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Numero do processo: 19515.000492/2005-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001,2002
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Rejeita-se a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao contribuinte foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. QUESTIONAMENTO
"O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais". (Súmula CARF nº 28 (VINCULANTE)
IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26).
Numero da decisão: 2202-004.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao contribuinte foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. QUESTIONAMENTO "O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais". (Súmula CARF nº 28 (VINCULANTE) IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 92 /2 00 5- 84 Fl. 463DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, anos calendário 2000, 2001 e 2002, no valor total de R$ 128.610,09 compreendendo imposto, multa de ofício e juros de mora, em razão da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; Cientificado do Auto de Infração, a Contribuinte apresentou a impugnação de fls. (fls. 277), na qual alega, resumidamente, o seguinte: a) que os fatos levantados pelo autuante referemse a períodos passados e que, por esse motivo, não conseguiu reunir todos os documentos até o encerramento da ação fiscal o que acarretou cerceamento do seu direito de defesa. b) que devem ser considerados na apuração da base de cálculo os saques efetuados e depositados na mesma data ou nos dias seguintes. c) que seja declarada a nulidade do Auto de Infração ou, no mérito, seja julgado improcedente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo (SP) julgou improcedente à impugnação (fls. 306/314). A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000,2001, 2002 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao contribuinte foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 19515.000492/200584 Acórdão n.º 2202004.094 S2C2T2 Fl. 464 3 Concedida ao contribuinte ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS A juntada posterior de provas só é admitida se demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou investimento. Cientificada da referida decisão (AR fls. 316) a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 321/326, no qual reitera as alegações já suscitadas quando da impugnação. É relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) PRELIMINARES 1.1) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Alega a Recorrente cerceamento do direito de defesa, uma vez que não he foi oportunizado tempo hábil para que pudesse realizar a comprovação solicitada pela fiscalização. Improcedente a alegação da Recorrente. Como corretamente observado na decisão recorrida: Com efeito, a fiscalização iniciouse, por meio do Termo de Início de Fiscalização (fls. 07/09) de 26/06/2004, encaminhando ao contribuinte, via postal, com aviso de recebimento, em 30/06/2004 (fls. 09), dandolhe ciência do Mandado de Procedimento Fiscal e intimandoo a apresentar documentos e/ou esclarecimentos ali especificados (fls. 07/08). Fl. 465DF CARF MF 4 Diante da inércia do contribuinte, foi lavrado, em 02/08/2004, o Termo de Reintimação Fiscal (fls 10/12), com ciência em 10/08/2004, por via postal (AR de fls. 12), para atendimento dos mesmos elementos anteriormente solicitados, o que veio a ocorrer, ainda que parcialmente, com a apresentação dos documentos anexados às fls. 14/20. Em 23/08/2004, foi lavrado o Termo de Reintimação Fiscal de fls. 210 (AR de fl. 211, datado de 01/09/2004), instando o contribuinte a apresentar o extrato bancário do período de 01/01/2000 a 31/12/2000 da contapoupançacorrente de sua titularidade junto ao Banco Real, bem como a comprovar os itens 3 e 4 do Termo de Início de Fiscalização. Umas transcorrido e superado o prazo concedido, sem que a contribuinte tivesse apresentado toda a documentação solicitada, a fiscalização lavrou o competente Termo de Embaraço à Fiscalização de fls. 212/213, cientificado à contribuinte em 21/09/2004. Apenas em setembro de 2004, a contribuinte, em atenção ao Termo indigitado, apresentou o extrato bancário solicitado, que foi juntado às fls. 217/240. Posteriormente, através do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 24/09/2004, recebido em 30/09/2004, conforme AR anexado às fls.252, foi a contribuinte intimada a comprovar, no prazo de 20 (vinte) dias, mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos referentes aos depósitos/créditos bancários efetuados em seu nome, conforme planilhas 1, 2 e 3, anexadas ao Termo (fls. 242/251), nas contas correntes e de poupança ali discriminadas. Além disso, foi alertado de que a não comprovação das operações de crédito relacionadas naquelas planilhas, na forma e prazo estabelecidos, ensejaria o lançamento de ofício, a título de omissão de receita ou rendimento, ao arrimo do disposto no art. 849 do RIR/99, sem prejuízo de outras sanções legais porventura cabíveis. A falta de atendimento da intimação pela contribuinte, ensejou, mais uma vez, a lavratura, em 21/10/2004, do Termo de Reintimação Fiscal de fls. 253, do qual a contribuinte foi cientificada em 28/10/2004, conforme AR de fls. 254. Foram, ainda, lavrados pela fiscalização, em 16/11/2004 e 26/01/2005, os Termos de Continuação Fiscal, ambos devidamente cientificados à contribuinte (fls. 256 e 258). Verificase, portanto, que do início do procedimento fiscal (30/06/2004), até a lavratura do auto de infração (10/03/2005), transcorreram mais de oito meses, tempo mais que suficiente para que a contribuinte apresentasse os documentos ou esclarecimentos, que impedissem a tributação, na forma da presunção legal estabelecida no art. 42 e seus parágrafos da Lei nº 9.430/96, com as alterações posteriores. Não há que se falar, portanto, no alegado cerceamento de defesa. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 19515.000492/200584 Acórdão n.º 2202004.094 S2C2T2 Fl. 465 5 1.2) DA INDEVIDA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Alega a Recorrente ser indevida a imputação de Representação Fiscal para fins penais, uma vez que não restou demonstrada a prática de crime por parte da autoridade fiscalizadora. Embora entenda ser incabível a imputação de crime no caso dos autos, uma vez que a "pena" pelo fato da recorrente deixar de apresentar os documentos é, justamente, a presunção de que todos os depósitos são renda, "o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais". (Súmula CARF nº 28 vinculante) 2) MÉRITO 2.1) IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01 Alega o Recorrente que a quebra de seu sigilo bancário só poderia ser feita mediante prévia autorização judicial, Alega ainda que Lei nº 10.174/01 e a Lei Complementar 105/01 que dão fundamento autorizam a quebra de sigilo em processos administrativos fiscais só podem ser aplicadas ao fatos geradores futuros. Sendo assim, não poderiam dar suporte ao presente lançamento uma vez que ele se refere à fatos geradores relativos ao anocalendário de 2000, 2001 e 2002. Sem razão o recorrente. Isso porque o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00, destacando que a referida lei, por se tratar de norma procedimental, pode ser aplicada aos lançamentos relativos à fatos geradores pretéritos. A mencionada decisão recebeu a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem Fl. 467DF CARF MF 6 quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (grifos no original) Em face do exposto, improcedentes as alegações suscitadas. 2.2) AUSÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL ART. 43 DO CTN Alega do Recorrente que a fiscalização não se comprovou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda o que só seria possível mediante a demonstração de sinais exteriores de riqueza ou do efetivo acréscimo patrimonial. É correta a afirmação do Recorrente no sentido de que o simples depósito em conta corrente não significa renda. No entanto, é pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Fl. 468DF CARF MF Processo nº 19515.000492/200584 Acórdão n.º 2202004.094 S2C2T2 Fl. 466 7 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova e a desnecessidade de comprovação do consumo da renda é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 469DF CARF MF 8 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 470DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.004737/2005-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-002.620
Decisão:
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. Ausência de certeza e liquidez do crédito relativo ao saldo negativo que pretendia compensar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, os membros do colegiado, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 04 73 7/ 20 05 -4 7 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 234 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias. Fl. 161DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 235 ___________ Relatório Tratase de Recurso Voluntário , interpostos contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que negou provimento à Manifestação de Inconformidade do Contribuinte. A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 04969.30303.181203.1.3.020062, em 18.12.2003, fls. 1/5, utilizandose do saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 145.897,98 do anocalendário de 1999, apurado pelo lucro real para fins de compensação do débito ali confessado. Em seguida, em outubro de 2006 foi lavrado Auto de Infração exigindo crédito relativo a 7 infrações, sendo que apenas as duas ultima infrações foram que influenciaram o presente processo de PER/DCOMP. Infração 1. Apropriação de despesa não dedutível de amortização de ágio pelas empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2001 a 2004 e CSLL 2000 a 2004). Tem origem na aquisição de operadoras de telefonia em leilão de desestatização do serviço de telecomunicações promovido pela União Federal na década de 1990. Corresponde ao principal ponto dos lançamentos em questão, sendo as demais acusações (à exceção das infrações 5 e 6, adiante descritas) meros desdobramentos da glosa da despesa de ágio; Infração 2. Exclusão indevida de ágio (registrado no Lalur) pelas empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2001 a 2004 e CSLL 2000 a 2004). Envolve parcela do ágio amortizada contabilmente pela Bitel/1B2B antes da transferência do ágio da TNC para as operadoras.; Infração 3. Glosa de prejuízos e base negativa de períodos anteriores compensados indevidamente pelas empresas Telern (IRPJ e CSLL 2002 a 2004), Telpa (IRPJ e CSLL do ano base 2002) e Telpe (IRPJ 2002 a 2004 e CSLL 2002 e 2003). É mero reflexo das glosas descritas nos itens anteriores. Como resultado da glosa da amortização do ágio, houve a reversão parcial de prejuízos fiscais e bases negativas dos períodos em que incorridas e, por conseguinte, a exigência de crédito tributário em períodos subsequentes em que compensados (as compensações glosadas, como afirmou o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, serão objeto de Autos de Infração específicos do IRPJ e da CSLL); Infração 4. Dedução a maior de incentivo fiscal de lucro da exploração pelas empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2002, a 2004). A fiscalização concluiu que a reversão da Fl. 162DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 236 4 Provisão para Manutenção da Integridade do Patrimônio Líquido (PMIPL), criada em razão da incorporação do patrimônio da empresa 1B2B pela TNC (por determinação da Instrução CVM 319/99), teria majorado o cálculo do lucro da exploração, por ter sido tratada como receita operacional, quando, em verdade, deveria ser qualificada como não operacional, o que reduziria o percentual do benefício; Infração 5. Glosa de dedução de CSLL retida na fonte por órgão público. Na DIPJ/1999, anocalendário de 1998, da empresa Telepisa foi informado no ajuste anual o valor de R$ 539,87 a título de dedução de CSLL retida na fonte por órgão público. Entretanto a fiscalização constatou que tal valor já havia sido deduzido pela contribuinte no cálculo das estimativas mensais, razão pela qual, glosou a dedução indevida da CSLL; Infração 6. Deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas. Glosa de dedução de IRPJ e CSLL mensais pagos por estimativa. A fiscalização não conseguiu confirmar créditos informados em diversas DCOMP’s transmitidas pelas empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2001 a 2004 e CSLL 1998 a 2004); e Infração 7. Multas isoladas por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidas por estimativa mensal. Em razão das infrações apuradas acima, sustenta a fiscalização que as empresas sucedidas teriam deixado de recolher (ou teriam recolhido a menor) os valores devidos pelas estimativas de IRPJ e CSLL, sujeitandose, portanto, à multa isolada de 50%. Envolve as empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 4º trimestre de 2001, 2002 a 2004 e CSLL 1998 a 2004). Em março de 2007, Delegacia da Receita Federal de Recife intimou a contribuinte, apresentando um Relatório de Informação Fiscal onde informa que reconhece o crédito no importe de R$ 121.086,96 e que devido a uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual prevê metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização, iriam excluir do Auto de Infração do processo n° 19647.009690/200699 certos valores, que passariam a ser tratados em processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Devido a tal exclusão, foram selecionados 30 processos de PER/DCOMP indicados as fls. 32/33 dos autos deste processo. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 237 5 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 238 6 Entre esses processos específicos está o presente processo de compensação, que teve por origem a existência de saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica — IRPJ do anocalendário de 1999, no valor de R$ 145.897,98. Por isso, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação — DCOMP, compensando esse valor com débito fiscal de IRPJ e CSLL, o qual foi reconhecido crédito parcial de R$ 121.086,96. Frente a tais fatos e a manutenção integral do item 6 do Auto de Infração em primeira instância, o pedido de compensação em epígrafe não foi homologado devido a falta de crédito (falta de saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 2001 (DIPJ/2002)). (Relatório de Informação Fiscal de fls. 8/9 e quadros de fls. 10/15). Por conseqüência, seguindo o entendimento do Relatório Fiscal, foi proferido r. Despacho Decisório homologando parcialmente o pedido de compensação. (fls. 30) A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade refutando a decisão eis que entende que o procedimento adotado pela fiscalização não é o mais adequado e requer a compensação dos créditos, ou então que se espere a solução definitiva o processo do Auto de Infração para que se tenha certeza da existência do crédito que se pretende compensar. A DRJ, negou provimento a manifestação de inconformidade e não reconheceu o restante dos créditos e não homologou as compensações devido a falta de certeza e liquidez dos créditos relativos ao anocalendário de 1999. Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. O Recurso Voluntário do processo do Auto de Infração (19647.009690/2006 99) foi julgado da seguinte forma, conforme o resultado do julgamento abaixo colacionado. (Este processo encontrase em sede de Recurso Especial). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e acolher a argüição de decadência em relação à exigência da CSLL no anocalendário de 1998, 1999 e 2000. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar provimento ao recurso. Vencidos preliminarmente em votações sucessivas: i) O Conselheiro Carlos Pelá que acolheu a argüição de decadência em relação à amortização do ágio ; ii) Os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá que davam provimento parcial para afastar a glosa da amortização do ágio na base de cálculo do IRPJ e CSLL, restabelecer parcialmente os saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL e cancelar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. Ou seja, pelo teor do resultado do julgamento, deuse parcial provimento no que diz respeito aos anoscalendário de 2001 a 2004, apenas para excluir a exigência de multa isolada. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 239 7 Como pode ser observado, o acórdão supracitado não anulou o lançamento, e reconheceu que de fato, há crédito tributário a ser exigido. Sendo assim, no presente processo em que se discute a compensação realizada, não haveria que se falar em crédito, mas sim em débito tributário/imposto a pagar. Quanto ao ajuste de valores que foram apartados do processo do AI de ágio nos termos da Solução de Consulta Interna n° 18 de 13/10/2006, consta a explicação mais detalhada às fls. 11/12 do v. acórdão do Recurso Voluntário do processo final 200699, com o tópico Revisão de Ofício do Lançamento. Vejamos. Em 13/12/2006, a fiscalização apresentou Relatório de Informação Fiscal às fls. 3024/3027 e 3628/3632 (2673/2076 e 3257/3261 papel), esclarecendo que por força da interpretação adotada pela Solução de Consulta Interna n°. 