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Numero do processo: 10580.900077/2013-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/01/2009
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2009
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/01/2009 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2009 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/01/2009 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2009 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 00 77 /2 01 3- 84 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10580.900077/201384 Acórdão n.º 3301005.420 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada (DCOMP), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte afirmou que o direito creditório decorria do alargamento da base de cálculo da Contribuição (PIS/Cofins) introduzido pelo art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998, julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o então Manifestante, no recolhimento da contribuição devida no período, foram incluídos indevidamente em sua base de cálculo valores alheios ao faturamento, relativos a receitas financeiras e de aluguéis, atividades essas que não compõem sua atividade de venda de mercadoria ou de prestação de serviços. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 02069.143, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando a falta de comprovação do direito creditório compensado, cujo ônus recai sobre o interessado, a quem cabe a demonstração da liquidez e certeza do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando, em breve síntese, o que segue: a) a discussão sobre a existência de direito de créditos da contribuição incidente sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento está superada; b) o dever do órgão julgador de instruir o processo, solicitando documentos, caso assim entenda como necessário para tomar sua decisão, nos termos dos artigos 29 e 36 da Lei nº 9.784/1999, bem como no art. 27 e 29 do Decreto 70.235/1972; c) foi apresentado documentação para provar a liquidez e certeza de seu crédito. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10580.900077/201384 Acórdão n.º 3301005.420 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.417, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10580.900074/201341, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.417): O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição, portanto, merece conhecimento. Feita a síntese acima, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; iii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos. I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 1º trimestre de 2009. Desta feita, a DARF do período vinculada à COFINS foi utilizada para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.900077/201384 Acórdão n.º 3301005.420 S3C3T1 Fl. 5 4 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301 004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. II) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.900077/201384 Acórdão n.º 3301005.420 S3C3T1 Fl. 6 5 as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manifestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria: Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em sede de julgamento realizado em repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/1973, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Este entendimento, porém, nem é controvertido nos autos, pois admitido pela própria r. decisão guerreada. O fundamento para o não reconhecimento do crédito é a ausência de provas aptas a demonstrar sua liquidez e certeza. Desta feita, caso comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da COFINS no período em referência, demonstrandose a liquidez e certeza do crédito declarado pelo contribuinte, será de rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. É o que se passa a analisar. III) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no período de apuração em foco (1º Trim./2009), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. No entanto, em que pese a Recorrente ressaltar em seu Recurso Voluntário que a autoridade julgadora pode, de ofício, requerer a instrução do processo e que estas informações já são de conhecimento do Fisco, pois todas já declaradas por obrigações acessórias, por se estar diante de um Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.900077/201384 Acórdão n.º 3301005.420 S3C3T1 Fl. 7 6 pedido de compensação, o ônus da prova da legitimidade do crédito é de quem requer. Em seu recurso voluntário, a Recorrente trouxe aos autos a DIPJ do período, com informações sobre receita bruta. No entanto, não é possível identificar receitas financeiras e receitas de aluguel tal qual alegado pela Recorrente. Seria necessário a apresentação de outras provas, como demonstrativos contábeis, razão, ou mesmo contratos de aluguel, planilhas, enfim. A DIPJ não possui força probatória isoladamente, desacompanhada de outros documentos oficiais, como registros contábeis e outros documentos fiscais, como o DACON. A afirmação de que o Fisco já detém todas as informações, por todas as obrigações acessórias já cumpridas, bastando baixar em diligência para verificar a informação também não é pertinente, portanto. Nos casos de pedido de restituição e de compensação, como dito, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) A Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu manifestação de inconformidade e recurso voluntário, qualquer prova documental hábil capaz de sustentar a veracidade e existência de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal). Não constam dos autos balancetes e demonstrações contábeis, nem mesmo DACON do contribuinte para evidenciar o quantum de receitas financeiras levadas à tributação da COFINS. Desta feita, diante da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese negar provimento ao presente recurso voluntário Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.900077/201384 Acórdão n.º 3301005.420 S3C3T1 Fl. 8 7 correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.908369/2016-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2011
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2011 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PIS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 83 69 /2 01 6- 16 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11020.908369/201616 Acórdão n.º 3402005.788 S3C4T2 Fl. 0 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório considerou que o crédito informado no PER/DCOMP foi parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida ou a maior e o despacho decisório, que não reconheceu o direito creditório e deixou de homologar a compensação deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11020.908369/201616 Acórdão n.º 3402005.788 S3C4T2 Fl. 0 3 ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.178 manteve o despacho decisório. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.753, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900612/201658, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.753): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11020.908369/201616 Acórdão n.º 3402005.788 S3C4T2 Fl. 0 4 Preliminar A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11020.908369/201616 Acórdão n.º 3402005.788 S3C4T2 Fl. 0 5 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11020.908369/201616 Acórdão n.º 3402005.788 S3C4T2 Fl. 0 6 preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Mérito Princípio da Verdade Material A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11020.908369/201616 Acórdão n.º 3402005.788 S3C4T2 Fl. 0 7 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11020.908369/201616 Acórdão n.º 3402005.788 S3C4T2 Fl. 0 8 ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11020.908369/201616 Acórdão n.º 3402005.788 S3C4T2 Fl. 0 9 Recurso Voluntário Negado. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratarse de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11020.908369/201616 Acórdão n.º 3402005.788 S3C4T2 Fl. 0 10 acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Taxa Selic A Recorrente questiona a aplicação da Taxa Selic na correção do crédito tributário, argumentando pela ilegalidade do cálculo de juros moratórios sobre débitos tributários. Não assiste razão à Recorrente, considerando a incidência da Súmula CARF 108, que assim dispõe: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11020.908369/201616 Acórdão n.º 3402005.788 S3C4T2 Fl. 0 11 Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.907883/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
Numero da decisão: 1301-003.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.903399/2009-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10283.903399/200953, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 78 83 /2 00 9- 51 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10283.907883/200951 Acórdão n.º 1301003.597 S1C3T1 Fl. 3 2 Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através de Declaração de Compensação DCOMP, no qual se pleiteia compensação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ Estimativa mensal (código 2362). O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o argumento de que o crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. A empresa apresentou manifestação de inconformidade onde afirma que as compensações foram realizadas em completa harmonia com a legislação vigente. Isto porque calculou e recolheu um determinado valor de IRPJ, com código de arrecadação de estimativa mensal e, posteriormente ao recolhimento, verificou que o valor de IRPJ efetivamente devido montava um valor inferior àquele originalmente pago através de DARF. Acrescenta que o valor recalculado está de acordo com os valores declarados em DCTF e que, uma vez confessada uma dívida efetiva em valor inferior àquele recolhido, teria nascido um crédito tributário. O sujeito passivo alega que por equívoco procedeu ao recolhimento num valor superior àquele efetivamente devido. Argumenta também que não se trata de pagamento por estimativa mensal, uma vez que foi realizado com base em balanço de suspensão ou redução. A DRJ julgou improcedente a manifestação sob o fundamento de que os valores apurados a partir da receita bruta em função de balancete redução correspondem a estimativa mensal e que não havia previsão legal para utilização em DCOMP, de crédito referente a estimativa mensal de IRPJ. Inconformado com a decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário, no qual reafirma a existência de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, reitera os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, declara que a decisão da DRJ vai de encontro a jurisprudência do CARF e, ao final, requer o reconhecimento da homologação das compensações em litígio. É o relatório. Voto Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10283.907883/200951 Acórdão n.º 1301003.597 S1C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.563, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10283.903399/2009 53, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.563): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme se depreende do relatório, o cerne da discussão no presente processo é a possibilidade ou não de se compensar pagamento indevido ou a maior recolhido a título de estimativa mensal para aquelas pessoas jurídicas sujeitas à apuração do IRPJ pelo lucro real. O pedido de compensação foi indeferido liminarmente, através de Despacho Decisório Eletrônico, a partir do momento em que o sistema constatou tratarse de recolhimento efetivado sob o código de arrecadação 2362 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL). A Unidade de Origem não se adentrou no mérito do direito creditório, e por conseguinte, não deu oportunidade para o contribuinte produzir provas. O Despacho Eletrônico, bem como o acórdão da DRJ, fundamentaram o indeferimento do pedido de compensação no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, em concomitância com o art. 10 da IN SRF nº 600/2005. O §14º do art.74 da citada lei atribuiu competência a Secretaria da Receita Federal para disciplinar a compensação e, o órgão emitiu instrução normativa que disciplinou a matéria. O art. 10 da IN SRF nº 600/2005, vigente à época, determinava: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Contudo o art.74, §3º, da Lei nº 9.430/96 que tratou das vedações à compensação através de DCOMP, dispôs em seu Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10283.907883/200951 Acórdão n.º 1301003.597 S1C3T1 Fl. 5 4 inciso IX dos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ ou da CSLL, mas nada dispondo acerca de créditos oriundos de pagamento indevido de estimativa mensal, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ......... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) ........ IX os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados na forma do art. 2º desta Lei. (grifei) É de se observar que a Instrução Normativa fez uma interpretação restritiva de Lei nº 9.430/96, a qual não encontrou guarida na jurisprudência do CARF, que acerca da matéria proferiu a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Transcrevese ainda a redação anterior da súmula: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Para melhor esclarecer a aplicação da súmula, trago à baila trecho do acórdão da CSRF nº 910100.406, de 02/10/2009, utilizado como precedente para elaboração da jurisprudência: Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10283.907883/200951 Acórdão n.º 1301003.597 S1C3T1 Fl. 6 5 social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição corno pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, (...) De acordo com o acórdão recorrido, não seria possível caracterizar como indevido o recolhimento da antecipação mensal por estimativa de CSLL efetuado a maior, apenas confrontando referido pagamento com as regras para apuração do valor devido a titulo de antecipação mensal. (...) É o relatório. (...) Nos termos da lei, a pessoa jurídica que opta pelo lucro real anual está obrigada a antecipar, mensalmente, o IRPJ calculado por estimativa. Referida obrigação de antecipar a cada mês uma parcela do IRPJ que será devido ao fim do ano calendário é apurada sobre a base de cálculo estimada, calculada conforme percentuais definidos em lei aplicados sobre a receita bruta do Contribuinte até o mês em que a antecipação é realizada. Ainda nos termos da lei, a obrigação de antecipar o imposto pode ser reduzida ou suspensa, conforme o Contribuinte comprove, mediante levantamento de balanços ou balancetes, que o IRPJ, se calculado sobre o lucro real verificado até o momento da apuração da antecipação, é menor do que o valor devido de acordo com o cálculo sobre a base estimada. Em apertada síntese, esse é o regime legal da obrigação de antecipar, mensalmente, o IRPJ, em caso de opção pela apuração do lucro real em base anual. Diferentemente do acórdão recorrido, entendo que o Contribuinte está obrigado ao recolhimento das antecipações mensais nos termos estabelecidos na legislação, seja sobre as bases estimadas, seja sobre a base de cálculo apurada em balanço ou balancete de suspensão ou redução. A meu ver, havendo recolhimento superior àquele imposto por lei, ainda que sob a alcunha de "estimativa", resta caracterizado o recolhimento a maior passível de restituição ou compensação. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10283.907883/200951 Acórdão n.º 1301003.597 S1C3T1 Fl. 7 6 Como bem observou o acórdão paradigma, a legislação não estabelece que recolhimentos a maior que os estabelecidos pelas regras da apuração da antecipação mensal por estimativa também devem ser considerados como antecipação do imposto. Em outros termos, o recolhimento que exceda o valor apurado de acordo com as regras para o cálculo das antecipações mensais por estimativa não tem natureza de antecipação do imposto, mas de pagamento indevido, restituível nos termos do art. 165 do CTN.(grifei) Nesse diapasão, em observância à Súmula CARF nº 84, reconhecese que é possível a caracterização de indébito a partir de recolhimento de estimativa. Todavia, para fins de homologação da DCOMP, fazse mister a apreciação do direito creditório, ou seja, a comprovação por parte do contribuinte da existência de pagamento indevido, ou seja, que o valor recolhido a título de estimativa mensal, ainda que através de balanço ou balancete suspensão/redução, foi calculado e efetivado em valores acima daqueles prescritos em lei. Logo, entendo não ser possível homologar, nesse momento, a compensação declarada pelo Contribuinte, uma vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a possibilidade (ou não) de compensação de pagamento da estimativa recolhida a maior. Além do que tal fato implicaria supressão da competência da Unidade de Origem para análise do direito creditório. Nesse sentido, considerando ser possível a restituição/compensação de recolhimento de estimativa mensal, desde que reste caracterizado o indébito, voto no sentido de retornar o processo à Unidade de Origem para examinar o mérito do pedido, nos termos do art. 170 do CTN e proferir Despacho Decisório complementar. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindo se assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10283.907883/200951 Acórdão n.º 1301003.597 S1C3T1 Fl. 8 7 de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.900582/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 19/02/2004
INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3302-006.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/02/2004 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1280; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.900582/200819 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.074 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente CONSTRUCTIVA ENGENHARIA LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 19/02/2004 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 05 82 /2 00 8- 19 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13819.900582/200819 Acórdão n.º 3302006.074 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada (DCOMP), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não havia sustentado a existência do crédito declarado na DCOMP não homologada, tendo apenas informado que "temendo que a Receita Federal não processasse o citado PER/DCOMP, a mesma por sua liberalidade quitou este débito com multa e juros, (...) portanto não há o que se falar em valores devidos, ou seja, a empresa não é devedora de débito algum, pois foi devidamente quitado, conforme cópia em anexo" (sic). Ao fim, pediu o contribuinte, em manifestação de inconformidade, que fosse feita revisão de ofício, contemplando o cancelamento da DCOMP em comento e, por via de conseqüência, cancelada a cobrança decorrente da não homologação. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 05035.477, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando a ausência de prova do direito creditório pleiteado. Ressaltou a DRJ que o contencioso administrativo não se prestava ao pedido formulado pelo contribuinte, havendo rito específico para pedido de cancelamento, e que a autoridade encarregada da cobrança haveria de cuidar para que, comprovada a coincidência entre os débitos exigidos por meio da DCOMP e os relacionados com o pagamento alegado, não houvesse cobrança duplicada do débito tributário. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, ratificando os argumentos da Manifestação de Inconformidade e alegando não ter se utilizado do crédito apontado na DCOMP, vez que promovera o pagamento integral do débito cuja compensação se pleiteava, o que materializaria erro de fato e não ausência de pagamento. Destacou o recorrente que o pagamento integral do débito ocorrera antes mesmo da ciência da não homologação da compensação declarada, não podendo ser compelido ao pagamento em duplicidade do citado débito. Sustentou, ainda, que o pagamento é causa de extinção do crédito tributário e que, muito embora a DCOMP constitua confissão de dívida, tal preceito não pode ferir o art. 149, II e IV do CTN, no sentido de que fosse promovida a revisão de ofício. Por fim, pediu que, em caso de não se entender pelo cancelamento da DCOMP, fosse a repartição de origem oficiada para que não houvesse cobrança duplicada do débito tributário. É o relatório. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13819.900582/200819 Acórdão n.º 3302006.074 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.068, de 24/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13819.900462/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.068): O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a apreciálo. Do Contencioso Administrativo. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio sujeito passivo, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará, em detalhes, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13819.900582/200819 Acórdão n.º 3302006.074 S3C3T2 Fl. 5 4 comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. No caso em estudo, o contribuinte informou, em sua primeira oportunidade de manifestação nestes autos, ter efetuado, por meio de DARF, o pagamento integral do débito que pretendia compensar, bem como pediu, de modo suficientemente claro, a revisão de ofício para fins de cancelamento da DCOMP. Assim, no que cinge ao suposto crédito declarado na DCOMP em comento, o próprio contribuinte reconheceu sua inexistência, ainda em sede de manifestação de inconformidade, fazendo com que sequer tenha se instaurado controvérsia administrativa sobre tal matéria, não havendo que se falar em reconhecimento ou não de direito creditório, pois não há crédito em litígio. A DRJ conheceu da Manifestação de Inconformidade e ratificou a decisão da DRF, não reconhecendo o direito creditório, sob o fundamento de que o contencioso administrativo não se presta ao pedido formulado pela contribuinte, havendo rito específico para o pedido de cancelamento. No recurso voluntário, o contribuinte ratificou todos os argumentos produzidos por ocasião da manifestação de inconformidade, renovando o pedido de revisão de ofício para o cancelamento da DCOMP e, por conseguinte, da cobrança decorrente de sua não homologação, sob pena de pagamento em duplicidade. Repisese que desde sua primeira manifestação neste PAF, a empresa reconheceu a inexistência do direito creditório antes alegado e pugnou pela revisão de ofício, com o cancelamento da DCOMP e extinção da cobrança decorrente de sua não homologação. Segundo previsão legal do § 9º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003, é facultado ao sujeito passivo se insurgir, por meio de Manifestação de Inconformidade, contra a não homologação da declaração de compensação. Nesse sentido, temse que a competência dos órgãos de julgamento administrativo, no que diz respeito às declarações de compensação, está adstrita ao reconhecimento ou não do direito creditório, que terá por consectário a homologação, ou não, da compensação declarada. Ocorre que o caso em estudo não versa sobre a não homologação da DCOMP, vez que o próprio contribuinte reconheceu a inexistência de direito creditório, tendo pleiteado a revisão de ofício para que fosse realizado o Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13819.900582/200819 Acórdão n.º 3302006.074 S3C3T2 Fl. 6 5 cancelamento da DCOMP, o que escapa à competência dos julgadores administrativos. Não estando a retificação ou o cancelamento de declarações, entregues pelo sujeito passivo, inseridos na esfera de competências do julgador administrativo, não se pode decidir sobre tal matéria. Tampouco faz sentido decidir sobre matéria não impugnada pelo contribuinte em suas peças, como é o caso do reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação da DCOMP em comento, sobre o que, conforme já visto, sequer se instaurou litígio. Noutras palavras, não tendo o contribuinte pugnado pelo reconhecimento do direito creditório não homologado pelo Despacho Decisório, não há e nunca houve litígio administrativo quanto a não homologação, esvaziando a competência dos órgãos de julgamento administrativo, vez que também não podem estes decidir sobre os pedidos formulados nas peças produzidas pelo contribuinte nestes autos. Observese, entretanto, que há indícios de que o débito antes pretendido compensar foi pago por meio de DARF pelo contribuinte antes da emissão do despacho decisório, devendo a unidade responsável avaliar se o referido pagamento é passível de alocação ao débito oriundo da DCOMP em comento. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.902400/2010-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217.
De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
Numero da decisão: 1301-003.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, superando-se a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF - Portaria MF 343/2015. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10469.901675/2010-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadramse como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ Recursos Repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 24 00 /2 01 0- 98 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10469.902400/201098 Acórdão n.º 1301003.462 S1C3T1 Fl. 3 2 complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10469.901675/201012, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações pleiteadas, em razão da insuficiência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento a maior de IRPJ, com base no lucro presumido calculados inicialmente a 32%, sendo alterada, posteriormente, para 8%, nos termos do arts. 15, III, e 20, da Lei 9.249/95. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas restantes. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que a legitimidade dos seus créditos decorre da redução da base de cálculo do IRPJ para sociedades que desenvolvem atividades hospitalares (de 32% para 8%), e que a RFB, através do ADI 18/2003 estabeleceu que são considerados serviços hospitalares os prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde com determinadas características, dentre as quais: 1) a prestação de serviços pelos sócios e por outros profissionais que não compunham os quadros da sociedade; 2) os que não se refiram exclusivamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza eminentemente científica. Ademais, discorre acerca do art. 23 da IN 306/2003, que para fins de equiparação de alguns serviços às atividades hospitalares, para fins tributários, devem ser atendidas exigências tais como: a) a prestação direta de serviços de atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma ou várias atividades previstas em Portaria do Ministério da Saúde; b) o exercício de ações básicas de saúde, como o Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10469.902400/201098 Acórdão n.º 1301003.462 S1C3T1 Fl. 4 3 primeiro atendimento, a prevenção de doenças, ações de educação, etc; c) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde como a triagem para atendimentos, o atendimento em si, inclusive de urgência, procedimentos de enfermagem, a observação do paciente, a execução de diagnósticos e terapêuticos (por 24 horas, se for o caso); d) realização de procedimentos cirúrgicos, como o desenvolvimento de atividades de reabilitação em pacientes (externos e internos), dentre outras. Afirma também, que apenas não procedeu na retificação das DCTFs por impossibilidade técnica, já que o sistema da RFB não permitiu diante do prazo. O Acórdão recorrido entendeu não haver dúvidas de que as receitas provenientes de serviços hospitalares passou a incidir o percentual de presunção de 8%, excepcionandose tais receitas da regra geral de 32%, no entanto entendeu que diante da não apresentação de documentação por parte do contribuinte não seria possível concluir que de fato prestou tais serviços, assim, julgou a manifestação improcedente. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente reforça os argumentos já apresentados, defendendo que não há controvérsia acerca do crédito, sendo ele legítimo. Houve a constatação do erro formal, em razão da aplicação de percentual diverso na apuração do lucro estimado, requerendo o seu direito de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.458, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10469.901675/2010 12, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.458): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pagos a maior, em razão da alteração do percentual de 32% para 8% sobre a receita bruta, em razão da sua atividade. Alega a recorrente que presta serviços de radiologia, diagnósticos médicos por imagem, ultrassonografia e outros, atividades essas ligadas diretamente à promoção da saúde, que demandam maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. E que sobre a matéria não pende mais discussão Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10469.902400/201098 Acórdão n.º 1301003.462 S1C3T1 Fl. 5 4 diante do Resp 1.116.399/BA, que foi decidido sob o rito dos recursos repetitivos. Tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido entenderam que a atividade prestada pela recorrente não era de serviço hospitalar, já que não prestada num ambiente hospitalar e diante disso, não faria jus à redução do percentual. A lei 9.249/95, em seu artigo 15, III trata da questão: Lei 9.249, de 26/12/1995, artigo (art.) 15 § 1º inciso III, alínea “a”: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1.º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será e: (...) III–trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;” Lei 11.727, de 23/06/2008, arts. 29 e 41, VI: Segue abaixo a Ementa do citado julgado do STJ: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10469.902400/201098 Acórdão n.º 1301003.462 S1C3T1 Fl. 6 5 que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Matéria, conforme acima, acerca do se trata como serviços hospitalares: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10469.902400/201098 Acórdão n.º 1301003.462 S1C3T1 Fl. 7 6 partir de 1º de janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. E como verificamos, por se tratar de fatos relativos a período anterior, inaplicável aqui. Desta feita, considerando que em momento algum o recorrente foi intimado para comprovar o efetivo crédito, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao recorrente a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe.. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 51DF CARF MF
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Numero do processo: 13840.000427/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/05/2004
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. LANÇAMENTO ORIGINAL COM VÍCIO FORMAL.
É lícito o lançamento substitutivo quando foi reconhecida a nulidade do lançamento original por vício formal.
REMUNERAÇÃO DE SÓCIO ADMINISTRADOR. PRO LABORE. ÔNUS DA PROVA.
Para que as conclusões da autoridade fazendária sejam afastadas, cabe ao sujeito passivo comprovar os fatos impeditivos, modificativos e extintivos do lançamento.
BASE DE CÁLCULO. REMUNERAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe à autoridade lançadora demonstrar a ocorrência de remuneração e a natureza jurídica da relação entre a pessoa jurídica e a pessoa física, inclusive para configurar contribuinte autônomo ou empregado. Apresentadas provas suficientes, cabe à Contribuinte demonstrar com elementos probatórios a inadequação do lançamento.
DECADÊNCIA. FRAUDE.
Constatada a ocorrência de fraude tributária, não é possível aplicar a regra do art. 150, § 4º, do CTN, devendo ser aplicada a regra geral do art. 173, I, do mesmo diploma legal.
