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Numero do processo: 13767.000428/2009-89
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 16/11/2009
INEXISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO. RECURSO NÃO CONHECIDO.
A simples apresentação de novo laudo médico não caracteriza formalização de recurso voluntário.
Realidade em que a interessada não formalizou o correspondente recurso voluntário, uma vez que, depois de cientificada da decisão da DRJ, apenas acostou aos autos novo laudo médico, cuja competência para análise não é do CARF, mas sim da correspondente unidade jurisdicionante.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3802-003.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 16/11/2009 INEXISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO. RECURSO NÃO CONHECIDO. A simples apresentação de novo laudo médico não caracteriza formalização de recurso voluntário. Realidade em que a interessada não formalizou o correspondente recurso voluntário, uma vez que, depois de cientificada da decisão da DRJ, apenas acostou aos autos novo laudo médico, cuja competência para análise não é do CARF, mas sim da correspondente unidade jurisdicionante. Recurso não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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RECURSO NÃO CONHECIDO. A simples apresentação de novo laudo médico não caracteriza formalização de recurso voluntário. Realidade em que a interessada não formalizou o correspondente recurso voluntário, uma vez que, depois de cientificada da decisão da DRJ, apenas acostou aos autos novo laudo médico, cuja competência para análise não é do CARF, mas sim da correspondente unidade jurisdicionante. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 7. 00 04 28 /2 00 9- 89 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 51/53), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da interessada em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 16/11/2009 ISENÇÃO. IPI. DEFICIENTE VISUAL A isenção de que trata a Lei n° 8.989/95 e alterações posteriores deve observar, no que diz respeito à deficiência visual, os parâmetros determinados no § 2° do art. 1º da citada lei. É de se indeferir o pedido quando o laudo médico não se mostra eficaz para demonstrar o enquadramento da acuidade visual nos limites estabelecidos pelo texto legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da referida decisão em 02/07/2010 (conf. AR de fls. 55), a autorizada, exclusivamente, acostou aos autos novo laudo médico, acompanhado de anexos (fls. 56/58). Às fls. 60 consta despacho da unidade de origem encaminhando o processo para este CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme relatado, vêse que o processo em epígrafe diz respeito a pedido de isenção de IPI Deficiente físico onde a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada contra o indeferimento do pleito foi julgada improcedente pela DRJ Juiz de Fora (fls. 51/54). Ocorre que a interessada não formalizou o correspondente recurso voluntário, uma vez que, depois de cientificada da decisão da DRJ, apenas acostou aos autos novo laudo médico. Na sequência, o processo foi encaminhado para este CARF em 15/07/2010, "para análise e manifestação", nos termos do despacho de fls. 60. Evidentemente, a realidade acima apresentada demonstra que não houve formalização de recurso voluntário, isso mesmo tendose em alta conta o princípio da informalidade processual. Ademais, ao pleito foi agregado novo instrumento probante cuja competência para análise não é deste Conselho, mas sim da unidade jurisdicionante da interessada, ou seja, a DRF Vitória. Logo, a medida que se impõe é a devolução dos autos para a DRF Vitória para que esta, assim, adote as providências de sua alçada relativas ao exame do caso. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13767.000428/200989 Acórdão n.º 3802003.982 S3TE02 Fl. 62 3 Por todo o exposto, voto para não conhecer de recurso voluntário formalizado pela suplicante. Sala de sessões, em 11 de dezembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 27/ 01/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 19647.019092/2008-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2005
DECADÊNCIA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO.
A compensação declarada à SRF, assim corno o pagamento antecipado do tributo, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial de cinco anos, para lançamento de oficio, contado da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN.
MULTA ISOLADA A multa de que trata o art. 18 da Lei 10.833, de 2003, é a multa de oficio prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96. A expressão "multa isolada" não significa que se trate de multa diversa da multa de oficio, mas sim, que a multa de oficio é aplicada isoladamente, ou seja, desacompanhada do principal sobre o qual incidiu.
MULTA DE OFÍCIO E MULTA DE MORA.- CUMULAÇÃO
A multa de oficio absorve a de mora, não sendo admissível a cumulação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-001.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva, que negava provimento. O conselheiro José Antonio Francisco apresentará declaração de voto. A Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente.
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO Relator.
EDITADO EM: 27/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/04/2005 DECADÊNCIA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. A compensação declarada à SRF, assim corno o pagamento antecipado do tributo, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial de cinco anos, para lançamento de oficio, contado da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. MULTA ISOLADA A multa de que trata o art. 18 da Lei 10.833, de 2003, é a multa de oficio prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96. A expressão "multa isolada" não significa que se trate de multa diversa da multa de oficio, mas sim, que a multa de oficio é aplicada isoladamente, ou seja, desacompanhada do principal sobre o qual incidiu. MULTA DE OFÍCIO E MULTA DE MORA.- CUMULAÇÃO A multa de oficio absorve a de mora, não sendo admissível a cumulação. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2005 DECADÊNCIA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. A compensação declarada à SRF, assim corno o pagamento antecipado do tributo, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial de cinco anos, para lançamento de oficio, contado da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. MULTA ISOLADA A multa de que trata o art. 18 da Lei 10.833, de 2003, é a multa de oficio prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96. A expressão "multa isolada" não significa que se trate de multa diversa da multa de oficio, mas sim, que a multa de oficio é aplicada isoladamente, ou seja, desacompanhada do principal sobre o qual incidiu. MULTA DE OFÍCIO E MULTA DE MORA. CUMULAÇÃO A multa de oficio absorve a de mora, não sendo admissível a cumulação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva, que negava provimento. O conselheiro José Antonio Francisco apresentará declaração de voto. A Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanhou o relator pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 90 92 /2 00 8- 90 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19647.019092/200890 Acórdão n.º 3302001.953 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator. EDITADO EM: 27/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. 1. Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04/07, em 05/11/2008, relativamente a Multa Regulamentar, no valor de R$ 147.743,34. 2. De acordo com as informações contidas no Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls.04/05, foi apurada a seguinte infração praticadas pela pessoa jurídica autuada, assim descrita, em resumo: Multa isolada Compensação indevida efetuada em declaração Prestada pelo sujeito passivo O sujeito passivo efetuou compensações, conforme consta nos Per/Dcomp números 38749.33147.160405.1.3.01 6626 e 40837.53707.060905.1.3.018625, anexos às fls. 11 a 22. Estas compensações foram consideradas não formuladas conforme Despacho Decisório de fl.25, datado de 02/04/2007, com ciência contribuinte em 24/04/2007, conforme consta no Processo 19647.002698/200713, através de "AR", pelo fato de essas compensações terem sido com créditos decorrentes de ação judicial não transitada em julgado, portanto, em desacordo com o art. 170 da Lei nº 5.172, de 1966. Desta forma, foi lançada no presente Auto de infração, a multa isolada prevista no art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com as alterações introduzidas pela Lei 11.051, de 2004, no percentual de 75% sobre a totalidade do tributo devido. 3. Acompanha o Auto de Infração o Termo de informação Fiscal e o Demonstrativo de Cálculos do valor da multa de fls. 33 a 35. 5. Devidamente cientificada da autuação, em 05/11/2008, na pessoa do seu sócio, Sr.Tracizo Cavalcanti Pedroza, a autuada apresenta, em 05/12/2008, por meio do seu Procurador (instrumento legal de fl. 52) a impugnação de fls. 40/49, com as seguintes argumentações, em síntese: Fl. 307DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19647.019092/200890 Acórdão n.º 3302001.953 S3C3T2 Fl. 4 3 5.1. DOS FATOS E DOS FUNDAMENTOS I noticia que os tributos (PIS e Cofins) cujas compensações não foram homologadas foram inscritos em dívida ativa desde 31/07/2007, conforme pode ser verificado nas CDA'S n°s 40.6.07.000548221 e 40.7.07.00055943 e que sobre os citados tributos está sendo cobrada a multa de mora de 20%. 5.2. PRELIMINAR DECADÊNCIA DE PARTE D O LANÇAMENTO I alega que parte do crédito tributário está extinto na forma do art. 150, § 4 o e 156 V e VII do CTN, uma vez que os fatos geradores dos tributos sobre os quais incidiu a multa isolada ocorreram em outubro e dezembro de 2002; II apresenta um longo arrazoado sobre o instituto da decadência tributária e transcreve ementas de Acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda para reforçar a sua tese e conclui que, por esse fato é que se pede, de logo, seja conhecida a presente impugnação para excluir do lançamento os valores da multa isolada em discussão; 5.3. DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO CUMULADA DE MULTAS SOBRE O MESMO TRIBUTO I contesta a cumulação de sanções sobre um mesmo fato gerador, uma vez que aduz que, conforme já exposto anteriormente, os débitos cujas compensações não foram homologadas foram inscritos em dívida ativa da União desde 31/07/2007, e que sobre os citados tributos está sendo cobrada a multa de mora de 20%, tendo a autuação adicionalmente feito incidir a multa isolada de 75%; II acrescenta que a respeito da matéria, vários precedentes se mostram elucidativos no sentido da impossibilidade de incidência concomitante de várias multas, sobre a mesma base de incidência, demonstrando a dupla penalização e transcreve várias ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes para corroborar a sua argumentação; III conclui, assim, com base nas decisões administrativas referenciadas que é completamente improcedente a presente autuação, pois implica em penalizar duplamente a impugnante, tendo como fundamento a mesma base de cálculo. 5.4. DA INADEQUAÇÃO LEGAL E DA RETROATIVIDADE BENIGNA I pondera que o art.18 da Lei 10.833, de 2003, que transcreve, só se torna possível quando se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo contribuinte e na presente autuação em nenhum momento se cogita ou se demonstra que houve falsidade de declaração por parte da impugnante, o que remete à aplicabilidade da norma no presente caso, mostrandose, portanto, ilegal, a medida proposta pela autoridade autuante; II faz considerações sobre a retroatividade benigna prevista no art.106, II do CTN; III considera mais uma vez improcedente a aplicação da proposta multa isolada de 75% com base na Lei n° 9.430, de 1996, tendo em vista que esta sofreu alteração pela Lei n° 11.488, de 2007, que previu o percentual de 50%, nos casos de aplicação de multa isolada (art.44, inciso II, da Lei 9.430, de 1966, com a alteração efetuada pela Lei n° 11.488, de 2007, que transcreve. 5.5. Do Pedido Diante do exposto requer: a) que seja julgado Nulo o Auto de Infração ora combatido, em face da extinção do lançamento da multa isolada, em face da ocorrência da decadência nos termos do art.150, § 4º, do CTN; Fl. 308DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19647.019092/200890 Acórdão n.º 3302001.953 S3C3T2 Fl. 5 4 b) que seja julgado improcedente o Auto de Infração tendo em vista as razões já apresentadas; c) requer ainda, seja conferida a interpretação mais favorável à suplicante, na forma do art.112 do CTN; d) protesta e requer, ainda, todos os meios de provas permitidas em direito inclusive juntada posterior de provas, perícia e diligência, e apresenta os quesitos a serem respondidos, tendo em vista o disposto nos arts. 2° e 3º, III, da Lei n° 9.784, de 1999, termos em que aguarda deferimento. Os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, resolveram rejeitar a preliminar de decadência argüida e julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão supra em 28/02/2011, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 30/03/2011. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Da Decadência parcial A exigência fiscal consubstanciada no auto de infração de fls. 06/07 decorre de ação fiscal promovida pela DRF de Recife — PE, que efetuou o lançamento de multa isolada no percentual de 75% sobre a totalidade dos tributos cujos pedidos de compensação foram considerados não formulados, pela Autoridade Fiscal. Em 16.04.2005 a Recorrente efetuou pedido de compensação, através de PER/DCOMP nº 38749.33147.160405.1.3.016626 e em 06.09.2005 efetuou outro pedido de compensação através de PER/DCOMP nº 40837.53707.060905.1.3.018625 (doe. 04 doe. 04 da impugnação). Cumpre esclarecer que as referidas compensações foram formuladas utilizandose créditos de terceiros – Usina Cruangi S.A. Todavia, os citados pedidos de compensação foram declarados como não formulados pela Delegacia da Receita federal do Brasil em Recife/PE, e inscritos em dívida ativa conforme CDA´s nº 40 6 07000548221 e nº 40 7 0700055943. Alega a Recorrente que parte do débito, mais precisamente, o montante referente ao PER/DCOMP nº 38749.33147.160405.1.3.016626, protocolado em 16.04.2005, referente ao período de outubro/02, novembro/02 e dezembro/02, estaria extinto em face da decadência perpetrada na forma do artigo 150, § 4º e 156, incisos V e VII do CTN. Neste ponto não assiste razão à Recorrente. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19647.019092/200890 Acórdão n.º 3302001.953 S3C3T2 Fl. 6 5 Invocando o § 4º do art. 150 do CTN, este apenas seria aplicável, ou apreciável, caso estivéssemos analisando o próprio direito creditório, esse sim anterior a 2005. No caso concreto, ora se aplica a multa isolada, punitiva, por ato ilegal praticado em 2005, logo, não prescrita. Como visto, tanto a compensação corno o pagamento extingue a obrigação tributária sob condição resolutória da ulterior homologação pela autoridade administrativa, fixando a legislação o prazo de cinco anos para fazêla. No caso destes autos, o referido prazo seria contado da entrega na repartição das respectivas declarações de compensação ocorrida em dois momentos: 16.04.2005 e 06.09.2005, conforme estabelecido no citado art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 74. (...) §5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Não tendo sido homologada a compensação, competia a Administração Tributária promover à cobrança dos referidos débitos. Da cumulação de multa de ofício e multa de mora Conforme exposto pelo Recorrente, os tributos sobre os quais estão sendo aplicados a punição já estão inscritos em dívida ativa, sendo que sobre os supostos créditos tributários incidiu a multa de mora de 20% sobre o valor do tributo. A presente autuação adicionalmente faz incidir uma multa isolada de 75% sobre o valor do tributo, comprovandose claramente a concomitância de imposição de multas sobre a mesma base de incidência. Neste ponto creio que a razão está com a Recorrente. Vejamos. Nos termos dos artigos 43 e 44 da Lei nº 9.430/96 temos que: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 310DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19647.019092/200890 Acórdão n.