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Numero do processo: 10469.727560/2011-22
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-000.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 75 60 /2 01 1- 22 Fl. 86DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 819,56, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2007. A fundamentação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de não ter sido apresentada comprovação referente aos pagamentos de despesas médicas do plano de saúde. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se refere a documentos não apresentados pelos serviços médicos prestados, como segue: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil da DRF Natal, notificação de lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2008, ano calendário 2007. Foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 819,56, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O lançamento decorreu da constatação da seguinte infração: Dedução Indevida de Despesas Médicas. A glosa do valor de R$ 5.463,78, correspondente à dedução indevida a título de despesas médicas, foi efetuada por falta de comprovação e/ou previsão legal. Complementação dos fatos: Unimed Teresina (R$ 5.463,78) não comprovou as despesas. (...) Do exposto, constatase que, para que as despesas médicas constituam dedução, fazse necessária a comprovação mediante documentação hábil e idônea da prestação dos serviços e da efetividade das despesas, limitandose a pagamentos especificados e comprovados. Para tanto, é necessário que o documento comprobatório da despesa contenha a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente, bem como a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço prestado. Ademais, somente podem ser deduzidas despesas médicas com os profissionais elencados no caput do art. 80, anteriormente transcrito, razão pela qual o documento probatório deve apresentar o número do registro profissional de quem o emitiu. Com relação ao plano de saúde Unimed Teresina, os documentos acostados às fls. 06/29 (boletos para pagamento e comprovantes de pagamento de títulos relativos aos meses de janeiro, fevereiro, Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10469.727560/201122 Acórdão n.º 2001000.738 S2C0T1 Fl. 87 3 setembro e dezembro de 2007) comprovam a efetividade das despesas médicas declaradas no valor de R$ 1.787,34, motivo pelo qual este valor deve ser restabelecido na Declaração de Ajuste Anual. Contudo, no que diz respeito ao valor restante de R$ 3.676,44 (referente aos meses de março, abril, maio, junho, julho, agosto, outubro e novembro de 2007) não deve ser restabelecido uma vez que ao invés de apresentar os comprovantes de pagamentos o interessado anexou aos autos apenas os agendamentos de pagamento de títulos, sendo que estes não comprovam que ocorreu a efetiva quitação dos boletos. Diante do exposto, voto pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da impugnação, para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 1.787,34, o que resulta em saldo de imposto a pagar de R$ 551,46, a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, de acordo com a legislação vigente. Assim, conclui o acórdão vergastado pela procedência parcial da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 551,46, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: A nobre relatora do processo (...), entendeu na fundamentação do seu voto, que o contribuinte/recorrente não comprovou a efetiva quitação das despesas referente a Unimed nos meses de março, abril, maio, junho, agosto, outubro e novembro de 2007, pois segundo o r. entendimento da relatora, o peticionante apresentou apenas os agendamentos dos pagamentos das referidas obrigações, com isso, não comprovando a sua efetiva quitação. Vejamos o que diz a relatora nos parágrafos 6 e 7 das flsl3 do acórdão. O contribuinte/recorrente até entende que ao juntar os comprovantes de pagamentos referente ao plano de saúde Unimed Teresina, não observou que em alguns meses, o documento juntado tratavase de agendamento de pagamento, quando deveria ser comprovante de pagamento. Mas na verdade, nobres membros deste conselho administrativo, jamais passou pela mente do recorrente que tais documentos (agendamento) não serviriam como prova de quitação de sua obrigação com a despesa do plano de saúde. A título de esclarecimento, o recorrente informa que faz parte de sua rotina agendar todos os seus compromissos em sua conta corrente, é uma forma de evitar esquecimentos/inadimplências de suas obrigações, e foi exatamente o que ocorreu com as faturas recebidas pelo peticionante do seu plano de saúde Unimed. No entanto Egrégio Conselho Administrativo, sem muitas delongas, o contribuinte/recorrente apresenta neste ato os comprovantes de quitação das referidas despesas, todos eles devidamente emitidos através do site do Banco do Brasil, da conta corrente do peticionante, onde fica evidente a quitação das referidas obrigações médicas. Fl. 88DF CARF MF 4 Diante das razões acima, e após apresentar os comprovantes de pagamentos questionados na decisão/acórdão, ora atacado, requer o recorrente que os nobres membros deste conselho administrativo, recebam e deem provimento ao presente recurso, no sentido de incluir/restabelecer a despesa médica (Unimed Teresina), no valor de R$ 3.676,44 na declaração do Imposto de Renda, por vi de consequência, cancelar/isentar o recorrente do débito fiscal a qual foi condenado a pagar. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A lide limitase somente à comprovação efetiva de despesas médicas com a Unimed Teresina no valor residual de R$ 3.676,44, pendente de apresentação de documentação comprobatória do pagamento correspondente, por exigência legal e demandada pela Autoridade Fiscal lançadora. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10469.727560/201122 Acórdão n.º 2001000.738 S2C0T1 Fl. 88 5 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se Fl. 90DF CARF MF 6 quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. CONCLUSÃO De considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. Acolhese como verdadeira a prova apresentada que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem objetivamente. No presente caso, por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário, o Recorrente fez juntar aos autos cópia dos boletos das despesas mensais com o plano de saúde acompanhadas com o correspondente comprovante bancário de quitação do compromisso financeiro junto à instituição bancária. Assim que, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa médica faltante, correspondendo à comprovação do pagamento do plano de saúde, compatível com a forma exigida pela legislação, e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas no valor de R$ 3.676,44. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 3.676,44. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.723448/2016-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE A MESMA MATÉRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESNECESSIDADE. INOCORRÊNCIA.
A decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado.
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE.
A alteração promovida pela Lei nº 12.715/2012, ratifica a interpretação dada pela IN 243 à Lei nº 9.430/96.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243, de 2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA.
O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, resulta em valores de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430, de 1996. Noutros termos, a referida Instrução Normativa, em hipótese alguma, majorou tributo em face da Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária.
SÚMULA CARF Nº 115
A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000.
Numero da decisão: 1401-002.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Sérgio Abelson (suplente convocado) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE A MESMA MATÉRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESNECESSIDADE. INOCORRÊNCIA. A decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE. A alteração promovida pela Lei nº 12.715/2012, ratifica a interpretação dada pela IN 243 à Lei nº 9.430/96. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243, de 2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, resulta em valores de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430, de 1996. Noutros termos, a referida Instrução Normativa, em hipótese alguma, majorou tributo em face da Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária. SÚMULA CARF Nº 115 A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Sérgio Abelson (suplente convocado) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE A MESMA MATÉRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESNECESSIDADE. INOCORRÊNCIA. A decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE. A alteração promovida pela Lei nº 12.715/2012, ratifica a interpretação dada pela IN 243 à Lei nº 9.430/96. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243, de 2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, resulta em valores de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430, de 1996. Noutros termos, a referida Instrução Normativa, em hipótese alguma, majorou tributo em face da Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária. SÚMULA CARF Nº 115 A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 34 48 /2 01 6- 03 Fl. 380DF CARF MF 2 Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Sérgio Abelson (suplente convocado) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0657.648 1ª Turma da DRJ/CTA, que por unanimidade de votos julgou IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo integralmente o crédito lançado. Por bem descrever os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo em parte o relatório da DRJ, naquilo que interessa à solução da controvérsia: Assevera a autoridade administrativa responsável (fls. 167 a 173) pela lavratura que: a) O contribuinte SONY PLÁSTICOS DA AMAZÔNIA LTDA, relativamente a operações realizadas com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, consideradas vinculadas, não adicionou, integralmente, ao Lucro Real, nem à base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, valores correspondentes a diferenças entre preços praticados em aquisições de bens importados e preços parâmetros de importação; b) Para efeito de apuração dos preços parâmetros das importações, o contribuinte SONY PLÁSTICOS DA AMAZÔNIA LTDA submeteuse ao disposto no art. 14 da Instrução Normativa RFB n° 1.312, de 28/12/2012 — à conta do que obrigouse à aplicação das regras definidas no art. 57 da referida Instrução. Com efeito, o contribuinte SONY PLÁSTICOS DA AMAZÔNIA LTDA optou pela não aplicação das disposições aludidas no Artigo 52 da Lei n° 12.715/2012 opção essa manifestada na DIPJ referente ao anocalendário de 2012; Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10283.723448/201603 Acórdão n.º 1401002.945 S1C4T1 Fl. 381 3 c) Pela própria conclusão de que o contribuinte SONY PLÁSTICOS DA AMAZÔNIA LTDA optou por não aplicar as disposições aludidas no Artigo 52 da Lei n° 12.715/2012, o Fisco se certifica de que o contribuinte manifestouopção pela não aplicação das regras de Preços de Transferência definidas nos Capítulos II e III da Instrução Normativa RFB n° 1.312, de 28/12/2012. d) Relativamente aos bens cujos custos, despesas e encargos foram aferidos, pelo contribuinte SONY PLÁSTICOS DA AMAZÔNIA LTDA, com base no método denominado "PRL Insumo à 60% MP Indiv.", assinalase o que se segue: • A pessoa jurídica SONY PLÁSTICOS DA AMAZÔNIA LTDA,. a despeito de ter manifestado opção pelo método denominado "PRL Insumo à 60% MP Indiv.", não observou, quando do cálculo dos preços parâmetros de importação, a sistemática definida no art. 57 da Instrução Normativa RFB n° 1.312, de 28/12/2012. • Da inobservância recémreferida, resultou a apuração, pelo contribuinte SONY PLÁSTICOS DA AMAZÔNIA LTDA, de preços parâmetros inconsistentes. e) No que tange às operações de importação de bens cujos custos, despesas e encargos foram aferidos, pelo contribuinte SONY PLÁSTICOS DA AMAZÔNIA LTDA, com base no método denominado "PRL Insumo à 60% MP Indiv.", o Fisco, guiado pelas definições ditadas pelo art. 57 da Instrução Normativa RFB n° 1.312, de 28/12/2012, procedeu a comparação entre os preços praticados nas aludidas importações e os pertinentes preços parâmetros. De tal comparação, restaram apurados excedentes de custos cujos valores não são dedutíveis na determinação do Lucro Real excedentes esses correspondentes a diferenças entre os preços praticados nas aquisições dos bens e os preços parâmetros de importação calculados pelo Fisco. A comparação em pauta expressase em planilha elaborada pelo Fisco. A planilha recémaludida constituída digitalmente (expressa sob a forma de arquivo magnético) — acompanha os Autos de Infração referidos neste arrazoado. E, disso, faz prova Recibo de Entrega de Arquivos Digitais, lavrado por meio do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA), do qual consta o Código de Identificação Geral de Arquivos caf7dbd31 C4a2e9e92c0df98 d9cd6b53. f) A lavratura de Autos de Infração referenciada neste Relatório dáse em razão de ter sido constatado que a pessoa jurídica SONY PLÁSTICOS DA AMAZÔNIA LTDA não adicionou, integralmente, ao Lucro Real, nem à base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, valor correspondente a excedentes de custos não dedutíveis na determinação das referidas grandezas. No lançamento, o Fisco reconhece, e deduz do valor correspondente aos excedentes de custos, o Valor do Ajuste mais especificamente, a importância apurada pelo contribuinte à época própria, referente a importações. 3. Como consequência dos fatos narrados, o AuditorFiscal que presidiu o procedimento fiscal em comento, em conformidade com o exposto e considerando os valores de IRPJ e CSLL não recolhidos, constituiu, em 06/06/2016, crédito tributário com a lavratura dos autos de infração. A contribuinte apresentou impugnação, na qual sustenta basicamente a ilegalidade da IN SRF nº 243/02, na parte que tratou da aplicação do método PRL60, extrapolou efetivamente os limites fixados pela pelo art. 18 da Lei Federal nº 9.430/96. Fl. 382DF CARF MF 4 Apreciada a impugnação, o lançamento foi mantido integralmente sob o entendimento de que, quanto às alegações feitas pela Contribuinte no sentido de que a IN SRF n° 243/02 não encontra respaldo na Lei n° 9.430/96, criando obrigações novas, não previstas na lei, violando o princípio constitucional da legalidade e mesmo que fosse legal, não poderiam ser acolhidos pela ausência de competência da esfera administrativa para apreciação de tais alegações, posto que relativas à legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. Tendo a decisão de piso consignado que a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo (através da edição de regras administrativas, como a referida Instrução Normativa), deve limitarse a aplicar as disposições ali contidas, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Contudo, tendo considerado ao final que a IN n° 243/02 não veio inovar, mas resgatar o que estava previsto na lei para apuração do custo (parâmetro), ou seja, considerar o preço de revenda do bem importado aplicado na produção de outro bem, e não o preço de venda do produto final. Inconformada, apresentou Recurso Voluntário, onde reclama preliminar de nulidade do acórdão DRJ, por não ter esgotado o exame de toda a peça impugnatória no que diz respeito à ilegalidade da IN 243/2002 e no mérito sustentou que a IN/SRF n.° 243/2002 é ilegal por ter extrapolado sua função regulamentadora da Lei n.° 9.430/96 e, assim, ter criado nova e mais gravosa metodologia de cálculo do preço parâmetro no método PRL60, sem que houvesse lei suficiente para tanto, vez que a Medida Provisória nº 563/2012 foi convertida na Lei nº 12.715/2012, somente no curso do ano calendário de 2012, alterando o artigo 18 da Lei nº 9.430/1996 e, com isso, introduzindo (no texto da Lei) o critério de proporcionalização da participação do valor dos bens importados no custo total do bem vendido e de participação do valor dos bens importados no preço de venda do bem, tal como até então previsto somente no texto da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, sem que houvesse previsão neste sentido no texto legal, vigente à época da ocorrência dos fatos objeto desta autuação. A controvérsia versa essencialmente sobre a forma de cálculo dos ajustes de preços de transferência de acordo com o método PLR 60. Enquanto a contribuinte defende que os ajustes devem ser calculados com base no método descrito na Lei 9.430/96 (com a redação dada pela Lei 9.959/2000), a fiscalização entende que deve ser adotado o método descrito na IN SRF n. 243/2002. O Acórdão DRJ recorrido, manteve o lançamento ratificando a autuação conforme o método descrito na IN SRF n. 243/2002, convalidados pela Lei 12.715/2012. É o relatório do essencial. