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Numero do processo: 19515.003985/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. CONFIRMAÇÃO DE RECOLHIMENTOS NO PERÍODO (ESTIMATIVAS). INCIDÊNCIA DO ART. 150 §4º DO CTN. EXTINÇÃO CONFIRMADA.
Quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, se ausente a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação e o contribuinte realiza o respectivo pagamento antecipado ou parcial, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo artigo 150, § 4°, do CTN.
Numero da decisão: 1402-003.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. CONFIRMAÇÃO DE RECOLHIMENTOS NO PERÍODO (ESTIMATIVAS). INCIDÊNCIA DO ART. 150 §4º DO CTN. EXTINÇÃO CONFIRMADA. Quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, se ausente a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação e o contribuinte realiza o respectivo pagamento antecipado ou parcial, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo artigo 150, § 4°, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 39 85 /2 00 7- 38 Fl. 448DF CARF MF Processo nº 19515.003985/200738 Acórdão n.º 1402003.597 S1C4T2 Fl. 449 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 449DF CARF MF Processo nº 19515.003985/200738 Acórdão n.º 1402003.597 S1C4T2 Fl. 450 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 216 a 241), objeto de Contrarrazões da PGFN (fls. 281 a 306), interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo/SP (fls. 192 a 208) que manteve integralmente a Autuação sofrida pela Contribuinte (fls. fls. 62 e 77), negando provimento à Impugnação apresentada (fls. 93 a 119). Em resumo, a contenda tem como objeto lançamento de ofício de CSLL, referente ao anocalendário de 2002, fruto de fiscalização movida contra a empresa ABC Supermercados S/A, incorporada pela Contribuinte ora autuada, em face da relação de sucessão ocorrida, tendo como infração o aproveitamento total, quando do evento da sua extinção, do saldo de base de cálculo negativa da CSLL apurada em períodos anteriores, superando a limitação de 30% imposta pelo art. 58 da Lei nº 8.981/95 e pelo art. 16 da Lei nº 9.065/95. Em face de alegação de decadência integral dos créditos sob exigência, foram proferidas nos autos duas v. Resoluções (pela C. 3º Turma Ordinária da 1ª Câmara fls. 313 a 321 e por esta mesma 2ª Turma Ordinária fls. 333 a 339 ambas da C. 1ª Seção), a primeira visando à comprovação de pagamento espontâneo ou compensação homologada para cada uma das estimativas mensais de CSLL referentes ao anocalendário de 2002 e a segunda apenas para dar ciência à Recorrente de seu resultado, permitindolhe manifestação. Como mencionado, tendo em vista que tratase de retorno de diligência, anteriormente determinada através do v. Resolução nº 1402000.562, exarada por este mesmo N. Colegiado de 2ª Instância administrativa, repetese, a seguir, o mesmo relatório antes empregado: Adoto, integralmente, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 1617.552, proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo (DRJ/SPO1), em 23 de junho de 2008, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 68 e 69), lavrado em procedimento de fiscalização, para a constituição de crédito tributário de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL referente à empresa ABC Supermercados S/A, CNPJ 02.258.274/000100, incorporada pela contribuinte em epígrafe em 29/11/2002, conforme Ata da Assembléia Geral Fl. 450DF CARF MF Processo nº 19515.003985/200738 Acórdão n.º 1402003.597 S1C4T2 Fl. 451 4 Extraordinária de fls. 52 a 54, registrada na JUCESP em 17/12/2002. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 58 a 65), a fiscalização relata que a empresa ABC Supermercados S/A, relativamente ao período de apuração de 01 01/2002 a 29/11/2002, compensou integralmente a base de cálculo da CSLL apurada, no valor de R$152.333.777,82, com bases negativas de períodos anteriores, excedendo em R$106.633.644,54 o limite de 30% do lucro liquido ajustado, previsto na legislação. Sustenta a fiscalização que o fato de a empresa ABC Supermercados S/A ter sido incorporada não a exclui da limitação à compensação de bases negativas de CSLL imposta pelas Leis nos 8.981/95 e 9.065/95, visto que tais diplomas legais não prevêem exceções a essa regra. A fiscalização também ressalta a responsabilidade da sucessora pelos tributos devidos pela sucedida, bem como pela multa de oficio. Em decorrência dos fatos acima descritos, foi constituído o crédito tributário, nos valores a seguir discriminados (fls. 68): Cientificada da autuação em 07/12/2007 (fls. 68), a contribuinte apresentou, em 04/01/2008, a impugnação de fls. 86 a 112, acompanhada dos documentos de fls. 113 a 177. Preliminarmente, alega nulidade da autuação, em face da decadência do direito do Fisco de proceder ao lançamento. Argumenta que o evento de incorporação, ocorrido em 29/11/2002, precipitou o encerramento do período base, tendo sido, inclusive, apresentada DIPJ especial para refletir tal situação. Conclui assim que, tendo ocorrido o fato gerador em 29/11/2002, a decadência do direito de constituição do credito tributário se deu em 30/11/2007, nos termos do art. 150, §4°, do .CTN, data anterior A. ciência do auto de infração (07/12/2007). A impugnante também sustenta que, na hipótese de incorporação, deve ser permitida a compensação integral das bases de cálculo negativas acumuladas. Alega que a Lei n° 8.981/95 não veda o direito à dedução integral das bases de cálculo negativas acumuladas, mas apenas estabelece que tal dedução deve ser diferida, de modo que, a cada exercício e independentemente do montante das bases Fl. 451DF CARF MF Processo nº 19515.003985/200738 Acórdão n.º 1402003.597 S1C4T2 Fl. 452 5 negativas acumuladas, 70% do lucro seja oferecido à tributação pela CSLL. No caso de extinção da personalidade jurídica pela incorporação, sustenta a impugnante que não há que se falar em diferimento no aproveitamento das bases negativas da sociedade incorporada, pois o ano em que ocorre a incorporação é o último período que poderá ser auferido qualquer lucro tributável, passível de ser compensado em base negativas acumuladas. Assim, caso não seja aceita a compensação integral das bases de cálculo negativas de CSLL na data da incorporação, haverá tributação sobre o patrimônio da sociedade incorporada, o que não se pode admitir. A impugnante alega que a Constituição Federal, em seu artigo 195, I, V, outorga competência à União para instituir contribuição sobre o lucro, ou seja, sobre o acréscimo patrimonial da pessoa jurídica. Acrescenta que, de acordo com o art. 189 da Lei n° 6.404/76, os prejuízos acumulados devem ser deduzidos do resultado do exercício, regra que, no seu entender, também deve ser aplicada às bases de cálculo negativas da CSLL. Conclui, assim, que os artigos 42 e 58 da Lei n° 8.981/95 e os artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 são inaplicáveis As bases de cálculo negativas da CSLL apuradas por sociedade incorporada. A impugnante também contesta a informação contida no Termo de Verificação Fiscal de que o total de bases de cálculo negativas acumuladas era de R$131.790.140,21, alegando que o valor correto é de R$152.333.777,82, conforme consta da DIPJ. Em relação A. multa de oficio, alega a impugnante que sua exigência é indevida face ao disposto no art. 132 do CTN, que, no seu entendimento, estabelece que o sucessor responde apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão. Sustenta que, sendo sucessora por incorporação da empresa ABC Supermercados S/A, não pode ser responsabilizada pela multa de oficio exigida em razão de suposta infração cometida pela empresa sucedida, visto que o lançamento se deu após o evento da incorporação. Por fim, a impugnante se insurge contra a cobrança de juros moratórios calculados pela taxa SELIC, sob o argumento de que ela possui natureza remuneratória, não podendo ser utilizada como parâmetro para a exigência de juros moratórios. Acrescenta que referido índice não foi criado por lei, mas por Resolução do BACEN, o que ofende ao principio constitucional da legalidade, bem como ao disposto no art. 161, §1°, do CTN. Ante o exposto, requer a desconstituição do crédito tributário contestado e o cancelamento do auto de infração. Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 19515.003985/200738 Acórdão n.º 1402003.597 S1C4T2 Fl. 453 6 A decisão de primeira instância julgou improcedente o pedido da fiscalizada (efls. 192 208), mantendo integralmente o crédito tributário exigido. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCROLÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. LIMITAÇÃO A 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. INCORPORAÇÃO. A partir do anocalendário de 1995, a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL de períodos anteriores fica limitada a 30% do lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação. E cabível a exigência de oficio da contribuição incidente sobre a diferença compensada a maior na declaração final da incorporada, uma vez que não existe qualquer exceção ao limite imposto pela lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO. Na hipótese em que o recolhimento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação ocorre em desconformidade com a legislação aplicável, e, por conseguinte, procedese ao lançamento de oficio (CTN, art. 149), o prazo decadencial de cinco anos, nos termos do art. 173, I, do CTN, tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que esse lançamento (de oficio) poderia ter sido realizado. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como por eventual multa de oficio e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação. Inconformada com a improcedência de seus pedidos, a fiscalizada interpôs Recurso Voluntário (efls. 216241) a esta Colenda Turma, reiterando seus argumentos. Registrese,ainda, quanto ao trâmite processual, que foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN (efls. 282306), e que não há, no presente processo, Recurso de Ofício a ser apreciado. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 19515.003985/200738 Acórdão n.º 1402003.597 S1C4T2 Fl. 454 7 É o relatório. E estes foram os termos da v. Resolução determinada, redigida e subscrita pelo I. Relator, Demetrius Nichele Macei: No caso concreto, o contribuinte originário estava sujeito à apuração do lucro real anual e, desta forma, o fato gerador da CSLL só se consumaria no final do exercício ou, como no caso, na data do evento de extinção da pessoa jurídica pela ocorrência da já noticiada incorporação. Toda a CSLL devida durante o anocalendário de 2002, entre janeiro e novembro, seria informada como estimativa e, conforme contatado pelo i. Conselheiro André Mendes de Moura, confirmado por este Julgador, às p. 24 e 26 dos autos (Ficha 16 da DIPJ) há informação de apuração de estimativa mensal de CSLL a pagar para os meses de abril, maio, junho, julho, agosto, setembro e outubro/2002, mas não há documentos que comprovem o pagamento ou a compensação desses valores, razão pela qual o julgamento foi, na ocasião, convertido em diligência. A DRF de origem, cumprindo o quanto determinado no pedido de diligência, informou através dos documentos de p. 323 a 326 que não localizou pagamentos ou mesmo DCTFs indicando compensações das estimativas mensais indicadas na Resolução. Contudo, ainda que a pesquisa da DRF tenha sido infrutífera, o contribuinte deveria ter sido intimado do resultado das buscas para que pudesse, em sua própria contabilidade, buscar elementos de prova (DCTFs para indicação dos valores apurados e a forma de sua quitação, eventuais retenções na fonte e, ainda, pedidos de compensação), para atender ao quanto solicitado por esta Turma através da Resolução de p. 313/321 ou, não os possuindo, manifestarse ciente do resultado da diligência, de tal forma a que fosse garantido o devido processo legal e o direito ao contraditório. Insistese na correta conclusão da diligência para que se evite nulidades processuais e, principalmente, para que se defina elementos necessários para a aferição da forma correta de contagem do prazo decadencial, quais sejam, na forma no art. 150, § 4º, CTN, que seria benéfica ao contribuinte, ou na forma do art. 173, I, CTN, utilizada pela fiscalização para superar a prejudicial de mérito e levar a termo a autuação. Proponho, então, nova conversão do julgamento em diligência para que o contribuinte seja intimado da manifestação fiscal de efls. 323 a 326, na forma do parágrafo único, do art. 35, do Decreto 7.574/2011. É o voto. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 19515.003985/200738 Acórdão n.º 1402003.597 S1C4T2 Fl. 455 8 Devidamente encaminhado o processo à Unidade Local, a Contribuinte foi, então, intimada a se manifestar sobre o Relatório da primeira diligência determinada pela v. Resolução nº 1103000.114 e seu correspondente resultado, no qual não se identificou recolhimentos ou compensações de estimativas de CSLL no período de 2002, em nome da Contribuinte, apresentando Manifestação (fls. 365 a 444), esclarecendo equívoco na condução da pesquisa de tais pagamentos/compensações e trazendo cópias de Comprovantes de Arrecadação de estimativas de CSLL pagas pela empresa ABC Supermercados S/A (fiscalizada) no período. Na sequência, os autos foram sorteados e encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 19515.003985/200738 Acórdão n.º 1402003.597 S1C4T2 Fl. 456 9 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Reiterase que o Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Como se observa do relatório, o presente processo trata de Auto de Infração de CSLL, referente à compensação supostamente indevida de saldo de bases de cálculo negativas, acima da limitação de 30%, com a apuração positiva do mesmo tributo, pela ABC Supermercados S/A (fiscalizada), quando da sua extinção por incorporação pela Companhia Brasileira de Distribuição (Contribuinte autuada). Preliminarmente, em suas defesas, a Recorrente vem alegando a ocorrência de decadência, fulminando integralmente a exação em tela, diante do teor da regra contida no art. 150, § 4º, do CTN, que incidiria ao caso vez que trata a lide de tributo sujeito a lançamento por homologação, não havendo acusações de dolo, fraude ou simulação, tendo, também, devidamente procedido ao adiantamento de tal tributo no anocalendário de 2002. Nesse sentido, em 29/11/2002, a empresa ABC Supermercados S/A foi incorporada pela ora Recorrente e, naquele momento, apurou a CSLL devida no período correspondente a 01/01/2002 a 29/11/2002. Ao seu turno, a ciência (aperfeiçoamento) das Autuações ocorreu apenas em 07/12/2007, já após o quinquenio legal, revelando a caducidade extintiva dos débitos sob exigência, impostos contra a empresa sucessora. Como relatado, tal tese já foi anteriormente apreciada pelo I. Relator original neste E. CARF, o I. Conselheiro André Mendes de Moura, que reconheceu a necessidade de adoção no presente caso do entendimento estampado no julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, sob a sistemático do art. 543C do CPC/1973, em atenção ao art.62A do RICARF vigente à época, consignando a ausência de acusação de contundas fraudulentas, dolosas ou simuladas, bem como motivando a investigação determinada sobre a existência de recolhimento/compensações de adiantamentos de CSLL. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 19515.003985/200738 Acórdão n.º 1402003.597 S1C4T2 Fl. 457 10 Como se observa, a dúvida que impediu o julgamento meritório de tal alegação era a incerteza da existência de recolhimentos adiantados, ainda que parciais, de tal Contribuição no anocalendário de 2002. Pois bem, em obediência à primeira v. Resolução nº 1103000.114, a Unidade Local acostou aos autos telas do sistema SIEF(fls. 323 a 326), constando pesquisa de débitos e pagamentos da Contribuinte autuada (Companhia Brasileira de Distribuição, CNPJ nº 47.508.411/000156), que acusava não ter havido qualquer recolhimento ou compensação de estimativas de CSLL (cod. 2484), conforme questionado. Todavia, após a devida intimação da Contribuinte determinada pela v. Resolução nº 1402000.562 foi apresentada Manifestação, esclarecendo que a busca procedida pela Autoridade Fiscal foi equivocada, pois deveria ter se pesquisado tais débitos e pagamentos em nome da empresa fiscalizada (ABC Supermercados S/A, CNPJ 02.258.274/000100) e não da sua sucessora/incorporadora. Não obstante, junta, nessa mesma oportunidade, Comprovantes de Arrecadação, emitidos pelo próprio sistema da Receita Federal do Brasil, de estimativas de CSLL (cod. 2484) referente aos meses de junho, julho, agosto, setembro e outubro de 2002 (fls. 440 a 444). Como exemplo ilustrativo, confirase o trecho do documento de junho: Posto isso, não havendo necessidade de maiores recapitulações da questão, primeiro devese analisar se efetivamente houve equívoco na pesquisa efetuada pela Unidade Local em nome da própria Recorrente (Companhia Brasileira de Distribuição, CNPJ nº 47.508.411/000156), de modo a confirmar, contrario sensu, a relevância probatória dos Comprovantes de Arrecadação emitidos e trazidos aos autos em nome da empresa fiscalizada (ABC Supermercados S/A, CNPJ 02.258.274/000100). Entendese que é muito clara a presença de lapso na pesquisa efetuada. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 19515.003985/200738 Acórdão n.º 1402003.597 S1C4T2 Fl. 458 11 Ainda que o I. Relator à época não tenha especificado qual contribuinte seria objeto de tal busca, a obrigação tributária verificada, a infração apurada e o crédito tributário colhido são frutos de manobra empreendida procedida pela ABC Supermercados S/A, CNPJ 02.258.274/000100 e não pela sua sucessora. O próprio TVF deixa muito claro o objeto da fiscalização empreendida: O procedimento fiscal ocorreu em virtude da informação Fiscal 5 DEFIS — SPO DIPAC (01166972), referente ao saldo negativo da CSLL do ano — calendário de 2002, envolvendo a empresa CNN n°02.258.274/000100, "ABC Supermercados S/A", constante no processo do pedido de restituição de n° 11610.003918/200308, onde ficou constatada inconsistência na compensação da base negativa da CSLL de períodos anteriores da seguinte forma:(...) (fls. 62 destaque original) Ora, independentemente de tal patente fato estar fartamente registrado nos autos, é lógico (se não, obvio) que a CSLL aqui sob exigência é aquela devida pela companhia ABC Supermercados S/A, em face da sua própria apuração. Indo mais além, a prática dos fatos jurídicos tributários colhidos, a infração de se violar o limite de 30% na compensação com bases de cálculo negativas de períodos anteriores e a contração do débitos fiscal foram, exclusivamente, conduzidas por tal Supermercado. O fato do lançamento ter se dado em face da empresa Companhia Brasileira de Distribuição devese apenas em razão da sucessão ocorrida pela incorporação procedida, que presupõe a extinção da empresa incorporada, permitindo o Fisco, nos termos do art. 132 do CTN, cobrar tal dívida de pessoa jurídica já extinta (o próprio TFV às fls. 67 justifica a eleição do sujeito passivo com base em tal dispositivo e termos). Todos os elementos materiais do nascimento da obrigação tributária e apuração do crédito tributário colhido na Autuação em tela (inclusive a infração) referemse à empresa incorporada. A responsabilização da incorporadora não é elemento da fenomenologia da incidência dos tributos devidos pela incorporada. Tal forma de sujeição passiva operouse inclusive em momento posterior ao surgimento do próprio crédito tributário, pelo evento da sucessão. Dentro da lógica da tese acolhida no julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, exigise a existência de pagamento parcial (ou antecipação) do tributo sujeito ao lançamento por homologação para que se apure se, realmente, há efetivo objeto de homologação por parte do Fisco ou de eventual complementação por lançamento de ofício. E, Fl. 458DF CARF MF Processo nº 19515.003985/200738 Acórdão n.º 1402003.597 S1C4T2 Fl. 459 12 em havendo (diferenciandose então, concretamente, da postura exigida dos contribuinte em relação a outros tributos, sujeito à outras modalidades de lançamento) naturalmente aplicamse as normas especialmente dirigidas ao lançamento por homologação, como é o caso daquelas contidas no art. 150 do CTN. Dito isso, por razões lógicas, a verificação da existência de pagamento parcial ou antecipação deve observar a postura do contribuinte devedor de tal tributo. Desse modo, somente devese atribuir relevância jurídica para a determinação da modalidade da contagem do prazo decadencial às antecipações de tributos promovidas pela ABC Supermercados S/A. É indiferente ao tema a postura fiscal da Companhia Brasileira de Distribuição em relação à CSLL devida e paga ao longo de 2002. Assim, rejeitase a pesquisa procedida pela Unidade Local e reconhecese a procedência das alegações da Recorrente em Manifestação, bem como o valor jurídico das provas acostadas naquela oportunidade (requeridas espontânea, expressa e incidentalmente nessa lide pelo I. Relator original, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, não havendo em se falar em contrariedade ao art. 16, § 4º do mesmo diploma legal). Nesse sentido, para este Conselheiro, está plena e satisfatoriamente comprovado o adiantamento da CSLL devida no anocalendário de 2002, atraindo a prescrição do art. 150, § 4º, do CTN para a contagem do prazo decadencial dos créditos sob exigência, lembrando a ausência de acusações no feito de práticas dolosas, fraudulentas ou simuladas, já atestada pelo i. Relator original. Frisese que o Comprovante de Arrecadação emitido no sítio eletrônico da própria Receita Federal do Brasil revestese de prova hábil e inequívoca de recolhimento do tributo indicado em tal documento, não havendo, no presente caso, qualquer elemento que justifique o questionamento da sua idoneidade e veracidade. Dessa forma, dispensase, nesse caso específico, a sempre prudente realização de diligência para a confirmação de tal informação. A valoração de tais Comprovantes de Arrecadação para a simples comprovação do recolhimento de uma estimativa, dentro de um debate apenas de decadência, é extremamente objetiva, aproximando se (impropriamente) a uma prova tarifada. Muito menos, não se pode presumir falsidade ou lapso material no conteúdo de tais documentos o que também é contraproducente ao valor da celeridade processual administrativa. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 19515.003985/200738 Acórdão n.º 1402003.597 S1C4T2 Fl. 460 13 Considerando tudo aquilo acima exposto, fica claro que o crédito fiscal, ora sob exigência, foi atingido pela decadência e encontravase extinto, nos termos do art. 156, inciso V, do CTN, no momento do aperfeiçoamento do Auto de Infração lavrado contra a Contribuinte, devendo o lançamento de ofício ser cancelado integralmente. Diante do exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de decadência para dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando integralmente o lançamento de ofício. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 460DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900314/2008-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO.
A compensação de créditos tributários só é autorizada legalmente para créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.
Numero da decisão: 1001-000.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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COMPENSAÇÃO. A compensação de créditos tributários só é autorizada legalmente para créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação 817.38259.120804.1.3.042959, (e fls. 05/09), data de transmissão 12/08/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (24561 IRPJ Demais PJ/Ajuste anual, período de apuração AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 03 14 /2 00 8- 11 Fl. 47DF CARF MF 2 2003) com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ (Darf IRPJ do PA 31/12/2002, Receita 2390, no valor principal de R$ 1.141,93 e no valor total de R$ 1.442,02). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório (efl. 06), que analisou as informações e não reconheceu o direito creditório justificando que " não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal.". A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em que alegou que recolheu o DARF em questão com o código 2456, quando o correto deveria ser 2390, sendo que requereu fosse o mesmo corrigido. A manifestação de inconformidade foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0628.171 da DRJ/CTA, efls. 32/36). A decisão de primeira instância entendeu: houve aqui uma utilização totalmente equivocada do PER/DCOMP, pois ele se prestou a tentar corrigir os dados do Código de Receita aposto erroneamente em um DARF, quando em tais situações o procedimento correto é a utilização de um REDARF e não de um PER/DCOMP.; o interessado já providenciou o REDARF em 22/03/2005, conforme fls. 28, onde o Código de Receita já foi alterado, pelo processo 10940.000417/200529, de 2390 para 2456; o DARF de fls. 03, no valor principal de R$ 1.141,93, foi corretamente alocado ao Débito de IRPJ PA 31/12/2002, Receita 2456; referido pagamento encontrase totalmente alocado ao Débito que o próprio contribuinte considera o correto (IRPJ, PA 2002), por isso, não estando o pagamento disponível para qualquer compensação; Manifestação de Inconformidade não se presta para regularização de DARF e nem a atacar cobrança de débitos nascidos com a transmissão do PER/DCOMP. Cientificada da decisão de primeira instância em 24/09/2010 (efl. 40) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 23/10/2010 (efl. 41), em que repete os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. A Recorrente alega incorreu em erro na prestação de informações no PER/DCOMP. Ou seja, no caso presente pretendeuse modificar, após a apreciação do direito à compensação (despacho decisório), parte dos dados do DARF que geraria o crédito. Mas a retificação nesta condição é vedada pela legislação. Cabe destacar que depois de proferida a decisão administrativa não se admite a retificação da declaração de compensação, conforme disposto no art. 77 da IN RFB n° 900, de 30/12/2008, in verbis: Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10940.900314/200811 Acórdão n.º 1001000.947 S1C0T1 Fl. 48 3 Conforme registros anexados aos autos (efl. 445) o interessado já providenciou o REDARF em 22/03/2005, onde o Código de Receita já foi alterado, de 2390 para 2456, corretamente alocado ao Débito de IRPJ PA 31/12/2002. Se este são os dados corretos para o pagamento, não há crédito. Haveria se o recorrente provasse por registros contábeis que o pagamento foi equivocado, mas tal comprovação não foi trazida a estes autos. Cabe ainda assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Nesse sentido o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Ou seja, o contribuinte não trouxe aos autos as provas contábeis que comprovassem a disponibilidade integral do crédito o crédito. Com base no artigo 170 do CTN c/c art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720057/2017-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2012 a 31/12/2013
CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. IMUNIDADE NA EXPORTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A contribuição para o SENAR tem natureza jurídica de contribuição de interesse de categoria profissional, instituída com o objetivo de executar políticas de ensino da formação profissional rural e de promoção social do trabalhador rural. Nesse sentido, em não sendo contribuição social ou de intervenção econômica, não há que se falar da imunidade tributária insculpida no art. 149, § 2°., I, da CF/88.
