Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,797)
- Primeira Turma Ordinária (16,268)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,177)
- Primeira Turma Ordinária (16,126)
- Primeira Turma Ordinária (16,115)
- Segunda Turma Ordinária d (15,858)
- Segunda Turma Ordinária d (14,456)
- Primeira Turma Ordinária (13,024)
- Primeira Turma Ordinária (12,395)
- Segunda Turma Ordinária d (12,382)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,433)
- Quarta Câmara (84,928)
- Terceira Câmara (67,526)
- Segunda Câmara (55,905)
- Primeira Câmara (20,315)
- 3ª SEÇÃO (16,177)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,442)
- Segunda Seção de Julgamen (114,527)
- Primeira Seção de Julgame (76,632)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,890)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- HELCIO LAFETA REIS (3,758)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,730)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,922)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,550)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,244)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19515.002160/2010-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1996 a 30/12/1998
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1996 a 30/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.002160/2010-00
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5862458
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat May 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.170
nome_arquivo_s : Decisao_19515002160201000.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515002160201000_5862458.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7285747
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050312473837568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002160/201000 Recurso nº 1 De Ofício Acórdão nº 2201004.170 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONTAXMOBITEL S.A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1996 a 30/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 60 /2 01 0- 00 Fl. 131DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 132DF CARF MF Processo nº 19515.002160/201000 Acórdão n.º 2201004.170 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 133DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 19515.002160/201000 Acórdão n.º 2201004.170 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 135DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002212/2010-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1996 a 31/05/1997
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1996 a 31/05/1997 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.002212/2010-30
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5861858
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.222
nome_arquivo_s : Decisao_19515002212201030.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515002212201030_5861858.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7281065
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050312505294848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002212/201030 Recurso nº 1 De Ofício Acórdão nº 2201004.222 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONTAXMOBITEL S.A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1996 a 31/05/1997 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 12 /2 01 0- 30 Fl. 130DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 131DF CARF MF Processo nº 19515.002212/201030 Acórdão n.º 2201004.222 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 132DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 19515.002212/201030 Acórdão n.º 2201004.222 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 134DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.721119/2011-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10530.721119/2011-46
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5872651
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-000.662
nome_arquivo_s : Decisao_10530721119201146.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10530721119201146_5872651.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7339986
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:20:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050312523120640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1063; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.721119/201146 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.662 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 10 de maio de 2018 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente MARCELINO FLORES DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .7 21 11 9/ 20 11 -4 6 Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 10530.721119/201146 Resolução nº 2401000.662 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador BA, o qual manteve a autuação constante dos DEBCAD`s n. 37.269.4330 (Segurados – R$ 77.753,62), 37.145.5464 (Terceiros – R$ 38.639,55) e 37.269.4357 (Deixar de exibir documentos à fiscalização – R$ 15.235,55). De acordo com a Fiscalização, os fatos geradores que integram o lançamento em discussão não foram declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O Relatório Fiscal aponta que os valores foram pagos “por fora” através de recibos de pagamentos a segurados que na maioria das vezes constou no documento declaratório com valores de remuneração inferiores aos realmente pagos ou creditados, conforme relatório fiscal de fls. 27/34. Inconformado com o lançamento efetuado, o Recorrente contestou a autuação fiscal, nos termos da impugnação de fls. 834/837, alegando, em síntese, que efetuou os devidos recolhimentos previdenciários antes do Termo de Início do Procedimento Fiscal. Assim, requereu a improcedência do auto de infração. Ao analisar a impugnação apresentada, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Salvador – BA prolatou acórdão (Fls. 1126/1136), julgando improcedente a defesa apresentada, mantendo a autuação em sua integralidade. Não satisfeito com a decisão, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 1146/1151), argumentando, em síntese, que o Auto de Infração não pode prosperar por falta de objeto para aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória pois restou comprovado que os débitos ora cobrados foram devidamente recolhidos nas competências 02/2006 a 09/2006, antes mesmo de iniciar o procedimento fiscal,conforme GPS já anexadas aos autos do processo administrativo, requerendo assim a nulidade do auto de infração e, alternativamente, caso não seja esse o entendimento deste Colegiado, a total improcedência do débito. Em primeira análise ao Recurso Voluntário, o julgamento foi convertido em diligência (Fls. 1156/1163), ocasião em que houve a seguinte determinação: “[...] que a Receita Federal do Brasil apure se os pagamentos realizados através das Guias constantes nas fls. 840/844, se referem às contribuições objeto da presente autuação (não declaradas em GFIP – Pagamento por fora) ou se se trata da parte declarada em GFIP anteriormente, bem como para intimar o contribuinte a intimar as GPS das demais competências de 2006. Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 10530.721119/201146 Resolução nº 2401000.662 S2C4T1 Fl. 4 3 Ao cumprir a determinação, o Serviço de Fiscalização da Receita Federal apresentou Informação Fiscal (Fls. 1169/1170), arguindo o seguinte: 2. Foram feitas análises fiscais dos documentos de arrecadação apresentados pelo contribuinte quando do exercício do direito de defesa por recurso apresentado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em face da decisão administrativa exarada pelo colegiado da Delegacia de Julgamento em Salvador em favor da Fazenda Pública da União no processo em tela, confrontadas com os dados fiscais de remuneração lançada através de recibos pagos aos segurados empregados e segregados da folha de pagamento, juntou ainda às informações declaradas em GFIP e demais sistemas internos da Receita Federal do Brasil. 3. Os dados referentes à remuneração declarada pelo contribuinte em GFIP foram auditados frente aos valores pagos até a competência de fevereiro/2011, considerados antes da ciência do procedimento de auditoria fiscal dada no dia 18.02.2011, tendo em vista a exclusão da espontaneidade fiscal do sujeito passivo, nos termos do art.138, da Lei 5.172, de 25.10.1966 – Código Tributário Nacional. 4. Com base nas verificações fiscais efetuadas e na planilha anexa a esta peça fiscal, importa destacar que nas competências de fevereiro, março, abril, maio e setembro de 2006 deverão ser apropriados os valores arrecadados em GPS apresentados pelo contribuinte e deduzidos dos valores apurados no lançamento fiscal. 5. Na competência de agosto de 2006, a remuneração de segurados empregados lançada como devida não tem valor arrecadado a ser deduzido, tendo em vista que o valor lançado está excluído da GFIP declarada, restando assim o valor integral apurado e devido. 6. No que se refere às competências de junho e julho de 2006, ainda que constando como “ GPS pagas”, conforme anexados ao processo e confirmados no sistema de arrecadação, não cabe, portanto, a dedução de tais valores, uma vez que o pagamento foi efetuado em 22.02.2011, sendo possível nessa esfera, ao sujeito passivo, lançar mão de possibilidades jurídicas legais para obtenção da restituição dos valores pagos após o início do procedimento fiscal, de acordo com os atos legais que disciplinam a matéria. 7. Por derradeiro, no que se refere às competências de outubro e dezembro de 2006, não foram constatados documentos de arrecadação referentes aos valores apurados e devidos, subsistindo assim os valores a serem pagos de acordo com o lançamento fiscal. (Grifos no original). Posteriormente, após devidamente intimado (Fls. 1177), o Recorrente cumpriu a diligência imposta no acórdão do CARF, apresentando as guias GPS, referentes ao ano de 2006, e comprovantes de pagamento (Fls. 1178/1200). É o relatório. Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 10530.721119/201146 Resolução nº 2401000.662 S2C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA Ao julgar o mérito do presente processo, a instância a quo entendeu pela manutenção do débito em sua integralidade por entender que os fatos geradores declarados em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) não foram objeto desse lançamento fiscal, uma vez que já foram confessados nas referidas guias. E que desse modo, como se trata de débito suplementar, as guias de recolhimento pagas não foram deduzidas neste procedimento fiscal, pois todas elas já foram apropriadas prioritariamente nas contribuições previdenciárias declaradas nas GFIP. Ocorre que, conforme já relatado, de acordo com a Fiscalização, o presente caso trata de débito referente ao não recolhimento de contribuições previdenciárias do ano de 2006, com relação a valores pagos e não contabilizados. O Recorrente juntou aos autos diversos recibos de pagamentos efetuados “por fora”, conforme fls. 55/829, afirmando, inclusive, que efetuou o pagamento de todas as contribuições previdenciárias antes da instauração do presente procedimento, juntando, inclusive, guias GPS, referentes ao ano de 2006, e comprovantes de pagamento. O julgamento inicial do Recurso Voluntário foi convertido em diligência, onde foi determinado que “a Receita Federal do Brasil apure se os pagamentos realizados através das Guias constantes nas fls. 840/844, se referem às contribuições objeto da presente autuação (não declaradas em GFIP – Pagamento por fora) ou se se trata da parte declarada em GFIP anteriormente, bem como para intimar o contribuinte a intimar as GPS das demais competências de 2006”. Na sequência, sobreveio informação fiscal nos seguintes termos: O SERVIÇO DE FISCALIZAÇÃO, em atenção ao teor da Resolução n.2403 000179 – 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo dos Recursos Fiscais CARF, vem expor o seguinte: 2. Foram feitas análises fiscais dos documentos de arrecadação apresentados pelo contribuinte quando do exercício do direito de defesa por recurso apresentado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em face da decisão administrativa exarada pelo colegiado da Delegacia de Julgamento em Salvador em favor da Fazenda Pública da União no processo em tela, confrontadas com os dados fiscais de remuneração lançada através de recibos pagos aos segurados empregados e segregados da folha de pagamento, junto ainda às informações declaradas em GFIP e demais sistemas internos da Receita Federal do Brasil. 3. Os dados referentes à remuneração declarada pelo contribuinte em GFIP foram auditados frente aos valores pagos até a competência de fevereiro/2011, considerados antes da ciência do procedimento de auditoria fiscal dada no dia 18.02.2011, tendo em vista a exclusão da espontaneidade fiscal do sujeito Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 10530.721119/201146 Resolução nº 2401000.662 S2C4T1 Fl. 6 5 passivo, nos termos do art.138, da Lei 5.172, de 25.10.1966 – Código Tributário Nacional. 4. Com base nas verificações fiscais efetuadas e na planilha anexa a esta peça fiscal, importa destacar que nas competências de fevereiro, março, abril, maio e setembro de 2006 deverão ser apropriados os valores arrecadados em GPS apresentados pelo contribuinte e deduzidos dos valores apurados no lançamento fiscal. 5. Na competência de agosto de 2006, a remuneração de segurados empregados lançada como devida não tem valor arrecadado a ser deduzido, tendo em vista que o valor lançado está excluído da GFIP declarada, restando assim o valor integral apurado e devido. 6. No que se refere às competências de junho e julho de 2006, ainda que constando GPS pagas, conforme anexados ao processo e confirmados no sistema de arrecadação, não cabe, portanto, a dedução de tais valores, uma vez que o pagamento foi efetuado em 22.02.2011, sendo possível nessa esfera, ao sujeito passivo, lançar mão de possibilidades jurídicas legais para obtenção da restituição dos valores pagos após o início do procedimento fiscal, de acordo com os atos legais que disciplinam a matéria. 7. Por derradeiro, no que se refere às competências de outubro e dezembro de 2006, não foram constatados documentos de arrecadação referentes aos valores apurados e devidos, subsistindo assim os valores a serem pagos de acordo com o lançamento fiscal. (Grifos no original). Devidamente intimado em 10/04/2017 (fl. 1.177), o Recorrente, atendendo à determinação constante na Resolução nº 2403000.179 da extinta 3ª TO da 4ª Câmara desta 2ª Seção do CARF, apresentou GPS’s com os respectivos comprovantes de pagamentos às fls. 1.178/1.200, desta vez para todas as competências do ano de 2006. Impende salientar que as referidas Guias juntadas pelo Contribuinte são diferentes das guias juntadas anteriormente, sobre as quais houve manifestação fiscal , nessa esteira dos acontecimentos, mostrase pertinente que os autos retornem em diligência para nova manifestação fiscal a fim de que se apure se os pagamentos realizados através das guias constantes às fls. 1.178/1.200, se referem às contribuições objeto da presente autuação. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA a fim de que se apure se os pagamentos realizados através das guias constantes às fls. 1.178/1.200, se referem às contribuições objeto da presente autuação, após retornem os autos a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.901113/2014-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO.
Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original.