Numero da decisão: 2202-004.831
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), que lhe deu provimento parcial, para afastar a tributação em relação aos pagamentos efetuados a contribuinte individual empresário
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 31/05/2004 LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. LANÇAMENTO ORIGINAL COM VÍCIO FORMAL. É lícito o lançamento substitutivo quando foi reconhecida a nulidade do lançamento original por vício formal. REMUNERAÇÃO DE SÓCIO ADMINISTRADOR. PRO LABORE. ÔNUS DA PROVA. Para que as conclusões da autoridade fazendária sejam afastadas, cabe ao sujeito passivo comprovar os fatos impeditivos, modificativos e extintivos do lançamento. BASE DE CÁLCULO. REMUNERAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora demonstrar a ocorrência de remuneração e a natureza jurídica da relação entre a pessoa jurídica e a pessoa física, inclusive para configurar contribuinte autônomo ou empregado. Apresentadas provas suficientes, cabe à Contribuinte demonstrar com elementos probatórios a inadequação do lançamento. DECADÊNCIA. FRAUDE. Constatada a ocorrência de fraude tributária, não é possível aplicar a regra do art. 150, § 4º, do CTN, devendo ser aplicada a regra geral do art. 173, I, do mesmo diploma legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 6712DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 2 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), que lhe deu provimento parcial, para afastar a tributação em relação aos pagamentos efetuados a contribuinte individual empresário. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira – Relatora ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Marcelo de Sousa Sateles e Ludmila Mara Monteiro de Oliveira. Nos termos do Art. 58, § 5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto não votou neste julgamento, por já haver o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator) proferido seu voto na reunião de setembro de 2018. Relatório Como Redatora ad hoc, sirvo-me da minuta de acórdão inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF: Trata-se, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito tributário referente a Contribuições Sociais Previdenciárias. Diante da Impugnação, a DRJ manteve o lançamento. Inconformada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 30/08/2007 foi lavrado o AI DEBCAD nº 37.072.381-3 (fls. 3/166) para constituir crédito tributário de Contribuições Sociais Previdenciárias. Conforme o Relatório Fiscal (fls. 197/231 e docs. anexos fls. 232/1.673), "Débito: Contribuições sociais sobre remuneração de empregados, inclusive de complementos salariais; sobre remuneração de profissionais autônomos sem vínculo empregatício; e sobre remuneração de administradores da empresa (sócios), sendo todos pagamentos efetuados através de 'caixa 2'." - fl. 197; (...) "1. Notificação Fiscal de Lançamento de Débito emitida em substituição à notificação de nº 35.646.428-8, de 12/07/2006." - fl. 198 (...) "4. A ação fiscal foi realizada em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão, cópia anexada de fls. 169, expedido nos autos do Processo nº (...), em trâmite sob segredo de justiça, perante o Egrégio Juízo da 1ª Vara Federal Criminal em São João da Boa Vista/SP., visando a apreensão de objetos e materiais necessários à comprovação da autoria e materialidade Fl. 6713DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 3 3 delitiva, relativa a provável crime de sonegação tributária, fraude em licitação, frustração de direitos trabalhistas, uso de documentos falsos e sonegação de contribuições previdenciárias e ainda, em cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF nº 09158759, cópia anexada de fls. 170." - fl. 199; (...) "7.9 após confrontar os nomes descritos com os nomes de funcionários da empresa, ficou constatado tratar-se de pagamentos efetuados a empregados 'por fora', cujos pagamentos encontram-se escriturados no 'Caixa 2' citado a seguir. Os pagamentos efetuados, encontram-se relacionados no Relatório de Lançamento - RL por constituírem fato gerador da contribuição previdenciária, com o histórico de 'folha de pagamento manuscrita'." - fl. 209; (...) "9.2 Simulação de demissão de funcionários, com o objetivo de saque do FGTS, obtenção do Seguro Desemprego e não recolhimento dos encargos previdenciários. Realizado essa operação, o empregado devolve à empresa o montante correspondente a verbas indenizatórias que não faz jus, constituindo mais um recurso do 'Caixa 2', conforme Comunicações Internas - CI e ainda passando, a receber os salários 'por fora' ou 'Caixa 2', evitando-se os encargos sociais." - fl. 217/218; (...) "11 Pelo até então exposto, está constatado que a empresa possui uma conta corrente no Banco do Estado de São Paulo - BANESPA, agência XXXXX, conta nº 1634-3, onde realiza a movimentação bancária de seu 'caixa 2', conforme cópia de extratos que anexo de fls. 1319 a 1325, referente a 05/2002 a 08/2002, 10/2002 a 12/2002, através do qual os sócios realizaram retiradas e pagam despesas, relativas a: a) pagamento de sal´raios de empregados sem registro em carteira; b) pagamento de horas-extras, adicionais, férias, período trabalhado durante férias, prêmios, reembolso de alugueis 'por fora' a empregados; c) pagamento de serviços prestados por pessoas físicas, considerado como pequenas empreitadas, apurado através de medições, conforme cópia de planilhas anexas, sem a escrituração na contabilidade oficial; d) pagamentos pessoais dos sócios, como clubes de pesca, funcionários da Chácara e Sítio, multas de trânsito, faculdade, previdência privada, passagens aéreas, IPVA, IPTU de condomínios; e Fl. 6714DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 4 4 e) saques da diretoria - sem destinação ou depositado na conta 13548-4, agência 031 do Banco Itaú em nome particular do sócio-gerente Sr. Olivo Simoso." - fls. 219/220; (...) "18 Tendo em vista a peculiaridade da auditoria fiscal, que pautou-se exclusivamente em apreender documentos na sede da empresa para análise posterior fora dessa localidade, procedeu os auditores com o enquadramento dos pagamentos apurados através do 'caixa 2' para os prestadores de serviços segundo as definições do art. 12 da Lei nº 8.212/91, transcrito a seguir, classificando os beneficiários como 'empregado' e como contribuinte individual 'autônomo' ou 'empresário':" - fl. 222; (...) "19 Observando o dispositivo transcrito acima, foi classificado: a) Como 'empregado', os pagamentos de salários a empregados sem registro em carteira; pagamento de horas-extras; adicionais; férias; período trabalhado durante férias; prêmio de produção; reembolso de alugueis; 'por fora'; pagamento contínuo da execução dos 'serviços eventuais de portaria sem vínculo empregatício'; pagamento contínuo de 'prestadores de serviços prestados D.E.R.'; salário; 13º salário; complemento de 13º; adiantamentos (não deduzidos da folha de pagamento oficial); serviços de vigilância diurna em obras; dias trabalhados mais serviços como servente em obra; e serviços de faxineira em alojamento de obras, cujos pagamentos encontram- se descritos nos subitens 7.1, 7.2, 7.9 a 7.11 anteriores, tratando- se em muitos casos, de segurados que deixaram a formalidade com a baixa na CTPS e continuaram a prestar serviços à empresa; a.1) Observado a presença dos requisitos contidos na letra 'a', do inciso I, do art. 12 [da Lei nº 8.212/1991] transcrito acima; b) Como contribuintes individuais 'autônomos', sem vínculo empregatício, pagamentos efetuados a profissionais que realizaram serviços eventuais, de perfuração de fossa; calibragem da usina; pintura de placas; reforma de cortinas; auto elétrica; mecânico em veículos; lavagem de roupas; serviços de solda; borracheiro; tapeceiro; projeto junto da CETESB; advogado; e serviços de comissão e corretagem; e ainda, os serviços de transportadores carreteiros; b.1) Nos casos de frete, a base de cálculo previdenciária foi de 11,71% do valor do frete a partir de 04/07/2001 de 20% do valor do frete, conforme Portaria Ministerial 1.135, de 05/04/2001; b.2) Observado a presença dos requisitos contidos na letra 'g', do inciso V, do art. 12 transcrito anteriormente; c) Como contribuinte individual 'empresário', pagamentos identificados como sendo de gastos pessoais dos sócios, como Fl. 6715DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 5 5 clubes de pesca, funcionários da Chácara e Sítio, multas de trânsito, faculdade, previdência privada, passagens aéreas, IPVA, IPTU de condomínios e saques da diretoria - sem destinação ou ainda, depositado na conta (...) do Banco Itaú em nome particular do sócio-gerente Sr. Olivo Simoso. c.1) Os valores mensais apurados, não guardam relação uniforme de valores, foram simplesmente apurados de acordo com os comprovantes apreendidos; e c.2) Observado a presença dos requisitos contidos na letra 'f' do inciso V, do art. 12 transcrito anteriormente;" - fls. 223/224; (...) "23 Não foi considerada nenhuma guia de recolhimento previdenciário no presente lançamento, tendo em vista que o débito é totalmente 'paralelo' aos lançamentos oficiais da empresa, onde a mesma efetuou seus recolhimentos regulares." - fl. 226; (...) "28.2 Tendo em vista a execução de 'caixa 2' constituir em crime com agravante de dolo visando a fraude tributária, o lançamento das contribuições sociais não incorrem em decadência, de acordo com o CTN, aprovado com o Decreto nº 5.172, de 25/10/1966." - fl. 229; (...) "31 Contra a empresa foram lavradas as seguintes notificações: a) NFLD 35.646.428-8, emitida em 12/07/2004 e reemitida sob nº 37.072.381-3, em 30/08/2007 - R4 4.833.091,03, abrangendo débitos de 01/1994 a 05/2004, intermitente, não declarado em GFIP, abrangendo parte patronal e de segurados calculadas; b) Auto de Infração nº 35.646.423-7, de 12/07/2004 - R$ 409.188,40, pela falta de inscrição de segurados na Previdência Social; c) Auto de Infração nº 35.646.424-5, de 12/07/2004 - R$ 512.018,00, por apresentação de GFIP com omissão de fatos geradores das obrigações previdenciárias; d) Auto de Infração nº 35.646.425-3, de 12/07/2004 - R$ 51.795,70, pela falta de escrituração contábil de fatos geradores de contribuições previdenciárias; e) Auto de Infração nº 35.646.426-1, de 12/07/2004 - R$ 5.179,60, pela falta de preparo de folhe de pagamento das remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço; e f) Auto de Infração nº 35.646427-0, de 12/07/2004 - R$ 51.795,70, pela falta de escrituração contábil de fatos não Fl. 6716DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 6 6 ligados a contribuições previdenciárias." (grifos no original) - fl. 230/231. Intimada em 30/08/2007 (fl. 3), a Contribuinte protocolou impugnação em 25/09/2007 (fls. 1.677/1.697). A DRJ, então, proferiu o acórdão nº 14-26.736, de 12/11/2009 (fls. 1.732/1.742), que deu provimento parcial à defesa, e restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/05/2004 N° do processo na origem DEBCAD n° 37.072.381-3 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. As contribuições lançadas sujeitam-se ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tendo em vista a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. As contribuições previdenciárias são calculadas por aferição indireta quando se verifica que a contabilidade não espelha a realidade econômico-financeira da empresa. Incidem contribuições previdenciárias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo aos segurados empresários contribuintes individuais São segurados obrigatórios da Previdência Social, como empregado, as pessoas físicas que prestam serviços de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Se o Auditor Fiscal da Receita Federa do Brasil constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições de relação de emprego, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada em 11/01/2010 (fl. 1.744), e ainda inconformada, a Contribuinte protocolou Recurso Voluntário em 10/02/2010 (fls. 1.747/1.814), argumentando, em síntese: Que foi cerceado o seu direito à ampla defesa uma vez que se trata de NFLD SUBSTITUTIVA sem qualquer demonstração da base legal para a substituição do lançamento anterior por vício formal; Fl. 6717DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 7 7 Que o acórdão nº 1.549/2006 do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) anulou o lançamento anterior, mas que o presente lançamento não é simples substituição da notificação fiscal anterior e sim nova constituição de crédito previdenciário; Que o CTN só permite a modificação do lançamento nas hipóteses do art. 145 e do art. 149; Que o acórdão recorrido se omitiu sobre a questão do lançamento substitutivo; Que o Relatório Fiscal afirma que o lançamento substitutivo ocorreu em função do art. 149, IX, do CTN, mas que não é o caso constatado na presente lide; Que o lançamento não logrou demonstrar a ocorrência dos fatos geradores. Assim, por exemplo, afirma que "Saque bancário não pode ser automaticamente equiparado à retirada de 'pro labore'."; Que os mesmos valores compuseram lançamento tributário de imposto de renda por omissão de receita. Assim, que não podem os mesmos valores compor remuneração dos diretores como pro labore e como saque para omitir receita da empresa; Que não há provas do pagamento "por fora", não tendo sido comprovada a "folha manuscrita" nem demonstrado onde estariam "escrituradas no Caixa2"; Que os valores lançados na rubrica "pro labore" são absurdos, não havendo sentido se cogitar pagamentos no montante de R$ 430.651,94 por mês a um diretor de empresa a título de "pro labore"; Que parte dos valores lançados a título de "pro labore" nos presentes autos foi lançado como "pagamentos a beneficiários não identificados" em autuação pela receita federal; Que não pode a autoridade lançadora transformar a distribuição de lucro em pagamento de "pro labore". Esta é a remuneração pela atividade de administrar a empresa, devendo ser mensal e fixa, o que não se observa no presente caso; Que pagamentos identificados como "despesas diversas" não tem natureza de remuneração, i.e., não pode a fiscalização desconsiderar a contabilidade da empresa para a identificação da causa do pagamento, mas aceitá-la para a existência de um pagamento; Que o simples fato de ser pago alguma coisa associada à diretoria não implica em remuneração indireta nem mesmo que os valores foram pagos no interesse da pessoa física e não da pessoa jurídica; Fl. 6718DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 8 8 Que foi incluído no lançamentos valores pagos a título de adiantamentos. Sendo adiantamentos, não se tratam de remuneração enquanto não forem trabalhados os dias adiantados. De qualquer maneira, que tais valores não foram deduzidos quando do lançamento dos valores dos salários, configurando duplicidade; Que houve decadência do período entre 01/1994 e 08/2002, e que deve ser contado o prazo pelas regras do art. 150, § 4º, do CTN; Que o art. 45 da Lei nº 8.212/1991 é inconstitucional, inclusive com reconhecimento pela Súmula Vinculante do STF nº 8; e Que foram incluídos no lançamento pagamentos feitos a autônomos como se fossem segurados empregados, sem demonstração do vínculo, devendo tais valores ser excluídos da base de cálculo. Em 01/03/2010 a Contribuinte protocolou petição de desistência parcial do recurso (fls. 1.834/1.846) para inclusão no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. O CARF então determinou a realização de diligência por meio da Resolução nº 2302-000.316, de 17/07/2014 (fls. 1.888/1.891), especificamente para que fossem apartados os valores em relação aos quais a Contribuinte havia desistido do recurso. Entretanto, houve problemas no desmembramento do crédito, razão pela qual a DRF propôs em 09/09/2014 a devolução dos autos ao CARF para que fosse analisada a possibilidade de julgar o recurso sem o referido desmembramento (fl. 1.895). Por sua vez, a Contribuinte protocolou petição 23/06/2017 (fls. 1.902/1.906 e docs. anexos fls. 1.907/1.915) requerendo a regularização da sua situação cadastral uma vez que já havia quitado o parcelamento em relação à parte confessada. Em 23/01/2018 (fls. 1.916/1.917) foi protocolada nova petição (fls. 1.918/1.922 e docs. anexos fls. 1.923/6.283) solicitando a juntada de mais documentação nos termos do art. 16, § 4º, 'b', do Decreto nº 70.235/1972, i.e., apontando que se referiam a fatos ou direitos supervenientes. Especificamente, a juntada do acórdão nº 9101-001.647, da CSRF, além de outros documentos referentes ao PAF nº 10830.004864/2005-02, que tratou do IRRF por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Nesse contexto, solicitou que fosse respeitada a coisa julgada material, uma vez que esse outro processo tratou dos mesmos fatos, ainda que referente a tributos diversos. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora ad hoc Como Redatora ad hoc, sirvo-me de parcecla da minuta de voto inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF: O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 6719DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 9 9 A lide recai, portanto, sobre os seguintes pontos: (1) nulidade do lançamento por se tratar de refiscalização; (2) nulidade do acórdão recorrido por omissão; (3) não demonstração da ocorrência do fato gerador: (3.1.) o pro labore; (3.2.) a configuração de segurados empregados; (3.3.) despesas diversas não configuram fato gerador das Contribuições Sociais Previdenciárias; (3.4.) duplicidade na base de cálculo - 3.4.1. adiantamentos e 3.4.2. despesas diversas x pro labore; e (4) decadência. Registra-se que a decadência é pós-posta à análise do mérito porquanto o lançamento foi efetuado indicando a existência de fraude a tributária. Tanto assim que a DRJ já a reconheceu parcialmente, aplicando, entretanto, a norma do art. 173, I, do CTN em função da constatação de dolo, fraude ou simulação. Portanto, a análise dos argumentos da Recorrente quanto à aplicabilidade da norma do art. 150, § 4º, do mesmo diploma, depende do julgamento prévio se houve ou não dolo por parte da autuada. Nulidade do lançamento: refiscalização A Contribuinte argumenta que o lançamento é nulo em função de tratar-se de refiscalização sem o enquadramento nas hipóteses exaustivas indicadas na lei. Para tanto, aponta que o lançamento original foi anulado pelo acórdão CRPS nº 1.549/2006. Retornando ao Relatório Fiscal, efetivamente constata-se que a autoridade lançadora deixou claro tratar-se de reemissão de notificação de lançamento. É o que consta, por exemplo, dos itens 1 e 31, 'a', do relatório. Contudo, não identificamos a fundamentação da autoridade lançadora no referido relatório fiscal para a emissão do novo lançamento. Analisando a questão, a DRJ concluiu que não havia vício na emissão do novo lançamento uma vez que o primeiro foi anulado por vício formal. Nesse contexto, nos termos do art. 173, II, do CTN. Em primeiro lugar, constata-se que o acórdão CRPS nº 1.549/2006, conforme transcrito no próprio Recurso Voluntário, reconheceu a nulidade do lançamento original nos seguintes termos: "Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte durante o processo administrativo, especialmente em seu recurso voluntário, bem como as contra-razões da Secretaria da Receita Previdenciária em defesa da manutenção da exigência, há nos autos vício formal capaz de determinar a nulidade do lançamento, prejudicando, assim, a análise do mérito, como passaremos a demonstrar." (grifamos) - fl. 1.759; (...) "Ao proceder dessa maneira, deixando de elencar no Relatório dos Fundamentos Legais do Débito - FLD, e bem assim no Relatório Fiscal, a legislação específica que dá amparo à desconsideração da contabilidade da recorrente e a aferição indireta, in casu, artigo 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91, o ilustre fiscal autuante incorreu em vício insanável, capaz de determinar a nulidade da NFLD, conforme legislação de regência e torrencial jurisprudência deste Conselho." - fl. 1.763; Fl. 6720DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 10 10 Portanto, correta a decisão da DRJ. Sem análise da adequação da decisão da CRPS, a verdade é que aquele órgão concluiu pela nulidade do lançamento por vício formal. Essa é a decisão que deve ser tomada como base. Nessa senda, a nulidade do lançamento original por vício formal garante à fazenda nacional o direito de lançar novamente o crédito tributário. Tanto assim que, inclusive, a decisão que reconhece a nulidade do lançamento original por vício formal é marco inicial para contagem de um novo prazo decadencial quinquenal. Outrossim, constata-se que o art. 149, IX, do CTN, indicado pela própria Contribuinte é claro em estabelecer que: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Ora, foi exatamente essa a omissão pela autoridade lançadora original da indicação das fundamentações legais do lançamento que levou à sua anulação. Em outras palavras, a omissão, pela autoridade que efetuou o lançamento anterior, de formalidade especial. Portanto, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. Nulidade da decisão recorrida: omissão Argumenta a contribuinte ainda que a decisão recorrida foi omissa porque "deixou de apreciar a impugnação quanto ao novo lançamento" (fl. 1.769). Acontece que a DRJ analisou concretamente a questão, como se exposto no item anterior. Fê-lo especificamente na fl. 1.737 do e-processo. Portanto, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. Dos fatos geradores Superadas as preliminares acima, impende analisar as questões tocantes ao mérito do lançamento suscitadas pela Recorrente. Em especial, argumenta que a autoridade lançadora não comprovou a ocorrência dos fatos geradores, não conseguindo demonstrar que os valores se referiam a pro labore, que houve pagamentos "por fora" e nem a relação empregatícia. Outrossim, também afirmou que houve pagamentos em duplicidade. Convém analisá-los individualmente. Do pro labore Em primeiro lugar, contesta os valores lançados a título de pro labore. Argumenta que o simples fato de que um valor foi sacado da conta da empresa não pode ser automaticamente equiparado a retirada a título de pro labore. Também, que os valores considerados como de pro labore estão em completa desarmonia com a realidade social, sendo incluídos na base de cálculo valores astronômicos. Ainda, que os valores não são fixos nem Fl. 6721DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 11 11 mensais, mais uma vez não podendo configurar pro labore. Por fim, argumenta que os mesmos valores foram lançados como IRRF, nos autos de outro processo. Inclusive, traz aos autos a documentação e as decisões alcançadas naquela outra lide. Solicita, portanto, que seja respeitada a mesma conclusão ali alcançada, reconhecendo a existência de coisa julgada material, e reduzindo, portanto, a autuação referente aos pagamentos efetuados aos sócios- diretores para R$ 438.763,45. Retornando ao Relatório Fiscal, constata-se que a autoridade lançadora apontou que: "c) Como contribuinte individual 'empresário', pagamentos identificados como sendo de gastos pessoais dos sócios, como clubes de pesca, funcionários da Chácara e Sítio, multas de trânsito, faculdade, previdência privada, passagens aéreas, IPVA, IPTU de condomínios e saques da diretoria - sem destinação ou ainda, depositado na conta xxxx do Banco Itaú em nome particular do sócio-gerente Sr. Olivo Simoso. c.1) Os valores mensais apurados, não guardam relação uniforme de valores, foram simplesmente apurados de acordo com os comprovantes apreendidos; e c.2) Observado a presença dos requisitos contidos na letra 'f' do inciso V, do art. 12 [da Lei nº 8.212/1991] transcrito anteriormente;" - fl. 224. Em outras palavras, a autoridade lançadora realmente considerou como base de cálculo para as contribuições previdenciárias, referentes aos "empresários", os valores pagos pagos como "gastos pessoais dos sócios" e "saques da diretoria". Analisando a questão, a DRJ concluiu que o lançamento foi correto. Esclareceu que o ônus de provar a natureza não remuneratória dos valores cabia à Contribuinte e que esta não conseguiu comprovar que eles se referiam a remuneração do capital e não do trabalho. Outrossim, que é irrelevante o valor dos pagamentos, não sendo isso elemento suficiente para afastar a configuração de pro labore. Também, que o lançamento dos mesmos valores pela receita federal (IRRF) não é impeditivo para a constituição do crédito previdenciário. Pois bem. Efetivamente, o acórdão CSRF nº 9101-001.647, de 14/05/2013, proferido nos autos do processo nº 10830.004864/2005-02 tem como sujeito passivo do crédito tributário a mesma CONSTRUTORA SIMOSO LTDA., Contribuinte na presente lide. Outrossim, referiu-se também ao período de 01/10/1999 a 30/06/2004, período contido no presente lançamento. Por fim, conforme o seu relatório, o lançamento decorreu dos mesmos fatos (mesma fiscalização, decorrente da mesma demanda judicial, referente também à existência de caixa 2 etc.). Nesse acórdão, a CSRF concluiu que ficou demonstrado o enquadramento da situação fática ao disposto no art. 61 da Lei nº 8.981/1995. Preliminarmente, constata-se que não se pode falar em coisa julgada material no presente caso. Observa-se que, como bem frisou a própria Recorrente, aquele outro processo se refere a outros tributos, que têm fato gerador diverso daquele ora analisado. Diferente seria a Fl. 6722DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 12 12 hipótese se se estivesse analisando a ocorrência do mesmo fato gerador e suas consequências, como se observa quando se analisa a incidência das Contribuições Sociais Previdenciárias do empregado e a patronal. Nessa senda, na análise dos fatos é possível que seja observada a ocorrência de fatos geradores de um tributo, mas não de outro, vice-versa, e ainda que seja observada a ocorrência de dois fatos geradores diversos, de tributos diversos, na mesma ocorrência. Portanto, o simples fato de que se tenha observada a ocorrência de renda, não implica significar que a renda decorra do trabalho, por exemplo. Superada essa questão, constata-se que o art. 61 da Lei nº 8.981/1995 trata, em seu caput, do pagamento a beneficiário não identificado. No § 1º, por sua vez, regula a hipótese de pagamento a beneficiário identificado, porém sem causa comprovada. Portanto, ali não se identificou a causa do pagamento, e isso não significa que o pagamento não tenha causa e nem serve de comprovação que a causa não foi remuneração do trabalho. De qualquer sorte, no AI referente ao IRRF, a autoridade lançadora esclareceu que: "28. Dessa forma, os valores constantes na coluna "Transferência à Diretoria", constante dos ANEXOS III e IV, e aqueles constantes do ANEXO V, com exceção daqueles que ingressaram nas contas "OLIVO SIMOSO" e "ANTONIA T C SIMOSO" e aqueles referentes a aplicações financeiras, serão tributados exclusivamente na fonte, uma vez que a empresa não identificou a causa e tampouco os beneficiários, apesar de intimada a fazê-lo (...)" - fl. 1.964; (...) "29. Com relação aos pagamentos comprovadamente destinados aos sócios, a empresa ficou sujeita à multa isolada pela falta de retenção, (...)" - fl. 1.966; (...) "31. Com relação aos pagamentos comprovadamente destinados aos sócios, a empresa ficou sujeita aos juros isolados, pela falta de retenção, (...)" - fl. 1.971; Observa-se, portanto, que os valores que foram depositados nas contas do sócio "Olivo Simoso" não compuseram a base de cálculo do lançamento do IRRF, conforme o relatório fiscal desse outro lançamento. Foram objeto, apenas, da multa e juros isolados pela não retenção do IRPF. Portanto, mais uma vez irrelevante a conclusão alcançada naqueles autos, vez que não abarcam os mesmos valores ora tratados. Por óbvio, a simpes transferência de determinado valor para o sócio não é suficiente para que se presuma se tratar de pagamento de pro labore. Pelo contrário, tais valores podem ter sido pagos também a título de lucro, de empréstimos, de redução de capital (ainda que de forma irregular, visando esvaziar o patrimônio da empresa), de reembolso por despesas (como viagens a trabalho etc.), dentre várias outras possibilidades. Fl. 6723DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 13 13 Entretanto, para afastar todos os elementos que serviram de base para a apuração pela autoridade fazendária, cabe ao sjeito passico não só alegar – mas, necessária e suficientemente, provar – todos os fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do lançamento. Assim, não tendo a recorrente logrado êxito em trazer documentação apta a afastar as conclusões da autoridade fazendária, deve ser mantida na base de cálculo a rubrica de pro labore. Configuração de segurados empregados e pagamentos a autônomos Ainda no tocante ao mérito, a Contribuinte argumenta que diversas pessoas físicas foram configuradas como empregados sem a demonstração da relação empregatícia. Outrossim, que diversos valores foram incluídos na base de cálculo como se referentes a remuneração de autônomos, sem a comprovação de que se tratavam de remuneração. Nesse caminho, pleiteia o afastamento do lançamento nesse ponto. Analisando essa questão, a DRJ concluiu que a autoridade lançadora teve o cuidado de separar os valores entendidos como "salários" daqueles referentes a remuneração de autônomos. Nesse sentido, que a fiscalização comprovou a existência de relação empregatícia na prática, ainda que a Contribuinte e o empregado tenham dado outro nome à relação. Retornando ao lançamento, constata-se que efetivamente a autoridade lançadora se dedicou longamente no relatório fiscal à demonstração do vínculo empregatício. Constata-se, por exemplo, que entre as fls. 201 e 211 apresentou inúmeras provas e indícios da relação trabalhista entre a empresa e as pessoas físicas. É o que se aponta, por exemplo, na existência de declaração de supervisor reconhecendo a relação trabalhista com funcionário para abrir conta bancária, contratos de experiência, arquivos da própria empresa registrando pagamentos de horas extras etc. Sobretudo, a demonstração de casos em que os funcionários foram demitidos, mas os valores referentes ao FGTS, aviso e férias proporcionais foram devolvidos para a continuidade do vínculo, apenas sem a formalidade. Percebe-se, portanto, que a autoridade lançadora efetivamente demonstrou pormenorizadamente a existência de fortes indícios que permitem configurar a relação empregatícia. Como bem ressaltou a DRJ, o lançamento foi bem destrinchado, apurando-se na rubrica "segurados empregados" tão somente aqueles indivíduos e pagamentos que ficaram vinculados pela demonstração de relação empregatícia. Por sua vez, a Contribuinte apenas apresenta argumentos genéricos, não atacando os fundamentos específicos do lançamento. De outro lado, apesar de trazer uma lista indicando os valores específicos que desejava contestar, seja a título de não comprovação de vínculo empregatício, seja a título de não se tratar de remuneração de serviços autônomos, não juntou aos autos provas que corroborassem as suas alegações, de sorte que tampouco podem ser admitidos. Portanto, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. Valores duplicados Fl. 6724DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 14 14 Ainda argumenta a Recorrente quanto à duplicidade dos valores incluídos na base de cálculo referente (1) ao pro labore e ao IRRF e (2) aos adiantamentos e aos pagamentos dos salários em relação aos empregados. Em relação ao (1), não há sentido em analisá-los vez que dou provimento quanto à não incidência do tributo. Em relação ao (2), com razão o acórdão recorrido. Isso porque, analisando essa questão, a DRJ registrou que não há nos autos prova de que houve cobrança em duplicidade de quaisquer valores. Pelo contrário, o lançamento foi realizado com base na soma dos valores pagos ao longo do mês. Nesse sentido, que as segundas parcelas não correspondiam ao salário bruto, mas sim ao líquido. Mais uma vez, a Contribuinte não comprovou (nem mesmo indicou por amostragem) casos de duplicidade da cobrança. Por essa razão, não é possível dar provimento ao recurso voluntário nesse ponto. Decadência Superadas as preliminares, a Contribuinte argumenta também pela decadência parcial do crédito tributário. Segundo sua defesa, deve ser respeitada a regra do art. 150, § 4º, e não a do art. 173, I, ambas do CTN. Outrossim, que deve ser afastada a aplicabilidade do art. 45 da Lei 8.212/1991, uma vez que já foi reconhecida a sua inconstitucionalidade pelo STF, inclusive com a consolidação de súmula vinculante. A DRJ, analisando essa questão, já havia reconhecido a decadência parcial do crédito tributário. Efetivamente, reconheceu a aplicabilidade da Súmula Vinculante nº 8 do STF, e a inconstitucionalidade do prazo decenal. Contudo, entendeu pela aplicação da norma do art. 173, I, do CTN, não em função da inexistência de pagamento antecipado, mas sim em função da constatação de dolo, fraude ou simulação. Conforme já analisado acima, o lançamento foi mantido em relação aos valores pagos a título de salário para trabalhadores informais e a prestadores de serviço autônomo. Tendo a autoridade lançadora apresentado vasta argumentação e provas quanto à existência de caixa 2, o que a Recorrente não logrou afastar, é necessário concluir que efetivamente houve fraude tributária. Por essa razão, portanto, incorre na parte final do art. 150, § 4º, do CTN, segundo a qual essa regra não é aplicável nas hipóteses em que há dolo, fraude ou simulação. Portanto, deve-se aplicar a regra geral do art. 173, I, do mesmo diploma. Nesse caminho, não é possível dar provimento ao recurso, devendo ser mantida a decisão já proferida na DRJ quanto a esse ponto. Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora ad hoc Fl. 6725DF CARF MF Processo nº 13840.000427/2007-42 Acórdão n.º 2202- S2-C2T2 Fl. 15 15 Fl. 6726DF CARF MF Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13896.720814/2017-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Trata-se de Recurso Voluntário, e-fls. 17653/17687, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão nº 07-40.997 - 4ª Turma da DRJ/FNS, e-fls. 17589/17637, que julgou parcialmente improcedente e manteve o crédito tributário relativo a Autos de Infração (AI) de PIS/COFINS, relativos ao ano-calendário de 2012, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros moratórios calculados à taxa SELIC.