Numero da decisão: 2402-006.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2012 a 31/12/2013 CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. IMUNIDADE NA EXPORTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A contribuição para o SENAR tem natureza jurídica de contribuição de interesse de categoria profissional, instituída com o objetivo de executar políticas de ensino da formação profissional rural e de promoção social do trabalhador rural. Nesse sentido, em não sendo contribuição social ou de intervenção econômica, não há que se falar da imunidade tributária insculpida no art. 149, § 2°., I, da CF/88.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior e Renata Toratti Cassini.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1930; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 3.273 1 3.272 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15868.720057/201752 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.741 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de novembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CLEACO AÇÚCAR E ÁLCOOL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2012 a 31/12/2013 CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. IMUNIDADE NA EXPORTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A contribuição para o SENAR tem natureza jurídica de contribuição de interesse de categoria profissional, instituída com o objetivo de executar políticas de ensino da formação profissional rural e de promoção social do trabalhador rural. Nesse sentido, em não sendo contribuição social ou de intervenção econômica, não há que se falar da imunidade tributária insculpida no art. 149, § 2°., I, da CF/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, por voto de qualidade, negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 57 /2 01 7- 52 Fl. 3273DF CARF MF Processo nº 15868.720057/201752 Acórdão n.º 2402006.741 S2C4T2 Fl. 3.274 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 3243/3265) em face do Acórdão n. 04 44.866 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) DRJ/CGE (efls. 3210/3232) que julgou improcedente a impugnação (efls. 3172/3203) e manteve o lançamento constituído em 29/08/2017 (efl. 3166) e consignado nos Autos de Infração de Obrigações Principais (AIOP): a) Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador valor total de R$ 23.208.963,63 sendo R$ 396.060,19 de Contribuição Risco Ambiental/Aposentadoria Especial (Código Receita DARF 2158), R$ 199.546,39 de juros de mora (calculados até 08/2017) e R$ 297.045,06 de multa proporcional (passível de redução); e R$ 9.901.512,29 de Contribuição Previdenciária sobre Comercialização de Produção Rural (Código de Receita DARF 4863), R$ 4.988.665,54 de juros de mora (calculados até 08/2017) e R$ 7.426.134,16 de multa proporcional (passível de redução) Período de Apuração (P.A) 01/08/2012 a 31/12/2013 efls. 2560/2574; e b) Contribuição para Outras Entidades e Fundos (SENAR) valor total de R$ 4.466.930,23 sendo R$ 2.002.666,56 de Contribuição Terceiros SENAR (Código de Receita 2187), R$ 962.263,82 de juros de mora (calculados até 08/2017) e R$ 1.501.999,85 de multa proporcional (passível de redução) Período de Apuração (P.A) 01/08/2012 a 31/12/2013 efls. 2575/2585 com fulcro nas seguintes infrações: i) comercialização da produção rural própria de agroindústria não oferecida à tributação; ii) comercialização da produção rural própria de agroindústria não oferecida à tributaçãoexportação indireta; iii) GILRAT de comercialização da produção rural própria de agroindústria não oferecido à tributação; iv) SENAR sobre a comercialização da produção rural produtor rural pessoa jurídica inclusive agroindústria contribuições devidas; e v) SENAR sobre a comercialização da produção rural produtor rural pessoa jurídica inclusive agroindústria contribuições devidas exportação direta, conforme discriminado no Relatório Fiscal (efls. 2586/3159). Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação (e fls. 3172/3203) em 28/09/2017 (efls. 3170/3171), julgada improcedente pela DRJ/CGE nos termos do Acórdão n. 0444.866 (3210/3232), com o entendimento sumarizado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL E PARA OS TERCEIROS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS RURAIS SUBROGAÇÃO. A aquisição de produtos rurais oriundos de produtores pessoas naturais ou intermediário, por pessoa jurídica, há subrogação desta como responsável tributário por substituição pelas contribuições sociais a SEGURIDADE SOCIAL e para TERCEIROS devidas pelos produtores pessoas naturais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do teor do Acórdão n. 0444.866 (3210/3232) em 17/01/2018 (e fl. 3239), a impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário (efls. 3243/3265) na data de 16/02/2018 (efl. 3241), alegando, em apertada síntese: i) impossibilidade de incidência da contribuição ao SENAR sobre receitas decorrentes de exportação imunidade tributária Fl. 3274DF CARF MF Processo nº 15868.720057/201752 Acórdão n.º 2402006.741 S2C4T2 Fl. 3.275 3 conferida pelo art. 149, § 2°., I, da CF/88; ii) imunidade tributária conferida às receitas decorrentes de exportações indiretas; iii) impossibilidade de incidência da contribuição ao SENAR sobre operações de exportação direta invalidade do § 3°., do art. 170 da Instrução Normativa RFB n. 971/2009; iv) invalidade do lançamento e da decisão recorrida quanto à contribuição prevista no art. 22A, incisos I e II, da Lei n. 8.212/1991; e v) invalidade da exigência da contribuição sobre as receitas de exportação. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. De plano, cabe ressaltar que o questionamento consignado no Recurso Voluntário (efls. 3243/3265) sobre a invalidade do lançamento e da decisão recorrida quanto à contribuição prevista no art. 22A, incisos I e II, da Lei n. 8.212/1991, correspondentes às infrações tipificadas por i) comercialização da produção rural própria de agroindústria não oferecida à tributação; ii) comercialização da produção rural própria de agroindústria não oferecida à tributação exportação indireta; e iii) GILRAT de comercialização da produção rural própria de agroindústria não oferecido à tributação, não foram objeto de impugnação (e fls. 3172/3203), e, desta forma, não foram apreciadas na decisão recorrida, constituindose assim indevida inovação recursal. Com efeito, a decisão recorrida registra a seguinte ocorrência, verbis: Não há impugnação especificada dos fatos geradores, fundamentos jurídicos, bases de cálculos e alíquotas das seguintes infrações dos lançamentos de fls. 2560 a 2574: ∙INFRAÇÃO: COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL PRÓPRIA DE AGROINDÚSTRIA NÃO OFERECIDA À TRIBUTAÇÃO ∙INFRAÇÃO: COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL PRÓPRIA DE AGROINDÚSTRIA NÃO OFERECIDA À TRIBUTAÇÃOEXPORTAÇÃO INDIRETA ∙INFRAÇÃO: GILRAT DE COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL PRÓPRIA DE AGROINDÚSTRIA NÃO OFERECIDO À TRIBUTAÇÃO A parte acima não contestada será considerada como matéria não impugnada, consoante o artigo 17, do DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim, o Recurso Voluntário (efls. 3243/3265), não obstante ser tempestivo e atender aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, é passível de conhecimento parcial, vez que o núcleo deste litígio concentrase unicamente na possibilidade (ou não) de incidência da contribuição ao SENAR sobre receitas decorrentes de exportação (direta e indireta) em face da imunidade tributária conferida pelo art. Fl. 3275DF CARF MF Processo nº 15868.720057/201752 Acórdão n.º 2402006.741 S2C4T2 Fl. 3.276 4 149, § 2°., I, da CF/88, observandose ainda o disposto no art. 170, caput e §§ 1°., 2°., e 3°., da Instrução Normativa RFB n. 971/2009. Muito bem. A decisão recorrida, ao enfrentar os argumentos do sujeito passivo, em sede de impugnação, limitouse a referendar o lançamento em litígio, nos seguintes termos: Quanto ao lançamento de fls. 2575 a 2585, a Administração Pública deve seguir o Princípio da Legalidade previsto no artigo 37, da Constituição da República Federativa do Brasil, como também, a atividade de lançamento é vinculada, conforme o artigo 142, do Código Tributário Nacional, in verbis: [...] E a Autoridade Lançadora, também, está vinculado a legislação tributária, conforme a conceituação do artigo 96, da LEI Nº 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966, Código Tributário Nacional, conceitua a extensão da expressão "legislação tributária", in verbis: [...] De forma que o lançamento está em conformidade com os fundamentos insertos nos Autos de Infração de fls. 2560 a 2585 e RELATÓRIO FISCAL fls. 2586 a 2593 período de 08/2012 a 12/2013, conforme o artigo 170, da INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 971, DE 13 DE NOVEMBRO DE 2009, que dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação das contribuições sociais destinadas à Previdência Social e as destinadas a outras entidades ou fundos, administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), in verbis: [...] Ademais, o impugnante não trouxe aos autos provas de que a produção foi comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior, por meio de documentos idôneos, pois o ônus probatório é de quem alega, consoante os artigos 28 e 57, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, in verbis: [...] A Recorrente, por sua vez, repisa no Recurso Voluntário (efls. 3243/3265), os argumentos já aduzidos na peça impugnatória (efls. 3172/3203), com espeque na impossibilidade de incidência da contribuição ao SENAR sobre as receitas decorrentes de exportação (direta e indireta), em virtude da imunidade tributária conferida pelo art. 149, § 2°., I, da Constituição Federal (CF/88) e no caput do art. 170 da Instrução Normativa RFB n. 971/2009, discorrendo, inclusive, sobre o tratamento restritivo ao benefício fiscal de natureza constitucional assinalado nos §§ 1°., 2°., e 3°., do retrocitado dispositivo infralegal, oportunidade em que denuncia afronta deste ao comando constitucional, destacando: [...] 19. Este é o ponto fulcral da presente questão: a imunidade do artigo 149, §2º, inciso I, da CF, incide sobre o resultado decorrente da exportação, e não sobre a operação de exportação em si. Em outras palavras, todo o resultado (receita) que decorrer de exportação não pode ser alcançado por qualquer contribuição social Fl. 3276DF CARF MF Processo nº 15868.720057/201752 Acórdão n.º 2402006.741 S2C4T2 Fl. 3.277 5 ou de intervenção no domínio econômico, notadamente, para o que interessa ao presente caso, a contribuição ao SENAR, independente do fato gerador da exação. [...](grifos originais) Nos tópicos seguintes, entitulados III.2 Da imunidade tributária conferida às receitas decorrentes de exportações indiretas da necessária interpretação teleológica do art. 149, § 2°., I, da CF; e III.3 Da Impossibilidade de incidência da contribuição sobre operações de exportação direta – Invalidade do § 3º, do art. 170, da IN RFB n. 971/2009, prossegue a Recorrente na mesma linha de entendimento acima esposada, relacionandoa, de forma mais específica, às modalidades de exportação indireta e direta, que dizem respeito aos processos adotados pela Recorrente para a realização de suas exportações. Nessa perspectiva, a Recorrente entende que a contribuição ao SENAR tem natureza jurídica de contribuição social, e, desta forma, não pode incidir sobre receitas decorrentes de exportação em razão da imunidade conferida pelo art. 149, § 2°., I, da CF/88, conforme se depreende da leitura dos tópicos 60 a 65 do Recurso Voluntário (efls. 3243/3265), infra reproduzidos: 60. É inequívoco, pois, que o SENAR tem a mesma função e objetivos que informa o denominado “Sistema S”, já que visa “o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural”. Diante desse quadro e tendo em vista, também, o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 138.284/CE, é inexorável que a contribuição ao SENAR possui a mesma natureza jurídica das demais contribuições do “Sistema S", ou seja, natureza jurídica de contribuição social, a qual não pode incidir sobre receitas decorrentes de exportação em razão da imunidade conferida pelo artigo 149, §2º, I, da Constituição Federal.(grifos originais) 61. Reforça tal premissa o fato de que o Supremo Tribunal Federal, ao apreciar a liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.9241, a qual trata da constitucionalidade da contribuição destinada a custear a SESCOOP, confirmou o entendimento ora assinalado no sentido de que a contribuição do SENAR teria a mesma natureza jurídica das demais contribuições do “Sistema S”, não fazendo qualquer restrição à alteração da base de cálculo da referida contribuição. 62. Naquela assentada, a contribuição ao SENAR foi tratada da mesma forma como as demais contribuições ao “Sistema S”. Observese, nesse propósito, a ementa do respectivo julgado: [...] 63. As ponderações acima aduzidas conduzem à inafastável constatação de que, como já dito, o SENAR não possui qualquer função fiscalizatória ou representativa de qualquer categoria profissional ou econômica. Suas funções, na verdade, se limitam aos desígnios constitucionais contidos no artigo 170 e seguintes da Constituição do Brasil, que se amoldam de forma precisa na definição de intervenção no domínio econômico. 64. Em suma, as finalidades da contribuição ao SENAR não guardam qualquer relação com a contribuição de interesse de categorias profissionais, já que estas devem fiscalizar ou regular o exercício de determinadas atividades profissionais ou econômicas, bem como representar, coletiva ou individualmente, categorias profissionais, defendendo seus interesses, e o SENAR tem como escopo a organização, administração e execução do ensino da profissão rural e da promoção do trabalhador rurícola, jamais sua fiscalização ou representação profissional. Fl. 3277DF CARF MF Processo nº 15868.720057/201752 Acórdão n.º 2402006.741 S2C4T2 Fl. 3.278 6 65. Diante dessas premissas, temse como inválido o racional contido no §3º, do artigo 170, da IN RFB nº 971/2009, porquanto pretende impedir que a contribuição ao SENAR seja alcançada pela imunidade do artigo 149, §2º, inciso I, da CF, sob o argumento de que se trataria de uma contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, sendo que, conforme exaustivamente demonstrado acima, estáse a falar, na verdade, em contribuição social, a qual, consequentemente, deve guardar observância à imunidade em exame, mais uma razão pela qual merece reforma a decisão ora recorrida. Observase, assim, que se o referido tributo vier a ser considerado uma contribuição social ou uma contribuição de intervenção no domínio econômico, estará abrigado pela imunidade conferida pelo texto constitucional, não podendo, assim, ser exigido sobre as receitas decorrentes de exportação. De outra banda, na hipótese de se considerar como contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica, restará afastada a norma imunizante, havendo, por consequência, incidência da contribuição sobre as receitas decorrentes da exportação. De se observar que a contribuição em apreço destinase ao financiamento do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei n. 8.315/1991, em cumprimento ao art. 62 do ADCT da CF/88, e regulamentado pelo Decreto n. 566, de 10 de junho de 1992, e tem como objetivo organizar, administrar e executar, em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. A contribuição devida ao SENAR sobre a receita bruta da comercialização da produção, prevista no art. 3º. da Lei n. 8.315/91, art. 2º. da Lei n. 8.540/92 e na Lei n. 9.528/97, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001, é obrigatória, eis que a mesma possui natureza jurídica distinta e o STF declarou inconstitucional tão somente a contribuição devida à previdência social, não eximindo os produtores rurais pessoas físicas e jurídicas de efetuar o recolhimento da contribuição ao SENAR. É obrigação da empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ser subrrogadas na obrigação de reter e efetuar o recolhimento da contribuição ao SENAR do valor descontado do produtor rural pessoa física, sob pena de responsabilidade, nos termos do art. 11, § 5°., do Decreto n. 566/92, com a redação dada pelo Decreto n. 790/93. A doutrina de Leandro Paulsen (Curso de Direito Tributário:completo, 5.ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2013, p. 4244) assim leciona: Há situações em que o Estado atua relativamente a um determinado grupo de contribuintes. Não se trata de ações gerais, a serem custeadas por impostos, tampouco específicas e divisíveis, a serem custeadas por taxa, mas de ações voltadas a finalidades específicas que se referem a determinados grupos de contribuintes, de modo que se busca, destes, o seu custeio através de tributo que se denomina de contribuições. Não pressupondo nenhuma atividade direta, específica e divisível, as contribuições não são dimensionadas por critérios comutativos, mas por critérios distributivos, podendo variar conforme a capacidade contributiva de cada um. Designase simplesmente por "contribuições" ou por "contribuições especiais" (para diferenciar das contribuições de melhoria) tal espécie tributária de que cuida o art. 149 da Constituição. Já as subespécies são definidas em atenção às finalidades que autorizam a sua instituição: a) sociais, b) de intervenção no Fl. 3278DF CARF MF Processo nº 15868.720057/201752 Acórdão n.º 2402006.741 S2C4T2 Fl. 3.279 7 domínio econômico, c) do interesse de categorias profissionais ou econômicas e d) iluminação pública. (grifei) [...] O custeio dentre os integrantes do grupo a que se refere a atividade estatal é característica essencial às contribuições, denominandose referibilidade. Não pressupõe benefício para o contribuinte,mas que a ele se relacione a atividade enquanto integrante de um determinado grupo. [...] A referibilidade é requisito inerente às contribuições, sejam sociais, do interesse das categorias profissionais ou econômicas, de intervenção no domínio econômico ou mesmo de iluminação pública municipal. (grifei) [...] É importante ter em consideração, contudo, que o STJ, embora adotando entendimento que nos parece equivocado, tem diversos precedentes no sentido de que as CIDES não estariam sujeitas ao juízo de referibilidade, diferentemente das contribuições do interesse de categorias profissionais ou econômicas, estas sim sujeitas a tal critério.(grifei) Só não haverá propriamente um juízo de referibilidade condicionando a posição de contribuinte para as contribuições sociais de seguridade social, pois o art. 195 da Constituição, ao impor o seu custeio por toda a sociedade, estabeleceu expressamente uma especial solidariedade entre toda a sociedade, forçando, assim, uma referibilidade ampla ou global de tal subespécie. Pois bem. O art. 149, caput, e § 2°., I, da CF/88, assim se expressa: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (grifei) [...] § 2° As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o 'caput' deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional n° 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional n° 33, de 2001) [...](grifei) De se ressaltar que as contribuições sociais assinaladas no dispositivo constitucional acima transcrito não se confundem com aquelas voltadas à seguridade social, chamadas de contribuições sociais de seguridade social, previstas no art. 195 da CF/88, vez que destinamse a outras finalidades sociais que não a seguridade. São denominadas contribuições sociais gerais, sendo fundamental observar que as contribuições sociais não se esgotam nas de seguridade social, tendo um espectro bem mais largo, tendo em vista que podem ser instituídas para qualquer finalidades que busquem atingir os objetivos da ordem social. Nesse contexto, Fl. 3279DF CARF MF Processo nº 15868.720057/201752 Acórdão n.º 2402006.741 S2C4T2 Fl. 3.280 8 são contribuições sociais gerais aquelas destinadas à educação, à cultura, ao desporto e ao meio ambiente, por exemplo. Por sua vez, as contribuições de intervenção no domínio econômico (CIDE) visam a corrigir distorções ou a promover objetivos, com repercussão na atuação da iniciativa privada, pontualmente em determinado segmento da atividade econômica, guardando assim, estreita conexão com os princípios estabelecidos no art. 170 da CF/88. Já as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas são também denominadas de contribuições profissionais ou corporativas e compreendem, além das contribuições para os conselhos de fiscalização profissional e a contribuição sindical, também as contribuições ao Sistema S, que é constituído pelo SENAI, SENAC, SESI, SESC, SENAR, SEST, SENAT, SESCOOP e SEBRAE. Nesse sentido, assim preceitua Saul Tourinho Leal Ayres Britto Consultoria Jurídica e Advocacia (Tema Central: O regime constitucional do "Sistema S", 2018. Disponível em: <http://www.migalhas.com.br/arquivos/2018/4/art2018041603.pdf>. Acesso em: 27 de ago. 2018): 5.1. O art. 149 da Constituição confere à União a competência exclusiva para instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas. As contribuições ao Sistema S dimanam deste último grupo. Não são as contribuições sindicais cobradas de empregados e empregadores. Em comum, somente o fato de serem de interesse das categorias profissionais e econômicas. Há um conjunto de contribuições parafiscais instituídas por diferentes leis. Assim o Sistema se financia.(grifei) No mesmo diapasão, a doutrina de Leandro Paulsen (Curso de Direito Tributário:completo, 5.ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2013, p. 49): Também são consideradas contribuições do interesse de categorias econômicas as contribuições vertidas para os novos serviços sociais autônomos que atendem a setores específicos. São elas, por exemplo, as destinadas ao Serviço Social do Transporte (SEST) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENAT), criados por força da Lei 8.706/93, bem como a destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOP), criado por determinação da MP 1.715/98. (grifei) É oportuno destacar que as contribuições ao SEST, SENAT e SESCOOP são desmembramentos das contribuições ao SESC/SENAC e SESI/SENAI. No âmbito da jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4ª. Região (TRF4), destaco as decisões abaixo colacionadas: TRF4 APELAÇÃO CIVEL AC 50301731720174047100 RS 5030173 17.2017.4.04.7100 (TRF4) Data de publicação: 08/08/2018 Fl. 3280DF CARF MF Processo nº 15868.720057/201752 Acórdão n.º 2402006.741 S2C4T2 Fl. 3.281 9 Ementa: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. CRÉDITO CONSTITUÍDO POR AUTO DE INFRAÇÃO. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. CONSTITUCIONALIDADE. IMUNIDADE. ART. 149 , § 2º , I DA CONSTITUIÇÃO . 1.Não há decadência do crédito, pois não transcorridos mais de cinco anos entre o primeiro dia do exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado e a data da constituição definitiva do crédito tributário. 2. É devida a contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, instituída pelo artigo 25 , § 1 , da Lei 8.870 , de 1994, pelo empregador rural pessoa jurídica incidente sobre a comercialização de sua produção rural. 3. A contribuição para o SENAR é uma contribuição de interesse de categoria profissional, instituída com o escopo de executar políticas de ensino da formação profissional rural e de promoção social do trabalhador rural. Portanto, não sendo contribuição social ou de intervenção econômica, não há como fazer elastério da norma imunizante. 4. A imunidade das receitas decorrentes de exportação (art. 149 , § 2º , I , da CF 1988) somente alcança a contribuição social incidente sobre a comercialização da produção rural quando efetuada diretamente com adquirentes estrangeiros, não se estendendo às realizadas indiretamente, através de comerciais exportadoras. (grifei) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INSTITUÍDA PELA LEI Nº 8.870/94. ART. 25, INCISOS I E II. ART. 195, I E § 4º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.OFENSA AO ART. 154, I DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL/88 NÃO CARACTERIZADA.SENAR. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DA CATEGORIA ECONÔMICA. 1. O inciso I do art. 154 da CF/88, veda a instituição de contribuições sociais que sejam cumulativas e que tenham o mesmo fato gerador ou base de cálculo próprios daqueles discriminados na Constituição. 2. O § 4º do art. 195 referese à criação de novas espécies tributárias, que venham a instituir fontes de custeio diversas daquelas definidas nos incisos I a III do art. 195.3. O tributo instituído pelo art. 25 da Lei 8.870/94, não se trata de nova hipótese de fonte de custeio sendo apenas mais uma contribuição instituída com base no inciso I do art. 195 da CF, pelo que não está sujeita às limitações do art. 154, inc. I, da Constituição. 4. Restando a contribuição previdenciária sobre folha de salários dos empregadores rurais substituída pela contribuição sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, e tendo o art. 25 da Lei 8.870/94 promovido a mesma substituição em relação à contribuição de interesse da categoria econômica, não há qualquer inconstitucionalidade na contribuição instituída em favor do SENAR nos moldes do § 1º do art. 25 da Lei n.º 8.870/94.(TRF4 AMS: 2628 RS 1999.71.05.0026288, Relator: MARIA LÚCIA LUZ LEIRIA, Data de Julgamento: 18/06/2003, PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJ 16/07/2003 PÁGINA: 54) Em que pese situarse no nicho tributário do Sistema S, conforme já relatado, a contribuição para o SENAR apresenta significativa diferença quanto à base econômica, vez que esta incide sobre o resultado da produção agrícola ou sobre a receita bruta, enquanto que as demais incidem sobre a folha de salários. Nesse sentido, esclarece a i. Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz nos votos condutores dos Acórdãos n. 9202006.510 Sessão de 26/02/2018 2ª. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e n. 9202006.595 Sessão de 20/03/2018 2ª. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), cujos excertos, por relevantes, transcrevo a seguir: Fl. 3281DF CARF MF Processo nº 15868.720057/201752 Acórdão n.º 2402006.741 S2C4T2 Fl. 3.282 10 De fato, existem atividades econômicas que precisam sofrer a intervenção do Estado, a fim de que sobre elas se promova um fim fiscalizatório, regulando seu fluxo produtivo para a melhoria do setor beneficiado, não sendo essa a finalidade precípua das contribuições ao SENAR, cujo objetivo é organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais, servindo como fomento da atividade, por meio da educação. Cabe acrescentar que o fato gerador da contribuição debatida é a comercialização da produção rural e ocorre com a venda ou a consignação da produção rural; a base de cálculo é a receita bruta proveniente da comercialização de tal produção, o que destoa das demais contribuições destinadas ao Sistema S (SESI, SENAI...), as quais incidem sobre as folhas de salários. Nos mesmos acórdãos já referidos, assim conclui a i. Conselheira: Extraise, assim, que a contribuição ao SENAR, sendo esta desenvolvida para o atendimento de interesses de um grupo de pessoas (formação profissional e promoção social do trabalhador rural), inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica. Feitas essas colocações, entendo que; embora reflexamente as contribuições ao SENAR beneficiem a sociedade, no âmbito da educação e assistência aos trabalhadores rurais, bem como causem efeitos na economia, tendo em vista que a educação é pilar relevante no desenvolvimento de um país; em sua essência jurídica tal contribuição se presta, precipuamente, a atender uma categoria econômica específica, qual seja a dos trabalhadores rurais. Na mesma perspectiva, converge o art. 170, § 3°., da Instrução Normativa RFB n. 971/2009: Art. 170. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. § 3º O disposto no caput não se aplica à contribuição devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. (grifei) No entendimento da Recorrente existe evidente confronto entre os §§ 1°., 2°. e 3°. do supra referido art. 170 da IN RFB n. 971/2009 com o art. 149, § 2°., I, da CF/88, vez que, nas suas palavras, "os parágrafos subsequentes (1º, 2º e 3º) do dispositivo acima Fl. 3282DF CARF MF Processo nº 15868.720057/201752 Acórdão n.º 2402006.741 S2C4T2 Fl. 3.283 11 mencionado buscam imprimir um tratamento restritivo à benesse tributária em exame ao estabelecerem que a imunidade abrangeria apenas exportações diretas e que, por outro lado, não se aplicaria ao caso da contribuição ao SENAR." Todavia, essa discussão foge ao escopo desta análise, vez que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária, a teor do enunciado de Súmula CARF n. 2. Com fulcro nos argumentos, inclusive doutrinários e jurisprudenciais, ora delineados, entendo que está suficientemente sedimentada a natureza jurídica da contribuição devida ao SENAR como de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, uma vez preenchido o requisito da referibilidade consolidado no objetivo de executar políticas de ensino da formação profissional rural e de promoção social da categoria profissional trabalhador rural o que afasta, no caso concreto, a incidência da imunidade tributária insculpida no art. 149, § 2°., I, da CF/88. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário (efls. 3243/3265), para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 3283DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.900074/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
Ementa:
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
Numero da decisão: 3301-005.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 00 74 /2 01 3- 41 Fl. 81DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Tratase de pedido de compensação realizado pela contribuinte no PER/DCOMP 32175.03670.090113.1.7.046399, informando um recolhimento a maior na monta de R$ 17.224,69 (dezessete mil, duzentos e vinte e quatro reais e sessenta e nove centavos) à título de COFINS para o período de apuração 31/03/2009, transmitido em 09/01/2013 (fls. 1317). Para utilizar este "crédito", foi declarado um débito de COFINS de R$ 23.125,86 (vinte e três mil, cento e vinte e cinco reais e oitenta e seis centavos) supostamente devido para o período de apuração referente ao 4º trimestre de 2012, com vencimento em 31/01/2013. Em 01/02/2013 (fl. 18), a Secretaria da Receita Federal do Brasil proferiu despacho decisório indeferindo o crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição, verbis: Valor do crédito pleiteado no PER/DCOMP: 17.224,69 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 0205) para instaurar o contencioso administrativo, afirmando que houve seu crédito decorre do alargamento da base de cálculo da COFINS levada a efeito pelo art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, julgado inconstitucional pelo STF. Afirmou que seu crédito decorre de valores recolhidos de COFINS em 24/04/2009, cuja base de cálculo continha receitas financeiras e de aluguéis, não decorrentes de sua atividade de venda de mercadoria ou de prestação de serviços. Assim, para o período de apuração de 31/03/2009, com vencimento em 24/09/2009, a Recorrente elaborou DCTF informando um montante total de R$ 38.400,07 de COFINS e recolheu por DARF este montante, porém, argumentou que, deste montante, R$ 17.224,69 (dezessete mil, duzentos e vinte e quatro reais e sessenta e nove centavos) não são decorrentes de faturamento. Assim, utilizou deste montante para realizar a compensação ora em análise. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10580.900074/201341 Acórdão n.º 3301005.417 S3C3T1 Fl. 82 3 Em 21/06/2016, a 2ª Turma da DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do acórdão 0269.140 (fls. 2630), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em suas razões de voto, a DRJ trouxe os seguintes argumentos, importantes para o deslinde da causa: apesar da declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS, cabe ao interessado a prova de seu crédito. Em processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, devendo a prova do crédito ser realizada pelo contribuinte. deve a RFB não homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, notadamente com base em informações prestadas pelo contribuinte em declarações por ele entregues. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo confessado pelo próprio contribuinte, o indeferimento do pedido de restituição ou de não homologar a compensação por parte da RFB não merece reparos, pois, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. cita o Parecer Normativo Cosit nº 2/2015, segundo o qual a apresentação do PER/DCOMP sem a retificação prévia da DCTF gera o ônus ao contribuinte de ter de comprovar o crédito pleiteado, tarefa não desempenhada por este. Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário, que ora se analisa (fls. 3544), repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade acrescentando, em breve síntese, o que segue: a discussão sobre a existência de direito de créditos de COFINS sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento está superada. o dever do órgão julgador de instruir o processo, solicitando documentos, caso assim entenda como necessário para tomar sua decisão, nos termos dos artigos 29 e 36 da Lei º 9.784/1999. argumenta que esta possibilidade também está prevista no art. 27 e 29 do Decreto 70.235/1972. Fl. 83DF CARF MF 4 apresentou documentação para provar a liquidez e certeza de seu crédito DIPJ (fls. 6076). É a síntese do necessário Voto Conselheiro Relator SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição, portanto, merece conhecimento. Feita a síntese acima, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; iii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos. I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 1º trimestre de 2009. Desta feita, a DARF do período vinculada à COFINS foi utilizada para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.900074/201341 Acórdão n.º 3301005.417 S3C3T1 Fl. 83 5 Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. II) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manisfestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria: Fl. 85DF CARF MF 6 Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em sede de julgamento realizado em repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/1973, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Este entendimento, porém, nem é controvertido nos autos, pois admitido pela própria r. decisão guerreada. O fundamento para o não reconhecimento do crédito é a ausência de provas aptas a demonstrar sua liquidez e certeza. Desta feita, caso comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da COFINS no período em referência, demonstrandose a liquidez e certeza do crédito declarado pelo contribuinte, será de rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. É o que se passa a analisar. III) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no período de apuração em foco (1º Trim./2009), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. No entanto, em que pese a Recorrente ressaltar em seu Recurso Voluntário que a autoridade julgadora pode, de ofício, requerer a instrução do processo e que estas informações já são de conhecimento do Fisco, pois todas já declaradas por obrigações acessórias, por se estar diante de um pedido de compensação, o ônus da prova da legitimidade do crédito é de quem requer. Em seu recurso voluntário, a Recorrente trouxe aos autos a DIPJ do período, com informações sobre receita bruta. No entanto, não é possível identificar receitas financeiras e receitas de aluguel tal qual alegado pela Recorrente. Seria necessário a apresentação de outras provas, como demonstrativos contábeis, razão, ou mesmo contratos de aluguel, planilhas, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.900074/201341 Acórdão n.º 3301005.417 S3C3T1 Fl. 84 7 enfim. A DIPJ não possui força probatória isoladamente, desacompanhada de outros documentos oficiais, como registros contábeis e outros documentos fiscais, como o DACON. A afirmação de que o Fisco já detém todas as informações, por todas as obrigações acessórias já cumpridas, bastando baixar em diligência para verificar a informação também não é pertinente, portanto. Nos casos de pedido de restituição e de compensação, como dito, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) A Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu manifestação de inconformidade e recurso voluntário, qualquer prova documental hábil capaz de sustentar a veracidade e existência de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal). Não constam dos autos balancetes e demonstrações contábeis, nem mesmo DACON do contribuinte para evidenciar o quantum de receitas financeiras levadas à tributação da COFINS. Desta feita, diante da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese negar provimento ao presente recurso voluntário Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. Relator Conselheiro SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Fl. 87DF CARF MF 8 Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722545/2010-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1996 a 28/02/2001
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECONSTITUIÇÃO DE LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL. INDICAÇÃO DA NATUREZA DO VÍCIO NO ACÓRDÃO. TRANSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO POR OUTRO ÓRGÃO JULGADOR.
