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Numero do processo: 11080.001461/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/02/2003, 10/03/2003, 31/03/2003, 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003
IPI. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO.
Tendo sido o auto de infração lavrado com a exigibilidade suspensa, prevalece tal suspensão até cessarem as causas que a determinaram.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DUPLICIDADE.
Não há duplicidade de lançamento quando o Auto de Infração formaliza a exigência de tributo declarado em DCTF, cuja compensação informada tenha sido cancelada a pedido do contribuinte.
MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS. Os débitos declarados em DCTF e não pagos no vencimento devem ser exigidos com juros e multa de mora.
MULTA DE OFÍCIO
Cabível a multa de ofício, por falta de recolhimento de débito não confessado na DCTF, mas que tenha sido informado em Dcomp, que posteriormente foi objeto de pedido de desistência deferido pela DRJ.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator. O conselheiro Jonathan Barros Vita acompanhou o relator pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2003, 10/03/2003, 31/03/2003, 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003 IPI. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. Tendo sido o auto de infração lavrado com a exigibilidade suspensa, prevalece tal suspensão até cessarem as causas que a determinaram. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DUPLICIDADE. Não há duplicidade de lançamento quando o Auto de Infração formaliza a exigência de tributo declarado em DCTF, cuja compensação informada tenha sido cancelada a pedido do contribuinte. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS. Os débitos declarados em DCTF e não pagos no vencimento devem ser exigidos com juros e multa de mora. MULTA DE OFÍCIO Cabível a multa de ofício, por falta de recolhimento de débito não confessado na DCTF, mas que tenha sido informado em Dcomp, que posteriormente foi objeto de pedido de desistência deferido pela DRJ. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator. O conselheiro Jonathan Barros Vita acompanhou o relator pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 14 61 /2 00 8- 39 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 400 a 421) apresentado em 06 de outubro de 2011 contra o Acórdão no 1528.063, 16 de agosto de 2011, da 4ª Turma da DRJ/SDR (fls. 376 a 390), cientificado em 09 de setembro de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de fevereiro a maio de 2003, considerou a impugnação procedente em parte, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 28/02/2003 a 31/05/2003 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. A concessão de medida liminar em Mandado de Segurança que determina a abstenção de decidir/homologar o processo administrativo de restituição cumulado com declaração de compensação de débitos de IPI, em que ocorreu desistência do pedido de compensação, não suspende a exigibilidade do crédito lançado de ofício. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DUPLICIDADE. Não há duplicidade de lançamento quando o Auto de Infração formaliza a exigência de tributo declarado em DCTF, cuja compensação informada tenha sido cancelada a pedido do contribuinte, pois o lançamento de ofício é atividade privativa da autoridade fiscal. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS. Os débitos declarados em DCTF e não pagos no vencimento devem ser exigidos com juros e multa de mora. MULTA DE OFÍCIO Cabível a multa de ofício, por falta de recolhimento de débito não confessado na DCTF, mas que tenha sido informado em Dcomp, que posteriormente foi objeto de pedido de desistência deferido pela DRJ. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.001461/200839 Acórdão n.º 3302002.011 S3C3T2 Fl. 430 3 Impugnação Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 12 de fevereiro de 2008, de acordo com o temo de fls. 13 a 16. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de Auto de Infração (fls. 04/07) e Demonstrativos (fls.08/11), lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor do principal de R$1.161.493,45, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora, totalizando o crédito tributário no valor de R$2.871.612,41, com a exigibilidade suspensa por força de Medida Judicial concedida nos autos do processo n°2003.71.00.0301832/RS do TRF da 4 a Região (art. 151, incisos II e IV do CTN), em razão de ter sido constatado pela fiscalização que o estabelecimento industrial apresentou inconsistências nas informações prestadas à RFB, quanto aos débitos de IPI apurados pelo estabelecimento filial Araucária, no período compreendido entre o 3º decêndio de fevereiro/2003 e o 3º decêndio de maio/2003, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal e descrição dos fatos constante do auto de infração de fl.06. Consta no Relatório de Auditoria Fiscal de fls.12/15, que os débitos de IPI, informados nas DCOMPs (fls. 54 a 65) e nas DCTFs (fls. 48 a 53) anexas, nos períodos informados no Quadro I, estariam com saldo zero de IPI a pagar, extintos por compensação sem DARF, mediante utilização de créditos de terceiros, oriundos de decisão judicial. As referidas compensações, entretanto, ainda estão pendentes de apreciação por parte da Receita Federal, conforme decidido pela DRJ de Florianópolis no processo administrativo 13003.000439/200224 (fls. 23/32) e tendo em vista uma decisão judicial provisória que obstaculiza eventual não homologação do procedimento (Embargos de Declaração em AMS n° 2003.71.00.0301832/RS fls. 33 a 47). Portanto, conclui a fiscalização, na hipótese de uma futura não homologação da compensação, farseá necessária a interposição de ação de cobrança dos débitos em tela, o que poderia ser obstaculizado tendo em vista a ineficácia do lançamento baseado nas declarações de compensação em formulário de papel e eletrônicas formalizadas no processo n° 13003.000439/200224, quanto ao período de 10/03/03 a 15/10/03, uma vez que conforme entendimento jurisprudencial sintetizado no Acórdão da DRJ de Florianópolis nº 6.703, de 07/10/2005, prolatado no processo 13003.000314/200113, de fls. 165/175, de interesse da própria Synteko, apenas as declarações de compensação apresentadas à Receita Federal do Brasil após 31/10/2003, na vigência da MP nº135, de 2003, constituem confissão de dívida. Por esta razão, efetuouse o lançamento de ofício dos débitos envolvidos na compensação em tela, mantendose suspensa sua Fl. 431DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 exigibilidade, até a solução definitiva da discussão no processo n°13003.000439/200224, fls.23/32, uma vez que a ação judicial mencionada, que impede o tratamento das DCOMP's, sem contudo vedar a constituição do crédito tributário, conforme despacho de fl.20, encontrase no STJ, com decisão em Recurso Especial, favorável à União, com sua aplicação suspensa em virtude da interposição de embargos de declaração por ambas as partes (fls.71/85). O enquadramento legal prevê infração aos artigos 34, inciso II, 122, 124, 125, incisos I e III, 127, 130, 199, 200, inc.IV, e 207, § 2º, todos do Decreto n°4.544, de 2002 (RIPI/02), art. 17, da MP 135, de 30.10.2003, convertida na Lei n° 10.833/2003. Regularmente cientificada, em 12/02/2008, fl.06, a autuada apresentou impugnação, fls.72/95, subscrita por procuradores devidamente habilitados alegando que: os débitos objeto do auto de infração ora impugnados já foram constituídos pelas DCTF e DCOMP, assim impõese o cancelamento do lançamento deste auto de infração; os débitos ora exigidos foram extintos mediante formalização dos pedidos de compensação com os créditos adquiridos da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé Ltda – COOXUPÉ, nos termos do inciso II, do art.156, do CTN, no Processo Administrativo nº 13003000.439/200224 (doc. Nº 12), em 11/11/2002, portanto, até que sobrevenha decisão administrativa decidindo sobre a homologação das respectivas compensações dos débitos de IPI e COFINS, o que não ocorreu até o momento, não há como exigir os débitos no auto de infração, sendo este improcedente; ainda que se entenda que os referidos créditos tributários não foram extintos mediante compensação, os mesmos encontramse com a sua exigibilidade suspensa, por força de decisão judicial proferida nos autos do Agravo de Instrumento n° 2003.04.01.0319221, a qual determinou o sobrestamento da análise do pedido de restituição e respectivas compensações realizadas nos autos do Processo Administrativo n° 13003 000.439/2002 24, pela DRF Porto Alegre; o direito creditório é decorrente de decisão judicial transitada em julgado nos autos da Ação de Repetição de Indébito nº 91.00079642, a qual julgou indevidos os recolhimentos efetuados a título de Quota de Contribuição sobre Exportação de Café, em função da declaração de inconstitucionalidade desta exação pelo Supremo Tribunal Federal (docs. nºs 13 a 19); tais créditos lhe foram cedidos através de escritura pública, da qual a União Federal foi devidamente cientificada, além disso foi realizada a transferência do pólo ativo da referida ação, por decisão judicial também já transitada em julgado; está suspenso o prazo prescricional para exigência dos créditos tributários pelo fisco, os créditos tributários em questão não podem ser objeto de cobrança, uma vez que sua exigibilidade encontrase suspensa por força de decisão judicial; Fl. 432DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.001461/200839 Acórdão n.º 3302002.011 S3C3T2 Fl. 431 5 impetrou Mandado de Segurança nº 2003.71.00.0301832, objetivando que os expurgos relativos a janeiro de 1989, fevereiro de 1989, março de 1990, abril de 1990, maio de 1990 e fevereiro de 1991, nos percentuais de 42,72%, 6,31%, 30,46%, 44,90%, 2,36% e 13,89%, fossem incluídos na apuração do referido indébito, e, discorrendo sobre o andamento da ação, conclui que o lançamento só poderia ter sido feito quando do trânsito em julgado da decisão final da referida ação; em 05.08.2003, foi proferida decisão através do Agravo de Instrumento n° 2003.04.01.0319221, interposto contra decisão liminar proferida nos autos do acima mencionado mandado de segurança, determinando que a Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre se abstivesse de analisar o pedido de restituição e, consequentemente, as compensações formuladas nos autos do Processo Administrativo n° 13003000.439/200224, até que fosse proferida decisão final no referido mandado de segurança, o qual encontrase pendente de julgamento perante o Superior Tribunal de Justiça, conforme se constata do andamento processual daquela Corte (docs. n°s 27 a 29); não obstante, em 14.07.2004, a Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre DRF/POA, em manifesta desobediência à supramencionada decisão, proferiu o Parecer DRF/POA/SEORT n°481 e o Despacho Decisório de fls. 2.819 (docs. n°s 30 e 31), no qual não reconheceu o referido direito creditório, deixando, por conseqüência, de homologar as respectivas compensações; irresignada, a Impugnante apresentou manifestação de inconformidade em 23/02/2006 (doc. n° 32), tendo sido proferido o Acórdão n° 5.574, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis, julgando nulo o Parecer DRF/POA/SEORT n° 481 e o Despacho Decisório de fls. 2.819, em função de ter desacatado a acima mencionada decisão judicial, constante às fls. 22/32, destes autos (doc. n° 33); tendo sido proferida decisão proibindo a Delegacia da Receita Federal de analisar os pedidos de compensação formulados nos autos do Processo Administrativo n° 13003000.439/200224 restou suspenso o prazo para homologação das referidas compensações, previsto no §5°, da Lei n° 9.430/96, ficando consequentemente suspensa a exigibilidade dos referidos créditos tributários; a autuação em questão tratase da cobrança de débitos de IPI, apurado mediante informação do contribuinte ao Fisco, através da DCTF, na qual apura o quantum debeatur e informa ao Fisco por meio de DCTF's, juntamente com as respectivas vinculações de pagamentos, que é modalidade de constituição do crédito tributário, sendo, portanto, dispensável a lavratura de auto de infração; a cobrança da multa de ofício é indevida porque fundamentada em dispositivo legal que não mais se encontra em vigor em nosso ordenamento jurídico, sustentando a aplicação do art. 106, II, “a”, do CTN. Cita ainda o § 2º do art. 5º do Decreto nº Fl. 433DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 2.124/84, que determina, no caso de não pagamento de débitos declarados em DCTF, o que diz não ter ocorrido no caso em tela, ser cabível somente correção monetária, juros de mora e multa de 20% (vinte por cento) sobre o valor do débito. Ao final, requer a desconstituição do lançamento. Tendo em vista a determinação contida na Portaria RFB/Sutri nº2.977, de 21 de junho de 2011, o processo foi transferido em 22/06/2006, para esta DRJ, para julgamento, conforme despacho de encaminhamento de fl.375. No recurso, alegou a Interessada ser improcedente o lançamento por estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário e haver sido efetuado o lançamento com base em declaração do próprio contribuinte em DCTF. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Descabe razão à Interessada. Conforme jurisprudência pacífica do Carf, a apresentação de ação judicial, ainda que haja suspensão da exigibilidade do crédito, não é obstáculo à constituição do crédito tributário. Pelo contrário, o art. 63 da Lei n. 9.430, de 1996, exige tal lançamento. Ademais, os débitos declarados em DCTF e vinculados a hipótese de extinção, suspensão ou exclusão de crédito tributário não representam confissão de dívida. Não haveria, ainda, o que temer em relação ao presente auto de infração, uma vez que os valores não seriam exigidos em duplicidade e somente seriam eventualmente exigidos se houvesse alteração da decisão que impediu a não homologação das compensações. Ademais, também não haveria cobrança se, eventualmente, a Interessada obtivesse algum sucesso com o seguimento das manifestações de inconformidade apresentadas nos processos de compensação (o que, efetivamente, não se verificou posteriormente). Em relação ao estado do atual processo à época do julgamento de primeira instância, a DRJ esclareceu que a Interessada obteve, em agravo de instrumento em processo de mandado de segurança, a vedação à não homologação das compensações, o que levou à lavratura do auto de infração. Meses após as compensações, a Interessada apresentou pedidos de cancelamento das declarações para incluir os débitos no Paes, tendo sido o pedido de parcelamento inicialmente indeferido. A DRJ não conheceu da manifestação de inconformidade relativa ao parcelamento. Posteriormente, a DRF/POA indeferiu as compensações, considerandoos não declaradas, negado seguimento à manifestação de inconformidade. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.001461/200839 Acórdão n.º 3302002.011 S3C3T2 Fl. 432 7 Tendo apresentado mandado de segurança contra o não recebimento da manifestação de inconformidade, a DRJ /FLS decidiu declarar a nulidade parcial do despacho decisório, deferindo a desistência das compensações e abstendose de se manifestar a respeito do Paes, ressaltando que, caso não fossem os débitos incluídos no parcelamento, deveria a DRF providenciar a sua cobrança. A DRJ verificou não haver impedimento a que a Interessada desistisse das compensações. A seguir, de forma correta, a primeira instância concluiu que não se haveria que falar em extinção de crédito tributário por meio das referidas compensações. Não só a falta de previsão sobre a compensação de créditos apurados por terceiros implica a não extinção dos referidos créditos, como também o fato de que o não reconhecimento da possibilidade de extinção era, à época, impedido por decisão judicial. Vale dizer, havia verdadeiro litígio judicial em relação à matéria, o que, por si só, impediria a extinção dos créditos. Em relação à multa de ofício, também cabe razão à Primeira Instância, uma vez que o disposto no art. 90 da MP n. 2.15835, de 2001, referese à hipótese de débito declarado em DCTF. Somente nesses casos é que a multa de ofício não seria aplicável, conforme decidiu a DRJ. Quando se trata de débitos não declarados em DCTF, não há que se falar em aplicação do referido dispositivo. Devese, entretanto, ressaltar que o processo encontrase na seguinte situação: 1 O processo não poder ser cobrado enquanto não houver decisão definitiva no processo n. 13003.000439/200224. 2 O auto de infração foi lavrado com a exigibilidade suspensa até que seja decidido definitivamente o processo administrativo acima mencionado, o que poderá ocorrer com a decisão administrativa definitiva nele exarado ou, se assim concluir a referida decisão, com o trânsito em julgado do mandado de segurança. 3 As compensações e a eventual cobrança devem ser efetuadas com os débitos lançados no presente processo, pois os débitos tributários devidos são os lançados aqui; os débitos lançados no presente processo devem ser controlados aqui e não no processo de compensação, pois, segundo o que a própria fiscalização afirmou, não poderiam ser compensados ou cobrados lá por falta de confissão de dívida; excepcionase do caso a eventual transferência dos débitos do auto de infração para outo processo, com o fim de efetuar eventual compensação total ou parcial, conforme decidir a autoridade fiscal. Esclareçase, por fim, para não se alegar que a decisão contida no presente acórdão seria condicional, que as três situações acima referidas são preexistentes ao presente auto de infração, cuja lavratura foi efetuada apenas para constituir o crédito tributário. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Assim, o que foi decidido no presente acórdão restringiuse a ser ou não cabível o lançamento nessa situação, para constituir o crédito tributário e possibilitar eventual cobrança dos débitos lançados, depois de resolvidas as questões pertinentes à compensação. Dessa forma, adotando os fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.874, de 1999, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 436DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.916356/2009-55
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
PROVA. SEGUNDA INSTÂNCIA. NECESSÁRIA. SUFICIENTE. VERDADE MATERIAL. IDENTIFICÁVEL EM ATO DE SIMPLES VERIFICAÇÃO.
A prova trazida apenas no recurso voluntário em descumprimento ao que dispõe a regra do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, precisa estar consubstanciada na escrituração contábil/fiscal e ressalte a verdade material em ato de simples verificação, para que tenha a sorte suplantar a preclusão do direito do recorrente de tê-la apresentado a destempo.
Numero da decisão: 3803-003.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente substituto e Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e o suplente José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 PROVA. SEGUNDA INSTÂNCIA. NECESSÁRIA. SUFICIENTE. VERDADE MATERIAL. IDENTIFICÁVEL EM ATO DE SIMPLES VERIFICAÇÃO. A prova trazida apenas no recurso voluntário em descumprimento ao que dispõe a regra do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, precisa estar consubstanciada na escrituração contábil/fiscal e ressalte a verdade material em ato de simples verificação, para que tenha a sorte suplantar a preclusão do direito do recorrente de têla apresentado a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente substituto e Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e o suplente José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 63 56 /2 00 9- 55 Fl. 35DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0231.923, da DRJ/Belo Horizonte, de 18 de abril de 2011, fls. 16/18 (da imagem digitalizada), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. O processo foi constituído a partir da DComp transmitida em por meio da qual a Contribuinte acima identificada compensou os débitos nela declarados, com crédito proveniente de pagamento a maior de PIS, relativo ao fato gerador encerrado em 31 de agosto de 2003. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, fl. 2, mediante o qual não homologou a compensação pleiteada, fundada no fato de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Em manifestação de inconformidade apresentada, de fl. 1, alegou possuir créditos referentes ao PIS e à Cofins recolhidos a maior no período de novembro 2002 a setembro 2005, e que, após a constatação da existência de tais créditos, em dezembro de 2005 procedeu à sua compensação com impostos federais, por meio de PER/Dcomp, conforme legislação em vigor. Ressaltou que, por conta do equívoco incorrido quanto às informações que figuraram na DCTF entregue em 14 de novembro de 2003, esta foi retificada em 20 de maio de 2009, demonstrando a existência do crédito. Em julgamento da lide a DRJ/Belo Horizonte constatou que a DCTF foi retificada após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Pela intempestividade da retificação e na ausência de prova que demonstrasse a existência do direito creditório, declarou a improcedência da manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão em 13 de janeiro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 02 de fevereiro de 2012, em que indica o valor das receitas do mês de agosto de 2003 com peças tributadas à alíquota zero e anexa relatórios, sintético e analítico, em que lista os clientes a quem efetuara as vendas, notas fiscais correspondentes e respectivos valores. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Como se vê do relatório, o desprovimento da manifestação de inconformidade centrouse na retificação da DCTF que extrapolou o prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador e ma falta de prova da alegação da existência do crédito utilizado na DComp. Na pretensão de estar suprindo a falha da defesa na primeira instância a Recorrente anexa os documentos acima referidos. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10680.916356/200955 Acórdão n.º 3803003.918 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 3 Consignese, antes do mais, que as provas do direto alegado devem vir acompanhadas da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o impugnante fazê lo em outro momento processual, por força do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, ressalvadas as hipóteses das letras “a”a “c”, deste parágrafo. A Recorrente não alega nenhuma das impossibilidades para a anexação dos elementos na manifestação de inconformidade, ou após a entrega desta, a requerimento perante a autoridade julgadora de primeira instância, documentos com que a Recorrente pretende provar sua alegação de legitimidade do crédito. Portanto, está, em tese, precluso o direito de fazêlo nesta instância, a menos que a prova trazida aos autos seja singela, de simples, direta e pontual verificação, em virtude do que sobrelevaria privilegiar o princípio da verdade material, que deve informar o processo administrativo fiscal. Contudo, no presente caso, a defesa não cuidou de apresentar o direito em que se funda a sua alegação, segundo os fundamentos jurídicos. Ademais, apreciando os documentos eles nada dizem com a escrituração contábil/fiscal, não são documentos contábeis, são anexos de algo não identificado, não são assinados, indicam clientes, não peças, portanto, não trazem qualquer comprovação do direito alegado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 37DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 10860.720058/2008-62
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente
