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Numero do processo: 10880.961004/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 61 00 4/ 20 08 -1 7 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.961004/200817 Resolução nº 3401001.542 S3C4T1 Fl. 121 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Na Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) realizou exportação de serviços que resultaram em ingresso de divisas para o Brasil, classificadas como receitas decorrentes de exportação, documentadas em nota fiscal, amparada em contrato de câmbio (não incidindo PIS e COFINS sobre tal rubrica, conforme art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e art. 6o, II da Lei no 10.833/2003); (b) realizou apuração mensal da COFINS sobre o total de suas receitas, ou seja, incluiu indevidamente na base de cálculo as referidas receitas de exportação; (c) o erro foi verificado pela empresa posteriormente, o que ensejou o pedido, tendo sido retificada a DCTF após o Despacho Decisório, o que ensejou o não reconhecimento do crédito e a não homologação da compensação; e (d) em nome da verdade material, requer que seja reconhecido o crédito. Como prova do direito ao crédito, junta Nota Fiscal, Contrato de Câmbio e DCTF retificadora e DCOMP. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) os valores declarados em DCTF constituem confissão de dívida, conforme art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984; e (b) a compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário, não bastando a documentação apresentada. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando que o simples indeferimento, pela DRJ, ao invés da conversão em diligência, afrontou a verdade material, principio prestigiado pelo CARF, e que juntou ao recurso ainda o Livro Diário do Exercício correspondente ao período (cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça), para comprovar a entrada das divisas oriundas da exportação e serviços, única receita do período de apuração, comprovando seu direito. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.961004/200817 Resolução nº 3401001.542 S3C4T1 Fl. 122 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.521, de 22 de outubro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.914766/200824, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.521 "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.961004/200817 Resolução nº 3401001.542 S3C4T1 Fl. 123 4 “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, não houve a correção da DCTF para constar o valor efetivamente devido, mas que o crédito efetivamente existe, e deriva de cômputo incorreto de receita de exportação de serviços, documentadas em nota fiscal, e amparadas em contrato de câmbio. E junta, além de nota fiscal e contrato de câmbio, a DCTF retificadora do primeiro trimestre de 2000, transmitida em 02/09/2008, e DCOMP correspondente. Observando a nota fiscal de serviços (fl. 23), percebese trata de “serviço de representação comercial prestado no mês”, a empresa estrangeira, e que o valor corresponde ao do contrato de câmbio (R$ 12.369,00 – US$ 7.000,00). A DRJ, entendendo ser a documentação apresentada insuficiente para provar o alegado pela postulante ao crédito, indefere o pleito, chegando a aclarar, exemplificativamente, quais seriam as possíveis provas de amparo ao crédito: “...nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é do contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. A compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário (...) Portanto, diante desta situação, não basta o contribuinte anexar aos autos apenas a cópia da Nota Fiscal de Serviços e o Contrato de Câmbio alegando que tais documentos comprovam o erro ocorrido no preenchimento da DCTF, ou seja, que realizou a apuração mensal do COFINS sobre o Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.961004/200817 Resolução nº 3401001.542 S3C4T1 Fl. 124 5 total de suas receitas, incluindo indevidamente na base de cálculo desta contribuição os valores recebidos a título de serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior (...). Para que se faça valer o princípio da verdade material, no caso em tela, é imprescindível que se prove que o que foi anteriormente declarado, confessado e recolhido não condiz com a realidade, e mais, que o novo valor traduz fielmente o que seja verdadeiramente devido ante a legislação tributária aplicável, acompanhado, no caso, da correspondente documentação hábil e idônea com a devida escrituração fiscal e/ou contábil, o que não restou demonstrado nos autos. Portanto, os documentos por ela juntados e a apresentação de DCTF retificadora, neste momento do rito processual, após o despacho decisório, não são suficientes para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que lhe dão sustentação, (...)” Entendemos que poderia a empresa, em sede de recurso voluntário, agregar a documentação suscitada pelo julgador de piso, em nome da verdade material, e com fundamento no próprio comando do art. 16, § 4o, “c”, do Decreto no 70.235/1972, principalmente pelo fato de até o julgamento de piso não ter havido efetiva análise fiscal humana da documentação, mas mero cotejo massivo e eletrônico de informações, por sistema informatizado. E a empresa, em seu recurso voluntário, apesar de considerar que a documentação apresentada à instância de piso era suficiente para o deferimento do crédito, e a consequente homologação da compensação, porque as divisas oriundas da exportação foram suas únicas receitas no período, parece mover esforço, ainda que mínimo, para juntar aos autos o Livro Diário do Exercício de 2000 (ao menos cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça, às fls. 86 a 93). O fato de a exportação de serviços espelhar a única receita no período, e de terem sido apresentados nota fiscal e contrato de câmbio em valores compatíveis, aliado à juntada de Livro Diário (ainda que ilegível e com páginas de pontacabeça, provavelmente por problemas de digitalização), e à inexistência de análise humana do direito de crédito nas instâncias anteriores, faz com que tenhamos cautela na análise do contencioso, movida pela dúvida em relação ao tema principal em discussão. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.961004/200817 Resolução nº 3401001.542 S3C4T1 Fl. 125 6 aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”1 Ao que tudo aponta, resta clara, ainda que tímida, nos autos, a vontade de colaborar por parte da empresa, que, por mais que entendesse suficientes os documentos apresentados na instância de piso, curvouse ao que entendeu julgador de piso também como importante, embora não tenha sido bem sucedida a digitalização do documento juntado (Livro Diário). Portanto, entendo que se faz necessária análise, em sede de diligência, da documentação apresentada, à luz da argumentação da recorrente, de que as referidas receitas, amparadas em nota fiscal e contrato de câmbio, seriam efetivamente decorrentes de exportação de serviços, para verificar se os valores correspondentes são compatíveis com a retificação efetuada (ainda que a destempo) da DCTF. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifestese, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, , para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à 1 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.961004/200817 Resolução nº 3401001.542 S3C4T1 Fl. 126 7 compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13868.000100/2005-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
IRPF. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PARALISIA IRREVERÍVEL E INCAPACITANTE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO.
Os proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, recebidos pelos portadores de paralisia irreversível e incapacitante, atestada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, são isentos do imposto de renda.
Numero da decisão: 2402-006.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti (Relator), que votou por negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PARALISIA IRREVERÍVEL E INCAPACITANTE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. Os proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, recebidos pelos portadores de paralisia irreversível e incapacitante, atestada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, são isentos do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti (Relator), que votou por negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 8. 00 01 00 /2 00 5- 09 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13868.000100/200509 Acórdão n.º 2402006.786 S2C4T2 Fl. 148 2 Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Despacho Decisório que concluiu por indeferir o Pedido de Restituição de IR sobre os 13º salários dos anos de 2000 a 2004. Tal pleito estaria amparado na isenção conferida no artigo 6º, XIV, da Lei 7.713/88 (portador de moléstia grave), na medida em que ao tempo que receberia rendimentos de aposentadoria, seria portador, desde seus 3 anos, de paralisia infantil irreversível e incapacitante (em decorrência de uma poliomelite). A DRJ manteve o indeferimento consubstanciado no citado Despacho Decisório sob o fundamento de que, embora o laudo médico atestasse ser o contribuinte portador de um quadro de paralisia infantil irreversível e incapacitante desde os 3 anos de idade, os autos dariam conta que o sujeito passivo teria exercido atividade laborativa. Assim sendo, a doença não se enquadraria no conceito de paralisia irreversível e incapacitante, conforme disposto na lei. Em suma, a autoridade de piso entendeu que o exercício de atividade laborativa retiraria da moléstia sua natureza de incapacitante. Em seu Recurso Voluntário, aduziu que em março de 1981 teria sido aposentado em virtude do agravamento de sua deficiência física, que o tornou incapacitado para o trabalho. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 16.12.2008, consoante se extrai de fls. 132 e apresentou pelo o que indica a figura abaixo tempestivamente seu Recurso Voluntário em 12.01.2009 (fls. 134). Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13868.000100/200509 Acórdão n.º 2402006.786 S2C4T2 Fl. 149 3 Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. A lide em tela reside em se definir se o Laudo de Perícia de 20.05.2005, acostado às fls. 14 e emitido pela Secretaria de Estado da Saúde/SP assegura para fins do gozo da isenção do IR que o recorrente é portador de paralisia irreversível e incapacitante, conforme disposto na lei. De fato, referido Laudo, após registrar que o recorrente, desde os 3 anos de idade, possui uma deficiência no membro inferior esquerdo, atesta ser ele portador de um quadro de "PARALISIA INFANTIL IREVERSSIVEL E INCAPACITANTE" , com CID nº A80.3 (Poliomelite Paralítica Aguda Não Especificada, Membro Inferior Esquerdo). Todavia, para se valer da isenção do IR, com fulcro naquele inciso XIV do artigo 6º da Lei 7.713/88, penso que o alcance da expressão "paralisia irreversível e incapacitante" deve ser tomado de forma a reconhecer a inviabilidade da execução de qualquer atividade laboral por parte daquele que é acometido pela doença. Nesse mesmo sentido, o acórdão 2202002.966, de 21.01.2015, com a seguinte ementa: ISENÇÃO DE IRPF. PARALISIA IRREVERSÍVEL E INCAPACITANTE. Paralisia irreversível e incapacitante é assim considerada quando, esgotados os recursos terapêuticos da Medicina especializada e os prazos necessários à recuperação motora, permanecerem distúrbios graves e extensos que afetem a mobilidade, a sensibilidade e a troficidade e que tornem o examinado total e permanentemente impossibilitado para qualquer trabalho. Ainda com relação ao julgamento acima noticiado, vale reproduzir excerto daquele voto condutor. Confirase: "De acordo com o Manual de Perícia Médica do INSS “MANUAL DE AVALIAÇÃO DAS DOENÇAS E AFECÇÕES QUE EXCLUEM A EXIGÊNCIA DE CARÊNCIA PARA CONCESSÃO DE AUXÍLIO DOENÇA OU APOSENTADORIA POR INVALIDEZ”, conceitua se paralisia irreversível e incapacitante: “27. CONCEITUAÇÃO: 27.1 Entendese por paralisia a incapacidade de contração voluntária de um músculo ou grupo de músculos, resultante de Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13868.000100/200509 Acórdão n.º 2402006.786 S2C4T2 Fl. 150 4 uma lesão orgânica de natureza destrutiva ou degenerativa, a qual implica na interrupção de uma das vias motoras, em qualquer ponto, desde a córtex cerebral até a própria fibra muscular, pela lesão do neurônio motor central ou periférico. 27.2 A abolição das funções sensoriais, na ausência de lesões orgânicas das vias nervosas, caracteriza a paralisia funcional. 