Não compete ao julgador mudar a natureza de vício já declarado por outro órgão julgador, e por conseguinte, declarar a decadência do lançamento, quando o processo anulado transitou em julgado com expressa indicação de tratar-se de vício formal.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. VÍCIO FORMAL.
Auto de infração com insuficiência na indicação dos fundamentos legais da exigência está eivado de vício formal e não material, mormente quando o relatório fiscal descreve adequadamente a infração, com a devida fundamentação legal.
Numero da decisão: 9202-007.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECONSTITUIÇÃO DE LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL. INDICAÇÃO DA NATUREZA DO VÍCIO NO ACÓRDÃO. TRANSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO POR OUTRO ÓRGÃO JULGADOR. Não compete ao julgador mudar a natureza de vício já declarado por outro órgão julgador, e por conseguinte, declarar a decadência do lançamento, quando o processo anulado transitou em julgado com expressa indicação de tratarse de vício formal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. VÍCIO FORMAL. Auto de infração com insuficiência na indicação dos fundamentos legais da exigência está eivado de vício formal e não material, mormente quando o relatório fiscal descreve adequadamente a infração, com a devida fundamentação legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 45 /2 01 0- 24 Fl. 365DF CARF MF 2 Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2403001.656, proferido na sessão de 16 de outubro de 2012, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1996 a 28/02/2001 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO ORIGINÁRIO POR VÍCIO MATERIAL. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º ou do art. 173, I do CTN, a depender da antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal; assim como quando o lançamento substituir um lançamento considerado nulo por vício material. Recurso Voluntário Provido A decisão foi assim registrada: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso em face de decadência por quaisquer dos critérios estabelecidos no CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Carolina Wanderley Landim. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Segundo o Relatório Fiscal (efls. 12 a 24) o lançamento objeto do processo destinase a formalização da exigência de “Contribuição Previdenciária DOS SEGURADOS QUE A EMPRESA DEVE RETER E RECOLHER AO INSS (Lei 8212/91 art 30 inciso I, letras “a” e “b”), devida por RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA e calculada por aferição indireta (...) na forma das legislações e normas instruídas no presente relatório fiscal”. E foi realizado com o objetivo de “restabelecer a exigência anulada por vício formal dos Lançamentos Fiscais constituídos pelas NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 35.067.6682 (levantamentos SC1 e SM1) e 35.067.6690 (levantamento SC2) conforme ementa da 4ª CAJ – CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS”, conforme ementa: Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.722545/201024 Acórdão n.º 9202007.309 CSRFT2 Fl. 3 3 “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDOSE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” O recurso visa rediscutir as seguintse matérias: a) Limites da coisa julgada – possibilidade de reapreciação pela Turma a quo da natureza do vício que anulou o lançamento anterior, p0ara fins de verificação da regra de contagem do prazo decadencial; b) Natureza do vício que ensejou a nulidade do lançamento, para fins de definição da regra de contagem do prazo decadencial. Em exame preliminar de admissibilidade, o Presidente da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo da Fazenda Nacional, nos termos do Despacho de efls. 247 a 251. Essa decisão foi ratificada por Despacho do Presidente do CSRF em reexame de admissibilidade (efls. 252) Por meio de petição de efls. 254 a 255, dirigida ao Presidente do Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, a Fazenda Nacional solicitou a revisão do despacho que deu seguimento parcial ao Recurso Especial, por alegado erro material. Em Despacho de efls. 258 o Presidente da Quarta Câmara da Segunda Seção do CARF indeferiu o pedido com fundamento na ausência de previsão regimental. Por meio da petição de efls. 260 a 262 a Fazenda Nacional reiterou o pedido anterior de revisão do Despacho de Admissibilidade por inexatidão material, o qual, desta feita, foi acolhido, dandose seguimento ao Recurso Especial em relação às duas matérias: a) Preclusão/coisa julgada administrativa e b) Natureza do vício. O Despacho acima foi submetido à apreciação do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF que corroborou a posição da Presidente da Quarta Câmara. Em suas razões recursais, a Fazenda Nacional aduz quanto à primeira mátria – Limites da coisa julgada administrativa – que a decisão tomada pelo CRPS acerca do tipo de vício que atingia o lançamento já fez coisa julgada administrativa; que eventual questionamento acerca do tipo de vício constante nas NFLDs originais já precluiu; que não tendo o contribuinte interposto, nos autos das NFLDs originais, recurso para questionar o tipo de vício que maculava o lançamento, restava inviável o reexame dessa matéria pelo Colegiado a quo; que a revisão de ofício de matéria transitada em julgado viola o principio da segurança jurídica; que, enfim, falecia competência ao Colegiado a quo para se pronunciar sobre essa matéria. Quanto à matéria “b” – natureza do vício – superada a discussão anterior, aduz que o entendimento exarado pelo acórdão recorrido de que a falta de indicação da fundamentação legal do arbitramento enseja a anulação do lançamento por vício material não merece prosperar, pois se trata de mera irregularidade na exteriorização do lançamento; que da leitura do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1.972 percebese que a Fl. 367DF CARF MF 4 indicação do fundamento legal do arbitramento constitui aspecto formal do lançamento; que à luz da doutrina, que cita, um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensável à existência do ato; que no caso sob análise, entendeuse que houve deficiência na indicação do fundamento legal do arbitramento; que a infração tributária, todavia, restou devidamente evidenciada nas NFLDs, que também se fizeram acompanhar dos devidos documentos comprobatórios dos fatos ali noticiados; que essa é a jurisprudência do CARF. Cientificado do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 21/09/2016 (Termo de Abertura de Documento, efls. 275) o Contribuinte apresentou, em 30/09/2016 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada, efls. 363), tempestivamente, as Contrarrazões de efls. 278 a 286 no qual aduz, em síntese, que “um ponto intransponível a obstar o conhecimento do presente recurso é o fato de que o acórdão recorrido acolheu a preliminar suscitada julgando procedente o recurso voluntário do contribuinte para aplicar a decadência total por qualquer critério do CTN”, nos termos do art. 67, § 2º do RICARF; que não restaram satisfeitos os pressupostos de admissibilidade; que, quanto ao mérito, aduz que a discussão sobre a contagem do prazo decadencial, embora relevante de maneira geral, não são essenciais ao deslinde da presente controvérsia, haja vista que o Recorrido não pode ser enquadrado como responsável solidário. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Não procedem as objeções levantadas pela Contribuinte nas suas contrarrazões, simplesmente porque não se aplica ao caso em apreço a restrição do § 2º, do art. 67 do RICARF. O referido dispositivo trata de decisão que anule decisão de primeira instância, o que não se tem neste caso. Aqui, a decisão cuja nulidade foi declarada é a de segunda instância. No mais, restaram efetivamente demonstradas as divergências apontadas do recurso. Quanto ao mérito, registrese, inicialmente, que a autuação objeto do processo se deu em razão de deliberação contida no Acórdão nº 748TCUPlenário, proferida no processo nº 019.636/20051, que determinou a revisão de ofício dos acórdãos que anularam os débitos previdenciários, e de que a Receita Federal deveria proceder às correções formais, restabelecendo a exigência e emitindo novo relatório de Fundamentos Legais do Débito ao Contribuinte, de modo a sanar o vício que motivou a nulidade apontada. Transcrevo, por pertinente à matéria ora em discussão, excertos do voto condutor do acórdão do nº 748TCUPlenário: Como se observa no Relatório que precede a este Voto, o processo em questão teve origem em denúncia versando sobre possíveis irregularidades ocorridas na anulação de diversas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLD, em todo Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.722545/201024 Acórdão n.º 9202007.309 CSRFT2 Fl. 4 5 o Brasil, pelo Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS. 2. Após ações de saneamento promovidas pela 4ª Secex, restou demonstrado que as anulações teriam ocorrido devido ao entendimento do CRPS de que faltou nas NFLD a indicação específica de normativo aplicável ao débito, prejudicando a ampla defesa do contribuinte. Baseouse, também, em dispositivo do Código Tributário Nacional CNT que impede o saneamento do débito após julgamento de primeira instância, razão pela qual mencionado Conselho teria concluído ser impossível salvar o débito, porque a falta cometida teria preterido o direito de defesa e comprometido a caracterização do fato gerador. [...] 5. Já o denunciante traz a tese de que tal razão não seria suficiente para anulação do lançamento, até porque os contribuintes sequer citam tal falta em seus recursos, e ainda, porque o artigo 33 da Lei 8.212/91 está indicado no relatório do fiscal e na capa do processo, só não havendo a indicação específica do § 3º (que diz que ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou a sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF, podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário). Acrescenta ainda que a falta do dispositivo poderia ser reparada com o envio ao contribuinte de relatório aditivo informando sobre tal parágrafo. 6. Entendo ser razoável o posicionamento defendido pelo denunciante no parágrafo acima. De fato existem meios, inclusive previstos no regimento do Conselho, que permitem suprir a falta de indicação completa do fundamento legal do lançamento e com isso evitar anulações desnecessárias e prejudiciais à Previdência. Como visto, a existência do débito não foi contestada e nem questionada. A única falha existente nos lançamentos anulados era formal, não sendo, portanto, razoável a adoção da decisão pela simples anulação, enquanto cabível a opção pelo saneamento. 7. Da mesma forma foi inadequada a utilização do Código Tributário Nacional CTN (artigo 203 do CTN), pois o referido dispositivo é aplicável à Dívida Ativa, isto é, a débitos em cobrança judicial, que não é o caso dos processos submetidos à apreciação do CRPS, que é instância administrativa. 8. Quanto à alegada impossibilidade de salvar o débito lançado, como visto, também não se sustenta. Nos casos em questão seria possível, sim, o saneamento dos processos, vez que não há vedação expressa ao encaminhamento posterior de relatório aditivo que indique termo faltante ao processo original. A anulação, nos termos das normas que regem o processo administrativo, somente se dá quando ocorre uma nulidade absoluta, a exemplo da lavratura de ato por pessoa Fl. 369DF CARF MF 6 incompetente, cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa, nãoobediência à forma prescrita em lei, mesmo assim nos casos em que o ato, se realizado de outro modo, não alcançar a finalidade, o que não ocorreu na hipótese ora em análise. [...] 18. Como visto na instrução à fl. 325, a unidade técnica propôs “que fosse determinado ao CRPS e à SRFB que, de modo a evitar a anulação definitiva dos débitos, com vistas a evitar prejuízos para a Administração, em respeito aos princípios constitucionais da eficiência, economicidade e legalidade, procedam, conjuntamente, ao saneamento dos processos listados nas fls. 71/102 e outros cujos débitos também tenham sido anulados pela falta do termo “§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91” no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, mediante os seguintes procedimentos: a) O CRPS, utilizandose da prerrogativa do artigo 53, § 1º, do Regimento Interno, bem como dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, recepcionado com força de lei, reverta as anulações e converta os processos em diligências; b) A SRFB proceda às correções formais quanto à inclusão do normativo aplicável e apresente novo relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD ao contribuinte, de modo a elidir a falha formal causa das anulações.” 19. Quanto à adequação da proposta, cabe inicialmente salientar que o CRPS é instância recursal administrativa, integrante da estrutura do Ministério da Previdência Social MPS, a qual compete decidir, em última instância, sobre recursos de interesse dos beneficiários e contribuintes do Regime Geral da Previdência Social. 20. Sendo órgão administrativo colegiado, suas deliberações são imputadas ao corpo deliberativo e não a cada qual de seus componentes. Suas decisões são terminativas na esfera administrativa. Apesar dessas características, não resta afastado o constitucional mister do TCU para exercer sobre o órgão a fiscalização de atos que envolvam recursos públicos federais ou qualquer procedimento que possa causar dano aos cofres públicos federais. 21. Partindo da análise dos princípios constitucionais envolvidos, observase que compete ao Tribunal de Contas da União não somente a proteção do Erário por danos diretos ou indiretos. Competelhe, também, ainda que não isoladamente, a guarda dos princípios da legalidade, da legitimidade, da moralidade e da economicidade (art. 37, cabeça, c/c os arts. 70 e 71 da Constituição Federal). [...] 24. Ante essas considerações, entendo pertinente acolher a proposta da unidade técnica quanto à determinação a ser efetivada ao CRPS e à SRFB para que procedam, conjuntamente, ao saneamento dos processos listados nas fls. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.722545/201024 Acórdão n.º 9202007.309 CSRFT2 Fl. 5 7 71/102 e outros cujos débitos também tenham sido anulados pela falta do termo “§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91” no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD. 25. No entanto, entendo pertinente realizar pequeno ajuste no que tange aos fundamentos da deliberação, visto que não se sustenta a proposta para que o próprio órgão proceda a anulação utilizandose das prerrogativas previstas nos os artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, visto que as deliberações cuja anulação se pretende foram adotadas pelo colegiado administrativo competente por provocação da parte passiva no exercício do contraditório e ampla defesa (esfera recursal). 26. O mais razoável é a utilização da competência deste Tribunal para o exercício do controle administrativo da legalidade dos atos praticados pelo CRPS, visto que restou comprovado que houve ilegalidade e lesão à Administração, podendo, portanto, este Tribunal, no exercício de sua função corretiva, assinalar prazo para que o Conselho em questão adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei (art. 45 da Lei nº 8.443, de 16 de julho de 1992), revertendo as anulações efetivadas e convertendo os processos em diligências, utilizandose da prerrogativa do artigo 53, § 1º, do Regimento Interno daquele conselho. 27. Acolho, também, a proposta no sentido de que a Secretaria da Receita Federal do Brasil SRFB proceda às correções formais quanto à inclusão do normativo aplicável e apresente novo relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD ao contribuinte, de modo a elidir a falha formal causadora das anulações. Registrese, todavia, que, posteriormente, atendendo a pedido de reconsideração interposto pelo Conselho de Recuros da Previdêrncia Social – CRPS, foi proferido pelo TCU novo Acórdão, de nº 2474/2010, na sessão de 22/09/2010, com o seguinte teor: ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão Plenária, com fundamento no art. 48 da Lei n° 8.443/1992 e diante das razões expostas pelo relator, em: 9.1. conhecer do presente pedido de reexame para, no mérito, darlhe provimento, de modo a tornar insubsistentes os subitens 9.2, 9.3 e 9.5 do Acórdão nº 748/2008TCUPlenário; 9.2. manter em seus exatos termos os demais itens da deliberação recorrida; 9.3. dar ciência do inteiro teor deste acórdão, acompanhado do relatório e do voto que o fundamentam, ao recorrente e à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Eis os itens tornados insubsistentes pela decisão: Fl. 371DF CARF MF 8 “9.1. conhecer da denúncia, uma vez que atende aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 235 do Regimento Interno do TCU; 9.2. com fundamento no art. 71, inciso IX, da Constituição Federal e art. 45 da Lei nº 8.443, de 16 de julho de 1992, fixar o prazo de 90 (noventa) dias para que o Conselho de Recursos da Previdência Social e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, em respeito aos princípios constitucionais da eficiência, economicidade e legalidade, procedam, conjuntamente, ao saneamento dos processos listados no Anexo 1 deste Acórdão e outros processos cujos débitos também tenham sido anulados pela falta do termo ‘§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91’, utilizandose da prerrogativa do artigo 53, § 1º, do Regimento Interno do CRPS; 9.5. determinar ao Ministério da Previdência Social a abertura de procedimento administrativo visando a apurar responsabilidades pela anulação indevida dos débitos apontados neste processo; No pedido de Reconsideração do CRPS alegou, dentre outras razões, o seguinte: 5.14. As causas que comprometem a validade do lançamento não são exclusivamente as indicadas no art. 59 do Decreto 70.235/72, segundo declarado pelo Manual do Contencioso e consoante algumas decisões do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (fls. 76/78, anexo 4). A doutrina também entende que deva ser decretada a nulidade do lançamento quando ausentes os seus pressupostos de validade. A jurisprudência judicial igualmente oferece proteção ao entendimento adotado pelo CRPS, declarando a nulidade de CDAs desprovidas dos requisitos de validade, um dos quais o fundamento legal. 5.15. As decisões do CRPS não feriram o princípio da legalidade nem acarretaram prejuízo ao erário. Se o Relatório de Fundamento Legal é o elemento que “alimenta” a CDA, no que concerne aos fundamentos legais da notificação, então a ausência de um dispositivo essencial no relatório viciaria a CDA. A unidade julgadora, buscando evitar custos desnecessários a título de sucumbência judicial, decidiu anular os lançamentos. 5.16. Não houve prejuízo ao erário, pois a maioria das notificações já foram refeitas, sendo certo que o tempo dispensado nessas novas ações fiscais é mínimo, haja vista todos os dados já estarem armazenados, bastando, apenas, a inclusão do fundamento legal correto. 5.17. As decisões de nulidade por vício interrompem o prazo decadencial, conforme preceitua o art. 45, II, da Lei 8.212/91. Assim, o fisco detém novo prazo decadencial para lavrar nova notificação fiscal corrigindo o equívoco incorrido no lançamento original. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.722545/201024 Acórdão n.º 9202007.309 CSRFT2 Fl. 6 9 5.18. A maioria dos processos já foi refeita ou não pode ser refeita, pelo fato de alguns deles estarem enquadrados em impedimentos, como é o caso da não caracterização de solidariedade decidida pelo Parecer AGU 055/2006. 5.19. Como grande parte das notificações anuladas já foi substituída por novos lançamentos com a devida correção do vício formal, na hipótese de haver o “saneamento” dos lançamentos originários, tramitarão dois processos distintos para o mesmo fato gerador, o que é repudiado pelo ordenamento jurídico pátrio. 5.20. Ainda que as decisões da unidade julgadora não retratassem a melhor interpretação jurídica a respeito do assunto, esgotada a instância administrativa, o acórdão deveria ter sido cumprido pelo INSS/SRP, a teor do art. 57 do Regimento Interno do CRPS (Portaria MPS 88/2004) e do art. 308, § 2º, do Decreto 3.048/99. O cumprimento das decisões do CRPS, imediatamente e em todos os casos mencionados no acórdão recorrido, evitaria qualquer eventual imputação de dano. Por sua vez, em sua razões de decidir o Relator considerou que: 10. Quanto ao mérito da matéria de fundo em si, assiste razão ao CRPS, pois, conforme apropriadamente aponta a Serur, embora as decisões que deram ensejo ao Acórdão ora combatido, não representarem, a priori, a “melhor solução jurídica”, não foram frontalmente ilegais, vez que tomadas nos limites interpretativos permitidos pelos normativos então vigentes. [...] 15. Contudo, como afirma a Serur, “(...) a pacificação do assunto após a Consulta 696 (1ª instância) e o Enunciado 29 (2ª instância) não significa que tenham sido ilegais as decisões anteriores que manifestaram entendimento diverso” pois, ao anularem os lançamentos questionados por esta Corte, os Conselheiros do CRPS observaram, a rigor, o que prescreve o art. 202, inciso III, do Código Tributário Nacional, o qual determina que a Certidão de Dívida Ativa contenha a disposição de lei que fundamente o crédito tributário. 16. Assim, considerando a limitação do sistema informatizado, que não permitia lançar o citado fundamento legal (§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991), não seria possível emitir uma CDA livre de vício, que a macularia no âmbito judicial. Ademais, embora esse vício pudesse ser sanado até o julgamento de 1ª instância na esfera judicial (art. 203 do CTN), entendo, assim como a Serur, ser razoável tomar providências para corrigilo ainda na esfera administrativa, para evitar a dependência da Procuradoria Federal. 17. Demais disso, vejo que, para demonstrar o quanto a matéria em exame era controversa – tanto que originou a mencionada Consulta 696 e o referido Enunciado 29, o que, per si, já é razão suficiente para dar provimento ao presente recurso –,o Fl. 373DF CARF MF 10 recorrente apresenta em seu pedido de reexame lançamentos tributários idênticos aos ora questionados, não só no âmbito do CRPS, mas também na 1ª instância do fisco previdenciário, conforme demonstram algumas DecisõesNotificações anexadas às fls. 37/52 e 59/63, anexo 4. Ante o exposto, acompanhando a manifestação da Secretaria de Recursos, VOTO por que este e. Tribunal Pleno aprove o Acórdão que ora submeto à sua consideração. Enfim, o que se tem configurado é que o CRPS declarou a nulidade de autuações por vicio formal insanável em razão de incompletude na fundamentação legal da autuação, mais especificamente pela ausência na fundamentação legal da exigência da menção ao § 3º do art. 33, da Lei nº 8.212, de 1991; que o TCU, embora tenha acolhido inicialmente a denúncia de irregularidade dos Acórdãos nºs 2.338/2005 e 2.339/2005, que declararam a nulidade dos lançamento e determinado sua reparação, acolheu posteriormente pedido de reconsideração da CRPS sob o fundamento de que o procedimento daquele Colegiado tinha amparo nas normas que disciplinavam o processo administrativo e de que providências já haviam sido tomadas para a recomposição da exigência das contribuições. O que se tem que examinar, inicialmente – Matéria “a” – Respeito à coisa julgada administrativa – é se o a Turma a quo poderia, como fez, apreciar a natureza do vício que ensejou a nulidade do lançamento original. Penso que não. A partir da Lei nº 11.457, de 2007 o Processo Administrativo Fiscal, envolvendo créditos tributário de natureza previdenciária passaram a ser regidos pelo Decreto nº 70.235, de 1972 e a competência para julgamento passou a ser, em primeira instancia, pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento e, em segunda instância, pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Pois bem, da decisão das Turmas das Câmaras do CARF (que sucederam nessa competência as turmas do CRPS) cabia Recurso Especial à Câmara Superior de recursos fiscais, sem prejuízo dos eventuais embargos de declaração, únicos meios de alterar seus resultados na esfera administrativa. Assim, se o acórdão do CRPS decidiu por declarar a nulidade dos lançamentos por vício formal, somente esses recursos poderiam levar à alteração essa decisão. Se é assim, eventual litígio instaurado com a impugnação ao novo lançamento, realizado em razão da decisão anterior do CRPS, não poderia envolver a discussão sobre a natureza do vício que ensejou a nulidade do lançamento anterior, pois a análise dessa matéria se esgotou na decisão anterior da CRPS, definitiva na esfera administrativa. Faltava, portanto, competência à Câmara a quo para conhecer dessa matéria. É o que se chama de coisa julgada administrativa, de decisão definitiva, irreformável na instância administrativa. Não poderia o Colegiado a quo conhecer dessa matéria simplesmente porque ela não mais estava em litígio. O processo administrativo em geral e o processo administrativo fiscal em particular caracterizase pela cognição restrita. Destinamse ao controle de legalidade dos atos administrativos à luz do contraditório e não podem ir além desse mister, por absoluta falta de competência dos órgãos julgadores. Essa conclusão é suficiente para se afastar a conclusão do acórdão recorrido quanto à decadência. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11080.722545/201024 Acórdão n.º 9202007.309 CSRFT2 Fl. 7 11 Cumprenos, portanto, considerado o quadro descrito acima, e ultrapassada a questão dos efeitos da coisa julgada administrativa matéria que não teve seguimento decidir se o vício que ensejou a declaração da nulidade dos lançamentos originais pelo CRPS era formal ou material. Entendeu o Recorrido que se trata de vício material, pois “os lançamentos originários ocorreram sem a devida fundamentação legal, não atendendo, por conseguinte, a legislação tributária, inclusive o direito de defesa da Recorrente”, e que a fiscalização não informou ao contribuinte a fundamentação legal para embasar o arbitramento”. Ora, que há uma irregularidade no lançamento, caracterizada pela imprecisão/insuficiência na fundamentação legal da exigência é fato incontroverso e o acórdão que declarou originalmente a nulidade do lançamento o fez em razão deste. O que se discute é se esse defeito configura vício formal ou material. O acórdão do antigo CSRF declarou a nulidade por vício formal, conforme consta de sua ementa e posteriormente corroborado pela manifestação apresentada perante o Tribunal de Contas da União. Conforme extensamente referido, o vício consiste na ausência, na fundamentação legal da autuação, da referência ao § 3º do art. 33, da Lei nº 8.212, de 1991, que na redação em vigor à época previa o seguinte: Art. 33 [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Ocorre que, se é certo que se o referido dispositivo não foi mencionado na espeficiameção dos dispositivos legais que fundamentaram a autuação, o foi na descrição dos procedimentos adotados pela fiscalização. Confirase: DA SITUAÇÃO ENCONTRADA E DOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS 5. Relacionamse abaixo, por levantamento fiscal específico, a situação e os procedimentos adotados: I ( ... )* II – Levantamento: “SC1 – SOLIDA. CONST. CIVIL ANTES 1999”: Foi solicitada pela Auditoria Fiscal a relação de contratos de obras de construção civil realizados pelo Banco do Brasil a partir de MAIO de 1995, assim como os respectivos processos físicos. Em resposta ao pedido, a Instituição Financeira informou que os dados referentes aos contratos de construção/reforma/acréscimo, bem como as respectivas parcelas de pagamento, notas fiscais/faturas/recibos, são cadastrados no sistema informatizado SISPAG, fato comprovado pela Auditoria Fiscal através da confrontação das informações contidas no SISPAG com a documentação física dos processos. Nesse contexto, utilizaramse as informações contidas nesse Fl. 375DF CARF MF 12 sistema subsidiariamente nos casos de apresentação deficiente dos documentos solicitados, conforme determina o §3o, do art.33, da Lei no 8.212/91. (destaquei) Não é certo, portanto, afirmar que o procedimento adotado pela fiscalização não se baseou em fundamento legal ou sequer que os autuados não foram informados desse fundamento. Houve sim, falha na reprodução desse dispositivo legais, como se fez com outros dispositivos legais, no capítulo o próprio da fundamentação legal. Tratase, sem dúvida, de vício de natureza formal, pois localizado na exteriorização do ato, no substrato do instrumento de autuação, na sua forma, enfim. Também não se cogita de cerceamento de direito de defesa, posto que os autuados foram plenamente cientificados do procedimentos adotado e de seus fundamentos e tanto é assim que a contribuinte pode exercitar o contraditório com desenvoltura. E não é desprezível o fato de que, em momento algum, a contribuinte arguido cerceamento de direito de defesa ou mesmo dificuldade no exercício desse direito em razão desse defeito do instrumento de autuação. Pareceme, pois, inadequado o acórdão recorrido invocar cerceamento de direito de defesa quando a própria parte não denunciou o prejuízo ao exercício desse direito. Ao contrário, demonstra conhecer plenamente os fundamentos da autuação e exerce plenamente o direito ao contraditório. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, doulhe provimento para afastar a decadência declarada pelo acórdão recorrido, devendo o processo retornar à instância a quo par analise do mérito. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator ‘ Fl. 376DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.724569/2014-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2009 a 30/09/2009, 01/10/2010 a 28/02/2011
REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Em processo de restituição, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de restituição, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 2401-005.870
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ÔNUS DA PROVA. Em processo de restituição, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de restituição, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 45 69 /2 01 4- 74 Fl. 4728DF CARF MF Processo nº 15504.724569/201474 Acórdão n.º 2401005.870 S2C4T1 Fl. 4.729 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que deferiu parcialmente requerimento de restituição de valores retidos nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação da Lei nº 9.711, de 1998, relativos às competências 09/2009 e 10/2010 a 02/2011, uma vez que os lançamentos dos fatos geradores das contribuições previdenciárias encontramse em desacordo com o determinado no inciso II do § 13, do artigo 225, do RPS. O requerimento foi veiculado nos seguintes documentos, com valores solicitados para o CNPJ e matrículas CEI: PER/DCOMP compet valor 35897.05729.270913.1.2.150104 09/2009 36.757,77 14635.78952.270913.1.2.155856 10/2010 72.706,74 03519.98670.270913.1.2.155253 11/2010 57.505,33 08793.78648.270913.1.2.154795 12/2010 222.201,42 38532.28330.270913.1.2.158061 01/2011 20.954,33 16179.25112.290913.1.2.159130 02/2011 67.939,89 TOTAL 478.065.48 Da Manifestação de Inconformidade, em síntese, extraise: a) Reitera informações e esclarecimentos apresentados por ocasião dos termos de Intimação de 07/08/2014 e de 08/08/2014. b) Obra 51.208.54446/79 a obra se iniciou em 02/09/2010 e encerrouse em 30/09/2010; o pagamento das NF ocorreu após término; não houve FP específica. Os trabalhadores constaram da FP do escritório; obra com materiais e equipamentos de alto custo e pequena despesa com pessoal; revendo as folhas de pagamento constatase a existência dos profissionais necessários à execução da obra. c) Obra 51.208.54450/72 a NF 2010/392, corresponde à parcela final de 10% do total do contrato, foi liberada um ano e nove meses após a conclusão da obra não havendo no mês da nota despesa com salários; a mão de obra sobre a qual incidiu a retenção está superdimensionada; as notas fiscais relativas a esta obra foram emitidas em 03/12/2008 (003378), em 20/01/2009 (003496) e em 04/10/2010 (392); o período de realização da obra foi: início em 01/09/2010 e término em 15/09/2010; não houve folha de pagamento específica; os trabalhadores constaram da folha de pagamento do escritório; a execução estendeuse ao mês de outubro, tendo ocorrido a participação de terceiros; os recursos humanos próprios são os constantes das folhas de setembro e outubro de 2010; cópias das notas fiscais de subempreiteiros foram encaminhadas à RF no atendimento à intimação; elabora um quadro resumo onde lista, para o subempreiteiro LCR – Serviços Fl. 4729DF CARF MF Processo nº 15504.724569/201474 Acórdão n.º 2401005.870 S2C4T1 Fl. 4.730 3 Elétricos Ltda (CNPJ 07.586.592/000114), os números das notas fiscais, valores de mão de obra, destaques e GPS. d) Contesta o indeferimento das restituições relativas às retenções dos serviços lançados no CNPJ da empresa (porque os lançamentos contábeis não registram, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, por tomador de serviço) argumentando que é contribuinte optante pelo regime de tributação do lucro presumido, estando, portanto, desobrigada da apresentação da escrituração contábil. Estando desobrigado da escrituração contábil, apesar de escriturar Diário e Razão, não pode o fisco a exigir. Apresentou todos os esclarecimentos e documentos solicitados. e) Contesta os indeferimentos de restituições, requeridas no CNPJ, impostos à manifestante apresentando quadros (fls. 4066/4084), por contratante, discriminando as notas fiscais emitidas em setembro/2009, correlacionadas aos respectivos pedidos de compra, seus valores de materiais, de mão de obra e retenção; faz diversas considerações sobre as peculiaridades das obras, chamando a atenção da pouca utilização de mão de obra, do alto custo dos materiais/equipamentos e fundações, e da forma de pagamento, e observa que diversas notas fiscais referemse a valores residuais recebidos após a conclusão das obras, o que significa inexistência de mão de obra; e quadros (fls. 4087/4101) em relação às notas fiscais do período de outubro a dezembro/2010. Destaca os itens identificados como sites compartilhados por serem obras de pequena complexidade técnica com duração média de cinco dias e executadas por pedreiro, servente e eletricista. A algumas notas se referem a serviços de baixos preços, como adaptações, adequações em infraestrutura, reforços, consertos, reparos. f) Contesta as restituições indeferidas – matrícula CEI, relacionando (fls. 4.102/4.121) todas as obras, identificadas pela matrícula CEI, cujos valores de restituição foram indeferidos e apresentando justificativas que levaram ao indeferimento dos valores pleiteados: obras executadas em meses anteriores ou posteriores, valor residual da obra e baixo custo de mão de obra. g) Requer seja acolhida a Manifestação de Inconformidade para que seja deferida a restituição pleiteada. Em face das questões fáticas e dos documentos apresentados, foi comandada diligência e da qual, em síntese, extraise: a) A mãodeobra empregada na prestação de serviços é inferior a 40% do valor bruto dos serviços contidos nas Notas Fiscais. b) Apesar de ter se considerado os valores retidos destacados nas notas fiscais, considerouse também explicações da empresa em relação à quantidade de funcionários empregados em determinados tipos de obras e grande parte delas foi deferida. c) Algumas obras foram deferidas parcialmente em alguma competência requerida em despacho decisório anterior. No entanto, verificouse Fl. 4730DF CARF MF Processo nº 15504.724569/201474 Acórdão n.º 2401005.870 S2C4T1 Fl. 4.731 4 posteriormente, que haviam outros pedidos de restituição para estas obras em outros períodos. Então, na reanálise da relação da remuneração da mão de obra declarada em GFIP e do serviço executado, em todas as matrículas CEI deferidas ou indeferidas, concluiuse que o correto seria considerar todo o período da obra. d) Em relação aos serviços relacionados nas GFIP’s de código 150, não houve o deferimento porque os lançamentos contábeis não registram, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, por tomador de serviços. e) a empresa optou pela escrituração contábil, isto é, pela escrituração do Livro Diário e do Livro Razão. Desta forma, a escrituração do Livro Diário deve obedecer as Normas Brasileiras de Contabilidade. Diante do resultado da diligência, a empresa complementou sua manifestação de inconformidade, em síntese, alegando: a) Reitera os termos da manifestação de inconformidade anteriormente apresentada, em especial as razões e demonstrações apresentadas e não levadas em consideração na informação fiscal. b) A Receita Federal adotou um novo parâmetro (aferição indireta) para justificar o indeferimento dos pedidos de restituição, o que, no seu entender é inaplicável e evidencia uma desconfiança com relação às informações prestadas e à documentação apresentada pelo contribuinte, não devendo prosperar tal entendimento. c) O fato de a própria empresa ter destacado a retenção na nota fiscal não implica em reconhecimento expresso de que se tratava de mão de obra o valor utilizado para a base de cálculo. A empresa simplesmente acatou as exigências dos contratantes, sob pena de não receber. d) Por serem obras de curta duração (sites de telefonia) e não se enquadrarem no conceito de empreitada total, não foram retiradas as matrículas CEI por não estar obrigada, ressaltando que esse procedimento estaria respaldado em consulta à Receita Federal (Solução de Consulta nº 122). e) Para as obras não identificadas por matrículas CEI, consolidou todos os pagamentos de seus empregados na folha do escritório, em razão das dificuldades em alocar em folha específica os trabalhadores que participaram, em períodos inferiores a um mês, em várias obras ou serviços. Parte ponderável do faturamento no período decorre da prestação de serviços com duração inferior a uma semana, para os quais é impossível a geração de folhas de pagamento e GFIPs específicas. Para alguns tipos de serviços, como montagem de suportes, proteção contra vandalismo, instalação de grades, adequações estruturais, é impraticável a regra de elaboração de folhas de pagamento e GFIP específicas. Para exemplificar, elabora quadro (fls. 4.515/4.518) onde reproduz alguns itens dos Pedidos de Compra que tipificam algumas atividades realizadas pela ENCOP, cujas Fl. 4731DF CARF MF Processo nº 15504.724569/201474 Acórdão n.º 2401005.870 S2C4T1 Fl. 4.732 5 informações já foram disponibilizadas por ocasião do atendimento à intimação inicial e na primeira Manifestação de Inconformidade. f) Em relação à obra 51.209.89501/77 – Central Claro Itaigara, diz que foi indeferida, na competência 12/2010, a restituição no valor de R$151.855,54. Alega que as retenções foram efetuadas sobre o total das notas fiscais 519/520 e 533, vez que a contratante não permitiu que os valores correspondentes a materiais e equipamentos fossem deduzidos da base de cálculo. Apresenta relação das notas fiscais de materiais e equipamentos adquiridos e utilizados na obra, chamando a atenção de que os equipamentos foram instalados pelos próprios fornecedores e, ainda, que na execução da obra foram utilizados serviços de subempreiteiros. g) A requerente deixou de apresentar os lançamentos contábeis, em contas individualizadas, por tomador de serviço, e deixou de alocar os funcionários nos respectivos tomadores de serviços, porque é empresa optante pelo lucro presumido, não sendo necessário que se mantenha escrituração contábil detalhada a centro de custo (obra por obra), conforme o permissivo legal do § 16, inciso II, do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social. Não nega a escrituração do Diário e do Razão, mas não por determinação legal, e sim por conveniência e estratégia. h) As contribuições retidas dos subempreiteiros foram recolhidas nos respectivos CNPJ e que, por várias razões, entre elas o descompasso que costuma ocorrer entre o cronograma de execução das obras e o financeiro, não exerceu a prerrogativa autorizada pela instrução normativa (artigo 127 da IN RFB nº 971, de 2009). Também pesou o fato de que as contratantes impediam qualquer operação que representasse dedução do valor destacado. i) Entende que, como cumpriu os deveres atinentes à sua condição de contratante, retendo e recolhendo as contribuições dos subempreiteiros, os serviços por estes prestados inquestionavelmente devem ser considerados como mão de obra empregada nas obras executadas pela ENCOP. j) Requer sejam acolhidas as razões de fato e de direito expostas para que seja reformada a decisão proferida, determinado a restituição das contribuições recolhidas em excesso. Do Acórdão prolatado pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em síntese, se extrai: a) No caso em análise, não se pode proceder ao encontro de contas para os serviços / obras, prestados sob o regime de empreitada parcial, GFIP no código 150, eis que a requerente não alocou os trabalhadores, nessas GFIPs, por tomador de serviços, considerando que não elabora folhas de pagamento específicas com a identificação dos tomadores. Ainda que por empreitada parcial, hipótese que a matrícula CEI não é de responsabilidade da contratada (prestadora dos serviços), a empresa cedente deve relacionar os trabalhadores ao correspondente tomador, conforme se verifica no Manual GFIP/SEFIP. A Instrução Normativa MPS/SRP nº 03, de 14/07/2005 (artigo 162, parágrafo único) e a Instrução Normativa RFB 971, de 13/11/2009 Fl. 4732DF CARF MF Processo nº 15504.724569/201474 Acórdão n.º 2401005.870 S2C4T1 Fl. 4.733 6 (artigo 135, parágrafo único) vigentes à época da prestação dos serviços, dispunham no mesmo sentido sobre a dispensa de elaboração de folha de pagamento e GFIP específicas, para a empresa contratada. O artigo 162 e seu parágrafo único, da IN MPS/SRP nº 03/2005, dispõe que: Art. 162. A empresa contratada fica dispensada de elaborar folha de pagamento e GFIP com informações distintas por estabelecimento ou obra de construção civil em que realizar tarefa ou prestar serviços, quando, comprovadamente, utilizar os mesmos segurados para atender a várias empresas contratantes, alternadamente, no mesmo período, inviabilizando a individualização da remuneração desses segurados por tarefa ou por serviço contratado. Parágrafo único. São considerados serviços prestados alternadamente, aqueles em que a tarefa ou o serviço contratado seja executado por trabalhador ou equipe de trabalho em vários estabelecimentos ou várias obras de uma mesma contratante ou de vários contratantes, por etapas, numa mesma competência, e que envolvam os serviços que não compõem o CUB, relacionados no Anexo XIV. a1) Percebese, do artigo 162, e seu parágrafo único, acima, que os serviços que dispensam a elaboração de folhas de pagamento por tomador são aqueles que satisfazem (duas) condições: (1) Serviços que não compõem o CUB, relacionados no Anexo XIV (Esses serviços estão dispensados de matrícula CEI); e (2) Serviços nos quais a tarefa é executada por trabalhador(es) em vários estabelecimentos ou obras numa mesma competência inviabilizando a individualização da remuneração por tarefa ou por serviço contratado. b) Em face dos esclarecimentos da requerente, verificase que os serviços realizados não são, exclusivamente, os do referido Anexo XIV, mas “Gerais de Engenharia”, conforme a descrição em alguns Pedidos de Compra. Os serviços e obras de construção civil estão discriminados no Anexo XIII, da também IN 03/2005, enquanto os não sujeitos à folha por tomador são os do Anexo XIV. Na situação, não se vê que a ENCOP tenha apenas instalado equipamentos, e numa atividade de curta duração, mas executado reformas e construções novas, em centrais de telefonia, em agências bancárias, e em lojas de shoppings. É uma situação que não impossibilita a individualização da remuneração dos trabalhadores por tarefas ou por serviços contratados, até mesmo porque o período médio de execução das obras varia de vinte a trinta dias, segundo os esclarecimentos da requerente. Se é assim, a ENCOP poderia ter rateado a remuneração dos trabalhadores pelos dias trabalhados em cada obra, o que, ainda que tenha realizado algum dos serviços do Anexo XIV, não satisfez a condição “2”, acima, para a sua dispensa de folha por tomador. c) Se a requerente era obrigada a ter folhas de pagamento por tomador, e não as tem, não há como saber das remunerações e das contribuições previdenciárias devidas, em cada obra, em cada serviço contratado, de modo a possibilitar o encontro de contas, entre os valores devidos e os recolhidos (retenções e/ou recolhimentos realizados pelos contratantes), e ainda possibilitar a homologação de possíveis créditos a seu favor, considerando Fl. 4733DF CARF MF Processo nº 15504.724569/201474 Acórdão n.º 2401005.870 S2C4T1 Fl. 4.734 7 que as GFIPs, por tomador, não informam a mão de obra alocada. A hipótese é de incerteza e de iliquidez de créditos a favor da requerente, não sendo reconhecidos possíveis excessos de retenção, e ainda sendo julgados improcedentes os pedidos relacionados aos serviços / obras, prestados em empreitada parcial (GFIP 150). d) Em relação às obras em empreitada total (GFIP 155), a autoridade a quo aceitou as folhas de pagamento apresentadas, eis que são específicas por tomador de serviços, o que cabe a esta autoridade, que julga a Manifestação de Inconformidade, realizar o encontro de contas (valores devidos X valores recolhidos) com base nas contribuições previdenciárias e nas retenções que foram declaradas pela requerente em suas GFIPs, observando, para tanto, os pedidos iniciais nos PER/DCOMPs, as Notas Fiscais juntadas ao processo, as retenções e/ou recolhimentos para as obras, e bem assim se a ora recorrente satisfez quaisquer inconsistências até então apontadas por aquela autoridade. No caso de obras na matrícula CEI, mas com os trabalhadores no CNPJ, não se faz o encontro de contas, uma vez que acaba sendo a mesma situação da já comentada empreitada parcial, de falta de folhas de pagamento específicas por tomador de serviços. Contribuições Devidas Retenções Notas Fiscais (destaques e/ou recolhimentos) Valores Compensados C om pe tê nc ia Tomador / Obras Matrícula CEI (GFIP 155) FP GFIP PERDCOMP NF GFIP P E R / D C O M P GFIP Valores a Restituir Observações 51.207.98182/79 1.107,33 1.107,33 5.303,88 5.303,88 5.303,88 1.107,32 1.107,32 4.196,56 51.208.54446/79 ? 0,00 9.721,17 9.721,17 9.721,17 0,00 0,00 0,00 Sem Folha de Pagamento. O cadastro da Receita não registra o fim da obra 51.208.54450/72 ? 0,00 1.500,46 1.500,46 1.500,46 0,00 0,00 0,00 Sem Folha de Pagamento. O cadastro da Receita não registra o fim da obra 51.208.85757/71 1.329,69 1.329,69 11.856,62 11.856,62 11.856,62 1.329,68 1.329,68 10.526,94 51.208.96619/72 1.040,40 1.040,40 5.379,38 5.379,38 5.379,38 1.040,40 1.040,40 4.338,98 10 /2 01 0 70.003.52699/77 ? 0,00 2.204,40 2.204,40 2.204,40 0,00 0,00 0,00 Sem Folha de Pagamento o cadastro da Receita não registra o fim da obra 51.207.63031/72 ? 0,00 3.888,76 3.888,76 3.888,76 0,00 0,00 0,00 Sem Folha de Pagamento. O cadastro da Receita não registra o fim da obra 51.207.98182/79 795,19 795,19 13.259,69 13.259,69 13.259,69 795,19 795,19 12.464,50 51.208.54446/79 ? 0,00 744,80 744,80 744,80 0,00 0,00 0,00 Sem Folha de Pagamento. O cadastro da Receita não registra o fim da obra 51.208.07819/77 ? 0,00 2.467,96 2.467,96 2.467,96 0,00 0,00 0,00 Sem Folha de Pagamento. O cadastro da Receita não registra o fim da obra 51.208.85757/71 2.736,88 2.736,88 7.904,42 7.904,42 7.904,42 2.736,87 2.736,87 5.167,55 70.003.52709/71 ? 0,00 3.393,33 3.393,33 3.393,33 0,00 0,00 0,00 Sem Folha de Pagamento. O cadastro da Receita não registra o fim da obra 11 /2 01 0 70.003.54494/77 ? 0,00 906,23 906,23 906,23 0,00 0,00 0,00 Sem Folha de Pagamento. O cadastro da Receita não registra o fim da obra 51.207.73525/79 ? 0,00 493,90 493,90 493,90 0,00 0,00 0,00 Sem Folha de Pagamento. O cadastro da Receita não registra o fim da obra 51.207.98182/79 ? 0,00 2.386,74 2.386,74 2.386,74 0,00 0,00 0,00 Sem Folha de Pagamento. O cadastro da Receita não registra o fim da obra 51.208.85757/71 ? 0,00 5.928,31 5.776,13 5.928,31 0,00 0,00 0,00 Sem Folha de Pagamento. O cadastro da Receita não registra o fim da obra 51.209.89501/77 3.024,58 3.024,58 164.315,14 164.315,14 164.315,14 3024,64 + 9434,96 3.024,58 0,00 Base de Cálculo declarada em FP e GFIP incompatível com o valor dos serviços. 12 /2 01 0 70.003.14518/75 ? 0,00 1.329,90 664,95 1.329,90 0,00 0,00 0,00 Sem Folha de Pagamento. O cadastro da Receita não registra o fim da obra 01 /2 01 1 51.207.98182/79 ? 0,00 265,19 265,19 265,19 0,00 0,00 0,00 Sem Folha de Pagamento. O cadastro da Receita não registra o fim da obra 51.208.85757/71 ? 0,00 344,82 344,82 344,82 0,00 0,00 0,00 Sem Folha de Pagamento. O cadastro da Receita não registra o fim da obra 51.210.47462/78 1.229,73 1.229,73 4.214,89 4.214,89 4.214,89 1.229,72 1.229,72 2.985,17 51.210.47474/79 203,45 203,45 4.205,92 4.205,92 4.205,92 203,44 203,44 4.002,48 51.210.47717/76 311,48 311,48 4.126,70 4.126,70 4.126,70 311,47 311,47 3.815,23 02 /2 01 1 51.210.47735/75 704,58 704,58 4.639,06 4.639,06 4.639,06 704,58 704,58 3.934,48 Fl. 4734DF CARF MF Processo nº 15504.724569/201474 Acórdão n.º 2401005.870 S2C4T1 Fl. 4.735 8 51.210.55484/76 1.677,73 1.677,73 5.388,02 5.388,02 5.388,02 1.677,73 1.677,73 3.710,29 70.003.52709/71 ? 0,00 4.513,42 355,30 4.513,42 0,00 0,00 0,00 Sem Folha de Pagamento. O cadastro da Receita não registra o fim da obra e) Com as considerações postas acima, fica indeferido o pedido de restituição para os serviços / obras sob o regime de empreitada parcial, e deferido parcialmente quando de obras em empreitada total, conforme a seguir demonstrado. PER/DCOMP Nº Competência Valores a Restituir 14635.78952.270913.1.2.155856 10/2010 19.062,48 03519.98670.270913.1.2.155253 11/2010 17.632,05 16179.25112.290913.1.2.159130 02/2011 18.447,65 f) Ressaltese que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, não estando vinculada a decisões que possam ter sido proferidas em processos anteriores impetrados pela requerente. Intimado em 22/09/2016, o contribuinte interpôs em 17/10/2016 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) Tempestividade. Dada ciência em referência no dia 22 de setembro de 2016, o prazo de trinta dias encerrase em 22 de outubro de 2016. b) Prevenção. Informação Fiscal e Decisões Divergentes. Desde 27 de março de 2009, protocolou sucessivos requerimentos de restituição abrangendo o período de 03/2004 a 12/2012, pois a Recorrente teve retidas importâncias muito superiores às que deveriam de fato ter sido descontadas em suas notas fiscais, isto em razão da inflexibilidade e extremo rigor por parte de empresas contratantes, em especial a CLARO S/A. A Receita Federal agrupou os PER/DCOMPs em processos diferentes: Processo / D Decisório Período Requerido Restituído 15504.732950/201326 /1.215 03/04 a 12/05 239.676,77 23.887,00 15504.732951/201371 /1.121 01/06 a 12/07 762.930,07 0,00 15504.732952/201315 /1.224 01/08 a 04/09 2.455.861,04 0,00 15504.732953/201360 /1.244 05/09 a 09/10 678.265,05* 212.175,19 15504.724569/201474 /1.633 09/09; 10/10 a 02/2011 473.955.28 173.109,44 15.504.725841/201433 /1.420 03/2011 a 05/2011 112.670,45 32.164,10 15504.725842/201488 /1.438 07/2011 a 09/2011e 01/2012 64.408,60 37.294,41 15504.724067/201524 /1.421 06/2011; 10/2011 e 11/2011 101.755,12 20.482,37 15504.724068/201579 /1.431 12/2011 52.473,48 25.833,40 15504.724041/201586 /1.439 02/2012 a 08/2012 78.865,93 66.746,04 15.504.724043/201575/1.432 09/2012 a 12/2012 55.142,81 24.271,27 TOTAL 5.076.004,60 615.963,22 * Retificado b1) Encaminhados para autoridades diferentes, não houve uniformidade na apreciação, a denotar que os indeferimentos se basearam em interpretações subjetivas e não na adequada avaliação dos documentos e demonstrações. b1.1) Não ter folha e títulos próprios na prestação de pequenos serviços ou obras, com curtos períodos de execução não foi levantado em outros Recursos e Manifestações, como fator impeditivo para que restituições requeridas no CNPJ fossem deferidas em despacho anterior, tendo o julgador, naquela oportunidade, considerado satisfeitas as condições para a decisão favorável à empresa. É o que ocorreu no Despacho Decisório nº 1.215, de 03/07/2014 (processo 15504.732950/201326), em que restituições requeridas no CNPJ foram corretamente deferidas. Fl. 4735DF CARF MF Processo nº 15504.724569/201474 Acórdão n.