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Preliminar de nulidade Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10283.723448/201603 Acórdão n.º 1401002.945 S1C4T1 Fl. 382 5 Aduz a Recorrente que a decisão DRJ seria nula por não haver se pronunciado expressamente sobre os argumentos relativos a ilegalidade da IN SRF 243/2002, que teria ferido os princípios do contraditório e ampla defesa. Em suas palavras, defende a Recorrente que: "23. Há um erro crasso na análise realizada pela DRJ, pois a partir da premissa de que é inequívoca a aplicabilidade da Lei nº 12.715/12 e IN nº 1.312/12 ao caso, a decisão recorrida deixou de analisar os argumentos expostos na inicial por mencionarem a IN nº 243/02. 24. Ao ignorar o disposto no art. 52 da Lei nº 12.715/12 e partir da equivocada premissa de que a única legislação aplicável ao AIIM seria a Lei nº 12.715/12 e IN/RFB nº 1.312/12, a decisão recorrida cerceou o direito de defesa da Recorrente por não analisar todos os argumentos de sua Impugnação. 25. O prejuízo causado à Recorrente resta evidente se observarmos o consignado na conclusão do acórdão recorrido: “Diante da inequívoca aplicabilidade da Lei nº 12.715/12 e IN/RFB nº 1.312/12, os argumentos da autuada, por seu foco na ilegalidade da IN/SRF 243/02, não podem ser acolhidos, devendo ser mantida a autuação em sua totalidade.” (destaques da Recorrente) 26. Evidente que a decisão recorrida desrespeitou o disposto no artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, o qual determina expressamente que as decisões proferidas acerca das impugnações apresentadas pelos contribuintes devam examinar as razões de defesa." Entendo não ser possível acolher os argumentos da recorrente em relação a nulidade levantada, ao passo que ela própria reconhece em seu recurso que o método combatido é o mesmo, seja com relação ao cálculo com base na interpretação dada pela IN nº 243/2012, ou no artigo 57 da IN nº 1.312/2012, utilizado pelo Fisco para fundamentar o AIIM, de maneira a deixar claro que o que se discute é a legalidade da metodologia do cálculo, vigente à época dos fatos, quando a única lei existente a regulamentar a questão, conforme seu arrazoado seria a Lei 9.430/1996. Conforme já mencionado, o artigo 59 do Decreto 70.235/1972 estabelece que são nulas as decisões proferidas com preterição ao direito de defesa, o que não ocorreu no caso em questão. Ao contrário do que sustenta a Recorrente, a decisão recorrida não incorreu quer em contradição quer em omissão. Não há contradição quando a decisão recorrida afirma que as autoridades administrativas estão vinculadas aos ditames legais e, ao mesmo tempo, afasta o cálculo feito com base na Lei 9.430/1996 para aplicar o previsto na IN SRF 243/2002, posteriormente convalidado pela Lei 12.715/12, porque, no entender da decisão recorrida, a IN não altera a lei mas a esclarece. Se concordase ou não com isso é questão de mérito mas este é o raciocínio da decisão recorrida e está muito bem explicitado ali. Neste sentido, oriento meu voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Mérito. Fl. 384DF CARF MF 6 No mérito, discutese basicamente a legalidade da IN SRF 243/2002 ao estabelecer os cálculos do método do Preço de Revenda menos Lucro PRL para fins de cumprimento da legislação sobre preços de transferência. A matriz legal da legislação brasileira dos preços de transferência é a Lei n. 9.430/96, com as sucessivas alterações que lhe foram realizadas. Nela estão contemplados os diferentes métodos de controle dos preços de transferência, que consistem em fórmulas e regras para a determinação se deve ou não ser realizado ajustes na base de cálculo do IRPJ e da CSLL e, ainda, de quanto seria o referido ajuste. A legalidade da IN SRF 243/2002, foi durante anos objeto de acirradas discussões neste conselho, que culminaram com a edição da recente Súm. 115, segundo a qual: "A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000". Discussões que concluiram que a referida Instrução Normativa em nada inovou em relação ao disposto na Lei nº 9.430/96, ao contrário, elucidou a referida norma a correta maneira de se apurar eventuais distorções praticadas em operações comerciais entre pessoas vinculadas localizadas pelo mundo afora. Neste seguir, diante da edição da Súm. Carf 115, embora já tenha me manifestado em sentido diverso em outras oportunidades (Acórdão 1401002.122) , curvome ao entendimento majoritário, que corresponde à inexistência da alegada ilegalidade da referida Instrução Normativa, editada que foi para dar contornos mais efetivos ao disposto na Lei nº 9.430/96, que introduziu na legislação brasileira as ferramentas necessárias ao correto tratamento tributário a ser dado às transações entre empresas vinculadas, realizadas entre diversos países no atual cenário econômico globalizado. Para tanto, adoto os argumentos trazidos no voto do Conselheiro André Mendes de Moura, no julgamento em que proferido o Acórdão nº 9101002.950 – 1ª Turma da CSRF, de 03 de julho de 2017, que reproduz os motivos que fundamentaram a edição da recente súm. 115. Tratase de assunto já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparar as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase, assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10283.723448/201603 Acórdão n.º 1401002.945 S1C4T1 Fl. 383 7 Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm’s length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries. No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país, mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Fl. 386DF CARF MF 8 Foram empreendidas grandes discussões em torno dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato, em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100, inciso I do CTN, extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, pelo vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri: 3.11 Em certas circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei nº 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei nº 9.430/96. Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei nº 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei nº 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro princípio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do princípio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no princípio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não faltam. (grifei) Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10283.723448/201603 Acórdão n.º 1401002.945 S1C4T1 Fl. 384 9 A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF nº 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF nº 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em erro gramatical, no sentido de que não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF nº 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parâmetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir a realidade da situação em análise. Fl. 388DF CARF MF 10 Por outro lado, admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF nº 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse, indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF nº 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que, por consequência, irá compor o custo total. Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10283.723448/201603 Acórdão n.º 1401002.945 S1C4T1 Fl. 385 11 IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro; PL: preço líquido de venda, PPart: percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido, D: descontos incondicionais concedidos, I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez, o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que, numa situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CII, resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se trata de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II, alínea "d", item 2 da Lei nº 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: Fl. 390DF CARF MF 12 Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002, é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL), a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. . Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales.Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF nº 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10283.723448/201603 Acórdão n.º 1401002.945 S1C4T1 Fl. 386 13 Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tornado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida.Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei, o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei nº 9.430, de 1996, ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referência clara ao princípio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Por fim, quanto ao argumento da recorrente ao alegar que o posterior advento da Medida Provisória nº 478, de 2008, que perdeu eficácia por não ter sido convertida em lei, e da Lei nº 12.715, de 2012, que acabou por legalizar a fórmula prevista no art. 12 da IN SRF nº 243, de 2002, demonstrariam a ilegalidade anterior desse ato normativo. Coerentemente ao acima exposto, entendo que o fato de a fórmula contida no art. 12 da IN SRF nº 243, de 2002 ter sido posteriormente acolhida pela MP nº 478, de 2008 (sem eficácia) e pela Lei nº 12.715, de 2012, por si só não autoriza a conclusão de ilegalidade daquela Instrução Normativa, da mesma forma que uma norma legal posteriormente constitucionalizada por meio de Emenda ao Texto Magno não autoriza, por si só, a conclusão de que tal norma era anteriormente inconstitucional, até porque, conforme explicitado pela Súm. CARF 115, seu caráter seria apenas interpretativo. Neste sentido temse os esclarecimentos feitos pela D. Conselheira Adriana Gomes Rego, quando abordou a questão ao redigir o voto vencedor no Acórdão 9101002.951: Fl. 392DF CARF MF 14 Ou seja, a Lei nº 12.715/2012 ratifica os cálculos da IN 243, com um pequeno ajuste na margem de lucro, ao mesmo tempo em que comprova uma enorme distorção em relação aos valores calculados pela contribuinte. A alteração promovida pela Lei nº 12.715/2012, ao contrário do que afirma a Recorrente, vem comprovar a incompatibilidade dos cálculos por ela efetivados e ratifica a interpretação dada pela IN 243 à Lei nº 9.430/96. Além do que, encerra qualquer discussão futura acerca da matéria. A Recorrente cita ainda a edição da MP 478 como a primeira tentativa de se criar fundamento de validade para a IN 243, mas a referida MP não foi convertida em lei. Acrescenta que posteriormente foi editada a MP 563, convertida na Lei 12.715. Porém, os dispositivos da Lei n° 12.715/2012 que tratam das regras de preços de transferência entraram em vigor somente a partir de 1º de janeiro de 2013, e o estabelecimento desta vacatio legis confirma o fato de que as alterações promovidas na Lei n° 9.430 são inovações em nosso sistema jurídico, não se podendo alegar que a IN 243 traz apenas uma forma de interpretação da Lei n° 9.430, passível de ser invocada antes das alterações promovidas pela Lei 12.715. Na Exposição de Motivos da MP nº 478/2009, trazida pela Recorrente em seu recurso, porém interpretada por ela, equivocadamente, como um reconhecimento da ilegalidade da IN, o então Advogado Geral da União, justifica as alterações trazida pela medida provisória como sendo com o intuito de reduzir a litigiosidade que a lei, e não a IN, causava. Assim, a tentativa de colocar em lei o texto da IN, não é um reconhecimento de ilegalidade na IN, massim uma forma de deixar a interpretação da lei menos susceptível a discussões judiciais ou mesmo no contencioso administrativo. No sentido da legalidade da IN, esta CSRF já decidiu conforme diversos acórdãos que, a título de exemplo, citase o de nº 9101002.321, de 3 de maio de 2016, da lavra do Cons. André Mendes de Moura, o acórdão 9101002.175, de 27 de fevereiro de 2016, da lavra do Cons. Marcos Aurélio Pereira Valadão. No âmbito das turmas ordinárias, merece destaque o acórdão nº 1302001.164, de 10 de setembro de 2013, da lavra do ex conselheiro Eduardo de Andrade, que, de uma forma bastante exaustiva, fazendo uso inclusive de gráficos, demonstra a legalidade da IN ora guerreada. [...] Portanto, tanto a proporcionalização quanto a exclusão do valor agregado para cálculo do preço parâmetro nos termos preceituados pela IN foram necessários para se atingir a finalidade da norma que é “evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação de preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas”, descabendose falar, inclusive, que a IN obrigou que a lucratividade total do processo fosse de 60%, pois, o que ela fez foi excluir os efeitos dos valores agregados no Brasil, vez que o que estava sob análise eram os preços dos produtos praticados com as pessoas vinculadas no Exterior. É preciso também deixar claro que não é a IN que fixou a margem de lucro de 60%, mas sim, a lei. Em face de todos esses argumentos, concluise que a IN não majorou a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, mas apenas lhe conferiu uma interpretação conforme a lei de ajustes de preço de transferência, sendo, portanto, legal. Ante todo o exposto, quanto a este tema, considero improcedentes os argumentos da recorrente e reconheço a legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, bem como que Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10283.723448/201603 Acórdão n.º 1401002.945 S1C4T1 Fl. 387 15 a alteração promovida pela Lei nº 12.715/2012, ao contrário do que ela afirma, vem comprovar a incompatibilidade dos cálculos por ela efetivados e ratifica a interpretação dada pela IN 243 à Lei nº 9.430/96. Nesse seguir, voto no sentido afastar a preliminar de nulidade para no mérito de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 394DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13637.000869/2008-85
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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E REIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 7. 00 08 69 /2 00 8- 85 Fl. 120DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2004, anocalendário de 2003, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 23.679,00. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada procedente em parte, mediante Acórdão da DRJ Juiz de Fora de f. 94/103. A Decisão acatou despesas médicas no valor de R$ 1.635,00. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 106/117. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigada a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão aqui posta para análise cingese à glosa de despesas médicas. A interessada, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de comprovação do efetivo pagamento para aceitação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13637.000869/200885 Acórdão n.º 2001000.466 S2C0T1 Fl. 3 3 Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. O recorrente afirma que efetuou o pagamento das despesas em dinheiro. Analisando a documentação (extratos bancários), verificase que não se mostra suficiente para amparar as alegações do contribuinte. Tanto a fiscalização quanto a decisão de primeira instância evidenciaram que não há correspondência entre os saques efetuados e os recibos que supostamente amparariam o total das despesas pretendidas. Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 122DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13637.000869/200885 Acórdão n.º 2001000.466 S2C0T1 Fl. 4 5 mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.977984/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.623
