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Numero do processo: 11040.902467/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1405; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.902467/200982 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.654 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2017 Matéria IRPJ/CSLL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente FRIGORÍFICO MIRAMAR LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 24 67 /2 00 9- 82 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11040.902467/200982 Acórdão n.º 1402002.654 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da DRF que não reconheceu direito creditório de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), não homologando as compensações com base no valor pretendido. A interessada apresentou PER/Dcomp informando disponibilidade de crédito em seu favor, derivada do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ, efetuado por Darf. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão da DRF e apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade. A contribuinte alega a existência de pagamento a maior do tributo. Sustenta que as divergências foram devidas a erro no preenchimento da DCTF: as informações de recolhimentos de IRPJ e CSLL não foram relacionadas no trimestre de sua competência e sim em outro trimestre. Acrescenta que a DIPJ também não relacionou, equivocadamente, os pagamentos por estimativa. Reconhece que haveria que se retificar a DCTF e DIPJ. A manifestação de inconformidade restou julgada improcedente, não lhe reconhecendo o direito creditório. Essencialmente, o contribuinte não teria apresentado provas do erro alegado e admitido pelo contribuinte, na forma dos arts. 15 e 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, posto que o Darf foi utilizado inicialmente para quitar débito, em princípio devido até que se provasse o contrário , de estimativa. Inconformada com tal entendimento, interpôs Recurso Voluntário a este Conselho alegando, principalmente com base no Princípio da Verdade Material, que o equívoco do contribuinte não pode resultar na supressão de seu direito creditório, e que não há amparo legal para a negativa de seu pleito. Não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.628, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 1040.900104/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.628): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11040.902467/200982 Acórdão n.º 1402002.654 S1C4T2 Fl. 4 3 MÉRITO Ainda que o contribuinte não tenha explicitado em seu Recurso, considerando que recolhe IRPJ e CSLL por estimativa mensal, concluise que apure tais tributos pelo lucro real anual. Nos termos do art. 10 da IN SRF nº 460/2004 e art. 10, da IN SRF nº 600/2005, “a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Ou seja, durante a vigência de ambas as instruções normativas, não era permitido, mesmo por PER/DCOMP, utilizarse diretamente de créditos decorrentes de pagamento com DARF em valores indevidos ou maior do que o devido. Essa situação perdurou até o advento da IN RFB 900/2008, que revogou a IN SRF 600/2005 e não trouxe, em seu bojo, a vedação contida na instrução normativa revogada, de tal forma que, a partir de sua vigência, poderia o contribuinte optar em realizar, de imediato, a compensação de DARF pago a título de IRPJ ou CSLL por estimativa de forma indevida ou maior do que a devida e/ou, a seu critério, aguardar o ajuste na DIPJ, de tal forma que os valores recolhidos a maior compusessem o seu saldo negativo de IRPJ ou CSLL. As instruções normativas posteriores – IN RFB 1.300/2012 e alterações posteriores, que tratam da compensação, mantiveram a possibilidade inaugurada com o advento da IN RFB 900/2008. Para por fim a quaisquer dúvidas, foi expedida a Solução de Consulta Interna nº 19 COSIT, que pacificou o seguinte entendimento: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11040.902467/200982 Acórdão n.º 1402002.654 S1C4T2 Fl. 5 4 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fixada a premissa que o contribuinte poderia apresentar PER/DCOMP em razão de pagamento indevido ou maior do que o devido de IRPJ ou CSLL por estimativa, passase a análise de certeza e liquidez dos créditos. A DRF responsável pela análise do PER/DCOMP e emissão do despacho decisório respectivo não questionou a existência do DARF e o seu recolhimento. Apontou, contudo, que o referido DARF teria sido integralmente utilizado para o pagamento da própria estimativa informada como devida e, desta forma, não haveria saldo para a compensação pleiteada pelo contribuinte ou, em alguns casos, reconheceu o pagamento a maior, homologando a compensação até o limite do crédito confirmado. O contribuinte reconhece, notadamente em sua impugnação, que cometeu erros nas informações prestadas em DCTF, embora não esclareça quais, bem como que não informou, nem em DCTF, nem em DIPJ, os recolhimentos das estimativas. Não é possível, à míngua de provas, especular qual seria o erro do contribuinte nas informações prestadas em DCTF. Contudo, a informação de que não teria informado, em DIPJ, os recolhimentos das estimativas, denota que é possível que mesmo no ajuste anual não tenha apurado os saldos negativos de IRPJ e CSLL que faria jus, os quais seriam, nos termos da legislação, passíveis de compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, exceto previdenciários. Mesmo com a decisão da DRJ em mãos, o que possibilitou a apresentação de recurso voluntário dirigido a este Conselho, o contribuinte não apresentou documentos que pudessem dar a este Julgador elementos para aferir se, de fato, ele possui créditos líquidos e certos passíveis de compensação que pudessem justificar uma mudança no teor da decisão recorrida. Não foi apresentado, por exemplo, uma memória de cálculo com a apuração mensal das estimativas devidas, correlacionadas com os DARF’s pagos e, ao final do período de apuração, o fechamento do valor devido a título de IRPJ e CSLL, em linha com a DIPJ apresentada, para que se pudesse aferir que as estimativas recolhidas durante o ano pudessem ser em valor maior do que os tributos devidos e, assim, verificar a existência de saldo negativo passível de compensação. Desta forma, como não foi possível aferir a liquidez e certeza dos créditos oferecidos à compensação, pressuposto para a homologação (art. 170, CTN), pela inexistência de documentos Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11040.902467/200982 Acórdão n.º 1402002.654 S1C4T2 Fl. 6 5 que pudessem comprovar o quanto alegado pelo contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância e a não homologação das compensações declaradas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.900743/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2011
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurvo Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.119
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2011 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2011 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 07 43 /2 01 3- 01 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10805.900743/201301 Acórdão n.º 3201003.119 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório PETROLOG SERVIÇOS E ARMAZÉNS GERAIS LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição e que procedera à retificação da DCTF, com observância de todos os trâmites administrativos adequados à compensação e que inexistia motivo para a negativa do pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora. Nos termos do Acórdão nº 02056.982, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF original. Destacouse que a retificação da DCTF, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se presta, por si só, para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. Em seu recurso voluntário, o Recorrente alega, sucintamente, que o crédito pleiteado decorre de ativo imobilizado, obtido em atenção à prerrogativa legal outorgada pelas Leis nº 10.865/2002 e 12.546/2011. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.103, de 30/08/2017, proferido no julgamento do processo 10805.900727/201318, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.103): O recurso é tempestivo e não havendo outros óbices, dele conheço. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10805.900743/201301 Acórdão n.º 3201003.119 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente, reproduzo quadro da decisão recorrida, para mostrar as datas do Darf, da DCTF, do Despacho Decisório e da DCTF retificadora. A retificação da DCTF foi feita após a ciência do Despacho Decisório, e não houve apresentação de provas ou alegação de direito na Manifestação de Inconformidade. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora foi apresentada após o início do procedimento fiscal, e desse modo, não substitui a DCTF original, cf. art. 9º, §2º1 da Instrução Normativa da Receita Federal 1.110/2010, combinada com art. 138, § único2 do CTN e art. 16 da Lei 9.779/963. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo, depois do início do procedimento fiscal, seria necessária prova de sua inexatidão, para o alcance da verdade material, que é objetivo do processo administrativo fiscal. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/994, art. 373, I do CPC5). 1 Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. 2 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 3 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. 4 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 5 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10805.900743/201301 Acórdão n.º 3201003.119 S3C2T1 Fl. 5 4 A recorrente aduz, genericamente, tratarse de direito de crédito relativo a ativo imobilizado, referindo a Lei 12.546/2012. Não aponta especificamente o dispositivo legal que lhe daria direito. (...) O documento trazido como comprovação do alegado crédito relaciona alguns bens do imobilizado, sem demonstrar qualquer cálculo que se assemelhe ao valor requerido. (...) Desse modo, não havendo qualquer argumentação consistente quanto ao direito de crédito, e a ausência de documentos que comprovem o crédito pretendido, não há como ultrapassar os requisitos de certeza e liquidez exigidos para a Declaração de Compensação, cf. art. 170 do CTN6. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação da compensação. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 6 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 79DF CARF MF
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Numero do processo: 11829.720102/2014-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/06/2011, 08/08/2011
OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE NA IMPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. FRAUDE.
O descumprimento de obrigação aduaneira pertinente à importação por conta e ordem ou por encomenda, aliado à conduta dolosa que resulta no fornecimento de informações falsas nas declarações de importação, caracteriza fraude em face da ocultação do real adquirente das mercadorias importadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-004.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Pedro Sousa Bispo, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ME E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/06/2011, 08/08/2011 OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE NA IMPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. FRAUDE. O descumprimento de obrigação aduaneira pertinente à importação por conta e ordem ou por encomenda, aliado à conduta dolosa que resulta no fornecimento de informações falsas nas declarações de importação, caracteriza fraude em face da ocultação do real adquirente das mercadorias importadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Pedro Sousa Bispo, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 01 02 /2 01 4- 31 Fl. 354DF CARF MF 2 Versam os autos pena de perdimento de mercadoria importada, e que por não ter sido encontrada foi aplicada multa isolada igual (100%) a seu valor aduaneiro (AI fls. 2/7), com arrimo no inciso V do art. 23 do Decretolei 1.455/76. No entender do Fisco (TVF fls. 8/44) as importações albergadas pelas DI nº 11/11709698 e 11/14744176, registradas, respectivamente em 27/06/2011 e 08/08/2011, feitas pela Nox Trading Importação e Exportação Ltda ME como importações diretas, consoante o declarado, em verdade ocultava o real adquirente, Carraro Indústria de Produtos Ópticos Ltda ME. Ou seja, tratase de imputação de interposição fraudulenta comprovada. Informa a fiscalização (TVF fls. 8/44) que o termo de início (emitido em 01/09/2014) enviado ao endereço da empresa não foi entregue porque a mesma, nos termos do registrado na Jucesp, fora dissolvida em 25/08/2014. Assim, a ciência do início da ação fiscal perfectibilizouse pela ciência da intimação dirigida ao Sr. Marucci (CPF 289.940.02820), sócioadministrador da empresa NOX, em seu endereço pessoal constante do cadastro fiscal. Foram solicitados documentos referentes às importações feitas por meio das referidas DI, bem como informar o paradeiro das mercadorias por elas importadas. Documentos e informações solicitadas: 1) contrato social e alterações; 2) extratos bancários do período de 07/2010 a 12/2011; 3) livros Diário e Razão do mesmo período; 4) contratos de câmbio, faturas comerciais, conhecimentos de transporte, romaneio de carga relativos às mercadorias importadas através das DI’s 11/11709698 e 11/14744176; 5) informar se tais mercadorias foram consumidas ou revendidas; 6) informar como se deu o transporte das mercadorias ao local de armazenamento; 7) apresentar as negociações e comunicações com o exportador; 8) informar a empresa que prestou serviços de despacho aduaneiro, incluindo comprovantes; 9) comprovar a integralização do capital social. A empresa, até a data do lançamento, após vários pedidos de prorrogação de prazos, não havia apresentado os extratos bancários e os livros Diário e Razão, e informara que as mercadorias importadas pela DI 11/14744176 teriam sido revendidas, omitindose acerca das mercadorias importadas pela outra DI. Reintimada sobre o paradeiro dessas mercadorias, respondeu a fiscalizada, em 15/12/2014, que "por se tratar de uma operação ocorrida após finalizado o processo de importação que extrapolaria os objetivos do MPF..., motivo pelo qual deixa de apresentar documentos e informações relacionados à respectiva operação". (fl. 100) Adicionalmente, a fiscalização colacionou dados acerca das mencionadas importações do contribuinte extraídas dos sistemas internos da RFB (Doc 13 fls. 158/167). Concomitantemente, a empresa Carraro foi intimada a informar os negócios praticados com a empresa NOX nos anos de 2010 e 2011 e apresentar toda a documentação relacionada, inclusive pagamentos realizados (DOC 8 e 9). Assim como em relação à NOX, a intimação não conseguiu ser efetivada na sede da empresa (fl. 107 "mudouse"), mas sim no endereço de seus sóciosadministradores. Responderam os sócios que desde o início de sua gestão (31/07/2012), a empresa não praticou nenhum negócio com a empresa NOX e que encontraram nos arquivos da empresa apenas uma nota fiscal (nº 27), emitida em 30/08/2011 pela NOX no valor de R$ 35.316,40, relativa às mercadorias importadas pela NOX através da DI nº 11/14744176. Anexaram a referida nota fiscal bem como contrato social da empresa. Posteriormente, intimados a informar o paradeiro das mercadorias adquiridas da NOX descritas naquela NF, bem como das mercadorias importadas pela NOX através da DI nº 11/1170969 8, cujo pagamento ao exportador foi financiado com recursos do Sr. Alexandre de Carvalho, ex sócio da CARRARO, afirmaram (Docs. 11 e 12) que as mercadorias adquiridas da NOX pela nota fiscal nº 27 foram consumidas e desconhecem qualquer outras mercadorias adquiridas junto à NOX. Informa o Fisco que a importação foi declarada como direta (cópia tela sistema Fl. 355DF CARF MF Processo nº 11829.720102/201431 Acórdão n.