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Numero do processo: 10855.900020/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PEDIDO EQUIVOCADO. DÉBITO INFORMADO. CANCELAMENTO.
Cancela-se o débito informado em PER/DCOMP equivocadamente apresentada quando comprovado que ele se refere a estimativa efetivamente já recolhida no correspondente mês de apuração.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1102-001.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Recorrente AUTO ONIBUS NARDELLI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PEDIDO EQUIVOCADO. DÉBITO INFORMADO. CANCELAMENTO. Cancelase o débito informado em PER/DCOMP equivocadamente apresentada quando comprovado que ele se refere a estimativa efetivamente já recolhida no correspondente mês de apuração. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 00 20 /2 00 8- 41 Fl. 523DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10855.900020/200841 Acórdão n.º 1102001.262 S1C1T2 Fl. 505 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por AUTO ONIBUS NARDELLI LTDA contra acórdão proferido pela DRJ/Ribeirão PretoSP que concluiu pela improcedência de manifestação de inconformidade acerca da compensação de crédito decorrente de pagamento indevido a título de estimativa com débito de outra estimativa de sua responsabilidade, ambos referentes ao mesmo anocalendário de 2003. Pleitos semelhantes, apenas alterando o tributo (IRPJ ou CSLL) e/ou o mês de apuração da estimativa, estão consubstanciados em onze processos, a saber: 10855.900020/200841, 10855.900023/200884, 10855.900024/200829, 10855.900032/200875, 10855.900043/200855, 10855.900451/2008 15, 10855.900498/200871, 10855.900511/200891, 10855.900742/200803, 10855.900751/200896 e 10855.900758/200816. A unidade de origem não homologou a compensação porque constatou que o pagamento indicado pela interessada havia sido utilizado na quitação de outros débitos. A empresa interpôs, então, manifestação de inconformidade na qual alegou que houve erro na apresentação da PER/DCOMP. Tratarseia de pedido de compensação vazio e o débito indicado já teria sido pago. Por isso, pediu o cancelamento do débito. A DRJ, contudo, negou o pedido. Argumentou que o débito informado tem natureza de confissão de dívida e que a empresa não se desincumbiu do ônus de provar o recolhimento do referido débito. Em seu recurso, a empresa repetiu os motivos apresentados na manifestação de inconformidade e acrescentou que a DCTF também havia sido preenchida erroneamente para corresponder aos valores impropriamente lançados no PER/DCOMP. Anexou cópia de registros contábeis para comprovar os valores efetivamente apurados e pagos. Ao final, torna a pedir que se constate a inexistência do débito. Na sessão realizada em 25/05/2011, esta Turma Julgadora, sob proposta da então relatora, a ilustre Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barreto, resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem confirmasse a inexistência do débito, mediante análise dos livros fiscais da recorrente e da DCTF correspondente ao período, considerando ainda a multiplicidade de processos de compensação equivocados apresentados no mesmo exercício. A unidade de origem procedeu, então, a diligência requerida e apresentou Informação Fiscal na qual conclui que os valores devidos de IRPJ e de CSLL por estimativa no anocalendário de 2003, de acordo com a escrita contábil e fiscal do sujeito passivo, foram efetivamente pagos. Consequentemente, seriam inexistentes os débitos originados pela apresentação dos PER/DCOMP nos processos analisados. É o relatório. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10855.900020/200841 Acórdão n.º 1102001.262 S1C1T2 Fl. 506 3 Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Diante do que foi relatado, não há compensação em litígio. O que se discute é o pedido de cancelamento do débito informado na compensação uma vez que a própria recorrente reconhece o equívoco na apresentação da PER/DCOMP. Considerando que o débito informado tem natureza de confissão de dívida, se este não for cancelado, seguirá para cobrança e eventual inscrição em dívida ativa. Ocorre que a diligência solicitada confirmou que os montantes informados em DCTF, em sintonia com os equívocos cometidos, são incongruentes com a escrita contábil e fiscal. Além disso, atestou que os débitos de estimativas originados pela apresentação dos PER/DCOMP nos processos analisados são inexistentes, incluindo o do presente processo. Portanto, não há que se dar prosseguimento à cobrança do referido débito. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o débito informado na presente compensação. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 525DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
score : 1.0
Numero do processo: 10950.724428/2011-27
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO PARCIAL. RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. OMISSÃO.
Considera-se fora do litígio a matéria que não tenha sido expressamente questionada pela Recorrente, em sua peça recursal, a teor do artigo 17 do Decreto Nº 70.235, de 1972.
LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DIRETAMENTE AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. PROCEDIMENTO FISCAL.
A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º).
Quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105 de 2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial, mas com regular procedimento fiscal instaurado, constatada sua imprescindibilidade a juízo da autoridade administrativa competente, e não há decisão definitiva do Poder Judiciário dizendo da inconstitucionalidade de tal dispositivo, nos casos que foram especificados e regulamentados por normas posteriores, sustentar que a expressão diretamente ao Fisco deve ser interpretada no sentido de que desde que haja ordem judicial é, data venia, negar aplicação da lei.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencido o Conselheiro Adriano Keith Yjichi Haga que acolhia a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da apuração efetuada no Auto de Infração o montante de R$ 67.106,00 correspondente a depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO PARCIAL. RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. OMISSÃO. Considera-se fora do litígio a matéria que não tenha sido expressamente questionada pela Recorrente, em sua peça recursal, a teor do artigo 17 do Decreto Nº 70.235, de 1972. LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DIRETAMENTE AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. PROCEDIMENTO FISCAL. A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). Quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105 de 2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial, mas com regular procedimento fiscal instaurado, constatada sua imprescindibilidade a juízo da autoridade administrativa competente, e não há decisão definitiva do Poder Judiciário dizendo da inconstitucionalidade de tal dispositivo, nos casos que foram especificados e regulamentados por normas posteriores, sustentar que a expressão diretamente ao Fisco deve ser interpretada no sentido de que desde que haja ordem judicial é, data venia, negar aplicação da lei. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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RECURSO PARCIAL. RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. OMISSÃO. Considerase fora do litígio a matéria que não tenha sido expressamente questionada pela Recorrente, em sua peça recursal, a teor do artigo 17 do Decreto Nº 70.235, de 1972. LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DIRETAMENTE AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. PROCEDIMENTO FISCAL. A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). Quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105 de 2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial, mas com regular procedimento fiscal instaurado, constatada sua imprescindibilidade a juízo da autoridade administrativa competente, e não há decisão definitiva do Poder Judiciário dizendo da inconstitucionalidade de tal dispositivo, nos casos que foram especificados e regulamentados por normas posteriores, sustentar que a expressão “diretamente ao Fisco” deve ser interpretada no sentido de que “desde que haja ordem judicial” é, data venia, negar aplicação da lei. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 44 28 /2 01 1- 27 Fl. 928DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 929 2 Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário. Vencido o Conselheiro Adriano Keith Yjichi Haga que acolhia a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da apuração efetuada no Auto de Infração o montante de R$ 67.106,00 correspondente a depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Em desfavor da contribuinte acima identificada foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, anos calendário de 2006 a 2009, exercícios, respectivamente, de 2007 a 2010, onde foi exigido o total de R$ 107.297,71 a título de imposto, acrescido de multas proporcionais nos percentuais de 75% e 150%, para infrações distintas, no importe de R$ 90.194,99, e mais juros de mora calculados pela Selic. Narra a Autoridade Fiscal responsável pelo lançamento, no Termo de Verificação e Constatação Fiscal anexo (fl. 748 e ss), em resumo, que: a ação foi iniciada 17/06/2011 a partir das respostas apresentadas pela Contribuinte a Termo de Diligência prévia; Fl. 929DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 930 3 ciente do Termo de Início de Fiscalização a Contribuinte apresentou pedidos de prorrogação de prazo para atendimento que ensejaram reintimações diante de respostas parciais; através de Intimação Fiscal a contribuinte fora intimada também a apresentar os extratos de suas contas correntes bancárias no Bradesco e Banco do Brasil. Decorrido o prazo estabelecido e não tendo atendido, houve a expedição de requisições de movimentação financeira, com fundamento na Lei Complementar nº 105, de 2001 (fls. 198, 356 e 754); Analisadas as informações e os documentos apresentados e aqueles obtidos diretamente pela Fiscalização, constatouse as seguintes irregularidades, conforme se depreende do Termo de Constatação e Auto de Infração: 1 Omissão de Rendimentos de Aluguel recebidos de Pessoas Físicas, sujeitos a Carnê Leão 01/2008 a 04/2008 e 01/2009 a 12/2009, aplicada multa de 75% caracterizada pelo não oferecimento à tributação, conforme demonstrado em planilha elaborada pela Fiscalização; 2 Omissão de rendimentos tributáveis Aluguel de imóvel urbano a Pessoa Jurídica 12/2008 e 12/2009, aplicada multa de 75% caracterizada pelo não oferecimento à tributação, conforme demonstrado em planilha elaborada pela Fiscalização. 3 Omissão de rendimento tributável decorrente da cessão gratuita de imóvel a terceiro não parente de 1º grau caracterizada pela omissão de rendimento tributável, na Declaração, no valor de 10% do valor do imóvel. Descrito o imóvel e a pessoa beneficiada. Anos Calendário de 2008 e 2009 , aplicada multa de 75%; 4 Ganho de Capital na alienação de Bens a prazo 09/2006 a 12/2009 caracterizada pela alienação de vários bens, onde se apurou o ganho de capital, sendo que a Fiscalização entendeu que em algumas vendas, considerando a situação, estava demonstrado o evidente intuito de fraudar o Fisco (fl. 763) e aplicou a multa qualificada de 150% 5 Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, conforme demonstrativo elaborado pela Fiscalização. 01/2008 a 12/2008 aplicada multa de 75%. 6 Multas isoladas pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de Carnê Leão, em 2008 e 2009, no percentual de 50%. Inconformada com o lançamento, a contribuinte apresentou Impugnação, na folha 808. A Impugnação foi parcial, referindose apenas a algumas das infrações acima descritas, tendo inclusive anexado o Pedido de folha 896, onde requer "o desmembramento do processo" e o parcelamento de parte do crédito tributário exigido. Em suma, verifico que a contribuinte manifestouse expressamente contra a constatação de omissão de rendimentos de aluguel recebidos de PF; omissão de rendimentos de aluguel recebidos de PJ, e omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários cujo origem foi reputada como não comprovada. A manifestação da contribuinte foi analisada pela DRJ em Curitiba/PR que, em suma, assim dispôs: Fl. 930DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 931 4 a contribuinte concluiu que grande parte dos valores depositados em suas contas bancárias tem origem comprovada e não são passíveis de tributação. Por isso, requereu a declaração de improcedência do Auto de Infração. Por se tratar de impugnação parcial, a Delegacia da Receita Federal de origem transferiu a parte não impugnada do crédito tributário para o processo nº 10950.724910/201167. A parte impugnada do crédito tributário, objeto do presente processo, passou a ser de apenas R$ 86.887,87. demonstra, em quadros, os valores declarados como recebidos de PF/PJ, nos anos de 2008 e 2009 e os valores apurados pela Fiscalização, para encontrar, de fato, diferenças. Esclarece que houve declarações originais que foram posteriormente retificadas, sendo essas últimas as consideradas, para efeito de tributação; em relação aos depósitos bancários, esclarece que a Impugnação diz que vários deles referemse a valores correspondentes aos aluguéis de imóveis. Lista os depósitos controversos e que conclui que a Impugnante não demonstrou a relação entre eles e os aluguéis recebidos. Entende que deveriam ser especificados os depositantes/locatários, para cada crédito. Além disso diz que os valores não correspondem ao aluguel mensal de nenhum dos imóveis. para justificar outros depósitos, a contribuinte diz que vendera quotas da empresa Abrassol a Luiz Badziack. Verifica no Contrato o valor da venda e a forma de pagamento estabelecida, para concluir que não coincidem com as datas e valores dos depósitos e também que não se comprova que foram feitos por Luiz Badziack. em relação a alguns "docs. Devolvidos", que também lista, entendeu que o histórico bancário entendeu que o lançamento deveria ser revisto, excluindose os referidos valores, que importam em R$ 700,00. em relação a depósitos efetuados pela empresa M. A Faleiros, a contribuinte alegou que correspondiam a "devolução de valores pela não entrega de imóveis". Concluiu o Julgador, em face da documentação apresentada que "estava evidente" que os pagamentos foram efetuados a título de aluguel e, sendo assim, como não foram declarados, o lançamento não merecia reparos pois os "referidos depósitos constituem rendimentos tributáveis omitidos pela contribuinte". em relação a depósitos que corresponderiam a resgates de poupança, entendeu que a Contribuinte não comprovara suas alegações, a partir da análise dos extratos de poupança no Banco Bradesco; alguns depósitos seriam oriundos da venda de um apartamento. Constatou que as datas e valores eram aproximados daqueles previstos para pagamento da primeira parcela da venda do imóvel, mas que não se comprovara que foram feitos pelo comprador João Carlos Bortolanza; diz que para o TED no valor de R$ 37.890,00, efetuado em 14/02/2008, a contribuinte justificara como "pagamento a fornecedores", mas que se trata de uma origem e não de uma aplicação de recursos, o que deixou a explicação sem sentido; por fim, em relação ao lançamento de "depósito no valor de R$ 1.000,00, em 14/04/2008", verificou nos extratos não existir nenhum registro, entendendo que deveria ser excluído do cálculo do Auto de Infração. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 932 5 Decidiuse então pela procedência parcial da impugnação, apenas para excluir o total de R$ 1.700,00 em relação aos depósitos bancários considerados como omissão de rendimentos. Cientificado dessa decisão em 09/04/2012, conforme AR na folha 915, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/05/2012, com protocolo na folha 916. Em sede de recurso, manifesta assim sua inconformidade: apresentou Contratos de aluguel para demonstrar que os recebia de diversas fontes que, por sua vez, nem sempre pagavam os valores integralmente ou na data pactuada, o que fez com que a DRJ considerasse não comprovados os depósitos por considerar insuficientes suas provas; em relação às vendas de quotas da empresa Abrassol, apresentou também "toda a documentação". O Fisco poderia aprofundar sua investigação mas não o fez. A venda deuse com informalidade e o contrato não foi cumprido, baseandose o negócio em uma relação de confiança entre comprador e vendedor; em relação à omissão de aluguéis recebidos de PJ, especificamente em relação aos pagamentos efetuados por M.A Faleiros, diz que no Contrato estava previsto que se a Construtora não entregasse o prédio no tempo combinado, deveria pagar à compradora o valor de R$ 500,00 como compensação mensal. Não se tratam portanto de aluguéis, uma vez que o prédio sequer tinha condições físicas e legais de ser habitado; os valores resgatados da conta poupança constam do extrato de sua conta do Banco do Brasil, com a rubrica própria. São resgates automáticos, para "gastos cotidianos". quanto aos depósitos decorrentes da venda de um apartamento, não foram aceitos porque não havia a identificação do depositante. Se o próprio Fisco admite que há verossimilhança entre as datas e valores depositados com o negócio citado, a negativa está adstrita a formalismos exagerados. em relação aos TED de R$ 37.890,00, esclarece que o depósito foi efetuado pela dona da Imobiliária que intermediou o seu negócio com o Sr. João Carlos Bortolanza, de compravenda de um apartamento, que já foi tributado. Anexa documentos. Em conclusão, diz que "a cobrança da grande maioria dos valores pretendidos pelo Fisco é incabível" e PEDE, então, que "os lançamentos sejam julgados indevidos."(sublinhei) É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 933 6 A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). À vista da sua conclusão, que busquei destacar no Relatório, o Recurso, assim como a Impugnação, foi parcial, e trataremos apenas daquelas matérias que foram expressamente mencionadas pela Recorrente, considerando as demais fora do litígio, a teor do artigo 17 do Decreto Nº 70.235, de 1972. Assim, não verifico que a Recorrente tenha contradito o disposto pela Turma Julgadora no Acórdão recorrido, na parte do lançamento que se refere à omissão de rendimentos tributáveis recebidos a título de aluguéis de pessoas físicas e jurídicas. Nos tópicos primeiro e terceiro da peça recursal, cujos títulos podem dar idéia errada, o que quer dizer é que parte dos depósitos bancários considerados como não justificados, têm origem no pagamento de aluguéis e, assim, estarseia tributando valores duas vezes, sob argumentos diferentes. Na fase recursal, devese recorrer daquilo que restou decidido pela 1ª instância, mas, à guisa de exemplo, o Recurso nada contradiz o Acórdão recorrido, sobre o fato da Fiscalização ter considerado a omissão de R$ 15.304,20 recebidos como aluguéis pagos pela Cooperativa Central Oeste Catarinense, em 2008, ou as diferenças entre os valores declarados e os recebidos de pessoas físicas, também a título de aluguéis, em 2008 e 2009, conforme quadros elaborados na folha 905 (Voto do Acórdão recorrido). Na Impugnação a Contribuinte dissera que "já declarara" os rendimentos de alugueis recebidos de pessoas jurídicas, mas a Autoridade Julgadora esclareceu que foram entregues declarações retificadoras, como se pode observar das cópias constantes das folhas 25 e 33, onde não se declarou o rendimento supracitado como exemplo, recebido da empresa Cooperativa Central Oeste Catarinense, nem os outros reputados omitidos, em 2008 e 2009. O Recurso concentrase, então, em justificar parte dos depósitos bancários considerados como omissão de rendimentos, aí sim tratandoos expressa e especificamente. PRELIMINAR. O fornecimento das informações sobre movimentação bancária do contribuinte obtidas pelo Fisco com fulcro na Lei Complementar 105 de 2001, por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, é assunto na esfera das matérias de “repercussão geral” no Supremo Tribunal Federal, conforme o Recurso Extraordinário (RE) 601.314, cuja ementa vai aqui transcrita: EMENTA CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314/RG, Relator (a): Min. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 934 7 RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20.11.2009 EMENT VOL 0238307 PP01422) A ementa pareceme clara ao estabelecer que a Corte Suprema deverá decidir, especificamente, sobre a possibilidade legal, estabelecida pela Lei Complementar nº 105 de 2001, de que informações sobre movimentações bancárias dos contribuintes sejam fornecidas pelas instituições financeiras “diretamente ao Fisco”. Essa é a questão. Foi, inclusive, atribuída ao tema a repercussão geral, tendo o Tribunal, em outras ocasiões, determinado o sobrestamento do julgamento de recursos que versem sobre o mesmo, como se pode observar a seguir: Decisão: Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presente feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publiquese. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012).(grifei) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 714857 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 03/11/2011, publicado em DJe217 DIVULG 14/11/2011 PUBLIC 16/11/2011).(grifei) Fl. 934DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 935 8 Observo que não obstante a decisão do Pretório Excelso tomada no julgamento do RE nº 389.808, datada de dezembro de 2010, de relatoria do Ministro Marco Aurélio, o próprio MinistroRelator, em 03/11/2011, determinou a devolução de autos que tratam do mesmo assunto ao Tribunal de origem para que se aguarde o julgamento do RE nº 601.314/SP, que concluiu pela repercussão geral do tema. Assim, em nosso sistema jurídico, as leis presumemse válidas e constitucionais, até declaração do Poder Judiciário em contrário. Não há decisão definitiva do STF dizendo da inconstitucionalidade de dispositivos da LC 105 de 2001, que autorizem o fornecimento de informações bancárias dos contribuintes “diretamente ao Fisco”, nos casos que foram especificados e regulamentados por normas posteriores. Sustentar que a expressão “diretamente ao Fisco” deve ser interpretada no sentido de que “desde que haja ordem judicial” é, a meu ver, negar aplicação da lei, que requer apenas que haja procedimento administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso, e confere à autoridade administrativa a consideração sobre a imprescindibilidade do exame dos dados, como foi aqui o caso. LC 105/2001 Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Quanto aos argumentos que erigem o sigilo bancário ao patamar constitucional, para se conciliar, em interpretação conforme a Constituição, sua garantia com as necessidades e deveres do Fisco, concluindose que somente com ordem judicial o dispositivo da Lei Complementar nº 105, de 2001, seria aplicável, destacase excerto do Voto do Ministro Sepúlveda Pertence, quando do julgamento, pelo STF, do MS 21.729, DJ 19/10/2001: “O sigilo bancário só existe no Direito brasileiro por força de lei ordinária. Não entendo que se cuide de garantia com status constitucional. Não se trata de “intimidade” protegida no inciso X do art. 5º da Constituição Federal. Da minha leitura, no inciso XII da Lei Fundamental, o que se protege, e de modo absoluto, até em relação ao Poder Judiciário, é a ‘comunicação de dados’ e não os ‘dados’, o que tornaria impossível qualquer investigação administrativa. Reportome, no caso, brevitatis causao, a um primoroso estudo a respeito do Professor Tércio Sampaio Ferraz Júnior. Em princípio, por isso, se admitiria que a lei autorizasse autoridades administrativas, com função investigatória e sobretudo o Ministério Público, a obter dados relativos a operações bancárias”. (apud CASSONE, Vitório. Sigilo Bancário: Critério de Interpretação Constitucional. RET 55, maijun/07, p. 84) A matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontrase pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte até mesmo para Fl. 935DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 936 9 constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105 de 2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. A ementa do acórdão submetido ao rito do art. 543 C do CPC está assim redigida: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. ... 