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Numero do processo: 11020.722470/2013-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA.
O fato gerador do ganho de capital é a percepção de rendimentos oriundos da alienação de bens e direitos, sendo tributável a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição.
AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL. CAPITALIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO DE RESERVAS DE LUCROS SUSPENSOS. INEXISTÊNCIA. PERÍODO DE ISENÇÃO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. DECRETO-LEI N. 1.510/76. INCREMENTO DE CAPITAL SOCIAL APÓS O LAPSO TEMPORAL ISENTIVO. INEXISTÊNCIA DE QUOTAS DE BONIFICAÇÃO OU DE QUOTAS NOVAS.
Inexistindo aumento de capital social no período de isenção previsto no Decreto-Lei n. 1.510/76, reconhecido na via judicial, não há que se falar em quotas de bonificação decorrente de reserva de lucros suspensos ou até mesmo de novas quotas no cálculo do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital na alienação de participação societária.
O aumento de capital social decorrente de reserva de correção monetária, reservas de lucro suspenso e integralização em dinheiro a partir de 01/01/1989 não se submete à isenção prevista no Decreto-Lei n. 1.510/76 reconhecida judicialmente no caso concreto.
CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E LUCROS. EFEITOS.
Somente o aumento de capital, mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros, possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida.
GANHO DE CAPITAL. BENS E DIREITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do bem adquirido, até 31 de dezembro de 1995, poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro deste ano, tomando-se por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO
Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo específico, fraude ou simulação do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características principais.
Numero da decisão: 2402-005.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a ao patamar ordinário de 75% (setenta e cinco por cento).
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. O fato gerador do ganho de capital é a percepção de rendimentos oriundos da alienação de bens e direitos, sendo tributável a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição. AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL. CAPITALIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO DE RESERVAS DE LUCROS SUSPENSOS. INEXISTÊNCIA. PERÍODO DE ISENÇÃO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. DECRETOLEI N. 1.510/76. INCREMENTO DE CAPITAL SOCIAL APÓS O LAPSO TEMPORAL ISENTIVO. INEXISTÊNCIA DE QUOTAS DE BONIFICAÇÃO OU DE QUOTAS NOVAS. Inexistindo aumento de capital social no período de isenção previsto no DecretoLei n. 1.510/76, reconhecido na via judicial, não há que se falar em quotas de bonificação decorrente de reserva de lucros suspensos ou até mesmo de novas quotas no cálculo do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital na alienação de participação societária. O aumento de capital social decorrente de reserva de correção monetária, reservas de lucro suspenso e integralização em dinheiro a partir de 01/01/1989 não se submete à isenção prevista no DecretoLei n. 1.510/76 reconhecida judicialmente no caso concreto. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E LUCROS. EFEITOS. Somente o aumento de capital, mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros, possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 24 70 /2 01 3- 39 Fl. 376DF CARF MF 2 capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida. GANHO DE CAPITAL. BENS E DIREITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. 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(assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11020.722470/201339 Acórdão n.º 2402005.954 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 352/372) em face do Acórdão n. 02 51.480 9ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE (fls. 338/347), que julgou improcedente a impugnação de fls. 277/296 e manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnosCalendário 2009; 2010 e 2011 no montante de R$ 881.213,09 sendo R$ 315.229,05 de imposto (Cód. Receita 2904), R$ 93.140,45 de juros de mora calculados até 07/2013 e R$ 472.843,59 de multa proporcional calculada sobre o principal (fls. 246/255) com fulcro em apuração de omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de ações/quotas não negociadas em Bolsa de Valores, conforme Relatório Fiscal (fls. 256/269). De acordo com o Relatório Fiscal RF (fls. 256/269) a autoridade lançadora informa que em outubro de 2009 foi firmado Contrato de Cessão de Quotas de Pedreira Caxiense, por meio do qual Agostinho Luiz Menegotto, Eloy Menegotto, Ivo Menegotto e Plínio Menegotto alienaram sua participação societária a Fagundes Construção pelo valor total de R$ 22.459.274,69, ajustado pela primeira emenda contratual, a serem pagos em seis parcelas. O contribuinte entende que teria direito adquirido à isenção sobre a alienação das cotas que mantivesse desde cinco anos antes da revogação do DecretoLei n. 15/10/1976, ou seja, até o dia 31/12/1983. Com vistas ao reconhecimento do pretendido direito, o contribuinte impetrou o Mandado de Segurança (MS) n. 500221227.2010.404.7107, por meio do qual buscou o reconhecimento da isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital oriundo da alienação de participação societária adquirida e mantida por cinco anos ou mais até 31/12/1988. O Mandado de Segurança foi denegado (pedido improcedente), e, não obstante esse fato, o contribuinte optou por recolher apenas uma parte do tributo devido. O contribuinte não demonstrou, no Mandado de Segurança impetrado, como chegou ao cálculo da parcela isenta, limitandose a dizer que “tais discussões (cálculo da apuração do custo de aquisição) escapariam à via estreita do Mandado de Segurança”. Entretanto, a Fiscalização da RFB obteve o valor considerado isento pelo sujeito passivo e pelos outros exsócios ao analisar os tributos por ele recolhidos espontaneamente. Em virtude da alegação do contribuinte de que não dispunha da planilha com memória de apuração do ganho de capital, a Fiscalização da RFB optou por efetuar o cálculo por duas vertentes: i) considerando a Instrução Normativa SRF n. 84/2001 e ii) considerando as alterações contratuais. Os valores finais do calculo considerando os índices oficiais (Anexo Único da IN SRF n. 84/2001) e o do cálculo considerando as alterações sociais foram relativamente similares, a Fiscalização da RFB optou por considerar o primeiro (R$ 2.922,19 que corresponde a 19% das cotas existentes em 31/12/1983), em virtude de vícios detectados nos documentos que serviram de base para o cálculo com base nas alterações sociais (R$ 3.206,61). Fl. 378DF CARF MF 4 Assim, concluiuse que o valor correto sobre o qual o sujeito passivo está pleiteando, judicialmente, o direito à isenção é de uma parcela de R$ 2.922,19 (cotas em 12/1983 corrigidas) dentro das cotas por ele mantidas antes da alienação. Constatouse que o capital social da Pedreira Caxiense, de acordo com o Contrato Social no momento exatamente anterior à alienação, era de R$ 2.200.000,00, dividido entre os acionistas, cabendo ao contribuinte a participação de 23,46%, que corresponde a R$ 516.120,00. Em decorrência da impetração de Mandado de Segurança com vistas ao reconhecimento do direito à isenção do imposto de renda prevista no artigo 4º. do DecretoLei n. 1.510/76, posteriormente revogado pela Lei 7.713/88, na apuração do ganho de capital, ele a exemplo dos outros sócios, considerou parte do valor de suas cotas R$ 347.289,97 do capital social de R$ 516.120,00 como isenta, reduzindo, proporcionalmente, a tributação sobre o ganho de capital. O contribuinte teve reconhecida judicialmente a isenção nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação nos termos do artigo 4º., alínea “d” do DecretoLei n. 1.510/76. Após o considerar o capital social em 31/12/1983 corrigido monetariamente no valor de R$ 2.922,19 e a ação judicial que reconheceu a isenção de quotas adquiridas até a referida data, a autoridade autuante entendeu que 0,56618% das quotas alienadas poderiam ser consideradas protegidas pela isenção e o restante ser objeto de tributação. Ou seja, considerando que o sujeito passivo tenha reconhecido o direito à isenção no ganho de capital das cotas mantidas em 31/12/1983, devese considerar que 0,56618% do ganho de capital total não será tributado. Como o valor pago ao sujeito passivo pela alienação foi de R$ 3.897.824,20, o ganho de capital tributável, num primeiro momento, é de R$ 3.381.704,20. Desse ganho de capital, com o reconhecimento do pleito do sujeito passivo pelo judiciário, aproximadamente 0,56618% serão isentos (ou R$ 19.146,68 de R$ 3.381.704,20). Sobre o restante, por conseguinte, não restam dúvidas sobre a incidência da tributação. Assim, há um ganho de capital indiscutivelmente tributável de R$ 3.362.557,52 e um ganho de capital de R$ 19.146,68 cuja isenção foi pleiteada pelo sujeito passivo. Plínio Valor de Alienação (A) R$ 3.897.824,20 Custo Total das Cotas (B) R$ 516.120,00 Ganho de Capital (C) = (A)(B) R$ 3.381.704,20 Porcentagem com isenção (D) 0,56618% Ganho de Capital com isenção (E) = (C) x (D) R$ 19.146,68 Ganho de Capital sem isenção (F) = (C) (E) R$ 3.362.557,52 IR devido considerando isenção (G) = (F) x 15% R$ 504.383,63 Nos termos do Contrato de Cessão de Cotas, o contribuinte recebeu os pagamentos e o ganho de capital finalmente foi apurado. Sobre o imposto apurado foi aplicada a multa de ofício qualificada no percentual de 150% com fundamento nos artigos 72 e 73 da Lei 4.502/64, em razão da ação coordenada dos quatro sócios da Pedreira Caxiense. Segundo relata a autoridade autuante, para buscar judicialmente a isenção de parte do ganho de capital seria indispensável que o recorrente disponibilizasse os cálculos utilizados para corrigir monetariamente a sua participação societária mantida em 31/12/1983. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11020.722470/201339 Acórdão n.º 2402005.954 S2C4T2 Fl. 103 5 A autoridade fiscal afirma que durante a fiscalização o recorrente mesmo intimado a apresentar a planilha ou memória dos cálculos que permitiram a apuração da parcela isenta, limitouse a informar que não dispunha dos cálculos. Conclui que a forma de apuração adotada pelo contribuinte decorreu de simples arbitramento, desprovido de qualquer parâmetro lógico, visando somente a obtenção de vantagem indevida. A conduta do recorrente demonstra que não ocorreu erro, mas sim intenção de manipular os dados para reduzir a tributação do ganho de capital. Formalizouse Representação Fiscal para Fins Penais Processo n. 11020.722474/201317 visando noticiar ao Ministério Público Federal a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, definido nos arts. 1º. e 2º. da Lei n. 8.137/90. Cientificado do lançamento em 18/07/2013 (fls. 273/274), o contribuinte, inconformado, apresentou, em 13/08/2013, a impugnação de fls. 277/296, nos seguintes termos: 1. Salienta que ingressou com medida judicial visando o reconhecimento de seu direito à isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente das quotas adquiridas até dezembro de 1983 e mantidas em sua propriedade por cinco anos ou mais. 2. Aduz que apesar de a fiscalização ter reconhecido o direito à isenção, apurou de forma errada o ganho de capital, pois na recomposição do valor das cotas adquiridas e mantidas em 31/12/1983 considerou que todas as cotas recebidas em bonificação, mesmo as decorrentes das cotas mantidas até 31/12/1983 seriam cotas novas. 3. Ressalta que a análise fiscal das alterações contratuais com o fim de apurar o correto ganho de capital e a parcela isenta, considerou como cotas novas aquelas atribuídas ao contribuinte em decorrência de reserva de lucro em suspenso, independentemente delas serem decorrentes das adquiridas em período anterior a 31/12/1983. 4. Cita o artigo 169 da Lei 6.404/76 para afirmar que o aumento de capital ali previsto importa em mera troca entre contas do balanço patrimonial, não havendo qualquer desembolso por parte do cotista e ingresso de valor de bens ou valores na empresa. Não haveria aumento do patrimônio da empresa ou do cotista, pois ambos continuam iguais. 5. Com base em doutrina considera que nos termos da determinação legal, não há subscrição de novas cotas pelo impugnante, pelo simples fato de não ser necessário o recebimento de cotas em bonificação. A nova quantidade de quotas em decorrência da bonificação representa a mesma participação percentual sobre o mesmo patrimônio que detinha antes da operação. 6. Quanto à multa de ofício qualificada ao contrário do que afirma a fiscalização informa ter apresentado planilha e não é verdadeiro o argumento de falta de atendimento à intimação. Acrescenta ainda que a menção da ausência de livros contábeis decorre da falta de intimação para apresentálos. 7. Questiona onde estaria a ação dolosa de sua parte, já que foi apresentada planilha, mesmo não sendo o documento que a fiscalização desejava. Em nenhum Fl. 380DF CARF MF 6 momento ficou demonstrada e caracterizada a ação ou omissão que pudesse caracterizar a fraude. 8. Também refuta a existência de conluio com seus irmãos sob o fundamento de ação coordenada entre eles. 9. Ao final pugna pelo cancelamento da exigência fiscal. O crédito tributário foi mantido no julgamento de primeiro grau consubstanciada no Acórdão n. 0251.480 (fls. 338/347), que sumarizou seu entendimento conforme ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. O fato gerador do ganho de capital é a percepção de rendimentos oriundos da alienação de bens e direitos, sendo tributável a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição. GANHO DE CAPITAL. BENS E DIREITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do bem adquirido, até 31 de dezembro de 1995, poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro deste ano, tomandose por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Demonstrada a intenção deliberada do contribuinte em prestar informações falsas na declaração de ajuste anual e durante o procedimento fiscal, tornase perfeitamente aplicável a multa qualificada de 150%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acórdão n. Acórdão n. 0251.480 (fls. 338/347) em 10/12/2013 (fl. 350) e, irresignado, interpôs recurso voluntário em 20/12/2013 (fls. 352/372), tempestivo, portanto, no qual repisa, em linhas gerais, os mesmos argumentos apresentados na impugnação de fls. 277/296. É o relatório. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11020.722470/201339 Acórdão n.º 2402005.954 S2C4T2 Fl. 104 7 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, Relator O Recurso Voluntário (fls. 352/372) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Conforme relatado, o recorrente obteve judicialmente o reconhecimento da isenção nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação nos termos do artigo 4º., alínea “d” do DecretoLei n. 1.510/76, verbis: Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) [...] d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. A decisão proferida em sede de apelação reconheceu o direito à isenção sobre a alienação de quotas mantidas desde cinco anos antes da revogação do referido artigo pela Lei n. 7.713/88. Com base na decisão judicial a fiscalização efetuou os cálculos necessários à atualização até 31/12/1995 do capital social da empresa vigente em 31/12/1983, data limite para verificação do prazo de cinco anos de manutenção das participações societárias pelo contribuinte. Com efeito, assim dispõe o art. 17 da Lei n. 9.249/95 sobre correção monetária do custo de aquisição de bens e direitos: Art. 17. Para os fins de apuração do ganho de capital, as pessoas físicas e as pessoas jurídicas não tributadas com base no lucro real observarão os seguintes procedimentos: I tratandose de bens e direitos cuja aquisição tenha ocorrido até o final de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro desse ano, tomandose por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data; II tratandose de bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995, ao custo de aquisição de bens e direitos não será atribuída qualquer correção monetária. A seu turno, a Instrução Normativa SRF n. 84/2001, que trata dos Ganhos de Capital na alienação de bens e direitos, assim dispõe: [...] Art. 7º No caso de bens ou direitos adquiridos ou de parcelas pagas até 31 de dezembro de 1991, não avaliados a valor de mercado, e dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas entre 1º de janeiro de 1992 e 31 de dezembro de 1995, o custo corresponde ao valor de aquisição ou das parcelas pagas até 31 de Fl. 382DF CARF MF 8 dezembro de 1995, atualizado mediante a utilização da Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos, constante no Anexo Único. Art. 8º O custo dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas a partir de 1º de janeiro de 1996 não está sujeito a atualização. [...] A Lei n. 7.713/88, em seu art. 16, define o que será considerado como custo de aquisição dos bens e direitos para fins de apuração do ganho de capital: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. (grifei) § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. (grifei) Assim, da leitura sistêmica da legislação acima reproduzida e considerando o criterioso trabalho desenvolvido no curso da ação fiscal, consubstanciado no RF (256/269), não há reparo a fazer nos procedimentos da Fiscalização da RFB no tocante à correção do custo de aquisição no valor original vigente em 31/12/2013, inclusive quanto à segregação da isenção judicialmente pleiteada. Resta evidenciado que o ponto central no qual se concentra a irresignação do recorrente é, sem dúvida, a não utilização das reservas de lucro em suspenso, bem assim o tratamento dado às cotas bonificadas como se novas fossem, uma vez sua repercussão na apuração do ganho de capital na alienação em apreço. Para enfrentálo, é oportuno destacar as evidências elencadas a seguir, extraídas dos autos: i) A Pedreira Caxiense não alterou o capital social no período de 29/11/1982 a 25/09/1989. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 11020.722470/201339 Acórdão n.º 2402005.954 S2C4T2 Fl. 105 9 ii) Houve aumento de capital da Pedreira Caxiense decorrente de reserva de correção monetária, reservas de lucro em suspenso e integralização em dinheiro na data de 26/09/1989, conforme consta da sétima alteração contratual (fls. 160/165). iii) Em 26/09/1989 já estava exaurido o prazo de cinco anos insculpido no art. 4º., alínea “d” do DecretoLei n. 1.510/76. iv) Inexistindo aumento de capital social no período de 31/12/1983 a 31/12/1988, ocorreu tãosomente a correção do capital social com base em índices oficiais para fins de atualizar o custo de aquisição existente em 31/12/1983 para a moeda vigente (REAL) e, por consequência, apurar o ganho de capital tributável. v) Não há registro de qualquer incremento no capital social da Pedreira Caxiense no período de 31/12/1983 a 31/12/1988 decorrente das reservas de lucro. vi) Não há que se falar em quotas de bonificação decorrente de reserva de lucro suspenso ou até mesmo de novas quotas no cálculo do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital na alienação de participação societária, vez que no período compreendido entre 31/12/1983 a 31/12/1988 nenhum aumento de capital social ocorreu na Pedreira Caxiense. vii) Foi identificada, de forma inequívoca, a parcela do custo de aquisição a ser alcançada pelo benefício fiscal da isenção. Os lucros em suspenso correspondem ao resultado positivo que, não tendo sido distribuído aos sócios, permanece retido em conta específica de retenção de lucros, conforme previsto no art. 196 da Lei n. 6.404/76. A sua distribuição é diferida para o futuro, vez que ainda sem destinação. A proposta de retenção de lucros é de responsabilidade da AssembléiaGeral. "Art. 196. A assembléiageral poderá, por proposta dos órgãos da administração, deliberar reter parcela do lucro líquido do exercício prevista em orçamento de capital por ela previamente aprovado. § 1º O orçamento, submetido pelos órgãos da administração com a justificação da retenção de lucros proposta, deverá compreender todas as fontes de recursos e aplicações de capital, fixo ou circulante, e poderá ter a duração de até 5 (cinco) exercícios, salvo no caso de execução, por prazo maior, de projeto de investimento. § 2o O orçamento poderá ser aprovado pela assembléiageral ordinária que deliberar sobre o balanço do exercício e revisado anualmente, quando tiver duração superior a um exercício social. (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001)" No período compreendido entre 31/12/1983 a 31/12/1988, conforme demonstrado nos autos e denunciado no RF (fls. 256/269), não houve incorporação de reservas ao capital, muito menos a de retenção de lucros (lucros em suspenso). Na verdade, o evento contábil de aumento de capital mediante incorporação de reservas, consoante o art. 169 da Lei n. 6.404/76, só veio a ocorrer em 26/09/1989 (fls. 160/165), fora, portanto, do quinquênio isentivo conferido ao recorrente pelo Poder Judiciário. Fl. 384DF CARF MF 10 "Art. 169. O aumento mediante capitalização de lucros ou de reservas importará alteração do valor nominal das ações ou distribuições das ações novas, correspondentes ao aumento, entre acionistas, na proporção do número de ações que possuírem. § 1º Na companhia com ações sem valor nominal, a capitalização de lucros ou de reservas poderá ser efetivada sem modificação do número de ações. § 2º Às ações distribuídas de acordo com este artigo se estenderão, salvo cláusula em contrário dos instrumentos que os tenham constituído, o usufruto, o fideicomisso, a inalienabilidade e a incomunicabilidade que porventura gravarem as ações de que elas forem derivadas. § 3º As ações que não puderem ser atribuídas por inteiro a cada acionista serão vendidas em bolsa, dividindose o produto da venda, proporcionalmente, pelos titulares das frações; antes da venda, a companhia fixará prazo não inferior a 30 (trinta) dias, durante o qual os acionistas poderão transferir as frações de ação." É oportuno repisar que somente o aumento de capital mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com esses lucros possibilita o aumento do custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida, em conformidade com o disposto no art. 16, § 3°. da Lei n. 7.713/88; no art. 10 da Lei n. 9.249/95 e no art. 135 do DecretoLei n. 3.000/99 (RIR/99). Destarte, consideradas em seu conjunto, as evidências ora destacadas comprovadas nos autos e amparadas pela legislação tributária, contábil e fiscal afastam a hipótese de ocorrência de vício ou defeito no lançamento do crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (fls. 246/255), que, na sua constituição, amparouse na melhor leitura da Lei n. 9.249/95; da Lei n. 7.713/88; do Decreto Lei n. 3.000/99 e da Instrução Normativa SRF n. 84/2001, bem assim em critérios técnicos e contábeis sobejamente demonstrados nos autos, inclusive em planilhas específicas e minucioso detalhamento dos procedimentos adotados. Em relação à multa qualificada, o § 1º. do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei n. 11.488, de 15 de junho de 2007, estabelece que a multa de ofício a ser aplicada nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964 é de 150%. As condutas previstas nos artigos em questão têm como pressuposto uma atuação ou omissão dolosa por parte do agente. Assim, para a qualificação da multa de ofício, é necessário a constatação, com elevado grau de probabilidade, de que determinado contribuinte tenha pautado sua conduta imbuído de dolo, ou seja, com a consciência da conduta, a consciência do resultado, a consciência do nexo causal entre a conduta e o resultado, e a vontade de atuar no sentido de provocar o resultado infringente das normas juridicotributárias. Também é preciso que não haja verossimilhança minimamente suficiente em eventuais justificativas que, alternativamente, poderiam dar amparo ao proceder do contribuinte sem implicar, necessariamente, em um agir doloso. Deve ser admitido, por outra via, que, quando verificada conduta de pessoa física infringente à legislação tributária, a comprovação do dolo a ela porventura associado é tarefa deveras árdua, face a muitas vezes limitada possibilidade de produção de um arcabouço probatório hábil e suficiente para tanto. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 11020.722470/201339 Acórdão n.º 2402005.954 S2C4T2 Fl. 106 11 Entretanto, não obstante o diligente trabalho desenvolvido pela Fiscalização da RFB, não foram coligidos elementos de prova suficientes e inequívocos com força bastante a amparar a imputação da qualificação da multa de ofício, vez que os fatos relatados no RF (fls. 256/269) no que se refere ao atendimento aos termos de intimação expedidos; ao teor dos documentos apresentados; e ao próprio entendimento do recorrente quanto à utilização das reservas de lucro em suspenso e existência/extensão de quotas bonificadas, não se mostram suficientes para o mister. Por fim, é relevante informar que não recai sobre os órgãos de julgamento, em qualquer instância administrativa, o ônus de aduzir fatos novos quando da apreciação da lide tributária, notadamente quando carreados aos autos todos os elementos necessários à formação da convicção do julgador, inclusive no sentido do reconhecimento parcial do pedido do recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (fls. 352/372) e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, restando afastada a qualificação da multa de ofício (150%) reduzindoa a 75%. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 386DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.002354/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO CARACTERIZADA.
Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado.
A omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito apenas à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3402-004.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO CARACTERIZADA. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado. A omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito apenas à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 23 54 /2 00 9- 28 Fl. 530DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) em 10/05/2017, em face do Acórdão nº 3402003.979, de 29/03/2017, cuja ementa segue abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário (...) RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INCLUSÃO NO CÁLCULO. Todos os créditos normais do contribuinte devem integrar a base de cálculo do rateio proporcional para fins de ressarcimento das exportações, independente de ser ou não o mesmo vinculado ao mercado externo. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. PREVISÃO LEGAL. PERÍODO DETERMINADO. CONDIÇÕES. INOBSERVÂNCIA. A legislação que regulamentou o sistema não cumulativo das contribuições sociais previu o direito de apropriação de crédito presumido da atividade agroindustrial para o cerealista, que exerce a atividade de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal especificados, apenas para o período entre fevereiro e julho do ano de 2004. A concessão do crédito presumido à cerealista estava condicionada à venda dos produtos às empresas identificadas no § 5º do artigo 3º da Lei 10.833/03, então vigente. A partir de agosto de 2004, o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial nas condições especificadas no art. 8º da Lei n 10.925/2004. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NAS VENDAS COM TRIBUTAÇÃO SUSPENSA, ISENTAS OU NÃO TRIBUTADAS. IMPOSSIBILIDADE. Não é permitido o aproveitamento de crédito pelas cooperativas agropecuárias em relação a vendas não tributadas, isentas ou com a tributação suspensa. A norma contida no § 4º do art. 8º da Lei n 10.925/04 dispõe especificamente acerca das pessoas enumeradas nos incisos de I a III do §1 do art. 8º da Lei n 10.925/2004, enquanto o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 traz uma regra geral. Como uma norma geral não revoga uma norma específica, a vedação do §4º do artigo 8º permanece em vigor. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei n 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. Recurso Voluntário parcialmente provido Fl. 531DF CARF MF Processo nº 11070.002354/200928 Acórdão n.º 3402004.328 S3C4T2 Fl. 531 3 Nos termos do art. 7º, §5º da Portaria MF nº 527/2010 e do art. 79 do Anexo II do Regimento Interno do CARF1, na redação dada pela Portaria MF nº 39, de 12/02/2016, o Procurador da Fazenda Nacional é considerado cientificado pessoalmente 30 dias após a remessa dos autos à Procuradoria da Fazenda, que se deu no caso em 06/04/2017. A embargante sustenta ter havido omissão no acórdão recorrido, nos termos seguintes: (...) Assim, a glosa dos créditos do PIS nãocumulativo do processo sob exame se deu, basicamente por três motivos: 1 A utilização indevida das alíquotas da nãocumulatividade, quando a legislação determina a utilização das alíquotas de 0,65% e 3% para o PIS e a COFINS, respectivamente; 2 Os créditos foram calculados sobre bens adquiridos para revenda, bens e serviços utilizados como insumo, crédito presumido e estoque de abertura, e não sobre os custos, despesas e encargos vinculados às receitas de vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência; e 3 Foram incluídas as receitas de atos cooperados no cálculo dos créditos. Contudo, ao compulsar o teor do voto condutor do aresto ora embargado, foi possível constatar que a ilustre relatora não tratou de nenhuma dessas questões em seu voto. Vejamos: (...) Ao que se observa, a ilustre relatora tratou basicamente da possibilidade de utilização do método de rateio proporcional para uso dos créditos e da impossibilidade de se utilizar os dois métodos previstos na legislação (apropriação direta e rateio proporcional) ao mesmo tempo. Ao final, concluiu pela aplicação do método do rateio proporcional para apuração dos créditos vinculados aos três tipos de receita (exportação, mercado interno e mercado interno nãotributado) sem, contudo, manifestarse sobre os reais motivos utilizados pela fiscalização para glosar os créditos, acima enumerados. O colegiado não se utilizou de qualquer argumento para refutar as irregularidades apontadas pela fiscalização. É dizer, concluiuse que o contribuinte calculou corretamente os créditos, que as glosas da fiscalização eram indevidas, mas não se explicou o porquê. Revelase, portanto, evidente a omissão do acórdão embargado, na medida em que não se manifestou sobre as irregularidades apontadas pela fiscalização na apuração do crédito de COFINS nãocumulativo pleiteado em ressarcimento pelo contribuinte. (...) Os embargos foram admitidos pelo Presidente deste Colegiado, na seguinte forma: 1 Art. 79. O Procurador da Fazenda Nacional será considerado intimado pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN, salvo se antes dessa data o Procurador se der por intimado mediante ciência nos autos. (NR) Fl. 532DF CARF MF 4 (...) Compulsando a decisão embargada, constatase que o Colegiado, apoiandose nos acórdãos nº 3202001.618 e nº 330201.339, bem como na orientação constante no Dacon, decidiu reformar parcialmente a decisão de julgamento de 1ª instância, para que fosse “...recalculado o direito creditório da recorrente com base no método do rateio proporcional adotado pelo contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação; à receita não tributada e à receita tributada no mercado interno.” (sublinhei). Contudo, a decisão deixou de esclarecer em que medida os critérios adotados pela Fiscalização e pelo recorrente, respectivamente, dissentiam e concordavam com os fundamentos dos acórdãos adotados como fundamentação e com a orientação do Ajuda do DACON. Ao omitir esses fundamentos, a decisão cerceia o direito de defesa da Fazenda Nacional e obstaculiza eventual recurso contra ela. O vício reclama saneamento. Conclusão Com essas considerações, forte no § 3° do art. 65 do RICARF, acolho os embargos interpostos, para que o Colegiado 3402 colmate a lacuna de fundamentação, esclarecendo em que medida os cálculos do contribuinte estão corretos. (...) É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Tomase conhecimento dos embargos admitidos pelo Presidente do Colegiado. No presente caso, no que concerne ao método de rateio proporcional dos créditos, o Colegiado assim se pronunciou no acórdão embargado: 1) Do critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas no mercado interno tributadas e não tributadas No que diz respeito ao critério de apropriação dos créditos do mercado interno e das importações vinculados à receita de exportação, entendeu a fiscalização que: (...) Para a fiscalização os créditos apurados em relação à aquisição de bens para revenda ou utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, bem como em relação à importação de trigo utilizado como matériaprima na produção de farinha, não têm nenhuma vinculação com a receita de exportação, portanto, não cabe a mesma pleitear a restituição/ressarcimento de tais créditos, tendo em vista que a legislação prescreve que podem ser objeto de restituição ressarcimento os créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, conforme §3º do art. 6º do diploma legal em questão, o qual transcrevemos a seguir: (...) Fl. 533DF CARF MF Processo nº 11070.002354/200928 Acórdão n.º 3402004.328 S3C4T2 Fl. 532 5 Para a fiscalização a alocação dos créditos do PIS e da COFINS pelo método da proporcionalidade, conforme inciso II do § 8º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, tem aplicação somente para as pessoas jurídicas que possuam receita sujeita a cumulatividade e a não cumulatividade, o que não é o caso da COTRISA, que tem a integralidade da receita sujeita a não cumulatividade do PIS e da COFINS. Ademais, verificamos ainda que o rateio proporcional dos créditos aplicase aos custos, despesas e encargos comuns, ou seja, somente podem ser rateados os créditos comuns. No caso de custos, despesas e encargos específicos o entendimento da fiscalização é que eles devem ser alocados diretamente aos setores a que pertencem. (...) De outra parte entende a recorrente que seria vedado pela legislação a utilização de dois métodos para segregar os custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito, como efetuado pela fiscalização, utilizando o critério do rateio proporcional para os créditos comuns e o da apropriação direta para os demais créditos, ferindo o art. 15 da Lei nº 9.779/99 que determina a apuração das contribuições de forma centralizada no estabelecimento matriz. Essa questão já foi abordada no Acórdão nº 3202001.618 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 19 de março de 2015, de forma favorável ao entendimento da recorrente, conforme voto da Relatora Tatiana Midori Migiyama, abaixo transcrito: (...) Data venia, em relação ao método de cálculo, considerando que a base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins, é a receita bruta total, e que todos os custos despesas e encargos são comuns e necessários para o desempenho da atividade da contribuinte, estes custos despesas e encargos devem ser apropriados pelo método de rateio proporcional da receita bruta de exportação em relação da receita bruta total. O critério de rateio deve servir para a mesma proporcionalidade para todos os custos, despesas e encargos passíveis de realização de crédito e, que são necessários para o desempenho das atividades da contribuinte. Ora, o art. 6º, § 3º da Lei 10.833/2003, vigente à época dos fatos em dissídio, diz que a compensação dos créditos com débitos administrados pela RFB, pela exportadora de mercadorias, só se aplica aos créditos apurados em relação aos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. O art. 3º, § 8º, da Lei 10.833/2003 dispõe: sobre critério do rateio: relação percentual entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total auferidas em cada mês. O art. 3º, § 9º, da mesma lei dispõe: critério escolhido tem de ser consistente em todo o anocalendário. É de hialina clareza o sentido da lei, qual seja, só se podem compensar créditos de custos, despesas e encargos vinculados a receita de exportação. E, para se saber quais são esses créditos vinculados a receita de exportação, a lei previu dois métodos. A única interpretação possível, lógica e condizente com o sentido da norma legal é a de que o critério de rateio é somente o método: a relação deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, para aplicála sobre os custos e despesas, na definição dos créditos vinculados à exportação, i.e., para quantificar os créditos que podem ser usados para compensação. (...) Daí, a remissão aos §§ 8º e 9º do art. 3º feita pelo art. 6º, § 3º, todos da Lei 10.833/2003, diz respeito ao método de cálculo para definição de Fl. 534DF CARF MF 6 créditos vinculados a receitas de exportação. No caso do método de rateio, a apuração do crédito devese dar pela relação entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicar essa relação sobre os custos e despesas, chegandose à determinação do crédito vinculado à exportação, que é compensável com débitos administrados pela RFB. O art. 20, § 2º, da IN SRF 404/2004 (não revogado) confirma essa inteligência, ao dizer que os créditos compensáveis são somente os apurados sobre custos e despesas vinculados à receita de exportação, observados "os métodos" de apropriação previstos no art. 21 (o art. 21, § 2º, II, da IN 404/04 repete a dicção do art. 3º, § 8º, II, da Lei 10.833/2003). O método é que é aplicável. A relação percentual deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicála sobre os custos e despesas, para definição do valor do crédito compensável. (...) No mesmo sentido foi o entendimento constante no Acórdão nº 330201.339– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, 10 de novembro de 2011, citado pela recorrente, conforme voto do Relator Walber José da Silva que segue abaixo: (...) Assim, a apuração do crédito vinculado à receita de exportação seria feita por um sistema híbrido: parte por apropriação direta e parte por rateio proporcional. Tal modo de apuração não encontra respaldo legal. São claras as disposições do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 de que o crédito será determinado por apropriação direta ou por rateio proporcional. Não há opção de combinar os dois métodos para determinar o crédito vinculado à receita de exportação. O entendimento da recorrente, que concordo, é que todas os custos, despesas e encargos, com direito a crédito normal, que concorreram para a formação da Receita Bruta Total, devem ser incluídos no rateio proporcional e, neste caso, o valor do crédito apurado é exatamente o crédito vinculado à receita de exportação, a que se refere o § 3º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, porque esta é a forma de se apurar o dito crédito vinculado à receita de exportação. Pelo método de rateio proporcional, uma vez determinado a participação relativa da receita de exportação na receita bruta total, não vejo como deixar de aplicar o percentual encontrado nos custos, despesas ou encargos tidos como exclusivamente vinculado às operações no mercado interno e no mercado externo, fazendo incidir somente sobre os custos, despesas e encargos que tenham alguma vinculação tanto com as operações no mercado interno como as operações no mercado externo. (...) Conforme esclarecido na própria decisão recorrida, a RFB, por meio do Ajuda do programa Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon MensalSemestral 2.6), definiu que o método de rateio para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, de mercado interno não tributada e tributada seria idêntico ao estabelecido para as pessoas jurídicas que auferem receitas sujeitas às incidências não cumulativa e cumulativa das contribuições, nesses termos: Ficha 01 Dados Iniciais (...) Método de Determinação dos Créditos O programa possibilita o preenchimento do campo "Método de Determinação dos Créditos", conforme o regime de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins adotado. I) no caso do Regime NãoCumulativo: Fl. 535DF CARF MF Processo nº 11070.002354/200928 Acórdão n.º 3402004.328 S3C4T2 Fl. 533 7 a) Vinculados à Receita Auferida Exclusivamente no Mercado Interno Deve selecionar este campo a pessoa jurídica que, no período abrangido pelo Demonstrativo, auferir apenas receitas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes exclusivamente de atividades no mercado interno. b) Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação Deve selecionar este campo a pessoa jurídica que, no período abrangido pelo Demonstrativo, auferir receitas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e efetuar concomitantemente: I operações de vendas de produtos ou prestação de serviços no mercado interno; e II exportação de produtos para o exterior ou prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, ou vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Neste caso, a pessoa jurídica deve indicar o método por ela escolhido, dentre os seguintes: b.1) Com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados – que consiste na determinação dos créditos através do método de apropriação direta previsto no inciso I do § 8º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou b.2) Com Base na Proporção da Receita Bruta Auferida – que consiste na determinação dos créditos através do método de rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Atenção: 1) O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito deve ser: a) aplicado consistentemente por todo o anocalendário; b) adotado para todos os custos, despesas e encargos comuns; e c) adotado igualmente na apuração dos créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins nãocumulativa. 2) Deve também selecionar este campo a pessoa jurídica que auferir receitas nãotributadas no mercado interno que geram direito a crédito, concomitantemente, com receitas tributadas e/ou com exportação. (não grifado no original) (...) Assim, adotando os mesmos fundamentos dos Acórdãos acima referidos, bem como da orientação constante no Dacon acima transcrita, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, a decisão recorrida deve ser reformada nesta parte para que seja recalculado o direito creditório da recorrente com base unicamente no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação; à receita não tributada e à receita tributada no mercado interno. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja recalculado o direito creditório da recorrente com base no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos Fl. 536DF CARF MF 8 custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, à receita tributada e à receita não tributada no mercado interno. (...) Na leitura dos trechos acima do acórdão embargado, restou evidenciada a delimitação da lide no seguinte sentido: A fiscalização rejeitou o método de rateio utilizado pela contribuinte, pois entendia que: i) não caberia a alocação dos créditos pelo método da proporcionalidade no caso de contribuinte com a integralidade da receita sujeita a não cumulatividade do PIS e da Cofins como a contribuinte; e ii) o rateio proporcional dos créditos só se aplicaria aos custos, despesas e encargos comuns, mas não aos custos, despesas e encargos específicos, para os quais seria cabível a apropriação direta De outra parte, entendia a recorrente que a legislação vedaria a utilização de dois métodos para segregar os custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito, como efetuado pela fiscalização, utilizando o critério do rateio proporcional para os créditos comuns e o da apropriação direta para os demais créditos. Também se depreende dos trechos transcritos acima que, entre os dois posicionamentos, o Colegiado optou pelo da contribuinte, adotando, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, os mesmos fundamentos dos Acórdãos nºs 3202001.618 e 330201.339 e da orientação constante no Dacon, todos devidamente transcritos no acórdão embargado, os quais traziam, em síntese, os seguintes ensinamentos: A interpretação do art. 6º, § 3º da Lei 10.833/2003 em conjunto com o art. 3º , §§ 8º e 9º dessa Lei é a de que o critério de rateio é somente o método: a relação deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, para aplicála sobre os custos e despesas, na definição dos créditos vinculados à exportação. A apuração do crédito vinculado à receita de exportação por um sistema híbrido parte por apropriação direta e parte por rateio proporcional não encontra respaldo legal, pois são claras as disposições do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 de que o crédito será determinado por apropriação direta ou por rateio proporcional. Método de Determinação dos Créditos2 I) no caso do Regime NãoCumulativo > b) Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação: Neste caso, a pessoa jurídica deve indicar o método por ela escolhido, dentre os seguintes: b.1) Com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados ou b.2) Com Base na Proporção da Receita Bruta Auferida. Conforme também consta ao final da orientação do Dacon, deve selecionar também a opção b.2) "a pessoa jurídica que auferir receitas nãotributadas no mercado interno que geram direito a crédito, concomitantemente, com receitas tributadas e/ou com exportação". Dessa forma, o Colegiado refutou motivadamente a decisão da fiscalização que rejeitou o método de rateio da contribuinte, não assistindo razão à embargante na alegação de que o Colegiado não teria utilizado de qualquer argumento para refutar as irregularidades apontadas pela fiscalização. Muito menos ainda poderia prosperar a assertiva da embargante de que o Colegiado teria concluído que a contribuinte calculou corretamente os créditos, que as glosas da fiscalização eram indevidas, mas não se explicou o porquê. Nesse ponto, há que se esclarecer à embargante que o provimento do recurso foi parcial, apenas no que concerne na aceitação do método do rateio proporcional para a apropriação dos créditos, tendo sido as glosas expressamente contestadas objeto de análise na parte restante do acórdão embargado. Também não se observa nesta parte do Acórdão recorrido cerceamento no direito de defesa da Fazenda Nacional, vez que o posicionamento do Colegiado restou 2 Ajuda do programa Dacon MensalSemestral 2.6 Fl. 537DF CARF MF Processo nº 11070.002354/200928 Acórdão n.º 3402004.328 S3C4T2 Fl. 534 9 devidamente fundamentado dentro da delimitação da lide posta no recurso voluntário, mormente quando a fiscalização pouco havia discorrido sobre a razão de seu entendimento para não aceitar o rateio proposto pela contribuinte. Conforme assentado na jurisprudência, a omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado. Assim, entendo que não restou caracterizada a omissão apontada pela embargante e voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 538DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720944/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004,2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL.
