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Numero do processo: 10880.915976/2008-30
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 9ª Turma da DRJ São Paulo I (fls. 45/52 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento a maior de COFINS relativo ao fato gerador de 30/06/2002. A DERAT São Paulo não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento apresentado como supedâneo do crédito (no valor de R$ 28.384,51 – RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 15 97 6/ 20 08 -3 0 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915976/200830 Resolução nº 3802000.136 S3TE02 Fl. 110 2 código de receita 2172) teria sido utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando, portanto, saldo creditório disponível. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega: a) que o presente pedido integra outros 90 (noventa) processos da empresa que abordam a mesma matéria, tendo sido apresentadas as mesmas razões de defesa e provas, razão pela qual requer a juntada dos autos de todos os processos, de forma que as defesas e provas sejam conjuntamente analisadas; b) invoca o princípio da verdade material, e afirma haver juntado a documentação necessária à comprovação do direito; e, c) que o crédito objeto da compensação teve origem em recolhimentos indevidos do PIS e da COFINS no período de abril de 1999 a fevereiro de 2004, haja vista que se tratavam de vendas para a Zona Franca de Manaus, e que por isso não geravam a respectiva obrigação ao recolhimento em face das disposições do DecretoLei nº 288/67, que equiparou referidas vendas a operações de exportação. Os argumentos apresentados pela reclamante, contudo, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento, que, em síntese, entendeu que o sujeito passivo não apresentou prova suficiente à demonstração do direito creditório reclamado, e ainda, que o artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 não albergava a isenção do PIS e da COFINS. Assim, referido colegiado julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada. Cientificada da referida decisão em 15/07/2011 (vide AR de fls. 54), a interessada, em 18/07/2011, apresentou recurso voluntário onde reitera que seu direito está amparado no artigo 4º do DecretoLei nº 288/67, c/c artigo 40 do ADCTe artigo e artigo 14, inciso II, da MP nº 2.13535. Reclama, também, a nulidade do acórdão vergastado por cerceamento ao seu direito de defesa, isso em vista da falta de clareza do acórdão e da esparsa e lacônica manifestação sobre a documentação juntada pela recorrente. Diante do exposto, requer seja provido seu recurso e homologada a compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Da admissibilidade do recurso e da reclamada nulidade da decisão de primeira instância O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. Inicialmente, analiso a reclamada nulidade do acórdão de primeira instância. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915976/200830 Resolução nº 3802000.136 S3TE02 Fl. 111 3 A nulidade é embasada na alegada falta de clareza nos motivos que redundaram na negativa do recurso: se o indeferimento do pleito fora decorrente da não comprovação do crédito ou dada a inexistência de amparo legal para o pedido. Contudo, da leitura do acórdão de fls. 45/52, constatase que referida decisão está suficientemente motivada, uma vez que dela consta, explicitamente: a) na hipótese de a empresa se albergar nos institutos da isenção ou da alíquota zero, e a teor da Solução de Divergência COSIT nº 7/2006, que a isenção da COFINS não alcança os fatos geradores entre 1º de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000 (vedação do inciso I do § 2º do artigo 14 da MP 1.8586, de 1999, e reedições até a MP 2.03724, de 2000); b) ainda com base na Solução de Divergência COSIT nº 7/2006, que somente a partir de 22 de dezembro de 2000, com a publicação da MP 2.03725, atual MP 2.15835, a isenção da COFINS no caso de vendas para a Zona Franca de Manaus só alcançaria as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do artigo 14 da citada MP 2.15835; c) que, se admitido questionamento com base na imunidade, o mesmo deveria ser direcionado ao Poder Judiciário, a quem compete apreciar alegação de inconstitucionalidade, já que tal instituto é de natureza constitucional; e, que não foram apresentadas provas do indébito, não tendo sido, portanto, demonstrada a liquidez e a certeza do crédito necessárias à compensação tributária, a teor do artigo 170 do CTN. Portanto, a meu ver, o acórdão recorrido está devidamente fundamentado, razão pela qual não acolho o argumento em defesa da nulidade da decisão em tela. Da necessidade de diligência A presente lide é parte de um dos inúmeros processos da interessada em que esta questiona a incidência do PIS e da COFINS sobre a receita de vendas realizadas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Essa questão já foi analisada por esta Turma quando do julgamento do processo no 10920.000462/200350 (acórdão no 380200.312, de 08/12/2010), de onde reproduzo excertos do voto vencedor do Conselheiro Regis Xavier Holanda, abaixo transcrito: [...] A Medida Provisória no 1.8586, de 29/06/1999 e posteriores reedições até a Medida Provisória no 2.03724, de 23/11/2000 trazia as seguintes disposições de interesse: (omissis) Referida Medida Provisória foi então reeditada sob o n° 2.03725, de 21/12/2000 (DOU de 22/12/2000) – atual Medida Provisória no 2.158 35, de 2001 – apresentando modificação no texto normativo consistente na supressão das receitas de vendas efetuadas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus do rol de hipóteses de exclusão das isenções conferidas. Vejamos: (omissis) Dessa forma, tenho como claro que o legislador, ao realizar a referida supressão da referência à Zona Franca de Manaus no texto normativo, conferiu sim, às vendas efetuadas a empresas estabelecidas nesta Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915976/200830 Resolução nº 3802000.136 S3TE02 Fl. 112 4 específica região marcada por incentivos fiscais especiais, a isenção tratada no caput e §1º do citado art. 14. Adequouse, então, a presente legislação à disciplina traçada pelo art. 4º do DecretoLei nº 288/67, in verbis: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ademais, é mister ainda destacar que no ínterim entre as Medidas Provisórias no 2.03724, de 23/11/2000 e n° 2.03725, de 21/12/2000 (DOU de 22/12/2000), sobreveio, em 07/12/2000, decisão liminar unânime do pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos da ADIN nº 2.3489, deferindo medida cautelar com eficácia ex nunc para suspender a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do artigo 14, §2º, I da Medida Provisória nº 2.03724. Portanto, dada a cronologia em que os fatos aconteceram, pareceme também claro que o legislador teve ainda por intenção adequar o texto normativo à decisão do STF então vigente, só alterada em 10/02/2005 mediante decisão que declarou prejudicado o pedido por perda de objeto diante da ausência de aditamento à inicial por conta das sucessivas reedições da Medida Provisória atacada. Alfim, tendo em vista que a Medida Provisória nº 2.03725 suprimiu a hipótese de afastamento da isenção em relação às receitas de vendas para a ZFM, entendo que essa modificação (supressão de hipótese de afastamento da isenção) conjugada com o art. 4º do DL 288/67, implica a aplicação do art. 14, II (exportação de mercadorias para o exterior) para essas operações. Em sentido semelhante já decidiram os então Conselhos de Contribuintes: Acórdãos 20216587, de 19/10/2005; 20179407, de 29/06/2006 e 20218132, de 20/06/2007. [...]No mais, voto ainda para, a partir de 22 de dezembro de 2000 – data de publicação da MP nº 2.03725 (atual MP no 2.15835, de 2001), considerar isentas da contribuição para o PIS, as vendas efetuadas a empresa situada na Zona Franca de Manaus. De fato, a real intenção que motivou a supressão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I, do § 2o, do artigo 14 da Medida Provisória no 2.037, foi a de, efetivamente, excluir da incidência do PIS e da COFINS as vendas realizadas para empresas sediadas na referida área de livre comércio. Aliás, considerando que o legislador não emprega expressões inúteis, o fato de a redação original da Medida Provisória no 2.037 contemplar os termos “Zona Franca de Manaus” e “área de livre comércio” revela que o poder legiferante, na ocasião, para fins de tutela pela referida legislação, entendera como distintas as regiões comerciais em tela. Assim, posteriormente, a supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do dispositivo que excluía referida área do âmbito de isenção do PIS e da COFINS demonstra que o legislador, com tal Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915976/200830 Resolução nº 3802000.136 S3TE02 Fl. 113 5 conduta, buscou realmente isentar das contribuições em evidência as vendas realizadas para a referida região. Portanto, deverão ser consideradas como isentas do PIS e da COFINS as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus a partir da publicação da Medida Provisória no 2.037 25, ou seja, em 22/12/2000. Assim, as receitas decorrentes das vendas para a Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (conforme caput do artigo 14 da MP no 1.8586, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da referida Medida Provisória em que houve a supressão do termo “Zona Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I – MP 2.03725). Consequentemente, como o crédito aduzido diz respeito ao mês de junho de 2002, resta claro que existe fundamentação legal que ampare o direito creditório pelo reclamado pagamento da COFINS em vista de vendas para a Zona Franca de Manaus. Recentemente, ao analisar outros processos da mesma empresa, o conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi constatou que a matéria probante foi toda acostado ao processo nº 10880.915886/200849, também distribuído para esta Turma Especial, mas nesse caso sob a responsabilidade do conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Diante disso, decidiu esta Turma, por unanimidade, converter o julgamento em diligência a fim de que a DRF apure a certeza e a liquidez dos créditos, bem como confirme se os valores constantes das notas fiscais presentes no processo administrativo 10880.915886/200849 foram, ou não, utilizados para outras compensações, ou mesmo foram excluídas de tributação à época da ocorrência dos fatos geradores. (vide, por exemplo, acórdão nº 3802000.128, de 20/08/2013, processo nº 10880.915912/200839). É no mesmo sentido, portanto, que encaminho meu voto, ou seja, para que o julgamento seja convertido em diligência a fim de que a DRF apure a certeza e a liquidez dos créditos, bem como confirme se os valores constantes das notas fiscais presentes no processo administrativo 10880.915886/200849 foram ou não utilizados para outras compensações, ou ainda, se foram excluídas da tributação do PIS ou da COFINS à época da ocorrência dos fatos geradores. Uma vez concluído tal levantamento, intimese o contribuinte para manifestação, e, após, sejam devolvidos os autos a esta Turma para julgamento do mérito. Sala de Sessões, em 24 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 13054.000736/98-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/10/1989 a 31/12/1989
INDÉBITO. PROVA. BASE DE CÁLCULO. VALOR DEVIDO.
