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Numero do processo: 10909.720680/2016-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 23/09/2014
DECISÃO JUDICIAL. EXTENSÃO DOS EFEITOS. APLICAÇÃO DO JULGAMENTO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBREPOSIÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. UNICIDADE DA JURISDIÇÃO.
Em sede de julgamento administrativo não há dúvida sobre a insubsistência do auto de infração, uma vez que sua motivação (extensão dos efeitos da sentença judicial transitada em julgado em favor do estabelecimento matriz, também para a filial da empresa) foi levada à apreciação do Poder Judiciário, que a julgou em favor da Contribuinte. Esta decisão não foi objeto de recurso pela Fazenda Nacional.
Assim, não há espaço para que se faça uma análise diferente daquela exarada pelo Poder Judiciário, sendo necessária sua simples aplicação. Não poderia ser diferente, afinal, a decisão judicial se sobrepõe à decisão administrativa, em razão da unicidade da jurisdição adotada no sistema brasileiro.
Numero da decisão: 3402-005.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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EXTENSÃO DOS EFEITOS. APLICAÇÃO DO JULGAMENTO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBREPOSIÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. UNICIDADE DA JURISDIÇÃO. Em sede de julgamento administrativo não há dúvida sobre a insubsistência do auto de infração, uma vez que sua motivação (extensão dos efeitos da sentença judicial transitada em julgado em favor do estabelecimento matriz, também para a filial da empresa) foi levada à apreciação do Poder Judiciário, que a julgou em favor da Contribuinte. Esta decisão não foi objeto de recurso pela Fazenda Nacional. Assim, não há espaço para que se faça uma análise diferente daquela exarada pelo Poder Judiciário, sendo necessária sua simples aplicação. Não poderia ser diferente, afinal, a decisão judicial se sobrepõe à decisão administrativa, em razão da unicidade da jurisdição adotada no sistema brasileiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 06 80 /2 01 6- 87 Fl. 649DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Florianópolis/SC, que declarou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança tributos e multas decorrentes de operação de importação, no montante de R$ 4.282,62, consubstanciada nos autos de infração em questão. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Tratase de processo de insurgência das autuadas contra as exações fiscais veiculadas nos autos de infração (AI) lavrados em 11.04.2016, pela ALF/Porto de Itajaí (fls. 02 a 30), e cientificados em 12.04.2016 e 13/04/2016 (fls. 100/101), que resultou no lançamento de ofício do Imposto de Importação (II), no valor de R$ 68.521,84, do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) vinculado à importação, no valor de R$ 65.952,27 e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (CofinsImportação), no valor de R$ 4.282,62, todos acrescidos dos juros de mora (calculados até 31.03.2016) e multas de ofício. A autoridade lançadora ressalta que figuram no polo passivo dos presentes autos de infração a epigrafada FIRST S/A e a adquirente das mercadorias, na condição de /responsável solidária, INFOCWB COMÉRCIO DE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA. (CNPJ 06.087.184/000317). .../ Em síntese, a presente autuação trata dos efeitos e desdobramentos da decisão judicial exarada nos autos da Ação Ordinária nº 5037205 92.2011.404.7000/PR, ajuizada pela adquirente, que determinou que as placas de vídeo GPU classificamse no código NCM 8473.30.73, conforme as autuadas fizeram constar na ficha “Informações Complementares” da parte geral da Declaração de Importação nº 14/18264751. A autoridade lançadora afirma que: (i) a Declaração de Importação (DI) nº 14/18264751, registrada em 23.09.2014, cujo valor aduaneiro das mercadorias era R$ 428.261,54, tinha como importadora a CAPITAL TRADE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. e como adquirente a INFOCWB COMÉRCIO DE PRODUTOS ELETROELETRÔNICOS LTDA; (ii) o AuditorFiscal responsável pela análise do despacho, apenas exigiu que as autuadas promovessem a retificação da DI a fim de fazer constar no campo próprio o número do processo judicial e o recolhimento da multa prevista no art. 84 da Medida Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10909.720680/201687 Acórdão n.º 3402005.137 S3C4T2 Fl. 650 3 Provisória nº 2.15835/2001 c/c o art. 69, § 1º, da Lei nº 10.833/2003; (iii) atendidas referidas exigências, a DI foi desembaraçada em 10.10.2014; (iv) incorreu em erro a autoridade aduaneira que conduziu a análise do respectivo despacho aduaneiro, pois a referida ação ordinária que reconheceu o direito de a autora ter suas importações futuras dos bens objeto da consulta que resultou na Solução de Divergência nº 6/2009 – Coana referese ao estabelecimento matriz da Infocwb, enquanto que na Declaração de Importação objeto da presente autuação quem figura com adquirente dos respectivos bens é o estabelecimento filial da Infocwb identificado pelo sufixo 003 no respectivo número do CNPJ; (v) na importação os tributos são devidos pelo estabelecimento importador, tratase de tributos cujos fatos geradores operamse de forma individualizada, tanto na matriz quanto nas filiais que operarem no comércio exterior; (vi) é pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que no campo tributário, a existência de registros de CNPJ diferentes caracteriza autonomia patrimonial, administrativa e jurídica de cada um dos estabelecimentos. Assim, matriz e filiais operam de modo independente em relação aos demais. Reforça esse entendimento com a trazida da ementa do acórdão do julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.488RS, que dispõe que no caso de tributo cujo fato gerador operase de forma individualizada não se outorga à matriz legitimidade para demandar, isoladamente, em juízo, em nome das filiais. Transcrevo, verbis: EMENTA TRIBUTÁRIO. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. MATRIZ E FILIAIS. AUTONOMIA JURÍDICOADMINISTRATIVA. CDAS DISTINTAS. SÚMULA 83/STJ. INAPLICABILIDADE DA ENTENDIMENTO FIRMADO NO RESP REPETITIVO 1.355.812/RS. 1. Nos termos da jurisprudência pacífica desta Corte, no campo tributário, a existência de registros de CNPJ diferentes caracteriza a autonomia patrimonial, administrativa e jurídica de cada um dos estabelecimentos. Assim, matriz e filiais operam de modo independente em relação aos demais. 2. Logo, em se tratando de tributo cujo fato gerador operouse de forma individualizada, tanto na matriz quanto na filial, não se outorga àquela legitimidade para demandar, isoladamente, em juízo, em nome das filiais. 3. A tese discutida e firmada no REsp Repetitivo 1.355.812/RS, acerca da unidade patrimonial da empresa e limites da responsabilidade dos bens da sociedade e dos sócios definidos no direito empresarial, não afasta a tese de que, para fins fiscais, ambos os estabelecimentos matriz e filial são considerados entes autônomos. Agravo regimental improvido. Fl. 651DF CARF MF 4 Conclui, portanto, que, vencida a questão da inexistência de ordem judicial para que seja aceita a classificação fiscal indicada pelas autuadas, com arrimo (i) na legislação que disciplina a classificação fiscal de mercadoria, (ii) na conclusão da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira que a mercadoria em análise tem todas das características das unidades de máquinas automáticas de processamento de dados classificáveis na posição 8471 (Solução de Divergência Coana nº 06/2009) e (iii) na estrutura da posição 8471, que a mercadoria deve ser classificada no código 8471.80.00, evidenciando que as autuadas cometeram erro de classificação fiscal ao eleger o código NCM 8473.30.43 ao invés do código NCM 8471.80.00. Sustenta que o desembaraço da Declaração de Importação nº 14/18264751, que acolheu a classificação fiscal trazida pelas autuadas como se essa (classificação fiscal) fosse fruto de uma ordem judicial, quando em verdade não havia ordem judicial que alcançasse o caso em apreço, restou eivado de vício de legalidade, cabendo à Administração promover sua anulação, respeitadas as condições contidas nos artigos 53 e 54 da Lei nº 9.784/1999. Alerta que com a reclassificação das mercadorias para o código NCM 8471.80.00 ocorreu o recolhimento insuficiente de Imposto de Importação, de Imposto sobre Produtos Industrializados e da Contribuição Cofinsimportação, pois, para mercadorias desta classificação fiscal: (i) a alíquota devida do Imposto de Importação, segundo a Tarifa Externa Comum dispostas na Resolução Camex nº 94, de 12.12.2011, é 16%, e as autuadas utilizaram alíquota de 0%; (ii) a alíquota devida do Imposto sobre Produtos Industrializados, segundo o Decreto nº 7.660/2011 é de 15%, e as autuadas utilizaram alíquota de 2%; (iii) o código NCM da nova classificação consta do Anexo I da Lei nº 12.546/2011, de modo que a alíquota da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador (CofinsImportação) fica majorada em um ponto percentual sendo alterada de 7,60% para 8,60%. Ressalta que em se tratando a DI em apreço de uma importação por conta e ordem de terceiro, a empresa adquirente também responde pela infração, à luz do art. 95, inciso V, do Decretolei nº 37/1966, Razão pela qual foi também trazida para o polo passivo a Infocwb, na condição de responsável solidária. Por fim, informa que a presente exação está enquadrada nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) nº 1 (texto da posição 8471 e da Nota 5 do Capítulo 84) e nº 6 (texto da subposição 8471.80) da TEC aprovada pela Resolução Camex nº 94, de 12.12.2011, e alterações posteriores, arts. 1º, 2º, incisos I e II, 22, 23 e 95, incisos I e IV do Decreto lei nº 37/66, arts. 94 e 122 do Decreto nº 6.759/2009, arts. 1º, 2º, inciso I, 13, 14, alínea “b”, 26, inciso I, 34 e 35, alínea “b”, da Lei nº 4.502/1964, arts. 1º, 3º, inciso I, 4º, inciso I, 5º, inciso I, 7º, inciso I, 8º, inciso II e § 21, 13, inciso I, 19 e 20 da Lei nº Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10909.720680/201687 Acórdão n.º 3402005.137 S3C4T2 Fl. 651 5 10.865/2004 e artigos 53 e 54 da Lei nº 9.784/1999. E quanto à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondentes constam dos respectivos demonstrativos de cálculo. A empresa Infocwb Importação e Distribuição Ltda., atual denominação de Infocwb Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda., irresignada com as autuações, apresenta em 11.05.2016 impugnação e demais documentos (fls. 104 a 209), para alegar que: através da 11ª alteração contratual, registrada na Junta Comercial do Paraná em 23.09.2013, foi constituída uma filial na cidade de JoinvilleSC, cujo CNPJ é 06.087.184/000317, ou seja, mantendose a mesma raiz do CNPJ da matriz, o mesmo ramo de atividade e sem destaque de capital, portanto, o mesmo objeto social da matriz; nos termos do art. 15 da Lei nº 9.779, de 19.01.1999, todos os pagamentos dos tributos federais são centralizados no estabelecimento matriz da referida pessoa jurídica; a empresa First S/A é prestadora de serviços de importação na modalidade por conta e ordem, conforme consta informados nas onze declarações de importação citas nos autos de infração ora contestados; não obstante a autoridade lançadora haver enumerado minuciosamente as diretrizes que norteiam a classificação fiscal das mercadorias, esse não parece ser o motivo da presente autuação, haja vista que a conceituação da NCM e dos produtos importados já foram objeto de apreciação nos autos da ação ordinária tombada sob o nº 503720592.2011.404.7000/PR; logo, referida reapreciação, feita pela autoridade fiscal, mostra se desnecessária, de vez que já enfrentada pelo Poder Judiciário, à exaustão, nos referidos autos judiciais; as placas de vídeo objeto da presente autuação referemse exatamente àquelas da referida ação ordinária, cuja decisão judicial foi no sentido de classificálas na NCM 8473.30.43, indicada nas respectivas declarações de importação, ao invés daquela exigida pela União (NCM 8471.80.00); no citado procedimento judicial, em 25.03.2013, depois de exauriente juízo foi expedida sentença de mérito, confirmando o deferimento, em 11.10.2011, da antecipação de tutela e julgando procedente o pedido, para declarar que as importações já realizadas pela Autora, bem como as futuras, relativamente ao produto placa de vídeo GPU, sejam desembaraçadas pela NCM nº 84.73.30.43, enquanto não criada subposição mais específica à classificação do produto na posição 84.71 da NCM; citada decisão, naquilo que interessa para os presentes autos, foi mantida hígida pelo Tribunal Federal da 4ª Região TRF/04, donde restou acobertada pelo manto da coisa julgada, não havendo notícia de que a União tenha intentado ação rescisória Fl. 653DF CARF MF 6 com vista a contrapôla, logo, não cabe mais a União, por meio da RFB, colocar em discussão o direito de a Autora importar placas de vídeo, utilizando a classificação fiscal da NCM 8473.30.43, na medida que albergada judicialmente; até agosto de 2009 importava placa de vídeo utilizando a NCM 8473.30.43, haja