Considerando que a matéria objeto do recurso restringe-se ao conteúdo julgado procedente pela Delegacia de Origem, nota-se a manifesta ausência de interesse em recorrer sobre o tema, carecendo, assim, do cumprimento dos requisitos de admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-003.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Daniel Melo Mendes Bezerra. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004,2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. Considerando que a matéria objeto do recurso restringe-se ao conteúdo julgado procedente pela Delegacia de Origem, nota-se a manifesta ausência de interesse em recorrer sobre o tema, carecendo, assim, do cumprimento dos requisitos de admissibilidade.
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DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. Considerando que a matéria objeto do recurso restringese ao conteúdo julgado procedente pela Delegacia de Origem, notase a manifesta ausência de interesse em recorrer sobre o tema, carecendo, assim, do cumprimento dos requisitos de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira e Daniel Melo Mendes Bezerra. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 09 44 /2 00 9- 78 Fl. 779DF CARF MF Processo nº 10283.720944/200978 Acórdão n.º 2201003.834 S2C2T1 Fl. 780 2 Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de n° 0120.832, proferido em 21/02/2011, que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte. As infrações constatadas encontramse descritas no seguinte excerto do relatório do acórdão de piso: 1. Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, referente aos exercícios 2005/2006, ano calendário de 2004/2005, por AFRF da DRF/Manaus/AM. A ciência do lançamento ocorreu em 26/06/2009, 2. De acordo com o Auto de Infração, fls.02/21, os motivos da autuação foram: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA 3. Inconformado com a autuação o contribuinte apresentou sua impugnação em 21/01/2009, fls.46/47, apresentando as seguintes razões: 4. Deixou de apurar de forma correta os lucros oriundos da atividade mercantil, inclusive fazer a contabilidade da empresa e cumprir com outras obrigações acessórias, mas disponibilizou toda informação disponível, a fim de que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, pudesse verificar até que ponto a empresa deixou de recolher os impostos. Foram constatadas irregularidades e aplicadas as sanções cabíveis. 5. A empresa não tem condições financeiras para honrar tais compromissos; 6. Não entende como pode ser cobrado como pessoa física, por ter utilizado recursos oriundos da empresa do qual participa como sócio, uma vez que como exposto acima, essa empresa foi autuada por não ter recolhido de forma passiva, impostos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil. Se houve constatação de lucro e esse foi arbitrado, como pode ser novamente cobrado dos seus sócios? Esses lucros são Fl. 780DF CARF MF Processo nº 10283.720944/200978 Acórdão n.º 2201003.834 S2C2T1 Fl. 781 3 ignorados na fiscalização, considerandoos como rendimentos tributáveis, e que por não termos efetuados a contabilidade da empresa, não significa qua não possamos merecer credibilidade. A DRJ Belém julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo, em decisão que restou assim ementada: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. É obrigatória a intimação de todos os titulares das contas correntes mantidas em conjunto, para comprovar a origem dos depósitos bancários nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. O contribuinte foi cientificado do acórdão de piso no dia 19/04/2011, tendo apresentado Recurso Voluntário, tempestivamente, no dia 19/05/2011, alegando, em síntese, que: (...) Ora, tendo sido identificada a situação em que poderá haver lançamento do IRPF com fundamento no artigo 42, da Lei n.° 9.430/96, resta analisar como deverá ser efetivado o lançamento tributário nesta hipótese. (...) De acordo com os parágrafos supra transcritos do artigo 42, da Lei n.° 9.430/96, percebese que o legislador tratou de uma obviedade e de uma novidade. Ao dispor que os rendimentos de origem conhecida serão tributados com respeito ao regime específico para cada modalidade de rendimento nãooferecido à tributação, o legislador afirma o óbvio já que todo rendimento de origem conhecida deve ser tributado tal como o regime de tributação que lhe seja próprio. Se determinada pessoa jurídica tributada pelo lucro real optou por apurar e recolher seu imposto de renda com base em estimativas mensais, é esse regime de tributação que deverá ser observado pela fiscalização, incluindo o depósito de origem nãocomprovada no rol dos demais rendimentos que serviram de base de cálculo para a determinação do IRPJ da estimativa. No que se refere às pessoas físicas, a aplicação do artigo 42, § 2.°, da Lei n. ° 9.430/96 poderá ocorrer, por exemplo, na hipótese do sujeito passivo, no momento da percepção dos rendimentos, ter ostentado a condição de nãoresidente e, conseqüentemente, sob esta situação será tributado. Fl. 781DF CARF MF Processo nº 10283.720944/200978 Acórdão n.º 2201003.834 S2C2T1 Fl. 782 4 A novidade está no artigo 42, § 4.°, que submete os rendimentos de pessoas físicas de origem nãoconhecida identificados por depósitos bancários à tributação mensal e, inegavelmente, definitiva. Está fora de dúvida que, uma vez identificados depósitos bancários mantidos por pessoa física sem origem comprovada, a exigência do IR sobre tais rendimentos levará em consideração a tabela progressiva mensal, conforme se extrai do artigo 42, § 4.°. Isto quer dizer que tais depósitos são considerados rendimentos de tributação definitiva, calculados de acordo com a tabela progressiva vigente no mês em que os valores foram recebidos. O artigo 42, § 4.°, da Lei n. ° 9.430/96 é suficientemente claro ao afirmar que o depósito será submetido à tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Ou seja, o artigo 42, §4.°, da Lei n.° 9.430/96fixou o aspecto temporal da hipótese de incidência do IRPF no mês em que forem verificados os depósitos bancários de origem nãocomprovada e determinou conseqüentemente, que os aspectos valorativos ou quantitativos do fato gerador serão aqueles da tabela progressiva mensal. Portanto, não há previsão legal para que tais rendimentos sejam acrescidos àqueles também tributados na declaração, como também nada se lê no dispositivo sobre a possibilidade do imposto apurado conforme a tabela progressiva mensal ser compensado com aquele apurado na declaração da pessoa física (DIPF). (...) Ora, se a intenção do legislador fosse determinar a inclusão dos valores depositados e omitidos no cômputo dos rendimentos brutos sujeitos à declaração de rendimentos, seria absolutamente desnecessário afirmar que tais valores se submetem à tributação "no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira". Noutras palavras, qualquer outra forma de apuração do IRPF, à evidência, constitui irregularidade insanável no procedimento fiscal, porque acarreta lançamento sem obediência ao disposto em lei, fazendo tabula rasa ao artigo 142 do Código Tributário Nacional. Destarte, tendo sido realizado lançamento em desobediência ao artigo 42, §4 . ° , a decisão a ser proferida pelos órgãos incumbidos da apreciação de impugnações e recursos deverá ser pela improcedência do lançamento, sendo impossível qualquer ajuste no sentido de "salválo", sob pena de indevida alteração Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10283.720944/200978 Acórdão n.º 2201003.834 S2C2T1 Fl. 783 5 nos critérios jurídicos do lançamento, vedado pelo artigo 146, do Código Tributário Nacional CTN. (...) Não é justo e não é direito o aproveitamento de erros para acrescer tributos, que devem ser fiscalizados de forma hábil e correta, e sanados eventuais deslizes, erros ou omissões eventualmente praticados pelos contribuintes. Mas disso não decorre que fatos falsos, ou erros evidentes, prosperem em detrimento da VERDADE MATERIAL, princípio básico e supedâneo do próprio Direito AdministrativoTributário. Também, e de igual modo, devem ser sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos pela própria fiscalização. (...) Por derradeiro, temse que tal ilação se deveu em virtude de o art. 42 da Lei n.° 9.432/96 combinado com seu §6 . ° prescrever que se faz mister a intimação do titular da conta (se a conta for individual) ou dos titulares das contas de depósito ou de investimento (se a conta for conjunta) para que se comprovem a origem dos depósitos bancários identificados (...) Desse modo, a fiscalização não obedeceu ao procedimento estatuído pelo art. 42, § 6.° da Lei n.° 9.430/96, já que se trata de norma de caráter procedimental, incidindo sobre todos os processos administrativos fiscais em curso e futuros. Vale dizer, para contas bancarias de titulares com cotitulares, a presunção legal somente se aperfeiçoa com a intimação de todos os contribuintes para comprovar a origem dos recursos movimentados nos termos do dispositivo gizado alhures. Em 19 de Setembro de 2013 (Fls. 236 a 238) decidiu o Colegiado da egrégia 1a Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, com base no disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF n°s 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria. Encerrado o sobrestamento, o processo voltou à pauta de julgamento, sendo distribuído a este conselheiro. Em 27 de janeiro de 2016, esta Turma decidiu baixar o processo em diligência à Secretaria da 2a Câmara da 2a Seção do CARF, para que se anexe aos autos cópia do inteiro teor do Processo 10283.720544/200881, nos termos abaixo: Fl. 783DF CARF MF Processo nº 10283.720944/200978 Acórdão n.º 2201003.834 S2C2T1 Fl. 784 6 Portanto, resta em litígio o acréscimo patrimonial a descoberto APD, no ano de 2005 e a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica nos anos de 2004 e 2005. Quanto a estas partes do lançamento, o contribuinte, desde sua impugnação, trata de afirmar que a RFB autuou a empresa da qual era sócio, e que nestas autuações foi arbitrado lucro para a empresa. Ainda segundo o Recorrente, a distribuição automática dos lucros arbitrados pela RFB justificaria o acréscimo patrimonial e a suposta omissão de rendimentos (remuneração indireta). Compulsando os autos, percebo que realmente a RFB lavrou dois autos de infração contra a pessoa jurídica da qual o contribuinte é sócio, processos 10283.000712/200657 e 10283.720544/200881. Em tais autos de infração foram arbitrados lucros para a referida empresa. Tendo em consideração que tais arbitramentos de lucro podem refletir no presente lançamento, tornase necessário a averiguação da confirmação ou não dos referidos autos de infração em sede administrativa Em pesquisa realizada no site do CARF, verifico que o processo 10283.000712/200657 foi julgado por este Conselho, e foi decidido ser improcedente a autuação, e conseqüentemente o arbitramento dos lucros; in verbis: Processo n° 10283.000712/200657 Recurso n° 163.182 Voluntário Acórdão n° 110100.164 1a Câmara /1a Turma Ordinária Sessão de 30 de julho de 2009 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente PORTAL COMÉRCIO DE EMBALAGEMLTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL SIMPLES EXCLUSÃO DE OFÍCIO ATO DECLARATÓRIO PRÉVIO Em face da Lei n° 9.317/1996, art. 15, parágrafo terceiro, a exclusão de oficio do SIMPLES darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Se o lançamento do crédito tributário ocorre anteriormente ao ato declaratório da exclusão de oficio do SIMPLES, é nulo o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio e ao voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Observo ainda, que não consta qualquer registro no site do CARF acerca do processo 10283.720544/200881. Fl. 784DF CARF MF Processo nº 10283.720944/200978 Acórdão n.º 2201003.834 S2C2T1 Fl. 785 7 Assim, considerando esses fatos como óbice para prosseguir com o julgamento, voto por baixar o processo em diligência à Secretaria da 2a Câmara da 2 Seção do CARF, para que se anexe aos autos cópia do inteiro teor do Processo 10283.720544/200881. Após, os autos deverão retornar a este Conselho para conclusão do julgamento. É o relatório. Voto Vencido Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Do Mérito Acréscimo patrimonial a descoberto/ Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica A decisão de piso reconheceu a violação do § 6°, do artigo 42, da Lei 9.430/96, decidindo pela exclusão dos valores lançados a título de omissão de rendimentos por depósitos bancários não comprovados. Entendeu a instância a quo que a ausência de intimação do cotitular da conta bancária destinatária dos depósitos, constitui vício formal que macula o lançamento quanto a este tocante. De início, impende ressaltar que o lançamento foi motivado por três aspectos, quais sejam: acréscimo patrimonial a descoberto, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Não obstante a insurgência do quanto aos três aspectos do lançamento em sede de impugnação, o inconformismo não foi renovado quando da apresentação da peça recursal. O recorrente não mais refuta a parte do lançamento que diz respeito ao acréscimo patrimonial a descoberto e a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. As razões recursais se concentraram no pleito de improcedência da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, cujo crédito tributário foi excluído, como dito alhures, pelo reconhecimento do vício formal. O artigo 17 do Decreto 70.235/72, que também se aplica aos recursos, prevê a necessidade da expressa impugnação da matéria: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Nesse sentido é o entendimento do CARF, externado no acórdão 1302 002.248, relatado pelo Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado: Fl. 785DF CARF MF Processo nº 10283.720944/200978 Acórdão n.º 2201003.834 S2C2T1 Fl. 786 8 ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.(destaquei). Ressaltese, por oportuno, que o próprio contribuinte chega a reconhecer a falta de prova em relação a distribuição de lucros, conforme extraise do seguinte excerto da impugnação (fls. 170/171): “(...) e mais, esses lucros são ignorados pelo Auditor Fiscal do Tesouro Nacional, considerados como Rendimentos Tributáveis, e que por não termos efetuados a contabilidade da empresa, não significa que não possamos merecer credibilidade”. Assim, entendo que o crédito tributário está definitivamente constituído em face da ausência de apelo recursal em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto e a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Depósitos bancários com origem não comprovada Alega o recorrente que houve erro na identificação do períodobase do lançamento, pois a autoridade fiscal tributou os rendimentos na base de cálculo do ajuste anual, como somatório dos depósitos mensais, quando a lei estabelece que os depósitos devem ser tributados no mês do crédito. O Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) decorrente da infração relativa à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada está sujeito ao regime de apuração anual. Tratase, pois, de fato gerador complexivo anual, que somente se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada anocalendário. Esse entendimento já se encontra pacificado no âmbito administrativo, conforme Súmula n° 38 do CARF: "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário". Destarte, não assiste razão ao recorrente. Conforme previsão do art. 42 da Lei n° 9.430/96, os valores creditados em contas bancárias mantidas junto a instituição financeira, os quais o contribuinte não comprove a sua origem, serão tributados como omissão de rendimentos. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, Fl. 786DF CARF MF Processo nº 10283.720944/200978 Acórdão n.º 2201003.834 S2C2T1 Fl. 787 9 mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. De acordo com o § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante meras alegações desprovida de prova. Inferese das diversas alegações do recorrente não se encontram acompanhadas do necessário arrimo probatório. É regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. Nesse caso, o Recorrente apenas alegou e nada provou e, segundo brocardo jurídico por demais conhecido, "alegar e não provar é o mesmo que não alegar". O art. 373 do Novo Código de Processo Civil (NCPC) art. 333 do antigo CPC estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. Art. 373. O ônus da prova incumbe: 1 ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 787DF CARF MF Processo nº 10283.720944/200978 Acórdão n.º 2201003.834 S2C2T1 Fl. 788 10 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...] No caso que se cuida, não houve a necessária comprovação da origem dos depósitos bancários que pudesse dar ensejo a uma eventual improcedência do lançamento, razão pela qual permanece hígida a decisão de primeira instância. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada Com a devida vênia, ouso divergir do Ilustre Relator quanto ao conhecimento do Recurso Voluntário, conforme passo a expor. O processo sob análise, consoante narrado, tem como objeto: acréscimo patrimonial a descoberto; omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; e omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. No que se refere ao lançamento efetuado com base no art. 42 da Lei 9.430 (conta corrente de n° 8.4689, mantida na agência nº 12084 do Banco do Brasil), a Delegacia de Origem acolheu os argumentos da impugnante, nos termos seguintes, fls. 180 a 187: Deveria a autoridade fiscal ter obedecido ao procedimento estatuído pelo art. 42, § 6o, da Lei 0 9.430/96, já que se trata de norma de caráter procedimental, incidindo sobre todos os processos administrativos fiscais em curso e futuros. Assim, para contas bancárias com cotitulares, a presunção legal somente se aperfeiçoa com a intimação de todos os contribuintes para comprovar a origem dos recursos movimentados, nos termos que reza o caput do art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996. (...). 16. Ora, a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória, nos precisos termos do parágrafo único do art. 142, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), que impõe à autoridade lançadora a obediência às formalidades previstas na legislação, com vistas à constituição do crédito tributário. Neste sentido, a fiscalização deveria ter Fl. 788DF CARF MF Processo nº 10283.720944/200978 Acórdão n.º 2201003.834 S2C2T1 Fl. 789 11 intimado o outro titular da conta corrente citada, sob pena de macular o lançamento. 17. A intimação a apenas um dos titulares não supre a imposição legal de intimar os demais cotitulares das contas mantidas em conjunto, pois a presunção de omissão de rendimentos, baseada em créditos bancários, somente se consuma na medida em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos referidos créditos. 18. Ora, a falta de intimação para a justificação da origem dos depósitos bancários é causa, em si, da não caracterização da omissão de rendimentos, haja vista que a autoridade fiscal não cumpriu o rito que o art. 42 exige para que se estabeleça a presunção legal. (...). Nessa linha, forçoso reconhecer que no presente caso deve ser afastada a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, e, portanto, não pode prosperar o feito fiscal relativamente a essa infração. 21. Na planilha abaixo apresentamos todos os depósitos bancários considerados pela fiscalização e que são oriundos da conta conjunta já mencionada. Notese que o valores totais mensais coincidem com o que consta na autuação relativamente à infração de depósitos bancários. Neste sentido, deverá ser excluído da autuação o valor da infração de depósitos bancários de origem não comprovada.(...). Não obstante o entendimento da decisão recorrida acerca da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, a recorrente insurgiuse apenas relativamente a essa matéria. Desse modo, tendo em vista que a matéria objeto do recurso restringese ao conteúdo julgado procedente pela Delegacia de Origem, notase a manifesta ausência de interesse em recorrer sobre o tema, carecendo, assim, do cumprimento dos requisitos de admissibilidade. Diante do exposto, voto em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada Fl. 789DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.726102/2013-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: (i) rejeitar o pedido de diligência realizado pelo contribuinte; (ii) converter o julgamento em diligência para análise de documentos anexados em impugnação e não analisados na diligência determinada pela DRJ, nos termos do voto da Relatora. Por maioria de votos, determinar a realização de diligência em maior extensão a fim de sejam analisados também os documentos anexados em sede de recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa e Milene de Araújo Macedo que votaram por não aceitar esses documentos. Designado o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza para redigir o voto vencedor em relação à realização de diligência em maior extensão.