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.925294/2009-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 77 98 4/ 20 09 -5 1 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10880.977984/200951 Resolução nº 1201000.623 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. No despacho decisório o direito creditório não foi reconhecido porque o pagamento em questão fora integralmente utilizado na quitação de débito devidamente declarado. Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado que o crédito tinha origem em "antecipações" de CSLL do anocalendário de 2003. Também, que: ao final do ano de 2003 foi apurado prejuízo fiscal e que então a empresa passou a ter o direito de compensar os créditos; o crédito utilizado na PER/DCOMP foi informado tomandose como base o DARF recolhido, quando na verdade deveria ter sido utilizado o "Saldo Negativo" de CSLL; "foram feitas as devidas correções na DIPJ, onde equivocadamente não havia sido lançado o 'Saldo Negativo' de CSLL, porém todas as antecipações foram informadas bem como o resultado (prejuízo) do exercício". A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, "os equívocos como o relatado pela contribuinte não são apenas formais, tendo inúmeras implicações materiais, pois, dependendo do tipo de crédito informado, o procedimento de análise é diferenciado, requerendo, inclusive, maiores detalhamento e comprovação por parte do contribuinte". Consta ainda de decisão que "não há como acatar a solicitação da contribuinte de se considerar que o crédito utilizado no PER/DCOMP é parte da composição do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003". No Recurso Voluntário foi alegado que a) "o artigo 4° da IN/SRF n° 600/2005, vigente à época dos fatos, estabelecia expressamente que a autoridade fiscal deveria determinar a realização de diligencia fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que fosse verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. No caso em tela, este procedimento não foi adotado"; b) "... na hipótese de ocorrer erro no preenchimento de DCTF, e/ou de DIPJ, que não corresponda à verdade dos fatos como ocorre no caso sub examine o contribuinte estará sendo privado de fazer valer um direito seu, direito este amparado por nosso Código Tributário Nacional e pela legislação ordinária"; c) "... tendo ocorrido manifesto erro de preenchimento de declaração, caracterizando o erro de fato, e tendo em vista que o despacho decisório e o acórdão recorrido Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10880.977984/200951 Resolução nº 1201000.623 S1C2T1 Fl. 4 3 não foram prolatados com fundamento na verdade material dos fatos, requerse desde já a decretação da nulidade do acórdão recorrido, para que outro seja lavrado levandose em consideração os princípios do Direito Tributário" d) "... o crédito utilizado na PERD/COMP foi informado tomandose como base o 'DARF recolhido', enquanto o correto deveria ter sido o 'Saldo Negativo de CSLL'"; e) "... foram feitas as devidas retificações na DIPJ, na qual equivocadamente não havia sido lançado o saldo negativo de CSLL"; f) "... todas as antecipações foram informadas, bem como o resultado (negativo) do exercício"; g) "tendo em vista a clareza do mero erro formal perpetrado, com fundamento no comezinho principio tributário da verdade material, é imperioso que se considere que o crédito utilizado é parte da composição do saldo negativo de CSLL da DIPJ/2003". É o relatório. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10880.977984/200951 Resolução nº 1201000.623 S1C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.619, de 16/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.619): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Segundo o recorrente, o crédito indicado na Dcomp referese a pagamento de estimativa. No entanto, esse pagamento foi considerado para compor o saldo negativo do período conforme parte da DIPJ (ficha 12A) constante dos autos, este a efetiva origem do crédito. Ocorre que não consta dos autos a DIPJ integral do período, assim como as DCTFs correspondentes, pelo que não é possível verificar o total dos valores pagos por estimativa e se conferir o valor do saldo negativo do ano em tela. Fazse pois necessária a juntada aos autos da DIPJ integral do período e a demonstração do saldo negativo apurado. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para: a) que sejam juntadas as cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação dos pagamentos/compensações das estimativas que compuseram o saldo negativo; c) verificação quanto à não utilização desse saldo negativo em outras Dcomps; O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a juízo da autoridade diligenciante. A conclusão deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10880.977984/200951 Resolução nº 1201000.623 S1C2T1 Fl. 6 5 Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar a este colegiado para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14191.720023/2013-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-000.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 19 1. 72 00 23 /2 01 3- 71 Fl. 183DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 6.226,56, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2007. A fundamentação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de não ter sido apresentada comprovação complementar referente aos pagamentos de despesas médicas além dos recibos. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se refere a documentos suplementares aos recibos apresentados pelos serviços médicos prestados, como segue: Contra o (a) contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 55/60), na qual cobrase o total do crédito tributário no valor de R$ 13.815,49 atualizado até 28/12/2012. O lançamento acima foi decorrente da(s) seguinte(s) infração(ões): Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo(a) contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Valor: R$ 22.642,04. Motivo da glosa: Foram glosadas as seguintes despesas médicas: • Amil Assistência Medica – despesas médicas com não dependente; • Clovis Machado Lourenço e Associação Retiro de Recuperação da Saúde. Da análise dos documentos apresentados, verificouse que o contribuinte declarou uma expressiva dedução com um estabelecimento Associação Retiro de Recuperação da Saúde e com um dentista, Clovis Machado Lourenço, no valor total de R$ 12.558,00. Diante da expressividade dos valores envolvidos e da sua notória superioridade aos valores usualmente praticados, os recibos dos profissionais/estabelecimentos acima citados, por si só, não foram suficientemente a comprovar a efetiva prestação do serviço e o efetivo pagamento desses serviços. Assim, foi o contribuinte novamente intimado, desta vez a apresentar documentação comprobatória do efetivo pagamento desses serviços, mediante a apresentação de cópias de cheques, ordens de pagamento, transferência bancárias, saques e extratos bancários que registrassem tais operações, coincidentes em datas e valores com a prestação dos serviços. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 14191.720023/201371 Acórdão n.º 2001000.753 S2C0T1 Fl. 184 3 Tendo em vista a descrição genérica dos serviços contida no recibo da Associação Retiro de Recuperação da saúde, não foi possível verificar se esses serviços se enquadravam no conceito de despesas médicas para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, de modo que o contribuinte foi intimado a apresentar, também, documentação hábil e idônea relativa aos tratamentos descritos no recibo, que possibilitasse, inclusive, a identificação da natureza e do destinatário dos serviços prestados, tais como: receitas médicas, conta hospitalar, orçamentos, pedidos de exames, resultados de exames, laudos e etc. Não houve resposta à intimação. Assim, não restou comprovado o efetivo pagamento ao estabelecimento Associação Retiro de Recuperação da Saúde e ao profissional Clovis Machado Lourenço, tampouco se os serviços descritos no recibo do referido estabelecimento se enquadravam no conceito de despesa médica. Desse modo, foi efetuada a glosa integral dessa deduções. Primeiramente, cumpre esclarecer que foram glosadas as despesas médicas com Clovis Machado Lourenço e Associação Retiro de Recuperação da Saúde, por falta de comprovação do efetivo pagamento, vejamos o que estabelece a legislação tributária. (...) Como se depreende da legislação transcrita acima, a dedução das despesas médicas na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação a critério da Autoridade Lançadora. O primeiro item a ser comprovado pelo contribuinte, segundo expressa disposição legal (pagamentos efetuados), é exatamente o pagamento das despesas médicas. Comumente é aceito, para comprovar o pagamento das despesas médicas, o recibo firmado pelo profissional da área médica, quando o serviço for prestado por pessoa física, ou a Nota Fiscal, se por pessoa jurídica. No entanto, é licito à Autoridade exigir, a seu critério, outros elementos de provas adicionais, caso não fique convencido da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento. O sujeito passivo em sua impugnação anexa recibos médicos e declarações dos profissionais médicos para comprovar o efetivo pagamento. É regra geral no direito que o ônus da prova cabe a quem alega. Entretanto, a lei também pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comproválas ou justificalas, deslocando para ele o ônus probatório. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para a impugnante a obrigação de comprovação e justificação das deduções e, não o fazendo, sofre as conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de Fl. 185DF CARF MF 4 comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Por outro lado, é equivocado entenderse que o inciso III do art. 8º da Lei 9.250, de 1995, reproduzido no inciso III do art. 80 do RIR/1999, apenas exige que o recibo tenha o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Esta não é a correta interpretação do dispositivo. A indicação referese aos dados que devem constar na declaração de ajuste. Dados estes baseados na documentação. Entretanto, a tônica do dispositivo é a especificação e comprovação dos pagamentos. Tanto que admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas. Entretanto, mesmo o cheque pode estar sujeito à justificação da efetiva prestação do serviço, quando dúvidas razoáveis acudirem ao fisco, pois essa prestação é o substrato material a dar guarida à dedução, consoante o inciso II do mesmo art. 8º da Lei 9.250, de 1995. Documentos, de natureza particular, por si sós, podem não ser suficientes para a comprovação do efetivo pagamento. No presente caso, a Autoridade solicitou também ao contribuinte a comprovação do efetivo pagamento, que corresponde ao primeiro requisito legal para a aceitação de uma dedução de despesa médica. Fundamentado o lançamento na falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas na declaração, para ter direito às respectivas deduções, não basta à contribuinte apresentar simples recibos e/ou declarações dos profissionais, cabendo sim, quando questionado pela autoridade administrativa, comprovar, de forma objetiva, a vinculação da prestação do serviço médico com o pagamento (desembolso) efetivamente realizado. Cabe, portanto, ao beneficiário dos recibos provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores constantes nos comprovantes, bem assim a época em que os serviços foram prestados, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. No caso, a contribuinte poderia ter feito a comprovação do pagamento das despesas mediante apresentação de documentos tais como cheques, saques, transferências e/ou extratos bancários, etc, que fossem capazes de vincular os recibos apresentados aos dispêndios efetuados com os respectivos pagamentos pelos serviços prestados, mas não o fez. Ademais, mesmo que o contribuinte demonstrasse o efetivo pagamento da despesa com a Associação Retiro de Recuperação da Saúde, tal despesa não poderia ser deduzida, pois a fiscalização esclareceu que: tendo em vista a descrição genérica dos serviços contida no recibo da Associação Retiro de Recuperação da saúde, não foi possível verificar se esses serviços se enquadravam no conceito de despesas médicas para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, de modo que o contribuinte foi intimado a apresentar, também, documentação hábil e idônea relativa aos tratamentos descritos no recibo, que possibilitasse, inclusive, a identificação da natureza e do destinatário dos serviços prestados, Fl. 186DF CARF MF Processo nº 14191.720023/201371 Acórdão n.º 2001000.753 S2C0T1 Fl. 185 5 tais como: receitas médicas, conta hospitalar, orçamentos, pedidos de exames, resultados de exames, laudos e etc. Com relação à glosa parcial das despesas médicas com o plano de saúde Amil, ela ocorreu por se tratar de despesa médica com não dependente, logo deve ser mantida. Ante o exposto, VOTO pela improcedência da impugnação, mantendo o lançamento. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 6.226,56, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) As despesas pagas referente ao plano de assistência médica pleiteadas referente à Amil Assistência Médica, ora glosadas, são referente à minha esposa, a senhora Maria Emilia Chechim Ruzsicska, CPF 042.039.05885, que apresentou a sua declaração do Imposto de Renda Pessoa Física para o Exercício 2008, Ano Calendário 2007 no modelo Completo, entregue em 30/04/2008 ás 13h24min por meio do Receitanet e não utilizou da dedução em questão em seu benefício. Sobre a dedução do valor integral referente ao plano de saúde quando os beneficiários apresentam declaração de ajuste em separado, o Manual “Perguntas e Resposta” do IRPF 2008 editado pela Receita Federal do Brasil esclarece: (...) Uma vez que minha esposa apresentou declaração de ajuste anual em separado no modelo completo, não usufruindo da dedução relativa ao plano de saúde Amil Assistência Médica, há de considerar como dedutível a quota da parte dela R$ 10.084,04, em minha declaração de ajuste anual. Segue em anexo os documentos comprobatórios referente ao plano de saúde: Certidão de casamento; Cópia da Declaração do Imposto de Renda 2008 do cônjuge; Declaração de Pagamento do plano de saúde Amil Assistência Médica referente ao ano de 2007, detalhando os beneficiários do plano; Comprovantes de pagamentos do plano médico, Amil Assistência Médica, referente ao ano de 2007. Fl. 187DF CARF MF 6 Em relação ás despesas médicas da Associação Retiro Recuperação de Saúde, são despesas pagas no anocalendário de 2007, referente a tratamentos próprios que são comprovadas através dos documentos em anexo: Ficha de admissão de paciente da clínica, duas estadas, entrada 27/02/2007 – alta em 09/03/2007 e entrada 18/09/2007 – alta 28/09/2007; Ficha de Reinternação, evolução clínica, medicamentos em uso, tratamentos e observações clínicas de ambas as estadas; Relatório Médico; Planilha de pagamentos à clínica, data do pagamento, tipo de operação financeira, número da operação e valor pago; Três Comprovantes de transferência bancária, (DOC) de R$ 200,00 cada referente aos pagamentos do dia 28/06/2007, 27/07/2007 e 20/08/2007; 10 comprovantes de solicitação de cópia de documento junto ao Banco do Brasil para comprovar o restante dos pagamentos realizados à clínica através de cheques. Assim que estiver com as cópias dos cheques em mãos, comprometome a solicitar a juntada no processo. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Fl. 188DF CARF MF Processo nº 14191.720023/201371 Acórdão n.º 2001000.753 S2C0T1 Fl. 186 7 Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) Fl. 189DF CARF MF 8 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos Fl. 190DF CARF MF Processo nº 14191.720023/201371 Acórdão n.º 2001000.753 S2C0T1 Fl. 187 9 recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos fixados na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex Fl. 191DF CARF MF 10 officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade posta é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decreto lei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre profissional e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso de apontamento no Lançamento. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais Fl. 192DF CARF MF Processo nº 14191.720023/201371 Acórdão n.º 2001000.753 S2C0T1 Fl. 188 11 benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, comprovado mediante apresentação de recibo assinados por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. De considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. Acolhese como verdadeira a prova apresentada que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem objetivamente. No caso, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área médica, de acordo com as necessidades especificas do Fl. 193DF CARF MF 12 beneficiário e, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante recibos assinados por profissional habilitado. No que se refere às despesas médicas, foram juntadas aos autos documentação que justificam sua aceitação e suprem a exigência da Autoridade Fiscal lançadora, tais como: ficha de internação do paciente, ficha de reinternação, evolução clínica do paciente, medicamentos usados, observações clínicas do paciente, planilha de pagamento da clinica, comprovantes de transferência bancária e cópias de cheques emitidos em pagamento das despesas médicas. No que se refere à despesa com plano de saúde da Amil Assistência Médica o Recorrente usufruiu do benefício da dedução com base no que permite a legislação, respaldado no que diz o Manual “Perguntas e Respostas” do IRPF 2008, da Receita Federal do Brasil. O Recorrente anexou certidão de casamento para comprovar que a participante do plano é sua esposa, cópia da DAA da cônjuge demonstrando a não utilização como dedução das despesas com plano de saúde, declaração de pagamentos para a Amil e comprovantes de pagamentos do plano de saúde, que atende as exigências probatórias requeridas. Assim que, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória das despesas médicas realizadas, correspondendo à comprovação do pagamento dos profissionais e do plano de saúde familiar, na forma exigida pela legislação, e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas no valor de R$ 22.642,04. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas glosadas no valor de R$ 22.642,04, cancelandose o Lançamento na sua totalidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 194DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.903133/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2001