º 3402004.298 S3C4T2 Fl. 355 3 fl. 25) no SISCOMEX, quando, em verdade, concluiu a fiscalização que, de fato, foi feita por conta e ordem da empresa Carraro, o real e oculto importador (item 5 do TVF). No item 6 (fls. 29/30) do relato fiscal, discorre o Fisco sobre as atividades da empresa Carraro Indústria de Produtos Ópticos Ltda ME, cujos sócios eram os srs. Alexandre Carvalho (95% de participação) e Fernanda de Souza Carvalho (5% de participação), os quais, em 31/07/2012, retiramse da sociedade e foram admitidos os srs. Jorge Luis de Souza e Felipe Kempes Pereira Gomes Matos. Foi anexada foto do local onde ela estava sediada, à Rua Ana Profetisma da Silva, 1.300, Vila Real Continuação, HortolândiaSP. À época das importações objeto do lançamento a empresa Carraro não estava habilitada a operar no comércio exterior. Mas em 06/09/2011 foi habilitada a operar no comércio exterior na modalidade simplificada, submodalidade "operação de pequena monta" (fl. 30). Já a empresa Nox Trading Importação e Exportação Ltda – ME, continua o Fisco, foi constituída em 27/03/2008, com capital social subscrito de R$ 40.000,00, tendo como sócios os Srs. Eduardo Marucci, CPF 289.940.02820 (50% de participação), e Carlos André Silva Barreto, CPF 283.078.51858 (50% de participação), e seu objeto social era “importação e exportação de veículos automotores novos, usados, motos e motonetas novas, usadas e equipamentos de informática, periféricos, suplementos, eletrodomésticos, instrumentos musicais, vídeo, áudio e iluminação”. A empresa se apresentava com uma “trading”, empresa cuja atividade empresarial é a importação e exportação de bens diversos e sua comercialização no território nacional. A listagem das importações da NOX (fl. 31 abaixo listadas), afirma o agente fiscal, "deixa claro que se trata de empresa cujo negócio era a prestação do serviço de importação, dado que importava bens de diferentes naturezas, como equipamentos de fotografia, veículos, materiais para fabricação de óculos e peças para montagem de bicicletas": Em análise da capacidade patrimonial da empresa em questão, afirma a fiscalização: 1 Empresa sem funcionários Em consulta às GFIP’s (Guias de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social) da empresa dos anos de 2010 e 2011, constatouse que o único “funcionário” da empresa era o Sr. Eduardo Marucci, sócioadministrador, que recebia pró labore. Esta é característica de empresa utilizada para ocultação do real adquirente de uma importação: ausência de recursos humanos, elementos imprescindíveis para as atividades regulares de uma entidade: 2 Inexistência de ativo permanente Em verificação do Balanço Patrimonial referente ao exercício de 2010 (DOC 16) e dos Balancetes de Verificação referentes a Janeiro a Julho de 2011, entregues à RFB em Fl. 356DF CARF MF 4 2011 pelo Sr. Eduardo Marucci por ocasião da fiscalização da Alfândega de São Paulo, constatouse que o Ativo Permanente, em dezembro/2010, era composto por somente um veículo de uso da empresa no valor de R$ 70.301,84. Esse bem foi registrado na entidade como Ativo Permanente Imobilizado (vide Balancete de Janeiro/2011, DOC 17), representando, portanto, um elemento destinado à consecução das atividades empresariais. Do ponto de vista contábil esse veículo seria destinado às tarefas empresariais, representando um bem de produção. Entretanto, em fevereiro/2011 o bem foi alienado e seu valor baixado da contabilidade. Percebese que o bem, que seria para as atividades finalísticas da empresa, não passou de um ativo para revenda, descaracterizando seu uso para a manutenção das atividades empresariais. O único bem integrante do Ativo Imobilizado da entidade foi alienado em fevereiro/2011, deixando, portanto, a empresa sem qualquer bem destinado à execução de seu objeto social. 3 Patrimônio Líquido negativo e o Capital Social No Balanço de 2010 foi evidenciado que a empresa possuía Passivo a Descoberto – Patrimônio Líquido negativo. Significa que seu Passivo era maior que o Ativo, representando situação em que seus direitos não eram suficientes para saldar suas obrigações. Uma leitura desatenta do contrato social poderia levar à conclusão equivocada que a empresa possuía capital social de R$ 40.000,00 – valor do capital subscrito pelos sócios no momento do registro do contrato social da empresa. Porém o Balanço Patrimonial desmente a informação. Temos que, efetivamente, o capital social da entidade é zero. Os sócios subscreveram um capital de R$ 40.000,00 no momento da criação da empresa, porém não realizaram o aporte do valor para a entidade, o que resulta no valor de capital social indicado no balanço. Informa ainda o Fisco (item 7.1 do TVF) que: Em 20/07/2011, a NOX registrou a DI nº 11/13473365, na tentativa de nacionalizar 48 toneladas de peças para montagem de quadros de bicicletas. A ALF/São Paulo reteve a carga e, em sede de procedimento especial previsto na IN RFB nº 1.169/2011, concluiu pela aplicação da pena de perdimento às mercadorias, por entender que a NOX atuou como interposta pessoa, ocultando o real adquirente das mercadorias por não comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados nas operações de importação. O referido procedimento foi formalizado no processo nº 15771.721220/201188. Os documentos colhidos no decorrer do procedimento e juntados ao processo serviram de auxílio para a presente fiscalização. E no item 8 do TVF (fls. 33/36), segue a fiscalização, concluindo: Apurouse durante a fiscalização que as declarações de importação nº 11/11709698 e 11/14744176 (DOC 13), embora constassem a NOX como importadora e adquirente, de fato, ocultaram o real adquirente, a CARRARO. A seguir o detalhamento dos fatos apurados que levaram a esta conclusão. Os excertos de extrato bancário e livro diário apresentados nos itens abaixo pertencem à NOX, foram apresentados por ela à fiscalização da Alfândega de São Paulo em 2011 e recuperados por esta fiscalização do processo administrativo nº 15771.721220/2011 Fl. 357DF CARF MF Processo nº 11829.720102/201431 Acórdão n.º 3402004.298 S3C4T2 Fl. 356 5 88, que foi o resultado daquele procedimento (perdimento das mercadorias importadas por ocultação do real adquirente). 8.1 DI nº 11/11709698 Em 30/05/2011, a empresa NOX recebe um depósito (TED) em sua conta bancária no valor de R$ 50.000,00 identificado como “TED 237.3151ALEXANDRE CA”. Contabiliza esse recebimento como “Empréstimos Diversos”. Veremos que não se trata de empréstimo nenhum e sim de adiantamento ao importador pelo real adquirente da mercadoria. Em resposta à intimação nº 64/2011 efetuada pela ALF/SPO no âmbito do procedimento especial mencionado no item 7.1 (DOC 19), o sócio da NOX Sr. Eduardo Marucci afirmou: A própria NOX reconhece que o depósito foi recebido do Sr. Alexandre de Carvalho que, como já mencionado, era o sócioadministrador da CARRARO. Em 02/06/2011, portanto 3 (três) dias depois do recebimento do depósito, a NOX liquida um contrato de câmbio (DOC 20) referente à importação junto a Taizhou Ottica Import and Export Co Ltd, no valor de US$ 30.138,60 por R$ 47.769,68. O desembolso é muito próximo ao valor depositado pelo sócio da CARRARO na conta da NOX três dias antes (R$50.000,00). Em 15/06/2011, o exportador Taizhou Ottica Import and Export Co Ltd, sediado em Taizhou, China, emite a fatura comercial nº EM1101 (DOC 20) para Nox Trading Importação e Exportação Ltda, relativa a materiais para fabricação e montagem de óculos, no valor de US$ 30.138,60. Em 24/06/2011, a NOX recebe um novo depósito bancário de Alexandre de Carvalho no valor de R$ 28.500,00. Lança na contabilidade como “Empréstimos Diversos”. Novamente, não se trata de empréstimo e sim, de adiantamento para despesas com registro da DI pelo real adquirente das mercadorias à NOX. Fl. 358DF CARF MF 6 Em resposta à mesma intimação da ALF/SPO, a NOX confirma a origem do depósito: No mesmo dia, 24/06/2011, a NOX repassa R$ 55.265,61 (dos quais R$ 28.500,00 originaramse do depósito efetuado pelo Sr. Alexandre de Carvalho) para a empresa GW Gerenciamento de Fretes do Brasil Ltda, CNPJ 52.147.923/000174, comissária de despachos que presta serviços à NOX, doravante chamada de GW. Em 27/06/2011, a GW registra, em nome da NOX, a DI nº 11/11709698 relativa aos materiais para fabricação de óculos, incorrendo em despesas totais (tributos, frete aéreo, armazenagem, etc) de R$ 56.579,16 (DOC 20 – comprovante da GW para a NOX). A DI é parametrizada no canal verde e desembaraçada em 27/06/2011. EM RESUMO: Notese que o Sr. Alexandre de Carvalho financiou em parte as despesas com registro das DI’s incorridas pela NOX (através da comissária de despacho GW). Uma vez as mercadorias desembaraçadas, a NOX emite a nota fiscal de entrada nº 23 (DOC 20) em 27/06/2011. Porém não emite nota fiscal de saída! 8.2 DI nº 11/14744176 Em 21/07/2011, a empresa NOX recebe um depósito (TED) em sua conta bancária no valor de R$ 17.000,00 identificado como “TED 237.3151ALEXANDRE CA”. Contabiliza esse recebimento como “Empréstimos Diversos”. Novamente, não se trata de empréstimo nenhum e sim de adiantamento ao importador pelo real adquirente da mercadoria. Como já mencionado, o Sr. Alexandre de Carvalho era sócioadministrador da CARRARO à época. Em 22/07/2011, dia seguinte ao recebimento do depósito, a NOX liquida um contrato de câmbio (DOC 21) referente à importação junto a Ferd. Wagner GmbH, no valor de € 7.147,15 por R$ 15.952,44. O desembolso é muito próximo ao valor depositado pelo sócio da CARRARO na conta da NOX (R$17.000,00). Fl. 359DF CARF MF Processo nº 11829.720102/201431 Acórdão n.º 3402004.298 S3C4T2 Fl. 357 7 Em 27/07/2011, o exportador Ferd. Wagner GmbH, sediado em Pforzheim, Alemanha, emite a fatura comercial nº 1500005124 (DOC 20) para Nox Trading Importação e Exportação Ltda, relativa a materiais para fabricação e montagem de óculos, no valor de €7.147,15. Em 08/08/2011, a DI nº 11/14744176 é registrada pela GW, em nome da NOX, incorrendo em despesas totais (tributos, frete aéreo, armazenagem, etc) de R$12.278,06 ((DOC 21 – comprovante da GW para a NOX). A DI é parametrizada no canal verde e desembaraçada em 09/08/2011. Em 10/08/2011, a NOX emite a nota fiscal nº 25 (DOC 21) de entrada em seu estabelecimento das mercadorias importadas. Em 30/08/2011 emite a nota fiscal de saída nº 27 (DOC 21) das mercadorias com destinatário a empresa CARRARO. Diferentemente das mercadorias importadas pela DI nº 11/11709698, neste caso a CARRARO reconhece ter efetuado a compra das mercadorias e apresenta a nota fiscal da compra. Porém não apresenta comprovação das tratativas e negociações com a NOX, por alegar que os sócios atuais não participavam da sociedade à época dos fatos: A NOX, pessoa interposta desta importação, também alega não ter nenhum comprovante das negociações com o exportador ou com seu cliente: CONCLUI A FISCALIZAÇÃO: Considerando: · Que a CARRARO é a empresa com estrutura para industrializar as partes e materiais para fabricação de óculos, ao contrário da NOX, que não possui ativo permanente ou mesmo funcionários; · Que a importação direta pela CARRARO seria impossível, posto que a empresa não era habilitada a operar no comércio exterior; · Que a CARRARO, através de seu sócioadministrador, adiantou recursos para a NOX liquidar o câmbio e/ou registrar as declarações de importação; Fl. 360DF CARF MF 8 · Que a NOX sequer menciona a empresa CARRARO ou o sócio administrador Alexandre de Carvalho em sua contabilidade, embora tenha recebido diversos pagamentos deste; · Que a NOX não apresentou registros das negociações (emails, correspondência, etc) com o exportador; · Que a CARRARO não apresentou registros das negociações com a NOX; · Que a CARRARO, como indústria de óculos, é quem pode deter o conhecimento das partes e matériasprimas importadas, inclusive dos potenciais fornecedores no exterior; · Que, quanto às mercadorias importadas através da DI nº 11/11709698, a NOX emitiu nota fiscal de entrada, mas não emitiu nota fiscal de saída, o que sugere a intenção ocultar o real recebedor das mercadorias; · Que, quando perguntada do paradeiro das mercadorias importadas através da DI nº 11/11709698 (se foram consumidas, revendidas ou encontramse no estoque da empresa), a NOX esquivase de revelar o destino das mesmas. · Que as faturas comerciais apresentadas pela NOX são ideologicamente falsas por ocultarem o real adquirente das mercadorias; É possível concluir que as partes e matériasprimas para fabricação de óculos importadas pela NOX já tinham destino certo no momento da compra junto aos exportadores: a empresa CARRARO. As importações foram intermediadas pela NOX por conta e ordem da CARRARO; esta deveria portanto estar identificada como adquirente da mercadoria nas DI’s registradas pelo importador. As faturas comerciais deveriam identificar o real adquirente das mercadorias. Face ao descumprimento da identificação do real adquirente na DI e na fatura, e a tudo o mais aqui exposto, fica configurada a ocultação dolosa pela NOX do real adquirente CARRARO, mediante simulação. Foi imputada ao Sr. Alexandre Carvalho, à época dos fatos sócio administrator da empresa Carraro, e à empresa Carraro, a real encomendante, a responsabilidade solidária (item 11 do TVF) com arrimo nos artigos. 95, incisos I e V, e 32, parágrafo único, "c" (redação dada pelo art. 12 da Lei 11.281, de 20/02/2006), do Decretolei 37/66. Não resignada, somente a empresa Carraro impugnou a exigência fiscal (fls. 247/270). A DRJ em Florianópolis (fls. 285/313) julgou improcedente a impugnação. Contra essa decisão foi interposto o presente recurso (fls. 325/349) exclusivamente pela empresa Carraro, no qual, em síntese: 1 Alega que não houve fraude ou simulação, admitindo que até poderia haver se as empresas pretendessem esconder algo, como para evitar o pagamento do IPI, mas que não seria seu caso, pois é contribuinte desse imposto. Entende que só pode se admitir fraude quando se tenha "por intuito reduzir o montante do imposto devido e evitar ou diferir seu pagamento, o que não ocorreu no caso em tela!", porém admite que "efetivamente comprou da NOX, que por sua vez adquiriu as mercadorias do fornecedor estrangeiro; Fl. 361DF CARF MF Processo nº 11829.720102/201431 Acórdão n.º 3402004.298 S3C4T2 Fl. 358 9 2 Aduz que no caso não houve comprovação de fraude nem simulação, mas que, "em verdade, a fiscalização confundiu documento falso com pretenso engano de preenchimento da DI cometido pela importadora, que teria se equivocado na modalidade da importação". E se engano houvesse, afirma, não teria como consequência a pena de perdimento, e sim os previstos nos artigos 77 a 81 da MP 2.15835, que transcreve. Conclui que não cabe a pena de perdimento por ausência de fraude ou simulação; 3 Acresce que as importações por conta e ordem de terceiro surgiram de um pleito de tradings sediadas no Estado do Espírito Santo, que tinham interesse em usufruir benefícios fiscais estaduais (na área do ICMS), mas pretendiam apenas fazer o despacho aduaneiro da mercadoria, sem arcar com a responsabilidade do pagamento da importação, que ficaria a cargo de seus clientes. Consigna que a legislação do Espírito Santo admite que as tradings façam o despacho em seu nome, podendo receber, em relação ao ICMS que recolhem por conta das importações, empréstimos em dinheiro de parte desse valor, que depois quitam em leilões, por 10% do valor da dívida. Assim, o interesse é apenas fazer o despacho e movimentar mercadorias, para receber em dinheiro, parte do valor do ICMS que incide na saída da Alfândega, como empréstimo, que quitam por valor muito menor, em prazo longo e com juros baixos. 