Assinado digitalmente
Sandro Machado dos Reis Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-03-12T20:29:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2013-03-12T20:29:28Z; Last-Modified: 2013-03-12T20:29:28Z; dcterms:modified: 2013-03-12T20:29:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:d60c1d91-9136-4d3c-87ae-f90f3ae5654b; Last-Save-Date: 2013-03-12T20:29:28Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2013-03-12T20:29:28Z; meta:save-date: 2013-03-12T20:29:28Z; pdf:encrypted: true; modified: 2013-03-12T20:29:28Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2013-03-12T20:29:28Z; created: 2013-03-12T20:29:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2013-03-12T20:29:28Z; pdf:charsPerPage: 1804; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2013-03-12T20:29:28Z | Conteúdo => S2TE01 Fl. 124 1 123 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.720058/200862 Recurso nº 910.347Voluntário Resolução nº 2801000.086 – 1ª Turma Especial Data 30 de novembro de 2011 Assunto ITR Recorrente ABRÃO FARAH DE LEMOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Contra o interessado supra foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 06, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2006, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 218.701,33, relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda Herança Divina", com RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .7 20 05 8/ 20 08 -6 2 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10860.720058/200862 Resolução nº 2801000.086 S2TE01 Fl. 125 2 área de 930,5 ha, NIRF 0.795.2740, localizado no município de Ubatuba/SP. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, a declaração de ITR do interessado incidiu em malha fiscal nos parâmetros áreas não tributáveis e cálculo do valor da terra nua; após regularmente intimado e transcorrido o prazo fixado, o interessado não apresentou os documentos solicitados que comprovassem as informações contidas em sua declaração, objeto de análise pelo Grupo de Malha Fiscal. O sujeito passivo informou que o imóvel serve como local de subsistência dele, de sua família e empregados. Solicitou, ainda, dispensa dos documentos solicitados. Pela ausência de Laudo Técnico e Ato Declaratório Ambiental, a área declarada como de preservação permanente foi glosada bem como não foi apresentado o Laudo de Avaliação do Imóvel Rural, o VTN declarado foi modificado com base nas informações constantes do Sistema de Preços de Terras SIPT, mantido pela Receita Federal do Brasil. Cientificado do lançamento, por via postal, em 05/11/2008, conforme fl. 79, o interessado apresentou a impugnação de fls. 51 a 54, em 01/12/2008, alegando, em síntese, que: • Em 20 de agosto de 2008, protocolou na Receita Federal os documentos necessários para comprovar que o imóvel rural encontra se em área considerada de preservação permanente; • Os documentos apresentados foram expedidos pelo governo federal, de total credibilidade, não restando quaisquer dúvidas de que o imóvel está inserido em sua quase totalidade em área de preservação permanente, sendo corroborado pelo Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido em 28/09/2009; • Só tomou conhecimento da necessidade de elaborar o ADA, ao receber o Termo de Intimação Fiscal; • Anexa aos autos, Certidões expedidas pelo Instituto de Terras e do Governo do Estado de São Paulo, Planta, Relatório de Vistoria Técnica, do Instituto Florestal Núcleo Picinguaba, Boletim de Ocorrência Ambiental, entre outros, que comprovam que a propriedade está inserida no Parque Estadual da Serra do Mar; • Está sem explorar o imóvel desde 1999, embora estando na posse da propriedade, pois ainda não recebeu indenização, motivo pelo qual, não possui condições para arcar com o pagamento do imposto, juros e multa de ofício; • Não deve o valor do imposto suplementar, porque os imóveis de sua propriedade são totalmente inexploráveis por estarem inseridos dentro do Parque Estadual da Serra do Mar; • Requer cancelamento da Notificação de Lançamento, em virtude de erro no preenchimento da declaração e, em sendo o caso, da Fl. 133DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10860.720058/200862 Resolução nº 2801000.086 S2TE01 Fl. 126 3 autorização do órgão para providenciar junto ao Ibama o ADA dos exercícios anteriores, por medida de justiça. Instruíram a impugnação os documentos de fls. 59 a 78.” Doravante, a Primeira Instância de Julgamento rejeitou a Impugnação do contribuinte, em decisão que restou assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 Área de Preservação Permanente APP em Área de Proteção Ambiental APA São consideradas áreas de preservação permanente, além das previstas no art. 2o da lei n° 4.771/1965, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas a, entre outros, proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico e asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção, conforme disposto nas alíneas "e" e "f' da Lei n° 9.393/1996, quando assim declaradas pelo Poder Público em caráter específico para determinada área da propriedade e desde que cumpridas as demais exigências legais. Para exclusão dessas áreas da incidência do ITR, além do ADA tempestivo, é necessária sua comprovação, mediante Laudo Técnico, emitido por Engenheiro Agrônomo ou Florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, que as discrimine, quantifique e identifique seu enquadramento legal, acompanhado de Memorial Descritivo e Carta Planialtimétrica do imóvel contendo a representação gráfica da hidrografia, da vegetação e das curvas de nível. Valor da Terra Nua VTN. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Aplicabilidade da Multa de Ofício e Taxa Selic. São cabíveis as cobranças da multa de ofício, por falta de recolhimento do tributo, apurada em procedimento de fiscalização, e de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, por expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual conheço do mesmo. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10860.720058/200862 Resolução nº 2801000.086 S2TE01 Fl. 127 4 A princípio, cingese a discussão, pois, em saber: (i) se o fato de determinado imóvel localizado integralmente em Área de Proteção Ambiental APA, declarada por ente da federação, isenta de ITR; e (ii) se a apresentação do ADA é elemento essencial e indispensável para que as áreas de preservação permanente e utilização limitada possam ser isentas de tributação. Entretanto, para a escorreita aplicação do direito em tela e para que não restem dúvidas de que as áreas declaradas pela Recorrente efetivamente configuramse como de Preservação Permanente, prestigiandose o princípio da verdade material que rege os procedimentos administrativos, é imperioso que o presente processo seja baixado em diligência para que o órgão ambiental em questão informe se a área do imóvel objeto do lançamento se encontra dentro do Parque Estadual da Serra do Mar. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 135DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES
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Numero do processo: 10510.005834/2008-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do Fato Gerador: 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003, 10/06/2003, 20/06/2003 e 30/06/2003. Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO Aplicação da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” COMPENSAÇÃO EFETUADA COM BASE EM CRÉDITO ORIUNDO DE AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. Somente pode ser declarada a compensação após o trânsito em julgado da decisão judicial da qual decorrem os créditos, nos termos do artigo 170-A do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-001.634
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Antonio Carlos Atulim – Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho, Robson Jose Bayerl e Rosaldo Trevisan.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003, 10/06/2003, 20/06/2003 e 30/06/2003. Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO Aplicação da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” COMPENSAÇÃO EFETUADA COM BASE EM CRÉDITO ORIUNDO DE AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. Somente pode ser declarada a compensação após o trânsito em julgado da decisão judicial da qual decorrem os créditos, nos termos do artigo 170A do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Antonio Carlos Atulim – Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho, Robson Jose Bayerl e Rosaldo Trevisan. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 01 /10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL 2 Relatório Tratase de Auto de Infração eletrônico (fls. 48/51), lavrado em 15/10/2008, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em virtude da suposta falta de recolhimento desse tributo, relativo aos decêndios compreendidos nos meses de abril, maio e junho de 2003, bem como pela não declaração desses valores na DCTF relativa ao 2º trimestre de 2003, nos prazos estabelecidos pela legislação, no qual foi apurado um crédito tributário no importe de R$ 1.188.765,70, sendo a obrigação principal no valor de R$ 470.788,81 e R$ 717.976,89, referentes a juros moratórios e à multa de ofício. A Recorrente tomou ciência do Auto de Infração em 21/10/2008 (fls. 57) e apresentou Impugnação (fls. 59/65), remetida por via postal em 19/11/2008, tida como tempestiva, conforme Termo de Juntada de Impugnação de fls. 71, no qual, em suma, alega apenas matéria de direito, afirmando tratar a imposição de multa no percentual de 75% indevida, tendo em vista que ela não teria praticado qualquer ilícito fiscal, afirmando que tal fator é “verdadeiro confisco”, o que afrontaria os princípios da moralidade, da proporcionalidade e, principalmente do não confisco. Alegou não existir qualquer tipo de material probatório nos autos que permitisse caracterizar a prática de ilícito e, por isso, a multa seria aplicada com base em mera presunção. Em conclusão, postulou pelo provimento da Impugnação, com fito de se excluir do lançamento o valor da multa ou, subsidiariamente, a reduzir a penalidade ao percentual mínimo aplicável ao caso. A Impugnação foi julgada improcedente, conforme se constata no acórdão n.º 1518.196, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador/BA, de fls. 72/75, em 22 /01/2009. O acordão supracitado considerou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário. Restou consignado na decisão que o Despacho Decisório DRF/Aracaju n.º 484, de 03 de junho de 2008 (fls. 04/08), não homologou as Declarações de Compensação informadas pela Recorrente por força da vedação introduzida no Código Tributário Nacional (CTN) pela Lei Complemente 104/01 – Artigo 170A, CTN. Ademais, justificou o lançamento dos débitos tributários, em tese compensados indevidamente, asseverando que as Decomp’s eram anteriores a edição da Medida Provisória n.º 135, de 2003, ou seja, tais declarações não constituíam confissão de dívida, tendo sido a fiscalização representada (fls. 02/03) para proceder com o devido lançamento. Consta, ainda, no voto que os créditos pleiteados pela Recorrente seriam ilíquidos e incertos, tendo vista que eram provenientes de ação judicial com decisão não transitada em julgado, mas que, no entanto, “a interessada informou nas declarações de compensação apresentadas que a ação judicial já tinha transitado em julgado desde 18/03/2002 (fl. 10)”. Ressaltando, em remate, que “não é apenas através da omissão que ocorre o ilícito, mas também de ações, como a praticada pela contribuinte ao informar como ocorrido o inexistente. Eis aí a caracterização da infração, justificando o lançamento de ofício e a aplicação da multa de ofício” (destaques originais). Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 01 /10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Processo nº 10510.005834/200871 Acórdão n.º 340301.634 S3C4T3 Fl. 2 3 No tocante à impossibilidade de compensação de créditos tributários objeto de ação judicial, na forma efetuada pela Recorrente, a autoridade fazendária discorreu sobre o art. 170A, CTN e citou excerto do REsp n.º 352.859, julgado pela 2ª Turma do STJ, relatado pela Min. Eliana Calmon, DJ 06/05/02, asseverando tal impossibilidade. Colacionou, ainda, parte do Parecer PGFN/CRJ n.º 679, de 2001, que discorre acerca do alcance do artigo 170A, CTN, frisando, com veemência, a impossibilidade de compensação de créditos tributários por medida cautelar. Já no que concerne à multa de ofício de 75%, restou declinado no acórdão de primeira instância que a aplicação desse percentual é obrigatória, além do que tal importe visa desestimular o inadimplemento das obrigações tributárias. No que tange à alegação de inconstitucionalidade da aplicação da multa de ofício, o julgador de primeira instância consignou que não cabe à autoridade administrativa tal apreciação, vez que tal análise é privativa do Poder Judiciário. Quanto ao caráter confiscatório da multa, afirmou o julgador que tal vedação é dirigida ao legislador e que o princípio do não confisco orienta o processo de elaboração da lei e que “uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou”. Desse modo, foi julgada improcedente a impugnação e mantido o crédito tributário lançado em desfavor da Recorrente, nos moldes do Auto de Infração. A Recorrente, por sua vez, tomou ciência do referido acórdão em 18/02/2009 (fls. 79) e, irresignada, interpôs Recurso Voluntário (fls. 80/83) em 19/03/2009. Em suas razões de recurso voluntário, argumentou a Recorrente sobre a possibilidade de compensação de créditos por medida liminar, ressaltando que apenas procedeu com as compensações “por força da autorização obtida nessas medidas, devidamente concedidas pelos juízos processantes, o que afastaria a suposta ilicitude das compensações”. Além disso, a Requerente repisou os argumentos já tecidos em sua Impugnação (fls. 59/65), ressaltando ser juridicamente insubsistente a fixação a título de multa de ofício no importe de 75%, por se tratar de “verdadeiro confisco”, o que afrontaria os princípios do não confisco, da moralidade e da proporcionalidade. Ratificou que em tal patamar a multa “desapropria o patrimônio do manifestante, em prol do locupletamento ilícito do Estado”, o que agrediria o preceito estatuído pelo artigo 5º, inciso XII e 170, incisos II e III, ambos da Constituição da República. Frisou ainda, que a edição da Lei 11.488/07, “fez cessar a possibilidade de imposição do percentual de 75% nos casos em espécie”, afirmando que “o máximo legalmente possível seria a multa de mora, já que se trata de imposto não recolhido no vencimento”. Arrematou, em conclusão, que a multa de ofício só seria cabida em casos de evidente fraude atentatória à Fazenda Nacional, o que não teria ocorrido. Em seus pedidos, postulou pelo provimento do Recurso Voluntário apresentado, com fito de se excluir o lançamento do crédito apurado, e ainda o valor da multa ou, subsidiariamente, a redução da penalidade ao percentual mínimo aplicável ao caso. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 01 /10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL 4 Em suma, é o relatório. Voto Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, Relatora. Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Mérito Conforme se depreende do relatório, tratase de auto de infração para lançamento de tributo não declarado pelo contribuinte em DCTF, mas apenas informado em DIPJ e em Declarações de Compensação que foram consideradas não homologadas pelo Despacho Decisório DRF/AJU n° 0484, de 03 de junho de 2008, em virtude dos créditos nelas apontados serem decorrentes de ação judicial não transitada em julgado. A Recorrente alegou, tanto na impugnação como no recurso, unicamente: (i) a ilegalidade da aplicação da multa de 75% pelo fato de não ter praticado nenhum ilícito, e que tal multa caracterizaria confisco, o que feriria os princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade, e (ii) que as compensações teriam sido efetuadas com base em determinação judicial, contudo não juntou aos autos qualquer peça ou certidão do aludido processo judicial que comprovasse o trânsito em julgado. No tocante à aplicação da multa, é importante esclarecer que como as declarações de compensação apresentadas pela ora Recorrente foram anteriores a edição da MP n°135, de 2003, sua apresentação não constitui confissão de dívida, tendo sido a fiscalização representada (fls.02/03) justamente para efetuar o lançamento dos débitos compensados indevidamente que não tinham sido declarados espontaneamente pela contribuinte nas DCTF´s por ele entregue e tampouco pagos. No presente caso ainda há uma agravante, pois se verifica que a contribuinte informou nas declarações de compensação apresentadas que a ação judicial já havia transitado em julgado desde 18/03/2002 (fl.10). Alega a Recorrente que não praticou ilícito fiscal, não havendo no processo prova disso, decorrendo a pena de mera presunção, o que não seria possível. No entanto, a apresentação da declaração inexata de trânsito em julgado da ação na DCOMP teve como implicação direta o fato de permitir à contribuinte a transmissão da declaração de compensação eletrônica via Internet. Se tivesse informado na DCOMP que não ocorrera o trânsito em julgado na ação judicial, certamente o programa gerador da declaração impediria a sua transmissão eletrônica, o que a obrigaria a apresentar a declaração em formulário, evidenciando de imediato que os créditos não eram passíveis de compensação. Assim, estaria justificada a aplicação da multa de oficio no caso em análise, tanto pelo fato de que os débitos não foram informados em DCTF, como pelo fato de o contribuinte ter apresentado declaração inexata, ao informar na Decomp que teria ocorrido o Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 01 /10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Processo nº 10510.005834/200871 Acórdão n.º 340301.634 S3C4T3 Fl. 3 5 trânsito em julgado da ação judicial da qual decorreria o crédito, quando na realidade o trânsito não ocorrera até a data da análise do pedido pela DRF de origem. No tocante à alegação de inconstitucionalidade da multa de 75%, prevista na Lei 9.430/96, aplico a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Já no que se refere à alegação apresentada no Recurso Voluntário de que as compensações foram efetuadas com base em autorização judicial, é de se registrar que Recorrente não logrou comprovar que as compensações teriam sido declaradas somente após o trânsito em julgado da ação judicial, e de acordo com o Despacho Decisório DRF/Aracaju n.º 484, de 03 de junho de 2008 (fls. 04/08), o aludido processo judicial estaria ainda pendente de julgamento de Recurso Extraordinário no Supremo Tribunal Federal, despacho esse que não foi contestado pela Recorrente. Assim, tendo em vista que as referidas compensações foram declaradas no ano de 2003, e antes do trânsito em julgado da ação judicial a elas vinculada, entendo que deve ser aplicada a Lei Complementar 104, de 10.01.2001, que introduziu no Código Tributário Nacional o artigo 170A a seguir transcrito: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Raquel Motta Brandão Minatel Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 01 /10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL
score : 1.0
Numero do processo: 11444.001800/2008-19
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO. LANÇAMENTO. CORREÇÃO.
De acordo com informações contidas nestes autos, durante o procedimento administrativo que resultou no lançamento, o contribuinte não estava contemplado pelo regime tributário diferenciado previsto pelo SIMPLES NACIONAL.
Se no período apurado a empresa não estava respaldada pela legislação especial, correto o procedimento fiscalizatório que deu ensejo ao lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
1.0 = *:*
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO. LANÇAMENTO. CORREÇÃO. 1. De acordo com informações contidas nestes autos, durante o procedimento administrativo que resultou no lançamento, o contribuinte não estava contemplado pelo regime tributário diferenciado previsto pelo SIMPLES NACIONAL. 2. Se no período apurado a empresa não estava respaldada pela legislação especial, correto o procedimento fiscalizatório que deu ensejo ao lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 18 00 /2 00 8- 19 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11444.001800/200819 Acórdão n.º 2803002.122 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11444.001800/200819 Acórdão n.º 2803002.122 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte destinada aos Terceiros (INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), nas competências de 07/2007 a 12/2007. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 13 de janeiro de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO AO SIMPLES. DISCUSSÃO INOPORTUNA EM PROCESSO DE LANÇAMENTO FISCAL PREVIDENCIÁRIO. O foro adequado para discussão acerca do indeferimento da opção da empresa pelo Simples é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário previdenciário discussão acerca dos motivos que conduziram ao indeferimento da opção. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O momento para a produção de provas, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: O litígio foi instaurado em decorrência de autuação formalizada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para exigência de contribuições pretensamente devidas à Seguridade Social, no período de 07/2007 a 12/2007, correspondente à parte destinada aos Terceiros (INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11444.001800/200819 Acórdão n.º 2803002.122 S2TE03 Fl. 5 4 A Recorrente apresentou impugnação tempestiva comprovando ter formalizado opção ao regime do SIMPLES NACIONAL em 25/07/2007, deixando de recolher as contribuições relativas à parte patronal (da empresa e terceiros). Acrescentou que o resultado de sua opção apontou pendência cadastral/fiscal junto à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, fato confirmado pela Receita Federal do Brasil ao declararse impedida de realizar o enquadramento, sendo o pedido indeferido e encaminhado para solução da SEFAZ através do Posto fiscal de Marília/SP. Tendo ingressado com pedido de revisão fiscal junta à SEFAZ, obteve do Chefe do Posto Fiscal/10 – Marília o deferimento de seu pleito e a alteração do regime na base cadastral para SIMPLES NACIONAL a partir de 01/07/2007. Os termos da impugnação apresentada detalham a regularidade dos procedimentos legais tomados pela contribuinte objetivando sua inclusão no SIMPLES NACIONAL instituído pela Lei Complementar nº 123/2006. Sua exposição, corroborada por documentos contemporâneos aos fatos ocorridos, demonstram sobejamente que a empresa atendia todos os requisitos exigidos nos artigos 3ª a 17 da Lei Complementar nº 123/2006, inexistindo qualquer restrição inibidora a sua opção e enquadramento no SIMPLES NACIONAL. A Recorrente não foi cientificada de qualquer Termo de Indeferimento. A decisão prolatada pela 10ª Turma Julgadora da DRJ/RJ1, após considerar tempestiva a Impugnação informa que o Auto de Infração ora litigado é julgado conjuntamente com o de nº 37.188.0019 (Empresa), por estarem reciprocamente vinculados aos créditos apurados. Após verificar a argumentação expendida e as provas colacionadas conclui que a discussão sobre deferimento/indeferimento da opção ao SIMPLES deve ser abordada exclusivamente no âmbito do respectivo processo, de onde decorreria a confirmação dos atos e sua eventual revogação. Com amparo nesse pretexto, abstém de apreciar as razões e provas apresentadas pela Recorrente, cujo conteúdo revela exatamente o restabelecimento pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, da opção formalizada em 25/07/2007, cujos efeitos passaram a vigorar a partir de 01/07/2007. Nos termos da Resolução CGSN nº 4/2007 e alterações posteriores, na hipótese de a opção ser indeferida, será expedido Termo de Indeferimento pela Opção pelo SIMPLES NACIONAL por autoridade fiscal integrante da estrutura administrativa do respectivo ente federado que decidiu o indeferimento, inclusive na hipótese de existência de débitos tributários. Será dado ciência do Termo de Indeferimento à ME ou à EPP pelo ente federativo que tenha indeferido sua opção, segundo a sua respectiva legislação. O contencioso administrativo relativo ao indeferimento será de competência do ente federativo que decidir o indeferimento, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente (artigo 39, da LC nº 123/2006). Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11444.001800/200819 Acórdão n.º 2803002.122 S2TE03 Fl. 6 5 No caso de decisão administrativa ou judicial deferindo a opção pelo Simples Nacional com efeitos retroativos, os tributos e contribuições devidos pelo Simples Nacional poderão ser recolhidos sem a cobrança de multa de mora, tão somente com incidência com juros de mora. A Recorrente não foi cientificada de qualquer Termo de Indeferimento da opção efetuada em 25/07/2007, capaz de propiciar a instauração de contraditório em processo específico. Sua iniciativa partiu da constatação efetuada mediante consulta ao Resultado da Solicitação de Opção, cujo relatório determinara pendência cadastral/fiscal junto a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Sendo este o ente federativo competente para deferir ou não a opção, fato confirmado pela própria Receita Federal quando se declarou impedida para promover o enquadramento, a Recorrente iniciou o processo de revisão do ato, obtendo julgamento procedente e inclusão no SIMPES NACIONAL a partir de 01/07/2007. Como se verifica, o pressuposto arguido pela decisão recorrida – falta de discussão e revisão do indeferimento – não se materializou. O deferimento da opção com efeitos retroativos a 01/07/2007 foi formalizado por escrito e notificado à Recorrente, que não pode ser penalizada pela falha de comunicação entre os órgãos integrantes da estrutura do Simples Nacional. Evidentemente restam destruídos de motivação os lançamentos perpetrados para exigência das contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e às destinadas ao RAT, assim como aquelas destinadas aos terceiros, nos períodos de 07/2007 a 12/2007. Expostas as razões determinantes do cancelamento da exigência, a Recorrente postula seu acolhimento por constituir medida de homenagem ao direito e à justiça. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11444.001800/200819 Acórdão n.º 2803002.122 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento ora em discussão foi realizado de forma correta e dentro dos parâmetros estabelecidos pela legislação tributária, notadamente o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Ao contribuinte foi assegurado a ampla defesa e o contraditório, nos exatos termos do inciso LV do art. 5º da Constituição da República. A constituição do crédito tributário se deu em virtude de o contribuinte ter deixado de recolher (corretamente) as contribuições devidas à Seguridade Social, nas competências de 07/2007 a 12/2007, correspondente à parte destinada aos Terceiros (INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). De acordo com informações contidas nestes autos, durante o procedimento administrativo que resultou no lançamento, o contribuinte não estava contemplado pelo regime tributário diferenciado previsto pelo SIMPLES NACIONAL. Ora, se no período apurado a empresa não estava respaldada pela legislação especial, correto o procedimento fiscalizatório que deu ensejo ao lançamento. Em seu recurso, o contribuinte continua afirmando que solicitou sua inclusão no SIMPLES NACIONAL e que, somente depois da revisão fiscal promovida pela SEFAZ de São Paulo (MaríliaSP), obteve o deferimento do seu pleito e a alteração do regime na base cadastral para o SIMPLES NACIONAL, a partir de 01/07/2007. Acontece, porém, que tal informação não está em conformidade com a consulta realizada pelos julgadores a quo, constante do item 12 (fls.89) do acórdão recorrido, in verbis: 12. Cabe esclarecer que a discussão a respeito do deferimento/indeferimento da opção ao SIMPLES, deve ser abordada exclusivamente no âmbito do respectivo processo, de onde decorreria a confirmação dos atos ou a sua eventual revogação, todavia consta dos sistemas da RFB que a impugnante é optante pelo Simples Nacional somente a partir de 01/01/2008. Com efeito, não paira qualquer dúvida de que a discussão sobre deferimento/indeferimento da opção ao SIMPLES não é matéria afeta a este processo administrativo fiscal, como insiste o contribuinte. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11444.001800/200819 Acórdão n.º 2803002.122 S2TE03 Fl. 8 7 Ademais, consta na consulta aos sistemas da RFB, formulada pelos julgadores de primeira instância administrativa que o contribuinte é optante pelo Simples Nacional somente a partir de 01/01/2008. Portanto, em período posterior ao discutido nestes autos. Como se pode observar, não há como efetuar reparos nos procedimentos levados a efeito pela autoridade administrativa lançadora, bem como na decisão recorrida, devendo o lançamento ser mantido pelos seus próprios fundamentos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10675.903123/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
Restituição. Compensação. Admissibilidade.
Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-001.304
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente, para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes, Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 Restituição. Compensação. Admissibilidade. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente, para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes, Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente, para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes, Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 31 23 /2 00 9- 61 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente transmitiu a Dcomp nº 00566.66919.210706.1.3.040108, para a compensação de débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior ao IRPJ, período de apuração correspondente ao mês de fevereiro de 2006. A DRFUBE/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico de não– homologação da compensação pleiteada, por se tratar de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, portanto o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela 2ª Turma da DRJ/JFA, no Acórdão 0938.530, corroborando o entendimento da DRF no sentido de que pagamento efetuado a título de estimativa de IRPJ não poderia ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo, em decisão assim ementada: Anocalendário:2006 ESTIMATIVA IRPJ. COMPENSAÇÃO. Pagamento efetuado a título de estimativa de IRPJ não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 23.02.2012 a Recorrente apresentou recurso voluntário em que alega que por erro de apuração nos balancetes de suspensão/redução, apesar de estar obrigada ao recolhimento da parcela no valor de R$ 2.832,31, correspondente ao mês de fevereiro de 2006, por engano, recolheu a importância de R$3.605,38 (três mil, seiscentos e cinco reais e trinta e oito centavos) no dia 31.03.2006. Não se trataria os autos, portanto, de compensação de saldo negativo, mas, sim, de pagamento a maior ou indevido. Juntou, a respectiva DIPJ e o DARF referente ao pagamento indevido. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10675.903123/200961 Acórdão n.º 1801001.304 S1TE01 Fl. 4 3 Voto Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e por essa razão, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega a existência de direito creditório oriundo de pagamento indevido de estimativa, pois em fevereiro de 2006, apesar de estar obrigada ao recolhimento da parcela no valor de R$ 2.832,31, correspondente ao mês de fevereiro de 2006, por engano, recolheu a importância de R$3.605,38 (três mil, seiscentos e cinco reais e trinta e oito centavos) no dia 31.03.2006. A DRJ em Juiz de Fora não se pronunciou sobre o mérito do direito creditório, porém, com fundamento no art. 10 da IN SRF 600/2005, a Recorrente apenas deveria utilizar tal pagamento quando da apuração do IRPJ anual, seja para dedução do IRPJ devido ou na composição do respectivo saldo negativo. Observese que esse tema já é pacificado nessa Turma Especial, citandose o Acórdão n° 180100.490, de 22/02/2011, em que foi Relatora a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez , no qual se fixou o entendimento segundo o qual à Administração Tributária não é permitido definir qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Nesse sentido, pedese vênia para a transcrição do referido voto, que expõe mais detalhadamente o entendimento deste Colegiado sobre o tema: “[...] Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: [...] Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do ano calendário: [...] Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: [...] Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: [...] É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: [...] Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10675.903123/200961 Acórdão n.º 1801001.304 S1TE01 Fl. 5 5 Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do ano calendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Em face do exposto, uma vez que a Recorrente não teve apreciado o mérito de seu direito creditório, pois a instâncias administrativas a quo estabeleceram como prejudicial ao exame, a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, deve ser o retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Ainda, deve se ressaltar, conforme a linha de entendimento adotada, que enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos, abrindose inclusive, novos prazos para o exercício do contraditório e ampla defesa, sobre o entendimento meritório acerca do direito de crédito. Assim sendo, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 10783.904839/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resovem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resovem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda.