18 de 13/10/2006 e considerando o disposto no art. 10 da IN SRF n°. 600/2005, constatouse que a metodologia aplicada na elaboração de algumas planilhas de cálculo estavam em desacordo com o tratamento adequado e recomendado pela COSIT. A Solução de Consulta Interna n°. 18 de 13/10/2006 orienta no sentido de que no caso de compensação não homologada, os débitos de IRPJ ou CSLL estimativa não devem ser glosados para apuração do imposto a pagar no saldo de ajuste anual. Dessa forma, para assegurar a correta aplicação da Solução de Consulta mencionada e para observar a uniformidade de tratamento entre o critério adotado nos autos de infração e a metodologia a ser aplicada nos diversos processos de DCOMP em andamento, a fiscalização procedeu a revisão de ofício do lançamento, acatando as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL declaradas em DCOMP objeto de compensação não homologada para efeitos de apuração do IRPJ e da CSLL. Ou seja, as estimativas mensais de IRPJ e da CSLL declaradas em DCOMP, objeto de compensação não homologada e que por força da Solução de Consulta citada foram acatadas nesta revisão para efeitos de apuração do IRPJ e da CSLL, serão tratadas em processos específicos e objeto de cobrança espontânea. Os pagamentos de estimativa mensal de IRPJ e da CSLL indevidos ou a maior foram aproveitados nesta revisão para dedução, respectivamente, do IRPJ e da CSLL devidos no anocalendário em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, conforme disposto no art.10 da IN n°. 600/2005. Já os débitos declarados em DCOMP para compensação com tais créditos serão objeto de não homologação e também de cobrança espontânea. A revisão dos valores inicialmente lançados no tocante às infrações 6 e 7, implicou em crédito tributário inferior ao lançado inicialmente. Em manifestação, a autuada afirma que a revisão do lançamento confirma o que foi aduzido na peça impugnatória no sentido de que as exigências relacionadas aos itens 6 e 7 não possuíam adequada fundamentação e nem mesmo simples explicações que possibilitassem saber qual suas origens e motivo. Afirma que a diminuição dos valores Fl. 166DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 240 8 deveria ser motivada pelo cancelamento definitivo das exigências e não por sua transposição para outros processos. Assevera a empresa que não tem condições de avaliar o efeito da transposição de valores, pois segundo o próprio Relatório de Ação Fiscal serão cerca de 160 processos ao todo, e que assim, não é possível inferir se ao final haverá aumento ou não do valor da exigência total. Se houver aumento, afirma que haverá violação aos artigos 145 e 149 do CTN e que nesse caso as novas exigências, constantes dos processos de compensação, deverão ser canceladas, homologandose as compensações então realizadas. Finaliza, reafirmando todas as considerações já efetuadas na impugnação. Insta informar que não consta juntado aos autos cópia do primeiro processo de compensação de número 19647.004738/200591, que foi citado no Relatório de Informação Fiscal. Pesquisando junto ao Comprot, este processo encontrase aguardando distribuição para ser relatado e julgado no CARF/MF. É o Relatório Fl. 167DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 241 9 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recursos Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse E. Colegiado. Inicialmente, a parcela reconhecida no r. Despacho Decisório no importe de R$ 121.086,96, não tem relação alguma com o processo do Auto de Infração. Este crédito foi reconhecido após diligência feita na contabilidade de Recorrente, onde se constatou a existência de parte do saldo negativo do anocalendário de 1999 que se pretendia compensar com débitos de IRPJ e CSLL. Já no processo de número 19647.009690/200699 do Auto de Infração, objeto da defesa como sendo a motivação pelo não reconhecimento do restante do crédito que se pretendia compensar (saldo negativo de IRPJ), restou consignado que esta C. Turma decidiu manter parcialmente o Auto de Infração, excluindo apenas exigência relativa a multa isolada do item 7. Pelo que pude constatar, nenhum dos 30 processos derivados da exclusão do crédito objeto do Auto de Infração foi julgado pelo E. CARF. Sendo que todos estão aguardando distribuição ou ainda não subiram para a instância "a quo". Entretanto, em relação ao crédito que poderia irradiar efeitos para estes 30 processos de compensação, o v. acórdão do Recurso Voluntário do processo do Auto de Infração (final 200699) manteve integralmente o crédito em relação ao mérito, prejudicando o restante do saldo negativo de IRPJ que se pretendia compensar nestes autos. Ou seja, em cumprimento a Solução de Consulta Interna 18/2006 e o art. 10 da IN SRF n°. 600/2005 a Fiscalização compensou de ofício créditos que se pretendi compensar aqui neste processo, no Auto de Infração de ágio, reduzindo a exigência do lançamento, prejudicando por conseqüência o saldo negativo. Tal procedimento adotado pela Fiscalização, que utilizou o crédito que se pretendia compensar nesta DCOMP, acabou por configurar em débito a pagar, não homologando a compensação requerida, conforme exposto no Relatório de Informação Fiscal. Neste sentido, como os créditos que estavam sendo exigidos no Auto de Infração foram "retirados" compensados de ofício pela Fiscalização para serem exigidos e cobrados nos termos da Solução de Consulta Interna 18/2006 nos processos de compensação (DCOMPs), evitando assim a cobrança em duplicidade, entendo que o v. acórdão recorrido está correto, devendo ser mantido em seus termos. Assim, para por uma pá de cal neste assunto, conforme Demonstrativos colacionados no Relatório de Informação Fiscal, além de restar configurado que as estimativas Fl. 168DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 242 10 não foram pagas, também restou configurado que não existe o total do crédito de saldo negativo de IRPJ que se pretendia usar para compensar com os débitos indicados na DCOMP e discriminados no Demonstrativo da Compensação do Crédito Saldo Negativo do IRPJ do ano calendário de 1999 (partes A e B). Por fim, para demonstrar que o procedimento adotado pela Fiscalização foi correto, colaciono a ementa da Solução de Consulta Cosite 18/2006 onde determina a cobrança de tais créditos nas DCOMPs não homologadas: “ Os débitos de estimativas declaradas em DCTF devem ser utilizados para fins de cálculo e cobrança de multa isolada pela falta de pagamento e não devem ser encaminhadas para inscrição em Dívida Ativa da União; Na hipótese de falta de pagamento ou de compensação considerada não declarada, os valores dessas estimativas devem ser glosados quando da apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado em DIPJ, devendo ser exigida eventual diferença do IRPJ ou da CSLL a pagar mediante lançamento de ofício, cabendo a aplicação de multa isolada pela falta de pagamento de estiativa. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.” (grifos nossos) De resto, como entendo que o v. acórdão recorrido deve ser mantido em seus termos, colacionoo abaixo para fundamentar meu voto e analisar todas as alegações da Recorrente. Dos Acréscimos Legais Incidentes sobre os Débitos 10. Conforme relatei, o crédito oferecido nas DCOMPs foi parcialmente reconhecido pela autoridade a quo, tendo sido homologadas as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. 11. A inconformidade da empresa dirigese à incidência dos encargos legais sobre os débitos compensados, mais especificamente sobre a incidência da multa de mora. Com efeito, ao examinarse as DCOMPs, verificase que a empresa atualizou o valor do crédito pleiteado, porém, em relação aos débitos, considerou apenas o valor principal, sem preencher os campos atinentes aos juros e à multa de mora, não obstante os débitos já estivessem vencidos' à data das compensações, 12. Não assiste razão à impugnante. O procedimento adotado pela autoridade administrativa está em consonância com o que dispõe o art. 28 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, Fl. 169DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 243 11 com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 323, de 24 de abril de 2003, vigentes à época das compensações: ”Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatários na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. ” (g. n.) 13. Os acréscimos moratórios, consistentes nos juros e na multa de mora, estão previstos na Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (grifos acrescidos): “C) Art. 61. Os débitos para com a Uniao, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 " de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §l”A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüenteao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3” Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3" do art. 5 'Í a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ” 14. Como se observa, tem expressa previsão legal a incidência dos juros e da multa de mora sobre débitos pagos ou compensados após o vencimento, ainda que a extinção se dê por ato espontâneo do sujeito passivo. 15. De outro lado, é cediço que não compete à autoridade administrativa o exame de arguições quanto à legalidade e constitucionalidade de normas insertas no ordenamento jurídico, competência esta atribuida em caráter privativo ao Poder Judiciário. 16. A esse respeito, assim expressouse o Parecer Normativo CST n° 329/70: “Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ” 17. A Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, assim prescreve: Art. 25. O Decreto ng 70.235, de 6 de março de 1972, passa a vigorar com as seguintes alterações: (...) Fl. 170DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 244 12 5 "Art 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos Órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (g.nr') 18. A matéria já se encontra sumulada no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes: "Súmula 1'CC rt” 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não e' competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ” 19. A Portaria MF n° 58, de 17 de março de 2006, que disciplina o funcionamento das Delegacias de Julgamento, prevê, em seu art. 7°, que: V “Art 7” 0 julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n" 8.112, de 1990, bem assim 0 entendimento da SRF expresso em atos normativos. ” (g. rt) 20. Acerca do julgado administrativo colacionado na defesa, cumpre lembrar que as decisões do Conselho de Contribuintes hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais somente vinculam a administração tributária na hipótese prevista no art. 75 da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009', o que não é o caso. A propósito de decisões judiciais citadas pela impugnante, sabese que seus efeitos estão restritos às partes integrantes dos processos. Da Imputaçao Proporcional 21. Nas compensações efetuadas pelo sujeito passivo, os débitos serão compensados na ordem por ele indicada, consoante dispõe o art. 21, § 7°, da Instrução Normativa SRF n° 210, de 2002, incluído pela Instrução Normativa SRF n° 323, de 2003. Nessa operacionalização, o débito a ser extinto por via da compensação é constituido do tributo ou contribuição acrescido dos respectivos acréscimos legais, em consonância com o que estabelece o art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996. F 22. Explicitando a supracitada norma, previu a Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, em seu art. 28, § 1°, que a compensação do tributo ou contribuição será acompanhada, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Atualmente a regra está disposta no art. 36, § 1°, da Instrução Normativa SRF n° 900, de 30 de dezembro de 2008. 23. Desta forma, correto foi o procedimento adotado pela autoridade administrativa ao considerar primeiro a quitação integral de cada débito, para somente após proceder à compensação do débito seguinte. Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento, mantendo o v. acórdão recorrido em seus termos. A execução desta decisão deve aguardar a decisão definitiva do processo 19647.009690/200699. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 19647.004737/200547 Resolução nº 1402002.620 S1C4T2 Fl. 245 13 (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.721753/2015-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA CARNÊ-LEÃO
A comprovação pela contribuinte de erro de fato no preenchimento do DARF de recolhimento, através de apresentação de Darf Retificadora, tem o condão de afastar o lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2401-004.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
1.0 = *:*
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 17 53 /2 01 5- 77 Fl. 73DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 12448.721753/201577 Acórdão n.º 2401004.970 S2C4T1 Fl. 74 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 5 a 9) no valor de R$ 4.987,40 referente à Imposto de Renda do contribuinte, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal assim descriminados: Inconformado com o teor da autuação a contribuinte apresentou impugnação administrativa (fls. 2/3) alegando em síntese, que cometera um erro no preenchimento do DARF com o código 0191 quando o correto era o código 0190. Anexou documentos (fls 10 a 15), quais sejam,: DARF’s dos pagamentos do carnê leão e o DARF com o erro no preenchimento. Por fim, a 01ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) – DRJ/CGE julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, mantendo integralmente o crédito tributário exigido conforme inferese da ementa do Acórdão nº 0439.900 abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA CARNÊLEÃO. A mera alegação pelo impugnante de erro de fato no preenchimento do DARF de recolhimento sem que apresente qualquer prova desse erro em contraposição aos elementos constantes nos sistemas da RFB, não pode ser aceita para efeito de cancelamento do lançamento de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão no dia 29/10/2015 (fls. 33) o contribuinte protocolou no dia 06/11/2015 Recurso Voluntário (fls.36), onde traz as mesmas alegações da impugnação, mas anexa novo documento: comprovante de retificação do DARF – REDARF. Incluído o presente processo em pauta de julgamento do dia 16 de agosto de 2016, o mesmo foi convertido em diligência, por meio da Resolução nº. 2401000.525 (fls. 44/46), nos seguintes termos: Por todo exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para o fim de que a autoridade fiscal de origem se Fl. 75DF CARF MF 4 manifeste acerca da efetiva existência do crédito e a respectiva disponibilidade do recurso para alocação em decorrência do pagamento realizado pela contribuinte, via Redarf de fl. 40. Em resposta à resolução, foi apresentada a informação de fl. 71. Assim, retornaram os autos a este conselho e foram novamente a mim distribuídos. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 12448.721753/201577 Acórdão n.º 2401004.970 S2C4T1 Fl. 75 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Apresentada pelo contribuinte a circunstância fática em que ocorreu o pagamento do carnêleão, e, ainda, verificada no Recurso Voluntário a Redarf do pagamento de novembro de 2013, no valor de R$ 3.768,70(fl. 40), constatase a legalidade do ato por si praticado. Isso porque, no caso de recolhimento de carnêleão dentro do prazo legal, em que foi preenchido o Darf por engano código incorreto a contribuinte pode solicitar sua retificação por meio de Redarf, o que foi realizado no caso em questão. A validade do REDARF foi atestada pela autoridade fiscal na resposta à Resolução solicitada, conforme se vê à fl. 71: Em resposta à Resolução do Carf, esclareço queo pagamento (via Redarf fl. 40) está vinculado à DIRPF 2014/2013 do contribuinte, como declarado, não tendo sido utilizado, para nenhum outro fim,sendo possível, nesse caso, conferir certeza e liquidez do crédito referente ao pagamento. Desse modo, correto o agir da contribuinte, devendo ser afastada a medida fiscal em tela, eis que foi pago o carnêleão objeto da autuação. CONCLUSÃO Por todo exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário, e no mérito, DARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.724592/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.609
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em admitir parcialmente os embargos de declaração para sanar as omissões/obscuridades relativas às nulidades e apuração do crédito presumido, vencida a Conselheira Lenisa Prado que admitia também em relação à matéria relativa aos créditos extemporâneos e, no mérito, o julgamento foi convertido em diligência para que a recorrente apresente laudo ajustado de acordo com as considerações efetuadas no Termo de Encerramento de Diligência, itens 8.30 a 8.38 (e-fls. 746/748 dos autos eletrônicos), de acordo com as instruções constantes no voto da relatora.
