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Numero do processo: 10280.720360/2011-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010
IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA SUBMETIDA AO LICENCIAMENTO NÃO AUTOMÁTICO. MULTA PREVISTA NA LEI.
Sendo legítima a exigência de licença de importação não automática, com anuência prévia da ANVISA antes do desembaraço das mercadorias, constitui dever da fiscalização aduaneira aplicar a penalidade legalmente prevista, no valor de 30% sobre o valor aduaneiro, decorrente da infração ao controle administrativo das importações, em face da omissão do importador em obtê-la.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.440
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira - Presidente.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira (presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, bro Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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MULTA PREVISTA NA LEI. Sendo legítima a exigência de licença de importação não automática, com anuência prévia da ANVISA antes do desembaraço das mercadorias, constitui dever da fiscalização aduaneira aplicar a penalidade legalmente prevista, no valor de 30% sobre o valor aduaneiro, decorrente da infração ao controle administrativo das importações, em face da omissão do importador em obtêla. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira Presidente. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira (presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 03 60 /2 01 1- 47 Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da aplicação da multa isolada por importações desacompanhadas de guia de importação ou documento equivalente, no valor total de R$ 6.946.508,14. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Em procedimento fiscal foram apuradas infrações ao controle administrativo das importações, descritas no auto de infração (AI) lavrado e a seguir resumidas. Realizada revisão aduaneira das declarações de importação (DI) registradas pela interessada no período de 2006 a 2010, foram identificadas cinco (05) operações realizadas com descumprimento da exigência legal de prévio licenciamento para a importação de mercadorias enquadradas na posição 1511 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), conforme descrição detalhada no Relatório de Revisão Aduaneira de fls.14/29, anexo ao AI. Segundo a fiscalização, foram revisadas as DI’s nº 06/15729910, 07/10091006, 09/04750994, 09/17106681 e 10/07261163, as quais se referem, no seu conjunto, à importação de 17.309.979 kg de óleo de palma. Nos termos definidos pelo Comunicado DECEX nº 23, de 1998, houve infração à obrigação de informar à autoridade competente, no momento do registro das importações, a possibilidade de destino da mercadoria ao consumo alimentar ou à indústria alimentícia, não havendo solicitado a LI não automática, para anuência prévia da ANVISA, de modo a possibilitar o necessário controle aduaneiro na importação. Constatada a importação desacompanhada da respectiva LI exigível, houve lançamento da Multa por infração administrativa ao Controle das Importações no valor total de R$ 6.946.508,14, cientificado à interessada em 10.02.2011 (ver fls.9 e fls. 16/17). A interessada apresentou, tempestivamente, em 10.03.2011, a sua impugnação ao lançamento, cuja íntegra está no volume 3 deste processo, às fls. 570/610, assim resumida em seus argumentos essenciais de contestação: 1. Argúi preliminarmente: (a) falta de interesse de agir da RFB. A exigência de multa pela RFB decorreudo entendimento de que a ora impugnante haveria descumprido norma de interesse da ANVISA. Se a penalidade foi aplicada em face de desamparo da competente LI para o produto referido, que tal documento se exige para conhecimento e autorização prévia por parte da ANVISA para a importação correspondente, temse, então, por evidente a falta de interesse de agir, não demonstrado o nexo de causalidade para com o terceiro (ANVISA). Dada a ausência de motivação, falta objeto à ação fiscal, a qual deve ser extinta sem julgamento do mérito. Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10280.720360/201147 Acórdão n.º 3202001.440 S3C2T2 Fl. 1.241 3 (b) cerceamento ao direito de defesa, pela falta de subsunção do fato descrito à sua tipificação legal, desdobrandose nas duas seguintes inquirições: (b.1) Acusamse importações desamparadas de Guia de Importação ou documento equivalente. Não se pode dizer que Licença de Importação seja documento equivalente à Guia de Importação. Assim tem entendido o Poder Judiciário como, por exemplo, no RE 94469, julgado em 23/06/1981, transcrito às fls.578. (b.2) Mencionase que conforme o Comunicado DECEX 37/2007, alterado pelo Comunicado DECEX 23/2008, as importações de mercadorias classificadas na NCM (posição 1511) quando destinadas à indústria alimentícia, deveriam submeterse ao licenciamento não automático para anuência prévia da ANVISA. Há de se verificar a inaplicabilidade quanto aos registros datados de 2006 e 2007, porquanto anteriores à data da normativa mencionada no AI. (c) À luz do art.638 do Decreto 6.759/09, a revisão aduaneira destinase a verificar apenas a regularidade do pagamento dos impostos, ou ainda, a exatidão das informações prestadas pelo importador na DI. Há, então, duas situações que maculam o procedimento fiscal: (i) o art.570 do RA/02, que lhe serviu de base, achase revogado e, (ii) o fundamento do ato revisional não se subsume as hipóteses na legislação supracitada. Nos termos do art.142, do CTN, é necessário identificar o fato típico e sua hipótese normativa de forma a verificar o elemento subsuntivo. No caso, é inexistente a conduta infracional do sujeito passivo, que não há qualquer omissão ou inobservância de norma legal. Requer a inépcia da ação fiscal pela ausência de pressuposto da ação. 2. No mérito: 2.1. É imprópria a motivação do lançamento fiscal. As importações noticiadas se referem ao produto em estado bruto, sem condição de ser consumido e/ou empregado em outros produtos da forma como foi importado, com exceção daquele objeto da DI nº 10/07261163, datada de 04/05/2010. Somente depois de industrializadas na unidade de Belém, é que podem ser destinados ao mercado. Nesse sentido, não é verdadeiro que as mercadorias importadas objeto do auto de infração fossem destinadas ao consumo alimentar ou mesmo à indústria alimentícia. O estabelecimento industrial da ora impugnante acaba por transformar tanto o óleo bruto de palma quanto a própria estearina em diversos outros subprodutos, sendo parte destes destinados ao emprego em outros produtos, inclusive para a alimentação humana. É o caso do óleo refinado de palma ou da gordura de palma, que acabam sendo destinados às grandes indústrias alimentícias localizadas principalmente no sul e sudeste do país. Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 Apontouse que um estabelecimento filial localizado em São Paulo, promoveu importação de mercadorias semelhantes e em tais operações obteve a prévia licença de importação. Lembra se, que naquele caso a mercadoria importada foi impulsionada diretamente para a indústria alimentícia, mas a mercadoria sob exame foi importada pelo estabelecimento ora impugnante para processamento em sua unidade industrial na cidade de Belém/PA. Assim, no caso, não se trata de impulsionamento de mercadoria importada diretamente para a indústria alimentícia. 2.2. A eventual ausência de LI para os casos mencionados não representa omissão de informação como sugeriu a autoridade fiscal, mas sim, decorre da não vinculação da mercadoria à especificidade apontada, estando em consonância com o exigido para o devido despacho de importação, conforme previsto nos artigos 542 e 543 do Decreto 6.759/09. 2.3. No momento do registro das DI’s, houve informação dos dados pertinentes, atendidos os quesitos necessários, inclusive a indicação da classificação NCM da mercadoria objeto da importação. Ao longo desse procedimento não foi indicada pelo Siscomex a obrigatoriedade de LI para a referida mercadoria; se houvesse tal obrigatoriedade, na própria DI haveria que dispor do destaque da mercadoria pelo código referente a “032” (o qual evidencia tratarse de mercadoria a ser utilizada na indústria alimentícia, porém preparados e embalados, prontos para o consumo). É induvidoso que no momento do desembaraço havia mercadoria importada na condição de não preparada, não embalada, logo, inapropriada ao consumo. Em vista disso é que o Siscomex, por sua parametrização, não exigiu a licença de importação nos casos sob exame. Mais uma vez, ressaltase a diferença de situação entre as importações ora sob exame e as realizadas pelo estabelecimento filial, em São Paulo, que estas foram devidamente acobertadas por prévia licença de importação porque se tratava naquele caso de mercadorias importadas preparadas e prontas para o consumo, podendo ser destinadas diretamente à indústria alimentícia, caso em que a parametrização do Siscomex acabou por tornar exigível a obtenção da licença de importação, o que foi prontamente atendido. 2.4. Nas importações focadas, a mercadoria foi liberada ao importador, após a análise documental devida, com recolhimento dos impostos e contribuições correspondentes. Segundo a fiscalização, as referidas importações requeriam prévia licença de importação, por se tratar de produto sujeito a controle especial, mas, ainda que fosse devida tal exigência, esta acabou sendo suprida pela própria análise documental durante o procedimento de desembaraço aduaneiro, conforme se infere do disposto nos artigos 564 e 572 do RA/2009. Assim, temse que a eventual necessidade de LI acabou sendo relevada naquele momento, pois, conforme o art. 572 do RA/09, se a mercadoria é sujeita a controle especial, o seu desembaraço aduaneiro dependerá de prévio cumprimento dessa exigência. Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10280.720360/201147 Acórdão n.º 3202001.440 S3C2T2 Fl. 1.242 5 No caso concreto, no desembaraço, julgouse correto o procedimento adotado pela importadora, ora impugnante, que as importações objeto das DI nº 06/15729910, 07/10091006, 09/04750994, 09/17106681, acabaram por serem processadas em base ao canal de parametrização AMARELO, enquanto que a importação objeto da declaração de importação de nº 10/07261163 acabou por ser processada em base ao canal de parametrização VERMELHO. Sabese que no canal AMARELO ocorre rigorosa conferência documental, sobretudo para identificar se é passível de controle especial. No caso do canal VERMELHO, o desembaraço requer além da análise documental também a análise física da mercadoria importada. 2.5. Da inadequação da revisão aduaneira nas DI’s. Já se disse que o procedimento fiscal foi impróprio porque fundado em RA revogado pelo Decreto nº 6.759/09. O procedimento de revisão aduaneira foi impróprio também à luz do art.638, do RA/2009. O fato típico que a fiscalização pretendeu apontar foi a suposta omissão de prévio licenciamento para a importação de mercadorias classificadas na posição 1511 da NCM, elemento que não se subsume ao disposto no art.638 do RA/2009. A legislação em questão enseja ao agente fiscal a prática de atos revisionais de desembaraço apenas e tão somente quanto ao descrito naquela norma, ou seja: (i) a regularidade do pagamento dos impostos e demais gravames, (ii) aplicação de benefício fiscal e, (iii) exatidão das informações prestadas pelo importador na DI. 2.6. Nas operações de importação foram regularmente cumpridas as obrigações principais decorrente do fato gerador, recolhidos os impostos, as contribuições e demais valores decorrentes. No processo revisional, entendeuse por satisfeitas as obrigações, quanto ao valor, quanto ao prazo de recolhimento, como também quanto às quantificações e identificações das mercadorias importadas. As mercadorias foram desembaraçadas e acobertadas por notas fiscais regularmente emitidas, cujas operações foram registradas nos livros contábeis e fiscais, satisfeitas, pois, as obrigações instrumentais nos termos da legislação regente. Não há que se imputar ao sujeito passivo qualquer conduta delituosa, que não omitiu, não subtraiu, nem confundiu informações, afastandose assim o dolo, a fraude ou simulação. Demonstrada a boafé do sujeito passivo, porquanto não se verificou que tenha pretendido utilizarse de práticas estranhas quer na omissão, na subtração ou adulteração de dados e/ou informações. Não causou nenhum prejuízo ao Erário, atendeu a norma fiscal, o que por si só afasta total e literalmente os fatos declinados na acusação fiscal. 2.7. Há uma presunção de que o sujeito passivo promoveu a importação de mercadorias sem prévia licença de importação, mas não é o caso, porquanto tal regra é inaplicável às operações Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 de importação realizadas. Sem a prova cabal do ilícito fiscal não se pode penalizar o contribuinte, havendo apenas vestígio de omissão do dever de praticar atos. Ainda que se constatasse indicio de irregularidade, não poderia o fisco proceder à lavratura do auto de infração, sem antes provar a materialidade do ilícito. 2.8. Deve ser desqualificada a multa aplicada no valor de 30% sobre o valor aduaneiro, por ser confiscatória, especialmente visto que não houve qualquer prejuízo ao erário, que em face das importações realizadas foram recolhidos os impostos e contribuições devidos, havendo de ser observada a equidade em relação às características pessoais ou materiais do caso, inclusive pela ausência de intuito doloso. Por todas as razões esposadas, que seja o presente lançamento julgado totalmente improcedente. É o relatório. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/REC n.º 1138.188, de 14/09/2012 (fls. 1135 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2010 IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA SUBMETIDA AO LICENCIAMENTO NÃOAUTOMÁTICO. MULTA PREVISTA NA LEI. No caso é legítima a exigência de que houvesse licença de importação não automática, com anuência da ANVISA, antes do desembaraço das mercadorias, constituindose em dever da fiscalização aduaneira aplicar a penalidade legalmente prevista, no valor de 30% sobre o valor aduaneiro, decorrente da infração ao controle administrativo das importações, em face da omissão do importador em obter a competente licença de importação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 1164/1212, por meio do qual basicamente sustenta, depois de relatar os fatos, os mesmo argumentos já encartados em sua impugnação. Requer, também, que lhe seja permitido promover a sustentação oral das razões de defesa por seu representante legal. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10280.720360/201147 Acórdão n.º 3202001.440 S3C2T2 Fl. 1.243 7 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lançamento constitui crédito tributário decorrente da aplicação de penalidade isolada – multa por importação ao desamparo de Licença de Importação (LI), com fundamento nos arts. 490, 633, II, a, e art.634 do Decreto nº 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro 2002 – RA/2002), para as DIs registradas em 2006 e 2007, e nos arts. 550, 638 e 706, I, “a”, do Decreto nº 6.759/09 (RA/2009), para as DIs registradas em 2009 e 2010. Mantido, na integralidade, pela instância de piso, a Recorrente aviou recurso voluntário, por meio do qual sustenta, preliminarmente, falta de interesse de agir da RFB, cerceamento ao direito de defesa (motivos: não se pode dizer que a LI seja documento equivalente à Guia de Importação e inaplicabilidade quanto aos registros datados de 2006 e 2007). Em todas essas alegações, como se passa a demonstrar, não lhe assiste razão. A competência da RFB encontrase plasmada na própria Constituição Federal, em seu art. 37, inciso XVIII, segundo o qual a Administração Fazendária tem, dentro de sua área de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos. No âmbito da legislação infraconstitucional, o art. 9º, do Anexo I, do Decreto nº 6.313, de 2007, que “Aprova a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções Gratificadas do Ministério da Fazenda, e dá outras providências”, atribui à RFB a competência para “dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar os serviços de fiscalização, lançamento, cobrança, arrecadação, recolhimento e controle dos tributos e contribuições e demais receitas da União, sob sua administração.” Portanto, ainda que a LI seja concedida por órgão diverso, isso em nada interfere na competência da RFB. Cerceio ao direito de defesa tampouco há (não houve defeito algum na motivação do lançamento – o que a Recorrente sugere nas razões de mérito –, tanto que devidamente contestado). Ressaltese, a propósito desta alegação de defesa, que os motivos que a fundamentam em hipótese alguma nela resultariam. De todo modo, passamos a apreciálas, na ordem em que elencadas. Primeiro, podese, afirmar, sim, que a GI foi substituída pela LI, passando a ser este o novo documento base do controle administrativo das importações. Isso porque, nos termos do § 1º do art. 6º do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação informadas no SISCOMEX equivalem, na sistemática antiga, à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. O segundo tema já foi bem enfrentado pela instância de piso. A exigência se fundamenta em atos normativos vigentes bem antes das importações, conforme asseverou o il. Relator da decisão recorrida, ao citar que a Portaria da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde nº 772, de 02/10/1998, Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 expressamente já a previa. As razões da exigência foram bem explicitadas nos seguintes parágrafos da decisão recorrida: Esse procedimento, ao contrário do que pretende alegar a i. Impugnante, não é exigência recente, nem mesmo posterior à ocorrência das importações em foco, posto que vigentes pelo menos desde a edição da Portaria da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde nº 772, de 02/10/1998 (Portaria SVS nº 772/98). Observese, conforme descrito a seguir, no que tange à necessidade de anuência prévia da ANVISA, para os produtos enquadrados no Capítulo 15 da NCM. Essa norma veio a atender a necessidade de controle sanitário de toda a cadeia do produto, desde a fabricação ou importação até o consumo, para prevenção de riscos à saúde pública, fiscalizandose tanto produtos nacionais quanto os importados, buscandose ao mesmo tempo estabelecer rotinas para uniformizar os procedimentos relativos à liberação das importações de mercadorias submetidas ao regime de vigilância sanitária. Observese o disposto nos artigos 1º e 2º da referida Portaria SVS nº 772/98: “Art. 1º Aprovar os Procedimentos a serem adotados nas importações dos produtos e matérias primas sujeitos a controle sanitário previstos no Anexo I desta Portaria. §1º Os produtos e matérias primas de que trata o caput deste artigo ficam sujeitos a prévia e expressa manifestação favorável do Ministério da Saúde para sua importação. §2º As alterações, inclusões ou exclusões dos produtos e matériasprimas constantes do Anexo I desta Portaria, ficam condicionadas à publicação oficial do Ministério da Saúde. Art. 2º Notificar os gestores do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX) quanto as práticas e procedimentos que devem ser observados com vistas ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas sujeitas ao regime de vigilância sanitária, a partir da prévia e expressa manifestação do Ministério da Saúde. [...]”. (Grifos nossos). Assim, nos termos do Anexo 1 da Portaria 772/98 (Relação dos produtos sujeitos à anuência prévia do Ministério da Saúde para o SISCOMEX), na importação de todos os produtos e matériasprimas enquadrados no capítulo 15 da NCM – Gordura e óleos animais ou vegetais, produtos de sua dissociação; gorduras alimentares elaboradas; ceras de origem animal e vegetal), haverá de se seguir o Procedimento 5, assim descrito na norma de controle: “PROCEDIMENTO 5: Importação de produtos submetidos ao requerimento da Licença de Importação, depois do seu Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10280.720360/201147 Acórdão n.