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Resovem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 94/96) interposto por GRANITA GRANITOS ITABIRA LTDA. contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG (DRJ/JFA) (fls. 85/90) que, por unanimidade de votos, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP n° 31702.36470.010805.1.3.017868, 39091.63860.150905.1.3.016743, 22204.40862.150805.1.3.012901 e 18459.74933.141005.1.3.018740. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 04 83 9/ 20 09 -5 9 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.904839/200959 Resolução nº 3202000.084 S3C2T2 Fl. 141 2 Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela DRJ/JFA, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade constante do presente processo, in verbis: Trata o presente processo de Declarações de Compensação Eletrônica, PER/DCOMP’s 31702.36470.010805.1.3.017868, 39091.63860.150905.1.3.01 6743, 2220440862.150805.1.3.012901 e 18459.74933.141005.1.3.018740, onde o estabelecimento em epígrafe solicita a compensação de débitos próprios com o saldo credor de IPI do estabelecimento em epígrafe solicita a compensação de débitos próprios com o saldo credor de IPI do estabelecimento matriz relativo ao 4° trimestre do anocalendário de 2004, no montante de R$20.840,16, apurado segundo o art. 11 da Lei 9.799, de 19/01/1999. A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, de que resultou o Despacho Decisório de fl. 09, com o deferimento do saldo indicado homologação parcial das compensações, fundamentandose o ato nos seguintes termos: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$20.840,16 Valor do crédito reconhecido: R$0,00 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao semestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP 31702.36470.010805.1.3.017868, 39091.63860.150905.1.3.01 6743, 22204.4082.150805.1.3.012901 e 18459.74933.141005.1.3.018740. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos individualmente compensados, para pagamento até 30/04/2009. PRINCIPAL MULTA JUROS 20.840,19 4.167,99 9.557,50 Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/03, onde vem argumentando que houve erro do sistema na apuração do saldo credor apurado ao final do 1° trimestre de 2005 (que será o saldo credor de período anterior do mês de abril de 2005). Segundo alega, o saldo credor do livro de registro e apuração de IPI era de R$ 62.920,11, sendo que o sistema apurou um saldo de R$ 11.358,32. No seu entendimento essa diferença, transportada para os períodos de apuração subsequentes, teria feito com que o saldo credor apurado em junho de 2005 fosse reduzido para R$ 0,00, quando o correto deveria ser R$ 51.561,79. A utilização deste saldo, que entende ser o correto, provocaria a superação do motivo do indeferimento. Alega ainda, que tal erro teria sido ocasionado pelo preenchimento errado do formulário PER/DCOMP 39595.13730.311005.1.3.019009, que continha a informação que foi corrigida no formulário retificador 07551.88741.270509.1.7.010775. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.904839/200959 Resolução nº 3202000.084 S3C2T2 Fl. 142 3 Ao final vem solicitar o reconhecimento do crédito com a consequente homologação da compensação e a suspensão da cobrança até o julgamento definitivo dos recursos administrativos. Este é o relatório. A decisão proferida pela DRJ/JFA foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR. CRÉDITO JÁ RESSARCIDO. EXCLUSÃO. O saldo credor já ressarcido deve ser excluído da apuração do saldo credor dos períodos posteriores sob pena de se apurar erroneamente o valor a ser ressarcido. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR QUE PERMANECE NA ESCRITA. UTILIZAÇÃO NA AMORTIZAÇÃO DE DÉBITOS. O saldo credor que permanece na escrita deve ser utilizado, prioritariamente, na amortização dos saldos devedores eventualmente apurados no decorrer do tempo em que esse saldo permaneceu na escrita sem que fosse solicitado o seu ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com a decisão da DRJ/JFA, a Recorrente apresentou recurso voluntário, objetivando reformar integralmente a decisão em tela. Cumpre esclarecer que a Recorrente entendeu por bem se reportar integralmente às razões apresentadas anteriormente na manifestação de inconformidade, destacando os seguintes argumentos: O saldo inicial correto para o mês de janeiro de 2005 é de R$ 189.345,26, e não o valor de R$ 11.358,32 conforme informado no despacho decisório; Os débitos informados na DCOMP sob análise estão prescritos, visto que a simples declaração de compensação não tem o condão de suspender o prazo prescricional. Dessa forma, os débitos estão prescritos desde 31.10.2010, o que impediria a cobrança destes, no caso de restar algum débito pendente. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade e tendo sido apresentado tempestivamente o recurso voluntário, dele tomo conhecimento. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.904839/200959 Resolução nº 3202000.084 S3C2T2 Fl. 143 4 Conforme já mencionado, a ora Recorrente objetiva a reforma da decisão proferida pelo órgão julgador de 1ª instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base em argumentos que passo a descrever brevemente. De acordo com a DRJ/JFA o erro de preenchimento alegado pela Recorrente não tem relação com a divergência de saldos para o final de mês de junho/2005, qual seja, R$ 51.561,79 no PER/DCOMP e R$ 0,00 na apuração pelo Sistema de Controle de Créditos (SCC). Dessa forma, mesmo após o formulário retificador, as referidas informações (valores dos créditos e débitos do período anterior) permaneceram idênticas, não podendo, assim, causar divergências entre as informações. Esclarece ainda que o SCC já faz a exclusão dos valores deferidos em ressarcimento no final do trimestre a que se refere o saldo credor, não importando o momento em que o ressarcimento foi solicitado, o que evita o aproveitamento dos créditos em duplicidade. Com base nesses argumentos a DRJ/JFA entendeu que o saldo credor de período anterior da 1ª quinzena de janeiro/2004, que foi calculado pelo SCC, está correto pois expurgou da apuração os valores que foram considerados deferidos para o 1°, 2° e 3° trimestres do ano de 2003, resultando, após a adição dos créditos e subtração dos débitos dos períodos de apuração envolvidos, no saldo R$ 0,00 para o mês de junho/2005. Menciona ainda que o indeferimento do valor solicitado em ressarcimento ocorreu devido à existência de elevados lançamentos a débito no período de apuração de março e junho de 2005. Em breves linhas, essas são as razões que levaram a instância de piso a julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Da análise dos autos, é possível verificar que a decisão proferida pela DRJ/JFA não demonstra de forma clara a composição dos saldos iniciais das compensações e consequente formação do saldo credor/devedor. Nas fls. 7 há um detalhamento dos créditos para o período do 1° e 2° Trimestres de 2005 através do quadro denominado Demonstrativo de Créditos e Débitos (Ressarcimento de IPI). No entanto, não há uma explicação de qual a origem dos valores, como exemplo, cito o valor apontado para o período de janeiro de 2005, qual seja, R$ 20.226,77, o qual não tem sua origem demonstrada. A decisão da DRJ/JFA explica a sistemática adotada pelo SCC para calcular os valores passíveis de compensações através das DCOMPs, porém, não demonstra a origem, bem como a formação dos valores utilizados no caso concreto. A ausência de detalhes na decisão proferida pelo órgão de 1ª instância acaba por prejudicar a defesa da ora Recorrente que não possui condições para exercer plenamente seu direito de defesa, pois, da maneira como a decisão foi elaborada, a Recorrente não tem condições de identificar a origem dos valores mencionados, e consequentemente, não consegue contestálos de maneira apropriada. A decisão proferida pela DRJ/JFA é um ato administrativo, assim, com requisito intrínseco, sendo assim deve estar bem fundamentada, permitindo à parte contrária conhecer todas as razões que levaram à conclusão nela vazada, permitindo a plenitude da defesa. Embora trate do auto de infração, o artigo 10 do Decreto 70.235/72 lista, dentre os requisitos essenciais do lançamento: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.904839/200959 Resolução nº 3202000.084 S3C2T2 Fl. 144 5 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (...)”É inequívoco que o dispositivo legal em apreço, ao impor como requisito do lançamento a descrição do fato e a indicação da disposição legal infringida, o fez com o objetivo de garantir ao contribuinte plenitude de sua defesa, enfrentando os pontos que entende controversos. Dessa forma, é necessário que a DRJ explicite em sua decisão os fatos que motivaram o indeferimento do crédito. Entendo que é de suma importância para o deslinde do caso que o órgão de 1ª instância apresente os cálculos, planilhas, e eventuais telas extraídas dos sistemas da Receita Federal, principalmente aquelas extraídas do SCC, que auxiliaram na composição dos valores. Ou seja, é imperioso a demonstração de qual o saldo credor inicial utilizado pela DRJ/JFA para calcular a suficiência ou não de créditos para a consequente homologação da DCOMP, bem como qual a origem deste saldo. De acordo com o artigo 18 do Decreto n. 70.235/72, deverá ser realizada diligência quando esta for considerada necessária, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in ine. (grifamos) A diligência mostrase necessária quando o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do alcance do julgador. Tendo em vista que a diligência referente ao sistema usado pela Receita Federal traria aos autos relevante elucidação para o deslinde da controvérsia, que, de outro modo, não poderia ser resolvida, senão com lastro em singelas alegações das partes, que pouco contribuem para o desfecho da questão; diligência no sentido de carrear aos autos cálculos, planilhas, e eventuais telas extraídas dos sistemas da Receita Federal, mostrase necessária, senão indispensável ao deslinde da controvérsia. Não obstante a cristalina necessidade da diligência, verifico que a Recorrente juntou ao seu recurso voluntário seu livro de apuração do IPI (fls. 113137). Da análise da documentação acostada aos autos, DCOMPs e Livro de IPI, é possível verificar que no período janeiro a março de 2005 existe divergência entre o valor escriturado no livro, e o valor declarado na DCOMP nº 31702.36470.010805.1.3.017868. No Livro de IPI a ora Recorrente não menciona débitos para o período em análise, no entanto, a DCOMP mencionada anteriormente apresenta débitos para o mesmo período. O processo administrativo é norteado por diversos princípios, entre eles, destaco o princípio da busca pela verdade real (verdade material) e o da economia processual. Com base nestes princípios e à vista da remessa em diligência à instância de piso, entendo oportuna a manifestação da DRJ/JFA sobre a inconsistência supracitada, visto que o objetivo do processo administrativo é, dentre outros, a maximização do resultado da atuação do direito com a minimização das atividades processuais. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.904839/200959 Resolução nº 3202000.084 S3C2T2 Fl. 145 6 Ora, não há motivos para o silêncio do órgão de 1ª instância sobre o assunto em questão, visto que futuramente este poderá ser questionado sobre o assunto, gerando um prolongamento desnecessário do feito. De acordo com MARCOS VINÍCIUS NEDER e MARIA TEREZA MARTÍNEZ LÓPES, “O princípio da eficiência comunga os propósitos da razoabilidade (ou proporcionalidade) na medida em que este contribui para a escolha da solução mais adequada ao interesse público, de modo a satisfazer plenamente a demanda social (...) “é possível inferir que a ligação entre o princípio da eficiência e o princípio da economia processual, eis que este último “preconiza o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais” (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, 1ª edição, pág. 61) Dessa forma, entendo que cabível a manifestação da DRJ/JFA sobre a manutenção de sua decisão, frente ao fato de o livro de apuração do IPI da Recorrente não indicar débito para o período em questão. Diante de todos os apontamentos, converto o presente julgamento em diligência para que seja apurada a composição dos valores utilizados pela DRJ/JFA para determinar a suficiência ou não de créditos, com a consequente homologação ou não da DCOMP. Para tanto, a DRF competente deverá informar com precisão a origem e a formação dos saldos credores, com a apresentação de planilhas, cálculos, e as telas extraídas dos sistemas da Receita Federal, em especial, o sistema SCC. Após a realização da(s) diligência(s), é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifestem acerca do tema. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 145DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10283.900182/2009-91
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA.
Trata-se de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo.