Designada a Conselheira Maria do Socorro Aguiar para redigir o voto vencedor quanto à
rejeição dos embargos na matéria relativa aos créditos extemporâneos.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em admitir parcialmente os embargos de declaração para sanar as omissões/obscuridades relativas às nulidades e apuração do crédito presumido, vencida a Conselheira Lenisa Prado que admitia também em relação à matéria relativa aos créditos extemporâneos e, no mérito, o julgamento foi convertido em diligência para que a recorrente apresente laudo ajustado de acordo com as considerações efetuadas no Termo de Encerramento de Diligência, itens 8.30 a 8.38 (e-fls. 746/748 dos autos eletrônicos), de acordo com as instruções constantes no voto da relatora. Designada a Conselheira Maria do Socorro Aguiar para redigir o voto vencedor quanto à rejeição dos embargos na matéria relativa aos créditos extemporâneos. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Lenisa Prado - Relatora (assinatura digital) Maria do Socorro Aguiar - Redatora designada Participaram da sessão de julgamentos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .7 24 59 2/ 20 11 -1 1 Fl. 1.023Fl. 1.023 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .7 24 59 2/ 20 11 -1 1 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária julho de 2017 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins ADM DO BRASIL S.A. ADM DO BRASIL S.A. FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. parcialmente os embargos de declaração para sanar as omissões/obscuridades relativas às parcialmente os embargos de declaração para sanar as omissões/obscuridades relativas às nulidades e apuração do crédito presumido, vencida a Conselheira Lenisa Prado que admitia nulidades e apuração do crédito presumido, vencida a Conselheira Lenisa Prado que admitia também em relação à matéria relativa aos créditos extemporâneos e, no mérito, o julgamento Fl. 1023DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.024 ___________ Tratam-se de embargos de declaração opostos pela contribuinte ADM do Brasil S.A., com arrimo no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, com a redação aprovada pela Portaria MF n. 343, de 2015, contra o Acórdão n. 3302- 003.014, que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. INSUMOS. CRÉDITO. CONCEITO. NÃO-CUMULATIVIDADE. PIS/ COFINS. Somente serão considerados como insumos para apropriação de créditos próprios do sistema não-cumulativo do PIS/COFINS os custos dos serviços e bens que forem utilizados direta ou indiretamente pelo contribuinte na produção/fabricação de produtos/serviços; forem indispensáveis para a formação do produto/serviço final e forem relacionados ao objeto social do contribuinte. INSUMOS. TRANSPORTE. DESLOCAMENTO ENTRE UNIDADES DA PRÓPRIA CONTRIBUINTE. Os gastos com transporte de matérias-prima entre as unidades da própria contribuinte para processamento, são considerados custo de produção, o que resulta em créditos a serem apurados. Direito creditório reconhecido. RATEIO. DESPESAS COMUNS. CONDOMÍNIO PORTUÁRIO. MOVIMENTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO. ÁGUA. Há nos autos reconhecimento da autoridade fiscal que a contribuinte também atua como prestadora de serviços. Diante da comprovação da existência de vinculação entre as despesas incorridas e o embarque das mercadorias de terceiros, é de ser reconhecido o direito creditório. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Diante da expressa previsão legal, não é possível reconhecer como direito a crédito os custos decorrentes da depreciação dos vagões de trens, já que os vagões são utilizados para transporte da mercadoria acabada até o terminal portuário (Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, art. 3º). Créditos não reconhecidos. SOJA. CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATO DE PREÇO A FIXAR. Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.025 3 A Lei n. 10.925/2004 revogou o direito ao crédito presumido previsto nas Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Créditos não reconhecidos. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO NA DACON. Para a utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste comprovada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação e outra prova inequívoca da não utilização. Créditos não reconhecidos. Em 28/07/2016 foi proferido o juízo positivo de admissibilidade (fls. 1012/1022), oportunidade na qual foi reconhecida a existência das seguintes omissões e contradições no acórdão recorrido: 1) Omissão sobre as preliminares de nulidade da decisão proferida pela instância a quo, bem como sobre o argumento de nulidade do despacho decisório que denegou a apropriação dos créditos reclamados; 2) Contradição/omissão sobre os critérios de apuração dos créditos presumidos da agroindústria; 3) Obscuridade/contradição sobre os fundamentos referentes ao direito de apropriação dos créditos extemporâneos. Diante do teor do despacho acima indicado, os autos do processo foram devolvidos a este Colegiado, para que os vícios apontados sejam sanados através de novo julgamento. É o relatório. VOTO 1. DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO O acórdão embargado foi encaminhado a Caixa Postal eletrônica do contribuinte em 19/05/2016 (fl. 957). O contribuinte acessou o teor do documento em 20/05/2016, conforme atesta o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, acostado à folha 961 dos autos eletrônicos. Os embargos de declaração foram tempestivamente protocolizados em 27/05/2016 (Termo de Solicitação de Juntada, folha 963). Considerando o prazo previsto no § 1º do art. 65 do RICARF1, é de rigor o conhecimento dos embargos. 2. SOBRE O CABIMENTO DOS EMBARGOS A embargante sustenta que o acórdão recorrido está maculado pelos vícios da omissão e contradição, o que enseja o acolhimento dos aclaratórios. Diante do reconhecimento da existência dos vícios apontados pela embargante no despacho de admissibilidade, é de rigor o saneamento do acórdão. 1 § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.026 4 2.1. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DAS PRELIMINARES DE NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA E DO DESPACHO DECISÓRIO. A embargante afirma que a turma julgadora quedou-se inerte a respeito da nulidade da decisão de primeira instância e do despacho decisório que deu origem ao processo administrativo em tela. Afirma que: "Ressalte-se que, embora conste da ementa do acórdão embargado uma breve e genérica menção ao afastamento da nulidade do despacho decisório, bem como no relatório do acórdão uma alusão ao argumento da nulidade da decisão de primeira instância, tais preliminares não foram objeto de mínima análise fundamentada por parte dos Ilustres Conselheiros" (fls. 5 e 6 da petição dos embargos). Consta no acórdão embargado que, sobre as preliminares apontadas, adotou-se as conclusões apresentadas na assentada que culminou com a resolução. A saber, segue o trecho pertinente: "Na sessão de julgamentos ocorrida no dia 10/09/2014, esta turma julgadora, em preliminar, afastou os argumentos defendidos pela contribuinte sobre a nulidade da decisão de primeira instância, em face da ausência de motivação, bem como a alegada nulidade do despacho decisório diante da ausência de clareza sobre os critérios utilizados para glosar parte dos créditos presumidos (art. 8º da Lei n. 10.925/2004)". É cediço que o julgador - seja na esfera administrativa ou judicial - "não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão"2. No entanto, existe previsão expressa no Regimento Interno deste Conselho no sentido de que as preliminares, ainda que já examinadas, deverão ser reapreciadas na oportunidade do efetivo julgamento do recurso voluntário. Verbis: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificando-se, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 5º No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira) instância, as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento. (grifos nossos). Diante da expressa previsão regimental, é de rigor a devida apreciação sobre as preliminares argüidas pela recorrente. São elas: 2 EDCL no RESP n. 847.641/RS, Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, Data do Julgamento 24/06/2009, Data de publicação no DJe 03/08/2009. Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.027 5 2.1.1. DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E CONSEQÜENTE PRETERIMENTO DE SEU DIREITO A AMPLA DEFESA. A recorrente sustenta que autoridade que proferiu o despacho decisório valeu-se, unicamente, da letra da lei (art. 3º da Lei n. 10.637/2002; art. 66 da Instrução Normativa n. 247/2002; art. 3º da Lei n. 10.833/2003 e art. 8º da Instrução Normativa n. 404/2004) para decidir a questão posta nos autos. A ausência de avaliação dos fatos e provas constantes dos autos é fator que enseja a nulidade da decisão, sustenta a contribuinte. Apresenta como fundamento de sua indignação manifestação doutrinária de Marcos Vinicius Neder 3 , artigos da Lei n. 9.784/1999, o art. 59 do Decreto n. 70.235/1972, bem com julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Compulsando os autos, verifico que a alegação da contribuinte não procede. Isso porque, apesar de robustamente calcada nas normas pertinentes, a autoridade fiscal ponderou também sobre os aspectos fáticos da atuação da contribuinte. Destaco os excertos do Despacho Decisório como ilustrativos de minha dedução: "18. As despesas relativas a limpeza, laboratório, viagens, entretenimento, hospedagens, uniformes, alimentação, médicas, escritório, telefone, informática, copa/cozinha, etc, apesar de importantes como suporte às atividades da empresa, enquadram-se como insumos indiretos, não relacionados diretamente com a produção de bens destinados à venda, o que não as credencia, no caso concreto, a integrar o rol de insumos que geram créditos na sistemática da não- cumulatividade da Cofins, nos termos do art. 8º, § 4º, I e II da IN SRF n. 404, de 2004, com suporte no art. 3º, II da Lei n. 10.833, de 2003. 19. No que tange especificamente à conta 133020.502, relativa ao suprimento lenha, as glosas referem-se a aquisições de pessoas físicas e a despesa relativa ao corte de madeira. Com relação às aquisições de lenha de pessoas físicas, como se sabe, um dos pressupostos para a obtenção de créditos na sistemática da não-cumulatividade da Cofins é a aquisição de pessoas jurídicas domiciliadas no País, com as exceções prevista na lei (o que não foi o caso do item sob análise), de acordo com o art. 3º, § 3º, I da Lei n. 10.833/2003. Quanto às despesas referentes a corte de madeira, trata-se de serviços prestados na floresta, sem relação direta com o produto em elaboração na indústria. A lenha (obtida a partir do corte da árvore), após o transporte da floresta à indústria, é que vai ser utilizada como fonte de energia térmica no processo de industrialização. Desse modo, a prestação de serviços relacionados ao corte de árvores vincula-se apenas indiretamente com o processo de industrialização, não havendo previsão legal para obtenção de créditos relativos a esses serviços". "24. Com relação a fretes, foram glosados os créditos apropriados sobre as despesas relativas às transferências internas, classificadas pelo contribuinte como fretes sobre transferências. Esses fretes referem-se a deslocamentos entre unidades da própria ADM, relativos ao envio da matéria-prima do armazém para a fábrica. Note-se que 3 NEDER, Marcus Vinícius. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2008, 3ª edição, p. 473. Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.028 6 aqui não há que se falar em frete vinculados à compra, tampouco de frete relacionado à operação de venda de que trata o art. 3º, IX, da Lei n.10.833/2003. Nessas transferências não há vínculos jurídicos estabelecidos entre a ADM e terceiros (compradores ou vendedores da matéria prima/produto). Os produtos são transportados dos armazéns (ADM). Ou seja, não se trata insumos diretos, serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. 25. No que se refere aos créditos apropriados em relação aos serviços utilizados como insumos na filial Santos Armazenadora, cabe o esclarecimento de que a unidade atua na armazenagem e na prestação de serviços relacionados ao comércio exterior e atende tanto à própria ADM quanto a terceiros (outras empresas que contratam seus serviços em razão de sua estrutura física e de sua expertise). Quando atende a terceiros, a unidade atua efetivamente como prestadora de serviços. Quando atende à própria ADM, as despesas relativas aos serviços portuários caracterizam-se como despesas vinculadas à comercialização, não havendo, neste caso, previsão legal para a apropriação de créditos na sistemática da não- cumulatividade da Cofins". Considerando o teor dos trechos acima colacionados, percebo que a decisão foi tomada, ao que tudo indica, após o cotejo entre a situação fática e o direito a que está submetida a contribuinte. Por esse motivo, não vislumbro motivos para decretar a nulidade pretendida. 2.1.2. SOBRE A NULIDADE DO DESPACHO RECORRIDO, QUE NÃO RECONHECEU PARTE DOS CRÉDITOS DE COFINS PLEITEADO PELA RECORRENTE SOB O ARGUMENTO QUE OS CRÉDITOS PRESUMIDOS RELATIVOS À AQUISIÇÃO DE SOJA TERIAM SIDO APROPRIADOS EM DESACORDO COM A LEI N. 10.925/2004. A recorrente se insurge contra o despacho decisório que, apesar de não ter admitido o cálculo do crédito presumido com base no preço médio de compra, não logrou êxito em demonstrar, de forma clara, qual fora o método eleito pela autoridade para valorar os créditos considerados e os créditos glosados, "tendo apresentado apenas as tabelas constantes do Anexo V do Despacho Decisório, as quais não esclarecem, de forma pormenorizada, a composição dos valores dos créditos presumidos de COFINS". Sobre esta preliminar, também não vislumbro o seu acolhimento. Isso porque, da leitura do Despacho Decisório, é fácil compreender que a metodologia adotada pelo fiscal difere daquela defendida pelo contribuinte exatamente no momento de sua apuração. Enquanto a contribuinte defende que para a apuração do crédito presumido pode valer-se dos valores médios da unidade de soja estocada no ano de 2003, a autoridade fiscal considera que para se chegar ao montante do crédito, dever-se-ia utilizar o valor efetivo das aquisições efetuadas nas respectivas datas de emissão das notas fiscais pelos fornecedores. A justificativa apresentada pela autoridade para essa interpretação do art. 8º, § 2º da Lei n. 10.925/2004 é que: Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.029 7 "Desse modo, seria possível efetuar diretamente as verificações relativas às aquisições, notadamente sua efetiva existência, os preços (se compatíveis com o praticado no mercado naquele momento) e a qualificação dos fornecedores, tópicos sensíveis à validação dos créditos presumidos na sistemática da não-cumulatividade da COFINS. Do modo esdrúxulo e extemporâneo como procedeu o contribuinte, sem previsão legal, tal verificação só seria possível com a análise da composição dos estoques armazenados ao longo do tempo e de sua dinâmica, considerando as entradas e saídas mensais, retroagindo o procedimento fiscal a períodos anteriores aos demonstrativos e aos pedidos de ressarcimento de referência, apresentados pelo próprio contribuinte; implicando, inclusive, em analisar novamente fatos jurídicos já objeto de verificações em procedimentos fiscais anteriores". Demonstrado que o procedimento adotado pela autoridade fiscal foi oportunamente informado no Despacho Decisório, passo ao próximo ponto. 2.2. CONTRADIÇÃO. DAS RAZÕES PARA A GLOSA DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. A embargante sustenta que o acórdão embargado está eivado pela contradição, uma vez que reconhece ser possível o aproveitamento dos créditos extemporâneos sem a retificação dos livros e declarações fiscais (DCTF e DACON), mas exige a comprovação da existência dos mencionados créditos. Aduz, ainda, que o acórdão recorrido alterou completamente a motivação da referida glosa, pois "simplesmente superou a questão da possibilidade do aproveitamento dos créditos sem a retificação dos correspondentes documentos fiscais, para contestar a existência dos referidos créditos, fato que jamais foi objeto de discussão no presente processo administrativo" (pg. 8 da petição dos embargos). Na hipótese dos autos o parecer da KPMG (que tinha por escopo demonstrar a existência de tais créditos) não foi admitido pela autoridade fiscal diante das falhas de metodologia verificadas. Desse modo é evidente que a contribuinte ora recorrente estava ciente sobre a necessidade de comprovar a existência dos créditos que pretende tomar a uso, mas a forma pretendida foi considerada tecnicamente imprestável. Para elucidar melhor o tema, reproduzo trecho do acórdão embargado: "E) Créditos extemporâneos. Necessidade de retificar as declarações fiscais. Pelos documentos apresentados pelo contribuinte, constata-se que os créditos extemporâneos reclamados referem-se a fretes (contratados nas operações de compra, de venda, e nas transferências internas no período de 02/2003 a 08/2006) e créditos presumidos da aquisição de soja para comercialização e industrialização (período de 02/2004 a 08/2006). O contribuinte solicitou a KPMG que efetuasse, a partir dos dados constantes no SINTEGRA, o recálculo do valor dos créditos presumidos, tomando por base tão somente os valores das aquisições de soja no momento da entrada da mercadoria dos silos. O fiscal não Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.030 8 considerou o parecer ofertado pela KPMG diante das falhas de metodologia verificadas" (fl.806). Consta no Relatório de Encerramento de Diligência: '26.22 Ora, o que é facultativo é o exercício do direito creditório. Se a opção for pelo não exercício do direito creditório, é evidente que não tem sentido a exigência de retificações do DACON e da DCTF. Por outro lado, quando há o manifesto desejo de exercício do direito creditório, como no caso em tela, a retificação do DACON e da DCTF impõe- se como medida necessária e obrigatória, como condição indispensável à verificação da efetiva existência desses créditos extemporâneos e se eles, eventualmente, já não foram apropriados nos respectivos períodos de apuração' (grifos no original - fls. 795). A contribuinte sustenta inexistir vedação legal para a apropriação dos créditos extemporâneos quando não apresentada retificação as Dacons referentes aos créditos reclamados. Sobre esse ponto, é interessante conhecer o teor do § 4º do art. 3º da Lei n. 10.637/2002: Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º. O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes. Nesse mesmo sentido é a Instrução Normativa RFB n. 1200, publicada em 20/11/2012, que assim dispôs: Art. 12. Os valores retidos na fonte a título de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando não for possível sua dedução dos valores a pagar das respectivas Contribuições no mês de apuração, poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos administrativos pela RFB. (...) § 3º A restituição poderá ser requerida à RFB no mês subseqüente àquele em que ficar caracterizada a impossibilidade de dedução de que trata o caput. § 4º A restituição de que trata o caput será requerida à RFB mediante formulário Pedido de Restituição ou Ressarcimento, constante do Anexo I a esta Instrução Normativa. Constata-se que as normas de regência preconizam a possibilidade de apropriação dos créditos, ainda que em período posterior (desde que respeitados os prazos decadenciais), sem atrelar a qualquer necessidade de apresentar documentos retificadores. Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.031 9 No entanto, o direito aos créditos extemporâneos (aqueles que não foram apropriados no mês de sua referência) depende de comprovação sobre a sua existência, o que demanda do contribuinte a apresentação de documentos que afastem quaisquer dúvidas sobre o direito reclamado, especialmente aquelas que indiquem os valores (notas fiscais) e que os créditos ainda não foram utilizados (demonstrativos que apontem não terem sido os créditos utilizados nos meses após a sua aquisição). Mesmo que não seja obrigatória a retificação dos documentos fiscais para a apropriação extemporânea dos créditos, ainda sim é necessária a comprovação da existência dos mesmos. Diante da ausência de provas nos autos, deve ser mantida a glosa efetuada". Realmente há obscuridade/contradição no acórdão, ao tratar concomitantemente o assunto laudo da KPMG para recálculo do crédito presumido e o assunto necessidade de retificação do Dacon e da DCTF. Assim, há ser sanado tal vício. Sobre os créditos extemporâneos, assim se manifestou a autoridade fiscal no Despacho Decisório: "35. Preliminarmente, cabe pontuar que a linha 13 da ficha 16A do Dacon destina-se ao registro de outras operações com direito a crédito não contempladas nas linhas 1 a 12, para fatos jurídicos ocorridos no mês de referência do Dacon. Não se destina a registro de ajustes ou correções relativos a créditos eventualmente não apropriados em períodos pretéritos. Para esse objeto há procedimentos específicos normatizados, de modo a garantir o equilíbrio entre o exercício do direito do contribuinte com o dever/função da Fazenda Pública de promover as verificações necessárias no sentido de validar a operação e promover, se for o caso, as respectivas homologações de crédito. (...) 