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. ... 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). ... 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Fl. 936DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 937 10 Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. ... 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. MÉRITO OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Quanto a matéria relativa a autuação com base apenas em presunção de renda caracterizada pelos depósitos bancários, baseada exclusivamente nos extratos, destaco que já há entendimento pacificado no âmbito do CARF, com a seguinte Súmula, que é de aplicação obrigatória por estes Conselheiros: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Isso porque existe, no caso, a inversão do ônus da prova, não necessitando o Fisco demonstrar que aquele depósito tratase de ingresso patrimonial inédito na esfera de disponibilidade do contribuinte, portanto passível de tributação, cabendo ao sujeito passivo demonstrar o contrário. As presunções legais são admitidas em diversos casos para fins de tributação e isso não é inovação ou exclusividade da legislação brasileira. Além disso, é claro o caput do dispositivo legal, abaixo transcrito, que reputo bastar para fundamentar este entendimento. Diz o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 937DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 938 11 II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. A comprovação da origem dos recursos deve ser feita "individualizadamente", como expressamente prescrito no § 3º do artigo 42, da Lei em comento. Alegar que "a grande maioria" os depósitos têm origem comprovada, não seria suficiente para ilidir in totum o lançamento, como parece pretender a recorrente, em seu pedido. Então vejamos: a) quanto a “alguns depósitos” serem provenientes de alugueis, genericamente, em datas e valores que não podem ser verificados a partir do cotejo entre os extratos bancários e os contratos de aluguel, porque “a realidade não corresponde ao pactuado e documentado”, e foram pagos em valores “menores” e em datas diversas, não é possível, pelas razões acima expostas, que se os exclua; b) em relação à venda de quotas da Abrassol a Luiz Badziack, veja que não se está duvidando de que tenha ocorrido. O que não se pode admitir é que alguns depósitos, efetuados em 2008, em valores de R$ 1.000,00, R$ 3.000,00 e R$ 11.000,00 sejam correspondentes a tal operação, ocorrida em 2006, que previa o pagamento em 3 quotas, uma de R$ 50.000,00 e duas de R$ 30.000,00, em datas de 2006 e 2007. Noto que a Fiscalização, no demonstrativo de depósitos “não justificados”, folha 723, inclusive apontou que um desses valores havia sido depositado pela própria Abrassol e que a DRJ completou que “nenhum documento foi apresentado que demonstre que o adquirente das quotas sociais – Luiz Badziack – tenha sido o autor dos depósitos”(fl. 908). Em sede recursal, a Recorrente também não apresentou nenhum documento que pudesse alterar tais constatações, além de explicações sobre a informalidade de negócio efetuado que teria sido pautado em “coleguismo”. A presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é peculiar e traz para o Contribuinte o ônus de demonstrar a origem dos depósitos. Assim, depósitos para os quais não haja registro documental, ao menos com razoável correspondência de datas e valores, findam por serem considerados como omissão de rendimentos. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 939 12 Repito que, em relação à operação de vendas de quotas da empresa, não existe correspondência de datas, valores tampouco se demonstrou que o depositante fosse o adquirente. c) em relação aos depósitos que seriam correspondentes a “aluguéis” pagos pela empresa M.A Faleiros, a recorrente traz novas explicações. No contrato particular de compromisso de compra e venda, celebrado em 20 de fevereiro de 2008, cuja cópia se encontra na fl. 837, verifico que houve a venda de unidade imobiliária em construção pela M.A Faleiros Empreendimentos Imobiliários, tendo como adquirente Felipe Franco. Na cláusula 05.01 consta que “o prazo para entrega” seria “31 de dezembro de 2008, sendo admitida tolerância de 60 (sessenta dias úteis)...”. Existe a cláusula 05.03 que diz que se a obra não fosse concluída no prazo, após decorrida a tolerância, o Alienante pagaria ao Promissário Comprador “a título de pena convencional, a quantia equivalente a 1% do preço reajustado...”, que foi de R$ 50.000,00. (grifei/sublinhei) A Recorrente diz então que os valores de R$ 500,00 reais, um de R$ 1.000,00 e outro de R$ 1.500,00, efetuados entre 20 de março e 22 de dezembro de 2008, seriam referentes a esta sobredita “pena convencional”, pela não conclusão da obra e entrega das chaves no prazo fixado. Ora, os depósitos foram todos efetuados antes de estar vencido o prazo para a conclusão da obra e não podem ser justificados como “compensação” pela não entrega da unidade pronta e acabada. Na realidade, existe uma outra cláusula, definida nas “ESTIPULAÇÕES FINAIS”, de número 11.01, onde consta que a Promitente Vendedora pagaria, no prazo de 30 dias após a quitação do Contrato, em favor do Comprador, “a título de aluguel”, através de depósito na conta de Terezinha Marilete Magnanti, R$ 500,00 mensais, “até a entrega das chaves...”. Ou seja, os valores depositados, em 2008, não foram uma compensação por eventual atraso na obra, mas de fato um rendimento pelo investimento feito, quando da compra da Unidade imobiliária, paga “em moeda corrente, através de transferência eletrônica...no ato de celebração do Contrato”, conforme Cláusula 03.01. A denominação que se dê ao rendimento é irrelevante, sendo necessário observar sua natureza. O próprio recurso reconhece este raciocínio. Vejamos que ao investir R$ 50.000,00 na compra de uma unidade imobiliária ainda em construção, a Compradora já recebeu, conforme pactuado, o rendimento mensal de R$ 500,00, pelo seu investimento. Esse rendimento é tributável. Esses valores não foram incluídos como “omissão de rendimentos de aluguel” na apuração fiscal, mesmo porque, na fase que antecedeu o lançamento tributário, não foi apresentada essa aqui tratada justificativa à Fiscalização, que reputou os depósitos como “não comprovados”, como se observa na resposta á Intimação Fiscal encaminhada em 20 de setembro de 2011, fl. 409 e ss. e no Demonstrativo Fiscal de fl. 718 e ss. Assim, não poderia a Fiscalização tratalos como “omissão de rendimentos” decorrentes do negócio (investimento) imobiliário. Aplicouse a presunção legal. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 940 13 A justificativa explicando sobre o Contrato firmado com a M. A. Faleiros só veio aos autos na fase impugnatória e a DRJ entendeu, destacando essa Claúsula 11.01 supracitada, que se tratavam de rendimentos de alugueis. De qualquer forma, são rendimentos tributáveis, e a denominação que se dê a eles não altera sua natureza, para fins de tributação. Como destacado, ao contrário do que alude a Recorrente, não se trata de uma “compensação” por descumprimento contratual, uma vez que o prazo para conclusão da obra sequer estava vencido, quando foram feitos os depósitos em questão. Tratase enfim, de rendimento pago pela construtora, calculado sobre investimento feito na unidade imobiliária. d) quantos a depósitos que seriam decorrentes de “saques de poupança”, tanto a Fiscalização quanto a DRJ identificaram que nos extratos a origem seria “poupança”, e isso está claro, nas cópias que constam das folhas 203 em diante. Assim, não há que se reputar como “origem não comprovada”. A justificativa para a não aceitação da comprovação foi que nos extratos da conta poupança da contribuinte não se encontrou tais lançamentos. Caberia à Fiscalização, no caso, diligenciar junto à Instituição Financeira para perquirir sobre a origem do depósito, mas não, como optou, reputálo como origem não comprovada. Assim, entendo que existe um equívoco no lançamento, uma vez que a própria análise do extrato permitia o questionamento sobre a origem, que foi “de plano” reputada como “não comprovada”. Entendo que devam ser cancelados os lançamentos sobre depósitos que foram reputados “não comprovados” pela Fiscalização, no valor de R$ 8.000,00 (04/2008); R$ 5.000,00 (05/2008) e R$ 850,00 (09/2008). e) quanto a depósitos que seriam decorrentes da venda de um apartamento, diferentemente do disposto no item b), supra, quando da venda de quotas da Abrassol, a própria Autoridade Julgadora recorrida admite que existe uma razoável coincidência de datas e valores entre o contrato de compra e venda, no pagamento de parcela combinada, e os depósitos. A justificativa de que a Contribuinte não comprovou que os depósitos foram feitos pelo comprador, João Carlos Bortolanza, a meu ver redunda em excesso de formalismo, à vista da apresentação do Contrato, cuja cópia consta na folha 834. Inclusive, a Fiscalização reputou como “comprovada” a origem do depósito em cheque no valor de R$ 47.300,00, no dia 14/02/2008, como “recebido de João Carlos Bortolanza pela venda do apartamento...”, e do depósito no valor de R$ 16.000,00, em 18/02/2008, baseandose na cópia do mesmo contrato particular, como se pode observar no “Demonstrativo...” de folha 719. Assim, dou razão às razões expendidas pela Recorrente no item V da sua manifestação recursal e entendo que devam ser cancelados os lançamentos sobre os depósitos no valor de R$ 15.366,00, no mês 03/2008. f) por fim, existe manifestação expressa no recurso em relação a uma transferência eletrônica (TED) no valor de R$ 37.890,00, no dia 14/02/2008. A Contribuinte primeiramente havia apresentado uma explicação de que se tratava de "pagamento para a compra de Kit Net M. A Faleiro". Esclarecida pela Fiscalização Fl. 940DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10950.724428/201127 Acórdão n.º 2801003.916 S2TE01 Fl. 941 14 e pela DRJ de que não se buscava justificativas para seus dispêndios e sim para os créditos em suas contas correntes, em sede de recurso, segundo aduz "após diligenciar novamente junto ao Banco do Brasil", trouxe novas informações. Justifica o referido crédito como parte do pagamento pela venda do mesmo imóvel tratado no item e), acima, a João Carlos Bortolanza, sendo que conforme demonstra o comprovante acostado à folha 922, a transferência foi efetuada por Lusiane Maria Paludo, que observo ter assinado o contrato na qualidade de testemunha e que a Recorrente afirma tratarse da dona da imobiliária que intermediou o negócio. De qualquer forma, está registrada a participação dela no contrato e o valor a ser pago inicialmente pelo adquirente era de R$ 150.000,00, já tendo sido admitidos pela Fiscalização, como comprovados, outros créditos assim justificados. O valor do TED em comento está dentro dos valores a serem pagos pelo adquirente do imóvel, as datas são razoavelmente coincidentes, a transferência foi efetuada por pessoa envolvida no negócio e que também, naturalmente, deva ter descontado percentual a título de comissão pela intermediação. Verifico então que existe relação verossimilhante entre a alegação da origem do depósito, em datas e valores, e a operação de compravenda. Entendo então que deva ser cancelada a parte do lançamento referente ao valor de R$ 37.890,00, no mês 02/2008. CONCLUSÃO Dessa feita, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para considerar comprovados depósitos no montante de R$ 67.106,00, no ano de 2008, que correspondem a: R$ 37.890,00, no mês 02/2008; R$ 15.366,00, no mês 03/2008; de R$ 8.000,00 (04/2008); R$ 5.000,00 (05/2008) e R$ 850,00 (09/2008), devendo ser excluídos da apuração efetuada no Auto de Infração, correspondente a "depósitos bancários de origem não comprovada" (fl. 801/2). Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 941DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /01/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 13855.002829/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2102-000.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 614.406, na forma do art. 62-A, do Anexo II, do RICARF.
Assinado digitalmente.
José Raimundo Tosta Santos Presidente.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 29/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Alice Grecchi e Rubens Mauricio Carvalho. Ausente, justificadamente, a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 614.406, na forma do art. 62A, do Anexo II, do RICARF. Assinado digitalmente. José Raimundo Tosta Santos – Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 29/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Alice Grecchi e Rubens Mauricio Carvalho. Ausente, justificadamente, a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 26 a 33: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 05 a 07, referente ao anocalendário de 2004, para a constituição do crédito tributário no montante de R$ 27.622,08, sendo R$ 13.154,00 a título de imposto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 55 .0 02 82 9/ 20 07 -1 2 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13855.002829/200712 Resolução nº 2102000.144 S2C1T2 Fl. 3 2 suplementar, R$ 9.865,50, de multa de ofício, e R$ 4.602,58, de juros de mora, calculados até 28/09/2007. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 05, anverso e verso) que foram apuradas as seguintes infrações: omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Enquadramento Legal: arts. I o a 3 o e §§, 8o e 9 o da Lei n° 7.713/1988; arts. I o a 3 o da Lei n° 8.134/1990; arts. 5o, 6o e 33 da Lei n° 9.250/1995; arts. I o e 15 da Lei n° 10.451/2002; arts. 43 a 45, 47, 49 a 53 e 841, inciso II, do Decreto n° 3.000/1999 RIR/1999; compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Enquadramento legal: art. 12, inciso V, da Lei n° 9.250/1995; arts. 7o , §§ I o e 2o , 87, inciso IV, § 2o , e 841, inciso II, do RIR/1999. O interessado foi cientificado em 27/09/2007 e apresentou, em 23/10/2007, a impugnação de fls. 01 a 04. Alega que os rendimentos considerados como omitidos foram recebidos acumuladamente, em decorrência de ação judicial. Entende que o imposto deveria ser calculado considerando o recebimento de aposentadoria "mês a mês", o que resultaria em isenção total do imposto, diante dos valores mensais recebidos. Requer a exclusão do valor correspondente a 15% (quinze por cento) dos rendimentos, que teria sido pago a título de honorários advocatícios. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, julgando improcedente a impugnação e por exonerar, de ofício, a multa prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, relativamente ao crédito tributário decorrente da dedução indevida de IRRF, passando a incidir a multa de mora sobre o referido crédito. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls.40 a 42, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. Conforme fls 26 do Acórdão recorrido e fls. 18 e seguintes do Acordo judicial, constatase que o crédito tributário decorre de omissão de rendimentos cuja base de cálculo são rendimentos recebidos acumuladamente. Em razão das determinações no voto a seguir, este relato é o suficiente. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Na forma do art. 62A, caput e § 1º do Anexo II, do RICARF, sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deverão Fl. 52DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13855.002829/200712 Resolução nº 2102000.144 S2C1T2 Fl. 4 3 as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica nos recursos administrativos, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, a controvérsia sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ter o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF reconheceu a repercussão geral na matéria, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. No presente caso, temse que a infração de omissão de rendimentos, trata de rendimentos recebidos acumuladamente, sendo certo que o recurso voluntário versa sobre a matéria do Tema 228 e deve ter seu julgamento sobrestado, na forma do art. 62, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF. Ante o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 14485.000785/2007-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Sat Dec 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2002
NORMAS GERIAS. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
No presente caso, há comprovação de recolhimento parcial, motivo da conseqüente aplicação da regra decadencial determinada no Art. 150 do CTN e da negativa de provimento do recurso apresentado.
Numero da decisão: 9202-003.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, há comprovação de recolhimento parcial, motivo da conseqüente aplicação da regra decadencial determinada no Art. 150 do CTN e da negativa de provimento do recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 07 85 /2 00 7- 12 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14485.000785/200712 Acórdão n.º 9202003.425 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência, fls. 0129, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão que decidiu dar provimento a recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 01/01/2002 DECADÊNCIA.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SUMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º do CTN, contando da data do fato gerador, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal que declara inconstitucional o art. 45, da Lei 8.212/91, dispositivo esse que previa prazo de decadência de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência total com base nos critérios estabelecidos no Art. 150, § 4º, CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari Esclarecendo, o litígio em questão versa sobre a definição de qual regra decadencial, expressa no Código Tributário Nacional (CTN) deve ser aplicada ao caso. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. Há divergência entre a decisão recorrida e a paradigma; 2. Só deve ser aplicada a regra decadencial prevista no Art. 150 do CTN quando há recolhimento parcial efetuado, na competência, conforme decidiu a decisão paradigma; 3. Solicita, por fim, acolhimento e provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 0159, deuse seguimento ao recurso especial. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 O sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 0166, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14485.000785/200712 Acórdão n.º 9202003.425 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre qual das regras decadenciais, presentes no CTN, aplicarseá, a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, como decidido no acórdão recorrido, ou a constante do I, Art. 173 do CTN. Para a recorrente, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no Art. 173, nem que seja em algumas competências, pois não houve a necessária e obrigatória antecipação parcial de pagamento. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 192DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Cabe destacar que na análise dos autos encontramos informação, do Fisco, de eu valores foram recolhidos no período, fls. 019. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14485.000785/200712 Acórdão n.º 9202003.425 CSRFT2 Fl. 5 7 Antes de decidir sobre qual regra decadencial utilizar, cabe deixar claro que o fato gerador da contribuição previdenciária é a totalidade da remuneração paga ou creditada pelos serviços, independentemente do título que se lhe atribua, tanto em relação ao tomador do serviço (empresa), quanto do segurado contribuinte. Portanto, para a definição da regra decadencial, devemos levar em conta se houve alguma antecipação de pagamento, não por tipo de remuneração (levantamento) pois é a totalidade desses pagamentos que se denomina SaláriodeContribuição (SC), que é todo e qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado, em decorrência da prestação de serviço, de forma direta ou indireta, em dinheiro ou sob a forma de utilidades, habituais em relação ao segurado empregado. Elucidativo o texto contido em decisão proferida na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), processo 10640.001896/200747, pelo nobre Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior: “Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Em relação à essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações e específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento.” Portanto, como há recolhimentos, deve ser aplicada ao caso a regra esculpida no § 4º, Art. 150 do CTN, conforme decidido no acórdão recorrido. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 195DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 19740.000091/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/2005
PRAZO DE DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. CRITÉRIO DO PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL.
O prazo decadencial para a constituição de créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é de 5 (cinco) anos, contado da ocorrência do fato gerador (art.150, § 4º, do CTN), se existente pagamento antecipado, ou primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), se não existente pagamento antecipado.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. VALORES DECLARADOS EM DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE.
Por ter natureza de confissão de dívida e se revestir de instrumento hábil e suficiente para fim de exigência, os débitos declarados em DCTF e não pagos pelo sujeito passivo prescinde de lançamento de ofício, podendo ser comunicados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.
CONTRIBUIÇÕES RETIDAS NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICO. DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. INFORMAÇÃO SALDO A PAGAR NA DCTF. POSSIBILIDADE.
