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Numero do processo: 11080.723631/2013-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 36 31 /2 01 3- 05 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 11080.723631/201305 Acórdão n.º 2202004.024 S2C2T2 Fl. 97 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11080.723631/201305, em face do acórdão nº 1043.718, julgado pela 8ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), na sessão de julgamento de 29 de abril de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: Mediante Notificação de Lançamento, de fls. 06/10, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento do imposto de renda pessoa física, acrescido de multa de mora e juros de mora no valor total de R$ 21.314,89, calculados até 28/02/2013, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2010, anocalendário de 2009. A fiscalização informa às fls. 08, ter constatado compensação indevida do imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 33.255,82. O contribuinte apresentou impugnação, conforme instrumento de fls. 02/04, informando que nas certidões de cálculos (da Justiça do Trabalho) expedidas em 17/10/2007 e 06/01/2008, constava retenção do imposto no valor de R$ 57.713,62. Em 2008, recebeu valores parciais, com retenção do imposto de renda no valor de R$ 20.398,01. Em 2009 recebeu valores com retenção do imposto de renda no valor de R$ 33.255,82. A diferença entre o valor que constou nas certidões – R$ 57.713,62 – e o valor recolhido em 2008 – R$ 20.398,01 – corresponde a R$ 37.315,61 que é praticamente igual ao valor declarado. Em 31/01/2012 foi efetuado recolhimento através de DARF no valor de R$ 9.048,96 e em 21/05/2012 outro recolhimento no valor de R$ 14.840,74. O CNPJ dos DARF´s – 03.422.707/000184 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 11080.723631/201305 Acórdão n.º 2202004.024 S2C2T2 Fl. 98 3 Diverge do que consta da Notificação 03.422.707/ 001660. Requereu a reconsideração da glosa promovida pela fiscalização. A 8ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA) entendeu pela manutenção do crédito tributário. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 70/72, reiterando as alegações expostas em impugnação. Na oportunidade, junta alvarás e recibo de escritório de advocacia, a fim de comprovar os fatos de seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Verificase que a contribuinte foi cientificada, por aviso de recebimento, em 08/05/2013, tendo apresentado recurso voluntário em 04/06/2011, consoante data do carimbo que consta no recurso voluntário. No entanto, o extrato do processo de fl. 92 refere que o recurso voluntário teve entrada em 04/06/2013. Ora, em 2011 este processo sequer existia, pois somente teve início com o protocolo da impugnação em 02/04/2013. O acórdão da DRJ é de 29/04/2013. Logo, a data do carimbo que consta no recurso voluntário não pode ser considerada como correta. Em razão disso, considerase tempestivo o recurso voluntário por força da informação que consta no extrato do processo, de fl. 92 dos autos, onde lá consta que este teve sua entrada em 04/06/2013. Logo, considero tempestivo o presente recurso. Assim, sendo o recurso voluntário apresentado dentro do prazo legal e reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, entendo por conhecêlo. Cabe referir, antes de adentrar no mérito do recurso, que em relação aos documentos juntados em fase recursal, entendo que estes devem ser recebidos como prova do alegado pelo contribuinte, por força do princípio da verdade material e do formalismo moderado. A contribuinte alega que sofreu o ônus da retenção do imposto de renda e que, portanto, não poderia estar lhe sendo exigido tal valor. No entanto, pela documentação existente nos autos, a contribuinte não logra êxito em demonstrar tal fato. Contudo, o lançamento tributário deriva da contribuinte ter recebido valores decorrentes de reclamação trabalhista movida pela contribuinte em face do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – SENAC, através de processo autuado sob o n° 009892003023 04004, com trâmite perante a 23a. Vara do Trabalho de Porto Alegre. Assim, verificase que a contribuinte recebeu os valores da referida ação judicial no anocalendário 2009, de forma acumulada. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11080.723631/201305 Acórdão n.º 2202004.024 S2C2T2 Fl. 99 4 Portanto, fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. O lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (novo Regimento Interno do CARF), assim descrito: Art.62 (...) §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11080.723631/201305 Acórdão n.º 2202004.024 S2C2T2 Fl. 100 5 (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.900020/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 15/06/2004
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação deve ser mantido.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-004.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 07/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. EDITADO EM: 07/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
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DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 07/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 00 20 /2 00 9- 58 Fl. 124DF CARF MF 2 Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 3943: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP nº 16790.97139.140904.1.3.048040, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior, em 15/06/2004, a título de Cofins, com débito de Cofins relativo a agosto de 2004, no valor original de R$ 98.838,32. A Derat/RJO, por meio do despacho decisório de fl. 8 não reconheceu o direito creditório pleiteado, sob a alegação de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitar o débito de Cofins do PA 31/05/2004. Cientificada do despacho e da cobrança do débito declarado no PER/DComp, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 10/11, na qual alega que: Efetuou o pagamento do COFINS, referente ao período de apuração de 31/05/2004, através de DARF, no valor de R$ 4.509.138,95 e compensações nos valores de R$ 1.004.285,12 e de R$ 10.042,85, totalizando a quantia de R$ 5.523.466,92. Acontece que ao conferir a base de cálculo do tributo, constatou a existência de um débito de R$ 5.433.837,33, via de conseqüência, restou configurado o pagamento a maior do valor de R$ 89.629,59. Inobstante disto, restando configurado que o valor real do débito é na verdade de R$ 5.433.837,33, configurado pagamento a maior do valor de R$ 89.629,59, o qual não foi retificado na DCTF, tendo em vista que os lançamentos acima mencionados se deram sob o comando do CNPJ de n° 33.041.260/000164, pertencente a Matriz da mesma a época, contudo, a recorre promoveu a mudança da sua sede para outra localidade, tendo sido fornecido novo número de CNPJ, deste modo, ao tentar comandar eletronicamente a retificação que se faz necessária, não logrou êxito, pois, o sistema desse r. Órgão não aceita transmitila com o CNPJ do antigo estabelecimento Matriz, já que a certificação digital se deu através do novo cadastro de contribuintes. Ao proceder desta forma a recorrente nada mais fez do que exercer o seu direito regulado nas normas editadas pela SRF, e previstas na legislação federal. Porém, a autoridade fiscal sem um motivo justo qualquer não homologou a compensação solicitada pela recorrente, formalizando a sua decisão através do despacho decisório ora combatido. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 15374.900020/200958 Acórdão n.º 3302004.644 S3C3T2 Fl. 3 3 Portanto, a decisão da autoridade fiscal em não homologar a compensação efetuada sem considerar outros elementos atinentes ao caso e que eram de fácil é totalmente desprovida de razoabilidade e fere o direito da recorrente. Já é de conhecimento da maioria que no âmbito federal as empresas de grande porte são obrigadas a declarar as suas informações por meio eletrônico e com certificação digital. Contudo, a recorrente vem sendo prejudicada, pois não consegue retificar a sua DCTF, em decorrência dos problemas mencionados. Por fim requer a revisão do lançamento e, via de conseqüência, reconhecida a existência do crédito para fins de homologar a compensação declarada. Em 07.03.2013, a Turma de piso julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito crédito apurado pela Recorrente, conforme se verifica na ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/06/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Intimada da decisão em 17.07.2013 (fls.121), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 16.08.2013 (fls.6874), reiterando, em síntese, os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Walker Araujo I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 17.07.2013 (fls.121) e protocolou Recurso Voluntário em 16.08.2013 (fls.6874), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 126DF CARF MF 4 Conforme exposto anteriormente, o crédito utilizado pela Recorrente declarado no PER/DCOMP nº 16790.97139.140904.1.3.048040 referese a valor que teria sido recolhido a maior, em 15/06/2004, a título de Cofins, no montante de R$ 89.629,59. Segundo a Recorrente, o crédito tem origem no erro cometido na apuração da base de cálculo da referida contribuição (5.523.466,92 5.433.837,33=R$ 89.629,59), o qual não foi retificado na DCTF, tendo em vista que os lançamentos acima mencionados se deram sob o comando do CNPJ de n° 33.041.260/000164, pertencente a Matriz da mesma a época, contudo, a recorre promoveu a mudança da sua sede para outra localidade, tendo sido fornecido novo número de CNPJ, deste modo, ao tentar comandar eletronicamente a retificação que se faz necessária, não logrou êxito, pois, o sistema desse r. Órgão não aceita transmitila com o CNPJ do antigo estabelecimento Matriz, já que a certificação digital se deu através do novo cadastro de contribuintes. Juntou inicialmente apenas o PER/DCOMP 16790.97139.140904.1.3.048040 para comprovar suas alegações. Por sua vez, a Turma "a quo" afastou o direito da Recorrente por total ausência de provas capaz de comprovar/demonstrar a origem do crédito pleiteado, conforme trecho destacado da decisão: No caso em tela, o contribuinte deveria apresentar ao Fisco os comprovantes fiscais e contábeis – documentos de arrecadação e livros fiscais e contábeis – relativos ao crédito pleiteado, sob pena de seu suposto direito não poder ser exercido por falta de requisito fático, que é a liquidez e certeza deste. Em vez de comprovar como apurou o novo valor devido da Cofins em maio de 2004, o interessado limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria sido apurado este novo valor, o que deveria ter feito. Em sede recursal, a Recorrente trouxe aos autos cópia da DCTF (fls.114115) e apresentou planilha com apuração do crédito pleiteado (fls.117119). Pois bem. O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 127DF CARF MF Processo nº 15374.900020/200958 Acórdão n.º 3302004.644 S3C3T2 Fl. 4 5 correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito utilizado no PER/DCOMP nº 16790.97139.140904.1.3.048040, justificando, assim, a manutenção do despacho decisório que não homologou referido pedido de compensação. Com efeito, a DCTF juntada a destempo pela Recorrente, em total inobservância a determinação contida no §4º, do artigo 16, do Dec. 70.235/725, não demonstra o erro cometido pelo contribuinte na apuração da base de cálculo da contribuição sob análise. 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). 5 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 128DF CARF MF 6 Do mesmo modo, a planilha elaborada pela Recorrente sem o devido suporte documental é insuficiente para comprovar seu pretenso direito, na medida em que não há como confirmar a veracidade dos cálculos apresentados elaborados pelo contribuinte. Em resumo, não há como validar o crédito da Recorrente com base em meras suposições e alegações genericamente apresentadas. III Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001198/2005-26
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 2000
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA. A
falta de indicação da lei formal (Lei 9.964/2000, que instituiu o REFIS e que dispôs que os valores comprados poderiam ser utilizados para a compensação de multas e juros devidos no âmbito do REFIS) não implica em nulidade do lançamento, tendo em vista que os fatos estão bem descritos no Termo de Verificação Fiscal que é peça integrante dos Auto de Infração e sobre os fatos
o contribuinte no exercício do direito à ampla defesa e do contraditório se defendeu demonstrando pleno conhecimento das imputações que lhe foram feitas.
IRPJ e CSLL DESÁGIO
NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E
BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS – VALOR DO GANHO TRIBUTÁVEL
A diferença apurada entre o preço pago e o valor do crédito compensável, advindo de prejuízos fiscais adquiridos de terceiros, no âmbito do Refis, constitui ganho de capital, devendo, pois, ser acrescido à base de cálculo de apuração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e da
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
IRPJ e CSLL DESÁGIO
NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS ASPECTO TEMPORAL O momento de escrituração do fato e reconhecimento do deságio (receita) para fins tributários, ocorre desde quando o contribuinte adquiriu o direito ao crédito
de terceiros e formalizou junto a Receita Federal o Pedido de Utilização de Créditos de Terceiros Decorrentes de Prejuízos Fiscais e Bases de Cálculo Negativas, que passou de imediato a produzir os efeitos que lhe são próprios, qual seja, a redução ou liquidação de acréscimos legais (multa e juros ) na consolidação dos débitos incluídos no REFIS. O fato de posteriormente a
Receita Federal haver verificado e, indeferido parcialmente o crédito cedido em razão de insuficiência de prejuízo fiscal da cedente para efeito de cessão aos terceiros, não retira os efeitos da liquidação dos débitos no limite do crédito existente, conforme se depreende do artigo 3º da mencionada IN SRF
nº 044, de 25/04/2000.
MULTA DE OFÍCIO O
descumprimento da obrigação tributária impõe a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, conforme prevista no artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/96.
EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI – Súmula CARF nº 2: O
CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de
abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Tributação Reflexa: CSLL O lançamentos reflexo de CSLL, observa o mesmo procedimento adotado no auto de infração do IRPJ, devido à relação de causa e efeito que os vincula.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS/Pasep e Cofins.
BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. ART. 32 DA LEI N2 9.718/98.
INCONSTITUCIONALIDADE.
Ao julgar os recursos extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 12, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins por meio de lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente
ao ser editada a mencionada norma legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO
ADMINISTRATIVA.
Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Excluise, portanto, da tributação do PIS/Pasep e da Cofins, o deságio apurado na ação fiscal.
LANÇAMENTOS REFLEXOS PIS/ COFINS DESÁGIO NA
AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL O deságio obtido na aquisição de prejuízos
fiscais e bases de cálculo negativas da contribuição social sobre o lucro não integram a receita bruta, devendo, portanto, ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins.
Numero da decisão: 1802-000.783
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento PARCIAL ao recurso para excluir a exigência relativa ao PIS e à Cofins, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA. A falta de indicação da lei formal (Lei 9.964/2000, que instituiu o REFIS e que dispôs que os valores comprados poderiam ser utilizados para a compensação de multas e juros devidos no âmbito do REFIS) não implica em nulidade do lançamento, tendo em vista que os fatos estão bem descritos no Termo de Verificação Fiscal que é peça integrante dos Auto de Infração e sobre os fatos o contribuinte no exercício do direito à ampla defesa e do contraditório se defendeu demonstrando pleno conhecimento das imputações que lhe foram feitas. IRPJ e CSLL DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS – VALOR DO GANHO TRIBUTÁVEL A diferença apurada entre o preço pago e o valor do crédito compensável, advindo de prejuízos fiscais adquiridos de terceiros, no âmbito do Refis, constitui ganho de capital, devendo, pois, ser acrescido à base de cálculo de apuração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). IRPJ e CSLL DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS ASPECTO TEMPORAL O momento de escrituração do fato e reconhecimento do deságio (receita) para fins tributários, ocorre desde quando o contribuinte adquiriu o direito ao crédito de terceiros e formalizou junto a Receita Federal o Pedido de Utilização de Créditos de Terceiros Decorrentes de Prejuízos Fiscais e Bases de Cálculo Negativas, que passou de imediato a produzir os efeitos que lhe são próprios, qual seja, a redução ou liquidação de acréscimos legais (multa e juros ) na consolidação dos débitos incluídos no REFIS. O fato de posteriormente a Receita Federal haver verificado e, indeferido parcialmente o crédito cedido em razão de insuficiência de prejuízo fiscal da cedente para efeito de cessão aos terceiros, não retira os efeitos da liquidação dos débitos no limite do Fl. 219DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 crédito existente, conforme se depreende do artigo 3º da mencionada IN SRF nº 044, de 25/04/2000. MULTA DE OFÍCIO O descumprimento da obrigação tributária impõe a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, conforme prevista no artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/96. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI – Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Tributação Reflexa: CSLL O lançamentos reflexo de CSLL, observa o mesmo procedimento adotado no auto de infração do IRPJ, devido à relação de causa e efeito que os vincula. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS/Pasep e Cofins. BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. ART. 32 DA LEI N2 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Ao julgar os recursos extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 12, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins por meio de lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Excluise, portanto, da tributação do PIS/Pasep e da Cofins, o deságio apurado na ação fiscal. LANÇAMENTOS REFLEXOS PIS/COFINS DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL O deságio obtido na aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da contribuição social sobre o lucro não integram a receita bruta, devendo, portanto, ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a exigência relativa ao PIS e à Cofins, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Fl. 220DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13971.001198/200526 Acórdão n.º 180200.783 S1TE02 Fl. 187 3 Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel, André Almeida Blanco e João Francisco Bianco. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.150/153 ) que a seguir transcrevo: Trata o presente processo do Auto de Infração de fls.075 a 078, o qual exige da interessada o recolhimento da importância de R$ 107.917,23, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora, a titulo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, fato gerador em 31/12/2000. Conforme Descrição dos Fatos (076) do Auto de Infração, trata se de "Omissão de receita operacional, caracterizada pela falta de contabilização de deságio auferido na aquisição de créditos fiscais (prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL) de terceiros, para liquidação de valores correspondentes a multa e juros moratórios, relativos a tributos ou contribuições incluídos no Refis, conforme consta devidamente explicitado no Termo de Verificação de Infração — IRPJ e Reflexos, que é parte integrante do presente Auto de Infração." Como decorrentes do lançamento do IRPJ, correspondente a fato gerador ocorrido em 31/12/2000, foram ainda lavrados Autos de Infração a título de Contribuição para o PIS (fls.79 a 82), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls.83 a 96) e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fls.87 a 91), nas importâncias de R$ 3.346,32, de R$ 15.444,57 e de R$ 46.333,73, respectivamente, também acrescidas de multa de oficio de 75% e juros de mora. De se reproduzir excertos do Termo de Verificação de Infração — IRPJ e Reflexos (fls.054 a 074) que é parte integrante do presente Auto de Infração: (...) DO DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL, DE TERCEIRO, UTILIZÁVEL NA LIQUIDAÇÃO DE MULTAS E JUROS DE DÉBITOS FISCAIS INSCRITOS NO REFIS, COMO RECEITA TRIBUTÁVEL 11.1 — Do deságio como receita tributável pelo IRPJ e CSLL Fl. 221DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 9 — A contribuinte fiscalizada, em 30 de junho de 2000, firmou contrato particular de compra e venda de créditos fiscais com a empresa Eletro Metalúrgica Nardelli Ltda., conforme fls.06/07. No referenciado contrato, a contribuinte fiscalizada adquire Prejuízo Fiscal no montante de RS 2.332.447,31 e Base de Cálculo negativa da CSLL no montante de R$ 3.303.961,75. Esta operação de compra e venda resulta para a contribuinte fiscalizada (adquirente) um montante de crédito fiscal, que totaliza R$ 614.184,03 (15% de R$ 2.332.447,31 + 8% de R$ 3.303.961,75), passível de utilização para reduzir multas e juros de débitos .fiscais inscritos no Refis; 10— Conforme dispõe a cláusula segunda do referenciada contrato de compra e venda de créditos fiscais, a contribuinte fiscalizada ajustou com a vendedora (cedente) dos referenciados créditos fiscais o pagamento da importância de R$ 35.000,00 em troca de tais créditos. Além disso, conforme a cláusula terceira, a contribuinte fiscalizada se comprometeu a pagar tal importância no momento da assinatura do mencionado contrato, que foi em 30 de junho de 2000; (...) 12 — Ora, como visto nos parágrafos anteriores, a contribuinte fiscalizada adquiriu um crédito fiscal no montante de R$ 614.184,03 estipulando pagar pelo mesmo a importância de R$ 35.000,00, conseqüentemente, o fato da aquisição de tais créditos provocou a ocorrência de um deságio no montante de R$ 579.184,04 (R$ 614.184,04 — R$ 35.000,00). Este, por sua vez, representa uma receita operacional para a fiscalizada que integra o seu lucro liquido do período. (...) II.2 — Do deságio como receita tributável para efeito de PIS e COFINS 16— Do que foi visto nos parágrafos anteriores, o deságio na aquisição de créditos tributários representa uma receita e integra o lucro liquido do período. Além disso, os arts. 2º e 3º da Lei 9.718/98, a seguir transcritos, alteraram o conceito de ,faturamento, ampliando o campo de incidência do PLS/PASEP e da COFINS. III — DA INFRAÇÃO VERIFICADA QUE CONSISTE NA NÃO APROPRIAÇÃO DO DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS, PARA EFEITO DE CÁLCULO DO IRPJ, DA CSLL, DO PIS E DA COFINS. III.1 — Da infração à legislação tributária representada pela omissão de receita tributável. (...) 21. Embora a contribuinte fiscalizada tenha informado, fls.14, que o ganho decorrente da aquisição dos créditos fiscais foi contabilizado como receita e considerado no cálculo do 1RPJ e Fl. 222DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13971.001198/200526 Acórdão n.º 180200.783 S1TE02 Fl. 188 5 da CSLL, esta afirmação, conforme será demonstrado no tópico III.3, não corresponde à realidade dos fatos representados em sua escrita contábil; 22 — De tudo o que se apurou neste procedimento, restou constatado que, embora a contribuinte reconheça o referenciado deságio como receita tributável somente para efeito de IRPJ e CSLL, tal deságio não foi computado, em nenhum momento, como receita de modo que tivesse repercutido no IRPJ e na CSLL. Assim, além do aspecto de que o fato gerador do deságio ocorreu em 30/06/2000 (data da aquisição dos créditos fiscais de terceiros), há também a constatação de que o mencionado deságio não foi computado como receita em 2003, conforme afirmou a contribuinte fiscalizada Conseqüentemente, inaplicável, ao caso em análise, a hipótese de postergação de tributo. 111.2 — Da quantificação da infração verificada (omissão de receita tributável decorrente do deságio). 27 (...) b) a IN SRF 044 de 2000 dispõe que desde o momento do pedido administrativo para compensação de créditos de terceiros com débitos (multas e juros) inscritos no REF1S, estes serão liquidados de imediato. No entanto, dispõe também que caso a autoridade administrativa, ao apreciar o pedido de compensação, constate irregularidade em relação aos créditos cedidos por terceiros que implique em redução total ou parcial, os juros e as multas liquidados pelo adquirente serão restabelecidos e incluídos no débito consolidado remanescente. Ou seja, aquela compensação de juros e multas que havia sido de plano efetuada será, na liquidação, desfeita pela autoridade administrativa na proporção da redução dos créditos cedidos. (...) 29 Examinando o processo administrativo n. 13975.000081/00 91, que trata do pedido de utilização de crédito de terceiros, constatase que a autoridade administrativa quando da liquidação dos créditos, em 19/12/2003, em razão da insuficiência de prejuízo fiscal da cedente para efeito de cessão a terceiros, indeferiu parcialmente o crédito cedido. Assim, o montante de prejuízo fiscal adquirido pela contribuinte fiscalizada, que originariamente era de R$ 2.332.447,31, foi reduzido para R$ 1.877.418,41, conforme f1.18. Conseqüentemente, tal redução provocou uma menor liquidação no débito da fiscalizada Fato este que reflexamente implicou na constatação de que o deságio auferido foi menor do que aquele que se supôs originariamente. Fl. 223DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Assim, o deságio que era inicialmente de R$ 579.184,04 (R$ 614.184,04 — R$ 35.000,00) sofreu, após a liquidação operada no citado processo administrativo, uma diminuição, pois o poder liberatório do crédito adquirido que era de 614.184,04 passou a ser de R$ 545.929,70 (15% de R$ 1.877.418,41 + 8% de R$ 3.303.961,75). Todavia, a cláusula quarta do contrato obriga a cedente a devolver o preço em caso de não aceitação do crédito pela receita federal. Isto implica dizer que, com a redução do prejuízo fiscal cedido por insuficiência da cedente, é preciso recalcular o custo do crédito adquirido. Ou seja, se o crédito inicial de R$ 614.184,04 custava R$ 35.000,00, então o crédito efetivamente liquidado de R$ 545.929,70 passa a custar R$ 31.110,44. Desse modo, temse que o deságio inicial que era de R$ 579.18404 passou a ser, após a liquidação, de R$ 514.819,26 (R$ 545.929,70 — R$ 31.110,44). (...) III.3 Da não apropriação do deságio na aquisição de créditos fiscais no ano calendário 2003, como afirmado pela contribuinte fiscalizada. 33 — Como já anteriormente visto, a contribuinte alegou (fl.14) que apropriou o deságio na aquisição dos referenciados créditos fiscais como receita tributável em 2003. Para comprovar a citada apropriação, apresentou os seguintes elementos de prova: 1 — Cópia do Razão relativo á conta 2.03.01.30.00001 — Tributo Consolidado a Recolher, movimento do período de 01/12/03 a 31/12/03 (fl.08); 2 — Consulta extrato da conta REFIS, emitido pelo sitio eletrônico (www.receita.fazenda.gov.br) da SRF, (fl.09); 34 — Como já visto também, no caso em análise, a liquidação não admitiu a compensação solicitada de modo integral, pois o crédito adquirido de terceiro só foi liquidado parcialmente, uma vez que o cedente cedeu mais do que dispunha para tal. Assim, reconheceuse o montante de R$ 552.338,55, que corresponde a soma de R$ 6408,85 (créditos próprios) com Rs 545.929,71 (crédito de terceiro). 35 — A tabela a seguir mostra um comparativo entre os lançamentos de ajuste realizados pela Receita Federal, em razão da liquidação, nas contas do Refis (fls, 09 e 44), e, reflexamente, os lançamentos realizados pelo contribuinte em sua conta 2.03.01.30.00001 — Tributo Consolidado a Recolher (fls.08, 47/48): (...) Com relação a referida tabela, os autuantes explicam que houve uma incorreção na conta Refis, e que a contribuinte simplesmente ajustou sua contabilidade para permanecer com seu saldo igual ao saldo incorreto da conta do Refis, onde conclui: Fl. 224DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13971.001198/200526 Acórdão n.º 180200.783 S1TE02 Fl. 189 7 37 — Diante do que foi exposto neste tópico, resta evidenciado que a receita que a contribuinte fiscalizada alegou ter oferecido à tributação em 2003, a titulo de apropriação do deságio na aquisição de créditos fiscais de terceiros, não corresponde à verdade expressa nos lançamentos registrados em sua escrita contábil, pois a alegada receita prendese tão somente à contrapartida dos lançamentos efetuados a débito na conta 2.03.01.30.00001 — Tributo Consolidado a Recolher, motivados unicamente pela redução indevida no saldo da conta do Refis, em decorrência dos lançamentos incorretos ocorridos em 11/12/2003. 0.08, 47/48): (...) A autuada apresentou sua impugnação (fls.94 a 142), que a seguir se resume: ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL (fls.95 a 99) preliminarmente, alega a ausência de fundamentação legal que ampare o lançamento, pois analisandose a legislação mencionada como fundamentação legal, percebese que ela é inaplicável ao caso (fls.95 a 97); conclui que "Se a operação realizada pela impugnante tratouse de um ganho de capital ou de um deságio não oferecido a tributação, a autuação deveria ter se fundamentado em tais dispositivos legais e não em artigos totalmente diversos, que levam a crer que os fiscais simplesmente desconsideraram a contabilização efetuada pela impugnante como se a mesma em momento algum tivesse existido." e, ainda, "O auto de infração objeto desta impugnação não contém em seu corpo, a capitulação legal da infração, isto é, não conte'm qualquer dispositivo legal que dê suporte jurídico à exigência..."; ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR (fls.98 a 100) que durante a fiscalização do ano calendário de 2000, verificouse que a escrituração contábil de deságio deuse em dezembro de 2003, momento no qual a mesma foi 'homologada' pela Receita Federal; menciona c transcreve o art.114 do CTN (f1.99), para concluir que "No caso em tela houve uma condição suspensiva, prevista em contrato, que tratava da homologação do crédito pela Receita Federal, na qual o negócio seria desfeito e os valores devolvidos se o crédito não fosse aceito pela Receita Federal." que isto demonstra que o fato gerador não ocorreu na celebração do contrato, mas na homologação que só veio a ocorrer em dezembro de 2003, como identificou a fiscalização em seus relatório fls.15; não há pois, como desenvolver um cálculo de deságio na assinatura do contrato e outro cálculo na homologação como valores de devolução do ato negociai, pois sequer houve devolução de qualquer valor; não há provas de que o negócio Fl. 225DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 tenha sido concluído em R$ 31.110,44, como se houvessem a devolução de valores como querem os fiscais; que não pode haver dois momentos distintos para definir o fato gerador; afinal o fato é um só; aquisição de créditos de terceiro, e só ocorre no momento em que estiver implementado, neste caso homologado e aceito definitivamente como crédito na conta corrente Refis por parte da receita Federal; que na Notificação em comento os Fiscais elegeram o aspecto temporal em 2000 (data do contrato) e o aspecto quantitativo em 2003 (data da homologação), cometendo um erro grosseiro na definição básica do fato gerador, desassociando a base de cálculo do tempo de sua ocorrência em dois momentos distinto o que é impossível em direito tributário; como poderia a impugnante antever o valor a ser utilizado para abatimento da multa e juros dos valores inclusos no REF1S se o mesmo encontravase em condição suspensiva, ou melhor, pendente de homologação pela própria autuante?, CESSÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO COMO FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA E CSLL (fls.100 a 101) que na operação em comento ocorreu mera cessão de direitos que serviu para reduzir o passivo fiscal não equivalendo a nenhum ingresso de receita e sequer movimentando a conta caixa, exceto no exato valor do pagamento do crédito sem que isso possa a equivaler a um ganho; o que ocorreu no caso em tela foi a reversão de obrigações a pagar com reflexos na reversão de despesas; por esta razão somente vicissitudes que digam respeito a receitas é que poderão estar alcançadas pela norma de incidência das contribuições em exame, delas não participando as que digam respeito as despesas; isto implica reconhecer que as vicissitudes das despesas não compõem a base de cálculo das contribuições, nem mesmo quando, por via inversa, tenham algum reflexo no seu dimensionamento, reduzindoas; mesmo não configurando uma receita o contribuinte ofereceu a tributação os valores creditados na conta Refis por entender que houve uma reversão de despesa; esta operação foi realizada na data da homologação dos valores na conta Refis e oferecidas a tributação conforme documento (livro razão e diário) anexos; desta forma quer a Receita Federal exigir tributo duas vezes sobre a mesma operação; DOS REGISTROS CONTÁBEIS PERTINENTES todos os valores ora exigidos na presente notificação já foram oferecidos a tributação, conforme prova os documentos anexos, nos registros contábeis da conta 2.03.01.30.0001 — TRIBUTOS CONSOLIDADOS A RECOLHER onde além do valor confirmado R$ 326.946,34, o valor atualizado da TJLP de R$ 450.569,35; estes valores foram oferecidos a tributação e computados na base de cálculo do IRPJ e CSLL e foram completamente desconsiderados pela fiscalização que dispôs no tópico 36 que Fl. 226DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13971.001198/200526 Acórdão n.º 180200.783 S1TE02 Fl. 190 9 estes lançamentos nada tem a ver com a cessão de créditos do Refis; ora estes lançamentos tratam do que então? A título de que o contribuinte iria oferecer estes valores a tributação? que os valores homologados são R$ 552.338,55 e TJLP R$ 213.340,76 totalizando R$ 765.679,31, enquanto que os valores contabilizados são R$ 450.569,35 e R$ 326.946,34 totalizando R$ 777.515,69, portanto o contribuinte contabilizou adequadamente os valores objetos da cessão de crédito não corroborando com os erros cometidos pela Receita Federal nos lançamentos a conta Refis; portanto, não há como não associar os lançamentos contábeis, realizados corretamente nos valores exatos da homologação da Receita Federal, momento este que coincide com os do ordenamento jurídico do art.116 e 117 do CTN, que é o momento do implemento do ato perfeito e acabado, e que estão sendo oferecidos a tributação; ou seja, o TRIBUTO JÁ ESTÁ PAGO, não podendo o Fisco exigir um valor QUE JÁ FOI OFERECIDO A TRIBUTAÇÃO, não pode o Fisco desclassificar a escrita contábil do contribuinte ou desassociar os lançamentos como se fossem não verdadeiros; DA INEXIGIBILIDADE DO PIS E COFINS DA REVERSÃO DE DESPESA das fls.102 a 115, trata a Impugnante de contestar a tributação ora feita e incidente sobre as contribuições do PIS e da COF1NS, onde transcreve artigos da Lei 9.718/98, que alargaram a base de cálculo destas contribuições, mas que, em seu entendimento, a operação em análise não possui o conteúdo de receita; discorre longamente acerca de conceitos de receita, trazendo excertos doutrinários e ementas de julgados do CC; DA MULTA das fls.115 a 120, discorre sobre conceitos de tributo, crédito tributário, que a multa é excessivamente onerosa e das fls.120 a 127, salienta que CF/88 ao vedar a utilização de tributo com efeito de confisco, também aí se inclui a multa; que toda multa em patamares exorbitantes (esta de 75%) deve ser considerada confiscatória (fl.124) e que pela equidade tributária (art.108 do CTN, fl.124/125) é necessário abrandar o texto da lei; Da Aplicação de Juros Ilegais/ O Conceito de juros e suas Espécies (fis.127 a 129), da Taxa SELIC / Impossibilidade de sua Aplicação em Débitos Tributários (fis.140 a 140); nestes tópicos, faz considerações acerca da natureza remuneratória da taxa SELIC, para, após longo arrazoado, concluir que "[...] não poderia o Fisco reclamar o pagamento de juros de mora sobre tributos vencidos, calculado por taxas de juros de natureza remuneratória, sob pena de ofensa ao conceito jurídico e econômico de juros moratórios, e de ferir os Fl. 227DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 mandamentos contidos no parág. 