Para apurar a existência de indébito, é imprescindível conhecer o valor devido a partir de sua base de cálculo. Darf não comprova base de cálculo de tributo, mas tão somente o valor pago ou recolhido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/10/1989 a 31/12/1989 INDÉBITO. PROVA. BASE DE CÁLCULO. VALOR DEVIDO. Para apurar a existência de indébito, é imprescindível conhecer o valor devido a partir de sua base de cálculo. Darf não comprova base de cálculo de tributo, mas tão somente o valor pago ou recolhido. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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PROVA. BASE DE CÁLCULO. VALOR DEVIDO. Para apurar a existência de indébito, é imprescindível conhecer o valor devido a partir de sua base de cálculo. Darf não comprova base de cálculo de tributo, mas tão somente o valor pago ou recolhido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 00 07 36 /9 8- 36 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13054.000736/9836 Acórdão n.º 3302002.268 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de Finsocial, combinado com Declaração de Compensação, cujo direito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Para os períodos de apuração do ano de 1989, a DRF não dispunha da informação sobre a base de cálculo da exação porque na DIPJ não havia campo para a informação mensal da receita auferida. Intimada a comprovar a base de cálculo dos meses do ano de 1989, a empresa silenciou e, diante desta negativa, não pode a DRF apurar o indébito dos períodos de apuração do ano de 1989, conforme Parecer SECAT/DRF/NHO Nº 379/2007. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com Manifestação de Inconformidade, alegando que os DARF e a Demonstração do Resultado do Exercício juntados aos autos eram suficientes para apurar o indébito. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1022.342, de 03/12/2009, cuja ementa se transcreve abaixo: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/10/1989 a 31/08/1990 Ementa: Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 11/01/2010, conforme AR juntado aos autos, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 10/02/2010, com Recurso Voluntário, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13054.000736/9836 Acórdão n.º 3302002.268 S3C3T2 Fl. 4 3 Como relatado, a lide gira em torno da comprovação da base de cálculo do Finsocial dos períodos de apuração de 09/1989 a 12/1989, para a apuração de eventual indébito, nos termos da decisão judicial transitada em julgado a favor da Recorrente. A decisão recorrida decidiu a lide pelos seguintes fundamentos: Ressaltese que antes da emissão do referido ato, a DRF jurisdicionante buscou aferir também os períodos anteriores, através da intimação de 15 de outubro de 2007 (fls. 303), relativa às bases de cálculo dos períodos 09/1989 a 12/1989, uma vez que a interessada não havia juntado ao presente processo documentos suficientes que atestassem as bases de cálculo sob as quais ocorreram os indébitos de Finsocial e a simples juntada de uma planilha demonstrativa não tem o condão de comprovar conformidade dos pagamentos com a contabilidade e livros fiscais. Intimada a apresentar documentação fiscal hábil, restou infrutífera a tentativa pelo lado do Fisco de sanear a deficiência comprobatória em favor da empresa interessada relativa aos períodos e créditos objetos da presente manifestação de inconformidade, pois a empresa não atendeu no momento oportuno. Ao contrário do argüido pela Recorrente, nem o DARF e nem o Demonstrativo do Resultado do Exercício comprovam a base de cálculo mensal do Finsocial do período objeto da lide. Sem a prova do direito alegado, não há como a autoridade da RFB apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13054.000736/9836 Acórdão n.º 3302002.268 S3C3T2 Fl. 5 4 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 15375.000787/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/11/2001
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA EXCLUSIVA DO TOMADOR DE SERVIÇOS PELA RETENÇÃO DE 11% SOBRE O VALOR DA NOTA FISCAL OU DA FATURA.
O art. 31 da Lei nº 8.212/1991 impõe ao tomador de serviços a obrigação exclusiva de reter e recolher o valor correspondente a 11% sobre o montante pago ao cedente da mão de obra.
A exigência do valor que deveria ter sido retido deve ser feita tão somente ao tomador de serviços, sendo irrelevante o recolhimento das contribuições previdenciárias pelo prestador dos serviços.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
RELATÓRIO DE CORRESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. PREJUÍZO AOS DIRETORES.
Os relatórios de Corresponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e servem de base para, a despeito do disposto no art. 135 do CTN, atribuir a sujeição passiva em futura ação executiva aos ali nominados. Esses relatórios são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal, conforme farta jurisprudência do STJ.