37. De acordo com as normas expedidas pela RFB, as retificações relativas aos fatos tratados neste tópico, consideradas as condições de admissibilidade, deveriam ser formalizados por meio de Dacon's retificadores, mediante a apresentação de novos demonstrativos elaborados com observância das mesmas normas estabelecidas para os demonstrativos retificados, substituindo-os integralmente. Além disso, caberia ao contribuinte apresentar novas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, relativas ao período retificado. Não foi o que fez o contribuinte. Ignorando as normas estabelecidas pela RFB, reuniu um grande volume de dados, abrangendo recálculos relativos a 43 (quarenta e três) meses, condensou tudo e, extemporaneamente, em 09/2006, lançou o somatório na linha 13, da ficha 16A, do Dacon, a título de outras operações com direito a crédito. 38. Assim, de modo como agiu o contribuinte, não foi possível promover as verificações necessárias à comprovação da existência dos referidos créditos e se esses eventuais créditos já não foram Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.032 10 utilizados para abater as contribuições devidas nos respectivos períodos de apuração". Da leitura do acima exposto conclui-se que o único fundamento apresentado pelo fiscal para a desconsideração dos créditos extemporâneos foi a inexistência de declarações retificadoras (Dacon e DCTF). Importante notar que não há alegação de que os créditos extemporâneos já tenham sido utilizados em outras compensações, ou que tenham sido constatadas incorreções quanto aos valores, já que o direito ao crédito sequer chegou a ser objeto de verificação pela autoridade fiscal. O fiscal afirma que a necessidade de retificação das declarações está expressa no regramento emanado da Receita Federal do Brasil. Porém, os artigos 3º, § 4º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, prevêem a possibilidade de apropriação de crédito de PIS/COFINS em períodos diversos daqueles em que apurados, sem fazer qualquer ressalva ou restrição. Verbis: "Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 4º. O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes". Desse modo, não existindo qualquer restrição de direito no texto da lei, não se pode admitir que tal restrição seja amparada e validada por atos infra-legais, como defende a autoridade fiscal. Assim, não há como se condicionar o direito de crédito à apresentação de declarações retificadoras, pois se a lei não fez tal ressalva, não cabe ao administrador, muito menos ao intérprete promover tal restrição. Não se pode transformar o descumprimento de obrigação acessória em cobrança de obrigação principal, em especial em casos como o presente, em que o contribuinte apresenta as informações necessárias para a apuração do crédito - como reconhece a autoridade-, e não há alegação de utilização em duplicidade, questionamentos sobre sua origem ou dúvidas a respeito da própria existência do crédito. Ademais, o art. 7º da Lei n. 10.426/2002 impõe a sanção devida pelo descumprimento da obrigação acessória e esta não é a rejeição/cancelamento do direito de crédito do contribuinte. Por esse motivo, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a instância preparadora verifique a liquidez e certeza do crédito, quantificando-o e para que informe se foi aproveitado em outros períodos, demonstrando a memória de cálculo em relatório fiscal conclusivo. Ultimada a diligência, o contribuinte deverá ser cientificado da conclusão da apuração para que, se assim desejar, apresentar no prazo de 30 (trinta) dias sua manifestação a respeito das informações apresentadas, oportunidade em que poderá apresentar as provas que entender necessárias. 2.2. CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. DAS RAZÕES PARA GLOSA DO CRÉDITO PRESUMIDO. Sobre os créditos presumidos da agroindústria, transcrevo a lógica adotada pelo fiscal no parecer que fundamentou a lavratura do auto de infração impugnado: "Crédito Presumido Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.033 11 30. O contribuinte, no 3º trimestre de 2006, adquiriu, em grande quantidade, produto in natura de origem vegetal (soja), de produtores rurais pessoas físicas e de pessoas jurídicas que efetuaram vendas com suspensão da Cofins. Essa soja assim adquirida foi utilizada como insumo na fabricação de produtos destinados à alimentação humana e animal (óleo de soja e farelo de soja). Desse modo, apropriou-se o contribuinte de créditos presumidos relativos a essas aquisições, nos termos do art. 8º, da Lei n. 10.925, de 2004, e da IN SRF n. 660, de 2006. 31. Entretanto, verificou-se que, do total do crédito presumido apurado, apenas parte foi relacionada às aquisições realizadas nos respectivos períodos, considerando-se a data da emissão das notas fiscais pelos fornecedores e os valores nelas expressos. Parte significativa do crédito presumido foi apurada (de acordo com informação do contribuinte) com base no preço médio da soja estocada, quando da sua transferência do armazém para a indústria (calculado em relação aos estoques armazenados decorrentes de aquisições pretéritas, que remontariam ao ano de 2003). E o que estabelece o art. 8º, §2º, da Lei n. 10.925. de 2004, é que o 'direito ao crédito presumido' da Cofins, ' só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País". (fls. 36 e 37 - grifos nossos). Por sua vez a contribuinte sustentou em sua impugnação que: "b. Crédito presumido O artigo 8º da Lei n. 10.925/2004 determina que as pessoas jurídicas produtoras de determinados produtos de origem animal e vegetal fazem jus a crédito presumido de PIS e de COFINS sobre aquisições de produtos in natura de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas sujeitas à suspensão dessas contribuições em suas operações. Considerando que adquire soja in natura para a produção de derivados, tais como óleo de soja e farelo de soja, a Defendente registrou, com base no dispositivo legal acima, créditos presumidos de PIS e COFINS sobre as operações realizadas nas condições estabelecidas na legislação. Em tese, mais uma vez, as dd. autoridades fiscais não discordam do direito da Defendente a esses créditos presumidos de PIS e COFINS e até mesmo demonstraram ter compreendido o método adotado pela empresa para apuração desses créditos, como se verifica no seguinte trecho do Parecer SEFIS: (...) Então, com base nos fatos descritos acima, as dd. autoridades fiscais concluíram que a Defendente (i) faria jus aos créditos presumidos de PIS e COFINS apropriados no períodos em que foram realizadas as aquisições de soja e com base nos valores das respectivas Notas Fiscais, mas (ii) não faria jus aos créditos presumidos apropriados no momento da transferência da soja dos armazéns para as fábricas com base no valor médio da soja estocada. Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.034 12 (...)Não obstante, a Defendente não pode deixar de rechaçar, mesmo que em tese, o argumento acima, na medida em que o método utilizado pela Defendente para o registro dos créditos presumidos de PIS e COFINS está em plena consonância com a legislação tributária e, acima de tudo, é coerente com sua operação. (...) Em outras palavras, o valor constante da Nota Fiscal emitida pelo produtor pode ser inferior ou superior ao preço do produto, que é fixado depois de sua entrega total, de acordo com um preço médio de compra pela Defendente. Essa forma de contratação é padrão para o mercado de commodities e é decorrente da significativa oscilação do preço desse tipo de produto em curtos espaços de tempo. (...) Nesse contexto, concluiu-se que o valor das Notas Fiscais que acompanham a entrega dos produtos adquiridos pelas filiais comerciais da Defendente, por não refletir o efetivo preço de aquisição desses produtos, não pode servir como base para a apuração dos créditos presumidos de PIS e COFINS".(fls. 308/313- grifos nossos) A instância de origem rejeita a lógica traçada pela contribuinte em sua impugnação diante dos seguintes termos: "5. Do crédito presumido A fiscalização apurou que do total do crédito presumido apurado, relativo a produto in natura de origem vegetal (soja) adquirido de produtores rurais pessoas físicas e de pessoas jurídicas que efetuaram vendas com suspensão da COFINS, apenas parte foi relacionada às aquisições realizadas nos respectivos períodos, considerando-se a data de emissão das notas fiscais pelos fornecedores e os valores nelas expressos. Parte significativa do crédito presumido foi apurada (de acordo com informação do contribuinte) com base no preço médio da soja estocada, quando de sua transferência do armazém para a indústria (calculado em relação aos estoques armazenados decorrentes de aquisições pretéritas, que remontariam ao ano de 2003). Assim a fiscalização elaborou o Anexo IV, na forma abaixo descrita: 1. Listou as notas fiscais de compra de cada filial; 2. Excluiu os valores das notas de devoluções de compra; 3. O valor apurado do total do item 1 diminuído do item 2 foi aquele considerado pela fiscalização; 4. Ao final, comparou-se o valor informado no DACON com aquele considerado pela fiscalização e a diferença é o valor não considerado; 5. Aplicou-se sobre a diferença, o coeficiente para apuração da base de cálculo do crédito presumido; Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.035 13 6. Aplicou a alíquota do PIS sobre o valor da base de cálculo para apurar o valor a ser glosado do crédito utilizado pelo contribuinte. (...) De fato, conforme afirma a fiscalização, a metodologia utilizada pela interessada, além de não prevista na legislação, não permite a verificação do crédito que só seria possível com a análise da composição dos estoques armazenados ao longo do tempo e de sua dinâmica, considerando as entradas e saídas mensais. (...) Assim, a forma correta de apropriação dos créditos é aquela utilizada pela fiscalização que considerou as notas de aquisição em seus respectivos períodos e as devoluções ocorridas. Desta forma, utiliza-se o valor correto da aquisição dos produtos, já que são consideradas as Notas Fiscais e as complementares e os valores das devoluções são diminuídos" (fls. 417/418 - grifos nossos). Em sede de recurso voluntário, a recorrente mantém a mesma linha de argumentação, reproduzindo o que já havia sido demonstrado na impugnação. Da linha argumentativa acima reproduzida, depreende-se que o ponto central da discussão sobre a glosa dos créditos presumidos sempre foi sobre a forma de apuração desses créditos. Não se questiona o direito a apropriação dos mesmos. A embargante alega que o pedido de ressarcimento por ela apresentado referia- se a créditos relativos a aquisições no mercado interno, vinculados à receita de exportação. Esclarece os seguintes fatos: "E o quanto se afirma sempre esteve claramente evidenciado nestes autos, como se observa através da análise das DACONs da Embargante, já juntadas a estes autos pelas próprias dd. autoridades fiscais. Como se vê nos referidos documentos, o crédito presumido de COFINS foi efetivamente utilizado, exclusivamente para a dedução da COFINS devida nos meses de julho, agosto e setembro de 2006, não havendo qualquer saldo remanescente compondo o valor do crédito pleiteado por meio do pedido de ressarcimento. É por tal motivo que as d. autoridades fiscais nunca acusaram a Embargante de ter pleiteado o ressarcimento dos créditos presumidos e, portanto, esse assunto nunca foi objeto da disputa. O que ocorreu foi que, ao analisar o pedido de ressarcimento apresentado pela Embargante, as dd. autoridades fiscais decidiram também analisar e glosar o crédito presumido, o que implicou, dentre outros motivos, a reapuração da COFINS do período e o indeferimento do crédito pleiteado e, conseqüentemente, a presente disputa. Dessa forma, tendo sido comprovado que a situação fática nestes autos não é aquela mencionada na r. decisão embargada, ainda pende de exame por essa d. Turma julgadora a validade dos créditos presumidos regularmente aproveitados pela Embargante, os quais foram rejeitados não por terem sido objeto de ressarcimento mas, sim, pela discordância do fisco quanto à sua forma de apuração, tal como Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.036 14 minuciosamente abordado em sede de recurso voluntário. E essa omissão deve ser sanada por meio de admissão e provimento destes aclaratórios". (pgs. 6 e 7 da petição dos embargos -grifos no original). Por seu turno, a decisão embargada trilhou um caminho estranho ao debate. Observa-se: "O problema dos autos está em inferir se o crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei n. 10.925/2004 pode ser aproveitado na forma estabelecida pelo art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei n. 10.637/2002 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei n. 10.833/2003, quando decorrente da exportação dos produtos. Em que pese as alegações defendidas nos autos, é imperioso traçar um breve histórico sobre as alterações legislativas recentes sobre o tema. O crédito presumido da agroindústria estava previsto, originariamente, nos §§ 10 e 12 do art. 3º da Lei n. 10.637/20024 e §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei n. 10.833/2003. Até aquele momento, quando o produto era objeto de exportação, gozava do benefício da tríplice forma de aproveitamento. Em 23 de julho de 2004, com a edição da Lei n. 10.925/20045, o crédito presumido até então previsto nas Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, foi expressamente revogado pela Lei n. 10.925/2004 (arts. 8º e 15). A nova lei restringe o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria apenas para o abatimento da contribuição devida por operações no mercado interno, ainda que o crédito tenha sido auferido em operações de exportação6. Considerando que os créditos reclamados no processo administrativo em tela são referentes ao período de 07/2006 a 09/2006, ou seja, posteriores a mudança legislativa, é de rigor a manutenção da glosa questionada". Com efeito, a razão acolhida no acórdão embargado não guarda pertinência com os argumentos expendidos na autuação, sequer na decisão recorrida. Isso porque esta Turma 4 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal ou vegetal (...), destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. §12. Ressalvado o disposto no § 2º deste artigo e nos §§ 1º e 3º do art. 2º desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus - SUFRAMA, o crédito será determinado mediante a aplicação de 1% (um por cento) e, na situação de que trata a alínea b do inciso II do §4º do art. 2º desta Lei, mediante a aplicação da alíquota de 1,65%. 5 Reduz as alíquotas de PIS/PASEP e da COFINS incidentes na importação e na comercialização do mercaod interno de fertilizantes e defensivos agropecuários e dá outras providências. 6 Julgando situação análoga à dos autos é salutar destacar o entendimento deste Conselho trazido no Acórdão n. 3403-002.763, proferido nos autos do Processo Administrativo n. 15586.720266/2011-77, de relatoria do Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.037 15 julgadora manteve as glosas sobre os créditos presumidos da agroindústria diante da revogação promovida pela Lei n. 10.925/2004. A apuração dos créditos presumidos parcialmente deferidos pelo auditor fiscal, foram feitos, segundo consta no Despacho Decisório, seguindo os moldes estabelecidos pelo art. 8º, § 2º e § 3º, III da Lei n. 10.925/2004 7 , metodologia esta que resultou nos seguintes valores: TABELA VIII COFINS - INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA CRÉDITOS PRESUMIDOS - ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS (DACON - FICHA 16A, LINHA 26) GLOSAS - 3º TRIMESTRE 2006 Mês DACON Valores Considerados Valores Não Considerados Glosas Base de Cálculo (35%) COFINS (7,6%) 08/2006 63.244.322,40 42.070.233,40 21.174.099,00 7.410.934,65 563.231,03 09/2006 106.857.495,04 59.341.518,52 47.515.976,52 16.630.591,78 1.263.924,98 TOTAL 170.101.817,45 101.411.741,92 68.690.075,53 24.041.526,43 1.827.156,01 Porém, a recorrente afirma que os créditos foram indevidamente recalculados pela autoridade fiscal, já que o crédito presumido referente ao período foi efetivamente utilizado para compensar o saldo de COFINS devida nos meses de julho, agosto e setembro de 2006, e que "não existe saldo remanescente para compor o valor do crédito pleiteado por meio de pedido de ressarcimento". Das informações insertas na tabela acima reproduzida não é possível inferir se houve, efetivamente, a (re)apuração dos créditos já utilizados. Também não é viável saber, exatamente, quais notas fiscais foram consideradas e quais não foram (se a autoridade considerou também as notas de ajuste de preço). É certo e sabido que a adoção do regime de competência na apuração dos créditos próprios do regime da não-cumulatividade decorre da legislação tributária, sendo, portanto, de observação obrigatória tanto pelo contribuinte quanto pela autoridade fiscal. 7 Art. 8º. As pessoas jurídicas, inclusive as cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 e 3, exceto os produtos vivos desse capítulo e (...) todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. §2º. O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. §3º. O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: III - 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, para os demais produtos. Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.038 16 Porém, não pode a autoridade apresentar o texto frio da lei como esclarecimento sobre a metodologia por ela utilizada e valer-se de informações vagas e imprecisas. A contribuinte merece ter seu direito a informação preservado e exercido, de modo que é indispensável a apresentação de memória de cálculo suficientemente detalhada. Conclusão Diante do exposto, restando vencida quanto à omissão/contradição relativa à glosa de créditos extemporâneos, voto por acolher, parcialmente, os embargos de declaração para prestar-lhes efeitos infringentes, de modo a converter o julgamento em diligência para que a contribuinte: 1. Apresente laudo ajustado de acordo com as considerações efetuadas no Termo de Encerramento de Diligência, itens 8.30 a 8.38 (e-fls. 746/748 dos autos eletrônicos), refletindo todos os CFOPs que influenciem no levantamento e justificando a exclusão de CFOPs que não influenciam no levantamento, de acordo com a tabela 7 da e-fl. 746/747; 2. O laudo deverá ser apresentado à autoridade fiscal responsável pela diligência, para que esta, em caso de discordância com o laudo emitido pelo contribuinte, que apresente o cálculo ajustado que entender correto, explicitando as razões para tanto. Após concluídas as etapas acima, elaborar relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. É como voto. (assinatura digital) Lenisa Rodrigues Prado - Relatora Voto Vencedor Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Redatora Designada: Inicialmente cabe esclarecer com a devida vênia, que a divergência a seguir explicitada cinge-se ao suposto vício de omissão/contradição no v. acórdão embargado quanto à glosa dos créditos extemporâneos, apontado pela embargante, nos seguintes termos: (...) contradição no que diz respeito à fundamentação do acórdão embargado para justificar a glosa dos créditos extemporâneos, uma vez que o despacho decisório pautou a referida glosa tão somente na ausência de retificação dos documentos fiscais relativos aos créditos extemporâneos, ao passo que o acórdão embargado reconhece a possibilidade de apropriação destes créditos sem a necessidade de retificação da respectiva documentação fiscal, mas mantém a glosa por suposta falta de comprovação da existência dos referidos créditos extemporâneos, que jamais foi arguida no presente processo administrativo.