1º do art.161 do Código Tributário Nacional e no parág. 3° do art.192 da Constituição Federal." Em 05 de setembro de 2008, a 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC conheceu da impugnação e julgou procedente em parte os lançamentos, nos termos do Acórdão DRJ/FNS n° 0713.772 (fls.149/157), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2000 Deságio Obtido na Aquisição de Prejuízos Fiscais de Terceiros. Utilização no Refis. Tratamento Fiscal. Receita Tributável. A diferença (deságio) entre o preço pago e o valor do crédito compensável advindo de prejuízo fiscal/base negativa de CSLL adquirido de terceiro, se constitui em acréscimo patrimonial a ser reconhecido e tributado pelo IRPJ na data de sua aquisição para utilização no pagamento de multa e juros no âmbito do Rfiss. Se o crédito confirmado (homologado)revelarse inferior ao cedido, permanece o custo de aquisição firmado no contrato de aquisição dos créditos fiscais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2000 Lançamento de Oficio. Multa Aplicável As multas de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestimulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. A exigência de multa de oficio, processada na forma dos autos, está prevista em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar argüições contra a sua cobrança ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2000 Argüições de Inconstitucionalidade e Ilegalidade da Legislação Tributária. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL. PIS. COFINS. Lançamento Decorrente. Fl. 228DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13971.001198/200526 Acórdão n.º 180200.783 S1TE02 Fl. 191 11 Efeitos. Mantida a matéria tributável apurada no lançamento do IRPJ, sendo a mesma que deu causa ao lançamento das contribuições, permanece inalterado o lançamento destas, face à íntima relação de causa e efeito entre os lançamentos de IRPJ (principal) e os ditos decorrentes. ASSUNTO: CONTR/BUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2000 BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. A COFINS será calculada com base no seu faturamento, que corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, entendendose por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O P/S/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2000 BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. A contribuição para o PIS/Pasep será calculada com base no seu faturamento, que corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, entendendose por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Cientificada do Acórdão acima mencionado em 23/09/2008 (AR à fl.), a autuada, interpôs, em 21/10/2008, o Recurso voluntário de fls.161/184, ao Conselho de Contribuintes, apresentando essencialmente os mesmos argumentos expendidos na impugnação. Em síntese, a recorrente insiste que: os valores exigidos no auto de infração já foram oferecidos à tributação e computados na base de cálculo de apuração do IRPJ e da CSLL; há erro na capitulação legal, ou seja, que o auto de infração não contém qualquer dispositivo legal que dê suporte jurídico à exigência e o lançamento que faz, com total abstração da norma legal que devia constar do próprio auto, mas dele foi omitida; que o fato gerador não ocorreu na celebração do contrato, pois o crédito não havia sido homologado pela Receita Federal; que a homologação do crédito só veio a ocorrer em dezembro de 2003, como identificou a fiscalização em seu relatório, fl. 15; que não há como desenvolver um cálculo de deságio na assinatura do contrato e outro cálculo na homologação como valores de devolução do ato negocial, pois sequer houve devolução de qualquer valor, portanto, não pode haver dois momentos distintos para definir o fato gerador. Fl. 229DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 Afinal o fato é um só; aquisição de créditos de terceiro, e só ocorre no momento em que estiver implementado, neste caso homologado e aceito definitivamente como crédito na conta corrente Refis por parte da Receita Federal (sic); que, desta forma, correta está a contabilização efetuada pela recorrente, que levou o deságio a tributação em 2003, quando da confirmação dos créditos pela recorrida. que tanto o PIS quanto a Cofins são inexigíveis, conforme discorre às fls.171/183; que, é ilegal a aplicação da multa de ofício de 75% pelo caráter confiscatório e os juros de mora, pois, não obstante inexistir Lei que institua a SELIC para fins tributários, é também índice de cunho remuneratório, e não moratório, como quer a Lei (CTN/66 — art. 161, parág. 1º). Finalmente, a recorrente requer seja conhecido e provido o recurso, determinandose o cancelamento do débito apontado eis que, inexistente nos termos expostos. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13971.001198/200526 Acórdão n.º 180200.783 S1TE02 Fl. 192 13 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e suas alterações posteriores. Dele tomo conhecimento. Os presentes autos tratam de omissão de receita, decorrente do deságio na aquisição de créditos fiscais passíveis de utilização na amortização de juros e multas de débitos fiscais incluídos no REFIS. O deságio verificado referese ao custo de aquisição menor que o valor do crédito proporcionado por prejuízo fiscal e base de calculo negativa adquirido de terceiro. A operação de compra de tal crédito foi expressamente autorizada pela Lei 9.964/2000, que instituiu o REFIS e que dispôs que os valores comprados poderiam ser utilizados para a compensação de multas e juros devidos no âmbito do REFIS. A mencionada lei assim estabeleceu no parágrafo 7° do artigo 2°, verbis: ... § 7º Os valores correspondentes a multa, de mora ou de oficio, e a juros moratórios, inclusive as relativas a débitos inscritos em divida ativa, poderão ser liquidados, observadas as normas constitucionais referentes à vinculação e à partilha de receitas, mediante: I — compensação de créditos, próprios ou de terceiros, relativos a tributo ou contribuição incluído no âmbito do Refis; II — a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido, próprios ou de terceiros, estes declarados à Secretaria da Receita Federal até 31 de outubro de 1999. Os procedimentos para a liquidação dos débitos (multa e juros de mora) mediante a utilização do prejuízo fiscal, de terceiros, foram disciplinados pela Receita Federal mediante a Instrução Normativa 44 em 25/04/2000. Ainda de acordo com o parágrafo 8° do artigo 2° da citada lei 9.964, os valores a serem utilizados devido à compra de prejuízos fiscais são os seguintes: § 8º Na hipótese do inciso II do § 7º, o valor a ser utilizado será determinado mediante a aplicação, sobre o montante do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa das alíquotas de 15% (quinze por cento) e de 8% (oito por cento), respectivamente. Fl. 231DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 Consta do Contrato Particular de Compra e Venda datado e assinado em 30/06/2000 (fls.06/07, cláusulas 2a e 3a ) que, “O preço certo e ajustado para a compra e venda é de R$ 35.000,00 (Trinta e cinco mil reais)” e que “O pagamento deverá ser feito em dinheiro, na data da assinatura do presente contrato”. A recorrente alega que no auto de infração em comento os Fiscais elegeram o aspecto temporal em 2000 (data do contrato) e o aspecto quantitativo em 2003 (data da homologação), cometendo um erro grosseiro na definição básica do fato gerador, desassociando a base de cálculo do tempo de sua ocorrência em dois momentos distintos o que é impossível em direito tributário. Consta do Termo de Verificação Fiscal, fl.68, o seguinte: 29 Examinando o processo administrativo n° 13975.000081/00 91, que trata do pedido de utilização de crédito de terceiros, constatase que a autoridade administrativa quando da liquidação dos créditos, em 19/12/2003, em razão de insuficiência de prejuízo fiscal da cedente para efeito de cessão o terceiros, indeferiu parcialmente o crédito cedido. Assim, o montante de prejuízo fiscal adquirido peia contribuinte fiscalizada que originalmente era de R$ 2.332.447,31, foi reduzido para R$ 1.877.418,41, conforme fl. 18. Conseqüentemente, tal redução provocou uma menor liquidação no débito da fiscalizada. Fato este que reflexamente implicou na constatação de que o deságio auferido foi menor do que aquele que se supôs originalmente. Assim, o deságio que era inicialmente de R$ 579.184,04 (R$ 614.184,04 R$ 35.000,00), sofreu, após a liquidação operada no citado processo administrativo, uma diminuição, pois o poder liberatório do crédito adquirido que era de R$ 614.184,04 passou a ser de R$ 545.929,70 (15% de R$ 1.877.418,41 + 8% de R$ 3.303361,75). Todavia, a cláusula quarta do contrato obriga a cedente a devolver o preço em caso de não aceitação do crédito pela Receita Federal. Isto implica dizer que, com a redução do prejuízo fiscal cedido por insuficiência da cedente, é preciso recalcular o custo do crédito adquirido. Ou seja, se o crédito inicial de R$ 614.184,04 custava R$ 35.000,00, então o crédito efetivamente liquidado de R$ 545.929,70 passa a custar R$ 31.110,44. Desta forma, tendo o contribuinte adquirido da empresa Eletro Metalúrgica Nardelli Ltda R$ 1.877.418,41 de prejuízo fiscal e R$ 3.303.961,75 de base de cálculo negativa de CSLL, ele pode utilizar o valor de R$ 545.929,70 (15% de R$ 1.877.418,41 + 8% de R$ 3.303.961,75), para liquidar multas e juros de débitos fiscais inscritos no REFIS. No auto de infração a receita tributável considerada foi na ordem de R$ 514.819,26 (545.929,70 31.110,44) porém a DRJ julgou parcialmente procedente o lançamento por entender que a receita a ser tributada é a diferença entre o crédito adquirido e o valor pago (R$ 545.929,70 R$ 35.000,00), ou seja, R$ 510.929,70. Sobre a tributação do mencionado ganho assim dispõe o § único do artigo 219 Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): Fl. 232DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13971.001198/200526 Acórdão n.º 180200.783 S1TE02 Fl. 193 15 Art.219.A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV)ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Parágrafo único.Integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto (Lei nº 7.450, de 1985, art. 51, Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 25, inciso II, e 27, inciso II). Dúvida não há que a adquirente obteve um ganho tributável (Deságio = Valor do direito adquirido — valor pago pelo direito) na mencionada operação (deságio obtido na compra de prejuízos fiscais e bases negativas de terceiros para utilização no Refis), ou seja, a adquirente obteve um ganho operacional a ser tributado no montante de R$ 510.929,70 (R$ 545.929,70 R$ 35.000,00). Quanto ao momento de escrituração do fato e reconhecimento dessa receita para fins tributários, entendo que a razão está com o Fisco, pois, na medida em que no ano calendário de 2000, o contribuinte adquiriu o direito ao crédito de terceiros e formalizou junto a Receita Federal o Pedido de Utilização de Créditos de Terceiros Decorrentes de Prejuízos Fiscais e Bases de Cálculo Negativas, este passou a produzir os efeitos que lhe são próprios, qual seja, a redução ou liquidação de acréscimos legais (multa e juros ) na consolidação dos débitos incluídos no REFIS. O fato de posteriormente a Receita Federal haver verificado em 19/12/2003 e, indeferido parcialmente o crédito cedido em razão de insuficiência de prejuízo fiscal da cedente para efeito de cessão aos terceiros, não retira os efeitos da liquidação dos débitos no limite do crédito existente, conforme se depreende do artigo 3º da mencionada IN SRF nº 044, de 25/04/2000, verbis: Art. 3o Para fins de consolidação dos débitos prevista no art. 2o da Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, caso ainda não tenha ocorrido a decisão da autoridade administrativa quanto ao direito aos créditos a serem compensados, as multas e os juros serão liquidados com base nos valores informados pelo optante na Declaração Refis e pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, na hipótese de crédito de natureza previdenciária, cuja compensação deverá ser requerida perante aquele Órgão. Parágrafo único. Na hipótese de redução do valor do crédito que houver sido apresentado para fins de compensação, os juros e as multas liquidados serão restabelecidos na mesma proporção e incluídos no débito consolidado remanescente. Sobre o assunto é importante transcrever o acórdão nº 10516.722 da 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão realizada em 18 de outubro de 2007, vejamos: Acórdão nº 10516.722 Fl. 233DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 GANHO RESULTANTE DO EMPREGO DE PREJUÍZO E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE TERCEIROS NA QUITAÇÃO DE MULTA E JUROS NO REFIS — Sendo o custo de aquisição menor que o valor do crédito proporcionado por prejuízo e base de cálculo negativa adquiridos de terceiro a diferença deve ser tributada na ocasião em que o contribuinte formalizar, no âmbito do Refis o pedido para o seu emprego na quitação de multa e juros independentemente de ainda estar o pedido pendente de apreciação definitiva pela autoridade fiscal. (Destaquei). Assim, diferente do entendimento da recorrente, o deságio obtido na aquisição de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de terceiros deve ser tributado no momento em que produz os efeitos que lhe são próprios e específicos (redução de acréscimos legais na consolidação dos débitos incluídos no REFIS) que se dá na formalização do pedido de liquidação dos débitos no âmbito do Refis. A recorrente afirma que os valores exigidos no auto de infração já foram oferecidos à tributação e computados na base de cálculo de apuração do IRPJ e da CSLL. O Termo de Verificação de Infração (fls.70/73) demonstra de forma cristalina que o valor do ganho/deságio em comento não fora objeto de contabilização pela contribuinte. O autuante conclui do seguinte modo à fl.73: 37 — diante do que foi exposto neste tópico, resta evidenciado que a receita que a contribuinte fiscalizada alegou ter oferecido à tributação em 2003, a titulo de apropriação do deságio na aquisição de créditos fiscais de terceiros, não corresponde à verdade expressa nos lançamentos registrados em sua escrita contábil, pois a alegada receita prendese tão somente à contrapartida dos lançamentos efetuados a débito na conta 2.03.01.30.00001 — Tributo Consolidado a Recolher, motivados unicamente pela redução indevida no saldo da conta do refis, em decorrência dos lançamentos incorretos ocorridos em 11/12/2003. Com efeito, a recorrente alega mas não traz provas firmes nos autos de que o valor do ganho operacional de que tratam os presentes autos tenha efetivamente transitado pelas contas de resultado e integrado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, seja no ano calendário de 2000 ou mesmo no ano calendário de 2003, que permita ilidir todo arrazoado demonstrado pelo autuante. A recorrente alega que há erro na capitulação legal, ou seja, que o auto de infração não contém qualquer dispositivo legal que dê suporte jurídico à exigência e o lançamento que faz, com total abstração da norma legal que devia constar do próprio auto, mas dele foi omitida. Conforme o auto de infração em que se exige o IRPJ, o lançamento encontrase fundamentado nos 244, 248, 251 e parágrafo único, 277 e 288, Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza RIR/99, os quais tratam, respectivamente, dos conceitos de “pessoa vinculada” e “lucro líquido”, “dever de escriturar”, “disposições gerais” do lucro operacional e “tratamento tributário” quando constatada a omissão de receita. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13971.001198/200526 Acórdão n.º 180200.783 S1TE02 Fl. 194 17 Ora, o fato gerador (ganho/deságio/receita) deve ser escriturado, compor o lucro operacional bem como o lucro líquido do período de apuração (31/12/2000) e como tal integrar à base de cálculo do imposto de renda (IRPJ) e da CSLL, haja vista que inexiste previsão legal para sua exclusão do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Consta do Termo de Verificação Fiscal o enunciado e subsunção dos fatos à Lei 9.964/2000, que instituiu o REFIS e que dispôs que os valores comprados poderiam ser utilizados para a compensação de multas e juros devidos no âmbito do REFIS). Vale lembrar que os autos de infração tratam de omissão de receita operacional, caracterizada pela falta de contabilização e tributação do deságio auferido na aquisição de créditos fiscais (prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL) de terceiros (Eletro Metalúrgica Nardelli Ltda), para liquidação de valores correspondentes a multa e juros moratórios, relativos a tributos ou contribuições incluídos no Refis. A omissão de receita verificada e relatada pela autoridade tributária é o elemento móvel para o lançamento de ofício e conseqüente lavratura dos autos de infração com a descrição dos fatos e enquadramento legal nos artigos 248, 251 e parágrafo único, 277 e 288, Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99). Ad argumentandum tantum, a falta de indicação da lei formal não implica em nulidade do lançamento, tendo em vista que os fatos estão bem descritos no Termo de Verificação Fiscal (fls.54/74) que é peça integrante dos Auto de Infração e sobre os fatos o contribuinte no exercício do direito a ampla defesa e do contraditório se defendeu demonstrando pleno conhecimento das imputações que lhe foram feitas. Nesse sentido há jurisprudência assentada no âmbito desse conselho administrativo, conforme se depreende da seguinte ementa do acórdão nº 1070.829, DOU de 02/01/1997, p.41, vejamos: AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA. Não dá causa a nulidade do lançamento fiscal o fato de a capitulação legal da irregularidade não se referir especificamente à mesma, se os fatos estão descritos na peça básica e sobre os quais se defendeu de forma alentada, demonstrando pleno conhecimento das acusações. Portanto, não merece guarida à argumentação da recorrente sobre o assunto em comento. Quanto à multa de ofício e aos juros de mora, a recorrente alega que é ilegal a aplicação da multa de ofício de 75% pelo caráter confiscatório e os juros de mora, pois, não obstante inexistir Lei que institua a SELIC para fins tributários, é também índice de cunho remuneratório, e não moratório, como quer a Lei (CTN/66 — art. 161, parág. 1º). No tocante à aplicação da multa de 75%, assim prescreve o artigo 44 da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 235DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 18 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Portanto, o descumprimento da obrigação tributária impõe a aplicação da multa de ofício de 75%, conforme prevista no inciso I do dispositivo legal acima descrito. Sobre a formalização do crédito com os juros moratórios, o artigo 161 do CTN, não deixa margem a serem afastados, seja qual for o motivo determinante da falta de pagamento do crédito tributário, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito Os juros de mora são calculados pela taxa Selic conforme dispõe o artigo 13 da Lei nº 9.065/1995. Portanto, o cálculo fiscal está em perfeita consonância com a legislação vigente. A exigência fiscal tratada nos autos de infração acrescida da multa de ofício e dos juros selic decorre de expressa disposição legal, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive nas Súmulas nº 2 e 4 desse E. Conselho Administrativo, verbis: Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Tributação Reflexa: CSLL O lançamento reflexo de CSLL, observa o mesmo procedimento adotado no auto de infração do IRPJ, devido à relação de causa e efeito que os vincula. LANÇAMENTOS REFLEXOS PIS/COFINS DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL Sobre os mencionados lançamentos, a alegação da recorrente é no sentido de que não são devidos os valores exigidos a titulo de PIS e COFINS no que se refere a dita receita à título de deságio. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls.59/61) que os artigos 2° e 3° da lei 9.718/98 alteraram o conceito de faturamento, ampliando o campo de incidência do PIS e da Cofins. Fl. 236DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13971.001198/200526 Acórdão n.º 180200.783 S1TE02 Fl. 195 19 A exigência do PIS e da Cofins sobre o deságio apurado pela fiscalização nos respectivos autos de infração tem como fundamentação legal os artigos 2° e 3° da lei 9.718/98. Tal matéria já se encontra pacificada no âmbito desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) quanto ao entendimento de que a decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados pelo CARF, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins outras receitas que não sejam as receitas da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta) da pessoa jurídica, conforme se extrai da ementa do Acórdão nº 20218.536 de 22 de novembro de 2007, in verbis: (...) BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Ao julgar os recursos extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 12, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins por meio de lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Excluemse, portanto, da tributação, as variações monetárias e demais receitas financeiras Cabe ainda salientar que referida matéria se encontra em lista de RE e RESP julgados em desfavor da Fazenda Nacional na forma dos arts. 543B e 543C do CPC, com dispensa para recurso da PFN, nos termos da Portaria PGFN 292/2010, disponível na página da internet da PGFN (http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoenormas/listasdedispensade contestarerecorrer/lista%20de%20dispensa.pdf), de seguinte teor: 1.1 – Lista de temas julgados pelo STF sob a forma do art. 543B do CPC, e que não mais serão objeto de contestação/recurso pela PGFN 1 RE n. 585.235 Relator: Min. Cezar Peluso Recorrente: UNIÃO Recorrido: IRMAZI – Administração e Participações LTDA. Data de julgamento: 10/09/2008 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, Fl. 237DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 20 eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). Observação: Como visto, o STF entendeu que a COFINS/PIS somente pode incidir sobre receitas operacionais das empresas (ligadas às suas atividades principais), sendo inconstitucional a sua incidência sobre as receitas não operacionais (p.ex. aluguel de imóvel). Sendo assim, percebese que a COFINS/PIS incidem sobre as receitas oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira), eis que as mesmas possuem natureza de receitas operacionais. Ou seja, a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, não impede que a COFINS/PIS incidam sobre as receitas decorrentes dos serviços financeiros prestadas pelas instituições financeiras. Tal entendimento restou firmado no Parecer PGFN/CAT n. 2773/2007,e, posteriormente, foi reiterado pelas Notas PGFN/CRJ n.178/2009 e n. 842/2009. Assim, diante disso, as unidades da PGFN devem continuar contestando/recorrendo em face de demandas/decisões que invoquem o precedente acima referido (declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98) a fim de afastar a incidência de PIS/COFINS sobre as receitas oriundas dos serviços financeiros prestadas pelas instituições financeiras. Sobre o tema, confiramse as ME/PGFN/CRJ 554, 642 e 748, disponíveis na intranet. Com efeito, o deságio obtido na aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da contribuição social sobre o lucro não integra a receita bruta, devendo, portanto, ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. Isto posto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para EXCLUIR as exigências relativas ao PIS e à Cofins. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 238DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10715.003904/2010-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
de apuração: 04/05/2007 a 31/05/2007
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA
EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETO-LEI 37/1966 (IN
SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna.
Numero da decisão: 3302-004.716
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Walker Araújo
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETO-LEI 37/1966 (IN SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Walker Araújo. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Lenisa Prado - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 07 15 .0 03 90 4/ 20 10 -7 4 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária agosto de 2017 agosto de 2017 Obrigações Acessórias Obrigações Acessórias AMERICAN AIRLINES INC AMERICAN AIRLINES INC FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 367DF CARF MF 2 Relatório A questão tem início na lavratura de auto de infração contra a contribuinte American Airlines Inc. consolidando a exigência da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-lei 37/1966, com a redação conferida pelo artigo 77 da Lei n. 10.833/2003, regulamentado pelas Instruções Normativas SRF 28, de 1994, e 510, de 2005. De acordo com a descrição dos fatos apresentados pela autoridade fiscal, constatou-se que a contribuinte deixou de registrar as informações de embarque de Declarações de Exportação, na forma e prazo estabelecidos pelo artigo 37 da IN SRF 28/1994. Por esse motivo, foi imposta multa em desfavor da ora recorrente, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por embarque desacompanhado do respectivo registro no SISCOMEX. Regularmente cientificada sobre a imposição da sanção pecuniária, a contribuinte apresentou impugnação, oportunidade na qual discorreu sobre os seguintes argumentos: a) em razão de erro operacional de seu estabelecimento no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, as informações concernentes ao embarque das mercadorias foram fornecidos ao SISCOMEX com atraso que excedeu entre 1 a 8 dias do prazo previsto na legislação de regência; b) ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, para a imposição de multa não basta a mera inobservância da legislação aduaneira; é necessária a demonstração da intenção dolosa do contribuinte em fraudar o controle aduaneiro, bem como a comprovação de dano ao Erário, o que não restou configurado na hipótese dos autos; c) a aplicação da pena é desarrazoada e desproporcional, devendo ser aplicado o que dispõe o artigo 654 do Regulamento Aduaneiro vigente há época dos fatos (Decreto n. 4.543/2002), a qual prevê a relevação da multa quando a infração não tenha resultado em falta ou insuficiência de recolhimento de tributos; d) o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento que se aplica às infrações de uma mesma espécie, apuradas numa mesma ação fiscal, a teoria da continuidade delitiva, de modo que, ainda que se entendesse pela configuração da infração, esta somente poderia ensejar a imputação de uma multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por todas as infrações apuradas pela fiscalização. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamentos de Florianópolis (SC), em acórdão que resultou na seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10715.003904/2010-74 Acórdão n.º 3302-004.716 S3-C3T2 Fl. 368 3 O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração ontida a línea e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. Aplica-se a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. INFRAÇÃO CONTINUADA. EMBARQUES DIFERENTES. MERA REITERAÇÃO DA CONDUTA INFRACIONAL. É incabível falar em infração continuada quando os atos caracterizadores da infração não resultam do aproveitamento das condições objetivas que balizaram a prática das infrações anteriores. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. Tendo em vista a presunção de constitucionalidade das normas legais que foram legitimamente inseridas no ordenamento jurídico, cabe à autoridade administrativa tão somente verificar se os fatos subsumemse na norma de regência e aplicar a penalidade em face da existência de expressa determinação legal, dado que o lançamento não é atividade discricionária, mas, bem ao contrário, vinculado e obrigatória. Impugnação rocedente em Parte Crédito Tributário Mantido Parte Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que ensejou a subida dos autos a este Conselho. Em 27 de janeiro de 2015, a 1ª Turma Especial desta 3ª Seção de julgamentos, ao apreciar os argumentos defendidos pelo contribuinte, deu provimento ao recurso voluntário, em decisão que foi assim sumariada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração:01/11/2006 a 30/11/2006 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE Fl. 369DF CARF MF 4 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Com supedâneo no artigo 67, do Anexo II do RICARF, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial contra a decisão proferida no apelo do contribuinte. Ultrapassado o juízo inicial de admissibilidade, o recurso foi levado a julgamento pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tendo sido parcialmente provido. Segue ementa do acórdão: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-lei 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei n. 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Naquela assentada, restou determinado que o processo deveria retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas em recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação na oportunidade de seu julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Lenisa Prado Na oportunidade do primeiro julgamento do recurso voluntário, foram apreciados os seguintes argumentos: Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10715.003904/2010-74 Acórdão n.º 3302-004.716 S3-C3T2 Fl. 369 5 (i) Sobre a denúncia espontânea- a turma de julgamento concluiu que a multa imposta deve ser cancelada, em estrita obediência ao artigo 138 do CTN, uma vez que a contribuinte informou à administração tributária as infrações por ela praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. (ii) Sobre a nulidade do auto de infração- tal argumento não foi reconhecido por aquele Colegiado, já que "a fiscalização apresentou planilha contendo o número das declarações, a data do embarque e a data em que foi enviada a declaração e a que vôo pretendia" o que não resulta na nulidade argüida pelo contribuinte. (iii) Sobre a ausência de dano ao Erário- foi afastada a argumentação sobre inexistência de dano aos cofres públicos porque prevaleceu o entendimento que houve embaraço à fiscalização, já que: "as declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita". (iv) Sobre a multa singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade - o colegiado não constatou equívocos na decisão proferida na impugnação, já que a multa foi imposta sobre cada informação prestadas em atraso em relação cada vôo (proporcional ao número de viagens). Concluiu-se, portanto, que foram respeitados os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Integram o recurso voluntário as seguintes alegações: 1. PRELIMINARES. SOBRE A NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA: * O auto de infração não fornece qualquer elemento que comprove que a contribuinte tenha deixado de prestar informações no prazo de 2 dias; * Não foram indicadas no auto de infração os números das Declarações de Exportação relacionando-os com os respectivos conhecimentos aéreos (AWBs); * Indica a existência de várias decisões administrativas proferidas pelos órgãos julgadores da Receita Federal que declararam nulas as autuações idênticas à que se submete a julgamento. 2. MÉRITO. DA RETROATIO IN MELIUS1. * Após a lavratura do auto de infração foi publicada a Instrução Normativa RFB n. 1.096, de 13/13/2010, que ampliou o prazo para registro dos dados pertinentes no SISCOMEX para 7 dias2. Afirma que o art. 106 do CTN permite que a dilação do prazo pela publicação da recente 1 Transcrição ipsis literis da petição de recurso voluntário. 2 O prazo anterior era de 2 dias, conforme determinava a IN RFB 28, de 27/04/1997. Fl. 371DF CARF MF 6 norma deve gerar benefícios a seu favor, já que não é mais considerada infração o não fornecimento de informações no prazo de 2 dias. Considerando que não poderão ser objeto de deliberação por este Colegiado as matérias abordadas no recurso voluntário e que já foram objeto de deliberação, nos resta apreciar, unicamente, o argumento sobre o fato superveniente, que é a publicação da IN RFB n. 1.096/2010 e se seus efeitos retroagem à data dos fatos descritos no auto de infração. E, sobre esse tópico, filio-me à vasta jurisprudência deste Conselho, que reconhece que os efeitos benignos da IN RFB n. 1.096/2010 devem surtir efeitos em hipóteses análogas à dos autos. Isso porque estamos diante de uma sanção (ainda que na seara tributária) e a melhor interpretação sobre o texto contido no inciso XL do artigo 5º da Constituição Federal 1988 impõe o reconhecimento que a lei penal deverá retroagir, sempre que for para beneficiar o réu (no caso, o contribuinte apenado pela multa). A propósito, e ilustrativamente, segue a ementa de julgado deste Conselho3, o qual adoto como fundamento: TERCEIRA SECÃO DE JULGAMENTO / 2ª CAMARA / 2ª TURMA ORDINARIA / ACÓRDÃO 3202-000.486 em 25/04/2012 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. Data do fato gerador: 04/07/2006, 06/07/2006, 10/07/2006, 11/07/2006, 13/07/2006, 15/07/2006, 23/07/2006 e 29/07/2006 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, 'E' DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, 'e' do Decreto-lei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo de dois dias para o registro desses dados no Siscomex. Uma vez que a IN SRF no 1.096/2010 fixou o prazo de sete dias para o registro dos dados no Siscomex, deve ser aplicada, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, a norma mais benéfica ao contribuinte. CONTAGEM DE PRAZO. DIA ÚTIL. A contagem dos prazos estipulados na legislação tributária deve seguir os ditames do artigo 210 do Código Tributário Nacional. Os prazos iniciam e terminam apenas em dias úteis. SISCOMEX. INDISPONIBILIDADE. PROVA. 3 Acórdão n. 3202-000.486, proferido no julgamento do Processo Administrativo n. 10715.001370/2010-41, em 25/04/2012. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10715.003904/2010-74 Acórdão n.º 3302-004.716 S3-C3T2 Fl. 370 7 A parte que alega a indisponibilidade do sistema SISCOMEX deve apresentar prova irrefutável sobre tal situação. A mera alegação, sem comprovação do alegado, não é capaz de influir no entendimento do julgador. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N. 02 DO CARF. De acordo com a Súmula n. 02 do CARF, o órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, preliminar de nulidade do auto de infração não acolhida e, no mérito, recurso voluntário provido em parte. (grifos adicionados) Assim, entendo que o recurso voluntário deve ser provido para que as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN SRF n. 1.096/2010) sejam canceladas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Relatora Lenisa Prado - Relatora Fl. 373DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720363/2014-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 01/08/2011, 13/12/2012
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. GANHO DE CAPITAL E OUTRAS RECEITAS. RESULTADO POSITIVO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL
O resultado positivo decorrente da avaliação dos investimentos pelo método da equivalência patrimonial não deve ser adicionado à Base de Cálculo do Lucro Presumido.