vista estar resguardada pela Solução de Consulta nº 210, de 08.08.2008, contudo, a partir desta data a RFB passou a entender que a placa de vídeo se classificava no código NCM 8471.80.00, obrigandoa reduzir seu volume de importação à metade, situação somente revertida com a decisão proferida na ação ordinária nº 503720592.2011.404.7000/PR, que reconheceu que a NCM correta para a placa de vídeo que importava era a 8473.30.43, por ser mais específica; o ato administrativo do presente lançamento é desprovido de base legal, indo de encontro com a Solução de Consulta nº 210/2008, portanto, arbitrário, confiscatório e extremamente prejudicial à autuada, conforme restou, inclusive, consagrado na ação judicial; o ponto nodal que ensejou os presentes autos de infração repousa no entendimento da autoridade lançadora em não admitir que os efeitos da decisão judicial obtida por seu estabelecimento matriz, na citada ação ordinária, possa ser estendida à sua filial, constituída em Santa Catarina em data posterior ao seu trânsito em julgado (grifei); a autoridade fiscal reconhece que o objeto da citada ação ordinária, ajuizada pela matriz da Infocwb, está assentado na reversão dos efeitos da Solução de Divergência nº 6 Coana, que alterou o entendimento fixado na solução de consulta veiculada no processo nº 15165.000718/200856; não havendo dúvidas de que a decisão judicial obtida nos autos da citada ação ordinária reverteu a decisão proferida na Solução de Divergência nº 6 Coana, “não há como se admitir que os efeitos desta sentença sejam restritos à matriz da empresa INFOCWB IMPORTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA. uma vez que, por disposição normativa, os efeitos do processo de consulta tributária também abrangem os demais estabelecimentos filiais”, em atenção aos termos dos arts. 2º, § 1º e 13, da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16.09.2013; diferentemente do aduzido pela autoridade lançadora, “não há uma tributação individualizada no que concerne aos tributos federais de matriz e filial, até porque, se assim fosse, haveria contrariedade ao comando do artigo 15 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, a qual já restou citada no corpo da presente impugnação. Todos os informativos fiscais são feitos pela Matriz da empresa Infocwb Importação e Distribuição Ltda. como, por exemplo, DACON e DCTF e é a própria matriz quem efetua os pagamentos tributários”; houve erro de transcrição do número do processo judicial, cuja ementa a autoridade fiscal reproduz para justificar sua tese jurídica, pois, referese à ementa do Recurso Especial nº 1.488.209/RS; Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10909.720680/201687 Acórdão n.º 3402005.137 S3C4T2 Fl. 652 7 referida ação não serve de paradigma para sustentar a tese da fiscalização, pois a situação enfrentada no STJ referese a “tributos cujo fato gerador operouse de forma individualizada tanto na matriz quanto na filial”; na espécie, por se tratar de tributos federais, não há uma tributação individualizada, a exemplo do ICMS que se opera de forma individualizada entre a matriz e a filial em face da autonomia legislativa dos entes federados; matriz e filial constituem uma única pessoa jurídica (§ 1º do art. 75 do Código Civil); a inscrição no CNPJ de número específico para cada estabelecimento da pessoa jurídica é determinação imposta pela própria RFB, objetivando facilitar a fiscalização e o cumprimento das obrigações fiscais (§ 1º do art. 10 da IN RFB nº 748/2007); “o número do CNPJ da filial é derivado do número do CNPJ da matriz”, logo, “a filial é estabelecimento que integra o acervo patrimonial de uma única pessoa jurídica”, conforme entendimento dominante no STJ, consoante dispõe, a título de exemplo, o Resp nº 1.355.812/RS, Primeira Seção, Unanimidade, Dje: 31/05/2013, cujo julgamento foi submetido ao rito previsto no artigo 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, a impugnante conclui que “o auto de infração é de todo insubsistente, merecendo a sua total improcedência, pois a decisão judicial que autorizou a empresa INFOCWB IMPORTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA a desembaraçar as placas de vídeo pela NCM 8473.30.43 estendese a sua filial catarinense e, consequentemente, os tributos recolhidos por ocasião das importações referidas ao auto de infração, são suficientes para não ensejar as complementações e penalidades pretendidas pela Autoridade Fiscal”. Requer a juntada da (i) 11ª e da 14ª alteração contratual da empresa Infocwb Importação e Distribuição Ltda.; (ii) inicial, liminar e sentença proferidas nos autos 5037205 92.2011.404.7000/PR e (iii) sentença proferida no Mandado de Segurança tombado sob nº 500254928.2015.4.04.7208/SC. Por fim, pede a insubsistência do auto de infração. A empresa First S/A, igualmente irresignada com as autuações, apresentou em 12.05.2016 (fl. 253) a impugnação de fls. 212 a 241, trazendo os mesmos argumentos apresentados pela adquirente Infocwb, à exceção dos a seguir sintetizados, que: de acordo com o artigo 1º da IN SRF nº 225/2002 e artigo 12, § 1º, inciso I, da IN SRF nº 247/2002, “a importação por conta e ordem de terceiro é um serviço prestado por uma empresa (a importadora), a qual promove em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadorias adquiridas por outra empresa (a adquirente), em razão de contrato previamente firmado, que pode compreender ainda a prestação de outros Fl. 655DF CARF MF 8 serviços relacionados a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial”; na importação por conta de ordem, a pessoa jurídica importadora (trading) é mera mandatária do adquirente, que pactua a compra internacional, embora o faça por meio de interposta pessoa (trading), que atua como prestadora de serviços, sendo que a responsável pelas informações prestadas durante o procedimento de importação das mercadorias é a empresa adquirente; realizada uma importação por conta e ordem do adquirente, não tendo o importador recolhido os valores referentes aos tributos incidentes na operação, restará ao adquirente a responsabilidade pelo devido recolhimento. Por fim, pede que seja decretada a insubsistência do auto de infração. Sobreveio então o Acórdão 0739.070, da 2ª Turma da DRJ/FNS, negando provimento à impugnação dos sujeitos passivos, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/09/2014 COMÉRCIO EXTERIOR. DEMANDA JUDICIAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA. SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA. FATO GERADOR AUTÔNOMO. DECISÃO JUDICIAL OBTIDA EM NOME DA MATRIZ NÃO SE ESTENDE AUTOMATICAMENTE PARA AS FILIAIS DA PESSOA JURÍDICA. Tributos e contribuições federais que tem como fato gerador operação de comércio exterior, especialmente na nacionalização de mercadoria de origem estrangeira, operase de forma individualizada em cada operação e em nome de cada estabelecimento autônomo da pessoa jurídica. O fato gerador deve ser aferido isoladamente em cada operação, não se aplicando automaticamente a extensão dos efeitos de decisão judicial obtida em nome da matriz para as suas filiais. Recurso em que se discute a possibilidade de extensão dos efeitos de decisão judicial obtida em nome da matriz para as suas filiais. Demanda judicial aforada pela matriz de pessoa jurídica discutindo no mérito a mesma matéria objeto de solução de divergência exarada pela Coana/RFB em face de processo de solução de consulta sobre classificação fiscal de mercadorias não se estende de forma automática para as suas filiais em razão dos limites objetivos e subjetivos da coisa julgada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/09/2014 DECISÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. TRÂNSITO EM JULGADO. PARECER NORMATIVO 7/2014. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. MATÉRIA DISTINTA. APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO QUANTO AO CABIMENTO DA AÇÃO JUDICIAL NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10909.720680/201687 Acórdão n.º 3402005.137 S3C4T2 Fl. 653 9 O trânsito em julgado de decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte em que se discute matéria com idêntico objeto de solução de consulta, solução de divergência e do auto de infração, torna incabível a análise do mérito do assunto discutido em face da primazia das decisões judiciais, mas não impede a apreciação de matéria distinta, especialmente quando na impugnação esta se refere ao cabimento e aplicação (ou não) da própria decisão judicial ao processo administrativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com o resultado do julgamento a quo, a INFOCWB IMPORTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA (doravante denominada simplesmente INFOCWB) interpôs recurso voluntário (fls 295 a 313) dirigido a este Conselho, repisando os mesmo argumentos anteriormente trazidos em impugnação. Ademais, informa que, depois de ter conseguido a tutela judicial para amparar as importações efetuadas sob o código NCM 8473.30.43, inclusive por meio de sua filial em Santa Catarina, foi notificada de cinco autos de infração pela Receita Federal (10909.720683/201611; 10909.720684/201665; 10909.720682/201676; 10909.720679/201652; 10909.720680/201687), todos sob o mesmo fundamento do presente. Desses cinco, três primeiros já foram julgados improcedentes no âmbito da DRJ. Afirma ainda que o Acórdão recorrido incorre em afronta à decisão judicial, sendo essa mais uma das situações em que a Receita Federal vem se eximindo de cumprir o quanto determinado pelo Poder Judiciário. Nesse sentido, narra que, pelo fato de as importações efetuadas pela filial terem passado a ser verificadas pela Aduana com parametrização automática pelo canal vermelho, a Recorrente ingressou nos autos da Ação n. 503720592.2011.4.04.7000/PR (já em fase de execução de sentença contra a Fazenda Pública), requerendo ao magistrado competente que declarasse os efeitos da sentença anteriormente proferida, vale dizer, se as importações de placas de vídeo utilizando o NCM n. 8473.30.43 estavam amparando também a filial da sociedade, além a matriz que ajuizara a ação. Em 29/09/2016 foi proferida decisão sobre o tema (fls 645), ratificando que a ordem judicial abrange tanto as importações efetivadas pela matriz, como pela filial. É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Fl. 657DF CARF MF 10 Pela leitura do relato acima, bem como pela síntese trazida pelo Acórdão recorrido, o ponto nevrálgico do presente processo é o seguinte: a restrição dos efeitos da sentença proferida nos autos da Ação de rito ordinário n. 503720592.2011.404.7000/PR, à medida que a fiscalização considerou que a referida decisão judicial (sobre a correta classificação fiscal dos produtos importados no NCM 8473.30.43, conforme pleiteado pela autora da ação) surte efeitos tão somente para o estabelecimento matriz (autora da ação judicial), não abrangendo, por conseguinte, a filial situada no Estado de Santa Catarina (ora Recorrente) da empresa Infocwb Importação e Distribuição Ltda (atual denominação). Somando à leitura do relatório, as informações constantes da cópia dos autos da Ação de rito ordinário de n. 503720592.2011.4.04.7000/PR (fls 352 a 636), não há dúvidas que a Recorrente vem lidando com um processo kafkaniano. Com efeito. Ao invés de ter o seu direito, já declarado e resguardado pelo Poder Judiciário, simplesmente cumprido pelas autoridades administrativas, a Recorrente foi sendo envolvida num emaranhado de atos que levam não só à injustiça, como também à insanidade no que diz respeito ao próprio direito. Para se ter consciência sobre o ponto em que chegou a questão, depois de inúmeras intimações das autoridades competentes para dar eficácia à sentença judicial em favor da Recorrente inclusive impondo multa diária contra à União pelo citado descumprimento, inicialmente de 1%, depois elevada para 2% do valor da causa , foram intimados o Sr. Jorge Antonio Deher Rachid, Secretário da Receita Federal, e o Sr. José Carlos de Araújo, CoordenadorGeral de Administração Aduaneira COANA (fls 521 e 522), para que a decisão judicial fosse cumprida em âmbito nacional. Deixando de lado as dificuldades processuais e procedimentais vividas pela Recorrente, fato é que, depois de tamanhos esforços perpetrados, nesse momento não há mais dúvida sobre a insubsistência do auto de infração, uma vez que sua motivação (extensão do quanto decidido para a matriz, também para a filial) foi levada à apreciação do Poder Judiciário, que a julgou em favor da Contribuinte. Esta decisão não foi objeto de recurso pela Fazenda Nacional. Tratase da decisão de fls 645, proferida na execução contra a Fazenda Pública na Ação n. 503720592.2011.4.04.7000/PR, in verbis: Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10909.720680/201687 Acórdão n.º 3402005.137 S3C4T2 Fl. 654 11 Para que não restem dúvidas sobre a definitividade desta decisão, a própria Procuradoria da Fazenda Nacional vem direcionando o seu cumprimento, sem contestála, conforme o comunicado abaixo colacionado (fls 359), bem como a petição de fls 517 a 519, bem como os demais andamentos da ação comprovados nos autos: Fl. 659DF CARF MF 12 Assim, não há espaço para que esta relatora faça uma análise do alcance da decisão judicial, nem mesmo que discorra o sobre os limites da coisa julgada subjetiva e objetiva, sobre a teoria da unidade patrimonial da pessoa jurídica ou sobre a autonomia dos estabelecimentos, como fez eloquentemente o Acórdão recorrido. Isto porque tal trabalho foi feito pelo próprio Poder Judiciário, dando razão às alegações da defesa do presente processo administrativo, uma vez que reconhece que o seu julgamento abrange a filial situada em Santa Catarina, conforme demonstrado. Não poderia ser diferente, afinal, a decisão judicial se sobrepõe à decisão administrativa, em razão da unicidade da jurisdição adotada no sistema brasileiro. Dessarte, a Recorrente é pessoa jurídica amparada pela decisão transitada em julgado proferida nos autos do Processo n. 503720592.2011.4.04.7000/PR. Por conseguinte, correta a classificação fiscal adotadas nas importações consubstanciadas das DIs sob análise (NCM n. 8473.30.43), sendo incabível a cobrança de diferença de tributos ou multas decorrentes de erro de classificação fiscal das mercadorias. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10909.720680/201687 Acórdão n.º 3402005.137 S3C4T2 Fl. 655 13 Finalmente, salientese que com relação aos três autos de infração mencionados pela Recorrente em sua peça ao CARF, que já haviam sido cancelados pela DRJ, tais decisões não foram alteradas no âmbito recursal. Os recursos de ofício não foram conhecidos por este mesmo Colegiado, nos Acórdãos n. 3402004.227, 3402004.225 e 3402 004.226, de relatoria do Conselheiro Jorge Freire. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, cancelando integralmente os autos de infração, decisão esta que logicamente abarca o sujeito passivo solidário. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 661DF CARF MF 14 Fl. 662DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.000080/2007-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2003