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: (i) rejeitar o pedido de diligência realizado pelo contribuinte; (ii) converter o julgamento em diligência para análise de documentos anexados em impugnação e não analisados na diligência determinada pela DRJ, nos termos do voto da Relatora. Por maioria de votos, determinar a realização de diligência em maior extensão a fim de sejam analisados também os documentos anexados em sede de recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa e Milene de Araújo Macedo que votaram por não aceitar esses documentos. Designado o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza para redigir o voto vencedor em relação à realização de diligência em maior extensão. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flavio Franco Correa, José Eduardo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 70 .7 26 10 2/ 20 13 -1 9 Fl. 3724DF CARF MF Processo nº 18470.726102/201319 Resolução nº 1301000.424 S1C3T1 Fl. 3.725 2 Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. RELATÓRIO Tratase o presente processo de recursos voluntário e de ofício, interpostos contra o Acórdão nº 1672.944 1ª Turma da DRJ/SPO, que considerou parcialmente procedente a impugnação da contribuinte para cancelar a infração relativa às exclusões indevidas de receitas financeiras auferidas na fase préoperacional no valor de R$ 49.448.807,41 e reduzir as glosas de despesas não comprovadas, de R$ 93.730.373,47 para R$ 55.484.088,36, ambas infrações referentes a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2009. Em consequência dos ajustes no julgamento, foi também recomposto o saldo de prejuízos fiscais apurados em 2009, o que ocasionou o cancelamento da infração relativa à compensação indevida de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL do ano calendário de 2010 e a redução das compensações indevidas de IRPJ e CSLL no ano de 2011 de R$ 50.205.123,00 para R$ 43.576.510,99. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: "1. Tratase de exigências de IRPJ e de CSLL, sob a sistemática do Lucro Real, apuração anual e pertinentes aos anoscalendário de 2009, 2010 e 2011, no importe total de R$ 87.363.851,29, aí incluídos principal, multa de ofício (75%) e juros de mora calculados até 07/2013. As razões de fundo para a autuação foram: (a) identificação de custos/despesas não comprovados, no importe total de R$ 93.730.373,47 (2009); (b) promoção de exclusões indevidas, a partir do lucro contábil (lucro líquido) e no patamar de R$ 49.448.807,41, a impactar as bases de cálculo do IRPJ (lucro real) e da CSLL (2009); e, como decorrência das duas infrações anteriores, (c) apurouse compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL para além dos saldos então disponíveis (2010 e 2011) fls. 02, 64/96. 2. Do todo tomou ciência o Interessado em 30/07/2013 (fls. 70/96), vindo a colacionar sua insurgência em 29/08/2013 (fls. 127/156). Em primeiro ensaio de julgamento, esta 1a Turma de Julgamento da DRJ/SPO resolveu converter o expediente em diligência. Por bem estabelecer as questões até aquele ponto existentes, se o reproduz (fls. 2714/2716): O presente processo trata de Autos de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorrentes de duas infrações que teriam sido praticadas pela contribuinte, no entender da fiscalização: 1) exclusão indevida do lucro líquido do excesso de receita financeira diante das despesas financeiras da empresa em atividade préoperacional; e 2) dedução indevida de despesas operacionais, já que não foram comprovadas documentalmente pela fiscalizada regulamente intimada. As infrações ocorreram no anocalendário 2009 e implicaram na redução do saldo de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL compensáveis em 2010 e 2011. Foi aplicada multa de ofício de 75%. Fl. 3725DF CARF MF Processo nº 18470.726102/201319 Resolução nº 1301000.424 S1C3T1 Fl. 3.726 3 Os lançamentos foram cientificados em 30/07/2013 (fls. 71 e 90). Irresignada, em 29/08/2013, a autuada apresentou, representada por procuradores, a impugnação de fls. 127 a 156 (cópias às fls. 506 a 535 e 1852 a 1881), instruída com os documentos de fls. 157 a 2701. Quanto à exclusão do excesso de receita financeira, a impugnante afirma que, como esta receita decorre de variação cambial ativa e a fiscalização não comprovou que [o Contribuinte] optou pelo regime de competência para oferecimento à tributação desta receita (§§ 1° e 2° do artigo 30 da Medida Provisória n° 2.15835/2001), deve prevalecer a regra geral de tributação segundo o regime de caixa, conforme previsto no caput do artigo 30 da MP n° 2.15835/2001: Art. 30. A partir de 1° de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1°. A opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. § 2°. A opção prevista no § 1° aplicarseá a todo o anocalendário. § 3°. No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subseqüentes, para efeito de determinação Adicionalmente ainda afirma que o excesso de receitas financeiras das empresas em atividades préoperacionais para fim de oferecimento à tributação deve ser verificado primeiramente em relação às despesas financeiras, mas caso remanesça saldo positivo, este deve ser diminuído do total das despesas préoperacionais registradas, para somente então eventual excesso compor o lucro líquido do exercício, conforme estabelece a Solução de Divergência n° 32, de 21 de julho de 2008, citada pela própria fiscalização no Termo de Constatação, e Soluções de Consulta e Acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) invocados. Em relação à glosa de despesas operacionais não comprovadas, a autuada apresenta documentos que, segundo afirma, representam comprovação de amostragem relevante das despesas incorridas pelo consórcio do qual participou em 25%. Afirma também que o Billing Statement é documento comumente utilizado nas boas práticas da indústria de óleo e gás e é hábil à comprovação das despesas do consórcio e respectivas cobranças entre operadora (no caso, a empresa líder) e as demais consorciadas (no caso, a autuada). Desta forma, solicita a realização de diligência diretamente na empresa líder do consórcio, porque, no seu entender, esta tem a obrigação de guarda dos documentos e, portanto, deve ser intimada a apresentar os comprovantes que fundamentam as despesas glosadas pela fiscalização. A responsabilidade de guarda dos comprovantes dos registros das operações de consórcio estava, à época dos fatos geradores ora discutidos (anocalendário 2009), disciplinada pelo § 5° do artigo 3° da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal do Brasil (IN/RFB) n° 834, de 26 de março de 2008, com a redação dada pela IN/RFB n° 917, de 09 de fevereiro de 2009: Fl. 3726DF CARF MF Processo nº 18470.726102/201319 Resolução nº 1301000.424 S1C3T1 Fl. 3.727 4 § 5°. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal utilizados para registro das operações do consórcio e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados deverão ser conservados pelas empresas consorciadas até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes de tais operações. Observase claramente que todas as empresas consorciadas têm a obrigação de conservação dos documentos comprobatórios relativos às atividades desenvolvidas pelo consórcio, não podendo, desta forma, a autuada se eximir da obrigação de apresentar os comprovantes à autoridade fiscal, exceto se demonstrar que solicitou determinado documento que somente se encontra em poder da empresa líder e esta não o forneceu. Quanto ao Billing Statement, ainda que este tenha força probante nas relações entre as empresas consorciadas no setor de óleo e gás, este documento, por si só, não é hábil a comprovar os lançamentos feitos na escrituração comercial e fiscal utilizados para registro das operações do consórcio, que, em relação às despesas, devem comumente estar embasados em documentos emitidos por terceiros fornecedores dos bens, mercadorias, insumos e/ou serviços, utilizados, consumidos e/ou adquiridos pelo consórcio. Diante do exposto, devolvase o presente processo à unidade de origem para que a autoridade lançadora: 1) verifique se a contribuinte optou pela consideração das variações monetárias na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, segundo o regime de competência, no anocalendário de 2009; 2) verifique, na hipótese de a autuada não ter realizado a opção descrita no item anterior, se houve e em que valor, liquidação em 2009 das operações ensejadoras da variação cambial ativa auferida em 2009; 3) verifique se os documentos apresentados pela impugnante, bem como outros eventualmente apresentados durante a diligência, são hábeis e idôneos a comprovar as despesas operacionais glosadas por falta de comprovação; e 4) verifique qual é o total das despesas préoperacionais registradas, além das despesas financeiras, hábil a justificar a exclusão das receitas financeiras do lucro líquido para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos termos da Solução de Divergência n° 32, de 21/07/2008. A autoridade diligenciante, após elaborar relatório conclusivo sobre os quesitos solicitados, deve cientificar a contribuinte sobre o relatório e sobre a faculdade de manifestação no prazo de trinta dias, conforme prevê o parágrafo único do artigo 35 do Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011. Após eventual manifestação da interessada, devolvase, via SERET/DRJ/SP, o presente processo para que esta 1a Turma conclua o julgamento administrativo. 3. O resultado da diligência acima referida rendeu os frutos seguintes, em manifestação do Interessado (fls. 2721/2805; 2821/2822; 2834/2841): 3.1 Que "no anocalendário de 2009 estava em fase préoperacional e que naquele período não fez a opção pela consideração das variações monetárias para fins ficais pelo regime de competência". 3.2 Que "o ajuste das variações cambiais ativas e passivas no anocalendário de 2009 foi feito via RTT [...] não tendo havido qualquer exclusão indevida [...] Além disso, [...] somente poderia haver tributação das receitas financeiras durantes a fase Fl. 3727DF CARF MF Processo nº 18470.726102/201319 Resolução nº 1301000.424 S1C3T1 Fl. 3.728 5 préoperacional caso essas excedessem as despesas préoperacionais registradas, o que não ocorreu". 3.3 Juntamse "documentos comprobatórios" do "total de variação cambial ativa realizada no anocalendário de 2009" 3.4 Que "todos os custos relacionados às atividades do referido consórcio [formado por Petrobrás Petróleo Brasileiro S.A., Devon Energy do Brasil Ltda. e Contribuinte] estão devidamente registrados nos relatórios de gastoscustos (denominados Billing Statements) do bloco BMBAR1, preparados e mantidos pela líder do consórcio, nesse caso, a Petrobrás". Mais ainda, "que os documentos originais relacionados às notas fiscais, recibos e demais comprovantes de despesas se encontram sob a guarda da Petrobrás", já que era a consorciada líder na empreitada e, como tal, sob as hostes das Instruções Normativas RFB n° 834, de 26 de março de 2008, n° 917, de 9 de fevereiro de 2009, e n° 1.199, de 14 de outubro de 2011, lhe incumbiria esse justo múnus. Nesse sentido, como antes já se solicitava em sua impugnação primeira, torna a reclamar "diligência para que os documentos necessários fossem diretamente requeridos à Petrobrás". 4. Enfim, sobre o todo colacionado pelo Contribuinte, assim se manifestou a Fiscalização (fls. 2806, 2823/2827): 4.1 Que, em consideração "ao despacho de fls. 2714 a 2716, procedi à Diligência Fiscal no sentido de apurar o transcrito nos itens 1 e 2 de folha 2175, juntando os documentos apresentados pela empresa [...] de fls. 2726 a 2807. Dessa forma, concluo, s.m.j., que a documentação necessária para análise da presente lide encontrase no processo". 4.2 Que sendo "entendimento desta fiscalização que a informação demandada pela DRJSP está limitada aos elementos insertos no procedimento administrativo ou aqueles trazidos ao feito durante o curso da diligência", debruçouse aquela Fiscalização aos documentos assim acostados para asseverar, na suposição de "as cópias dos documentos fiscais anexadas correspondam fielmente aos documentos originais", que " parte das despesas glosadas" equivalente a R$ 38.246.285,11 restaria comprovado. Anotouse, por fim, que a " possível apropriação das despesas incorridas foi limitada à participação do contribuinte no consórcio de concessão do bloco BMBAR1, ou seja, 25%". 5. De sua sorte e cientificado a propósito, tornou o Contribuinte aos autos (fls. 2834/2841) para redizer, com referência à porção da glosa de despesa que ainda restaria incomprovada mesmo após de finda a diligência retro referida, da necessidade de se buscar a correspondente documentação de suporte junto à consorciada líder da empreitada, a dizer, Petrobrás Petróleo Brasileiro S/A. Senão assim, também tornou a dar por fé os nomeados "Billing Statements" como sucedâneo de prova das excogitadas despesas. Diziase: Ou seja, a previsão quanto à guarda dos documentos comprobatórios por parte da líder ou empresa consorciada indicada, bem como por todas as demais consorciadas somente foi instituído na redação da IN 1.199 publicada no final de 2011. Logo, quando dos fatos ocorridos, isto é, nas competências dos meses de maio, junho, julho,agosto e setembro do ano de 2009, não havia previsão legal para que a consorciada líder e também cada uma das demais consorciadas promovessem em conjunto a guarda dos documentos que suportaram os lançamentos fiscais. Fl. 3728DF CARF MF Processo nº 18470.726102/201319 Resolução nº 1301000.424 S1C3T1 Fl. 3.729 6 [...]O mercado de E&P adota internacionalmente métodos de controle das despesas que são incorridas pela consorciada líder e operadora através de Billing Statements (relatórios de despesas) com o controle do avanço dos custo incorridos nas campanhas de perfuração de novos poços. (destaques do original)" No julgamento realizado em 19 de maio de 2016, a 1ª Turma da DRJ/SPO julgou parcialmente procedente a impugnação, por meio do acórdão nº 1672.944, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 VINCULAÇÃO AOS PARÂMETROS DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NORMATIVA ELEITA NA AUTUAÇÃO. DESINCUMBÊNCIA. NÃO OBSERVÂNCIA. A fundamentação legalnormativa lançada no auto de infração vincula a imputação. Nesse sentir, acertado que se tenha como de fato se teve na acusação fiscal que o caso é de pessoa jurídica em fase préoperacional, e a essa situação chamada à colação a Solução de Divergência Cosit n° 32, de 21 de julho de 2008, ou, equivalentemente, a Solução de Consulta SRRF da 7a RF/Disit, de 30 de outubro de 2008, então comprometese o procedimento fiscal com o levantamento e dizer expresso sobre três variáveis: Receitas Financeiras (RF), Despesas Financeiras (DF) e Despesas Préoperacionais (DpO), que influenciarão a apuração do lucro real ou da base de cálculo da CSLL adição ao lucro líquido desde que a operação algébrica RF DF DpO resulte positiva. Sendo exatamente isso que determinam tais normativos, assim que emprestados de fundamento para a autuação, surge imediato e indeclinável o compromisso de expressamente arrazoar sobre cada uma delas (variáveis). Não subsiste a autuação que, nesse espaço, mesmo após conversão em diligência, deixa incerta a existência e/ou a dimensão da variável DpO. CONSÓRCIO CONSTITUÍDOS NOS TERMOS DOS ARTS. 278 E 279 DA LEI Nº 6.404, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1976. DOCUMENTAÇÃO DAS DESPESAS. GUARDA. No âmbito dos consórcios instituídos nos termos dos arts. 278 e 279 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, cumpre a todos os então consorciados a guarda da documentação de suporte à comprovação das despesas incorridas. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE Não cabe conversão do julgamento em diligência quando o ponto de discórdia versa matéria de direito ou, ainda, mesmo que toque matéria de fato, esta já se encontre suficientemente esclarecida nos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão proferida em relação aos fatos que levaram à manutenção do IRPJ impõese também à CSLL, naquilo que for cabível, uma vez que ambos os lançamentos estão assentados nos mesmos elementos de prova. Impugnação Procedente em Parte Fl. 3729DF CARF MF Processo nº 18470.726102/201319 Resolução nº 1301000.424 S1C3T1 Fl. 3.730 7 Crédito Tributário Mantido em Parte Devidamente cientificado em 09/06/2016 (fls. 2.899), o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, em 07/07/2016 (fls. 2.900) , o recurso voluntário de fls. 2.901a 2.930, argumentando, em síntese os itens a seguir relacionados, os quais serão melhor detalhados por ocasião do voto: O acórdão recorrido parte da premissa equivocada de que, no anocalendário de 2009, seria obrigação da recorrente a guarda das notas fiscais, faturas e recibos referentes a todas as operações realizadas pelo Consórcio BM BAR 1, que devem ser contabilizadas apenas pela empresa líder, no caso a Petrobrás. Assim, considerando que não era obrigação da recorrente a guarda dos documentos exigidos pela fiscalização, e que foram apresentados os billing statements (controle de custos relativos às operações do consórcio) preparados pela Petrobrás, que serviram de base às despesas incorridas pela recorrente, requer o cancelamento das glosas de despesas subsistentes; Alega que em respeito ao princípio da verdade material, a administração deve atuar de forma diligente, esgotando todas as fontes de informações fornecidas e indicadas pelo contribuinte. Alega que nem todos os documentos juntados à impugnação foram analisados ou considerados quando da realização da diligência pela fiscalização, bem assim, reitera a necessidade de diligência envolvendo a Petrobrás, para que a mesma seja intimada a disponibilizar os documentos que encontramse sob sua guarda; Requer sejam aceitos os documentos juntados ao recurso voluntário, referentes às despesas às despesas incorridas pelo Consórcio no montante de R$ 53.421.544,92, para que a parcela apropriada pela Recorrente reste comprovada bem como, consequentemente, sua dedutibilidade; A fiscalização partiu da equivocada premissa de que a recorrente, por ser detentora de 25% de participação no consórcio, apenas 25% dos custos poderiam ser por ela apropriados. Afirma ter firmado acordo com a Petrobrás denominado "Farmout Agreement", nos termos da cláusula 6.01 do contrato do consórcio, por meio do qual seria responsável por 50 % dos custos de perfuração até ser atingido o montante de U$ 60.000.000. Apresenta tabela onde demonstra ter suportado efetivamente o percentual de 37,06%, e solicita que sua participação nos custos seja aferida pelos valores constantes do Billing Statement, que são suportados pelos cash calls e pelos recibos de pagamento, e não pelo mero percentual de participação de 25%. Requer o cancelamento dos autos de infração ou, caso assim não se entenda, a conversão do julgamento em diligência para que seja analisados os documentos acostados ao recurso e obtidos os documentos faltantes diretamente com a empresa líder do consórcio, a Petrobrás. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora Fl. 3730DF CARF MF Processo nº 18470.726102/201319 Resolução nº 1301000.424 S1C3T1 Fl. 3.731 8 O recurso voluntário é tempestivo e dele conheço. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A recorrente alega em seu recurso voluntário a necessidade de diligência envolvendo a Petrobrás, empresa líder do consórcio, para que a mesma seja intimada a disponibilizar a documentação que, equivocadamente, vem sendo considerada pelas autoridades fiscais como único meio de prova admitido. Afirma ter entregue à fiscalização os billing statements, ou seja, os controles dos custos relativos às operações do consórcio que suportam os lançamentos realizados e ter envidado esforços para conseguir a documentação exigida junto à Petrobrás, entretanto, não lhe foi disponibilizada toda documentação requerida à operadora do consórcio. Na impugnação apresentada, a contribuinte alegou que a fiscalização concluiu pela inexistência de documentos hábeis a suportar as despesas registradas em sua escrituração contábil, sem verificar e conferir junto à Petrobrás, os documentos que se encontravam sob os cuidados da consorciada líder. Por este motivo, requereu a realização de diligência para que fosse aferido junto à Petrobrás se os billing statements, comumente utilizados na indústria de exploração e produção de gás e petróleo, seriam documentos hábeis à comprovação das despesas do consórcio e, também, se os documentos em posse da Petrobrás confirmariam a efetiva ocorrência das despesas do consórcio. Ao analisar o pedido de diligência formulado pela contribuinte na impugnação, a 1ª Turma da DRJ/SPO exarou despacho fls. 2.714 a 2.716, para determinar a realização de diligência apenas para que a fiscalização verificasse se os documentos anexados à impugnação eram hábeis e idôneos a comprovar as despesas operacionais glosadas pela fiscalização. Fundamentou sua decisão na premissa de que todas as empresas consorciadas têm a obrigação de conservar os documentos comprobatórios relativos às atividades desenvolvidas pelo consórcio, bem assim, que a contribuinte não poderia se eximir de apresentar os comprovantes à autoridade fiscal, exceto se demonstrasse que solicitou determinado documento que se encontrava somente em poder da empresa líder e esta não o forneceu. Na Informação Fiscal prestada por ocasião do encerramento da diligência fiscal, consta que a informação demandada pela DRJ/SPO estaria limitada aos documentos anexados ao processo ou trazidos no curso da diligência, e teria a eles se restringido. Na manifestação ao relatório de diligência a contribuinte solicitou "a reabertura do procedimento de fiscalização para a finalização da diligência, com o específico fim de intimar e analisar os documentos que venham a ser apresentados pela Petrobrás, em complemento à comprovação das despesas incorridas pelo consórcio". No acórdão de impugnação, o pedido de diligência diretamente na Petrobrás foi indeferido, nos seguintes termos: "[...]Em tempo, visto que o objeto aqui tratado é de ordem eminentemente documental da sua apresentação, ou não , sendo certo que diligência para esse justo propósito já se o teve, e chegada à conclusão do dever de guarda que incumbia ao Contribuinte, não há mais espaço para repetir o expediente diligencial, como mais uma vez solicitado pelo Interessado em sua nova e última manifestação." A recorrente alega em sua peça recursal que, apesar do pedido claro e objetivo para realização de diligência junto à Petrobrás, o mesmo foi desconsiderado no despacho de diligência exarado pela DRJ/SPO, e que a exceção mencionada no referido despacho (exceto se demonstrar que solicitou determinado documento que somente se encontra em poder da empresa líder e esta não o forneceu), aplicarseia perfeitamente ao seu caso. Acrescenta que a autoridade fiscal responsável pela diligência agiu em notória desconformidade com o princípio da verdade material ao realizar a verificação das despesas de forma limitada. Em relação ao acórdão recorrido, afirma que o mesmo se equivocou ao indeferir o pedido de diligência posto que: (i) não se trata de repetir um Fl. 3731DF CARF MF Processo nº 18470.726102/201319 Resolução nº 1301000.424 S1C3T1 Fl. 3.732 9 expediente diligencial previamente realizado pois a diligência envolvendo a Petrobrás, detentora da documentação nunca foi realizada; (ii) inexiste espaço para o descumprimento do princípio da busca pela verdade material, imperativo a ser seguido pelo Fisco, e para a não realização de diligência que é direito da recorrente e obrigação do Fisco. De início, transcrevo os arts. 2º e 3º da Instrução Normativa RFB nº 834/08, com a redação dada pela Instrução Normativa nº 917/09, que tratam dos procedimentos fiscais dispensados aos consórcios de empresas constituídos nos termos dos arts. 278 e 278 da Lei nº 6.404/76: Art. 2º Às receitas, custos, despesas, direitos e obrigações decorrentes das operações relativas às atividades dos consórcios aplicase o regime tributário a que estão sujeitas as pessoas jurídicas consorciadas. Art. 3º Para efeito do disposto no art. 2º, cada pessoa jurídica participante do consórcio deverá apropriar suas receitas, custos e despesas incorridos, proporcionalmente à sua participação no empreendimento, conforme documento arquivado no órgão de registro. § 1º O disposto no caput aplicase para efeito da determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, e da base de cálculo da CSLL. § 2º A empresa líder do consórcio deverá manter registro contábil das operações do consórcio por meio de escrituração segregada na sua contabilidade, em contas ou subcontas distintas, ou mediante a escrituração de livros contábeis próprios, devidamente registrados para este fim.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 917, de 09 de fevereiro de 2009) § 3º Os registros contábeis das operações no consórcio, efetuados pela empresa líder, deverão corresponder ao somatório dos valores das receitas, custos e despesas das pessoas jurídicas consorciadas, podendo tais valores serem individualizados proporcionalmente à participação de cada consorciada no empreendimento.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 917, de 09 de fevereiro de 2009) § 4º Sem prejuízo do disposto nos §§ 2º e 3º, cada pessoa jurídica consorciada deverá efetuar a escrituração segregada das operações relativas à sua participação no consórcio em seus próprios livros contábeis, fiscais e auxiliares.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 917, de 09 de fevereiro de 2009) 5º Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal utilizados para registro das operações do consórcio e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados deverão ser conservados pelas empresas consorciadas até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes de tais operações. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 917, de 09 de fevereiro de 2009) (grifei) Da leitura dos dispositivos legais acima transcritos, constatase que apesar da empresa líder ser a responsável pela escrituração contábil das operações do consórcio como um todo, as empresas consorciadas, inclusive a recorrente, devem efetuar a escrituração segregada das operações relativas à sua participação no consórcio. Consta ainda do § 5º do art. 3º, que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal utilizados para registro das operações do consórcio e os comprovantes Fl. 3732DF CARF MF Processo nº 18470.726102/201319 Resolução nº 1301000.424 S1C3T1 Fl. 3.733 10 dos lançamentos neles efetuados deverão ser conservados pelas empresas consorciadas até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes de tais operações. Dessa forma, a recorrente é responsável pela apresentação dos comprovantes dos lançamentos efetuados em sua escrituração contábil até que ocorra a prescrição dos créditos tributários nela registrados. Entende a recorrente que a responsabilidade pela guarda documental em relação a aos lançamentos do consórcio não cabia a todas consorciadas no ano de 2009, mas apenas à líder. Afirma que apenas com a edição da Instrução Normativa RFB nº 1.199/11, que revogou a Instrução Normativa nº 834/08, a obrigação de guarda foi ampliada, por meio do § 6º, do art. 3º da referida Instrução Normativa a todas empresas consorciadas. Veja o que dispõe o art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.199/11: Art. 3º Para efeito do disposto no caput do art. 2º, cada pessoa jurídica participante do consórcio deverá apropriar suas receitas, custos e despesas incorridos, proporcionalmente à sua participação no empreendimento, conforme documento arquivado no órgão de registro, observado o regime tributário a que estão sujeitas as pessoas jurídicas consorciadas. § 1º O disposto no caput aplicase para efeito da determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), bem como para apurar a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) como também para apurar os créditos das pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições. § 2º A empresa líder do consórcio deverá manter registro contábil das operações do consórcio por meio de escrituração segregada na sua contabilidade, em contas ou subcontas distintas, ou mediante a escrituração de livros contábeis próprios, devidamente registrados para este fim. § 3º Na ausência de empresa líder, ou se não houver disposições legais exigindo a indicação de uma líder, deverá ser eleita uma das consorciadas para os fins previstos no § 2º. § 4º Os registros contábeis das operações no consórcio, efetuados pela empresa líder ou pela consorciada eleita para este fim, deverão corresponder ao somatório dos valores das receitas, custos e despesas das pessoas jurídicas consorciadas, podendo tais valores serem individualizados proporcionalmente à participação de cada consorciada no empreendimento. § 5º Sem prejuízo do disposto nos §§ 2ºa 4º, cada pessoa jurídica consorciada deverá efetuar a escrituração segregada das operações relativas à sua participação no consórcio em seus próprios livros contábeis, fiscais e auxiliares. § 6º Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal utilizados para registro das operações do consórcio e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados deverão ser conservados pela empresa líder ou pela consorciada eleita de que trata o § 3º, e pelas empresas consorciadas até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes de tais operações. (grifei) Fl. 3733DF CARF MF Processo nº 18470.726102/201319 Resolução nº 1301000.424 S1C3T1 Fl. 3.734 11 Diversamente do alegado pela recorrente, vale ressaltar que tanto o § 5º do art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 834/08, como o § 6º do art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.199/11, atribuem, indistintamente a todas as consorciadas a responsabilidade pela guarda dos comprovantes dos lançamentos utilizados no registro das operações do consórcio. A redação do § 5º, do art. 3º da Instrução Normativa nº 1.199/11 foi alterada apenas para explicitar a responsabilidade da "consorciada eleita", figura introduzida pelo § 2º do art. 3º da referida Instrução Normativa. Dessa forma, correta a premissa do acórdão recorrido de que a recorrente seria responsável pela guarda dos comprovantes dos lançamentos efetuados em sua contabilidade, para indeferir o pedido de diligência solicitado na impugnação. Conforme já mencionado pelo julgador a quo, a diligência requerida pela recorrente para que a empresa líder fosse diretamente intimada apresentar os documentos comprobatórios dos lançamentos efetuados pela ONGC Campos Ltda, somente seria procedente caso restasse comprovado nos autos que a contribuinte solicitou os documentos à empresa líder e a mesma tivesse ser recusado a apresentálos. Apesar da recorrente afirmar no recurso voluntário que estaria incluída nessa exceção, não constam dos autos qualquer documento comprobatório de que tivesse solicitado à Petrobrás a apresentação dos comprovantes das despesas registradas em sua contabilidade, anteriormente à apresentação da impugnação. Relativamente à afirmação de que o acórdão recorrido teria se equivocado ao afirmar que não se trata de repetir um expediente diligencial previamente realizado, pois a diligência envolvendo a Petrobrás, detentora da documentação nunca foi realizada, não assiste razão à recorrente. O acórdão recorrido afirmou que não caberia a realização de nova diligência para apresentação de documentos, após concluir que a responsabilidade pela guarda da documentação é da própria contribuinte e que a mesma já teria sido intimada a apresentálos na diligência, daí o descabimento de nova diligência. A recorrente afirma que tanto a autoridade fiscal, no curso da diligência fiscal, quanto o acórdão recorrido, teriam descumprido o princípio da busca pela verdade material, com a não a realização de diligência junto à empresa líder. O princípio da busca da verdade material deve ser utilizado em consonância com os demais princípios que regem o princípio administrativo fiscal, dentre eles o princípio da legalidade e do livre convencimento do julgador. Em cumprimento ao disposto nos arts. 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72, as diligências no procedimento administrativo fiscal podem ser solicitadas tanto pelo impugnante como pelo julgador e serão deferidas nos casos em que necessárias à solução da lide: Art. 16. A impugnação mencionará: [..] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Via de regra, as diligências se prestam a esclarecer pontos obscuros, controversos ou duvidosos, porém, no caso em questão, a recorrente pleiteia a realização de Fl. 3734DF CARF MF Processo nº 18470.726102/201319 Resolução nº 1301000.424 S1C3T1 Fl. 3.735 12 diligência para que a fiscalização obtenha junto à empresa líder do consórcio, documentos hábeis à comprovação dos lançamentos contábeis por ela realizados em sua escrituração contábil. Diversamente do alegado pela recorrente, a realização da diligência não é obrigação do Fisco, especialmente quando tem por objetivo a obtenção de documentos que deveriam que deveriam ser conservados pela recorrente, nos termos do art. 264 do RIR/99: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). Dessa forma, voto por rejeitar o pedido de diligência da recorrente. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Conforme já mencionado, a 1ª Turma da DRJ/SPO exarou despacho às fls. 2.714 a 2.716, determinando a realização de diligência para que a fiscalização verificasse se os documentos anexados à impugnação, bem como outros eventualmente apresentados durante a diligência, seriam hábeis e idôneos a comprovar as despesas operacionais glosadas pela fiscalização. Em cumprimento à diligência fiscal, foi emitido Termo de Intimação Fiscal (fls. 2.820), por meio do qual a contribuinte foi intimada a colocar à disposição da fiscalização os originais dos documentos fiscais, recibos e demais comprovantes de despesas que juntou à peça impugnatória, tendo em vista que alguns desses documentos encontravamse ilegíveis. Na resposta apresentada, a contribuinte afirmou que os documentos originais relacionados às notas fiscais, recibos e demais comprovantes de despesas se encontravam sob a guarda da Petrobrás, na figura de consorciada líder e operadora, conforme disposto no art. 3º e parágrafos da Instrução Normativa RFB nº 1.199/11 vigente à época da autuação, ou, ainda, o art. 3º e parágrafos da Instrução Normativa RFB nº 834/08, com as alterações da Instrução Normativa RFB nº 917/09, vigente à época do ocorrência das despesas. Acrescentou que por esta razão, desde o momento da impugnação, requereu a realização de diligência para que os documentos necessários fossem diretamente requeridos à Petrobrás diante de sua condição de operadora do bloco e líder do consórcio. Diante da falta de apresentação dos documentos solicitados, a fiscalização elaborou a Informação Fiscal de fls. 2.823 a 2.827, onde fez constar: "No entanto, é o entendimento desta fiscalização que a informação demandada pela DRJSP está limitada aos elementos insertos no procedimento administrativo — ou aqueles trazidos ao feito durante no curso da diligência — motivo pelo qual a presente manifestação a eles ficará restrita Supondo que as cópias dos documentos fiscais anexadas correspondam fielmente aos documentos originais, listo abaixo aqueles que comprovariam parte das despesas glosadas:" Dessa forma, a autoridade fiscal responsável pela diligência fiscal limitouse a analisar os documentos anexados à impugnação e, supondo que as cópias dos documentos fiscais corresponderiam fielmente aos documentos originais, relacionou aqueles que comprovariam parte das despesas glosadas, no montante de R$ 152.895.140,44. O acórdão recorrido, considerando que o dever de guarda da documentação incumbe a todos e não apenas à empresa líder, nos termos do § 5º do art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 834/08, com a redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 917/09, bem assim, que já teria sido Fl. 3735DF CARF MF Processo nº 18470.726102/201319 Resolução nº 1301000.424 S1C3T1 Fl. 3.736 13 realizada diligência para que a contribuinte apresentasse documentos comprobatórios das despesas glosadas, excluiu da infração o importe de R$ 38.246. 285,11, equivalente ao percentual de 25% de participação da recorrente sobre as despesas comprovadas de R$ 152.895.140,44 em procedimento de diligência fiscal. No Recurso Voluntário a recorrente afirma que um valor expressivo de R$ 19.065.208,65 incorridos pelo consórcio, em que pese devidamente comprovados pelos documentos disponibilizados pela Petrobrás, não foi analisado ou considerado quando da realização da diligência. Em seguida, relacionou às fls. 2.915 e 2.916, os documentos anexados à impugnação e que foram desconsiderados pela fiscalização: Prestadora de Serviço Valor Fls Processo Fls Arq uivo . Documentos Anexados CBO SERVIÇOS MARÍTIMOS 1.087.876,96 De 892 a 1.254 De 1.257 a 1.662 2 16 Fatura Relatório de Medição Folha de registro de serviços CBO SERVIÇOS MARÍTIMOS 1.086.805,25 De 892 a 1.254 De 1.257 a 1.662 6 20 Fatura Relatório de Medição CBO SERVIÇOS MARITIMOS 1.019.380,61 De 892 a 1.254 De 1.257 a 1.662 9 23 Fatura Relatório de Medição CBO SERVIÇOS MARITIMOS 1.023.303,65 De 892 a 1.254 De 1.257 a 1.662 12 26 Fatura Relatório de Medição Folha de registro de serviços CBO SERVIÇOS MARITIMOS 819.438,84 De 892 a 1.254 De 1.257 a 1.662 16 30 Fatura Recibo PetrobrasBHS Relatório de complemento BHS 375,94 De 127 a 503 De 1733 a 2109 142 265 Recibo PetrobrasBHS Relatório de Medição BHS 93.761,29 De 127 a 503 De 1733 a 2109 165 288 Recibo PetrobrasBHS Relatório de Medição Folha de registro de serviços BHS 619.769,82 De 127 a 503 De 1733 a 2109 169 292 Recibo PetrobrasBHS Relatório de Medição Folha de registro de serviços BHS 185.013,12 De 127 a 503 De 1733 a 2109 173 296 Recibo PetrobrasBHS Relatório de Medição Folha de registro de serviços BHS 113.780,79 De 127 a 503 De 1733 a 2109 177 300 Recibo PetrobrasBHS Relatório de Medição Folha de registro de serviços BHS 619.495,86 De 127 a 503 De 1733 a 2109 181 304 Recibo PetrobrasBHS Relatório de Medição Folha de registro de serviços BHS 895.485,43 De 127 a 503 De 1733 a 2109 195 318 Recibo PetrobrasBHS Relatório de Medição Folha de registro de serviços BHS 203.554,20 De 127 a 503 De 1733 a 2109 204 327 Recibo PetrobrasBHS Relatório de Medição Folha de registro de serviços BHS 156.162,12 De 127 a 503 De 1733 a 2109 208 331 Recibo PetrobrasBHS Relatório de Medição Folha de registro de serviços BHS 1.058.830,36 De 127 a 503 De 1733 a 2109 212 335 Recibo PetrobrasBHS Relatório de Medição Folha de registro de serviços BHS 1.053.306,39 De 127 a 503 De 1733 a 2109 216 339 Recibo PetrobrasBHS Relatório de Medição Folha de registro de serviços BHS 349.293,96 De 127 a 503 De 1733 a 2109 220 343 Recibo PetrobrasBHS Relatório de Medição Folha de registro de serviços Brasco Offshore 12.890,82 De 127 a 503 De 1733 a 2109 230 353 Nota de Débito Relatório de Reembolso Brasco Offshore 201.432,02 De 127 a 503 De 1733 a 2109 232 355 Nota de Débito Relatório de Reembolso Brasco Offshore 165.166,82 De 127 a 503 De 1733 a 2109 234 357 Nota de Débito Relatório de Reembolso Brasco Offshore 209.991,02 De 127 a 503 De 1733 a 2109 236 356 Nota de Débito Relatório de Reembolso Brasco Offshore 72.124,30 De 127 a 503 De 1733 a 2109 238 361 Nota de Débito Relatório de Reembolso Brasco Offshore 47.401,44 De 127 a 503 De 1733 a 2109 240 363 Nota de Débito Relatório de Reembolso MARE ALTA DO BRASIL NAVEGAÇÃO 1.246.108,87 De 892 a 1.254 De 1.257 a 1.622 157 170 Fatura Relatório de Medição Folha de registro de serviços MARE ALTA DO BRASIL NAVEGAÇÃO 1.244.881,27 De 892 a 1.254 De 1.257 a 1.622 161 175 Fatura Relatório de Medição Folha de registro de serviços MARÉ ALTA DO BRASIL NAVEGAÇÃO 1.167.649,70 De 892 a 1.254 De 1.257 a 1.622 166 179 Fatura Relatório de Medição Fl. 3736DF CARF MF Processo nº 18470.726102/201319 Resolução nº 1301000.424 S1C3T1 Fl. 3.737 14 MARÉ ALTA DO BRASIL NAVEGAÇÃO 1.172.143,35 De 892 a 1.254 De 1.257 a 1.622 170 183 Fatura Relatório de Medição MARÉ ALTA DO BRASIL NAVEGAÇÃO 524.613,02 De 892 a 1.254 De 1.257 a 1.622 173 188 Fatura Relatório de Medição Folha de registro de serviços MARÉ ALTA DO BRASIL NAVEGAÇÃO 384.601,16 De 892 a 1.254 De 1.257 a 1.622 178 192 Fatura Relatório de Medição Folha de registro de serviços MARÉ ALTA DO BRASIL NAVEGAÇÃO 160.853,13 De 892 a 1.254 De 1.257 a 1.622 237 250 Fatura Relatório de Medição Folha de registro de serviços MARÉ ALTA DO BRASIL 590.266,25 De 892 a 1.254 De 1.257 a 1.622 242 255 Fatura Relatório de Medição Folha de registro de serviços MARÉ ALTA DO BRASIL 589.684,75 De 892 a 1.254 De 1.257 a 1.622 247 260 Fatura Relatório de Medição Folha de registro de serviços MARÉ ALTA DO BRASIL NAVEGAÇÃO 553.101,12 De 892 a 1.254 De 1.257 a 1.622 252 265 Fatura Relatório de Medição MARÉ ALTA DO BRASIL NAVEGAÇÃO 353.735,05 De 892 a 1.254 De 1.257 a 1.622 255 270 Fatura Relatório de Medição De fato, os documentos relacionados às fls. 2.915 e 2.916 do processo não constam da Informação Fiscal de fls. 2.823 a 2.837, e também não foi justificado o motivo de sua desconsideração. Dessa forma, a fim de que possa ser assegurado à recorrente o direito ao contraditório e à ampla defesa, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a fiscalização: Elabore relatório fiscal fundamentando o motivo pelo qual os documentos acima relacionados não foram aceitos como hábeis e idôneos à comprovação das glosas efetuadas; Dê ciência à recorrente do relatório, reabrindolhe prazo para manifestação. Com relação à extensão da diligência, durante as discussões na sessão de julgamento, a Turma julgadora decidiu, por maioria de votos, que a diligência deveria também analisar a documentação anexada pela contribuinte ao recurso voluntário. Fui voto vencido na matéria, pelas razões a seguir demonstradas. A recorrente afirma que após tomar ciência do acórdão recorrido, enviou à Petrobrás nova solicitação para que a documentação faltante lhe fosse disponibilizada e que a solicitação foi parcialmente atendida, tendo sido anexados ao recurso documentação comprobatória das despesas incorridas no anocalendário