Adicionalmente, a DRJ apresentou Recurso de Ofício e a Fazenda Nacional apresentou Razões ao Recurso de Ofício e Contra - Razões ao Recurso Voluntário, e-fls. 17694/17744.
Impugnada a exigência e mantido em parte o crédito tributário lançado, a DRJ prolatou o Acórdão nº 07-40.997 - 4ª Turma da DRJ/FNS.
RECURSO VOLUNTÁRIO
Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão do juízo a quo seja reformada, alegando, em síntese:
Os Fatos e o V. Acórdão Recorrido
A Recorrente descreve que foi autuada com base nos seguintes pontos:
9. As autuações se fundaram: (i) no entendimento de que a empresa fez indevida apuração das receitas relativas a contratos de longo prazo (contratos de construção de plataformas e navios-sonda), sujeitos à Instrução Normativa nº 21/79; (ii) na alegação de que nem toda a receita auferida poderia ser considerada como receita de exportação; (iii) no dever de recolhimento de PIS/COFINS sobre receitas de aluguel, equivocadamente declaradas pela empresa como sujeitas à alíquota zero; e, finalmente, (iv) na retomada da exigibilidade de tributos outrora suspensos por ocasião da aquisição de mercadorias no mercado interno, em razão do regime especial a que alude a Instrução Normativa nº 513/2015, com atribuição de responsabilidade à Impugnante. (e-fl. 17658)
Relata que o julgamento de primeira instância afastou a autuação dos navios-sonda e dos cascos da P-66 a P-71, mantendo apenas a autuação para os cascos P-72 a P-73. Entende que o acórdão de primeira instância errou ao:
a) reconhecer ser correto o critério de apuração de receita adotado pela fiscalização para a tributação das receitas atreladas a contratos de longo prazo;
b) negar o desconto de créditos da não-cumulatividade na recomposição dos valores a pagar sobre receitas de alugueis; e
c) negar a decadência defendida para o período anterior a 04/2012.
O Direito
(a) o dever de reconhecimento de receitas em contratos de construção longo prazo
A Recorrente alega que os contratos para a construção de cascos para plataformas do tipo FPSO (Floating Production, Storage and Offloading), bem como para a construção de navios-sonda (Drillship) tinham prazo de execução superior a 1 (um) ano e, portanto, sujeitos ao regramento previsto no artigo 10 do Decreto-lei nº 1.598/77 (artigo 407 do RIR/99), regulamentado pela Instrução Normativa nº 21/1979.
Na defesa da tese, a Recorrente cita a legislação de que a receita em contratos de construção de longo prazo tem metodologia própria a ser considerada para fins de tributação.
16. Como se vê, nos contratos de construção de prazo superior ao um ano, o resultado a ser ofertado à tributação deve considerar (i) o custo de construção incorrido no período e (ii) parte do preço total do contrato, determinada mediante aplicação da porcentagem do contrato executado no período. Segue a norma determinando, ainda, que a porcentagem de execução do contrato deve ser medida por uma dentre as seguintes metodologias: a) com base na relação entre os custos incorridos no período e o custo total estimado do contrato; OU b) com base em laudo técnico que certifique o avanço físico da empreitada ou produção. (grifo meu)
Alega que a legislação não permite formas alternativas de aferição da receita tributável. Nesse sentido, defende que a fiscalização errou ao criar uma forma alternativa de apuração da receita em contratos de longo prazo.
A Recorrente argumenta que para as FPSO o custo orçado seria equivalente a 82,25% do preço total, levando em consideração uma margem de lucro de 17,85%. Já para os Drillships, afirma que o custo orçado seria equivalente a 85%, levando em consideração uma margem de lucro de 15%.
Sustenta que no ano de 2012, estavam em construção apenas os cascos das FPSO denominadas P-66 e P-67 e que por esse motivo não faria sentido existir registro de receita atrelada aos demais projetos.
34. Ocorre que, consoante esclarecido na Impugnação, todos os custos incorridos no período devem ser atrelados aos cascos da P-66 e P-67, posto que os únicos que estavam em construção no ano de 2012. E, porque ambos os cascos estavam vinculados a um mesmo contrato (considerando que os direitos sobre o P-66 foram cedidos pela GUARÁ à TUPI), não havia necessidade de segregação de custos no período.
Explica que as invoices para as FPSO eram emitidas e pagas com base nos trabalhos realizados e eventos concluídos. Acrescenta que os Boletins de Medição refletiam justamente os trabalhos realizados e os eventos concluídos em conformidade com os termos contratuais.
40. (...). A credibilidade dos Boletins de Medição apresentadas deriva, inclusive, da constatação do efetivo pagamento das Invoices emitidas pela Recorrente. Ora, não estivesse comprovada a efetiva ocorrência das etapas descritas nos Boletins de Medição, por certo que as Contratantes não teriam pago à Recorrente os valores estampados nas Invoices.!
Cita trechos dos contratos de construção para ilustrar o ponto de vista, de que os pagamentos parcelados e os adiantamentos recebidos não refletem necessariamente o trabalho executado nas FPSO.
31. Quando o estágio de execução (stage of completion) for determinado com base nos custos do contrato incorridos até a data, somente aqueles custos do contrato que reflitam o trabalho executado devem ser incluídos nos custos incorridos até a data. São exemplos de custos do contrato que NÃO devem ser considerados como incorridos:
(a) custos que se relacionem com as atividades futuras do contrato, tais como os custos de materiais que tenham sido entregues no local da obra ou reservados para posterior utilização, mas que não tenham sido instalados, usados ou aplicados durante a execução do contrato, a menos que tais materiais tenham sido produzidos especificamente para o contrato; e
(b) pagamentos antecipados a subcontratados por trabalho a ser executado nos termos de um subcontrato.
Em suma, alega que as invoices emitidas representam o avanço financeiro e não, como entendera a fiscalização, o avanço físico dos contratos.
45. (...). Ocorre que a curva de custos de execução de um projeto e os critérios de medição financeiro adotados não são necessariamente balanceados ao longo do projeto.
Argui basicamente que a fiscalização negou o direito de utilização do método de ajuste conhecido como Percentage of Completion (POC), conforme o pronunciamento Técnico CPC 17, onde a receita contabilizada é proporcional aos custos incorridos do período, utilizando-se como base as medições físicas de evolução ou a proporção dos custos incorridos em relação aos custos totais orçados no projeto.
50. A se admitir a metodologia empregada pela I. Auditora Fiscal, estar-se-á admitindo a ABSURDA hipótese da Recorrente ter aferido margem de ganho de 34,3% no contrato (vide quadro abaixo), o que, com a devida vênia, é notório ser completamente irreal em um mercado que, como dito acima, trabalha com margens que variam de 4% a 9%.
Pondera que a falta do devido ajuste do método POC trouxe distorções na apuração dos resultados dos contratos. Argumenta quanto a falta de laudo técnico de medição subscrito por um ou mais profissionais para representar sobre a execução contratada.
(b) receitas de exportação x Cascos P-72 e P-73
A Recorrente relata que o acórdão de primeira instância reconheceu a prematuridade das autuações relativas aos Drillships e FPSO P-66 a P-71. O acórdão manteve a autuação para as FPSO P-72 e P-73.
65. De outro giro e, porque fora reconhecido, pela Recorrente, que os casos da P-72 e P-73 efetivamente não seriam concluídos para exportação, o v. acórdão recorrido decidiu por manter a existência de PIS/COFINS sobre as receitas atreladas a estes dois cascos.
Segundo a Recorrente, não havia receitas atreladas aos cascos da P-72 e P-73 no ano de 2012, devendo a autuação ser cancelada.
(c) o direito aos créditos de PIS/COFINS na apuração dos valores a pagar
A Recorrente defende o direito ao desconto de créditos da não-cumulatividade de PIS/COFINS da apuração do saldo de tributos que porventura remanescer a pagar. Descreve que a questão já vem sendo discutida em Manifestações de Inconformidade vinculadas às PER/DCOMPS.
Dos Pedidos
A Recorrente pede:
a) o provimento do Recurso Voluntário para cancelar o lançamento tributário de PIS/COFINS relativo as receitas atribuídas aos contratos de construção das FPSO P-72 e P-73;
b) o afastamento quanto aos critérios de reconhecimento das receitas atreladas aos contratos de longo prazo envolvendo os navios-sonda e os cascos da P-66 a P-73; e
c) o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS do ano de 2012.
RECURSO DE OFÍCIO, RAZÕES AO RECURSO DE OFÍCIO E CONTRA - RAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO
Recurso de Ofício
A Fazenda Nacional, com supedâneo no art. 48, parágrafo 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF Nº 343, de 09/06/2015) apresentou RAZÕES AO RECURSO DE OFÍCIO e CONTRA-RAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO, alegando, em síntese:
A impossibilidade de a Recorrente vir a exportar os cascos das plataformas FPSO P-72 e P-73, mesmo após ter havido prorrogação do regime aduaneiro especial de entreposto aduaneiro até 31.05.2018(Processo nº 11050.721681/2013-05) e até 09.12.2018 (Processo nº 11050.000534/2011-28).
Nessa linha, a Fazenda Nacional alega que os contratos da Recorrente com a empresa sediada no exterior ou foram rescindidos, ou foram suspensos, o que contraria as regras de permanência no regime aduaneiro especial de entreposto aduaneiro. Defende que a concessão dos atos declaratórios de prorrogação do regime suspensivo é precária, sendo que o encerramento ou suspensão dos contratos de longo prazo vinculados às exportações futuras retiram o fundamento dos atos declaratórios.
Afirma que a fiscalização procedeu de forma correta ao lançamento e pede provimento ao recurso de ofício para restabelecer em sua totalidade o crédito tributário.
Contra - Razões ao Recurso Voluntário
A Fazenda Nacional alega como preliminar a intempestividade do Recurso Voluntário. Relata os prazos da intimação eletrônica e alega que ocorreu o decurso de prazo para a interposição do Recurso Voluntário pelo contribuinte antes de sua efetiva apresentação.
No mérito, embora não conste do Recurso Voluntário, sustenta a não ocorrência de decadência.
Defende o critério alternativo utilizado pela fiscalização para apuração de receita dos contratos sujeita a tributação, tendo em vista que a Recorrente não observara as normas estabelecidas no Decreto-lei nº 1.598/1977, art. 10 (RIR/99, art. 407), regulamentadas pela Instrução Normativa SRF nº 21/1979.
Sustenta como correta a incidência do PIS/COFINS i) em razão da falta de comprovação da exportação nos contratos de longo prazo que não foi oferecida à tributação; ii)incidente sobre a receita de aluguel que não foi oferecida à tributação; e (iii) que havia sido suspenso na aquisição de insumos nacionais detectada em Notas Fiscais de Emissão de terceiros.
Ao final a Fazenda Nacional pede que seja provido o Recurso de Ofício e desprovido in totum o Recurso Voluntário, mantendo-se incólume o lançamento fiscal questionado.
É o relatório.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário, e-fls. 17653/17687, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão nº 07-40.997 - 4ª Turma da DRJ/FNS, e-fls. 17589/17637, que julgou parcialmente improcedente e manteve o crédito tributário relativo a Autos de Infração (AI) de PIS/COFINS, relativos ao ano-calendário de 2012, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros moratórios calculados à taxa SELIC. Adicionalmente, a DRJ apresentou Recurso de Ofício e a Fazenda Nacional apresentou Razões ao Recurso de Ofício e Contra - Razões ao Recurso Voluntário, e-fls. 17694/17744. Impugnada a exigência e mantido em parte o crédito tributário lançado, a DRJ prolatou o Acórdão nº 07-40.997 - 4ª Turma da DRJ/FNS. RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão do juízo a quo seja reformada, alegando, em síntese: Os Fatos e o V. Acórdão Recorrido A Recorrente descreve que foi autuada com base nos seguintes pontos: 9. As autuações se fundaram: (i) no entendimento de que a empresa fez indevida apuração das receitas relativas a contratos de longo prazo (contratos de construção de plataformas e navios-sonda), sujeitos à Instrução Normativa nº 21/79; (ii) na alegação de que nem toda a receita auferida poderia ser considerada como receita de exportação; (iii) no dever de recolhimento de PIS/COFINS sobre receitas de aluguel, equivocadamente declaradas pela empresa como sujeitas à alíquota zero; e, finalmente, (iv) na retomada da exigibilidade de tributos outrora suspensos por ocasião da aquisição de mercadorias no mercado interno, em razão do regime especial a que alude a Instrução Normativa nº 513/2015, com atribuição de responsabilidade à Impugnante. (e-fl. 17658) Relata que o julgamento de primeira instância afastou a autuação dos navios-sonda e dos cascos da P-66 a P-71, mantendo apenas a autuação para os cascos P-72 a P-73. Entende que o acórdão de primeira instância errou ao: a) reconhecer ser correto o critério de apuração de receita adotado pela fiscalização para a tributação das receitas atreladas a contratos de longo prazo; b) negar o desconto de créditos da não-cumulatividade na recomposição dos valores a pagar sobre receitas de alugueis; e c) negar a decadência defendida para o período anterior a 04/2012. O Direito (a) o dever de reconhecimento de receitas em contratos de construção longo prazo A Recorrente alega que os contratos para a construção de cascos para plataformas do tipo FPSO (Floating Production, Storage and Offloading), bem como para a construção de navios-sonda (Drillship) tinham prazo de execução superior a 1 (um) ano e, portanto, sujeitos ao regramento previsto no artigo 10 do Decreto-lei nº 1.598/77 (artigo 407 do RIR/99), regulamentado pela Instrução Normativa nº 21/1979. Na defesa da tese, a Recorrente cita a legislação de que a receita em contratos de construção de longo prazo tem metodologia própria a ser considerada para fins de tributação. 16. Como se vê, nos contratos de construção de prazo superior ao um ano, o resultado a ser ofertado à tributação deve considerar (i) o custo de construção incorrido no período e (ii) parte do preço total do contrato, determinada mediante aplicação da porcentagem do contrato executado no período. Segue a norma determinando, ainda, que a porcentagem de execução do contrato deve ser medida por uma dentre as seguintes metodologias: a) com base na relação entre os custos incorridos no período e o custo total estimado do contrato; OU b) com base em laudo técnico que certifique o avanço físico da empreitada ou produção. (grifo meu) Alega que a legislação não permite formas alternativas de aferição da receita tributável. Nesse sentido, defende que a fiscalização errou ao criar uma forma alternativa de apuração da receita em contratos de longo prazo. A Recorrente argumenta que para as FPSO o custo orçado seria equivalente a 82,25% do preço total, levando em consideração uma margem de lucro de 17,85%. Já para os Drillships, afirma que o custo orçado seria equivalente a 85%, levando em consideração uma margem de lucro de 15%. Sustenta que no ano de 2012, estavam em construção apenas os cascos das FPSO denominadas P-66 e P-67 e que por esse motivo não faria sentido existir registro de receita atrelada aos demais projetos. 34. Ocorre que, consoante esclarecido na Impugnação, todos os custos incorridos no período devem ser atrelados aos cascos da P-66 e P-67, posto que os únicos que estavam em construção no ano de 2012. E, porque ambos os cascos estavam vinculados a um mesmo contrato (considerando que os direitos sobre o P-66 foram cedidos pela GUARÁ à TUPI), não havia necessidade de segregação de custos no período. Explica que as invoices para as FPSO eram emitidas e pagas com base nos trabalhos realizados e eventos concluídos. Acrescenta que os Boletins de Medição refletiam justamente os trabalhos realizados e os eventos concluídos em conformidade com os termos contratuais. 40. (...). A credibilidade dos Boletins de Medição apresentadas deriva, inclusive, da constatação do efetivo pagamento das Invoices emitidas pela Recorrente. Ora, não estivesse comprovada a efetiva ocorrência das etapas descritas nos Boletins de Medição, por certo que as Contratantes não teriam pago à Recorrente os valores estampados nas Invoices.! Cita trechos dos contratos de construção para ilustrar o ponto de vista, de que os pagamentos parcelados e os adiantamentos recebidos não refletem necessariamente o trabalho executado nas FPSO. 31. Quando o estágio de execução (stage of completion) for determinado com base nos custos do contrato incorridos até a data, somente aqueles custos do contrato que reflitam o trabalho executado devem ser incluídos nos custos incorridos até a data. São exemplos de custos do contrato que NÃO devem ser considerados como incorridos: (a) custos que se relacionem com as atividades futuras do contrato, tais como os custos de materiais que tenham sido entregues no local da obra ou reservados para posterior utilização, mas que não tenham sido instalados, usados ou aplicados durante a execução do contrato, a menos que tais materiais tenham sido produzidos especificamente para o contrato; e (b) pagamentos antecipados a subcontratados por trabalho a ser executado nos termos de um subcontrato. Em suma, alega que as invoices emitidas representam o avanço financeiro e não, como entendera a fiscalização, o avanço físico dos contratos. 45. (...). Ocorre que a curva de custos de execução de um projeto e os critérios de medição financeiro adotados não são necessariamente balanceados ao longo do projeto. Argui basicamente que a fiscalização negou o direito de utilização do método de ajuste conhecido como Percentage of Completion (POC), conforme o pronunciamento Técnico CPC 17, onde a receita contabilizada é proporcional aos custos incorridos do período, utilizando-se como base as medições físicas de evolução ou a proporção dos custos incorridos em relação aos custos totais orçados no projeto. 50. A se admitir a metodologia empregada pela I. Auditora Fiscal, estar-se-á admitindo a ABSURDA hipótese da Recorrente ter aferido margem de ganho de 34,3% no contrato (vide quadro abaixo), o que, com a devida vênia, é notório ser completamente irreal em um mercado que, como dito acima, trabalha com margens que variam de 4% a 9%. Pondera que a falta do devido ajuste do método POC trouxe distorções na apuração dos resultados dos contratos. Argumenta quanto a falta de laudo técnico de medição subscrito por um ou mais profissionais para representar sobre a execução contratada. (b) receitas de exportação x Cascos P-72 e P-73 A Recorrente relata que o acórdão de primeira instância reconheceu a prematuridade das autuações relativas aos Drillships e FPSO P-66 a P-71. O acórdão manteve a autuação para as FPSO P-72 e P-73. 65. De outro giro e, porque fora reconhecido, pela Recorrente, que os casos da P-72 e P-73 efetivamente não seriam concluídos para exportação, o v. acórdão recorrido decidiu por manter a existência de PIS/COFINS sobre as receitas atreladas a estes dois cascos. Segundo a Recorrente, não havia receitas atreladas aos cascos da P-72 e P-73 no ano de 2012, devendo a autuação ser cancelada. (c) o direito aos créditos de PIS/COFINS na apuração dos valores a pagar A Recorrente defende o direito ao desconto de créditos da não-cumulatividade de PIS/COFINS da apuração do saldo de tributos que porventura remanescer a pagar. Descreve que a questão já vem sendo discutida em Manifestações de Inconformidade vinculadas às PER/DCOMPS. Dos Pedidos A Recorrente pede: a) o provimento do Recurso Voluntário para cancelar o lançamento tributário de PIS/COFINS relativo as receitas atribuídas aos contratos de construção das FPSO P-72 e P-73; b) o afastamento quanto aos critérios de reconhecimento das receitas atreladas aos contratos de longo prazo envolvendo os navios-sonda e os cascos da P-66 a P-73; e c) o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS do ano de 2012. RECURSO DE OFÍCIO, RAZÕES AO RECURSO DE OFÍCIO E CONTRA - RAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO Recurso de Ofício A Fazenda Nacional, com supedâneo no art. 48, parágrafo 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF Nº 343, de 09/06/2015) apresentou RAZÕES AO RECURSO DE OFÍCIO e CONTRA-RAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO, alegando, em síntese: A impossibilidade de a Recorrente vir a exportar os cascos das plataformas FPSO P-72 e P-73, mesmo após ter havido prorrogação do regime aduaneiro especial de entreposto aduaneiro até 31.05.2018(Processo nº 11050.721681/2013-05) e até 09.12.2018 (Processo nº 11050.000534/2011-28). Nessa linha, a Fazenda Nacional alega que os contratos da Recorrente com a empresa sediada no exterior ou foram rescindidos, ou foram suspensos, o que contraria as regras de permanência no regime aduaneiro especial de entreposto aduaneiro. Defende que a concessão dos atos declaratórios de prorrogação do regime suspensivo é precária, sendo que o encerramento ou suspensão dos contratos de longo prazo vinculados às exportações futuras retiram o fundamento dos atos declaratórios. Afirma que a fiscalização procedeu de forma correta ao lançamento e pede provimento ao recurso de ofício para restabelecer em sua totalidade o crédito tributário. Contra - Razões ao Recurso Voluntário A Fazenda Nacional alega como preliminar a intempestividade do Recurso Voluntário. Relata os prazos da intimação eletrônica e alega que ocorreu o decurso de prazo para a interposição do Recurso Voluntário pelo contribuinte antes de sua efetiva apresentação. No mérito, embora não conste do Recurso Voluntário, sustenta a não ocorrência de decadência. Defende o critério alternativo utilizado pela fiscalização para apuração de receita dos contratos sujeita a tributação, tendo em vista que a Recorrente não observara as normas estabelecidas no Decreto-lei nº 1.598/1977, art. 10 (RIR/99, art. 407), regulamentadas pela Instrução Normativa SRF nº 21/1979. Sustenta como correta a incidência do PIS/COFINS i) em razão da falta de comprovação da exportação nos contratos de longo prazo que não foi oferecida à tributação; ii)incidente sobre a receita de aluguel que não foi oferecida à tributação; e (iii) que havia sido suspenso na aquisição de insumos nacionais detectada em Notas Fiscais de Emissão de terceiros. Ao final a Fazenda Nacional pede que seja provido o Recurso de Ofício e desprovido in totum o Recurso Voluntário, mantendo-se incólume o lançamento fiscal questionado. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 17653/17687, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão nº 0740.997 4ª Turma da DRJ/FNS, efls. 17589/17637, que julgou parcialmente improcedente e manteve o crédito tributário relativo a Autos de Infração (AI) de PIS/COFINS, relativos ao anocalendário de 2012, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros moratórios calculados à taxa SELIC. Adicionalmente, a DRJ apresentou Recurso de Ofício e a Fazenda Nacional apresentou Razões ao Recurso de Ofício e Contra Razões ao Recurso Voluntário, efls. 17694/17744. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .7 20 81 4/ 20 17 -2 5 Fl. 17747DF CARF MF Processo nº 13896.720814/201725 Resolução nº 3201001.478 S3C2T1 Fl. 17.748 2 Impugnada a exigência e mantido em parte o crédito tributário lançado, a DRJ prolatou o Acórdão nº 0740.997 4ª Turma da DRJ/FNS. RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão do juízo a quo seja reformada, alegando, em síntese: Os Fatos e o V. Acórdão Recorrido A Recorrente descreve que foi autuada com base nos seguintes pontos: 9. As autuações se fundaram: (i) no entendimento de que a empresa fez indevida apuração das receitas relativas a contratos de longo prazo (contratos de construção de plataformas e naviossonda), sujeitos à Instrução Normativa nº 21/79; (ii) na alegação de que nem toda a receita auferida poderia ser considerada como receita de exportação; (iii) no dever de recolhimento de PIS/COFINS sobre receitas de aluguel, equivocadamente declaradas pela empresa como sujeitas à alíquota zero; e, finalmente, (iv) na retomada da exigibilidade de tributos outrora suspensos por ocasião da aquisição de mercadorias no mercado interno, em razão do regime especial a que alude a Instrução Normativa nº 513/2015, com atribuição de responsabilidade à Impugnante. (efl. 17658) Relata que o julgamento de primeira instância afastou a autuação dos navios sonda e dos cascos da P66 a P71, mantendo apenas a autuação para os cascos P72 a P73. Entende que o acórdão de primeira instância errou ao: a) reconhecer ser correto o critério de apuração de receita adotado pela fiscalização para a tributação das receitas atreladas a contratos de longo prazo; b) negar o desconto de créditos da nãocumulatividade na recomposição dos valores a pagar sobre receitas de alugueis; e c) negar a decadência defendida para o período anterior a 04/2012. O Direito (a) o dever de reconhecimento de receitas em contratos de construção longo prazo A Recorrente alega que os contratos para a construção de cascos para plataformas do tipo FPSO (“Floating Production, Storage and Offloading”), bem como para a construção de naviossonda (“Drillship”) tinham prazo de execução superior a 1 (um) ano e, portanto, sujeitos ao regramento previsto no artigo 10 do Decretolei nº 1.598/77 (artigo 407 do RIR/99), regulamentado pela Instrução Normativa nº 21/1979. Na defesa da tese, a Recorrente cita a legislação de que a receita em contratos de construção de longo prazo tem metodologia própria a ser considerada para fins de tributação. 16. Como se vê, nos contratos de construção de prazo superior ao um ano, o resultado a ser ofertado à tributação deve considerar (i) o custo Fl. 17748DF CARF MF Processo nº 13896.720814/201725 Resolução nº 3201001.478 S3C2T1 Fl. 17.749 3 de construção incorrido no período e (ii) parte do preço total do contrato, determinada mediante aplicação da porcentagem do contrato executado no período. Segue a norma determinando, ainda, que a porcentagem de execução do contrato deve ser medida por uma dentre as seguintes metodologias: a) com base na relação entre os custos incorridos no período e o custo total estimado do contrato; OU b) com base em laudo técnico que certifique o avanço físico da empreitada ou produção. (grifo meu) Alega que a legislação não permite formas alternativas de aferição da receita tributável. Nesse sentido, defende que a fiscalização errou ao criar uma forma alternativa de apuração da receita em contratos de longo prazo. A Recorrente argumenta que para as FPSO o custo orçado seria equivalente a 82,25% do preço total, levando em consideração uma margem de lucro de 17,85%. Já para os Drillships, afirma que o custo orçado seria equivalente a 85%, levando em consideração uma margem de lucro de 15%. Sustenta que no ano de 2012, estavam em construção apenas os cascos das FPSO denominadas P66 e P67 e que por esse motivo não faria sentido existir registro de receita atrelada aos demais projetos. 