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 31 33 /2 00 9- 90 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13888.903133/200990 Acórdão n.º 3301005.394 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento da contribuição (PIS/Cofins), informado como origem do crédito, já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito creditório, bem como a homologação da compensação, alegando que auferira receitas não sujeitas à incidência da contribuição (PIS/Cofins), dada a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento, ampliando aleatoriamente a base de cálculo das contribuições para alcançar "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". De acordo com o então Manifestante, referido dispositivo violou flagrantemente os arts. 146 e 154 da Constituição Federal, além do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado, segundo o qual faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços e nada mais. Concluiu que o Supremo Tribunal Federal (STF), por seu Pleno, reconhecera a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ao julgar os REs 346.084/PR, 357.9501/RS e 390.840/MG, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Dessa forma, pleiteou o reconhecimento da legalidade da compensação declarada, com a exclusão da base de cálculo de todas as receitas agrupadas sob a rubrica "outras receitas". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1430.394, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13888.903133/200990 Acórdão n.º 3301005.394 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.379, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.903098/200917, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.379): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1430.375 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 CONSTITUCIONATIDAI)E. DECISÃO DO SUPREMO—TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. PIS. BASE DE CALCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraida de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Aduz o Contribuinte em seu recurso que efetuou pagamento a maior da contribuição ao PIS e compensou com os valores devidos à contribuição. A Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13888.903133/200990 Acórdão n.º 3301005.394 S3C3T1 Fl. 5 4 Administração Fiscal não homologou o pedido de compensação por entender que não há crédito a favor do Contribuinte, visto que o pagamento informado pelo Contribuinte como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando, assim, crédito disponível para compensação com os débitos relacionados no PER/DCOMP, sendo que o DARF foi alocado para o débito declarado em DCTF apresentado pelo Contribuinte. Assim esclarece os fatos o Contribuinte em seu recurso (fls. 80 e seguintes): A Fiscalização incluiu na base de cálculo da PIS o valor de "outras receitas", o que levou a empresa recorrente a recolher valor de contribuição superior ao realmente devido. Segundo apurouse, a recorrente recolheu a importância de R$ 217,35 indevidamente, a titulo de PIS. Este valor tem como correspondente base de cálculo o importe de R$ 33.438,73 qual não deveria integrar a base de calculo de referida contribuição, haja vista que corresponde a "outras receitas" apuradas naquele período. Sendo credora dessa importância, que atualizada gerou um crédito de R$ 330,40, a recorrente utilizouse desse valor para compensálo com o PIS devido no mês de novembro de 2005, conforme procedimento “PER/DCOMP” anexado aos autos do processo administrativo. A Secretaria da Receita Federal não homologou a compensação, conforme despacho decisório proferido em 25 de Margo de 2009. 0 Fisco não aceitou a existência de crédito da recorrente, consolidando o valor do débito, correspondente aos valores considerados indevidamente compensados. (...) A cobrança, no entanto, não pode prosperar, devendo ser cancelada, uma vez que a importância relativa a "outras receitas" não pode ser incluída na base de cálculo para apuração dos tributos PIS e COFINS, devendo, assim, exonerar a recorrente do pagamento dos débitos do período em referência. Percebese que a questão central é que o Fisco entendeu que “outras receitas” integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, enquanto que o Contribuinte discorda visto a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998 e assim se pronuncia às fls. 84 e seguintes: (...) A base de cálculo ao PIS não abrange as "outras receitas", assim consideradas aquelas que não sejam provenientes da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A contribuição relativa ao PIS incide sobre o faturamento da empresa e teve sua cobrança instituída pela Lei Complementar n° 70/71, encontrando suporte no artigo 195, da Constituição Federal de 1988. O faturamento constituise elemento primordial na construção da base de cálculo da COFINS e do PIS, a qual foi definida pela Carta Magna, não podendo, obviamente, ser alterada por simples lei ordinária. (...) A Lei n° 9.718/98, no entanto, ampliou aleatoriamente a base de cálculo do PIS e da COFINS, passando a considerar faturamento a "totalidade das Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13888.903133/200990 Acórdão n.º 3301005.394 S3C3T1 Fl. 6 5 receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", conforme se depreende do seu artigo 3°, parágrafo primeiro. Tal dispositivo legal, ao ampliar o conceito de faturamento, violou o principio da supremacia da Constituição Federal. (...) Considerando que o Supremo Tribunal Federal já considerou inconstitucional o artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, há que se reconhecer a legalidade da compensação pretendida pela recorrente, uma vez que devem ser excluídas da base de cálculo todas as receitas que estão sob o conceito de "outras receitas". Com esses argumentos o Contribuinte requer a anulação do Despacho Decisório proferido em 4 de agosto de 2010 que não homologou o pedido de compensação. Na decisão ora recorrida assim se pronunciou o relator (fls. 73): (...) Realmente, no dia 9 de novembro de 2005, o STF, em sessão plenária em quatro recursos individuais, julgou inconstitucional o § 10 do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que definiu como base de incidência das contribuições ao PIS e A Cofins a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. 0 STF entendeu que referida norma, quando de sua edição, era incompatível com o texto constitucional então vigente, que previa a incidência das contribuições sociais apenas sobre o faturamento das pessoas jurídicas e não sobre a totalidade das suas receitas. Contudo, como tais decisões do STF não foram proferidas em Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADIN, beneficiam, apenas e tão somente, as partes envolvidas nos recursos mencionados. (...) Neste aspecto entendo não assistir razão a administração fiscal, visto que em face a inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98, deve se excluir da base de cálculo da contribuição as “outras receitas”. Ocorre que o Contribuinte não demonstrou na Manifestação de Inconformidade, bem como, no Recurso Voluntário, o que integra a rubrica “outras receitas”, pois cabe a quem alega o direito creditório demonstrar a sua liquidez e certeza. Cito trecho da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls 74 e seguintes): Sob outro prisma, compete acentuar que após a ciência do despacho decisório transferese ao contribuinte o ônus probante objetivando sustentar suas alegações, incluindo eventuais retificações de valores informados em DCTF. Diante disto, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13888.903133/200990 Acórdão n.º 3301005.394 S3C3T1 Fl. 7 6 A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do PIS, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação fiscal demonstrando as receitas constituídas de valores classificados como "outras receitas" que, em sua tese apresentada na manifestação de inconformidade, não estariam sujeitas à incidência de PIS e Cofins. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º )". Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação, ainda mais quando tal débito estava declarado em DCTF. Esse, por sinal, tem sido o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como atesta de forma ilustrativa a ementa do seguinte acórdão: "DCTF — ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO — AUSÊNCIA DE PROVA Os dados informados em DCTF reputamse verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso." (Acórdão 10420.645, de 18/5/2005) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essas razões, ausência de comprovação do direito ao crédito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13888.903133/200990 Acórdão n.º 3301005.394 S3C3T1 Fl. 8 7 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000225/2006-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. PERCENTUAL DE APURAÇÃO.
O percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos, prevista no art. 8 o, § 3 o, da Lei n o 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido e não do fabricado. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.790
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto acompanharam o relator pelas conclusões. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto apresentará declaração de voto. Presente ao julgamento o Dr. Felipe Ricetti Marques, OAB/SP 200760.
Nome do relator: José Antonio Francisco
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. PERCENTUAL DE APURAÇÃO. O percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos, prevista no art. 8 o, § 3 o, da Lei n o 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido e não do fabricado. Recurso Voluntário Negado
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INSUMOS. PERCENTUAL DE APURAÇÃO. O percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos, prevista no art. 8o, § 3o, da Lei no 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido e não do fabricado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto acompanharam o relator pelas conclusões. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto apresentará declaração de voto. Presente ao julgamento o Dr. Felipe Ricetti Marques, OAB/SP 200760. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Relator Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por AREOVALDO MARIANO TAVARES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/04/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16349.000225/200669 Acórdão n.º 330200.790 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado em 02 de dezembro de 2009 contra o Acórdão no 1622.926, de 23 de setembro de 2009, da 9a Turma de Julgamento da DRJ São Paulo I / SP (fls. 1061 a 1078), que, relativamente a pedido eletrônico de ressarcimento de PIS/Pasep não cumulativo dos períodos de 3o trimestre de 2005, indeferiu a solicitação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 MANDADO DE SEGURANÇA. DILIGÊNCIA. Em observância à liminar concedida em Mandado de Segurança o processo foi baixado em diligência e efetuadas as verificações acerca do valor pleiteado pela requerente no Pedido de Ressarcimento. NULIDADE. Satisfeitos os requisitos do Decreto no 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em anulação ou invalidação do Despacho Decisório. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem apurar créditos sobre aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com os insumos adquiridos. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo da COFINS nãocumulativa o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços, não se considerando como tal despesas administrativas com aluguel de aeronaves. Manifestação de inconformidade procedente em parte O pedido foi apresentado em 16 de março de 2006. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por AREOVALDO MARIANO TAVARES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/04/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16349.000225/200669 Acórdão n.º 330200.790 S3C3T2 Fl. 4 3 Conforme relatado nos processos administrativos nos 16349.000146/200739, 16349.000148/200728, 16349.000147/200783 e 16349.000149/200772, a Interessada apresentou mandado de segurança, com pedido de liminar, “que pleiteia a apreciação e conclusão de pedidos de ressarcimento referentes aos documentos de n°s 31387.44992.281106.1.1.083132, 15880.03519.281106.1.1095510; 21627.12028.160107.1.1.081284 e 17255.56497.160107.1.1.09 5136, que estariam indevidamente sem análise pela Administração, até o presente momento”, nos termos da medida liminar concedida, que estabaleceu o prazo de trinta dias para decisão (processo judicial no 2007.61.00.0052093). Em relação aos processos administrativos apresentados posteriormente, a Interessada apresentou o mandado de segurança no 2006.61.00.0252340, em que foi deferida medida judicial no mesmo sentido. Da mesma forma que ocorreu nos processos anteriores, a autoridade fiscal e a DRJ consideraram que a Interessada deveria demonstrar de pronto o direito alegado, razão pela qual o pedido foi indeferido, a despeito do pedido de prorrogação de prazo para apresentar documentação efetuado pela Interessada. A autoridade fiscal, diante do dilema apresentado, preferiu indeferir o pedido, cumprindo o prazo originalmente estabelecido na sentença, nos termos do despacho decisório da DRF, cuja ementa foi a seguinte: DESPACHO DECISÓRIO COFINS NÃOCUMULATIVA. RESSARCIMENTO. IMPEDIMENTO DE EXAME DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. DECISÃO JUDICIAL. PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE, DA PROBIDADE E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. Cabendo ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, segundo o artigo 36 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e concorrendo o contribuinte para que seus livros contábeis e fiscais não fossem examinados pois solicitou prorrogação do prazo por mais 60 dias para apresentação da documentação necessária à análise do pleito e tendo em vista a decisão judicial que determinou a análise do requerimento em 30 dias, devese indeferir o pedido de ressarcimento em epígrafe, sob pena de desobediência aos princípios da legalidade, probidade e moralidade administrativa (Constituição da República, artigo 37, caput; Lei no 8.429, de 2 de junho de 1992, artigo 10) e falta de comprovação do direito creditório. PEDIDO DE RESSARCIMENTO INDEFERIDO. A Interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que os dispositivos legais que embasaram a ação judicial (arts. 48 e 49 da Lei no 9.784, de 1999) estabeleceriam que o prazo de manifestação da autoridade fiscal no processo administrativo seria de trinta dias, mas contados após a instrução do processo. Para evitar o indeferimento do pedido por conta do prazo, o contribuinte impetrou em 14 de maio de 2009 novo mandado de segurança (processo no 2009.61.00.0113765, contra o Delegado da Receita Federal de Julgamento de São Paulo), pleiteando ordem para converter o julgamento em diligência visando a análise da manifestação Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por AREOVALDO MARIANO TAVARES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/04/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16349.000225/200669 Acórdão n.º 330200.790 S3C3T2 Fl. 5 4 de inconformidade e os documentos posteriormente juntados aos autos do Processo Administrativo. Em 03 de julho 2009, foi recebido Ofício da Justiça Federal, notificando decisão do proferida nos auto. Com isso, houve solicitação de diligência pela DRJ. A DRJ indeferiu o pedido, com a seguinte fundamentação: 28. De acordo com a diligência efetuada pela DEFIS/SPO (fls. 1054 a 1058), demonstrativos de fls. 1050 a 1052, verificase que o contribuinte apurou o crédito presumido, previsto no art. 8º da lei no 10.925/2004, aplicando a alíquota integral da COFINS nãocumulativa (7,6%) sobre as aquisições de pessoas físicas agroindústrias (“DEMONSTRATIVO DE COMPRA DE BOVINOS” – fls. 1051/1052). Por sua vez a DEFIS/SPO calculou o citado crédito presumido na forma prevista no inciso I do § 3o do art. 8o da lei no 10.925/2004, isto é, aplicando 60% da alíquota integral (7,6%), conforme se depreende do “DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO PRESUMIDO” (fls. 1057). 