º 3302001.953 S3C3T2 Fl. 7 6 a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5º Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d) II (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d) Fl. 311DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19647.019092/200890 Acórdão n.º 3302001.953 S3C3T2 Fl. 8 7 Por outro lado, o artigo 18 da Lei nº 10.833/03, com suas alterações posteriores prevê a aplicação da multa isolada, somente quando a falsidade da declaração apresentada pelo contribuinte, in verbis: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Conforme exposto pelo Recorrente: “Na presente autuação em momento algum se cogita ou se demonstra que houve falsidade de declaração por parte da Recorrente, o que remete à inaplicabilidade da norma ao presente caso, mostrandose portanto ilegal a medida proposta pela Autoridade autuante”. Outrossim, face a legislação supra temos que a “multa isolada” não significa uma nova multa, mas traduz a circunstância de que a formalização da exigência da multa (de ofício ou de mora) está sendo feita desacompanhada do tributo sobre o qual é calculada. Nos termos do § 1° do art. 44 da Lei 9.430/96, em sua redação original, não instituiu outra penalidade, mas apenas previu a possibilidade de a multa por lançamento de oficio ser exigida juntamente com o tributo ou isoladamente. Assim, a multa exigida não é outra senão a multa de oficio. Na realidade, duas são as multas que incidem sobre o débito não extinto na data do seu vencimento: (i) multa de mora, quando a extinção extemporânea do crédito se faz por iniciativa espontânea do sujeito passivo, sem necessidade de movimentar a máquina estatal; (ii) multa de oficio, quando há necessidade de movimentar a máquina estatal para persecução do crédito vencido e não pago. Admitir a cumulação da multa de oficio com a multa de mora caracterizarse ia o bis in idem, pois, a multa de ofício absorve a multa de mora. Fato que ocorreu à época foi a publicação da Lei no. 11.488 de 2007, cujo artigo 14 deu nova redação ao art. 44 da Lei no. 9.430/96. Diante disso, vem se posicionando esse E. CARF no sentido de que, à época desse lançamento, não poderia ter havido a mencionada cumulação, inclusive em benéfico de lançamentos efetuados anteriormente à sua mencionada publicação. Litteris: "(...)RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI EXTINÇÃO DE PENALIDADE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA LANÇADA EM DECORRÊNCIA DE PAGAMENTO A DESTEMPO, SEM MULTA DE MORA A partir da Lei n° 11.488, de 2007, cujo artigo 14 deu nova redação ao artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, revogouse a multa de ofício isolada que era exigível na hipótese de recolhimento de tributos em atraso sem o acréscimo da multa de mora. Portanto, as multas aplicadas com base nas regras anteriores devem ser adaptadas às novas determinações, conforme preceitua o art. 106, II, "a", do Código Tributário Nacional. Recurso de ofício parcialmente provido." (6a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, Recurso 158805, Relator Giovanni Christian Nunes Campos, sessão de 07/08/2008) Fl. 312DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 19647.019092/200890 Acórdão n.º 3302001.953 S3C3T2 Fl. 9 8 Por todo exposto, considerando que o os tributos sobre os quais estão sendo cobrada a multa isolada, no presente auto de infração, já estão inscritos em dívida ativa, sendo que sobre os supostos créditos tributários está incidindo a multa de mora de 20% sobre o valor do tributo, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para excluir a presente multa isolada. Sala das Sessões, em 31 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 11516.003529/2006-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/06/2006
Ementa:
SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do CARF.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa.
A concomitância caracteriza-se pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
ATOS COOPERATIVOS. EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO.
A isenção da Cofins relativa aos atos cooperativos, concedida pelo art. 6°, I, da Lei Complementar n° 70/91, encontra-se revogada pela MP n° 2.l58- 35/2001, com efeitos a partir de novembro de 1999, mês a partir do qual as receitas auferidas pelas cooperativas compõem a base de cálculo da Contribuição, com as exclusões estabelecidas no art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, na Lei n°10.676/2003 e no a .17 da Lei n° 10.684/2003.
Numero da decisão: 3402-001.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não se conhecer da matéria preclusa. Na parte conhecida, em afastar a preliminar de nulidade, declarar a concomitância referente às receitas tributáveis pelo PIS e pela Cofins e negar a exclusão das despesas financeiras e administrativas das bases de cálculo das exações.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto
EDITADO EM: 28/11/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. O Presidente Substituto da Turma assina o presente acórdão em face da impossibilidade, por motivos de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2001 a 30/06/2006 Ementa: SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do CARF. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracteriza-se pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. ATOS COOPERATIVOS. EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO. A isenção da Cofins relativa aos atos cooperativos, concedida pelo art. 6°, I, da Lei Complementar n° 70/91, encontra-se revogada pela MP n° 2.l58- 35/2001, com efeitos a partir de novembro de 1999, mês a partir do qual as receitas auferidas pelas cooperativas compõem a base de cálculo da Contribuição, com as exclusões estabelecidas no art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, na Lei n°10.676/2003 e no a .17 da Lei n° 10.684/2003.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2248; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 295 1 294 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.003529/200695 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402001.739 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2012 Matéria COFINS/PIS Recorrente COOPERZEM COOPERATIVA DE DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA Recorrida DRJ SÃO PAULO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/06/2006 Ementa: SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do CARF. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracterizase pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. ATOS COOPERATIVOS. EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO. A isenção da Cofins relativa aos atos cooperativos, concedida pelo art. 6°, I, da Lei Complementar n° 70/91, encontrase revogada pela MP n° 2.l58 35/2001, com efeitos a partir de novembro de 1999, mês a partir do qual as receitas auferidas pelas cooperativas compõem a base de cálculo da Contribuição, com as exclusões estabelecidas no art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, na Lei n°10.676/2003 e no a .17 da Lei n° 10.684/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não se conhecer da matéria preclusa. Na parte conhecida, em afastar a preliminar de nulidade, declarar a concomitância referente às AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 35 29 /2 00 6- 95 Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 296 2 receitas tributáveis pelo PIS e pela Cofins e negar a exclusão das despesas financeiras e administrativas das bases de cálculo das exações. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto EDITADO EM: 28/11/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. O Presidente Substituto da Turma assina o presente acórdão em face da impossibilidade, por motivos de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. Relatório Trata o presente processo de autuação do PIS e da Cofins referentes aos fatos geradores ocorridos de setembro de 2001 a junho de 2006. Constatouse que o recorrente somente recolheu o PIS sobre a folha de pagamento e, a partir de 2003, promoveu recolhimentos sobre parte de suas receitas com não associados, sendo que os demais valores faturados ficaram à margem da tributação e não foram declarados em DCTF. Os valores apurados pela Autoridade Fiscal foram retratados nas planilhas de fls. 151/152. Nelas estão discriminadas a base de cálculo de cada exação. Seguindo as normas contidas na Legislação, a base de cálculo foi obtida pelo total das receitas de fornecimento de energia e serviços, receitas financeiras, deduzidos os custos de energia elétrica, os custos de manutenção da rede de distribuição e as sobras. O Sujeito Passivo apresentou impugnação aos lançamentos, argumentando, em breve síntese, que: a) No demonstrativo de receita tributável de fls. 151/152 não há como determinar quais foram os custos que serviram de exclusão para a tributação do PIS e da Cofins. Na determinação da base imponível das exações não foi discriminada conta por conta b) As contribuições para o Pis e para a Cofins não incidem sobre ato cooperativo, por ausência de faturamento ou receita bruta nas operações de distribuição de energia elétrica a associados. A relação entre cooperativa e associado não produz receitas, pois o resultado pertence ao associado e não à cooperativa; Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 297 3 c) Para fins de tributação das contribuições, o compartilhamento da infraestrutura por meio do aluguel de postes deve ser considerado ato cooperativo e, consequentemente, excluído da base imponível, já que é ato próprio do ramo da recorrente, que deve por imposição legal ceder ou compartilhar os postes; d) Houve erro na determinação da base de cálculo das contribuições, pois devem ser excluídos os valores oriundos da cobrança da tarifa elétrica, em obediência ao disposto no art. 17 da Lei nº 10684/2003, que prevê a exclusão dos valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados; e) A fiscalização não considerou todos os custos previstos na Legislação. A impugnante refez os cálculos do demonstrativo da receita tributável, contemplando os custos nos moldes da IN nº 358/2003 e 635/2006; f) Os Pareceres Normativos nº 77/76 e 66/86 tratam da exclusão da base de cálculo de valores advindos do ato cooperativo, que levariam à exclusão dos ingressos da tarifa de energia elétrica tanto para o PIS como para a Cofins; g) Pelo princípio da hierarquia das leis, o dispositivo da Lei Complementar nº 70/91 que confere isenção do Pis e da Cofins às cooperativas não pode ser revogado por medida provisória e lei ordinária; h) Deve ser aplicado ao caso a Solução de Consulta nº 352/04 da 9º Região Fiscal, que, ao interpretar a Lei nº 10684/2003 e a IN 358/2003, reconheceu a exclusão dos custos administrativos e financeiros dos atos relacionados internamente (atos cooperativos). Termina sua impugnação requerendo que sejam reconhecidos como exclusão da base de cálculo tributável os custos do setor elétrico, advindos do parágrafo 1º do art.2º do decreto 774/93. Foi solicitada diligência com fins de apurar o objeto do processo judicial nº 99.00.098501. Em resposta, constatouse que na ação judicial discutiase: a impossibilidade de uma medida provisória instituir ou alterar tributos; a necessidade de lei complementar para alterar a Lei Complementa nº 70/91 e tributar o ato cooperativo; a ilegalidade da alíquota de 3% da Cofins e a ampliação da base de cálculo da Cofins – receita bruta e faturamento. A Delegacia de Julgamento de São Paulo julgou a impugnação improcedente, proferindo o Acórdão nº 1632734, de 21 de julho de 2011, cuja ementa abaixo reproduzo: ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 298 4 Não há fundamento na alegação de impossibilidade de identificação das contas contábeis consideradas na base de cálculo, quando basta examinar os balancetes fornceidos pela própria autuada para verificar que os valores que serviram de base para autuação forma dali extraídos. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. FATURAMENTO DA SOCIEDADE COOPERATIVA. ART. 6º, I, DA LC 70/91. REVOGAÇÃO PELA MP 1.858/99. LEI Nº 9.718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A propositura pela contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, no que concerne às questões submetidas à apreciação do judiciário. INCIDÊNCIA. SOCIEDADES COOPERATIVAS. A contribuição para o PIS/Pasep devida pelas sociedades cooperativas deve ser calculada com base no faturamento mensal, que corresponde à receita bruta conforme definida no art. 3º da Lei n.° 9.718, de 1998, permitindose, estritamente, as exclusões previstas na legislação vigente à época dos fatos geradores. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. CUSTOS DOS SERVIÇOS PRESTADOS. COOPERATIVA DE ELETRIFICAÇÃO RURAL. Os custos dos serviços prestados pela cooperativa de eletrificação rural abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção, distribuição e comercialização de energia elétrica, quando repassados aos associados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, onde teceu longas linhas acerca de toda legislação do setor elétrico. Contudo, com o intuito de não desviar o rumo do processo, reproduzo abaixo apenas as questão que guardam relevância com a lide posta nos autos. Em brevíssima síntese, o recorrente alega que: a) O auto de infração não obedeceu os requisitos de validade, pois faltou um elemento essencial, qual seja: a determinação da base de cálculo. Este fato teria cerceado seu amplo direito de defesa. b) Não houve a renúncia a instância administrativa, em vista da incongruência entre as demandas administrativa e judicial. Requer que “sejam reconhecidos os custos do setor elétrico cooperativista, Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 299 5 contemplados na legislação tributária da Receita Federal, repassados ao associado como causa de exclusa na base imponível do Pis e da Cofins, (...). Estamos nos referindo a especificidade de normativo do setor elétrico. Se a legislação, em geral, não contempla as despesas administrativas ou financeiras como custos (exclusão da base imponível), não está a dizer que não contemple as “especificidades de setores” como é o caso do setor elétrico cooperativista, que as classifica como custos do setor, o que noutro setor pode ser despesas. c) Todos os custos relativos à operacionalidade para a entrega da energia aos associados; investimentos em linhas de redes de transmissão de energia e despesas administrativas, manutenção, comercialização, necessárias ao funcionamento da cooperativa, poderão ser excluídos da base de cálculo das contribuições sociais por força da legislação do setor, em especial, o art. 2º § 1º do Decreto nº 774/93 – que considera como exclusão os gastos de distribuição repassados ao associado.; e d) O art. 3, § 1º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita, é inconstitucional. Termina seu recurso pedindo a anulação do auto de infração por falta de elemento essencial, a base de cálculo. Alternativamente, pede que a exclusão dos custos gerenciáveis e nãogerenciáveis do setor elétrico cooperativista da base imponível e a exclusão da multa de ofício e juros de mora. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto. Multa de Ofício e Juros de Mora. O recorrente requer a exclusão da multa de ofício e dos juros de mora aplicados pelo Ato Fiscal. Ressalto o recorrente traz essa matéria aos autos nesta fase processual. Na impugnação, momento que inaugura o litígio e delimita as matérias que serão debatidas nas instâncias administrativas, o recorrente não trouxe a baila este ponto. Não há uma única menção sobre a impossibilidade de aplicação da multa de ofício e dos juros de mora. Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 300 6 Posta assim a questão, sintome obrigado a não conhecer destas matérias em vista da falta de interesse recursal. Quanto as demais matérias, identifico os pressupostos de admissibilidade de forma que tomo conhecimento e passo à análise. Nulidade O recorrente alega cerceamento do direito de defesa, pois o auto de infração não teria identificado a correta base de cálculo, elemento essencial de validade do ato administrativo. Ao meu sentir, carece de razão o recorrente, pois no termo de encerramento de verificação fiscal, a Autoridade autuante discrimina o modus operandi utilizado para a obtenção da base de cálculo e as respectivas exclusões, senão vejamos: (...) partimos do total do faturamento apresentado pelo contribuinte, composto pelas receitas de fornecimento de energia elétrica, outras receitas de serviços e receitas financeiras e receitas de aluguel de postes e deduzimos dos custos da energia elétrica e o custo de distribuição, deduzimos ainda as sobras que trata a IN 358/2003. Os valores apurados Receita Tributável, ou seja, a base de cálculo para o PIS e para a Cofins são os apresentados no quadro constante das fls. 151/152. Como se pode notar, foram perfeitamente identificadas as receitas utilizadas para fins de apuração das bases de cálculo das exações, bem como os valores delas deduzidos. Noutro giro, como pode o recorrente falar em cerceamento do direito de defesa, se foram protocolados dois extensos recursos impugnação e recurso voluntário onde o sujeito passivo discorre minuciosamente acerca de todos os pontos que serviram de base para o lançamento tributário? Portanto, não vislumbro qualquer hipótese que contemplaria a nulidade do auto de infração. Mérito No acórdão vergastado, a primeira instância separou as matérias em dois grupos, tendo por base a detecção de identidade de demandas administrativa e judicial. A DRJ concluiu que parte da matéria referente a receita tributável que compôs a base de cálculo das exações foi levada a discussão no Poder Judiciário. Afastou desse entendimento as receitas oriundas do fornecimento de energia, outras receitas, receitas financeiras e receitas de compartilhamento de postes. Bem como a matéria referente a exclusão de custos das bases de cálculo. Diante desse panorama, identifico duas matérias a serem discutidas pelo Colegiado neste recurso, a saber: a existência de concomitância e a possibilidade de excluir da base de cálculo todos os custos da cooperativa que foram repassados aos seus associados. Concomitância Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 301 7 Saliento que, na minha opinião, a primeira instância se equivocou na identificação das matérias levadas ao Poder Judiciário, senão vejamos. O recorrente se insurge contra a decisão da concomitância da forma que abaixo subscrevo: Não houve a renúncia a instância administrativa, em vista da incongruência entre as demandas administrativa e judicial. (...) A matéria impugnada envolve erro sobre a base de cálculo imponível, aspectos formais, ilegalidades, nulidades, desconhecimento dos custos do setor cooperativista de eletrificação rural e jurisprudência do STJ sobre não incidência do PIS/Cofins no ato cooperativo firmado em 2005. O MS 99.00.098501 versa sobre: impossibilidade de uma medida provisória instituir ou alterar tributos; necessidade de lei complementar para alterar a LC 90/71 para tributar ato cooperativo; superioridade hierárquica da lei complementar; ilegalidade da alíquota de 3% da Cofins e ampliação da base da Cofins – receita bruta e faturamento. (...) Ao analisar as razões jurídicas apresentadas na peça recursal administrativa e cotejar com as fundamentações jurídicas do MS nº 99.00.098501, fico convencido que toda a discussão que envolve receitas tributáveis foram levadas ao clivo do Poder Judiciário. Portanto, não resta dúvida da identidade entre as demandas administrativa e judicial no que diz respeito a composição das receitas que fizeram parte das bases de cálculo das exações. Chamo a atenção para o fato de que o próprio contribuinte, na parte final do arrazoado sobre concomitância, não solicita que seja afastada a concomitância quanto a análise das receitas tributáveis. Seu pedido cingese no afastamento da concomitância quanto ao aproveitamento dos custos do setor elétrico cooperativista repassados ao associado, conforme texto reproduzido abaixo, in verbis: Requer que “sejam reconhecidos os custos do setor elétrico cooperativista, contemplados na legislação tributária da Receita Federal, repassados ao associado como causa de exclusão na base imponível do Pis e da Cofins, (...). Estamos nos referindo a especificidade de normativo do setor elétrico. Se a legislação, em geral, não contempla as despesas administrativas ou financeiras como custos (exclusão da base imponível), não está a dizer que não contemple as “especificidades de setores” como é o caso do setor elétrico cooperativista, que as classifica como custos do setor, o que noutro setor pode ser despesas Na realidade, não precisaria fazer este pedido, pois a própria DRJ entendeu que essa matéria não foi levantada na esfera judicial. Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 302 8 Conforme podese notar, o recorrente optou discutir o tema “receitas tributáveis” na via judicial, o que leva a renúncia ao direito de discutir a mesma matéria na via administrativa. Nestes casos, quando o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Sabemos que o objetivo de determinar a renúncia administrativa nestes casos é para respeitar o modelo da jurisdição una, que rege o ordenamento jurídico pátrio. Processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, podem resultar em efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota, como já mencionado, o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Portanto, reformo a decisão da primeira instância, incluindo como concomitante toda a matéria referente à receita tributável, pela identidade de causa de pedir e pedido entre as demandas administrativa e judicial. Custos a serem deduzidos da Base de Cálculo Na mesma linha da DRJ, entendo que a análise dos custos que podem ser deduzidos base de cálculo não fez parte da demanda judicial, restando afastada a concomitância. A recorrente se insurge contra a não exclusão da base de cálculo da contribuição apurada das despesas administrativas e financeiras. Afirma que a exclusão dos valores está condicionada ao repasse dos custos aos associados. A solução da lide passa necessariamente pela evolução legislativa das regras que regem as cooperativas. Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 303 9 Sobre esse assunto, o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis foi relator do Acórdão nº 34010680, que é uma verdadeira aula sobre cooperativa. Na ocasião, participava do colegiado e, depois de uma discussão calorosa, votei com o relator, de forma que retrata meu entendimento sobre o tema, fato que me permite utilizar o voto como razão de decidir. O período em litígio nesta instância recursal, referente a períodos de apuração posteriores a outubro de 1999 (os dois Autos de Infração são relativos aos fatos geradores de 01/01/2001 a 31/12/2003), encontrase sob a égide da MP 1.858 6, de 29/06/99, reeditada até a edição sob o n° 2.15835, de 24/08/2001. A MP nº 1.8586 e suas reedições trouxe uma série de alterações na legislação do PIS e Cofins das sociedades cooperativas, a culminarem com a revogação da isenção de forma ampla para o ato cooperativo e a instituição de uma tributação incidente sobre uma base de cálculo reduzida, com diversas exclusões específicas. As modificações, veiculadas pelas medidas provisórias adiante, aconteceram como segue: MP n° 1.8586, de 29/06/99, que no seu art. 23, I, revogou, a partir de 28/09/99, o inc. II do art. 2° da Lei n° 9.715/98 — segundo o qual as "entidades sem fins lucrativos definidas como empregadoras pela legislação trabalhista e as fundações", contribuíam com o PIS sobre a folha de salários , e no inciso II, "a", do mesmo artigo, revogou, a partir de 30/06/99, o inciso I da Lei Complementar n° 70/91, referente à isenção da COFINS. Esclareço que as cooperativas vinham contribuindo com o PIS sobre a folha de salários com base na LC n° 7/70, art. 3°, § 4°, Resolução do Conselho Monetário Nacional n° 174/71, art. 4°, § 6°, e ADN Cosit n° 14/85; MP n° 1.8587, de 29/07/99, que no seu art. 15 introduziu a sistemática de exclusões na base da COFINS (não há menção ao PIS), e no art. 16 possibilitou, com relação ao PIS e às receitas de não associados, exclusões idênticas às da COFINS. Antes, a Lei n° 9.715/98, oriunda da MP n° 1.212, de 28/11/95, com eficácia a partir de março de 1996, no seu art. 2°, § 1°, já determinara que as cooperativas, além da contribuição sobre a folha de pagamento mensal, contribuíam, também, com o PIS Faturamento, em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados; MP n° 1.8588, de 27/08/99, que apenas repetiu as disposições da MP n° 1.858. 6; MP n° 1.8589, de 24/09/99, que no seu art. 15 passou a mencionar também o PIS/Pasep, acrescentou novas exclusões na base da COFINS e do PIS Faturamento, referindose desta feita às operações com cooperados, e manteve o PIS sobre a folha de salários na hipótese das cooperativas efetuarem tais exclusões (§ 2°, I, do art. 15). Assim, cumulativamente com o PIS Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 304 10 Faturamento incidente sobre a base de cálculo reduzida, as cooperativas continuaram a pagar o PIS sobre a folha. Somente na hipótese de não haver exclusão específica, é que inexiste contribuição para o PIS sobre a folha. As disposições da MP n° 1.85810, de 26/10/99, foram mantidas nas reedições posteriores, até, afinal, a MP n° 2.15835, de 24/08/2001, que continua em vigor com eficácia de lei, consoante o art. 2° da Emenda Constitucional n° 32/2001. Conforme o art. 15 da MP n°2.15835/2001, as exclusões são as seguintes: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. Além das exclusões acima, a IN SRF n° 145, de 10/12/99, consolidando a legislação à época, mencionava no seu art. 3° as exclusões previstas para as demais pessoas jurídicas, constantes dos incisos I, II e III do art. 3° da Lei n° 9.718/98, bem como as "Sobras Líquidas" apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, após a destinação para constituição da Reserva de Assistência Técnica, Educacional e Social (RATES) e para o Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (FATES). As sobras, quando excluídas após a destinação aos fundos RATES e FATES, implicavam em incidência do PIS e COFINS sobre os valores desses fundos. Daí a correção levada a cabo pelo Decreto n° 4.524, de 17/12/2002 (Regulamento do PIS/Pasep e COFINS), que no seu art. 32, VI, já previa a exclusão do valor das sobras antes de deduzidos os montantes das reservas obrigatórias. A Lei n° 10.676, de 22/05/2003, conversão da MP n° 101, de 30/12/2002, eliminou qualquer dúvida, repetindo o texto do Decreto. Além do mais, a Lei n° 10.276/2003, no seu art. 1°, § 3°, deixou expresso que a nova exclusão alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da MP n° 1.85810, de 26/10/99, ou, vale dizer, desde novembro de 1999. Observese a redação da Lei n° 10.676/2003: Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 305 11 Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. §1º As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. §2º Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. §3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.858 10, de 26 de outubro de 1999. Outra exclusão tardia diz respeito às sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural, que podem reduzir da base de cálculo das duas Contribuições "os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados." Tal permissivo foi introduzido pelo art. 17 da Lei n° 10.684, de 30/05/2003, que de todo modo também prevê em seu parágrafo único aplicação retroativa a partir de novembro de 1999. Feita a retrospectiva das alterações, cabe agora mencionar o Ato Declaratório SRF n° 88, de 17/11/99, segundo o qual "as contribuições para o PIS/Pasep e para financiamento da seguridade social — Cofins, devidas pelas sociedades cooperativas, serão apuradas de conformidade com o disposto na Medida Provisória n° 1.8587, de 29 de julho de 1999, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir do mês de novembro de 1999." A eficácia a partir do mês de novembro de 1999 atende à anterioridade nonagesimal determinada pelo art. 195, § 6°, da Constituição, se contado o prazo a partir da MP n° 1.8587, de 29/07/99. Como referida anterioridade precisa ser obedecida, andou bem o AD SRF n° 88/99, em estabelecer como verdadeiro ponto de corte para início das alterações o período de apuração de novembro de 1999. Afinal, redução ou fim de isenção implica em aumento de tributo, para o que se pede o interstício mínimo de noventa dias entre a data da lei nova e o início de eficácia, no caso das contribuições para a seguridade social como o PIS e a COFINS, tudo conforme o dispositivo constitucional mencionado. Agora digo eu. Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 306 12 Como já mencionado, com o advento da Lei 10.684/03, as cooperativas de eletrificação rural puderam excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores dos serviços prestados a seus associados, tudo conforme disposto no art. 17 que transcrevemos: Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1° da Medida Provisória nº 101, de 30 de dezembro de 2002 as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único, O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999. A Instrução Normativa n° 247/02, com a redação dada pela Instrução Normativa 358/03 ao dispor sobre a contribuição para o PIS e a COFINS das empresas em geral assim dispôs: Art. 33. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor: (...) § 8º As sociedades cooperativas de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo, os valores: (Incluído pela IN SRF nº 358, de 09/09/2003) I das sobras e dos fundos de que trata o inciso VI do caput; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II dos custos dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. (Incluído pela IN SRF nº 358, de 09/09/2003) § 9° Considerase custo agregado ao produto agropecuário os dispêndios pagos ou incorridos com matériaprima mãode obra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. (incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) § 10. Os custos dos serviços prestados pela cooperativa de eletrificação rural abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, quando repassados aos associados. (Incluído pela IN SRF nº 358, de 09/09/2003) Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11516.003529/200695 Acórdão n.º 3402001.739 S3C4T2 Fl. 307 13 § 11. A exclusão permitida às demais sociedades cooperativas limitase aos valores destinados a formação dos fundos previstos no inciso VI do caput. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) § 12. O disposto nos §§ 7°, 8° e II aplicase a fatos geradores ocorridos a partir de 1° de novembro de 1999. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Conforme se verifica da leitura dos dispositivos legais acima transcritos poderão ser excluídos da base de cálculo os custos com serviços prestados pela cooperativa de eletrificação rural aos seus associados. Contudo, não são todos os serviços considerados passíveis de exclusão, apenas os previstos na lista fechada contida no § 10, a saber: gastos de geração, transmissão, manutenção e distribuição. Voltando aos autos, o recorrente busca a exclusão das despesas administrativas e financeiras da base de cálculo das exações. Infelizmente, sua pretensão não encontra amparo legal, pois essas despesas não foram contempladas pela legislação. Forte nestes argumentos, nego a possibilidade de exclusão das despesas administrativas e financeiras da base de cálculo das exações. Ex positis, não conheço da matéria referente ao afastamento da multa de ofício e dos juros de mora, pois foram trazidas aos autos nessa fase processual, caracterizando a preclusão consumativa. Na parte conhecida, declaro a concomitância da matéria referente às receitas tributáveis pelo PIS e pela Cofins e nego a exclusão das despesas financeiras e administrativas das bases de cálculo das exações. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012.24 de abril de 2012 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 8/11/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 35331.000035/2005-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/2004
NORMAS GERAIS. AUTUAÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. FUNDAMENTAÇÃO. OBJETO. AUSÊNCIA.
