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Numero do processo: 10880.905520/2016-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
Nos pedido de compensação, caso não haja o reconhecimento do direito creditório, devidamente fundamentado em Despacho Decisório, é ônus do contribuinte comprovar, com documentação hábil e idônea, o direito invocado, inclusive de trazer aos autos a comprovação dos declarações por ela transmitidas, sejam originais ou retificadoras.
Numero da decisão: 1302-003.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Nos pedido de compensação, caso não haja o reconhecimento do direito creditório, devidamente fundamentado em Despacho Decisório, é ônus do contribuinte comprovar, com documentação hábil e idônea, o direito invocado, inclusive de trazer aos autos a comprovação dos declarações por ela transmitidas, sejam originais ou retificadoras.
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Shirlei Schanaider Borelli Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Nos pedido de compensação, caso não haja o reconhecimento do direito creditório, devidamente fundamentado em Despacho Decisório, é ônus do contribuinte comprovar, com documentação hábil e idônea, o direito invocado, inclusive de trazer aos autos a comprovação dos declarações por ela transmitidas, sejam originais ou retificadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 55 20 /2 01 6- 71 Fl. 117DF CARF MF 2 Relatório Tratase de pedido de compensação, no qual o contribuinte pretende quitar débitos próprios com suposto crédito, cuja origem seria um pagamento indevido ou a maior de IRPJ Lucro Presumido (código 2089). Em Despacho Decisório eletrônico proferido, houve o reconhecimento parcial do direito creditório, uma vez que foi identificada a utilização do crédito invocado no pedido de compensação para quitar outros débitos do contribuinte. Sendo assim, foi reconhecido um "saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação nos débitos informados no PER/DCOMP". Ao ser cientificado do despacho proferido, o contribuinte, ora Recorrente, Clínica e Cirurgia Dermatologica Dra. Shirlei Schanaider Borelli Ltda., apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que, "em razão da elevada carga tributária do país e das particularidades para apuração de todos os tributos que está obrigada a recolher mensalmente” efetuou recolhimento indevido e/ou a maior de IRPJ no período de 09/2010, razão pela qual possui o direito subjetivo à tomada de crédito. Como bem relatado no acórdão recorrido, a Recorrente alega que cumpriu todos os ditames impostos pela legislação para a formulação dos pedido de compensação. Invoca dispositivos do CTN, do Código Civil e da Constituição Federal para respaldar o seu direito subjetivo de utilizar créditos de tributos pagos indevidamente ou a maior. Para comprovar o seu direito, a Recorrente acostou aos autos, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o pedido de compensação, comprovante de arrecadação, DCTF e DIPJ. Ao final, requereu a procedência do pedido, para que reste reconhecido o direito creditório e, por consequencia, reste homologada a compensação pretendida. Em análise à Manifestação de Inconformidade, a douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) entendeu por bem julgar como improcedente o apelo do contribuinte, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. A legislação tributária que rege as hipóteses de compensação de tributos ou contribuições federais atribui à interessada o ônus de comprovar a disponibilidade de seu crédito junto à Fazenda Pública, bem como o cumprimento dos requisitos estabelecidos para que seu direito creditório possa ser reconhecido pela Administração Tributária, depois de constatado que o crédito pleiteado se reveste das necessárias certeza e liquidez. Diante dos meios de prova ofertados e dos dados presentes nos sistemas informatizados da Administração Tributária, não se reconhece o direito creditório em litígio, nem se homologam as compensações declaradas. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.905520/201671 Acórdão n.º 1302003.193 S1C3T2 Fl. 118 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente intimado da decisão proferida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, repisa os argumentos anteriormente apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, a Recorrente foi intimada do teor do acórdão recorrido, via AR, em 05/10/2017 (fl. 104), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 01/11/2017 (comprovante de fl. 106), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Como se depreende do relatório acima, o Recorrente indicou em pedido de compensação, como direito creditório, suposto pagamento a maior ou indevido de IRPJ Lucro Presumido. Para comprovar a totalidade do seu direito creditório, posto que no Despacho Decisório expedido foi identificada a utilização de parte do crédito no pagamento de outros débitos, do próprio contribuinte, este trouxe aos autos apenas as declarações que havia prestado ao fisco federal. Em brilhante trabalho, contudo, aquela DRJ de Ribeirão Preto demonstrou de forma irretocável que o direito creditório invocado foi utilizado em 03 diferentes pedido de compensação apresentados pelo contribuinte, sendo um deles o que discutido. Demonstrou ainda, o julgador a quo, que o contribuinte retificou a sua DIPJ e DCTF, ressalvando a disparidade entre o débito apurado na "DIPJ retificadora (R$ 1.237.522,71) e o débito declarado em DCTF (R$ 63.549,58), esta última também retificadora". Contudo, houve a constatação que o crédito invocado no presente pedido de compensação foi, de fato, alocado em parte no pagamento de outros débitos do próprio contribuinte. Vejase a conclusão que chegou aquela Turma de Julgamento, que analisou de forma detida as declarações e pagamentos apresentados pela Recorrente. Ressaltase, ainda, Fl. 119DF CARF MF 4 que se adota na presente decisão as razões de decidir daquele acórdão, como autoriza do § 3, do artigo 57 do RICARF: 26. Foram efetuados três recolhimentos pela interessada, referidos ao terceiro trimestre do anocalendário de 2010, entre os quais o que daria origem ao direito creditório sob apreciação, ou seja, recolhimento no valor de R$ 53.348,31, sob código de receita 2089: (...) 27. Do recolhimento no valor total de R$ 53.348,31, a quantia de R$13.288,90 encontrase alocada ao débito declarado em DCTF, para o 3º trimestre de 2010, conforme vinculação efetuada pela contribuinte nas informações complementares da DCTF. 28. Houve também a alocação da quantia de R$ 30.712,05 ao mesmo débito declarado em DCTF, valor este correspondente ao “Saldo a Pagar do Débito”. 29. O montante restante, de R$ 9.347,36, deu suporte para o reconhecimento parcial do direito creditório utilizado por meio da Dcomp sob apreciação (R$ 53.348,21 menos R$ 13.288,90 menos R$ 30.712,05 = R$ 9.347,36). Vejamse as alocaçõesefetuadas ao débito de IRPJ do terceiro trimestre, declarado em DCTF: (...) 30. Enfim, o recolhimento efetuado, no valor de R$ 53.348,41, indicado como origem do direito creditório, foi integralmente aproveitado, mediante: alocação parcial ao débito declarado em DCTF e como suporte para o reconhecimento parcial do direito creditório utilizado na Declaração de Compensação objeto deste processo. Em conseqüência, o recolhimento efetuado já se esgotou integralmente, isto é, não há saldo residual, e, portanto, não há direito creditório adicional a ser reconhecido. 31. Portanto, não se reconhece o direito creditório em litígio, nem se homologam as compensações declaradas. Devese pontuar que a Recorrente, em sua Manifestação de Inconformidade e, posteriormente, em seu Recurso Voluntário, não trouxe aos autos qualquer comprovação do direito creditório. Trouxe apenas argumentos genéricos que, data venia, em nenhum momento foram referendados com documentação comprobatória. Por outro lado, de forma temerária, a Recorrente afirma que a decisão da DRJ "não apreciou a DCTF retificadora de 06/11/2013, a qual faz alusão rapidamente no item 23 do acórdão." Contudo, desde as premissas que foram fixadas previamente no acórdão proferido, o julgador a quo deixa claro que aquela Turma de Julgamento "tem reiteradamente se manifestado pela aceitação de provas e documentos a qualquer tempo, desde que apresentados antes de iniciado o julgamento". Ademais, ao contrário do que afirma a Recorrente, a análise dos argumentos apresentados partiu das declarações da DIPJ e da DCTF retificadoras. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.905520/201671 Acórdão n.º 1302003.193 S1C3T2 Fl. 119 5 Assim, caberia à Recorrente demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, eventual erro nas duas declarações, até mesmo porque, reiterese, toda a análise do direito creditório por parte da DRJ se deu com base nas declarações retificadoras apresentadas pelo próprio contribuinte. E não há no apelo da Recorrente qualquer tentativa de se desconstruir o que restou demonstrado no acórdão proferido. Os argumentos apresentados são genéricos e sem qualquer lastro probatório. Desta feita, por ausência de comprovação, não há como reconhecer o direito creditório do contribuinte, nos termos indicados no pedido de compensação apresentado junto à Receita Federal do Brasil. Por todo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo, na totalidade, a decisão proferida pela DRJ de Ribeirão Preto (SP). (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11618.002711/2001-76
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
DESAPROPRIAÇÃO. INDENIZAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REsp 1.116.460/SP.
Não há, na desapropriação, rural ou urbana, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura a noção de preço, como contraprestação pretendida pelo proprietário. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tão só, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social.
Numero da decisão: 9101-003.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Cota Braga (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Cota Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 DESAPROPRIAÇÃO. INDENIZAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REsp 1.116.460/SP. Não há, na desapropriação, rural ou urbana, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura a noção de preço, como contraprestação pretendida pelo proprietário. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tão só, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Cota Braga (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Cota Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
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INDENIZAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REsp 1.116.460/SP. Não há, na desapropriação, rural ou urbana, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura a noção de preço, como contraprestação pretendida pelo proprietário. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tão só, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 27 11 /2 00 1- 76 Fl. 296DF CARF MF 2 Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Cota Braga (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Cota Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 11618.002711/200176 Acórdão n.º 9101003.932 CSRFT1 Fl. 297 3 Relatório Tratase de processo administrativo consubstanciado na lavratura de auto de infração de multa isolada no valor de R$ 44.073,23 (auto de infração efolhas 6 a 10), por suposta falta de recolhimento de CSLL sobre as estimativas relativas ao meses de abril, maio e dezembro de 1997. A contribuinte defendeuse da autuação trazendo documentação correspondente a retificação da Declaração do Imposto de Renda AC1997, alegando principalmente que na declaração anterior deixou de excluir valores relativos a desapropriação de imóveis (efls. 152 a 155). Juntou cópia do acordo extrajudicial firmado entre ela e a prefeitura de Rio Tinto/PB (efls. 159 a 161). A 3ª Turma da DRJ/RCE, sob a Resolução nº 47, de 18 de outubro de 2002, resolveu converter o julgamento em diligência por conta da retificação apresentada pela autuada, assim se pronunciando (efolhas 169 a 172): (...) Embora não seja admitida pela legislação vigente a retificação de declaração de rendimentos após o início do procedimento de ofício, nada impede que o contribuinte requeira correção de erros de fato que, se comprovados, resultariam na redução de valores de contribuição a pagar, cabendo à autoridade administrativa, tendo em vista o princípio da verdade material, verificar a procedência ou não das alegações do interessado. No caso presente, mister se faz uma realização de diligência junto aos assentamentos contábilfiscais da contribuinte para que: a) Seja verificada a existência de parcelas de lucros e dividendos que, segundo o contribuinte, haveriam de ser excluídas do lucro líquido acumulado para fins de determinação da base de cálculo da contribuição; b) Seja solicitado à Prefeitura Municipal de Rio Tinto e/ou a outros órgãos competentes para informar se o valor de R$ 537.988,00 à fl. 157 (doc. De fls. 156 a 159) se refere a desapropriação para fins de reforma agrária e se os termos do acordo entre partes for efetivado em maio de 1997; e Seja verificado se a contribuinte incluiu ou não a receita referida no item anterior por ocasião da apuração da base de cálculo da contribuição social. (…) Em resposta ao solicitado, a prefeitura municipal de Rio Tinto, à efolha 192, juntou o Ofício PJRT nº 54/04, ratificando a homologação do acordo extrajudicial entre as partes, informando que este foi efetivado sim em maio de 1997 e que o valor de R$ 537.988 não se refere a desapropriação para fins de reforma agrária e sim, de áreas urbanas. Fl. 298DF CARF MF 4 O termo de intimação da diligência encontrase nas efolhas 228 a 231. Cientificado, o sujeito passivo manifestouse à efolha 232 dizendo o seguinte: Em atendimento ao Mandado de Procedimento Fiscal em epígrafe, relatamos a seguir nossas considerações, em especial, quanto ao procedimento da desapropriação considerada como exclusão na linha 26 (Outras Exclusões) da ficha 07, na apuração do Lucro Real, da DIPJ anobase de 1997. Realmente a desapropriação não está relacionada com a reforma agrária e sim com áreas urbanas. O valor correspondente a desapropriação foi considerado como crédito da Companhia de Tecidos Rio Tinto para abater débitos existentes junto a Prefeitura Municipal de Rio Tinto, conforme encontra de contas (Doc. 1) anexo. Não houve desembolso de recursos por parte da Prefeitura Municipal de Rio Tinto, remanescendo ainda naquela data um crédito restante pró Companhia no valor de R$ 91.346,00. A 5ª Turma da DRJ/REC, em 16 de abril de 2007, sob o acórdão nº 11 18.636, considerando o resultado da diligência, deu procedência parcial ao pleito do contribuinte (efls. 238 a 243), entendendo que: (i) a declaração retificadora não surte qualquer efeito, podendo somente prestarse como demonstrativo das questões alegadas; (ii) assiste razão ao contribuinte quanto à redução do lucro líquido acumulado decorrentes da ocorrência de lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição; e (iii) não assiste razão ao contribuinte quanto à exclusão de valores relativo à desapropriação, uma vez que se trata de desapropriação urbana e não agrária; (iv) o valor total da multa isolada exigida que era de R$ 44.073,23, passou a ser de R$ 29.366,55, por conta da alteração legislativa que reduziu o patamar da multa isolada de 75% para 50% (MP nº 351/2007) e do princípio da retroatividade benigna, prevista no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. Acompanhese o novo cálculo: Vejase a ementa de tal decisão: Fl. 299DF CARF MF Processo nº 11618.002711/200176 Acórdão n.º 9101003.932 CSRFT1 Fl. 298 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 31/12/1997 CSLL LUCRO REAL ANUAL ESTIMATIVA FALTA DE RECOLHIMENTO PENALIDADE. A falta de recolhimento da contribuição apurada sobre a base estimada ou com base em balancete de redução enseja a aplicação de multa exigida isoladamente, ainda que tenha sido apurada base de cálculo negativa, ao final do anocalendário. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA A norma legal se aplica a fatos pretéritos quando prevê penalidade menos severa ao contribuinte que a vigente à época de ocorrência dos fatos que ensejaram o lançamento de oficio. Inconformada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (efls. 252 a 269), alegando, em síntese que, não há incidência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sobre o valor recebido através de desapropriação. O Acórdão nº 120200.048 (efls. 274 a 280), por maioria de votos, deu provimento ao recurso. Confirase abaixo a ementa de tal decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Anocalendário: 1998 CSLL. DESAPROPRIAÇÃO. INDENIZAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide o tributo sobre valores recebidos em decorrência de desapropriação, sob pena de descaracterizar o conceito de "justa indenização em dinheiro", que condiciona o ato do poder expropriante. Ato contínuo, a Fazenda interpôs Recurso Especial (efls. 285 a 291), alegando que: a) o acórdão recorrido, quando entendeu que não incide CSLL sobre indenização em processos expropriatórios, teria contrariado o disposto nos seguintes dispositivos legais: art. 43, I, do CTN c/c art. 11, inciso II, do CTN, o art. 2° da Lei 7.689/98 e o dispositivo constitucional do art. 195, inciso I, alínea"c"; e b) o valor pago a título de indenização por desapropriação, ao mesmo tempo em que recompõe o patrimônio do desapropriado pela alienação forçada do bem imóvel, em verdade pode lhe outorgar um acréscimo de renda advindo da diferença positiva entre o valor de aquisição ou contábil e o valor recebido do ente público, subsumindose, portanto, à hipótese de incidência do IRPJ e, em decorrência, da CSLL; c) o valor que ultrapassa a recomposição do patrimônio, devidamente atualizado, equivale a ganho de capital, sendo passível de tributação, independentemente de a alienação ter se realizado de forma voluntária ou não; Fl. 300DF CARF MF 6 d) somente nas operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária não há incidência ou há isenção de imposto de renda, por força do parágrafo único do art. 22 da Lei 7.713/88, não se podendo estender o instituto para o caso em tela em que houve desapropriação de área urbana, sob pena de violação ao artigo 111, inciso II, do CTN. O despacho de admissibilidade constatou a contrariedade à lei quando da comparação entre os argumentos da recorrente e do acórdão recorrido, motivo pelo qual deu seguimento ao recurso especial (efls. 292 e 293). No que pese ter sido cientificada a contribuinte em 17/12/2009 (efls. 295) da interposição do recurso especial e de seu seguimento, não apresentou Contrarrazões. É o relatório. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 11618.002711/200176 Acórdão n.º 9101003.932 CSRFT1 Fl. 299 7 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Conhecimento Verificase que o recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, a decisão em relação à matéria recorrida não foi unânime e foi indicado, para fundamentar a contrariedade à lei, que o v. acórdão recorrido decidiu pela não incidência de CSLL sobre indenização em processo expropriatório, contrariando, segundo a PGFN, o disposto nos artigos 43, I, do CTN c/c art. 111, inciso II, do CTN, o art. 2° da Lei 7.689/98 e o art. 195, inciso I, alínea "c", da Constituição Federal, atendendo, assim, todos os requisitos de admissibilidade do Regimento Interno aplicável. O contribuinte não apresentou contrarrazões, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, adotando o despacho de admissibilidade que, como bem salientou a i. Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção (p. 292/293), o v. acórdão recorrido decorre de julgamento da 2º Câmara/2º Turma Ordinária realizado em sessão de 13 de maio de 2009 (p. 274). Nos termos do art. 4º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, essa situação fática atrai o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento (Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25.06.2007. Superado o juízo de admissibilidade, passase ao exame de mérito. Em síntese, a questão posta para análise deste Colegiado cingese em decidir se valores recebidos pelo contribuinte, decorrente de desapropriação de imóvel urbano, naquilo que exceda o custo de aquisição, é ganho de capital e, portanto, base de cálculo para a incidência do IRPJ e da CSLL. No v. acórdão recorrido ficou assentado que “não incide o tributo sobre valores recebidos em decorrência de desapropriação, sob pena de descaracterizar o conceito de ‘justa indenização em dinheiro’, que condiciona o ato do poder expropriante”. A PGFN, em seu recurso especial, defende que “a diferença positiva entre o valor contábil ou de aquisição (corrigido monetariamente) e o valor recebido pela desapropriação, induvidosamente indica aquisição de disponibilidade de renda decorrente ou como produto do capital que estava imobilizado”. Ressalta que “se por um lado é certo de que o valor pago pela desapropriação constitui uma espécie de indenização e recompõe o patrimônio expropriado, por outro lado é igualmente correto dizer que o que ultrapassar os registros contábeis, devidamente atualizados, corresponde a ganho de capital, sendo passível de tributação, independentemente de a alienação ter se realizado de forma voluntária ou não”. Por fim, esclarece que apenas imóveis desapropriados para fins de reforma agrária não são passíveis da incidência tributária, por força do parágrafo único, do art. 22, da Lei nº 7.713/88. Esclarecese, por fim, que o contribuinte, ao final do anocalendário de 1997, apurou base de cálculo negativa e que a autuação cingese à multa isolada, por falta de Fl. 302DF CARF MF 8 recolhimento de CSLL sobre estimativas nas competências 30.04.97, 31.05.97 e 31.12.97 (p. 238). Com a devida vênia, sem razão a Recorrente. Ainda que o RIR/99, em seu art. 422, previsse a possibilidade de ganho de capital em operação de desapropriação de bens, tendo por fundamento o art. 31 do DL 1.598/77, ambas as normas têm fundamento de validade no Código Tributário Nacional, art. 43. O E. STJ, no julgamento do REsp 1.116.460/SP, de relatoria do Exmo. Min. Luiz Fux, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos e, portanto, de observância obrigatória por este Colegiado (RICARF, art. 62, par. 1, "b"), firmou entendimento no mesmo sentido do v. acórdão recorrido, como se denota da ementa abaixo transcrita: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.460 SP (2009/00065807) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : MALPA COMERCIAL E AGRÍCOLA LTDA ADVOGADO : WALDIR LUIZ BRAGA E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃOINCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CTN), sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. 2. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5º, assim disciplina o instituto da desapropriação: "XXIV a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;" 3. Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. 4. "Representação. Argüição de Inconstitucionalidade parcial do inciso II, do parágrafo 2º, do art. 1º, do Decretolei Federal nº 1641, de 7.12.1978, que inclui a desapropriação entre as modalidades de alienação de imóveis, suscetíveis de gerar lucro a pessoa física e, assim, rendimento tributável pelo imposto de renda. Não há, na desapropriação, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura, outrossim, a noção de preço, Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11618.002711/200176 Acórdão n.º 9101003.932 CSRFT1 Fl. 300 9 como contraprestação pretendida pelo proprietário, 'modo privato'. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tãosó, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Tal o sentido da 'justa indenização' prevista na Constituição (art. 153, parágrafo 2º). Não pode, assim, ser reduzida a justa indenização pela incidência do imposto de renda. Representação procedente, para declarar a inconstitucionalidade da expressão 'desapropriação', contida no art. 1º, parágrafo 2º, inciso II, do Decretolei nº 1641/78. (Rp 1260, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, TRIBUNAL PLENO, julgado em 13/08/1987, DJ 18111988) 4. In casu, a ora recorrida percebeu verba decorrente de indenização oriunda de ato expropriatório, o que, manifestamente, consubstancia verba indenizatória, razão pela qual é infensa à incidência do imposto sobre a renda. 5. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. 6. Precedentes: AgRg no Ag 934.006/SP, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS, DJ 06.03.2008; REsp 799.434/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 31.05.2007; REsp 674.959/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ 20/03/2006; REsp 673273/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 02.05.2005; REsp 156.772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 04/05/98; REsp 118.534/RS, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 19/12/1997. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. O voto do Exmo. Sr. Ministro Luiz Fux é claro que verba indenizatória não representa acréscimo patrimonial e, portanto, não é base para a incidência do imposto sobre a renda. Esse entendimento já vinha sendo reconhecido com frequência na jurisprudência, tanto que ensejou a edição da Súmula 39 do extinto TFR: "Não está sujeita ao Imposto de Renda a indenização recebida por pessoa jurídica, em decorrência de desapropriação amigável ou judicial". Seguindo o precedente do E. STJ, este Conselho já se posicionou pela não incidência de IRPJ ou CSLL sobre verbas indenizatórias decorrentes de desapropriação. Veja se: Processo nº 10467.720302/201054 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.356 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de abril de 2013 Matéria Imposto de Renda de Pessoa Jurídica. Recorrente ENARQ ENGENHARIA E ARQUITETURA LTDA e POLIBRAS EMPREENDIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Fl. 304DF CARF MF 10 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 DESAPROPRIAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA EM RECURSO REPETITIVO DO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Quando a Constituição fala em preço justo está a se reportar a algo que garanta que o proprietário, pessoa física ou jurídica, com os recursos que receber, adquira bem de idêntico valor. Se houvesse incidência do imposto de renda, em determinadas ocasiões exigido pelo próprio desapropriante, isto quando este for a União, estarseia impossibilitando que o então proprietário recompusesse seu patrimônio. Não há, na desapropriação, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura, outrossim, a noção de preço, como contraprestação pretendida pelo proprietário. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tão só, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Só é passível de tributação por meio do imposto de renda, a riqueza nova, ou seja, o acréscimo patrimonial experimentado pelo contribuinte ao longo de um determinado espaço de tempo. O valor recebido na desapropriação não representa acréscimo patrimonial, mas sim a substituição do patrimônio correspondente a determinado bem por quantia equivalente em espécie. (Precedente RESP 1.116.460SP, julgado sob a forma do artigo 543C, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme previsto no artigo 62A, do Regimento Interno). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. À vista do entendimento esposado pelo E. STJ, vejamos o disposto na legislação citada como contrariada pela PGFN em seu recurso especial: (art. 43, I, do CTN c/c art. 111, inciso II, do CTN, o art. 2° da Lei 7.689/98 e o dispositivo constitucional do art. 195, inciso I, alínea "c"). Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11618.002711/200176 Acórdão n.º 9101003.932 CSRFT1 Fl. 301 11 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: II outorga de isenção; Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. Lei nº 7.689/98. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (...) c) o lucro; (...) O conceito de lucro está intimamente ligado ao conceito de acréscimo patrimonial do art. 43 do CTN, a produção de riqueza nova. O E. STJ, como acima disposto, firmou entendimento de que a indenização recompõe o patrimônio. Recomposição não se confunde com acréscimo ou riqueza nova. Não há, assim, base de cálculo para a apuração de estimativas de CSLL devidas pelo contribuinte, de tal forma que o recurso especial da PGFN não merece prosperar. Ante o exposto, conheço do recurso especial da PGFN, mas voto no sentido de negarlhe provimento, uma vez que o v. acórdão recorrido está em consonância com jurisprudência firmada no âmbito do E. STJ na sistemática dos recursos repetitivos. É o voto (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 306DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.720778/2014-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO.