4 Entende que o dinheiro que é contabilizado como recebimento de mercadorias, seja pagamento à vista, seja um sinal, não é mais recurso de terceiro, a partir do momento que passa a integrar a contabilidade e o patrimônio da empresa importadora. Se assim não fosse, não existiria capital próprio, pois antes do recebimento, ele sempre provem de terceiros, que são os clientes. E em não sendo recurso de terceiro, não se aplica o disposto na IN SRF 225/2002 nem o art. 11, § 2º, da Lei 11.281/2006; 5 Discorre sobre a legislação sobre responsabilização de terceiros no comércio exterior para, ao final, concluir que "a legislação se refere às importações feitas por conta e ordem de terceiro ou por encomenda, assim declaradas no despacho, se houver diferenças de tributos ou penalidades a serem cobradas. Quando ocorre interposição fraudulenta, sujeita à pena de perdimento, não há concomitância na cobrança de tributos e multa (e tributos já recolhidos na DI estão sujeitos à restituição).", acrescendo que a pena de perdimento não comporta solidariedade de terceiros, pois recai apenas sobre o proprietário da mercadoria, o mesmo ocorrendo em relação a multa aplicada em substituição à pena de perdimento; 6 Averba que no caso “fica patente que a lei exige a análise subjetiva da sua conduta para lhe imputar responsabilidade pela prática da infração”, pois, “conforme consta do processo, nunca houve má fé, e nenhum prejuízo foi causado à Fazenda nacional”, logo, “a sanção não pode ser aplicada” contra si; 7 Por fim, por entender não ter cometido qualquer infração, solicita, com espeque no art. 736 do Decreto nº 6.759/2009 do RA, que seja apreciado seu pedido de relevação da presente penalidade, notadamente, quanto à responsabilidade que lhe foi atribuída. É o relatório. Voto Fl. 362DF CARF MF 10 Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. Emerge do relatado que a empresa NOX, importadora contribuinte, e o então sócioadministrador da empresa Carraro não impugnaram o lançamento e nem recorreram da r. decisão. Portanto, devolvido a nosso conhecimento apenas o recurso da empresa Carraro. A peça recursal sequer tangenciou em relação às provas produzidas no curso da ação fiscal. O proficiente e bem redigido relato fiscal não deixa dúvida que estamos frente a um típico, diria até paradigmático, caso de interposição fraudulenta comprovada. Portanto, já neste ponto afastase a alegação da recorrente que não teria havido fraude. Houve! Restou provado que a empresa NOX não tinha a menor capacidade econômica para pagar as importações, as quais foram registradas como importações diretas. Essa empresa não tinha funcionários, não detinha qualquer ativo fixo e, mais, possuía patrimônio líquido negativo, alem do fato de os sócios nunca terem integralizado o capital social contratado, conforme consta de seu balanço . Questões estas todas incontestes. Com efeito, indene de dúvida que a importadora NOX não detinha disponibilidade financeira para levar a cabo as importações diretas, como declarado na documentação de importação, das mercadorias descritas nas duas DI que deram azo à presente exação. De outro turno, restou provado materialmente que os valores das importações tiveram como lastro as transferência de numerário feitas pelo Sr. Alexandre de Carvalho, então sócioadministrador da Carraro, ora recorrente. Tais transações, que relatei à minúcia, pelos valores e datas em que feitas, provam de forma cabal que as importações, de fato, tinham como destinatária prédeterminada a ora recorrente. Igualmente provado que quando das importações a recorrente não detinha habilitação adequeada no SISCOMEX para levar a efeito importações diretas do monte em que feitas pelas DI em questão. Todas essas questões parece que se deram em outro mundo, pois dela a recorrente não faz a mínima alusão, o que nos deixa convicto da utilização da empresa Carraro pela interposta pessoa NOX para levar a efeito as importações de materiais óticos, objeto de seu escopo social. Portanto, houve fraude mediante simulação, pois esta se deu pela utilização da recorrente de interposta pessoa para efetivar suas importações. As questões acerca de eventuais benefícios fiscais pelas tradings no estado do Espírito Santo são alheias ao autos, pois refoge ao núcleo da questão. Ademais, igualmente, equivocase a recorrente ao alegar que tendo sido recolhido os impostos não resta dano ao Erário. Ora, o dano é justamente pela interposição fraudulenta, cujo art. 59 da Lei 10.637/2002 positivou tal conduta como dano ao erário, acrescendo o inciso V ao art. 23 do Decretolei 1.455/76. Não localizada a mercadoria, cuja pena seria a de perdimento (§ 1º do art. 23 do DL 1.455/76), e o Fisco deu várias oportunidades das partes apontarem seu paradeiro, a pena de perdimento será punida "com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação" (§ 3º do art. 23). Também indiscutível que a empresa Carraro é responsável solidária, pois ela participou ativamente da interposição fraudulenta. Assim, nos termos do art. 124, I, do CTN, ela tinha interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da importação. O DecretoLei nº 37/1966 definiu especificamente a responsabilidade pelas infrações aduaneiras: Art.95 – Respondem pela infração: I – conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11829.720102/201431 Acórdão n.º 3402004.298 S3C4T2 Fl. 359 11 (...) V – conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Adicionalmente, devese ressalvar que, mesmo que o importador e o adquirente não contabilizem corretamente a operação por conta e ordem efetivamente realizada, nem cumpram com todos os requisitos e condições estabelecidos na legislação que trata desse assunto, ainda assim, o real adquirente das mercadorias será o responsável solidário pelas obrigações fiscais geradas pela importação efetivada, por força da presunção legal expressa no artigo 27 da Lei 10.637, de 2002, em virtude de que dela são os recursos utilizados na operação. Vejase: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Art. 77 da MP 2.15835: Art.77.O parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art.32.................................................... ................................................................. Parágrafo único. É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." A inobservância desses requisitos e condições pode acarretar, ainda, desde o lançamento de ofício dos tributos e acréscimos legais eventualmente devidos até o perdimento das mercadorias importadas. A ocultação do real adquirente na importação, mediante fraude ou simulação, além de acarretar o perdimento da mercadoria, tem sérias implicações perante a legislação de valoração aduaneira, porque pode ocultar transações entre pessoas relacionadas– que têm tratamento normativo distinto – e do Imposto de Renda, relativamente aos preços de transferência. Por essa razão, o adquirente deve sempre se fazer identificar nas declarações de importação, cujas mercadorias tenha adquirido no exterior. Fl. 364DF CARF MF 12 Dessarte, tanto a empresa recorrente como seu então sócioadministrador, o Sr. Alexandre de Carvalho são, efetivamente, responsáveis solidários pela exigência fiscal em comento, pelo que sem reparos ao auto de infração. Por fim, quanto ao pedido de relevação da pena, não há previsão legal para que seja dada por instância. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire relator Fl. 365DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.905747/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL.
Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-003.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 47 /2 01 2- 51 Fl. 344DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP utilizando créditos de COFINS, no valor total de R$ 19.470,55. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação não foi homologada, visto que o pagamento foi localizado, mas integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificada da decisão de piso, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, basicamente, que: (a) o crédito se refere a COFINSimportação de serviços recolhida indevidamente, e que a informação de que o valor foi utilizado integralmente para quitar débito da empresa se deve a ter sido originalmente informado em DCTF valor igual ao total do recolhimento; (b) que foi retificada a DCTF, após o despacho decisório, sendo que o valor não era devido por tratarse de remessa ao exterior em pagamento de licença de uso de marca, a título de royalties, não caracterizando contrapartida de serviços provenientes do exterior, conforme Solução de Consulta RFB no 263/2011; e (c) a DCTF retificadora não foi recepcionada pela RFB tendo em vista ter se esgotado o prazo de cinco anos para a apresentação. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de carência probatória a cargo do postulante, que não apresenta contrato que discrimine os royalties dos serviços técnicos e de assistência técnica, de forma individualizada, e de que a prazo para retificação de DCTF já havia se esgotado quando da apresentação de declaração retificadora pela empresa. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 3803000.459, para que a autoridade local da RFB informasse “...acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada” (sic). Em resposta a fiscalização informa que o pagamento objeto do direito creditório não se encontra disponível, uma vez que utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e que, relativamente ao confronto de valores, restou demonstrado “... ser bastante o valor do pagamento pleiteado nestes autos para extinção do débito declarado pela Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13603.905747/201251 Acórdão n.º 3401003.910 S3C4T1 Fl. 333 3 contribuinte por meio de compensação”, não havendo necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação. O processo foi a mim distribuído, mediante sorteio, em maio de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. De fato, não se tem dúvidas de que, ao tempo da análise massiva, por sistema informatizado, das DCOMP apresentadas, os débitos declarados em DCTF correspondiam aos pagamentos efetuados, ainda que estes fossem eventualmente indevidos. Daí os despachos decisórios eletrônicos, limitados a cotejamento entre dados declarados em DCOMP e DCTF, e pagamentos efetuados com DARF, terem sido pelo indeferimento. No entanto, também não se tem dúvidas de que a empresa já entendia, na data de protocolo dos PER/DCOMP, serem indevidos os pagamentos efetuados, independente de ter ou não retificado as respectivas DCTF. Não há que se falar, assim, em decurso de prazo para repetir o indébito, visto que os PER/DCOMP foram transmitidos dentro do prazo regular para repetição. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 346DF CARF MF 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13603.905747/201251 Acórdão n.º 3401003.910 S3C4T1 Fl. 334 5 de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Atribuir à retificação formal de DCTF importância superior à comprovação do efetivo direito de crédito é típico das máquinas, na análise massiva, mas não do julgador, humano, que deve ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Como atesta a Solução de Divergência COSIT no 11/2011: “Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição.” (grifo nosso) E a cópia do contrato de licença apresentada e analisada, e de seus adendos, atesta que o contrato se refere “exclusivamente a licenciamento de uso de marcas”, não tratando de serviços. Assim, é indevida a COFINS, não havendo qualquer manifestação em sentido contrário pela própria unidade diligenciante. Aliás, efetivamente apreciou turma especial do CARF assunto idêntico, no Acórdão no 3801001.813, de 23/04/2013, acordando unanimemente pela não incidência de COFINSserviços em caso de contrato de “knowhow” que não engloba prestação de serviços: “CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS IMPORTAÇÃO. Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação.” Há ainda outros precedentes recentes e unânimes deste tribunal, no mesmo sentido, e com características adicionais em comum com o presente processo: “NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte Fl. 348DF CARF MF 6 quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. (grifo nosso) (Acórdãos no 3201002.404 a 420, Rel. Cons. Windereley Morais pereira, sessão de 28 set. 2016) Deve, então, ser acolhido o pleito da empresa, removido o derradeiro obstáculo indevido ao reconhecimento do direito creditício e à compensação. Resta, por fim, tecer comentários sobre o pleito da recorrente para análise conjunta dos 52 processos referentes a suas DCOMP, visto que este relator recebeu, em sorteio, apenas 44 dos referidos processos. Em nome da verdade material, efetuei consulta ao sistema eprocessos, sobre a situação dos oito processos restantes, verificando o que se resume na tabela abaixo: N. do processo Situação atual Observações 13603.905762/201207 CARF – “Distribuir/Sortear” (indevidamente) Julgamento convertido em diligência, nas mesmas circunstâncias do presente, mas ainda não enviado à unidade local, para diligência, tendo em vista necessidade de saneamento (erro na anexação do arquivo contendo a Resolução de conversão em diligência). 13603.905764/201298 Idem Idem 13603.905772/201234 Idem Idem 13603.905785/201211 Idem Idem 13603.905790/201216 Idem Idem Fl. 349DF CARF MF Processo nº 13603.905747/201251 Acórdão n.º 3401003.910 S3C4T1 Fl. 335 7 13603.905775/201278 CARF – SEDIS/GECAP – Verificar Processo Processo sequer apreciado pelo CARF ainda, nem para converter o julgamento em diligência. 13603.905793/201250 Idem Idem 13603.905794/201202 Idem Idem Assim, há efetivamente apenas 44 processos maduros para julgamento, visto que os 8 restantes, por falhas processuais (5 deles com juntada incorreta de arquivos e 3 com pendência de verificação de procedimentos pelo setor competente do CARF) acabaram não chegando à unidade local, para realização da diligência. E os 44 processos, prontos para julgamento, serão efetivamente julgados conjuntamente, nesta sessão. Pelo exposto, e acolhendo a informação prestada em sede de diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 350DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.903148/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.421
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 48 /2 01 2- 19 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903148/201219 Acórdão n.º 3402004.421 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de PIS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903148/201219 Acórdão n.º 3402004.421 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.684, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903148/201219 Acórdão n.º 3402004.421 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903148/201219 Acórdão n.º 3402004.421 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903148/201219 Acórdão n.º 3402004.421 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903148/201219 Acórdão n.º 3402004.421 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903148/201219 Acórdão n.º 3402004.421 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903148/201219 Acórdão n.º 3402004.421 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000666/2008-25
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 RECURSO INTEMPESTIVO A tempestividade do recurso é um pressuposto intransponível para sua admissibilidade (artigo 33 do Decreto 70235/72) Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 1801-000.689
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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Numero do processo: 10920.003111/2004-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2004
MULTA ISOLADA NO PATAMAR DE 75%. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AUSÊNCIA DE FRAUDE E SONEGAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Nos termos do art. 18, caput § 2° da Lei n° 10.833/03, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051/04, a multa isolada sobre o valor de débito compensado indevidamente só se aplica na hipótese de infração com dolo, fraude, sonegação ou conluio, no percentual qualificado de 150% por cento.