º 3202001.440 S3C2T2 Fl. 1.244 9 embarque, e sujeitos a fiscalização sanitária, antes do seu desembaraço aduaneiro, realizada pela Autoridade Sanitária do Ministério da Saúde, que finalizará o processo de concessão da Licença de Importação. Nos Comunicados DECEX nº 37/97 e 23/1998, a dicção da norma é confirmada. A Resolução da Diretoria Colegiada da ANVISA nº 19, de 18/10/2002, atualizou a descrição dos produtos e matérias primas sujeitos à anuência prévia da ANVISA no SISCOMEX para importação, mantendo o mesmo tratamento antes dado pela Portaria SVS/MS nº 772/98, abrangendo todos os produtos e matériasprimas enquadrados no Capítulo 15 da NCM. Posteriormente, com os Comunicados DECEX nº 37/2007 e nº 23/2008 (ver fls.37), apenas se aperfeiçoou a descrição do destaque referente às mercadorias enquadradas no Capítulo 15 da NCM, passandose a indicar a observância do destaque 032. O destaque especificado como 032 NCM foi assim redigido: “UTILIZADOS NA INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA; PREPARADOS E EMBALADOS PRONTOS P/CONSUMO” (ver quadro abaixo constante às fls.37). Denotase, por óbvio, que a redação do ato normativo em agosto/2007, ao passar a indicar a observância do destaque NCM 032, referese ainda a todas as mercadorias enquadradas no Capítulo 15 da NCM, com exceção das enquadradas nas posições e subposições seguintes 1501, 1502, 1503, 15030000, 1504, 1504, 15042000, 15060000, 15159090, 15161000, 1517, 1518, 15200010, 1521 e 1522, para as quais indica destaque diverso, conforme quadro parcialmente transcrito a seguir: (omissis) Observese que para as mercadorias importadas enquadradas no Capítulo 15 da NCM, já havia previsão de controle pela ANVISA, isto é, exigência de sua anuência prévia para fins de desembaraço aduaneiro, já previsto no Anexo II do Comunicado DECEX nº 37/97 (produtos sujeitos a licenciamento não automático). Cumpre frisar que, tanto o Comunicado DECEX nº 37, de 17/12/97, como o Comunicado DECEX nº 23, de 24/08/98, invocados pela fiscalização aduaneira, são anteriores inclusive à Portaria SVS/MS nº 772/98 e à Resolução RDC nº 19/2002 já mencionadas, os quais, todos esses atos, já estabeleciam a necessidade de licenciamento não automático para as mercadorias importadas sob exame. Todas as importações focadas ocorreram na vigência desses atos regulamentares. (grifamos). Assim, resta indubitável que os produtos importados pela Recorrente com a classificação 1511.9000 submetiamse, à época da importação, à exigência prévia de Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 licenciamento não automático, uma vez que destinados ao consumo alimentar ou à indústria alimentícia (destaque NCM 032), conforme demonstrou a fiscalização, ao analisar as notas fiscais de entrada e de saída emitidas pela Recorrente correspondentes a cada uma das DIs (ver Relatório de Auditoria; fls. 18/28), quando constatou que estas últimas foram emitidas em nome de empresas do setor alimentício, tais como Unilever Bestfoods Brasil Ltda., Nestlé Nordeste Alimentos e Bebidas Ltda., Pepsico do Brasil Ltda. etc. (notas fiscais de saída anexadas aos autos a partir da fl. 76). Sobre a alegação de que os produtos importados pela filial de São Paulo são diferentes dos importados pela Recorrente (a matriz), ainda que assim seja, isso em nada prejudica o lançamento, já que este argumento foi utilizado pela fiscalização apenas reforçar a sua conclusão. Já a revisão aduaneira das DIs é procedimento legal que pode ser realizado até que ocorra a extinção, pela decadência, do direito de a Fazenda Pública lançar os tributos aduaneiros que não tenha sido, por qualquer razão, recolhidos (art. 570 do RA/2002, cujo fundamento legal é Decretolei nº 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 2º, e Decretolei nº 1.578, de 1977, art. 8º). Como a decadência ainda não se operara, legítima a revisão. As razões de mérito também são de todo improcentes. É que, comprovada a obrigatoriedade de licenciamento não automático pelo órgão competente, a sua não obtenção prévia enseja a aplicação da multa cominada nos autos. A situação é simples assim. Se a Recorrente teve alguma dificuldade ao inserir os dados do produto importado no SISCOMEX (se houve ou não omissão; se houve ou não conduta intencional), isso é coisa que não interfere na realidade dos fatos: a exigência de licenciamento não automático é legal e encontravase vigente em momento bem anterior ao registro das DIS). Não se trata de presunção, pois. Alegar que o fato da liberação do produto importado sem a exigência do licenciamento não automático implicaria a impossibilidade de revisão das DIs significa, é evidente, tornar tabula rasa a norma jurídica, já aqui referida, que a permite dentro do prazo decadencial. Mesmo que não tenha sido explicitamente alegado no recurso, cabe observar, por necessário, que não é de se aplicar o Ato Declaratório Normativo – ADN Cosit n.º 12, de 1997, o qual restringese às hipóteses, aqui não ocorridas, de erro na classificação tarifária do produto ou de indicação indevida de “ex” que exija novo licenciamento: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (grifamos). Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10280.720360/201147 Acórdão n.º 3202001.440 S3C2T2 Fl. 1.245 11 Por fim, alegar o caráter confiscatório da penalidade aplicada significa dizer que haveria uma incompatibilidade vertical da lei que a instituiu com a Constituição Federal, o que é absoltamente defeso a este Colegiado Administrativo (Súmula 2 do CARF). O pedido de sustentação oral deve ser dirigido ao presidente da Turma antes do início do julgamento. Ante o exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13839.913082/2009-90
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/01/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 30 82 /2 00 9- 90 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913082/200990 Acórdão n.º 3801003.935 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Em julgamento recurso voluntário contra decisão de primeira instância administrativa. Adoto o relatório do acórdão recorrido “Tratase de Despacho Decisório, que não homologou Declaração de Compensação Eletrônica , sob o fundamento de que embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. A interessada por sua vez, contesta a decisão alegando preliminarmente a nulidade do ato. Contesta a ausência absoluta do motivo da não homologação da compensação cerceando seu direito a ampla defesa. Aduz que o crédito em que se fundou a compensação decorre de pagamento a maior da Cofins [ou da contribuição para o PIS/Pasep], pois ao calcular o montante devido, incluiu na base de cálculo do tributo não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas como também as demais receitas, ampliandoa indevidamente. Assevera que a pretensão é legitima na medida em que utilizouse de algumas teses tributárias julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes. Invoca a alínea “a” do artigo 16 do Decreto 70.235/72, para postular a posterior produção de provas uma vez que , como dito de forma exaustiva, se nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, como poderia a manifestante defenderse adequadamente? Ao final, reitera suas alegações quanto à nulidade do despacho decisório, solicita a posterior produção de provas como também a baixa dos autos em diligência e o reconhecimento de seu direito creditório com a conseqüente homologação das compensações A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme a seguinte ementa do acórdão: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913082/200990 Acórdão n.º 3801003.935 S3TE01 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 31/12/2005 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. COMPENSAÇÃO. Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. O pedido de diligência será indeferido quando se apresentar prescindível, nos moldes do art.18 do Decreto nº 70.235/72. POSTERIOR JUNTADA DE DOCUMENTOS É legalmente admissível quando demonstrada a impossibilidade de sua apresentação na contestação, por motivo de força maior, fato ou direito superveniente. Da leitura do recurso voluntário, conseguese depreender apenas que, segundo a contribuinte, teria ficado plenamente demonstrado que ocorreu pagamento a maior da contribuição, decorrente da incorreta inclusão de valores no cálculo da contribuição, e que este valores seriam relativos a operações de importação, simples remessas consideradas em duplicidade e outras operações não bem identificadas. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913082/200990 Acórdão n.º 3801003.935 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. À luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito, cabia a contribuinte a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913082/200990 Acórdão n.º 3801003.935 S3TE01 Fl. 6 5 Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Nos autos, não há nenhuma prova da certeza e liquidez do crédito. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.913082/200990 Acórdão n.º 3801003.935 S3TE01 Fl. 7 6 Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11516.721806/2011-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 01/04/2009
EXERCENTES DE CARGO EM COMISSÃO, EXCLUSIVAMENTE, E CONTRATAÇÃO POR TEMPO DETERMINADO NA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. SERVIDORES EM SENTIDO AMPLO. VINCULAÇÃO AO RGPS. INAPLICABILIDADE DAS LEIS DO RPPS. VALORES RECEBIDOS COM HABITUALIDADE E EM PECÚNIA. INTEGRAM A BASE DA CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Fabio Pallaretti Calcini, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS SECRETARIA DE PLANEJAMENTO. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 01/04/2009 EXERCENTES DE CARGO EM COMISSÃO, EXCLUSIVAMENTE, E CONTRATAÇÃO POR TEMPO DETERMINADO NA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. SERVIDORES EM SENTIDO AMPLO. VINCULAÇÃO AO RGPS. INAPLICABILIDADE DAS LEIS DO RPPS. VALORES RECEBIDOS COM HABITUALIDADE E EM PECÚNIA. INTEGRAM A BASE DA CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Fabio Pallaretti Calcini, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 18 06 /2 01 1- 11 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721806/201111 Acórdão n.º 2803003.931 S2TE03 Fl. 171 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.009.3540, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa da categoria de empregados, parte patronal e SAT, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.009.3558, que objetiva o lançamento das contribuições próprias dos trabalhadores parte descontada dos segurados, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa da categoria de empregados, bem como o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA – DEBCAD 51.009.3507, CLF.78, por apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, e redação da MP 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 93 a 102, com período de apuração de 05/2006 a 03/2009, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 87 e 88. O sujeito passivo foi cientificado das autuações, em 26/09/2011, conforme Ofício SEFIS/DRF/FNS Nº 336 e 335/2011, de fls. 136 e 137, respectivamente. O contribuinte apresentou sua defesa, em 19/10/2011, as fls. 139 a 141, acompanhada dos documentos, de fls. 142 a 145. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 146. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1263.592 12ª, Turma DRJ/RJ1, em 25/02/2014, fls. 148 a 152. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 04/04/2014, conforme AR, de fls. 158. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 160 a 166, recebido, em 25/04/2014, desacompanhado de qualquer documento. Mérito. · que o lançamento viola o princípio da autonomia municipal, sendo inviável a cobrança de contribuição social previdenciária de servidor público municipal, vinculado ao RGPS, incidente sobre auxílio alimentação, uma vez que a Lei Complementar Municipal nº 63/2003 ao instituir tal benefício no artigo 81, confere a este caráter indenizatório, pois visa cobrir os custos com alimentação durante o período de labor, estando seu recebimento vinculado as atividades desempenhadas pelo servidor, sendo nítido seu caráter indenizatório, pois não é pago nos dias não trabalhados, não existindo conceituação Fl. 171DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721806/201111 Acórdão n.º 2803003.931 S2TE03 Fl. 172 3 na Constituição e na legislação ordinária que o auxílio alimentação seja remuneratório, não violando a municipalidade qualquer norma, pois inexiste dispositivo legal que conceitue tal verba como remuneratória; · que o artigo 18, da CF/88 corrobora a tese, pois fixa a autonomia do Município como ente federado, sendo que o artigo 30, da Lei Maior outorga competência legislativa em matéria de interesse local em suplementação a federal e estadual, podendo o Município estabelecer a natureza jurídica da verba auxilio – alimentação fornecida a seus servidores públicos, sendo que os servidores comissionados ou temporários vinculados ao RGPS são regidos por normas administrativas e não trabalhistas, sendo abrangidos pela LCM 63/93; · que os servidores vinculados ao RGPS recebem o mesmo auxílio – alimentação como os demais servidores, pois a lei os tratou pelo gênero servidores públicos, não havendo distinção em relação a verba, sendo que o artigo 28, §9º, alínea “c”, da Lei 8.212/91 não define de modo objetivo que o auxílio – alimentação seja remuneratório, não integrando a remuneração a parcela in natura, o que poderia levar a entender que as demais possuem natureza remuneratória, porém no caso do Município e seu servidores o vinculo é de natureza administrativa e não trabalhista, não podendo por analogia ou extensão ser entendido que tal benefício seja submetido ao artigo 28, §9º, alínea “c”, da Lei 8.212/91, pois tal referese exclusivamente a contratos de trabalho, pois a Lei 6.312/76 referese ao benefício na campo da legislação trabalhista; · que não se aplica ao auxílio – alimentação criado pela legislação municipal, o que contido no artigo 28, §9º, alínea “c”, da Lei 8.212/91, haja vista que a lei complementar municipal o define como indenizatório e não remuneratório, não sendo base de incidência, independentemente, de ser fornecido em pecúnia ou in natura, pois verba não tributável, não ocorrendo a hipótese de incidência; · que o recurso deve ser provido, para cancelar os autos e anular a decisão atacada. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 168. Os autos subiram ao CARF, fls. 168. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse Conselheiro, em 18/07/2014, Lote 09, fls. 169. É o Relatório. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721806/201111 Acórdão n.º 2803003.931 S2TE03 Fl. 173 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Não assiste razão a recorrente ao entender que as autuações devam ser revistas e anuladas, pois suas alegações recursais são dissociadas da realidade jurídica apresentada. A CRFB/88 em seu artigo 40, parágrafo 13, diz o que a seguir transcrevo. Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) § 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) (o realce é meu). Do texto constitucional fica evidente que aquele que exerce cargo em comissão, exclusivamente, e o que tem cargo temporário qualquer que seja a natureza vinculamse ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS e não ao Regime Próprio de Previdência Social – RPPS. No campo da competência concorrente inciso XII, do art. 24, da CRFB/88 está instituída a de Estados Membros, Distrito Federal e Municípios para organizarem os seus próprios regimes de previdência social, ou seja, os chamados RPPS, e, ainda, assim, tal competência não é absoluta e se subordina a lei de normas gerais da União sobre a matéria é isso que diz o Supremo Tribunal Federal STF "A matéria da disposição discutida é previdenciária e, por sua natureza, comporta norma geral de âmbito nacional de validade, que à União se facultava editar, sem prejuízo da legislação estadual suplementar ou plena, na falta de lei federal (CF/1988, arts. 24, XII, e 40, § 2º): se já o podia ter feito a lei federal, com base nos preceitos recordados do texto constitucional originário, obviamente não afeta ou, menos ainda, tende a abolir a autonomia dos Estadosmembros que assim agora tenha prescrito diretamente a norma constitucional sobrevinda." (ADI 2.024, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 352007, Plenário, DJ de 2262007.) No mesmo sentido: RE 356.328 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721806/201111 Acórdão n.º 2803003.931 S2TE03 Fl. 174 5 AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 1º22011, Primeira Turma, DJE de 2522011; RE 597.032AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 1592009, Segunda Turma, DJE de 9102009. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. LEI N. 9.717/1998. A AUTONOMIA MUNICIPAL PARA ORGANIZAÇÃO DO REGIME DE PREVIDÊNCIA DE SEUS SERVIDORES NÃO É IRRESTRITA. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. (RE 356328 AgR, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Primeira Turma, julgado em 01/02/2011, DJe038 DIVULG 24022011 PUBLIC 25022011 EMENT VOL02471 01 PP00085) EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. LEI N. 9.717/98. OFENSA AO PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ENTES FEDERADOS. INOCORRÊNCIA. Esta Corte já decidiu que: (i) a Constituição do Brasil não confere às entidades da federação autonomia irrestrita para organizar o regime previdenciário de seus servidores; (ii) por se tratar de tema tributário, a matéria discutida nestes autos pode ser disciplinada por norma geral, editada pela União, sem prejuízo da legislação estadual, suplementar ou plena, na ausência de lei federal [ADI n. 2.024, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, DJ de 1º.12.00]. Agravo regimental a que se nega provimento. (RE 597032 AgR, Relator(a): Min. EROS GRAU, Segunda Turma, julgado em 15/09/2009, DJe191 DIVULG 08102009 PUBLIC 09102009 EMENT VOL0237707 PP01456. Evidente, pois que se os entes federados devem subordinar seus RPPS às normas gerais instituídas e estabelecidas pela União, o Regime Geral de Previdência Social – RGPS representado e operacionalizado pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS constituído e organizado, exclusivamente, pela União Federal no exercício de sua competência constitucional, não sofre ingerências ou interferências das leis dos demais entes federados estatais. Como bem disse o Excelso Pretório nas decisões acima transcritas a matéria é de índole tributária, pois cuida da arrecadação do sistema e nesse caso a União Federal estabelece as normas gerais, sendo que no âmbito do RGPS a competência é plena da União artigos 149, caput, c/c o 195 e 201, todos da CRFB/88. Assim sendo, a lei municipal, ainda, que Complementar não tem o condão de alterar o regime tributário instituído pela União Federal, uma vez que esse visa financiar o RGPS e muito menos pode estabelecer a natureza jurídica do tributo, pois essa é dada pelo artigo 4º, da Lei 5.172/66. Irrelevante para o deslinde do caso que o servidores municipais sejam regidos por normas administrativas e não trabalhistas, pois não se está em momento algum do presente lançamento estabelecendo relação de cunho trabalhista, invocando o DecretoLei 5.452/1943, para enquadrar os servidores municipais no RGPS, pois tal enquadramento foi realizado pelo Fl. 174DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721806/201111 Acórdão n.º 2803003.931 S2TE03 Fl. 175 6 inciso, 13, do artigo 40, da CRFB/88 e como tal os tomadores de serviços desses trabalhadores estão adstritos as normas estabelecidas pela Lei 8.212/91 e demais normas sobre a matéria, na busca do financiamento do sistema. O fato da Lei Complementar ter tratado os servidores municipais pelo gênero é irrelevante para os fins da tributação federal, o que importa é que o servidores definidos como em cargo em comissão; ocupantes de emprego público e contratados por tempo determinado são juridicamente e constitucionalmente vinculados ao RGPS e como tal a seus tomadores de serviços se aplicam as normas tributárias que dizem respeito a esse sistema. Aliás, o inciso I, do artigo 15, da Lei 8.212/91 considera os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional como empresas para os fins da lei de custeio. O fato da alínea “c”, do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/91 , supostamente, não definir de modo objetivo o que é auxílioalimentação em nada altera o lançamento, pois tal parágrafo estabelece norma de exceção, tais como isenção e não incidência. Todavia, a norma de tributação está estabelecida no inciso, XI, do artigo 201, a seguir transcrito, o que, também, consta do artigo 28, caput, da Lei 8.212/91, por força do disposto na alínea “g”, do inciso I, do artigo 12, do veiculo introdutor de norma citado anteriormente, não havendo nenhuma relação entre a exigência tributária, com o vínculo do servidor ser administrativo ou trabalhista, mas sim pelos simples fato de que esse servidor por ordem constitucional está inserido no RGPS. Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Foi esclarecido alhures que a lei municipal não tem o condão de alterar a tributação federal, o regime de previdência a cargo da União, bem como que a competência municipal suplementar em matéria concorrente, encontra limite no exercício da competência plena da União e relativamente a instituição, organização e administração do seu RPPS e não se irradia para o RGPS instituído, organizado e administrado pelo União, ainda, que por intermédio de autarquia e o judiciário federal não pensa diferente, observese as decisões transcritas. TRIBUTÁRIO. SERVIDOR DE MUNICÍPIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE PRIMEIROS QUINZE DIAS DO AUXÍLIODOENÇA E/OU AUXÍLIO DOENÇA ACIDENTÁRIO. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. AUXÍLIOTRANSPORTE. TERÇO DE FÉRIAS. FÉRIAS INDENIZADAS. AUXÍLIOS NATALIDADE E FUNERAL. DIÁRIAS NÃO EXCEDENTES A 50% DA REMUNERAÇÃO. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721806/201111 Acórdão n.º 2803003.931 S2TE03 Fl. 176 7 ADICIONAL DE TRANSFERÊNCIA. SALÁRIO MATERNIDADE. FÉRIAS USUFRUÍDAS. NATUREZA INDENIZATÓRIA DAS VERBAS. INCIDÊNCIA SOBRE HORAS EXTRAS. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO E VALORES PERCEBIDOS PELO SERVIDOR EM FUNÇÃO DE EXERCÍCIO DE FUNÇÃO COMISSIONADA OU DE CARGO EM COMISSÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DAS VERBAS. COMPENSAÇÃO. LEI 11.457/2007. NECESSIDADE DE OBSERVAR O ART. 170A, CTN. 1. Ação que visa afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre valores pagos aos empregados a título de auxíliodoença acidentário e auxílio doença, nos primeiros quinze dias, adicional de 1/3 de férias, auxílioalimentação em pecúnia, valetransporte ainda que pago em pecúnia, avisoprévio indenizado, abono de férias, férias indenizadas, férias gozadas, auxílionatalidade e funeral, adicional de transferência, salário maternidade, gratificações dos servidores efetivos que exerçam cargos ou funções comissionadas, diária em valor não superior a 50% da remuneração mensal e horas extras, bem como a compensação dos valores indevidos nos últimos cinco anos. 2. Não incide contribuição previdenciária patronal sobre os 15 primeiros dias de auxíliodoença e auxíliodoença acidentário; sobre o aviso prévio indenizado e sobre o auxíliotransporte, porque são verbas de natureza indenizatória o que impossibilita a realização da hipótese de incidência prevista no art. 22, I, da Lei nº 8.212/91. 3. Também não incide contribuição previdenciária sobre: o abono constitucional de 1/3 de férias; férias não gozadas (indenizadas); auxílios natalidade e funeral; diárias, em valor não superior a 50% da remuneração mensal e adicional de transferência, em face da natureza indenizatória dessas verbas. 4. Quanto ao saláriomaternidade e as férias em face do novo entendimento do STJ, é de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre tais verbas. (RESP 1.322.945 DF). 5. Em relação aos servidores públicos municipais, existe a sujeição ao Regime Geral da Previdência, devendo ser reconhecida a incidência da contribuição social sobre os valores pagos a título de funções ou cargos comissionados, em consonância com o art. 22, I, II, da Lei nº 8.212/91. 6. Incide a contribuição previdenciária sobre horasextras e auxílio alimentação, em face da natureza remuneratória dessas verbas. Precedentes dos Tribunais. 7. Ajuizada a ação na 13.06.2012, é de ser observada a LC 118/2005, quanto à prescrição quinquenal, e a Lei 11.457/07, que, em seu art. 26, parágrafo único, determina a inaplicabilidade do art. 74, da Lei 9.430/96, às contribuições previdenciárias, restringindo a compensação apenas com tributos da mesma espécie. 8. Compensação tributária após o trânsito em julgado, nos termos do art. 170A, observadas as limitações impostas pelo art. 11 da Lei 8.212/91 c/c art. 26 da Lei 11.457/07. 9. Apelação da União (Fazenda Nacional), remessa oficial e ao recurso adesivo parcialmente providos.(APELREEX 00046278920124058200, Desembargador Federal Emiliano Zapata Leitão, TRF5 Quarta Turma, DJE Data::23/01/2014 Página::316.) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721806/201111 Acórdão n.º 2803003.931 S2TE03 Fl. 177 8 AUTUAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DO CTN. CONTRIBUIÇÃO AO SAT: CONSTITUCIONALIDADE. SERVIDORES DO MUNICÍPIO OCUPANTES EXCLUSIVAMENTE DE CARGOS EM COMISSÃO. PERÍODO ANTERIOR E POSTERIOR À EC Nº 20/98. CONTRIBUIÇÃO DOS EMPREGADORES: INCIDÊNCIA SOBRE O TOTAL DA REMUNERAÇÃO. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO: NECESSIDADE DE PAGAMENTO “IN NATURA”. VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. 1. Os arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 (lei ordinária) não podem se sobrepor às normas estabelecidas pelo CTN, considerado este como lei complementar, no tocante às normas que regem a decadência e a prescrição. 2. Precedentes. 3. O prazo decadencial para a cobrança dos créditos da seguridade social é, portanto, de cinco anos, na forma do art. 173 do CTN. 4. A análise do prazo prescricional a ser utilizado para as contribuições previdenciárias leva em consideração a evolução no entendimento jurisprudencial sobre sua natureza – se tributária ou não tributária. Nesse ponto, temse que o posicionamento dominante, mormente no STF, era o de sua natureza tributária (prazo de cinco anos – CTN), o que se modificou com as alterações promovidas na Constituição pela EC nº 8/77 (prazo de trinta anos – art. 144 da Lei nº 3.807/60, c/c art. 2º da Lei nº 6.830/80). Posteriormente, com o advento da Constituição de 1988, sua natureza voltou a ser tributária; a partir de então, portanto, o prazo voltou a ser qüinqüenal. 5. O prazo de decadência, contudo, jamais deixou de ser de cinco anos, independentemente do período em análise. 6. No caso do art. 150, §4o, do CTN, desde que ocorra o pagamento e não haja a homologação expressa, ultrapasso o lapso temporal de cinco anos, já se encontra decaído o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário do contribuinte. Não há que se falar, pois, que esse seria o termo inicial da prescrição: em primeiro lugar, porque no caso em tela não se está a tratar de prescrição, mas sim de decadência; além disso, se precluso está o direito de constituição do crédito, nada há a cobrar, razão pela qual nem se cogita falar em prescrição. 7. Por outro lado, temse que, in casu, a incidência não é da hipótese do art. 150, §4o, do CTN, mas sim de seu art. 173, pois não houve o pagamento antecipado pelo contribuinte. 8. Quanto ao SAT, a Lei n. 8.212/91 definiu todos os elementos do tipo tributário (fato gerador, alíquota, base de cálculo e sujeitos ativo e passivo da obrigação), não havendo mácula aos princípios da legalidade e tipicidade tributárias (art. 150, I, CF; e art. 97, CTN) o fato de o Poder Executivo definir, em regulamento, o conceito de "atividade preponderante da empresa" em função dos "graus de risco" (leve, médio e grave). Precedentes do STF e do STJ. 9. É possível que o Município seja sujeito passivo das contribuições à Previdência Social, pois o art. 15, I, da Lei nº 8.212/91 equipara à empresa, para fins previdenciários, os entes da Administração Direta. 10. A inclusão dos servidores municipais ocupantes exclusivamente de cargos em comissão, que não pertençam a regime próprio de previdência social, decorre da Fl. 177DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721806/201111 Acórdão n.º 2803003.931 S2TE03 Fl. 178 9 interpretação do art. 13 da Lei nº 8.212/91. Precedentes. 11. A cobrança da contribuição previdenciária dos empregadores mesmo nos casos em que os empregados já contribuem sobre o limite máximo decorre da própria Lei nº 8.212/91, que estabelece que a contribuição a cargo da empresa incide sobre o total das remunerações pagas, a qualquer título, conforme o art. 22, I, da referida lei. 12. Essa distinção de tratamento entre as contribuições devidas pelo empregado e as devidas pelo empregador se explica porque, no caso dos empregados, a contribuição que eles recolhem resulta em um benefício que é a eles diretamente destinado, razão pela qual Sacha Calmon identifica tais contribuições como sendo sinalagmáticas. Ao revés, no caso das contribuições dos empregadores, sua incidência tem origem no princípio da solidariedade, que rege a seguridade social (art. 195 da Constituição). Por essa razão, as contribuições dos empregadores não implicam um retorno em benefícios, mas sim significam a participação das empresas no custeio da seguridade social. 13. Em análise do art. 3o da Lei nº 6.321/76 e do art. 28, §9o, “c”, da Lei nº 8.212/91, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça veio a firmarse no sentido de que, independentemente de o empregador estar ou não inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador, não incide a contribuição previdenciária sobre o auxílio alimentação. Porém, atenta à expressa disposição das normas acima, essa mesma jurisprudência firma que a nãoincidência de contribuição é limitada ao pagamento in natura desse auxílio alimentação, ou seja, quando o próprio empregador fornece a refeição aos seus empregados. 14. No caso dos autos, a própria Lei Municipal acima citada estabelece, de maneira expressa, que o auxílioalimentação será pago em pecúnia, o que afasta a aplicação do art. 28, §9o, “c”, da Lei nº 8.212/91, bem como do art. 3o da Lei nº 6.321/76. 15. A circunstância de a referida Lei Municipal dispor, em seu art. 2o, que a referida quantia não servirá de base para a incidência de contribuição previdenciária não modifica essa conclusão, pois, em matéria de competência concorrente, os Estados e Municípios devem observância às normas gerais editadas pela União, não podendo dispor em contrário a elas (art. 24 da Constituição). 16. O art. 28, §9o, “f”, da Lei nº 8.212/91, determina a exclusão do valetransporte do saláriodecontribuição, quando pago em conformidade com a legislação pertinente. 17. O art. 5o do Decreto nº 95.247/87 veda o pagamento de valetransporte em pecúnia, do que decorre que o pagamento assim realizado não pode ser entendido como de acordo com a legislação, para fins de incidência do art. 28, §9o, “f”, da Lei nº 8.212/91. 18. A jurisprudência do STJ também entende que não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos pelo empregador a título de valetransporte, quando há o desconto respectivo no salário do empregado, o que, contudo, não foi comprovado. 19. Apelações e remessa improvidas. AMS 200351160003476. Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES. TRF2. QUARTA TURMA ESPECIALIZADA. DJU Data::20/10/2008 Página::119 (fiz todos os destaques). Fl. 178DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721806/201111 Acórdão n.º 2803003.931 S2TE03 Fl. 179 10 No caso vertente os ocupantes de cargos em comissão e de cargos temporários são vinculados o RGPS e assim apenas quando tal benefício é oferecido in natura é que este não é base de cálculo da contribuição social previdenciária, conforme ADE, abaixo transcrito. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721806/201111 Acórdão n.º 2803003.931 S2TE03 Fl. 180 11 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 14112.000154/2005-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO.
Afastados os óbices ao direito a crédito base de IPI, formulados em auto de infração julgado improcedente, ficou prejudicada a reconstituição da escrita fiscal levada a efeito pela fiscalização. Restabelecidos os créditos de IPI registrados pela recorrente, confirmam-se os saldos credores passiveis de ressarcimento e a homologação das compensações pleiteadas até o limite do crédito.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Giordano Bruno Vieira de Barros, OAB/DF 23433.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima Sidney Eduardo Stahl e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Afastados os óbices ao direito a crédito base de IPI, formulados em auto de infração julgado improcedente, ficou prejudicada a reconstituição da escrita fiscal levada a efeito pela fiscalização. Restabelecidos os créditos de IPI registrados pela recorrente, confirmam-se os saldos credores passiveis de ressarcimento e a homologação das compensações pleiteadas até o limite do crédito. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Giordano Bruno Vieira de Barros, OAB/DF 23433. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima Sidney Eduardo Stahl e Andrada Márcio Canuto Natal.
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SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Afastados os óbices ao direito a crédito base de IPI, formulados em auto de infração julgado improcedente, ficou prejudicada a reconstituição da escrita fiscal levada a efeito pela fiscalização. Restabelecidos os créditos de IPI registrados pela recorrente, confirmamse os saldos credores passiveis de ressarcimento e a homologação das compensações pleiteadas até o limite do crédito. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Giordano Bruno Vieira de Barros, OAB/DF 23433. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima Sidney Eduardo Stahl e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 11 2. 00 01 54 /2 00 5- 61 Fl. 837DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 10/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 14112.000154/200561 Acórdão n.º 3301002.409 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Por economia processual adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida, abaixo transcrito: Trata o presente processo da DCOMP n° 32273.13179 (cópia às fls. 01/06), que informa como lastro da compensação declarada saldo credor do IPI relativo ao 1° trimestre de 2005, apurado pelo estabelecimento matriz da requerente. Para verificação da legitimidade dos créditos alegados foi instaurado procedimento fiscal cujos resultados estão consolidados no Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 36/45. Relata a autoridade que o trabalho fiscal foi realizado com vistas a verificação das informações prestadas nas declarações de compensação formalizadas nos processos 10140.003359/200420, 10140.003360/200454, 14112.000115/200564, 14112.000154/200561, 14112.000311/200539, 14112.000043/200636, 19718.000015/200702, 19718.000017/200793, com utilização de saldo credor de IPI apurados nos trimestres 1/2004; 3/2004; 4/2004; 1/2005; 2/2005; 3/2005; 1/2006, 2/2006 e 3/2006. Para realização dos trabalhos foram emitidos os Mandados de Procedimentos Fiscal MPFs Fiscalização n° 01401002007000441 e 01401002008005951. Com relação ao direito de crédito relativo à aquisição de insumos, a fiscalização assim se manifestou: "A empresa em questão é fabricante dos produtos "Coca Cola" no Brasil e vem se creditando de insumos (extratos de concentrados para refrigerantes), classificação fiscal 21.06.90.10, à alíquota de27%, conforme Tabela do IPI. Ocorre todavia que as aquisições desses insumos são efetuadas através de empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, que conforme legislação (art. 82, III, RIPI/2002), são isentas do IPI. A empresa ora mencionada incorporou em 31/01/2006 a empresa Refrigerantes do Oeste Ltda, CNPJ n° 03.025.988/000131, que era associada à Associação dos Fabricantes Brasileiros de Coca Cola e beneficiária do direito de se creditar dos insumos adquiridos com isenção do IPI, por força de decisão judicial transitada em julgado (Mandado de Segurança Coletivo n° 96.02.060506, Vara Federal do Rio de Janeiro/RJ, movida pela Associação Nacional dos Fabricantes de Coca Cola no Brasil). A fiscalizada em resposta a Termo de Intimação efetuado, afirma que assumiu todos os direitos e obrigações da "Refrigerantes do Oeste”, inclusive possuindo o direito de se creditar do IPI, apesar de não ser associada à AFBCC à época, porém, o Mandado de Segurança Coletivo impetrado pela Associação fez coisa julgada e os efeitos da coisa julgada em sede de mandado de segurança coletivo alcançam todos os associados, independentemente da data de sua inscrição como membro. Após análises verificamos, em síntese que, o contribuinte fazia jus ao direito, ou seja, poderia continuar se creditando do IPI relativo a aquisição de insumos, adquiridos de empresa situada na Zona Franca de Manaus, isento de IPI, por força da decisão judicial transitada em julgado, mesmo tendo associado a partir de 31/01/2006." Fl. 838DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 10/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 14112.000154/200561 Acórdão n.º 3301002.409 S3C3T1 Fl. 12 3 No decorrer dos trabalhos, a fiscalização constatou que a autuada efetuava lançamentos em sua contabilidade relativo a reembolsos/ressarcimento/refunds (período 2004 a 2007). Entendeu a autoridade fiscal que tais lançamentos se relacionavam com as operações de aquisição de insumos(extratos de concentrados) do fornecedor RECOFARMA Indústria do Amazonas Ltda, CNPJ 61.454.393/0001 06. A autuada foi intimada, em mais de uma oportunidade, a dar explicações sobra a metodologia de cálculo utilizadas em tais operações de ressarcimento, porém não enviou uma resposta que pudesse esclarecer tal ponto. Relata a fiscalização que, "ao final de cada mês, é efetuado o encontro de contas, entre o fornecedor e o fabricante (Dixer), onde é apropriado a devolução de valores (Refund/Ressarcimento/Reembolso), a título de reembolso". A fiscalização também apurou que em algumas ocasiões ocorriam alguns ajustes de preços que redundavam na emissão de nota fiscal complementar por parte da fornecedora (RECOFARMA). Esta nota complementar também gerava crédito de IPI, em virtude da decisão judicial. Apurados os fatos acima, a autoridade fiscal entendeu que a empresa deveria realizar os estorno do IPI creditado, quando da apropriação dos ressarcimentos, como se verifica no trecho abaixo: "Porém, a Fiscalizada não efetua o estorno do IPI apropriado, quando desses reembolsos, que nada mais é que as diferenças de preços nas aquisições dos insumos (extratos concentrados para refrigerantes); ou seja, quando o ajuste de preços é favorável ao Fornecedor (Recofarina), este emite Nota Fiscal Complementar, sem destaque do IPI e a Dixer creditase do IPI à alíquota de 27% (procedimento respaldado em decisão judicial transitada em julgado). No entanto, quando o ajuste de preços é favorável ao adquirente dos insumos (Dixer), esta efetua a apropriação desses ressarcimentos/reembolsos em sua escrita contábil, porém, não estorna o IPI incidente sobre essas aquisições. Assim, deixa de pagar o imposto ou aumenta o saldo credor do IPI, no final do período de apuração (decêndio)." Concluindo então pela necessidade do estorno referentes a tais operações, a fiscalização relacionou todos os ressarcimentos escriturados pela autuada no período analisado, calculando o IPI que deveria, no seu entendimento, ser estornado. De posse desses valores efetuou a reconstituição da escrita fiscal com vistas a expurgar da escrita os valores referentes ao IPI que entendia que deveria ser estornado. Da reconstituição da escrita resultaram saldos devedores em diversos decêndios, sendo estes saldos objeto do lançamento constante do processo 14120.000502/200844. Concluiu a autoridade fiscal que a manifestante cometeu uma infração à legislação tributária ao não "estornar os créditos de IPI, em função dos reembolsos/ressarcimentos efetuados (diferenças de preços) no período de 2004 a 2007)". Fundamenta sua conclusão no artigo 193, do Regulamento do IPI — RIPI/2002, aprovado pelo Decreto n° 4.544/2002. Os auditores relataram que a contribuinte mantinha em sua escrita fiscal créditos básicos indevidos (créditos relativos a aquisições de insumos empregados na fabricação de lubrificantes, produtos nãotributados). Fl. 839DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 10/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 14112.000154/200561 Acórdão n.