COMPROVAÇÃO.
A divisória removível pode ser considerada como pertença (art. 93 do Código Civil), que é um bem móvel, acessório, individual e autônomo destinado facilitar o uso do bem principal imóvel. Como não é fundamental para este, aquele pode ser retirado sem lhe alterar a substância, ou seja, não incorpora ao solo nem ao subsolo.
Não restou inequivocamente comprovado que a pessoa jurídica se dedique à atividade de construção civil, atividade então vedada ao SIMPLES.
Numero da decisão: 9101-003.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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A divisória removível pode ser considerada como pertença (art. 93 do Código Civil), que é um bem móvel, acessório, individual e autônomo destinado facilitar o uso do bem principal imóvel. Como não é fundamental para este, aquele pode ser retirado sem lhe alterar a substância, ou seja, não incorpora ao solo nem ao subsolo. Não restou inequivocamente comprovado que a pessoa jurídica se dedique à atividade de construção civil, atividade então vedada ao SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 00 80 /2 00 7- 31 Fl. 251DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN, em face do acórdão nº 180100.459, onde restou decidido que a prestação serviço de montagem e desmontagem de divisórias não seria atividade acessória à construção de imóveis, de modo que aquele contribuinte que a executa não estava impedido de optar pelo SIMPLES Federal. Na origem, a contribuinte em questão foi excluída do SIMPLES Federal, com base no ADE 07/2007. No relatório da DRF que deu origem ao ato de excçusão, compreendeu se que o serviço de colocação de divisórias, pisos e de forros em geral é um serviço auxiliar e complementar à construção, portanto, também é atividade vedada, conforme artigo 9, V, §4º, da Lei 9.317/96. Houve apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo Contribuinte, que fora julgada improcedente pela DRJ. Apresentado Recurso Voluntário, a Turma a quo a ele deu provimento, conforme ementa abaixo: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003 PERTENÇA. A divisória removível pode ser considerada como pertença (art. 93 do Código Civil), que é um bem móvel, acessório, individual e autônomo destinado facilitar o uso do bem principal imóvel. Como não é fundamental para este, aquele pode ser retirado sem lhe alterar a substância, ou seja, não incorpora ao solo nem ao subsolo. COMPROVAÇÃO. Não restou inequivocamente comprovado que a pessoa jurídica se dedique à atividade de construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora." Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de divergência, alegando que a atividade em questão é atividade complementar à construção de imóveis, enquadrandose, portanto, na vedação do parágrafo 4° do art. 9° da Lei n° 9.317/96. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13603.000080/200731 Acórdão n.º 9101003.489 CSRFT1 Fl. 252 3 O Recurso da Fazenda foi conecido, conforme despacho de admissibilidade Intimado do Recurso da Fazendo o contribuinte apresenta contrarrazões, pugnando pela manutenção do julgado a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre a admissibilidade do Recurso, entendo não haver reparos a serem feitos no despacho de admissibilidade, portanto, dele conheço. Sobre o mérito da questão, entendo não haver reparos a serem feitos na decisão recorrida. Compreendo que a referida vedação alcança, apenas, as pessoas jurídicas que se dediquem à construção de imóveis, e o § 4° do mesmo dispositivo não tem o condão de modificar a extensão do que expresso naquele inciso. Mencionado parágrafo 4º apenas expõe as diversas facetas da regra do inciso V, sem aumentar o seu alcance, exercendo as seguintes funções: 1) explica que nem todas as obras de construção civil são consideradas construção de imóvel; 2) esclarece que é irrelevante a titularidade do imóvel; 3) informa que o conceito de imóveis alcança as edificações e as benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo (no que se aproxima da definição de imóvel do art. 79 Código Civil); e 4) estabelece, por meio de exemplos (construção, demolição, reforma, ampliação), quais obras de construção civil estão alcançadas pelo conceito de construção de imóvel. Nesse contexto, outra não pode ser a conclusão, senão a de que a vedação existente só afasta a possibilidade de opção pelo Simples para a empresa com atividades de construção civil que resulte na construção de imóveis e que, portanto, as atividades descritas no ADN 30/99, para impedirem o ingresso ou permanência da pessoa jurídica na sistemática simplificada de recolhimento, não podem ser analisadas isoladamente, mas sim demonstradas corno integrantes de um conjunto que resulte na edificação de imóveis No presente caso, a atividade realizada visava apenas a montagem, desmontagem, remanejamento, manutenção e conserto de divisórias, ou seja, seu resultado não resultaria, jamais, na edificação de imóveis. Logo, não há como enquadrar tal atividade na vedação legal. Fl. 253DF CARF MF 4 Nesse contexto, não há reparos a serem feitos na conclusão da Turma a quo, no seguinte sentido: "No presente caso a divisória removível pode ser considerada como pertença (art. 93 do Código Civil), que é um bem móvel, acessório, individual e autônomo destinado facilitar o uso do bem principal imóvel. Como não é fundamental para este, aquele pode ser retirado sem lhe alterar a substância, ou seja, não incorpora ao solo nem ao subsolo. Ademais, toda obra para ser considerada como de engenharia, de arquitetura ou de agronomia depende, para sua legalidade, da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) correspondente ao registro do contrato de prestação de serviços, de acordo com a Lei nº 6.496, de 07 de dezembro de 1977, fato que não restou comprovado nos autos." Nesse contexto, voto por negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904221/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.301
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 42 21 /2 01 2- 31 Fl. 982DF CARF MF Processo nº 10746.904221/201231 Acórdão n.º 3301004.301 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.870, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.595. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 983DF CARF MF Processo nº 10746.904221/201231 Acórdão n.º 3301004.301 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 984DF CARF MF Processo nº 10746.904221/201231 Acórdão n.º 3301004.301 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 985DF CARF MF Processo nº 10746.904221/201231 Acórdão n.º 3301004.301 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 986DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.916325/2011-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9303-006.450
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FEY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 25 /2 01 1- 31 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13971.916325/201131 Acórdão n.º 9303006.450 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3402003.948, de 28/03/2017, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Intimada da decisão, a PFN apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, foram rejeitados mediante despacho do Presidente da 4ª Câmara. Também interpôs recurso especial, por meio do qual suscita divergência quanto ao conceito de faturamento, especialmente com relação à incidência do PIS/Cofins sobre receitas de aluguéis recebidas por empresa que se dedica à atividade de locação, face à declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3401002.726 e nº 330200.289. O recurso foi admitido por intermédio do Despacho de Admissibilidade do Presidente da 4ª Câmara. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13971.916325/201131 Acórdão n.º 9303006.450 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.426, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 13971.916300/201138, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.426): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Cumpre observar, inicialmente, que o objeto social principal da contribuinte é a exploração das atividades de locação, loteamento e arrendamento de bens próprios, construídos ou a construir, bem como a comercialização de bens móveis e imóveis, abrangendo a compra e venda, permuta, exceto a intermediação, assessoria e orientação técnica em negociações imobiliárias (vide fl. 25). Pois bem. O acórdão recorrido, aplicando decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de PIS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela contribuinte com fulcro em dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98. As receitas que expressamente reconheceu não tributáveis foram as receitas financeiras ("JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL") e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS". O primeiro paradigma, contudo, em flagrante dissenso interpretativo, concluiu o contrário, conforme facilmente comprova a simples leitura de sua ementa: Acórdão nº 3401002.726: LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. FATURAMENTO. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA. Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes da locação de bens imóveis, quando objeto das atividades mercantis da pessoa jurídica, sujeitamse à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, tanto sob a regência da Lei Complementar nº 70/91, quanto pela Lei nº 9.718/98, não prejudicando tal entendimento a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º deste último diploma legal (g.n.) No mérito, entendemos assistir razão à Recorrente. Como já é do conhecimento geral e referido no acórdão recorrido, o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificando o entendimento de que o faturamento corresponde apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Contudo, alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram – e não como obiter dictum – o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13971.916325/201131 Acórdão n.º 9303006.450 CSRFT3 Fl. 5 4 Segundo o Min. Cezar Peluso, que foi acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), claramente identificou o conceito de faturamento com equivalente à receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da CF, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social. No caso ora em exame, a locação de bens integra, conforme demonstrado, a receita decorrente da realização das atividades típicas da contribuinte, de sorte que constitui, parte Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13971.916325/201131 Acórdão n.º 9303006.450 CSRFT3 Fl. 6 5 integrante do seu faturamento – base de cálculo da contribuição. Não, porém, as receitas financeiras. Ante o exposto, com essas considerações, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe provimento, para que, na base de cálculo do PIS, incluamse as receitas com locação de bens." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para que, na base de cálculo das contribuições, incluamse as receitas com locação de bens. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.907536/2009-15