29. Porém, o percentual de 60% é aplicável somente nos casos de aquisições de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, conforme art. 8o, §3o, inciso I da lei no 10.925/2004 e art. 8o, §1o, inciso I do art. 8o da IN SRF no 660/2006. 30. Os bovinos vivos são classificados no capítulo 1 da NCM, mais precisamente na posição 01.02. Sendo assim, o crédito presumido, no caso, deve ser calculado com base no inciso III do parágrafo 3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 2004 (e não do inciso I do parágrafo 3o desse dispositivo, como apurado pela DEFIS/SPO), na forma estabelecida no art. 8o, caput e § 1o, inciso II, da IN SRF no 660, de 2006. Ou seja, o crédito presumido deve ser calculado mediante a aplicação, sobre o valor de aquisição dos insumos, do percentual de 2,66% (35% da alíquota de 7,6% do COFINS nãocumulativo). [...] 33. Na diligência efetuada a DEFIS/SPO também constatou que o contribuinte apropriou indevidamente créditos sobre bens alugados e que não se relacionam com a produção de bens e serviços (aluguel de aeronaves), pois se trata de despesa administrativa. [...] 40. Conforme a Diligência efetuada pela DEFIS/SPO (“E) DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO DO TRIMESTRE” – fls. 1058) e o Demonstrativo de fls. 1050, o total de débito de COFINS nãocumulativo do 3o Trimestre de 2005 é Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por AREOVALDO MARIANO TAVARES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/04/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16349.000225/200669 Acórdão n.º 330200.790 S3C3T2 Fl. 6 5 de R$ 40.632.635,82, valor superior aos créditos de COFINS corretamente apurados: R$ 33.720.641,99. 41. Assim, não há saldo de crédito de COFINS nãocumulativo passível de ressarcimento. No recurso, a Interessada contestou o argumento da DRJ, alegando o seguinte: 1) Os “demais produtos” mencionados no inciso III do §3o do art. 8o da Lei no 10.925/2004, à toda evidência, fazem referência aos produtos elencados no caput e não discriminados nos incisos anteriores (I e II), pois, como visto, o cálculo sempre será efetuado com base nos insumos daqueles produtos. 2) Sob outro viés, o inciso III do §3o do art. 8o da Lei no 10.925/2004, utilizado pela r. turma julgadora para aplicar o percentual de 35% da Contribuição ao PIS, ao crédito presumido da Recorrente, foi incluído pela Lei no 11.488, de 2007, após o período fiscalizado (2o trimestre de 2006). Ou seja, quando ocorridas as operações que ensejaram o crédito presumido pleiteado pela Recorrente não existia previsão “para os demais produtos”. 3) Assim, se mantido o entendimento explanado na r. decisão recorrida, no sentido de que os “produtos” sobre os quais se aplicariam os percentuais contidos no § 30 do art. 8o da Lei no 10.925/2004, seriam aqueles lá discriminados, temse que, por exclusão, para os "demais produtos", aplicarseia, o percentual de 100%. Ou seja, o disposto nos incisos I e II, constituiria uma limitação ao crédito para os produtos lá elencados. 4) Concluise que a decisão recorrida foi equivocada, especialmente, em não diferenciar PRODUTO de INSUMO para fins de cálculo do crédito presumido de PIS e COFINS, merecendo ser reformada para manter irretocável, os cálculos elaborados em diligência. A Interessada deixou claro no recurso que se insurgiu apenas em relação à aplicação do crédito incidente sobre as aquisições de bovino. Finalmente, foi juntado ofício que deu prioridade aos processos administrativos, à vista dos mandados de segurança impetrados pela Interessada. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por AREOVALDO MARIANO TAVARES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/04/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16349.000225/200669 Acórdão n.º 330200.790 S3C3T2 Fl. 7 6 A controvérsia diz respeito à qual percentual deve ser aplicado à apuração dos créditos. A Interessada requereu inicialmente a aplicação integral da alíquota da contribuição; a Fiscalização entendeu aplicarse o percentual de 60%; a DRJ, o de 35%. No recurso, a Interessada esclareceu que “A insurgência no presente recurso cingese somente ao equívoco da r. turma julgadora na aplicação do crédito presumido devido nas aquisições de bovinos, que entendeu pela aplicação do percentual de 35% ao invés de 60%.” Portanto, somente está em análise saber qual percentual aplicase à alíquota básica da contribuição, o do inciso I ou do inciso II (redação então vigente) do § 3o do art. 8o da citada lei. Inicialmente, esclareçase ser improcedente a alegação da Interessada quanto à vigência do percentual de 35%, uma vez que era o percentual inicialmente previsto na Lei no inciso II e vigeu anteriormente à Lei no 11.488, de 2007, que incluiu no inciso II o percentual de 50%, mas transpôs o de 35% para o inciso III. Para maior clareza, reproduzse o dispositivo, com os devidos destaques: § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. Já analisando a questão principal, notase que o dispositivo é claro ao mencionar que o percentual é aplicado “sobre o valor das mencionadas aquisições”. Portanto, ao referirse aos “produtos de origem animal classificados nos Capítulos [...]”, o inciso I claramente trata das aquisições e não dos produtos fabricados, que é do que trata o caput. Assim, o entendimento do que seja “produto fabricado” ou “insumo” deve ser feito pela análise do dispositivo e não a partir de uma tentativa de sistematização de nomenclatura genérica como pretendeu a Interessada. Em outras palavras, nem sempre quando a legislação menciona “produto” está referindose ao produto fabricado, como no caso em questão. Não se pode olvidar tratarse de um crédito presumido exatamente sobre os insumos adquiridos, a fim de dar efetividade à não cumulatividade de PIS/Cofins. Portanto, a intenção é descontar do valor devido na saída um valor presumido apurado na entrada, o que somente poderia ser feito sobre os valores dos “insumos”, não havendo razão para se estabelecer percentuais e alíquotas a partir dos produtos fabricados. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por AREOVALDO MARIANO TAVARES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/04/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16349.000225/200669 Acórdão n.º 330200.790 S3C3T2 Fl. 8 7 Tanto é assim que a mensagem de veto no 443, de 23 de julho de 2004, disse o seguinte sobre o inciso VIII do art. 1º(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004 2006/2004/Msg/Vep/VEP44304.htm): Razões do veto "O inciso I do § 3o do art. 8o do projeto de lei de conversão concede crédito presumido, destinado a compensar, na sistemática da nãocumulatividade, a incidência das referidas contribuições sobre os insumos, incluídos os produtos relacionados no inciso VIII do art. 1o, equivalente a 60% (sessenta por cento) do valor dos produtos de origem animal, adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, classificados nos Capítulos 2 a 4, a serem utilizados como matériaprima para a produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal, e a 35% (trinta e cinco por cento) do valor dos produtos de origem vegetal (sic) com idêntica destinação. Registrese que a sistemática do crédito presumido visa compensar a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins sobre os insumos agropecuários utilizados por pessoas físicas produtoras e fornecedoras, à indústria de alimentos, de produtos de origem animal ou vegetal. Assim, na forma acordada entre o Governo Federal, parlamentares e representantes dos mais diversos segmentos do agronegócio brasileiro, na produção de alimentos de origem vegetal, seus insumos mais importantes teriam alíquota zero, enquanto no de origem animal o mesmo não ocorreria, em razão da diferença entre os percentuais de crédito presumido. É mais cristalino que a redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins para as rações, mantendose os percentuais de crédito presumido inalterados e diferenciados provoca grave desequilíbrio no setor, tornandose tecnicamente inconsistente e politicamente inadequada. Ademais, a redução a zero das referidas alíquotas e a manutenção do crédito presumido no elevado e injustificado patamar de 60% (sessenta por cento) pode vir a configurar concessão de subsídio, prejudicando a política de exportação do País, além de gerar perda de arrecadação da ordem de R$ 900 milhões anuais." De fato, os percentuais foram fixados em função dos insumos porque cada um deles tem certo número de etapas de produção, o que independe do produto ao qual são aplicados. Não há, assim, razão lógica ou jurídica para se estabelecerem os percentuais a partir dos produtos em que são empregados os insumos. Vejase que a última tese que tentava emplacar tal forma de apuração foi a de créditos de insumos de alíquota zero, que restou considerada improcedente pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por AREOVALDO MARIANO TAVARES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/04/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16349.000225/200669 Acórdão n.º 330200.790 S3C3T2 Fl. 9 8 Acrescentese que, nos memoriais, a Interessada abandonou a fundamentação constante do recurso, acima refutada, para alegar que a diferença decorreria do tipo de produto adquirido (carne ou animal vivo), o que não foi abordado no recurso. Nos memoriais e na sustentação oral, alegou a Interessada adquirir carne e não animal vivo, mas, a seguir, alegou que, “como a recorrente desenvolve sua atividade no campo da industrialização e exportação de carne bovina, por certo que o percentual a ser aplicado é o de 60% [...]”, o que, novamente, diz respeito ao produto fabricado e não ao insumo adquirido. Em que pese, como já afirmado, a questão não ter sido abordada no recurso, descabe também razão à Interessada, uma vez que “a mercadoria adquirida”, ainda que não seja destinada à criação ou à engorda, mas ao abate, ainda assim é o animal vivo. Como consta dos próprios documentos apresentados pela Interessada nos memoriais, o produto adquirido é “boi castrado rastreado”. Obviamente que, sendo destinado ao abate, o preço do produto deve ser fixado em função do peso e não da unidade. Tratase, apenas, de método de aferição do valor e não indica, ao contrário do que afirmou a Interessada, que tenha adquirido carne. Portanto, cabe razão à primeira instância. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por AREOVALDO MARIANO TAVARES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/04/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 10530.002990/2008-41
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1003-000.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja feita a juntada ao presente processo do Demonstrativo Analítico de Compensação - SAPO.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja feita a juntada ao presente processo do Demonstrativo Analítico de Compensação SAPO. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1528.087, de 23 de agosto de 2011, da 1ª Turma da DRJ/SDR, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte, homologando as compensações pleiteadas até o limite do dos créditos remanescentes do processo de nº 13508.000023/200314. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .0 02 99 0/ 20 08 -4 1 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10530.002990/200841 Resolução nº 1003000.029 S1C0T3 Fl. 3 2 Aos 23/09/2003, a Recorrente formalizou Declaração de Compensação de débitos de IRPJ e CSLL com créditos de saldo negativo de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002. O suposto crédito de saldo negativo em análise neste processo foi analisado pelo Despacho Decisório de nº 802/2008 (processo nº 13508.000023/200314) acostado aos autos (fls. 21 a 49). A autoridade fiscal para identificar a correção do crédito pleiteado verificou que na DIPJ e DCTF (anocalendário 2002) estimativas mensais foram pagas por compensação sem processo e, em razão disso, foi preciso recompor o saldo negativo do ano calendário 2001 e, por sua vez, para analisar o saldo negativo do ano calendário de 2001 precisou recompor o saldo negativo do ano calendário de 2000 e assim sucessivamente até o ano calendário de 1997, chegando a conclusão de saldo negativo de IRPJ e CSLL nos valores respectivos de R$ 95.067,97 e R$ 259,45. Conforme Despacho Decisório de nº 1562/2008 (fls. 50 a 52) a declaração de compensação em análise nesses autos foi homologada em parte, fundamentando que, após a execução da compensação nos autos do processo de n ] 13508.000023/200314, restou saldo credor de IRPJ e CSLL, respectivamente, nos valores de R$ 28.039,23 e R$ 259,45. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade requerendo que o presente processo seja julgado em conjunto com o processo de nº 13508.000023/200314, em razão de conexão. Defendeu a homologação tácita da declaração de compensação, a impossibilidade de retroagir a análise do crédito para verificar anos já alcançados pela decadência e, ainda, declarou ter havido equívoco por parte da autoridade administrativa que não considerou o anocalendário de 1996 no cálculo, quando a empresa já adotava o lucro real. A DRJ solicitou diligência para recompor o saldo credor do ano calendário 1996 e, se necessário, anos anteriores e, após realizada a recomposição, que seja informado o saldo negativo do contribuinte no ano calendário 2002 e, por fim, após todos os passos anteriores, verificar se há algum saldo negativo remanescente para compensar com os débitos neste processo. A autoridade fiscal respondeu ao pedido de diligência da DRJ informando que diligência parecida havia sido solicitado no processo de nº 13508.000023/200314 e, pela diligência realizada naquele processo, concluiuse que, em 31/12/2002, foram confirmadas estimativas pagas/compensadas no valor de R$ 64.508,30 que resultou no saldo negativo de CSLL de R$ 29.870,95. A DRJ/SDR julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, homologando as compensações pleiteadas até o limite dos créditos remanescentes do processo de nº 13508.000023/200314 direito creditório a utilizar, relativo ao saldo negativo de IRPJ R$ 28.039,23 e relatico ao saldo negativo da CSLL R$ 15.468,91 (fls. 83 a 88). Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) Preliminarmente, a Recorrente defende que as planilhas apresentadas nos cálculos de compensação não merecem prosperar porque a autoridade fiscal não efetuou a atualização e correção dos cálculos apontados como devidos, os quais devem ser atualizados desde o ano de 1996; Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10530.002990/200841 Resolução nº 1003000.029 S1C0T3 Fl. 4 3 (ii) No mérito, alega que o prazo decadencial deve ser contado a partir da declaração original e não a partir da declaração retificadora, fundamentando que as Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002 possuem vigência posterior ao início do requerimento em análise. Que o diploma legal vigente era a Lei nº. 9.430/1996, a qual não menciona ser o termo a quo para contagem do prazo decadencial a data da entrega da declaração de compensação retificadora; (iii) Aduz que a análise da certeza e liquidez do crédito, cuja declaração anual já tenha sido homologada tacitamente, revestese de verdadeiro auto de infração, o que é abuso do direito. O que estaria na competência do julgador seria a análise de outros requerimentos de compensação de tributos, cujo objeto seria o mesmo dessas ora guerreadas, em detrimento da materialidade das declarações; Por fim, requereu a revisão do julgamento realizado pela DRF em Feira de Santana para que ocorra a homologação das declarações de compensações entregues.. É o Relatório. VOTO Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora Inicialmente, cumpre destacar que a Recorrente apresentou o mesmo recurso para os processos de nºs. 13508.000023/200314; 10530.002990/200841 e 10530.002878/200819. Esses processos estão apensados e serão julgados conjuntamente, tendo em vista a conexão existente entre eles. Preliminarmente, a Recorrente alega que os cálculos efetuados pela autoridade fiscal estão errados, pois deixaram de aplicar a atualização e correção dos valores durante todo o período analisado para investigar a liquidez e certeza do crédito. A valoração do crédito ocorre nos moldes do art. 66 da Lei nº 8.383/1991, em razão dessa norma tratar especificamente em relação ao pagamento a maior ou indevido, o Ato Declaratório SRF de nº 3, de 07 de janeiro de 2000, foi emitido para dispor sobre as regras de valoração em relação ao saldo negativo do IRPJ e da CSLL, e assim determinou: ATO DECLARATÓRIO SRFNº3,DE07 DE JANEIRO DE 2000 Dispõe sobre a restituição e compensação do saldo negativo do Imposto sobre a Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real apurado anualmente. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4o do art. 39 da Lei No 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1o e 6o da Lei No 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei No 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10530.002990/200841 Resolução nº 1003000.029 S1C0T3 Fl. 5 4 Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. CLECY MARIA BUSATO LIONÇO EVERARDO MACIEL O início do período para fins de atualização é, portanto, o mês subsequente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da compensação. No caso dos autos, estaríamos falando do ano calendário 2002, porém, para fins de análise da liquidez e certeza do crédito, foi necessário retroagir a anos anteriores. Ou seja, a autoridade fiscal retroagiu no tempo e analisou o encerramento do período de apuração de 1996 até 2002. Os valores encontrados em anoscalendário anteriores deve, igualmente, sofrer a atualização. Compulsando os autos, verificase que não há informação em relação à atualização dos créditos. Diante disso, entendo que assiste razão a preliminar ventilada pela Recorrente, devendo o processo retornar à origem para que a DRF colacione ao processo o Demonstrativo Analítico de Compensação SAPO, a fim de que seja possível verificar os parâmetros utilizados na atualização do valor discutido nestes autos. No caso dos presentes autos, a declaração de compensação foi homologada em parte, visto que o saldo credor identificado no processo nº 13508.000023/200314 foi utilizado para homologar parte das DCOMPs constantes nesse processo. Isto posto, voto em converter o processo em diligência para que os autos retornem à DRF para que seja feita a juntado aos presentes autos do Demonstrativo Analítico de Compensação SAPO; Após, que seja a Recorrente intimada para se manifestar especificamente quanto aos dados do Demonstrativo Analítico de Compensação SAPO. É como voto. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.003377/2006-77
