistemática do lucro arbitrado são apurados sobre a Receita Bruta conhecida que, no caso de omissão de receitas por presunção legal, corresponde ao montante dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DUPLICIDADE. Cabe excluir do valor da omissão de receitas os depósitos bancários considerados em duplicidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MEROS VALORES TRANSFERIDOS. RECEITA DE COMISSÕES. As alegações de que os depósitos recebidos meramente transitaram em suas contas bancárias e que suas receitas seriam de 1% do valor, a título de comissões por intermediação nas compras de produtos agrícolas, não justificam a origem dos depósitos recebidos em contas bancárias de titularidade da autuada, se desprovidas de comprovação com documentação hábil e idônea. "PAUTA FISCAL" Descabida a reclamação de arbitramento de receita por "pauta fiscal" dado que não se recorreu a valor mínimo ou de pauta para apurar a receita bruta, que foi a receita considerada omitida. PROCESSO REGULAR DE CONTRADITÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Descabe a reclamação de que não foi oportunizada à contribuinte a contestação à não consideração de documentos apresentados, se estes se apresentavam incompletos e inadequados e se lhe é concedido o direito à contestação, na impugnação aos autos de infração julgada neste Acórdão e sendolhe ainda concedido o direito ao recurso junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. APLICAÇÃO. Aplicável a majoração da multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado, se a contribuinte, reiteradamente, não atendeu, no prazo marcado, intimação para prestar esclarecimentos, apresentar os arquivos ou sistemas e/ou livros e documentos de natureza contábil e ocultou existência de conta bancária. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS E CSLL. Fl. 1969DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 6 5 Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. A autoridade julgadora à fl. 885 reconheceu a duplicidade alegada em relação aos depósitos efetuados em Caixa Eletrônico (CEI) e Depósito Cheque, conforme tabela apresentada à fl. 703, referente aos meses 07/2006 e 01/2007, da seguinte forma (fl. 904): Valor Fls. Conclusão 25/07/2006 Depósito Cheque 14.900,00 558 e221 Itaú c/c 126553, depósitos mantido. Idem CEI 999555 idem 558 e221 Itaú c/c 126553, corresponde ao CEI 999555EST duplicidade. 02/01/2007 Depósito Cheque 20.000,00 565, 70 Anexo IV Itaú c/c 126553, depósitos mantido. Idem CEI 999675 Idem 565 Itaú c/c 126553, corresponde ao CEI 999675EST duplicidade. 03/01/2007 Depósito Cheque 20.000,00 565 Itaú c/c 126553, depósitos mantido. Idem CEI 999676 Idem 565 Itaú c/c 126553, corresponde ao CEI 999676EST duplicidade. Frente a esta afirmativa, verificaramse as listagens de depósitos autuados às fls. 550/571 em confronto com os extratos das contas correntes 40.4596 e 12.6553 do Banco Itaú, para constatar que ocorreu a duplicidade arguida. O Acórdão traz como exemplo o CEI 999407 Depósito: Histórico Valor D/C Saldo Fls. processo Fls. Anexo IV CEI 999407 EST 12.000,00 D 3.444,68 Depósito Cheque 12.000,00 C 8.555,32 550 4 CEI 999407 Depósito 12.000,00 C 20.555,32 550 4 Portanto, foi determinada a exclusão de valores da autuação conforme tabela apresentada às fls. 904, 905 e 906. Em relação às contas no Banco do Brasil e Bradesco, conforme as listagens de fls. 477/549 e 572/583, não se constatou qualquer lançamento em duplicidade. Ainda, no que tange aos valores creditados com o título "Caixa Reserva V. Transf." verificouse, confrontando as listagens de fls. 550/571 e quadros resumo de fls. 584/585, com os extratos das c/c 40.4596, fls. 2/3 do Anexo IV e 12.6553, fls. 4/128 do Anexo IV, que estes correspondem a transferências interbancárias, visto que os mesmos valores se encontram simultaneamente a Débito e Crédito dessas duas contas, assim resumidos mês a mês: Jan/06 196.000,00 Set/06 220.000,00 Fev/06 125.000,00 Out/06 240.000,00 Mar/06 280.000,00 Jan/07 150.000,00 Abr/06 60.000,00 Fev/07 150.000,00 Mai/06 272.000,00 Mai/07 80.000,00 Fl. 1970DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 7 6 Jun/06 99.200,00 Jun/07 180.000,00 Jul/06 50.000,00 Out/07 140.000,00 Ago/06 10.000,00 Nov/07 300.000,00 Total 2.552.200,00 Desta forma, havendo a exclusão dos valores apontados do crédito tributário, interpôs a autoridade julgadora, Recurso de Ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A recorrente foi cientificada do Acórdão DRJ/CTA n° 0629.685, de 16 de dezembro de 2010, em 05/01/2011, fl. 1035 e interpôs Recurso Voluntário tempestivamente (fl. 1038/1062), em 02/02/2011 (fl. 1063). Em síntese, apresentou as seguintes razões de recurso: a) reitera à fl. 930 a nulidade do auto de infração, haja vista o afastamento do sigilo bancário pelo autuante frente a não apresentação pelo contribuinte dos extratos bancários solicitados, ato que macula o lançamento fiscal, pois apenas o magistrado pode determinar o referido afastamento; após, colaciona notícia que veicula decisão do STF sobre o tema (fl. 932); b) não obstante a DRJ/PR tenha mantido a omissão de receita como premissa para o lançamento do crédito tributário, sob o fundamento de que a referida intermediação não foi comprovada, a recorrente alega que esta foi comprovada, conforme consta na própria decisão (ponto n. 57) e reafirma que esta não contemplou a atividade específica do contribuinte, que consiste na intermediação de produtos agrícolas (fl. 935); c) afirma ser usual em empresas prestadoras de serviços o ingresso de valores que correspondem apenas à movimentação de caixa e devem ser consideradas como receita apenas as comissões percebidas em razão do intermédio da comercialização dos produtos, distinguindose ingresso de receita (fl. 928 e 939), trazendo no bojo do recurso os conceitos de ambos (fls. 940 a 945); e d) por fim, caso mantido o crédito tributário, argumenta que a multa aplicada é abusiva e ilegal e que não foi demonstrado fraude ou dolo; ainda que, apesar de a decisão da DRJ/PR, em seus fundamentos, manter a multa com base nas próprias alegações do contribuinte em sua impugnação, na qual afirmou que "resistiu, relutou e refugou" entregar os extratos bancários, a simples omissão não caracteriza fraude ou dolo e estes não podem ser presumidos. Na primeira oportunidade em que esse Recurso Voluntário foi submetido ao CARF, converteuse o julgamento na Resolução nº 1302.000.225, de 06/03/2013 (fls. 840/851), por meio da qual decidiuse sobrestar o feito até julgamento definitivo pelo STF, sobre a possibilidade de quebra de sigilo bancário, em procedimentos de fiscalização. Após a confirmação pelo STF, os autos retornaram para julgamento do Recurso Voluntário. Dessa vez, converteuse o julgamento na Resolução nº 1302.000.354, de 27/11/2014, por meio da qual determinouse o retorno dos autos à DRF de origem para que fossem adotadas as seguinte providências: a) intime a empresa Raimundo Montier da Lima e Cia. (CNPJ n° 23.710.809/000102) para que, no prazo de 30 (trinta) dias: a.1) manifestese sobre a validade e idoneidade dos contratos firmados com a recorrente, apresentando cópia de todos os contratos firmados entre as partes durante o período de 2006 e 2007. Fl. 1971DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 8 7 a.2) demonstre com documentos hábeis e idôneos a data e valores de todos os depósitos (provando as transferências), efetuados em favor da recorrente e que tiveram vínculo com tais contratos. a.3) demonstre o lastro dos depósitos bancários com notas fiscais de compras de terceiros de compra de produtos, destacando o valor da respectiva "comissão", e que esta seja provada por nota fiscal e outros documentos hábeis e idóneos; b) após este prazo, intime a empresa recorrente para que, no prazo de 30 (trinta) dias, manifestese sobre os documentos apresentados pela empresa Raimundo Montier de Lima e Cia, demonstrando e comprovando em todas elas de maneira individualizada, em datas e valores, os valores correlatos às operações em questão que apenas transitaram em suas contas bancárias, apresentado prova disso; c) após este prazo, que o agente fiscal emita parecer conclusivo sobre os documentos constantes nos autos e as provas apresentadas pela empresa Raimundo Montier da Lima e Cia e a recorrente, manifestandose expressamente sobre a comprovação da existência de recursos que apenas teriam transitado nas contas bancárias da recorrente e que não são receitas. Na sequência, deve a recorrente ser cientificada do resultado da diligência para que, em sendo de seu interesse, manifestese da forma que entender adequada, no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem manifestação, seja o feito devolvido a este Conselho, que deverá julgálo incontinenti. As diligências foram devidamente cumpridas, concluindose com Relatório Fiscal, nos seguintes termos: Procedemos a análise dos documentos e manifestações apresentadas nas respostas às intimações fiscais n° 086/2015 e 0173/2015. O contribuinte RAIMUNDO DEMONTIER DE LIMA & CIA em sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 086/2015 não apresentou documentos que demonstrem as transferências financeiras e os depósitos bancários em favor de L. ANTUNES TRANSPORTES LTDA. Em sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 086/2015 o contribuinte RAIMUNDO DEMONTIER DE LIMA & CIA não apresentou documentos que demonstrem o lastro de transferências financeiras e os depósitos bancários em favor de L. ANTUNES TRANSPORTES LTDA, tendo em vista declarar que os depósitos eram feitos diretamente do contratante ao contribuinte L. ANTUNES TRANSPORTES LTDA. Apresentou o contribuinte RAIMUNDO DEMONTIER DE LIMA & CIA em sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 086/2015 os seguintes elementos: Cópia de Contrato de Prestação de Serviços de Intermediação na Compra de Produtos Agrícolas entre RAIMUNDO DEMONTIER DE LIMA & CIA e L. ANTUNES TRANSPORTES LTDA, não registrado em cartório e não tendo os correspondentes lançamentos contábeis que registrem as operações oriundas deste contrato, contrato que, desta forma, não pode ser considerado hábil e idôneo: Cópia de Recibo firmado por L. ANTUNES TRANSPORES LTpA referente a serviços prestados por RAIMUNDO DEMONTIER D^E/LIM/AACIA no valor de R$ 102.310,62, desprovido de comprovação d^efeip/a transferência Fl. 1972DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 9 8 financeira, da nota fiscal de prestação de sehjufaé e não tendo o correspondente lançamento contábil, recibo que, dgsta forma, não pode ser considerado hábil e idôneo; Cópias das Notas Fiscais de Venda de Caroço de Algodão emitidas pelo contribuinte PROGRESSO AGROINDUSTRIAL LTDA CNPJ: 07.620.341/000109 para RAIMUNDO DEMONTIER DE LIMA & CIA, de números: 0095, 0096, 0196, 0147, 0224, 0225, 0337, 0361, 0362, 0419, 0420, 0424 e 0425, com o valor de seu somatório de R$ 59.156,40. Em sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 0173/2015 o contribuinte L. ANTUNES TRANSPORTES LTDA. não apresentou comprovação, de forma individualizada de datas e valores, dos valores referentes a operações com o contribuinte RAIMUNDO DEMONTIER DE LIMA & CIA. Apresentou o contribuinte L. ANTUNES TRANSPORTES LTDA em sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 0173/2015 apenas uma planilha onde constam valores, totalizados em R$ 102.310,62, atribuídos a notas fiscais emitidas a RAIMUNDO DEMONTIER DE LIMA & CIA. Em resposta ao requerido no item "c" da Fl. 1.813 da Resolução n° 1302000.354 3a Câmara / 2a Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, somos de parecer de que, através dos documentos apresentados pelo contribuinte ao longo desta diligência fiscal, não foi comprovado por L. ANTUNES TRANSPORTES LTDA. que parte dos seus recursos financeiros tenham apenas transitado por suas contas bancárias como recursos de terceiros sem serem efetivamente receitas dos anoscalendário 2006 e 2007. Os autos retornaram ao Carf para julgamento dos recursos voluntário e de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Os pressupostos de admissibilidade do Recurso de Ofício e do Recurso Voluntário foram devidamente apreciados por ocasião das referidas Resoluções nº 1302.000.225, de 06/03/2013 e 1302.000.354, de 27/11/2014, concluindose pelo conhecimento dos recursos. Na forma relatada, a recorrente foi selecionada para ser fiscalizada com referência aos anos calendários de 2005, 2006 e 2007, em decorrência de indicativos de movimentação financeira incompatível, via CPMF. Observouse que os créditos em contas bancárias não são condizentes com o perfil econômico, financeiro e porte econômico declarados à Receita Federal nem, tampouco, encontrouse nexo de vinculação com a atividade desenvolvida e os documentos fiscais (conhecimentos de transportes rodoviário de cargas) apresentados. Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 10 9 De forma geral, os esclarecimentos prestados pela Recorrente, em resposta a várias intimações e pedidos de prorrogação de prazos, limitamse a indicar que os créditos em contas bancárias seriam decorrentes de resgates de aplicação financeira e de liberação de crédito em decorrência de operações financeiras. Em relação aos créditos remanescentes, não justificados por resgate de operações financeiras, não houve qualquer esclarecimento sobre a sua motivação. Excluíramse os créditos para os quais verificouse plausibilidade da justificativa, mesmo que sem documentação mais robusta, além do próprio extrato bancário, tendo em vista a regularidade dos créditos e o específico histórico afirmado pela Instituição Financeira/Bancária. A DRJ ainda excluiu os valores de depósitos apontados em duplicidade pela fiscalização. Diante da constatação de que a Recorrente manteve movimentação financeira muito superior e incompatível com o porte econômico declarado e que, além disso, relutou em apresentar esclarecimentos, relutou em apresentar documentos, sonegando informações, a fiscalização registrou que, a Recorrente teria agido deliberadamente ao não apresentar os documentos e informações requisitados. Pois, não prestou qualquer esclarecimento sobre as motivações econômicas que pudessem justificar a profusa movimentação bancária. Assim, por meio de Representação Fiscal, propôs a exclusão da Recorrente do Simples Nacional. A movimentação financeira imputada como sonegação de faturamento, deu se na forma de créditos em conta corrente bancária, cuja origem não foi esclarecida, somou ao longo do ano calendário 2005, a importância de R$2.762.611,26. Os extratos bancários juntados aos autos, indicam que R$904.143,15 se referem a créditos ingressos no Banco Bradesco e R$1.858.468,11 se referem a créditos ingressos no Banco Itaú (valores líquidos daqueles considerados justificados e daqueles considerados em duplicidade). Com essa apuração e entendimento foi possível obter o faturamento anual da Recorrente no ano calendário 2005, conforme a seguir demonstrado: Créditos em conta corrente: R$ 2.762.611,26; Faturamento Bruto Declarado:...R$ 33.018,00; Faturamento Apurado: R$ 2.795.629, 26; Portanto, o faturamento de R$ 2.795.629,26, auferido no anocalendário de 2005 superou o patamar limite para que a empresa pudesse continuar optando pelo "Simples" no ano calendário seguinte, de 2006, quer como microempresa quer como empresa de pequeno porte, motivo pelo qual se impôs a decisão da Representação para Exclusão do Simples. Além desses valores, foram apuradas as informações dos créditos havidos nas contas mantidas no Banco do Brasil, constatadas posteriormente ao pedido de desenquadramento do regime tributário do Simples. A Representação, embasada com seus documentos, argumentos e fundamentos legais tomou forma no processo administrativo n° 12.571.000.018/200962 datado de 02/03/2009, da qual decorreu o Ato Declaratório Executivo DRF/PTG n° 09 de 11 de março de 2009, que foi publicado no Diário Oficial da União em 17 de março de 2009, Fl. 1974DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 11 10 Seção 1, às fls. 51, mediante o qual promoveu o desenquadramento do Sujeito Passivo do regime de apuração do Simples com efeitos a partir de 01/01/2006. Diante da exclusão da Recorrente do Simples Nacional, em 2005, nos anos calendários de 2006 e 2007 apurouse os tributos devidos pela Recorrente pela sistemática do lucro arbitrado. Em 05/05/2009, a Recorrente foi notificada (Termo n° 308/2009) da continuidade dos procedimentos fiscalização. Em 12/05/2009 o Sujeito Passivo apresentou Recurso Administrativo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba. Em decorrência do desenquadramento do regime de apuração do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2006, o Sujeito Passivo foi intimado em 22/06/2009, mediante o Termo n° 445/09, recebido pessoalmente pelo sócio gerente Leonil Antunes, para apresentar a completa escrituração contábil, elaborada de acordo com as Leis Comerciais e Fiscais, como base para a aplicação da tributação pela sistemática do Lucro Real dos anos calendários de 2006 e 2007. No mesmo expediente também foi intimado para apresentar a Folha de pagamento dos segurados empregados, dos segurados individuais, dos segurados autônomos e dos segurados administradores, referentes ao período de 01/01/2006 a 31/12/2007. Houve várias intimações e pedidos de prorrogação sem, contudo, serem completamente atendidas pela Recorrente. A fiscalização registrou que a afirmação prestada pela Recorrente, de que teria apresentado o livro caixa, não é verídica, tendo em vista que, na realidade, foram apresentados 2 (dois) livros, a saber: Livro Diário e Livro Razão, ambos referentes ao ano calendário de 2005. Frisou que, essa postura da Recorrente coloca mais em evidência a sua disposição de conturbar, dificultar e embaraçar os procedimentos de fiscalização. A fiscalização fez consignar observação de correção no próprio ofícioresposta apresentado, com a coleta de nova assinatura do Sr. Leonil Antunes, que demonstrou relutância em assumir e assinar a correção. Diante da recusa da Recorrente em apresentar os extratos bancários das contas correntes mantidas no Banco do Brasil, a fiscalização requisitou a movimentação financeira diretamente à instituição bancária. Em 12/08/2009, o Banco do Brasil, mediante oficio n° 2009/RF.1187 encaminhounos a mídia CD/R 700 MB, da marca MAXPRINT, na qual contém gravada a movimentação bancária do Sujeito Passivo, mantidas em 3 (três) contas: conta n° 2.4260 da Agência n° 3172; conta n° 9.854X da Agência n° 3172 e conta n° 15.4296 da agência n° 2997. Copiados e transcritos, os extratos da movimentação bancária apresentaram expressiva quantidade de créditos havidos sob rubricas e históricos diversos com indícios da prática de atividades não condizentes com os faturamentos declarados à Receita Federal. As rubricas e históricos sob os quais foram efetuados os créditos mais expressivos estão a seguir especificados: Aviso de Crédito; Cobrança; Depósito em Cheque BB Liquidação; Depósito em Cheque Liberado; Depósito em Dinheiro; Depósito OnLine; Desbloqueio de Depósitos; TED Transf. Eletrônica Disponível e Transferência OnLine. Todos os créditos havidos nas contas mantidas no Banco do Brasil, com os históricos acima enumerados, foram destacados dos extratos e relacionados, por ordem Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 12 11 cronológica e sequencial de lançamentos, em planilhas que compõem o Termo de Intimação Fiscal nº 551/2009. A Recorrente foi instada a esclarecer e a comprovar por meio de documentos, casoacaso, créditoacrédito, de forma detalhada e individualizada, sobre a origem dos depósitos, visando elucidar as seguintes circunstâncias, conforme fosse a situação: qual a motivação econômica do depósito; qual a motivação comercial do depósito; qual a motivação financeira do depósito; qual a motivação patrimonial do depósito. Para atendimento foi concedido o prazo de 15 dias contados a partir do recebimento da intimação que ocorreu no dia 31/08/2009. A Recorrente solicitou algumas prorrogações, mas não atendeu à intimação. Diante de mais esses procedimentos de cunho protelatório da Recorrente, requisitouse as informações necessárias diretamente às Instituições Banco Bradesco e Banco Itaú. O Banco Itaú/Unibanco respondeu, em 26/11/2009 enviando Mídia tipo disquete de 3,5 polegadas, da Marca MAXELL com informações de movimentação de 3 (três) contas a seguir enumeradas: Conta n° 12.6553 movimentação em 28/12/2007; Agência n° 0780, com registro de período de 03/01/2005; Conta n° 39.0159 movimentação no 09/08/2005; Agência n° 0780, com registro de período de 30/05/2005 ; Conta n° 40.4596 Agência n° 0780, com registro de movimentação no período de 09/08/2005 a 14/11/2007; O Banco Bradesco respondeunos em 09/12/2009, enviando mídia tipo CD/DVD, com o logotipo da Instituição, informações de movimentação da conta n° 2.7308 da agência n° 2106. No exercício em que se verificaram os motivos para o desenquadramento de ofício, a Recorrente ainda deveria permanecer com a sistemática de apuração do Simples. Por esse motivo foi emitido Auto de Infração referente ao ano calendário de 2005 e exercício de declaração de 2006. Referido Auto de Infração está incluso no processo administrativo n° 12.571.000.111/201019. Tal procedimento devese a consequência de que os fatos geradores dos anos calendários de 2006 e 2007, teriam que ser resolvidos com a adoção da sistemática legal e administrativa de apuração referente ao lucro real ou lucro presumido. O desenquadramento de oficio do sistema de apuração simplificada, no presente caso, operou efeitos a partir de 01/01/2006 e com isso determinou a adoção obrigatória de outra forma de apuração do lucro para os anos calendários de 2006 e 2007. As multas aplicáveis foram majoradas devido aos incidentes que evidenciaram a deliberada intenção de ocultar as informações e documentos requisitados à Recorrente, conforme relatado no Relatório Fiscal, nos parágrafos 8, 12, 13, 14, 23, 29, 30, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 44, 47 e 48, que efetivamente trouxeram embaraço à fiscalização. Fl. 1976DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 13 12 Os fatos que dão origem ao Auto de Infração em questão, portanto, referem se à constatação de movimentação bancária e financeira creditados em conta de depósito ou investimentos, mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais, regularmente intimado e reintimado, não apresentou a escrituração necessária, não esclareceu os motivos, nem tampouco apresentou qualquer documento hábil e idôneo, por meio do qual fosse possível identificar a origem dos recursos creditados. Não apresentou documentação, escrituração fiscal necessária, nem colaborou com a fiscalização para que pudéssemos apurar o lucro real. A fiscalização demonstrou, portanto, que restaram configurados os motivos legais para o arbitramento do lucro. O faturamento mensal declarado pela Recorrente para a tributação pela sistemática do Simples, conforme demonstrado no Relatório Fiscal, na planilha "Quadro Resumo do Arbitramento do Lucro" foi transportado para a apuração do resultado pelo lucro arbitrado. Os depósitos em conta corrente, conforme demonstrados em planilha "Quadro Resumo do Arbitramento do Lucro" foram considerados como faturamento bruto e como tal foram tomados como base de cálculo para a apuração do lucro arbitrado. Na elaboração do Auto de Infração foram concedidos os créditos dos tributos decorrentes dos pagamentos em DARF(s)/Simples e DASN(s)/Simples, conforme demonstrados na planilha "Partilha de Valores entre Tributos" em anexo. Assim, confrontandose os procedimentos realizados pela fiscalização com as razões de recurso, verificase que: a) em relação à alegação de nulidade do autos de infração, em virtude da quebra de sigilo bancário por meio do procedimento administrativo de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) diretamente às instituições financeiras Bradesco, Itaú/Unibanco e Banco do Brasil, verificase que o Supremo Tribunal Federal julgou a questão e declarou constitucional tal procedimento; b) quanto à alegação de que o acórdão recorrido não teria contemplado a atividade específica da recorrente, isto é, a intermediação de produtos agrícolas (fl. 935), bem assim, em relação à alegação de que seria usual em empresas prestadoras de serviços o ingresso de valores que correspondem apenas à movimentação de caixa, verifica se que, não obstante as inúmeras oportunidades concedidas à Recorrente, suas alegações e documentos apresentados não são suficientes para demonstrar que os créditos verificados em suas contas correntes não se tratavam de receitas, mas de valores recebidos no âmbito das referidas atividades de intermediação de produtos agrícolas. Em momento algum, a Recorrente demonstrou quais seriam os valores da intermediação e quais seriam os valores de suas comissões pela intermediação, para fins de tributação. Não há como acolher os documentos e as informações prestadas como evidências de suas alegações; c) no tocante à alegação de que a multa aplicada é abusiva e ilegal e que não foi demonstrado fraude ou dolo; ainda que, apesar de a decisão da DRJ/PR, em seus fundamentos, manter a multa com base nas próprias alegações do contribuinte em sua impugnação, na qual afirmou que "resistiu, relutou e refugou" entregar os extratos bancários, a simples omissão, não caracterizaria fraude ou dolo e estes não poderiam ser presumidos, verificase que, a fiscalização demonstrou que a atitude da Fl. 1977DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 14 13 Recorrente foi muito além da simples omissão de informações e documentos. Evidenciouse que, a Recorrente faltou com a verdade, pois, ora afirmava em resposta às intimações que, não dispunha da escrita contábil, com o intuito de conturbar a fiscalização, ora requeria prazo para a apresentação de tais registros, ora dizia que havia apresentado Livro Caixa, quando na verdade apresentou Livro Diário e Livro Razão. No contexto e nas circunstâncias em que transcorreram a fiscalização e diante das evidências colacionadas nos autos, entendo que não há como acolher o pedido de redução da multa qualificada de 150%. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Recurso de Ofício Em virtude da exoneração de crédito tributário, a DRJ interpôs Recurso de Ofício, em cumprimento às disposições do art. 34, inc. I, Dec. n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/97, e art. 1º da Portaria do Ministro de Estado da Fazenda n.° 3, de 03/01/2008. O valor à época exonerado também excede o limite atual de R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017). A autoridade julgadora reconheceu (fl. 885) a duplicidade alegada em relação aos depósitos efetuados em Caixa Eletrônico (CEI) e Depósito Cheque, conforme tabela apresentada à fl. 703, referente aos meses 07/2006 e 01/2007, da seguinte forma (fl. 904): Valor Fls. Conclusão 25/07/2006 Depósito Cheque 14.900,00 558 e221 Itaú c/c 126553, depósitos mantido. Idem CEI 999555 idem 558 e221 Itaú c/c 126553, corresponde ao CEI 999555EST duplicidade. 02/01/2007 Depósito Cheque 20.000,00 565, 70 Anexo IV Itaú c/c 126553, depósitos mantido. Idem CEI 999675 Idem 565 Itaú c/c 126553, corresponde ao CEI 999675EST duplicidade. 03/01/2007 Depósito Cheque 20.000,00 565 Itaú c/c 126553, depósitos mantido. Idem CEI 999676 Idem 565 Itaú c/c 126553, corresponde ao CEI 999676EST duplicidade. Frente a esta afirmativa, verificaramse as listagens de depósitos autuados às fls. 550/571 em confronto com os extratos das contas correntes 40.4596 e 12.6553 do Banco Itaú, para constatar que ocorreu a duplicidade arguida. O Acórdão traz como exemplo o CEI 999407 Depósito: Histórico Valor D/C Saldo Fls. processo Fls. Anexo IV CEI 999407 EST 12.000,00 D 3.444,68 Depósito Cheque 12.000,00 C 8.555,32 550 4 CEI 999407 Depósito 12.000,00 C 20.555,32 550 4 Portanto, foi determinada a exclusão de valores da autuação conforme tabela apresentada às fls. 904, 905 e 906. Fl. 1978DF CARF MF Processo nº 12571.000123/200900 Acórdão n.º 1302002.766 S1C3T2 Fl. 15 14 Em relação às contas no Banco do Brasil e Bradesco, conforme as listagens de fls. 477/549 e 572/583, não se constatou qualquer lançamento em duplicidade. Ainda, no que tange aos valores creditados com o título "Caixa Reserva V. Transf." verificouse, confrontando as listagens de fls. 550/571 e quadros resumo de fls. 584/585, com os extratos das c/c 40.4596, fls. 2/3 do Anexo IV e 12.6553, fls. 4/128 do Anexo IV, que estes correspondem a transferências interbancárias, visto que os mesmos valores se encontram simultaneamente a Débito e Crédito dessas duas contas, assim resumidos mês a mês: Jan/06 196.000,00 Set/06 220.000,00 Fev/06 125.000,00 Out/06 240.000,00 Mar/06 280.000,00 Jan/07 150.000,00 Abr/06 60.000,00 Fev/07 150.000,00 Mai/06 272.000,00 Mai/07 80.000,00 Jun/06 99.200,00 Jun/07 180.000,00 Jul/06 50.000,00 Out/07 140.000,00 Ago/06 10.000,00 Nov/07 300.000,00 Total 2.552.200,00 Nesse sentido, concluiuse pela plausibilidade das justificativas que levaram a tal exclusão de crédito tributário, mesmo que sem documentação mais robusta, além do próprio extrato bancário, tendo em vista a regularidade dos créditos e o específico histórico afirmado pela Instituição Financeira/Bancária. A DRJ ainda excluiu os valores de depósitos apontados em duplicidade pela fiscalização. Dessa forma, entendo que é de se manter a conclusão da DRJ. Portanto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1979DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10315.900424/2011-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO-TRIBUTADOS (NT).