Numero da decisão: 1302-002.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. O Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado solicitou a apresentação de declaração de voto. Não votou o Conselheiro Carlos César Candal Moreira Filho, que substituiu o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior no colegiado e que já havia votado, nos termos do art. 57 § 5º do Anexo II do Ricarf.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 01/08/2011, 13/12/2012 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. GANHO DE CAPITAL E OUTRAS RECEITAS. RESULTADO POSITIVO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL O resultado positivo decorrente da avaliação dos investimentos pelo método da equivalência patrimonial não deve ser adicionado à Base de Cálculo do Lucro Presumido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. O Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado solicitou a apresentação de declaração de voto. Não votou o Conselheiro Carlos César Candal Moreira Filho, que substituiu o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior no colegiado e que já havia votado, nos termos do art. 57 § 5º do Anexo II do Ricarf. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1769; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15540.720363/201439 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1302002.291 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2017 Matéria LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JCA HOLDING PARTICIPAÇÕES LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 01/08/2011, 13/12/2012 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. GANHO DE CAPITAL E OUTRAS RECEITAS. RESULTADO POSITIVO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL O resultado positivo decorrente da avaliação dos investimentos pelo método da equivalência patrimonial não deve ser adicionado à Base de Cálculo do Lucro Presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. O Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado solicitou a apresentação de declaração de voto. Não votou o Conselheiro Carlos César Candal Moreira Filho, que substituiu o Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior no colegiado e que já havia votado, nos termos do art. 57 § 5º do Anexo II do Ricarf. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 03 63 /2 01 4- 39 Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 15540.720363/201439 Acórdão n.º 1302002.291 S1C3T2 Fl. 3 2 Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto pela DRJ, em virtude de exoneração de crédito tributário em valor superior à R$1.000.000,00 (art. 34, inciso I do Decreto n° 70.235/1972, com a nova redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532, de 10/12/1997, e de acordo com o art. 1º da Portaria do Ministro de Estado da Fazenda n.° 3, de 03/01/2008). O valor à época exonerado também excede o limite atual de R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017). O procedimento fiscal foi instaurado em razão de haver indícios de omissão, em relação ao resultado positivo de equivalência patrimonial obtido pela fiscalizada. A Fiscalização verificou que a interessada, optante pela tributação com base no Lucro Presumido, obteve receitas referentes aos resultados positivos de equivalência patrimonial, mas não informou regularmente nas respectivas DIPJs, relativamente aos fatos geradores entre 01/08/2011 e 31/12 2012. As receitas auferidas foram extraídas da rubrica contábil n° 3.2.02.03.0001, cujos principais dados estão reproduzidos na tabela constante das fls. 33/34. Acrescenta que as DCTFs apresentadas são compatíveis com as DIPJs, o que denotaria a f alta não só de informação, como também a falta de declaração dos tributos correspondentes, destacando o valor que deveria ter sido informado (fl. 35). No presente processo, portanto, trataramse somente dos fatos geradores ocorridos entre 01/08/2011 a 31/12/2012, em razão da ocorrência de cisão parcial da interessada. O lançamento de ofício, referente aos fatos geradores ocorridos nos anos anteriores estão controlados pelo processo administrativo digital n° 15540.720.362/201494. Verificouse (Livros Diários n° 86 a 97) que a fiscalizada auferiu receitas referentes ao resultado positivo de equivalência patrimonial, conforme escriturado na conta n° 3.2.02.03.0001, cujos valores estão detalhados no quadro demonstrativo de fls. 33 e 34. Conforme DIPJ apresentada, a fiscalizada optou, como dito, pelo lucro presumido. Nessa Declaração, informou que não obteve receitas referentes aos resultados positivos da equivalência patrimonial, uma vez que as fichas e as linhas, abaixo citadas, encontramse zeradas. Por sua vez, as DCTF apresentadas são compatíveis com as DIPJ. 8.1 FICHA 14A LINHA 19 e FICHA 18A LINHA 15 DIPJ2012 ND: 0001035487 4o TRIMESTRE DE 2011 (valor que deveria ter sido informado: 7.305.599,65); 8.2 FICHA 14A LINHA 19 e FICHA 18A LINHA 15 DIPJ2013 ND: 0000943543 2o TRIMESTRE DE 2012 (valor que deveria ter sido informado: 8.158.681,51); 8.3 FICHA 14A LINHA 19 e FICHA 18A LINHA 15 DIPJ2013 ND: 0000943543 3o TRIMESTRE DE 2012 (valor que deveria ter sido informado: 8.976.444,63); 8.4 FICHA 14A LINHA 19 e FICHA 18A LINHA 15 DIPJ2013 ND: 0000943543 4o TRIMESTRE DE 2012 (valor que deveria ter sido informado: 26.692.500,71). Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 15540.720363/201439 Acórdão n.º 1302002.291 S1C3T2 Fl. 4 3 Das Conclusões da Fiscalização A Fiscalização concluiu que, diante da opção pela tributação com base no Lucro Presumido, seria de se aplicar ao caso as disposições da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que assim dispõem: Art. 25. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1º desta Lei; II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas, os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. ... Art. 29. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado e belas demais empresas dispensadas de escrituração contábil, corresponderá à soma dos valores: I de que trata o art. 20 da Lei nº 9.249. de 26 de dezembro de 1995; II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. Concluiuse que, a referida legislação determina que o lucro presumido compreende todos os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso I do art. 25 da Lei nº 9.430, que seria o caso dos resultados positivos da equivalência patrimonial. Prosseguiu a Fiscalização ressaltando que, conforme as regras vigentes à época, apesar de não haver mais a obrigatoriedade de tributação pelo lucro real, as empresas controladoras seguiam vinculadas à avaliação dos investimentos permanentes e relevantes ao método da equivalência patrimonial, sem que houvesse uma norma específica que as desobrigasse de oferecimento à tributação da receita correspondente. Ao contrário, a norma era literal quando determinava que todos os resultados positivos deveriam compor o lucro presumido. Caso optasse por apurar o IRPJ pelo lucro real, o resultado positivo da equivalência patrimonial seria fiscalmente neutro, conforme disposto no DecretoLei nº 1.598, Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 15540.720363/201439 Acórdão n.º 1302002.291 S1C3T2 Fl. 5 4 de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV, transcritos para o art. 389 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), da seguinte forma: Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valar de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real. Destacou que, embora os tributos fossem os mesmos, a opção quanto a sua forma de apuração, se lucro real ou se lucro presumido, influía decisivamente na composição das bases de cálculo a ponto de serem nitidamente diferentes entre si as duas modalidades mencionadas. Assim, o que seria aplicável a uma, não seria, obrigatoriamente, à outra, e vice versa. Caberia ao contribuinte, observadas as permissões legais, optar pela forma de tributação que melhor lhe atendesse. No presente caso, optou a fiscalizada por apurar o lucro presumido. Nesse contexto, a Fiscalização destacou que, a legislação apresentava em sua literalidade a expressão "na determinação do lucro real", o que não deixava dúvida que só se aplicaria quando a opção de tributação fosse pelo lucro real, que não era o presente caso, pois, conforme declaração anexa a este processo, a opção da fiscalizada foi pelo lucro presumido. Logo, não constando na legislação expressamente que a regra contida no art. 389 do RIR/99 se aplicaria na determinação do lucro presumido, não poderiam as receitas auferidas com o resultado positivo da equivalência patrimonial detalhados nos referidos quadros demonstrativos, deixar de ser tributadas pelo IRPJ e pela CSLL. Da Impugnação A impugnação da interessada foi julgada procedente pela DRJ. Destacamse as seguintes razões de defesa da Recorrida: a) a receita deve representar, necessariamente, ingresso de nova riqueza ao patrimônio, o que interpretado diversamente afrontaria o art. 109 do CTN; b) conforme jurisprudência do CARF, o conceito de "demais receitas" pressupõe valores recebidos oriundos de atividades estranhas ao objeto social, mas que tenha caráter contraprestacional, ou seja, com o intuito de lucro; c) os "ganhos de equivalência" decorrem de lucros já tributados nas investidas, portanto tributar a mesma receita afronta o art. 10 da Lei 9.249/95, configurando também "bitributação"; d) a legislação que determina a obrigatoriedade de efetuar a equivalência patrimonial está endereçada somente aos optantes pelo Lucro Real; e) se a autoridade fiscal considerou o mesmo regulamento para as optantes pelo Lucro Real e pelo Lucro Presumido, a norma excludente do art. 389 do RIR/99 também deve valer para ambos os regimes, sob pena de violar o princípio da razoabilidade conforme art. 2º da Lei 9.784/99; Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 15540.720363/201439 Acórdão n.º 1302002.291 S1C3T2 Fl. 6 5 f) o fiscal, por via transversa, tenta dar interpretação ampliativa aos termos "demais receitas" ou "resultados positivos não previstos no inciso anterior'", estabelecidos no art. 25, I e II, da Lei n° 9.430/96, e tratamento diferenciado, não expressamente previsto na lei, as situações jurídicas idênticas (art. 389 do RIR/99); g) interpreta a legislação “in focu” de maneira parcialmente distinta às empresas optantes pelo regime do Lucro Real e Lucro Presumido, pois, a regra do art. 389 do RIR/99 trata de norma geral imunizante que atinge a todas as situações jurídicas de sociedades investidoras em outras sociedades; h) indica o item 15.2.10 Receitas e Rendimentos não Tributáveis, do tópico de ajuda do Manual da DIPJ/2014, ao definir as receitas não tributáveis para fins de apuração do IRPJ e CSLL na sistemática do lucro presumido; i) invoca o art. 7o das IN's 51/95 e 11/96, que cuidam da tributação mensal do IRPJ com base nas receitas mensais, previsão esta que manda não incluir o resultado positivo de equivalência patrimonial na base de cálculo da estimativa; j) cita entendimento do STF, o qual sustenta que o MEP, introduzido pela Lei 6.404/76, é, na essência, mero ajuste contábil realizado com o fim específico de determinar o valor dos investimentos de uma companhia em outras empresas, ou seja, não se apura lucro, renda ou rendimento por esse método; k) destaquese, outrossim, a obrigatoriedade de avaliar os investimentos pelo método da equivalência patrimonial está arraigada na Lei nº 6.404/76 (lei que dispõe sobre as Sociedades por Ações), em seu art. 248, que foi adaptada, à época, pela legislação fiscal nos termos dos arts. 20 e 26 do DecretoLei nº 1.598/77, no Capítulo II, que dispõe sobre o Lucro Real. Sendo sociedade empresária do tipo "Limitada" e, concomitantemente, optante pelo lucro presumido, a autuada não tem a obrigatoriedade de avaliar seus investimentos por esse método, justamente por não existir norma cogente, mandamental, com tal exigência; l) desse modo, não sendo obrigada pela legislação comercial, tampouco pela legislação fiscal, a avaliar seus investimentos pelo método da equivalência patrimonial, por ser sociedade empresária do tipo "Limitada" e optante pelo lucro presumido, estando ainda dispensada de escriturar o Livro Diário se mantiver a "movimentação financeira" no Livro Caixa, que é onde as receitas a serem tributadas no regime do lucro presumido devem ser registradas, concluise, então, ser incabível a tributação em análise, como ocorreu sobre os "lançamentos" na conta contábil n° 3.2.02.03.0001 resultado de equivalência patrimonial efetuados no Livro Diário; Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 15540.720363/201439 Acórdão n.º 1302002.291 S1C3T2 Fl. 7 6 m) reiterese não há como tributar a receita oriunda de um ganho avaliado pelo método da equivalência patrimonial, sendo que qualquer outro contribuinte optante pelo Lucro Presumido, na mesma situação, pelo simples fato de não optar pela escrituração detalhada, não seria tributado. O fato gerador é a situação definida em lei, cuja escrituração é mera consequência; n) para melhor reflexão, rememorese que o imposto de renda incide sobre a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica (art. 43 do CTN). A aquisição de disponibilidade econômica justificase pela faculdade plena de usar, gozar e dispor dinheiro ou coisas nele conversíveis. Já a da disponibilidade jurídica verificase pela obtenção do direito de crédito não sujeito à condição suspensiva. Ao autorizar o contribuinte a optar pelo regime de caixa, certamente não quis o legislador tributar a disponibilidade jurídica. Desse modo, optando pelo Lucro Presumido, para haver tributação, deve impreterivelmente ocorrer a aquisição de disponibilidade econômica, considerandose a expressão "movimentação financeira" utilizada no dispositivo abaixo transcrito, a qual será registrada inevitavelmente no Livro Caixa, justificando, por conseguinte, a dispensa pela legislação "fiscal" da obrigatoriedade de se escriturar o Livro Diário. Segue o disposto no art. 45, parágrafo único da Lei 8.981/95 (grifo nosso): Lei nº 8.981/95 Art. 45. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; [...] Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Do Acórdão Recorrido À vista do Relatório Fiscal (fls. 32/40) e da Impugnação (fls. 863/1013), a DRJ julgou procedente a impugnação, com base nos seguintes fundamentos: O que importa é a realização fática da hipótese de incidência prevista na norma, quando ocorrida no mundo fenomênico. O registro do acontecimento (escrituração do fato gerador) é mera consequência gerencial e/ou contábil. Há hipóteses em que a legislação fiscal obriga manter uma escrituração completa, como é o caso dos optantes pelo Regime do Lucro Real. Em outros casos, há a autorização para escriturar somente o livro caixa, como no caso do parágrafo único do art. 45 da lei 8.981/95. Transportando o raciocínio supra para o caso em questão, se a impugnante optasse por escriturar o livro caixa, em vez de manter os registros no diário, certamente não seria autuada por "existir" o resultado positivo apurado pelo método Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 15540.720363/201439 Acórdão n.º 1302002.291 S1C3T2 Fl. 8 7 de avaliação da equivalência patrimonial. A legislação fiscal é clara e objetiva ao dispor que o optante pelo lucro presumido pode deixar de apresentar o Livro Diário, caso mantenha a escrituração no Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária. O mesmo resultado advindo do ganho de equivalência patrimonial, não registrado como receita porquanto não sendo obrigado a escriturar o livro diário pela legislação fiscal, não seria tributado em outro contribuinte na mesma situação, diante do “mesmo fato”. O aspecto material do fato gerador decorre da subsunção do fato efetivamente ocorrido ao previsto na norma. Não é a forma de escrituração que determina a ocorrência do fato gerador. O registro é mera consequência do fato que já ocorreu, que, por sua vez, é ou não fato gerador do tributo. Destaquese, outrossim, a obrigatoriedade de avaliar os investimentos pelo método da equivalência patrimonial está arraigada na Lei 6.404 76 (lei que dispõe sobre as Sociedades por Ações), em seu art. 248, que foi adaptada, à época, pela legislação fiscal nos termos dos arts. 20 a 26 do DecretoLei 1.598/77, no CAPITULO II, que dispõe sobre o Lucro Real. Sendo sociedade empresária do ripo "Limitada" e, concomitantemente, optante pelo lucro presumido, a autuada não tem a obrigatoriedade de avaliar seus investimentos por esse método, justamente por não existir norma cogente, mandamental, com tal exigência. Desse modo, não sendo obrigada pela legislação comercial, tampouco pela legislação fiscal, a avaliar seus investimentos pelo método da equivalência patrimonial, por ser sociedade empresária do tipo "Limitada" e optante pelo lucro presumido, estando ainda dispensada de escriturar o Livro Diário se mantiver a "movimentação financeira" no Livro Caixa, que é onde as receitas a serem tributadas no regime do lucro presumido devem ser registradas, concluise, então, ser incabível a tributação em análise, como ocorreu sobre os "lançamentos" na conta contábil n° 3.2.02.03.0001 resultado de equivalência patrimonial efetuados no Livro Diário. Reiterese não há como tributar a receita oriunda de um ganho avaliado pelo método da equivalência patrimonial, sendo que qualquer outro contribuinte optante pelo Lucro Presumido, na mesma situação, pelo simples fato de não optar pela escrituração detalhada, não seria tributado. O fato gerador é a situação definida em lei, cuja escrituração é mera consequência. (...) Afirmar ainda que o resultado positivo na avaliação pela equivalência patrimonial está implícito na expressão prevista no art. 25, II da Lei 9.430/96 as demais receitas, os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso I” não é congruente ao dispositivo supracitado, que dispensa a escrituração do Livro Diário. Pareceme que tal dispensa é justificada pelo fato de o lançamento dessas “demais receitas” e “'resultados positivos” o qual se deseja tributar, gerar disponibilidade econômica e, por isso, estar sujeito ao registro no livro caixa. Caso contrário, inadmissível seria a dispensa do Livro Diário, se o objeto da norma fosse fazer com que o tributo incidisse, no regime do lucro presumido, sobre a disponibilidade jurídica. Considerese ainda o que dispõe o art. 113, § 2º do CTN: Art. 113. A obrigação tributária principal ou acessória (...) Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 15540.720363/201439 Acórdão n.º 1302002.291 S1C3T2 Fl. 9 8 § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Observese que a obrigação acessória tem por objeto prestações com o fim de arrecadar ou fiscalizar os tributos. A fiscalização ocorre para averiguar se está havendo a regular arrecadação. A obrigatoriedade da apresentação da escrituração no Livro Diário ou no Livro Caixa é uma obrigação acessória. Dispensandose a escrituração do primeiro livro, inferese que não é o objetivo do legislador arrecadar ou fiscalizai o que nele seria registrado. Ademais, verificase que a discussão cingese ao alcance das expressões do art. 25, II da Lei 9.430/96 "as demais receitas, os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso I", cabendo portando aplicar a interpretação analógica, invocando o direcionamento preconizado no art. 108, I do CTN. Como o regime de pagamento mensal pela base de cálculo estimada é o que mais se aproxima, considerando que não há "disposição expressa" indicando a receita de equivalência patrimonial como tributável no regime do lucro presumido, verificase que, por analogia, é aplicável a dispensa elencada no §1º do art. 32 da Lei nº 8.981/95, reproduzida no § 1º do art. 225 do RIR/99, conforme abaixo: Ganhos de Capital e outras Receitas Art. 225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata a Subseção, para efeito de incidência ao imposto (Lei nº 8.981, de 1995. art. 32, e Le nº 9.430. de 1996, art. 2%). § 1° O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos tributados pertinentes às aplicações financeiras de renda fixa e renda variável, bem como aos lucros, dividendos ou resultado positivo decorrente da avaliação de investimento pela equivalência patrimonial (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, § 1º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). (...) Diante de todo o exposto, não há dúvidas que a expressão que fundamentou a constituição do crédito tributário, prevista no art. 25, II resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso I busca tributar qualquer disponibilidade "econômica" admitida pelo contribuinte. Como a receita registrada devido à avaliação dos investimentos pela equivalência patrimonial é mero ajuste contábil, não configurando realização financeira, também não se enquadra no campo de incidência do imposto quando feita a opção pelo Lucro Presumido. Acrescentese que não cabe à autoridade administrativa analisar se há ou não o “bis in idem”, sob o argumento que as receitas já foram tributadas na investida. Fato é que a lei não determina objetivamente ser o resultado positivo da avaliação dos investimentos pela equivalência patrimonial tributado. Pelo contrário, em regime muito semelhante, que é o pagamento mensal do imposto sobre base de cálculo estimada (art. 221 e seguintes do RIR/99), ela determina sua exclusão da base de cálculo, consoante o disposto no art. 225, §1° supramencionado. Das Razões de Recurso de Ofício (PGFN) Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 15540.720363/201439 Acórdão n.º 1302002.291 S1C3T2 Fl. 10 9 A Fazenda Nacional, por intermédio da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, interpôs suas razões ao Recurso de Ofício da DRJ, sobre as quais destacamse os seguintes termos: No que diz respeito à exclusão do ajuste da base de cálculo do IRPJ e CSLL, a legislação é expressa apenas no tocante ao lucro real, nos termos do artigo 23 do DecretoLei 1.598/77, não cabendo ao contribuinte optante do lucro presumido pleitear equidade para se ver dispensado de oferecer o referido resultado a tributação. A pretensão esbarra no disposto no artigo 108, § 2o do CTN, segundo o qual o emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Assim, o legislador excluiu, expressamente, o ajuste do valor patrimonial do investimento apenas para fins de determinação do lucro real. Os dispositivos legais de regência são bastante claros quanto às bases de cálculo aplicáveis ao regime do lucro real e ao do lucro presumido: LUCRO REAL IRPJDel. 1.598/77 Art. 23 A contrapartida do ajuste de que trata o artigo 22, por aumento ou redução no valor de patrimônio liquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). CSLLLei 7.689/1988 Art. 2° A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercido, antes da provisão para o imposto de renda. § 1o Para efeito do disposto neste artigo: (...) c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei n° 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n" 8.034, de 1990) (...) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido: (Redação dada pela Lei n° 8.034. de 1990)." LUCRO PRESUMIDO IRPJLei 9.430/96 Art. 25. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 20 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1° desta Lei: Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 15540.720363/201439 Acórdão n.º 1302002.291 S1C3T2 Fl. 11 10 II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período'. CSLL Lei 9.430790 Art. 29. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado e pelas demais empresas dispensadas de escrituração contábil, corresponderá à soma dos valores: I de que trata o art. 20 da Lei n° 9.249, de 20 de dezembro de 1995: II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei. auferidos naquele mesmo período". (Grifos acrescentados) Como se vê, no que tange ao lucro presumido, a Lei não faz nenhuma exceção, incluindo na apuração, tanto do IRPJ como da CSLL, as demais receitas e os resultados positivos advindos de receitas não abrangidas no conceito de receita bruta (art. 519 c/c o 224 e seu parágrafo único, ambos do RIR/1999). Por conseguinte, tal determinação inclui o resultado positivo da equivalência patrimonial. Outrossim, não é correto afirmar que a JCA só foi autuada pela opção que fez ao regime de tributação ou forma de escrituração. Se qualquer outra empresa em igual situação tivesse adotado o regime de caixa e tivesse escriturado apenas o Livro Caixa, não seriam estes fatos que impediriam a atuação plena da fiscalização. Qualquer pessoa jurídica, mesmo sob regime simplificado, deve manter à disposição do fisco todos os documentos e papéis que servirem de base para a escrituração comercial e fiscal, conforme art. 195, par. Único do CTN. (...) Também não procede a afirmação de que o legislador queria apenas tributar no lucro presumido as disponibilidades financeiras e não econômicas. Ora, tributase sim estas últimas, pois à pessoa jurídica é concedido o direito de opção pelo regime de competência. Ademais, apesar de a JCA não estar obrigada a avaliar seus investimentos pelo método da equivalência patrimonial, se assim o fez, deve se submeter as regras da legislação tributária referente à opção. Dessarte, deve acrescentar o resultado positivo da equivalência patrimonial à base de cálculo do imposto de renda e da CSLL conforme determina a legislação. Isso porque, a opção de se efetuar a equivalência patrimonial traz reflexos positivos, principalmente para os acionistas da pessoa jurídica. Como um exemplo, citase o recebimento de lucros sem a incidência do imposto de renda e da CSLL, uma vez que o lucro contábil da JCA (que está acrescido do resultado positivo) foi superior ao lucro presumido apurado pelo contribuinte, diminuído de todos os impostos e contribuições. A DRJ entendeu que, por não haver na legislação que rege o lucro presumido regra específica no que tange ao resultado positivo da equivalência patrimonial, Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 15540.720363/201439 Acórdão n.º 1302002.291 S1C3T2 Fl. 12 11 deveria utilizar por analogia as regras do regime de pagamento mensal pela base de cálculo estimada (art. 108, I do CTN), que vem a ser uma figura do lucro real. Contudo, pelo artigo 111 do CTN, devese interpretar literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão do crédito tributário. O resultado positivo da equivalência patrimonial é expressamente excluído da base de cálculo do lucro real. A regra, porém, não pode ser estendida ao lucro presumido, sob pena de se inovar na legislação e atuar como legislador positivo. Essas as razões sustentadas pela Fazenda Nacional para que a decisão de primeira instância seja reformada. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator À vista da exoneração de crédito tributário, é devida a interposição do Recurso de Ofício, nos termos do art. 34, inciso I do Decreto n° 70.235/1972, com a nova redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, e de acordo com o art. 1º da Portaria do Ministro de Estado da Fazenda n° 3, de 03/01/2008. O valor à época exonerado também excede o limite atual de R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017). Conheço também das Razões de Recurso de Ofício da Fazenda Nacional. A Recorrida é sociedade empresária limitada, do tipo holding, com escopo principal de seu objeto social a participação societária em outras sociedades, bem como a administração e locação de bens próprios. Optou pela tributação do IRPJ e CSLL, sob o regime do lucro presumido, cuja sistemática está disciplinada pelos arts. 516 a 528 do Decreto n° 3.000/99 RIR. A base de cálculo encontrase inserida nos arts. 518 e 521 do RIR/99, segundo a redação dada pelo art. 15 da Lei n° 9.249/95, e pelo art. 25, I e II, da Lei nº 9.430/96. Nesse contexto, diante das conclusões do Acórdão da DRJ e das Razões de Recurso de Ofício da Fazenda Nacional, expostos no relatório retro, passo aos fundamentos, com base nos quais ratifico, ao final, o entendimento da DRJ de que os resultados positivos de equivalência patrimonial não devem ser adicionados à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, como segue. No período compreendido entre 01/08/2011 a 31/12/2012, a Recorrida auferiu resultados positivos decorrentes do Método da Equivalência Patrimonial MEP. O fato de a contribuinte não haver oferecido tal resultado à tributação foi considerado pelo Fisco, omissão de receitas. Fundamentouse no sentido de que, para as pessoas jurídicas optantes do regime de determinação do IRPJ e da CSLL, com base no lucro Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 15540.720363/201439 Acórdão n.º 1302002.291 S1C3T2 Fl. 13 12 presumido, não disporiam de previsão expressa em lei que lhes autorizasse afastar esse resultado do campo de incidência do IRPJ e da CSLL. No entanto, não é essa a interpretação que deve prevalecer no presente caso. Senão vejamos. Observase, portanto, que a discussão concentrase no alcance das expressões do art. 25, II da Lei 9.430/96 "as demais receitas, os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso I". Não é permitida interpretação ampliativa aos termos "demais receitas" ou "resultados positivos não previstos no inciso anterior'", estabelecidos no art. 25, I e II, da Lei n° 9.430/96, e tratamento diferenciado, não expressamente previsto na lei, para situações jurídicas idênticas (art. 389 do RIR/99). O conceito de "demais receitas" pressupõe valores recebidos oriundos de atividades estranhas ao objeto social, mas que tenha caráter contraprestacional, ou seja, com o intuito de lucro. Os "ganhos de equivalência" decorrem de lucros já tributados nas investidas, portanto tributar a mesma receita afronta o art. 10 da Lei 9.249/95, configurando também "bitributação". Notese que, a obrigatoriedade legal de avaliar os investimentos pelo método da equivalência patrimonial está estabelecida na Lei nº 6.404/76, art. 248, adaptada, à época, pela legislação fiscal nos termos dos arts. 20 e 26 do DecretoLei nº 1.598/77, no Capítulo II, que dispõe sobre o Lucro Real. Sendo sociedade empresária do tipo "Limitada" e, concomitantemente, optante pelo lucro presumido, não há, para a autuada, a obrigatoriedade de avaliar seus investimentos por esse método, justamente por não existir norma cogente, mandamental, com tal exigência. A norma cogente, portanto, contida na referida legislação que determina a obrigatoriedade de efetuar a equivalência patrimonial é dirigida somente aos optantes pelo Lucro Real. Assim, considerandose que não há disposição expressa indicando a receita de equivalência patrimonial como tributável, no regime do lucro presumido, podese concluir que é aplicável, nesse caso, a dispensa elencada no § 1º do art. 32 da Lei nº 8.981/95, reproduzida no § 1º do art. 225 do RIR/99, conforme abaixo: Ganhos de Capital e outras Receitas Art. 225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata a Subseção, para efeito de incidência ao imposto (Lei nº 8.981, de 1995. art. 32, e Le nº 9.430. de 1996, art. 2%). § 1° O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos tributados pertinentes às aplicações financeiras de renda fixa e renda variável, bem como aos lucros, dividendos ou resultado positivo decorrente da avaliação de investimento pela equivalência patrimonial (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, § 1º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 15540.720363/201439 Acórdão n.º 1302002.291 S1C3T2 Fl. 14 13 (...) Na forma sustentada no Acórdão recorrido, a receita deve representar, necessariamente, ingresso de nova riqueza ao patrimônio, o que interpretado diversamente afrontaria o art. 109 do CTN. Desse modo, não sendo obrigada pela legislação comercial, tampouco pela legislação fiscal, a avaliar seus investimentos pelo método da equivalência patrimonial, por ser sociedade empresária do tipo "Limitada" e optante pelo lucro presumido, estando ainda dispensada de escriturar o Livro Diário se mantiver a "movimentação financeira" no Livro Caixa, que é onde as receitas a serem tributadas no regime do lucro presumido devem ser registradas, é de se ratificar as conclusões do acórdão recorrido, no sentido de que não é devida a tributação em análise, como ocorreu sobre os "lançamentos" na conta contábil n° 3.2.02.03.0001 resultado de equivalência patrimonial efetuados no Livro Diário. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Declaração de Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Com a devida vênia do i. relator, acompanho o voto divergente do i. Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, por entender que o resultado da equivalência patrimonial, determinado pela Lei das S/A, deve ser fiscalmente neutro com relação ao Imposto de Renda e a CSLL, não importando para tanto o regime de tributação adotado. Há que se considerar que o resultado da equivalência patrimonial decorre da obrigação de avaliação, pelas sociedades anônimas, do investimento relevante em coligadas e controladas por este método. Sua aplicação na legislação do Imposto de Renda se deu por meio do DecretoLei 1.598/77 (art. 67, inc. XI ), quando este determina a apuração do lucro real a partir do resultado apurado pelas pessoas jurídicas em sua escrituração comercial com base nas disposições da Lei nº 6.404/1976. Por meio do mesmo decretolei, ficou estabelecido que o resultado da avaliação do investimento pela equivalência patrimonial, determinado pela Lei nº 6.404/1976, não deveria afetar o resultado para fins de tributação do imposto de renda apurado com base no lucro real (art. 23 do DL. 1598/1977). Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 15540.720363/201439 Acórdão n.º 1302002.291 S1C3T2 Fl. 15 14 Resta evidente o cuidado do legislador, ao determinar a utilização do lucro líquido apurado segundo a legislação comercial, de excluir do resultado tributável para fins do imposto de renda, o resultado da avaliação dos investimento pela equivalência patrimonial, determinado pela mesma legislação comercial (Lei nº 6.404/1976). Ou seja, entendeu o legislador que o resultado da equivalência patrimonial deve ser neutralizado no momento da apuração do imposto. Ora, apenas o imposto de renda apurado com base no lucro real tem por base o lucro apurado com base nas leis comerciais, daí o cuidado do legislador em fazer tal distinção. Já o imposto de renda apurado pelo lucro presumido, possui base de cálculo própria, definida pela lei, que dispensa expressamente a empresa optante de manter escrituração comercial e não toma em consideração, para fins do IRPJ, do lucro líquido apurado nesta pelas empresas que continuam a manter a escrituração completa. Dai não ter se preocupado o legislador ordinário em determinar a exclusão do resultado da equivalência patrimonial na apuração do lucro presumido, pois sua base de cálculo não parte do lucro líquido apurado com base na legislação comercial. Assim, revelase equivocado o entendimento fiscal, reforçado nas contra razões da Procuradoria da Fazenda Nacional, quando defende a necessidade de expressa disposição legal para que seja excluído da base de cálculo do lucro presumido. Tal não se dá porque a lei jamais considerou de sua inclusão na base de cálculo. O termo genérico "demais receitas", contido no inciso II do art. 25 da Lei nº 9.430/19961, que define a base de cálculo do lucro presumido jamais poderia abranger o resultado da equivalência patrimonial, posto que a base de cálculo estabelecida na lei não adota como base o resultado apurado na escrituração comercial, onde eventualmente estaria contido. Tanto que, como bem apontou o acórdão recorrido nem os manual de orientação de preenchimento da DIPJ e de esclarecimentos de dúvidas (Perguntas e Respostas) elaborados pela própria administração tributária jamais cogitaram de sua inclusão. Tratase, de maneira geral, de resultados expressivos nas empresas que adotam o MEP, de modo que não olvidaria o Fisco de tão relevante base se a considerasse tributável. Por todo o exposto, e considerando que a interpretação ao dispositivo deve ser dada com base em todo o sistema que rege a tributação do Imposto de Renda, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Luiz Tadeu Matosinho Machado 1 Art. 25. (...) I (...) II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. Fl. 1061DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.002636/2007-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2002, 2003
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIREITO DE DEFESA
Descabe a alegação de falta de motivação para lavratura de auto de infração quando a autoridade fiscal o faz indicando os pressupostos de fato e de direito em que se fundamenta.
CIDE-ROYALTIES.REMESSA DE ROYATIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA.
A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incide sobre o valor de royalties, a qualquer título assim entendido como aqueles decorrentes de qualquer exploração de direito autoral, de propriedade industrial ou intelectual que a pessoa jurídica pagar, creditar, entregar, empregar ou remeter, a residente ou domiciliado no exterior.
Numero da decisão: 3402-004.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento ao recurso de ofício quanto ao mérito e afastar a preliminar de nulidade do lançamento declarada pela Relatora. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora, Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que negaram provimento ao recurso e declararam a nulidade do lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo.
(Assinado com certificado digital)
JORGE OLMIRO LOCK FREIRE - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ - Relator.
