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7550158 #
Numero do processo: 10580.900077/2013-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/01/2009 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2009 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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3301­005.420  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de outubro de 2018  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  SANTA EMÍLIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Data do fato gerador: 31/01/2009  FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.  Nos  pedidos  de  restituição  e  compensação  PER/DCOMP,  a  falta  de  retificação  da  DCTF  do  período  em  análise  não  é  impedimento  para  deferimento  do  pedido,  desde  que  o  contribuinte  demonstre  no  processo  administrativo  fiscal,  por  meio  de  prova  cabal,  a  existência  da  liquidez  e  certeza do crédito pleiteado.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 31/01/2009  COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.  Pertence  ao  contribuinte  o  ônus  de  comprovar  a  certeza  e  a  liquidez  do  crédito  para  o  qual  pleiteia  compensação.  A  mera  alegação  do  direito  creditório,  desacompanhada  de  provas  baseadas  na  escrituração  contábil/fiscal  do  período,  não  é  suficiente  para  demonstrar  que  as  receitas  (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da  incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.   Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 00 77 /2 01 3- 84 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10580.900077/2013­84  Acórdão n.º 3301­005.420  S3­C3T1  Fl. 3          2 Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Winderley  Morais  Pereira  (Presidente),  Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira,  Valcir  Gassen,  Liziane  Angelotti Meira, Marcos Roberto  da Silva  (Suplente Convocado), Ari Vendramini,  Salvador  Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  de  primeira  instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a  decisão da  repartição de origem de não homologar  a  compensação declarada  (DCOMP),  em  razão do fato de que o pagamento  informado como origem do crédito  já havia sido utilizado  para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte.  Em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  o  contribuinte  afirmou  que  o  direito  creditório  decorria  do  alargamento  da  base  de  cálculo  da  Contribuição  (PIS/Cofins)  introduzido  pelo  art.  3º,  §  1º,  da  Lei  9.718/1998,  julgado  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal Federal (STF).  Segundo  o  então Manifestante,  no  recolhimento  da  contribuição  devida  no  período, foram incluídos indevidamente em sua base de cálculo valores alheios ao faturamento,  relativos a receitas financeiras e de aluguéis, atividades essas que não compõem sua atividade  de venda de mercadoria ou de prestação de serviços.  A  Delegacia  de  Julgamento  (DRJ),  por  meio  do  acórdão  nº  02­069.143,  julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando a falta de comprovação  do  direito  creditório  compensado,  cujo  ônus  recai  sobre  o  interessado,  a  quem  cabe  a  demonstração da liquidez e certeza do crédito.  Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso  Voluntário  e  repisou  os  argumentos  trazidos  em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  acrescentando, em breve síntese, o que segue:  a)  a  discussão  sobre  a  existência  de  direito  de  créditos  da  contribuição  incidente sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento está superada;  b) o dever do órgão julgador de instruir o processo, solicitando documentos,  caso assim entenda como necessário para tomar sua decisão, nos termos dos artigos 29 e 36 da  Lei nº 9.784/1999, bem como no art. 27 e 29 do Decreto 70.235/1972;  c)  foi  apresentado  documentação  para  provar  a  liquidez  e  certeza  de  seu  crédito.  É o relatório.  Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10580.900077/2013­84  Acórdão n.º 3301­005.420  S3­C3T1  Fl. 4          3 Voto             Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF),  aprovado  pela Portaria MF  343,  de  9  de  junho  de  2015,  aplicando­se,  portanto,  ao  presente  litígio  o  decidido  no Acórdão  nº  3301­005.417,  de  25/10/2018,  proferida  no  julgamento  do  processo nº 10580.900074/2013­41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento  que  prevaleceu  naquela decisão (Resolução nº 3301­005.417):  O  recurso  voluntário  foi  interposto  no  prazo  e  reúne  os  pressupostos  legais de interposição, portanto, merece conhecimento.  Feita  a  síntese  acima,  passa­se  a  analisar  as  questões  levantadas,  especialmente  sobre  i)  a  decisão  de  indeferimento  fundamentada  no  valor  informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado,  não havendo crédito a compensar; ii) a declaração de inconstitucionalidade  proferida  pelo  STF no RE nº 585.235  sob  o  rito da  repercussão  geral,  art.  543­B do STF; iii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a  partir das provas juntadas aos autos.  I)  Do  indeferimento  do  pedido  de  restituição  diante  da  inexistência  de  retificação da DCTF  Neste ponto,  é  relevante a análise da decisão que  indeferiu o pedido de  restituição,  sob  a  fundamentação  de  que  foi  efetuada  uma  declaração  por  DCTF  e  a  DARF  discriminada  no  PER/DCOMP  foi  inteiramente  utilizada  para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição,  verbis:  A  partir  das  características  do DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando crédito disponível para restituição.  O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente  apresentou  o  PER/DCOMP,  mas  não  realizou  a  retificação  da  DCTF  do  período correspondente, qual seja, 1º trimestre de 2009. Desta feita, a DARF  do período vinculada à COFINS  foi utilizada para cobrir  integralmente um  débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido.  Ressalte­se,  no  entanto,  que  a  retificação  da  DCTF,  por  si  só,  não  se  presta  para  solidificar  a  liquidez  e  certeza  do  crédito  pleiteado  pelo  contribuinte,  sendo  indispensável  a  apresentação  de  prova,  tais  como  demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito.  Neste  sentido,  já  se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais  deste  E.  CARF,  no  julgamento  do  processo  10909.900175/2008­12,  manifestando  o  entendimento  no  acórdão  nº  9303­005.520  (sessão  de  Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.900077/2013­84  Acórdão n.º 3301­005.420  S3­C3T1  Fl. 5          4 15/08/2017),  no  sentido  de  que,  mesmo  no  caso  de  uma  a  retificação  posterior  ao  Despacho  Decisório,  não  haveria  impedimentos  para  o  deferimento  do  pedido  quando  acompanhada  de  provas  documentais  comprovando  a  erro  cometido  no  preenchimento  da  declaração  original,  comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar  o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal):  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004  DCTF  RETIFICADORA  APRESENTADA  APÓS  CIÊNCIA  DO  DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.  A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o  pedido de  restituição não é  suficiente para a comprovação do crédito,  sendo  indispensável a comprovação do erro em que se funde.  Recurso Especial do Contribuinte negado.  Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado  entendimento  no  mesmo  sentido,  segundo  a  qual,  em  razão  da  verdade  material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser  demonstrado  por  outros  elementos  de  prova,  independentemente  da  retificação  da  DCTF,  conforme  é  possível  constatar  pelo  recente  acórdão  relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Ano­calendário: 2012  COMPENSAÇÃO.  APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS  O  DESPACHO  DECISÓRIO.  POSSIBILIDADE.  Se  transmitida  a  PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório  da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem  direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu  crédito.  (...)  Recurso Voluntário provido.  (Número  do  Processo  11060.900738/2013­11.  Relatora  SEMIRAMIS  DE  OLIVEIRA DURO.  Data  da  Sessão  17/04/2018.  Nº  Acórdão  3301­ 004.545)   Desta  feita,  o que  é  necessário  verificar  é  a  existência  de  comprovação  pela  Recorrente,  nos  autos,  trazendo  elementos  de  prova  capaz  de  trazer  liquidez e certeza de seu crédito.   II) Da  declaração  de  inconstitucionalidade  proferida  pelo  STF  no RE  nº  585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543­B do STF  Quanto  ao  ponto  sobre  a  incidência  da  contribuição  sobre  receitas  financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira,  o  Supremo  Tribunal  Federal  já  se  manifestou,  inclusive  em  sede  de  repercussão  geral,  acerca  da  inconstitucionalidade  do  art.  3º,  §  1º  da  Lei  9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo  Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.900077/2013­84  Acórdão n.º 3301­005.420  S3­C3T1  Fl. 6          5 as receitas  totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição  para o PIS e COFINS.  Trata­se  do  RE  nº  585.235  e  desde  2010  a  PGFN  já  se  manifestou  formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar  os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria:  Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 ­ Resumo: É inconstitucional o  alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º,  §1º da Lei n.  9.718/98,  eis que  tais  exações  devem  incidir,  apenas,  sobre  as  receitas  decorrentes  da  venda  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços  (conceito  restritivo  de  receita  bruta),  e  não  sobre  a  totalidade  das  receitas  auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...)  DELIMITAÇÃO  DA  MATÉRIA  DECIDIDA:  o  PIS/COFINS  deve  incidir  somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia  do  PIS/COFINS  as  receitas  não  operacionais.  Consideram­se  receitas  operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas  instituições  financeiras  (serviços  remunerados  por  tarifas  e  atividades  de  intermediação  financeira).  Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do  anexo  II  do  RICARF,  no  sentido  de  que  os  membros  das  turmas  de  julgamento  do  CARF  estão  autorizados  afastar  a  aplicação  lei  sob  fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já  foi  manifestado  por  decisão  definitiva  em  sessão  plenária  do  Supremo  Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em sede  de julgamento realizado em repercussão geral nos termos dos arts. 543­B do  CPC/1973,  ou  mesmo  no  caso  de  existência  de  Ato  Declaratório  da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda Nacional  (PGFN)  aprovado  pelo Ministro  de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19  de julho de 2002.  Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de  PIS  e COFINS  sobre  receitas  financeiras,  quando  não  constituírem  receita  operacional  da  empresa,  no  contexto  da  aplicação da Lei  9.718/1998. Este  entendimento,  porém,  nem  é  controvertido  nos  autos,  pois  admitido  pela  própria r. decisão guerreada.   O  fundamento  para  o  não  reconhecimento  do  crédito  é  a  ausência  de  provas  aptas  a  demonstrar  sua  liquidez  e  certeza.  Desta  feita,  caso  comprovada  a  inclusão  das  receitas  financeiras  na  base  de  cálculo  da  COFINS no período em referência, demonstrando­se a liquidez e certeza do  crédito  declarado  pelo  contribuinte,  será  de  rigor  reconhecer  o  direito  à  restituição pleiteado pelo contribuinte. É o que se passa a analisar.  III) Da liquidez e certeza do crédito  Neste  ponto,  a Recorrente  argumentou  que  no  período  de  apuração  em  foco (1º Trim./2009), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998,  apurou  a  contribuição  com  a  inclusão  de  receitas  financeiras  à  base  de  cálculo.  No  entanto,  em  que  pese  a  Recorrente  ressaltar  em  seu  Recurso  Voluntário que a autoridade julgadora pode, de ofício, requerer a instrução  do processo e que estas  informações já são de conhecimento do Fisco, pois  todas  já  declaradas  por  obrigações  acessórias,  por  se  estar  diante  de  um  Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.900077/2013­84  Acórdão n.º 3301­005.420  S3­C3T1  Fl. 7          6 pedido  de  compensação,  o  ônus  da  prova  da  legitimidade  do  crédito  é  de  quem requer.  Em  seu  recurso  voluntário,  a  Recorrente  trouxe  aos  autos  a  DIPJ  do  período,  com  informações  sobre  receita  bruta.  No  entanto,  não  é  possível  identificar  receitas  financeiras  e  receitas  de  aluguel  tal  qual  alegado  pela  Recorrente.  Seria  necessário  a  apresentação  de  outras  provas,  como  demonstrativos contábeis, razão, ou mesmo contratos de aluguel, planilhas,  enfim. A DIPJ  não  possui  força  probatória  isoladamente,  desacompanhada  de outros documentos oficiais, como registros contábeis e outros documentos  fiscais, como o DACON.  A afirmação de que o Fisco já detém todas as informações, por todas as  obrigações  acessórias  já  cumpridas,  bastando  baixar  em  diligência  para  verificar  a  informação  também  não  é  pertinente,  portanto.  Nos  casos  de  pedido  de  restituição  e  de  compensação,  como  dito,  o  ônus  da  prova  da  existência  do  crédito  é  do  contribuinte,  não  tendo  a  Recorrente  se  desincumbido de tal tarefa.  Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006  PROVA.  APRECIAÇÃO  INICIAL  EM  SEGUNDA  INSTÂNCIA.  PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO.  A  apreciação  de  documentos  não  submetidos  à  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  é  possível  nas  hipóteses  previstas  no  art.  16,  §  4º  do  Decreto nº 70.235/1972 e,  excepcionalmente, quando visem à complementar  instrução  probatória  já  iniciada  quando  da  interposição  da  manifestação  de  inconformidade.  COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.  Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a  certeza e a  liquidez do  crédito para o qual pleiteia compensação.  (Número  do  Processo  10880.674831/2009­54.  Relatora  LARISSA  NUNES  GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002­000.234) (grifos não  constam do original)  A Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles  compareceu ­ manifestação de inconformidade e recurso voluntário, qualquer  prova documental hábil capaz de sustentar a veracidade e existência de seu  direito  de  crédito  (escrita  contábil  e  fiscal).  Não  constam  dos  autos  balancetes e demonstrações contábeis, nem mesmo DACON do contribuinte  para  evidenciar  o quantum  de  receitas  financeiras  levadas  à  tributação da  COFINS.  Desta feita, diante da ausência de comprovação da liquidez e certeza do  crédito pleiteado, deve­se negar provimento ao presente recurso voluntário  Isto  posto,  conheço  do  recurso  voluntário  para,  no  mérito,  negar  provimento.  Destaque­se que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à  Cofins,  a  decisão  ali  prolatada  se  aplica  nos  mesmos  termos  à  Contribuição  para  o  PIS,  importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram  Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.900077/2013­84  Acórdão n.º 3301­005.420  S3­C3T1  Fl. 8          7 correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado  pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Portanto,  aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado  decidiu negar provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira                            Fl. 88DF CARF MF

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Numero do processo: 11020.908369/2016-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2011 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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3402­005.788  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de outubro de 2018  Matéria  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR. PIS  Recorrente  KEKO ACESSORIOS S.A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2011  DESPACHO  DECISÓRIO.  MOTIVAÇÃO  SUFICIENTE  E  ADEQUADA.  INEXISTÊNCIA  DE  CERCEAMENTO  AO  DIREITO  DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.  Não  é  passível  de  nulidade  o  despacho  decisório  que  esteja  devidamente  motivado  e  fundamentado,  possibilitando  o  pleno  exercício  do  direito  de  defesa do contribuinte.  ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO  DE  CRÉDITO.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA.  ARTIGOS  16  E  17  DO  DECRETO Nº 70.235/1972.  Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas  por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de  parte  do  crédito  para  quitação  de  outro  débito,  é  ônus  do  Contribuinte  apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e  certeza de seu direito creditório, aplicando­se o artigo 373, inciso I do Código  de Processo Civil.  MULTA E JUROS DE MORA.  Débitos  indevidamente  compensados  por  meio  de  Declaração  de  Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.  Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.  INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.  JUROS  DE  MORA.  SELIC.  MULTAS  EM  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 83 69 /2 01 6- 16 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11020.908369/2016­16  Acórdão n.º 3402­005.788  S3­C4T2  Fl. 0          2  Incidem juros moratórios, calculados à  taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC, sobre o valor correspondente à multa de  ofício.  Recurso Voluntário Negado.  Direito Creditório Não Reconhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.        (assinado digitalmente)    Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator     Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Waldir  Navarro  Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena  de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e  Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis  Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  proferida  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte/MG,  que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  Recorrente,  rejeitando  as  preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o  direito creditório postulado.  O Despacho Decisório considerou que o crédito informado no PER/DCOMP  foi parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível  inferior  ao  crédito  pretendido,  insuficiente  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  Em manifestação de  inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte  que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos  realizados  de  maneira  indevida  ou  a  maior  e  o  despacho  decisório,  que  não  reconheceu  o  direito creditório e deixou de homologar a compensação deve ser declarado nulo em razão de:   i)Ausência  de  fundamentação,  resultando  em  desvio  de  finalidade  na  busca  pela  verdade  material,  uma  vez  que  não  foi  diligenciado  para  aferição  do  crédito  pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações;   Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11020.908369/2016­16  Acórdão n.º 3402­005.788  S3­C4T2  Fl. 0          3  ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72,  instruir o procedimento  fiscal, como a  solicitação de  informações ao Contribuinte,  apreensão  de  documentos  fiscais,  diligências  até  a  sede  da  Empresa,  entre  outros  expedientes;   iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa.    No mérito, alegou a Contribuinte que:   iv)  Deve  ser  possibilitada  posterior  juntada  de  documentos  que  comprovem  as  alegações  trazidas  em  manifestação  de  inconformidade,  em  respeito  ao  princípio  administrativo  da  verdade  material,  possibilitando  a  comprovação  do  direito  creditório;   v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido,  devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e  proporcionalidade;   vi) O  percentual  de multa  aplicado  para  o  caso  de  descumprimento  de  obrigação  principal,  mesmo  que  expressamente  previsto  na  legislação  pertinente,  deveria  sempre  guardar  proporção com o  valor  da  prestação  tributária  exigida,  bem como  adequar­se  e/ou  assemelhar­se  aos  novos  critérios  de  aplicação  de  multas  estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado.    O Acórdão nº 02­073.178 manteve o despacho decisório.  Regularmente  cientificada  desta  decisão,  a  Recorrente  interpôs  tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em  sua manifestação de inconformidade.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3402­005.753,  de  24  de  outubro  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  11020.900612/2016­58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402­005.753):  "Pressupostos legais de admissibilidade  O Recurso Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido.  Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11020.908369/2016­16  Acórdão n.º 3402­005.788  S3­C4T2  Fl. 0          4    Preliminar  A  Recorrente  alega  preliminarmente  que  o  despacho  decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir os princípios  constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo  legal, resultando em desvio de finalidade.  Sem razão.  Está  correta  a  decisão  recorrida  ao  concluir  pela  aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72.  Com a detida análise dos autos é possível  constatar que  tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade  e  o  Recurso  Voluntário,  não  estão  instruídos  com  documentos  passíveis de corroborar com as alegações da defesa.   Ao  invés  de  comprovar  a  certeza  e  liquidez  ou,  ainda,  proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do  direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não  homologou a compensação, a Recorrente cingiu­se em alegar a  ausência  das  razões  da  não  homologação,  invocando  os  Princípios  Constitucionais  do  Contraditório,  Ampla  Defesa  e  Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade  Fazendária.  Ao  contrário  do  que  alega  a  Recorrente,  aplica­se  o  artigo 373,  inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o  ônus  da  prova  ao  autor  quanto  ao  fato  constitutivo  de  seu  direito.  Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª  Seção  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  proferiu o Acórdão nº 3401­003.907, acatando por unanimidade  o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao  negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo  Administrativo Fiscal  nº  13832.000095/9970,  conforme Ementa  abaixo transcrita:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992   ÔNUS  DA  PROVA.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.  ARTIGO  170  DO  CTN.   Em  processos  que  decorrem  do  indeferimento  de  pedido  de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o  contribuinte,  que  deverá  apresentar  e  produzir  todas  as  provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de  seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11020.908369/2016­16  Acórdão n.º 3402­005.788  S3­C4T2  Fl. 0          5  Acordam os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto.     Transcreve­se abaixo parte do fundamento que embasou o  respeitável voto do julgado acima citado:    Em  se  tratando de  pedido  de  restituição  combinado  com  pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que  possui o direito de crédito e no montante por ele alegado,  o que  implica a guarda da documentação necessária para  tanto não pelo prazo de 5 (cinco)  anos da  realização dos  pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente,  mas  até  o  encerramento  da  discussão  administrativa  ou  judicial  em  que  pretende  ver  aquele  direito  de  crédito  reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a  seguir:   CTN:  "Art.  195.  Para  os  efeitos  da  legislação  tributária,  não  têm  aplicação  quaisquer  disposições  legais  excludentes  ou  limitativas  do  direito  de  examinar  mercadorias,  livros,  arquivos,  documentos,  papéis  e  efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais  ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos.   Parágrafo  único.  Os  livros  obrigatórios  de  escrituração  comercial  e  fiscal  e  os  comprovantes  dos  lançamentos  neles  efetuados  serão  conservados  até  que  ocorra  a  prescrição  dos  créditos  tributários  decorrentes  das  operações a que se refiram". (grifos nossos)   Lei  nº  10.406,  de  2002  (Código  Civil):  "Art.  1.194.  O  empresário  e  a  sociedade  empresária  são  obrigados  a  conservar  em  boa  guarda  toda  a  escrituração,  correspondência  e  mais  papéis  concernentes  à  sua  atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência  no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos)   Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa  jurídica  é  obrigada  a  conservar  em  ordem,  enquanto  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  os  livros,  documentos  e  papéis  relativos  a  sua  atividade,  ou  que  se  refiram  a  atos  ou  operações  que  modifiquem  ou  possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto­ Lei nº 486, de 1969, art. 4º).         (...)   Art.923.A  escrituração  mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  do  contribuinte  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza,  ou  assim  definidos  em  Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11020.908369/2016­16  Acórdão n.º 3402­005.788  S3­C4T2  Fl. 0          6  preceitos  legais.  (DecretoLei  nº1.598,  de  1977,  art.  9º,  §1º)". (grifos nossos)   Neste  caso,  não  se  aplicam  as  hipóteses  de  nulidade  previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que  tanto  o  despacho  decisório,  quanto  o  acórdão  recorrido  estão  motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação  com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição  do direito de defesa da Contribuinte.  Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em  análise.    Mérito  Princípio da Verdade Material   A  Recorrente  invoca  o  Princípio  da  Verdade  Material  para  alegar  que  deveria  o  Agente  Fiscal  apurar  os  fatos  independentemente  de  suposições  ou  indícios,  possibilitando  à  manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar  o direito creditório.  Com  efeito,  a  busca  pela  verdade  material  deve  prevalecer,  possibilitando  ao  Contribuinte  apresentar  todos  os  meios de provas necessários para comprovação de seu direito.   No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de  contrapor  a  constatação  de  utilização  dos  créditos  declarados  para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a  Recorrente  não  apresentou  qualquer  documento  passível  de  comprovar o direito alegado,  tampouco procedeu à Retificação  da  DCTF  no  prazo  concedido  para  manifestação  de  inconformidade.  O  Artigo  37  da  Lei  nº  9.430/1996  prevê  que  "Os  comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos  que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros,  serão conservados até que se opere a decadência do direito de a  Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses  exercícios".  Reitera­se a aplicação do artigo 373,  inciso I do Código  de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto  ao  fato  constitutivo  de  seu  direito,  bem  como  a  incidência  do  artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72.  Neste  sentido,  cita­se  o  Acórdão  nº  3302­005.292,  proferido  pela  3ª  Câmara  da  2ª  Turma Ordinária  da  3ª  Seção  deste Tribuna Administrativo:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005  Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11020.908369/2016­16  Acórdão n.º 3402­005.788  S3­C4T2  Fl. 0          7  DA  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  AUSÊNCIA  DE  PROVA.  INDEFERIMENTO.  O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de  créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido  se  o  contribuinte  não  apresentar  os  documentos  necessários  a  análise  e  confirmação  do  valor  do  crédito  pleiteado/compensado.  Para  esse  fim,  o  postulante  deve  apresentar  à  fiscalização,  quando  solicitado,  os  arquivos  digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à  comprovação dos créditos apropriados.  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA  O  PIS/PASEP  E  COFINS.  DEDUÇÃO,  RESSARCIMENTO  OU  COMPENSAÇÃO.  ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.  O  aproveitamento  de  crédito  decorrente  do  regime  não  cumulativo  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  Cofins,  seja  sob  a  forma  de  dedução,  compensação  ou  ressarcimento,  não  ensejará  atualização  monetária  ou  incidência de juros moratórios.  COMPENSAÇÃO  DECLARADA.  ANÁLISE  ANTES  DE  COMPLETADO  O  PRAZO  DE  CINCO  ANOS.  HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.  Não  há  homologação  tácita  da  compensação  declarada  quando  o  contribuinte  é  cientificado  do  despacho  decisório  não  homologatório  da  compensação  antes  de  completado  o  prazo  de  cinco  anos,  contado  da  data  da  apresentação  da  correspondente  declaração  de  compensação.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  PEDIDO  DE  PERÍCIA/DILIGÊNCIA..  IMPRESCINDIBILIDADE  DA  NOVA  PROVA.  INDEFERIMENTO.  Se  nos  autos  há  todos  os  elementos  probatórios  necessários  e  suficientes  à  formação  da  convicção  do  julgador  quanto  às  questões  de  fato  objeto  da  lide,  indefere­se,  por  prescindível,  o  pedido  de  diligência  e  perícia formulado.  PEDIDO  DE  PERÍCIA  E  DILIGÊNCIA.  INDEFERIMENTO  PELA  AUTORIDADE  JULGADORA.  MOTIVAÇÃO  SUFICIENTE  E  Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11020.908369/2016­16  Acórdão n.º 3402­005.788  S3­C4T2  Fl. 0          8  ADEQUADA.  INEXISTÊNCIA  DE  CERCEAMENTO  AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO  A QUO. IMPOSSIBILIDADE.  1.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  a  produção da prova pericial somente se justifica nos casos  a  análise  da  prova  exige  conhecimento  técnico  especializado. Por não atender  tal  condição, a  apreciação  de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização  de perícia técnica.  2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não  configura  vício  de  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos  em  que  a  autoridade  julgadora,  fundamentadamente,  demonstra  que  a  produção  da  prova  pericial  e  realização  da  diligência  eram  desnecessárias  e  prescindíveis  para  o  deslinde da controvérsia.  DIREITO  CREDITÓRIO.  PROVA  IMPRESCINDÍVEL  À  COMPROVAÇÃO.  NÃO  APRESENTAÇÃO  NA  FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA  E  INTENCIONAL.  PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR  PROPRIAM  TURPITUDINEM  ALLEGANS.  REABERTURA  DA  INSTRUÇÃO  PROBATÓRIA  NA  FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO.  Se  no  curso  do  procedimento  fiscal,  após  ser  intimada  e  reintimada  a  recorrente,  de  forma  deliberada  e  como  estratégia  de  defesa,  omite­se  de  apresentar  os  arquivos  digitais  e  a  documentação  contábil  e  fiscal  necessária  à  apuração  da  certeza  e  liquidez  do  crédito  da  Cofins  pleiteado,  a  reabertura  da  instrução  probatória  na  fase  recursal, inequivocamente, implicaria clara  afronta  ao  princípio  jurídico  de  que  ninguém  pode  se  beneficiar  de  sua  própria  torpeza  (ou  nemo  auditur  propriam turpitudinem allegans).  DESPACHO  DECISÓRIO  PROFERIDO  POR  AUTORIDADE  COMPETENTE.  CERCEAMENTO  DE  DIREITO  DE  DEFESA  INEXISTENTE.  NULIDADE.  IMPOSSIBILIDAE.  Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido  por  autoridade  competente  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  e  que  contenha  todos  os  fundamentos  fáticos  e  jurídicos  suficientes  para  o  pleno  exercício do direito de defesa do contribuinte.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  ÔNUS  DA  PROVA  DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  em  que  formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório,  o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido.  Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11020.908369/2016­16  Acórdão n.º 3402­005.788  S3­C4T2  Fl. 0          9  Recurso Voluntário Negado.    Da  alegação  de  Inaplicabilidade  da  multa  em  face  do  Princípio  Constitucional  do  Não  Confisco  e  dos  Princípios  Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade.  A  Recorrente  questiona  a  multa  aplicada,  alegando  tratar­se  de  penalidade  confiscatória,  ilegal  e  inconstitucional.  Alega que:  O  valor  lançado  a  título  de  multa,  flagrantemente  ilegal  como  a  seguir  demonstrar­se­á,  é  manifestamente  excessivo,  ferindo,  desta  maneira  o  princípio  constitucional  do  não  confisco  e  dos  princípios  administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.  Neste  contexto,  é princípio básico que  a pena, no  caso  a  multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar  os  estritos  limites da  lei  – ou  ainda, do direito  como um  todo ­ valendo para o caso específico do direito tributário,  a  definição  legal  do  tributo  como  insuscetível  de  servir  como instrumento de penalização do contribuinte.          (...)  De  outra  banda,  importa  consignar  que  as  obrigações  acessórias,  entre  elas  a multa,  podem  ter  duas  naturezas,  sendo  uma  tributária  e,  neste  caso,  converter­se  em  principal,  e  a  outra  de  natureza  punitiva,  que,  ipso  jure,  converte­se também em principal.  No  primeiro  caso,  o  que  era  princípio  na  legislação  esparsa,  converte­se  em  mandamento  constitucional  e  legal  impeditivo  da  bitributação  com  a  mesma  base  de  cálculo,  vedando  o  bis  in  idem  a  partir  do  mesmo  fato  gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado.  Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição  anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o  Código  Tributário  Nacional,  como  antes  dito,  mandava  converter  a  obrigação  acessória,  qualquer  que  fosse  sua  natureza,  administrativa  ou  punitiva,  em  obrigação  principal.  Contudo,  a  tolerância  tinha  origem  na  idéia  de  que  a  obrigação principal  ­  art. 113, 3º, do CTN ­  surge com a  ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o  pagamento  do  tributo,  mas  também  a  penalidade  pecuniária.          (...)  Assim,  a  multa  em  questão  é  totalmente  inexigível,  uma  vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais  Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11020.908369/2016­16  Acórdão n.º 3402­005.788  S3­C4T2  Fl. 0          10  acima  referidos,  devendo  ser  reformado  o  acórdão  recorrido  também neste ponto.  Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao  estabelecer a fixação de juros de mora e multa:  Art. 61. Os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos  na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada  à  taxa  de  trinta  e  três  centésimos  por  cento, por dia de atraso.   § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir  do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para  o  pagamento  do  tributo  ou  da  contribuição  até o dia em que ocorrer o seu pagamento.  § 2º O percentual de multa a  ser aplicado fica  limitado a  vinte por cento.  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão  juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e  de um por cento no mês de pagamento.     A  multa  aplicada  atende  ao  limite  de  20%  (vinte  por  cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito.  Portanto,  não  há  que  se  alegar  caráter  confiscatório,  tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade.  Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  não  é  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de  lei tributária.    Taxa Selic  A  Recorrente  questiona  a  aplicação  da  Taxa  Selic  na  correção  do  crédito  tributário,  argumentando  pela  ilegalidade  do cálculo de juros moratórios sobre débitos tributários.  Não  assiste  razão  à  Recorrente,  considerando  a  incidência da Súmula CARF 108, que assim dispõe:  Súmula CARF nº 108  Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do  Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC, sobre  o valor correspondente à multa de ofício.  Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11020.908369/2016­16  Acórdão n.º 3402­005.788  S3­C4T2  Fl. 0          11  Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida.    Dispositivo  Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as  preliminares  suscitadas  e,  no  mérito,  NEGO  PROVIMENTO  para manter na íntegra o acórdão recorrido. "    Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  rejeitar  as  preliminares  suscitadas  e,  no  mérito,  negar  provimento  para  manter  na  íntegra  o  acórdão recorrido.   (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra                                Fl. 192DF CARF MF

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Numero do processo: 10283.907883/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