(grifei) Observa-se dos fundamentos do Parecer SEFIS nº 180/2011, parte integrante do Despacho Decisório, fls.30/41: Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.039 17 De acordo com as normas expedidas pela RFB, as retificações relativas aos fatos tratados neste tópico, consideradas as condições de admissibilidade, deveriam ser formalizados por meio de Dacon's retificadores, mediante a apresentação de novos demonstrativos elaborados com observância das mesmas normas estabelecidas para os demonstrativos retificados, substituindo-os integralmente. Além disso, caberia ao contribuinte apresentar novas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, relativas ao período retificado. Não foi o que fez o contribuinte. Ignorando as normas estabelecidas pela RFB, reuniu um grande volume de dados, abrangendo recálculos relativos a 43 (quarenta e três) meses, condensou tudo e, extemporaneamente, em 09/2006, lançou o somatório na linha 13, da ficha 16A, do Dacon, a título de outras operações com direito a crédito. Assim, do modo como agiu o contribuinte, não foi possível promover as verificações necessárias à comprovação da existência dos referidos créditos e se esses eventuais créditos já não foram utilizados para abater as contribuições devidas nos respectivos períodos de apuração.(grifei). Constata-se que os fundamentos do Despacho Decisório aborda como premissa para a análise comprobatória da origem dos referidos créditos a existência de Dacon's retificadores e Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, relativas ao período retificado. Inconformado com a decisão de primeira instância, dispôs o Recorrente em sua peça recursal: Não obstante, a presente discussão certamente não versa sobre a natureza ou origem dos créditos extemporâneos registrados pela Recorrente, na medida em que as dd. autoridades fiscais sequer chegaram a analisar esse assunto. Com efeito, sob a alegação de que a única forma de reconhecer créditos de PIS e COFINS relativos a períodos anteriores consistiria em retificar os livros e declarações fiscais (especialmente a DCTF e DACON), as dd. autoridades fiscais simplesmente glosaram o valor integral do crédito extemporâneo registrado pela Recorrente. Na tentativa de fundamentar sua alegação, as dd._ autoridades fiscais mencionaram normativos da Receita Federal do Brasil que versam sobre a possibilidade de retificação de declarações fiscais e simplesmente afirmaram que, da forma como foi registrado o crédito extemporâneo, não seria possível comprovar sua existência.(grifei) Estabelecida a dialética processual com relação à apropriação dos créditos extemporâneos, constata-se dos excertos acima que a análise perpassa tanto pela obrigatoriedade ou não de retificação de declarações fiscais como pela comprovação da existência dos referidos créditos extemporâneos. Nesse sentido, destaca o voto embargado, conforme excertos a seguir transcritos: Constata-se que as normas de regência preconizam a possibilidade de apropriação dos créditos, ainda que em período posterior (desde que Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10783.724592/2011-11 Resolução nº 3302-000.609 S3-C3T2 Fl. 1.040 18 respeitados os prazos decadenciais), sem atrelar a qualquer necessidade de apresentar documentos retificadores. (grifei) No entanto, o direito aos créditos extemporâneos (aqueles que não foram apropriados no mês de sua referência) depende de comprovação sobre a sua existência, o que demanda do contribuinte a apresentação de documentos que afastem quaisquer dúvidas sobre o direito reclamado, especialmente aquelas que indiquem os valores (notas fiscais) e que os créditos ainda não foram utilizados (demonstrativos que apontem não terem sido os créditos utilizados nos meses após a sua aquisição). Mesmo que não seja obrigatória a retificação dos documentos fiscais para a apropriação extemporânea dos créditos, ainda sim é necessária a comprovação da existência dos mesmos. Diante da ausência de provas nos autos, deve ser mantida a glosa efetuada.(grifei) Infere-se dos excertos acima que não assiste razão à embargante, haja vista que o raciocínio expresso nas razões de decidir do voto embargado parte da premissa de que a apropriação extemporânea dos créditos independe da "retificação dos documentos fiscais", situação segundo o referido voto que não afasta a necessidade de comprovação dos referidos créditos pleiteados. Assim, não se verifica qualquer omissão/contradição na fundamentação acima, uma vez que se infere das razões decisórias declinadas que a análise do direito creditório, ainda que extemporâneo prende-se tão somente à existência de comprovação deste, mesmo que não tenha havido a retificação da documentação fiscal pertinente. Ante as considerações acima, voto por NÃO ACOLHER os presentes embargos, uma vez que ausente a omissão/contradição apontada no Acórdão embargado. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Redatora designada Fl. 1040DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10245.900292/2009-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte.
Numero da decisão: 9101-002.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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DE SERV. LTDA. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 90 02 92 /2 00 9- 18 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10245.900292/200918 Acórdão n.º 9101002.769 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de despacho de não homologação de compensação efetuada pelo contribuinte em epígrafe. Nos termos do despacho decisório, o pagamento do tributo considerado indevido ou maior foi totalmente utilizado para a quitação de débito do sujeito passivo, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Melhor explicando, em virtude da não retificação da DCTF relativa ao débito pago, não foi identificado valor pago a maior pelo Contribuinte, pois o DARF foi integralmente utilizado para quitação do débito declarado. Inconformado o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, dentre outros argumentos, que efetuou a retificação da DIPJ do período previamente, de modo que o pagamento a maior foi devidamente informado à Receita Federal. A Manifestação de Inconformidade foi julgada totalmente improcedente, sob o fundamento de que é condição necessária para que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a anterior. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF. No julgamento do Recurso a Turma a quo a ele deu provimento. Cientificada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência. A Autoridade competente pela análise de admissibilidade do Recurso, a ele deu seguimento. Regularmente intimado, o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.766, de 06/04/2017, proferido no julgamento do processo 10245.900267/200926, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.766): Não obstante a didática e clara exposição do voto do i. Relator, apresento divergência quanto ao mérito. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10245.900292/200918 Acórdão n.º 9101002.769 CSRFT1 Fl. 4 3 O caso trata de compensação pleiteada pela Contribuinte, em razão de pretenso pagamento a maior de tributo. O despacho eletrônico que apreciou o pedido de reconhecimento de direito creditório atestou que o pagamento do tributo efetuado estava integralmente vinculado a débito do mesmo tributo confessado em DCTF. Ou seja, o pagamento no valor "X" estava confessado na DCTF no qual constava o mesmo valor "X". Nesse sentido, entendeuse que não haveria crédito disponível para a compensação. Discutese se, em razão de retificação de declaração, alterando para menor ("X 1") o valor do tributo apurado, tal fato seria suficiente para demonstrar a ocorrência de pagamento a maior. São os fatos. Passo ao exame. Não obstante o envio de declaração retificadora, alterando o valor do tributo para um valor a menor, o que se mostra relevante é que tal alteração implica em uma revisão no valor do tributo confessado em DCTF. Ocorre que a DCTF tem efeito de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei n.º 2.124, de 1984, e Instruções Normativas da SRF e RFB que dispõem sobre a DCTF). Os débitos informados podem ser objeto de cobrança administrativa e, caso não liquidados, são enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Nesse contexto, eventual retificação dos valores antes nela informados, procedida pelo interessado ou de ofício devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte e de documentação apta a lastrear os registros contábeis. Ou seja, a mera apresentação de informações prestadas em DIPJ, por si só, não se mostra suficiente para comprovar a efetiva ocorrência de erro no preenchimento do valor do tributo confessado em DCTF. Ademais, cumpre esclarecer que no processo de reconhecimento de direito creditório o ônus da prova é da parte que alega ser detentora do crédito, qual seja, a Contribuinte. Assim, eventual retificação de declaração com efeito de confissão de dívida que tenha repercussão no crédito pleiteado deve estar acompanhada de documentação probatória, que inclusive poderia ter sido apresentada no decorrer da fase contenciosa, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 c/c os §§ 9º, 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse contexto, não tendo a defesa apresentada pelo sujeito passivo trazido conjunto probatório apto a lastrear a retificação da DCTF, necessário para deixar o julgador convicto de que efetivamente ocorreu o erro de preenchimento na declaração, devese reformar a decisão recorrida. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10245.900292/200918 Acórdão n.º 9101002.769 CSRFT1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Não tendo sido apresentada no prazo regimental1, considerase não formulada a declaração de voto. Declaração de Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza Não tendo sido apresentada no prazo regimental2, considerase não formulada a declaração de voto. 1 RICARF, Anexo II: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. 2 RICARF, Anexo II: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.000386/96-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, converter o feito em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, converter o feito em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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Resolvem os membros do Colegiado, converter o feito em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .0 00 38 6/ 96 -1 5 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13896.000386/9615 Resolução nº 2401000.602 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O contribuinte acima identificado insurgese contra o lançamento consubstanciado no espelho de fl. 03, que alterou o resultado de sua declaração relativa ao ano calendário 1993, de saldo do imposto a pagar de 17.059,74 UFIR para saldo de imposto a pagar de 26.875,68 UFIR, em razão de glosa de dedução do imposto pago no exterior, pleiteada na declaração de ajuste anual (fls.10/21), na quantia de 9.815,94 UFIR. Inconformado, o contribuinte requer, por meio de impugnação protocolada em 17/06/1996 (fl. 02), o restabelecimento da referida dedução, apresentando como comprovação o formulário W2 Wage and Tax Statement 1993 (fl. 05), devidamente traduzido para o vernáculo (fl. 05), às cópias de fls. 06/08 atestando a existência nos Estados Unidos de lei que permite a reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil, e a cópia da declaração de ajuste anual relativa ao anocalendário 1993 (fls. 10/21). Tendo em vista que, no caso em comento, não era possível, a partir do simples exame do formulário W2 Wage and Tax Statement 1993 (fl. 05), devidamente traduzido para o vernáculo (fl. 05), e do quadro 2 da declaração (fl. 34) correspondente aos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas e do Exterior, determinar o valor do imposto pago no exterior que pode ser compensado na declaração de ajuste, resolveuse por instruir os autos, mediante intimação ao contribuinte (fls. 44/45 e 49/50). Assim, o contribuinte foi instado a apresentar o demonstrativo contendo, mês a mês os valores dos rendimentos recebidos no exterior e do respectivo imposto pago no exterior (tanto em dólares norte americanos como em cruzeiros/cruzeiros reais e em UFIR) inclusive data de seu recebimento/pagamento, bem como demonstrativo dos rendimentos recebidos de pessoas físicas, discriminados mês a mês (em cruzeiros/cruzeiros reais e UFIR), acompanhados de comprovação quando possível. Em resposta, o contribuinte apresentou, por meio de seu procurador (fl.53) o documento de fl. 52 emitido por seu empregador no exterior. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1.677 da 7ª Turma da DRJ/SP, às fls. 57/61, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Recordese: “Assunto: Imposto sobre a Renda, de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1993 Ementa: IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. DEDUÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. COMPROVAÇÃO. A dedução do imposto pago no exterior não poderá exceder a diferença entre o imposto calculado sem a inclusão dos rendimentos recebidos de Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13896.000386/9615 Resolução nº 2401000.602 S2C4T1 Fl. 4 3 fontes situadas no exterior e o imposto devido com a inclusão dos mesmos rendimentos. Compete ao contribuinte o ônus da prova de que faz jus à dedução do imposto pago no exterior, pleiteada na declaração de ajuste. Lançamento Procedente” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 77/80), no qual o contribuinte alega: a) que a glosa não deve subsistir, uma vez que restou demonstrado, com a análise dos documentos de fls. 4/8, o valor do imposto pago no exterior; b) foi solicitada a apresentação de demonstrativo de valores recebidos no exterior mês a mês e isso foi feito como se depreende dos documentos acostados às fls. 51/52 dos autos; c) o valor retido nos Estados Unidos correspondia a US$ 4.693,38 em 26/01/1994, que correspondia a CR$ 1.790.665,20 equivalente a 9.815,94 UFIRS em dezembro de 1994, como constou na declaração de Ajuste Anual; d) vale dizer que a Receita Federal esclareceu a existência de reciprocidade na legislação dos Estados Unidos. Assim, na reciprocidade não há documento assinado com o país estrangeiro. A prova da reciprocidade é a legislação do imposto de origem dos rendimentos. A legislação americana permite que, ao declarar o rendimento auferido no Brasil, o imposto cobrado aqui seja deduzido lá e viceversa e e) o que se depreende que a glosa não tem qualquer fundamento pelos motivos acima expostos. E mais, o documento traduzido apresentado já era suficiente para comprovar a compensação efetuada, não sendo obrigatória a apresentação de qualquer outra planilha, o que, apesar disso, o Recorrente apresentou posteriormente, após a intimação. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13896.000386/9615 Resolução nº 2401000.602 S2C4T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 01/10/2008 conforme Avisos de Recebimento às Fl. 66, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 28/10/2008 (fl. 77), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DA DILIGÊNCIA A questão objeto do recurso referese, resumidamente, à glosa de dedução de imposto pago no exterior, pleiteada na declaração de ajuste anual atinente ao anocalendário 1993. Importa fazer uma retrospectiva da legislação que permite a compensação do imposto pago no exterior incidente sobre os rendimentos lá auferidos. Dispõe o artigo 5º da Lei nº 4.862, de 29 de novembro de 1965: “Art 5º As pessoas físicas, residentes ou domiciliadas no território nacional, que declarem rendimentos provenientes de fontes situadas no estrangeiro, poderão deduzir do impôsto progressivo, calculado de acôrdo com o art. 1º importância em cruzeiros equivalente ao impôsto de renda cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos, desde que haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil”. A compensação do imposto pago no exterior do imposto apurado no ajuste anual é ratificada pelo artigo 12, inciso VI, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: “Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: [...] VI o imposto pago no exterior de acordo com o previsto no art. 5º da Lei nº 4.862, de 29 de novembro de 1965”. O artigo 6º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, determina ainda que “os rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior, sujeitos a tributação no Brasil, bem como o imposto pago no exterior, serão convertidos em Reais mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para compra pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do recebimento do rendimento”. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13896.000386/9615 Resolução nº 2401000.602 S2C4T1 Fl. 6 5 Consolidando a legislação acima transcrita, o artigo 103 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99, assim dispõe: “Art. 103. As pessoas físicas que declararem rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior poderão deduzir, do imposto apurado na forma do art. 86, o cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos, desde que (Lei nº 4.862, de 1965, art. 5º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 98): I em conformidade com o previsto em acordo ou convenção internacional firmado com o país de origem dos rendimentos, quando não houver sido restituído ou compensado naquele país; ou II haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil. § 1º A dedução não poderá exceder a diferença entre o imposto calculado com a inclusão daqueles rendimentos e o imposto devido sem a inclusão dos mesmos rendimentos. § 2º O imposto pago no exterior será convertido em Reais mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América informado para compra pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do recebimento do rendimento (Lei nº 9.250, de 1995, art. 6º)”. Concluise, assim, que havendo a pessoa física declarados rendimentos percebidos no exterior o imposto cobrado no país de origem poderá ser compensado com o imposto de renda apurado no ajuste anual, desde que exista acordo firmado entre os dois países e o valor não tenha sido restituído ou compensado naquele país. No caso em análise, restou comprovado que o contribuinte trouxe aos autos a prova da existência, nos Estados Unidos da América, de lei que autoriza a reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil (fls. 06/08), bem como a comprovação de recebimento de rendimentos de fonte situada no exterior, com a respectiva retenção do imposto de renda (fls. 04/05). Demais disso, em cumprimento à diligência determinada pela Delegacia da Receita Federal (fl.45), o contribuinte anexou aos autos o documento de fl.52, emitido por seu empregador no exterior. Entretanto, em sede de julgamento de primeira instância, ao analisar o referido documento, a DRJ de origem entendeu que “não se é possível a partir de seu exame estabelecer exatamente o quantum e a data em que os rendimentos em moeda estrangeira foram recebidos pelo contribuinte no anocalendário 1993, para que a partir destes elementos pudesse fazer a conversão em moeda nacional e em seguida, transformar em quantidade de UFIR, para posterior cálculo do limite de dedução do imposto pago no exterior”. (fl.60) Em seguida, concluiu que, “não havendo como determinar os valores de rendimentos recebidos de fonte situada no exterior em dólares, em moeda nacional e depois em UFIR, e inexistindo nos autos informações de por quais valores tais rendimentos foram declarados no quadro 2 da declaração de ajuste anual, fica prejudicado o cálculo do valor do imposto pago no exterior que pode ser compensado na declaração de ajuste”.(fl.61) Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13896.000386/9615 Resolução nº 2401000.602 S2C4T1 Fl. 7 6 Em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente se insurge contra a decisão acima referida e sustenta que a glosa não deve subsistir, uma vez que restou demonstrado, com a análise dos documentos de fls. 4/8, o valor do imposto pago no exterior, bem como o valor retido nos Estados Unidos correspondia a US$ 4.693,38 em 26/01/1994, que correspondia a CR$ 1.790.665,20 equivalente a 9.815,94 UFIRS em dezembro de 1994, como constou na declaração de Ajuste Anual (fls.78/79). Conforme documento emitido pela W2 Wage and Tax Statement 1993 (fls. 05 e 51), devidamente traduzido para o português por tradutor público juramentado (fl.06), o valor do imposto de renda federal retido nos Estados Unidos foi de US$ 4.693,38. Em tese, havendo comprovação de pagamento do imposto pago no exterior, nas hipóteses em que há reciprocidade de tratamento, a compensação mostrase devida. Entretanto, objetivando melhor instruir o feito, e assim formar a convicção necessária para o julgamento da matéria posta em debate, voto por converter o julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem para que informe: 1. Qual o valor do imposto devido no Brasil calculado com a inclusão dos rendimentos recebidos no exterior; 2. Qual o valor do imposto devido no Brasil sem a inclusão dos rendimentos recebidos no exterior; 3. Cientifique a Recorrente do resultado da diligência, abrindose prazo para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16306.721016/2012-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS. EXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO AO SUJEITO PASSIVO.