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
Somente pode ser deduzida na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte a pensão alimentícia decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, desde que seu pagamento esteja comprovado mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-000.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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DEDUÇÃO. Somente pode ser deduzida na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte a pensão alimentícia decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, desde que seu pagamento esteja comprovado mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 33 77 /2 00 6- 77 Fl. 84DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 04/09) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2005, onde se apurou: Dedução Indevida de Despesas Médicas e Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. O contribuinte ingressou com impugnação ratificando os valores declarados e indicando a juntada dos documentos comprobatórios correspondentes (efls. 02/03). O lançamento foi julgado procedente em parte pela 3ª Turma da DRJ/CGE, que manteve parcialmente a glosa de pensão alimentícia conforme acórdão assim ementado (e fls. 43/52): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. Se a autoridade lançadora dispuser de todos os elementos necessários ao lançamento e entender dispensável a intimação para prestar esclarecimentos, o processo de lançamento de ofício será iniciado sem necessidade de intimação prévia. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. A dedução das despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Somente é cabível a dedução da importância relativa à pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e desde que devidamente comprovada. Cientificado da decisão de piso em 24/12/2008 (efls. 58), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 23/01/2009 (efls. 62/64) com os argumentos a seguir sintetizados: Alega a ausência de intimação para prestar esclarecimentos. Expõe que o relatório fiscal indica a solicitação de documentos comprobatórios das deduções, mas a intimação não consta dos autos. Aduz que o relator de primeira instância citou o art. 844 do Decreto 3.000/99 e fundamentou seu voto pela falta de necessidade de informações prévias do contribuinte. No entanto, assevera que no presente caso os esclarecimentos eram indispensáveis, pois sem eles a Receita Federal não tinha motivos para efetuar a glosa das despesas médicas e da pensão alimentícia. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10183.003377/200677 Acórdão n.º 2002000.497 S2C0T2 Fl. 85 3 Quanto à pensão de Saulo Octávio Gorgulho Fernandes, aduz que a cópia da homologação da separação da genitora do menor foi juntada ao processo e que é a mesma já apresentada à Receita Federal e por ela acatada. Sustenta que a dependência econômica dos três filhos nascidos da relação com Ana Lázara da Silva existe e que esta declarou em juízo não possuir fonte de renda e que apresentou declaração de isenção de ajuste anual junto à Receita Federal. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente impõese observar que, de fato, não consta dos autos cópia da Intimação Fiscal mencionada na Notificação de Lançamento, tal como alega o recorrente. Não obstante, verificase que tal fato não causou prejuízo e não impediu o exercício do direito de defesa do interessado, uma vez que lhe foi dada a oportunidade de apresentar esclarecimentos na fase de impugnação e também através do recurso voluntário. No que concerne à dedução de pensão alimentícia, extraise do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, que o valor pago pelo contribuinte a esse título somente pode ser deduzido em sua Declaração de Ajuste Anual se for decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e se estiver devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea. As pensões pagas por liberalidade não são dedutíveis por falta de previsão legal. No caso em exame a decisão de piso acatou a dedução de R$ 37.498,73 conforme trecho a seguir reproduzido: Na presente autuação foi glosada a dedução por pagamento de pensão alimentícia de R$ 55.551,81, por falta de comprovação. Em sede de impugnação, o interessado apresentou comprovante de rendimentos de f. 08, no qual consta a pensão alimentícia de R$ 37.498,73, no anocalendário 2004. Apresentou também petição e sentença de f. 1517, de onde se conclui que tem o contribuinte a obrigação de pagar pensão para sua exesposa, Ana Lázara da Silva Teixeira de Moura. Destes elementos se conclui que deve ser considerada comprovado o valor da pensão alimentícia indicada no mencionado comprovante de rendimentos. [...] Por oportuno, no que toca à pensão alegadamente devida ao seu filho Saulo Octávio Gorgulho Fernandes de Moura, além de não haver comprovação dos valores a ele transferidos, não foi Fl. 86DF CARF MF 4 apresentada a sentença homologatória que lhe daria validade, para fins de dedução, ao dispêndio ocorrido. Com efeito, extraise da Ação de Separação Judicial Consensual entre o recorrente e Ana Lázara da Silva Teixeira de Moura que este estava obrigado ao pagamento de pensão alimentícia em favor de seus filhos menores Thiago, Tadeu e Thomé no montante de 50% do valor líquido de seus salários (efls. 19/21). Ocorre, contudo, que apenas o pagamento de R$ 37.498,73 foi comprovado pelos documentos acostados aos autos (efls. 12), não havendo reparos a serem feitos nesse ponto. A comprovação da dependência econômica dos três filhos não foi exigida pela DRJ, ao contrário do que afirma o recorrente. Cumpre ressaltar que todas as deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, por documentação hábil e idônea, a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do RIR/99, e que cabe ao contribuinte apresentar em sua defesa todos os documentos necessários à confirmação de suas alegações, conforme disposto no art. 15 do Decreto 70.235/72. No que concerne à alegada pensão em favor de seu filho Saulo Octávio Gorgulho Fernandes de Moura, verificase que o documento trazido na impugnação (efls. 26/32) e reapresentado no recurso voluntário (efls. 74/80) consiste em um pedido de homologação de Dissolução de Sociedade de Fato datado de julho de 2005 (posterior ao ano calendário objeto do lançamento), sem nenhuma assinatura e cuja homologação judicial não pode ser extraída dos autos. Como já exposto neste voto, o valor pago pelo contribuinte à título de pensão alimentícia somente pode ser deduzido em sua Declaração de Ajuste Anual se for decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, nos termos do art. 78 do RIR/99, o que não pode ser constatado no caso em exame. Em vista do exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001894/2008-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF 99.
O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ESTÁGIOS. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA.
O cumprimento do disposto na legislação vigente à época dos fatos geradores, tais como a apresentação dos termos de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, bem como o Convênio Nacional firmado com o CIEE, afasta o vínculo empregatício, cabendo à autoridade lançadora o ônus de comprovar que os estágios não estariam propiciando a complementação do ensino e da aprendizagem
Numero da decisão: 2402-006.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a decadência até a competência 11/2003, inclusive, e, no mérito, também por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti (Relator), Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF 99. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ESTÁGIOS. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. O cumprimento do disposto na legislação vigente à época dos fatos geradores, tais como a apresentação dos termos de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, bem como o Convênio Nacional firmado com o CIEE, afasta o vínculo empregatício, cabendo à autoridade lançadora o ônus de comprovar que os estágios não estariam propiciando a complementação do ensino e da aprendizagem
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INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF 99. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ESTÁGIOS. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. O cumprimento do disposto na legislação vigente à época dos fatos geradores, tais como a apresentação dos termos de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, bem como o Convênio Nacional firmado com o CIEE, afasta o vínculo empregatício, cabendo à autoridade lançadora o ônus de comprovar que os estágios não estariam propiciando a complementação do ensino e da aprendizagem Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a decadência até a competência 11/2003, inclusive, e, no mérito, também por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti (Relator), Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 94 /2 00 8- 78 Fl. 297DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 298 2 (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração (AI DEBCAD 37.174.877 1), no valor principal de R$ 704.818,53, acrescidos de juros Selic e da multa prevista nos já revogados incisos I, II e III do artigo 35 da Lei 8.212/91, referente a contribuições destinadas ao SALÁRIOEDUCAÇÃO (FNDE Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) e INCRA (Instituto NAcional de Colonização e Reforma Agrária), incidentes sobre a remuneração paga a ESTAGIÁRIOS em desacordo com a legislação, não declaradas em GFIP e não recolhidas em época própria, relativas à competência de 12/2002 a 12/2006. Como colocado no Relatório do acórdão de piso, o BANCO SANTANDER S.A (CNPJ 90.400.888/000142) é a atual denominação social de BANCO SANTANDER BANESPA S/A, anteriormente denominado de BANCO SANTANDER MERIDIONAL S/A, sucessor, por incorporação, do BANCO SANTANDER BRASIL S/A (CNPJ 61.472.676/0001 72), do BANCO DO ESTADO DE SÃO PAULO S/A BANESPA (CNPJ 61.411.633/0001 87) e do BANCO SANTANDER S/A (CNPJ 33.517.640/000122). Ainda conforme relatado naquele acórdão, Fl. 298DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 299 3 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 300 4 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 301 5 Ainda segundo o Relatório do acórdão de piso (fls. 182/189), o autuado, em sua impugnação, alegou: Que as competências abrangidas até novembro de 2003 teriam sido alcançadas pela decadência, a teor do artigo 150, § 4º do CTN. E quanto ao mérito, propriamente dito, assim se manifestou: Fl. 301DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 302 6 Como já dito, a DRJ julgou improcedente a impugnação às fls. 181/197: Cientificado do acórdão em 29.06.2009 (fls.200), apresentou Recurso Voluntário em 23.07.2009 (fls. 201/217), aduzindo, em síntese: Decadência, na forma do artigo 150, § 4º do CTN, na medida em que haveria recolhimentos antecipados relacionados a terceiros. Que o requisito necessário para a realização do estágio foi cumprido pela recorrente, por meio dos contratos firmados com os estagiários, já apresentados à fiscalização, com a interveniência do CIEE, consoante estabelece o artigo 3º da Lei 6.494/77, bem como o artigo 5º do DEcreto 87.497/82. Assim sendo, os Termos de Compromissos são hábeis e suficientes a comprovação do estágio, conforme estabelece, inclusive, o § 1º do artigo 6º daquele Decreto. Que além da existência dos Termos de Compromissos, todos os estagiários freqüentam cursos de educação superior. Além do mais, a recorrente possui condições de proporcionar a experiência prática necessária na linha Fl. 302DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 303 7 deformação do estagiário, sendo certo que o estágio propicia a complementação do ensino e da aprendizagem do estudante, planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos. Que todas as informações e relatórios acerca dos estagiários foram encaminhados às IES ou ao CIEE, sendo certo que à Recorrente não cabe a guarda deste material. Que o relatório MAPE, acostado à impugnação, referente ao estagiário Marcello Renato Souza, contém todas as informações acerca do planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação do estagiário. Que caso os programas de estágio não estivessem em conformidade com as condições legais, as IES já teriam se pronunciado, solicitando que a recorrente tomasse as providências cabíveis no sentido de regularizar a situação, eis que são as responsáveis pelos estágios, na forma do artigo 2º do Decreto nº 87.497/82. Que o Fisco não comprovou o descumprimento dos requisitos materiais e formais elencados na lei e o fato de o estagiário Marcelo ter autorizado a entrada do Fiscal ou lhe entregado documentos já solicitados não quer dizer que não haja coordenação ou planejamento de suas atividades. Que o Fisco, ao pretender tributar fato lícito e perfeitamente previsto em lei, está conferindo a este fato uma interpretação econômica que afigurase como procedimento rechaçado pelo ordenamento pátrio. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 29.06.2009 e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 23.07.2009. Observados os demais requisitos, dele passo a conhecer. 1 Da decadência. Inicialmente, sustenta o autuado a ocorrência da decadência com relação às competências abrangidas até 11/2003 (período lançado => 12/2002 a 12/2006), à luz do § 4º do artigo 150 do CTN, na medida em que teria havido pagamento antecipado relativo a tal exação e que a ciência do lançamento derase somente em 19.12.2008. Por sua vez, a decisão de piso considerou que como não teria havido recolhimento antecipado relacionado ao fato gerador "remuneração paga a ESTAGIÁRIOS em desacordo com a legislação pertinente", não haveria que se falar na aplicação do dispositivo encimado, mas sim na do artigo 173, I do mesmo diploma. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 304 8 Na sequência, notese que o DAD Discriminativo Analítico de Débito de fls. 6/14 trouxe em seu bojo tão somente os valores pagos a estagiários, razão pela qual não se é capaz de aferir sequer a existência, ou não, de pagamento antecipado a título de Salário Educação (FNDE) e INCRA naquelas competências. Notese que a Súmula CARF nº 99 1 estabelece que para fins de aplicação da regra prevista no artigo 150, § 4º do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Ou seja, com relação a pagamento a determinado(s) segurado(s) (FG), se houve o pagamento antecipado daquela exação (cota empresa, contribuição do empresa ou terceiros, conforme seja o caso), o lançamento de eventual diferença estaria sujeito à regra especial. A contrario sensu, se o pagamento antecipado refere a segurado não declarado ou a exação sob fundamento legal diverso, não há que se falar em lançamento por homologação, mas sim do típico lançamento de ofício, cuja regra para o cômputo da decadência é regida pelo artigo 173 do codex tributário. Confirase entendimento semelhante ao deste Relator, posto no Acórdão nº 9202005.177, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de relatoria da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, conforme se observa no seguinte excerto: De imediato, refuto a tese do acórdão recorrido de que aplicável, ao caso concreto, a súmula CARF nº 99. A referida súmula teve por objetivo pacificar entendimento nos casos de salários indiretos, em que ocorrem lançamentos de diversas rubricas do conceito latu de remuneração. Referida súmula será aplicável, unicamente, aos lançamentos que envolvam salários indiretos, tais como: PLR, vale alimentação, fornecimento de educação, plano de saúde, dentre diversas outras utilidades que podem constituir salários indiretos, quando fornecidos fora das hipóteses de exclusão do conceito de salário de contribuição, previstas no art. 28, §9º da lei 8212/91. Fica fácil essa constatação quando verificamos os paradigmas que ensejaram a aprovação da súmula CARF nº 99. Em resumo e em outras palavras: penso que para que um "pagamento antecipado" possa ser considerado como aquele de que trata o artigo 150 do CTN, é primordial não apenas que diga respeito ao mesmo fato gerador e base de cálculo da autuação, mas também ao mesmo fundamento legal que dá amparo à exação lançada de ofício. Nessa mesma linha, o Acórdão nº 9202005.227, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do CARF, cuja ementa transcrevemos a seguir: 1 Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 305 9 CS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. REGRA DECADÊNCIA. ART. 173, I DO CTN. Inexistindo recolhimento antecipado sobre os fatos geradores e fundamentação legal lançada de ofício, a decadência deve ser aplicada a luz do art. 173, I do CTN. Os recolhimentos efetuados antecipadamente como entidade isenta não são aproveitados para recolhimentos antecipados de entidades sem esse benefício fiscal. (Grifo nosso) Assim considerando, o lançamento em tela trouxe para a tributação fatos geradores não declarados (pagamento a estagiários), não havendo que se falar em sequer parcial pagamento antecipado capaz de atrair a regra especial para a contagem do prazo decadencial. O recorrente, por meio de petitório apresentado somente em 22.07.2015, acostou aos autos cópias de GPS recolhidas pelo CNPJ 61.472.676/000172, sob o código 2100 Empresas em Geral, relativas às competências de 12/2002 a 11/2003, dentre outras. Todavia, penso que tal comprovação deveria ter sido apresentada juntamente à sua Impugnação e/ou, a depender do caso, ao seu Recurso Voluntário, o que não foi feito, contrariando, assim sendo, o disposto no § 4º do artigo 16 do Dec. 70.235/72, fazendo com que referidos documentos não devam ser conhecidos. Além do quê, o autuante, no tópico relativo ao período do lançamento e à aplicação da Súmula Vinculante STF nº 8, após fazer constar a utilização do artigo 173, I do CTN no lançamento, que seria, segundo ele, a sistemática mais adequado ao caso em que se há o desconhecimento da ocorrência do fato gerador, assentou a lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais, vez que teria constatado a ocorrência de situação que, em tese, configuraria o crime de sonegação de Contribuição Previdenciária, à luz do artigo 337A, I, do CPB. Confirase: Consignado desta forma, passo a entender que o Fisco estaria, ainda de outro giro, concluindo pela existência de dolo, fraude ou simulação, que autorizaria o deslocamento no que toca à contagem de prazo da regra especial contida no artigo 150, § 4º do CTN, para a geral prevista naquele artigo 173, I. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 306 10 Por sua vez, o artigo 71 da Lei 4.502/64, define sonegação como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Já o artigo 337A, específico para o caso, tipifica a sonegação sempre que a omissão de fatos geradores ou a omissão de segurado empregado em documento de informações previsto pela legislação previdenciária resulte na supressão ou redução de contribuição social previdenciária. Prosseguindo, o dolo, consoante se extrai da definição contida no artigo 18 , I, do CPB, estaria caracterizado sempre que demonstrada a intenção do agente na consecução de resultado juridicamente reprovável, por meio de uma conduta tipificada como crime (dolo direto); ou mesmo quando evidenciado que, mesmo não querendo o resultado, assumira o risco de produzilo (dolo eventual). Nessa linha, há de se perquirir se, in casu, estaria configurado o dolo na sonegação a ensejar o deslocamento para a regra geral de contagem de prazo decadencial. À luz do que consta dos autos, em especial do detalhado e pormenorizado Relatório Fiscal, que será melhor abordado no tópico a diante, penso ter restado caracterizada, ao menos, a assunção do risco pelo recorrente na produção do resultado previsto naqueles artigos 71 da Lei 4.502/64 e 337A do CPB, na medida em que não teria declarado em GFIP, os "estagiários" e os valores a eles pagos, quando, em verdade, não teria sido capaz de comprovar a observância aos requisitos previstos na Lei 6.494/77 e no Decreto 87.497/82. Por fim, é de se notar que o lançamento, aperfeiçoado em 19.12.2008, não contemplou a multa de ofício prevista no artigo 44, § 1º da Lei 9.430/96, aplicada aos lançamentos de ofício relativos à presente exação a partir da edição do artigo 35A da Lei 8.212/91, com a redação data pela Medida Provisória 449/2008, de 03.12.2008, em virtude das competências envolvidas. Destarte, voto, quanto a essa matéria, por rejeitar o pleito de reconhecimento da decadência. 2 Do Mérito. Prosseguindo, no que tange ao mérito, a questão resumese à comprovação de que se foi, ou não, observado o disposto na Lei 6.494/77 e em sua regulamentação. Os valores pagos a título de bolsa complementação educacional de estagiário, desde que nos termos da Lei 6.494/77, não integram o conceito de salário de contribuição para fins de incidência da exação. 2 A contrario sensu, são considerados segurados obrigatórios na condição de empregado o bolsista e o estagiário que prestam serviços a empresa em desacordo com o diploma encimado. 3 2 Art. 28, § 9º, "i", da Lei 8.212/91 Fl. 306DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 307 11 A rigor, a atividade de estagiário revestese das principais características encontradas nas relação de emprego, tais como pessoalidade, subordinação e onerosidade. Contudo, a legislação decidiu por retirar os pagamentos a esse título do campo de incidência da contribuição, desde que observadas as exigências previstas naquela Lei 6.494/77. Por sua vez, trago à colação o artigo 1º do diploma acima citado: Art. 1º As pessoas jurídicas de Direito Privado, os órgãos de Administração Pública e as Instituições de Ensino podem aceitar, como estagiários, os alunos regularmente matriculados em cursos vinculados ao ensino público e particular. . § 1o Os alunos a que se refere o caput deste artigo devem, comprovadamente, estar freqüentando cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial. § 2º o estágio somente poderá verificarse em unidades que tenham condições de proporcionar experiência prática na linha de formação do estagiário, devendo o aluno estar em condições de realizar o estágio, segundo o disposto na regulamentação da presente lei. § 3º Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares. . No caso em exame, segundo o Relatório Fiscal, a Fiscalização teria constatado uma série de evidências que apontariam para o descumprimento dos requisitos previstos naquela lei, dentre elas, a falta de documentação correta, a não comprovação de que havia acompanhamento ou avaliação de desempenho dos estudantes pelas instituições de ensino, não apresentação de plano de estágio que o contratante deveria elaborar em conformidade com as respectivas faculdades, falta de comprovação da frequência escolar, a remuneração vinculada a cumprimento de metas, os estudantes desempenhavam funções meramente burocráticas, estando afastados da finalidade do estágio, que é de aprimoramento e complementação do aprendizado escolar por meio da experiência prática conforme prevê o parágrafo 2º, artigo 1º, da Lei 6.494/77. Pois bem. Antes de prosseguir com relação ao que consta dos autos, impõese tecer a seguinte consideração. Como já dito acima, para que as bolsas pagas a estagiários sejam retiradas do campo de incidência da exação, faz necessária a comprovação, por parte daquele que efetua o pagamento e, por conseguinte, se vale da não incidência tributária, de que a relação entre ele e o estudante está formal e materialmente de acordo com o que dispõem a Lei 6.494/77 e o Decreto 87.497/82. 3 Art. 9º, "h", do Decreto 3.048/99. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 308 12 Nesse contexto, o § 1º do artigo 6º do decreto encimado, ao estabelecer que o Termo de Compromisso "constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício", não está a afirmar que referido documento seria o bastante para comprovar referida situação, mas sim, que é documento obrigatório para a pretensão em demonstrála. Pareceme óbvia a conclusão encimada. Não se afigura razoável, ao meu sentir, que a existência de um mero documento tivesse o condão de comprovar, de forma cabal, que, na prática, a relação entre o recorrente e o estudante se dá, exclusivamente, no âmbito da prática de estágio supervisionado. Segundo o relato fiscal, nos Acordos de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio que têm, como interveniente o CIEE, as normas e regras previstas são as mesmas mencionadas para todos os contratados, com variações nas atividades, na carga horária e no valor da bolsa, que seria sempre um valor fixo. Na sequência, aduz o autuante que não foram comprovados ou estariam em desacordo com a legislação, os seguintes pontos relacionados àqueles acordos de cooperação e termos de compromisso: i) falta de indicação, nos acordos que possuem a IES como interveniente, de quando e por quem o estagiário teria acompanhamento, seria avaliado, orientado e supervisionado. Haveria, tão somente, previsão de que o banco seria obrigado a fornecer subsídios à IES, sempre que necessário; ii) falta de comprovação das atividades executadas pelos estagiários, além de não terem sido apresentados relatórios de atividades desenvolvidas. Somase a isso, o fato de também não terem sido apresentados os planos de estágios que deveriam ser encaminhados às IES, nos moldes por elas estabelecidos, previstos na maioria dos acordos; iii) que as atividades desenvolvidas, tais como previstas naqueles instrumentos, não seriam de aprendizado, mas sim de execução, tais como, fazer atendimento e orientação a clientes, elaborar documentos planilhas ou formulários diversos e fazer pesquisas; e iv) falta de comprovação, embora intimado, da frequência escolar do estagiário. A seu turno, a recorrente sustenta que além de todas as informações e relatórios acerca dos estagiários terem sido encaminhados, ou a IES, ou ao CIEE, não seria ela a responsável pela guarda desse material. Não comungo deste entendimento. Muito embora o destinatário das informações, relatórios ou planos de estágios não seja o recorrente, até porque não é o responsável pela avaliação do estágio, a questão é que pelo o fato de ser a beneficiária direta da norma de não incidência, passa a deter interesse direto na comprovação de que sua relação com o estudante se dá, efetiva e exclusivamente, no âmbito de uma atividade de estágio supervisionado. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 309 13 Daí, penso que o eventual encaminhamento de todas aquelas informações, relatórios ou planos de estágios deveria estar prudentemente registrado e salvaguardado com o recorrente, por meio de cópia recebida pelo destinatário, por exemplo. Posto desta forma, a circunstância de supostamente não ter havido, por parte das IES, pronunciamento encaminhado à recorrente acerca de eventuais irregularidades na atividade de estágio, não a desincumbe de tomar as cautelas tendentes a comprovar ter cumprido sua parte no processo. Não importa se, ao final, não há a efetiva avaliação por quem detém referida obrigação ou mesmo se, de uma forma ou de outra, o que se pretende é a mera inserção do estudante no mercado de trabalho; o que se pretende evitar é a desvirtuada utilização da mão deobra do estagiário como se empregado fosse. E nesse ponto, o Relatório Fiscal traz importantes constatações que conduzem ao entendimento deste julgador no sentido de que houvera, sim, o desvirtuamento da atividade de estágio, passando a valerse o recorrente, de uma mãodeobra que, sabidamente, lhe demandaria menor custo. Vejamos: Contrariamente à previsão de que receberia uma bolsa de valor fixo, dependendo do setor e atividade desenvolvida, o estagiário recebia bônus e prêmios, ou seja, remuneração vinculada a uma objetivo específico, qual seja, a superação de metas pré estabelecidas. Foram pagos, ainda, valores a título de "'bônus vendas seguros", que representa um bônus pelo número de seguros vendidos, devido ao estagiário à disposição dos gerentes; tratamento semelhante ao que se dá aos empregados. Relatou o autuante que por meio de consultas à internet, em especial no site da Associação dos Funcionários do Grupo Santander Banespa, Banesprev e Cabesp Afubesp, pôdese constatar notícia dando conta do desvirtuamento retro citado. Confirase: Nessa mesma linha de consultas à internet, noticiou o Fisco o fato a seguir, extraído do site da FETECSPCUT. Vejase: Fl. 309DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 310 14 Foi ainda identificado pela Fiscalização na internet, informação acerca de ação trabalhista de 2004, movida em face do Banco do Estado de São Paulo S/A BANESPA, com a seguinte decisão: A partir de referidas notícias, concluiu o Fisco "que as atividades das pessoas contratadas como estagiárias, na verdade, são atividades destinadas a empregados reconhecidos pelo Justiça Trabalhista e, internamente por todos.". Prosseguindo, passo a colacionar excertos da decisão vergastada, com a qual comungo, na medida em que bem interpreta os fatos descritos pela Autoridade Autuante, concluindo pela incidência da exação em tela. Após trazer ementa de julgado do STJ (REsp 38351), assim concluiu: Fl. 310DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 311 15 Apenas para ilustrar, impõese destacar que nas sessões de junho deste ano foram julgados pela CSRF os processos 16327.001895/200812 (acórdão 9202006939), 16327.001896/200867 (acórdão 9202006941) e 16327.001897/200810 (acórdão 9202 006.942), relacionados a fatos similares ao presente e de interesse do recorrente, oportunidade em que se decidiu, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento. Naquela oportunidade assim se manifestou o relator no acórdão número 9202006.939, cujo excerto transcrevo a seguir. Com a devida vênia ao entendimento manifestado pelo Colegiado a quo, entendo que, com fulcro no estabelecido no art. 28, §9o ., "i", da Lei no . 8.212, de 1991, a referida Lei no . 6.494, de 1977, na forma do seu art. 1o Fl. 311DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 312 16 , §§1o ., 2o . e 3o ., estabelece condições a meu ver a serem necessariamente cumpridas e que perpass am a simples celebração do Termo de Compromisso, dependendo a exclusão da base de cálculo das contribuições da efetiva comprovação, pela concedente, de todos os requisitos estabelecidos, uma vez que é a concedente a beneficiária da exclusão, cabendo a esta, assi m, comprovar o fato constitutivo de seu direito àquela, prevista na referida alínea "i", afastand o, desta forma, a relação de emprego. E prosseguiu o relator: Aplicando tais considerações especificamente quanto ao caso sob análise, entendo que, uma vez tendo se limitado a concedente a apre sentar os Termos de Compromisso de Estágio sem qualquer comprovação de matrícula e frequ ência regular e de compatibilidade de atividades e acompanhamento efetivo, não se desincumbiu aquela concedente satisfatoriamente do ônus supra, qual seja, de comprovação de cumprimento dos requisitos estabelecidos nos §§1o ., 2o . e 3o . do art. 1o da Lei no . 6.494, de 1977, à luz do referido Decreto regulamentador, que restaram, assim, violados, alinhandome aqui ao entendimento da autoridade julgadora de 1a . instância, cujo excerto abaixo é adotado aqui como razão de decidir adicional quanto à matéria: (...) Por todo o fundamentado acima, estou convicto de que a relação havida entre os "estagiários" e o recorrente não se dera, exclusivamente, no âmbito da prática de estágio supervisionado, tal como prevista na Lei 6.494/77. Com efeito, VOTO por CONHECER o recurso apresentado e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Voto Vencedor Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Redator Designado Com o devido respeito ao bem fundamentado voto do ilustre relator, divirjo do seu entendimento no tocante à decadência e ao mérito. 