No caso as declarações foram entregues antes de 22/11/2005, não houve comprovação de dolo, aplica-se a retroatividade benigna e cancela-se a multa aplicada no patamar de 75% em razão das alterações normativas trazidas pela lei nº11.051/04.
Numero da decisão: 9303-005.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2004 MULTA ISOLADA NO PATAMAR DE 75%. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AUSÊNCIA DE FRAUDE E SONEGAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Nos termos do art. 18, caput § 2° da Lei n° 10.833/03, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051/04, a multa isolada sobre o valor de débito compensado indevidamente só se aplica na hipótese de infração com dolo, fraude, sonegação ou conluio, no percentual qualificado de 150% por cento. No caso as declarações foram entregues antes de 22/11/2005, não houve comprovação de dolo, aplica-se a retroatividade benigna e cancela-se a multa aplicada no patamar de 75% em razão das alterações normativas trazidas pela lei nº11.051/04.
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INDUSTRIAL H. CARLOS SCHNEIDER ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2004 MULTA ISOLADA NO PATAMAR DE 75%. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AUSÊNCIA DE FRAUDE E SONEGAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Nos termos do art. 18, caput § 2° da Lei n° 10.833/03, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051/04, a multa isolada sobre o valor de débito compensado indevidamente só se aplica na hipótese de infração com dolo, fraude, sonegação ou conluio, no percentual qualificado de 150% por cento. No caso as declarações foram entregues antes de 22/11/2005, não houve comprovação de dolo, aplicase a retroatividade benigna e cancelase a multa aplicada no patamar de 75% em razão das alterações normativas trazidas pela lei nº11.051/04. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 31 11 /2 00 4- 81 Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10920.003111/200481 Acórdão n.º 9303005.401 CSRFT3 Fl. 735 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 5º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a época sob o Regimento Interno do extinto Segundo Conselho de Contribuinte, contra acórdão nº 20311.148, proferido pela Terceira Câmara, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar sete Autos de Infração relativos à multa isolada no percentual de 75%, objetos dos Processos n°s 10920.003111/200481, 10920.003112/200426,10920.003113/200471, 10920.003114/200415, 10920.003115/2004 60, 10920.003116/200412 e 10920.003117/200459, mantendo o indeferimento das compensações pleiteadas. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase das vinte nove Declarações de Compensação relacionadas às fls. 186/187, por meio das quais a requerente pretende compensar débitos próprios de diversas espécies tributárias, com crédito prêmio do IPI de terceiro, que lhe foi cedido pela empresa conforme a escritura pública de cessão de créditos datada de espécies tributárias, com crédito Fábrica de Artigos de Couro LTDA, conforme a escritura pública de cessão de créditos datada de 25/09/2002 (cópia às fls. 135/138). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO. REGRAS ESPECÍFICAS. CESSÃO DE DIREITO. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO NA SEARA TRIBUTÁRIA. Consoante o art. 170 do CTN a compensação em matéria tributária segue regras específicas, pelo que a cessão de direito, por meio da qual o titular cede créditos tributários que lhe foram reconhecidos na via judicial a terceiro, não permite a este utilizar tais créditos para compensar seus débitos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS: PEDIDOS FORMULADOS APÓS 07/04/2000. IMPOSSIBILIDADE. A possibilidade de utilização de créditos oriundos de restituição ou ressarcimento para compensação com débitos de terceiros foi autorizada pelo art. 15 da IN SRF n° 21/97, tendo permanecido até 07/04/2000, data após a qual foi revogada pela IN SRF n° 41, publicada em 10/04/2000. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA NO PERCENTUAL DE 75%. IMPROCEDÊNCIA. CRÉDITOS DE TERCEIROS. DOLO NÃO CARACTERIZADO. LEI N° 11.051, DE 30/12/2004. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10920.003111/200481 Acórdão n.º 9303005.401 CSRFT3 Fl. 736 3 Nos termos do art. 18, caput § 2° da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004, a multa isolada sobre o valor de débito compensado indevidamente só se aplica na hipótese de infração dolosa, no percentual qualificado de cento e cinqüenta por cento. Na situação em que os créditos empregados na compensação são oriundos de insumos de terceiros, têm origem em ação judicial e as declarações de compensação foram entregues antes de 22/11/2005, não tendo sido demonstrada pela fiscalização a existência de dolo, a multa no percentual básico de setenta e cinco por cento é inaplicável. Recurso provido em parte. Inconformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso, sustentando que deve prevalecer a interpretação do art. 18, parágrafo 4º, da lei 10.833/2003, com redação dada pela lei nº 11.051/2004, no sentido de que subsiste a multa isolada nos casos de fraude, conluio e sonegação ou na hipótese do inciso II do parágrafo 12 do artigo 74 da lei nº 9.430/96, com alíquotas correspondentes do artigo 44 da lei 9.430/96. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, a Fazenda Nacional aponta como paradigmas os acórdãos nº 20217.360 e nº 20400.776. Em seguida, por ter sido comprovada a divergência jurisprudencial, foi dado seguimento ao recurso, fls. 659. Contudo, a Contribuinte utilizandose da prerrogativa concedida pelo art. 1º da lei nº 11.941/2009, e, em atendimento ás condições estabelecidas pelo art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06/2009, manifestouse pela desistência integral do recurso especial interposto, fls 724. A desistência integral do recurso especial interposto em relação ao processo principal (10920.001575/200453) para inclusão no parcelamento do art. 1° da Lei n° 11.941/2009, encontrase parcelado na referida lei, contudo, a Contribuinte manteve o seu recurso em relação às multas isoladas, processos apensados nºs10920.003111/200481, 10920.003112/2004726,10920.008113/200471, 10920.003114/200415, 10920.003115/2004 60, 10920.003116/200412, 10920.003117/200459. Apesar de estarem apensos, estão pendentes de decisão definitiva em razão de recurso especial interposto pela União perante a CSRF/CARF (fls.390 processo principal), fls. 729. É o relatório. Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10920.003111/200481 Acórdão n.º 9303005.401 CSRFT3 Fl. 737 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito a aplicação ou não da multa isolada no patamar de 75% (setenta e cinco por cento) em compensações não homologadas. Com efeito, a decisão recorrida decidiu em cancelar a multa isolada no percentual de 75%, referente a compensações não homologadas, com fundamento de que o art. 18, caput e § 2° da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004, aplicandose somente sobre o valor do débito compensado indevidamente e na hipótese de infração dolosa, no percentual qualificado de cento e cinqüenta por cento. Considerando que, os créditos empregados na compensação são oriundos de insumos de terceiros, de origem em ação judicial e as declarações de compensação foram entregues antes de 22/11/2005, não tendo sido demonstrada pela fiscalização a existência de dolo, sendo a multa no percentual de setenta e cinco por cento inaplicável. Compulsando aos autos, verifico que a Fiscalização não logrou êxito em comprovar a existência de dolo praticado pela Contribuinte, ademais, as compensações realizadas teve como origem créditos transferidos pela cedente Artigos de Couro LTDA, essa, autora de Ação Ordinária Declaratória nº 89.00136224, transitada em julgada (04/06/96) a qual, foi julgada procedente permitindo a litigante o direito ao Crédito Prêmio do IPI. A multa contida no Auto de Infração, foi lançada com fundamento no art. 18 da Lei nº10.833/2003. Vejamos: “Art.18.O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarse à imposição de multa isolada em sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10920.003111/200481 Acórdão n.º 9303005.401 CSRFT3 Fl. 738 5 refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente". In caso, bem decidiu a decisão recorrida, o art. 18 da Lei nº 10.833/2003, conversão oriunda da MP nº 135, publicada em 31/10/2003, foi introduzida em conjunto com o artigo 17 da primeira, este último alterando o art. 74 da lei nº 9.430/96, de modo a determinar que a declaração de compensação constitui confissão de dívida é instrumento suficiente para exigência dos débitos indevidamente compensados. Contudo, a referia lei tem eficácia apenas para as declarações de compensação entregues a partir de 31/10/2003, data de publicação da MP nº 135, de 30/10/2003, no caso em tela, a primeira declaração de compensação foi apresentada em 29/09/2003. Com efeito, em razão de alterações na legislação tributária, surge a lei 11.051/04, a qual em seu artigo 25, altera as disposições do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, que passou a determinar a aplicação da multa prevista por compensação não declarada somente nas hipóteses de fraude, sonegação ou conluio. O mesmo artigo 25, incluiu o § 2º e o § 4º, em que determinava a aplicação da penalidade do caput às situações em que a compensação não declarada fosse aplicada multa no percentual de 150%, previsto no art. 44, II da Lei nº 9.430/96. Vejamos: "Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Neste sentido, não assiste razão ao apelo Fazendário, com a nova redação do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, restou confirmada que a penalidade somente seria aplicada nas hipóteses do art. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 no percentual de 150%. Nada obstante, o artigo 18 da lei 10.833/03, foi novamente alterado pelo artigo 117, da lei nº 11.196/051, que modificou o § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, 1 Art. 117. O art. 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) "Art. 18. ........................................................................................ § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10920.003111/200481 Acórdão n.º 9303005.401 CSRFT3 Fl. 739 6 passando a incluir as penalidades do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, o qual permitiu o lançamento da multa no patamar de 75% (setenta e cinco por cento), em síntese, nos pedidos de compensação considerados não declarados, a multa seria exigida, mesmo que não restasse configurada as hipótese previstas no artigos. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Dessa forma, em razão das alterações normativas, a penalidade por declaração de compensação não declarada, quando não restasse configurada as hipóteses dos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502//64, passou a ser novamente exigível a partir de 14/10/05, conforme dispõe o artigo 132 da lei nº 11.196/052. Portanto, a exigência da multa isolada no patamar de 75% (setenta e cinco por cento) não deve prevalecer, se quer houve comprovação nos autos das hipóteses previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, ademais, não contém nenhum indício de dolo referente as compensações efetuadas. Sem embargo, os efeitos de aplicação o art. 18 da Lei nº10.833/2003, teve eficácia apenas para as declarações de compensação entregues a partir de 31/10/2003, no presente caso, a primeira declaração de compensação foi apresentada em 29/09/2003, deste modo, penso que as penalidades transmitidas antes da data de 14/10/05, devem ser canceladas, em razão do retroatividade benigna, nos termos do artigo 106, II3, do Código Tributário Nacional CTN. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II no inciso II do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." 2 Art. 132. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: II desde 14 de outubro de 2005, em relação ao disposto: a) no art. 33 desta Lei, relativamente ao art. 15 da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996; b) no art. 43 desta Lei, relativamente ao inciso XXVI do art. 10 e ao art. 15, ambos da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; c) no art. 44 desta Lei, relativamente ao art. 40 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004; d) nos arts. 38 a 40, 41, 111, 116 e 117 desta Lei; 3 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10920.003111/200481 Acórdão n.º 9303005.401 CSRFT3 Fl. 740 7 Fl. 740DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.009181/2005-89
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
O entendimento pela manutenção do lançamento contra a pessoa jurídica (no caso paradigma) não dá base para que se defenda o cancelamento do lançamento contra o responsável tributário (no caso recorrido). A caracterização da divergência jurisprudencial se dá quando o entendimento do caso paradigma pode ser transposto para o recorrido, produzindo o resultado pretendido pelo recorrente, mas isso não ocorre aqui, seja em razão das especificidades de cada caso, seja porque o acórdão paradigma não cancelou nenhum lançamento contra responsável tributário, até porque não houve esse tipo de lançamento naquele caso. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial.