O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não-tributadas (N/T) pelo imposto.
Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.116
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 90 04 24 /2 01 1- 47 Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10315.900424/201147 Acórdão n.º 3301004.116 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, para ser utilizado na compensação dos débitos declarados. A autoridade competente, por meio de Despacho Decisório, indeferiu o pedido em razão do produto que a empresa produz e comercializa ser, exclusivamente, água mineral natural (sem gás) classificada como NT (nãotributado) na TIPI, não podendo portanto creditarse do IPI referente a aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem empregados na produção de tal produto. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou, em síntese, que tem direito ao ressarcimento por força do princípio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§ 3º, II, da Constituição Federal e que o direito pleiteado encontra amparo na Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, conforme doutrina e julgados que cita. A DRJ em Ribeirão Preto/SP, em primeira Decisão, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Ao apreciar Recurso Voluntário, o Colegiado do Carf, em primeira assentada, deliberou por anular a decisão de primeiro grau, nos seguintes termos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada. O processo retornou à primeira instância. A manifestação de inconformidade foi reapreciada e novamente julgada improcedente, como segue: RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10315.900424/201147 Acórdão n.º 3301004.116 S3C3T1 Fl. 4 3 Novo recurso voluntário foi interposto, contendo, resumidamente, o seguinte: i) o direito ao crédito está fundado na princípio constitucional da não cumulatividade, não podendo ser limitado por normas infraconsitucionais, tais como a Lei n° 9.779/99 e a IN n° 31/99, que a regulamentou; ii) o texto constitucional restringiu os créditos de ICMS, não admitindo o aproveitamento, quando a operação subsequente for beneficiada por isenção ou não incidência, o que não ocorreu com o IPI; e iii) a Lei n° 9.779/99 não prevê qualquer ressalva ao direito à manutenção dos créditos, em razão de saídas de produtos não tributados, e, ao contrário do que aduziu a decisão da DRJ, não instituiu crédito presumido em favor de industriais, porém disciplinou a utilização do saldo credor do IPI, inclusive em casos de produtos isentos ou alíquota zero. É o relatório, na essência do que interessa ao julgamento. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.105, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10315.900419/201134, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.105): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A contenda resumese à pretenso direito aos créditos previstos na Lei nº 9779, de 1999, art. 11, pelas entradas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (MP, PI e ME), utilizados na produção de mercadorias nãotributadas (NT) pelo IPI. 1. Do Crédito de IPI Produto NT Assim dispõe o art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, resultante da conversão da Medida Provisória nº 1.788, de 30 de dezembro de 1998: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10315.900424/201147 Acórdão n.º 3301004.116 S3C3T1 Fl. 5 4 Em atenção à prerrogativa disposta no final do art. 11, suso transcrito, a RFB, então SRF, publicou a IN SRF nº 33, de 1999, disciplinando a apuração e a utilização de créditos do IPI, na espécie. Posteriormente o Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) consolidou e ratificou o entendimento constante da IN/SRF nº 33/99, no sentido de que, a partir de 01/01/1999, os estabelecimentos industriais passaram a ter direito ao crédito do IPI relativo às MP, PI e ME empregados na industrialização de produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero, excetuandose somente os produtos nãotributados. E mais, o mesmo RIPI de 2002, art. 164, inciso I, replicado no Decreto nº 7212/2010 (RIPI/2010), art. 226, inciso I, estabeleceu duas condições para o creditamento do IPI, relativamente a MP, PI e ME: (i) deter a natureza de estabelecimento industrial ou equiparado e (ii) o produto resultante da industrialização deve ser tributado: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse: I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] Do trabalho fiscal realizado, consubstanciado em informações colhidas relativas aos anos de 2006 a 2009, restou concluso que a atividade da empresa é a produção exclusivamente de água mineral, sem gás, classificada na TIPI como "NT". Isso é incontroverso. A própria recorrente declarou que os produtos de sua fabricação limitamse a quatro itens, todos referentes a água mineral natural, sem gás: (i) Garrafão de 20 L. (ii) Garrafão de 10 L, (iii) Garrafas de 500 ML e (iv) Garrafas de 1.500 ML. Ademais, à exceção dos Garrafões (10L e 20L) que são incorporados ao Ativo Permanente da empresa, os demais produtos adquiridos com incidência de IPI são utilizados como insumos na fabricação de água mineral natural. Portanto, resta concluso que a recorrente não atende às condições necessárias para o creditamento, posto que os "insumos" são integralmente destinados a fabricação de produtos "NT". Assim, se a recorrente sequer realiza operação com tributação do IPI não poderá apurar creditamento do imposto, por óbvio. Não por outra razão, dispõe o Decreto nº 7.212/2010 (RIPI), art. 251, § 1º, repetindo o texto constante do Decreto nº 4.544/2002, art. 190, § 1º: Art. 251. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: [...]. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10315.900424/201147 Acórdão n.º 3301004.116 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1o Não deverão ser escriturados créditos relativos a matéria prima, produto intermediário e material de embalagem que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados compreendidos aqueles com notação “NT” na TIPI, os imunes, e os que resultem de operação excluída do conceito de industrialização ou saídos com suspensão, cujo estorno seja determinado por disposição legal. [...] Por derradeiro, pondo uma pá de cal na celeuma, o Carf publicou a Súmula CARF n° 20, nos seguintes termos: "Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT." 2. Constitucionalidade de Lei Sustenta a recorrente, em exaustivas divagações, que o indeferimento de seu direito aos créditos de IPI, além de fundamentarse em Decreto que entende inconstitucional, afronta aos princípios constitucionais da não cumulatividade, seletividade e isonomia. Já pacificado em nossa jurisprudência, as alegações e os pedidos alternativos com base na ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da legalidade, da razoabilidade e do não confisco, não podem ser analisadas no julgamento do processo administrativo fiscal. Nessa sede não se julgam argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação. Tratase, na verdade, de entendimento há tempo consagrado no âmbito dos tribunais administrativos, já sumulada nesse conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais o Regimento Interno do Carf, art. 62, veda ao conselheiro afastar a aplicação de Lei ou Decreto, conforme tenta impingir o recorrente. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. No mais, o Acórdão recorrido deve ser integralmente preservado, sejam pelos fundamentos suso expostos ou por seus próprios fundamentos, nos termos da Portaria MF nº 343, de 2015 (Ricarf), art. 27, § 3º, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. 3. Dispositivo Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10315.900424/201147 Acórdão n.º 3301004.116 S3C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 416DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19991.000205/2010-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
Constatada a utilização de todo o crédito tributário, por meio da diligência efetuada, não há que se falar em restituição de valores.
Numero da decisão: 1301-003.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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Constatada a utilização de todo o crédito tributário, por meio da diligência efetuada, não há que se falar em restituição de valores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 99 1. 00 02 05 /2 01 0- 88 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 19991.000205/201088 Acórdão n.º 1301003.042 S1C3T1 Fl. 208 2 Relatório EXPORTADORA DE CAFÉ GUAXUPÉ LTDA, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA (fls. 58 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Segundo o Relatório do acórdão recorrido: O interessado transmitiu o PER nº 04708.59527.220310.1.2.024420, requerendo ressarcimento de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2005; Despacho Decisório da DRF A DRF/Poços de Caldas/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório pleiteado sob o argumento de que se trata de matéria já apreciada pela autoridade administrativa e não foi reconhecido direito creditório suficiente para atendimento deste pedido; Da Manifestação de Inconformidade Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Manifestação de Inconformidade, que aduziu os seguintes argumentos: a) “a suposta diferença do saldo negativo da REQUERENTE verificada na decisão impugnada decorre de compensação de estimativa de IR efetuada nos autos do Processo n° 13652.000154/200591, com crédito oriundo da nãocumulatividade da COFINS”; b) “considerando a conexão entre os processos, seja por economia processual, seja para evitar decisões conflitantes, o presente processo deve ficar sobrestado até o julgamento definitivo do Processo n° 13652.000154/200591”; c) “DA IMPOSSIBILIDADE DE PROSSEGUIMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO E DA COBRANÇA EM FACE DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO”; d) “DA CORRETA APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO — ANO BASE 2005 Em julgamento realizado em 22 de maio de 2013, 2ª Turma da DRJ/JFA, considerou improcedente a manifestação apresentada e prolatou o acórdão 0944138, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 19991.000205/201088 Acórdão n.º 1301003.042 S1C3T1 Fl. 209 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). COMPENSAÇÃO Não existindo o crédito declarado a compensação não pode ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 192/204, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de manifestação de inconformidade, atendose aos seguintes pontos: da necessidade de sobrestamento do feito por conexão com o PA 13652.000154/200591; da legitimidade do saldo negativo de IRPJ Recebi os autos por sorteio em 26/01/2018. É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 19991.000205/201088 Acórdão n.º 1301003.042 S1C3T1 Fl. 210 4 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/JFA e intimada ao recolhimento do débito em 27/05/2013, (AR de fl. 189), e apresentou em 18/06/2013, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 192 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. Importante ressaltar aqui, que um dia antes da data pautada para julgamento destes autos e dos autos em apenso, PA 13656.900016/201031 e PA 19991.000107/201041, foi requerido pelo recorrente o sobrestamento do feito. O Colegiado entendeu que não há que se falar em sobrestamento já que a Resolução anterior determinava que se aguardasse o desfecho daquele outro processo de Cofins, o que foi feito. Ademais, com a desistência daqueles autos, para adesão ao parcelamento conforme informado, mais se confirma a desnecessidade de se aguardar o julgamento, em decorrência da própria desistência. Estes autos tratamse de Pedido de Restituição de R$15.845,64, relativo ao IRPJ saldo negativo de 2005/2006, discutidos no PA 13656.900016/201031. Desde a Manifestação de Inconformidade, assim como no Recurso Voluntário, a recorrente requereu o sobrestamento do feito, já que o seu direito creditório de R$347.765,50, deriva de assunto em discussão no PA 13652.000154/200591. (utilização de créditos de COFINS nãocumulativa relativos ao mês de abril de 2005 reconheceuse tão somente o valor de R$59.059,27) Mediante Resolução deste Colegiado, nos autos do PA 13656.900016/2010 31, determinouse que a unidade administrativa de origem, a partir da decisão administrativa final prolatada no PA 13652.000154/200591 informasse se a estimativa de IRPJ correspondente ao período de maio de 2005 foi extinta, ainda que parcialmente, por meio da compensação pleiteada no referido processo, bem como a elaboração de quadro demonstrativo. Como já enfatizado lá, esse valor de maio/2005 compôs o saldo negativo de IRPJ do ano de 2005, que foi utilizado em futuras compensações. Das compensações apresentadas, confirmouse apenas o valor de R$821.019,24, de tal forma que a compensação foi homologada parcialmente, cobrandose a diferença de R$345.062,90 (principal), diferença essa justamente decorrente da discussão daqueles autos de Cofins. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 19991.000205/201088 Acórdão n.º 1301003.042 S1C3T1 Fl. 211 5 Conforme juntado às fls. 189/191, daqueles autos, deuse o encerramento desse processo, reconhecendose ao final o valor de R$99.844,80, relativo a esta estimativa. Assim, já que lá reconhecido todo o direito creditório até aquele montante, nestes autos, não há que se falar em restituição a ser devida. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.900759/2013-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito.
NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.567
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
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PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. Recorrente Dona Francisca Energética S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime nãocumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 07 59 /2 01 3- 29 Fl. 286DF CARF MF Processo nº 11060.900759/201329 Acórdão n.º 3301004.567 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria RS pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o crédito declarado é legítimo, decorrente de pagamento a maior, não sendo utilizado para quitação de outros débitos. Explica a interessada que, em razão de sua atividade, por estar sujeita ao regime cumulativo e não cumulativo, faz jus aos créditos previstos no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.637/2002 e artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003, podendo, assim, descontar créditos, relativos às operações de compra e aquisição de energia revendida, do valor apurado a título de débito de PIS e de Cofins, respectivamente, escriturandoos conforme determinam as normas aplicáveis nos campos próprio do Dacon. E que, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2012, realizou apuração dos débitos das contribuições sociais sem o desconto dos créditos permitidos na legislação tributária. Entretanto, posteriormente, decidiu pelo exercício extemporâneo de seu direito, retificando a apuração do período, para o fim de apropriar os créditos no mês de competência em que deveriam ter sido apropriados; para tanto, retificou e transmitiu o Dacon correspondente, em 29 de janeiro de 2013, acompanhado da respectiva DCTF, também retificadora. Em tópico específico – Princípio da verdade material – a contribuinte argumenta que, em razão dos princípios da estrita legalidade, da verdade material e do inquisitório na investigação dos fatos tributários, a negativa de homologação de compensação deve irrestrita obediência à lei. Desta forma, entende que o Fisco tem o dever jurídico de investigação, em busca da verdade material, mesmo nas hipóteses de compensação. A contribuinte solicita, ainda, a reunião dos processos que relaciona, para que tramitem em conjunto e sejam objeto de um único julgamento ou para que as decisões proferidas, ainda que separadamente, sejam todas no mesmo sentido, em atenção ao princípio da economia e eficiência processual e ao princípio da segurança, a fim de evitar a existência de decisões conflitantes ou divergentes sobre a mesma matéria e pressupostos fáticos e jurídicos. Por fim, a contribuinte requer que, para evitar a ciência por edital, as intimações sejam encaminhadas ao endereço do escritório administrativo, que menciona. A Recorrente apontou os seguintes motivos que legitimam o recolhimento indevido do PIS/COFINS: Fl. 287DF CARF MF Processo nº 11060.900759/201329 Acórdão n.º 3301004.567 S3C3T1 Fl. 4 3 · Suas atividades estatutárias envolvem a geração, comercialização e transmissão de energia elétrica. Para tanto, realiza operações de venda e comercialização de energia originária de seu próprio processo de geração ou adquirida de outras geradoras para revenda. · Para as operações de revenda, o regime de apuração do PIS e COFINS é o não cumulativo. · Sustenta que o contrato de compra e venda de energia elétrica foi celebrado entre a Recorrente e a Gerdau em 03 de maio de 2011. · Então faz jus aos créditos do art. 3º, I da Lei n° 10.637/2002 e art. 3º, I da Lei n° 10.833/2003. · Todavia, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2002, a empresa apurou PIS e COFINS, sem o abatimento dos créditos referentes a aquisição e energia elétrica para revenda. · Em seguida, ao constatar que a existência de créditos de PIS e COFINS não apropriados, retificou sua apuração nos meses de competência (aproveitamento extemporâneo). · No presente caso, anexou a nota fiscal de aquisição de energia elétrica, sobre a qual incidiriam PIS e COFINS passíveis de creditamento. · Após a reapuração os novos e menores débitos de PIS e COFINS foram devidamente informados em DACON retificadora transmitida em 29/01/2013. Foi feita a retificação da DCTF posteriormente. A 4ª Turma da DRJ/FNS negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07037.019. Em seu recurso voluntário, a Recorrente: · Em preliminar, requer a vinculação e julgamento em conjunto deste processo com outros 33 recursos voluntários contra acórdãos idênticos da DRJ de Florianópolis, uma vez que os processos decorrem dos mesmos pressupostos de fato e direito; · Reitera os fundamentos de sua impugnação; · Acosta novas provas; · Afirma que o Direito à restituição via compensação decorre do pagamento indevido, e não da declaração do crédito em DCTF; · Assevera que, por imposição do princípio da verdade material, a análise quanto à existência do crédito deve se sobrepor à declaração formal do mesmo (em DCTF) ao tempo da apresentação da DCOMP; · Ataca a decisão da DRJ, ao defender que deixou de verificar a procedência do crédito para fazer análise meramente formal quanto à existência do crédito em DCTF ao tempo da transmissão da DCOMP; · Sustenta que a prova produzida é suficiente para atestar a existência do crédito; · Por isso, requer que o próprio CARF ateste a veracidade do crédito, considerandose a suficiência da prova já apresentada; ou, alternativamente, que baixe o processo em diligência para que a DRF o faça. Em petição datada de janeiro de 2016, a empresa pugna pela aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11060.900759/201329 Acórdão n.º 3301004.567 S3C3T1 Fl. 5 4 Esta turma de julgamento converteu o feito em diligência, Resolução n° 3301000.424, de 28 de junho de 2017, para que a unidade de origem analisasse a documentação apresentada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, com vistas a esclarecer a existência do crédito passível de ser utilizado na compensação pretendida. Assim, foi solicitado à autoridade que: a) aferisse a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informasse se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclarecesse se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elaborasse relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. A diligência foi realizada, cujo despacho segue acostado nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.545, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11060.900738/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.545): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Creditamento sobre a aquisição de energia elétrica para revenda Dispõem os art.3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003 que: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: A energia elétrica adquirida para revenda subsomese à previsão normativa de creditamento sobre “bens adquiridos para revenda”, porquanto a energia elétrica foi equiparada no sistema constitucional à mercadoria (art. 155, parágrafo 2º, X, alínea “b” e parágrafo 3º, CF/88). Fl. 289DF CARF MF Processo nº 11060.900759/201329 Acórdão n.º 3301004.567 S3C3T1 Fl. 6 5 Diante disso, observase que há suporte legal que legitima o crédito de PIS sobre a energia elétrica adquirida para revenda. Dessa forma, com razão a Recorrente ao pleitear o creditamento no regime da nãocumulatividade. Fundamentação do acórdão da DRJ Como relatado, a Recorrente apresentou DCOMP em 30/01/2013 para compensar débito de IRPJ com crédito de pagamento indevido de PIS, decorrente da aquisição de energia elétrica para revenda. A DACON foi retificada em 29/01/2013 e a DCTF retificada em 05/09/2013. A DRJ ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade o fez com fundamento único: antes da apresentação da DCOMP, a empresa deveria ter retificado regularmente a DCTF. Entendo que assiste razão à Recorrente, quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Isso porque o indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN, a retificação da DCTF não “cria” o direito de crédito. Nesse sentido, o CARF já se manifestou: Acórdão n° 3403002.370, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Recurso provido. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11060.900759/201329 Acórdão n.º 3301004.567 S3C3T1 Fl. 7 6 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em Fl. 291DF CARF MF Processo nº 11060.900759/201329 Acórdão n.º 3301004.567 S3C3T1 Fl. 8 7 PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Assim, discordo da decisão de piso que manteve a não homologação da compensação sobre o argumento de que a DCTF retificadora deveria ter sido transmitida antes da Dcomp. Por conseguinte, se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Ônus da prova – recolhimento indevido No presente caso, a interessada trouxe elementos fiscais e societários para comprovar o valor pleiteado: estatuto social no qual consta a atividade de comercialização de energia elétrica; cópia do contrato de fornecimento de energia elétrica, celebrado em 03/05/2011, com a destinatária da energia nas operações de revenda; cópia da nota fiscal de compra de energia; DCTF e DACON retificadoras. Ressalta a empresa que o contrato de compra e venda de energia elétrica, que revendeu energia adquirida por meio da Nota Fiscal acostada aos autos, é suficiente para comprovação do direito de crédito de PIS. Em seu recurso voluntário, objetivando comprovar que a energia elétrica adquirida foi objeto de revenda, anexou: 1 planilha demonstrativa dos volumes comprados, que equivalem exatamente aos volumes vendidos; 2 o Relatório CCEE demonstrando que o balanço de energia elétrica negociada pela recorrente apresenta volumes idênticos na posição de compradora e vendedora e 3 as notas fiscais de venda de energia elétrica com os mesmos volumes apresentados nos demonstrativos. Além disso, acosta aos autos a DACON original para demonstrar que o crédito objeto da nota fiscal referida não havia sido considerado na apuração da contribuição originalmente. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 11060.900759/201329 Acórdão n.º 3301004.567 S3C3T1 Fl. 9 8 As DACON e DCTF retificadoras (acostadas na manifestação de inconformidade) se voltam a comprovar que o crédito calculado sobre a energia adquirida através da nota fiscal apresentada, gerou a apuração de PIS com valor inferior ao recolhimento do DARF, representando pagamento indevido. Toda a documentação da Recorrente foi analisada em diligência fiscal, tendo a autoridade despachado o seguinte: 7. A contribuinte apresentou cópia dos registros contábeis, livro razão e Diário, fls. 314/382388/428, onde consta registro da compra de energia elétrica, com creditamento de PIS, com base no art. 3º, inciso I, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Com resumo dos lançamentos contábeis à folha 429. 8. Conforme NFE série 1, nº 189, de 21/03/2012, fl. 53, ou no portal da Nota Fiscal Eletrônica, fls. 383/387, foi adquirido energia elétrica pela Dona Francisca Energética S.A – RS da Gerdau Aços Longos S.A., CNPJ 07.358.761/005632, localizada no município de Cachoeira Alta – GO, dentro do sistema integrado de energia, valor R$ 2.684.844,00 com destaque de PIS em R$ 44.299,93. 9. Declaração de compensação com base legal no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966 (CTN); art. 74 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996; art. 49 da Lei nº 10.637, de 30.12.2002; art. 17 da Lei nº 10.833, de 29.12.2003; art. 4º da Lei nº 11.051, de 29.12.2004; art. 30 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009; IN RFB nº 1.300, de 20.11.2012; IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 10. Crédito acrescido de juros equivalentes à taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais, nos termos do artigo 39, § 4º da Lei n.º 9.250, de 26.12.1995 e do artigo 73 da Lei nº 9.532, de 10.12.1997, e conforme inc. V do art. 143 da IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 11. De acordo com o art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002; com o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966; Portaria RFB nº 1.453, de 29.09.2016; com a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 e o art. 241, inc. I do Regimento da SRFB, foi constatado que a DACON retificadora de março de 2012, está em conformidade com os registros contábeis e amparada em documentação, sendo confirmado crédito de PIS não cumulativo, código 6912, pago a maior em 25/04/2012, no valor de R$ 44.299,92 e conforme indicado pela contribuinte, o valor de R$ 42.126,22 (quarenta e dois mil, cento e vinte e seis reais com vinte e dois centavos), com o acréscimo da taxa Selic acumulada, foi lançado em planilha de cálculo SAPO junto com o débito, que foi satisfeito, fls. 430/433. A diligência confirmou o crédito pleiteado e, ao cotejar com o débito apontado, reconheceu que foi suficiente para a sua satisfação, logo deve ser homologada a compensação. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 11060.900759/201329 Acórdão n.º 3301004.567 S3C3T1 Fl. 10 9 Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 294DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.727231/2013-77
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/09/2008
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA.
Por expressa determinação legal (art. 32 do Decreto-lei nº 37/66), o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária e aduaneira. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo de auto de infração por descumprimento de norma do regulamento aduaneiro.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DESCABIMENTO.
Não se aplica o benefício da denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.
SISCOMEX CARGA. ALEGAÇÃO DE CONTINGÊNCIA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova quanto a fato impeditivo, modificativo ou extintivo do Direito da Fazenda é do contribuinte. Sendo assim, a mera alegação de que o atraso na prestação de informação decorreu de problemas no Siscomex Carga, desacompanhada de qualquer elemento de prova deste fato, ou mesmo do atendimento às regras de contingência estabelecidas, impossibilita o afastamento da aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Larissa Nunes Girard, Carlos Alberto da Silva Esteves e Diego Weis Júnior.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 17/09/2008 AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal (art. 32 do Decreto-lei nº 37/66), o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária e aduaneira. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo de auto de infração por descumprimento de norma do regulamento aduaneiro. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DESCABIMENTO. Não se aplica o benefício da denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. SISCOMEX CARGA. ALEGAÇÃO DE CONTINGÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova quanto a fato impeditivo, modificativo ou extintivo do Direito da Fazenda é do contribuinte. Sendo assim, a mera alegação de que o atraso na prestação de informação decorreu de problemas no Siscomex Carga, desacompanhada de qualquer elemento de prova deste fato, ou mesmo do atendimento às regras de contingência estabelecidas, impossibilita o afastamento da aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
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Denúncia espontânea. Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/09/2008 AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal (art. 32 do Decretolei nº 37/66), o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária e aduaneira. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo de auto de infração por descumprimento de norma do regulamento aduaneiro. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DESCABIMENTO. Não se aplica o benefício da denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. SISCOMEX CARGA. ALEGAÇÃO DE CONTINGÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova quanto a fato impeditivo, modificativo ou extintivo do Direito da Fazenda é do contribuinte. Sendo assim, a mera alegação de que o atraso na prestação de informação decorreu de problemas no Siscomex Carga, desacompanhada de qualquer elemento de prova deste fato, ou mesmo do atendimento às regras de contingência estabelecidas, impossibilita o afastamento da aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 72 31 /2 01 3- 77 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11128.727231/201377 Acórdão n.º 3002000.017 S3C0T2 Fl. 129 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Larissa Nunes Girard, Carlos Alberto da Silva Esteves e Diego Weis Júnior. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Larissa Nunes Girard (Presidente). Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11128.727231/201377 Acórdão n.º 3002000.017 S3C0T2 Fl. 130 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 69/71 dos autos: Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação De acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação das cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico (MasterHouse Bill of LadingMHBL) ali identificado, em razão de ter incluído com atraso o CE agregado (House Bill of LadingHBL) especificado. Para demonstrar a irregularidade apurada, a autoridade lançadora também apresentou dados referentes à embarcação, viagem, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação ensejou a autuação. Na sequência a fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e sua norma regente, a IN RFB nº 800/2007, destacando a abrangência do termo transportador nela utilizado, e os prazos estabelecidos para prestar as informações exigidas (arts. 22 e 50 da referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade aplicável em caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966), enfatizando a natureza objetiva dessa responsabilidade, que independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966). A autoridade lançadora prosseguiu seu relato explanando acerca da motivação da obrigação imposta, destacando sua importância no contexto preventivo, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro de cargas. Nesse contexto, descreveu a nova sistemática de controle implementada a partir de 2002, quando a fiscalização aduaneira passou a ter foco mais abrangente, de forma a alcançar não apenas os importadores e exportadores, mas todos os intervenientes envolvidos nas operações de comércio exterior. Dando seguimento, a fiscalização comentou sobre a interpretação da norma que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser considerada a conclusão veiculada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008, relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas. No tópico seguinte, que fala da aplicação da penalidade imposta, foi feita detalhada abordagem a respeito da denúncia espontânea, concluindo pelo não atendimento dos requisitos próprios desse instituto. Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e também à jurisprudência administrativa e judicial. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11128.727231/201377 Acórdão n.º 3002000.017 S3C0T2 Fl. 131 4 Na sequência a fiscalização falou sobre a materialidade da infração, que considerou devidamente caracterizada, e sobre os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Concluiu que, com base na documentação juntada aos autos, era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. Diante dos fatos apurados a autoridade lançadora considerou ser dever de ofício exigir a penalidade formalizada no Auto de Infração em debate. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação em 16/8/2013 e, em 3/9/2013, apresentou impugnação (fls. 4549) na qual aduz os seguintes argumentos. a) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do Decreto Lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. c) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade do transportador, que é o sujeito da obrigação e da anterioridade da referida Norma. A classificação da impugnante como tal distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. Ao final a impugnante pede que seja cancelado o lançamento. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por rejeitar a arguição de ilegitimidade passiva do contribuinte e julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/09/2008 SISCOMEX CARGA. PROBLEMA OPERACIONAL. AUSÊNCIA DE PROVAS. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação foi decorrente de problema no Siscomex Carga, desacompanhada de prova desse fato e do Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11128.727231/201377 Acórdão n.º 3002000.017 S3C0T2 Fl. 132 5 atendimento às regras de contingência estabelecidas, não afasta a aplicação da multa cominada para a citada irregularidade. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 17/09/2008 AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE. O agente de carga submetese às regras da IN RFB nº 800/2007, pois, além de a lei responsabilizálo pela prestação das informações a seu encargo regulamentadas por essa norma, está expressamente incluído entre as espécies de transportador ali definidas, devendo o significado desse termo ser compreendido considerandose o contexto em que ele foi empregado. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/09/2008 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DESCABIMENTO. A prestação de informação sobre veículo, operação ou carga é obrigação acessória autônoma de natureza formal vinculada a prazo certo, cujo atraso já consuma a infração, causando dano irreversível, razão pela qual não se aplica ao caso a denúncia espontânea, mormente quando a comunicação da irregularidade também é intempestiva, diante da prévia atracação do veículo transportador e do bloqueio realizado no Siscomex Carga no ato do registro intempestivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 18/05/2015 (vide termo de ciência por abertura de mensagem à fl. 88 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 05/06/2015 Recurso Voluntário (fls. 91/110), conforme extrato do processo (fl. 126), através do qual requereu o recebimento e provimento do recurso para reformar a decisão de primeira instância e afastar a multa impugnada. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11128.727231/201377 Acórdão n.º 3002000.017 S3C0T2 Fl. 133 6 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Razões recursais O recorrente se insurge contra o entendimento da DRJ de manter a multa aplicada pela Alfândega do Porto de Santos em 03/07/2013, no valor de R$ 5.000,00, por descumprimento de prazo para entrega de informações sobre a embarcação HAMMONIA PACIFICUM, chegada em 15/09/2008. Apresenta as seguintes razões para reforma da decisão. 1.1. Da ilegitimidade da cobrança em face da Impugnante. O recorrente afirma que a ele não se aplicava, na situação, a exigência de antecedência na prestação de informações, devido à previsão do art. 50 da IN RFB nº 800/2007. Segundo essa norma, a obrigação só seria exigível a partir de 1º de abril de 2009, e a exceção prevista no parágrafo único não lhe era aplicável em razão de sua condição de agente de cargas, divergente da de transportador. O contribuinte alega que a interpretação do mencionado artigo 50 deve ser restritiva, caso contrário se estaria estendendo penalidade e ferindo o princípio da legalidade. Ainda, alega que aplicarlhe a multa seria desrespeito ao artigo 111 do CTN, que prevê interpretação literal no caso de dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Cita o artigo 150, III, do CTN, que trata da irretroatividade da lei tributária, e o artigo 110 do mesmo Diploma, para impugnar a distorção de conceitos de direito privado (equiparar agentes de carga a transportador) com a finalidade de exigir obrigação tributária. A decisão da DRJ afastou a alegação de ilegitimidade passiva, por entender que a autuação está de acordo com o artigo 50 da IN RFB nº 800/2007, pois o agente de carga está englobado na definição de transportador, nos termos do artigo 2º, V e § 1º, IV, “e”, da referida instrução normativa. Afirma que os responsáveis pela prestação das informações não ficaram eximidos, mas, dentro do período concedido pela norma para a adaptação das empresas às regras ali estabelecidas, lhes foi admitido o fornecimento dos dados com menor antecedência. Informou que a obrigação do agente de cargas de prestar informações decorre do artigo 37, §1º, DecretoLei 37/1966, recepcionado pela Constituição com força de lei, dispositivo que é a base legal da IN 800/2007. Além disso, a infração atribuída ao recorrente prevê sua aplicabilidade aos agentes de carga, nos termos do artigo 107, IV, “e”, do Decreto Lei 37/1966, com redação dada pela lei 10.833/2003. Sua responsabilidade também está prevista no artigo 18 da instrução normativa, corroborada pela documentação dos autos, uma vez que foi o recorrente quem emitiu o CE. Por fim, o acórdão consigna que o emprego genérico do termo transportador não vai de encontro ao artigo 110 do CTN, pois este se volta à definição de competências tributárias, e a interpretação da palavra tem que ser feita em seu contexto. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11128.727231/201377 Acórdão n.º 3002000.017 S3C0T2 Fl. 134 7 Para que melhor se compreenda o cerne da discussão, transcrevo a seguir o teor do art. 50 da IN RFB nº 800/2007: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. O contribuinte, então, defende que a exceção à regra de que seriam exigidos os prazos de antecedência tão somente a partir de 1º de abril de 2009 seria aplicável apenas aos "transportadores", em razão da literalidade do disposto no parágrafo único acima. Entendo, contudo, que esta não é a melhor solução a ser dada ao caso em análise. De fato, dito dispositivo legal determina que os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta mesma IN somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Ocorre que o parágrafo único deste mesmo dispositivo afasta a prorrogação do prazo no que concerne à obrigação do transportador de prestar informações sobre as cargas transportadas. E o art. 32 do Decretolei nº 37/66, ao tratar sobre a responsabilidade tributária, estende ao agente marítimo (representante, no país, do transportador estrangeiro), na qualidade de responsável solidário, a responsabilidade atribuída ao transportador. É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo Decreto Lei nº 2.472, de 01/09/1988) II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11128.727231/201377 Acórdão n.º 3002000.017 S3C0T2 Fl. 135 8 II representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) Entendo, portanto, que não há que se falar em afronta ao art. 110 do CTN. A equiparação dos agentes marítimos aos transportadores não decorreu da alteração da definição, conteúdo ou alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, mas sim de observância à expressa determinação legal, expressa no art. 32 do Decretolei nº 37/66, acima transcrito. Tal responsabilidade, inclusive, encontra respaldo nos artigos 121, inciso II, 124, inciso II, e 128 do CTN, in verbis: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. *** Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. *** Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11128.727231/201377 Acórdão n.º 3002000.017 S3C0T2 Fl. 136 9 da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Ainda sobre o tema, é importante ressaltar a decisão proferida pelo STJ nos autos do RESP 1.129.430/SP, em que aquele tribunal decidiu que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, não ostentava a condição de responsável tributário no período anterior à vigência do Decretolei nº 2.472/88 (que alterou o art. 32 do DecretoLei nº 37/66), por ausência de previsão legal. Tal decisão, portanto, leva à conclusão lógica de que, iniciada a vigência do referido Decretolei nº 2.472/88, não há mais que se falar em ilegitimidade passiva dos agentes marítimos. Nesse mesmo sentido, vem decidindo este Conselho, a exemplo das decisões a seguir colacionadas: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/12/2009 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. (...). (Acórdão nº 3402004.438 de 26/09/2017). *** Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 07/12/2005 AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária e aduaneira. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração por descumprimento de norma do regulamento aduaneiro. (...). (Acórdão nº 3301003.882 de 28/06/2017). Concluo, pois, que deverá ser rejeitada a preliminar de ilegitimidade passiva apresentada pelo contribuinte. 1.2. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea. O recorrente impugna a decisão de primeira instância, que rejeitou seu argumento de denúncia espontânea, fundamentada na intempestividade e ineficácia da medida. O recorrente se insurge, argumentando que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade, nos termos do artigo 102, § 2º, do DecretoLei 37/1966, e que o fato de ter retificado as informações antes que fosse instaurado qualquer processo fiscalizador se coaduna com o instituto e afasta o entendimento de intempestividade. Quanto ao entendimento de ineficácia, aduz que não foi demonstrado o dano ao controle aduaneiro, já que as informações Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11128.727231/201377 Acórdão n.º 3002000.017 S3C0T2 Fl. 137 10 foram inseridas no Siscomex antes da formalização da entrada em território nacional. Afirma que a finalidade da denuncia é estimular o contribuinte a informar e sanar omissões que passariam despercebidas ao fisco, dandolhe em troca a exclusão da penalidade que lhe seria aplicada. De tal modo, aplicarlhe a multa contrariaria o princípio da interpretação teleológica. Diz que o artigo 683, §1º, I do regulamento aduaneiro (que não considera espontânea a denúncia realizada no curso do despacho aduaneiro), é contraditória com o artigo 736 do mesmo regulamento (que afasta penalidades de infrações que não tenham gerado prejuízo para o recolhimento de tributos federais em caso de erro ou ignorância escusável do infrator). A decisão da primeira instância afirmou que não foram atendidos os pressupostos da denúncia espontânea, que são a tempestividade e eficácia da denúncia. Quanto à tempestividade, entendeu que a formalização da entrada do veículo procedente do exterior no País, que se dá pelo Termo de Entrada, exclui a espontaneidade, nos termos do 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (correspondente ao art. 612, § 3º, do Decreto nº 4.543/2002 Regulamento Aduaneiro anterior, vigente à época dos fatos), e do artigo 138 do CTN, por se tratar de procedimento administrativo relacionado com a infração. Quanto à eficácia, afirmou que o não fornecimento de informações em tempo hábil prejudicou irreversivelmente os objetivos da norma, e que a posterior prestação de informações não teve o condão de reparar o dano causado. Ademais, por tratarse de obrigação acessória autônoma formal ligada a prazo, a inobservância deste consuma a infração e torna irreversível o prejuízo, conforme decisões do STJ e do CARF que fundamentaram a decisão. Quanto a esta matéria, entendo importante que sejam feitos alguns esclarecimentos. Isso porque, embora concorde com a conclusão a que chegou a DRJ em sua decisão, no sentido de afastar a denúncia espontânea no caso concreto aqui analisado, faço com base em fundamentos distintos dos ali consignados, conforme restará devidamente demonstrado a seguir. Em sua defesa, o contribuinte alegou que teria se caracterizado a denúncia espontânea no caso ora analisado, visto que todos os registros teriam sido realizados antes de qualquer ação da fiscalização. Pede, portanto, o afastamento da penalidade a ele imposta, com fulcro no artigo 102, § 2º, do DL 37/66, que, em decorrência da alteração introduzida pela MP 497/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010), estendeu o instituto às penalidades administrativas, in verbis: Art.102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.727231/201377 Acórdão n.º 3002000.017 S3C0T2 Fl. 138 11 competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). Consoante já tive a oportunidade de me manifestar anteriormente, apesar de reconhecer que este tema é bastante controvertido no âmbito deste Conselho, entendo que o instituto da denúncia espontânea é, em tese, plenamente aplicável a casos que versem sobre obrigação acessória atinente a obrigações aduaneiras, cumprida a destempo pelo contribuinte. Isso porque, com a previsão inserida pela MP 497/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010) no referido parágrafo 2º do art. 102 do DL 37/66, que trata especificamente sobre imposto de importação e serviços aduaneiros, previsão esta reproduzida no art. 683, parágrafo 2º do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), houve expressa ampliação da aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades de natureza administrativa. Logo, a sua não admissão em casos relacionados ao registro de informações no SISCOMEX tão somente em razão da sua entrega ter se dado com atraso representaria, no meu entender, descumprimento de previsão legal expressa, o que não seria possível, sob pena de se incorrer em afronta ao disposto na já referida súmula nº 02 do CARF, bem como do art. 62 do Anexo II do RICARF, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Ora, sendo inquestionável que a multa possui natureza administrativa e que o referido parágrafo 2º admite a denúncia espontânea para penalidades de natureza administrativa, quando as condições para a caracterização da denúncia espontânea estiverem presentes, entendo que não se pode afastar dita disposição legal. O que faz, portanto, alguns julgadores, no intuito de defender a inaplicabilidade da denúncia espontânea em casos como o presente é alegar que a sua admissão tornaria inócua a norma que estipula prazos para cumprimento de obrigação acessória. Entendo, contudo, que tal interpretação/conclusão vai muito além do que nos cabe no papel de Conselheiro/Julgador na esfera administrativa. A norma não deixa dúvidas ao estender às penalidades administrativas o instituto da denúncia espontânea, trazendo como exceção tão somente as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita à pena de perdimento, o que não é o caso dos autos. Afora tal exceção, não trouxe o legislador qualquer restrição adicional à aplicação da denúncia espontânea nos casos de penalidades administrativas, não havendo qualquer impedimento para que o fizesse, caso assim pretendesse. Entendo, portanto, que a restrição defendida em algumas decisões deste Conselho invade a seara legislativa, em prejuízo da segurança jurídica que deve reger a relação entre Fisco e contribuinte, já tão prejudicada pela complexidade da nossa confusa legislação tributária. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.727231/201377 Acórdão n.