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Numero do processo: 10845.723596/2011-01
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o contribuinte apresente, discriminadamente, todas as receitas auferidas que não sejam oriundas do trabalho assalariado, no ano de 2008, mês a mês, para o enfrentamento de receitas e possíveis despesas dedutíveis para fins de incidência ou não de imposto de renda pessoa física, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que rejeitou a proposta de diligência.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1384; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 171 1 170 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10845.723596/201101 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2002000.043 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Ordinária Data 24 de outubro de 2018 Assunto CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Recorrente EDMAR GOMES Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o contribuinte apresente, discriminadamente, todas as receitas auferidas que não sejam oriundas do trabalho assalariado, no ano de 2008, mês a mês, para o enfrentamento de receitas e possíveis despesas dedutíveis para fins de incidência ou não de imposto de renda pessoa física, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que rejeitou a proposta de diligência. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 45 .7 23 59 6/ 20 11 -0 1 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10845.723596/201101 Resolução nº 2002000.043 S2C0T2 Fl. 172 2 RELATÓRIO Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL fls. 12 a 15, relativa a dedução indevida de despesas de livro caixa. Tal infração gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 3.900,65, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, à efls. 03 a 33 dos autos, que, em síntese, alega, conforme decisão da DRJ: Na impugnação de fls. 3, o contribuinte alega que são despesas de custeio indispensáveis à execução dos serviços prestados e à manutenção da fonte produtora (serviços notariais, de registro ou leiloeiro). Pede prioridade na análise da impugnação com base no Estatuto do Idoso. A impugnação foi apreciada na 20ª Turma da DRJ/SP1 que, por unanimidade, em 23/08/2012, no acórdão 1640.857, às efls. 37 a 38, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário Recurso Voluntário O contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário, em 30/08/2017 às efls. 44 a 163, no qual alega que, é médico, podendo fazer jus a escrituração do livro caixa, abatendo as despesas inerentes à sua atividade das receitas auferidas. Ainda, alega que cometeu equívoco em sua impugnação ao afirmar que presta serviços notariais, de registro ou de leiloeiros. VOTO Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 02/05/2013, efls. 42, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 28/05/2015, efls. 43 , posto que dele conheço. O contribuinte foi autuado pela dedução indevida de despesas de livro caixa, sob o fundamento que declarou despesas superiores aos rendimentos auferidos, sendo glosado o valor de R$ 14.184,19. Em sede de impugnação, o contribuinte informa que além de médico servidor público municipal, também exerce a medicina de forma autônoma. Juntou documentação Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10845.723596/201101 Resolução nº 2002000.043 S2C0T2 Fl. 173 3 simplificada, sem qualquer força probante. Diante das provas apresentadas a DRJ se manifestou da seguinte maneira: O contribuinte alegou em sua Solicitação de Retificação de Lançamento – SLR, que exerce, além dos serviços Notariais, de Registro ou de Leiloeiro, a função de médico autônomo, atendendo a particulares e convênios médicos. Na impugnação da Notificação de Lançamento, limitase a alegar que o valor referese a despesas de custeio à execução dos serviços que presta e manutenção da fonte produtora de rendimentos, juntando 12 (doze) relatórios do Livro Caixa, onde não consta nenhuma receita e não mostra despesas e receitas, distintamente, de uma e outra atividade e, também, não contesta o valor da receita apurado pelo Auditor Fiscal notificante e não diz nada do motivo da glosa que foi o fato de despesas deduzidas serem superiores à receita. Nada constando na impugnação que refute o motivo do lançamento nem o valor da receita, voto como segue. CONCLUSÃO Voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário. Irresignado, apresentou Recurso Voluntário. O Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto nº 3.000/99) é claro ao delimitar os contribuintes que podem valerse da escrituração do livro caixa, bem como as despesas passíveis de dedução: Despesas Escrituradas no Livro Caixa Art.75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): Ia remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; IIos emolumentos pagos a terceiros; IIIas despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafoúnico. O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §1º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 34): Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10845.723596/201101 Resolução nº 2002000.043 S2C0T2 Fl. 174 4 Ia quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; IIa despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; IIIem relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48. Art.76. As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes até dezembro (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). §1º O excesso de deduções, porventura existente no final do anocalendário, não será transposto para o ano seguinte (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). §2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §2º). §3º O Livro Caixa de que trata o parágrafo anterior independe de registro. Pelo dispositivo legal a escrituração em livrocaixa é própria e taxativa para os casos em que o contribuinte receba rendimentos do trabalho não assalariado, casos dos profissionais liberais, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro. O contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, às efls. 44 e 45 o contribuinte trouxe o resumo da sua contabilidade, receitas e despesas, assim discriminados: Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10845.723596/201101 Resolução nº 2002000.043 S2C0T2 Fl. 175 5 Contudo, os comprovantes acostados só atestam as despesas, não comprovando as receitas auferidas, nem o período (mês) em que estas ingressaram, não respeitando o teor dos artigos acima colacionados. Desta forma, converto o julgamento em diligência para que o contribuinte apresente, discriminadamente, todas as receitas auferidas que não sejam oriundas do trabalho assalariado, no ano de 2008, mês a mês, para o enfrentamento de receitas e possíveis despesas dedutíveis para fins de incidência ou não de imposto de renda pessoa física. (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007658/2008-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA EM CONTA MANTIDA NO EXTERIOR. ART. 42, § 6º DA LEI 9.430/96.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira no exterior, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DOCUMENTOS BANCÁRIOS. DUPLICIDADE. LANÇAMENTO.
Evidenciado que os documentos bancários reunidos referem-se a uma mesma operação de transferência bancária, cabe expurgar da base de cálculo do lançamento tal duplicidade.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.
A imputação da multa de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização tributária, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96.
Quando o questionamento da multa se atém a matéria de índole constitucional, aplica-se a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4.
Não havendo sido adimplida a obrigação tributária no prazo previsto na legislação, incidem juros de mora à taxa Selic, conforme enuncia a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2202-004.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para fins de excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 145.385,00.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Marcelo de Sousa Sateles, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andrea de Moraes Chieregatto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA EM CONTA MANTIDA NO EXTERIOR. ART. 42, § 6º DA LEI 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira no exterior, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DOCUMENTOS BANCÁRIOS. DUPLICIDADE. LANÇAMENTO. Evidenciado que os documentos bancários reunidos referem-se a uma mesma operação de transferência bancária, cabe expurgar da base de cálculo do lançamento tal duplicidade. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. A imputação da multa de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização tributária, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Quando o questionamento da multa se atém a matéria de índole constitucional, aplica-se a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4. Não havendo sido adimplida a obrigação tributária no prazo previsto na legislação, incidem juros de mora à taxa Selic, conforme enuncia a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA EM CONTA MANTIDA NO EXTERIOR. ART. 42, § 6º DA LEI 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira no exterior, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DOCUMENTOS BANCÁRIOS. DUPLICIDADE. LANÇAMENTO. Evidenciado que os documentos bancários reunidos referemse a uma mesma operação de transferência bancária, cabe expurgar da base de cálculo do lançamento tal duplicidade. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. A imputação da multa de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização tributária, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Quando o questionamento da multa se atém a matéria de índole constitucional, aplicase a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4. Não havendo sido adimplida a obrigação tributária no prazo previsto na legislação, incidem juros de mora à taxa Selic, conforme enuncia a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 76 58 /2 00 8- 99 Fl. 147DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para fins de excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 145.385,00. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Marcelo de Sousa Sateles, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Andrea de Moraes Chieregatto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP) DRJ/SPOII, que julgou procedente lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao exercício 2001 (fls. 42/49), face à apuração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos de origem não comprovada realizados no exterior, conforme documentos colacionados às fls. 06/09. Os termos da impugnação (fls. 63/87) foram assim sintetizados pela decisão de piso (fls. 99/100): * Os documentos estariam incompletos, pois faltaria página do Relatório de fls. 4 a 7. Ademais, não teria havido análise profunda dos dados pela Administração; * O nome do contribuinte seria Alex Antonio Annicchini Loschi e não apenas Alex Loschi, como constaria dos documentos em que o lançamento baseouse. Alega possível homonímia, citando um único resultado obtido na internet com o nome Alex Loschi, e alguns outros como Alex Losch e Alex Loch; * Diferentemente do que alega a autoridade fiscal, não constaria o CPF do contribuinte na documentação; * Cita acórdão do STF de 1978 e do Conselho de Contribuintes de 1996 e afirma que creditamento de numerário não pode ser caracterizador do montante tributável; * Multa com efeito confiscatório; * Não incidência de multa ou juros antes de findo o processo administrativo. A exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 98/107), ensejando a interposição de recurso voluntário em 15/06/2009 (fls. 119 e ss), no qual foram renovados, em linhas gerais, os termos da impugnação. É o relatório. Voto Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10830.007658/200899 Acórdão n.º 2202004.839 S2C2T2 Fl. 148 3 Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No que diz respeito à alegação preliminar de cerceamento de defesa, esclareçase, de plano, que o lançamento foi efetuado, de acordo com Termo de Verificação Fiscal de fls. 37/41, com amparo no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, tendo sido agravada a multa de ofício nos termos do art. 959 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99) em razão da falta de atendimento à fiscalização. Os depósitos sujeitos à comprovação de origem foram realizados no Banco Lespan S.A. nas quais aquele consta como recebedor/beneficiário (fl. 123): Data do crédito Valor da Movimentação em US Dólar 01/03/2000 USD 50.000,00 01/03/2000 USD 50.000,00 Os documentos comprobatórios da movimentação da conta bancária em comento (fls. 06/09) foram obtidos a partir de quebra de sigilo bancário realizada sob o abrigo de ordem judicial decretada pela 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba no bojo do processo nº 2004.700000082678, tendo sido à ocasião autorizado o compartilhamento dessa documentação, não só com o Fisco, mas também foi com o Banco Central do Brasil e com o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), fls. 14/18. Como explica a referida decisão, nas contas do banco uruguaio Lespan mantidas no Citibank – Nova Iorque aportaram recursos advindos do Brasil por meio de contas CC5, mantidas por instituições financeiras em Foz do Iguaçu/PR, em nome de interpostas pessoas, que atuavam como “laranjas” dos reais titulares do numerário envolvido, contribuintes brasileiros. Nesse contexto, verificada a existência de depósitos no valor total de USD 50.000,00 em benefício de conta titularizada pelo autuado e mantida no exterior, provenientes de contas envolvidas no esquema acima sinteticamente descrito, foi o contribuinte intimado a comprovar suas correspondentes origens, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Notese que o contribuinte foi reiteradamente intimado a comprovar a origem desses depósitos, porém quedouse inerte, apresentando respostas meramente evasivas. De início, não negou expressamente ser a conta focada de sua titularidade, tergiversando e fazendo assertivas vagas, tais como: "o contribuinte...não logrou êxito na busca de elementos que pudesse servir de base para quaisquer esclarecimentos acerca dos fatos descrito na referida intimação, notadamente frente a inexistência na intimação/documentação de maiores detalhes de sua vinculação aos indigitados créditos junto ao Lespan S.A." Apenas no atendimento à terceira intimação passou a levantar a possibilidade de ter havido homonímia no caso, passando a defender insistentemente seu pretenso direito a ter acesso ao conteúdo de páginas alegadamente faltantes do relatório de fls. 04/07, pleito tal que, não havendo sido atendido, passou a constituirse em postulação preliminar recursal, ora analisada. Fl. 149DF CARF MF 4 Porém os questionamentos da fiscalização foram bastante claros, como a leitura das intimações em comento revela (fls. 04/34), sendo recomendável explicar ao autuado o que aliás, já foi ressaltado pela decisão vergastada que o procedimento fiscal é de natureza inquisitória e sigilosa, não sendo facultado ao contribuinte exigir a apresentação dos documentos que o compõem antes de constituído o crédito tributário via lançamento de ofício. Assim, reunidos os elementos de prova tidos por suficientes pela autoridade fiscal no processo administrativo, e lhe havendo sido facultado seu pleno acesso, de todo sem respaldo o aventado cerceamento de defesa. Quanto à arguição de ilegitimidade passiva, principia ela por reiterar a dantes citada alegação de que o relatório da fiscalização estaria incompleto, supra enfrentada, e passa a apontar que nos extratos em questão (fls. 04/07) consta como beneficiário não o recorrente, Alex Antonio Annicchini Loschi, mas sim Alex Loschi, sugerindo, nessa vereda, a possibilidade de homonímia. Pois bem, vejase que o próprio recorrente, em sede de impugnação, promoveu pesquisa na internet em busca de homônimos, no que quedou mal sucedido, conforme salientado pelo julgador de primeiro grau, sendo encontradas apenas aproximações de Alex Loschi. Ademais, o fato de não constar o nome completo do recorrente no documento não afasta tal realidade, posto que sequer quanto ao primeiro e último nomes em conjunto foi possível encontrar compatibilidade. Por outro lado, chamese a atenção para que, dado o contexto no qual se verificaram as investigações que apuraram as movimentações em apreço detalhado na decisão judicial de fls. 14/18, temse que todas elas tinham vínculos com brasileiros que efetuavam as transações via contas mantidas no exterior em nome de offshores, carecendo de sentido a busca de homônimos fora do Brasil. Já no atinente às questões de direito que concernem ao mérito, lembrese que desde o início da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96 a existência de depósitos bancários sem comprovação da origem, após a regular intimação do sujeito passivo, passou a constituir hipótese legal de omissão de rendimentos e ou/receita. Com efeito, cabe ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa amparada no precitado art. 42, bastando assim que a autoridade lançadora comprove o fato definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a referida omissão. Destarte, intimado o contribuinte a comprovar a origem dos recursos depositados no Banco Lespan S.A., devidamente discriminados pela fiscalização, e não se desincumbindo desse ônus probatório que lhe foi legalmente transferido, fica caracterizada a omissão de rendimentos, apta a ensejar o lançamento escorreitamente levado a efeito pela fiscalização. Sob esses termos, não há levantar as supostas "impossibilidade da aplicação da presunção no caso em comento" ou "inexigência do tributo com base em depósitos bancários / transação bancária", muito menos que "é sabido [sic] ainda que as transferências de eletrônicas de numerário não geram base documental", pois as normas vigentes contemplam tal possibilidade, valendo registrar que os precedentes citados pelo autuado na peça recursal estão há muito superados, tanto em âmbito administrativo quanto em sede judicial. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10830.007658/200899 Acórdão n.º 2202004.839 S2C2T2 Fl. 149 5 Não obstante tais considerações, e assentado estarem associados os créditos sob discussão ao recorrente, necessário notar que foi trazido na peça recursal questionamento quanto à possível duplicidade dos lançamentos. Conforme sumarizado na tabela mais acima, a fiscalização considerou os extratos de fls. 06/07 representando crédito de USD 50 mil em 01/03/2004, e os extratos de fls. 08/09 como sendo referente a outro crédito de USD 50 mil na mesma data. Compulsando tais extratos, cumpre reconhecer que no extrato de fls. 06/07, consta na caixa "direction" a palavra "book", o que representa o agendamento/reserva de quantia para lastrear uma transferência, ao menos a uma primeira vista. Em confirmação desse entendimento, reparese que não consta no documento a identificação do beneficiário da operação ("BEN_ID"), visto que tal documento não é representativo da operação de transferência de fundos. Cotejando esse extrato com o de fls. 08/09, podese notar significativas diferenças, visto que esse possui a caixa "direction" preenchida com a palavra "outgoing", representando a efetivação da saída bancária ("bank outgoing"). E só nesse documento estão apresentados os dados relativos ao beneficiário/destinatário, nos campos "BEN_ID", "BNP_AD_LN1_TX". Ainda, também consta desse último extrato a forma como se processou a saída bancária, ou seja, via "wire transfer", transferência eletrônica de fundos equivalente aos nossos "ted" e "doc". Tal informação, ressaltese, não consta do extrato do "book" (reserva). Ponderando tais relevantes e coerentes indícios, há que se reconhecer tratarem os documentos em evidência de uma única operação bancária de transferência de USD 50 mil para o banco/casa de câmbio uruguaia Lespan S.A. Nesse rumo, cumpre exonerar parcialmente o auto de infração do valor de R$ 145.385,00 equivalente a USD 50 mil em 01/03/2004, conforme fl. 40 do Termo de Verificação Fiscal. Noutro giro, devem ser rejeitadas as aduções no sentido de que seria "imprescindível a comprovação do efetivo dispêndio", posto tratarse de matéria já sumulada no âmbito do CARF, conforme o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Por sua vez, a imputação da multa de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização, visto que o contribuinte não cumpriu suas obrigações tributárias, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Sua aplicação, portanto, é mera decorrência da legislação, e coerente com a constatação da autoridade fiscal no particular, ou seja, não haver sido pago o tributo devido. E, no tocante às alegações de caráter confiscatório dessa multa, não devem elas prosperar, por ingressarem na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, Fl. 151DF CARF MF 6 o art. 44 da Lei nº 9.430/96, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como remate, registrese que a incidência de juros de mora, face ao inadimplemento do tributo no prazo de regência, dáse por força de expressa previsão legal contida nos arts. 13 da Lei nº 9.065/95, e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, sendo irrelevante qualquer conjetura acerca do aspecto volitivo da conduta do contribuinte para sua aplicação. Não bastasse, a matéria já foi sumulada pelo CARF, valendo trazer à colação o enunciado em referência: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para fins de excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 145.385,00. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13770.000692/2003-78
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
DEPENDENTES. DEDUÇÃO.
Apenas poderão configurar como dependentes para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte aqueles que se enquadrarem nas hipóteses previstas na legislação de regência, desde que comprovada essa condição através de documentação hábil e idônea.
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
Somente pode ser deduzida na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte a pensão alimentícia decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, desde que seu pagamento esteja comprovado mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-000.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 15.445,72.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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DEDUÇÃO. Apenas poderão configurar como dependentes para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte aqueles que se enquadrarem nas hipóteses previstas na legislação de regência, desde que comprovada essa condição através de documentação hábil e idônea. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Somente pode ser deduzida na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte a pensão alimentícia decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, desde que seu pagamento esteja comprovado mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 15.445,72. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 06 92 /2 00 3- 78 Fl. 170DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 76/84) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2000, onde se apurou: Dedução Indevida com Dependente, Dedução Indevida à Título de Despesas Médicas e Dedução Indevida à Título de Pensão Alimentícia Judicial. Conforme se extrai do relatório da decisão de primeira instância (efls. 102), o sujeito passivo foi intimado pela fiscalização para prestar esclarecimentos sobre os dados informados na declaração de ajuste anual do exercício 2000 e alegou que não teve conhecimento do Auto de Infração. Manifestou discordância do lançamento e solicitou prazo de 30 dias para reunir toda a documentação pertinente. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II, diante da manifestação do contribuinte, devolveu o processo à DRF/Vitória (ES) para que fosse anexado o Auto de Infração, dada ciência ao contribuinte do mesmo com abertura de novo prazo para impugnação, e anexado o documento de identidade do requerente. As providências solicitadas foram cumpridas pela Unidade de origem e não houve manifestação do interessado. O lançamento foi julgado procedente em parte pela 3ª Turma da DRJ/BSA, a qual manteve a dedução indevida de dependente e de pensão alimentícia conforme acórdão assim ementado (efls. 98/106): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000 Ementa: DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Não comprovada, mediante documentação hábil, a relação de dependência entre o sujeito passivo e a pessoa por ele informada como dependente na declaração de ajuste, a glosa deve ser mantida. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Comprovada a efetividade das despesas, restabelecese na declaração de ajuste anual a dedução correspondente, conforme estabelece a norma de regência. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Mantémse a glosa a este titulo, quando não comprovado o pagamento em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Cientificado da decisão de piso em 10/10/2006 (efls. 114), o contribuinte ingressou com recurso voluntário em 09/11/2006 (efls. 116/118) com os argumentos a seguir sintetizados: Quanto à dedução da dependente Andréia Santos Bahiense Moreira, não acatada pela DRJ por falta de documentação hábil, alega que na época incluiu sua filha como Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13770.000692/200378 Acórdão n.º 2002000.504 S2C0T2 Fl. 171 3 dependente, mesmo com a idade de 24 anos, pelo fato da mesma não ter renda própria, estar fazendo tratamento de saúde, estar se preparando para o vestibular, inclusive com sua entrada na faculdade no ano 2000. Relativamente à glosa de pensão alimentícia, indica a juntada da decisão judicial correspondente. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No que concerne à dedução de dependente, verificase que a decisão de piso manteve a glosa efetuada no lançamento conforme trecho a seguir reproduzido: Em relação à dedução com dependentes, da análise dos autos, constatase que o contribuinte não apresentou documentos para comprovar a relação de dependência entre ele e Andréia Santos Bahiense Moreira. Ademais, o sujeito passivo, para usufruir a dedução com tal dependente, que por possuir mais de 21 e até 24 anos, deveria provar, ainda, que a mesma cursava, no ano calendário 1999, instituição de ensino superior ou segundo grau profissionalizante. Assim, por absoluta falta de comprovação dos requisitos legais, há de manter a glosa com dependentes. De acordo com a Declaração de Ajuste Anual objeto do lançamento verifica se que o contribuinte informou o nascimento de Andréia Santos Bahiense Moreira em 04/09/1975 (efls. 55), de onde se conclui que ela iniciou o ano calendário 1999 com 24 anos de idade, tal como consta do recurso apresentado. De acordo com o art. 77, §2º, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, os filhos maiores de 21 anos podem ser considerados dependentes quando possuírem até 24 anos e ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Ocorre, contudo, que no caso concreto nenhum documento foi trazido pelo recorrente para comprovar que Andréia Santos Bahiense Moreira é, de fato, sua filha, possuía 24 anos em 1999 e cursava estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau à época, não cabendo, portanto, o restabelecimento dessa dependente. Cumpre ressaltar que todas as deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, por documentação hábil e idônea, a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do RIR/99, e que cabe ao contribuinte apresentar em sua defesa todos os documentos necessários à confirmação de suas alegações, conforme disposto no art. art. 15 do Decreto 70.235/72. Fl. 172DF CARF MF 4 Quanto à dedução de pensão alimentícia, extraise do art. 78 do RIR/99 que o valor pago pelo contribuinte a esse título somente pode ser deduzido em sua Declaração de Ajuste Anual se for decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e se estiver devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea. As pensões pagas por liberalidade não são dedutíveis por falta de previsão legal. No caso em tela os documentos trazidos pelo recorrente para contrapor a ausência de decisão judicial apontada pela DRJ demonstram que ele estava, de fato, obrigado ao pagamento de pensão alimentícia judicial a Tânia Mara dos Santos Moreira no ano calendário 1999 (efls. 120/125). Os comprovantes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras FUNSSEST e Câmara Municipal da Serra (efls. 132/135) comprovam o pagamento de pensão alimentícia no valor total de R$ 15.445,72 (R$ 4.799,06 e R$ 10.646,66, respectivamente), cabendo o restabelecimento da dedução correspondente. Impõese esclarecer que o valor de R$ 5.025,41 consignado no quadro 4 do comprovante de rendimentos da FUNSSEST inclui também a pensão retida sobre o 13o salário, a qual não é passível de dedução na Declaração de Ajuste. O 13º salário é tributado exclusivamente na fonte, não sendo incluído na base de cálculo anual. Por conseguinte, as retenções ocorridas sobre esses rendimentos também não podem ser consideradas dedutíveis nessa mesma base de cálculo. Dessa forma, o valor a ser considerado é o de R$ 4.799,06 informado no quadro 7. Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 15.445,72. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.721304/2013-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO.
As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. BENS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA.
As contraprestações de arrendamento mercantil contratado com instituição financeira não optante pelo Simples Nacional, domiciliada no País, admitem créditos da não cumulatividade da Cofins, desde que o bem objeto do arrendamento seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica contratante.
Numero da decisão: 3201-004.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. BENS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. As contraprestações de arrendamento mercantil contratado com instituição financeira não optante pelo Simples Nacional, domiciliada no País, admitem créditos da não cumulatividade da Cofins, desde que o bem objeto do arrendamento seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica contratante.