º 3301002.409 S3C3T1 Fl. 13 4 Ao final, propõe a autoridade fiscal o deferimento do ressarcimento, relativo ao 1° de trimestre de 2005, no valor de R$ 152.194,67. A autoridade competente, acatando o parecer da fiscalização, homologou parcialmente a DCOMP 32273.13179 até o limite do crédito confirmado. Em 09/04/2009 a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 65/75, por intermédio da qual discorda da homologação parcial da compensação declarada. Em resumo, a manifestante apresentou as seguintes alegações: Tais pagamentos, no entanto, não decorreram de "diferença de preço", conforme indevidamente presumiram as autoridades fiscais; tiveram origem em acordo comercial existente entre as partes, segundo o qual, desde que atingidos, certos patamares de comercialização de produtos, a Recofarma se obrigava a conceder descontos à Impugnante. Sucede que, como a verificação da condição aos descontos ocorria em momento posterior ao pagamento das Notas Fiscais, a Impugnante e a Recofarma faziam encontros de contas ao final de cada mês, dos quais poderiam resultar pagamentos à primeira, desde que fosse verificado o preenchimento da condição ao desconto no caso concreto." O que se vê, portanto, é que os pagamentos tidos pela Fiscalização como "diferenças de preços" decorreram, na verdade, a descontos concedidos de forma condicionada pela Recofarma.(grifos no original) Prosseguindo em sua defesa, vem a manifestante trazer argumentos no sentido de caracterizar a inocorrência de qualquer situação capaz de obrigála a proceder ao estorno, como queria a fiscalização. Informa que o artigo 193, do RIP1/2002, "em nenhum momento determina ;o estorno de créditos de IPI sobre "ajustes de preço "(situação presumida pela fiscalização), tampouco sobre descontos concedidos de forma condicional (situação efetivamente ocorrida)". Prossegue dizendo que, no que se refere aos descontos condicionados (situação que afirma que de fato ocorreu), o regulamento prevê justamente o oposto, já que os descontos condicionais, como prescreve o § 3° do artigo 131, do RIPI/2002, "não podem ser deduzidos do valor da operação". Conclui dizendo que: "Sendo assim, considerando que os descontos integram obrigatoriamente o valor da operação (base de cálculo do IPI), não poderia a RFB pretender que a Requerente efetuasse o estorno dos créditos de IPI em montante proporcional aos descontos concedidos pela Recofarma à Requerente. Não há, conforme demonstrado, nenhum dispositivo na legislação tributária que determine o estorno de créditos de IPI na hipótese de descontos. (grifos no orginal)" Ao final requer que "seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade, para que, uma vez reformado o Despacho Decisório e reconhecidos integralmente os créditos de IPI da Requerente, seja homologada a compensação abrangida pelo presente processo administrativo". Ao analisar referida manifestação de inconformidade, a 3ª Turma da DRJ/Juiz de ForaMG, proferiu o Acórdão nº 0927.463, de 04/12/2009, assim ementado: Fl. 840DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 10/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 14112.000154/200561 Acórdão n.º 3301002.409 S3C3T1 Fl. 14 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO VINCULADO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário alegando em síntese que houve uma interpretação absolutamente equivocada do art. 25 da IN RFB nº 900/2008. Defende que ao contrário de negar o ressarcimento o citado artigo condicionaria a efetivação do ressarcimento ao encerramento de eventuais processos administrativos que possam alterar seu montante. Afirma que no caso a previsão de sobrestamento estaria implícita no próprio art. 25 da IN RFB nº 900/2008, o qual impõe ao Fisco, antes de analisar o ressarcimento, que aguarde a solução definitiva do processo de lançamento do crédito tributário, pois dele dependente. Cita jurisprudência administrativa do CARF no sentido da possibilidade de sobrestamento do processo e pede o provimento do recurso de forma que a análise do ressarcimento e das compensações discutidas nestes autos fique sobrestada até que seja proferida decisão final quanto ao recurso de ofício interposto nos autos do processo administrativo nº 14120.000502/200844. É o relatório. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 10/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 14112.000154/200561 Acórdão n.º 3301002.409 S3C3T1 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Está claro que o indeferimento do ressarcimento e não homologação parcial das compensações decorreram de ajustes efetuados na escrita fiscal do livro de apuração do IPI por ocasião de auto de infração do IPI exigido por meio do processo administrativo fiscal nº 14120.000502/200844. Ou seja, sendo mantida a autuação naquele processo, mantémse também o indeferimento parcial do presente processo, ou, em caso contrário, sendo cancelada a exigência daquele processo, há que se restaurar o ressarcimento e homologar as compensações constantes do presente processo. Ocorre que o recurso de ofício, relativo ao auto de infração do processo administrativo fiscal nº 14120.000502/200844, foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção, cuja ementa e parte dispositiva da decisão foram as seguintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 IPI REAJUSTE DE PREÇOS ACORDO COM FORNECEDOR ESTORNO DE CRÉDITOS IMPOSSIBILIDADE. Não consta no Regulamento de IPI RIPI/02 Decreto n° 4.544, de 26/12/2002, previsão de estorno de créditos escriturados na hipótese de superveniência de ajuste de prego. In casu, por força de ação judicial, o contribuinte tem direito a crédito de IPI na entrada. em virtude da compra de insumos isentos procedentes da Zona Franca de Manaus. Em virtude de acordo comercial realizado com seus fornecedores, após a compra e a efetiva emissão da nota fiscal, o contribuinte faz um ajuste no preço do insumo adquirido, o que resulta, por vezes, na redução do preço unitário do insumo que lhe foi fornecido. Todavia, esta "redução de preço" não encontra contrapartida na redução do crédito que foi escriturado por inexistência de previsão legal neste sentido. Inadmissível a glosa de crédito sem previsão Recurso de oficio a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2° turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termo do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva, que dava provimento. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 10/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 14112.000154/200561 Acórdão n.º 3301002.409 S3C3T1 Fl. 16 7 Portanto, sem manifestar minha opinião sobre o mérito da decisão acima transcrita, mantido o julgamento de improcedência do auto de infração e da respectiva reconstituição da escrita fiscal efetivada pela fiscalização, os créditos de IPI registrados pela recorrente são restabelecidos, não havendo mais óbices ao direito às compensações requeridas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório solicitado e homologar as declarações de compensação correspondentes até o limite do crédito reconhecido. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 843DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 10/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 35301.004060/2007-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. DISTINÇÃO NECESSÁRIA ENTRE MATÉRIA SUSCITADA E TESE JURÍDICA ADOTADA.
A divergência jurisprudencial deve ser demonstrada em relação a cada matéria suscitada, tratada no acórdão recorrido, sem a necessidade de vinculação do paradigma à tese adotada no acórdão recorrido.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DA DIVERGÊNCIA.
A demonstração analítica da divergência, prevista no § 6º, do art. 67, do RICARF, não exige a transcrição de trechos do acórdão recorrido, e sim a especificação do ponto a ser rediscutido, o que pode ser feito mediante resumo da tese adotada no julgado guerreado, relativamente à matéria suscitada no Recurso Especial.
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC), definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN).
DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62-A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Numero da decisão: 9202-003.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire que apresentará declaração de voto. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 20/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. DISTINÇÃO NECESSÁRIA ENTRE MATÉRIA SUSCITADA E TESE JURÍDICA ADOTADA. A divergência jurisprudencial deve ser demonstrada em relação a cada matéria suscitada, tratada no acórdão recorrido, sem a necessidade de vinculação do paradigma à tese adotada no acórdão recorrido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DA DIVERGÊNCIA. A demonstração analítica da divergência, prevista no § 6º, do art. 67, do RICARF, não exige a transcrição de trechos do acórdão recorrido, e sim a especificação do ponto a ser rediscutido, o que pode ser feito mediante resumo da tese adotada no julgado guerreado, relativamente à matéria suscitada no Recurso Especial. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC), definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62-A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. DISTINÇÃO NECESSÁRIA ENTRE MATÉRIA SUSCITADA E TESE JURÍDICA ADOTADA. A divergência jurisprudencial deve ser demonstrada em relação a cada matéria suscitada, tratada no acórdão recorrido, sem a necessidade de vinculação do paradigma à tese adotada no acórdão recorrido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA DA DIVERGÊNCIA. A demonstração analítica da divergência, prevista no § 6º, do art. 67, do RICARF, não exige a transcrição de trechos do acórdão recorrido, e sim a especificação do ponto a ser rediscutido, o que pode ser feito mediante resumo da tese adotada no julgado guerreado, relativamente à matéria suscitada no Recurso Especial. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC), definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 40 60 /2 00 7- 76 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO 2 DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire que apresentará declaração de voto. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 20/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, por meio da qual são exigidas Contribuições Sociais Previdenciárias, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais (autônomos) que lhe prestaram serviços, no período de 02/1999 a 12/2001. A ciência do lançamento ocorreu em 30/03/2007 (fls. 35). Em sessão plenária de 18/08/2010, foi julgado o Recurso Voluntário 165.482, prolatandose o Acórdão nº 240101.324 (fls. 355 a 357), assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO Processo nº 35301.004060/200776 Acórdão n.º 9202003.501 CSRFT2 Fl. 412 3 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.° do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por declarar a decadência até 11/2001. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que entendem ser irrelevante a antecipação de pagamento.” Cientificada do acórdão em 24/11/2010 (fls. 358), a Fazenda Nacional interpôs, em 25/11/2010 (fls. 360), o Recurso Especial de fls. 361 a 363, visando a revisão do julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 021/2011, de 18/01/2011 (fls. 366 a 368). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora colimados, afigurase óbvia a necessidade de verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos; com efeito, os discriminativos apresentados pela fiscalização demonstram que a antecipação do recolhimento dos tributos não ocorreu nas competências descritas no lançamento, motivo pelo qual, tornase necessária a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173,1 do CTN e não, do art. 150, § 4º do CTN; no caso, impende destacar que não se operou lançamento por homologação algum, afinal, repisese, a contribuinte não antecipou o pagamento da contribuição lançada, e por isso se procedeu ao lançamento de ofício da exação, na linha preconizada pelo art. 173,1, do CTN; o Superior Tribunal de Justiça, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4º e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue a disciplina normativa do art. 173 do CTN (cita também doutrina de Luciano Amaro); o acórdão recorrido, a despeito destas ponderações e da dicção do art. 173 do CTN, aplicou o prazo de decadência quinquenal, a contar da data de ocorrência do fato Fl. 413DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO 4 gerador, portanto concedeuse à contribuinte decisão mais favorável do que esta obteria junto ao Poder Judiciário; concluise, à evidência, que deve ser reformada, a r. decisão recorrida, e essa é a linha adotada pela jurisprudência majoritária no âmbito do CARF, que, em harmonia com tudo quanto exposto neste recurso, ante a inexistência de pagamento, não admite a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, tal qual previsto no §4° do art. 150 do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento do Recurso Especial, reconhecendose a decadência somente para as competências até novembro de 2001. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 16/02/2011 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 372), o Contribuinte ofereceu, em 03/03/2011 (fls. 373), as Contrarrazões de fls. 373 a 384, contendo os seguintes argumentos, em resumo: Da ausência de prequestionamento as alegações da Recorrente, além de inovadoras, não foram apreciadas pelo acórdão recorrido; a Recorrente não se opõe à conhecida regra de que, em se tratando tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase o prazo constante no art. 150, § 4º, do CTN, nas hipóteses em que há o recolhimento a menor do tributo, ao passo que o prazo previsto no artigo 173, I, do CTN, é aplicável para a hipótese em que não há a antecipação do pagamento pelo contribuinte; a tese advogada pela Recorrente, na verdade, pautase na interpretação que deve ser dada aos referidos dispositivos legais, pois segundo seu entendimento, o artigo 173, I, do CTN deve ser aplicado com observância isolada e específica para cada rubrica que compõe a remuneração; vale dizer, ainda que o contribuinte apure a remuneração que entende devida e recolha as contribuições incidentes, entende a Recorrente que a ausência de alguma rubrica na base de cálculo considerada pelo contribuinte afastaria a aplicação do art. 150, § 4º do CTN e, via de conseqüência, atrairia o art. 173, I; tais questões não foram apresentadas, tampouco apreciadas pelo v. acórdão recorrido, que cingese a afirmar que “para a contagem de tempo, a jurisprudência vem lançando mão do art. 150, § 4º, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado; a discussão acerca da aplicação do art. 173, I, do CTN, com observância isolada de cada rubrica não foi apresentada, tampouco apreciada pelo v. acórdão recorrido, destarte, forte no artigo 67, § 3º, do Regimento Interno do CARF, deve ter seu seguimento negado. Da ausência de demonstração analítica da divergência apesar de a Recorrente ter anexado cópia da ementa dos dois acórdãos que indicou como paradigmas, em nenhum momento foi demonstrado analiticamente em que ponto Fl. 414DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO Processo nº 35301.004060/200776 Acórdão n.º 9202003.501 CSRFT2 Fl. 413 5 o acórdão recorrido divergiu da interpretação do artigo 173, I, do CTN, prestigiada pelos paradigmas; a simples transcrição das ementas e a afirmação de estar demonstrada a divergência, não preenche o requisito de admissibilidade previsto no 67, § 6º, do Regimento Interno deste C. CARF, o qual determina que: “§ 6º. A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido.” também por essa razão não merece seguimento o recurso em debate. Do mérito o artigo 150, § 4º, do CTN, é absolutamente aplicável a casos como o presente, em que a fiscalização não concorda com o valor do tributo declarado e recolhido pelo contribuinte e que, portanto, resolve fazer um lançamento suplementar; a questão de direito aqui envolvida é básica e sua análise depende apenas da fiel observância à natureza das coisas, portanto a abordagem da recorrida será bastante objetiva; os tributos sujeitos ao lançamento por homologação são aqueles cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administra e tal lançamento operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa, (art. 150 do CTN); em se tratando de lançamento por homologação, portanto, o contribuinte exerce uma atividade intelectual de apuração e recolhimento do tributo devido em determinado período e, por obrigação legal, presta tais informações à autoridade administrativa competente que, por sua vez, deverá rever a atividade desenvolvida pelo contribuinte e, sendo o caso, homologála (cita jurisprudência do STJ); consoante o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, a autoridade administrativa possui o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, para homologar “a atividade do sujeito passivo tendente à satisfação do crédito tributário”, sob pena da sua homologação tácita; as contribuições previdenciárias, como se sabe, são tributos sujeito ao lançamento por homologação, e assim são, pois o artigo 30 da Lei n° 8.212/91 obriga o sujeito passivo ao recolhimento das contribuições previdenciárias sobre a remuneração paga aos seus empregados e o artigo 32, IV, também da Lei n° 8.212/91 obriga o sujeito passivo a “declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS”; a declaração acima mencionada é a GFIP que, consoante o artigo 32, §2°, da Lei n° 8.212/91, “constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário”;' Fl. 415DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO 6 é por meio da GFIP, portanto, que o contribuinte declara para a Administração Pública a base de cálculo das contribuições previdenciárias apuradas em determinado período e o respectivo valor que entende ser devido; com efeito, tendo ocorrido a entrega da GFIP, possui a Administração Pública o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, para verificar se as obrigações tributárias vinculadas àquele determinado período foram devidamente cumpridas pelo sujeito passivo; não há como se perder de vista que a base de cálculo das contribuições previdenciárias é a remuneração paga ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que prestem serviços à empresa e que é esta a informação que é prestada através da GFIP; uma vez declarado o valor da remuneração, aplicamse as alíquotas correspondentes e, consequentemente, apontase o valor das contribuições devidas em determinado período; no presente caso, a Recorrida apurou todos os fatos geradores que entendeu existir em suas operações e os declarou integralmente em GFIP e, evidentemente, uma vez entregue a GFIP, presumese que todas as obrigações tributárias apuradas pelo contribuinte foram nela declaradas, restando à Fazenda Pública o dever de homologar, ou não, tal extinção no prazo do art. 150, § 4º, do CTN (cita jurisprudência do STJ); destarte, sendo certo que a presente hipótese envolve a nítida realidade de recolhimento a menor de tributo apurado no período de 12/2001, resta clara a sua submissão ao prazo quinquenal previsto no artigo 150, § 4º, do CTN e, consequentemente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido em sua integralidade. Ao final, o Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, na hipótese de não atendimento a este pedido, que seja negado provimento ao apelo. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, conforme os seguintes argumentos, em síntese: ausência de prequestionamento; e ausência de demonstração analítica da divergência. Quanto à alegação de ausência de prequestionamento, ao argumento de que o acórdão recorrido não teria abordado a questão do pagamento antecipado por rubrica, de plano cabe estabelecer a diferença entre a matéria objeto do recurso, e as diferentes teses que venham a integrar as discussões nos processos. Assim, a matéria suscitada no Recurso Especial é a Fl. 416DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO Processo nº 35301.004060/200776 Acórdão n.