Os valores da Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins retidos na fonte por Órgãos Públicos são consideradas antecipações do devido e, nesta condição, podem ser deduzidos do valor devido apurado no respectivo período de apuração e declarado em DCTF apenas o valor remanescente a pagar.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3102-002.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP nº 138.192, advogado do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/2005 PRAZO DE DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. CRITÉRIO DO PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial para a constituição de créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é de 5 (cinco) anos, contado da ocorrência do fato gerador (art.150, § 4º, do CTN), se existente pagamento antecipado, ou primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), se não existente pagamento antecipado. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. VALORES DECLARADOS EM DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. Por ter natureza de confissão de dívida e se revestir de instrumento hábil e suficiente para fim de exigência, os débitos declarados em DCTF e não pagos pelo sujeito passivo prescinde de lançamento de ofício, podendo ser comunicados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. CONTRIBUIÇÕES RETIDAS NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICO. DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. INFORMAÇÃO SALDO A PAGAR NA DCTF. POSSIBILIDADE. Os valores da Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins retidos na fonte por Órgãos Públicos são consideradas antecipações do devido e, nesta condição, podem ser deduzidos do valor devido apurado no respectivo período de apuração e declarado em DCTF apenas o valor remanescente a pagar. Recurso de Ofício Negado.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/2005 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADICIONADO INDEVIDAMENTE PELA FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO DETERMINADA PELA DECISÃO PRIMEIRA GRAU. POSSIBILIDADE. Não merece reparo a decisão de primeiro grau que determinou o cancelamento de débitos tributário calculados sobre valores adicionados a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep não respaldados em documentação contábil e fiscal idônea. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/2005 BASE DE CÁLCULO. VALOR ADICIONADO INDEVIDAMENTE PELA FISCALIZAÇÃO. EXCLUSÃO DETERMINADA PELA DECISÃO PRIMEIRA GRAU. POSSIBILIDADE. Não merece reparo a decisão de primeiro grau que determinou o cancelamento de débitos tributário calculados sobre valores adicionados a base de cálculo da Cofins não respaldados em documentação contábil e fiscal idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/2005 PRAZO DE DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. CRITÉRIO DO PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial para a constituição de créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é de 5 (cinco) anos, contado da ocorrência do fato gerador (art.150, § 4º, do CTN), se existente pagamento antecipado, ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 00 91 /2 00 6- 41 Fl. 4835DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), se não existente pagamento antecipado. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. VALORES DECLARADOS EM DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. Por ter natureza de confissão de dívida e se revestir de instrumento hábil e suficiente para fim de exigência, os débitos declarados em DCTF e não pagos pelo sujeito passivo prescinde de lançamento de ofício, podendo ser comunicados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. CONTRIBUIÇÕES RETIDAS NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICO. DEDUÇÃO DO VALOR DEVIDO. INFORMAÇÃO SALDO A PAGAR NA DCTF. POSSIBILIDADE. Os valores da Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins retidos na fonte por Órgãos Públicos são consideradas antecipações do devido e, nesta condição, podem ser deduzidos do valor devido apurado no respectivo período de apuração e declarado em DCTF apenas o valor remanescente a pagar. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP nº 138.192, advogado do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzse a seguir o relatório encartado na decisão de primeira grau: 1. Versa o presente processo sobre autos de infração de fls. 2358 a 2436, lavrados em nome do contribuinte Bradesco Seguros S/A, CNPJ nº 33.055.146/000193, decorrentes da falta e/ou insuficiência de recolhimento das Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), na qualidade de contribuinte e na de responsável por sucessão, face à incorporação da Companhia Fl. 4836DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 101 3 de Seguros Interatlântico. O presente processo consubstancia exigência de crédito tributário no valor total de R$ 270.875.601,56, autuado da seguinte forma: 1.1 Às fls. 2358 a 2374: auto de infração correspondente à Contribuição para o PIS, referente aos fatos geradores de julho/1996 a junho/2001 no valor de R$ 1.849.811,47, incluindo principal e juros de mora calculados até 24/02/2006. 1.2 Às fls. 2375 a 2384: auto de infração correspondente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, referente aos fatos geradores de fevereiro/1999 a junho/2001 no valor de R$ 872.074,81, incluindo principal e juros de mora calculados até 24/02/2006. 1.3 Às fls. 2385 a 2414: auto de infração correspondente à Contribuição para o PIS, referente aos fatos geradores de março/1996 a junho/1997 e de março/1998 a agosto/2005 no valor de R$ 76.421.655,93, incluindo principal, multa proporcional e juros de mora calculados até 24/02/2006. 1.4 Às fls. 2415 a 2436: auto de infração correspondente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, referente aos fatos geradores de fevereiro/1999 a agosto/2005 no valor de R$ 191.732.059,35, incluindo principal, multa proporcional e juros de mora calculados até 24/02/2006. 2. No campo Descrição dos Fatos dos autos de infração acima discriminados (fls. 2359, 2376, 2386 e 2416), a autoridade fiscal que procedeu aos trabalhos de apuração do lançamento esclarece que o valor foi apurado de acordo com o contido no Termo de Verificação Fiscal e planilhas. O Termo de Verificação Fiscal encontrase nos autos às fls. 2437 a 2488. Neste consta, em resumo, que: 2.1 A fiscalização compreendeu o período de fevereiro de 1996 a agosto de 2005 e abrangeu os recolhimentos da Bradesco Seguros na condição de contribuinte e na condição de responsável por sucessão, em virtude da incorporação da Companhia de Seguros Interatlântico (ex Companhia Seguros Tranqüilidade Brasil). 2.2 Abrange somente a parcela exigível (tanto na condição de contribuinte quanto na condição de responsável por sucessão) do crédito tributário, sendo que a parcela com a exigibilidade suspensa é objeto do processo administrativo nº 19740.000092/200696. 2.3 O contribuinte apresentou planilhas contendo as bases de cálculo do PIS e da COFINS de 1996 a 2005, tanto da Bradesco Seguros (fls. 215 a 229), como da pessoa jurídica incorporada Companhia de Seguros TranqüilidadeBrasil (fls. 1.204 a 1.209). 2.4 Tais planilhas foram analisadas confrontandose a documentação contábil da incorporadora (fls. 230 a 1.041) e da incorporada (fls. 1.210 a 1.809), bem como considerando a Fl. 4837DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 legislação de regência dessas contribuições vigente no período abrangido pela fiscalização. 2.5 Relativamente à Bradesco Seguros, a autuação correspondeu à glosa de valores indedutíveis das bases de cálculo do PIS e da COFINS e à falta de recolhimento da contribuição para o PIS. 2.5.1 Quanto aos valores glosados verificouse que: a) durante todo o período fiscalizado, o contribuinte atribuiu às subcontas contábeis 3441, 34481, 34483, 34486 e 34487 natureza mista, ou seja, ora fazendo com que recebessem valores de receitas a crédito, ora fazendo com que recebessem valores de despesas a débito. b) de acordo com o Plano de Contas das Seguradoras, anexo à Circular SUSEP nº 09, de 20 de setembro de 1993, o grupo contábil “34 – Outras Receitas e Despesas Operacionais” é dividido em dois subgrupos distintos, um para registro de outras receitas com operações de seguros (344 – fls. 183 e 184) e outro para registro das outras despesas com operações de seguros (345 – fls. 184 a 187). c) Exemplificadamente, conforme documento de fls. 726, a Bradesco Seguros lançou valores a crédito das subcontas de despesa 314281 e 314286, valores esses representativos de receitas e que, por estarem sendo lançados a crédito de subcontas de despesa (reduzindoas), passaram a não ser oferecidos à tributação. Na planilha de fls. 226, na coluna relativa ao mês de janeiro/2003, são as receitas do subgrupo contábil 3141 que compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS, e não as lançadas erroneamente a crédito do subgrupo de despesas 3142 (subcontas 314281 e 314286, dentre outras), que não compõem esta base por estarem incorretamente registradas no meio de um grupo contábil de despesas. d) Como essa prática adotada pelo contribuinte permaneceu até o fim do período auditado, nas planilhas de fls. 1.042 a 1.173, as quais indicam os valoresbase para lançamento, a partir de janeiro de 2003, passam a existir não apenas as totalizações dos valores glosados de despesas indedutíveis, mas também a totalização dos valores de receita que deveriam ter sido adicionados àquelas bases e que, ao contrário, estavam sendo lançados a crédito de contas de despesa que não as compunham. e) Apesar das inúmeras mudanças de códigos ao longo de todo o período fiscalizado, as contas contábeis do subgrupo Outras Receitas com Operações de Seguros (de código contábil original 344) mantiveram, de acordo com o Plano de Contas das Sociedades Seguradoras, sua função e funcionamento, recebendo apenas lançamentos a crédito por receitas auferidas. f) Inicialmente o contribuinte utilizou as subcontas do subgrupo contábil de receitas 344 para efetuar lançamentos a débito que deveriam ter sido efetuados nas subcontas de despesa correspondentes, pertencentes ao subgrupo contábil 345. E, posteriormente, a partir de janeiro de 2003 e em adição à prática anterior, efetuou lançamentos a crédito do subgrupo contábil de despesas 3142, de receitas que deveriam compor a Fl. 4838DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 102 5 base de cálculo do PIS e da COFINS mediante lançamento a crédito do subgrupo contábil 3141. g) A Bradesco Seguros não escriturou as despesas no subgrupo contábil específico (345), o qual não consta como dedução/exclusão na planilha anexa à IN SRF 47/99. Ao contrário, escriturouas a débito de um subgrupo de receitas (344), que faz parte dessa planilha. O subgrupo 344, conseqüentemente, passou a constar dessa planilha por um valor líquido, que de forma alguma corresponde ao real valor auferido de receitas a título de outras operações de seguros (esse engloba apenas os valores lançados a crédito no subgrupo 344). h) Em todos os meses em que o saldo do subgrupo contábil 344 é transportado dos balancetes contábeis (fls. 230 a 1.041) para as planilhas de apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS elaboradas pelo contribuinte (fls. 215 a 229), o subgrupo contábil 345 não apresenta lançamentos a débito, pois estes foram efetuados no subgrupo 344, gerando redução no valor deste último no momento de apurar a base de cálculo das contribuições. i) A atribuição de natureza contábil mista ao subgrupo 344, o que contraria o disposto no Plano de Contas das Seguradoras, foi confirmada pelo próprio contribuinte quando das respostas às Intimações de nº 3, itens 07 e 08 (fl. 81) e nº 10, itens 08 a 11 (fls. 168 a 170). j) O contribuinte utilizou, não apenas no ano de 1999, mas em todo o período fiscalizado, o valor líquido do grupo contábil “Outras Receitas com Operações de Seguros” (e de suas respectivas subcontas, em especial as de códigos 34481 e 34486), para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS. Tal prática é vedada pela legislação, de acordo com o preceituado na Lei nº 9718/98, que determina que essas contribuições sejam calculadas sobre a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, sendo irrelevantes o tipo de atividade por elas exercida ou a classificação contábil adotada para suas receitas. k) Se os subgrupos que compõem o grupo “Outras Receitas com Operações de Seguros” possuem valores negativos, representativos de despesas incorridas pela pessoa jurídica, essas não podem diminuir a base de cálculo do PIS e da COFINS que incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. l) A partir de janeiro de 2003, com a alteração do código contábil do subgrupo “344Outras Receitas com Operações de Seguros” para 3141, os efeitos redutores da base de cálculo do PIS e da COFINS, deramse não só através de lançamentos a débito das contas de receita desse subgrupo (que aparecem como glosas nas planilhas de fls. 1042 a 1173), mas também através de lançamentos a crédito em contas de despesa do correspondente subgrupo “3142Outras Despesas com Fl. 4839DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 Operações de Seguros” (que aparecem como adições nas planilhas de fls. 1042 a 1173). m) Situação idêntica foi verificada para o grupo contábil “35 Receitas Financeiras”, também constante das receitas tributáveis do PIS e da COFINS no Anexo I da IN 47/99. n) Não há permissão legal para a dedução das bases de cálculo do PIS e da COFINS de perdas em aplicações financeiras, e as únicas exclusões/deduções admitidas, além das previstas para as pessoas jurídicas em geral, são as mencionadas no inc. IV do art. 1º da Lei nº 9.701/98. De acordo com o disposto nos § 1º e 3º desse diploma legal, não são admitidas como deduções das bases de cálculo do PIS e da COFINS as perdas incorridas pela Bradesco Seguros nas diversas aplicações financeiras constantes do grupo contábil 35 de seu balancete. o) Tal prática foi adotada durante todo o período fiscalizado, isto é, de janeiro de 1996 a setembro de 2005. O contribuinte efetua lançamentos a débito de contas de receita, componentes do grupo 35 – Receitas Financeiras (fls. 189 a 205), quando deveria utilizar o grupo contábil específico para tal, ou seja, grupo 36 – Despesas Financeiras (fls. 205 a 213). p) É sempre o saldo do grupo 35 que é transportado dos balancetes (fls. 230 a 1.041) para compor as planilhas de apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS (fls. 215 a 229), e que nos meses em que isso ocorre, não são efetuados lançamentos a débito das contas de despesa componentes do grupo 36 – Despesas Financeiras. q) De acordo com a legislação é permitido deduzir apenas as receitas financeiras geradas por ativos garantidores de provisões técnicas, e também apenas a partir da edição da MP nº 1.8586, que acrescentou os §§ 6º e 8º ao art. 3º da Lei nº 9.718/98. r) As respostas apresentadas pelo contribuinte às intimações de nº 03 e nº 10, às fls. 81 a 82 e 170 a 171, confirmam a atribuição pelo contribuinte de natureza mista às contas do grupo contábil “Receitas Financeiras”, cabendo a glosa dos valores negativos lançados, dada a impossibilidade de reduzirem a base de cálculo do PIS e da COFINS. s) As planilhas de fls. 1.042 a 1.173 contêm os valores negativos lançados a débito do subgrupo “344Outras Receitas com Operações de Seguros” e do grupo “35Receitas Financeiras”, que foram glosados quando do cômputo da base de cálculo das contribuições em tela. Tais planilhas também contêm os valores positivos lançados a crédito das subcontas do subgrupo “3142” (estes últimos a partir de janeiro de 2003), os quais foram adicionados às bases de cálculo do PIS e da COFINS, no período auditado. t) Tais valores, resultantes do somatório dos valores negativos glosados e da adição dos valores positivos anteriormente não oferecidos à tributação deram origem às bases de cálculo utilizadas para elaboração do auto de infração, constantes da Fl. 4840DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 103 7 coluna “Bradesco – Adição/Glosa PIS COFINS” da planilha de fls. 1.985 a 1.987. u) Relativamente ao período de março de 1996 a dezembro de 1998, há uma alteração na forma de apuração da base de cálculo do PIS por parte do contribuinte. Nas planilhas de fls. 215 a 217 e 219, incluiu apenas o saldo da conta contábil “34411 – Custos de Apólices”, não considerando as subcontas contábeis “34481Seguros”, “34486Retrocessões do IRB” e “34487Outras Despesas/Receitas Operacionais Exterior”. Para o período de março de 1996 a fevereiro de 1998 os valores dos saldos dessas subcontas são adicionados à base de cálculo do PIS para fins de lançamento. São também adicionados os saldos dessas subcontas à base de cálculo do PIS para o período de março a dezembro de 1998, com a diferença de que, como nesses meses o contribuinte incluiu o saldo das sucontas “34486 Retrocessões do IRB” e “34487Outras Despesas/Receitas Operacionais Exterior” na planilha de fls. 221, esses valores foram subtraídos da base de cálculo do PIS para fins de lançamento (linha “Valor da Planilha” nas planilhas de fls. 1066 a 1075) 2.5.2 Relativamente à falta de recolhimento da contribuição para PIS e da COFINS, informou que: a) Esta parcela do crédito tributário adveio da comparação entre os valores devidos de PIS e COFINS, conforme planilhas de fls. 215 a 229 (apresentadas pelo contribuinte e compatíveis com a sua contabilidade de fls. 230 a 1.041), e os valores efetivamente recolhidos dessas mesmas contribuições (fls. 1.174 a 1.203). b) A planilha de fls. 1.817 e 1.818 resume as bases de cálculo, os valores devidos e os valores recolhidos dessas contribuições. Após a obtenção dessas bases, seus valores foram transportados para as colunas “BradescoFalta de Recolhimento PIS” e “BradescoFalta de Recolhimento COFINS” da planilha de fls. 1.985 a 1.987. Nesta planilha, tais valores foram adicionados aos constantes da coluna ”Bradesco Adição/Glosa PIS COFINS” a fim de dar origem aos valores totais de base de cálculo para fins de lançamento e aplicação da multa de 75%. c) No período de julho de 1997 a fevereiro de 1998, o crédito tributário está com a sua exigibilidade suspensa por força de decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 98.0000.2081. Tal lançamento foi objeto do processo administrativo nº (sic). 2.6 Relativamente à Companhia de Seguros Tranqüilidade, incorporada pela Bradesco Seguros, verificou que, no período de fevereiro de 1996 a junho de 2001,: 2.6.1 Não constam recolhimentos de contribuições para o PIS/PASEP em qualquer código de receita, tanto na 7ª quanto na 8ª Região Fiscal, salvo os de fls. 1.810 a 1.811. Fl. 4841DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 2.6.2 No período de fevereiro de 1996 a dezembro de 1997, não constam declarações de débitos de PIS, seja em DCTF (fls.1.889 a 1.938), seja em DIPJ (fls. 1.819 a 1.840). 2.6.3 No ano de 1998, os débitos de PIS são declarados apenas em DIRPJ e com a exigibilidade suspensa (fls. 1.841 a 1.846 DIRPJ e fls. 1.927 a 1.938DCTF). 2.6.4 De janeiro de 1999 a junho de 2001 (incorporação), há apenas débitos de PIS declarados em DIRPJ (fls. 1.859 a 1.864, 1.871 a 1.876, 1.883 a 1.885 e fls. 1.939 a 1.976DCTF). 2.6.5 Quanto à COFINS, no período de fevereiro de 1999 a junho de 2001, os valores declarados em DCTF (fls. 1.973 a 1.976) mostraramse compatíveis com os recolhimentos efetuados dessa contribuição (fls. 1.812 a 1.816). Apenas os valores constantes das DIRPJs (fls. 1.877 a 1.882 e 1.886 a 1.888) mostraramse discrepantes em relação aos declarados em DCTF (fls. 1.973 a 1.976), no ano de 1999 e nos meses de janeiro a março de 2001, o que não influenciou o lançamento, efetuado com base nos valores recolhidos. 2.6.6 A tabela de fls. 1.977 a 1.978 resume essas informações. 2.6.7 Foram analisadas as planilhas de fls. 1.204 a 1.209, contendo as bases de cálculo do PIS e da COFINS de janeiro de 1996 a junho de 2001, elaboradas pela Bradesco Seguros e relativas à Cia de Seguros Tranqüilidade Brasil e os balancetes contábeis fornecidos pelo contribuinte (fls. 1.210 a 1.809). 2.6.8 Da análise das planilhas elaboradas pela Bradesco Seguros, relativas à Cia de Seguros Tranqüilidade Brasil, foram elaboradas novas planilhas retificandose eventuais erros e, ao mesmo tempo, efetuandose a glosa de valores negativos lançados a débito dos grupos contábeis “Outras Receitas com Operações de Seguros” e “Receitas Financeiras”. As novas planilhas constam às fls. 1.979 a 1.984. 2.6.9 Como não houve recolhimento de PIS pela Cia Tranqüilidade de janeiro de 1996 a junho de 2001, as bases de cálculo refeitas, constantes das planilhas de fls. 1.979 a 1.984, foram as utilizadas para efeito de lançamento. Essas bases constam da planilha de fls. 1.985 a 1.987 na “coluna “Incorporada Base PIS/COFINS’, que apresenta os mesmos valores da coluna “Lç Multa 0% PIS Incorporada”. Os valores devidos de PIS e COFINS relativos à empresa incorporada são lançados sem multa de ofício, pois esta tem caráter punitivo e pessoal não podendo ser transmitida à pessoa da incorporadora. 2.6.10 Relativamente à COFINS, após a retificação das bases de cálculo, foram calculados os valores devidos e deles abatidos os valores recolhidos. Baseandose na diferença de contribuição a recolher obtida, fezse a conta inversa, a fim de se obter os valores de base de cálculo correspondentes a essa diferença, utilizadas para fins de lançamento (fls. 1.982 a 1.984). Esses valores constam na planilha de fls. 1.985 a 1.987 na coluna “Lç COFINS multa 0% incorporada”. [...] Fl. 4842DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 104 9 2.8 Sobre os valores apurados incidem multa de ofício de 75% (somente nos autos onde a autuada figura como contribuinte) e juros de mora equivalentes à taxa SELIC. 3. O enquadramento legal das presentes autuações encontrase às fls. 2362, 2373, 2377, 2382, 2383, 2391, 2412, 2413, 2418, 2419, 2420, 2434 e 2435. 