1. Da decadência Fl. 312DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 313 17 Relativamente à decadência, o prazo do art. 150, § 4º, do CTN, é igualmente considerado como um prazo de homologação tácita do lançamento por homologação (ou recolhimento por homologação). Ali está estabelecido que o lançamento por homologação ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, o qual é homologado tacitamente pelo decurso do prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. No caso concreto, as contribuições estão sujeitas ao lançamento por homologação e a contribuinte fez o pagamento antecipado dos valores que entendia devidos. Tal recolhimento antecipado, a propósito, é calculado e efetuado sobre a folha de salários (ou folha de pagamentos) como um todo, e não empregado por empregado, tanto que levado a cabo numa única guia de recolhimento, por competência e por código, e não por pessoa física. Esse recolhimento antecipado, por óbvio, viabiliza a atividade homologatória pelo fisco e inexiste qualquer critério legal que permita concluir que o lustro decadencial seja aferido por trabalhador. E como afirmado pelo ilustre conselheiro relator, a recorrente, por meio de petitório apresentado em 22.07.2015, acostou aos autos cópias de GPS recolhidas pelo CNPJ 61.472.676/000172, sob o código 2100 Empresas em Geral; e, com o devido respeito ao entendimento da relatoria, entendemos que o recolhimento antecipado a que se refere o art. 150, § 4º, do CTN, a Súmula CARF 99 e o recurso repetitivo nº REsp 973.733/SC, é o recolhimento antecipado da exação, considerandose a folha de pagamento como um todo, e não a folha de pagamento por funcionário. Vejase, primeiramente, o julgado do STJ em sede de recurso representativo de controvérsia, o qual alude ao recolhimento antecipado da exação: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 313DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 314 18 [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) Vejase, em segundo lugar, a Súmula CARF 99, a qual alude expressamente ao "valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador", sendo iniludível que houve o citado recolhimento antecipado pelo contribuinte nos fatos geradores nas competências: Súmula CARF nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Insistase que as contribuições em referência são incidentes sobre a folha de salários, na dicção do art. 195, inc. I, alínea a, da CF. Quer dizer, a totalidade da folha deve ser indubitavelmente considerada, inexistindo, ainda, qualquer critério legal que permita concluir que a aferição dos recolhimentos parciais seja feita por empregado ou mesmo por parcela relativa à rubrica especificamente exigida no auto de infração. Logo, entendo que houve sim recolhimentos parciais. Por fim, também entendo que não houve dolo, fraude ou simulação, uma vez que a recorrente agiu de acordo com um modo de proceder que entendeu ser lícito (remuneração de estagiários em conformidade com a Lei 6494/77). Ademais, e como se verá no mérito, a recorrente não só não agiu com dolo, fraude ou simulação, como também agiu de acordo com a lei que regulamentava o estágio à época dos fatos geradores. Logo, quando o lançamento foi notificado ao sujeito passivo, em 19/12/2008, já havido transcorrido o prazo decadencial até a competência novembro/2003, devendo ser acolhida a preliminar de decadência. 2. No mérito No tocante ao mérito, o recurso deve ser provido. Em caso reflexo ao presente, vez que decorrente do mesmo procedimento fiscal e dos mesmos elementos de prova (art. 6º, § 1º, inc. III, e § 8º, do RICARF), a colenda 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento, no PAF 16327.001893/200823, da mesma contribuinte, deu total provimento ao seu recurso, filiandose na tese acolhida pelo então conselheiro do CARF, MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, nos acórdãos 2202 003.727, 2202003.728 e 2202003.729, que igualmente adoto como razões de decidir: "Um documento básico a ser analisado é o convênio firmado entre o contribuinte e o CIEE, cuja cópia está acostada nas Fl. 314DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 315 19 folhas 91 e seguintes. Além do contribuinte aqui sucedido, o Banco Santander Brasil S/A (CNPJ 61.472.676/000172), participaram do mesmo termo de convênio outras instituições, como o BANCO do ESTADO DE SÃO PAULO S/A BANESPA CNPJ/MF.: 61.411.633/0001787. Este Conselho já tratou da questão, no Acórdão 2403002152, Sessão de 17 de julho de 2013, processo 16327.001895/200812, onde o contribuinte era o mesmo Banco Santander S/A, porém lá como sucessor do Banco do Estado de São Paulo BANESPA, acima citado. No Voto, o Conselheiro relator Ivacir Júlio de Souza, assim dispôs, em resumo: 1 Anuindo o Relatório Fiscal na condução do voto “ ad quod ”, o I. Julgador entendeu que não estavam presentes os requisitos materiais e formais exigíveis na lei de regência n.° 6.494, de 07/12/1977. 2 Dado que consta de reiteradas intimações a apresentação dos documentos constantes na cláusula 2 do sobredito convênio, é lícito concluir que a Autoridade autuante não desconhecia que a referida cláusula define obrigações do CIEE e não da Recorrente. As obrigações da Recorrente no referido Convênio estão elencadas na cláusula 3 do documento em apreço e não foram motivo de questionamento sugerindo, pois adimplidas. 3 Em complemento ao acima, no item 3.1 do Relatório Fiscal, o Auditor Fiscal registra que o Contribuinte apresentou CONVÊNIO NACIONAL, firmado com o Centro de Integração Empresa Escola – CIEE. No item 3.2.2 o CIEE está como interveniente em todos os contratos assinados entre as partes, a Autoridade autuante afirmou que existiram pontos em desacordo com a legislação. O sujeito passivo é uma instituição financeira, entretanto, mesmo sublinhando que seria obrigação da Instituição de ensino, o Auditor Fiscal baseou a autuação no Art. 9° , “h” do Decreto n° 3.048 de 06 de maio de 1999. 4 Do despacho no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, a devolução dos documentos ali referidos faz prova de que constataramse produzidos os, também, exigíveis Termos de Compromisso de Estágio acompanhados dos respectivos relatórios. Observa este Relator, a seu turno, que nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, a Autoridade Fiscal fez constar a seguinte observação: Toda documentação solicitada, a qualquer momento, aplicase a todas as empresas incorporadas no período, quando não nomeada na solicitação. Prosseguindo, na análise constante do Acórdão 2403002152: 5 A ação fiscal teve início em 18/10/2007 e encerramento em 19/12/2008. No curso da referida ação, dispondo sobre o estágio de estudantes, a Lei n° 11.788, de 25 de setembro de 2008 Fl. 315DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 316 20 alterou a redação do art. 428 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, e a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996; revogou as Leis nos 6.494, de 7 de dezembro de 1977, e 8.859, de 23 de março de 1994, o parágrafo único do art. 82 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e o art. 6o da Medida Provisória no 2.16441, de 24 de agosto de 2001. Na nova Lei, o legislador reiterou de forma mais objetiva os aspectos que suscitaram a motivação do lançamento em comento, realçando que o que se pretende com o estágio é fazer com que o educando desenvolva competência próprias da atividade profissional. Desse modo, entendeuse que efetuar os trabalhos típicos dos empregados da empresa concedente não se caracteriza desvio do aprendizado. 6 Ressaltando quais são as obrigações das instituições de ensino, o sobredito destaque do inciso IV do caput do art. 7° revela que o relatório das atividades exigido na ação fiscal é exigência que se faz ao educando com a apresentação periódica, em prazo não superior a 6 (seis) meses, verbis: Art. 7o São obrigações das instituições de ensino, em relação aos estágios de seus educandos: I – celebrar termo de compromisso com o educando ou com seu representante ou assistente legal, quando ele for absoluta ou relativamente incapaz, e com a parte concedente, indicando as condições de adequação do estágio à proposta pedagógica do curso, à etapa e modalidade da formação escolar do estudante e ao horário e calendário escolar; II – avaliar as instalações da parte concedente do estágio e sua adequação à formação cultural e profissional do educando; III – indicar professor orientador, da área a ser desenvolvida no estágio, como responsável pelo acompanhamento e avaliação das atividades do estagiário; IV – exigir do educando a apresentação periódica, em prazo não superior a 6 (seis) meses, de relatório das atividades; 7 Não obstante tudo que foi exposto, transcreveuse parte do Relatório fiscal onde a Autoridade autuante registra que todos os estagiários executam sua tarefas ao abrigo do Termo de compromisso o qual tem sido equivocadamente tratado como contrato de estágio : “...os estudantes atuarem oficialmente na empresa por meio de um contrato de estágio, os indícios apurados ...” 8 Cumpre ressaltar que o Decreto n° 87.497, de 18 de agosto de 1982, regulamentou a exortada Lei n° 6.494/77 e no art. 4° do referido diploma fica definido que cabe às instituições de ensino e não as empresa que concedem os estágios regularem entre outras questões a sistemática de organização, orientação, supervisão e avaliação de estágio curricular, fatos geradores que como destacado alhures motivaram o auto em comento. 10 Aduz que o art. 6º do mesmo sobredito diploma define que a realização do estágio curricular, por parte de estudante, não acarretará vínculo empregatício de qualquer natureza. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 317 21 Caracterizando como Termo de compromisso, afastando assim hipótese de relação trabalhista, o legislador evitou denominar de contrato o pacto entre as partes e no § 1º do art. supra acentua que o Termo de Compromisso será celebrado entre o estudante e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, com a interveniência da instituição de ensino, e constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício. 11 Desse modo, entendeuse que as exigências legais previstas na lei n° 6.494/77, regulamentadas pelo Decreto n° 87.497, de 18 de agosto de 1982 foram todas cumpridas pela Recorrente. A exigência fiscal ora em apreço é da responsabilidade das Instituições de ensino, como acima se verificou. 12 Foi citado o entendimento do TST, 3ª Turma: Acórdão do processo Nº RR 46643337.1998.5.09.5555, 21/10/1998 Estágio relação de emprego. Não forma vínculo de emprego o estagiário que firma termo de compromisso, de acordo com a Lei nº 6.494/77, tendo em vista que a admissão no Banco do Brasil se dá exclusivamente através de aprovação em concurso público, nos termos do art. 37, inciso II, da Constituição Federal de 1988.” Para destacar que: Sobre o voto supra, destacando que a relação jurídica entre o estagiário e o Banco é de natureza civil, achandose disciplinada pela Lei nº 6.494/77 e, havendo quaisquer irregularidades na execução do estágio, as mesmas devem ser resolvidas entre o estagiário e/ou estabelecimento de ensino, no presente caso, o CIEE, ACORDAM os Ministros da Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, unanimemente, conhecer da Revista, por violação ao art. 37, inciso II, da Constituição Federal e, no mérito, darlhe provimento para declarar inexistente o vínculo empregatício. Novamente a seu turno, observa este Relator que ao analisar o caso com o Banespa Banco do Estado de São Paulo, sociedade anônima, o Conselheiro relator do voto que aqui se toma como paradigma usou ainda o argumento da necessidade de ingresso na sociedade de economia mista do Estado se dar por concurso público, conforme previsto na CF/88. Aqui, o Banco sucedido não tinha o capital majoritariamente pertencente ao Estado e tais argumentos, especificamente, não se aplicam. Prosseguindo nas razões daquele voto: 13 A Lei nº 6.494, de 07.12.77, ao dispor sobre o estágio, estabeleceu em seu art. 4º que "o estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza". No art. 3º exige que haja termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com a interveniência obrigatória da instituição de ensino. Tudo isto posto, entendeuse que a relação jurídica entre Fl. 317DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 318 22 o estagiário e o Banco é de natureza civil, à época dos fatos, disciplinada pela Lei nº 6.494/77 revogada pela Lei n° 11.788/2008. Portanto, eventuais hipóteses de irregularidades na execução do estágio, deveriam ser resolvidas entre o estagiário, as instituições de ensino e o agente interveniente, o CIEE. 14 A Autoridade autuante, afirmando ser de interesse, registrou nos item 8.1.2 e 8.1.3 manifestações classistas que não motivam o auto quer pela evidente politização da questão, quer por serem supervenientes aos fatos geradores, como o caso do congresso do ano de 2008. 15 Concluiu então aquele Relator que: Por experiência própria vivenciada em dois momentos em empresas diferentes, durante minha formação, no terceiro grau , eu mesmo fazia questão ainda que na condição de estagiário, de aprender e realizar o máximo possível das tarefas realizadas pelos empregados, de preferência as mais complexas pois do contrário teria passado a maior parte do tempo em absoluta inatividade. Tudo isto sopesado, compulsado os autos, não alcancei desnaturados os termos de compromisso pactuados entre os estagiários, a Recorrente, o Interveniente CIEE e as instituições de ensino que ensejasse caracterizar relação de emprego “stricto sensu ”. Trazendo a esta lide os argumentos acima expostos, os quais se amoldam perfeitamente, entendo, em suma, que foram realizados os termos devidos, com interveniência do CIEE e das instituições de ensino (fl. 98 e ss.) e concluo da mesma forma que foi feito no Acórdão 2403002152, aqui repetidamente citado. CONCLUSÃO. Em conclusão, VOTO por reconhecer a decadência do lançamento tributário até a competência 11/2003, inclusive e, no mérito, por dar provimento ao recurso voluntário." Assim, por compreender que a relação jurídica entre o estagiário e o Banco é de natureza civil, achandose disciplinada pela Lei nº 6.494/77 (vigente à época dos fatos geradores), não deve ocorrer a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela contribuinte aos estagiários. Ademais, não verifico que no caso concreto tenham sido descumpridos os requisitos da legislação, razão pela qual não deve ser mantido o lançamento em questão. Portanto, se não restarem desnaturados os termos de compromisso pactuados entre os estagiários, a Recorrente, o Interveniente CIEE e as instituições de ensino, não se caracteriza relação de emprego “stricto sensu”. Logo, cumpridas as exigências da cláusula 3ª do Convênio com o Fl. 318DF CARF MF Processo nº 16327.001894/200878 Acórdão n.º 2402006.739 S2C4T2 Fl. 319 23 Centro Integrado Empresa Escola CIEE, agente interveniente entre o concedente do estágio e o educando, descabe tutela. Por fim, importa referir os seguintes acórdãos deste Conselho cujo resultado do julgamento foi no mesmo entendimento acima exposto: 2403002.152, 2403002.153, 2403002.154, 2202003.728 e 2202003.729. Acrescento ainda que a apresentação dos termos de compromisso a que alude o art. 3º da revogada Lei 6494/77 e do Convênio Nacional firmado com o CIEE demonstram que o sujeito passivo, a rigor, estaria cumprindo o disposto na legislação, de forma a impor à autoridade fiscal o ônus de comprovar que os estágios não estariam propiciando a complementação do ensino e da aprendizagem. A despeito disso, a autoridade administrativa afirmou que a recorrente é quem não teria comprovado o planejamento, o acompanhamento, a orientação, a frequência escolar, etc. Ademais, e como já dito, tais pontos, que supostamente estariam em desacordo com a legislação, eram de incumbência e de verificação das instituições de ensino, e não da concedente dos estágios, como está claro no Convênio Nacional firmado. E nem poderia ser diferente, pois a frequência escolar, por exemplo, somente pode ser aferida de forma inconteste pela instituição educacional, e não pelo sujeito passivo. Por outro lado, e no entender deste conselheiro, não poderia a autoridade autuante e nem o ilustríssimo relator tomar como fundamento de suas razões as notícias propagadas por partes direta e economicamente interessadas no eventual resultado da lide, a exemplo da Associação de Funcionários e da CUT. Quer dizer, somente um exame in loco poderia constatar, a par de outras provas, que os fins colimados pela Lei 6494/77 teriam sido desatendidos. 3. Conclusão Por tais razões, e no mérito, ouso divergir do brilhante voto do conselheiro relator, para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 319DF CARF MF
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