de 2009 no montante de R$ 53.421.544,92. Defende que a apresentação de documentação após a impugnação estaria autorizada pelo § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. O art. 16 do Decreto nº 70.235/72, ao tratar das hipóteses de apresentação de provas após a impugnação, assim dispôs: Art. 16. A impugnação mencionará: [...]4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com Fl. 3737DF CARF MF Processo nº 18470.726102/201319 Resolução nº 1301000.424 S1C3T1 Fl. 3.738 15 fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Dessa forma, a possibilidade de apresentação de provas está restrita às hipóteses de impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, quando forem referentes a fato ou direito superveniente ou destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso em questão, a recorrente alega que estaria impossibilitada de apresentar a documentação pois não tinha acesso a ela e imaginava que a fiscalização iria solicitála em diligência. A alegação de que não possuía a documentação e, por isto, estaria impossibilitada a apresentála não caracteriza o motivo de força maior necessário para que seja permitida sua apresentação extemporânea, quando a recorrente está legalmente obrigada a manter sob sua guarda a documentação comprobatória dos lançamentos efetuados em seus livros comerciais e fiscais, nos termos do § 5ª do art. 3º da Instrução Normativa nº 834/08, com a redação dada pela Instrução Normativa nº 917/09. Assim, por ter sido juntada extemporaneamente, precluiu o direito da recorrente em apresentar a documentação comprobatória das despesas incorridas no anocalendário de 2009 anexadas ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto por: (i) rejeitar o pedido de diligência realizado pelo contribuinte e; (ii) converter o julgamento em diligência para análise de documentos anexados em impugnação e não analisados na diligência determinada pela DRJ, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo VOTO VENCEDOR Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Redator Designado. Em que pese às considerações da ilustre Relatora a respeito do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio, surgiu divergência que levou a conclusão diversa, no sentido de que os documentos trazidos pelo contribuinte em seu recurso também deverão ser analisados por ocasião da diligência proposta. Conforme se vê, a Relatora não conheceu dos documentos apresentados pelo contribuinte por ocasião da apresentação do recurso voluntário, em face da aplicação do disposto no §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 3738DF CARF MF Processo nº 18470.726102/201319 Resolução nº 1301000.424 S1C3T1 Fl. 3.739 16 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (... ) § 4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (... ) O transcrito §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. A regra é clara e justificável à medida em que atende à necessidade de que o processo administrativo tenha sua marcha uniforme para frente e exigindo aos administrados o cumprimento de prazos, permitindo, assim, a solução de conflitos em consonância com a desejada celeridade processual. De fato, não é razoável que se permita a apresentação de elementos de prova em qualquer fase recursal a critério do administrado. Porém, comungo do entendimento de que este critério não seja absoluto a ponto de colidir com outros princípios caros aos processo administrativo, a exemplo dos princípios da formalidade moderada, ampla defesa e da verdade material, devido processo legal substancial, etc. No presente caso, além de estar cerceando o direito de defesa do contribuinte, à medida em que obteve a referida documentação a qual não tinha acesso apenas posteriormente, poderá estar havendo restrição à aplicação da verdade material, pois aqueles documentos apresentados poderem revestirse de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, para a comprovação de despesas/custos incorridos por parte do contribuinte. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, em recente composição, representado pelo votovencedor da Conselheira Cristiane Silva Costa, no acórdão n° 9101002.781, cuja ementa transcrevo a seguir, por concordar com suas conclusões: Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS DE PROVA APÓS A APRECIAÇÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. POSSIBILIDADE. Novos elementos de prova apresentados no âmbito do recurso voluntário, após o julgamento de primeira instância administrativa, podem excepcionalmente ser apreciados nos casos em que fique prejudicado o amplo direito de defesa do contribuinte ou em benefício do princípio da verdade material. Situação que se apresenta comum quando o indeferimento da compensação é efetuado por meio de despacho decisório eletrônico no qual não são apresentados ao Fl. 3739DF CARF MF Processo nº 18470.726102/201319 Resolução nº 1301000.424 S1C3T1 Fl. 3.740 17 contribuinte orientações completas quanto aos documentos necessários à comprovação do direito de crédito. Recurso Especial do Contribuinte Provido. (G.N) Acresçase que a Lei n° 9.784/1999, em seu artigo 38, assim prescreve: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1° Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2° Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. (G.N) Assim, embora o artigo 16, §4a, do Decreto n° 70.235/72, estabeleça ser regra geral para efeito de preclusão que a prova documental seja apresentada juntamente com a impugnação do contribuinte, isso não impede, segundo meu juízo, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial princípio da verdade material e formalidade moderada, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, sobretudo quando se prestam a corroborar com tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dessa forma, os documentos apresentados e colacionados às fls. 2.932 a 3.718 dos autos devem ser admitidos e apreciados por ocasião da diligência proposta pela Relatora, de forma a verificar se eles comprovam as glosas efetuadas. Do exposto, propõese a conversão do julgamento em diligência para que a fiscalização: Elabore relatório fiscal conclusivo fundamentando o motivo pelo qual os documentos relacionados às fls. 2.915 e 2.916 não foram aceitos como hábeis e idôneos à comprovação das glosas efetuadas; Ainda em relatório conclusivo, elabore ainda relatório fiscal, a fim de verificar se os documentos apresentados em recurso e colacionados às fls. 2.932 a 3.718 dos autos, comprovam as glosas efetuadas. Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a Ilustre Conselheira relatora independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 3740DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.008487/2010-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/12/2009
INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA.
O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificando-as posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva.
REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007.
Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.438
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/12/2009 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007. Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 84 87 /2 01 0- 79 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10314.008487/201079 Acórdão n.º 3402004.438 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra a Recorrente, na condição de agência de navegação responsável pela importação, para exigir multa de R$ 5.000,00 com fulcro na previsão do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei nº 37/1966, passível de ser aplicada "por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Conforme indicado no relatório fiscal da autuação, o fato que ensejou a lavratura da autuação foi a retificação de ofício e a destempo, de informações do Conhecimento eletrônico na forma solicitada pela Recorrente. No entendimento da fiscalização, a retificação solicitada pela Recorrente foi realizada a destempo por ter sido registrada de oficio, em desconformidade com os artigos 45, §1º e 50 da Instrução Normativa n.º 800/2007. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada integralmente improcedente pelo Acórdão 08028.239da 2ª Turma da DRJ/FOR, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/12/2009 AGÊNCIA MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. A agência marítima que atue como representante, no País, do transportador estrangeiro, é legítima para figurar no polo passivo do auto de infração e responde, em igualdade de condições com aquele, pela infração decorrente do descumprimento da obrigação de prestar, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, informação sobre o veículo e sobre a carga nele transportada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10314.008487/201079 Acórdão n.º 3402004.438 S3C4T2 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 14/12/2009 VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste vício formal e não se configura o cerceamento do direito de defesa quando o lançamento se reveste das formalidades legais essenciais e o autuado demonstra em sua impugnação haver compreendido as acusações a ele imputadas. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITO INTER PARTES. NÃO VINCULAÇÃO. As decisões judiciais proferidas com efeito meramente inter partes não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. CONTROLE ADUANEIRO. MOVIMENTAÇÃO DE EMBARCAÇÕES, CARGAS E UNIDADES DE CARGA NOS PORTOS ALFANDEGADOS. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES. DESCARACTERIZAÇÃO. Não configura pedido de retificação de conhecimento de carga o pedido que não atenda a pelo menos uma das condições estabelecidas no artigo 23 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/12/2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória. Impugnação Improcedente" Cientificada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, reiterando suas razões de defesa, alegando em síntese: (i) preliminarmente: (i.1) a ilegitimidade passiva da Recorrente por ter atuado na condição de agente dos transportadores marítimos; e (i.2) a nulidade do Auto de Infração por não ser claro, possuindo uma confusa descrição dos fatos que impediu o ampla exercício de defesa; (ii) no mérito: (ii.1) ausência de tipicidade, sustentando a não caracterização da infração imposta vez que todas as informação de conhecimento do transportador foram oportunamente apresentadas, somente retificadas após pedido do importador; e (ii.2) a necessidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea, com fulcro na nova redação do art. 102, §2º, do Decretolei n.º 37/1966 dada pela Lei n.º 12.350/2010, vez que solicitada a retificação da documentação antes do início do procedimento fiscal. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10314.008487/201079 Acórdão n.º 3402004.438 S3C4T2 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.436, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.003078/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.436): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, adentrando em suas razões. Primeiramente, importante consignar que, na condição de agente de navegação, representante da transportadora internacional, como reconhecido pela própria Recorrente, não há que se falar na hipótese em ilegitimidade passiva. A fiscalização se respaldou na Instrução Normativa n.º 800/2007 (art. 4º1) para autuar a Recorrente como agente marítimo, por ter sido a responsável pela inserção das informações no SISCOMEX CARGA, disposição normativa fundada do Decretolei n.º 37/1966 (art. 37, §1º2) e no Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos (art. 30, §2º3). 1 "Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador." 2 "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)" (grifei) 3 "Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1o Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10314.008487/201079 Acórdão n.º 3402004.438 S3C4T2 Fl. 6 5 Com efeito, quem teria cometido a irregularidade de prestação de informações no presente caso foi a Recorrente, responsável por inserir os dados da operação, navio e mercadorias no SISCOMEX em nome do transportador estrangeiro, ainda que sob sua orientação. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/05/2008 AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003." (Processo 11128.007671/200847 Data da Sessão 25/05/2017 Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar Nº Acórdão 3302004.311 grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/02/2011 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. (...) Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido." (Processo 11684.720091/201139 Data da Sessão 27/11/2013 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 002.315) "Assunto: Obrigações Acessórias § 2o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. § 3o Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente." Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10314.008487/201079 Acórdão n.º 3402004.438 S3C4T2 Fl. 7 6 Data do fato gerador: 03/11/2004, 04/11/2004, 08/11/2004, 12/11/2004, 15/11/2004, 18/11/2004, 23/11/2004, 26/11/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque marítimo, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. PENALIDADE APLICADA CONTRA O AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada tem legitimidade para integrar o polo passivo da ação de cobrança da multa sancionadora da respectiva infração. Recurso Voluntário Negado." (Processo 11050.001776/200914 Relator Jose Fernandes do Nascimento Nº Acórdão 3802001.565 grifei) Assim, não há que se falar no caso em ilegitimidade passiva. Por outro lado, por entender que cabe ser provido o Recurso Voluntário no mérito, deixo de apreciar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente em conformidade com o art. 59, §3º do Decreto n.º 70.235/724. Isso porque, confirmase no caso em tela a ausência de tipicidade, inexistindo subsunção dos fatos descritos e documentados pela fiscalização à norma do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei n.º 37/1966. Com efeito, como relatado, a autuação foi lavrada em razão de Pedido de Retificação apresentado pela Recorrente para modificar um dado do CE Mercante, qual seja, o número do CNPJ do Consignatário, indicado no CE mercante com o número 03.3403084/000109, mas que deveria ser alterado para o número 04.732138/000736. É o que se depreende do pedido de retificação anexado ao Auto de Infração (efl. 18): 4 "Art. 59. São nulos: (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10314.008487/201079 Acórdão n.º 3402004.438 S3C4T2 Fl. 8 7 Contudo, como se depreende da expressão do art. 107, IV, "e", do Decretolei n.º 37/1966, essa penalidade somente será aplicada quando as informações relativas ao veículo ou cargas neles transportadas, ou quanto às operações realizadas, deixarem de serem prestadas à Secretaria da Receita Federal. Tratase, portanto, de um tipo que exige uma conduta omissiva por parte do agente: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e" (grifei) Atentandose para o presente caso, observase que não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX. Somente um dado do CE foi retificado (CNPJ do Consignatário) conforme solicitação do importador formulada em 30/07/2008 (efl. 66), após a atracação do navio. Desta forma, inexiste a subsunção do fato descrito pela fiscalização (frisese, de uma forma efetivamente confusa e genérica, como mencionado pela Recorrente) com a norma imputada, devendo ser cancelada a autuação. Nesse exato sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10314.008487/201079 Acórdão n.º 3402004.438 S3C4T2 Fl. 9 8 Anocalendário: 1996, 1997, 1998 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N.° 28/1994 (ART. 37). DECRETOLEI N° 37/1966 (ART. 107, IV, “E”). RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, “e, do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado." (Processo 11684.000246/201036 Data da Sessão 10/12/2014 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 003.962 Unânime grifei) Assim, inexistia respaldo legal para a exigência. Cumpre ainda acrescer que a autuação se fundamentava apenas em dispositivo infralegal do artigo 45, §1º da Instrução Normativa n.º 800/20075, que trazia uma extensão da aplicação do art. 107, IV, 'e' do Decretolei n.º 37/ para a "prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação". Contudo, além desta exigência não se respaldar na lei, como visto, ela foi expressamente revogada pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. 5 "Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 1o Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 2o Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)" Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10314.008487/201079 Acórdão n.º 3402004.438 S3C4T2 Fl. 10 9 Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a exigência da penalidade também foi decorrente de retificação de dados no CE, ou seja, "não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX". Houve apenas a retificação de dado do CE após a atracação do navio. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000243/2007-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.350
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MADEM SA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS E EMBALAGENS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 02 43 /2 00 7- 19 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11020.000243/200719 Acórdão n.º 9303005.350 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 380300.868. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS é uma operação que equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo da PIS/ COFINS, conforme dispõe o art. 1° §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11020.000243/200719 Acórdão n.º 9303005.350 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11020.000243/200719 Acórdão n.º 9303005.350 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11020.000243/200719 Acórdão n.º 9303005.350 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 201DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.728683/2015-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF 63. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DATA DE INÍCIO DA MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia grave deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Nos termos do § 5º, inciso III, do art. 39 do Decreto nº 3.000/99, a data de início da moléstia grave, para fins da isenção dos proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstias graves, é aquela identificada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a autuação por omissão de rendimentos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF 63. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DATA DE INÍCIO DA MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia grave deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Nos termos do § 5º, inciso III, do art. 39 do Decreto nº 3.000/99, a data de início da moléstia grave, para fins da isenção dos proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstias graves, é aquela identificada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a autuação por omissão de rendimentos. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