Numero da decisão: 9101-002.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luís Flávio Neto) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. O entendimento pela manutenção do lançamento contra a pessoa jurídica (no caso paradigma) não dá base para que se defenda o cancelamento do lançamento contra o responsável tributário (no caso recorrido). A caracterização da divergência jurisprudencial se dá quando o entendimento do caso paradigma pode ser transposto para o recorrido, produzindo o resultado pretendido pelo recorrente, mas isso não ocorre aqui, seja em razão das especificidades de cada caso, seja porque o acórdão paradigma não cancelou nenhum lançamento contra responsável tributário, até porque não houve esse tipo de lançamento naquele caso. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rafael Vidal de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 91 81 /2 00 5- 89 Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 3 2 Araújo, Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luís Flávio Neto) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo sujeito passivo acima identificado, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto (i) à atribuição de responsabilidade tributária pessoal ao sócio; (ii) à qualificação da multa de ofício, e (iii) à falta de especificação das operações mercantis que deram ensejo à caracterização da omissão de receitas. Apenas a primeira divergência foi admitida no exame de admissibilidade do recurso especial. Houve negativa de seguimento do recurso em relação às outras duas divergências, conforme os despachos decisórios exarados em 29/01/2013 e 02/07/2015 pelo Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento. E essa negativa de seguimento de parte do recurso foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, conforme os despachos de reexame de admissibilidade exarados nas mesmas datas acima referidas. O recorrente insurgise contra o Acórdão nº 10517.343, de 13/11/2008, por meio do qual a antiga Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, decidiu, entre outras questões, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva apresentada por Antônio Evaristo Paz, que foi autuado na condição de responsável tributário por débitos apurados em relação à empresa FortalezaDistribuidora de Balas e Caramelos Ltda. (CNPJ n° 02.754.880/000117). O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 ARBITRAMENTO: A falta de apresentação dos livros comerciais e fiscais e dos documentos acerca da movimentação financeira autorizam o arbitramento dos resultados para fins fiscais. É adequada a quantificação das receitas a serem consideradas no arbitramento aquelas informadas ao fisco estadual, salvo se constatada a existência de operações que desatendam ao conceito de receita bruta contido na legislação do imposto de renda. RESPONSABILIDADE DE ADMINISTRADOR: A teor do artigo 135, III, do CTN, o sócio gerente que deixar de promover, com relação a empresa extinta, a comunicação aos órgãos comercial e fiscais, autoriza a presunção de dissolução irregular, (Resp 944872/RS STJ). Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 4 3 IRPJ. Multa qualificada. Tendo o contribuinte se declarado inativo por três exercícios, quando na verdade estava em plena atividade, cabe a aplicação da multa qualificada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido os Conselheiros José Carlos Passuello (Relator) e Paulo Jacinto do Nascimento que votaram por acolher a preliminar de ilegitimidade passiva e afastar a multa qualificada. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello. No recurso especial, o sujeito passivo afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas. Quanto à matéria admitida do recurso (atribuição de responsabilidade tributária pessoal ao sócio), o sujeito passivo desenvolve os argumentos apresentados a seguir: por ocasião do recurso voluntário interposto pelo requerente, de forma preliminar, foi requerida a nulidade dos lançamentos pela incorreta e indevida identificação do sujeito passivo nas obrigações tributárias apuradas e lançadas pela autoridade fiscal. Isto porque os lançamentos foram concebidos em desacordo com os ditames dos arts. 121 e 142 c/c o art. 144, todos do CTN, como ficou nitidamente explicitado no dito Recurso. Esse fato, por si só, já tornaria nulo o ato administrativo; como se observa, a autoridade lançadora incorreu em erro grave e insanável, visto que na fase constitutiva do crédito tributário não se pode confundir a figura do contribuinte com a do responsável. E como já foi dito, é cediço que a extinção da pessoa jurídica ocorreu de forma regular com o cumprimento das formalidades da legislação comercial e, dessa forma, encontrase fora do alcance do art. 207, V, do RIR/99. O simples fato da falta de comunicação dessa extinção à Receita Federal resulta tão simplesmente no não cumprimento de uma obrigação acessória. Ademais, o art. 135, III, do CTN, só é aplicável nos casos em que, de forma comprovada, se possa imputar conduta dolosa à pessoa que se pretenda responsabilizar, fato este que como foi noticiado não se encontra materializado nos presentes autos; como se percebe, o sócio e a pessoa jurídica formada por ele são pessoas distintas à luz do art. 20 do Código Civil. Um não responde pelas obrigações da outra. E segundo o disposto no art. 144 do CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ora, se é essa a regra geral, então, não poderia a agente fiscal desprezar essa regra e substituir a empresa fiscalizada pela pessoa de seu sócio pelo simples fato de que a mesma já havia sido extinta e, no caso, de forma regular; resta claro que a responsabilidade do sócio não é objetiva. Para que surja a responsabilidade pessoal, disciplinada no art. 135 do CTN é necessário que haja comprovação de que ele, o sócio, agiu com excesso de mandato, ou infringiu a lei, o contrato social ou o estatuto. Inexistindo referida comprovação, não há como o lançamento tributário ser Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 5 4 redirecionado para ele com a substituição da figura do sujeito passivo da obrigação tributária, em flagrante agressão aos ditames legais já mencionados; o recorrente, no que tange a essa arguição preliminar tem a oferecer como supedâneo ao pleito objeto da presente Petição, e com amparo legal na existência de Decisões divergentes entre Câmaras do CARF, uma Decisão emanada do então 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, conforme transcrição a seguir: A empresa dissolvida, representada pelo sócio responsável, deve continuar para responder pelo crédito tributário enquanto não decair o direito da Fazenda Nacional de proceder o lançamento. Responsabilidade prevista nos arts. 128 a 138 do Código Tributário Nacional. A autoridade administrativa corretamente agiu, ao cientificar na pessoa do sócio responsável pela guarda dos livros obrigatórios da escrituração comercial/fiscal da empresa dissolvida e comprovantes dos lançamentos neles efetuados, o lançamento do crédito tributário, em nome da empresa e devido por ela, no período em que exerceu suas operações comerciais e deixou de recolher os tributos aos cofres públicos. 1° Conselho de Contribuintes / 1ª Câmara / Acórdão 10706453 em 07.11.2001. Publicado no DOU em 18.04.2002. Como já mencionado, quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento parcial ao recurso, reconhecendo a existência de divergência apenas em relação à primeira divergência suscitada, que trata da atribuição de responsabilidade tributária pessoal ao sócio, nos seguintes termos: Em relação ao primeiro ponto do recurso, o acórdão paradigma apresentado, na parte que interessa ao objeto de análise, tem o seguinte enunciado: [...] De outra parte, está consignado na ementa do acórdão recorrido, no que interessa ao exame do presente recurso: [...] Examinando o acórdão paradigma em seu inteiro teor, verificase que o colegiado entendeu que está correta a eleição do sujeito passivo no lançamento efetuado em nome da pessoa jurídica dissolvida, cujos atos foram registrados somente após o início do procedimento fiscal. Por seu turno o acórdão recorrido traz entendimento em sentido oposto, considerando correto o lançamento efetuado em nome do sócio gerente uma vez que a sociedade (pessoa jurídica) foi dissolvida irregularmente. Verificandose a divergência de entendimento acima exposta é de se admitir o recurso em relação ao primeiro ponto. Em 07/05/2013, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu em parte o recurso especial da contribuinte, e em 21/05/2013 o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 6 5 DOS FUNDAMENTOS PARA A MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO PRELIMINAR DA NÃO CONFIGURAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL ARGUIDA preliminarmente, cumpre salientar que o recurso especial interposto não deve ter seguimento, sob pena de violação do disposto nos §§ 4º e 6º do art. 67 do RICARF; com efeito, o precedente selecionado como paradigma, pela recorrente, não configura divergência jurisprudencial em relação ao acórdão recorrido. Dessa forma, não foi preenchido o requisito indispensável para que seja cabível o Recurso Especial, qual seja: a configuração e demonstração da divergência jurisprudencial; para comprovar essa constatação é preciso conferir os exatos termos da decisão recorrida e do acórdão selecionado como paradigma, bem como os fatos que permearam tais decisões; no caso relatado no presente processo, o que se verifica é que o motivo principal para que o e. colegiado mantivesse a imputação da responsabilidade na pessoa do sóciogerente da empresa, foi a constatação de que a dissolução da sociedade foi considerada irregular, ainda que de forma presumida; assim, considerando que a jurisprudência pacificada do STJ considera que a não comunicação da dissolução da sociedade às autoridades fazendárias torna a mesma presumidamente irregular, correta seria a imputação da responsabilidade ao sóciogerente da empresa, no caso concreto; por seu turno, no caso apontado como paradigma, não houve dissolução irregular e houve comunicação do encerramento das atividades da empresa às autoridades do fisco. Observese: [...]; percebese, portanto, que a decisão recorrida tratou de dissolução irregular presumida, em decorrência da não comunicação do encerramento das atividades da empresa as autoridades fazendárias, e de imputação de responsabilidade ao sóciogerente. Por outro lado, o acórdão paradigma julgou caso em que houve comunicação da dissolução da sociedade às autoridades fazendárias, inclusive com baixa do CNPJ da empresa, e a dissolução da sociedade não foi considerada irregular, razão pela qual, considerouse correto o lançamento feito em nome da pessoa jurídica e não de seu sócio. Assim, fica evidente que a situação fática e os fundamentos utilizados nos dois acórdãos são totalmente distintos; no acórdão selecionado como paradigma, não houve dissolução irregular, não havendo como apontar tais interpretações como divergentes, uma vez que partem de pressupostos fáticos completamente distintos; diante disso, forçoso concluir que o acórdão nº 10706.453 não pode servir como paradigma para o Recurso Especial interposto pela contribuinte. Isso porque, conforme Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 7 6 exaustivamente demonstrado, não tratou da mesma matéria fática e de direito objeto do acórdão recorrido. Implica dizer, não foram debatidas as mesmas questões jurídicas no acórdão recorrido e no acórdão paradigma; DA CORRETA IMPUTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE AO SÓCIO DA SUA CONDIÇÃO DE SÓCIO GERENTE de início, mister demonstrar que o Sr. Antônio Evaristo Paz era quem, de fato, gerenciava a empresa autuada, o que constitui pressuposto para a sua responsabilização; consta do Relatório Fiscal que além do autuado, existia um outro sócio, o Sr. Idenio Tavares Ferreiro, que possuía participação minoritária no capital da empresa e que não possuía poder de gerência; o referido fato é confirmado nas informações prestadas pelo Sr. Francisco de Assis Lopes, contador da empresa durante o período fiscalizado, quando do seu comparecimento nas dependências da Receita Federal. Ele informa ainda que toda a gerência da empresa era feita pelo Sr. Antônio Evaristo Paz, a quem respondia quando tratava a respeito das questões fiscais da empresa. Observese: [...]; importante ressaltar que, em momento algum de sua defesa, o responsável em questão busca provar que a condição de efetivo sóciogerente, que lhe foi atribuída, não condiz com a verdade. Ao contrário, apenas alega o fato de que a empresa é quem deveria figurar na condição de sujeito passivo da exação, não cabendo confundir na fase da constituição do lançamento, a figura do contribuinte com a do responsável; posta esta premissa, passemos, então, a demonstrar as razões pelas quais é legítima a responsabilidade tributária imputada ao Sr. Antônio Evaristo Costa; DOS ILÍCITOS PRATICADOS é da dicção do art. 135 do CTN que a solidariedade do diretor, gerente ou representante, pela dívida da sociedade, se manifestará, quando comprovado que, no exercício de sua administração, foram praticados atos contemplados pelo comando legal citado, porém com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; consoante relatado outrora e constatado no curso da ação fiscal instaurada para a apuração de crédito tributário devido pela empresa Fortaleza Distribuidora de Balas e Caramelos LTda., a pessoa jurídica investigada encontravase na condição de inativa, quando do comparecimento das autoridades fiscais ao endereço informado junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil; no Termo de Constatação lavrado pelo Auditor Fiscal competente há informação de que houve solicitação à Junta Comercial do Estado do Ceará JUCEC, os atos constitutivos e alterações em nome da citada empresa, sendo constatado neste momento a existência de um Distrato Social que extinguiu aquela sociedade na data de 05/05/2003; em que pese o registro na Junta Comercial respectiva, na prática, o que se constatou é que a empresa continuava em franca atividade; Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 8 7 tal circunstância se comprova a partir da ampla movimentação financeira da empresa, colhida junto a instituições financeiras com base na CPMF. Ademais, constatouse intensa atividade comercial praticada pela empresa nesse período, conforme registrado nas Guias de Informações Mensais do ICMS GIM, informação esta colhida junto ao banco de dados da Secretaria de Fazenda do Ceará – SEFAZ; assim, a empresa encontravase desativada perante a Junta Comercial, já há algum tempo, não funcionando no endereço informado às autoridades fiscais, permanecendo, contudo em atividade plena; vejam Srs. Conselheiros, que embora o responsável alegue não ter havido a dissolução irregular, não há como ser levada em conta a sua argumentação; esta situação está a configurar a chamada dissolução irregular da empresa que, como é sabido, representa a hipótese em que uma empresa se torna inoperante sem que ocorra sua baixa nas repartições competentes, de forma a desaparecer sem indicar sua nova localização e sem comunicar a sua extinção a quem de direito; com efeito, para a extinção regular de uma pessoa jurídica é necessária a deliberação de seus sócios a respeito, em seguida a liquidação da empresa (com a realização do ativo, o pagamento do passivo e eventual distribuição, entre os sócios, do que restar) e, por fim, a efetiva extinção, com a baixa definitiva da pessoa jurídica nos órgãos responsáveis, e por “órgãos responsáveis” entendase também a Receita Federal do Brasil; assim, a não comunicação da dissolução da sociedade à Receita Federal, tal como se deu nos autos, pressupõe a dissolução irregular da empresa e constitui infração a autorizar a aplicação do dispositivo legal em questão ao caso concreto; nesse sentido, o teor da Súmula nº 435 do Superior Tribunal de Justiça, que prevê que “presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente”; em diversas