Numero da decisão: 1301-003.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.903399/2009-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2045; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 2          1 1  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10283.907883/2009­51  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­003.597  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de novembro de 2018  Matéria  DCOMP ­ DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO  Recorrente  LOCOMOTIVA DA AMAZONIA INDUSTRIA E COMERCIO DE  TEXTEIS INDUSTRIAIS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  ANO­CALENDÁRIO: 2005  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVAS  A  MAIOR  QUE  O  DEVIDO.  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.  POSSIBILIDADE.  APLICAÇÃO  DA  SÚMULA CARF Nº 84.  O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de  antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de  acordo  com  as  regras  previstas  na  legislação  aplicável  é  passível  de  compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no  fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa  mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade  de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação  e  emita  novo despacho  decisório,  retomando­se,  a  partir  daí,  o  rito  processual  de  praxe,  nos  termos  do  voto  relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos. Portanto, aplica­se o decidido no julgamento do processo 10283.903399/2009­53,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  (Assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente e Relator.   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior,  José  Eduardo Dornelas  Souza, Nelso Kichel,  Bianca  Felícia  Rothschild, Giovana  Pereira  de     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 78 83 /2 00 9- 51 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10283.907883/2009­51  Acórdão n.º 1301­003.597  S1­C3T1  Fl. 3          2 Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto  e Fernando  Brasil de Oliveira Pinto.     Relatório  Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através de  Declaração de Compensação ­ DCOMP, no qual se pleiteia compensação de crédito oriundo de  pagamento indevido ou a maior de IRPJ­ Estimativa mensal (código 2362).   O  pedido  de  compensação  foi  indeferido  através  de  Despacho  Decisório  Eletrônico,  sob  o  argumento  de  que  o  crédito  informado  no  PER/DCOMP,  por  tratar­se  de  pagamento a  titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente  poderia  ser  utilizado  na  dedução  do  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  ou  da  Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou  para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.   A  empresa  apresentou manifestação  de  inconformidade  onde  afirma que  as  compensações foram realizadas em completa harmonia com a  legislação vigente.  Isto porque  calculou e recolheu um determinado valor de IRPJ, com código de arrecadação de estimativa  mensal e, posteriormente ao recolhimento, verificou que o valor de IRPJ efetivamente devido  montava um valor inferior àquele originalmente pago através de DARF.   Acrescenta que o valor recalculado está de acordo com os valores declarados  em DCTF e que, uma vez confessada uma dívida efetiva em valor  inferior àquele  recolhido,  teria  nascido  um  crédito  tributário.  O  sujeito  passivo  alega  que  por  equívoco  procedeu  ao  recolhimento num valor superior àquele efetivamente devido. Argumenta  também que não se  trata de pagamento por estimativa mensal, uma vez que foi realizado com base em balanço de  suspensão ou redução.  A  DRJ  julgou  improcedente  a  manifestação  sob  o  fundamento  de  que  os  valores  apurados  a  partir  da  receita  bruta  em  função  de  balancete  redução  correspondem  a  estimativa  mensal  e  que  não  havia  previsão  legal  para  utilização  em  DCOMP,  de  crédito  referente a estimativa mensal de IRPJ.  Inconformado  com  a  decisão  da  DRJ,  a  empresa  apresentou  Recurso  Voluntário, no qual reafirma a existência de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, reitera os  argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, declara que a decisão da DRJ vai de  encontro a jurisprudência do CARF e, ao final, requer o reconhecimento da homologação das  compensações em litígio.  É o relatório.      Voto             Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10283.907883/2009­51  Acórdão n.º 1301­003.597  S1­C3T1  Fl. 4          3 Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1301­003.563,  de  22/11/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10283.903399/2009­ 53, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301­003.563):  "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos  de admissibilidade, portanto, dele conheço.  Conforme  se  depreende  do  relatório,  o  cerne  da  discussão  no  presente  processo  é  a  possibilidade  ou  não  de  se  compensar pagamento indevido ou a maior recolhido a título de  estimativa  mensal  para  aquelas  pessoas  jurídicas  sujeitas  à  apuração do IRPJ pelo lucro real.  O pedido de compensação foi  indeferido liminarmente,  através de Despacho Decisório Eletrônico, a partir do momento  em que o sistema constatou  tratar­se de  recolhimento efetivado  sob o código de arrecadação 2362 (IRPJ­ PJ OBRIGADAS AO  LUCRO  REAL  ­  ENTIDADES  NÃO  FINANCEIRAS  ­  ESTIMATIVA MENSAL). A Unidade de Origem não se adentrou  no  mérito  do  direito  creditório,  e  por  conseguinte,  não  deu  oportunidade para o contribuinte produzir provas.  O Despacho Eletrônico, bem como o acórdão da DRJ,  fundamentaram  o  indeferimento  do  pedido  de  compensação  no  artigo 74 da Lei nº 9.430/96, em concomitância com o art. 10 da  IN  SRF  nº  600/2005.  O  §14º  do  art.74  da  citada  lei  atribuiu  competência a Secretaria da Receita Federal para disciplinar a  compensação  e,  o  órgão  emitiu  instrução  normativa  que  disciplinou a matéria. O art. 10 da IN SRF nº 600/2005, vigente  à época, determinava:   Art.  10.  A  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real,  presumido  ou  arbitrado  que  sofrer  retenção  indevida  ou  a  maior  de  imposto  de  renda  ou  de  CSLL  sobre  rendimentos  que  integram  a  base  de  cálculo  do  imposto  ou  da  contribuição,  bem  assim  a  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real  anual  que  efetuar  pagamento  indevido  ou  a maior  de  imposto  de  renda  ou  de  CSLL  a  título  de  estimativa  mensal,  somente  poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do  IRPJ  ou  da  CSLL  devida  ao  final  do  período  de  apuração  em  que  houve  a  retenção  ou  pagamento  indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou  de CSLL do período.  Contudo o art.74, §3º, da Lei nº 9.430/96 que tratou das  vedações  à  compensação  através  de  DCOMP,  dispôs  em  seu  Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10283.907883/2009­51  Acórdão n.º 1301­003.597  S1­C3T1  Fl. 5          4 inciso  IX  dos  débitos  relativos  ao  pagamento  mensal  por  estimativa do  IRPJ ou da CSLL, mas nada dispondo acerca de  créditos oriundos de pagamento  indevido de estimativa mensal,  in verbis:  Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive  os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições administrados por aquele Órgão.  .........  § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de  cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de  compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da  declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº  10.833, de 2003)  ........  IX  ­  os  débitos  relativos  ao  recolhimento  mensal  por  estimativa  do  Imposto  sobre  a  Renda  das  Pessoas  Jurídicas  (IRPJ)  e  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL)  apurados  na  forma  do  art.  2º  desta Lei. (grifei)  É  de  se  observar  que  a  Instrução  Normativa  fez  uma  interpretação restritiva de Lei nº 9.430/96, a qual não encontrou  guarida  na  jurisprudência  do  CARF,  que  acerca  da  matéria  proferiu a Súmula CARF nº 84:  Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de  indébito, para fins de restituição ou compensação, na  data do recolhimento de estimativa.  (Súmula revisada  conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018,  DOU de 11/09/2018).  Transcreve­se ainda a redação anterior da súmula:  Súmula  CARF  nº  84:  Pagamento  indevido  ou  a  maior  a  título  de  estimativa  caracteriza  indébito  na  data  de  seu  recolhimento,  sendo  passível  de  restituição ou compensação.  Para melhor esclarecer a aplicação da súmula, trago à  baila  trecho  do  acórdão  da  CSRF  nº  9101­00.406,  de  02/10/2009,  utilizado  como  precedente  para  elaboração  da  jurisprudência:  Ementa:  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.  RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE  O  DEVIDO.  O  valor  do  recolhimento  a  titulo  de  estimativa  que  supera  o  valor  devido  a  titulo  de  antecipação do imposto de renda (ou da contribuição  Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10283.907883/2009­51  Acórdão n.º 1301­003.597  S1­C3T1  Fl. 6          5 social  sobre  o  lucro)  de  acordo  com  as  regras  previstas  na  legislação  aplicável  é  passível  de  compensação/restituição corno pagamento indevido de  tributo.   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,    (...)  De  acordo  com  o  acórdão  recorrido,  não  seria  possível caracterizar como indevido o recolhimento da  antecipação mensal por estimativa de CSLL efetuado a  maior,  apenas  confrontando  referido  pagamento  com  as  regras  para  apuração  do  valor  devido  a  titulo  de  antecipação mensal.  (...)  É o relatório.  (...)  Nos  termos  da  lei,  a  pessoa  jurídica  que  opta  pelo  lucro  real  anual  está  obrigada  a  antecipar,  mensalmente,  o  IRPJ  calculado  por  estimativa.  Referida  obrigação  de  antecipar  a  cada  mês  uma  parcela  do  IRPJ  que  será  devido  ao  fim  do  ano­ calendário  é  apurada  sobre  a  base  de  cálculo  estimada,  calculada  conforme  percentuais  definidos  em lei aplicados sobre a receita bruta do Contribuinte  até o mês em que a antecipação é realizada.  Ainda  nos  termos  da  lei,  a  obrigação  de  antecipar  o  imposto  pode  ser  reduzida  ou  suspensa,  conforme  o  Contribuinte  comprove,  mediante  levantamento  de  balanços  ou  balancetes,  que  o  IRPJ,  se  calculado  sobre  o  lucro  real  verificado  até  o  momento  da  apuração  da  antecipação,  é  menor  do  que  o  valor  devido  de  acordo  com  o  cálculo  sobre  a  base  estimada.  Em  apertada  síntese,  esse  é  o  regime  legal  da  obrigação de antecipar, mensalmente, o IRPJ, em caso  de opção pela apuração do lucro real em base anual.  Diferentemente  do  acórdão  recorrido,  entendo  que  o  Contribuinte  está  obrigado  ao  recolhimento  das  antecipações  mensais  nos  termos  estabelecidos  na  legislação, seja sobre as bases estimadas, seja sobre a  base de cálculo apurada em balanço ou balancete de  suspensão  ou  redução.  A  meu  ver,  havendo  recolhimento  superior  àquele  imposto  por  lei,  ainda  que sob a alcunha de "estimativa", resta caracterizado  o  recolhimento  a  maior  passível  de  restituição  ou  compensação.  Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10283.907883/2009­51  Acórdão n.º 1301­003.597  S1­C3T1  Fl. 7          6 Como  bem  observou  o  acórdão  paradigma,  a  legislação  não  estabelece  que  recolhimentos  a maior  que  os  estabelecidos  pelas  regras  da  apuração  da  antecipação mensal por estimativa também devem ser  considerados como antecipação do imposto. Em outros  termos, o recolhimento que exceda o valor apurado de  acordo com as regras para o cálculo das antecipações  mensais  por  estimativa  não  tem  natureza  de  antecipação do  imposto, mas de pagamento  indevido,  restituível nos termos do art. 165 do CTN.(grifei)  Nesse diapasão, em observância à Súmula CARF nº 84,  reconhece­se  que  é  possível  a  caracterização  de  indébito  a  partir de recolhimento de estimativa.  Todavia, para fins de homologação da DCOMP, faz­se  mister  a  apreciação  do  direito  creditório,  ou  seja,  a  comprovação  por  parte  do  contribuinte  da  existência  de  pagamento  indevido,  ou  seja,  que  o  valor  recolhido  a  título  de  estimativa  mensal,  ainda  que  através  de  balanço  ou  balancete  suspensão/redução,  foi  calculado  e  efetivado  em  valores  acima  daqueles prescritos em lei.   Logo,  entendo  não  ser  possível  homologar,  nesse  momento, a compensação declarada pelo Contribuinte, uma vez  que a única questão submetida ao contraditório nos autos  foi a  possibilidade  (ou  não)  de  compensação  de  pagamento  da  estimativa  recolhida  a  maior.  Além  do  que  tal  fato  implicaria  supressão  da competência  da Unidade  de Origem para  análise  do direito creditório.  Nesse  sentido,  considerando  ser  possível  a  restituição/compensação de  recolhimento  de  estimativa mensal,  desde  que  reste  caracterizado  o  indébito,  voto  no  sentido  de  retornar  o  processo  à  Unidade  de  Origem  para  examinar  o  mérito  do  pedido,  nos  termos  do  art.  170  do  CTN  e  proferir  Despacho Decisório complementar.  Posteriormente,  pode­se  seguir  o  rito  processual  habitual.  Diante de  todo o acima exposto, voto por conhecer do  Recurso Voluntário, e DAR­LHE PARCIAL PROVIMENTO para  reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título  de  estimativa  mensal  de  IRPJ  ou  CSLL,  desde  que  reste  caracterizado  o  indébito,  mas  sem  homologar  a  compensação,  com  o  conseqüente  retorno  dos  autos  à  jurisdição  da  contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do  pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindo­ se assim, o processo de praxe."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º,  2º  e  3º  do  art.  47,  do  Anexo  II,  do  RICARF,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  afastar  a  negativa  do  pedido  de  compensação  com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título  Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10283.907883/2009­51  Acórdão n.º 1301­003.597  S1­C3T1  Fl. 8          7 de estimativa mensal de pessoa  jurídica  tributada pelo  lucro  real,  e determinar o  retorno dos  autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido  de compensação e emita novo despacho decisório, retomando­se, a partir daí, o rito processual  de praxe, nos termos do voto acima transcrito.  (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto                              Fl. 113DF CARF MF

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Numero do processo: 13819.900582/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/02/2004 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada. Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3302-006.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1280; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 2          1 1  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13819.900582/2008­19  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3302­006.074  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de outubro de 2018  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  CONSTRUCTIVA ENGENHARIA LTDA. ­ ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 19/02/2004  INEXISTÊNCIA  DE  LITÍGIO.  CONHECIMENTO  DO  RECURSO  VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.  Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente  não  contesta  a  inexistência  do  crédito,  que motivou  a não  homologação  da  compensação declarada.  Recurso Voluntário Não Conhecido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Gilson  Macedo  Rosenburg  Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado,  Jose Renato Pereira de Deus,  Jorge Lima Abud, Diego Weis  Junior, Raphael Madeira Abad  e  Paulo  Guilherme Deroulede  (Presidente).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 05 82 /2 00 8- 19 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13819.900582/2008­19  Acórdão n.º 3302­006.074  S3­C3T2  Fl. 3          2   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  de  primeira  instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a  decisão da  repartição de origem de não homologar  a  compensação declarada  (DCOMP),  em  razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado  para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte.  Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não havia sustentado  a  existência do  crédito declarado na DCOMP não homologada,  tendo apenas  informado que  "temendo  que  a  Receita  Federal  não  processasse  o  citado  PER/DCOMP,  a  mesma  por  sua  liberalidade quitou este débito com multa e juros, (...) portanto não há o que se falar em valores  devidos,  ou  seja,  a  empresa  não  é  devedora  de  débito  algum,  pois  foi devidamente  quitado,  conforme cópia em anexo" (sic).  Ao fim, pediu o contribuinte, em manifestação de inconformidade, que fosse  feita  revisão de ofício, contemplando o cancelamento da DCOMP em comento e, por via de  conseqüência, cancelada a cobrança decorrente da não homologação.  A  Delegacia  de  Julgamento  (DRJ),  por  meio  do  acórdão  nº  05­035.477,  julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando a ausência de prova do  direito creditório pleiteado.  Ressaltou a DRJ que o contencioso administrativo não se prestava ao pedido  formulado  pelo  contribuinte,  havendo  rito  específico  para  pedido  de  cancelamento,  e  que  a  autoridade  encarregada  da  cobrança  haveria  de  cuidar  para  que,  comprovada  a  coincidência  entre os débitos exigidos por meio da DCOMP e os  relacionados com o pagamento alegado,  não houvesse cobrança duplicada do débito tributário.  Inconformado,  o  contribuinte  interpôs  Recurso  Voluntário,  ratificando  os  argumentos  da Manifestação  de  Inconformidade  e  alegando  não  ter  se  utilizado  do  crédito  apontado na DCOMP, vez que promovera o pagamento integral do débito cuja compensação se  pleiteava, o que materializaria erro de fato e não ausência de pagamento.  Destacou  o  recorrente  que  o  pagamento  integral  do  débito  ocorrera  antes  mesmo da ciência da não homologação da compensação declarada, não podendo ser compelido  ao pagamento em duplicidade do citado débito.  Sustentou, ainda, que o pagamento é causa de extinção do crédito tributário e  que, muito embora a DCOMP constitua confissão de dívida,  tal preceito não pode ferir o art.  149, II e IV do CTN, no sentido de que fosse promovida a revisão de ofício.  Por  fim,  pediu  que,  em  caso  de  não  se  entender  pelo  cancelamento  da  DCOMP, fosse a repartição de origem oficiada para que não houvesse cobrança duplicada do  débito tributário.  É o relatório.  Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13819.900582/2008­19  Acórdão n.º 3302­006.074  S3­C3T2  Fl. 4          3 Voto             Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF),  aprovado  pela Portaria MF  343,  de  9  de  junho  de  2015,  aplicando­se,  portanto,  ao  presente  litígio  o  decidido  no Acórdão  nº  3302­006.068,  de  24/10/2018,  proferida  no  julgamento  do  processo nº 13819.900462/2008­11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento  que  prevaleceu  naquela decisão (Acórdão nº 3302­006.068):  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  pressupostos  e  requisitos de admissibilidade, portanto, passo a apreciá­lo.  Do Contencioso Administrativo.  A  compensação  enquanto modalidade  de  extinção  do  crédito  tributário,  prevista no art.  156,  II,  do CTN, opera­se mediante a  existência de  crédito  líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o  encontro de contas pretendido pelo contribuinte.  Assim,  têm­se  que  o  direito  à  compensação  existe  na  medida  exata  da  certeza e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza  e  liquidez  do  crédito  do  contribuinte,  não  há  como  operacionalizar  a  compensação.  Atualmente,  a  compensação  pode  ser  declarada  pelo  próprio  sujeito  passivo,  em  meio  eletrônico,  mediante  preenchimento  e  transmissão  de  Declaração de Compensação ­ DCOMP, na qual se indicará, em detalhes, o  crédito  existente  e  o  débito  a  ser  compensado,  sujeitando­se  a  ulterior  homologação por verificação fiscal.  A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes  se  opera em dois momentos distintos, a saber:  1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais  do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela  Receita  Federal  do  Brasil,  objetivando  verificar  a  consistência  e  coerência  da  compensação  declarada.  Detectada,  nesta  fase  de  verificação,  qualquer  inconsistência  ou  divergência  entre  valores  e  informações do contribuinte, não homologa­se a compensação realizada,  oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo  administrativo fiscal específico.  2)  Verificação  Documental:  Uma  vez  instaurada  a  fase  litigiosa  do  processo  administrativo  fiscal,  pela  apresentação  de  Manifestação  de  Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica,  tem  início a nova etapa de análise do direito  creditório, que passa a  se  operar  mediante  verificação  de  documentos  hábeis  e  idôneos  que  Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13819.900582/2008­19  Acórdão n.º 3302­006.074  S3­C3T2  Fl. 5          4 comprovem  a  existência  do  crédito  utilizado  pelo  contribuinte.  Neste  segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e  princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal.  Em  outras  palavras,  na  etapa  de  verificação  eletrônica  ­  antes  de  instaurado  o  contencioso  administrativo  ­  são  consideradas  somente  as  informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal  do  Brasil.  Contudo,  uma  vez  constatada  a  inconsistência/divergência  das  informações  existentes  nos  sistemas  informatizados,  não  homologa­se  a  compensação  declarada  e  inicia­se  a  etapa  de  verificação documental,  nos  autos  de  processo  administrativo  fiscal,  onde  incumbe  ao  contribuinte  comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar.  No  caso  em  estudo,  o  contribuinte  informou,  em  sua  primeira  oportunidade de manifestação nestes autos, ter efetuado, por meio de DARF,  o pagamento integral do débito que pretendia compensar, bem como pediu,  de modo suficientemente claro, a revisão de ofício para fins de cancelamento  da DCOMP.  Assim,  no  que  cinge  ao  suposto  crédito  declarado  na  DCOMP  em  comento, o próprio contribuinte reconheceu sua inexistência, ainda em sede  de  manifestação  de  inconformidade,  fazendo  com  que  sequer  tenha  se  instaurado controvérsia administrativa sobre tal matéria, não havendo que se  falar em reconhecimento ou não de direito creditório, pois não há crédito em  litígio.  A DRJ conheceu da Manifestação de Inconformidade e ratificou a decisão  da DRF, não reconhecendo o direito creditório, sob o fundamento de que o  contencioso  administrativo  não  se  presta  ao  pedido  formulado  pela  contribuinte, havendo rito específico para o pedido de cancelamento.  No  recurso  voluntário,  o  contribuinte  ratificou  todos  os  argumentos  produzidos  por  ocasião  da  manifestação  de  inconformidade,  renovando  o  pedido  de  revisão  de  ofício  para  o  cancelamento  da  DCOMP  e,  por  conseguinte, da cobrança decorrente de sua não homologação, sob pena de  pagamento em duplicidade.  Repise­se  que  desde  sua  primeira  manifestação  neste  PAF,  a  empresa  reconheceu a inexistência do direito creditório antes alegado e pugnou pela  revisão de ofício, com o  cancelamento da DCOMP e  extinção da cobrança  decorrente de sua não homologação.  Segundo  previsão  legal  do  §  9º  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430/1996,  com  alterações  introduzidas  pela  Lei  nº  10.833/2003,  é  facultado  ao  sujeito  passivo se  insurgir, por meio de Manifestação de  Inconformidade, contra a  não homologação da declaração de compensação.  Nesse  sentido,  tem­se  que  a  competência  dos  órgãos  de  julgamento  administrativo,  no  que  diz  respeito  às  declarações  de  compensação,  está  adstrita  ao  reconhecimento  ou  não  do  direito  creditório,  que  terá  por  consectário a homologação, ou não, da compensação declarada.  Ocorre  que  o  caso  em  estudo  não  versa  sobre  a  não  homologação  da  DCOMP, vez que o próprio contribuinte reconheceu a inexistência de direito  creditório,  tendo  pleiteado  a  revisão  de  ofício  para  que  fosse  realizado  o  Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13819.900582/2008­19  Acórdão n.º 3302­006.074  S3­C3T2  Fl. 6          5 cancelamento  da  DCOMP,  o  que  escapa  à  competência  dos  julgadores  administrativos.  Não  estando a  retificação ou  o  cancelamento  de declarações,  entregues  pelo  sujeito  passivo,  inseridos  na  esfera  de  competências  do  julgador  administrativo, não se pode decidir sobre tal matéria. Tampouco faz sentido  decidir sobre matéria não impugnada pelo contribuinte em suas peças, como  é o caso do reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação  da DCOMP em comento, sobre o que, conforme já visto, sequer se instaurou  litígio.  Noutras palavras, não tendo o contribuinte pugnado pelo reconhecimento  do  direito  creditório  não  homologado  pelo  Despacho  Decisório,  não  há  e  nunca houve litígio administrativo quanto a não homologação, esvaziando a  competência dos órgãos de  julgamento administrativo, vez que  também não  podem estes decidir sobre os pedidos formulados nas peças produzidas pelo  contribuinte nestes autos.  Observe­se, entretanto, que há indícios de que o débito antes pretendido  compensar foi pago por meio de DARF pelo contribuinte antes da emissão do  despacho  decisório,  devendo  a  unidade  responsável  avaliar  se  o  referido  pagamento  é  passível  de  alocação  ao  débito  oriundo  da  DCOMP  em  comento.  Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário.  Portanto,  aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado  decidiu não conhecer do recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède                              Fl. 57DF CARF MF

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7518368 #
Numero do processo: 10469.902400/2010-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
Numero da decisão: 1301-003.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, superando-se a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF - Portaria MF 343/2015. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10469.901675/2010-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2203; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 2          1 1  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10469.902400/2010­98  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  1301­003.462  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de outubro de 2018  Matéria  IRPJ ­ PERDCOMP  Recorrente  CLINICA DE RADIOLOGIA E ULTRASSONOGRAFIA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2001  CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA  217.  De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no  Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15,  § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou  seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser  considerados  serviços  hospitalares  'aqueles  que  se  vinculam  às  atividades  desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de  sorte que,  'em regra, mas não necessariamente,  são prestados no  interior do  estabelecimento  hospitalar,  excluindo­se  as  simples  consultas  médicas,  atividade que  não  se  identifica  com as  prestadas  no  âmbito  hospitalar, mas  nos consultórios médicos'."  SERVIÇOS  DE  IMAGEM,  DIAGNÓSTICOS.  SERVIÇOS  HOSPITALARES.  Enquadram­se  como  serviços  hospitalares,  os  serviços  de  imagem  e  diagnósticos,  que  se  sejam  diretamente  ligados  à  promoção  da  saúde,  nos  termos do Tema 217, do STJ ­ Recursos Repetitivos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  determinando  o  retorno  dos  autos  à  unidade  de  origem  para  que  analise  efetivamente  a  existência  do  crédito  pleiteado,  oportunizando  ao  contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, superando­se a discussão acerca  da  possibilidade  de  redução  do  percentual,  já  que  decidido  sob  a  sistemática  de  Recursos  Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II,  do  RICARF  ­  Portaria  MF  343/2015.  Ao  final,  deverá  ser  proferido  despacho  decisório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 24 00 /2 01 0- 98 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10469.902400/2010­98  Acórdão n.º 1301­003.462  S1­C3T1  Fl. 3          2 complementar,  retomando­se,  a  partir  daí,  o  rito  processual  de  praxe.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos.  Portanto,  aplica­se  o  decidido  no  julgamento  do  processo  10469.901675/2010­12,  paradigma  ao  qual  o  presente  processo  foi  vinculado.   (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente e Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior,  José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana  Pereira  de  Paiva  Leite,  Carlos  Augusto  Daniel  Neto,  Leonam Rocha  de Medeiros  (suplente  convocado),  e  Fernando  Brasil  de  Oliveira  Pinto.  Ausente,  justificadamente,  a  Conselheira  Bianca Felícia Rothschild.     Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Acórdão  que,  por  unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte,  para manter na  íntegra o Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações  pleiteadas,  em  razão  da  insuficiência  de  crédito  para  quitação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.   O  presente  processo  decorre  de  pedido  de  compensação,  cujo  crédito  tem  origem em pagamento a maior de IRPJ, com base no lucro presumido calculados inicialmente a  32%,  sendo  alterada,  posteriormente,  para  8%,  nos  termos  do  arts.  15,  III,  e  20,  da  Lei  9.249/95.  O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o  valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas restantes.   Em  sua  Manifestação  de  Inconformidade  a  contribuinte  afirmou  que  a  legitimidade dos seus créditos decorre da redução da base de cálculo do IRPJ para sociedades  que  desenvolvem  atividades  hospitalares  (de  32%  para  8%),  e  que  a  RFB,  através  do  ADI  18/2003  estabeleceu  que  são  considerados  serviços  hospitalares  os  prestados  por  estabelecimentos assistenciais de saúde com determinadas características, dentre as quais:  1)  a  prestação  de  serviços  pelos  sócios  e  por  outros  profissionais  que  não  compunham os quadros da sociedade;  2) os que não se refiram exclusivamente ao exercício de atividade intelectual,  de natureza eminentemente científica.  Ademais,  discorre  acerca  do  art.  23  da  IN  306/2003,  que  para  fins  de  equiparação  de  alguns  serviços  às  atividades  hospitalares,  para  fins  tributários,  devem  ser  atendidas  exigências  tais  como:  a)  a  prestação  direta  de  serviços  de  atenção  e  assistência  à  saúde, que possuam estrutura  física  condizente para  a  execução de uma ou várias  atividades  previstas em Portaria do Ministério da Saúde; b) o exercício de ações básicas de saúde, como o  Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10469.902400/2010­98  Acórdão n.º 1301­003.462  S1­C3T1  Fl. 4          3 primeiro  atendimento,  a  prevenção  de  doenças,  ações  de  educação,  etc;  c)  prestação  de  atendimento imediato de assistência à saúde como a triagem para atendimentos, o atendimento  em  si,  inclusive  de  urgência,  procedimentos  de  enfermagem,  a  observação  do  paciente,  a  execução  de  diagnósticos  e  terapêuticos  (por  24  horas,  se  for  o  caso);  d)  realização  de  procedimentos cirúrgicos, como o desenvolvimento de atividades de reabilitação em pacientes  (externos e internos), dentre outras.  Afirma  também,  que  apenas  não  procedeu  na  retificação  das  DCTFs  por  impossibilidade técnica, já que o sistema da RFB não permitiu diante do prazo.  O  Acórdão  recorrido  entendeu  não  haver  dúvidas  de  que  as  receitas  provenientes  de  serviços  hospitalares  passou  a  incidir  o  percentual  de  presunção  de  8%,  excepcionando­se tais receitas da regra geral de 32%, no entanto entendeu que diante da não  apresentação de documentação por parte do contribuinte não seria possível concluir que de fato  prestou tais serviços, assim, julgou a manifestação improcedente.  No  Recurso  Voluntário  apresentado  a  recorrente  reforça  os  argumentos  já  apresentados, defendendo que não há controvérsia acerca do crédito, sendo ele legítimo. Houve  a constatação do erro formal, em razão da aplicação de percentual diverso na apuração do lucro  estimado, requerendo o seu direito de compensação.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1301­003.458,  de  18/10/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10469.901675/2010­ 12, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301­003.458):  O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos  de admissibilidade, portanto, dele conheço.  A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou  de  créditos  decorrentes  de  IRPJ  pagos  a  maior,  em  razão  da  alteração do percentual de 32% para 8% sobre a receita bruta,  em razão da sua atividade.  Alega a recorrente que presta serviços de  radiologia,  diagnósticos  médicos  por  imagem,  ultrassonografia  e  outros,  atividades essas ligadas diretamente à promoção da saúde, que  demandam  maquinário  específico  e  ambiente  hospitalar  ou  assemelhado. E que sobre a matéria não pende mais discussão  Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10469.902400/2010­98  Acórdão n.º 1301­003.462  S1­C3T1  Fl. 5          4 diante  do  Resp  1.116.399/BA,  que  foi  decidido  sob  o  rito  dos  recursos  repetitivos.  Tanto  o  despacho  decisório  quanto  o  acórdão  recorrido  entenderam  que  a  atividade  prestada  pela  recorrente  não  era  de  serviço  hospitalar,  já  que  não  prestada  num ambiente hospitalar e diante disso, não faria jus à redução  do percentual.  A lei 9.249/95, em seu artigo 15, III trata da questão:  Lei  9.249,  de  26/12/1995, artigo  (art.)  15  §  1º  inciso  III, alínea “a”: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada  mês,  será  determinada  mediante  a  aplicação  do  percentual  de  oito  por  cento  sobre  a  receita  bruta  auferida  mensalmente,  observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8.981, de 20 de  janeiro de 1995. § 1.º Nas seguintes atividades, o percentual de  que trata este artigo será e: (...)   III–trinta e dois por cento, para as atividades de:   a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços  hospitalares;” Lei 11.727, de 23/06/2008, arts. 29 e 41, VI:  Segue abaixo a Ementa do citado julgado do STJ:  DIREITO  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  VIOLAÇÃO  AOS  ARTIGOS  535  e  468  DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95.  IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA.  DEFINIÇÃO DA  EXPRESSÃO  "SERVIÇOS  HOSPITALARES".  INTERPRETAÇÃO  OBJETIVA.  DESNECESSIDADE  DE  ESTRUTURA  DISPONIBILIZADA  PARA  INTERNAÇÃO.  ENTENDIMENTO  RECENTE  DA  PRIMEIRA  SEÇÃO.  RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO  543­C DO CPC.  1. Controvérsia  envolvendo  a  forma  de  interpretação  da  expressão  "serviços  hospitalares"  prevista  na  Lei  9.429/95,  para  fins  de  obtenção  da  redução  de  alíquota  do  IRPJ  e  da  CSLL. Discute­se a possibilidade de, a despeito da generalidade  da  expressão  contida  na  lei,  poder­se  restringir  o  benefício  fiscal,  incluindo  no  conceito  de  "serviços  hospitalares"  apenas  aqueles  estabelecimentos  destinados  ao  atendimento  global  ao  paciente, mediante internação e assistência médica integral.  2.  Por  ocasião  do  julgamento  do  RESP  951.251­PR,  da  relatoria  do  eminente  Ministro  Castro  Meira,  a  1ª  Seção,  modificando  a  orientação  anterior,  decidiu  que,  para  fins  do  pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão  "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º,  inciso  III,  da  Lei  9.249/95,  deve  ser  interpretada  de  forma  objetiva  (ou  seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte),  porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a  característica  ou  a  estrutura  do  contribuinte  em  si  (critério  subjetivo),  mas  a  natureza  do  próprio  serviço  prestado  (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado  Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10469.902400/2010­98  Acórdão n.º 1301­003.462  S1­C3T1  Fl. 6          5 que  os  regulamentos  emanados  da  Receita  Federal  referentes  aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir  que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei  (a  exemplo  da  necessidade  de  manter  estrutura  que  permita  a  internação  de  pacientes)  para  a  obtenção  do  benefício.  Daí  a  conclusão  de  que  "a  dispensa  da  capacidade  de  internação  hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que  se mostra  irrelevante para  tal  intento as disposições constantes  em atos regulamentares".  3.  Assim,  devem  ser  considerados  serviços  hospitalares  "aqueles  que  se  vinculam  às  atividades  desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção  da  saúde",  de  sorte  que,  "em  regra, mas  não  necessariamente,  são  prestados  no  interior  do  estabelecimento  hospitalar,  excluindo­se as simples consultas médicas, atividade que não se  identifica  com  as  prestadas  no  âmbito  hospitalar,  mas  nos  consultórios médicos".  4. Ressalva de que as modificações  introduzidas pela  Lei  11.727/08  não  se  aplicam  às  demandas  decididas  anteriormente  à  sua  vigência,  bem  como  de  que  a  redução  de  alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita  bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas  sim  àquela  parcela  da  receita  proveniente  unicamente  da  atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo  contribuinte,  nos  exatos  termos  do  §  2º  do  artigo  15  da  Lei  9.249/95.  5.  Hipótese  em  que  o  Tribunal  de  origem  consignou  que  a  empresa  recorrida  presta  serviços  médicos  laboratoriais  (fl..  389),  atividade  diretamente  ligada  à  promoção  da  saúde,  que  demanda maquinário  específico,  podendo  ser  realizada em  ambientes  hospitalares  ou  similares,  não  se  assemelhando  a  simples  consultas  médicas,  motivo  pelo  qual,  segundo  o  novel  entendimento  desta  Corte,  faz  jus  ao  benefício  em  discussão  (incidência dos percentuais de 8%  (oito por cento), no caso do  IRPJ,  e  de  12%  (doze  por  cento),  no  caso  de  CSLL,  sobre  a  receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de  serviços médicos laboratoriais).  6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de  controvérsia, submetido ao regime do artigo 543­C do CPC e da  Resolução 8/STJ.  7. Recurso especial não provido.  Matéria,  conforme  acima,  acerca  do  se  trata  como  serviços  hospitalares:  são  enquadrados  como  serviços  hospitalares  os  serviços  de  atendimento  à  saúde,  independentemente do local de prestação, excluindo­se, apenas,  os serviços de simples consulta.  A  natureza  do  prestador  (sociedade  empresária)  só  passou  a  ser  limitador  com  a  alteração  introduzida  pela  Lei 11.727/2008  no  art 15,  III,  da  Lei 9.249/1995,  em  vigor  a  Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10469.902400/2010­98  Acórdão n.º 1301­003.462  S1­C3T1  Fl. 7          6 partir  de  1º  de  janeiro  de  2009,  segundo  a  qual  o  percentual  reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços  for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às  normas  da  Anvisa.  E  como  verificamos,  por  se  tratar  de  fatos  relativos a período anterior, inaplicável aqui.  Desta  feita,  considerando  que  em  momento  algum  o  recorrente  foi  intimado  para  comprovar  o  efetivo  crédito,  voto  por dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando  o  retorno  dos  autos  à  unidade  de  origem  para  que  analise  efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao  recorrente  a  possibilidade  de  apresentação  de  documentos,  superando­se a discussão acerca da possibilidade de redução do  percentual,  já  que  decidido  sob  a  sistemática  de  Recursos  Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com  o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF ­ Portaria MF 343/2015.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º,  2º  e  3º  do  art.  47,  do  Anexo  II,  do  RICARF,  voto  por  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário,  determinando  o  retorno  dos  autos  à  unidade  de  origem  para  que  analise  efetivamente  a  existência  do  crédito  pleiteado,  oportunizando  ao  contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, superando­se a discussão acerca  da  possibilidade  de  redução  do  percentual,  já  que  decidido  sob  a  sistemática  de  Recursos  Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II,  do  RICARF  ­  Portaria  MF  343/2015.  Ao  final,  deverá  ser  proferido  despacho  decisório  complementar, retomando­se, a partir daí, o rito processual de praxe..  (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto                              Fl. 51DF CARF MF

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Numero do processo: 13840.000427/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 31/05/2004 LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. LANÇAMENTO ORIGINAL COM VÍCIO FORMAL. É lícito o lançamento substitutivo quando foi reconhecida a nulidade do lançamento original por vício formal. REMUNERAÇÃO DE SÓCIO ADMINISTRADOR. PRO LABORE. ÔNUS DA PROVA. Para que as conclusões da autoridade fazendária sejam afastadas, cabe ao sujeito passivo comprovar os fatos impeditivos, modificativos e extintivos do lançamento. BASE DE CÁLCULO. REMUNERAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora demonstrar a ocorrência de remuneração e a natureza jurídica da relação entre a pessoa jurídica e a pessoa física, inclusive para configurar contribuinte autônomo ou empregado. Apresentadas provas suficientes, cabe à Contribuinte demonstrar com elementos probatórios a inadequação do lançamento. DECADÊNCIA. FRAUDE. Constatada a ocorrência de fraude tributária, não é possível aplicar a regra do art. 150, § 4º, do CTN, devendo ser aplicada a regra geral do art. 173, I, do mesmo diploma legal.