27.3 A paralisia será considerada irreversível e incapacitante quando, esgotados os recursos terapêuticos da Medicina especializada e os prazos necessários à recuperação motora, permanecerem distúrbios graves e extensos que afetem a mobilidade, a sensibilidade e a troficidade e que tornem o examinado total e permanentemente impossibilitado para qualquer trabalho. 27.4 São equiparadas às paralisias as lesões ósteo músculoarticulares, e vasculares graves e crônicas, das quais resultem alterações extensas e definitivas das funções nervosas, da mobilidade e da troficidade, esgotados os recursos terapêuticos da Medicina especializada e os prazos necessários à recuperação. 27.4.1 – Não se equiparam às paralisias, as lesões ósteomúsculoarticulares envolvendo a coluna vertebral. 27.5 São equiparadas às paralisias as paresias das quais resultem alterações extensas das funções nervosas e da motilidade, esgotados os recursos terapêuticos da medicina especializada e os prazos necessários à recuperação.” Continua o Manual, agora classificando as paralisias: “28.1 Considerandose a localização e a extensão das lesões, as paralisias classificamse em: a) paralisia isolada ou periférica quando é atingido um músculo ou um grupo de músculos; b) monoplegia quando são atingidos todos os músculos de um só membro; c) hemiplegia quando são atingidos os membros superiores e inferiores do mesmo lado, com ou sem paralisia facial homolateral; (e a hemiparesia) d) paraplegia ou diplegia quando são atingidos os membros inferiores ou superiores simultaneamente; e) triplegia quando resulta da paralisia de três membros; f) tetraplegia quando são atingidos os membros superiores e os inferiores.” De vista do conceito trazido pelo Manual de Perícia do INSS, podemos afirmar que a paralisia irreversível e incapacitante é assim considerada quando, esgotados os recursos terapêuticos da Medicina especializada e os Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13868.000100/200509 Acórdão n.º 2402006.786 S2C4T2 Fl. 151 5 prazos necessários à recuperação motora, permanecerem distúrbios graves e extensos que afetem a mobilidade, a sensibilidade e a troficidade e que tornem o examinado total e permanentemente impossibilitado para qualquer trabalho. Em outras palavras a paralisia irreversível e incapacitante não é uma moléstia, mas um desdobramento que decorre de outra moléstia que afeta o sistema neurológico, causando a paralisia. Retornando ao caso concreto, adoto como razões de decidir e conclusão, parte da decisão vergastada nos termos a seguir: Ante ao exposto, voto por CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Voto Vencedor João Victor Ribeiro Aldinucci Redator Designado Com o devido respeito, divirjo do ilustríssimo relator no mérito, o que faço nos seguintes termos: A isenção do imposto de renda pessoa física sobre os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portadores de moléstia grave tem fundamento no art. 6º, incs. XIV e XXI, da Lei 7713/88: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13868.000100/200509 Acórdão n.º 2402006.786 S2C4T2 Fl. 152 6 XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) (Vide Lei nº 13.105, de 2015)(Vigência) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) Para o gozo da isenção, o art. 30 da Lei 9250/95 determina que a moléstia grave deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que fixará o prazo de sua validade, no caso de moléstias passíveis de controle. Vejase: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). O § 2º do art. 30 antes transcrito ainda preleciona que fica incluída a fibrose cística na relação das moléstias a que se refere o inc. XIV do art. 6º da Lei 7713/88. Por sua vez, o Regulamento do Imposto de Renda vigente à época dos fatos geradores, que consolida os diversos dispositivos legais e infralegais num só Decreto, assim prevê acerca da isenção: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13868.000100/200509 Acórdão n.º 2402006.786 S2C4T2 Fl. 153 7 especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Portanto, para fazer jus à isenção, o contribuinte deve cumprir determinados requisitos, tais como: (i) ser portador de uma das moléstias arroladas no inc. XXXIII do art. 39 do Regulamento ou no inc. XIV do art. 6º da Lei 7713/88; (ii) receber proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, visto que a regra isentiva não se aplica a outros rendimentos porventura tributáveis; (iii) ter laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Tal matéria é objeto de Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13868.000100/200509 Acórdão n.º 2402006.786 S2C4T2 Fl. 154 8 De conformidade com o § 5º do art. 39 do Regulamento, a isenção se aplica aos rendimentos recebidos a partir (i) do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; (ii) do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta foi contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; ou (iii) da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Portanto, e de conformidade com a regra do § 5º, importa a data em que foram recebidos os rendimentos, conclusão esta reforçada pelo art. 6º, § 4º, inc. II, da IN RFB 1500/2014 (que revogou a IN RFB 15/2001, sem alteração do conteúdo do texto), segundo o qual a isenção é aplicável "aos rendimentos recebidos acumuladamente por portador de moléstia grave, desde que correspondam a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, ainda que se refiram a período anterior à data em que foi contraída a moléstia grave". No caso in concreto, entendo, com todo e merecido respeito, que a conclusão do ilustre relator está em desacordo com o laudo médico oficial de fl. 14 do pdf, segundo o qual o recorrente é portador da paralisia infantil irreversível e incapacitante (isto é, de doença expressamente arrolada no Regulamento) desde os 3 anos de idade. Como já dito, a moléstia deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, e é esse o conteúdo da Súmula CARF nº 63, antes transcrita, em sua parte final. Se, por um lado, não se pode reconhecer a existência da isenção em caso de inexistência de laudo médico oficial, por outro lado não se pode negar vigência à norma isentiva quando o sujeito passivo acosta aos autos o referido laudo. Somente o médico da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios tem competência para atestar, de forma inconteste de dúvidas, se o contribuinte é ou não portador de moléstia grave. Para que não pairem dúvidas, e a título ilustrativo, vejase a conclusão do documento de fl. 14: Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910651/2015-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 24/02/2012
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 24/02/2012 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 51 /2 01 5- 46 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.910651/201546 Acórdão n.º 3301005.301 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.433. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.910651/201546 Acórdão n.º 3301005.301 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.910651/201546 Acórdão n.º 3301005.301 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.910651/201546 Acórdão n.º 3301005.301 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910651/201546 Acórdão n.º 3301005.301 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910651/201546 Acórdão n.º 3301005.301 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 85DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.901533/2009-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE
Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
Numero da decisão: 1301-003.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13005.901308/2009-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 15 33 /2 00 9- 59 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13005.901533/200959 Acórdão n.º 1301003.439 S1C3T1 Fl. 3 2 sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13005.901308/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da inexistência do crédito alegado para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o erro se deu basicamente na DComp, quando informou como origem do crédito Pagamento Indevido ou a Maior quando o correto seria Saldo Negativo de IRPJ, assim, requereu que sua Dcomp fosse retificada ou autorizada sua retificação. O Acórdão recorrido entendeu que na data da transmissão das PerdComps o crédito não era líquido e certo, uma vez que as DCTFs não estavam retificadas, e todo o DARF alocado ao débito estava consumido, sem crédito algum. Ademais, que não possuía competência para autorizar retificação de DComp ou assim determinála de ofício, nem mesmo se manifestar a respeito do indeferimento de pedido de retificação decidido pela Delegacia, por sêla definitiva. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defendese com os mesmos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, ademais, destaquese planilhas de cálculo, LALUR e outros documentos. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13005.901533/200959 Acórdão n.º 1301003.439 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.432, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13005.901308/2009 12, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.432): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pago a maior, porém, conforme reconheceu, na realidade tratavase de Saldo Negativo. Segundo o Despacho Decisório, todo o DARF relacionado estava alocado para um débito, de tal forma que não restou nenhum crédito disponível a ser compensado, não homologando a compensação pleiteada. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, que na data da transmissão da Perdcomp, o crédito não se encontrava líquido e certo, bem como faltou ao recorrente trazer a prova do indébito tributário. Passemos aos fatos. O crédito a que refere a recorrente é de Saldo Negativo de IRPJ, porém, ao preencher a PerdComp para realizar a compensação informou como IRPJ Pago a Maior ou Indevidamente, gerando a não homologação das respectivas compensações. Apresentou planilha de cálculo, LALUR e DIPJ em sede recursal. O ponto aqui é que a PerdComp apresentada pelo contribuinte contém erro material, e tal fato, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito, bem como leva ao enriquecimento ilícito do Estado. Dessa forma, este Colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pelo recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que documentos sejam analisados a fim de analisar o efetivo erro e consequentemente seu direito de crédito. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13005.901533/200959 Acórdão n.º 1301003.439 S1C3T1 Fl. 5 4 Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de retificação da PerdComp apresentada. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 124DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.000200/2007-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO NO EXTERIOR EM CONTROLADA . HIPÓTESE DE REALIZAÇÃO. EMPREGO DE VALOR.
Na alienação de participação em controlada estrangeira, há o emprego, em favor da sociedade empresária brasileira, dos lucros auferidos no exterior, os quais devem ser oferecidos à tributação. Trata-se, pois, de realização do investimento gerador de lucros que ainda não haviam sido tributados pelas leis brasileiras.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO NO EXTERIOR EM CONTROLADA . HIPÓTESE DE REALIZAÇÃO. EMPREGO DE VALOR.
Na alienação de participação em controlada estrangeira, há o emprego, em favor da sociedade empresária brasileira, dos lucros auferidos no exterior, os quais devem ser oferecidos à tributação. Trata-se, pois, de realização do investimento gerador de lucros que ainda não haviam sido tributados pelas leis brasileiras.
Numero da decisão: 9101-003.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Caio César Nader Quintella (suplente convocado), que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, não foi apresentada a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF).
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO NO EXTERIOR EM CONTROLADA . HIPÓTESE DE REALIZAÇÃO. EMPREGO DE VALOR. Na alienação de participação em controlada estrangeira, há o emprego, em favor da sociedade empresária brasileira, dos lucros auferidos no exterior, os quais devem ser oferecidos à tributação. Trata-se, pois, de realização do investimento gerador de lucros que ainda não haviam sido tributados pelas leis brasileiras. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO NO EXTERIOR EM CONTROLADA . HIPÓTESE DE REALIZAÇÃO. EMPREGO DE VALOR. Na alienação de participação em controlada estrangeira, há o emprego, em favor da sociedade empresária brasileira, dos lucros auferidos no exterior, os quais devem ser oferecidos à tributação. Trata-se, pois, de realização do investimento gerador de lucros que ainda não haviam sido tributados pelas leis brasileiras.