34. Ocorre que, consoante esclarecido na Impugnação, todos os custos incorridos no período devem ser atrelados aos cascos da P66 e P67, posto que os únicos que estavam em construção no ano de 2012. E, porque ambos os cascos estavam vinculados a um mesmo contrato (considerando que os direitos sobre o P66 foram cedidos pela GUARÁ à TUPI), não havia necessidade de segregação de custos no período. Explica que as invoices para as FPSO eram emitidas e pagas com base nos trabalhos realizados e eventos concluídos. Acrescenta que os Boletins de Medição refletiam justamente os trabalhos realizados e os eventos concluídos em conformidade com os termos contratuais. 40. (...). A credibilidade dos Boletins de Medição apresentadas deriva, inclusive, da constatação do efetivo pagamento das Invoices emitidas pela Recorrente. Ora, não estivesse comprovada a efetiva ocorrência das etapas descritas nos Boletins de Medição, por certo que as Contratantes não teriam pago à Recorrente os valores estampados nas Invoices.! Cita trechos dos contratos de construção para ilustrar o ponto de vista, de que os pagamentos parcelados e os adiantamentos recebidos não refletem necessariamente o trabalho executado nas FPSO. 31. Quando o estágio de execução (stage of completion) for determinado com base nos custos do contrato incorridos até a data, somente aqueles custos do contrato que reflitam o trabalho executado devem ser incluídos nos custos incorridos até a data. São exemplos de custos do contrato que NÃO devem ser considerados como incorridos: (a) custos que se relacionem com as atividades futuras do contrato, tais como os custos de materiais que tenham sido entregues no local da obra ou reservados para posterior utilização, mas que não tenham sido Fl. 17749DF CARF MF Processo nº 13896.720814/201725 Resolução nº 3201001.478 S3C2T1 Fl. 17.750 4 instalados, usados ou aplicados durante a execução do contrato, a menos que tais materiais tenham sido produzidos especificamente para o contrato; e (b) pagamentos antecipados a subcontratados por trabalho a ser executado nos termos de um subcontrato. Em suma, alega que as invoices emitidas representam o avanço financeiro e não, como entendera a fiscalização, o avanço físico dos contratos. 45. (...). Ocorre que a curva de custos de execução de um projeto e os critérios de medição financeiro adotados não são necessariamente balanceados ao longo do projeto. Argui basicamente que a fiscalização negou o direito de utilização do método de ajuste conhecido como Percentage of Completion (POC), conforme o pronunciamento Técnico CPC 17, onde a receita contabilizada é proporcional aos custos incorridos do período, utilizandose como base as medições físicas de evolução ou a proporção dos custos incorridos em relação aos custos totais orçados no projeto. 50. A se admitir a metodologia empregada pela I. Auditora Fiscal, estarseá admitindo a ABSURDA hipótese da Recorrente ter aferido margem de ganho de 34,3% no contrato (vide quadro abaixo), o que, com a devida vênia, é notório ser completamente irreal em um mercado que, como dito acima, trabalha com margens que variam de 4% a 9%. Pondera que a falta do devido ajuste do método POC trouxe distorções na apuração dos resultados dos contratos. Argumenta quanto a falta de laudo técnico de medição subscrito por um ou mais profissionais para representar sobre a execução contratada. (b) receitas de exportação x Cascos P72 e P73 A Recorrente relata que o acórdão de primeira instância reconheceu a prematuridade das autuações relativas aos Drillships e FPSO P66 a P71. O acórdão manteve a autuação para as FPSO P72 e P73. 65. De outro giro e, porque fora reconhecido, pela Recorrente, que os casos da P72 e P73 efetivamente não seriam concluídos para exportação, o v. acórdão recorrido decidiu por manter a existência de PIS/COFINS sobre as receitas atreladas a estes dois cascos. Segundo a Recorrente, não havia receitas atreladas aos cascos da P72 e P73 no ano de 2012, devendo a autuação ser cancelada. (c) o direito aos créditos de PIS/COFINS na apuração dos valores a pagar Fl. 17750DF CARF MF Processo nº 13896.720814/201725 Resolução nº 3201001.478 S3C2T1 Fl. 17.751 5 A Recorrente defende o direito ao desconto de créditos da nãocumulatividade de PIS/COFINS da apuração do saldo de tributos que porventura remanescer a pagar. Descreve que a questão já vem sendo discutida em Manifestações de Inconformidade vinculadas às PER/DCOMPS. Dos Pedidos A Recorrente pede: a) o provimento do Recurso Voluntário para cancelar o lançamento tributário de PIS/COFINS relativo as receitas atribuídas aos contratos de construção das FPSO P72 e P73; b) o afastamento quanto aos critérios de reconhecimento das receitas atreladas aos contratos de longo prazo envolvendo os naviossonda e os cascos da P66 a P73; e c) o aproveitamento de créditos de PIS/COFINS do ano de 2012. RECURSO DE OFÍCIO, RAZÕES AO RECURSO DE OFÍCIO E CONTRA RAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO Recurso de Ofício A Fazenda Nacional, com supedâneo no art. 48, parágrafo 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF Nº 343, de 09/06/2015) apresentou RAZÕES AO RECURSO DE OFÍCIO e CONTRARAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO, alegando, em síntese: A impossibilidade de a Recorrente vir a exportar os cascos das plataformas FPSO P72 e P73, mesmo após ter havido prorrogação do regime aduaneiro especial de entreposto aduaneiro até 31.05.2018(Processo nº 11050.721681/201305) e até 09.12.2018 (Processo nº 11050.000534/201128). Nessa linha, a Fazenda Nacional alega que os contratos da Recorrente com a empresa sediada no exterior ou foram rescindidos, ou foram suspensos, o que contraria as regras de permanência no regime aduaneiro especial de entreposto aduaneiro. Defende que a concessão dos atos declaratórios de prorrogação do regime suspensivo é precária, sendo que o encerramento ou suspensão dos contratos de longo prazo vinculados às exportações futuras retiram o fundamento dos atos declaratórios. Afirma que a fiscalização procedeu de forma correta ao lançamento e pede provimento ao recurso de ofício para restabelecer em sua totalidade o crédito tributário. Contra Razões ao Recurso Voluntário A Fazenda Nacional alega como preliminar a intempestividade do Recurso Voluntário. Relata os prazos da intimação eletrônica e alega que ocorreu o decurso de prazo para a interposição do Recurso Voluntário pelo contribuinte antes de sua efetiva apresentação. No mérito, embora não conste do Recurso Voluntário, sustenta a não ocorrência de decadência. Fl. 17751DF CARF MF Processo nº 13896.720814/201725 Resolução nº 3201001.478 S3C2T1 Fl. 17.752 6 Defende o critério alternativo utilizado pela fiscalização para apuração de receita dos contratos sujeita a tributação, tendo em vista que a Recorrente não observara as normas estabelecidas no Decretolei nº 1.598/1977, art. 10 (RIR/99, art. 407), regulamentadas pela Instrução Normativa SRF nº 21/1979. Sustenta como correta a incidência do PIS/COFINS i) em razão da falta de comprovação da exportação nos contratos de longo prazo que não foi oferecida à tributação; ii)incidente sobre a receita de aluguel que não foi oferecida à tributação; e (iii) que havia sido suspenso na aquisição de insumos nacionais detectada em Notas Fiscais de Emissão de terceiros. Ao final a Fazenda Nacional pede que seja provido o Recurso de Ofício e desprovido in totum o Recurso Voluntário, mantendose incólume o lançamento fiscal questionado. É o relatório. VOTO Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. Da leitura dos autos depreendese que a importância de saber a real situação da utilização do regime aduaneiro especial de entreposto aduaneiro para os cascos das plataformas FPSO P72 e P73. Nesse sentido, de forma prudente e em respeito ao princípio da verdade material, é essencial ter informações atualizadas quanto ao mencionado regime aduaneiro. Constam dos autos os seguintes processos cuja informação atualizada da unidade de jurisdição fazse necessária: Processo nº 11050.721681/201305, que havia sido prorrogado para a Recorrente até 31/05/2018; Processo nº 11050.000534/201128 que havia sido prorrogado para a Recorrente até 09/12/2018. Assim, voto para converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade preparadora informe no presente processo quanto: i) A situação atual do Processo nº 11050.721681/201305. Caso o processo tenha sido prorrogado, informar de forma detalhada com todos os meios de prova possíveis qual a real perspectiva de exportação do bem. ii) A situação do Processo nº 11050.000534/201128. Caso o processo tenha sido prorrogado, informar de forma detalhada com todos os meios de prova possíveis qual a real perspectiva de exportação do bem. Fl. 17752DF CARF MF Processo nº 13896.720814/201725 Resolução nº 3201001.478 S3C2T1 Fl. 17.753 7 iii) Outras informações relativas a estes ou outros processos correlatos, bem como sobre a situação econômica da Recorrente que julgar relevantes para a avaliação das perspectivas de exportação dos cascos das plataformas com vistas a conclusão do processo. A Recorrente deverá ser cientificada da informação da diligência a fim de que tenha a oportunidade de se manifestar nos autos. Após concluída a diligência, bem como a possível manifestação da Recorrente junto a unidade preparadora, os autos devem retornar a este Colegiado para continuidade do presente julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Fl. 17753DF CARF MF
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Numero do processo: 10073.720798/2015-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
IRPF. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. LAUDO MÉDICO OFICIAL. ÓRGÃO OFICIAL. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO.
De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física.
In casu, constatando-se que os rendimentos informados como isentos na DIRPF advém de aposentadoria, tendo a contribuinte comprovado, através de laudo médico oficial, corroborado por outros documentos, ser portador de doença presente no rol da legislação, impõe-se admitir a isenção pretendida.
Numero da decisão: 2401-005.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar como isentos os rendimentos provenientes de aposentadoria. Vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada) que negava provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll e Miriam Denise Xavier, que votaram por converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
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ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. LAUDO MÉDICO OFICIAL. ÓRGÃO OFICIAL. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO. De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física. In casu, constatandose que os rendimentos informados como isentos na DIRPF advém de aposentadoria, tendo a contribuinte comprovado, através de laudo médico oficial, corroborado por outros documentos, ser portador de doença presente no rol da legislação, impõese admitir a isenção pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar como isentos os rendimentos provenientes de aposentadoria. Vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada) que negava provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll e Miriam Denise Xavier, que votaram por converter o julgamento em diligência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 07 98 /2 01 5- 02 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10073.720798/201502 Acórdão n.º 2401005.842 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório PAULO FRAGOSO, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 19a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 1280.332/2016, às efls. 110/119, que julgou procedente em parte a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de rendimentos indevidamente considerados isentos por moléstia grave, além de da dedução indevida de previdência privada e despesa médica, em relação ao exercício 2013, conforme peça inaugural do feito, às fls. 75/84, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 11/05/2015, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente dos seguintes fatos geradores: a) omissão de rendimentos do trabalho da dependente CPF n.º 449.285.727 34 com a fonte pagadora Município de Barra Mansa (CNPJ n.º 28.695.658/000346) no valor de R$ 22.437,80, com a compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de R$ 855,57 sobre os rendimentos omitidos, sendo alterados os valores declarados de R$ 15.343,90 para R$ 37.781,70 e de R$ 447,30 para R$ 1.302,87, respectivamente; b) rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social (CNPJ n.º 29.979.036/023353) no valor de R$ 98.017,68, uma vez que o laudo médico apresentado não foi emitido por serviço oficial, além de informar que a doença é passível de controle sem constar prazo de validade; Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10073.720798/201502 Acórdão n.º 2401005.842 S2C4T1 Fl. 4 3 c) dedução indevida de previdência privada, com glosa no valor de R$ 2.685,74, por falta de discriminação dos valores pagos por beneficiário; d) dedução indevida de despesas médicas, por falta de discriminação dos valores pagos por beneficiários, com glosa do valor de R$ 14.055,03 para os seguintes prestadores: • Geap Autogestão em Saúde (R$ 6.353,01); • Geap Autogestão em Saúde (R$ 5.686,14); • Fundo de Assistência Médica (R$ 2.015,88). e) compensação indevida de IRRF da fonte pagadora Município de Barra Mansa (CNPJ n.º 28.695.658/000184), com glosa no valor de R$ 1.040,84, sendo alterado o valor declarado de R$ 1.061,37 para R$ 20,53. Inconformado com a Decisão recorrida que julgou procedente em parte a impugnação, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à efl. 126/136, procurando demonstrar sua total improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, esclarecendo não haver omissão de rendimentos, mas apenas, erro no preenchimento da DIRF, devendo ser aplicado o entendimento mais benéfico a seu favor. Aduz que conforme fichas financeiras anexas, a depedente recebeu e declarou os valores provenientes de sua aposentadoria junto ao Munícipio de Barra Mansa, ocorrendo somente equívoco quanto a identificação da fonte pagadora. Afirma que a manutenção do presente lançamento configura enriquecimento ilícito do fisco, uma vez que a recorrente efetivamente não recebeu os valores lançados. Alega fazer jus a isenção por ser portador de moléstia grave, anexando laudo médico e despacho da RFB. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10073.720798/201502 Acórdão n.º 2401005.842 S2C4T1 Fl. 5 4 DELIMITAÇÃO DA LIDE Como relato encimado, o contribuinte teve contra si o crédito tributário lançado devido a constatação de quatro infrações, quais sejam: omissão de rendimentos de trabalho da dependente, rendimentos indevidamente considerados como isentos, dedução indevida de previdência, dedução indevida de despesas médicas e compensação indevida de IRRF. Conforme observase do Recurso Voluntário o contribuinte insurgese apenas quanto a omissão de rendimentos de trabalho recebido pela dependente e os rendimentos considerados como isentos, motivo pelo qual serão os temas tratados nesta oportunidade, o que fazemos a seguir. MÉRITO DOS RENDIMENTOS DO TRABALHO E DA COMPENSAÇÃO DO IRRF DA DEPENDENTE As infrações de omissão de rendimentos do trabalho e de compensação indevida de IRRF devem ser analisadas em conjunto, uma vez que ambas se referem à dependente Neuli Lusia Chaves Fragoso (CPF n.º 449.285.72734). O Interessado alega em sua defesa que não ocorreu a omissão de rendimentos, pois o valor lançado teria sido declarado como recebido do CNPJ n.º 28.695.658/000184. Quanto à compensação indevida de fonte, reconhece que deve ser mantida a glosa de apenas R$ 185,27 e alega que o valor restante consta do comprovante de rendimentos de outra fonte pagadora. Pois bem, por repisar às alegações da impugnação e não trazer novos documentos, por muito bem analisar a matéria, consoante restou muito bem explicitado no voto condutor do acórdão de primeira instância, peça vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: É procedente a alegação do Interessado quanto às duas infrações em questão. Entretanto, deve ser observado que a autoridade lançadora realizou na realidade um mero ajuste na DIRPF de forma a adequar os valores de rendimentos e parte do IRRF declarados às fontes pagadoras corretas. Ao mesmo tempo em que lançou a omissão de rendimentos de R$ 22.437,80, a autoridade lançadora excluiu da base de cálculo o montante de R$ 23.617,10 (vide linha 02 do demonstrativo de apuração do imposto devido de fl. 83). Em relação ao IRRF, glosou o valor de R$ 1.040,84, mas compensou de ofício R$ 855,57 da fonte pagadora Município de Barra Mansa. Ressaltese que o ajuste realizado pela autoridade lançadora foi efetuado com base nas Declarações do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf) de fls. 96/97 e 98/99. Estas informações são corroboradas, ainda, pelos comprovantes de rendimentos de fls. 22 e 25. O resultado final deste ajuste nos rendimentos tributáveis feito pela autoridade lançadora foi, na realidade, benéfico ao Interessado, uma vez que excluiu da base de cálculo um valor Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10073.720798/201502 Acórdão n.º 2401005.842 S2C4T1 Fl. 6 5 superior ao lançado a título de omissão. Quanto à compensação indevida de IRRF, o resultado matemático do ajuste foi exatamente a manutenção da glosa não impugnada de R$ 185,27 (R$ 1.040,84 – R$ 855,57 = R$ 185,27). Para manter o correto ajuste da base cálculo feito pela autoridade lançadora, devem ser mantidas as infrações de omissão de rendimentos do trabalho no valor de R$ 22.437,80, com compensação do IRRF de R$ 855,57, e de compensação indevida de IRRF com glosa no valor de R$ 1.040,84, bem como o ajuste de rendimentos realizado na linha 02 do demonstrativo de apuração do imposto devido de fl. 83. (grifo nosso) Por essas razões, deve ser mantida incólume a decisão a quo. DOS RENDIMENTOS INDEVIDAMENTE CONSIDERADOS COMO ISENTOS POR MOLÉSTIA GRAVE De conformidade com a peça vestibular do feito, a lavratura da presente notificação de lançamento se deu em virtude do contribuinte ter considerado como isentos os rendimentos recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social, sem contudo comprovar ser portador de moléstia grave nos termos da legislação em vigor, senão vejamos: Laudo médico apresentado não foi emitido por serviço médico oficial da União, Estado ou Município, além de informar que a doença é passível de controle sem constar prazo de validade. Desde a impugnação, o notificado informou ser portador de moléstia grave, trazendo à colação laudo médico emitido pela Clinica de Medicina Nuclear e Oncologia Sul Fluminense Ltda e atestado da Prefeitura Municipal de Volta Redonda. Por sua vez, ao analisar a impugnação e documentos ofertados pela contribuinte, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter a integralidade da ação fiscal, sob o argumento de que: Para comprovar sua condição de portador de moléstia grave, o Interessado apresentou o laudo de fls. 14/15, emitido pela médica Christiane Maria Meurer Alves da Clínica de Medicina Nuclear e Oncologia Sul Fluminense Ltda. (CNPJ n.º 00.671.742/0001 49). Como este documento foi expedido por uma pessoa jurídica privada, ele não cumpre os requisitos exigidos pelo art. 39, § 4º do Regulamento do Imposto de Renda, ou seja, não se trata de um laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Foi apresentado, ainda, o documento de fl. 16, que também não supre a exigência da legislação acima transcrita. Em primeiro lugar, se resume a um histórico médico do Interessado, não possuindo as informações próprias de um laudo pericial. Em segundo, apesar de ter sido escrito em um formulário com cabeçalho da Prefeitura de Volta Redonda e do Sistema Único de Saúde, este documento é assinado pela mesma médica Christiane Maria Meurer Alves e com o carimbo da Clínica de Medicina Nuclear e Oncologia Sul Fluminense Ltda., ou seja, não pode ser considerado um laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Ainda irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, ora objeto de análise, reafirmando as alegações da impugnação, suscitando que são considerados isentos os Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10073.720798/201502 Acórdão n.º 2401005.842 S2C4T1 Fl. 7 6 proventos de aposentadoria, haja vista ser portador de moléstia grave, colacionando aos autos novo documento comprobatório. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria. A isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052/2004, nos termos abaixo: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Acerca do tema, o Decreto n° 3000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o §4° do mesmo artigo, assim dispõe: Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º); A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10073.720798/201502 Acórdão n.º 2401005.842 S2C4T1 Fl. 8 7 redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Ao interpretar a legislação acima transcrita, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. O primeiro reportase à natureza dos valores recebidos, devendo ser proventos de aposentadoria ou reforma ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Após a análise dos autos,é incontroverso ser os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão, estando preenchido o primeiro requisito. In casu, o ponto nodal da demanda se fixa em definir se a doença descrita no laudo e atestado médico apresentados pelo contribuinte enquadrase como moléstia grave para fins de isenção, e se tais documentos obedecem os pressupostos exigidos na legislação. Não obstante as razões de fato e de direito das autoridades fazendárias autuante e julgadora de primeira instância, o pleito do contribuinte merece acolhimento, como passaremos a demonstrar. De início, cabe ressaltar que o lançamento encontrase escorado em pura e simples presunção da autoridade lançadora, sem qualquer comprovação da imputação fiscal, o que por si só, no entendimento deste Conselheiro, já é capaz de rechaçar a exigência fiscal. Nesse ponto, vale lembrar que, o artigo 30 da Lei n° 9.250 versa sobre a necessidade da moléstia está comprovada por laudo emitido por serviço médico oficial, entendimento já exarado diversas vezes por este Conselheiro e este Tribunal, o laudo oficial não tem uma forma específica, podendo ser um atestado, um laudo propriamente dito, uma declaração, entre outras formas de manifestação médica, desde que emitido por médico oficial. Dos documentos acostados aos autos, efls 14/16, resta claro que o contribuinte é portador de carcinoma de cólon (neoplasia maligna), desde 2000. Logo, os proventos de aposentadoria e pensão são rendimentos isentos, nos termos do disposto no art. no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988. Com relação ao laudo médico ser oficial ou não, o contribuinte anexou o laudo de fls. 14/15, emitido pela Clínica de Medicina Nuclear e Oncologia Sul Fluminense Ltda. (CNPJ n.º 00.671.742/0001 49). Como este documento foi expedido por uma pessoa jurídica privada, ele não cumpre os requisitos exigidos pelo art. 39, § 4º do Regulamento do Imposto de Renda, ou seja, não se trata de um laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No entanto, foi apresentado ainda o atestado de fl. 16, emitido pela Secretária Municipal de Saúde de Volta Redonda, ou seja, expedido por serviço médico oficial do Município, suprindo a exigência da legislação acima transcrita e rechaçando a acusação fiscal. Vale salientar que estamos analisando o conjunto probatório e não apenas um documento. Como dito nas linhas acima, analisando em conjuntos os laudos apresentados, resta preenchido o pressuposto legal para a isenção. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10073.720798/201502 Acórdão n.º 2401005.842 S2C4T1 Fl. 9 8 Já em relação a constar no laudo o prazo de validade, a legislação não faz nenhuma menção a esta exigência, não merecendo tecer maiores elucidações. Ademais, o Ato Declaratório PGFN n° 05/2016 versa: nas ações judiciais fundadas no entendimento de que a isenção do Imposto de Renda sobre os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portadores de moléstias graves, nos termos do art. 6º, incisos XIV e XXI, da Lei nº 7.713, de 1988, não exige a demonstração da contemporaneidade dos sintomas, nem a indicação de validade do laudo pericial ou a comprovação da recidiva da enfermidade Como se observa dos autos, está mais que provado ser o recorrente portador de moléstia grave comprovada por laudo médico oficial e ter seus rendimentos provenientes de aposentadoria, cumulando assim os dois requisitos legais para fazer jus a isenção pleiteada. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em dissonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para considerar como isentos os rendimentos provenientes de aposentadoria, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.723692/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 21/01/2008 a 31/12/2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IOF. ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL - AFAC NÃO CARACTERIZADO. CAUSA DO NEGÓCIO JURÍDICO. MÚTUO. INCIDÊNCIA.
Os adiantamentos para futuro aumento de capital social (AFAC), assim reconhecidos e registrados na escrituração contábil, e que da mesma forma permaneçam até a efetiva capitalização pela sociedade investida, não se configuram como mútuo, não estando, portanto, sujeitos à incidência do IOF. A ausência de formalização de compromisso de permanência das verbas na companhia investida não desnatura os aportes efetivamente incorporados ao capital social da beneficiária. Contudo, uma vez demonstrado pela autoridade fiscal que tais recursos não foram capitalizados e que a causa material do negócio jurídico tenha sido mútuo, reconhece-se a incidência do IOF.