Numero da decisão: 2202-004.831
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), que lhe deu provimento parcial, para afastar a tributação em relação aos pagamentos efetuados a contribuinte individual empresário
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO

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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 31/05/2004 LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. LANÇAMENTO ORIGINAL COM VÍCIO FORMAL. É lícito o lançamento substitutivo quando foi reconhecida a nulidade do lançamento original por vício formal. REMUNERAÇÃO DE SÓCIO ADMINISTRADOR. PRO LABORE. ÔNUS DA PROVA. Para que as conclusões da autoridade fazendária sejam afastadas, cabe ao sujeito passivo comprovar os fatos impeditivos, modificativos e extintivos do lançamento. BASE DE CÁLCULO. REMUNERAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora demonstrar a ocorrência de remuneração e a natureza jurídica da relação entre a pessoa jurídica e a pessoa física, inclusive para configurar contribuinte autônomo ou empregado. Apresentadas provas suficientes, cabe à Contribuinte demonstrar com elementos probatórios a inadequação do lançamento. DECADÊNCIA. FRAUDE. Constatada a ocorrência de fraude tributária, não é possível aplicar a regra do art. 150, § 4º, do CTN, devendo ser aplicada a regra geral do art. 173, I, do mesmo diploma legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 6712DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 2 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), que lhe deu provimento parcial, para afastar a tributação em relação aos pagamentos efetuados a contribuinte individual empresário. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira – Relatora ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Marcelo de Sousa Sateles e Ludmila Mara Monteiro de Oliveira. Nos termos do Art. 58, § 5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto não votou neste julgamento, por já haver o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator) proferido seu voto na reunião de setembro de 2018. Relatório Como Redatora ad hoc, sirvo-me da minuta de acórdão inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF: Trata-se, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito tributário referente a Contribuições Sociais Previdenciárias. Diante da Impugnação, a DRJ manteve o lançamento. Inconformada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 30/08/2007 foi lavrado o AI DEBCAD nº 37.072.381-3 (fls. 3/166) para constituir crédito tributário de Contribuições Sociais Previdenciárias. Conforme o Relatório Fiscal (fls. 197/231 e docs. anexos fls. 232/1.673), "Débito: Contribuições sociais sobre remuneração de empregados, inclusive de complementos salariais; sobre remuneração de profissionais autônomos sem vínculo empregatício; e sobre remuneração de administradores da empresa (sócios), sendo todos pagamentos efetuados através de 'caixa 2'." - fl. 197; (...) "1. Notificação Fiscal de Lançamento de Débito emitida em substituição à notificação de nº 35.646.428-8, de 12/07/2006." - fl. 198 (...) "4. A ação fiscal foi realizada em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão, cópia anexada de fls. 169, expedido nos autos do Processo nº (...), em trâmite sob segredo de justiça, perante o Egrégio Juízo da 1ª Vara Federal Criminal em São João da Boa Vista/SP., visando a apreensão de objetos e materiais necessários à comprovação da autoria e materialidade Fl. 6713DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 3 3 delitiva, relativa a provável crime de sonegação tributária, fraude em licitação, frustração de direitos trabalhistas, uso de documentos falsos e sonegação de contribuições previdenciárias e ainda, em cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF nº 09158759, cópia anexada de fls. 170." - fl. 199; (...) "7.9 após confrontar os nomes descritos com os nomes de funcionários da empresa, ficou constatado tratar-se de pagamentos efetuados a empregados 'por fora', cujos pagamentos encontram-se escriturados no 'Caixa 2' citado a seguir. Os pagamentos efetuados, encontram-se relacionados no Relatório de Lançamento - RL por constituírem fato gerador da contribuição previdenciária, com o histórico de 'folha de pagamento manuscrita'." - fl. 209; (...) "9.2 Simulação de demissão de funcionários, com o objetivo de saque do FGTS, obtenção do Seguro Desemprego e não recolhimento dos encargos previdenciários. Realizado essa operação, o empregado devolve à empresa o montante correspondente a verbas indenizatórias que não faz jus, constituindo mais um recurso do 'Caixa 2', conforme Comunicações Internas - CI e ainda passando, a receber os salários 'por fora' ou 'Caixa 2', evitando-se os encargos sociais." - fl. 217/218; (...) "11 Pelo até então exposto, está constatado que a empresa possui uma conta corrente no Banco do Estado de São Paulo - BANESPA, agência XXXXX, conta nº 1634-3, onde realiza a movimentação bancária de seu 'caixa 2', conforme cópia de extratos que anexo de fls. 1319 a 1325, referente a 05/2002 a 08/2002, 10/2002 a 12/2002, através do qual os sócios realizaram retiradas e pagam despesas, relativas a: a) pagamento de sal´raios de empregados sem registro em carteira; b) pagamento de horas-extras, adicionais, férias, período trabalhado durante férias, prêmios, reembolso de alugueis 'por fora' a empregados; c) pagamento de serviços prestados por pessoas físicas, considerado como pequenas empreitadas, apurado através de medições, conforme cópia de planilhas anexas, sem a escrituração na contabilidade oficial; d) pagamentos pessoais dos sócios, como clubes de pesca, funcionários da Chácara e Sítio, multas de trânsito, faculdade, previdência privada, passagens aéreas, IPVA, IPTU de condomínios; e Fl. 6714DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 4 4 e) saques da diretoria - sem destinação ou depositado na conta 13548-4, agência 031 do Banco Itaú em nome particular do sócio-gerente Sr. Olivo Simoso." - fls. 219/220; (...) "18 Tendo em vista a peculiaridade da auditoria fiscal, que pautou-se exclusivamente em apreender documentos na sede da empresa para análise posterior fora dessa localidade, procedeu os auditores com o enquadramento dos pagamentos apurados através do 'caixa 2' para os prestadores de serviços segundo as definições do art. 12 da Lei nº 8.212/91, transcrito a seguir, classificando os beneficiários como 'empregado' e como contribuinte individual 'autônomo' ou 'empresário':" - fl. 222; (...) "19 Observando o dispositivo transcrito acima, foi classificado: a) Como 'empregado', os pagamentos de salários a empregados sem registro em carteira; pagamento de horas-extras; adicionais; férias; período trabalhado durante férias; prêmio de produção; reembolso de alugueis; 'por fora'; pagamento contínuo da execução dos 'serviços eventuais de portaria sem vínculo empregatício'; pagamento contínuo de 'prestadores de serviços prestados D.E.R.'; salário; 13º salário; complemento de 13º; adiantamentos (não deduzidos da folha de pagamento oficial); serviços de vigilância diurna em obras; dias trabalhados mais serviços como servente em obra; e serviços de faxineira em alojamento de obras, cujos pagamentos encontram- se descritos nos subitens 7.1, 7.2, 7.9 a 7.11 anteriores, tratando- se em muitos casos, de segurados que deixaram a formalidade com a baixa na CTPS e continuaram a prestar serviços à empresa; a.1) Observado a presença dos requisitos contidos na letra 'a', do inciso I, do art. 12 [da Lei nº 8.212/1991] transcrito acima; b) Como contribuintes individuais 'autônomos', sem vínculo empregatício, pagamentos efetuados a profissionais que realizaram serviços eventuais, de perfuração de fossa; calibragem da usina; pintura de placas; reforma de cortinas; auto elétrica; mecânico em veículos; lavagem de roupas; serviços de solda; borracheiro; tapeceiro; projeto junto da CETESB; advogado; e serviços de comissão e corretagem; e ainda, os serviços de transportadores carreteiros; b.1) Nos casos de frete, a base de cálculo previdenciária foi de 11,71% do valor do frete a partir de 04/07/2001 de 20% do valor do frete, conforme Portaria Ministerial 1.135, de 05/04/2001; b.2) Observado a presença dos requisitos contidos na letra 'g', do inciso V, do art. 12 transcrito anteriormente; c) Como contribuinte individual 'empresário', pagamentos identificados como sendo de gastos pessoais dos sócios, como Fl. 6715DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 5 5 clubes de pesca, funcionários da Chácara e Sítio, multas de trânsito, faculdade, previdência privada, passagens aéreas, IPVA, IPTU de condomínios e saques da diretoria - sem destinação ou ainda, depositado na conta (...) do Banco Itaú em nome particular do sócio-gerente Sr. Olivo Simoso. c.1) Os valores mensais apurados, não guardam relação uniforme de valores, foram simplesmente apurados de acordo com os comprovantes apreendidos; e c.2) Observado a presença dos requisitos contidos na letra 'f' do inciso V, do art. 12 transcrito anteriormente;" - fls. 223/224; (...) "23 Não foi considerada nenhuma guia de recolhimento previdenciário no presente lançamento, tendo em vista que o débito é totalmente 'paralelo' aos lançamentos oficiais da empresa, onde a mesma efetuou seus recolhimentos regulares." - fl. 226; (...) "28.2 Tendo em vista a execução de 'caixa 2' constituir em crime com agravante de dolo visando a fraude tributária, o lançamento das contribuições sociais não incorrem em decadência, de acordo com o CTN, aprovado com o Decreto nº 5.172, de 25/10/1966." - fl. 229; (...) "31 Contra a empresa foram lavradas as seguintes notificações: a) NFLD 35.646.428-8, emitida em 12/07/2004 e reemitida sob nº 37.072.381-3, em 30/08/2007 - R4 4.833.091,03, abrangendo débitos de 01/1994 a 05/2004, intermitente, não declarado em GFIP, abrangendo parte patronal e de segurados calculadas; b) Auto de Infração nº 35.646.423-7, de 12/07/2004 - R$ 409.188,40, pela falta de inscrição de segurados na Previdência Social; c) Auto de Infração nº 35.646.424-5, de 12/07/2004 - R$ 512.018,00, por apresentação de GFIP com omissão de fatos geradores das obrigações previdenciárias; d) Auto de Infração nº 35.646.425-3, de 12/07/2004 - R$ 51.795,70, pela falta de escrituração contábil de fatos geradores de contribuições previdenciárias; e) Auto de Infração nº 35.646.426-1, de 12/07/2004 - R$ 5.179,60, pela falta de preparo de folhe de pagamento das remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço; e f) Auto de Infração nº 35.646427-0, de 12/07/2004 - R$ 51.795,70, pela falta de escrituração contábil de fatos não Fl. 6716DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 6 6 ligados a contribuições previdenciárias." (grifos no original) - fl. 230/231. Intimada em 30/08/2007 (fl. 3), a Contribuinte protocolou impugnação em 25/09/2007 (fls. 1.677/1.697). A DRJ, então, proferiu o acórdão nº 14-26.736, de 12/11/2009 (fls. 1.732/1.742), que deu provimento parcial à defesa, e restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/05/2004 N° do processo na origem DEBCAD n° 37.072.381-3 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. As contribuições lançadas sujeitam-se ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tendo em vista a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. As contribuições previdenciárias são calculadas por aferição indireta quando se verifica que a contabilidade não espelha a realidade econômico-financeira da empresa. Incidem contribuições previdenciárias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo aos segurados empresários contribuintes individuais São segurados obrigatórios da Previdência Social, como empregado, as pessoas físicas que prestam serviços de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Se o Auditor Fiscal da Receita Federa do Brasil constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições de relação de emprego, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada em 11/01/2010 (fl. 1.744), e ainda inconformada, a Contribuinte protocolou Recurso Voluntário em 10/02/2010 (fls. 1.747/1.814), argumentando, em síntese:  Que foi cerceado o seu direito à ampla defesa uma vez que se trata de NFLD SUBSTITUTIVA sem qualquer demonstração da base legal para a substituição do lançamento anterior por vício formal; Fl. 6717DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 7 7  Que o acórdão nº 1.549/2006 do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) anulou o lançamento anterior, mas que o presente lançamento não é simples substituição da notificação fiscal anterior e sim nova constituição de crédito previdenciário;  Que o CTN só permite a modificação do lançamento nas hipóteses do art. 145 e do art. 149;  Que o acórdão recorrido se omitiu sobre a questão do lançamento substitutivo;  Que o Relatório Fiscal afirma que o lançamento substitutivo ocorreu em função do art. 149, IX, do CTN, mas que não é o caso constatado na presente lide;  Que o lançamento não logrou demonstrar a ocorrência dos fatos geradores. Assim, por exemplo, afirma que "Saque bancário não pode ser automaticamente equiparado à retirada de 'pro labore'.";  Que os mesmos valores compuseram lançamento tributário de imposto de renda por omissão de receita. Assim, que não podem os mesmos valores compor remuneração dos diretores como pro labore e como saque para omitir receita da empresa;  Que não há provas do pagamento "por fora", não tendo sido comprovada a "folha manuscrita" nem demonstrado onde estariam "escrituradas no Caixa2";  Que os valores lançados na rubrica "pro labore" são absurdos, não havendo sentido se cogitar pagamentos no montante de R$ 430.651,94 por mês a um diretor de empresa a título de "pro labore";  Que parte dos valores lançados a título de "pro labore" nos presentes autos foi lançado como "pagamentos a beneficiários não identificados" em autuação pela receita federal;  Que não pode a autoridade lançadora transformar a distribuição de lucro em pagamento de "pro labore". Esta é a remuneração pela atividade de administrar a empresa, devendo ser mensal e fixa, o que não se observa no presente caso;  Que pagamentos identificados como "despesas diversas" não tem natureza de remuneração, i.e., não pode a fiscalização desconsiderar a contabilidade da empresa para a identificação da causa do pagamento, mas aceitá-la para a existência de um pagamento;  Que o simples fato de ser pago alguma coisa associada à diretoria não implica em remuneração indireta nem mesmo que os valores foram pagos no interesse da pessoa física e não da pessoa jurídica; Fl. 6718DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 8 8  Que foi incluído no lançamentos valores pagos a título de adiantamentos. Sendo adiantamentos, não se tratam de remuneração enquanto não forem trabalhados os dias adiantados. De qualquer maneira, que tais valores não foram deduzidos quando do lançamento dos valores dos salários, configurando duplicidade;  Que houve decadência do período entre 01/1994 e 08/2002, e que deve ser contado o prazo pelas regras do art. 150, § 4º, do CTN;  Que o art. 45 da Lei nº 8.212/1991 é inconstitucional, inclusive com reconhecimento pela Súmula Vinculante do STF nº 8; e  Que foram incluídos no lançamento pagamentos feitos a autônomos como se fossem segurados empregados, sem demonstração do vínculo, devendo tais valores ser excluídos da base de cálculo. Em 01/03/2010 a Contribuinte protocolou petição de desistência parcial do recurso (fls. 1.834/1.846) para inclusão no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. O CARF então determinou a realização de diligência por meio da Resolução nº 2302-000.316, de 17/07/2014 (fls. 1.888/1.891), especificamente para que fossem apartados os valores em relação aos quais a Contribuinte havia desistido do recurso. Entretanto, houve problemas no desmembramento do crédito, razão pela qual a DRF propôs em 09/09/2014 a devolução dos autos ao CARF para que fosse analisada a possibilidade de julgar o recurso sem o referido desmembramento (fl. 1.895). Por sua vez, a Contribuinte protocolou petição 23/06/2017 (fls. 1.902/1.906 e docs. anexos fls. 1.907/1.915) requerendo a regularização da sua situação cadastral uma vez que já havia quitado o parcelamento em relação à parte confessada. Em 23/01/2018 (fls. 1.916/1.917) foi protocolada nova petição (fls. 1.918/1.922 e docs. anexos fls. 1.923/6.283) solicitando a juntada de mais documentação nos termos do art. 16, § 4º, 'b', do Decreto nº 70.235/1972, i.e., apontando que se referiam a fatos ou direitos supervenientes. Especificamente, a juntada do acórdão nº 9101-001.647, da CSRF, além de outros documentos referentes ao PAF nº 10830.004864/2005-02, que tratou do IRRF por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Nesse contexto, solicitou que fosse respeitada a coisa julgada material, uma vez que esse outro processo tratou dos mesmos fatos, ainda que referente a tributos diversos. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora ad hoc Como Redatora ad hoc, sirvo-me de parcecla da minuta de voto inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF: O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 6719DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 9 9 A lide recai, portanto, sobre os seguintes pontos: (1) nulidade do lançamento por se tratar de refiscalização; (2) nulidade do acórdão recorrido por omissão; (3) não demonstração da ocorrência do fato gerador: (3.1.) o pro labore; (3.2.) a configuração de segurados empregados; (3.3.) despesas diversas não configuram fato gerador das Contribuições Sociais Previdenciárias; (3.4.) duplicidade na base de cálculo - 3.4.1. adiantamentos e 3.4.2. despesas diversas x pro labore; e (4) decadência. Registra-se que a decadência é pós-posta à análise do mérito porquanto o lançamento foi efetuado indicando a existência de fraude a tributária. Tanto assim que a DRJ já a reconheceu parcialmente, aplicando, entretanto, a norma do art. 173, I, do CTN em função da constatação de dolo, fraude ou simulação. Portanto, a análise dos argumentos da Recorrente quanto à aplicabilidade da norma do art. 150, § 4º, do mesmo diploma, depende do julgamento prévio se houve ou não dolo por parte da autuada. Nulidade do lançamento: refiscalização A Contribuinte argumenta que o lançamento é nulo em função de tratar-se de refiscalização sem o enquadramento nas hipóteses exaustivas indicadas na lei. Para tanto, aponta que o lançamento original foi anulado pelo acórdão CRPS nº 1.549/2006. Retornando ao Relatório Fiscal, efetivamente constata-se que a autoridade lançadora deixou claro tratar-se de reemissão de notificação de lançamento. É o que consta, por exemplo, dos itens 1 e 31, 'a', do relatório. Contudo, não identificamos a fundamentação da autoridade lançadora no referido relatório fiscal para a emissão do novo lançamento. Analisando a questão, a DRJ concluiu que não havia vício na emissão do novo lançamento uma vez que o primeiro foi anulado por vício formal. Nesse contexto, nos termos do art. 173, II, do CTN. Em primeiro lugar, constata-se que o acórdão CRPS nº 1.549/2006, conforme transcrito no próprio Recurso Voluntário, reconheceu a nulidade do lançamento original nos seguintes termos: "Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte durante o processo administrativo, especialmente em seu recurso voluntário, bem como as contra-razões da Secretaria da Receita Previdenciária em defesa da manutenção da exigência, há nos autos vício formal capaz de determinar a nulidade do lançamento, prejudicando, assim, a análise do mérito, como passaremos a demonstrar." (grifamos) - fl. 1.759; (...) "Ao proceder dessa maneira, deixando de elencar no Relatório dos Fundamentos Legais do Débito - FLD, e bem assim no Relatório Fiscal, a legislação específica que dá amparo à desconsideração da contabilidade da recorrente e a aferição indireta, in casu, artigo 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91, o ilustre fiscal autuante incorreu em vício insanável, capaz de determinar a nulidade da NFLD, conforme legislação de regência e torrencial jurisprudência deste Conselho." - fl. 1.763; Fl. 6720DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 10 10 Portanto, correta a decisão da DRJ. Sem análise da adequação da decisão da CRPS, a verdade é que aquele órgão concluiu pela nulidade do lançamento por vício formal. Essa é a decisão que deve ser tomada como base. Nessa senda, a nulidade do lançamento original por vício formal garante à fazenda nacional o direito de lançar novamente o crédito tributário. Tanto assim que, inclusive, a decisão que reconhece a nulidade do lançamento original por vício formal é marco inicial para contagem de um novo prazo decadencial quinquenal. Outrossim, constata-se que o art. 149, IX, do CTN, indicado pela própria Contribuinte é claro em estabelecer que: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Ora, foi exatamente essa a omissão pela autoridade lançadora original da indicação das fundamentações legais do lançamento que levou à sua anulação. Em outras palavras, a omissão, pela autoridade que efetuou o lançamento anterior, de formalidade especial. Portanto, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. Nulidade da decisão recorrida: omissão Argumenta a contribuinte ainda que a decisão recorrida foi omissa porque "deixou de apreciar a impugnação quanto ao novo lançamento" (fl. 1.769). Acontece que a DRJ analisou concretamente a questão, como se exposto no item anterior. Fê-lo especificamente na fl. 1.737 do e-processo. Portanto, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. Dos fatos geradores Superadas as preliminares acima, impende analisar as questões tocantes ao mérito do lançamento suscitadas pela Recorrente. Em especial, argumenta que a autoridade lançadora não comprovou a ocorrência dos fatos geradores, não conseguindo demonstrar que os valores se referiam a pro labore, que houve pagamentos "por fora" e nem a relação empregatícia. Outrossim, também afirmou que houve pagamentos em duplicidade. Convém analisá-los individualmente. Do pro labore Em primeiro lugar, contesta os valores lançados a título de pro labore. Argumenta que o simples fato de que um valor foi sacado da conta da empresa não pode ser automaticamente equiparado a retirada a título de pro labore. Também, que os valores considerados como de pro labore estão em completa desarmonia com a realidade social, sendo incluídos na base de cálculo valores astronômicos. Ainda, que os valores não são fixos nem Fl. 6721DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 11 11 mensais, mais uma vez não podendo configurar pro labore. Por fim, argumenta que os mesmos valores foram lançados como IRRF, nos autos de outro processo. Inclusive, traz aos autos a documentação e as decisões alcançadas naquela outra lide. Solicita, portanto, que seja respeitada a mesma conclusão ali alcançada, reconhecendo a existência de coisa julgada material, e reduzindo, portanto, a autuação referente aos pagamentos efetuados aos sócios- diretores para R$ 438.763,45. Retornando ao Relatório Fiscal, constata-se que a autoridade lançadora apontou que: "c) Como contribuinte individual 'empresário', pagamentos identificados como sendo de gastos pessoais dos sócios, como clubes de pesca, funcionários da Chácara e Sítio, multas de trânsito, faculdade, previdência privada, passagens aéreas, IPVA, IPTU de condomínios e saques da diretoria - sem destinação ou ainda, depositado na conta xxxx do Banco Itaú em nome particular do sócio-gerente Sr. Olivo Simoso. c.1) Os valores mensais apurados, não guardam relação uniforme de valores, foram simplesmente apurados de acordo com os comprovantes apreendidos; e c.2) Observado a presença dos requisitos contidos na letra 'f' do inciso V, do art. 12 [da Lei nº 8.212/1991] transcrito anteriormente;" - fl. 224. Em outras palavras, a autoridade lançadora realmente considerou como base de cálculo para as contribuições previdenciárias, referentes aos "empresários", os valores pagos pagos como "gastos pessoais dos sócios" e "saques da diretoria". Analisando a questão, a DRJ concluiu que o lançamento foi correto. Esclareceu que o ônus de provar a natureza não remuneratória dos valores cabia à Contribuinte e que esta não conseguiu comprovar que eles se referiam a remuneração do capital e não do trabalho. Outrossim, que é irrelevante o valor dos pagamentos, não sendo isso elemento suficiente para afastar a configuração de pro labore. Também, que o lançamento dos mesmos valores pela receita federal (IRRF) não é impeditivo para a constituição do crédito previdenciário. Pois bem. Efetivamente, o acórdão CSRF nº 9101-001.647, de 14/05/2013, proferido nos autos do processo nº 10830.004864/2005-02 tem como sujeito passivo do crédito tributário a mesma CONSTRUTORA SIMOSO LTDA., Contribuinte na presente lide. Outrossim, referiu-se também ao período de 01/10/1999 a 30/06/2004, período contido no presente lançamento. Por fim, conforme o seu relatório, o lançamento decorreu dos mesmos fatos (mesma fiscalização, decorrente da mesma demanda judicial, referente também à existência de caixa 2 etc.). Nesse acórdão, a CSRF concluiu que ficou demonstrado o enquadramento da situação fática ao disposto no art. 61 da Lei nº 8.981/1995. Preliminarmente, constata-se que não se pode falar em coisa julgada material no presente caso. Observa-se que, como bem frisou a própria Recorrente, aquele outro processo se refere a outros tributos, que têm fato gerador diverso daquele ora analisado. Diferente seria a Fl. 6722DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 12 12 hipótese se se estivesse analisando a ocorrência do mesmo fato gerador e suas consequências, como se observa quando se analisa a incidência das Contribuições Sociais Previdenciárias do empregado e a patronal. Nessa senda, na análise dos fatos é possível que seja observada a ocorrência de fatos geradores de um tributo, mas não de outro, vice-versa, e ainda que seja observada a ocorrência de dois fatos geradores diversos, de tributos diversos, na mesma ocorrência. Portanto, o simples fato de que se tenha observada a ocorrência de renda, não implica significar que a renda decorra do trabalho, por exemplo. Superada essa questão, constata-se que o art. 61 da Lei nº 8.981/1995 trata, em seu caput, do pagamento a beneficiário não identificado. No § 1º, por sua vez, regula a hipótese de pagamento a beneficiário identificado, porém sem causa comprovada. Portanto, ali não se identificou a causa do pagamento, e isso não significa que o pagamento não tenha causa e nem serve de comprovação que a causa não foi remuneração do trabalho. De qualquer sorte, no AI referente ao IRRF, a autoridade lançadora esclareceu que: "28. Dessa forma, os valores constantes na coluna "Transferência à Diretoria", constante dos ANEXOS III e IV, e aqueles constantes do ANEXO V, com exceção daqueles que ingressaram nas contas "OLIVO SIMOSO" e "ANTONIA T C SIMOSO" e aqueles referentes a aplicações financeiras, serão tributados exclusivamente na fonte, uma vez que a empresa não identificou a causa e tampouco os beneficiários, apesar de intimada a fazê-lo (...)" - fl. 1.964; (...) "29. Com relação aos pagamentos comprovadamente destinados aos sócios, a empresa ficou sujeita à multa isolada pela falta de retenção, (...)" - fl. 1.966; (...) "31. Com relação aos pagamentos comprovadamente destinados aos sócios, a empresa ficou sujeita aos juros isolados, pela falta de retenção, (...)" - fl. 1.971; Observa-se, portanto, que os valores que foram depositados nas contas do sócio "Olivo Simoso" não compuseram a base de cálculo do lançamento do IRRF, conforme o relatório fiscal desse outro lançamento. Foram objeto, apenas, da multa e juros isolados pela não retenção do IRPF. Portanto, mais uma vez irrelevante a conclusão alcançada naqueles autos, vez que não abarcam os mesmos valores ora tratados. Por óbvio, a simpes transferência de determinado valor para o sócio não é suficiente para que se presuma se tratar de pagamento de pro labore. Pelo contrário, tais valores podem ter sido pagos também a título de lucro, de empréstimos, de redução de capital (ainda que de forma irregular, visando esvaziar o patrimônio da empresa), de reembolso por despesas (como viagens a trabalho etc.), dentre várias outras possibilidades. Fl. 6723DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 13 13 Entretanto, para afastar todos os elementos que serviram de base para a apuração pela autoridade fazendária, cabe ao sjeito passico não só alegar – mas, necessária e suficientemente, provar – todos os fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do lançamento. Assim, não tendo a recorrente logrado êxito em trazer documentação apta a afastar as conclusões da autoridade fazendária, deve ser mantida na base de cálculo a rubrica de pro labore. Configuração de segurados empregados e pagamentos a autônomos Ainda no tocante ao mérito, a Contribuinte argumenta que diversas pessoas físicas foram configuradas como empregados sem a demonstração da relação empregatícia. Outrossim, que diversos valores foram incluídos na base de cálculo como se referentes a remuneração de autônomos, sem a comprovação de que se tratavam de remuneração. Nesse caminho, pleiteia o afastamento do lançamento nesse ponto. Analisando essa questão, a DRJ concluiu que a autoridade lançadora teve o cuidado de separar os valores entendidos como "salários" daqueles referentes a remuneração de autônomos. Nesse sentido, que a fiscalização comprovou a existência de relação empregatícia na prática, ainda que a Contribuinte e o empregado tenham dado outro nome à relação. Retornando ao lançamento, constata-se que efetivamente a autoridade lançadora se dedicou longamente no relatório fiscal à demonstração do vínculo empregatício. Constata-se, por exemplo, que entre as fls. 201 e 211 apresentou inúmeras provas e indícios da relação trabalhista entre a empresa e as pessoas físicas. É o que se aponta, por exemplo, na existência de declaração de supervisor reconhecendo a relação trabalhista com funcionário para abrir conta bancária, contratos de experiência, arquivos da própria empresa registrando pagamentos de horas extras etc. Sobretudo, a demonstração de casos em que os funcionários foram demitidos, mas os valores referentes ao FGTS, aviso e férias proporcionais foram devolvidos para a continuidade do vínculo, apenas sem a formalidade. Percebe-se, portanto, que a autoridade lançadora efetivamente demonstrou pormenorizadamente a existência de fortes indícios que permitem configurar a relação empregatícia. Como bem ressaltou a DRJ, o lançamento foi bem destrinchado, apurando-se na rubrica "segurados empregados" tão somente aqueles indivíduos e pagamentos que ficaram vinculados pela demonstração de relação empregatícia. Por sua vez, a Contribuinte apenas apresenta argumentos genéricos, não atacando os fundamentos específicos do lançamento. De outro lado, apesar de trazer uma lista indicando os valores específicos que desejava contestar, seja a título de não comprovação de vínculo empregatício, seja a título de não se tratar de remuneração de serviços autônomos, não juntou aos autos provas que corroborassem as suas alegações, de sorte que tampouco podem ser admitidos. Portanto, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. Valores duplicados Fl. 6724DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 14 14 Ainda argumenta a Recorrente quanto à duplicidade dos valores incluídos na base de cálculo referente (1) ao pro labore e ao IRRF e (2) aos adiantamentos e aos pagamentos dos salários em relação aos empregados. Em relação ao (1), não há sentido em analisá-los vez que dou provimento quanto à não incidência do tributo. Em relação ao (2), com razão o acórdão recorrido. Isso porque, analisando essa questão, a DRJ registrou que não há nos autos prova de que houve cobrança em duplicidade de quaisquer valores. Pelo contrário, o lançamento foi realizado com base na soma dos valores pagos ao longo do mês. Nesse sentido, que as segundas parcelas não correspondiam ao salário bruto, mas sim ao líquido. Mais uma vez, a Contribuinte não comprovou (nem mesmo indicou por amostragem) casos de duplicidade da cobrança. Por essa razão, não é possível dar provimento ao recurso voluntário nesse ponto. Decadência Superadas as preliminares, a Contribuinte argumenta também pela decadência parcial do crédito tributário. Segundo sua defesa, deve ser respeitada a regra do art. 150, § 4º, e não a do art. 173, I, ambas do CTN. Outrossim, que deve ser afastada a aplicabilidade do art. 45 da Lei 8.212/1991, uma vez que já foi reconhecida a sua inconstitucionalidade pelo STF, inclusive com a consolidação de súmula vinculante. A DRJ, analisando essa questão, já havia reconhecido a decadência parcial do crédito tributário. Efetivamente, reconheceu a aplicabilidade da Súmula Vinculante nº 8 do STF, e a inconstitucionalidade do prazo decenal. Contudo, entendeu pela aplicação da norma do art. 173, I, do CTN, não em função da inexistência de pagamento antecipado, mas sim em função da constatação de dolo, fraude ou simulação. Conforme já analisado acima, o lançamento foi mantido em relação aos valores pagos a título de salário para trabalhadores informais e a prestadores de serviço autônomo. Tendo a autoridade lançadora apresentado vasta argumentação e provas quanto à existência de caixa 2, o que a Recorrente não logrou afastar, é necessário concluir que efetivamente houve fraude tributária. Por essa razão, portanto, incorre na parte final do art. 150, § 4º, do CTN, segundo a qual essa regra não é aplicável nas hipóteses em que há dolo, fraude ou simulação. Portanto, deve-se aplicar a regra geral do art. 173, I, do mesmo diploma. Nesse caminho, não é possível dar provimento ao recurso, devendo ser mantida a decisão já proferida na DRJ quanto a esse ponto. Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora ad hoc Fl. 6725DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 15 15 Fl. 6726DF CARF MF Relatório Voto

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Numero do processo: 13896.720814/2017-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário, e-fls. 17653/17687, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão nº 07-40.997 - 4ª Turma da DRJ/FNS, e-fls. 17589/17637, que julgou parcialmente improcedente e manteve o crédito tributário relativo a Autos de Infração (AI) de PIS/COFINS, relativos ao ano-calendário de 2012, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros moratórios calculados à taxa SELIC. Adicionalmente, a DRJ apresentou Recurso de Ofício e a Fazenda Nacional apresentou Razões ao Recurso de Ofício e Contra - Razões ao Recurso Voluntário, e-fls. 17694/17744. Impugnada a exigência e mantido em parte o crédito tributário lançado, a DRJ prolatou o Acórdão nº 07-40.997 - 4ª Turma da DRJ/FNS. RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão do juízo a quo seja reformada, alegando, em síntese: Os Fatos e o V. Acórdão Recorrido A Recorrente descreve que foi autuada com base nos seguintes pontos: 9. As autuações se fundaram: (i) no entendimento de que a empresa fez indevida apuração das receitas relativas a contratos de longo prazo (contratos de construção de plataformas e navios-sonda), sujeitos à Instrução Normativa nº 21/79; (ii) na alegação de que nem toda a receita auferida poderia ser considerada como receita de exportação; (iii) no dever de recolhimento de PIS/COFINS sobre receitas de aluguel, equivocadamente declaradas pela empresa como sujeitas à alíquota zero; e, finalmente, (iv) na retomada da exigibilidade de tributos outrora suspensos por ocasião da aquisição de mercadorias no mercado interno, em razão do regime especial a que alude a Instrução Normativa nº 513/2015, com atribuição de responsabilidade à Impugnante. (e-fl. 17658) Relata que o julgamento de primeira instância afastou a autuação dos navios-sonda e dos cascos da P-66 a P-71, mantendo apenas a autuação para os cascos P-72 a P-73. Entende que o acórdão de primeira instância errou ao: a) reconhecer ser correto o critério de apuração de receita adotado pela fiscalização para a tributação das receitas atreladas a contratos de longo prazo; b) negar o desconto de créditos da não-cumulatividade na recomposição dos valores a pagar sobre receitas de alugueis; e c) negar a decadência defendida para o período anterior a 04/2012. O Direito (a) o dever de reconhecimento de receitas em contratos de construção longo prazo A Recorrente alega que os contratos para a construção de cascos para plataformas do tipo FPSO (“Floating Production, Storage and Offloading”), bem como para a construção de navios-sonda (“Drillship”) tinham prazo de execução superior a 1 (um) ano e, portanto, sujeitos ao regramento previsto no artigo 10 do Decreto-lei nº 1.598/77 (artigo 407 do RIR/99), regulamentado pela Instrução Normativa nº 21/1979. Na defesa da tese, a Recorrente cita a legislação de que a receita em contratos de construção de longo prazo tem metodologia própria a ser considerada para fins de tributação. 16. Como se vê, nos contratos de construção de prazo superior ao um ano, o resultado a ser ofertado à tributação deve considerar (i) o custo de construção incorrido no período e (ii) parte do preço total do contrato, determinada mediante aplicação da porcentagem do contrato executado no período. Segue a norma determinando, ainda, que a porcentagem de execução do contrato deve ser medida por uma dentre as seguintes metodologias: a) com base na relação entre os custos incorridos no período e o custo total estimado do contrato; OU b) com base em laudo técnico que certifique o avanço físico da empreitada ou produção. (grifo meu) Alega que a legislação não permite formas alternativas de aferição da receita tributável. Nesse sentido, defende que a fiscalização errou ao criar uma forma alternativa de apuração da receita em contratos de longo prazo. A Recorrente argumenta que para as FPSO o custo orçado seria equivalente a 82,25% do preço total, levando em consideração uma margem de lucro de 17,85%. Já para os Drillships, afirma que o custo orçado seria equivalente a 85%, levando em consideração uma margem de lucro de 15%. Sustenta que no ano de 2012, estavam em construção apenas os cascos das FPSO denominadas P-66 e P-67 e que por esse motivo não faria sentido existir registro de receita atrelada aos demais projetos. 34. Ocorre que, consoante esclarecido na Impugnação, todos os custos incorridos no período devem ser atrelados aos cascos da P-66 e P-67, posto que os únicos que estavam em construção no ano de 2012. E, porque ambos os cascos estavam vinculados a um mesmo contrato (considerando que os direitos sobre o P-66 foram cedidos pela GUARÁ à TUPI), não havia necessidade de segregação de custos no período. Explica que as invoices para as FPSO eram emitidas e pagas com base nos trabalhos realizados e eventos concluídos. Acrescenta que os Boletins de Medição refletiam justamente os trabalhos realizados e os eventos concluídos em conformidade com os termos contratuais. 40. (...). A credibilidade dos Boletins de Medição apresentadas deriva, inclusive, da constatação do efetivo pagamento das Invoices emitidas pela Recorrente. Ora, não estivesse comprovada a efetiva ocorrência das etapas descritas nos Boletins de Medição, por certo que as Contratantes não teriam pago à Recorrente os valores estampados nas Invoices.! Cita trechos dos contratos de construção para ilustrar o ponto de vista, de que os pagamentos parcelados e os adiantamentos recebidos não refletem necessariamente o trabalho executado nas FPSO. 31. Quando o estágio de execução (stage of completion) for determinado com base nos custos do contrato incorridos até a data, somente aqueles custos do contrato que reflitam o trabalho executado devem ser incluídos nos custos incorridos até a data. São exemplos de custos do contrato que NÃO devem ser considerados como incorridos: (a) custos que se relacionem com as atividades futuras do contrato, tais como os custos de materiais que tenham sido entregues no local da obra ou reservados para posterior utilização, mas que não tenham sido instalados, usados ou aplicados durante a execução do contrato, a menos que tais materiais tenham sido produzidos especificamente para o contrato; e (b) pagamentos antecipados a subcontratados por trabalho a ser executado nos termos de um subcontrato. Em suma, alega que as invoices emitidas representam o avanço financeiro e não, como entendera a fiscalização, o avanço físico dos contratos. 45. (...). Ocorre que a curva de custos de execução de um projeto e os critérios de medição financeiro adotados não são necessariamente balanceados ao longo do projeto. Argui basicamente que a fiscalização negou o direito de utilização do método de ajuste conhecido como Percentage of Completion (POC), conforme o pronunciamento Técnico CPC 17, onde a receita contabilizada é proporcional aos custos incorridos do período, utilizando-se como base as medições físicas de evolução ou a proporção dos custos incorridos em relação aos custos totais orçados no projeto. 50. A se admitir a metodologia empregada pela I. Auditora Fiscal, estar-se-á admitindo a ABSURDA hipótese da Recorrente ter aferido margem de ganho de 34,3% no contrato (vide quadro abaixo), o que, com a devida vênia, é notório ser completamente irreal em um mercado que, como dito acima, trabalha com margens que variam de 4% a 9%. Pondera que a falta do devido ajuste do método POC trouxe distorções na apuração dos resultados dos contratos. Argumenta quanto a falta de laudo técnico de medição subscrito por um ou mais profissionais para representar sobre a execução contratada. (b) receitas de exportação x Cascos P-72 e P-73 A Recorrente relata que o acórdão de primeira instância reconheceu a prematuridade das autuações relativas aos Drillships e FPSO P-66 a P-71. O acórdão manteve a autuação para as FPSO P-72 e P-73. 65. De outro giro e, porque fora reconhecido, pela Recorrente, que os casos da P-72 e P-73 efetivamente não seriam concluídos para exportação, o v. acórdão recorrido decidiu por manter a existência de PIS/COFINS sobre as receitas atreladas a estes dois cascos. Segundo a Recorrente, não havia receitas atreladas aos cascos da P-72 e P-73 no ano de 2012, devendo a autuação ser cancelada. (c) o direito aos créditos de PIS/COFINS na apuração dos valores a pagar A Recorrente defende o direito ao desconto de créditos da não-cumulatividade de PIS/COFINS da apuração do saldo de tributos que porventura remanescer a pagar. Descreve que a questão já vem sendo discutida em Manifestações de Inconformidade vinculadas às PER/DCOMPS. Dos Pedidos A Recorrente pede: a) o provimento do Recurso Voluntário para cancelar o lançamento tributário de PIS/COFINS relativo as receitas atribuídas aos contratos de construção das FPSO P-72 e P-73; b) o afastamento quanto aos critérios de reconhecimento das receitas atreladas aos contratos de longo prazo envolvendo os navios-sonda e os cascos da P-66 a P-73; e c) o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS do ano de 2012. RECURSO DE OFÍCIO, RAZÕES AO RECURSO DE OFÍCIO E CONTRA - RAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO Recurso de Ofício A Fazenda Nacional, com supedâneo no art. 48, parágrafo 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF Nº 343, de 09/06/2015) apresentou RAZÕES AO RECURSO DE OFÍCIO e CONTRA-RAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO, alegando, em síntese: A impossibilidade de a Recorrente vir a exportar os cascos das plataformas FPSO P-72 e P-73, mesmo após ter havido prorrogação do regime aduaneiro especial de entreposto aduaneiro até 31.05.2018(Processo nº 11050.721681/2013-05) e até 09.12.2018 (Processo nº 11050.000534/2011-28). Nessa linha, a Fazenda Nacional alega que os contratos da Recorrente com a empresa sediada no exterior ou foram rescindidos, ou foram suspensos, o que contraria as regras de permanência no regime aduaneiro especial de entreposto aduaneiro. Defende que a concessão dos atos declaratórios de prorrogação do regime suspensivo é precária, sendo que o encerramento ou suspensão dos contratos de longo prazo vinculados às exportações futuras retiram o fundamento dos atos declaratórios. Afirma que a fiscalização procedeu de forma correta ao lançamento e pede provimento ao recurso de ofício para restabelecer em sua totalidade o crédito tributário. Contra - Razões ao Recurso Voluntário A Fazenda Nacional alega como preliminar a intempestividade do Recurso Voluntário. Relata os prazos da intimação eletrônica e alega que ocorreu o decurso de prazo para a interposição do Recurso Voluntário pelo contribuinte antes de sua efetiva apresentação. No mérito, embora não conste do Recurso Voluntário, sustenta a não ocorrência de decadência. Defende o critério alternativo utilizado pela fiscalização para apuração de receita dos contratos sujeita a tributação, tendo em vista que a Recorrente não observara as normas estabelecidas no Decreto-lei nº 1.598/1977, art. 10 (RIR/99, art. 407), regulamentadas pela Instrução Normativa SRF nº 21/1979. Sustenta como correta a incidência do PIS/COFINS i) em razão da falta de comprovação da exportação nos contratos de longo prazo que não foi oferecida à tributação; ii)incidente sobre a receita de aluguel que não foi oferecida à tributação; e (iii) que havia sido suspenso na aquisição de insumos nacionais detectada em Notas Fiscais de Emissão de terceiros. Ao final a Fazenda Nacional pede que seja provido o Recurso de Ofício e desprovido in totum o Recurso Voluntário, mantendo-se incólume o lançamento fiscal questionado. É o relatório.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário, e-fls. 17653/17687, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão nº 07-40.997 - 4ª Turma da DRJ/FNS, e-fls. 17589/17637, que julgou parcialmente improcedente e manteve o crédito tributário relativo a Autos de Infração (AI) de PIS/COFINS, relativos ao ano-calendário de 2012, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros moratórios calculados à taxa SELIC. Adicionalmente, a DRJ apresentou Recurso de Ofício e a Fazenda Nacional apresentou Razões ao Recurso de Ofício e Contra - Razões ao Recurso Voluntário, e-fls. 17694/17744. Impugnada a exigência e mantido em parte o crédito tributário lançado, a DRJ prolatou o Acórdão nº 07-40.997 - 4ª Turma da DRJ/FNS. RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão do juízo a quo seja reformada, alegando, em síntese: Os Fatos e o V. Acórdão Recorrido A Recorrente descreve que foi autuada com base nos seguintes pontos: 9. As autuações se fundaram: (i) no entendimento de que a empresa fez indevida apuração das receitas relativas a contratos de longo prazo (contratos de construção de plataformas e navios-sonda), sujeitos à Instrução Normativa nº 21/79; (ii) na alegação de que nem toda a receita auferida poderia ser considerada como receita de exportação; (iii) no dever de recolhimento de PIS/COFINS sobre receitas de aluguel, equivocadamente declaradas pela empresa como sujeitas à alíquota zero; e, finalmente, (iv) na retomada da exigibilidade de tributos outrora suspensos por ocasião da aquisição de mercadorias no mercado interno, em razão do regime especial a que alude a Instrução Normativa nº 513/2015, com atribuição de responsabilidade à Impugnante. (e-fl. 17658) Relata que o julgamento de primeira instância afastou a autuação dos navios-sonda e dos cascos da P-66 a P-71, mantendo apenas a autuação para os cascos P-72 a P-73. Entende que o acórdão de primeira instância errou ao: a) reconhecer ser correto o critério de apuração de receita adotado pela fiscalização para a tributação das receitas atreladas a contratos de longo prazo; b) negar o desconto de créditos da não-cumulatividade na recomposição dos valores a pagar sobre receitas de alugueis; e c) negar a decadência defendida para o período anterior a 04/2012. O Direito (a) o dever de reconhecimento de receitas em contratos de construção longo prazo A Recorrente alega que os contratos para a construção de cascos para plataformas do tipo FPSO (“Floating Production, Storage and Offloading”), bem como para a construção de navios-sonda (“Drillship”) tinham prazo de execução superior a 1 (um) ano e, portanto, sujeitos ao regramento previsto no artigo 10 do Decreto-lei nº 1.598/77 (artigo 407 do RIR/99), regulamentado pela Instrução Normativa nº 21/1979. Na defesa da tese, a Recorrente cita a legislação de que a receita em contratos de construção de longo prazo tem metodologia própria a ser considerada para fins de tributação. 16. Como se vê, nos contratos de construção de prazo superior ao um ano, o resultado a ser ofertado à tributação deve considerar (i) o custo de construção incorrido no período e (ii) parte do preço total do contrato, determinada mediante aplicação da porcentagem do contrato executado no período. Segue a norma determinando, ainda, que a porcentagem de execução do contrato deve ser medida por uma dentre as seguintes metodologias: a) com base na relação entre os custos incorridos no período e o custo total estimado do contrato; OU b) com base em laudo técnico que certifique o avanço físico da empreitada ou produção. (grifo meu) Alega que a legislação não permite formas alternativas de aferição da receita tributável. Nesse sentido, defende que a fiscalização errou ao criar uma forma alternativa de apuração da receita em contratos de longo prazo. A Recorrente argumenta que para as FPSO o custo orçado seria equivalente a 82,25% do preço total, levando em consideração uma margem de lucro de 17,85%. Já para os Drillships, afirma que o custo orçado seria equivalente a 85%, levando em consideração uma margem de lucro de 15%. Sustenta que no ano de 2012, estavam em construção apenas os cascos das FPSO denominadas P-66 e P-67 e que por esse motivo não faria sentido existir registro de receita atrelada aos demais projetos. 34. Ocorre que, consoante esclarecido na Impugnação, todos os custos incorridos no período devem ser atrelados aos cascos da P-66 e P-67, posto que os únicos que estavam em construção no ano de 2012. E, porque ambos os cascos estavam vinculados a um mesmo contrato (considerando que os direitos sobre o P-66 foram cedidos pela GUARÁ à TUPI), não havia necessidade de segregação de custos no período. Explica que as invoices para as FPSO eram emitidas e pagas com base nos trabalhos realizados e eventos concluídos. Acrescenta que os Boletins de Medição refletiam justamente os trabalhos realizados e os eventos concluídos em conformidade com os termos contratuais. 40. (...). A credibilidade dos Boletins de Medição apresentadas deriva, inclusive, da constatação do efetivo pagamento das Invoices emitidas pela Recorrente. Ora, não estivesse comprovada a efetiva ocorrência das etapas descritas nos Boletins de Medição, por certo que as Contratantes não teriam pago à Recorrente os valores estampados nas Invoices.! Cita trechos dos contratos de construção para ilustrar o ponto de vista, de que os pagamentos parcelados e os adiantamentos recebidos não refletem necessariamente o trabalho executado nas FPSO. 31. Quando o estágio de execução (stage of completion) for determinado com base nos custos do contrato incorridos até a data, somente aqueles custos do contrato que reflitam o trabalho executado devem ser incluídos nos custos incorridos até a data. São exemplos de custos do contrato que NÃO devem ser considerados como incorridos: (a) custos que se relacionem com as atividades futuras do contrato, tais como os custos de materiais que tenham sido entregues no local da obra ou reservados para posterior utilização, mas que não tenham sido instalados, usados ou aplicados durante a execução do contrato, a menos que tais materiais tenham sido produzidos especificamente para o contrato; e (b) pagamentos antecipados a subcontratados por trabalho a ser executado nos termos de um subcontrato. Em suma, alega que as invoices emitidas representam o avanço financeiro e não, como entendera a fiscalização, o avanço físico dos contratos. 45. (...). Ocorre que a curva de custos de execução de um projeto e os critérios de medição financeiro adotados não são necessariamente balanceados ao longo do projeto. Argui basicamente que a fiscalização negou o direito de utilização do método de ajuste conhecido como Percentage of Completion (POC), conforme o pronunciamento Técnico CPC 17, onde a receita contabilizada é proporcional aos custos incorridos do período, utilizando-se como base as medições físicas de evolução ou a proporção dos custos incorridos em relação aos custos totais orçados no projeto. 50. A se admitir a metodologia empregada pela I. Auditora Fiscal, estar-se-á admitindo a ABSURDA hipótese da Recorrente ter aferido margem de ganho de 34,3% no contrato (vide quadro abaixo), o que, com a devida vênia, é notório ser completamente irreal em um mercado que, como dito acima, trabalha com margens que variam de 4% a 9%. Pondera que a falta do devido ajuste do método POC trouxe distorções na apuração dos resultados dos contratos. Argumenta quanto a falta de laudo técnico de medição subscrito por um ou mais profissionais para representar sobre a execução contratada. (b) receitas de exportação x Cascos P-72 e P-73 A Recorrente relata que o acórdão de primeira instância reconheceu a prematuridade das autuações relativas aos Drillships e FPSO P-66 a P-71. O acórdão manteve a autuação para as FPSO P-72 e P-73. 65. De outro giro e, porque fora reconhecido, pela Recorrente, que os casos da P-72 e P-73 efetivamente não seriam concluídos para exportação, o v. acórdão recorrido decidiu por manter a existência de PIS/COFINS sobre as receitas atreladas a estes dois cascos. Segundo a Recorrente, não havia receitas atreladas aos cascos da P-72 e P-73 no ano de 2012, devendo a autuação ser cancelada. (c) o direito aos créditos de PIS/COFINS na apuração dos valores a pagar A Recorrente defende o direito ao desconto de créditos da não-cumulatividade de PIS/COFINS da apuração do saldo de tributos que porventura remanescer a pagar. Descreve que a questão já vem sendo discutida em Manifestações de Inconformidade vinculadas às PER/DCOMPS. Dos Pedidos A Recorrente pede: a) o provimento do Recurso Voluntário para cancelar o lançamento tributário de PIS/COFINS relativo as receitas atribuídas aos contratos de construção das FPSO P-72 e P-73; b) o afastamento quanto aos critérios de reconhecimento das receitas atreladas aos contratos de longo prazo envolvendo os navios-sonda e os cascos da P-66 a P-73; e c) o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS do ano de 2012. RECURSO DE OFÍCIO, RAZÕES AO RECURSO DE OFÍCIO E CONTRA - RAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO Recurso de Ofício A Fazenda Nacional, com supedâneo no art. 48, parágrafo 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF Nº 343, de 09/06/2015) apresentou RAZÕES AO RECURSO DE OFÍCIO e CONTRA-RAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO, alegando, em síntese: A impossibilidade de a Recorrente vir a exportar os cascos das plataformas FPSO P-72 e P-73, mesmo após ter havido prorrogação do regime aduaneiro especial de entreposto aduaneiro até 31.05.2018(Processo nº 11050.721681/2013-05) e até 09.12.2018 (Processo nº 11050.000534/2011-28). Nessa linha, a Fazenda Nacional alega que os contratos da Recorrente com a empresa sediada no exterior ou foram rescindidos, ou foram suspensos, o que contraria as regras de permanência no regime aduaneiro especial de entreposto aduaneiro. Defende que a concessão dos atos declaratórios de prorrogação do regime suspensivo é precária, sendo que o encerramento ou suspensão dos contratos de longo prazo vinculados às exportações futuras retiram o fundamento dos atos declaratórios. Afirma que a fiscalização procedeu de forma correta ao lançamento e pede provimento ao recurso de ofício para restabelecer em sua totalidade o crédito tributário. Contra - Razões ao Recurso Voluntário A Fazenda Nacional alega como preliminar a intempestividade do Recurso Voluntário. Relata os prazos da intimação eletrônica e alega que ocorreu o decurso de prazo para a interposição do Recurso Voluntário pelo contribuinte antes de sua efetiva apresentação. No mérito, embora não conste do Recurso Voluntário, sustenta a não ocorrência de decadência. Defende o critério alternativo utilizado pela fiscalização para apuração de receita dos contratos sujeita a tributação, tendo em vista que a Recorrente não observara as normas estabelecidas no Decreto-lei nº 1.598/1977, art. 10 (RIR/99, art. 407), regulamentadas pela Instrução Normativa SRF nº 21/1979. Sustenta como correta a incidência do PIS/COFINS i) em razão da falta de comprovação da exportação nos contratos de longo prazo que não foi oferecida à tributação; ii)incidente sobre a receita de aluguel que não foi oferecida à tributação; e (iii) que havia sido suspenso na aquisição de insumos nacionais detectada em Notas Fiscais de Emissão de terceiros. Ao final a Fazenda Nacional pede que seja provido o Recurso de Ofício e desprovido in totum o Recurso Voluntário, mantendo-se incólume o lançamento fiscal questionado. É o relatório.