(Assinado com certificado digital)
PEDRO SOUSA BISPO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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BRASIL LT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2002, 2003 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIREITO DE DEFESA Descabe a alegação de falta de motivação para lavratura de auto de infração quando a autoridade fiscal o faz indicando os pressupostos de fato e de direito em que se fundamenta. CIDEROYALTIES.REMESSA DE ROYATIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incide sobre o valor de royalties, a qualquer título assim entendido como aqueles decorrentes de qualquer exploração de direito autoral, de propriedade industrial ou intelectual que a pessoa jurídica pagar, creditar, entregar, empregar ou remeter, a residente ou domiciliado no exterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento ao recurso de ofício quanto ao mérito e afastar a preliminar de nulidade do lançamento declarada pela Relatora. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora, Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que negaram provimento ao recurso e declararam a nulidade do lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. (Assinado com certificado digital) JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 26 36 /2 00 7- 85 Fl. 277DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Relator. (Assinado com certificado digital) PEDRO SOUSA BISPO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Campinas/SP (Acórdão n. 0536.419, de fls. 238 à 251), que julgou procedente a impugnação apresentada pela Contribuinte, cancelando a exigência de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre valores remetidos a título de royalties ao exterior, que motivaram a autuação fiscal (fls 106 110) de cobrança do tributo, acrescido de multa proporcional patamar de 75% e juros de mora. A ciência da Contribuinte sobre a lavratura do auto de infração ocorreu em 21/12/2007. Inconformada com o citado lançamento fiscal, a Contribuinte apresentou em 18/12/2008 a Impugnação de fls 116/144, pugnando pelo direito ao não pagamento da CIDE royalties mediante as alegações abaixo sintetizadas: i) Preliminarmente, nulidade do auto de infração, porque a autoridade lançadora não analisou a natureza jurídica dos montantes remetidos ao exterior (contratos, contexto fático, etc), que são as circunstâncias fundamentais para aferir a ocorrência do fato gerador do tributo; ii) Ainda preliminarmente, decadência do período de apuração compreendido entre e inclusive janeiro de 2002 e dezembro de 2002, pela aplicação do artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional (CTN); iii) A atividade econômica praticada pela Contribuinte é completamente estranha ao segmento afeto à CIDEroyalties (desenvolvimento tecnológico brasileiro), nuclear na instituição da CIDEroyalties por meio do artigo 1º da Lei n. 10.138/2000, de modo que não pode ser alcançada pela incidência dessa contribuição. Destaca nesse sentido que o contrato que deu origem às remessas de dinheiro para o exterior, firmado entre a Contribuinte e a Columbia Tristar Home Entertainment Inc. (fls 135), trata de distribuição de obras audiovisuais estrangeiras no Brasil, e não de transferência/aquisição de tecnologia. Assim, os valores foram remetidos ao exterior a título de “pagamento de direitos autorais pela distribuição e reprodução das obras audiovisuais”, e não de royalties, como equivocadamente constou do contrato em questão; iv) Afirma que tais remessas são hipótese de incidência, isto sim, da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (CONDECINE), estatuída pela Medida Provisória n. 2.2281/2001; Fl. 278DF CARF MF Processo nº 13896.002636/200785 Acórdão n.º 3402004.340 S3C4T2 Fl. 277 3 v) Ainda argumenta que a cláusula “royalties a qualquer título” estampada no artigo 2º, §2º da Lei n. 10.168 de 2000 deve ser interpretada cum grano salis, levando em consideração o caput do próprio artigo, que fala em transferência/aquisição de tecnologia. Nessa esteira, o Decreto 4.195/2002, que veio regulamentar a Lei n. 10.168/2000, em seu artigo 10 não menciona a mercancia de direito autorais como base de cálculo das CIDE royalties, o que corrobora a sua tese. Sobreveio então a Decisão da DRJ de Campinas/SP, de 15 de dezembro de 2011, que, por unanimidade de votos, considerou improcedente o lançamento, exonerando a empresa do crédito tributário exigido pelo auto de infração. Os julgadores chegaram a este resultado por duas razões: i) o auto de infração é desprovido de motivação, uma vez que não correlacionou as provas colhidas durante a fiscalização com a legislação tributária, restando o lançamento desprovido da descrição do fato gerador que dá ensejo à cobrança da CIDE royalties. Contudo tal nulidade não foi proclamada, com base no artigo 59, §3º do Decreto n. 70.235/72; ii) por entender que a incidência da CIDEroyalties depende da existência de fornecimento de tecnologia, ou prestação de assistência técnica, ou prestação de serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, ou à cessão/licença de uso de marcas e/ou patentes. Porém o objeto do contrato que deu origem às remessas é direito autoral, então a hipótese exacional cabível seria a do art. 32 da Medida Provisória n° 2.2281 (CONDECINE). Foram então remetidos os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para a apreciação do recurso de ofício. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Sobre o conhecimento do recurso de ofício, destaco que mesmo com a alteração promovida pela Portaria n. 63 do Ministério da Fazenda, de 09 de fevereiro de 2017, elevando o limite de alçada para o seu conhecimento no âmbito do contencioso administrativo fiscal para o montante de R$ 2.500.000,00 o qual deve ser observado nesse momento processual a teor da Súmula 103 do CARF1 , o presente caso preenche os requisitos para a apreciação por este Conselho. Passo então à análise do mérito do caso. As remessas de valores ao exterior que deram ensejo à lavratura do auto de infração para a cobrança de CIDEroyalties, são decorrentes do contrato firmado entre a 1 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 279DF CARF MF 4 Contribuinte (Recorrida) e a Columbia Tristar Home Entertaiment Inc. (fls. 50/94), do qual destaco os seguintes trechos: Este contrato de licenciamento (o "Contrato") foi assinado neste dia I °. De novembro de 2001 pela e entre a COLUMBIA TRISTAR HOME, ENTERTAINMENT, INC. ("Licenciadora") e a COLUMBIA TR1STAR HOME ENTERTAINMENT DO BRASIL LTDA. ("Licenciada"). 1. Programas: Os programas sujeitos a este Contrato são filmes de longa e não longa metragem em relação aos quais a Licenciadora [Columbia Tristar Entretaiment Inc.] detém ou controla os direitos necessários no "Território" durante o "Termo" (coletivamente denominados 'Programas"). [...] 6. Tipo de produto: A Licenciada [o presente Contribuinte] explorará (de acordo com o definido nos Termos e Condições Padrão) os Programas para Locação (de acordo com o entendimento comum do termo) e Distribuição Direta ao Público (de acordo com o definido nos Termos e Condições Padrão) no Território durante o Termo. [...] 9. Royalties. (a) A Licenciada deve pagar à licenciadora, pela distribuição dos Videogramas, de acordo com o disposto no Parágrafo 3.1 dos Termos e Condições Padrão, "Royalties" equivalentes a 80% (oitenta por cento) dos "Lucros Líquidos" [. .] [...] 2.1 Direitos Licenciados. Sujeito aos termos e condições contidos neste Contrato, a Licenciadora concede, por meio deste instrumento a licença limitada sob direito de Explorar, durante o Termo, no Território, na base de venda ou locação (de acordo com o especificado no Contrato), Videogramas contendo os Programas para Exibição Caseira durante a Disponibilidade do mesmo. [...] 2.10 Direitos Autorais. A Licenciada não (a) utilizará ou autorizará o uso de qualquer Videograma de forma que possa violar ou prejudicar qualquer direito (incluindo o direito autoral) da Licenciadora ou do detentor dos direitos autorais dos Programas; [...] (c) remeterá, e envidará seus melhores esforços para impedir a remessa ou a venda de qualquer Videograma a qualquer parte que a Licenciada saiba ou tenha motivos para saber que irá ou poderá violar um direito autoral ou contratual de terceiros ou um direito reservado à Licenciadora [...] Fl. 280DF CARF MF Processo nº 13896.002636/200785 Acórdão n.º 3402004.340 S3C4T2 Fl. 278 5 Pois bem. Para a solução do presente processo, cumpre responder as seguintes questões: i) os valores remetidos para o exterior pela Recorrida, com fulcro no contrato supratranscrito, são de fato royalties?; ii) em sendo royalties, subsomemse à hipótese de incidência da Contribuição ora em apreço, instituída pela Lei n. 10.168/2000? Sobre a primeira questão, o artigo 22 da Lei 4.506/1964, estabelece que: Art. 22. Serão classificados como royalties os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: (...) d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. A este propósito, a Lei nº 9.610/98, que altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências, delineia em seus artigos 1º e 7º o que são direitos autorais, trazendo para o seu campo o conceito de obras intelectuais, dentre elas as audiovisuais: Art. 1º Esta Lei regula os direitos autorais, entendendose sob esta denominação os direitos de autor e os que lhes são conexos. (...) Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: (...) VI. as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas; Assim, é inegável que os valores enviados pela Recorrida à Columbia Tristar Home Entertaiment Inc. são royalties à luz da legislação tributária brasileira, à medida que remuneram cessão do direito de exploração dos videogramas, sobre os quais a empresa estrangeira beneficiária dos pagamentos detém direitos autorais. Com relação à segunda pergunta, é preciso analisar a legislação que criou e regulou a conhecida CIDEroyalties (ou CIDEremessas). Vejamos. O artigo 1º da Lei 10.168/2000 delimitou a área de domínio econômico em que a União intervirá,2 enquanto o artigo 2º cuidou de estabelecer a fonte de custeio dessa intervenção, de acordo com a competência que lhe foi outorgada pelo artigo 149 da Constituição, nos seguintes termos: Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de 2 Estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Fl. 281DF CARF MF 6 licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001). § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001). Organizando o texto legal supracitado, vemos que são cinco as materialidades alavancadas pelo legislador ordinário como aptas a ensejar a incidência da CIDE em questão. São elas negócios jurídicos que implicam em remessas de valores ao exterior, pois lá se encontra a parte contratante, relativos a: i) a concessão de licença de uso de conhecimento tecnológico; ii) aquisição de conhecimento tecnológico; iii) contratos de transferência de tecnologia; iv) prestação de serviços técnicos, de assistência administrativa e semelhantes; e v) remessa, em sentido lato, como remuneração de royalties. Nessa linha relacional, o Decreto nº 4.195, de 11 de abril de 2002, editado para regulamentar a Lei nº 10.168/2000, elucidou o alcance pretendido pela Lei, ao delinear em seu artigo 10 a incidência da CIDE sobre os contratos relativos à i) fornecimento de tecnologia, ii) assistência técnica, iii) serviços técnicos especializados, iv) serviços técnicos e de assistência administrativa, v) cessão e licença de uso de marcas, e vi) cessão e licença de exploração de patentes. Ou seja, o Decreto não se referiu à exploração de direitos autorais como hipótese de incidência da CIDEroyalties. Foi com base nesse fato, de falta de fundamento legal, que durante anos a fio a jurisprudência da Câmara Superior do CARF foi pacífica sobre a não incidência da CIDE royalties sobre remessas como as do presente caso (e.g. Acórdão n. 30134.753 e 30335.834). Ocorre que em 2012 tal entendimento mudou, em recurso especial apresentado pela Fazenda contra Acórdão favorável a ora Recorrida (Acórdão n. 930301.864). Nesta oportunidade o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentou voto, que preponderou por qualidade, no sentido da incidência da CIDEroyalties independentemente da incidência da CONDECINE por duas razões: i) o ordenamento jurídico não veda o bis in idem; ii) a lei fala em remessa de royalties a qualquer título, de modo que não importa o conteúdo do contrato que deu origem às remessas para que ocorra a incidência da CIDEroyalties. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 13896.002636/200785 Acórdão n.º 3402004.340 S3C4T2 Fl. 279 7 Tal julgamento vem reverberando na composição atual da CSRF. Entretanto, diante da não vinculação desse entendimento para as turmas ordinárias do CARF, ouso apresentar minhas razões de veemente discordância com o posicionamento. Nesse sentido, de pronto é preciso destacar que a questão efetivamente não se resolve pelo bis in idem, mas sim pela constatação de não incidência da CIDEroyalties sobre os valores remetidos ao exterior como pagamento de contratos de cessão de direito de exploração de obras audiovisuais (direito autoral). Não há incidência porque não há referibilidade in casu, requisito inarredável para a validade da tributação por qualquer contribuição de intervenção no domínio econômico e da subsunção dos fatos à hipótese de incidência, razão pela qual a Recorrente não é contribuinte da CIDEroyalties. Explico. Lembremos que a CIDE é espécie tributária que visa financiar a intervenção estatal indireta sobre o domínio econômico, na modalidade de incentivo estipulada pelo artigo 174 da Constituição.3 Assim, o desequilíbrio no mercado, servindo como pressuposto para a instituição da CIDE, está intrinsecamente relacionado com a atuação estatal, bem como o sujeito passivo atingido pela contribuição interventiva, que deve ser beneficiado pela atividade administrativa correspondente à intervenção do Estado. Portanto, quem contribui com o pagamento da CIDE o faz em virtude de uma vantagem específica, fruto da atuação estatal financiada pela contribuição. 4 Afinal, o produto da arrecadação da CIDE deve ser legalmente destinado à intervenção no setor econômico de que trata a contribuição em comento. Isso porque a ingerência estatal, como já destacado, somente é cabível para incentivo ou fomento, de tal sorte que a atuação estatal deve reverter em favor do grupo atingido pelo desequilíbrio econômico, ou seja, o fundo criado, ao qual se destina o produto arrecadado, revertese “em favor do próprio grupo alcançado pela contribuição interventiva”. 5 Assim, a referibilidade diz respeito à relação entre a materialidade da CIDE e o seu sujeito passivo com a forma de intervenção no domínio econômico. Desatentar para tal requisito significa o disparatado entendimento que a CIDE é um imposto espécie de tributo cuja arrecadação não possui destino certo , e não uma contribuição interventiva, questão há muito e sabidamente rechaçada pelo Supremo Tribunal Federal (RE 146.7339/SP) Pois bem. A CIDEroyalties, instituída pela Lei 10.168/00, tem como escopo a intervenção do Estado no sentido da promoção e do incentivo do desenvolvimento nacional na área de ciência e da tecnologia, o que se evidencia pela previsão de que os recursos obtidos com a sua arrecadação serão destinados ao Fundo Nacional Desenvolvimento Científico e 3 Artigo 174, CF/88: Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante par ao setor público e indicativo para o setor privado. 4 Na lição de Luis Eduardo Schoueri: “Válido parece, portanto, propor uma correlação entre a finalidade da contribuição e a sua fonte financeira: o universo de contribuintes da contribuição de intervenção no domínio econômico há de corresponder àquele imediatamente atingindos pela intervenção. (Algumas considerações sobre a Contribuição de intervenção no Domínio econômico no Sistema Constitucional Brasileiro. A contribuição ao Programa UniversidadeEmpresa. In Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico e Figuras Afins. São Paulo: Dialética, 2001, p. 363). 5 BARRETO, Paulo Ayres. Contribuições: regime jurídico, destinação e controle. São Paulo: Noeses, 2006, p. 118. Fl. 283DF CARF MF 8 Tecnológico (artigo 4º da Lei n. 10.168/2000). Portanto, a finalidade da CIDEroyalties é fomentar os setores de ciência e tecnologia nacional. De outro lado, com a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (CONDECINE), criada pela Medida Provisória nº 2.2281/2001, o Governo Federal buscou impactar o setor audiovisual. Destaco o artigo 32 da citada MP (vigente à época dos fatos): A Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional CONDECINE terá por fato gerador a veiculação, a produção, o licenciamento e a distribuição de obras cinematográficas e videofonográficas com fins comerciais, por segmento de mercado a que forem destinadas. Parágrafo único. A CONDECINE também incidirá sobre o pagamento, o crédito, o emprego, a remessa ou a entrega, aos produtores, distribuidores ou intermediários no exterior, de importâncias relativas a rendimento decorrente da exploração de obras cinematográficas e videofonográficas ou por sua aquisição ou importação, a preço fixo. O recolhimento da CONDECINE é feito diretamente à ANCINE Agência Nacional do Cinema (artigo 36 da MP 2.2281/2001) e seu produto de arrecadação destinado ao Fundo Nacional da Cultura FNC e alocado em categoria específica denominada Fundo Setorial do Audiovisual, para aplicação nas atividades de fomento relativas aos Programas criados pela Medida Provisória (Artigo 34 da MP 2.2281/2001). Dessarte, a CIDEroyalties e a CONDECINE caracterizam contribuições de intervenção em domínios econômicos distintos, quais sejam, o de pesquisa/tecnologia e o audiovisual (cinematográfico e videofonográfico). A primeira será recolhida por sujeitos passivos que se beneficiarão pela intervenção positiva da injeção de recursos no setor de ciência, pesquisa e desenvolvimento (mesmo que sem a transferência de tecnologia, depois da alteração promovida pela Lei nº 10.332/2001), enquanto a segunda pelos sujeitos passivos cujas atividades relacionamse com o setor audiovisual. Eis aí a referibilidade. No presente caso, as remessas ao exterior a título de pagamento de direitos autorais à licenciadora estrangeira possui obviamente referibilidade com a CONDECINE à medida que remuneram o direito a distribuição dos Videogramas, e a Recorrida atua nesse setor econômico , e não com CIDEroyalties, por isso somente a primeira poderia ser cobrada da Recorrida, como bem decidido pelo Acórdão a quo. Mas não é só. Também assiste razão à Recorrente por um segundo motivo. O Decreto n. 4.195/2002 veio ao ordenamento jurídico explicitar o conteúdo da lei, preenchendo o conteúdo impreciso a respeito do que a União Federal pretendia com a instituição da CIDEroyalties por meio da edição da Lei n. 10.168/2000. Por isso os seus dizeres não podem ser desconsiderados quando da análise de casos sobre a Contribuição ora sob apreço. Registro que é justamente com base nessa premissa que este Conselho construiu já consolidada jurisprudência sobre a incidência de CIDEroyalties sobre remessas ao exterior independentemente de existência de transferência de tecnologia. Com efeito, é o fato de o artigo 10 do Decreto n. 4.195/2002 trazer expressamente em seu texto a determinação da incidência da Contribuição sobre contratos Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13896.002636/200785 Acórdão n.º 3402004.340 S3C4T2 Fl. 280 9 despidos de transferência de tecnologia que leva este Tribunal Administrativo a reconhecer a legitimidade desta tributação. É essa a lógica adotada, conforme depreendemos do seguinte trecho do Acórdão 3402002.929, de relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim: A redação do § 2º da Lei e a redação do art. 10 do Regulamento autorizam a interpretação oficial da Administração Tributária no sentido de que a hipótese de incidência da CIDE TECNOLOGIA abrange pagamentos relativos a contratos que não envolvam a transferência de tecnologia Agora, quando é necessária a interpretação da mesma Lei n. 10.168/2000 com base nos dizeres do Decreto n. 4.195/2002, e este, ao invés de expressamente determinar a incidência (como ocorre com o pagamento por obrigações contraídas sem a transferência de tecnologia), não traz tal hipótese como suficiente para a ocorrência do fato gerador da CIDE (como é o caso desses autos, sobre os pagamentos por obrigações relacionadas à exploração de direitos autorais), o Tribunal deixa de aplicar o Decreto socorrendose à lei, afirmando ser essa suficiente para a incidência tributária. Tal situação de “dois pesos e duas medidas” não só depõe contra a firmeza e coesão da jurisprudência do próprio CARF, como também vai na contramão da ordem jurídica. Isto porque o artigo 199 do CTN, na parte do Código que estabelece a função dos instrumentos introdutores de normas do direito tributário (leis, tratados, convenções internacionais e decretos), é claro: Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei. Ademais, o artigo 84, inciso IV, da Constituição determina que os decretos são expedidos pelo próprio Poder Executivo para a "fiel execução da lei". Assim é que os decretos são de observância obrigatória pela Administração Pública, sendo que no âmbito do processo administrativo fiscal, o artigo 26A do Decreto 70.235/72 enfatiza o dever de observância desse instrumento normativo pelo CARF. Daí a importância do olhar cuidadoso sobre os dizeres do Decreto n. 4.195/2002, razão pela qual transcrevo o seu já citado artigo 10, in verbis: Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2º da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; Fl. 285DF CARF MF 10 III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. O dispositivo é peremptório: são esses os negócios jurídicos cujas remessas para o exterior têm a aptidão de gerar a incidência da CIDEroyalties. Interpretálo como abrangedor de contratos de exploração de direitos autorais significaria tributação com base em analogia, o que é sabidamente vedado pelo artigo 108, §1º do CTN. 6 É por isso que os novos julgados sobre o tema desconsideram o conteúdo do artigo 10 do Decreto n. 4.195/2002, apegandose ao fato de que o artigo 2º da Lei n. 10.168/2000 fala em “remessas a qualquer título” de royalties como hipótese de incidência da Contribuição. Contudo, tal leitura não pode ser convalidada. Como pontua Luis Eduardo Schoueri,7 é ingênua ideia de que os decretos simplesmente repetem o conteúdo da Lei, sem nada acrescentar ao direito. Em suas palavras: A ideia de Decreto meramente regulamentar encanta. Passa ao contribuinte a ideia de que, de fato, sua relação com o Fisco se rege segundo o que foi previsto pelo legislador. Esperase que o decreto não inove. Temse, assim, respeitado em sua inteireza o Princípio da Legalidade, um dos pilares do direito tributário moderno. A realidade da legislação tributária, entretanto, revela que não são tão claras as linhas que marcam as divisas de atuação do Executivo. Afinal, regulamentar uma lei não é meramente reproduzir o que o próprio legislador disse. O ato do Executivo implicará, para que seja dotado de alguma utilidade, certa concretização de vontade do legislador. Por certo o Decreto não haverá de ser norma individualizada; esperase, entretanto, que o Decreto sirva de indicação, para o contribuinte, acerca do entendimento que o Chefe do Executivo tem acerca da matéria.” Nesse diapasão, os Decreto são atos normativos que restringem competências administrativas discricionárias ou preenchem conceitos jurídicos indeterminados. 8 No presente caso, o Decreto n. 4.195/2002 veio com a função de preencher o conceito de “remessa a qualquer título”, constante do artigo 2º da Lei n. 10.168/2000, como expressamente coloca seu artigo 10, acima destacado. Ao fazêlo, exerceu a competência técnica outorgada pela Lei n. 10.168/2000 intra legem, como já se manifestou o Supremo 6 Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. 7 Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 113. 8 Por isso é que, embora não sejam atos administrativos primários, possuem alto grau de vinculatividade (ÁVILA, Humberto. Segurança Jurídica – entre permanência, mudança e realização no Direito Tributário, São Paulo: Malheiros, 2011, p. 450). Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13896.002636/200785 Acórdão n.º 3402004.340 S3C4T2 Fl. 281 11 Tribunal Federal (“STF”) ao julgar o RE 343.446. 9 Assim, não se aventando haver um problema de ilegalidade do Decreto n. 1.495/2002, é necessário observar seus dizeres, que são, repito, que não incide a CIDEroyalties sobre remessas derivadas de contratos sobre direitos autorais (audiovisuais, inclusive). Caso o Decreto n. 4.195/2002 quisesse que a exploração de obras audiovisuais fosse objeto de tributação pela CIDEroyalties, deveria têlo feito expressamente, como ocorreu na legislação do imposto sobre a renda (RIR/99), que ao lado da incidência do IRRF sobre royalties em sentido lato, impôs a incidência sobre a Remuneração de Direitos, inclusive Transmissão por meio de Rádio ou Televisão, em seus artigos 709 e 710: Subseção II Remuneração de Direitos, inclusive Transmissão por meio de Rádio ou Televisão Art. 709. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior pela aquisição ou pela remuneração, a qualquer título, de qualquer forma de direito, inclusive a transmissão, por meio de rádio ou televisão ou por qualquer outro meio, de quaisquer filmes ou eventos, mesmo os de competições desportivas das quais faça parte representação brasileira (Lei nº 9.430, de 1996, art. 72). Subseção III Royalties Art. 710. Estão sujeitas à incidência na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties, a qualquer título (Medida Provisória nº 1.749¬ 37, de 1999, art. 3º Mais uma vez concluímos que a legislação pátria, ao silenciar sobre a incidência da CIDEroyalties em casos como o presente, afastoua, preferindo que esta materialidade sofresse a incidência unicamente da CONDECINE, nos moldes em que criada, vale dizer, no intuito de promover o desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional, à na qual se inserem as atividades da Recorrida que foram objeto da autuação. 9 EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido. Fl. 287DF CARF MF 12 Por tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício, mantendo o cancelamento integral da exigência formalizada no auto de infração. Entretanto, caso este Colegiado assim não entenda quanto à matéria que objeto de devolução do recurso de ofício para o CARF, uma vez que a DRJ julgou o caso pelo mérito, é necessária analisar o vício de nulidade de motivação, apontado pelo Acórdão recorrido, matéria esta conhecível de ofício. Pois bem. Como apontado acima, são cinco as materialidades aptas a ensejar a incidência da CIDEroyalties, todas consubstanciadas em negócios jurídicos que implicam em remessas de valores ao exterior, pois lá se encontra a parte contratante, relativos a: i) a concessão de licença de uso de conhecimento tecnológico; ii) aquisição de conhecimento tecnológico; iii) contratos de transferência de tecnologia; iv) prestação de serviços técnicos, de assistência administrativa e semelhantes; e v) remessa, em sentido lato, como remuneração de royalties. A questão que se coloca no presente caso é simplória: de acordo com o lançamento tributário que originou o presente contencioso administrativo, qual das cinco materialidades foi verificada, portanto levando à conclusão da ocorrência do fato gerador da CIDE? Não se sabe. Foi o que bem averiguou o Acórdão recorrido, cuja racionalidade merece ser mantida por este Colegiado. O singelo Termo de Verificação Fiscal TVF (fls 98 a 100) tratou em uma única página de tentar descrever os elementos de fato e de direito constatados durante os trabalhos da Fiscalização, nos seguintes dizeres: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal, e tendo concluído a fiscalização levada a efeito no contribuinte acima identificado, passo a fazer o presente termo. Tratase aqui, de fatos verificados no decorrer da ação de fiscalização relativa ao contribuinte SONY PICTURES HOME ENTERTAINMENT DO BRASIL LTDA. – CNPJ 01.343.611/000103, efetuada no cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal/Registro de Procedimento Fiscal 08.1.28.002007000289, com o intuito de se apurar a regularidade no cumprimento das obrigações tributárias relativas à CIDE sobre remessas ao exterior, com referência aos anosbase de 2002 e 2003. Pelo Termo de Início de Fiscalização cientificado em 02/10/2007 intimamos o contribuinte a apresentar livros contábeis contendo escrituração de 2002 e 2003, cópias dos balancetes de verificação e demonstrativos da apuração da CIDE — Remessas ao Exterior dos referidos anosbase e os respectivos DARFs/Comprovação de recolhimento dos mesmos; Em 23/10/2007 (ciência em 24/10/2007) intimamos o mesmo a apresentar demonstrativo das remessas ao exterior, durante os anosbases de 2002 e 2003; Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13896.002636/200785 Acórdão n.º 3402004.340 S3C4T2 Fl. 282 13 Em 24/10/2007 o contribuinte nos Declarou, conforme comunicado da mesma data, que, de acordo com conclusões de seus advogados, não haveria incidência da "CIDE" em suas operações; Em 30/10/2007 intimamos o mesmo a apresentar lançamentos contábeis das remessas ao exterior objeto de seu demonstrativo de 19/10/2007. Em 31/10/2007 (ciência em 05/11/2007) intimamos o mesmo a apresentar demonstrativo referente à alocação/utilização dos valores contidos nas guias/documentos de recolhimentos anexados aos controles de remessas, durante os anosbases de 2002 e 2003; Após análise dos elementos disponibilizados, acima elencados, nos detivemos nas informações fornecidas pelo demonstrativo das remessas ao exterior "Controle de Remessas para Home Office", onde temos a síntese das importâncias enviadas a título de Remessas ao Exterior. Isto posto, consideramos o seguinte: 1 Que após os exames da escrita do contribuinte, no que se refere a remessas de valores ao exterior, que a empresa efetuou diversas remessas a titulo de pagamentos, nos anos de 2002 (fls.122 e 122 livro razão) e 2003 (fls.454 e 455 livro razão) 2 Que sobre o total de remessas incide a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) à alíquota de 10%, posto que o contribuinte não efetuou integralmente os recolhimento nos termos do art. 2°, parágrafos 2° a 4°, da Lei n°10.168, de 29.12.00, c/c arts. 6°e 7° da Lei n° 10.332, de 19.12.01. 3 Que a CIDE, a partir de 01.01.2002, é devida nas remessas de valores ao exterior. (grifei) Vemos que realmente não é possível depreender do TVF qual foi a conduta praticada pela Recorrida que culminaria na incidência da Contribuição em apreço. A única coisa que é inteligível, a partir do TVF, é que de acordo com os documentos apresentados no decorrer dos trabalhos da fiscalização, valores foram enviados ao exterior. Ora, esses valores poderiam ser decorrentes de aluguel de bens móveis pela Recorrida, o que não é hipótese de incidência da CIDE. Mas mesmo dentre as cinco hipóteses de incidência destacadas alhures, qual delas teria ocorrido? O negócio jurídico (qual? Formalizado em que contrato?) praticado com o beneficiário das remessas no exterior (o qual tampouco é mencionado pela autoridade lançadora) foi de serviço técnico? De concessão de licença de uso de conhecimento tecnológico? Repito, não se sabe, porque a Fiscalização não cumpriu sua obrigação de devidamente relacionar os elementos de fato (artigo 10 do Decreto 70.235/72) com aqueles de direito que fundamentaram a lavratura do auto de infração. Ao assim proceder, incorreu em vício quanto a requisito essencial do ato administrativo: o motivo. Fl. 289DF CARF MF 14 Como ensina Odete Medauar, 10 “no âmbito do direito administrativo, motivo significa as circunstâncias de fato e os elementos de direito que provocam e precedem a edição do ato administrativo. Por exemplo: o ato administrativo punitivo tem como motivo uma conduta do servidor (circunstância de fato) que a lei qualificou como infração funcional (elemento de direito).” Ora, de acordo com o TVF acima transcrito, não foram trazidos os elementos de fato que acarretariam na incidência da CIDEroyalties, e a sua correlação com os dispositivos legais citados. Não existe, consequentemente, motivo do ato administrativo, que como manifestação de vontade do estado, não pode ser entendido como um fator individual e psíquico, mas sim apresentado mediante um dado objetivo, sempre de acordo com a impessoalidade que norteia a Administração brasileira (artigo 37, caput, CF). O lançamento, vale lembrar, é tido precipuamente como ato administrativo, preenchendo todos os requisitos para tanto. Por isso é que a motivação (que nada mais é do que a enunciação dos motivos) 11 do ato administrativo, é requisito sine qua non para sua validade jurídica. É o que dispõe o artigo 50 da Lei n. 9.784/1999: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; Como é consabido, a motivação deve ser trazida pela autoridade administrativa que lavra o lançamento tributário. Embora elementar, tal lembrança é importante nesse caso, porque, como bem colocado pelo Acórdão recorrido: Poderseia argumentar que a tão querida materialidadebase que serviria de apoio à incidência do art. 2° da Lei no 10.168, de 2000, ainda que não diretamente referida à mão própria pela Fiscalização, veio, sim, aos autos no passo em que, a partir dos documentos juntados pelo Contribuinte no curso da fiscalização, surge lá o termo "royalties", seja em excertos de sua escrita e/ou controles contábeis (fls. 39/42), seja em exemplar de contrato firmado entre ele, Contribuinte, e a Columbia Tristar Home Entertaiment Inc. (fls. 50/94), isso assim e d'algum modo relacionado ao dito demonstrativo de fl. 31 nomeado "CONTROLE DE REMESSAS PARA HOME OFFICE". Mas, ai, vem o problema: como, agora em julgamento, entretecer tais textosprova (falamos dos documentos de fls. 39/42, 50/94, antes referidos), ou, na palavra do Prof. Dr. Celso Antonio Bandeira de Mello, como s6 agora e em julgamento montar a correlação entre tais textosprova — "eventos e situações que [a Fiscalização] deu por existentes" — com a aplicação, na espécie, do art. 2° da Lei n° 10.168, de 2000, e correspondente formalização de exigência tributária? Em outras e mais simples: como, de modo inaugural, fazer o exercício de subsunção em julgamento? Sao cinco — como antes visto — os supostos fáticos ensejadores da incidência retro, como em julgamento dizer, afirmar e defender que, dentre aquelas cinco, realizouse a hipótese pertinente A remessa de "royalties"? 10 Direito Administrativo Moderno. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. 11ª ed, p. 136. 11 Direito Administrativo Moderno. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. 11ª ed, p. 136. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 13896.002636/200785 Acórdão n.º 3402004.340 S3C4T2 Fl. 283 15 Relembrese que a motivação do ato administrativo vinculado, como no caso presente, é dever da Administração Tributária, bem como é também mecanismo de segurança para o Contribuinte. E, notese ainda, que tal motivação só é oportunamente produzida antes ou quando da formalização do ato administrativo em consideração (auto de infração, no caso). Dito de outro modo, não se pode, agora, As escondidas do Contribuinte, bem como para sua surpresa, suprir eventual defeito daquela motivação e/ou encontrar qualquer outro argumento que possa, eventualmente, justificar o ato sob discussão. Segundo lição do Prof. Dr. Celso Antônio Bandeira de Mello, (in "Curso de Direito Administrativo", 20 ed., Malheiros: São Paulo, 2006, pp. 100/102). A motivação deve ser prévia ou contemporânea a expedição do ato. “(...) o dever de motivar é exigência de uma administração democrática e outra não se concebe em um Estado que se declara "Estado Democrático de Direito" (art. 1º, caput) pois o mínimo que os cidadãos podem pretender é saber as razões pelas quais são tomadas as decisões expedidas por quem tem de servi los. (...) Assim, o administrado, para insurgirse ou para ter elementos de insurgência contra atos que o afetem pessoalmente, necessita conhecer as razões de tais atos na ocasião em que são expedidos. (...). É que, se fosse dado ao Poder Público aduzilos apenas serodiamente, depois de impugnada a conduta em juizo [ou no próprio seio da Administração, como é o caso], poderia fabricar razões ad hoc, ‘construir’ motivos que jamais ou dificilmente se saberia se eram realmente existentes e/ou se foram deveras sopesados à época em que se expediu o ato questionado. Assim, atos administrativos praticados sem a tempestiva e suficiente motivação são ilegítimos e invalidáveis pelo Poder Judiciário [bem como revogáveis ou anuláveis pela própria Administração] toda vez que sua fundamentação tardia, apresentada apenas depois de impugnados em juízo [ou administrativamente, como no presente caso], não possa oferecer segurança e certeza de que os motivos aduzidos efetivamente existiam ou foram aqueles que embasaram a providência contestada. (sobrescrito do original; os trechos entre colchetes foram acrescidos; texto não negrejado no original).” É exatamente esse o teor do artigo 142 do Código Tributário Nacional, determinando que: “compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Fl. 291DF CARF MF 16 Não é possível, no curso do processo administrativo suprir o vício do lançamento tributário, pois implicaria em evidente afronta ao direito de contraditório e ampla defesa, tornando a decisão nula, nos termos do artigo 59, inciso II do Decreto 70.235/72. Assim, consequência prática da ausência de motivação do ato administrativo é a necessidade do reconhecimento de sua nulidade, por vício material em sua origem. DISPOSITIVO Assim, voto por negar provimento ao recuso de ofício. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Voto Vencedor Com a devida vênia, ouso discordar da ilustre Relatora para dar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos a seguir explicitados. Conforme o voto da Conselheira Relatora, ela analisou, primeiramente, o mérito, por força do art. 59, § 3º, do Decreto n° 70.235/72, uma vez que sua conclusão foi no sentido de negar provimento ao recurso quanto ao mérito, o que tornou prejudicada a análise da preliminar de nulidade do auto de infração. Contudo, votado o mérito, ela foi vencida, sendo dado provimento ao Recurso de Ofício. Concluída a votação quanto ao mérito, a relatora passou a enfrentar a questão preliminar, restando igualmente vencida, pois concluiu pela nulidade do auto de infração. Fui então designado pelo Presidente para redigir o voto vencedor, pelo que passo a analisar a questão preliminar para, na sequência, adentrar ao mérito da exação. Em resumo, a matéria ora analisada se refere a incidência da CIDE Royalties sobre a remessa de valores ao exterior. A DRJ e o Contribuinte entendem que não cabe a incidência da referida contribuição interventiva porque as referidas remessas ao exterior não se subsumem à hipótese de incidência da Contribuição, instituída pela Lei n. 10.168/2000. Caberia, segundo essa tese, apenas a incidência da contribuição para a CODECINE instituída pela MP nº 2.22801/2001 que seria mais específica, sob pena de ocorrência de bis in idem, caso a CIDE também seja cobrada sobre o mesmo fato gerador. Já a Procuradoria da Fazenda Nacional afirma que a Lei nº 10.168/2000 é expressa quanto a cobrança da CIDE sobre royalties de qualquer natureza e que as proibições da Constituição Federal que legitimam o bis in idem não afetam a CIDE no caso concreto. Preliminar Inicialmente, cumpre afastar a preliminar de nulidade do lançamento por falta de motivação declarada pela Relatora em seu voto Quanto ao cerceamento do direito de defesa decorrente da ocorrência de uma suposta ausência de motivação, a Recorrente, ao longo do seu recurso, demonstra claramente e detalhadamente que sabe sobre qual matéria foi autuada: CIDEroyalties incidentes sobre remessas destinadas ao exterior em contraprestação a direitos autorais da licenciadora estrangeira. Compulsando os autos, identifiquei que o TVF (Termo de Verificação Fiscal) lavrado pela Autoridade Tributária descreve como se deu a sua autuação, indicando inclusive o seu amparo legal, que tem identidade com a base legal da CIDEroyalties, in verbis: Fl. 292DF CARF MF Processo nº 13896.002636/200785 Acórdão n.º 3402004.340 S3C4T2 Fl. 284 17 1 Que após os exames da escrita do contribuinte, no que se refere a remessas de valores ao exterior, que a empresa efetuou diversas remessas a titulo de pagamentos, nos anos de 2002 (fls.122 e 122 livro razão) e 2003 (fls.454 e 455 livro razão) 2 Que sobre o total de remessas incide a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) à alíquota de 10%, posto que o contribuinte não efetuou integralmente os recolhimentos nos termos do art. 2°, parágrafos 2° a 4°, da Lei n°10.168, de 29.12.00, c/c arts. 6°e 7° da Lei n°10.332, de 19.12.01. 3 Que a CIDE, a partir de 01.01.2002, é devida nas remessas de valores ao exterior. grifo nosso Ademais, também fica explicitado no TVF que a origem dos valores lançados constantes da planilha "Controle de Remessas para Home Office" foi o Livro Razão da empresa, onde observei que as contas contábeis apresentam denominação de royalties. Entendo que ficou caracterizado suficientemente nos autos o motivo do lançamento, tanto que a Empresa o identificou em defesa, fez as suas alegações e obteve êxito em sua impugnação na primeira instância administrativa. Assim, não se declara nulidade inexistindo prejuízo. Cabe ressaltar, ainda, que os créditos tributários lançados não foram atingidos pela Decadência. Como não houve pagamento para os períodos lançados, deve ser aplicada a contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, I, do CTN, com base na decisão do STJ constante do REsp repetitivo nº973.733/SC, de observação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, nos termos do art.62, §2º, do RICARF. Mérito Conforme indicado pela Relatora em seu voto, no mérito, a solução da lide passa necessariamente pela resposta de duas questões: i) os valores remetidos para o exterior pela Recorrida, com fulcro no contrato supratranscrito, são de fato royalties?; e ii) em sendo royalties, subsumemse à hipótese de incidência da Contribuição ora em apreço, instituída pela Lei n. 10.168/2000? Quanto a primeira questão colocada, a Eminente Relatora fez exposição sobre a legislação que estabelece o conceito e caracterização de royalties e direitos autorais, in verbis: Sobre a caracterização dos royalties, o artigo 22 da Lei 4.506/1964, estabelece que: Art. 22. Serão classificados como royalties os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: Fl. 293DF CARF MF 18 (...) d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Quanto aos direitos autorais a Lei n°9.610/98 em seus artigos 1º e 7º, estabelece o que são direitos autorias, trazendo para o seu campo o conceito de obras intelectuais, dentre elas as audiovisuais: Art. 1º Esta Lei regula os direitos autorais, entendendose sob esta denominação os direitos de autor e os que lhes são conexos. (...) Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: (...) VI. as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas; Por fim, concluiu que não resta dúvida de que os valores enviados pela Recorrente à Columbia Tristar Home Entertaiment têm natureza jurídica de royalties à luz da legislação tributária brasileira, à medida que remuneração a cessão do direito de exploração dos videogramas, sobre os quais a empresa estrangeira beneficiária dos pagamentos detém direitos autorais. Partilho do mesmo entendimento da Relatora exposto em seu voto porque está caracterizado, pela legislação vigente, que o direito autoral é espécie do gênero royalties. Reproduzo, ainda, trecho do contrato da Recorrente com a Columbia Tristar Home Entertainment, no qual, em sua cláusula 9, fica evidente a natureza jurídica de royalties das parcelas remetidas ao exterior: 9. Royalties (a) A Licenciada deve pagar á Licenciadora, pela distribuição dos Videogramas, de acordo com o disposto no Parágrafo 3.1 dos Termos e Condições Padrão, "Royalties" equivalentes a 80% (oitenta por cento) dos "Lucros Liquidos" desde que em nenhuma hipótese o montante dos Lucros Líquidos pagos à Licenciadora seja mais do que 60% (sessenta por cento) das Receitas Brutas. Qualquer Lucro Liquido remanescente será retido pela Licenciada. Solucionada a primeira questão, passo a análise da segunda quanto a incidência de CIDE Royalties criada pela Lei nº10.168/2000, com a redação dada pela Lei nº10.332/2001. A CIDE foi criada pela Lei nº10.168/00 com o objetivo de estimular o desenvolvimento tecnológico do Brasil por meio do financiamento do Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação. Transcrevo a seguir o conteúdo dos arts.1º e 2º da Lei nº10.168/00: Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13896.002636/200785 Acórdão n.º 3402004.340 S3C4T2 Fl. 285 19 Art. 1o Fica instituído o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, cujo objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Art. 2º. Para fins de atendimento ao programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 2o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrentes das obrigações indicadas no caput deste artigo. Parágrafo. 3º A alíquota da contribuição será de 10%. Posteriormente, em 1º de janeiro de 2002, foi editada a Lei nº10.332/01 que promoveu alterações a Lei nº10.168/00, entre as quais, novas hipóteses de incidência para a CIDE, nos seguintes termos: Art. 6o O art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 2o ............................................................. ..................................................................... § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo. § 4o A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). grifo nosso Fl. 295DF CARF MF 20 Fica nítido que o legislador, por meio da Lei nº10.332/01, criou duas novas hipóteses de incidência da CIDE sobre serviços técnicos e de assistência administrativa, bem como sobre os royalties a qualquer título, que a pessoa pagar, creditar, entregar, empregar ou remeter a residente ou domiciliado no exterior. No caso concreto, consta nos autos que a Recorrente efetuou remessas ao exterior a título de pagamento de direitos autorais à licenciadora estrangeira que se caracterizam como royalties, devendo, portanto, sofrer a tributação da CIDE, conforme preceitua o dispositivo legal anteriormente citado. Corroborando com esse entendimento, transcrevo o trecho do voto do Conselheiro Relator Henrique Pinheiro Torres emitido no julgamento do Recurso Especial de pedido de restituição da própria recorrente, no qual se discutiu a mesma matéria (acórdão nº 930301.864 da 3ª Turma da CSRF): Anotese, por oportuno, que redação dada pela Lei 10332/2001 amplia o campo de incidência da contribuição, fazendoa incidir sobre o pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties a residentes ou domiciliados no exterior, para tanto, não faz qualquer restrição ou vinculação desses royalties, podendo estes ser relativo a qualquer tipo de obrigação. Registrese que antes da alteração legislativa2, a contribuição só incidia sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações referente à concessão de licença de uso ou à aquisição de conhecimentos tecnológicos, bem como à transferência de tecnologia, não deixando margem à interpretação, com a alteração legislativa a incidência ocorrerá na transferência de royalties a qualquer título. Quanto a alegação de uma suposta falta de "referibilidade" para a incidência da CIDEroyalties ao caso concreto, onde afirma a necessidade de haver um benefício específico para o setor econômico que suporta a contribuição, fruto da atuação estatal na aplicação dos recursos oriundos da sua arrecadação, entendo que esta não é suficiente para justificar o afastamento de dispositivo de lei válida e vigente. Além disso, lembro que a Súmula CARF nº02 determina que os Conselheiros do CARF não têm competência para afastar a aplicação de dispositivo de lei, em razão de inconstitucionalidade. Cabe ressaltar, ainda, que a Relatora, em seu voto, afirma que o art.10 do Decreto nº4.195/02 não teria contemplado, entre as hipóteses de incidência da CIDEroyalties, os royalties referentes à exploração de direitos autorias. Também não merece prosperar tal afirmação, porque Decreto não tem a eficácia de restringir o campo de incidência de Lei. O decreto, por uma questão de hierarquia, não pode restringir as hipóteses de incidência da CIDEroyalties previstas na Lei nº10.168/00. Se a referida lei estabeleceu que a CIDE incide sobre royalties de "qualquer natureza", dando a entender que a listagem não é taxativa, não cabe ao decreto estabelecer lista taxativa, em desconformidade com o que a lei estabeleceu. Como somente a lei é dada a função de definir o fato gerador da obrigação tributária principal, o Decreto editado com a finalidade de regulamentála deve ser interpretado em conformidade com o seu conteúdo. Assim, a única interpretação possível em consonância Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13896.002636/200785 Acórdão n.º 3402004.340 S3C4T2 Fl. 286 21 hierarquia das normas é que a lista constante do art.10 do Decreto nº4.195/02 é meramente exemplificativa. Nesse mesmo sentido, apresento a ementa do acórdão nº3102002.306 da 1ª Câmara, 2ª Turma da 3ª Seção do CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Ano calendário:2005, 2006 [...] FATO GERADOR. DEFINIÇÃO. LEGISLAÇÃO REGULAMENTAR. DECRETO. IMPOSSIBILIDADE. RESERVA LEGAL. Dispõe o Código Tributário Nacional, que somente a lei pode definir o fato gerador da obrigação tributária principal. O Decreto editado com a finalidade de regulamentála deve ser interpretado em conformidade com suas disposições. Harmonizase com esse entendimento, a ausência, no Decreto nº 4.195/02, de comando que lhe atribua o pretenso caráter taxativo, e que, assim, delimitasse, ainda que no fito de interpretar, o universo das hipóteses de incidência da Contribuição previstas na Lei. A DRJCampinas também justificou o cancelamento do lançamento fiscal sob o fundamento da existência de bitributação na incidência, sobre os mesmos fatos geradores, da CIDEroyalties e da CONDECINE. Não cabe razão ao Julgador da primeira instância, uma vez que as vedações a dupla tributação constantes na Constituição Federal não dizem respeito a CIDE. Ainda que a legislação tributária preveja a incidência das duas contribuições (CIDE e CONDECINE) sobre a mesma remessa ao exterior, não há impedimento para incidência de ambas, pois entre as situações que a Constituição Federal veda o bis in idem, não consta as referidas contribuições interventivas. No sistema tributário brasileiro temos exemplos de dupla tributação que não são vedados, tais como a coexistência do PIS e COFINS e do IRPJ e CSLL. Nessa direção, utilizo os mesmos fundamentos da decisão do Relator Henrique Pinheiro Torres no acórdão nº 930301.864 da 3ª Turma da CSRF que rechaçou a ocorrência do bis in idem em análise da mesma matéria da empresa, nos seguintes termos: Inicialmente, devese esclarecer que não há, na Constituição Federal, qualquer vedação à incidência de mais de uma contribuição sobre determinada riqueza passível de tributação. Tanto é verdade que existe o bis in idem em relação ao PIS e a COFINS que incidem sobre faturamento. Na realidade, salvo as exceções do imposto extraordinário de guerra, a constituição veda, implicitamente, a bitributação, já que delimita a competência tributária dos entes da Federação, segregando o campo que cada um deles pode estender seu poder de tributar, com isso, não poderá haver incidência tributária sobre determinada riqueza de tributos de mais de um ente da federação. Essa vedação é decorrente da repartição da competência tributária, dada pela Constituição Federal, o que não se aplica às contribuições sob exame. Na competência Fl. 297DF CARF MF 22 residual, prevista no art. 154, I veda o bis in idem para impostos, frisese, apenas para impostos, de que não tratam estes autos. Diante de todo o exposto, dou provimento ao recurso de ofício. (Assinado com certificado digital) Pedro Sousa BispoRedator Designado Fl. 298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003413/2010-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
NULIDADE. DESCABIMENTO.