º 2401005.870 S2C4T1 Fl. 4.736 9 b1.2) Divergência de julgamentos. Nos onze processos que estão sob julgamento, a ENCOP constatou que vários despachos, intimações e decisões apresentaram posições divergentes, encaminhando, precipuamente, para o indeferimento das restituições. A Recorrente não desconhece que a Administração tem o poder/dever de anular ou revogar os seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais. Entretanto, este e os dez outros processos que estão sob julgamento referemse a pedidos da mesma natureza, submetidos, portanto às mesmas normas não se esperando decisões conflitantes no julgamento de causas idênticas. b2) A Recorrente pede que se adote o critério da prevenção, com a distribuição deste ao mesmo Conselheiro dos demais processos, considerando a conexão, pois todos versam sobre a mesma matéria. c) Mão de obra efetivamente empregada. A Recorrente reitera todas as alegações, explicações, justificativas, documentos e fundamentações apresentadas nas Manifestações protocoladas e que constam dos autos. Em especial, o capítulo 4 – RAZÕES APRESENTADAS PELA EMPRESA PARA COMPROVAR A PROCEDÊNCIA DAS RESTITUIÇÕES REQUERIDAS itens 4.1 (inadequação da aferição indireta, não se trata de lançamento de ofício), 4.2 (destaques em nota fiscal e retenções ambos superiores ao cabível, ao real valor da mão de obra empregada), 4.3 (obras sem CEI, inclusão em folha do escritório curta duração, simultaneidade) e 4.4. (CEI 51.209.89501/77). A mãodeobra que consta das folhas de pagamento de empregados, declarada em GFIP, é a que efetivamente foi empregada na execução dos serviços e obras contratadas no período, somada à que consta das notas fiscais de subempreitadas. As obras executadas se diferenciam das obras de edificação civil, não sendo exata a aferição indireta com base em 40% do valor bruto dos serviços contidos nas notas. Além disso, o cronograma das notas não coincide com o período de execução das obras ou serviços, gerando inconsistência já esclarecidas com demonstrativos. Deve ser observado o período da efetiva execução e não o de emissão das notas, eis que pode haver mais de um ano de diferença. As notas não expressam a mão de obra real, pois no início das obras (sites e centrais de telefonia) era emitida nota como adiantamento para aquisição de material e equipamentos, o que ainda não tinha ocorrido e na impossibilidade da comprovação sofreu a retenção sobre o valor total. Em outras notas fiscais, a divisão material / mãodeobra era estabelecida em 50% para cada item, conforme estabelece o ato normativo. Esta divisão, entretanto, também não expressava a realidade, o que impossibilitou a compensação integral nos recolhimentos mensais, gerando as retenções ora requeridas. Além do mais, em praticamente todas as retenções foram incluídas na base de cálculo parcelas especificadas no Pedido de Compras (contrato) que deveriam ter sido excluídas, como quadros elétricos, cercas, concertinas, fundações, etc., itens que representavam valores expressivos, sobre os quais incidiu a retenção. Apesar de fartamente comprovada esta situação, observase, nos julgamentos a relutância em admitir a inclusão de itens indevidos na base de cálculo, com a consequente desconsideração dessa evidente irregularidade para impedir a devolução dos valores retidos a maior. Fl. 4736DF CARF MF Processo nº 15504.724569/201474 Acórdão n.º 2401005.870 S2C4T1 Fl. 4.737 10 d) Elaboração de Folha de Pagamento e GFIP. De fato, para as obras não identificadas por matrícula CEI, por serem desobrigadas deste cadastramento, os pagamentos dos salários foram consolidados na folha de pagamento do escritório e declarados na GFIP 150. Este procedimento deveuse à dificuldade de se alocar em folha de pagamento específica trabalhadores que participaram, em períodos inferiores a um mês de várias obras ou serviços. Muitos sites foram realizados simultaneamente, alguns na mesma cidade, alternando a participação dos trabalhadores de acordo com as necessidades. Além da contratação da área de telefonia (sites e centrais), outros serviços de breve execução foram prestados pela ENCOP, entre outros, pintura, reformas, reforço de estruturas, infraestrutura elétrica, lógica e de telefonia, construção de acesso, de muros. Para a execução da maioria desses serviços, com duração média de quatro / cinco dias, alguns menos, era impraticável a preparação de folhas de pagamento específicas. O rateio proposto pelo julgador poderia ter sido adotado, mas em nada alteraria a verdade dos fatos, considerando que as folhas de pagamento foram escrituradas em títulos próprios pelo valor total das remunerações. A divisão das folhas de pagamento em mais de um tomador apenas redundaria em decomposição do valor da folha contabilizada em outras, sem alteração de um centavo na base de cálculo que foi utilizada para cálculo das contribuições previdenciárias. Seria irrelevante sob o ponto de vista da demonstração do real movimento das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados. Ao ser comprovada a exatidão das despesas com folhas de pagamento, no encontro de contas comprovase também o excesso de recolhimento, visto que nenhuma dúvida foi apresentada com relação ao quantum retido e recolhido. A diferença em favor do contribuinte é exatamente aquela constante dos pedidos de restituição (retenções – compensações). Fazem prova a favor da Recorrente as folhas de pagamento, o pagamento de serviços terceirizados e a contabilidade. Analisando a descrição contida no Anexo VIII, que relaciona as atividades e serviços excluídos da composição do CUB, são identificados os diversos serviços executados pela ENCOP para os quais é dispensada a elaboração de folhas de pagamento por tomador e outros que estão expressamente excluídos da base de cálculo para as retenções e que, no entanto, a integraram. e) Fim da obra. Parte dos requerimentos foi indeferida pelo fato de o cadastro da Receita não registrar o fim da obra. Estas obras já haviam sido encerradas fisicamente e emitidas GFIPs SEM MOVIMENTO. Entretanto, como já explicado neste e em documentos anteriores, é praxe nos contratos o pagamento de parcelas residuais meses após o efetivo encerramento. O pagamento da última parcela ocorre após a constatação final de inexistência de eventuais pendências e entrega de toda documentação pertinente à obra, como as built, CREA, laudos de aterramento, etc. São inúmeros os casos em que a última parcela foi liberada após mais de um ano da conclusão dos serviços. As retenções indeferidas se referem a estes valores finais e ao serem declaradas em GFIP 155, nos sistemas da Receita possivelmente fica registrado que a obra ainda estava em andamento, o que, de fato, não procede. Foram emitidas novas GFIP SEM MOVIMENTO. No quadro que segue é apresentado um resumo em que estão relacionados os meses em que Fl. 4737DF CARF MF Processo nº 15504.724569/201474 Acórdão n.º 2401005.870 S2C4T1 Fl. 4.738 11 ocorreu o indeferimento, com a indicação dos meses em que as obras foram executadas e os meses em que houve faturamento. Meses com indeferimento CEI/CNPJ Folhas de pagamento em Faturamento em Sem movimento a partir de Obs. 11/2010 51.207.63031/72 07 a 10/2010 07 a 09 e ll/2010;02/2012 03/2012 * 12/2010 51.207.73525/79 07/2010 07, 08 e12/2010; 03/2011 04/2011 * 12/2010e01/2011 51.207.98182/79 08 a 11;13/2010 09 a 12/2010; 01/2011 02/2011 11/2010 51.208.07819/77 08/2010 08 e 11/2010; 02/2012 03/2012 * 10/2010e11/2010 51.208.54446/79 09/2010CNPJ 10 e 11/2010; 06/2011 07/2011 * 10/2010 51.208.54450/72 12/2008e01/2009 12/2008 e 01/2009; 10/2010 11/2010 10/2010e02/2011 51.208.85757/71 10, 11 e 13/2010 10 a 12/2010; 02/2011 03/2011 12/2010 70.003.14518/75 04/2010 05, 07 e12/2010; 12/2011; 01/2012 02/2012 * 10/2010 70.003.52699/77 05 a 08/2010 06 a 10/2010; 04/2011 05/2011 * 11/2010 e02/2011 70.003.52709/71 05 a 09/2010 06 a 09 e11/2010; 02 e 03/2011 04/2011 * 11/2010 70.003.54494/77 05/2010 06, 07 e 11/2011; 06/2011 07/2011 * Obs.: Nestas obras houve emissão de notas fiscais em meses que ultrapassam o período requerido neste processo. As restituições correspondentes a estes meses foram requeridas em outros processos. f) Obras. A seguir, serão abortadas cada uma das obras e os respectivos motivos para indeferimento. f1) Obra 51.207.63031/72. A restituição indeferida se refere a contribuição retida após a conclusão da obra (NFs 458 e 459). Houve ocorrência de folhas de pagamento nos meses de julho a outubro de 2010; no mês em que foram emitidas as notas fiscais (novembro/2010) a obra já havia sido encerrada. A restituição requerida nesta obra foi deferida no processo 15504.732953/201360 (07/2010 e 08/2010). f2) Obra 51.207.73525/79. A restituição indeferida se refere a contribuição retida após a conclusão da obra (NF 509). f3) Obra 51.207.98182/79. A restituição indeferida se refere a contribuição retida após a conclusão da obra (Notas Fiscais 2010/506 e 2011/28). Restituição requerida nesta obra foi deferida no processo 15504.732953/201360 (09/2010). f4) Obra 51.208.07819/77. A restituição indeferida se refere a contribuição retida após a conclusão da obra (Nota Fiscal 2010/463). Restituição requerida nesta obra foi deferida no processo 15504.732953/201360 (08/2010). f5) Obra 51.208.54446/79. A restituição indeferida se refere a contribuição retida após a conclusão da obra (Notas Fiscais 2010/399 e 2010/431). Esta obra iniciouse em 02/09/2010 e encerrouse em 30/09/2010. O pagamento das notas fiscais ocorreu após o término. A obra executada foi Construção de Site Novo Greenfield; a mãodeobra utilizada para este tipo de site foi especificada pela empresa e acatada pelo julgador em outros processos. Não houve folha de pagamento específica. Os trabalhadores que participaram da obra constaram da folha de pagamento do escritório (quadro abaixo). A existência de profissionais para a execução da obra é reconhecida pelo julgador, conforme consta do despacho em fls. 4585. Na segunda Manifestação de Inconformidade foi reproduzido o Pedido de Compras em que constam os itens que o integram. Como se poderá notar, o item fundação representa mais de 44% do custo total e sobre este item não deveria ter sido retida a contribuição. Fl. 4738DF CARF MF Processo nº 15504.724569/201474 Acórdão n.º 2401005.870 S2C4T1 Fl. 4.739 12 f6) Obra 51.208.54450/72. A restituição indeferida se refere a contribuição retida após a conclusão da obra (Nota Fiscal 2010/392). Esta nota fiscal 2010/392 corresponde à parcela final (valor residual) de 10% do total do contrato, que foi liberada um ano e nove meses após a conclusão da obra. O valor residual, conforme cláusula contratual, só é liberado após a aprovação de todos os serviços prestados de todas as empresas contratadas para executar a obra. No mês, portanto, não houve despesa com salários. Nas notas fiscais, a mãodeobra corresponde a 52% do total. No Pedido de Compra, o item que realmente encerra mãodeobra é o item Greenfield novo, 16%, cujo valor está expresso em preço de venda, com encargos sociais, trabalhistas e fiscais incluídos. Os demais insumos estão incluídos na base de cálculo erroneamente definida. Como na quase totalidade das obras executadas, nesta também houve a retenção em valores muito superiores aos que deveriam ter sido retidos, o que é comprovado no Pedido de Compras (contrato). Apesar de discriminados, a empresa contratante os desconsiderou, não os excluindo da base de cálculo. Apenas o item Fundação (133.650,00) supera os valores discriminados nas notas fiscais como Materiais (130.893,51); somado a outros, a base de cálculo deveria ter sido consideravelmente menor. Para execução da obra (Site Greenfield Novo) é necessária a mãodeobra que a ENCOP declarou e foi considerada suficiente, haja vista o deferimento de diversas retenções conforme demonstrado Os empregados que participaram da obra foram declarados na folha do pagamento do escritório. f7) Obra 51.208.85757/71. A restituição indeferida se refere a contribuições retidas nas notas fiscais 2010/517, 2010/518 e 2011/33, sob a argumentação de que faltaram folhas de pagamento nos meses de dezembro de 2010 e fevereiro de 2011 e o cadastro da Receita não registra o fim da obra. As notas fiscais 517 e 518, referentes às parcelas finais do contrato, foram quitadas após a conclusão da obra (data de emissão: 10/12/2010). A reforma foi executada nos meses de outubro e novembro de 2010, portanto, em dezembro não existiu folha de pagamento para esta obra. A existência de folha de 13º salário justificase pela apropriação correspondente aos empregados que trabalharam na obra nos meses de outubro e novembro. A Receita Federal deferiu as restituições relativas a estes meses, conforme fls. 4594. A nota fiscal 2011/33 é relativa à quitação de serviços não orçados inicialmente e que foram realizados durante o período de execução da obra (reforma). f8) Obra 70.003.14518/75. A restituição indeferida se refere a contribuição retida após a conclusão da obra (Nota Fiscal 2010/480). O valor da nota fiscal corresponde à terceira parcela 10% do preço orçado – paga, conforme estabelecido contratualmente, após as vistorias. Ainda resta a quarta parcela, 10% finais, que foi paga depois de constatada a inexistência de pendências. As restituições relativas às notas fiscais 2011/362 e 2012/34 foram formalizadas em outros processos que ainda serão julgados. Para execução da obra (Site Greenfield Novo) é necessária a mãodeobra que a ENCOP declarou e foi considerada suficiente, haja vista o deferimento de diversas retenções conforme demonstrado. É importante ressaltar que as Fl. 4739DF CARF MF Processo nº 15504.724569/201474 Acórdão n.º 2401005.870 S2C4T1 Fl. 4.740 13 restituições relativas a maio e junho de 2010 foram deferidas no processo 15504.732953/201360. f9) Obra 70.003.52699/77. A restituição indeferida se refere a contribuições retidas na nota fiscal 2010/400, emitida em 11/10/2010. O valor faturado corresponde a parcela final de 10% recebida após a conclusão da obra. A obra foi realizada nos meses de maio a agosto de 2010, tendo sido apresentadas as folhas de pagamento do período (resumo abaixo). Nos meses de setembro e outubro não houve folhas de pagamento. Esta obra já foi objeto de análise e julgamento, tendo sido deferidas as restituições requeridas. f10) Obra 70.003.52709/71. A restituição indeferida se refere a contribuições retidas nas notas fiscais 2010/438, emitida em 04/11/2010 e 2011/50, emitida em 16/02/2011. Os valores faturados correspondem a parcelas recebidas após a conclusão da obra. A obra foi realizada nos meses de maio a setembro de 2010, tendo sido apresentadas as folhas de pagamento do período (resumo abaixo). Nos meses de outubro de 2010 e fevereiro de 2011 não houve folhas de pagamento. Esta obra já foi objeto de análise e julgamento, tendo sido deferidas as restituições requeridas. f11) Obra 70.003.54494/77. A restituição indeferida se refere a contribuição retida na nota fiscal 2010/428, emitida em 04/11/2010. O valor faturado corresponde a parcela recebida após a conclusão da obra, sem ocorrência, portanto, de folha de pagamento. Para execução da obra (Site Greenfield Novo) é necessária a mãodeobra que a ENCOP declarou e foi considerada suficiente, haja vista o deferimento de diversas retenções conforme demonstrado. Restituição requerida nesta obra em junho de 2010 foi deferida, conforme processo 15504.732953/201360. f12) Para a Obra: 51.209.89501/77, o Como explicado anteriormente, nesta obra, na competência 12/2010 foi indeferida a restituição de R$ 151.855,54. Nesse mês foram emitidas as notas fiscais 519, 520 e 523, que totalizaram R$ 1.493.774,00 como pagamento das parcelas iniciais da obra relativamente aos itens previstos nos Pedidos de Compra 300302081 e 300302088. A CLARO S/A não permitiu que os valores correspondentes a materiais e equipamentos fossem deduzidos da base de cálculo, razão da retenção sobre o total da nota. Não permitiu sequer que se estabelecesse em 50% a base de cálculo, contrariamente ao que ocorreu nas notas seguintes. Em outros processos, farta documentação foi anexada a estes processos, com a finalidade de demonstrar a preponderância dos gastos com material e equipamentos, cujo fornecimento incluía mãodeobra para montagem. g) Retenção superior ao cabível. Em face das notas fiscais emitidas durante a execução da obra, a Manifestante chama a atenção para a base de incidência da retenção previdenciária (mãodeobra) que representa 72,1% do valor faturado. É um percentual irreal, que não reflete a correta dimensão da mão de obra efetivamente utilizada no empreendimento. Disto resultou uma retenção total de R$ 276.141,13, comprovadamente acima da que deveria ter sido descontada pela contratante. Nesta absurda divisão imposta Fl. 4740DF CARF MF Processo nº 15504.724569/201474 Acórdão n.º 2401005.870 S2C4T1 Fl. 4.741 14 pela contratante, o valor dos materiais e equipamentos representaria apenas 27,9% do valor total, bem inferior à soma das poucas notas fiscais relacionadas no quadro de fls. 4646. Na limitada amostragem que segue, a Manifestante apresenta uma relação de notas fiscais de materiais e equipamentos adquiridos pela ENCOP e utilizados na obra. Apurouse nesta relação, um gasto de R$ 1.454.474,42 (soma de materiais, equipamentos e respectiva colocação). Cópias das notas fiscais foram anexadas às Manifestações contra os Despacho Decisórios 1.420, 1.421, 1.431 e 1.439. h) Subempreiteiros. Todos os equipamentos adquiridos pela ENCOP ou pela contratante foram instalados pelos próprios fornecedores, neste caso sem a participação de mãodeobra da ENCOP. Além da mãodeobra incluída no fornecimento dos equipamentos e na colocação de materiais, na execução da obra foram utilizados subempreiteiros. A documentação relativa aos subempreiteiros foi anexada ao documento que respondeu aos Termos de Intimação de 03/03/2015 e 05/02/2015, Processos 15504.725841/201433 e 15504.725842/201488, respectivamente. O exame da Planilha de Custo da Obra permite que se tenha uma noção bem precisa sobre todos os itens do projeto. Cada componente, desde a mais simples tomada elétrica até complexos sistemas de detecção de incêndio, está com os preços unitários e quantidade discriminados. Com este nível de informação e clareza, podese concluir quão inexata foi a definição da base de cálculo por parte da contratante, que impôs à ENCOP retenções quase cinco vezes superiores às que deveriam ter sido cobradas. i) Obrigações acessórias. Nas manifestações de Inconformidade apresentadas a Recorrente sustentou que por ser optante pelo regime de tributação do lucro presumido está desobrigada da apresentação de escrituração contábil. Apenas por conveniência elaborou Diário e Razão. Os indeferimentos ocorreram por não preparar adequadamente folha de pagamento. Contudo, as explicações e comprovações trazidas aos autos são claras, precisas, autênticas e suficientes para que permita ao julgador, com segurança, se convencer da certeza e liquidez do crédito requerido. j) REQUER sejam analisadas e acolhidas as razões de fato e de direito ora apresentadas para que seja reformada a decisão proferida no Acórdão 12 69.421, determinando, desta forma, a restituição das contribuições recolhidas em excesso. Sem prejuízo do pedido principal, REQUER a restituição das retenções que comprovadamente incidiram sobre itens que a legislação em vigor exclui expressamente da base de cálculo, mas que foram retidos e recolhidos por empresas contratantes. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 4741DF CARF MF Processo nº 15504.724569/201474 Acórdão n.º 2401005.870 S2C4T1 Fl. 4.742 15 Tempestividade. Intimado em 22/09/2016, o recurso interposto em 17/10/2016 é tempestivo (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 33). Presentes as condições de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Prevenção. Informação Fiscal e Decisões Divergentes. Os recursos voluntários apresentados no âmbito dos processos n° 15504.724569/201474, n° 15504.732950/201326, n° 15504.732951/201371, n° 15504.732952/201315 e n° 15504.732953/201360 me foram distribuídos e integraram a presente pauta de julgamento. Quando da elaboração do presente voto, consultei o andamento processual dos outros seis processos citados nas razões recursais e constatei não haver pendência de recurso voluntário e nem decisão de primeira instância administrativa prolatada. A apreciação dos fatos ou do direito veiculada em Informação Fiscal não vincula o julgador, tratandose de mera manifestação da fiscalização em sede de diligência. Em relação à pretensa ausência de uniformidade nas decisões proferidas no conjunto dos onze processos do contribuinte, devemos asseverar que cada processo deve ser julgado e apreciado segundo as provas nele constantes, sendo livre a apreciação motivada das mesmas (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 29), cabendo ao contribuinte enquanto autor do pedido de restituição o ônus de provar a existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I). Mão de obra efetivamente empregada. Elaboração de Folha de Pagamento e GFIP. Aferição e Subempreitada. Retenção superior ao destacado. Para a recorrente, está correta a mãodeobra informada nas folhas de pagamento do escritório e das obras e declaradas em GFIP, a ser somada à que consta de notas fiscais de subempreiteiras. Logo, diante dos recolhimentos havidos, seria cabível, no seu entender, a restituição requerida. Para a decisão recorrida, a recorrente deixou de elaborar folhas de pagamento específica, incluindo na folha da administração remunerações que deveriam constar de folha específica. Além disso, corretamente destaca que a inobservância do art. 127 da IN inviabiliza o aproveitamento de retenções relativas a subempreiteiros. Acrescenta ainda que e a aferição indireta da mão de obra constante das notas fiscais revelaria omissão de rendimentos. No entender da recorrente, não haveria a obrigação de elaborar folha específica, estando para tando amparada em consulta administrativa. Além disso, obras/serviços sem CEI (GFIP 150) foram consolidadas na folha do escritório pela dificuldade de se alocar em folha específica, sendo os sites realizados simultaneamente e alternando trabalhadores e rateio não alteraria realidade, bastando decomposição. Acrescenta que, além de sites e centrais de telefonia, executou outros serviços breves e que estariam no anexo VIII. Destaca ainda, que, em praticamente todas as notas, conforme se apura dos pedidos de compras, foram incluídas parcelas que deveriam ter sido excluídas, como quadros elétricos cercas, conceritnas, fundações etc; e que as folhas revelariam o excesso de recolhimento, bem como o pagamento de serviços terceirizados e a contabilidade. Por outro lado, segundo a recorrente, a aferição indireta a partir das notas não revelaria a mão de obra empregada por não se tratar de lançamento de ofício, por haver divergência entre o cronograma das notas e o das obras/serviços, por haver divergência entre parcela de materiais da nota e o dos respectivos pedidos e em razão da natureza de suas atividades. Fl. 4742DF CARF MF Processo nº 15504.724569/201474 Acórdão n.º 2401005.870 S2C4T1 Fl. 4.743 16 Esclarece ainda que, a divergência de cronograma se daria desde o início das obras/servios, pois faturaria apenas serviço, mas naquele valor já estariam, em face dos pedidos, envolvidos materiais e equipamentos, ainda que não explicitados nas notas em razão de ainda não os ter adquirido. Além disso, não se teria efetuado corretamente o destaque com divisão meio a meio de material e serviço e ainda que se tivesse, a regra normativa seria dissociada da realidade das obras/serviços da recorrente com emprego intensivo de material e equipamentos. Assim, descreve as atividades pertinentes aos sites Greenfield e Hooftop, em que empregaria muito material e equipamento e pouca mão de obra em processos anteriores essa descrição teria sido considerada apropriada e no processo 15504.724569/201474 inclusive restituição teria sido deferida. A recorrente destaca ainda ainda haver casos de o contratante simplesmente ignorar o destaque e reter a maior. De plano, devemos ponderar que a solução de consulta invocada versa sobre a legislação em tese. Assim, incumbe à contribuinte, na situação concreta, demonstar o não cabimento da elaboração de folhas específicas e a confiabilidade da folha da administração (escritório). A empresa reconheceu que exerceu diversas atividades: construção de sites de telefonia e de centrais de telefonia e outros serviços breves. Acrescenta ainda que diversos serviços e obras não identificadas por matrícula CEI foram executados simultaneamente e em um ou poucos dias (pintura, reformas, reforço de estrutura, infra estrutura elétirca, lógica e de telefonia, contrução de acessos, de muros), a justificar a não elaboração de folha de pagamento específica. Notese que, em face das descrições da própria recorrente, a construção de sites de Telecom (Greenfield e Rooftop), cuja execução média pode chegar a 30 dias, e centrais de telefonia, envolve, ainda segundo a própria recorrente, atividades enquadradas na classe 42 OBRAS DE INFRAESTRUTURA, subclasse 42219/04 CONSTRUÇÃO DE ESTAÇÕES E REDES DE TELECOMUNICAÇÕES. Assim, não vislumbro que os serviços representados por essa subclasse estejam abrigados no Anexo XVII da IN INSS/DC n° 100, de 2003, ou no Anexo XIV da IN SRP n° 03, de 2005, ou no Anexo VIII da IN RFB n° 971, de 2009, tendo inclusive passado a constar como OBRA no Anexo VII da IN RFB n° 971, de 2009, a demandar matrícula CEI. Logo, correta a percepção do Acórdão de piso de que as atividades em questão não dispensam folha de pagamento específica (IN INSS/DC n° 100, de 2003, art. 171; IN SRP n° 03, de 2005, art. 162; e IN RFB n° 971, de 2009, art. 135). Acerca da alegada execução simultânea e/ou em poucos dias de diversos serviços não identificados por matrícula CEI (pintura, reformas, reforço de estrutura, infra estrutura elétirca, lógica e de telefonia, contrução de acessos, de muros), a justificar a não elaboração de folha de pagamento específica, devemos considerar que os pedidos de compras constantes dos autos são apócrifos (sem assinaturas). Quando há contrato assinado (fls. 1593/1606 e 1904/1917), há inclusive previsão de folha específica da obra. As Ordens de Serviço estão assinadas apenas pela contratada e não estão assinadas pelo contratante. Logo, não estando assinados, tais Pedidos de Compras e Ordens de Serviço são destituídos de valor probatório. De todo modo, ainda que estivessem devidamente firmados, tanto os pedidos de compra como as ordens de serviço fazem referência a um contrato e, por consequência, não podem ser tidos por conclusivos quanto a simultaneidade e curta duração do serviço (Pedidos de Compras expressamente asseveram a prevalência do contrato no caso de conflito com o Fl. 4743DF CARF MF Processo nº 15504.724569/201474 Acórdão n.