Numero da decisão: 1402-003.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2014 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO. Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11040.901113/2014-88
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5873370
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.098
nome_arquivo_s : Decisao_11040901113201488.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 11040901113201488_5873370.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7345961
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050312580792320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1530; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.901113/201488 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1402003.098 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente PGL DISTRIBUICAO DE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2014 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO. Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 11 13 /2 01 4- 88 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11040.901113/201488 Acórdão n.º 1402003.098 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, denegando a existência do crédito declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que teria havido recolhimento a maior de IRPJ e CSLL, fato este que teria sido percebido apenas após auditoria contábil externa. Assim, procedeu a Contribuinte a inúmeras compensações, valendose de tal valor. A Recorrente também esclarece que não foi reconhecida a existência do crédito pela Unidade Local pois apenas veio a retificar sua DCTF após a prolatação r. decisório de piso, corrigindo, então, suposto erro na declaração originalmente transmitida. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória, estando ausente nos autos qualquer demonstração ou prova de erro que justificaria a retificação procedida na DCTF. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, repetindo as suas alegações da Manifestação de Inconformidade, apontando expressamente para os motivos de reforma do v. Acórdão recorrido, afirmando ter constituído prova eficaz do seu direito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11040.901113/201488 Acórdão n.º 1402003.098 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.112, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11040.901104/2014 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.112): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Ausentes alegações preliminares, passase ao mérito da demanda. Como relatado, a Recorrente alega ter recolhido valores de IRPJ e CSLL maiores do que aquilo efetivamente devido no período. Uma vez constatado tal excesso no adimplemento fiscal, prontamente procedeu a compensações via DCOMP. Contudo, apenas veio a retificar a DCTF correspondente posteriormente à prolatação do r. Despacho Decisório, motivo pelo qual a Autoridade Fiscal não teria reconhecido a existência de tal crédito naquela oportunidade. Restou firmado no v. Acórdão da DRJ que, ainda que retificada a DCTF, validando o cálculo da monta da pretensão creditícia da Contribuinte, não houve a comprovação da existência de erro na primeira declaração ou a prova de qualquer outro motivo que justificasse tal alteração. Em Recurso Voluntário a Recorrente afirma que possui a plena prerrogativa de proceder à retificação da sua DCTF e o fez regularmente, em momento adequado, dentro do prazo concedido pelas normas que regem a matéria em tela. Alega que denegar o crédito implicaria em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ora, é certo que a Contribuinte tem a prerrogativa de retificar suas declarações, inclusive a DCTF. Todavia, os efeitos de tal correção não são automáticos e absolutos, para todos os fim tributários, quando envolvida a percepção de crédito em favor do contribuinte após tal manobra. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11040.901113/201488 Acórdão n.º 1402003.098 S1C4T2 Fl. 5 4 Nesse sentido, a Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, aplicável ao presente caso, é clara ao regular o tema em seu artigo 9º: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11040.901113/201488 Acórdão n.º 1402003.098 S1C4T2 Fl. 6 5 fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; ehttp://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutro s.action?idArquivoBinario=0 II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (destacamos) Extraise de tal dispositivo que, promovida a alteração após a prolatação de r. Despacho Decisório, deveria a Contribuinte ter trazidos prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original, demonstrando que os valores originalmente inseridos na declaração primeiramente transmitida não refletiam os fatos e eventos efetivamente apurados na mensuração das obrigações lá constituídas. Sobre isso, a Recorrente alegou que teria trazido aos autos sua DIPJ, dando o necessário respaldo probante ao seu direito. Ocorre que apenas foram juntadas Fichas isoladas da DIPJ do período. Nenhum elemento de prova material, relacionado à contabilidade ou mesmo às atividades da Contribuinte, foi acostado ao processo. Frisese que a DIPJ, ainda que integralmente considerada, regularmente preenchida e transmitida, tem caráter informativo, sendo confeccionada unilateralmente pelo contribuinte, sem a necessidade de instrução direta com documentos. Assim, mesmo que as informações inseridas na linhas das Fichas da Declaração acostada guardassem identicidade com aquilo trazido na DCTF retificadora, tal encontro de dados guarda valor probante extremamente relativo, não se revestindo de prova inequívoca. Nos casos referente a restituição e compensação, regulados pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, o ônus probatório do crédito alegado recai sobre contribuinte. Por fim, o entendimento acima professado possui pleno respaldo na jurisprudência atual desse E. CARF. Ilustrando, confirase o Acórdão nº 1301002.103, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara dessa mesma 1ª Seção, de relatoria do I. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11040.901113/201488 Acórdão n.º 1402003.098 S1C4T2 Fl. 7 6 Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, publicado em 23/08/2016: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE Não há impedimento para que a DCTF seja retificada após o despacho decisório, desde que sejam respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010, e alterações posteriores. Necessidade de análise das restrições através do exame de documentação juntada ao processo, o que foi impossível, ante a não juntada de documentos pela interessada, sendo seu dever o ônus de provas. INDÉBITO.COMPROVAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A comprovação da certeza e liquidez dos créditos deve ocorrer pelo exame de documentação hábil e apta, cujo ônus de juntar a documentação pertinente pertence a parte que requer o reconhecimento do direito creditório. Ainda, na mesma esteira decidiuse no Acórdão nº 3402 004.849, prolatado pela C. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção dessa C. Corte Administrativa, de relatoria do I. Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, publicado em 02/02/2018: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 29/07/2005 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11040.901113/201488 Acórdão n.º 1402003.098 S1C4T2 Fl. 8 7 PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o v. Acórdão recorrido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.902389/2013-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.405
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13609.902389/2013-55
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5865085
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-000.405
nome_arquivo_s : Decisao_13609902389201355.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 13609902389201355_5865085.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
id : 7295111
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:18:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050312588132352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1711; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13609.902389/201355 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.405 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 10 de abril de 2018 Assunto IRPJ Recorrente EXPRESSO UNIR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a recorrente requer a compensação de débito com crédito referente a pagamento indevido ou a maior, de IRPJ, relativo ao período de apuração de 28/02/2011. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando sua decisão na alocação integral do pagamento a outros débitos, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: (i) houve pagamento a maior de IRPJ; (ii) procedeu à retificação da DCTF alterando o valor do débito declarado para o valor efetivamente devido e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 09 .9 02 38 9/ 20 13 -5 5 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13609.902389/201355 Resolução nº 1201000.405 S1C2T1 Fl. 3 2 informado na DIPJ; (iii) as cópias da documentação anexadas comprovam o direito ao crédito do saldo não aproveitado e legitimam a compensação do débito. O processo foi encaminhado para o julgamento em primeira instância e, por unanimidade de votos, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente. A DRJ/SPO não acatou os argumentos da recorrente, em síntese, sob o fundamento de que não foram trazidos aos autos documentos comprobatórios da existência de pagamento indevido ou a maior que o devido e, a retificação da DCTF não dispensa a apresentação dessas provas. Cientificada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) houve recolhimento a maior de IRPJ referente ao mês de 28/02/2011; (ii) diante das provas trazidas aos autos (LALUR, balancete e balanço patrimonial referentes ao período e DIPJ) não há duvidas acerca da certeza e liquidez do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.399, de 10.04.2018, proferida no julgamento do Processo nº 13609.902382/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ, do período de apuração de 31/08/2010, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ do período de apuração de 28/02/2011. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.399), adequandoa ao caso concreto: "5. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 6. Em primeiro lugar, há de se ressaltar a plausibilidade jurídica do pleito da Recorrente, haja vista o tema ser alvo de súmula no âmbito desta Corte Administrativa, a saber: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação A questão controvertida é se há ou não prova de alegado pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ em agosto de 2010. 7. De acordo com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, em caso de recolhimento a maior de estimativa mensal de IRPJ na situação em que Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13609.902389/201355 Resolução nº 1201000.405 S1C2T1 Fl. 4 3 trata de débito declarado em DCTF não retificada ou retificada após a ciência do Despacho Decisório, cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo. 8. É certo que, o descumprimento da obrigação de retificar a DCTF ou a retificação em momento posterior ao Despacho Decisório não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela autoridade fiscal através da DIPJ e elementos da escrituração fiscal e contábil que corroborem o valor declarado/confessado. 9. E, por mais que a DIPJ não constitua confissão de dívida, nem represente instrumento hábil para a exigência do crédito tributário nela informado (Súmula CARF nº 82), deve ser considerada instrumento probatório legítimo, juntamente com outros elementos, para fins de demonstrar a ocorrência de suposto erro no preenchimento de outras obrigações acessórias, como é o caso da DCTF. 10. Reforçando essas diretrizes, transcrevo as seguintes ementas: "COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não se há de reconhecer direito creditório decorrente de alegado pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ na situação em que se trata de débito declarado e confessado em DCTF e em DIPJ, não retificadas, e a interessada não comprova cabalmente a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo." (Processo nº 16327.901219/200921, Acórdão nº 1301 002.241, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 23.03.2017, Relator: Waldir Veiga Rocha) "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto) "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. INTIMAÇÃO. OCORRÊNCIA. O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O nãoatendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a nãohomologação da compensação declarada. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do DARF pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, embora intimada a fazer, não há como transmudar a vontade expressa na Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13609.902389/201355 Resolução nº 1201000.405 S1C2T1 Fl. 5 4 Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência.” (Processo nº 10860.903213/200965, Acórdão nº 1301002.410, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 15.05.2017, Relator: José Eduardo Dornelas Souza) 11. Tendo essas premissas em mente, passamos à análise do caso concreto. 12. A Recorrente apresentou três DCTF relativas a agosto de 2010: (i) a original, em 21/10/2010, (ii) a primeira retificadora, em 13/09/2011, e (iii) a segunda retificadora, em 06/09/2013 (ou seja, após a ciência do Despacho Decisório). Nas duas primeiras, foi informado débito de R$ 107.366,77. Na última, débito de R$ 65.525,58. 13. Foi confirmado o recolhimento de R$107.366,77, referente ao código 5993, período de apuração agosto de 2010, efetuado em 30/09/2010. 14. A Recorrente, em sua DIPJ/2011 (AC 2010), entregue em 30/06/2011, efetuou balancete de suspensão/redução em todos os meses do AC 2010, tendo informado débito de R$ 65.525,58 de IRPJ apurado por estimativa, em relação ao mês de agosto (fls. 22). 15. A partir da análise da Parte A do LALUR (fls. 105/113), no período de agosto de 2010, o lucro real foi exatamente de R$ 977.952,24, ou seja, a mesma base de cálculo informada na DIPJ/2011 (fls. 22). 16. A priori, a documentação fiscal e contábil trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR1 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 17. Contudo, há que se proceder à verificação quanto à liquidez e certeza do crédito, no que se refere aos demais períodos não incluídos nos presentes autos, considerandose, mutatis mutandis, o contido nas conclusões do Parecer Normativo Cosit nº 2/2015: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; 1 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13609.902389/201355 Resolução nº 1201000.405 S1C2T1 Fl. 6 5 c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; 18. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; (ii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de estimativa de IRPJ do anocalendário em questão, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada; (iii) se refaçam as apurações das estimativas mensais dos anos calendário em pauta, para verificar se as estimativas quitadas foram ou não computadas nas apurações dos meses subsequentes e na apuração anual; 19. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 20. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900376/2009-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1996 a 31/07/1996
VÍCIO NA REPRESENTAÇÃO. FALTA DO INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO. INTIMAÇÃO NÃO ATENDIDA. INCAPACIDADE PROCESSUAL. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO CPC.
Constatando-se que o processo não está devidamente instruído com o instrumento de procuração, deve a autoridade intimar o contribuinte a sanar o vício em seu recurso. Não atendida a intimação, resta configurada a incapacidade processual e, portanto, aplica-se o art. 76, § 2º, II, do CPC.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3002-000.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1996 a 31/07/1996 VÍCIO NA REPRESENTAÇÃO. FALTA DO INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO. INTIMAÇÃO NÃO ATENDIDA. INCAPACIDADE PROCESSUAL. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO CPC. Constatando-se que o processo não está devidamente instruído com o instrumento de procuração, deve a autoridade intimar o contribuinte a sanar o vício em seu recurso. Não atendida a intimação, resta configurada a incapacidade processual e, portanto, aplica-se o art. 76, § 2º, II, do CPC. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10865.900376/2009-46
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5868136
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.150
nome_arquivo_s : Decisao_10865900376200946.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
nome_arquivo_pdf_s : 10865900376200946_5868136.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
dt_sessao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7315398
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050312593375232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1284; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 58 1 57 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.900376/200946 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.150 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 15 de maio de 2018 Matéria PEDIDO DE RESSARCIMENTO PIS Recorrente COSTA & LIMA AGUAI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1996 a 31/07/1996 VÍCIO NA REPRESENTAÇÃO. FALTA DO INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO. INTIMAÇÃO NÃO ATENDIDA. INCAPACIDADE PROCESSUAL. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO CPC. Constatandose que o processo não está devidamente instruído com o instrumento de procuração, deve a autoridade intimar o contribuinte a sanar o vício em seu recurso. Não atendida a intimação, resta configurada a incapacidade processual e, portanto, aplicase o art. 76, § 2º, II, do CPC. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 76 /2 00 9- 46 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10865.900376/200946 Acórdão n.º 3002000.150 S3C0T2 Fl. 59 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata do PER/DCOMP retificador 16047.61311.160207.1.7.041375 (fl. 02/06), transmitido em 16/02/2007, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. O PER/DCOMP original foi transmitido em 11/01/2005. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 07), pelos seguintes motivos: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal." Ou seja, baseado nas informações sobre o documento de arrecadação, prestadas pela própria contribuinte em seu pedido de compensação, não foi possível confirmar a existência de tal pagamento, levando ao indeferimento do pleito. Após ser intimada da decisão em 03/03/2009, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 12/17), na qual informou que o Darf não foi localizado, porque o programa gerador da Dcomp não possibilitava informar a real data de arrecadação. Esclareceu, ainda, que a data de arrecadação é a data de vencimento informada e que estava juntando aos autos a cópia do Darf informado na Dcomp para análise. Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contado da data do pagamento indevido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não tendo sido localizado o Darf com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratificase o despacho decisório que não homologou a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10865.900376/200946 Acórdão n.º 3002000.150 S3C0T2 Fl. 60 3 Direito Creditório Não Reconhecido Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (29/48), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados e acrescentando novos argumentos, assim como jurisprudência e doutrina. Em 25/10/13, a contribuinte é intimada (fl. 55), pela Agência da Receita Federal em São João da Boa Vista (ARFJBV), a apresentar os documentos listados em 8 dias: "Original e cópia simples ou cópia autenticada da Carteira de Identidade expedida pela Secretaria de Segurança Pública ou documento equivalente, que permita reconhecer por cotejo a assinatura constante no objeto de defesa, ou seja, Recurso Voluntário, protocolado em 14/10/2013, sob nº Prot. Aux. 1458/13/ARFJBV; • Original e cópia simples ou cópia autenticada do instrumento procuratório, com firma reconhecida, a fim de demonstrar a legitimidade do subscritor do Recurso Voluntário, para atuar em nome da empresa (se for o caso), além dos poderes que lhe foram outorgados, nos termos da lei". Após certificar que não houve o cumprimento da intimação para a comprovação da representatividade do signatário do Recurso Voluntário, a unidade de origem encaminha os autos ao CARF. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo, contudo, não preenche todos os requisitos formais de admissibilidade. Por oportuno, transcrevese caput e § 2º do art. 56, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10865.900376/200946 Acórdão n.º 3002000.150 S3C0T2 Fl. 61 4 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10865.900376/200946 Acórdão n.º 3002000.150 S3C0T2 Fl. 62 5 § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifo nosso) Conforme assentado na doutrina e na jurisprudência, o próprio sujeito passivo pode subscrever impugnações e recursos em processos administrativos, ao contrário do que ocorre, em regra, no judicial, entretanto, resolvendo o fazer através de procurador, deverá ser anexado instrumento de procuração ao processo. Além disso, a representação processual no processo administrativo fiscal demanda procuração com poderes específicos, não sendo passível de aceitação aquela emitida com poderes para o foro em geral. A falta de apresentação do instrumento de procuração impede o conhecimento do recurso, pois não havendo a comprovação da regular representação, o signatário do recurso não possuirá, então, capacidade processual. Porém, há entendimento majoritário nesta Corte, do qual compartilho, no sentido da aplicação subsidiária do art. 76 do Código de Processo Civil (CPC) ao processo administrativo, que assim dispõe: Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para que seja sanado o vício. § 1o Descumprida a determinação, caso o processo esteja na instância originária: I o processo será extinto, se a providência couber ao autor; II o réu será considerado revel, se a providência lhe couber; III o terceiro será considerado revel ou excluído do processo, dependendo do polo em que se encontre. § 2o Descumprida a determinação em fase recursal perante tribunal de justiça, tribunal regional federal ou tribunal superior, o relator: I não conhecerá do recurso, se a providência couber ao recorrente; II determinará o desentranhamento das contrarrazões, se a providência couber ao recorrido. Assim, entendo que, no processo administrativo, tal comando está direcionado para qualquer das instâncias julgadoras, assim como para a unidade preparadora e, portanto, podendo ser satisfeito por qualquer uma delas. No presente caso concreto, a unidade preparadora percebeu a falta de apresentação do devido instrumento de procuração e, em decorrência, intimou a contribuinte a Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10865.900376/200946 Acórdão n.º 3002000.150 S3C0T2 Fl. 63 6 apresentálo. Dessa forma, foi privilegiado o Princípio da Ampla Defesa, pois oportunizada a possibilidade da contribuinte vir a sanar o vício cometido. Ainda assim, como já mencionado, o sujeito passivo não respondeu à intimação neste processo. Nesse ponto, esclareçase que a contribuinte apresentou vários PER/DCOMP´s, referentes a supostos pagamentos indevidos ou a maior realizados em 1996, os quais deram origem a vários processos, que se encontram para relatoria deste conselheiro. Em todos eles, a contribuinte foi intimada a apresentar a procuração, que comprovava a representatividade do signatário do Recurso voluntário. Da mesma forma, em todos eles, a contribuinte deixou de atender à intimação no prazo estipulado. Porém, no processo 10865.900380/200912 foi enviada, após o prazo, pelos correios, postagem em 07/01/2014, resposta à intimação, conforme abaixo: Embora se refira a outro processo, no intuito de novamente privilegiar o direito de defesa da recorrente, considero a resposta acima como tendo sido dada também à intimação do presente processo. Como se percebe no documento acima, a recorrente informou que estava apresentando os documentos solicitados, isto é, cópia da carteira de identidade do signatário do Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10865.900376/200946 Acórdão n.º 3002000.150 S3C0T2 Fl. 64 7 Recurso Voluntário e cópia do instrumento de procuração, que comprovava a devida representação, e informou, ainda, que tais documentos já haviam sido entregues juntamente com sua Manifestação de Inconformidade. Com efeito, as afirmações da recorrente não procedem. De início, esclareça se que não foi entregue nenhum desses documentos juntamente com a Manifestação de Inconformidade apresentada em nenhum dos processos sob análise. Ademais, embora a recorrente tenha informado que estava enviando a procuração, de fato, esta não foi encontrada no interior do envelope postado, conforme se verifica do despacho (fl. 67 do processo retrocitado) da unidade de origem: "Tendo sido apresentada resposta à Intimação 13841/JBV/3582013, com data de postagem em 07/01/2014, esclareço que, embora tenha sido elencado pelo contribuinte o envio do instrumento procuratório, o mesmo não estava dentro do conteúdo do envelope de postagem." (grifo nosso) Assim, em realidade, apenas cópias de dois documentos de identidade, dos signatários do recurso e da resposta à intimação, foram remetidas pela recorrente para serem anexados ao processo anteriormente mencionado. Importante salientar que, além de não serem encaminhados todos os documentos solicitados, a recorrente somente enviou a resposta 74 dias após a ciência da intimação. Desta forma, não há como negar que a recorrente deixou de cumprir a determinação para sanar o vício em seu recurso, embora tenha sido intimada a fazêlo, em conformidade com o art. 76 do CPC. Em decorrência, restou configurada a incapacidade processual, logo, o Recurso Voluntário apresentado não preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, aplicase o disposto no art. 76, § 2º, II, do CPC. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário e, por conseguinte, não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.904919/2011-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2007
RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL.