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SÚMULA CARF 63. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DATA DE INÍCIO DA MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia grave deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Nos termos do § 5º, inciso III, do art. 39 do Decreto nº 3.000/99, a data de início da moléstia grave, para fins da isenção dos proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstias graves, é aquela identificada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a autuação por omissão de rendimentos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 86 83 /2 01 5- 54 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 15504.728683/201554 Acórdão n.º 2202004.074 S2C2T2 Fl. 88 2 (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 15504.728683/201554, em face do acórdão nº 1280.294, julgado pela 18ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO), na sessão de julgamento de 07 de abril de 2016, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: "Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos foi lavrada a notificação de lançamento, de fls. 5/9, relativa ao exercício 2014/anocalendário 2013, em que o saldo do imposto a restituir ajustado foi de R$ 3.935,02 (fl. 8). De acordo com a Descrição dos Fatos, de fl. 6, houve apuração de Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício, no valor de R$ 363.117,09, do Tribunal da Justiça do Estado de Minas Gerais. À fl. 6 constam os dispositivos legais considerados adequados pela autoridade fiscal para dar amparo ao lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação, de fls. 2/4, por intermédio de sua procuradora, conforme instrumento de mandato de fl. 10, alegando, em síntese, ter direito à isenção do imposto de renda pessoa física por ser aposentado e portador de moléstia grave, de acordo com os documentos em anexo (fls. 12/17), e que o Centro de Saúde Tia Amância é serviço médico oficial. Requer também a prioridade prevista no art. 69A da Çeo m° 9.784/1999. Nos termos da fl. 43, o processo foi encaminhado para julgamento." A 18ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO) entendeu que o contribuinte não logrou êxito em comprovar que os rendimentos recebidos são isentos com base no inciso XIV do artigo 6º, da Lei nº 7.713/1988 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 15504.728683/201554 Acórdão n.º 2202004.074 S2C2T2 Fl. 89 3 com a redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541/1992 e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei nº 9.250/1995. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 69/73, reiterando as alegações da impugnação. Ademais, em anexo ao recurso voluntário, promove o contribuinte a juntada de documentos, às fls. 74/83, de modo a comprovar a existência de moléstia grave. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material e formalismo moderado. O contribuinte alega que seus proventos de aposentadoria são isentos do imposto de renda por ser portador de moléstia grave, conforme documentos juntados ao processo. O pleito de isenção do contribuinte está previsto no inciso XXXIII, do art. 39, do regulamento do imposto de renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26.03.1999, que tem como base legal o inciso XIV, do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988, com alterações do art. 47, da Lei nº 8.541, de 1992, e art. 30, § 2º, da Lei nº 9.250, de 1995, in verbis: Art. 39 Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão de medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma.” [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial Fl. 89DF CARF MF Processo nº 15504.728683/201554 Acórdão n.º 2202004.074 S2C2T2 Fl. 90 4 emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e §1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. (grifouse) Do dispositivo legal mencionado, inferese que duas condições básicas devem ser preenchidas pelo contribuinte que pretende pleitear a isenção decorrente de moléstia grave, sendo a primeira que os rendimentos recebidos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e a segunda concernente à comprovação do estado de moléstia grave, mediante laudo médico oficial. A DRJ de origem compreendeu que não teria o contribuinte direito a isenção por moléstia grave, pelos argumentos abaixo transcritos do voto do Relator: "Todavia, o documento apresentado não foi emitido em papel timbrado da instituição médica e tampouco contém os requisitos mínimos, dentre eles o número de matrícula funcional da médica que o assinou junto ao órgão público, de modo a vincular a profissional a algum serviço médico de saúde oficial. Ressaltese que o documento juntado ao presente processo, de fl. 17, não esclarece esse fato, tendo em vista que se refere à médica Dra. Eliana Miranda, genericamente, na função pública de gerente de unidade de saúde. Cabe destacar que o documento não afirma textualmente que o contribuinte é portador de neoplasia maligna em 2013, ano calendário em análise, limitandose a informar que o interessado “...está sob cuidados médicos desde 29/03/2004 segundo relatório médico em anexo do Dr.Otacílio José Bicalho...”. Verificandose esse relatório médico que foi anexado ao processo n° 15504.722232/201422, observase que o contribuinte foi submetido à prostatectomia radical em 29/03/2004, fazendo controle ambulatorial semestralmente desde então, porém sem asseverar literalmente que é portador de moléstia grave em 2013. Fazse mister reproduzir, a seguir, trecho do Termo Circunstanciado constante do processo de n° 15504.722232/201422, ora juntado aos autos por esta instância Fl. 90DF CARF MF Processo nº 15504.728683/201554 Acórdão n.º 2202004.074 S2C2T2 Fl. 91 5 julgadora (fls. 47/49), referente ao anocalendário 2009, ao analisar o mesmo documento: “Respondendo a uma consulta feita pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que os médicos contratados/nomeados para a perícia médica da PBH são lotados na Gerência de Saúde do Servidor e Perícia Médica e possuem carimbo de peritos e médicos da GSPM. Não existe, pelo menos pelo que é demonstrado no documento apresentado, nenhuma evidência da investidura da Dra. Eliana Miranda e S. Moreira do “munus” da emissão de laudos concessivos da isenção preconizada no art. 30 da lei nº 9.250/95. Em face do acima exposto, o laudo apresentado não se presta a fazer prova junto à Receita Federal do Brasil de moléstia grave para fins de isenção do imposto de renda.” Cabe reparar, ainda, que a legislação do imposto de renda exige para validade do laudo médico que tal instrumento revistase do detalhamento, especificidade e conclusividade suficientes para tornarse um meio capaz de formar a convicção da autoridade fiscal. Quanto à cópia do Ofício n° 1366/2014 do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que comunica o deferimento do pedido de isenção do imposto de renda, cumpre esclarecer que não supre a apresentação de um laudo médico pericial oficial, nos termos da legislação tributária, que identifique o início da moléstia grave. Dessa forma, concluise que os documentos apresentados são inábeis para a comprovação do estado clínico do paciente, e, em conseqüência, para formar a convicção do seu destinatário, no caso, a Receita Federal do Brasil, de que o contribuinte é portador de moléstia grave no anocalendário 2013. Por conseguinte, diante das exposições supra, o contribuinte não logrou comprovar que os rendimentos recebidos são isentos com base no inciso XIV do artigo 6º, da Lei nº 7.713/1988 com a redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541/1992 e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei nº 9.250/1995." (grifouse) No caso, o contribuinte foi autuado por omissão de rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, no valor de R$ 363.117,09, no exercício 2014. A descrição dos fatos que consta na notificação de lançamento (fl. 06), foi o seguinte: "O contribuinte pleiteia isenção por moléstia grave, apresentando um laudo emitido pelo C. S. Tia Amância e assinado pela Dra. Eliana Miranda e S. Moreira CRM 12997. Não há, no documento apresentado, qualquer evidência da investidura da referida profissional pela Prefeitura de Belo Fl. 91DF CARF MF Processo nº 15504.728683/201554 Acórdão n.º 2202004.074 S2C2T2 Fl. 92 6 Horizonte do "munus" da emissão de laudos concessivos de isenção como preconizado no art. 30 da Lei nº 9.250/95." Consoante já referido no início deste voto, o contribuinte apresentou documentos em anexo ao recurso voluntário, recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material e formalismo moderado. Portanto, passase a análise dos documentos que constam nos autos. Conforme documento de fl. 46 dos autos, o contribuinte está aposentado, a pedido, desde 04 de setembro de 2009 do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Pelo laudo médico oficial, de fl. 74, verificase que o contribuinte é portador de adenocarcinoma de próstata (CID C61). Ainda, é referido que a moléstia em questão é aquela referida no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88 e no § 2º do art. 30 da Lei nº 9.250/95 seria a neoplasia maligna. O laudo é de serviço médico oficial, consoante carimbo da UBS Sagrada Família do Município de Belo Horizonte. No carimbo que consta no laudo pericial há o CNPJ de nº 18.715.383/000140. Em consulta ao site da Receita Federal do Brasil, em consulta a inscrição e situação cadastral, verificase que este CNPJ é do Município de Belo Horizonte. Ainda, verificase que o laudo não possui data de validade, sendo ele emitido em 01/03/2016. No entanto, está declarado no laudo que o contribuinte é portador da moléstia grave desde 04/2004. Acrescentase que o laudo pericial ora apreciado foi realizado pelo médico Reginaldo Martello, CRM/MG 13.917, sendo sua especialidade a urologia. Em fl. 75, é ainda apresentado um atestado do médico Reginaldo Martello, CRM/MG 13.917, BM (boletim de matrícula) nº 48.8244, também do médico, para isenção de imposto de renda, cujo teor é abaixo reproduzido: "ATESTADO MÉDICO PARA ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA Segurado/Examinado: GERALDO HAROLDO PAIVA Documento de Identificação: MG868,908 CPF: 04459423634 Atesto para os devidos fins que se fizerem necessários junto ao INSS/ Ministério da Fazenda Receita Federal, que o segurado identificado acima, é portador de NEOPLASIA MALIGNA (CIDI 0=C61) OBSERVAÇÕES: paciente acima é portador de ADENOCARCLNOMA DE PRÓSTATA (CID I 0=C6 I ), diagnosticado em FEVEREIRO/2004, através de BIÓPSIA PROSTÁTICA TRANS RETAL, mostrando TUMOR MALIGNO PROST ÁTICO (ADENOCARCINOMA DE PROSTATA, Gleason=3+4=7). Foi submetido a TRATAMENTO CIRÚRGICO (PROSTATECTOMIA RADICAL) em 29/03/2004. Deverá permanecer em controle urológico por tempo indeterminado, devido ao RISCO DE RECIDIVA DA DOENÇA em qualquer época, pois essa Neoplasia Maligna não apresenta garantia de cura. Está agora em tratamento de NEOPLASIA PULMONAR, COM METÁSTASES CEREBRAIS, já tendo feito RADIOTERAPIA E ESTÁ EM Fl. 92DF CARF MF Processo nº 15504.728683/201554 Acórdão n.º 2202004.074 S2C2T2 Fl. 93 7 TRATAMENTO COM DROGAS ORAIS ESPECÍFICAS, conforme documentos anexos. Belo Horizonte, 29/02/2016." Por fim, às fls. 76/78 são apresentados documentos complementares (exames médicos e laboratoriais) pelo contribuinte para provar que ele faz jus a isenção. Assim, verificase que desde 04/2004 faz jus o contribuinte a isenção por moléstia grave. Logo, considerando que o período abrangido na presente notificação de lançamento é do exercício 2014, entendo que o contribuinte neste período possui direito a isenção por moléstia grave, devendo ser julgado improcedente o lançamento. Portanto, cabendo ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado e tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a autuação por omissão de rendimentos. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.901864/2008-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO.
O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal.
PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO.
Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.069
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Júlio César Alves Ramos, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise dos novos documentos juntados pelo sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Recorrente AUTOTRAC COMÉRCIO E TELECOMUNICAÇOES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 18 64 /2 00 8- 77 Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10166.901864/200877 Acórdão n.º 9303005.069 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Júlio César Alves Ramos, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise dos novos documentos juntados pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3803000.944, de 28/10/2008, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA AUSÊNCIA DA ESCRITURAÇÃO A ausência nos autos de material comprobatório consistente na escrituração contábil e fiscal que justifique a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, impede formar convicção sobre as alegações de existência de crédito. Contra a decisão, a contribuinte apresentou embargos de declaração, que, acolhidos, mas sem modificação do julgamento, resultou em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Embargos Acolhidos Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10166.901864/200877 Acórdão n.º 9303005.069 CSRFT3 Fl. 4 3 A contribuinte, então, apresentou novos embargos, aos quais, todavia, foi negado seguimento. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto à inadmissibilidade da prova apresentada pela Recorrente, apenas no recurso voluntário, tendo sido aplicado ao caso o princípio da preclusão, à luz do que reza o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido no Acórdão nº 902001.634. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela contribuinte. Cientificada, a Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.065, de 16/05/2017, proferido no julgamento do processo 10166.900706/200808, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.065): Da Admissibilidade "Com a devida vênia ao bem fundamento voto do Ilustre Conselheiro Relator, a maioria dos membros do Colegiado divergiu do seu entendimento quanto à admissibilidade do recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte, prevalecendo o entendimento pelo prosseguimento do apelo especial. O presente processo administrativo originouse de pedido de compensação transmitido pela Contribuinte, em 11/03/2004, de créditos de COFINS decorrentes de pagamento indevido ou a maior, para liquidação de débitos próprios. Sobreveio despacho decisório não homologando o pedido de compensação, sob o fundamento de inexistência de crédito disponível para compensação com os débitos informados. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10166.901864/200877 Acórdão n.º 9303005.069 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendose insurgido a Contribuinte por meio de manifestação de inconformidade, a DRJ entendeu por manter a não homologação da compensação em razão do saldo insuficiente para compensar e, ainda, acrescentou os seguintes argumentos: a Contribuinte não trouxe aos autos elemento de prova de erro material no preenchimento da DCTF; e a simples apresentação das cópias da DIPJ e da DCTF, bem como de planilha elaborada pelo Sujeito Passivo, sem a devida escrituração, não são suficientes para comprovar as suas alegações. Em sede de julgamento de recurso voluntário, sobreveio o acórdão nº 380300.949, ora recorrido, que lhe negou provimento em razão da ausência de provas nos autos, consistente na escrituração contábil e fiscal da empresa, que justificassem a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, conforme trecho destacado acima pelo nobre Relator, in verbis: [...] No entanto, a contribuinte não trouxe aos Autos material probatório que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao DARF recolhido, bem como a possibilidade de utilizálo para quitar os débitos apurados em outros períodos. Apresentar apenas cópias da DIPJ, da DCTF e da planilha elaborada pela própria contribuinte, sem a devida escrituração, não é suficiente para comprovar as alegações da contribuinte, não sendo, portanto, capaz de "desconstituir o que foi constituído". [...] Opostos embargos de declaração pela Contribuinte, a decisão de negativa de provimento ao recurso voluntário foi complementada, nos termos do acórdão nº xxx, para acrescentar considerações quanto aos documentos e esclarecimentos trazidos aos autos sobre o equívoco das informações prestadas em DCTF, in verbis: [...] Compulsando o voto condutor da decisão embargada, há que se dar razão à Embargante, já que, aparentemente, o relator limitou se a refutar o poder probante das provas acostadas aos autos até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, sem nada acrescentar quanto aos documentos e esclarecimentos trazidos aos autos no recurso voluntário, no sentido de evidenciar o erro cometido nas informações prestadas em DCTF. [...] Talvez tal omissão expliquese pela preclusão temporal que se operou. É que, de acordo com as normas processuais, é na manifestação de inconformidade que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10166.901864/200877 Acórdão n.º 9303005.069 CSRFT3 Fl. 6 5 As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. [...] Este colegiado já teve oportunidade de manifestarse nesse sentido, por meio do Acórdão nº 380302.042, de 6 de outubro de 2011: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004 ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Ainda que, por liberalidade injustificada, se conhecesse dos documentos aportados aos autos intempestivamente, o recorrente o recorrente não se preocupou em identificar, inequivocamente, a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, limitandose a apresentar planilha de demonstração do valor recolhido a maior de cálculo e demonstrativos outros, sem resguardo de qualquer formalidade e, principalmente, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada. [...] Conforme se depreende da fundamentação do acórdão que acolheu os embargos de declaração, não houve alteração do resultado do julgamento do recurso voluntário, nem mesmo acréscimo de argumentos à decisão, mas sim restou esmiuçado e detalhado o entendimento de que a não apresentação das provas do crédito tributário em momento oportuno implica na preclusão de o contribuinte fazêlo. Além disso, no acórdão de embargos de declaração não houve a apreciação dos documentos juntados com o recurso voluntário, conforme pretendia o Recorrente, mas simplesmente foram listados e concluiu o julgador, nos mesmos termos do acórdão então embargado, ser imprescindível a juntada de escrita fiscal e contábil para comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pretendido compensar. A Contribuinte interpôs, ainda, novos embargos de declaração por entender que permanecia a omissão no julgado quanto à documentação apresentada, e a existência de contradição e obscuridade, tendo sido os mesmos rejeitados consoante despacho nº 3803000.154, de 21/09/2012 (fls. 581 a 584), de cujo inteiro teor extraise que: Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10166.901864/200877 Acórdão n.º 9303005.069 CSRFT3 Fl. 7 6 [...] Inexiste no acórdão embargado qualquer omissão a reclamar o acolhimento dos presentes embargos, pois tanto os fatos quanto os fundamentos da decisão foram expostos de forma clara, concisa e nítida. Digno de nota, a decisão recorrida enfrentou expressamente a questão, ao declinar que os documentos apresentados na manifestação de inconformidade não eram hábeis e suficientes para atestar a liquidez e certeza dos créditos opostos em compensação e que a documentação aportada aos autos juntamente com o recurso voluntário, ainda insuficiente para o mesmo fim, não seria conhecida em razão de sua intempestividade. Inexiste vício a sanar na decisão embargada. [...] Portanto, com a devida vênia ao entendimento contrário, um único fundamento prevaleceu para negar provimento ao recurso voluntário: a não apresentação de documentos hábeis a comprovar a pretensão compensatória da empresa quando da apresentação da manifestação de inconformidade, nesses compreendidos a escrita fiscal e contábil, acarreta a preclusão e impede o julgador de formar convicção quanto ao direito creditório. Não há de se falar, assim, em fundamentos autônomos e suficientes, cada um por si só, para manutenção da decisão recorrida. O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte face à negativa de provimento ao recurso voluntário, atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e reproduzido na Portaria MF nº 343/2015, devendo ter prosseguimento. Ao invocar a existência de dissenso jurisprudencial quanto à "inadmissibilidade da prova apresentada pela Recorrente, apenas no recurso voluntário, tendo sido aplicado ao caso o princípio da preclusão", colacionou o acórdão paradigma nº 902001.634, comprovando a divergência de entendimentos, conforme se extrai da ementa do julgado paradigmático: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999 APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL E PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10166.901864/200877 Acórdão n.º 9303005.069 CSRFT3 Fl. 8 7 No entanto, a noção de preclusão não pode ser levada às últimas conseqüências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material. Recurso especial negado. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. Diante do exposto, entendeu a maioria do Colegiado por conhecer do recurso especial da Contribuinte, nos termos do voto que me coube redigir apenas quanto à admissibilidade do recurso." Do Mérito (...) Todavia, como este não foi o entendimento da Turma, aderimos à tese prevalecente quanto ao mérito do litígio, uma vez que, no caso, a Recorrente sequer foi intimada a apresentar provas do direito que alegava seu antes de proferido o Despacho Decisório, em desconformidade com o que preceitua o art. 3º, III, da Lei nº 9.784, de 1999. Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, determinando o envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 646DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.000976/2009-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRPF. RENDIMENTOS ACUMULADOS. AÇÃO JUDICIAL. REGIME DE CAIXA. DECISÃO DA CSRF
De acordo com art. 62 §2° do Anexo II do RICARF necessário aplicação do quanto estabelecido na decisão do E. STF, no RE 614.406/RS. Matéria reconhecida pela CSRF. Contribuinte que peticiona nos autos solicitando o cálculo do crédito a ser aplicável. Conhecido e provido parcialmente o recurso do contribuinte para fins da unidade preparadora observar valores recolhidos e se atentar à decisão da CSRF.