A Súmula 88 do CARF dispõe que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
É flagrante o prejuízo aos diretores com a sua inclusão na relação de corresponsáveis, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN, razão pela qual o rol de corresponsáveis somente pode ser mantido pelo sua finalidade meramente informativa.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
Numero da decisão: 2301-003.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de decidir que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA EXCLUSIVA DO TOMADOR DE SERVIÇOS PELA RETENÇÃO DE 11% SOBRE O VALOR DA NOTA FISCAL OU DA FATURA. O art. 31 da Lei nº 8.212/1991 impõe ao tomador de serviços a obrigação exclusiva de reter e recolher o valor correspondente a 11% sobre o montante pago ao cedente da mão de obra. A exigência do valor que deveria ter sido retido deve ser feita tão somente ao tomador de serviços, sendo irrelevante o recolhimento das contribuições previdenciárias pelo prestador dos serviços. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. RELATÓRIO DE CORRESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. PREJUÍZO AOS DIRETORES. Os relatórios de Corresponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e servem de base para, a despeito do disposto no art. 135 do CTN, atribuir a sujeição passiva em futura ação executiva aos ali nominados. Esses relatórios são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal, conforme farta jurisprudência do STJ. A Súmula 88 do CARF dispõe que a Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 5. 00 07 87 /2 00 9- 75 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000787/200975 Acórdão n.º 2301003.360 S2C3T1 Fl. 3 2 É flagrante o prejuízo aos diretores com a sua inclusão na relação de corresponsáveis, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN, razão pela qual o rol de corresponsáveis somente pode ser mantido pelo sua finalidade meramente informativa. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). 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Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000787/200975 Acórdão n.º 2301003.360 S2C3T1 Fl. 4 3 Relatório Trata se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrado em face do HOSPITAL E MATERNIDADE SANTA RITA S/A, do qual tomou ciência em 03/04/2003, decorrente da ausência de repasse à Seguridade Social das contribuições previdenciárias retidas quando do pagamento dos serviços por cessão de mãodeobra, quanto às competências de 07/1999, 11/1999, 12/1999, 01/2000, 03/2000, 04/2000, 06/2000, 07/2000, 09/2000, 10/2000, 11/2000, 01/2001, 02/2001, 04/2001, 05/2001, 06/2001, 07/2001, 08/2001, 09/2001, 10/2001 e 11/2001, conforme se infere do Relatório Fiscal às fls. 46/51. Em virtude de tal conduta, foi realizado o lançamento no montante de R$ 49.146,49 (quarenta e nove mil cento e quarenta e seis reais e quarenta e nove centavos). Às fls. 143, a fiscalização respondeu aos esclarecimentos solicitados pela Seção de Análise de Recursos, informando que foi retificado o lançamento após análise das guias juntadas pela então impugnante. O contribuinte ofereceu impugnação tempestiva às fls. 107/132. Contudo, foi mantida a autuação pelo acórdão proferido pela Diretoria da Receita Previdenciária em Contagem/MG, às fls. 145/151, cuja ementa assim dispôs: ACRÉSCIMOS LEGAIS. As contribuições sociais em atraso, arrecadas pelo INSS, estão sujeitas aos acréscimos legais, nos percentuais definidos pela legislação (artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91 e alterações). Lançamento Procedente em parte. Irresignada, interpôs Recurso Voluntário, sob exame, às fls. 163/175, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) Não foi comprovada a responsabilidade solidária no caso em comento, já que inexistentes os pressupostos do art. 135, III do CTN. 2) É imprescindível que a situação completa da empresa prestadora de serviço seja examinada no Banco de Dados do INSS, pois, caso a dívida já tenha sido paga ou assumida pelo devedor principal, sejam os valores retirados do processo administrativo em comento, para que não sofra a base de cálculo a tributação. 3) Requer a nulidade do emprego da taxa Selic para correção dos débitos, haja vista as vicissitudes que lhe tiram qualquer legalidade. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000787/200975 Acórdão n.º 2301003.360 S2C3T1 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Da obrigação exclusiva do tomador de serviços pela retenção dos 11% sobre o valor da nota fiscal ou da fatura Alega a Recorrente que a autuação em tela deveria ser desconstituída, uma vez que não estariam presentes os requisitos do art. 135 do CTN. Contudo, confundese a empresa, pois se trata de obrigação própria da autuada, e não a título de responsabilidade por fatos de terceiros. A obrigação tributária recai diretamente sobre o próprio tomador de serviços, e é pelo descumprimento de tal obrigação que está sendo autuado. A redação do art. 31 da Lei nº 8.212/1991 coloca a empresa tomadora dos serviços como responsável com exclusividade pelo recolhimento da contribuição previdenciária referente aos 11% do valor da nota fiscal ou fatura, inexistindo qualquer obrigação do prestador de serviços quanto a este recolhimento. Cumpre transcrever o dispositivo em referência: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. Na verdade, o prestador de serviços é o sujeito passivo da obrigação tributária referente ao recolhimento da própria contribuição previdenciária, bem como da dos segurados a seu serviço, oportunidade em que poderá deduzir da primeira o valor que lhe foi retido pelo tomador dos serviços (art. 31, §1º da Lei nº 8.212/1991). A retenção dos 11% sobre o valor da nota fiscal ou fatura não consiste em obrigação tributária da qual o tomador dos serviços seja responsável solidário, hipótese em que se poderia questionar a verificação prévia do pagamento pelo cedente da mão de obra. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000787/200975 Acórdão n.º 2301003.360 S2C3T1 Fl. 6 5 Vejase que a própria Lei nº 8.212/1991, no seu art. 33, §5º, dispõe que “o desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei”. Ora, a empresa tomadora de serviços está legalmente autorizada a realizar o desconto e efetuar a retenção do cedente da mão de obra, conforme caput do art. 31 da Lei nº 8.212/1991, ficando, assim, diretamente responsável pela importância, sendo irrelevante o pagamento ou não pelo prestador dos serviços da contribuição previdenciária. Este é o entendimento já consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça, firmado em sede de recurso repetitivo, consoante se pode constatar da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FORNECEDOR E TOMADOR DE MÃO DEOBRA. ART. 31 DA LEI 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI 9.711/98. 1. A partir da vigência do art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, a empresa contratante é responsável, com exclusividade, pelo recolhimento da contribuição previdenciária por ela retida do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, afastada, em relação ao montante retido, a responsabilidade supletiva da empresa prestadora, cedente de mãodeobra. 2. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1131047/MA, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/11/2010, DJe 02/12/2010) Ademais, a obrigação tributária acessória consistente em efetuar a retenção é convertida em obrigação tributária principal, sendo plenamente cabível a exigência de que o tomador do serviço arque com os valores a ela correspondentes. Neste sentido, ensina o Mestre Fábio Zambitte Ibrahim: Se a obrigação tributária é descumprida, convertese em principal, na literalidade do CTN, que se aplica perfeitamente ao caso, pois descumprida a retenção, nessa hipótese somente o tomador de serviço será responsável exclusivo pelos valores devidos, em razão da presunção de recolhimento, prevista no art. 33, §5º da Lei nº 8.212/91, ao qual se remete o próprio art. 31 da mesma Lei. A retenção é de responsabilidade exclusiva da empresa contratante. Caso esta não efetue a retenção, assumirá este ônus. A lógica é similar ao desconto das contribuições devidas pelos segurados empregados e avulsos: é obrigação das empresas, as quais assumem o ônus. Por outro lado, a própria empresa efetuou a retenção dos valores, não tendo, contudo, repassadoos à Previdência Social, o que afasta qualquer alegação de ser indevida a retenção em comento. Da cobrança da Taxa SELIC Fl. 241DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000787/200975 Acórdão n.º 2301003.360 S2C3T1 Fl. 7 6 Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, o entendimento de que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2°; Emenda Constitucional n° 3/93; Código de Processo Civil , arts. 480 a 482). Da Exclusão dos Corresponsáveis Quanto à solicitada exclusão dos diretores, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis anexada aos autos pela Fiscalização, no meu particular entendimento, tem como escopo garantir a possibilidade de inclusão dos diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal, e não simplesmente listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. O prejuízo aos corresponsáveis é imediato, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será imediatamente inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os corresponsáveis listados na relação anexa ao Auto de Infração. No caso da pessoa jurídica contribuinte, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois ela, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000787/200975 Acórdão n.