Numero da decisão: 3401-005.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IOF. ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL AFAC NÃO CARACTERIZADO. CAUSA DO NEGÓCIO JURÍDICO. MÚTUO. INCIDÊNCIA. Os adiantamentos para futuro aumento de capital social (AFAC), assim reconhecidos e registrados na escrituração contábil, e que da mesma forma permaneçam até a efetiva capitalização pela sociedade investida, não se configuram como mútuo, não estando, portanto, sujeitos à incidência do IOF. A ausência de formalização de compromisso de permanência das verbas na companhia investida não desnatura os aportes efetivamente incorporados ao capital social da beneficiária. Contudo, uma vez demonstrado pela autoridade fiscal que tais recursos não foram capitalizados e que a causa material do negócio jurídico tenha sido mútuo, reconhecese a incidência do IOF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 36 92 /2 01 2- 71 Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 10166.723692/201271 Acórdão n.º 3401005.390 S3C4T1 Fl. 1.362 2 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório 1. Tratase de auto de infração, situado às fls. 226 a 230, lavrado em razão da falta de recolhimento de imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguros ou relativas a títulos ou valores mobiliários (IO/Crédito), referente ao período de apuração compreendido entre 21/01/2008 e 31/12/2018, acrescido de multa de ofício de 75% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 249.153,31. 2. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, narra a autoridade fiscal que o procedimento que a contribuinte, em sua DIPJ, teria informado valores significativos de "créditos com pessoas ligadas" (físicas e jurídicas) sem a correspondente informação de débitos de IOF em suas DCTFs relativas ao mesmo período ou mesmo o seu respectivo recolhimento. Os históricos dos lançamentos dos créditos com pessoas ligadas, registrados nas contas "ADIANT. P/ FUTURO AUMENTO DE CAPITAL" e "CRED. COM COLIGADAS E CONTRLADAS" indicariam adiantamento de recursos financeiros a título de mútuo. 3. A contribuinte apresentou impugnação, situada às fls. 292 a 304, na qual argumentou, em síntese, que: (i) os valores considerados como empréstimos são, na verdade, adiantamentos para futuros aumentos de capital. Na peça analisa algumas das operações objetos de autuação; (ii) a multa de ofício tem caráter confiscatório. 4. Em 08/01/2014, a 00ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) proferiu o Acórdão DRJ nº 0948869, situado às fls. 1.334 a 1.337, de relatoria do AuditorFiscal Robson Marcos Schreider, que entendeu, por unanimidade de votos, "considerar como não impugnado o lançamento em relação à empresa OCP Ltda., pela improcedência da impugnação em relação às demais operações e pela manutenção do crédito tributário lançado" (sic), mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2008 IOF. ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 10166.723692/201271 Acórdão n.º 3401005.390 S3C4T1 Fl. 1.363 3 Para ser considerada como AFAC e não mútuo, a operação deve estar plenamente caracterizada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 5. A contribuinte foi intimada via postal em 07/02/2014, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 1.343 e, em 19/02/2014, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 1.344 a 1.354, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 7. Quanto às alegações de inconstitucionalidade de leis, tratase de matéria que não pode ser apreciada no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009: Decreto nº 70.235/1972 Art. 26. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 8. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 9. Assim, não conheço do recurso voluntário interposto neste particular. Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 10166.723692/201271 Acórdão n.º 3401005.390 S3C4T1 Fl. 1.364 4 10. Passase a apreciar a questão de fundo e, neste sentido, o auto de infração foi lavrado em função da falta de recolhimento do IOF (inclusive o relativo à alíquota adicional prevista nos §§ 15 e 15, do art. 7º do Regulamento do IOF) sobre mútuos que teriam sido efetuados com as empresas: (i) TARGET VEÍCULOS LTDA., (ii) JPAR DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS LTDA., e (iii) OCP LTDA. 11. Narra a fiscalização que, a despeito dos valores correspondentes estarem registrados como Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC), na escrita contábil, não se vislumbrou instrumento de comprometimento no sentido de que os repasses seriam destinados exclusivamente a futuros aumentos de capital, tampouco tendo sido observado prazo de integralização de 120 (cento e vinte) dias, a contar do encerramento do exercício social, o que conferiria a roupagem de mútuo a estas operações, com incidência do IOF. 12. Neste sentido, o Parecer Normativo CST nº 133/1975, externou entendimento no sentido de que o saldo credor de sócio ou acionista deve compor o passivo exigível no cálculo do capital da giro próprio da empresa, sendo de todo irrelevante que, em momento posterior, venha ele a ser capitalizado. Em momento seguinte, o Parecer Normativo CST nº 23/1981 fixou a orientação de que os adiantamentos para futuro aumento de capital, ainda que condicionados à utilização exclusiva em aumento de capital, deveriam ser mantidos fora do patrimônio líquido, uma vez que merecem tratamento de obrigações com terceiros, passíveis de serem exigidos pelos titulares enquanto não efetivamente concretizado o aumento. Cabe observar, para além do sentido da reconstrução do quadro de referências administrativo, de caráter regulamentaropinativo, que, no ano de 1983 o art. 21 do DecretoLei nº 2.065/1983 dispôs que, para efeito da determinação do lucro real, nos mútuos entre empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, a mutuante deveria reconhecer "pelo menos" o valor correspondente à variação monetária. A interpretação insculpida pela Administração, em conformidade com o Parecer Normativo CST nº 17/1984, foi no sentido da inaplicabilidade da previsão de trânsito em conta de resultado da norma de estatura legal no caso específico de AFAC, desde que: (i) o adiantamento se destinasse "específica e irrevogavelmente, ao aumento do capital", e (ii) a capitalização se processasse "(...) por ocasião da primeira AGE ou alteração contratual posterior ao adiantamento ou, no máximo, até 120 dias contados do encerramento do períodobase da sociedade tomadora dos recursos", prazo este posteriormente extirpado com a edição da Instrução Normativa SRF nº 127/1988, que manteve os demais requisitos. 13. O tratamento contábil dispensado aos adiantamentos de tal jaez é a classificação em conta de investimento (ANC) para aquele que efetua o AFAC e, para a investida, objeto de apreciação no presente caso, denotase, da leitura da Resolução CFC nº 1.159/2009, o registro: (i) no patrimônio líquido na investida, após a conta de capital social, na hipótese de não haver possibilidade de devolução; ou (ii) no passivo não circulante, se houver "(...) qualquer possibilidade de sua devolução". 14. Neste sentido, os posicionamentos do CFC e da RFB são distintos, opondo a contabilidade geral à fiscal, uma vez que o PN CST 23/81, entende que os AFACs, cumpridas as exigências, devem ser mantidos fora do patrimônio líquido, pois considerados Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 10166.723692/201271 Acórdão n.º 3401005.390 S3C4T1 Fl. 1.365 5 obrigações para com terceiros, podendo ser exigidos pelos titulares enquanto o aumento de capital não se concretizar. A Resolução CFC nº 1.159/2009, por seu turno, orienta a sua inclusão no patrimônio líquido, tendo em vista o princípio da essência sobre a forma. Observa se, no entanto, que, mesmo que exista divergência, os instrumentos convergem para a conclusão de que os adiantamentos de recursos, para que possam se qualificar como AFACs, devem atender à condição de permanência, que tem por corolário a cláusula de irreversibilidade de devolução, com opção irretratável. 15. Observese, em sede de excursus, que o sentido de expurgar o AFAC do patrimônio líquido, que se depreende do Parecer Normativo nº 23/1981, teria uma discussão de fundo tributário, uma vez que o entendimento diverso, representado pela Resolução CFC nº 1.159/2009, implicaria a dedutibilidade da correção monetária do adiantamento, discussão esta que veio a perder sua principal celeuma com a edição do Decreto nº 332/1991, cuja alínea 'f' do inciso I do art. 4º tornou obrigatória a correção de contas credoras e devedoras respeitantes a AFAC, situação esta que perdurou até o advento do Plano Real, contexto a partir do qual foi concebida a Lei nº 9.249/1995, que extinguiu a correção monetária do balanço. 16. Assim, feita esta observação, a autoridade fiscal externou entendimento consentâneo com o Parecer Normativo CST nº 17/1984 no sentido de que as destinações contratualmente estipuladas, em caráter irrevogável, de aumento de capital representariam exceção à obrigação da investidora prevista no preceptivo normativo do art. 21 do DecretoLei nº 1.065/1983. Tal seria, portanto, o principal marco miliário para a distinção jurídica entre o AFAC e o mútuo, uma vez que colocar recursos à disposição de terceiros sem condição de permanência e de irreversibilidade redundaria, sob tal perspectiva, em uma operação de crédito. Dizse principal porque a condição de capitalização, decorrente de tais recursos adiantados, logo na primeira AGE ou na primeira alteração contratual subsequente, sobreviveu à Instrução Normativa SRF nº 127/1988. 17. Em outras palavras, da perspectiva da interpretação infralegal, repita se, de caráter meramente regulamentar e opinativo (condição que tais instrumentos não perdem mesmo ao serem chamados de normas complementares de leis pelo inciso I do art. 100 ou de "legislação tributária" pelo art. 96, ambos do Código Tributário Nacional), o ingresso dos recursos deve se prestar ao aumento do capital logo na primeira oportunidade possível e, entre o momento de sua percepção pela investida e o da efetiva capitalização, não devem estar suscetíveis ao arrependimento e consequente reversibilidade ou devolução. Entende a posição mais formalista, aliás, que o adiantamento exigiria compromisso formal e prévio à liberação do crédito, pois a disponibilização de recursos à investida seguida de decisão superveniente de integralização não configuraria adiantamento, mas mútuo seguido de capitalização. 18. Cabe pontuar, em primeiro lugar, que o quadro normativo construído acima pertine a questões voltadas ao imposto sobre a renda. Em outras palavras, o Parecer Normativo CST nº 17/1984 foi editado para efeito da determinação do lucro real e, ainda que constitua um norte valioso ao aplicador por se voltar ao tratamento do mútuo, necessário se faz tomar, como ponto de partida para a decisão acerca da incidência ou não do imposto sobre operações financeiras, a legislação que lhe é peculiar. 19. Evidentemente, é rica a construção em torno desta especialíssima figura do direito privado prevista pelo art. 586 do Código Civil para fins de determinação do Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 10166.723692/201271 Acórdão n.º 3401005.390 S3C4T1 Fl. 1.366 6 montante correspondente à renda, a começar pelos limites da dedutibilidade dos juros passivos em condições usuais de mercado, conforme disciplinado pelo Parecer Normativo CST nº 138/1975, havendo, para tanto, a exigência de contrato, juros que não excedam a taxa legal e que os recursos sejam empregados na própria atividade principal da mutuária. Nem por isso seria possível se cogitar que o não preenchimento de tais requisitos caracterizadores da condição de despesa dedutível implicariam a incidência ou não incidência de outro tributo, pois diferentes os âmbitos de aplicação de cada sistema normativo. Assim, necessário se faz a análise da específica legislação definidora da imposição sobre operações de mútuo: Código Tributário Nacional Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: I quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado. (...) Art. 64. A base de cálculo do imposto é: I quanto às operações de crédito, o montante da obrigação, compreendendo o principal e os juros. Decreto nº 6.306/2007 (RIOF) Art. 2º O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: a) por instituições financeiras; b) por empresas que exercem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física; II operações de câmbio; III operações de seguro realizadas por seguradoras; IV operações relativas a títulos ou valores mobiliários; V operações com ouro, ativo financeiro, ou instrumento cambial. 20. Cabe, ainda, trazer à análise a legislação civil pertinente ao instituto do mútuo: Lei nº 10.406/2002 (Código Civil) Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 10166.723692/201271 Acórdão n.º 3401005.390 S3C4T1 Fl. 1.367 7 restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Art. 587. Este empréstimo transfere o domínio da coisa emprestada ao mutuário, por cuja conta correm todos os riscos dela desde a tradição. (...) Art. 591. Destinandose o mútuo a fins econômicos, presumemse devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual. Art. 592. Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será: I. Até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas, assim para o consumo, como para semeadura; II. De trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro; III. Do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível. 21. De fato, o art. 591 da codificação civil não obriga ou condiciona tal figura à cobrança de juros, mas unicamente o presume no caso de se tratar de negócio jurídico celebrado com fins econômicos, limitando, ainda, a sua cobrança à taxa legal. Tampouco a ausência de prazo o desnatura, pois, em complemento à regra dos incisos do art. 592, o § 14 do art. 7º do Decreto nº 6.306/2007 prevê expressamente a operação de crédito contratada por prazo indeterminado. Por outro lado, em um esforço de análise estratigráfica da legislação, apontase que a previsão da possibilidade do aumento futuro de capital tem tímida previsão no inciso I do art. 84 da Lei nº 6.404/1976 (LSA), já tendo sido a figura do adiantamento identificada por parte da doutrina como aquela descrita pelo inciso II do art. 170 da lei societária, em que pese a discussão acima contextualizada. 22. A distinção mais notável entre os institutos residiria no compromisso das partes com a finalidade da transferência/entrega de coisa fungível: (i) no caso do mútuo, a futura restituição de coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade, e (ii) no caso do AFAC, o futuro emprego dos recursos no aumento de capital. Em um caso, restituise, e, no outro, capitalizase. 23. Enquanto a natureza do mútuo se investiga a partir do art. 586 da codificação civil, o AFAC mantém estreito diálogo com o art. 1.081 da lei civil e com o art. 166 da LSA, que prevêem a possibilidade do aumento do capital. Partindo deste pressuposto, é possível se investigar a definição de sua natureza pela finalidade dada à coisa fungível entregue pelos investidores à investida, e um não se confunde com o outro para fins tributários. O primeiro é fato gerador do IO/Crédito; o segundo não se coaduna com a materialidade de tal exação, o que não é algo novo à jurisprudência administrativa, conforme se depreende do quanto decidido pelo Acórdão nº 20180.220, proferido em sessão de 25/04/2007 pela extinta 1º Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Período de apuração: 31/01/2000 a 31/12/2003 Fl. 1368DF CARF MF Processo nº 10166.723692/201271 Acórdão n.º 3401005.390 S3C4T1 Fl. 1.368 8 Ementa: (...) ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. Por falta de amparo legal, não procede o lançamento de IOF incidente sobre adiantamento para futuro aumento de capital. Recurso de oficio negado. 24. Em igual sentido, a distinção que fizemos logo acima entre o mútuo e o AFAC restou sedimentada, apenas com outras palavras, no acórdão proferido em 19/05/2005 no curso do Processo Administrativo nº 10768.001867/9283 pela extinta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: "Da lapidar definição posta no art. 1.256 do Código Civil revogado, reproduzida no art. 586 do Código Civil de 2002, se extrai que o mútuo é o contrato pelo qual alguém transfere a propriedade da coisa fungível a outrem, que se obriga a lhe restituir coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Sendolhe transferido o domínio da coisa emprestada, pode o mutuário darlhe o destino que lhe aprouver, inclusive consumi la, obrigandose, no entanto, a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade, pois a obrigação de restituição é da essência e da estrutura do contrato de mútuo. Enquanto que, nos negócios jurídicos de adiantamento para aumento de capital, os recursos recebidos pela empresa de seus acionistas ou quotistas somente podem ser utilizados para este fim, não comportando restituição” (seleção e grifos nossos). 25. Traçadas tais premissas, há, ainda, de se assentir para o fato de que o próprio Poder Judiciário vem dispensando, inclusive, o contrato escrito de AFAC para o seu reconhecimento, uma vez que a sua contabilização como tal e sua posterior utilização no aumento de capital da empresa será mais do que suficiente para comproválo, não havendo, na legislação societária, prazo para ocorrer a assembleia convocada para o fim específico de aumento de capital: EMENTA: TRIBUTÁRIO. ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL AFAC. INCABIMENTO DA INCIDÊNCIA DO IOF – IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES FINANCEIRAS. I. Tratase de remessa oficial e apelação de sentença que julgou parcialmente procedente o pedido, para anular parcialmente os créditos tributários constituídos no processo administrativo fiscal nº 10510.003371/200641, considerando a não incidência do IOF sobre a parte de valores repassados como adiantamento para futuro aumento de capital – AFAC. Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 10166.723692/201271 Acórdão n.º 3401005.390 S3C4T1 Fl. 1.369 9 II. O AFAC adiantamento para futuro aumento de capital corresponde a valores recebidos pela empresa de seus acionistas ou quotistas destinados a serem utilizados como futuro aporte de capital. Na hipótese, a autora informou ter realizado em favor de suas empresas coligadas o adiantamento para futuro aumento de capital, demonstrando não ter a operação configuração de mútuo para fins de incidência do IOF, sobre parte do crédito constituído no processo administrativo nº 10510.003371/2006 41. III. Não se faz obrigatória à comprovação do adiantamento para futuro aumento de capital mediante a celebração de contrato escrito, podendo ser demonstrado por meio de registro nas escrituras fiscais da empresa. IV. No caso de não haver autorização no estatuto (art. 166, II c/c o art. 168 da Lei nº 6.404/76), o aumento do capital será realizado em assembleia geral extraordinária, a qual não possui prazo para acontecer. Também na legislação societária não se verifica prazo para que o aumento do capital ocorra. V. Honorários advocatícios mantidos em R$ 20.000,00 (vinte mil reais), nos termos do art. 20, §§ 3º e4º, do CPC, diante do trabalho exercido pelo causídico da autora. VI. Remessa oficial e apelação improvidas. (Processo 000096612.2011.4.05.8500, 4ª Turma do TRF5, DES. FEDERAL IVAN LIRA DE CARVALHO, 20/11/2012) 26. É de se iluminar, não obstante, o fato de que, caso os recursos recebidos tenham permanecido regularmente escriturados como adiantamento para aumento de capital, o que pode, e.g., ser confirmado pela checagem do Livro Razão, e tendo a capitalização efetivamente ocorrido, ainda que a destempo, em estreita consonância com o art. 179 da Lei nº 6.404/1976 ("Lei das Sociedades Anônimas" LSA), incumbe à autoridade fiscal demonstrar que a contabilização escapa à realidade substantiva dos fatos. Em conformidade com o Acórdão CARF nº 3402002.862, proferido em 26/01/2016, de relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim: "A presunção de veracidade e legitimidade dos registros contábeis opera em dois sentidos. Por um lado, cabe ao fisco o ônus de provar que os lançamentos efetuados não correspondem à realidade, caso pretenda decretar a imprestabilidade da escrituração para fins fiscais. E, de outro lado, cabe ao contribuinte, em caso de inexatidões ou erros eventualmente cometidos, produzir a prova do fato. Versando este processo sobre autos de infração, o ônus da prova das diferenças apuradas era do fisco. E o fisco se desincumbiu desse ônus, pois não contestou a veracidade e a legitimidade dos registros contábeis e declarações prestadas pelo contribuinte, baseando seu trabalho nos documentos produzidos pelo próprio fiscalizado" (seleção e grifos nossos). Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 10166.723692/201271 Acórdão n.º 3401005.390 S3C4T1 Fl. 1.370 10 27. Uma vez que tal tradição normativa, como acima demonstrado, desenvolveuse em torno do imposto sobre a renda, é possível se trazer à colação o art. 923 do RIR, que dispõe que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais". Não pode nem deve ser desconsiderada sem uma produção probatória prévia a escrita fiscal utilizada, inclusive, para lastrear a própria fiscalização, sob pena de se incorrer em um jogo de relativismo cético que colocaria em disputa os próprios valores utilizados como base da imposição. 28. Os dois sentidos da presunção de veracidade/legitimidade dos registros contábeis emergem de legislação de caráter nacional, conforme se depreende da leitura do art. 417 da Lei nº 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, segundo o qual "os livros empresariais provam contra seu autor, sendo lícito ao empresário, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos". Assim, tendo a autoridade fiscal tomado como ponto de partida para a sua interpretação do direito a escrita contábil e fiscal da contribuinte, não apenas se presume verdadeiro o quanto declarado (art. 408) como também se prova o não questionado (art. 428), pois, como se extrai do art. 419, a escrituração é una, tanto para o favorável como para o desfavorável: Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil) Art. 419. A escrituração contábil é indivisível, e, se dos fatos que resultam dos lançamentos, uns são favoráveis ao interesse de seu autor e outros lhe são contrários, ambos serão considerados em conjunto, como unidade. 29. Assim, não tendo havido alteração da escrita ou tampouco seu questionamento, e uma vez que os recursos, ao final, tenham sido efetivamente utilizados para capitalizar a sociedade, necessário se resgatar percuciente argumentação deduzida no Acórdão CARF nº 330200.616, proferido em 30/09/2010, de relatoria do Conselheiro Gileno Gurjão Barreto que, acompanhado pela unanimidade da turma no que respeita ao mérito, asseverou em seu voto: "(...) as autoridades fiscais não comprovaram que à contabilização em contas a receber teria havido equivalência em remessa de numerário propriamente dito. É de senso geral que as empresas controladoras, responsáveis que são pelas atividades das suas controladas, têm que provêlas de recursos necessários as suas operações diárias, principalmente nos estágios iniciais de suas operações. Indispondo desses recursos, sua controladora liquida suas despesas, e contabiliza um ativo recebível equivalente para que, quando essa empresa venha a obter recursos financeiros suficientes, tributeos segundo seu regime do imposto de renda e liquide seu passivo com seu controlador (...). Quanto àqueles objeto de futura capitalização, importante uma observação. Verificamos nos autos que tais valores estavam contabilizados no ativo da recorrente desde 1º de janeiro de 2002, e apenas foram capitalizados em Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 10166.723692/201271 Acórdão n.º 3401005.390 S3C4T1 Fl. 1.371 11 30.06.2003. E de se questionar se seriam mesmo adiantamentos para aquela finalidade, ainda que contabilizados sob essa forma (...) entendo que, demonstrado pela contribuinte o cumprimento da destinação pela capitalização exata dos valores, devidamente registrados em Junta Comercial, que seria incabível a pretendida e respectiva tributação pelo IOF" (seleção e grifos nossos). 30. Estabelecidas as premissas de direito, cabe, na apreciação do caso concreto, a análise da composição do grupo empresarial em apreço: 31. Reproduzo, abaixo, por pertinente, trecho da decisão recorrida: "No caso em análise, entendo que as operações da autuada com suas controladas (ainda que indiretamente) Jpar Distribuidora de Veículos Ltda. e Target Veículos Ltda., não podem ser consideradas como AFAC. Senão vejamos. Em que pese o aumento de capital efetuado pelas interessadas, a impugnante não se manifesta sobre a informação da autoridade fiscal de que “merece destaque a existência de lançamentos tanto a débito como a crédito nas contas analisadas, indícios de empréstimos concedidos/pagos e não aportes para aumento de capital”, sendo que nas operações com as empresas Jpar Distribuidora de Veículos Ltda. e Target Veículos Ltda. entendo que os lançamentos efetuados a crédito da conta em análise, foram feitos número e valores bastante significativos (fls. 257/263 e 271/277), suficientes para descaracterizar a operação de AFAC. Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 10166.723692/201271 Acórdão n.º 3401005.390 S3C4T1 Fl. 1.372 12 Notase que, em determinados períodos a conta chega a ter o saldo zerado, o que demonstra que se trata de operação de mútuo cujos valores forem amortizados pela beneficiária. O fato de, posteriormente, essa empresa ter feito capitalização, não descaracteriza a operação de mútuo efetuada no momento pretérito. Quanto às operações com a empresa Jorlan S/A., a impugnante alega que a referida conta não possuíam saldo em 31/12/2008, portanto não poderia haver mútuos entre elas. Ora, o fato gerador do IOF não é a existência de saldo nas contas no fim do exercício fiscal e sim a ocorrência de operações de crédito. Se essas existiram, e as evidências nos autos comprovam isso, o fato do saldo das contas ser zero no dia 31/12 só mostra que os empréstimos foram quitados. No tocante às operações com a empresa Jpar Distribuidora de Veículos Ltda., a impugnante se limita a informar que “como já esclarecido pela contribuinte à fiscalização, inexistia saldo nestas contas quando da data da capitalização, descaracterizando, assim, a alegada ocorrência de operação de mútuo”, o que contraria as evidências constantes nos autos e portanto, por falta de maiores explicações por parte da impugnante, fica prejudicada a análise das argumentações. A impugnante não se manifesta quanto às operações com a empresa OCP Ltda., portanto o lançamento em relação a ela deve ser considerado como não impugnado. (...) Pelo exposto, voto por considerar como não impugnado o lançamento em relação à empresa OCP Ltda. e pela improcedência da impugnação em relação às demais operações e pela manutenção do crédito tributário lançado" (seleção e grifos nossos). 32. Não tendo as partes apresentado novos argumentos ou razões de defesa perante esta segunda instância administrativa, propõese a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos termos da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com a alteração da Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, que acrescentou o § 3º ao art. 57 da norma regimental. 33. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 10166.723692/201271 Acórdão n.º 3401005.390 S3C4T1 Fl. 1.373 13 Fl. 1374DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721133/2014-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
FALTA DE MPF-D NÃO GERA NULIDADE DO LANÇAMENTO.As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF-F e MPF-D (diligência), dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, se o fiscal amparado por MPF-F contra a autuada, efetua diligências relativas a empresa pertencente ao mesmo sócio que o da autuada e com a qual foi alegado que compartilham despesas e aquela distribuiu dividendos a esta, o fato de não ter sido emitido MPF-D específico, não afeta a validade do lançamento.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. FALTA DE CONTESTAÇÃO.
Confirma-se em definitivo, na esfera administrativa a responsabilidade solidária que não foi objeto de contestação
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2009
ARBITRAMENTO
Justifica-se a desconsideração da contabilidade do contribuinte e o arbitramento do lucro se ficou caracterizado um valor de passivo fictício de 62,4% da conta Fornecedores (e 20% do total do Passivo e 15% da receita declarada); evidenciado que os lançamentos contábeis que alega ter efetuado para corrigir alegados erros no registro desses passivos, são fraudulentos; caracterizado que a empresa não demonstrou critérios racionais de rateio das despesas entre a Autuada e sua parceira a Total; demonstrado que há confusão patrimonial entre estas, no que tange à alocação de despesas e quanto à distribuição de lucro; cabível o arbitramento do lucro.
EXCLUSÃO INDEVIDA. DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS RECEBIDA. LIMITE DE ISENÇÃO COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO DA EMPRESA QUE DISTRIBUIU. GLOSA NO VALOR EXCLUÍDO PELA RECEBEDORA AUTUADA, NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL.
Demonstrado nos autos que o lucro líquido que serviu de base para distribuição de dividendos oriundos de empresa ligada foi apurado de forma irregular, a isenção prevista em lei fica limitada ao valor apurado com base no lucro presumido a que estava sujeita a empresa distribuidora à ocasião.
PASSIVO FICTÍCIO.
Configura caso de presunção de receitas com base em passivo fictício, a manutenção de obrigações pagas em conta de passivo.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL.
Aplica-se aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz em razão da relação de causa e efeito que os vincula.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2009
Ementa:MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. ART. 44, §1ª , DA LEI Nº 9.430/96. ARTS. 72 E 73 DA LEI Nº 4.502/64. FRAUDE. CONLUIO. COMPROVAÇÃO E DEMONSTRAÇÃO REALIZADA NOS AUTOS.
Demonstrado nos autos, com base em provas, que a empresa praticou atos fraudulentos e conluio contra o Fisco, utilizando-se de artifícios contábeis e societários adotados pelas empresas e pelo sócio para fugir à tributação, correta a aplicação de multa qualificada de 150%.