É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado.
RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR.
Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp.
Numero da decisão: 3301-004.471
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2007 RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10840.904919/2011-05
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5868356
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.471
nome_arquivo_s : Decisao_10840904919201105.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10840904919201105_5868356.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri - Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
dt_sessao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7316232
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050312613298176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1360; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 370 1 369 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.904919/201105 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.471 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2018 Matéria AUTO DE INFRACAOIPI Recorrente EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2007 RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 49 19 /2 01 1- 05 Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10840.904919/201105 Acórdão n.º 3301004.471 S3C3T1 Fl. 371 2 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 200/206), abaixo transcrito: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório Eletrônico de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que não homologou a compensação declarada, no valor de R$ 27.599,51, por ser inexistente o crédito utilizado nesta compensação, em decorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. O Fisco esclareceu que a ação fiscal, que deu origem ao auto de infração (processo administrativo nº 13603.724419/201174), teve por objeto a verificação de créditos e compensações referentes a diversos pedidos de ressarcimento de créditos de lPI apresentados pelo contribuinte. Relatou que a empresa em comento ingressou com Ação de Rito Ordinário com pedido de Antecipação de Tutela em face da União (Fazenda Nacional) distribuída perante a 6a vara da Justiça Federal de São Paulo em 16/10/2003, sob n° 2003.61.00.0295233, visando o não recolhimento do IPI incidente sobre os produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados por ela e acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg, alegando flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade do Decreto n° 4.542/02 e posteriores, que viessem em dissonância ao Decreto Lei n° 400/68. Obtida a tutela antecipada e sentença favorável, o Fisco decidiu proceder ao lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial, já que a empresa não fez o destaque nem escriturou o IPI devido nas saídas em comento. Os valores de IPI não destacados em cada período foram utilizados no procedimento de reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, de modo a apurar os verdadeiros saldos devedores e/ou credores que deveriam estar escriturados nos Livros de Registro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (LAIPI) no período fiscalizado.Os valores de IPI não destacados em cada período foram utilizados no procedimento de reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, de modo a apurar os verdadeiros saldos devedores e/ou credores que deveriam estar escriturados nos Livros de Registro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (LAIPI) no período fiscalizado. Em decorrência do auto de infração, verificouse alterações nos saldos da escrita fiscal, resultando no aparecimento de saldos devedores até então inexistentes ou na redução de saldos credores apurados pelo contribuinte, o que teve influência nos valores de ressarcimento pleiteados. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10840.904919/201105 Acórdão n.º 3301004.471 S3C3T1 Fl. 372 3 Regularmente cientificada da nãohomologação da compensação, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual, em síntese, fez as seguintes considerações: 1. No que tange a saída de produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg, a requerente, a partir do 3o decêndio de outubro/03, buscou autorização judicial para não incidência do IPI sobre esses produtos, face a flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação que o instituiu, qual seja, Decreto n° 4.542/02. Em razão disso, a requerente acumulou saldo credor de IPI, o que lhe permite, a cada trimestre calendário, utilizálo em compensações com débitos de outros tributos federais administrados pela Receita Federal do Brasil. Portanto é legítima a compensação, nos termos autorizados pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com redação conferida pela Lei n° 10.637/02 e artigo n°. 26 e seguintes da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, vigente à época das compensações. Deveria ser, portanto, declarada homologada a compensação dos créditos de IPI que a requerente efetuou com seu débito de COFINS de junho de 2006, vez que possuía saldo credor suficiente. 2. A Delegacia da Receita Federal, em 09/12/2011, lavrou o Auto de Infração e Imposição de Multa Processo Administrativo MPF n° 0611000/00639/11, visando prevenir a decadência do crédito tributário de IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados pela requerente, acondicionados em embalagens com capacidade superiora 10Kg, sendo assim, imperioso que o julgamento da presente Manifestação de Inconformidade aguarde o julgamento da referida Impugnação Administrativa, pois, certamente a mesma será julgada totalmente procedente, com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração e o restabelecimento da Escrita Fiscal, o que ensejará a homologação da presente compensação em sua integralidade. 3. A Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 em nada poderá alterar os valor pleiteado na presente compensação, vez que, conforme bem demonstrado anteriormente, o saldo credor utilizado pela requerente foi derivado de aquisição de matérias primas, produtos industrializados e materiais de embalagem, nos termos do artigo 11 da Lei n° 9.779/99, não tendo nenhuma pertinência com a referida Ação. É certo que se ao final a Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 for julgada improcedente, a DRF terá o direito de exigir os valores de IPI não destacados nas Notas Fiscais de saída, motivo pelo qual a legislação prevê a possibilidade de se lavrar o Auto de Infração com a exigibilidade suspensa, com a finalidade de prevenir a decadência. 4. Evidente que a requerente, mediante autorização judicial a qual foi concedida em sede de antecipação de tutela, não deveria proceder ao destaque do IPI em suas Notas Fiscais de saída e por conseqüência, deveria seguir com sua Escrita Fiscal, sob pena de perder o objeto a referida Ação. Totalmente descabida a Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10840.904919/201105 Acórdão n.º 3301004.471 S3C3T1 Fl. 373 4 pretensão da DRF no sentido de que a Requerente não poderia utilizar os saldos credores apresentados ao final dos trimestres calendários, pois se assim fosse, estaria desconsiderando a decisão judicial que lhe foi concedida. 5. Da mesma forma, resta cristalino que a DRF está descumprindo determinação judicial contida na Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233, qual seja, absterse de exigir da Requerente o IPI sobre alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens acima de dez quilos. 6. Verificase que a compensação procedida pela Requerente está em consonância com a legislação pertinente sobre a matéria, haja vista ser o crédito legítimo. Por fim, solicitou seja recebida e acolhida a Manifestação de Inconformidade apresentada a fim de reformar integralmente o Despacho Decisório proferido nos autos, uma vez que amplamente comprovado que a Requerente possuía crédito de IPI passível de ser compensado e protestou pela produção de todas as demais provas admitidas em direito, inclusive, a oral. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 1448.971 8ª Turma da DRJ/RPO, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2007 RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário, no qual se alegou, em síntese: · que a Recorrente estava amparada por decisão judicial que autorizava a não incidência do IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 kg; · indevida reconstituição da escrita fiscal em razão da não incidência do IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 kg; · impossível a glosa dos créditos de IPI em razão da mencionada decisão judicial; e Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10840.904919/201105 Acórdão n.º 3301004.471 S3C3T1 Fl. 374 5 · não incidência de IPI sobre produtos enquadrados na posição 2309.10.00 da TIPI; · inaplicabilidade do art. 20 da IN RFB no 600/2005; · necessidade de julgamento simultâneo ao processo no 0611000/639/11 Posteriormente, a Recorrente junta aos autos a informação de que, após a interposição do Recurso Voluntário, a Ação Anulatória no 0029523662003.4.03.6100 transitou em julgado de forma favorável às suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Quanto ao pedido de de julgamento simultâneo do processo no 0611000/639/11 (na verdade, este é o número do Mandado de Procedimento Fiscal), cumpre anotar que os processos conexos estão sendo julgamos neste mesma sessão, a saber: 13603.724419/201174 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904913/201120 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904915/201119 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904916/201163 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904917/201116 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904918/201152 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904919/201105 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904920/201121 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904921/201176 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904922/201111 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904923/201165 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904924/201118 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904925/201154 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904926/201107 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904927/201143 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904928/201198 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904929/201132 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904930/201167 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA A Recorrente alegou que o fato de possuir tutela antecipada na Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 lhe garante o não destaque do IPI nas notas fiscais, a não escrituração destes valores no livro de apuração de IPI e o conseqüente saldo credor nele Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10840.904919/201105 Acórdão n.º 3301004.471 S3C3T1 Fl. 375 6 apurado para ressarcimento, ou seja, que tem o direito líquido e certo ao ressarcimento em discussão. Defende, nesse sentido, inaplicabilidade do art. 20 da IN RFB no 600/2005, e o seu direito de destacar o IPI em suas notas fiscais de saída, em decorrência da ação judicial. Cabe, contudo, colacionar o art. 20 da IN mencionada (que regulava a matéria na época): Art. 20. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Parágrafo único. Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que a pessoa jurídica não se encontra na situação mencionada no caput. Importante também transcrever o artigo que exige, mesmo para o caso de decisão judicial definitiva, a habilitação do crédito: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; III a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10840.904919/201105 Acórdão n.º 3301004.471 S3C3T1 Fl. 376 7 VI a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de ciência da intimação. § 4º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 3º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I não forem atendidos os requisitos constantes nos incisos I a V do § 2º; ou II as pendências a que se refere o § 3º não forem regularizadas no prazo nele previsto. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Seguimos o entendimento da decisão recorrida de não há qualquer direito ao ressarcimento deferido pela sentença judicial não definitiva. De acordo com o art. 170A do CTN, é defeso efetuar compensações de débitos mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial em trâmite, ou seja, ainda não julgado definitivamente. Ou seja, só há crédito oponível à Fazenda Pública com o desfecho em definitivo favorável ao particular da demanda judicial. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10840.904919/201105 Acórdão n.º 3301004.471 S3C3T1 Fl. 377 8 Conforme se destacou na decisão recorrida, o direito pretendido com a ação judicial somente será liquido e certo quando a sentença, se favorável ao contribuinte, transitar em julgado e operar seus efeitos. No entanto, este direito, não respaldava o ressarcimento, que era expressamente vedado pelo art. 20 da IN SRF nº 600, de 2005 (disposição idêntica encontrase vigente no art. 42 da IN RFB nº 1717, de 2017). Dessa forma, adotase o entendimento da decisão recorrida de que somente é permitido o ressarcimento do imposto após a utilização dos créditos de IPI escriturados pelo contribuinte na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados, além de ser vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Portanto, a matéria discutida na ação judicial altera o valor do saldo de IPI apurado nos trimestres em referência e, consequentemente, correto o procedimento do Fisco que refez a escrita fiscal, incluindo os débitos discutidos judicialmente, para calcular o real saldo (devedor/credor) dos trimestres analisados. Por outro lado, mesmo que se concordasse com a Recorrente, contrariamente a determinação expressa da legislação, que ela poderia utilizar créditos com fulcro em decisão judicial não transitada em julgado, ela estaria sujeita à habilitação do seu crédito, o que não efetuou. O cumprimento dessa obrigação acessória é imprescindível para que o Fisco tenha conhecimento e controle deste crédito e é condição para o exercício do direito de creditamento. Portanto, ainda que se adotasse este entendimento, defendido pela Recorrente o qual não adotamos deveria ser mantida a glosa por falta de habilitação do crédito. Dessarte, mantémse, por seus próprios fundamentos, o entendimento constante da decisão recorrida. Quanto à informação juntada pela Recorrente de que houve trânsito em julgado em seu favor na Ação Anulatória no 0029523662003.4.03.6100, não há efeito direto sobre o presente processo administrativo. Não se pode tratar aqui do mérito levado ao Judiciário, pois, conforme a Súmula nº 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10840.904919/201105 Acórdão n.º 3301004.471 S3C3T1 Fl. 378 9 Fl. 378DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.726010/2011-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
O direito à compensação, previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, está condicionado à existência de certeza e liquidez do credito utilizado pelo contribuinte na DCOMP. Não atendidos esses requisitos, não subsiste o direito creditório e incabível a homologação da compensação realizada.