Numero da decisão: 1803-001.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório seja apreciado como saldo negativo de IRPJ, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Cristiane Silva Costa e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA. Tratase de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 01 82 /2 00 9- 91 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório seja apreciado como saldo negativo de IRPJ, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Cristiane Silva Costa e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório SHOWA DO BRASIL LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ BELÉM (PA), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratase de declaração de compensação transmitida em 25/05/2005 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 41.840,86 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período dc apuração de 30/06/2004, no valor originário de R$ 481.859.31. A Delegacia de origem, em análise datada de 18/02/2009 (fl. 06), asseverou que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 05/03/2009, a interessada apresentou, em 03/04/2009, manifestação de inconformidade na qual alega (íls. 10/16): a) O equívoco decorre do fato de que a Manifestante apurou erroneamente o valor do tributo a pagar, o que será corrigido através desta manifestação com a disponibilidade dos documentos comprobatórios do crédito. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.900182/200991 Acórdão n.º 1803001.600 S1TE03 Fl. 111 3 b) Após têlo apurado e efetuado o pagamento, foi detectado pelo setor de contabilidade do contribuinte o pagamento a maior, bem como saldo credor decorrente de saldo negativo da C S L L , que resultara no pedido de compensação, na forma prevista na legislação que trata do assunto. c) Inadvertidamente não houve a retificação da DCTF na qual deveria constar o valor do crédito a ser compensado e o efetivo valor do imposto apurado pela Manifestante. (Demonstrativo Anexo). Pelo demonstrativo que segue anexo a manifestação de inconformidade constatase o valor do tributo pago a maior, conforme DARF, sendo o crédito objeto de compensação decorrente de saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido. d) Além do saldo credor da CSLL, a manifestante possui ainda crédito originário de benefício fiscal amparado no Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005 e no DecretoLei n° 756/69, o primeiro expedido pelo Sr. Delegado da Receita Federal, com efeito retroativo ao ano de 2004. e) Enquanto aguardava a expedição do ato declaratório, a requerente apurou e efetuou o pagamento do imposto, o que gerou crédito passível de compensação após a publicação do documento. f) Para aferição do crédito e até mesmo do débito, é indispensável que a autoridade administrativa autorize a realização de diligência nos livros fiscais e contábeis do contribuinte. Todos os valores objeto do pedido de ressarcimento/restituição e compensação dizem respeito ao exercício de 2005 ano calendário de 2004, abrangendo todo o ano de 2004 e. por esse motivo, fica inviável anexar a esta manifestação todos os livros e documentos que comprovam a apuração do crédito. Diante do exposto, requer: a) seja dado efeito suspensivo à presente Manifestação de Inconformidade na forma do artigo 151, inciso II, do CTN, possibilitando a obtenção da Certidão Conjunta Positiva de Debito com Efeito de Negativa, prevista no artigo 206 do Código Tributário Nacional; c b) a reforma total do despacho decisório a fim de determinar a realização da diligencia para comprovação efetiva do crédito alegado pelo contribuinte; c) o reconhecimento do crédito, amparado nos documentos anexos a esta Manifestação de Inconformidade e naqueles examinados por ocasião da diligência, autorizando a compensação do crédito reconhecido com o débito informado pelo contribuinte; d) pedese finalmente a Vossa Senhoria autorização para juntada de documentos, antes da decisão dessa augusta Câmara. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 A DRJ BELÉM (PA), através do acórdão nº 0120.480, de 25 de janeiro de 2011 (fls. 72/74), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBJETO. CRÉDITO. LIMITE. A análise da Declaração de Compensação efetuase em relação à data de sua transmissão, encontrandose vinculada também aos exatos limites do crédito originalmente identificado pelo contribuinte como compensável. Ciente da decisão em 23/02/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 78 eproc), apresentou o recurso voluntário em 24/03/2011 fls. 79/86, onde reitera os argumentos da inicial acrescentando que deve ser revista a decisão de primeira instância que indeferiu o pedido de diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado com compensação (PER/DCOMP), cujo direito creditório se refere a pagamento a maior ou indevido de IRPJ (estimativa) relativo ao ano calendário 2004, conforme DARF recolhido em 30/07/2004. Afirma a recorrente em síntese: a) Que a decisão de primeira instância deve ser revista pois é dever da Administração Tributária realizar a diligência e examinar a procedência de seu pleito; b) Que efetivamente detém direito creditório relativo ao ano calendário 2004, decorrente de saldo negativo de IRPJ, conforme demonstrativos apresentados; c) Que também tem direito à redução do Imposto de Renda, correspondente a 75% de seu IRPJ incidente sobre o lucro da exploração, tendo em vista projeto implantado na área de atuação da extinta SUDAM, conforme reconhecido pelo Ato Declaratório nº 58, de 04/04/2005. Efetivamente, a negativa contida na decisão de primeira instância deve ser revista amparada que está tão somente nas Instruções Normativas 460/2004 e 600/2005, restando prejudicada com a superveniência da Instrução Normativa 900/2008, conforme Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.900182/200991 Acórdão n.º 1803001.600 S1TE03 Fl. 112 5 entendimento sintetizado na Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. De outro giro, a recorrente afirma categoricamente que o valor indevidamente recolhido compõe o saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2004, devendo sobre este ponto de vista ser apreciado pela Administração Tributária, juntamente com outras PER/DCOMP que indiquem o mesmo direito creditório. Com relação a redução de imposto de renda de 75% decorrente de projeto em área de atuação da extinta SUDAM é matéria estranha à lide não devendo ser apreciada por esta turma julgadora. Ante o exposto, voto no sentido de que o direito creditório pleiteado seja apreciado pela unidade de origem, a título de saldo negativo de IRPJ. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 13896.904172/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: MUDANÇA DE DOMICÍLIO FISCAL SEM A DEVIDA
COMUNICAÇÃO AO FISCO. VALIDADE DE NOTIFICAÇÃO POR
EDITAL.O processo administrativo fiscal possibilita que a intimação seja feita, tanto pessoalmente, quanto pela via postal, inexistindo qualquer preferência entre os meios de ciência. Assim, não é inquinada de nulidade a intimação por
edital, quando resultarem improfícuos os meios de intimação pessoal e via postal, em virtude de mudança do domicílio fiscal do contribuinte, sem a devida comunicação ao fisco, já que de sua desídia não pode advir vantagem para si.
IMPUGNAÇÃO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.Intimado o contribuinte por edital sem divergência de identificação,conforme determina o artigo 23, parágrafo 1o., item II, do Decreto n°. 70.235,de 1972, há de se ratificar a perempção.
Numero da decisão: 1301-000.867
Decisão: Acordam os membros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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VALIDADE DE NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. O processo administrativo fiscal possibilita que a intimação seja feita, tanto pessoalmente, quanto pela via postal, inexistindo qualquer preferência entre os meios de ciência. Assim, não é inquinada de nulidade a intimação por edital, quando resultarem improfícuos os meios de intimação pessoal e via postal, em virtude de mudança do domicílio fiscal do contribuinte, sem a devida comunicação ao fisco, já que de sua desídia não pode advir vantagem para si. IMPUGNAÇÃO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. Intimado o contribuinte por edital sem divergência de identificação, conforme determina o artigo 23, parágrafo 1o., item II, do Decreto n°. 70.235, de 1972, há de se ratificar a perempção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Fl. 317DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Fl. 318DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13896.904172/200824 Acórdão n.º 1301000.867 S1C3T1 Fl. 2 3 Tratase das DCOMP apresentadas pela HICORP COMUNICAÇÕES CORPORATIVAS S.A. (CNPJ n° 03.541.297/000190), e apreciadas no Despacho Decisório n° 783781385 da DRF Barueri/SP, emitido em 26/08/2008 (fls. 06), vinculadas ao saldo negativo de IRPJ de 01/01/2003 a 31/12/2003, no valor originário de R$ 2.451.504,49. No processamento eletrônico da compensação, verificouse a falta de apuração de saldo negativo de IRPJ na DIPJ 2004 (anocalendário 2003), pelo que foram não homologadas as compensações e cobrados os débitos no valor total de R$4.215.324,72. Consta dos autos, a tentativa de intimação da empresa, por via postal, tendo a correspondência sido devolvida em 09/09/2008 (cf docs. de fls. 07/08 e 13), pelo que teria sido providenciada a ciência, mediante o Edital n° 1495/2008 (fls. 09/12), afixado na DRF Barueri/SP, em 02/10/2008. Em 04/06/2009, a TELE NORTE PARTICIPAÇÕES S.A., CNPJ n° 02.558.134/000158 (sucessora por incorporação da HICORP COMUNICAÇÕES CORPORATIVAS S.A.) apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 16/20, na qual aduz em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito: 1. Preliminares: a. protesta pela nulidade da intimação por edital, pela tempestividade da manifestação apresentada e pela suspensão da exigibilidade dos débitos, cuja compensação não fora homologada; b. afirma que o descumprimento da intimação, por via postal, teria decorrido de erro cometido pelo próprio Fisco no endereçamento da intimação, para o endereço da sucedida e incorporada, ao invés de encaminhar para o domicílio da sucessora e incorporadora, fato que teria impossibilitado a ciência do Despacho Decisório; c. a intimação por edital seria nula porque a intimação postal teria sido efetuada em endereço diverso do domicílio tributário eleito pela empresa; d. em decorrência, a manifestação de inconformidade deveria ser recebida sob pena de violação do princípio da ampla defesa; 2. Mérito: a. invoca erro material de preenchimento da DCOMP, pois o saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 1.221.207,06, referírseia ao Exercício 2005 (anocalendário de 2004) e não ao Exercício 2004 (anocalendário de 2003), conforme DIPJ 2005; b. com fundamento no princípio da verdade material e na existência do crédito, diz que o mero erro de preenchimento da DCOMP não poderia obstar o seu direito; c. que o direito à compensação seria decorrente do princípio da moralidade. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a matéria por meio do Acórdão 0530.749 da DRJ/CAMPINAS, em 21/09/2010, (doc. fls.168 e 202), não conhecendo da manifestação de inconformidade por se configurar intempestiva, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Fl. 319DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de,apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 Nulidade. Intimação por Edital. Quando resultar improfícuo qualquer dos meios primários de intimação (pessoal, por via postal ou por meio eletrônico), a intimação deve ser feita por edital afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. Considerase feita a intimação 15 (quinze) dias após a publicação do edital. Quando a lei prescrever determinada forma, sob pena de nulidade, a decretação desta não pode ser requerida pela parte que lhe deu causa. A nulidade da intimação por edital, efetuado em função de a pessoa jurídica não ter sido localizada no endereço constante do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, não pode ser invocada pela sucessora e incorporadora, quando não adotados os procedimentos cabíveis tendentes à atualização das informações cadastrais perante o CNPJ. É intempestiva e não instaura o contraditório a manifestação de inconformidade apresentada após o prazo de 30 (trinta) dias da data da ciência. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13896.904172/200824 Acórdão n.º 1301000.867 S1C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei.Dele conheço. Tratase de recurso voluntário contra decisão que não conheceu da manifestação de inconformidade por esta se configurar intempestiva. Em breve síntese, a decisão do Despacho Decisório negando homologação à compensação pleiteada, foi encaminhada ao contribuinte, via correio, não tendo sido recebida no endereço constante do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, devolvida em 09/09/2008, conforme documentos de fls.07 08/ e 13. Na data da postagem da intimação, em 29/08/2008, a empresa HICORP COMUNICAÇÕES CORPORATIVAS S.A. (CNPJ n° 03.541.297/000190) encontravase no CNPJ na situação cadastral ATIVA e sediada na Alameda Araguaia, 933, 8o andar, Conjunto 88, Alphaville, Barueri/SP (fls. 177), este era o domicílio tributário eleito ou o endereço postal fornecido pela contribuinte, para fins cadastrais, à administração tributária. Em seguida foi providenciado a ciência por Edital afixado na DRF de origem em 02/10/2008 (fls. 09/12). Somente em 04/06/2009, a TELE NORTE PARTICIPAÇÕES S.A., CNPJ n° 02.558.134/000158 (sucessora por incorporação da HICORP COMUNICAÇÕES CORPORATIVAS S.A.) apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 17/22, na qual aduz em sua defesa que a intimação por edital seria nula porque a intimação postal teria sido efetuada em endereço diverso do domicílio tributário eleito pela empresa. Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (I) o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (II) o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo (Decreto 70.235/1972, art. 23, par. 4o.e Lei 11.196/2005, art. 113). Diante disso, no âmbito do processo administrativo tributário entendo como válida a citação por edital. Uma vez transcorrido o prazo regulamentar e não havendo apresentação de impugnação no prazo legal, encerrase o direito do contribuinte, não cabendo apreciação a posteriori. Em que pese os argumentos suscitados, a intimação postal só tem validade quando realizada no domicílio fiscal do contribuinte, que para todos os efeitos é aquele declarado e constante nos sistemas da Receita Federal. Por sua vez para que a intimação por edital seja válida, a autoridade fiscal deve ter esgotado, sem sucesso, as tentativas de intimação por via postal. No caso concreto utilizouse a citação por edital, instrumento jurídico válido, quando o sujeito passivo não é localizado no domicílio tributário constante nos cadastros da Receita Federal. Acolher a pretensão do suplicante implicaria grave ofensa aos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal, já que é valida a intimação via edital. Nestes termos, posicionome no sentido de negar provimento ao recurso, por extemporânea a peça impugnatória. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 322DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10469.903391/2009-19