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
NULIDADE DE DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A falta de motivação adequada, que se baseie em fatos demonstrados nos autos, implica o cerceamento do direito de defesa e, por consequência, a nulidade da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3002-000.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para anular a decisão a quo e determinar o retorno dos autos à Autoridade Julgadora para que efetue novo julgamento, nos termos do voto.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 NULIDADE DE DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A falta de motivação adequada, que se baseie em fatos demonstrados nos autos, implica o cerceamento do direito de defesa e, por consequência, a nulidade da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para anular a decisão a quo e determinar o retorno dos autos à Autoridade Julgadora para que efetue novo julgamento, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de IPI relativo ao 1º trimestre de 2005, ao qual foram vinculadas duas declarações de compensação, relativas aos períodos de março/2008 e de abril/2008 (PER fls. 39 a 67 e Dcomp apenas de abril/2008 fls. 68 a 71). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 75 36 /2 00 9- 15 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10935.907536/200915 Acórdão n.º 3002000.172 S3C0T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal em Cascavel emitiu Despacho Decisório no qual reconheceu integralmente o crédito de IPI; homologou integralmente a compensação relativa a março/2008, mas homologou apenas parcialmente a compensação relativa a abril/2008, tendo em vista que o crédito de IPI reconhecido foi insuficiente para compensar a totalidade dos débitos declarados pelo sujeito passivo. O despacho decisório foi acompanhado de demonstrativos do saldo credor ressarcível e do detalhamento da compensação por declaração transmitida (fls. 27 a 31). A recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 7), na qual alegou que tinha direito ao crédito nas saídas de produtos isentos, com alíquota zero ou imunes, bem como nas aquisições de estabelecimento comercial atacadista não contribuinte; que deveria ter sido considerado o saldo credor do período anterior; e, por fim, que não utilizou créditos sem lastro, residindo o problema no programa PER/Dcomp, que permitiu a transmissão de uma compensação vinculada a mais de um pedido de ressarcimento, fazendo o contribuinte crer que teria indicado crédito suficiente para a compensação quando, em realidade, tal procedimento não seria aceito. Requereu o reconhecimento integral do seu crédito e, a título de demonstração do seu direito, juntou um demonstrativo do saldo credor e uma tabela de controle de ressarcimentos e compensações (fls. 22 a 26). A Delegacia de Julgamento em Belém proferiu o acórdão nº 0132.516 (fls. 85 a 87), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que o crédito pleiteado havia sido integralmente reconhecido, apenas não sendo homologada integralmente a compensação porque a interessada não computou multa e juros de mora na compensação de débitos vencidos. Em relação à glosa, entendeuse como reclamação descabida, assim como o não aproveitamento de saldo credor de período anterior, que foi utilizado em pedidos de ressarcimento de trimestres anteriores. Transcrevese a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COMPENSAÇÃO. MULTA E JUROS DE MORA. Caberá o acréscimo de multa e juros de mora sobre os débitos extintos em atraso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 04/02/2016, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem constante à fl. 89, e protocolizou seu recurso voluntário em 07/03/2016 (fls. 92 a 97), conforme carimbo aposto à página inicial. A recorrente alega que o acórdão é desprovido de fundamento, pois a motivação da decisão de primeira instância não corresponde à realidade, já que o contribuinte não estava em mora com suas obrigações. Requer que seja reconhecido o crédito solicitado nas Per/Dcomps e que seja afastada toda e qualquer aplicação de multa e juros. Junta uma planilha que demonstraria o cumprimento a tempo das obrigações tributárias (fl. 96). Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10935.907536/200915 Acórdão n.º 3002000.172 S3C0T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Este processo integra um lote de 10 processos similares, todos versando sobre pedidos de ressarcimento, nos quais ocorreram alguns percalços que tornam a situação aparentemente mais confusa do que é realmente. A matéria de fundo diz respeito à existência de créditos suficientes para o ressarcimento de IPI, por vezes cumulado com pedido de compensação. O contribuinte fez um pedido inicial, que consta do processo nº 10935.907532/200929, integralmente reconhecido, mas insuficiente para quitar a totalidade dos débitos declarados. A homologação apenas parcial na primeira compensação, agravada pelo não reconhecimento do direito ao ressarcimento do IPI a partir do 4º processo deste lote, desencadeou divergência entre todas as decisões administrativas e os pedidos subsequentes. Para maior clareza, apresentamos uma tabela da correlação entre processos, pedidos de ressarcimento (PER) e declarações de compensação (Dcomp). Os dados do presente processo estão em negrito. Nestes autos, temos o PER5467, ao qual foi vinculada a Dcomp0711, compensada integralmente, e a Dcomp3271, compensada parcialmente, já que, como se vê na tabela acima, o valor das duas Dcomps é superior ao crédito do PER. Ciente de que o PER 5467 era insuficiente para quitar as duas compensações, o contribuinte informou o PER5283 no campo “Nº do último PER/Dcomp” da Dcomp3271, na expectativa de que fosse considerado o crédito contido nos dois PER. Tendo sido a compensação homologada apenas até o limite reconhecido no PER5467, sem considerar o crédito do PER5283, concluiu o contribuinte que o programa não aceitava a vinculação de um segundo pedido de ressarcimento a uma compensação. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10935.907536/200915 Acórdão n.º 3002000.172 S3C0T2 Fl. 5 4 Neste ponto, fazse necessário um aparte para que se esclareça que o litígio neste lote de processos pode ser dividido em dois tipos: ressarcimento de IPI integralmente reconhecido, mas insuficiente para a homologação (processos de final 532, 534 e 536) e ressarcimento de IPI negado ou parcialmente reconhecido (processos de final 538 até 544). Não obstante a natureza distinta dos objetos de cada grupo de processos, o sujeito passivo elaborou uma única manifestação de inconformidade, baseada nas decisões em que não se reconhece o direito ao ressarcimento de IPI (segundo grupo de processos). Em vista dessa conduta, nos processos do primeiro grupo, no qual este se insere, temos alegações que não guardam relação com os fatos ou com as razões de decidir apontadas nos Despachos Decisórios. Frente a esta situação, a DRJ/Belém proferiu o Acórdão do qual se transcreve o voto em sua integralidade: 4. Conforme relatado acima, na verdade o crédito pleiteado foi integralmente reconhecido. Apenas não foi homologada a compensação em virtude de insuficiência de crédito, uma vez que a interessada deixou de acrescentar multa e juros de mora nos débitos compensados que estavam vencidos. Assim, descabe qualquer referência à glosa de créditos. 5. Com relação ao não aproveitamento de saldo credor de período anterior, a interessada informou no Per/Dcomp em análise o saldo credor de períodos anteriores já utilizados em pedidos de ressarcimento anteriores, sendo incabível o aproveitamento em duplicidade. 6. Conforme tabela abaixo, nas quatro primeiras linhas os Per/Dcomp’s e os valores dos pedidos dos trimestres anteriores, cuja soma coincide com o saldo credor de período anterior utilizado no presente Per/Dcomp, objeto da quinta linha. [tabela excluída] Ainda que sucinto, o voto responde corretamente aos protestos indevidos de direito a crédito nas situações listadas acima, visto que o crédito de IPI foi integralmente reconhecido e não ocorreu nenhuma glosa. É um protesto sem sentido, dirigido ao segundo grupo de processos. Da mesma forma rebate acertadamente o relator a alegação relativa à desconsideração do saldo credor de período anterior ao apontar que esse saldo havia sido utilizado, sendo incabível o aproveitamento em duplicidade. E para comprovar juntou uma tela do programa Per/Dcomp na qual se vê o saldo credor de cada período e o valor já utilizado (fl. 87). Prosseguindo no voto, sobre a primeira parte da sua fundamentação, na qual o relator afirma que apenas não foi homologada a compensação em virtude de insuficiência de crédito, não há reparo a ser feito. Relativamente a esse fato, claramente demonstrado por meio da documentação que instrui o Despacho Decisório, nada trouxe a recorrente aos autos que demonstrasse o contrário. A questão de fundo é simples e sobre ela não paira dúvida: apesar de Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10935.907536/200915 Acórdão n.º 3002000.172 S3C0T2 Fl. 6 5 o crédito de IPI ter sido reconhecido integralmente, não foi suficiente para quitar os débitos informados. Todavia, introduz o relator como motivo para a compensação parcial a incidência de multa e juros não considerados pelo contribuinte, mas devidos pela compensação em atraso, o que não encontra respaldo nos autos. Pelo Detalhamento da Compensação (fl. 30), parte integrante do Despacho Decisório, vêse que em ambas Dcomps não incidiu nem multa nem juros. O crédito disponível foi suficiente para a quitação integral da Dcomp0711, mas insuficiente para a Dcomp3271. A Dcomp3271 é retificadora, mas, segundo a planilha juntada pela recorrente, a declaração original teria sido transmitida tempestivamente, o que se confirma pelo Detalhamento da Compensação. Não se sabe a que fato o relator faz referência quando menciona multa e juros, se tal afirmação decorre de informação constante em outra declaração consultada diretamente nos sistemas da Receita Federal ou se é simplesmente um lapso. O fato é que um novo elemento foi trazido para as razões de decidir, mas sem o devido esclarecimento sobre a que situação se refere ou sobre a origem de tal informação, de importância crucial na decisão, a ponto de ser o único ponto abordado na ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COMPENSAÇÃO. MULTA E JUROS DE MORA. Caberá o acréscimo de multa e juros de mora sobre os débitos extintos em atraso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A motivação é elemento constitutivo essencial de uma decisão. E para que tenhamos uma motivação adequada, suficiente, não basta que seja declarada. Ela deve se assentar em fatos demonstrados nos autos e, a partir dessa demonstração, deve ser estabelecida uma correlação entre esses fatos, o direito aplicável e a consequência jurídica. Houvesse previsão legal de embargos de declaração às decisões de primeira instância, seria incontestavelmente o caso de sua interposição. Em não existindo, ainda que resulte desta análise a convicção de que não cabe razão à recorrente, resta a este Colegiado devolver o processo para novo julgamento, vez que o vício que se constata impede que o direito de defesa seja plenamente exercido. A limitação no direito de defesa, decorrente de decisão motivada em fato não demonstrado, implica a sua nulidade, conforme disposto no DecretoLei nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: (...) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10935.907536/200915 Acórdão n.º 3002000.172 S3C0T2 Fl. 7 6 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (grifado) Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário e anular a decisão de primeira instância, para que seja proferida nova decisão, com a adequada motivação, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.916990/2011-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.272