º 9202003.501 CSRFT2 Fl. 414 7 decadência, o que envolve toda a legislação de regência, bastando que o Recorrente indique paradigma que adote interpretação divergente da que lhe deu o acórdão recorrido. Obviamente que ao mencionar “lei tributária”, o art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, não se refere a determinado dispositivo legal que porventura tenha constado do acórdão recorrido, e sim ao arcabouço normativo que envolva o tema, e nesse diapasão a alegada divergência jurisprudencial pode significar, inclusive, a aplicação de outro dispositivo legal, atrelado a tese diversa da adotada no recorrido, sem que isso caracterize inovação. Ademais, ainda que não houvesse o prequestionamento – o que se admite apenas para argumentar – tal requisito não é exigido relativamente aos recursos da Fazenda Nacional, conforme dispõe o art. 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, portanto aplicável ao presente Recurso Especial, interposto em 25/11/2010, contra acórdão prolatado em 18/08/2010. Confirase o dispositivo regimental: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais.” (grifei) Quanto à alegação de ausência de demonstração analítica da divergência, também não assiste razão ao Contribuinte, conforme será demonstrado na sequência. O art. 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nª 256, de 2009, assim estabelece: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido.” (grifei) A leitura do trecho em destaque permite concluir que a demonstração analítica da divergência deve ser levada a cabo com a indicação, nos paradigmas, de pontos específicos de divergência em relação ao acórdão recorrido, isso porque um acórdão pode conter várias decisões, envolvendo diversas matérias, de sorte que o Recorrente tem de indicar os pontos sobre os quais intenta demonstrar o dissídio interpretativo. Obviamente que “indicar os pontos de divergência” não significa que tais pontos tenham de ser trazidos ao recurso em forma de transcrição de trechos do acórdão Fl. 417DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO 8 recorrido, mormente quando a questão envolve uma única matéria – decadência. Nesse passo, a Recorrente especificou claramente o ponto que desejava rediscutir – até porque só havia uma matéria decidida, qual seja, a decadência. Confirase: “O v. acórdão ora recorrido aplicou o prazo previsto no art. 150, §4° do CTN e acolheu a preliminar de decadência para os períodos de 02/1999 a 12/2001. No entanto, será demonstrado a seguir que não ocorreu o pagamento antecipado sobre as contribuições apuradas, motivo pelo qual deve ser empregado ao caso concreto, o prazo do art. 173,I do CTN. Assim, divergiu a Câmara a quo, da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que vem determinado a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN nas situações onde não tenha ocorrido o recolhimento antecipado sobre as rubricas lançadas, não importando pagamentos afetos a outros fatos que não são objeto da cobrança. Vejamos: Acórdão 20501579: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido.” (destaques da Recorrente) Acórdão 230100253: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. ALIMENTAÇÃO. NÃO INSCRIÇÃO NO PAT. PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO Processo nº 35301.004060/200776 Acórdão n.º 9202003.501 CSRFT2 Fl. 415 9 No presente caso, a recorrente não estava inscrita no PAT, requisito essencial para desfrutar do benefício fiscal. Recurso Voluntário Negado.” (destaques da Recorrente) Assim, constatase que a Recorrente logrou demonstrar com clareza qual o ponto que desejava rediscutir, mediante resumo da tese adotada no acórdão recorrido – declaração de decadência pela aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, sem que se verificasse pagamento por rubrica – e indicou perfeitamente nos paradigmas o ponto em que divergiram do recorrido. Com efeito, a exigência de demonstração dos pontos que se pretende rediscutir por meio de transcrição de trecho do acórdão recorrido extrapola a prescrição regimental, criando exigência que de forma alguma pode ser extraída do § 6º, acima. Registrese que a demonstração da divergência por meio de cotejo analítico, inclusive em forma de quadro comparativo, onde são confrontados os respectivos trechos dos acórdãos recorrido e paradigma, constitui procedimento que sem dúvida facilita a análise do recurso, mormente nos casos em que são suscitadas diversas matérias, ou quando se trata de situação complexa, em que o simples resumo da tese adotada no acórdão recorrido poderia dificultar o entendimento acerca do que foi efetivamente decidido. Entretanto, não existe comando regimental a exigir tal procedimento, sendo suficiente que, no que tange ao acórdão recorrido, o Recorrente especifique o ponto que deseja rediscutir, mediante resumo da tese adotada no julgado objeto do recurso. Exigirse mais que isso, inclusive nos casos em que o ponto do dissídio jurisprudencial é evidente, constitui excesso de burocracia a criar entrave ao direito ao contraditório e à ampla defesa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo à análise do mérito. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, por meio da qual são exigidas Contribuições Sociais Previdenciárias, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais (autônomos) que lhe prestaram serviços, no período de 02/1999 a 12/2001. A ciência do lançamento ocorreu em 30/03/2007 (fls. 35). A matéria em discussão é a decadência, sendo que o litígio envolve apenas o período de apuração de 12/2001. Sobre o tema a jurisprudência já foi pacificada, no que diz respeito ao prazo de cinco anos para efetivação do lançamento, inclusive no que tange às contribuições previdenciárias. Nesse sentido, por imposição do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, o Colegiado deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, Fl. 419DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO 10 DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO Processo nº 35301.004060/200776 Acórdão n.º 9202003.501 CSRFT2 Fl. 416 11 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do mesmo Código. Destarte, o deslinde da questão passa necessariamente pela verificação da existência ou não de pagamento e, mais especificamente, que tipo de recolhimento poderia ser considerado. Em relação a esse tema, por concordar com eles, adoto os fundamentos do brilhante voto integrante do Acórdão 920201.413, de 12/04/2011, de relatoria do Ilustre Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior, que a seguir reproduzo. “(...) Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Em relação a essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO 12 Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento. Ante o exposto, constatase que durante a ação fiscal foram analisadas guias de recolhimentos relacionadas às folhas de pagamento da empresa que não incluíram a rubrica objeto do presente lançamento, conforme consta à fl. 27, no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, razão pela qual o prazo decadencial a ser aplicado, considerando os dispositivos retro mencionados, é o quinquenal contado do fato gerador, isto é, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, haja vista ter ocorrido a antecipação de pagamento pelo sujeito passivo dos valores relacionados aos demais itens da folha de pagamento consolidada. Assim, considerando que foi demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial a ser aplicado é o previsto no § 4º do art. 150 do CTN.” O posicionamento acima já se encontra sumulado, conforme a seguir: SÚMULA CARF Nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Destarte, com base nos fundamentos acima, que adoto, e tendo em vista que foram efetuados pagamentos, conforme o TEAF – Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 27, deve ser aplicado o art. 150, § 4º, do CTN. Como a ciência ao sujeito passivo foi levada a cabo em 30/03/2007 (fls. 35), e os fatos geradores encontramse entre as competências 02/1999 a 12/2001, sendo que o presente litígio envolve apenas a competência 12/2001, constatase a ocorrência da decadência. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 422DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO Processo nº 35301.004060/200776 Acórdão n.º 9202003.501 CSRFT2 Fl. 417 13 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIR A VALADAO
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Numero do processo: 13900.000065/2001-42
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 22/04/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESISTÊNCIA DE RECURSO. PARCELAMENTO.
Formalizada expressamente a desistência do recurso pela recorrente, em virtude de pedido de parcelamento, deve ser homologado o referido ato, não se conhecendo do apelo voluntário.
Numero da decisão: 3803-006.525
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por carência de objeto.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Paulo Renato Mothes de Moraes e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 22/04/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESISTÊNCIA DE RECURSO. PARCELAMENTO. Formalizada expressamente a desistência do recurso pela recorrente, em virtude de pedido de parcelamento, deve ser homologado o referido ato, não se conhecendo do apelo voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por carência de objeto. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Paulo Renato Mothes de Moraes e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 0. 00 00 65 /2 00 1- 42 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de Manifestação de Inconformidade (fls. 180/194) contra Despacho Decisório (fls. 174/178) proferido em 19/01/2012 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José dos Campos. Cumpre destacar, por oportuno, que as folhas mencionadas neste Acórdão referemse às folhas digitais do eprocesso ora em análise. A interessada protocolou em 11/04/2001 “Pedido de Restituição” de valores recolhidos a título de IPI no período de 01/01/1993 a 30/06/1994, no valor total de R$121.475,38, conforme planilha às folhas 17/21, supostamente em desacordo com a Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, pois utilizou a UFIR do dia do pagamento em vez da UFIR do dia anterior ao do pagamento como determinava a referida lei. A autoridade fiscal concluiu que: (i) já decaíra o direito à restituição, considerandose o transcurso do prazo decadencial de 5 (cinco) anos contados da data do pagamento; (ii) a Lei nº 8.541, de 1992, determinou a utilização da UFIR diária vigente no dia anterior ao do recolhimento para o imposto de renda, a CSLL e o imposto de renda sobre o lucro líquido, não estendendo tal previsão para o IPI; (iii) por disposição legal, se homologam as compensações protocoladas em 2001; e (iv) não se homologa a compensação objeto da DCOMP eletrônica nº 26507.23203.220409.1.7.044808. Cientificada do despacho decisório em 30/01/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR à folha 179, em 29/02/2012 a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade de folhas 180/194, sendo esses os pontos de sua irresignação, em síntese: Tendo em vista o disposto no § 11 do artigo 74 da Lei 9.430, de 1996, a exigibilidade do crédito tributário decorrente da não homologação da compensação encontrase suspensa; O débito de IPI apurado em 2005, no valor de R$20.344,97, foi compensado pela DCOMP eletrônica nº 26507.23203.220409.1.7.044808, ao passo em que os débitos de PIS e Cofins apurados em 2001 foram compensados por meio de declarações de compensação "manuais"; A Requerente pretendeu compensar o débito de IPI com créditos de Cofins cujo valor histórico, em abril de 2001, correspondia a R$10.994,31, que, atualizado pela taxa SELIC acumulada entre a data da quitação a maior da Cofins (origem do crédito) e a transmissão da DCOMP, passou a ser de R$20.344,97, ou seja, exatamente o valor do débito de IPI que a requerente compensou; Fl. 289DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13900.000065/200142 Acórdão n.º 3803006.525 S3TE03 Fl. 3 3 Por seu turno, o crédito de R$10.994,31 tem origem em uma compensação indevida de débito de Cofins de abril de 2001, no valor de R$97.683,86, quitado mediante compensação com créditos de IPI; O débito de Cofins compensado em 2001 e homologado pelo Despacho Decisório ora guerreado, no valor de R$97.683,86, foi R$10.994,31 superior à Cofins efetivamente devida em abril de 2001, que se refere precisamente à parcela de Cofins incidente sobre receitas não operacionais, conforme o inconstitucional artigo 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998; Impetrou o Mandado de Segurança n° 1999.61.03.0056867 exatamente com a finalidade de declarar a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins previsto na Lei nº 9.718, de 1998, e obteve decisão favorável em sede de Recurso Extraordinário; Assim, após declaração da inconstitucionalidade pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), tendo em vista a compensação a maior realizada, a requerente fez jus a um crédito de Cofins no valor histórico de R$10.994,31, e, por isso, buscou recuperar esse montante indevidamente compensado mediante apresentação da DCOMP n° 26507.23203.220409.1.7.044808, na qual declarou a compensação desse crédito, de R$ 10.994,31 já corrigido para R$20.344,97, com débitos de IPI; Não obstante, o despacho decisório não homologou essa compensação pela suposta inexistência do crédito utilizado na DCOMP, e, por essa razão, lançou a cobrança do valor de R$37.979,98, que corresponde à integralidade dos débitos de IPI compensados, mais multa e juros; Contudo, essa cobrança é improcedente, porque o direito de a Receita Federal do Brasil cobrar os débitos de IPI compensados por meio da DCOMP n° 26507.23203.220409.1.7.044808 foi atingido pela prescrição e/ou decadência, nos termos do artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que a DCOMP original (34843.10687.130106.1.3.042968) foi transmitida em 13/01/2006, ou seja, mais de 5 (cinco) anos antes da intimação quanto à não homologação da compensação, o que aconteceu em 30/01/2012; Vale lembrar que o prazo decadencial não se suspende ou interrompe, nos termos do artigo 207 do Código Civil, o que torna evidente que a apresentação de DCOMP retificadora não interrompe o curso do prazo decadencial para que o Fisco constitua eventual crédito tributário, de modo que, após 5 (cinco) anos da transmissão da DCOMP original sem que o contribuinte seja intimado do despacho decisório, as compensações estão tacitamente homologadas; A esse respeito, o CARF já manifestou entendimento reconhecendo que a apresentação de declaração retificadora não suspende ou interrompe o prazo decadencial; Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A RFB poderia contestar tal alegação em vista do que dispõe o artigo 60 da Instrução Normativa n° 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente à época da ocorrência da compensação, mas o artigo 29, § 2º, da referida IN, por seu turno, prevê que "o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação", concluindose que esse artigo 29, § 2º, nada mais é que uma reprodução literal do artigo 74, § 5°, da Lei 9.430, de 1996; Logo, a própria RFB editou norma que lhe reabre o prazo para homologação de compensações quando o contribuinte por algum motivo apresenta DCOMP retificadora, mas que em nada altera o fato de estarem extintos os débitos de IPI compensados pela requerente, porque o artigo 60 da IN nº 600, de 2005, é ilegal, simplesmente porque não tem fundamento em lei; Nem o CTN, nem a Lei nº 9.430, de 1996, nem qualquer outra lei autoriza a RFB a criar uma regra de reabertura de prazo para homologação de compensações, sendo desnecessário dizer que uma IN se presta a disciplinar, não a inovar, e assim onde a lei não criou a regra de reabertura de prazo a IN não poderia fazêlo; Além disso, a DCOMP retificadora transmitida em abril de 2009 não alterou em absolutamente nada as informações sobre os débitos compensados, limitandose a efetuar ajustes pontuais na DCOMP original, circunstância que apenas reforça a percepção de que em março de 2009 a RFB já estava de posse de todas as informações necessárias para cobrança dos débitos de IPI compensados; Mais do que ser ilegal, não faz sentido algum a RFB conceder a si mesma um novo prazo de 5 (cinco) anos para homologação de compensações, e para se aferir o absurdo da regra contida no artigo 60 da IN nº 600, de 2005, basta imaginar que, sempre que se aproximar o término do prazo de 5 (cinco) anos, a RFB pode notificar o contribuinte para apresentação de uma DCOMP retificadora, o que lhe reabriria sucessivamente esse prazo; Logo, estão extintos os débitos de IPI apurados em dezembro de 2005, compensados por meio da DCOMP n° 34843.10687.130106.1.3.042968, transmitida em 13/01/2006, independentemente de se entender que o prazo previsto no artigo 74, § 5º, da Lei 9.430, de 1996, é decadencial (como vem entendendo o Egrégio CARF) ou prescricional (como é possível interpretar a partir dos dispositivos legais que tratam do assunto); Além disso, o crédito utilizado pela requerente existe, é legítimo e suficiente para quitar os débitos de IPI indicados na compensação. A DRJ em Salvador/BA julgou improcedente a manifestação de inconformidade ficando a decisão assim ementada: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 22/04/2009 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13900.000065/200142 Acórdão n.º 3803006.525 S3TE03 Fl. 4 5 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RETIFICAÇÃO. Admitida a retificação da declaração de compensação, o prazo para homologação é contado a partir da data da entrega da declaração retificadora. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. É premissa básica para que seja efetivada a compensação de crédito tributário a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde repisa os mesmos argumentos esgrimidos em primeira instância; ao final, requer a homologação da compensação sub analisis. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para fins de julgamento. Em setembro de 2014, o processo foi retirado de pauta, a pedido do contribuinte, para que fossem incluídos os débitos discutidos neste expediente no parcelamento da Lei nº 12.996/2014. Em outubro de 2014, foi apresentado pedido formal de desistência do recurso e renúncia ao direito dele decorrente, em virtude de adesão ao parcelamento supracitado. Relatado, passase ao voto. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e preenche os requisitos de sua admissibilidade, merecendo ser apreciado por este Colegiado nesta oportunidade. Apreciação não significa conhecimento, porquanto para se conhecer do recurso fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, etc., mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o interesse e a legitimidade para tanto. No caso vertente, houve requerimento formal expresso de desistência do recurso pela recorrente, em virtude de pedido de parcelamento, nos termos da Lei nº 12.996/2014. Dessarte, houve aceitação do decisum do órgão julgador de primeira instância, e conseqüente renúncia às alegações de direito que embasavam o recurso. Ainda como corolário daquele ato, temse a incompetência absoluta desta Câmara para apreciar os pedidos formulados pelo recorrente anteriores à desistência, pois não há mais interesse processual naquele sentido, remanescendo apenas competência para apreciar do último pedido, o qual foi formulado por quem tem legitimidade para tanto, não havendo portanto qualquer óbice à sua aquiescência. No vinco do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso, e homologar a desistência requerida. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13900.000065/200142 Acórdão n.º 3803006.525 S3TE03 Fl. 5 7 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/11 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10665.001406/2008-13
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2007
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS NÃO COMPROVADA INTEGRALMENTE.
Não comprovadas, integralmente, com documentação hábil e idônea, as despesas médicas glosadas pela fiscalização, deve-se manter a glosa relativa às deduções indevidas de despesas médicas. Afastamento das glosas cuja comprovação se fazia possível.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 2801-003.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 2.150,00, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
TÂNIA MARA PASCHOALIN - Presidente.