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HIPÓTESE DE REALIZAÇÃO. EMPREGO DE VALOR. Na alienação de participação em controlada estrangeira, há o emprego, em favor da sociedade empresária brasileira, dos lucros auferidos no exterior, os quais devem ser oferecidos à tributação. Tratase, pois, de realização do investimento gerador de lucros que ainda não haviam sido tributados pelas leis brasileiras. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO NO EXTERIOR EM CONTROLADA . HIPÓTESE DE REALIZAÇÃO. EMPREGO DE VALOR. Na alienação de participação em controlada estrangeira, há o emprego, em favor da sociedade empresária brasileira, dos lucros auferidos no exterior, os quais devem ser oferecidos à tributação. Tratase, pois, de realização do investimento gerador de lucros que ainda não haviam sido tributados pelas leis brasileiras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Caio César Nader Quintella (suplente convocado), que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, não foi apresentada a declaração de voto, que deve ser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 02 00 /2 00 7- 21 Fl. 879DF CARF MF Processo nº 16561.000200/200721 Acórdão n.º 9101003.887 CSRFT1 Fl. 880 2 tida como não formulada, nos termos do § 7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de um Recurso Especial de Divergência interposto pelo sujeito passivo, em face do acórdão nº 1401.001.578: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCROS NO EXTERIOR EMPREGO DO VALOR DISPONIBILIZAÇÃO Os lucros auferidos no exterior por intermédio de coligadas e controladas devem ser adicionados ao lucro líquido para determinação do lucro real da empresa nacional. O momento é diferido até a data em que forem disponibilizados tais lucros. Todavia, a venda ou qualquer outra forma de transferência das participações fulmina a subsunção à regra excepcional do aspecto temporal e, conseguintemente, qualifica o fato pela regra geral do momento da aquisição da renda. PREJUÍZOS FISCAIS PRESCRIÇÃO AQUISITIVA O direito tributário não prevê regras de prescrição aquisitiva simplesmente em razão de irem contra a consolidação de situações de fato e terem a potencialidade de redundar em direitos incomensuráveis, totalmente desvinculados da realidade. Por essa razão, as regras de caducidade que operam contra o Fisco para constituir e cobrar tributos não podem ser aplicadas analogicamente para o reconhecimento de direitos, como no presente caso de aquisição de prejuízos fiscais. PODER DE INVESTIGAÇÃO SOCIEDADES ESTRANGEIRAS As autoridades fiscais são investidas do poder de investigar fatos relativos a sociedades estrangeiras, se tais fatos refletem sobre a tributação nacional, como no caso de compensação de prejuízos fiscais para fins de compensação do lucro das sociedades estrangeiras que repercute sobre a apuração do lucro tributado da sociedade brasileira." Fl. 880DF CARF MF Processo nº 16561.000200/200721 Acórdão n.º 9101003.887 CSRFT1 Fl. 881 3 Tais são os fatos apurados que importam ao presente julgamento, conforme o Termo de Verificação Fiscal: "1.4. Em maio de 2002, a Skol adquire ações da Ambev, no valor de R$ 9.999,99, efetua uma integralização de capital no valor de R$ 40.000,00 e faz um AFAC no valor de R$ 575.285.996,93. Após a movimentação acima, a Skol detém 99,9991% do capital da Hohneck, e a Ambev, 0,0009% do mesmo (fls.023) 1.5. Em julho de 2002, a CBB adquire ações da Skol no valor de R$ 25.345,47 e efetua um AFAC de R$ 591.444.812,28. Após esta movimentação, a Skol passou a deter 49,3082% do capital da Hohneck, a CBB 50,6909% e a Ambev 0,0009% do mesmo (fls. 026) 1.6. Em julho de 2002 a Hohneck efetua empréstimo à Jalua Spain S.L., sediada nas Ilhas Canárias, Espanha, US$ 700.000.000,00 (fls. 072). 1.7. O mútuo acima resultou no ano uma receita financeira/variação cambial ativa de R$ 584.660.425,90 (fls. 039) 1.8. Conforme documentos apresentados (1103), a Hohneck não possuía investimentos em outras empresas durante os anos de 1999 até 2002, apenas adquirindo participação na Dunvegan S.A. em janeiro de 2003; 1.9. Com relação aos resultados da Hohneck no exterior, a empresa enviou os balanços e balancetes dando conta dos valores abaixo: 1.9.1. 1998 — Sem movimento (fls. 058) 1.9.2. 1999— Prejuízo de R$ 27.582.151,99 (fIs. 073) 1.9.3. 2000 — Prejuízo de R$ 89.674.720.79 até novembro (fls. 074 e de R$ 45.689.957,92 até dezembro (fls. 076); 1.9.4. 2001 —Prejuízo de R$ 42.154.943,81 (fls. 078) 1.9.5. abril/2002 — Lucro de R$ 7.743.201,54 (fls. 032) 1.9.6. julho/2002 — Lucro de R$ 313.760.879,07 (f1s. 035); 1.9.7. dezembro/2002 — Lucro de R$ 363.026.564,70 (fis. 039) 1.10. Intimado, no Termo de Intimação 7 (fls. 006), a comprovar o prejuízo da Hohneck em 1999, 2000 e 2001, o contribuinte apresentou apenas folhas onde constam lançamentos de débito e crédito sem comprovação de sua legitimidade (fls. 058 a 070). Os documentos apresentados não são hábeis para a comprovação dos valores utilizados para reduzir o lucro da empresa em 2002. As folhas apresentadas em que constam, simplesmente, lançamentos de débito e crédito, não comprovam a os valores contabilizados. Na verdade, a intimação lavrada tinha por exato objetivo que a fiscalizada apresentasse os documentos que lastreassem os lançamentos contábeis. Assim, para efeito de comprovação dos prejuízos, os documentos da escrita contábil em nada suportam os lançamentos. A Lei 9.430/96 em seu art. 37 dispõe: [...] Fl. 881DF CARF MF Processo nº 16561.000200/200721 Acórdão n.º 9101003.887 CSRFT1 Fl. 882 4 Não bastassem as razões acima, a escrituração da Hohneck apresenta lançamentos inverossímeis como, por exemplo em 1999, apenas um lançamento no passivo de R$ 27.582.151,88 que se transforma em prejuízo sem qualquer explicação (fls. 059). Ressaltase que a Hohneck foi adquirida pela Ambev em 2 de setembro de 1999 e permaneceu sem movimento até aquela data (fls. 058). Outro exemplo da falta de confiabilidade dos balanços apresentados é o resultado no ano de 2000, onde um dos demonstrativos de resultados apresenta um prejuízo de R$ 89.674.726,19 em 30 de novembro (fls. 071) e de R$ 45.689.957,92 em dezembro (fls. 076) sem que tenha sido escriturado qualquer lucro no mês em questão. No mesmo balanço é apresentado uma Reserva de Lucros negativa, o que não tem nenhum fundamento na contabilidade brasileira. 1.11. Conforme documentos anexos, não houve pagamento do imposto sobre patrimônio das Safis Sociedades Financieras de Inversion (fls. 080) conforme Art. 7° da Ley 11073 do Uruguai. Mesmo que houvesse tal pagamento, não haveria possibilidade de compensação por não se tratar de imposto de mesma natureza do imposto sobre a renda brasileiro; 1.12. Não houve disponibilização de lucros no exterior por parte da Skol (fls. 055) 1.13. Com relação à compensação da Base Negativa da CSLL e dos Prejuízos Fiscais de anos anteriores foi levado em conta a autuação constante do processo 10830.010605/200774 e MPF 08104002007003316 da DRF/Campinas, conforme planilhas às fls. 053 e 054. 2. DA ANÁLISE DOS FATOS E DO DIREITO APLICÁVEL: 2.1. A operação pela qual o contribuinte transferiu, onerosamente, parte de suas ações (50,6909% do total) da Hohneck Uruguai para a CB13 — Companhia Brasileira de Bebidas, CNPJ n° 60.522.000/000183 está devidamente demonstrada através da ata de diretório da Hohneck datada de 3 de maio de 2002 (fls ) [...] 2.5 Conforme já demonstrado no item 1.9, a Hohneck apresentou um lucro de R$ 7.743.201,54 até abril de 2002 e de R$ 313.760.879,07 até julho de 2002 e, portanto, com relação à transferência de quotas efetuada pela Skol à Companhia Brasileira de Bebidas apurei um valor tributável de R$ 306.017.677,53, obtido entre a aquisição da participação na empresa uruguaia até a alienação de parte da mesma. Tendo em vista que a participação alienada foi de 50,6909% do total, cabe à Skol um resultado tributável de R$ 155.123.114,90. [...] 2.7 Portanto, o valor a ser autuado conforme infração apontada no item 2.6 tem duas componentes: 2.7.1 Tendo em vista que o lucro apurado pela Hohneck ao final do ano de 2002 foi de R$ 363.026.564,70 e até julho do mesmo ano foi de R$ 313.026.564,70 [rectius, R$ 313.760.879,97], e que a responsabilidade da Skol é de 49,3082%, ou seja, a participação que lhe restou após a alienação das quotas à CBB, decorre que o valor tributável atribuído à empresa é de R$ 24.292.022,80; Fl. 882DF CARF MF Processo nº 16561.000200/200721 Acórdão n.º 9101003.887 CSRFT1 Fl. 883 5 2.7.2 De acordo com o item 2.5, já determinamos o valor tributável referente à alienação societária feita pela Skol à CBB, portanto o restante do lucro obtido pela Hohneck entre abril e julho proporcional à participação que restou à Skol cabe à esta, ou seja, 49,3082% de R$ 306.017.677,53. Portanto a outra componente do valor tributável na forma do item 2.6 é de R$ 150.891.808,47." (grifei) De acordo com o voto condutor do acórdão recorrido, a venda ou qualquer outra forma de transferência das participações qualifica o fato pela regra geral do momento da aquisição da renda. A recorrente foi intimada da decisão recorrida em 28/07/2017, à efl. 686. Recurso Especial interposto no dia 14/08/2017, à efl. 747. Nessa oportunidade, no tocante à infração de que fora acusada, alega divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos ofertados como paradigmas nº 9101001.303 e 9101001.678, que têm as seguintes ementas: Acórdão paradigma nº 9101001.303: IRPJ E OUTROS LUCROS DE CONTROLADA NO EXTERIOR ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ANOSCALENDÁRIO 1999 e 2000 A alienação de participação societária em controlada no exterior pela controladora no Brasil não constitui “disponibilização” de lucros, cuja destinação ainda não fora objeto de deliberação. Acórdão paradigma nº 9101001.678: IRPJ E OUTROS LUCROS DE CONTROLADA NO EXTERIOR ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ANOSCALENDÁRIO 1999 e 2000 A conferência de participação societária não constitui “disponibilização” de lucros, cuja destinação ainda não fora objeto de deliberação. No mérito, ao mencionar que a exigência fiscal está fundamentada especificamente no artigo 1o, § 2o, alínea "b", item 4, da Lei nº 9.532/1997, que considera pago o lucro auferido no exterior quando ocorrer o emprego do seu valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior, sustenta que a norma legal acima ventilada não dá amparo à autuação fiscal, porque, diferentemente do que afirma a Fiscalização, a hipótese fática lá prevista não ocorreu no caso concreto. Isso porque a alienação de participação acionária não tem, em absoluto, o efeito de um emprego do valor daqueles lucros em benefício da recorrente, porque os lucros permaneceram na empresa investida após as operações em causa. No mesmo rumo, a apelante diz que também não há de se falar em aumento de capital da própria sociedade investida geradora dos lucros, em razão da conversão daqueles lucros em capital social, pois, no caso, o aumento de capital decorrera de expressivo valor aportado à sociedade pela nova sócia (AFAC de R$ 591.444.812,28 realizado pela CBB), e não pela capitalização dos lucros acumulados que permaneceram registrados em conta própria, como evidenciam os balanços. A recorrente assinala que a prova cabal de que não houve o emprego dos lucros a seu favor está no fato de que, como os lucros acumulados permaneceram no patrimônio líquido da Hohmeck, caso venha a ocorrer qualquer das hipóteses de Fl. 883DF CARF MF Processo nº 16561.000200/200721 Acórdão n.º 9101003.887 CSRFT1 Fl. 884 6 disponibilização previstas em lei, a nova acionista ficará obrigada a adicionar à base de cálculo do IRPJ e da CSL os mesmos lucros que são objeto da presente autuação. A recorrente ainda aduz que as condutas descritas nos itens 1, 2 e 3 da alínea "b" do § 2° do artigo 1o da Lei n° 9.532/197 são inequivocamente pertinentes apenas à controlada ou coligada no exterior. Assim, não é razoável pretender que o item 4, ao se referir a "emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior", esteja a dispor de forma diversa, pois não faz sentido que a "beneficiária" (isto é, a sociedade brasileira) "empregue" em seu próprio benefício valor do qual não dispõe. Mas, além disso, a própria premissa da qual partem a Fiscalização e o acórdão recorrido revela a incorreção de sua conclusão, pois se o "emprego de valor" em questão puder ser efetuado pela própria pessoa jurídica brasileira (como afirma o lançamento), é certo que, nesse caso, o valor "empregado" pela sociedade brasileira terá de lhe ser anteriormente disponível (já que ninguém pode empregar o de que não dispõe), o que logicamente exclui a aplicação do artigo 1° dessa lei, que trata justamente do momento em que os lucros das controladas ou coligadas no exterior tornamse disponíveis para a controladora ou coligada brasileira. De se salientar, ademais, que o simples fato de o artigo 2o, § 2°, inciso II, alínea "d, da IN SRF nº 38/1996 estabelecer exatamente a mesma hipótese de disponibilização atualmente contemplada pelo artigo 1°, § 2°, letra "b", item 4, da Lei nº 9.532/1997, enquanto a alienação de participação societária está prevista em parágrafo distinto do artigo 2° da IN SRF nº 38/1996 (§ 9o), por si só já evidencia tratarse de hipóteses absolutamente distintas. E, tendo a lei mantido apenas uma destas hipóteses de disponibilização, evidentemente não se pode pretender fazer nela incluir aquilo que a própria Secretaria da Receita Federal, ao editar a IN SRF nº 38/1996, entendeu que lá não se enquadrava. A recorrente também manifesta repúdio à incidência dos juros de mora sobre a multa proporcional, trazendo à baila diversos acórdãos que conflitam com o acórdão recorrido. Ao final, pede seja admitido e provido o presente Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido, ou quando menos, para que seja afastada a exigência de juros sobre a multa de ofício Despacho de encaminhamento à PGFN do dia 28/02/2018, à efl. 869. Contrarrazões apresentadas no dia 05/03/2018, à efl. 877. Nesse oportunidade, salienta que, à luz do 1º, § 2º, alínea b, item 4, da Lei nº 9.532/1997, não resta dúvida de que, ao alienar sua participação societária em coligada no exterior, a coligada brasileira beneficiouse do valor dos lucros auferidos por aquela, representado, tal benefício, pelo acréscimo no valor das ações alienadas, em decorrência da valorização do patrimônio líquido pelos lucros auferidos e nele acumulados. Nesse sentido, a expressão “emprego do valor, em favor da beneficiária”, constante da redação do dispositivo citado, deve ser interpretada como o uso do valor adicionado pelos lucros apurados no exterior, para qualquer fim. Em harmonia com o que defende, referese ao entendimento desta Turma, assentado no acórdão nº 9101002.467, na relatoria do Conselheiro André Mendes de Moura. Quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício, recorda que também é pacífico, neste Conselho, que, tanto o tributo quanto a penalidade, estão sujeitos à atualização mediante aplicação da taxa Selic. Fl. 884DF CARF MF Processo nº 16561.000200/200721 Acórdão n.