º 2301003.360 S2C3T1 Fl. 8 7 Contudo, a lei prevê que, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. É o que determina o comando do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Pelo referido comando, esta responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sócio administrador, para o diretor responsável ou para o representante legal capaz. Além disso, esta transferência só poderá acontecer quando houver prova de que estes praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo. Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos sócios diretores ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais só aceitam a citação dos corresponsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e só nessa hipótese, poderá constar o nome do corresponsável. Sim, pois partese do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do sócio administrador, do diretor ou do representante nela incluído, presumirseá, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620/93, o chamamento dos corresponsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art. 135 do CTN. Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça, tem farta jurisprudência determinando que se o nome do corresponsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao corresponsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a penhora), fazer contraprova à sua condição de sujeito passivo. Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do corresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no polo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000787/200975 Acórdão n.º 2301003.360 S2C3T1 Fl. 9 8 Para encerrar qualquer controvérsia, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula 88, que assim dispõe: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Logo, resta claro o prejuízo aos corresponsáveis com a sua inclusão na relação anexa ao presente Auto de Infração, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN, pois essa relação servirá de base para uma futura inscrição do débito em dívida ativa. Por esta razão é que o rol constante do auto de infração tem finalidade meramente informativa, não atribuindo qualquer responsabilidade às pessoas ali arroladas. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior Fl. 244DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000787/200975 Acórdão n.º 2301003.360 S2C3T1 Fl. 10 9 que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Fl. 245DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000787/200975 Acórdão n.º 2301003.360 S2C3T1 Fl. 11 10 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000787/200975 Acórdão n.º 2301003.360 S2C3T1 Fl. 12 11 Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação Fl. 247DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15375.000787/200975 Acórdão n.º 2301003.360 S2C3T1 Fl. 13 12 dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2008, a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte, afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício, bem como para que seja esclarecido que o rol de corresponsáveis constante do auto de infração tem finalidade meramente informativa, não atribuindo responsabilidade às pessoas lá indicadas. É como voto. Sala das Sessões, em 12 de março de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 248DF CARF MF Impresso em 23/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/07/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 10875.908203/2009-57
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Presidente e Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Presidente e Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 8ª Turma da DRJ Campinas (fls. 62/66), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu os argumentos objeto da manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação declarada, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 08 20 3/ 20 09 -5 7 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908203/200957 Resolução nº 3802000.122 S3TE02 Fl. 99 2 homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada apresentou Declaração de Compensação – DCOMP alicerçada em suposto pagamento a maior de COFINS, declaração a qual não foi homologada tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório foi integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. Inconformada, a interessada formalizou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese, que o crédito seria decorrente do pagamento a maior efetuado em 13/12/2002. Ressalta, ainda, que a RFB não se aprofundou na análise da questão, pois acaso houvesse requisitado esclarecimentos do contribuinte teria constatado o equívoco deste e procedido à retificação de ofício da DCTF, haja vista não mais ser possível a citada retificação através do programa próprio, posto já haver excedido o prazo de cinco anos nos quais é admitida a utilização do aludido programa. Assevera que se porventura os esclarecimentos que viessem a ser fornecidos fossem insuficientes, necessário seria que a Delegacia de Julgamento determinasse o diligenciamento na empresa para aferição da absoluta procedência do pleito. Ressalta que seu direito está amparado nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. A título de comprovação do crédito apresentou cópia de DARF e da DCTF do período (parcial), solicitando, ao final, a homologação da compensação pretendida. Ao examinar a questão, a DRJ Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade em vista da não comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado (artigo 170 do CTN), já que o sujeito passivo não apresentou qualquer demonstrativo, documentação ou outro indício que indicasse o pagamento indevido ou a maior que desse suporte ao direito aduzido. Quanto ao pedido de diligência, o mesmo foi indeferido sob o argumento de que o momento de apresentação de provas é quando da formalização da impugnação, precluindo o direito de a manifestante fazêlo em outro momento processual, conforme artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, bem como por não constar dos autos nenhuma apuração ou outro indício que indicasse pagamento indevido ou a maior que desse suporte ao crédito tributário aproveitado. Cientificada da referida decisão em 08/02/2012 (vide AR às fls. 68 do processo eletrônico), a interessada, em 08/03/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 71/78, onde repete os argumentos já expostos na primeira instância recursal relativamente à legitimidade do crédito, tendo aduzido, adicionalmente, que o indeferimento da diligência na primeira instância prejudicou a instrução processual e a formação de convicção dos julgadores, razão pela qual requer “seja determinada a diligência indeferida, pois, desta forma, restará confirmada a efetiva base de cálculo do tributo no período de apuração aqui em questão”. Acosta aos autos planilhas demonstrativas de cálculo (fls. 81/87), cópias parciais da DCTF e da DIPJ do período (aparentemente, das declarações originais) – fls. 88/93, e cópias Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908203/200957 Resolução nº 3802000.122 S3TE02 Fl. 100 3 de DARF (fls. 94/95). Requer, por fim, a homologação da compensação pretendida ou, alternativamente, seja o julgamento convertido em diligência com fito na comprovação da legitimidade dos cálculos apresentados pela recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. A decisão de primeira instância entendeu por bem não acolher a manifestação de inconformidade da interessada em vista da não comprovação da liquidez e da certeza do crédito destinado a compensação via DCOMP. Com efeito, a DRJ Campinas se alicerçou na falta de um conjunto probatório capaz de comprovar o pagamento indevido aduzido pelo sujeito passivo. Ressaltou que a interessada não apresentou “nenhuma apuração, documentação ou outro indício que indicasse o pagamento indevido ou a maior [...]”. De fato, a suplicante, naquela instância, não acostou ao autos nenhum demonstrativo ou documento que comprovasse o reclamado pagamento indevido necessário a dar suporte à compensação pleiteada. Nesta segunda instância a recorrente apresenta demonstrativo de cálculo das receitas financeiras do período, já que o suposto pagamento a maior seria decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobre essa questão, de fato, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, “no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada”. Posteriormente, o mesmo STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.2351/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema. Aludida decisão há que ser observada pelos conselheiros deste CARF, a teor do disposto no parágrafo único do artigo 62 do Anexo II do Regimento deste Conselho, e, notadamente, em seu artigo 62A, segundo o qual “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Portanto, quanto ao direito substancial invocado, há plausibilidade no pleito da recorrente, já que, diante da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, é indevido o pagamento das contribuições (PIS ou COFINS) sobre as receitas financeiras. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908203/200957 Resolução nº 3802000.122 S3TE02 Fl. 101 4 Concernente aos demonstrativos anexados pela interessada, consta da primeira planilha (fls. 81) que as receitas financeiras do mês de novembro/2002 correspondem a R$ 535.126,70, sobre cujo valor, se aplicada a alíquota da COFINS, chegase ao montante do crédito aduzido, qual seja, R$ 16.053,80. As rubricas que compõem o total das receitas financeiras constam da tabela de fls. 86. Nesta, contudo, observase que alguns dos registros geram dúvida quanto à legitimidade de seu enquadramento como receitas financeiras. Tal questão, merece ser analisada pela unidade preparadora. Da Conclusão Diante do exposto, voto para converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se a base de cálculo declarada das receitas financeiras corresponde à contabilizada na escrituração da contribuinte, atentando para a natureza das rubricas discriminadas na tabela de fls. 86, notadamente: “outras receitas”, “descontos s/pagamentos Farma” e “remuneração de cobrança”. Instruído o processo com os esclarecimentos necessários, e intimado o contribuinte do resultado da diligência para sua eventual manifestação, deverão os autos ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala de Sessões, em 25 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 35011.000977/2007-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/08/2006