Quando o ato administrativo de lançamento obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade
INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias
SUSPENSÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO.
Inexiste previsão normativa para suspensão do julgamento administrativo fiscal em função de pendência judicial, ainda que seja sobre matéria recepcionada pelo STF como de repercussão geral.
BASE DE CÁLCULO. ICMS.
O ICMS compõe o preço da mercadoria e faz parte do faturamento, integrando a base de cálculo da contribuição. Inadmissível excluir-se valores da base de cálculo sem previsão em lei.
PERCENTUAIS DE MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Pela Lei 9.430/96, em lançamento de ofício calcula-se cada multa sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos percentuais do artigo 44, sem o limite cabível nos recolhimentos espontâneos em atraso (§ 2º, art. 61).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É legítima a inclusão dos juros de mora, quando da formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos Tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Lei nº 9.430/96, artigo 61, § 3º).
PIS/PASEP SIMILITUDE DOS MOTIVOS E RAZÕES DE AUTUAÇÃO, DEFESA E DECISÃO.
Aplica-se à contribuição para o PIS/Pasep a mesma decisão relativa à COFINS em face da similitude dos motivos e razões de autuação, defesa e decisão.
Numero da decisão: 3302-004.631
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa R. Prado que dava provimento para exclusão do ICMS na base de cálculo.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Charles Pereira Nunes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Prado.
Nome do relator: CHARLES PEREIRA NUNES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 NULIDADE. DESCABIMENTO. Quando o ato administrativo de lançamento obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias SUSPENSÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. Inexiste previsão normativa para suspensão do julgamento administrativo fiscal em função de pendência judicial, ainda que seja sobre matéria recepcionada pelo STF como de repercussão geral. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O ICMS compõe o preço da mercadoria e faz parte do faturamento, integrando a base de cálculo da contribuição. Inadmissível excluir-se valores da base de cálculo sem previsão em lei. PERCENTUAIS DE MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Pela Lei 9.430/96, em lançamento de ofício calcula-se cada multa sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos percentuais do artigo 44, sem o limite cabível nos recolhimentos espontâneos em atraso (§ 2º, art. 61). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legítima a inclusão dos juros de mora, quando da formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos Tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Lei nº 9.430/96, artigo 61, § 3º). PIS/PASEP SIMILITUDE DOS MOTIVOS E RAZÕES DE AUTUAÇÃO, DEFESA E DECISÃO. Aplica-se à contribuição para o PIS/Pasep a mesma decisão relativa à COFINS em face da similitude dos motivos e razões de autuação, defesa e decisão.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa R. Prado que dava provimento para exclusão do ICMS na base de cálculo. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Charles Pereira Nunes - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1879; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003413/201054 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.631 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2017 Matéria PIS E COFINS EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO Recorrente THERMOID S/A MATERIAIS DE FRIÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 NULIDADE. DESCABIMENTO. Quando o ato administrativo de lançamento obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias SUSPENSÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. Inexiste previsão normativa para suspensão do julgamento administrativo fiscal em função de pendência judicial, ainda que seja sobre matéria recepcionada pelo STF como de repercussão geral. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O ICMS compõe o preço da mercadoria e faz parte do faturamento, integrando a base de cálculo da contribuição. Inadmissível excluirse valores da base de cálculo sem previsão em lei. PERCENTUAIS DE MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Pela Lei 9.430/96, em lançamento de ofício calculase cada multa sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos percentuais do artigo 44, sem o limite cabível nos recolhimentos espontâneos em atraso (§ 2º, art. 61). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legítima a inclusão dos juros de mora, quando da formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos Tributários administrados pela Secretaria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 13 /2 01 0- 54 Fl. 438DF CARF MF Processo nº 19515.003413/201054 Acórdão n.º 3302004.631 S3C3T2 Fl. 3 2 da Receita Federal são devidos à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Lei nº 9.430/96, artigo 61, § 3º). PIS/PASEP SIMILITUDE DOS MOTIVOS E RAZÕES DE AUTUAÇÃO, DEFESA E DECISÃO. Aplicase à contribuição para o PIS/Pasep a mesma decisão relativa à COFINS em face da similitude dos motivos e razões de autuação, defesa e decisão. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa R. Prado que dava provimento para exclusão do ICMS na base de cálculo. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Charles Pereira Nunes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Prado. Relatório Por ser descrever os fatos com fidelidade adoto o relatório da decisão de piso, transcrito na integra: Tratase de auto de infração de Pis (R$ 3.820.098,26 fl. 169) e Cofins (R$ 17.933.964,24 – fl.161) decorrente de apuração de insuficiências mensais entre valores demonstrados em DACON e os recolhidos e/ou não confessados em DCTF (fl. 143). Em procedimento de revisão interna do DACON o Auditor verificou que os valores relativos ao ano calendário de 2006 e 2007, de Pis e de Cofins a pagar, são superiores aos informados em DCTF e não houve recolhimentos aos cofres públicos, razões pelas quais constituiu os créditos tributários das diferenças mensais mediante autos de infração. Em 22/10/2010 há ciência dos autos de infração de Pis e de Cofins (fl. 177). Fl. 439DF CARF MF Processo nº 19515.003413/201054 Acórdão n.º 3302004.631 S3C3T2 Fl. 4 3 Em 17/11/2010 a interessada deduz irresignação (fl. 179 e ss) com os argumentos sintetizados a seguir. A defesa diz que: houve presunção de não recolhimento e arbitramento de base de cálculo em detrimento da verdade real; o ônus da prova é da fiscalização, que deve demonstrar, de modo cabal a ocorrência do fato jurídico tributário a ensejar autuação; o lançamento deve ser precedido de impugnação e de intimação para explicações; devese venerar os princípios da legalidade e de tipicidade cerrada; a presunção é incompatível com a legalidade; há afronta ao princípio da segurança jurídica; há nulidade do auto de infração; não cabe se basear em informações preliminares do Dacon. A defesa diz que houve afronta ao artigo 195 da CF/88 (bis in idem). A defesa diz que o ICMS é receita de terceiros e não receita ou faturamento do sujeito passivo estando fora da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. A defesa diz que: o ICMS não poderá integrar a base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS pelo alcance do conceito constitucional de faturamento e receita que não permite referida ampliação na base de cálculo da exação, mesmo após a EC 20/98; os tributos indiretos não se inserem no conceito de Receita Bruta Operacional, conforme jurisprudência.; analisando a doutrina transcrita a defesa diz que ICMS não é materialidade de incidência e não pode compor a base de cálculo. A defesa argui efeito confiscatório da multa imposta e sua desproporcionalidade, caracterizando fraude à Constituição Federal. A multa é acessória e não arrecadatória. Os princípios da proporcionalidade e razoabilidade devem compor o processo administrativo (Lei 9.784/99). Cita doutrina e decisão do STF relativa ao percentual de 30% ser razoável e não abusivo. Conclui pela inconstitucionalidade do patamar de 75%. A defesa diz que a Selic é inconstitucional em face dos artigos 150, I, e 192 § 3º, da CF/88. O limite mensal é de 1%. Cabe seu afastamento ou redução A defesa transcreve lições de doutrinadores, decisões dos conselhos de contribuintes, de delegacias de julgamento e judiciais em outros casos que entende serem favoráveis a cada um de seus argumentos e condutas. Requer acatamento das preliminares e, no mérito, o cancelamento do auto. Junta documentos relativos à representação processual, cópia de decisão de DRJ/RJO II, relativa aos aspectos comprobatórios e cópia do auto de infração ( fls. 215 até 258). Não houve juntada de novos elementos voltados ao mérito da autuação. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário em sua totalidade, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Fl. 440DF CARF MF Processo nº 19515.003413/201054 Acórdão n.º 3302004.631 S3C3T2 Fl. 5 4 NULIDADE. DESCABIMENTO. Quando o ato administrativo de lançamento obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEIS. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País não podendo negar lhe execução e sendo incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, haja vista que tais matérias estão adstritas ao âmbito judicial. CONTRAPROVA. NÃO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A contraprova que possa afastar informação anteriormente oferecidas à administração fazendária devem ser apresentada no prazo de impugnação. DIFERENÇA APURADA ENTRE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA INTERESSADA. NÃO RECOLHIMENTO. NECESSIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA DE PRESUNÇÃO.A não confissão espontânea em DCTF da totalidade do débito informado em DACON e não recolhido mediante Darf impõe à autoridade administrativa a lavratura do auto de infração para constituir o crédito tributário (art. 142, CTN). Não se trata de tributação por presunção. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O ICMS compõe o preço da mercadoria e faz parte do faturamento, integrando a base de cálculo da contribuição. Inadmissível excluirse valores da base de cálculo sem previsão em lei. PERCENTUAIS DE MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Pela Lei 9.430/96, em lançamento de ofício calculase cada multa sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos percentuais do artigo 44, sem o limite cabível nos recolhimentos espontâneos em atraso (§ 2º, art. 61). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legítima a inclusão dos juros de mora, quando da formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos Tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Lei nº 9.430/96, artigo 61, § 3º). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O ICMS compõe o preço da mercadoria e faz parte do faturamento, integrando a base de Fl. 441DF CARF MF Processo nº 19515.003413/201054 Acórdão n.º 3302004.631 S3C3T2 Fl. 6 5 cálculo da contribuição. Inadmissível excluirse valores da base de cálculo sem previsão em lei. PERCENTUAIS DE MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Pela Lei 9.430/96, em lançamento de ofício calculase cada multa sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos percentuais do artigo 44, sem o limite cabível nos recolhimentos espontâneos em atraso (§ 2º, art. 61). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legítima a inclusão dos juros de mora, quando da formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos Tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Lei nº 9.430/96, artigo 61, § 3º). Cientificado daquela decisão em 12/10/2012 a autuada apresentou recurso voluntário em 24/10/2012, onde repisa com outras palavras os principais argumentos da impugnação e acrescenta pedido de suspensão do julgamento relativo à exclusão, ou não, do ICMS nas base de cálculo das contribuições, enquanto se resolve a matéria reconhecida de repercussão geral junto ao STF. Junta ainda voto do Min. Marco Aurélio prolatado no pleno do RE 240.7852 MG, sem repercussão geral. É o relatório. Voto Preliminares O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA Não merecem prosperar as questões acerca de constitucionalidade de normas no âmbito do contencioso administrativo, tendo em vista sua pacificação através da súmula CARF nº 2 esclarecendo que “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. No mesmo sentido temos o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF) 1 . 1 DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 442DF CARF MF Processo nº 19515.003413/201054 Acórdão n.º 3302004.631 S3C3T2 Fl. 7 6 Assim sendo, não conheço do recurso nesta parte. SUSPENSÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO Inexiste previsão normativa para suspensão do julgamento administrativo fiscal em função de pendência judicial ainda que seja sobre matéria recepcionada pelo STF como de repercussão geral, assim, indeferese o pedido. Mérito ALEGAÇÃO DE LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO. A recorrente argumenta que não lhe foi dado oportunidade para justificar eventuais erros antes do lançamento, tendo este sido realizado sem fundamento e por presunção. Não merecer prosperar estes argumentos, pois o Termo de Intimação Fiscal de fls 80 demonstra que a autuada foi previamente cientificada da diferença constatada, em procedimento de revisão do DACON, entre os valores neste constantes e os correspondente valores informados na DCTF, sendo então intimada a justificar o porque da insuficiência de declaração/recolhimento dos valores na DCTF/DARF, conforme quadros de valores I, II (Pis 2006 e 2007), III e IV (Cofins 2006 e 2007). Vêse na resposta à intimação, fl. 93, que a autuada não prestou quaisquer esclarecimentos fáticos sobre tais valores e somente a partir da impugnação apresentou sua tese defendendo o direito de excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, porém sem quantificar esses valores nem apresentar qualquer documento contábil/fiscal ou mesmo planilha própria. Assim sendo, mostrase correto o procedimento fiscal; não havendo que se falar em lançamento por presunção ou sua nulidade, pois foi corretamente baseado na comparação entre os DACON e DCTF apresentados e na falta de justificativas para a diferenças encontradas, mediante resposta a intimação fiscal, Por inexistir a alegada presunção, desvelase que a diferença encontrada e não justificada devese efetivamente à omissão de receitas na base de cálculo das contribuições, e que a Recorrente, tenta justificar, pelo menos em parte, arguindo tese quanto ao direito de não incluir na base de cálculo o valor do ICMS por ela destacado em suas notas fiscais de venda. A tese, de repercussão geral e ainda sem decisão transitada em julgado no STF, é majoritariamente rejeitada administrativamente uma vez as exclusões permitidas na base de cálculo são aquelas contidas na legislação ao tempo dos fatos geradores. II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 443DF CARF MF Processo nº 19515.003413/201054 Acórdão n.º 3302004.631 S3C3T2 Fl. 8 7 Inexiste no art. 3º, § 2º da Lei nº 9.718/98, ou em qualquer outra norma erga omnes que trate de incidência nãocumulativa das contribuições em referência, dispositivo que autorize exclusão do ICMS em referência. As Súmulas 68 e 94 do STJ mantém o entendimento que a parcela relativa ao ICMS destacado incluise na base de cálculo do PIS e da FINSOCIAL/COFINS, respectivamente. Assim sendo, em razão da inexistência de decisão definitiva do STF com repercussão geral, adoto o entendimento administrativo atualmente majoritário de que o valor do ICMS destacado compõe o faturamento da empresa, submetendose à tributação pelas contribuições por integrar o conceito amplo de receita bruta, base de cálculo do PIS e da Cofins. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO PELA MULTA MORATÓRIA Não merece prosperar pedido alternativo de substituição da multa de ofício pela multa moratória, uma vez que a falta de pagamento do tributo em virtude de declaração inexata foi apurada em ação fiscal, sujeitandose, portanto, à multa de 75% prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96. Não é o caso de aplicação de multa de mora, pois não se trata de denúncia espontânea. Ademais não se trata de multa agravada nem existe dúvida quanto a sua aplicação que justifique a evocação de boa fé ou do art. 112 do CTN. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, conheço do recurso e nego provimento. Charles Pereira Nunes Relator Fl. 444DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721845/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007, 2008
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42, LEI 9.430/1996
Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
INCONSISTÊNCIAS NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL-FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO LALUR. ARBITRAMENTO DO LUCRO. POSSIBILIDADE.
A existência de erros crassos, além de inconsistências verificadas na escrituração contábil, à evidência de contas credoras com o saldo final devedor, e vice-versa, não esclarecidas após regular intimação do sujeito passivo; somados à falta de apresentação do LALUR e elaboração de demonstrações financeiras, configuram a imprestabilidade da mesma, e ensejam o arbitramento do lucro.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF.
A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2.
Numero da decisão: 1302-002.343
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos afastar as preliminares suscitadas, e, no mérito negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente Substituta.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente-Substituta).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007, 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42, LEI 9.430/1996 Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSISTÊNCIAS NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL-FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO LALUR. ARBITRAMENTO DO LUCRO. POSSIBILIDADE. A existência de erros crassos, além de inconsistências verificadas na escrituração contábil, à evidência de contas credoras com o saldo final devedor, e vice-versa, não esclarecidas após regular intimação do sujeito passivo; somados à falta de apresentação do LALUR e elaboração de demonstrações financeiras, configuram a imprestabilidade da mesma, e ensejam o arbitramento do lucro. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007, 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42, LEI 9.430/1996 Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSISTÊNCIAS NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBILFISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO LALUR. ARBITRAMENTO DO LUCRO. POSSIBILIDADE. A existência de erros crassos, além de inconsistências verificadas na escrituração contábil, à evidência de contas credoras com o saldo final devedor, e viceversa, não esclarecidas após regular intimação do sujeito passivo; somados à falta de apresentação do LALUR e elaboração de demonstrações financeiras, configuram a imprestabilidade da mesma, e ensejam o arbitramento do lucro. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 45 /2 01 2- 11 Fl. 2339DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.340 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos afastar as preliminares suscitadas, e, no mérito negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente Substituta. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Julio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca e Ester Marques Lins de Sousa (PresidenteSubstituta). Relatório Por relatar os fatos e argumentos que compõem o objeto deste processo, adoto o relatório da DRJ/SP1, e passo a transcrevêlo: “1. Trata o presente processo de lançamentos de ofício de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ (R$22.299.783,99 – fls. 1958/1978), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (R$9.998.256,56 – fls. 1979/1994), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (R$11.030.862,21 – fls. 1947/1951 e 1995/2003) e Contribuição para o PIS/PASEP (R$2.390.020,21 – fls. 1952/1957 e 2004/2011), no total de R$ 45.718.922,97 (principal, multa vinculada e juros de mora calculados até 08/2012). 2. No Termo de Verificação Fiscal, narrouse extensamente os fatos, tendo sido autuados os anoscalendário de 2007 e 2008. Intimouse o contribuinte a comprovar, através de documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados/depositados em suas contascorrentes/investimentos, conforme relação das planilhas anexas ao Termo de Intimação Fiscal nº 00339/06, datado de 05/12/2011, com ciência em 07/12/2011. 3. Como resposta, a Interessada apresentou extratos bancários da empresa Via Sul Transportes Urbanos Ltda., do mesmo período (01/2007 a 12/2008), a fim de comprovar a origem dos depósitos. A Fiscalização considerou que a apresentação desses extratos não atendia o referido termo e a empresa foi reintimada a: I. Identificar nas planilhas dos Anexos I e II do Termo de Reintimação Fiscal n° 00339/08, individualizando os valores transferidos pela empresa Via Sul Transportes Ltda, informando o tipo de operação e causa dos recursos recebidos, anexando os documentos comprobatórios de cada lançamento, coincidente em datas e valores, sob pena de presunção legal de omissão de receita; Fl. 2340DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.341 3 II. Os demais lançamentos das planilhas dos Anexos I e II do Termo de Reintimação Fiscal n° 00339/08, cujos valores foram transferidos por outras empresas, informar o tipo de operação e a causa dos recursos recebidos, individualizando os valores recebidos, e anexando os documentos comprobatórios de cada lançamento, coincidente em datas e valores, sob pena de presunção legal de omissão de receita. 4. Foram apresentados documentos e explicações assim analisadas pela Autoridade Fiscal: 5.1.3. Em resposta à intimação n° 00339/08, ciência em 02/02/2012, a empresa apresentou, em 02/02/2012, cópias de transferências de valores entre empresas do mesmo grupo econômico (empresas interrelacionadas), e declara que os mesmos atestam que a operação e os valores creditados no extrato da Viação Bristol Ltda, estão distante de representar receita de qualquer tipo de serviço e tão somente valores tributados na empresa de origem e transferidos para empresa relacionada (Viação Bristol Ltda) com o fim de se efetuar pagamento de despesas. Alega ainda que por não ser exigido retorno ou pagamento do valor recebido, também não significa empréstimo. Da análise dos documentos apresentados, verificase que a empresa Viação Bristol Ltda não comprovou com documentos hábeis e idôneos o declarado neste item, ou seja, não comprovou que os valores creditados não representam receitas de serviço, nem comprovou e nem especificou quais despesas seriam objeto do pagamento dos valores transferidos, e qual o motivo de despesas próprias serem pagas por outra empresa. A empresa Viação Bristol Ltda apenas alega tratarse de mera transferência de valores para pagamento de despesas, sem maiores explicações, não podendo assim, serem aceitos pela fiscalização. Verificase ainda que, as cópias das solicitações de transferências de valores entre a empresa VIA SUL TRANSPORTES URBANOS LTDA e a empresa VIAÇÃO BRISTOL LTDA, somente indicam a existência de transferência de valores originários da empresa Via Sul Transportes Urbanos Ltda para a Viação Bristol Ltda, os quais já estavam indicados nos próprios extratos bancários, sendo que esses documentos não comprovam o tipo de operação e a causa dos recursos recebidos pela Viação Bristol Ltda. Além das transferências originárias da empresa Via Sul Transportes Urbanos Ltda, verificase a existência de outros valores creditados/depositados na contascorrentes da Viação Bristol Ltda originários de outras empresas e ainda outros cujos históricos não identificam o depositante, sendo que para esses valores nada foi declarado ou comprovado pela empresa. 5.1.4. Desse modo, procedemos a nova reintimação à empresa, através do Termo de Reintimação Fiscal n°00339/15, datado de 04/05/2012, ciência em 08/05/2012, a fim de comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas corrente/investimentos, conforme a seguir: I. Para os valores originários da empresa Via Sul Transportes Ltda, informar para cada lançamento, o motivo da transferência desses recursos, relacionadas nas planilhas dos Anexos I e II do Termo de Reintimação Fiscal n° 00339/15, individualizando os valores transferidos pela empresa, informando o tipo de operação e causa dos recursos recebidos, anexando os documentos comprobatórios hábeis e idôneos, coincidente em datas e valores, sob pena de presunção legal de omissão de receita; II. Identificar nas planilhas dos Anexos I e II do Termo de Reintimação Fiscal n° 00339/15, os demais lançamentos, cujos valores foram transferidos por outras empresas, informando o tipo de operação e a causa dos recursos recebidos, individualizando os valores recebidos, e Fl. 2341DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.342 4 anexando os documentos comprobatórios hábeis e idôneos, coincidente em datas e valores, sob pena de presunção legal de omissão de receita. 5.1.5. Em 15/05/2012, a empresa solicitou prorrogação de 05 (cinco) dias para atendimento do Termo de Reintimação Fiscal n° 00339/15, tendo sido concedido a dilação do referido prazo. Posteriormente, em 25/05/2012, a empresa apresentou novo pedido de prorrogação do prazo para atendimento do Termo de Reintimação Fiscal n° 00339/15, e nessa mesma data apresentou cópias simples de pagamentos de diversas despesas relativas às competências 01/2007 e 02/2007, sem quaisquer esclarecimentos adicionais, e sem qualquer relação com os lançamentos a crédito nos extratos bancários relacionados na referida intimação (a título de exemplo, anexamos cópia das referidas despesas pagas pela Viação Bristol Ltda dos dias 12/01/2007 e 15/02/2007). Assim, novamente a empresa foi reintimada, através do Termo de Reintimação Fiscal n° 00339/23, datado de 25/05/2012, ciência em 29/05/2012, a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas corrente/investimentos, tendo sido concedido 10 (dez) dias corridos para cumprimento da intimação. 5.1.6. Cumpre observar que nos termos lavrados, o sujeito passivo foi cientificado de que a não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de créditos relacionados nos termos de intimação, nos prazos determinados, ensejaria lançamento de ofício, a título de omissão de receita ou de rendimento, nos termos do artigo 849, do RIR/99, sem prejuízo de outras sanções legais que couberem. 5.1.7. No prazo marcado para apresentação dos documentos descritos no item 5.1.5 acima, e no decorrer do procedimento fiscal, os mesmos não foram exibidos, sem qualquer manifestação do contribuinte. 5.1.8. Portanto, essas respostas, desacompanhadas de qualquer prova, são insuficientes para afastar a presunção legal de omissão de receita. 5.1.9. No ANEXO I estão acostadas cópia dos extratos bancários da movimentação financeira anoscalendário de 2007 e 2008, das instituições financeiras Banco Bradesco S/A Agência 33928, contacorrente 19.0020, e Banco Safra Agência 0021, conta corrente 0151013. 5.2. Quanto aos demais termos lavrados na ação fiscal e suas consequências, assim se posicionou a Autoridade Fiscal: 5.2.1. Nesta ação fiscal foram lavrados outros Autos de Infração, e emitidos outros termos de intimação, inclusive quanto à regularidade das obrigações previdenciárias, que a seguir passamos a relatar, a fim de apresentar as respostas da Viação Bristol Ltda às respectivas intimações, e assim entendermos melhor o seu funcionamento: 5.2.2. A empresa foi intimada, através do Termo de Intimação Fiscal n° 00339/02, datado de 23/05/2011, ciência em 30/05/2011, e reintimada em 06/12/2011, conforme se vê pelo Termo de Intimação Fiscal n° 00339/07, de 06/12/2011, ciência em 07/12/2011, a apresentar contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros/Termos de Permissão e outros, referente ao período compreendido entre 01/01/2007 a 31/12/2008, e respectivas notas fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados. Em atendimento à intimação, a empresa declarou não possuir contrato de prestação de serviços, nem Termo de Permissão celebrado com terceiros, e não emitiu notas fiscais, faturas ou recibos de mãodeobra ou prestação de serviços, no período de 01/01/2007 a 31/12/2008, conforme declaração datada de 26/01/2012, em anexo. Fl. 2342DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.343 5 5.2.3. Através do Termo de Intimação Fiscal n° 0339/09, de 01/02/2012, ciência em 02/02/2012, a empresa foi intimada a apresentar, dentre outros documentos, folhas de Pagamento e recibos de pagamento relativo a sóciosadministradores (prólabore). Em resposta, a empresa declarou não possuir contrato de prestação de serviços no período fiscalizado, não possui receita, e encontrase praticamente inativa, possuindo apenas os empregados registrados, cuja despesa de folha de pagamento era suportada pelas empresas do mesmo grupo econômico. Além disso, a Viação Bristol alega que não efetuou nenhum pagamento de prólabore no período, não possuindo, portanto, folha e recibo de pagamento de prólabore. 5.2.4. Da análise dos Livros Diários n°s 80 e 81, autenticados na JUCESP, respectivamente, sob o n° 124382 e 124383, em 16/07/2008, e de n°s 82, 83, 84 e 85, autenticados na JUCESP, respectivamente, sob o n° 55862, 55864, 55865 e 55866, em 21/06/2011, relativos aos anoscalendário de 2007 e 2008, verificamos que os mesmos não apresentavam planos de contas, Balancetes de Verificação, Balanço Patrimonial e Demonstrativo do Resultado do Exercício. Dessa forma, intimamos a empresa a apresentar os mesmos, conforme se verifica pelo Termo de Intimação Fiscal n° 0339/10, datado de 06/02/2012, ciência em 07/02/2012. Em 29/02/2012, a empresa não apresentou tais demonstrativos, "declarando estar inativa no período, e seu ativo e passivo ficou inalterado ao longo do período", conforme declaração datada de 29/02/2012. Declara ainda que, não houve resultado no período, e não teve receita. 5.2.5. Através do Termo de Intimação Fiscal n° 00339/20, datado de 14/05/2012, ciência em 22/05/2012, a empresa foi intimada a apresentar o LALUR Livro de Apuração do Lucro Real, relativo aos anoscalendário de 2007 e 2008, e reintimada, através do Termo de Reintimação Fiscal n° 00339/24, datado de 07/06/2012, ciência em 09/06/2012. Em resposta à intimação, a empresa apresentou declaração, datada de 14/06/2012, alegando que "a Viação Bristol desde 2003 até a presente data, não firmou contrato de prestação de serviços com empresas particulares e nem com empresas públicas, não possuindo, portanto, receita tributável, permanecendo praticamente inativa, motivo pelo qual, não possui Livro de Apuração do Lucro Real no anocalendário 2007 e 2008." 5.2.6. Pelo Termo de Intimação Fiscal n° 00339/21, datado de 14/05/2012, ciência em 22/05/2012, o contribuinte foi intimado a efetuar a entrega dos DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, relativos ao período de 01/2007 a 12/2008. No prazo marcado para atendimento do termo fiscal, o contribuinte não atendeu à referida intimação, tendo sido reintimado, através do Termo de Reintimação Fiscal n° 00339/25, de 07/06/2012, ciência em 09/06/2012. Em resposta à intimação, a empresa apresentou declaração em 15/06/2012, alegando que "... a Viação Bristol Ltda, desde 2003 até a presente data, não firmou contrato de prestação de serviços com empresas particulares e nem com empresas públicas, não possuindo, portanto, receita tributável, permanecendo praticamente inativa, motivo pelo qual, não apresentou a DACON". 5.2.7. A partir da análise da GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) relativa à competência do 13°salário/2008, verificamos que a empresa informou no campo destinado à "Retenção Lei n° 9.711/98", o valor de R$ 249.769,87, cujo valor compensado de retenção foi de R$ 208.141,55 (valor total da contribuição previdenciária devida na competência). Desse modo, intimamos a empresa, através do Termo de Intimação Fiscal n° 00339/14, datado de 04/05/2012, ciência em 08/05/2012, a comprovar a origem da retenção de 11% da Lei 9.711/98, bem como comprovar com documentação hábil e idônea, a efetiva retenção dos 11% sofrida pela empresa e/ou o efetivo recolhimento pela empresa tomadora de serviços em nome da Viação Bristol Ltda, do Fl. 2343DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.344 6 valor de R$ 249.769,87. Em resposta, a empresa Viação Bristol Ltda alega que prestava serviços ao Município de São Paulo, através da sua Secretaria Municipal de Transportes, e integra o Grupo Econômico que procede a prestação de serviços, e que o direito à compensação está sustentado, entre outras razões, na autuação através do processo Comprot 19311.720411/201109, Debcad 51.000.4423. Cabe observar que, este processo referese à autuação do Município de São Paulo Secretaria Municipal de Transportes (CNPJ 46.392.155/000111) pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, do lançamento da retenção de 11% incidente sobre a nota fiscal de prestação de serviços, tendo por devedor solidário a empresa VIA SUL TRANSPORTES URBANOS LTDA CNPJ 04.828.667/000138, no período de 01/2009 a 12/2010. Assim, verificase a existência da relação contratual do Município de São Paulo Secretaria Municipal de Transportes (CNPJ 46.392.155/000111), com a empresa Via Sul Transportes Urbanos Ltda CNPJ 04.828.667/000138, sendo esta última, a empresa que poderia se compensar do valor relativo à retençãoo dos 11%, em caso de seu recolhimento, e a referida compensação somente poderia ter sido feita no CNPJ do estabelecimento da empresa emitente da NF/FAT/REC, não podendo ser utilizado por outro estabelecimento da empresa, uma vez que o período fiscalizado (01/2008 a 12/2008) se enquadra no § 1° do artigo 31 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.711/1998 (período anterior à 27/05/2009). Ressaltase que, até a data de 27/05/2009, a compensação só podia ser feita pelo estabelecimento da empresa que sofreu a retenção, sendo que a partir de 28/05/2009, por conta da alteração introduzida pela Lei n° 11.941, de 27/05/2009, ainda que a retenção se refira a competências anteriores a 05/2009, o saldo da retenção que não for compensado pelo estabelecimento prestador pode ser utilizado por qualquer outro estabelecimento da empresa, inclusive obra de construção civil de sua responsabilidade, na mesma competência da emissão da NF/FAT/REC, ou em competências subseqüentes. Dessa forma, a Viação Bristol Ltda CNPJ 61.420.394/000121, por se tratar de outra pessoa jurídica, jamais poderia ter se compensado da retenção dos 11%, com as contribuições previdenciárias devidas na competência 13° salário/2008, ou em qualquer outra competência do período fiscalizado. Assim, foi efetuada a glosa da compensação da retenção relativa à competência 13°salário/2008, conforme Auto de Infração Processo Administrativo Fiscal n°.........., lavrado nesta ação fiscal. 