º 9101003.887 CSRFT1 Fl. 885 7 Por fim, solicita seja negado provimento ao Recurso Especial. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. A PGFN não contesta a admissibilidade do apelo do contribuinte. O presente Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de recorribilidade, com exceção da questão alusiva à incidência dos juros moratórios sobre a multa proporcional, que já está consolidada na Súmula CARF nº 108: “Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.” Em face do artigo 67, § 3º, do vigente RICARF – Anexo II, não se pode conhecer de recurso contra decisão que adote entendimento de súmula de jurisprudência do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Portanto, conheço parcialmente do apelo. Mérito Retornese aos fatos de relevo ao presente julgamento: "1.4. Em maio de 2002, a Skol adquire ações da Ambev, no valor de R$ 9.999,99, efetua uma integralização de capital no valor de R$ 40.000,00 e faz um AFAC no valor de R$ 575.285.996,93. Após a movimentação acima, a Skol detém 99,9991% do capital da Hohneck, e a Ambev, 0,0009% do mesmo (fls.023) 1.5. Em julho de 2002, a CBB adquire ações da Skol no valor de R$ 25.345,47 e efetua um AFAC de R$ 591.444.812,28. Após esta movimentação, a Skol passou a deter 49,3082% do capital da Hohneck, a CBB 50,6909% e a Ambev 0,0009% do mesmo (fls. 026) [...] 1.9. Com relação aos resultados da Hohneck no exterior, a empresa enviou os balanços e balancetes dando conta dos valores abaixo: 1.9.5. abril/2002 — Lucro de R$ 7.743.201,54 (fls. 032) 1.9.6. julho/2002 — Lucro de R$ 313.760.879,07 (f1s. 035); [...] 2.5 Conforme já demonstrado no item 1.9, a Hohneck apresentou um lucro de R$ 7.743.201,54 até abril de 2002 e de R$ 313.760.879,07 até julho de Fl. 885DF CARF MF Processo nº 16561.000200/200721 Acórdão n.º 9101003.887 CSRFT1 Fl. 886 8 2002 e, portanto, com relação à transferência de quotas efetuada pela Skol à Companhia Brasileira de Bebidas apurei um valor tributável de R$ 306.017.677,53, obtido entre a aquisição da participação na empresa uruguaia até a alienação de parte da mesma. Tendo em vista que a participação alienada foi de 50,6909% do total, cabe à Skol um resultado tributável de R$ 155.123.114,90. Como se pode ver, a recorrente adquiriu, em maio de 2002, 99,99% das ações da Hohneck, pessoa jurídica sediada no Uruguai. Tratase, pois, de uma controlada localizada em país que adota regime fiscal privilegiado. Logo após, em julho desse ano, vendeu à CBB 50,6909% das ações adquiridas dois meses antes. Caso semelhante e relacionado à recorrente foi julgado por esta Turma, conforme acórdão nº 9101002.467, mencionado pelo Procurador da Fazenda Nacional, em sede de contrarrazões. Reparese: "Precisamente nessa perspectiva, é fundamental constatar que a quota ou ação da investidora (SKOL) na investida (JALUA) percebe uma valorização, auferida mediante o método de equivalência patrimonial (MEP), em razão do lucro auferido pela investida. E, em se tratando da data do pagamento, optou o legislador em positivar quatro hipóteses, do qual transcrevo na sequência: 1ª) o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2ª) a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3ª) a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4ª) o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. As hipóteses de pagamento do lucro abrangem tanto atos de iniciativa da empresa investida quanto da investidora. As três primeiras, (1) o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil, (2) entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária e (3) a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça, pressupõem ato da investida. Na terceira, ampliase o aspecto territorial, ao dizer que a remessa em favor da beneficiária pode ser para o Brasil ou para qualquer outra praça. Já a quarta, precisamente o emprego de valor, pressupõe um ato que pode ser tanto da investida, quanto da investidora, que, sendo detentora de participação da investida, pode, a qualquer momento, dispor de suas ações ou quotas, da melhor maneira que lhe convier, como, por exemplo, por meio de alienação, transferência, conferência para integralizar capital em outras empresas, dentre outros. E também, na quarta hipótese, não por acaso dispôs o legislador que a negociação pode ocorrer em qualquer praça. Ora, ao dispor do investimento, a investidora tem liberdade para negociar com qualquer outra empresa, independente de sua localização. Pode alienar sua participação societária de uma empresa no exterior tanto para uma empresa localizada no exterior quanto para uma empresa localizada no Brasil. Fl. 886DF CARF MF Processo nº 16561.000200/200721 Acórdão n.º 9101003.887 CSRFT1 Fl. 887 9 Não subsiste argumento apresentado pela Contribuinte de que, como as três primeiras hipóteses dispõem de atos exclusivamente da investida, a quarta hipótese (emprego de valor) não poderia ter a investidora como beneficiária. Pelo contrário. O pagamento do lucro pressupõe a autonomia da investida, no sentido de decidir a conveniência de disponibilizar os lucros para a investidora (itens 1, 2 e 3, alínea "b", § 2º, art. 1º) e também consagra a autonomia da investidora, que pode, a qualquer momento, dispor do seu investimento (itens 4, alínea "b", § 2º, art. 1º), para quem quiser (empresa no Brasil ou no exterior) e da maneira que lhe parecer mais conveniente. E, em se tratando de investimento em coligada ou controlada, o valor das ações é avaliado pelo método de equivalência patrimonial (MEP), que permite refletir, na proporção da participação societária do investidor, os lucros auferidos pela investida. Enquanto o lucro estava sendo auferido na investida, e refletido via MEP na investidora, não havia que se falar em disponibilização para a investidora. Por sua vez, sendo tal investimento alienado para outra empresa, entendeu o legislador que seria hipótese no qual o lucro, até então não disponibilizado pela investida, passaria a ser disponibilizado, porque serviu para valorizar a participação alienada. Ou seja, o lucro auferido pela investida foi empregado, quando as ações ou quotas valorizadas por esse lucro foram vendidas. Portanto, no caso em análise, a partir do momento em que a investidora (SKOL) decidiu alienar as ações da investida (JALUA) para a EAGLE, e se beneficiou da valorização do ativo (ações) para efetuar a operação, valorização essa que se viabilizou a partir dos lucros auferidos pela coligada refletidos no investimento por meio da equivalência patrimonial, restou evidente a consumação do emprego de valor. Enfim, aduz a Contribuinte em contrarrazões que, como o § 9º do art. 2º da IN/SRF nº 38, de 1996, não foi reproduzido no art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997, por consequência a hipótese de alienação de participação estaria fora do alcance do conceito de emprego de valor. Vale transcrever a redação do dispositivo: [...] Em brevíssima síntese, a IN/SRF nº 38, de 1996 foi editada após publicado o art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, que não previa nenhum evento de disponibilização dos lucros final do anocalendário. Tendo recebido várias críticas, até porque à época ainda não havia sido editado o § 2º do art. 43 do CTN 4, a Receita Federal editou a instrução normativa dispondo sobre as hipóteses de disponibilização. Contudo, emergiuse nova crítica no sentido de que as hipóteses de disponibilização apresentadas pela instrução normativa não teriam base legal. Nesse contexto, surgiu o art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997 (precisamente o objeto da análise dos presentes autos), tratando das hipóteses de disponibilização dos lucros. Ocorre que a redação do art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997 não reproduziu na integralidade vários dispositivos do art. 2º da IN/SRF nº 38, de 1996, mas apenas o essencial, o necessário, de acordo com a natureza da lei. Como exaustivamente apresentado no presente voto, a redação do § 2º, "b", "4", do art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997, que trata do emprego de valor, por si só, já se mostra suficiente para abranger todas as situações em que o lucro foi realizado e que não estão previstas nos itens "1", "2" e "3" do mesmo § 2º, "b", do artigo em análise. Fl. 887DF CARF MF Processo nº 16561.000200/200721 Acórdão n.º 9101003.887 CSRFT1 Fl. 888 10 A instrução normativa tem natureza de norma complementar, e por isso apresenta uma redação mais detalhada, buscando identificar hipóteses que, apesar de previstas em lei, não teriam sido expressamente positivadas, mas estariam em conformidade com a norma. Assim, o fato de a lei posterior não ter reproduzido dispositivo empregado em instrução normativa anterior não implica, automaticamente, em inferir que a situação tratada no dispositivo teria sido descartada pela lei. O cotejo a ser realizado é entre a redação do art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, e o art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997, este que se prestou para estabelecer as hipóteses de disponibilização dos lucros em debate, de maneira precisa e objetiva. Portanto, mediante análise da norma, sobre a ocorrência do emprego de valor), em relação aos aspectos material, pessoal, territorial e temporal, deve ser restabelecida a autuação fiscal relativa aos lucros disponibilizados no exterior em razão de alienação de participação societária, limitados à abrangência da matéria devolvida (IRPJ na integralidade do período autuado e CSLL a partir de outubro/99)." Na trilha do julgado anterior, invocase o acórdão nº 9101003.750, na relatoria do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. HIPÓTESE DE DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS. Na alienação de participação em empresa sediada no exterior, há o emprego dos lucros auferidos no exterior, em favor da empresa brasileira, configurando hipótese de disponibilização desses lucros. A finalidade da norma contida no item 4 da alínea b do § 2º do art. 1º da Lei nº 9.532/1997 não pode ser outra, senão a de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não esteja compreendida nas demais situações previstas no referido §2º. Não há como defender a ideia de que a alienação das participações societárias (onde os lucros estavam acumulados) não representa uma forma de disponibilização dos lucros no exterior. Ao contrário disso, a alienação das participações societárias é uma típica forma de realização dos lucros auferidos no exterior, lucros que ainda não haviam sido tributados pelas leis brasileiras." Como foi visto, a recorrente participava com 99,99% do capital social de Hoeneck, quando, em julho de 2002, ao ceder ações emitidas à CBB, transferiu a esta 50,6909% do capital da Hoeneck. Os autos retratam que a Hoeneck apurou lucro em balanço de julho de 2002, à efl. 43. Essa demonstração financeira era necessária para a investidora atualizar o investimento a ser baixado de seu ativo, cumprindose, desse modo, o artigo 427 do RIR/99: "Art. 427. A baixa de investimento relevante e influente em sociedade coligada ou controlada deve ser precedida de avaliação pelo valor do patrimônio líquido, com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada, levantado na data da alienação ou liquidação ou até trinta dias, no máximo, antes dessa data." Fl. 888DF CARF MF Processo nº 16561.000200/200721 Acórdão n.