As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.
Numero da decisão: 3201-004.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, no mérito, quanto às demais matérias, acordam em dar-lhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, no mérito, quanto às demais matérias, acordam em dar-lhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente LIDER ALIMENTOS DO BRASIL S.A EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 07 78 /2 01 4- 83 Fl. 1736DF CARF MF Processo nº 10835.720778/201483 Acórdão n.º 3201004.311 S3C2T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, no mérito, quanto às demais matérias, acordam em darlhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de contribuição não cumulativa, que foi objeto de ação fiscal por parte da DRF/Presidente Prudente. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, merecem transcrição fragmentos do relatório da decisão de primeira instância, que resumem o entendimento da autoridade fiscal manifestado no Despacho Decisório: De acordo com o despacho decisório, foram apuradas glosas de vários itens relativos aos créditos da não cumulatividade utilizados pela autuada que tem como principal objeto social a fabricação e comercialização de laticínios relativos a itens não considerados insumos pela fiscalização com base na definição contida nas Instruções Normativas (IN) SRF nºs 247, de 2002, e 404, de 2004, ou seja, que não foram consumidos no processo produtivo em função da ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação. Abaixo discriminados: a.2) PLANILHA 02: GLOSAS de créditos relativos a Materiais de uso e consumo, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1556 e 2556, referentes Peças e serviços de manutenção de frotas, cestas básicas e despesas de refeitórios, materiais de limpeza, materiais de higiene, uniformes e equipamento de proteção, materiais de manutenção consertos e reparos, lubrificantes, óleo diesel, óleo de motor, álcool, gasolina, Fl. 1737DF CARF MF Processo nº 10835.720778/201483 Acórdão n.º 3201004.311 S3C2T1 Fl. 4 3 pneus, e outros materiais relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Estes bens e serviços não correspondem a matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, que exerçam ação diretamente sobre os produtos fabricados, não sendo, portanto, caracterizados como insumos. a.3 PLANILHA 03: Glosas de créditos relativos a aquisição de outras mercadorias e serviços, conforme notas fiscais de entrada enquadradas no CFOP: 1949 e 2949, referentes:materiais e serviços de manutenção, mão de obra de manutenção de Frotas, Pneus /Empilhadeira e RECAP, serviço de carga e descarga, serviços de análise, serviços de tratamento de afluentes, serviços de Lavagem, combustíveis como óleos de motor, diesel, álcool, gasolina e lubrificantes, serviços de consultoria e outros relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Conforme a legislação e observações acima não geram direito a crédito os valores relativos às aquisição dos referidos bens/serviços não diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda a.4) PLANILHA 04: Glosas de créditos relativos a mercadorias e serviços, de uso e consumo, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1407, 1653, 1933, 2407 e 2653, referentes: Álcool, Gasolina, Lubrificante, Óleo Diesel, Óleo de Motor, Peças e serviços de manutenção de frota, Pneus, serviços de lavagem e outros materiais e serviços relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Conforme observações acima não geram direito a crédito valores relativos a aquisição dos referidos bens/serviços não diretamente utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, assim entendidos aqueles que sejam consumidos, desgastados ou tenham suas propriedades físicoquímicas alteradas no processo produtivo. a.5) PLANILHA 05: Glosas de créditos relativos a material de embalagem para transporte “não insumos”, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1101 e 2101. Referentes embalagens que não incorporam diretamente ao produto no processo de industrialização, mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão somente a facilitar o transporte dos produtos acabados, portanto, conforme legislação acima, não geram direito a creditamento as relativas aquisições. Além das glosas dos bens e serviços não considerados insumos pela fiscalização, também foram glosados créditos referentes às seguinte despesas: a.1) – PLANILHA 01: GLOSAS de créditos relativos a Serviço de Transporte (FRETE), referentes notas fiscais de entrada, CFOP 1352, 2352, 1360,1353, 2353, 1949 e 2949 (...) As notas fiscais glosadas foram relacionadas pela empresa como sendo notas fiscais de entrada referentes aquisição de leite ou outras mercadorias adquiridas de pessoa jurídica (conforme planilhas de Notas fiscais de entrada PJ constantes dos arquivos não pagináveis anexados ao presente processo), quando “de fato”, referemse à “conhecimentos de transporte” relativos a aquisição de serviço de Fl. 1738DF CARF MF Processo nº 10835.720778/201483 Acórdão n.º 3201004.311 S3C2T1 Fl. 5 4 frete, sendo em sua maioria fretes entre estabelecimentos da empresa, conforme comprova o arquivo anexo..., b) Glosas de créditos referentes Locações/alugueis, relacionados no ANEXO III (...). do presente processo: Relativos a Locação/aluguel de bens/serviços não inclusos no conceito legal de insumos, ou seja, não são utilizados especificamente no processo produtivo da empresa. c) – Glosas de créditos referentes arrendamentos mercantis relativos aos bens/veículos relacionados no ANEXO IV (...) do presente processo: Relativos a arrendamentos mercantis de bens/serviços não inclusos no conceito legal de insumos, ou seja, não são utilizados especificamente no processo produtivo da empresa. d) – Glosas de Créditos Presumido, relativos a aquisição de Lenha de Eucalipto e outros materiais adquiridas de pessoas físicas relacionados no ANEXO V (...) do presente processo. No caso em questão a lenha de eucalipto é utilizada como combustível no processo de produção/fabricação. Entretanto, conforme legislação acima citada, o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica (art. 3º, § 3º, I a Lei nº 10.637/2002 e art.3º, § 3º, I a Lei nº 10.833/2003). Observada a legislação, foram glosados os créditos relativos ás aquisições de lenha de eucalipto e outros produtos adquiridos de pessoa física. e.) Anexo VI – (...) RECLASSIFICAÇÃO DE CRÉDITO: Cálculo de crédito integral sobre aquisições de leite efetuadas com benefício da suspensão Crédito Presumido. Inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos da Lei nº 10.925/2004 (Art.8º §§ 1º ao 9º e Art. 9º) e Instrução Normativa SRF nº 660/2006 (Arts. 2º a 6º), em razão disso foram reclassificados os créditos referentes aquisições de leite, considerados pela empresa como ressarcíveis, para créditos presumidos nos termos da legislação. Observase que o fato de não constar na nota fiscal que a operação está ocorrendo com benefício da suspensão não pode ser utilizado como argumento para o creditamento nos termos do disposto no art. 3º, II das Leis nº 10.637/2003 e 10.833/2003. O Intuito do ressarcimento é o de ressarcir, de devolver à empresa um valor que foi recolhido aos cofres públicos. No caso da suspensão, como não houve recolhimento a título de PIS e de COFINS pelos fornecedores de leite não é devido qualquer valor a título de ressarcimento. Há previsão legal apenas para o cálculo de crédito presumido sobre essas aquisições, nos termos do disposto no art. 8 º da Lei 10.925/2004, valor que poderá apenas ser deduzido dos débitos da própria contribuição. O valor da base de cálculo constante do Anexo VI, foi lançado no Anexo I, com o título “Reclassificação de Créditos”, e deduzido da base de cálculo dos créditos apurados sobre aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, e após a aplicação das alíquotas de 0,99% (PIS) e 4,56%(Cofins) sobre a Fl. 1739DF CARF MF Processo nº 10835.720778/201483 Acórdão n.º 3201004.311 S3C2T1 Fl. 6 5 respectiva base de cálculo, os valores apurados, foram lançados como acréscimos aos créditos presumidos calculados sobre insumos de origem animal. Foi informado ainda pela fiscalização o seguinte quanto a decisões judiciais obtidas pela contribuinte: Observase que em relação a empresa consta as ações judiciais Mandado de Segurança nº 2006.61.12.0085437/SP e nº 2006.61.12.0045543/SP, reconhecendo o direito da empresa à utilização do saldo credor da contribuição de PIS e COFINS, decorrente do crédito presumido instituído pela Lei nº 10925/2004, no pagamento de débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei nº 11.116/2005, salvo quanto às operações de venda (eventuais) de leite a granel realizada na forma prevista no inciso II do parágrafo 1º do art.8º da Lei nº 10.925/04, afastando qualquer ato restritivo da autoridade impetrada. Porém, referidas decisões ainda não transitaram em julgado em razão de apelação da União Federal, encontrandose os autos no Tribunal Regional Federal da 3º Região Consta ainda a ação judicial Mandado de Segurança nº 000538802.2013.403.6112, proposta pela empresa, onde foi deferido parcialmente liminar para que a autoridade impetrada (Delegado da Receita Federal do Brasil em Presidente PrudenteSP)abstenhase de imporlhe multa em decorrência do simples indeferimento de seus pedidos de ressarcimento de crédito pendentes de julgamento, sem que realize análise prévia da máfé (ou não) do contribuinte em relação ao pedido formulado. Ficando a multa, portanto, condicionada a verificação da máfé por parte do contribuinte (...). No presente processo não foi constatado máfé da contribuinte. Cientificada do Despacho Decisório que deferiu parcialmente o seu pleito, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14063.420, de 16/12/2006, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. Fl. 1740DF CARF MF Processo nº 10835.720778/201483 Acórdão n.º 3201004.311 S3C2T1 Fl. 7 6 Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. ARRENDAMENTO. ALUGUÉIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. São passíveis de aproveitamento os gastos com aluguéis e arrendamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. São passíveis de aproveitamento os créditos presumidos da agroindústria quando o contribuinte atende às exigências contidas na Lei nº 10.925, de 2004. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa os gastos com frete na operação de venda quando suportados pelo vendedor. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O saldo credor referente a crédito presumido da agroindústria, instituído pela Lei nº 10.925/2004, somente pode ser descontado da própria contribuição, mas não compensado com outros tributos ou ressarcido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual alega, em apertada síntese, o seguinte: a) Reclassificação dos créditos básicos para crédito presumido relativos à aquisição de leite in natura: os créditos oriundos de aquisição de leite in natura devem ser considerados como créditos básicos, nos termos do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois tratase de insumo principal da produção. Acresce, no tópico seguinte (Do crédito presumido oriundo decorrente de atividades agroindustriais Aquisição de Leite in natura e Lenha de Eucalipto), que a empresa tem por objeto social, dentre outros, a atuação no ramo de produtos do laticínio. Assim, faz jus à utilização do benefício do crédito presumido de PIS/Cofins para as agroindústrias, disposto no ordenamento jurídico por meio da Lei n.º 10.925, de 2004. Contudo, restringiramse as possibilidades de utilização do saldo credor das contribuições em referência, ao firmar entendimento de que o crédito presumido, instituído justamente para o equilíbrio das contas daquelas empresas adquirentes de insumos, não poderia ser objeto de compensação ou ressarcimento; b) Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos: transfere de uma unidade para outra sua matéria prima ou subproduto dele para devido Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 10835.720778/201483 Acórdão n.º 3201004.311 S3C2T1 Fl. 8 7 tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após devido tratamento o torna apto ao consumo e acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade; c) Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados: os gastos relativos à higienização na produção de alimentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois pertinentes e viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, direta ou indiretamente empregados, cuja subtração importa na impossibilidade da mesma prestação de serviço ou produção, implicando substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes; d) Materiais de Embalagem: os materiais de embalagem glosados pela Fiscalização e mantidos pelo Acórdão recorrido são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado. Todos os materiais utilizados para a embalagem acabam compondo o produto final da empresa, sendo de suma importância que o produto comercializado tenha sua integridade garantida até sua entrega definitiva. Convém esclarecer que todas as embalagens estão em contato direto com o produto e nenhuma delas retorna para a empresa. Assim, é evidente que a sua utilização é indispensável para o processo de geração de receitas, gerando custos a cada etapa, o que lhe assegura direito ao crédito pretendido. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.306, de 24/10/2018, proferido no julgamento do processo 10835.720775/201440, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.306): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. (...) Deferido em parte o pedido e apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua procedente em parte, daí o recurso voluntário, ora apreciado. Da Reclassificação dos créditos básicos para crédito presumido (sic) Inicialmente, a Recorrente defende que os créditos presumidos de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, sejam considerados como se créditos básicos fossem (como se vê, o contrário do que está no título deste tópico do recurso). Registra o voto condutor do acórdão recorrido que, não obstante tenha tentado viabilizar a compensação do valor a ser ressarcido com outros tributos administrados pela RFB, não mais havia decisão judicial autorizando o que pleiteara. Fl. 1742DF CARF MF Processo nº 10835.720778/201483 Acórdão n.º 3201004.311 S3C2T1 Fl. 9 8 A matéria, com efeito, é, nesta parte, idêntica a que ora enfrentamos, conforme facilmente se percebe do dispositivo da sentença transcrito no mesmo voto: DISPOSITIVO DA R. SENTENÇA: "Por todo o exposto: a) no que concerne ao pedido de afastamento do Ato Declaratório Interpretativo nº 15/2005, JULGO EXTINTO o presente feito, sem resolução do mérito, com amparo no artigo 267, inciso VI, do Código de Processo Civil, em razão da ausência de interesse de agir. b) No tocante ao pleito remanescente, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido e CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA para reconhecer o direito líquido e certo da impetrante à utilização do saldo credor da contribuição para o PIS e da COFINS, decorrente do crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004, no pagamento de débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do art. 16, inciso I, da Lei nº 11.116/2005, salvo quanto às operações de vendas (eventuais) de leite a granel realizadas na forma prevista no inciso II do 1º do art. 8º da Lei 10.925/04, afastando qualquer ato restritivo da autoridade impetrada no sentido de impedir a aplicação do disposto no art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05, em especial a Instrução Normativa SRF nº 636, de 24 de março de 2006. Em conseqüência, julgo extinto o processo, com resolução do mérito, a teor do que dispõe o art.269, I, do Código de Processo Civil. Incabível a condenação em honorários advocatícios na quadra do mandado de segurança (Súmula 512 do Supremo Tribunal Federal). Sentença sujeita ao reexame necessário. Custas ex lege. P.R.I.O" Publicação D. Oficial de sentença em 27/11/2007, pag 83 (grifos do original) Portanto, não obstante não tenha reconhecido a concomitância, os processos judicial e administrativo apresentamse, ao menos em parte, com objetos idênticos. Afinal, considerar o crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, como se crédito básico fosse equivale a permitir o seu ressarcimento, não a sua utilização exclusiva para deduzir do PIS/Cofins em cada período de apuração (conforme o caput do mesmo dispositivo). Incide, na hipótese, a nosso juízo, a Súmula Vinculante CARF nº 1, segundo a qual "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Esse cenário, sublinhese, não se altera em face da introdução do art. 9ºA na Lei nº 10.925, de 2004, pela Lei nº 13.317, de 2015. 1 Dos Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos A Recorrente sustenta que transfere de um dos seus estabelecimento para outro matéria prima ou subproduto dela para o devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após o devido tratamento, tornaa apta ao consumo e a acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade 1 Art. 9oA. A pessoa jurídica poderá utilizar o saldo de créditos presumidos de que trata o art. 8o apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de leite, acumulado até o dia anterior à publicação do ato de que trata o § 8o deste artigo ou acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário a partir da referida data, para: (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação aplicável à matéria; ou (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II ressarcimento em dinheiro, observada a legislação aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 10835.720778/201483 Acórdão n.º 3201004.311 S3C2T1 Fl. 10 9 Ora, a própria RFB consolidou o entendimento de que as despesas com frete no transporte de insumos incorporamse ao custo do produto adquirido, tal como prevê a Solução de Divergência nº 7 Cosit, de 23 de agosto de 2016: NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 10835.720778/201483 Acórdão n.º 3201004.311 S3C2T1 Fl. 11 10 pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. Como deixa cristalino a Solução de Divergência e mesmo se extrai do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para que se permita a apropriação do créditos sobre o frete pago no transporte do insumo adquirido, há que se ter a aquisição do insumo, operação a que não corresponde a mera transferência de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa. No caso, há a remessa de produtos em elaboração de um para outro estabelecimento da mesma empresa, no qual será submetido a um processo de industrialização – a um custo específico, que, portanto, incorporase ao produto final – , tornandoos aptos ao consumo e os acondicionando para posterior revenda. Nesse contexto, temos entendido possível o creditamento, em sintonia com o que decidido pela 3ª Turma da CSRF: DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. (Acórdão nº 9303007.285, de 15/08/2018) Dos Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados Aqui, a Recorrente contesta o acórdão recorrido, ao fundamento de que os gastos relativos à higienização na produção de alimentos – no seu caso, a fabricação de laticínios – podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois, além de pertinentes, viabilizam o processo produtivo e cuja subtração implicando substancial perda de qualidade do produto. Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 10835.720778/201483 Acórdão n.º 3201004.311 S3C2T1 Fl. 12 11 É evidente que, sendo a Recorrente fabricante de produtos laticínios, submetese a rigoroso controle de higienização e limpeza durante todo o seu processo produtivo. Assim, faz jus aos créditos sobre os produtos ou serviços que adquire para viabilizálo. A jurisprudência administrativa é remansosa a respeito do tema. Entre outras: REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. (Acórdão nº 3401004.896, de 21/05/2018) PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS NA ASSEPSIA E HIGIENIZAÇÃO DOS TANQUES DE TRANSPORTE DE LEITE, SILOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Os produtos químicos utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite caminhões, silos e equipamentos industriais são considerados essenciais à atividade/produção do sujeito passivo, eis ser obrigatória a referida assepsia para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado. O que, por conseguinte, há de se considerar a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com a aquisição dos referidos produtos químicos, em respeito à prevalência do critério da essencialidade para fins de conceituação de insumo para a geração do direito ao referido crédito. (Acórdão nº 9303005.652, de 19/09/2017) Dos Materiais de Embalagem Dizse que os materiais de embalagem glosados são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. A glosa teve por fundamento o fato de que os gastos com embalagem somente poderiam ser considerados insumos quando incorporada ao produto em fabricação ou quando sofre alteração em suas propriedades, de modo que as embalagens destinadas a apenas proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito de PIS/Cofins. A propósito do tema, a 3ª Turma de CSRF já entendeu que as embalagens destinadas a viabilizar a preservação de suas características durante o seu transporte e cuja falta pode torná lo imprestável à comercialização devem ser consideradas como insumos utilizados na produção. É o que se decidiu no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 9303004.174, de 05/07/2016, de relatoria da il. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, assim ementado: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito da Cofins pela sistemática não cumulativa. No voto condutor do acórdão, a relatora reproduziu, em apoio à sua tese, aresto proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, o qual abraçou idêntico entendimento: Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 10835.720778/201483 Acórdão n.º 3201004.311 S3C2T1 Fl. 13 12 PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – PIS/COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Agravo regimental improvido. (g.n.) (STJ, Rel. Humberto Martins, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.125.253 SC, julgado em 15/04/2010) Ressaltamos, também, o fato de que a própria RFB parece indicar uma alteração de entendimento (conceito próprio da legislação do IPI), uma vez que, na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, após a reprodução dos atos legais e infralegais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de insumos, incluemse os bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confirase: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 10835.720778/201483 Acórdão n.º 3201004.311 S3C2T1 Fl. 14 13 b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n.) Ademais, e parecenos isso de fundamental importância, não obstante o conceito de insumos, para os fins da incidência do IPI, compreenda apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem, a legislação deste imposto faz uma expressa distinção entre o que é embalagem de apresentação e o que é embalagem para o transporte, de forma que a permitir o crédito apenas sobre a aquisição da primeira, mas não da segunda, consoante preconiza do art. 3º, parágrafo único, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964 (regra matriz do IPI): Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; (g.n.) Norma semelhante, contudo, não existe nos diplomas legais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo. Assim sendo, devem ser considerados insumos na sistemática não cumulativa do PIS/Cofins os materiais de embalagem utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, quanto às demais matérias, DOULHE PROVIMENTO, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do recurso Voluntário quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, quanto às demais matérias, deulhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 10835.720778/201483 Acórdão n.º 3201004.311 S3C2T1 Fl. 15 14 b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1749DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13766.000025/2001-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
IRPF. RENDIMENTOS OMITIDOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE PROPRIEDADE OU LOCAÇÃO DE VEÍCULO.