5.2.8. No decorrer do procedimento fiscal, foram constatados fatos que indicam que a empresa Viação Bristol Ltda, na prática integra o grupo econômico, juntamente com as empresas Viação Tânia de Transportes Ltda CNPJ 60.734.696/000101, Empresa Auto Viação Taboão Ltda CNPJ 61.541.645/000126 e Via Sul Transportes Urbanos Ltda CNPJ 04.828.667/000138, haja vista que tais empresas exercem atividades assemelhadas ou idênticas, e utiliza na maioria dos casos, o mesmo endereço em seus contratos sociais. A administração dessas empresas agrupadas permanece com as mesmas pessoas, às vezes da mesma família, ocorrendo inclusive a outorga de procurações para pessoas que configuram como sócioadministrador nas demais empresas do grupo. Foram constatados também indícios no sentido de objetivar a frustração de pagamento de créditos tributários, e fraudar à licitação junto à Prefeitura Municipal de São Paulo, uma vez que o grupo econômico que restou caracterizado mantém uma empresa do mesmo ramo em regularidade fiscal, a Via Sul Transportes Urbanos Ltda, que tem condições de fazer frente às suas obrigações, obtém Certidões Negativas de Débito, bem como participa de licitações e, as outras, a empresa ora fiscalizada e demais do grupo, por seu turno, em situação oposta, ou seja, com diversos débitos junto à Seguridade Social e Fazenda Nacional, porém todas unidas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. A Via Sul Transportes Urbanos Ltda, apesar de ter vencido a concorrência, não tinha condições suficientes de executar individualmente o que foi acordado junto à Prefeitura Municipal de São Paulo, e assim as empresas Viação Bristol Ltda, Viação Fl. 2344DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.345 7 Tânia de Transportes Ltda, e Empresa Auto Viação Taboão Ltda, forneciam também todos os recursos necessários para operacionalizar o transporte coletivo de passageiros, tais como mãodeobra, veículos, garagem, e outros, demonstrando de forma inequívoca a vinculação e o interesse comum das empresas integrantes do agrupamento no mesmo fato gerador, conforme disposto no art. 124, inciso I do Código Tributário Nacional (interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal). Tal conduta, além de objetivar o não recolhimento de tributos, evidencia também o intuito de fraude ao processo de licitação. Dessa forma, foi configurada a solidariedade em face do grupo econômico ora caracterizado, conforme disposto no artigo 30, inciso IX da Lei n° 8.212/91 e artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional. Verificouse ainda que, os sóciosadministradores da época do fato gerador, realizaram atos fraudulentos a fim de encobrir a ocorrência do fato jurídico tributário, promovendo, assim, a sonegação fiscal previdenciária e o não recolhimento de contribuições previdenciárias. Foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais RFFP por crime, "em tese", de Sonegação de Contribuição Previdenciária e Apropriação Indébita Previdenciária, previstos, respectivamente, nos arts. 337ª e 168A, do Código Penal (Processo Administrativo Fiscal n°19515.721.846/201257). Foi emitida ainda RFFP por crime, "em tese”, de Crime contra a ordem tributária, previsto no art. 1o da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, de acordo com as definições contidas nos artigos 71 e 72 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Assim sendo, foi caracterizada a sujeição passiva solidária dos sóciosadministradores da época dos fatos geradores, nos termos do art. 124, inciso II, e artigo 135, inciso III, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Cabe ressaltar que, o Relatório Fiscal do Auto de Infração Processo Administrativo Fiscal de n° 19515721.842/201279, lavrado nesta ação fiscal, correspondente ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados empregados e contribuintes individuais, devida e não recolhida (período de 01/2008 a 12/2008, inclusive 13°salário/2008), descreve detalhadamente as circunstâncias que ensejaram a apuração do crédito previdenciário e a responsabilidade dos devedores solidários. 6. A apuração do crédito tributário para o anocalendário de 2007 foi descrita nos seguintes termos: 5.3.1 DO ANOCALENDÁRIO DE 2007 5.3.1.1 OMISSÃO DE RECEITAS CONTABILIZADAS ANOCALENDÁRIO 2007 5.3.1.1.1 RECEITAS E DESPESAS CONTABILIZADAS 5.3.1.1.1.1.Apesar das alegações da empresa de que não apresentou receita, e que estava inativa no anocalendário de 2007 e 2008, verificase a existência de lançamentos contábeis a débito na conta"1.2.1.01.002 CONSÓRCIO VIA SUL (pertencente ao subgrupo "Contas a Receber"), e a crédito na conta "3.1.1.01.001 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS" (pertencente ao subgrupo "Receita de Serviços Operacionais"), com histórico de "Receita do mês", relativo ao anocalendário de 2007, e assim intimamos a empresa, conforme se verifica pelo Termo de Intimação Fiscal n° 00339/17, datado de14/05/2012, ciência em 22/05/2012, a esclarecer a que se referem esses lançamentos, comprovando com documentação hábil e idônea, a operação e a causa que deu origem aos referidos lançamentos. No mesmo termo, a empresa foi intimada a esclarecer a razão da existência de lançamentos nas contas dos subgrupos "3.12.1 Receitas não Operacionais", "3.11.3 Outras Rec Operacionais", e "3.11.1 – Receitas Financeiras" para o anocalendário de 2007. Intimamos ainda a empresa a esclarecer e comprovar a razão da existência de lançamentos de custos e despesas nas contas contábeis dos subgrupos "3.2. Custo Tráfego Sistema Oni", "3.3. Fl. 2345DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.346 8 Custo da Fiscalização Sistem", "3.4. Custo de Manutenção Sistema", "3.5.Despesas Administrativas Sis", e "3.11.2 Despesas Financeiras", para o anocalendário de 2007. Decorrido o prazo de 20(vinte) dias para cumprimento do termo, os referidos documentos não foram apresentados, tendo sido a empresa reintimada, através do Termo de Reintimação Fiscal n° 00339/29, de12/06/2012, ciência em 15/06/2012. Em atendimento à intimação, a empresa alegou que "a Viação Bristol Ltda não possuía contrato de prestação de serviços, estava inativa, as compras em nome desta empresa eram suportadas pela Via Sul Transportes Urbanos Ltda. Esta é a razão de todas as despesas da Viação Bristol Ltda, serem transferidas para Via Sul Transportes Urbanos Ltda, conforme razão de 2008 das duas empresas anexado a esta." 5.3.1.1.1.2.Através do Termo de Intimação Fiscal n° 00339/16, de 14/05/2012, ciência em 22/05/2012, a empresa foi intimada a apresentar documentos comprobatórios das despesas lançadas nas contas "1.2.2.01.001 ÓLEO DIESEL", "1.2.2.02.001 PNEUS NOVOS", e "1.2.2.03.001 PEÇAS COMPONENTES E ACESSÓRIOS", conforme relação anexa no referido termo, e reintimada conforme se vê pelo Termo de Reintimação Fiscal n° 00339/28, de 12/06/2012, ciência em 15/06/2012. Em atendimento à intimação, a empresa apresentou notas emitidas em nome da Viação Bristol Ltda, inclusive as cópias simples de pagamentos das despesas relativas às competências 01/2007 e 02/2007, mencionadas no item 5.1.5 deste relatório. As despesas verificadas por esta fiscalização, foram pagas pela Viação Bristol Ltda, conforme constatamos por seu extrato de movimentação financeira do Banco Bradesco S.A Agência 33928, contacorrente 19.0020. 5.3.1.1.2 DESPESAS NÃO COMPROVADAS 5.3.1.1.2.1. Da análise da escrituração contábil, verificamos a existência de despesa lançada a débito em 31/12/2007, na conta "3.2.1.01.001 SALÁRIOS ORDENADOS MOTORISTA" (pertencente ao grupo "Demonstração de Resultados) e a crédito na conta "1.2.1.01.002 CONSÓRCIO VIA SUL"(pertencente ao subgrupo "Contas a Receber"), no valor de R$ 10.489.518,79, cujo histórico somente indicava "Transferência Entre Contas". A empresa, através do Termo de Intimação Fiscal n° 00339/16, datado de 14/05/2012, ciência em 22/05/2012, foi intimada a esclarecer e comprovar com documentação hábil e idônea, referido lançamento contábil, e tendo decorrido o prazo de 20 (vinte) dias concedidos para cumprimento do referido termo, sem a apresentação dos documentos, reintimamos a empresa, através do Termo de Reintimação Fiscal n° 00339/28, de 12/06/2012, ciência em 15/06/2012. A mesma resposta ao Termo de Reintimação Fiscal n° 00339/29, foi dada ao Termo de Reintimação Fiscal n° 00339/28, quer seja, "a Viação Bristol Ltda não possuía contrato de prestação de serviços, estava inativa, as compras em nome desta empresa eram suportadas pela Via Sul Transportes Urbanos Ltda. Esta é a razão de todas as despesas da Viação Bristol Ltda, serem transferidas para Via Sul Transportes Urbanos Ltda, conforme razão de 2008 das duas empresas anexado a esta." Aliás, para os Termos de Reintimação Fiscal de n°s 00339/28, 00339/29, 00339/30, e 00339/31, a empresa apresentou a mesma declaração. Desse modo, verificase que não houve qualquer comprovação dessa despesa no valor de R$ 10.489.518,79, datada de31/12/2007. Ressaltase que, durante o ano de 2007, as despesas com salários de motorista registrados na conta "3.2.1.01.001 SALÁRIOS ORDENADOS MOTORISTA", foram em média de R$ 440.000,00 por mês, correspondendo ao montante de R$ 5.024.684,51, sendo que o lançamento contábil na conta, em 31/12/2007, no valor de R$ 10.489.518,79, não tem qualquer justificativa, tendo sido deduzido como despesa não comprovada por esta fiscalização. Cópia dos lançamentos contábeis da conta "3.2.1.01.001SALÁRIOS ORDENADOS MOTORISTA", extraídos do Livro Razão, constam do ANEXO II. Fl. 2346DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.347 9 5.3.1.1.2.2. Também verificamos na escrituração contábil da Viação Bristol Ltda, despesa lançada a débito em 07/01/2007, na conta "3.5.9.27.001 IMPOSTO PREDIAL (IPTU)" e a crédito na conta"2.1.3.09.003 IMPOSTO PREDIAL (IPTU)", no valor de R$ 239.699,72, histórico "Provisões Diversas", e intimamos a empresa, através do Termo de Intimação Fiscal n° 00339/16, datado de 14/05/2012, ciência em 22/05/2012, e reintimada, através do Termo de Reintimação Fiscal n° 00339/28, de 12/06/2012,ciência em 15/06/2012, a esclarecer e comprovar com documentação hábil e idônea, referido lançamento contábil. Em resposta à intimação, a empresa apresentou cópias dos pagamentos de IPTU realizados no ano de 2007. Da análise dessa documentação, verificase que foram lançadas despesas de IPTU a maior na conta "3.5.9.27.001 IMPOSTO PREDIAL (IPTU)" que o efetivamente realizado, tendo sido deduzido a diferença como despesa não comprovada, conforme a seguir discriminado: *Valor referente a uma parcela, tendo em vista que as demais (09 parcelas) já foram contabilizadas separadamente na conta 3.5.9.27.001 – IMPOSTO PREDIAL (IPTU)” 5.3.1.1.3 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ e CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL APURAÇÃO PELO LUCRO REAL "ANUAL" ANOCALENDÁRIO 2007 5.3.1.1.3.1. Conforme se verifica pelo item 5.3.1.1 acima descrito, a empresa Viação Bristol Ltda apresentou em sua escrituração contábil, lançamentos de receitas e despesas no decorrer do anocalendário de 2007, porém, apesar de regularmente intimada, não apresentou os devidos documentos comprobatórios dessas operações. 5.3.1.3.1.2. Apesar das alegações da empresa de que não possui contrato de prestação de serviços, nem Termo de Permissão celebrado com terceiros, e não emitiu notas fiscais, faturas ou recibos de mãodeobra ou prestação de serviços no período de 01/01/2007 a 31/12/2008, declarando ainda que a empresa estava inativa nesse período, verificase pela escrituração de seus próprios livros contábeis, que a empresa contabilizou receitas auferidas, bem como despesas realizadas, no anocalendário de 2007, e apesar de suas alegações de inatividade no período fiscalizado, estava operando normalmente, o que podemos constatar não só pela análise de sua contabilidade, mas também da movimentação financeira, da qual restaram não comprovadas as origens dos recursos utilizados nas operações de créditos. 5.3.1.1.3.3. Corroborando com a omissão de receita, verificase pela análise das declarações apresentadas pela empresa Viação Bristol Ltda, que seus empregados prestavam serviços indiretamente à Prefeitura Municipal de São Paulo Secretaria Municipal de Transportes (SMT), porém o "contrato" da SMT era diretamente com a empresa Via Sul Transportes Urbanos Ltda. Nesse mesmo sentido, encontramos na resposta da empresa ao Termo de Intimação Fiscal n° 00339/15, de 04/05/2012, onde declara que "prestava serviços ao Município de São Paulo, através da sua Secretaria Municipal de Transportes, e integra o Grupo Econômico que procede a prestação de serviços ..." Assim sendo, verificase que as Fl. 2347DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.348 10 transferências de recursos oriundos da empresa Via Sul Transportes Urbanos Ltda, em que a empresa alega tratarse de meros repasses para pagamento de despesas, nada mais é do que receita tributável da empresa Viação Bristol Ltda que inicialmente suportou os custos e as despesas, decorrente de serviços prestados à empresa Via Sul Transportes Urbanos Ltda. 5.3.1.1.3.4. Face ao acima exposto e considerando que o Sujeito Passivo não apresentou nenhum elemento ou argumento capaz de justificar as receitas constantes de sua escrituração contábil ou valores creditados em suas contascorrentes, e tendo em vista que empresa não apresentou à fiscalização, Balancetes de Verificação, Balanço Patrimonial, e Demonstrativo do Resultado do Exercício, bem como não apresentou o LALUR Livro de Apuração do Lucro Real, conforme relatado anteriormente, procedemos à apuração do lucro/prejuízo real da empresa, lembrando que a Viação Bristol Ltda é optante pelo Lucro Real Apuração "Anual", e possui a escrituração contábil lastreada no Livro Diário n° 80 e 81, autenticados na JUCESP, respectivamente, sob o n° 124382 e 124383, em 16/07/2008, e Livros Razão de n°s 32 a 35. 5.3.1.1.3.5. Da análise da escrituração contábil, constatamos que as receitas auferidas e as despesas realizadas no decorrer do anocalendário de 2007 foram encerradas, em 31/12/2007, em contrapartida da conta "2.4.5.02.001 RESULTADO DO EXERCÍCIO CORRENTE", pertencente ao grupo "2.4 PATRIMÔNIO LÍQUIDO". Partindo da conta contábil "2.4.5.02.001 RESULTADO DO EXERCÍCIO CORRENTE", efetuamos os ajustes necessários, a fim de se apurar o lucro/prejuízo real do anocalendário de 2007. Cabe observar que, não foi considerado o valor de R$ 1.927.188,63, valor este oriundo da conta "2.4.5.01.001 RESULTADO DO EXERC. ANTERIOR", bem como as despesas não comprovadas, conforme relatado no item 5.3.1.2: (*) Corresponde ao somatório do item 5.3.1.2.1 no valor de R$10.489.518,709 e do item 5.3.1.2.2. no valor de R$140.114,96. 5.3.1.1.3.6. No quadro a seguir estão demonstradas a apuração do Imposto de Renda e da CSLL, calculada a partir da base de cálculo de acordo com item anterior, o montante devido do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e valor do tributo a pagar, relativo ao anocalendário de 2007: 7. No tocante ao PIS e à COFINS, a Fiscalização, para o anocalendário de 2007, constatou que sua apuração se deu pelo regime “cumulativo”, na forma prevista na Lei Fl. 2348DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.349 11 nº 9.718/98, e suas alterações, nos termos do inciso XII do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, tendo em vista a atividade da empresa na área de transporte. Afirma a Fiscalização que: 5.3.1.1.4.2. As bases de cálculo do PIS e da COFINS que foram apuradas por esta fiscalização, estão demonstradas nas planilhas do ANEXO III, denominado "Demonstrativo de Apuração do PIS e da COFINS Receita Operacional Contabilizada 2007", compreendendo os períodos de apuração de 01/2007 a 12/2007. Cabe observar que os valores constantes dessas planilhas foram extraídos da conta "3.1.1.01.001 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS" (pertencente ao subgrupo "Receita de Serviços Operacionais"), com histórico de "Receita do mês", relativo ao anocalendário de 2007. 5.3.1.1.4.3. Cópias dos lançamentos extraídos do Livro Razão, ano calendário 2007, das contas "3.1.1.01.001 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS", "1.2.1.01.002 CONSÓRCIO VIA SUL", "3.2.1.01.001 SALÁRIOS ORDENADOS MOTORISTA", "2.4.5.02.001 RESULTADO DO EXERCÍCIO CORRENTE" estão acostadas no ANEXO II. 8. A omissão de receita foi apurada pela movimentação financeira do ano calendário 2007, e tributada no IRPJ, na CSLL, na COFINS e no PIS, conforme abaixo discriminado: 5.3.1.2.1. Conforme já narrado no item 5.1, a empresa Viação Bristol Ltda não comprovou a origem dos valores creditados/depositados em suas contas corrente/investimentos. Assim sendo, estamos tributando como omissão de receitas, os valores recebidos em suas contascorrentes/investimentos, anocalendário de 2007, cujas origens não foram comprovadas, conforme quadro denominado "Demonstrativo das Receitas Omitidas Movimentação Financeira AnoCalendário 2007", constante do ANEXO IV, de acordo com o disposto nos artigos 287, 288 e 849 do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR99), e no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, abaixo transcrito: "Art. 42 da Lei n° 9.430. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira....” 5.3.1.2.2. É importante ressaltar que, dos valores a crédito constantes nos extratos bancários da conta 19.0020, agência 33928, do Banco Bradesco S/A, foram excluídos os valores lançados relativo à conta "3.1.1.01.001 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS", que foram identificados nos lançamentos a debito da conta "1.1.2.01.001 BANCO BRÁS. DE DESC", e a crédito da conta "1.2.1.01.002 CONSÓRCIO VIA SUL", com histórico de "Receita em espécie", conforme se verifica no quadro denominado "Demonstrativo dos Valores Excluídos da Conta "Prestação de Serviços Públicos" (ANEXO V). Dos valores constantes dos extratos bancários da conta 19.0020, Agência 33928, do Banco Bradesco S/A, e do Banco Safra Agência 0021, contacorrente 0151013, foram excluídos ainda as transferências oriundas da empresa Via Sul Transportes Urbanos Ltda, em cujos históricos nos extratos foi possível identificar (vide quadro denominado "Demonstrativo das Transferências da Via Sul Transportes Urbanos Ltda", constante do ANEXO VI). As referidas deduções justificamse pelo fato de considerarmos que esses valores já se encontram inseridos dentre as receitas operacionais lançadas na conta "3.1.1.01.001 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS". Fl. 2349DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.350 12 5.3.1.2.3. Diante dos fatos e considerações de direito expostos acima, lavramos o devido Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda, e à CSLL decorrente de tributação reflexa anocalendário de 2007, apurandose as contribuições e impostos devidos, acrescidos da multa de lançamento de ofício e dos juros de mora, de conformidade com os respectivos enquadramentos legais que constam dos Autos de Infração dos quais este Termo de Verificação Fiscal é parte integrante. 5.3.1.2.4. No quadro a seguir, estão demonstradas as bases de cálculo, o montante devido do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, relativo ao anocalendário de 2007: (*) Base de cálculo apurada conforme ANEXO IV 5.3.1.2.5. As contribuições do PIS Programa de Integração Social e da COFINS Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, foram apurados por tributação reflexa, pelo regime "cumulativo" da Lei n° 9.718/98, nos termos do inciso II do artigo 8o da Lei n° 10.637/2002 e inciso II do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, e encontrase demonstrado no quadro do ANEXO VII, denominado "Demonstrativo de Apuração do PIS e da COFINS Movimentação Financeira 2007". 9. Para o anocalendário de 2008, a tributação ocorreu na sistemática do arbitramento, uma vez que a Fiscalização verificou que a escrituração contábil da empresa apresentava inúmeras deficiências, tornandoa totalmente imprestável para o fim de se determinar o lucro real. Esse foi o conteúdo do termo de verificação nesse tópico: 5.3.2 DO ANOCALENDÁRIO DE 2008 5.3.2.1 RECEITAS E DESPESAS CONTABILIZADAS 53.2.1.1. Conforme já relatado anteriormente, a empresa Viação Bristol Ltda alega em suas declarações apresentadas a esta fiscalização, que não apresentou receita, e estava inativa no anocalendário de 2007 e 2008 porém, da análise de sua escrituração contábil referente ao anocalendário de 2008, verificamos a existência de lançamentos a débito na conta "1.1.02.01.0001 BANCO BRADESCO S/A" (pertencente ao grupo "Ativo Circulante Disponível") e a crédito na conta "3.1.01.01.0001 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS" (pertencente ao subgrupo "Receita de Serviços Operacionais), histórico "Receita de arrecadação de OCT" , e lançamentos a débito na conta "1.1.02.01.0001 BANCO BRADESCO S/A" e a crédito na conta "1.2.01.01.0004 SÃO PAULO TRANSPORTE S/A" (pertencente ao subgrupo "Contas a Receber"), históricos "Receita" ou "VI Ref. Receita de Arrecadação de OCT". Assim, intimamos a empresa, conforme se verifica pelo Termo de Intimação Fiscal n° 00339/18, datado de 14/05/2012, ciência em 22/05/2012, a esclarecer a que se referem esses lançamentos, comprovando com documentação hábil e idônea, a Fl. 2350DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.351 13 operação e a causa que deu origem aos referidos lançamentos. No mesmo termo, a empresa foi intimada a esclarecer a razão da existência de lançamentos nas contas dos subgrupos "3.7.01.00.0000 Receitas não Operacionais", e "3.6.01.00.0000 Receitas Financeiras", para o anocalendário de 2008. Intimamos ainda a empresa a esclarecer e comprovar a razão da existência de lançamentos de custos e despesas nas contas contábeis dos subgrupos "3.2.00.00.0000 Custo Tráfego", "3.3.00.00.0000 Custo de Fiscalização", "3.4.00.00.0000 Custo de Manutenção", "3.5.00.00.0000 Despesas Administrativas", e "3.1.6.02.00.0000 Despesas Financeiras", para o anocalendário de 2008. Decorrido o prazo de 20 (vinte) dias para cumprimento do termo, os referidos documentos não foram apresentados, tendo sido a empresa reintimada, através do Termo de Reintimação Fiscal n° 00339/30, de 12/06/2012, ciência em 15/06/2012. Através do Termo de Intimação Fiscal n° 00339/19, de 14/05/2012, ciência em 22/05/2012, e Termo de Reintimação Fiscal n° 00339/31, de 12/06/2012, ciência em 15/06/2012, a empresa foi intimada ainda a apresentar a comprovação com documentos hábeis e idôneos de diversas despesas operacionais relacionadas nos referidos termos. Em atendimento às intimações, a empresa apenas alegou que "a Viação Bristol Ltda não possuía contrato de prestação de serviços, estava inativa, as compras em nome desta empresa eram suportadas pela Via Sul Transportes Urbanos Ltda. Esta é a razão de todas as despesas da Viação Bristol Ltda, serem transferidas para Via Sul Transportes Urbanos Ltda, conforme razão de 2008 das duas empresas anexado a esta." 5.3.2.1.2. Assim sendo, verificase que a empresa Viação Bristol Ltda não apresentou quaisquer documentos que pudessem comprovar essas operações. 5.3.2.2 DO ARBITRAMENTO DO LUCRO PARA APURAÇÃO DO IRPJ e reflexo da CSLL, PIS e COFINS ANOCALENDÁRIO 2008 5.3.2.2.1. No anocalendário de 2008, as receitas contabilizadas a crédito na conta "3.1.01.01.0001 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS", e a débito da conta "1.1.02.01.0001 BANCO BRADESCO S/A", foram encerradas em contrapartida a conta "1.2.01.01.0004 SÃO PAULO TRANSPORTE S/A" (do subgrupo "Contas a Receber"), no final dos meses maio/2008, junho/2008, julho/2008, agosto/2008, setembro/2008 e outubro/2008, no valor total de R$ 4.851.406,22, o que nos causou certa estranheza, pois normalmente, as contas de receitas são encerradas na apuração do resultado. Aparentemente houve também receitas, sem transitarem em contas de resultado, contabilizadas diretamente a Crédito da conta "1.2.01.01.0004 SÃO PAULO TRANSPORTE S/A" e a débito da conta "1.1.02.01.0001 BANCO BRADESCO S/A", conforme se verifica pelos seus históricos contábeis, porém não foi possível comprovar, tendo em vista a ausência de esclarecimentos e documentos comprobatórios dos lançamentos contábeis. A conta "1.2.01.01.0004 SÃO PAULO TRANSPORTE S/A" ficou com saldo "CREDOR" até 31/12/2008 (apesar de ser uma conta devedora), e nessa data, todo o saldo da referida conta foi transferido para as contas "1.2.01.03.0008 VIAÇÃO TÂNIA DE TRANSP LTDA", "1.2.01.03.0009 VIAÇÃO CAMPO BELO", "1.2.01.03.0005 VIA SUL TRANSP URBANOS", "1.2.01.03.0007 EMPR AUTO VIAÇÃO TABOÃO LTDA", e "2.1.09.09.0008 VIA SUL TRANSP URBANOS LTDA", com histórico "Transferência de Saldo". As contas de despesas foram encerradas tendo como contrapartida a conta "2.1.09.09.0008 VIA SUL TRANSP URBANOS LTDA" (do grupo "Outras Contas a Pagar"), ou seja, assim como as receitas, as despesas não foram encerradas na apuração do resultado. Ressaltase que, na conta "2.1.09.09.0008 VIA SUL TRANSP URBANOS LTDA", além do encerramento indevido das contas de despesas, também apresenta diversos outros lançamentos contábeis, tais como pagamentos, transferências entre contas, e etc. O saldo final dessa conta em 31/12/2008 era de R$18.952.245,65 "DEVEDOR", apesar de ser uma conta credora. Além da conta "2.1.09.09.0008 VIA SUL TRANSP URBANOS LTDA" Fl. 2351DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.352 14 (do grupo "Outras Contas a Pagar"), outras contas do grupo "Outras Contas a Pagar" apresentaram indevidamente saldo "DEVEDOR", como as contas "2.1.09.02.0002 ELETROPAULOEletric. de SP" e "2.1.09.02.0001 SABESPCia de Saneam. Bas. E.SP". Cumpre observar que a empresa foi regularmente intimada a esclarecer o motivo dessas contas a pagar apresentarem saldo "DEVEDOR", conforme se verifica pelo Termo de Intimação Fiscal n° 00339/19, de 14/05/2012, ciência em 22/05/2012, e reintimada em 12/06/2012, através do Termo de Reintimação Fiscal n° 00339/31, ciência em 15/06/2012, porém, a empresa também não apresentou quaisquer esclarecimentos que pudessem justificar tais irregularidades. Em atendimento à intimação, conforme dito anteriormente, a empresa apenas declarou que "a Viação Bristol Ltda não possuía contrato de prestação de serviços, estava inativa, as compras em nome desta empresa eram suportadas pela Via Sul Transportes Urbanos Ltda. Esta é a razão de todas as despesas da Viação Bristol Ltda, serem transferidas para Via Sul Transportes Urbanos Ltda, conforme razão de 2008 das duas empresas anexado a esta". 5.3.2.2.2. No ANEXO VIII, encontramse acostadas cópias dos lançamentos extraídos do Livro Razão, anocalendário 2008, das contas "3.1.01.01.0001 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS", "1.2.01.01.0004 SÃO PAULO TRANSPORTE S/A" e "2.1.09.09.0008 VIA SUL TRANSP URBANOS LTDA". 5.3.2.2.3. Somente pela análise da movimentação financeira lançada a débito na conta "1.1.02.01.0001 BANCO BRADESCO S/A", também não fica claro se esses valores se referem a receitas ou outro tipo de operação, pois se verifica que a empresa utilizou como contrapartida outras contas contábeis, como por exemplo, as contas "1.2.01.03.0005 VIA SUL TRANSP URBANOS LTDA", "1.2.01.03.0007 EMPR AUTO VIAÇÃO TABOÃO LTDA", "2.1.09.09.0010 EMPR AUTO VIAÇÃO TABOÃO LTDA", e etc, cujos históricos apenas mencionam "Transferência entre contas", além das contas "3.1.01.01.0001 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS" e "1.2.01.01.0004 SÃO PAULO TRANSPORTE S/A", conforme já relatado no item anterior. 5.3.2.2.4. A empresa Viação Bristol Ltda apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ anoscalendário 2008, no regime de tributação pelo Lucro Real, apuração do IRPJ e CSLL "Anual", porém, conforme acima exposto, verificase que sua escrituração contábil apresenta inúmeras deficiências que a tornam totalmente imprestável para o fim de determinar o lucro real do anocalendário de 2008. 5.3.2.2.5. Salientase ainda o fato de que para o anocalendário de 2008, a empresa também não elaborou as demonstrações financeiras (Balancetes de Verificação, Balanço Patrimonial e Demonstrativo do Resultado do Exercício), conforme relatado no item 5.2.4 deste relatório, deixando de apresentar ainda o LALUR (vide item 5.2.5 deste relatório), alegando estar inativa no período. Apesar das alegações de inatividade, verificase que a empresa Viação Bristol Ltda estava operando normalmente, o que podemos constatar não só pela análise de sua contabilidade, mas também pela análise da sua movimentação financeira, da qual restaram não comprovadas as origens dos recursos utilizados nas operações de créditos, conforme detalhado no item 5.1. 5.3.2.2.6. Cabe relembrar aqui que, conforme já mencionado no item 5.3.1.3 deste relatório, as transferências de recursos oriundos da empresa Via Sul Transportes Urbanos Ltda, em que a empresa alega tratarse de meros repasses para pagamento de despesas, nada mais é do que receita tributável da empresa Viação Bristol Ltda que Fl. 2352DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.353 15 inicialmente suportou os custos e as despesas, decorrente de serviços prestados à empresa Via Sul Transportes Urbanos Ltda. 5.3.2.2.7. Os fatos relatados acima configuram hipóteses de arbitramento do lucro para a apuração do IRPJ e da CSLL, conforme dispõe o art. 530, incisos I e II, do Decreto n° 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda, a seguir transcrito: "Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 1o): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II – a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; ... Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 1 1 , quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei n° 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 27, inciso i)." (grifos nossos) 5.3.2.2.8 Diante do exposto, verificase que o único meio de se determinar a base de cálculo do imposto e da contribuição relativo ao anocalendário de 2008, é através do seu arbitramento. 5.3.2.2.9. Assim sendo, foram consideradas como receitas omitidas os valores recebidos em suas contascorrentes/investimentos, no anocalendário de 2008, cujas origens não foram comprovadas, conforme já relatado anteriormente (item 5.1 deste termo). 5.3.2.2.10. É importante salientar que, muito embora saibamos que, os valores depositados têm origem conhecida, são valores que não foram oferecidos à tributação, e nem houve a comprovação de que não eram receita de qualquer espécie. 5.3.2.2.11. Dessa forma, estamos tributando como omissão de receitas, os valores recebidos em suas contascorrentes/investimentos, anocalendário de 2008, cujas origens não foram comprovadas, conforme quadro do ANEXO IX, denominado "Demonstrativo das Receitas Omitidas Movimentação Financeira AnoCalendário 2008", de acordo com o disposto no artigo 849 do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR99), e no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, abaixo transcrito: "Art. 42 da Lei n ° 9.430. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 2353DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.354 16 § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira.” 5.3.2.2.12.Diante dos fatos e considerações de direito expostos acima, lavramos o devido Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda, e à CSLL, PIS e COFINS decorrente de tributação reflexa, relativo ao anocalendário de 2008. No quadro denominado "Demonstrativo de Apuração do Imposto de Renda e da CSLL AnoCalendário 2008", constante do ANEXO X, estão demonstradas as bases de cálculo, o montante devido do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. As contribuições do PIS Programa de Integração Social e da COFINS Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, foram apurados por tributação reflexa, pelo regime "cumulativo" da Lei n° 9.718/98, nos termos do inciso II do artigo 8o da Lei n° 10.637/2002 e inciso II do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, e encontrase demonstrado no quadro do ANEXO XI, denomina 10. Foram juntados os seguintes elementos de prova, elencados no Termo de Verificação Fiscal: 10. Foram juntados os seguintes elementos de prova, elencados no Termo de Verificação Fiscal: 6.1. Foram anexados aos autos do processo, entre outros, os seguintes elementos de provas para apuração das infrações, e para o lançamento dos tributos acima mencionados: a) ANEXO I Cópia dos extratos bancários da movimentação financeira anos calendário de 2007 e 2008, das instituições financeiras Banco Bradesco S/AAgência 33928, contacorrente 19.0020, e Banco Safra Agência 0021, contacorrente 0151013; b) ANEXO II Cópias dos lançamentos extraídos do Livro Razão, anocalendário 2007, das contas "3.1.1.01.001 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS", "1.2.1.01.002 CONSÓRCIO VIA SUL", "3.2.1.01.001 SALÁRIOS ORDENADOS MOTORISTA", "2.4.5.02.001 RESULTADO DO EXERCÍCIO CORRENTE"; c) ANEXO III Demonstrativo de Apuração do PIS e da COFINS Receita Operacional Contabilizada AnoCalendário 2007; d) ANEXO IV Demonstrativo das Receitas Omitidas Movimentação Financeira AnoCalendário 2007; e) ANEXO V Demonstrativo dos Valores Excluídos da Conta "Prestação de Serviços Públicos" AnoCalendário 2007; f) ANEXO VI Demonstrativo das Transferências da Via Sul Transportes Urbanos Ltda Anocalendário 2007; g) ANEXO VII Demonstrativo de Apuração do PIS e da COFINS Movimentação Financeira AnoCalendário 2007; h) ANEXO VIII Cópias dos lançamentos extraídos do Livro Razão, ano calendário 2008, das contas "3.1.01.01.0001 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS", "1.2.01.01.0004 SÃO PAULO TRANSPORTE S/A", "2.1.09.09.0008VIA SUL TRANSP URBANOS LTDA"; Fl. 2354DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.355 17 i) ANEXO IX Demonstrativo das Receitas Omitidas Movimentação Financeira AnoCalendário 2008; j) ANEXO X Demonstrativo de Apuração do Imposto de Renda e da CSLL AnoCalendário 2008; k) ANEXO XI Demonstrativo de Apuração do PIS e da COFINS Ano Calendário 2008. 