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente LIDER ALIMENTOS DO BRASIL S.A EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 13 04 /2 01 3- 78 Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10835.721304/201378 Acórdão n.º 3201004.337 S3C2T1 Fl. 3 2 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. BENS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. As contraprestações de arrendamento mercantil contratado com instituição financeira não optante pelo Simples Nacional, domiciliada no País, admitem créditos da não cumulatividade da Cofins, desde que o bem objeto do arrendamento seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica contratante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento da contribuição não cumulativa, que foi objeto de ação fiscal pela DRF de Presidente Prudente. Merecem transcrição fragmentos do relatório da decisão de primeira instância, que resumem o consubstanciado no Termo de Verificação Fiscal: A fiscalização da DRF elaborou o referido Termo, no qual explicou as glosas efetuadas e os cálculos indicando um crédito inferior ao pleiteado pela empresa. Em síntese, foram glosados os créditos relativos a despesas e gastos que não se enquadrariam no conceito legal de insumo, nem estariam relacionados na legislação de regência. Inicialmente, o Auditorfiscal assim entendeu: Como sobredito, esse crédito deve referirse a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Ou seja, é fundamental que o insumo seja utilizado na etapa laboral cujo resultado seja um produto objeto de comercialização pela empresa. Sob este entendimento, explicase as glosas: Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10835.721304/201378 Acórdão n.º 3201004.337 S3C2T1 Fl. 4 3 Portanto, foram glosados créditos calculados pela fiscalizada sobre elementos que, embora indispensáveis a sua logística produtiva, não sofreram desgaste ou perda de propriedades físicoquímicas em razão de contato direto com o produto em elaboração, tais como embalagens de transporte (pallets), vasilhame, dispêndios com empilhadeiras, materiais e serviços de limpeza e de laboratório. O mesmo raciocínio norteou as glosas incidentes sobre créditos calculados sobre o maquinário utilizado pela empresa, seja ele integrante de seu ativo imobilizado, objeto de aluguel ou de arrendamento mercantil, pois esta fiscalização entende que, muito embora a restrição "para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços" surja literalmente apenas no inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o intuito do legislador foi, claramente, restringir o aproveitamento de créditos apenas ao maquinário utilizado na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, independentemente da roupagem econômica através da qual o contribuinte incorpore tais bens ao seu processo produtivo. O entendimento contrário levaria à inadequada situação em que bastaria ao contribuinte evitar a ativação de suas máquinas, optando pelo arrendamento mercantil ou pelo simples aluguel, para ampliar sobremaneira suas possibilidades de creditamento. Com base nessas premissas, foram glosados créditos calculados às linhas 02 (Bens Utilizados como Insumos), 03 (Serviços Utilizados como Insumos), 06 (Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica), 07 (Despesas de Armazenagem e Frete na Operação de Venda), 08 (Despesas de Contraprestações de Arrendamento Mercantil), 10 (Sobre Bens do Ativo Imobilizado Com Base no Valor de Aquisição ou de Construção) e 12 (Devoluções de vendas sujeitas às alíquotas não cumulativas). Nesse último caso, as devoluções objeto de glosa referemse a retorno de mercadorias não oneradas nas antecedentes saídas, caso do leite resfriado ou prébeneficiado, objeto de suspensão tributária, como será explanado mais adiante. Ainda tratando dos créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado, porém mais especificamente no que respeita aos dispêndios com edificações (aproveitados no prazo de 24 meses com base no custo de aquisição ou de construção), foi realizada a glosa integral dos créditos calculados pelo contribuinte, em razão da inobservância do disposto no artigo 6°, caput e parágrafos 5° e 6°, da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Além disso, a autoridade fiscal também informou que outro procedimento considerado irregular por esta fiscalização reportase ao aproveitamento de crédito básico sobre a aquisição de leite resfriado e leite prébeneficiado. Explicou que a Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, em seu artigo 8º admite a apuração de créditos presumidos sobre a Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10835.721304/201378 Acórdão n.º 3201004.337 S3C2T1 Fl. 5 4 aquisição de insumos destinados a produção de mercadorias para à alimentação humana ou animal: Em suma, a venda de leite por fornecedor que exerça as atividades de resfriamento, transporte e venda a granel de leite in natura é efetuada, obrigatoriamente, com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins quando o comprador dessa mercadoria apurar o IRPJ com base no lucro real, exercer atividade agroindustrial e utilizar esse leite como insumo na produção de diversos alimentos, dentre eles o leite e seus derivados industrializados. Ademais, percebese que os três requisitos citados no parágrafo anterior são supridos pela fiscalizada, visto que: 1) seu imposto de Renda Pessoa Jurídica é apurado com base no lucro real; 2) sua atividade econômica é considerada agroindustrial, pois produz mercadorias arroladas nos incisos do caput do citado artigo 5o e não se encontra dentre as excludentes do artigo 2o da Lei 8.023, de 12 de abril de 1990;e 3) os insumos em comento são efetivamente aplicados na produção dessas mercadorias. Por fim, quanto aos créditos presumidos, assim se reportou: Portanto, não há que se falar em apuração de crédito básico (100% da alíquota) para tais aquisições, apenas sendo admitida a constituição de crédito presumido, à proporção de 60% das alíquotas nãocumulativas dos dois tributos em apreço. Já os créditos calculados sobre o transporte do leite pré beneficiado e resfriado não foram reclassificados para o presumido. Tais créditos foram integralmente glosados, pois não há previsão legal para aproveitamento de créditos presumidos sobre o transporte dessas mercadorias. Cientificada do Despacho Decisório que deferiu parcialmente o seu pleito, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14057.045, de 26/02/2015, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeitos da apuração de créditos a serem descontados da contribuição pela sistemática da não cumulatividade, consideramse insumos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações , tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10835.721304/201378 Acórdão n.º 3201004.337 S3C2T1 Fl. 6 5 Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual alega, em apertada síntese, o seguinte: a) Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos: transfere de uma unidade para outra sua matéria prima ou subproduto dele para devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após devido tratamento o torna apto ao consumo e acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade; b) Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados: os gastos relativos à higienização na produção de alimentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois pertinentes e viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, direta ou indiretamente empregados, cuja subtração importa na impossibilidade da mesma prestação de serviço ou produção, implicando substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes; c) Materiais de Embalagem: os materiais de embalagem glosados pela Fiscalização e mantidos pelo Acórdão recorrido são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado. Todos os materiais utilizados para a embalagem acabam compondo o produto final da empresa, sendo de suma importância que o produto comercializado tenha sua integridade garantida até sua entrega definitiva. Convém esclarecer que todas as embalagens estão em contato direto com o produto e nenhuma delas retorna para a empresa. Assim, é evidente que a sua utilização é indispensável para o processo de geração de receitas, gerando custos a cada etapa, o que lhe assegura direito ao crédito pretendido; d) Arrendamento mercantil: a lei em momento algum especifica que os custos com contraprestações de arrendamento mercantil devem estar intrinsecamente ligados ao processo de produção, este considerado enquanto um bem que se integra ao produto final objeto da atividade da empresa. Os bens e veículos objeto de arrendamento mercantil formalizado pela Recorrente integram e são essenciais à viabilidade da atividade da empresa como um todo, sem o qual, ainda que indiretamente, o processo de produção fica inviabilizado; e) Crédito presumido de lenha de eucalipto adquirido de pessoas físicas: lenha é utilizada como combustível no processo de produção, compondoo de forma essencial e direta, portanto, não há dúvidas de que faz parte do processo em se tratando de insumo diretamente ligado e consumido no processo de produção da Recorrente, a teor dos atos normativos destacados, ainda que adquiridos de pessoas físicas, em conformidade com a Lei 10.935/04 e IN 660/06 é legitimo o direito creditório em tela. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.324, de Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10835.721304/201378 Acórdão n.º 3201004.337 S3C2T1 Fl. 7 6 24/10/2018, proferido no julgamento do processo 10835.721176/201443, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.324): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. (...) Deferido em parte o pedido e apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua procedente em parte, daí o recurso voluntário, ora apreciado. Dos Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos A Recorrente sustenta que transfere de um dos seus estabelecimento para outro matéria prima ou subproduto dela para o devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após o devido tratamento, tornaa apta ao consumo e a acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade Ora, a própria RFB consolidou o entendimento de que as despesas com frete no transporte de insumos incorporamse ao custo do produto adquirido, tal como prevê a Solução de Divergência nº 7 Cosit, de 23 de agosto de 2016: NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10835.721304/201378 Acórdão n.º 3201004.337 S3C2T1 Fl. 8 7 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. Como deixa cristalino a Solução de Divergência e mesmo se extrai do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para que se permita a apropriação do créditos sobre o frete pago no transporte do insumo adquirido, há que se ter a aquisição do insumo, operação a que não corresponde a mera transferência de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa. No caso, há a remessa de produtos em elaboração de um para outro estabelecimento da mesma empresa, no qual será submetido a um processo de industrialização – a um custo específico, que, portanto, incorporase ao produto final – , tornandoos aptos ao consumo e os acondicionando para posterior revenda. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10835.721304/201378 Acórdão n.º 3201004.337 S3C2T1 Fl. 9 8 Nesse contexto, temos entendido possível o creditamento, em sintonia com o que decidido pela 3ª Turma da CSRF: DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. (Acórdão nº 9303007.285, de 15/08/2018) Dos Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados Aqui, a Recorrente contesta o acórdão recorrido, ao fundamento de que os gastos relativos à higienização na produção de alimentos – no seu caso, a fabricação de laticínios – podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois, além de pertinentes, viabilizam o processo produtivo e cuja subtração implicando substancial perda de qualidade do produto. É evidente que, sendo a Recorrente fabricante de produtos laticínios, submetese a rigoroso controle de higienização e limpeza durante todo o seu processo produtivo. Assim, faz jus aos créditos sobre os produtos ou serviços que adquire para viabilizálo. A jurisprudência administrativa é remansosa a respeito do tema. Entre outras: REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. (Acórdão nº 3401004.896, de 21/05/2018) PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS NA ASSEPSIA E HIGIENIZAÇÃO DOS TANQUES DE TRANSPORTE DE LEITE, SILOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Os produtos químicos utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite caminhões, silos e equipamentos industriais são considerados essenciais à atividade/produção do sujeito passivo, eis ser obrigatória a referida assepsia para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado. O que, por conseguinte, há de se considerar a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com a aquisição dos referidos produtos químicos, em respeito à prevalência do critério da essencialidade para fins de conceituação de insumo para a geração do direito ao referido crédito. (Acórdão nº 9303005.652, de 19/09/2017) Dos Materiais de Embalagem Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10835.721304/201378 Acórdão n.º 3201004.337 S3C2T1 Fl. 10 9 Dizse que os materiais de embalagem glosados são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. A glosa teve por fundamento o fato de que os gastos com embalagem somente poderiam ser considerados insumos quando incorporada ao produto em fabricação ou quando sofre alteração em suas propriedades, de modo que as embalagens destinadas a apenas proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito de PIS/Cofins. A propósito do tema, a 3ª Turma de CSRF já entendeu que as embalagens destinadas a viabilizar a preservação de suas características durante o seu transporte e cuja falta pode torná lo imprestável à comercialização devem ser consideradas como insumos utilizados na produção. É o que se decidiu no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 9303004.174, de 05/07/2016, de relatoria da il. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, assim ementado: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito da Cofins pela sistemática não cumulativa. No voto condutor do acórdão, a relatora reproduziu, em apoio à sua tese, aresto proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, o qual abraçou idêntico entendimento: PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – PIS/COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Agravo regimental improvido. (g.n.) (STJ, Rel. Humberto Martins, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.125.253 SC, julgado em 15/04/2010) Ressaltamos, também, o fato de que a própria RFB parece indicar uma alteração de entendimento (conceito próprio da legislação do IPI), uma vez que, na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, após a reprodução dos atos legais e infralegais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de insumos, incluemse os bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confirase: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10835.721304/201378 Acórdão n.º 3201004.337 S3C2T1 Fl. 11 10 serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n.) Ademais, e parecenos isso de fundamental importância, não obstante o conceito de insumos, para os fins da incidência do IPI, compreenda apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem, a legislação deste imposto faz uma expressa distinção entre o que é embalagem de apresentação e o que é embalagem para o transporte, de forma que a permitir o crédito apenas sobre a aquisição da primeira, mas não da segunda, consoante preconiza do art. 3º, parágrafo único, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964 (regra matriz do IPI): Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; (g.n.) Norma semelhante, contudo, não existe nos diplomas legais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo. Assim sendo, devem ser considerados insumos na sistemática não cumulativa do PIS/Cofins os materiais de embalagem utilizados no acondicionamento e transporte do produto Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10835.721304/201378 Acórdão n.º 3201004.337 S3C2T1 Fl. 12 11 acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. Do Arrendamento mercantil Sustenta, noutros termos, que a legislação de regência não determina que o bem objeto do arrendamento mercantil deve estar intrinsecamente ligado ao processo produtivo. Assim, os bens e veículos objeto de arrendamento mercantil formalizado pela Recorrente seriam, no seu entender, essenciais à viabilidade da atividade da empresa como um todo, sem o qual, ainda que indiretamente, o processo de produção fica inviabilizado. A matéria encontrase disciplinada no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, na forma seguinte: Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 3º. O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: (...) II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. (g.n.) A fiscalização explicou a glosa na forma seguinte: Portanto, foram glosados créditos calculados pela fiscalizada sobre elementos que, embora indispensáveis a sua logística produtiva, não sofreram desgaste ou perda de propriedades físicoquímicas em razão de contato direto com o produto em elaboração, tais como embalagens de transporte (pallets), vasilhame, dispêndios com empilhadeiras, materiais e serviços de limpeza e de laboratório. O mesmo raciocínio norteou as glosas incidentes sobre créditos calculados sobre o maquinário utilizado pela empresa, seja ele integrante de seu ativo imobilizado, objeto de aluguel ou de arrendamento mercantil, pois esta fiscalização entende que, muito embora a restrição "para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços" surja literalmente apenas no inciso VI do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o intuito do legislador foi, claramente, restringir o aproveitamento de créditos apenas ao maquinário utilizado na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, independentemente da roupagem econômica através da qual o contribuinte incorpore tais bens ao seu processo produtivo. (g.n.) Contudo, o legislador não restringiu o tipo de bem objeto do arrendamento mercantil, mas apenas exigiu que seja utilizado nas atividades realizadas pela pessoa jurídica, não diretamente utilizadas na produção de bens ou na prestação de serviços. Assim, por exemplo, os gastos com o arrendamento de um caminhão utilizado na entrega dos produtos fabricados por uma indústria, ainda que não diretamente utilizados na produção, podem ser considerados créditos na sistemática não cumulativa de PIS/Cofins. Vejam, a propósito, como dispôs, nos fundamentos, a Solução de Consulta nº 205 Cosit, de 24/04/2017: Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10835.721304/201378 Acórdão n.º 3201004.337 S3C2T1 Fl. 13 12 6. O que tais diplomas legais estabelecem é a possibilidade de se descontar créditos relativos aos valores pagos a título de “contraprestações de operações de arrendamento mercantil”. Nenhuma imposição quanto ao objeto do arrendamento é fixada pela legislação. Portanto, nenhum óbice existe em relação a arrendamento mercantil de veículo, desde, naturalmente, que ele seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica. 6.1 Evidentemente, devem ser observados todos os demais requisitos normativos e legais atinentes à espécie, entre outros, a exigência de que tais valores sejam pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, e que tal pessoa jurídica não seja optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). Assim, a nosso juízo, os gastos com o arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa geram o direito ao crédito do PIS/Cofins. Do Crédito presumido de lenha de eucalipto adquirido de pessoas físicas Sustenta a Recorrente, neste tópico do recurso, que a lenha é utilizada como combustível no processo de produção, compondoo de forma essencial e direta, de forma que, ainda que adquiridos de pessoas físicas, é legitimo o direito creditório, em conformidade com a Lei 10.925, de 2004, e Instrução Normativa RFB nº 660, de 2006. Bem, o que se vê do Termo de Verificação Fiscal, anexado às fls. 291 e ss., é que, quando a fiscalização tratou do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, fêlo apenas com relação à aquisição de leite, conforme comprovam alguns de seus parágrafos, onde o tema é tratado: (...) (...) No concernente ao tema, apenas a afirmação, no voto condutor do acórdão recorrido, de que a aquisição de produto desonerado não pode gerar o direito ao crédito básico de PIS/Cofins. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10835.721304/201378 Acórdão n.º 3201004.337 S3C2T1 Fl. 14 13 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 718DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.901851/2014-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Relatório
A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais.
O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional.
Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08-038.804.
Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior.
Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa:
* Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios.
* Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ.
* Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003.
* Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma:
"O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência).
Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)."
* Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS.
* Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível dependendo do caso questionar a constitucionalidade da lei.
* As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico.
É o relatório.
Voto
Conselheiro Waldir Navarro Bezerra
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido n Resolução 3402-001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/2014-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402-001.475):
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais. O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08-038.804. Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior. Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível dependendo do caso questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido n Resolução 3402-001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/2014-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. 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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 01 85 1/ 20 14 -7 4 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13839.901851/201474 Resolução nº 3402001.480 S3C4T2 Fl. 3 2 O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08038.804. Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior. Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guardamóveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PISCOFINS: artigos 149, 195, I "b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regramatriz de incidência: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da nãocumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13839.901851/201474 Resolução nº 3402001.480 S3C4T2 Fl. 4 3 de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível – dependendo do caso – questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/201427, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.475): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Da necessidade de diligência para julgamento do recurso Como observado pela 5ª Turma da DRJ/FOR em decisão recorrida, a análise da questão está relacionada à classificação das comissões pagas a representantes comerciais como insumos, que geram direito ao crédito das contribuições, ou como despesas necessárias à atividade da empresa, sem vinculação ao processo produtivo e incapazes de gerar crédito na sistemática nãocumulativa. Assim alega a Contribuinte: i) Que é pessoa jurídica de direito privado e, na consecução de suas atividades comerciais, procede à contratação de representantes comerciais para escoamento de sua produção própria, sendo que tal modalidade de venda representa aproximadamente 87% do faturamento. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13839.901851/201474 Resolução nº 3402001.480 S3C4T2 Fl. 5 4 ii) Que a função desempenhada por tais representantes é notadamente imprescindível para sua cadeia produtiva, na medida em que estes são responsáveis pela intermediação dos negócios, com a prospecção de clientes e desenvolvimento do mercado, assim como participam diretamente no processo negocial, lançando os pedidos aceitos no sistema e formatando as cargas. Além do mais, frequentemente efetua a contratação do transporte das mercadorias vendidas. iii) Em razão do critério da essencialidade, é incontestável que os valores desembolsados quanto à atividade realizada pelos representantes comerciais devem ser entendidos como insumo na cadeia de produção e vendas dos produtos que fabrica, conformando base de cálculo para a assunção de créditos escriturais relativos às contribuições destinadas ao Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), já que está sujeita à sistemática de apuração nãocumulativa das referidas contribuições. Outrossim, a Recorrente apresenta em razões de recurso, o seguinte comparativo entre empresas que não possuem representantes comerciais, em especial no tocante ao direito de crédito: (i) – as pessoas jurídicas sem representante comercial terão 100% da receita para si; (ii) – já aquelas que se utilizam dos representantes não terão 100% das receitas para si, uma vez que uma parte ficará com eles a título de comissão, sendo de total plausibilidade assim o crédito par a bater PIS e COFINS. Constatase que o fundamento pelo qual a DRJ/FOR julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade se atém ao critério estabelecido pelo artigos 2º e 3º, II da Lei nº 10.637/2002, bem como da INSRF nº 247/2002. Vejamos: No presente caso, as comissões pagas aos representantes comerciais não podem ser consideradas como aplicadas ou consumidas diretamente na fabricação de bens destinados à venda. Tampouco podem ser considerados serviços adquiridos de pessoas jurídicas para a consecução das atividades principais da empresa. Assim, as comissões pagas aos representantes comerciais são despesas que não se caracterizam como insumos, não sendo admissível, portanto, a apuração de créditos relativamente a esses dispêndios. Este também é o entendimento da Solução de Consulta nº 98, da SRRF07/Disit, transcrito abaixo: (...) 17. Dessa forma, os bens e serviços que forem necessários ou essenciais para o desempenho da atividade da empresa mas que não puderem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços não se caracterizam como “insumos”, não sendo admissível, portanto, a apuração de créditos relativamente a esses dispêndios. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13839.901851/201474 Resolução nº 3402001.480 S3C4T2 Fl. 6 5 18. Isso distingue os “insumos” das despesas dedutíveis para efeitos de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, que, de acordo com o art. 299 do Decreto nº. 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), são todas aquelas despesas necessárias, usuais e normais para as operações da empresa. (...) Isso posto, julgo improcedente a manifestação de inconformidade. Inicialmente, consignase que o contribuinte do PIS e da COFINS nãocumulativos, segundo as Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04, tem direito de tomar créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como “insumos” na fabricação de produtos destinados à venda. De fato havia divergências quanto ao conceito de insumos aplicável às contribuições sociais. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça concluiu através do julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170 PR, processado em sede de recurso representativo de controvérsia, que o conceito de insumo, para efeito de tomada de crédito das contribuições na forma dos artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Por este precedente, o STJ declarou a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 247/2002, invocada para fundamentar a decisão recorrida, bem como declarou a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, as quais restringiam o direito de crédito aos insumos que fossem diretamente agregados ao produto final, ou que se desgastassem com o contato físico com o produto ou serviço final. Outrossim, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou em data de 03/10/2018 a Nota Explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, aceitando o conceito de insumos para crédito de PIS e Cofins fixado pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme Ementa abaixo transcrita: Documento público. Ausência de sigilo. Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13839.901851/201474 Resolução nº 3402001.480 S3C4T2 Fl. 7 6 Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Em síntese, "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, são "todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes". Os critérios em referência devem ser aplicados casuisticamente, utilizandose do chamado “teste de subtração” do insumo, de modo a verificar a imprescindibilidade e a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Neste sentido, transcrevo os itens 14 a 17 da SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF: "14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotara m a interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele i tem – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste d e subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques." Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13839.901851/201474 Resolução nº 3402001.480 S3C4T2 Fl. 8 7 Superada a discussão em referência, cabe a análise quanto à configuração da essencialidade ou relevância do representante comercial às atividades desenvolvidas pela empresa. Através do atos constitutivos, é possível verificar que a Recorrente tem por objeto social as seguintes atividades: Constatase, ainda, como atividade econômica principal a fabricação de artefatos de cimento para uso na construção (CNAE 23 30302) e, por atividade econômica secundária a seguinte descrição: CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS 52.11799 Depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guardamóveis 46.79604 Comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente 23.49401 Fabricação de material sanitário de cerâmica 47.44001 Comércio varejista de ferragens e ferramentas 28.13500 Fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios Por sua vez, a Contribuinte argumenta desde a Manifestação de Inconformidade que mais de 80% (oitenta por cento) das vendas de produtos que comercializa ocorre por meio de representantes comerciais autônomos, que assumem papel imprescindível na consecução da atividade comercial da empresa, representando esta modalidade de venda em aproximadamente 87% (oitenta e sete por cento) do seu faturamento. Não obstante os fundamentos que embasam as razões recursais, o fato é que neste processo administrativo não há nenhuma prova que ateste a essencialidade da representação comercial na atividade da empresa Recorrente. Todavia, considerando a recente decisão proferida em sede de repercussão geral pelo Superior Tribunal de Justiça, resultando na incidência do artigo 62, § 2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, em atenção à busca pela verdade material, fazse necessária a realização de diligência para uma melhor compreensão sobre as características da atividade desenvolvida pela empresa, possibilitando identificar se as despesas em análise configuram insumos que permitam o direito ao crédito em análise. Por tais motivos, nos termos previstos pelo artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Autoridade Fiscal da Unidade de Origem intime a Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13839.901851/201474 Resolução nº 3402001.480 S3C4T2 Fl. 9 8 Contribuinte para apresentar nos autos a comprovação de que os serviços prestados por representantes comerciais em sua atividade empresarial são essenciais e relevantes, em especial: Notas Fiscais, Balanço Analítico, Livros Diário e Razão, bem como demais documentos que se fizerem necessários para a elucidação sobre o objeto deste litígio. Com a apresentação dos documentos pela Contribuinte e elaboração de Relatório Fiscal com os esclarecimentos necessários pela Autoridade Fiscal, intimar a Recorrente e a Fazenda Nacional do resultado da diligência para, querendo, se manifestarem no prazo de 30 (trinta) dias. Após as providências acima, com ou sem manifestação, retorne os autos a este Colegiado para julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal da Unidade de Origem intime a Contribuinte para apresentar nos autos a comprovação de que os serviços prestados por representantes comerciais em sua atividade empresarial são essenciais e relevantes, em especial: Notas Fiscais, Balanço Analítico, Livros Diário e Razão, bem como demais documentos que se fizerem necessários para a elucidação sobre o objeto deste litígio. Com a apresentação dos documentos pela Contribuinte e elaboração de Relatório Fiscal com os esclarecimentos necessários pela Autoridade Fiscal, intimar a Recorrente e a Fazenda Nacional do resultado da diligência para, querendo, se manifestarem no prazo de 30 (trinta) dias. Após as providências acima, com ou sem manifestação, retorne os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 130DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.908736/2012-40
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2010
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS.
Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO.
As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes de revisão e ajuste dos critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, em face da análise periódica sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins e para o Programa de Integração Social - PIS da pessoa jurídica sujeita ao Regime Tributário de Transição - RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007.