ocasiões aquele Tribunal corrobora esse entendimento, como mostra o aresto a seguir: [...]; então, revelada a dissolução irregular da sociedade, há que ser determinada a responsabilidade solidária do sócio gerente, com base no art. 135 do CTN; a despeito de a doutrina e a jurisprudência considerarem a dissolução irregular como uma hipótese autônoma a ensejar a responsabilidade dos sócios, não se pode deixar de mencionar que a declaração de dissolução irregular importa, de todo modo, no reconhecimento de uma infração à lei societária (arts. 51, 1033 a 1038 c/c arts. 1102 a 1112 e 1150/1151 do Código Civil), segundo, inclusive, já reconhecido também pelo Superior Tribunal de Justiça, a exemplo do Resp nº 1.104.064; tratando do tema, a Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes concluiu que dissolução irregular da empresa acarreta a responsabilidade pessoal de que trata o art. 135 do CTN ( Acórdão nº 101 96.146); Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 9 8 apesar de devidamente exposta a dissolução irregular da empresa, o que por si só já autorizaria a aplicação do art. 135, III, devese registrar que o sócio gerente cometeu, ainda, outras infrações que justificam a sua responsabilização; não bastasse tudo isso, a pessoa jurídica inicialmente fiscalizada ainda apresentou DIPJ de 2001 a 2003 na condição de inativa; não entregou DCTF em relação a esses períodos; não pagou os tributos federais devidos; registrou intensa movimentação bancária; informou, a despeito das declarações zeradas perante a SRFB, expressiva movimentação de saída de mercadorias para a Secretaria de Estado da Fazenda do Ceará, dados esses que serviram de base para o cálculo dos tributos devidos, o que mais uma vez demonstra que seu sócio agiu com excesso de poder e em afronta à legislação, devendo ser responsabilizado, com base no art. 135, III, segundo também já decidiu este Conselho: Acórdão nº 340300.527 [...]; diante dessas evidências, não se está tratando aqui, por óbvio, de ʺmero inadimplementoʺ, como alegado pelo interessado. Ora, o crédito lançado pela fiscalização em auto de infração não é um crédito de ʺmero inadimplementoʺ, visto que, se houve autuação é porque, segundo a administração fazendária federal, houve infração à lei, havendo, portanto, um ato ilícito do ponto de vista tributário e por esta razão, autorizada está a imputação de responsabilidade tributária do administrador da pessoa jurídica; o art. 135 trata de uma responsabilidade solidária. O elemento subjetivo é o dolo gênero, logo, envolve dolo ou culpa. Se o lançamento de ofício é feito com multa qualificada, como ocorreu no caso em apreço, ocorre a responsabilidade solidária de que trata o art. 135, em relação aos sócios administradores à época do fato gerador e os mandatários, prepostos e empregados; como já decidido pelo CARF, a infração à lei, a que se refere o art. 135 do CTN, não se resume à mera inadimplência, mas a todo um conjunto de procedimentos fraudulentos comprovados nos autos. A jurisprudência administrativa tem admitido a sujeição passiva dos administradores como responsáveis, quando demonstrado, como no presente caso, sua participação direta na prática das infrações: [...]; cumpre à Fazenda Nacional transcrever parte do PARECER PGFN/CRJ/CAT/Nº 55/2009, que analisou a responsabilidade do art. 135 do CTN com muita propriedade: [...]; desta feita, mostrase que o lançamento em tela configurou de forma correta e suficiente a responsabilidade tributária solidária do indivíduo considerado sócio/gerente da empresa autuada; PEDIDO ante o exposto, requer a União seja negado provimento ao recurso especial manejado pelo contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela e. Turma Ordinária a quo. É o relatório. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2001 a 2003. A auditoria fiscal decorreu de requisição do Ministério Público Federal, solicitando investigação sobre possível prática de sonegação fiscal por parte da empresa FortalezaDistribuidora de Balas e Caramelos Ltda., em função de incompatibilidade detectada entre a sua movimentação financeira (base da CPMF) colhida da rede bancária e a situação da inatividade perante o Fisco Federal indicada nas suas declarações de rendimentos apresentadas para os anoscalendário de 2001 a 2003. A partir de informações colhidas junto ao banco de dados da Secretaria de Fazenda do Ceará SEFAZ, constatouse que a empresa, apesar de ter apresentado declaração de inativa, na verdade esteve em efetivo funcionamento durante os anos sob fiscalização (anos 2001, 2002 e 2003). Em visita ao endereço sede da empresa, constatouse que a mesma não mais se encontrava em funcionamento no local. Foi solicitado à Junta Comercial do Estado do Ceará JUCEC, os atos constitutivos e alterações em nome da citada empresa, momento em que foi constatada a existência de um Distrato Social que extinguiu aquela sociedade na data de 05/05/2003. O sócio responsável pela pessoa jurídica foi intimado, mas não apresentou escrituração regular da forma das leis comerciais e fiscais necessárias à apuração do lucro real. Em razão disso, foi realizado o arbitramento dos lucros, adotandose por base de cálculo as saídas de mercadorias realizadas pela empresa FortalezaDistribuidora de Balas e Caramelos Ltda., no período de janeiro de 2001 a fevereiro de 2003, tais como informadas nas Guia de Informação Mensal do ICMSGIM apresentadas à SEFAZ/CE. Pelos fatos apurados, foi aplicada a multa qualificada de 150% prevista no art. 44, II da Lei 9430/96, e a autuação foi direcionada à pessoa física do sócio responsável pela pessoa jurídica Sr. Antonio Evaristo Paz CPF 058.431.70349, na forma dos arts. 135, III do CTN e art. 207, V do Decreto 3000/99. O Termo de Verificação Fiscal apresenta os seguintes fundamentos para a multa qualificada: Multa qualificada: Sobre os tributos e contribuições lançados "exoficio" resultante da presente fiscalização, cabe a aplicação de multa qualificada de 150% de que trata o art. 44, II da Lei 9.430/96, tendo em vista que no curso da ação fiscal foi Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 11 10 constatada a prática de atos tendentes a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador das obrigações tributárias da pessoa jurídica, na medida em que, nos anos de 2001 a 2003 em que a empresa estava em pleno funcionamento, foram apresentadas declarações indicando que a mesma se encontrava em situação de Inativa, não tendo sido efetuado nenhum recolhimento de tributo/contribuição federal ou apresentado DCTF em relação a esses períodos. E sobre a responsabilidade tributária do Sr. Antonio Evaristo Paz, o Termo de Verificação apresenta as seguintes informações: Da Responsabilidade tributária: Os fatos em relato nos levam a concluir pela aplicação do dispositivo contido no inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional, com o fim de responsabilizar pessoalmente pelos débitos da pessoa jurídica fiscalizada, o seu sóciogerente Antonio Evaristo Paz — CPF 058.431.70349, porquanto transparece evidente o intuito sonegatório por ele perpetrado, na medida em que, com relação aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, prestou declarações à Receita Federal se passando por uma empresa em situação INATIVA quando, de fato, estava em pleno funcionamento, não tendo por conseguinte recolhido e declarado nenhum tributo ou contribuição à Fazenda Nacional, com a agravante de que em 05/05/2003 promoveu a extinção da sociedade sem dar baixa no cadastro do CNPJ e quitar suas obrigações decorrentes dos fatos geradores tributários ocorridos durante o seu funcionamento e omitido do conhecimento do Fisco Federal, mediante conduta fraudulenta, sendo de aplicarse na espécie, também o disposto no art. 207, V do Decreto 3000/99. De registrarse que o Sr. Antonio Evaristo Paz figura como único sócio com função de gerência na empresa, desde agosto de 1999, conforme faz prova o 2º Aditivo ao Contrato Social da mesma (doc. fls. 55), fato este que é ainda confirmado pela documentação que nos foi encaminhada pelos Bancos Bradesco e BIC e que indica o Sr. Evaristo como responsável pela movimentação das contas mantidas pela empresa naquelas instituições (doc. fls. 132/153). O lançamento foi mantido pela decisão de primeira instância administrativa, e também pela decisão de segunda instância (acórdão ora recorrido). Em sede de recurso especial, o sujeito passivo suscitou divergência em relação (i) à atribuição de responsabilidade tributária pessoal ao sócio; (ii) à qualificação da multa de ofício, e (iii) à falta de especificação das operações mercantis que deram ensejo à caracterização da omissão de receitas. No exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao recurso apenas para a primeira divergência. Quanto à divergência sobre a atribuição de responsabilidade tributária pessoal ao sócio, o sujeito passivo argumenta, em síntese, que a autoridade lançadora incorreu em erro grave e insanável, visto que na fase constitutiva do crédito tributário não se pode confundir a figura do contribuinte com a do responsável; que segundo o disposto no art. 144 do CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 12 11 então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada; e que a agente fiscal não poderia desprezar essa regra e substituir a empresa fiscalizada pela pessoa de seu sócio pelo simples fato de que a mesma já havia sido extinta e, no caso, de forma regular. Para a comprovação da divergência, o sujeito passivo apresentou como paradigma o Acórdão nº 10706453, que manteve lançamento de crédito tributário em nome de empresa dissolvida, entendendo que a empresa, representada pelo sócio responsável, deveria continuar a responder pelo crédito tributário enquanto não decaído o direito da Fazenda Nacional de proceder o lançamento. Embora o despacho de exame de admissibilidade tenha dado seguimento ao recurso em relação à divergência sobre a atribuição de responsabilidade tributária ao sócio, penso que também em relação a essa matéria o recurso não pode ser conhecido. Em primeiro lugar, há muitas situações em que o lançamento é feito ao mesmo tempo contra uma pessoa jurídica (na condição de contribuinte) e contra os seus sócios administradores (na condição de responsáveis), inclusive com manutenção desse tipo de lançamento pelo CARF. O registro é importante, porque deixa evidente que uma situação (lançamento contra o contribuinte) não é por si só excludente da outra (lançamento contra o responsável). Nesse passo, destaco que o paradigma apresentado apenas rejeitou uma preliminar de ilegitimidade passiva apresentada pela contribuinte (que foi indicada como sujeito passivo naquele caso). O paradigma não cancelou exigência contra responsável tributário, e também não afirmou (nem mesmo indiretamente) que não poderia ter havido lançamento contra esse tipo de sujeito passivo. A referida decisão apenas entendeu, diante das circunstâncias do caso concreto, que não deveria cancelar o lançamento por ele ter sido realizado em nome da empresa. Por outro lado, o recorrido também não cancelou lançamento contra a pessoa jurídica, e nem deu indicação de que teria cancelado o lançamento caso ele tivesse sido dirigido contra a empresa. O acórdão recorrido apenas concordou com a responsabilidade imputada pela fiscalização ao sóciogerente. Nos dois casos cotejados (recorrido e paradigma) apenas houve rejeição de preliminar de ilegitimidade passiva, mas não dá para dizer que o acórdão paradigma teria anulado o lançamento caso ele tivesse sido realizado (também) contra o responsável, e nem que o acórdão recorrido teria anulado o lançamento caso ele tivesse sido realizado (também) contra a pessoa jurídica. Não bastasse isso, é importante destacar, conforme o voto que orientou o acórdão paradigma, que, naquele caso, o distrato social que havia sido apresentado e registrado no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, teve seu registro cancelado, a pedido, no Conselho Regional de Corretores de Imóveis, após o início do procedimento fiscal, e o referido voto esclarece as razões para o cancelamento do registro do distrato: [...] Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 13 12 Pelo Distrato Social de fls. 346/347, LUIZ ALBERTO CHEMIN e LUIS NICODEMO CHEMIN, únicos sócios da firma sob a denominação social de COHAPRO — CONSULTORIA DE IMÓVEIS S/C LTDA., o primeiro, corretor de imóveis, inscrito no CRECI sob o no. 069005, o segundo, comerciante, resolveram em comum acordo dissolver a sociedade dentro das condições seguintes, entre outras: "CLAUSULA PRIMEIRA — A sociedade não mais pratica atos de intermediação de compra e venda de imóveis, locação e administração de imóveis, assessoria e planejamento em negócios imobiliários desde 31/11/93. (...) CLAUSULA QUINTA O sócio LUIZ ALBERTO CHEMIN fica incumbido da regularização dos presentes atos junto às repartições públicas competentes e manterá, sob sua guarda, os livros da sociedade extinta, conservandoos na forma e no prazo da Lei". Referido distrato social, datado de 30 de novembro de 1993, foi apresentado e registrado sob o no. 252520, em 21 de setembro de 1995, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, e teve seu registro cancelado, a pedido, no Conselho Regional de Corretores de Imóveis, em 29 de setembro de 1995 (f1s347verso), após o início do procedimento fiscal, determinado pelo Termo de Diligência de fls. 03, e cientificado ao Diretor Comercial em 04/09/95. [...] A autoridade administrativa tributária agiu corretamente, ao cientificar na pessoa do sócio responsável pela guarda dos livros obrigatórios da escrituração comercial e fiscal da empresa dissolvida, e pelos comprovantes dos lançamentos neles efetuados, até que ocorresse a prescrição/ decadência dos créditos tributários decorrentes das operações, o lançamento do crédito tributário a favor da Fazenda Nacional, em nome da empresa e devido por ela, no período em que exerceu suas operações comerciais e que deixou de recolher os tributos aos cofres públicos. Por outro lado, a empresa não pode ser conceituada como sociedade civil de prestação de serviços relativos ao exercício de profissão regulamentada, quando constituída por titulares de profissão de natureza comercial ou praticar atos mercantis, ainda que tenha sido reconhecida e regulamentada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. O fato de um dos titulares da empresa ser comerciante descaracteriza a sociedade civil de prestação de serviços por profissional de atividade regulamentada. [...] (grifos acrescidos) Essa particularidade do caso paradigma repercutiu na definição da sujeição passiva, e também na rejeição da preliminar de ilegitimidade passiva apresentada pela pessoa jurídica, que foi autuada naquele caso. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10380.009181/200589 Acórdão n.º 9101002.958 CSRFT1 Fl. 14 13 Diante disso, vêse, com mais clareza, que o entendimento pela manutenção do lançamento contra a pessoa jurídica (no caso paradigma) não dá base para que se defenda o cancelamento do lançamento contra o responsável tributário (no caso recorrido). Não há paralelo entre as decisões que permita chegar a essa conclusão. A caracterização da divergência jurisprudencial se dá quando o entendimento do caso paradigma pode ser transposto para o recorrido, produzindo o resultado pretendido pelo recorrente, mas isso não ocorre aqui, seja em razão das especificidades de cada caso, seja porque o acórdão paradigma não cancelou nenhum lançamento contra responsável tributário, até porque não houve esse tipo de lançamento naquele caso. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 518DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.009943/2005-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/04/1995
DIREITO CREDITÓRIO. PERÍODO ENTRE JAN/1992 E DEZ/1995. APURAÇÃO. ÍNDICE DE ATUALIZAÇÃO APLICÁVEL
A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR da data do efetivo pagamento (UFIR diária) até 01/01/1996 (conversão em reais - UFIR 0,8287), nos termos do art.66 da Lei nº8.383/91.