º 3002000.017 S3C0T2 Fl. 139 12 Ademais, entendo que a súmula nº 49 do CARF, que determina que a denúncia espontânea disposta no art. 138 do CTN não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega da declaração, não se aplica ao caso vertente, visto que embasada em precedentes que tratam sobre o envio a destempo de DCTF, matéria diversa da aqui analisada, além de se embasar em caso anteriores à edição da MP 497/2010. Ocorre que a presente contenda versa sobre a denúncia espontânea em Direito Aduaneiro, considerado autônomo e que possui regramento próprio sobre a matéria (art. 102, parágrafo 2º do DL 37/66, reproduzido no art. 638, parágrafo 2º do Regulamento Aduaneiro), cuja redação sofreu alteração com base no conteúdo da MP 497/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010), norma esta que não fora objeto dos julgados que culminaram com a edição da referida súmula nº 49. Logo, penso inadequada a indicação de dita súmula como óbice à concessão da denúncia espontânea em casos que versem sobre direito aduaneiro. Da mesma forma, as decisões do STJ que tratam sobre a impossibilidade de admissão da denúncia espontânea em caso de descumprimento de obrigação acessória, em sua grande maioria, tratam de obrigação relacionada à legislação tributária, e não à legislação aduaneira. Apresentandose, portanto, inadequada a sua indicação para fins de fundamentar o afastamento da denúncia espontânea em casos de descumprimento de obrigação aduaneira. Em observância ao princípio da especialidade lex specialis derogat legi generali , apresentase, pois, imperativa, no meu entender, a aplicação da literalidade do art. 102, parágrafo 2º do DL 37/66, reproduzido no art. 638, parágrafo 2º do Regulamento Aduaneiro, com a redação dada pela MP 497/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010), admitindose, por consequência, a denúncia espontânea para os casos de entrega a destempo de obrigação acessória aduaneira, desde que as demais condições para a sua devida caracterização restem devidamente observadas. Este tema foi muito bem abordado nos votos proferidos tanto pelo Conselheiro Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède no Acórdão nº 3302002.721, quanto pela Conselheira Tatiana Midori Migiyama no Acórdão 9303005.869. Nesse contexto, uma vez admitida a possibilidade de aplicação, em tese, da denúncia espontânea à multa objeto da presente contenda, há de se verificar, então, a sua efetiva existência no caso concreto analisado. Além da exceção expressamente prevista no parágrafo 2º do referido art. 102 (mercadoria sujeita à pena de perdimento), a denúncia espontânea não deverá ser admitida nos casos previstos no parágrafo 1º, seja porque realizada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria, seja porque realizada após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Assim, há de se perquirir se a denúncia se enquadra em alguma das situações acima descritas, caso em que restaria afastada a sua espontaneidade. Neste ponto, concordo com a decisão recorrida ao dispor que há de ser afastada a denúncia espontânea no caso concreto aqui analisado, conforme passagem a seguir transcrita, cujos fundamentos adoto como razão de decidir: A denúncia não atendeu ao requisito da tempestividade. Antes de ela ser apresentada já havia sido implementado procedimento administrativo relacionado Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.727231/201377 Acórdão n.º 3002000.017 S3C0T2 Fl. 140 13 com a infração. Tratase da formalização da “entrada do veículo procedente do exterior” que, nos termos do Regulamento Aduaneiro, exclui a espontaneidade por “infração imputável do transportador”. Tal disposição conta expressamente no art. 683, § 3º, do Decreto nº 6.759, de 5/2/2009 (Regulamento Aduaneiro em vigor), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto nº 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro anterior, vigente à época dos fatos), in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (Destaques na reprodução.) A formalização da entrada do veículo no País se dá com a emissão do termo de entrada, em conformidade com o disposto nos artigos 31 e 32 do Regulamento Aduaneiro atual, que correspondem aos artigos 30 e 31 do Regulamento Aduaneiro anterior, a seguir reproduzidos. Tratase de procedimento administrativo diretamente relacionado com a infração sob exame, pois deve ser realizado depois das informações exigidas serem prestadas, conforme se pode constatar: Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. [...] Art. 31. Após a prestação das informações de que trata o art. 30, e a efetiva chegada do veículo ao País, será emitido o respectivo termo de entrada, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. (Destacouse.) A título de informação, observase que o registro de Declaração de Trânsito Aduaneira (DTA) ou de Declaração de Importação também afasta a aplicação da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 612, § 1º, I, do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (o qual corresponde ao art. 683, § 1º, I, do Regulamento Aduaneiro atual), a seguir reproduzido. É que qualquer um desses registros configura o início do despacho aduaneiro, conforme disposto no art. 35 da IN SRF nº 248/20023 e no art. 15 da IN SRF nº 680/20064, que é procedimento administrativo relacionado com a infração. Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada [...]: I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou [...] (Destaque na reprodução.) Em sua defesa, o contribuinte alega que o artigo 683, §1º, I do regulamento aduaneiro (que não considera espontânea a denúncia realizada no curso do despacho aduaneiro) seria contraditória com o artigo 736 do mesmo regulamento (que afasta penalidades de infrações que não tenham gerado prejuízo para o recolhimento de tributos federais em caso de erro ou ignorância escusável do infrator). Ou seja, não contesta que a informação apenas fora incluída no SISCOMEX no curso do despacho aduaneiro, tornando tal fato incontroverso. Defende, contudo, o afastamento da aplicação do disposto no artigo 683, §1º, I do regulamento Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.727231/201377 Acórdão n.º 3002000.017 S3C0T2 Fl. 141 14 aduaneiro sob o argumento de que estaria em desacordo com o disposto no art. 736 deste mesmo regulamento. Entendo, contudo, não assistir razão ao contribuinte em sua pretensão. Isso porque, consoante já analisado anteriormente, a responsabilidade em razão do descumprimento da norma aqui analisada é objetiva e não depende de qualquer demonstração de prejuízo relacionado ao recolhimento de tributos federais. Diante do acima exposto, concluo que, apesar de aplicável em tese a denúncia espontânea em relação à inclusão de informações no SISCOMEX a destempo, há de ser afastada a denúncia espontânea no caso concreto aqui analisado, visto que as informações foram incluídas no curso do despacho aduaneiro. Neste tópico, é importante registrar, outrossim, o entendimento da maioria dos Julgadores sobre a matéria, nos moldes do que determina o art. 63, parágrafo 8º do Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Isso porque, embora os demais Conselheiros desta turma de julgamento tenham concordado com a conclusão acima disposta, no sentido de que a denúncia espontânea não é aplicável no caso concreto aqui analisado, o fez por razões distintas da ali apresentada, tornandose necessária, portanto, a indicação dos fundamentos adotados por esta maioria. Os três demais Conselheiros entenderam que, no caso de descumprimento da obrigação acessória aqui analisada, relativa ao registro a destempo de informações no SISCOMEX, a denúncia espontânea não seria aplicável sequer em tese. Tal entendimento pode ser extraído do conteúdo do voto proferido pelo Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves no Acórdão nº 3002000.010, cuja ementa, sobre a matéria em relevo, assim dispôs: "Não se aplica o benefício da denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas". Foi este entendimento, portanto, que prevaleceu no julgamento do presente caso, ressalvado o meu entendimento pessoal sobre o tema, acima delineado. 1.3. Da inaplicabilidade de multas no período de contingência. Em sua defesa, o contribuinte alegou que o atraso na prestação das informações se deu em razão do chamado “período de contingência”, aquele em que o Siscomex fica indisponível, e que seria irrazoavél a Administração lhe exigir o cumprimento da obrigação nesse contexto, em razão do instituto da inexigibilidade de conduta diversa. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.727231/201377 Acórdão n.º 3002000.017 S3C0T2 Fl. 142 15 A decisão da primeira instância afastou o argumento por não ter sido apresentada qualquer prova do problema alegado no sistema, e por haver previsão expressa na IN RFB nº 835, de 28/3/2008, em seus artigos 1º, 2º e 4º, III, sobre os procedimentos a serem adotados nesse caso, de modo que caberia ao recorrente fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Autor, nos termos do art. 333 do CPC. Por essas razões, afastou a aplicação do instituto da inexigibilidade de conduta diversa e da razoabilidade. Em seu Recurso Voluntário, impugna o contribuinte o fundamento da decisão recorrida de ausência de prova da indisponibilidade do sistema presente no acórdão, alegando que a IN RFB 835/2008 já dispõe sobre os longos períodos de indisponibilidade do Siscomex, e que tal norma já configuraria prova da indisponibilidade do sistema. Defende, então, que caberia à fiscalização comprovar que o sistema estava disponível no momento dos fatos, o que não teria feito. Sobre o ônus da prova, penso que se apresenta acertada a decisão recorrida ao afirmar que ao Autor (Fazenda Nacional) cumpre a comprovação do ato constitutivo do seu direito e ao Réu (contribuinte) a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Autor. Nesse contexto, no caso dos autos, cabia à fiscalização comprovar que houve o descumprimento da norma (não apresentação das informações no prazo devido). E, consoante já constatado, tal comprovação restou incontroversa nos presentes autos em razão, inclusive, do reconhecimento realizado por parte do próprio contribuinte quanto ao não atendimento do prazo disposto na norma. Sendo assim, diante do incontroverso não atendimento do comando normativo, cabia ao contribuinte trazer aos autos comprovação quanto a fato impeditivo, modificativo ou extintivo apto a afastar a pretensão punitiva da fiscalização. Constatase, contudo, que o contribuinte não logrou trazer aos autos em seu Recurso Voluntário qualquer elemento adicional apto a demonstrar que, de fato, esteve impedido por inoperação do sistema de apresentar as informações exigidas dentro do prazo. Limitouse a alegar que a IN RFB disporia sobre os longos períodos de indisponibilidade do Siscomex, como se tal norma fosse bastante para comprovar o alegado em seu recurso. Entendo, contudo, que o disposto na IN RFB 835/2008, embora reconheça a possibilidade de o SISCOMEX apresentarse indisponível, não comprova que o sistema esteve de fato indisponível no período objeto do presente auto de infração. Ademais, como bem ressaltou o acórdão recorrido, destaquese que o contribuinte sequer logrou demonstrar a observância de qualquer dos procedimentos dispostos na IN RFB nº 835, de 28/3/2008. Logo, concluo que o contribuinte não se desimcumbiu do seu ônus probatório nos presentes autos. 2. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.727231/201377 Acórdão n.º 3002000.017 S3C0T2 Fl. 143 16 É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 143DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000331/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
LIMITE DE RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO SIMPLES.
O contribuinte que no ano-calendário ultrapassar o limite de receita bruta permitida deverá ser excluído do Simples, de oficio, com efeitos a partir do ano-calendário subsequente.
OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS. EXTRATOS DE CARTÃO DE CREDITO. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. ADEQUAÇÃO DO CONJUNTO PROBATÓRIO.
Os valores creditados em conta-corrente bancária não escriturados no livro Diário apresentado caracterizam omissão de receitas, uma vez não comprovados pelo contribuinte. A simples alegação de que parte das receitas corresponderiam a empréstimos não socorre o interessado ante a ausência de provas. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil para elidir a acusação fiscal, contando com documentos idôneos, juridicamente válidos e diretamente relacionados aos créditos questionados. Os extratos emitidos pelas administradoras de cartões de crédito fazem prova direta da omissão de receitas apurada pela fiscalização.
COMPROVAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. PROVA HÁBIL. AUSÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE.
Quando apontada pelo Fisco, de maneira fundamentada, clara e determinada, a carência de comprovação da ocorrência da despesa deduzida ou de algum elemento que lhe compõe, fica o contribuinte sujeito a demonstrar a improcedência do questionamento fiscal ou a sanar tal lacuna probatória.
JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC.
Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem os juros de mora equivalentes à taxa Selic para títulos federais.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para 0 Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para a Seguridade Social (INSS) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível.
Numero da decisão: 1302-002.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 LIMITE DE RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. O contribuinte que no ano-calendário ultrapassar o limite de receita bruta permitida deverá ser excluído do Simples, de oficio, com efeitos a partir do ano-calendário subsequente. OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS. EXTRATOS DE CARTÃO DE CREDITO. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. ADEQUAÇÃO DO CONJUNTO PROBATÓRIO. Os valores creditados em conta-corrente bancária não escriturados no livro Diário apresentado caracterizam omissão de receitas, uma vez não comprovados pelo contribuinte. A simples alegação de que parte das receitas corresponderiam a empréstimos não socorre o interessado ante a ausência de provas. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil para elidir a acusação fiscal, contando com documentos idôneos, juridicamente válidos e diretamente relacionados aos créditos questionados. Os extratos emitidos pelas administradoras de cartões de crédito fazem prova direta da omissão de receitas apurada pela fiscalização. COMPROVAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. PROVA HÁBIL. AUSÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. Quando apontada pelo Fisco, de maneira fundamentada, clara e determinada, a carência de comprovação da ocorrência da despesa deduzida ou de algum elemento que lhe compõe, fica o contribuinte sujeito a demonstrar a improcedência do questionamento fiscal ou a sanar tal lacuna probatória. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem os juros de mora equivalentes à taxa Selic para títulos federais. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para 0 Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para a Seguridade Social (INSS) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 LIMITE DE RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. O contribuinte que no anocalendário ultrapassar o limite de receita bruta permitida deverá ser excluído do Simples, de oficio, com efeitos a partir do anocalendário subsequente. OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS. EXTRATOS DE CARTÃO DE CREDITO. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. ADEQUAÇÃO DO CONJUNTO PROBATÓRIO. Os valores creditados em contacorrente bancária não escriturados no livro Diário apresentado caracterizam omissão de receitas, uma vez não comprovados pelo contribuinte. A simples alegação de que parte das receitas corresponderiam a empréstimos não socorre o interessado ante a ausência de provas. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil para elidir a acusação fiscal, contando com documentos idôneos, juridicamente válidos e diretamente relacionados aos créditos questionados. Os extratos emitidos pelas administradoras de cartões de crédito fazem prova direta da omissão de receitas apurada pela fiscalização. COMPROVAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. PROVA HÁBIL. AUSÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. Quando apontada pelo Fisco, de maneira fundamentada, clara e determinada, a carência de comprovação da ocorrência da despesa deduzida ou de algum elemento que lhe compõe, fica o contribuinte sujeito a demonstrar a improcedência do questionamento fiscal ou a sanar tal lacuna probatória. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 03 31 /2 00 6- 71 Fl. 801DF CARF MF Processo nº 19515.000331/200671 Acórdão n.º 1302002.803 S1C3T2 Fl. 802 2 Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem os juros de mora equivalentes à taxa Selic para títulos federais. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para 0 Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para a Seguridade Social (INSS) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em exame, transcrevo o relatório da DRJ/SP1: Fl. 802DF CARF MF Processo nº 19515.000331/200671 Acórdão n.º 1302002.803 S1C3T2 Fl. 803 3 Fl. 803DF CARF MF Processo nº 19515.000331/200671 Acórdão n.º 1302002.803 S1C3T2 Fl. 804 4 Fl. 804DF CARF MF Processo nº 19515.000331/200671 Acórdão n.º 1302002.803 S1C3T2 Fl. 805 5 Fl. 805DF CARF MF Processo nº 19515.000331/200671 Acórdão n.º 1302002.803 S1C3T2 Fl. 806 6 Fl. 806DF CARF MF Processo nº 19515.000331/200671 Acórdão n.º 1302002.803 S1C3T2 Fl. 807 7 Após análise das peças apresentadas pelo contribuinte, os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1 entenderam pela procedência parcial da impugnação, excluindo do lançamento apenas a multa por embaraço à fiscalização; e pela improcedência da manifestação de inconformidade. A seguir, transcrevo a ementa do Acórdão nº 1623.224 – 1ª Turma da DRJ/SP1: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 LIMITE DE RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. O contribuinte que no anocalendário ultrapassar o limite de receita bruta permitida deverá ser excluído do Simples, de oficio, com efeitos a partir do anocalendário subseqüente. OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS. EXTRATOS DE CARTÃO DE CREDITO. Fl. 807DF CARF MF Processo nº 19515.000331/200671 Acórdão n.º 1302002.803 S1C3T2 Fl. 808 8 Os valores creditados em contacorrente bancária não escriturados no livro Diário apresentado caracterizam omissão de receitas, uma vez não comprovados pelo contribuinte. A simples alegação de que parte das receitas corresponderiam a empréstimos não socorre o interessado ante a ausência de provas. Os extratos emitidos pelas administradoras de cartões de crédito fazem prova direta da omissão de receitas apurada pela fiscalização. ESCRITURAÇAO. OBRIGATORIEDADE. A empresa de pequeno porte optante do Simples está obrigada à escrituração do livro Caixa com toda a movimentação financeira, inclusive bancária e, somente se optar por escriturar o livro Diário estará desobrigada de escriturar O livro Caixa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/l 1/2003, 31/12/2003. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Não se configura o embaraço à ação fiscal quando O contribuinte atendeu em parte 'à intimação para apresentar os extratos bancários e de cartão de crédito, mesmo que a providência tenha 'sido tomada somente após a re intimação com alerta sobre a caracterização do embaraço. Em consequência, cabe exonerar a parcela da multa de ofício majorada em razão do embaraço à fiscalização. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem os juros de mora equivalentes à taxa Selic para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINRSRNATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/l 1/2003, 31/12/2003 LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da Fl. 808DF CARF MF Processo nº 19515.000331/200671 Acórdão n.º 1302002.803 S1C3T2 Fl. 809 9 contribuição para 0 Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para a Seguridade Social (INSS) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Inconformada com a decisão acima, a recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando as mesmas razões anteriormente expostas e, em complemento, aduziu o seguinte: 1) Em que pese a Recorrente não ter juntado aos autos os documentos cuja juntada conferiria suporte aos registros contábeis, existem outros documentos que, segundo esta, retratariam com maior confiabilidade a verdade dos fatos, são estes: as informações fornecidas pelas Instituições Financeiras, o contrato social, e as constatações do Agente Autuante de que, de fato, tratase de um restaurante. A partir de tais documentos, a recorrente faz a seguinte indagação: Sendo um restaurante e, não tendo objeto social outro senão a exploração no varejo de refeições, que outro motivo justificaria a existência de “TED”, “DOC” e, “FINANCIAMENTO”, senão que tais registros não referem se a receitas, mas sim a aporte de capital, antecipação de recebimento e outros? Adiante, afirma ser um absurdo entender tais registros como receita, tratandose de uma pessoa jurídica com as características da Recorrente, ou seja, um restaurante que vende refeição a varejo. Aplica o mesmo raciocínio para a rubrica “financiamento”. 2) Protestou pela posterior juntada de documentos contábeis, os quais informou ainda não ter localizado. Não houve recurso de ofício quanto à parte exonerada. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. Fl. 809DF CARF MF Processo nº 19515.000331/200671 Acórdão n.º 1302002.803 S1C3T2 Fl. 810 10 Para delimitar a questão a ser analisada é necessário esclarecer que não houve recurso de ofício quanto ao afastamento da multa por embaraço à fiscalização, tornandose definitivo, portanto, a redução da multa de ofício ao patamar de 75%. De modo semelhante, não há razão para conferir provimento ao pleito da recorrente de juntada de documentos, pois além de não ser este o momento oportuno para juntada de outras provas, este julgador entende estar suficientemente instruída a matéria posta à apreciação. Portanto, o presente julgamento se limita à apreciação dos argumentos trazidos pela interessada quanto ao (i) erro na quantificação da matéria tributável por ter incluído na base de cálculo dos tributos ingressos não coincidentes com o conceito de receita tributável, e (ii) a ilicitude da aplicação da taxa SELIC na cobrança de tributos. Pois bem. Com relação à quantificação da matéria tributável, a recorrente entende haver erro na inclusão de valores que dizem respeito a depósitos, “TED’s”, financiamentos efetuados em conta corrente, pois tais valores não se coadunariam com o conceito de receita para fins tributáveis. Afirma que tais transferências seriam decorrentes de aporte de capital; empréstimos de sócios e de terceiros, e que ao longo da instrução processual isto iria ser comprovado. Porém, nenhum documento juntado aos autos demonstrouse hábil a comprovar que os ingressos na conta bancária não seriam receita para fins tributáveis. Tanto foi, que em seu Recurso Voluntário, ao reconhecer a ausência de documentos que confeririam força probatória às suas alegações, a recorrente sustenta haverem outros documentos que retratariam, inclusive com maior confiabilidade, a verdade dos fatos: são estes: as informações fornecidas pelas Instituições Financeiras, o contrato social e as constatações do Agente Autuante de que, de fato, tratase de um restaurante. Então, a recorrente sustenta que, a partir desses elementos, restaria claro que os ingressos em sua conta não seriam receita, mas sim aporte de capital, antecipação de recebimento e outros, de modo que o Agente Autuante presumiu a omissão de receitas com base em sua própria experiência e razoabilidade. No entanto, diferentemente do que afirma a recorrente, não é possível ter certeza que os ingressos na conta da recorrente não fossem receita tributável a partir dos documentos carreados, cabendo o ônus dessa comprovação ao contribuinte. Nesse sentido, o art. 199 do RIR/99 dispõe: Art. 199. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições referidos na Lei nº 9.317, de 1996, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas (Lei nº 9.317, de 1996, art. 18). Como se denota do Termo de Verificação Fiscal, a Autoridade Autuante constatou a omissão das receitas obtidas por meio de operações com cartões de crédito e débito, bem como de valores depositados nas contas da autuada. Vejamos: Fl. 810DF CARF MF Processo nº 19515.000331/200671 Acórdão n.º 1302002.803 S1C3T2 Fl. 811 11 Por meio de tal constatação, a autoridade fiscal erigiu uma presunção relativa de omissão de receitas, a qual poderia ser desconstituída através de comprovação de sua insubsistência, a cargo do contribuinte. No entanto, conforme restou comprovado nos autos, e como bem destacado na decisão recorrida, o contribuinte não foi capaz de elidir a presunção constituída por meio de documentos idôneos, juridicamente válidos e diretamente relacionados aos créditos questionados, razão porque a presunção se manteve incólume e apta a sustentar a exigência em voga. Este, como não devia ser diferente, é o entendimento sedimentado no âmbito deste Conselho: OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. ADEQUAÇÃO DO CONJUNTO PROBATÓRIO. A legítima constatação de omissão de receitas tributáveis constitui presunção relativa, cabendo ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil para elidir a acusação fiscal, contando com documentos idôneos, juridicamente válidos e diretamente relacionados aos créditos questionados. COMPROVAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. PROVA HÁBIL. AUSÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. Quando apontada pelo Fisco, de maneira fundamentada, clara e determinada, a carência de comprovação da ocorrência da despesa deduzida ou de algum elemento que lhe compõe, fica o contribuinte sujeito a demonstrar a improcedência do questionamento fiscal ou a sanar tal lacuna probatória. (Acórdão nº 1402002.957; Data da Sessão: 13/03/2018; Processo nº 10166.721306/201630) Deste modo, por concordar e por reputálas suficientes ao deslinde da controvérsia posta à apreciação, adoto as razões da decisão recorrida, abaixo transcritas, as quais passam a integrar o presente voto: Fl. 811DF CARF MF Processo nº 19515.000331/200671 Acórdão n.º 1302002.803 S1C3T2 Fl. 812 12 “(...) Destarte, diante dos elementos que se apresentam nos autos, concluise que não restou caracterizado o embaraço à fiscalização, sendo aplicável somente a multa de oficio no percentual de 75%. Alega oz impugnante que, conforme restaria provado, os valores ingressados nas contas bancárias não se referem a receitas provenientes de vendas de refeição e afins e a maior parte diz respeito a empréstimos realizados pelos sócios e terceiros. No entanto, se de fato a maior pane das receitas dizem respeito a empréstimos realizados pelos sócios e terceiros cabe ao contribuinte apresentar provas documentais, tais como contratos de empréstimos efetuados junto às instituições financeiras e terceiros e escrituração contábil de tais empréstimos. No entanto, ao compulsarmos os autos não se verifica qualquer documentação que comprove o alegado. Aduz a defesa que a própria autoridade autuante teria incluído uma coluna denominada empréstimos (e pagamentos de empréstimos) na planilha elaborada, indicando receitas provenientes de outras fontes que não a venda de refeições. Contudo não é o que se observa. A autoridade fiscal elaborou planilhas denominadas Considerados como Receita Detalhamento” (fl. 127), onde discrimina os historicos 1:; créditos apurados no ano de 2003, por instituição financeira e operadora de cartão de crédito, quais sejam: Sudameris, Real, CEF e Visanet. Tais planilhas embasaram outra planilha denominada “Base de Cálculo do Auto de Infração”(fl. 128). Não há nestas planilhas nenhuma coluna denominada “empréstimos” ou “pagamentos de empréstimos”. Verificamse sim, colunas tais como: “Pagamento Redecard”, “Depósito Cheque”, “Depósito Dinheiro”, “Doc recebido”, etc. E, também a coluna “Financiamento” na planilha do Banco Real, o que poderia trazer dúvidas quanto à sua origem. No entanto, em resposta à intimação feita pelo auditorfiscal para comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes, o fiscalizado assim se manifestou: item “I " Banco Real anexo 2 (...) FINANCIAMEN T0, tem como origem a antecipação dos recebimentos de Cartões de Crédito durante o exercício, operações de tomada de crédito bancário entre outras formas de captação de recursos utilizandose do sistema financeiro; No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade autuante considerou vagas, imprecisas e até contraditórias as respostas apresentadas pelo contribuinte. Especificamente, em relação à coluna “Financiamento”, assim se manifestou: Fl. 812DF CARF MF Processo nº 19515.000331/200671 Acórdão n.º 1302002.803 S1C3T2 Fl. 813 13 Não foram especificados quais valores referemse a antecipação dos recebimentos de cartões de crédito, operações de tomada de crédito bancário e outras formas de captação de recursos que não configuraram receitas. Neste ponto, cabe concordar com a autoridade fiscal, pois o contribuinte não comprovou de maneira clara e precisa a origem destes créditos e novamente agora nesta fase impugnatória não trouxe a comprovação necessária. Afirma o requerente que demonstraria no curso da instrução processual o erro cometido pelo autuante, através da juntada dos documentos necessários para demonstrar o que foi venda de refeição e o que foram outras receitas. No entanto, nada foi trazido aos autos, portanto, esta argumentação não é capaz de socorrer o interessado. Argumenta também o contribuinte que sendo empresa de pequeno porte não estaria obrigada a manter escrituração fiscal, com o que não se pode concordar. A Lei n° 9.317/1996 que dispõe sobre o regime tributário de microempresas e empresas de pequeno porte determina em seu artigo 7° que: Art. 7° A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas na SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do anocalendário subsequente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3° e 4°. § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa. no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira inclusive bancária (gn) b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. § 2° O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento, por parte da microempresa e empresa de pequeno porte, das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária e trabalhista. Assim, a empresa de pequeno porte inscrita no Simples não estaria obrigada a escriturar o livro Diário desde que escriturasse o livro Caixa com toda a sua movimentação financeira. No presente caso, após ser intimado a apresentar o livro Diário ou o livro Caixa, o contribuinte apresentou o livro Diário, cuja cópia encontra se anexada às fls. 161 a 250. Portanto, tendo o contribuinte optado por escriturar o livro Diário esta escrituração não pode ser considerada desnecessária como entende a defesa, tendo passado a ser obrigatória. Não há que se falar em utilização do arbitramento à presente autuação ou erro na quantificação da matéria tributável, uma vez que a fiscalização apurou a Fl. 813DF CARF MF Processo nº 19515.000331/200671 Acórdão n.º 1302002.803 S1C3T2 Fl. 814 14 omissão de receitas com base em receitas não escrituradas no livro Diário e constatadas nos extratos bancários e de operadora de cartão de crédito, aplicandose, portanto, o artigo 24 da Lei n° 9.249/95, que assim estabelece: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (gn) Acrescentese que o artigo 199 do Regulamento do Imposto de Renda expresso no Decreto n° 3.000/1999, regulamenta esta aplicação: Art. 199.Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições referidos na Lei nº 9.317, de 1996, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas (Lei n99.317, de 1996, art. 18). Alega o impugnante que a taxa de serviço destinada aos garçons e demais funcionários da empresa estariam destacados no livro Caixa e teriam passado despercebidos pela fiscalização. De fato, constam registros de gorjeta no livro Diário apresentado, porém tendo em vista que o contribuinte optou pelo regime tributário do Simples que é um regime simplificado cuja apuração dáse pela aplicação de determinados percentuais sobre a receita bruta acumulada, não há previsão legal para a dedução de qualquer custo/despesa neste regime tributário. Argumentou o impugnante que a cobrança de juros de mora com aplicação da taxa Selic, levada a efeito pela fiscalização fere o princípio constitucional da legalidade, requerendo a aplicação dos juros de mora linearmente a razão de 1% ao mês os previstos no § 1° do artigo 161 do Código Tributário Nacional. A questão da constitucionalidade e da observância de princípios constitucionais constituem matérias que ultrapassam os limites da competência para julgamento na esfera administrativa, matérias estas reservadas ao Poder Judiciário. Aos órgãos do Poder Executivo cabe apenas dar cumprimento à lei em vigor, como está sendo feito neste caso. A alegação de que a utilização da taxa Selic feriria o princípio da legalidade não pode ser apreciada neste julgamento. Neste aspecto, temse que as normas reguladoras dos juros de mora equivalentes à taxa Selic, aplicáveis ao caso vertente, constam especificadas nos autos de infração (art. 61, § 3° da Lei n° 9.430, de 1996), sendo que suas disposições atendem rigorosamente ao preceituado no § 1° do art. 161 do CTN, in verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1”. Se a lei não dispuser de moda diverso os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (grifos acrescentados). Fl. 814DF CARF MF Processo nº 19515.000331/200671 Acórdão n.º 1302002.803 S1C3T2 Fl. 815 15 Os juros moratórios estão regulados pelo artigo 161 do CTN, acima transcrito. O parágrafo primeiro do citado artigo determina que os juros moratórios serão de 1%(um) por cento ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que, valendose da faculdade legal, o legislador ordinário, por intermédio da Lei n° 9.065/1995, artigo 13, determinou que os juros de mora seriam equivalentes à taxa SELIC. Transcrevese o citado diploma legal: Art. 13. A partir de 1" de abril de 1995, os [uros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n” 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6°da Lei n"8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n°8.981, de 1995, o art. 84, inciso 1, e 0 art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei rt” 8.981, de 1995, serão eauivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidacão e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (g.n). Portanto, a única exigência para a fixação de juros de mora distintos do percentual de 1 (um) por cento ao mês é a expressa previsão legal, requisito preenchido pela Lei n° 9.065/1995, artigo 13. Ressaltese, não há vedação legal para a utilização como juros de mora, de taxas instituídas por atos administrativos, desde que sua aplicação esteja prevista em lei. A legalidade do uso da taxa Selic como juros de mora para cobrança de créditos tributários é confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se pode ler no acórdão que foi proferido por unanimidade pela Primeira Turma no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n° 836.829RS (Diário de Justiça de 16/04/2007), cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO INEXISTÊNCIA DE 0M1ssÃ0. TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃOOCORRÊNCIA DE PAGAMENTO INTEGRAL. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE 1. É descabida a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC quando evidente a inexistência de omissão no acórdão recorrido. 2. A simples confissão de divida, acompanhada do seu pedido de parcelamento, não configura a denúncia espontânea. 3. Esta Corte já uniformizou o entendimento no sentido de que a aplicação da taxa SELIC em débitos tributários e' plenamente cabível, porquanto fundada no art. 13 da Lei 9.065/95. 4. Agravo regimental desprovido. (negrito meu) Igual entendimento mantém o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais quando o então Primeiro Conselho de Contribuintes exarou a seguinte súmula: Súmula I” CC n” 4. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa Fl. 815DF CARF MF Processo nº 19515.000331/200671 Acórdão n.º 1302002.803 S1C3T2 Fl. 816 16 referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, correta a cobrança de juros moratórios, nos exatos termos da autuação. EXCLUSÃO DO SIMPLES Conforme relatado, as alegações apresentadas pelo interessado em sua Manifestação de Inconformidade reportamse às já manifestadas em sua Impugnação ao Auto de Infração e portanto, previamente tratadas no presente voto. Não é demais frisar que o contribuinte não conseguiu comprovar mediante documentação hábil que não houve excesso de receita e sim aporte de capital, o que teria ocorrido com o auxílio de seus sócios e de terceiros. Por outro lado, a ação fiscal verificou que houve excesso de receita no ano calendário 2003, excedente ao limite estabelecido para a permanência no Simples, de acordo com o demonstrado na Representação Fiscal (fl. 302): Destarte, resta indeferir a Manifestação de Inconformidade”. Conclusão Em face de todo o exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator Fl. 816DF CARF MF
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Numero do processo: 10715.000023/2010-00
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 10/02/2006
RETROATIVIDADE BENIGNA. PRAZO DE 07 DIAS DETERMINADO PELA IN/RFB Nº 1.096/2010.