Numero da decisão: 3001-000.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2010 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes de revisão e ajuste dos critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, em face da análise periódica sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins e para o Programa de Integração Social - PIS da pessoa jurídica sujeita ao Regime Tributário de Transição - RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007.
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JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes de revisão e ajuste dos critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, em face da análise periódica sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e para o Programa de Integração Social PIS da pessoa jurídica sujeita ao Regime Tributário de Transição RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 87 36 /2 01 2- 40 Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10580.908736/201240 Acórdão n.º 3001000.532 S3C0T1 Fl. 490 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1467.526, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO que, em sessão de julgamento realizada no dia 20.06.2017, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no Per/Dcomp 41700.54718.251111.1.3.040006. Da síntese dos fatos Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 56 a 60), verbis: Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/01/2010, no valor de R$ 48.441,74, transmitida através do PER/Dcomp nº 41700.54718.251111.1.3.040006. A DRF Salvador não homologou a compensação por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 43, já que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em 18/12/2012 (fl. 44), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2/5, em 16/01/2013, para alegar que teria revisado a apuração do débito de Cofins no Dacon e constatado que teria deduzido a menor os créditos decorrentes de encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado. Defendeu que a divergência teria ocorrido, pois não teria observado o Regime Tributário de Transição, tendo revisado a vida útil econômica estimada dos bens e o saldo residual do ativo imobilizado, com amparo no Parecer Normativo nº 1, de 29 de julho de 2011. Alegou que teria retificado a DCTF e o Dacon intempestivamente, motivo pelo qual o crédito não teria sido visualizado à época da emissão do despacho decisório. Concluiu, para requerer a homologação da compensação. Juntou cópia do Dacon e da DCTF. É o relatório. Da ementa da decisão recorrida Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10580.908736/201240 Acórdão n.º 3001000.532 S3C0T1 Fl. 491 3 A 5ª Turma da DRJ/RPO, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2010 DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, conforme depreendese do "TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO COMUNICADO" (efl. 63), conheceu do teor do acórdão vergastado em 20.07.2017, razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, em 17.08.2017, conforme depreendese do "TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" (efls. 65/66), registra a juntada do presente recurso voluntário (efls. 67 a 75), acompanhado dos anexos 01 a 05 (efls. 76 a 487). Do recurso voluntário Após tomar ciência da decisão vergastada, o recorrente comparece uma vez mais aos autos para, em sede de recurso voluntário, pleitear a reforma do acórdão. Nesta referida petição recursal limitase a repisar os argumentos apresentados na sua manifestação de inconformidade, e apresenta, dentre outros, o denominado "anexo 05", que tratase da "RELAÇÃO DOS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO POR CONTA E CENTRO DE CUSTO", referente ao mês janeiro de 2010, extraído em 21.03.2011. Diante do alegado, requer sejalhe dado provimento, reconhecendose seu direito creditório e homologandose a compensação objeto do presente processo. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao CARF em 28.08.2017 (efl. 488), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10580.908736/201240 Acórdão n.º 3001000.532 S3C0T1 Fl. 492 4 Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado aos autos em 17.08.2017, depois da ciência do acórdão recorrido, ocorrida em 20.07.2017; portanto, a petição recursal é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Do pedido de diligência No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligência ou perícia requeridas. A teor do disposto no artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Ou seja, a perícia ou a diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. No presente caso, conforme se verá, não há questão de fato a ser elucidada. Assim, concluo pelo seu indeferimento. Do mérito Reprisando o que já havia argumentado em sua manifestação de inconformidade, o Recorrente reafirma que "a correção da obrigação acessória teve por objetivo atender ao disposto na legislação tributária, especialmente, no tocante ao capítulo 87, Anexo I, da Instrução Normativa nº 162, de 31 de dezembro de 1998, em consonância ao disposto nos itens 29 e 31 do Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29 de julho de 2011, fato que resta comprovado através da análise das taxas de depreciação contidas nos controles patrimoniais da Recorrente (anexo 05)". A 5ª Turma da DRJ/RPO proferiu decisão nos termos acima indicados, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. De plano, não assiste razão ao Recorrente, uma vez que, como corretamente concluiu o voto condutor do acórdão recorrido, a justificativa para o não atendimento de seu pleito e consequente não reconhecimento do suposto direito creditório assentase tão somente no fato de que o Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29.06.2011, ao tratar das "diferenças no cálculo da depreciação dos bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10580.908736/201240 Acórdão n.º 3001000.532 S3C0T1 Fl. 493 5 pela Lei nº 11.941, de 2009" concluiu textualmente, em seu item 32.1., que "não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007". Nestes termos, é despicienda a trazida da documentação que demonstra os "controles patrimoniais" do Recorrente, notadamente seu "anexo 05", uma vez que não está aqui tratandose de questão de ordem fática, mas sim jurídica, donde o Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29.06.2011, em que o próprio Recorrente arrimase para defender seu pleito, uma vez que confirma que agiu em conformidade com os seus ditames, observou que "não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007". Dessa forma, concluo não haver qualquer reparo quanto ao decidido pela instância a quo, ao concluir que "não merecem prosperar as alterações propostas pelo interessado", quando da retificação das informações prestadas no "Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais" Dacon e na "Demonstração de Débitos e Créditos Tributários Federais" DCTF. Ademais, por oportuno, saliento que o fato de a decisão recorrida mencionar "que não foi apresentada qualquer documentação contábil e fiscal que comprovasse a alteração do cálculo dos encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado", somente vem reforçar o entendimento acima exposto; qual seja, no sentido que de a questão em trato é de obediência à legislação aplicável às pessoas jurídicas sujeitas ao "Regime Tributário de Transição" RTT, sendo irrelevante, assim como o foi para se chegar à conclusão dada pelo Colegiado recorrido, a apresentação ou não de sua documentação contábil e fiscal, uma vez que esta somente objetivava corroborar as alegações do Recorrente, feitas naquele momento processual, mas como deixou evidenciado o acórdão vergastado, a motivação para o indeferimento do pleito recursal transcendeu qualquer razão de ordem fática e/ou probatória, conforme já assentado alhures. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 493DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.900453/2009-88
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 53 /2 00 9- 88 Fl. 147DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 02/06, de n. 29007.89512.260905.1.3.047914, de 26/09/2005, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ 2362 (abril de 2004). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 821063538, 18/02/2009 (efl. 08), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizado para quitação de débito declarado, bem como determinou a não homologação da DCOMP em análise. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade assim resumida na decisão de primeira instância (efls. 11/22): O contribuinte tomou ciência do referido despacho decisório, via correio, em 05/03/2009 (fl. 09) e, em 06/04/2009, apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: a) apresentou DCTF, referente ao IRPJ (código 2362), tendo indicado como devido o montante de R$266.473,30,referente à competência do mês de abril de 2004, cujo valor foi devidamente recolhido através de um DARF do mesmo valor, acrescido de multa (R$53.294,66) e juros (R$26.647,33) (fl. 49). Entretanto, o manifestante incorreu em equívoco no preenchimento da DCTF, eis que o valor efetivamente devido correspondia a R$228.841,61; b) considerando o valor recolhido, confrontado com o montante efetivamente devido, restaria evidenciado um crédito de R$ 7.631,69, o que inclui os acréscimos moratórios pagos, também indevidamente; c) a compensação em análise foi declarada utilizando o crédito original do recolhimento indevido, sem considerar o valor da multa, acrescido pela taxa referencial SELIC, totalizando R$ 41.929,22, para quitação de débitos perante a Receita Federal do Brasil, entretanto não foi homologada pela autoridade administrativa, eis que analisada com base em informações maculadas pelo equívoco cometido pelo manifestante; d) em 10/03/2009, o manifestante, tendo identificado o equívoco ocorrido, promoveu as alterações necessárias para evidenciação do real valor devido (cópia da DCTF, retificadora, às fl. 54/70), de acordo com a apuração já ajustada, de modo que no caso em exame o crédito tributário compensado pode ser comprovado e devidamente suportado; e) sendo verossímil o direito creditório e a verdade material, principio inafastável no âmbito do processo administrativo tributário, o direito à compensação efetuada pelo manifestante não poderá ser obstado em razão de mero equívoco de preenchimento da DCTF. O manifestante discorre ainda sobre a possibilidade de retificação de erro de preenchimento de declaração, em razão do principio da verdade material. Pede, ao final, a homologação integral dos procedimentos de compensação adotados e protesta Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10510.900453/200988 Acórdão n.º 1001000.882 S1C0T1 Fl. 148 3 por todos os meios de prova admitidos, para que seja apurada a veracidade dos fatos ora narrados, inclusive a conversão em diligência fiscal, se for julgada necessária e suficiente para demonstrar a verdade dos fatos e do direito. A Delegacia de Julgamento (Acórdão 1522.955 2ª Turma da DRJ/SDR, e fls. 104/108) julgou a manifestação de inconformidade improcedente por entender que o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado na declaração de ajuste anual, com fundamento na legislação tributária. Aduziu ainda que o momento adequado para o autuado apresentar as provas documentais era juntamente com a impugnação e aventou de forma genérica a possibilidade de diligência: Como se vê, o momento adequado para o autuado apresentar as provas documentais era juntamente com a impugnação. No caso presente, o autuado nem trouxe as provas que alega ter, nem logrou comprovar a impossibilidade de fazêlo por motivo de força maior, ou qualquer outro motivo citado no mencionado § 4°, portanto, temse prejudicada a aplicação do disposto no § 5° do art. 16 do PAF, acima transcrito, em face da preclusão nele prevista. Ademais, no caso presente, os elementos constantes dos autos são suficientes para formar a convicção deste julgador, a qual independe da realização de diligencia, hipótese esta aventada na manifestação de inconformidade de forma genérica. Quanto ao mérito, o contribuinte contesta o despacho decisório, alegando, em síntese, apresentou DCTF, referente ao IRPJ (código 2362), tendo indicado como devido o montante de R$266.473,30, referente à competência do mês de abril de 2004, cujo valor foi devidamente recolhido através de um DARF do mesmo valor, acrescido de multa (R$53.294,66)) e juros (R$26.647,33). Entretanto, o manifestante incorreu em equívoco no preenchimento da DCTF, eis que o valor efetivamente devido correspondia a R$228.841,61, o que resultou em crédito de R$37.631,69,, incluindo os acréscimos moratórios pagos, também indevidamente. O litígio do presente processo envolve a análise da liquidez e certeza do crédito objeto do pedido de compensação, referente ao suposto pagamento indevido da estimativa do IRPJ do mês de abril de 2004. Notese que o manifestante retificou cinco vezes a DCTF relativa ao primeiro trimestre de 2004 (fls. 87/ 92). Entretanto, apenas na última retificadora, a qual só foi apresentada em 10/03/2009, quando já havia tomado ciência do presente despacho decisório, que não homologou a compensação declarada, alterou o valor referente ao IRPJ estimativa de mês de abril de 2004, de R$266.473,30 para R$228.841,61. Para demonstrar a existência do crédito tributário informado no PER/DCOMP em análise, o impugnante deveria ter anexado à sua manifestação de inconformidade as provas documentais (escrituração contábil e fiscal) capazes de demonstrar o alegado equívoco cometido na apuração do valor de R$266.473,30,, Fl. 149DF CARF MF 4 recolhido a título de estimativa de IRPJ (código de receita 2362), referente ao mês de abril de 2004. Todavia, não o fez, não comprovando, portanto, tratarse de recolhimento a maior. Ou seja, não basta questionar graciosamente os argumentos do Fisco. Deve o interessado rebater de forma coerente e com meios de prova idôneos, nos termos dos artigos 15 e 16, inciso III e § 4°, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF). Somente os créditos líquidos e certos podem ser objeto de pedidos de restituição/compensação, conforme determina o art. 170 do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966), transcrito a seguir. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passiva contra a Fazenda pública. Notese que o entendimento predominante é de que existe uma impropriedade na expressão “pagamento por estimativa”, já que pagamento é forma de extinção do crédito tributário, fato que não se configura nos recolhimentos mensais por estimativa, que se traduzem por meras antecipações do tributo devido, a ser apurado definitivamente ao término do período definido na legislação. Portanto, como estimativa não configura crédito líquido e certo, não seria passível de compensação. O crédito passível de ser restituído ou compensado é aquele apurado no ajuste anual e demonstrado na declaração de rendimentos, na qual são considerados os valores devidos por estimativa, assim como o imposto devido em relação ao ano todo. Cientificada da decisão de primeira instância em 07/05/2010 (efl. 111) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 04/06/2010 (efl. 112), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e aduz: ainda que as informações constantes aos documentos fiscais, preenchidos pela própria Recorrente e apresentados ao Fisco Federal, não fossem consideradas suficientes, poderia, a qualquer momento, até o fim do processo administrativo de compensação (constituição definitiva do crédito ou homologação da operação pretendida), apresentar as provas necessárias a evidenciação dos fatos. a Administração Tributária, quando da aplicação de um juizo de valor em fase contenciosa da regular constituição do crédito tributário, deve valerse da realização de novos exames, mediante a conversão do julgamento em diligência fiscal, sempre que entender ser necessária a adoção desse procedimento, tendo em vista a complexidade dos assuntos envolvidos, agindo sempre em busca da verdade dos fatos. a jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuinte ratifica veementemente a relevância do postulado da verdade material, reiterando em diversos julgados Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10510.900453/200988 Acórdão n.º 1001000.882 S1C0T1 Fl. 149 5 o pagamento indevido constituise imediatamente quando o valor do recolhimento realizado supera o montante apurado, na forma da lei, para o respectivo crédito tributário. Pela análise da documentação acostada aos autos do processo, fica clara a ocorrência de recolhimento indevido (integramente) aos cofres públicos, no valor do DARF de R$ 37.631,39, (sem correção), designado ao período de apuração de abril de 2004, para o tributo classificado sob o código 2362. protesta por todos os meios de prova admitidos, que ao entendimento desta autoridade julgadora se faça necessário, mormente pela produção de prova documental suplementar para que seja apurada a veracidade dos fatos ora narrados, inclusive a conversão do feito em diligência fiscal, caso seja a mesma considerada necessária para a plena demonstração da verdade dos fatos e do direito. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN) como bem assinalou a decisão da Unidade de Origem (e fl. 08). Ou seja, a negativa de crédito deuse em função de que o pagamento correspondeu a débito devidamente declarado, conformes decisões da Unidade de Origem e de primeira instância (efls. 08 e 11/22). Desta forma faziase necessário demonstrar para a autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Mas o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (quando da apresentação da manifestação de inconformidade, efls. 11/21) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Ou seja, não se comprovou que a liquidez do alegado direito creditório (pagamento de estimativa de IRPJ de abril de 2004): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Fl. 151DF CARF MF 6 Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado foi indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que no caso em apreciação nesta segunda instância o recorrente não traz documentos que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Limitase, como na primeira instância, a sugerir diligência. Conforme disposto nos artigos 16 (em especial seus §§ 4º e 5º) e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade (efls. 11/14), pois operase o fenômeno da preclusão. Não cabe, desta forma, e nesta segunda fase recursal, diligência para colher provas que o contribuinte devia já ter juntado aos autos. Os créditos (que seriam líquidos e certos) alegados já eram do conhecimento do contribuinte, visto comporem o fundamento da manifestação de inconformidade dirigida à DRJ. Mas não anexou àquele recurso qualquer documentação contábil que corroborasse suas alegações. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10510.900453/200988 Acórdão n.º 1001000.882 S1C0T1 Fl. 150 7 § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Não cabe pedido de diligência para trazer aos Fl. 153DF CARF MF 8 autos documentos que deveriam ser juntados pelo recorrente, caso não comprove a impossibilidade de fazêlo (§ 4º do art. 16 c/c art. 18 do Decreto 70235/72). Adiciono que concordo com o asseverado na decisão de primeira instância de que a simples alegação de pagamento indevido de estimativa declarada (desacompanhada dos documentos contábeis que corroborem a afirmação de erro) não comprova a liquidez e certeza do alegado crédito, não sendo desta forma passível de compensação. O crédito passível de ser restituído ou compensado, no caso, seria aquele apurado no ajuste anual e demonstrado na declaração de rendimentos. Pelo exposto, voto por rejeitar proposta de diligência suscitada e negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 154DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720857/2017-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013
APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO.
São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformam-se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão).
CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO.
A cognição para verificar se a amortização do ágio é dedutível, passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR, de 1999; segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram-se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica.
ÁGIO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Inaceitável que o valor do ágio referente a outro investimento seja contabilizado como ágio de investimento pelo qual aquele foi permutado, sem que tenha sido feita a avaliação deste investimento recebido na permuta.
ÁGIO DE SI MESMA. AMORTIZAÇÃO. GLOSA.
Se os atos de reorganização societária consistiram em transferência de ações da autuada, a valor de mercado superior ao valor contábil, em sucessão familiar; na sequência tais ações foram atribuídas em aumento de capital, pelas pessoas físicas recebedoras, a empresa de sua propriedade, a qual, a seguir, foi incorporada pela autuada, a dedução do ágio gerado sobre as ações da autuada se configura como ágio dela mesma, não preenchendo os requisitos de dedutibilidade do art. 386 do RIR de 1999.
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO E ÁGIO COMO CUSTO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE.
Incabível a dedução do ágio como custo ou como despesa de amortização se o ágio é decorrente de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012, 2013
APLICAÇÃO DE JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICÁVEL.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Incidem juros de mora (com base na taxa Selic) sobre o crédito tributário constituído e a multa de ofício. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 108.
MULTAS DE OFÍCIO.
A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional; cabe à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível; o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 determina que no lançamento de ofício, serão aplicadas multas sobre imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, e multa exigida isoladamente sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488 de 15 de junho de 2007, no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano-calendário correspondente.
MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF Nº 105.