Declara-se nulo o despacho decisório, reconhecido o cerceamento do direito de defesa, com retorno à origem dos autos para prolação de novo julgado, por não ter sido previamente intimada a prestar esclarecimentos sobre as razões que levaram ao indeferimentoparcialdopleito.
Numero da decisão: 1401-002.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar-lhe provimento, declarando a nulidade do despacho decisório proferido pela Unidade da Receita Federal de origem e determinando que os autos retornem à mesma para que reaprecie o pedido de restituição/compensação. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto De Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS. EXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO AO SUJEITO PASSIVO. Declara-se nulo o despacho decisório, reconhecido o cerceamento do direito de defesa, com retorno à origem dos autos para prolação de novo julgado, por não ter sido previamente intimada a prestar esclarecimentos sobre as razões que levaram ao indeferimentoparcialdopleito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar-lhe provimento, declarando a nulidade do despacho decisório proferido pela Unidade da Receita Federal de origem e determinando que os autos retornem à mesma para que reaprecie o pedido de restituição/compensação. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) Luiz Augusto De Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS. EXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO AO SUJEITO PASSIVO. Declarase nulo o despacho decisório, reconhecido o cerceamento do direito de defesa, com retorno à origem dos autos para prolação de novo julgado, por não ter sido previamente intimada a prestar esclarecimentos sobre as razões que levaram ao indeferimentoparcialdopleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário para darlhe provimento, declarando a nulidade do despacho decisório proferido pela Unidade da Receita Federal de origem e determinando que os autos retornem à mesma para que reaprecie o pedido de restituição/compensação. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) Luiz Augusto De Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 30 6. 72 10 16 /2 01 2- 05 Fl. 931DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 16306.721016/201205 Acórdão n.º 1401002.048 S1C4T1 Fl. 932 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n. 1648.336 da 2ª Turma da DRJ/SP1, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade manteve o despacho decisório no qual foi homologação PARCIAL das compensações solicitadas no presente processo, todas fundadas no suposto saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2008 (valor pleiteado de R$ 42.038.513,58). A homologação parcial das compensações mencionadas no parágrafo precedente (R$ 15.033.081,07) fundouse, em síntese, nas seguintes constatações deduzidas no Despacho Decisório exarado pela Divisão de Orientação e Análise Tributária – DIORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – DERAT/SPO (fl. 108/110): • As Estimativas dos Meses de fevereiro e maio de 2008 não foram consideradas, pois de acordo como o Sistema SIEF – Processo, as mesmas não foram homologadas (valor de R$ 7.861.813,21); • Comprovação parcial das retenções de IRRF (R$ 16.556.206,64) bem como não oferecimento integral das receitas respectivas à tributação. Apreciada a manifestação de inconformidade, mantevese a não homologação parcial, pois segundo a autoridade fiscal houve a comprovação apenas parcial das retenções na fonte bem como as estimativas dos meses de fevereiro e maio de 2008 não foram consideradas, pois as mesmas não foram homologadas. Segundo a decisão de piso o saldo negativo de IRPJ na PER/DCOMP ou na DIPJ deveria ser comprovado por meio da escrita fiscal acompanhados de demonstrativos das parcelas e da documentação de suporte. No caso das retenções de IRRF, parcela constituinte do saldo negativo, a contribuinte deveria ter apresentado o informe de rendimentos, demonstrativos de composição das fontes deduzidas na DIPJ bem como das respectivas receitas oferecidas à tributação. Inconformada, interpôs recurso voluntário pleiteando em preliminar: i nulidade do Despacho decisório, em virtude da inobservância, pela autoridade administrativa da regra do art. 65, da IN 900/06 que determinava a estrita observância ao contraditório consistente na falta de intimação do interessado para apresentar a documentação que entendesse necessária para comprovação do crédito pleiteado; ii nulidade da decisão da DRJ pela omissão quanto a análise do conjunto probatório anexado à manifestação de inconformidade (informes de rendimento fls. 335/351); iii julgamento extra petita em relação a matéria não suscitada, relativa à ilegalidade dos juros moratórios e taxa Selic; iv impossibilidade de alteração da apuração realizada pelo contribuinte sem a lavratura do AIIM. Caso ultrapassadas as preliminares, no mérito, aduz a correta apuração do valor adicional do IRPJ e o reconhecimento do direito de crédito em sua integralidade, ou que seja o julgamento convertido em diligência para análise dos documentos acostados em sede da manifestação de inconformidade e inexistência de débito a ser exigido da recorrente. Fl. 933DF CARF MF 4 Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. O Recurso apresenta os requisitos essenciais para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 1648.336, da DRJ/SP1, a qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da homologação parcial de compensações que visavam à utilização de saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário 2008. Desde a Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aponta nulidade do despacho decisório por não ter sido previamente intimada a prestar esclarecimentos sobre as razões que levaram ao indeferimento parcial do pleito. Entendo que assiste razão à Recorrente, há época em que formulado o pedido de restituição vigorava a IN SRF 900/2008, que possuía o seguinte teor: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas § 1º Na hipótese de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam os arts. 27 a 29 e 42, o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação somente serão recepcionados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) após prévia apresentação de arquivo digital de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com os documentos fiscais de entradas e saídas relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF Nº 86, de 22 de outubro de 2001, e especificado nos itens "4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos complementares PIS/COFINS", do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS Nº 15, de 23 de outubro de 2001. § 2º O arquivo digital de que trata o § 1º deverá ser transmitido por estabelecimento, mediante o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais (SVA), disponível para download no sítio da RFB na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, e com utilização de certificado digital válido. Fl. 934DF CARF MF Processo nº 16306.721016/201205 Acórdão n.º 1401002.048 S1C4T1 Fl. 933 5 § 3º Na apreciação de pedidos de ressarcimento e de declarações de compensação de créditos de PIS/Pasep e da Cofins apresentados até 31 de janeiro de 2010, a autoridade da RFB de que trata o caput poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, transmitido na forma do § 2º. § 4º Será indeferido o pedido de ressarcimento ou não homologada a compensação, quando o sujeito passivo não observar o disposto nos §§ 1º e 3º. § 5º Fica dispensado da apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, o estabelecimento da pessoa jurídica que, no período de apuração do crédito, esteja obrigado à Escrituração Fiscal Digital (EFD). Compulsando os autos verificase que, de fato, muito embora os autos tenham sido encaminhados para tratamento manual , antes da decisão que reconheceu apenas parcialmente os créditos pleiteados não existiu qualquer intimação para apresentação de documentos adicionais ou esclarecimentos. Neste contexto, conforme consignado pela Conselheira Lívia De Carli Germano ao julgar caso análogo Acórdão 1401001873: "No caso, tivesse a ora Recorrente tido a oportunidade de esclarecer alguns aspectos tais como o fato de que, por se tratar de receitas e aplicações financeiras, a apropriação contábil ocorre pelo regime de competênciae a tributação na fonte ocorre no regime de caixa (apenas no vencim ento ou cessão do titulo), nos termos do artigo 731 do RIR/99 talvez todo este proce sso administrativo que tramita há anos poderia ter sido evitado". A regulamentação trazida pela INRFB 900/2008 não traz uma mera faculdade à autoridade fiscal, principalmente em casos como este em que o contribuinte poderia ter informações adicionais, hábeis a, pelo menos em tese, inclusive evitar o contencioso administrativo, tivesse a DERAT tido a oportunidade de analisálas antes de exarar seu despacho decisório. Ao contrário, preferiuse o caminho de manter as homologações parciais, invertendose ilegalmente o ônus da prova. Tal circunstância revela que, no presente caso, restou caracterizada a nulidade, eis que foi proferido despacho decisório em cerceamento do direito de defesa do contribuinte (art. 59, II, do Decreto 70.235/1972). Isto porque, consta nos autos que o motivo da negativa do despacho decisório falta de comprovação de parte da retenção na fonte e dos recolhimentos das estimativas dos meses de fevereiro e maio de 2008, mas a contribuinte somente fora intimada a se manifestar após a prolação do despacho decisório, sem que houvesse previamente oportunizado o exercício do contraditório e da ampla defesa. Ademais, verificase a boa fé da Recorrente, vez que quando intimada do despacho decisório, por ocasião da manifestação de inconformidade a Recorrente acostou os informes de rendimentos de fls. 335/351, que também não foram apreciados no julgamento pela DRJ. Fl. 935DF CARF MF 6 Assim, assiste razão à recorrente quando sustenta que o julgador tem o dever de analisar todas as provas trazidas pelas partes, sob pena de nulidade, ainda que para demonstrar que eles não teriam o condão de alterar o lançamento, mas os documentos tem que ser analisados. O artigo 59 do Decreto 70.235/72 é expresso em afirmar que são nulos os despachos e as decisões proferidos com preterição ao direito de defesa. Tal providência, além de prestigiar o duplo grau de jurisdição no âmbito do contencioso administrativo, possibilitará ao contribuinte, caso lhe seja novamente desfavorável o despacho decisório em questão, a interposição de recurso voluntário com os eventuais acréscimos de provas documentais pertinentes à comprovação do que vem alegando. Neste sentido, Acórdão CARF 2401004.389 da 4a. CAM/ 1a. TO/ 2a Seção em 14/06/2016. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS. EXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO AO SUJEITO PASSIVO. Declarase nula a decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, com retorno à origem dos autos para prolação de novo julgado, quando o acórdão recorrido deixa de avaliar os comprovantes de pagamento anexados pelo impugnante com a finalidade de contraporse à pretensão fiscal de glosa de despesas médicas, acarretando a conduta do julgador "a quo" prejuízo concreto ao sujeito passivo. Decisão anulada Exposto assim, é mister anular o processo a partir da decisão de primeira instância, para que outra seja proferida em seu lugar, apreciando, dessa vez, os documentos contábeis apresentados tempestivamente pela recorrente por ocasião de sua impugnação e que dariam suporte a sua tributação na sistemática do Lucro Real. Conclusão De forma que considerando que no regulamento do processo administrativo consta a necessidade de cumprimento ao exercício do contraditório e ampla defesa, que não foram observados no momento devido, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do despacho decisório proferido pela unidade de origem determinando lhe o retorno dos autos para que ela reaprecie o pedido de restituição/compensação. É como voto Fl. 936DF CARF MF Processo nº 16306.721016/201205 Acórdão n.º 1401002.048 S1C4T1 Fl. 934 7 (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Fl. 937DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.005192/2007-46
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2004
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL.
Para fins de apuração de ganho de capital, considera-se custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural, o Valor da Terra Nua-VTN constante do Documento de Informação e Apuração do ITRDIAT,
observado o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação, respectivamente, nada há que autorize o provimento do recurso voluntário.