6.2. As declarações da empresa em resposta aos termos de intimação encontramse anexas aos referidos termos. 11. Foi aberta, outrossim, Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP: 7.1. De acordo com o disposto na Portaria RFB n° 2.439, de 21/12/2010 D.O.U de 22/12/2010, tendo em vista que os fatos ora relatados, caracterizam, "em tese", crime contra a ordem tributária previsto no artigo 1o da Lei n° 8.137, de 27/12/1990, e em face ao evidente intuito de sonegação e fraude, evidenciados na vontade consciente e desejada de lesar a Fazenda Pública, causandolhe prejuízos, de acordo com as definições contidas nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64, o que justifica a aplicação da multa qualificada nos termos do artigo 44, inciso I e parágrafo 1o da Lei n° 9.430/96 será formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, em relatório a parte, a ser encaminhada à autoridade competente para as providências cabíveis. (...) A empresa tomou ciência da autuação, em 31/08/2012, por meio postal, com Aviso Recebimento – AR – (fl. 2020), e apresentou sua defesa em 23/09/2012 (fls 2025/2049), representada por seu procurador (fls. 2050/2064, 2200/2202 e 2204/2205), estando os débitos suspensos por impugnação, conforme extrato de processo de fls. 2206/2215. As alegações apresentadas foram as seguintes, em síntese: Fl. 2355DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.356 18 Fl. 2356DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.357 19 Fl. 2357DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.358 20 Fl. 2358DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.359 21 Fl. 2359DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.360 22 Fl. 2360DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.361 23 Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.362 24 Fl. 2362DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.363 25 No julgamento das razões acima expostas, a DRJ/SP1 julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme denota a ementa do acórdão a seguir: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. VALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não tendo ocorrido o alegado cerceamento do direito de defesa propalado na impugnação, não há que se declarar nulo o auto de infração. OMISSÃO DE RECEITAS. BIS IN IDEM. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não resta caracterizada a ocorrência de bis in idem, em autuação na qual se constata omissão de receitas apurada Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.364 26 com base em depósitos bancários efetuados por outra empresa. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. ARBITRAMENTO. AC 2008. CABIMENTO. Restando evidenciado que a escrituração do contribuinte era imprestável para fins de apuração do lucro real, bem como ausentes as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal, correto o arbitramento levado a cabo pela autoridade fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PERCENTUAL DE 150%. CABIMENTO. CONFISCO. REDUÇÃO DO PERCENTUAL APLICADO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. Cabível a multa de ofício qualificada quanto constatada a ocorrência de sonegação, fraude e/ou conluio, pressupostos legais para sua aplicação, não devendo ser apreciadas alegações de inconstitucionalidade trazidas pelo contribuinte. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Dada a relação de causa e efeito existente entre o IRPJ e a CSLL, o PIS e a COFINS, mantémse o lançamento relativo a essas contribuições em decorrência do decidido quanto ao IRPJ. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificada do Acórdão de impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário para apreciação deste Conselho, reiterando os argumentos aduzidos na 1ª instância administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Tendo em vista a ciência formal do acórdão DRJ em 09/10/2013, e o protocolo do Recurso Voluntário em 05/11/2013, fica caracterizada sua tempestividade. Sendo assim, conheço do presente recurso. Como relatado acima, tratase de análise de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, cujo procedimento de fiscalização motivouse pela constatação de movimentações financeiras efetuadas junto às instituições financeiras em que a recorrente possui contacorrente e/ou investimentos, referentes ao período compreendido entre 01/01/2007 a 31/12/2008. Fl. 2364DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.365 27 Durante o procedimento, a empresa foi intimada a apresentar contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros/Termos de Permissão e outros. Em resposta, declarou não possuir contrato de prestação de serviços, nem Termo de Permissão celebrado com terceiros; não ter emitido notas fiscais, faturas ou recibos de mãodeobra ou prestação de serviços no período fiscalizado. Intimada a apresentar, dentre outros documentos, folhas de Pagamento e recibos de pagamento relativo a sóciosadministradores (prólabore), a empresa alegou não ter contratos de prestação de serviços com terceiros, e por isso, não ter efetuado nenhum pagamento de prólabore no período, não possuindo, portanto, folha e recibo de pagamento de prólabore. Ato contínuo, foi intimada a apresentar o LALUR – Livro de Apuração do Lucro Real, e a DACON – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais relativos ao período fiscalizado, e informou que por não possuir contratos de prestação de serviço até o momento, seu ativo e passivo ficaram praticamente inalterados, razão porque não possui tal livro para o período, em decorrência de sua quase inatividade. Entretanto, adiante, quando foi intimada a comprovar a origem da retenção de 11% da Lei 9.711/98, relativa à competência do 13º salário/2008, o contribuinte se contradisse ao afirmar que prestava serviços ao Município de São Paulo, através de sua Secretaria Municipal de Transportes, e integrava o Grupo Econômico que procede a prestação dos serviços de transporte (página 6 do TVF, item 5.2.7, fl. 1633). A fiscalização constatou fatos suficientes à comprovação de que a recorrente integrava esse Grupo Econômico, tais como: (i) a administração das empresas do grupo permanece é composta pelas mesmas pessoas, às vezes da mesma família, ocorrendo inclusive a outorga de procurações para pessoas que configuram como sócioadministrador nas demais empresas do grupo; (ii) a recorrente, assim como as demais empresas do grupo, forneciam todos os recursos necessários para operacionalizar o transporte coletivo de tais passageiros, como mãodeobra, veículos, garagem e outros; entre outros motivos. Isso fez com que a fiscalização entendesse pela existência de interesse comum das empresas do Grupo Econômico; entre estas, a recorrente. Diante deste cenário, passo a analisar os argumentos aduzidos pela recorrente em seu recurso voluntário. Da Nulidades Como se detrai dos autos em análise, a recorrente sustenta a nulidade da autuação em razão de dois motivos: (i) o auto de infração constituise em um BIS IN IDEM; (ii) teria ocorrido imprecisão da capitulação legal, e, portanto, estaria cerceada a defesa da empresa. Destacase que, no recurso direcionado a este Conselho, a recorrente não renovou as alegações quanto ao suposto cerceamento de defesa suscitado em Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.366 28 primeira instância. Portanto, não tendo sido impugnada a matéria, deve ser mantido o afastamento da preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Passo à análise da preliminar suscitada. Da Configuração de Omissão de Receitas nos anoscalendário 2007/2008. Da Inexistência de Bis In Idem Tributário Neste tópico a recorrente sustenta que os valores tributados a título de omissão de receitas relativas aos períodos de 2007/2008 consistem em “bis in idem”, sendo certo que a transferência de receita da empresa VIA SUL TRANSPORTES URBANOS LTDA para a recorrente, por se tratar de empresas do mesmo grupo econômico, com o único objetivo de pagamento de despesas, não caracteriza qualquer elemento de hipóteses de incidência dos tributos imputados a ela, sendo certo que a tributação deve ser exclusivamente suportada pela empresa geradora da receita real praticante do fato jurídico tributário. Para dar base aos fundamentos deste tópico, a recorrente volta a afirmar que não possui contrato de prestação de serviços, sendo certo que a respectiva empresa está inativa, não auferindo qualquer tipo de receita. Todavia, como demonstrado acima, não merecem prosperar as razões expostas pela recorrente. No TVF (item 5.3.1.1) apurase que nos anoscalendário de 2007 e 2008 haviam lançamentos contábeis em contas dos subgrupos “Contas a Receber”, “Receita de Serviços Operacionais”, “Receitas não Operacionais”, “Outras Receitas Operacionais”, “Receitas Financeiras”, “Custo da Fiscalização”, “Custo Tráfego”, “Custo de Manutenção”, “Despesas Administrativas” e “Despesas Financeiras”. Por sua vez, a empresa não apresentou documentos comprobatórios, e voltou a sustentar que não possui contrato de prestação de serviços; está inativa; e não auferiu qualquer tipo de receita no período. No entanto, não apresentou quaisquer documentos que conferissem validade a tais alegações. Nada obstante, apurouse também, despesas lançadas nas contas “1.2.2.01.00. – ÓLEO DIESEL”, “1.2.2.02.001 – PNEUS NOVOS”, e “1.2.2.03.001 – PEÇAS COMPONENTES E ACESSÓRIOS”, tendo a recorrente apresentado notas fiscais e boletos bancários e outros documentos, emitidos em seu nome. Isso, somado ao extrato de movimentação financeira do Banco Bradesco S.A – Agência 33928, contacorrente 19.0020, levaram a fiscalização à conclusão de que as despesas foram efetivamente pagas pela recorrente. Ademais, verificamse despesas da conta “3.2.1.01.001 – SALÁRIOS ORDENADOS MOTORISTAS” no valor de R$ 10.489.518,79, e na conta “2.1.3.09.003 – IMPOSTO PREDIAL (IPTU)”, no valor de R$ 239.699,72, não integralmente comprovadas. De acordo com o minucioso detalhamento dos fatos apurados pela fiscalização no TVF; e em face à falta de argumentos, ou da falta de apresentação de documentos comprobatórios capazes de justificar as receitas constantes de sua Fl. 2366DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.367 29 escrituração contábil ou valores creditados em suas contascorrentes, resta claro, que a empresa não se encontrava inativa (como afirmado pela recorrente), e que os depósitos em conta corrente da autuada não foram esclarecidos. Deste modo, pela devida comprovação do fato presuntivo, e dada a ausência de comprovação em sentido contrário, é correta a imputação de omissão de receitas pela fiscalização através do AIIM, conforme disposição do art. 42, da Lei n.º 9430/96. Na esteira desse entendimento, é correta a conclusão da DRJ quanto à inexistência de “bis in idem”, pois a materialidade tributada foi o fato de auferir receitas que, in casu, se deu a partir do depósito/crédito de valores a contas bancárias da Recorrente. Ora, se a Fiscalização detecta ingresso de receitas em contabancária da autuada; intima a mesma para esclarecer, e esta faz apenas alegações genéricas desacompanhadas de provas; logo, é correta, e está devidamente fundamentada, a imputação legal de omissão de receitas. E, esta materialidade, repitase, o auferimento de receitas decorrente de depósito ou crédito na conta da recorrente, foi tributada uma vez, apenas, não havendo, portanto, “bis in idem”. Ademais disso, observase que a recorrente pugna, expressamente, pela nulidade do AIIM, em decorrência do alegado “bis in idem”. Vejamos (fl. 2321): “Assim, desde já a Recorrente reitera o pedido de que seja reconhecida à nulidade do AIIM lavrado pela Fiscalização, uma vez que restou comprovado pela Recorrente que os valores contidos no AIIM lavrado pelo agente fiscal é realmente um “BIS IN IDEM”, sendo, portanto, totalmente ilegal a respectiva cobrança.” No entanto, tal hipótese não se enquadra dentre as hipóteses de nulidade previstas no Decreto n.º 70.235/72, ou seja, despacho ou decisão proferido por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59, incisos I e II). Sendo assim, não se verificaria possível a declaração de nulidade do lançamento sob a perspectiva de ocorrência de “bis in idem”. Do Lançamento com Base no Lucro Arbitrado Para o anocalendário de 2008, como exposto, a fiscalização arbitrou o lucro para tributação do IRPJ e reflexos, amparada na disposição do art. 530, incisos I e II, do RIR/99. Diversamente, a recorrente insiste na tese de que apresentou a documentação contábil solicitada; que esta constituía um acervo idôneo, correto e regular que deveria ser analisada, porém, tendo a fiscalização optado apenas por desconsiderála. No entanto, conforme exposto no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1641 a 1644, itens 5.3.2.2.1 a 5.3.2.2.7), foram verificadas várias inconsistências na escrituração contábil, à evidência de contas de receitas que não transitaram nas contas Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.368 30 de resultado. A recorrente foi intimada a esclarecer estas e outras inconsistências verificadas em sua contabilidade; entretanto, tendo apresentado a mesma resposta vaga e desconexa, ou seja: de que não possuía contrato de prestação de serviços; estava inativa; e as compras em nome da empresa eram suportadas pela Via Sul Transportes Urbanos Ltda. Ademais, diferentemente do alegado pela recorrente, a empresa não demonstrou toda a documentação solicitada, à vista de que o TVF (item 5.2.4) informa que a mesma não elaborou as demonstrações financeiras (Balancetes de Verificação, Balanço Patrimonial e Demonstrativo do Resultado do Exercício), deixando de apresentar ainda o LALUR (vide item 5.2.5 do TVF). Destarte, entendo tratarse de hipótese de arbitramento do lucro da contribuinte conforme disposição do art. 530, incisos I e II, do RIR/99, a seguir transcritos: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; A inconsistência das informações constantes na escrituração contábil, além da falta de escrituração e falta de apresentação de documentos após regular intimação, dispõe de assente jurisprudência no sentido da possibilidade do arbitramento do lucro por este Conselho, senão vejamos: “ARBITRAMENTO DOS LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. 2009 É cabível o arbitramento do lucro, se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir sua escrituração contábil/fiscal, após intimação regular. (Acórdão n.º 1302.001952) ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. Fl. 2368DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.369 31 O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, tendo como base de cálculo a receita omitida, quando a escrituração contábil a que estiver obrigada a Contribuinte não for apresentada mesmo que tenha sido intimada para tal. (Acórdão n.º 1401001.884) ARBITRAMENTO DE LUCROS. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DE RECEITAS. MÉTODOS DIRETO E INDIRETO. REGULARIDADE. Ante a imprestabilidade da escrituração contábil quanto a um exercício de sua não apresentação quanto ao outro, revelase correto o procedimento do Fisco que apurou a base de cálculo dos tributos de forma direta (recebimentos de vendas mediante cartões de crédito/débito, reconhecidos pela própria recorrente) e indireta (omissão de receitas com base em créditos bancários de origem não comprovada, com base nos créditos bancários decorrem de presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996). (Acórdão n.º 1302001.886) RECURSO VOLUNTÁRIO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO. É legítmo o arbitramento do lucro quando verificada a imprestabilidade da escrituração contábil e fiscal, para apuração do lucro real, caracterizada: pelo registro de todas as compras realizadas junto a diversos fornecedores em uma única conta denominada “Fornecedores Diversos; pela contabilização de todas as contas do ativo circulante em uma única conta "Disponibilidade"; pela constatação de pagamento que não foram contabilizados no Livro Diário; pelo livro de registro de inventário que não apresenta continuidade e que informa diferentes quantidades de um mesmo produto em estoque em uma mesma data; e pelo LALUR apresentado que apresenta erros e falhas que revelam falta de credibilidade, além do que informa um valor de IR do AC 2009 diferente daquele informado na DIPJ. (Acórdão n.º 1302001.813) Desse modo, pelos erros crassos constantes de sua contabilidade, aliada à falta de apresentação de alguns documentos como o LALUR, reputo correto o arbitramento do lucro da recorrente referente ao anocalendário de 2008. Da Inconstitucionalidade da Multa com Caráter Confiscatório Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.370 32 No presente tópico, a recorrente pleiteia a redução do percentual da multa de 150% para 20%, com base no art. 106, “c” do CTN, alegando que a mesma possui caráter confiscatório, o que é vedado pela Lei e pela Constituição Federal. Aduz que, no caso em tela, em nenhum momento a fiscalização fez prova da conduta do contribuinte, que ensejasse a qualificação da multa. Pois bem, nestes autos, constam demasiadas provas do intuito de fraude da recorrente, como por exemplo as reiteradas alegações de que a recorrente não possuía contrato de prestação de serviços; estava inativa; e as compras em nome da empresa eram suportadas pela Via Sul Transportes Urbanos Ltda. Todavia, a partir da análise da GFIP, a fiscalização intimou a recorrente a comprovar a origem e a efetiva existência da retenção de 11% da Lei 9.711/98 sofrida pela empresa, ou comprovar o recolhimento pela empresa tomadora de serviços em nome da recorrente. Nesta oportunidade, o sujeito passivo contradisse o que vinha alegando durante todo o procedimento de fiscalização, e afirmou que prestava sim, serviços ao Município de São Paulo, através de sua Secretaria Municipal de Transportes, e integrava o Grupo Econômico que procede a prestação de serviços. Não obstante, na averiguação do Grupo Econômico do qual fazia parte a empresa Viação Bristol, a Fiscalização narrou no item 5.2.8 do TVF, todo o modus operandi do grupo econômico que, além do dolo de encobrir a ocorrência do fato jurídico tributário através da sonegação fiscal previdenciária e o não recolhimento das contribuições previdenciárias, confirmou a hipótese de interesse comum da recorrente na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Portanto, é correto o enquadramento das condutas verificadas na hipótese dos arts. 71 e 72 da Lei n.º 4.502/64, pois de fato a empresa tentou, ao longo do procedimento de fiscalização, acobertar a ocorrência do fato gerador ou o conhecimento do mesmo pela autoridade fazendária, ao declarar, durante todo o procedimento fiscalizatório, estar inativa, quando na verdade, prestava serviços, possuía despesas; recebia depósitos bancários em valores milionários sem justificativa; efetuava pagamentos em seu nome; e não mantinha escrituração dentro das normas contábeis e fiscais. De outro bordo, a recorrente faz considerações, quanto ao caráter confiscatório da multa aplicada, sustentando a ilegalidade e inconstitucionalidade das multas que assumam este atributo. Para conferir força a seus argumentos, traz coletânea de precedentes judiciais a respeito do tema. Ocorre que, para a análise sobre o mérito do alegado caráter confiscatório da multa aplicada, deverseia pronunciar sobre a constitucionalidade da lei tributária, o que é vedado a este Conselho administrativo, conforme expressa disposição da Súmula CARF nº 2, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 2370DF CARF MF Processo nº 19515.721845/201211 Acórdão n.º 1302002.343 S1C3T2 Fl. 2.371 33 Conclusão À vista do exposto, afasto as preliminares suscitadas pelo contribuinte, e, no mérito NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 2371DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720193/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. A Conselheira Lívia De Carli Germano declarou-se impedida de votar. Ausente momentaneamente a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. A Conselheira Lívia De Carli Germano declarouse impedida de votar. Ausente momentaneamente a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 19 3/ 20 12 -4 5 Fl. 46453DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 46.454 ___________ Relatório O procedimento de fiscalização objeto deste processo iniciou com a fiscalização de IRPJ e CSLL referente a dedução de despesas de ágio. O procedimento foi parcialmente encerrado resultado no auto de infração que tornouse objeto do processo 13896.722004/2011 18. Em continuidade do procedimento, e visando esclarecer os números apresentados pela empresa em sua DIPJ, os responsáveis pela fiscalização informaram que após diversas intimações as respostas da empresa se restringiam a dizer que valores haviam sido informados incorretamente nas linhas da DIPJ. A empresa realizou então uma realocação completa das informações da DIPJ onde tencionava indicar as linhas corretas das linhas de custos e despesas das DIPJ relativas aos anos 2007 e 2008. Entretanto destaca que estas realocaçôes não surtem efeitos em relação às DIPJs originais, visto que não havia espontaneidade no procedimento da empresa. Destacou a fiscalização que em abril/2007houve uma alteração na estrutura contábil dos registros, sendo que foi verificada a transferência dos saldos das contas antigas existentes em março/2007 para as novas contas abertas em abril/2007. No entanto, informa que não houve o encerramento das contas de origem, permanecendo seus saldos inalterados. Feitas estas considerações foram realizados os seguintes lançamentos: 1) Glosa Prestador de Serviço JPnor Valor Glosado R$ 1.701.258,58 Conforme entendido pela fiscalização estes serviços referiamse à elaboração de projetos de instalação para a produção de Bromacil e, assim, tais despesas não constituiriam em custo do exercício, mas sim em registro no imobilizado para depreciação futura. 2) Glosa SERTENCO Construtora e Incorporadora Valor Glosado: R$ 5.037.437,48. Neste caso os serviços prestados referiamse a acompanhamento e gerenciamento de obras de reforma do prédio administrativo da empresa. Da mesma forma, com relação ao item acima a fiscalização entendeu que estas despesas não constituiriam despesas normais da atividade, mas sim gastos que deveriam ser registrados e depreciados ao longo do tempo. A justificativa da fiscalização é que referida glosa deve ser efetivada, em razão de as despesas com estes serviços se enquadrarem no art. 301, § 2º, do Regulamento do Imposto de Renda, conforme abaixo: 2) Omissão da Receita Bruta, conforme glosas abaixo: Fl. 46454DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Resolução nº 1401000.466 S1C4T1 Fl. 46.455 3 A fiscalização informou que esta omissão de receitas se deve da diferença entre os valores da receita bruta obtidos pelos livros de apuração do ICMS e os valores informados pela empresa em sua DIPJ. O valor das omissões lançadas foram ajustados pelas devoluções de vendas e retirada do IPI que não deveria ser incluído na receita bruta. 4) Dedução a maior do ICMS da Receita Bruta Glosa do ano de 2008 R$ 4.346.846,13. Neste ponto foram glosados os valores de dedução do ICMS que superaram os valores apurados pela fiscalização a partir dos livros de apuração do ICMS. 5) Devolução de Vendas a maior Glosa de R$ 413.036,79. Neste item a fiscalização realizou uma glosa da devolução de venda contabilizada a maior em razão da devolução de notas de exportação cujo valor de saída foi de R$ 4.326.449,21 e cujo valor de devolução foi de R$ 4.739.846,00. A justificativa da empresa em relação à diferença foi um possível ajuste comercial entre as partes, sem comprovação documental e levandose em consideração que se tratavam de empresas do mesmo grupo. 6) Outros Custos Despesas não comprovadas Glosa de R$ 394.422,29. Despesas que teriam sido justificadas pela empresa como despesas de viagem pagas à empresa Flaytour que, no entanto, não foram comprovadas com documentação hábil, conforme solicitado pela fiscalização. 7) Outras Despesas Operacionais 7.1 Glosa de despesas de transportes da empresa Transportador Luft cujas notas fiscais não foram apresentadas pela fiscalizada. R$ 826.934,78. 7.2. Glosa de outras despesas de distribuição de produtos acabados. Valor glosado de R$ 494.551,71. Notas fiscais comprobatórias não foram apresentadas à fiscalização. 7.3. Diferenças de estoques registrados e consequente redução do valor dos CMV no exercício. Foram apurados, por meio da análise dos livros de inventário e registros de estoques do ICMS. Foi refeito pela fiscalização a apuração dos valores dos estoques considerados que resultou na seguinte glosa, relativa às diferenças de estoques: ano de 2007 Glosa de R$ 32.738.252, 71 ano de 2008 Glosa de R$ 15.673.963,73 8) PIS e COFINS sobre as receitas omitidas. Foram lançados os valores de PIS e COFINS incidentes sobre os valores das omissões de receitas constatadas pela fiscalização. 9) Multa Isolada não recolhimento estimativa. Foi lançada a multa isolada em relação aos meses em que foi apurado IRPJ ou CSLL a pagar por estimativa mensal, decorrentes dos valores das omissões e glosas lavrados pela fiscalização. Fl. 46455DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Resolução nº 1401000.466 S1C4T1 Fl. 46.456 4 10) Glosa da utilização de Prejuízos fiscais e Bases de Cálculos negativas de CSLL maiores do que os valores existentes. Com o lançamento das glosas e omissões e o recálculo do IRPJ e CSLL foram considerados nas apurações, para fins da dedução d lucro tributável, as deduções relativas a até 30% do IRPJ e CSLL devidos. Assim, foram recompostos os saldos dos prejuízos fiscais e BC negativas, resultando nos seguintes valores de glosa: IRPJ anocalendário 2009 R$ 16.652.709,14 IRPJ anocalendário 2010 R$ 102.177.307,33 CSLL anocalendário 2010 R$ 68.678.176,23 11) Multa por informações incorretas na DIPJ Lançamento de R$ 500,00 por exercício tendo em vista que as multas por infração calculadas foram inferiores ao mínimo estabelecido por lei. 12) Multa por informação incorreta em arquivo digital. Nesta caso foi lavrada multa sobe as informações incorretamente prestadas em arquivo digital, tendo em vista que as informações incorretas dos valores de estoques obtidas pelas comparações com os livros de apuração do ICMS. O cálculo do valor da multa foi feito pelo valor das incorreções detectadas nos estoques. Sendo lançados os seguintes valores por anocalendário. Cientificado da autuação o contribuinte apresentou impugnação de fls. 39219 em diante. Foi determinada a realização de diligência fiscal cujo resultado foi retratado no Termo de Diligência Fiscal de fls. 46204 em diante. O contribuinte, desta se manifestou às fls. 46227. Da análise de todos os fatos e documentos a Delegacia de Julgamento lavrou a seguinte decisão: Fl. 46456DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Resolução nº 1401000.466 S1C4T1 Fl. 46.457 5 Fl. 46457DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Resolução nº 1401000.466 S1C4T1 Fl. 46.458 6 Fl. 46458DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Resolução nº 1401000.466 S1C4T1 Fl. 46.459 7 Fl. 46459DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Resolução nº 1401000.466 S1C4T1 Fl. 46.460 8 Foram exonerados pela decisão da DRJ os autos de infração de PIS, COFINS, e os autos de infração relativos a multa isolada de IRPJ e CSLL. Da exoneração destes valores a DRJ recorreu de ofício de sua decisão. Item do Auto de Infração Valores Glosados IRPJ Decisão DRJ + razões CSLL Multas Isoladas IRPJ e CSLL Ser. Prest. PJ indevidamente deduzidos como despesa JPnor Eng. 37593 TVF 31/12/2007 1.299.696,61 1.154,07 400.407,90 Tot: 1.701.258,58 Item 0003 AI IRPJ Mantido. Como houve prorrogação do contrato até 02/01/2008, só poderia considerar abandonado o projeto em 2008. Como tais despesas ocorreram em 2007, mantevese o auto. NO entanto, como entende a DRJ que as despesas ativáveis seriam passíveis de depreciação, foi deduzido 20% do valor da autuação, reduzindoa para R$ 1.361.006,86 1.299.696,61 1.154,07 400.407,90 Tot: 1.701.258,58 Item 0003 AI fls. 37655 Ser. Prest. PJ indevidamente deduzidos como despesa Sertenco Const 37595 TVF 31/12/2007 5.037.437,58 Item 0003 AI IRPJ Mantido. Apesar de a empresa alegar que foram ativadas as despesas, na DIPJ deduziuas como despesas. Assim, foi mantida a glosa 5.037.437,58 Item 0003 AI fls. 37655 Omissão R.Bruta Devolução de Vendas glosa do valor excluido na DIPJ que já estava computado na receita líquida 37605 TVF 31/12/2007 10.581.940,21 31/12/2008 6.293.688,16 Item 001 AI Item 3 do TVF núm. 76 31/12/2007 10.581.940,21 31/12/2008 6.293.688,16 Item 001 AI fls. 37653 Omissão de Receita Bruta Dif. Valores ICMS x Balan. 37597 TVF Ano 2007 266.479.923,93 Ano 2008 134.987.051,56 Item 002 do AI Duplicidade por inclusão de CFOP de simples transferência. Excluiu para 2007 R$ 56.695.197,60 e no ano de 2008 R$ 25.322.674,89 Duplicidade filial Uberaba. Não foi aceita, pois foi apurado na diligência o mesmo valor por meio dos livros de ICMS Erro preenchimento da DIPJ. Como a empresa não atendeu a intimação da diligência e não discriminou os itens da DIPJ. Mantevese a autuação. Sucata e descartes de milho, sementes e soja caixa pioneer. Conforme apurado pela diligência foram excluídos os seguintes valores: 2007 R$ 12.864.376,24 2008 R$ 17.980.234,92 Valores Mantidos: 2007 R$ 196.920,350,09 2008 R$ 91.684.141,75 Ano 2007 266.479.923,93 Ano 2008 134.987.051,56 Item 001 do AI fls. 37653 Desp. Não Comprovadas Ded maior do ICMS da R.Bruta 37608 TVF 4.346.846,21 Item 004 AI 31/12/2008 A diligência comprovou que os valores de estorno dos débitos compuseram a autuação e que a provisão deduzida foi adicionada ao LR. Assim, foi excluído da autuação o valor R$ 4.144.458, 51, restando da autuação apenas R$ 202.387,62 4.346.846,21 Item 002 AI 31/12/2008 fls. 37654 Omissão Rec. Devolução de Vendas 37608 TVF 413.036,79 Item 001 AI 31/12/2007 A DRJ considerou que não houve omissão de receitas, mas simples devolução das notas de remessa para lotes de exportação e emissão das novas notas com o valor correto da operação que, não necessitaria ser idêntico. Autuação cancelada Outros Custos Desp. ñ Compr 37609 do TVF 394.422.29 Item 005 AI 27/04/2008 As notas apresentadas pelo contribuinte para justificar as despesas foram contabilizadas em outra operação e assim, não seriam hábeis a comprovar as despesas. Mantida a autuação 394.422.29 Item 002 AI 27/04/2008 fls. 37655 Fl. 46460DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Resolução nº 1401000.466 S1C4T1 Fl. 46.461 9 Outras Desp. Operacionais Desp Fretes Prod. Acabado 37611 TVF Transp Luft 835.146,83 Item 004 AI 28/09/2007 As notas fiscais apresentadas não correspondem aos períodos e valores da autuação. Não havendo sequer o batimento com os lançamentos contábeis correspondentes. mantida a autuação por falta de comprovação. 835.146,83 Item 002 AI 28/09/2007 fls. 37654 Outras Desp. Operacionais Desp Fretes Prod. Acabado 37612 TVF Transp Luft 494.551,71 Item 004 AI 30/09/2008 As notas fiscais apresentadas não correspondem aos períodos e valores da autuação. Não havendo sequer o batimento com os lançamentos contábeis correspondentes. mantida a autuação por falta de comprovação. 494.551,71 Item 002 AI 30/09/2008 fls. 37654 Outras Desp. Operacionais Desp Fretes Prod. Acabado 37611 TVF TranspGolden Cargo 380.596,04 Item 004 AI 29/06/2007 As notas fiscais apresentadas não correspondem aos períodos e valores da autuação. Não havendo sequer o batimento com os lançamentos contábeis correspondentes. mantida a autuação por falta de comprovação. 380.596,04 Item 002 AI 29/06/2007 fls. 37654 Custos ñ Comp. Dif. Estoques 37612 TVF 31/12/2007 32.738.252,71 31/12/2008 15.673.963,73 Item 005 AI A DRJ aceitou apenas a diferença da falta de inclusão das receitas de serviços em 2007 no valor de R$ 1.504.077,26. Assim reduziu a autuação em 2007 para R$ 31.234.175,45. Não foi acatada a decadência da apuração de estoques de 2006, pois não houve lançamento. Não foi acatado um possível pagamento a maior em 2006 pois não houve apuração dos estoques iniciais de 2006 que poderiam conter erros. Não acatou a tese de que as contas de estoques de produtos acabados seriam materiais em trânsito, por falta de comprovação. 