Se a autuação da multa isolada foi com base no art. 44, § 1º, IV da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação do art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, que c/c o art. 106, II c do Código Tributário Nacional - CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que reduziu o percentual da multa de 75% para 50%, não se aplica a Súmula Carf nº 105, a qual se refere à multa isolada de 75% com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012, 2013
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos e inexistindo razão que demande tratamento diferenciado, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
Numero da decisão: 1201-002.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor. Vencidos os conselheiros Gisele Barra Bossa (Relatora), Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli e Rafael Gasparello Lima que davam integral provimento ao recurso. Designada a conselheira Eva Maria Los para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio é dedutível, passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR, de 1999; segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontramse atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. ÁGIO. NÃO COMPROVAÇÃO. Inaceitável que o valor do ágio referente a outro investimento seja contabilizado como ágio de investimento pelo qual aquele foi permutado, sem que tenha sido feita a avaliação deste investimento recebido na permuta. ÁGIO DE SI MESMA. AMORTIZAÇÃO. GLOSA. Se os atos de reorganização societária consistiram em transferência de ações da autuada, a valor de mercado superior ao valor contábil, em sucessão familiar; na sequência tais ações foram atribuídas em aumento de capital, pelas pessoas físicas recebedoras, a empresa de sua propriedade, a qual, a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 57 /2 01 7- 12 Fl. 3364DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 3 2 seguir, foi incorporada pela autuada, a dedução do ágio gerado sobre as ações da autuada se configura como ágio dela mesma, não preenchendo os requisitos de dedutibilidade do art. 386 do RIR de 1999. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO E ÁGIO COMO CUSTO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a dedução do ágio como custo ou como despesa de amortização se o ágio é decorrente de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012, 2013 APLICAÇÃO DE JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICÁVEL. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Incidem juros de mora (com base na taxa Selic) sobre o crédito tributário constituído e a multa de ofício. Aplicável o teor da Súmula CARF nº 108. MULTAS DE OFÍCIO. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional; cabe à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível; o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 determina que no lançamento de ofício, serão aplicadas multas sobre imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, e multa exigida isoladamente sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488 de 15 de junho de 2007, no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano calendário correspondente. MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF Nº 105. Se a autuação da multa isolada foi com base no art. 44, § 1º, IV da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação do art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, que c/c o art. 106, II “c” do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que Fl. 3365DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 4 3 reduziu o percentual da multa de 75% para 50%, não se aplica a Súmula Carf nº 105, a qual se refere à multa isolada de 75% com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012, 2013 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos e inexistindo razão que demande tratamento diferenciado, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor. Vencidos os conselheiros Gisele Barra Bossa (Relatora), Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli e Rafael Gasparello Lima que davam integral provimento ao recurso. Designada a conselheira Eva Maria Los para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora (assinado digitalmente) Eva Maria Los Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente de autos de infração lavrados para exigir diferenças de IRPJ e CSLL, relativos aos anoscalendário de 2012 e 2013, conforme tabela abaixo: FLS Imposto /Contribuição Valor Juros Multa Multa Isolada TOTAL 2383/2394 IRPJ 81.195.443,08 36.035.706,55 60.896.582,30 34.996.909,83 213.124.641,76 Fl. 3366DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 5 4 2397/2408 CSLL 20.183.970,83 8.896.965,28 15.137.978,11 9.551.189,12 53.770.103,34 Soma 101.379.413,91 44.932.671,83 76.034.560,41 44.548.098,95 266.894.745,10 2. As diferenças de IRPJ e CSLL são devidas em razão da glosa de despesas com amortização de ágio relativo à operação de investimentos em Distel Holding S.A. (“DISTEL”) e Sistema Globo de Gravações Audiovisuais Ltda (“SIGLA”) e glosa de parcela do custo de aquisição correspondente ao ágio da Net Serviços de Comunicação S.A. (“NET”) e GB Empreendimentos e Participações S.A. (“GB”). No mais, a autoridade fiscal concluiu que houve pagamento a menor de estimativas mensais de IRPJ e CSLL no curso dos anos de 2012 e 2013. 3. Para a boa compreensão do presente processo, passo a relatar as operações realizadas pela contribuinte que motivaram as glosas impostas pela Fiscalização. I. Investimento Distel 4. O contribuinte divide o investimento na Distel Holding S.A. em três partes e cada uma delas gerou um respectivo ágio. 5. O “Ágio Distel 1” tem origem na aquisição do controle direto da Distel mediante incorporação de sua controladora. Os Srs. Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho e José Roberto Marinho, em 30/07/1998, integralizaram o aumento de capital da empresa RJJ Participações e Serviços Ltda, mediante o conferimento de 867.870 ações que detinham na Recorrente. Na mesma data, a RJJ Participações adquiriu 132.000 ações da Recorrente. Em virtude dessas operações, a RJJ registrou um ágio no valor de R$ 3.840.832.774,11. Deste ágio, o montante de R$ 1.703.843.000,00 tinha fundamento no valor do investimento que a Recorrente, Globo Participações, detinha na Distel. 6. Em 01/02/1999, a RJJ Participações foi incorporada pela Recorrente, o que fez com que o ágio então registado pela RJJ passasse a se vincular aos itens patrimoniais da Recorrente. Para isso, foi realizado ajuste nos registros contábeis referentes ao ágio: como o PLC da DISTEL era de R$ 323.431.171,00 no momento da incorporação da RJJ, subtraiuse o valor de PLC da DISTEL da parcela do ágio de R$ 1.703.843.000,00, com isso a Recorrente passou a registrar o montante de R$ 1.380.411.829,00 a título de ágio referente ao investimento na Distel. 7. Tendo em vista que o investimento na Distel passou por diversas operações entre 1999 e o início da amortização em 2011, o valor final do “Ágio Distel 1” passou a ser R$ 548.828.743,34, conforme demonstrado no TVF (fl. 2347): “Composição do saldo do ágio: Valor inicial do ágio 1.380.411.829,00 () venda de ações em 12/2000 (105.848.561,33) () integralização de capital em sociedades em 05/2001 (720.367.307,00) () parcela a realizar (saldo a Parte B do Lalur) (5.367.217,33) Fl. 3367DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 6 5 Valor utilizado do ágio – a partir de janeiro de 2011 548.828.743,34” 8. O “Ágio Distel 2” teve origem na aquisição pela Recorrente de 459.883 ações da Distel, que eram da International Finance Corporation (IFC), pelo valor de R$ 4.700.004,26, gerando um ágio de R$ 4.671.459,30 em razão do valor pago ser superior ao valor de PLC da Distel. 9. O “Ágio Distel 3” decorre da operação de permuta, na qual a Recorrente adquiriu as demais ações da Distel pertencentes à IFC entregando 32.694.138 ações da NET Serviços e recebendo 7.739.981 ações da Distel. Em razão da permuta, parte do ágio apurado pela Recorrente, quando da aquisição do investimento NET no valor de R$ 29.793.864,89, foi transferida contabilmente ao investimento DISTEL. 10. Em 31/12/2010, a contribuinte incorporou a DISTEL e, nesse momento, em decorrência das operações descritas acima, a contribuinte possuía em sua contabilidade um saldo de “Ágio Distel” no montante de R$ 570.625.540,10 (“Ágio Distel 1” + “Ágio Distel 2” + “Ágio Distel 3”). Como a contribuinte passou a amortizar o saldo contábil do “Ágio Distel”, nos termos dos art. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, autoridade fiscal glosou as despesas com amortização dos ágios, por entender que não foram cumpridos os requisitos dos referidos dispositivos legais, visto que: (i) o “Ágio Distel 1” seria fruto de operação interna; (ii) o “Ágio Distel 2” não é fundamentado em laudo de avaliação que demonstre a rentabilidade futura da Distel; e o “Ágio Distel 3” é referente a um ágio de outro investimento para o qual não foi apresentado laudo. II. Investimento SIGLA 11. Nesta operação a TV Globo integralizou aumento de capital na empresa Sistema Globo de Gravações Audiovisuais Ltda (SIGLA) em 31/03/2004, no montante de R$ 196.535.690,00. Visto que o valor do PL da SIGLA era negativo, a TV Globo registrou ágio no valor de R$ 199.487.593,17. Em 31/08/2005 a TV Globo foi incorporada pela Recorrente e o referido ágio passou a se vincular diretamente aos itens patrimoniais da Recorrente. Após cisão parcial da SIGLA em 2007, parte do seu patrimônio foi vertido à Recorrente, que passou a deduzir parcela do ágio proporcionalmente a partir de novembro de 2007. 12. A autoridade fiscal entendeu que a amortização das despesas relativas ao ágio no investimento SIGLA não cumpriu os requisitos de dedutibilidade previstos nos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/97, tendo em vista que o referido ágio foi gerado internamente. III. Investimento NET 13. Os ágios relativos ao investimento NET foram originados de três fontes distintas: (i) capitalização da NET pela Roma Participações, “Ágio NET 1”; (ii) capitalização da NET pela Distel S.A., “Ágio NET 2”; e (iii) aquisição de ações da NET que eram de titularidade do BNDES Participações (BNDESPAR), “Ágio NET3”. 14. “Ágio NET 1” Conforme trechos do relatório constante da decisão de piso, a referida operação ocorreu da seguinte forma: A RECAPITALIZAÇÃO EM NET FEITA POR ROMA Fl. 3368DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 7 6 No primeiro dos tópicos, esclarecese que “foi realizado o evento recapitalização na empresa Net Serviços de Comunicação S.A. (NET) por diversos sócios, dentre eles Globo Comunicações Participações S/A (Globo), Distel Holding S.A. (Distel), Roma Participações Ltda (ROMA).” Segundo a interessada, o “ágio de R$ 106.127.258,66, na empresa ROMA, foi apurado com base no valor patrimonial da ação NET”, com fundamento econômico na rentabilidade futura do investimento. Tal capitalização haveria sido “paga mediante créditos de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital – AFAC que ROMA detinha perante a Net”. A partir de setembro de 2002, “o ágio final apurado de R$ 106.127.258,66 passou a ser amortizado contabilmente”. Em março/2006, a pessoa jurídica Roma foi cindida e seu patrimônio foi vertido para a interessada e para Globosat Programadora Ltda. 15. Com a cisão de Roma, os valores de R$ 4.460.232,98 (despesa de amortização de ágio) e R$ 25.308.451,20 (provisão para amortização de ágio) foram transferidos para a Parte B do Lalur da Recorrente. 16. “Ágio NET 2”: Em 2002 a Distel integralizou aumento de capital na NET, mediante utilização de créditos de AFAC que detinha em face da NET. Como o preço pago por ação foi superior ao valor patrimonial das referidas ações, a Distel registrou ágio no valor total de R$ 126.570.198,72 e passa a amortizar contabilmente a partir de setembro de 2002. Tendo essa despesa de amortização sido adicionada ao lucro real, e a provisão para amortização de ágio sido adicionada ao lucro real e à base de cálculo da CSLL da DISTEL, mediante controle na Parte B do seu Lalur. 17. “Ágio NET 3”: Em dezembro de 2003 a Distel adquiriu do BNDESPAR 9.638.055 ações ordinárias e 3.992.923 ações preferenciais da NET, como o valor pago por ação foi superior ao valor patrimonial, foi registrado ágio no valor total de R$ 311.552.412,91. 18. O pagamento, conforme relatado pela Contribuinte (fl. 2356), se deu da seguinte forma: “Em maio/2006, a Globo tinha dividendos a receber da Globosat no valor de R$ 240.007.969,72 e cedeu este crédito para DISTEL como AFAC. O pagamento ao BNDESPAR, no montante de R$ 240.007.969,72 foi feito diretamente pela Globosat, por conta e ordem da DISTEL; Em abril/2007, Globo constituiu novo AFAC com DISTEL no valor de R$ 207.787.401,59 e pagou a última parcela ao BNDESPAR do financiamento pela compra das ações NET, por conta e ordem da DISTEL”. 19. Segundo a Recorrente, o ágio apurado pela Distel sofreu diversas baixas a partir de janeiro de 2004, bem como provisão para amortização de ágio, sendo essa provisão adicionada ao lucro real e à base de cálculo da CSLL da DISTEL, mediante controle na Parte B do seu Lalur. 20. A Recorrente passou então a registrar na Parte B de seu Lalur os valores referentes ao investimento NET então controlados na Parte B do Lalur da DISTEL a partir da incorporação da Distel em dezembro de 2010. 21. O aproveitamento fiscal dos ágios relativos ao investimento NET se deu da seguinte forma: (i) em setembro de 2012, a Recorrente integralizou aumento de capital na empresa EG Participações S.A. (EG) mediante o conferimento de 1.643.988 ações da NET; e Fl. 3369DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 8 7 (ii) em novembro de 2013, a Recorrente alienou a terceiros o restante das ações da NET de sua titularidade em Oferta Pública de Ações. 22. A fiscalização não aceitou a dedução das parcelas de ágio como custo por entender que: (i) não foi apresentado nenhum laudo de avaliação da NET no período de constituição dos ágios; (ii) os Ágios NET 1 e 2 foram gerados internamente; (iii) em relação ao Ágio NET 3, os pagamentos feitos para quitar a dívida referente à compra das ações da NET que eram de titularidade do BNDESPAR não foram advindos da Distel, mas sim da Globosat e da Recorrente; e (iv) o Ágio 3 carece de fundamento econômico uma vez que consistiu em mera liberalidade em favor do BNDESPAR. 23. Ademais, conforme consta no relatório da decisão de piso, a fiscalização afirma que as operações de apoio financeiro do BNDES para capitalização da NET foram objeto de relatório do Tribunal de Contas da União: “O Autor do feito adverte que as “operações de apoio financeiro do BNDES para capitalização da Net” foram objeto de “relatório do Tribunal de Contas da União, publicado no Diário Oficial da União em 15 de março de 2004”, o qual demonstraria que “as ações em posse do BNDESPAR advinham de transações visando o socorro financeiro à Net” e que se fossem “vendidas para a Distel pelo preço de mercado gerariam um prejuízo significativo para o BNDESPAR”. Assim, em seu entendimento, o preço praticado nessa operação teria buscado evitar tal prejuízo, descaracterizandoa como uma “alienação de ações por transferência de propriedade via pagamento justo” e sim como “uma operação de socorro e suporte financeiro”. O ágio foi transferido para a Globo por ocasião da incorporação de Distel”. IV INVESTIMENTO GB 24. O ágio vinculado ao investimento da Recorrente na GB Empreendimentos e Participações S.A.(GB), advém das seguintes operações: 25. “Ágio GB 1”: Em maio de 2004 a Recorrente adquiriu 10.000 ações da GB por um valor superior ao de mercado, o que deu margem para o registro de um ágio no valor de R$ 9.623,91, que passou a ser amortizado em junho de 2004. 26. “Ágio GB 2”: Em 2005 a Distel subscreveu um aumento de capital na GB e integralizou tal aumento mediante a conferência de 20.250.369 ações ordinárias da NET. Entretanto, a Embratel Participações S.A. (Embrapar) resolveu participar da capitalização da GB, exercendo direito de preferência. Como a Distel já havia integralizado a totalidade das quotas, a Embrapar pagou à Distel o que corresponderia ao aumento de capital da GB que caberia à Embrapar. Assim, o custo financeiro efetivo da Distel foi de R$ 3.029.455,44, o que gerou um ágio no valor de R$ 927.060,08. 27. “Ágios GB 3, 4, 5 e 6”: Entre junho de 2006 e março de 2008, foram aprovados quatro novos aumentos de capital na GB, nos quais foram subscritas ações da GB pela DISTEL mediante o conferimento de ações da NET. Nessas capitalizações, DISTEL registrou ágios nos valores de R$ 827.509,21; R$ 1.253.237,64; R$ 1.137.728,71; e R$ 451.611,42. Fl. 3370DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 9 8 28. Com a incorporação da Distel pela Recorrente em dezembro de 2010, o saldo do ágio amortizado referente ao investimento GB foi transferido para a Parte B do Lalur da Recorrente. 29. A fiscalização concluiu, conforme relatório constante da decisão de piso, o que segue: “O Autor do feito adverte que, no tocante ao valor de R$ 5.420,73, a “rentabilidade futura do investimento”, novamente, não se encontra alicerçada em nenhum laudo. Quanto ao valor de R$ 979.059,90, observa: “[...] Novamente, o ágio é justificado pela expectativa de rentabilidade futura do investimento e mais uma vez não é apresentado laudo. Neste caso, o ágio foi gerado em empresa pertencente ao beneficiado e pago com ações de outra empresa do grupo e transferida para uma terceira empresa do mesmo grupo, através de incorporação, para que a mesma pudesse se beneficiar das amortizações de ágio. Em todos os casos aqui citados, vemos a constituição do chamado “ágio interno”, com exceção do ágio da Net, amortizado pela Globo, que foi composto via compra de ações por Distel, detalhado anteriormente. Os ágios apurados não resultam de atos societários materialmente verdadeiros. Os ágios, com a exceção citada mas que tem o mesmo efeito, foram sempre gerados dentro do mesmo grupo econômico, sem alteração do controle das sociedades envolvidas. Por fim, estes ágios foram transportados, através de sequências de atos societários dentro do mesmo grupo, para a empresa beneficiária das amortizações aqui contestadas”. O Autor do feito, sob o título “4 Do Direito”, afirma que houve desrespeito à legislação do IRPJ e da CSLL, notadamente aos artigos: 7º, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997; e 20, do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Relembra também o entendimento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a respeito, expresso no OfícioCircular/CVM/SNC/SEP Nº01/2007, de 14 de fevereiro de 2007. Menciona jurisprudência administrativa.” 30. A contribuinte apresentou em 11/07/2017 impugnação (fls. 2691/2784) ao lançamento, e trouxe as seguintes razões de fato e de direito: (i) inexistência de vedação legal para o aproveitamento fiscal do ágio DISTEL gerado internamente; (ii) a não vedação do registro do ágio e a não exigência de laudo técnico pela legislação tributária em vigor no período fiscalizado; (iii) a legitimidade do registro do ágio em operações de concessão de investimentos em integralização de aumento de capital; (iv) a legitimidade da parcela do ágio DISTEL decorrente das operações realizadas com a IFC; (v) a legitimidade da amortização do ágio vinculado à aquisição do investimento SIGLA, vez que fundamentado em efetivo sacrifício financeiro; (vi) a legitimidade das parcelas do ágio resultantes da subscrição de novas ações da NET e da compra de ações da NET de titularidade do BNDESPAR; (vii) a legitimidade do ágio do GB; (viii) o não cabimento das multas de ofício e isoladas; e (ix) o não cabimento dos juros sobre a multa. Por fim, a contribuinte requereu que os autos de infração sejam julgados improcedentes e, consequentemente, os créditos tributários sejam cancelados. Fl. 3371DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 10 9 31. Em sessão de 28 de novembro de 2017, a 4ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0277.772 (fls. 2988/3018), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Exercício: 2012, 2013 ÁGIO Em IRPJ, o ágio pressupõe um dispêndio realizado entre pessoas jurídicas não interligadas; assim, inexiste o chamado “ágio interno”. PERMUTA DE ÁGIO Incabível atribuir a um investimento o ágio apurado em outro, mesmo em caso de permuta sem torna dos dois investimentos. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE Não se confundem os bens jurídicos protegidos pela multa proporcional e pela multa exigida isoladamente, inexistindo bis in idem em sua cobrança concomitante. MATÉRIA ESTRANHA AO LANÇAMENTO Não se examina matéria alheia ao auto de infração impugnado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. 32. A DRJ/BHE julgou improcedente a impugnação sob os seguintes fundamentos: (i) inadmite ágio cuja origem é uma operação que se deu dentro de um mesmo conglomerado econômico por inexistir oposição de interesses, o suposto ágio não passaria de mera liberalidade; (ii) afirma que o OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007 é aplicável ao caso, pois tratase de parecer fundamentado hábil a expor a artificialidade do ágio interno; (iii) considera que a vedação para a dedução de despesas com amortização de ágio interno não foi instituída apenas a partir da Lei nº 12.973/2014 o referido normativo apenas teria explicitado algo que já era implicitamente vedado; (iv) diferente do alegado pela contribuinte, a exigência de laudo que ampare a pretensão à dedução de despesas de ágio não é inovação trazida pela Lei nº 12.973/2014, vez que o artigo 385, §3º, do RIR/99 já prevê expressamente a necessidade de basear o “valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros” em demonstração a ser arquivada como comprovante da escrituração; (v) inadmite a transferência de ágio de uma pessoa jurídica para outra por vulnerar a legislação; (vi) a participação de terceiros não relacionados na operação de capitalização não supre a necessidade de um laudo; (vii) inadmite ágio com preços que não foram ditados pelas forças do mercado; e (viii) o acerto na aplicação das multas de ofício e isolada é inconteste, pois estão amparadas pela lei. 33. Cientificada da decisão (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem em 14/12/2017, fl. 3029), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 3032/3123) em Fl. 3372DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 11 10 13/01/2018, para reiterar em parte as razões já expostas em sede de Impugnação e complementar sua defesa com os seguintes pontos: 32.1. A Recorrente argui que os ágios gerados nos investimentos relativos a DISTEL, SIGLA, NET, GB são legítimos e não há que se falar em artificialidade nas operações. Traz em seu recurso, em linhas gerais, os seguintes fundamentos: (i) a rentabilidade futura das operações foi atestada; (ii) houve sacrifício patrimonial nas operações que geraram o registro dos ágios; (iii) as operações foram motivadas por propósitos negociais diversos da economia fiscal; (iv) inexistia vedação legal para o aproveitamento do ágio gerado internamente; (v) inexistia exigência expressa em lei de laudo técnico feito por perito independente; (vi) diferentemente do alegado pela DRJ, o preço pago nas operações se deu em condições de livre mercado; (vii) a legislação vigente à época dos fatos geradores permitia o aproveitamento do ágio quando da alienação do investimento no qual o referido ágio é um componente do seu custo; e (viii) o ônus da prova da comprovação de suposto favorecimento na compra de ações é da fiscalização. 32.2. Por fim, alega que as multas de ofício e isolada, devem ser afastadas em observância do artigo 106, inciso I, do CTN, visto que se a Lei nº 12.973/2014 fosse aplicável ao caso, sua aplicação retroativa deveria vir acompanhada da exclusão de qualquer penalidade. Argui que as multas isoladas devem ser declaradas nulas diante da impossibilidade da cumulatividade com a multa de ofício. Ademais, alega que inexiste previsão legal que permita a incidência de juros de mora sobre multas e requer que os autos de infração sejam julgados improcedentes, com a consequente extinção dos créditos tributários lançados. 34. A União, por intermédio da Procuradoria da Fazenda Nacional, apresentou contrarrazões (fls. 3291/3351) ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, nas quais reforçou as questões fáticoprobatórias trazidas pelas autoridades fiscais para que seja mantido o acórdão proferido pela E. Delegacia de Julgamento e negado provimento ao Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 35. O recurso voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. I. Da Validade das Operações que Originaram os Ágios 36. Tendo em vista que a fiscalização reuniu no presente processo diversos ágios provenientes de operações com naturezas e circunstâncias diversas, conforme demonstrado no relatório, passo a julgar as glosas separadamente. I.1. Da Dedutibilidade do Ágio no “Investimento Distel” 37. A decisão de piso afirma que os ágios relativos ao investimento Distel não são passível de dedução por não terem sido preenchidos os requisitos legais, visto que as Fl. 3373DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 12 11 despesas relativas à amortização do ágio não são dedutíveis (i) quando o ágio é originário de artificialidade e de operação interna, e (ii) quando não é apresentado laudo de avaliação que demonstre rentabilidade futura. Todavia, tal entendimento, que foi reforçado nas contrarrazões, não deve prosperar. 38. A Recorrente afirma que parcela do ágio DISTEL foi gerada internamente e que a respectiva operação desse ágio foi motivada por propósitos negociais outros que não tinham como objetivo exclusivo a economia fiscal. Afirma ainda que a artificialidade alegada pela fiscalização não pode ser presumida. 39. Diferente do afirmado pela decisão de piso, a rentabilidade futura da Distel, fundamento econômico do ágio, foi atestada em duas oportunidades distintas: (i) dias antes de sua incorporação pela Recorrente, em 16.12.2010, a Distel aliena a terceiros, com ganho significativo, seu investimento em SKY Brasil Serviços Ltda. ("SKY"); e (ii) já após a incorporação da DISTEL pela Recorrente, em 27.11.2013, quando ela aliena a terceiros, também com ganho significativo, parte do seu investimento na NET, mediante Oferta Pública de Ações ("OPA"). 40. A decisão de piso sustenta que a Recorrente não teria comprovado a ocorrência de tais ganhos significativos decorrentes destas operações, pois sequer estariam previstos no laudo elaborado pela Ernst & Young. Entretanto, em análise ao citado documento, evidencio que a rentabilidade futura da DISTEL estaria fundamentada na sua participação em outras empresas com forte atuação no setor de TV por assinatura, dentre elas a NET e a SKY. 41. Considero bastante factível a afirmação da Recorrente de que, na época em que elaborado o referido laudo (em 31.12.1997), era público e notório o crescimento acelerado do mercado de TV por assinatura (anexos documentos comprobatórios). 42. No mais, a Recorrente trouxe em sua Impugnação documentos que comprovam as alienações dos investimentos em SKY (em 2010) e NET (em 2013), com a identificação do preço recebido como contrapartida das referidas alienações. Diante da comprovação da rentabilidade futura que fundamentou o registro do ágio, não há como se falar em ágio gerado artificialmente. 43. Destaquese, ainda, que no caso da Recorrente houve o efetivo sacrifício financeiro ao longo dos mais de 10 anos desde o registro do ágio até a efetiva liquidação do investimento em 31.12.2010 (data em que a DISTEL foi incorporada pela Recorrente): a Recorrente efetuou diversos aportes de capital na DISTEL, os quais, inclusive superaram aquele montante de R$ 548.828.743,34, que veio a ser por ela utilizado a partir de janeiro de 2011 para fins de amortização fiscal. 44. O fato de os aportes em causa terem objetivado o socorro financeiro da Distel em nada desqualifica, ao meu ver, o sacrifício financeiro incorrido pela Recorrente. Foi justamente por confiar na rentabilidade futura do investimento que a Recorrente realizou os referidos aportes de capital. 45. Adicionalmente, a "demonstração" atinente ao fundamento do ágio a que o contribuinte se obrigava a arquivar como comprovante da escrituração, nos termos do artigo 20, § 3°, do Decreto Lei nº 1.598/77, não demandava perito independente. A exigência do laudo só se tornou necessária/obrigatória com o advento da Lei n° 12.973/14. Fl. 3374DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 13 12 46. O artigo 20 do Decreto Lei nº 1.598/77 tinha a seguinte redação na época da operação em comento: Art. 20. O contribuinte que avaliar investimento pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: (...) II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. (...) § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. (grifos nossos) 47. Com a redação dada pela Lei nº 12.973/14, o laudo pericial passa a ser real requisito, verbis: Art. 20. O contribuinte que avaliar investimento pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: (...) II mais ou menosvalia, que corresponde à diferença entre o valor justo dos ativos líquidos da investida, na proporção da porcentagem da participação adquirida, e o valor de que trata o inciso I do caput; e (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (...) § 3o O valor de que trata o inciso II do caput deverá ser baseado em laudo elaborado por perito independente que deverá ser protocolado na Secretaria da Receita Federal do Brasil ou cujo sumário deverá ser registrado em Cartório de Registro de Títulos e Documentos, até o último dia útil do Fl. 3375DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 14 13 13o (décimo terceiro) mês subsequente ao da aquisição da participação. (grifos nossos). 48. Portanto, a partir da leitura da redação do dispositivo em comparação com a sua atual redação, fica evidente que a exigência de laudo elaborado por perito independente passa a ser uma exigência apenas com o advento da Lei nº 12.973/14. 49. Cabe ressaltar, adicionalmente, que o artigo 385, do RIR/99, exigia apenas que o contribuinte arquivasse a demonstração que comprova a expectativa de rentabilidade futura que fundamentou o ágio: “Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: (...) § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração.” (grifos nossos). 50. A legislação não previa nenhuma ressalva quanto à forma de comprovação do fundamento econômico do ágio no caso de operações realizadas entre partes relacionadas, bem como não condicionava a validação dos valores apurados por um terceiro. Se o legislador não fez tal ressalva, não cabe a esta relatoria fazêla. 51. No mais, a alteração da redação em 2014 não foi apenas uma consolidação/formalização do entendimento do legislador e da jurisprudência pela exigência do laudo técnico. Admitir tal premissa fere, claramente, o princípio da legalidade, visto que a regra vigente à época das operações constantes deste processo não previa os requisitos hoje necessários. 52. Sobre os Ágios Distel 2 e 3, o argumento apresentado pela fiscalização relativo à ausência de laudo técnico não se sustenta por duas razões: (i) o laudo elaborado pela Ernst & Young se presta a fundamentar a rentabilidade futura das ações da DISTEL adquiridas pela Recorrente em 01.02.2001 (com a compra das 459.883 ações da DISTEL) e em 19.10.2002 (com a operação de permuta); e (ii) que a legislação vigente na época das operações em questão não exigia laudo para respaldar o fundamento econômico do ágio. 53. Quanto à suposta indedutibilidade do ágio por ter sido originário de operação interna, as autoridades fiscais afirmam que o registro e a amortização de ágio em operações realizadas dentro de um mesmo grupo econômico sempre foi vedado, sendo que a Fl. 3376DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 15 14 proibição trazida na Medida Provisória n.º 627/2013, convertida na Lei n.º 12.973/2014, apenas veio corroborar a posição consolidada. 54. Data máxima vênia, não alinhome a tal entendimento. Os artigos 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda nunca veiculavam qualquer restrição ao chamado "ágio interno". 