No caso de valores auferidos pela pessoa física em decorrência do transporte de carga, a redução da base de cálculo do imposto de renda somente deve ser observada quando tal renda for auferida mediante a utilização de veículo próprio, locado ou adquirido com reservas de domínio ou alienação fiduciária.
Numero da decisão: 2201-004.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente ARILDO WINGLER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 IRPF. RENDIMENTOS OMITIDOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE PROPRIEDADE OU LOCAÇÃO DE VEÍCULO. No caso de valores auferidos pela pessoa física em decorrência do transporte de carga, a redução da base de cálculo do imposto de renda somente deve ser observada quando tal renda for auferida mediante a utilização de veículo próprio, locado ou adquirido com reservas de domínio ou alienação fiduciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 6. 00 00 25 /2 00 1- 92 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13766.000025/200192 Acórdão n.º 2201004.791 S2C2T1 Fl. 73 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 64/67 interposto contra decisão da DRJ do Rio de Janeiro II/RJ, de fls. 52/56 a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 11/16, lavrado em 27/10/2000, relativo ao ano calendário de 1998, sem AR para comprovar a data de ciência do RECORRENTE, contudo com certidão de fls. 24 atestando pela tempestividade da impugnação. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado: por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, no valor total de R$ 5.000,55, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75% De acordo com o demonstrativo das infrações de fl. 13, o presente lançamento teve origem no seguinte fato: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, DECORRENTES DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. HOLDERCIM BRASIL R$ 537,00 CEVAL ALIMENTOS R$ 19.408,17 ENQUADRAMENTO LEGAL: ARTS. 1 A 3 DA LEI 7.713/88; ARTS. 1 A 3 DA LEI 8.134/90; ARTS. 3, 11 E 32 DA LEI 9.250/95; ART. 21 DA LEI 9.532/97; ART. 45 DO DECRETO 3.000/99 RIR/1999. Nos termos do demonstrativo das infrações, foram recebidos no ano de 1998 R$ 537,00 reais da Holdercim Brasil e R$ 19.405,17 da Ceval Alimentos. Estes rendimentos não foram incluídos na declaração de imposto de renda, razão pela qual foi efetuado o lançamento com base nos arts. 1º a 3º da Lei nº 7.713/1988, nos arts. 3, 11 e 32 da Lei nº 8.250/1995, no art. 21 da Lei nº9.532/1997 e no art. 45 do Decreto nº 3000/1999 (RIR/1999). Houve a alteração também para a inclusão do IRRF. Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de efls. 5/9 em 26/12/2000. Em síntese, aduz que os rendimentos indicados pela fiscalização são provenientes de serviços de frentes e carretos prestados. Defende o contribuinte que, conforme disposto no Manual de Instruções do Imposto de Renda Pessoa Física/99, a tributação incide apenas sobre 40% destes valores, e não sobre a totalidade como entendeu a fiscalização. Alega que o valor de R$ 19.945,17 deverá sofrer o desconto de 60%, que seria de R$ 11.967,10, restando apenas o valor líquido tributável de R$ 7.978,07. Com isso, refez os cálculos do imposto devido, considerando o valor já declarado de R$ 6.194,63, e apurou IR devido no montante de R$ 505.90, do qual foi deduzido o IRRF reconhecido pela fiscalização no valor de R$ 399,75. Neste sentido, o RECORRENTE reconhece como devido o Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13766.000025/200192 Acórdão n.º 2201004.791 S2C2T1 Fl. 74 3 montante de imposto a pagar de R$ 106,15, e já efetuou o recolhimento do imposto de renda complementar sobre estes valores, acrescido de juros e correção monetária, conforme DARF de fls.10. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ no Rio de Janeiro II/RJ julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 52/56): IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese pedido de diligência quando o objetivo é suprir ausência de provas das alegações trazidas na impugnação. As diligências e perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para suprir a ausência de provas, que já poderia a parte ter juntado à impugnação, ou para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. O simples fato de provirem os rendimentos da prestação de serviços de transporte não implica a tributação em percentual reduzido, sendo necessário que o contribuinte comprove que preenche os demais requisitos legais. Lançamento Procedente No mérito, entendeu pela manutenção do lançamento, ante a ausência de comprovação documental de que os rendimentos eram provenientes de FRETES E CARRETOS. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 1º/11/2007, conforme AR de fl. 63, apresentou o recurso voluntário de fls. 64/67 em 30/11/2007. Em suas razões, reiterou os argumentos da Impugnação Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13766.000025/200192 Acórdão n.º 2201004.791 S2C2T1 Fl. 75 4 Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR 1. Da juntada de prova documental em recurso voluntário Nos termos da aplicação literal da lei, a medida que se impõe é a desconsideração da prova juntada em sede de recurso voluntário, nos termos do art. 16, §4º do Decreto 70.235/72. Contudo, entendo que a questão da comprovação da propriedade do veículo foi matéria apenas suscitada apenas pela DRJ no momento em que julgou a impugnação. Desta feita, a juntada da cópia da matrícula n.° 105.486ES, do veículo de placa CZ7254, datado de 21/11/91, em nome de Arildo Wingler, com registro na 2ª Ciretran/ES, deve ser deferida pois visa contrapor as razões aduzidas pela autoridade julgadora. Portanto, tal documento se enquadra na exceção trazida pela alínea “c” do §4º do art. 16 da Lei nº 70.235/1972, motivo pelo qual acato sua juntada. MÉRITO 1. Dos rendimentos de fretes e carretos. O RECORRENTE, em sua impugnação, reconhece que recebeu rendimentos não declarados proveniente das pessoas jurídicas Holdercim Brasil e da Ceval Alimentos, nos respectivos montantes de R$ 537,00 e R$ 19.405,17. Em que pese a alegação do contribuinte de que se tratam de rendimentos provenientes de fretes e carretos, o mesmo não junta prova alguma aos autos para comprovar suas alegações. Ora, no Recurso Voluntário o contribuinte faz menção a um recibo em seu nome no qual consta o código de receita nº 0588, que se referiria a fretes e carretos, como consta no manual do IRPF. Assim, entende que esta documentação, por si só, é prova suficiente para comprovar a natureza das receitas. Contudo, devese esclarecer que o código de receita nº 0588 referese a “IRRF RENDIMENTO DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO” e não a receitas com fretes e carretos, como alega o RECORRENTE. A relação das fontes pagadoras e os códigos de recolhimentos encontrase a fl. 35. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13766.000025/200192 Acórdão n.º 2201004.791 S2C2T1 Fl. 76 5 Sobre o rendimento de R$ 537,00 recebidos da Holdercim Brasil, o RECORRENTE não acosta qualquer documento. Já sobre o rendimento de R$ 19.408,23 pagos pela Ceval Alimentos, com IRRF de R$ 399,75, acosta aos autos o comprovante de rendimentos de efls. 17, única prova trazida pelo contribuinte. Neste documento há a indicação da natureza de fretes e carretos e, de fato, consta uma rubrica ao lado da receita tributada indicado o percentual de 40%, que poderia ser indício de se tratar de receitas de fretes e carretos sujeita à apuração favorecida do IRPF. Contudo, não pode este julgador alcançar tal conclusão com base exclusivamente nesta rubrica. É que, conforme disciplina o art. 9º a Lei nº 7.713/88 (com redação vigente à época dos fatos), no caso de valores auferidos pela pessoa física em decorrência do transporte de carga, a redução de 60% da base de cálculo do imposto de renda somente deve ser observada quando tal renda for auferida mediante a utilização de veículo próprio, locado ou adquirido com reservas de domínio ou alienação fiduciária: Art. 9º Quando o contribuinte auferir rendimentos da prestação de serviços de transporte, em veículo próprio, locado, ou adquirido com reservas de domínio ou alienação fiduciária, o imposto de renda incidirá sobre: I quarenta por cento do rendimento bruto, decorrente do transporte de carga; No presente caso, a despeito de acostar a documentação de fl. 17 indicando que o valor recebido da Ceval Alimentos foi decorrente de fretes e carretos, o RECORRENTE não acostou aos autos a necessária comprovação de que o veículo utilizado para a prestação de tal serviço foi um veículo próprio, locado ou adquirido com reservas de domínio ou alienação fiduciária, conforme determina o dispositivo legal acima citado. A razão de existir da referida redução da base de cálculo devese ao fato de que o contribuinte, ao executar serviços de transporte de carga com veículo próprio, terá um custo relativo a combustível e à depreciação natural do veículo. Ou mesmo o custo decorrente do aluguel do mencionado veículo. E esse mencionado custo é que justifica a redução da base de cálculo para 40% do rendimento bruto auferido com transporte de carga. Na medida que não constam veículos na declaração de ajuste do relativa ao anocalendário 1998 (fls. 30/33), não há como presumir que o RECORRENTE era proprietário de qualquer veículo à época dos fatos. Portanto, caberia a ele comprovar que possuía veículo à época, mesmo que omitidos de sua declaração de bens, ou que efetuou a locação de veículo para executar tal serviço. Essas provas não foram feitas no presente caso. Em seu Recurso Voluntário, a fim de contrapor as razões expostas pela autoridade julgadora de primeira instância acerca da comprovação da propriedade do veículo, juntou aos autos cópia da matrícula n.° 105.486ES, do veículo de placa CZ7254, datado de 21/11/91, em nome de Arildo Wingler, com registro na 2ª Ciretran/ES (fls. 68/69). Contudo, tal documento referese ao ano de 1991. Portanto, mencionado documento não comprova a propriedade do veículo no ano em que ocorreu o fato objeto do presente lançamento, que foi em 1998. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13766.000025/200192 Acórdão n.º 2201004.791 S2C2T1 Fl. 77 6 Tampouco esse documento tem o condão de fazer o link entre o serviço prestado e o veículo utilizado. Deveria o RECORRENTE apresentar contrato de prestação de serviço demonstrando qual o veículo utilizado para tanto, o que revelaria a utilização (ou não) de veículo próprio, locado, ou adquirido com reservas de domínio ou alienação fiduciária. Neste sentido, cito julgado deste CARF: “Ementa: (...) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TRANSPORTE DE CARGAS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS CONDIÇÕES A tributação de quarenta por cento do rendimento proveniente de prestação de serviços de transporte de carga está condicionada a que o serviço seja executado somente pelo proprietário ou locatário do veículo, ainda que adquirido com reserva de domínio ou esteja sob alienação fiduciária. (...) Preliminar acolhida. Recurso negado. (acórdão nº 10247.078, data de julgamento: 12/09/2005)” Sendo assim, apesar o art. 9º a Lei nº 7.713/88 autorizar que os rendimentos provenientes dos serviços de transportes de carga apenas serão tributados no percentual de 40%, inexiste nos autos prova documental que autorize sua aplicação, pois não houve a prova de que o veículo utilizado para a prestação do serviço era próprio ou alugado. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto em epígrafe. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.722225/2015-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-000.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente CLARISSA MACIEL DE ANDRADE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 22 25 /2 01 5- 61 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10469.722225/201561 Acórdão n.º 2002000.379 S2C0T2 Fl. 111 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 34/38), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2013. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar de R$2.376,78 para saldo de imposto a pagar de R$6.633,78. A notificação noticia a dedução indevida de despesas médicas no valor de R$15.480,00, consignando que a contribuinte, intimada, não apresentou comprovação quanto ao efetivo pagamento das despesas declaradas com os profissionais indicados (fls.35/36). Impugnação Cientificada à contribuinte em 14/4/2015, a NL foi objeto de impugnação, em 12/5/2015, à fl. 2/32 dos autos, assim sintetizada na decisão de piso: 1. As despesas têm como beneficiária a própria contribuinte, foram pagas à vista e em dinheiro, forma de pagamento válida no país, no decorrer do ano de 2012 às profissionais Magali Barreto de Medeiros (dentista), Ana Cláudia Bezerra Ribeiro (fisioterapeuta) e Amarílis de Castro K. dos Santos (psicóloga) em contraprestação aos serviços prestados; 2. Discorda do lançamento na medida em que a fiscalização lança suspeições sobre os recibos sem apresentar provas que os desqualifiquem, quando deveria realizar diligência junto aos profissionais e verificar se eles omitiram receitas. Alerta que os profissionais emitiram declarações confirmando a realização dos serviços e seu recebimento e estão devidamente registrados no conselho de classe; 3. Refuta a necessidade de comprovação do efetivo pagamento, pois não foi provada a invalidade dos recibos; 4. Invoca a boa fé prevista no artigo 113 do Código Civil para arrematar juntamente com julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e jurisprudência que os recibos apresentados comprovam as despesas declaradas e aponta pessoalidade e vaidade da autoridade lançadora na lavratura na notificação fiscal; 5. Aduz que tem o direito de ver provadas todas as alegações trazidas pelo fisco e o fato de contradizer a imputação fiscal não inverte o ônus da prova, pois contestados os fatos informados na declaração de ajuste, cabe à administração provar o contrário. Em seu favor cita os artigos 923 e 924 do Regulamento do Imposto de Renda; Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10469.722225/201561 Acórdão n.º 2002000.379 S2C0T2 Fl. 112 3 6. Ao final requer o cancelamento da exigência fiscal; A impugnação foi apreciada na 9ª Turma da DRJ/BHE que, por unanimidade, julgoua improcedente, em decisão assim ementada (fls. 43/48): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. ACEITAÇÃO. CONDIÇÕES. EFETIVO PAGAMENTO. Somente podem ser acatadas as despesas médicas do contribuinte e seus dependentes, quando comprovadas por documentação que atenda aos requisitos legais e que produzam a convicção necessária da ocorrência do efetivo pagamento. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 6/6/2016 (fl. 51), a contribuinte, em 28/6/2016 (fl. 59), apresentou recurso voluntário, às fls. 59/105, no qual alega, em apertado resumo, que: seriam dedutíveis as despesas médicas realizadas pelo contribuinte para seu tratamentos e de seus dependentes, comprovadas por meio de recibos médicos, que se consubstanciam, no seu entendimento, em documentação hábil e idônea para esse fim; se julgasse necessário, deveria a autoridade fiscal suprir a ausência de algum requisito legal por meio de consultas aos sistemas da RFB; os recibos e declarações emitidos pelos profissionais e que preenchem os requisitos não poderiam ser desconsiderados, citando jurisprudência administrativa acerca do tema; citando os princípios da verdade material e da oficialidade, indica a juntada de seus extratos bancários, que demonstrariam sua condição financeira e econômica (fls.81/105); destaca os princípios da moralidade e da eficiência, para defender que a administração não deve gerar ônus desnecessários ao processo; antes de exigir do contribuinte a comprovação do efetivo pagamento da despesa, caberia a autoridade fiscal consultar os sistemas da RFB; reproduz a legislação de regência, aduzindo que o recibo é o meio de fazer prova da despesas médicas declaradas; cita jurisprudência do CARF no sentido de que, para rejeitar os recibos médicos, a autoridade fiscal deveria comprovar que os serviços não teriam sido prestados ou pagos; Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10469.722225/201561 Acórdão n.º 2002000.379 S2C0T2 Fl. 113 4 tendo sido disponibilizados os recibos, a autoridade fiscal não poderia exigir mais elementos do que aqueles previstos na legislação de regência; requer seja dado provimento ao seu recurso. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10469.722225/201561 Acórdão n.º 2002000.379 S2C0T2 Fl. 114 5 IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Em seu recurso, a contribuinte defende que as declarações e os recibos emitidos pelos profissionais são os documentos hábeis a fazer a prova exigida. Como exposto acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10469.722225/201561 Acórdão n.º 2002000.379 S2C0T2 Fl. 115 6 receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. O ônus probatório é do contribuinte e ele não pode se eximir desse ônus com a afirmação de que o recibo de pagamento seria suficiente por si só para fazer a prova exigida. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Não a socorre o argumento de que tem disponibilidade financeira e econômica acompanhado da apresentação de extratos, uma vez que não foi estabelecida uma correlação entre os saques e os gastos realizados. Por seu turno, os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado, repisese, compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10469.722225/201561 Acórdão n.º 2002000.379 S2C0T2 Fl. 116 7 mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) No caso concreto desses autos, ainda que intimada a fazer a prova do efetivo pagamento (fl.25), só foram juntadas pela recorrente declarações emitidas pelo profissionais (fls. 23/24). Repisese que a apresentação dos extratos, como forma de demonstrar a disponibilidade de recursos, também não se revela hábil a fazer a prova exigida. Assim, na ausência dessa comprovação, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13909.000047/2007-76
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/06/2003
DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
As decisões administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/06/2003
CRÉDITO PRESUMIDO. TAXA SELIC. RESSARCIMENTO.
Por falta de previsão legal, a taxa Selic não incide sobre o ressarcimento de tributos.