Numero da decisão: 1201-002.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa; ausente justificadamente José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. FALTA DE MPFD NÃO GERA NULIDADE DO LANÇAMENTO.As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPFF e MPFD (diligência), dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, se o fiscal amparado por MPFF contra a autuada, efetua diligências relativas a empresa pertencente ao mesmo sócio que o da autuada e com a qual foi alegado que compartilham despesas e aquela distribuiu dividendos a esta, o fato de não ter sido emitido MPFD específico, não afeta a validade do lançamento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. FALTA DE CONTESTAÇÃO. Confirmase em definitivo, na esfera administrativa a responsabilidade solidária que não foi objeto de contestação ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2009 ARBITRAMENTO Justificase a desconsideração da contabilidade do contribuinte e o arbitramento do lucro se ficou caracterizado um valor de passivo fictício de 62,4% da conta Fornecedores (e 20% do total do Passivo e 15% da receita declarada); evidenciado que os lançamentos contábeis que alega ter efetuado para corrigir alegados erros no registro desses passivos, são fraudulentos; caracterizado que a empresa não demonstrou critérios racionais de rateio das despesas entre a Autuada e sua parceira a Total; demonstrado que há AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 11 33 /2 01 4- 55 Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 3 2 confusão patrimonial entre estas, no que tange à alocação de despesas e quanto à distribuição de lucro; cabível o arbitramento do lucro. EXCLUSÃO INDEVIDA. DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS RECEBIDA. LIMITE DE ISENÇÃO COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO DA EMPRESA QUE DISTRIBUIU. GLOSA NO VALOR EXCLUÍDO PELA RECEBEDORA AUTUADA, NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Demonstrado nos autos que o lucro líquido que serviu de base para distribuição de dividendos oriundos de empresa ligada foi apurado de forma irregular, a isenção prevista em lei fica limitada ao valor apurado com base no lucro presumido a que estava sujeita a empresa distribuidora à ocasião. PASSIVO FICTÍCIO. Configura caso de presunção de receitas com base em passivo fictício, a manutenção de obrigações pagas em conta de passivo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplicase aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz em razão da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2009 Ementa:MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. ART. 44, §1ª , DA LEI Nº 9.430/96. ARTS. 72 E 73 DA LEI Nº 4.502/64. FRAUDE. CONLUIO. COMPROVAÇÃO E DEMONSTRAÇÃO REALIZADA NOS AUTOS. Demonstrado nos autos, com base em provas, que a empresa praticou atos fraudulentos e conluio contra o Fisco, utilizandose de artifícios contábeis e societários adotados pelas empresas e pelo sócio para fugir à tributação, correta a aplicação de multa qualificada de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa; ausente justificadamente José Carlos de Assis Guimarães. Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 4 3 Relatório Trata o processo de autos de infração de págs. 609/632, lavrados no regime lucro arbitrado, art. 530, II do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte foi considerada imprestável para determinação do Lucro Real em virtude dos erros e falhas, descritas no Termo de Verificação Fiscal; exigemse R$1.031.225,94 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ devido às infrações: 001 Omissão de Receita por Presunção Legal, Passivo Fictício, fato gerador em 31/12/2009; 002 Lucro arbitrado sobre Receita Bruta na Revenda de Mercadorias, fatos geradores no ano calendário 2009; 003 Outras Receitas, R$ 1.200.029,92 acrescidos à base de cálculo do imposto de renda, por tratarse de receita recebida de outra empresa do grupo, que foi irregularmente escriturada como Recebimento de Dividendos, fato gerador 31/12/2009; e exigem R$421.214,52 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, reflexo das mesmas infrações; também exige R$1.438.419,34 de Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, incidência cumulativa padrão, reflexo das mesmas infrações; e exige R$311.657,54 de Contribuição para o PIS, incidência cumulativa padrão, reflexo das mesmas infrações. Todas infrações foram apenadas com multa de ofício 150%. Os procedimentos de fiscalização e as autuações estão descritos no Termo de Verificação Fiscal, págs. 609/632. 2. Foi responsabilizado solidariamente Kiyochi Matsuda, CPF 041.203.50819, nos termos do art. 210 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999) c/c os arts. 121, 124 e 135 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, porque, págs. 606/608: Em procedimento de fiscalização junto à empresa PAYTEC TECNOLOGIA EM PAGAMENTOS LTDA constatouse as seguintes infrações à legislação tributária: 1. OUTRAS EXCLUSÕES a Fiscalizada declarou em sua DIPJ o valor de R$1.612,522,44 a título de Outras Exclusões. Este valor seria referente a dividendos recebidos da empresa Total Service. No entanto, constatouse que este valor foi obtido de maneira ilegal, em virtude de suas despesas terem sido lançadas na contabilidade da Paytec. 2. PASSIVO FICTÍCIO a Fiscalizada manteve em sua contabilidade, na rubrica Fornecedores valores referentes a títulos já quitados, títulos referentes a exercício posterior e títulos cuja efetividade não foi comprovada. 3. Cientificados o contribuinte e o responsável solidário em 24/10/2014, apresentaram impugnações, tempestivas: o contribuinte, págs. 943/990; Kiyochi Matsuda. Responsável Solidário, págs. 943/990, que foram julgadas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP DRJ/SPO, no Acórdão nº 1673.141 de 31/05/2016, págs. 1.208/1.293, que considerou as impugnações procedente em parte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 5 4 NULIDADE. VÍCIOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. COMPETÊNCIA LEGAL DA AUTORIDADE LANÇADORA. A Autoridade Administrativa que detém competência para efetuar o lançamento é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, sendo a emissão de TDPF elemento de natureza administrativa, não tendo ocorrido, outrossim, lançamento na empresa ligada cujo resultado foi contestado pela Autoridade Fiscal e gerou a glosa no valor dos dividendos considerados isentos. Não se verificou na ação fiscal, também, qualquer cerceamento no direito de defesa a ensejar a decretação de nulidade total ou parcial do procedimento fiscal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR MAJORITÁRIO. NÃO APRESENTAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE DEFESA. Não havendo apresentação de alegações buscando afastar a responsabilidade imputada ao sócioadministrador. esta deve ser mantida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS. LUCRO LÍQUIDO APURADO DE FORMA IRREGULAR. LIMITE DE ISENÇÃO COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO. GLOSA NO VALOR EXCLUÍDO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Demonstrado nos autos que o lucro líquido que serviu de base para distribuição de dividendos oriundos de empresa ligada foi apurado de forma irregular, a isenção prevista em lei fica limitada ao valor apurado com base no lucro presumido a que estava sujeita a empresa distribuidora à ocasião. PASSIVO FICTÍCIO. OBRIGAÇÕES MANTIDAS NO PASSIVO APOS PAGAMENTO. CABIMENTO DA PRESUNÇÃO. LANÇAMENTO À CONTA DE AJUSTE DE PERÍODOS ANTERIORES OU DE LUCROS ACUMULADOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Configura caso de presunção de receitas com base em passivo fictício, a manutenção de obrigações pagas em conta de passivo. A sua baixa posterior diretamente a conta de ajuste de períodos anteriores ou de lucros acumulados é irregular e confirma a acusação, não se coadunando com alegação de mero erro não comprovado. PASSIVO FICTÍCIO. NOTAS EMITIDAS POSTERIORMENTE À SUA ESCRITURAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DE ERRO. Justifica a presunção de omissão de receitas por passivo fictício a escrituração de notas fiscais emitidas posteriormente ao seu registro na conta Fornecedores, sem que seja provado erro na data de sua emissão ou de outra natureza. PASSIVO FICTÍCIO. NÃO OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 112. I E II. DO CTN. DÚVIDAS QUANTO À CAPITULAÇÃO LEGAL DO FATO. AOS FATOS OU AOS SEUS EFEITOS. A emissão de notas fiscais de serviços em data pouco posterior ao momento da efetivação da operação é Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 6 5 irregular e pode ter caracterizado atraso na prestação da obrigação tributária principal por parte da emissora. A escrituração do fato contábil na tomadora do serviço, pelo regime de competência, levando em conta a data da prestação do serviço que também constou do documento fiscal emitido em atraso, foi feita sem o respaldo no documento apto de suporte à época e poderia ocasionar glosa de despesa por essa razão. Todavia não sustenta a presunção legal de omissão de receitas por passivo fictício, devendo se interpretar as normas e os fatos de forma mais favorável ao contribuinte. PASSIVO FICTÍCIO. NÃO OCORRÊNCIA. NOTAS LOCALIZADAS APÓS ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL. EMISSÃO ANTES DO ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO ANALISADO E PAGAS APÓS. A apresentação das notas fiscais não localizadas durante a ação fiscal e comprovado que foram emitidas antes do encerramento do período de apuração, considerado pela autuação, e pagas depois de seu término, afasta a autuação por passivo fictício. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Correto o arbitramento quando verificados fraude, vícios e irregularidades na contabilidade da empresa que a tomam imprestável para a apuração do lucro real da empresa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. ART. 44. §1a . DA LEI N° 9.430/96. ARTS. 72 E 73 DA LEI N° 4.502/64. FRAUDE. CONLUIO. COMPROVAÇÃO E DEMONSTRAÇÃO REALIZADA NOS AUTOS. Demonstrado nos autos, com base em provas, que a empresa praticou atos fraudulentos e mediante conluio contra o Fisco, utilizandose de artifícios contábeis e societários adotados pelas empresas e pelo sócio para fugir à tributação, correta a aplicação de multa qualificada de 150%. CSLL. COFINS. PIS. PASSIVO FICTÍCIO. DECORRÊNCIA. IRPJ. No que tange à CSL,. à COFINS e ao PIS aplicamse as conclusões relativas ao julgamento do IRPJ, em razão da relação de causa e efeito existente entre os fatos que geraram esses lançamentos. DIVIDENDOS. GLOSA. ISENÇÃO NÃO CONFIGURADA. COFINS. PIS. NÃO OCORRÊNCIA DE "BIS IN IDEM. A glosa de valores excluídos indevidamente na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. a título de dividendos isentos distribuídos por empresa controlada não configura "bis in idem", não tendo, ademais, ocorrido tributação de COFINS e PIS sobre esse montante. 4. O valor exonerado não justificou recurso de ofício. 5. O contribuinte e responsável solidário foram cientificados em 01/07/2016, págs. 1.318/1.319 e ambos apresentaram o Recursos Voluntário tempestivos em 28/07/2016. Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 7 6 Recurso Voluntário Paytec, págs. 1.424/1.504 6. A Recorrente transcreve trechos da autuação fiscal e do Acórdão DRJ/SPO. 7. Argui preliminar de nulidade do lançamento, porque o resultou de dados colhidos na diligência ilícita conduzida em outra empresa, a Total Service Serviços de Processamento de Dados, pois não foi observada a norma da Portaria nº 1.687, de 2014, art. 2º; o AFRFB utilizou um MPFF dirigido à autuada, para exigir documentos de outra pessoa jurídica, a Total Service, pessoa jurídica distinta. 8. No mérito, apresenta argumentos pela improcedência do sobre o arbitramento do lucro, lista documentos que apresentou que comprovariam o passivo considerado fictício pela fiscalização, bem como as Outras Exclusões e pugna contra a multa qualificada. 9. Não há argumentos contra a responsabilização solidária de Kiyochi Matsuda, apenas se cita o fato. Recurso Voluntário Kiyochi Matsuda, págs. 1.322/1.402. 10. De idêntico teor. 11. É o relatório. Voto 1 Preliminar de nulidade do lançamento fiscal. 12. Diz que a fiscalização quis, desesperadamente, manter a diligência na empresa Total Service como ato administrativo não nulo e cuja consequência foi a presente autuação, baseada em informações obtidas de forma ilícita, a qual é repudiada em nosso ordenamento jurídico, tanto quanto a prova ilícita auferida por derivação daquela originária, assim como as subsequentes, por efeito e repercussão causal, gerando nulidade do processo; e devem ser excluídas dos autos sob pena de violar o due process of law. 13. Que o relator do Acórdão DRJ, concordou que "não foram observadas estritamente as normas inscritas na Portaria n° 1.687/2014." ; cita o art. 2º desta e afirma que os argumentos do relator, que trata de lançamento fiscal, nada tem a ver com alegação, pois o caso em questão trata da autorização para efetuar a diligência, que deveria ter sido da DIPAC, conforme Regimento Interno da RFB, por meio de relatório do fiscal titular da ação fiscal ao seu Chefe de Equipe que iria endereçar ao Chefe de Fiscalização que em seguida enviaria ao chefe da DIPAC; mas que o autor do procedimento fiscal utilizou o MPFF aplicável ao fiscalizado para solicitar documentos da Total Service Serviços de Processamento de Dados, sendo que são duas personalidades jurídicas diferentes. Não existe esta previsão na legislação de regência do procedimento adotado pela fiscalização. O AFRFB é vinculado à observação e aplicação da legislação; invoca CC de 2001, art. 52, proteção dos direitos da personalidade, 685 e 1.150. 14. Aponta outra ilegalidade, abuso de direito art. 187, do CC de 2002, que foi o Fiscal utilizarse de norma de contorno, MPFF dirigido à Recorrente, para intimar a Total Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 8 7 Service; isto é, contornou o art. 2º , I e II da Portaria n° 1.687, de 2014, e o art. 166, VI do CC de 2002, prevê nulidade do negócio jurídico, se houver fraude à lei. 15. Acerca do início do procedimento fiscal e exclusão da espontaneidade, diz que o art. 196, do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, determina a lavratura de termos para documentar o início do procedimento, ou seja, o contribuinte tem o direito de saber que está sendo fiscalizado, seja fiscalização, seja diligência, mas questiona como, se não existe MPFD nem TDPFD (que apenas têm natureza administrativa); além de que, a ciência do MPF por si só, não configura início de procedimento fiscal e não afasta a espontaneidade (SCI Cosit nº 18, de 2003). 16. Afirma que: A Impugnante se insurge com a intimação em comento determinando a apresentação de documentos, pela fiscalizada, da pessoa jurídica da TOTAL. 17. Que sendo a conduta do ARFB delimitada pelo MPF e TDPF, cabelhe cumprir o ordenado; discorda do relator de que não havendo "qualquer prejuízo no tocante ao cerceamento do direito de defesa, ou qualquer tipo de dano ao Impugnante, que ensejasse a necessidade de proclamar a nulidade total ou parcial do procedimento." 18. Apesar de reconhecer que: O agente fiscal não possui disponibilidade sobre realizar ou não investigações que se mostrem necessárias: ocorridos motivos que ensejem o atuar administrativo, a conduta investigativa se impõe, por imperativo legal. Nesse sentido, o art. 195 do CTN (LGL\1966\26) determina que "para os efeitos da legislação tributária, não tem aplicação quaisquer dispositivos legais excludentes ou limitativos do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais dos comerciantes, industriais ou produtores, ou da obrigação destes em exibilos". Nada obstante a aparência de outorga ilimitada de poderes, o que está sendo dito pela Lei Geral Tributária é que à investigação fiscal não podem ser impostos os óbices que eventualmente são levantados, por exemplo, nos lindes do direito comercial. E isso porque o Fisco age em nome do Estado, e em tese sua atuação não tem a finalidade arrecadatória, mas sim o escopo primordial de verificar a correta e efetiva aplicação da lei ao caso concreto. 19. Afirma: Assim, toda a autoridade fiscal, quando não constatado o ato em flagrante, deverá emitir mandado de procedimento fiscal, a qualquer momento, quando constatar qualquer possibilidade de equívoco na ocorrência do fato jurídico tributário. (...) Fl. 1631DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 9 8 Em nenhuma hipótese o AFRFB poderia fazer qualquer procedimento fiscal em outro contribuinte diferente do citado no MPFF em execução sem solicitar autorização à autoridade competente. Competência concreta é lhe atribuída pelo superior hierárquico competente por meio do MPF. Não pode aplicar a competência abstrata para o caso atacado. 20. Invoca arts. 194 a 196 do CTN, cita autores, art. 34 da Lei nº 3.470, de 1958; Portaria RFB nº 1.687, de 2014, arts. 2º, 4º e 12, 13, 15, 16, 20, 21; Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 10 e 59; art. 145 da CF de 1988; acórdãos do Conselho de Contribuintes e CARF. 21. A Recorrente cita Acórdãos antigos do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda CCMF: nº 10612653, de 17/04/2002; nº 10613.156, de 29/01/2003; nº 101 94.116, de 27/02/2003, em apoio à sua tese de que a fiscalização, não amparada por MPFD específico, não poderia ter colhido dados da empresa Total, que respaldaram a autuação fiscal contra a Recorrente, Paytec. 22. No entanto, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF mudou diametralmente, como se verifica pelos seguintes Acórdãos: Nº Acórdão 1101001.850, de 05/03/2013 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A COMPETÊNCIA PARA O AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL LANÇAR TRIBUTOS FEDERAIS INDEPENDE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. Eventual irregularidade pelo não cumprimento estrito de prazo de execução estipulado em Mandado de Procedimento Fiscal, não enseja nulidade do Auto de Infração, uma vez que não envolve lesão ao direito de ampla defesa, não constitui vício essencial no conteúdo material do lançamento. Ademais, a autoridade fiscal tem competência fixada em lei para lavrar o Auto de Infração. Na falta de cumprimento de norma administrativa a referida autoridade fica sujeita, se for o caso, a punição administrativa, mas o ato produzido continua válido e eficaz. Nº Acórdão 2402004.496, de 20/01/2015 VALIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO DE PROCEDIMENTO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é o ato que autoriza as diligências empreendidas para localizar o contribuinte a ser fiscalizado.É válido o lançamento quando não restam configurados óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. Nº Acórdão 3302003.073, de 23/02/2016 MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 10 9 irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. Nº Acórdão 9202003.956, de 12/04/2016 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento Recurso Especial negado. Nº Acórdão 1201002.156, de 16/05/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MPF. INOCORRÊNCIA.As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento, desde que não tragam prejuízo às defesas dos contribuintes. Nº Acórdão 1302002.808, de 17/05/2018 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do AuditorFiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afastase quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão ou alteração do MPF. 23. De fato, o procedimento de fiscalização iniciouse , amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) de pág. 3, relativo à Autuada; em 03/06/2013, págs. 49/51, a Recorrente foi cientificada do Termo de Início de Procedimento de Fiscalização, cujo item 4 a intimou a detalhar o valor de R$1.612.552,44, que declarou como Outras Exclusões na linha 69 da Ficha 09A Demonstração do Lucro Real, valor este que a Autuada justificou como sendo dividendos recebidos da Total Service. Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 11 10 24. O Termo de Início de Procedimento de Fiscalização foi assinado pelo seu sócio Kiyochi Matsuda, o qual, conforme o consta do Acórdão DRJ, é também sócio majoritário da Total Service; cabe transcrever constatação no Acórdão DRJ/SP: 37. Ora, a TOTAL e a Impugnante (PAYTEC) são empresas ligadas, sendo o Sr. Kiyochi Matsuda sócio majoritário em ambas (95% na TOTAL e 99,9% na Impugnante), não sendo factível afirmar que a ação fiscal teria ocorrido sem o conhecimento pleno de ambas as empresas, tendo sido dado espaço para todas explicações e apresentação de provas, no procedimento fiscal e com a impugnação, após a conclusão dos trabalhos. 25. O contribuinte apresentou a seguinte resposta, à fiscalização, pág. 78: 0 Contribuinte acima qualificado, em 2009 era sócio de outra Pessoa Jurídica, denominada Total Service Serviços de Processamentos de Dados Ltda. CNPJ 08.318.069/000170. Ocorre que em 2009 a empresa fez Distribuição de Lucro aos Sócios, o montante recebido pela empresa Paytec foi de R$ 1.612.552,44. Este valor foi contabilizado como Receita de Dividendos e foi lançado como outras exclusões na DIPJ ano base 2009. 26. E o Autuante informou que os sócios da Total Service eram a Paytec e Kiyochi Matsuda. 27. O Decreto nº 70.235, de 1972, determina que: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (Grifouse.) 28. Concluindo, iniciado o procedimento fiscal na Autuada, mediante a intimação, esta produz efeitos também nos demais envolvidos, que neste caso é a Total, que pagou à Autuada o valor objeto da intimação e que era controlada pelo mesmo sócio que a Autuada. 29. Por isso, não podem alegar, nem a Autuada, nem a Total (que não foi objeto de autuação), de cerceamento de defesa ou de que deveriam ter sido cientificadas para se defender. 30. As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPFF e MPFD (diligência), dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, se o fiscal amparado por MPFF contra a Autuada, efetua diligências relativas a empresa pertencente ao mesmo sócio que o da Autuada e da qualo a Autuada também é sócia e com a qual foi alegado que compartilham despesas e aquela Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 12 11 distribuiu dividendos a esta, o fato de não ter sido emitido MPFD específico, não afeta a validade do lançamento; cabe destacar ainda que a Total era representada pela mesma pessoa e apesar de alegado que teria outro domicílio, foi apresentado Acordo de que dividiria despesas de aluguel, funcionários, energia elétrica, etc, com a Autuada; e PMFD específico é emitido a fim de apresentar o fiscal a um terceiro, alheio à empresa fiscalizada, sendo evidente que não foi este o caso. 31. Ainda o Decreto nº 70.235, de 1972, determina que no art. 59, I, que só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração que se insere na categoria de ato ou termo , quando esse auto for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I). A nulidade por preterição do direito de defesa, do art. 59, II somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. 32. Tendo sido a autuação lavrada por autoridade competente, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, não há nulidade nos autos de infração. 2 No mérito, 33. A conclusão do Autuante foi: 40. Conforme já informado, a Fiscalizada justificou a constituição da Total Service da seguinte maneira: "Por questões estratégicas e comerciais, a empresa Total Service foi constituída, para realizar serviços que antes eram realizados por parceiros da fiscalizada". 41. No entanto, analisandose o regime de tributação adotado peias duas empresas, combinado com o fato de que todas as despesas das duas empresas foram lançadas exclusivamente na Fiscalizada, demonstra que a motivação para a constituição da Total Service foi outra. Explicase. 42. Conforme já informado, a Fiscalizada adotou o regime de tributação com base no Lucro Real Anual. Já a Total Service adotou o regime de tributação com base no Lucro Presumido. 43. A simples adoção de regimes de tributação diversos, assim como a constituição da Total Service, não apresenta qualquer irregularidade. No entanto, a alocação de todas as despesas das empresas somente na contabilidade da Fiscalizada demonstra que a intenção do agente era eliminar, ou ao menos reduzir, o montante do imposto de renda devido. 44. A inclusão de um montante maior de despesas na apuração do Lucro da Fiscalizada acarretou a diminuição do lucro Real da empresa e por decorrência um Imposto de Renda devido menor. 45. Já no caso da Total Service, optante pelo Regime de Tributação com base no Lucro Presumido, no qual NAO há necessidade de se comprovar as despesas incorridas, a sua exclusão da contabilidade acarretou dois benefícios distintos para o grupo. Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 13 12 a. não alterou Lucro Presumido da Total Service, apurado somente em função do faturamento da empresa. Logo, o imposto de renda a ser pago por ela mantevese o mesmo; b. Possibilitou a distribuição de dividendos em valores muito superiores aos que seriam corretos. Afinal, conforme DIPJ/2010, a Total Service apurou um Lucro Presumido de R$619.949,46, no entanto, distribuiu dividendos no valor de R$1.612.552,44 ã Fiscalizada. Lucro este apurado através contabilidade na qual NÂO foram incluídas as despesas da empresa. 46. Desta forma constatase que a constituição da Total Service, o regime de tributação adotado pela Total Service e pela Fiscalizada e, principalmente, a alocação de todas as despesas das duas empresas em apenas uma delas não foi uma questão estratégica comercial, conforme afirmado pela Fiscalizada, mas sim uma maneira de tentar iludir o Fisco com o único objetivo de reduzir ou eliminar o Imposto de Renda devido. 2.1 SOBRE O ARBITRAMENTO DO LUCRO 34. A litigante transcreve as razões do relator do Acórdão DRJ (págs. 1.458/1.461), que manteve o arbitramento; descreve a legislação que determina a obrigação da autoridade fiscal em aplicar arbitramento do lucro; reproduz as afirmações da autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal (págs. 1.463/ 1.464), para destacar: que todos os documentos, demonstrativos contábeis e livros solicitados no Termo de Início de Fiscalização foram entregues em 24/06/2013; que a autoridade fiscal intimou a fiscalizada a apresentar documento de outra pessoa jurídica ("O AFRB nüo tinha MPF D ou MPF F para examinar a contabilidade da empresa TOTAL, ferindo a legislação vigente."), mas a autoridade estava usurpando de sua competência abstrata por não ter a competência concreta para intimar a empresa TOTAL, e muito menos competência concreta para intimar a fiscalizada a apresentar documentos de empresas do grupo, que não estão sob qualquer ação fiscal; que a autoridade fiscal relatou que a autuada entregou os documentos solicitados; que as duas infrações que a fiscalização identificou: Outras Exclusões, em excesso, do lucro distribuído pela empresa Total, no valor de R$1.200.029,92 e Passivo Fictício de R$7.409.047,61, não estão previstas como causas legais para arbitramento do lucro e bastaria à fiscalização incluir tais valores na apuração do lucro real; por isso feriu o art. 28 da Lei nº 9.874, de 29 de janeiro de 1999, pois devia ter intimado a fiscalizada a proceder à regularização da contabilidade, antes do arbitramento: Art. 28 Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrições ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.. 