º 2401005.870 S2C4T1 Fl. 4.744 17 pedido de compras; Ordens de Serviço mencionam expressamente Contrato de Prestação de Serviços e Fornecimento de Bens para Execução de Obras e Reformas). Os pedidos de compras podem eventualmente ser o único instrumento contratual efetivamente produzido pelas partes, contudo para fazer prova hábil devem ser devidamente formalizados (de plano, devem estar preenchidos todos os campos de data, assinatura e carimbo, bem como todas suas folhas rubricadas). Se devidamente formalizados, têm ainda seu valor probatório comprometido por em sua elaboração terem sido empregados códigos e serem extremamente sintéticos em suas disposições. A validade entre as partes de declaração negocial pode não demandar forma especial, mas, para valer perante terceiros, deve haver prova do contrato (Código Civil, arts. 107 e 221). O reconhecimento do direito creditório está condicionado à apresentação de documentos comprobatórios (IN RFB n° 900, de 2008, art. 65; IN RFB n° 1.300, de 2012, art. 76; e IN RFB n° 1717, de 2017, art. 161). A recorrente sustenta que as obras executadas não se confundem com edificação civil e, por conseguinte, não poderiam ser aferidas a partir de notas fiscais. Equivocase. A legislação admite a aferição indireta da remuneração da mão de obra com base na Nota Fiscal, na Fatura ou no Recibo de Prestação de Serviços. A restituição pressupõe a existência de pagamento indevido e, na falta de documentação hábil e completa (pedidos de compras e ordens de serviços não assinados, ausência de folha específica, notas fiscais postas em dúvida pela própria emitente e contabilidade irregular), apresentase como indício norteador ao convencimento do julgador a apuração de haver ou não em face da legislação de regência pagamento indevido, ou seja, se, segundo critério de aferição indireta, haveria valor indevidamente recolhido ou não. Logo, não prospera a alegação de bastar a simples decomposição da mão de obra alocada no escritório, eis que a aplicação da aferição indireta indica a ocorrência de omissão de mão de obra. Além disso, ainda que para parte dos serviços se possa sustentar o cabimento de inclusão na folha da administração, a inclusão na folha do escritório de mão de obra que deveria constar de folha específica retira a confiabilidade da folha do escritório. Para piorar, segundo a recorrente, o cronograma das notas não coincidiria com o período de execução das obras e serviços e a não coincidência é invocada como fundamento quando a recorrente reconhece que não foram observados os requisitos do art. 127 da IN RFB n° 971, de 2009, e, assim, postular o aproveitamento da mão de obra de subempreiteiros. Não detecto, entretanto, prova do efetivo período de execução das obras e serviços. Contratos, pedidos de compra e ordens de serviço não têm tal condão, ainda mais quando as notas fiscais destoam dos mesmos. A nota fiscal deve ser emitida quando da prestação de serviços, ainda que seu pagamento seja postergado. Não detecto prova nos autos a comprovar que as notas foram extemporâneamente emitidas. Nada impede que a prática executiva venha a divergir do previsto ao tempo da celebração do ajuste de vontades, ainda mais quando parte da documentação não foi devidamente formalizada ou nem foi apresentada. A não coincidência inviabiliza a vinculação inequívoca da mão de obra dos subempreiteiros nas competências em debate. Fl. 4744DF CARF MF Processo nº 15504.724569/201474 Acórdão n.º 2401005.870 S2C4T1 Fl. 4.745 18 A recorrente alega ainda emissão de notas sem correspondência para com o os pedidos de compra (notas emitidas antes da aquisição de material e a omitílos por sua inclusão como se tratasse de serviços; inclusão na base de cálculo de parcelas não representativas de mão de obra) e sem a divisão igualitária entre materiais (50%) e mão de obra (50%) admitida por ato normativo ou mesmo a inobservância pelo contratante do valor de retenção destacado na nota. Não foram apresentadas provas capazes de comprovar inequivocamente as situações em tela. De todo modo, a circunstância de eventualmente ter havido retenção em valor superior ao admitido pela instrução normativa não gera, por si só, direito creditório. Segundo a recorrente, teriam sido efetuados recolhimentos de retenção em valores superiores aos destacados. O simples fato de se efetuar recolhimento em montante superior ao destacado na nota não é prova de ser cabível restituição. Pelo contrário, revela discordância entre contratante e contratado sobre o que deva ser retido e recolhido. Não tem valor probatório tabelas apócrifas (não rubricadas) anexas a pedidos de compras também apócrifos (não datados e nem assinados). Tabelas anexas a contratos rubicadas apenas pelo representante da contratada, estando os contratos rubricados por todos os contratantes, não têm valor probatório. Notese ainda que a documentação está em desordem. Por exemplo, após contrato (fls. 1904/1912) assinado e rubricado com NET RIO LTDA para obra na Rua Itaguaí, n° 53, Niteroi/RJ (preve Anexo I Descrição dos serviços e Preços e Anexo II Cronograma) e de seu Aditivo (fls. 1913 prevê Anexo A a detalhar o anterior Anexo I Descrição dos Serviços e Preços) também assinado e rubricado por todos os contratantes, consta documento diverso, ou seja, um "Memorial Quantitatio Obras Civis" rubricado apenas pelo representante da recorrente (contratada). Também despidas de valor probatório as Planilhas de Custos de fls. 4530/4567, eis que não detecto a comprovação da autoria e nem prova de sua hábil integração aos contratos ou aos pedidos de compra. Pelas mesmas razões, despidas de valor probatório as planilhas constantes do Anexo I das razões recursais (fls. 4658/4686). Assim, não prosperam as alegações lastreadas em tais documentos. Fim de obra. Reiterese que não detecto prova do efetivo período de execução das obras e serviços. Contratos, pedidos de compra e ordens de serviço não têm tal condão e as notas fiscais destoam dos mesmos. A nota fiscal deve ser emitida quando da prestação de serviços, ainda que seu pagamento seja postergado. Nada impede que a prática executiva venha a divergir do previsto quando da celebração do ajuste de vontades. Não basta a simples retificação da GFIP, deve ser apresentada prova do alegado erro. Obrigações acessórias. A pessoa jurídica optante pela tributação com base no lucro presumido pode manter apenas livrocaixa e nele escriturar somente os recebimentos e pagamentos ocorridos em cada mês. Contudo, ao manter a pessoa jurídica livos diário e razão, a escrituração deve observar a legislação de regência, conforme asseverado no inciso I do art. 18 da Lei n° 8.541, de 1992. Não houve imposição de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, eis que se analisava requerimento de restituição. A inobservância das obrigações acessórias pertinentes (folha específica) ou a apresentação de livro contábil sem as formalidades inerentes ao mesmo (registro em contas individualizadas) comprometem a comprovação dos fatos alegados pela recorrente, devendo a mesma arcar com o ônus probatório que lhe é incumbido pela legislação em pedido de restituição. Em relação aos serviços/obras sem matrícula CEI, mesmo diante das provas e alegações apresentadas pela contribuinte, não se forma convencimento acerca do Fl. 4745DF CARF MF Processo nº 15504.724569/201474 Acórdão n.º 2401005.870 S2C4T1 Fl. 4.746 19 cabimento da restituição e, não tendo a empresa se desincumbido de seu ônus probatório, não há como se reformar o Acórdão para as obras/serviços não identificados por matrícula CEI. Para obras identificadas por matrícula CEI, a recorrente apresentou alegações pormenorizadas, as quais a seguir passo a analisar. Assim, em relação às obras matrícula CEI 51.207.63031/72, 51.207.73525/79, 51.207.98182/79, 51.208.07819/77, 51.208.54446/79, 51.208.54450/72, 51.208.85757/71, 70.003.14518/75, 70.003.52699/77, 70.003.52709/71 e 70.003.54494/77, mais algumas considerações devem ser acrescidas, eis que foram apresentadas pela recorrente as seguintes alegações específicas. Obra Alegação A Nota e Retenção após conclusão da obra B Obra encerrada, não há folha no mês da nota 51.207.63031/72 C Deferida restituição em outro processo 51.207.73525/79 A Nota e Retenção após conclusão da obra A Nota e Retenção após conclusão da obra 51.207.98182/79 C Deferida restituição em outro processo A Nota e Retenção após conclusão da obra 51.208.07819/77 C Deferida restituição em outro processo A Nota e Retenção após conclusão da obra D Construção de Site Novo Greenfield Mão de obra suficiente e acatada em outros processos E Trabalhadores da obra constaram na folha do escritório F Fiscal reconhece existência de profissionais para obra 51.208.54446/79 G Pedido de Compra fundação 44% do custo total e sobre esse item não deveria ter havido retenção A Nota e Retenção após conclusão da obra B Obra encerrada, não salário e nem folha no mês da nota D Construção de Site Novo Greenfield Mão de obra suficiente e acatada em outros processos E Trabalhadores da obra constaram na folha do escritório 51.208.54450/72 G Pedido de Compra discrimina insumos (mão de obra com encargos é o item "Greenfield novo" 16 % do total). Contratante desconsiderou discriminação. Na Nota, mão de obra é 52% do total. A Nota e Retenção após conclusão da obra, inclusive de serviços não orçados B Obra encerrada, não há folha no mês da nota 51.208.85757/71 C Deferida restituição em outro processo A Nota e Retenção após conclusão da obra C Deferida restituição em outro processo H Pedidos Restituição pendentes em outros processos 70.003.14518/75 D Construção de Site Novo Greenfield Mão de obra suficiente e acatada em outros processos A Nota e Retenção após conclusão da obra B Obra encerrada, não há folha no mês da nota 70.003.52699/77 C Deferida restituição em outro processo A Nota e Retenção após conclusão da obra B Obra encerrada, não há folha no mês da nota 70.003.52709/71 C Deferida restituição em outro processo A Nota e Retenção após conclusão da obra B Obra encerrada, não há folha no mês da nota C Deferida restituição em outro processo 70.003.54494/77 D Construção de Site Novo Greenfield Mão de obra suficiente e acatada em outros processos Para todas as obras em questão, a recorrente sustenta que o cronograma das notas não coincide com o período de execução das obras. Os demais argumentos não foram levantados para todas as obras. Assim, afirma a não elaboração de folha específica ou de incluir os trabalhadores em folha do escritório no mês de emissão da nota. No período da obra, teria folhas ainda que não específicas. Acrescenta ainda, que, em outros processos, haveria Fl. 4746DF CARF MF Processo nº 15504.724569/201474 Acórdão n.º 2401005.870 S2C4T1 Fl. 4.747 20 deferimento de restituição em competências diversas das objeto do recurso e em que se teria acatado a existência e suficiência de mão de obra para a Construção de Site Novo Greenfield. Reiterese que não detecto prova do efetivo período de execução das obras e serviços. Contratos, pedidos de compra e ordens de serviço não têm tal condão, ainda mais quando há previsão de medições e as notas fiscais destoam dos mesmos. Nada impede que a prática executiva venha a divergir do previsto quando da celebração do ajuste de vontades. Reiterese ainda que a nota fiscal deve ser emitida quando da prestação de serviços, ainda que seu pagamento seja postergado em razão dos diversos motivos alegados pela recorrente. A emissão das notas fiscais evidencia a existência da prestação de serviços na competência de emissão e, por consequência, o cabimento da apresentação de folha. A prova em sentido contrário deve ser robusta. Não identifico tal prova nos autos. A razão em questão é suficiente para não se reformar a decisão de piso em relação a todas as matrículas constantes da tabela acima. Eventuais restituições deferidas ou a serem apreciadas em outros processos, ainda que em relação às obras em questão, não têm o condão de alterar o conjunto probatorio constante dos autos e nem o fato de que tais processos versam sobre competêncais diversas das apreciadas no presente processo. Em relação à matricula CEI n° 51.209.89501/77, os Pedidos de Compras 300302081 (fls. 3392/3395) e 300302088 (fls. 387/3389) não especificam materiais e, por conseguinte, nem valores. Além disso, tais pedidos não estão assinados, sendo destituios de valor probatorio. As notas fiscais 519, 520 e 523 não discriminam valores de materiais. Para demonstrar preponderância do gasto com materiais e equipamentos, sem fornecimento de mão de obra para montagem, o recorrente invoca genericamente prova apresentada em outros processos. Não basta tal invocação genérica para ensejar a hábil instrução probabória do presente processo. Não há incorreção na retenção (IN RFB n° 971, de 2009, arts. 122 e 123), eis que apenas nas notas fiscais há menção de fornecimento de material e sem discriminação de qualquer valor e os apócrifos pedidos de compras apresentados como veiculadores do contrato não explicitam materiais ou equipamentos; ainda que eventualemnte tenham constado de planilha de custos, esta não faz as vezes de contrato se não estiver devidamente formalizada e integrada a um documento de natureza contratual também devidamente formalizado para valer como prova perante o fisco. Não detecto retenções em montantes superiores ao pertinente, considerando a inconsistência da prova tendente a demonstrar o contratado e o constante das próprias notas. De qualquer forma, ainda que eventualmente em alguma nota fiscal tenha havido retenção a maior, tal circunstância, por si só, não tem o condão de ensejar o cabimento da reforma do acórdão atacado. Reiterese que a pessoa jurídica optante pela tributação com base no lucro presumido pode manter apenas livrocaixa e nele escriturar somente os recebimentos e pagamentos ocorridos em cada mês. Contudo, ao manter livos diário e razão, a escrituração deve observar a legislação de regência, conforme asseverado no inciso I do art. 18 da Lei n° 8.541, de 1992. Ao manter contabilidade completa, a apresentação de livro contábil sem as formalidades inerentes ao mesmo (registro em contas individualizadas) compromete a comprovação dos fatos alegados pelo recorrente, devendo o mesmo arcar com o ônus probatório que lhe é incumbido pela legislação em pedido de restituição. Portanto, diante da inconsistência do conjunto probatório produzido pela recorrente, resta prejudicada a totalidade das alegações recursais. Não se forma convencimento acerca do cabimento da restituição postulada e, não tendo a empresa se desincumbido de seu ônus probatório, não há como se reformar o Acórdão atacado. Fl. 4747DF CARF MF Processo nº 15504.724569/201474 Acórdão n.º 2401005.870 S2C4T1 Fl. 4.748 21 Isso posto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 4748DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.003506/2010-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. PRELIMINAR AFASTADA.
Os casos de nulidade no PAF são elencados arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Constatado erro na base de cálculo, mas sem alteração do critério jurídico adotado para a atuação, não há se falar em nulidade. Assim, a matéria deve ser analisada como mérito, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada.
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM PRÉVIA ORDEM JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA. DECISÃO STF.
O STF no julgamento do Recurso Extraordinário 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral, decidiu que: O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal e A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DE EMPRESAS DO SIMPLES. SIMULAÇÃO.
A autoridade fiscal constatando situação capaz de concluir que haveria uma simulação para evitar a tributação devida, tem o poder-dever de exclusão do SIMPLES, bem como os da verificação de elementos que configurariam uma organização de estrutura de uma empresa única, mas com vários empresas interpostas.
Assim, verifica da as circunstâncias definidas em lei como necessárias e suficientes a sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador identificado, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados.
MULTA QUALIFICADA. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO
A autoridade fiscal ao apontar a simulação ou fraude deve indicar com elementos concretos a que acusação se funda. Em ocorrendo os indícios apontados, se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a afastar as denúncias da fiscalização.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF 02.
Este Tribunal administrativo não é competente para tratar sobre inconstitucionalidade de Lei tributária, nos termos da Súmula CARF 02.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Ausente justificadamente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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IMPROCEDÊNCIA. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. PRELIMINAR AFASTADA. Os casos de nulidade no PAF são elencados arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Constatado erro na base de cálculo, mas sem alteração do critério jurídico adotado para a atuação, não há se falar em nulidade. Assim, a matéria deve ser analisada como mérito, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM PRÉVIA ORDEM JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA. DECISÃO STF. O STF no julgamento do Recurso Extraordinário 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral, decidiu que: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal” e “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DE EMPRESAS DO SIMPLES. SIMULAÇÃO. A autoridade fiscal constatando situação capaz de concluir que haveria uma simulação para evitar a tributação devida, tem o poderdever de exclusão do SIMPLES, bem como os da verificação de elementos que configurariam uma organização de estrutura de uma empresa única, mas com vários empresas interpostas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 35 06 /2 01 0- 39 Fl. 345DF CARF MF 2 Assim, verifica da as circunstâncias definidas em lei como necessárias e suficientes a sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador identificado, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados. MULTA QUALIFICADA. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO A autoridade fiscal ao apontar a simulação ou fraude deve indicar com elementos concretos a que acusação se funda. Em ocorrendo os indícios apontados, se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a afastar as denúncias da fiscalização. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF 02. Este Tribunal administrativo não é competente para tratar sobre inconstitucionalidade de Lei tributária, nos termos da Súmula CARF 02. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Ausente justificadamente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela MÓVEIS E ARTESANATO MADREARTES LTDA E OUTROS., contra o Acórdão de Julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Porto AlegreRS (6ª Turma da DRJ/POA), que julgou a impugnação improcedente. Conforme relatório fiscal, o Auto de Infração, registrado sob o DEBACD nº 37.269.7739 referese ao lançamento nas competências 01/2005 a 13/2009 das contribuições da empresa destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. O relatório do Acórdão recorrido descreve o seguinte: "A autoridade lançadora relata pormenorizadamente no Relatório do Auto de Infração, às fls. 127 a 182 dos autos Fl. 346DF CARF MF Processo nº 11020.003506/201039 Acórdão n.º 2301005.623 S2C3T1 Fl. 345 3 digitais, as razões que a levaram a concluir que as empresas optantes pelo Simples Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (até 06/2007) e pelo Simples Nacional Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (a partir de 07/2007) Móveis e Artesanato Madreartes Ltda, All War Móveis Ltda – CNPJ 05.360.328/000132, Móveis Shellon Ltda – CNPJ 09.097.785/000137, Móveis Stancieli Ltda – CNPJ 00.872.014/000103 e Móveis San Remy Ltda – CNPJ 03.995.384/000118 constituíam na realidade uma única empresa, que foi fracionada com o objetivo de reduzir sua carga tributária. Relata que evidenciou um planejamento para reduzir o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, com a alocação e divisão dos empregados em várias empresas, cada uma optante pelo regime simplificado de tributação, caso em que a alíquota previdenciária fica extremamente reduzida e ocasiona uma redução significativa no recolhimento das contribuições. Em apertada síntese do relato fiscal, extraise que a fiscalização identificou que as empresas Madreartes e Stancieli estão estabelecidas no mesmo local, separadas apenas por um estacionamento interno; que a Móveis Stancieli foi criada em 07/05/1995, mesmo ano da instituição do Simples, e que o endereço de sua filial é no mesmo local do antigo endereço da Madreartes; que o objetivo da criação da Móveis Stancieli foi a divisão do faturamento e do registro dos empregados; que as correspondências enviadas para a Madreartes são endereçadas para o mesmo endereço da Stancieli; que os documentos fiscais de fornecedores são emitidos com os dados da Madreartes, mas as mercadorias são entregues na Stancieli; que a All War, ao ser tributada pelo lucro presumido, transferiu em 31/12/2007 todo o seu estoque de matéria prima e de produtos em elaboração, bem como o imobilizado, para a Móveis Shellon, criada em 10/08/2007 no mesmo endereço da All War, com os mesmos funcionários e optante pelo Simples; que o objeto social das empresas é o mesmo; que todas possuem os mesmos números de telefone, o mesmo endereço eletrônico, o mesmo contador, os mesmos administradores, sócios em comum, atividades idênticas e cada uma com faturamento próximo ao limite de exclusão do Simples; que os gastos de todas as pseudoempresas são pagos pelas mesmas contas bancárias; que os veículos utilizados são os mesmos para todas; que a carteira de clientes é a mesma, e a codificação e especificação dos produtos faturados são os mesmos, conforme se comprova pelas notas fiscais de vendas; que é comum a emissão pelos fornecedores de documentos destinados a uma empresa com o endereço de outra; que as empresas utilizam os mesmos trabalhadores, forjando a demissão em uma e a contratação na outra seis meses após, mas que os cartõesponto comprovam que jamais ficaram desempregados; que existe transferência de empregados da filial da Stancieli para a Shellon e para a Madreartes sem quebra de continuidade, já que são desligados em uma e admitidos na outra no mesmo dia, com o mesmo salário e com a mesma função; que os veículos constantes do ativo imobilizado das Fl. 347DF CARF MF 4 empresas são utilizados diariamente por todas elas; que a administração, venda e demais setores indiretos são comuns, no mesmo endereço (Móveis Stancieli), enquanto que nos demais estabelecimentos existe somente parte da produção; que os elementos das reclamatórias trabalhistas corroboram o fato de que há somente uma empresa; que os advogados contratados para a defesa nestes processos são os mesmos; que o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) de 2003 traz como endereço da Móveis San Remy o endereço da AllWar e da Shellon, enquanto que o da Móveis Stancieli traz como endereço o da Madreartes; que os empréstimos contraídos pela Móveis Stancieli junto à San Remy e à Madreartes não sofreram qualquer pagamento ou atualização monetária no período de 2005 a 2009. Com relação à contabilidade, a fiscalização identificou a existência de “caixa 2” na empresa Móveis Stancieli; que em todas as empresas a contabilidade não possui conta cliente, apesar de têlos em centenas; que todo o pagamento de duplicata é contabilizado na conta caixa, não havendo passagem por qualquer conta bancária; que a Móveis Stancieli contabiliza somente extensos prejuízos contábeis, tendo seu passivo a descoberto sistematicamente, indicando a ausência de realidade dos números; que há omissão de movimentação bancária de conta do Banco Santander na contabilidade da Móveis Stancieli; e que as empresas efetuam transferências bancárias entre elas, mas não as registram contabilmente, ou contabilizam simplesmente como “entrada” ou “saída de caixa”. Tendo em vista a constatação de que as empresas Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, AllWar Móveis Ltda e Móveis Shellon Ltda não passavam de meros setores de produção da primeira empresa constituída, a Móveis e Artesanato Madreartes Ltda, os empregados registrados naquelas empresas foram todos considerados, para fins de lançamento das contribuições previdenciárias e das destinadas a outras entidades e fundos no período de 01/2005 a 13/2009, como empregados da empresa Madreartes. As bases de cálculo foram obtidas por meio do resumo das folhas de pagamento destas empresas e das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs por elas elaboradas e transmitidas. O Levantamento “15 – Salários Por Fora Patronal” abrange as competências 01/2005 a 11/2005 e, de acordo com a autoridade lançadora, foi originado por várias correspondências da Justiça do Trabalho e do Ministério Público Federal, dando conta de pagamento de salários sem a realização dos registros previstos na legislação, o que foi confirmado no procedimento de fiscalização. Foi aplicada a multa de ofício de 75% no período de 01/2005 a 11/2008, por se revelar a menos severa ao contribuinte, nos termos do artigo 106, II, “c” do CTN. A partir da competência 12/2008, o lançamento foi efetuado com aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, nos termos do artigo 35A da Lei nº 8.212/1991, combinado com o artigo 44, I e § 1º da Lei nº 9.430/1996. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 11020.003506/201039 Acórdão n.º 2301005.623 S2C3T1 Fl. 346 5 O sujeito passivo foi excluído do Simples por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 175, de 18/11/2010, com efeitos a partir de 01/01/2005, e do Simples Nacional por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 176, de 18/11/2010, com efeitos a partir de 01/07/2007 (fls. 1.106 e 1.107 dos autos digitais). Conforme os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 1.108 a 1.111, foi atribuída responsabilidade solidária pelo crédito tributário às empresas Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, AllWar Móveis Ltda e Móveis Shellon Ltda nos termos do artigo 124 do CTN. O montante do crédito, consolidado em 25/11/2010, corresponde a R$ 3.544.478,22 (três milhões, quinhentos e quarenta e quatro mil, quatrocentos e setenta e oito reais e vinte e dois centavos). Cientificadas pessoalmente da autuação em 29/11/2010, as empresas Móveis e Artesanato Madreartes Ltda, Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, Móveis Shellon Ltda e AllWar Móveis Ltda apresentaram impugnação conjunta em 29/12/2010 por meio do instrumento de fls. 1.115 a 1.144". Após seus argumentos em sede de impugnação terem sidos rejeitados, a recorrente apresenta Recurso Voluntário nas fls. 232/253, do eprocesso, produzindo as mesmas alegações de primeira instância, as quais reproduzo também do relatório da DRJ de origem, por serem exatamente iguais em seu recurso de segunda instância: Em preliminar a) Legitimidade para impugnar. Entendem que na qualidade de sujeitos passivos solidários, as empresas Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, Móveis Shellon Ltda e AllWar Móveis Ltda estão legitimadas para impugnar os Autos de Infração, uma vez que foram arroladas como coresponsáveis pelos lançamentos efetuados. b) Exclusão do Simples e do Simples Nacional. Sustentam que deve ser determinado o sobrestamento do presente feito até o julgamento definitivo das contestações da empresa Móveis e Artesanato Madreartes Ltda à sua exclusão do Simples e do Simples Nacional, ou, alternativamente, que os julgamentos sejam realizados de forma simultânea, sob pena de ocorrerem decisões contraditórias e de se caracterizar cerceamento ao direito do exercício da ampla defesa das impugnantes. c) Decadência. Afirmam que, de acordo com o § 4º do artigo 150 do CTN, os fatos geradores anteriores a 29/11/2005 estão fulminados pela decadência e não podem mais ser exigidos. Alegam que não há nos autos elementos legítimos e suficientes para configurar a ocorrência de fraude ou simulação. Fl. 349DF CARF MF 6 d) Nulidades. d1) Cerceamento de defesa. Insurgemse contra o prazo de trintadias para apresentarem suas impugnações, argumentando que é injusto, cerceia seu direito à defesa e caracteriza violação ao princípio da isonomia processual, já que a fiscalização pode prorrogar indefinidamente seu prazo de apuração. Sustentam que somente tiveram acesso aos autos originais do processo em 16/12/2010, data em que aportaram na Agência da RFB em Canela, unidade apontada como preparadora do processo e local para onde deveriam se dirigir para poder acessálo, conforme informação retirada do site da própria RFB. Afirmam que a cópia do processo recebido pela Madreartes estava incompleto, e que os documentos faltantes foram obtidos em 16/12/2010, conforme solicitação de cópias protocolada na Agência da RFB em Canela e anexadas ao feito. d2) Irregularidade na obtenção de provas. Sustentam que a fiscalização agiu de forma abusiva ao produzir “Termos de Constatação” sem a presença das fiscalizadas, induzindo e coagindo seus funcionários a firmar termos dos quais não tiveram acesso. Rechaçam as conclusões baseadas nestas declarações, que não condizem com a verdade dos fatos e foi construída à revelia da fiscalizada. Requerem, caso se entenda que tais documentos possuem valor, a oitiva das pessoas supostamente entrevistadas, entre outras conhecedoras dos fatos, para que apresentem sua versão, conforme rol de testemunhas que apresentam. d3) Obtenção ilegal de dados sigilosos. Alegam que a fiscalização extrapolou os limites de sua competência ao obrigar as fiscalizadas a entregarlhes documentos relativos à sua movimentação bancária, eis que sujeitos ao sigilo de dados garantidos pela Constituição Federal e confirmado pelo pleno do Supremo Tribunal Federal, e que foram acessados dados bancários de terceiros que sequer estão envolvidos na fiscalização. Argumentam que em obediência à Lei Maior do país, bem como em respeito às decisões da Corte Suprema, devem ser anulados os Autos de Infração lavrados com base em informações obtidas de forma ilícita pela fiscalização. d4) Afronta ao princípio da legalidade. Afirmam que ao agir de forma abusiva e sem observância à legalidade exigida em seus atos, o agente fiscalizador desrespeitou o princípio da estrita legalidade inerente às atividades da Administração Pública. No mérito Exclusão do Simples e do Simples Nacional. Discorrem sobre os motivos pelos quais entendem que descabe a exclusão da Madreartes do Simples e do Simples Nacional, não devendo ser mantida diante da realidade fática apresentada, seja quanto ao faturamento compatível, falta de identidade de sócios Fl. 350DF CARF MF Processo nº 11020.003506/201039 Acórdão n.