Numero da decisão: 3001-000.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2002 a 30/06/2003 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. Por falta de previsão legal, a taxa Selic não incide sobre o ressarcimento de tributos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1609; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 93 1 92 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13909.000047/200776 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.597 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 21 de novembro de 2018 Matéria RESSARCIMENTO CRÉDITO PRESUMIDO IPI SELIC Recorrente COMPANHIA IGUAÇU DE CAFÉ SOLÚVEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 30/06/2003 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. Por falta de previsão legal, a taxa Selic não incide sobre o ressarcimento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1421.317, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 9. 00 00 47 /2 00 7- 76 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13909.000047/200776 Acórdão n.º 3001000.597 S3C0T1 Fl. 94 2 que, em sessão de julgamento realizada no dia 05.11.2008, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu a correção monetária sobre o ressarcimento de créditos originados de incentivo fiscal. Da ementa da decisão recorrida A 2ª Turma da DRJ/RPO, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/06/2003 CORREÇÃO MONETÁRIA. Não existe previsão legal para a correção monetária de valores relativos a ressarcimento de créditos de IPI. Solicitação Indeferida Da ciência O contribuinte, por meio da "INTIMAÇÃO Nº 620/2010" (fl. 71) e de respectivo "AVISO DE RECEPÇÃO AR" (fl. 72), conheceu do teor do Acórdão nº 1421.317 em 11.03.2010; razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, apresenta recurso voluntário (fls. 73 a 79) em 06.04.2010, conforme depreendese do carimbo de protocolo aposto em sua "folha de rosto". Do recurso voluntário Cientificado da decisão vergastada, o contribuinte comparece aos autos para, em sede de recurso voluntário, pleitear a sua integral reforma. Para tanto, aduz que o acórdão recorrido, limitandose a repisar as mesmas alegações invocadas no Despacho Decisório contestado, ignorou decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais Segunda Turma, que consolidam e pacificam o entendimento sobre a matéria no âmbito do então Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes. Neste sentido, pede vênia para reiterar as alegações suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e acrescentar as ementas dos aludidos julgados, que afirma versar sobre idêntica matéria veiculada nestes autos. Enfatiza que o entendimento firmado pela CSRF Acórdão nº 020.708, é no sentido de que o ressarcimento é uma espécie da qual a restituição é gênero, a teor do disposto no Decreto nº 2.138, de 1997. Portanto, entende ser óbvio o seu direito à aplicação da taxa Selic sobre o valor do ressarcimento objeto do presente processo, conforme já pleiteado na exordial. Diante do alegado, requer sejalhe dado provimento para reconhecer seu direito aos acréscimos de juros equivalentes à taxa Selic sobre os valores dos ressarcimentos de crédito presumido de IPI. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao CARF em 04.05.2010 (fl. 82), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13909.000047/200776 Acórdão n.º 3001000.597 S3C0T1 Fl. 95 3 É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi apresentado em 06.04.2010, depois da ciência do acórdão vergastado, ocorrida em 11.03.2010; portanto, a petição recursal é francamente tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Das decisões administrativas Advirtase que resultam improfícuos os julgados administrativos referidos pelo contribuinte, porque tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assim, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. Neste sentido, o inciso II do artigo 100 do CTN determina, verbis: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; (grifei) A este respeito, vejase também o Parecer Normativo CST nº 390, de 31.05.1971, verbis: Entendase aí que, não se constituindo em norma legal geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado. Deste modo, as decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF e mesmo pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ainda que reiteradas sobre determinada questão, não se fazem oponíveis perante este Colegiado, Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13909.000047/200776 Acórdão n.º 3001000.597 S3C0T1 Fl. 96 4 ressalvada a hipótese de edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, incluído pela Lei nº 11.196, de 21.11.2005. No presente caso, por não se verificar a hipótese acima referida, as decisões administrativas colacionadas pelo recorrente não têm o condão de vincular o presente julgado e menos ainda de afastar a aplicação da legislação de regência da matéria. Do mérito Do voto condutor do acórdão recorrido A decisão recorrida foi assim assentada, verbis: De plano, verifico que a defendente não tem razão, pois, não se trata aqui de repetição de indébito. Tratase, pelo contrário, de ressarcimento do saldo resultante do confronto entre créditos e débitos na conta gráfica de IPI que se tenta igualar ao instituto jurídico da restituição de tributos indevidamente recolhidos. O art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, assim dispõe: “Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da Ufir. § 4º O Departamento da Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo". (g.m.) Este dispositivo teve sua redação alterada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, verbis: “Art. 58. 0 inciso III do art. 10 e o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13909.000047/200776 Acórdão n.º 3001000.597 S3C0T1 Fl. 97 5 condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor na recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo" (g. m.) Já o art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabelece que: “Art 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9. 069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1º (VETADO) § 2º (VETADO) § 3º (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais. acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada" (g. m.) Conforme se pode verificar, todos os dispositivos legais acima referemse a compensação ou restituição, que são espécies do gênero repetição de indébito. Portanto, é lógico inferir que a restituição e a compensação pressupõem a existência de um pagamento anterior efetuado pelo sujeito passivo, pagamento este indevido ou efetuado em montante maior do que aquele que seria devido. Ora, no caso dos autos o suposto crédito que o sujeito passivo pleiteou não se originou de nenhum indébito tributário, uma vez Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13909.000047/200776 Acórdão n.º 3001000.597 S3C0T1 Fl. 98 6 que resultante do incentivo fiscal referido nos parágrafos precedentes. Tratandose de incentivo fiscal, consubstanciase em mera liberalidade do sujeito ativo do tributo que, ao renunciar à receita sobre a qual teria direito, decidiu fazêlo sem a aplicação de correção monetária ou de juros, dado o silêncio das já revogadas normas específicas do créditoprêmio e da referência efetuada tãosomente em relação à repetição de indébito, nas normas acima transcritas. (...) No caso da repetição de indébito, que foi tratada no Parecer AGU/MF nº 01/96, a devolução das importâncias assentase na preexistência de um pagamento indevido, cuja devolução é reclamada com base no principio geral de direito que veda o locupletamento sem causa. Já no caso de ressarcimento de créditos incentivados, o pagamento efetuado pelo sujeito passivo era devido, mas a devolução das quantias assentase única e exclusivamente na renúncia unilateral de valores que foram licitamente recebidos pelo sujeito ativo, titular da competência para exigir o tributo. Como se vê, em ambos os casos ocorre a devolução de uma quantia ao sujeito passivo, mas esta devolução ocorre por razões distintas. A finalidade do ressarcimento é produzir uma situação de vantagem para determinados contribuintes que atendam a certos requisitos fixados em lei, para incrementar as respectivas atividades; enquanto que a finalidade da repetição do indébito é prestigiar o principio que veda o enriquecimento sem causa. Outrossim, não há como sustentar o procedimento do reclamante com base em princípios constitucionais de ordem programática que não são aptos a criar relações jurídicas materiais de ordem subjetiva. Princípios constitucionais possuem como destinatário, via de regra, o legislador ordinário, servindo apenas e tãosomente de inspiração e orientação para o exercício da competência legislativa no momento da criação das normas jurídicas que regularão o imposto. Somente a lei, elaborada por quem detém a competência legislativa conferida pela Constituição, assim como as normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade imediata têm o condão de criar relações jurídicas de direito material. (...) Nesse passo, por todo o exposto, não há como conceder o ressarcimento de créditos originados de incentivo fiscal, com acréscimo da Ufir e/ou da taxa Selic. Do fundamento deste voto vencedor Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13909.000047/200776 Acórdão n.º 3001000.597 S3C0T1 Fl. 99 7 Em reforço ao fundamento da decisão vergastada, o qual me filio integralmente, é suficiente salientar que também não concordo com a incidência da taxa Selic sobre os valores a serem ressarcidos. É que ressarcimento não é espécie de restituição, como entende o recorrente, que, por expressa previsão legal, somente comporta os casos de pagamento indevido ou a maior de tributo (artigo 165, inciso I, do CTN), e o artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 1995, foi expresso ao permitir a aplicação dessa taxa apenas sobre os casos de restituição e compensação de tributos. Saliento também que o caso sob exame não é daqueles em que ocorre a oposição do ente estatal. Afinal, o interessado promoveu a compensação de todo o crédito pleiteado, objeto das declarações de compensação e dos processos discriminados à fl. 01, referentes aos 3º e 4º trimestres de 2002 e 1º e 2º trimestres de 2003, situação bem diversa da hipótese tratada no REsp 993164/MG, quando, por exemplo, um ato normativo infralegal promove, ao disciplinar a lei, restrição indevida ao mesmo benefício. Não sendo o caso, resta impossível a aplicação da taxa Selic sobre o crédito ressarcido a título de crédito presumido de IPI. Dessa forma, concluo não haver qualquer reparo quanto ao decidido pela instância a quo. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.722521/2014-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 25/11/2014
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Numero da decisão: 3301-005.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 25/11/2014 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
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DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 25 21 /2 01 4- 37 Fl. 35794DF CARF MF Processo nº 12466.722521/201437 Acórdão n.º 3301005.124 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo a exigência da multa substitutiva da pena de perdimento em razão da falta de comprovação da origem lícita, da disponibilidade e da transferência dos recursos empregados na operação de importação, tendo se por configurado dano ao Erário em razão da interposição fraudulenta presumida na importação. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu a declaração de nulidade do auto de infração ou, alternativamente, o cancelamento da ação fiscal, em razão da ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelandose a pena de perdimento imposta e extinguindose, por conseguinte, o respectivo processo administrativo. Foram apresentados os seguintes argumentos de defesa (ora descritos de forma sintética); a) nulidade da autuação por vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em razão de ofensa aos princípios da legalidade, impessoalidade, isonomia, publicidade e quanto aos critérios norteadores da seleção para a nova fiscalização, bem como vício formal consistente na falta de autorização da autoridade competente para deflagrar o procedimento especial e vícios materiais decorrentes da imposição de restrições e exigências ao arrepio da lei; b) o auto de infração encontrase sedimentado em presunções, carregadas de subjetividade, devendo ser também no campo do provável que deveriam ser usados os argumentos da Impugnante, sempre em estrita obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade admitidas em direito; c) quem não importou nem adquiriu mercadorias estrangeiras não pode ser sujeito da aplicação da penalidade de perdimento; d) foram apresentados os documentos requeridos pela Fiscalização, ainda que não na forma e nos formatos digitais requeridos, o que por si só não configura interposição fraudulenta presumida; e) regularidade da empresa como importadora, licitude e legalidade das importações da forma realizadas; f) ofensa ao princípio da verdade material, dada a impropriedade da alegação de interposição fraudulenta presumida; g) inexistência de falsidade ideológica e inexistência de simulação de negócio jurídico; h) ausência de demonstração do dolo específico de fraudar e impossibilidade de caracterização da infração de interposição fraudulenta; Fl. 35795DF CARF MF Processo nº 12466.722521/201437 Acórdão n.º 3301005.124 S3C3T1 Fl. 4 3 i) ausência de dano ao erário em razão do não cometimento das alegadas infrações (presunção de inocência) e em face do recolhimento dos tributos incidentes. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16069.899, julgou improcedente a Impugnação, considerando configurado o dano ao erário e aplicável a pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao seu valor aduaneiro. Afirmou, ainda, a autoridade julgadora que a presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindose ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações; e que a incidência do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 é específica para a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros onde o importador de fato (sujeito passivo oculto/real comprador) encontrase identificado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos da Impugnação. Na análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF decidiu converter o julgamento da lide em diligência, com vistas a se verificar a existência de conexão entre este processo e outros processos administrativos. É o relatório. Fl. 35796DF CARF MF Processo nº 12466.722521/201437 Acórdão n.º 3301005.124 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.088, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 12466.720114/201576, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.088): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A primeira alegação preliminar feita pela recorrente foi quanto à nulidade da intimação do Auto de Infração por edital, uma vez que a recorrente possuía endereço certo e sabido. Conforme se consignou na decisão recorrida, houve mudança de endereço da Recorrente, mas a Fiscalização envidou esforços e logrou a efetiva intimação da contribuinte, conforme excerto abaixo (fl. 7201): A MULTIMEX recebeu sua correspondência no novo endereço em 15/05/2014. Nesse termo, intimouse a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por conta própria, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. Também a empresa foi cientificada do indeferimento da prorrogação de prazo para entrega dos arquivos digitais, solicitada na resposta de 29/04/2014. Importante destacar que, em 16/05/2014, compareceu perante a fiscalização procurador com poderes substabelecidos, que tomou ciência do TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006, conforme TERMO DE CIÊNCIA PESSOAL (CIÊNCIA PESSOAL 2014 00040 006). Em 14/05/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 14 05 2014) ao TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 201400040005. Foi através desse termo que a fiscalização comunicou à MULTIMEX sua inclusão no procedimento previsto na 228/2002, e a intimamos a apresentar livros, documentos e informações relativas ao período de 2014 incluído na fiscalização. Portanto, a fiscalização observou à legislação aplicável. Dessa forma, mantémse o entendimento da decisão recorrida nessa preliminar. Alega adiante (item III.1) a preliminar de nulidade do procedimento de fiscalização porque o Fiscal teria aplicado o procedimento especial da IN 228/02 sem prévia autorização do inspetor da Alfândega ou da Coana. Cumpre anotar que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento administrativo, cujo eventual descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a realização da fiscalização, nem Fl. 35797DF CARF MF Processo nº 12466.722521/201437 Acórdão n.º 3301005.124 S3C3T1 Fl. 6 5 para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc, abaixo transcrito: Art. 2º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; A recorrente alegou que a fiscalização não provou a imprestabilidade da contabilidade, nem a falta de origem lícita e disponibilidade dos recursos e presumiu que todas as importações foram fraudulentas. Neste ponto, conforme já informado na decisão recorrida, as alegações de falta de prova por parte da fiscalização a validar a presunção do § 2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, e as alegações de ilegalidade, atipicidade e cerceamento de defesa estão ligadas à produção probatória confundemse com o mérito. Salientase que a descrição dos fatos foi clara no sentido de aplicação da multa prevista no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, transcrito abaixo, por presunção de interposição fraudulenta prevista em seu § 2º, abaixo transcrito, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for Fl. 35798DF CARF MF Processo nº 12466.722521/201437 Acórdão n.º 3301005.124 S3C3T1 Fl. 7 6 localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O mérito do litígio se concentra na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. Neste ponto, a recorrente arguiu que a fiscalização não provou que a contribuinte não possuía capacidade financeira, mas apenas presumiu, a partir da imprestabilidade da contabilidade mercantil, tal incapacidade. Alega a Recorrente que comprovou a origem lícita de recursos; demonstrando que obteve (fl. 7269): financiamento bancário efetivo, reiterado e contínuo ao longo dos anos para seu capital de giro; desconto de duplicatas em bancos de suas vendas no mercado nacional, gerando capital de giro; financiamento especial (FINIMP) na importação de máquinas e equipamentos para seu capital de giro; concessão de linha de crédito por seus fornecedores, de seus principais e maiores produtos, o que lhe permitiu fluxo de caixa com a origem de recursos dos seus próprios fornecedores no exterior. fluxo de caixa decorrente de suas vendas realizadas no mercado interno; fluxo de caixa decorrente dos recursos auferidos por meio das subvenções para investimento e/ou benefícios fiscais concedidas pelos Estados, especialmente de Rondônia e Espírito Santo, relativo ao ICMS; Ressaltese que a acusação fiscal é de que o importador MULTIMEX não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior. Tratandose de importação por encomenda, é o importador o responsável pela aquisição da mercadoria no exterior, efetuando o pacto de compra e venda e sendo o responsável pelo pagamento do preço da mercadoria e das despesas de sua nacionalização. Assim, deve dispor de capacidade econômicofinanceira para tanto. A partir de indícios de incompatibilidade entre o volume transacionado e a capacidade econômicofinanceira da recorrente, a fiscalização deu início ao procedimento especial da IN SRF 228/2002 tendente à verificação da comprovação da origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Das intimações, restou evidenciado que a contabilidade era imprestável, pois não apresentava os lançamentos relativos às movimentações financeiras, inclusive bancárias. Após intimações e reintimações, a recorrente também não entregou os extratos bancários, informando que estariam representados nos demonstrativos contábeis, as planilhas de formação de preços que identificam os custos e despesas incorridos nas importações, alegou não possuir os DANFES das notas fiscais emitidas, conforme consta do Auto de Infração (fl. 12): Em 29/04/2014, a MULTIMEX apresentou nova resposta (RESPOSTA 29 04 2014), onde informou, em resumo: alegou não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes dos arquivos da IN 86/2001, e solicitou mais 30 dias de prazo, que indeferimos, haja vista a constante demora no atendimento às intimações; alegou não possuir os DANFEs das NFe emitidas, e que não tem condições de apresentálos; apresentou uma caixa de arquivo morto contendo contratos de câmbio Fl. 35799DF CARF MF Processo nº 12466.722521/201437 Acórdão n.º 3301005.124 S3C3T1 Fl. 8 7 e, posteriormente, em 05/05/2014, complementou o atendimento apresentando mais duas caixas de arquivo morto com outros contratos de câmbio. Em relação ao pedido do extrato original das DI relativas às importações por conta própria, a Recorrente respondeu, conforme fl. 26/27 do Auto de Infração: que, devido à instauração do procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002, não tem condições de gerar faturamento e manter uma estrutura operacional mínima; que demitiu seus funcionários; e que não tem condições operacionais para separar os documentos e entregálos na forma solicitada, ou seja, agrupados por DI e em ordem cronológica. Requereu prorrogação de prazo até dia 06/06/2014. (...) Em 05/06/2014, intimamos a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por encomenda, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução. A empresa não apresentou resposta e não prestou qualquer esclarecimento, razão pela qual foi autuada também em relação a esses documentos, através do Auto de Infração nº 0727600/00401/14, consubstanciado no Processo Digital nº 12466.722001/201424. Assim, ao longo dos trabalhos não foram disponibilizados os documentos solicitados ou o foram em desordem, com pedidos de prorrogação de prazos por vezes sem justificativa, pois que se referiam a documentos e arquivos aos quais a recorrente estava, legalmente, obrigada a mantêlos em perfeita ordem. Alegou, a recorrente, a falta de funcionários e conhecimentos técnicos para proceder ao atendimento de algumas entregas de documentos e arquivos digitais da contabilidade. A fiscalização concluiu que (fl. 22): A empresa não apresentou os documentos de instrução das DI, e nem dispõe de contabilidade idônea. Os documentos citados pela MULTIMEX nem sempre identificam a operação de importação, e a empresa sequer foi capaz de apresentar os documentos de instrução por DI, quanto mais os comprovantes de despesas e custos. A inexistência desses controles gerenciais é claro indício de interposição fraudulenta, onde a empresa que registra a Declaração de Importação em seu nome não é o verdadeiro responsável pela operação, mas uma mera mandatária, que não tem o total controle das operações e não pretende expor ao Fisco a forma que as operações são realizadas, para não revelar a fraude. (grifouse) De fato, a análise da ECD de 2010, 2011 e 2012 revelou as seguintes incorreções (fl. 45 e seguintes): 1. Com relação à escrituração de 2010, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (11104) e “Estoques” (11107), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (111), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (11102), devem estar nesse agrupamento; b. A conta “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (111020025) só possuem dois lançamentos, no primeiro e último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: Fl. 35800DF CARF MF Processo nº 12466.722521/201437 Acórdão n.º 3301005.124 S3C3T1 Fl. 9 8 c. As contas de “Aplicações Financeiras” (11103) só possuem lançamentos no último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: 2. Com relação à escrituração do anocalendário 2011, as contas do Ativo Circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.1.01.001.5), no primeiro dia do ano, conforme abaixo: Data Cód.Conta Conta D/C Valor Saldo D/C Histórico Fl. 35801DF CARF MF Processo nº 12466.722521/201437 Acórdão n.