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
Numero da decisão: 9202-002.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 31/08/2006 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 1. 00 09 77 /2 00 7- 67 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35011.000977/200767 Acórdão n.º 9202002.883 CSRFT2 Fl. 241 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0184, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0162, que decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/08/2006 Ementa:DECADÊNCIA. 0 Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. MULTA REDUÇÃO LEI MENOS SEVERA – APLICAÇÃO RETROATIVA CTN, ART. 106 Tratandose de crédito não definitivamente julgada, aplicase o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, preliminares, por maioria de votos em reconhecer a decadência até a competência 02/2002, inclusive, com base no Art. 150 do CTN, vencido o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, relator, votaram pelas conclusões os Conselheiros Ivacir Julio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto II) No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recalculo da multa de mora, de acordo com o determinado no Art. 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro no que refere se ao recalculo da multa. Designado para redigir o voto vencedor quanto a decadência o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Como esclarecimento inicial, o presente litígio versa sobre qual das regras sobre decadência, expressas no CTN, deve ser aplicada ao caso. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que não há recolhimentos parciais consignados, acarretando a aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Por fim, solicita conhecimento e provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 0229, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo – apesar de devidamente intimado – não apresentou contra razões, nem recurso especial da parte que lhe foi desfavorável. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35011.000977/200767 Acórdão n.º 9202002.883 CSRFT2 Fl. 242 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre qual das regras decadenciais, presentes no CTN, aplicarseá: a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, como solicitado pelo sujeito passivo, ou a constante do I, Art. 173 do CTN, como constante do acórdão. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg Fl. 440DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Fl. 441DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35011.000977/200767 Acórdão n.º 9202002.883 CSRFT2 Fl. 243 7 Cabe destacar que na análise dos autos encontramos informação prestada pelo Fisco, Relatório Fiscal, de que o presente lançamento tratase de “diferenças” de recolhimentos não integralmente quitados: 2.1.3. Como foi informado anteriormente, as contribuições confessadas em GFIP, pelo sujeito passivo, deveriam ser recolhidas integralmente por meio da GPS, porém, não foi o que aconteceu, por esse motivo, apurouse que no período de 01/1999, 02/2000 a 11/2006, as contribuições sociais patronais incidentes sobre as remunerações declaradas em GFIP, não foram integralmente quitadas pelo sujeito passivo, gerando diferenças que estão sendo cobradas nesta Notificação. Outro ponto importante, que deve ficar claro, é que o fato gerador da contribuição previdenciária é a totalidade da remuneração paga ou creditada pelos serviços, independentemente do título que se lhe atribua, tanto em relação ao tomador do serviço (empresa), quanto do segurado contribuinte. Portanto, para a definição da regra decadencial, devemos levar em conta se houve alguma antecipação de pagamento, não por tipo de remuneração (levantamento) pois é a totalidade desses pagamentos que se denomina Salário de Contribuição (SC), que é todo e qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado, em decorrência da prestação de serviço, de forma direta ou indireta, em dinheiro ou sob a forma de utilidades, habituais em relação ao segurado empregado. Elucidativo o texto contido em decisão proferida na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), processo 10640.001896/200747, pelo nobre Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior: “Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Em relação à essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I. vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma Fl. 442DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações e específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento.” Portanto, claro está que constam recolhimentos a homologar e que qualquer recolhimento está contido no termo remuneração, o que leva, conseqüentemente, a aplicação da regra esculpida no § 4º, Art. 150 do CTN, conforme decidido no acórdão recorrido. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35011.000977/200767 Acórdão n.º 9202002.883 CSRFT2 Fl. 244 9 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao recurso da PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 444DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13962.000615/2008-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de Apuração: 06/2003 a 05/2006
EXCLUSÃO DO SIMPLES. MATÉRIA OBJETO DE OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. MULTA APLICADA. LEI 11.941/2009.
Há óbice à apreciação da matéria relativa à exclusão da empresa do SIMPLES, pois a questão já foi discutida e definitivamente decidida na esfera administrativa.
Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32-A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09.
Numero da decisão: 2301-002.545
Decisão: Acordam os membros do colegiado, [ I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei nº
9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de Apuração: 06/2003 a 05/2006 EXCLUSÃO DO SIMPLES. MATÉRIA OBJETO DE OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. MULTA APLICADA. LEI 11.941/2009. Há óbice à apreciação da matéria relativa à exclusão da empresa do SIMPLES, pois a questão já foi discutida e definitivamente decidida na esfera administrativa. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32-A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09.
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MATÉRIA OBJETO DE OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. MULTA APLICADA. LEI 11.941/2009. Há óbice à apreciação da matéria relativa à exclusão da empresa do SIMPLES, pois a questão já foi discutida e definitivamente decidida na esfera administrativa. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [ I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; Fl. 201DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte, Word Blue Indústria e Confecções LTDA, contra decisão que julgou válido auto de infração lavrado contra a empresa por descumprimento de obrigação acessória. 2. No decorrer da ação fiscal realizada no contribuinte acima identificado, verificouse que a empresa em questão apresentou GFIPs com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o que constitui infração ao disposto no art. 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.528, de 10/12/1997, combinado com o art. 225, parágrafo 4º do Regulamento de Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999. 3. Como consta do Relatório Fiscal, o fato foi constatado no exame das GFIPs apresentadas, as quais foram solicitadas através do Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF e Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, verificandose que no período de 06/2003 a 05/2006, a empresa informou o código 2, como sendo empresa do SIMPLES, ao invés de 1, como empresa normal, discriminando as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados e contribuintes individuais, de acordo com a folha de pagamento de salários. O pagamento incorreto alterou para menor o valor devido à Previdência Social, uma vez que não foi declarada a contribuição patronal, confome demonstrativo da multa aplicada. 4. Cumpre transcrever a ementa do julgamento administrativo de origem nos seguintes termos: “AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. É devida a autuação por apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, com a edição da Súmula Vinculante n° 8 pelo Supremo Tribunal Fl. 202DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13962.000615/200875 Acórdão n.