35. Aduz que: 1 a contabilidade da fiscalizada escriturou, em obediências as regras contábeis, todos os fatos modificativos e permutativos e os colocou à disposição da fiscalização; 2 a fiscalizada colocou à disposição da fiscalização todos os documentos solicitados e todos os livros contábeis e fiscais; 3 a fiscalização no Termo de Verificação Fiscal o confirmou; 4 a fiscalização não concordou com o método adotado pela fiscalizada sobre a apuração do rateio de custos e despesas entre as empresas ligadas, entendeu haver passivo fictício e que a empresa Total apurou lucro e os distribuição acima do devido Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 14 13 legalmente e consequentemente o excesso distribuído à fiscalizada foi adicionado ao Lucro Líquido para apuração do Lucro Real (sic), assim como o PIS e COFINS; 5 o próprio relator no Acórdão, com os dados do Termo de Verificação Fiscal, apurou o novo lucro real e alegou que a fiscalizada foi beneficiada com exigência menor com apuração pelo Lucro Arbitrado, tanto no IRPJ. CSLL, PIS e COFINS. Demonstra, assim, o Relator que seria possível apurar os valores que entendeu a fiscalização serem devidos, pelo Lucro Real, não sendo necessário o arbitramento do lucro; 6 a afirmação fls 72 do acórdão, item 94 em que: "outro fato gravíssimo ensejador do lançamento na forma arbitrada, também trazido na ação fiscal, para justificar o arbitramento, é o PASSIVO FICTÍCIO verificado, MOTIVAÇÃO ESTA QUE NÃO FOI ATACADA EM NENHUM MOMENTO NA IMPUGNAÇÃO." é incorreta, pois a Recorrente, em sua impugnação, apresentou seus argumentos contestando o Passivo Fictício apurado pela fiscalização no tópico do 1.1.1.2, fls. 35 a 42 da Impugnação; 7 alega o Relator a ocorrência da fraude; não há prova de fraude, a fiscalizada não ocultou qualquer procedimento de sua contabilidade, tanto é verdade que a fiscalização localizou todos os lançamentos e os discordantes ela tributou; 8 A atuação ficou no campo do direito, isto é interpretação do método de rateio de despesas e custos utilizados e a não aceitação dos esclarecimentos sobre a não existência do passivo fictício; 9 A distribuição de lucros foi mensal e não em 31/12/2009, portanto, há erro na data do fato gerador . 36. A análise será feita depois das infrações contestadas. 2.2 SOBRE O PASSIVO FICTÍCIO 37. Haviam sido auditados pela fiscalização R$11.681.934,85 lançados a título de Fornecedores na Ficha 37 da DIPJ 2010/2009 e contabilizados; após várias intimações e documentos apresentados, foram autuados como Passivo Fictício R$7.409.047,61 (63,4% do saldo de Fornecedores), e sendo o Passivo Total informado na DIPJ de R$34.988.930,45, significa 21,1% deste; a DRJ reconheceu R$113.998,12, portanto, ficou reduzido o passivo fictício a R$7.295.049,51(62,4% do Saldo Fornecedores e 20,8% do Passivo, respectivamente. Em relação à receita informada na DIPJ R$48.069.379,57 (41.643.265,05 (revenda de mercadorias)+4.595.397,40 (prestação de serviços)+1.830.717,12 (locação), significou 15,4%. 38. A DRJ analisou as NF da Ingenico, Verifone e mais várias empresas (listadas às págs. 1.265/1266, na impugnação, e afastou a presunção de passivo fictício das Notas Fiscais de fornecedores do quadro de pág. 1.271, no montante de R$112.757,58; e R$1.240,54, referente a Notas Fiscais que não haviam sido localizadas anteriormente, listadas no quadro de págs.1.273/1.274; ou seja, a DRJ decidiu que estavam comprovados os passivos no montante de R$113.998,12, restando o Passivo Fictício de R$7.295.049,51 (62,4% do saldo de fornecedores). 39. No recurso voluntário, cita as definições e passa a apresentar comprovações de que o de passivo fictício não existe o montante dos valores que alega comprovar totaliza R$5.271.842,26: a. Notas Fiscais Ingenico do Brasil Ltda, R$34.949,00 e R$12.726,00, pagas em 14 e 16/01/2009, que a fiscalização entendeu que não poderiam constar da conta do Passivo Fornecedores em 2010, alega que foi erro contábil, em não baixar na época própria este passivo; que a Lei das SA's determina que se contabilize diretamente na conta Lucros Acumulados, sem transitar pela Demonstração de Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 15 14 Resultado do Exercício, os Ajustes de Exercícios Anteriores, na retificação de erro imputável a exercício anterior afirma que efetuou a regularização destes erros em 01/01/2011, conforme doc. 08 anexado à impugnação; na impugnação, alegou que foram pagas em 2009 e o erro descrito e mesmo doc. 08; i. O Doc 08, págs. 837/882, são cópias de: NFs Ingenico e Verifone, sendo algumas ilegíveis; comprovantes de pagamentos; e cópia Razão Analítico da Paytec do ano 2011: 1. lançamentos a Crédito na conta 2.4.2.003.00004 Ajustes Períodos Anteriores, com o histórico: VALOR REFERENTE A AJUSTE DE EXERCÍCIOS ANTERIORES REF A CONTABILIZAÇÃO EM CONTA INCORRETA BAIXA NÃO EFETUADA NA CONTA FORNECEDORES (nomes dos fornecedores Verifone e Ingênico e nºs das NF) a soma dos lançamentos perfaz: R$1.789.232,98 em 01/01/2011; R$4.942.223,39 em 05/01/2011; 2. lançamentos a Débito na conta 2.1.1.001.00001 Fornecedores a Pagar, com o histórico: VALOR REFERENTE A AJUSTE DE EXERCÍCIOS ANTERIORES REF A CONTABILIZAÇÃO EM CONTA INCORRETA BAIXA EFETUADA NA CONTA FORNECEDORES (nomes dos fornecedores Verifone e Ingênico e nºs das NF) a soma dos lançamentos perfaz: R$1.789.232,98 em 01/01/2011; R$4.942.223,39 em 05/01/2011 a soma dos lançamentos perfaz: R$1.789.232,98 em 01/01/2011; R$4.942.223,39 em 05/01/2011. ii. Não está explicado em que conta se deu o lançamento da baixa pelo pagamento dos passivos em tela (uma vez que não foi na conta Fornecedores a Pagar), já que teria sido contabilizado de forma incorreta; os lançamentos supra reduzem o valor do passivo e aumentam o do Patrimônio Líquido, ou seja, apenas houve uma mutação no balanço patrimonial da empresa; cabe perguntar de onde saíram os recursos que foram utilizados nesses pagamentos, não houve contrapartida em conta de disponível? iii. Junto com o recurso voluntário, no Anexo de Esclarecimentos Adicionais, págs. 1.403/1.407, juntou cópias de fichas de contabilização de pagamento de fornecedores, vs. conta bancária. iv. Justifica que: ESCLARECIMENTO DO ITEM 77 DO ACÓRDÃO As notas ficais 079893/078031, também tiveram a correspondência bancária contabilizada, no entanto tratase de uma situação distinta, informamos isto ao fisco à época, o que ocorreu foi a baixa na conta de fornecedores no entanto em 2008 não havia sido constituía a provisão destas notas na conta de fornecedores. Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 16 15 v. Cabe concordar com as conclusões da DRJ: 77.9. A fiscalizada, em 01/01/2011, alega ter verificado o erro e providenciado regularização por meio dos lançamentos de ajustes no patrimônio líquido/conta 343 AJUSTE DE PERÍODOS ANTERIORES, das notas n°s 78.031 (R$4.959,00) e 79.893 (R$12.726,00), cuja cópia do razão junta à impugnação (Doc n°08). 77.10. No Razão Analítico juntado (fl. 848), o histórico de lançamento das duas notas é "VALOR REFERENTE A AJUSTE DE EXERCÍCIOS ANTERIORES REF. A CONTABILIZAÇÃO EM CONTA INCORRETA BAIXA NÃO EFETUADA NA CONTA FORNECEDORES INGENICO DO BRASIL ...".Na mesma data, a maior parte do saldo dessa conta foi debitada na conta 327, que é a conta de LUCROS E PREJUÍZOS ACUMULADOS conforme constou da impugnação, item 14.6.21 do Relatório desse Voto. 77.11. Nào está provado que se tratou de mero erro. Ao contrário, o procedimento adotado não demonstra que a obrigação foi paga com recursos da empresa, tributados mas tão somente o expurgo da contabilidade do valor do passivo "Fornecedores". O fato da empresa apresentar cópias dos títulos bancários quitados e comprovante de pagamento, juntamente com as notas fiscais, nào ilide a presunção. Sabese que os valores foram pagos. Mas as contas nào foram escrituradas. Ademais, nào foi provada a regularidade da escrituração da conta de ativo "Bancos", nem a origem tributada dos recursos, bem como dos demais ajustes na contabilidade da empresa. 77.12. Mantémse a imputação para essas duas notas fiscais da INGENICO. b. Notas Fiscais Verifone do Brasil S/A, contabilização em conta incorreta, pagas em 25/07/2008 e 15/08/2008, nos valores de R$763.100,80, R$482.348,79, R$482.348,79, R$9.028,80, R$4.720,80 afirma que efetuou a regularização destes erros em 01/01/2011, conforme doc. 08 anexado à impugnação. Relata a DRJ que constou da impugnação, conforme segue e concluiu pela improcedência dos argumentos, nos termos do item precedente: A fiscalizada, em 01/01/2011, verificando erro de contabilização, providenciou sua regularização por meio dos lançamentos de ajustes no patrimônio líquido, conta 343 AJUSTE DE PERÍODOS ANTERIORES, das notas n°s 761 (RS 763.100,80); 1527 (R$ 482348,79); 1531 (RS 482.348,79); 1899 (RS 9.028,80), 1204 (RS 4.720,80); cuja cópia do razão junta ò impugnação. Doc n°08 c. Aplicase a mesma conclusão. d. sobre o quadro a seguir afirma que efetuou a regularização destes erros em 05/01/2011, conforme doc. 08 anexado à impugnação Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 17 16 NF nº Dta emissão Dta pagamento Valor da Nota F R$ Valor Pago RS Diferença RS Motivo diferença Banco N. comprovante 245 14/09/2009 16/11/2009 781.697,00 3.483.503,20 2.701.806,20 Declaração anexa ITAU 00000 TED 246 14/09/2009 16/11/2009 2.535.970,50 3.483.503,20 947.532,70 Declaração anexa HAU 000000 TED 7704 29/01/2009 30/03/2009 2.068,38 2.068,38 ITAU 9308740 11726 22/07/2009 21/09/2009 19.623,81 19.623,81 ITAU 3744243 11797 24/07/2009 22/09/2009 28.383,00 28.383,00 ITAU 3744697 i. também avaliadas no Acórdão DRJ, nos parágrafos 77.13 a 77.21: 77.16. Mesmo sendo aceitos que teriam sido pagas essa obrigações nas datas e na forma apontadas na impugnação, uma vez que as explicações dadas para elas inicialmente, durante a ação fiscal, foram bem diferentes, e alguns documentos bancários estão ilegíveis, as datas constantes desses demonstrativos indica que elas foram mantidas no passivo após a data de quitação neles apontada. 77.18. A justificativa da Impugnante se resume, então, a repetir a tese que efetuou lançamento de ajustes no patrimônio líquido (343 e 327) e que elas já teriam sido pagas, em momento anterior, conforme Doe 08. 77.19. Em razão das considerações feitas no título 1 NOTAS FISCAIS DA EMPRESA INGENICO DO BRASIL LTDA, não se pode aceitai' os lançamentos respectivos acima, que não afastam a presunção, pois não comprovam a alegação de meros erros trazidas na defesa. 77.20. Não se pode manter no passivo obrigações já pagas. Tal fato leva à presunção de omissão de receitas, por passivo fictício, pois os valores foram mantidos em conta de passivo, sem que houvesse dívida. E, ao fim, sua baixa se deu de forma inusitada para a alegação de mero erro, uma vez que utilizou lançamento contábil que serviu apenas para baixar o valor da conta "Fornecedores", nada mais se explicando sobre a origem dos recursos, se tributados, e o que efetivamente ocorreu com as contas de ativo cujas contrapartidas estariam envolvidas nos fatos contábeis sob análise. 77.21. Assim, mantémse a imputação para essas notas fiscais Verifone ii. no que tange ao item 77.13 do Acórdão, citado supra, a Recorrente, diz: 1. A nota fiscal 11947, de R$1.574.480,70 foi quitada, conforme declaração do fornecedor em 31/07/2009; as notas fiscais n°s 245 e 246, nos valores de R$781.697,00 e R$2.535.970,50, foram quitadas em 16/11/2009, conforme declaração do fornecedor. Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 18 17 2. As notas fiscais n°s 7704 R$2.068,38, 11726 R$19.623,81 e 11797 R$28.383,00, quitadas respectivamente, em 29/01/2009,22/07/2009 e 24/07/2009. 3. Ver documentos 01 e 02 iii. Contudo, a DRJ não apesar de ter questionado que tivessem sido quitadas, afirmou que, mesmo sendo aceitas que teriam sido pagas nas datas e forma apontadas, foram indevidamente mantidas no passivo, conta Fornecedores. iv. No Anexo de Esclarecimentos Adicionais, págs. 1.403/1.407, diz a Recorrente: ESCLARECIMENTO DO ITEM 77.13 DO ACÓRDÃO As notas fiscais 7704/11726/11797, também tiveram a correspondência bancária contabilizada contra uma conta do ativo Abaixo segue detalhes do lançamento contendo inclusive o número do lançamento contábil, na conta do ativo provando que não houve contabilização contra a conta de Fornecedores, mas houve a contabilização da saída bancária. e ESCLARECIMENTO DO ITEM 77.13 DO ACÓRDÃO Notas fiscais 245 e 246 O valor total das notas fiscais corresponde a R$ 3.317.667,50, no entanto o pagamento foi feito pelo Itaú, no valor de R$ 3.483.503,20, com a declaração de quitação emitida peio Fornecedor. Como o valor de pagamento não corresponde exatamente ao valor da nota fiscal, à época o pagamento foi contabilizado do banco para uma conta chamada conta transitória (código 21 no Ativo). Abaixo segue detalhes do lançamento contendo inclusive o número do lançamento contábil, na conta do ativo provando Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 19 18 que não houve contabilização contra a conta de Fornecedores, mas houve a contabilização da saída bancária. 3 ESCLARECIMENTOS DAS NOTAS FISCAIS DE 2008 Item 77.13 C Nota Fiscal 761 R$ 763.100,80 Nota Fiscal 1531 R$ 482.348,79 Nota Fiscal 1527 R$ 482.348,79 O pagamento foi feito pelo Unibanco em 25/07/2008, no valor de R$ 1.727.798,38, veja o anexo deste email com a declaração de quitação emitida pelo Fornecedor. Como o valor de pagamento não corresponde exatamente ao valor de cada nota fiscal, à época o pagamento foi contabilizado do banco para um conta chamada conta transitória (código 21 no Ativo). Abaixo segue detalhes do lançamento contendo inclusive o número do lançamento contábil, na conta do ativo provando que não houve contabilização contra a conta de Fornecedores, mas houve a contabilização da saída bancária. Ainda sobre o Item 77.13 C Nota Fiscal 1204 R$ 4.720,80 Nota Fiscal 1899 R$ 9.028,80 O pagamento foi feito pelo Unibanco em 15/08/2008, no valor de R$ 656.576.84, veja o anexo deste email com a declaração de quitação emitida pelo Fornecedor. Como o valor de pagamento não corresponde exatamente ao valor de cada nota fiscal, à época o pagamento foi contabilizado do banco para um conta chamada conta transitória (código 21 no Ativo). Abaixo segue detalhes do lançamento contendo inclusive o número do lançamento contábil, na conta do ativo provando que não houve contabilização contra a conta de Fornecedores, mas houve a contabilização da saída bancária. v. Do transcrito, se entende que a recorrente justifica que muitos pagamentos de fornecedores, em vez de serem contabilizados a Débito da conta PassivoFornecedores e a Crédito Ativo Disponível ou Bancos, foram contabilizadas: a Débito do Ativo DiversosTransitória e a Crédito Ativo Disponível ou Bancos verificase que este lançamento não altera a situação patrimonial, pois é apenas uma mutação no Ativo. e. sobre a tabela a seguir, as datas de emissão de todas NF informadas no demonstrativo do fiscal (TVF, item 66), estão erradas; nenhuma delas foi emitida em 31/10/2009, conforme documentos acostados à impugnação, doc 9; só uma NF foi emitida em 02/2010, as demais em 01/2010, por serviços prestados em 12/2009; como a empresa apura pelo regime de competência, escriturou os valores incorridos de acordo. Fornecedor NF n. Período da Prestação do serviço Dia emissão Dta pagamento Valor Pago Banco N.Controle Bankline JPR TEC. E SERV. LTDA 103 Dez 2009 05/01/2010 Em 2010 20.000,00 ITAU 599519681000044 VALOR CONS. DE INFORMÁTICA. LTDA 43 Dez 2009 15/01/2010 Em 2010 5.631.00 ITAU 875220405 Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 20 19 Fornecedor NF n. Período da Prestação do serviço Dia emissão Dta pagamento Valor Pago Banco N.Controle Bankline VCG SERV. DE INF. CAD. LTDA ME 8 Dez 2009 05/01/2010 Em 2010 8.518,64 ITAU 2135405012010 CONTELE ELET.EINF.ME 7299 Dez 2009 19/01/2010 Em 2010 11.525,74 ITAU 100115000000008 NVI NOVA VISÃO INFORM LTDA 2545 Dez 2009 06/01/2010 Em 2010 6.788,81 ITAU 799515118000019 VALOR CONS. DE INFORM LTDA 47 Dez 2009 12/02/2010 Em 2010 29.783,14 ITAU 399746317000039 i. Alega que as NF das tabelas supra foram emitidas em 2010, embora estivessem contabilizadas no passivo, conta Fornecedores, em 31/12/2009 e que justifica tal contabilização pelo fato de que os serviços teriam sido prestados em 2009; ii. Cabe também transcrever a análise da DRJ de que, além de tudo não foi comprovada a prestação em 2009: (i) JPR TEC . E SERV. LTDA (FL. 187)e da VALOR CONS. DE INF. LTDA EPP. (FL. 195), pois as correções, indicando o período de dezembro de 2009 foram feitas à mão nas notas apresentadas; (ii) VCG SERV. DE INF.CAD. LTDA ME (FL. 199) e CONTELE ELET. E INF.ME (FL. 203), pois as notas são omissas com relação a essa informação; (iii) NVI NOVA VISÃO INFORM. LTDA (FL. 209), pois somente traz a informação "valor mensal", sem fazer referência a data; e (iv) VALOR CONS. DE INFORM.LTDA (FL. 211), pois na nota há informação de que o serviço prestado foi o de elaboração de sistemas de computador referente ao mês de fevereiro de 2010. iii. A justificativa não é aceitável, pois lançamentos contábeis são efetuados com base em documentos; se as NF ainda não haviam sido emitidas, não procede a contabilização no passivo de obrigação ainda não documentada. 40. Diz que apresenta notas fiscais que não haviam sido localizadas: i. NF Dataseg 062, emitida em 16/01/2010, período de prestação serviços 12/2009, paga em 26/01/2010, R$262,67, doc. 10; ii. e as seguintes, doc.11: Fornecedor NF n. Dta emissão Dia pagamento Valor Pago RS Banco N. Controle Bankline Rede Digital Servs. e Distr. Ltda 930 03/06/2009 Declaração do Fornecedor Autopel Autom. Com. E In for. Ltda 100126 31/08/2009 28/09/2009 9.638,50 Unibanco 4923475 Autopel Autom. Com. E In for. Ltda 100126 31/08/2009 13/10/2009 9.638,49 Unibanco 7813889 D.F Dutra e Cia Ltda 280 09/05/2008 13/05/2008 13.089,60 Itau 0001464407 Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 21 20 1. Diz que a nota fiscal n° 930, emitida em 03/06/2009 não foi baixada na época própria, mas, em 01/01/11 foi feito o ajuste de exercícios anteriores, baixando (débito) fornecedores, conta 46 Fornecedores a pagar e credito da conta 327 Lucros e Prejuízos acumulados, doc. 11; 2. quanto à nota fiscal 280, o AFRFB se equivocou no valor no item 66 do Termo de Verificação Fiscal. O valor apurado pela fiscalização foi R$ 61.375,45 e na realidade é R$ 13.089,60, paga em 13/05/2008, doc. 11. iii. e reclama de cerceamento de defesa porque, à época, solicitou extensão de prazo para esclarecer os itens a, b, c e d da Intimação nº 03, mas a fiscalização lavrou os autos de infração; requer a leitura do anexo de Esclarecimentos Adicionais. b. Mas constam do TVE, item 66, as seguintes notas "não apresentada comprovação": Fornecedor/razão social CNPJ nº NF Data NF Valor NF REDE DIGITAL SERVS. E DISTRIB. LTDA 05.550.846/000119 930 30/06/09 400.0S3.25 AUTOPEL AUTOM. COM. E 1NFORM. LTDA 06.698.091/C00167 100126 31/08/09 19.273.99 DF Dutra 05.324.029/000142 280 61.375,45 DATASEG INFORMÁTICA LTDA 60 31/12/09 562;67 ELAINE DE MELO FERNANDES 49 31/12/09 195,39 DATASEG INFORMAT. LTDA 07.770.896/000137 60 31/12/09 581,83 INGENICO DO BRASIL LTDA 03.615.814/000143 84099 28/12/09 530,75, i. Sobre o doc 10 citado, apenas se localizou nos autos, à pág. 990, quadro anexo à impugnação, mas nenhum documento; além de que a NF Dataseg 062, emitida em 16/01/2010, não consta das notas apontadas pelo autuante; portanto, não foi apresentado documento comprobatório acerca da NF Dataseg 60; ii. Sobre o doc 11, apenas se localizou, à pág. 990, nos autos, quadro anexado com a impugnação, idêntico ao que foi reproduzido supra, que o contribuinte incluiu no recurso voluntário: não foram apresentados documentos comprobatórios. iii. No Anexo de Esclarecimentos Adicionais, págs. 1.600/1.607, a recorrente reproduziu cópias de Lançamentos Contábeis da Paytec: 1. por exemplo: Lançamentos contábeis 31/12/2009, conta D Fornecedores a Pagar ; D Banco Unibanco S/A, data 16/01, Valor 12.726,00: Valor referente a pagamento NF 079893 Ingênico do Brasil Ltda; Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 22 21 2. e outros análogos ref NF Ingênico e Verifone e Conta Transitória, que não se referem a este ítem e já comentados neste voto. 2.3 SOBRE AS OUTRAS EXCLUSÕES 41. Tratase do valor de RS 1.612.552,44 inserido na linha 69 da Ficha 09A da DIPJ/2010, que o contribuinte justificou serem dividendos/lucros recebidos da empresa "TOTAL", mensalmente, durante o anocalendário de 2009. 42. A litigante assevera que as receitas da Total foram tributadas pelo Cofins e PIS. e anexa os comprovantes dos pagamentos. Doc n° 01. 43. Diz que houve erro na informação da linha na ficha 06A na DIPJ/2010, pois o valor de R$1.612.552,44 deveria ter sido informado na Ficha 06A, linha 25 Resultados Positivos em Participações societária e excluídos, na ficha 09A, linha 41 () Lucros Divid. Deriv. Invest. Aval. Custo Aquisição. 44. TVF, pág. 613 e. A Fiscalizada informou que o recebimento dos Lucros Distribuídos era feito através do recebimento direto de Títulos de Clientes da Total Service e que em contrapartida a Fiscalizada pagava despesas da Total Service. Após o batimento destes valores, o saldo de recursos era considerado como Lucro Distribuído pela Total Service à Fiscalizada. TVF, págs. 615/616 17. Também na mesma declaração, a Fiscalizada informou que "Á estrutura operacional da Total Service, resume ao sócio, atuante na parte comercial, operacional e administrativa da empresa". 20. O Sr. Kiochi Matsuda é sócio majoritário, administrador e representante legal das duas empresa. Ele detém 99,9% da Fiscalizada e 95,0% da Total Service, sendo que os 5% restantes são de propriedade da Fiscalizada. Logo, o Sr. Kiochi é o proprietário das duas empresa. 21. Na mesma declaração citada anteriormente, a Fiscalizada informou que "os gastos referentes a departamentos de apoio administrativo, foram pagos pela fiscalizada, mas apropriados como despesas de cada uma das empresas, tais como impostos e despesas com contabilidade". Tendo a Fiscalizada apresentado comprovantes de que tais pagamentos foram feitos por ela. 22. Considerando que somente despesas de impostos e com a contabilidade foram apresentados em nome da Total Service, intimouse a Fiscalizada a apresentar os seguintes esclarecimentos: (...) Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 23 22 Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n°03, em resposta aos questionamentos acima, a Fiscalizada informou que: a. A empresa Total Service prestava serviços relacionados a processamento de dados relativo ao software de equipamentos POS (máquinas de cartões de débito e crédito); b. Considerando que o faturamento da empresa Total Service, representa 3,74% do total da Receita das duas empresas, anexo a este documento, segue uma planilha que relaciona as despesas da Paytec que tiveram uso comum entre as empresas e o respectivo rateio de despesas, alocando 3,74% para a empresa Total service. Todas as despesas foram contabilizadas na Paytec. 45. A Autuada, para justificar o valor de dividendos distribuídos a ela pela Total Service, apresentou o já descrito Demonstrativo de Resultados, porém a fiscalização verificou a DIPJ da Total e constatou que o lucro que apurou no regime do lucro presumido, deduzido do IRPJ e CSLL recolhidos, passível de distribuição era muito menor; recalculou o limite passível de distribuição em função da DIPJ apresentada e glosou das Exclusões a diferença a maior, no montante de R$1.200.029,92. Citese o TVF, págs. 619/620, sobre Outras Exclusões: 52. Em relação ao direito de a fiscalizada receber os dividendos, e!a apresentou o Contrato Social da Total Service, suas alterações e Ata de Distribuição de Lucro, na qual autoriza a empresa a distribuir os lucros de forma desproporcional. 53. Em relação ao montante distribuído, constatase através da DIPJ/2010 da Total Service que ela apurou, somando os 4 trimestres de 2009, um Lucro Presumido de R$619.949,46. 54. Para justificar a distribuição de lucros em valor maior do que Lucro Presumido apurado, a fiscalizada apresentou o Balancete de Verificação e a Demonstração de Resultado do Exercício da Total Service, onde está demonstrado que o lucro contábil apurado no ano de 2009 foi de R$1.614.372,16 e que teria sido distribuído aos sócios R$1.612.552,44. 55. No entanto, conforme demonstrado no item anterior, a contabilidade da Total Service foi elaborada de maneira incorreta, em desconformidade com as leis comerciais, contábeis e fiscais, não sendo computadas as despesas incorridas pela empresa, uma vez que todas as suas despesas foram lançadas indevidamente na contabilidade da Fiscalizada. 56. Não se pode aceitar a distribuição de lucros em valor superior ao previsto pela legislação, qual seja o Lucro Presumido diminuído dos impostos e contribuições devidos, em conformidade com o art. 10 da Lei nº 9.249, de 26/12/1995, no art. 51 da Instrução Normativa n° 11, de 21/02/1996 e o Inciso I do ADN n°04/1996 que diz. (...) 58. Assim, dos R$1.612.522,44 que foram enviados pela Total Service a título de lucros, apenas R$412.492,52 podem ser Fl. 1646DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 24 23 aceitos como distribuição de lucros/dividendos à Fiscalizada, sendo que o valor restante de R$1.200.029,92 serão somados à Receita da Fiscalizada para fins de apuração dos impostos e contribuições devidos. 2.3.1 Alegação de que distribuição de lucros foi mensal e não em 31/12/2009, portanto, há erro na data do fato gerador. 46. A recorrente apresentou à pág. 54, Razão Analítico referente à distribuição de lucros recebidos da Total, com os valores lançados mensalmente, no ano 2009, totalizando os R$1.612.552,44. 47. A fiscalização, conforme esclarecido, apurou que eram passíveis de distribuição, consoante a legislação, R$412.492,52, glosando R$1.200.029,92, autuados como fato gerador em 31/12/2009. 