4. Irresignado com o lançamento consubstanciado nos Autos de Infração em comento, o interessado apresentou a peça impugnatória de fls. 2.538 a 2.588. Alegou, em síntese, que: 4.1 O levantamento fiscal, quer no que se refere à acusação de falta de recolhimento das contribuições, quer na parte da glosa de valores considerados indedutíveis da base de cálculo e da adição de valores nela não incluídos, contém vícios na apuração do “quantum” devido que conduzem à total nulidade dos autos de infração lavrados por absoluta falta de liquidez e certeza do crédito tributário que está sendo exigido; 4.2 Relativamente ao PIS, identificou pagamentos por DARF e por compensação com créditos de diversos tributos no valor principal de R$ 23.084.465,23, ou seja, o total exigido (Doc. 02 B, valor principal). 4.3 Trouxe aos autos documentos comprobatórios das informações dos débitos declarados em DCTF, bem como as PER/DCOMPs correspondentes. 4.4 O Fisco está exigindo o recolhimento de R$ 374.640,41 de PIS no período de 05/99 a 08/05, que corresponderiam a valores da contribuição em causa retidos na fonte por órgãos governamentais, conforme valores informados nas DIPJs respectivas e devidamente registrados na contabilidade, portanto, já devidamente recolhidos. Anexou documentos de numeração 02B e 12. 4.5 Relativamente à COFINS, identificou pagamentos mediante DARF´s e por compensação com créditos de diversos tributos no valor principal de R$ 65.209.291,16, exatamente o valor exigido a este título. (Doc. 13B, valor principal). Trouxe aos autos documentos comprobatórios das informações dos débitos declarados em DCTF, bem como as PER/DCOMPs correspondentes. 4.6 O Fisco está exigindo o recolhimento de R$ 1.163.883,77 de COFINS no período de 08/00 a 08/05, que corresponderiam a valores da contribuição em causa retidos na fonte por órgãos governamentais, conforme valores informados nas DIPJs respectivas e devidamente registrados na contabilidade, portanto, já devidamente recolhidos. Anexou documentos de numeração18. 4.7 Relativamente a glosa de valores considerados indedutíveis e à adição de valores considerados tributáveis o Fisco não fez uma análise da natureza dos lançamentos contábeis. Fl. 4843DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 4.8 A partir de janeiro de 2003, a fiscalização computou na base de cálculo os valores credores lançados em contas de despesas 31421 e 31426, presumindo que se tratavam de “receitas” quando na verdade são meras reduções de despesas que com aquelas não se confundem. 4.9 O Fisco não o intimou a esclarecer ou justificar os lançamentos contábeis negativos e/ou positivos nas contas de receitas/despesas desses grupos de contas, relativos à totalidade dos valores negativos do período de 1996 a 2005 e positivos a partir de 2003. 4.10 Não houve tempo para analisar e justificar todos os valores negativos glosados e os valores positivos adicionados à base de cálculo das exações. 4.11 Realmente em 01/99 deduziu da base de cálculo, equivocadamente, o saldo negativo do grupo contábil “344 Outras Receitas de Seguros e Outras Despesas de Seguros”, o que foi glosado pela fiscalização num total de R$ 7.257.643,09. Nos meses seguintes em que o saldo da mesma conta também foi negativo, ou seja, 02/99, 05/99 a 10/99, 12/99, 01/00, 02/00, 04/00, 06/00, 07/00, 09/00, 11/00, 12/00 e 01/01, o impugnante nada deduziu da base de cálculo do PIS e da COFINS (fls. 215 a 229 dos autos), conforme demonstrado na planilha e documentos de numeração 22. E o Fisco glosou a totalidade do valor negativo registrado na conta em cada mês, resultando em glosas indevidas em todos os meses acima assinalados no valor dos saldo negativos apurados (doc. 22)I 4.12 Nos meses de 12/01, 05/02, 07/02 e 08/02, o Impugnante tributou valores maiores do que o movimento líquido credor da conta. E o Fisco continuou a glosar o valor total negativo registrado na conta, incorrendo em glosa indevida exatamente no valor a maior tributado pela empresa (doc. 22). 4.13 Nos meses de 11/02 e 12/02 tributou integralmente os valores positivos registrados na referida conta e o Fisco glosou integralmente os valores negativos registrados, incorrendo em glosa totalmente indevida (doc. 22). 4.14 Ainda que correto estivesse o entendimento do Fisco quanto ao mês de 01/99, e de acordo com o seu entendimento, teria havido glosa indevida de R$ 50.531.367,74 e tributação indevida deste valor adicionado pelo Fisco à base de cálculo das exações (doc. 22). 4.15 As glosas indevidas em cada mês em que o valor negativo superou o valor positivo registrado na conta 344 estão demonstrados nos desdobramentos do doc. 22 (doc. 22A a 22W). Conseqüentemente está havendo exigência indevida de contribuições, multa e juros, calculadas sobre as glosas indevidas em cada mês considerado. 4.16 O Fisco presumiu, relativamente aos grupos de contas “344Outras Receitas de Seguros e Outras Despesas de Seguros” e “35Receitas Financeiras”, a natureza jurídica de despesa de todos os lançamentos negativos efetuados, sem Fl. 4844DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 105 11 demonstrar que de fato eles teriam reduzido a base de cálculo das referidas contribuições. 4.17 A despeito das dificuldades em razão do curto espaço de tempo para elaboração de sua defesa e do volume de documentos para analisar, em face do grande período fiscalizado, e embora fosse dever do Fisco fazer essa análise, conseguiu identificar que esses valores negativos decorrem de: a) transferências entre contas tributadas; b) estornos de receitas em razão de erros na contabilização decorrentes de apropriação indevida em meses anteriores, erros de cálculo na apropriação de receitas pelo regime de competência, estorno de juros e correção monetária de prêmios prefixados ou de correção monetária de aplicações de renda fixa e outros, c) oscilações cambiais de depósitos e aplicações financeiras no exterior; d) ajuste de oscilações cambiais em operações de “swap”; e) oscilações em decorrência de índices pactuados (bolsa) ou taxa cambial em fundos de renda variável; f) repasses de receitas de prêmios de seguros cujo risco foi repassado para outras seguradoras, e outros. 4.18 O valor total da glosa que foi tributada neste item é de aproximadamente R$ 420.709.668,40 (doc. 13/A). Somente de transferência entre contas tributadas detectou mais de R$110.000.000,00 em apenas quatro meses analisados, o que corresponde a mais de 25% do total glosado (doc. 21A, 21B, 21C e 21D). 4.19 Foram detectadas outras transferências no mês de março de 1999 também para contas tributadas. 4.20 As transferências ocorrem de forma mais acentuada quando há reclassificação de contas e mudanças de códigos, o que ocorreu diversas vezes durante o período fiscalizado, como atesta o próprio fiscal autuante no Termo de Verificação Fiscal. 4.21 Quanto aos fundos de renda variável, efetua mensalmente o registro da oscilação do valor das quotas, conduzindo sempre à tributação antecipada dos valores positivos, ainda que não representem uma receita efetiva. 4.22 Quando antes do resgate das quotas ocorre uma oscilação do seu valor para baixo, registra um valor negativo ajustando a tributação antecipada à realidade da rentabilidade do fundo. 4.23 Ao glosar os valores negativos o Fisco está exigindo indevidamente exações sobre renda que jamais existiu. 4.24 As planilhas e razão juntados evidenciam inúmeros valores lançados a débito que são apenas reduções do saldo acumulado de valores anteriormente lançados a crédito e oferecidos à tributação (docs. 19 e 20). 4.25 Em relação aos ativos em dólar, a fiscalização glosou os valores negativos registrados na conta respectiva. Esses valores referemse a mera variação cambial negativa desses ativos em Fl. 4845DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 12 moeda estrangeira, cuja variação positiva já havia sido oferecida à tributação (doc. 23). 4.26 Requer perícia, em função do seu direito de ampla defesa. 4.27 Os valores lançados a débito nas contas do grupo contábil 35 correspondem a reduções no valor das quotas de fundos de investimento de renda variável, que já haviam anteriormente sofrido uma valorização em montante superior aos lançamentos a débito, já regularmente oferecida à tributação, tratandose de mera redução de uma expectativa de receita antecipadamente tributada. 4.28 Deduz da base de cálculo das contribuições quando da redução do seu ganho, e quando da recuperação deste ganho ofereceu à tributação a receita correspondente. 4.29 Ainda que a fiscalização estivesse correta ao glosar a dedução dos valores lançados a débito da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, deixou de considerar que no caso concreto ocorreu mera postergação do pagamento dos tributos, hipótese em que seriam exigíveis, quando muito, juros de mora isolados, sendo nulo o lançamento da forma como efetuado por redundar na exigência de tributo em duplicidade, consoante jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 4.30 Os valores negativos registrados no Grupo Conta Contábil 35Receitas Financeiras, em grande parte, referemse a diversos Fundos de Investimento de Renda Variável, aplicações e depósitos em moeda estrangeira. 4.31 As aplicações de renda variável (bolsas, dólar, etc..) caracterizamse por sofrer oscilações positivas e negativas durante o lapso de tempo desde a realização do investimento até o resgate das aplicações, apresentando neste período apenas uma expectativa de receita que irá se concretizar no resgate da aplicação, momento em que deveria ser tributada pelas contribuições ao PIS e COFINS a receita auferida. 4.32 Adotou o regime de competência para a apropriação dessas oscilações. A cada período mensal são registradas e tributadas as “receitas” quando a oscilação é positiva e as “perdas” quando a oscilação é negativa. Para que não haja tributação indevida, as “perdas” são abatidas das “receitas” já tributadas anteriormente. 4.33 A opção pelo regime de competência não poderá implicar na incidência sobre um valor que não represente “receita auferida pela pessoa jurídica”, o que em se tratando de variações cambiais e outros índices variáveis somente irá ocorrer na liquidação das operações, e apenas se houver ingresso novo que se acresça ao patrimônio do contribuinte. 4,34 Renomados tributaristas concluem pela impossibilidade de se tributar pelas contribuições ao PIS/COFINS meras expectativas de receitas, ainda não definitivamente auferidas, ou simples reduções de despesas. Fl. 4846DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 106 13 4.35 A impossibilidade de se entender como “receita”, para fins de tributação pela contribuição ao PIS e COFINS, a eventual redução do valor em reais de um investimento por conta da oscilação da taxa de câmbio e outras enquanto não resgatado, e de se constatar ter efetivamente sido auferida uma receita ao final do mesmo. 4.36 Quanto aos decréscimos sobre passivos, é evidente que não representam receita alguma, uma vez que inexiste qualquer ingresso novo, mas sim uma menor despesa. 4.37 Não poderiam, sem uma análise mais profunda, terem sido glosados os valores negativos registrados em contas de Fundos de renda variável, depósitos e aplicações em moeda estrangeira, bem como os valores positivos registrados em contas de despesas. 4.38 Não poderia também o Fisco glosar valores negativos lançados em contas de receitas/despesas operacionais que representam repasses de receitas a outras seguradoras ou ao IRB em razão do repasse de parcela do risco assumido (co seguros ou resseguros), porque ocorrendo tais repasses por força de imposições legais, esses valores não representam “receitas” do Impugnante. Neste sentido já decidiu o Conselho de Contribuintes no Acórdão 20308.793, mandando excluir da base de cálculo da COFINS tudo o que não faz parte da receita da pessoa jurídica. 4.39 O crédito tributário relativo ao período de 31.03.96 a 28.02.2001 está extinto em razão da decadência que se operou, posto que decorrido o prazo de cinco anos previsto no artigo 150, § 4º do CTN; 4.4O A inaplicabilidade do prazo decadencial de 10 anos previsto na Lei nº 8.212/91. 4.41 O Fisco desconsiderou os pagamentos das contribuições efetuados por meio de DARF´s e mediante compensações diversas; 4.42 As suas receitas, dentre elas as receitas financeiras, por não serem faturamento ou receita bruta da venda de bens e serviços, não integram a base de cálculo das contribuições em causa, conforme decisão do STF no RE 346.084; 4.43 A inconstitucionalidade da Lei nº 9718/98, considerando que o Fisco não poderia ter autuado o Impugnante exigindolhe contribuições sobre receitas financeiras e de seguros que não integram o faturamento, entendido como receita bruta da venda de bens e serviços. 4.44 Nos termos do Parecer PGFN nº 439/96, cabe estender ao presente caso, a decisão do Supremo Tribunal Federal, julgando improcedente a exigência pelo mérito. Fl. 4847DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 14 4.45 Não houve deduções indevidas das bases de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Os valores tributados pelo Fisco a este título representam verdadeiras despesas, meras transferências para outras contas tributadas, ou representam expectativas de receitas anteriormente oferecidas à tributação e que a final não se concretizaram, ou, ainda, receitas de terceiros. Não houve valores que seriam tributados não adicionados à base de cálculo, pois, os valores creditados em contas de despesas não são “receitas”, mas deduções de despesas; 4.46 Prevalecendo a exigência fiscal e se não cancelada a multa de ofício aplicada, impugna desde já a pretensão da exigência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício, por falta de suporte legal. Foi autuado por suposta falta de recolhimento da contribuição, e, se devidos, somente sobre esses valores podem ser calculados a multa e juros incidentes. 4.47 Os juros moratórios não podem ser cobrados com base na taxa SELIC. 4.48 A fim de confirmar as suas alegações quanto aos equívocos do levantamento fiscal e quanto ao mérito, protesta por realização de prova pericial. Indicou contador para atuar como assistente técnico e para responder aos quesitos: 4.48.1 Identificar nos grupos de contas 344 e 35 e naqueles que os sucederam por reclassificações contábeis, quais os eventos que deram origem aos valores negativos (em contas de receitas) glosados pelo Fisco na base de cálculo do PIS e da COFINS e aos valores positivos (em contas de despesas) adicionados à mesma base, bem como qual seria o valor correspondente a cada evento que foi adicionado à base de cálculo. 4.48.2 Identificados esses eventos e os valores respectivos, identificar a respectiva contrapartida e informar qual a repercussão na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista a natureza de cada lançamento. 4.48.3 Responder se o critério utilizado pelo Fisco para glosar os valores negativos registrados no Grupo de Conta 344 é coerente com as premissas colocadas pelo próprio Fiscal. 4.48.4 Sendo negativa a resposta ao quesito 3, qual seria o resultado dessa incoerência. 4.48.5 Informar se houve glosa em valor superior ao que seria devido segundo o critério do próprio fiscal. 4.48.6 Indicar a natureza das receitas registradas nos Grupos de Contas 344 e 35 e nos que os sucederam em razão das reclassificações contábeis ocorridas no período fiscalizado. Esclarecer se estas receitas podem ser classificadas sob o aspecto contábil como faturamento ou receita bruta decorrente da venda de bens ou de serviços. 4.48.7 Considerando os lançamentos em contas que albergam várias aplicações de rendas variáveis, identificar o critério de contabilização/tributação adotado pelo impugnante. Houve Fl. 4848DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 107 15 antecipação de recolhimento de contribuição ao PIS e à COFINS em decorrência desse critério? 4.48.8 No período anterior aos débitos glosados pela fiscalização nas contas do grupo contábil 35, o Impugnante já não havia creditado a título de receita e oferecido à tributação valores superiores aos débitos glosados? 4.48.9 Para os mesmos fundos de investimento em que efetuados lançamentos a débito nas respectivas contas contábeis do grupo 35, quando da queda do valor das quotas correspondentes, informar se o Impugnante efetuou também lançamentos a crédito quando o valor dessas quotas posteriormente aumentou. 4.48.10 Em face dos ramos de atividade do impugnante – seguros – identificar qual a parcela dos valores glosados pelo Fisco que correspondem a débitos relativos a repasses de receitas a terceiros em razão de coseguro e resseguro. 4.48.11 Requer sejam trazidos outros esclarecimentos necessários ao deslinde do caso. 4.48.12 Protesta pela apresentação de quesitos suplementares e elucidativos. 5. A autuada requer, ao final, seja julgado insubsistente o auto de infração, se antes não for reconhecida a sua nulidade em face dos vícios que apresenta. 6. Ao analisar o presente processo e considerando as alegações da autuada, a 4ª Turma desta DRJII decidiu retornar o mesmo em diligência à Delegacia responsável pela autuação (fls. 2.619 a 2.620), a fim de que fosse providenciada a manifestação do fiscal autuante, bem como fossem prestados os esclarecimentos abaixo listados: 6.1 Relativamente aos débitos declarados em DCTF, fosse informado se os mesmos foram objeto de autuação. Em caso afirmativo, fosse esclarecido por qual motivo foram autuados valores já declarados e confessados pelo contribuinte, os quais deveriam ter sido objeto de cobrança e não de lançamento. Se, ao contrário, os valores objeto de declaração em DCTF não constituíram o crédito tributário que consubstancia o presente auto de infração, foi solicitado à fiscalização que elaborasse e apresentasse novo demonstrativo de apuração do lançamento fiscal, desta vez especificando a correta base de cálculo, o valor devido das contribuições, bem como registrando a exclusão dos débitos confessados em DCTF e os recolhimentos efetuados. 6.2 Quanto às contribuições de PIS e COFINS retidas na fonte por órgão público, reclamadas pelo contribuinte como não tendo sido consideradas quando da elaboração do lançamento, foi requisitado à fiscalização que esclarecesse se realmente não foram observadas quando da apuração do crédito tributário devido. Em caso afirmativo, foi solicitado à fiscalização que verificasse a veracidade destas retenções, bem como se as Fl. 4849DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 16 mesmas foram devidamente registradas na escrituração contábil da impugnante. Acaso restasse comprovada a existência de tais retenções, um novo demonstrativo de apuração do valor devido deveria ser elaborado pela fiscalização, desta vez contemplando estes recolhimentos. 7. Em resposta ao pedido de diligência, às fls. 2.830 a 2.831, a fiscalização informou, em resumo, que: 7.1 Em relação ao crédito correspondente à “Falta de Recolhimento de Contribuição para o PIS”, foram lançados valores já declarados em DCTF, haja vista: a) Os saldos constantes das DCTF´s do contribuinte tinham saldos iguais a zero (fls. 2.622 a 2.826), sendo que somente seriam objeto de inscrição em Dívida Ativa os saldos não nulos confessados nesse tipo de declaração; b) O exíguo prazo para análise de eventuais inconsistências constantes das DCTF´s (valores inexatos, indevidos ou não comprovados, declarados como compensados, parcelados, etc.), face o iminente transcurso do prazo decadencial, o que impossibilitaria seu lançamento mesmo em procedimento posterior de auditoria interna desse tipo de declaração; c) Existir, à época, interpretação, com base no art. 90 da atual Medida Provisória nº 2.15835 (antiga MP nº 1.807/99), no sentido de ser necessário efetuar o lançamento de valores constantes em DCTF, quando na presença da situação descrita nos itens “a” e “b” acima, a fim de resguardar os interesses da Fazenda Nacional. d) Foi elaborada planilha de fls. 2.827 a 2.829, que lista os valores a serem lançados levandose em consideração os valores declarados em DCTF. e) As Contribuição para o PIS e à COFINS retidas na fonte por órgãos públicos não foram consideradas no lançamento, haja vista que os fatos geradores que o ensejaram em nada com elas se relacionam. f) Eventuais valores retidos a esse título devem ser objeto de pedido específico de compensação ou restituição pelo contribuinte, não sendo o Auto de Infração instrumento adequado para a redução de valores lançados com base nesse tipo de retenções. 8. O processo então retornou a esta 4ª Turma da DRJII para prosseguimento, sendo reencaminhado à DEINFSP, atual jurisdição da interessada, a fim de que a mesma fosse cientificada do resultado da diligência em questão. 9. A Bradesco Seguros S/A manifestouse quanto ao resultado da diligência, às fls. 2.843 a 2.854. Alegou, em resumo, que: 9.1 O auto de infração exige, em sua quase totalidade, valores de PIS e COFINS declarados em DCTF como compensados com créditos de pagamentos a maior ou pagos mediante DARF´s ali Fl. 4850DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 108 17 indicados, ou ainda valores de PIS/COFINS não informados em DCTF porque compensados com PIS/COFINS retido na fonte por órgãos públicos, conforme consignado pela Impugnante em suas DIPJs e DACONS. 9.2 As respostas da fiscalização à Diligência corroboram as alegações da Impugnante no sentido de que estão sendo exigidos valores declarados em DCTF como compensados, além de valores declarados como pagos, bem como foram ignorados os créditos decorrentes de PIS/COFINS retidos na fonte por órgãos públicos. 9.3 Quanto aos valores declarados como pagos em DCTF, os quais foram devidamente constatados pela fiscalização e considerando as novas planilhas de fls. 2.827 a 2.829, concluise que o auto de infração deve ser cancelado, porque a DCTF opera como confissão de dívida do sujeito passivo, estando devidamente comprovados os pagamentos efetuados pela documentação juntada com a defesa. 9.4 A autuação deve ser cancelada quanto aos valores declarados como compensados, visto não haver motivação no lançamento que justifique a desconsideração das compensações efetuadas e que possibilite a ele, contribuinte, manifestarse. 