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que indeferira o Pedido de Restituição formulado sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o deferimento de seu pedido de restituição, arguindo que o indébito decorrera da incidência da contribuição sobre receitas financeiras e outras receitas, incidência essa julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do RE nº 346.084. Alegou, ainda, que o CARF já se pronunciara, em diversas oportunidades, pela extensão da decisão do STF a todos os contribuintes, transcrevendo ementas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 16 99 0/ 20 11 -7 4 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13888.916990/201174 Resolução nº 3201001.272 S3C2T1 Fl. 154 2 A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na ausência de efeitos erga omnes da decisão do STF que reconhecera a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições promovida pela Lei nº 9.718/1998, bem como na falta de comprovação da liquidez e certeza do indébito reclamado. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa, afirmando existir nos autos documentação comprobatória do seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.265, de 21/03/2018, proferido no julgamento do processo 13888.914725/201151, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.265): Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, originado de pagamento indevido ou a maior Em despacho decisório eletrônico, foi indeferida a solicitação da contribuinte, em razão da inexistência de saldo do pagamento indicado no PER/DCOMP, o qual teria sido utilizado integralmente para quitar débito informado pela própria contribuinte em DCTF. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que o crédito decorre do recolhimento indevido da contribuição sobre parcelas que não integram o faturamento, nos termos da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Foi anexada à Impugnação documentação comprobatória da existência do crédito. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é da contribuinte, pois se trata de uma solicitação de seu exclusivo interesse", o que não teria logrado comprovar a Recorrente. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, ressalta que foram anexados diversos documentos à Manifestação de Inconformidade e requer a juntada e exame das cópias dos DARFs, Pedido de Restituição e Livro Razão Geral. Além disso, apresenta planilha demonstrativa do crédito postulado. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13888.916990/201174 Resolução nº 3201001.272 S3C2T1 Fl. 155 3 Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese que em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos já acostados aos autos, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade, como em Recurso Voluntário, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Importa registrar que, nos presentes autos, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos documentos já acostados aos autos, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade, como em Recurso Voluntário, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessários. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.900751/2013-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito.
NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.559
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
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PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. Recorrente Dona Francisca Energética S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime nãocumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 07 51 /2 01 3- 62 Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11060.900751/201362 Acórdão n.º 3301004.559 S3C3T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria RS pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o crédito declarado é legítimo, decorrente de pagamento a maior, não sendo utilizado para quitação de outros débitos. Explica a interessada que, em razão de sua atividade, por estar sujeita ao regime cumulativo e não cumulativo, faz jus aos créditos previstos no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.637/2002 e artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003, podendo, assim, descontar créditos, relativos às operações de compra e aquisição de energia revendida, do valor apurado a título de débito de PIS e de Cofins, respectivamente, escriturandoos conforme determinam as normas aplicáveis nos campos próprio do Dacon. E que, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2012, realizou apuração dos débitos das contribuições sociais sem o desconto dos créditos permitidos na legislação tributária. Entretanto, posteriormente, decidiu pelo exercício extemporâneo de seu direito, retificando a apuração do período, para o fim de apropriar os créditos no mês de competência em que deveriam ter sido apropriados; para tanto, retificou e transmitiu o Dacon correspondente, em 29 de janeiro de 2013, acompanhado da respectiva DCTF, também retificadora. Em tópico específico – Princípio da verdade material – a contribuinte argumenta que, em razão dos princípios da estrita legalidade, da verdade material e do inquisitório na investigação dos fatos tributários, a negativa de homologação de compensação deve irrestrita obediência à lei. Desta forma, entende que o Fisco tem o dever jurídico de investigação, em busca da verdade material, mesmo nas hipóteses de compensação. A contribuinte solicita, ainda, a reunião dos processos que relaciona, para que tramitem em conjunto e sejam objeto de um único julgamento ou para que as decisões proferidas, ainda que separadamente, sejam todas no mesmo sentido, em atenção ao princípio da economia e eficiência processual e ao princípio da segurança, a fim de evitar a existência de decisões conflitantes ou divergentes sobre a mesma matéria e pressupostos fáticos e jurídicos. Por fim, a contribuinte requer que, para evitar a ciência por edital, as intimações sejam encaminhadas ao endereço do escritório administrativo, que menciona. A Recorrente apontou os seguintes motivos que legitimam o recolhimento indevido do PIS/COFINS: · Suas atividades estatutárias envolvem a geração, comercialização e transmissão de energia elétrica. Para tanto, realiza operações de venda e comercialização de energia originária de seu próprio processo de geração ou adquirida de outras geradoras para revenda. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11060.900751/201362 Acórdão n.º 3301004.559 S3C3T1 Fl. 4 3 · Para as operações de revenda, o regime de apuração do PIS e COFINS é o não cumulativo. · Sustenta que o contrato de compra e venda de energia elétrica foi celebrado entre a Recorrente e a Gerdau em 03 de maio de 2011. · Então faz jus aos créditos do art. 3º, I da Lei n° 10.637/2002 e art. 3º, I da Lei n° 10.833/2003. · Todavia, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2002, a empresa apurou PIS e COFINS, sem o abatimento dos créditos referentes a aquisição e energia elétrica para revenda. · Em seguida, ao constatar que a existência de créditos de PIS e COFINS não apropriados, retificou sua apuração nos meses de competência (aproveitamento extemporâneo). · No presente caso, anexou a nota fiscal de aquisição de energia elétrica, sobre a qual incidiriam PIS e COFINS passíveis de creditamento. · Após a reapuração os novos e menores débitos de PIS e COFINS foram devidamente informados em DACON retificadora transmitida em 29/01/2013. Foi feita a retificação da DCTF posteriormente. A 4ª Turma da DRJ/FNS negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07037.033. Em seu recurso voluntário, a Recorrente: · Em preliminar, requer a vinculação e julgamento em conjunto deste processo com outros 33 recursos voluntários contra acórdãos idênticos da DRJ de Florianópolis, uma vez que os processos decorrem dos mesmos pressupostos de fato e direito; · Reitera os fundamentos de sua impugnação; · Acosta novas provas; · Afirma que o Direito à restituição via compensação decorre do pagamento indevido, e não da declaração do crédito em DCTF; · Assevera que, por imposição do princípio da verdade material, a análise quanto à existência do crédito deve se sobrepor à declaração formal do mesmo (em DCTF) ao tempo da apresentação da DCOMP; · Ataca a decisão da DRJ, ao defender que deixou de verificar a procedência do crédito para fazer análise meramente formal quanto à existência do crédito em DCTF ao tempo da transmissão da DCOMP; · Sustenta que a prova produzida é suficiente para atestar a existência do crédito; · Por isso, requer que o próprio CARF ateste a veracidade do crédito, considerandose a suficiência da prova já apresentada; ou, alternativamente, que baixe o processo em diligência para que a DRF o faça. Em petição datada de janeiro de 2016, a empresa pugna pela aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015. Esta turma de julgamento converteu o feito em diligência, Resolução n° 3301000.416, de 28 de junho de 2017, para que a unidade de origem analisasse a documentação apresentada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, com vistas a esclarecer a existência do crédito passível de ser utilizado na Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11060.900751/201362 Acórdão n.º 3301004.559 S3C3T1 Fl. 5 4 compensação pretendida. Assim, foi solicitado à autoridade que: a) aferisse a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informasse se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclarecesse se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elaborasse relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. A diligência foi realizada, cujo despacho segue acostado nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.545, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11060.900738/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.545): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Creditamento sobre a aquisição de energia elétrica para revenda Dispõem os art.3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003 que: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: A energia elétrica adquirida para revenda subsomese à previsão normativa de creditamento sobre “bens adquiridos para revenda”, porquanto a energia elétrica foi equiparada no sistema constitucional à mercadoria (art. 155, parágrafo 2º, X, alínea “b” e parágrafo 3º, CF/88). Diante disso, observase que há suporte legal que legitima o crédito de PIS sobre a energia elétrica adquirida para revenda. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11060.900751/201362 Acórdão n.º 3301004.559 S3C3T1 Fl. 6 5 Dessa forma, com razão a Recorrente ao pleitear o creditamento no regime da nãocumulatividade. Fundamentação do acórdão da DRJ Como relatado, a Recorrente apresentou DCOMP em 30/01/2013 para compensar débito de IRPJ com crédito de pagamento indevido de PIS, decorrente da aquisição de energia elétrica para revenda. A DACON foi retificada em 29/01/2013 e a DCTF retificada em 05/09/2013. A DRJ ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade o fez com fundamento único: antes da apresentação da DCOMP, a empresa deveria ter retificado regularmente a DCTF. Entendo que assiste razão à Recorrente, quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Isso porque o indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN, a retificação da DCTF não “cria” o direito de crédito. Nesse sentido, o CARF já se manifestou: Acórdão n° 3403002.370, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Recurso provido. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11060.900751/201362 Acórdão n.º 3301004.559 S3C3T1 Fl. 7 6 As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11060.900751/201362 Acórdão n.º 3301004.559 S3C3T1 Fl. 8 7 O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Assim, discordo da decisão de piso que manteve a não homologação da compensação sobre o argumento de que a DCTF retificadora deveria ter sido transmitida antes da Dcomp. Por conseguinte, se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Ônus da prova – recolhimento indevido No presente caso, a interessada trouxe elementos fiscais e societários para comprovar o valor pleiteado: estatuto social no qual consta a atividade de comercialização de energia elétrica; cópia do contrato de fornecimento de energia elétrica, celebrado em 03/05/2011, com a destinatária da energia nas operações de revenda; cópia da nota fiscal de compra de energia; DCTF e DACON retificadoras. Ressalta a empresa que o contrato de compra e venda de energia elétrica, que revendeu energia adquirida por meio da Nota Fiscal acostada aos autos, é suficiente para comprovação do direito de crédito de PIS. Em seu recurso voluntário, objetivando comprovar que a energia elétrica adquirida foi objeto de revenda, anexou: 1 planilha demonstrativa dos volumes comprados, que equivalem exatamente aos volumes vendidos; 2 o Relatório CCEE demonstrando que o balanço de energia elétrica negociada pela recorrente apresenta volumes idênticos na posição de compradora e vendedora e 3 as notas fiscais de venda de energia elétrica com os mesmos volumes apresentados nos demonstrativos. Além disso, acosta aos autos a DACON original para demonstrar que o crédito objeto da nota fiscal referida não havia sido considerado na apuração da contribuição originalmente. As DACON e DCTF retificadoras (acostadas na manifestação de inconformidade) se voltam a comprovar que o crédito calculado sobre a Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11060.900751/201362 Acórdão n.º 3301004.559 S3C3T1 Fl. 9 8 energia adquirida através da nota fiscal apresentada, gerou a apuração de PIS com valor inferior ao recolhimento do DARF, representando pagamento indevido. Toda a documentação da Recorrente foi analisada em diligência fiscal, tendo a autoridade despachado o seguinte: 7. A contribuinte apresentou cópia dos registros contábeis, livro razão e Diário, fls. 314/382388/428, onde consta registro da compra de energia elétrica, com creditamento de PIS, com base no art. 3º, inciso I, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Com resumo dos lançamentos contábeis à folha 429. 8. Conforme NFE série 1, nº 189, de 21/03/2012, fl. 53, ou no portal da Nota Fiscal Eletrônica, fls. 383/387, foi adquirido energia elétrica pela Dona Francisca Energética S.A – RS da Gerdau Aços Longos S.A., CNPJ 07.358.761/005632, localizada no município de Cachoeira Alta – GO, dentro do sistema integrado de energia, valor R$ 2.684.844,00 com destaque de PIS em R$ 44.299,93. 