O lançamento consiste no procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.
No presente caso, apesar da busca de informações sobre os fatos motivadores da autuação, junto à fiscalização, não restou comprovada, de forma clara e, muito menos, precisa, os fundamentos que motivam a revisão do lançamento, razão do provimento do recurso.
Numero da decisão: 2301-004.247
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Sustentação oral: Guilherme Bonfim Mario. OAB: 96.912/RJ.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA
Presidente - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO e eu, LUIZ TREZZI NETO.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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AUTUAÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. FUNDAMENTAÇÃO. OBJETO. AUSÊNCIA. O lançamento consiste no procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. No presente caso, apesar da busca de informações sobre os fatos motivadores da autuação, junto à fiscalização, não restou comprovada, de forma clara e, muito menos, precisa, os fundamentos que motivam a revisão do lançamento, razão do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Guilherme Bonfim Mario. OAB: 96.912/RJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 33 1. 00 00 35 /2 00 5- 02 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO e eu, LUIZ TREZZI NETO. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35331.000035/200502 Acórdão n.º 2301004.247 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância, fls. 0238, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, nos seguintes termos: “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Incidentes sobre remunerações pagas aos segurados empregados. LANÇAMENTO PROCEDENTE” Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 0213, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo foram obtidos nas folhas de pagamentos de empregados e em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), documentos elaborados e apresentados pela empresa à fiscalização. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Em 23/12/2004, fls. 0217, foi dada ciência à recorrente do lançamento. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0219, acompanhada de anexos, alegando, em síntese, que há vícios nos trâmites do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), motivo da nulidade do lançamento. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0244, acompanhado de anexos, onde reitera seus argumentos e questiona os efeitos da decadência sobre o crédito tributário em questão. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Preliminarmente, devemos analisar a questão sobre a decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35331.000035/200502 Acórdão n.º 2301004.247 S2C3T1 Fl. 4 5 No período do lançamento foram considerados recolhimentos a homologar, conforme informações prestadas pelo próprio Fisco, fls. 040 e 0211. O lançamento por homologação implica pagamento pelo sujeito passivo antes de qualquer atividade ou notificação por parte da fazenda (pagamento antecipado). Feito esse pagamento, compete à Administração homologálo ou recusar a homologação. No caso de recusa da homologação, o Fisco deverá lançar, de ofício, como no presente processo, a diferença correspondente ao tributo que deixou de ser pago antecipadamente e os juros e penalidades cabíveis. Esse lançamento de ofício está expressamente determinado no Código Tributário Nacional (CTN): CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I. quando a lei assim o determine; Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Existe a possibilidade da Fazenda não se manifestar prontamente quanto ao pagamento efetuado antecipadamente pelo sujeito passivo. Este, evidentemente, não poderia permanecer indefinidamente à mercê da potencial manifestação do Fisco. Por isso, o CTN estabelece que, salvo prazo diverso previsto em lei, considerase feita a homologação e definitivamente extinto o crédito em cinco anos, contados do fato gerador. Esta extinção do crédito pela inércia da fazenda é denominada homologação tácita e sua principal conseqüência é impossibilitar a fazenda de rever de ofício o pagamento feito pelo sujeito passivo. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado Fl. 372DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Essa definição, sobre a aplicação da regara decadencial acima, possui amparo em decisões do Poder Judiciário. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Vemos, portanto, que, no caso do lançamento por homologação, não ocorre exatamente decadência do direito de realizar essa modalidade de lançamento. O que ocorre é a extinção definitiva do crédito pelo instituto da homologação tácita a qual tem como conseqüência indireta a extinção do direito de rever de ofício o lançamento. Em síntese, a homologação tácita acarreta a decadência do direito da Fazenda realizar o lançamento de ofício relativo à diferença de eventual tributo que tenha deixado de ser pago e aos acréscimos legais a essa diferença. No presente processo, há apuração de contribuições no período compreendido entre as competências 04/1999 a 06/2004, e o lançamento foi efetuado em 12/2004. Portanto, devem ser excluídas do lançamento as contribuições apuradas até a competência 12/1999, anteriores a 01/2000, pois os recolhimentos que ocorreram nessas competências já estão homologados, segundo a legislação citada acima. Por todo o exposto, acato, parcialmente, a preliminar, para, devido a regra decadencial aplicada, excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 12/1999, anteriores a 01/2000, na forma do voto. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35331.000035/200502 Acórdão n.º 2301004.247 S2C3T1 Fl. 5 7 REFISCALIZAÇÃO Ainda em sede de preliminar, na análise de processo conexo e apenso, 35331.001058/200526, verificamos que a ação no sujeito passivo ocorreu por refiscalização. A fim de analisar a questão e respondêla, verificamos a documentação sobre o assunto. No RF, fls. 0213, não há informação alguma sobre a questão. Já nos Mandados de Procedimentos Fiscais (MPF), fls. 0195 em diante, há informação de que “a ação de revisão encontrase prevista no artigo 149, IX, da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional).” CTN: “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ... IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial.” Já pé pacífico em nossas decisões que os lançamentos com base no IX, Art. 149, CTN devem ser motivados, a fim de se respeitar o devido processo legal e dar fundamento ao lançamento. “NORMAS PROCEDIMENTAIS. REFISCALIZAÇÃO. ARTIGO 149 CTN. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO DOS FATOS ENSEJADORES DA REVISÃO DE LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA NOTIFICAÇÃO. A revisão de lançamento fiscal somente poderá ser levada a efeito quando devidamente enquadrada no artigo 149, e incisos, do CTN, impondo, ainda, ao fiscal autuante a devida comprovação da ocorrência de uma ou mais hipóteses permissivas constantes daquele dispositivo legal, em observância à segurança jurídica dos atos administrativos, bem como à ampla defesa e contraditório do contribuinte, sob pena de improcedência da autuação. O reexame de mesmo fato gerador, já devidamente contemplado por fiscalização anterior, em relação ao mesmo período, com a conseqüente constituição de crédito tributário exigindo diferenças de tributos não apurados na ação fiscal primitiva, representa por si só revisão de lançamento, independentemente da opção das formas/tipos de procedimentos adotados nas duas oportunidades. (Acórdão Fl. 374DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 2401001.569 – Relatora: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA) Este colegiado também já analisou essa questão, posicionandose de forma idêntica: “REFISCALIZAÇÃO. NECESSIDADE DE APONTAR OS PRESSUPOSTOS FÁTICOS E JURÍDICOS EXIGIDOS PELO ART. 149 DO CTN. A revisão de lançamento fiscal somente poderá ser levada a efeito quando devidamente enquadrada no artigo 149, e incisos, do CTN, impo ndo, ainda, ao fiscal autuante a devida comprovação da ocorrência de uma ou mais hipóteses permissivas constantes daquele dispositivo legal, em o bservância à segurança jurídica dos atos administrativos, bem como à ampla defesa e contraditório do contribuinte, sob pena de improcedência da aut uação. Acórdão: 2301004.213 – Relator: MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR. Portanto, por estar provado, pela informação produzida pelo Fisco no MPF, que se tratou de refiscalização e pelo procedimento não estar motivado, com a subsunção do fato à norma, o lançamento é improcedente. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, conheço do recurso e voto por seu provimento, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 375DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13826.000250/00-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1993 a 30/09/1995
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO DECLARADA EM DCTF. REVISÃO DE OFÍCIO. NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
Incabível recurso voluntário em processo de revisão de ofício de compensação realizada por DCTF.
Numero da decisão: 3401-002.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Cláudio Monroe Massetti (Suplente) e Bernardo Leite Queiroz Lima.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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CONSTRUTORA LTDA Recorrida DRJRIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1993 a 30/09/1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO DECLARADA EM DCTF. REVISÃO DE OFÍCIO. NÃO RECONHECIDO O DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Incabível recurso voluntário em processo de revisão de ofício de compensação realizada por DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Cláudio Monroe Massetti (Suplente) e Bernardo Leite Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 02 50 /0 0- 70 Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de Representação (fl.03) na qual se constatou a utilização de créditos oriundos da Ação Declaratório no 94.00146485 para compensar débitos do PIS, da COFINS e da CSSL, correspondentes aos períodos entre 07/93 e 09/95 . Na Representação (fl.03), a Agência da Receita Federal em Assis, Marília SP, informou que, efetuados os cálculos, constatouse que os créditos da contribuinte eram suficientes para efetuar a compensação. Desse modo, suspendeu os débitos correspondentes ao PIS dos períodos de 07/93 a 09/95. Não obstante, o processo foi encaminhado para o Grupo de Medidas Judiciais – GRUMJ em MaríliaSP, para verificar se os créditos foram apurados conforme decisão judicial, a qual transitou em julgado em 31/08/2001. O GRUMJ apurou que, apesar da decisão judicial, inexistem créditos favoráveis à contribuinte, isto porque, no período dos fatos geradores de dezembro de 1989 a julho de 1993 (período que foi discutido judicialmente), a contribuinte recolheu alguns períodos a maior. No entanto, recolheu outros a menor, calculandose os recolhimentos a maior e os recolhimentos a menor, o saldo da contribuinte fica negativo, gerando crédito tributário a ser pago (fls.357/359). Com essa constatação, em 28/10/2004, a contribuinte foi intimada a recolher os valores apurados entre julho de 1993 a dezembro de 1998 (fls.360/361). A DRJ em Ribeirão Preto/SP manteve a cobrança e negativa de homologação da compensação (fls.1.334/1.341). A contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls.1.388/1.459). O processo foi apreciado pela primeira vez por este Conselho em novembro de 2009 (fls.1.473/1.476), ocasião na qual o julgamento foi convertido em diligência do seguinte modo: “Diante do acima exposto, há dúvida concernente à declaração em DCTF dos valores exigidos no despacho decisório e quanto à forma de contribuição da recorrente. Logo, fazse necessária a realização de perícia para verificar o seguinte: a) informar se os créditos tributários do PIS e Cofins exigidos nos termos dos despachos de fls. 353/355 e intimação de fl. 356 estão todos em DCTF e, em caso contrário, elaborar planilha informando quais constam de DCTF e quais não constam; b) analisar receitas da empresa e informar se, à luz da LC nº 7/70, deve contribuir com o PIS Repique ou o PIS Faturamento, justificando o entendimento; e c) caso definido que a Contribuição deve ser exigida sob a modalidade PIS Faturamento, recalcular os valores devidos aplicando a semestralidade e confrontálos com os recolhimentos, elaborando demonstrativo com o saldo devedor ou credor; e d) caso definido que a Contribuição deve ser exigida sob a modalidade PIS Repique, apurar os valores devidos e confrontá Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13826.000250/0070 Acórdão n.º 3401002.828 S3C4T1 Fl. 1.548 3 los com os recolhimentos, elaborando demonstrativo com o saldo devedor ou credor. Após a conclusão da diligência, devese dar vista à recorrente, a fim de que a mesma se pronuncie a respeito do resultado, e, em seguida, os autos devem ser encaminhados ao relator”. A resposta à diligência foi dividida em duas informações fiscais, uma de fl. 1.519/1.520 e a outra de fl. 1.542/1.544. A Contribuinte foi intimada do resultado da diligência (fl. 1.545), mas não se manifestou. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça Na primeira análise, o recurso voluntário foi conhecido, mas, ao analisar melhor o processo, chegase a conclusão de que, no presente caso, é incabível a via recursal. O processo em tela caso não trata de pedido de ressarcimento e compensação, mas sim de compensação efetuada por DCTF, conforme esclarecido na fl. 03 e confirmado pela Recorrente na fl. 1.392. Não obstante, a legislação prevê manifestação de inconformidade e consequente recurso voluntário apenas para os casos de apresentação de PER/DCOMP, nos termos disposto do art. 74, da Lei nº 9.430/96, e seus parágrafos. No caso em tela, não é cabível sequer a manifestação de inconformidade, julgada indevidamente, muito menos o recurso voluntário. Desse modo, não deve ser conhecido o recurso em questão. Ex positis, não conheço o recurso voluntário interposto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /01/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 10970.720285/2011-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/01/2010
FOLHA DE PAGAMENTO.