Assinado digitalmente
FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS NÃO COMPROVADA INTEGRALMENTE. Não comprovadas, integralmente, com documentação hábil e idônea, as despesas médicas glosadas pela fiscalização, devese manter a glosa relativa às deduções indevidas de despesas médicas. Afastamento das glosas cuja comprovação se fazia possível. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 2.150,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente TÂNIA MARA PASCHOALIN Presidente. Assinado digitalmente FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 14 06 /2 00 8- 13 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 10665.001406/200813 Acórdão n.º 2801003.864 S2TE01 Fl. 175 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/BHE (acórdão nº 0234.671), em processo administrativo envolvendo a contribuinte Vera Lúcia Soares Prado. Em sede de revisão da Declaração de Ajuste Anual da contribuinte, procedeuse ao lançamento de ofício do Imposto de Renda que resultou da glosa de despesas médicas no valor de R$ 26.140,00, por falta de efetiva comprovação. Assim, apurou o Fisco um imposto suplementar no valor de R$ 13.759,41, conforme fl. 06 dos autos. As despesas médicas glosadas são relativas aos profissionais: Sandra Mara Coutinho (R$ 6.210,00), Gleice Alvarenga Pinto (R$ 5.150,00), Filgueira e Prado Ltda. (R$ 2.000,00), Cátia Russo Sbampato (R$ 3.000,00), Luciano Cardoso Rabelo (R$ 4.780,00) e Ana Paula C. M. Oliveira (R$ 5.000,00). A DRJ/BHE demandou a realização de diligência para fins de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas. A contribuinte juntou apenas recibos das despesas médicas. Alega ainda que não foram juntados os extratos bancários porque, na ocasião, o Delegado Substituto teria dispensado sua apresentação. Em sua impugnação, aduziu que a documentação completa não foi juntada porque seguiu as orientações dos funcionários da Delegacia de Belo Horizonte, tendo sido prejudicada neste ponto. Em primeiro lugar, em relação à suposta dispensa de apresentação dos extratos bancários, o acórdão entendeu que a situação escapa ao conteúdo do processo, visto que os atos processuais devem ser produzidos por escrito, nos termos do art. 22, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Desta forma, o lançamento foi mantido pela instância recorrida, a qual entendeu, em síntese, que, diante dos altos valores envolvidos, é lícito ao fisco exigir prova incontestável da efetividade dos pagamentos, e que as afirmações constantes de documentos não podem ser opostas, incontinenti, à Fazenda Pública. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DESPESAS MÉDICAS. EFETIVIDADE DOS PAGAMENTOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Mantémse a glosa de dedução a titulo de despesas médicas quando na fase impugnatória não forem apresentados documento; s hábeis que comprovem os pagamentos realizados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 175DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 10665.001406/200813 Acórdão n.º 2801003.864 S2TE01 Fl. 176 3 A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Além disso, juntou novamente recibos expedidos pelos profissionais, os quais atestariam a efetivação do serviço prestado, bem como os extratos bancários de suas contascorrentes. Por fim, juntou jurisprudência deste Conselho que admite a simples apresentação de recibo para comprovação de despesas médicas. É o relatório. Voto Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres, relator. Conheço do recurso voluntário, visto que tempestivo e reunindo todas as condições de admissibilidade. Preliminarmente, na esteira da jurisprudência deste Conselho (Acórdão 2802 002.837 – 2ª Turma Especial) e com base no princípio do formalismo moderado, conheço dos documentos trazidos aos autos com o recurso voluntário, às fls. 104/165. A questão posta nos autos diz respeito à necessidade de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas glosadas pelo Fisco. Em sede de recurso, foram juntados aos autos novos recibos das despesas, bem como todos os extratos das contas bancárias da contribuinte. Conforme a notificação recebida pela contribuinte, os recibos apresentados foram rejeitados pela fiscalização tendo em vista que esta deixou de apresentar comprovação da efetividade de alguns dos serviços, bem como, dos pagamentos correspondentes, por meio de cópias de cheques ou extratos bancários que atestassem as despesas realizadas. Sobre as deduções da base de cálculo na declaração de ajuste anual, o decreto nº 3.000/99, em seu art. 73, estabelece que todas as deduções estarão sujeitas à comprovação de sua realização, nos seguintes termos: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. § 2° As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tomar irrecorrível na esfera administrativa. § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central Fl. 176DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 10665.001406/200813 Acórdão n.º 2801003.864 S2TE01 Fl. 177 4 do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento. Desta forma, neste caso específico, não basta a simples apresentação de recibo. Fazse necessário verificar se, nos extratos bancários juntados pela contribuinte, constam indicativos de pagamento da despesa médica efetuada. Contrariamente, portanto, ao que entendeu a contribuinte em seu recurso voluntário, não há exigências descabidas ou absurdas. Há o exercício de uma faculdade que cabe à fiscalização de exigir mais informações acerca do efetivo pagamento das despesas médicas declaradas. Importante observar que a recorrente procedia, no anocalendário de 2006, à quasetotalidade de seus pagamentos mediante a utilização de cheques. Curiosamente, contudo, nenhum cheque tem valor ou data semelhante aos constantes dos recibos apresentados pelo profissionais e utilizados para fins de dedução do IRPF. Foram juntados extratos de contas na Caixa Econômica Federal, Banco Itaú e Banco Real. Ocorre que não é possível visualizar, nos extratos juntados, qualquer cheque compensado nos valores exatos dos recibos emitidos pelos profissionais cujas despesas foram declaradas como dedutíveis. Em relação aos saques realizados pela contribuinte de sua conta bancária, elaborei uma tabela na qual constam todos os recibos juntados pela recorrente, com valores e datas. Nas colunas da direita, há a tentativa de identificar saques bancários que poderiam guardar relação com os pagamentos declarados pela contribuinte: PROFISSIONAL DATA VALOR FOLHA DOS AUTOS IDENTIFICAÇÃO NO EXTRATO BANCÁRIO CEF IDENTIFICAÇÃO NO EXTRATO BANCÁRIO BANCO REAL ANA PAULA SOARES PRADO jan/06 R$ 240,00 19 ‐ ‐ GLEICE ALVARENGA PINTO 30/01/2006 R$ 540,00 15 ‐ ‐ ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 31/01/2006 R$ 475,00 28 ‐ ‐ SANDRA MARA COUTINHO 22/02/2006 R$ 460,00 11 ‐ ‐ GLEICE ALVARENGA PINTO 23/02/2006 R$ 420,00 15 SAQUES DE R$ 110,00 (23/02/2006) E R$ 300,00 (24/02/2006) ‐ FL. 113 ‐ ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 28/02/2006 R$ 380,00 28 ‐ ‐ ANA PAULA SOARES PRADO mar/06 R$ 560,00 19 ‐ ‐ Fl. 177DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 10665.001406/200813 Acórdão n.º 2801003.864 S2TE01 Fl. 178 5 CÁTIA RUSSO SBOMPATO 27/03/2006 R$ 300,00 22 ‐ ‐ ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 29/03/2006 R$ 475,00 28 ‐ ‐ SANDRA MARA COUTINHO 30/03/2006 R$ 520,00 11 ‐ ‐ GLEICE ALVARENGA PINTO 30/03/2006 R$ 390,00 15 ‐ ‐ ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 26/04/2006 R$ 380,00 29 ‐ ‐ SANDRA MARA COUTINHO 27/04/2006 R$ 520,00 11 ‐ ‐ GLEICE ALVARENGA PINTO 28/04/2006 R$ 400,00 16 ‐ ‐ CÁTIA RUSSO SBOMPATO 28/04/2006 R$ 300,00 22 ‐ ‐ ANA PAULA SOARES PRADO mai/06 R$ 360,00 19 ‐ ‐ CÁTIA RUSSO SBOMPATO 26/05/2006 R$ 300,00 22 ‐ ‐ SANDRA MARA COUTINHO 29/05/2006 R$ 520,00 12 ‐ ‐ GLEICE ALVARENGA PINTO 30/05/2006 R$ 430,00 16 ‐ ‐ ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 31/05/2006 R$ 475,00 29 ‐ ‐ LUCIANO CARDOSO RABELO 26/06/2006 R$ 2.390,00 26 ‐ CÁTIA RUSSO SBOMPATO 27/06/2006 R$ 300,00 23 ‐ SAQUE DE R$ 1.000,00 (21/06/2006) ‐ FL. 140 ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 28/06/2006 R$ 380,00 29 ‐ SAQUE DE R$ 1.000,00 (21/06/2006) ‐ FL. 140 SANDRA MARA COUTINHO 29/06/2006 R$ 605,00 12 ‐ ‐ GLEICE ALVARENGA PINTO 29/06/2006 R$ 320,00 16 ‐ ‐ ANA PAULA SOARES PRADO jul/06 R$ 160,00 20 ‐ ‐ Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 10665.001406/200813 Acórdão n.º 2801003.864 S2TE01 Fl. 179 6 ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 26/07/2006 R$ 380,00 30 ‐ ‐ CÁTIA RUSSO SBOMPATO 28/07/2006 R$ 300,00 23 ‐ ‐ LUCIANO CARDOSO RABELO 28/07/2006 R$ 2.390,00 27 ‐ ‐ SANDRA MARA COUTINHO 31/07/2006 R$ 625,00 12 ‐ ‐ GLEICE ALVARENGA PINTO 31/07/2006 R$ 550,00 17 ‐ ‐ ANA PAULA SOARES PRADO ago/06 R$ 120,00 20 ‐ CÁTIA RUSSO SBOMPATO 28/08/2006 R$ 300,00 23 ‐ SAQUE DE R$ 300,00 (28/08/06) ‐ FL. 142 GLEICE ALVARENGA PINTO 29/08/2006 R$ 390,00 17 ‐ ‐ ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 30/08/2006 R$ 475,00 30 ‐ ‐ SANDRA MARA COUTINHO 31/08/2006 R$ 600,00 13 ‐ ‐ ANA PAULA SOARES PRADO set/06 R$ 200,00 20 ‐ ‐ ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 27/09/2006 R$ 380,00 30 ‐ ‐ SANDRA MARA COUTINHO 28/09/2006 R$ 605,00 13 ‐ ‐ CÁTIA RUSSO SBOMPATO 28/09/2006 R$ 300,00 24 ‐ SAQUE DE R$ 870,00 (22/09/2006) ‐ FL. 143 GLEICE ALVARENGA PINTO 29/09/2006 R$ 450,00 17 ‐ SAQUE DE R$ 870,00 (22/09/2006) ‐ FL. 143 ANA PAULA SOARES PRADO out/06 R$ 160,00 21 ‐ ‐ CÁTIA RUSSO SBOMPATO 27/10/2006 R$ 300,00 24 ‐ ‐ SANDRA MARA COUTINHO 30/10/2006 R$ 520,00 13 ‐ ‐ Fl. 179DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 10665.001406/200813 Acórdão n.º 2801003.864 S2TE01 Fl. 180 7 GLEICE ALVARENGA PINTO 30/10/2006 R$ 620,00 18 ‐ ‐ ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 31/10/2006 R$ 475,00 31 ‐ ‐ ANA PAULA SOARES PRADO nov/06 R$ 200,00 21 ‐ ‐ CÁTIA RUSSO SBOMPATO 28/11/2006 R$ 300,00 24 ‐ ‐ ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 29/11/2006 R$ 380,00 31 ‐ ‐ SANDRA MARA COUTINHO 30/11/2006 R$ 620,00 14 ‐ ‐ GLEICE ALVARENGA PINTO 30/11/2006 R$ 310,00 18 ‐ ‐ ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 27/12/2006 R$ 345,00 31 ‐ ‐ SANDRA MARA COUTINHO 28/12/2006 R$ 605,00 14 ‐ ‐ GLEICE ALVARENGA PINTO 29/12/2006 R$ 330,00 18 ‐ ‐ CÁTIA RUSSO SBOMPATO 29/12/2006 R$ 300,00 25 ‐ ‐ Entendo que os saques arrolados nas colunas “5” e “6”, acima, são condizentes com os valores declarados para fins de dedução de despesas médicas, ainda que apenas um valor (R$ 300,00, em 28 de agosto de 2006) tenha correspondência idêntica entre o recibo e os extratos bancários. Não vejo como seja necessária a identidade entre datas e valores de saques nas contas bancárias, por parte do contribuinte. Havendo proximidade entre datas/valores dos recibos e dos saques em espécie, é possível presumir a ocorrência do efetivo pagamento, não sendo possível afirmar, com segurança, que os valores foram utilizados para outra finalidade. Diante do exposto, voto por restabelecer as glosas nos valores de R$ 380,00 (profissional Ana Paula C. Marinho de Oliveira), R$ 900,00 (profissional Cátia Russo Sbompato), R$ 870,00 (profissional Gleice Alvarenga Pinto), totalizando R$ 2.150,00, mantendo, no demais, as glosas efetivadas pela fiscalização. Assinado digitalmente Flavio Araujo Rodrigues Torres Fl. 180DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES Processo nº 10665.001406/200813 Acórdão n.º 2801003.864 S2TE01 Fl. 181 8 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por FLAVIO ARAUJO RODRIGUE S TORRES
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Numero do processo: 13609.000341/2008-43
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2004
COOPERATIVA DE SAÚDE. CONTRIBUIÇÃO 15%. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incide 15% de contribuições previdenciárias sobre a prestação de serviço de saúde prestado por cooperativas, por não se caracterizar cooperativa de trabalho.
Recurso Voluntário Provido - Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-003.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior votaram pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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CONTRIBUIÇÃO 15%. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide 15% de contribuições previdenciárias sobre a prestação de serviço de saúde prestado por cooperativas, por não se caracterizar cooperativa de trabalho. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 03 41 /2 00 8- 43 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13609.000341/200843 Acórdão n.º 2803003.747 S2TE03 Fl. 294 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que manteve o Auto de Infração de Obrigação Acessória que manteve o crédito lançado referente à incidência do disposto no art. 22, IV, da Lei n.8.212/1991, com a redação da Lei 9876/1999, da contribuição previdenciária de 15% sobre o pagamento de cooperativas de serviços médicos. O período do lançamento do crédito engloba diversas competências de 12/2004 a 12/2004. A intimação inicial deuse em 16.07.2007. O Recurso Voluntário alega ser improcedente o lançamento em razão dos seguintes motivos: inconstitucionalidade da contribuição cobrada. Vieram os autos para apreciação nesta turma especial. É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13609.000341/200843 Acórdão n.º 2803003.747 S2TE03 Fl. 295 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – Primeiramente, devese atentar para o entendimento inaugural de Turma Especial, que já havia reconhecido que a contribuição prevista no art. 22, IV, da Lei n.8.212/1991, com a redação da Lei 9876/1999, não incidiria sobre a contratação de cooperativas de serviços médicos. No caso presente, reforça o meu entendimento em razão de que a Recorrente comprova nos autos de que os reais beneficiários e tomadores dos serviços da Cooperativa de Serviço Médico (Unimed)são os empregados e diretores, bem com são deles integralmente os com tal prestação de serviço, como se verifica mediante comparação do boleto/fatura e os recibos de pagamento de vencimentos dos empregados. Ou seja, a empresa além de não se beneficiar de tais serviços, ela também não é a real contratante, mas seus empregados. Peço vênia e paciência aos demais conselheiros e contribuintes para transcrever o voto vista do Cons. Amílcar Teixeira, proferido e lido no dia 21.11.2013, nos autos do processo n. 10660.721971/201138, mas que ainda está em apreciação desta turma na sessão de janeiro de 2014: Solicitei vistas destes autos objetivando realizar um estudo mais aprofundado sobre a matéria, tendo em conta que o assunto, desde a sua implementação pela Lei nº 9.876/1999, que incluiu o inciso IV ao art. 22 da Lei nº 8.212/91, vem sendo motivo de calorosos debates entre o Fisco Federal, tomadores de serviços das cooperativas de trabalho e também das próprias cooperativas do referido ramo. Os debates referidos no parágrafo anterior ocorreram e ocorrem tanto no âmbito do Processo Administrativo Fiscal – PAF, como também no âmbito do contencioso judicial. A propósito, a discussão sobre a obrigatoriedade de que trata o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, já chegou ao Supremo Tribunal Federal – STF, e é objeto de ADIN, bem como de Repercussão Geral, estando as duas situações ainda pendentes de julgamento. Em seu recurso, o contribuinte demonstra indignação em face do resultado obtido no julgamento de sua impugnação. De acordo com o relatório elaborado pelo relator originário, o Conselheiro Oseas Coimbra Júnior, “tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13609.000341/200843 Acórdão n.º 2803003.747 S2TE03 Fl. 296 4 da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve os autos de infração lavrados. O DEBCAD 37.286.2454 se refere às contribuições de 15% da empresa sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços por cooperativas, no período de 05/2006 a 12/2010, compreendendo os levantamentos CT, CT1 e CT2”. Como se pode observar, a autoridade lançadora realizou seu trabalho sem qualquer investigação sobre o fenômeno da prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, e sequer cogitou de a prestação de serviços ter sido realizada em atividade exclusiva de assistência à saúde, situação que mereceu especial atenção do próprio legislador ao elaborar a lei que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e que instituiu o Plano de Custeio, ou seja, a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Do mesmo modo, entendeu o ilustre relator quando afirma em seu voto que “demonstrada a contratação com cooperativa de trabalho, para a prestação de serviços prestados por cooperados, devida a contribuição prevista no art. 22, IV da Lei 8.212/91”. Notase, pois, que a exemplo da autoridade lançadora, o relator Oseas Coimbra Júnior também dispensou qualquer analise mais acurada dos fatos e entendeu pela manutenção do lançamento, aplicando diretamente a regra do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. No ponto, alerto mais uma vez, que a prestação de serviços em questão diz respeito exclusivamente à assistência à saúde, matéria que, como já mencionado, mereceu especial atenção do legislador. Mais adiante, cuidaremos da explicitação a respeito da tal atenção especial do legislador quando o assunto versar sobre assistência à saúde. Seguindo em frente, com a manutenção do lançamento pelo acórdão recorrido, o contribuinte alega, dentre vários argumentos, o seguinte: A Recorrente é simplesmente mandatária dos seus associados, não contratando diretamente os serviços da cooperativa de médicos, mas, sim, viabilizando a contratação dos serviços, diretamente por cada um dos seus associados, consumidores finais, e, portanto, tomadores daqueles serviços. A contribuição previdenciária de que se trata é legal sob a justificativa de que sua incidência se reporta ao rendimento pago à pessoa física que se insere numa cooperativa, mas presta serviço diretamente à empresa, a Recorrente não pode ser contribuinte da exação, pois, quem se beneficia do serviço prestado é a pessoa física associada à entidade, sendo aquela pessoa física que efetivamente paga a contraprestação Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13609.000341/200843 Acórdão n.º 2803003.747 S2TE03 Fl. 297 5 financeira ao cooperado. Inexiste relação jurídico tributária entre a Recorrente e a União Federal. (grifouse e destacouse) Os argumentos do contribuinte, com se vê, estão em perfeita sintonia com a vontade do legislador, conforme se pode inferir de parte da exposição de motivos da Lei nº 9.876/1999, que incluiu o inciso IV ao art. 22 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Proposta Propõese que a contribuição previdenciária a cargo à empresa, quando da contratação de contribuintes individuais, mesmo que por intermédio de cooperativas de trabalho, seja a mesma que aquela existente quando da contratação de segurados empregados. Notese que, no caso de autônomos com baixo valor de remuneração sujeita a contribuição, esta medida significa uma redução da carga global de contribuição (a redução da parcela do contribuinte individual mais do que compensa o aumento da parcela a cargo da empresa), estimulando a filiação do contribuinte à Previdência Social. Com isso, haverá a equalização do custo previdenciário da mão deobra para as empresas no que se refere à contratação dos contribuintes individuais e empregados, eliminandose o atual viés favorável à redução de empregos formais, exercido pela estrutura de alíquotas previdenciárias em vigor. Na proposta está prevista a majoração da alíquota patronal quando da contratação de contribuintes individuais, concomitantemente à instituição de mecanismo de compensação na contribuição do segurado. Este poderá deduzir de sua contribuição até 9 pontos percentuais da alíquota que incide sobre o seu saláriodecontribuição, de forma a neutralizar a elevação da contribuição da empresa. O referido mecanismo de compensação também inibe fraudes no sistema, pois o contribuinte individual tornase fiscal das contribuições da empresa, devido à necessidade de comproválas para obter a redução em sua própria contribuição. Além disso, há o incentivo à formalização do vínculo entre contribuinte individual e empresa, porque a prestação de serviços a empresas implica redução da carga contributiva para o contribuinte individual. No caso da intermediação das cooperativas de trabalho, a atual sistemática de contribuição, em que cabe à cooperativa a contribuição patronal de quinze por cento sobre os valores distribuídos aos cooperados, temse revelado frágil diante dos diferentes artifícios legais criados para evadir a contribuição previdenciária, tais como: a inclusão de pessoas jurídicas na condição de cooperadas ao lado de pessoas físicas, a criação de uma série de fundos estatutários como forma de diminuir a distribuição da retribuição pelos serviços prestados, o reinvestimento dessa retribuição e outras. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13609.000341/200843 Acórdão n.º 2803003.747 S2TE03 Fl. 298 6 Proposta Propõese estabelecer que a contribuição da empresa contratante dos serviços por intermédio de cooperativas de trabalho incida sobre o valor bruto da nota fiscal', ou fatura, cuja base de cálculo é de imediato conhecida. Tratase de uma sistemática de fácil operacionalização e que propiciará um controle efetivo sobre a contribuição desse segmento. A medida proposta encontra similitude naquela já adotada para outros segmentos econômicos, a exemplo do que ocorre com os clubes de futebol profissional, cuja contribuição incide sobre a receita bruta decorrente dos espetáculos desportivos e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos desportivos. O percentual proposto de quinze por cento decorre do fato de que o valor pago pelo tomador de serviços do cooperado, contratado mediante a interposição de cooperativa de trabalho, não é totalmente distribuído a ele. Parte do pagamento é destinada a despesas administrativas, tributárias e constituição de fundos de reserva. Assim, o valor distribuído ao cooperado corresponde ao valor bruto da nota fiscal ou fatura, deduzidas as parcelas antes referidas, diferentemente do que ocorre quando a empresa contrata um contribuinte individual que não é cooperado, onde a remuneração não sofre qualquer abatimento. Neste último caso, a contribuição pretendida é de vinte por cento sobre a totalidade da remuneração. Logo, o percentual proposto, quando há a intermediação da cooperativa de trabalho, a incidir sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, deve ser tal que produza a mesma contribuição que o percentual de vinte por cento sobre a parcela destinada ao cooperado, em igualdade de condições a um contribuinte individual que não é cooperado. Partindo deste pressuposto, e analisando diversas planilhas de custos e distribuição de remunerações a cooperados em diferentes cooperativas, de segmentos variados, verificase que, em média, os valores correspondentes a despesas administrativas, tributárias e fundos de reservas correspondem a vinte e cinco por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, destinandose, o restante – setenta e cinco por cento – à retribuição do cooperado. Assim, buscando a isonomia de tratamento entre as diferentes formas de contratação, o percentual a incidir sobre a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços é aquele correspondente a vinte por cento sobre os setenta e cinco por cento distribuídos ao cooperado, o que resulta em um percentual de quinze por cento, conforme proposto. Em outras palavras, é um percentual que mantém constante a contribuição previdenciária, independentemente de a empresa contratar um cooperado ou outro contribuinte individual. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13609.000341/200843 Acórdão n.º 2803003.747 S2TE03 Fl. 299 7 Não cabe aqui o argumento de que se estaria instituindo uma nova modalidade de custeio, diferente daquelas autorizadas pelo art. 195 da Constituição, para o que seria necessária a edição de Lei complementar. Mesmo havendo a intermediação da cooperativa de trabalho, com contrato Armado entre esta e o tomador, o contratado é o cooperado – contribuinte individual – e não a cooperativa. Pela própria natureza jurídica da cooperativa de trabalho, esta não presta serviço a terceiros, senão aos próprios cooperados. Diferentemente das demais empresas, a cooperativa é constituída, exclusivamente, para prestar serviços aos seus cooperados e, por isso, o tomador dos serviços da cooperativa é o próprio cooperado. O terceiro que contrata a cooperativa é, na verdade, tomador dos serviços do cooperado, em igualdade de condições com aquele que contrata qualquer outro contribuinte individual. Um trabalhador, seja ele empregado ou contribuinte individual, seja diretamente ou por intermédio de cooperativa de trabalho, de tal forma a, mais uma vez, resguardarse o caráter de neutralidade da Previdência Social diante das diversas formas e possibilidades de contratação de mãodeobra. (grifouse e destacouse) Da leitura dos argumentos apresentados pelo contribuinte, em confronto com a vontade do legislador, nomeadamente nos pontos em destaque, é possível concluir que a norma impositiva (Inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212/91) diz respeito somente à situação em que a empresa se beneficia de forma direta dos serviços que lhes são prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, o que definitivamente não é o caso dos autos. Neste contexto, numa clara evolução do julgador administrativo, considerando a similitude das situações, os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, na sessão de 20 de janeiro de 2012, no julgamento do Processo 11444.000189/200984, Acórdão nº 240102.243, assim decidiram por unanimidade de votos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. CUSTO RATEADO ENTRE BENEFICIÁRIOS E EMPREGADOR. EMISSÃO DE FATURA EM NOME DE SINDICATO REPRESENTATIVO DA CATEGORIA DOS BENEFICIÁIOS PARA REPASSE DOS VALORES DESCONTADOS DOS MESMOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A contribuição incidente sobre as faturas emitidas por serviços prestados para empresa por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho médico não incidem sobre a parcela a cargo dos empregados, quando constante de fatura emitida a Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13609.000341/200843 Acórdão n.º 2803003.747 S2TE03 Fl. 300 8 parte, mesmo que o valor seja faturado em nome do Sindicato representativo da categoria dos beneficiários, quando este apenas repassa o valor descontado dos seus filiados para custeio do convênio saúde. (grifouse e negritouse) Ao tratar especificamente do fato gerador e a sua previsão legal, o Relator Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo teve o seguinte posicionamento: Assim dispõe o art. 22, IV da Lei nº 8.212/1991: Art 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV – quinze por cento sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestado por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) Da norma acima, podese extrair que o fato gerador da contribuição em questão é a prestação de serviços à empresa pelos cooperados, os quais tenham sido intermediados por cooperativa de trabalho. Assim, somente configurase a hipótese de incidência se: A destinatária da prestação de serviços for a empresa; Os serviços forem prestados por pessoa física; e A contratação tenha se dado por intermédio de cooperativa de trabalho (...) De acordo com a norma inserta no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, dos requisitos a justificar a exação é a prestação de serviço ao sujeito passivo, o que não se verifica para o Sindicato, uma vez que os serviços não foram prestados aos funcionários do mesmo. O que ocorreu foi a disponibilização dos serviços médicos a filiados de sua base, porém, o custeio da parcela que foi faturada em nome da entidade sindical foi o valor integral descontado dos trabalhadores. Não se vê na espécie o Sindicato custeando qualquer parcela pelos serviços executados, mas apenas figurando como intermediário no repasse da quantia de responsabilidade dos beneficiários, seus filiados. Situação diversa ocorreria se o Sindicato estivesse suportando todo o ônus do contrato, ou mesmo se as faturas tivessem sido integramente emitidas em seu nome, Verificase, no caso em tela, que deve ser aplicada a norma do art. 293 da Instrução Normativa – IN nº 03/2005 (vigente no período do lançamento), a qual prevê que, nos contratos de plano de saúde coletivo, havendo uma fatura correspondente à parte do empregador no custeio do plano e outra vinculada ao encargo dos beneficiários, Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13609.000341/200843 Acórdão n.º 2803003.747 S2TE03 Fl. 301 9 apenas deve incidir contribuição sobre o valor faturado contra a empresa, verbis: Art. 293. Na celebração de contrato coletivo de plano de saúde da cooperativa médica ou odontológica com empresa, em que o pagamento do valor seja rateado entre a contratante e seus beneficiários, deverão ser consideradas, para efeito da apuração da base de cálculo da contribuição, nos termos dos arts. 291 e 292, as faturas emitidas contra a empresa. Parágrafo único. Caso sejam emitidas faturas específicas contra a empresa e faturas individuais contra os beneficiários do plano de saúde, cada qual se responsabilizando pelo pagamento da respectiva fatura, somente as faturas emitidas contra a empresa serão consideradas para efeito de contribuição. A situação que ora se analisa pode ser equiparada à hipótese tratada na norma acima, uma vez que o valor da fatura destinada ao Sindicato é exatamente o montante descontado dos beneficiários do plano de saúde. Nesse sentido, sou forçado a admitir que, na espécie, somente caberia tributação sobre o valor arcado pela SANTA CRUZ, sendo improcedentes as contribuições lançadas contra o Sindicato da categoria profissional a que pertencem os beneficiários da prestação de serviços médicos realizada pela UNIMED DE OURINHOS. (grifouse e negritouse) A parte inicial do art. 293 da então IN SRP nº 03/2005 inova ao fazer referência à cooperativa médica ou odontológica, dispondo, assim, de forma diversa da previsão legal (inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212/91), que fala em cooperativa de trabalho. De qualquer modo, o que se deve observar, em casos como o em discussão, é a verdade material, assunto que será tratado adiante. No concernente ao correto enquadramento de que trata estes autos, é de extrema importância para o deslinde da questão, verificar, também, a evolução legislativa, notadamente o art. 1º da Lei nº 12.690, de 19 de julho de 2012, que dispõe sobre a organização e o funcionamento das Cooperativas de Trabalho; institui o Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho – PRONACOOP; e revoga o parágrafo único do art. 442 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, in verbis: Art. 1º. A Cooperativa de Trabalho é regulada por esta Lei e, no que com ela não colidir, pelas Leis nos 5.764, de 16 de dezembro de 1971, e 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Parágrafo único. Estão excluídas do âmbito desta Lei: I as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13609.000341/200843 Acórdão n.º 2803003.747 S2TE03 Fl. 302 10 II as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. A inovação do legislador infralegal expressa na parte inicial do art. 293 da IN SRP nº 03/2005, como se pode observar, já era prenúncio de radical mudança legislativa futura. O legislador de 2012, ao cuidar especificamente da lei própria das cooperativas de trabalho, já de pronto (parágrafo único do art. 1º da Lei nº 12.690), exclui do âmbito da mencionada lei, I – as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II – as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III – as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV – as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. Refletindo sobre as inovações legislativas trazidas pela Lei 12.690/2012, resta totalmente evidenciado que a exclusão do âmbito da lei própria das cooperativas de trabalho abrange as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar. Como se pode observar, o legislador reconheceu que as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde complementar não são cooperativas de trabalho nos moldes previstos no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Aliás, tal reconhecimento já tinha ocorrido em 1998, quando entrou em vigor a Lei nº 9.656, de 03 de junho de 1998, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde. De acordo com o inciso II do art. 1º da Lei nº 9.656/98, a pessoa jurídica constituída sob a modalidade de cooperativa será uma Operadora de Plano de Assistência à Saúde, in verbis: Art.1oSubmetemse às disposições desta Lei as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos de assistência à saúde, sem prejuízo do cumprimento da legislação específica que rege a sua atividade, adotandose, para fins de aplicação das normas aqui estabelecidas, as seguintes definições: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) IPlano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós estabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13609.000341/200843 Acórdão n.º 2803003.747 S2TE03 Fl. 303 11 faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) IIOperadora de Plano de Assistência à Saúde: pessoa jurídica constituída sob a modalidade de sociedade civil ou comercial, cooperativa, ou entidade de autogestão, que opere produto, serviço ou contrato de que trata o inciso I deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) IIICarteira:o conjunto de contratos de cobertura de custos assistenciais ou de serviços de assistência à saúde em qualquer das modalidades de que tratam o inciso I e o §1o deste artigo, com todos os direitos e obrigações nele contidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) §1oEstá subordinada às normas e à fiscalização da Agência Nacional de Saúde Suplementar ANS qualquer modalidade de produto, serviço e contrato que apresente, além da garantia de cobertura financeira de riscos de assistência médica, hospitalar e odontológica, outras características que o diferencie de atividade exclusivamente financeira, tais como: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) a)custeio de despesas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) b)oferecimento de rede credenciada ou referenciada; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) c)reembolso de despesas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) d)mecanismos de regulação; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) e)qualquer restrição contratual, técnica ou operacional para a cobertura de procedimentos solicitados por prestador escolhido pelo consumidor; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.177 44, de 2001) f)vinculação de cobertura financeira à aplicação de conceitos ou critérios médicoassistenciais. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) §2oIncluemse na abrangência desta Lei as cooperativas que operem os produtos de que tratam o inciso I e o § 1o deste artigo, bem assim as entidades ou empresas que mantêm sistemas de assistência à saúde, pela modalidade de autogestão ou de administração. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13609.000341/200843 Acórdão n.º 2803003.747 S2TE03 Fl. 304 12 §3oAs pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior podem constituir ou participar do capital, ou do aumento do capital, de pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob as leis brasileiras para operar planos privados de assistência à saúde. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) §4oÉ vedada às pessoas físicas a operação dos produtos de que tratam o inciso I e o § 1o deste artigo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) § 5o É vedada às pessoas físicas a operação de plano ou seguro privado de assistência à saúde. Com efeito, não há qualquer sombra de dúvida a respeito da natureza jurídica das cooperativas que atuam na área da saúde suplementar, ou seja, tais cooperativas há muito tempo já não são consideradas como cooperativas de trabalho pelo Poder Público. Nesse compasso, considerando a forma em que a fiscalização foi realizada, nomeadamente no que concerne à descrição do fato gerador da exação discutida, bem como em relação à análise do relator originário, podese afirmar com absoluta segurança que a verdade material não foi perseguida por aqueles que me antecederam. A verdade material, como é do conhecimento dos operadores do direito, constituise num dos princípios específicos do Processo Administrativo Fiscal – PAF. Dela ninguém pode imiscuirse. Sobre o assunto, Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López (In Processo Administrativo Fiscal Feral Comentado. – 2. Ed. – São Paulo : Dialética, 2004. p. 74) asseveram: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado. Odete Medauar preceitua que “o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos”. Vêse, portanto, que determinar o fato gerador sob a alegação de que se trata de cooperativa de trabalho e, por isso, devese aplicar diretamente o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13609.000341/200843 Acórdão n.º 2803003.747 S2TE03 Fl. 305 13 sem buscar a verdade material exposta pelos doutrinadores acima citados, data máxima vênia, é prova cabal de que a constituição do crédito tributário não atendeu às exigências previstas no CTN, em especial aquelas descritas no art. 142 do referido diploma legal. Ademais, no caso destes autos, tanto a autoridade administrativa lançadora, os julgadores de primeira instância administrativa, com também o ilustre relator originário deixaram de observar que a prestação de serviços foi realizada em atividade exclusiva de assistência a saúde, mediante convênio saúde firmado por uma cooperativa operadora de plano de assistência à saúde com a Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Varginha e Região. Não observando importante detalhe envolvendo a prestação de serviços na área da saúde suplementar, entendo que aqueles que me antecederam falharam em seus julgamentos, pois deixaram de observar o comando inserto no § 2º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, que remetendo o assunto para o § 9º do art. 28 do 28 do mesmo diploma legal, criou uma regra de não incidência tributária condicionada. Os dispositivos legais citados contém a seguinte redação: Art. 22. A contribuição a cargo da empesa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 2º. Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Ora, se não integram o saláriodecontribuição os valores relativos à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, como é o caso dos autos, a única maneira para efetuar o lançamento em discussão, seria o enquadramento da relação contratual às disposições contidas na parte final da alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, na hipótese de a cobertura não abranger a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13609.000341/200843 Acórdão n.º 2803003.747 S2TE03 Fl. 306 14 Obviamente que os associados aposentados, pensionistas e idosos de Varginha e região não se enquadram na figura de empregados da associação. Contudo, entendo que eles se equiparam à dirigentes da empresa, tendo em vista que constituíram a associação para que ela cuide dos seus interesses associativos. Apesar de nem todos ocuparem posições diretivas ou fiscalizatórias na entidade, não existe nenhum impedimento legal para que aqueles que interessarem pela condução direta da entidade, candidate aos referidos postos. Destarte, por se tratar expressamente de regra de não incidência de tributos, concordo parcialmente com os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, quando eles por unanimidade deram provimento ao recurso voluntário do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Energia de Ipauçu, de acordo com o que consta no Acórdão 240102.243, originário da Sessão de 20 de janeiro de 2012, que julgou o Processo 11444.000189/200984. A concordância parcial, explico, se dá pelo simples motivo de os membros da citada Turma não terem estendido o provimento também à empresa Santa Cruz. O fato de a empresa ter arcado às suas expensas com parte do custo com o plano de saúde firmado com a Unimed de Ourinhos, sem a estrita observância da verdade material c/c as regras da alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, para mim não atendeu os regramentos dispostos na legislação de regência. Como já referido anteriormente, no processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. A autoridade administrativa não fica obrigada a restringir seu exame ao que foi alegado, trazido ou provado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento, situação que, objetivamente, não foi observada nestes autos. Tendo em vista que verba constante do lançamento diz respeito à assistência à saúde, disponibilizada aos membros da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Varginha e Região, por intermédio de convênio saúde, sou obrigado a reconhecer que se trata de matéria abrangida pelo instituto da não incidência, conforme expressamente dispõe a alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Desse modo, efetuar o enquadramento do fato à norma, sob a alegação de que a contração de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho determina o recolhimento de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, ex vi do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, sem considerar as disposições contidas na última linha do parágrafo anterior, data vênia, é fazer letra morta o instituto da não incidência prevista na Lei de Custeio da Previdência Social. Reconhecer a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13609.000341/200843 Acórdão n.º 2803003.747 S2TE03 Fl. 307 15 constituídas sob a modalidade de sociedade civil ou comercial ou entidade de autogestão nos moldes estabelecidos pela Lei nº 9.656/98 e não enquadrar as cooperativas também operadoras de plano de assistência à saúde, na mesma situação, é a caracterização de odiosa discriminação contra esse tipo societário. Ao voto transcrito acima, filiome integralmente de forma a tornálo parte integrante do presente voto. Ainda, mesmo com o aprofundado estudo do Cons. Amílcar Teixeira, entendo apenas que deve ser acrescentado um ponto: a impossibilidade da legislação tributária, em especial a infralegal, alterar conteúdo e alcances das instituições e conceitos do direito privado. Ao caso ficou claro que a legislação privada que regula as atividades das cooperativas separa cooperativas de trabalho e cooperativas de serviços médicos, como plenamente já explanado. Inclusive cada um dos tipos tem especificações, conteúdos e regimes jurídicos próprios e diversos. Ou seja, não pode a legislação tributária, sem previsão legal específica, ser amalgamada para fins de incidência tributária, sob ofensa ao princípio da legalidade e de interpretação restritiva dos institutos de direito privado (art. 150, da CF/1988, arts. 97, 110 e 111 do CTN). “As empresas que operacionalizam planos de saúde repassam a remuneração do profissional médico que foi contratado pelo plano e age como substituta dos planos de saúde negociados por ela, sem qualquer outra intermediação entre cliente e serviços médicohospitalares. Nesse caso, não incide a contribuição previdenciária" (REsp 633134/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 16.9.2008). Outros precedentes: EDcl nos EDcl no REsp 442829/MG, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 25.2.2004; EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp 442829/MG, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 26.5.2004). De fato, estamos perante a mais um caso de nãoincidência, pois as cooperativas de prestação de serviços médicos não são os sujeitos passivos da regramatríz de imposição tributária obtida do inciso IV ao art. 22 da Lei nº 8.212/91. De qualquer forma, devese também observar que em recente julgamento do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário n. 595838, no dia 23.04.2013, sob os auspícios de efeitos de repercussão geral, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei n. 8.212/1991, justamente o fundamento principal da exação em questão: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13609.000341/200843 Acórdão n.º 2803003.747 S2TE03 Fl. 308 16 remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99.(RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe196 DIVULG 07102014 PUBLIC 0810 2014) Entendimento esse, após o trânsito em julgado de tal julgamento, será cogente perante o presente Conselho (art. 62 e 62A, do Anexo II, do RICARF) III – Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, darlhe provimento, no sentido de reformar a decisão recorrida e cancelar o crédito lançado. É como voto. (assinado digitalmente) Gustavo Vettorato – Relator Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10183.721793/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-O, §1º, da Lei n.º 6.938/81.