º 3301005.124 S3C3T1 Fl. 10 9 3. Com relação à escrituração de 2012, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (1.11.04.0000) e “Estoques” (1.11.07.0000), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (1.11.00.0000), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (1.11.01.0001) e “Bancos Conta Movimento” (1.11.02.0000), devem estar nesse agrupamento; b. As contas do ativo circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.11.01.0001), no primeiro dia do ano, cujo histórico aponta que não houve movimento, conforme abaixo: Verificouse que a contabilidade de fato era imprestável para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação, pois não refletia as movimentações financeiras, especialmente as bancárias, efetuadas pela recorrente. Em resposta, a recorrente informou que tivera problemas com a contabilidade, que estaria empenhada em corrigila e solicitou prorrogações de prazo de 180 dias, embora tais problemas já eram de conhecimento da recorrente desde meados de 2012, quando já estava sendo fiscalizada em relação ao ano de 2008, cuja apresentação de ECD não fora cumprida. A fiscalização demonstrou que o Diário de 2010 possuía apenas 136 lançamentos, quase todos no primeiro e último dia do ano, sem qualquer vinculação com as operações efetuadas em cada DI, de modo a comprovar a disponibilidade dos recursos por ocasião do pagamento do preço e das despesas de tributos e outras aduaneiras. O Diário de 2011 possuía apenas um lançamento de Caixa a Capital Social e o de 2012, também um único lançamento de Caixa A Fornecedores. A fiscalização concedeu prazo até 28/05/2014 para apresentar a ECD de 2010 e até 28/07/2014 para apresentar as ECD de 2011, 2012 e 2013, mas a recorrente não cumpriu tais prazos e não prestou outros esclarecimentos. Posteriormente, apresentou a ECD de 2013, mas com apenas um lançamento de Caixa a Assistência Contábil de valor R$ 1,00 (cf. fl. 56). Está plenamente comprovada a imprestabilidade da contabilidade para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recurso utilizados nas operações de importação que giraram em torno de 2600 DI´s e R$ 33.423.039,79 no período de 2010 a 2014, sendo que deste montante, R$ 154.591.519,12 eram importações por conta própria. Sobre a exigência de se manter a escrituração contábil nas operações de importação e exportação está expressamente prevista no artigo 18 do Decreto nº 6.759/2009, assim como, de forma genérica, no artigo 251 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99) e no artigo 509 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial Fl. 35802DF CARF MF Processo nº 12466.722521/201437 Acórdão n.º 3301005.124 S3C3T1 Fl. 11 10 estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no 10.833, de 2003, art. 70, § 1º).(Grifo nossos) Por seu turno, a recorrente juntou em impugnação contratos de empréstimo e financiamento à importação com diversos bancos, às fls. 911 e seguintes (BICBANCO, Banco do Brasil, Banco Santander, Banco Real, Banco Itaú); relação de faturas comerciais de importação (invoices), relação de DI´s, saldos de aplicação e empréstimos em 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012, relatório do Banco Central do Brasil indicando as operações com os bancos referidos, relação de extratos de descontos de títulos liquidados com extratos bancários, cópia dos termos de entrega dos arquivos SINTEGRA de 2012, 2013 e 2014; contratos de venda de máquinas, lubrificantes e outros produtos, notas fiscais de serviços tomados, notas fiscais de prestação de serviços de manutenção de máquinas, extratos de folhas de pagamento, contrato de representação comercial dos produtos da MULTIMEX, relação de clientes. As origens foram resumidas nas planilhas de fls. 1604/1605, e seriam decorrentes de descontos de duplicatas, empréstimos e capital de giro, financiamento de importações, recebimento de operações próprias e por encomenda, créditos de subvenções e créditos concedidos por exportadores. Segundo a Recorrente, os referidos documentos comprovariam a capacidade econômicofinanceira da recorrente e que o registro contábil não é o único meio de prova, conforme artigo 6º da IN SRF nº 228/2002. Realmente, referidos documentos são indicativos da origem de recursos lícita, conforme dispõe o artigo 4º e 6º da IN SRF nº 228/2002, abaixo reproduzidos: Art. 4º Durante o procedimento especial de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) I o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) II a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) [...] Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: Fl. 35803DF CARF MF Processo nº 12466.722521/201437 Acórdão n.º 3301005.124 S3C3T1 Fl. 12 11 a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. § 2º Os elementos de prova referentes a transações financeiras deverão estar em conformidade com as práticas comerciais. § 3º No caso de comprovação baseada em recursos provenientes do exterior, além dos elementos de prova previstos no caput, deverá ser apresentada cópia do respectivo contrato de câmbio. § 4º Na hipótese do § 3º, caso o remetente dos recursos seja pessoa jurídica, deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. Porém, devese ter em mente que a comprovação deve ser da origem lícita, da transferência e da disponibilidade dos recursos empregados nas operações de importação. Como bem esclarecido na decisão recorrida, é um trinômio que se deve comprovar e não apenas a origem ou a transferência ou a disponibilidade. Se os contratos apresentados podem servir de comprovação de origem, certamente não são suficientes para comprovar a transferência ou a disponibilidade. Se os extratos comprovam a transferência da liquidação dos descontos de títulos, certamente não são suficientes para comprovar a disponibilidade para execução das operações. Do mesmo modo, apenas a escrituração contábil, desacompanhada dos referidos documentos, também não é suficiente para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos. Assim, é o conjunto probatório que deve se mostrar idôneo a comprovar o trinômio, ou seja, a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações. Tal distinção restou bem explanada no acórdão atacado, cujos fundamentos abaixo transcrevo (fl. 7397/7398): Há que se ter em mente que para fins de comprovação do financiamento de operações de comércio exterior o trinômio origem, disponibilidade e transferência deve ser interpretado como um critério indivisível. A comprovação da origem, da disponibilidade ou da transferência de recursos utilizados em operações de comércio exterior tomados de forma isolada, não atende o preceito da norma: possibilitar a completa ciência do fluxo de dinheiro de que se vale o importador. De outra forma, em não se adotando essa postura rígida, correse o sério risco de se deixar uma brecha que viabilize a utilização de transações com o exterior para operações destinadas à “lavagem de dinheiro”. Para a demonstração do grau desse risco, que é elevado, procedese primeiramente com a conceituação em separado de cada um dos três termos: Origem Diz respeito à gênese lícita do recurso. Deve ser demonstrada de onde o recurso provém – se decorrente de atividades lícitas ou não e se em sua obtenção foram observadas as normas de incidência tributária, quando for o caso. Fl. 35804DF CARF MF Processo nº 12466.722521/201437 Acórdão n.º 3301005.124 S3C3T1 Fl. 13 12 É muito comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. Esse tipo de prova evidência apenas que no momento de honrar a transação o importador possuía aquela disponibilidade e que de fato a importação foi paga. Mas a fiscalização nunca põe em dúvida a existência do recurso para adimplemento da transação. Se não houvesse o recurso o contrato de câmbio não seria fechado. O depósito em conta corrente limitase a demonstrar que ocorreu o pagamento da mercadoria importada na data avençada. Nada mais. Outros se limitam a alegar a integração do Contrato Social. Mas a questão perdura: O recurso que integralizou o Contrato Social é de origem lícita? Ao se falar em origem se quer saber o que ocasionou o surgimento do recurso na conta bancária do importador. O que propiciou o depósito. Sua causa. De onde e quando adveio. Qual sua efetiva contrapartida lícita. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. Disponibilidade É a demonstração que o importador possuía esse recurso disponível no exato momento de honrar a transação com o fornecedor externo (fechamento do câmbio). É a paridade entre a posse do numerário e o pagamento da obrigação na data em que ela ocorre. O importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior demonstra que vendeu um imóvel registrado em seu nome e que com aquele dinheiro iniciou suas operações de comércio exterior. A origem lícita do recurso resta demonstrada, mas quem garante que efetivamente aquele recurso foi utilizado para honrar a transação com o exterior? É necessário que se demonstre a posse desse recurso no momento do pagamento da obrigação. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lícita se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía aquele mesmo recurso. Ao se satisfazer com a origem lícita proveniente da venda de um imóvel, por exemplo, correse o sério risco de se permitir que recursos de origem ilícita financiem as operações de comércio exterior, tendo apenas por limite o valor da venda do imóvel. Quanto maior for o valor dessa venda, que serve para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior. Transferência É justamente a ligação entre a gênese e o destino do recurso. A demonstração de que o recurso permaneceu e migrou pelas vias regulares (legais) desde sua origem lícita até o adimplemento da obrigação com o fornecedor externo. É o que se denominou até então de seu “oferecimento a regular tributação”. Em outros termos, o recurso contabilizado à disposição da empresa para adimplir suas obrigações. Um exemplo que ilustra bem a interação dessas três condições é a situação em que determinada pessoa jurídica foi constituída com um capital totalmente integralizado em dinheiro. Para que esse valor seja admitido em operações de comércio exterior, é necessário: que os sócios possuam disponibilidade para realizar a integralização (rendimentos declarados tributáveis, isentos ou não tributados). Se o valor integralizado pelos sócios está justificado em suas declarações de imposto de renda, presumese tanto a origem licita quanto sua disponibilidade; e Fl. 35805DF CARF MF Processo nº 12466.722521/201437 Acórdão n.º 3301005.124 S3C3T1 Fl. 14 13 comprovar a efetiva transferência, que nesse caso se faz por meio de crédito em contacorrente da empresa, coincidindo em data e valor com a integralização de capital. Admitese também como prova o saque do valor correspondente nas contas correntes bancárias dos sócios. Ou seja, em pelo menos "uma das pontas" da cadeia, deve ficar demonstrada a movimentação do recurso. Se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. De nada vale exibir o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se o importador nenhum demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: A origem do recurso, sua disponibilidade no momento do fechamento do câmbio, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada importação praticada. O impugnante empresa MULTMEX alega no item (74) da impugnação: 74. Com relação ao Demonstrativo de Fluxo Financeiro, período compreendido entre 2010 e 2014, verificase que a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo em média superior a R$ 1.500.000,00. No ano, perfazia um fluxo de caixa positivo de R$ 17.000.000,00 considerando apenas receitas e despesas operacionais e empréstimos contraídos. Descontadas as despesas administrativas, o resultado continua positivo, em torno de R$ 4.330.287,89. Nos anos posteriores do período submetido à fiscalização, o fluxo de caixa situase na faixa de RS 20.000.000,00 sem considerar as despesas administrativas. Isso é clara evidência que a empresa possuía recursos suficientes a sustentar suas atividades. Como dito, é comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. É preciso que se demonstre a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lastreada no volume de transações da empresa importadora se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía o recurso. Quanto maior for esse volume, que serviria em princípio para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. E é onde a argumentação do impugnante nos remete: apresenta como origem um capital de giro anual da ordem de anual total de RS 89.537.008,96, o que corresponde a uma média mensal de R$ 7.461.418,00, mas é incapaz de demonstrar a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, dada que sua contabilidade é imprestável como será visto a seguir. Sem a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, fica caracterizada a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX alega nos itens (78) e (79) da impugnação: 78. Assim, a contribuinte tanto valese de recursos próprios para importar mercadorias e nacionalizálas, como importa por conta e ordem de terceiros. O rol de atividades da contribuinte é vastíssimo, inclusive exercendo atividades de industrialização, remanufatura e diversas exportações. 79. Muito embora não tenha apresentado as demonstrações contábeis referentes aos exercidos abrangidos pela ação fiscal, nos exatos termos Fl. 35806DF CARF MF Processo nº 12466.722521/201437 Acórdão n.º 3301005.124 S3C3T1 Fl. 15 14 requeridos pela Fiscalização, os documentos acima colacionados constituem provas de que a contribuinte desenvolve atividades empresariais de forma lícita, bem como que dispunha de recursos próprios para empregar nas atividades de comércio exterior, empréstimos e financiamentos bancários e de fornecedores estrangeiros. Finalizando, importa considerar ainda que o volume das operações praticado pela Impugnante por mais de uma década não permite que sem qualquer critério a Fiscalização Aduaneira simplesmente declare que não houve comprovação de origem de recursos. De modo algum, pois sem a apresentação das demonstrações contábeis é inviável a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, o que implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX aborda esse assunto nos itens (97), (98) e (99) da impugnação: 97. Resta, porém, verificar se a imprestabilidade da contabilidade, poderia ser óbice insuperável, como quer a douta Fiscalização, à constatação que a contribuinte possuía condições econômicas, financeiras e operacionais para exercer suas atividades e realizar as operações de comércio exterior a que se propôs. 98. Na verdade, não poderia. Não poderia porque, como demonstrado, não há na legislação de regência norma jurídica que determine que somente os demonstrativos contábeis podem ser utilizados para fins de comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Na verdade, todos os meios admitidos em direito são válidos para se fazer a prova, ao contrário do que de forma subjetiva, discricionária, abusiva e arbitrária estabeleceu a Fiscalização. 99. Conforme demonstrado, a douta Fiscalização teve acesso aos dados de um auto de infração lavrado pela Delegada da Receita Federal em Vitória/ES, onde consta o balanço patrimonial de 2009 da MULTIMEX. Nesse balanço há provas suficientes que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capaz de fazer frente às suas operações de comércio exterior (doc.2). Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital social e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante. Ou seja, a referida demonstração contábil faz prova a favor da Impugnante. Não é possível atender o trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA a partir de um balanço patrimonial. Eventualmente, e vamos frisar que é uma situação bastante eventual, o importador até poderia identificar a origem dos recursos, mas jamais sua DISPONIBILIDADE e TRANSFERÊNCIA, pois como se sabe o balanço patrimonial reproduz uma situação estática, enquanto que as operações de importação são transações dinâmicas. De nada vale demonstrar que a empresa possuía o recurso no início do ano se não for comprovado que esse mesmo recurso financiou uma operação de importação em meados de setembro. Tal qual reproduzido no ‘ (74) da impugnação, é afirmado que ... a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo de origem de receitas e de recursos proveniente de descontos de duplicatas, empréstimos bancários para capital de giro, Finimp, valores recebidos de operações próprias e de encomenda e por créditos concedidos pelos exportadores, seja nas operações próprias, seja nas operações de encomenda,... E ainda destaque para o alegado pela empresa MULTMEX nos itens (148) e (149) da impugnação: 148. OS recursos utilizados para o pagamento das despesas com o fechamento do câmbio e com os tributos aduaneiros possuem como origem vendas de mercadorias no mercado interno. Fl. 35807DF CARF MF Processo nº 12466.722521/201437 Acórdão n.º 3301005.124 S3C3T1 Fl. 16 15 149. Frisese que as Notas Fiscais são consideradas documento idôneo para comprovar a origem de receita, consoante o posicionamento oficial do próprio Fisco, exemplificado pela seguinte decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008: O único mo do de se demonstrar que esses recursos ingressaram na empresa e serviram para financiar as operações de importação objeto do presente Auto de Infração, dentro do trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA, é através do registro das demonstrações contábeis. A ausência dos registro contábeis, além de não fazer prova que tais recursos ingressaram regularmente na empresa, implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Quanto à decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008, diz respeito a um outro contexto que não guarda relação com a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros em operações em comércio exterior." A contabilidade regular, suportada em documentos, é que faz a prova regular das operações e sua ausência impede que se confirme a comprovação do trinômio origem lícita, transferência e disponibilidade. A contabilidade, como os demais documentos apresentados, são necessários, mas não suficientes, isoladamente, para comprovação do que aqui se pretendeu. Assim, concluise que a recorrente não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações, incidindo na presunção de que trata o §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, configurando a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior, apenada com a multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão de as mercadorias não terem localizadas ou terem sido consumidas ou revendidas. Em relação à argumentação de que a falsidade ideológica não está contemplada no inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966, sem razão a recorrente. A redação é a seguinte: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Por sua vez o Decreto nº 6.759/2009 dispõe que: Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º):(Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): Fl. 35808DF CARF MF Processo nº 12466.722521/201437 Acórdão n.º 3301005.124 S3C3T1 Fl. 17 16 [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Assim, a falsidade a que se refere o inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966 é dos documentos de instrução da DI, ou seja, do conhecimento de carga, da fatura comercial e dos comprovantes de pagamento dos tributos. A acusação da fiscalização recaiu na ocultação do responsável pela operação, a qual, uma vez comprovada, ainda que por presunção legal, torna os documentos emitidos para instrução da DI ideologicamente falsos. Tal conclusão está exposta no artigo 13 da IN SRF nº 228/2002: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Se há comprovação da interposição fraudulenta do responsável pela importação na condição de fornecedor dos recursos necessários à efetivação da importação, então tal ocultação somente é materializada na ausência de referido responsável nos documentos de importação, seja na condição de real importador seja na condição de real adquirente. Em qualquer dos casos, seu nome deveria constar nas faturas comercias ou no conhecimento de carga. Por fim, é preciso esclarecer que para efeitos de tipificação da interposição fraudulenta de terceiros, seja ela a EFETIVA (REAL) ou PRESUMIDA é absolutamente irrelevante que aquele que fornece o recurso seja denominado de importador, pois em nenhum dos dois tipos se exige a presença DO PEDIDO “importador”." No que tange à ausência de demonstração do dolo específico, não há que se exigir tal neste caso, pois estamos diante de uma presunção legal de interposição fraudulenta. Basta a não comprovação da origem lícita, transferência e disponibilidade dos recursos empregados na importação para se caracterizar a interposição fraudulenta nos termos do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976. Uma vez presumida, não há que se falar em demonstração de dolo por parte da fiscalização. Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; Fl. 35809DF CARF MF Processo nº 12466.722521/201437 Acórdão n.º 3301005.124 S3C3T1 Fl. 18 17 II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário configurase por uma determinação específica legal, tratase de uma presunção legal ou absoluta de dano ao erário nos casos enumerados. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Fl. 35810DF CARF MF Processo nº 12466.722521/201437 Acórdão n.º 3301005.124 S3C3T1 Fl. 19 18 Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016). De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive ediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Destacase, ainda que esse entendimento é consolidado, inclusive nesta turma: APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, Fl. 35811DF CARF MF Processo nº 12466.722521/201437 Acórdão n.º 3301005.124 S3C3T1 Fl. 20 19 do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria (Acórdão nº 3301 003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Cumpre, por fim, citar decisão, cujos entendimentos foram adotados nesta decisão, com a mesma Recorrente, já decidido por este CARF, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (Acordão Acórdão nº 3302005.468 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 35812DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.721515/2013-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/04/2005
DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. INSTRUMENTO DO LANÇAMENTO. ERRO. VÍCIO FORMAL.
Vício no instrumento do lançamento, correspondente a erro no domicílio tributário do contribuinte, possui natureza formal.
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. VÍCIO FORMAL. PRAZO.
É de cinco anos o prazo para a autoridade tributária substituir lançamento anulado por vício formal, sendo contado esse prazo da data em que se tornar definitiva a anulação.
Numero da decisão: 2402-006.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2001 a 30/04/2005 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. INSTRUMENTO DO LANÇAMENTO. ERRO. VÍCIO FORMAL. Vício no instrumento do lançamento, correspondente a erro no domicílio tributário do contribuinte, possui natureza formal. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. VÍCIO FORMAL. PRAZO. É de cinco anos o prazo para a autoridade tributária substituir lançamento anulado por vício formal, sendo contado esse prazo da data em que se tornar definitiva a anulação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relatora (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