º 2201002.545 S2C2T1 Fl. 2 3 Federal, o prazo decadencial para a constituição do crédito das contribuições previdenciárias, à falta de recolhimentos, bem como na presença de dolo, fraude ou simulação, passa a ser regido pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. EXCLUSÃO DO SIMPLES. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTAS PESSOAS. A evidência da interposição de pessoas no quadro societário da pessoa jurídica implica exclusão de oficio do Simples com efeitos retroativos ao mês da ocorrência, inclusive, inviabilizando a tributação dentro desta sistemática de tributação. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou de ilegalidade de atos normativos federais é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário, motivo pelo qual descabe o julgamento destes argumentos na esfera administrativa. RETROATIVIDADE DE LEI NOVA MAIS BENÉFICA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 4. O contribuinte, por sua vez, interpôs recurso voluntário, alegando em suma: a) distinção real, fática, formal e jurídica entre a recorrente e a Samborá, nos períodos de dezembro de 2003 a maio de 2006, não havendo razão para a responsabilização da recorrente com relação ao recolhimento das contribuições previdenciárias; b) irregularidade e ilegalidade do Ato Declaratório de exclusão do Simples; c) não comprovação, por meio dos indícios apontados, da interrelação entre a recorrente e a Samborá; d) todas as despesas relevantes eram contabilizadas e devidamente demonstradas pela empresa; e) jamais houve inclusão de pessoas não sócias ou sócios ocultos no quadro societário da recorrente; f) excesso do valor cobrado relativamente à suposta infração cometida, sendo que a multa pecuniária aplicada foi mais alta que a efetivamente devida. 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes Fl. 203DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA EXCLUSÃO DA EMPRESA DO SIMPLES 2. As alegações trazidas pela recorrente, quanto a sua exclusão do SIMPLES, não possuem fundamento suficiente para reformar a decisão vergastada. 3. Como se depreende dos autos, restou constatada a exclusão da empresa do SIMPLES, por meio do Ato Declaratório Executivo n.º 36, de 11 de setembro de 2008, exarado no processo n.º 13962.000575/200861, em razão da constituição de pessoas jurídicas por interpostas pessoas (art. 14, inciso IV da Lei n.º 9.317/96 e art. 23, inciso IV da IN/SRF 608/06), consequentemente por incidir na vedação do art. 9º, inciso IX da Lei n.º 9.317/96. 4. Acrescentese que o Ato Declaratório possui eficácia retroativa ao período de 01/01/1997 a 30/05/2006 e, corroborando tal entendimento, temse a seguinte jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: “TRIBUTÁRIO SIMPLES EXCLUSÃO EFICÁCIA RETROATIVA MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO VALIDADE DO ATO. 1. A exclusão do contribuinte do SIMPLES operase com a notificação do contribuinte, mas este não se encontra obrigado, nem lhe assiste direito, de recolher as contribuições e impostos federais na forma deste programa após a situação fática que determinou sua exclusão. 2. É hipótese de exclusão do SIMPLES a participação com mais de 10% do capital de outra pessoa jurídica, cujos faturamentos somados ultrapassam o teto limite para participação no programa, que passa a vigorar no mês seguinte subseqüente ao da ciência do óbice pelo Fisco, nos termos do art. 9º, IX c/c o art. 13, § 2º, b, da Lei 9.317/96. 3. A eficácia declaratória da exclusão não implica em modificação do critério jurídico do lançamento. 4. Recurso especial não provido. Decisão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques votaram com a Sra. Ministra Relatora.” (REsp 1021095/RS, Superior Tribunal de Justiça. 2ª Turma, 04/11/2008).” 5. Assim, como a matéria em questão já foi discutida e definitivamente decidida na esfera administrativa, ff. 16/19, há óbice à apreciação das razões que postulam o direito ao regime. Nesse sentido, temse o seguinte julgado: “NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA OBJETO DE OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. A matéria versando sobre objeto de litígio tratado em outro processo administrativo, no caso a exclusão do Simples, não pode ser tratada por este Colegiado, ainda mais quando foi decidida definitivamente desfavorável à recorrente. Recurso não conhecido. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. A exclusão do Simples, efetuada de ofício, nos casos dos incisos III a XVIII do art. 9º. da Lei nº. 9317/96, passa a surtir efeitos a partir do mês subsequente àquele em que se proceder a Fl. 204DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13962.000615/200875 Acórdão n.º 2201002.545 S2C2T1 Fl. 3 5 exclusão. FALTA DE RECOLHIMENTO. É legitima a exigência decorrente da falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição. Recurso negado.” (Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 20400867 do Processo n.º 10865000668200120 , de 06/12/2005). 6. Ademais, alega, ainda, o contribuinte a inexistência de relação com a empresa Samborá Comércio e Confecções Ltda e, consequentemente, a indevida conclusão de que todos os segurados empregados da Samborá eram supostamente seus integrantes. 7. Entretanto, inferese dos autos que as duas empresas funcionavam conjuntamente no mesmo local, sendo que os empregados da Samborá utilizavamse do maquinário da Word Blue. 8. Assim, diante da verificação da situação das empresas, resta evidente que não havia independência entre ambas, tratandose de uma única empresa, sob mesma administração. 9. Além disso, o contribuinte trouxe em seu recurso, com o intuito de afastar a exclusão do simples, as seguintes afirmações: a ilegalidade e irregularidade do Ato Declaratório n.º 36; falta de comprovação da interrelação das empresas ora analisadas; devida contabilização das despesas relevantes e não inclusão de pessoas que não eram sócias na empresa. 10. Contudo, a Samborá utilizouse de interpostas pessoas em seu quadro social no período de 02/12/2003 e 31/05/2006, configurandose situação impeditiva delineada no Ato Declaratório; observase também que o faturamento da Samborá era insuficiente para cobrir as suas despesas com a folha de pagamento e tributação e, dessa forma, é incontroverso que as empresas tinham sede no mesmo endereço e dependiam uma da outra, havendo unicidade entre as mesmas. 11. Desta feita, são devidas as contribuições previdenciárias dos segurados empregados a que está sujeita a contribuinte excluída do SIMPLES, no período de 12/2003 a 05/2006, as quais integram o cálculo da multa do presente lançamento. 12. Por fim, no que tange ao valor da multa, foi utilizada a multa mais benéfica ao contribuinte, conforme o recálculo, ff. 160, não devendo prosperar a alegação de que houve excesso do valor cobrado relativamente à infração e que a multa aplicada teria sido mais alta que a efetivamente devida. DA MULTA APLICADA 13. No que tange ao valor da multa aplicada, essa matéria deve ser revista de ofício tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. 14. Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a Fl. 205DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 15. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13962.000615/200875 Acórdão n.º 2201002.545 S2C2T1 Fl. 4 7 16. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 17. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. 18. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 19. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 20. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 21. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 22. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. 23. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 24. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° Fl. 208DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13962.000615/200875 Acórdão n.º 2201002.545 S2C2T1 Fl. 5 9 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; Fl. 209DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 25. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 26. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 27. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. CONCLUSÃO 28. Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, dar lhe PROVIMENTO PARCIAL para que sejam retificados os valores conforme disposto no artigo 32A, da lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 210DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13962.000615/200875 Acórdão n.º 2201002.545 S2C2T1 Fl. 6 11 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 13855.002820/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 25 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1201-000.111
Decisão: Resolução