9.5 Quanto às contribuições retidas na fonte por órgãos públicos, desconsideradas pela fiscalização quando do lançamento, observase que, com algumas exceções, correspondem exatamente aos valores que constam das planilhas produzidas pela fiscalização sob as rubricas “Valor a lançar PIS base DCTF” e “Valor a lançar COFINS base DCTF”. 9.6 O “valor a lançar” mantido pela fiscalização em conclusão à diligência é exatamente o montante relativo ao PIS/COFINS retido na fonte por órgãos públicos. 9.7 De acordo com o art. 64 da Lei nº 9.430/96, esses créditos são tratados como antecipações do devido pelo contribuinte em relação às mesmas contribuições retidas, não havendo que se falar em “pedido específico de restituição ou compensação”, até porque no caso sempre compensou o crédito de PIS/COFINS retido com aquelas mesmas contribuições. 9.8 De acordo com a IN/SRF 480/2004, ao declarar em DCTF os valores devidos a título de PIS/COFINS a Impugnante já informou o valor líquido, após a dedução dos valores também de PIS/COFINS retidos por órgão públicos, declarando em sua DIPJ e DACON a “compensação” efetuada indicando expressamente o valor que lhe foi retido mês a mês. 9.9 Declarou em DCTF os valores “líquidos” das antecipações retidas porque o próprio programa de preenchimento da DCTF, em suas orientações gerais assim prevê. 9.10 Por este motivo é que o “valor a lançar PIS base DCTF” e “valor a lançar COFINS base DCTF” correspondem exatamente Fl. 4851DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 18 aos valores retidos na fonte por órgãos públicos, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/96. 9.10 A afirmação da fiscalização de que “eventuais valores retidos a esse título devem ser objeto de pedido específico de compensação ou restituição pelo contribuinte” somente seria cabível caso o montante retido antecipadamente superasse o valor apurado como devido naquele mês, o que não ocorreu no caso concreto. Cita a Solução de Consulta nº 195 de 17.11.2006. 9.11 Estarem comprovadas contabilmente as retenções por ela sofridas, demonstrandose a insubsistência do auto de infração também quanto a esse aspecto, servindo a diligência para apontar que embora esses valores não estejam em DCTF, representam valores já neutralizados em face das retenções antecipadamente sofridas pela Impugnante também a título de PIS/COFINS , as quais não poderiam ser desconsideradas no lançamento. 9.12 Através das planilhas anexadas como docs. 2A e 13A de sua impugnação (fls. 97/101 e 616/619 do anexo), a Impugnante segregou a parcela do valor autuado correspondente à adição/glosa de valores lançados a débito/crédito, dos valores correspondentes à suposta falta de recolhimento em relação ao valor declarado como devido pelo próprio impugnante. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 3013/3075), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi julgado procedente em parte, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1996 a 30/11/2000, 01/03/1996 a 30/06/1997, 01/03/1998 a 28/02/2001, 01/02/1999 a 28/02/2001 DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a constituição de créditos relativos à contribuição para o PIS é de 05 (cinco) anos, nos termos do art.150 § 4º do CTN, quando se verificar a existência de pagamento antecipado, ou nos termos do art. 173, inc. I, do CTN, quando não tiver ocorrido qualquer pagamento. O prazo decadencial para a constituição de créditos relativos à contribuição para a COFINS é de 05 (cinco) anos, nos termos do art.150 § 4º do CTN, quando se verificar a existência de pagamento antecipado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2000 a 30/06/2001, 01/03/2001 a 31/08/2005 RECEITAS/DESPESAS OPERACIONAIS BASE DE CÁLCULO A base de cálculo da contribuição é a totalidade das receitas auferidas e não o saldo credor das contas de resultado. E, qualquer lançamento que importe em redução Fl. 4852DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 109 19 de receita, não legalmente prevista, há de ser desconsiderado para efeitos de tributação da contribuição. GLOSAS É de se excluir da base de cálculo glosas efetuadas pela fiscalização quando não se constatar o correspondente lançamento em balancete de verificação. É de se manter a glosa quando constatado lançamento negativo em conta de receita que tenha reduzido indevidamente a base de cálculo da contribuição. COSSEGUROS E RESSEGUROS De acordo com o Plano de Contas das Seguradoras, existe conta específica para o lançamento de cosseguros e resseguros cedidos, seja ao IRB ou a outra seguradora, cabendo eventual repasse ser devidamente comprovado pela empresa fiscalizada. RECEITAS FINANCEIRAS . As receitas financeiras integram a base de cálculo da contribuição e são tributadas pelo regime de competência, devendo ser reconhecidas mensalmente, independentemente da efetiva liquidação das operações que a geraram, não se admitindo a compensação dos ganhos financeiros com as perdas a que estão sujeitos os investimentos da autuada. Restando comprovado que as rentabilidades positivas foram oferecidas à tributação, os lançamentos negativos em conta de receita correspondentes a transferência entre contas de receita financeira, nos exatos valores destas rentabilidades, não enseja glosa para fins de autuação. Restando comprovado que os lançamentos negativos em conta de receita em nada se relacionam com a rentabilidade positiva em investimentos, mas sim com rentabilidade negativa, é de se manter a glosa para fins de autuação, pois tais lançamentos deveriam ter sido ser registrados em conta própria de despesa financeira. FALTA DE RECOLHIMENTO – DCTF CONFISSÃO DE DÍVIDA O débito declarado e não pago, desde que revestido dos atributos de confissão de dívida tributária, é exigível, tornandose dispensável o lançamento de ofício. CONTRIBUIÇÕES RETIDAS NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICO A Legislação vigente considera que as contribuições retidas na fonte por Órgãos Públicos são consideradas antecipações do que for devido, devendo a contribuição para o PIS e a COFINS ser declarada em DCTF em valores líquidos, ou seja, já deduzida das retenções anteriormente efetuadas. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS DE MORA TAXA SELIC A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Fl. 4853DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 20 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/08/2005 RECEITAS/DESPESAS OPERACIONAIS – BASE DE CÁLCULO A base de cálculo da contribuição é a totalidade das receitas auferidas e não o saldo credor das contas de resultado. E, qualquer lançamento que importe em redução de receita, não legalmente prevista, há de ser desconsiderado para efeitos de tributação da contribuição. GLOSAS É de se excluir da base de cálculo glosas efetuadas pela fiscalização quando não se constatar o correspondente lançamento em balancete de verificação. É de se manter a glosa quando constatado lançamento negativo em conta de receita que tenha reduzido indevidamente a base de cálculo da contribuição. COSSEGUROS E RESSEGUROS De acordo com o Plano de Contas das Seguradoras, existe conta específica para o lançamento de cosseguros e resseguros cedidos, seja ao IRB ou a outra seguradora, cabendo eventual repasse ser devidamente comprovado pela empresa fiscalizada. RECEITAS FINANCEIRAS . As receitas financeiras integram a base de cálculo da contribuição e são tributadas pelo regime de competência, devendo ser reconhecidas mensalmente, independentemente da efetiva liquidação das operações que a geraram, não se admitindo a compensação dos ganhos financeiros com as perdas a que estão sujeitos os investimentos da autuada. Restando comprovado que as rentabilidades positivas foram oferecidas à tributação, os lançamentos negativos em conta de receita correspondentes a transferência entre contas de receita financeira, nos exatos valores destas rentabilidades, não enseja glosa para fins de autuação. Restando comprovado que os lançamentos negativos em conta de receita em nada se relacionam com a rentabilidade positiva em investimentos, mas sim com rentabilidade negativa, é de se manter a glosa para fins de autuação, pois tais lançamentos deveriam ter sido ser registrados em conta própria de despesa financeira. FALTA DE RECOLHIMENTO – DCTF CONFISSÃO DE DÍVIDA O débito declarado e não pago, desde que revestido dos atributos de confissão de dívida tributária, é exigível, tornandose dispensável o lançamento de ofício. CONTRIBUIÇÕES RETIDAS NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICO A Legislação vigente considera que as contribuições retidas na fonte por Órgãos Públicos são consideradas antecipações do que for devido, devendo a contribuição para o Fl. 4854DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 110 21 PIS e a COFINS ser declarada em DCTF em valores líquidos, ou seja, já deduzida das retenções anteriormente efetuadas. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS DE MORA TAXA SELIC A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2000 a 30/06/2001, 01/03/2001 a 31/08/2005 INTIMAÇÃO Não deve prosperar a alegação de nulidade do lançamento quando restar comprovada a existência de intimações para prestação de esclarecimentos, bem como o atendimento às mesmas por parte do contribuinte. PROVA DOCUMENTAL Cabe ao impugnante trazer nas suas alegações, em especial quanto à natureza dos lançamentos questionados, todos os elementos de prova que dêem a elas força probante, nos termos dos art. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. PERÍCIA A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis para a solução da lide. A autuada foi cientificada da decisão de primeira instância em 16/12/2009 (fl. 3132). Inconformada, em 15/1/2010, protocolou o recurso voluntário de fls. 3136/3156, em que, em relação à parcela dos lançamentos mantida, reafirmou os argumentos aduzidos na peça impugnatória. Como a parcela do crédito exonerada excedeu o limite de alçada, nos termos do art. 34, I, do Decreto 70.235/1972, com a redação dada pela Lei 9.532/1997, combinado com o disposto no art. 1º da Portaria do Ministro de Estado da Fazenda 3/2008, houve interposição de recurso de ofício. Por meio da petição de fls. 3164/3167, a autuada desistiu do recurso voluntário e, conforme despacho de fl. 4823, os débitos contestados no citado recurso foram parcelados e transferidos para o processo 16327.720601/201151, remanescendo neste processo apenas os débitos objeto do recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, mas não deve ser conhecido, uma vez que a recorrente expressamente dele desistiu, o que implica renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto, nos termos do art. 78, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno des Conselho, aprovado pela Portaria MF 256/2009. Fl. 4855DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 22 O recurso de ofício interposto também trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os requisitos de admissibilidade estabelecidos na legislação de regência, portanto, deve ser conhecido. As matérias contestadas no recurso de ofício foram as seguintes: a) decadência parcial do direito de constituir os débitos das contribuições lançadas; b) reconstituição da base de cálculo das referidas contribuições; c) lançamento de débitos já declarados em DCTF; e d) falta de dedução de valores das contribuições retidos na fonte por Órgãos Públicos do valor devido calculado no respectivo período de apuração. I Da Decadência Parcial dos Lançamentos Tratase de 4 (quatro) autos de infração (fls. 2404/2483), em que formalizada a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, referente ao período de fevereiro de 1996 a agosto de 2005, sendo que 2 (dois) autos de infração foram lavrados contra a interessada, na condição de contribuinte, e os outros 2 (dois) lavrados contra interessada, na condição de responsável por sucessão, em virtude da incorporação da pesssoa jurídica Companhia de Seguros Interatlântico (exCompanhia de Seguros Tranquilidade Brasil). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 2484/2535, o lançamento foi realizado com base no entendimento de que o prazo de decadência do direito de lançar as referidas contribuições era de 10 (dez) anos, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/1991. Ocorre que, na sessão de 12 de junho de 2008, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) editou o enunciado da Súmula Vinculante nº 8, declaranndo a inconsticionalidade do referido preceito, nos seguintes termos: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Em face da edição da referida Súmula, a PGFN editou o Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda, no qual foram estabelecidas orientações aos órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para que, na contagem do prazo decadencial, fosse observados a seguintes orientações: a) A Súmula Vinculante nº 8 não admite leitura que suscite interpretação restritiva, no sentido de não se aplicar efetivamente o prazo de decadência previsto no Código Tributário Nacional; é o regime de prazos do CTN que deve prevalecer, em desfavor de quaisquer outras orientações normativas, a exemplo das regras fulminadas; b) apresentada a declaração pelo contribuinte (GFIP ou DCTF, conforme o tributo) não há necessidade de lançamento pelo fisco do valor declarado, podendo ser lançado apenas a eventual diferença a maior não declarada (lançamento suplementar); c) na hipótese do subitem anterior, caso o Fisco tenha optado por lançar de ofício, por meio de NFLD, as diferenças declaradas e não pagas em sua totalidade, aplicase o prazo decadencial dos arts. 150, § 4º, ou 173 do CTN, conforme tenha havido antecipação de pagamento parcial ou não, respectivamente; o prazo prescricional, ainda, e por sua vez, contase da constituição definitiva do crédito tributário; Fl. 4856DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 111 23 d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; f) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação deve se aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN; Com base no entendimento exarado no referido Parecer e tendo em conta que a recorrente foi cientificada das citadas autuações em 31/3/2006, decidiu a Turma de Julgamento de primeiro grau reconhecer a decadência de parte dos débitos lançados, cujo período foi definido levando em consideração a existência ou não de pagamento das referidas contribuições. Com base nesse critério, definiu a referida Turma de Julgamento que, nos casos em que não houve pagamento antecipado, o período da autuação alcançado pela decadência compreendia desde o mês de março de 1996 até novembro de 2000 (aplicação da regra de contagem do art. 173, I, do CTN), ao passo que nos casos em que houve pagamento antecipado, o período atingido pela decadência compreendia desde o mês de março de 1996 até o mês de fevereiro de 2001 (aplicação da regra de contagem do art. 150, § 4º, do CTN). A decisão de primeiro grau não merece reparo, pois, o entendimento apresentado no julgado recorrido está em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), firmada no julgamento do Recurso Especial no 973.733/SC, na sistemática do artigo 543C da Lei 5.869/1973 Código de Processo Civil (CPC), cujo enunciado da ementa ficou assim redigido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 4857DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 24 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. 1ª Seção. REsp 973.733/SC. Rel. Min. LUIZ FUX. DJe 18/9/2009) E por se tratar de decisão definitiva de mérito, proferido na forma do regime do recurso repetitivo, por força do disposto no art. 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, tal entendimento deve adotado pelos membros deste Conselho. No período da autuação (março de 1996 a agosto de 2005) só não houve recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep em nome da incorporada Companhia de Seguros Interatlântico (exCompanhia de Seguros Tranquilidade Brasil). Logo, em consonância com a decisão de primeiro grau, concluise que estão extintos pela decadência os débitos da Contribuição para o PIS/Pasep da incorporda, com fatos geradores até o mês de novembro de 2000, e os débitos da Contribuição para o PIS/Pasep da autuada e da Cofins da incorporada e autuada, com fatos geradores até o mês de fevereiro de 2001. Por essas razões, deve ser mantida a decisão que reconheceu a extinção por decadência dos valores dos débitos das referidas contribuições lançados até os referidos meses. 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Fl. 4858DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 112 25 II Da Apuração da Base de Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins Inicialmente, cabe esclarecer que, no que tange apuração da base de cálculo das referidas contribuições, a controvérsia remanescente cingese apenas (i) à glosa de despesas indedutíveis e (ii) à adição de receitas trubutáveis à base cálculo das referidas do período de março de 2001 a agosto de 2005, restrito apenas às 2 (duas) autuações realizadas em no nome da recorrente. É oportuno esclarecer que, em relação ao período não alcançado pela decadência, não houve crédito tributário exonerado da incorporada. Dada essa circunstância, aqui será analisado apenas controvérsia em torno da apuração da base de cálculo, relativas a fatos geradores ocorridos a partir do mês de março de 2001, restritos apenas às 2 (duas) autuações realizadas em nome da contribuinte, ora recorrente, Bradesco Seguros S/A. Da Glosa dos Valores Indedutíveis e Adição dos Valores Tributáveis: grupo de contas “Outras Receitas/Despesas Operacionais” Segundo a Turma de Julgamento de primeiro grau, em relação ao grupo de contas “Outras Receitas/Despesas Operacionais”, a recorrente adicionava à base de cálculo das referidas contribuição apenas o saldo credor (valor líquido) do referido grupo, mas não procedia à exclusão da referida base de cálculo quando apurado saldo devedor no referido grupo de contas. Para o Órgão julgador, esse procedimento da recorrente era incorreto, pois, de acordo como legislação vigente na época dos fatos, a base de cálculo das citadas contribuições era a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independente da sua classificação contábil. Ademais, era permitida apenas as exclusões e deduções previstas na legislação de regência. Em relação às seguradoras, além das exclusões/deduções em geral permitidas para todas as pessoas jurídicas, no período de março a agosto de 2001, as exclusões permitidas diziam respeito apenas aos rendimentos auferidos em aplicações financeiras destinadas à garantia de provisões técnicas, durante o período de cobertura do risco (redação da MP 1858 6/2001); e a partir de setembro de 2001, as exclusões permitidas referiamse apenas às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos (redação da MP 2.15835/2001). Com base no entendimento de que a base de cálculo das citadas contribuições não era o saldo credor (valor líquido) das contas de resultado integrantes do referido grupo de contas, como entendera a autuada, mas sim a totalidade das receitas auferidas no mês, a fiscalização considerou que, ao longo do período fiscalizado e apesar das diversas mudanças ocorridas nos códigos das contas contábeis, as contas pertencentes ao subgrupo Outras Receitas com Operações de Seguros (código original 344) mantiveram a sua função e funcionamento, devendo receber apenas lançamentos a crédito por receitas auferidas, conforme determinava o Plano de Contas das Seguradoras determinado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). No entanto, o que foi verificado pela fiscalização foi que a autuada atribuiu natureza mista às subcontas de código 3441, 34481, 34483, 34486 e 34487, ora recebendo valores de receitas a crédito, ora recebendo valores de despesas a débito. Fl. 4859DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 26 Em decorrência, afirmou a fiscalização que o contribuinte utilizou as contas do subgrupo contábil 344 para efetuar lançamentos a débito, sendo utilizado, portanto, o valor líquido desta conta para fins de tributação, não correspondendo ao real valor auferido de receitas. Estes débitos, no entender da fiscalização, deveriam ter sido efetuados nas subcontas de despesas pertencentes ao subgrupo 345. Além disso, a partir de janeiro de 2003, além da prática já mencionada, o contribuinte passou a efetuar lançamentos a crédito nas contas do subgrupo de despesas 3142. Estes lançamentos, segundo a fiscalização, representavam receitas que deveriam compor a base de cálculo das mecionadas contribuições, mediante lançamentos a crédito do subgrupo 3141. Assim, a partir de janeiro/2003, nas planilhas de fls. 1.051/1.182 estão discriminadas não somente as totalizações dos valores glosados de despesas indedutíveis, mas também os valores de receita que deveriam ter sido adicionados à base de cálculo e que, ao contrário, foram lançados a crédito em contas de despesas. Na peça impugnatória, em relação aos meses de 12/2001, 5/2002, 7/2002 e 8/2002 a recorrente alegou que teria oferecido à tributação valores maiores do que o movimento líquido credor da conta e que a glosa efetuada pela fiscalização contemplava o valor total negativo registrado na conta 34281.0.0 ou 34281.0.1 (Seguros), incorrendo em glosa indevida, correspondente aos valores dos correspondentes saldos negativos apurados. A Turma de Julgamento a quo acatou parcialmente essa alegação, para determinar o cancelamento da glosa dos valores relativos aos seguintes meses: a) 12/2001: valor de R$ 89.928,00, registrado na conta 34281.0.1 (Seguros), ramo Automóvel, sem o correspondente lançamento no balancete de verificação; b) 5/2002: valor de R$ 534.613,16, que constava do balancete como saldo dos valores negativos e positivos efetuados na conta 34281.0.0, tendo sido considerado pela fiscalização como lançamento a débito; c) 7/2002: valor de R$ 471.815,32, que constava do balancete como saldo dos valores negativos e positivos efetuados na conta 34281.0.0, tendo sido considerado pela fiscalização como lançamento a débito; e d) 8/2002: valor de R$ 84.202,54, que constava do balancete como saldo dos valores negativos