Numero da decisão: 1802-000.806
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. Para fins de apuração de ganho de capital, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural, o Valor da Terra NuaVTN constante do Documento de Informação e Apuração do ITRDIAT, observado o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação, respectivamente, nada há que autorize o provimento do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA – Presidente. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR – Relator. Fl. 320DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Diniz Raposo e Silva, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel e Gilberto Baptista.. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG. Depreendese dos autos que contra a recorrente foram lavrados autos de infração para formalização e exigência de crédito tributário relacionado ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas — IRPJ (fls. 97 103), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fls. 104 109), acrescidos de multa de ofício e dos juros de mora. Verificase ainda, que a fiscalização relata na Descrição dos fatos e enquadramento legal (fls. 99 e 106) que em procedimento de revisão da DIPJ verificou que o valor de imposto apurado no 3º trimestre de 2004 era inferior ao valor informado na DCTF e efetivamente recolhido. Devidamente intimada a justificar e comprovar a diferença, a recorrente solicitou prorrogação do prazo para atendimento, porém não logrou fazêlo, sendo lavrado o respectivo auto para exigir a diferença do valor apurado na DIPJ, que não foi declarado, nem pago. Ciente das imputações, a recorrente apresentou Impugnação (fls. 114 120 alegando em síntese que na DIPJ (3° trimestre) e consequentemente no auto de infração a apuração do ganho de capital foi equivocado, porquanto de conformidade com artigo 523 do RIR/99, na alienação de imóvel rural, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o Valor da Terra Nua – VTN, constante do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT. Diante dessas argumentações, juntou documentação comprobatória e requereu perícia, suspensão da cobrança e não sendo deferida a exclusão do crédito tributário, a diminuição da exação mediante a documentação apresentada. A 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG, nos termos do acórdão e voto de folhas 284 a 287, julgou parcialmente procedente a autuação, registrando que se prescindia da realização de perícia, porquanto os documentos encartados com a impugnação deslindavam perfeitamente a questão. No mérito registrouse que a recorrente alega erro na apuração do ganho de capital constante da DIPJ e que o equívoco, segundo o contribuinte, deveuse ao fato de não terem utilizado o valor da terra nua constante na declaração do ITR e sim "o valor integral". Dito isso, a decisão recorrida relembrou que a empresa apurava seus resultados na forma do lucro presumido, de sorte que em atenção ao artigo 521 combinado com 523 do RIR/99, os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas Fl. 321DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE Processo nº 10675.005192/200746 Acórdão n.º 180200.806 S1TE02 Fl. 103 3 pelo artigo 519, serão acrescidos à base de cálculo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos artigos 239 e 240 e no § 3º do artigo 243, quando for o caso, e que a partir de 12 de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o Valor da Terra Nua VTN constante do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, observado o disposto no artigo 14 da Lei nº 9.393/96, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação, respectivamente (Lei nº 9.393/96, art. 19) e na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente a 12 de janeiro de 1997, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no parágrafo único do artigo 136 e nos incisos I e II do artigo 522 (Lei nº 9.393, de 1996, art. 19, parágrafo único). Feito o cotejo da legislação aplicável, a decisão recorrida considerou que no caso concreto a propriedade alienada em 27 de agosto de 2004 (escritura às fls. 177 – 181) foi adquirida em partes, no ano de 1999, conforme documentos de folhas 149 a 176 e na declaração do ITR entregue em 24 de setembro de 2003 a recorrente informou o valor da terra nua — VTN como sendo de R$ 916.700,00 (fls. 187 193). Registrouse ainda que o VTN informado na declaração de ITR entregue em 30 de setembro de 1999 foi de R$ 81.790,00, portanto, de conformidade com artigo 523 do RIR/99, entendeu a decisão recorrida que o ganho de capital foi de R$ 834.910,00 e não o valor constante da DIPJ (fl. 09). Por essas razões, a decisão recorrida considerou parcialmente procedente a impugnação, mantendo os valores de R$ 203.213,50 e R$ 75. 141,90, excluindo os valores de R$ 34.891,82 e R$ 12.723,06, referentes respectivamente ao Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Devidamente notificada (fl. 290), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 291 – 296), aduzindo que a ação fiscal detectou suposta ausência de recolhimento de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido, referente a operações de ganho de capital da contribuinte, no 3º trimestre de 2004, e que apresentada impugnação, esta foi acolhida em parte, considerando a ocorrência de ganho de capital no valor de R$ 834.910,00. Argumentou a recorrente que a decisão recorrida ainda reconheceu que o lançamento contábil referente ao 3º trimestre de 2004 no Livro Diário, e consequentemente na Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica 2005 (ano calendário 2004) foi equivocado, pois não se atentou para os aspectos de caracterização do ganho de capital, entretanto, a decisão fixou o ganho de capital no valor de R$ 834.910,00 (oitocentos e trinta e quatro mil, novecentos e dez reais), contrariando a apuração correta que seria no máximo de R$ 526.439,79 (quinhentos e vinte e seis mil quatrocentos e trinta e nove reais e setenta e nove centavos). Salientou a recorrente que a hipótese de incidência tributária dos tributos (IRPJ e CSLL) nominada ganho de capital está definida no artigo 521, § 1º, do Decreto 3.000/99, ou seja, é considerado ganho de capital a diferença positiva entre o valor da alienação e o valor contábil. Assim sendo, argumentou que a alienação dos imóveis ocorreu em 2004, conforme Escritura Pública lavrada no livro nº 161 (fls. 70 – 74), da página 01, do 2º Tabelionato de Notas e Registro Geral de Imóveis da Comarca de Monte Alegre de Minas, Fl. 322DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE 4 devendo ser considerado para apuração do ganho de capital o valor constante da DIAT de 2003, referente ao Valor da Terra Nua VTN, nos termos do art. 523, do Decreto 3.000/99. Nessa ordem das ideias, considerou a recorrente que o equívoco da decisão está em considerar o valor lançado na declaração de ITR, sem verificar o valor real lançado na escritura de folhas 177 a 181 e ainda na escritura de folhas 149 a 176, observandose que não é o lançamento contábil que gera a hipótese de incidência tributária do ganho de capital, mas a diferença positiva entre o Valor da Terra Nua (VTN) constante da Declaração de Imposto sobre a Propriedade Rural do ano da aquisição (1999) e o Valor da Terra Nua (VTN) constante da Declaração de Imposto sobre a Propriedade Rural do ano da alienação (2003), nos termos do art. 521, §1.0 c/c art. 523, do Decreto 3.000/99. Dito isso, salientou a recorrente que a exação apresentada baseouse no lançamento contábil puro, confrontando a Declaração de Informações (DCTF) e a DIPJ 2005, sem considerar a real hipótese de incidência tributária que seria a diferença entre o VTN do ano da aquisição do imóvel rural e o VTN do ano de alienação do imóvel e que observado e comprovado o equívoco do lançamento de ofício, se imporia a reforma da decisão administrativa, observado os argumentos, documentos e provas apresentadas. É o relatório. Fl. 323DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE Processo nº 10675.005192/200746 Acórdão n.º 180200.806 S1TE02 Fl. 104 5 Voto Conselheiro EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como se observa do relatório acima lançado cuidase de auto de infração no qual se constatou ausência de recolhimento de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido, referente a operações de ganho de capital da contribuinte, no 3º trimestre de 2004. A decisão recorrida considerou, nos termos do acórdão minudentemente relatado, que para fins de apuração de ganho de capital considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural, o Valor da Terra Nua VTN constante do Documento de Informação e Apuração do ITRDIAT, observado o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393/96, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação, respectivamente, reduzindose o patamar da autuação. Temse na espécie, portanto, situação que singelamente reclama a interpretação da legislação de regência, interpretação, aliás, realizada pela decisão recorrida com inarredável acerto. Com efeito, entabula o artigo 521 do RIR/99 que os ganhos de capital serão acrescidos à base de cálculo para fins do imposto e seu adicional, considerandose ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente, a diferença positiva verificada entre o valor da alienação e respectivo valor contábil, confirase nesse propósito o indigitado artigo e seu § 1º, litteris: Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). § 1º O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. (...) Verificase, por oportuno, que no caso concreto foi exatamente esse o entendimento adotado pela decisão recorrida, que ainda teve o cuidado de anotar o disposto no artigo 523 do mesmo RIR/99, considerandose custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural, o Valor da Terra Nua constante do documento relativo ao ITR, observese: Fl. 324DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE 6 Art. 523. A partir de 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o Valor da Terra Nua VTN constante do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, observado o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação, respectivamente (Lei nº 9.393, de 1996, art. 19). (...) Foi nessa ordem de fundamentação que se observou que na espécie a propriedade alienada em 27 de agosto de 2004 (escritura às fls. 177 – 181) foi adquirida em partes, no ano de 1999, conforme documentos de folhas 149 a 176 e na declaração do ITR entregue em 24 de setembro de 2003 a recorrente informou o valor da terra nua — VTN como sendo de R$ 916.700,00 (fls. 187 193). E o VTN informado na declaração de ITR entregue em 30 de setembro de 1999, época da aquisição, foi de R$ 81.790,00, portanto, de conformidade com artigo 523 do RIR/99, o ganho de capital foi de R$ 834.910,00 e não o valor constante da DIPJ (fl. 09), nada havendo que se modificar. Atestase, portanto, que a parcela a ser excluída da autuação em questão já o foi pela decisão originária, motivo pelo qual, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2011 (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Fl. 325DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE
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Numero do processo: 10611.000646/94-98
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2000
Numero da decisão: CSRF/03-00.048
Decisão: RESOLVEM os Membros Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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Numero do processo: 35464.002327/2004-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2004
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS PARA FIXAÇÃO DO DIREITO À PERCEPÇÃO.
Os instrumentos decorrentes de negociação deverão conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos de participação nos lucros ou resultados. Para caracterização de regras claras, é necessária a existência de mecanismos de aferição do resultado do esforço inteiramente presentes no acordo já em sua celebração, para que possam ser conhecidos e escrutinados pelos envolvidos na negociação.
Numero da decisão: 9202-005.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não conheceram do recurso e, no mérito, lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2004 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS PARA FIXAÇÃO DO DIREITO À PERCEPÇÃO. Os instrumentos decorrentes de negociação deverão conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos de participação nos lucros ou resultados. Para caracterização de regras claras, é necessária a existência de mecanismos de aferição do resultado do esforço inteiramente presentes no acordo já em sua celebração, para que possam ser conhecidos e escrutinados pelos envolvidos na negociação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não conheceram do recurso e, no mérito, lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 23 27 /2 00 4- 85 Fl. 4936DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.937 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento de obrigção principal lavrada sob o nº 35.669.7975, à efl. 03 a 37. O lançamento tem por objeto as contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas aos terceiros (SESI, SENAI, SALÁRIO EDUCACAO e INCRA). As contribuições foram apuradas no período compreendido entre 03/1999 a 04/2004, sobre os valores pagos aos segurados empregados a titulo de Participação nos Lucros e Resultados. A fiscalização afirmou que houve empregados de nível de direção, gerência, supervisão e chefia para os quais a empresa utilizou critérios distintos para apuração de PLR. Não foram previstas regras claras e objetivas nos acordos para estes empregados, nenhum anexo aos acordos apresentados indica como foram negociados previamente valores e direitos, nem que houve participação dos sindicatos, ou mesmo a ciência pelos participantes. Isso estaria em desacordo com o art. 2º da Lei nº 10.101/200, o que lhe conferiu àqueles pagamentos a característica de salário de contribuição para fins previdenciários. O lançamento foi consolidado em 07/07/2004, no montante de R$ 2.486.881,56, e cientificado à contribuinte em 12/07/2004, com relatório da notificação fiscal do lançamento de débito às efls. 53 a 63. A contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, em 27/07/2004, às e fls. 349 a 373. O Serviço de Análise de Defesas e Recursos do INSS entendeu pela realização de diligência para verificação de argumentos e documentos trazidos pela contribuinte com sua impugnação, conforme despacho às efls. 1819 a 1827. A diligência foi efetuada conforme despacho às efls. 1833 a 1837. A Unidade Descentralizada da SRP em São Paulo, proferiu Decisão Notificação de nº 21.004.4/0107/2005, em 24/01/2005, às efls. 1840 a 1864, na qual concluiu pela procedência do lançamento, para manter o crédito tributário constituído. Fl. 4937DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.938 3 Inconformada, em 23/03/2005, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 1871 a 1895. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 08/05/2009, resultando no acórdão 240100.235, às efls. 2401 a 2413, que decidiu pela nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa da contribuinte. Tal entendimento decorreu da ausência de ciência ao contribuinte da diligência fiscal realizada. Feita a ciência da diligência à contribuinte, ela apresentou, em 18/11/2009, nova impugnação, agora já à DRJ em São Paulo, como se observa às efls. 2439 a 2471. A DRJ/SP1, em 13/05/2010, exarou o acórdão nº 1624.897, às efls. 2770 a 2822, no qual se concluiu, por unanimidade de votos, pela improcedência da impugnação e manutenção do crédito tributário. Ciente da decisão da DRJ, a contribuinte interpôs novo recurso voluntário, em 03/09/2010, às efls. 4765 a 4774. Nesse documento, além de ratificar todos os argumentos das impugnações anteriores, em resumo, afirma: · protesta pela decadência do lançamento com relação aos créditos vinculados à competência de março de 1999, com fulcro no art. 150, § 4º, do CTN; · existe a definição de critérios e metas claros no Target Dialogue Guideline, critério de metas estabelecido pela matriz da empresa no exterior, adaptados à realidade da empresa no Brasil aprovados pelos interessados e pelo sindicato no país; · o plano de participação nos resultados, ainda que diferenciado para diferentes posições de trabalho na empresa, cumprem os requisitos legais, não desbordando da legislação e nem podendo ser tomado como bônus remuneratório; · a fiscalização não comprovou que os valores pagos o foram com habitualidade, em quantias uniformes que interferissem nos valores de salários ou remunerações, que não tivessem relação com o resultado da empresa ou com o acordo de participação nos resultados, nem tampouco que fossem valores certos e previsíveis (características de verbas salariais); · há provas de que os valores pagos foram apurados conforme critérios predefinidos entre trabalhadores e a empresa, com interveniência do sindicato, adequados aos parâmetros legais, tudo provado através de documentos que não foram infirmados pela fiscalização. Esse recurso voluntário foi então apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 11/03/2015, resultando no acórdão 2403 002.979, às efls. 4836 a 4849, que tem as seguintes ementas: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO ART. 150, § 4º. Fl. 4938DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.939 4 Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS EM DESACORDO COM A LEI 10.101/00. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO VIGENTE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM CONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. O método de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados está de acordo com a Lei n.