º 2301005.623 S2C3T1 Fl. 347 7 e legal constituição de sua personalidade jurídica. Entendem que não se mostra criteriosa a imputação de toda a responsabilidade sobre os Autos de Infração à impugnante Madreartes por ter sido ela a pessoa jurídica constituída há mais tempo. Sustentam que a desconsideração da personalidade jurídica das demais impugnantes com fundamento no artigo 116, parágrafo único do CTN, não pode prosperar, pois além do dispositivo legal não ser autoaplicável, eis que ainda não foi regulamentado por lei ordinária, também é alvo de Ação Direta de Inconstitucionalidade que tramita perante o STF – ADIn nº 24469/600DF. Requerem que sejam desconstituídos os Atos que determinaram a exclusão da Madreartes do sistema Simples, devendo ser mantida a sua tributação por este sistema, uma vez que apresenta os requisitos exigidos para tanto, e que sejam consideradas as personalidades das demais pessoas jurídicas desconsideradas neste processo, incumbindo a cada uma delas individualmente a receita por elas auferida, bem como a tributação porventura incidente e a responsabilidade por seus empregados. Base de cálculo dos alegados pagamentos “por fora”. Afirmam que a fiscalização chegou à conclusão de que as empresas Móveis Stancieli Ltda e Móveis San Remy Ltda realizaram pagamentos de salário “por fora” em 2005 com base em documentos bancários sigilosos das empresas, aos quais obteve acesso de forma ilegal, uma vez que obrigou as fiscalizadas a lhe entregar tais documentos por meio de Mandado de Procedimento Fiscal, sem observar que havia prévia necessidade de obter ordem judicial para acessar estes documentos. Por este motivo, requerem que seja desconstituída a base de cálculo apresentada na planilha de fls. 482, devendo ser excluída dos Autos de Infração a tributação incidente sobre esta base. Multas qualificadas. Alegam que a multa no lançamento de ofício somente poderá ser agravada quando configurado o evidente intuito de fraude, com a clara comprovação da vontade livre do contribuinte de cometer o ilícito, ou seja, o dolo, o que não foi demonstrado pela fiscalização no Relatório Fiscal. Sustentam que se para a constituição dos créditos tributários a fiscalização tomou por base as próprias declarações das impugnantes – folhas de pagamento, GFIPs e guias do FGTS – não se mostra adequado nem equânime agravar sua tributação, sob a perspectiva de ter havido fraude. d) Da inviabilidade das penalidades aplicadas. d1) Do Auto de Infração Debcad nº 37.269.7755. A Madreartes alega que não registrou os empregados pois estes estavam regularmente registrados nas outras empresas. Afirmam Fl. 351DF CARF MF 8 que foi aplicada a multa genérica do artigo 92 por infração inexistente ao artigo 32, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, pois a Madreartes não deixou de elaborar sua folha de pagamento na forma exigível, assim como as demais empresas. Entendem que não pode a fiscalização entender, com base em mera ficção, que o quadro funcional individual de cada empresa desconsiderada seja de responsabilidade apenas da Madreartes e com isso imputarlhe conduta que não praticou. Requerem a nulidade deste Auto de Infração. d2) Do Auto de Infração Debcad nº 37.269.7747. Afirmam que os alegados vícios na escrituração contábil, caso existissem, já são objeto do processo nº 11020.003510/20105, no qual as impugnantes tiveram o seu lucro arbitrado para efeitos de apuração do IRPJ e tributos decorrentes, justamente com fundamento na deficiência da contabilidade. Com base nisso, as multas arbitradas naquele processo em que se discutem outros tributos foram fixadas pelo Auditor Fiscal responsável em seu patamar máximo, agravadas para o equivalente a 150%. Entendem que a fiscalização pretende punir as contribuintes duas vezes com base na mesma circunstância, o que caracteriza o “bis in idem” da exigência, que não pode persistir, nem mesmo sob a alegação de que se trata de tributos diferentes. Alegam que, ainda que a fiscalização não tenha ficado satisfeita com suas explicações sobre a linha telefônica, não pode concluir que houve negativa de apresentar o documento solicitado, e que o dispositivo apontado como infringido referese exclusivamente a documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na lei, o que não é o caso do contrato de locação de telefone. Sustentam que tinham em seu benefício o direito constitucional de não se autoincriminar, ou não auxiliar na produção de prova contra si elaborada, prevista nos artigos 5º, LXIII da Constituição Federal, e 186 do Código do Processo Penal, ou seja, o exercício regular de direito como causa da exclusão da ilicitude. Persistindo a exigência, entendem que não podem sofrer o agravamento do artigo 292, II do RPS, já que não há comprovação de conduta dolosa das impugnantes para o cometimento de fraude, simulação ou conluio. d3) Do Auto de Infração Debcad nº 37.311.5512. Afirmam que os empregados que prestam serviços a cada uma das impugnantes foram devidamente registrados, em cada um dos estabelecimentos em que prestam efetivamente seus serviços, mediante o competente contrato de trabalho. Persistindo a exigência, entendem que não podem sofrer o agravamento da multa original em três vezes, já que não há comprovação da existência das condutas do artigo 292, II do RPS". Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator Fl. 352DF CARF MF Processo nº 11020.003506/201039 Acórdão n.º 2301005.623 S2C3T1 Fl. 348 9 O recurso voluntário apresentado está revestido do quesito formal da tempestividade e é de competência desse colegiado. Portanto, dele o conheço. I DAS PRELIMINARES DE NULIDADE 1. CERCEAMENTO DE DEFESA As causas de nulidades no processo administrativo fiscal se limitam as que estão elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.)". Grifei. Nesse quesito, as recorrentes alegam cerceamento de defesa em razão do prazo que não tiveram prazo hábil para realizar sua manifestação. Ocorre que os prazos são iguais para todos os contribuintes e não guarda relação subjetiva. Em havendo diversos responsáveis a serem intimadas, o prazo conta sempre do dia posterior daquele que restou intimada a pessoa jurídica ou física interessada, nos termos do PAF. Nesse sentido, não restou comprovado nos autos que as empresas tiveram prazos menores para realizar sua defesa. Assim, caso tivessem tido algum prazo a menor, era dever das recorrentes apresentarem suas provas, como por exemplo alguma declaração da Receita Federal de que só teve acesso ao processo administrativo fiscal com tempo menor do qeu o previsto em lei. Ainda, restou comprovado também que da capa do Auto de Infração que a contribuinte, na pessoa do seu representante, Sr. Lairton Wolff, declarou que recebeu segunda via do Auto de Infração e demais documentos relacionados. Ressaltase que, está pacificado em nossos Tribunais o princípio de nullité sans grief, ou seja: não há nulidade sem prejuízo. No presente caso, verificase que a recorrente teve ciência de todo os fatos que estavam sendo apontados, pois respondeu a todo questionamento da fiscalização, bem como indicou elementos solicitados para as conclusões do lançamento. Fl. 353DF CARF MF 10 Portanto, afasto a alegação de cerceamento de defesa. 2. DA QUEBRA DO SIGILO FISCAL SEM ORDEM JUDICIAL Quanto a essa matéria, sem reparos a decisão da DRJ de origem. Após amplo debate sobre o tema perante os Tribunais administrativo e judicial brasileiro, o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam dispositivos da Lei Complementar 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. A Suprema Corte lançou o entendimento no RE n.º 601.314/SP 1, decidido sob o rito da repercussão geral, de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados. Assim, não assiste razão o recorrente 3. DAS DEMAIS PROVAS ALEGADAS COMO IRREGULARES Alega a recorrente que a fiscalização obteve dados e informações de seus funcionários de forma ilegal, deixando de apontar qual seria a forma ilegal. Porém, o PAF– processo administrativo fiscal se inicia pelo ato da fiscalização realizada pela autoridade administrativa, contemplada pelo artigo 196 do CTN, conforme transcrição abaixo: “Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas”. Por meio desse dispositivo é que a autoridade fazendária realiza a devida fiscalização. Com isso, a autoridade administrativa tem o direito e o dever de realizar diligências que entender devido para verificar o levantamento de todas as informações necessárias, desde que permitidas em lei, para a respectiva busca da verdade material sobre os fatos em relação a obrigação tributária a ser cumprida, podendo examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, movimentações financeiras, papéis e feitos comerciais ou fiscais dos contribuintes. Ainda, como bem ressaltado pela DRJ de origem, "essas atividades são desenvolvidas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, os quais, nos termos do artigo 6º, inciso I da Lei n.º 10.593/2002, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 11.457/2007, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em 1 No julgamento do Recurso Extraordinário 601.314, submetido à sistemática da repercussão geral, decidiu o STF: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal” e “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 11020.003506/201039 Acórdão n.º 2301005.623 S2C3T1 Fl. 349 11 caráter privativo, possuem, dentre outras atribuições, as de executar procedimentos de fiscalização e de constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições". Verificase dos autos que os procedimentos administrativos foram devidamente realizados sem mácula ou nulidade, dentro do processo administrativo (rito processual). Assim, não há falar em nulidade. II. DO MÉRITO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES Conforme consta do relatório fiscal, as empresas envolvidas no auto de infração, foram excluídas do simples: "o sujeito passivo foi excluído do Simples por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 175, de 18/11/2010, com efeitos a partir de 01/01/2005, e do Simples Nacional por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 176, de 18/11/2010, com efeitos a partir de 01/07/2007 (fls. 1.106 e 1.107 dos autos digitais)".] As razões segundo o REFISC foram: A autoridade lançadora relata pormenorizadamente no Relatório do Auto de Infração, às fls. 127 a 182 dos autos digitais, as razões que a levaram a concluir que as empresas optantes pelo Simples Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (até 06/2007) e pelo Simples Nacional Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (a partir de 07/2007) Móveis e Artesanato Madreartes Ltda, AllWar Móveis Ltda – CNPJ 05.360.328/000132, Móveis Shellon Ltda – CNPJ 09.097.785/000137, Móveis Stancieli Ltda – CNPJ 00.872.014/000103 e Móveis San Remy Ltda – CNPJ 03.995.384/000118 constituíam na realidade uma única empresa, que foi fracionada com o objetivo de reduzir sua carga tributária. Relata que evidenciou um planejamento para reduzir o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, com a alocação e divisão dos empregados em várias empresas, cada uma optante pelo regime simplificado de tributação, caso em que a alíquota previdenciária fica extremamente reduzida e ocasiona uma redução significativa no recolhimento das contribuições. Em apertada síntese do relato fiscal, extraise que a fiscalização identificou que as empresas Madreartes e Stancieli estão estabelecidas no mesmo local, separadas apenas por um estacionamento interno; que a Móveis Stancieli foi criada em 07/05/1995, mesmo ano da instituição do Simples, e que o endereço de sua filial é no mesmo local do antigo endereço da Madreartes; que o objetivo da criação da Móveis Stancieli foi a divisão do faturamento e do registro dos empregados; que as Fl. 355DF CARF MF 12 correspondências enviadas para a Madreartes são endereçadas para o mesmo endereço da Stancieli; que os documentos fiscais de fornecedores são emitidos com os dados da Madreartes, mas as mercadorias são entregues na Stancieli; que a All War, ao ser tributada pelo lucro presumido, transferiu em 31/12/2007 todo o seu estoque de matéria prima e de produtos em elaboração, bem como o imobilizado, para a Móveis Shellon, criada em 10/08/2007 no mesmo endereço da All War, com os mesmos funcionários e optante pelo Simples; que o objeto social das empresas é o mesmo; que todas possuem os mesmos números de telefone, o mesmo endereço eletrônico, o mesmo contador, os mesmos administradores, sócios em comum, atividades idênticas e cada uma com faturamento próximo ao limite de exclusão do Simples; que os gastos de todas as pseudo empresas são pagos pelas mesmas contas bancárias; que os veículos utilizados são os mesmos para todas; que a carteira de clientes é a mesma, e a codificação e especificação dos produtos faturados são os mesmos, conforme se comprova pelas notas fiscais de vendas; que é comum a emissão pelos fornecedores de documentos destinados a uma empresa com o endereço de outra; que as empresas utilizam os mesmos trabalhadores, forjando a demissão em uma e a contratação na outra seis meses após, mas que os cartõesponto comprovam que jamais ficaram desempregados; que existe transferência de empregados da filial da Stancieli para a Shellon e para a Madreartes sem quebra de continuidade, já que são desligados em uma e admitidos na outra no mesmo dia, com o mesmo salário e com a mesma função; que os veículos constantes do ativo imobilizado das empresas são utilizados diariamente por todas elas; que a administração, venda e demais setores indiretos são comuns, no mesmo endereço (Móveis Stancieli), enquanto que nos demais estabelecimentos existe somente parte da produção; que os elementos das reclamatórias trabalhistas corroboram o fato de que há somente uma empresa; que os advogados contratados para a defesa nestes processos são os mesmos; que o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) de 2003 traz como endereço da Móveis San Remy o endereço da AllWar e da Shellon, enquanto que o da Móveis Stancieli traz como endereço o da Madreartes; que os empréstimos contraídos pela Móveis Stancieli junto à San Remy e à Madreartes não sofreram qualquer pagamento ou atualização monetária no período de 2005 a 2009. Com relação à contabilidade, a fiscalização identificou a existência de “caixa 2” na empresa Móveis Stancieli; que em todas as empresas a contabilidade não possui conta cliente, apesar de têlos em centenas; que todo o pagamento de duplicata é contabilizado na conta caixa, não havendo passagem por qualquer conta bancária; que a Móveis Stancieli contabiliza somente extensos prejuízos contábeis, tendo seu passivo a descoberto sistematicamente, indicando a ausência de realidade dos números; que há omissão de movimentação bancária de conta do Banco Santander na contabilidade da Móveis Stancieli; e que as empresas efetuam transferências bancárias entre elas, mas não as registram contabilmente, ou contabilizam simplesmente como “entrada” ou “saída de caixa”. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 11020.003506/201039 Acórdão n.º 2301005.623 S2C3T1 Fl. 350 13 Tendo em vista a constatação de que as empresas Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, AllWar Móveis Ltda e Móveis Shellon Ltda não passavam de meros setores de produção da primeira empresa constituída, a Móveis e Artesanato Madreartes Ltda, os empregados registrados naquelas empresas foram todos considerados, para fins de lançamento das contribuições previdenciárias e das destinadas a outras entidades e fundos no período de 01/2005 a 13/2009, como empregados da empresa Madreartes. Conforme se observa acima, foram diversas as situações que levaram a concluir que haveria uma simulação capaz de levar a autoridade fiscal para a exclusão do SIMPLES, bem como os elementos (destacados ou não acima) configurariam uma organização de estrutura de uma empresa única, mas com vários. Nesse aspecto, as recorrentes trazem aos autos alguns argumentos contrários, mas deixaram de rebater praticamente quase todos os elementos trazidos pela fiscalização. As recorrentes alegam, por exemplo que, como os sócios entraram em conflito litigioso onde tiveram embate judicial com ação de dissolução de sociedade seria causa suficiente para afastar uma a caracterização de se tratar de uma espécie de conluiou. Entretanto, somente esse elemento não tem o condão de afastar a constatação da engenharia tributária montada para evitar o recolhimento devido das contribuições previdenciárias. No que diz respeito ao faturamento das empresas, alegado pelas recorrentes, boa parte deles não forma considerado para a exclusão do simples pela faixa limite imposta pela Lei Complementar 123/2006. Isso porque a simulação seria a causa mais relevante para a o procedimento fiscal entender a descaracterização regular dos atos jurídicos praticados entre as empresas envolvidos no evento danoso ao erário. Ainda, sobre os vícios de inconstitucionalidade apresentados pelas recorrentes quanto ao dispositivo do art. 116 do CTN, não pode ser apreciado por este colegiado, uma vez que a súmula CARF 02 não permite apreciar matéria inconstitucional. Em processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido, temos o art. 373, inciso I, do CPC: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, as recorrentes não obraram afastar as alegações da fiscalização. Fl. 357DF CARF MF 14 DA BASE DE CÁLCULO Sobre o preceito da primazia da realidade, o fisco analisou todas as movimentações e valores incidentes nas operações que culminam no fato gerador das contribuições previdenciárias. A questão dos documentos ditos como adquiridos de forma ilícita pela recorrente, são na verdade decorrentes da própria competência de fiscalizar do agente público da administração da estrutura Fazendária. Nesse sentido, cito a Súmula do STF n.º 439, in verbis: "Súmula 439. Estão sujeitos à fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros comerciais, limitado o exame aos pontos objeto da investigação". Ademais, os documentos que o fisco teve acesso foram exatamente aqueles fornecidos pela autuada. Assim, sem reparos o auto de infração quanto à base de cálculo identificado. DA MULTA QUALIFICADA Foi aplicada a multa qualificada de 150% aplicada nas competências 12/2008 a 13/2009 está definida na legislação tributária, com base no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, em razão da caracterização dos elementos descritos nos artigos Os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. No presente processo foram vastas as provas para qualificar a multa nos termos da autuação fiscal, provas essas que deveriam ter sido afastadas pelas recorrentes. Registrase que não há multa agravada ao presente caso. DA MULTA MAIS BENÉFICA Nos demais períodos anteriores foi aplicado a multa mais benéfica à contribuinte. Por outro lado, o CARF consolidou entendimento nas novas súmulas editadas pelo Tribunal. É o que diz a Súmla 119, in verbis: "No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". Por outro lado,a multa benéfica já foi proporcionada ao caso, tendo em vista o período de autuação ser posterior a aplicação da retroatividade benigna ao tema. DA DECADÊNCIA Fl. 358DF CARF MF Processo nº 11020.003506/201039 Acórdão n.º 2301005.623 S2C3T1 Fl. 351 15 Cumpre destacar que, como visto acima, as questões preliminares não guardam relação com a matéria de decadência. Portanto, ela é considerada matéria de mérito. Assim passo a analisar. A recorrente alega que recebeu ciência do auto de infração em 29.10.2010. Diz que as contribuições que foram lançadas anteriores a 29.10.2005 estariam decaídas em razão da aplicação do art. 150, §4º, do CTN. Ocorre que, O Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento no Recurso Especial n.º 973.733, de 12/08/2009, julgado sob o regime dos recursos repetitivos, de aplicação obrigatória a este Tribunal. Nesse sentido, o prazo decadencial para o Fisco lançar o crédito tributário é de cinco anos, contados: i) a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento e não houver dolo, fraude ou simulação (art. 150, §4º, CTN); ou ii) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento (art. 173, I, CTN). Conforme se constatou dos autos, houve simulação praticada. Logo, afasta a incidência do disposto citado no art. 150, §4º,do CTN. Ademais a Súmula CARF n.º 72, assim prescreve: "Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN". Assim, sem razão a recorrente. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, para não apreciar matérias inconstitucionais, não acolher a preliminar alegada e no mérito negar provimento, realizando a manutenção da decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 359DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.901308/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE
Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
Numero da decisão: 1301-003.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
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ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 13 08 /2 00 9- 12 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13005.901308/200912 Acórdão n.º 1301003.432 S1C3T1 Fl. 118 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da inexistência do crédito alegado para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o erro se deu basicamente na DComp, quando informou como origem do crédito Pagamento Indevido ou a Maior quando o correto seria Saldo Negativo de IRPJ, assim, requereu que sua Dcomp fosse retificada ou autorizada sua retificação. O Acórdão recorrido entendeu que na data da transmissão das PerdComps o crédito não era líquido e certo, uma vez que as DCTFs não estavam retificadas, e todo o DARF alocado ao débito estava consumido, sem crédito algum. Ademais, que não possuía competência para autorizar retificação de DComp ou assim determinála de ofício, nem mesmo se manifestar a respeito do indeferimento de pedido de retificação decidido pela Delegacia, por sêla definitiva. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defendese com os mesmos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, ademais, destaquese planilhas de cálculo, LALUR e outros documentos. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13005.901308/200912 Acórdão n.º 1301003.432 S1C3T1 Fl. 119 3 É o relatório. Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pago a maior, porém, conforme reconheceu, na realidade tratavase de Saldo Negativo. Segundo o Despacho Decisório, todo o DARF relacionado estava alocado para um débito, de tal forma que não restou nenhum crédito disponível a ser compensado, não homologando a compensação pleiteada. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, que na data da transmissão da Perdcomp, o crédito não se encontrava líquido e certo, bem como faltou ao recorrente trazer a prova do indébito tributário. Passemos aos fatos. O crédito a que refere a recorrente é de Saldo Negativo de IRPJ, porém, ao preencher a PerdComp para realizar a compensação informou como IRPJ Pago a Maior ou Indevidamente, gerando a não homologação das respectivas compensações. Apresentou planilha de cálculo, LALUR e DIPJ em sede recursal. O ponto aqui é que a PerdComp apresentada pelo contribuinte contém erro material, e tal fato, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito, bem como leva ao enriquecimento ilícito do Estado. Dessa forma, este Colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pelo recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que documentos sejam analisados a fim de analisar o efetivo erro e consequentemente seu direito de crédito. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de retificação da PerdComp apresentada. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13005.901308/200912 Acórdão n.º 1301003.432 S1C3T1 Fl. 120 4 sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.906585/2009-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do antigo CPC, 373 do novo CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
LUCRO PRESUMIDO. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MANUTENÇÃO DA ESCRITURAÇÃO.
A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter escrituração nos termos da legislação comercial, ou de Livro Caixa com contabilização da toda a movimentação financeira, além do Livro Registro de Inventário com registro dos estoques, tudo em boa guarda e ordem, nos termos do art. 527 do RIR/99.