A empresa é obrigada a preparar folhas de pagamento para todos os segurados que lhe prestam serviços.
DEIXAR DE DESCONTAR A CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
A empresa é obrigada a descontar da remuneração a contribuição previdenciária relativa aos segurados empregados e contribuintes individuais.
EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Apresentar documentos e livros relacionados com a previdência social é obrigação que afeta a todos os contribuintes da previdência social. Por isto, configura infração ao artigo 33, §§ 2 e 3, da Lei 8.212/91, deixar a empresa de exibir à Auditoria-Fiscal da Receita Federal do Brasil tais livros e documentos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-004.301
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão da multa aplicada através do AIOA DEBCAD nº 51.006.135-4, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que negou provimento.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 19/01/2010 FOLHA DE PAGAMENTO. A empresa é obrigada a preparar folhas de pagamento para todos os segurados que lhe prestam serviços. DEIXAR DE DESCONTAR A CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa é obrigada a descontar da remuneração a contribuição previdenciária relativa aos segurados empregados e contribuintes individuais. EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Apresentar documentos e livros relacionados com a previdência social é obrigação que afeta a todos os contribuintes da previdência social. Por isto, configura infração ao artigo 33, §§ 2 e 3, da Lei 8.212/91, deixar a empresa de exibir à Auditoria-Fiscal da Receita Federal do Brasil tais livros e documentos. Recurso Voluntário Provido em Parte
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A empresa é obrigada a preparar folhas de pagamento para todos os segurados que lhe prestam serviços. DEIXAR DE DESCONTAR A CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa é obrigada a descontar da remuneração a contribuição previdenciária relativa aos segurados empregados e contribuintes individuais. EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Apresentar documentos e livros relacionados com a previdência social é obrigação que afeta a todos os contribuintes da previdência social. Por isto, configura infração ao artigo 33, §§ 2 e 3, da Lei 8.212/91, deixar a empresa de exibir à AuditoriaFiscal da Receita Federal do Brasil tais livros e documentos. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 02 85 /2 01 1- 46 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão da multa aplicada através do AIOA DEBCAD nº 51.006.1354, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que negou provimento. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.720285/201146 Acórdão n.º 2402004.301 S2C4T2 Fl. 139 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 19/01/2010 em razão da omissão nas folhas de pagamento de rubricas salariais pagas a segurados contribuintes individuais, constatados através de escrituração contábil. Segue transcrição da decisão recorrida: DEBCAD 51.006.1354; 51.006.1362; 51.006.1370; 51.006.1389; BIS IN IDEM. Inexiste “bis in idem” quando há lavratura de autos de infração decorrentes de condutas diversas. INFRAÇÃO. ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO OU INCORREÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária, deixar de apresentar a empresa arquivos e sistemas das informações em meio digital relativos aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal no leiaute exigido. INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. ELABORAÇÃO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos. INFRAÇÃO. DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS. A empresa que deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições para a Seguridade Social incide em infração a legislação previdenciária. INFRAÇÃO. FALTA DE DESCONTO NA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Constitui infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, a contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. ... AIOA DEBCAD nº 51.006.1354 lavrado em 17/10/2011, por descumprimento de obrigação acessória, no Código de Fundamento Legal –CFL 21 prevista nos §§ 3º e 4º do artigo 11, da Lei nº 8.218, de 29/08/1991, com a redação dada pela MP nº 2.15835, de 24/08/2001, em face da apresentação de Fl. 140DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 informações em meio digital em desacordo com as normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) Foram detectadas as seguintes irregularidades: As informações relativas a folha de pagamento contemplaram apenas o estabelecimento matriz; Os arquivos digitais relativos à folha de pagamento, no período de 07/2007 a 12/2008, para os quais foram apresentados os Livros Diários, não contemplaram o Bloco K 200, que se refere à contabilização da folha de pagamento, A multa fixada em R$17.652,34, foi calculada de acordo com o art. 12, inciso I e parágrafo único, da Lei n° 8.218, de 29/08/1991e correspondeu a 0,5% (meio por cento) do valor da receita bruta do anocalendário em que as operações foram realizadas, no caso de 2007 e 2008 conforme informado nas Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, AIOA DEBCAD nº 51.006.1362 lavrado em 17/10/2011, por descumprimento de obrigação acessória, no Código de Fundamento Legal – CFL 30, por infração ao disposto no art. 32, I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 225, I, § 9º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº.3.048/1999, em razão de a empresa ter deixado de preparar folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos, pois deixou de informar em folhas de pagamento os contribuintes individuais e os segurados considerados como empregados relacionados no ANEXO I. Acrescenta o auditorfiscal que a multa foi fixada em R$1.524,43 conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/7/91, art. 92 e 102 e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6/5/99, art. 283, inciso I, alínea "a" e art. 373, e foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF N° 407, de 14 de julho de 2011. AIOA DEBCAD nº 51.006.1370 lavrado em 17/10/2011, por descumprimento de obrigação acessória, no Código de Fundamento Legal – CFL 38, por infringência ao disposto no art. 33, parágrafos 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, com nova redação da Lei nº11.941/2009, combinado com o art. 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, pois a empresa deixou de exibir os seguintes documentos: Livro ou Ficha de registro de empregado das filiais; b) Folha de pagamento das filiais c) Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) emitido pelo estabelecimento 01.655.373/000325 relativo ao período de 1/1/2007 a 31/12/2007; d) A via do CTRC destinado à empresa, com as informações relativas ao veículo utilizado e ao motorista e) Livros Diário e Razão para o período de 01 a 06/2007. AIOA DEBCAD nº 51.006.1389 lavrado em 17/10/2011, por descumprimento de obrigação acessória, no Código de Fundamento Legal – CFL 59, por infração ao disposto no art. 30, I, “a” da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e art. 4º da Lei 10.666/2003 combinado com art. 216, inciso I “a”, do Fl. 141DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.720285/201146 Acórdão n.º 2402004.301 S2C4T2 Fl. 140 5 Regulamento da Previdência Social –RPS aprovado pelo Decreto 3.048/1999, pois a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, incidentes sobre os valores pagos em folha de pagamento nas rubricas ABONO SALARIAL, PLANO DE SAÚDE e AUXILIO ALIMENTAÇÃO e dos valores pagos a segurados contribuintes individuais. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Como preliminar alega nulidade do lançamento em razão de falha na descrição do fato justificante da autuação, pois entende que na forma apresentada, a descrição dos dispositivos legais que norteiam o lançamento não permitiu conhecer com clareza os fatos imputados. No mérito, aduz que existe “Bis in Idem na Imposição das Obrigações Acessórias” porque a fiscalização exige, por meio de quatro Autos de Infração reunidos no mesmo processo administrativo tributário , com flagrante confusão fática entre os lavrados sob nº 51.006.1354 (CFL21) e 51.006.1370 (CFL 38), “tratandose, na realidade, de fatos que são causa e efeito um do outro, e por isso não poderiam representar duas atuações diferentes”. Argumenta que “a prática da conduta descrita no AI DEBCAD 51.006.1354, de entrega de documentos digitais em desacordo com o estipulado na legislação previdenciária, só pode conduzir a uma conclusão: a de que estes documentos, que são relacionados às contribuições da Lei 8.212/91, não atendeu às formalidades legais exigidas e, por isso, conteve informação diversa da realidade.(o que está descrito como infração ao AI DEBCAD 51.006.1370)”. Sobre o AI 51.006.1362 (CFL 30), diz que o fato de ter supostamente deixado de preparar a folha de pagamento nos moldes exigidos pela legislação previdenciária também pode ser considerado documento que não atendeu à formalidade legal exigida, e por isso que conteve informação diversa da realidade, infração imputada no AI 51.006.1370 (CFL 38). Entende a impugnante que os fatos são conseqüência um do outro, e isto configura em bis in idem, situação notoriamente rechaçada pelo ordenamento jurídico. No que tange o AI 51.006.1389 (CFL 59) assevera que houve imposição de penalidade sobre fato lícito, pois a imputação diz respeito à empresa ter deixado de descontar e arrecadar contribuição previdenciária dos empregados a seu serviço, incidentes sobre abono salarial, plano de saúde e auxílio alimentação, verbas que nos moldes do processo de cobrança da contribuição principal (AI 37.349.126) entende a impugnante não estarem sujeitas à incidência de contribuição previdenciária, portanto, “se não sofrem o pagamento de abono salarial eventual,plano de saúde e auxilio alimentação a Fl. 142DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 imposição de contribuição previdenciária, por conseguinte não há, também, retenções a serem efetuadas de pagamentos destas verbas”. Diz ter havido, também, confusão da fiscalização ao afirmar que foi atendida pelo Sr. Maxwell Ladir Vieira, dando a entender que o referido senhor representava a empresa, pois o referido senhor é, no caso, advogado da empresa com cláusula “ad judicia” e foi apenas o causídico que analisou o aspecto jurídico da fiscalização e que manteve, em alguns momentos, contato com a auditorafiscal que lavrou os autos de infração impugnados, a pedido da Defendente, em face de ele ter mais preparo técnico para entender as imputações que eram realizadas pela Fiscalização. É o Relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.720285/201146 Acórdão n.º 2402004.301 S2C4T2 Fl. 141 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Preliminares O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 144DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à alegação de “bis in idem” sobre os mesmos fatos, cada uma das quatro autuações têm objetos distintos correspondentes às respectivas hipóteses legais. Quando se deixa de incluir parcelas remuneratórias em folhas de pagamento caracteriza uma omissão de fato gerador no documento que se presta como base para as verificações da fiscalização, o que dificulta o procedimento de auditoria. Quando não se preparam os arquivos digitais também dificultase uma verificação dos fatos geradores mais automatizada, já que dispensa a tarefa de digitação individualizada de cada valor. Todas as obrigações acessórias promovem uma praticidade administrativa para a fiscalização e no caso de descumprimento a norma jurídica imputa uma penalidade correspondente a natureza da obrigação e sua gravidade. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.720285/201146 Acórdão n.º 2402004.301 S2C4T2 Fl. 142 9 No mérito AIOA DEBCAD nº 51.006.1354 Apresentação de informações em meio digital em desacordo com as normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) No caso, a recorrente, embora utilize sistema de processamento de dados, como demonstrado em sua escrituração contábil, não disponibilizou à fiscalização a integralidade de seus registros digitais, não preparou arquivos digitais relativos à folha de pagamento no período de 07/2007 a 12/2008, contrariando o disposto no artigo 33, parágrafos 2º e 3º da Lei nº 8.212/91, combinado com o Artigo 225, §22 do regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: Art. 225 (...) §22. A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003). No caso, a multa foi calculada de acordo com o art. 12, inciso I e parágrafo único da Lei n° 8.218, de 29/08/1991; no entanto, entendo não ser essa a regra aplicável à época às contribuições previdenciárias que possuíam norma específica para esse tipo de infração, transcrita acima. Como se vê, a Lei nº 8.218/91 editada anteriormente à criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil tem por objeto tributos que adotam como base de cálculo a receita bruta, daí também ter sido esse o critério para a fixação da multa: Lei nº 8.218/91, de 29/08/91 Art.11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Assim, para as contribuições previdenciárias, a falta de apresentação de arquivos digitais implica a imposição de multa com fundamento no artigo 33, parágrafos 2º e 3º da Lei nº 8.212/91. Dessa forma, a falta cometida corresponde aos fatos descritos no AIOA DEBCAD nº 51.006.1370 e, portanto, a multa tal como aplicada para o AIOA DEBCAD nº 51.006.1354 é improcedente. AIOA DEBCAD nº 51.006.1362 Deixar de preparar folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos A fiscalização autuou a recorrente pela falta de inclusão em folha de pagamento de segurados empregados e contribuintes individuais, todos identificados e relacionados no anexo do relatório fiscal. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Apesar da minuciosa descrição dos fatos e fundamentação, a recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento para a desconstituição do crédito constituído, mas apenas alegações desprovidas de provas, e em sua maioria relacionadas a aspectos formais ou procedimentais. Entendo assim que o crédito não merece reforma. AIOA DEBCAD nº 51.006.1370 Deixar de exibir livros e documentos Quanto à infração ficou suficientemente demonstrado nos autos do processo que a recorrente deixou de exibir os documentos solicitados através de intimação e não trouxe qualquer contraprova que afastasse a infração cometida, limitandose a contestar em tese a cobrança da multa. Entendo assim que o crédito não merece reforma. AIOA DEBCAD nº 51.006.1389 Deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados a seu serviço A escrituração contábil, até prova em contrário, evidencia a realidade dos fatos. O relatório fiscal do lançamento apresenta a conta contábil e os segurados beneficiários dos pagamentos. Ressaltase que a recorrente não apresentou quaisquer provas no sentido de afastar seu vínculo com os segurados. Todos os pagamentos foram constatados em contas contábeis abertas com finalidade de escrituração das parcelas remuneratórias pagas ao contribuintes individuais. Também compõe o conjunto probatório pagamentos de ABONO SALARIAL, PLANO DE SAÚDE e AUXILIO ALIMENTAÇÃO. Apesar da possibilidade de discussão da natureza remuneratória ou não dessas parcelas, fato é que em relação aos valores pagos a segurados contribuintes individuais, como já examinado no AIOA DEBCAD nº 51.006.1362 a recorrente nada apresentou que demonstrasse a inexistência dos pagamentos, todos devidamente detalhados no lançamento. De fato, ficou suficientemente demonstrado nos autos do processo que a recorrente deixou de descontar a contribuição previdenciária dos contribuintes individuais a seu serviço e não trouxe qualquer contraprova que afastasse a infração cometida, limitandose a contestar em tese a cobrança da multa. Ainda que ainda esteja em tramitação o processo principal onde se discute a incidência das parcelas ABONO SALARIAL, PLANO DE SAÚDE e AUXILIO ALIMENTAÇÃO, a comprovação da falta de desconto da contribuição quando dos pagamentos a contribuintes individuais é suficiente para manter a autuação e a multa aplicada. Por tudo, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão da multa aplicada através do AIOA DEBCAD nº 51.006.1354. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 147DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.720285/201146 Acórdão n.º 2402004.301 S2C4T2 Fl. 143 11 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13710.001702/2002-16