55. A vedação em questão somente foi trazida com a edição da Medida Provisória n.º 627/2013, posteriormente convertida na Lei n.º 12.973/2014, que passou a limitar o registro de ágio a operações entre partes não relacionadas. 56. Nesse sentido, vale transcrever o teor do artigo 22 da Lei n.º 12.973/2014: "Art. 22. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detinha participação societária adquirida com ágio por rentabilidade futura (goodwill) decorrente da aquisição de participação societária entre partes não dependentes, apurado segundo o disposto no inciso III do caput do art. 20 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, poderá excluir para fins de apuração do lucro real dos períodos de apuração subsequentes o saldo do referido ágio existente na contabilidade na data da aquisição da participação societária, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração." 57. Notese que, em nítida alteração da legislação anterior, a Lei n.º 12.973/2014 prevê que o ágio por rentabilidade futura somente poderá ser amortizado para fins fiscais quando "decorrente de aquisição de participação societária entre partes não dependentes". 58. A esse respeito, vale transcrever novamente o artigo 386 do Regulamento do Imposto de Renda: “Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º , e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10)" 59. Fica claro que, enquanto o artigo 386 do Regulamento do Imposto de Renda referiase somente a "participação societária adquirida com ágio ou deságio", o novo artigo 22 da Lei nº 12.973/2014 referese a "participação societária adquirida com ágio por rentabilidade futura (goodwill) decorrente da aquisição de participação societária entre partes não dependentes", não restando dúvidas sobre a criação de nova condição para amortização fiscal do ágio. 60. Nesse sentido, vale transcrever a Exposição de Motivos da Medida Provisória 627/2013: "As novas regras contábeis trouxeram grandes alterações na contabilização das participações societárias avaliadas pelo Fl. 3377DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 16 15 valor do patrimônio líquido. Dentre as inovações introduzidas destacamse a alteração quanto à avaliação e ao tratamento contábil do novo ágio por expectativa de rentabilidade futura, também conhecido como goodwill. O art. 21 estabelece prazos e condições para a dedução do novo ágio por rentabilidade futura (goodwill) na hipótese de a empresa absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detinha participação societária adquirida com goodwill, apurado segundo o disposto no inciso III do art. 20 do Decreto Lei nº 1.598, de 1977. Esclarece que a dedutibilidade do goodwill só é admitida nos casos em que a aquisição ocorrer entre empresas independentes." (grifos nossos) 61. Vejam que, o ágio por rentabilidade futura previsto na Lei nº 12.973 é considerado como o "novo ágio", uma figura bastante diferente daquele anteriormente prevista na Lei n.º 9.532/97, especialmente pelo fato de que "a dedutibilidade do goodwill só é admitida nos casos em que a aquisição ocorrer entre empresas independentes". 62. Assim, a alegação de que a vedação ao registro e amortização de ágio em operações entre partes relacionadas já existia mesmo antes da Lei n.º 12.973/14 não condiz com a alteração legislativa em comento. 63. É possível verificar esse mesmo entendimento inclusive em julgamentos deste Conselho, conforme ementa abaixo reproduzida: “ÁGIO INTERNO. A circunstancia da operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. A amortização do ágio está prevista no art. 386 do RIR/1999. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vinculo. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997”. (Processo nº 16682.720233/201011, Acórdão nº 1101000.835, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 04 de dezembro de 2012, Redator designado Carlos Eduardo de Almeira Guerreiro)(gn). 64. Ademais, para legislação tributária, o ágio corresponde à diferença positiva entre o custo de aquisição de um investimento e seu valor patrimonial. À época não havia dispositivo que estabelecesse tratamento diferenciado entre o ágio decorrente de operações realizadas entre partes relacionadas e aquele decorrente de operações entre partes não relacionadas. Fl. 3378DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 17 16 65. Com efeito, a legislação tributária vigente ao tempo em que realizados os negócios jurídicos em questão, dispunha que o ágio surgia com a aquisição de quotas ou ações por valor superior ao correspondente valor de PLC, pouco importando se a aquisição do investimento decorreu de compra, recebimento em realização de aumento de capital ou outro meio de aquisição ou, ainda, se realizada entre partes relacionadas, ou não. 66. Para fins fiscais, exigiase apenas que essa aquisição ocorresse por valor superior ao valor de PLC do investimento adquirido. 67. Conforme artigos 464, inciso I, e 467, inciso I, do RIR/99, quando determinada companhia aliena bem de seu ativo por valor notoriamente inferior ao de mercado para pessoa jurídica que lhe seja ligada, a diferença entre o preço efetivamente praticado e o preço de mercado deve ser adicionada ao lucro líquido do exercício, para efeito de quantificação do lucro real. Como se vê, a legislação fiscal não só admite como ainda impõe, em determinados casos, que os negócios celebrados entre uma pessoa jurídica e seus acionistas produzam efeitos fiscais idênticos aos que produziriam negócios celebrados com terceiros não relacionados. “Art. 464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica I aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada; (...)” “Art. 467. Para efeito de determinar o lucro real da pessoa jurídica I nos casos dos incisos I e IV do art. 464, a diferença entre o valor de mercado e o de alienação será adicionada ao lucro líquido do período de apuração; (...)” 68. No mais, o Decreto Lei nº 1.598/77, em seu artigo 25, determinou que o ágio integraria as contas de resultados da investidora, diminuindo o lucro líquido do período base; não obstante, não seria levado em consideração na determinação do lucro real da investidora, sendo, portanto, indedutível para fins de IRPJ, só produzindo efeitos fiscais à época da baixa do investimento, em razão de sua alienação ou liquidação. 69. Entretanto, com a Lei nº 9.532, de 10.12.1997, artigo 70, o legislador introduziu hipótese de dedutibilidade fiscal do ágio, determinando apenas que (i) ocorra a absorção patrimonial entre investida e investidora na qual há investimentos adquiridos com ágio, mediante incorporação, fusão ou cisão; (ii) que o ágio adquirido tenha por fundamento a expectativa de geração de rentabilidade futura, nos termos do referido artigo 20, § 2°, alínea b, do DL n° 1.598, de 1977; e (iii) que a amortização fiscal do ágio ali autorizada se faça à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração. 70. O legislador não impôs nenhuma outra exigência para essa dedutibilidade fiscal do ágio, mais especificamente se deveria ela ser vedada no caso de ágio interno (aquele gerado entre pessoas jurídicas de um mesmo grupo econômico). Fl. 3379DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 18 17 71. E, não havendo na legislação tributária vedação ao aproveitamento fiscal de ágio interno, a glosa de despesas dessa natureza, somente poderia se justificar se caracterizada a conduta simulada do contribuinte, o que não se verifica neste caso. 72. No mais, a decisão de piso afirma que a aplicação do OfícioCircular CVM/SNC/SEP n° 1/07 teria o condão de acarretar a indedutibilidade do ágio em questão. Contudo, considero que o referido ofício não condiciona o aproveitamento do ágio, para fins fiscais, à sua formação ser decorrente da aquisição de terceiros, já que ele apenas veda, em determinadas situações, a manutenção do registro contábil do ágio no patrimônio do adquirente do investimento. Nem poderia ser diferente, pois o artigo 109 do CTN veda a utilização dos princípios gerais de direito privado para a definição de efeitos tributários. 73. Diante de todo o exposto, entendo que resta razão à Recorrente, devendo ser excluídas as glosas relativas as despesas com a amortização dos ágios do investimento Distel. I.2. Da Dedutibilidade do Ágio no “Investimento SIGLA” 74. O entendimento da fiscalização, mantido pela decisão da DRJ e reforçado nas contrarrazões, é de que o ágio relativo a este investimento teria sido gerado internamente e com artificialidade, além de não ter sido apresentado laudo capaz de embasar o fundamento econômico da SIGLA, não tendo cumprido, portanto, os requisitos de dedutibilidade previstos nos artigos 7º e 8º, da Lei nº 9.532/97. 75. A Recorrente apresenta novamente os argumentos trazidos em sede de impugnação para afirmar que não houve artificialidade na operação que gerou o ágio; houve efetivo sacrifício econômico; e que não havia obrigatoriedade de apresentação de laudo na época da operação. 76. Não há que se falar em simulação ou artificialidade, pois na época em que a TV GLOBO adquiriu o investimento em SIGLA, esta se encontrava em estado de insolvência, apresentando PLC negativo em R$ 198.145.150,89; não obstante, o valor pago pela sua aquisição justificavase em razão da sua perspectiva de rentabilidade futura. A TV GLOBO, visando sanear SIGLA, incorporou ao capital social desta créditos que detinha contra ela, no montante de R$ 196.535.690,00, reduzindo significativamente o valor do seu PLC negativo. 77. Portanto, seria inquestionável que o ágio SIGLA, ainda que interno, antes de, proporcionalmente, acabar consolidado na Recorrente, com a cisão parcial de SIGLA e subsequente versão de parte de seu patrimônio para a Recorrente, gerou sacrifício econômico materializado pela capitalização de SIGLA pela TV GLOBO. 78. Nos casos em que a investida apresenta PLC negativo, a investidora deve registrar como ágio a diferença entre o valor do PLC negativo e o valor de aquisição; caso a investidora apenas informasse em sua contabilidade o valor desse PLC negativo, sem registrar a diferença entre esse PLC e o valor de aquisição como ágio, o custo total do investimento ficaria indevidamente distorcido, gerandolhe perdas irreais. 79. Diversamente do que ocorre nas aquisições de investimentos com valor patrimonial positivo, a parcela do ágio correspondente ao PLC negativo da investida tem sempre contrapartida num dispêndio efetivo por parte da investidora, na medida em que há Fl. 3380DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 19 18 necessariamente um sacrifício financeiro para soerguer a empresa investida e manter o investimento. Logo, o ágio registrado na TV GLOBO (e, posteriormente, na Recorrente) vinculado à aquisição do investimento SIGLA está fundamentado em um efetivo sacrifício financeiro, não lhe sendo aplicado, portanto, o disposto no item 20.1.7. do OfícioCircular CVM/SNC/SEC n° 01/2007, que apenas se destina a combater o registro de ágio em operações em que há uma artificial geração de riqueza nova para a investidora, decorrente de reavaliação de investimentos desacompanhada de um efetivo dispêndio financeiro, situação que não se verificaria no caso em exame. 80. Conforme já exposto no item anterior, I.1. “Investimento Distel”, não há que se falar em irregularidade da operação em razão dela ter sido feita internamente sem a apresentação de um laudo satisfatório, para a fiscalização, e que comprovasse o fundamento econômico do investimento, pois a operação se deu em período em que a lei vigente não trazia tais requisitos para ser possível a dedução de despesas relativas à amortização de ágio. 81. Diante do exposto, concluo que resta razão à Recorrente e determino a exclusão das glosas referentes ao investimento SIGLA. I.3. Da Dedutibilidade do Ágio do “Investimento NET” 82. O entendimento da fiscalização mantido pela DRJ é o de que a Recorrente, indevidamente, excluiu valores da apuração do IRPJ e CSLL referente ao ágio no investimento na NET. Conforme exposto nas contrarrazões, a fiscalização não aceitou a dedução das parcelas de ágio como custo, na capitalização da EG Participações e na OPA, por entender que o “Ágio NET 1” e o “Ágio NET 2” teriam sido gerados internamente, e, por sua vez, o “Ágio NET 3” careceria de fundamento econômico. 83. Sobre o “Ágio NET 1” e o “Ágio NET 2, a Recorrente afirma que o evento de capitalização da NET ocorrido em agosto de 2002, que deu origem ao ágio em discussão, jamais poderia ser considerado uma operação praticada com artificialismo, desprovida de propósito negocial e em condições não usuais de mercado. 84. A Recorrente demonstrou que o seu investimento se deu de forma regular enquanto Fiscalização não foi capaz de comprovar o caráter simulatório da operação. Cumpre ressaltar que, a ocorrência de simulação e artificialidade não se presume e nem se prova por meio de indícios. In casu, as autoridades fiscal e julgadora não demonstram a existência de tais vícios. 85. A capitalização da NET se deu mediante a subscrição pública e privada de 1.711.857.445 novas ações (entre ordinárias e preferenciais) por diversos sócios, os quais incluíram não apenas as empresas pertencentes ao grupo da Recorrente (como é o caso de ROMA e DISTEL), mas também terceiros não relacionados. Constato que quase metade das novas ações foram subscritas por terceiros não pertencentes ao grupo da Recorrente. 86. Ainda que a alegação de a operação ter sido realizada internamente fosse aceita, conforme já exposto no item “I.1. Investimento Distel”, a legislação vigente à época dos fatos aqui tratados não vedava a dedução de ágio originário de operação interna. 87. Sobre o Ágio NET 3, não havendo dúvidas de que (i) o preço foi efetivamente pago, inclusive, para um terceiro não relacionado; e (ii) que o preço pago supera o valor de PLC do investimento, há de se reconhecer o ágio, o qual, independentemente do seu Fl. 3381DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 20 19 fundamento econômico, é um componente do custo do investimento e, como tal, deve ser integralmente baixado por ocasião da alienação deste investimento. 88. Considerando que é o mercado que estabelece o quanto alguém se dispõe a pagar por um investimento que outro se dispõe a vender, em um ambiente livre e aberto, o que necessariamente pressupõe independência entre as partes contratantes, não haveria razão para a autoridade fiscal desconsiderar, como custo, o preço pago por DISTEL ao BNDESPAR e, portanto, glosar o ágio que está atrelado a esse custo após ser confrontado com o valor patrimonial das ações da NET. 89. No mais, a jurisprudência administrativa já entendeu que o ágio e o ganho de capital são, sempre, os dois lados de uma mesma moeda, de forma que a sorte de um acompanha a do outro. Assim, existindo o ganho de capital para o alienante das ações, o ágio também existirá. Se o preço pago pelas ações é preço para fins de apuração do ganho de capital auferido pelo alienante (no caso, o BNDESPAR), há que se reconhecer que o mesmo preço é custo para o adquirente das ações (no caso, a DISTEL). 90. O argumento de que não haveria laudo técnico que respaldasse o registro do ágio também não se sustenta, pois, conforme já exposto no "item I.1. Investimento Distel", a operação se deu em período em que a lei vigente não trazia tal requisito para que se deduzisse as despesas com a amortização de ágio. 91. Diante do exposto, concluo que resta razão à Recorrente e determino a exclusão das glosas referentes ao investimento NET. I.4. “Investimento GB” 92. Sobre este tópico, as autoridades fiscal e julgadora concluíram que a dedução das parcelas dos ágios GB são indevidas em razão de que (i) os referidos ágios terem sido gerados internamente; (ii) diante da impossibilidade de se registrar ágio formado a partir de PL negativo da GB; e (iii) diante da não apresentação de laudo de avaliação apto a atestar a rentabilidade futura da GB como fundamento econômico. 93. Conforme já exposto no item "I.1. Investimento Distel", as alegações de indedutibilidade de ágio por ter sido gerado em operação interna e pela ausência de laudo técnico não se sustentam, pois à época dos fatos aqui tratados, a legislação não previa tais requisitos. 94. Ademais, independentemente do argumento exposto acima, no presente caso, todos aumentos de capital realizados na GB foram acompanhados pela outra sócia que sequer pertencia ao grupo da Recorrente, o que afasta, de plano, qualquer alegação de que o valor pago pela Recorrente não seria o de mercado. 95. Na medida em que as operações de capitalização da GB contaram com a participação de um terceiro não relacionado (no caso, a EMBRAPAR), não haveria como a fiscalização pretender sustentar que tais operações foram realizadas apenas com o propósito de o grupo da Recorrente se beneficiar das amortizações de ágio, já que não apenas a Recorrente, mas também um terceiro a ela não relacionado, acreditava na rentabilidade futura de GB. Fl. 3382DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 21 20 96. Não houve no conferimento das ações da NET em integralização de capital de GB qualquer reavaliação que pudesse ter a conotação de uma tentativa de obtenção de economia fiscal por parte do grupo da Recorrente. 97. Importante ressaltar que, neste caso, não se discute a possibilidade de aproveitamento do ágio na forma de amortização, mas sim seu aproveitamento como componente do custo do investimento quando da sua alienação. Com efeito, o ágio pago na aquisição de investimentos avaliados pelo MEP, como componente do custo de aquisição que é, deve sempre ser levado em consideração na determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento, para fins de tributação, independentemente da sua razão econômica. 98. Quanto à alegação de que parcela do ágio teria sido calculada a partir do PLC negativo de GB, a definição de "custo de aquisição" ou "valor pago" englobaria todo e qualquer sacrifício econômico suportado pela investidora na aquisição do investimento, englobando não só o valor por este pago, mas também a assunção de passivos relacionados a tal bem; assim, nos casos em que a investida apresenta PLC negativo, a investidora deve registrar como ágio a diferença entre o valor do PLC negativo e o valor de aquisição; caso a investidora apenas informasse em sua contabilidade o valor desse PLC negativo, sem registrar a diferença entre esse PLC e o valor de aquisição como ágio, o custo total do investimento ficaria indevidamente distorcido, gerandolhe perdas irreais. 99. Diante do exposto, concluo que resta razão à Recorrente e determino a exclusão das glosas referentes ao investimento GB. II. Das Demais Alegações 100. Caso esta relatoria reste vencida e, por conseguinte, as glosas de amortização dos ágios sejam mantidas, passo a julgar as demais questões pertinentes ao presente processo administrativo fiscal. II.1. Da Inaplicabilidade das Multas de Ofício (75%) e Isolada 101. A Recorrente alega que a dedução de despesas com amortização de ágio interno somente passou a ser vedada a partir da Lei nº 12.973/2014. Caso fosse aplicada a referida norma para o presente caso, o artigo 106, inciso I, do CTN1 deve ser observado com a exclusão de qualquer penalidade (multas de ofício e isolada). 102. De fato, conforme exaustivamente consignado, a dedução de despesas com amortização de ágio interno só veio a existir com a Lei n° 12.973, de 2014 (oriunda da MP 617, de 2013) e, portanto, após 2011, períodobase objeto dos autos. Ademais, a exposição de motivos n° 187/2013/MF deixa claro o caráter prospectivo do novo regime jurídico do ágio. E, mesmo se a norma em questão tivesse caráter meramente interpretativo, o que se admite apenas para fins de argumentação, sua aplicação retroativa teria de vir sempre acompanhada da exclusão de qualquer penalidade, também por força do referido art. 106, I, do CTN. 1 "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;" Fl. 3383DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 22 21 103. Assertivo é o posicionamento do jurista Cristiano Carvalho2 ao comentar o referido dispositivo, verbis: "O dispositivo veda, como não poderia deixar de fazer, a criação de sanções que atinjam fatos pretéritos, em decorrência da própria obscuridade da legislação interpretada. Ora, se a lei continha falhas tais que impediam a sua própria compreensão, não pode a lei posterior que venha a corrigir essas deficiências, criar penalidades que atinjam os contribuintes que porventura tivessem descumprido as determinações mal formuladas." (grifos nossos) 104. Este entendimento, inclusive, está alinhado ao primado da segurança jurídica constante do artigo 2º3, da Lei nº 9.784/99. Não é possível admitir que eventual estratégia de política fiscal legítima (dedutibilidade da amortização do ágio), ainda que considerada supostamente inconsistente pela SRFB, atente contra a previsibilidade de ação dos administrados, leiase a própria segurança jurídica no exercício da atividade empresarial. 105. Portanto, acolho as razões da Recorrente, e considero que nenhuma multa poderia ter sido lançada nos autos. II.2. Da Impossibilidade de Concomitância de Penalidades 106. Caso reste vencida no tópico anterior e, portanto, a multa de ofício seja mantida, passo a tecer alguns considerações sobre a impossibilidade da multa isolada ser aplicada conjuntamente com a multa de ofício, pois ambas as multas decorrem da mesma infração, configurando descabido bis in idem. 107. A autoridade fiscal exigiu a multa isolada correspondente a 50% do valor das diferenças de estimativas mensais que, nos anoscalendário de 2012 e 2013, deixaram de ser pagas em razão da dedução das despesas com amortização de ágio que acabaram por ela (fiscalização) glosadas. Fundamentou seu posicionamento no artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/1996, verbis: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica." 108. Ocorre que, além da multa isolada, houve o lançamento da multa de ofício de 75% sobre o valor do IRPJ e da CSLL anuais exigidos em razão das mesmas 2 CARVALHO, Cristiano. Comentários aos art.s 105 ao 112. In: Marcelo Magalhães Peixoto. (Org.). Comentários ao Código Tributário Nacional. 1ed. São Paulo: MP Editora, 2005, p. 901924. 3 Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Fl. 3384DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 23 22 infrações que levaram a autoridade lançadora a concluir que as estimativas mensais não teriam sido devidamente recolhidas, justificandoa com base no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96: "I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" 109. Fica, portanto, evidente que sobre a mesma infração foram aplicadas duas espécies distintas de multa, o que não é admitido pela doutrina e jurisprudência atuais. 110. E, por mais que a redação original do artigo 44, da Lei nº 9.430/1996 tenha sofrido alterações ao longo do tempo, estas não foram capazes de afastar a aplicação da Súmula CARF nº 105. Vejamos: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Redação Original do artigo 44, §1º da Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Medida Provisória nº 303, de 2006) (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;. 111. A citada Súmula reconhece a impossibilidade de cumulação das multas de ofício e isoladas em razão do princípio da consunção. De acordo com esse princípio a penalidade decorrente do não recolhimento do tributo apurado ao fim do ano (multa proporcional) absorve a penalidade decorrente do nãorecolhimento de determinado valor a título de estimativa mensal (multa isolada), já que ambas decorrem de normas sancionatórias que concorrem ente si para penalizar uma mesma conduta. 112. Nessa linha, é o entendimento desse E. Conselho em casos semelhantes a este, verbis: “MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da Fl. 3385DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 24 23 segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal”. (Processo nº 16561.720157/201443, Acórdão nº 1401002.076, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 19 de setembro de 2017, Relator Daniel Ribeiro Silva) "MULTA ISOLADA E MULTAS PROPORCIONAIS CONCOMITÂNCIA. Multa isolada para as estimativas descabida. Apenado o continente, incabível apenar o conteúdo. Penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos. Princípio da consunção em matéria apenatória. A aplicação da multa de ofício de 75% sobre IRPJ e CSLL exigidos exclui a aplicação da multa de ofício de 50% sobre IRPJ e CSLL por estimativa do mesmo anocalendário." (Processo nº 10480.725955/201213, Acórdão nº 1103001.097, 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26 de agosto de 2014, Relator Marcos Takata) "APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão nº CSRF 40105838)." (Processo nº 10510.000537/200596, Acórdão nº 9101000.987, 1ª Turma Ordinária da CSRF, Sessão de 24 de maio de 2011, Relator Alberto Pinto Souza Junior) (grifos nossos) 113. No mais, não merece prosperar a posição das autoridades fiscal e julgadora quanto à impossibilidade de aplicação da Súmula CARF nº 105 ao período em análise, uma vez que as alterações promovidas no art. 44 da Lei nº 9.430/96, pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/07, não contrariam o entendimento de que a multa de ofício e a multa isolada não podem ser exigidas concomitantemente. 114. A própria Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 351/07, limitouse a esclarecer que a alteração do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, efetuada pelo artigo 14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela Fl. 3386DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 25 24 pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora. 115. E, caso se entenda que a identidade de bases de cálculo foi superada pela nova redação do dispositivo legal, subsiste o fato de as duas penalidades decorrerem de falta de recolhimento de tributo, o que importa o afastamento da penalidade menos gravosa. 116. Nesse sentido, o E. CARF já se manifestou de forma expressa: " EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO EM RELAÇÃO À ALTERAÇÃO DO ART. 44 DA LEI Nº 9.430/1996 PELA LEI Nº 11.488/2007. IMPOSSIBILIDADE DE PENALIDADE DE MULTA ISOLADA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. EMBARGOS REJEITADOS. Embora as alterações do texto do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 tenham de fato distinguido as bases de cálculo das penalidades de multa isolada e de ofício, não pretendeu cumulálas. Por essa razão, é inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ainda que após a vigência das alterações da Lei nº 11.488/2007. Não é possível opor Embargos para tentar reapreciar a matéria quando esta já foi devidamente examinada com base em fundamento distinto do quanto pretendido por alguma das partes, haja vista que o julgador pode formar livremente a sua convicção." (Processo nº 13971.720798/201135, Acórdão nº 1202001.228, 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 04 de fevereiro de 2015, Geraldo Valentim Neto). "MULTA ISOLADA POR FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas quando há concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007." (Processo nº 10805.721654/201219, Acórdão nº 1402001.489, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 05 de novembro de 2013, Frederico Augusto Gomes de Alencar). “MULTA ISOLADA. ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. LANÇAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO ACRESCIDO DE MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA ISOLADA EM RELAÇÃO ÀS ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. A multa isolada é sanção aplicável nos casos em que o sujeito passivo, no decorrer do anocalendário, deixar de recolher o valor devido a título de estimativas ou carnêleão. Encerrado o anocalendário não há o que se falar em recolhimento de carnê leão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Nas situações em que o sujeito passivo, de forma espontânea, Fl. 3387DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 26 25 oferecer os rendimentos ou lucros à tributação, acompanhado do pagamento dos tributos e juros, aplicase o instituto da denúncia espontânea previsto no disposto no artigo 138 do CTN. Nos casos de omissão, verificada a infração, apurase a base de cálculo e sobre o montante dos tributos devidos aplicase a multa de ofício, sendo incabível a exigência da multa isolada cumulada com a multa de ofício. A alteração do artigo 44, II, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não teve o condão de cumular a multa de ofício com a multa isolada, mas sim reduzir o percentual desta, quando devida, por se tratar de infração de menor gravidade. Ademais, o item 8 da exposição de motivos da citada Medida Provisória fala em “multa lançada isoladamente nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa.” Assim, se estamos falando de multa isolada ela não pode ser cumulada com outra multa, sendo a primeira exigida, no decorrer do anocalendário, nas circunstâncias em que o contribuinte deixar de recolher os valores devidos a título carnêleão ou de estimativas e a segunda quando verificado omissão após o período de apuração e prazo para entrega da declaração Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte”. (Processo nº 10920.004434/201031, Acórdão nº 1402001.369, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 10 de abril de 2013, Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva). 117. Esse também é o posicionamento do E. Superior Tribunal de Justiça, verbis: "TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44, I E II, DA LEI 9.430/1996 (REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.488/2007). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTES. 1. A Segunda Turma do STJ tem posição firmada pela impossibilidade de aplicação concomitante das multas isolada e de ofício previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei 9.430/1996 (AgRg no REsp 1.499.389/PB, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2015; REsp 1.496.354/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 24/3/2015). 2. Agravo Regimental não provido." (AgRg no REsp 1576289/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, Julgado em 19/04/2016, DJe 27/05/2016) 118. Diante de exposto, na hipótese da multa de ofício ser mantida, considero inaplicável a multa isolada. II.3. Aplicação de Juros com base na Taxa SELIC 119. Outro ponto questionado pela Recorrente é a aplicação de juros com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício. Segundo ela a aplicação de juros implicaria em Fl. 3388DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 27 26 majoração indireta da própria penalidade e não existe previsão legal que permita tal aplicação sobre a multa de ofício. 120. Em que pese a decisão de piso não tenha enfrentado esse ponto verifico que consta dos autos de infração a aplicação de juros de mora e as contrarrazões da União enfrentaram as alegações da Recorrente sobre o tema. Diante do exposto, passo a decidir. 121. A taxa SELIC é aplicada aos juros dos créditos fiscais, conforme disposto no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 122. Os artigos 113, §1º e 139, do Código Tributário Nacional, determinam que o crédito tributário, de onde decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...)” “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” 123. Logo, a expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições”, disposta no artigo 61 supra descrito, deve englobar a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de ofício proporcional punitiva. É assim que a jurisprudência do C. CARF entende: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de Fl. 3389DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 28 27 IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” (CARF – Processo nº 15469.000384/2007. Acordão nº 2301005.162. Relator: Alexandre Evaristo Pinto. Sessão de 04/10/2017) 124. No mais, em 08/06/2018, foi publicada a Súmula CARF nº 108 com o seguinte teor: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício." 125. A partir de tais esclarecimentos, resta evidente que a multa de ofício lançada juntamente com os tributos devidos, se não paga no vencimento, se sujeita aos juros de mora por força do disposto no artigo 61, da Lei nº 9.430/96. Portanto, na hipótese das glosas da amortização dos ágios serem mantidas, não acolho o pedido da Recorrente e determino a manutenção da aplicação dos juros sobre a multa de ofício. Conclusão 126. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do presente RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 3390DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 29 28 Voto Vencedor Conselheira Eva Maria Los, Redatora designada. 1 Ágio. Dedutibilidade. 1. Os autos de infração exigindo IRPJ e CSLL tem fatos geradores em 31/12/2012 e 31/12/2013, págs. 2.383/2.409. 2. Tratam de glosas de despesa/custo de ágio de 4 (quatro) investimentos, que cabe analisar individualmente: Distel Holding S/A (Globocabo S/A), Net Serviços de Comunicação S/A, SIGLA Sistema Globo de Gravações Audiovisuais LTDA e GB Empreendimentos S/A. 3. Acerca das condições para a dedutibilidade do ágio, tomo como referência o Acórdão nº 9101003.543, de 4/04/2018, do qual extraio excertos. I. Despesa de Amortização de Ágio. O voto apresenta análise histórica e sistêmica sobre o tema, para depois tratar do caso concreto. 1. Conceito e Contexto Histórico Podese entender o ágio como um sobrepreço pago sobre o valor de um ativo (mercadoria, investimento, dentre outros). Tratandose de investimento decorrente de uma participação societária em uma empresa, em brevíssima síntese, o ágio é formado quando uma primeira pessoa jurídica adquire de uma segunda pessoa jurídica um investimento em valor superior ao seu valor patrimonial. O investimento em questão são ações de uma terceira pessoa jurídica, que são avaliadas pelo método contábil da equivalência patrimonial. Ou seja, a empresa A detém ações da empresa B, avaliadas patrimonialmente em 60 unidades. A empresa C adquire, junto à empresa A, as ações da empresa B, por 100 unidades. A empresa C é a investidora e a empresa B é a investida. (...) Ocorre que o legislador, ao editar o DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977, resolveu adotar um conceito jurídico para o ágio próprio para fins tributários. Isso porque positivou no art. 20 do mencionado decretolei que o denominado ágio poderia ter três fundamentos econômicos, baseados: (1) no sobrepreço dos ativos; e/ou (2) na expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido e/ou (3) no fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. E, posteriormente, os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, Fl. 3391DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 30 29 autorizaram a amortização do ágio nos casos (1) e (2),mediante atendimento de determinadas condições. Na medida em que a lei não determinou nenhum critério para a utilização dos fundamentos econômicos, consolidouse a prática de se adotar, em praticamente todas as operações de transformação societária, o reconhecimento do ágio amparado exclusivamente no caso (2): expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido. O ágio passou a ser simplesmente a diferença entre o custo de aquisição e o valor patrimonial do investimento. (...) E como darseia o aproveitamento do ágio? Em duas situações. Na primeira, quando a empresa C realizasse o investimento, por exemplo, ao alienar a empresa B para uma outra pessoa jurídica. Assim, se vendesse a empresa B para a empresa D por 150 unidades, apuraria um ganho de 50 unidades. Isso porque, ao patrimônio líquido da empresa alienada, de 60 unidades, seria adicionado o ágio de 40 unidades. Assim, a base de cálculo para apuração do ganho de capital seria a diferença entre 150 e 100 unidades, perfazendo 50 unidades. Na segunda, no caso de a empresa C (investidora) e a empresa B (investida) promoverem uma transformação societária (incorporação, fusão ou cisão), de modo em que passem a integrar uma mesma universalidade. Por exemplo, a empresa B incorpora a empresa C, ou, a empresa C incorpora a empresa B. Nesse caso, o valor de ágio de 40 unidades poderia passar a ser amortizado, para fins fiscais, no prazo de sessenta meses, resultando em uma redução na base de cálculo do IRPJ e CSLL a pagar. Naturalmente, no Brasil, em relação ao ágio, a contabilidade empresarial pautouse pelas diretrizes da contabilidade fiscal, até a edição da Lei nº 11.638, de 2007. O novo diploma norteou se pela busca de uma adequação aos padrões internacionais para a contabilidade, adotando, principalmente, como diretrizes a busca da primazia da essência sobre a forma e a orientação por princípios sobrepondose a um conjunto de regras detalhadas baseadas em aspectos de ordem escritural4. Nesse contexto, houve um realinhamento das normas contábeis no Brasil, e por consequência do conceito do goodwill. Em síntese, ágio contábil passa (melhor dizendo, volta) a ser a diferença entre o valor da aquisição e o valor patrimonial justo dos ativos (patrimônio líquido ajustado pelo valor justo dos ativos e passivos). 4 IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de contabilidade das sociedades por ações: (aplicável às demais sociedades), 1ª ed. São Paulo : Editora Atlas, 2008, p. 31. Fl. 3392DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 31 30 E recentemente, por meio da Lei nº 12.973, de 13/05/2014, o legislador promoveu uma aproximação do conceito jurídico tributário do ágio com o conceito contábil da Lei nº 11.638, de 2007, além de novas regras para o seu aproveitamento, que não são objeto de análise do presente voto. Enfim, resta evidente que o conceito do ágio tratado para o caso concreto, disciplinado pelo art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, alinhase a um conceito jurídico determinado pela legislação tributária. Tratase,portanto, de instituto jurídico tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. 2. Aproveitamento do Ágio. Hipóteses Apesar de já ter sido apreciado singelamente no tópico anterior, o destino que pode ser dado ao ágio contabilizado pela empresa investidora merece uma análise mais detalhada. Há que se observar, inicialmente, como o art. 219 da Lei nº 6.404, de 1.976 trata das hipóteses de extinção da pessoa jurídica: Art. 219. Extinguese a companhia: I pelo encerramento da liquidação; II pela incorporação ou fusão, e pela cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades. E, ao se tratar de ágio, vale destacar, mais uma vez, os dois sujeitos, as duas partes envolvidas na sua criação: a pessoa jurídica investidora e a pessoa jurídica investida, sendo a investidora é aquela que adquiriu a investida, com sobrepreço. Não por acaso, são dois eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). Podese dizer que os eventos (1) e (2) guardam correlação, respectivamente, com os incisos I e II da lei que dispõe sobre as Sociedades por Ações. 3. Aproveitamento do Ágio. Separação de Investidora e Investida No primeiro evento, tratase de situação no qual a investidora aliena o investimento para uma terceira empresa. Nesse caso, o ágio passa a integrar o valor patrimonial do investimento para fins de apuração do ganho de capital e, assim, reduz a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A situação é tratada pelo Decreto Lei nº 1.598, de 27/12/1977, arts. 391 e 426 do RIR/99: Fl. 3393DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 32 31 (...) Assim, o aproveitamento do ágio ocorre no momento em que o investimento que lhe deu causa foi objeto de alienação ou liquidação. 4. Aproveitamento do Ágio. Encontro entre Investidora e Investida Já o segundo evento aplicase quando a investidora e a investida transformaremse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). O ágio pode se tornar uma despesa de amortização, desde que preenchidos os requisitos da legislação e no contexto de uma transformação societária envolvendo a investidora e a investida. Contudo, sobre o assunto, há evolução legislativa que merece ser apresentada. Primeiro, o tratamento conferido à participação societária extinta em fusão, incorporação ou cisão, atendia o disposto no art. 34 do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 34. Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014)(Vigência) I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014)(Vigência) § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Fl. 3394DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 33 32 b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada períodobase a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) O que se pode observar é que o único requisito a ser cumprido, como perda de capital, é que o acervo líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão estivesse avaliado a preços de mercado. Contudo, para que se consumasse a perda de capital prevista no inciso I, o valor contábil deveria ser maior do que o acervo líquido avaliado a preços de mercado, e tal situação se mostraria viável, especialmente, quando, imediatamente após à aquisição do investimento com ágio, ocorresse a operação de incorporação, fusão ou cisão5. Ocorre que tal previsão se consumou em operações um tanto quanto questionáveis por vários contribuintes, mediante aquisição de empresas deficitárias pagandose ágio, para, em logo em seguida, promover a incorporação da investidora pela investida. As operações ocorriam quase simultaneamente. E, nesse contexto, o aproveitamento do ágio, nas situações de transformação societária, sofreu alteração legislativa. Vale transcrever a Exposição de Motivos da MP nº 1.602, de 19976, que, posteriormente, foi convertida na Lei nº 9.532, de 1997. 11. O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vem utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária, mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. 5 Ver Acórdão nº 1101000.841, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do CARF, da relatora Edeli Pereira Bessa., p. 15. 6 Exposição de Motivos publicada no Diário do Congresso Nacional nº 26, de 02/12/1997, pg. 18021 e segs, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. Fl. 3395DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 34 33 Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. (...) Percebese que, em razão de um completo desvirtuamento do instituto, o legislador foi chamado a intervir, para normatizar, nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, sobre situações específicas tratando de eventos de transformação societária envolvendo investidor e investida. Inclusive, no decorrer dos debates tratando do assunto, chegou se a cogitar que o aproveitamento do ágio não seria uma despesa, mas um benefício fiscal. Em breves palavras, caso fosse benefício fiscal, o próprio legislador deveria ter tratado do assunto, como o fez na Exposição de Motivos de outros dispositivos da MP nº 1.602, de 1997 (convertida na Lei nº 9.532, de 1997). Na realidade, a Exposição de Motivos deixa claro que a motivação para o dispositivo foi um maior controle sobre os planejamentos tributários abusivos, que descaracterizavam o ágio por meio de analogias completamente desprovidas de sustentação jurídica. E deixou claro que se trata de uma despesa de amortização. E qual foram as novidades trazidas pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997? Primeiro, há que se contextualizar a disciplina do método de equivalência patrimonial (MEP). Isso porque o ágio aplicase apenas em investimentos sociedades coligadas e controladas avaliado pelo MEP, conforme previsto no art. 384 do RIR/99. O método tem como principal característica permitir uma atualização dos valores dos investimentos em coligadas ou controladas com base na variação do patrimônio líquido das investidas. As variações no patrimônio líquido da pessoa jurídica investida passam a ser refletidas na investidora pelo MEP. Contudo, os aumentos no valor do patrimônio líquido da sociedade investida não são computados na determinação do lucro real da investidora. Vale transcrever os dispositivos dos arts. 387, 388 e 389 do RIR/99 que discorrem sobre o procedimento de contabilização a ser adotado pela investidora. (...) Resta nítida a separação dos patrimônios entre investidora e investida, inclusive as repercussões sobre os resultados de cada um. A investida, pessoa jurídica independente, em razão de sua Fl. 3396DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 35 34 atividade econômica, apura rendimentos que, naturalmente, são por ela tributados. Por sua vez, na medida em que a investida aumenta seu patrimônio líquido em razão de resultados positivos, por meio do MEP há uma repercussão na contabilidade da investidora, para refletir o acréscimo patrimonial realizado. A conta de ativos em investimentos é debitada na investidora, e, por sua vez, a contrapartida, apesar de creditada como receita, é excluída na apuração do Lucro Real. Com certeza, não faria sentido tributar os lucros na investida, e em seguida tributar o aumento do patrimônio líquido na investidora, que ocorreu precisamente por conta dos lucros auferidos pela investida. E esclarece o art. 385 do RIR/99 que se a pessoa jurídica adquirir um investimento avaliado pelo MEP por valor superior ou inferior ao contabilizado no patrimônio líquido, deverá desdobrar o custo da aquisição em (1) valor do patrimônio líquido na época da aquisição e (2) ágio ou deságio. Para a devida transparência na mais valia (ou menor valia) do investimento, o registro contábil deve ocorrer em contas diferentes: (...) Como se pode observar, a formação do ágio não ocorre espontaneamente. Pelo contrário, deve ser motivado, e indicado o seu fundamento econômico, que deve se amparar em pelo menos um dos três critérios estabelecidos no § 2º do art. 385 do RIR/99, (1)valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, (2) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros (3) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. E, conforme já dito, por ser a motivação adotada pela quase totalidade das empresas, todos os holofotes dirigemse ao fundamento econômico com base em expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida. Tratase precisamente de lucros esperados a serem auferidos pela controlada ou coligada, em um futuro determinado. Por isso o adquirente (futuro controlador) se propõe a desembolsar pelo investimento um valor superior ao daquele contabilizado no patrimônio líquido da vendedora. Por sua vez, tal expectativa deve ser lastreada em demonstração devidamente arquivada como comprovante de escrituração, conforme previsto no § 3º do art. 385 do RIR/99. E, finalmente, passamos a apreciar os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, consolidados no art. 386 do RIR/99. Como já dito, em eventos de transformação societária, quando investidora absorve o patrimônio da investida (ou vice versa), adquirido com ágio ou deságio, em razão de cisão, fusão ou incorporação, resolveu o legislador disciplinar a situação: Fl. 3397DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 36 35 Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art.7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração.(...) (grifei) Fica evidente que os arts. 385 e 386 do RIR/99 guardam conexão indissociável, constituindose em norma tributária permissiva do aproveitamento do ágio nos casos de incorporação, fusão ou cisão envolvendo o investimento objeto da mais valia. 5. Amortização. Despesa. Definido que o aproveitamento do ágio pode darse por meio de despesa de amortização, mostrase pertinente apreciar do que trata tal dispêndio. No RIR/99 (DecretoLei nº 3.000, de 26/03/1999), o conceito de amortização encontrase no Subtítulo II (Lucro Real), Capítulo V (Lucro Operacional), Seção III (Custos, Despesas Operacionais e Encargos). O artigo 299 do diploma em análise trata, no art. 299, na Subseção I, das Disposições Gerais sobre as despesas: (...) Para serem dedutíveis, devem as despesas serem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, e serem usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Fl. 3398DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 37 36 Por sua vez, logo após as Subseções II (Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado) e III (Depreciação Acelerada Incentivada), encontra previsão legal a amortização, no art. 324, na Subseção IV do RIR/997. Percebese que a despesa de amortização de ágio constituise em espécie do gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99. 6. Despesa Em Face de Fatos Construídos Artificialmente (...) Ocorre que, em relação aos casos tratados relativos á amortização do ágio, proliferaramse situações no qual se busca, especificamente, o enquadramento da norma permissiva de despesa. Tratamse de operações especialmente construídas, mediante inclusive utilização de empresas de papel, de curtíssima duração, sem funcionários ou quadro funcional incompatível, com capital social mínimo, além de outras características completamente atípicas no contexto empresarial, envolvendo aportes de substanciais recursos para, em questão de dias ou meses, serem objeto de operações de transformação societária. Tais eventos podem receber qualificação jurídica e surtir efeitos nos ramos empresarial, cível, contábil, dentre outros. Situação completamente diferente ocorre no ramo tributário. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Impossível estender atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas, independente sua espécie, derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. A pessoa jurídica recebe tratamento diferenciado no sistema de tributação (com diferentes opções para apurar seus resultados) porque, essencialmente, tem um efeito multiplicador para a 7 Art. 324. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º). § 1º Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de amortização não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem ou direito, ou o valor das despesas (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 2º). § 2º Somente serão admitidas as amortizações de custos ou despesas que observem as condições estabelecidas neste Decreto (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 5º). § 3º Se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem, terminar antes da amortização integral de seu custo, o saldo não amortizado constituirá encargo no período de apuração em que se extinguir o direito ou terminar a utilização do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 4º). § 4º Somente será permitida a amortização de bens e direitos intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Fl. 3399DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 38 37 sociedade. A pessoa jurídica emprega pessoas, contrata fornecedores, movimenta a economia, multiplica os agentes de produção, e por isso dispõe de bases de cálculo e alíquotas diferentes das aplicadas para a pessoa física. Ora, as pessoas jurídicas devem fabricar produtos, e não despesas fictícias. Admitindose uma construção artificial do suporte fático, consumarseia um tratamento desigual, desarrazoado e desproporcional, que afronta o princípio da capacidade contributiva e da isonomia, vez que seria conferida a uma determinada categoria de despesa uma premissa completamente diferente, uma liberalidade não aplicável à grande maioria dos contribuintes. 7. Hipótese de Incidência Prevista Para a Amortização Realizada análise do ágio sob perspectiva do gênero despesa, cabe prosseguir com a apreciação da legislação específica que trata de sua amortização. (...) Cenário que se encontra disposto nos arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532, de 1997, e nos arts. 385 e 386 do RIR/99, do qual transcrevo apenas os fragmentos de maior interesse para o debate: (...) Percebese claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. (...) E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, coordenou e comandou os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. (...) Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoase o encontro de contas entre o real investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 3400DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 39 38 Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. SCHOUERI8, com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. (...) 8. Consolidação Considerandose tudo o que já foi escrito, entendo que a cognição para a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos pela norma encontramse atendidos e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado. 8 SCHOUERI, Luís Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo : Dialética, 2012 Fl. 3401DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 40 39 A primeira verificação parece óbvia, mas, diante de todo o exposto até o momento, observase que a discussão mais relevante inserese precisamente neste momento, situado antes da subsunção do fato à norma. Falase insistentemente se haveria impedimento para se admitir a construção de fatos que buscam se amoldar à hipótese de incidência de norma de despesa. O ponto é que, independente da genialidade da construção empreendida, da reorganização societária arquitetada e consumada, a investidora originária prevista pela norma não perderá a condição de investidora originária. Quem viabilizou a aquisição? De onde vieram os recursos de fato? Quem efetuou os estudos de viabilidade econômica da investida?Quem tomou a decisão de adquirir um investimento com sobrepreço? Respondo: a investidora originária. Caso superada a primeira verificação, cabe prosseguir com a segunda verificação, relativa a aspectos de ordem formal, qual seja, se a demonstração que o contribuinte arquivar como comprovante de escrituração prevista no art. 20, § 3º do DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977 (1) existe e (2) se mostra apta a justificar o fundamento econômico do ágio. Há que se verificar também (3) se ocorreu, efetivamente, o pagamento pelo investimento. Enfim, referese a terceira verificação a constatar se toda a operação ocorreu dentro de padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes (...) 1.1 DISTEL HOLDING S/A (GLOBOCABO HOLDING S/A) 4. Trata da glosa de despesa de amortização de ágio com base em rentabilidade futura, que se corresponde ao evento descrito como "Aproveitamento do Ágio. Encontro entre Investidora e Investida" no acórdão transcrito no item precedente; o ágio resultou das seguintes operações societárias: a. Em 31/12/1997, o sr. Roberto Marinho transferiu a seus filhos Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho e José Roberto Marinho, por antecipação da legítima, a valor de mercado (conforme doc 2 – Laudo Globopar, com data base 31/12/1997), ações da Globo Comunicações e Participações S/A Globopar, que é a Autuada (controladora da Distel, detendo 94% do capital, pág. 2.851); b. Em 30/07/1998, os filhos integralizaram capital na RJJ Participações e Serviços Ltda, da qual eram os únicos sócios, mediante aporte de 867.870 (segundo o recurso voluntário) ações (86,77%) da Autuada ao valor pelo qual as tinham recebido, ou seja, de mercado; e alienaram para a RJJ, 132.000 (13,23%) ações da Autuada; a fiscalizada informou que estas operações geraram ágio total de R$3.840.832.774,11; dentro deste total, o valor de R$1.703.843.342,00 correspondeu ao ágio da controlada Distel (ou Globocabo), conforme doc 2 – Laudo Globopar, com data base 31/12/1997, pág. 2.851 contudo, cabe destacar que este valor de R$1.703.843.342,00 consta no referido laudo como o valor da Distel (Globocabo), fração de 94% detida pela Globopar tratase o valor, pois, de avaliação econômicofinanceira e não ágio; Fl. 3402DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 41 40 c. Em 01/02/1999, a Autuada incorporou a RJJ (que foi extinta), registrando o ágio de R$1.380.411.829,00 (à pág. 5 do TVF consta demonstração do saldo de R$548.828.743,34 a partir de 01/2011), com base em rentabilidade futura, referente à Distel ou de si mesma – ÁGIO DISTEL 1. d. Em 07/02/2001, a Autuada adquiriu ações Distel, da empresa International Finance Corporation IFC, terceira parte independente, pagando em dinheiro; apurou nessa aquisição o ágio de R$4.671.459,30; às págs. 2.848/2.883, o mesmo doc 2 – Laudo Globopar, com data base 31/12/1997, foi apresentado também para justificar este ágio com base em rentabilidade futura do investimento – ÁGIO DISTEL – 2 e. Em19/10/2002, a Autuada adquiriu ações Distel, da mesma IFC, porém neste caso, o pagamento se deu na forma de permuta: recebeu 7.739.981 ações da Distel e entregou à IFC 32.694.139 ações da Net Serviços de Comunicação S/A; as ações Net que entregou estavam contabilizadas com o ágio de R$29.793.864,89 e à vista deste fato, a Autuada entendeu que esse ágio também se aplicaria às ações da Distel que recebeu e assim contabilizou o mencionado valor como sendo ágio Distel (pag. 6 do TVD, demonstração do saldo de R$24.132.869,17 em 01/2011); ÁGIO DISTEL – 3. f. Em 31/12/2010, a Autuada incorporou a Distel e passou a amortizar os ÁGIOS DISTEL 1, 2 e 3. 5. Os fatos descritos evidenciam que: 1.1.1 o ÁGIO DISTEL – 1 6. Tratase de ágio de si mesma, dado que se refere a investimento que detinha, e o ágio que passou a deduzir foi gerado em operações internas ao grupo empresarial. Em outras palavras, o investimento detido pela Autuada foi reavaliado quando da transferência das ações da Autuada dentro da família; as ações da Autuada foram conferidas à empresa detida pela família, que em seguida foi incorporada pela própria Autuada, que passou a amortizálo. 7. Como exposto no item precedente, a Autuada, que seria a investidora, passa a amortizar ágio referente a si mesma; evidenciase que a Autuada, neste caso, não se enquadra na caracterização da pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, coordenou e comandou os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. 8. Pelo exposto, procedente a glosa. 1.1.2 o ÁGIO DISTEL – 2 9. Resultante de aquisição de terceiro independente e paga em espécie, apesar do laudo ser defasado, cabe cancelar a glosa, por se tratar de situação em que a legislação permite a dedução da amortização, haja vista que a operação foi paga e se deu entre partes independentes. Fl. 3403DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 42 41 1.1.3 o ÁGIO DISTEL – 3 10. Embora se trate de operação realizada com terceiro independente, não há base para o valor do ágio que a Autuada contabilizou; descabida a adoção do valor do ágio de um investimento, como se fosse de outro investimento, sem que este tenha sido objeto de laudo de avaliação; portanto procede a glosa. 1.2 NET SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO S/A 11. Trata da glosa do custo de ágio baixado na alienação do investimento que corresponde ao evento descrito como "Aproveitamento do ágio. Separação entre Investidora e Investida.". a. Estando a Net em dificuldades, com patrimônio líquido negativo, foi feita oferta pública de ações (OPA), a fim de socorrer a empresa; b. As acionistas da Net eram a Autuada, a Distel Holding S/A e a Roma Participações Ltda, todas empresas do mesmo grupo econômico. c. Em 08/2002, a Roma, utilizando os valores de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital – AFAC, de que era credora na Net, pagou a subscrição de capital junto a esta, operação na qual apurou ágio de R$106.127.258,66; em 03/2006, a Roma foi cindida e desta cisão, o investimento na Net foi incorporado pela Autuada; ÁGIO NET – 1. d. Em 08/2002, a Distel, utilizando os valores AFAC, de que era credora na Net, pagou a subscrição de capital junto a esta, operação na qual apurou ágio de R$126.570.198,72; ÁGIO NET – 2. e. Em 12/2003, a Distel adquiriu do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social Participações – BNDESPAR, pagando em espécie mediante financiamento concedido pelo BNDESPAR, ações da Net, contabilizando o ágio de R$311.552.412.91 (relata o Autuante que pagou R$22,57/ação, enquanto o cotação na bolsa era R$0,64); ÁGIO NET – 3. f. Em 12/2010, a Distel foi incorporada pela Autuada. g. Em 09/2012, a Autuada integralizou capital na empresa EG Participações, mediante o aporte das ações da NET, cujos ágios exclui como custo. h. Em 11/2003, alienou a terceiros, em OPA , o restante das ações Net e excluiu o ágio como custo. 12. Verificase que: a. o AGIO NET – 1 se trata de ágio interno ao grupo empresarial: a Roma, acionista da NET, converte AFAC em capital, com ágio; cindida, o investimento com o ágio são incorporados pela Autuada, empresa também do grupo – correta a glosa do valor deste ágio. Fl. 3404DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 43 42 b. o ÁGIO NET – 2, também se trata de ágio interno, dado serem empresas do mesmo grupo econômico, sem participação de terceiro independente – correta a glosa do valor deste ágio. c. o ÁGIO NET – 3, viável reconhecer a dedutibilidade dado que a aquisição se deu de parte independente; não se trata de ágio com base na rentabilidade futura, nem tampouco se trata de amortização de ágio em 60 meses, mas dedução como custo na alienação do investimento – cabe cancelar a glosa do AGIO NET 3. 13. Citemse, por pertinentes, Acórdãos proferidos no CARF: Acórdão nº 9101002.550 de 07/02/2017 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário:2005, 2006, 2007, 2008, 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio que foi gerado internamente ao grupo econômico, sem qualquer dispêndio, e transferido à pessoa jurídica que foi incorporada. Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 19/09/2018 Nº Acórdão 1201002.479 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2011 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. GLOSA. Se os atos de reorganização societária registrados pela recorrente, ainda que formalmente regulares, não configuram uma efetiva aquisição de participação societária mas mera permuta de ativos dentro do grupo de empresas sob controle comum, correta a glosa dos valores amortizados como ágio. Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 22/02/2018 N° Acórdão 1302002.568 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. GLOSA. Os atos de reorganização societária registrados pela recorrente ainda que formalmente regulares, se não configuram uma efetiva aquisição de participação societária, mas mera permuta de ativos dentro do grupo de empresas sob controle comum, sendo correta a glosa dos valores amortizados como ágio efetuada pelo Fisco. ÁGIO. COMPLEMENTARIDADE DAS LEGISLAÇÕES COMERCIAIS E FISCAIS. EFEITOS. Os resultados tributáveis das pessoas jurídicas, apurados com base no Lucro Real, têm como ponto de partida o resultado líquido apurado na escrituração comercial, regida pela Lei n°6.404/1976, conforme estabelecido pelo DL. 1.598/1977. O ágio é fato econômico cujos efeitos fiscais foram regulados pela lei tributária, com substrato nos princípios contábeis geralmente aceitos. Assim, os princípios contábeis geralmente aceitos e as normas emanadas dos órgãos Fl. 3405DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 44 43 fiscalizadores e reguladores, como Conselho Federal de Contabilidade e Comissão de Valores Mobiliários, têm pertinência e devem ser observadas na apuração dos resultados contábeis e fiscais. ÁGIO INTERNO. AUSÊNCIA DE SACRIFÍCIO ECONÔMICO. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO CONTÁBIL. A ausência de um efetivo sacrificio patrimonial por parte da investidora pela aquisição de participações em operações com empresas controladas revelam a falta de substância econômica das operações o que impede o seu registro e reconhecimento contábil, pois neto há efetiva modificação da situação patrimonial. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas aplicase ao lançamento da Contribuição Social sobre o lucro líquido as conclusões relativas ao IRPJ. (Grifouse.) Tipo de Recurso: RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 11/04/2017 Nº Acórdão 1402002.454 Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Anocalendário:2010AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. ÁGIO INTERNO.NÃO CARACTERIZAÇÃO.Os requisitos previstos nos artigos 7º, inciso III e 8º da Lei n° 9.532/97 são autorizadores da amortização do ágio com base na expectativa de rentabilidade futura. São eles: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; e iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Restando suficientemente comprovado nos autos o atendimento adequado a todos os requisitos, não deve subsistir a glosa fiscal equivocada em enquadrar tal operação idônea como aparente abuso de planejamento fiscal, ainda mais sem efetiva comprovação do alegado. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário:2010 AUTOS REFLEXOS. CSLL.A decisão referente às infrações do IRPJ aplicase à CSLL, no que couber. Tipo do Recurso RECURSO DE OFÍCIO, RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 04/05/2016 Nº Acórdão 1301 002.008 Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2010, 2011 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. GLOSA. LANÇAMENTO PROCEDENTE.Correta a glosa de despesas de amortização de ágio, na situação em que referido ágio decorre de reorganizações societárias levadas a efeito dentro de um mesmo grupo empresarial, em curto espaço de tempo, constatandose ainda que o alegado “pagamento” pela suposta aquisição de maisvalia na verdade se tratou de mera transferência de recursos internamente ao grupo econômico. Não se pode admitir que o cumprimento de um alegado objetivo empresarial interno tenha o condão de produzir um fato capaz de reduzir as bases tributáveis, sem que qualquer nova riqueza tenha sido criada ou Fl. 3406DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 45 44 algum custo de fato assumido para a aquisição de riqueza externa. 14. Por também pertinente, reproduzse parte das razões do Acórdão nº 9101003.254, de 05/12/2017, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2003 ÁGIO INTERNO. APROVEITAMENTO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer a participação de uma pessoa jurídica investidora originária, que efetivamente tenha acreditado na "mais valia" do investimento e feito sacrifícios patrimoniais para sua aquisição. Inexistentes tais sacrifícios, notadamente em razão do fato de alienante e adquirente integrarem o mesmo grupo econômico e estarem submetidos a controle comum, evidenciase a artificialidade da reorganização societária que, carecendo de propósito negocial e substrato econômico, não tem o condão de autorizar o aproveitamento tributário do ágio que pretendeu criar. Tampouco se presta o ágio criado de tal forma artificial a impactar o cálculo de ganhos de capital em operações de alienação do investimento a ele associado. Voto: (...) Já a terceira infração tributária apontada pela Fiscalização diz respeito ao indevido aproveitamento tributário do ágio de R$ 255.332.858,04 gerado contabilmente em operações que envolveram a contribuinte KLABIN S.A. e as empresas KLAMASA, IKPC, INDÚSTRIAS KLABIN S.A. e KIV PARTICIPAÇÕES S.A. (doravante mencionada apenas como KIV). (...) Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator (...) 3) Possibilidade de aproveitamento tributário do ágio criado nas operações que envolveram a KLAMASA (...) Importante ressaltar que, quando se estabelece a necessidade de que a investidora arque com a aquisição do investimento com ágio. não se restringe tal operação a uma compra e venda com o desembolso de valores monetários. O dispêndio a que se refere diz respeito a qualquer operação que gere ganhos para o alienante e gastos para o adquirente. Mais do que um pagamento em dinheiro, o que se espera como resultado desta operação é que haja variações patrimoniais para os envolvidos em valores proporcionais ao negócio celebrado. (...) A circulação de riquezas requerida pelo art. 386 do RIR/1999. Fl. 3407DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 46 45 para fins de caracterização do aspecto pessoal da hipótese de incidência, requer obrigatoriamente a participação de um terceiro, externo ao grupo econômico que negocia a participação societária, especificamente na operação que fixa o "custo de aquisição", o "valor de mercado", que será empregado no cálculo do ágio. E neste momento que a participação de um terceiro é necessária, porque somente desta forma é possível garantir que o valor praticado na "aquisição" do investimento é verossímil e apto a ser utilizado como parâmetro de cálculo de um ágio que poderá ser posteriormente convertido em vantagens tributárias para o adquirente da participação societária. No caso concreto, os controladores da IKPC poderiam determinar, em última instância, qualquer valor de "alienação" para as ações da KLAMASA que foram incorporadas em 24/11/2000 porque ocupavam, simultaneamente, as posições de alienante e adquirente da participação societária. Não há sentido em se cogitar da existência de ágio com base em reavaliação promovida unilateralmente pelos controladores, sem que o valor estipulado para a "mais valia" passe pelo crivo de razoabilidade do mercado, por meio da aceitação, por um terceiro nãorelacionado, em arcar com o correspondente ônus (não necessariamente por meio de pagamento, mas de algum sacrifício patrimonial proporcional). 15. Por pertinente, também citase decisão judicial: fonte https://www.ibet.coni.br/505112/: OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DENTRO DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. ÁGIO CONTÁBIL. DEDUÇÃO DO IRPJEDA CSLL. ARTS 385 e 386 DO DECRETO N. ° 3.000/99. IMPOSSIBILIDADE. ORIENTAÇÕES DO CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE E DA CVM. LO direito de deduzir os valores de ágio registrados contabilmente na operação de incorporação, para efeitos de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, tem previsão legal, nos termos dos arts 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). 2. Não obstante, in casu, o reconhecimento do ágio não é factível, visto que decorrente de transação albergada no âmbito de grupo econômico, especialmente considerando a operação de aquisição de 99% das ações da Viação S/A (impetrante) pela empresa Participações Ltda., com posterior registro de incorporação desta pela impetrante. 3. Tal entendimento tem gênese na ciência contábil e foi consagrado pelo Conselho Federal de Contabilidade, que editou a Resolução n.° 1.110/2007, cujo item 120 prevê que o reconhecimento do ágio decorrente de rentabilidade futura, gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado. 4.0 reconhecimento de ágio em operações realizadas por empresas que compõem determinado grupo econômico também é vedado pela Comissão de Valores Fl. 3408DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 47 46 Mobiliários, consoante se depreende do Ofício Circular CVM/SNC/SEP n° 01/2007, que trata de normas contábeis das companhias abertas. 5. Não merece guarida a pretensão da impetrante, especialmente considerando que a configuração do ágio pressupõe operação entre partes independentes com a real intenção de investimento, e não uma negociação consigo mesmo. 6. Como bem ressaltou a magistrada singular, não restou demonstrado o efetivo pagamento do valor investido e posteriormente escriturado como ágio, sem esquecer que a realização da operação por empresas envoltas por determinado grupo econômico impede o seu reconhecimento contábil. 7. Apelação improvida. TRF 3, Apel.002714360.2009.4.03.6100, julg. 02022017. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3° Região, por unanimidade, negar provimento á apelação, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 02 de fevereiro de 2017. (Grifouse.) 1.3 SIGLA SISTEMA GLOBO DE GRAVAÇÕES AUDIOVISUAIS LTDA. 16. Trata da glosa de despesa de amortização de ágio com base em rentabilidade futura, que se corresponde ao evento descrito como "Aproveitamento do Ágio. Encontro entre Investidora e Investida", resultante das seguintes operações societárias: a. Em 31/03/2004, a empresa do grupo, TV Globo Ltda, utilizando os valores AFAC e outros valores, de que era credora na Sigla, empresa também pertencente ao grupo e cujo Patrimônio Líquido era negativo, pagou a subscrição de aumento de capital junto a esta, operação na qual apurou ágio de R$199.487.593,17; porém, como o Laudo de Avaliação da Sigla da CONSEF Consultoria EconômicoFinanceira S/C Ltda apontou seu valor como de R$40 milhões, a TV Globo apenas registrou como ágio de rentabilidade futura R$159.487.593,00. b. Em 31/08/2005, a Autuada incorporou a TV Globo Ltda, controladora da Sigla, que passou a subsidiária da Autuada. c. Em 01/07/2007, a Sigla sofreu cisão parcial e parte da parcela cindida foi incorporada pela Autuada, trazendo o valor de ágio de R$20.800.000,00, que a Autuada passou a amortizar. 17. O Autuante desqualificou o Laudo de Avaliação pois apontou rentabilidade futura da Sigla com base em aumento em 50% do faturamento, enquanto as vendas da empresa vinham diminuindo ano a ano. 18. Concluise que: além de se tratar de ágio gerado internamente no grupo econômico, o valor do ágio não está comprovado – cabendo manter a glosa do ÁGIO SIGLA. Fl. 3409DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 48 47 1.4 GB EMPREENDIMENTOS S/A 19. Trata da glosa do custo de ágio baixado na alienação do investimento que corresponde ao evento descrito como "Aproveitamento do ágio. Separação entre Investidora e Investida.". 20. A autuação fiscal consistiu na exclusão de dois valores a. Exclusão de R$5.420,73, resultantes de: i. Em 05/2004 a Autuada adquiriu 10.000 ações da GB, pagando R$1,00, ou R$0,0001/ação; dado que o Patrimônio Líquido da GB era R$()9.622,90, apurou o ágio de R$9.623,91 ÁGIO GB 1 b. Demais exclusões: i. Exclusão de R$979.059,9: a. Em 12/2005, a Distel adquiriu 20.250.369 ações de aumento de capital da GB, no valor de R$17.820.324,47 (R$0,88/ação); as ações foram pagas com 20.250.369 ações Net; mas 83% foi imediatamente revendido para a Embratel Participações S/A Embrapar, que exerceu seu direito de preferência; por isso, da aquisição restante, resultou ágio no montante de R$927.060,08 – AGIO GB – 2, em relação ao qual a Autuada deduziu em 2012, R$278.118,00, de amortização, glosados na autuação. b. Em 06/2006, a Distel fez novo aumento de capital na GB, 2.304.136 ações, a R$1,14/ação, também pagas com ações Net; resultou dessa aquisição o ágio no montante de R$827.509,21 – ÀGIO GB – 3; nessa ocasião também a Embrapar subscreveu e pagou em dinheiro 11.249.604 ações. A Autuada deduziu como amortização em 2012, R$206.877,30, glosados. c. Em 11/2006 a Distel fez novo aumento de capital na GB, pagos com ações Net, enquanto, a Embratel também realizou aumento de capital na GB, pago em dinheiro; o valor foi R$22,04/ação. O ágio resultante para a Distel foi de R$1.253.237,64 – ÁGIO GB – 4, e o valor deduzido pela Autuada em 2012 foi R$261.091,25, glosados. d. Em 03/2007, a Distel fez novo aumento de capital na GB, pagos com ações Net, enquanto, a Embratel também realizou aumento de capital na GB, pago em dinheiro; o valor foi de R$23,25/ação. O ágio resultante para a Distel foi de R$1.137.728,71 – ÁGIO GB – 5, e o valor deduzido pela Autuada em 2012 foi de R$199.102,47, glosados; e. Em 03/2008, a Distel fez novo aumento de capital na GB, pagos com ações Net, enquanto, a Embratel também realizou aumento de capital na GB, pago em dinheiro; o valor foi de R$1,328/ação. O ágio resultante para a Distel foi de R$451.611,12 – ÁGIO GB Fl. 3410DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 49 48 – 5, e o valor deduzido pela Autuada em 2012 foi de R$33.870,87, glosados; f. Em 10/2010, a Distel, detentora das ações da GB, foi incorporada pela Autuada, que passou a ser detentora desse investimento; g. Em 03/2012, a Autuada vendeu ações da GB, para a Embrapar e a Autuada excluiu como custo o ágio correspondente; h. Em 09/2012, a GB foi cindida, sendo a parcela cindida vendida para e incorporada pela EG e a Autuada excluiu como custo o ágio correspondente. 21. Os valores de ÁGIOs GB 1 a 6 foram deduzidos como custo, na alienação, e glosados. O Autuante apontou a falta de laudos de avaliação das ações da GB, contudo, não se trata de despesa de amortização de ágio de rentabilidade futura, mas dedução como custo na alienação, sendo que as aquisições de ações da GB se deram entre empresas independentes e nas quais a empresa independente Embratel também participou; também as alienações foram para terceiros, não integrantes do grupo econômico. 22. Concluise pela improcedência da glosa dos ÁGIOs GB 1 a 6. 2 Multas. Art. 106, I do CTN 23. Aponta que a vedação para a dedução de despesas com amortização de ágio interno só veio a existir com a Lei nº 12.973, de 2014 (oriunda da MP nº 627, de 2013); que ainda que a norma tivesse caráter interpretativo, sua aplicação retroativa teria de vir sempre acompanhada da exclusão de qualquer penalidade, por força do art. 106, I do CTN; por isso, entende que nem multa isolada, nem de ofício poderiam ter sido aplicadas. 24. Este processo trata de autuações relativas a fatos geradores em 31/12/2012 e 31/12/2013, tendo sido a autuação cientificada ao contribuinte em 12/06/2017 (pág. 2.691). 25. Diferentemente do alegado pela contribuinte, o ágio interno não deixou de ser dedutível somente a partir da Medida Provisória nº 627, de 11 de novembro de 2013, posteriormente convertida na Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, pois esta norma materializou posição já consolidada na ciência contábil e na jurisprudência administrativa que aliás se transcreveu neste voto. O princípio contábil de registro dos componentes do patrimônio pelo valor original ou histórico já existia bem antes de 2005, época dos fatos em questão. 26. A Comissão de Valores Mobiliários CVM é uma entidade autárquica em regime especial, vinculada ao Ministério da Fazenda, com personalidade jurídica e patrimônio próprios, dotada de autoridade administrativa independente, ausência de subordinação hierárquica, mandato fixo e estabilidade de seus dirigentes, e autonomia financeira e orçamentária. tem como objetivo fiscalizar, normatizar, disciplinar e desenvolver o mercado de valores mobiliários no Brasil, ou seja, as sociedades anônimas abertas, entre outras; analogamente ao caso das Lei das Sociedades Anônimas, que embora dirigida às sociedades anônimas, também serve de norte para as sociedades limitadas, assim as diretrizes da CVM norteiam também as sociedades anônimas fechadas, mesmo porque, pode decidir a abertura de seu capital em dado momento. 27. E a CVM. além de reprovar a contabilização de ágio interno em diversos casos específicos, consubstanciou de forma geral e inequívoca o seu posicionamento no Oficio Fl. 3411DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 50 49 Circular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007, de 14 de fevereiro de 2007. Neste ato, a autarquia federal condena de maneira veemente o reconhecimento de ágio gerado em operações em que não há pagamento e nas quais tampouco as partes sejam independentes. O fragmento abaixo transcrito resume a taxativa posição da CVM em relação ao ágio interno: "20.1.7 "Ágio" gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação 28. O registro do ágio na aquisição de participações societárias, nos termos do artigo 385 do RIR/99, pressupõe um custo de aquisição que não se faz presente nos casos de reorganizações societárias entre partes relacionadas, haja vista, como já exposto, que não resulta em variação patrimonial nas empresas envolvidas que constituam um grupo econômico. 29. Quanto à jurisprudência administrativa, à época dos fatos geradores objeto da autuação, 31/12/2012 e 31/12/2013, citam se os seguintes Acórdãos: Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 14/06/2012 Nº Acórdão 1402001.080 -Tributo / Matéria Ementa(s) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2005 GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO (ÁGIO DE SI MESMO) E CONCOMITANTE TRIBUTAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL. IMPOSSIBILIDADE. As premissas básicas para amortização de ágio, com fulcro nos art. 7o., inciso III, e 8o. da Lei 9.532 de 1997, são: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Nesse contexto, correta a glosa da amortização do chamado “ágio interno” ou “ágio de si mesmo”. Todavia, desconsiderados os efeitos tributários da amortização do ágio, em face da artificialidade das operações e da falta de propósito negocial, também não é cabível a concomitante tributação de ofício do ganho de capital apurado nessas operações. Uma vez que o Grupo Empresarial reconheceu tacitamente a impropriedade, desistindo do recurso no que tange a glosa do ágio e respectiva multa de ofício, cumpre cancelar a tributação do ganho de capital, determinandose sejam escoimados todos os efeitos contábeis e fiscais dessas operações. (Grifouse.) Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO, RECURSO DE OFÍCIO Fl. 3412DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 51 50 Data da Sessão 08/05/2012 Ementa(s) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 (...). AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA COM ÁGIO. DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO RECONHECIDA. AUSÊNCIA DE ABUSO DE DIREITO. A aquisição de participação societária de uma determinada empresa, com ágio, por outra que venha a ser incorporada, permite a dedução do ágio pago, no cálculo do lucro real, pela incorporadora, haja vista que se extinguiu o investimento anteriormente realizado com a incorporação às avessas, a teor do inciso II do § 6° do artigo 386 do RIR/99. A existência de documento (demonstrativo ou laudo) que contempla por metodologia o valor dos ativos em razão de rentabilidade futura permite que a contribuinte realize o aproveitamento do ágio apurado. Inexistência de ágio interno, visto que o valor do ágio apurado na aquisição da Celpe foi transmitido às demais empresas pelo mesmo valor, conforme laudos juntados nos autos. Empresa veículo utilizada sob fundamento econômico devidamente justificado nos autos. (Grifouse.) Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 14/06/2012 Nº Acórdão 1402001.078 Ementa(s) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2005, 2006 GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO (ÁGIO DE SI MESMO) E CONCOMITANTE TRIBUTAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL. IMPOSSIBILIDADE. As premissas básicas para amortização de ágio, com fulcro nos art. 7o., inciso III, e 8o. da Lei 9.532 de 1997, são: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Nesse contexto, correta a glosa da amortização do chamado “ágio interno” ou “ágio de si mesmo”. Todavia, desconsiderados os efeitos tributários da amortização do ágio, em face da artificialidade das operações e da falta de propósito negocial, também não é cabível a concomitante tributação de ofício do ganho de capital apurado nessas operações. Uma vez que o Grupo Empresarial reconheceu tacitamente a impropriedade, desistindo do recurso no que tange a glosa do ágio e respectiva multa de ofício, cumpre cancelar a tributação do ganho de capital, determinando se sejam escoimados todos os efeitos contábeis e fiscais dessas operações. (Grifouse.) Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 04/12/2012 Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 (...)DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária Fl. 3413DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 52 51 realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. (Grifouse.) Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 09/10/2013 Nº Acórdão 1101000.969 -Tributo / Matéria Ementa(s) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço a terceiros . (Grifouse.) 30. Destacase que decisões no sentido de que ágio interno seria amortizável como despesa foram reformadas, conforme se relata a seguir. a. Acórdão nº 101000.710, 11/04/2012, foi reformado pelo acórdão a seguir: Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Data da Sessão 13/07/2016 Nº Acórdão 9101002.389 Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010Ementa: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO.Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio que foi gerado internamente ao grupo econômico, sem qualquer dispêndio, e transferido à pessoa jurídica que foi incorporada. Recurso Especial do Procurador Provido. (Grifouse.) b. Acórdão nº 101000.709, 11/04/2012, foi reformado pelo acórdão a seguir: Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR- Data da Sessão 13/07/2016 Nº Acórdão 9101002.390 -Tributo / Matéria Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJAnocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010Ementa:AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO.Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio que foi gerado internamente ao grupo econômico, sem qualquer dispêndio, e transferido à pessoa jurídica que foi incorporada.Recurso Especial do Procurador Provido. (Grifou se.) c. Acórdão nº 101000.708, 11/04/2012, foi reformado pelo acórdão a seguir: Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Data da Sessão 13/07/2016 Nº Acórdão 9101002.388 Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJAnocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 Ementa: Fl. 3414DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 53 52 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio que foi gerado internamente ao grupo econômico, sem qualquer dispêndio, e transferido à pessoa jurídica que foi incorporada.Recurso Especial do Procurador Provido. (Grifouse.) d. Acórdão nº 101000.835, 04/12/2012, foi reformado pelo acórdão a seguir: Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR- Data da Sessão 03/05/2016 Nº Acórdão 9101002.312 Ementa(s) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICOTRIBUTÁRIO. 0 conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, e tratase de instituto jurídicotributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendose aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontramse atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 10/12/1997 se dirigem As pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) Fl. 3415DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 54 53 pessoa jurídica investida. Devese consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolidase cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, tomase o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Recurso Especial do Procurador Provido. 31. Pelo exposto, concluise ser descabido o pleito para que se cancelem as multas de ofício e as multas isoladas, especialmente se levando em conta que a teor do art. 142 do CTN, o lançamento fiscal é dever funcional da autoridade administrativas, e o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que ao lançamento de ofício se aplica a multa de ofício, assim como multa isolada em caso de não recolhimento das estimativas mensais. 3 Multas isoladas sobre estimativas mensais não recolhidas. 32. Reclama que a multa isolada de 50% sobre estimativas mensais não recolhidas não poderia ter sido lançada cumulativamente com a multa de ofício, sendo ambas relativas à mesma infração. 33. Sobre os impostos e contribuições devidos exigemse multa de ofício de 75% do art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação do art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007; e multa isolada do art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação do art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 34. A redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 originalmente foi: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas Fl. 3416DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 55 54 I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (Revogado pela Lei nº 9.716, de 1998) (Grifouse.) 35. Posteriormente, a multa isolada que era de 75%, conforme a redação do art. 44 que se transcreveu, foi reduzida a 50%, pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, que é a capitulação legal na presente autuação. 36. Portanto, as multas aplicadas, obedecerem à legislação vigente. 37. As multas exigidas, juntamente com o tributo ou isoladamente, como definidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, vinculamse a infrações de natureza distinta. De fato, a multa exigida isoladamente decorre da falta de recolhimento das estimativas mensais devidas ainda que se apure prejuízo fiscal ao fim do períodobase. Por sua vez a multa de ofício é exigida sobre o valor do IRPJ ou CSLL anual que deixou de ser recolhido. Tanto são independentes as penalidades que pode haver a imposição de uma sem que haja o nascimento da outra, por exemplo, quando a contribuinte deixa de recolher as estimativas mas tenha apurado prejuízo fiscal ao final do anocalendário, conforme a alínea “b” do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. 38. Por final, afirmou o litigante que o entendimento que expôs exposto também tem chancela do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. 39. Não é o caso, como demonstra a ementa a seguir: Acórdão CSRF nº 9101002.510, de 12 de dezembro de 2016 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JlRIDICA IRPJ Anocalendario: 2008. 2009 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória n° 351, de 2007, no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela Fl. 3417DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 56 55 apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmai que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente. No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF n° 105. eis que a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória n° 351, de 2007, no art. 44 da Lei n° 9.430. de 1996. 40. Em 12/2014, foi editada: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. 41. Posteriormente à edição da Súmula nº 105, foi proferido o seguinte Acórdão CARF, do qual se transcrevem ementa e parte do voto vencedor: Data da Sessão: 03/03/2015 Nº Acórdão : 1301001.787 Data da publicação: 11/05/2015 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas, e, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO no que diz respeito à tributação do ganho de capital. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator) e Valmir Sandri. E, pelo voto de qualidade, mantida a multa isolada. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães relativo ao ganho de capital e à multa isolada. (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES REGO Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. (Assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson Da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: (...) MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. No caso de aplicação de multa de ofício sobre os tributos e contribuições lançados de ofício e de multa isolada em virtude da falta ou insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas), não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência, visto que resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. Inexiste, também, fator temporal limitador da aplicação da multa isolada, eis que a lei Fl. 3418DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 57 56 prevê a sua exigência mesmo na situação em que as bases de cálculo das exações são negativas. CONFISCO E CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. INCONSTITUCIONALIDADES. SÚMULA CARF N. 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (...) 42. Voto Vencedor: “No que diz respeito à MULTA ISOLADA, merece registro, em primeiro lugar, o fato de inexistir na lei instituidora da sanção a condição explicitada pelo Ilustre Conselheiro Relator, isto é, a lei, ao descrever as situações motivadoras da aplicação da penalidade, não fez menção à circunstância de que, encerrado o período de apuração, a penalidade não poderia ser aplicada. Destaco que a norma impositiva estabelece de forma expressa que, ainda que se tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa, a sanção pecuniária deve ser aplicada, bastando para tanto que o sujeito passivo tenha incorrido na sua hipótese de incidência, qual seja, deixar de ter efetuado (ou ter efetuado com insuficiência) o recolhimento mensal incidente sobre a base de cálculo estimada. A conclusão, pois, dirigese no sentido de que o requisito condicionador da aplicação da penalidade indicado no pronunciamento do Ilustre Conselheiro Relator decorre de exercício de interpretação da norma sancionadora que, na visão do Colegiado, não pode ser recepcionado, sob pena de violação ao disposto no art. 97 do Código Tributário Nacional Filiouse também a Turma Julgadora ao entendimento de que inexiste duplicidade de incidência sobre um mesmo fato (concomitância), pois, na situação sob análise, estamos diante de duas infrações distintas, quais sejam: a) falta de recolhimento do imposto e da contribuição sobre o ganho de capital auferido; e b) falia de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas). O entendimento é de que a norma legal aplicada, art. 44 da Lei n°. 9.430/96, revela obrigações distintas que, uma vez inobservadas, podem ensejar a aplicação da sanção. A primeira, consubstanciada no dever de recolher o imposto e a contribuição com base em estimativa a que se submetem as pessoas jurídicas que, por opção, apuram o resultado tributável anualmente. A segunda, decorrente da opção em questão, surge em consequência da eventual apuração de saldo positivo no resultado tributável anual. O fato de as infrações terem sido apuradas por meio de um mesmo procedimento revela, apenas, concomitância de verificação das irregularidades, não constituindo, contudo, causa capaz de fazer desaparecer a infração antes cometida. A variação do aspecto temporal da apuração reflete a evidência de que, no caso, estamos diante de duas infrações absolutamente distintas. Tomese, por exemplo, a situação em que, no curso do períodobase de incidência, apurouse receita omitida e, em razão disso, aplicouse a multa isolada em virtude da insuficiencia de recolhimento das estimativas devidas. Noutro momento, restou verificado que a mesma receita, antes omitida, também não foi considerada nas bases de cálculo do tributo e da contribuição devidos. Fica claro que, nessa circunstância, o tributo, assim como a contribuição, serão lançados com a multa de ofício correspondente, não havendo que se falar, nesse caso, em duplicidade de sanção sobre o mesmo fato. Cabe registrar que a multa isolada em questão teve por fundamento o art. 44, II, b, da Lei n° 9.430, de 1996, ou seja, com as alterações introduzidas pela Lei n° 11.488. de 2007. de modo que, aqui, não é aplicável a súmula CARF n° 105, recentemente publicada e que abaixo reproduzo: Súmula CARF Nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º. inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de oficio por falta de pagamento de IRPJ e CSLL Fl. 3419DF CARF MF Processo nº 16682.720857/201712 Acórdão n.º 1201002.496 S1C2T1 Fl. 58 57 apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de oficio. (GRIFEI) Notese que o enunciado trata especificamente da multa isolada lançada com fundamento no art 44, § 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430, de 1996, isto é, na redação original do dispositivo legal, antes, portanto, das alterações promovidas pela Lei n0 11.488, de 2007.” (Grifouse.) 43. Fica evidente, portanto, que a legislação da multa isolada da presente capitulação legal não é a que é objeto da Súmula CARF nº 105. 44. A presente autuação foi com base no art. 44, § 1º, IV da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação do art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, c/c o art. 106, II “c” do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que reduziu o percentual de 75% para 50%, não se lhe aplicando, portanto a citada Súmula CARF nº 105. 45. Cabe manter a multa de ofício de 75% pela falta de declaração ou pagamento do imposto devido e a multa isolada de 50% pela falta de recolhimento das estimativas mensais, pelas quais optou. 4 Conclusão. Voto por DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário para cancelar as glosas referentes a: Agio Distel 2; Ágio Net 3; Ágios GB 1, 2, 3, 4 , 5 e 6. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 3420DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.004070/2007-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/01/2001 a 31/12/2006
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, afastando a aplicação de comando normativo vigente em função e inconstitucionalidade, conforme Súmula CARF no 2.