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3201­001.478  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  23 de outubro de 2018  Assunto  PIS.COFINS.MULTA  Recorrentes  ECOVIX CONSTRUCOES OCEANICAS S/A E              FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente.  (assinado digitalmente)   Leonardo Correia Lima Macedo ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro  Souza  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Marcelo  Giovani Vieira,  Pedro Rinaldi  de Oliveira  Lima,  Leonardo Correia Lima Macedo,  Leonardo  Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.  Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário, e­fls. 17653/17687, contra decisão de primeira  instância administrativa, Acórdão nº 07­40.997 ­ 4ª Turma da DRJ/FNS, e­fls. 17589/17637,  que  julgou  parcialmente  improcedente  e  manteve  o  crédito  tributário  relativo  a  Autos  de  Infração  (AI)  de  PIS/COFINS,  relativos  ao  ano­calendário  de  2012,  acrescidos  de multa  de  ofício de 75% e juros moratórios calculados à taxa SELIC.  Adicionalmente,  a  DRJ  apresentou  Recurso  de  Ofício  e  a  Fazenda  Nacional  apresentou  Razões  ao  Recurso  de  Ofício  e  Contra  ­  Razões  ao  Recurso  Voluntário,  e­fls.  17694/17744.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .7 20 81 4/ 20 17 -2 5 Fl. 17747DF CARF MF Processo nº 13896.720814/2017­25  Resolução nº  3201­001.478  S3­C2T1  Fl. 17.748            2 Impugnada a exigência e mantido em parte o crédito tributário lançado, a DRJ  prolatou o Acórdão nº 07­40.997 ­ 4ª Turma da DRJ/FNS.  RECURSO VOLUNTÁRIO  Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário,  por meio do qual, requer que a decisão do juízo a quo seja reformada, alegando, em síntese:  Os Fatos e o V. Acórdão Recorrido  A Recorrente descreve que foi autuada com base nos seguintes pontos:  9. As autuações se fundaram: (i) no entendimento de que a empresa fez  indevida  apuração  das  receitas  relativas  a  contratos  de  longo  prazo  (contratos  de  construção  de  plataformas  e  navios­sonda),  sujeitos  à  Instrução  Normativa  nº  21/79;  (ii)  na  alegação  de  que  nem  toda  a  receita auferida poderia ser considerada como receita de exportação;  (iii)  no  dever  de  recolhimento  de  PIS/COFINS  sobre  receitas  de  aluguel,  equivocadamente  declaradas  pela  empresa  como  sujeitas  à  alíquota  zero;  e,  finalmente,  (iv)  na  retomada  da  exigibilidade  de  tributos outrora suspensos por ocasião da aquisição de mercadorias no  mercado interno, em razão do regime especial a que alude a Instrução  Normativa  nº  513/2015,  com  atribuição  de  responsabilidade  à  Impugnante. (e­fl. 17658)  Relata  que  o  julgamento  de  primeira  instância  afastou  a  autuação  dos  navios­ sonda e dos cascos da P­66 a P­71, mantendo apenas a autuação para os cascos P­72 a P­73.  Entende que o acórdão de primeira instância errou ao:  a)  reconhecer  ser  correto  o  critério  de  apuração  de  receita  adotado  pela  fiscalização para a tributação das receitas atreladas a contratos de longo prazo;  b)  negar  o  desconto  de  créditos  da  não­cumulatividade  na  recomposição  dos  valores a pagar sobre receitas de alugueis; e  c) negar a decadência defendida para o período anterior a 04/2012.  O Direito  (a) o dever de reconhecimento de receitas em contratos de construção longo  prazo  A  Recorrente  alega  que  os  contratos  para  a  construção  de  cascos  para  plataformas do tipo FPSO (“Floating Production, Storage and Offloading”), bem como para a  construção de navios­sonda  (“Drillship”)  tinham prazo de execução superior a 1  (um) ano e,  portanto, sujeitos ao regramento previsto no artigo 10 do Decreto­lei nº 1.598/77 (artigo 407 do  RIR/99), regulamentado pela Instrução Normativa nº 21/1979.  Na defesa da tese, a Recorrente cita a legislação de que a receita em contratos de  construção de longo prazo tem metodologia própria a ser considerada para fins de tributação.  16. Como se vê, nos contratos de construção de prazo superior ao um  ano, o resultado a ser ofertado à tributação deve considerar (i) o custo  Fl. 17748DF CARF MF Processo nº 13896.720814/2017­25  Resolução nº  3201­001.478  S3­C2T1  Fl. 17.749            3 de  construção  incorrido  no  período  e  (ii)  parte  do  preço  total  do  contrato, determinada mediante aplicação da porcentagem do contrato  executado  no  período.  Segue  a  norma  determinando,  ainda,  que  a  porcentagem de execução do contrato deve ser medida por uma dentre  as  seguintes  metodologias:  a)  com  base  na  relação  entre  os  custos  incorridos no período e o custo total estimado do contrato; OU b) com  base em laudo técnico que certifique o avanço físico da empreitada ou  produção. (grifo meu)  Alega  que  a  legislação  não  permite  formas  alternativas  de  aferição  da  receita  tributável. Nesse  sentido, defende que a  fiscalização errou ao  criar uma  forma alternativa de  apuração da receita em contratos de longo prazo.  A Recorrente argumenta que para as FPSO o custo orçado seria equivalente  a  82,25% do preço total, levando em consideração uma margem de lucro de 17,85%. Já para os  Drillships, afirma que o custo orçado seria equivalente a 85%, levando em consideração uma  margem de lucro de 15%.  Sustenta  que  no  ano  de  2012,  estavam  em  construção  apenas  os  cascos  das  FPSO  denominadas  P­66  e  P­67  e  que  por  esse motivo  não  faria  sentido  existir  registro  de  receita atrelada aos demais projetos.  34. Ocorre que, consoante esclarecido na Impugnação, todos os custos  incorridos no período devem ser atrelados aos cascos da P­66 e P­67,  posto  que  os  únicos  que  estavam  em  construção  no  ano  de  2012.  E,  porque  ambos  os  cascos  estavam  vinculados  a  um  mesmo  contrato  (considerando que os direitos sobre o P­66 foram cedidos pela GUARÁ  à TUPI), não havia necessidade de segregação de custos no período.  Explica  que  as  invoices  para  as  FPSO  eram  emitidas  e  pagas  com  base  nos  trabalhos  realizados  e  eventos  concluídos. Acrescenta  que  os  Boletins  de Medição  refletiam  justamente  os  trabalhos  realizados  e  os  eventos  concluídos  em  conformidade  com  os  termos  contratuais.  40. (...). A credibilidade dos Boletins de Medição apresentadas deriva,  inclusive,  da  constatação do efetivo pagamento das  Invoices  emitidas  pela Recorrente. Ora,  não  estivesse  comprovada a  efetiva  ocorrência  das  etapas  descritas  nos  Boletins  de  Medição,  por  certo  que  as  Contratantes não teriam pago à Recorrente os valores estampados nas  Invoices.!  Cita trechos dos contratos de construção para ilustrar o ponto de vista, de que os  pagamentos parcelados e os adiantamentos recebidos não refletem necessariamente o trabalho  executado nas FPSO.  31.  Quando  o  estágio  de  execução  (stage  of  completion)  for  determinado  com  base  nos  custos  do  contrato  incorridos  até  a  data,  somente aqueles custos do contrato que reflitam o trabalho executado  devem ser incluídos nos custos incorridos até a data. São exemplos de  custos do contrato que NÃO devem ser considerados como incorridos:  (a) custos que se relacionem com as atividades futuras do contrato, tais  como  os  custos  de  materiais  que  tenham  sido  entregues  no  local  da  obra ou reservados para posterior utilização, mas que não tenham sido  Fl. 17749DF CARF MF Processo nº 13896.720814/2017­25  Resolução nº  3201­001.478  S3­C2T1  Fl. 17.750            4 instalados,  usados  ou  aplicados  durante  a  execução  do  contrato,  a  menos que tais materiais tenham sido produzidos especificamente para  o contrato; e  (b)  pagamentos  antecipados  a  subcontratados  por  trabalho  a  ser  executado nos termos de um subcontrato.  Em suma, alega que as invoices emitidas representam o avanço financeiro e não,  como entendera a fiscalização, o avanço físico dos contratos.  45. (...). Ocorre que a curva de custos de execução de um projeto e os  critérios  de  medição  financeiro  adotados  não  são  necessariamente  balanceados ao longo do projeto.  Argui basicamente que a fiscalização negou o direito de utilização do método de  ajuste conhecido como Percentage of Completion (POC), conforme o pronunciamento Técnico  CPC  17,  onde  a  receita  contabilizada  é  proporcional  aos  custos  incorridos  do  período,  utilizando­se como base as medições físicas de evolução ou a proporção dos custos incorridos  em relação aos custos totais orçados no projeto.  50.  A  se  admitir  a  metodologia  empregada  pela  I.  Auditora  Fiscal,  estar­se­á  admitindo  a ABSURDA hipótese  da Recorrente  ter  aferido  margem de ganho de 34,3% no contrato (vide quadro abaixo), o que,  com a devida vênia, é notório ser completamente irreal em um mercado  que, como dito acima, trabalha com margens que variam de 4% a 9%.    Pondera  que  a  falta  do  devido  ajuste  do  método  POC  trouxe  distorções  na  apuração dos resultados dos contratos. Argumenta quanto a falta de laudo técnico de medição  subscrito por um ou mais profissionais para representar sobre a execução contratada.  (b) receitas de exportação x Cascos P­72 e P­73  A  Recorrente  relata  que  o  acórdão  de  primeira  instância  reconheceu  a  prematuridade das autuações relativas aos Drillships e FPSO P­66 a P­71. O acórdão manteve a  autuação para as FPSO P­72 e P­73.  65. De outro giro e, porque fora reconhecido, pela Recorrente, que os  casos  da  P­72  e  P­73  efetivamente  não  seriam  concluídos  para  exportação, o v. acórdão recorrido decidiu por manter a existência de  PIS/COFINS sobre as receitas atreladas a estes dois cascos.  Segundo a Recorrente, não havia receitas atreladas aos cascos da P­72 e P­73 no  ano de 2012, devendo a autuação ser cancelada.  (c) o direito aos créditos de PIS/COFINS na apuração dos valores a pagar  Fl. 17750DF CARF MF Processo nº 13896.720814/2017­25  Resolução nº  3201­001.478  S3­C2T1  Fl. 17.751            5 A Recorrente defende o direito ao desconto de créditos da não­cumulatividade  de PIS/COFINS da apuração do saldo de tributos que porventura remanescer a pagar. Descreve  que  a  questão  já  vem  sendo  discutida  em  Manifestações  de  Inconformidade  vinculadas  às  PER/DCOMPS.  Dos Pedidos  A Recorrente pede:  a) o provimento do Recurso Voluntário para cancelar o lançamento tributário de  PIS/COFINS relativo as receitas atribuídas aos contratos de construção das FPSO P­72 e P­73;  b) o afastamento quanto aos critérios de  reconhecimento das  receitas atreladas  aos contratos de longo prazo envolvendo os navios­sonda e os cascos da P­66 a P­73; e  c) o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS do ano de 2012.    RECURSO  DE  OFÍCIO,  RAZÕES  AO  RECURSO  DE  OFÍCIO  E  CONTRA ­ RAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO  Recurso de Ofício  A Fazenda Nacional,  com supedâneo no art. 48, parágrafo 2º, do Anexo  II do  Regimento  Interno do CARF (Portaria MF Nº 343, de 09/06/2015) apresentou RAZÕES AO  RECURSO DE OFÍCIO e CONTRA­RAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO, alegando, em  síntese:  A  impossibilidade  de  a  Recorrente  vir  a  exportar  os  cascos  das  plataformas  FPSO  P­72  e  P­73,  mesmo  após  ter  havido  prorrogação  do  regime  aduaneiro  especial  de  entreposto  aduaneiro  até  31.05.2018(Processo  nº  11050.721681/2013­05)  e  até  09.12.2018  (Processo nº 11050.000534/2011­28).  Nessa  linha,  a  Fazenda Nacional  alega  que  os  contratos  da Recorrente  com  a  empresa  sediada  no  exterior  ou  foram  rescindidos,  ou  foram  suspensos,  o  que  contraria  as  regras de permanência no  regime aduaneiro especial de entreposto aduaneiro. Defende que a  concessão dos atos declaratórios de prorrogação do regime suspensivo é precária, sendo que o  encerramento  ou  suspensão  dos  contratos  de  longo  prazo  vinculados  às  exportações  futuras  retiram o fundamento dos atos declaratórios.  Afirma  que  a  fiscalização  procedeu  de  forma  correta  ao  lançamento  e  pede  provimento ao recurso de ofício para restabelecer em sua totalidade o crédito tributário.  Contra ­ Razões ao Recurso Voluntário  A  Fazenda  Nacional  alega  como  preliminar  a  intempestividade  do  Recurso  Voluntário. Relata os prazos da  intimação eletrônica e alega que ocorreu o decurso de prazo  para a interposição do Recurso Voluntário pelo contribuinte antes de sua efetiva apresentação.  No mérito, embora não conste do Recurso Voluntário, sustenta a não ocorrência  de decadência.  Fl. 17751DF CARF MF Processo nº 13896.720814/2017­25  Resolução nº  3201­001.478  S3­C2T1  Fl. 17.752            6 Defende  o  critério  alternativo  utilizado  pela  fiscalização  para  apuração  de  receita  dos  contratos  sujeita  a  tributação,  tendo  em  vista  que  a Recorrente  não  observara  as  normas estabelecidas no Decreto­lei nº 1.598/1977, art. 10 (RIR/99, art. 407), regulamentadas  pela Instrução Normativa SRF nº 21/1979.  Sustenta  como  correta  a  incidência  do  PIS/COFINS  i)  em  razão  da  falta  de  comprovação da exportação nos contratos de  longo prazo que não  foi oferecida à  tributação;  ii)incidente sobre a receita de aluguel que não foi oferecida à tributação; e (iii) que havia sido  suspenso  na  aquisição  de  insumos  nacionais  detectada  em  Notas  Fiscais  de  Emissão  de  terceiros.  Ao  final  a  Fazenda  Nacional  pede  que  seja  provido  o  Recurso  de  Ofício  e  desprovido  in  totum  o  Recurso  Voluntário,  mantendo­se  incólume  o  lançamento  fiscal  questionado.  É o relatório.    VOTO  Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, Relator.  Da leitura dos autos depreende­se que a importância de saber a real situação da  utilização do regime aduaneiro especial de entreposto aduaneiro para os cascos das plataformas  FPSO P­72 e P­73.  Nesse  sentido,  de  forma  prudente  e  em  respeito  ao  princípio  da  verdade  material,  é  essencial  ter  informações  atualizadas  quanto  ao  mencionado  regime  aduaneiro.  Constam dos autos os seguintes processos cuja informação atualizada da unidade de jurisdição  faz­se necessária:  Processo  nº  11050.721681/2013­05,  que  havia  sido  prorrogado  para  a  Recorrente até 31/05/2018;  Processo nº 11050.000534/2011­28 que havia sido prorrogado para a Recorrente  até 09/12/2018.  Assim, voto para converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade  preparadora informe no presente processo quanto:  i)  A  situação  atual  do  Processo  nº  11050.721681/2013­05.  Caso  o  processo  tenha  sido  prorrogado,  informar  de  forma  detalhada  com  todos  os meios  de  prova  possíveis  qual a real perspectiva de exportação do bem.  ii)  A  situação  do  Processo  nº  11050.000534/2011­28.  Caso  o  processo  tenha  sido prorrogado,  informar de  forma detalhada com  todos os meios de prova possíveis qual a  real perspectiva de exportação do bem.  Fl. 17752DF CARF MF Processo nº 13896.720814/2017­25  Resolução nº  3201­001.478  S3­C2T1  Fl. 17.753            7 iii)  Outras  informações  relativas  a  estes  ou  outros  processos  correlatos,  bem  como  sobre  a  situação  econômica  da  Recorrente  que  julgar  relevantes  para  a  avaliação  das  perspectivas de exportação dos cascos das plataformas com vistas a conclusão do processo.  A Recorrente deverá ser cientificada da  informação da diligência a fim de que  tenha a oportunidade de se manifestar nos autos.  Após concluída a diligência, bem como a possível manifestação da Recorrente  junto  a unidade preparadora,  os  autos devem  retornar a  este Colegiado para  continuidade do  presente julgamento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Leonardo Correia Lima Macedo  Fl. 17753DF CARF MF

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7525564 #
Numero do processo: 10073.720798/2015-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 IRPF. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. LAUDO MÉDICO OFICIAL. ÓRGÃO OFICIAL. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO. De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física. In casu, constatando-se que os rendimentos informados como isentos na DIRPF advém de aposentadoria, tendo a contribuinte comprovado, através de laudo médico oficial, corroborado por outros documentos, ser portador de doença presente no rol da legislação, impõe-se admitir a isenção pretendida.