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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decisao_txt : Resolução Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco e João Carlos de Lima Junior.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratamse de Autos de Infração lavrados pela fiscalização federal, que cobra da empresa contribuinte IRPJ, CSLL, Pis e Cofins dos anos calendários de 2005 a 2008, conforme as descrições abaixo: 1) Receitas não contabilizadas relativas à negociação do direito de exclusividade da Fininvest oferecer seus produtos nos pontos de venda da contribuinte, e provenientes da potencial geração de lucros em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 55 .0 02 82 0/ 20 10 -1 5 Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 3 2 decorrência da aquisição de novas lojas; (pagos os tributos cobrados no curso do processo) 2) Falta de contabilização de cessão de créditos comerciais com a empresa Portonovo, no valor de R$ 541.330,16; (pagos os tributos cobrados no curso do processo) 3) Receita não operacional não escriturada, decorrente do acordo de associação com a Cardiff, no qual houve acréscimo patrimonial obtido na aquisição de participação societária na Luizaseg. Em razão disso, lavraramse as seguintes autuações: 1 Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) fls. 2 a 13. Imposto: R$ 5.198.222,79 Juros de mora: R$2.616.954,93 Multa Proporcional: R$ 3.906.029,50 Total: R$ 11.721.207,22 Enquadramento legal do imposto: Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), arts. 249, II, 250, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280, 283, 288 e 926; Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24; Lei n° 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), art. 43, II. 2 Contribuição para o PIS fls. 14 a 29. Contribuição: R$ 101.794,64 Juros de mora: R$ 37.329,61 Multa Proporcional: R$83.044,93 Total: R$222.169,18 Enquadramento legal da contribuição: Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, arts. 1° , 3° e 4°. 3 Contribuição para a Seguridade Social (Cofins) fls. 30 a 45. Contribuição: R$ 468.873,25 Juros de mora: R$ 171.943,52 Multa Proporcional: R$ 382.510,70 Total: R$ 1.023.327,47 Enquadramento legal da contribuição: Lei n° 10.833, de 2003, arts. 1° , 3° e 5°. 4 Contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) fls. 46/57,427/433: Contribuição: R$ 1.941.164,35 Juros de mora: R$ 960.518,10 Multa Proporcional: R$ 1.458.523,72 Total: R$4.360.206,17 Enquadramento legal da contribuição: Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2° e §§; Lei n° 8.981, de 1995, art.58;Lei n° 9.065, de 1995, art.16; Lei n° 9.316, de 1996, art. Io; Lei n° 9.249, de 1995, art. 24; Lei n° 9.430, de 1996, art. 28; Lei n° 10.637, de 2002, art. 37; CTN, art. 43. Vejamos o resumo dos fatos no Termo de Verificação Fiscal trazido pela decisão da DRJ: 1) Foi firmado contrato de cessão de crédito com a empresa Portonovo Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros, cujo preço atingiu R$ 541.330,16 e não foi oferecido à tributação. 2) Foram celebrados, em 18/08/2005, 13/09/2005 e 17/03/2006, entre o Magazine Luiza (ML) e a Finivest, únicos sócios da empresa Luizacred, memorandos de entendimento em que as partes estabeleceram remuneração a ser paga pela financeira pela potencial Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 4 3 geração de lucro decorrente do efetivo aumento do número de pontos de venda pela aquisição, pelo ML, de novas lojas (Madol, Arno, Kilar). Tratase de outras receitas operacionais derivadas da cessão onerosa da exclusividade da Luizacred nos pontos de venda do ML, as quais não foram tributadas pela contribuinte. O ML informou que contabilizou essas receitas reconhecendo no ativo um direito na conta Crédito FMX (ativo circulante com a Finivest) a representar um direito do ML com a Luizacred, e em contrapartida uma saída do Banco. Tais saídas, na realidade, corresponderam aos pagamentos de parcelas nas aquisições das novas lojas, em nada se relacionando com as receitas obtidas com a Luizacred. Errado o lançamento, uma vez que deveria ter reconhecido as receitas acordadas nos memorandos de entendimento como contrapartida ao reconhecimento dos direitos a receber da Luizacred. 3) Foi celebrado, em 13/12/2005, Contrato de Aliança Estratégica entre o ML, a Cardif e a Cardif do Brasil Seguros e Previdência (que posteriormente alterou sua razão social para Luizaseg), para a criação de joint venture entre uma rede de varejo e uma seguradora de expressão mundial. Nesse acordo ficou estipulado que a Cardif pagaria para o ML um montante de R$ 50.000.000,00 como contrapartida pelos direitos de exclusividade. Inicialmente, previuse que o ML participaria da Luizaseg comprando metade das ações pelo valor nominal de R$ 3.683.957,00 ao valor de R$ 1,00, passando a deter metade do capital social. Em seguida, houve aumento de capital com a emissão de duas ações com valor nominal de R$ 1,00 cada, classificadas como preferencial classe A (direito de receber dividendo especial de 25% do valor equivalente ao benefício fiscal gozado pela Luizaseg relativamente à amortização do goodwill de R$ 50.000.000,00) e B (direito de dividendo especial de 75% sobre a mesma base). A ação classe B foi integralizada pelo ML e na subscrição da ação preferencial classe A pela Cardiff houve o pagamento de ágio de R$ 50.000.000,00 pela NCVP (empresa controlada integralmente pela Cardiff). O acertado entre as partes foi de que o ML receberia, depois de aportar metade do capital social em valor igual ao integralizado pela Cardiff, R$ 50.000.000,00 em espécie, e mais a participação societária de metade da seguradora formada Luizaseg, que atua nas dependências e com a clientela do ML. O desenho da realidade dos fatos indica que quem comprou o direito de exclusividade do ML foi a Cardiff, de acordo com a página 5 do Contrato (fl. 331) no item Goodwill, para em seguida aportálo nos ativos da Luizaseg. Nessa Operação foi que, a despeito de titularizar integralmente o direito de exclusividade, cede a título contraprestacional a metade do seu direito a fim de formar a "joint venture". E nessa ocasião houve o acréscimo patrimonial do ML na metade da participação ganha na Luizaseg. Financeiramente basta perceber que no caixa da Luizaseg a NCVP contribuiu com metade mais R$ 50.000.000,00 e que, não obstante esta contribuição, detém apenas metade da participação societária na empresa. Isto porque o Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 5 4 ML contribuiu com o valor da cessão dos direitos da clientela, pelo qual recebeu também a participação societária. Caso não houvesse a montagem da "joint venture", o valor de venda do direito de exclusividade da clientela a fim de que fosse oferecido os planos de seguro seria outro, eis que na empresa que explorasse este direito o ML não teria qualquer participação. Assim, o ML teve dois acréscimos patrimoniais, vale dizer: um monetário de R$ 50.000.000,00; e outro não monetário de R$25.000.0000,00 no valor da metade da participação societária ganha com a injeção de capital exclusiva pela NCVP. Por fim, a descaracterizar a existência do ágio descrito no acordo, cabe trazer a informação da integralização pelas duas acionistas da Luizaseg da quantia de R$ 1.357.728,00, ocorrida em 14/08/2006. Na ocasião, houve a deliberação societária de aprovar o aumento de capital social em R$ 2.715.456,00 com a emissão de 2.715.456 ações ordinárias nominativas ao preço de R$ 1,00 (fl. 419). As partes integralizaram ações ao valor nominal em partes iguais, implicando igualdade de participação societária, fato completamente diferente daquele visto anteriormente em que uma paga ágio em favor da outra. Ademais, houve lavratura de Auto de Infração complementar em 29 de novembro de 2010, na qual CSLL relativa ao ano calendário de 2007, aplicando multa de 75%, sob a seguinte acusação fiscal: CSLL BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES Em auto de infração anterior, constante do processo administrativo n° 13855.002820/201015 foi compensada base de cálculo negativa de contribuição social sobre o lucro líquido em montante superior ao saldo de períodos anteriores. Em realidade o fiscalizado possuía R$ 2.000.692,05 de base de cálculo negativa ao final do anocalendário 2006, no entanto compensou no anocalendário 2007 o montante de R$ 2.267.117,09 conforme aponta demonstrativo em anexo. Houve compensação indevida de R$ 266.425,04. Além disso, foi compensada erroneamente à fl. 48 do citado processo o montante de R$ 509.176,67 de saldo de base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores. Naquele período inexistia saldo a compensar de base de cálculo negativa, ao revés, ocorreu compensação indevida conforme apontado acima. Assim sendo, as duas incorreções perfazem a monta de R$ 775.601,71 compensado indevidamente. Intimada dos Autos de Infração em 24/11/2010, a contribuinte apresentou impugnação em 23/12/2010, alegando em síntese que: • Contratos de cessão de créditos à Portonovo item 2.1 do Termo de Verificação Fiscal (TVF): Reconhece que cometeu um erro em sua contabilidade, especificamente em relação ao registro do segundo contrato firmado e, por esse motivo, valese, da prerrogativa de Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 6 5 redução da multa em 50%, realizando o pagamento dos tributos correspondentes no prazo dessa intimação, conforme comprovam os Darf anexos (doc.04); • Direito de exclusividade da Luizacred item 2.2 do TVF: PIS E COFINS: O direito de exclusividade na contratação de operações de empréstimo pessoal e de crédito direto ao consumidor, que implica na cessão da carteira de clientes do Magazine Luiza S/A quanto a tais produtos/serviços, corresponde a um bem incorpóreo que integra o seu fundo de comércio. O aviamento do Magazine Luiza S/A, ou seja, a sua incontestável reputação no mercado de comércio varejista de móveis e eletrodomésticos e a existência de um número expressivo de clientes que já utilizaram os seus serviços, produziu, entre outros, um bem propriamente dito, de inegável