º 9101003.887 CSRFT1 Fl. 889 11 Portanto, a transferência do investimento na controlada Hoeneck, avaliado pela equivalência patrimonial, ocorreu após a atualização do valor do investimento transferido, isto é, depois que os lucros acumulados no patrimônio líquido dessa investida passaram a ser refletidos no custo do investimento. Esse acréscimo ao custo do ativo não é tributado, nos termos das regras tributárias que incidem sobre o resultado da equivalência patrimonial. No entanto, com a cessão do investimento na controlada no exterior, devese incluir, no cálculo do resultado tributável, o montante dos lucros gerados pela controlada estrangeira que se refletiu no ajuste do custo desse investimento alienado. Se o custo do ativo foi acrescido desse montante, é intuitivo que o mesmo acréscimo deva ser oferecido à tributação, diante da compreensão genérica de que o imposto sobre a renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial. A alienação do investimento no capital de uma pessoa jurídica é uma das modalidades de realização do mesmo investimento. Outra possibilidade de realização é a percepção de dividendos originados da participação societária. Em ambos os casos, supõese que o investimento cumpriu a finalidade de gerar renda ao investidor. Entretanto, de acordo com a tese da recorrente, o lucro acumulado da controlada ou coligada estrangeira jamais seria tributado no Brasil, em caso de alienação do investimento para outra pessoa jurídica domiciliada no exterior. Tenhase em conta que o produtor institucional da norma tributária não pretendeu abrir mão de uma receita tributária dessa espécie, ao instituir o conjunto de regras que disciplinam a tributação dos lucros gerados por investimentos em coligadas ou controladas no exterior. Tal perspectiva não é razoável, afinal o próprio artigo 1º, § 2º, alínea "b", item 4, da Lei nº 9.532/1997 prevê que se deve tributar o "emprego do valor", "inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior." Aqui, vêse que o dispositivo em alusão claramente estabelece, como hipótese de realização, o aumento de capital na investida, domiciliada no exterior, com os lucros por ela mesma gerado, não obstante inexistir distribuição efetiva de dividendo ou ingresso de receita. Contudo, inequivocamente se trata de um modo pelo qual se materializa um acréscimo patrimonial, que, como tal, deve ser abarcado pela compreensão genérica de que os acréscimos patrimoniais se sujeitam à incidência do imposto sobre a renda e da CSLL, salvo se amparados por regra excludente. Ocorre que o resultado positivo da equivalência patrimonial está fora do âmbito de incidência de tributação, por força de regra específica, a despeito do acréscimo, por ajuste, ao custo do investimento avaliado pelo patrimônio líquido. Porém, no momento em que se efetiva a realização do investimento, a exemplo da situação fática constatada nestes autos, com a obtenção de alguma vantagem acertada na negociação para a alienação do investimento, deve ser submetida à incidência do IRPJ e da CSLL a parcela do lucro não oferecida anteriormente à tributação e refletida no acréscimo do custo do investimento na controlada domiciliada no exterior. A Lei nº 9.532/1997 diz que, na situação em exame, em consonância com o disposto em seu artigo 1º, § 2º, alínea "b", item 4, considerase pago o lucro, o que deve ser entendido de tal forma a abrigar, em seu âmbito de incidência, o acréscimo ao investimento proveniente da equivalência patrimonial, daí assumindose a parcela do lucro da investidora, que deu origem ao ajuste da equivalência patrimonial, como se estivesse disponível ao alienante. Em face do exposto, conheço parcialmente do Recurso Especial do contribuinte para negar provimento, na parte conhecida. É como voto. Fl. 889DF CARF MF Processo nº 16561.000200/200721 Acórdão n.º 9101003.887 CSRFT1 Fl. 890 12 (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 890DF CARF MF
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Numero do processo: 13921.720102/2012-47
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para aceitar os recibos de e-fls. 33 a 38 referentes à profissional Aneth Maria Ventura da Luz, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (relatora) que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Thiago Duca Amoni.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente NEUZA TEREZINHA MANFROI DAVOGLIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DEDUÇÃO INDEVIDA DESPESA MÉDICA DOCUMENTAÇÃO HÁBIL As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para aceitar os recibos de efls. 33 a 38 referentes à profissional Aneth Maria Ventura da Luz, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (relatora) que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 92 1. 72 01 02 /2 01 2- 47 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13921.720102/201247 Acórdão n.º 2002000.464 S2C0T2 Fl. 70 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 16/21), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2010. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar de R$1.953,78 para saldo de imposto a pagar de R$4.156,54. A notificação noticia a dedução indevida de despesas médicas, no montante de R$8.621,70, sob as justificativas constantes às fls. 18/19. Impugnação Cientificada à contribuinte em 30/3/2012, a NL foi objeto de impugnação, em 23/4/2012, à fl. 2/13 dos autos, na qual alega que todos os pagamentos questionados foram realizados em dinheiro, conforme declarações firmadas pelos profissionais, nas quais confirmam os atendimentos prestados e pagamentos recebidos. Protesta pelo restabelecimento da dedução declarada, a qual está em conformidade com a legislação. A impugnação foi apreciada na 7ª Turma da DRJ/BHE que, por unanimidade, julgoua impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 57/59): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EFETIVIDADE PAGAMENTOS. AUSÊNCIA DA PROVA. Mantémse a glosa de dedução a título de despesas médicas quando o sujeito passivo é intimado a comprovar a efetividade dos desembolsos e deixa de apresentar documentos aptos a fazêlo. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 17/2/2016 (fl. 62), a contribuinte, em 3/3/2016 (fl. 64), apresentou recurso voluntário, às fls. 64/66, no qual alega que os documentos juntados aos autos, recibos e declarações emitidas pelos profissionais, são verídicos e idôneos, cabendo, no seu entendimento, o cancelamento das glosas. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13921.720102/201247 Acórdão n.º 2002000.464 S2C0T2 Fl. 71 3 Voto Vencido Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13921.720102/201247 Acórdão n.º 2002000.464 S2C0T2 Fl. 72 4 Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Em seu recurso, a contribuinte defende que os recibos são os documentos hábeis a fazer a prova exigida. Como exposto acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13921.720102/201247 Acórdão n.º 2002000.464 S2C0T2 Fl. 73 5 seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. O ônus probatório é do contribuinte e ele não pode se eximir desse ônus com a afirmação de que o recibo de pagamento seria suficiente por si só para fazer a prova exigida. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado, repisese, compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) No caso concreto desses autos, ainda que intimada a fazer a prova do efetivo pagamento (fl.27), só foram juntados pela recorrente os recibos de fls. 31/38 e as declarações Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13921.720102/201247 Acórdão n.º 2002000.464 S2C0T2 Fl. 74 6 de fls. 7/9. Os extratos juntados (fls.39/54), por seu turno, não demonstraram operações vinculadas aos recibos apresentados. Vejase que, na autuação (fls.18/19), a autoridade fiscal lista diversas constatações, que, no meu entendimento, justificam a exigência de elementos adicionais para a comprovação das despesas incorridas. Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Voto Vencedor Thiago Duca Amoni Redator designado Com todo o respeito ao entendimento da relatora, peço vênia para divergir do voto consignado. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13921.720102/201247 Acórdão n.º 2002000.464 S2C0T2 Fl. 75 7 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13921.720102/201247 Acórdão n.º 2002000.464 S2C0T2 Fl. 76 8 evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13921.720102/201247 Acórdão n.º 2002000.464 S2C0T2 Fl. 77 9 banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13921.720102/201247 Acórdão n.º 2002000.464 S2C0T2 Fl. 78 10 Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Desta forma, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para provimento aceitar os recibos de efls. 33 a 38 referentes a profissional Aneth Maria Ventura da Luz, afastando referidas glosas. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.900026/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL.
Constata a existência de erro material verificado no relatório do acórdão, é de rigor o acolhimento dos embargos de declaração como embargos inominados para a correção da falha.
Numero da decisão: 2201-004.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos interpostos pelo Contribuinte para, sem efeitos infringentes, sanar o erro material identificado, determinando que, no Relatório do Acórdão nº 2201-004.412, de 04 de abril de 2018, a numeração do PER/DCOMP (antes indicado como 01167.92487.191103.1.3.04-4588) seja substituída para 16872.05155.191103.1.3.04-8715.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos interpostos pelo Contribuinte para, sem efeitos infringentes, sanar o erro material identificado, determinando que, no Relatório do Acórdão nº 2201-004.412, de 04 de abril de 2018, a numeração do PER/DCOMP (antes indicado como 01167.92487.191103.1.3.04-4588) seja substituída para 16872.05155.191103.1.3.04-8715. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
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ERRO MATERIAL. Embargante BANCO ITAU CONSIGNADO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. Constata a existência de erro material verificado no relatório do acórdão, é de rigor o acolhimento dos embargos de declaração como embargos inominados para a correção da falha. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos interpostos pelo Contribuinte para, sem efeitos infringentes, sanar o erro material identificado, determinando que, no Relatório do Acórdão nº 2201004.412, de 04 de abril de 2018, a numeração do PER/DCOMP (antes indicado como “01167.92487.191103.1.3.04 4588”) seja substituída para “16872.05155.191103.1.3.048715”. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 00 26 /2 00 8- 44 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 15374.900026/200844 Acórdão n.º 2201004.799 S2C2T1 Fl. 182 2 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração de fls. 148/150 interposto pelo Contribuinte BANCO ITAU CONSIGNADO S/A (atual denominação do BANCO BANERJ S/A) em razão de erro material existente no Acórdão nº 2201004.412 (fls. 116/122), consistente na indicação equivocada do número do PER/DCOMP objeto do presente caso. O EMBARGANTE apresentou que, no Relatório do Acórdão embargado, há indicação de que o PER/DCOMP discutido é o de nº 01167.92487.191103.1.3.044588. Contudo, aponta que o Despacho Decisório e demais peças acostadas aos autos dão conta de que o PER/DCOMP correto é o de nº 16872.05155.191103.1.3.048715. Assim, pleiteia que os Embargos de Declaração opostos fossem recebidos como Embargos Inominados com a finalidade de corrigir o erro material. Quando da análise de admissibilidade dos Embargos de Declaração (fls. 178/179), após constatar a sua tempestividade, o Presidente desta Colenda 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF os admitiu como Embargos Inominados e determinou a apreciação dos autos por este Conselheiro Relator a fim de sanar o erro material apontado pela EMBARGANTE, conforme abaixo: “Assim, no que tange ao vício apontado erro material no relatório quanto ao nº do PER/DCOMP compulsandose as peças processuais, constatase claramente que o nº correto é 16872.05155.191103.1.3.04.8715, caracterizandose assim a inexatidão devida a lapso manifesto, hipótese que efetivamente enseja a oposição de Embargos Inominados, conforme o art. 66, acima transcrito. Diante do exposto, ACOLHO a alegação de erro material verificado no relatório do acórdão como Embargos Inominados, para que o lapso referente ao nº do PER/DCOMP seja corrigido, mediante a prolação de um novo acórdão, conforme determina o art. 66, do Anexo II, do RICARF; Encaminhese ao Relator, Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, para inclusão em pauta de julgamento.” É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Conforme fundamentos expostos na decisão de admissibilidade de fls. 178/179, houve inexatidão, devida a lapso manifesto, quando da indicação do número do PER/DCOMP objeto do presente processo. É que, conforme relatado, o acórdão embargado expôs que o número do PER/DCOMP discutido é o de nº 01167.92487.191103.1.3.044588. Contudo, o documento de Fl. 182DF CARF MF Processo nº 15374.900026/200844 Acórdão n.º 2201004.799 S2C2T1 Fl. 183 3 fl. 18 e o Despacho Decisório de fl. 15 demonstram que, na realidade, o PER/DCOMP objeto do presente processo é o de nº 16872.05155.191103.1.3.048715. Sendo assim, constatado o equívoco, deve ser corrigido o erro material apontado. Portanto, conheço e acolho os presentes embargos para, sanando o erro material apontado, substituir o seguinte trecho do Relatório do acórdão nº 2201004.412 desta Turma, encontrado à fl. 117, para fazer constar a numeração correta do PER/DCOMP objeto do presente processo, da seguinte forma: De: “Tratase do PER/DCOMP nº 01167.92487.191103.1.3.044588, fls. 18/23, no qual o contribuinte buscava compensar suposto crédito no valor original de R$ 18.802,01, oriundo do pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 0561, com o débito de CPMF, da 1º semana de setembro de 2003, no valor de R$ 18.180,54.” Para: “Tratase do PER/DCOMP nº 16872.05155.191103.1.3.048715, fls. 18/23, no qual o contribuinte buscava compensar suposto crédito no valor original de R$ 18.802,01, oriundo do pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 0561, com o débito de CPMF, da 1º semana de setembro de 2003, no valor de R$ 18.180,54.” CONCLUSÃO Em razão do exposto, ACOLHO os Embargos Inominados, sem efeitos infringentes, para corrigir o erro material apontado, conforme razões acima. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.007872/97-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1991, 1992, 1993
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA
Diante da interpretação dada pela Corte Especial do STJ, forçoso reconhecer a pacificação da questão no STJ, no sentido de que os pagamentos indevidos apresentados antes de 9 de junho de 2005, o prazo para o direito à repetição é de cinco mais cinco anos, contados da data do fato gerador, limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da Lei Complementar 118/05, Com a não consumação da decadência, os autos devem retornar à DRF de origem para a apreciação do mérito.