Numero da decisão: 2401-005.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar como isentos os rendimentos provenientes de aposentadoria. Vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada) que negava provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll e Miriam Denise Xavier, que votaram por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA

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2401­005.842  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de novembro de 2018  Matéria  IRPF  Recorrente  PAULO FRAGOSO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2013  IRPF.  ISENÇÃO.  COMPROVAÇÃO.  MOLÉSTIA  GRAVE.  APOSENTADORIA.  LAUDO  MÉDICO  OFICIAL.  ÓRGÃO  OFICIAL.  RENDIMENTOS  PROVENIENTES  DE  APOSENTADORIA.  COMPROVAÇÃO.   De  conformidade  com  a  legislação  de  regência,  somente  os  proventos  da  aposentadoria  ou  reforma,  conquanto  que  comprovada  a  moléstia  grave  mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa  física.  In  casu,  constatando­se  que  os  rendimentos  informados  como  isentos  na  DIRPF advém de aposentadoria, tendo a contribuinte comprovado, através de  laudo  médico  oficial,  corroborado  por  outros  documentos,  ser  portador  de  doença presente no rol da legislação, impõe­se admitir a isenção pretendida.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do Colegiado,  por maioria  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  considerar  como  isentos  os  rendimentos  provenientes  de  aposentadoria.  Vencida  a  conselheira  Mônica  Renata  Mello  Ferreira  Stoll  (Suplente  Convocada) que negava provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros  José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll  e Miriam Denise  Xavier, que votaram por converter o julgamento em diligência.           AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 07 98 /2 01 5- 02 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10073.720798/2015­02  Acórdão n.º 2401­005.842  S2­C4T1  Fl. 3          2 (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier ­ Presidente      (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira ­ Relator       Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess,  Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira,  Monica  Renata  Mello  Ferreira  Stoll  (Suplente  Convocada),  Andrea  Viana  Arrais  Egypto,  Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.    Relatório  PAULO FRAGOSO, contribuinte, pessoa física,  já qualificado nos autos do  processo em referência,  recorre a  este Conselho da decisão da 19a Turma da DRJ no Rio de  Janeiro/RJ, Acórdão  nº 12­80.332/2016,  às  e­fls.  110/119,  que  julgou  procedente  em parte  a  Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física ­ IRPF, decorrente  da constatação de rendimentos indevidamente considerados isentos por moléstia grave, além de  da dedução indevida de previdência privada e despesa médica, em relação ao exercício 2013,  conforme peça inaugural do feito, às fls. 75/84, e demais documentos que instruem o processo.  Trata­se de Notificação de Lançamento, lavrada em 11/05/2015, nos moldes  da  legislação  de  regência,  contra  o  contribuinte  acima  identificado,  constituindo­se  crédito  tributário  no  valor  consignado na  folha  de  rosto  da  autuação,  decorrente  dos  seguintes  fatos  geradores:  a) omissão de rendimentos do trabalho da dependente CPF n.º 449.285.727­ 34 com a fonte pagadora Município de Barra Mansa (CNPJ n.º 28.695.658/0003­46) no valor  de R$ 22.437,80,  com a  compensação  do  Imposto  de Renda Retido  na  Fonte  (IRRF)  de R$  855,57 sobre os rendimentos omitidos, sendo alterados os valores declarados de R$ 15.343,90  para R$ 37.781,70 e de R$ 447,30 para R$ 1.302,87, respectivamente;  b) rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave  da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social (CNPJ n.º 29.979.036/0233­53) no valor  de R$ 98.017,68, uma vez que o laudo médico apresentado não foi emitido por serviço oficial,  além de informar que a doença é passível de controle sem constar prazo de validade;  Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10073.720798/2015­02  Acórdão n.º 2401­005.842  S2­C4T1  Fl. 4          3 c)  dedução  indevida  de  previdência  privada,  com  glosa  no  valor  de  R$  2.685,74, por falta de discriminação dos valores pagos por beneficiário;  d)  dedução  indevida  de  despesas  médicas,  por  falta  de  discriminação  dos  valores  pagos  por  beneficiários,  com  glosa  do  valor  de  R$  14.055,03  para  os  seguintes  prestadores:  • Geap Autogestão em Saúde (R$ 6.353,01);  • Geap Autogestão em Saúde (R$ 5.686,14);  • Fundo de Assistência Médica (R$ 2.015,88).  e)  compensação  indevida  de  IRRF  da  fonte  pagadora  Município  de  Barra  Mansa (CNPJ n.º 28.695.658/0001­84), com glosa no valor de R$ 1.040,84, sendo alterado o  valor declarado de R$ 1.061,37 para R$ 20,53.  Inconformado  com  a  Decisão  recorrida  que  julgou  procedente  em  parte  a  impugnação,  o  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário,  à  e­fl.  126/136,  procurando  demonstrar sua total improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões.  Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o  lançamento, reitera as razões da impugnação, esclarecendo não haver omissão de rendimentos,  mas  apenas,  erro  no  preenchimento  da  DIRF,  devendo  ser  aplicado  o  entendimento  mais  benéfico a seu favor.  Aduz que conforme fichas financeiras anexas, a depedente recebeu e declarou  os valores provenientes de sua aposentadoria  junto ao Munícipio de Barra Mansa, ocorrendo  somente equívoco quanto a identificação da fonte pagadora.  Afirma que a manutenção do presente lançamento configura enriquecimento  ilícito do fisco, uma vez que a recorrente efetivamente não recebeu os valores lançados.  Alega fazer jus a isenção por ser portador de moléstia grave, anexando laudo  médico e despacho da RFB.  Por  fim,  requer  o  conhecimento  e  provimento  do  seu  recurso,  para  desconsiderar a Notificação de Lançamento,  tornando­a sem efeito e, no mérito, sua absoluta  improcedência.  Não houve apresentação de contrarrazões.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Rayd Santana Ferreira ­ Relator  Presente  o  pressuposto  de  admissibilidade,  por  ser  tempestivo,  conheço  do  recurso e passo ao exame das alegações recursais.  Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10073.720798/2015­02  Acórdão n.º 2401­005.842  S2­C4T1  Fl. 5          4 DELIMITAÇÃO DA LIDE  Como  relato  encimado,  o  contribuinte  teve  contra  si  o  crédito  tributário  lançado  devido  a  constatação  de  quatro  infrações,  quais  sejam:  omissão  de  rendimentos  de  trabalho  da  dependente,  rendimentos  indevidamente  considerados  como  isentos,  dedução  indevida  de  previdência,  dedução  indevida  de  despesas médicas  e  compensação  indevida  de  IRRF.  Conforme observa­se do Recurso Voluntário o contribuinte insurge­se apenas  quanto  a  omissão  de  rendimentos  de  trabalho  recebido  pela  dependente  e  os  rendimentos  considerados como isentos, motivo pelo qual serão os temas tratados nesta oportunidade, o que  fazemos a seguir.  MÉRITO  DOS RENDIMENTOS DO TRABALHO E DA COMPENSAÇÃO DO  IRRF DA DEPENDENTE   As  infrações  de  omissão  de  rendimentos  do  trabalho  e  de  compensação  indevida  de  IRRF  devem  ser  analisadas  em  conjunto,  uma  vez  que  ambas  se  referem  à  dependente Neuli Lusia Chaves Fragoso (CPF n.º 449.285.727­34).  O  Interessado  alega  em  sua  defesa  que  não  ocorreu  a  omissão  de  rendimentos,  pois  o  valor  lançado  teria  sido  declarado  como  recebido  do  CNPJ  n.º  28.695.658/0001­84.  Quanto  à  compensação  indevida  de  fonte,  reconhece  que  deve  ser  mantida a glosa de apenas R$ 185,27 e alega que o valor  restante consta do comprovante de  rendimentos de outra fonte pagadora.  Pois  bem,  por  repisar  às  alegações  da  impugnação  e  não  trazer  novos  documentos, por muito bem analisar a matéria, consoante restou muito bem explicitado no voto  condutor do acórdão de primeira instância, peça vênia para transcrever excerto e adotar como  razões de decidir, in verbis:  É  procedente  a  alegação  do  Interessado  quanto  às  duas  infrações  em  questão.  Entretanto,  deve  ser  observado  que  a  autoridade lançadora realizou na realidade um mero ajuste na  DIRPF de forma a adequar os valores de rendimentos e parte  do  IRRF declarados  às  fontes  pagadoras  corretas. Ao mesmo  tempo  em  que  lançou  a  omissão  de  rendimentos  de  R$  22.437,80, a autoridade lançadora excluiu da base de cálculo o  montante de R$ 23.617,10  (vide  linha 02 do demonstrativo de  apuração  do  imposto  devido  de  fl.  83).  Em  relação  ao  IRRF,  glosou  o  valor  de  R$  1.040,84,  mas  compensou  de  ofício  R$  855,57 da fonte pagadora Município de Barra Mansa.  Ressalte­se que o ajuste realizado pela autoridade lançadora foi  efetuado  com base nas Declarações  do  Imposto  sobre  a Renda  Retido na Fonte  (Dirf) de fls. 96/97 e 98/99. Estas  informações  são corroboradas, ainda, pelos comprovantes de rendimentos de  fls. 22 e 25.  O  resultado  final  deste  ajuste  nos  rendimentos  tributáveis  feito  pela  autoridade  lançadora  foi,  na  realidade,  benéfico  ao  Interessado,  uma  vez  que  excluiu  da  base  de  cálculo  um  valor  Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10073.720798/2015­02  Acórdão n.º 2401­005.842  S2­C4T1  Fl. 6          5 superior ao lançado a título de omissão. Quanto à compensação  indevida  de  IRRF,  o  resultado  matemático  do  ajuste  foi  exatamente a manutenção da glosa não impugnada de R$ 185,27  (R$ 1.040,84 – R$ 855,57 = R$ 185,27).  Para  manter  o  correto  ajuste  da  base  cálculo  feito  pela  autoridade  lançadora,  devem  ser  mantidas  as  infrações  de  omissão de  rendimentos do  trabalho no valor de R$ 22.437,80,  com  compensação  do  IRRF  de  R$  855,57,  e  de  compensação  indevida de IRRF com glosa no valor de R$ 1.040,84, bem como  o ajuste de rendimentos realizado na linha 02 do demonstrativo  de apuração do imposto devido de fl. 83. (grifo nosso)  Por essas razões, deve ser mantida incólume a decisão a quo.  DOS RENDIMENTOS  INDEVIDAMENTE CONSIDERADOS COMO  ISENTOS POR MOLÉSTIA GRAVE  De  conformidade  com  a  peça  vestibular  do  feito,  a  lavratura  da  presente  notificação de lançamento se deu em virtude do contribuinte ter considerado como isentos os  rendimentos  recebidos  do  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social,  sem  contudo  comprovar  ser  portador de moléstia grave nos termos da legislação em vigor, senão vejamos:  Laudo médico  apresentado  não  foi  emitido  por  serviço médico  oficial da União, Estado ou Município, além de informar que a  doença é passível de controle sem constar prazo de validade.  Desde a  impugnação, o notificado  informou ser portador de moléstia grave,  trazendo à  colação  laudo médico  emitido pela Clinica de Medicina Nuclear e Oncologia Sul  Fluminense Ltda e atestado da Prefeitura Municipal de Volta Redonda.  Por  sua  vez,  ao  analisar  a  impugnação  e  documentos  ofertados  pela  contribuinte,  a  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  entendeu  por  bem  manter  a  integralidade  da  ação  fiscal,  sob  o  argumento  de  que:  Para  comprovar  sua  condição  de  portador  de  moléstia  grave,  o  Interessado  apresentou  o  laudo  de  fls.  14/15,  emitido  pela  médica  Christiane  Maria  Meurer  Alves  da  Clínica  de  Medicina  Nuclear  e  Oncologia  Sul  Fluminense  Ltda.  (CNPJ  n.º  00.671.742/0001­  49).  Como  este  documento  foi  expedido  por  uma  pessoa  jurídica  privada,  ele  não  cumpre  os  requisitos  exigidos  pelo  art.  39,  §  4º  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda,  ou  seja,  não  se  trata  de  um  laudo  pericial  emitido  por  serviço  médico  oficial  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  ou  dos  Municípios.  Foi  apresentado, ainda, o documento de  fl. 16, que  também não supre a exigência da  legislação  acima  transcrita.  Em  primeiro  lugar,  se  resume  a  um  histórico médico  do  Interessado,  não  possuindo  as  informações  próprias  de  um  laudo  pericial.  Em  segundo,  apesar  de  ter  sido  escrito em um formulário com cabeçalho da Prefeitura de Volta Redonda e do Sistema Único  de  Saúde,  este  documento  é assinado pela mesma médica Christiane Maria Meurer Alves  e  com o  carimbo da Clínica de Medicina Nuclear e Oncologia Sul Fluminense Ltda., ou seja,  não pode ser considerado um laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos  Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.  Ainda  irresignado,  o  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário,  ora  objeto  de  análise, reafirmando as alegações da impugnação, suscitando que são considerados isentos os  Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10073.720798/2015­02  Acórdão n.º 2401­005.842  S2­C4T1  Fl. 7          6 proventos de aposentadoria, haja vista ser portador de moléstia grave, colacionando aos autos  novo documento comprobatório.  Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre  trazer à baila os  dispositivos legais que regulamentam a matéria.   A  isenção  por  moléstia  grave  encontra­se  regulamentada  pela  Lei  n°  7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052/2004,  nos termos abaixo:  Art.  6º  Ficam  isentos  do  imposto  de  renda  os  seguinte  rendimentos percebidos por pessoas físicas:  (...)  XIV – os proventos de aposentadoria ou  reforma motivada por  acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia  profissional,  tuberculose  ativa,  alienação  mental,  esclerose  múltipla,  neoplasia  maligna,  cegueira,  hanseníase,  paralisia  irreversível  e  incapacitante,  cardiopatia  grave,  doença  de  Parkinson,  espondiloartrose  anquilosante,  nefropatia  grave,  hepatopatia  grave,  estados  avançados  da  doença  de  Paget  (osteíte  deformante),  contaminação  por  radiação,  síndrome  da  imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina  especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois  da aposentadoria ou reforma;  Acerca  do  tema,  o  Decreto  n°  3000/99  (RIR),  em  seu  artigo  39,  inciso  XXXIII, bem como o §4° do mesmo artigo, assim dispõe:  Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto:  (...)  XXXIII  ­  os proventos de aposentadoria ou  reforma, desde que  motivadas  por  acidente  em  serviço  e  os  percebidos  pelos  portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação  mental,  esclerose  múltipla,  neoplasia  maligna,  cegueira,  hanseníase,  paralisia  irreversível  e  incapacitante,  cardiopatia  grave,  doença  de  Parkinson,  espondiloartrose  anquilosante,  nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte  deformante),  contaminação  por  radiação,  síndrome  de  imunodeficiência  adquirida,  e  fibrose  cística  (mucoviscidose),  com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a  doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma  (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992,  art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º);  A partir do ano­calendário de 1996, deve­se aplicar, para o  reconhecimento  de  isenções,  as  disposições,  sobre  o  assunto,  trazidas  pela  Lei  n°  9.250,  de  26/12/1995,  in  verbis:  Art.  30.  A  partir  de  1º  de  janeiro  de  1996,  para  efeito  do  reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e  XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a  Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10073.720798/2015­02  Acórdão n.º 2401­005.842  S2­C4T1  Fl. 8          7 redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de  1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial  emitido  por  serviço médico  oficial,  da União,  dos  Estados,  do  Distrito Federal e dos Municípios.  Ao  interpretar  a  legislação  acima  transcrita,  depreende­se  que  há  dois  requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. O primeiro reporta­se à natureza  dos  valores  recebidos,  devendo  ser  proventos  de  aposentadoria  ou  reforma  ou  pensão,  e  o  outro  relaciona­se  com  a  existência  da  moléstia  tipificada  no  texto  legal,  atestada  por  laudo de serviço médico oficial.  Após a análise dos autos,é incontroverso ser os rendimentos provenientes de  aposentadoria, reforma ou pensão, estando preenchido o primeiro requisito.  In casu, o ponto nodal da demanda se fixa em definir se a doença descrita no  laudo e atestado médico apresentados pelo contribuinte enquadra­se como moléstia grave para  fins de isenção, e se tais documentos obedecem os pressupostos exigidos na legislação.  Não  obstante  as  razões  de  fato  e  de  direito  das  autoridades  fazendárias  autuante e julgadora de primeira instância, o pleito do contribuinte merece acolhimento, como  passaremos a demonstrar.  De  início,  cabe  ressaltar  que o  lançamento  encontra­se  escorado  em pura  e  simples presunção da autoridade lançadora, sem qualquer comprovação da imputação fiscal, o  que por si só, no entendimento deste Conselheiro, já é capaz de rechaçar a exigência fiscal.  Nesse  ponto,  vale  lembrar  que,  o  artigo  30  da  Lei  n°  9.250  versa  sobre  a  necessidade  da  moléstia  está  comprovada  por  laudo  emitido  por  serviço  médico  oficial,  entendimento  já  exarado diversas vezes por este Conselheiro  e este Tribunal,  o  laudo oficial  não  tem  uma  forma  específica,  podendo  ser  um  atestado,  um  laudo  propriamente  dito,  uma  declaração, entre outras formas de manifestação médica, desde que emitido por médico oficial.  Dos  documentos  acostados  aos  autos,  e­fls  14/16,  resta  claro  que  o  contribuinte  é  portador  de  carcinoma  de  cólon  (neoplasia  maligna),  desde  2000.  Logo,  os  proventos de aposentadoria e pensão são rendimentos isentos, nos termos do disposto no art. no  art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988.  Com  relação  ao  laudo  médico  ser  oficial  ou  não,  o  contribuinte  anexou  o  laudo  de  fls.  14/15,  emitido  pela  Clínica  de Medicina Nuclear  e Oncologia  Sul  Fluminense  Ltda.  (CNPJ  n.º  00.671.742/0001­  49).  Como  este  documento  foi  expedido  por  uma  pessoa  jurídica privada, ele não cumpre os  requisitos exigidos pelo art. 39, § 4º do Regulamento do  Imposto de Renda, ou seja, não se trata de um laudo pericial emitido por serviço médico oficial  da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.  No entanto, foi apresentado ainda o atestado de fl. 16, emitido pela Secretária  Municipal  de  Saúde  de  Volta  Redonda,  ou  seja,  expedido  por  serviço  médico  oficial  do  Município, suprindo a exigência da legislação acima transcrita e rechaçando a acusação fiscal.  Vale salientar que estamos analisando o conjunto probatório e não apenas um  documento. Como dito nas linhas acima, analisando em conjuntos os laudos apresentados, resta  preenchido o pressuposto legal para a isenção.  Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10073.720798/2015­02  Acórdão n.º 2401­005.842  S2­C4T1  Fl. 9          8 Já  em  relação  a  constar  no  laudo o  prazo  de  validade,  a  legislação  não  faz  nenhuma menção a esta exigência, não merecendo tecer maiores elucidações. Ademais, o Ato  Declaratório PGFN n° 05/2016 versa: nas ações judiciais fundadas no entendimento de que a  isenção  do  Imposto  de  Renda  sobre  os  proventos  de  aposentadoria,  reforma  ou  pensão,  percebidos por portadores de moléstias graves, nos termos do art. 6º, incisos XIV e XXI, da Lei  nº  7.713,  de  1988,  não  exige  a  demonstração  da  contemporaneidade  dos  sintomas,  nem  a  indicação de validade do laudo pericial ou a comprovação da recidiva da enfermidade  Como se observa dos autos, está mais que provado ser o recorrente portador  de moléstia grave comprovada por laudo médico oficial e ter seus rendimentos provenientes de  aposentadoria, cumulando assim os dois requisitos legais para fazer jus a isenção pleiteada.  Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em  dissonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO  DE  CONHECER  DO  RECURSO  VOLUNTÁRIO,  e,  no  mérito,  DAR­LHE  PARCIAL  PROVIMENTO para considerar como isentos os  rendimentos provenientes de aposentadoria,  pelas razões de fato e de direito acima esposadas.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira.                                  Fl. 155DF CARF MF

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Numero do processo: 10166.723692/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Período de apuração: 21/01/2008 a 31/12/2008 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IOF. ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL - AFAC NÃO CARACTERIZADO. CAUSA DO NEGÓCIO JURÍDICO. MÚTUO. INCIDÊNCIA. Os adiantamentos para futuro aumento de capital social (AFAC), assim reconhecidos e registrados na escrituração contábil, e que da mesma forma permaneçam até a efetiva capitalização pela sociedade investida, não se configuram como mútuo, não estando, portanto, sujeitos à incidência do IOF. A ausência de formalização de compromisso de permanência das verbas na companhia investida não desnatura os aportes efetivamente incorporados ao capital social da beneficiária. Contudo, uma vez demonstrado pela autoridade fiscal que tais recursos não foram capitalizados e que a causa material do negócio jurídico tenha sido mútuo, reconhece-se a incidência do IOF.
Numero da decisão: 3401-005.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1758; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 1.361          1 1.360  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10166.723692/2012­71  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3401­005.390  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de outubro de 2018  Matéria  IOF  Recorrente  OCT VEICULOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS  OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS ­ IOF  Período de apuração: 21/01/2008 a 31/12/2008  ALEGAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  NÃO  CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº  2.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.  IOF.  ADIANTAMENTO  PARA  FUTURO  AUMENTO  DE  CAPITAL  ­  AFAC  NÃO  CARACTERIZADO.  CAUSA  DO  NEGÓCIO  JURÍDICO.  MÚTUO. INCIDÊNCIA.  Os  adiantamentos  para  futuro  aumento  de  capital  social  (AFAC),  assim  reconhecidos  e  registrados  na  escrituração  contábil,  e  que  da mesma  forma  permaneçam  até  a  efetiva  capitalização  pela  sociedade  investida,  não  se  configuram como mútuo, não estando, portanto, sujeitos à incidência do IOF.  A ausência de formalização de compromisso de permanência das verbas na  companhia  investida não desnatura os aportes efetivamente  incorporados ao  capital social da beneficiária. Contudo, uma vez demonstrado pela autoridade  fiscal  que  tais  recursos  não  foram  capitalizados  e  que  a  causa material  do  negócio jurídico tenha sido mútuo, reconhece­se a incidência do IOF.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan ­ Presidente.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 36 92 /2 01 2- 71 Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 10166.723692/2012­71  Acórdão n.º 3401­005.390  S3­C4T1  Fl. 1.362          2 (assinado digitalmente)  Leonardo Ogassawara de Araújo Branco ­ Relator.    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros  Rosaldo  Trevisan  (Presidente),  Tiago  Guerra  Machado,  Lázaro  Antonio  Souza  Soares,  André  Henrique  Lemos,  Carlos Henrique  de  Seixas Pantarolli, Cássio  Schappo,  Leonardo Ogassawara  de Araújo Branco  (Vice­Presidente)  e  Marcos  Antonio  Borges  (suplente  convocado).  Ausente  justificadamente  a  conselheira Mara Cristina Sifuentes.  Relatório  1.  Trata­se de auto de  infração,  situado às  fls. 226 a 230,  lavrado  em  razão  da  falta  de  recolhimento  de  imposto  sobre  operações  de  crédito,  câmbio  e  seguros  ou  relativas  a  títulos  ou  valores  mobiliários  (IO/Crédito),  referente  ao  período  de  apuração  compreendido  entre 21/01/2008  e  31/12/2018,  acrescido  de multa  de  ofício  de  75% e  juros,  totalizando, assim, o valor histórico de R$ 249.153,31.  2.  Segundo  se  depreende  do  termo  de  verificação  fiscal,  narra  a  autoridade fiscal que o procedimento que a contribuinte, em sua DIPJ, teria informado valores  significativos  de  "créditos  com  pessoas  ligadas"  (físicas  e  jurídicas)  sem  a  correspondente  informação de débitos de  IOF em suas DCTFs  relativas ao mesmo período ou mesmo o seu  respectivo  recolhimento.  Os  históricos  dos  lançamentos  dos  créditos  com  pessoas  ligadas,  registrados nas contas "ADIANT. P/ FUTURO AUMENTO DE CAPITAL" e "CRED. COM COLIGADAS E  CONTRLADAS" indicariam adiantamento de recursos financeiros a título de mútuo.  3.  A contribuinte apresentou  impugnação, situada às fls. 292 a 304, na  qual  argumentou,  em  síntese,  que:  (i)  os  valores  considerados  como  empréstimos  são,  na  verdade,  adiantamentos  para  futuros  aumentos  de  capital.  Na  peça  analisa  algumas  das  operações objetos de autuação; (ii) a multa de ofício tem caráter confiscatório.  4.  Em  08/01/2014,  a  00ª  Turma  da  Delegacia  Regional  do  Brasil  de  Julgamento  no  Rio  de  Janeiro  I  (RJ)  proferiu  o Acórdão DRJ  nº  09­48869,  situado  às  fls.  1.334  a  1.337,  de  relatoria  do  Auditor­Fiscal  Robson Marcos  Schreider,  que  entendeu,  por  unanimidade de votos, "considerar como não impugnado o lançamento em relação à empresa  OCP  Ltda.,  pela  improcedência  da  impugnação  em  relação  às  demais  operações  e  pela  manutenção  do  crédito  tributário  lançado"  (sic), mantendo  o  crédito  tributário  exigido,  nos  termos da ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  OPERAÇÕES  DE  CRÉDITO,  CÂMBIO  E  SEGUROS  OU  RELATIVAS  A  TÍTULOS  OU  VALORES MOBILIÁRIOS IOF  Ano­calendário: 2008   IOF.  ADIANTAMENTO  PARA  FUTURO  AUMENTO  DE  CAPITAL.  Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 10166.723692/2012­71  Acórdão n.º 3401­005.390  S3­C4T1  Fl. 1.363          3 Para ser considerada como AFAC e não mútuo, a operação deve  estar plenamente caracterizada.   Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido      5.  A  contribuinte  foi  intimada  via  postal  em  07/02/2014,  em  conformidade  com  o  aviso  de  recebimento  situado  à  fl.  1.343  e,  em  19/02/2014,  interpôs  recurso  voluntário,  situado  às  fls.  1.344  a  1.354,  no  qual  reiterou  as  razões  de  sua  impugnação.    É o Relatório.    Voto             Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator    6.  O recurso voluntário é  tempestivo e preenche os requisitos formais  de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento.    7.  Quanto  às  alegações  de  inconstitucionalidade  de  leis,  trata­se  de  matéria  que  não  pode  ser  apreciada  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  conforme  dispõe o Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009:  Decreto  nº  70.235/1972  ­  Art.  26.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.    8.  Tal  entendimento,  ademais,  encontra­se  consolidado  neste Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de  dezembro de 2010:  Súmula  CARF  nº  2  ­  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.    9.  Assim, não conheço do recurso voluntário interposto neste particular.  Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 10166.723692/2012­71  Acórdão n.º 3401­005.390  S3­C4T1  Fl. 1.364          4   10.  Passa­se  a  apreciar  a  questão  de  fundo  e,  neste  sentido,  o  auto  de  infração foi lavrado em função da falta de recolhimento do IOF (inclusive o relativo à alíquota  adicional prevista nos §§ 15 e 15, do art. 7º do Regulamento do IOF) sobre mútuos que teriam  sido  efetuados  com  as  empresas:  (i)  TARGET VEÍCULOS LTDA.,  (ii)  JPAR DISTRIBUIDORA  DE  VEÍCULOS LTDA., e (iii) OCP LTDA.  11.  Narra  a  fiscalização  que,  a  despeito  dos  valores  correspondentes  estarem registrados como Adiantamento para Futuro Aumento de Capital  (AFAC), na escrita  contábil,  não  se vislumbrou  instrumento de comprometimento no  sentido de que os  repasses  seriam  destinados  exclusivamente  a  futuros  aumentos  de  capital,  tampouco  tendo  sido  observado  prazo  de  integralização  de  120  (cento  e  vinte)  dias,  a  contar  do  encerramento  do  exercício social, o que conferiria a roupagem de mútuo a estas operações, com incidência do  IOF.  12.  Neste  sentido,  o  Parecer  Normativo  CST  nº  133/1975,  externou  entendimento no sentido de que o  saldo credor de  sócio ou acionista deve compor o passivo  exigível no cálculo do capital da giro próprio da empresa, sendo de todo  irrelevante que, em  momento posterior, venha ele a ser capitalizado. Em momento seguinte, o Parecer Normativo  CST nº 23/1981  fixou a orientação de que os  adiantamentos para  futuro  aumento de capital,  ainda que condicionados à utilização exclusiva em aumento de capital, deveriam ser mantidos  fora  do  patrimônio  líquido,  uma  vez  que merecem  tratamento  de  obrigações  com  terceiros,  passíveis de serem exigidos pelos titulares enquanto não efetivamente concretizado o aumento.  Cabe observar, para além do sentido da reconstrução do quadro de referências administrativo,  de caráter regulamentar­opinativo, que, no ano de 1983 o art. 21 do Decreto­Lei nº 2.065/1983  dispôs que, para efeito da determinação do lucro real, nos mútuos entre empresas pertencentes  ao  mesmo  grupo  econômico,  a  mutuante  deveria  reconhecer  "pelo  menos"  o  valor  correspondente  à  variação  monetária.  A  interpretação  insculpida  pela  Administração,  em  conformidade com o Parecer Normativo CST nº 17/1984, foi no sentido da inaplicabilidade da  previsão  de  trânsito  em  conta  de  resultado  da norma de  estatura  legal  no  caso  específico  de  AFAC, desde que: (i) o adiantamento se destinasse "específica e irrevogavelmente, ao aumento  do  capital",  e  (ii)  a  capitalização  se  processasse  "(...)  por  ocasião  da  primeira  AGE  ou  alteração  contratual  posterior  ao  adiantamento  ou,  no  máximo,  até  120  dias  contados  do  encerramento  do  período­base  da  sociedade  tomadora  dos  recursos",  prazo  este  posteriormente extirpado com a edição da Instrução Normativa SRF nº 127/1988, que manteve  os demais requisitos.  13.  O  tratamento  contábil  dispensado  aos  adiantamentos  de  tal  jaez  é  a  classificação  em  conta  de  investimento  (ANC)  para  aquele  que  efetua  o  AFAC  e,  para  a  investida,  objeto  de  apreciação  no  presente  caso,  denota­se,  da  leitura da Resolução CFC nº  1.159/2009, o registro: (i) no patrimônio líquido na investida, após a conta de capital social, na  hipótese de não haver possibilidade de devolução; ou (ii) no passivo não circulante, se houver  "(...) qualquer possibilidade de sua devolução".  14.  Neste  sentido,  os  posicionamentos  do CFC  e  da RFB  são  distintos,  opondo a contabilidade geral à fiscal, uma vez que o PN CST 23/81, entende que os AFACs,  cumpridas  as  exigências,  devem  ser mantidos  fora  do  patrimônio  líquido,  pois  considerados  Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 10166.723692/2012­71  Acórdão n.º 3401­005.390  S3­C4T1  Fl. 1.365          5 obrigações  para  com  terceiros,  podendo  ser  exigidos  pelos  titulares  enquanto  o  aumento  de  capital  não  se  concretizar.  A  Resolução  CFC  nº  1.159/2009,  por  seu  turno,  orienta  a  sua  inclusão no patrimônio líquido, tendo em vista o princípio da essência sobre a forma. Observa­ se,  no  entanto,  que,  mesmo  que  exista  divergência,  os  instrumentos  convergem  para  a  conclusão de que os adiantamentos de recursos, para que possam se qualificar como AFACs,  devem  atender  à  condição  de  permanência,  que  tem  por  corolário  a  cláusula  de  irreversibilidade de devolução, com opção irretratável.  15.  Observe­se, em sede de excursus, que o sentido de expurgar o AFAC  do patrimônio líquido, que se depreende do Parecer Normativo nº 23/1981, teria uma discussão  de fundo tributário, uma vez que o entendimento diverso, representado pela Resolução CFC nº  1.159/2009, implicaria a dedutibilidade da correção monetária do adiantamento, discussão esta  que veio a perder sua principal celeuma com a edição do Decreto nº 332/1991, cuja alínea 'f' do  inciso I do art. 4º tornou obrigatória a correção de contas credoras e devedoras respeitantes a  AFAC, situação esta que perdurou até o advento do Plano Real, contexto a partir do qual foi  concebida a Lei nº 9.249/1995, que extinguiu a correção monetária do balanço.  16.  Assim,  feita  esta  observação,  a  autoridade  fiscal  externou  entendimento  consentâneo  com  o  Parecer Normativo  CST  nº  17/1984  no  sentido  de  que  as  destinações  contratualmente  estipuladas,  em  caráter  irrevogável,  de  aumento  de  capital  representariam exceção à obrigação da investidora prevista no preceptivo normativo do art. 21  do Decreto­Lei nº 1.065/1983. Tal seria, portanto, o principal marco miliário para a distinção  jurídica entre o AFAC e o mútuo, uma vez que colocar recursos à disposição de terceiros sem  condição  de  permanência  e  de  irreversibilidade  redundaria,  sob  tal  perspectiva,  em  uma  operação  de  crédito. Diz­se  principal  porque  a  condição  de  capitalização,  decorrente  de  tais  recursos  adiantados,  logo  na primeira AGE ou  na  primeira  alteração  contratual  subsequente,  sobreviveu à Instrução Normativa SRF nº 127/1988.   17.  Em outras palavras, da perspectiva da interpretação infralegal, repita­ se,  de  caráter meramente  regulamentar  e  opinativo  (condição  que  tais  instrumentos  não  perdem mesmo ao serem chamados de normas complementares de leis pelo inciso I do art. 100  ou de "legislação tributária" pelo art. 96, ambos do Código Tributário Nacional), o ingresso dos  recursos  deve  se  prestar  ao  aumento  do  capital  logo  na primeira  oportunidade  possível  e,  entre o momento de sua percepção pela investida e o da efetiva capitalização, não devem estar  suscetíveis ao arrependimento e consequente reversibilidade ou devolução. Entende a posição  mais formalista, aliás, que o adiantamento exigiria compromisso formal e prévio à liberação do  crédito,  pois  a  disponibilização  de  recursos  à  investida  seguida  de  decisão  superveniente  de  integralização não configuraria adiantamento, mas mútuo seguido de capitalização.  18.  Cabe pontuar, em primeiro lugar, que o quadro normativo construído  acima  pertine  a  questões  voltadas  ao  imposto  sobre  a  renda.  Em  outras  palavras,  o  Parecer  Normativo CST nº 17/1984 foi editado para efeito da determinação do lucro real e, ainda que  constitua um norte valioso ao aplicador por se voltar ao tratamento do mútuo, necessário se faz  tomar,  como  ponto  de  partida  para  a  decisão  acerca  da  incidência  ou  não  do  imposto  sobre  operações financeiras, a legislação que lhe é peculiar.  19.  Evidentemente,  é  rica  a  construção  em  torno  desta  especialíssima  figura do direito privado prevista pelo art. 586 do Código Civil para fins de determinação do  Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 10166.723692/2012­71  Acórdão n.º 3401­005.390  S3­C4T1  Fl. 1.366          6 montante correspondente à renda, a começar pelos limites da dedutibilidade dos juros passivos  em  condições  usuais  de  mercado,  conforme  disciplinado  pelo  Parecer  Normativo  CST  nº  138/1975, havendo, para tanto, a exigência de contrato, juros que não excedam a taxa legal e  que os  recursos  sejam empregados na própria  atividade principal da mutuária. Nem por  isso  seria  possível  se  cogitar  que  o  não  preenchimento  de  tais  requisitos  caracterizadores  da  condição de despesa dedutível implicariam a incidência ou não incidência de outro tributo, pois  diferentes  os  âmbitos  de  aplicação  de  cada  sistema  normativo.  Assim,  necessário  se  faz  a  análise da específica legislação definidora da imposição sobre operações de mútuo:  Código  Tributário  Nacional  ­  Art.  63.  O  imposto,  de  competência  da  União,  sobre  operações  de  crédito,  câmbio  e  seguro,  e  sobre  operações  relativas  a  títulos  e  valores  mobiliários  tem como fato gerador:  I  ­ quanto às operações de  crédito,  a  sua  efetivação  pela  entrega  total  ou  parcial  do  montante  ou  do  valor  que  constitua  o  objeto  da  obrigação,  ou  sua colocação à disposição do interessado.  (...)  Art.  64.  A  base  de  cálculo  do  imposto  é:  I  ­  quanto  às  operações de crédito, o montante da obrigação, compreendendo  o principal e os juros.    Decreto nº 6.306/2007 (RIOF) ­ Art. 2º O IOF incide sobre:   I ­ operações de crédito realizadas:  a) por instituições financeiras;  b)  por  empresas  que  exercem  as  atividades  de  prestação  cumulativa  e  contínua  de  serviços  de  assessoria  creditícia,  mercadológica,  gestão  de  crédito,  seleção  de  riscos,  administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos  creditórios  resultantes  de  vendas  mercantis  a  prazo  ou  de  prestação de serviços (factoring);  c)  entre  pessoas  jurídicas  ou  entre  pessoa  jurídica  e  pessoa  física;  II ­ operações de câmbio;  III ­ operações de seguro realizadas por seguradoras;  IV ­ operações relativas a títulos ou valores mobiliários;  V  ­  operações  com  ouro,  ativo  financeiro,  ou  instrumento  cambial.    20.  Cabe, ainda,  trazer à análise a  legislação civil pertinente ao  instituto  do mútuo:  Lei  nº  10.406/2002  (Código  Civil)  ­  Art.  586.  O  mútuo  é  o  empréstimo  de  coisas  fungíveis.  O  mutuário  é  obrigado  a  Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 10166.723692/2012­71  Acórdão n.º 3401­005.390  S3­C4T1  Fl. 1.367          7 restituir  ao  mutuante  o  que  dele  recebeu  em  coisa  do  mesmo  gênero, qualidade e quantidade.  Art.  587.  Este  empréstimo  transfere  o  domínio  da  coisa  emprestada ao mutuário, por cuja conta correm todos os riscos  dela desde a tradição.  (...)  Art.  591.  Destinando­se  o  mútuo  a  fins  econômicos,  presumem­se devidos juros, os quais, sob pena de redução, não  poderão exceder a  taxa a que  se  refere o art.  406, permitida a  capitalização anual.  Art. 592. Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do  mútuo será: I. Até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos  agrícolas, assim para o consumo, como para semeadura; II. De  trinta  dias,  pelo  menos,  se  for  de  dinheiro;  III.  Do  espaço  de  tempo que declarar o mutuante,  se  for de qualquer outra  coisa  fungível.    21.  De fato, o art. 591 da codificação civil não obriga ou condiciona  tal  figura à cobrança de juros, mas unicamente o presume no caso de se tratar de negócio jurídico  celebrado  com  fins  econômicos,  limitando,  ainda,  a  sua  cobrança  à  taxa  legal.  Tampouco  a  ausência de prazo o desnatura, pois, em complemento à regra dos incisos do art. 592, o § 14 do  art.  7º  do Decreto  nº  6.306/2007  prevê  expressamente  a  operação  de  crédito  contratada  por  prazo  indeterminado.  Por  outro  lado,  em  um  esforço  de  análise  estratigráfica  da  legislação,  aponta­se que a previsão da possibilidade do aumento futuro de capital tem tímida previsão no  inciso  I  do  art.  84  da  Lei  nº  6.404/1976  (LSA),  já  tendo  sido  a  figura  do  adiantamento  identificada  por  parte  da  doutrina  como  aquela  descrita  pelo  inciso  II  do  art.  170  da  lei  societária, em que pese a discussão acima contextualizada.  22.  A distinção mais notável entre os institutos residiria no compromisso  das partes com a finalidade da transferência/entrega de coisa fungível: (i) no caso do mútuo, a  futura restituição de coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade, e (ii) no caso do AFAC, o  futuro  emprego  dos  recursos  no  aumento  de  capital.  Em  um  caso,  restitui­se,  e,  no  outro,  capitaliza­se.  23.  Enquanto  a  natureza  do  mútuo  se  investiga  a  partir  do  art.  586  da  codificação civil, o AFAC mantém estreito diálogo com o art. 1.081 da lei civil e com o art.  166 da LSA, que prevêem a possibilidade do aumento do capital. Partindo deste pressuposto, é  possível se investigar a definição de sua natureza pela finalidade dada à coisa fungível entregue  pelos  investidores  à  investida,  e  um  não  se  confunde  com  o  outro  para  fins  tributários.  O  primeiro é fato gerador do  IO/Crédito; o segundo não se coaduna com a materialidade de tal  exação,  o  que  não  é  algo  novo  à  jurisprudência  administrativa,  conforme  se  depreende  do  quanto decidido pelo Acórdão nº 201­80.220, proferido em sessão de 25/04/2007 pela extinta  1º Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, nos seguintes termos:  Assunto:  Imposto  sobre  Operações  de  Crédito,  Câmbio  e  Seguros  ou  relativas  a  Títulos  ou  Valores Mobiliários  ­  IOF  ­  Período de apuração: 31/01/2000 a 31/12/2003   Fl. 1368DF CARF MF Processo nº 10166.723692/2012­71  Acórdão n.º 3401­005.390  S3­C4T1  Fl. 1.368          8 Ementa: (...) ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE  CAPITAL.  Por  falta de amparo  legal, não procede o  lançamento de  IOF  incidente sobre adiantamento para futuro aumento de capital.  Recurso de oficio negado.    24.  Em igual sentido, a distinção que fizemos logo acima entre o mútuo e  o AFAC restou sedimentada, apenas com outras palavras, no acórdão proferido em 19/05/2005  no curso do Processo Administrativo nº 10768.001867/92­83 pela extinta 2ª Turma Ordinária  da 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes:  "Da  lapidar  definição  posta  no  art.  1.256  do  Código  Civil  revogado, reproduzida no art. 586 do Código Civil de 2002, se  extrai  que  o  mútuo  é  o  contrato  pelo  qual  alguém  transfere  a  propriedade  da  coisa  fungível  a  outrem,  que  se  obriga  a  lhe  restituir coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade.   Sendo­lhe  transferido  o  domínio  da  coisa  emprestada,  pode  o  mutuário dar­lhe o destino que lhe aprouver, inclusive consumi­ la, obrigando­se, no entanto, a restituir ao mutuante o que dele  recebeu  em  coisa  do  mesmo  gênero,  qualidade  e  quantidade,  pois a obrigação de restituição é da essência e da estrutura do  contrato de mútuo.   Enquanto  que,  nos  negócios  jurídicos  de  adiantamento  para  aumento de capital, os recursos recebidos pela empresa de seus  acionistas  ou  quotistas  somente  podem  ser  utilizados  para  este  fim, não comportando restituição” ­ (seleção e grifos nossos).    25.  Traçadas tais premissas, há, ainda, de se assentir para o fato de que o  próprio Poder  Judiciário vem dispensando,  inclusive,  o  contrato  escrito de AFAC para o  seu reconhecimento, uma vez que a sua contabilização como tal e sua posterior utilização no  aumento de capital da empresa será mais do que suficiente para comprová­lo, não havendo, na  legislação  societária,  prazo  para  ocorrer  a  assembleia  convocada  para  o  fim  específico  de  aumento de capital:  EMENTA:  TRIBUTÁRIO.  ADIANTAMENTO  PARA  FUTURO  AUMENTO  DE  CAPITAL  ­  AFAC.  INCABIMENTO  DA  INCIDÊNCIA  DO  IOF  –  IMPOSTO  SOBRE  OPERAÇÕES  FINANCEIRAS.  I. Trata­se de remessa oficial e apelação de sentença que julgou  parcialmente procedente o pedido, para anular parcialmente os  créditos  tributários  constituídos  no  processo  administrativo­ fiscal nº 10510.003371/2006­41, considerando a não  incidência  do IOF sobre a parte de valores repassados como adiantamento  para futuro aumento de capital – AFAC.   Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 10166.723692/2012­71  Acórdão n.º 3401­005.390  S3­C4T1  Fl. 1.369          9 II.  O  AFAC  ­  adiantamento  para  futuro  aumento  de  capital  corresponde a valores recebidos pela empresa de seus acionistas  ou quotistas destinados a serem utilizados como futuro aporte de  capital. Na hipótese, a autora informou ter realizado em favor de  suas empresas coligadas o adiantamento para futuro aumento de  capital,  demonstrando  não  ter  a  operação  configuração  de  mútuo  para  fins  de  incidência  do  IOF,  sobre  parte  do  crédito  constituído  no  processo  administrativo  nº  10510.003371/2006­ 41.   III. Não se faz obrigatória à comprovação do adiantamento para  futuro  aumento  de  capital  mediante  a  celebração  de  contrato  escrito,  podendo  ser  demonstrado  por  meio  de  registro  nas  escrituras  fiscais  da  empresa.  IV.  No  caso  de  não  haver  autorização  no  estatuto  (art.  166,  II  c/c  o  art.  168  da  Lei  nº  6.404/76),  o  aumento  do  capital  será  realizado  em  assembleia  geral  extraordinária,  a  qual  não  possui  prazo  para  acontecer.  Também na legislação societária não se verifica prazo para que  o aumento do capital ocorra.   V. Honorários advocatícios mantidos em R$ 20.000,00 (vinte mil  reais),  nos  termos  do  art.  20,  §§  3º  e4º,  do  CPC,  diante  do  trabalho exercido pelo causídico da autora.   VI. Remessa oficial e apelação improvidas.  (Processo 0000966­12.2011.4.05.8500, 4ª Turma do TRF5, DES.  FEDERAL IVAN LIRA DE CARVALHO, 20/11/2012)    26.  É  de  se  iluminar,  não  obstante,  o  fato  de  que,  caso  os  recursos  recebidos  tenham  permanecido  regularmente  escriturados  como  adiantamento  para  aumento de capital, o que pode, e.g., ser confirmado pela checagem do Livro Razão, e tendo a  capitalização efetivamente ocorrido, ainda que a destempo, em estreita consonância com o art.  179 da Lei nº 6.404/1976 ("Lei das Sociedades Anônimas" ­ LSA), incumbe à autoridade fiscal  demonstrar  que  a  contabilização  escapa  à  realidade  substantiva  dos  fatos.  Em  conformidade  com o Acórdão CARF nº 3402­002.862, proferido em 26/01/2016, de relatoria do Conselheiro  Antonio Carlos Atulim:  "A  presunção  de  veracidade  e  legitimidade  dos  registros  contábeis opera em dois sentidos. Por um lado, cabe ao fisco o  ônus de provar que os lançamentos efetuados não correspondem  à  realidade,  caso  pretenda  decretar  a  imprestabilidade  da  escrituração  para  fins  fiscais.  E,  de  outro  lado,  cabe  ao  contribuinte,  em  caso  de  inexatidões  ou  erros  eventualmente  cometidos,  produzir  a  prova  do  fato.  Versando  este  processo  sobre  autos  de  infração,  o  ônus  da  prova  das  diferenças  apuradas era do fisco. E o fisco se desincumbiu desse ônus, pois  não  contestou  a  veracidade  e  a  legitimidade  dos  registros  contábeis  e  declarações  prestadas  pelo  contribuinte,  baseando  seu  trabalho  nos  documentos  produzidos  pelo  próprio  fiscalizado" ­ (seleção e grifos nossos).  Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 10166.723692/2012­71  Acórdão n.º 3401­005.390  S3­C4T1  Fl. 1.370          10   27.  Uma  vez  que  tal  tradição  normativa,  como  acima  demonstrado,  desenvolveu­se em torno do imposto sobre a renda, é possível se trazer à colação o art. 923 do  RIR,  que  dispõe  que  "a  escrituração  mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  do  contribuinte  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais". Não pode nem deve ser  desconsiderada sem uma produção probatória prévia a escrita  fiscal utilizada,  inclusive, para  lastrear a própria  fiscalização, sob pena de se  incorrer em um jogo de relativismo cético que  colocaria em disputa os próprios valores utilizados como base da imposição.   28.  Os  dois  sentidos  da  presunção  de  veracidade/legitimidade  dos  registros  contábeis  emergem  de  legislação  de  caráter  nacional,  conforme  se  depreende  da  leitura do art. 417 da Lei nº 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, segundo o qual "os  livros empresariais provam contra seu autor, sendo lícito ao empresário, todavia, demonstrar,  por  todos os meios permitidos  em direito,  que os  lançamentos não correspondem à  verdade  dos  fatos".  Assim,  tendo  a  autoridade  fiscal  tomado  como  ponto  de  partida  para  a  sua  interpretação  do  direito  a  escrita  contábil  e  fiscal  da  contribuinte,  não  apenas  se  presume  verdadeiro o quanto declarado (art. 408) como também se prova o não questionado (art. 428),  pois,  como  se  extrai  do  art.  419,  a  escrituração  é  una,  tanto  para  o  favorável  como  para  o  desfavorável:  Lei  nº  13.105/2015  (Código  de  Processo  Civil)  ­  Art.  419.  A  escrituração contábil  é  indivisível,  e,  se dos  fatos que  resultam  dos lançamentos, uns são favoráveis ao interesse de seu autor e  outros  lhe  são  contrários,  ambos  serão  considerados  em  conjunto, como unidade.    29.  Assim,  não  tendo  havido  alteração  da  escrita  ou  tampouco  seu  questionamento, e uma vez que os recursos, ao final, tenham sido efetivamente utilizados para  capitalizar a sociedade, necessário se resgatar percuciente argumentação deduzida no Acórdão  CARF nº  3302­00.616,  proferido  em 30/09/2010,  de  relatoria  do Conselheiro Gileno Gurjão  Barreto que, acompanhado pela unanimidade da turma no que respeita ao mérito, asseverou em  seu voto:  "(...)  as  autoridades  fiscais  não  comprovaram  que  à  contabilização em contas a receber teria havido equivalência em  remessa de numerário propriamente dito. É de  senso geral que  as  empresas  controladoras,  responsáveis  que  são  pelas  atividades das  suas  controladas,  têm que provê­las de  recursos  necessários  as  suas  operações  diárias,  principalmente  nos  estágios iniciais de suas operações. Indispondo desses recursos,  sua  controladora  liquida  suas  despesas,  e  contabiliza  um ativo  recebível  equivalente  para  que,  quando  essa  empresa  venha  a  obter  recursos  financeiros  suficientes,  tribute­os  segundo  seu  regime  do  imposto  de  renda  e  liquide  seu  passivo  com  seu  controlador (...). Quanto àqueles objeto de futura capitalização,  importante  uma  observação.  Verificamos  nos  autos  que  tais  valores estavam contabilizados no ativo da recorrente desde 1º  de  janeiro  de  2002,  e  apenas  foram  capitalizados  em  Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 10166.723692/2012­71  Acórdão n.º 3401­005.390  S3­C4T1  Fl. 1.371          11 30.06.2003. E de se questionar se seriam mesmo adiantamentos  para aquela finalidade, ainda que contabilizados sob essa forma  (...) entendo que, demonstrado pela contribuinte o cumprimento  da destinação pela capitalização exata dos valores, devidamente  registrados  em  Junta  Comercial,  que  seria  incabível  a  pretendida e respectiva tributação pelo IOF" ­ (seleção e grifos  nossos).    30.  Estabelecidas  as  premissas  de  direito,  cabe,  na  apreciação  do  caso  concreto, a análise da composição do grupo empresarial em apreço:      31.  Reproduzo, abaixo, por pertinente, trecho da decisão recorrida:  "No caso em análise, entendo que as operações da autuada com  suas controladas (ainda que indiretamente) Jpar Distribuidora  de  Veículos  Ltda.  e  Target  Veículos  Ltda.,  não  podem  ser  consideradas como AFAC. Senão vejamos.  Em que pese o aumento de capital efetuado pelas interessadas, a  impugnante não se manifesta sobre a informação da autoridade  fiscal  de  que  “merece  destaque  a  existência  de  lançamentos  tanto a débito como a crédito nas contas analisadas, indícios de  empréstimos concedidos/pagos e não aportes para aumento de  capital”,  sendo  que  nas  operações  com  as  empresas  Jpar  Distribuidora de Veículos Ltda. e Target Veículos Ltda. entendo  que  os  lançamentos  efetuados  a  crédito  da  conta  em  análise,  foram  feitos  número  e  valores  bastante  significativos  (fls.  257/263 e 271/277), suficientes para descaracterizar a operação  de AFAC.  Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 10166.723692/2012­71  Acórdão n.º 3401­005.390  S3­C4T1  Fl. 1.372          12 Nota­se  que, em  determinados  períodos  a  conta  chega  a  ter  o  saldo  zerado,  o  que  demonstra  que  se  trata  de  operação  de  mútuo  cujos  valores  forem  amortizados  pela  beneficiária.  O  fato  de,  posteriormente,  essa  empresa  ter  feito  capitalização,  não descaracteriza a operação de mútuo efetuada no momento  pretérito.  Quanto às operações com a empresa Jorlan S/A., a  impugnante  alega que a  referida conta não possuíam saldo em 31/12/2008,  portanto  não  poderia  haver  mútuos  entre  elas.  Ora,  o  fato  gerador do IOF não é a existência de saldo nas contas no fim  do exercício fiscal e sim a ocorrência de operações de crédito.  Se essas existiram, e as evidências nos autos comprovam isso, o  fato do saldo das contas ser zero no dia 31/12 só mostra que os  empréstimos foram quitados.  No  tocante às operações  com a  empresa  Jpar Distribuidora de  Veículos Ltda., a impugnante se limita a informar que “como já  esclarecido  pela  contribuinte  à  fiscalização,  inexistia  saldo  nestas  contas  quando  da  data  da  capitalização,  descaracterizando, assim, a alegada ocorrência de operação de  mútuo”,  o  que  contraria  as  evidências  constantes  nos  autos  e  portanto,  por  falta  de  maiores  explicações  por  parte  da  impugnante, fica prejudicada a análise das argumentações.  A  impugnante  não  se  manifesta  quanto  às  operações  com  a  empresa  OCP  Ltda.,  portanto  o  lançamento  em  relação  a  ela  deve ser considerado como não impugnado.  (...)  Pelo  exposto,  voto  por  considerar  como  não  impugnado  o  lançamento  em  relação  à  empresa  OCP  Ltda.  e  pela  improcedência da impugnação em relação às demais operações  e  pela  manutenção  do  crédito  tributário  lançado"  ­  (seleção  e  grifos nossos).    32.  Não  tendo  as  partes  apresentado  novos  argumentos  ou  razões  de  defesa  perante  esta  segunda  instância  administrativa,  propõe­se  a  confirmação  e  adoção  da  decisão recorrida, nos termos da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (RICARF),  com  a  alteração  da  Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, que acrescentou o § 3º ao art. 57 da norma regimental.    33.  Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito,  negar provimento ao recurso voluntário interposto.     (assinado digitalmente)  Leonardo Ogassawara de Araújo Branco ­ Relator  Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 10166.723692/2012­71  Acórdão n.º 3401­005.390  S3­C4T1  Fl. 1.373          13                               Fl. 1374DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.721133/2014-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. FALTA DE MPF-D NÃO GERA NULIDADE DO LANÇAMENTO.As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF-F e MPF-D (diligência), dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, se o fiscal amparado por MPF-F contra a autuada, efetua diligências relativas a empresa pertencente ao mesmo sócio que o da autuada e com a qual foi alegado que compartilham despesas e aquela distribuiu dividendos a esta, o fato de não ter sido emitido MPF-D específico, não afeta a validade do lançamento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. FALTA DE CONTESTAÇÃO. Confirma-se em definitivo, na esfera administrativa a responsabilidade solidária que não foi objeto de contestação Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2009 ARBITRAMENTO Justifica-se a desconsideração da contabilidade do contribuinte e o arbitramento do lucro se ficou caracterizado um valor de passivo fictício de 62,4% da conta Fornecedores (e 20% do total do Passivo e 15% da receita declarada); evidenciado que os lançamentos contábeis que alega ter efetuado para corrigir alegados erros no registro desses passivos, são fraudulentos; caracterizado que a empresa não demonstrou critérios racionais de rateio das despesas entre a Autuada e sua parceira a Total; demonstrado que há confusão patrimonial entre estas, no que tange à alocação de despesas e quanto à distribuição de lucro; cabível o arbitramento do lucro. EXCLUSÃO INDEVIDA. DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS RECEBIDA. LIMITE DE ISENÇÃO COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO DA EMPRESA QUE DISTRIBUIU. GLOSA NO VALOR EXCLUÍDO PELA RECEBEDORA AUTUADA, NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Demonstrado nos autos que o lucro líquido que serviu de base para distribuição de dividendos oriundos de empresa ligada foi apurado de forma irregular, a isenção prevista em lei fica limitada ao valor apurado com base no lucro presumido a que estava sujeita a empresa distribuidora à ocasião. PASSIVO FICTÍCIO. Configura caso de presunção de receitas com base em passivo fictício, a manutenção de obrigações pagas em conta de passivo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplica-se aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2009 Ementa:MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. ART. 44, §1ª , DA LEI Nº 9.430/96. ARTS. 72 E 73 DA LEI Nº 4.502/64. FRAUDE. CONLUIO. COMPROVAÇÃO E DEMONSTRAÇÃO REALIZADA NOS AUTOS. Demonstrado nos autos, com base em provas, que a empresa praticou atos fraudulentos e conluio contra o Fisco, utilizando-se de artifícios contábeis e societários adotados pelas empresas e pelo sócio para fugir à tributação, correta a aplicação de multa qualificada de 150%.