Numero da decisão: 2201-003.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 01/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 IRPF. RENDIMENTOS ACUMULADOS. AÇÃO JUDICIAL. REGIME DE CAIXA. DECISÃO DA CSRF De acordo com art. 62 §2° do Anexo II do RICARF necessário aplicação do quanto estabelecido na decisão do E. STF, no RE 614.406/RS. Matéria reconhecida pela CSRF. Contribuinte que peticiona nos autos solicitando o cálculo do crédito a ser aplicável. Conhecido e provido parcialmente o recurso do contribuinte para fins da unidade preparadora observar valores recolhidos e se atentar à decisão da CSRF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 01/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
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RENDIMENTOS ACUMULADOS. AÇÃO JUDICIAL. REGIME DE CAIXA. DECISÃO DA CSRF De acordo com art. 62 §2° do Anexo II do RICARF necessário aplicação do quanto estabelecido na decisão do E. STF, no RE 614.406/RS. Matéria reconhecida pela CSRF. Contribuinte que peticiona nos autos solicitando o cálculo do crédito a ser aplicável. Conhecido e provido parcialmente o recurso do contribuinte para fins da unidade preparadora observar valores recolhidos e se atentar à decisão da CSRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 09 76 /2 00 9- 52 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10860.000976/200952 Acórdão n.º 2201003.841 S2C2T1 Fl. 223 2 Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 01/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório 1 Tratase de Recurso de Voluntário (fls.106/113) interposto pelo contribuinte em face da decisão da DRJ/SP2 questionando o auto de infração sobre IRPF ano calendário de 2008 Exercício 2009 no valor total de R$ 7.989,60 de acordo com fls. 15/20. 2 – Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 106/113) por sua precisão: “Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada, em 24/08/2009, a notificação de lançamento de fls. 12/13verso, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2008, em decorrência da apuração da seguinte infração: Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 16.292,70. Fonte pagadora: Instituto Nacional do Seguro Social; Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$ 407.340,17. Consta ainda, que na apuração do imposto devido, foi compensado o imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 16.292,70 e que foram deduzidos do valor do levantamento (R$ 543.090,14), os honorários advocatícios de R$ 135.750,00. Cientificado do lançamento em 03/09/2009 (fl. 73), o interessado apresentou, em 05/10/2009, a impugnação de fls. 01/11, por intermédio de procurador (procuração a fl. 15), acompanhada dos documentos de fls. 17/26, alegando que: Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10860.000976/200952 Acórdão n.º 2201003.841 S2C2T1 Fl. 224 3 Os rendimentos notificados como omissão de rendimentos são proventos de aposentadoria recebidos através de Ação Revisional junto à Justiça Federal, porém rendimentos isentos pela sua natureza; A ação civil pública n.º 1999.61.00.0037100 teve sentença de procedência proferida, sendo a União condenada a devolver a todos os segurados, pensionistas ou beneficiários, tanto da Previdência Social, quanto da Assistência Social, os valores descontados a título de imposto de renda que incidiram sobre benefícios recebidos com atraso; Transcreve o Despacho do Ministério da Fazenda s/n de 11.05.2009 e cita e transcreve o Ato Declaratório PGFN n.º 01, de 27/03/2009, que dizem que o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas próprias a que se referem tais rendimentos; Alega que o STJ já tem jurisprudência firmada reconhecendo a impossibilidade de a autarquia reter imposto de renda na fonte quanto o reconhecimento do benefício ou de eventuais diferenças não resulta de ato voluntário do devedor, mas apenas de imposição judicial; Transcreve decisão do STJ sobre o tema, em que resta reconhecido que a revisão judicial tem natureza de indenização, pelo que o aposentado deixou de receber mês a mês; Sendo os proventos de aposentadoria recebidos acumuladamente através de ação revisional, considerados rendimentos isentos e não tributáveis, requer a procedência integral da presente impugnação. Solicita, a fl. 79, prioridade na análise de sua impugnação, com base no Estatuto do Idoso.” 3 A decisão da DRJ/SDR (fls. 106/113) julgou improcedente a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10860.000976/200952 Acórdão n.º 2201003.841 S2C2T1 Fl. 225 4 IRPF. RENDIMENTOS ACUMULADOS. AÇÃO JUDICIAL. REGIME DE CAIXA. A tributação dos rendimentos recebidos por pessoas físicas, inclusive quando se trata de rendimentos recebidos acumuladamente por meio de ação judicial, é feita pelo regime de caixa, aplicandose as tabelas e alíquotas vigentes no anocalendário em que os rendimentos foram efetivamente entregues ao contribuinte. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. Os rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte em decorrência de ação judicial para obtenção de benefício previdenciário não têm caráter indenizatório e estão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual os seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 4 Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, às fls. 117, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 118/130, onde reitera e reforça os mesmos argumentos da impugnação. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10860.000976/200952 Acórdão n.º 2201003.841 S2C2T1 Fl. 226 5 5 Na sessão de 16/07/2014 a extinta 2ª turma especial desse E. Sodalício através do Acórdão 2802002.924 às fls. 140/112 deu provimento ao recurso voluntário anulando o lançamento ementado da seguinte forma: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 VERBAS SALARIAIS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedandose a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa). Impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído e em inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88. Recurso Provido.” 6 – Às fls. 158/169 Recurso Especial da PGFN admitido pela decisão de fls. 171/174 e às fls. 181/185 contrarrazões do contribuinte. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10860.000976/200952 Acórdão n.º 2201003.841 S2C2T1 Fl. 227 6 7 – Em sessão do dia 12/04/2016 a 2ª Turma da CSRF através do Ac nº 9202003.957 deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). 8 – No dispositivo do V. Acórdão a 2ª Turma da CSRF assim decidiu: “Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a manutenção do auto de infração, apenas determinando a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos, devendose porém retornar o feito à autoridade julgadora a quo, para fins de nova manifestação acerca dos pontos recursais não enfrentados pelo recorrido, considerado o Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10860.000976/200952 Acórdão n.º 2201003.841 S2C2T1 Fl. 228 7 anterior prevalecimento, naquele, da tese de anulação do lançamento por vício material.” 9 – Redistribuído os autos a esse Relator. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 10 – Os autos retornaram a esta C. Turma após redistribuição para análise e julgamento de outros pontos não enfrentados no Recurso Especial. 11 O contribuinte cientificado da decisão da C. CSRF às fls. 209/210 diz textualmente em sua petição: Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10860.000976/200952 Acórdão n.º 2201003.841 S2C2T1 Fl. 229 8 12 – Entendo que a manifestação acima do contribuinte deixa claro a expressa aceitação da decisão ad quem por seus próprios fundamentos o que caracteriza fato impeditivo do direito de recorrer e necessidade de entrar a outros aspectos de seu recurso voluntário. 13 De acordo com o Código de Processo Civil em seus arts. 1.002 e 1.008, verbis: Art. 1.002. A decisão pode ser impugnada no todo ou em parte. Art. 1.008. O julgamento proferido pelo tribunal substituirá a decisão impugnada no que tiver sido objeto de recurso. 14 Como o julgamento do recurso tem efeito substitutivo da decisão recorrida, é essencial que o recurso ataque pontos dela. Contudo, nesse caso, naquilo em que a C.CSRF devolveu para essa turma julgar, entendo que o contribuinte abriu mão dessa análise dos demais pontos do Recurso Voluntário. 15 Mesmo que houvesse tais pontos eventualmente não enfrentados, pela análise de sua peça recursal verifico que não há outras matérias em debate que não seja essa julgada pela C. CSRF já destacada. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10860.000976/200952 Acórdão n.º 2201003.841 S2C2T1 Fl. 230 9 Conclusão 16 Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e dar provimento parcial, com a observação que a autoridade preparadora considere na apuração de eventual imposto a restituir o recolhimento do DARF de fls. 69, cumprindo com o que foi determinado pela C.CSRF no Ac. 9202003.957. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.913489/2008-76
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
COMPROVAÇÃO.
Alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para evidenciar o direito creditório pleiteado.
PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE CSLL. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Para que haja direito à compensação, devem ser comprovadas, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição.
Numero da decisão: 1801-000.564
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar afastar as nulidades suscitadas pela Recorrente e , no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 COMPROVAÇÃO. Alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para evidenciar o direito creditório pleiteado. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE CSLL. LIQUIDEZ E CERTEZA. Para que haja direito à compensação, devem ser comprovadas, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1663; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2.33 1 11..3333 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.913489/200876 Recurso nº 227.640 Voluntário Acórdão nº 180100.564 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de maio de 2011 Matéria PER/DCOMP Recorrente RADIO MUNDIAL SOCIEDADE ANÔNIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 COMPROVAÇÃO. Alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para evidenciar o direito creditório pleiteado. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE CSLL. LIQUIDEZ E CERTEZA. Para que haja direito à compensação, devem ser comprovadas, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar afastar as nulidades suscitadas pela Recorrente e , no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15374.913489/200876 Acórdão n.º 180100.564 S1TE01 Fl. 3.33 2 Relatório A Recorrente formalizou a Declaração de Compensação (DComp) em 30/08/2004, fls. 02/08, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$79.142,82 do anocalendário de 2003 apurado com base no lucro real anual para compensação dos débitos de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), código nº 2362, no valor de R$39.004,11 referente ao fato gerador de julho de 2004 e de CSLL, código 2484, no valor de R$22.129,33 relativamente ao fato gerador de julho de 2004. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 09, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Analisadas as Informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não foi apurado saldo negativo, uma vez que, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), correspondente ao período de apuração do crédito informado no PER/DCOMP, consta contribuição social a pagar. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$79.142,82 Valor da contribuição social a pagar na DIPJ: R$7.290,72 Cientificada em 22/08/2008, fl. 22, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 02/09/2008, fl. 10, com as alegações abaixo sintetizadas. Suscita Em 22/09/2008 foi transmitida uma declaração retificadora da DIPJ 2004 — Ano calendário 2003, a fim de regularizar a composição do Saldo Negativo,de CSLL e transmitida DIPJ 2005 — Ano calendário 2004, a fim de, regularizar o valor do IRPJ e CSLL apurados por estimativas mensais. DO DIREITO: Passamos a demonstrar a manifesta improcedência da cobrança dos débitos, através da apresentação da seguinte documentação: DIPJ 2004 — Ano calendário 2003 (retificada em 22/09/2008) DIPJ 2005 — Ano calendário 2004 (retificada em 22/09/2008) Conclui Diante dos fatos aqui expostos, havendo comprovação de que o crédito objeto de compensação através da Per/Dcomp n° 097788.50953.300804.1.3.032181 é devido, espera e requer a manifestante, que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, a homologação da declaração supracitada uma vez que o crédito existe. Nestes termos, Fl. 150DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15374.913489/200876 Acórdão n.º 180100.564 S1TE01 Fl. 4.33 3 Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 8ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº , 1228.368, de 05/02/2010, fls. 28/31:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento (art. 147, §1°, do CTN). HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO A inexistência de crédito liquido e certo implica no não reconhecimento do direito creditório com a consequente não homologação das compensações. Notificada em 03/03/2010, fl. 22, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 31/03/2010, fls. 34/47, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que não concorda com fato de seu pedido ter sido indeferido ao argumento tãosomente de que a DIPJ Retificadora do anocalendário de 2003 não foi aceita. Esclarece que incorreu em erro no preenchimento da DIPJ Original conforme demonstra reconstituindo a Ficha 17: Discriminação DIPJ Original – R$ DIPJ Retificadora – R$ Base de Cálculo Antes da CSLL 704.898,26 704.898,26 Provisões Não Dedutíveis 2.704.197,98 1.054.421,95 Despesas Não Dedutíveis 70.563,89 70.563,89 SubTotal 1 Adições 2.774.761,87 1.124.985,84 Reversão de Saldos de Prov. Não Dedutíveis 1.969.948,74 1.525.432,32 SubTotal 2 Exclusões 1.969.948,74 1.525.432,32 BC Antes da Comp da BC Negativa do Período 1.509.711,39 304.451,78 BC Antes da Comp da BC Neg do Per Anterior 91.335,53 BC da CSLL 135.874,03 213.116,25 CSLL Devida 19.180,46 CSLL Paga por Estimativa 128.452,95 133.630,90 CSLL Retida na Fonte por Órgão Público 130,36 130,36 CSLL a Pagar 7.290,72 (114.580,80) Explica Fl. 151DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15374.913489/200876 Acórdão n.º 180100.564 S1TE01 Fl. 5.33 4 Sabese que a declaração anteriormente entregue pode ser 'retificada independentemente de autorização da Autoridade Administrativa, e tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, conforme previsto no artigo 18 da MP nº 2.18949 de 2001 e no artigo 1º da IN SRF nº 166 de 1999. Portanto, o crédito apontado na retificadora deveria ter sido considerado pelo Fisco, pois não se pode olvidar que a DIPJ retificadora reflete, no presente caso, a verdade material, indicando o credito real do contribuinte, conforme demonstram os DARFs referentes aos recolhimentos por estimativa e a apuração de CSLL ano calendário 2003. (docs. 3 e 4) Tece considerações sobre o poderdever da Administração Pública, o enriquecimento ilícito e ainda sobre o art. 3º e art. 165 do Código Tributário Nacional. Argúi que Temse que no anocalendário 2003, a Recorrente não apurou CSLL a pagar por estimativa nos meses de Janeiro a Outubro em razão de base de cálculo negativa. Em novembro foi apurada CSLL a pagar no valor de R$ 6.928,03 e em dezembro, R$ 12.122,07, eis que as bases de cálculo nestes meses foram R$78.426,55 e R$ 213.116,25, respectivamente. Restou, pois, totalizado, para o referido ano calendário, o valor de CSLL a pagar de R$ 19.050,10 . De forma equivocada, porém, na apuração de CSLL por estimativa, quando da aplicação da alíquota sobre bases de cálculo incorretas, recolheu a Recorrente, o valor de R$128.452,95, que originou o crédito pleiteado. No momento da Demonstração da CSLL apurada para o anocalendário 2003, ao final do período, obtevese um crédito de R$109.402,85. Foi justamente este o crédito utilizado no PER/DCOMP para compensação dos débitos nele indicados. Desta forma, não se pode negar a existência do crédito que poderia ter sido reconhecido pelo Fisco através de uma simples diligência na contabilidade da Recorrente. Observase, ademais, que o equívoco na apuração de saldo negativo já salta aos olhos mesmo da DIPJ original (doc.5). Isto porque, para o mês de junho, muito embora se tenha base negativa, recolheuse o quantum de R$3.032,98 (doc.3). Igualmente adotouse este errôneo procedimento para julho. Quanto a setembro e outubro, os valores pagos por estimativa superam o montante indicados na DIPJ. Logo, já se deveria ter determinado a diligência. Mas, é lógico, que as cópias dos livros ora anexados demonstram o quão líquido é o crédito pretendido. Indica a legislação que rege a matéria, princípios que alega foram violados ainda entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante todo o exposto, a Recorrente requer, sejam homologadas as compensações requeridas por ela. Fl. 152DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15374.913489/200876 Acórdão n.º 180100.564 S1TE01 Fl. 6.33 5 Protesta a Recorrente pela exposição de razões adicionais às aqui expendidas, bem como pela sustentação oral de suas razões quando do julgamento deste recurso voluntário por essa C. Câmara. Termos em que, P. Deferimento. O processo foi instruído com as cópias do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), fls. 65/114, da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) Original do anocalendário de 2003, fls. 115/131, da DIPJ Retificadora do anocalendário de 2003 apresentada em 22/09/2008, fls. 14 e 26 e da relação dos pagamentos de CSLL por estimativa referentes ao anocalendário de 2003 totalizando o valor de R$132.485,34, fl. 63. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Requerente pleiteia fazer sustentação oral. O Anexo II da Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, fixa: Art. 55. A pauta da reunião indicará: I dia, hora e local de cada sessão de julgamento; II para cada processo: a) o nome do relator; b) os números do processo e do recurso; e c) os nomes do interessado, do recorrente e do recorrido; e III nota explicativa de que os julgamentos adiados serão realizados independentemente de nova publicação. Parágrafo único. A pauta será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet. [...] Art. 58. Anunciado o julgamento de cada recurso, o presidente dará a palavra, sucessivamente: Fl. 153DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15374.913489/200876 Acórdão n.º 180100.564 S1TE01 Fl. 7.33 6 I ao relator, para leitura do relatório; II ao recorrente ou ao seu representante legal para, se desejar, fazer sustentação oral por 15 (quinze) minutos, prorrogáveis por igual período; Neste sentido, tem cabimento que a pauta da sessão de julgamento dos processos no CARF seja publicada no DOU. Também há possibilidade jurídica de que a Recorrente ou seu representante legal faça sustentação oral durante o julgamento do recurso voluntário, desde que observados os demais requisitos. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. A Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, embora tenha sido previamente notificada para solucionar as pendências tributárias. Assim, a realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas e os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à Recorrente a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. Além disso, foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Assim, a solicitação deve ser indeferida. A Recorrente se insurge contra a não homologação da compensação argumentando que houve erro nos dados declarados. Em relação à retificação da DIPJ, a Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999, prevê: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. § 1o Aplicase o disposto neste artigo às Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIRPJ relativas a anos calendário anteriores a 1998. § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os Fl. 154DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15374.913489/200876 Acórdão n.º 180100.564 S1TE01 Fl. 8.33 7 efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. A Recorrente apresentou originalmente a DIPJ informando a CSLL a pagar no anocalendário de 2003 no valor de R$7.290,72, fl. 131. Posteriormente entregou em 22/09/2008 a DIPJ Retificadora do período informando o saldo negativo de CSLL no valor de R$114.580,80, fl. 26. Não há nos autos comprovação de hipótese de impedimento para que a Recorrente apresentasse DIPJ Retificadora com os dados convergentes informados na DComp, fls. 03/08, em que foi informado o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003 no valor de R$79.142,82. Deste modo, os dados constantes no documento retificador (DIPJ) devem ser considerados para análise. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prevê: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Por sua vez, o Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, (RIR, de 1999), determina: Art.221.A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma desta Seção deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, §3º). [...] Art.229. Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto apurado no mês, o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo, bem como os incentivos de dedução do imposto relativos ao Programa de Alimentação do Trabalhador, doações aos Fundos da Criança e do Adolescente, Atividades Culturais ou Artísticas, Atividade Audiovisual, e ValeTransporte, este último até 31 de dezembro de 1997, observados os limites e prazos previstos para estes incentivos (Lei nº 8.981, de 1995, art. 34, Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º, Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 82, inciso II, alínea "f"). Fl. 155DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15374.913489/200876 Acórdão n.º 180100.564 S1TE01 Fl. 9.33 8 Parágrafo único.No caso em que o imposto retido na fonte seja superior ao devido, a diferença poderá ser compensada com o imposto mensal a pagar relativo aos meses subseqüentes. [...] Art.262.No LALUR, a pessoa jurídica deverá (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 8º, inciso I): I lançar os ajustes do lucro líquido do período de apuração; II transcrever a demonstração do lucro real; III manter os registros de controle de prejuízos fiscais a compensar em períodos de apuração subseqüentes, do lucro inflacionário a realizar, da depreciação acelerada incentivada, da exaustão mineral, com base na receita bruta, bem como dos demais valores que devam influenciar a determinação do lucro real de períodos de apuração futuros e não constem da escrituração comercial; IV manter os registros de controle dos valores excedentes a serem utilizados no cálculo das deduções nos períodos de apuração subseqüentes, dos dispêndios com programa de alimentação ao trabalhador, valetransporte e outros previstos neste Decreto. Art.263.O LALUR poderá ser escriturado mediante a utilização de sistema eletrônico de processamento de dados, observadas as normas baixadas pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 8.218, de 1991, art. 18). [...] Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Tendo em vista o princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, há de ser considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos para oferecer a oportunidade de a Recorrente demonstrar do alegado erro. Ademais, para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido. O processo está instruído com as seguintes cópias: Fl. 156DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15374.913489/200876 Acórdão n.º 180100.564 S1TE01 Fl. 10.33 9 Lalur Parte A – Registros dos Ajustes do Lucro Líquido do Exercício – Demonstração da Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social, fl. 101 com os seguintes valores: Discriminação DIPJ Retificadora – R$ Base de Cálculo Antes da CSLL 704.898,26 Provisões Não Dedutíveis 1.054.421,95 Despesas Não Dedutíveis 70.563,89 SubTotal 1 Adições 1.124.985,84 Reversão de Saldos de Prov. Não Dedutíveis 1.525.432,32 SubTotal 2 Exclusões 1.525.432,32 Lucro Antes da Compensação da Base Negativa 304.451,78 Compensação da base Negativa 91.335,53 BC da CSLL 213.116,25 a relação dos pagamentos de CSLL por estimativa referentes ao ano calendário de 2003 totalizando o valor de R$132.485,34, fl. 63; e a DIPJ Retificadora do anocalendário de 2003 apresentada em 22/09/2008, fls. 14 e 26 apresentando o saldo negativo de CSLL no valor de R$114.580,80. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou aos autos provas da escrituração respaldada em documentos hábeis e idôneos que demonstram sua afirmativa de que incorreu em erro nos dados declarados, em especial: as provisões não dedutíveis no valor de R$1.054.421,95; a reversão de saldos de provisões não dedutíveis no valor de R$1.525.432,32; a compensação da base de cálculo negativa de períodos anteriores no valor de R$91.335,53, e a CSLL para por estimativa no valor total de R$133.630,90. As suas meras alegações desprovidas de comprovadas não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento que se constituiu em um conjunto probatório robusto de que o pedido de reconhecimento do direito creditório deve ser indeferido. Por conseguinte não cabe razão à Recorrente. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente entende que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que Fl. 157DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 15374.913489/200876 Acórdão n.º 180100.564 S1TE01 Fl. 11.33 10 aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Em face de o exposto voto, em preliminar, por afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 158DF CARF MF Emitido em 26/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 18/06/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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