Numero da decisão: 1301-003.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reformar o acórdão recorrido, e determinar o retorno dos autos à DRJ para que profira nova decisão sobre o mérito do pedido, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: Relator José Eduardo Dornelas Souza
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1991, 1992, 1993 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA Diante da interpretação dada pela Corte Especial do STJ, forçoso reconhecer a pacificação da questão no STJ, no sentido de que os pagamentos indevidos apresentados antes de 9 de junho de 2005, o prazo para o direito à repetição é de cinco mais cinco anos, contados da data do fato gerador, limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da Lei Complementar 118/05, Com a não consumação da decadência, os autos devem retornar à DRF de origem para a apreciação do mérito.
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TESE CINCO MAIS CINCO. STJ Recorrente XEROX DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1991, 1992, 1993 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA Diante da interpretação dada pela Corte Especial do STJ, forçoso reconhecer a pacificação da questão no STJ, no sentido de que os pagamentos indevidos apresentados antes de 9 de junho de 2005, o prazo para o direito à repetição é de cinco mais cinco anos, contados da data do fato gerador, limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da Lei Complementar 118/05, Com a não consumação da decadência, os autos devem retornar à DRF de origem para a apreciação do mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reformar o acórdão recorrido, e determinar o retorno dos autos à DRJ para que profira nova decisão sobre o mérito do pedido, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 78 72 /9 7- 93 Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10580.007872/9793 Acórdão n.º 1301003.444 S1C3T1 Fl. 417 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase o presente pleito de pedidos de compensação apresentados pela interessada Xerox do Brasil Ltda, para extinção de débitos próprios. Para tanto, a interessada pretende utilizarse dos créditos que, segundo alega, seriam resultado da retificação das declarações dos rendimentos dos anoscalendário de 1991, 1992 e 1993, apresentados pela incorporada Xerox do Nordeste Ltda. Os pedidos de compensação converteramse em declarações de compensação, por força do art. 74, § 4º, da Lei 9.430/1996, com nova redação dada pelo art. 49 da Lei 10.637/2002. A solicitação de retificação das declarações de 1991, 1992 e 1993, protocolizadas em 15.12.1997, concedeu à Xerox do Nordeste Ltda, a isenção do Imposto de Renda calculado sobre o Lucro de Exploração referente à atividade de fabricação do revelador. O benefício foi concedido em 1994, por dez anos, contados retroativamente a 1991. Cientificada do resultado da Diligência realizada, a contribuinte realizou petição (fls. 116/117) na qual indica e discrimina o direito creditório pleiteado, calculado de acordo com as informações prestadas nas declarações retificadoras dos anos 1991 a 1993. Em 02/05/2006 a interessada é cientificada do Despacho Decisório da Derat/RJ (fls. 191/196), o qual nega o pleito, sob os seguintes fundamentos: a) O direito creditório não possui liquidez e certeza; b) As retificações das declarações de rendimento não tiveram como objetivo corrigir erros de fato ou equívoco de preenchimento, mas sim redução de resultados baseada em ampliações de benefícios fiscais. Em 1º.6.2006, a requerente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.245/257), na qual alega, em síntese, que: a) A portaria que concedeu o benefício de isenção é datada de 28/07/1994, mas atingiu, retroativamente, os anos de 1991, 1992 e1993; b) No âmbito da Diligência realizada, a autoridade administrativa competente atestou que as retificações das declarações de rendimento estavam corretas e coerentes; Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10580.007872/9793 Acórdão n.º 1301003.444 S1C3T1 Fl. 418 3 c) O §1º do art.147 ampara a retificação da declaração, mesmo que seja para reduzir tributo, quando comprovado o erro em que se funde, antes de notificado o lançamento; d) Conforme comprovam DARFs juntados aos autos (doc. 2), os débitos de PIS, Cofins e IPI que foram objeto das declarações de compensação juntadas ao presente processo foram pagos por equívoco. Remanesce, porém, o direito creditório da interessada; Em 17.11.2006, a 8ª Turma da DRJ/RJOI decidiu por declarar tacitamente homologada a compensação, extinguir o respectivo crédito tributário e indeferir o direito creditório pleiteado, já que a contribuinte apresentou Pedido de Compensação fora do prazo estabelecido no art. 168 do CTN. Em 18.12.2007, a contribuinte é cientificada da decisão e, em 14.1.2008, protocolou Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que: a) Equívoco na decisão recorrida, vez que não foi consumada a compensação objeto do processo administrativo nº 100580006980/9810 em apenso, onde o crédito em exame teria sido compensado com valores devidos de IPI (cd. 1097) referentes ao ano de 1999. Os Livros de Apuração de IPI e dos DARFs juntados aos autos, inclusive por ocasião do protocolo do recurso voluntário, comprovam que, na maior parte dos meses daqueles anos foi apurado saldo credor de IPI e quando foi apurado saldo devedor deste imposto, os valores foram recolhidos aos cofres públicos; b) O Pedido de Compensação da recorrente foi feito dentro do prazo previsto no art. 168 do CTN, quaisquer que sejam os entendimentos adotados por este colegiado, ou seja, adotandose o entendimento que aplica retroativamente à Lei Complementar 118/05 para contar os cinco anos a partir do pagamento indevido ou aplicandose o entendimento consagrado por este Conselho e pelo STJ (cinco anos contados após outros cinco anos referentes à homologação tácita). Portanto, não restam dúvidas de que o Pedido foi feito tempestivamente; c) A aplicação retroativa da Lei Complementar 118/05 já foi afastada pela Corte Superior do STJ, o que demonstra que o entendimento consagrado por este Conselho e pelo STJ (cinco anos contados após outros cinco anos referentes à homologação tácita) encontrase alinhado com a jurisprudência atual e deve ser aplicado ao presente caso; d) A legalidade do direito creditório em exame é evidente pois a isenção de IRPJ foi reconhecida em julho de 1994, pela portaria SUDENE nº 0246/94 (fls. 57/58) com efeitos retroativos aos anosbase de 1991, 1992 e 1993. Para demonstrar o seu crédito (o recolhimento do IRPJ a maior), a recorrente foi obrigada a retificar suas Declarações de Rendimento dos anos anteriores a 1994 para refazer o cálculo do Lucro de Exploração, que é base de cálculo para apurar o IRPJ devido pelas empresas incentivadas como a recorrente. Por fim, a interessada requer provimento ao seu Recurso Voluntário para que ocorra a reforma da decisão que indeferiu o direito creditório pleiteado, reconhecendo o crédito tributário em questão originário de pagamento a maior de Imposto de Renda referente aos anos base de 1991 a 1993, quando a recorrente apurou seu lucro de exploração sem aplicar a isenção concedida pela Portaria DAI/PTE nº 0246/94, expedida pela SUDENE com efeitos retroativos ao anobase 1991. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10580.007872/9793 Acórdão n.º 1301003.444 S1C3T1 Fl. 419 4 O processo foi remetido para a Terceira Seção, que, mediante acórdão de nº 3401001.775, decidiu não conhecer do recurso, apontando que a competência para processar e julgálo seria da Primeira Seção de Julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da Análise do Recurso Voluntário O contribuinte recorre a este Conselho, suscitando, entre outras alegações, o equívoco da decisão que considerou decaído/prescrito o direito creditório por ele reivindicado em pedido apresentado em dezembro de 1997, através de petição de fls. 01/02 destes autos, enfatizando o erro cometido pela decisão recorrida ao afirmar que o pedido de compensação do crédito teria sido feito apenas em janeiro de 2001. Noutros termos, seja considerando a data de janeiro de 2001, seja a data de dezembro de 1997, a interessada busca a reforma da decisão recorrida, para que prevaleça o entendimento de que o prazo prescricional para os pedidos de restituição/compensação formulados antes do advento da LC nº 118/05 seja de 10 (dez) anos, e não de 5 (cinco) anos, como entendeu o acórdão recorrido. O direito creditório pleiteado no referido pedido de fls. 01/02 corresponde à pagamento indevido de IRPJ, em razão de retificações de Declarações de Rendimentos dos anos de 1991, 1992 e 1993, para considerar benefício fiscal posteriormente reconhecido pela SUDENE, com aplicação retroativa (isenção de IRPJ), aplicável sobre as receitas decorrentes da fabricação de revelador. Assim, a presente discussão cingese à questão do prazo para os contribuintes pleitearem restituição de direito creditório, e é nessa seara que deve ser examinado o recurso do contribuinte, vez que a decisão recorrida não adentrou na análise da liquidez e certeza do crédito apresentado. Confirase: 5. Direito creditório — mérito 0 presente processo teve inicio a partir da petição de fls 01/02. A referida petição, protocolada em 15/12/1997, solicita a retificação das DIPJs dos anos calendário 1991, 1992 e 1993, com base na Portaria DAI/PTE 0246/94 da SUDENE, que concedeu à interessada isenção retroativa a 1991. 0 requerimento apresentado faz ressaltar, ao final, sem quaisquer considerações adicionais, — (fls 02, Último parágrafo) que "após o deferimento de nosso pleito, os valores apurados serão compensados com outros impostos e contribuições de acordo com as INs 21 e 37 de 1997" (sic) . Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10580.007872/9793 Acórdão n.º 1301003.444 S1C3T1 Fl. 420 5 Em decorrência do pedido formulado, em 30/09/1998 foi determinado, através do despacho de fls 50, a realização de diligência junto ao estabelecimento da interessada, para que fosse examinada a correção das retificações pretendidas. O relatório conclusivo da diligência foi elaborado em 15/03/1999 e consta das fls 52. Apenas em 22/01/2001, após a ciência do relatório que resultou da diligencia, a interessada compareceu aos autos (fls 116/117), agora sim, pela primeira vez, quantificando e discriminando por ano de origem e natureza o direito creditório do qual se julga titular. A vista do exposto, a primeira questão que se coloca diz respeito à natureza jurídica da petição de fls 1/2. A tese ora adotada é a de que a referida petição no pode ser considerada para fins de obstar a contagem do prazo máximo que a interessada teria para, nos termos dos arts 165 e 168 do CTN, requerer o direito creditório de que se acha titular. 0 requerimento hábil para tal fim , no presente caso, é o de fls 116/117, protocolizado somente em 22/01/2001, pois somente nesta oportunidade os créditos pretendidos pela interessada foram quantificados, apontados e demonstrados. A petição de fls 1/2, cuja natureza jurídica de "pedido de compensação/restituição" ora rejeito, não aponta os valores dos créditos pretendidos e nem os demonstra , fazendo breve menção ao fato de que " ... os valores apurados serão compensados". (...) A vista dos motivos expostos, por considerar que a petição de fls 1/2 não constitui "pedido de restituição ou compensa cão", e por constatar, no presente caso, que o crédito pretendido pela interessada, originário de recolhimentos indevidos ou a maior efetuados em 1991,1992 e 1993, foi requerido tão somente através da petição de fls 116/117, protocolada em 22/01/2001, concluo que o pleito da interessada foi formalizado após o prazo máximo estipulado pelos art 168 do CTN. (GN) Em que pese tal entendimento, penso que ele deve ser reformado. A matéria foi objeto de decisão do STF quando do julgamento do RE 566.621 de relatoria da Ministra Ellen Gracie, bem como do STJ, em sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1.269.570, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques,; O entendimento exarado por estas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja de 09/06/2005, como no caso, é de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I desse mesmo diploma. Consagrouse assim, a tese dos 5 + 5. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10580.007872/9793 Acórdão n.º 1301003.444 S1C3T1 Fl. 421 6 O acórdão do Supremo Tribunal Federal (STF) restou assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10580.007872/9793 Acórdão n.º 1301003.444 S1C3T1 Fl. 422 7 Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, a LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Nesse sentido, a Súmula CARF 91 assim se expressou: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Assim, em se tratando de pagamento indevido de IRPJ, e que a apresentação do pedido formulado pela recorrente ocorreu em dezembro de 1997, para reivindicar crédito decorrente de retificações de Declarações de Rendimentos dos anos de 1991, 1992 e 1993, ou seja, o pedido foi apresentado antes de 9.6.05, devese, em respeito ao art. 62, § 2º, Anexo I, da Portaria 343/2015, acolher parcialmente as razões do sujeito passivo, de forma que não seja considerado decaído/prescrito seu pleito. Ressaltese apenas que ainda que se considerasse que o pedido de compensação do crédito teria sido feito apenas em janeiro de 2001, como o fez o acórdão recorrido, o resultado do presente julgamento em nada se altera, pois o contribuinte também se enquadraria na sistemática do prazo de dez anos, a contar do fato gerador, para pleitear a restituição do tributo pago indevidamente ou a maior. Digase ainda que ainda que sejam confirmados os pagamentos em dinheiro dos valores dos débitos objeto de pedido de compensação, o pleito de reconhecimento de direito creditório remanesce, e deve ser analisado. Conclusão Com esses fundamentos, reconheço inexistir a consumação do fenômeno decadencial/prescricional, e dou provimento parcial ao recurso, para reformar o acórdão recorrido, para devolver os presentes autos à DRJ para nova decisão sobre o mérito do pedido. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10580.007872/9793 Acórdão n.º 1301003.444 S1C3T1 Fl. 423 8 Fl. 424DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.006209/2008-03
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. TENTATIVA IMPROFÍCUA POR VIA POSTAL. INTIMAÇÃO POR EDITAL. VÁLIDADE.