Numero da decisão: 1201-002.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa; ausente justificadamente José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: EVA MARIA LOS

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. FALTA DE MPF-D NÃO GERA NULIDADE DO LANÇAMENTO.As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF-F e MPF-D (diligência), dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, se o fiscal amparado por MPF-F contra a autuada, efetua diligências relativas a empresa pertencente ao mesmo sócio que o da autuada e com a qual foi alegado que compartilham despesas e aquela distribuiu dividendos a esta, o fato de não ter sido emitido MPF-D específico, não afeta a validade do lançamento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. FALTA DE CONTESTAÇÃO. Confirma-se em definitivo, na esfera administrativa a responsabilidade solidária que não foi objeto de contestação Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2009 ARBITRAMENTO Justifica-se a desconsideração da contabilidade do contribuinte e o arbitramento do lucro se ficou caracterizado um valor de passivo fictício de 62,4% da conta Fornecedores (e 20% do total do Passivo e 15% da receita declarada); evidenciado que os lançamentos contábeis que alega ter efetuado para corrigir alegados erros no registro desses passivos, são fraudulentos; caracterizado que a empresa não demonstrou critérios racionais de rateio das despesas entre a Autuada e sua parceira a Total; demonstrado que há confusão patrimonial entre estas, no que tange à alocação de despesas e quanto à distribuição de lucro; cabível o arbitramento do lucro. EXCLUSÃO INDEVIDA. DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS RECEBIDA. LIMITE DE ISENÇÃO COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO DA EMPRESA QUE DISTRIBUIU. GLOSA NO VALOR EXCLUÍDO PELA RECEBEDORA AUTUADA, NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Demonstrado nos autos que o lucro líquido que serviu de base para distribuição de dividendos oriundos de empresa ligada foi apurado de forma irregular, a isenção prevista em lei fica limitada ao valor apurado com base no lucro presumido a que estava sujeita a empresa distribuidora à ocasião. PASSIVO FICTÍCIO. Configura caso de presunção de receitas com base em passivo fictício, a manutenção de obrigações pagas em conta de passivo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplica-se aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2009 Ementa:MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. ART. 44, §1ª , DA LEI Nº 9.430/96. ARTS. 72 E 73 DA LEI Nº 4.502/64. FRAUDE. CONLUIO. COMPROVAÇÃO E DEMONSTRAÇÃO REALIZADA NOS AUTOS. Demonstrado nos autos, com base em provas, que a empresa praticou atos fraudulentos e conluio contra o Fisco, utilizando-se de artifícios contábeis e societários adotados pelas empresas e pelo sócio para fugir à tributação, correta a aplicação de multa qualificada de 150%.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa; ausente justificadamente José Carlos de Assis Guimarães.

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incompetente ou com preterição do direito de defesa.  FALTA  DE  MPF­D  NÃO  GERA  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.As  normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal  ­  MPF­F  e  MPF­D  (diligência),  dizem  respeito  ao  controle  interno  das  atividades  da  Secretaria  da Receita  Federal,  portanto,  se  o  fiscal  amparado  por  MPF­F  contra  a  autuada,  efetua  diligências  relativas  a  empresa  pertencente ao mesmo sócio que o da autuada e com a qual foi alegado que  compartilham despesas e aquela distribuiu dividendos a esta, o fato de não ter  sido emitido MPF­D específico, não afeta a validade do lançamento.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA  SOLIDÁRIA.  FALTA  DE  CONTESTAÇÃO.  Confirma­se  em  definitivo,  na  esfera  administrativa  a  responsabilidade  solidária que não foi objeto de contestação   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Data do fato gerador: 31/12/2009  ARBITRAMENTO  Justifica­se  a  desconsideração  da  contabilidade  do  contribuinte  e  o  arbitramento do lucro se ficou caracterizado um valor de passivo fictício de  62,4% da conta Fornecedores  (e 20% do  total  do Passivo  e 15% da  receita  declarada); evidenciado que os lançamentos contábeis que alega ter efetuado  para  corrigir  alegados  erros  no  registro  desses  passivos,  são  fraudulentos;  caracterizado que a empresa não demonstrou critérios racionais de rateio das  despesas  entre  a  Autuada  e  sua  parceira  a  Total;  demonstrado  que  há     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 11 33 /2 01 4- 55 Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 3          2 confusão  patrimonial  entre  estas,  no  que  tange  à  alocação  de  despesas  e  quanto à distribuição de lucro; cabível o arbitramento do lucro.  EXCLUSÃO  INDEVIDA.  DISTRIBUIÇÃO  DE  DIVIDENDOS  RECEBIDA.  LIMITE  DE  ISENÇÃO  COM  BASE  NO  LUCRO  PRESUMIDO  DA  EMPRESA  QUE  DISTRIBUIU.  GLOSA  NO  VALOR  EXCLUÍDO  PELA  RECEBEDORA  AUTUADA,  NA  APURAÇÃO  DO  LUCRO REAL.  Demonstrado  nos  autos  que  o  lucro  líquido  que  serviu  de  base  para  distribuição de dividendos oriundos de empresa ligada foi apurado de forma  irregular, a  isenção prevista em lei  fica  limitada ao valor apurado com base  no lucro presumido a que estava sujeita a empresa distribuidora à ocasião.  PASSIVO FICTÍCIO.  Configura  caso  de  presunção  de  receitas  com  base  em  passivo  fictício,  a  manutenção de obrigações pagas em conta de passivo.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL.  Aplica­se  aos  lançamentos  reflexos  o  mesmo  tratamento  dispensado  ao  lançamento matriz em razão da relação de causa e efeito que os vincula.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 31/12/2009  Ementa:MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. ART. 44, §1ª  , DA LEI Nº  9.430/96.  ARTS.  72  E  73  DA  LEI  Nº  4.502/64.  FRAUDE.  CONLUIO.  COMPROVAÇÃO E DEMONSTRAÇÃO REALIZADA NOS AUTOS.  Demonstrado  nos  autos,  com  base  em  provas,  que  a  empresa  praticou  atos  fraudulentos e conluio contra o Fisco, utilizando­se de artifícios contábeis e  societários  adotados  pelas  empresas  e  pelo  sócio  para  fugir  à  tributação,  correta a aplicação de multa qualificada de 150%.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.       (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Eva Maria Los ­ Relatora.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa  (Presidente),  Eva Maria  Los,  Luis  Fabiano  Alves  Penteado,  Carmem  Ferreira  Saraiva  (suplente  convocada  em  substituição  ao  conselheiro  Jose  Carlos  de  Assis  Guimarães),  Luis  Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele  Barra Bossa; ausente justificadamente José Carlos de Assis Guimarães.  Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 4          3 Relatório    Trata o processo de autos de infração de págs. 609/632,  lavrados no regime  lucro  arbitrado, art. 530, II do Regulamento do Imposto de Renda ­ RIR de 1999 (Decreto nº 3.000,  de  26  de  março  de  1999),  tendo  em  vista  que  a  escrituração  mantida  pelo  contribuinte  foi  considerada  imprestável  para  determinação  do  Lucro  Real  em  virtude  dos  erros  e  falhas,  descritas no Termo de Verificação Fiscal;  exigem­se R$1.031.225,94 de  Imposto de Renda  Pessoa Jurídica ­ IRPJ devido às  infrações: 001­ Omissão de Receita por Presunção Legal,  Passivo  Fictício,  fato  gerador  em  31/12/2009;  002  ­  Lucro  arbitrado  sobre Receita  Bruta  na  Revenda de Mercadorias,  fatos geradores no ano calendário 2009; 003 ­ Outras Receitas, R$  1.200.029,92 acrescidos à base de cálculo do imposto de renda, por tratar­se de receita recebida  de  outra  empresa  do  grupo,  que  foi  irregularmente  escriturada  como  Recebimento  de  Dividendos, fato gerador 31/12/2009; e exigem R$421.214,52 de Contribuição Social sobre o  Lucro  Líquido  ­  CSLL,  reflexo  das  mesmas  infrações;  também  exige  R$1.438.419,34  de  Contribuição  Social  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins,  incidência  cumulativa  padrão,  reflexo  das  mesmas  infrações;  e  exige  R$311.657,54  de  Contribuição  para  o  PIS,  incidência  cumulativa  padrão,  reflexo  das  mesmas  infrações.  Todas  infrações  foram apenadas com multa de ofício 150%. Os procedimentos de fiscalização e as autuações  estão descritos no Termo de Verificação Fiscal, págs. 609/632.  2.  Foi  responsabilizado  solidariamente  Kiyochi  Matsuda,  CPF  041.203.508­19,  nos  termos do art. 210 do Regulamento do Imposto de Renda ­ RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de  26 de março de 1999) c/c os arts. 121, 124 e 135 do Código Tributário Nacional ­ CTN, Lei nº  5.172, de 25 de outubro de 1966, porque, págs. 606/608:  Em  procedimento  de  fiscalização  junto  à  empresa  PAYTEC  TECNOLOGIA  EM  PAGAMENTOS  LTDA  constatou­se  as  seguintes infrações à legislação tributária:  1. OUTRAS EXCLUSÕES ­ a Fiscalizada declarou em sua DIPJ  o  valor  de  R$1.612,522,44  a  título  de  Outras  Exclusões.  Este  valor  seria  referente  a  dividendos  recebidos  da  empresa  Total  Service.  No  entanto,  constatou­se  que  este  valor  foi  obtido  de  maneira ilegal, em virtude de suas despesas terem sido lançadas  na contabilidade da Paytec.  2.  PASSIVO  FICTÍCIO  ­  a  Fiscalizada  manteve  em  sua  contabilidade,  na  rubrica  Fornecedores  valores  referentes  a  títulos  já  quitados,  títulos  referentes  a  exercício  posterior  e  títulos cuja efetividade não foi comprovada.  3.  Cientificados  o  contribuinte  e  o  responsável  solidário  em  24/10/2014,  apresentaram  impugnações,  tempestivas:  o  contribuinte,  págs.  943/990;  Kiyochi  Matsuda.  Responsável Solidário, págs. 943/990, que  foram  julgadas pela Delegacia da Receita Federal  de  Julgamento em São Paulo/SP  ­ DRJ/SPO, no Acórdão nº 16­73.141 de 31/05/2016, págs.  1.208/1.293, que considerou as impugnações procedente em parte:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Ano­calendário: 2009   Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 5          4 NULIDADE.  VÍCIOS.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  NÃO  OCORRÊNCIA.  COMPETÊNCIA  LEGAL  DA  AUTORIDADE LANÇADORA. A Autoridade Administrativa que  detém competência para efetuar o lançamento é o Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  sendo  a  emissão  de  TDPF  elemento  de  natureza  administrativa,  não  tendo  ocorrido,  outrossim,  lançamento  na  empresa  ligada  cujo  resultado  foi  contestado pela Autoridade Fiscal e gerou a glosa no valor dos  dividendos considerados isentos. Não se verificou na ação fiscal,  também, qualquer cerceamento no direito de defesa a ensejar a  decretação de nulidade total ou parcial do procedimento fiscal.  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR  MAJORITÁRIO. NÃO APRESENTAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE  DEFESA.  Não  havendo  apresentação  de  alegações  buscando  afastar  a  responsabilidade  imputada  ao  sócio­administrador.  esta deve ser mantida.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 2009   DISTRIBUIÇÃO  DE  DIVIDENDOS.  LUCRO  LÍQUIDO  APURADO  DE  FORMA  IRREGULAR.  LIMITE  DE  ISENÇÃO  COM  BASE  NO  LUCRO  PRESUMIDO.  GLOSA  NO  VALOR  EXCLUÍDO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Demonstrado  nos  autos  que  o  lucro  líquido  que  serviu  de  base  para  distribuição  de  dividendos  oriundos  de  empresa  ligada  foi  apurado  de  forma  irregular,  a  isenção  prevista  em  lei  fica  limitada ao valor apurado com base no  lucro presumido a que  estava sujeita a empresa distribuidora à ocasião.  PASSIVO FICTÍCIO. OBRIGAÇÕES MANTIDAS NO PASSIVO  APOS  PAGAMENTO.  CABIMENTO  DA  PRESUNÇÃO.  LANÇAMENTO  À  CONTA  DE  AJUSTE  DE  PERÍODOS  ANTERIORES  OU  DE  LUCROS  ACUMULADOS.  NÃO  COMPROVAÇÃO. Configura caso de presunção de receitas com  base em passivo fictício, a manutenção de obrigações pagas em  conta de passivo. A sua baixa posterior diretamente a conta de  ajuste  de  períodos  anteriores  ou  de  lucros  acumulados  é  irregular  e  confirma  a  acusação,  não  se  coadunando  com  alegação de mero erro não comprovado.  PASSIVO  FICTÍCIO.  NOTAS  EMITIDAS  POSTERIORMENTE  À  SUA  ESCRITURAÇÃO.  NÃO  COMPROVAÇÃO  DE  ERRO.  Justifica a presunção de omissão de receitas por passivo fictício  a  escrituração  de  notas  fiscais  emitidas  posteriormente  ao  seu  registro  na  conta Fornecedores,  sem que  seja  provado  erro  na  data de sua emissão ou de outra natureza.  PASSIVO  FICTÍCIO.  NÃO  OCORRÊNCIA.  APLICAÇÃO  DO  ARTIGO  112.  I  E  II.  DO  CTN.  DÚVIDAS  QUANTO  À  CAPITULAÇÃO  LEGAL  DO  FATO.  AOS  FATOS  OU  AOS  SEUS EFEITOS. A emissão de notas fiscais de serviços em data  pouco  posterior  ao  momento  da  efetivação  da  operação  é  Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 6          5 irregular  e  pode  ter  caracterizado  atraso  na  prestação  da  obrigação  tributária  principal  por  parte  da  emissora.  A  escrituração  do  fato  contábil  na  tomadora  do  serviço,  pelo  regime  de  competência,  levando  em  conta  a  data  da  prestação  do serviço que também constou do documento fiscal emitido em  atraso, foi feita sem o respaldo no documento apto de suporte à  época  e  poderia  ocasionar  glosa  de  despesa  por  essa  razão.  Todavia não sustenta a presunção  legal de omissão de  receitas  por passivo fictício, devendo se interpretar as normas e os fatos  de forma mais favorável ao contribuinte.  PASSIVO  FICTÍCIO.  NÃO  OCORRÊNCIA.  NOTAS  LOCALIZADAS  APÓS  ENCERRAMENTO DA  AÇÃO  FISCAL.  EMISSÃO  ANTES  DO  ENCERRAMENTO  DO  PERÍODO  DE  APURAÇÃO ANALISADO E PAGAS APÓS. A apresentação das  notas fiscais não localizadas durante a ação fiscal e comprovado  que  foram  emitidas  antes  do  encerramento  do  período  de  apuração,  considerado  pela  autuação,  e  pagas  depois  de  seu  término, afasta a autuação por passivo fictício.  ARBITRAMENTO.  ESCRITURAÇÃO  IMPRESTÁVEL  PARA  APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Correto o arbitramento quando  verificados  fraude, vícios e  irregularidades na contabilidade da  empresa que a tomam imprestável para a apuração do lucro real  da empresa.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. ART. 44. §1a . DA LEI N°  9.430/96.  ARTS.  72  E  73  DA  LEI  N°  4.502/64.  FRAUDE.  CONLUIO.  COMPROVAÇÃO  E  DEMONSTRAÇÃO  REALIZADA  NOS  AUTOS.  Demonstrado  nos  autos,  com  base  em provas, que a empresa praticou atos fraudulentos e mediante  conluio  contra  o  Fisco,  utilizando­se  de  artifícios  contábeis  e  societários  adotados  pelas  empresas  e  pelo  sócio  para  fugir  à  tributação, correta a aplicação de multa qualificada de 150%.  CSLL.  COFINS.  PIS.  PASSIVO  FICTÍCIO.  DECORRÊNCIA.  IRPJ. No que tange à CSL,. à COFINS e ao PIS aplicam­se as  conclusões  relativas  ao  julgamento  do  IRPJ,  em  razão  da  relação  de  causa  e  efeito  existente  entre  os  fatos  que  geraram  esses lançamentos.  DIVIDENDOS.  GLOSA.  ISENÇÃO  NÃO  CONFIGURADA.  COFINS. PIS. NÃO OCORRÊNCIA DE "BIS IN IDEM. A glosa  de valores excluídos indevidamente na apuração do lucro real e  da  base  de  cálculo  da  CSLL.  a  título  de  dividendos  isentos  distribuídos  por  empresa  controlada  não  configura  "bis  in  idem",  não  tendo,  ademais,  ocorrido  tributação  de  COFINS  e  PIS sobre esse montante.  4.  O valor exonerado não justificou recurso de ofício.  5.  O contribuinte e responsável solidário foram cientificados em 01/07/2016, págs.  1.318/1.319 e ambos apresentaram o Recursos Voluntário tempestivos em 28/07/2016.  Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 7          6 Recurso Voluntário Paytec, págs. 1.424/1.504  6.  A Recorrente transcreve trechos da autuação fiscal e do Acórdão DRJ/SPO.   7.  Argui  preliminar  de  nulidade  do  lançamento,  porque  o  resultou  de  dados  colhidos  na  diligência  ilícita  conduzida  em  outra  empresa,  a  Total  Service  Serviços  de  Processamento de Dados, pois não foi observada a norma da Portaria nº 1.687, de 2014, art. 2º;  o  AFRFB  utilizou  um  MPF­F  dirigido  à  autuada,  para  exigir  documentos  de  outra  pessoa  jurídica, a Total Service, pessoa jurídica distinta.   8.  No mérito,  apresenta  argumentos pela  improcedência do  sobre o  arbitramento  do  lucro,  lista  documentos  que  apresentou  que  comprovariam  o  passivo  considerado  fictício  pela fiscalização, bem como as Outras Exclusões e pugna contra a multa qualificada.  9.  Não  há  argumentos  contra  a  responsabilização  solidária  de Kiyochi Matsuda,  apenas se cita o fato.  Recurso Voluntário Kiyochi Matsuda, págs. 1.322/1.402.  10.  De idêntico teor.  11.  É o relatório.  Voto             1  Preliminar de nulidade do lançamento fiscal.   12.  Diz que a fiscalização quis, desesperadamente, manter a diligência na empresa  Total Service como ato administrativo não nulo e cuja consequência  foi a presente autuação,  baseada  em  informações  obtidas  de  forma  ilícita,  a qual  é  repudiada  em nosso  ordenamento  jurídico, tanto quanto a prova ilícita auferida por derivação daquela originária, assim como as  subsequentes,  por  efeito  e  repercussão  causal,  gerando  nulidade  do  processo;  e  devem  ser  excluídas dos autos sob pena de violar o due process of law.  13.  Que  o  relator  do  Acórdão  DRJ,  concordou  que  "não  foram  observadas  estritamente as normas inscritas na Portaria n° 1.687/2014." ; cita o art. 2º desta e afirma que os  argumentos do relator, que trata de lançamento fiscal, nada tem a ver com alegação, pois o caso  em  questão  trata  da  autorização  para  efetuar  a  diligência,  que  deveria  ter  sido  da  DIPAC,  conforme Regimento Interno da RFB, por meio de relatório do fiscal titular da ação fiscal ao  seu Chefe de Equipe que iria endereçar ao Chefe de Fiscalização que em seguida enviaria ao  chefe  da  DIPAC;  mas  que  o  autor  do  procedimento  fiscal  utilizou  o  MPF­F  aplicável  ao  fiscalizado para  solicitar documentos da Total Service Serviços de Processamento de Dados,  sendo que são duas personalidades jurídicas diferentes. Não existe esta previsão na legislação  de regência do procedimento adotado pela fiscalização. O AFRFB é vinculado à observação e  aplicação  da  legislação;  invoca CC de 2001,  art.  52,  proteção  dos  direitos  da personalidade,  685 e 1.150.  14.  Aponta outra  ilegalidade, abuso de direito  art. 187, do CC de 2002, que  foi o  Fiscal  utilizar­se  de  norma  de  contorno, MPF­F  dirigido  à  Recorrente,  para  intimar  a  Total  Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 8          7 Service; isto é, contornou o art. 2º , I e II da Portaria n° 1.687, de 2014, e o art. 166, VI do CC  de 2002, prevê nulidade do negócio jurídico, se houver fraude à lei.  15.  Acerca do início do procedimento fiscal e exclusão da espontaneidade, diz que  o  art.  196,  do Código Tributário Nacional  ­ CTN,  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966,  determina  a  lavratura  de  termos  para  documentar  o  início  do  procedimento,  ou  seja,  o  contribuinte tem o direito de saber que está sendo fiscalizado, seja fiscalização, seja diligência,  mas  questiona  como,  se  não  existe  MPF­D  nem  TDPF­D  (que  apenas  têm  natureza  administrativa); além de que, a ciência do MPF por si só, não configura início de procedimento  fiscal e não afasta a espontaneidade (SCI Cosit nº 18, de 2003).   16.  Afirma que:  A  Impugnante  se  insurge  com  a  intimação  em  comento  determinando  a  apresentação  de  documentos,  pela  fiscalizada,  da pessoa jurídica da TOTAL.   17.  Que sendo a conduta do ARFB delimitada pelo MPF e TDPF, cabe­lhe cumprir  o  ordenado;  discorda  do  relator  de  que  não  havendo  "qualquer  prejuízo  no  tocante  ao  cerceamento do direito de defesa, ou qualquer  tipo de dano ao Impugnante, que ensejasse a  necessidade de proclamar a nulidade total ou parcial do procedimento."   18.  Apesar de reconhecer que:  O agente fiscal não possui disponibilidade sobre realizar ou não  investigações  que  se  mostrem  necessárias:  ocorridos  motivos  que  ensejem  o  atuar  administrativo,  a  conduta  investigativa  se  impõe,  por  imperativo  legal. Nesse  sentido,  o  art.  195  do CTN  (LGL\1966\26)  determina  que  "para  os  efeitos  da  legislação  tributária,  não  tem  aplicação  quaisquer  dispositivos  legais  excludentes  ou  limitativos  do  direito  de  examinar mercadorias,  livros,  arquivos,  documentos,  papéis  e  efeitos  comerciais  ou  fiscais  dos  comerciantes,  industriais  ou  produtores,  ou  da  obrigação destes em exibi­los".  Nada  obstante  a  aparência  de  outorga  ilimitada  de  poderes,  o  que  está  sendo  dito  pela  Lei  Geral  Tributária  é  que  à  investigação  fiscal  não  podem  ser  impostos  os  óbices  que  eventualmente são levantados, por exemplo, nos lindes do direito  comercial. E isso porque o Fisco age em nome do Estado, e em  tese sua atuação não tem a finalidade arrecadatória, mas sim o  escopo primordial de  verificar a correta  e efetiva aplicação da  lei ao caso concreto.  19.  Afirma:  Assim, toda a autoridade fiscal, quando não constatado o ato em  flagrante,  deverá  emitir  mandado  de  procedimento  fiscal,  a  qualquer momento, quando constatar qualquer possibilidade de  equívoco na ocorrência do fato jurídico tributário.  (...)  Fl. 1631DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 9          8 Em  nenhuma  hipótese  o  AFRFB  poderia  fazer  qualquer  procedimento fiscal em outro contribuinte diferente do citado no  MPF­F  em  execução  sem  solicitar  autorização  à  autoridade  competente. Competência concreta é lhe atribuída pelo superior  hierárquico  competente por meio do MPF. Não pode aplicar a  competência abstrata para o caso atacado.  20.  Invoca arts. 194 a 196 do CTN, cita autores, art. 34 da Lei nº 3.470, de 1958;  Portaria RFB nº 1.687, de 2014, arts. 2º, 4º e 12, 13, 15, 16, 20, 21; Decreto nº 70.235, de 1972,  arts. 10 e 59; art. 145 da CF de 1988; acórdãos do Conselho de Contribuintes e CARF.  21.  A Recorrente cita Acórdãos antigos do Conselho de Contribuintes do Ministério  da  Fazenda  ­  CCMF:  nº  106­12653,  de  17/04/2002;  nº  106­13.156,  de  29/01/2003;  nº  101­ 94.116, de 27/02/2003, em apoio à sua  tese de que a fiscalização, não amparada por MPF­D  específico, não poderia ter colhido dados da empresa Total, que respaldaram a autuação fiscal  contra a Recorrente, Paytec.  22.  No  entanto,  a  jurisprudência  do  Conselho  de  Contribuintes  do  Ministério  da  Fazenda, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF mudou diametralmente,  como se verifica pelos seguintes Acórdãos:  Nº Acórdão 1101­001.850, de 05/03/2013  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ  Exercício:  1997,  1998,  1999,  2000  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  A  COMPETÊNCIA  PARA  O  AUDITOR­FISCAL  DA  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL  LANÇAR TRIBUTOS FEDERAIS INDEPENDE DO MANDADO  DE PROCEDIMENTO FISCAL ­ MPF. IMPOSSIBILIDADE DE  CARACTERIZAÇÃO  DE  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.  Eventual  irregularidade pelo não cumprimento estrito de prazo  de  execução  estipulado  em  Mandado  de  Procedimento  Fiscal,  não  enseja  nulidade  do  Auto  de  Infração,  uma  vez  que  não  envolve  lesão  ao  direito  de  ampla  defesa,  não  constitui  vício  essencial  no  conteúdo  material  do  lançamento.  Ademais,  a  autoridade  fiscal  tem  competência  fixada  em  lei  para  lavrar  o  Auto  de  Infração.  Na  falta  de  cumprimento  de  norma  administrativa a referida autoridade fica sujeita, se for o caso, a  punição  administrativa, mas  o  ato  produzido  continua  válido  e  eficaz.    Nº Acórdão 2402­004.496, de 20/01/2015  VALIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO DE PROCEDIMENTO.  INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é  o ato que autoriza as diligências empreendidas para localizar o  contribuinte a ser fiscalizado.É válido o lançamento quando não  restam  configurados  óbice  à  defesa  ou  prejuízo  ao  interesse  público.    Nº Acórdão 3302­003.073, de 23/02/2016  MPF ­ MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.  O  MPF  é  instrumento  de  controle  administrativo  e  eventual  Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 10          9 irregularidade  em  sua  emissão  não  tem  o  condão  de  trazer  nulidade ao lançamento.    Nº Acórdão 9202­003.956, de 12/04/2016  VÍCIOS  DO  MPF  NÃO  GERAM  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.  As  normas  que  regulamentam  a  emissão  de  mandado  de  procedimento  fiscal  ­ MPF,  dizem  respeito  ao  controle  interno  das  atividades  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  portanto,  eventuais  vícios  na  sua  emissão  e  execução  não  afetam  a  validade do lançamento  Recurso Especial negado.    Nº Acórdão 1201­002.156, de 16/05/2018  Assunto:  Processo  Administrativo  Fiscal  Ano­calendário:  2010  AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.Somente  ensejam  a  nulidade  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa,  nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72.  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.  VÍCIO  MPF.  INOCORRÊNCIA.As  normas  que  regulamentam  a  emissão  de  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  dizem  respeito  ao  controle  interno  das  atividades  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam  a  validade  do  lançamento,  desde  que  não  tragam  prejuízo  às  defesas dos contribuintes.    Nº Acórdão 1302­002.808, de 17/05/2018  Assunto:  Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF Ano­ calendário:  2007 MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  PRORROGAÇÃO.  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.  INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é  mero  instrumento  de  controle  administrativo  da  fiscalização  e  não  tem  o  condão  de  outorgar  e  menos  ainda  de  suprimir  a  competência  legal  do  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  para  fiscalizar  os  tributos  federais  e  realizar  o  lançamento  quando  devido.  Assim,  se  o  procedimento  fiscal  foi  regularmente  instaurado  e  os  lançamentos  foram  realizados  pela  autoridade  administrativa  competente,  nos  termos  do  art.  142  do  CTN,  e,  ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de  defesa, afasta­se quaisquer alegação de nulidade relacionada à  emissão ou alteração do MPF.    23.  De fato, o procedimento de fiscalização iniciou­se , amparado pelo Mandado de  Procedimento  Fiscal  –  Fiscalização  (MPF­F)  de  pág.  3,  relativo  à Autuada;  em  03/06/2013,  págs. 49/51, a Recorrente foi cientificada do Termo de Início de Procedimento de Fiscalização,  cujo  item  4  a  intimou  a  detalhar  o  valor  de  R$1.612.552,44,  que  declarou  como  Outras  Exclusões na linha 69 da Ficha 09A ­ Demonstração do Lucro Real, valor este que a Autuada  justificou como sendo dividendos recebidos da Total Service.  Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 11          10 24.  O Termo de Início de Procedimento de Fiscalização foi assinado pelo seu sócio  Kiyochi Matsuda, o qual, conforme o consta do Acórdão DRJ, é também sócio majoritário da  Total Service; cabe transcrever constatação no Acórdão DRJ/SP:  37.  Ora,  a  TOTAL  e  a  Impugnante  (PAYTEC)  são  empresas  ligadas,  sendo  o  Sr.  Kiyochi  Matsuda  sócio  majoritário  em  ambas  (95%  na  TOTAL  e  99,9%  na  Impugnante),  não  sendo  factível  afirmar  que  a  ação  fiscal  teria  ocorrido  sem  o  conhecimento  pleno  de  ambas  as  empresas,  tendo  sido  dado  espaço  para  todas  explicações  e  apresentação  de  provas,  no  procedimento fiscal e com a impugnação, após a conclusão dos  trabalhos.  25.  O contribuinte apresentou a seguinte resposta, à fiscalização, pág. 78:  0  Contribuinte  acima  qualificado,  em  2009  era  sócio  de  outra  Pessoa  Jurídica,  denominada  Total  Service  Serviços  de  Processamentos de Dados Ltda. CNPJ 08.318.069/0001­70.  Ocorre  que  em  2009  a  empresa  fez Distribuição  de  Lucro  aos  Sócios,  o  montante  recebido  pela  empresa  Paytec  foi  de  R$  1.612.552,44.  Este  valor  foi  contabilizado  como  Receita  de  Dividendos  e  foi  lançado  como  outras  exclusões  na  DIPJ  ano  base 2009.  26.  E o Autuante informou que os sócios da Total Service eram a Paytec e Kiyochi  Matsuda.  27.  O Decreto nº 70.235, de 1972, determina que:  Art. 7º O procedimento fiscal tem início com:  I  ­  o  primeiro  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente,  cientificado  o  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária ou seu preposto;  II ­ a apreensão de mercadorias, documentos ou livros;  III ­ o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada.  § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito  passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de  intimação  a  dos  demais  envolvidos  nas  infrações  verificadas.  (Grifou­se.)  28.  Concluindo,  iniciado o procedimento fiscal na Autuada, mediante a  intimação,  esta  produz  efeitos  também  nos  demais  envolvidos,  que  neste  caso  é  a  Total,  que  pagou  à  Autuada o valor objeto da intimação e que era controlada pelo mesmo sócio que a Autuada.  29.  Por isso, não podem alegar, nem a Autuada, nem a Total (que não foi objeto de  autuação),  de  cerceamento  de  defesa  ou  de  que  deveriam  ter  sido  cientificadas  para  se  defender.  30.  As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal ­  MPF­F e MPF­D (diligência), dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria  da  Receita  Federal,  portanto,  se  o  fiscal  amparado  por  MPF­F  contra  a  Autuada,  efetua  diligências  relativas  a  empresa  pertencente  ao mesmo  sócio  que  o  da Autuada  e  da  qualo  a  Autuada  também  é  sócia  e  com  a  qual  foi  alegado  que  compartilham  despesas  e  aquela  Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 12          11 distribuiu  dividendos  a  esta,  o  fato  de  não  ter  sido  emitido MPF­D  específico,  não  afeta  a  validade do lançamento; cabe destacar ainda que a Total era representada pela mesma pessoa e  apesar de alegado que teria outro domicílio, foi apresentado Acordo de que dividiria despesas  de aluguel, funcionários, energia elétrica, etc, com a Autuada; e PMF­D específico é emitido a  fim de apresentar o fiscal a um terceiro, alheio à empresa fiscalizada, sendo evidente que não  foi este o caso.   31.  Ainda o Decreto nº 70.235, de 1972, determina que no art. 59, I, que só se pode  cogitar de declaração de nulidade de auto de  infração  ­ que  se  insere na  categoria de  ato ou  termo  ­,  quando  esse  auto  for  lavrado  por  pessoa  incompetente  (art.  59,  I).  A  nulidade  por  preterição do direito de defesa, do art. 59, II somente pode ser declarada quando o cerceamento  está  relacionado  aos  despachos  e  às  decisões,  ou  seja,  somente  pode  ocorrer  em  uma  fase  posterior à lavratura do auto de infração.  