9. Declaração de compensação com base legal no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966 (CTN); art. 74 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996; art. 49 da Lei nº 10.637, de 30.12.2002; art. 17 da Lei nº 10.833, de 29.12.2003; art. 4º da Lei nº 11.051, de 29.12.2004; art. 30 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009; IN RFB nº 1.300, de 20.11.2012; IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 10. Crédito acrescido de juros equivalentes à taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais, nos termos do artigo 39, § 4º da Lei n.º 9.250, de 26.12.1995 e do artigo 73 da Lei nº 9.532, de 10.12.1997, e conforme inc. V do art. 143 da IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 11. De acordo com o art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002; com o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966; Portaria RFB nº 1.453, de 29.09.2016; com a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 e o art. 241, inc. I do Regimento da SRFB, foi constatado que a DACON retificadora de março de 2012, está em conformidade com os registros contábeis e amparada em documentação, sendo confirmado crédito de PIS não cumulativo, código 6912, pago a maior em 25/04/2012, no valor de R$ 44.299,92 e conforme indicado pela contribuinte, o valor de R$ 42.126,22 (quarenta e dois mil, cento e vinte e seis reais com vinte e dois centavos), com o acréscimo da taxa Selic acumulada, foi lançado em planilha de cálculo SAPO junto com o débito, que foi satisfeito, fls. 430/433. A diligência confirmou o crédito pleiteado e, ao cotejar com o débito apontado, reconheceu que foi suficiente para a sua satisfação, logo deve ser homologada a compensação. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11060.900751/201362 Acórdão n.º 3301004.559 S3C3T1 Fl. 10 9 Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 378DF CARF MF
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Numero do processo: 13677.000053/2003-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS PELO PRODUTOR EXPORTADOR. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. INCLUSÃO. PORTARIA MF 38/97. POSSIBILIDADE.
No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97, as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo contribuinte, incluem-se na composição tanto da Receita de Exportação RE, quanto da Receita Operacional Bruta-ROB. Ou seja, incluem-se nos dois lados do coeficiente de exportação, no numerador e no denominador.
Numero da decisão: 9303-006.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS PELO PRODUTOR EXPORTADOR. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. INCLUSÃO. PORTARIA MF 38/97. POSSIBILIDADE. No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97, as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo contribuinte, incluemse na composição tanto da Receita de Exportação RE, quanto da Receita Operacional BrutaROB. Ou seja, incluemse nos dois lados do coeficiente de exportação, no numerador e no denominador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 7. 00 00 53 /2 00 3- 71 Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 13677.000053/200371 Acórdão n.º 9303006.682 CSRFT3 Fl. 1.068 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), apresentado tempestivamente pela Fazenda Nacional, em face do acórdão nº 29101.060, proferido pela 1ª Turma Especial do 2º Conselho de Contribuintes, o qual, quanto a matéria recorrida, decidiu: a) excluir o valor das mercadorias adquiridas para revenda ao exterior do cômputo da receita bruta operacional para efeito do índice; b) admitir as despesas de energia elétrica, no regime alternativo; e c) admitir os valores da prestação de serviços decorrente da industrialização por terceiros, no regime alternativo. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "O estabelecimento industrial acima qualificado formalizou pedido de ressarcimento do crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, na modalidade alternativa prevista pela Medida Provisória nº 2.0021, de 26 de julho de 2001, convertida na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, para ressarcimento das contribuições de que trata as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, empregados na industrialização de produtos exportados durante o 22 trimestre de 2002, no valor de R$ 13.203,46. Cumulativamente, apresentou a DComp das folhas 425 e 426, retificada pela declaração de fl. 404. A decisão recorrida restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO. COMPETÊNCIA. Não há hipótese de nulidade em razão de mudança de área jurisdicional para julgamento do processo. A competência pertence ao Ente Público que a partilha entre seus órgãos, este, no caso, a Receita Federal e não cada unidade de julgamento a ela subordinada. PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia destinase à elucidação de questões técnicas, devendo ser indeferida quando visar à produção de provas que toca à parte produzir. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 13677.000053/200371 Acórdão n.º 9303006.682 CSRFT3 Fl. 1.069 3 AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PRONTA, COM 0 FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Somente ensejam direito ao beneficio as aquisições de insumos, conceituados como tal pela legislação do IPI. A aquisição de produtos acabados, que não sofrem qualquer etapa de industrialização no estabelecimento industrial exportador, não dá direito ao crédito presumido. DIREITO DE CRÉDITO. MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM,ENERGIA ELÉTRICA, ÓLEO DIESEL E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O direito ao creditamento deve ter como base de cálculo os valores dos insumos adquiridos definidos pela legislação do IPI como matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, empregados na industrialização de produtos situados no campo de incidência do imposto. Devem ser computadas notas fiscais anexadas que correspondam a energia elétrica, óleo diesel e prestação de serviços de industrialização por encomenda, em face da opção pelo regime da Lei nº 10.276/2002. EXCLUSÃO DE PRODUTOS PARA REVENDA DO CÔMPUTO DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Devem ser excluídas estas receitas sob pena de distorcer a fórmula de cálculo do beneficio fiscal. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Incabível atualização monetária ou abono de juros sobre o eventual valor a ser objeto de ressarcimento por ausência de previsão legal. Recurso voluntário provido em parte". Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, suscitando divergência jurisprudencial, aponta como paradigmas os acórdãos nºs 20179.254 e 20402.250, proferidos respectivamente pelas 1ª e 4ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, do qual defluise que há divergência entre os julgados eis que, para fins de cálculo do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, assinala a inclusão de tais receitas na receita operacional bruta. O Presidente da 3º Câmara da 3º Seção de julgamento deu seguimento ao recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls.1062. Esclareçase ainda, que a Contribuinte com advento Lei 11.941/2009, apresentou pedido de desistência parcial do recurso administrativo de fl. 669, no qual solicita a desistência apenas da compensação declarada, para que o saldo devedor dos débitos seja consolidado no parcelamento da referida lei, contudo, não requer a desistência do recurso que versa sobre o direito creditório não reconhecido. No essencial, é o relatório. Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 13677.000053/200371 Acórdão n.º 9303006.682 CSRFT3 Fl. 1.070 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Portanto, as matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito inclusão ou não de revenda em relação receita operacional bruta. Com efeito, quanto esta matéria, registro meu posicionamento e desta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisão consubstanciada no Acórdão nº 9303 005.172, de relatoria do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, pronunciada na sessão de julgamento de 17 de maio de 2017, a qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica: "IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO INDUSTRIALIZADOS PELO PRODUTOR EXPORTADOR. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. INCLUSÃO. PORTARIA MF 38/97. POSSIBILIDADE. No cálculo do crédito presumido de IPI, de que tratam a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97, as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo contribuinte, incluemse na composição tanto da Receita de Exportação RE, quanto da Receita Operacional BrutaROB. Ou seja, incluemse nos dois lados do coeficiente de exportação, no numerador e no denominador. 1.3 Receitas de exportação de produtos adquiridos de terceiros no cálculo da relação RE/ROB Tenho entendimento de que não é possível o aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, sobre as aquisições de produtos adquiridos pelo contribuinte e por ele exportados sem que tenha sido submetido a qualquer operação de industrialização. Isto em Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 13677.000053/200371 Acórdão n.º 9303006.682 CSRFT3 Fl. 1.071 5 decorrência de falta de expressa previsão legal, uma vez que referido crédito tratase de um incentivo fiscal e sua concessão demanda a interpretação literal da lei concessiva. Porém, não é esta a matéria devolvida a esse colegiado. O que se discute é a possibilidade de inclusão das receitas decorrentes de exportação de produtos adquiridos de terceiros no coeficiente de exportação para fins do cálculo do crédito presumido. A Fazenda Nacional defende a sua não inclusão na "Receita de Exportação RE", numerador do referido coeficiente. Entendo que, na vigência da Portaria MF nº 38/97, as receitas decorrentes de exportação de mercadorias nacionais, aí incluídas a exportação de produtos revendidos (não industrializados pelo próprio contribuinte), compõem a Receita de Exportação (RE) e também a Receita Operacional Bruta (ROB). Isto, por disposição da própria Lei nº 9.363/96, que assim dispôs em seu art. 6º, in verbis: Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. Fundamentado em tal dispositivo legal, o Ministério da Fazenda regulamentou o aproveitamento do crédito presumido de IPI na Portaria MF nº 38/97, que assim dispunha a esse respeito: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá: I apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção; II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; III aplicar a relação percentual, referida no inciso anterior, sobre o valor apurado de conformidade com o inciso I; IV multiplicar o valor apurado de conformidade com o inciso anterior por 5,37% (cinco inteiros e trinta e sete centésimos por cento), cujo resultado corresponderá ao total do crédito presumido acumulado desde o início do ano até o mês da apuração; Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 13677.000053/200371 Acórdão n.º 9303006.682 CSRFT3 Fl. 1.072 6 V diminuir, do valor apurado de conformidade com o inciso anterior, o resultado da soma dos seguintes valores de créditos presumidos, relativos ao anocalendário: a) utilizados para compensação com o IPI devido; b) ressarcidos; c) com pedidos de ressarcimento já entregues à Receita Federal. § 2º O crédito presumido, relativo ao mês, será o valor resultante da operação a que se refere o inciso V do parágrafo anterior. (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. (...) Portanto resta evidente que ao adotar a expressão mercadorias nacionais, a norma abarcou tanto a exportação de produtos industrializados quanto os não industrializados. Da mesma forma, há que se deixar claro que o conceito adotado pela Portaria MF nº 38/97, no inc. I do § 15, é exatamente o previsto no Regulamento do Imposto de Renda, art. 279 do Decreto nº 3.000/99: Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Neste conceito estão compreendidas todas as receitas auferidas pelo contribuinte, inclusive as decorrentes da exportação de produtos considerados não industrializados ou NT, que devem portanto compor a Receita Operacional Bruta para fins de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 13677.000053/200371 Acórdão n.º 9303006.682 CSRFT3 Fl. 1.073 7 Concluise então que as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo próprio contribuinte compõem tanto o numerador (RE) quanto o denominador (ROB). Como foi exatamente este o entendimento consubstanciado no acórdão recorrido, nego provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional". Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1073DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.721565/2010-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA
Legítimas as exigências em procedimento fiscal conduzido nos termos da legislação tributária federal, mormente as informações e documentos necessários à conclusão dos trabalhos.
O Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário.
ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO
A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário
O princípio da vedação ao confisco é dirigido ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. A multa legalmente prevista não pode ser afastada pela administração tributária por inconstitucionalidade.
Aplicação da Súmula Carf nº 2
Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2006
MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE EMPRESAS. INCIDÊNCIA DO IOF.
As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas sujeitam-se à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras.
In casu, corroboram a natureza de contrato de mútuo de recursos financeiros a escrituração do Livro Razão e a formalização dos Contratos de Abertura de Crédito em Conta Corrente que refletem o montante de recursos postos a disposição dos mutuários e a estipulação de prazo para liquidação.
Numero da decisão: 3201-003.722
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Legítimas as exigências em procedimento fiscal conduzido nos termos da legislação tributária federal, mormente as informações e documentos necessários à conclusão dos trabalhos. O Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário O princípio da vedação ao confisco é dirigido ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. A multa legalmente prevista não pode ser afastada pela administração tributária por inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula Carf nº 2 Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2006 MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE EMPRESAS. INCIDÊNCIA DO IOF. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas sujeitam-se à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. In casu, corroboram a natureza de contrato de mútuo de recursos financeiros a escrituração do Livro Razão e a formalização dos Contratos de Abertura de Crédito em Conta Corrente que refletem o montante de recursos postos a disposição dos mutuários e a estipulação de prazo para liquidação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA Legítimas as exigências em procedimento fiscal conduzido nos termos da legislação tributária federal, mormente as informações e documentos necessários à conclusão dos trabalhos. O Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário O princípio da vedação ao confisco é dirigido ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. A multa legalmente prevista não pode ser afastada pela administração tributária por inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula Carf nº 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2006 MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE EMPRESAS. INCIDÊNCIA DO IOF. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 15 65 /2 01 0- 70 Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10530.721565/201070 Acórdão n.º 3201003.722 S3C2T1 Fl. 341 2 normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. In casu, corroboram a natureza de contrato de mútuo de recursos financeiros a escrituração do Livro Razão e a formalização dos Contratos de Abertura de Crédito em Conta Corrente que refletem o montante de recursos postos a disposição dos mutuários e a estipulação de prazo para liquidação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Tratase de processo de lançamento de oficio para exigência de crédito tributário relativo ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro no valor de R$ 220.937,53 (fl. 359), acrescido de multa de ofício proporcional, passível de redução, no valor de R$ 165.703,10 e de juros de mora, calculados até 31/03/2010, que perfaziam R$ 87.178,43. Da Descrição dos Fatos se extrai o que segue: “Ainda em atendimento a intimação fiscal, foram apresentados Contratos de Abertura de Crédito em Conta Corrente firmados entre a fiscalizada e as mencionadas mutuárias onde aquela abre em favor de cada uma destas um crédito rotativo de até 10.000.000,00, disponibilizados para retirada ou utilização à medida de suas conveniências, com liquidação em até 24 meses. Nos termos do Decreto nº 4.494, de 03 de dezembro de 2002, o IOF incide sobre operações de crédito realizadas entre pessoas jurídicas, tendo como fato gerador a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado, entendido ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito na data da efetiva Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10530.721565/201070 Acórdão n.º 3201003.722 S3C2T1 Fl. 342 3 entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado. A expressão "operações de crédito" compreende, inclusive, as operações de mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, sendo responsabilidade da pessoa jurídica que conceder o crédito a cobrança do IOF no primeiro dia útil do mês subseqüente ao de apuração e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional até o terceiro dia útil da semana subseqüente à cobrança. Desta forma, efetuase o lançamento de ofício conforme anexa planilha Demonstrativo de Cálculo do IOF Devido Mútuos 2006 e anexas planilhas Demonstrativo de Cálculo dos Saldos Diários Mútuo/ IOF 2006, partes integrantes e indissociáveis do presente auto de infração, cujos dados foram extraídos da supracitadas contas contábeis.” Intimada, a contribuinte apresentou a impugnação juntada às fls. 281/292, onde, preliminarmente, vem pugnando pela nulidade do lançamento sob o argumento que a autoridade fiscal teria deixado de observar a natureza jurídica das operações que não se qualificariam como financeiras, ensejadoras da incidência do IOF. Alega que por esse motivo não teria havido uma descrição precisa dos fatos, prejudicando seu direito de defesa. No mérito, após discorrer longamente sobre o que entende por operações financeiras a serem tributadas pelo IOF, vem trazendo a alegação de que o art. 13 da Lei nº 9.779/99 é formalmente inconstitucional por afrontar diretamente o art. 146 da Constituição. A seguir passa a atacar a multa aplicada, alegando ser confiscatório o percentual de 75%. Vem requerer a aplicação do princípio da equidade para que seja reduzida a multa para o patamar de 30%. Ao final veio requerendo a declaração da nulidade do lançamento ou, alternativamente, a sua improcedência total. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 0946.533, sessão de 18/09/2013, julgou improcedente a impugnação do contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. VALIDADE DA LEI. COMPETÊNCIA. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10530.721565/201070 Acórdão n.º 3201003.722 S3C2T1 Fl. 343 4 Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a validade de Lei, tarefa privativa do Poder Judiciário. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como do não confisco ou da equidade, dentre outros, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário reproduzindo os mesmos argumentos de sua impugnação para combater a autuação acrescentando, em relação à decisão recorrida, o que se segue: 1. Na preliminar de nulidade, a DRJ não rechaçou os argumentos de cerceamento do direito de defesa pois assentouse na a tese de que a preliminar se confundia com o mérito; 2. No enfrentamento dos argumentos suscitados de improcedência da autuação por inocorrência do fato gerador do IOF, a DRJ trilhou seus fundamentos na impossibilidade de se manifestar quanto à validade da lei e deixou de analisar a existência dos fatos apontados como infração à legislação; 3. Em síntese, afirma que não houve a operação financeira apontada pelo órgão julgador como prova da materialidade da infração. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O litígio versa acerca da incidência do IOF sobre operações de empréstimos entre a recorrente e pessoas jurídicas, as quais a fiscalização entendeu caracterizarse operação de mútuo, sujeita à incidência do IOF, nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779/1999, regulamentada no Decreto nº 4.494/2002 (RIOF/02). Impende colacionar os dispositivos legais que tratam do IOF pertinentes à solução da lide: Lei nº 9.779/1999: Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10530.721565/201070 Acórdão n.º 3201003.722 S3C2T1 Fl. 344 5 Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1o Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2o Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. Decreto nº 4.494/2002: Art. 2º O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 13). Art. 3º O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei nº 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). § 4º A expressão "operações de crédito" compreende as operações de: III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei nº 9.779, de 1999, art. 13). Art. 5º São responsáveis pela cobrança do IOF e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional: III a pessoa jurídica que conceder o crédito, nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros (Lei nº 9.779, de 1999, art. 13, § 2º). Os fundamentos para reforma da decisão de primeira instância bem como para o cancelamento da autuação escoramse na nulidade do auto de infração em razão do cerceamento do direito de defesa; violação legal (CTN) e constitucional do art. 13 da Lei nº 9.779/1999, que estabeleceu tributação do IOF nos contratos de mútuo financeiro; na inocorrência do fato gerador do IOF; e no caráter confiscatório da multa de ofício. O deslinde do litígio cumpre, então, enfrentar as matérias suscitadas. Preliminar de nulidade do auto de infração A recorrente suscita a nulidade do auto de infração ao argumento de que não foram preenchidos alguns dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, aplicandose então o art. 59 deste diploma. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10530.721565/201070 Acórdão n.º 3201003.722 S3C2T1 Fl. 345 6 A alegação é de que o autuante deixou de observar a natureza jurídica das operações de mútuo, que entende não se qualificarem como financeiras e ensejadoras do recolhimento do IOF. Suscitou ainda em seu recurso voluntário que a DRJ não rechaçou os argumentos de cerceamento do direito de defesa pois assentouse na a tese de que a preliminar se confundia com o mérito. Constatase in casu que o auto de infração contém seus elementos obrigatórios (incisos do art. 10 do PAF); além disso, não se verifica qualquer das hipóteses de nulidade elencadas no art. 59 do PAF, relativas à cerceamento do direito de defesa. Na descrição da infração no Auto (fl. 5), a fiscalização anotou que o Livro Razão e os Contratos de Abertura de Crédito em Conta Corrente apontam para a caracterização do mútuo financeiro celebrando entre a contribuinte e pessoas jurídicas, com plena subsunção dos fatos às normas do Decreto nº 4.494/2002, que regulamentou o art. 13 da Lei nº 9.779/1999, ambos relacionados no quadro de "descrição dos fatos e enquadramento legal". As peças de defesa impugnação e recurso voluntário foram elaboradas com aprofundamento nas questões de fato e de direito, próprias de quem tem conhecimento exato das acusações que lhes são imputadas. Não há se falar em impossibilidade de se compreender a infração imputada. Assim, hígido o auto de infração quanto aos fundamentos e enquadramento legal da exação e infrações impostas ao autuado, bem como escorreita a decisão recorrida. Na matéria, não assiste razão à recorrente. Inconstitucional e Ilegalidade do art. 13 da Lei nº 9.779/99 que estabeleceu tributação do IOF Insiste a recorrente em sede de recurso voluntário que a tributação de suas operações de mútuo com fundamento no art. 13 da Lei nº 9.779/99 ofende ao art. 63 do CTN e formalmente inconstitucional por afronta ao art. 146 da CF/88. O IOF foi instituído pela Lei nº 5.143/1966, tendo atualmente fundamento no art. 153, V da CF/88, que lhe trouxe aperfeiçoamentos e alterações por intermédio de diplomas legais, dentre os quais a Lei nº 9.779/1999 e o Decreto nº 4.494/2002, que regulamenta o Imposto, aplicáveis à época dos fatos De se apontar ainda que não se vislumbra qualquer incompatibilidade da tributação do IOF prevista no art. 13 da Lei nº 9.779/1999 e nos Decretos regulamentares com os preceito do CTN que tratam a matéria, entendimento que se coaduna com a decisão do STJ, em sede de Embargos de Declaração no Resp 1.239.101/RJ: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IOF. TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO CORRESPONDENTES A MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 13, DA LEI N. 9.779/99. AUSÊNCIA DE OMISSÃO OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Os Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10530.721565/201070 Acórdão n.