Numero da decisão: 3002-000.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. O direito à compensação, previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, está condicionado à existência de certeza e liquidez do credito utilizado pelo contribuinte na DCOMP. Não atendidos esses requisitos, não subsiste o direito creditório e incabível a homologação da compensação realizada.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.726010/2011-81
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5860069
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.145
nome_arquivo_s : Decisao_10680726010201181.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIEGO WEIS JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10680726010201181_5860069.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7268635
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050312630075392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1457; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 158 1 157 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.726010/201181 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.145 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 12 de abril de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente ANGLOGOLD ASHANTI BRASIL MINERAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. O direito à compensação, previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, está condicionado à existência de certeza e liquidez do credito utilizado pelo contribuinte na DCOMP. Não atendidos esses requisitos, não subsiste o direito creditório e incabível a homologação da compensação realizada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 60 10 /2 01 1- 81 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10680.726010/201181 Acórdão n.º 3002000.145 S3C0T2 Fl. 159 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto ao Acórdão de nº 0651.388, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA, em sessão de 25 de março de 2015, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 25/04/2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ UTILIZADO. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem, o contribuinte apresentou, em 25.04.2007, a Declaração de Compensação DCOMP de nº 39667.23663.250407.1.7.091374, objetivando a compensação de saldo remanescente de créditos de COFINS de empresa incorporada, relativos ao 2º trimestre de 2005, oriundos dos processos 10680.010187.200514, respectivamente, com débito de IRPJ do meses de maio/2005 e março/2006. (fls. 15 a 18) Em 22.08.2007, em cumprimento ao MPF nº 06.1.01.002007006861, teve início ação fiscal para análise dos processos de pedido de ressarcimento/compensação de créditos de PIS e COFINS não cumulativos do período de 12/2002 a 12/2005 da empresa Anglogold Ashanti Mineração Ltda., CNPJ 42.138.891/000197, incorporada pela fiscalizada. Tal procedimento fiscal analisou os Pedidos de Ressarcimento e Declarações de Compensação dos processos de nº 10680.009340/200480, 10680.009339/200455, 10680.014124/200456, 10680.004794/200545, 10680.010186/200570, 10680.010187/2005 14, 10680.017536/200529 e 10680.017537/200573, que totalizavam solicitações de ressarcimento/compensação de créditos de contribuições não cumulativas no montante de R$5.419.401,93. Assim, os créditos relativos a todos os processos acima mencionados foram objeto de análise nos autos do processo de fiscalização, de nº 10680.004042/200746. A fiscalização identificou a existência de outros pedidos de ressarcimento de créditos de contribuições não cumulativas apuradas nos mesmos períodos de apuração envolvidos no processo em estudo. Portanto, parte do crédito das contribuições ao PIS e a COFINS a que a empresa tinha direito foi objeto de ressarcimento naqueles processos e o restante foi abordado nos autos do processo originado pela fiscalização. Os agentes fiscais concluíram pelo reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado, deferindo a existência de crédito no montante de R$3.897.178,23 e indeferindo (glosando) o montante de R$1.522.223,70, conforme resumo abaixo. CRÉDITOS PROCESSO 10680.004042/200746 TRIBUTO PA VALOR SOLICITADO VALOR DEFERIDO VALOR INDEFERIDO PIS 3ª TRIM/2003 24.377,87 18.241,12 6.136,75 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10680.726010/201181 Acórdão n.º 3002000.145 S3C0T2 Fl. 160 3 PIS 4º TRIM/2003 52.580,98 47.870,15 4.710,83 PIS 1º TRIM/2004 103.441,09 81.207,47 22.233,62 PIS 2º TRIM/2004 146.195,87 91.729,97 54.465,90 PIS 3ª TRIM/2004 82.415,12 34.840,97 47.574,15 PIS 4º TRIM/2004 70.186,12 70.186,12 PIS 1º TRIM/2005 178.070,19 160.823,32 17.246,87 PIS 2º TRIM/2005 179.831,19 140.017,77 39.813,42 PIS 3º TRIM/2005 201.788,87 149.766,54 52.022,33 COFINS 1º TRIM/2004 199.190,12 120.321,55 78.868,57 COFINS 2º TRIM/2004 673.417,58 422.544,35 250.873,23 COFINS 3ª TRIM/2004 379.678,78 160.549,42 219.129,36 COFINS 4º TRIM/2004 323.351,17 323.351,17 COFINS 1º TRIM/2005 820.263,43 740.823,28 79.440,15 COFINS 2º TRIM/2005 1.055.096,86 645.006,29 410.090,57 COFINS 3º TRIM/2005 929.516,69 689.898,74 239.617,95 TOTAIS 5.419.401,93 3.897.178,23 1.522.223,70 As linhas destacadas na tabela acima indicam os créditos reconhecidos e glosados pela fiscalização nos períodos de apuração dos créditos utilizados nas DCOMP´s em discussão nestes autos. O contribuinte declarou, tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, concordância com as glosas realizadas pela fiscalização no processo 10680.004042/200746. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte DRF/BHE, por meio do Despacho Decisório de nº 1351, datado de 04.10.2011, cientificou o contribuinte da não homologação das compensações realizadas, informando ter sido exaurido todo o crédito reconhecido pela fiscalização em outras compensações declaradas pelo sujeito passivo, anexando os demonstrativos de fls. 21 a 33. Cientificado do conteúdo do Despacho Decisório em 19.10.2011, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 18.11.2011, aduzindo, em síntese, que: a) O Despacho Decisório 1351 deve ser analisado em conjunto com o Despacho Decisório 1350; b) Apresentou, em 2004 (sic), PER/DCOMP´s com valor a restituir de R$790.792,09, proveniente de crédito de COFINS referente ao 2º trimestre de 2005; c) Verificou em seus controles que deixou de lançar, em época própria, em sua escrita, as retenções na fonte referentes às contribuições efetuadas em notas fiscais emitidas em abril/2005, no valor de R$12.403,54; maio/2005, no valor de R$13.266,92; junho/2005, no valor de R$11.926,75, totalizando, R$37.597,21; d) Em razão do equívoco, providenciou, em 25/04/2007, a retificação da PER/DCOMP original, somando ao valor do crédito inicialmente declarado o montante das retenções sofridas, perfazendo um novo montante de crédito de R$828.389,30; Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10680.726010/201181 Acórdão n.º 3002000.145 S3C0T2 Fl. 161 4 e) Situação análoga teria ocorrido com a DCOMP 42186.66838.250407.1.7.090781 (Despacho Decisório 1350), cujo montante total de crédito é de R$226.707,56; f) Em 2007 foi iniciada ação fiscal para analise dos processos de pedido de ressarcimento/compensação de créditos de PIS e COFINS não cumulativos, referentes ao período de dezembro de 2002 a dezembro de 2005; g) Finalizada a ação fiscal, foi emitido, nos autos do processo de nº 10680.004042/200746, o parecer fiscal datado de 28/05/2008, glosando parcialmente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo, com os quais a impugnante concordou; h) Os créditos vinculados às DCOMP´s 39667.23663.250407.1.7.091374 (Despacho Decisório 1351), e 42186.66838.250407.1.7.090781 (Despacho Decisório 1350) totalizavam R$1.055.096,86, tendo recaído sobre eles glosas no valor total de R$489.970,87 (sic), remanescendo créditos totais de R$792.273,70 (sic); i) O crédito foi utilizado para compensar débitos: I) de CSLL da competência de junho/2005, no valor de R$172.790,53; II) de IRPJ da competência de junho/2005, no valor de R$834.633,07, totalizando R$1.007.423,60; j) Em conseqüência das glosas realizadas e aceitas, restou saldo devedor no valor de R$215.149,90, inscrito em Dívida Ativa, com nº de inscrição 60 2 09 00251341; k) Aderiu ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 REFIS, incluindo dentre os débitos parcelados, aqueles inscritos em Dívida Ativa da União sob o nº 60 2 09 00251341, anexando documentos comprobatórios; l) Apesar da adesão ao parcelamento, a União ajuizou ação de Execução Fiscal, que recebeu o nº 007471803.2010.8.13.0188, suspensa posteriormente por requerimento da própria União, tendo em vista o parcelamento; m) Os débitos de IRPJ de maio/2005 e março/2006, resultantes das glosas efetuadas pela fiscalização e aceitas pelo contribuinte, foram incluídos em parcelamento da Lei nº11.941/2009, devendo, por tal razão, ser cancelada a cobrança realizada através do despacho decisório nº 1351 DRF/BH; Em sessão de 25 de março de 2015, a 3ª Turma da DRJ/CTA decidiu, em acórdão de nº 0651.388, pelo não acolhimento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela recorrente, sob o fundamento que: a) Os créditos declarados nas DCOMP´s em comento, relativos ao processo administrativo nº 10680.010187/200514 foram integralmente utilizados em outras compensações, não havendo saldo disponível para compensar os débitos de IRPJ dos meses de 05/2005 e 03/2006, conforme pretendido nestes autos; b) Os débitos incluídos no parcelamento da Lei 11.941/2009 (inscrição nº 60.2.09.00251341), embora sejam de IRPJ, referemse aos períodos de apuração de 12/2004 e 11/2005, conforme se comprova pelas fls. 91 dos presentes autos, enquanto que os débitos cobrados por meio do despacho decisório 1351, referemse ao IRPJ dos períodos de 05/2005 e 03/2006 e não estão incluídos em parcelamento algum. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10680.726010/201181 Acórdão n.º 3002000.145 S3C0T2 Fl. 162 5 Cientificada da decisão em 10.04.2015 e não se conformando com seu conteúdo, a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 08.05.2015, no qual ratifica as alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Muito embora os valores mencionados no relatório e no voto sejam superiores ao limite da competência especial das Turmas Extraordinárias, o saldo do crédito discutido neste processo é inferior a 60 (sessenta) salários mínimos (fl. 16). Sendo assim, passo à analise do Recurso Voluntário. A 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, entendeu que "É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado." No curso do presente processo, foram produzidas provas suficientes para analisar a existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Vejamos. O contribuinte alega que o Despacho Decisório 1351 deve ser analisado em conjunto com o Despacho Decisório 1350. Embora não mereça prosperar tal alegação, vez que é ônus do contribuinte comprovar a existência do direito creditório utilizado em cada compensação, individualmente, em homenagem ao princípio da verdade material e para fins de melhor ilustrar a utilização do crédito pleiteado, demonstraremos as compensações relativas a COFINS do 2º trimestre de 2005 levando em conta, também, o Despacho Decisório 1350. Os créditos de COFINS referentes ao 2º trimestre de 2005, declarados na DCOMP discutida neste processo, transmitida pelo contribuinte em 25.04.2007 (fls. 15 a 18), somavam R$828.389,30, enquanto que os crédito do mesmo tributo e período vinculados ao Despacho Decisório 1350 somavam R$226.707,56, conforme detalha a tabela abaixo. DCOMP PROCESSO ADMINISTRATIVO CRÉDITO DECLARADO FLS. 39667.23663.250407.1.7.091374 10680.010187/200514 R$ 828.389,30 15 a 18 42186.66838.250407.1.7.090781 10680.010187/200514 R$ 226.707,56 outros autos TOTAL R$1.055.096,86 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10680.726010/201181 Acórdão n.º 3002000.145 S3C0T2 Fl. 163 6 A ação fiscal consubstanciada no processo 10680.004042/200746, iniciada em 22.08.2017 (posterior ao envio das DCOMP´s), concluiu pela glosa de parte dos créditos declarados pelo contribuinte, nos termos do Parecer Fiscal de fls. 03 a 12 destes autos. Em relação aos créditos de COFINS do 2º trimestre de 2005, as glosas foram: CRÉDITOS PROCESSO 10680.004042/200746 TRIBUTO PA VALOR SOLICITADO VALOR INDEFERIDO VALOR DEFERIDO COFINS 2º TRIM/2005 1.055.096,86 410.090,57 645.006,29 O Contribuinte declarou, tanto na Manifestação de Inconformidade, quanto no Recurso Voluntário, concordância com as glosas realizadas pela ação fiscal. Finalizada a ação fiscal, foi emitido o PARECER FISCAL PROCESSO Nº 10680.004042/200746 datado de 28.05.2008, considerando glosas, com as quais a impugnante concordou. (fl. 43 e 108) O "Demonstrativo Analítico de Compensação" evidencia que o crédito de COFINS, no valor de R$645.006,29, relativo ao 2º trimestre de 2005, foi integralmente consumido, por compensação, com débitos de IRPJ e CSLL, não tendo o contribuinte apresentado qualquer prova em sentido contrário. CRÉDITO DÉBITO TRIBUTO PA VLR CRÉDITO TRIBUTO PA VALOR COMPENSADO FL. COMP. Nº CSLL mar/05 256.434,54 32 44 CSLL jun/05 172.790,53 32 45COFINS 2º TRIM/2005 R$ 645.006,29 IRPJ jun/04 215.781,22 32 46 TOTAL CRÉD. R$ 645.006,29 TOTAL DÉB. 645.006,29 A "Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes" (fl. 22) comprova que todos os créditos vinculados aos processos relacionados à compensação em discussão nestes autos foram consumidos, não havendo nenhum outro documento ou prova em sentido oposto. No que diz respeito à alegação de que o débito cobrado por meio do Despacho Decisório 1351 (IRPJ 05/2005 e 03/2006) encontrase incluído no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, restou comprovado, por meio da CDA constante das fls. 78 a 85, que os débitos vinculados à inscrição nº 60 2 09 002513, objeto do aludido parcelamento, são de IRPJ dos meses de 12/2004 e 11/2005. Não há nos autos qualquer documento que comprove o parcelamento do IRPJ dos meses de 05/2005 e 03/2006. O direito à compensação, estampado no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, origina se a partir da existência de crédito tributário líquido e certo, o que definitivamente não se comprovou nestes autos. Ao contrário, todas as provas trazidas ao processo, inclusive aquelas carreadas pelo próprio contribuinte, evidenciam que a totalidade do crédito homologado pela fiscalização, nos autos do processo 10680.004042/200746, cuja parcela pretendia o contribuinte utilizar nas DCOMP´s que originaram o recurso em análise, já foi consumido em outras compensações realizadas pelo sujeito passivo, não remanescendo saldo disponível para a compensação pretendida nestes autos. Diante de todo o exposto, e levando em conta as provas e alegações produzidas, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10680.726010/201181 Acórdão n.º 3002000.145 S3C0T2 Fl. 164 7 (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.720106/2015-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
RECONHECIMENTO DE VÍNCULO DE EMPREGO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
O Fisco, ao reconhecer a prestação pessoal de serviços, por meio da relação de emprego, tem o poder/dever de lançar as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados. Porém, deve, para tanto, comprovar a existência dos requisitos da relação empregatícia.