32.  Tendo  sido  a  autuação  lavrada  por  autoridade  competente,  Auditor  Fiscal  da  Receita Federal do Brasil, não há nulidade nos autos de infração.  2  No mérito,   33.  A conclusão do Autuante foi:  40.  Conforme  já  informado,  a  Fiscalizada  justificou  a  constituição  da  Total  Service  da  seguinte  maneira:  "Por  questões  estratégicas  e  comerciais,  a empresa Total Service  foi  constituída, para realizar serviços que antes eram realizados por  parceiros da fiscalizada".  41.  No  entanto,  analisando­se  o  regime  de  tributação  adotado  peias  duas  empresas,  combinado  com  o  fato  de  que  todas  as  despesas das duas empresas  foram lançadas exclusivamente na  Fiscalizada, demonstra que a motivação para a constituição da  Total Service foi outra. Explica­se.  42.  Conforme  já  informado,  a  Fiscalizada  adotou  o  regime  de  tributação  com  base  no  Lucro  Real  Anual.  Já  a  Total  Service  adotou o regime de tributação com base no Lucro Presumido.  43. A  simples adoção de  regimes  de  tributação diversos,  assim  como  a  constituição  da  Total  Service,  não  apresenta  qualquer  irregularidade. No entanto, a alocação de todas as despesas das  empresas  somente  na  contabilidade  da  Fiscalizada  demonstra  que a  intenção do agente era  eliminar, ou ao menos  reduzir, o  montante do imposto de renda devido.  44. A inclusão de um montante maior de despesas na apuração  do Lucro da Fiscalizada acarretou a diminuição do  lucro Real  da  empresa  e  por  decorrência  um  Imposto  de  Renda  devido  menor.  45.  Já  no  caso  da  Total  Service,  optante  pelo  Regime  de  Tributação  com  base  no  Lucro  Presumido,  no  qual  NAO  há  necessidade  de  se  comprovar  as  despesas  incorridas,  a  sua  exclusão  da  contabilidade  acarretou  dois  benefícios  distintos  para o grupo.  Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 13          12 a.  não  alterou  Lucro  Presumido  da  Total  Service,  apurado  somente em função do faturamento da empresa. Logo, o imposto  de renda a ser pago por ela manteve­se o mesmo;  b.  Possibilitou  a  distribuição  de  dividendos  em  valores  muito  superiores aos que seriam corretos. Afinal, conforme DIPJ/2010,  a  Total  Service  apurou  um  Lucro Presumido  de R$619.949,46,  no entanto, distribuiu dividendos no valor de R$1.612.552,44 ã  Fiscalizada.  Lucro  este  apurado  através  contabilidade  na  qual  NÂO foram incluídas as despesas da empresa.  46. Desta forma constata­se que a constituição da Total Service,  o  regime  de  tributação  adotado  pela  Total  Service  e  pela  Fiscalizada e, principalmente, a alocação de  todas as despesas  das  duas  empresas  em  apenas  uma  delas  não  foi  uma  questão  estratégica comercial, conforme afirmado pela Fiscalizada, mas  sim uma maneira de tentar iludir o Fisco com o único objetivo de  reduzir ou eliminar o Imposto de Renda devido.  2.1  SOBRE O ARBITRAMENTO DO LUCRO  34.  A litigante transcreve as razões do relator do Acórdão DRJ (págs. 1.458/1.461),  que manteve  o  arbitramento;  descreve  a  legislação  que  determina  a  obrigação  da  autoridade  fiscal em aplicar arbitramento do lucro; reproduz as afirmações da autoridade fiscal no Termo  de  Verificação  Fiscal  (págs.  1.463/  1.464),  para  destacar:  que  todos  os  documentos,  demonstrativos  contábeis  e  livros  solicitados  no  Termo  de  Início  de  Fiscalização  foram  entregues em 24/06/2013; que a autoridade fiscal intimou a fiscalizada a apresentar documento  de  outra  pessoa  jurídica  ("O  AFRB  nüo  tinha  MPF  ­  D  ou  MPF  ­  F  para  examinar  a  contabilidade  da  empresa  TOTAL,  ferindo  a  legislação  vigente."),  mas  a  autoridade  estava  usurpando  de  sua  competência  abstrata  por  não  ter  a  competência  concreta  para  intimar  a  empresa TOTAL, e muito menos competência concreta para intimar a fiscalizada a apresentar  documentos de empresas do grupo, que não estão sob qualquer ação  fiscal; que a autoridade  fiscal  relatou que a autuada entregou os documentos solicitados; que as duas  infrações que a  fiscalização  identificou:  Outras  Exclusões,  em  excesso,  do  lucro  distribuído  pela  empresa  Total, no valor de R$1.200.029,92 e Passivo Fictício de R$7.409.047,61, não estão previstas  como causas legais para arbitramento do lucro e bastaria à fiscalização incluir tais valores na  apuração do lucro real; por isso feriu o art. 28 da Lei nº 9.874, de 29 de janeiro de 1999, pois  devia  ter  intimado  a  fiscalizada  a  proceder  à  regularização  da  contabilidade,  antes  do  arbitramento:  Art. 28 ­ Devem ser objeto de intimação os atos do processo que  resultem  para  o  interessado  em  imposição  de  deveres,  ônus,  sanções ou restrições ao exercício de direitos e atividades e os  atos de outra natureza, de seu interesse..   35.  Aduz  que:  1  ­  a  contabilidade  da  fiscalizada  escriturou,  em  obediências  as  regras  contábeis,  todos  os  fatos  modificativos  e  permutativos  e  os  colocou  à  disposição  da  fiscalização;  2  ­  a  fiscalizada  colocou  à  disposição  da  fiscalização  todos  os  documentos  solicitados  e  todos  os  livros  contábeis  e  fiscais;  3  ­  a  fiscalização  no Termo  de Verificação  Fiscal o confirmou; 4  ­ a  fiscalização não concordou com o método adotado pela  fiscalizada  sobre  a  apuração  do  rateio  de  custos  e  despesas  entre  as  empresas  ligadas,  entendeu  haver  passivo  fictício  e  que  a  empresa  Total  apurou  lucro  e  os  distribuição  acima  do  devido  Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 14          13 legalmente  e  consequentemente  o  excesso  distribuído  à  fiscalizada  foi  adicionado  ao  Lucro  Líquido para apuração do Lucro Real (sic), assim como o PIS e COFINS; 5­ o próprio relator  no Acórdão, com os dados do Termo de Verificação Fiscal, apurou o novo lucro real e alegou  que  a  fiscalizada  foi  beneficiada  com  exigência menor  com  apuração  pelo  Lucro Arbitrado,  tanto no IRPJ. CSLL, PIS e COFINS. Demonstra, assim, o Relator que seria possível apurar os  valores que  entendeu a  fiscalização  serem devidos,  pelo Lucro Real,  não  sendo necessário o  arbitramento  do  lucro;  6­  a  afirmação  fls  72  do  acórdão,  item  94  em  que:  "outro  fato  gravíssimo ensejador do lançamento na forma arbitrada, também trazido na ação fiscal, para  justificar o arbitramento, é o PASSIVO FICTÍCIO verificado, MOTIVAÇÃO ESTA QUE NÃO  FOI  ATACADA  EM  NENHUM  MOMENTO  NA  IMPUGNAÇÃO."  é  incorreta,  pois  a  Recorrente,  em  sua  impugnação,  apresentou  seus  argumentos  contestando o Passivo Fictício  apurado pela fiscalização no tópico do 1.1.1.2, fls. 35 a 42 da Impugnação; 7 ­ alega o Relator  a  ocorrência  da  fraude;  não  há  prova  de  fraude,  a  fiscalizada  não  ocultou  qualquer  procedimento  de  sua  contabilidade,  tanto  é  verdade  que  a  fiscalização  localizou  todos  os  lançamentos  e  os  discordantes  ela  tributou;  8  ­ A  atuação  ficou  no  campo  do  direito,  isto  é  interpretação  do  método  de  rateio  de  despesas  e  custos  utilizados  e  a  não  aceitação  dos  esclarecimentos  sobre  a  não  existência  do  passivo  fictício;  9  ­  A  distribuição  de  lucros  foi  mensal e não em 31/12/2009, portanto, há erro na data do fato gerador .   36.  A análise será feita depois das infrações contestadas.  2.2  SOBRE O PASSIVO FICTÍCIO   37.  Haviam  sido  auditados  pela  fiscalização  R$11.681.934,85  lançados  a  título  de  Fornecedores  na  Ficha  37  da  DIPJ  2010/2009  e  contabilizados;  após  várias  intimações  e  documentos  apresentados,  foram  autuados  como Passivo Fictício R$7.409.047,61  (63,4% do  saldo  de  Fornecedores),  e  sendo  o  Passivo  Total  informado  na  DIPJ  de  R$34.988.930,45,  significa  21,1%  deste;  a  DRJ  reconheceu  R$113.998,12,  portanto,  ficou  reduzido  o  passivo  fictício  a  R$7.295.049,51(62,4%  do  Saldo  Fornecedores  e  20,8%  do  Passivo,  respectivamente.  Em  relação  à  receita  informada  na  DIPJ  R$48.069.379,57  (41.643.265,05  (revenda  de  mercadorias)+4.595.397,40  (prestação  de  serviços)+1.830.717,12  (locação),  significou 15,4%.  38.  A DRJ  analisou  as NF da  Ingenico, Verifone  e mais  várias  empresas  (listadas  às  págs. 1.265/1266, na impugnação, e afastou a presunção de passivo fictício das Notas Fiscais  de  fornecedores  do  quadro  de  pág.  1.271,  no  montante  de  R$112.757,58;  e  R$1.240,54,  referente a Notas Fiscais que não haviam sido localizadas anteriormente, listadas no quadro de  págs.1.273/1.274; ou seja, a DRJ decidiu que estavam comprovados os passivos no montante  de  R$113.998,12,  restando  o  Passivo  Fictício  de  R$7.295.049,51  (62,4%  do  saldo  de  fornecedores).  39.  No recurso voluntário, cita as definições e passa a apresentar comprovações de  que  o  de  passivo  fictício  não  existe  ­  o montante  dos  valores  que  alega  comprovar  totaliza  R$5.271.842,26:  a.  Notas Fiscais  Ingenico do Brasil Ltda, R$34.949,00 e R$12.726,00, pagas  em  14 e 16/01/2009, que a fiscalização entendeu que não poderiam constar da conta  do Passivo ­ Fornecedores em 2010, alega que foi erro contábil, em não baixar  na época própria este passivo; que a Lei das SA's determina que se contabilize  diretamente na conta Lucros Acumulados, sem transitar pela Demonstração de  Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 15          14 Resultado do Exercício, os Ajustes de Exercícios Anteriores, na  retificação de  erro imputável a exercício anterior ­ afirma que efetuou a  regularização destes  erros em 01/01/2011, conforme doc. 08 anexado à impugnação; na impugnação,  alegou que foram pagas em 2009 e o erro descrito e mesmo doc. 08;  i.  O Doc 08, págs. 837/882, são cópias de: NFs Ingenico e Verifone, sendo  algumas  ilegíveis;  comprovantes  de  pagamentos;  e  cópia  Razão  Analítico da Paytec do ano 2011:   1.  lançamentos  a  Crédito  na  conta  2.4.2.003.00004  ­  Ajustes  Períodos Anteriores, com o histórico: VALOR REFERENTE A  AJUSTE  DE  EXERCÍCIOS  ANTERIORES  REF  A  CONTABILIZAÇÃO  EM  CONTA  INCORRETA  ­  BAIXA  NÃO EFETUADA NA CONTA FORNECEDORES (nomes dos  fornecedores  Verifone  e  Ingênico  e  nºs  das  NF)  ­  a  soma  dos  lançamentos  perfaz:  R$1.789.232,98  em  01/01/2011;  R$4.942.223,39 em 05/01/2011;  2.  lançamentos a Débito na conta 2.1.1.001.00001 ­ Fornecedores a  Pagar,  com o histórico: VALOR REFERENTE A AJUSTE DE  EXERCÍCIOS ANTERIORES REF A CONTABILIZAÇÃO EM  CONTA  INCORRETA  ­  BAIXA  EFETUADA  NA  CONTA  FORNECEDORES  (nomes  dos  fornecedores  Verifone  e  Ingênico  e  nºs  das  NF)  ­  a  soma  dos  lançamentos  perfaz:  R$1.789.232,98 em 01/01/2011; R$4.942.223,39 em 05/01/2011  ­  a  soma  dos  lançamentos  perfaz:  R$1.789.232,98  em  01/01/2011; R$4.942.223,39 em 05/01/2011.  ii.  Não  está  explicado  em  que  conta  se  deu  o  lançamento  da  baixa  pelo  pagamento  dos  passivos  em  tela  (uma  vez  que  não  foi  na  conta  Fornecedores  a  Pagar),  já  que  teria  sido  contabilizado  de  forma  incorreta;  os  lançamentos  supra  reduzem  o  valor  do  passivo  e  aumentam  o  do  Patrimônio  Líquido,  ou  seja,  apenas  houve  uma  mutação no balanço patrimonial da empresa; cabe perguntar de onde  saíram os  recursos que  foram utilizados nesses pagamentos, não houve  contrapartida em conta de disponível?  iii.  Junto  com  o  recurso  voluntário,  no  Anexo  de  Esclarecimentos  Adicionais, págs. 1.403/1.407, juntou cópias de fichas de contabilização  de pagamento de fornecedores, vs. conta bancária.  iv.  Justifica que:   ESCLARECIMENTO DO ITEM 77 DO ACÓRDÃO  As  notas  ficais  079893/078031,  também  tiveram  a  correspondência bancária contabilizada, no  entanto  trata­se de  uma situação distinta,  informamos  isto ao  fisco à época, o que  ocorreu foi a baixa na conta de fornecedores no entanto em 2008  não  havia  sido  constituía  a  provisão  destas  notas  na  conta  de  fornecedores.  Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 16          15 v.  Cabe concordar com as conclusões da DRJ:  77.9. A fiscalizada, em 01/01/2011, alega ter verificado o erro e  providenciado  regularização  por  meio  dos  lançamentos  de  ajustes  no  patrimônio  líquido/conta  343  ­  AJUSTE  DE  PERÍODOS ANTERIORES, das notas n°s 78.031 (R$4.959,00) e  79.893 (R$12.726,00), cuja cópia do razão  junta à  impugnação  (Doc n°08).  77.10.  No  Razão  Analítico  juntado  (fl.  848),  o  histórico  de  lançamento das duas notas é "VALOR REFERENTE A AJUSTE  DE  EXERCÍCIOS  ANTERIORES  REF.  A  CONTABILIZAÇÃO  EM  CONTA  INCORRETA  ­  BAIXA  NÃO  EFETUADA  NA  CONTA  FORNECEDORES  ­  INGENICO  DO  BRASIL  ...".Na  mesma data, a maior parte do saldo dessa conta foi debitada na  conta  327,  que  é  a  conta  de  LUCROS  E  PREJUÍZOS  ACUMULADOS­  conforme  constou  da  impugnação,  item  14.6.21 do Relatório desse Voto.  77.11.  Nào  está  provado  que  se  tratou  de  mero  erro.  Ao  contrário,  o  procedimento  adotado  não  demonstra  que  a  obrigação  foi  paga  com  recursos  da  empresa,  tributados­  mas  tão  somente  o  expurgo  da  contabilidade  do  valor  do  passivo  "Fornecedores". O fato da empresa apresentar cópias dos títulos  bancários  quitados  e  comprovante  de  pagamento,  juntamente  com  as  notas  fiscais,  nào  ilide  a  presunção.  Sabe­se  que  os  valores  foram  pagos.  Mas  as  contas  nào  foram  escrituradas.  Ademais,  nào  foi  provada  a  regularidade  da  escrituração  da  conta de ativo "Bancos", nem a origem  tributada dos  recursos,  bem como dos demais ajustes na contabilidade da empresa.  77.12. Mantém­se a imputação para essas duas notas fiscais da  INGENICO.  b.  Notas Fiscais Verifone do Brasil S/A, contabilização em conta incorreta, pagas  em  25/07/2008  e  15/08/2008,  nos  valores  de  R$763.100,80,  R$482.348,79,  R$482.348,79,  R$9.028,80,  R$4.720,80  ­  afirma  que  efetuou  a  regularização  destes erros em 01/01/2011, conforme doc. 08 anexado à impugnação. Relata a  DRJ  que  constou  da  impugnação,  conforme  segue  e  concluiu  pela  improcedência dos argumentos, nos termos do item precedente:  A fiscalizada, em 01/01/2011, verificando erro de contabilização,  providenciou  sua  regularização  por  meio  dos  lançamentos  de  ajustes  no  patrimônio  líquido,  conta  343  ­  AJUSTE  DE  PERÍODOS ANTERIORES, das notas n°s 761 (RS 763.100,80);  1527  (R$  482348,79);  1531  (RS  482.348,79);  1899  (RS  9.028,80),  1204  (RS  4.720,80);  cuja  cópia  do  razão  junta  ò  impugnação. Doc n°08  c.  Aplica­se a mesma conclusão.  d.  sobre  o  quadro  a  seguir  ­  afirma que  efetuou  a  regularização  destes  erros  em  05/01/2011, conforme doc. 08 anexado à impugnação  Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 17          16 NF nº   Dta emissão  Dta  pagamento  Valor da  Nota F R$  Valor Pago  RS  Diferença RS  Motivo  diferença  Banco  N.  comprovante  245    14/09/2009  16/11/2009  781.697,00  3.483.503,20  2.701.806,20 Declaração  anexa  ITAU  00000 TED  246  14/09/2009  16/11/2009  2.535.970,50  3.483.503,20  947.532,70 Declaração  anexa  HAU  000000 TED  7704  29/01/2009  30/03/2009  2.068,38  2.068,38      ITAU  9308740  11726  22/07/2009  21/09/2009  19.623,81  19.623,81      ITAU  3744243  11797  24/07/2009  22/09/2009  28.383,00  28.383,00      ITAU  3744697  i.  também avaliadas no Acórdão DRJ, nos parágrafos 77.13 a 77.21:  77.16.  Mesmo  sendo  aceitos  que  teriam  sido  pagas  essa  obrigações nas datas e na forma apontadas na impugnação, uma  vez que as explicações dadas para  elas  inicialmente,  durante a  ação  fiscal,  foram  bem  diferentes,  e  alguns  documentos  bancários  estão  ilegíveis,  as  datas  constantes  desses  demonstrativos indica que elas foram mantidas no passivo após  a data de quitação neles apontada.  77.18. A justificativa da Impugnante se resume, então, a repetir a  tese  que  efetuou  lançamento  de  ajustes  no  patrimônio  líquido  (343  e  327)  e  que  elas  já  teriam  sido  pagas,  em  momento  anterior, conforme Doe 08.  77.19.  Em  razão  das  considerações  feitas  no  título  1  ­ NOTAS  FISCAIS DA EMPRESA INGENICO DO BRASIL LTDA, não se  pode aceitai' os lançamentos respectivos acima, que não afastam  a  presunção,  pois  não  comprovam  a  alegação  de  meros  erros  trazidas na defesa.  77.20. Não se pode manter no passivo obrigações já pagas. Tal  fato  leva  à  presunção  de  omissão  de  receitas,  por  passivo  fictício, pois os valores foram mantidos em conta de passivo, sem  que  houvesse  dívida.  E,  ao  fim,  sua  baixa  se  deu  de  forma  inusitada  para  a  alegação  de  mero  erro,  uma  vez  que  utilizou  lançamento  contábil  que  serviu  apenas  para  baixar  o  valor  da  conta "Fornecedores", nada mais se explicando sobre a origem  dos recursos, se tributados, e o que efetivamente ocorreu com as  contas  de  ativo  cujas  contrapartidas  estariam  envolvidas  nos  fatos contábeis sob análise.  77.21.  Assim,  mantém­se  a  imputação  para  essas  notas  fiscais  Verifone  ii.  no que tange ao item 77.13 do Acórdão, citado supra, a Recorrente, diz:  1.  A  nota  fiscal  11947,  de  R$1.574.480,70  foi  quitada,  conforme  declaração do fornecedor em 31/07/2009; as notas fiscais n°s 245  e  246,  nos  valores  de  R$781.697,00  e  R$2.535.970,50,  foram  quitadas em 16/11/2009, conforme declaração do fornecedor.  Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 18          17 2.  As  notas  fiscais  n°s  7704  ­ R$2.068,38,  11726­  R$19.623,81  e  11797  ­R$28.383,00,  quitadas  respectivamente,  em  29/01/2009,22/07/2009 e 24/07/2009.  3.  Ver documentos 01 e 02  iii.  Contudo,  a  DRJ  não  apesar  de  ter  questionado  que  tivessem  sido  quitadas, afirmou que, mesmo sendo aceitas que  teriam sido pagas nas  datas  e  forma  apontadas,  foram  indevidamente  mantidas  no  passivo,  conta Fornecedores.  iv.  No  Anexo  de  Esclarecimentos  Adicionais,  págs.  1.403/1.407,  diz  a  Recorrente:  ESCLARECIMENTO DO ITEM 77.13 DO ACÓRDÃO As notas  fiscais  7704/11726/11797,  também  tiveram  a  correspondência  bancária contabilizada contra uma conta do ativo Abaixo segue  detalhes  do  lançamento  contendo  inclusive  o  número  do  lançamento contábil, na conta do ativo provando que não houve  contabilização  contra  a  conta  de  Fornecedores,  mas  houve  a  contabilização da saída bancária.    e  ESCLARECIMENTO  DO  ITEM  77.13  DO  ACÓRDÃO  Notas  fiscais 245 e 246 O valor total das notas  fiscais corresponde a  R$ 3.317.667,50, no entanto o pagamento foi feito pelo Itaú, no  valor de R$ 3.483.503,20, com a declaração de quitação emitida  peio Fornecedor.  Como  o  valor  de  pagamento  não  corresponde  exatamente  ao  valor da nota  fiscal, à época o pagamento  foi contabilizado do  banco para uma conta chamada conta transitória (código 21 no  Ativo). Abaixo segue detalhes do lançamento contendo inclusive  o  número  do  lançamento  contábil,  na  conta  do  ativo  provando  Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 19          18 que não houve  contabilização contra a  conta de Fornecedores,  mas houve a contabilização da saída bancária.  3­  ESCLARECIMENTOS DAS NOTAS FISCAIS DE  2008  Item  77.13 ­C Nota Fiscal 761­ R$ 763.100,80 Nota Fiscal 1531 ­ R$  482.348,79 Nota Fiscal 1527 ­ R$ 482.348,79 O pagamento  foi  feito  pelo  Unibanco  em  25/07/2008,  no  valor  de  R$  1.727.798,38,  veja  o  anexo  deste  e­mail  com  a  declaração  de  quitação emitida pelo Fornecedor.  Como  o  valor  de  pagamento  não  corresponde  exatamente  ao  valor de cada nota fiscal, à época o pagamento foi contabilizado  do banco para um conta  chamada conta  transitória  (código 21  no  Ativo).  Abaixo  segue  detalhes  do  lançamento  contendo  inclusive  o  número  do  lançamento  contábil,  na  conta  do  ativo  provando  que  não  houve  contabilização  contra  a  conta  de  Fornecedores, mas houve a contabilização da saída bancária.  Ainda  sobre  o  Item  77.13  ­ C Nota Fiscal  1204  ­  R$  4.720,80  Nota  Fiscal  1899  ­  R$  9.028,80  O  pagamento  foi  feito  pelo  Unibanco  em  15/08/2008,  no  valor  de  R$  656.576.84,  veja  o  anexo  deste  e­mail  com a declaração de  quitação  emitida  pelo  Fornecedor.  Como  o  valor  de  pagamento  não  corresponde  exatamente  ao  valor de cada nota fiscal, à época o pagamento foi contabilizado  do banco para um conta  chamada conta  transitória  (código 21  no  Ativo).  Abaixo  segue  detalhes  do  lançamento  contendo  inclusive  o  número  do  lançamento  contábil,  na  conta  do  ativo  provando  que  não  houve  contabilização  contra  a  conta  de  Fornecedores, mas houve a contabilização da saída bancária.  v.  Do  transcrito,  se  entende  que  a  recorrente  justifica  que  muitos  pagamentos de  fornecedores,  em vez de  serem contabilizados a Débito  da  conta  Passivo­Fornecedores  e  a  Crédito  ­  Ativo  Disponível  ou  Bancos, foram contabilizadas: a Débito do Ativo Diversos­Transitória e  a  Crédito  ­  Ativo  Disponível  ou  Bancos  ­  verifica­se  que  este  lançamento  não  altera  a  situação  patrimonial,  pois  é  apenas  uma  mutação no Ativo.  e.  sobre  a  tabela  a  seguir,  as  datas  de  emissão  de  todas  NF  informadas  no  demonstrativo  do  fiscal  (TVF,  item  66),  estão  erradas;  nenhuma  delas  foi  emitida em 31/10/2009, conforme documentos acostados à impugnação, doc 9;  só  uma  NF  foi  emitida  em  02/2010,  as  demais  em  01/2010,  por  serviços  prestados  em  12/2009;  como  a  empresa  apura  pelo  regime  de  competência,  escriturou os valores incorridos de acordo.  Fornecedor  NF n.  Período  da  Prestação  do serviço  Dia emissão  Dta  pagamento    Valor Pago  Banco    N.Controle  Bankline  JPR TEC. E SERV.  LTDA  103 Dez 2009  05/01/2010  Em 2010  20.000,00  ITAU  599519681000044  VALOR CONS. DE   INFORMÁTICA. LTDA   43 Dez 2009  15/01/2010  Em 2010  5.631.00  ITAU  875220405  Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 20          19   Fornecedor  NF n.  Período da  Prestação  do serviço  Dia  emissão  Dta  pagamento    Valor  Pago  Banco    N.Controle Bankline  VCG SERV. DE INF.  CAD. LTDA ME  8 Dez 2009  05/01/2010  Em 2010  8.518,64  ITAU  2135405012010  CONTELE  ELET.EINF.ME  7299 Dez 2009  19/01/2010  Em 2010  11.525,74  ITAU  100115000000008  NVI NOVA VISÃO  INFORM LTDA  2545 Dez 2009  06/01/2010  Em 2010  6.788,81  ITAU  799515118000019  VALOR CONS. DE  INFORM LTDA  47 Dez 2009  12/02/2010  Em 2010  29.783,14  ITAU  399746317000039  i.  Alega  que  as  NF  das  tabelas  supra  foram  emitidas  em  2010,  embora  estivessem  contabilizadas  no  passivo,  conta  Fornecedores,  em  31/12/2009 e que justifica tal contabilização pelo fato de que os serviços  teriam sido prestados em 2009;  ii.  Cabe também transcrever a análise da DRJ de que, além de tudo não foi  comprovada a prestação em 2009:  (i) JPR TEC . E SERV. LTDA (FL. 187)e da VALOR CONS. DE  INF.  LTDA  EPP.  (FL.  195),  pois  as  correções,  indicando  o  período  de  dezembro  de  2009  foram  feitas  à  mão  nas  notas  apresentadas;  (ii)  VCG  SERV.  DE  INF.CAD.  LTDA  ME  (FL.  199) e CONTELE ELET. E INF.ME (FL. 203), pois as notas são  omissas com relação a essa informação; (iii) NVI NOVA VISÃO  INFORM.  LTDA  (FL.  209),  pois  somente  traz  a  informação  "valor  mensal",  sem  fazer  referência  a  data;  e  (iv)  VALOR  CONS.  DE  INFORM.LTDA  (FL.  211),  pois  na  nota  há  informação  de  que  o  serviço  prestado  foi  o  de  elaboração  de  sistemas de computador referente ao mês de fevereiro de 2010.  iii.  A justificativa não é aceitável, pois lançamentos contábeis são efetuados  com base em documentos; se as NF ainda não haviam sido emitidas, não  procede  a  contabilização  no  passivo  de  obrigação  ainda  não  documentada.  40.  Diz que apresenta notas fiscais que não haviam sido localizadas:   i.  NF Dataseg 062, emitida em 16/01/2010, período de prestação serviços  12/2009, paga em 26/01/2010, R$262,67, doc. 10;   ii.  e as seguintes, doc.11:  Fornecedor  NF n.  Dta emissão  Dia  pagamento  Valor Pago  RS  Banco  N. Controle  Bankline  Rede Digital Servs.  e Distr. Ltda  930  03/06/2009        Declaração do  Fornecedor  Autopel Autom.  Com. E In for. Ltda  100126  31/08/2009  28/09/2009  9.638,50 Unibanco  4923475  Autopel Autom.  Com. E In for. Ltda  100126  31/08/2009  13/10/2009  9.638,49 Unibanco  7813889  D.F Dutra e Cia  Ltda  280  09/05/2008  13/05/2008  13.089,60  Itau  0001464407  Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 21          20 1.  Diz  que  a  nota  fiscal  n°  930,  emitida  em  03/06/2009  não  foi  baixada na época própria, mas, em 01/01/11 foi feito o ajuste de  exercícios  anteriores,  baixando  (débito)  fornecedores,  conta  46­  Fornecedores a pagar e credito da conta 327 ­ Lucros e Prejuízos  acumulados, doc. 11;   2.  quanto  à  nota  fiscal  280,  o  AFRFB  se  equivocou  no  valor  no  item  66  do Termo  de Verificação  Fiscal.  O  valor  apurado  pela  fiscalização  foi  R$  61.375,45  e  na  realidade  é  R$  13.089,60,  paga em 13/05/2008, doc. 11.  iii.  e reclama de cerceamento de defesa porque, à época, solicitou extensão  de prazo para esclarecer os  itens a, b,  c e d da  Intimação nº 03, mas a  fiscalização  lavrou  os  autos  de  infração;  requer  a  leitura  do  anexo  de  Esclarecimentos Adicionais.  b.  Mas  constam  do  TVE,  item  66,  as  seguintes  notas  "não  apresentada  comprovação":  Fornecedor/razão social  CNPJ  nº NF  Data NF  Valor NF  REDE DIGITAL SERVS. E DISTRIB. LTDA  05.550.846/0001­19  930  30/06/09  400.0S3.25  AUTOPEL AUTOM. COM. E 1NFORM. LTDA  06.698.091/C001­67  100126  31/08/09  19.273.99  DF Dutra  05.324.029/0001­42  280    61.375,45  DATASEG INFORMÁTICA LTDA    60  31/12/09  562;67  ELAINE DE MELO FERNANDES    49  31/12/09  195,39  DATASEG INFORMAT. LTDA  07.770.896/0001­37  60  31/12/09  581,83  INGENICO DO BRASIL LTDA    03.615.814/0001­43  84099  28/12/09  530,75,    i.  Sobre o doc 10 citado, apenas se localizou nos autos, à pág. 990, quadro  anexo  à  impugnação,  mas  nenhum  documento;  além  de  que  a  NF  Dataseg  062,  emitida  em  16/01/2010,  não  consta  das  notas  apontadas  pelo  autuante;  portanto,  não  foi  apresentado  documento  comprobatório  acerca da NF Dataseg 60;   ii.  Sobre  o  doc  11,  apenas  se  localizou,  à  pág.  990,  nos  autos,  quadro  anexado com a impugnação, idêntico ao que foi reproduzido supra, que  o  contribuinte  incluiu  no  recurso  voluntário:  não  foram  apresentados  documentos comprobatórios.  iii.  No  Anexo  de  Esclarecimentos  Adicionais,  págs.  1.600/1.607,  a  recorrente reproduziu cópias de Lançamentos Contábeis da Paytec:  1.  por  exemplo:  Lançamentos  contábeis  31/12/2009,  conta  D  ­  Fornecedores  a  Pagar  ;  D  ­  Banco  Unibanco  S/A,  data  16/01,  Valor  12.726,00:  Valor  referente  a  pagamento  NF  079893  ­  Ingênico do Brasil Ltda;  Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 22          21 2.  e  outros  análogos  ref  NF  Ingênico  e  Verifone  e  Conta  Transitória, que não se referem a este ítem e já comentados neste  voto.  2.3  SOBRE AS OUTRAS EXCLUSÕES  41.  Trata­se  do  valor  de  RS  1.612.552,44  inserido  na  linha  69  da  Ficha  09A  da  DIPJ/2010,  que  o  contribuinte  justificou  serem  dividendos/lucros  recebidos  da  empresa  "TOTAL", mensalmente, durante o ano­calendário de 2009.  42.  A litigante assevera que as receitas da Total foram tributadas pelo Cofins e PIS.  e anexa os comprovantes dos pagamentos. Doc n° 01.  43.  Diz que houve erro na informação da linha na ficha 06A na DIPJ/2010, pois o  valor  de  R$1.612.552,44  deveria  ter  sido  informado  na  Ficha  06A,  linha  25  ­  Resultados  Positivos  em  Participações  societária  e  excluídos,  na  ficha  09A,  linha  41  (­)  Lucros  Divid.  Deriv. Invest. Aval. Custo Aquisição.  44.  TVF, pág. 613  e.  A  Fiscalizada  informou  que  o  recebimento  dos  Lucros  Distribuídos  era  feito  através  do  recebimento  direto  de  Títulos  de  Clientes  da  Total  Service  e  que  em  contra­partida  a  Fiscalizada pagava despesas da Total Service. Após o batimento  destes valores, o saldo de recursos era considerado como Lucro  Distribuído pela Total Service à Fiscalizada.  TVF, págs. 615/616  17. Também na mesma declaração, a Fiscalizada informou que  "Á  estrutura  operacional  da  Total  Service,  resume  ao  sócio,  atuante  na  parte  comercial,  operacional  e  administrativa  da  empresa".  20. O Sr. Kiochi Matsuda  é  sócio majoritário,  administrador  e  representante  legal  das  duas  empresa.  Ele  detém  99,9%  da  Fiscalizada e 95,0% da Total Service, sendo que os 5% restantes  são  de  propriedade  da  Fiscalizada.  Logo,  o  Sr.  Kiochi  é  o  proprietário das duas empresa.  21.  Na  mesma  declaração  citada  anteriormente,  a  Fiscalizada  informou  que  "os  gastos  referentes  a  departamentos  de  apoio  administrativo,  foram  pagos  pela  fiscalizada,  mas  apropriados  como despesas de cada uma das empresas, tais como impostos e  despesas  com  contabilidade".  Tendo a Fiscalizada  apresentado  comprovantes de que tais pagamentos foram feitos por ela.  22.  Considerando  que  somente  despesas  de  impostos  e  com  a  contabilidade  foram  apresentados  em  nome  da  Total  Service,  intimou­se  a  Fiscalizada  a  apresentar  os  seguintes  esclarecimentos:  (...)  Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 23          22 Em  atendimento  ao  Termo  de  Intimação  Fiscal  n°03,  em  resposta  aos  questionamentos  acima,  a  Fiscalizada  informou  que:  a.  A  empresa  Total  Service  prestava  serviços  relacionados  a  processamento  de  dados  relativo  ao  software  de  equipamentos  POS (máquinas de cartões de débito e crédito);  b.  Considerando  que  o  faturamento  da  empresa  Total  Service,  representa 3,74% do total da Receita das duas empresas, anexo  a este documento, segue uma planilha que relaciona as despesas  da  Paytec  que  tiveram  uso  comum  entre  as  empresas  e  o  respectivo rateio de despesas,  alocando 3,74% para a  empresa  Total service. Todas as despesas foram contabilizadas na Paytec.  45.  A Autuada,  para  justificar  o  valor  de dividendos  distribuídos  a  ela  pela Total  Service, apresentou o já descrito Demonstrativo de Resultados, porém a fiscalização verificou a  DIPJ da Total e constatou que o lucro que apurou no regime do lucro presumido, deduzido do  IRPJ e CSLL recolhidos, passível de distribuição era muito menor; recalculou o limite passível  de distribuição em função da DIPJ apresentada e glosou das Exclusões a diferença a maior, no  montante de R$1.200.029,92. Cite­se o TVF, págs. 619/620, sobre Outras Exclusões:  52. Em relação ao direito de a fiscalizada receber os dividendos,  e!a  apresentou  o  Contrato  Social  da  Total  Service,  suas  alterações  e  Ata  de  Distribuição  de  Lucro,  na  qual  autoriza  a  empresa a distribuir os lucros de forma desproporcional.  53. Em relação ao montante distribuído, constata­se através da  DIPJ/2010  da  Total  Service  que  ela  apurou,  somando  os  4  trimestres de 2009, um Lucro Presumido de R$619.949,46.  54.  