Considerando que a IN/RFB nº 1.096/2010 ampliou o prazo disposto na IN SRF 28/1994 para 7 (sete) dias, há de ser reconhecida a retroatividade benigna para fins de afastar a imputação de penalidade nos casos em que a informação fora incluída no SISCOMEX respeitando-se este novo prazo de 7 (sete) dias.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3002-000.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1436; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 285 1 284 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.000023/201000 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.103 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 11 de abril de 2018 Matéria Aduaneiro. Multa. Retroatividade benigna. Recorrente PLUNA LINEAS AEREAS URUGUAYAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/02/2006 RETROATIVIDADE BENIGNA. PRAZO DE 07 DIAS DETERMINADO PELA IN/RFB Nº 1.096/2010. Considerando que a IN/RFB nº 1.096/2010 ampliou o prazo disposto na IN SRF 28/1994 para 7 (sete) dias, há de ser reconhecida a retroatividade benigna para fins de afastar a imputação de penalidade nos casos em que a informação fora incluída no SISCOMEX respeitandose este novo prazo de 7 (sete) dias. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Larissa Nunes Girard (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 00 23 /2 01 0- 00 Fl. 285DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 192 dos autos: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 02 a 04 por meio do qual encontrase formalizada a exigência do crédito tributário no valor de R$ 5.000,00 em decorrência do fato de a interessada, segunda a autuação, ter registrado intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos despachos de exportação indicados na planilha de fl. 09, descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada apresenta a impugnação de fls. 14 a 30, argumentando, em síntese, que: a) ocorreu violação ao principio da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia; b) não é aplicada ao caso a norma prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 1966, mas a da alínea “c” do mesmo dispositivo legal, em face de o fato configurar embaraço à fiscalização c) para fins de realizar os registros em questão, no Siscomex, fica na dependência de informações por parte do exportador; d) ao tempo em que deveria ter efetuado os registros em questão, no Siscomex, ocorreu falha no sistema impedindo a realização dos mesmos; e) a aplicação de penalidade deve ser afastada em razão da Solução de Consulta n° 215, de 16 de agosto de 2004 (esta solução de consulta foi proferida pela SRRF na 9ª Região Fiscal); e f) registrou espontaneamente, e no menor prazo possível os dados de embarque das mercadorias. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo o crédito tributário, conforme decisão que restou assim ementada: Ementa: Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação. Realização. Intempestiva. lnfração. Penalidade. O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994 sujeitando o transportador à multa prevista na alinea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei n" 37, de 18 de novembro de 1966. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 27/12/2010 (vide AR à fl. 213 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 18/01/2011, Recurso Voluntário (fls. 214/248), através do qual, repisando as razões de sua impugnação, requereu a Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10715.000023/201000 Acórdão n.º 3002000.103 S3C0T2 Fl. 286 3 improcedência do auto de infração, com o consequente afastamento da multa aplicada. Fundamentou o seu pleito, principalmente, no aumento de prazo para registro de dados trazido pela IN/RFB 1.096/2010. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Fl. 287DF CARF MF 4 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Breve resumo da legislação que envolve a presente lide Consoante acima indicado, a presente demanda versa sobre a imposição de multa em razão do cumprimento a destempo da obrigação de registrar no SISCOMEX os dados pertinentes ao embarque. A multa de que trata o presente processo encontrase disposta no art. 107, inciso IV, "e", do DecretoLei n° 37, de 18/11/1966 com a redação atribuída pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003. Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...). IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...). e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; O prazo, por seu turno, encontrava previsão no art. 37 da IN SRF nº 28/94, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. (Grifos apostos) A referida norma foi alterada pela IN SRF nº 510/2005, indicada no auto de infração (vide fl. 4 dos autos), in verbis: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10715.000023/201000 Acórdão n.º 3002000.103 S3C0T2 Fl. 287 5 data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. (Grifos apostos). Posteriormente, este prazo foi estendido para 7 (sete) dias, nos termos da IN/RFB nº 1.096 de 13 de dezembro de 2010. Ainda sobre o tema, o art. 39, inciso II, da IN SRF nº 28/94 assim dispõe: Art. 39. Entendese por data de embarque da mercadoria: (...) II nas exportações por via aérea, a data do vôo; De início, é válido mencionar que os embarques aqui analisados ocorreram em 10/02/2006 e a informação fora transmitida pela empresa autuada em 13/02/2006 (vide planilha à fl. 10 do eprocesso), ou seja, após 3 dias do embarque. Feitas essas considerações preliminares, passo à análise dos fundamentos do Recurso Voluntário apresentado. 2. Da retroatividade benigna: necessária aplicação da Instrução Normativa nº 1.096/2010 aos fatos em exame (art. 106, II, CTN). O recorrente argumenta que, em razão da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, do CTN, deve ser aplicado ao caso a IN/SRF 1.096/2010, que ampliou o prazo do artigo 37 da IN 28/94 para sete dias. Considerando que informou os dados dentro desse prazo, fica afastada a infração. Apesar de o contribuinte não haver tratado de aplicação retroativa da norma tributária em sua impugnação, a primeira instância achou conveniente tecer considerações sobre o tema. Afirmou ter sido definido pela Notícia Siscomex n° 105, de 27 de julho de 1994, o prazo de 24 horas para prestação das informações na legislação vigente à época, em razão da indeterminação da expressão “imediatamente após”. Expôs que, com a IN/SRF nº 510/2005, o prazo de dois dias, aplicável no caso de embarques por via aérea, se mostrou mais benéfico, e aplicável mesmo a casos anteriores à vigência da norma, nos termos do artigo 106 do CTN, entendendo, portanto, pela aplicação retroativa da norma mais benéfica ao contribuinte. Entendo que assiste razão ao contribuinte em seus argumentos. Consoante acima mencionado, a própria DRJ, em decisão datada de 12 de novembro de 2010 (vide fl. 191 e seguintes dos autos), ao analisar o caso em questão, discorreu sobre a retroatividade benigna para fins de fundamentar a aplicação do prazo de 2 (dois) dias Fl. 289DF CARF MF 6 disposto na IN/SRF nº 510/2005. Acontece que, logo após dita decisão, entrou em vigor a IN/RFB nº 1.096 de 13 de dezembro de 2010, que ampliou o prazo em questão para 7 (sete) dias. Nesse contexto, penso que, caso a decisão da DRJ tivesse sido proferida após dita norma, concluiria inevitavelmente pelo cancelamento do auto de infração combatido, pelo mesmo fundamento da retroatividade benigna. Tanto que a própria DRJ, em outros casos, vem reconhecendo a aplicação da retroatividade benigna em razão do disposto na IN/RFB nº 1.096/2010, para fins de afastar a penalidade imputada nos casos em que o prazo de 07 dias não chegou a ser ultrapassado. Até porque, entendo que a admissão da retroatividade benigna para fins de validação do auto de infração embasado na IN/SRF nº 510/2005, mas o seu afastamento para fins de aplicação da IN/RFB nº 1.096/2010 seria, no mínimo, inadequada, representando a adoção de dois pesos e duas medidas, sem qualquer respaldo lógico ou jurídico. E, consoante se extrai da planilha de fl. 10 dos autos, no caso concreto aqui analisado o atraso foi de apenas 3 (dias), inferior, portanto, ao prazo de 7 (sete) dias determinado na IN/RFB nº 1.096/2010. Neste mesmo sentido, trazse à colação Acórdãos deste Conselho nº 3802 002.327 e 3302004.711, respectivamente: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 09/01/2007, 16/01/2007, 20/01/2007, 28/01/2007 PRESTAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE DE FORMA INTEMPESTIVA. A prestação de informação de dados de embarque, de forma intempestiva, por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP 135/2003, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/2003. A expressão “imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo (dois dias) para o registro desses dados no Siscomex. A partir da IN RFB no 1.096/2010, o prazo para o registro desses dados foi fixado em sete dias, implicando, para os processos pendentes de julgamento, a aplicação retroativa do dispositivo mais benigno, como previsto no art. 106, II, “a” e “b”, do CTN, de forma a concluir pela inexistência de infração se as informações forem prestadas nesse novo prazo. Afastase o crédito lançado pela aplicação da retroatividade benigna prevista no artigo 106, inciso b” do CTN, por conta da ampliação, para 7 dias, do prazo para registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria ( IN/RFB n° 1.096/2010). *** Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10715.000023/201000 Acórdão n.º 3002000.103 S3C0T2 Fl. 288 7 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2006 a 28/11/2006 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETOLEI 37/1966 (IN SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna. Diante do acima exposto, há de ser afastada a penalidade aqui combatida em razão da retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, do CTN, face ao disposto na IN/RFB nº 1.096/2010. Uma vez acatado este argumento, resta prejudicada a análise dos demais argumentos apresentados pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário. 3. Da conclusão Diante do acima exposto, com fundamento na retroatividade benigna, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de cancelar o auto de infração combatido em sua integralidade. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 291DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.916304/2011-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2001
BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9303-006.430
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FEY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 04 /2 01 1- 16 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13971.916304/201116 Acórdão n.º 9303006.430 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3402003.928, de 28/03/2017, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2001 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Intimada da decisão, a PFN apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, foram rejeitados mediante despacho do Presidente da 4ª Câmara. Também interpôs recurso especial, por meio do qual suscita divergência quanto ao conceito de faturamento, especialmente com relação à incidência do PIS/Cofins sobre receitas de aluguéis recebidas por empresa que se dedica à atividade de locação, face à declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3401002.726 e nº 330200.289. O recurso foi admitido por intermédio do Despacho de Admissibilidade do Presidente da 4ª Câmara. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13971.916304/201116 Acórdão n.º 9303006.430 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.426, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 13971.916300/201138, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.426): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Cumpre observar, inicialmente, que o objeto social principal da contribuinte é a exploração das atividades de locação, loteamento e arrendamento de bens próprios, construídos ou a construir, bem como a comercialização de bens móveis e imóveis, abrangendo a compra e venda, permuta, exceto a intermediação, assessoria e orientação técnica em negociações imobiliárias (vide fl. 25). Pois bem. O acórdão recorrido, aplicando decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de PIS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela contribuinte com fulcro em dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98. As receitas que expressamente reconheceu não tributáveis foram as receitas financeiras ("JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL") e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS". O primeiro paradigma, contudo, em flagrante dissenso interpretativo, concluiu o contrário, conforme facilmente comprova a simples leitura de sua ementa: Acórdão nº 3401002.726: LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. FATURAMENTO. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA. Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes da locação de bens imóveis, quando objeto das atividades mercantis da pessoa jurídica, sujeitamse à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, tanto sob a regência da Lei Complementar nº 70/91, quanto pela Lei nº 9.718/98, não prejudicando tal entendimento a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º deste último diploma legal (g.n.) No mérito, entendemos assistir razão à Recorrente. Como já é do conhecimento geral e referido no acórdão recorrido, o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificando o entendimento de que o faturamento corresponde apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Contudo, alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram – e não como obiter dictum – o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13971.916304/201116 Acórdão n.º 9303006.430 CSRFT3 Fl. 5 4 Segundo o Min. Cezar Peluso, que foi acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), claramente identificou o conceito de faturamento com equivalente à receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da CF, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social. No caso ora em exame, a locação de bens integra, conforme demonstrado, a receita decorrente da realização das atividades típicas da contribuinte, de sorte que constitui, parte Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13971.916304/201116 Acórdão n.º 9303006.430 CSRFT3 Fl. 6 5 integrante do seu faturamento – base de cálculo da contribuição. Não, porém, as receitas financeiras. Ante o exposto, com essas considerações, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe provimento, para que, na base de cálculo do PIS, incluamse as receitas com locação de bens." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para que, na base de cálculo das contribuições, incluamse as receitas com locação de bens. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 156DF CARF MF
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Numero do processo: 10746.904231/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.310
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 42 31 /2 01 2- 76 Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 10746.904231/201276 Acórdão n.º 3301004.310 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.879, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.604. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 10746.904231/201276 Acórdão n.º 3301004.310 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 10746.904231/201276 Acórdão n.º 3301004.310 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 10746.904231/201276 Acórdão n.º 3301004.310 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1352DF CARF MF
score : 1.0