31/12/2007 32.738.252,71 31/12/2008 15.673.963,73 Item 002 AI fls. 37655 Comp. Ind. Prejuízo Fiscal 37623 TVF Item 11 31/12/2009 16.652.709,14 31/12/2010 102.177.307,34 Item 006 AI Indeferido o sobrestamento. Verificar Os processos 13896.722004/201118 e 16561.000045/200662 estão no CARF aguardando julgamento. Mantida a autuação, pois a existência dos processos e as exclusões da decisão não seriam suficientes para reverter a autuação 31/12/2010 68.678.176,23 fls. 37655 AI M. Isolada CSLL e IRPJ estimat. Multas isoladas a cancelar por serem cumuladas c/multa de ofício Outras Multas Erro arquivos magnéticos As incorreções das informações prestadas na DIPJ que o são por cnpj são suficientes para caracterizar a autuação. Mantida parcialmentea autuação. Excluído o ano 2006. 09/04/2012 732.169,65 12.909.814,96 24.708.992,20 Outras Multas Inexatidão em DIPJ Contribuinte não recorreu e pagou. 31/12/2007 500,00 31/12/2008 500,00 Item do Auto de Infração Decisão DRJ + razões Rec. Vol. + Razões PIS COFINS Omissão Receitas PIS e COFINS Dev. Vendas Excluido por ser valor da diferença entre as linhas da DIPJ, não alcançados pelas contribuições 31/12/2007 413.036,79 31/12/2007 10.581.940,21 31/12/2008 6.293.688,16 AI de COFINS fls. 37.667 Fl. 46461DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Resolução nº 1401000.466 S1C4T1 Fl. 46.462 10 Omissão Receitas PIS e COFINS Dev. Vendas Excluido por ser valor da diferença entre as linhas da DIPJ, não alcançados pelas contribuições 31/12/2007 413.036,79 31/12/2007 10.581.940,21 31/12/2008 6.293.688,16 AI de PIS fls. 37.674 Omissão Receitas PIS e COFINS Dif. DACON x Livro ICMS Excluíram tudo pela diligência 31/12/2007 112.158.003,07 30/04/2008 5.970.737,17 31/10/2008 52.331.299,97 31/12/2008 107.266.695,34 AI de COFINS fls. 37694 Omissão Receitas PIS e COFINS Dif. DACON x Livro ICMS Excluíram tudo pela diligência 31/12/2007 112.158.003,07 30/04/2008 5.970.737,17 31/10/2008 52.331.299,97 31/12/2008 107.266.695,34 AI de PIS fls. 37687 Inconformado o recorrente apresentou Recurso Voluntário de fls. 46447 em arquivo digital não paginável, apresentado as seguintes alegações: PRELIMINARES 1) Erro na implantação dos valores exonerados => Alega erro no cálculo das exonerações dos seguintes itens: 1.1) Omissão de receita Bruta. Fls. 60 da Decisão DRJ 0002 OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS OMISSÃO DE RECEITAS Fato Gerador Valor Autuação Valor Exonerado Valor Ajustado Item TVF 31/12/2007 266.479.923,93 56.695.197,60 209.784.726,33 Pte Item 3 31/12/2008 134.987.051,56 25.322.674,89 109.664.376,67 Pte Item 3 Fls. da Decisão da DRJ 3.4 Conclusão: Face a todo o exposto, deve ser excluído do item 3 os valores de R$ 69.559.573,84 (R$ 56.695.197,60 do item 3.1 e R$ 12.864.376,24 do item 3.3) em 2007 e R$ 43.302.909,81 (R$ 25.322.674,89 do item 3.1 e R$ 17.980.234,92 do item 3.3) em 2008, Fl. 46462DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Resolução nº 1401000.466 S1C4T1 Fl. 46.463 11 resultando nos valores tributáveis mantidos de R$ 196.920,350,09 (R$ 266.479.923,93 – R$ 69.559.573,84) em 2007 e R$ 91.684.141,75 (R$ 134.987.051,56 – R$ 43.302.909,81) em 2008. 1.2) Exoneração das multas por erros nos arquivos magnéticos ano 2006. Fls. 53 da Decisão DRJ Tendo o Termo de Intimação nº 22, em seu parágrafo 12, solicitado à interessada somente os arquivos digitais do Registro de Inventário dos anoscalendário de 2007 e 2008 (fl. 19168), não há que se falar em multa por informação incorreta em arquivos digitais do ano de 2006, uma vez que não solicitada informações sobre tal ano, conforme expressamente determinado pelo inciso II, do art. 12, da Lei nº 8.218/1991, devendo o valor da multa de R$ 732.169,65, relativa ao mesmo, ser exonerada. Fls. 63 da Decisão da DRJ DEVIDOS: . A Multa por omissão/erro nos dados fornecidos em meio magnético, no valor de R$ 38.350.976,81; e, 1.3. Necessidade de recálculo dos prejuízos fiscais utilizados a maior em razão da exoneração de diversas parcelas da autuação que reduziriam os valores utilizados a maior. 2) Nulidade do Lançamento em função da necessidade de recomposição do lucro tributável Alega que houve valor a restituir de IRPJ e CSLL, mas que mesmo assim teria de haver o recálculo Alega que mesmo tendo sido solicitada a compensação do IRPJ e CSLL pagos a maior tais valores deveriam ser considerados enquanto não homologadas as compensações. Seria nulo o lançamento por falta de liquidez e certeza do crédito tributário que deveria ser recalculado. Apresenta precedentes da jurisprudência. não válidos para o caso. Um da CSRF por se tratar de suspensão da imunidade e lançamento por analogia. Os outros porque tratam da recomposição com a utilização dos prejuízos fiscais e BC negativas. MÉRITO 1. Serviços Prestados Pessoa Jurídica 1.1. Fornecedor JPNOR Engenharia Fl. 46463DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Resolução nº 1401000.466 S1C4T1 Fl. 46.464 12 Alega que as despesas não deveriam ser glosadas nem poderiam ser ativadas pois os recursos dispendidos para análise da implantação do projeto Bromacil configuram despesas regulares da atividade e, como o projeto foi abandonado e comprovado, não haveria necessidade de tais gastos serem ativados. 1.2. Fornecedor SERTENCO Construtora Incorporadora Ltda Alega que, conforme parecer da PWC os gastos não foram totalmente informados como despesa na DIPJ. Conforme este parecer a maior parte do valor foi registrado em conta de imobilizado e apenas a menor parcela foi deduzida como despesa, devendo ser revista a autuação neste item. 1.3. Nulidade do lançamento por não ter levado em conta a postergação das despesas e, também pelas aparentes contradições da decisão da DRJ. 2. Omissão da Receita Bruta 2.1. Consideração em duplicidade da Receita de 2007 da Filial 68 Uberaba Aponta disparidade do valor do mês de janeiro/2007, que seria incompatível com a análise dos outros meses da apuração. Entende que o valor correto do mês de janeiro/2007 seria de R$ 7.598.221,50. Deveria, portanto, ser excluída a diferença de R$ 119.151.633,86. 2.2. Realocação dos Valores da DIPJ desconsiderada pela autuação Alega que apesar da DRJ ter admitido a correção de alguns equívocos conforme indicado pela diligência, devem ser considerados os seguintes valores que não foram admitidos pela decisão da DRJ: 2.2.1. Em relação à unidade Pioneer os valores de deduções de vendas foram indevidamente incluídos como receitas tributáveis. Entende que a realocação neste ponto serviu apenas para corrigir tal equívoco e que esta realocação não foi considerada pelo fiscal. Alega que apresentou algumas notas fiscais (doc. 09 anexo à impugnação) cujos valores constam no anexo C da planilha da realocação. Alega que a diligência reconheceu os equívocos apontados. que seriam de R$ 11.704.411,75 no ano de 2007 e R$ 13.255.027,69 em 2008. 2.2.2. Em relação à unidade Griffin alega que foram consolidados na receita de vendas valores líquidos de ICMS e Frete e que, por isso, a realocação neste caso foi realizada para corrigir estes equívocos, conforme demonstrado nas planilhas D e E da planilha de realocação. Fl. 46464DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Resolução nº 1401000.466 S1C4T1 Fl. 46.465 13 Alega que em relação a esta unidade, foram reconhecidos os seguintes valores. Alega, no entanto, que os valores da conta frete não correspondem à realidade. Alega que a conta 50501000 (Frete) não foi considerada porque a fiscalização entendeu que as despesas escrituradas não eram redutoras da receita bruta por não terem constado das linhas 01 a 08 da Ficha 06A da DIPJ. Na verdade o que a fiscalização entendeu é que somente a conta 50101000 foi indicada na DIPJ e na realocação como Receita Bruta. A conta 50501000 foi indicada nas linhas da DIPJ relativas a outras receitas operacionais e, assim, por isso, não houve influência na apuração da omissão de receitas. O recorrente volta a alegar que a fiscalização incorreu em erro posto que na realocação tais valores teriam sido informados na linha 01, da Ficha 06A da DIPJ. Seriam os seguintes os valores informados da referida linha. Com isso informa que seriam os seguintes os valores de frete e ICMS consolidados indevidamente pelo valor líquido nas contas de receita o que contribuiu para os valores apurados como omissão de receita (conclusão nossa, não do recorrente). 2.2.3. Utilização de despesas de Frete como Redutoras das Receitas; Alega que o erro cometido na unidade Griffin também ocorreu em outras unidades, conforme parecer da PWC abaixo. Fl. 46465DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Resolução nº 1401000.466 S1C4T1 Fl. 46.466 14 Alega que apesar de reconhecer a falha a DRJ não acatou a realocação. Segue a justificativa da DRJ para a não consideração. Alega então que seria errado este entendimento de desconsiderar a alocação vez que, conforme alegado nas contrarrazões ao termo de diligência, estas não influiram no resultado do exercício, conforme demonstrado no parecer da PWC abaixo. Fl. 46466DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Resolução nº 1401000.466 S1C4T1 Fl. 46.467 15 2.2.4. Não exoneração da Omissão dos Valores de venda de sucata, descartes de milho e sementes e descarte de soja da filial 61.064.929/000845. Alega que em relação a esta filial estes valores não foram exonerados porque teriam composto o valor da receita bruta informado na DIPJ, mas entende que não é essa a verdade. Alega que estes valores constaram nas linhas de outras receitas operacionais e não na composição da receita bruta, conforme o seguinte trecho do parecer da PWC. Requer que seja desonerada a autuação com relação a este item. 3. Dedução do ICMS da receita bruta Com relação a este item, apesar de a autuação ter sido exonerada em sua maioria, restando a manutenção apenas do valor de R$ 202.387,62, o recorrente se irresigna ao alegar que tal valor também deveria ser expurgado. Fl. 46467DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Resolução nº 1401000.466 S1C4T1 Fl. 46.468 16 Alega que, conforme apurado pela PWC existiram valores de estornos de créditos e cancelamento de débito do imposto que não foram considerados pela DRJ. Requer que sejam excluídos também os valores mantidos pela DRJ. 4. Outros Custos 4.1. Glosa de R$ 394.422,29 referente despesas de viagem A decisão da DRJ considerou que os custos não foram comprovados pois as notas apresentadas não guardam coincidência com as datas dos registros lançados. A recorrente alega que as notas fiscais apresentadas comprovam as despesas realizadas e justifica o pedido de cancelamento da glosa com o parecer da PWC abaixo. Fl. 46468DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Resolução nº 1401000.466 S1C4T1 Fl. 46.469 17 4.2. Conta 5380444 Despesas de Distribuição de Produtos Acabados FRETE Valor da glosa mantido pela DRJ de R$ 835.146,83. Alega que as glosas decorreram da pretensa não comprovação das despesas com a documentação hábil e que apresentou, juntamente com a impugnação as notas fiscas e conhecimentos de transporte até então localizados. Alega que apresentou declaração da Transportadora Luft relacionando as notas que baseariam as glosas e que teriam sido ratificadas pelo parecer da PWC.Não apresenta as notas. 4.3. Conta 5380444 Despesas de Distribuição de Produtos Acabados FRETE Valor da glosa mantido pela DRJ de R$ 388.808,09, Alega que às fls. 38244/38543 e 40463/40773 apresentou os documentos que comprovariam as despesas no montante de R$ 388.808,09. Assim, deveria ser cancelada a glosa. 4.4. Conta 5375444 Outras despesa de Distribuição de Produtos Acabados Transferência Valor da glosa mantido pela DRJ de R$ 494.551,71 Alega que apresentou as notas da TRansportadora Luft que comprovariam as despesas juntamente com o comprovante da transferência bancária feito de uma única vez para três notas. Apresenta um comprovante de trasnferência e informa que já havia apresentado as alegações que não foram consideradas pela DRJ às fls. 23786. 5. Diferença de Estoques A recorrente alega que em relação às diferenças de estoques lançadas a fiscalização partiu da diferença existente no saldo final dos estoques do ano de 2006 que, influindo na apuração de 2007, resultou na diferença deste ano e na do ano subsequente. Na decisão da DRJ esta não aceitou a alegação por entender que a verificação do saldo de estoque do ano de 2006 foi necessária para verificar o real valor do estoque de Fl. 46469DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Resolução nº 1401000.466 S1C4T1 Fl. 46.470 18 abertura do ano de 2007. Assim, não houve nenhum lançamento relativo ao ano de 2006, mesmo que tenham ocorrido lançamentos decorrentes da revisão dos estoques do ano de 2006. Alega também que a diferença de estoques relativo às contas 23112210Estoque Produtos Acabados variável Reclassif, 23122230 Estoque prod. acababosCusto fixo reclassif, 23202210Estoque de prod. acabadosUTP reclassif, no valor total de R$ 22.572.283,73 foram desconsideradas na apuração dos estoques. Alega que demonstrou conforme doc. 15, anexo à impugnação, que tais valores consistem em produtos em trânsito, conforme documentação comprobatória. A DRJ não acatou as alegações por entender que estas contas, pela própria nomenclatura, não constituiam estoques de mercadorias em trântito. A recorrente apresenta parecer da PWC realisando análise destas contas e atestando que seriam contas de controle de estoque de mercadorias em transito, conforme abaixo. Em relação a este ponto, a própria auditoria já demonstra que a conta 23222210 não deve compor o valor dos estoques, vez que esta conta, conforme sua informação, representa a expectativa de lucro das mercadorias adquiridas entre companhias do mesmo grupo. Ora, expectativa de lucro não é estoque e, assim, esta conta não deve ser considerada. Quanto às outras duas contas verificando as informações do próprio parecer da PWC constatase que tratamse de valores de mercadorias que não ingressaram no estoque na empresa adquirente, posto que, na data de encerramento do exercício, se encontravam em trânsito entre o país de origem e o de destino. Ora, se as mercadorias não tinham ainda nem chegado ao país de destino não podem, por decorrência lógica, compor o estoque destes produtos. Na verdade não se pode considerar estas contas de mercadorias como mercadorias em trânsito posto que as mercadorias em trânsito são aquelas que entraram no estoque da empresa e daí saíram, por exemplo, para outra filial. Fl. 46470DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Resolução nº 1401000.466 S1C4T1 Fl. 46.471 19 Sendo assim não assiste razão à empresa quanto à necessidade de inclusão dos valores destas contas no estoque da empresa. 5 Saldo Insuficiente de Estoque de Prejuízos Fiscais e Bases de Cálculo Negativas de CSLL A recorrente alega que com relação a este item existem dois processos anteriores, de nº 13896.722004/201118 e 16561.000045/200662, ainda pendentes de julgamento, os quais ao efetuar lançamentos de IRPJ e CSLL reduziram os montantes de prejuízos fiscais e BCN de CSLL. Deveria então ser sobrestado este feito para aguardar o deslinde daqueles processos que, em caso de sucesso dos recursos, poderiam recompor os saldos considerados insuficientes pela fiscalização. Quanto a este ponto não assiste razão à requerente. não podemos sobrestar este feito à espera do julgamento de outros processos. No entanto, não haverá prejuízos à empresa no eventual caso de algum dos recursos ser provido em seu benefício. Caso ocorra tal fato após até mesmo a conclusão deste processo, os saldos serão revertidos e a empresa poderá, requerer à delegacia de origem que, de ofício, realize o recálculo dos valores dos débitos pela restauração dos prejuízos fiscais. Nos precedentes apresentados traz ao debate a possibilidade de sobrestamento de um feito que este dependa, para sua solução, da decisão a ser proferida em outro processo. Ocorre que este não é o caso que se apresenta. Apesar de a decisão dos outros processos poder influenciar em parte os valores lançados neste, este não depende totalmente daquelas decisões, posto que os valores dos prejuízos podem ser recompostos e recalculados individualizadamente, sem qualquer prejuízo ao recorrente. Assim, entendo que não é cabível o sobrestamento deste processo no presente caso. Em outro turno, alega o recorrente que deveria ser recalculado o valor da autuação tendo em vista que como ocorreu a desoneração de parte dos valores lançados, haveria de se realizar o recálculo dos valores lançados no presente item, posto que, reduzido o lançamento, há de se reduzir também os prejuízos fiscais e BCN utilizados e, em consequência, restaurados os saldos existentes. Neste ponto, tendo em vista a necessária diligência para alguns itens da autuação, há de se realizar o recálculo do valor lançado neste ponto a partir da exclusão dos valores lançados no presente auto, além de valores que possam ser excluídos na análise da própria diligência. 6. Multa por Informação Incorreta em Arquivos Digitais Alega a recorrente que os valores lançados neste itens, mesmo que mantidos deveria ser recalculados posto que lançados sobre uma base de cálculo duplicada. Alega que a fiscalização utilizou como base de cálculo o valor informado nos estoques da filial 001 e, Fl. 46471DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Resolução nº 1401000.466 S1C4T1 Fl. 46.472 20 também, os valores informados das outras filiais dos quais a empresa informou que tinha apresentado na filial 001. Assim, seria necessário o recálculo da multa. Alega que a multa imposto representa mais de 20% dos valores lançados e, assim, juntamente com a multa de ofício lançada, representa uma ofensa ao princípio da proporcionalidade por impor penalidade desproporcional aos valores do lucro da empresa no exercício. Alega também a necessidade de utilização do princípio da equidade para o cancelamento da multa verificado que restou que esta, na forma e valores lançados, ofende ao princípio da proporcionalidade. 7. Da Dedutibilidade dos Valores Lançados de PIS e COFINS Concomitantemente à lavratura do Presente Auto Neste ponto, apenas por precaução o recorrente solicita que, acaso sejam revertidos os cancelamentos dos lançamentos de PIS e COFINS determinados pela Delegacia de Julgamento, que estes lançamentos sejam utilizados no abatimento do IRPJ e CSLL acaso mantidos por este CARF. 8. Da não Incidência de Juros sobre a Multa de Ofício Neste ponto alega a impossibilidade e incidência de juros sobre a multa de ofício por entender não haver disposição legal que atenda a esta aplicação. É o relatório do essencial. Voto Passemos a analisar o processo. De acordo com o que se verifica neste processo existem algumas divergências de monta bastante elevada entre os valores levantados pela fiscalização em seu procedimento e os valores que o contribuinte alega terem sido apurados em sua contabilidade, oriundos de seus registros contábeis. Desta forma, para se evitar um julgamento discrepante da realidade fática e, ainda, possibilitar à fiscalização a oportunidade se pronunciar sobre as alegações do recorrente e de sua consultoria, assim como, se for o caso, reapurar os valores objeto de autuação. Por todo o exposto, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia de Origem, diligenciando junto ao contribuinte e de acordo com os documentos fiscais e contábeis do mesmo, responda aos questionamentos abaixo relacionados: 1) Apuração do valor do faturamento da unidade 0068 Filial Uberaba do mês de janeiro/2007, tendo em vista a diferença entre o montante apurado pela fiscalização de Fl. 46472DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Resolução nº 1401000.466 S1C4T1 Fl. 46.473 21 R$ 126.749.855,33 e o montante alegado pela recorrente R$ 7.598.221,50. Destaquese que o faturamento do mês de janeiro/2007 apontado pela fiscalização monta na quase totalidade dos valores dos outros meses. Apontar qual a correta origem do valor do faturamento deste mês e, se possível, explicar as razão de diferença tão significante. 2) Análise do Item 2.2.1. Verificar se, em relação à "caixa pioneer" o valor da receita bruta foi informado pelo líquido excluindose as deduções de vendas e se efetivamente, na realocação realizada pela empresa, a falha foi corrigida, resultando numa redução da omissão nos valores de R$ 11.704.411,75 no ano de 2007 e R$ 13.255.027,69 em 2008. 3) Análise do Item 2.2.2.Verificar se, em relação à "caixa griffin" a receita bruta foi informada pelo valor líquido da dedução de frete e ICMS. Verificar se os valores apresentados na conta 50501000 foram informados como receitas de vendas ou como outras receitas da DIPJ da empresa conforme alegado pela recorrente. Verificar se, sendo informados como outras receitas, a escrituração da forma realizada pela empresa influenciou na apuração da omissão da receita bruta. 4) Análise do Item 2.2.3. Verificar se em relação às outras "caixas" da empresa os valores de ICMS e frete foram deduzidos da receita bruta para fins de informação da receita bruta na DIPJ da empresa. Acaso confirmado o fato, apurar os valores que reduziram indevidamente a receita bruta e que podem ser exonerados da autuação. 5) Análise do Item 2.2.4. Confirmar se os valores de venda de sucata, descartes de milho e sementes e descarte de soja da filial 61.064.929/000845, no montante de R$ 7.264.055,16, foram informados na linha 34 da Demonstração do resultado do exercício e se tal informação implica na redução do valor lançado relativo a omissão da receita bruta. 6) Análise do Item 3. Verificar se os valores constantes das linhas marcadas sem sombreamento abaixo, relativas à Estorno de crédito de ICMS ajuste período de jun/03 e Cancelamento do ICMS podem ser considerados como exclusão da receita bruta e se estes mesmos valores foram desconsiderados pela fiscalização na autuação, 7) Análise do Item 4.1. Verificar se as notas apresentadas pela recorrentes relativas às viagens comprovam os lançamentos glosados no montante de R$ R$ 394.422,2, conforme explicações apresentadas no trecho do relatório da PWC transcrito no item. 8) Análise do Item 4.3. Verificar se as notas apresentadas às fls. 38244/38543 e 40463/40773, apresentam os documentos comprobatórios das despesas glosadas no montante de R$ 388.808,09 e se as datas das notas são compatíveis com as datas dos lançamentos contábeis realizados. Fl. 46473DF CARF MF Processo nº 16561.720193/201245 Resolução nº 1401000.466 S1C4T1 Fl. 46.474 22 9) Análise do Item 4.4. Conta 53754444 Outras despesa de Distribuição de Produtos Acabados Transferência. Verificar se as notas apresentadas à impugnação comprovam as despesas no montante de R$ 494.551,71. 10) Análise do Item 6. Informar em relação ao quadro demonstrativo de fls. 37627 do Termo de Verificação Fiscal qual o montante dos valores considerados como estoques da matriz 0001, constou também como valor de estoques das filias da empresa para fins de cálculo da multa por informação incorreta em arquivo digital, tendo em vista que a empresa alega que os valore estão computados duplamente 11) Realizar e apresentar o recálculo dos valores dos prejuízos fiscais e BCN de CSLL utilizados na autuação e os saldos e lançamentos dele decorrente, tendo em vista sa desonerações implementadas pela decisão da DRJ/RJO1 e em razão de outros itens solicitados nesta diligência aos quais a fiscalização entenda assistir razão à recorrente; (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 46474DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13820.000433/2006-57
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002
A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
(Súmula nº 57/CARF)
Numero da decisão: 1801-000.735
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. (Súmula nº 57/CARF)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. (Súmula nº 57/CARF) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edjalmo Antonio da Cruz, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 64DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Aproveito o Relatório elaborado na Resolução nº 180100.028/10, fls. 42 a 49 para circunstanciar os fatos: “A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/SAE/SP n° 569.708, de 02 de agosto de 2004, fl. 23, com efeitos a partir de 01/01/2002, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Data da opção pelo Simples: 01/01/2001 Situação excludente: (evento 306): Descrição: atividade econômica vedada: 29629/02 Instalação, reparação e manutenção de máquinas e equipamentos para as indústrias alimentar, de bebida e fumo Data da ocorrência: 01/01/2001 Fundamentação legal: Lei n° 9.317, de 05/12/1996: art. 9°, XIII; art. 12; art. 14, I; art. 15, II. Medida Provisória n° 2.15834, de 27/07/2001: art. 73. Instrução Normativa SRF n° 355, de 29/08/2003: art. 20, XII; art. 21; art. 23, I; art. 24, II, c/c parágrafo único. A empresa manifestouse contrariamente ao procedimento, apresentando a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples SRS, com pedido de revisão do ato em rito sumário. Em conformidade com o Despacho Decisório, fl. 25, as informações relativas à opção pelo Simples foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Cientificada em 12/04/2006, fl. 24, ela apresentou a manifestação de inconformidade em 12/05/2006, fls. 01/08. Diz que os argumentos indicados na SRS não foram devidamente analisados no Despacho Decisório. Acrescenta que exerce atividades que permitem a opção pelo Simples de "prestação de serviço de assistência técnica regular para um conjunto de máquinas e equipamentos industriais" ou seja, "indústria e comércio de máquinas e estruturas metálicas, restauração de máquinas e equipamentos industriais". Suscita que [...] os serviços que presta são, via de regra, por conta de suas vendas, sejam industriais ou comerciais, contudo, o erro na classificação do CNAE, não se afigura suficientemente capaz para sustentar sua exclusão do SIMPLES. [...] Assim sendo, com o intuito de melhor comprovar nossas alegações acima, anexamos planilha de todas as Notas Fiscais (doc. 06), desde a data da exclusão, até dezembro de 2005 e, também, as Declarações firmadas pelos únicos dois clientes das prestações de serviços (docs. 04 e 05), onde podemos verificar que o contribuinte além da venda de máquinas e estruturas metálicas, prestava assistência técnica aos seus clientes. [...] De outra face, mesmo que mantida a exclusão da empresa do SIMPLES, somente a titulo de argumentação, é que manifestamos, também, nossa inconformidade quanto a retroatividade da data da exclusão [...] Assim, caso mantida a sua exclusão, deverá esta ter efeitos a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, que, no caso, se deu com a Comunicação do Ato Declaratório emitido pela Autoridade local, ciência sos 27/08/2004 (art. 12 c/c §3° do art. 15 da Lei 9317/96), pois o art. 106 do Código Tributário Nacional, não permite a retroatividade da lei nesse caso. [...] Fl. 65DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13820.000433/200657 Acórdão n.º 180100.733 S1TE01 Fl. 65 3 Por tudo o quanto foi exposto, é a presente para requerer o afastamento da exclusão da empresa do regime do SIMPLES, ou, subsidiariamente, caso mantida a exclusão, o que não aceitamos por poder ela ser optante do SIMPLES, conforme demonstramos, requeremos que a exclusão se dê nos termos do inciso II do artigo 15 da Lei 9317/96, com a redação dada pela Lei 9732/98, ou seja, a partir da notificação da exclusão (27/08/2004), tudo isso por ser medida de Direito e também de Justiça. Está registrado como resultado do Acórdão da 1a TURMA/DRJ/CAMPINAS/SP n° 0518.679, de 07/08/2007, fls. 26/29: "SolicitaçãoIndeferida". Restou esclarecido que CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional da engenharia é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples. EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE. A exclusão do Simples pode operar efeitos retroativos â data da situação impeditiva. [...] Constatase, portanto, que as aludidas instruções normativas, ao fixarem a data de início dos efeitos da exclusão, bem conjugaram as disposições da Medida Provisória n° 2.15834, de 2001, que passou a autorizar a exclusão com efeitos retroativos, com a previsão do art. 2° da Lei no 9.784, de 1.999, que determina à Administração a observância do principio da segurança jurídica. [...] Fixado esse parâmetro de verdade, temse que o presente Contribuinte exerce/exerceu, no que interessa como critério decisivo ao pleito e à época em que indicada como de ocorrência do evento impeditivo (26/03/2001, data de alteração do objeto social; fl.23), a atividade de "restauração de máquinas e equipamentos industriais". Vai daí que, a partir da conclusão retro, não é possível dizer, peremptoriamente, que o Contribuinte, ao exercer sua atividade, prescinde de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional de engenharia (Lei n° 9.317/96, art. 9°, inciso XIII), isto para o desempenho do(s) serviço(s) retro mencionado(s). Notificada em 27/08/2007, fl. 31, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, fls. 32/39, em 26/09/2007, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados junto à primeira instância de julgamento ressaltando que o erro no cadastramento de sua atividade junto à RFB. Esclarece que a prestação de serviços é decorrente de suas operações comerciais. Argúi que Há, nos autos, planilha de todas as Notas Fiscais, desde a data da exclusão, até dezembro de 2005 e, também, as Declarações firmadas pelos únicos dois clientes das prestações de serviços, fls., onde podemos verificar que o contribuinte além da venda de máquinas e estruturas metálicas, prestava assistência técnica aos seus clientes. A prestação de serviços de assistência técnica não está vedada ao SIMPLES, até mesmo fazendo uma interpretação conjunta com o art. 647, §1° do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, que determina a incidência do imposto de renda na fonte, quando da prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional. Então, temos que o §1° do art. 647, do RIR/99 nos dá parâmetros para interpretar o termo "assemelhados" constante do art. 9°, XIII da Lei 9.317/96, excluindo, expressamente "o serviço de assistência técnica prestado a terceiros e concernente a ramo de indústria ou comércio explorado pelo prestador do serviço", do rol de serviços de profissões regulamentadas ou assemelhadas. Desse modo, os serviços de Assistência Técnica não seriam de natureza profissional e, por isso não seriam, também, assemelhados aos de quaisquer profissão legalmente regulamentada, não estando, portanto, vedada a opção da empresa ao SIMPLES. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 [...] De outra face, mesmo que mantida a exclusão da empresa do SIMPLES, somente a título de argumentação, é que manifestamos, também nossa inconformidade quanto a retroatividade da data da exclusão. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos, interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos da jurisprudência judicial e administrativa. Em face do exposto requer o deferimento de sua solicitação.” Esta Primeira Turma Especial, na ocasião, deliberou por converter o julgamento na realização de diligência para que, in loco, fosse verificado se existiam, efetivamente, as causas impeditivas/proibitivas de ser mantida na sistemática do Simples, além do código CNAE indevido, em vista das argumentações veiculadas no recurso voluntário. Diligenciada a empresa, a autoridade fiscal informou às fls. 62 e 63 o que segue: “Em resumo o membros do colegiado votaram pela conversão do julgamento em diligência para que a fiscalização da Receita Federal do Brasil em Santo André verificasse , "in loco": 1 se no exercício da atividade efetivamente prestada é exigido o Atestado Técnico e Termo de Responsabilidade: 2 se no Livro de Registro de Empregados há engenheiros ou técnicos com especialização em engenharia registrados. A diligência foi iniciada em 10/06/2011 junto ao domicílio do contribuinte(fls. 47), sendo ainda intimados dois de seus clientes (fls. 49 a 51), os quais inclusive foram os responsáveis pelas declarações de fls. 15 e 16 do presente, sendo os seus principais clientes conforme relação de fls. 17 a 20. De todos os documentos verificados (notadamente as notas fiscais e fichas de registro de empregados ), além das declarações de fls. 53, 56/57 e 60, podemos constatar e concluir acerca das indagações dos membros do colegiado que: A no exercício da atividade efetivamente prestada pelo diligenciado não foi exigido o Atestado Técnico e Termo de Responsabilidade; B não localizamos, dentre as fichas de Registro de Empregados apresentadas, engenheiros ou técnicos com especialização em engenharia registrados.” (grifos não pertencem ao original) É o suficiente para o relatório. Passo à análise das razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13820.000433/200657 Acórdão n.º 180100.733 S1TE01 Fl. 66 5 A recorrente argumenta reiteradamente que se dedica à “prestação de serviço de assistência técnica regular para um conjunto de máquinas e equipamentos industriais” ou seja, “indústria e comércio de máquinas e estruturas metálicas, restauração de máquinas e equipamentos industriais”. Em resultado de diligência efetuada no estabelecimento da recorrente constatouse que, com efeito, a empresa presta os serviços de assistência técnica que alega e que não possui em seus quadros funcionais pessoas com qualificação especializada em engenharia. Esta havia sido a razão, contrario senso, pela qual a turma julgadora a quo manteve a exclusão da sistemática do Simples. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em face à inúmeros julgados que decidiram de forma uniforme e reiterada sobre esta mesma matéria tributável editou a Súmula nº 57 que assim estabelece: Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Destarte, tratandose de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Pelo exposto, voto em dar provimento ao recurso e declarar insubsistente o Ato Declaratório de exclusão do Simples proferido contra a empresa. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 68DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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