e positivos efetuados na conta 34281.0.1, tendo sido considerado pela fiscalização como lançamento a débito; Relativamente aos meses de 11/2002 e 12/2002, na peça impugnatória, a recorrente alegou que teria tributado integralmente os valores positivos registrados na conta 34281 (Seguros) e que a fiscalização teria indevidamente glosado todos os valores negativos registrados. A Turma de Julgamento a quo acatou parcialmente essa alegação, apenas em relação ao mês de 12/2002 , e considerou indevida a glosa do valor de R$ 2.710.042,58, correspondente a totalidade dos lançamentos negativos realizados na conta 34281 – Seguros, com base no argumento de que, se nada fora computado para fins de tributação, não poderia a fiscalização ter glosado o referido valor. Com base na planilha de fls. 1151/1182 e nas balancetes de fls. 235/1050 e no livro Razão, chegase a conclusão que os valores das glosas que foram restabelecidos pela Fl. 4860DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 113 27 decisão recorrida apenas corrige os equívocos cometidos pela fiscalização na apuração da base de cálculo das referidas contribuições. Por essa razão, deve ser mantido o restabelecimento dos valores glosados, conforme determinado pelo órgão julgador de primeiro grau. Da Glosa dos Valores Indedutíveis e Adição dos Valores Tributáveis: grupo de contas “Receitas Financeiras” Em relação às receitas financeiras, a recorrente incorreu nos mesmos equívocos cometidos em relação ao grupo de contas “Outras Receitas com Operações de Seguros”, isto é, no período fiscalizado, a recorrente efetuava lançamentos de despesas a débitos de constas de receita, componentes do grupo de contas 35 – Receitas Financeiras. E a partir de janeiro de 2003, os valores positivos (receitas) lançados indevidamente a crédito das subcontas de despesas do subgrupo 3142. Em relação às receitas financeiras, a autuada alegou que os valores negativos lançados e glosados pela fiscalização decorriam de: a) transferências entre contas tributadas; b) estornos de receitas, em razão de erros na contabilização, decorrentes de apropriação indevida em meses anteriores, erros de cálculo na apropriação de receitas pelo regime de competência, estorno de juros e correção monetária de prêmios prefixados ou de correção monetária de aplicações de renda fixa e outros, c) oscilações cambiais de depósitos e aplicações financeiras no exterior; d) ajuste de oscilações cambiais em operações de “swap”; e) oscilações em decorrência de índices pactuados (bolsa) ou taxa cambial em fundos de renda variável; f) repasses de receitas de prêmios de seguros cujo risco foi repassado para outras seguradoras, e outros. Alegou ainda que tais transferências ocorriam principalmente quando da reclassificação de contas e mudanças de seus códigos. A Turma de Julgamento primeira instância acatou parcialmente essa alegação e considerou indevida os valores das glosas seguir mencionadas: a) 06/2002 conta 35256.0.1 (Oscilação de valor de quotas): foram efetuadas transferências no valor total de R$ 22.760.601,88, a título de receitas obtidas em aplicações em fundos diversos e por reclassificação por ajustes da circular Susep e que as rentabilidades positivas lançadas a crédito no montante de R$ 3.532.600,49 foram oferecidas à tributação pela autuada, logo, era de se excluir da base de cálculo a glosa do valor de R$ 19.228.001,39; b) 06/2002 conta 35412.0.0 (Lucro na venda de Ações do Circulante): no saldo desta conta foi considerada a movimentação positiva ocorrida na conta 35412.0.3 (Ações disponíveis para venda) exatamente no mesmo valor debitado na conta 35412.0.0 (Lucro na venda de ações do circulante), ou seja, R$ 13.122.420,15, evidenciando, a princípio, uma transferência entre contas, logo, devia ser excluído da base de cálculo o montante de R$ 13.058.811,46; c) 06/2002 – conta 35456.0.4 (Fundo Invest. Ações Cart. Livre): no saldo desta conta foi considerada a movimentação positiva ocorrida na conta 35456.0.5 (Fundos Negociação), no valor de R$ 5.673.278,18, logo, devia ser excluído da base de cálculo o referido valor. Fl. 4861DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 28 d) 06/2002 – conta 35215.0.0 (Receitas com Depósitos Bancários): foram glosados pela fiscalização os lançamentos negativos no total de R$ 1.597.672,01. Acontece que foi efetuada transferência no valor total de R$ 1.948.016,66, a título de receitas financeiras e o lançamento a crédito efetuado na conta 35215.0.0, no montante de R$ 350.344,65, foi oferecido à tributação, portanto, devia ser excluído da base de cálculo a glosa no valor de R$ 1.597.672,01; e) 12/2002 – conta 35256.0.3 (FRF Disponível para Venda): a autuada demonstra, a princípio, apenas o lançamento correspondente à transferência de receita de fundos no valor de R$ 44.544.949,18, logo, o referido valor devia ser excluído da base de cálculo; f) 02/2004 – conta 361311000000 (Rec.c/Tít.Div.Pub.Int.FedJuros): a documentação trazida aos autos, indicava que, a princípio, foram efetuadas transferências no valor total de R$ 2.146.164,15 entre contas de receitas financeiras, era de ser excluído da base de cálculo a glosa do referido valor. g) 02/2004 – conta 3614110030000 (Ações Disponíveis para Venda): O saldo da conta 361 constante do Balancete Mensal de Verificação, no valor de R$ 18.736.661,68 é idêntico ao oferecido à tributação e indicado na planilha de composição da base de cálculo. A documentação trazida aos autos, indica que foi efetuada uma transferência no valor total de R$ 17.518.701,08 entre contas de receitas financeiras, dessa forma, o fato de a autuação, aparentemente, ter se baseado apenas nos movimentos registrados nos balancetes mensais, deve ser excluída da base de cálculo a glosa de R$ 17.518.701,08; h) 07/2005 – conta 3614111010000 (Ações Negociáveis em Bolsa): No Livro Razão foi demonstrado ter ocorrido lançamento a débito na referida conta devido reclassificação para a conta 3614111000000 (Resultado na Venda). O saldo da conta 361 (Receitas Financeiras) constante do Balancete Mensal de Verificação, no valor de R$ 51.358.702,46 era idêntico ao oferecido à tributação e indicado na planilha de composição da base de cálculo. A documentação trazida aos autos, indica que fora efetuada uma transferência no valor de R$ 3.600.320,19 entre contas de receitas financeiras. Logo, dado o fato de que a autuação, aparentemente, baseouse apenas nos movimentos registrados nos balancetes mensais, era de se excluído da base de cálculo a glosa de R$ 3.600.320,19. A Turma de Julgamento de primeiro grau ainda acactou o argumento da autuada, relativamente às contas de receita financeira, alegando que as planilhas e o livro razão anexados ao processo, através dos documentos nº 19 e 20, evidenciavam valores lançados a débito que significavam reduções do saldo acumulado de valores anteriormente lançados a crédito e oferecidos à tributação. A seguir reproduzse trechos do voto condutor da decisão recorrida em que apresentdas as razões e o valores das glosas restabelecidas: 58.1 Da análise dos documentos de nº 19 e 20, constantes dos Anexos V, VI, e VII, mais especificamente do demonstrativo de fls. 1012 a 1014 (Anexo V), a autuada especificamente contesta glosas relativas a débitos em contas de fundos de investimentos, no período de agosto/1997 a abril/2004. Fl. 4862DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 114 29 58.2 No período não atingido pela decadência, ou seja, de março de 2001 a abril/2004, e da análise dos extratos do Razão, fls. 1015 a 1349 (Anexos V e VI), constatase que em sua maioria, as glosas contestadas referemse à rentabilidade de fundos lançadas a débito em contas de receita, indicando assim, uma rentabilidade negativa, que deveria ter sido contabilizada em conta de despesa. Exceção para a conta 35456.0.4, nos períodos de março/2001, maio/2001, agosto/2001 e setembro/2001, cujos extratos do Razão não foram trazidos aos autos, motivo pelo qual não foi possível averiguar a procedência das alegações apresentadas. 58.3 Todavia, para as contas abaixo listadas, a princípio, aduz razão à autuada, pelos motivos a seguir expostos: a) 361246.004 – P.A: fevereiro/2004: O valor glosado de R$ 258.009,26 referese à transferência de receita para a conta 3612460020000, valor este já apurado em janeiro/2004 (fls. 1013, do Anexo V e fls.1208, 1221, 1222 e 1237 do Anexo VI). Por tal motivo, e considerando o fato de que a autuação, aparentemente, baseouse apenas nos movimentos registrados nos balancetes mensais, deve ser a mencionada glosa excluída da base de cálculo. b) 361246.002 – P.A: fevereiro/2004: O valor glosado de R$ 11.113.214,78 referese a diferença de lançamento efetuado a débito nesta conta, a título de transferência de receita, em R$ 11.642.622,25 e o saldo credor da referida conta totalizando R$ 529.407,47. Ocorre que tal lançamento corresponde ao saldo credor desta mesma conta no mês de janeiro/2004, portanto já apurado para fins de tributação (fls. 1013 do Anexo V e fls. 1236 e 1237 do Anexo VI). Por tal motivo e considerando o fato de que a autuação, aparentemente, baseouse apenas nos movimentos registrados nos balancetes mensais, é de se excluir da base de cálculo a glosa de R$ 11.113.214,78 . c) 361431.005 – P.A: fevereiro/2004: A glosa de R$ 406.869,60 referese à transferência de receita, sendo que tal valor corresponde ao saldo credor da referida conta apurado em janeiro/2004 (fls.1013 do Anexo V e 1261e 1262 do Anexo VI). Por tal motivo, e considerando o fato de que a autuação, aparentemente, baseouse apenas nos movimentos registrados nos balancetes mensais, deve ser a mencionada glosa excluída da base de cálculo. Com base na planilha de fls. 1151/1182 e nas balancetes de fls. 235/1050 e no livro Razão, chegase a conclusão que os valores das glosas que foram restabelecidos pela decisão recorrida apenas corrige os equívocos cometidos pela fiscalização na apuração da base de cálculo das referidas contribuições. Fl. 4863DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 30 Por essa razão, deve ser mantido o restabelecimento dos valores glosados, conforme determinado pelo órgão julgador de primeiro grau. III Do Lançamento dos Débitos Declarados na DCTF e Não Recolhidos A autuada insurgiuse quanto aos valores lançados a título de falta de recolhimento, pois tais valores ou já haviam sido pagos ou foram objeto de compensação. Foi realizada diligência com o intuito de esclarecer se os débitos declarados em DCTF foram objeto de autuação. Em resposta, informou a fiscalização (fls. 2899/2900), que o lançamento em questão abrangia valores já declarados em DCTF, pois, à época, assim interpretou o art. 90 da MP nº 2.15835/2001. Acrescentou, ainda, que atuou desta forma, porque os saldos constantes das DCTF eram iguais a zero, não sendo pois objeto de inscrição em Dívida Ativa, e considerou o exíguo prazo para análise de inconsistências e o iminente transcurso do prazo decadencial. Todavia, elaborou nova planilha (fls. 2.896/2898), desta feita contemplando os valores declarados em DCTF. A Turma de Julgamento a quo entendeu que, a partir da MP 135/2003, não era necessária a lavratura de auto de infração para lançamento de diferenças débitos apuradas declaradas em DCTF, logo, considerando que a ciência da autuação ocorrera em 31/3/2006, as DCTF apreentads durante o período fiscalizado, revestiase de liquidez e certeza, sendo desnecessária a elaboração do lançamento, visto que o valor devido pelo interessado, nos períodos abrangidos pelas autuações, já estava, desde antes da autuação, devidamente consignado em declaração que permitia ao Fisco cobrálo de forma plena e consentânea com a legislação de regência. Com base nesse entendimento, decidiu o Colegiado de primeiro grau considerar o lançamento de ofício como instrumento inadequado para cobrança dos valores dos débitos das contribuições declarados na DCTF e considerados certos e líquidos, devendo ser tornado improcedente a parcela dos lançamentos correspondente à falta de recolhimento, nos valores consubstanciados na planilha de fls. 2.896/2898, elaborada pela fiscalização, durante a fase de diligência. Não merece reparo essa decisão do Órgão de julgamento de primeiro grau, um vez que proferida em consonância com do disposto no art. 18 da Medida Provisória 135/2003, que alterou a redação do art. 90 da Medida Provisória 2.15835/2001. IV Da Dedução das Contribuições Retidas na Fonte por Órgãos Públicos Segundo a fiscalização (fls. 2899/2900), as contribuições retidas na fonte por Órgãos Públicos não foram consideradas para fins de apuração da base de cálculo, porque os fatos geradores que ensejaram o lançamento em nada com elas se relacionavam, em decorrência, tais valores deveriam ser objeto de pedido de restituição ou compensação a ser efetuado pelo contribuinte. Esclareceu ainda que o Auto de Infração não era o instrumento adequado para a redução de valores lançados com base nesse tipo de retenção. Por sua vez, a Turma de Julgamento de primeira instância concluiu que não procedia o entendimento fiscalização, pois, em conformidade com o disposto no art. 64 da Lei 9.430/96, na Instrução Normativa SRF 480/2004 e nas instruções de preenchimento da DCTF, o valor da contribuição a pagar deverá ser informado após a aplicação das deduções sobre a contribuição apuradam, isto é, o valor devido indicado na DCTF era valor “líquido”, sobre o Fl. 4864DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 115 31 qual já foram excluídas as deduções legais, nestas se incluindo as retenções efetuadas por Órgãos Públicos. E com base na documentação apresentadas pela autuada, constatou o Colegiado julgador a quo que os valores registrados livro Razão a título de “PIS Lei 9430. art. 64” também equivaliam aos lançados pela fiscalização na planilha de fls. 2.896/2898, no item “VALOR A LANÇAR PIS BASE DCTF”. Da mesma forma, os valores registrados livro Razão a título de “COFINS Lei 9430. art. 64” também equivaliam aos lançados pela fiscalização na referida planilha, no item “VALOR A LANÇAR COFINS BASE DCTF”. Logo, não devia prevalecer os lançamentos em questão. Assiste razão ao Órgão de julgamento de primeira instância. A referida decisão foi proferida com consonância com o disposto no art. 64 da Lei 9.430/96 e nos 1º e 7º Instrução Normativa SRF 480/2004, que têm a seguinte redação: Lei 9.430/1996: Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social – COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1º A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. § 2º O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta de receita da União. § 3º O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. § 5º O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. § 6º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de um por cento, sobre o montante a ser pago. Fl. 4865DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A 32 § 7º O valor da contribuição para a seguridade social – COFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. § 8º O valor da contribuição para o PIS/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. IN SRF 480/2004: Art. 1º Os órgãos da administração federal direta, as autarquias, as fundações federais, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e as demais entidades em que a União, direta ou indiretamente detenha a maioria do capital social sujeito a voto, e que recebam recursos do Tesouro Nacional e estejam obrigadas a registrar sua execução orçamentária e financeira no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) reterão, na fonte, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a Contribuição para o PIS/Pasep sobre os pagamentos que efetuarem às pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços em geral, inclusive obras, observados os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. [...] Tratamento dos Valores Retidos Art. 7º Os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, do valor do imposto e contribuições de mesma espécie devidos, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Parágrafo único. O valor a ser deduzido, correspondente ao IRPJ e a cada espécie de contribuição social, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor do documento fiscal, da alíquota respectiva, constante das colunas 02, 03, 04 ou 05 da Tabela de Retenção (Anexo I). [...] (grifos não originais) Com a razão o Colegiado de primeiro grau, posto que a decisão em destaque está em perfeita confomidade com o disposto nos citados comando normativos e os valores das contribuições retidos na fonte por Órgãos Públicos encontramse devidamente comprovados nos autos. Assim, deve ser mantida as deduções determinada pelo citado Órgão julgador. V Da Conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 4866DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 19740.000091/200641 Acórdão n.º 3102002.312 S3C1T2 Fl. 116 33 Fl. 4867DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /12/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/12/2014 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 16004.001135/2008-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Elias Sampaio Freire. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .0 01 13 5/ 20 08 -5 8 Fl. 846DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001135/200858 Resolução nº 2401000.429 S2C4T1 Fl. 847 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo e demais devedores solidários contra o Acórdão n.º 1431.494 de lavra da 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.135.3190. A lavratura em questão referese à exigência das contribuições patronais para outras entidades ou fundos. Os fatos geradores contemplados no lançamento foram as remunerações pagas a segurados empregados que prestaram serviços à autuada no período fiscalizado. Conforme o relato do fisco, a empresa exerceu exclusivamente a atividade de locação de mãodeobra, contrariando assim a legislação do Simples, razão pela qual foi excluída deste regime tributário, em 10/06/2008, mediante o Ato Declaratório Executivo n. 59, cujos efeitos retroagiram a 11/06/2003. Alerta o fisco que as contribuições descontadas dos segurados foram recolhidas e que a cota previdenciária contida nos recolhimentos efetuados sob a sistemática do Simples foram considerados na apuração. Passo a reproduzir trecho do relatório da decisão de primeira instância, no qual são narrados fatos que levaram o fisco a atribuir a responsabilidade solidária pelo crédito a diversas pessoas físicas e jurídicas: “Discorre acerca da operação "Grandes Lagos" desencadeada pela Policia Federal tendo como objeto a obtenção de provas de ilícitos praticados por organização constituída com objetivo de sonegar tributos e eximir os titulares de fato de suas responsabilidades trabalhista e previdenciária. Prossegue relatando a existência do "Núcleo Mozaquatro", indicando as pessoas físicas e jurídicas que o integravam, reportandose aos Anexos I e II, nos quais apresenta os fatos e documentos que caracterizam o grupo cm questão. Com base na análise da documentação a qual teve acesso a fiscalização, constatouse a existência de grupo econômico de fato formado pelas empresas: Coferfrigo ATC Ltda, Distribuidora de Carnes e Derivados Sao Luis Lida, Comercial de Carnes Boi Rio Ltda, Frigorífico Caromar Ltda, Nogueira e Poggi Lida, Pedretti e Magri Lida, Frigorífico Mega Boi Ltda, Friverde Indústria de Alimentos Ltda, Transverde Produtos Alimentícios Lida, CM4 Participações Ltda, Indústrias Reunidas CMA Ltda, Comercial Reis Produtos Bovinos Lida e Wood . Comercial Ltda, além das pessoas físicas Joao Pereira Fraga, Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro e Patricia Buzolin Mozaquatro. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em relação a todas essas pessoas jurídicas e físicas, encontrandose nos autos cópias dos referidos termos e dos comprovantes de recebimento dos mesmos pelos interessados. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001135/200858 Resolução nº 2401000.429 S2C4T1 Fl. 848 3 Tece considerações acerca da solidariedade existente entre empresas integrantes do grupo econômico, citando a legislação atinente. Afirma que a Comercial Reis foi constituída por intermédio de interpostas pessoas em seu quadro societário ("laranjas") exclusivamente para locar mãodeobra à empresa Indústrias Reunidas CMA Ltda. O sócio José Roberto Barbosa aparece no banco de dados institucional CNIS como empregado da CMA antes e depois do período de atividades da Comercial Reis. Apresenta relação de elementos juntados: (a) notas fiscais de prestação de serviços da Comercial Reis e demonstrativo de receitas e do SIMPLES; (b) documentos que apresentam a Sra. Deusa (encarregada do departamento pessoal da CMA) como pessoa da Comercial Reis para contato; (e) declarações de empregados da Comercial Reis. Finaliza mencionando os elementos que integram o Al, os demais AI lavrados, a caracterização, em tese, de ilícito de natureza penal. Afirma que foram enviadas cópias do Al aos sujeitos passivos solidários, assegurandolhes o exercício do direito de defesa. Integra a autuação o Anexo I no qual a fiscalização tece considerações inúmeras acerca das empresas ostensivas do "Grupo Mozaquatro" (empresas formalmente constituídas pelos membros da família Mozaquatro); das plantas frigoríficas utilizadas pelo grupo; das empresas constituídas por interpostas pessoas com o objetivo de fornecer a mãodeobra de que o grupo necessitava. Discorrese detalhadamente sobre cada empresa integrante do grupo, inclusive a Comercial Reis, e pessoas físicas vinculadas as mesmas, além da caracterização do grupo econômico e da solidariedade existente entre as empresas que o integram, procedendose, ainda, ajuntada de inúmeros documentos totalizando referido anexo 12 (doze) volumes. O Anexo II igualmente é composto por inúmeros documentos, tomando corpo em 21 (vinte e um) volumes, trazendo ao final o relatório denominado "VINCULAÇÃO ENTRE AS EMPRESAS NO GRUPO ECONÔMICO DE FATO — 'GRUPO MOZAQUATRO'", no qual são relacionados numerosos elementos probatórios que demonstram a vinculação entre as diversas empresas consideradas integrantes do grupo em questão, bem como, das pessoas físicas abrangidas pelo contexto fático.” As pessoas físicas Alceu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro em conjunto com as empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda impugnaram o crédito, lançando argumentos para questionar as suas inclusões no polo passivo da exigência mediante a utilização de presunção e de provas ilícitas. A autuada em sua defesa apresentou inconformismo contra a sua exclusão do Simples, primeiro porque não foi regularmente cientificada do Ato Declaratório e, depois, pelo fato do mesmo haver produzido efeitos retroativos. O Sr João Adson Fraga, na qualidade de inventariante do espólio de João Pereira Fraga, também apresentou peça impugnatória, na qual tenta afastar a responsabilidade imputada ao “de cujos” alegando que a única relação que possuía relação com o Grupo Fl. 848DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001135/200858 Resolução nº 2401000.429 S2C4T1 Fl. 849 4 Mozaquatro foi o arrendamento de instalações industriais da Cofercarnes, da qual era sócio, para a empresa Coferfrigo, pertencente ao referido grupo. Sustenta que era, inclusive, inimigo do controlador do Grupo Mozaquatro, o Sr. Alceu Mozaquatro. Assevera que ocorreu decadência parcial do crédito, além de que teve o seu direito de defesa cerceado, posto que a lavratura foi totalmente edificada em presunções do fisco e não lhe foram apresentados os elementos necessários ao exercício da ampla defesa. Na apreciação das defesas, a DRJ declarou procedente o lançamento e manteve os vínculos de solidariedade imputados pela auditoria. Da mesma forma como na defesa, interpuseram recurso conjunto Alceu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro e as empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda. Na sua peça de inconformismo apresentaram as alegações abaixo. A prova emprestada do inquérito policial decorrente da “Operação Grandes Lagos” não é meio lícito para fundamentar a responsabilidade tributária dos recorrentes, uma vez que naquele procedimento não foram observados as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Não sendo válidas as provas apresentadas, não se pode inverter o “onus probandi”, para se exigir dos recorrentes que demonstrem a inexistência dos fatos que deram ensejo a sua responsabilidade fiscal. De outra banda, o lançamento viola o princípio da presunção de inocência, uma vez que a ação penal baseada no referido inquérito ainda não teve trânsito em julgado. Ao final, pedem a anulação do AI. O inventariante de João Pereira Fraga manifestouse contra a decisão da DRJ, lançando os argumentos que se seguem. Deve prevalecer o entendimento expresso na declaração de voto do acórdão recorrido, que defendeu a conversão do julgamento em diligência para que fosse juntado o comprovante de ciência do ato que excluiu a autuada do Simples. O “de cujos” nunca foi sócio, administrador, colaborador ou preposto da empresa autuada, da qual sequer sabia a existência. A contribuinte possui patrimônio suficiente para fazer frente aos débitos lançados, portanto, não é razoável que se busque alcançar pessoas estranhas à empresa. O Sr. João Fraga apenas era procurador da empresa Coferfrigo em conta bancária utilizada para pagamento de gado por ela adquirido, não tendo sequer vínculo comercial com a autuada. Para que este pudesse assumir a condição de solidário pelas contribuições exigidas, o fisco teria que provar a sua relação com o contribuinte ou, ao menos, que teria interesse comum em seus negócios. A autoridade fiscal não conseguiu demonstrar o vínculo entre Comercial Reis Produtos Bovinos, Coferfrigo e João Fraga. Assim não há na espécie os requisitos legais para a responsabilização deste último. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001135/200858 Resolução nº 2401000.429 S2C4T1 Fl. 850 5 As contribuições relativas ao período de 07 a 12/2003 encontramse fulminadas pela decadência, haja vista que na falta de demonstração pelo fisco da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deve ser aferido pelo § 4. do art. 150 do CTN. A lavratura merece anulação pelo fato de faltar clareza e precisão quanto aos motivos que dariam ensejo à responsabilização do Sr. João Fraga. Esse fato demonstra o claro prejuízo da pessoa arrolada como devedora solidária. O Sr. João Fraga está impedido de se defender na medida em que não possui acesso aos documentos e à contabilidade da empresa autuada. A impossibilidade de defesa do administrado também é causa de nulidade da autuação. O fisco incorreu em total ilegalidade ao desconsiderar a personalidade jurídica da Comercial Reis Produtos Bovinos e atribuir ao espólio de João Pereira Fraga a responsabilidade pelas contribuições supostamente não adimplidas. Não se comprovou nos autos que a empresa autuada fora regularmente intimada a apresentar a comprovação de que recolhera as quantias exigidas, sendo que o espólio, na qualidade de pessoa estranha, não tem como verificar esse fato. Acrescenta que a lavratura mediante arbitramento com base em provas emprestadas somente é admitida quando fundamentada na legislação de regência, o que não ocorreu no presente caso. Ao final, pediu a decretação de nulidade do AI, a sua exclusão do polo passivo ou o reconhecimento da improcedência do lançamento. Esta Turma decidiu converter o julgamento em diligência, mediante a Resolução n.º 2401000.373, de 15/05/2014. Ali requereuse que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem informasse acerca à cientificação da recorrente do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Federal. Foi apensado ao presente processo o de n.º 16004.000454/200846, que trata da exclusão da empresa do regime tributário do Simples Federal. Conforme despacho à fl. 72 deste processo, a empresa foi cientificada em 01/07/2008 do Ato Declaratório de Exclusão n.º 59/2008 de lavra da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto (SP), e não se manifestou dentro do prazo regulamentar. O processo retornou ao CARF sem ciência dos recorrentes acerca do resultado da diligência. É o relatório. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001135/200858 Resolução nº 2401000.429 S2C4T1 Fl. 851 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Necessidade de conversão em diligência para ciência do sujeito passivo do resultado da diligência fiscal O motivo que levou esta Turma a determinar a realização da diligência comandada pela Resolução n.º 2401000.373 foi o argumento das recorrentes de que a autuada não teria sido regularmente intimada do Ato Declaratório de Exclusão do Simples. Ao se apensar ao presente processo o de n.º 16004.000454/200846, chegounos ao conhecimento que a empresa de fato fora cientificada do Ato Declaratório, conforme comprovante de AR acostado. Ocorre que outra preocupação demonstrada pela Turma na mencionada Resolução foi que as empresas arroladas no polo passivo pudessem se contrapor a informação prestada pelo fisco em sede de diligência. Isto porque aquelas poderiam questionar a própria validade do documento de intimação da exclusão do Simples. Assim, determinouse que fosse facultada às recorrentes a possibilidade de se manifestarem, no prazo legal, sobre o resultado da diligência. Sem essa providência, restará claramente ferido o Princípio Constitucional do Contraditório, que representa uma das garantias essenciais do devido processo legal, consagrado pela Carta Constitucional de 1988. Assim, devem os autos retornar à origem, de modo que todas as pessoas físicas e jurídicas incluídas no polo passivo da lavratura possam se manifestar sobre a existência do documento que comprova a intimação pela autuada do Ato Declaratório de Exclusão do Simples n.º 59/2008. Conclusão Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/11 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 13864.000505/2008-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 01/01/2008
ERRO NO VALOR DA BASE DE CÁLCULO. SITUAÇÃO NÃO COMPROVADA. AUSENTE QUALQUER PROVA NOS AUTOS QUE PERMITA TAL CONCLUSÃO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA. APENAS VERIFICOU-SE E AFIRMOU-SE A AUSÊNCIA DE PRODUÇÃO DE PROVAS PELO CONTRIBUINTE.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Fabio Pallaretti Calcini, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 01/01/2008 ERRO NO VALOR DA BASE DE CÁLCULO. SITUAÇÃO NÃO COMPROVADA. AUSENTE QUALQUER PROVA NOS AUTOS QUE PERMITA TAL CONCLUSÃO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA. APENAS VERIFICOU-SE E AFIRMOU-SE A AUSÊNCIA DE PRODUÇÃO DE PROVAS PELO CONTRIBUINTE. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Fabio Pallaretti Calcini, Gustavo Vettorato.
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EMPRESAS EM GERAL E REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS DESCONTADAS DOS SEGURADOS. Recorrente SANROCA INCORPORADORA E CONSTRUTORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 01/01/2008 ERRO NO VALOR DA BASE DE CÁLCULO. SITUAÇÃO NÃO COMPROVADA. AUSENTE QUALQUER PROVA NOS AUTOS QUE PERMITA TAL CONCLUSÃO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA. APENAS VERIFICOUSE E AFIRMOUSE A AUSÊNCIA DE PRODUÇÃO DE PROVAS PELO CONTRIBUINTE. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Fabio Pallaretti Calcini, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 05 05 /2 00 8- 11 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000505/200811 Acórdão n.º 2803003.922 S2TE03 Fl. 187 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.123.5600, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias, decorrentes da remuneração/rendimentos/retribuição paga, devida ou creditada aos trabalhadores da recorrente da categoria de contribuintes individuais autônomos – parte descontada, bem como relativa a retenção de 11%, do artigo 31, da Lei 8.212/91, e, ainda, em relação a remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da recorrente da categoria de empregados – parte descontada, conforme Relatório Fiscal da Atuação – REFISC, de fls. 45 a 57, com período de apuração de 01/1997 a 12/2006, conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD MPF, de fls. 23 a 25. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 30/07/2007, conforme Folha de Rosto do AIOP, fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa que encontrase acostada, as fls. 97 e 98, acompanhada dos documentos, de fls. 99 a 123, via remessa postal, em 20/01/2009, conforme envelope, de fls. 96. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 127 a 129. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0525.418 9ª, Turma DRJ/CPS, em 14/04/2009, fls. 130 a 132. No qual a lançamento foi considerado procedente. O contribuinte tomou conhecimento da decisão da DRJ, em 17/07/2009, conforme AR, de fls. 134. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 139 e 141, recebida, em 13/08/2009, desacompanhado de qualquer documento. As razões recursais estão a seguir sumariadas. Mérito. · que o valor pago ao Sr. Fernando Daniel Alves dos Santos, o qual assinou a ART 92221220070185426 foi de R$ 850,00, conforme nota fiscal nº 28 apresentado junto à impugnação e que foi emitida pelo Sr. Edson Roberto Alves de Araújo, pai de Fernando; · que o acórdão a quo não analisou essa questão, a qual foi instruída com a devida prova, mas exigiu o julgador que a impugnante justificase a prova, numa clara inversão do ônus da prova; Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000505/200811 Acórdão n.º 2803003.922 S2TE03 Fl. 188 3 · que a recorrente apresentou prova documental e justificada do pagamento, razão pela qual nada mais tem a provar; · requer recebimento do recurso; · Dos pedidos e requerimentos: a) cancelamento da multa aplicada, pois o valor pago ao profissional está correto; b) provar o alegado por todos os meios admitidos em direito. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 147; 148 e 150. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 150. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 18/07/2014, Lote 09, fls. 185. É o Relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000505/200811 Acórdão n.º 2803003.922 S2TE03 Fl. 189 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. O agente lançador discriminou de forma clara e precisa que na Anotação de Responsabilidade Técnica nº 92221229970185416, consta o valor de R$ 1.500,00, observese a transcrição abaixo do REFISC, de fls. 52. Anotação de Responsabilidade Técnica ART nr 221220070185416 de 15.03.2007 emitido para o profissional Fernando Daniel Santos Alves de Araújo, na qualidade Engenheiro Civil no valor de R$ 1.500,00. Embora, alegue a recorrente desde a impugnação que o pagamento foi realizado no importe de R$ 850,00 não há provas nos autos que deem fundamento a tal alegação a recorrente diz que juntou à impugnação de primeiro grau a Nota Fiscal nº 28 emitida por Edson Roberto Alves de Araújo, contudo não há nos autos tal documento, e a prova do fato impeditivo, extintivo ou modificativo do direito do fisco cabe ao contribuinte artigo 333, II, da Lei 5.869/73 e artigo 16, parágrafo 4º, do Decreto 70.235/72. A não apresentação da prova que a recorrente diz ter feito junto à impugnação já fora asseverada e afirmada pela DRJ, a passagem abaixo transcrita afasta qualquer duvida sobre o assunto. Alega a Autuada que o Sr. Fernando Daniel Santos Alves de Araújo recebeu pelos serviços de ventilação a quantia de R$ 850,00, mas que foi pago através de nota fiscal emitida pelo seu pai, razão pela qual requer que o valor da multa seja corrigido. Em face desse prestador de serviços a autoridade fiscal relata que foi verificado o pagamento de R$ 1.500,00 (fls. 52), isto é, na competência 03/2007. Com efeito, não há como dar crédito à alegação da autuada, uma vez que não apresenta qualquer prova. Razão pela qual o lançamento permanece inalterado e, por via de consequência, os acréscimos legais incidentes, assim entendido a multa e juros moratórios aplicados. (destaquei). Verifiquei ao compulsar os autos que a citada nota fiscal nº 28 jamais em tempo algum foi apresentada seja na impugnação ou no recurso. Ademais, tal prova deveria ser feita com o devido registro contábil na conta própria e não por mera nota, uma vez que o pagamento por nota pode ter sido dividido em mais de uma e a ART contém o total do honorários. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13864.000505/200811 Acórdão n.º 2803003.922 S2TE03 Fl. 190 5 O órgão julgador de primeiro grau não inverteu o ônus da prova apenas afirmou que não havia a prova alegada, como não há tal prova até esse momento, isto é, a pré falada nota fiscal nº 28 que cabia ao contribuinte juntar aos autos não consta deste. A prova – Nota Fiscal nº 28 nunca foi apresentada por óbvio, nos termos da lei cabe a ele contribuinte fazer tal prova, não o fazendo por sua livre e espontânea, vontade, conta e risco. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações suscitadas pela recorrente, pois desprovidas de fundamentos fáticos e jurídicos. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento em razão da insubsistência das alegações da recorrente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10073.901490/2012-13
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Ester Marques Lins de Sousa.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Ester Marques Lins de Sousa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 73 .9 01 49 0/ 20 12 -1 3 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.901490/201213 Resolução nº 1802000.614 S1TE02 Fl. 148 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 91/92 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/São Paulo I (efls.82/87) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 17/07/2010, utilizando o programa gerador PER/DCOMP, a contribuinte transmitiu pela internet a declaração de compensação retificadora nº 14597.68574.190710.1.7.04.1501 (efls. 02/06), (PER/DCOMP Retificado: 03139.91933.301009.1.3.043875), informando: direito créditório utilizado na DCOMP: R$ 11.913,76 (valor original): que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 30/09/2007, código de receita 0220 (Lucro Real trimestral), data de arrecadação 31/10/2007, valor original do recolhimento – DARF R$ 22.128,15; débitos compensados: a) PIS/PASEP (código de receita 6912) – Período de apuração maio 2005, data de vencimento 15/06/2005, assim discriminado: principal: R$ 2.662,55; multa: R$ 532,51; juros de mora: R$ 1.452,42 Total: R$ 4.647,48 b) Cofins (Código de receita 5856) Período de apuração maio/2005, data de vencimento 15/06/2005 , assim discriminado: Principal R$ 5.659,00; multa: R$ 1.131,80; Juros R$ 3.086,98; Total: R$ 9.877,78.. Em 03/07/2012, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico), efl. 08, pela DRF/Volta Redonda, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.901490/201213 Resolução nº 1802000.614 S1TE02 Fl. 149 3 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL A análise do direito creditório está limitada ao “valor do crédito original na data da transmissão” informado no PER/DCOMP, correspondendo a 11.914,69. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponivel para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN).Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Ciente dessa decisão em 20/07/2012 – Aviso de Recebimento – AR (efls 13 e. 79), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 13/08/2012 (efl. 14), juntando ainda documentos de efls. 15/77, cujas razões, em resumo, são as seguintes: (...) O contribuinte verificou em seus registros contábeis/fiscais que o pagamento do DARF de fato foi plenamente indevido; todavia, após a transmissão da PER/DCOMP, não procedeu a retificação da DCTF do período onde o direito ao crédito se originou. A ação tomada a seguir foi de retificar a DCTF do 2° semestre/2007, excluindo o débito de IRPJ relativo ao mês de setembro/2007. DO MÉRITO A partir da retificação da DCTF, a leitura fiscal e sistêmica será do reconhecimento da RFB do recolhimento indevido e por conseguinte do direito ao crédito. (...) A 4ª Turma da DRJ/São Paulo I, enfrentanto o mérito das questões suscitadas pela contribuinte, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo a denegação do crédito pleiteado conforme Acórdão, de 27/11/2013 (efls.82/87), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) Fl. 149DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.901490/201213 Resolução nº 1802000.614 S1TE02 Fl. 150 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos declarados originalmente por intermédio de DCTF, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 09/12/2013 por AR (efl.. 89), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 31/12/2013 (efls.91/92), juntando ainda documentos de e fls. 93/144, aduzindo em suas razões, in verbis: (...) 5. Ao verificar, portanto, que o darf com os dados de: período de apuração: 30/09/2007, código de receita 0220, valor total do DARF R$ 22.128,15 e data de arrecadação 31/10/2007, objeto do o crédito pleiteado, estava vinculado ao um débito inexistente na DCTF e, entendendo que esse era tão somente o motivo pelo qual a Receita Federal não encontrava subsídio para acatar o crédito, pareceu à empresa que sua ação seria exclusivamente a de corrigir a DCTF do 2º semestre/2007, o que de fato ocorreu. 6.O manifesto de inconformidade foi enfático em expressar o motivo da retificação da declaração. A inexistência do débito, (...) DCTF, poderia ser confrontada com a D1PJ, tendo em vista que o débito declarado inexistente se trata do IRPJ, cuja apuração é detalhada na DIPJ. 7. Foram apensados ao manifesto o recibo e cópia da declaração retificadora para a melhor compreensão da ação tomada. 8. Quanto ao fato da mesma ter sido transmitida após o despacho decisório, esclarece o contribuinte que ação não poderia ser diferente, pelo fato do despacho ter alertado o contribuinte para a incorreção cometida. 9. Entendendo que na denegação ao manifesto é que ficou expresso claramente que a Receita Federal desejava a presença de outros elementos ( Diário, etc ) que lhe dessem a certeza do direito ao crédito, Fl. 150DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.901490/201213 Resolução nº 1802000.614 S1TE02 Fl. 151 5 o contribuinte entende que não cabe a aplicação da preclusão aludida para a apresentação desses elementos. 10. Tampouco não faria sentido o direito de interpor recurso que permita restaurar o direito ao crédito, se ao contribuinte não for dado o direito de apresentar provas. 11. Sendo assim, no exercício do direito de interpor recurso e mais ainda no objetivo de demonstrar que faz jus ao crédito requerido, anexa cópias autenticadas do livro Diário do ano de 2007 ( origem do crédito ) e do livro Diário de 2009, extraído do SPED contábil ( compensação do crédito ). (...) 12.Para tornar mais clara a identificação dos lançamentos do crédito no Diário de 2007, descreve abaixo as linhas relacionadas: a) Diário 2007, Livro 16, folha 333 Conta Banco Real S/A Ag. 0206 Miguel Pereira 1.01.01.02.0003 5492 Registro de pagamento do DARF no valor de R$ 22.128,15; b) Diário 2007, Livro 16, folha 334 Conta IRPJ a compensar 1.01.03.06.0003 320 Valor refeente a pagamento de IRPJ do 3º trimestre/2007 no valor de R$ 22.128,15 13. É oportuno mencionar, que o imposto excluído foi o IRPJ, e não a CSLL, conforme mencionado no item 8.3 do Acórdão. (...) É o relatório. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.901490/201213 Resolução nº 1802000.614 S1TE02 Fl. 152 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado, conhecido. Logo, dele conheço. Conforme relatado, a lide versa acerca do crédito utilizado na DCOMP objeto dos autos, e não reconhecido pela decisão a quo. Ou seja: a contribuinte alega que o crédito pleiteado de R$ 11.913,76 (valor original) decorre do pagamento indevido do IRPJ, DARF no valor de R$ 22.128,15, PA 30/09/2007, código de receita 0220 (Lucro Real trimestral), data de arrecadação 31/10/2007. A decisão a quo não reconheceu o crédito, pois: a) o pagamento/recolhimento está vinculado integralmente ao débito do IRPJ do referido PA confessado na respectiva DCTF, inexistindo crédito disponível para extinção, por compensação, do débito informado/confessado na DCOMP; b) que a juntada da DCTF retificadora, por ocasião da manifestação de inconformidade, não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito pleiteado, pois a transmissão da DCTF retificadora, excluindo o débito confessado na DCTF primitiva, deuse posteriormente à ciência do despacho decisório que, por primeiro, denegou o direito creditório pleiteado; c) que a transmissão da DCTF retiticadora reduzindo ou excluíndo débito do imposto, após ciência do despacho decisório, requer a comprovação do erro de fato na apuração/preenchimento da DCTF primitiva, à luz da escrituração contábil/fiscal (CTN, art. 147, § 1º). Nesta instância recursal, a recorrente, então, busca a reforma da decisão a quo que não reconheceu o crédito pleiteado, insistindo na alegação da ocorrência do erro de fato. A DCTF retificadora, que retirou/anulou o débito informado/confessado na DCTF primititiva, como já dito, é posterior à data de ciência do despacho decisório. Vale dizer, a DCTF retificadora, para ser aceita, é necessário comprovar, primeiro, o alegado erro de fato apuração do imposto/preenchimento da DCTF primitiva (CTN, art. 147, § 1º). A divergência de apuração, quanto ao valor do IRPJ a pagar do 3º trimestre/2007 entre a DCTF primitiva e a DIPJ, não se resolve pela mera apresentação de DCTF retificadora. Tornase necessário a contribuinte comprovar o alegado erro de fato de preenchimento da DCTF primitiva, mediante apresentação/juntada aos autos de cópia da escrituração contábil/fiscal (livro Caixa, Razão, Diário, Lalur etc) do anocalendário 2007. Nesta instância recursal, compulsando os autos, observa falhas na instrução processual que não permitem ao julgador formar convicção acerca do mérito da lide, ou seja, acerca do liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.901490/201213 Resolução nº 1802000.614 S1TE02 Fl. 153 7 Senão vejamos: a) não há nos autos cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007, quanto à apuração do IRPJ do 3º trimestre/2007 (Lucro Real trimestral); b) não há nos autos cópia da DCTF primitiva, quanto ao débito do IRPJ do 3º trimestre/2007; c) não há nos autos cópia da escrituração contábil/fiscal quanto à apuração da base de cálculo do imposto e do imposto apurado quanto ao 3º trimestre/2007 (livros Razão, Diário, LALUR etc) que pudesse comprovar o alegado erro de fato na apuração do imposto/ preenchimento da DCTF primitiva e que pudesse justificar a apresentação da DCTF retificadara de 30/12/2012 de efls. 17/50. Nesta instância recursal, a recorrente juntou aos autos, apenas, cópia de 02 (duas) folhas do Livro Diário (efls. 113/114), ou seja: a) Diário 2007, Livro 16, folha 333 Conta Banco Real S/A Ag. 0206 Miguel Pereira 1.01.01.02.0003 5492 Registro de pagamento do DARF no valor de R$ 22.128,15; b) Diário 2007, Livro 16, folha 334 Conta IRPJ a compensar 1.01.03.06.0003 320 Valor refeente a pagamento de IRPJ do 3º trimestre/2007 no valor de R$ 22.128,15. Como visto, há necessidade de saneamento do processo. Para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório e atento ao princípio da verdade material, propugno pela realização de instrução processual complementar, ou seja, baixar os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Volta Redonda a fim de que a fiscalização da RFB: a) intime a contribuinte para, à luz da escrituração contábil, comprovar o alegado erro de fato no preenchimento da DCTF primitiva do PA objeto dos autos (eventual divergência dos dados dessa DCTF primitiva e a DIPJ 2008, anocalendário 2007), no sentido de justificar a DCTF retificadora apresentada, transmitida em 30/12/2012 (efls. 17/50) e o pleito de restituição do alegado pagamento a maio ou indevido; b) intime a contribuinte a comprovar pagamentos/recolhimentos do IRPJ do 3º trimestre/2007, quanto ao débito confessado na DCTF primitiva; c) junte cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007; d) junte cópia da DCTF primitiva do PA 3º trimestre/2007; e) confirme os pagamentos/recolhimentos. f) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circuntanciado, pormenorizado, dos resultados da diligência em relação ao direito creditório pleiteado nos presentes autos (se o crédito demandado existe ou não, e se está ou não disponível para restituição); Fl. 153DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10073.901490/201213 Resolução nº 1802000.614 S1TE02 Fl. 154 8 g) intime a contribuinte do relatório de diligência (resultado da diligência), abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para manisfestação nos autos, caso queira. Decorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos ao CARF para julgamento da lide. Por tudo que foi exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 154DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914295/2009-05
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.348
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 14 29 5/ 20 09 -0 5 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914295/200905 Resolução nº 3802000.348 S3TE02 Fl. 227 2 A interessada entregou via Internet a Declaração de Compensação de fls. 69 a 73 (PER/DCOMP nº23851.84435.060807.1.3.040159, na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (código de receita 7987) relativo ao período de apuração ocorrido em outubro de 2004 (30/10/2004). Pelo Despacho Decisório de fls. 37 e 78, a contribuinte foi cientificada, em 19/10/2009 (fl. 74), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP”. Sendo que a utilização do crédito se encontrava assim discriminada: Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR)/PERDCOMP (PD)/Débitos (DB) Valor Original Utilizado 4756831698 149.864,39 Db: cód 7987 PA 30/10/2004 149.864,39 Valor Total 149.864,39 Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido a interessada intimada a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$47.383,35). Irresignada, a contribuinte apresentou em 18/11/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 02/07. Na peça de defesa, a contribuinte argumenta que a Manifestante é Entidade Fechada de Previdência Complementar e tem como objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar e, por conseguinte, pagar aposentadorias complementares às pagas pela Previdência Social; tendo apurado crédito decorrente de pagamento a maior de tributos federais, apresentou, como lhe é facultado pela legislação de regência, a Declaração de Compensação de Tributos Federais n° 23851.84435.060807.1.3.040159; Nesta PER/DCOMP foi utilizado um crédito do código 7987 com período de apuração 31/08/2004, relativo à guia no montante total de R$ 149.864,39, com crédito histórico de R$ 33.600,45; A Manifestante apurou nesta competência o montante de R$ 167.006,40 que, quando confrontado com o valor recolhido na competência R$ 200.606,85 podese identificar como crédito exatamente o valor utilizado na PER/DCOMP conforme demonstrado à fl. 04; a Manifestante cometeu um equívoco formal, pois não demonstrou a existência do crédito no preenchimento da DCTF, sendo, contudo, o crédito, legítimo; Fl. 227DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914295/200905 Resolução nº 3802000.348 S3TE02 Fl. 228 3 o mero erro material na declaração não invalida a compensação efetuada, visto que o crédito tem origem licita, devendo ser julgada procedente a Compensação efetuada pela Manifestante, com a conseqüente extinção do débito tributário ora imputado; Uma vez demonstrada a origem dos pagamentos realizados a maior que a Manifestante pretendeu compensar, como restou comprovado acima, é claro o seu direito à restituição destas quantias, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa, tendo em vista que sua negativa configura enriquecimento ilícito por parte do Estado os equívocos nas declarações do contribuinte não criam tributos, não podendo, uma vez comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária, reportandose a ensinamentos de Ives Gandra da Silva Martins e Hugo de Brito Machado; A quantia recolhida a título de tributo a maior, que não. era devida, nem sequer pode ser considerada como receita do Estado, sob pena de afronta ao princípio da legalidade e da moralidade administrativa; Como mero ingresso de caixa e não verdadeira receita, não pode esta quantia a que se pretende compensar ser integrada ao patrimônio do Poder Público, o que implica no dever do Estado de restituir o indébito tributário ao seu legítimo proprietário; Tão logo apurado o recolhimento indevido, esta parcela foi compensada com outros tributos devidos, nos moldes da legislação federal, de maneira que não há razões a se negar tal compensação; vale ressaltar que se a confissão do contribuinte não estiver de acordo com a lei e com a realidade fática, nenhum valor terá para o juízo tributário. O tributo ou é devido, ou não é, se incidência não houve. Assim, se aquele que confessou o fez em virtude de erro, a confissão pode ser revogada, conforme determina o Código de Processo Civil em seu artigo 352; Considerando que o valor confessado pela Manifestante não corresponde às hipóteses de incidência tributária, à confissão de dívida e conseqüente pagamento são absolutamente irrelevantes, não gerando qualquer obrigação tributária, prevalecendo os fatos verdadeiros sobre o confessado; Demonstrado que o fato confessado não correspondia à hipótese de incidência tributária, este não era capaz de gerar a obrigação tributária tornando a confissão de dívida absolutamente irrelevante, o que possibilita,deste modo, a compensação pretendida. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SP 1 no 1649.268, de 08/08/2013, proferida pelos membros da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 12/11/2004 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914295/200905 Resolução nº 3802000.348 S3TE02 Fl. 229 4 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade e não homologar a compensação, por falta de certeza e liquidez. Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer a reforma da decisão recorrida, com objetivo de homologar as compensações pleiteadas. Argumenta que é de se notar que os valores declarados não existiam de fato, uma vez que a recorrente incorreu em erro material ao preencher suas DCTF, pois incluiu na base de cálculo valores que não deveriam ser inseridos, de receitas na base de cálculo do PIS e da COFINS, cometendo apenas um equívoco formal, apesar de não ter efetuado a retificação das DCTF. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Pois bem, como é cediço, a entrega de DCTF, sem qualquer tipo de comprovação que demonstre a divergência na apuração do débito, não é suficiente para comprovar o indébito indicado. No entanto, ciente disso e visando comprovar os fatos alegados e primando pelo princípio da verdade material, a Recorrente em fase de Manifestação de Inconformidade, apresentou uma planilha para demonstração da base real apurada para os cálculos do COFINS e cópia do Balancete Analítico Consolidado, referente ao período de apuração de outubro de 2004. Agora, no texto do seu Recurso Voluntário, repisa um Demonstrativo, visando demonstrar para a Administração Tributária a “base real” do COFINS apurada pelo Recorrente no referido mês, versando que tais documentos são satisfatórios para a comprovação do direito do crédito alegado nos autos, ressaltando que declarou e recolheu valor a maior de COFINS para esta competência. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914295/200905 Resolução nº 3802000.348 S3TE02 Fl. 230 5 Neste passo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste numa providência que resulta na melhor aplicação do direito e da justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Considerando que o Recorrente argumenta que o fato que gerou o despacho denegatório foi o erro de preenchimento na DCTF, em que constou valor maior que o apurado e que não apresentou DCTF retificadora, pois de acordo com a legislação, após a expedição de despacho decisório, a lei proíbe o contribuinte de retificar a declaração. Com base nessas considerações e o contido no recurso voluntário da recorrente bem como devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, devendo os autos retornarem à DRF do domicílio tributário da recorrente, para proceder parecer sobre: a) diligenciar, com base nos dados registrados nos documentos contábeis apresentados (Balancete Analítico Consolidado, referente ao período de apuração do COFINS de outubro de 2004, e pronunciarse sobre a veracidade dos cálculos elaborados no demonstrativo do COFINS (recurso voluntário), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo Fisco, com isso emitindo informação sobre a comprovação do direito creditório alegado e bem como seu respectivo valor, e b) em seguida, seja cientificada a recorrente, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestese sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 230DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10380.729809/2012-95
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2007 a 31/08/2008
APRESENTAÇÃO GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO.
Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
RELEVAÇÃO OU ATENUAÇÃO DA MULTA.
Não se pode relevar ou atenuar falta que não foi corrigida dentro do prazo legal.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Despiciendo o requerimento de perícia sem quesitos, motivação e que não atende os requisitos legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2007 a 31/08/2008 APRESENTAÇÃO GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. RELEVAÇÃO OU ATENUAÇÃO DA MULTA. Não se pode relevar ou atenuar falta que não foi corrigida dentro do prazo legal. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Despiciendo o requerimento de perícia sem quesitos, motivação e que não atende os requisitos legais. Recurso Voluntário Negado.
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FATOS GERADORES. Recorrente CONCRETOPOLIS CONCRETO PREMOLDADO INDUSTRIAL DO NORDESTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2007 a 31/08/2008 APRESENTAÇÃO GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. RELEVAÇÃO OU ATENUAÇÃO DA MULTA. Não se pode relevar ou atenuar falta que não foi corrigida dentro do prazo legal. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Despiciendo o requerimento de perícia sem quesitos, motivação e que não atende os requisitos legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 98 09 /2 01 2- 95 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.729809/201295 Acórdão n.º 2803003.953 S2TE03 Fl. 324 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de infringência ao art. 32, IV, da Lei 8.212, de 1991, acrescentado pela Lei 9.528, de 1997 e redação da Medida Provisória MP 449, de 2008, convertida na Lei 11.941, de 2009, por ter o contribuinte acima mencionado apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, com informações incorretas, período de 09/2007 a 08/2008, conforme descrito às fls.5 e no Relatório Fiscal às fls. 06/10. Em decorrência da infração foi aplicada a penalidade nos termos do artigo 32A, “caput”, inciso I e parágrafos 2º e 3º, da Lei 8.212, de 1991, acrescentados pela MP 449, de 2008, convertida na Lei 11.941, de 2009. O contribuinte foi cientificado da autuação fiscal, apresentando impugnação. DO RECURSO O órgão de primeira instância administrativa (6ª Turma da DRJ/BHE) julgou procedente a autuação fiscal. O contribuinte foi cientificado da decisão, inconformado apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: houve cerceamento ao direito de defesa, pois ocorreram várias autuações e apenas 30 (trinta) dias para defesas. O contribuinte tem direito à defesa e contraditório, nos termos da Carta Magna; tem direito a compensação independentemente da contratante ter recolhido a retenção efetuada e só está obrigada a manter documentação dentro do prazo abarcado pela prescrição; não foi considerado o pedido de relevação da multa,apesar de implementadas as condições do art. 291, § 1o do Decreto 3.048/99; requer a insubsistência da autuação por falta de fundamentação legal e que outra seja produzida ao amparo da lei; requer a produção de prova, inclusive perícia, no sentido de aferir se os cálculos estão corretos É o relatório. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. Consta do relatório fiscal da infração (fls. 6/10) que o contribuinte deixou de apresentar GFIP com informações incorretas/inexatas (Código Fundamentação Legal 78 – Lei 8.212/91, art.32, inciso IV e parágrafo 3° da Lei 8.212/91 acrescentado pela Lei 9.528/97 com redação dada pela Medida Provisória 449 de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009). Ficou constatado pela fiscalização (fls. 6/10) que: o contribuinte informou em GFIP nas competências 09/2007, 10/2007, 11/2007, 12/2007 (13 salário), 01/2008, 03/2008, 04/2008, 05/2008, 06/2008, 07/2008 e 08/2008 valores relativos a compensação, tendo em vista supostos recolhimentos indevidos de contribuições sociais já realizados anteriormente, deixando de recolher o total das contribuições sociais devidas nas referidas competências; o contribuinte não apresentou os esclarecimentos e documentos necessários referentes aos valores compensados informados em GFIP, mesmo intimado formalmente; da analise da situação fiscal da empresa nos últimos cinco anos anteriores ao período fiscalizado (07/2002 a 08/2007), ficou constatado que não haviam créditos (recolhimentos a maior) para justificar a compensação realizada durante o período fiscalizado (09/2007 a 12/2008). Anexa demonstrativo das diferenças apuradas; analisou todos documentos apresentados pelo contribuinte, realizou analise da situação fiscal da empresa e constatou que as compensações efetuadas pelo contribuinte não foram realizadas conforme o previsto na legislação vigente, sendo consideradas indevidas e objeto de glosa na ação fiscal; como não havia contribuições passível de compensação, restou constatado erros no preenchimento das GFIP’s, especificamente nos seguintes campos: VALOR SOLICITADO”, “VALOR COMPENSADO”, “VALOR A COMPENSAR” e “VALOR EXCEDENTE AO LIMITE DE 30%”; tais informações declaradas em GFIP não se ajustam ao previsto nos manuais da GFIP: MANUAL DA GFIP PARA USUÁRIOS DO SEFIP 7, Aprovado pela IN INSS/DC n° 107, de 22/04/2004, com as alterações da IN MPS/SRP n° 01, de 25/11/2004, e MANUAL DA GFIP/SEFIP PARA USUÁRIOS DO SEFIP 8, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP 09/2005; respeitando a retroatividade benigna, o valor da multa foi aplicado de acordo com a legislação atual (Lei 8.212/91, art.32, IV e art.32A, caput, inciso I e parágrafos, alterados pela Medida Provisória 449 de 04/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27.05.2009, respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n. 5.172, de 25.10.1966 CTN); Fl. 327DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.729809/201295 Acórdão n.º 2803003.953 S2TE03 Fl. 325 5 a fiscalização foi atendida pelo Sr. Pierpaolo Vacis (Gerente/Procurador da Empresa) e pela Sra. Patrícia Souta (Setor Contábil), a quem foram prestados todos os esclarecimentos necessários. Como se pode notar dos autos a autuação fiscal se encontra revestida das formalidades legais do art. 142 e § único, e artigos 97 e 115, todos do CTN, com a descrição da infração e dispositivo legal infringido, o valor da multa aplicada e sua fundamentação legal, período apurado, relatório fiscal da infração e da aplicação da multa, Instrução para o Contribuinte – IPC, e demais informações constantes das folhas 1 a 241, bem como, lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o artigo 33 da Lei 8.212/91. Destarte, não houve cerceamento ao direito de defesa. O prazo legal de 30 (trinta) dias para apresentação de defesa e recurso foi respeitado. Todos os atos da fiscalização foram cientificados ao contribuinte que teve oportunidade de se manifestar. O direito à defesa e contraditório foram garantidos ao contribuinte. No mesmo sentido, não há que se falar em insubsistência da autuação por falta de fundamentação legal ou em produção de outra autuação ao amparo da lei. A autuação fiscal está devidamente constituída, fundamentada e demonstrada. Como relatado pela fiscalização, o contribuinte não demonstrou seu direito à compensação. Alega compensação de retenção efetuada, todavia, não demonstra de forma específica nos autos. A autuação fiscal não compreende período decadente, na forma dos artigos 150, § 4º e 173, inciso da Lei 5.172/66 (CTN). Quanto à relevação da penalidade imposta pela infração fiscal em comento, previstas no art. 291 do Decreto 3.048/99, atualmente revogado, temse que a multa será relevada se o infrator corrigir a falta dentro do prazo de impugnação (primeira instância administrativa), não se aplicando nos casos de multa decorrente de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias. São os termos do artigo: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §3oDa decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de ofício, de acordo com o disposto no art. 366. (Redação dada pelo Fl. 328DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 6 Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) Com se vê, ainda que estivesse em vigor, não poderia ser aplicada relevação nem atenuação no caso em concreto, pois o contribuinte não apresentou a correção da falta da infração após o prazo para impugnação. Assim, não há respaldo legal para a relevação ou atenuação da multa atualmente nem durante a vigência do art. 291 do Decreto 3.048/99. Aguardada até o momento da decisão o contribuinte não acrescentou produção de prova aos autos. Despiciendo o requerimento de perícia sem quesitos, motivação e que não atende os requisitos previstos no artigo 16, inciso IV, c/c §1°, do Decreto 70.235/72. Não há necessidade de aferição de cálculos quando estão demonstrados nos autos e sem contestação específica do contribuinte. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 329DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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