Para  justificar  a  distribuição  de  lucros  em  valor maior  do  que  Lucro  Presumido  apurado,  a  fiscalizada  apresentou  o  Balancete  de  Verificação  e  a  Demonstração  de  Resultado  do  Exercício da Total Service,  onde  está demonstrado que o  lucro  contábil  apurado  no  ano  de  2009  foi  de R$1.614.372,16  e  que  teria sido distribuído aos sócios R$1.612.552,44.  55.  No  entanto,  conforme  demonstrado  no  item  anterior,  a  contabilidade  da  Total  Service  foi  elaborada  de  maneira  incorreta, em desconformidade com as leis comerciais, contábeis  e  fiscais,  não  sendo  computadas  as  despesas  incorridas  pela  empresa,  uma  vez  que  todas  as  suas  despesas  foram  lançadas  indevidamente na contabilidade da Fiscalizada.  56.  Não  se  pode  aceitar  a  distribuição  de  lucros  em  valor  superior  ao  previsto  pela  legislação,  qual  seja  o  Lucro  Presumido diminuído dos  impostos  e contribuições devidos,  em  conformidade com o art. 10 da Lei nº 9.249, de 26/12/1995, no  art. 51 da Instrução Normativa n° 11, de 21/02/1996 e o Inciso I  do ADN n°04/1996 que diz.  (...)  58.  Assim,  dos  R$1.612.522,44  que  foram  enviados  pela  Total  Service  a  título  de  lucros,  apenas  R$412.492,52  podem  ser  Fl. 1646DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 24          23 aceitos  como  distribuição  de  lucros/dividendos  à  Fiscalizada,  sendo que o valor restante de R$1.200.029,92 serão somados à  Receita  da  Fiscalizada  para  fins  de  apuração  dos  impostos  e  contribuições devidos.  2.3.1  Alegação de que distribuição de lucros foi mensal e não em 31/12/2009, portanto, há  erro na data do fato gerador.  46.  A  recorrente  apresentou  à  pág.  54,  Razão  Analítico  referente  à  distribuição  de  lucros recebidos da Total, com os valores lançados mensalmente, no ano 2009, totalizando os  R$1.612.552,44.  47.  A  fiscalização,  conforme  esclarecido,  apurou  que  eram  passíveis  de  distribuição,  consoante a legislação, R$412.492,52, glosando R$1.200.029,92, autuados como fato gerador  em 31/12/2009.  48.  A  litigante  alega que os  fatos  geradores deveriam se  reconhecidos na medida em  que ocorreram os recebimentos.  49.  No  entanto,  tendo  a Autuada  apresentado  a DIPJ  2010/2009,  no  lucro  real  anual,  consignou  o  total  da  exclusão,  na  apuração  anual,  com  fato  gerador  em  31/12/2009  e  o  Autuante ao efetuar a glosa, o fez na mesma data.  2.4  DESCLASSIFICAÇÃO DA CONTABILIDADE DO CONTRIBUINTE. ARBITRAMENTO.  50.  O Autuante identificou confusão patrimonial entre a Autuada e a Total.  51.  À pág. 79,  a Autuada explica como  foram distribuídos os dividendos:  explica  que mantém duas contas na contabilidade: conta 1.1.2.009.0006 (398) ­ "c/c Total Service Serv  Proc  dados  (Conta  do Ativo)"  e  conta  2.1.1.004.00005  (388)  ­  "c/c  Total  Service Serv  Proc  dados  (Conta  do  Passivo)";  registra  a  débito  na  conta  do  Ativo,  sempre  que  a  Paytec  paga  alguma despesa da Total e registra a crédito na conta do Passivo, sempre que recebe valores de  receitas da Total ­ no final do mês efetua o fechamento dos saldos dessas contas e apura o valor  a distribuir para a Paytec.  52.  Cite­se a explicação fornecida pela Autuada, para justificar os "dividendos" que  recebeu da Total, pág. 79:  "Esclarecemos  que  durante  o  ano  de  2009  a  empresa  Paytec  Recebeu  títulos  de  clientes  de  "TOTAL"  Service,  bem  como  pagou  algumas  despesas  desta  empresa.  Estas  movimentações  foram  registradas  nas  contas  398  e  388,  que  chamamos  respectivamente  de  C/C  "TOTAL"  SERVICE  (Ativo  e  Passivo).  Mensalmente  o  valor  líquido  desta  conta  foi  considerado como  distribuição  de  lucro,  por  exemplo:  Vamos  imaginar  que  a  Paytec  Recebeu  em  títulos  da  "TOTAL"  Service,  o  valor  de  R$100.000,00,  neste  momento  ela  contraiu  uma  obrigação  de  repassar  o  valor  dos  mesmos,  no  entanto  pagou  despesas  da  "TOTAL"  Service,  no  valor  de R$5.000,00. Um  valor  deduzido  do outro,  sobra um saldo de R$95.000,00 a  favor da  "TOTAL"  Service.  Se  no mesmo  período  a  "TOTAL"  Ser'vice  apresentou  um  lucro  de  R$120.000,00,  a  Paytec,  por  ser  sócia  passa  ter  Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 25          24 direito sobre este lucro, então amortiza a dívida de R$95.000,00  do valor que tem direito"  53.  Págs.  212/214  (e  215/219),  "Resumo  Conta  Unica  detalhes",  em  que  estão  lançados os pagamentos e recebimentos, efetuados de 06/01/2009 a 31/12/2009:  a.   conta 1.1.2.009.0006 c/c Total Service Serv Proc dados (Conta do Ativo):  i.  Débito  ­  09/01/2009,  Vlr  ref  Pag  Honorários  ­  MKP  Ass  Contb  e  Consult/Total Service ­ R$414,64  ii.  Débito, pagamentos IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, ISS Pref Barueri, da Total  iii.  Débito,  31/01/2009,  Vlr  ref  transf  Distribuição  Lucro  Total  Service,  R$132.733,61  iv.  Total débitos ­ R$1.904.520,44  b.  conta 2.1.1.004.00005 c/c Total Service Serv Proc dados (Conta do Passivo):  i.  Crédito, 07/01/2009, Valor referente a TED recebida Verifone do Brasil  NFS  001/Total  Service  ­  R$59.356,50  (Observa­se  que  em  relação  à  mesma Verifone  do Brasil,  constam  cópias,  págs.  159/170,  172/182,  e  estão  listadas,  pág.  157,  várias  notas  fiscais  da  Verifone  em  nome  da  Autuada, relacionadas à conta Fornecedores da Paytec).   ii.  Total créditos R$1.304.024,70  c.  E a diferença entre os dois totais, R$484.904,66, a empresa denominou Saldo a  favor Paytec, para recebimento de lucros futuros.  54.  A autuada explicou que a Total foi constituída para prestar serviços relativos ao  software usado nas máquinas de cartões de débito e crédito que a Autuada revende; a Total é  detida 5% pela fiscalizada e 95% por Kiyochi Matsuda, que é 99,99 detentor da Autuada. Do  contrato social e alterações da Total, verifica­se que o domicílio da Total era diferente do da  Autuada, no entanto, na planilha de rateio de pág. de pág. 235 de despesas administrativas,  estão consignadas despesas de condomínio, limpeza, energia elétrica.  55.  Págs.  88/139,  Instrumento  de  Constituição  da  Posservice  Serviços  de  Processamento  de  Dados  Ltda  em  22/08/2006,  e  alteração  razão  social  para  Total  Service  Serviços  de  Processamento  de  Dados  Ltda,  alterando  a  sede  para  Alameda  Tocantins  882,  Galpão 3 Alphaville  Indl. Barueri/SP, em 23/03/2007;  ingressa como sócia  Isabel Cristina de  Queiroz (1%), a Paytec (1%) e Kiyochi Matsuda 98%, em 29/06/2009; em 04/05/2010, alterou  objeto  social  para  comércio  e  locação/comodato  de  produtos  para  telefonia,  informática  e  outros  equipamentos  eletrônicos  em  geral,  manutenção  e  reparação  destes  equipamentos,  serviços  de  processamento  de  dados,  desenvolvimento  e  elaboração  de  programas  de  computador;  em 13/12/2010,  alterou o  endereço para Av. Marginal Projetada,  1.810, Galpão  Indl nº 09, Tamboré Barueri/SP; em 14/03/2011, para Av. Marginal Projetada, 1.810, Tamboré  Barueri/SP  e  o  objeto  social  para  serviços  de  processamento  de  dados,  desenvolvimento  e  elaboração  de  programas  de  computador;  em  22/10/2012,  todos  os  três  sócios  se  retiram  da  sociedade, vendendo suas quotas para Edileuza Sales dos Santos Turini.  Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 26          25 56.  Págs.  141/144,  no  Balancete  de  Verificação  da  Total  01/01  a  31/12/2009,  constam no Ativo e Passivo Não Circulantes, os saldos das citadas contas, e a Demonstração de  Resultados, na qual apurou 98,76% de lucratividade sobre a receita líquida.  Total Service ­ Demonstração de Resultado do Exercício  Receita de Prest de Serviços  1.937.342,05  Rec de Aplic Fin  1.016,63  (­) Deduções: PIS, Cofins, ISS  109.399,80  (=) Rec Líquida  1.828.958,88  100% (­) Desp Admin  11.139,89   (­) Desp Fin  10.662,59   (­) Outras desp oper  828,98  Lucro Operacional=Lucro líquido  1.806.327,42  98,76% (­) Prov CSLL  55.795,45  (­) Prov IRPJ  130.987,37  Lucro a distribuir  1.619.544,60  88,55% 57.  Observou a DRJ, no Acórdão:  62.  É  evidente  que  a  TOTAL  não  apurou  corretamente  seu  resultado  e  que  as  despesas  a  ela  relativas,  ou  grande  parte  delas, estão na Impugnante, senão pela forma de contabilização­  pela forma de rateio, que as toma irrisórias para a TOTAL, que,  estranhamente,  nem  mesmo  as  considerou  em  seu  DRE  apresentado ­ fl. 144 ­ e que serviu de base para distribuição de  dividendos.  58.  O  Autuante  chegou  a  esta  conclusão  ao  comparar  a  Demonstração  de  Resultados  supra,  mediante  a  qual  a  Autuada  buscou  demonstrar  o  valor  dos  dividendos  distribuídos  pela  Total  para  a  Paytec  no  montante  de  R$1.612.552,44,  questionados  pela  fiscalização  (que  serão  abordados  adiante)  com  a  planilha  de  rateio  de  pág.  235,  que  a  fiscalizada  apresentou,  demonstrativo  das  despesas  que  foram  rateadas  para  a  Total  Service,  comentada adiante.  59.  Consta do Termo de Verificação Fiscal:  TVF: 22. Considerando que somente despesas de impostos e com  a  contabilidade  foram apresentados  em nome da Total Service,  intimou­se  a  Fiscalizada  a  apresentar  os  seguintes  esclarecimentos:  60.  Portanto, os comprovantes das despesas são documentos em nome da Autuada,  que  efetuou  todos  os  pagamentos;  somente  os  comprovantes  de  recolhimento  de  impostos  e  despesa com escritório de contabilidade estão em nome da Total.   61.  No  TIF  nº  3,  págs,  220/223,  a  interessada  foi  intimada,  haja  vista  que  havia  informado:   15.  A  atividade  comercial  da  Fiscalizada  é  basicamente  a  revenda  de  máquinas  de  cartões  de  débito  e  crédito,  Após  a  venda  destas  máquinas,  os  clientes  que  as  adquiriram  da  fiscalizada necessitam a prestação de serviço de processamento  de dados relativo ao seu software.  Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 27          26 16.  Este  serviço,  conforme  declaração  da  fiscalizada  em  atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 02, "Por questões  estratégicas  e  comerciais,  a  empresa  Total  Service  foi  constituída, para realizar serviços que antes eram realizados por  parceiros da fiscalizada".  17. Também na mesma declaração, a Fiscalizada informou que  "A  estrutura  operacional  da  Total  Service,  resume  ao  sócio,  atuante  na  parte  comercial,  operacional  e  administrativa  da  empresa''.  (...)  Considerando  que  somente  despesas  de  impostos  e  com  a  contabilidade  foram  apresentados  em  nome  da  Total  Service,  intimou­se  a  Fiscalizada  a  apresentar  os  seguintes  esclarecimentos:  a. Quais eram os serviços prestados pela Total Service.  b. Quais eram os custos e despesas gastos pela Total Service para  a efetivação dos serviços prestados;  62.  A Autuada  apresentou Ata  de Distribuição  de  Lucro  da Total  Service,  datada  de  10/12/2008, pág. 226:   PUBLICAÇÕES  ­  A  pessoa  física  do  sócio  é  a  mesma  que  representa  o  outro  sócio  que  trata­se  de  uma  pessoa  jurídica,  dispensando  desta  forma  qualquer  comunicado  para  comparecimento.   ORDEM DO DIA  ­  Por  unanimidade,  aprovar,  sem  ressalvas,  após exame e discussão, a Distribuição de Lucros, para o ano de  2008 e posteriores.  DELIBERAÇÕES  ­  Por  unanimidade,  aprovou­se  que  a  distribuição de Lucros da empresa TOTAL SERVICE SERVIÇOS  DE  PROCESSAMENTO  DE  DADOS  LTDA,  não  respeitará  a  proporção  de  cada  sócio  no  capital  social  conforme  faculta  o  artigo  1007  do  Código  Civil,  podendo  inclusive  existir  destinação integral do Lucro a qualquer um dos sócios.  63.  E  págs.  826/827,  junto  com  a  impugnação,  Contrato  de  Rateio  de  Despesas  Administrativas, entre Paytec e Total Service (não foi registrado):  2.  Serão  rateadas  entre  as  duas  partes  contratantes  o  custo  administrativo  geral  comum  tendo  como  critério  a  proporção  aos  seus  faturamentos  dos  custos  administrativos  incorridos  durante o ano.  3.  A  CENTRALIZADORA  contabilizará  os  gastos  administrativos  gerais,  em  seu  plano  de  contas  que  serão  rateadas  entre  as  empresas  com  base  em  seu  faturamento.  As  despesas nominativas da CENTRALIZADA serão contabilizadas  na  CENTRALIZADORA  em  contas  de  ativo  e  passivo  não  transitando por seu resultado.  Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 28          27 64.  A Autuada informou que as despesas que pagou foram rateadas proporcionalmente  ao faturamento de cada uma das empresas e que a proporção de faturamento da Total é 3,74%  do total das duas e apresentou a demonstração do ano 2009, planilha de rateio à pág. 235:  Demonstração pág. 235     Rateio Total  Service  Receitas Brutas Paytec + Total Service  51.826.564,09  3,74%            Despesas Administrativas ­total geral  3.525.359,77     Despesas Administrativas ­total que foi objeto de rateio  1.849.841,40     Paytec  Total Service   desp de salários, enc soc, limpeza, serv de 3ºs, combust, seguros,   publicidd, jornais e ver, correios, tel, condomin, mat escrit, taxi,   entregas, viagens, advogados, internet, tarifas banc, em elé proporcionais  1.780.657,33  69.184,07    96,26%  3,74%  Resumo:       Despesas Administrativas ­total geral  3.456.175,70  69.184,07    98,04%  1,96%  65.  Observa­se  que  na  Demonstração  de  Resultados  apresentada  para  justificar  dividendos distribuídos pela Total, estavam consignadas despesas administrativas no montante de  apenas R$11.139,89    66.  E  na  DIPJ  2010/2009,  entregue  em  30/06/2010,  regime  lucro  real  anual,  a  Autuada, informou:  Ficha 06 ­ Demonstração de Resultado      04. Receita de revenda de mercadorias ­ Mercado Interno  41.643.265,05   05.Receita de Prestação de Serviços ­ Mercado Interno  4.595.397,40   08. Receita de Locação de Bens Móveis e Imóveis  1.830.717,12   Total  48.069.379,57  100%  Ficha 05 ­ Despesas Operacionais  6.803.324,32  14%  67.  E se observa que a Paytec informou R$6.803.324,32 de despesas operacionais, e  apresenta demonstrativo onde informa alocar R$69.184,07 à Total.  68.  A Fiscalização concluiu que:  25.  Constatam­se  irregularidades  nos  procedimentos  adotados  pela Fiscalizada, senão vejamos.  26. A Fiscalizada e a Total Service são empresas diversas e por  isto  devem  possuir  patrimônio,  receitas  e  despesas  incomunicáveis.  (*)27. A Receita de uma empresa não pode ser lançada como da  outra, assim como as despesas também não,   (*)28.  A Fiscalizada,  ao  lançar  em  sua  contabilidade  despesas  que eram devidas pela Total Service maculou sua contabilidade,  bem como a da Total Service, de vício que a desqualifica para a  apuração do Lucro Real.   Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 29          28 69.  (*) Não  tem razão o Autuante, no que  tange ao controle em c/c de recursos entre  duas empresas do mesmo grupo, contudo, tais valores podem caracterizar mútuo a ensejar juros  e IOF).  70.  Contudo, conforme cita e determina o art. 299 do RIR de 1999, com base no art. 47  da Lei nº 4.506, de 1964, são operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias  à atividade da empresa, pagas ou  incorridas para a  realização das  transações ou operações, e  que  são  usuais  e  normais  ­  dessa  forma,  a  fiscalização  não  aceitou  o  critério  de  proporcionalidade  das  despesas  com  base  na  proporção  do  faturamento,  e  destacou  que,  na  contabilidade da Total,  tais despesas não figuravam na sua apuração de resultados; por outro  lado, não cabe à fiscalização estabelecer os critérios de rateio, no lugar da empresa.  71.  Percebe­se  que,  para  justificar  a  distribuição  dos  dividendos  pela  Total,  o  contribuinte apresentou a Demonstração de Resultados da Total, demonstrando lucro líquido a  distribuir  de R$1.619.544,60;  no  entanto,  nem mesmo  a  fração  das  despesas  que  alega  que  foram  alocadas  à  Total,  proporcionalmente  aos  faturamentos  das  duas  empresas,  foi  registrada  nessa  Demonstração de Resultados.  72.  Concluiu o Autuante que:  40.  Conforme  já  informado,  a  Fiscalizada  justificou  a  constituição  da  Total  Service  da  seguinte  maneira:  *Por  questões  estratégicas  e  comerciais,  a empresa Total Service  foi  constituída, para realizar serviços que antes eram realizados por  parceiros da fiscalizada".  41.  No  entanto,  analisando­se  o  regime  de  tributação  adotado  pelas  duas  empresas,  combinado  com  o  fato  de  que  todas  as  despesas das duas empresas  foram lançadas exclusivamente na  Fiscalizada, demonstra que a motivação para a constituição da  Total Service foi outra. Explica­se.  42.  Conforme  já  informado,  a  Fiscalizada  adotou  o  regime  de  tributação  com  base  no  Lucro  Real  Anual.  Já  a  Total  Service  adotou o regime de tributação com base no Lucro Presumido.  43. A  simples adoção de  regimes  de  tributação diversos,  assim  como  a  constituição  da  Total  Service,  não  apresenta  qualquer  irregularidade. No entanto, a alocação de todas as despesas das  empresas  somente  na  contabilidade  da  Fiscalizada  demonstra  que a  intenção do agente era  eliminar, ou ao menos  reduzir, o  montante do imposto de renda devido.  44. A inclusão de um montante maior de despesas na apuração  do Lucro da Fiscalizada acarretou a diminuição do  lucro Real  da  empresa  e  por  decorrência  um  Imposto  de  Renda  devido  menor.  45.  Já  no  caso  da  Total  Service,  optante  pelo  Regime  de  Tributação  com  base  no  Lucro  Presumido,  no  qual  NÃO  há  necessidade  de  se  comprovar  as  despesas  incorridas,  a  sua  exclusão  da  contabilidade  acarretou  dois  benefícios  distintos  para o grupo.  Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 30          29 a.  não  alterou  Lucro  Presumido  da  Total  Service,  apurado  somente em função do faturamento da empresa. Logo, o imposto  de renda a ser pago por ela manteve­se o mesmo;  b.  Possibilitou  a  distribuição  de  dividendos  em  valores  muito  superiores aos que seriam corretos. Afinal, conforme DIPJ/2010,  a  Total  Service  apurou  um  Lucro Presumido  de R$619,949,46,  no entanto, distribuiu dividendos no valor de R$1,612.552,44 à  Fiscalizada.  Lucro  este  apurado  através  contabilidade  na  qual  NÃO foram incluídas as despesas da empresa.   46. Desta forma constata­se que a constituição da Total Service,  o  regime  de  tributação  adotado  pela  Total  Service  e  pela  Fiscalizada e, principalmente, a alocação de  todas as despesas  das  duas  empresas  em  apenas  uma  delas  não  foi  uma  questão  estratégica comercial, conforme afirmado pela Fiscalizada, mas  sim uma maneira de tentar iludir o Fisco com o único objetivo de  reduzir ou eliminar o Imposto de Renda devido,  47.  Sendo  assim,  resta  evidente  que  a  escrituração  da  Fiscalizada  não  serve  para  a  apuração  do  Lucro  Real  da  empresa  e  a  escrituração  da  Total  Service  também  não  serve  para a apuração de um lucro a ser distribuído superior ao Lucro  Presumido apurado.  73.  E,  para  justificar  o  montante  de  distribuição  de  lucros  que  efetuou,  a  Autuada  apresentou o Demonstrativo de Resultados da Paytec de págs. 141/144, já descrito.  74.  Em relação a esta argumentação, a fiscalização concluiu:  53. Em relação ao montante distribuído, constata­se através da  DIPJ/2010  da  Total  Service  que  ela  apurou,  somando  os  4  trimestres de 2009, um Lucro Presumido de R$619.949,46.  54.  Para  justificar  a  distribuição  de  lucros  em  valor maior  do  que  Lucro  Presumido  apurado,  a  fiscalizada  apresentou  o  Balancete  de  Verificação  e  a  Demonstração  de  Resultado  do  Exercício da Total Service,  onde  está demonstrado que o  lucro  contábil  apurado  no  ano  de  2009  foi  de R$1.614.372,16  e  que  teria sido distribuído aos sócios R$1.612.552,44.  55­  No  entanto,  conforme  demonstrado  no  item  anterior,  a  contabilidade  da  Total  Service  foi  elaborada  de  maneira  incorreta, em desconformidade com as leis comerciais, contábeis  e  fiscais,  não  sendo  computadas  as  despesas  incorridas  pela  empresa,  uma  vez  que  todas  as  suas  despesas  foram  lançadas  indevidamente na contabilidade da Fiscalizada.  75.  Solução de Divergência Cosit nº 23, de 23 de setembro de 2013  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  EMENTA: É possível a concentração, em uma única empresa, do  controle  dos  gastos  referentes  a  departamentos  de  apoio  administrativo centralizados, para posterior  rateio dos custos e  despesas  administrativos  comuns  entre  empresas  que  não  a  mantenedora da estrutura administrativa concentrada. Para que  Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 31          30 os valores movimentados em razão do citado rateio de custos e  despesas sejam dedutíveis do IRPJ, exige­se que correspondam a  custos  e  despesas  necessárias,  normais  e  usuais,  devidamente  comprovadas  e  pagas;  que  sejam  calculados  com  base  em  critérios de rateio razoáveis e objetivos, previamente ajustados,  formalizados  por  instrumento  firmado  entre  os  intervenientes;  que correspondam ao efetivo gasto de cada empresa e ao preço  global pago pelos bens e serviços; que a empresa centralizadora  da operação aproprie como despesa  tão­somente a parcela que  lhe cabe de acordo com o critério de rateio, assim como devem  proceder  de  forma  idêntica  as  empresas  descentralizadas  beneficiárias  dos  bens  e  serviços,  e  contabilize  as  parcelas  a  serem  ressarcidas  como  direitos  de  créditos  a  recuperar;  e,  finalmente, que seja mantida escrituração destacada de todos os  atos  diretamente  relacionados  com  o  rateio  das  despesas  administrativas  76.  A Solução  supra  foi,  relativa  à Decisão SRRF08/Disit  nº  140, de 05 de  junho de  2000, cujo teor segue (e outra em sentido oposto):  “Assunto: Rateio de Despesas Administrativas Ementa Despesas  administrativas que forem contabilizadas em uma única empresa  do grupo, para posteriormente serem rateadas, de acordo com o  efetivo  gasto  de  cada  empresa,  são  dedutíveis,  uma  vez  efetivamente comprovadas e mediante demonstração do critério  de  rateio.  Há  também  a  possibilidade  de  escrituração  de  despesas  em  período­base  inexato,  desde  que  não  haja  postergação  do  pagamento  do  imposto  ou  redução  indevida  do  lucro real.”   77.  Constata­se que a litigante não apresentou critérios que justificassem os valores de  despesas que apropriou à Autuada e à Total; cabe destacar que, em se tratando de prestação de  serviços, a Total representou 29,66% do todo e não 3,74%:  Paytec ­ DIPJ, Receita de Prestação de Serviços ­ Mercado Interno 4.595.397,40 70,34%  Total Service ­ DRE, Receita de Prest de Serviços  1.937.342,05 29,66%  Total Receita Serviços  6.532.739,45   78.  Haja vista que todas as despesas, exceto as da contabilidade, estavam em nome da  Paytec, deveria ter demonstrado quais eram específicas de prestação de serviços e o critério de  rateio entre a Paytec e a Total (por exemplo, salários e encargos dos funcionários prestadores  dos  serviços  ­ proporcional  às horas  aplicadas nos  clientes,  ou nº de clientes  atendidos,  se o  software era de mesmo padrão); e quanto às demais despesas, indiretas, os critérios de rateio de  cada  uma,  por  exemplo:  aluguel  ­  proporcional  à  área  ocupada;  energia  elétrica  ­  sendo  endereços  diferentes,  a  conta  de  cada  uma,  mais  uma  proporção  da  Paytec  para  a  Total;  transporte ­ km de veículos utilizados por cada, etc.  79.  No  entanto,  não  cabe  à  fiscalização  estabelecer  tais  critérios  e  impô­los  à  fiscalizada.  80.  Neste  caso,  o  demonstrativo  de  rateio  foi  inadequados  e  não  condizente  com  a  realidade,  assim como discrepantes os demonstrativos  apresentados  (do  rateio x  apuração do  lucro da Total Service distribuído x DIPJ).  Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 32          31 81.  O  Autuante  arbitrou  o  lucro  sobre  as  receitas  brutas  de  vendas,  mais  passivo  fictício,  mais  glosa  de  parte  da  exclusão,  e  apurou  um  total  de  lucro  arbitrado  nos  quatro  trimestres (percentual de 9,6%) de R$5.325.929,07.  82.  Acusa  ainda  a  litigante  que  a  DRJ  ao  demonstrar  que  o  lucro  arbitrado  resultou  menor  do  que  se  sua  contabilidade  tivesse  sido  recomposta,  como  sugere,  na  realidade  comprovou  ser  indevido  o  arbitramento,  por  isso,  a  autuação  deve  ser  cancelada.  Cite­se  a  DRJ:  101. No caso concreto, se não  fosse em razão do arbitramento,  tendo  apurado  lucro  real  e  base  de  cálculo  de  CSLL  positiva,  teria que apurar IRPJ e CSLL utilizando alíquotas de 25% e 9%,  respectivamente,  sendo  a  omissão  aproximada  de  R$8.600.000,00, do que resulta um montante de R$2.924.000,00,  juntando­se  esses  dois  tributos  (R$2.150.000,00  e  R$774.000,00).  102.  No  AI  de  IRPJ  e  de  CSLL,  constaram  os  valores  de  R$1.031.225,94 e de R$421.214,52, do que resulta o montante de  R$1.452.440,00. É metade do valor.  83.  Como  se  vê,  a DRJ  comparou  os  valores  de  IRPJ  e CSLL  que  resultariam  se  os  valores  das  infrações  fossem  adicionados  ao  lucro  real  apurado  pelo  contribuinte,  para  demonstrar  que  resultariam maiores,  do  que o  que  foi  apurado  por  arbitramento  do  lucro. E  destacou que arbitramento não se  trata de medida punitiva, mas  técnica de apuração onde se  busca o  valor  do  lucro mais  aproximado possível  da  realidade,  na  falta  de  confiabilidade na  apuração contábil do contribuinte; portanto, a DRJ não efetuou apuração pelo lucro real, a qual  demandaria a revisão do critério de rateio das despesas.  2.5  RESUMINDO:  84.  No que tange ao Passivo Fictício a Recorrente:   i.  no Anexo de Esclarecimentos Adicionais,  págs.  1.403/1.407,  justificou  que muitos pagamentos de fornecedores, em vez de serem contabilizados  a Débito da conta Passivo­Fornecedores e a Crédito ­ Ativo Disponível  ou  Bancos,  foram  contabilizadas:  a  Débito  do  Ativo  Diversos­ Transitória e a Crédito ­ Ativo Disponível ou Bancos ­ verifica­se que  este  lançamento  não  altera  a  situação  patrimonial,  pois  é  apenas  uma mutação no Ativo.    ii.  no  Razão Analítico  da  Paytec  do  ano  2011,  explicou  como  corrigiu  a  contabilização dos pagamentos a fornecedores que havia deixado de dar  baixa no Passivo ­ Fornecedores a pagar; explica que efetuou os seguinte  slançamentos contábeis: a Crédito de conta do Patrimônio Lìquido ­ de  Ajuste  de  Períodos  Anteriores,  e  a  Débito  de  conta  do  Passivo  ­  Fornecedores  a  Pagar  ­  os  lançamentos  supra  reduzem  o  valor  do  passivo e aumentam o do Patrimônio Líquido, ou seja, apenas houve  uma mutação no balanço patrimonial da empresa.    Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 33          32 85.  Verifica­se  que  não  informou  a  contabilização  do  elo  de  ligação  entre  Ativo  e  Passivo/PL,  que  seria  o  lançamento  a  Crédito  da  conta  do  Ativo  Diversos­Transitória  e  a  Débito na conta Passivo ­ Fornecedores a Pagar, o que seria o correto.  86.  Resumindo,  caracterizado  um  valor  de  passivo  fictício  de  62,4%  da  conta  Fornecedores  (e  20%  do  total  do  Passivo  e  15%  da  receita  declarada);  evidenciado  que  os  lançamentos  contábeis  que  alega  ter  efetuado  para  corrigir  alegados  erros  no  registro  desses  passivos, são fraudulentos; caracterizado que a empresa não demonstrou critérios racionais de  rateio  das  despesas  entre  a  Autuada  e  sua  parceira  a  Total;  demonstrado  que  há  confusão  patrimonial entre estas, no que tange à alocação de despesas e quanto à distribuição de lucro;  cabível o arbitramento do lucro.   2.6  DA MULTA QUALIFICADA  87.  Afirma que o relator manteve a multa qualificada, sem apoio  jurídico consistente,  pois não houve fraude ou conluio e a matéria discutida é meramente interpretação do direito;  não houve ação ou omissão dolosa, nem ajuste doloso; a comprovação cabal do intuito doloso  do  agente  é  necessária  em  consonância  ao  previsto  no  artigo  I  1239do  Código  Tributário  Nacional, que prevê interpretação favorável ao acusado da lei  tributária que define infrações,  ou  comine  penalidades,  de  modo  que,  se  não  ticar  claramente  comprovada  tal  conduta,  a  interpretação  da  situação  será  a mais  favorável  ao  acusado;  erros  contábeis  esclarecidos  não  coadunam com a qualificação da multa; invoca as Súmulas 25 e 14 do CARF.  88.  A autuação se compõe de três partes: 001 ­ Receita Omitida, Presunção legal, com  base em Passivo Fictício; 002 ­ apuração do lucro presumido sobre as receitas declaradas; 003 ­  glosa da Exclusão de excesso de dividendos.  89.  Súmula CARF nº 25:   A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72  e 73 da Lei n° 4.502/64.  90.  Contudo,  como  relatado,  o  passivo  fictício  representou  62,4%  da  conta  Fornecedores  (e  20%  do  total  do  Passivo  e  15%  da  receita  declarada),  evidenciado  que  os  lançamentos  contábeis  que  alega  ter  efetuado  para  corrigir  alegados  erros  no  registro  desses  passivos, são fraudulentos.  91.  Quanto  ao  excesso de dividendos  excluídos,  evidenciou­se a  simulação dolosa  ao  retornar a Total, não só o valor de lucros que poderia distribuir, como valor em excesso, para a  Autuada, que esta excluiu da base de cálculo do IRPJ e CSLL  92.  Assim,  cabe manter  a multa qualificada  sobre as  infrações 001 Passivo Fictício  e  003 excesso de dividendos excluídos.  3  Responsabilidade Tributária. Kiyochi Matsuda.  93.  Consta  do  Acórdão  DRJ/SPO  que  o  sr.  Kiyochi  Matsuda  não  apresentou  argumentos contra sua responsabilização solidária, na impugnação,  limitando­se a contestar a  autuação e a asseverar a inexistência da responsabilidade solidária.  Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 19515.721133/2014­55  Acórdão n.º 1201­002.587  S1­C2T1  Fl. 34          33 94.  Portanto,  restou  não  impugnada  a  responsabilização,  embora  a  DRJ  não  o  tenha  explicitado e tenha julgado e confirmado a conclusão fiscal, nos seguintes termos:  116.0  Sr.  Kiyochi  Matsuda  de  fato  era  sócio  administrador  majoritário  com  quase  100%  das  quotas  das  empresas  envolvidas,  não  sendo  comprovado  nos  autos,  nem  contestado,  que ele não participou dos atos trazidos na autuação, razão pela  qual  deve  ser  mantida  a  responsabilidade  a  ele  imputada,  nos  termos da lei.  95.  O recurso voluntário que apresentou, apenas transcreve a sua responsabilização no  Termo de Verificação Fiscal, entre as demais matérias.  96.   Considera­se  portanto,  preclusa  a  questão  e  confirmada  a  responsabilidade  tributária solidária de Kiyochi Matsuda.  4  Conclusão    Voto por DAR PROVIMENTO EM PARTE ao Recurso Voluntário, para reduzir a  multa de 150% para 75% apenas em relação à infração 002 (exigência adicional sobre valores  declarados, decorrente do arbitramento).  (assinado digitalmente)  Eva Maria Los                              Fl. 1657DF CARF MF

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