Numero da decisão: 3401-005.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso apresentado, e, na parte conhecida, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(atual denominação de CILASI ALIMENTOS LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/01/2001 a 31/12/2006 ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, afastando a aplicação de comando normativo vigente em função e inconstitucionalidade, conforme Súmula CARF no 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso apresentado, e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 40 70 /2 00 7- 50 Fl. 551DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre o formulário de Pedido de Restituição de fl. 21, registrado em 07/05/2007, invocando crédito decorrente da inconstitucionalidade da incidência de PIS e COFINS sobre ICMS inserido no preço da matériaprima, em valor de R$ 2.986.277,41, vinculando o crédito a compensações. No Despacho Decisório de fls. 348 a 353, o pedido é considerado não formulado, e as compensações não declaradas, pelos seguintes fundamentos: (a) o pedido de restituição somente pode ser efetuado em formulário pelo contribuinte, em vez de gerado eletronicamente a partir do programa PER/DCOMP e transmitido à RFB pela Internet, se comprovada, de forma cabal e suficiente, a impossibilidade ou a ocorrência de falha na utilização do programa, sob pena de ser considerado não formulado (IN/SRF no 600/2005, arts. 31, 76, §§ 2o ao 4o); (b) não são homologadas as compensações em que o alegado crédito nelas utilizado seja oriundo de pedido de restituição considerado não formulado; (c) são consideradas não declaradas as compensações em que o crédito nelas utilizado tenha como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei; e (d) o ICMS integra o preço da mercadoria ou serviço e consequentemente a receita bruta sobre a qual incide o PIS e a COFINS; quando conhecido o valor do ICMS cobrado no regime de substituição tributária, esse imposto não integra a base de cálculo da contribuição devida pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Ademais, destaca o despacho decisório que o pedido de restituição não estava assinado por dois diretores da empresa, conforme dispõe o contrato social. Ciente do despacho decisório em 28/08/2012, a empresa apresenta Manifestação de Inconformidade em 27/09/2012 (fls. 409 a 457), onde alega que: (a) a exigência de transmissão eletrônica, ao invés de formulário, ofende o direito de petição constitucionalmente assegurado (art. 5o, XXXIV, “a” da CF/1988), além de outros comandos constitucionais; e (b) é inconstitucional a exigência de ICMS na base de cálculo de PIS e COFINS. Intimado o contribuinte a regularizar em cinco dias as assinaturas no formulário de pedido de restituição, em 01/02/2013 (fls. 461/462), apresentase, à fls. 467, ratificação do pedido, com as assinaturas de dos diretores da empresa, em 08/02/2013. A decisão de primeira instância, proferida em 22/01/2015 (fls. 485 a 491) foi, unanimemente, pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade no que se refere a ter sido considerado não formulado o pedido de restituição apresentado em papel, e, na parte restante, referente à inclusão de ICMS na base de cálculo das contribuições, pela improcedência da manifestação de inconformidade, por não haver previsão legal para a exclusão. Destaca ainda o julgador de piso que “apenas os débitos constantes das declarações de compensação não homologadas (PER/DCOMP transmitidos entre 18/05/2007 e 03/12/2008) permanecem com a exigibilidade suspensa até que ocorra o julgamento do recurso”. Após ciência da decisão da DRJ, em 28/05/2015 (AR à fl. 501), a empresa apresenta o Recurso Voluntário de fls. 504 a 524, em 15/06/2015, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando considerações sobre os princípios da proporcionalidade, da vedação ao confisco e da ampla defesa e do contraditório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 552DF CARF MF Processo nº 11610.004070/200750 Acórdão n.º 3401005.431 S3C4T1 Fl. 552 3 Em 15/06/2015, o recurso apresentado é encaminhado ao CARF (fl. 548), sendo distribuído a este relator, por sorteio, em junho de 2018. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator A peça apresentada a título de recurso voluntário respeitou o prazo de 30 dias da ciência da decisão de piso. No entanto, é preciso recordar que a decisão de piso não conheceu da manifestação de inconformidade interposta, no que se refere a ter sido considerado não formulado o pedido de restituição apresentado em papel. Há que se retomar, assim, preliminarmente, a origem do contencioso, para verificar o cabimento do conhecimento dos temas manejados na peça recursal. No Pedido de Restituição de fl. 2, com protocolo de 07/05/2007, e carimbo de “RECEBIDO POR INSISTÊNCIA”, a empresa utilizou o formulário Anexo à IN SRF no 600/2005, para solicitar restituição de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS de janeiro de 2001 a dezembro de 2006, por “inconstitucionalidade na incidência de PIS e COFINS sobre ICMS inserido no preço da matéria prima”. Anexa a empresa planilhas gerais de “impostos a recuperar” às fls. 5 a 7, e informa que “Notas fiscais e livros de entrada, a disposição da fiscalização na sede da empresa” e que “Deixamos de juntar o mapa mês a mês por nota fiscal, considerando um volume elevado de aproximadamente 5000 (cinco mil) paginas”. Às fls. 33/34 apresentase resumo das DCOMP transmitidas pela empresa, de 18/05/2007 a 16/06/2010 (dados completos às fls. 35 a 336), invocando o crédito postulado. No Despacho Decisório, a unidade local da RFB detecta que o pedido de restituição não estava conforme o estatuto social (que exigia assinatura conjunta), e não se revestia da forma exigida na norma que disciplinava a matéria (IN SRF no 600/2005, arts. 31 e 76), devendo ser considerado como não formulado, o que se endossa, para as DCOMP transmitidas entre 11/12/2008 e 16/06/2010, que devem ser consideradas não declaradas, por norma legal (nova redação dada pela Medida Provisória no 449/2008 à Lei no 9.430/1996, art. 74), visto que o crédito teria amparo em alegação de inconstitucionalidade de lei. Acrescenta anda ter havido decadência do direito de pleitear a restituição (demandada em 07/05/2007) para valores anteriores a 08/05/2002. E, no mais, informa que as exclusões da base de cálculo das contribuições são apenas as expressamente previstas na lei de regência. O despacho decisório considerou não formulado o pedido de restituição, o que bastaria para a negativa de crédito. Mas, paradoxalmente (ou mesmo alternativa e preventivamente, ou em endosso) não homologou as compensações de 18/05/2007 até 03/12/2008 e considerou não declaradas as posteriores a 03/12/2008. Para tais não homologações, possibilitouse a interposição de manifestação de inconformidade. Fl. 553DF CARF MF 4 Verificando a legislação invocada no despacho decisório, percebese, efetivamente, que a IN SRF no 600/2005, em seus arts. 31 e 76, dispõe: “Art. 31. A autoridade competente da SRF considerará não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2 o a 4o do art. 77, não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação. (...) § 2º Às hipóteses a que se refere o caput e o § 1o não se aplica o disposto nos §§ 2 o e 4 o do art. 26 e nos arts. 29, 30 e 48. (...) Art. 76. Ficam aprovados os formulários Pedido de Restituição, Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito, Pedido de Ressarcimento de IPI – Missões Diplomáticas e Repartições Consulares, Declaração de Compensação e Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado constantes, respectivamente, dos Anexo I, II, III, IV e V. § 1o A SRF disponibilizará, no endereço < http://www.receita.fazenda.gov.br >, os formulários a que se refere o caput. § 2 o Os formulários a que se refere o caput somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerida ou declarada eletronicamente à SRF mediante utilização do Programa PER/DCOMP. § 3º A SRF caracterizará como impossibilidade de utilização do Programa PER/DCOMP, para fins do disposto no § 2o, no § 1 o do art. 3 o, no § 3 o do art. 16, no § 1 o do art. 22 e no § 1 o do art. 26, a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento ou de compensação no aludido Programa, bem como a existência de falha no Programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. § 4 o A falha a que se refere o § 3o deverá ser demonstrada pelo sujeito passivo à SRF no momento da entrega do formulário, sob pena do enquadramento do documento por ele apresentado no disposto no art. 31. § 5o Aos formulários a que se refere o caput deverá ser anexada documentação comprobatória do direito creditório.” (grifo nosso) Daí resta claro o porquê do carimbo de “RECEBIDO POR INSISTÊNCIA”, no protocolo do Pedido de Restituição. O pedido não obedecia à norma de regência, que determinava a utilização do programa PER/DCOMP, ou, em caso de atestada impossibilidade, Fl. 554DF CARF MF Processo nº 11610.004070/200750 Acórdão n.º 3401005.431 S3C4T1 Fl. 553 5 a utilização do formulário, justificadamente, com a documentação comprobatória do direito de crédito. E a empresa nem justificou a utilização do formulário, em detrimento do programa específico, nem agregou a documentação comprobatória, apenas fazendo menção de que a estava à disposição do fisco. Para tal pedido, considerado não formulado, sequer se instaurou litígio na forma do Decreto no 70.235/1972. Por isso a DRJ não conhece, acertadamente, da manifestação de inconformidade em relação a este tema. Apesar de ter sanado a questão referente à assinatura conjunta dos diretores, antes da decisão da DRJ, a empresa, em suas peças de defesa, jamais justificou a utilização do formulário, limitandose a entender que podia efetuar o pedido de restituição da forma que melhor entendesse, sem limitações formais, o que estaria amparado pelo direito de petição constitucionalmente previsto. Assim, além de não haver o que efetivamente analisar na defesa, em relação a este primeiro tema, visto que a única argumentação é de índole constitucional, e, portanto, ceifada pela Súmula CARF no 2, neste tribunal administrativo, é de se endossar que não se instaurou, em relação ao tema, litígio sob o rito do Decreto no 70.235/1972, falecendo a este colegiado competência para o tratamento da questão. Ambas as observações levam a um mesmo destino para esta primeira parte do recurso voluntário: o não conhecimento. Por expressa disposição legal (nova redação dada pelo art. 29 da Medida Provisória no 449/2008 ao art. 74 da Lei no 9.430/1996), também não se conhece da peça recursal no que se refere às DCOMP transmitidas entre 11/12/2008 e 16/06/2010, consideradas não formuladas. Em relação ao tema, novamente opera a Súmula CARF no 2, não podendo este tribunal se opor ao comando legal expresso, seja em nome de princípios constitucionais elencados pela empresa (proporcionalidade, não confisco...), seja por ser a Lei no 9.784/1999 de aplicação apenas subsidiária no processo administrativo fiscal, conforme esclarece seu próprio texto (art. 69). Destaquese, para arrematar a parte preliminar deste voto, tema para o qual se operou preclusão. No despacho decisório, destacou a autoridade fiscal (fl. 351): “11. A seu turno, o direito de pleitear a restituição, ou de utilizar o alegado crédito na compensação alternativamente à restituição, já havia sido extinto pela decadência à data da protocolização do pedido (07/05/2007), em relação aos valores de datas anteriores a 08/05/2002, com o transcurso do prazo quinquenal (Lei no 5.172/66 CTN, arts. 165, I e 168, I, Ato Declaratório SRF n.º 96/99), como se pode depreender do demonstrativo trazido pela interessada (fl. 05).” E, como destaca a DRJ, a empresa sequer tratou deste tema em sua manifestação de inconformidade, pelo que se caracteriza preclusão. E, de fato, a empresa sequer versa sobre o tema, novamente, na peça apresentada a título de recurso voluntário. Fl. 555DF CARF MF 6 Inconteste, assim, a preclusão em relação a pagamentos apontados como indevidos anteriores a 08/05/2002. Pelo exposto, preliminarmente, não conheço do recurso voluntário no que se refere às alegações de índole constitucional, vinculadas ao pedido formulado em desacordo com a norma de regência, e no que se refere às compensações transmitidas entre 18/05/2007 a 16/06/2010, entendendo preclusa a discussão sobre quaisquer valores referentes a pagamentos apontados como indevidos anteriores a 08/05/2002. Resta a discutir, então, o tema referente às compensações consideradas não homologadas, transmitidas entre 18/05/2007 e 03/12/2008, como estabelece o despacho decisório (fl. 352): “13. Assim, pelas razões expendidas, proponho considerar não formulado o pedido de restituição, não homologar as compensações objeto das declarações de compensação de fls. 35 a 180 e considerar não declaradas as compensações objeto das declarações de compensação de fls. 181 a 336.” (grifo nosso) Temos que reconhecer que apesar de o pedido de restituição ter sido efetuado em desacordo com a forma prevista na legislação, as compensações foram transmitidas no sistema próprio, invocando os citados créditos de janeiro de 2001 a dezembro de 2006, em PER/DCOMP, com universo aqui já reduzido para 08/05/2002 a 31/12/2006. Por isso, parece a unidade local da RFB, no despacho decisório, ter superado a questão referente a não se considerar formulado o pedido de restituição em que se fundamentaram as compensações, ao considerar estas como não homologadas, dando margem a manifestação de inconformidade, ainda que parcial. E, sobre esse tema, sem que isso importe aquiescência ao procedimento adotado pela unidade da RFB, não se efetuará revisão em prejuízo da defesa, nesta instância administrativa. Parece ter a DRJ a mesma postura, ao efetivamente analisar as compensações para as quais se considerou haver manifestação de inconformidade (fl. 491): “Por fim, esclareço que apenas os débitos constantes das declarações de compensação não homologadas (PER/Dcomps transmitidos entre 18/05/2007 e 03/12/2008) permanecem com a exigibilidade suspensa até que ocorra o julgamento do recurso, pois à manifestação de inconformidade aplicase o disposto no inc. III do art. 151 do Código Tributário Nacional CTN, conforme § 11 do art. 74 da Lei no 9.430/96, incluído pelo art. 17 da Lei no 10.833/2003” (grifo nosso) Haveria dois temas a analisar, para tais compensações, um jurídico e outro de fato: (a) se a composição da base de cálculo das contribuições contempla ou não o ICMS; e (b) se a empresa fez prova em relação ao alegado, no pedido de restituição. Em relação ao primeiro, este colegiado tem se posicionado frequentemente pelo sobrestamento do feito, aguardando o trânsito em julgado RE no 574.706/PR (posicionamento em relação ao qual tenho restado vencido, por entender ser constitucional a inclusão até transito em julgado da decisão judicial definitiva em sentido diverso). Mas, no caso em análise, no qual sequer se faz prova em relação ao alegado, no pedido, sobre o tema, Fl. 556DF CARF MF Processo nº 11610.004070/200750 Acórdão n.º 3401005.431 S3C4T1 Fl. 554 7 tal questão se apresenta como secundária, visto que ausentes a certeza e a liquidez necessárias ao deferimento do pleito, pelo que o processo pode ser apreciado, de imediato. As matérias constantes do recurso voluntário, repitase, são todas de índole constitucional, e, por consequência, limitadas neste colegiado pela Súmula CARF no 2. Esclareçase, em adição, que a empresa não invoca qualquer tutela judicial para seu pleito, limitandose a discutir os temas administrativamente, em pedido de restituição avesso às normas que regiam a matéria, como já se destacou, e ao desamparo da certeza e da liquidez necessárias ao atendimento do pleito. Assim, na parcela conhecida do recurso, e que restou a ser analisada, não merece prosperar a argumentação de defesa. Pelo exposto, voto por conhecer em parte do recurso apresentado, e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 557DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907899/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Diferentemente da compensação, por ausência de compensação legal, não será considerada tacitamente homologada a restituição, objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, após o prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO.
A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 3201-004.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Diferentemente da compensação, por ausência de compensação legal, não será considerada tacitamente homologada a restituição, objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, após o prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO. A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Diferentemente da compensação, por ausência de compensação legal, não será considerada tacitamente homologada a restituição, objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, após o prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO. A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 78 99 /2 01 1- 15 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10930.907899/201115 Acórdão n.º 3201004.381 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face de decisão da DRJ/Curitiba que manteve o despacho decisório emitido pela DRF/Londrina, que, por sua vez, não reconheceu os créditos pleiteados. Segundo o despacho decisório, a restituição foi indeferida porque o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito declarado em DCTF transmitida pela interessada. Na manifestação apresentada, a interessada alega que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, teve a sua inconstitucionalidade declarada pelo STF. Salienta que a manifestação contida no despacho decisório decorre de informação prestada em DCTF nos anos de 2000 a 2004, ou seja, consoante previsão legal então vigente. Acredita que a conclusão deve ser a de procedência do pedido, afinal, nos termos das decisões existentes as receitas não operacionais devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Salienta que as declarações prestadas anteriormente devem ser revistas e diz que para ocorrer o deferimento bastará à Autoridade Julgadora proceder à análise das DCTF apresentadas, tendo por base planilha anexada à manifestação. O Acórdão 06055.588, DRJ em Curitiba, possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO. A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não tem relação e portanto não autoriza a restituição de PIS ou de Cofins, calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, respectivamente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Em seu Recurso Voluntário a contribuinte reforçou as argumentações apresentadas em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10930.907899/201115 Acórdão n.º 3201004.381 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.371, de 24/10/2018, proferido no julgamento do processo 10930.907128/201110, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.371): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, merece conhecimento o tempestivo Recurso Voluntário. Sobre o pedido de homologação tácita, verificase que esta não ocorreu, apesar do prazo de cinco anos do pedido administrativo (30/06/05) até a data do Despacho Decisório de fls 5 (02/12/2011) ter vencido. Será considerada tacitamente homologada, somente a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. Entre muitos precedentes neste Conselho, a homologação tácita ganhou destaque no julgamento do Acórdão 9303003.456, na Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, em fevereiro de 2016, na relatoria do professor Valcir Gassen. Contudo, a grande maioria dos precedentes deste Conselho não aplicou a homologação tácita em pedidos de restituição, desacompanhados da declaração de compensação, por ausência de previsão legal. Este é o caso dos autos. Portanto, não merece provimento a alegação preliminar. Com relação ao mérito, como bem exposto na decisão de primeira instância, a mencionada inconstitucionalidade do denominado "alargamento da base de cálculo do Pis e Cofins" não se aplica ao regime não cumulativo, isto porque a Lei n.º 9718/98, que foi objeto do mencionado julgamento no STF, trata somente do Pis e Cofins no regime cumulativo. Assim, a decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10930.907899/201115 Acórdão n.º 3201004.381 S3C2T1 Fl. 5 4 Diante do exposto, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 159DF CARF MF
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