Numero da decisão: 2201-004.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão do lançamento dos valores relativos aos segurados empregados e os valores indevidos constantes do anexo de folhas 69, nos termos do voto que integra o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho e Douglas Kakazu Kushiyama, que deram provimento parcial em maior extensão, afastando também as penalidades por descumprimento de obrigação acessória e, ainda, o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, que deu provimento parcial em maior extensão, para afastar a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória relativa à falta de retenção, a qual, exclusivamente neste tema, restou improvida por voto de qualidade. O Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, por ter se declarado impedido, foi substituído pela Conselheira Suplente convocada Fernanda Melo Leal.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVERIA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição ao Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso), Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 RECONHECIMENTO DE VÍNCULO DE EMPREGO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O Fisco, ao reconhecer a prestação pessoal de serviços, por meio da relação de emprego, tem o poder/dever de lançar as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados. Porém, deve, para tanto, comprovar a existência dos requisitos da relação empregatícia.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 14041.720106/2015-46
anomes_publicacao_s : 201805
conteudo_id_s : 5859077
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.379
nome_arquivo_s : Decisao_14041720106201546.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 14041720106201546_5859077.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão do lançamento dos valores relativos aos segurados empregados e os valores indevidos constantes do anexo de folhas 69, nos termos do voto que integra o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho e Douglas Kakazu Kushiyama, que deram provimento parcial em maior extensão, afastando também as penalidades por descumprimento de obrigação acessória e, ainda, o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, que deu provimento parcial em maior extensão, para afastar a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória relativa à falta de retenção, a qual, exclusivamente neste tema, restou improvida por voto de qualidade. O Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, por ter se declarado impedido, foi substituído pela Conselheira Suplente convocada Fernanda Melo Leal. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVERIA - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição ao Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso), Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7260096
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:17:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050312695087104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2104; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2.242 1 2.241 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.720106/201546 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.379 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de abril de 2018 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente REDE D'OR SAO LUIZ S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 RECONHECIMENTO DE VÍNCULO DE EMPREGO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O Fisco, ao reconhecer a prestação pessoal de serviços, por meio da relação de emprego, tem o poder/dever de lançar as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados. Porém, deve, para tanto, comprovar a existência dos requisitos da relação empregatícia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão do lançamento dos valores relativos aos segurados empregados e os valores indevidos constantes do anexo de folhas 69, nos termos do voto que integra o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho e Douglas Kakazu Kushiyama, que deram provimento parcial em maior extensão, afastando também as penalidades por descumprimento de obrigação acessória e, ainda, o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, que deu provimento parcial em maior extensão, para afastar a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória relativa à falta de retenção, a qual, exclusivamente neste tema, restou improvida por voto de qualidade. O Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, por ter se declarado impedido, foi substituído pela Conselheira Suplente convocada Fernanda Melo Leal. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVERIA Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 72 01 06 /2 01 5- 46 Fl. 2242DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição ao Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso), Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 6ª Turma da DRJ Curitiba que manteve o lançamento tributário relativo às contribuições sociais previdenciárias devidas pela empresa, inclusive a parcela devida a Terceiros, e incidentes sobre valores pagos a: i) segurados constantes das folhas de pagamento e omitidos total ou parcialmente nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIPs) enviadas; ii) segurados declarados em Dirf – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – e omitidos nas folhas de pagamento; e iii) médicos constantes do prontuário do Hospital e que não são sócios das empresas declaradas em Dirf (não estão na Dirf, nem na folha de pagamento e nem em GFIP). Tal crédito foi constituído por meio de Auto de Infração, que contém crédito tributário no valor de R$ 4.192.464,15 (fls.2), incluindo principal, juros de mora e multa qualificada, tudo devidamente explicitado pelo Relatório Fiscal de folhas 44. A ciência pessoal do Auto de Infração, que contém o lançamento referente às contribuições devidas no período de janeiro a dezembro de 2011, ocorreu em 11 de de dezembro de 2015, conforme se verifica às folhas 1963. Em 12 de janeiro de 2016, foi apresentada a impugnação ao lançamento (fls.1985). Em 14 de junho de 2017, a 6ª Turma da DRJ Curitiba/PR, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 06.59.366 (fls. 2080), de forma unânime, julgou improcedente a defesa administrativa apresentada e tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. Fl. 2243DF CARF MF Processo nº 14041.720106/201546 Acórdão n.º 2201004.379 S2C2T1 Fl. 2.243 3 A Fiscalização tem o dever de desconsiderar os atos e negócios jurídicos, a fim de aplicar a lei sobre os fatos geradores efetivamente ocorridos, sendo que esse dever está implícito na atribuição de efetuar lançamento e decorre da própria essência da atividade de fiscalização tributária, que deve buscar a verdade material com prevalência da substância sobre a forma. RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO. ENQUADRAMENTO. O órgão competente para fiscalizar o devido recolhimento das contribuições sociais previdenciárias pode, com respaldo na legislação vigente, efetuar o enquadramento de pessoas físicas como segurados empregados quando os serviços prestados preencham os requisitos exigidos para a configuração do vínculo empregatício. PROVAS DOCUMENTAIS. MOMENTO PARA A PRODUÇÃO. O momento para produção de provas documentais é juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas na legislação pertinente. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. A intimação do contribuinte, segundo a legislação vigente, deve ser feita por via postal ou qualquer outra com prova de recebimento, e endereçada ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Tal decisão tem o seguinte relatório que, por sua clareza e precisão, reproduzo (fls. 2081): O presente processo administrativo, cadastrado no COMPROT sob o nº 14041.720106/201546, lavrado contra a empresa REDE D’OR SÃO LUIZ S/A (sucessor do Hospital Santa Luzia S/A por incorporação), em 09/12/2015, é constituído por quatro Autos de Infração, a seguir descritos: AI CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA (fls. 2 a 11): exige as contribuições previdenciárias devidas pela empresa (20%), inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT1 – 2%; FAP2 –1,2291), incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, no período de Fl. 2244DF CARF MF 4 janeiro a dezembro de 2011, totalizando R$ 4.192.464,15 (quatro milhões, cento e noventa e dois mil, quatrocentos e sessenta e quatro reais e quinze centavos), na data da lavratura do auto de infração; AI CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS (fls. 13 a 29): exige contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas a Outras Entidades e Fundos denominados Terceiros (SALÁRIO EDUCAÇÃO, SENAC, SESC, INCRA e SEBRAE), incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, referente ao período de janeiro a dezembro de 2011, totalizando o valor de R$ 1.079.980,99 (um milhão e setenta e nove mil, novecentos e oitenta reais e noventa e nove centavos), em 09/12/2015; AI CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DOS SEGURADOS (fls. 31 a 37): referente às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de janeiro a dezembro de 2011, no percentual de 8%, incidente sobre a remuneração paga e/ou creditada, totalizando R$ 1.545.335,27 (um milhão, quinhentos e quarenta e cinco mil, trezentos e trinta e cinco reais e vinte e sete centavos), em 09/12/2015; AI MULTAS PREVIDENCIÁRIAS (fls. 39 a 42): referente a multas lavradas em face do descumprimento de obrigações acessórias, por deixar a empresa de preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas e/ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, no valor de R$ 1.925,81 (um mil e novecentos e vinte e cinco reais e oitenta e um centavos), e por deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, a contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, no valor de R$ 1.925,81 (um mil e novecentos e vinte e cinco reais e oitenta e um centavos), na data da lavratura do auto de infração. 2. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 44 a 60, o Procedimento Fiscal teve início em 11/04/2015, por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF), do qual a Contribuinte foi cientificada, na pessoa de seu representante legal (fls. 1962 e 1963). Anteriormente a essa data, foi iniciada ação fiscal no Hospital Santa Luzia S/A, na qual verificouse a existência de sucessão por incorporação, o que provocou o encerramento do procedimento fiscal naquela empresa (sem resultado) e a abertura de ação fiscal na empresa sucessora – REDE D’OR SÃO LUIZ S/A (CNPJ 06.047.087/000139). Inicialmente, o novo procedimento deveria abranger todas as filiais encontradas em Brasília/DF, contudo, atendendo a pedido do setor de planejamento, a análise ficou restrita apenas aos dados relacionados à filial CNPJ 06.047.087/004126, empresa REDE D’OR SÃO LUIZ S/A, nome fantasia de HOSPITAL SANTA LUZIA. 3. O crédito tributário constituído decorre de valores referentes a contribuições previdenciárias, incidentes sobre remunerações pagas ou devidas a: i) segurados constantes das folhas de pagamento e omitidos total ou parcialmente nas Guias de Fl. 2245DF CARF MF Processo nº 14041.720106/201546 Acórdão n.º 2201004.379 S2C2T1 Fl. 2.244 5 Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIPs) enviadas; ii) segurados declarados em Dirf – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – e omitidos nas folhas de pagamento; e iii) médicos constantes do prontuário do Hospital e que não são sócios das empresas declaradas em Dirf (não estão na Dirf, nem na folha de pagamento e nem em GFIP), conforme dados demonstrados nas planilhas que compõem os Anexos que acompanham o presente auto de infração. 4. A Contribuinte descumpriu, ainda, a obrigação acessória de enviar declarações corretas e sem omissões, por meio GFIPs, o que ensejaria a lavratura de Auto de Infração capitulado como CFL 78 (envio de GFIP com erros/incorreções/omissões), o qual foi substituído pela aplicação da multa de ofício nos valores apurados, conforme Parecer PGFN/CAT nº 433/2009. A multa de ofício utilizada nessas apurações foi fixada em 75% (setenta e cinco por cento), de acordo com o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2010. 5. A Contribuinte foi regularmente cientificada em 11/12/2015, na pessoa de seu representante legal, conforme o Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento Fiscal de fls. 1962 e 1963, tendo apresentado Impugnação às fls. 1984 a 2014, em 12/01/2016, por meio de seus advogados, alegando, em síntese: a) a tempestividade da defesa apresentada em 12/01/2016; b) a nulidade do Auto de Infração em razão de ausência de motivação quanto às diferenças entre GFIP, folhas de pagamento e DIRF, no relatório fiscal e anexos. Entende que a autoridade fiscal deveria ter demonstrado “por qual razão cada diferença estaria sujeita à tributação, o que causa indiscutível prejuízo ao direito de defesa da Impugnante”, que “está impossibilitada de contraditar a autuação fiscal de forma específica”; c) o prejuízo ao direito de defesa da Impugnante, uma vez que “para exigir contribuições previdenciárias sobre alegados salários, a D. autoridade fiscal limitouse a listar médicos que foram identificados nos prontuários, mas não eram sócios de pessoas jurídicas mencionadas no processo administrativo nº 14401.720.105/201500”, sem, no entanto, analisar e demonstrar que estavam presentes os pressupostos da relação de emprego; d) a autoridade fiscal não teceu nenhum comentário sobre os critérios adotados para a aferição indireta dos supostos salários pagos aos médicos, inexistindo nos autos qualquer justificativa para a utilização de uma média salarial mensal de R$ 5.360,96 por profissional. Essa superficialidade das autuações fiscais causa indiscutível insegurança jurídica, impedindo a Impugnante de discordar dos critérios adotados ao apurar as contribuições previdenciárias no ano de 2011, o que torna necessário o cancelamento dos autos de infração; Fl. 2246DF CARF MF 6 e) a nulidade dos autos de infração, uma vez que “o art. 39 da Consolidação das Leis do Trabalho, norma hierarquicamente superior ao Regulamento da Previdência Social, reserva à Justiça do Trabalho a competência para declarar a existência do vínculo de emprego”, faltando ao AuditorFiscal, portanto, competência para reconhecimento de tal vínculo; f) a nulidade das autuações em razão de erro na indicação do sujeito passivo, uma vez que os autos de infração foram lavrados, equivocadamente, contra o estabelecimento matriz, e os fatos geradores das contribuições previdenciárias teriam sido realizados pelo estabelecimento filial (Hospital Santa Luzia), o que invalida por completo as autuações, pois deixou de ser observada a autonomia dos estabelecimentos; g) a improcedência das exigências fiscais calculadas sobre supostas divergências entre folha de pagamento e/ou DIRF e GFIPs, por não constar do relatório fiscal o motivo pelo qual deveriam ser tributadas. Também no mérito tais exigências fiscais são improcedentes, pois foram calculadas sobre rubricas que não possuem caráter remuneratório, a exemplo do aviso prévio indenizado e do terço constitucional de férias, cuja natureza indenizatória foi reconhecida pelo STJ quando do julgamento do recurso repetitivo nº 1.230.957/RS; h) a improcedência das exigências fiscais em razão da insubsistência da base de cálculo apurada por aferição indireta pela autoridade fiscal, que considerou apenas dois médicos pertencentes ao corpo clínico do Hospital Santa Luzia para apurar a média salarial com base em seis e duas remunerações mensais recebidas por tais profissionais, além de comparar profissionais com especialidades completamente diversas, motivos pelos quais merecem ser canceladas as contribuições previdenciárias calculadas sobre tais valores; i) a ausência de demonstração da presença concomitante dos pressupostos da relação de emprego, uma vez que a mera indicação dos médicos em prontuário não é suficiente para efetuar o enquadramento desses como segurados empregados. Tais profissionais são referências em suas especialidades e sequer desejam estabelecer vínculo no qual haja subordinação e controle, pois, na verdade, “a atividade médica possui características e peculiaridades próprias”. A defesa cita, como exemplo, a autonomia do médico sobre o “ato médico”, transcrevendo trechos de decisões proferidas por Tribunais Regionais do Trabalho sobre a possibilidade de terceirização de serviços hospitalares; j) “os médicos listados pela D. autoridade fiscal não possuem vínculo com a Impugnante, podendo ter sido contratados, com ou sem vínculo empregatício, pelas pessoas prestadoras de serviços médicos com as quais o Hospital Santa Luzia firmou contratos em 2011, ou, até mesmo, remunerados diretamente pelos pacientes ou convênios médicos dos pacientes”; k) em razão da alegada divergência entre as GFIPs transmitidas no ano de 2011 e as folhas de pagamento e DIRFs, e pelo suposto pagamento de salários aos médicos constantes dos Fl. 2247DF CARF MF Processo nº 14041.720106/201546 Acórdão n.º 2201004.379 S2C2T1 Fl. 2.245 7 prontuários e que não eram sócios das pessoas jurídicas consideradas “pejotizadas”, foram exigidas da Impugnante as contribuições previdenciárias incidentes sobre os supostos pagamentos, acrescidas de multa de ofício. E, em decorrência desses mesmos fatos, por deixar de informar os alegados salários em folha de pagamento e comprovar o desconto das contribuições previdenciárias supostamente devidas pelos segurados, foram exigidas da Impugnante mais duas multas por descumprimento de obrigações acessórias, o que viola o princípio do non bis in idem e contraria a proporcionalidade e a razoabilidade, conforme raciocínio adotado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CAT nº 433/2010; l) ao final, a Impugnante requer: o reconhecimento da nulidade das autuações fiscais em razão da insuficiência da motivação, da incompetência do Auditor Fiscal para declarar o vínculo de emprego e do erro na indicação do sujeito passivo; no mérito, a improcedência das exigências fiscais por não ter sido demonstrada a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, pela inclusão na base de cálculo de verbas desprovidas de caráter remuneratório, pela insubsistência da aferição indireta realizada pela Fiscalização, bem como em face da ausência de demonstração dos pressupostos da relação de emprego; o cancelamento das multas previdenciárias aplicadas em razão da inocorrência do fato gerador e da existência de bis in idem com a multa de ofício; provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos (apresentação de memoriais, realização de sustentação oral, juntada de novos documentos e demais atos necessários ao exercício da advocacia), requerendo, para tanto, seja intimada a Impugnante da sessão de julgamento do presente processo, na pessoa de Breno Ferreira Martins Vasconcelos, OAB nº 224.120, email tributário@msvadv.com.br. 6. O presente processo foi juntado, por apensação, ao Processo nº 14401.720105/201500 (despacho à fl. 1982), e encaminhado a esta DRJ de Curitiba/PR para julgamento da impugnação. 