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório. Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.123/124) que a seguir transcrevo: A interessada acima qualificada apresentou PER/Dcomp — Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação, fls. 111 a 115, em 15/04/2005, relativamente ao pretenso crédito originário de pagamento indevido ou a maior no código de receita 2372 — CSLL com débitos de sua responsabilidade, conforme fl. 02. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, fl. 02, a Autoridade Competente decidiu por NÃO HOMOLOGAR a compensação, fundamentandose no fato de o DARF informado no PER/Dcomp já ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da contribuinte, não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .9 03 39 1/ 20 09 -1 9 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903391/200919 Resolução nº 1802000.154 S1TE02 Fl. 3 2 restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp objeto do presente processo. 3. Cientificada do Despacho Decisório de fl. 02, em 03/06/2009, conforme fl. 1 consta manifestação de inconformidade apresentada em 29/06/2009, consoante fl. 117, na qual alega que: 3.1. "No 3° trimestre de 2003 e demais trimestres de 2004, a empresa calculou a sua CSLL equivocadamente com aliquota de 32% quando seria com 12% por se tratar, de Construção Civil, onde as receitas são relativas a contratos de empreitada que abrange tanto mãodeobra quanto o fornecimento de materiais"; 3.2. ao recalcular este imposto, "verificou o engano e o crédito de imposto a ser compensado, sendo feitas as PER/DCOMP de número porém, não foram retificadas a tempo as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, como também as DIPJ 2004 e 2005", sendo este o motivo pelo qual a Receita Federal do Brasil não constatou a existência de crédito, não homologando a compensação declarada; 3.3. para corrigir a situação foram feitas retificações nas DCTF e DIPJ para demonstrar o seu direito de compensar o valor. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Recife/PE) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1134.901, de 15 de setembro de 2011 (fls.122/128), cientificado ao interessado em 08/11/2011. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.122): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO CSLL Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAL. CONSTRUÇÃO CIVIL. A partir de setembro de 2003, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção por empreitada é de 32% quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou de 12% quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade, incorporados à obra. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 DCOMP. ERRO DE FATO EM DCTF. NÃO COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não comprovado o erro de fato no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, não há que se acatar a retificadora para Fl. 281DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903391/200919 Resolução nº 1802000.154 S1TE02 Fl. 4 3 fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 07/12/2011, no qual transcreve trechos da decisão recorrida para demonstrar que a negativa ao crédito se deu em virtude de a empresa não ter anexado os documentos comprobatórios do direito ao crédito, quais sejam: Contrato de prestação de serviços, mencionando que os materiais aplicados são de responsabilidade da contratada, notas fiscais de compra de material e o livro de registro de entrada de notas fiscais e escrituração fiscal destes documentos. Argumenta que, ciente de seu direito creditório está apresentando as cópias dos contratos de empreitada, notas fiscais de compra de material e o livro de registro de entrada de notas fiscais do período a que se refere a compensação. Alega que, com a anexação dos documentos e livros fiscais que comprovam o direito da empresa em compensar recolhimentos feitos indevidamente, está atendendo a todos os requisitos e suprindo todas as falhas e erros cometidos no desenrolar do processo. Assim, requer seja julgado procedente o pedido de homologação da compensação em lide. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 28492.98237.150405.1.3.043709 (fls.111/115), transmitido em 15/04/2005, em que a contribuinte pretende compensar débitos de PIS: R$ 814,86, código 8109, e Cofins: R$ 3.760,90, código 2172, relativos ao mês de março de 2005, com a utilização de crédito no valor de R$ 4.899,15, decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (DARF: código Fl. 282DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903391/200919 Resolução nº 1802000.154 S1TE02 Fl. 5 4 – 2372; Período de Apuração: 30/06/2004; Data de Arrecadação: 28/07/2004, Valor: R$ 7.478,33). Consta de outro PER/DCOMP nº 06886.98049.290405.1.3.042360, tratado no processo nº 10469.904113/200989, que o crédito no valor de R$ 846,22 a ser utilizado tem origem no DARF acima. O que significa dizer que o crédito total objeto do PER/DCOMP nº 28492.98237.150405.1.3.043709 (fls.111/115), dos presentes autos, e o outro nº 06886.98049.290405.1.3.042360, diz respeito ao suposto pagamento a maior de CSLL relativo ao DARF: código – 2372; Período de Apuração: 30/06/2004; Data de Arrecadação: 28/07/2004, Valor: R$ 7.478,33). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.02, emitido em 25/05/2009 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". A alegação da pessoa jurídica expressa na manifestação de inconformidade é que no 3º trimestre de 2003 e trimestres de 2004 a reclamante calculou a base de cálculo de sua CSLL equivocadamente com o percentual de 32% quando o correto seria 12% por se tratar de Construção Civil, onde as receitas são relativas a contratos de empreitada que abrange tanto mãodeobra quanto o fornecimento de materiais. A decisão de primeira instância com fundamento no art. 20 da Lei 9.249/1995 (alterado pela Lei 10.684/2003), o art. 15 da mesma Lei 9.249/2005, e o Ato Declaratório Normativo da Coordenação Geral do Sistema de Tributação ADN Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997, assim esclarece sobre a base de cálculo da CSLL (fl.126/127), itens 11 e 12: [...] 11. Concluise, portanto, que até agosto de 2003, as receitas relativas às atividades construção por empreitada, com ou sem utilização de materiais, ficam sujeitas ao percentual de 12%, para definição da base de cálculo da CSLL, e a partir de setembro de 2003, na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo da CSLL mensal será: a) 12% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; ou b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. 12. No "Perguntas e respostas" constante do endereço eletrônico http://www.receita.fazenda. gov.br/Publico/perguntao/dipj2011/CapituloXIII IRPJLucroPresumido2011.pdf, consulta em setembro/2011, verificase o seguinte esclarecimento na pergunta 19, referente ao IRPJ, sendo tal entendimento aplicável no caso da CSLL, com a diferença que a alíquota no caso da contribuição, CSLL, para o caso de contratação de construção civil por empreitada com a utilização de material fornecido pela própria empresa empreiteira, é de 12%. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903391/200919 Resolução nº 1802000.154 S1TE02 Fl. 6 5 019. Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? 0 percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Notas: As pessoas jurídicas que exerçam as atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis não poderão optar pelo lucro presumido enquanto não concluídas as operações imobiliárias para as quais haja registro de custo orçado (IN SRF n°25, de 1999, art. 2°;) Não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumento trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. (IN SRF n° 480, de 2004, art. 1°, §9º) O entendimento acima está consentâneo com as disposições contidas no art. 1º, §§ 7º e 9º, c/c art. 32 da IN SRF 480/2004 (com as alterações da IN SRF 539/2005) que admitem a aplicação do percentual de 12% no caso de contratação por empreitada de construção civil realizada na modalidade total, em que o empreiteiro forneça todos os materiais indispensáveis à sua execução, e que tais materiais sejam incorporados à obra, não sendo considerados como materiais incorporados à obra os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. Para o indeferimento do pleito da recorrente, consta do voto condutor do acórdão recorrido o seguinte: [...] 13. No caso em apreço, a contribuinte apenas anexou cópia de seu Contrato Social e Aditivo n° 05, fls. 03 a 10, onde consta descrição de seu objeto social, no qual não há especificação de que os serviços seriam prestados sob a modalidade por empreitada, e nem que haveria a utilização de material fornecido pela própria contribuinte, ou que isso ocorresse sempre ou mesmo ocasionalmente. 14. Esclareçase, de toda sorte, que não bastaria a apresentação do contrato social com descrição de seu objeto social nestes termos, pois a simples menção no contrato social, por si só, não seria suficiente se não esta acompanhada de documentação hábil e idônea comprobatória de que os serviços foram efetivamente contratados na modalidade de empreitada, de que os materiais foram fornecidos pela própria empresa, essa na qualidade de empreiteira, e sem que haja comprovação da efetiva utilização de tais materiais, fornecidos pela empresa, conjuntamente com a mãodeobra. Observese que não consta dos autos qualquer documentação comprobat6ria nesse sentido, Fl. 284DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903391/200919 Resolução nº 1802000.154 S1TE02 Fl. 7 6 a exemplo de contrato de empreitada, notas fiscais e escrituração que viessem a espelhar fielmente a utilização de tais materiais. 15. Assim, não restou comprovado, através de documentação hábil e idônea, fiscal (notas fiscais), comercial (contratos de empreitada) e contábil (escrituração), erro de fato no preenchimento das declarações originais da contribuinte que justificasse a apresentação de declarações retificadoras, inclusive não espontâneas relativamente ao período de apuração do suposto crédito a ser compensado, no intuito de alterar a apuração da CSLL devida para aquele período, procurando, com isso, justificar o pretenso crédito. [...] Contraditando os fundamentos da decisão acima e no intuito de comprovar o crédito alegado, a Recorrente juntou ao seu recurso voluntário cópia de contratos de empreitada, notas fiscais de compra de material e o livro de registro de entrada de notas fiscais do período a que se refere a compensação. Das 9 notas fiscais (000156/00158, 000160/000163, 000165 e 000166), emitidas pela Recorrente, consta um percentual do valor da fatura referente ao material aplicado. E, dos contratos de empreitada consta cláusula que obriga a contratada a “ prover e administrar, sob as suas expensas, todos os materiais, equipamentos e mãodeobra necessários à fiel execução do contrato...” o que aparentemente denota a prestação de serviços na área de construção civil com emprego de materiais fornecidos pela própria contribuinte. O livro Registro de Entradas indica para o segundo trimestre de 2004 a aquisição de materiais e as notas fiscais relativas às compras feitas pela Recorrente neste período demonstram a aquisição de vários materiais normalmente aplicados em obras de construção civil. Como dito acima, a Recorrente apresentou cópia de notas fiscais por ela emitidas no período de apuração do segundo trimestre de 2004. As notas fiscais intercaladas (000155, 000159, 000164 e 000167), dizem respeito ao processo nº 10469.904113/200989 também referente ao segundo trimestre de 2004.Porém não se sabe qual a nota fiscal última do primeiro trimestre de 2004 e qual a primeira nota fiscal do terceiro trimestre de 2004, para que se tenha objetivamente conhecido o faturamento do segundo trimestre de 2004. Portanto, não se sabe qual a receita bruta total do mencionado trimestre declarada na DIPJ/2005 com a comprovação de que a Recorrente forneceu aos seus clientes os materiais necessários aos serviços de construção civil por ela prestados, e que, portanto, o coeficiente para a presunção da base de cálculo da CSLL deveria ser de 12%. Desse modo, fazse mister que sejam encaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Natal/RN para que seja verificado e especificado, à luz da documentação fiscal (notas fiscais emitidas), comercial (contratos de empreitada), contábil (escrituração) e DIPJ/2005, qual o valor total da receita bruta obtida pela interessada com fornecimento de materiais necessários aos serviços de construção civil por ela prestados, e qual o montante da receita declarada e CSLL devida. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903391/200919 Resolução nº 1802000.154 S1TE02 Fl. 8 7 Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência à Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, deve os autos retornarem ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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