A partir do exercício de 2.002, regra geral, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal.
A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto.
A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência.
Hipótese em que o Recorrente não apresentou o ADA, mas averbou na matrícula do imóvel parte da área de reserva legal.
ITR. VALOR DA TERRA NUA - VTN. ARBITRAMENTO.
Nos termos do artigo 14, §1o., da Lei 9.393/96, combinado com o artigo 12 da Lei n. 8.629/93, o arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve observar, dentre outros critérios, o VTN médio por aptidão agrícola.
VTN. VALOR INCONTROVERSO. O Valor da Terra Nua admitido pelo contribuinte, para a propriedade, está expresso no laudo técnico que juntou aos autos e que é superior ao declarado na DIAT.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para: (a) restabelecer a área de Reserva Legal de 605 ha e (b) reconhecer como valor da terra nua o montante admitido no laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte, de (3.630 ha - 605 ha) * R$ 339,00 = R$ 1.025.475,00.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
(assinado digitalmente)
MARIA CLECI COTI MARTINS
Redatora designada
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. A partir do exercício de 2.002, regra geral, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observandose a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência. Hipótese em que o Recorrente não apresentou o ADA, mas averbou na matrícula do imóvel parte da área de reserva legal. ITR. VALOR DA TERRA NUA VTN. ARBITRAMENTO. Nos termos do artigo 14, §1o., da Lei 9.393/96, combinado com o artigo 12 da Lei n. 8.629/93, o arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve observar, dentre outros critérios, o VTN médio por aptidão agrícola. VTN. VALOR INCONTROVERSO. O Valor da Terra Nua admitido pelo contribuinte, para a propriedade, está expresso no laudo técnico que juntou aos autos e que é superior ao declarado na DIAT. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 17 93 /2 00 9- 01 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 393 2 Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para: (a) restabelecer a área de Reserva Legal de 605 ha e (b) reconhecer como valor da terra nua o montante admitido no laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte, de (3.630 ha 605 ha) * R$ 339,00 = R$ 1.025.475,00. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator (assinado digitalmente) MARIA CLECI COTI MARTINS Redatora designada Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 370/384) interposto em 06 de setembro de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) (efls. 330/352), do qual o Recorrente teve ciência em 10 de agosto de 2011 (efl. 360), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de efls. 02/14, lavrada em 30 de novembro de 2009, em virtude da falta de recolhimento do ITR (não comprovação da área de reserva legal e do VTN), verificada no exercício de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: Fl. 393DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 394 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 NIRF: 5.118.3706 Fazenda Boa Sorte VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não há nulidade do lançamento quando não se configura óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. MULTA E JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. DILAÇÃO PROBATÓRIA. Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção apenas das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto n.° 70.235/1972. ÁREA DE RESERVA LEGAL E ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A exclusão da área tributável do imóvel rural, da área de reserva legal e da área de preservação permanente, para efeito de apuração do ITR, está condicionada à protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA perante o IBAMA ou órgão conveniado. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. É do sujeito passivo o ônus da prova do valor da terra nua do imóvel quando sua omissão tiver dado ensejo ao lançamento pela técnica do arbitramento, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96. ÁREA UTILIZADA. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. PLANO DE MANEJO FLORESTAL SUSTENTADO. A prova da exploração extrativa objeto de Plano de Manejo Florestal Sustentado (PMFS) se faz mediante comprovação de autorização pelo IBAMA e do cumprimento do respectivo cronograma de execução. ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS E ÁREA EM DESCANSO. As áreas de produtos vegetais e áreas em descanso declaradas são consideradas áreas utilizadas pela atividade rural e não foram alteradas no lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (efl. 330/332). Fl. 394DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 395 4 Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 370/384), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Verificase que a fiscalização ao analisar a DITR do Recorrente glosou a área de reserva legal declarada de 2.904 ha., além de corrigir o Valor da Terra Nua – VTN/ha. declarado de R$ 36.000,00 para R$ 5.136.667,80, de acordo com o “Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido” (efl. 12). Tendo em vista que a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é recorrente, cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na questão especificamente debatida nestes autos. De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.º 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a “propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município”. Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verificase que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5º da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5º, XIII, da CF). Fl. 395DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 396 5 Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, “o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vinculação social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocála, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade.” (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al.). Curso de direito constitucional. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verificase que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.º 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989” (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo específico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada “área de preservação permanente” (APP), dispõe o Código Florestal, Lei n.º 4.771/65, atualmente regulada, também, pelas Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: “Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; Fl. 396DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 397 6 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarse á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for Fl. 397DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 398 7 necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei.” Verificase, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milaré, as “florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica” (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoante esclarece o disposto pelo §1º do art. 3º, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos igualmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, isto é, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.16667/2001, assim dispõe: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 399 8 § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da Fl. 399DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 400 9 reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (...) Art. 44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5o e 6o, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. § 1o Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. § 2o A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. § 3o A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. § 4o Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma microbacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III. § 5o A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44B. (...)” O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARÉ, a idéia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, excetuadas as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das Fl. 400DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 401 10 florestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação específica (MILARÉ, Edis. op. cit. p. 702). Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que “ao permitir tal supressão [de florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propriedade rural com cobertura florestal ou com outra forma de vegetação nativa”, delimitando, assim, “a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal” (Op. cit. p. 702). A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, “uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade”, estando, assim, “umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem” (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental n.º 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). À luz do exposto, verificase que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente ou de reserva legal, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tãosomente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. Portanto, a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva florestal legal, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65. Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.º 6.514/2008, encontrase atualmente prorrogada para 2011, de acordo com o que estatui o Decreto Federal n.º 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida determinação legal, deixando de cominarlhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo Fl. 401DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 402 11 necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. Além da desnecessidade de averbação, para o fim específico de constituir as áreas de reserva florestal legal, igualmente não havia, até o exercício de 2000, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17O, da Lei Federal n.º 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17O. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional." Por esta razão, portanto, isto é, por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.º 106/2009: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/2000 alterouse a redação do §1º do art. 17O da Lei n.º 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: “Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal com a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81, para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.º 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveu Fl. 402DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 403 12 se a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi facilitar a fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma “razoável efetividade da norma tributária” (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.º 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57), no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a previsão de entrega do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/00 a exigir, de forma a inverter o ônus da prova, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.º 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3º, I, do Decreto n.º 4.382/2002, que data de setembro de 2002. Querse com isso dizer, portanto, que, muito embora a legislação tratasse a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não havia disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, menos ainda, que possibilitasse à Receita Federal desconsiderar a existência de áreas de preservação permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA. Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são Fl. 403DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 404 13 matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. O prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.º 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.º 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.º 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.º 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel de imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo da norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato, passando o ônus da prova a ser do contribuinte. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico “ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio”, isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.º 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: Fl. 404DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 405 14 “Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa.” De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, para o fim de inverter o ônus da prova, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. Após o início da fiscalização, o contribuinte deve comprovar os dados constantes da DITR, por outros documentos que provem efetivamente as áreas de preservação permanente e de reserva legal, à luz do que se extrai do próprio “Manual de Perguntas e Respostas” do Ato Declaratório Ambiental (ADA) editado pelo IBAMA em 2010. De fato, de acordo com a pergunta e resposta n. 10, não seria possível a apresentação retroativa do ADA, o qual, a partir do exercício de 2007, tornouse anual. Assim, a pergunta e resposta n. 11 orienta o administrado a adotar o seguinte procedimento, em virtude da impossibilidade de apresentação retroativa do ADA: “Em virtude da impossibilidade de procederse à apresentação de ADA, de um ou mais Exercícios anteriores – por não haver retroatividade –, recomendase que seja efetuado o preenchimento do formulário referente ao Exercício em vigor, mesmo porque a apresentação, a partir do ADA – Exercício 2007 tornouse ANUAL. É necessário, também, munirse de mapa(s) georreferenciado(s) da propriedade e respectivos laudos técnicos, se disponíveis. Sua apresentação, em um primeiro momento, não é necessária ao Ibama, porém, caso haja notificação pela Receita Federal do Brasil ao proprietário rural – pela não apresentação do ADA no Exercício devido –, à ela deverão ser apresentados.” Mais adiante, em resposta à pergunta n. 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), o IBAMA relaciona os seguintes documentos: “● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; Fl. 405DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 406 15 ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).” Podese concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode venire contra factum proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto. No presente caso, verificase que o contribuinte não apresentou o ADA em relação ao imóvel em questão. Dessa forma, o ônus passou a ser seu acerca da comprovação da efetiva existência da área de reserva legal Nesse sentido, conforme reconheceu a própria DRJ, foi averbada a área de reserva legal de 605 ha., em 22 de junho de 1981 (efl. 308), motivo pelo qual, quanto a este aspecto, o recurso deve ser provido em parte. A legislação que rege a atividade de avaliação de imóveis, no que diz respeito ao Valor da Terra Nua – VTN, condiciona a utilização do Sistema de Preços de Terras SIPT à observância do art. 14, caput e §1º, da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que autoriza o arbitramento do VTN nos casos de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1º. As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, §1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de Fl. 406DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 407 16 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1º, inciso II, da Lei nº 8.629/93, que eram originariamente os seguintes: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. §2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado.” A partir de 2001, com a edição da Medida Provisória n° 2.18356, de 24 de agosto de 2001, referido art. 12 da Lei n.º 8.629/93 passou a ter a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, proceder seá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações." Fl. 407DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 408 17 Extraise dos mencionados dispositivos que o arbitramento do valor da terra nua, nos termos do art. 148 do CTN, deve observar os parâmetros fixados pelo artigo 12 de Lei n. 8.629/93, inclusive capacidade potencial da terra ou aptidão agrícola. Nesse sentido, esta Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão 9202003.144, relatado pelo Conselheiro Gustavo Lian Haddad, que teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 ... ITR VALOR DA TERRA NUA ARBITRAMENTO. Para aplicação do Sistema Integrado de Preços de Terras – SIPT é imprescindível que o contribuinte tenha acesso aos critérios e parâmetros utilizados para arbitramento do VTN de modo a permitir verificar o atendimento aos requisitos da legislação aplicável (art. 14 da Lei n. 9.393/1996 c/c art. 12, §1º, inciso II, da Lei no 8.629/1993). Recurso especial provido em parte” (Processo 13116.001484/200318, j. 27 de março de 2014). No presente caso, o VTN foi calculado sem aptidão agrícola (efl. 16). Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para restabelecer a área de reserva legal de 605 ha. e o VTN declarado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Voto Vencedor Conselheira Maria Cleci Coti Martins Com a devida vênia ao voto do Conselheiro Relator, divirjo no que tange ao valor da terra nua aceito pelo contribuinte no ano em questão. Na contestação do lançamento, o recorrente apresentou laudo técnico aonde informa um Valor da Terra Nua, para a propriedade, superior ao declarado na DIAT. Conforme art. 334 da lei 5869/72, a informação contida no laudo foi admitida como correta pelo contribuinte, tornandose então incontroversa. Art. 334. Não dependem de prova os fatos: Fl. 408DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721793/200901 Acórdão n.º 2101002.611 S2C1T1 Fl. 409 18 ... II afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; III admitidos, no processo, como incontroversos; Desta forma entendo que, dadas as condições do imóvel antes relatadas, o VTN informado no laudo técnico, apresentado pelo contribuinte e juntado aos autos, deve ser utilizado para fins da tributação da propriedade rural. Conselheira Maria Cleci Coti Martins Redatora designada Fl. 409DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Numero do processo: 10166.908069/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 01/02/2006
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso tem prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado, o desrespeito a este prazo gera intempestividade, e por conseqüência o não conhecimento deste.
Numero da decisão: 3301-001.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, por intempestividade, nos termos do voto da relatora.
Rodrigo Possa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fábia Regina Freitas - Relatora
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso tem prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado, o desrespeito a este prazo gera intempestividade, e por conseqüência o não conhecimento deste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, por intempestividade, nos termos do voto da relatora. Rodrigo Possa Presidente. (assinado digitalmente) Fábia Regina Freitas Relatora (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 69 /2 00 9- 91 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Brasília (fl. 27/54) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte (fls. 01 a 16) que contrapôs ao despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, relativa a pagamento a maior de PIS e COFINS. O contribuinte transmitiu eletronicamente em 15/09/2006, Declaração de Compensação – DCOMP n°. 21649.70693.150906.1.3.049950, com base em suposto crédito oriundo do período de 01/2004 a 02/2006, quando foi pago “PIS e COFINS, sobre toda a receita de venda de mercadorias, sem a devida exclusão da base de calculo dos produtos monofásicos. Sendo a atividade da empresa, bar e restaurante, com grande volume de venda de chopp, cervejas e refrigerantes”. O pagamento realizado a maior ocorreu por não observância do tratamento tributário adequado descrito nos arts. 49 e 50 da lei 10.833/2003. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico pela não homologação da compensação, fundamentado na inexistência de crédito. De acordo com os cálculos efetuados pelo contribuinte, o valor total recolhido a maior/indevidamente, e que ora requer compensação, totalizava até a data da transmissão do PER/DCOMP a importância de R$ 2.303,97 (dois mil trezentos e três reais e noventa e sete centavos). Cientificada desse Despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade. Informada do erro na apuração dos impostos, apresentou Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ retificadora do período, corrigindo as informações referentes ao PIS e COFINS, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do PIS e COFINS dos meses seguintes a partir de 03/2006, por meio de PER/DCOMP. Entretanto, quando tomou conhecimento do referido Despacho Decisório, procurou o plantão fiscal da Receita Federal, com todos os documentos a respeito do assunto, sendo informada da necessidade de apresentar DCTF retificadoras. Apresentando DCTF retificadoras, solicitou a baixa dos débitos referentes aos Despachos Decisórios, colocandose à disposição para a apresentação de outros documentos. Nesse sentido, consta às fls. 19/22 que na sessão de 16/04/2012, a 4º Turma da DRJ/BSB proferiu o acórdão nº 0347.845 cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2005 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10166.908069/200991 Acórdão n.º 3301001.899 S3C3T1 Fl. 3 3 Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo à demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte, devidamente cientificado, interpôs Recurso Voluntário as fls. 27/33 por meio do qual contesta o referido Acórdão, que segundo o seu entendimento, merece ser integralmente reformado, posto que colide com a legislação pátria e a jurisprudência aplicável ao caso. É o relatório. Voto Conselheiro Fábia Regina Freitas Preliminarmente, é dever do julgador apreciar os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 O artigo 56 da Lei nº 9.784/99 confirma o direito constitucional de o contribuinte interpor recurso contra as decisões administrativas, determinando que “cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito”. Vislumbrase que tal fato busca, na verdade, o reexame da decisão por outra autoridade, a fim de obterse um aprimoramento dos julgados na fundamentação de suas decisões, propiciando, desta forma, maior segurança ao sistema. Pois bem, vencido em primeira instância, o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas, se assim proceder, estará sujeito ao prazo de 30 dias, sob pena de preclusão, para apresentar Recurso Voluntário, conforme preceitua o caput do art. 33, do Decreto nº 70.235/72 c.c. art. 68 do Decreto nº 7.574/2011. Verificase, que se ultrapassado esse período, qual seja, 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da decisão, sem a apresentação pelo contribuinte do Recurso Voluntário, estará ele impedido de apresentar referido recurso em outro momento. No caso em tela, a Recorrente foi intimada de modo regular em 28/05/2012 (segundafeira), conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 25), e só protocolizou seu Recurso Voluntário na data de 28/06/2012 (quintafeira), ou seja, 1 (um) dia após o transcurso do prazo recursal, já que o prazo encerrouse no dia 27/06/2012 (quartafeira). Diante do exposto, não conheço do presente Recurso Voluntário, por ser intempestivo. Conclusão Com essas considerações, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013. Fábia Regina Freitas. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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