7. É o relatório." Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 22 de junho de 2017 às 09:28hs, por meio de acesso ao seu domicílio tributário (despacho de fls. 2130), o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário (fls.2134), reprisando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. Fl. 2248DF CARF MF 8 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, passo a apreciálo na ordem de suas alegações. Nulidade. Motivação insuficiente da autuação fiscal Alega, o Recorrente, nulidade em face da falta de motivação da autuação, posto que a Autoridade Lançadora não justificou o lançamento quanto às diferenças entre GFIP, folha e DIRF, tampouco os salários imputados aos médicos identificados nos prontuários. Depois de discorrer sobre a aplicabilidade dos preceitos do novo CPC ao processo administrativo fiscal, argumenta (fls. 2139): "17. Também nos anexos do relatório fiscal, a D. autoridade fiscal apenas indicou os valores das supostas diferenças entre folhas de pagamento, DIRF e GFIPs. 18. Ou seja, não foi exposto no relatório fiscal, tampouco em seus anexos, o motivo pelo qual deveriam ser submetidos à tributação pagamentos que a Recorrente deixou de informar em GFIP por entender não estarem sujeitos à incidência das contribuições previdenciárias. 19. Ora, é cediço que nem todos os pagamentos efetuados aos contribuintes individuais e segurados empregados têm natureza salarial, de modo que o fato de existir diferenças entre as folhas de pagamento, as DIRF e as GFIP, por si só, não permite concluir pela necessidade de as contribuições previdenciárias e para terceiros serem lançadas de ofício. 20. Pelo contrário, para efetuar o lançamento, deveria a autoridade fiscal ter demonstrado por qual razão cada diferença estaria sujeita à tributação. 21. Essa situação causa indiscutível prejuízo ao direito de defesa da Recorrente, que, por não ter identificado o critério adotado pela Fiscalização para concluir pela incidência das contribuições previdenciárias sobre tais valores, está impossibilitada de contraditar a autuação fiscal de forma específica, razão pela qual apenas pôde tecer argumentos genéricos quanto às rubricas que entende não estarem sujeitas à tributação. (...) Fl. 2249DF CARF MF Processo nº 14041.720106/201546 Acórdão n.º 2201004.379 S2C2T1 Fl. 2.246 9 23. Para exigir contribuições previdenciárias sobre alegados salários, a D. autoridade fiscal limitouse a listar médicos que foram identificados nos prontuários, mas não eram sócios de pessoas jurídicas mencionadas no processo administrativo nº 14041.720.105/201500. 24. No relatório fiscal, contudo, não foi tecida nenhuma consideração quanto à situação fática de tais médicos, indevidamente enquadrados nos autos de infração como segurados empregados. Ora, para que tais profissionais sejam considerados segurados empregados do Hospital Santa Luzia no ano de 2011, a D. autoridade fiscal deveria ter analisado se estavam presentes os pressupostos da relação de emprego, a saber, prestação de serviços por pessoa física, onerosidade, não eventualidade e subordinação. 25. Não foi, porém, o que fez a D. autoridade autuante, cuja motivação do lançamento está limitada ao seguinte parágrafo do relatório fiscal: DA APURAÇÃO DE SEGURADOS NO PRONTUARIO DE ATENDIMENTO E NÃO DECLARADOS 20. Quando comparados os nomes dos segurados nas declarações enviadas pela empresa referentes aos atendimentos registrados em prontuário eletrônico do hospital, com os nomes existentes na DIRF da empresa, na Folha de Pagamento digital entregue pela empresa, e nas GFIPs enviadas pela empresa, foram encontrados vários segurados que constam nos prontuários e não constam nem na DIRF, nem na Folha, nem nas GFIPs, conforme dados demonstrados nos anexos. 26. A ausência de motivação e o consequente prejuízo à defesa da Recorrente são ainda mais gritantes quando se passa a analisar a aferição indireta realizada pela D. Fiscalização para a apuração das contribuições previdenciárias devidas sobre os supostos salários pagos a tais médicos." Não verifico a nulidade apontada. Há, ao logo do relatório fiscal, toda a explicitação da razão do lançamento e da base de cálculo adotada. Tal afirmação se comprova com a simples leitura da transcrição do trecho abaixo (fls. 47): 13. Primeiramente, constituem o crédito tributário previdenciário, no período compreendido entre as competências janeiro/2011 a dezembro/2011, os valores referentes a Contribuições Previdenciárias incidentes sobre remuneração pagas ou devidas a: a. Segurados que estão na folha de pagamento e foram omitidos total ou parcialmente das GFIPs enviadas; Fl. 2250DF CARF MF 10 b. Segurados declarados em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte– DIRF e omitidos na folha de pagamento; c. Médicos constantes do prontuário do Hospital e que não são sócios das empresas declaradas em DIRF (não estão na DIRF, nem na Folha e nem na GFIP); Inegável que, ao sentir do Fisco, constam segurados na folha de pagamento do sujeito passivo que não foram declarados em GFIP, outros que constam da Declaração de Imposto Renda Retido na Fonte da empresa, e não constam da folha e outros ainda que por análise de documentos fornecidos pelo Recorrente, não constam nem da folha, nem da DIRF, tampouco da GFIP. Ora, motivação do lançamento há! Quanto à base de cálculo adotada, em que pese eventual discussão sobre tal procedimento, existe motivação para o procedimento escolhido. Vejamos as alegações recursais sobre o ponto em discussão : 28. Mesmo no processo administrativo nº 14041.720.105/2015 00, em que foi inserido o Anexo – Cálculo da média salarial do cargo mais próximo para aferir salário de médicos fora da Folha/DIRF/GFIP (esta média serve para aferir os salários dos médicos informados nos prontuários de atendimento), não foi descrita a forma de apuração do valor de R$5.360,96 por profissional. 29. Pelo contrário, a D. autoridade fiscal não teceu nenhum comentário sobre tal apuração no relatório fiscal anexado àquele processo e, no referido anexo, limitouse a listar os salários de dois médicos utilizados como parâmetro, extraídos das GFIP do Hospital Santa Luzia, sem indicar o CRITÉRIO adotado para a comparação entre tais profissionais e aqueles constantes dos prontuários em questão: Como dito, em que pese eventual discussão sobre o critério adotado pela Autoridade Lançadora, inegável que existe a completa explicação sobre os procedimentos e motivos adotados pelo Fisco para realizar o lançamento. Logo não há as nulidades apontadas. Linhas adiante, a Recorrente aponta outro vício no lançamento. Vislumbra erro na identificação do sujeito passivo. Segundo o apelo (fls 2144), pelo lançamento ter sido realizado contra o estabelecimento matriz, e não contra o estabelecimento em que supostamente ocorreram os fatos geradores, existe nulidade no ato administrativo Tal vício não existiu. O lançamento foi realizado nos estritos termos da legislação tributária, como não poderia deixar de ocorrer. Fl. 2251DF CARF MF Processo nº 14041.720106/201546 Acórdão n.º 2201004.379 S2C2T1 Fl. 2.247 11 Sobre o tema, assim se posicionou a decisão de piso (fls. 2092): "11.11. Vale observar que as pessoas jurídicas e equiparadas, obrigadas à inscrição no CNPJ, são aquelas elencadas no Título I, Capítulo II da IN RFB nº 1.634, de 06/05/2016 (arts. 3º a 6º), sendo que: Art. 3º Todas as entidades domiciliadas no Brasil, inclusive as pessoas jurídicas equiparadas pela legislação do Imposto sobre a Renda, estão obrigadas a se inscrever no CNPJ e a cada um de seus estabelecimentos localizados no Brasil ou no exterior, antes do início de suas atividades. (Grifouse) 11.12. Embora possa ter diversos estabelecimentos, a empresa é única (tanto que o CNPJ de todos os estabelecimentos possui a mesma raiz). Também o fato de que os recolhimentos e declarações sejam efetuados de forma segregada por estabelecimento não implica a emissão de um Termo de Início de Procedimento Fiscal para cada estabelecimento do sujeito passivo. Ao contrário, assim dispõe a Portaria RFB/Sufis nº 2.371, de 15/12/2010: Art. 16. Nos procedimentos de fiscalização efetuados no estabelecimento matriz, as verificações preliminares deverão abranger, também, todos os estabelecimentos filiais do sujeito passivo. Parágrafo único. No caso de tributos recolhidos de forma descentralizada, exceto nos casos de contribuições previdenciárias, as verificações preliminares em relação a esses, restringirseão aos estabelecimentos localizados na jurisdição da unidade da RFB executora do procedimento fiscal. (sem grifos no original) 11.13. Dessa forma, resta concluir que estando o lançamento devidamente motivado e revestido das formalidades legais, de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, não há justificativa, nem amparo legal, para prosperar a pretensão da Impugnante no sentido de declarar o procedimento fiscal passível de nulidade." Não merece reparo a decisão recorrida. O lançamento tributário cumpriu todas as formalidades legais, tendo sido constituído por autoridade competente e garantindo o contraditório e a ampla defesa por meio da correta delimitação dos fatos verificados e da identificação da legislação de regência. Preliminar de nulidade rejeitada também quanto a este ponto. Por fim, devemos analisar o pedido de sobrestamento do julgamento em face da repercussão geral determinada pelo STF quanto às hipóteses de licitude da terceirização de mão de obra nas atividades fins. Tal pedido não merece prosperar, uma vez que as contribuições lançadas, como bem delimitado no parágrafo 52 do Relatório Fiscal (fls. 51), incidem sobre a relação de emprego vislumbrada pela autoridade fiscal em razão das omissões e divergências verificadas. Fl. 2252DF CARF MF 12 Tais divergências, como bem explicitado pelo Auditor Fiscal, se instauram diretamente ou seja, sem terceira pessoa entre o trabalhador e a contratante, no caso, o sujeito passivo, o que demonstra a irrelevância da questão da terceirização no caso em concreto. Forçoso, por todo o exposto, rejeitar as preliminares de nulidades arguídas. Passemos ao mérito. Após discorrer sobre a incidência das contribuições previdenciárias, a Recorrente alega que a Autoridade Fiscal, ao adotar como base de cálculo as diferenças entre as GFIP e as folhas de pagamento e ou DIRF's, laborou em flagrante erro, posto que as contribuições exigidas passaram a incidir sobre verbas que não ostentam natureza remuneratória (item III.1 do Recurso, fls. 2148/2153). Na sequência argumentativa (item III.2, fls. 2154) , o Apelante ataca a aferição indireta realizada pelo Fisco, posto que em seu sentir fundada em parâmetro que não permite, mesmo que indiretamente, a correta determinação da remuneração paga pelo Contribuinte aos trabalhadores, que supostamente, lhe prestaram serviço. Por fim, o argumento que, na visão deste julgador, merece ser analisado primordialmente. Enfrentemos. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO. Segundo o Recorrente, não houve a demonstração dos pressupostos da relação de emprego. Vejamos (fls. 2155): "86. Não bastassem as considerações acima, é importante destacar que a exigência de contribuições previdenciárias sobre alegados pagamentos feitos aos médicos constantes dos prontuários e que não eram sócios de empresas consideradas “pejotizadas” é absolutamente improcedente por não ter sido demonstrada pela autoridade fiscal a presença dos pressupostos da relação de emprego, o que impede o enquadramento desses profissionais como segurados empregados da Recorrente. 87. Ilustres Julgadores, com o perdão da obviedade, o simples fato de tais profissionais constarem dos prontuários médicos não implica existência de vínculo de emprego com a Recorrente. Pelo contrário, para o seu enquadramento como segurados empregados, a D. autoridade fiscal deveria ter demonstrado a existência concomitante de subordinação, não eventualidade e onerosidade, não bastando o simples indício de que o profissional prestou serviços nas dependências do hospital. 88. A declaração do vínculo empregatício consiste em questão de cunho fático, exigindo para sua caracterização a apuração da rotina e das condições de trabalho dos médicos, isto é, da realidade experimentada por esses profissionais, o que não foi feito in casu. 89. Assim, a autoridade fiscal deveria ter apurado (i) se os médicos estavam sujeitos às ordens de algum representante/preposto do Hospital Santa Luzia; (ii) se recebiam punição por parte do Hospital Santa Luzia em caso de falta ou Fl. 2253DF CARF MF Processo nº 14041.720106/201546 Acórdão n.º 2201004.379 S2C2T1 Fl. 2.248 13 atraso; (iii) se eram impedidos de se fazer substituir por outro profissional em caso de não comparecimento; (iv) se estavam sujeitos a controle de jornada; (v) se recebiam salário do Hospital Santa Luzia, elementos estes que não foram enfrentados no relatório fiscal, tampouco investigados." A leitura do trecho acima transcrito demonstra que a insurgência do Recorrente se instaura diante da necessidade de que a Autoridade Lançadora, ao verificar que segurados obrigatórios prestaram serviços, comprove o vínculo de trabalho que se instaura com a tomadora desses serviços. Merece acolhida tal observação. Lembremos que tal verificação é imprescindível para que se possa determinar a base de cálculo e alíquota que permitam a análise de eventual divergência entre os valores constantes de sua folha de pagamento, GFIP e DIRF's, documentos que ensejaram, pela confrontação de seus dados, o lançamento tributário que aqui se discute. Vejamos como o Fisco se pronunciou sobre o tema. Voltemos ao relatório fiscal (fls. 46): "13. Primeiramente, constituem o crédito tributário previdenciário, no período compreendido entre as competências janeiro/2011 a dezembro/2011, os valores referentes a Contribuições Previdenciárias incidentes sobre remuneração pagas ou devidas a: a. Segurados que estão na folha de pagamento e foram omitidos total ou parcialmente das GFIPs enviadas; b. Segurados declarados em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte– DIRF e omitidos na folha de pagamento; c. Médicos constantes do prontuário do Hospital e que não são sócios das empresas declaradas em DIRF (não estão na DIRF, nem na Folha e nem na GFIP); " Claro que a motivação do lançamento surge pela constatação que há segurados que constam de algum dos documentos mencionados e não constam de outros. Não existe explicitação de qual a categoria que o segurado pertence. Perquirindo o restante da imputação fiscal, encontramos (fls. 48): DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL (BASE DE CÁLCULO E PERCENTUAIS APLICADOS) 16. Na apuração dos valores temse a seguinte fundamentação legal: a) Percentual referente à cota patronal 20% Art. 22, I e III c/c Art. 30, I, b e c/c art. 33, todos da Lei nº 8.212/1991. b) Valores aplicados a título de RAT e FAP foram aplicados os seguintes percentuais: Fl. 2254DF CARF MF 14 · O valor do Grau de incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho – GILRAT ou RAT de 2%, conforme Art. 22, II da Lei nº 8.212/1991 c/c art. 202, §§ 3º a 6º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99; · O valor do item a foi multiplicado pelo FAP, sendo que o valor do FAP Fator Acidentário de Prevenção afere o desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade econômica, relativamente aos acidentes de trabalho ocorridos num determinado período. O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0,5000) a dois inteiros (2,0000), aplicado com quatro casas decimais sobre a alíquota RAT (FAP x RAT = Novo valor do RAT). Conforme art. 10 da Lei 10.666/2003 c/c art. 202a e 202b do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999 (incluídos pelo Decreto nº 6.957, de 9 de setembro de 2009); Resolução MPS/CNPS nº 1.316, de 31/05/2010; Portaria MPS/MF nº 329, de 10 de dezembro de 2009; Portaria MPS/MF nº 451, de 23/09/2010 e Ato Declaratório Executivo Codac nº 3, de 18 de janeiro de 2010. E neste caso o valor do FAP para o ano de 2011 é de 1,2291 (2011), ficando o novo valor da diferença do RAT = RAT (2%) x FAP (1,2291) = 2,4582. c) Percentuais relativos a cada Entidades conveniadas (terceiros/fundos), conforme legislação de regência: 2,5% para o SalárioEducação (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE) art. 212, § 5° da Constituição Federal; Leis nº 9.424, de 24/12/1996 e 9.766, de 18/12/1998; Decreto n° 3.142, de 16/08/1999, com a redação dada pelo Decreto n° 4.943, de 30/12/2003; e Decreto n° 6.003, de 28/12/2006; 0,2% para o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) Lei n°. 2.613, de 23/09/1955 e DecretoLei n°. 1.146, de 31/12/1970 e DecretoLei n°. 1.989, de 28/12/1982; 1,0% para o SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) DecretosLei ns. 8.621 e 8.622, de 10/01/1946; 1,5% para o SESC (Serviço Social do Comércio) – DecretoLei n°. 9.853, de 13/09/1946 e Decreto n°. 60.466, de 14/03/1967; 0,6% para o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa) Decreto n°. 90.414, de 07/11/1984; Lei n°. 8.029, de 12/04/1990, com a redação dada pela Lei n° 11.080, de 30/12/2004 e Decreto n° 99.570, de 09/10/1990; d) Percentual descontado dos segurados e recolhidos pela própria empresa: para segurados empregados (8%, 9% ou 11%) e para contribuintes individuais (11%) Art. 30, I, a da Lei nº 8.212/1991 c/c Art. 4º da Lei 10.666/2003; 17. Além das capitulações legais aqui apontadas temse um detalhamento da fundamentação legal de cada infração nos anexos que compõem o Auto de Infração. (negrito do último parágrafo não consta do original) Analisando os anexos elaborados pelo AFRFB autuante, encontramos às folhas 69, a seguinte explicitação: Fl. 2255DF CARF MF Processo nº 14041.720106/201546 Acórdão n.