Numero da decisão: 9101-003.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, em relação ao paradigma nº 1801-001.570 e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa, que entendeu que haveria outros meios de prova além dos indicados pelo relator, e os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Luis Fabiano Alves Penteado e Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), que entenderam pela necessidade de contrato do exercício da atividade.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do antigo CPC, 373 do novo CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. LUCRO PRESUMIDO. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MANUTENÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter escrituração nos termos da legislação comercial, ou de Livro Caixa com contabilização da toda a movimentação financeira, além do Livro Registro de Inventário com registro dos estoques, tudo em boa guarda e ordem, nos termos do art. 527 do RIR/99.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, em relação ao paradigma nº 1801-001.570 e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa, que entendeu que haveria outros meios de prova além dos indicados pelo relator, e os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Luis Fabiano Alves Penteado e Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), que entenderam pela necessidade de contrato do exercício da atividade. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
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PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do antigo CPC, 373 do novo CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologa se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. LUCRO PRESUMIDO. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MANUTENÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter escrituração nos termos da legislação comercial, ou de Livro Caixa com contabilização da toda a movimentação financeira, além do Livro Registro de Inventário com registro dos estoques, tudo em boa guarda e ordem, nos termos do art. 527 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, em relação ao paradigma nº 1801001.570 e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa, que entendeu que haveria outros meios de prova além dos indicados pelo relator, e os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Luis Fabiano Alves Penteado e Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), que entenderam pela necessidade de contrato do exercício da atividade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 65 85 /2 00 9- 81 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10840.906585/200981 Acórdão n.º 9101003.894 CSRFT1 Fl. 148 2 (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial (efls. 99 e segs.) interposto pela MEDEIROS E GUIMARAES INSTALAÇÕES ELETRICAS ("Contribuinte") em face do Acórdão nº 1102 000.904 (efls. 82/93), da sessão de 6 de agosto de 2013, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que negou provimento ao recurso voluntário. Tratase de processo de reconhecimento de direito creditório, no qual pretende a Contribuinte extinguir débitos próprios com crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ Lucro Presumido, sob a alegação de que teria cometido erro ao efetuar a apuração da base de cálculo tomando como referência o coeficiente de determinação de 32%, quando, na realidade, deveria ter aplicado o coeficiente de percentual 8%, por ter empregado materiais na atividade de construção civil. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade, que foi julgada improcedente pela DRJ Ribeirão Preto. Foi interposto pela Contribuinte recurso voluntário que teve o provimento negado pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, nos termos da ementa: RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10840.906585/200981 Acórdão n.º 9101003.894 CSRFT1 Fl. 149 3 homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE. As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES. É dever da empresa que possui atividades diversificadas prestação de serviços e comércio segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido. A Contribuinte interpôs recurso especial. Faz um breve histórico do processo, e aduz que tem o direito de utilizar a alíquota de 8% para o coeficiente de determinação do lucro presumido, nos termos do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997, vigente à época dos fatos. Apresenta como paradigma o acórdão nº 1801001.570, que apreciou outro processo no qual também era recorrente, sendo que na oportunidade foi encaminhada diligência para a unidade preparadora, que concluiu no sentido de que a documentação acostada aos autos era suficiente para comprovar o emprego de materiais e, por consequência, lastrear a aplicação do percentual de 8%. Apresentou ainda outro paradigma, nº 1302001.202, no qual se decidiu que para a apuração do lucro presumido para empresas de construção civil por empreitada por emprego de materiais o coeficiente é de 8% para o IRPJ. Discorre que, nos presentes autos, teria apresentado documentos de prova para a retificação da declaração original que aplicou o percentual de 32%, quais sejam, notas fiscais de serviços com a informação destacada do material utilizado, assim como notas fiscais de aquisição de mercadorias para serem utilizadas na prestação dos serviços. Despacho de exame de admissibilidade (efls. 133/136) deu seguimento ao recurso especial. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 138/144). Protesta pela inadmissibilidade do recurso especial, porque se pretende o reexame de provas, que encontra óbice na Súmula nº 7 do STJ. No mérito, aduz que o ônus da prova quanto ao exame de liquidez e certeza do direito creditório regese pelo art. 333 do CPC, sendo no caso incumbência do autor do pedido, a Contribuinte. E, nos presentes autos, não teria sido apresentada prova suficiente para justificar a alteração do coeficiente de determinação do lucro presumido. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10840.906585/200981 Acórdão n.º 9101003.894 CSRFT1 Fl. 150 4 É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Tratase de recurso especial da Contribuinte, no qual se discute o reconhecimento de direito creditório, decorrente de retificação na declaração de pessoa jurídica, que teria ensejado pagamento a maior. A origem do crédito devese a retificação de declaração original, no qual a Contribuinte adotou o coeficiente de determinação de base de cálculo para lucro presumido no percentual de 32% (prestação de serviços em geral). Posteriormente, entendeu que teria incorrido em erro, porque exercia atividade de construção civil com prestação de serviços mediante emprego de materiais, e por isso, com fulcro no ADN nº 7, de 1996, deveria ter aplicado o percentual de 8% para pessoas jurídicas em geral. A decisão recorrida negou provimento voluntário da Contribuinte, por entender que não restou demonstrada a liquidez e certeza do direito creditório. O despacho de exame de admissibilidade de recurso especial apreciou os dois primeiros paradigmas apresentados pela Contribuinte, Acórdãos nº 1801001.570 e 1302 001.202, no termos do art. 67, §7º, Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF)1, e deu seguimento ao recurso, por entender que ambos demonstraram a divergência na interpretação da legislação tributária. Em contrarrazões, protesta a PGFN pela não conhecimento do recurso especial, aduzindo que a Contribuinte pretende um reexame de provas, situação que não seria permitida no presente momento processual, de julgamento submetido à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Passo ao exame da admissibilidade do recurso especial. A princípio, cumpre discorrer sobre breve histórico sobre a questão. Transcrevo art. 223 do RIR/99: 1 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. § 7º Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartandose os demais. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10840.906585/200981 Acórdão n.º 9101003.894 CSRFT1 Fl. 151 5 A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observadas as disposições desta Subseção (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, § 1º): (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão e crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). (...) § 3º No caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, § 2º). Na sequência, dispôs o Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit nº 6, de 1997, a respeito do percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal na atividade de construção por empreitada: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10840.906585/200981 Acórdão n.º 9101003.894 CSRFT1 Fl. 152 6 b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. Assim, na época, restou estabelecido que, na atividade de construção por empreitada: 1) se a pessoa jurídica não empregasse materiais, valendose unicamente de mão de obra, aplicavase o percentual de 32% relativo à prestação de serviços em geral; 2) se houvesse emprego de materiais, em qualquer quantidade, o percentual adotado seria de 8%, relativo a pessoas jurídicas em geral. É nesse cenário normativo que pretende a Contribuinte se amoldar. Com a edição da IN SRF nº 480, de 2004, a questão relativa à utilização de materiais mudou. Transcrevo §§ 7º, 8º e 9º do art. 1º: Art. 1º (...) § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considerase: I serviços prestados com emprego de materiais, os serviços contratados com previsão de fornecimento de material, cujo fornecimento de material esteja segregado da prestação de serviço no contrato, e desde que discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços; II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. § 8º Excetuase do disposto no inciso I do § 7º os serviços hospitalares, prestados por estabelecimentos hospitalares, de que trata o art. 27 desta Instrução Normativa. § 9º Para efeito do inciso II do § 7º não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. (Grifei) A construção por empreitada com emprego de materiais passou a exigir que o fornecimento de material fosse total, e não em qualquer quantidade, com era previsto no ADN Cosit nº 6, de 1997. Assim, na construção por empreitada: 1) se o empreiteiro (contratante) fornece todos os materiais (ou seja, o contratado entra exclusivamente com a mão de obra), aplicase o percentual de 32% relativo a prestação de serviços em geral ; Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10840.906585/200981 Acórdão n.º 9101003.894 CSRFT1 Fl. 153 7 2) se o empreiteiro fornece parte dos materiais, ficando com o contratado fornecimento de materiais remanescente, aplicase o percentual de 32% de prestação de serviços; 3) se o empreiteiro não fornece nenhum material, ficando sob encargo exclusivo do contratado o emprego total de materiais e mão de obra, aplicase coeficiente geral de 8%, desde que o fornecimento de material esteja segregado da prestação de serviço no contrato, e discriminados separadamente no documento fiscal de prestação de serviços. Vale dizer ainda que pode a pessoa jurídica exercer outras atividades sujeitas a coeficiente diferentes, que deverão estar devidamente segregadas na sua escrituração. Breve digressão se justifica, para se apreciar com maior clareza os paradigmas apresentados. A decisão recorrida amparase em dois argumentos para indeferir a pretensão da Contribuinte. Primeiro, entende que não restou demonstrado o exercício da atividade de construção civil. Transcrevo excerto da decisão: Pelo teor da norma, as prestadoras de serviços em geral, com ou sem utilização de materiais nos serviços realizados, não foram excepcionadas pela norma de regência do coeficiente de 32%. A legislação tributária excepcionou às prestadoras de serviços a utilização do coeficiente de 8%, de forma expressa, somente para as construtoras civis, ainda assim, que, na modalidade de empreitada, e que utilizam materiais nas edificações, sem o repasse dos custos destes materiais (grifei), o que não é o caso. As excepcionalidades admitidas pela Receita Federal do Brasil foram normatizadas na Instrução Normativa RFB nº 480, de 2004, em razão da natureza dos serviços prestados. Dispõe o artigo 1º, §7º, II, sobre o conceito de construção civil, na modalidade total, o empreeiteiro fornece todos os materiais indispensáveis à sua execução sendo incorporados à obra, o que não inclui os instrumentos de trabalho e materiais utilizados nesta execução (§9º): (...) A recorrente tem como objeto social, consoante a Consolidação das Cláusulas Contratuais de fls. 14 a 17: “II DO OBJETO SOCIAL A sociedade tem como objetivo o ramo de "Projetos, consultoria, instalações e administração na área de engenharia elétrica e comércio de materiais elétricos em geral". Em nenhum momento dos autos verificase que a recorrente tenha comprovado que opera no ramo de construção civil. A atividade da empresa descrita no seu Contrato Social, registrado na JUCESP em 23/01/2004, declara ser para realizar projetos, consultoria, instalações elétricas e/ou a venda de materiais elétricos, mas isto não fundamenta o pedido da recorrente para Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10840.906585/200981 Acórdão n.º 9101003.894 CSRFT1 Fl. 154 8 que seja equiparada a obras de construção civil e, implicitamente, sendo contratada na modalidade de empreitada. Ademais, se bem verificarmos o Contrato Social alterado e arquivado na JUCESP em 29/01/2009 (nos autos), ali, talvez percebendo a recorrente o seu verdadeiro ofício, readequou o seu objeto social para “instalações elétricas e comércio de materiais elétricos”, enquadrada como EPP no mesmo ano. Retomando a questão principal, à receita proveniente da venda de mercadorias, por ser atividade de comércio, deve ser aplicado o coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido, mas a legislação tributária impõe às empresas que exercem atividades mistas (prestadoras de serviços e comércio) o dever de segregarem as receitas de cada atividade para efeito de aplicação do coeficiente pertinente, o que a empresa não comprova ter feito § 2º do artigo 15 da lei nº 9.249/95. A mera apresentação de Nota Fiscal de receitas auferidas (cujo descritivo da mesma é“... instalações elétricas / telefonia e som ...”) e Notas de mercadorias adquiridas de terceiros, que inclusive podem corresponder ao estoque da empresa destinado à venda de mercadorias, ou até para o seu próprio uso e consumo, na forma isolada apresentadas, sem o devido respaldo na contabilidade, ainda que escriturada de forma resumida, e mais documentos que a embasam, primordialmente eventuais os contratos de empreitadas de edificações, não possui qualquer valor probatório para o fim que a recorrente almeja, ou seja, ser considerada empresa do ramo de construção civil e, por conseguinte, fazer jus ao coeficiente de 8% para a apuração de seu lucro. (Grifei) Segundo, aduz que, em se tratando de processo de reconhecimento de direito creditório, não foi apresentada documentação necessária, no caso, escrituração, para demonstrar a liquidez e certeza do crédito, vez que, apenas com a disponibilização das notas fiscais, não se torna possível verificar se foram devidamente escrituradas e, por consequência, integraram a composição da base de cálculo do imposto pago. Assim, como não é possível averiguar se as receitas foram devidamente oferecidas à tributação, não se pode falar em liquidez e certeza do direito creditório. Vale transcrever outro excerto da decisão: Com relação ao outro tópico aventado pela recorrente, deve ser esclarecido que as empresas que optam pelo regime do Lucro Presumido estão obrigadas, sim, a manter registros contábeis – ao menos o Livro de Inventário e Livro Caixa com toda a movimentação financeira –, dos quais são apurados os tributos devidos artigo 527 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99 – Decreto nº 3.000/99): (...) Outro ponto relevante, é que para a recorrente proceder à retificação das declarações prestadas ao fisco em tempo hábil, é necessário, igualmente, comprovar de forma cabal a existência de erro de fato dos valores originalmente declarados à Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.906585/200981 Acórdão n.º 9101003.894 CSRFT1 Fl. 155 9 Administração Tributária (cujos créditos tributários já foram inclusive extintos pelo pagamento). (...) Para comprovar o erro de fato mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, repito, ainda que na forma simplificada do Livro Caixa com a movimentação financeira registrada por completo e Inventário (possibilita a verificação do faturamento da empresa e a consequente tributação devida). E o ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): (...) Desta forma, há, nos autos, absoluta ausência de provas hábeis para comprovar que os tributos recolhidos à época própria não foram devidos. A recorrente não logra comprovar possuir o crédito que alega no Per/Dcomp objeto deste litígio e que o tributo já recolhido não é devido aos cofres públicos, por fazer jus à utilização do coeficiente de 8% para apuração do Lucro Presumido. Corretos os cálculos dos tributos originalmente recolhidos que incidiram sobre 32% do faturamento da empresa. (Grifei) Por sua vez, aduz a Contribuinte que, na época dos fatos, vigorava entendimento do ADN Cosit nº 6, de 1997, que autorizava utilização do coeficiente de 8% para emprego de materiais em qualquer quantidade na construção por empreitada, e que a apresentação da notas fiscais, com a segregação dos materiais por si só já seria suficiente para comprovar o direito creditório. O paradigma nº 1302001.202, apresenta a seguinte ementa: LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE. A alíquota aplicável para apuração do lucro presumido das empresas prestadoras de serviços equivalentes ao de construção civil por empreitada com o emprego de materiais é de 8% para IRPJ. Vale destacar que o paradigma trata dos exercícios de 2007 e 2008, já sob a égide da IN SRF nº 480, de 2004. E, precisamente nesse contexto, discorre o paradigma: Para que seja aplicada a presunção de 8% para cálculo do IRPJ no lucro presumido, fazse necessário que a atividade de Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.906585/200981 Acórdão n.º 9101003.894 CSRFT1 Fl. 156 10 construção civil por empreitada seja realizada com o fornecimento de materiais necessários à consecução do projeto. (...) Conforme o entendimento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), nos casos de empreitada com emprego de materiais o percentual para presunção do lucro para IRPJ seria de 8% caso atendesse o requisito do § 7º, do Art. 1º, da IN SRF 480/2004, in verbis: Analisandose as notas fiscais, fica evidente o cumprimento do requisito necessário, tendo em vista que a recorrida ofereceu todos os materiais indispensáveis à prestação de serviços de construção. Ora, como se pode observar, o paradigma aplica o disposto na IN SRF nº 480, de 2004, no sentido de que a empreitada com emprego de materiais demandaria o fornecimento de todos os materiais por parte da empresa contratada. E, tendo sido demonstrado nos autos atendimento de tal condição, determinouse pela aplicação do coeficiente de 8%. A decisão não auxilia a Contribuinte, vez que no acórdão recorrido foi aplicado precisamente o entendimento da IN SRF nº 480, de 2004, enquanto que o recurso especial pugna pela aplicação do ADN nº 6, de 1997 (emprego de materiais em qualquer quantidade). Assim sendo, o paradigma nº 1302001.202 não se presta para demonstrar a divergência na legislação tributária. Passo ao exame do outro paradigma, nº 1801001.570. A decisão foi proferida em outro processo da própria Contribuinte, relativo ao exercício de 2000. No caso, tomou como premissa as disposições da ADN nº 6, de 1997: Por via de regra, o lucro presumido é apurado mediante a aplicação do coeficiente de oito por cento sobre a receita bruta. Para as atividades expressamente relacionadas, entretanto, o coeficiente é distinto, já que o parâmetro de fixação relacionase diretamente aos custos e às despesas incorridas para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. Especificamente na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de (a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra ou de (b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais. (Grifei) Nesse contexto, foi encaminhada diligência à unidade preparadora para verificar a documentação apresentada pela pessoa jurídica. A decisão paradigma adotou os fundamentos do resultado da diligência: Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.906585/200981 Acórdão n.º 9101003.894 CSRFT1 Fl. 157 11 Se temos acesso às notas fiscais, acredito que não se faça necessário adentrarmos na escrituração do Livro Razão, que simplesmente deriva das primeiras em relação às contas que dizem respeito ao caso. Na verdade, as notas fiscais melhor comprovam o que está sob discussão do que o Livro Razão, pois discriminam que houve o emprego de materiais. Ademais, devemos levar em conta que a própria contribuinte já se manifestou no sentido de que mantém a escrituração do Livro Caixa, e não de toda a escrituração contábil. Assim, intimar a contribuinte a apresentar o Livro Razão que ela já esclareceu não escriturar por estar desobrigada simplesmente criaria mais empecilhos para o justo deslinde da discussão, que deve se basear na verdade material. Ainda que a contribuinte devesse manter a escrituração contábil por conta de exigência da legislação comercial, como em razão de eventual concordata ou falência, realmente a legislação fiscal, por meio do artigo 45 da Lei nº 8.981, de 1995, desobrigoua dessa obrigação acessória. (...) Pois bem, vamos à análise com base nos documentos que já dispomos, pois já são suficientes. Da DIPJ (folhas 135 e 136) vemos que o percentual de presunção de lucro de 32% foi aplicado sobre toda a receita no trimestre. Portanto, comprovado por meio das notas fiscais nºs 197, 198 e 201 que R$ 73.109,69 deveriam ter sido tributados sob o percentual de 8%, já que houve emprego de materiais nessas três situações, a base de cálculo do IRPJ passa a ser assim composta em relação a março de 1999: Observase que a decisão paradigma diverge da decisão recorrida. Primeiro, não obstante estar diante de uma apreciação de reconhecimento de direito creditório, considera prescindível verificar a escrituração, considerando suficiente apenas a apreciação das notas fiscais. Segundo, considera como premissa que a atividade da pessoa jurídica é no ramo de construção civil, sequer havendo discussão sobre o assunto. Terceiro, não se discute se o emprego de materiais foi total ou parcial, porque aplica entendimento do ADN Cosit nº 6, de 1997. Diante de situações fáticas similares, envolvendo a mesma Contribuinte, as decisões empreenderam interpretações divergentes. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10840.906585/200981 Acórdão n.º 9101003.894 CSRFT1 Fl. 158 12 Assim, voto no sentido de conhecer do recurso especial, em relação ao paradigma nº 1801001.570. Passo ao exame do mérito. Com a devida vênia, entendo ter sido inadequada a interpretação da decisão paradigma, nº 1801001.570, ao compreender que a mera apresentação das notas fiscais, desacompanhada da escrituração, seria suficiente para lastrear o direito creditório. Em um processo de reconhecimento de direito creditório, os créditos a serem utilizados para extinção de tributos devem ter os atributos de liquidez e certeza, requisitos essenciais previstos no art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei) E, no caso, sendo o pleito de reconhecimento de crédito um fato constitutivo do direito, compete ao autor, no caso, a Contribuinte, demonstrar de maneira incontestável a existência do direito creditório (art. 373 do novo CPC, art. 333 do antigo CPC): O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; (...) Para se verificar a certeza e liquidez do crédito, há que se constatar se o tributo que compõe do direito creditório foi efetivamente oferecido à tributação. Para isso, é dispensável o exame da escrituração da pessoa jurídica, para verificar se as receitas decorrentes das atividades operacionais foram contabilizadas, e por consequência, se foram incluídas na base de cálculo para apuração do tributo devido. Passo seguinte é verificar se o tributo foi devidamente objeto de extinção, por meio de pagamento ou declaração com efeito de confissão de dívida. No caso concreto, a apresentação apenas das notas fiscais não se mostra suficiente para se verificar a liquidez e certeza do crédito tributário. Isso porque, na ausência da escrituração, é impossível constatar se as receitas decorrentes dos serviços prestados nas notas fiscais foram efetivamente incluídos na composição da base de cálculo do tributo apurado, e que é objeto do pedido de reconhecimento do direito creditório. Observase que, no caso concreto, reclama a Contribuinte de que parcela inexpressiva das receitas da notas fiscais não teria integrado a base de cálculo para a apuração do lucro presumido. Ocorre que é impossível fazer tal verificação. Isso porque, como não consta a contabilização das receitas, não há como saber se a composição da base de cálculo valeuse apenas das receitas das notas fiscais apresentadas nos presentes autos. A ausência de liquidez e certeza se mostra clara no seguinte cenário: o tributo pode ter sido apurado com base em outros rendimentos, caso em que as receitas das notas fiscais não teriam entrado na apuração do tributo objeto de pedido de compensação, ou seja, estarseia deferindo um crédito sem se o tributo pago a maior tivesse sido efetivamente pago. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10840.906585/200981 Acórdão n.º 9101003.894 CSRFT1 Fl. 159 13 Não é por acaso que a legislação determina a manutenção de escrituração nos termos da legislação comercial, ou de Livro Caixa com contabilização da toda a movimentação financeira, além do Livro Registro de Inventário com registro dos estoques, tudo em boa guarda e ordem, sendo para o lucro presumido as obrigações acessórias previstas no art. 527 do RIR/99: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). E, eventual retificação da declaração deve ser acompanhada da devida escrituração de suporte, o que não ocorre nos presentes autos. Por isso, mostrase cirúrgica a conclusão da decisão recorrida: Para comprovar o erro de fato mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, repito, ainda que na forma simplificada do Livro Caixa com a movimentação financeira registrada por completo e Inventário (possibilita a verificação do faturamento da empresa e a consequente tributação devida). (...) Desta forma, há, nos autos, absoluta ausência de provas hábeis para comprovar que os tributos recolhidos à época própria não foram devidos. A recorrente não logra comprovar possuir o crédito que alega no Per/Dcomp objeto deste litígio e que o tributo já recolhido não é devido aos cofres públicos, por fazer jus à utilização do coeficiente de 8% para apuração do Lucro Presumido. Corretos os cálculos dos tributos originalmente recolhidos que incidiram sobre 32% do faturamento da empresa. (Grifei) E, nesse contexto, resta prejudicada qualquer discussão a respeito do coeficiente de determinação sobre a receita para apuração da base de cálculo do lucro presumido, se 8% ou 32%. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10840.906585/200981 Acórdão n.º 9101003.894 CSRFT1 Fl. 160 14 Isso porque, ainda que nos presentes autos, restasse consolidado que a atividade da empresa é de construção civil, na modalidade empreitada, e que se considerasse emprego de materiais parcial nos termos do ADN Cosit nº 6, de 1997, restou demonstrado que não consta documentação probatória no sentido de comprovar que as receitas auferidas foram devidamente oferecidas à tributação, e, por consequência, poderiam ser objeto de eventual pedido de compensação. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinatura digital) André Mendes de Moura Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.020542/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF 99.
O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM INSCRIÇÃO NO PAT. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA.
Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 2402-006.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente a decadência suscitada pela Recorrente e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF 99. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM INSCRIÇÃO NO PAT. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente a decadência suscitada pela Recorrente e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 05 42 /2 00 9- 41 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 15504.020542/200941 Acórdão n.º 2402006.735 S2C4T2 Fl. 356 2 João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A fiscalização lavrou os seguintes Autos de Infração (AI) em face do sujeito passivo: (a) AI 37.237.6630 PAF 15504.020542/200941, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte da empresa, inclusive a alíquota GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação; (b) AI 31.231.6665 PAF 15504020545/200985, para a constituição de multa devida pelo descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa apresentado a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação; (c) AI 37.237.6657 PAF l5504.020544/200931, para a constituição das contribuições devidas a outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação; (d) AI 37.237.6649 PAF 15504020543/200996, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte dos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação De acordo com a acusação, a execução inadequada do Programa de Alimentação do Trabalhador ou o desvirtuamento de suas finalidades pela empresa participante acarretaria o cancelamento de sua inscrição no Ministério do Trabalho e Emprego, com a consequente perda dos incentivos fiscais. No caso concreto, o fornecimento de alimentação pela contribuinte estaria ligado a sistema de premiação ou punição do trabalhador, conforme conclusões do Processo 46016.0002969/200811 SIT/MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. As modalidades de serviços de alimentação fornecidas pela empresa seriam: a) administração de cozinha; b) cestas básicas; Fl. 356DF CARF MF Processo nº 15504.020542/200941 Acórdão n.º 2402006.735 S2C4T2 Fl. 357 3 c) ticket alimentação; d) ticket refeição; e) alimentação e lanches. Os valores tributáveis foram extraídos da escrituração contábil da empresa e das folhas de pagamento. Os fatos geradores não foram declarados em GFIP. O sujeito passivo apresentou impugnação tempestiva, a qual foi julgada improcedente, conforme decisão assim ementada: PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. Os valores pagos aos trabalhadores a título de auxilio alimentação somente são excluídos do campo de incidência das contribuições sociais quando fornecidos em conformidade com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. DECADÊNCIA. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após cinco anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o crédito poderia ter sido constituído. DECISÕES JUDICIAIS. As decisões judiciais, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A Autoridade Fiscal deverá formalizar Representação Fiscal para Fins Penais sempre que tiver conhecimento da ocorrência, em tese, do crime de sonegação de contribuição previdenciária. PRÁTICAS REITERADAS ADOTADAS PELO FISCO. A prática reiterada pelo Fisco tem sido a de autuar os contribuintes que, inobservando os ditames contidos na legislação, efetuam o pagamento da parcela in natura em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Intimada da decisão em 07/01/2011, através de aviso de recebimento, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 19/01/2011, no qual, reafirmando os fundamentos de sua impugnação, suscitou o seguinte: Decadência (a) decadência: os créditos tributários são relativos às competências janeiro a dezembro de 2004, ao passo que a recorrente foi autuada somente em Fl. 357DF CARF MF Processo nº 15504.020542/200941 Acórdão n.º 2402006.735 S2C4T2 Fl. 358 4 dezembro de 2009, estando decaídas as contribuições do período de janeiro a novembro; (b) é aplicável o art. 150, § 4º, do CTN; Do auxílioalimentação (c) apenas o ticket alimentação estava condicionado à assiduidade do empregado; (d) não há como se cogitar da incidência de contribuição previdenciária sobre os valores gastos pela recorrente com a manutenção de restaurante interno, bem como a título de cesta básica, alimentação e lanches e ticket refeição, haja vista o inegável caráter indenizatório de tais verbas, pagas para o trabalho e não pelo trabalho; (e) além de estar restrita ao ticket, a condição estipulada em acordo coletivo de trabalho jamais poderia ser assemelhada a um sistema de premiação; (f) maior prova de que o pagamento de ticket alimentação não é uma espécie de premiação ao empregado é o fato de a recorrente efetivamente possuir um programa de prêmios para seus funcionários, este sim visando a maior produtividade; (g) não existe previsão em lei ou em decreto que proíba essa condição estabelecida pela recorrente; (h) a Portaria 87, que teria excluído a requerente do PAT, é datada de 19/03/2009, tendo sido publicada no DOU de 23/03/2009, mas pretende produzir efeitos de forma retroativa, cancelando inscrições de 1995 a 2008; (i) inscrição no PAT não é condição indispensável à caracterização da natureza indenizatória das verbas alimentares pagas pela recorrente aos seus empregados. Diante da informação expressa, à fl. 255 do PAF 15504.020542/200941, de que a empresa teria incluído a totalidade dos seus débitos no parcelamento, o julgamento do recurso foi convertido em diligência, para que a unidade de origem verificasse a existência de pedido de parcelamento total ou parcial. Em cumprimento à citada resolução, a unidade de origem informou que a empresa não teria optado pelo parcelamento de débitos previdenciários em fase administrativa. Intimado, o sujeito passivo manifestouse apenas no sentido de requerer o julgamento e o provimento de seu recurso. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 15504.020542/200941 Acórdão n.º 2402006.735 S2C4T2 Fl. 359 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, tendo sido inclusive demonstrada a inexistência de pedido de parcelamento dos débitos em questão. 2 Da decadência No entender da recorrente, os créditos tributários são relativos às competências janeiro a dezembro de 2004, ao passo que a recorrente foi autuada somente em dezembro de 2009, estando decaídas as contribuições do período de janeiro a novembro. Com razão a recorrente, ao menos parcialmente. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. E ao contrário do que decidiu a DRJ, caracteriza pagamento antecipado qualquer recolhimento de contribuição previdenciária na competência do fato gerador, independentemente de ter sido incluída na base de cálculo do recolhimento a rubrica específica (ex. custeio de alimentação) exigido no Auto de Infração. Essa questão foi definitivamente pacificada com a edição da Súmula CARF 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No mesmo sentido, o entendimento do colendo STJ em sede de recurso representativo de controvérsia: Fl. 359DF CARF MF Processo nº 15504.020542/200941 Acórdão n.º 2402006.735 S2C4T2 Fl. 360 6 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). Fl. 360DF CARF MF Processo nº 15504.020542/200941 Acórdão n.º 2402006.735 S2C4T2 Fl. 361 7 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) A existência de recolhimentos parciais em todas as competência é inconteste, tanto porque todas as autuações são relativas a rubricas específicas (custeio de alimentação, cartões de premiação, diferenças entre as folhas e as GFIPs, etc) exigidas em diversos Autos de Infração, quanto porque a fiscalização constatou a existência de valores declarados em GFIP (vejase que há lançamento por batimento entre as folhas e as guias). Mais ainda, e segundo se depreende do incluso Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal, entre os documentos examinados estão os "Comprovantes de Recolhimento". Logo, a regra decadencial aplicável é a do art. 150, § 4º. Portanto, quando o lançamento foi realizado, em dezembro de 2009, estavam decaídas as competências até novembro de 2004. A competência dezembro não estava decaída porque seu período de apuração somente se encerra no último dia do citado mês. 3 Do auxílioalimentação A recorrente afirma que o citado auxílio não teria natureza remuneratória. Nesse particular, tem razão o sujeito passivo. A esse respeito, adotase, como razões de decidir, a seguinte fundamentação constante do acórdão 2402004.868, Relator Ronaldo de Lima Macedo: Nos termos da legislação previdenciária, percebiase que havia uma tendência no sentido interpretase literalmente a regra estampada no art. 28, § 9o e alínea “c”, da Lei 8.212/1991 combinado com a Lei 6.321/1976, a fim de ser excluída da base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária somente a parcela in natura concedida rigorosamente nos termos do PAT, pois, do contrário, a verba paga a título de alimentação in natura seria considerada salário indireto e, por consectário lógico, integrava a remuneração do trabalhador. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 15504.020542/200941 Acórdão n.º 2402006.735 S2C4T2 Fl. 362 8 Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei no 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Hoje, pareceme que essa interpretação literal não encontra mais suporte nos tribunais de superposição, pois deve ser prestigiada a interpretação que – com fundamento nos artigos 195, I, alínea “a”, e 201, § 11, da Constituição Federal – conclui que as verbas indenizatórias não estão sujeitas à incidência de contribuição social previdenciária. Daí não se exigir mais o registro no PAT, como demonstra a seguinte Ementa do Resp. no 1051294 (DJ de 05/03/2009), proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ): “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIO IN NATURA DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Recurso especial não provido.” (Resp. 1051294 PR 2008/00873730; Relator(a): Ministra Eliana Calmon; Julgamento: 10/02/2009; Publicação: DJe 05/03/2009) No mesmo sentido, o entendimento de que o pagamento in natura não configura hipótese de incidência de contribuição previdenciária extraise do Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem Fl. 362DF CARF MF Processo nº 15504.020542/200941 Acórdão n.º 2402006.735 S2C4T2 Fl. 363 9 como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". Diante do citado Ato Declaratório e da regra prevista no art. 503 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, retromencionada, bem como da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), extraise que a verba paga a título de valealimentação in natura, no presente processo configurada como um pagamento in natura, não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Com isso, entendese que devem ser excluídos os valores apurados no presente processo oriundos das verbas pagas a título de valealimentação ou salário indireto in natura – fornecidas aos segurados empregados –, pois tais valores não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária nem sujeita à incidência da contribuição destinada a Outras Entidades/Terceiros. Vale colacionar outros julgamentos que se alinham a esse entendimento: ALIMENTAÇÃO NA FORMA DE TICKET. PAGAMENTO IN NATURA. CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.O ticketrefeição (ou vale alimentação) se aproxima muito mais do fornecimento de alimentação in natura do que propriamente do pagamento em dinheiro, não havendo diferença relevante entre a empresa fornecer os alimentos aos empregados diretamente nas suas instalações ou entregarlhes ticketrefeição para que possam se alimentar nos restaurantes conveniadosNão incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação in natura. (CARF, PAF 10280.723548/201317, Sessão 09/05/2017, Relatora ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Acórdão 2201 003.600) ......................................................................................................... [...] VALEALIMENTAÇÃO OU VALEREFEIÇÃO SEM INSCRIÇÃO PAT. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALINHAMENTO COM O PARECER PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Na relação de emprego, a remuneração representada por qualquer benefício que não seja oferecido em pecúnia configura o denominado salário utilidade ou prestação in natura. Assim, se a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação abarca todas as distribuições/prestações in natura ou seja, que não em dinheiro , tanto a alimentação Fl. 363DF CARF MF Processo nº 15504.020542/200941 Acórdão n.º 2402006.735 S2C4T2 Fl. 364 10 propriamente dita como aquela fornecida ticket, mesmo sem a devida inscrição no PAT, deixam de sofrer a incidência da contribuição previdenciária, em razão da compreensão exposta no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. [...] (CARF, PAF 10680.722547/201091, Sessão 16/02/2016, Relator ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Acórdão 2401 004.100) Ademais, cabe consignar que a fiscalização não comprovou que as diversas modalidades de serviços de alimentação fornecidos pela empresa teriam como finalidade remunerar os trabalhadores. Significa dizer que tais serviços tinham como escopo viabilizar a prestação do serviço pelos trabalhadores, ou seja, os auxílios foram pagos para o serviço, e não pelo serviço. Em sendo assim, deve ser dado provimento ao recurso voluntário, para que seja cancelado o lançamento. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer do recurso voluntário, para acolher parcialmente a preliminar de decadência e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 364DF CARF MF
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