Numero da decisão: 3402-004.671
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
JORGE OLMIRO LOCK FREIRE - Presidente.
Assinado Digitalmente
PEDRO SOUSA BISPO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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PERÍODO ENTRE JAN/1992 E DEZ/1995. APURAÇÃO. ÍNDICE DE ATUALIZAÇÃO APLICÁVEL A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR da data do efetivo pagamento (UFIR diária) até 01/01/1996 (conversão em reais UFIR 0,8287), nos termos do art.66 da Lei nº8.383/91. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Presidente. Assinado Digitalmente PEDRO SOUSA BISPO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 99 43 /2 00 5- 43 Fl. 788DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de pedido de habilitação de crédito judicial, apresentado pelo contribuinte acima identificado (fl. 06), decorrente do trânsito em julgado ocorrido no Mandado de Segurança nº 98.00091424. Às fls. 551 a 558 consta informação fiscal, elaborada pelo Seort/DRF/RecifePE, nos seguintes termos: A Cia. de Cimentos Portland Poty incorporou a empresa Mineradora Ponta da Serra Ltda em 02/01/2002. Posteriormente, a Cia. De Cimentos Portland Poty teve sua denominação alterada para Votorantim Cimento N/NE S/A; O contribuinte apresentou pedido de habilitação de crédito de PIS reconhecido judicialmente, no valor de R$ 22.961,91, abrangendo o período de janeiro de 1992 a setembro de 1995; Foi ainda formalizado outro pedido de habilitação, relativo ao mesmo crédito, no valor de R$ 189.689,67, por meio do processo nº 19647.010434/200563, sob a alegação de tratarse de crédito remanescente. Tal processo foi extinto, tendo sido o crédito em questão habilitado no presente processo, conforme decisão de fls. 81 a 83; Quanto à ação judicial, objetivou a compensação de valores de PIS pagos a maior, com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, com parcelas do próprio PIS, da Cofins e da CSLL, com atualização e IPC integral; A segurança foi denegada. Entretanto, o TRF5ª Região deu provimento à apelação da impetrante para reconhecer a inconstitucionalidade argüida, considerar não ocorrida a prescrição qüinqüenal, e autorizar a compensação pelas regras do art. 66 da Lei nº 8.383/91; O STJ deu provimento parcial ao recurso da Fazenda, mantendo a compensação com o próprio PIS, e fixando os índices de atualização aplicáveis em cada mês; A empresa insurgiuse contra a decisão relativa ao pedido de habilitação, no que tange à limitação de compensação com o próprio PIS. Tal manifestação não foi conhecida pela DRJ/Recife (fls. 101 a 104). Entretanto, em razão do disposto na Lei nº 9.784/99, o processo foi encaminhado à SRRF/4ªRF para apreciação, tendo sido proferido parecer negando provimento ao recurso, mantendose a decisão judicial que autorizou a compensação do PIS apenas com o próprio PIS (fls. 114 a 119); Fl. 789DF CARF MF Processo nº 19647.009943/200543 Acórdão n.º 3402004.671 S3C4T2 Fl. 789 3 A empresa apresentou o requerimento de fl. 93, retificando o valor do crédito para R$ 267.241,93, apresentando nova planilha de apuração, agora de julho de 1988 a abril de 1995; Considerando que a ação foi ajuizada em 04/05/1998 e que foi afastada a prescrição qüinqüenal, são passíveis de repetição de indébito os valores recolhidos a maior que o devido a partir de 04/05/1988, portanto, todo o período pretendido pela empresa; Considerando os documentos apresentados pela empresa (fls. 128 a 161 e 165 a 402), além da planilha de apuração do crédito (fls. 165 a 308), foi elaborada a planilha de fl. 416, com o faturamento da empresa no período em questão (exceto jan/89); Os valores recolhidos em Darf estão compatíveis com a referida planilha e foram devidamente confirmados; Assim, foram elaborados diversos demonstrativos, anexados às fls. 463 a 544; No montante apurado encontrase embutido 1% referente a jan/96. Assim, para que seja o referido valor utilizado na compensação, fazse necessário expurgar este 1% do valor encontrado, o que perfaz o montante de R$ 78.041,00, saldo credor de que dispõe a empresa, conforme decisão judicial, passível de compensação; Procedendose ao encontro de contas entre o crédito passível de compensação e os débitos de PIS, foi elaborado o demonstrativo de fls. 545 a 550, do qual depreendese que o crédito foi suficiente para a liquidação integral dos débitos de PIS; Assim, propõese que seja reconhecido à empresa o direito creditório no montante de R$ 78.041,00, atualizado para 01/01/96, convalidando as compensações dos débitos de PIS efetuadas pela empresa em DCTF; Propõese, ainda, a homologação integral da compensação de débito de PIS referente ao PA 10/2006, no valor de R$ 209.454,34, declarada no PER/DCOMP nº 35961.79002.141106.1.3.579761, e a não homologação da compensação com débito de Cofins, declarada no PER/DCOMP nº 10449.11943.061205.1.7.041380. Em conseqüência, foi proferido, em 15/09/2010, o despacho decisório de fls. 143/144, nos termos propostos na informação acima. O contribuinte tomou ciência desta decisão em 23/09/2010 (fl. 633), tendo apresentado manifestação de inconformidade tempestiva em 25/10/2010 (fls. 647 a 678), com as seguintes alegações, em resumo: Conforme se depreende do despacho decisório, entende a RFB que o valor do indébito é inferior ao crédito tributário que se pretende compensar, resultando em diferença em desfavor da empresa; Fl. 790DF CARF MF 4 Entende o Fisco que, no período entre o PA 01/92 e 09/95 deveria ser aplicado o índice da UFIR diária; A regra que trata da aplicação da UFIR não faz qualquer referência à sua periodicidade, se mensal ou diária, devendo, portanto, ser considerada a sistemática que representa a recomposição real da inflação do período. A empresa apurou um crédito no valor de R$ 113.418,43; Verificase, além disso, que foram adotados critérios de atualização dos créditos que são desconhecidos, não respeitando os parâmetros de correção determinados na sentença transitada em julgado; O direito ao crédito é oriundo de decisão judicial que deve ser absolutamente cumprida, nos termos em que proferida, conforme determinam as regras processuais vigentes; A coisa julgada no âmbito do Poder Judiciário jamais pode ser alterada no processo administrativo, como ocorreu nos presentes autos, pois tal procedimento fere a Constituição; Reconhecido pelo Poder Judiciário o direito de repetição de indébito pela compensação, não pode o órgão administrativo alterar a aplicação dos índices determinados na decisão judicial; Citase jurisprudência do CARF sobre a questão; No mesmo sentido dispõe o Parecer Cosit nº 58/98, item 32; Diante do erro material apontado, requerse a correção de ofício da decisão recorrida, com fundamento na Lei nº 9.784/99, Súmulas 346 e 473 do STF, a fim de que o crédito do contribuinte seja atualizado em conformidade com os índices de correção determinados pelo Poder Judiciário; Os dispositivos da Lei nº 8.383/91 que pretensamente poderiam justificar a apuração dos créditos com a aplicação da variação da UFIR por coeficientes diários não têm aplicação ao caso, na medida em que apenas normatizam a regra de atualização do imposto a ser recolhido; Contrariamente ao citado, o § 3º do art. 66 da Lei nº 8.383/91 trata de regra de correção monetária para a apuração do valor a ser restituído ou compensado de pagamentos indevidos ou a maior e nele não há qualquer referência se a variação da UFIR a ser utilizada é a diária ou a mensal; Assim, não cabe à Administração distinguir, em despacho decisório, aquilo que a lei não distinguiu e impor que essa variação seja diária; Alegar que o critério da utilização da variação mensal gera diferenças significativas a favor do contribuinte é no mínimo forçoso; Todos os critérios de cálculos adotados para medir a inflação foram sobre aquela já incorrida e notória é a defasagem no Fl. 791DF CARF MF Processo nº 19647.009943/200543 Acórdão n.º 3402004.671 S3C4T2 Fl. 790 5 tempo da recomposição das perdas. Nesse sentido, citase a Portaria 145/1992, do MF; Ademais, o contribuinte requereu e teve provimento judicial que determinou que os índices para a atualização monetária ocorresse por meio da aplicação do IPC, INPC e UFIR; Ressaltese a incongruência do raciocínio fiscal na medida em que, no período anterior ao ano de 1992, onde a decisão judicial determinou a utilização da variação do IPC e do INPC, entendeu possível a utilização da variação mensal destes coeficientes, mesmo com a existência de legislação que previa a utilização de coeficiente com variação diária para os pagamentos, com a única diferença nos nomes dados aos seus conversores (OTN e BTN); Assim, concluise que a UFIR diária nada mais é do que o IPCA E diário, tendo aplicação somente para pagamento de tributos, e não para restituição/compensação; O próprio Fisco reconhece a possibilidade de aplicação de índices mensais, conforme dispõe a tabela anexa à Norma de Execução SRF/COSIT/COSAR nº 8/97. No mesmo sentido, a tabela de coeficientes do Manual de Cálculos da Justiça Federal; Citase decisão do STJ neste sentido; Tendo a decisão judicial reconhecido a aplicação do IPC, INPC e UFIR, incongruente reconhecer que até 12/91 o coeficiente mensal é válido e a partir de 01/92 não é, devendo ser reconhecido o crédito demonstrado; Acerca da alegada impossibilidade de compensação dos créditos de PIS com outros tributos e contribuições, merece reforma o despacho decisório, pois não se coaduna com o entendimento administrativo e judicial, tendo em vista a edição de norma que autoriza a compensação com quaisquer tributos federais, inclusive em casos análogos ao presente; A Lei nº 9.430/96 aboliu a limitação contida na Lei nº 8.383/91, permitindo a compensação entre tributos de espécies diferentes, conforme art. 74, alterado pela Lei nº 10.637/2002; A jurisprudência do Poder Judiciário e do CARF, inicialmente, firmouse no sentido de que a compensação deve regerse pelas normas vigentes quando do encontro de contas; O direito compensatório é regulado pela legislação do momento em que é feito o encontro de contas, conforme decisões transcritas; A própria RFB admitiu a ampliação da compensação de créditos de PIS com outros tributos, conforme Solução de Consulta nº 14/2004, da 3ª RF; Fl. 792DF CARF MF 6 Atualmente, permanece o entendimento administrativo e judicial de que, diante de norma legal que expressamente prevê a possibilidade de compensação com quaisquer tributos, e não havendo afronta à decisão judicial, é possível estenderse a compensação com outros tributos, ainda que a decisão judicial tenha autorizado apenas com o próprio PIS; Nesse sentido, citamse a Solução de Divergência nº 38/2008 e a Nota Cosit nº 141/2003; Observese, ainda, que a Lei nº 10.637/2002 modificou a redação original do art. 74 da Lei nº 9.430/96, não cabendo o entendimento constante da decisão recorrida de que não seria aplicável ao caso o disposto na Nota Cosit nº 141/2003; Isso porque a compensação com outros tributos estava adstrita a autorização pela RFB, ao passo que a partir da nova redação dada pela Lei nº 10.637/2002 foi reconhecida a plena utilização dos créditos apurados para a compensação com qualquer tributo, independentemente de pedido junto à RFB; Ademais, o STJ tem se posicionado no sentido de que, para uma compensação de crédito tributário com qualquer tributo, basta o cumprimento dos requisitos administrativos, conforme decisão transcrita; Destaquese que, nos termos da Lei nº 9.430/96 (vigente no momento do trânsito em julgado), a compensação com outros tributos não era vedada, mas condicionada à apresentação de Pedido de Restituição, conforme redação original do art. 74. Nesse sentido, as compensações iniciais feitas pela recorrente e lançadas em DCTF com débitos do próprio PIS atenderam ao disposto na norma legal, bem como as compensações ora em análise também atendem as disposições legais vigentes; Assim, verificase que, embora o acórdão tenha dado provimento para reconhecer a possibilidade de compensação do PIS com débitos da própria contribuição, tal decisão foi de acordo com o pedido inicial formulado pela empresa e demais decisões proferidas naquela ação, não se instaurando de fato litígio acerca da possibilidade de compensação com demais tributos. Em ato contínuo, a DRJRIO DE JANEIRO julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1988 a 30/04/1995 DIREITO CREDITÓRIO PERÍODO ENTRE JAN/1992 E DEZ/1995 APURAÇÃO ÍNDICE DE ATUALIZAÇÃO APLICÁVEL Os créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior, passíveis de compensação ou restituição, apurados anteriormente a 01/01/1996, quantificados em UFIR, deverão ser convertidos em Reais, com base no valor da UFIR vigente em 01/01/1996 (R$ 0,8287). Fl. 793DF CARF MF Processo nº 19647.009943/200543 Acórdão n.º 3402004.671 S3C4T2 Fl. 791 7 DECISÃO PROFERIDA POR AUTORIDADE INCOMPETENTE NULIDADE É nula a decisão proferida por autoridade incompetente para apreciar a questão analisada. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO NA VIA JUDICIAL COMPENSAÇÃO NORMA APLICÁVEL INTEGRAÇÃO DA DECISÃO JUDICIAL À NOVA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA Os créditos de natureza tributária, reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado que tenha limitado a compensação aos termos previstos na norma vigente à época do ajuizamento da ação, poderão ser compensados nos termos previstos em legislação mais benéfica, publicada em data posterior ao ajuizamento, por se tratar de mera integração da decisão judicial à norma posterior, não se caracterizando hipótese de descumprimento de decisão judicial. Manifestação de Inconformidade Provida em Parte. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. A Recorrente em seu Recurso Voluntário repisou os mesmos argumentos utilizados na sua Manifestação de Inconformidade quanto a utilização da UFIR mensal na correção dos seus créditos. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos em lei, motivo pelo qual deve ser conhecido. Cingese a matéria da lide a utilização da UFIR diária nos períodos de apuração 01/92 a 12/95, como aplicou a DRF de origem, ou se deve ser aplicada a UFIR mensal para a correção dos seus créditos reconhecidos judicialmente, como quer a Recorrente. Inicialmente, reproduzo a exposição da DRJ sobre as decisões judiciais relacionadas ao mandado de segurança impetrado pela Recorrente, in verbis:: O contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 98.00091424, origem do crédito que ora se analisa, visando a compensação dos valores pagos a maior a título de PIS, apurados com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, com débitos do próprio PIS, da Cofins e da CSLL. A sentença denegou a segurança pleiteada. O TRF/5ª Região deu provimento ao recurso de apelação interposto pela impetrante, com a seguinte ementa: “Tributário. Contribuição para o PIS (Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88). Inconstitucionalidade. Prescrição qüinqüenal. Fl. 794DF CARF MF 8 Inocorrência. Compensação. Incidência da regra do art. 66 da Lei 8.383/91. Devidos na espécie. Apelo provido.” O STJ deu parcial provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda, nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOS LEIS N. 2.445/88 E 2.449/88. COMPENSAÇÃO. PIS E COFINS. LEI N. 8.383/91. IMPOSSIBILIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. INCIDÊNCIA. FGTS. SÚMULA N. 252/STJ. DISSÍDIO PRETORIANO. NÃO CONFIGURAÇÃO. 1. A Primeira Seção deste Tribunal, interpretando o art. 66 da Lei n. 8.383/91 – com as alterações advindas das Leis n. 9.069/95 e 9.250/95 –, firmou entendimento de que só pode haver compensação entre tributos da mesma espécie que possuam a mesma destinação constitucional. Com efeito, afigurase inviável a compensação do PIS com a Cofins, visto tratarse de exações de natureza jurídica diversa com destinações orçamentárias próprias. Precedentes. 2. A circunstância de os índices aplicados para a atualização monetária do indébito tributário serem diversos daqueles utilizados para a correção dos saldos das contas do FGTS não se constitui fato hábil a ensejar o conhecimento do recurso especial fundado na alínea "c" do permissivo constitucional. Isso porque cuidamse de situações fáticas diversas reguladas por regramentos próprios, aspectos que impossibilitam a configuração da divergência jurisprudencial. 3. A Súmula n. 252/STJ não é aplicável à repetição de indébito tributário, porquanto os critérios em que se fundam a correção monetária dos saldos das contas vinculadas do FGTS levam em consideração legislação específica. 4. Consoante reiterada orientação jurisprudencial desta Corte, os índices de correção monetária aplicáveis na restituição de indébito tributário são: a) desde o recolhimento indevido, o IPC, de outubro a dezembro/1989 e de março/1990 a janeiro/1991; o INPC, de fevereiro a dezembro/1991; a Ufir, a partir de janeiro/1992 a dezembro/1995; b) a taxa Selic, exclusivamente, a partir de janeiro/1996. Os índices de janeiro e fevereiro/1989 e de março/1990 são, respectivamente, 10,14%, 42,72% e 84,32%. 5. O índice a ser utilizado para fins de atualização monetária no período compreendido entre os meses de março/90 e janeiro/91, na hipótese da ocorrência de compensação, é o IPC, que se traduz nos seguintes percentuais: 84,32% (março/90), 44,80% (abril/90), 7,87% (maio/90), 12,92% (julho/90), 12,03% (agosto/90), 14,20% (outubro/90) e 21,87% (fevereiro de 1991). 6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. O trânsito em julgado desta decisão ocorreu em 28/10/2004. Tais informações constam da certidão de fls. 11/12, não havendo nos autos cópia da petição inicial, da sentença e nem do acórdão Fl. 795DF CARF MF Processo nº 19647.009943/200543 Acórdão n.º 3402004.671 S3C4T2 Fl. 792 9 do TRF/5ª Região. O inteiro teor destas decisões não consta nos respectivos sítios do Poder Judiciário. (grifei) Percebese que no provimento judicial obtido pelo contribuinte não há determinação para utilização de UFIR mensal ou diária. Assim, nele nada sendo explicitado sobre qual UFIR a utilizar no período de 01/92 a 12/95 sobre os valores pagos indevidamente, cabe à Autoridade administrativa utilizarse dos índices e critérios legalmente determinados. A base legal que prevê a atualização monetária pela UFIR é a Lei nº8;383/91, in verbis:: Art. 53. Os tributos e contribuições relacionados a seguir serão convertidos em quantidade de UFIR diária pelo valor desta: (Redação dada pela Lei nº 8.850, de 1994) (...) IV contribuição para o financiamento da Seguridade Social (COFINS), instituída pela Lei Complementar n° 70, de 1991, e contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP), no último dia do mês de ocorrência dos fatos geradores; (Redação dada pela Lei nº 8.850, de 1994) (...) Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (grifei) A lei em epígrafe dispôs que em compensação ou restituição o crédito será corrigido monetariamente pela variação da UFIR. Como termo inicial para se considerar a atualização monetária deve ser a data do recolhimento, ou seja, a mesma data em que o tributo se tornou indevido, conforme o provimento judicial obtido. A Autoridade Tributária aplicou o determinado em lei, convertendo o crédito do contribuinte pela UFIR diária do dia do recolhimento e converteu para reais pela UFIR 01/01/1996, 0,8287, conforme apontado no Fl. 796DF CARF MF 10 Art.39, da IN nº210/2002 e nas demais Instruções Normativas posteriores editadas pela Receita Federal que repetiram o mesmo dispositivo. O contribuinte pleiteou a aplicação da UFIR mensal pois, segundo seu entendimento, uma vez que o art.66 da Lei nº8.383/91 não estabeleceu taxativamente qual a UFIR a ser utilizada, mensal ou diária, deve ser a aplicada a norma mais favorável ao contribuinte constante no inciso IV, art.53, onde é prevista a utilização da ufir mensal. Equivocase a Recorrente em sua argumentação, pois o inciso IV do art.53 da Lei nº 8.383/91 trata especificamente da conversão em UFIR dos débitos do PIS e da COFINS apurados na data da ocorrência do fato gerador, utilizandose a UFIR do último dia do mês. Não há fundamento legal ou fático para utilizar a UFIR mensal constante no referido dispositivo legal para a correção do seu direito creditório. Caso prevalecesse esse entendimento, isso representaria, de fato, um enriquecimento sem causa da Recorrente, uma vez que a Empresa obteria uma atualização monetária anterior ao pagamento realizado, do último dia do mês do fato gerador até a data do efetivo pagamento do PIS. Assim, a Autoridade Tributária realizou corretamente a atualização monetária do crédito reconhecido judicialmente pela variação da UFIR da data do efetivo pagamento até 01/01/1996 (conversão em reais UFIR 0,8287), nos termos do provimento judicial obtido pelo contribuinte e do art.66 da Lei nº8.383/91. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente PEDRO SOUSA BISPO Relator Fl. 797DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.728581/2013-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÃO DOS HONORÁRIOS PAGOS. COMPROVAÇÃO.
Cabe a dedução dos honorários advocatícios comprovadamente pagos do total de rendimentos recebidos de forma acumulada em virtude de ação judicial.
Numero da decisão: 2401-004.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento para excluir do lançamento o valor de R$ 10.973,60 pagos a título de honorários advocatícios.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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DEDUÇÃO DOS HONORÁRIOS PAGOS. COMPROVAÇÃO. Cabe a dedução dos honorários advocatícios comprovadamente pagos do total de rendimentos recebidos de forma acumulada em virtude de ação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 85 81 /2 01 3- 44 Fl. 93DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento para excluir do lançamento o valor de R$ 10.973,60 pagos a título de honorários advocatícios. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 11080.728581/201344 Acórdão n.º 2401004.966 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.08/11 relativa ao Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2009, para cobrança do crédito tributário total de R$ 6.009,99, composto de: Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar: R$ 2.926,57; Multa de Ofício de R$ 2.194,92 e Juros de Mora calculados até 31/07/2013 no valor de R$ 888,50. O lançamento é decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 35.162,16. O enquadramento legal encontrase às fls. 09 e 11. Cientificado do lançamento em 30/07/2013 (fl.13), o contribuinte apresentou impugnação em 14/08/2013 (fl.01), esclarecendo que os rendimentos considerados omissos no lançamento correspondem a honorários advocatícios pagos e/ou outras despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos declarados. Por fim, lista os documentos trazidos à colação e solicita prioridade na tramitação do processo com base no Estatuto do Idoso. A 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) manteve procedente o lançamento, nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA DECORRENTES DE AÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL. Só são dedutíveis os honorários advocatícios arcados pelo beneficiário e pagos para a percepção de rendimentos recebidos obtidos por via judicial, quando devidamente comprovado mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 79/80), no qual o contribuinte alega: 1) Preliminar: A impugnação apresentada em 14/08/2013 foi analisada por Débora Cristina Debatir Tomassi (ATRFB – mat. 1570556) e com o de acordo de Anelise Hackbart Pom (ATRFB – mat. 64.830, Del.Com.Port. DRF/POA/RS nº 50/2011) e através da intimação nº 203/2013, fui intimado a recolher ou parcelar o imposto relativo a parte não impugnada, com prazo para pagamento até 28/08/2013. Recebi a correspondência no dia Fl. 95DF CARF MF 4 29/08/2013, fora de horário bancário para pagamento, perdendo o benefício da redução da multa. O pagamento foi efetuado em 30/08/2013, conforme DARF pago no Banrisul S/A no valor total de R$ 1.957,04. A alegação da 18ª Turma da DRJ/RJ1 é de que só são dedutíveis os honorários arcados pelo beneficiário e pagos para percepção de rendimentos obtidos por via judicial, quando devidamente comprovado mediante a apresentação de documento hábil e idônea. O recibo de honorários advocatícios apresentado no Termo de Impugnação de 14/08/2013, referese ao valor pago. O recibo apresentado é documento idôneo. 2) Mérito: Para provar o alegado junto os seguintes documentos: 1. Cópia do recibo de honorários onde a advogada menciona o histórico que o valor pago são honorários relativos a processo contra o INSS, 2. Cópia da minuta do contrato de prestação de serviços advocatícios, 3. Cópia do recibo de pagamento do benefício – INSS de 02/12/2009 no valor de R$ 50.368,00, base para cálculo dos honorários, sendo 20% = R$ 10.073,60 + R$ 900,00 = R$ 10.973,60, 4. Cópia da intimação nº 203/2013 com demonstrativo de Apuração do Imposto devido e demonstrativo de crédito tributário e mais o DARF para pagamento do imposto e acréscimos legais c/vcto para 28/08/2013. Cópia do DARF de pagamento do imposto e acréscimos legais recolhido no dia 30/08/2013, 5. Documento de Identidade. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 11080.728581/201344 Acórdão n.º 2401004.966 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 03/01/2014, conforme AR às fls. 64, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 27/01/2014 (fls.79/80) Do mérito Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou procedente a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) para cobrança do crédito tributário total de R$ 6.009,99. O lançamento decorreu da constatação da omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial, no valor de R$ 35.162,16 auferidos pelo titular (fl.09). Em sede de impugnação, o notificado alegou que “os rendimentos considerados omissos no lançamento correspondem a honorários advocatícios pagos e/ou outras despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos declarados” (fl.2). Juntou recibo correspondente a honorários advocatícios no valor de R$ 10.973,60, datado de 08/12/2009 e assinado por Gecy de Oliveira Severo (fl. 4 e 37). A instância recorrida manteve o lançamento (fls. 59/61) sob o entendimento de que não restara comprovado o pagamento, pois, “observandose o supracitado recibo (fl. 04 e/ou 37), podese firmar que não há como aceitálo pois o contribuinte não logrou relacioná lo com a ação judicial cuja Requisição de Pagamento encontrase à fl. 32” (fl.60). Com a devida vênia ao entendimento acima exposto, entendo que a decisão merece reforma, isso porque, compulsando os autos, verificase que o referido recibo, como dito anteriormente, foi assinado por Gecy de Oliveira Severo (fl. 4 e 37), que por sua vez, atuou como advogada do contribuinte nos autos da Ação Judicial nº 2006.71.95.0039580/RS, conforme se infere dos documentos de fls. 28 e 32. Dessa forma, entendo que os citados documentos comprovam de modo inequívoco que a referida profissional, signatária do recibo, atuou efetivamente na mencionada ação. Cabe, assim, considerar o material amealhado pelo contribuinte apto e idôneo para fins de comprovação dos honorários pagos, nos termos do artigo 12 da Lei nº 7.713/88 c/c o § 2º, do artigo 22 da Lei nº 9.784/99 e com o artigo 31 da Lei nº 4.862, de 29 de novembro de 1965. Fl. 97DF CARF MF 6 Destarte, deve ser reformado o acórdão recorrido de modo que se reconheça o direito do contribuinte de deduzir o valor de R$ 10.973,60 pagos a título de honorários advocatícios, dos rendimentos recebidos em função da Ação Judicial nº 2006.71.95.003958 0/RS, consoante postulado. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