º 3201003.722 S3C2T1 Fl. 346 7 argumentos levantados pela embargante foram devidamente rechaçados quando esta Corte fez a melhor opção interpretativa pela incidência do IOF sobre as operações que disponibilizam créditos entre empresas de um mesmo grupo econômico. A interpretação prestigia a letra do art. 13, da Lei n. 9.779/99 (caracteriza como fato gerador do IOF a ocorrência de "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ") e a letra do art. 63, I, do CTN (caracteriza como operação de crédito a "sua colocação à disposição do interessado "). Inclusive com transcrição de jurisprudência. 2. Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, merecem ser rejeitados os embargos declaratórios interpostos que têm o propósito infringente. 3. Embargos de declaração rejeitados. Quanto à vedação ao confisco,tratase de princípio constitucional que se dirige ao legislador e ao controle jurisdicional da constitucionalidade. A multa prevista em legislação não pode ser afastadas pelo Carf pois decorre de expressa disposição de Lei, conforme o art. 26A. “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” A tributação realizada no presente processo atendeu aos regramentos vigentes, não podendo o autuante, tampouco os julgadores administrativos, afastar qualquer comando normativo, eis que disposto em Leis e Decretos plenamente vigentes no ordenamento jurídico. Ademais, qualquer pronunciamento quanto a inconstitucionalidade de lei é vedado aos membros deste Conselho, conforme enunciado da Súmula CARF nº 2, segundo o qual o “CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Operações de mútuos entre a recorrente e pessoas jurídicas ocorrência do fato gerador do IOF Afirma a recorrente que as operações de empréstimos suportados por Contratos de Abertura de Crédito em Conta Corrente e escrituradas no Livro Razão não possuem a natureza de operação de crédito ensejadora da tributação do IOF. Ou seja, em síntese, argui que não ocorreu o fato gerador do IOF descrito no caput do art. 13 da Lei nº 9.779/99, pois as operações realizadas não se qualificam como financeiras. Defende sua tese segundo o argumento de que não houve o intuito de realizar uma operação financeira, conforme colaciona o excerto do recurso (fls. 330/332) Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10530.721565/201070 Acórdão n.º 3201003.722 S3C2T1 Fl. 347 8 Não assiste razão à recorrente. Suficiente para negarlhe provimento na matéria o disposto no caput do art. 13 da Lei nº 9.779/99, que impende reprisálo: Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Como se depreende, o legislador acolheu como fato gerador do IOF as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros aplicandolhes as mesmas normas das operações de financiamento e empréstimos praticados pelas instituições financeiras. De fato, não se confunde o mútuo de recursos financeiros celebrados entre pessoas jurídicas e as operações de financiamento e empréstimos próprios das instituições financeiras; contudo, o legislador, por intermédio de lei válida e vigente, equiparou os efeitos da tributação ambos são fatos geradores do IOF e sujeitos às regras de tributação. O contrato de mútuo financeiro encontra sua definição no art. 586 do Código Civil1, sendo um negócio jurídico bilateral no qual o mutuário é obrigado a devolver ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. O mútuo caracterizase, portanto, como sendo o empréstimo de coisas fungíveis. Além disso, tem como função econômica permitir que o mutuário utilize temporariamente da coisa fungível com 1 Código Civil de 2002. Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10530.721565/201070 Acórdão n.º 3201003.722 S3C2T1 Fl. 348 9 obrigação de a restituir. Há, no contrato de mútuo, uma predeterminação das posições de credor e devedor, e do valor a restituir. Como já relatado, corroboram a natureza de mútuo de recursos financeiros a escrituração do Livro Razão e os Contratos de Abertura de Crédito em Conta Corrente, que refletem o montante de recursos postos a disposição dos mutuários. Tais Contratos refletem os montantes de recursos postos a disposição dos mutuários com estipulação de prazo para liquidação (24 meses), portanto, é uma clara operação de financiamento em que a recorrentemutuante disponibiliza às empresasmutuárias numerários para sua livre utilização. A verificação pura e simples da operação demonstra que se tratam de empréstimos realizados, com a configuração legal de um contrato de mútuo que tem como consequência atrair a incidência do IOF sobre a operação. Correta, pois, a atuação e a decisão recorrida em manter a cobrança do IOF nos termos exigidos pela autoridade fiscal. Conclusão Por todo o exposto, na preliminar rejeito a nulidade do auto de infração e, no mérito, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 348DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.721534/2011-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2009, 2010, 2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO ESGOTADO. INTEMPESTIVIDADE.
O recurso voluntário deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O recurso voluntário interposto fora do prazo legal não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 2402-006.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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GANHOS DE CAPITAL Recorrente MARIA SUSANA VOGEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2009, 2010, 2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO ESGOTADO. INTEMPESTIVIDADE. O recurso voluntário deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O recurso voluntário interposto fora do prazo legal não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 15 34 /2 01 1- 04 Fl. 486DF CARF MF 2 Relatório Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração, anoscalendário 2006, 2007, 2009, 2010 e 2011, para a exigência de IRPF decorrente de omissão de rendimentos decorrentes de ganhos de capital obtidos com a alienação dos seguintes bens imóveis; (a) imóvel situado na Rua Pedro Adams Filho, 6092, apartamento 302, em Novo Hamburgo/RS; (b) imóvel situado na Rua Mônaco, 142, casa nº 03, em Novo Hamburgo/RS; (c) imóveis situados na Rua Dr. Maurício Cardoso, 833, em Novo Hamburgo/RS (d) imóvel situado na Rua Marcelo Gama, 1147, em Porto Alegre/RS; e (e) imóvel situado na Rua 24 de Maio, 845, em Novo Hamburgo/RS. A contribuinte apresentou impugnação tempestiva, na qual contestou todas as apurações dos ganhos de capital, acrescentando, ainda, teses sucessivas a respeito do caráter confiscatório da multa de ofício e da inaplicabilidade da taxa Selic. Em 29/06/2011, a contribuinte apresentou petição (v. fls. 396 e seguintes), na qual afirmou que todo o valor obtido com a alienação do imóvel descrito no item "a" teria sido investido na compra de outros apartamentos residenciais; e que a autoridade fiscal não teria considerado a comissão paga aos corretores, nos valores de R$ 6.000,00 e R$ 10.311,11, pela venda dos imóveis descritos no item "c". Em 23/04/2011, a Delegacia de origem propôs a retificação do lançamento, tendo em vista que se verificou que a contribuinte teria declarado total ou parcialmente os ganhos de capital obtidos com a alienação dos imóveis descritos nos itens "a" e "e". A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: GANHO DE CAPITAL. BASE DE CÁLCULO. Retificase o valor apurado pelo Fisco, quando, na fase impugnatória, restar demonstrado por meio de documentação hábil e idônea, erro na sua mensuração. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Uma vez que o Auto de Infração em apreço possui todos os requisitos de validade previstos no art. 10 do Decreto 70.235/72, tendo sido levado a efeito por autoridade competente e ainda tendo sido concedido à contribuinte amplo direito à defesa e ao contraditório, mediante a oportunidade de apresentar provas capazes de refutar os pressupostos em que se baseou o lançamento de ofício, não há que se cogitar em nulidade. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Em se tratando de lançamento de ofício, a ausência de informação ou a declaração a menor sobre ganho de capital Fl. 487DF CARF MF Processo nº 11065.721534/201104 Acórdão n.º 2402006.149 S2C4T2 Fl. 3 3 caracteriza infração à legislação tributária, por declaração inexata, passível de imposição da multa de ofício. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O montante exonerado não desafiou a interposição de recurso de ofício. Intimada da decisão em 11/02/2015 (fl. 448), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 24/03/2015 (fls. 452/475), no qual alegou basicamente o seguinte: (a) nulidade do processo administrativo pelo transcurso do tempo; (b) inexistência de ganho de capital tributável em relação ao imóvel situado na rua Mônaco; (c) excesso de exação em relação ao imóvel situado na Rua Dr. Maurício Cardoso; (d) cálculo incorreto do ganho de capital no tocante ao imóvel situado na Rua Marcelo Gama; (e) multa confiscatória; (f) inaplicabilidade da taxa Selic. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é manifestamente intempestivo, vez que a contribuinte foi intimada da decisão a quo em 11 de fevereiro de 2015, mediante aviso de recebimento devidamente assinado (fl. 448), tendo interposto seu recurso somente em 24 de março daquele ano (fls. 452/475), quando já transcorrido o prazo legal de trinta dias para fazêlo. Vejase que em 06 de fevereiro de 2015 foi lavrada a intimação nº 30/2015, atinente ao acórdão da DRJ, intimação esta postada em 10 de fevereiro e recebida em 11 de fevereiro, como demonstra o aviso de recebimento de fl. 448. Fl. 488DF CARF MF 4 A despeito disso, e mesmo tendo se declarado ciente do acórdão (v. fl. 452), a contribuinte interpôs seu recurso apenas em 24 de março, quando já havia transcorrido integralmente o prazo recursal. Segundo o art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, o recurso voluntário deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância. Por sua vez, o seu art. 42, inc. I, preleciona que são definitivas as decisões de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto. Logo, o recurso não deve ser conhecido. 2 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 489DF CARF MF
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