48. A litigante alega que os fatos geradores deveriam se reconhecidos na medida em que ocorreram os recebimentos. 49. No entanto, tendo a Autuada apresentado a DIPJ 2010/2009, no lucro real anual, consignou o total da exclusão, na apuração anual, com fato gerador em 31/12/2009 e o Autuante ao efetuar a glosa, o fez na mesma data. 2.4 DESCLASSIFICAÇÃO DA CONTABILIDADE DO CONTRIBUINTE. ARBITRAMENTO. 50. O Autuante identificou confusão patrimonial entre a Autuada e a Total. 51. À pág. 79, a Autuada explica como foram distribuídos os dividendos: explica que mantém duas contas na contabilidade: conta 1.1.2.009.0006 (398) "c/c Total Service Serv Proc dados (Conta do Ativo)" e conta 2.1.1.004.00005 (388) "c/c Total Service Serv Proc dados (Conta do Passivo)"; registra a débito na conta do Ativo, sempre que a Paytec paga alguma despesa da Total e registra a crédito na conta do Passivo, sempre que recebe valores de receitas da Total no final do mês efetua o fechamento dos saldos dessas contas e apura o valor a distribuir para a Paytec. 52. Citese a explicação fornecida pela Autuada, para justificar os "dividendos" que recebeu da Total, pág. 79: "Esclarecemos que durante o ano de 2009 a empresa Paytec Recebeu títulos de clientes de "TOTAL" Service, bem como pagou algumas despesas desta empresa. Estas movimentações foram registradas nas contas 398 e 388, que chamamos respectivamente de C/C "TOTAL" SERVICE (Ativo e Passivo). Mensalmente o valor líquido desta conta foi considerado como distribuição de lucro, por exemplo: Vamos imaginar que a Paytec Recebeu em títulos da "TOTAL" Service, o valor de R$100.000,00, neste momento ela contraiu uma obrigação de repassar o valor dos mesmos, no entanto pagou despesas da "TOTAL" Service, no valor de R$5.000,00. Um valor deduzido do outro, sobra um saldo de R$95.000,00 a favor da "TOTAL" Service. Se no mesmo período a "TOTAL" Ser'vice apresentou um lucro de R$120.000,00, a Paytec, por ser sócia passa ter Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 25 24 direito sobre este lucro, então amortiza a dívida de R$95.000,00 do valor que tem direito" 53. Págs. 212/214 (e 215/219), "Resumo Conta Unica detalhes", em que estão lançados os pagamentos e recebimentos, efetuados de 06/01/2009 a 31/12/2009: a. conta 1.1.2.009.0006 c/c Total Service Serv Proc dados (Conta do Ativo): i. Débito 09/01/2009, Vlr ref Pag Honorários MKP Ass Contb e Consult/Total Service R$414,64 ii. Débito, pagamentos IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, ISS Pref Barueri, da Total iii. Débito, 31/01/2009, Vlr ref transf Distribuição Lucro Total Service, R$132.733,61 iv. Total débitos R$1.904.520,44 b. conta 2.1.1.004.00005 c/c Total Service Serv Proc dados (Conta do Passivo): i. Crédito, 07/01/2009, Valor referente a TED recebida Verifone do Brasil NFS 001/Total Service R$59.356,50 (Observase que em relação à mesma Verifone do Brasil, constam cópias, págs. 159/170, 172/182, e estão listadas, pág. 157, várias notas fiscais da Verifone em nome da Autuada, relacionadas à conta Fornecedores da Paytec). ii. Total créditos R$1.304.024,70 c. E a diferença entre os dois totais, R$484.904,66, a empresa denominou Saldo a favor Paytec, para recebimento de lucros futuros. 54. A autuada explicou que a Total foi constituída para prestar serviços relativos ao software usado nas máquinas de cartões de débito e crédito que a Autuada revende; a Total é detida 5% pela fiscalizada e 95% por Kiyochi Matsuda, que é 99,99 detentor da Autuada. Do contrato social e alterações da Total, verificase que o domicílio da Total era diferente do da Autuada, no entanto, na planilha de rateio de pág. de pág. 235 de despesas administrativas, estão consignadas despesas de condomínio, limpeza, energia elétrica. 55. Págs. 88/139, Instrumento de Constituição da Posservice Serviços de Processamento de Dados Ltda em 22/08/2006, e alteração razão social para Total Service Serviços de Processamento de Dados Ltda, alterando a sede para Alameda Tocantins 882, Galpão 3 Alphaville Indl. Barueri/SP, em 23/03/2007; ingressa como sócia Isabel Cristina de Queiroz (1%), a Paytec (1%) e Kiyochi Matsuda 98%, em 29/06/2009; em 04/05/2010, alterou objeto social para comércio e locação/comodato de produtos para telefonia, informática e outros equipamentos eletrônicos em geral, manutenção e reparação destes equipamentos, serviços de processamento de dados, desenvolvimento e elaboração de programas de computador; em 13/12/2010, alterou o endereço para Av. Marginal Projetada, 1.810, Galpão Indl nº 09, Tamboré Barueri/SP; em 14/03/2011, para Av. Marginal Projetada, 1.810, Tamboré Barueri/SP e o objeto social para serviços de processamento de dados, desenvolvimento e elaboração de programas de computador; em 22/10/2012, todos os três sócios se retiram da sociedade, vendendo suas quotas para Edileuza Sales dos Santos Turini. Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 26 25 56. Págs. 141/144, no Balancete de Verificação da Total 01/01 a 31/12/2009, constam no Ativo e Passivo Não Circulantes, os saldos das citadas contas, e a Demonstração de Resultados, na qual apurou 98,76% de lucratividade sobre a receita líquida. Total Service Demonstração de Resultado do Exercício Receita de Prest de Serviços 1.937.342,05 Rec de Aplic Fin 1.016,63 () Deduções: PIS, Cofins, ISS 109.399,80 (=) Rec Líquida 1.828.958,88 100% () Desp Admin 11.139,89 () Desp Fin 10.662,59 () Outras desp oper 828,98 Lucro Operacional=Lucro líquido 1.806.327,42 98,76% () Prov CSLL 55.795,45 () Prov IRPJ 130.987,37 Lucro a distribuir 1.619.544,60 88,55% 57. Observou a DRJ, no Acórdão: 62. É evidente que a TOTAL não apurou corretamente seu resultado e que as despesas a ela relativas, ou grande parte delas, estão na Impugnante, senão pela forma de contabilização pela forma de rateio, que as toma irrisórias para a TOTAL, que, estranhamente, nem mesmo as considerou em seu DRE apresentado fl. 144 e que serviu de base para distribuição de dividendos. 58. O Autuante chegou a esta conclusão ao comparar a Demonstração de Resultados supra, mediante a qual a Autuada buscou demonstrar o valor dos dividendos distribuídos pela Total para a Paytec no montante de R$1.612.552,44, questionados pela fiscalização (que serão abordados adiante) com a planilha de rateio de pág. 235, que a fiscalizada apresentou, demonstrativo das despesas que foram rateadas para a Total Service, comentada adiante. 59. Consta do Termo de Verificação Fiscal: TVF: 22. Considerando que somente despesas de impostos e com a contabilidade foram apresentados em nome da Total Service, intimouse a Fiscalizada a apresentar os seguintes esclarecimentos: 60. Portanto, os comprovantes das despesas são documentos em nome da Autuada, que efetuou todos os pagamentos; somente os comprovantes de recolhimento de impostos e despesa com escritório de contabilidade estão em nome da Total. 61. No TIF nº 3, págs, 220/223, a interessada foi intimada, haja vista que havia informado: 15. A atividade comercial da Fiscalizada é basicamente a revenda de máquinas de cartões de débito e crédito, Após a venda destas máquinas, os clientes que as adquiriram da fiscalizada necessitam a prestação de serviço de processamento de dados relativo ao seu software. Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 27 26 16. Este serviço, conforme declaração da fiscalizada em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 02, "Por questões estratégicas e comerciais, a empresa Total Service foi constituída, para realizar serviços que antes eram realizados por parceiros da fiscalizada". 17. Também na mesma declaração, a Fiscalizada informou que "A estrutura operacional da Total Service, resume ao sócio, atuante na parte comercial, operacional e administrativa da empresa''. (...) Considerando que somente despesas de impostos e com a contabilidade foram apresentados em nome da Total Service, intimouse a Fiscalizada a apresentar os seguintes esclarecimentos: a. Quais eram os serviços prestados pela Total Service. b. Quais eram os custos e despesas gastos pela Total Service para a efetivação dos serviços prestados; 62. A Autuada apresentou Ata de Distribuição de Lucro da Total Service, datada de 10/12/2008, pág. 226: PUBLICAÇÕES A pessoa física do sócio é a mesma que representa o outro sócio que tratase de uma pessoa jurídica, dispensando desta forma qualquer comunicado para comparecimento. ORDEM DO DIA Por unanimidade, aprovar, sem ressalvas, após exame e discussão, a Distribuição de Lucros, para o ano de 2008 e posteriores. DELIBERAÇÕES Por unanimidade, aprovouse que a distribuição de Lucros da empresa TOTAL SERVICE SERVIÇOS DE PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA, não respeitará a proporção de cada sócio no capital social conforme faculta o artigo 1007 do Código Civil, podendo inclusive existir destinação integral do Lucro a qualquer um dos sócios. 63. E págs. 826/827, junto com a impugnação, Contrato de Rateio de Despesas Administrativas, entre Paytec e Total Service (não foi registrado): 2. Serão rateadas entre as duas partes contratantes o custo administrativo geral comum tendo como critério a proporção aos seus faturamentos dos custos administrativos incorridos durante o ano. 3. A CENTRALIZADORA contabilizará os gastos administrativos gerais, em seu plano de contas que serão rateadas entre as empresas com base em seu faturamento. As despesas nominativas da CENTRALIZADA serão contabilizadas na CENTRALIZADORA em contas de ativo e passivo não transitando por seu resultado. Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 28 27 64. A Autuada informou que as despesas que pagou foram rateadas proporcionalmente ao faturamento de cada uma das empresas e que a proporção de faturamento da Total é 3,74% do total das duas e apresentou a demonstração do ano 2009, planilha de rateio à pág. 235: Demonstração pág. 235 Rateio Total Service Receitas Brutas Paytec + Total Service 51.826.564,09 3,74% Despesas Administrativas total geral 3.525.359,77 Despesas Administrativas total que foi objeto de rateio 1.849.841,40 Paytec Total Service desp de salários, enc soc, limpeza, serv de 3ºs, combust, seguros, publicidd, jornais e ver, correios, tel, condomin, mat escrit, taxi, entregas, viagens, advogados, internet, tarifas banc, em elé proporcionais 1.780.657,33 69.184,07 96,26% 3,74% Resumo: Despesas Administrativas total geral 3.456.175,70 69.184,07 98,04% 1,96% 65. Observase que na Demonstração de Resultados apresentada para justificar dividendos distribuídos pela Total, estavam consignadas despesas administrativas no montante de apenas R$11.139,89 66. E na DIPJ 2010/2009, entregue em 30/06/2010, regime lucro real anual, a Autuada, informou: Ficha 06 Demonstração de Resultado 04. Receita de revenda de mercadorias Mercado Interno 41.643.265,05 05.Receita de Prestação de Serviços Mercado Interno 4.595.397,40 08. Receita de Locação de Bens Móveis e Imóveis 1.830.717,12 Total 48.069.379,57 100% Ficha 05 Despesas Operacionais 6.803.324,32 14% 67. E se observa que a Paytec informou R$6.803.324,32 de despesas operacionais, e apresenta demonstrativo onde informa alocar R$69.184,07 à Total. 68. A Fiscalização concluiu que: 25. Constatamse irregularidades nos procedimentos adotados pela Fiscalizada, senão vejamos. 26. A Fiscalizada e a Total Service são empresas diversas e por isto devem possuir patrimônio, receitas e despesas incomunicáveis. (*)27. A Receita de uma empresa não pode ser lançada como da outra, assim como as despesas também não, (*)28. A Fiscalizada, ao lançar em sua contabilidade despesas que eram devidas pela Total Service maculou sua contabilidade, bem como a da Total Service, de vício que a desqualifica para a apuração do Lucro Real. Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 29 28 69. (*) Não tem razão o Autuante, no que tange ao controle em c/c de recursos entre duas empresas do mesmo grupo, contudo, tais valores podem caracterizar mútuo a ensejar juros e IOF). 70. Contudo, conforme cita e determina o art. 299 do RIR de 1999, com base no art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964, são operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa, pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações, e que são usuais e normais dessa forma, a fiscalização não aceitou o critério de proporcionalidade das despesas com base na proporção do faturamento, e destacou que, na contabilidade da Total, tais despesas não figuravam na sua apuração de resultados; por outro lado, não cabe à fiscalização estabelecer os critérios de rateio, no lugar da empresa. 71. Percebese que, para justificar a distribuição dos dividendos pela Total, o contribuinte apresentou a Demonstração de Resultados da Total, demonstrando lucro líquido a distribuir de R$1.619.544,60; no entanto, nem mesmo a fração das despesas que alega que foram alocadas à Total, proporcionalmente aos faturamentos das duas empresas, foi registrada nessa Demonstração de Resultados. 72. Concluiu o Autuante que: 40. Conforme já informado, a Fiscalizada justificou a constituição da Total Service da seguinte maneira: *Por questões estratégicas e comerciais, a empresa Total Service foi constituída, para realizar serviços que antes eram realizados por parceiros da fiscalizada". 41. No entanto, analisandose o regime de tributação adotado pelas duas empresas, combinado com o fato de que todas as despesas das duas empresas foram lançadas exclusivamente na Fiscalizada, demonstra que a motivação para a constituição da Total Service foi outra. Explicase. 42. Conforme já informado, a Fiscalizada adotou o regime de tributação com base no Lucro Real Anual. Já a Total Service adotou o regime de tributação com base no Lucro Presumido. 43. A simples adoção de regimes de tributação diversos, assim como a constituição da Total Service, não apresenta qualquer irregularidade. No entanto, a alocação de todas as despesas das empresas somente na contabilidade da Fiscalizada demonstra que a intenção do agente era eliminar, ou ao menos reduzir, o montante do imposto de renda devido. 44. A inclusão de um montante maior de despesas na apuração do Lucro da Fiscalizada acarretou a diminuição do lucro Real da empresa e por decorrência um Imposto de Renda devido menor. 45. Já no caso da Total Service, optante pelo Regime de Tributação com base no Lucro Presumido, no qual NÃO há necessidade de se comprovar as despesas incorridas, a sua exclusão da contabilidade acarretou dois benefícios distintos para o grupo. Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 30 29 a. não alterou Lucro Presumido da Total Service, apurado somente em função do faturamento da empresa. Logo, o imposto de renda a ser pago por ela mantevese o mesmo; b. Possibilitou a distribuição de dividendos em valores muito superiores aos que seriam corretos. Afinal, conforme DIPJ/2010, a Total Service apurou um Lucro Presumido de R$619,949,46, no entanto, distribuiu dividendos no valor de R$1,612.552,44 à Fiscalizada. Lucro este apurado através contabilidade na qual NÃO foram incluídas as despesas da empresa. 46. Desta forma constatase que a constituição da Total Service, o regime de tributação adotado pela Total Service e pela Fiscalizada e, principalmente, a alocação de todas as despesas das duas empresas em apenas uma delas não foi uma questão estratégica comercial, conforme afirmado pela Fiscalizada, mas sim uma maneira de tentar iludir o Fisco com o único objetivo de reduzir ou eliminar o Imposto de Renda devido, 47. Sendo assim, resta evidente que a escrituração da Fiscalizada não serve para a apuração do Lucro Real da empresa e a escrituração da Total Service também não serve para a apuração de um lucro a ser distribuído superior ao Lucro Presumido apurado. 73. E, para justificar o montante de distribuição de lucros que efetuou, a Autuada apresentou o Demonstrativo de Resultados da Paytec de págs. 141/144, já descrito. 74. Em relação a esta argumentação, a fiscalização concluiu: 53. Em relação ao montante distribuído, constatase através da DIPJ/2010 da Total Service que ela apurou, somando os 4 trimestres de 2009, um Lucro Presumido de R$619.949,46. 54. Para justificar a distribuição de lucros em valor maior do que Lucro Presumido apurado, a fiscalizada apresentou o Balancete de Verificação e a Demonstração de Resultado do Exercício da Total Service, onde está demonstrado que o lucro contábil apurado no ano de 2009 foi de R$1.614.372,16 e que teria sido distribuído aos sócios R$1.612.552,44. 55 No entanto, conforme demonstrado no item anterior, a contabilidade da Total Service foi elaborada de maneira incorreta, em desconformidade com as leis comerciais, contábeis e fiscais, não sendo computadas as despesas incorridas pela empresa, uma vez que todas as suas despesas foram lançadas indevidamente na contabilidade da Fiscalizada. 75. Solução de Divergência Cosit nº 23, de 23 de setembro de 2013 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: É possível a concentração, em uma única empresa, do controle dos gastos referentes a departamentos de apoio administrativo centralizados, para posterior rateio dos custos e despesas administrativos comuns entre empresas que não a mantenedora da estrutura administrativa concentrada. Para que Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 31 30 os valores movimentados em razão do citado rateio de custos e despesas sejam dedutíveis do IRPJ, exigese que correspondam a custos e despesas necessárias, normais e usuais, devidamente comprovadas e pagas; que sejam calculados com base em critérios de rateio razoáveis e objetivos, previamente ajustados, formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; que correspondam ao efetivo gasto de cada empresa e ao preço global pago pelos bens e serviços; que a empresa centralizadora da operação aproprie como despesa tãosomente a parcela que lhe cabe de acordo com o critério de rateio, assim como devem proceder de forma idêntica as empresas descentralizadas beneficiárias dos bens e serviços, e contabilize as parcelas a serem ressarcidas como direitos de créditos a recuperar; e, finalmente, que seja mantida escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas 76. A Solução supra foi, relativa à Decisão SRRF08/Disit nº 140, de 05 de junho de 2000, cujo teor segue (e outra em sentido oposto): “Assunto: Rateio de Despesas Administrativas Ementa Despesas administrativas que forem contabilizadas em uma única empresa do grupo, para posteriormente serem rateadas, de acordo com o efetivo gasto de cada empresa, são dedutíveis, uma vez efetivamente comprovadas e mediante demonstração do critério de rateio. Há também a possibilidade de escrituração de despesas em períodobase inexato, desde que não haja postergação do pagamento do imposto ou redução indevida do lucro real.” 77. Constatase que a litigante não apresentou critérios que justificassem os valores de despesas que apropriou à Autuada e à Total; cabe destacar que, em se tratando de prestação de serviços, a Total representou 29,66% do todo e não 3,74%: Paytec DIPJ, Receita de Prestação de Serviços Mercado Interno 4.595.397,40 70,34% Total Service DRE, Receita de Prest de Serviços 1.937.342,05 29,66% Total Receita Serviços 6.532.739,45 78. Haja vista que todas as despesas, exceto as da contabilidade, estavam em nome da Paytec, deveria ter demonstrado quais eram específicas de prestação de serviços e o critério de rateio entre a Paytec e a Total (por exemplo, salários e encargos dos funcionários prestadores dos serviços proporcional às horas aplicadas nos clientes, ou nº de clientes atendidos, se o software era de mesmo padrão); e quanto às demais despesas, indiretas, os critérios de rateio de cada uma, por exemplo: aluguel proporcional à área ocupada; energia elétrica sendo endereços diferentes, a conta de cada uma, mais uma proporção da Paytec para a Total; transporte km de veículos utilizados por cada, etc. 79. No entanto, não cabe à fiscalização estabelecer tais critérios e impôlos à fiscalizada. 80. Neste caso, o demonstrativo de rateio foi inadequados e não condizente com a realidade, assim como discrepantes os demonstrativos apresentados (do rateio x apuração do lucro da Total Service distribuído x DIPJ). Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 32 31 81. O Autuante arbitrou o lucro sobre as receitas brutas de vendas, mais passivo fictício, mais glosa de parte da exclusão, e apurou um total de lucro arbitrado nos quatro trimestres (percentual de 9,6%) de R$5.325.929,07. 82. Acusa ainda a litigante que a DRJ ao demonstrar que o lucro arbitrado resultou menor do que se sua contabilidade tivesse sido recomposta, como sugere, na realidade comprovou ser indevido o arbitramento, por isso, a autuação deve ser cancelada. Citese a DRJ: 101. No caso concreto, se não fosse em razão do arbitramento, tendo apurado lucro real e base de cálculo de CSLL positiva, teria que apurar IRPJ e CSLL utilizando alíquotas de 25% e 9%, respectivamente, sendo a omissão aproximada de R$8.600.000,00, do que resulta um montante de R$2.924.000,00, juntandose esses dois tributos (R$2.150.000,00 e R$774.000,00). 102. No AI de IRPJ e de CSLL, constaram os valores de R$1.031.225,94 e de R$421.214,52, do que resulta o montante de R$1.452.440,00. É metade do valor. 83. Como se vê, a DRJ comparou os valores de IRPJ e CSLL que resultariam se os valores das infrações fossem adicionados ao lucro real apurado pelo contribuinte, para demonstrar que resultariam maiores, do que o que foi apurado por arbitramento do lucro. E destacou que arbitramento não se trata de medida punitiva, mas técnica de apuração onde se busca o valor do lucro mais aproximado possível da realidade, na falta de confiabilidade na apuração contábil do contribuinte; portanto, a DRJ não efetuou apuração pelo lucro real, a qual demandaria a revisão do critério de rateio das despesas. 2.5 RESUMINDO: 84. No que tange ao Passivo Fictício a Recorrente: i. no Anexo de Esclarecimentos Adicionais, págs. 1.403/1.407, justificou que muitos pagamentos de fornecedores, em vez de serem contabilizados a Débito da conta PassivoFornecedores e a Crédito Ativo Disponível ou Bancos, foram contabilizadas: a Débito do Ativo Diversos Transitória e a Crédito Ativo Disponível ou Bancos verificase que este lançamento não altera a situação patrimonial, pois é apenas uma mutação no Ativo. ii. no Razão Analítico da Paytec do ano 2011, explicou como corrigiu a contabilização dos pagamentos a fornecedores que havia deixado de dar baixa no Passivo Fornecedores a pagar; explica que efetuou os seguinte slançamentos contábeis: a Crédito de conta do Patrimônio Lìquido de Ajuste de Períodos Anteriores, e a Débito de conta do Passivo Fornecedores a Pagar os lançamentos supra reduzem o valor do passivo e aumentam o do Patrimônio Líquido, ou seja, apenas houve uma mutação no balanço patrimonial da empresa. Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 33 32 85. Verificase que não informou a contabilização do elo de ligação entre Ativo e Passivo/PL, que seria o lançamento a Crédito da conta do Ativo DiversosTransitória e a Débito na conta Passivo Fornecedores a Pagar, o que seria o correto. 86. Resumindo, caracterizado um valor de passivo fictício de 62,4% da conta Fornecedores (e 20% do total do Passivo e 15% da receita declarada); evidenciado que os lançamentos contábeis que alega ter efetuado para corrigir alegados erros no registro desses passivos, são fraudulentos; caracterizado que a empresa não demonstrou critérios racionais de rateio das despesas entre a Autuada e sua parceira a Total; demonstrado que há confusão patrimonial entre estas, no que tange à alocação de despesas e quanto à distribuição de lucro; cabível o arbitramento do lucro. 2.6 DA MULTA QUALIFICADA 87. Afirma que o relator manteve a multa qualificada, sem apoio jurídico consistente, pois não houve fraude ou conluio e a matéria discutida é meramente interpretação do direito; não houve ação ou omissão dolosa, nem ajuste doloso; a comprovação cabal do intuito doloso do agente é necessária em consonância ao previsto no artigo I 1239do Código Tributário Nacional, que prevê interpretação favorável ao acusado da lei tributária que define infrações, ou comine penalidades, de modo que, se não ticar claramente comprovada tal conduta, a interpretação da situação será a mais favorável ao acusado; erros contábeis esclarecidos não coadunam com a qualificação da multa; invoca as Súmulas 25 e 14 do CARF. 88. A autuação se compõe de três partes: 001 Receita Omitida, Presunção legal, com base em Passivo Fictício; 002 apuração do lucro presumido sobre as receitas declaradas; 003 glosa da Exclusão de excesso de dividendos. 89. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. 90. Contudo, como relatado, o passivo fictício representou 62,4% da conta Fornecedores (e 20% do total do Passivo e 15% da receita declarada), evidenciado que os lançamentos contábeis que alega ter efetuado para corrigir alegados erros no registro desses passivos, são fraudulentos. 91. Quanto ao excesso de dividendos excluídos, evidenciouse a simulação dolosa ao retornar a Total, não só o valor de lucros que poderia distribuir, como valor em excesso, para a Autuada, que esta excluiu da base de cálculo do IRPJ e CSLL 92. Assim, cabe manter a multa qualificada sobre as infrações 001 Passivo Fictício e 003 excesso de dividendos excluídos. 3 Responsabilidade Tributária. Kiyochi Matsuda. 93. Consta do Acórdão DRJ/SPO que o sr. Kiyochi Matsuda não apresentou argumentos contra sua responsabilização solidária, na impugnação, limitandose a contestar a autuação e a asseverar a inexistência da responsabilidade solidária. Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 19515.721133/201455 Acórdão n.º 1201002.587 S1C2T1 Fl. 34 33 94. Portanto, restou não impugnada a responsabilização, embora a DRJ não o tenha explicitado e tenha julgado e confirmado a conclusão fiscal, nos seguintes termos: 116.0 Sr. Kiyochi Matsuda de fato era sócio administrador majoritário com quase 100% das quotas das empresas envolvidas, não sendo comprovado nos autos, nem contestado, que ele não participou dos atos trazidos na autuação, razão pela qual deve ser mantida a responsabilidade a ele imputada, nos termos da lei. 95. O recurso voluntário que apresentou, apenas transcreve a sua responsabilização no Termo de Verificação Fiscal, entre as demais matérias. 96. Considerase portanto, preclusa a questão e confirmada a responsabilidade tributária solidária de Kiyochi Matsuda. 4 Conclusão Voto por DAR PROVIMENTO EM PARTE ao Recurso Voluntário, para reduzir a multa de 150% para 75% apenas em relação à infração 002 (exigência adicional sobre valores declarados, decorrente do arbitramento). (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 1657DF CARF MF
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