º 10.101/2000, pois a lei pretende privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao pagamento da PLR, e que as regras acordadas sejam claras e objetivas, podendo inclusive estarem escritas em documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente; por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência e declarar extinto o crédito tributário da competência 03/1999. No mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fez sustentação oral a Drª Adriana Pastre Ramos OAB/ SP 131584. RE da Fazenda Intimada para ciência do acórdão em 23/09/2015 (efl. 4850), a Procuradoria da Fazenda Nacional, em 06/11/2015, interpôs recurso especial de divergência (efls. 4851 a 4861) àquele acórdão. Fl. 4939DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.940 5 A Procuradora responsável indica divergência do acórdão a quo relativamente ao acórdão paradigma nº 230200.256. Neste, há o entendimento de que devese manter o lançamento tendo em conta que a inexistência de regras claras e objetivas dispostas em acordo coletivo desnatura o programa PLR, razão pela qual caracteriza natureza salarial a incidir a contribuição. Aduz também, que o acórdão paradigma nº 2402002.458 leva à mesma conclusão, e por isso conclui a Procuradora: Procedendose ao cotejo analítico da divergência, resta clara a divergência de entendimentos. O colegiado recorrido decidiu excluir da tributação os valores pagos a título de PLR, em que pese tenha observado que as regras foram estabelecidas em documentação à parte do acordo coletivo (Target Dialogue Guideline). Diversamente, os colegiados prolatores dos acórdãos paradigmas concluíram só ser possível excluir os valores pagos a título de PLR da tributação quando as regras sobre o plano são estipuladas no acordo ou convenção coletiva. Além de demonstrar a adequação dos paradigmas, a Procuradora fundamente seu recurso afirmando: Com efeito, o referido dispositivo legal acima transcrito determina que, NOS INSTRUMENTOS DECORRENTES DA NEGOCIAÇÃO DEVERÃO CONSTAR REGRAS CLARAS E OBJETIVAS QUANTO À FIXAÇÃO DOS DIREITOS, inclusive mecanismos de aferição pertinentes ao cumprimento do acordado. Porém, ressaltese que os acordos coletivos realizados pela empresa não cumpriram este requisito legal. A documentação juntada aos autos pela contribuinte não prova a participação dos empregados, por meio de seus representantes, no estabelecimento dos critérios e avaliações, sequer estas foram devidamente informadas no instrumento do acordo. Sendo assim, a contribuinte impõe UNILATERALMENTE todas as regras e metas no Target Dialogue Guideline, não tendo qualquer participação dos empregados. Por mais que a contribuinte reitere a argumentação no sentido de que este programa teve ampla divulgação e acompanhamento pelos empregados (posterior à elaboração), tal conduta não exime a empresa da constatação de que O ACORDO, QUE É O INSTRUMENTO APTO À DEFINIÇÃO DAS REGRAS PARA O PAGAMENTO DE PLR, foi realizado em desconformidade com os requisitos legais. Em face do cotejo analítico realizado e dos argumentos aduzidos, a Procuradora da Fazenda requereu o conhecimento e o provimento do recurso especial de divergência, para que se reforme o acórdão recorrido, no quesito objeto de insurgência. O recurso especial de divergência da Fazenda foi apreciado pela Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, Fl. 4940DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.941 6 aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho às efls. 4865 a 4870, datado de 11/03/2016, concluindo pelo atendimento de todos os requisitos para que se desse seguimento à matéria: necessidade de fixação de regras claras e objetivas em acordo coletivo. Contrarrazões da contribuinte Intimada (Intimação nº 2245/2016, efl. 4875) do acórdão nº 2403002.979, do recurso especial de divergência e do despacho de sua admissibilidade, em 19/09/2016 (efl. 4877), a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial de divergência da Fazenda em 03/10/2016 (efl. 4880), às efls. 4922 a 4933. Como preliminar, pleiteia que não se conheça do recurso especial de divergência Procuradora, em face da sua intempestividade, pois a Procuradoria da Fazenda Nacional tivera ciência do acórdão nº 2403002.979 em 23/09/2015, mas só teria interposto seu recurso em 09/11/215. Diversamente do afirmado pela Presidente da 4ª Câmara no seu despacho de admissibilidade, não haveria prova nos autos de que a Procuradoria protocolara seu recurso especial em 06/11/2015. Suporta sua afirmação com base no acompanhamento processual extraído do sítio do CARF, com cópia à efl. 4899. Na sequência, afirma que não foram cumpridos outros requisitos para admissibilidade do recurso especial: divergência do recorrido para com os paradigmas em relação ao art. 1º da Lei nº 10.101/2000, indicada pela Procuradora, bem como instrução do recurso com a íntegra dos acórdãos paradigmas. Ainda nessa seara, afirma a inexistência de similaridade fática entre os paradigmas e o acórdão a quo, o que violaria as regras de admissibilidade do art. 67 do RICARF aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015. São as seguintes as situações fáticas comparadas pela contribuinte para cada paradigma: Fl. 4941DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.942 7 Com base nisso, a contribuinte conclui que nesse contexto, também não há que se falar em divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas que, por sua vez, atraem incidências específicas. No mérito, reafirma suas manifestações que sustentariam ter havido a observância das disposições da Lei nº 10.101/2000. Ao final, a contribuinte requer que não seja conhecido o recurso especial por intempestivo, ou que seja julgado improcedente, em face da ausência de argumentos que corroborem a pretensão recursal. É o relatório. 230200.256 Recorrido (...) houve acordo coletivo, porém sem a disciplina quanto à forma de recebimento, os requisitos a serem atendidos e o conhecimento prévio do empregado: inclusive os acordos são posteriores ao resultado obtido. (...) houve acordo coletivo único para todos os empregados, sendo que as metas de determinados empregados e sua aferição foram estabelecidas em documentos próprios, previamente aos resultados, devidamente assinados e com a demonstração da relação do pagamento com o atingimento ou não das regras. Pagamentos excedentes à periodicidade de um semestre civil violam a Lei n 10101 . No caso dos autos, em nenhum momento se questionou a periodicidade dos pagamentos 2402002.458 Recorrido (...) a Recorrente não apresentou os resultados do cumprimento de metas e parâmetros,(...) (...) todos os documentos solicitados pela fiscalização e outros foram apresentados, inclusive e principalmente os documentos comprovando as metas acordadas, os critérios e o atingimento ou não dos mesmos para pagamento do PLR. (...) no acórdão paradigma consta que as regras não são claras "eis que eles fixam percentuais sobre salário ou do piso salarial dos empregados. Isso comprova que, efetivamente, o pagamento de verbas a título de PLR não atendeu os requisitos formais exigidos pela legislação" e que as atas firmadas não constaram dos acordos coletivos. (...) as partes e o sindicato concordaram que as metas a serem atingidas por determinados empregados seriam diversas (dada a responsabilidade de cada um) e constariam dos documentos já referidos (...) Acórdãos Situação fática Situação fática Fl. 4942DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.943 8 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo. Passo a apreciar os questionamentos da contribuinte relativamente à admissibilidade do recurso especial de divergência da Fazenda. Iniciando pelo questionamento quanto à tempestividade, trago a baila a disposição regimental para sua apreciação, que define o prazo para sua formalização como sendo quinze dias contados da data da ciência da decisão (art. 68 do Anexo II do RICARF). Já o art. 79 do mesmo Anexo II, estipula: Art. 79. O Procurador da Fazenda Nacional será considerado intimado pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN, salvo se antes dessa data o Procurador se der por intimado mediante ciência nos autos. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Em se tratando de processo que tramita por meio eletrônico, a Portaria MF nº 527 de 09/11/2010 dispõe: Art. 7º Para fins de cumprimento dos §§ 8º e 9º do art. 23 do Decreto Nº70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) poderá encaminhar à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) os autos do processo integralmente digitalizado ou do processo digital. § 1º A data de entrega do processo à PGFN e a data do retorno do processo ao CARF será atestada em documento de remessa e entrega do processo administrativo, devendo ser posteriormente digitalizado e anexado aos autos do eprocesso. § 2º O documento de remessa e entrega do processo administrativo poderá ter forma digital e ser anexado aos autos do eprocesso, desde que ateste, automaticamente, a data de entrega do processo à PGFN e a data do retorno do processo ao CARF. § 3º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN na forma deste artigo. § 4º Os Procuradores da Fazenda Nacional deverão anexar as petições digitais que produzirem diretamente aos autos do e processo. Fl. 4943DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.944 9 § 5º O prazo para a interposição do recurso será contado a partir da data da intimação pessoal presumida ou em momento anterior, se o Procurador da Fazenda Nacional se der por intimado antes da data prevista no § 3° mediante assinatura no documento de remessa e entrega do processo administrativo. § 6º A data do retorno do processo ao CARF, atestada no documento de remessa e entrega do processo administrativo, será considerada para fins de aferição da tempestividade do recurso interposto ou da petição protocolada. Tal regra está disposta igualmente no art. 79 do Anexo II do RICARF: Art. 79. O Procurador da Fazenda Nacional será considerado intimado pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN, salvo se antes dessa data o Procurador se der por intimado mediante ciência nos autos. (Negritei.) No caso concreto, havendo envio de despacho eletrônico do processo para Procuradoria da Fazenda Nacional em 23/09/2015, quartafeira, (efl. 4850), ela foi presumidamente intimada em 22/10/2015, quintafeira. A partir do dia seguinte a essa data (útil), realizase a contagem do prazo para interposição do recurso especial, resultando como prazo final 06/11/2015. A contribuinte contesta que exista prova de que o momento da entrega seria efetivamente 06/11 e não 09/11, pois em 06/11 o processo ainda estaria na Procuradoria e deveria ser encaminhado ao CARF, conforme se observaria à efl. 4863. Além disso, o despacho de efl. 4864 informaria o retorno do processo tem 09/11. Por fim, em informação por ela obtida em extrato de andamento processual no sítio do CARF haveria também informação de que o processo somente entrara no órgão em 09/11. O que se pode afirmar, analisando o documento de efl. 4864, com certeza, é que o processo em 09/11/2015, o processo já estava em triagem na SECAM (secretaria de câmara) da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, sendo encaminhado naquela data para análise do recurso especial pela Presidente da 4ª Câmara. O documento de efl. 4863, demonstra, ao final da página, que em 06/11 houve expedição do processo por Eberval Pereira da Cruz, do setor APOIO/COCAT/PGFN/DF/MF para GEPAFSECOJCARFMFDF (SERET), serviço de recepção e triagem do CARF. Sendo o envio eletrônico, dentro do sistema "eprocesso", nada mais lógico que tenha chegado na mesma data. Para confirmar esse entendimento, apresento extrato de consulta ao e processo, de onde extraise a seguinte sequência de eventos: Fl. 4944DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.945 10 Assim, o quadro deixa claro que em 06/11 o processo foi enviado da PGFN para o CARF, sendo recebido para triagem naquela data e em 09/11 ingressou na Secretaria da 4ª Câmara; tempestiva a interposição do recurso, portanto. Em relação a apresentação da íntegra dos acórdãos paradigmas, recordo os dispositivos do art. 67 do Anexo II do RICARF: Art. 67 (...) 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. (...) § 11. As ementas referidas no § 9º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. (...) Logo, está claro que esse requisito, conforme ao § 11 supra, foi atendido. Com relação aos dispositivos legais interpretados de forma divergente, claramente não foi o art. 1º da Lei nº 10.101/2000 que levou à divergência, uma vez que ele não trata das formas de negociação e seus conteúdos mínimos, mas as disposições do art. 2º da mesma lei, estando ele transcrito de forma contextual no recurso especial à efl. 4860. Além disso, a manifestação da contribuinte em contrarrazões deixa perfeitamente claro que ela sabia de que artigo se tratava e quais seriam os pontos de divergência indicados. Por fim, nas alegações de inexistência de similitude fática entre recorrido e paradigmas, entendo que igualmente se equivoca a contribuinte. A discussão que se entabula nos autos em sede de recurso especial de divergência é a de existência de situação que não atenda aos requisitos da norma que permitira que determinados pagamentos fossem, para fins tributários, efetivamente, participação nos lucros ou resultados. Fl. 4945DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.946 11 O art. 2º da Lei nº 10.101/2000 determina condições e requisitos para que sejam considerados os pagamentos de PLR, os paradigmas indicados contém fatos que descumprem essa norma, não têm que ser fatos idênticos para fins de existência de divergência sobre a aplicação da norma, mas fatos similares que levam ao seu desatendimento. No entendimento deste relator, a ausência de dados no acordo geral, do qual participam os empregados, empresa e sindicato, dados estes colocados em programa celebrado em separado, sem a participação de todas as partes citadas, tem o mesmo efeito da ausência das regras claras contratuais para os envolvidos. A questão fática central, enfrentada tanto pelo recorrido quanto pelos paradigmas é a de um acordo de PLR no qual não constam expressamente as regras que deveriam ser (no momento do acordo e antes do início do período de apuração dos lucros e resultados) de conhecimento de todas as partes envolvidas. Além disso, a firmação de que o sindicato concordaria que existissem regras distintas, sem saber quais seriam, por concordar com a existência de peculiaridades nas atividades de chefia, não deixa de ser similar à ausência de acordo relativamente a essas regras. Assim, entendo que a análise dos vícios dos acordos, que não continham todo o disciplinamento da participação nos resultados para todos os empregados (em face da existência de programas em separado), caracterizam fatos similares à não apresentação dos resultados a serem cumpridos e falta de clareza das regras. Pelo exposto acima, conheço do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional . Vencida a questão do conhecimento, passo à análise de mérito. No acórdão a quo foi esclarecido que o Acordo Coletivo de Trabalho, em sua cláusula IX, letra f), dele afastava os diretores, gerentes, supervisores, chefes e equivalentes, porém salvaguardando a possibilidade de que a eles fosse paga participação nos resultados por critérios próprios. Apesar de as metas constarem de outros documentos (Target Dialogue e Programa de Metas), o relator considerou que o plano de participação era único uma vez que havia previsão no acordo de que existiriam tais critérios distintos, valorizando a liberdade negocial dos envolvidos. Observese que o lançamento tomou por fatos geradores apenas os pagamentos tidos por discricionários, relativos àqueles cargos de liderança, vinculados aos planos Target Dialogue e Programa de Metas. Penso que se poderia considerar um plano único, como afirma o relator do recorrido; contudo, a inexistência de regras para todos, por si só, afasta qualquer clareza nas regras do acordo com relação aos cargos de liderança da empresa. São regras apenas referidas, mas estranhas ao acordo e não são objeto de negociação entre empresa e empregados, como definido pelo art. 2º da Lei nº 10.101/2000. Também penso que a negociação seja ponto fundamental nos acordos visando à PLR, contudo, essa liberdade deve deve ser exercida com aderência à legislação, para que se possa atender aos requisitos e, consequentemente, ter direito ao benefício fiscal. Pois bem, a legislação de regência determina que os acordos ou convenções tenham a participação dos empregados, sindicato e da empresa na estipulação de regras claras e objetivas. Fl. 4946DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.947 12 Ora, ainda que presente no acordo a possibilidade de outros documentos estabelecerem os critérios, a ausência destes documentos na celebração inviabiliza, por decorrência lógica, a existência de tal clareza e objetividade. Além disso, a concordância dos empregados regidos por tais planos e a participação do sindicato (requisito expresso) também não pode existir antes deles serem anexados ao acordo. O relator do voto do acórdão de primeira instância, nº 1624.897 da DRJ/SP1, Edijardo Machado, fez análise da documentação apresentada à época e teceu argumentos (efls. 2810 a 2814) que reforçaram minhas convicções nessa matéria, por isso os reproduzo: Notese que na 1ª impugnação apresentada, As fls. 182, a própria empresa afirma "a empresa autuada junta agora no processo administrativo o TARGET DIALOGUE GUIDELINE, ou seja, o critério de metas estabelecido no exterior pela matriz da empresa ..." reconhecendo que para esses programas TARGET DIALOGUE GUIDELINE e PROGRAMAS DE METAS, o critério de metas é estabelecido no exterior pela matriz da empresa, não é objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, como exige o artigo 2° da Lei 10.101/2000. Ao analisar tais planos, verificase que são planos independentes do PPR negociado, inclusive não obedecendo aos valores de limites máximos estipulados nos acordos, com datas diferentes de pagamento e sem a antecipação prevista nas negociações. Não foram previstas regras claras e objetivas nos acordos para estes empregados, nenhum anexo aos acordos apresentados indica como foram negociados previamente valores e direitos, ou a ciência destes pelos participantes, ratificando o já exposto pela fiscalização em seu relatório fiscal. Salientese que, não existe qualquer participação da comissão de empregados e do sindicato na formulação destes programas, apenas consta dos Acordos do PPR negociado, cláusulas que prevêem tais pagamento, ou seja, resta claro que os acordos apresentados, de acordo com a Lei 10.101, de 12/2000, só comportam o PPR, bem seus anexos só detalham cálculos, critérios e metas para níveis hierárquicos inferiores. (...) Salientese que os formulários de Target Dialogue, exaustivamente incluídos neste processo, após serem examinados pela fiscalização e por este julgador, só confirmam a existência de avaliação do programa de premiação da matriz. Queremos ressaltar que nunca se negou que a empresa possua tal programa; mas comprovouse sim que este é completamente alheio aos acordos e a seus anexos, reais alvos das negociações. .Tais documentos não fazem prova que esses pagamentos preenchem os requisitos da lei 10.101/00 e possam vira a ser considerados como participação nos lucros e resultados. (...) Cabe esclarecer que as fórmulas de cálculo do programa Target/Programas de Metas (...), tais programas não foram Fl. 4947DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.948 13 previamente pactuados nos referidos Acordos, que de acordo com a Lei 10.101 de 12/2000, só comportam o PPR, e seus anexos só detalham cálculos, critérios e metas para níveis hierárquicos inferiores, motivo pelo qual essas fórmulas de cálculo não foram consideradas pela fiscalização, bem como por este julgador, não se tratando de meras irregularidades como alegado pela notificada. Por não atenderem ao disposto na referida lei, os pagamentos a titulo de PLR desses dois programas foram considerados salário de contribuição. (...) ... o fato é que, as participações recebidas pelos empregados intituladas TARGET e PROGRAMA DE METAS, possuem regras completamente estranhas a estes Acordos seguindo discricionariedade e critérios próprios da empresa e, conforme acima exposto, não foram objeto de negociação entre a empresa e seus empregados. (Destaques do original) É de se ressaltar a passagem abaixo do voto, na qual é citado documento da própria contribuinte (consta à efl. 764) que indica ser a natureza de seu programa remuneratória: Notese ainda que, no documento de fls. 411 [764], em 19/06/2001, a empresa avisa aos empregados em 19/06/2001, já transcorridos 50% do ano base, como será o PROGRAMA DE METAS para o ano de 2001, afirmando que "... um caminho encontrado para reconhecer performances e contribuições tanto individuais como de equipe, é através de um agressivo programa de remuneração variável, onde possibilitará um ganho adicional do funcionário na remuneração total". O texto deste documento apenas vem a comprovar a real natureza da verba paga, complementação salarial, contrariando assim o disposto no art. 3° da lei n° 10.101/00: Art.3º "A participação de que trata o art. 22 não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado..." (...) Desta forma, ao não obedecer aos critérios previstos nos arts. 1º, 2° e 3° da lei n° 10.101/00, o pagamento efetuado aos segurados empregados referentes ao TARGET DIALOGUE E PROGRAMA DE METAS perdeu as características de participação nos lucros e resultados e, assume a característica de prêmio , integrando o conceito de remuneração para fins de incidência da contribuição previdenciária. (Negritei.) Observese que o fato, não negado, de existir um programa, que fora citado no acordo, não faz com que ele o integre para fins de clareza e objetividade necessários à PLR. Fl. 4948DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.949 14 Entendo que não há, nos autos, qualquer elemento que indique que os critérios definidos externamente, pela matriz, pudessem ter sido verificados em sede de acordo com a participação prévia dos envolvidos, visto que eles não estavam presentes quando da celebração do acordo. Minha conclusão é de que o que não está presente no acordo não pode ser considerado claro nem objetivo. Portanto, voto por dar provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional, para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 4949DF CARF MF Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 9202005.707 CSRFT2 Fl. 4.950 15 Fl. 4950DF CARF MF
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