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MONTREAL INFORMÁTICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 30/04/2005 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. INSTRUMENTO DO LANÇAMENTO. ERRO. VÍCIO FORMAL. Vício no instrumento do lançamento, correspondente a erro no domicílio tributário do contribuinte, possui natureza formal. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. VÍCIO FORMAL. PRAZO. É de cinco anos o prazo para a autoridade tributária substituir lançamento anulado por vício formal, sendo contado esse prazo da data em que se tornar definitiva a anulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 15 15 /2 01 3- 11 Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10680.721515/201311 Acórdão n.º 2402006.680 S2C4T2 Fl. 615 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0963.962, da 5ª Turma da DRJ de Juiz de Fora (fls. 570/580), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração DEBCAD nº 37.410.5960, no montante de 86.035,04 (oitenta e seis mil e trinta e cinco reais e quatro centavos), que tem por objeto o lançamento de contribuição previdenciária patronal sobre valores pagos pela recorrente a estagiários no período autuado em desacordo com a legislação vigente. O relatório da fiscalização esclarece o seguinte: “2. Informamos que o presente auto de infração está sendo emitido exclusivamente para restabelecer a exigência anulada, sem análise do mérito, na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD nº 37.004.8008 de 24/08/2006 (processo COMPROT nº 35301.013551/200627), em virtude da constatação de vício formal, conforme prolatado no Acórdão nº 20500.878 de 05/08/2008, da Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (ANEXO I). 2.1. Ressaltamos que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) apresentou recursos visando a reformar o Acórdão nº 20500.878 a fim de que fosse apreciado o mérito do lançamento. Entretanto, em decisão definitiva datada de 12/04/2011 (Acórdão nº 920201.453), a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF negou seguimento aos citados recursos, não cabendo, assim, mais recurso contra a decisão proferida no referido Acórdão (ANEXO II). (...) 6. Qualificamos como centralizador, para todos os efeitos legais, o estabelecimento de CNPJ nº 42.563.692/000126, conforme disposto na 51ª Alteração Contratual de 10/07/2012, registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais – JUCEMG em 11/12/2012, sob n° 4971653, e que foi considerada, pela fiscalização, como a última alteração do Contrato Social efetuada pela empresa. (...) 7. A Auditoria Fiscal, demandada pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 06.1.01.002013008072 (de abrangência nacional), tem como finalidade a emissão de novos autos de infração em substituição a processos anulados na esfera administrativa por vício formal. (...)”. O contribuinte apresentou impugnação tempestivamente a fls. 233/241, na qual alega, em síntese: Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10680.721515/201311 Acórdão n.º 2402006.680 S2C4T2 Fl. 616 3 Que o acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes (acórdão de nº 20500.878), mantido por unanimidade pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, reconheceu que os lançamentos refeitos por intermédio do presente auto de infração foram anulados por cerceamento de seu direito de defesa e que não há, em momento algum dos acórdãos do CARF, seja na fundamentação ou no dispositivo, declaração de que a anulação do lançamento original se deu por vício formal; assim, alega que a autoridade fiscal partiu de uma premissa equivocada e sem respaldo nas decisões supramencionadas ao lavrar o auto de infração impugnado, infringindo os arts. 3º do CTN e 5º, II e LV da CF, que estabelecem que a atividade exercida pela autoridade fiscal na constituição do crédito tributário é plenamente vinculada, bem como que qualquer o erro na fundamentação do lançamento gera sua nulidade absoluta, em obediência aos princípios constitucionais da legalidade e do devido processo legal; ademais, esclarece que este Conselho já se manifestou em diversos outros acórdãos, que anexa (fls. 9891245), relativos à mesma ação fiscal, inclusive por meio da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos quais reconheceu que o desrespeito ao domicílio fiscal da impugnante, ora recorrente, não se resumiu a um aspecto formal do lançamento do tributo, mas sim atingiu a própria constituição do crédito tributário, de um vício material, uma vez que pela impossibilidade de apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos úteis à fiscalização por parte do contribuinte, implicou em cerceamento de defesa e ensejou o indevido lançamento por arbitramento, tratandose, assim, de nulidade absoluta e insanável; desse modo, conclui que havendo, no caso, nulidade material, tendo em vista que os fatos geradores estão compreendidos entre julho/2001 e maio/2005 e que o Termo de Início de Procedimento Fiscal foi emitido no dia 07/08/2013, nos termos dos arts. 142 e 173, II do CTN, o direito do fisco de constituir os créditos tributários foram atingidos pela decadência; argumenta, ainda, que o único documento exigido pelo auditor fiscal nesse segundo procedimento fiscalizatório foi a última alteração do contrato social da empresa. Porém, em várias passagens do auto de infração, a autoridade fiscal alega omissão da recorrente na apresentação de documentos, além de ter pautado o novo lançamento em documentos que suportaram lançamento anterior, anulado justamente por cerceamento de defesa do recorrente; ademais, alega que se a anulação do lançamento anterior se deveu justamente ao fato de não se ter dado oportunidade à recorrente de apresentar documentos, ficando caracterizado cerceamento de seu direito de defesa, não oportunizar a ela fazêlo novamente neste novo lançamento, como ocorreu, implicou em novo cerceamento ao seu direito de defesa. por fim, requer o reconhecimento da decadência, com a extinção do crédito tributário ou, sucessivamente, a nulidade do auto de infração em face do novo cerceamento de defesa. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário, em julgado assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/05/2005 VÍCIO FORMAL. AUTO DE INFRAÇÃO SUBSTITUTIVO. Vício formal se caracteriza nos elementos extrínsecos do ato administrativo. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10680.721515/201311 Acórdão n.º 2402006.680 S2C4T2 Fl. 617 4 O novo auto de infração deve ser efetuado com os mesmos elementos do anterior, a menos do fato irregular efetuado e tem, por prazo de decadência, o previsto no art. 173, II do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário no qual trouxe os mesmos argumentos contidos na impugnação e juntou acórdãos recentes da DRJ em Recife que deram provimento a impugnações apresentadas contra outros autos de infração lavrados para restabelecer débitos originários da mesma ação fiscal, também anulados pelas mesmas razões pelas quais anulado o lançamento ora em debate, reconhecendo a decadência do direito do fisco de constituir os créditos tributários, uma vez que o vício que motivou a anulação do lançamento original, qual seja cerceamento de defesa, tratase de vício de natureza material, não formal. Requer, por fim, o provimento do recurso, para que seja declarada a decadência, com a extinção do crédito tributário ou, sucessivamente, a nulidade do auto de infração em face do novo cerceamento de defesa. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A DRJ julgou improcedente a impugnação do recorrente sob o fundamento de que não consta dos autos do lançamento originário declaração expressa de nulidade material, não tendo havido pronunciamento a respeito da espécie do vício que o inquinou. Argumenta, ademais, que a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Volta Redonda se manifestou nos autos no sentido de que o procedimento fiscal em domicílio diverso do eleito pelo contribuinte, verificado no caso, tratase de vício formal. Ousamos discordar do nobre julgador. Se não há alusão acerca da espécie do vício que maculou o lançamento, no voto vencedor do último acórdão proferido nos autos do processo que anulou o lançamento originário há o reconhecimento expresso de que houve cerceamento do direito de defesa do ora recorrente, o que levou à sua anulação. Isso, aliás, consta da própria decisão recorrida, que reproduz esse trecho do aludido julgado, e o faz justamente para demonstrar que não há, nela, menção expressa à espécie do vício de que se trata, conforme se pode verificar abaixo, com destaque: Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10680.721515/201311 Acórdão n.º 2402006.680 S2C4T2 Fl. 618 5 Esclareçase que a ação fiscal que originou o lançamento anulado foi realizada na filial da recorrente, situada na São José, nº 90, 9º andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, o que ensejou o indevido arbitramento do valor da base de cálculo do tributo lançado em decorrência da não apresentação de documentos no endereço equivocado da recorrente, contrariando decisão judicial transitada em julgado, que declarou seu domicilio tributário na rua Capitão Jorge Soares, nº 04, Centro, no Município de Rio das Flores/RJ (autos do processo nº 2003.51.01.0224300, da 7ª Turma do Tribunal Regional da 2ª Região, rel. Des. Sergio Schwaitzer). Desse modo, o cerceamento de seu direito de defesa, no caso, teve influência direta no conteúdo do lançamento, pela impossibilidade de apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos úteis à fiscalização em razão da ação fiscal ter ocorrido em endereço diverso de seu domicílio fiscal, tratandose, assim, de vício material, não de uma mera formalidade do auto de infração, como sustentam tanto a Procuradoria da Fazenda Nacional quanto a 5ª Turma da DRJ/JFA. Nesse mesmo sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho já teve a ocasião de se pronunciar em processos semelhantes, envolvendo autos de infração anulados, originários da mesma malfadada ação fiscal, em que expressamente reconheceu que a nulidade do lançamento decorrente do cerceamento de defesa em função da ação fiscal ter ocorrido em local diverso do domicílio fiscal da recorrente diz respeito ao seu conteúdo, implicando em nulidade material: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10680.721515/201311 Acórdão n.º 2402006.680 S2C4T2 Fl. 619 6 Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos Crédito Tributário Exonerado (Acórdão nº 2301003.235 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito à eleição do domicilio tributário, reconhecido em decisão judicial, que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. Deve ser declarada a nulidade de lançamento que aplica arbitramento pela falta de apresentação de documentação quando a fiscalização foi realizada em domicílio diverso do eleito, vício que afeta a própria fundamentação em que se sustenta a imputação infracional. Recurso especial negado. (Acórdão nº 9202002.413 – 2ª Turma) Nesse passo, cumpre transcrever, dada sua clareza e relevância para a apreciação do presente de caso, trecho do voto proferido pelo relator do acórdão nº 9202002.413: Acresço a isto fundamento particular do caso em concreto que considero sobremaneira relevante. Embora a decisão judicial não tenha tratado diretamente do lançamento efetuado nos presentes autos, é fato que ele decorreu de arbitramentos efetuados pela fiscalização por falta de apresentação de documentação no domicílio fiscalizado (diverso do eleito). O fundamento da autuação – falta de apresentação de documentação comprobatória – tem assim relação direta com o vício de ilegalidade no exercício de fiscalização em domicílio diverso do eleito e em descumprimento a decisão judicial, consubstanciando situação em que o próprio lançamento, na origem, mostrase comprometido e eivado de vício. Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10680.721515/201311 Acórdão n.º 2402006.680 S2C4T2 Fl. 620 7 A postura da fiscalização de efetuar a fiscalização em domicilio diverso do eleito causou não só prejuízo à qualidade da acusação e da imputação infracional, mas inquinou de vício o próprio fundamento do arbitramento por ausência de apresentação de documentação comprobatória, medida que já é por si só extrema e admitida apenas em hipóteses excepcionais. Não se pode, nesta hipótese, considerar como ausente prejuízo para afastar a nulidade, por não se tratar de mero vício formal, mas de mácula que atinge a substância da imputação infracional. Resta claro, assim, que o vício que macula o lançamento original se trata de vício material, de modo que não se aplica ao presente caso o art. 173, II do CTN. Desse modo, considerando que os fatos geradores estão compreendidos entre julho/2001 e maio/2005 e que o procedimento fiscal visando a restabelecer os créditos tributários anulados teve início aos 07/08/2013 (fls. 35), o direito do fisco de fazêlo foi fulminado pela decadência, à luz do que dispõe o art. 173, I do CTN. DA ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO VISANDO A RESTABELECER OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS ANULADOS Caso essa relatora reste vencida quando ao posicionamento adotado acerca da natureza do vício que ensejou a anulação do lançamento original, cumprenos analisar a tese da defesa concernente à nulidade do novo lançamento visando a restabelecer o crédito tributário anulado. Segundo argumenta o recorrente, o novo lançamento padece do mesmo vício de nulidade em razão de cerceamento de seu direito de defesa, uma vez que a fiscalização não lhe oportunizou, nesse novo procedimento, a apresentação de documentos e esclarecimentos relativamente ao crédito tributário em questão, apenas dele exigindo a última alteração de seu contrato social. Assim, alega que se o lançamento original foi anulado justamente em razão de cerceamento de defesa, não ter a fiscalização lhe dado oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos neste segundo lançamento caracteriza novo cerceamento ao seu direito de defesa. Inicialmente, cumprenos anotar que conforme apontado no relatório fiscal a fls. 69 (trecho, aliás, reproduzido no relatório da decisão recorrida fls. 571), o auto de infração ora combatido foi emitido exclusivamente para restabelecer, sem análise de mérito, a exigência anulada por decisão constante do Acórdão nº 20500.878, decisão esta que se tornou definitiva em face de ter sido negado seguimento ao recurso dela interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional visando reformar o referido julgado para que fosse apreciado o mérito do lançamento (Acórdão nº 920201.453, Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Especiais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, datado de 12/04/2011). O Acórdão nº 20500.878, por sua vez, que anulou o lançamento original, é expresso no seguinte sentido: “16. Registrese, porque importante que deve ser reconhecido o cerceamento do direito de defesa, o que acabou se evidenciando através das autuações por falta de Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10680.721515/201311 Acórdão n.º 2402006.680 S2C4T2 Fl. 621 8 documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento, todos realizados com enorme gravame para o sujeito passivo. 17. Sem falar que ficou prejudicado o direito da empresa em acompanhar a ação fiscal e prestar os esclarecimentos necessários, o que denota clara afronta aos preceitos constitucionais garantidores da ampla defesa e do contraditório.”. Muito bem. Uma vez que essa decisão se tornou definitiva, não cabe mais a este colegiado analisar se houve ou não cerceamento de defesa no lançamento original, dado que essa questão já foi decidida afirmativamente por decisão administrativa transitada em julgado. Tratase, portanto, de questão posta. Assim, a nós somente nos cabe analisar se esse vício, assim já definitivamente reconhecido, é de natureza material ou formal e, superado este ponto, agora, nesta oportunidade, se o novo lançamento, tal como levado a efeito pela fiscalização, tem o condão ou não de restabelecer os créditos tributários que dele foram objeto. Nesse passo, a própria decisão recorrida reconhece que “por óbvio, os atos anulados devem ser repetidos saneandoos. Os atos não alcançados pela declaração de nulidade devem ser mantidos, conforme preceitua o art. 12 do Decreto 7.574/2011”, (destacamos) E prossegue: “O procedimento de restabelecimento da exigência não comporta fase instrutória, eis que o lançamento deve fundamentarse nos mesmos elementos de prova já levantados no processo anterior. Apenas o instrumento de lançamento (auto de infração) é que necessita ser reformulado, a fim de corrigir o erro que provocou a nulidade do auto primitivo. (...) Repetido o lançamento expurgandose o que imprestável à sua sanidade, abrese oportunidade de o sujeito passivo impugnálo em toda sua plenitude, apresentando as devidas e necessárias provas de seu interesse”. (destacamos) Ora, mas como haveria de ser saneado o procedimento fiscalizatório anulado e corrigido o erro que provocou a nulidade do auto primitivo, expurgandose o que de imprestável à sua sanidade, nas exatas palavras da decisão recorrida, se esse erro foi, exatamente, o cerceamento do direito de defesa do contribuinte? Seria tão somente mediante a solicitação de sua última alteração contratual? E seria isso, a apresentação de sua última alteração de seu contrato social, que a decisão recorrida entende como sendo uma nova oportunidade dada ao contribuinte de impugnar o auto em toda a sua plenitude, apresentado as devidas provas de seu interesse, uma vez que poderia ter ocorrido alteração de sua razão social, ou de seu domicílio tributário, ou reorganização societária, suficiente para corrigir o lançamento viciado por cerceamento de defesa? Data maxima venia, é evidente que não. E é evidente também que tudo aquilo que teve lugar no procedimento fiscalizatório anterior, sob a pecha de cerceamento de defesa, Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10680.721515/201311 Acórdão n.º 2402006.680 S2C4T2 Fl. 622 9 está irremediavelmente comprometido e não pode ser simplesmente validado com a simples entrega de uma alteração do contrato social do contribuinte, sem que a ele se tivesse dado ocasião de apresentar documentos e considerações em sua defesa. De fato, a decisão recorrida tem razão. É sabido que o lançamento que substitui outro, anulado, não pode inovar além do ponto detectado na anulação. Mas aqui não se trata de inovação, de inserção de elementos novos, o que é vedado, mas sim de se dar oportunidade ao contribuinte de fazer prova com relação aos mesmos fatos constantes do lançamento anterior, anulado. Hugo de Brito Machado, ao tratar da reabertura de prazo para a correção de lançamento por vício formal, esclarece que “a reabertura de prazo para a feitura de um novo lançamento destinase apenas a permitir que seja sanada a nulidade do lançamento anterior, mas não autoriza um lançamento diverso, abrangente do que não estava abrangido no anterior”. (Aspectos do direito de defesa no processo administrativo. RDDT 175/106, abril/2010) E a nulidade do lançamento anterior, como já visto, é o cerceamento de defesa do contribuinte, de modo que um novo lançamento visando corrigilo no qual não seja dada oportunidade ao contribuinte de apresentar provas não se presta a essa finalidade, padecendo do mesmo vício do anterior, sendo, portando, nulo de pleno direito em face do cerceamento de seu direito de defesa. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento para declarar extinto o crédito tributário em face da decadência, nos termos do art. 156, V do CTN. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Redator Designado Com a maxima venia, divirjo da Relatora quanto à natureza do vício ensejador da nulidade do primeiro lançamento e quanto à nulidade do segundo lançamento. Antes de considerações outras, gostaríamos de esclarecer que a definitividade da decisão consubstanciada no Acórdão nº 20500.878, do Segundo Conselho de Contribuintes, em nosso entendimento, diz respeito, tão somente, à anulação do primeiro lançamento fiscal, mas não à existência ou não de cerceamento do direito de defesa, até porque, segundo se observa no voto condutor do acórdão em comento, além da decisão ter tratado do cerceamento do direito de defesa de modo muito superficial, em apenas dois parágrafos, quase que en passant (vide transcrição acima, no voto da Relatora), o julgado também se amparou numa suposta ausência de justificativa para a recursa do domicílio tributário, nos seguintes termos: Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10680.721515/201311 Acórdão n.º 2402006.680 S2C4T2 Fl. 623 10 11. No caso sob exame temos que o sujeito passivo, logo após a ciência dos MPF e TIAD, manifestouse através de requerimento sobre o domicílio tributário eleito, apontando alteração de seus atos constitutivos e informando que sua documentação se encontrava no estabelecimento centralizador eleito. 12. A resposta ao requerimento se limitou a negar o pleito do contribuinte, sem entretanto justificar devidamente a recusar nas hipóteses do §2°, do art. 127, do codex tributário, ou seja, qual hipótese legal, impossibilidade ou dificuldade para a realização da ação fiscal. (Grifo no original) Sendo assim, para que possamos identificar a natureza do vício ensejador da anulação (se formal ou material), uma vez que omitida no Acórdão nº 20500.878, temse por imprescindível avaliarmos se houve, de fato, algum cerceamento do direito de defesa, em razão da fiscalização ter sido realizada na Cidade do Rio de Janeiro, e se a recusa do domicílio tributário foi devidamente justificada. Pois bem, para melhor análise do caso, vejamos, primeiramente, o que restou consignado no item 11.1, e subitens, do relatório fiscal referente ao lançamento anulado (processo 35301.013551/2006271, fl. 290): 11.1. No início dos presentes trabalhos de Auditoria Fiscal na empresa MI Montreal, esta encaminhou em 24/06/2005 ao INSS um requerimento, e seus anexos, protocolado sob o nº 35301.005732/200507 (protocolo geral da Gerência Executiva do Rio de Janeiro Centro), informando a Sra. Chefe do Serviço de Fiscalização que havia manifesto equívoco quanto à Autoridade competente para a determinação da fiscalização, bem como quanto ao seu cumprimento. Justifica a empresa que, conforme consta no seu contrato social, devidamente registrado na JUCERJA, sua sede é na Rua Capitão Soares nº 04, em Rio das Flores, Volta Redonda, RJ, sendo este, portanto, seu domicílio fiscal, “sob jurisdição da GRAF de Volta Redonda”. No referido requerimento, e em seus anexos, a empresa MI Montreal não faz referência a nenhuma ação judicial, onde figure como parte autora, em que se discute o seu domicílio tributário. O requerimento, sem os seus anexos, encontrase no ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC. 11.1.1. Encaminhado o Processo n2 35301.005732/200507 (carta e seus anexos) para Divisão de Cobrança de Grandes Devedores da ProcuradoriaGeral Federal (AdvocaciaGeral da União), esta se manifestou conforme transcrição abaixo dos parágrafos 6, 7 e 9 da resposta proferida contida no Despacho Nº 17.200.310DCGD/RJ, de 18/07/2005, ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC. 6. Como se vê do requerimento [...] do contribuinte, foi omitida a existência de ação judicial discutindo a fixação 1 Segue em apenso ao presente processo. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10680.721515/201311 Acórdão n.º 2402006.680 S2C4T2 Fl. 624 11 do domicílio fiscal do requerente. Todavia, da leitura da sentença proferida na ação ordinária nº 200351010224300, pelo juízo da 19ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls.29/33), notase que todos os argumentos apresentados pela empresa já foram analisados e rejeitados pelo Poder Judiciário, que considerou justificada a recusa do INSS em aceitar o domicílio eleito, aplicandose à hipótese o artigo 127, §§ 1º e 2º do Código Tributário Nacional. 7. Acrescentase, nesta oportunidade, que o contribuinte propôs a Medida Cautelar Inominada nº 2005.02.01.0055337, junto ao Tribunal Regional Federal da 2º Região, visando à declaração de que o seu domicílio fiscal é em Rio das Flores/RJ, tendo a petição inicial sido indeferida, conforme se vê às fls. 34/37. 9. Concluise, pois, que o requerimento do contribuinte já é objeto de demanda judicial, que julgou improcedente a alteração do domicílio fiscal, devendo a ação fiscal proceder na filial 0012, Rua São José, 90, 7º andar, nesta Capital, em obediência às decisões judiciais vigentes. 11.1.2. A empresa MI Montreal foi notificada do despacho da Procuradoria em 29/07/2005, conforme ciência firmada pelo representante legal da empresa, Sr. Paulo Sérgio de Assumpção, numa cópia do referido despacho, juntada a esta NFLD no ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC. Nesta mesma data foi deixado o TIAD nº 2 que formalizou o reinício dos trabalhos de Auditoria Fiscal na empresa, conforme comando contido no despacho do Sr. Delegado da Receita Previdenciária datado de 21/07/2005, reproduzido no ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC. (Grifos no original) Conforme se observa, após iniciado o procedimento fiscal, o contribuinte apresentou requerimento à Gerência Executiva do INSS, no Rio de Janeiro/RJ, por meio do processo 35301.005732/200507, apontando suposto equivoco quanto à autoridade competente para realizar a fiscalização, informando que seu domicílio seria na Rua Capitão Soares nº 4, em Rio das Flores, Volta Redonda/RJ. Em razão do alegado, a fiscalização foi interrompida e o processo 35301.005732/200507 foi encaminhado à Divisão de Cobrança de Grandes Devedores da ProcuradoriaGeral Federal (AdvocaciaGeral da União), para manifestação a respeito, tendo este setor da Procuradoria informado quanto à discussão judicial acerca do domicílio tributário do contribuinte e da sentença proferida na ação ordinária nº 2003.51.01.0224300, pelo juízo da 19ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que confirmou o domicílio na Capital do Rio de Janeiro, na Rua São José, 90, 7º andar. O contribuinte foi, então, cientificado da manifestação da Procuradoria, recebendo, na mesma oportunidade, o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) nº 2, que formalizou o reinício da fiscalização. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10680.721515/201311 Acórdão n.º 2402006.680 S2C4T2 Fl. 625 12 Insta destacar que o INSS, nos autos da ação ordinária nº 2003.51.01.022430 0, fez a devida demonstração dos motivos pelos quais recusou o domicílio eleito pelo contribuinte com vistas a proceder à fiscalização na Capital do Rio de Janeiro. Por oportuno, pedimos venia para transcrevermos o seguinte trecho da decisão judicial em tela (processo 35301.013551/200627, fls. 458 a 462): M. I. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA., qualificada na inicial, ajuíza a presente ação em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, Objetivando a declaração de que o domicílio fiscal da autora é o local de sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares, nº 4 Rio das Flores RJ. Postula, ainda, seja determinado que seus requerimentos sejam recebidos e processados pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda, ao qual o Município de Rio das Flores está vinculado, e, ainda, que todos os atos administrativos praticados pelo réu sejam provenientes da referida Gerência Regional de Volta Redonda. [...] O feito está pronto para receber julgamento no estado em que se encontra, nos termos do artigo 330, I, do CPC. Algumas considerações introdutórias devem ser feitas. A decisão que deferiu o pedido de antecipação de tutela, da lavra do ilustre Dr. Carlos Alexandre Benjamin, estava fundada na alegação deduzida na inicial, no sentido de que a sede da autora estava fixada no Município de Rio das Flores, e tal assertiva foi demonstrada pela apresentação da última alteração contratual da sociedade, na qual foi alterada a cláusula primeira do contrato social da autora. Ali se lê que sua sede social está situada em Rio das Flores (cf. fls. 17 e 18 cláusula primeira denominação, sede e filiais). Tal constatação, a princípio, autorizava a aplicação do disposto no artigo 127, II, do Código Tributário Nacional. Entretanto, ofertada a defesa, todo o quadro se modificou, pois tudo indica que a fixação da sede no Município Rio das Flores foi o meio encontrado pela autora para dificultar a ação da fiscalização. Confirase excerto da contestação, que transcrevo, “in verbis”: Ao revés do noticiado pela Autora, o local onde instalado a Diretoria, o núcleo decisório da empresa, corresponde em verdade, à cidade do Rio de Janeiro, na Rua São José, 90, grupos 708/9, como atesta a última alteração contratual, 37º, adunada pela Autora às fls. 15/23, local em que sediada até então. A referida ata comprova, igualmente, que a controladora da empresa MISC PARTICIPAÇÕES LTDA., cláusula 4ª, fls. 19, é sediada no indigitado endereço. Igualmente significativo, que a sede indicada no instrumento de Procuração, de fls. 13, outorgada aos Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10680.721515/201311 Acórdão n.º 2402006.680 S2C4T2 Fl. 626 13 causídicos signatários da exordial, corresponde à Rua São José, 90, 7º ao 9º andar, Centro, Rio de Janeiro – RJ. [...] A transferência do domicilio fiscal de uma empresa que, segundo o preambulo da exordial, fls.02, fora constituída em 1976, tendo por ramo de negócio serviços ligados à área de informática, execução de serviços de engenharia de sistemas, prestação de serviços de processamento de dados, de planejamento, de consultoria de treinamento, de impressão a laser, mercancia de equipamentos e materiais, para o Município de Rio das Flores, no interior do Estado, local alheio ao da prestação de tais serviços e distinto do em que atua sua Diretoria, só pode ter a conotação de criar embaraço à fiscalização. A Circunstância de que a Autora presta serviços à Prefeitura do Rio de Janeiro, Petrobrás, Serviço Federal de Processamento de Dados SERPRO, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, Empresa. Brasileira de Correios e Telégrafos, à toda evidência, efetuados em local distinto da sede de Rio das Flores, autoriza o entendimento preconizado pelo Eg. STJ de que a opção visa, tão só, criar embaraço a fiscalização, autorizandose ao INSS a recusa do domicílio eleito. (cf. fls.91/93) Tais esclarecimentos modificam todo o quadro anteriormente vislumbrado. Mas há mais: Advirtase, ainda, que a agravada se constitui numa das maiores devedoras previdenciárias, tendo lançados em seu desfavor 54 débitos que montam a R$ 42.258.006,27 (quarenta e dois milhões duzentos e cinqüenta e oito mil seis reais e vinte sete centavos), conforme atestam os extratos em anexo. A inconfessada intenção da açodada transferência de sede pela Autora, é de refugir à atuação centralizada da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, que só atua na capital do Estado, na execução fiscal dos indigitados créditos, que se encontram em fase de iminente julgamento pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, como atestam os extratos CCREDEXT adunados, que registram que a maioria dos créditos aguarda, tãosó, a expedição de acórdão para inscrição em dívida ativa. Consoante o disposto no art. 109, §1º, da CRFB/88 e art. 57B do Código [...], as execuções fiscais para cobrança dos referidos créditos, deverão ser ajuizadas no foro do domicílio do réu. Assim é de todo interesse da autora, que seja reconhecido o domicilio fiscal como Rio das Flores, em cuja circunscrição deverão ser ajuizados os executivos atinentes aos créditos que montam a mais de R$ 40 MILHÕES de reais, refugindo ao âmbito de atuação da Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10680.721515/201311 Acórdão n.º 2402006.680 S2C4T2 Fl. 627 14 Divisão de Grandes Devedores e, obviando a efetiva cobrança judicial, dado que não dispõe de patrimônio na comarca, ensejando a expedição de cartas precatórias, para ordinária necessidade de garantia do juízo. (grifos originais cf. fls.93) Em síntese, tais informações do INSS no sentido de que a intenção da autora, ao transferir sua sede de local situado no Centro do Rio de Janeiro (onde passou a funcionar suposta filial) para município no interior do Estado, foi impedir a atuação da Divisão de Grandes Devedores, que só atua na capital, dificultando a fiscalização e arrecadação tributária estão amparadas em farta documentação acostada aos autos (confirase, especialmente, a diligência autuada em fls.113/114, no qual foi constado que no local, indicado como sede da sociedade, não havia qualquer representante legal, mas apenas uma secretária, e o local é guarnecido com aparelho de fac símile, e estantes com caixas de arquivos). Portanto, justificada está a recusa do INSS a aceitar o domicilio eleito, e tal postura tem amparo no disposto no artigo 127, §§ 1º e 2º do Código Tributário Nacional. Sendo assim, o pedido é de ser julgado improcedente. II Do exposto, JULGO IMPROCEDENTE O PEDIDO. (Grifos no original) Portanto, como se pode ver, além da recusa do domicílio eleito ter sido plenamente justificada pela autoridade tributária, esteve devidamente amparada pela Justiça Federal, quando da realização do procedimento fiscal. Lembrando que a recusa do domicílio eleito encontra fundamento no art. 127, §§ 1º e 2º, do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66: Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: [...] § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior. Dessa forma, restou consignado em todos os Termos de Intimação para Apresentação de Documentos (TIADs), como endereço para a disponibilização de documentos Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10680.721515/201311 Acórdão n.º 2402006.680 S2C4T2 Fl. 628 15 e informações, a Rua São José, nº 90, 7º andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, conforme se observa no seguinte excerto do TIAD nº 21, constante do processo 35301.013551/200627, fl. 278: A documentação assinalada, relativa ao período de 01/2001 a 05/2005, e a todos os estabelecimentos da empresa, inclusive obras de construção civil, deverá ficar à disposição desta Fiscalização, no endereço RUA SÃO JOSÉ N. 90 7 ANDAR, CENTRO, RIO DE JANEIRO RJ, a partir de 11/08/2005 às 10:00 horas, durante todo o desenvolvimento do procedimento fiscal. A referida documentação deverá, ainda, ser liberada com vistas à extração de cópias reprográficas, destinadas à instrução processual, podendo, também, o sujeito passivo, se preferir, fornecer as cópias que se fizerem necessárias. (Grifos no original) Pois bem, compulsando os autos do processo 35301.013551/200627, nota se, claramente, que após ter sido superada a questão quanto ao domicílio tributário, o procedimento fiscal transcorreu normalmente, tendo a empresa fornecido diversos documentos solicitados pela fiscalização. Ademais, ao contrário do que é dito no recurso voluntário, fls. 587 a 598, do presente processo, o lançamento não se deu por meio de aferição indireta, mas sim por meio de aferição direta, pois a fiscalização extraiu a base de cálculo das contribuições lançadas diretamente da folha de pagamento (FOPAGTXT), das seguintes rubricas: • RUBRICA 0173 (HORAS NORMAISESTAGIÁRIOS); • RUBRICA 0614 (DIF. HORAS NORMAIS ESTAGIÁRIOS). Insta destacar que na fase preparatória do lançamento, que corresponde a uma fase inquisitória, a fiscalização atua com amplos poderes de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe, com vistas a efetuar o lançamento. Portanto, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa durante o procedimento fiscal. O que se desenvolve nessa fase é um “procedimento preparatório do ato de lançamento tributário” 2, no qual a fiscalização coleta os elementos capazes de justificar a exação, consubstanciada no lançamento. Finalizada essa etapa e consolidado o lançamento, deste é dado ciência ao contribuinte para que efetue o pagamento dos créditos lançados ou para que apresente a sua defesa (impugnação), momento em que se instala o contencioso administrativo, segundo previsto no art. 14 do Decreto 70.235, de 6/3/72. Lembrando que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, e, portanto, cumpria à Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). De mais a mais, conforme se depreende dos autos, tanto do lançamento anulado (35301.013551/200627), quanto do lançamento substitutivo (10680.721515/201311), 2 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro. São Paulo: Editora Dialética, 2002, p. 260. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10680.721515/201311 Acórdão n.º 2402006.680 S2C4T2 Fl. 629 16 o relatório fiscal e seus anexos são perfeitamente compreensíveis, estando devidamente motivado o lançamento e cumprindo todas as formalidades essenciais relacionadas à sua lavratura, tais como: a qualificação do sujeito passivo; a discriminação dos fatos geradores das contribuições devidas e dos períodos a que se referem; o valor do crédito lançado e o prazo para recolhimento ou impugnação; a disposição legal de regência; a assinatura dos Auditores Fiscais, a indicação dos seus cargos e o número de matrícula. Atende, pois, às exigências do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Nesse contexto, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, máxime quando há nos autos prova de que o contribuinte foi regularmente cientificado da exação tributária, tendo tido acesso a todas as informações necessárias para elaborar a sua defesa. Tanto foi possível o pleno exercício do direito de defesa que utilizou dessa prerrogativa, conseguindo contestar (na impugnação e no recurso voluntário) tanto os aspectos formais como materiais do lançamento, de uma forma bastante abrangente e extensa. Além do mais, no caso em tela, não entendemos que a fiscalização realizada no estabelecimento da empresa, situado na Capital do Rio de Janeiro, tenha representado qualquer obstáculo ao exercício do direito de defesa. Sem sobra de dúvida, a fiscalização foi realizada em estabelecimento importante da empresa, quiçá em estabelecimento com status material de sede, situado em localidade onde, seguramente, na época da ação fiscal, a empresa possuía o maior número de clientes e negócios no Estado, sendo um de seus clientes, inclusive, a própria Prefeitura do Rio de Janeiro. Isso sem mencionar o fato de que, segundo a 37ª alteração contratual da empresa3, a sua Diretoria esteve instalada na Cidade do Rio de Janeiro, na Rua São José, 90, grupos 708/9, endereço no qual, aliás, encontravase sediada a MISC PARTICIPAÇÕES LTDA., sua controladora. Acrescentese que no papel timbrado da empresa, no qual foi comunicado à fiscalização sobre o seu domicilio eleito, no início do procedimento fiscal (processo 35301.013551/200627, fls. 453 a 457), consta, em seu rodapé, endereço na Cidade do Rio de Janeiro e não na Cidade de Rio das Flores, o que só vem a corroborar a importância do estabelecimento situado na capital do Estado: Ademais, se parte da documentação solicitada pela fiscalização esteve arquivada no Município de Rio das Flores/RJ, cabia à empresa transferir essa documentação para o seu estabelecimento situado na Cidade Rio de Janeiro/RJ, a fim de atender aos termos de intimação. Lembrando que o procedimento fiscal durou mais de um ano, ou seja, de 30/5/05 (MPF4) a 24/8/06 (TEAF5). Cabe destacar, inclusive, que em seu primeiro recurso voluntário (processo 35301.013551/200627, fls. 752 a 774), a Recorrente não fez qualquer alegação quanto ao seu 3 Informação extraída da sentença proferida nos autos ação ordinária nº 2003.51.01.0224300, cujo excerto foi transcrito neste voto. 4 Mandado de Procedimento Fiscal constante do processo 35301.013551/200627, fl. 59. 5 Termo de Encerramento da Ação Fiscal constante do processo 35301.013551/200627, fls. 279 a 282. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10680.721515/201311 Acórdão n.º 2402006.680 S2C4T2 Fl. 630 17 domicílio tributário e nem apontou qualquer dificuldade quanto ao fornecimento de documentos, em razão da fiscalização ter sido realizada na Cidade do Rio de Janeiro. Sendo assim, diante de todo o exposto, não vislumbramos qualquer erro de direito ou qualquer mácula na essência do lançamento original, capaz de ensejar a sua anulação por vício material. Todavia, tendo em vista que o lançamento foi anulado pelo CARF, de ofício, uma vez que a decisão judicial, que havia acatado a recusa do domicílio tributário eleito, fora reformada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em 2007, reconhecendo o domicílio do contribuinte no município de Rio das Flores/RJ, no muito, o quadro aponta para um erro de fato no instrumento do lançamento, passível de caracterizar vício formal. Nessa linha é a Solução de Consulta Interna nº 8, de 2013, da CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB): LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ANULAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. Mera irregularidade na identificação do sujeito passivo que não prejudique o exercício do contraditório não gera nulidade do ato de lançamento. A ocorrência de defeito no instrumento do lançamento que configure erro de fato é convalidável e, por isso, anulável por vício formal. Apenas o erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra matriz de incidência que configure erro de direito é vício material. Dispositivos Legais: arts. 10, 11 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF); arts. 142 e 173, II, da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Segue esse entendimento, também, o Parecer PGFN/CAT nº 278/2014: LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. NATUREZA DO DEFEITO. POSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NECESSIDADE DE ANÁLISE DO CASO CONCRETO. I O erro na identificação do sujeito passivo, quando do lançamento, pode caracterizar tanto um vício material quanto formal, a depender do caso concreto, não se podendo afirmar, aprioristicamente, em que categoria o defeito se enquadra. II Se o equívoco se der na “identificação material ou substancial” (art. 142 do CTN), o vício será de cunho “material”, por “erro de direito”, já que decorrente da incorreção dos critérios e conceitos jurídicos que fundamentaram a prática do ato. Por outro lado, se o engano residir na “identificação formal ou instrumental” (art. 10 do Decreto nº 70.235/72), o vício, por consequência, será “formal”, Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10680.721515/201311 Acórdão n.º 2402006.680 S2C4T2 Fl. 631 18 eis que provenientes de “erro de fato”, hipótese em que se afigura possível a aplicação da regra insculpida no art. 173, II, do CTN. Convém observar, ainda, que a autoridade tributária, antes de proceder à realização do lançamento substitutivo, agiu com diligência, buscando se certificar quanto à natureza do vício que levou à anulação do lançamento original, segundo se extrai no parágrafo 7.1 do relatório fiscal, fl. 71: 7.1. Ressaltamos que em consulta formulada à Procuradoria da Fazenda Nacional no Rio de Janeiro – PFN (Procuradoria Seccional em Volta Redonda) pela Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda, a douta Procuradoria esclareceu que se trata de vício formal quando “o procedimento fiscal é realizado em domicílio diverso do eleito pelo contribuinte”, conforme demonstrado no ANEXO IV. Também não vemos qualquer mácula no procedimento fiscal que resultou no lançamento substitutivo ao não oportunizar à Recorrente, durante a sua realização, a apresentação de documentos e informações, pois tal lançamento teve por fim, apenas, corrigir um vício formal no instrumento do lançamento, referente ao domicílio tributário, o qual, diga se de passagem, nem mais é em Rio das Flores/RJ, mas sim em Belo Horizonte/MG. Além do mais, com a ciência do lançamento substitutivo, foi instaurada a fase contenciosa do novo procedimento fiscal, e aí sim foi oportunizado à Recorrente o direito de carrear aos autos, junto com sua impugnação, documentos e informações capazes de amparar sua defesa, porém, não aproveitou essa oportunidade, limitandose a alegar a nulidade das autuações (original e substitutiva), o que permite concluir que a Recorrente não possui os alegados documentos ou, se os possui, tais documentos deporiam contra a defesa, explicando, assim, a sua não apresentação. Portanto, não restou evidenciada a ocorrência de vício material no lançamento anulado e, por conseguinte, temse por correta a realização do lançamento substitutivo, nos termos do art. 173, inciso II, do CTN, uma vez que os créditos lançados não foram atingidos pela decadência. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 631DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10425.002317/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
OMISSÃO DE RECEITA. TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC.
A aplicação da multa de oficio e o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, conforme súmula 2 do CARF.
DEMAIS TRIBUTOS (CSLL, PIS E COFINS). DECORRÊNCIA.
Os lançamentos relativos ao IRPJ, ao PIS, à COFINS-e à CSLL decorrem dos mesmos fatos e elementos de prova. Desse modo, a decisão relativa ao IRPJ se estende a esses tributos.
Numero da decisão: 1401-002.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a argüição de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Ângelo Abrantes Nunes
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 OMISSÃO DE RECEITA. TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. A aplicação da multa de oficio e o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, conforme súmula 2 do CARF. DEMAIS TRIBUTOS (CSLL, PIS E COFINS). DECORRÊNCIA. Os lançamentos relativos ao IRPJ, ao PIS, à COFINS-e à CSLL decorrem dos mesmos fatos e elementos de prova. Desse modo, a decisão relativa ao IRPJ se estende a esses tributos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a argüição de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Ângelo Abrantes Nunes
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TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. A aplicação da multa de oficio e o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, conforme súmula 2 do CARF. DEMAIS TRIBUTOS (CSLL, PIS E COFINS). DECORRÊNCIA. Os lançamentos relativos ao IRPJ, ao PIS, à COFINSe à CSLL decorrem dos mesmos fatos e elementos de prova. Desse modo, a decisão relativa ao IRPJ se estende a esses tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a argüição de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 00 23 17 /2 00 8- 17 Fl. 8849DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Ângelo Abrantes Nunes Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, As fls. 14 a 22, da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, As fls. 26 a 31, da multa por falta de recolhimento de estimativas mensais da CSLL, As fls. 34 a 37, da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, as fls. 3.244 a 3.248 (volume )(VIII), e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, as fls. 6.116 a 6.120 (volume )(XXIII), formalizandose crédito total no montante de R$ 7.014.999,71. 2. De acordo com o Termo de Encerramento de Fiscalização, As fls. 39 a 68, foram verificadas, em síntese, as seguintes infrações: 2.1 omissão de receita, caracterizada pela falta de escrituração de juros relativos a mútuo assegurado por notas promissórias (infração 001 do auto do IRPJ); 2.2 omissão de receita, caracterizada pela não comprovação da origem e/ou efetividade da entrega de suprimento de numerário (infração 002 do auto do IRPJ); 2.3 omissão de receita, caracterizada pela não contabilização de pagamentos (infração 003 do auto do IRPJ); 2.4 não contabilização de ganho obtido na alienação de bem de capital e dedução indevida de prejuízo na alienação de bens do ativo permanente (infração 004 do auto do IRPJ); 2.5 não declaração do lucro operacional escriturado (infração 005 do auto do IRPJ); 2.6 falta de pagamento de estimativas mensais do IRPJ (infração 006 do auto de infração do IRPJ) e da CSLL, no anocalendário de 2003, relativamente As receitas omitidas, constatadas pela fiscalização; 2.7 declaração a menor de receitas — receitas declaradas menores do que as escrituradas — para efeito de cálculo das estimativas mensais do IRPJ (infração 007 do auto do IRPJ) e da CSLL, nos anoscalendário de 2003 e 2004. 3. As particularidades da ação fiscal estão descritas no sobredito termo de encerramento. Fl. 8850DF CARF MF Processo nº 10425.002317/200817 Acórdão n.º 1401002.891 S1C4T1 Fl. 8.850 3 4. Não conformada, a interessada apresentou as impugnações das fls. 3.128 a 3.156, 3.178 a 3.206, 6.057 a 6.082 e 8.546 a 8.577, alegando, em síntese, que: 4.1 infração 001 do auto do IRPJ. Não havia como afirmar os valores consignados nas promissórias apreendidas foram auferidos no período objeto da autuação. Teria sido ferido, assim, o principio da "carturalidade do titulo de crédito". A existência de notas promissórias não traduziria nem comprovaria a existência de mutuo, além do que não teria sido provado que os juros foram ganhos: o art 373 do RIR, de 1999, disporia sobre juros ganhos e não sobre juros a serem supostamente recebidos; 4.2 infração 002 do auto do IRPJ. A omissão apontada teria decorrido de erro na contabilização de cheques sem fundos. A fiscalização não teria concedido oportunidade para correção do erro, numa flagrante ofensa ao art 5°, LV, da Constituição Federal. o auto de infração não estaria bem fundamentado, por não terem sido explicitados, de forma clara, os motivos que levaram A tributação da diferença entre as quantias divergentes e a desconsideração das informações que teria prestado; 4.3 infração 003 do auto do IRPJ. Notas promissórias não se constituiriam em meio hábil e seguro a comprovar a realização de contratos de mútuo, não servindo, assim, para lastrear autuação fiscal por omissão de receita. O fato de não haver registro contábil do recebimento de promissórias não levaria à conclusão de que tais títulos representariam receitas omitidas. — Foram repisados os argumentos contrapostos no item 4.1; 4.4 infração 004 do auto do IRPJ. Não teria ocorrido ganho na alienação de bens, dado que os negócios apontados pela fiscalização, objeto de diversas notas promissórias, teriam sido desfeitos, consoante declarações dos pretensos adquirentes. O fato de as notas promissórias estarem em seu poder não induziria o desfazimento dos respectivos negócios. A particularidade de ter sido encontrada apenas a promissória de n° 06/16, comprovaria que teria desfeito o negócio com o Sr. Emanuel Campos Brasileiro. Teria, contabilmente, demonstrado o prejuízo no montante de R$ 873.526,49, o que, entretanto, teria sido, de forma injustificada, desconsiderado pela fiscalização. Demais, não haveria motivo para têlo tributado como ganho de capital, com fundamento no art. 418 do RIR, de 1999; 4.5 infração 005 do auto do IRPJ. O lançamento, nessa parte, seria nulo por o autuante têlo fundamentado exclusivamente em artigos do RIR, de 1999, deixando de apontar o dispositivo legal infringido, nos termos do inciso IV do art 10 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Os autos de infração encerrariam cobrança a maior de tributos, dado que não teriam sido considerados os valores pagos a título de IRPJ e de CSLL, relativos ao ano calendário de 1993, de maneira que se faria necessário perícia contábil para quantificar o excesso. — Foram formulados os quesitos e indicado assistente técnico (fls. 3.146 e 3.147); 4.6 infração 006 do auto do IRPJ. Teria sido afrontado o devido processo legal, com cerceamento do direito de defesa, por haver divergência entre o dispositivo legal citado no Termo de Encerramento (art 957, IV, do RIR, de 1999, A fl. 55) e os citados no auto de infração (arts 999 e 843, do RIR, de 1999 c/c o art 44, II, "h" da Lei n° 9.430, de 1996); 4.7 infração 007 do auto do IRPJ. A imposição da multa estaria condicionada à feitura da perícia solicitada no item 4.5; Fl. 8851DF CARF MF 4 4.8 a multa de oficio, com a aliquota de 75%, teria caráter confiscatório, e os juros, cobrados por meio da taxa Selic, seriam inconstitucionais. À administração competiria decidir sobre inconstitucionalidade de lei. 4.9 especificamente com relação ao PIS e A Cofins, a Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, não poderia ter modificado o conceito de faturamento, o que poderia ter ocorrido apenas por meio de Lei Complementar. Também não poderia ter aumentado a alíquota da Cofins. Teriam sido feridos os princípios da isonomia, da legalidade e da capacidade contributiva. Teria ocorrido vicio na conversão da Medida Provisória 1.724, de 1988, na sobredita Lei 9.718, de 1998, e esta teria desrespeitado (sic) "aspectos formais estatuídos no Texto Supremo para a edição de lei, ressentindose, por essas razões, do vicio da inconstitucionalidade que a torna nula de pleno direito". Quando do julgamento pela DRJ a decisão restou ementada da seguinte forma: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributaria vigente no Pais, sendo incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTO. A falta de escrituração de pagamentos caracterizase como omissão no registro de receitas. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não procede a caracterização de omissão de receita com fundamento no art. 282 do RIR, de 1999, quando não restar demonstrado o suprimento foi efetuado por alguma das pessoas elencadas no referido dispositivo. TRIBUTAÇÃO DE JUROS. Os juros ganhos pelo contribuinte, derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, devem ser rateados pelos períodos a que competirem, para efeito de tributação. GANHO NA ALIENAÇÃO DE BENS. Os resultados da alienação de bens devem ser computados na determinação do lucro real cabível a tributação integral da venda cujo custo do bem não esteja registrado na escrituração. Fl. 8852DF CARF MF Processo nº 10425.002317/200817 Acórdão n.º 1401002.891 S1C4T1 Fl. 8.851 5 APURAÇÃO ANUAL. NÃO PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS. As empresas que apuram lucro real anual são obrigadas a efetuar pagamentos mensais a titulo de estimativa. o não pagamento enseja a aplicação de multa isolada com aliquota de 50%, consoante inciso II do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei n°11.488, de 2007. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004 TRIBUTAÇÃO REFLEXA PIS, COFINS e CSLL. Estendese aos lançamentos decorrentes a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, considerar procedente em parte o lançamento, para, conforme demonstrativo ao final: I Quantos aos tributos: exonerar o valor de R$ 251.460,99 e manter o valor de R$ 2.449.573,64, sobre o qual incidirão juros e multa de oficio de 75%; II Quanto As multas isoladas: reduzir a exigência para o valor de R$ 666.686,83. Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repetindo as mesmas razões da impugnação. Este é o relatório do essencial. Voto Conselheiro Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos da legislação, dele devendose conhecer. Por outro lado, há uma parte exonerada na decisão da DRJ que não atende ao valor mínimo para ser revista por esse Conselho (valor exonerado de R$1.101.283,80). Por esse motivo não há Recurso de Ofício a ser analisado. Fl. 8853DF CARF MF 6 Tendo em vista que o Recurso Voluntário interposto invoca as mesmas razões da Impugnação, aplico o Regimento Interno desse Conselho, art. 57, § 3º, nos seguintes termos abaixo: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Assim, adoto as razões decididas em primeira instância, conforme abaixo: Será apreciado o lançamento do IRPJ o que restar decidido estendese aos lançamentos decorrentes, em face da intima relação de causa e efeito existente entre eles. Da omissão de receita por não escrituração de juros e por falta de escrituração de pagamentos (infrações 001 e 004) A falta de escrituração de pagamentos caracterizase como omissão de receita, consoante inciso II do art. 281 do RIR, de 1999, verbis: (...) Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 22, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; (...)(grifei) Tal dispositivo, como se vê, tratase de regra presuntiva. Presuntiva "júris tantum", haja vista admitir prova em contrário. E cediço, em regra desse tipo, para caracterizar a infração basta à parte que tem a presunção a seu favor tãosó constatar o seu fato indiciário. Compete à outra parte, por sua vez, infirmar a presunção por meio da apresentação de provas em sentido contrário (inversão do ônus da prova). No caso em questão, à vista da falta de escrituração de pagamentos (fato indiciário), relativos a mútuos assegurados por notas promissórias, a fiscalização concluiu a omissão de receita (fato indiciado, infração), formalizando o pertinente crédito por meio de lançamento — atividade vinculada e obrigatória, nos termos do Parágrafo único do art. 142 do CTN. A interessada, por sua vez, a quem competia infirmar a presunção, a meu ver, isso não logrou fazer; os argumentos trazidos na peça de defesa não são convincentes. Fl. 8854DF CARF MF Processo nº 10425.002317/200817 Acórdão n.º 1401002.891 S1C4T1 Fl. 8.852 7 O fato de os valores consignados nas notas promissórias não terem sido recebidos no período da autuação fiscal não tem relevância para o caso em discussão. O que induziu a omissão de receita foi a constatação da falta de escrituração de pagamentos efetuados — dos efetivos desembolsos por parte da interessada —, o que, como visto, é o bastante para caracterizá la, haja vista tratarse de fato indiciário de regra presuntiva. Por outra banda, com efeito, a cártula da nota promissória, por si só, não induz o valor nela consignado diga respeito A obrigação decorrente de mútuo. Ocorre, todavia, no caso em discussão, os mútuos, ou melhor, os desembolsos foram inferidos não só em face do referido titulo de crédito mas também ante outros indícios: restou verificado, inclusive contabilmente, a interessada regularmente efetuava empréstimo de numerário aos seus clientes; resposta do Sr. Denis Ricardo Guedes ao Termo de Reintimação Fiscal da fl. 650, informando que a promissória sem número, no montante de R$ 50.000,00, em que figura como emitente, com data de 01/10/2003, tratase de empréstimo em dinheiro contraído com a interessada (fl. 658); resposta do Sr. Sidney Cirilo de Carvalho ao Termo de In timação Fiscal da fls.829/830, dando conta de que a interessada efetuava descontos de cheques assegurados por notas promissórias (fls. 851 a 853); não informação, por parte da interessada, dos motivos que a levaram confeccionar os referidos títulos de crédito. (..). Do ganho na alienação de bens (infração 004) Consoante Termo de Encerramento, não teriam sido oferecidos à tributação ganhos de capital decorrentes de vendas de imóvel (fls. 55 e 56), e de veículos (fls.58 e 59), e fora computado indevidamente no calculo do lucro, a titulo de prejuízo não operacional, do montante de R$ 873.526,49. Como relatado, a interessada contrapôs que as sobreditas vendas não teriam se concretizado e que teria demonstrado o referido prejuízo, não entendendo por que ele fora aceito e porque sido tributado como ganho de capital, 418 do RIR, de 1999. Entendo, não se há como anuir com suas razões. Em primeiro lugar, o fato de terem sido encontradas em seu poder promissórias, em que figura como beneficiária, constitui se em forte indicio de que os respectivos negócios não teriam sido desfeitos. Fl. 8855DF CARF MF 8 Em segundo lugar, as declarações dos Srs. Adegistro Baldwin Sobrinho (fls. 591/608), Emanuel Campos Brasileiro (fls. 659/673) e Francisco Uilio Simões dos Santos Me (fls. 674/690) — emitentes das referidas notas — de que as referidas promissórias diziam respeito a vendas que teriam sido desfeitas, evidencia que houve as vendas — o que, inclusive, não foi questionado na peça de defesa — mas não o seu desfazimento, haja vista estarem desacompanhadas de qualquer documento comprobatório nesse sentido. Aditese, não foi trazido à colação elemento a comprovar o referido desfazimento, malgrado verberação da interessada nesse particular. De maneira que correta foi a tributação das vendas, a titulo de ganho de capital. Uma vez que não foram informados os custos dos bens vendidos, tampouco foram escriturados os respectivos custos de aquisição (consoante Termo de Encerramento), correta foi a tributação integral dos valores das vendas, ante o que dispõe § 10 do art. 418 do RLR, de 1999, verbis: § 1° Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada.(grifei) È de realçar, ainda, o fato de ter sido encontrada apenas uma promissória do total de dezesseis, no valor de R$ 3.000,00, não leva a concluir que a respectiva venda teria sido desfeita. Não se há como anuir com a alegação de que as demais teriam sido devolvidas ao emitente, vez que desprovida de provas — o que, alias, acaso tivesse acontecido, o que cogito para argumentar, por si só não traduziria o desfazimento do respectivo negócio. Noutro viés, não merece reparo a atitude da fiscalização de não aceitar a demonstração do sobredito prejuízo (fl.62 e 63). Para clareza da matéria, vale transcrever o seguinte excerto do termo de encerramento: Consta da contabilidade da empresa, no mês de maio de 2003, a folha 233 do livro Diário e folhas 19 e 56 do livro Razão Balancete o seguinte lançamento: Resultado da correção monetária Correção monetária Patrimônio liquido 3.3.1.02.01.003 Lucro ou Prejuízo de Venda a Imobilizado Custo corrigido 1.3.2.01.02 Móveis e utensílios Valor ref a prejuízo apurado na venda de máquinas e equipamentos R$873.526,49 Fl. 8856DF CARF MF Processo nº 10425.002317/200817 Acórdão n.º 1401002.891 S1C4T1 Fl. 8.853 9 Este lançamento teve repercussão no resultado do exercício, como mostra a Demonstração de Resultado do Exercício (folha 573 do livro Diário citado). Com o objetivo de esclarecer este fato, intimamos o contribuinte, por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 05 (cópia às fls. 719/723), a prestar esclarecimentos sobre as operações que motivaram o registro mencionado, apresentando documentação hábil e idônea para comprovar os fatos, como documentos comprobatórios da aquisição, registros históricos de depreciação e baixa, além de documento correspondente à alienação de cada bem. Em resposta (documento de folhas 724/725), a empresa alegou, em suma: a) Tomou o saldo de abertura da conta em 24.07.2001 (R$1.498.030,82, cujos documentos de aquisição estava no incêndio que ocorreu na sede da empresa; b) a contabilização foi da seguinte forma: Saldo de abertura (R$1.498.030,82) mais Nota Fiscal 2365, de Quimis aparelhos científicos (R$3.000,00) mais Nota Fiscal 2365, de MKN acionamento e motor elet. Ltda. (R$5.288,00), totalizando R$ 1.506.318,82. Menos depreciação das máquinas, no período (R$291.221,71), menos a venda das máquinas, conforme contrato de compra e venda, onde cita diversas notas fiscais em anexo (R$ 341.570,62). Juntou cópia do Instrumento particular de Compra e Venda de bens Móveis, onde aparece como alienante vendedora Engarrafamento Coroa Ltda. e como adquirente compradora Administradora de Bens, Participações e Empreendimentos DMR Ltda, discrimina vários bens e notas fiscais onde estão relacionados. Constatamos no Livro de registro de Saídas que as Notas Fiscais (folha 727) relacionadas no Instrumento Particular de Compra e Venda encontramse no movimento do mês de junho de 2003, como consta do próprio documento, tendo sido então este mês em que se verificou a saída de bens. Verificamos ainda que no mês de junho de 2003, nas folhas 259, 260, 261, 264 e 267 do livro Diário e folhas 19 e 59 do livro Razão Balancete encontramse os registros da baixa dos bens, debitandose a conta 1.1.4.03.0001 Outras Contas a Receber e creditando a conta 3.2.1.01.02.002 Venda de Imobilizado Máquinas e Equipamentos, constando como valor R$ 341.570,62. Ainda no mês de junto de 2003, a folha 268 do Livro Diário e folha 21 do Razão balancete consta o registro a débito da conta 1.3.2.02.002 Depreciação Máquinas e Equipamentos e acredito da conta 1.3.2.01.0002 Máquinas e Equipamentos. Constatase dos fatos acima que a empresa computou prejuízo de natureza nãooperacional no ano calendário de 2003 o valor Fl. 8857DF CARF MF 10 de R$ 873.526,49, como perda na alienação de bens de seu Ativo Imobilizado. Porem, para que pudesse faze1o, teria ela que demonstrar cada valor a subtrair do preço da venda de cada máquina, ou seja, a quota de depreciação vinculada a cada bem, além, evidentemente, de demonstrar individualizadamente, o valor de aquisição de cada item vendido. A resposta que a fiscalizada enviou à intimação a este respeito não atende à sua finalidade. Ela apresenta erros, como o próprio valor do saldo da conta Máquinas e Equipamentos, pois este, no dia em que ocorreu a primeira venda de bens não era igual ao indicado no citado documento. Também não esclareceu a empresa o valor de cada bem alienado, nem os valores a serem diminuídos de cada um. É também descabida escrituração do prejuízo no mês de maio, quando a venda das máquinas e equipamentos ocorreu somente em junho. (grifei) Releva notar, demais, a interessada não questionou os motivos do supra transcrito excerto que levou a não consideração do prejuízo, o que denota ela não possuía argumentos a contradizê los. Por fim, a fundamentação da tributação foi correta, haja vista o prejuízo computado indevidamente na apuração do lucro dizer respeito à alienação de bens. Apenas para argumentar, mesmo que se considere não houve ganho de capital, nos termos do art. 418 do RIR de 1999, o efeito de tributar o referido prejuízo a esse titulo é equivalente ao da tributação do lucro dimanado de sua glosa. Da não declaração do lucro operacional escriturado (infração 005). Consoante Termo de Enceramento (fl. 55), restou constatado a interessada não declarara o lucro operacional do ano calendário de 2003, escriturado em sua contabilidade (apresentou a DIPJ com valores de receita, despesas, custos e apuração do resultado com valores zerados). De conseqüente, foi constituído o respectivo crédito por meio do presente lançamento. Na peça de defesa, ela não questionou a sobredita falta de per si Verberou, entretanto, o lançamento por ter sido fundamentado, nessa parte,exclusivamente em artigos do RIR, de 1999 — motivo por que suscitou a sua nulidade, o que fez com fulcro no inciso IV do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972—, e por não terem sido considerados os valores do imposto que teria pago, relativamente àquele ano. Os dispositivos que fundamentaram o auto de infração, não obstante referiremse ao RIR, de 1999, ou melhor, ao Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, tratase de regramentos estabelecidos em legislação autônoma — art. 249 e 250, correspondem aos § 2°e 3°, respectivamente, do art. 6° do Fl. 8858DF CARF MF Processo nº 10425.002317/200817 Acórdão n.º 1401002.891 S1C4T1 Fl. 8.854 11 DecretoLei n° 1.598, de 1977. O art. 926 diz respeito à determinação dirigida aos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional (atuais Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) para que lavrem auto de infração sempre que apurarem infração aos dispositivos do referido Decreto. Vale notar, o citado Decreto foi expedido pelo presidente da República, no exercício da prerrogativa outorgada pelo inciso IV do artigo 84 da Constituição Federal, com o objetivo de regulamentar a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, sendo, portanto, de observação obrigatória. Nesse quadro, resta evidente, a referência a dispositivos de tal regulamento não macula o inciso IV do art 10 do Decreto n° 70.235, de 1972. No tocante a não consideração dos imposto pagos, de fato, consoante planilhas efetuadas pelos autuantes, às fls. 80/81 (verificado no sistema Sinal04),houve pagamento do imposto e da CSLL a titulo de estimativas. Haja vista tratarse de antecipações, entendo que eles devem ser abatidos dos respectivos créditos dos autos de infração (Vale notar, eles não foram utilizados na DIPJ do anocalendário de 2003, que, como visto, foi apresentada com os valores zerados). Cálculos ao final. Resta desnecessária, por conseguinte, a perícia solicitada na peça de defesa, a qual nego com fulcro no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972. Falta de pagamento de estimativas mensais do imposto (infração 006). Consoante peça de defesa, haveria divergência entre o dispositivo legal citado no Termo de Encerramento (art. 957, IV, do RIR, de 1999, A fl. 55) e os citados no auto de infração (arts 222 e 843, do RIR, de 1999 c/c o art. 44, II, "h" da Lei n° 9.430, de 1996), o que teria cerceado o seu direito de defesa. O argumento não se sustenta. A uma, porque não há falar em divergência dos sobreditos dispositivos. O art. 957, IV, do RIR, de 1999, reproduz o art. 44, II, b, da Lei no 9.430, de 1996, que prevê lançamento de multa isolada por falta de pagamento de estimativas. Por seu turno, o art 777 estabelece a obrigatoriedade do recolhimento destas quando o contribuinte opta pela apuração de lucro presumido. Já o art 843 reproduz o art. 43 da Lei no 9.430, de 1996, que determina a formalização de exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. A duas, porque ele é falacioso. O fato de haver divergência entre dispositivos legais (antinomia) — o que cogito para argumentar — não implica, necessariamente, em cerceamento do direito de defesa. Fl. 8859DF CARF MF 12 Da multa isolada (infração 007), do caráter confiscatário da multa de oficio e da inconstitucionalidade dos juros de mora. Em face das colocações do item 4.5, questionou a interessada a procedência da multa isolada estaria condicionada à feitura de perícia. Verberou ainda que a multa de oficio teria caráter confiscatório e a taxa Selic seria inconstitucional. Quanto à multa isolada, como dito acima, a perícia é prescindível. No tocante à verberação da multa de oficio — o que, com efeito, encerra a suscitação de inconstitucionalidade do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 — e aos juros de mora, cumpre informar esta instância julgadora não é competente para julgar inconstitucionalidade de lei. E claro nesse sentido o Parecer Normativo CST n.° 329, de 1970 (de observação obrigatória por força do disposto no art. 7° da Portaria MF no 58, de 17 de março de 2006): Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Aditese, a Portaria MF 103, de 23 de abril de 2002, ao inserir o artigo 22A nos Regimentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos Conselhos de Contribuintes, aprovados pela Portaria MF 55, de 16 de março de 1998, vedou o afastamento da aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo em vigor, em virtude de inconstitucionalidade, que não tenha sido anteriormente reconhecida, na forma e pelas autoridades dispostas em seu parágrafo único. Tal assunto, inclusive, é objeto da Súmula n°2 do 1° Conselho de Contribuintes, verbis: "O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Por decorrência, se aqueles Órgãos de instância administrativa superior estão impedidos de apreciar questão de inconstitucionalidade, a mesma conclusão há de ser adotada nesta instância inferior. Quanto às contraposições especificas ao PIS e a Cofins, cumpre esclarecer, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, consoante Parágrafo Único do art. 142 do CTN. Quer isso dizer à vista de determinado fato jurídico (substrato fatico), que enseje a formalização de crédito tributário, a autoridade administrativa é obrigada a efetuála, nos exatos termos delimitados pela Lei. Disso não se desviou o autuante no caso em questão. Aditese, à sobredita autoridade compete executar e fazer executar a lei nos termos em que é editada, salvo se, em conformidade com o que prevê o Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, houver sido declarada sua inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Fl. 8860DF CARF MF Processo nº 10425.002317/200817 Acórdão n.º 1401002.891 S1C4T1 Fl. 8.855 13 Tribunal Federal, o que não é o caso da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. De sorte que se a interessada entende que com o advento da referida lei (conversão da Medida Provisória n° 1.724, de 1998), foram maculados princípios constitucionais deve invocar a tutela jurisdicional, dado que, como dito, não somos competentes para julgar inconstitucionalidade de lei. Assim, não tendo sido demonstrado qualquer fato novo que pudesse alterar o julgamento feito pela DRJ, deve ser mantida a autuação in totum. Adicionalmente, quanto à inconstitucionalidade de lei tributária, este Conselho não é competente para esse tipo de apreciação, conforme consta da Súmula 2: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com relação à aplicação da taxa selic, vemos que a matéria também é sumulada, conforme transcrito abaixo: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão: Pelo acima exposto, julgo improcedente tanto a preliminar de cerceamento de defesa quanto o mérito do recurso mantendo a decisão da DRJ na totalidade, negando provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 8861DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.903263/2013-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.497
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para apresentação de provas quanto à validade do crédito. Vencidos os Conselheiros Pedro Sousa Bispo, Maria Aparecida Martins de Paula e Waldir Navarro Bezerra, que entendiam ser desnecessária a diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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CRÉDITO PRESUMIDO. Recorrente BUGIO AGROPECUÁRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para apresentação de provas quanto à validade do crédito. Vencidos os Conselheiros Pedro Sousa Bispo, Maria Aparecida Martins de Paula e Waldir Navarro Bezerra, que entendiam ser desnecessária a diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .9 03 26 3/ 20 13 -2 7 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10925.903263/201327 Resolução nº 3402001.497 S3C4T2 Fl. 106 2 A DRF Joaçaba não homologou a compensação por meio do despacho decisório eletrônico, já que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito mesmo período de apuração. Cientificado do despacho, o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, para alegar que o despacho decisório não teria encontrado saldo de pagamento disponível, pois primeiramente, teria retificado apenas o Dacon, e não a DCTF. A retificação da DCTF teria ocorrido antes da emissão do despacho. O interessado argumentou que seria frigorífico, sendo que sua atividade consistiria da aquisição de suínos vivos, de pessoas físicas, para abate. Estaria abrangido pela hipótese tratada no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Até dezembro de 2010, teria aplicado o dispositivo legal para deduzir crédito presumido, correspondente à 60% da alíquota do PIS e da Cofins, calculado sobre o valor dos bens adquiridos de pessoa física ou cooperado pessoa física Alegou que a partir de janeiro de 2011 teria deixado de fazer tal dedução, motivo pelo qual os pagamentos efetuados no período teriam sido a maior. Esclareceu que o art. 2º da Medida Provisória nº 552/2011 teria alterado o art. 8º da Lei nº 10.925/2004, para suprimir a dedução, se os bens fossem utilizados em produtos sobre os quais não incidissem o PIS e a Cofins, estivessem sujeitos à alíquota zero ou com a exigibilidade suspensa. Contudo, tal artigo não teria sido recepcionado pela Lei nº 12.655/2012, quando a Medida Provisória foi convertida. O Decreto nº 247/2012 teria tornado sem efeito as relações jurídicas constituídas e decorrentes do art. 8º da MP. O contribuinte concluiu, para defender que desde a edição da Lei nº 10.925/2004 teria direito à dedução tratada em seu art. 8º. Solicitou a realização de perícias e diligências para comprovar as retificações da DCTF e do Dacon. Por fim, requereu a anulação ou revisão do despacho decisório e a homologação da compensação. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP), através do Acórdão nº 14 057.454, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Empresa suscitou apenas questões de mérito, apresentando as mesmas argumentações da sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10925.903263/201327 Resolução nº 3402001.497 S3C4T2 Fl. 107 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.491 de 27 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10925.900049/201408, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.491): "Em sessão, ousei divergir do I. Relator por entender que seria cabível, no caso, a conversão do processo em diligência para verificar a validade do crédito pleiteado pelo sujeito passivo. Como se depreende dos presentes autos, a Recorrente entende que seria suficiente a retificação do DACON e, posteriormente, da DCTF, para confirmar a validade do seu crédito. Contudo, necessário ainda que, além deste indício da existência do crédito, sejam analisados os documentos contábeis e fiscais necessários à confirmar a validade das informações constantes do DACON. Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito (DACON retificador e DCTF retificadora), entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que podem confirmar sua validade. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito presumido tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito presumido informado pelo contribuinte (art. 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10925.903263/201327 Resolução nº 3402001.497 S3C4T2 Fl. 108 4 8º da Lei nº 10.925/2004) e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito presumido tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito presumido informado pelo contribuinte (art. 8º da Lei nº 10.925/2004) e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 107DF CARF MF
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