Com base no art. art. 23, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972, uma única tentativa frustrada de intimação pessoal ou por via postal autoriza a intimação por edital.
Numero da decisão: 9202-007.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. TENTATIVA IMPROFÍCUA POR VIA POSTAL. INTIMAÇÃO POR EDITAL. VÁLIDADE. Com base no art. art. 23, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972, uma única tentativa frustrada de intimação pessoal ou por via postal autoriza a intimação por edital.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LUIS MARIO CANAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. TENTATIVA IMPROFÍCUA POR VIA POSTAL. INTIMAÇÃO POR EDITAL. VÁLIDADE. Com base no art. art. 23, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972, uma única tentativa frustrada de intimação pessoal ou por via postal autoriza a intimação por edital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 62 09 /2 00 8- 03 Fl. 473DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 220201.666, proferido em 12 de março de 2012, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004, 2005 Ementa: IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVIDADE VALIDADE DA CITAÇÃO EDITAL A intimação via edital, só deve ser efetuada quando esgotados todos os meios de ciência do contribuinte. A intimação efetuada em endereço incorreto, não tem validade. Portanto válida a ciência pessoal do contribuinte, para fins de contagem do prazo para apresentação da impugnação. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a tempestividade da impugnação e determinar o retorno dos autos a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de origem para a análise das demais questões. Vencidos os Conselheiros Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga e Nelson Mallman, que negavam provimento ao recurso. O Recurso visa rediscutir a seguinte matéria: nulidade do edital, em razão de vício existente na intimação dirigida ao procurador, após improfícua intimação postal ao contribuinte. Em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Segunda Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo da Fazenda Nacional. Em suas razões recursais, a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que a intimação pela via posta foi enviada corretamente para o endereço do contribuinte, fato confirmado pelo seu patrono, porém este meio de intimação restou improficuo; que além da intimação ter sido enviada ao contribuinte, o auto de infração foi encaminhado, por via posta, para o endereço do patrono, e, por erro no número do escritório, a correspondência não foi entregue; que a turma a quo entendeu que, diante da intimação infrutífera do patrono, a Fiscalização não estaria autorizada a lançar mão da intimação editalícia, mas apenas após exauridas outras formas de diligência com a finalidade de intimar ao Contribuinte; que há previsão expressa no sentido de autorizar a fiscalização a realizar a intimação por edital, se um, e apenas um, dos meios ordinários facultados pela lei se mostrar inócuo, nos termos do art. 23, § 1º do Decreto nº 70.235, de 1.972; Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10183.006209/200803 Acórdão n.º 9202007.271 CSRFT2 Fl. 3 3 que não havia a obrigação de se intimar o patrono da causa e inexiste preferência entre os meios de intimação; Cientificado do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 10/05/2013, o Contribuinte apresentou, em 23/05/2013 (Carimbo, efls. 463) as Contrarrazões de efls. 463 a 469 nas quais aduz, em síntese, que foi em decorrência da devolução da correspondência endereçada ao seu procurador é que foi feita a intimação por edital; que a intimação não foi entregue ao procurador por erro no seu endereçamento; que a recorrente não demonstrou a divergência alegada, posto que os acórdão paradigmas não possuem semelhança com a questão tratada no recorrido; que a recorrente, valendose apenas das ementas, busca demonstrar a semelhança entre os casos; que, quanto ao mérito, no momento em que a Fiscalização enviou a intimação para o Procurador, fica vinculado a este ato administrativo, não podendo alegar a imprescindibilidade da intimação ao procurador; que soa estranho o fato de o contribuinte não ser encontrado para a notificação inicial do auto de infração e, posteriormente, ser encontrado na fase de cobrança; que a notificação não chegou ao contribuinte por culpa da própria Receita federal; É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O Recurso foi interposto tempestivamente. Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade, diante das ressalvas aduzidas pelo Contribuinte, examino suas alegações. Afirma o contribuinte que o Recurso não demonstra a divergência; que não há similitude fática entre o acórdão recorrido e paradigma. Do cotejo entre um e outro, verifico que não assiste razão ao contribuinte. O acórdão paradigma trata de situação absolutamente idêntica ao do recorrido, em que houve uma intimação improfícua dirigida ao contribuinte seguida de intimação por edital. Por outro lado, a questão suscitada pelo Contribuinte em suas contrarrazões, sobre a alegada vinculação da tentativa frustrada de intimação do procurador, a qual deveria ser Fl. 475DF CARF MF 4 associado a intimação por edital, não foi discutida no recurso voluntário, nem nos paradigmas, de modo que essa questão não deve ser avaliada para fins de verificação da demonstração da divergência. Entendo, portanto, demonstrada a divergência, bem como o preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual conheço do Recurso. Quanto ao mérito, a questão central diz respeito às condições de validade da intimação editalícia e, consideradas as circunstâncias do caso, envolve a exame de duas questões: a primeira, a possibilidade de intimação por edital, após uma única tentativa frustrada de intimação pelas vias tradicionais – pessoalmente ou por via postal; a segunda, a necessidade de intimação do procurador ou, como se refere o contribuinte em suas contrarrazões, as conseqüências da intimação improfícua do procurador por erro no endereçamento da correspondência. Quanto à primeira questão, a matéria está disciplinada no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 1997 e Lei nº 11.196, de 2005, vigente à época dos fatos. Confirase: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997); II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10183.006209/200803 Acórdão n.º 9202007.271 CSRFT2 Fl. 4 5 A norma não poderia ser mais clara: a intimação poderá ser feita pó edital quando resultas improfícuo um dos meios previstos no caput, ou seja, pessoalmente ou por via postal. Foi o que fez a autoridade lançadora: após devolução do AR, frustrando a intimação por via postal, procedeu à ciência por meio de edital. Essa questão foi apreciada por esta Turma que em julgados recente se manifestou no sentido da validade da intimação por meio de edital após frustrada uma tentativa de intimação pessoa ou por via postal. É o caso, por exemplo do Acórdão nº 9202006.232, de 28/11/2007, a saber: CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. VIA POSTAL IMPROFÍCUA. UTILIZAÇÃO DE EDITAL VÁLIDA. Com base no art. art. 23, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972, a intimação improfícua por via postal, autoriza a ciência pela utilização de edital. Não sendo a contribuinte capaz de comprovar erro dos Correios na tentativa de entrega de intimação para ciência de decisões e despachos do processo fiscal, é válida a ciência pro meio de edital. É como penso. Não cabe ao julgador administrativo acrescentar requisitos não previstos na norma para a admissibilidade da intimação editalícia, com base em critérios subjetivos de razoabilidade. A intimação foi dirigida ao endereço correto do contribuinte, conforme o seus dados cadastrais e restou inprofícua. De acordo com a norma acima reproduzida, poderia o Fisco proceder de imediato à intimação por edital. Quanto à segunda questão, a tentativa de intimação ao procurador, frustrada em razão da incorreta indicação do endereço, o fato em nada altera a conclusão acima. É que o Fisco não tem o dever de intimar o procurador. Mais que isso, conforme a jurisprudência deste Conselho, consolidada na Súmula CARF nº 110, sequer é válida de intimação dirigida ao procurador. Confirase: Aúmula CARF nº 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito doulhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 477DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13601.720335/2014-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não há que se falar de cerceamento de defesa quando resta comprovado nos autos que a decisão recorrida apreciou os elementos de prova trazidos aos autos pelo sujeito passivo e, a partir dessa análise, reduziu o valor do crédito tributário lançado.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TRIBUTAÇÃO. FGTS. ISENÇÃO.
Os rendimentos recebidos acumuladamente relativos a anos-calendário anteriores ao recebimento em decorrência de reclamatória trabalhista e oferecidos à tributação na sistemática do ajuste anual como rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, por opção do sujeito passivo, submetem-se à incidência do imposto de renda com base na tabela progressiva, deduzindo-se, tão-somente, no caso concreto, por serem isentas, as verbas concernentes ao FGTS e respectiva multa rescisória.