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: null
null
Numero da decisão: 3802-003.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício material. Vencido o Conselheiro Bruno Macedo Curi que negava provimento ao recurso voluntário.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. OCORRÊNCIA DA FALTA DE CLAREZA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. O lançamento deve discriminar com clareza e precisão os motivos fáticos, sob pena de cerceamento de defesa e sua nulidade. Cancelase o lançamento por não se confirmar os fundamentos que deram origem ao mesmo. Assim sendo é nulo o lançamento, por vício material. Recurso a qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício material. Vencido o Conselheiro Bruno Macedo Curi que negava provimento ao recurso voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 17 02 /2 00 2- 16 Fl. 5076DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o PIS, abrangendo o período de apuração 04/97 (fls. 03/11), no valor de R$ 32.365,58, acrescido de multa de ofício de 75%, no valor de R$ 24.274,19, e juros de mora, calculados até 28/02/2002, no valor de R$ 31.546,73, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 88.186,50, em decorrência de auditoria interna efetuada pela DEFIS/RJ. Na Descrição dos Fatos (fls. 06/07), consta que a presente exigência originouse de auditoria interna nas DCTF apresentadas pelo sujeito passivo, tendo sido verificada a falta de recolhimento dos valores nelas informados, em razão de inexatidão, não tendo sido confirmada a inclusão do CNPJ do contribuinte no processo judicial vinculado ao débito do período de 04/1997. O enquadramento legal da presente autuação encontrase especificado às fls. 06. A base legal da multa de ofício e dos juros de mora exigidos consta às fls. 08. Não consta data de ciência na consulta ao SUCOP (fl. 49) e a empresa autuada apresentou a impugnação anexada às fls. 12/27, em 19 de abril de 2002, com as alegações abaixo resumidas. O auto de infração é nulo por falta de descrição da consideração do processo judicial nº 95.00145090 como não suficiente à comprovação do direito a compensação, impossibilitando, assim o enfrentamento da questão e a respectiva contrariedade. A impugnante impetrou Mandado de Segurança nº 95.00145090, pleiteando a declaração do direito de compensar parcelas indevidamente pagas ao PIS, com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88. A segurança foi denegada, em primeira instância, porém, em sede de Recurso Especial, o STJ assegurou à impetrante, matriz da ora impugnante, o direito de compensar os pagamentos indevidos de PIS com os débitos vencidos ou vincendos do próprio PIS. A impugnante ingressou com pedido de ressarcimento e de compensação (processo nº 10305.000374/9704) objetivando compensar seus créditos decorrentes de pagamentos indevidos a título da contribuição com os débitos do próprio PIS, com base nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. Informa que o processo administrativo nº 10305.000374/9704 está pendente de julgamento. Fl. 5077DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13710.001702/200216 Acórdão n.º 3802003.958 S3TE02 Fl. 5.077 3 No mérito, o lançamento não pode prosperar em razão da compensação efetuada pela autuada, uma vez que o artigo 66 da Lei nº 8.383/91 lhe atribui o direito subjetivo de compensar o que pagou indevidamente. Acrescenta que não é possível a imposição de multa em caso de sucessão por incorporação e que a multa aplicada tem efeito de confisco. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RJ 1 no 1249.173, de 28/08/2012, proferida pelos membros da 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro 1/RJ, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1997 a 30/04/1997 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando a contribuinte demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1997 a 30/04/1997 DCTF REVISÃO INTERNA COMPENSAÇÃO PROCESSO JUDICIAL DE OUTRO CNPJ O contribuinte do PIS é cada ente de uma empresa, matriz ou filial. Não figurando a filial como reclamante em ação judicial, o provimento obtido é inaplicável a esse contribuinte. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENÉFICA Em face do princípio da retroatividade benéfica, exonera se a multa de ofício no lançamento decorrente de compensação não comprovada, apurada em declaração prestada pelo sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. O julgamento foi no sentido de julgar procedente em parte, exonerando a multa de ofício no lançamento decorrente de compensação não comprovada. Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Fl. 5078DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Ressalta em sua defesa que é: nulo o presente lançamento fiscal, na medida em que não descreve ou explica o porquê da consideração do mencionado processo judicial como não comprovante do direito à compensação, impossibilitando, assim, o enfrentamento da questão e a respectiva contrariedade. Ora, é imperioso que a Autoridade Fazendária descreva detalhadamente todas as circunstâncias que envolveram a apuração da matéria tributável, demonstrando a base legal para desconsiderar o mencionado processo judicial. Através da Resolução de n° 3802000.220 de 19/08/2014, a Turma converteu o julgamento em diligência para anexação por cópia do processo 10305.000374/974, bem como da cópia da certidão de objeto e pé do processo judicial de n° 95.00145090, em referência. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Em sede de preliminar, antes de enfrentamento do mérito. O presente auto de infração em seu Anexo I Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados limita o lançamento fiscal a apontar tão somente que se trata de Comp. S/ DARF Reten org publPJU, refefenteao código 8109, identificando Número de Processo como sendo 9500145090. e afirmando ser Proc.jud de outro CNPJ (quadro OCORRÊNCIA). A recorrente alega que: .... Entretanto, consoante se verifica dos documentos ora juntados, a empresa PENA BRANCA MOAGEM E AVICULTURA, inscrita no CNPJ sob o n° 11.122.256/0009 45, contra a qual o presente lançamento fiscal foi lavrado, é filial da Impetrante do aludido processo judicial (Mandado de Segurança n° 95.00145090), o qual, por sua vez, foi julgado procedente, reconhecendose o direito de compensação dos valores recolhidos indevidamente à título de PIS, fato que é de conhecimento da Administração Fazendária, tendo em vista que a União Federal integrou aludida lide, no polo passivo, atuando até o presente momento, conforme adiante será esclarecido. Ademais, cumpre ressaltar que ingressou com Pedido de Ressarcimento mediante Compensação (Processo n° 10305.000374/9704), em seu nome (CNPJ n° 11.122.256/000945) e de sua matriz (CNPJ n° 11.122.256/000198), objetivando a compensação dos créditos decorrentes de contribuições ao PIS pagas indevidamente, conforme adiante restará demonstrado (doc. anexo). Fl. 5079DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13710.001702/200216 Acórdão n.º 3802003.958 S3TE02 Fl. 5.078 5 Sendo devido o PIS de acordo com a Lei Complementar n°7/70, especialmente com o parágrafo único do seu artigo 6o , a ora Impugnante, através de sua então Matriz (Pena Branca S.A Moagem e Avicultura), localizada em OlindaPE, impetrou Mandado de Segurança Processo n° 95.00145090, perante o MM. 6a Vara da Justiça Federal em RecifePE, visando garantir seu direito líquido e certo de promover a compensação dos pagamentos indevidos que efetuara. A Segurança foi denegada, em primeira instância, porém, tendo processado o feito em seus devido termos, em sede de Recurso Especial, o Eg. Superior Tribunal de Justiça, assegurou à Impetrante, matriz da ora Impugnante, o direito de compensar os pagamentos indevidos de PIS com os débitos vencidos ou vincendos do próprio PIS. (does. anexos). Ademais, ingressou com Pedido de Ressarcimento mediante Compensação (Processo n° 10305.000374/9704), objetivando compensar seus créditos decorrentes de pagamentos indevidos a título da contribuição ao PIS com os débitos do próprio PIS, e, com base nos artigos 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, procedeu a compensação com os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujo procedimento administrativo pende de julgamento junto à Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, conforme se depreende do "print" de andamento processual emitido pela própria Secretaria da Receita Federal (doe. anexo). .......... Em relação ao processo 10305.000374/974, foi decidido no antigo 2° Conselho de Contribuintes: Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para que o montante do crédito tributário seja apurado segundo o determinado pela Lei Complementar n2 7/70, ou seja, na alíquota de 0,75% aplicada sobre o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento. Fica, entretanto, resguardado o direito à Secretaria da Receita Federal no tocante à conferência quanto à certeza e liquidez de tais créditos, visando a competente homologação dos cálculos. Argumenta, ainda, a recorrente, que obteve provimento no processo judicial e a mesma protocolou o pedido de restituição/compensação de n° 10305.000374/974 e procedeu as compensações de PIS e Cofins. No entanto, a DRJ entendeu que o processo existe, porém, referese à compensação de débito de Cofins nos períodos de 09/1996, 10/1996, 11/1996 e 02/1997, não constando o débito objeto da presente autuação, portanto, não restando confirmada a compensação trazida. No entanto, resta prejudicada a análise dessas alegações, pois observase defeito de motivação no Auto de Infração. Foram juntadas as cópias solicitadas, ou seja, os processos administrativo e judicial. Verificase dos documentos ora juntados, a empresa PENA BRANCA MOAGEM E AVICULTURA, inscrita no CNPJ sob o n° 11.122.256/000945, contra a qual o Fl. 5080DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 presente lançamento fiscal foi lavrado, é filial da Impetrante do aludido processo judicial (Mandado de Segurança n° 95.00145090), o qual foi julgado procedente. Logo, comprovase que a recorrente consta como autora do mandado de segurança, daí, podese chegar a conclusão que a ocorrência que deu origem à presente autuação –processo judicial de outro CNPJ, não pode prosperar. Registrese que não se analisa a compensação em si, já que a motivação não foi vislumbrada no Auto de Infração. Em sendo assim, entendo que deve ser cancelado o respectivo Auto de Infração, por não se configurar a fundamentação fática que o originou. Presumese, com isso, que o auto de infração foi lavrado, tendo em vista, acreditar a fiscalização inexistência de ação judicial. No entanto, acontece que as peças processuais da ação judicial foram apresentadas pelo contribuinte, ou seja, o processo judicial existe e tem como autor a recorrente, tendo em vista o CNPJ ser da empresa incorporadora. A inexatidão anunciada pela fiscalização derivou da falta de confirmação no Profisc de todos os CNPJ das empresas (matriz, filial e incorporada). Em sendo assim, se a ação existia, a hipótese que dá motivação ao auto de infração não resta verificada. Como a autuação tomou como pressuposto de fato o processo judicial de outro CNPJ e o contribuinte demonstrou a existência da ação em seu nome, resta patente que o lançamento não tem suporte fático válido, pois o motivo que lhe deu causa na verdade não existe. Entendo que a fiscalização baseouse num suporte fático genérico e impreciso para dar suporte à autuação, ao invés de promover a apuração concreta da realidade do caso. E errou de fundamento, sendo então incabível que autoridade julgadora possa inovar, complementar na tentativa de salvar o auto de infração. A fiscalização deve demonstrar, com clareza e precisão, os motivos da lavratura da exigência tributária. O art. 50 da Lei 9.784/1999 estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato, bem como no seu §1°, exige motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999– Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1° A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Fl. 5081DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13710.001702/200216 Acórdão n.º 3802003.958 S3TE02 Fl. 5.079 7 Os requisitos acima são exigidos pela legislação para que se cumpra a determinação presente na Constituição Federal de observação à garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório. Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Logo, faltam requisitos para a validade da presente autuação, requisitos estes que são necessários para o exercício da ampla defesa e do contraditório da Recorrente. Logo, restou prejudicado o direito de defesa da Recorrente, pois foi lhe imputada autuação sem a descrição clara e precisa da motivação fática e jurídica. O vício material fica constatado no momento em que a fiscalização indica no anexo ao auto de infração, um motivo fático de forma inadequada com o pressuposto de direito, caracterizando uma motivação insuficiente, não observando o que reza o art. 142 do CTN. Por sua vez, o art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, aponta a nulidade dos atos manifestado pela fiscalização com preterição do direito de defesa da recorrente. Assim sendo, quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (dentre eles, a motivação fática), certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável à incidência da lei, ou à determinação da matéria tributável), importando na existência de vício material. Nessa mesma linha de entendimento, cabe destacar as ementas dos seguintes votos, que anulam o lançamento: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 AGRAVAMENTO DA EXIGÊNCIA INOVAÇÃO NOS FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO. As turmas de julgamento das delegacias de julgamento da Receita Federal do Brasil não têm competência para agravar a decisão inicial por meio da mudança dos fundamentos da autuação. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/1998 a 30/06/1998 Fl. 5082DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. DÉBITOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITOS JUDICIAIS. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. Cancelase a exigência fiscal, formulada sob o fundamento de que inexistiria processo judicial que justificasse a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, quando o sujeito passivo comprova que tal imputação é improcedente. Recurso provido. (Acórdão nº 380300014, Processo nº 10935.001555/200332, Rel. Cons. Alexandre Kern, 06/07/2009) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO. ERRO NA MOTIVAÇÃO DE SUA LAVRATURA. VÍCIO DE FORMA. CONFIGURAÇÃO. O lançamento, como espécie de ato administrativo, deve observar a regularidade de seus elementos constitutivos (sujeito, forma, objeto, motivo e finalidade), de tal maneira que os defeitos existentes na motivação de sua lavratura, quando não refletem a adequada razão de sua realização, configuram vício de forma por prejudicar o contraditório e a ampla defesa, impondo sua nulidade. (Acórdão 340300.269,Processo 10855.003221/200393, Rel. Cons. Robson José Bayerl, 18/03/2010) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de lançamento deve se revestirse de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo, por vício de forma, o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelos arts. 10 do Decreto nº 70.235/72 e 142 do CTN. Recurso provido. (Acórdão 210100.175, Processo 12045.000576/200714, Rel. Cons. Antonio Zomer, j. 04/06/2009) Fl. 5083DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13710.001702/200216 Acórdão n.º 3802003.958 S3TE02 Fl. 5.080 9 Por todo o exposto, em preliminar declaro a nulidade do lançamento fiscal, por vício material, restando prejudicado as demais preliminares e o exame de mérito. Em sendo assim, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 5084DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 9/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914290/2009-74
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.343
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 14 29 0/ 20 09 -7 4 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914290/200974 Resolução nº 3802000.343 S3TE02 Fl. 233 2 A interessada entregou via Internet a Declaração de Compensação de fls. 71 a 75 (PER/DCOMP nº42625.61859.060807.1.3.046823, na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (código de receita 7987) relativo ao período de apuração ocorrido em julho de 2003 (31/07/2003). Pelo Despacho Decisório de fls. 37 e 80, a contribuinte foi cientificada, em 19/10/2009 (fl. 76), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP”. Sendo que a utilização do crédito se encontrava assim discriminada: Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR)/PERDCOMP (PD)/Débitos (DB) Valor Original Utilizado 4037939328 184.994,55 Db: cód 7987 PA 31/07/2003 184.994,55 Valor Total 184.994,55 Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido a interessada intimada a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$135.677,41). Irresignada, a contribuinte apresentou em 18/11/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 02/07. Na peça de defesa, a contribuinte argumenta que a Manifestante é Entidade Fechada de Previdência Complementar e tem como objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar e, por conseguinte, pagar aposentadorias complementares às pagas pela Previdência Social; tendo apurado crédito decorrente de pagamento a maior de tributos federais, apresentou, como lhe é facultado pela legislação de regência, a Declaração de Compensação de Tributos Federais n° 42625.61859.060807.1.3.046823; Nesta PER/DCOMP foi utilizado um crédito do código 7987 com período de apuração 31/07/2003, relativo à guia no montante total de R$ 184.994,55, com crédito histórico de R$ 84.423,75; A Manifestante apurou nesta competência o montante de R$ 179.542,40 que, quando confrontado com o valor recolhido na competência R$ 263.966,15 podese identificar como crédito exatamente o valor utilizado na PER/DCOMP conforme demonstrado à fl. 04; a Manifestante cometeu um equívoco formal, pois não demonstrou a existência do crédito no preenchimento da DCTF, sendo, contudo, o crédito, legítimo; Fl. 233DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914290/200974 Resolução nº 3802000.343 S3TE02 Fl. 234 3 Uma vez demonstrada a origem dos pagamentos realizados a maior que a Manifestante pretendeu compensar, como restou comprovado acima, é claro o seu direito à restituição destas quantias, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa, tendo em vista que sua negativa configura enriquecimento ilícito por parte do Estado os equívocos nas declarações do contribuinte não criam tributos, não podendo, uma vez comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária, reportandose a ensinamentos de Ives Gandra da Silva Martins e Hugo de Brito Machado; A quantia recolhida a título de tributo a maior, que não. era devida, nem sequer pode ser considerada como receita do Estado, sob pena de afronta ao princípio da legalidade e da moralidade administrativa; Como mero ingresso de caixa e não verdadeira receita, não pode esta quantia a que se pretende compensar ser integrada ao patrimônio do Poder Público, o que implica no dever do Estado de restituir o indébito tributário ao seu legítimo proprietário; Tão logo apurado o recolhimento indevido, esta parcela foi compensada com outros tributos devidos, nos moldes da legislação federal, de maneira que não há razões a se negar tal compensação; vale ressaltar que se a confissão do contribuinte não estiver de acordo com a lei e com a realidade fática, nenhum valor terá para o juízo tributário. O tributo ou é devido, ou não é, se incidência não houve. Assim, se aquele que confessou o fez em virtude de erro, a confissão pode ser revogada, conforme determina o Código de Processo Civil em seu artigo 352; Considerando que o valor confessado pela Manifestante não corresponde às hipóteses de incidência tributária, à confissão de dívida e conseqüente pagamento são absolutamente irrelevantes, não gerando qualquer obrigação tributária, prevalecendo os fatos verdadeiros sobre o confessado; Demonstrado que o fato confessado não correspondia à hipótese de incidência tributária, este não era capaz de gerar a obrigação tributária tornando a confissão de dívida absolutamente irrelevante, o que possibilita,deste modo, a compensação pretendida. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SP 1 no 1649.263, de 08/08/2013, proferida pelos membros da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 15/08/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914290/200974 Resolução nº 3802000.343 S3TE02 Fl. 235 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade e não homologar a compensação, por falta de certeza e liquidez. Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer a reforma da decisão recorrida, com objetivo de homologar as compensações pleiteadas. Argumenta que é de se notar que os valores declarados não existiam de fato, uma vez que a recorrente incorreu em erro material ao preencher suas DCTF, pois incluiu na base de cálculo valores que não deveriam ser inseridos, de receitas na base de cálculo do PIS e da COFINS, cometendo apenas um equívoco formal, apesar de não ter efetuado a retificação das DCTF. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Pois bem, como é cediço, a entrega de DCTF, sem qualquer tipo de comprovação que demonstre a divergência na apuração do débito, não é suficiente para comprovar o indébito indicado. No entanto, ciente disso e visando comprovar os fatos alegados e primando pelo princípio da verdade material, a Recorrente em fase de Manifestação de Inconformidade, apresentou uma planilha para demonstração da base real apurada para os cálculos do COFINS e cópia do Balancete Analítico Consolidado, referente ao período de apuração de julho de 2003. Agora, no texto do seu Recurso Voluntário, repisa um Demonstrativo, visando demonstrar para a Administração Tributária a “base real” do COFINS apurada pelo Recorrente no referido mês, versando que tais documentos são satisfatórios para a comprovação do direito do crédito alegado nos autos, ressaltando que declarou e recolheu valor a maior de COFINS para esta competência. Neste passo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste numa providência que resulta na melhor aplicação do direito e da justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914290/200974 Resolução nº 3802000.343 S3TE02 Fl. 236 5 Considerando que o Recorrente argumenta que o fato que gerou o despacho denegatório foi o erro de preenchimento na DCTF, em que constou valor maior que o apurado e que não apresentou DCTF retificadora, pois de acordo com a legislação, após a expedição de despacho decisório, a lei proíbe o contribuinte de retificar a declaração. Com base nessas considerações e o contido no recurso voluntário da recorrente bem como devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, devendo os autos retornarem à DRF do domicílio tributário da recorrente, para proceder parecer sobre: a) diligenciar, com base nos dados registrados nos documentos contábeis apresentados (Balancete Analítico Consolidado, referente ao período de apuração do COFINS de julho de 2003, e pronunciarse sobre a veracidade dos cálculos elaborados no demonstrativo do COFINS (recurso voluntário), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo Fisco, com isso emitindo informação sobre a comprovação do direito creditório alegado e bem como seu respectivo valor, e b) em seguida, seja cientificada a recorrente, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestese sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 236DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725152/2011-50
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
PROCESSO JUDICIAL POSTERIOR AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IDÊNTICO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2801-003.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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IDÊNTICO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 51 52 /2 01 1- 50 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.725152/201150 Acórdão n.º 2801003.872 S2TE01 Fl. 123 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 74.109,01, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 6 deste processo digital, que da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, bem como das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 182.863,40, auferidos pelo contribuinte. Após ser intimado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/3, que foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 71/74. Cientificado da decisão de primeira instância em 22/11/2012 (fl. 83), o Interessado interpôs, em 19/12/2011, o recurso de fl. 77. Na peça recursal aduz, em síntese, que os juros moratórios são, por natureza, verba indenizatória dos prejuízos causados ao credor pelo pagamento extemporâneo de seu crédito. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Às fls. 86/87 foi anexado ofício da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN dando conta de que o contribuinte Senen Marcos Antuna, ora Recorrente, ajuizou ação ordinária em face da União Federal pleiteando a anulação do presente lançamento fiscal sob as alegações de que o Fisco calculou o valor do imposto de renda devido sem observância dos critérios de arrecadação para os fatos geradores apurados mês a mês e sem a exclusão dos juros moratórios da base de cálculo do lançamento. Analisando a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fl. 6 e o “Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido” de fl. 7 verificase que a Autoridade lançadora apurou o imposto de renda suplementar pelo regime de caixa, aplicando a alíquota correspondente sobre o valor total pago de uma única vez, e que os juros moratórios incidentes sobre as verbas pagas na reclamatória trabalhista compuseram a base de cálculo do tributo lançado. Significa dizer que o objeto da ação judicial guarda identidade com o objeto do presente lançamento, sendo aplicável, à espécie, a Súmula CARF nº 1, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nesse contexto, voto por não conhecer do recurso. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.725152/201150 Acórdão n.º 2801003.872 S2TE01 Fl. 124 3 Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 124DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13710.001053/2003-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO.
O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.
Decorrido tal prazo entre a entrega da declaração de compensação de débitos e a data da efetiva intimação do contribuinte referente ao Despacho Decisório que denega a compensação, homologa-se tacitamente o crédito apresentado.
SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ ou CSLL apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1301-001.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Decorrido tal prazo entre a entrega da declaração de compensação de débitos e a data da efetiva intimação do contribuinte referente ao Despacho Decisório que denega a compensação, homologa-se tacitamente o crédito apresentado. SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ ou CSLL apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Decorrido tal prazo entre a entrega da declaração de compensação de débitos e a data da efetiva intimação do contribuinte referente ao Despacho Decisório que denega a compensação, homologase tacitamente o crédito apresentado. SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ ou CSLL apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 10 53 /2 00 3- 34 Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13710.001053/200334 Acórdão n.º 1301001.688 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório O presente processo trata de três DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO apresentadas pela Interessada, todas elas fundamentadas no aproveitamento do SALDO NEGATIVO de CSLL do ANOCALENDÁRIO 2002, cujo valor original, apurado na Ficha 17 da DIPJ/2003, é de R$ 5.356.969,60. Submetido o feito à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro DERAT/RJ, a decisão do titular daquela unidade foi no sentido de homologar apenas parcialmente as compensações declaradas pelo contribuinte conforme Parecer Conclusivo, às fls. 71/74; e Despacho Decisório, à fl. 75: a) RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO pleiteado pela empresa acima identificada, nos autos do presente processo, no valor de R$ 4.733.045,78 referente ao saldo negativo de CSLL apurado pela interessada no ano calendário de 2002, exercício de 2003 e, conseqüentemente, b) HOMOLOGAR AS COMPENSAÇÕES EFETUADAS, constantes das Declarações de Compensação de fls. 01 do presente processo e do processo em apenso de número 13710.001054/200389 bem como da DCOMP n° 03954.05490.170603.I.3. 035826 às fls. 64/68 do presente processo, até o limite do direito creditório reconhecido. lnsatisfeita com a decisão, a Interessada protocolizou, em 23/06/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 100/121, alegando, em síntese, que: como a ciência do despacho decisório ocorreu em 21/05/2008, as compensações declaradas em 02/05/2003 já se encontram tacitamente homologadas, por força do decurso do prazo de cinco anos previsto no art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430/1996 (com redação dada pela Lei n° 10.833/2003); a revisão, por parte do Delegado da DERAT/RJ, dos saldos credores de CSLL apurados pelo contribuinte nas DIPJ's relativas aos anos calendário de 2000, 2001 e 2002 está eivada de nulidade, pois só poderia ter sido realizada mediante lançamento de oficio, conforme exige 0 art. 142 do Código Tributário Nacional; a glosa das compensações dos débitos de CSLL Estimativa referentes aos meses de junho, julho e agosto do anocalendário 2000 também não procede estes débitos, controlados através dos processos administrativos de n° 10768012826/0040 e de n° l0768.0l5738/0091, encontramse com sua exigibilidade suspensa, em virtude de decisão judicial; no que diz respeito, especificamente, aos débitos de estimativa controlados pelo processo administrativo n° l0768.0l2826/0040, a suspensão da exigibilidade se deu em virtude da apresentação de carta de fiança bancária, autorizada pela Quarta Turma do TRF da Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 2” Região, nos autos do Agravo de Instrumento n° 2008.02.01.0025840, vinculado, por sua vez, à Ação Ordinária n° 2007.5l0l0252993; já no que diz respeito aos débitos controlados pelo processo administrativo n° 10768015738/0091, a suspensão da exigibilidade decorre de medida liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança n° 2002.5101 0075362; ainda que estivesse correto o entendimento fazendário, no sentido de homologar apenas parte das compensações, já não poderia o Fisco, a esta altura, exigir qualquer diferença de tributo do contribuinte, em virtude do transcurso do prazo decadencial de cinco anos, previsto no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. A DRJ/RIO DA JANEIRO I decidiu a matéria por meio do Acórdão 12 33.135, de 09/09/2010 (fls. 868), julgando improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 EXAME DA TEMPESTIVIDADE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. DÚVIDA EM RELAÇÃO A DATA DE CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Na falta de elementos capazes de dirimir a dúvida quanto à data de ciência do ato decisório, a questão da tempestividade da impugnação deverá ser resolvida em favor do sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDO PREJUDICADO EM FACE DE ANTERIOR HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA. Deixase de declarar a homologação tácita da compensação analisada após o prazo legal de cinco anos, quando o próprio despacho decisório da autoridade administrativa já reconheceu a homologação de forma expressa. RETIFICAÇÃO DO SALDO NEGATIVO DE CSLL APURADO PELO SUJEITO PASSIVO NA DIPJ. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFICIO. A retificação do saldo negativo de CSLL apurado pelo sujeito passivo na DIPJ, quando motivada por mera glosa de pagamentos de estimativas mensais, sem qualquer impacto na base de cálculo da contribuição, poderá ser feita por simples despacho fundamentado da autoridade administrativa, não havendo necessidade de lançamento de oficio. DCTF. INSTRUMENTO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DCTF constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência de débitos indevidamente compensados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LíQUIDO/CSLL Anocalendário: 2000 Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13710.001053/200334 Acórdão n.º 1301001.688 S1C3T1 Fl. 13 5 CSLL. APURAÇÃO ANUAL. GLOSA DAS ESTIMATIVAS INDEVIDAMENTE COMPENSADAS. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real anual poderá, no encerramento do período de apuração, deduzir da CSLL devida os valores das estimativas mensais, desde que efetivamente pagas ou compensadas. Não será admitida a dedução de estimativas cujos pedidos de compensação tenham sido indeferidos. Irrelevante, no caso, que os débitos em questão estejam com sua exigibilidade suspensa. É o relatório. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Recurso voluntário tempestivo e assente em lei. Dele conheço. No recurso que ora se aprecia as alegações se repetem ao da impugnação: (i) ocorreu a homologação tácita das referidas compensações, objeto do presente processo administrativo e do processo administrativo n° 13710.001054/200389 (apensado), considerando que as declarações de compensação foram protocoladas em 02/05/2003, e a intimação do despacho de não homologação ocorreu em 21/05/2008, ou seja, após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, previsto no art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430/96; (ii) ainda que assim não se entenda, ocorreu a decadência do direito do Fisco de efetuar a cobrança de eventuais saldos remanescentes, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, e (i) que os débitos objeto dos processos administrativos n°s 10768.012826/00 40 e 10768.015738/0091 se encontram garantidos, de forma a impossibilitar o ajuste da base de cálculo negativa de CSLL. Compulsando os autos do presente processo administrativo constatase que o mesmo tem como objeto a compensação de parte do crédito de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 2002, no valor de R$ 1.768.524,86, com débitos de CSLL, no valor de R$ 885.710,51, e IRPJ, no valor de R$ 882.814,35, referentes ao período de apuração de 31/03/2003, com vencimento em 30/04/2003. Declaração de Compensação com protocolo em 02/05/2003. Por sua vez, o processo administrativo n° 13710.001054/200389, apensado a este, tem como objeto a compensação de parte do crédito de saldo negativo de CSLL, AC/2002, no valor de R$ 2.702.420,39, com débitos de CSLL e IRPJ, no valor de R$ 818.349,89 e R$ 565.972,00, referentes ao período de apuração de 31/01/2003, com vencimento em 28/02/2003, e débitos de CSLL e IRPJ no valor de R$ 735.720,42 e R$ 582.378,08, referentes ao período de apuração de 28/02/2003, com vencimento em 31/03/2003. Declaração de Compensação com protocolo em 02/05/2003. Já a DCOMP n° 03954.05490.170603.1.3.035826, transmitida em 17/06/2003, tem como objeto a compensação de parte do crédito de saldo negativo de CSLL, AC/2002, no valor de R$ 1.188.078,82 para quitar débitos de CSLL e IR, período de apuração abril/2003 (R$ 1.107.953,43 e R$ 80.125,39). O despacho decisório (fls. 75) homologou parcialmente as compensações em comento, vez que as compensações objeto dos processos administrativos n°s 10768.012826/00 40 e 10768.015738/0091 não foram homologadas, concluindo pela insuficiência de saldo negativo de CSLL no ano calendário 2000. Assim sendo, foi ajustado o saldo negativo dos referidos tributos até o ano calendário de 2002, restando reconhecido SNCSLL do AC/2002 no montante de R$ 4.733.045,78 ao invés do apurado na Ficha 17 da DIPJ apresentada pela contribuinte no valor de R$ 5.356.969,60. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13710.001053/200334 Acórdão n.º 1301001.688 S1C3T1 Fl. 14 7 Do Despacho Decisório extraise que partindo do Saldo Negativo de CSLL do AC/2001 no valor de R$ 3.460.142,22 não poderia a contribuinte compensar os valores constantes em DCTF (fls. 52/57) no montante de R$ 4.266.664,54 como forma de pagamentos de parte da CSLL do AC/2002. Logo, ajustando conforme demonstrativo de fls. 69/70 verifica se que o valor R$ 623.923,82 não foi compensado, reduzindo o valor de R$ 4.266.664,54 para R$ 3.642.740,72. Concluindo, a autoridade administrativa subtrai do Saldo Negativo declarado (R$ 5.356.969,60) o valor não compensado (R$ 623.923,82) encontrando desta forma o valor de R$ 4.733.045,78 que corresponde ao saldo negativo corretamente calculado de CSLL, para o ano calendário de 2002 e reconhecido como direito creditório. Feito este breve histórico passemos a analise do quanto contraditado. Com relação ao tema homologação tácita a ora recorrente reafirma que o Despacho Decisório da homologação foi exarado em 21/05/2008, depois de transcorridos cinco anos da entrega das declarações de compensação (02/05/2003), portanto, configurada a homologação tácita, mesmo porque, também, as compensações só foram realizadas em 09/05/2008. Porem, no caso em análise, podese afirmar que não se trata de homologação tácita conforme pretendido, pois resta claro que o valor parcialmente reconhecido expressamente (R$ 4.733.045,78 ao invés de R$ 5.356.969,60) decorre do ajuste do saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2000, por compensações indevidas das estimativas de CSLL referentes aos meses de junho, julho e agosto de 2000, matéria examinada nos processos administrativos n°s 10768.012826/0040 e 10768.015738/0091 e, que em ambos foi indeferida as compensações pleiteadas (processos findos administrativamente). Em conseqüência tais ajustes foram transferidos para os anos subseqüentes (2001 e 2002), conforme se extrai do Parecer Conclusivo de fls. 72/74) e Despacho Decisório exarado em 06/05/2008 (fls. 75), do qual não se encontra no presente processo documento que comprove a efetiva ciência ao contribuinte da intimação de fls. 84 (no caso o "AR"). A compensação, posto, modalidade extintiva do crédito tributário (art. 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária e, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública. Acerca do prazo para o Fisco homologar os pedidos de compensação dispõe o art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002). ... § 5o. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Enfim, conforme assertiva do voto recorrido, vêse dos autos do presente processo que as compensações declaradas em 02/05/2003 já foram, todas elas, homologadas expressamente pela autoridade administrativa. Constam extratos (às fls. 78/81) do sistema de compensação SIEF da Receita Federal os quais atestam a efetividade das compensações consideradas em 30/04/2008. Do até aqui exposto, mantenho a glosa (valor não compensado de (R$ 623.923,82) acompanhando o quanto decidido em primeira instância. Já com relação a DCOMP n° 03954.05490.170603.1.3.035826, transmitida em 17/06/2003, da qual não se discute a homologação tácita, devese homologar parcialmente até o limite do direito creditório reconhecido no montante de R$ 4.733.045,78 deduzidos, obviamente, os valores acima parcialmente homologados, mesmo porque, ao meu ver, a matéria não se encontra submissa à regra da decadência prevista no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, pois, cabe à Administração Tributária, no âmbito da análise das declarações de compensação, as verificações necessárias à determinação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Claro está de que no ordenamento pátrio existe prazo de caducidade aquisitiva. Todavia, tais prazos devem ser expressos. Ademais, não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além da possibilidade da interpretação, especialmente porque não haveria limites para o indébito tributário. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes elevados. Digo isso, porque o procedimento de homologação da compensação é iniciado pelo próprio contribuinte, que tem o ônus de provar que possui o respectivo direito creditório, e por isso deve manter a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito, consoante o disposto no art. 264 do Decreto n° 3.000, de 1999, in verbis: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei n° 486, de 1969, art. 4°). De fato, o interregno para controle dos registros patrimoniais com possibilidade de repercussão tributária no futuro é definido em função do prazo para gozar do crédito decorrente. Nesse contexto, pode a autoridade fiscal, no prazo de que dispõe para rever Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13710.001053/200334 Acórdão n.º 1301001.688 S1C3T1 Fl. 15 9 o período de apuração no qual foi aproveitado, exigir prova de sua efetividade e formação e, na ausência desta, negar sua utilização. E, reforçando o teor do art. 264 do RIR/99, assim dispõe o art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996: “Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios.” A simples leitura do dispositivo em questão evidencia sua absoluta coerência com os princípios da decadência e da homologação tácita, a que se reporta tanto o artigo 149, § único, como os artigos 150, § 4º, e 173, todos do CTN. Isto é, se determinada apropriação influi no resultado da apuração de crédito tributário no futuro, é passível de revisão até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito. Ainda que, na origem, seja legalmente carregada de período já decadente. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado conforme o artigo 170 do CTN. Não há como se interpretar a matéria de modo a inviabilizar a fiscalização por parte do Fisco. A jurisprudência também não desborda de tal entendimento. Como exemplo, citase o decidido no recente Acórdão 1402001.590, de 11 de março de 2014, do i. relator Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Enfim, no caso, não se trata de procedimento fiscal que tenha modificado a base de cálculo do IRPJ para exigir tributo não declarado. A base de cálculo do IRPJ e da CSLL que norteou a análise da Delegacia de origem é exatamente a constante da DIPJ, ou seja, declarada pelo próprio Contribuinte. Não houve nenhuma das atividades inerentes ao ato de lançamento, no que diz respeito à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, como pressuposto para o lançamento tributário de que trata o artigo 142 do Código Tributário Nacional. Desse modo, tornase insubsistente qualquer alegação da Recorrente que conduza à existência de lançamento tributário e decadência do direito ao Fisco para verificar a procedência do crédito pleiteado. Portanto, não havendo crédito constituído por procedimento fiscal na modalidade de lançamento tributário sujeito ao prazo decadencial nos moldes do artigo do artigo 150 do CTN, não há que se falar em homologação tácita como restrição ao direito creditório pleiteado, tampouco a “decadência” cogitada pela Reclamante. Assim, no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, no qual deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório (liquidez e certeza) invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação do Fisco é a que diz respeito ao prazo de cinco anos da data da protocolização ou apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos tacitamente, independentemente da existência dos créditos, a teor do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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