º 2201004.379 S2C2T1 Fl. 2.249 15 ANEXO Segurados que estão na folha e foram omitidos total ou parcialmente das GFIPs enviadas (Contribuintes Individuais) Legenda: Comp = competência da declaração CNPJ = CNPJ do estabelecimento CPF = CPF do segurado NIT = NIT do segurado Nome = Nome do segurado Categ = Categoria do segurado BC (TOTAL) AFRFB = Base de cálculo apurada pela fiscalização BC (TOTAL) GFIP = Base de cálculo declarada em GFIP Diferenca BC = Diferença entre BC (TOTAL) AFRFB e BC (TOTAL) GFIP não declarado em GFIP Seg AFRFB = Desconto do segurado apurado pela fiscalização Seg (FOLHA) = Desconto do segurado feito na folha de pagamento Diferença Seg Folha = Diferença entre Seg AFRFB e Seg (FOLHA) não declarado em GFIP e não é crime por não ter sido descontado em folha Seg (GFIP) = Desconto do segurado declarado em GFIP Diferença Seg GFIP = Diferença entre Seg (FOLHA) e Seg (GFIP) não declarado em GFIP e é crime por ter sido descontado em folha Verifico que na coluna (Cat) existe a determinação da categoria de segurado contribuinte individual que embasou o lançamento, inclusive com evidente erro de cálculo pois patente que no caso de Karine Mendonça de Freitas o sistema usa para o mesmo segurado dois cotejamentos distintos em razão de nítida diferença de digitação (com e sem cedilha), fato não excluído do computo do tributo devido. Logo, nesse caso a imputação fiscal é de que são segurados contribuintes individuais, que dispensa comprovação para caracterização do vínculo. Não obstante, é mister determinar o recálculo do tributo devido, com a necessária exclusão de todos os valores, constantes da planilha inserida no anexo mencionado, relativos a segurados que por divergência na grafia do nome foram considerados no lançamento sem haver a ausência de recolhimento alegada. A título de exemplo menciono o ocorrido nas folhas 89 (Gabriela Aparecida M de Oliveira), 91 (Janaina Gonçalves Ribeiro), 93 (Karla Roberta Mendonça de Melo), salientando ainda que tais equívocos se repetem mensalmente na grande maioria dos casos. Voltando à analise da categoria dos segurados, às folhas 1694, encontro outro anexo, agora referente aos médicos: "ANEXO Médicos constantes do prontuário do Hospital e que não são sócios das empresas declaradas em DIRF (não estão na DIRF, nem na Folha e nem na GFIP) Legenda: Comp = Competência dos atendimentos no prontuário do hospital Fl. 2256DF CARF MF 16 CPF = CPF do médico Nome = Nome do médico CRM = número do cadatros do médico no Conselho Regional de Medicina UF = UF do cadatros do médico no Conselho Regional de Medicina Especialidade = especialidade médica exercida Média Salarial = Média salarial calculada no anexo 17 para permitir aferição Desc Segurados = Desconto do INSS relativo a cota dos segurados" Ainda assim, não é possível verificar em qual categoria de segurado foram enquadrados os médicos que não constavam do quadro societário das empresas prestadoras de serviços médicos. Somente às folhas 1740, encontro a informação, que reproduzo abaixo: Anexo Unificando os Valores de Todas as Bases de Cálculo (Segurados Empregados BC) Legenda: Comp = competência dos valores Valor = valor correspondente a Base de Cálculo apurada Origem = Anexo de onde os valores foram copiados Inegável a imputação fiscal. Os médicos constantes do prontuário do Hospital que não eram sócios da prestadoras de serviço e os constantes de DIRF e omitidos da folha de pagamento foram considerados como segurados empregados pela Autoridade Lançadora. Assim, na visão do Recorrente, tal procedimento exigia demonstração por parte do Fisco. Tal argumento é totalmente procedente. É, por expressa determinação do artigo 142 do CTN, combinado com o artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, dever do Fisco comprovar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável. Fl. 2257DF CARF MF Processo nº 14041.720106/201546 Acórdão n.º 2201004.379 S2C2T1 Fl. 2.250 17 Ao verificar, com base na análise dos documentos apresentados pelo Contribuinte, que pessoas físicas trabalharam para o sujeito passivo, é dever do Fisco cobrar o tributo devido. Porém, ao lançar as contribuições previdenciárias incidentes sobre o trabalho do segurado empregado, deve, a Autoridade Lançadora, comprovar que a relação laboral existente era a relação mais específica das relações de trabalho, a relação de emprego, que só surge quando presentes os elementos que a caracterizam. Não há tal comprovação no auto de infração combatido. Nenhum esforço da autoridade lançadora em caracterizar os médicos que realizaram atendimento segundo o prontuário do Hospital. Assim, assiste razão ao Recorrente. Não soube o Fisco se desvencilhar do ônus da comprovação da alegações que embasam o crédito tributário como constituído. Imperioso reconhecer a improcedência do lançamento quanto à parte dos valores constantes dos Anexos Unificando os Valores de Todas as Bases de Cálculo (Segurados Empregados BC) e Unificando os Valores de Todas as Bases de Cálculo (Segurados Empregados Desc Seg), respectivamente às folhas 1740 e 1742. Nesse ponto, ressalto que embora nos mencionados anexos existam os valores referentes ao lançamento relativo aos segurados empregados constantes de folha e não declarados em GFIP, o que dispensa a comprovação do vínculo pelo Fisco (uma vez que a própria folha de pagamento do Recorrente assim reconhece) verifico com base no anexo de folhas 77/505, que há os mesmos erros quanto a grafia dos nomes dos segurados, apontado linhas atrás, quando da análise dos contribuintes individuais, que leva ao apontamento de divergência inexistente. Exemplifico com a reprodução abaixo (fls. 80): Logo, com as considerações acima, se torna necessário o recálculo, pela autoridade preparadora, do tributo devido. Recurso provido nessa parte. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Pugna a Recorrente pelo cancelamento da autuações aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias. São seus argumentos: 99. Por fim, a Recorrente requer sejam canceladas as multas exigidas em razão das supostas (i) apresentação de folha de pagamento incompleta e (ii) falta de prova do desconto do segurado, pois, conforme demonstrado, os fatos geradores das contribuições previdenciárias exigidas nos presentes autos sequer ocorreram. 100. Ainda que assim não se entenda, é premente o cancelamento dessas penalidades, em caráter subsidiário, em razão da ocorrência de bis in idem, repelido pelo ordenamento jurídico. Fl. 2258DF CARF MF 18 101. Em razão (i) da alegada divergência entre as GFIP transmitidas no ano de 2011 e as folhas de pagamento e DIRF e (ii) do suposto pagamento de salários aos médicos constantes dos prontuários e que não eram sócios das pessoas jurídicas consideradas “pejotizadas”, a D. autoridade fiscal exigiu da Recorrente as contribuições previdenciárias incidentes sobre os supostos pagamentos, acrescidas de multa de ofício. 102. E em decorrência desses mesmos fatos, isto é, por ter o Hospital Santa Luzia deixado de (i) informar os alegados salários em folha de pagamento e (ii) comprovar o desconto das contribuições previdenciárias supostamente devidas pelos segurados, foram exigidas da Recorrente mais duas multas por descumprimento dos arts. 32, I e 30, I, “a” da Lei nº 8.212/91, respectivamente: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; e Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Fica evidente, assim, que, em razão de uma mesma conduta, foram exigidas da Recorrente três penalidades distintas (a multa de ofício e as multas ora descritas), o que indiscutivelmente viola o princípio do non bis in idem e, até mesmo, contraria a proporcionalidade e a razoabilidade." Não assiste razão à Recorrente neste ponto. Não há "bis in idem", as multas pelo descumprimento da obrigação acessória não se confunde com a penalidade pecuniária cabível quando do lançamento de ofício. Sobre o tema, assim se pronunciou a decisão de piso (fls. 2100): "13. A Impugnante alega que as multas exigidas em razão do alegado descumprimento dos arts. 32, inciso I, e 30, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991 – i) deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço e ii) deixar de arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço – devem ser canceladas, uma vez que os fatos geradores não ocorreram. Também afirma que a aplicação dessas penalidades, concomitantemente à multa de oficio e em decorrência da mesma conduta, implica bis in idem, conforme raciocínio adotado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CAT nº 433/2010. Fl. 2259DF CARF MF Processo nº 14041.720106/201546 Acórdão n.º 2201004.379 S2C2T1 Fl. 2.251 19 13.1. Primeiramente, há que esclarecer o contido no citado Parecer PGFN/CAT nº 433, de 2009, que tratou da aplicação no tempo das alterações na legislação tributária pela Medida Provisória nº 449, de 2008. O referido Parecer tratou, especificamente, da questão da legislação a ser aplicada na hipótese de falta ou atraso na entrega de GFIP – se seria aquela vigente ao tempo do lançamento, ao tempo da entrega da declaração ou aquela vigente ao tempo dos fatos geradores informados na declaração. Isto porque a MP nº 449/2008 revogou os parágrafos do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, e criou o art. 32A com nova sistemática de aplicação de multas, no caso específico da obrigação acessória de informar em GFIP dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária. 13.2. Ressaltese que, no caso presente, a Contribuinte também descumpriu a obrigação acessória de enviar declarações corretas e sem omissões, por meio de GFIP, o que ensejaria a lavratura de Auto de Infração capitulado como CFL 78 (envio de GFIP com erros/incorreções/omissões). Entretanto, neste caso, com a nova redação dada pela MP nº 449/2008, ocorreu a substituição deste AI pela aplicação da multa de ofício sobre os valores apurados. 13.3. Em relação à alegação de bis in idem, ensina Bernardo Ribeiro de Moraes11 a seguinte lição, in verbis: São elementos configurativos do “bis in idem” os seguintes: a) uma única entidade tributante. As exigências fiscais partem de uma única entidade tributante; b) identidade de causa jurídica. As exigências fiscais são decorrentes da ocorrência de um único fato da respectiva obrigação, “in idem” quer dizer "sobre o mesmo" fato; c) identidade de contribuinte. O sujeito passivo das exigências fiscais é um único, sendo o contribuinte da primeira exigência fiscal o mesmo da segunda; d) duas normas jurídicas. O “bis in idem” exige a presença de duas normas jurídicas, que deverão recair (incidir) sobre o mesmo fato. 13.4. Conforme se observa na doutrina transcrita acima, bis in idem é a cobrança de tributos diversos de um contribuinte, em decorrência de um mesmo fato gerador, pelo mesmo ente político, em razão da incidência de duas normas legais distintas. 13.5. No caso em tela, o fato gerador da multa referente à “cobrança do tributo” e o das multas por descumprimento de obrigações acessórias são distintos. A primeira multa decorre do descumprimento de uma obrigação principal (recolher a contribuição devida) e as demais decorrem do Fl. 2260DF CARF MF 20 descumprimento de obrigações acessórias (deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas e deixar de arrecadar, mediante desconto, as contribuições dos segurados a seu serviço). Logo, não há que se falar em bis in idem." Não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. Adoto, nessa parte, como se minha fosse, pelas mesmas razões e fundamento, a decisão de primeira instância. Ressalto a procedência das multas pelo descumprimento das obrigações acessórias, como aplicada, mesmo diante do provimento parcial do recurso. Conclusão Diante do exposto, e com base nos fundamentos apresentados, voto por rejeitar as preliminares arguídas, e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão do lançamento dos valores relativos aos segurados empregados e os valores indevidos constantes do anexo de folhas 69, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 2261DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912799/2009-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2004
PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. VINCULAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA.
Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa.
Efeitos da Solução de Consulta n.° 412/2004, em que a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento.
Numero da decisão: 9303-006.560
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/06/2004 PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. VINCULAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Efeitos da Solução de Consulta n.° 412/2004, em que a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.912799/2009-77
anomes_publicacao_s : 201806
conteudo_id_s : 5869490
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.560
nome_arquivo_s : Decisao_10680912799200977.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10680912799200977_5869490.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
id : 7322736
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:19:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050312704524288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2035; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.912799/200977 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.560 – 3ª Turma Sessão de 10 de abril de 2018 Matéria PIS. INCIDÊNCIA. FOLHA DE PAGAMENTOS. Recorrente FEDERAÇÃO INTERF. DAS COOP. DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2004 PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. VINCULAÇÃO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Efeitos da Solução de Consulta n.° 412/2004, em que a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 27 99 /2 00 9- 77 Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10680.912799/200977 Acórdão n.º 9303006.560 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3201001.258, decisão que negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na Declaração de Compensação gerada pelo Contribuinte pelo programa PER/DCOMP, transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS – Folha de Salários e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: registra, inicialmente, a tempestividade da defesa; assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese exclusivamente à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal. Assim, ao final, requer seja homologado o direito de compensação, por todos fundamentos aqui apresentados. Na hipótese de não se conhecer a referida homologação, garantindolhe o direito constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, requer que a Receita Federal do Brasil apresente as supostas duplicações de compensações alegadas no referido despacho decisório. A Segunda Turma da DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10680.912799/200977 Acórdão n.º 9303006.560 CSRFT3 Fl. 4 3 Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, que teve seu provimento negado pelo Colegiado a quo. Prevaleceu o entendimento de que as sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o valor da folha mensal de salários, à alíquota de 1,0 %, e sobre as receita operacional bruta, com as exclusões da base de cálculo previstas em lei, à alíquota de 0,65 %., bem como de que a restituição/compensação de indébito tributário está condicionado à certeza e liquidez do valor pleiteado/declarado. O Contribuinte opôs embargos de declaração, sendo que estes foram rejeitados. O Contribuinte interpôs então o Recurso Especial de Divergência ora em apreço, suscitando divergência quanto à incidência da Contribuição PIS sobre a Folha de Salários. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, foi apresentado e apreciado o acórdão 3403002.500, nos termos do § 5º, art. 67 do RICARF. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que fosse mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.545, de 10 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.912761/200902, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.545): Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. O acórdão recorrido decidiu por negar provimento ao recurso voluntário, sob o entendimento de que, à época dos fatos, as sociedades cooperativas estavam sujeitas ao PIS sobre o valor da folha mensal de salários, à alíquota de 1,0 %, e sobre as receita operacional bruta, com as exclusões da base de cálculo previstas em lei, à alíquota de 0,65 %. O acórdão paradigma nº 3403002.500 decidiu, em sede de embargos de declaração, que havia omissão no acórdão embargado, passível de integração e com efeitos infringentes, adotando, por derradeiro, o Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10680.912799/200977 Acórdão n.º 9303006.560 CSRFT3 Fl. 5 4 entendimento de que, com base no que fora expresso na Solução de Consulta 412/2004, a empresa, por não preencher as condições para o tratamento fiscal do art. 13, não estava sujeita à Contribuição sobre a Folha de Salários. Com estas considerações, concluiuse que a divergência jurisprudencial foi comprovada. Do Mérito. Tratase pedido de compensação não homologado por despacho decisório que entendeu que o crédito declarado de PIS/Folha seria inexistente, eis que já teria sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do Contribuinte daquela mesma natureza. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, entendeu, de forma diferente da fiscalização em Despacho Decisório, que, enquanto Federação de Cooperativas, a Federação não estaria dispensada do recolhimento de PIS sobre a folha de salários, em razão do disposto no artigo 32, § 4o, do Decreto n.º 4.524/2002, que determina que a cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões da receita bruta previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. Em face de tal decisão o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual foi demonstrado a existência da Solução de Consulta n.º 412/2004, na qual a própria Receita Federal a afasta do rol de contribuintes do PIS Folha. No entanto, foi negado provimento, mantendo o entendimento exarado pela 2a Turma de Julgamento da DRJ/BHE. No presente caso devemos inicialmente analisar a Solução de Consulta n.º 412/2004, que tem efeito vinculante para o Contribuinte. Verificase que da análise da Solução de Consulta n.° 412/2004, a Receita Federal reconheceu a impossibilidade de exigência da Contribuinte da Contribuição ao PIS com base na folha de salários, por ter sido expressamente excluída do rol de contribuintes do PIS folha enquadrados no artigo 13 da Medida Provisória n.° 2.15835/2001, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento. Ou seja, a própria Receita Federal afastou a Contribuinte do rol de contribuintes deste tributo. Vale ressaltar que o Contribuinte quando realizou a Consulta fez o questionamento referente a sua sujeição ou não ao PIS/ Folha, decorrente do entendimento de que estaria enquadrada dentre as entidades que a lei enquadra como contribuintes daquele tributo, no caso o artigo 13 da Medida Provisória n.° 2.15835, quais seja, entidades imunes/isentas ao PIS Faturamento, senão vejamos: Relatório da Superintendência Regional da Receita Federal da 6a Região Fiscal: "Relatório 1. A interessada informa que é uma federação de cooperativas dedicadas à assistência médicohospitalar, na forma da Lei n.° 5.764/71 e de seu estatuto. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10680.912799/200977 Acórdão n.º 9303006.560 CSRFT3 Fl. 6 5 Diz que, no desenvolvimento de suas atividades, presta serviços às cooperativas suas associadas, recebendo pagamentos mensais, a título de "taxas de manutenção", necessárias à sua sobrevivência e atuação, tratando se também de ato cooperativo, destinado a manter a sociedade cooperativa de segundo grau. 2. Cita o disposto no art. 13 da Medida provisória n" 2.15835, de 24 de agosto de 2001, ao qual faz menção aos sindicados, as federações e confederações, concluindo que são isentas da Coftns as receitas das atividades próprias dessas entidades, as quais contribuem para o PIS com base na folha de salários. 3. Aduz que, aplicandose à consulte tal dispositivo, combinado com o art. 60 da Lei n° 5.764/71, temse que ela está sujeita ao PIS com base unicamente na folha de salários. E, quanto à Cofins, a taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sua sobrevivência e atuação constituem receitas de suas atividades próprias, sendo, portanto, isentos dessa contribuição. 4. Isso posto, pergunta se está correto o seu entendimento quanto à isenção da Cofins sobre as mencionadas receitas e o pagamento do PIS com base na folha de salários, como exposto na consulta." (destaques nossos) Fundamentos Legais (...) 9. No que diz respeito ao PIS e à Cofins, a Medida Provisória n. ° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, tem os seguintes comandos: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IXcondomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § lo da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971 (...) 10. E, por sua vez, o Decreto n." 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamentou as contribuições sociais para o PIS e a COFINS, dispõe: Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10680.912799/200977 Acórdão n.º 9303006.560 CSRFT3 Fl. 7 6 Art. 9o São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 13): I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei n°9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei n° 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VIserviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado; X condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e IX Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e as organizações estaduais de cooperativas previstas no art. 105 e seu § I o da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971. (...) Pelos termos expostos na consulta, a interessada se julga enquadrada no inciso V do art. 13 da MP n.° 2.15835, de 2001. Entretanto, ressaltese que as "federações e confederações" referidas no inciso V da Medida Provisória n." 2.15835, de 24 de agosto de 2001 se referem a federações e confederações de sindicatos. Portanto, ao contrário do que expõe da consultente, ela não está entre as entidades referidas no inciso V do art. 13 da MP n."2.15835, de 2001. (...) 14. Pode a consulente estar enquadrada, todavia, no inciso IV do mesmo art. 13 da MP n.° 2.15835, de 2001, que contempla as associações que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei n. ° 9.532/1997. 15. Entre esses requisitos, está o de não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados. Todavia, a transcrição da ata da assembleia geral ordinária da consulente, realizada em 08/03/2002 (...), informa que a mesma assembleia fixou o valor dos honorários para os membros da Diretoria Executiva, inclusive reajustando os referidos honorários" (destaques nossos). Ou seja, a resposta dada é que o Contribuinte não é contribuinte do PIS/ Folha, inclusive à luz do mencionado Decreto. Assim, diante da resposta acima, o Contribuinte que havia recolhido indevidamente a contribuição, fez à sua compensação com débitos diversos, conforme determina a Lei n.° 9.430/96 e o Código Tributário Nacional. Portanto, a glosa da compensação do PIS/Folha recolhido indevidamente viola explicitamente seu próprio ato administrativo que entendeu pela sua não incidência. Quanto a aplicação do artigo 2o, § 1o, da Lei nº 9.715/98, que informa que a sociedade cooperativa, estaria sujeita ao recolhimento do Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10680.912799/200977 Acórdão n.º 9303006.560 CSRFT3 Fl. 8 7 PIS/folha de salário. Entendo que a previsão da contribuição sobre a folha de pagamento mensal das sociedades cooperativas, inicialmente prevista no § 1o, do artigo 2o da Lei 9.715/98, perdeu seu fundamento desde a edição da edição da Lei nº 9.718/98. Com o advento da Lei n.° 9.718/1998 o legislador determinou a exigência do PIS somente sobre faturamento/receita, revogando, portanto, a exigência do PIS/Folha. Essa alteração foi confirmada pela Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, a exigência daquela contribuição em relação às entidades sem fins lucrativos que menciona ficou adstrita ao PIS apurado sobre o faturamento/receita bruta (no caso das sociedades cooperativas, decorrente da prática de atos não cooperativos), afastandose o recolhimento de uma mesma contribuição duplamente, e com duas bases de cálculo distintas (faturamento/receita e folha). Notase que a MP nº 1.8589, de 24 de setembro de 1999 (atual MP n.° 2.15835/01) determinou a incidência do PIS Folha apenas sobre as sociedades cooperativas especificamente relacionadas no inciso X do artigo 13 daquele instrumento, bem como sobre aquelas cooperativas que procedessem às deduções enumeradas no artigo 15 (claramente direcionadas às cooperativas de produção). Vejase: MP n.° 1.8589, de 24/09/99 até MP n.° 2.15835, de 24/08/01 Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. (...) Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10680.912799/200977 Acórdão n.º 9303006.560 CSRFT3 Fl. 9 8 I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § I o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a Vdo caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, TAMBÉM, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas." Assim, pela leitura do dispositivo acima, fica demonstrado que as exclusões tratadas nos incisos I a V (art. 15 da MP n° 2.15835/2001) não se aplicam às cooperativas médicas de prestação de serviços. Tais exclusões referemse às cooperativas de produção (também chamadas cooperativas de produtores ou cooperativas de vendas em comum), uma vez que aquelas exceções decorrem de atividades típicas desse tipo de cooperativa. Assim, as sociedades cooperativas que não têm um tratamento específico estão impedidas de excluir da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins os valores repassados aos associados a qualquer título. A exclusão prevista no art. 15, I, da MP n° 2.15835, de 2001, refere se a produto (mercadoria) que pode ser entregue à cooperativa para ser comercializado, não abrangendo, portanto, serviços. Portanto, as exclusões e deduções específicas previstas no art. 15 da MP n° 2.15835/2001 (art. 32, incisos Ia V, do Decreto n" 4.524/2002) não se aplicam às cooperativas de trabalho médico. As demais exclusões, previstas no art. 32 do Decreto n° 4.524/202 e no art. 3o, § 2o, da Lei nº 9.718/98, também não respaldam as exclusões pretendidas. Desta forma, a partir de 01/11/1999, a contribuição ao PIS e COFINS das sociedades cooperativas passou a incidir sobre o total da receita bruta, como definido na Lei 9.718/98, não se diferenciando os atos cooperativos dos nãocooperativos, ou seja, as sociedades cooperativas passaram à condição de contribuintes da COFINS e do PIS/FATURAMENTO também sobre as receitas oriundas de atos cooperativos, sendo admitidas, entretanto, além das exclusões comuns a Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10680.912799/200977 Acórdão n.º 9303006.560 CSRFT3 Fl. 10 9 todas as pessoas jurídicas, a exclusões expressas no artigo 15 da MP 18587/99 e suas reedições. Entretanto, as exclusões expressas no dispositivo legal acima citado não alcançam as atividades cooperativas em geral, tendo em vista que essas exclusões decorrem da atividades típicas das cooperativas de produção agropecuária. Logo, tratandose o Contribuinte em questão de uma sociedade cooperativa de trabalho médico, não fará jus às exclusões expressas no artigo 15 da MP 18587/99 e suas reedições. Assim que, nos termos da legislação retro transcrita, todas as demais cooperativas que não cooperativas de produção, incluídas as de trabalho médico, deveriam recolher, exclusivamente, o PIS sobre faturamento/receita. O entendimento do CARF em situação semelhante: "Período de apuração: 2002, 2003, 2004, 2005 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. BASE DE CÁLCULO A base de cálculo das Contribuições ao PIS das cooperativas de crédito, a partir da edição da Lei no. 10.637/2002, é a receita total auferida, excluindose as sobras, na forma do par. 2o do art. I o da Lei n° 10.676/2003. PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CREDITO. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP n" 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Recurso Voluntário Provido em Parte." (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 2a Turma Ordinária/ 3a Câmara/ 3a Seção Processo n.° 16327.000.833/200621 Acórdão n.° 330201.449 Relator Gileno Gurjão Barreto Sessão de 15/02/2012) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ARGÜIÇÃO BASEADA EM TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL DE OUTRO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Cabe rejeitar a nulidade de lançamento da Cofins requerida com base em termo de verificação fiscal que integra lançamentos de outros tributos, embora todos decorrentes de uma única fiscalização, por serem os fundamentos e legislação da autuação da Contribuição distintos daqueles das outras autuações. ATOS COOPERATIVOS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE NOVEMBRO DE 1999. INCIDÊNCIA. EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO. A partir de novembro de 1999 as receitas dos atos cooperativos compõem a base de cálculo do PIS Faturamento, com as exclusões estabelecidas no art. 15 da Medida Provisória n°2.15835/2001, na Lei n° 10.676/2003 e no art. 17 da Lei n° 10.684/2003. Antes, até os fatos geradores de outubro de Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10680.912799/200977 Acórdão n.º 9303006.560 CSRFT3 Fl. 11 10 1999, somente as receitas dos atos nãocooperativos se submetiam ao PIS Faturamento, estando as sociedades cooperativas obrigadas apenas ao PIS sobre a folha de salários, caso não auferissem receitas de atos não cooperados. Recurso Negado.” (destaques nossos) (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara/ 3ª Seção –Processo n.º 10825.002.833/200588 – Acórdão n.º 340100.680 – Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis – Sessão de 29/04/2010) Destaquese segue o trecho do voto do acórdão acima, reconhecendo (i) a revogação do dispositivo que previa a exigência do PIS Folha às cooperativas, e (ii) a necessidade de haver alguma das exclusões permitidas, constantes da Medida Provisória 1.8586/99, atual MP n.º 2.15835/01, para que se possa exigir o PIS Folha das cooperativas: “A MP IV 1.8586 e suas reedições trouxe uma série de alterações na legislação do PIS e Cofins das sociedades cooperativas, a culminarem com a revogação da isenção de forma ampla para o ato cooperativo e a instituição de uma tributação incidente sobre uma base de cálculo reduzida, com diversas exclusões específicas. As modificações, veiculadas pelas medidas provisórias adiante, aconteceram como segue: MP n° 1.8586, de 29/06/99, que no seu art. 23, I, revogou, a partir de 28/09/99, o inc. II do art. 2° da Lei n° 9.715/98 — segundo o qual as "entidades sem fins lucrativos definidas como empregadoras pela legislação trabalhista e as fundações", contribuíam com o PIS sobre a folha de salários , e no inciso II, "a", do mesmo artigo, revogou, a partir de 30/06/99, o inciso I da Lei Complementar n° 70/91, referente à isenção da COFINS. Esclareço que as cooperativas vinham contribuindo com o PIS sobre a folha de salários com base na LC n° 7/70, art. 3°, § 4°, Resolução do Conselho Monetário Nacional n° 174/71, art. 4°, § 6°, e ADN Cosit n° 14/85; (...) MP n° 1.8589, de 24/09/99, que no seu art. 15 passou a mencionar também o PIS/Pasep, acrescentou novas exclusões na base da COFINS e do PIS Faturamento, referindose desta feita às operações com cooperados, e manteve o PIS sobre a folha de salários na hipótese das cooperativas efetuarem tais exclusões (§ 2°, I, do art. 15). Assim, cumulativamente com o PIS Faturamento incidente sobre a base de cálculo reduzida, as cooperativas continuaram a pagar o PIS sobre a folha. Somente na hipótese de não haver exclusão específica, é que inexiste contribuição para o PIS sobre a folha.” Vejase, portanto, que manter a exigência do PIS/Folha para as sociedades cooperativas de trabalho médico pelo Decreto n. 4.524/2002 (reiterado pelas INS n°s 145/99, 247/2002) ofende ao próprio ato realizado pela Solução de consulta 412/2004. Desta maneira, a cooperativa de serviços médicos não tem direito à apuração do PIS sobre a folha de salários, como previsto no art. 15, §2º, I, da MP 2.158/01, uma vez que não se está diante de operações mencionadas nos incisos I a V do "caput" do art. 15 da referida medida provisória. Por fim, transcrevo a seguir o trecho do Acórdão dos Embargos nº 3403002.504 de lavra do ilustre Conselheiro Rosaldo Trevisan, que trata da solução de consulta e de caso semelhante a esse e que adoto, in totum, seus fundamentos como razão de decidir no presente feito. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10680.912799/200977 Acórdão n.º 9303006.560 CSRFT3 Fl. 12 11 Em relação à argumentação de que a Solução de Consulta apontada (com conclusão desfavorável à empresa) apresenta excerto (na fundamentação) no qual a “Receita Federal acabou por afastar o enquadramento da embargante como contribuinte do PIS/Folha”, há que se aprofundar a análise, na busca de eventual omissão ou obscuridade. O excerto a que se refere a embargante, que lhe asseguraria o direito a não recolher o “PIS/Folha”, é o seguinte (fls. 176/1771): “Pelos termos expostos na consulta, a interessada se julga enquadrada no inciso V do art. 13 da MP n. 2.15835, de 2001. Entretanto, ressaltase que “as federações e confederações” referidas no inciso V da Medida Provisória n. 2.15835, de 24 de agosto de 2001 se referem a federações e confederações de sindicatos. Portanto, ao contrário do que expõe da (sic) consulente, ela não está entre as entidades referidas no inciso V do art. 13 da MP n. 2.15835, de 2001.” Assim, o fato de não se enquadrar no disposto no art. 13 da referida Medida Provisória traria um efeito contrário à embargante (inexistência de isenção da Contribuição para o PIS/PASEP para receitas relativas a atividades próprias percebido pelo acórdão embargado) e outro favorável (ausência de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários sobre o qual o acórdão teria sido omisso/obscuro). A Solução de Consulta, como destacado na decisão embargada, é no sentido de que a empresa “não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos arts. 13 e 14 da MP no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade”. A Solução de Consulta fulcra seus pressupostos na impossibilidade de utilização de “isenção/imunidade” pela embargante, afastandoa do art. 13 (e por consequência do art. 14, X) da Medida Provisória no 2.15835/ 2001. E é imperioso reconhecer que realmente tal exclusão ocasiona a impossibilidade de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, ao menos na forma estabelecida no art. 13 da referida MP. Se a empresa não preenche as condições para o tratamento fiscal do art. 13, e tal artigo dispõe que “a contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento”, em relação às entidades que contempla, indevida a contribuição paga sob tal fundamento. Acolhese, assim, a argumentação de omissão no acórdão embargado, reconhecendose que a decisão proferida na Solução de Consulta, em dezembro de 2004 (processo administrativo no 10680.013505/200418), implica, além dos efeitos reconhecidos em tal acórdão, a impossibilidade de exigência da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, ao menos na forma estabelecida no art. 13 da referida MP (desde que não exista alteração de entendimento comunicada à recorrente, na forma do art. 48, § 12 da Lei no 9.430/1996). Mister se faz, por consequência, analisar o impacto de tal acolhida na decisão inicialmente proferida. A Medida Provisória no 2.15835/ 2001, em seu art. 15 (que não foi objeto de análise na mencionada Solução de Consulta) estabelece exclusões que podem ser efetuadas pelas cooperativas na base de cálculo faturamento das contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS), e que tais exclusões não impedem a exigência da Contribuição para o Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10680.912799/200977 Acórdão n.º 9303006.560 CSRFT3 Fl. 13 12 PIS/PASEP com base na folha de salários, na forma do art. 13 (comando materializado no § 4o do art. 32 do Decreto no 4.524/2002). Contudo, entendese não ser oponível tal comando ao presente caso, porque a Solução de Consulta expressamente excluiu a empresa do tratamento tributário do art. 13 (a empresa informa que ainda que houvesse a exigibilidade, continuaria inaplicável a ela, pois não promoveu nenhuma das exclusões referidas no art. 15). Restaria assim derradeiramente avaliar como o aqui exposto (não exigibilidade da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários) afeta a questão probatória, presente nas decisões de primeira e segunda instâncias. A DCOMP transmitida em 18/08/2008 (fls. 9 a 14) objetivava compensar valores pagos a maior ou indevidamente a título da Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários código 8301 (R$ 2.082,56, recolhidos em 15/02/2005) com débitos de IRPJ de outubro de 2005 (no valor de R$ 2.082,56). Assim, após o exposto, e diante da verdade material, menor relevância passa a assumir a questão probatória. Tendo sido objeto da compensação um recolhimento comprovadamente efetuado no código 8301 (referente à Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários) e sendo indevida tal espécie de contribuição pela empresa, irrelevante seria a que título se deu o recolhimento, pois o tributo continuaria indevido. Temse, destarte, que a evidenciação de omissão no acórdão embargado provoca diametral modificação de rumo na decisão, devendo ser integralmente reconhecido o direito creditório da embargante, visto que o pagamento comprovado se refere a espécie de contribuição à qual a empresa não estava sujeita. Diante disto, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido, e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 447DF CARF MF
score : 1.0