Numero da decisão: 2402-006.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não há que se falar de cerceamento de defesa quando resta comprovado nos autos que a decisão recorrida apreciou os elementos de prova trazidos aos autos pelo sujeito passivo e, a partir dessa análise, reduziu o valor do crédito tributário lançado. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TRIBUTAÇÃO. FGTS. ISENÇÃO. Os rendimentos recebidos acumuladamente relativos a anos-calendário anteriores ao recebimento em decorrência de reclamatória trabalhista e oferecidos à tributação na sistemática do ajuste anual como rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, por opção do sujeito passivo, submetem-se à incidência do imposto de renda com base na tabela progressiva, deduzindo-se, tão-somente, no caso concreto, por serem isentas, as verbas concernentes ao FGTS e respectiva multa rescisória.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior e Renata Toratti Cassini.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não há que se falar de cerceamento de defesa quando resta comprovado nos autos que a decisão recorrida apreciou os elementos de prova trazidos aos autos pelo sujeito passivo e, a partir dessa análise, reduziu o valor do crédito tributário lançado. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TRIBUTAÇÃO. FGTS. ISENÇÃO. Os rendimentos recebidos acumuladamente relativos a anoscalendário anteriores ao recebimento em decorrência de reclamatória trabalhista e oferecidos à tributação na sistemática do ajuste anual como rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, por opção do sujeito passivo, submetemse à incidência do imposto de renda com base na tabela progressiva, deduzindose, tãosomente, no caso concreto, por serem isentas, as verbas concernentes ao FGTS e respectiva multa rescisória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 1. 72 03 35 /2 01 4- 24 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13601.720335/201424 Acórdão n.º 2402006.715 S2C4T2 Fl. 221 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 203/214) em face do Acórdão n. 11 57.436 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) DRJ/REC (efls. 159/170), que julgou parcialmente procedente a impugnação de efls. 03/22 e manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 09/07/2014 (efl. 80) mediante a Notificação de Lançamento IRPF n. 2013/129350365044831 Exercício 2013 no valor total de R$ 185.614,17 sendo R$ 99.916,12 de imposto (Cód. Receita 2904); R$ 74.937,09 de multa de ofício passível de redução; e R$ 10.760,96 de juros de mora calculados até 30/06/2014 (efls. 66/71), com fulcro em omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou em 01/08/2014 a impugnação de efls. 03/22, julgada parcialmente procedente pela DRJ/REC, nos termos do Acórdão n. 1157.436 (efls. 159/170), de cujo teor tomou ciência em 22/03/2018 (efl. 176), e interpôs recurso voluntário (efls. 203/214) na data de 18/04/2018 (efl. 178). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 203/214) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto, dele CONHEÇO. O cerne da presente lide concentrase na preliminar de cerceamento de defesa, e, no mérito, na omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista referentes a anos anteriores ao do recebimento (RRA) na ordem de R$ 1.029.695,64 apurada pela Fiscalização da RFB no âmbito do trabalho de Malha Fiscal IRPF. Para uma melhor contextualização da análise em curso, é oportuno resgatar que o Recorrente apresentou a DIRPF/2013 ND 07/34.506.608 Retificadora Data de Entrega: 07/07/2013 (efls. 72/79) informando rendimentos tributáveis de R$ 904.755,37 (sendo R% 883.119,02 relativo a RRA) e IRRF total de R$ 398.377,99 (sendo R$ 397.351,68 referente RRA) configuração que lhe conferia imposto a restituir de R$ 179.958,10. Da preliminar de cerceamento de defesa Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13601.720335/201424 Acórdão n.º 2402006.715 S2C4T2 Fl. 222 3 O Recorrente inaugura a peça recursal de efls. 203/214 alegando cerceamento de defesa, uma vez que, no seu entendimento, a decisão a quo não analisou toda a documentação apresentada, verbis: No julgamento de 1ª instancia, notase cabalmente cerceamento de do direito de defasa do Recorrente, uma vez que, pela decisão no mérito, precisamente no item 7 e 7.1, não se analisou toda documentação juntada: “7. Compulsando os autos, percebese que tanto contribuinte como fiscalização partem da planilha de fl. 108 (fechamento do cálculo do processo trabalhista), uma vez que é incontroverso o rendimento bruto em favor do contribuinte no valor de R$ 2.715.910,61. Na referida planilha, apenas configurase como isenta a rubrica do FGTS, na forma do art. 39, inciso XX, do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Indenização por Rescisão de Contrato de Trabalho e FGTS XX a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologados pela Justiça do Trabalho, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores e seus dependentes ou sucessores, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso V, e Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, art. 28);” 7.1 Entretanto, os rendimentos isentos não atingem o montante de R$ 782.408,52 como quer a defesa, uma vez que a importância a título de FGTS é de R$ 173.695,24. Ocorre que tal quantia não está atualizada pelos juros de mora que incidiram sobre a verba para resultar no montante de rendimento bruto de R$ 2.715.910,61. Dessa forma, deve ser feita uma proporcionalização, pois são igualmente isentos os juros incidentes sobre rendimentos isentos, vez que o acessório acompanha o principal. Assim, a base de comparação é o rendimento bruto antes dos juros, que importa R$ 1.920.465,99, dos quais a verba do FGTS equivale a 9,04% (parcela isenta).Concluise que, do rendimento bruto no valor de R$ 2.715.910,61 (após atualização pelo juros de mora), 90,96% são tributáveis, ou seja, R$ 2.470.392,29.” O Recorrente prossegue em sua irresignação afirmando que a planilha à qual se refere a decisão de piso comprova, de forma inequívoca, que todos os valores nela apurados reportamse aos anexos que acompanham a impugnação (efls. 03/22), não havendo a DRJ/REC os analisados, fato que, no seu entendimento, atrai a incidência do art. 31 do Decreto n. 70.935/1972, incorrendo, destarte, em nulidade da decisão a quo. Apreciando as circunstâncias fáticas, inclusive a linha de raciocínio desenvolvida pela instância de piso, não posso concordar com a tese do Recorrente,. Com efeito, a decisão recorrida reportase expressamente às rubricas e aos valores consignados na planilha indicada pelo Recorrente (efls. 36 e ss.) que se constitui assim o seu ponto de partida para a apuração do imposto devido fazendo, todavia, uma leitura diversa do entendimento do Recorrente (e também da Fiscalização da RFB), no tocante à apuração dos rendimentos tributáveis decorrentes da ação judicial, na medida em que conclui que tais rendimentos são de R$ 2.470.392,29 (correspondente a 90,96% dos rendimentos brutos Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13601.720335/201424 Acórdão n.º 2402006.715 S2C4T2 Fl. 223 4 de R$ 2.715.910,61); parte isenta (FGTS) de R$ 173.695,24 (acrescida de juros proporcionais considerados igualmente isentos de R$ 71.823,08) e honorários advocatícios proporcionais de R$ 572.502,88, resultando em omissão de rendimentos na ordem de R$ 1.014.770,39. É dizer, a planilha, e demais documentos correlatos, que o Recorrente, denuncia que não foram analisados pela decisão de piso, não só o foram, como também da análise resultoulhe situação mais favorável, vez que implicou redução de imposto suplementar de R$ 99.916,12 para R$ 95.812,72. Nessa perspectiva, não procede qualquer ilação de cerceamento de defesa. Rejeito a preliminar. Do mérito No mérito, o Recorrente repisa a procedência dos valores por ele oferecidos à tributação na DIRPF/2013 ND 07/34.506.608 (efls. 72/79) decorrentes de rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial (ação trabalhista), destacando que não são apenas os valores a título de FGTS que devem ser considerados isentos, mas também aqueles relativos aos reflexos de verbas rescisórias a título de aviso prévio, 13°. salário indenizado, férias vencidas e terço de férias. Pois bem. Não obstante as informações terem uma origem comum (planilha de fechamento de cálculo efls. 36 e ss.), verificamse divergências entre os valores apurados pelo Recorrente, pela Fiscalização da RFB e pela DRJ/REC em relação aos rendimentos tributáveis decorrente da ação trabalhista a serem oferecidos à tributação, assim discriminadas no quadro abaixo: Descrição Valores apurados pelo Recorrente (R$) Valores apurados na Notificação de Lançamento (R$) Valores apurados no Acórdão n. 1157.436 DRJ/REC (R$) Rendimentos tributáveis brutos oriundos da ação trabalhista (RRA) 2.715.910,61 2.715.910,61 2.715.910,61 Rendimentos isentos ou não tributáveis 782.408,52 173.695,24* 245.518,32** Honorários Advocatícios 355.944,03 629.400,71 572.502,88 BC a ser lançada a título de RRA 1.179.980,79*** 1.912.814,66 1.897.889,41 Omissão de Rendimentos constatada 296.861,77**** 1.029.695,64 1.014.770,39 * FGTS sem ajuste ** FGTS com ajuste *** Valor não corresponde à subtração aritmética. Informado pelo Recorrente. **** Valor correspondente à diferença entre R$ 1.179.980,79 e R$ 883,199,02 declarado pelo Recorrente na declaração de ajuste anual. Por sua vez, a planilha de fechamento de cálculo homologada pela 7ª. Vara do Trabalho de Belo Horizonte (MG) efls. informa rendimentos brutos atualizados até Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13601.720335/201424 Acórdão n.º 2402006.715 S2C4T2 Fl. 224 5 31/05/2012 no valor de R$ 2.715.910,61; IRRF de R$ 397.351,68 e Base de Cálculo sobre as parcelas tributáveis de R$ 1.535.924,82 (que considera a dedução do próprio IRRF e R$ 782.408,52 de rendimentos isentos, incluídos FGTS acrescido da multa rescisória no valor de R$ 173.695,24). Muito bem. A planilha de fechamento de cálculo (efl. 36) homologada pela juízo da 7ª. Vara do Trabalho de Belo Horizonte (MG) efl. 33 discrimina diversas rubricas relativas a verbas de natureza salarial (anexos 3 a 10) sobre as quais, sem dúvidas, incidem imposto de renda a ser retido na fonte, consoante previsto no art. 26, caput, da Instrução Normativa RFB n. 1.500/2014, constituindose a única exceção a verba correspondente ao FGTS e respectiva multa rescisória (art. 6°., V, in fine, da Lei n. 7.713/1988 e art. 39, XX, in fine, do Decreto n. 3.000/199 RIR/99). Os honorários advocatícios considerados no lançamento em apreço pelo total de R$ 629.400,71 devem ser proporcionalizados conforme a natureza dos rendimentos recebidos na reclamatória trabalhista n. 01640200800703000 (rendimentos tributáveis, sujeitos á tributação exclusiva e os isentos e não tributáveis). O valor de R$ 23.405,09 informado na nota fiscal de serviços n. 2012/40 emitida pela empresa MSB Assessoria Econômica e Perícias S/C Ltda. ME (efl. 101) não se caracteriza honorários periciais, vez que se refere a assessoria econômica de caráter particular prestada ao Recorrente e não se constitui custas judiciais dedutíveis dos rendimentos tributáveis. Com efeito, o perito oficial perante o juízo da 7ª. Vara do Trabalho de Belo Horizonte (MG) atuante na reclamatória trabalhista em tela foi o Sr. Antonio Carlos Costa Pereira, conforme laudo pericial de efls. 46/47, que deve ser remunerado pela parte sucumbente. A verba relativa ao FGTS e respectiva multa rescisória no valor de R$ 173.695,24 consignada na planilha de fechamento de cálculo (efl. 36) deve ser atualizada pelos juros de mora incidentes sobre o montante do rendimento bruto. Nessa perspectiva, entendo que a decisão recorrida não merece reparo, vez que apurou de forma escorreita o imposto devido pelo Recorrente, conforme relata às efls. 168/169, verbis: [...] 7.1 Entretanto, os rendimentos isentos não atingem o montante de R$ 782.408,52 como quer a defesa, uma vez que a importância a título de FGTS é de R$ 173.695,24. Ocorre que tal quantia não está atualizada pelos juros de mora que incidiram sobre a verba para resultar no montante de rendimento bruto de R$ 2.715.910,61. Dessa forma, deve ser feita uma porporcionalização, pois são igualmente isentos os juros incidentes sobre rendimentos isentos, vez que o acessório acompanha o principal. Assim, a base de comparação é o rendimento bruto antes dos juros, que importa R$ 1.920.465,99, dos quais a verba do FGTS equivale a 9,04% (parcela isenta). Concluise que, do rendimento bruto no valor de R$ 2.715.910,61 (após atualização pelo juros de mora), 90,96% são tributáveis, ou seja, R$ 2.470.392,29. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13601.720335/201424 Acórdão n.º 2402006.715 S2C4T2 Fl. 225 6 7.2 Aplicandose a mesma proporção de 90,96% aos honorários advocatícios de R$ 629.400,71 (já reconhecidos na autuação) encontrase a quantia dedutível de 572.502,88. Essa proporcionalização encontra respaldo no entendimento oficial da Receita Federal do Brasil, expresso no Manual de Perguntas e Resposta do IRPF para o período de apuração fiscalizado: [...] 7.3 Portanto, o rendimento tributável após dedução dos honorários advocatícios é R$ 1.897.889,41 (R$ 2.470.392,29 R$ 572.502,88), o que resulta em uma omissão de rendimentos no valor de R$ 1.014.770,39. (grifei) 7.4 Registrese que o valor de R$ 23.405,09 pleiteado pela defesa como dedução do RRA, contido na nota fiscal de fl. 101, diz respeito a serviço descrito como assessoria econômica nos autos do processo judicial. Sendo assim, não se configura como despesa judicial necessária ao recebimento dos rendimentos acumulados, não se enquadrando na condição de dedutibilidade imposta pela legislação de regência¹. [...] Nesse contexto, a decisão a quo apurou imposto suplementar Código DARF 2904 na ordem de R$ 95.812,72 a ser acrescido de multa de ofício e juros de mora, na forma da legislação de regência, caracterizandose benéfica ao Recorrente, pois reduziu o valor do lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 203/214) para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 225DF CARF MF
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