valor econômico e absolutamente autônomo, qual seja, a capacidade de atrair clientes para negócios diretamente relacionados a tal ramo de comércio. Assim, o direito de exclusividade previsto nos Memorandos de Entendimentos nada mais representa do que o direito de explorar a carteira de clientes atual e futura do Magazine, com exclusividade, na contratação de operações de empréstimo pessoal e de crédito direto ao consumidor, configurando um direito integrante do seu fundo de comércio, passível de registro no "Ativo Permanente" da companhia. Dessa forma, nos termos do art. 1° , § 3° , II, e art. 15,1, da Lei n° 10.833, de 2003, não incidem o PIS e a Cofins sobre as receitas decorrentes da alienação de bens do Ativo Permanente. IRPJ E CSLL: Conforme Memorandos de Entendimento, o valor total pago pela Luizacred ao Magazine Luiza por conta da ampliação da rede de distribuição, a título de exclusividade, via aquisição de lojas de terceiros, é R$ 15.500.000,00, assim dividido: (...) Tais lojas foram adquiridas com ágio devidamente respaldado em laudos de avaliação (doc.05), porém registradas na contabilidade da impugnante como se adquiridas por valor inferior. Vejase: Lojas Arno Valor efetivamente contabilizado como ágio R$ 17.147.978,01; Lojas Kilar Valor efetivamente contabilizado como ágio R$ 736.872,23; Lojas Base Valor efetivamente contabilizado como ágio R$ 10.021.318,52; Lojas Madol Valor efetivamente contabilizado como ágio R$ 2.899.870,83. Verificase que a diferença entre o ágio efetivamente pago pela impugnante na aquisição das diversas lojas (R$ 46.356.039,59) e o quanto levado a registro contábil a esse título (R$ 30.806.039,59) é exatamente igual ao montante total pago pela Luizacred à impugnante como remuneração pelo direito de exclusividade: R$ 15.500.000,00. Considerando que tal ágio enseja o aproveitamento correlato da dedutibilidade das despesas por conta da sua amortização, nos termos do art. 386, do RIR, de 1999, o que se tem é que as receitas de remuneração pelo direito de exclusividade não foram tributadas, Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 7 6 porém não houve o aproveitamento fiscal da diferença do ágio não contabilizado. Importante esclarecer que o art. 385, do RIR, de 1999, estipula que os contribuintes obrigados à adoção do método da equivalência patrimonial para a contabilização e registro de seus investimentos em sociedades controladas ou coligadas, devem desdobrar o custo de aquisição do investimento em valor de patrimônio líquido e ágio, indicando os fundamentos econômicos desse ágio. Caso haja operação de incorporação entre a sociedade investidora e a investida, o ágio registrado pode gerar efeitos tributários, que dependerá das razões econômicas que justificam o ágio. No presente caso, em que o fundamento do ágio é a rentabilidade futura (laudos de avaliação anexos), nos termos do art. 386, III, do RIR, de 1999, a amortização do ágio deverá ser feita à razão de 1/60, no máximo, para cada mês do período de apuração (amortização no prazo máximo de 5 anos). A despesa correspondente a tal amortização será dedutível para fins fiscais. Assim, demonstrada a necessidade de "abatimento" entre os valores de receitas supostamente omitidos e os valores correspondentes ao benefício fiscal não amortizado, evidente a falta de liquidez e certeza às autuações em questão, uma vez que os valores referentes ao IRPJ e CSLL foram efetivamente "compensados", motivo pelo qual não podem prosperar os lançamentos em questão. • Postergação do pagamento: Caso não se admitam os argumentos expostos no tópico anterior, deve se aplicar o instituto da postergação de pagamento. Segundo o art. 273 do RIR, de 1999, quando o contribuinte deixar de escriturar uma receita submetendoa à tributação em período posterior aplicase a regra relativa à postergação do pagamento. A eventual receita decorrente do contrato de exclusividade foi efetivamente oferecida à tributação nos anos seguintes, nos quais não houve o aproveitamento adequado do benefício fiscal decorrente da amortização do ágio. A recomposição dos lucros tributáveis para consideração dos efeitos da postergação tem que ser feita considerandose não só o período no qual foi verificada a suposta postergação de receita, mas também os períodos subseqüentes, encerrandose tal verificação no último exercício anterior à autuação, ou seja, dezembro de 2009, tal como determina o Parecer Normativo (PN) Cosit n° 2, de 28 de agosto de 1996. • Da ampliação da rede por meio de Lojas Próprias: A ampliação da rede de distribuição do Magazine Luiza S/A deuse não só pela aquisição de lojas de terceiros, mas também por investimento próprio, o qual (assim como as demais lojas adquiridas de terceiros) ensejou pagamento de remuneração pela Luizacred em favor do Magazine Luiza por conta do direito de exclusividade sobre tais lojas próprias. Tal remuneração correspondeu ao montante de R$ 1.422.555,00, conforme Memorando de Entendimentos específico (doc.06); Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 8 7 Sendo tais lojas decorrentes de investimento próprio não há que se falar em aquisição de lojas de terceiros, tampouco em pagamento de ágio e, muito menos benefício fiscal decorrente de sua amortização, pelo que não teria seus supostos efeitos tributários anulados pelo reconhecimento a menor do ágio na aquisição das correspondentes lojas (conforme ocorreu no item anterior)" Dessa forma, reconhece que cometeu um erro em sua contabilidade, especificamente em relação ao valor de R$ 1.422.555,00, correspondente à remuneração recebida pelo direito de exclusividade cedido à Luizacred e, por esse motivo, valese da prerrogativa de redução da multa em 50%, realizando o pagamento dos tributos correspondentes no prazo dessa intimação, conforme Darf anexos (doc.07). • Aliança Estratégica com a Cardif Item 2.3 do Termo: O Magazine Luíza e a Cardif acordaram em estabelecer uma aliança estratégica, que se perfaz numa estrutura híbrida composta por: 1) uma joint venture, que se dedicará ao desenvolvimento, venda e administração de garantias estendidas para qualquer tipo de produto vendido no Brasil por meio da rede de distribuição do Magazine Luiza S/A; e 2) uma parceria para desenvolver, vender e administrar qualquer tipo de produtos de seguro, com exclusividade, por meio do telemarketing ou diretamente nos estabelecimentos do Magazine Luiza (conforme contrato de aliança estratégica anexo, doc.08); Referida Joint venture deuse por meio de estrutura societária envolvendo a Cardif (que detinha integralmente as ações da Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A), que tinha participação na NCVP. A Cardif, em assembléia da NCVP (doc.09), aprovou aumento de capital desta sociedade em R$ 57.367.914,00 (com emissão de 57.367.914 ações ordinárias) e, ato subsequente, a NCVP vendeu 50% das ações na Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A para o Magazine Luiza S/A ao valor de R$ 3.683.957,00 (doc. 10). Em seguida o Magazine Luiza e a NCVP deliberaram o aumento de capital da Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A num valor de R$ 2,00, mediante a emissão de 1 ação preferencial classe A e 1 ação preferencial classe B, cada uma valendo R$ 1,00 (doc. 11). A ação preferencial classe A foi integralizada pela NCVP, que pagou um ágio na subscrição de R$ 50 milhões, num total integralizado de R$ 50.000.001,00, e a ação preferencial classe B foi integralizada pelo Magazine Luiza por R$ 1,00. Tais ações dão direito a dividendo especial, relativo à distribuição de eventual benefício fiscal alcançado pela Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A na amortização do referido ágio. A Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A, finalmente, tem sua razão social alterada para Luizaseg Seguros S/A, conforme Acordo de Acionistas datado de 13/12/2005 (doc. 12). A par do ágio pago na subscrição, a Cardif (sociedade francesa) se compromete a pagar R$ 50 milhões para o Magazine Luiza S/A em remuneração pela cessão do direito de exclusividade de distribuição das garantias estendidas. O contrato de aliança estratégica, em sua Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 9 8 cláusula 6.1, explicita que, embora a Cardif se comprometa a tal pagamento, considerando que será a Luizaseg quem será a beneficiada pelos direitos de exclusividade, será esta a responsável pelo pagamento, que ocorrerá em duas parcelas de R$ 25 milhões; Desta maneira, a NCVP subscreve a ação preferencial classe A com ágio e os recursos provenientes dessa subscrição serão utilizados pela sociedade investida (Luizaseg) para honrar o compromisso de remunerar o Magazine Luiza S/A pela cessão do direito de exclusividade. Notese que são dois momentos jurídicos distintos: 1) a subscrição com ágio pela NCVP na Luizaseg; e 2) o pagamento pela Luizaseg de R$ 50 milhões, em duas parcelas de R$ 25 milhões, ao Magazine Luiza; A fim de operacionalizar tal aliança estratégica, cinco são os documentos fundamentais: 1) Contrato de Aliança Estratégica; 2) Acordo de acionistas; 3) Acordo Operacional; 4) Contrato de Distribuição; 5) Contrato de Prestação de Serviços; • Subscrição com ágio e os efeitos no Magazine Luiza S/A: Equivalência Patrimonial A subscrição da ação preferencial A pela NCVP com ágio de R$ 50 milhões na Luizaseg foi contabilizado como reserva de capital (doc. 16). O Magazine Luiza S/A, detentor de 50% da Luizaseg, avaliou esse investimento pelo Método da Equivalência Patrimonial (MEP), ressaltandose que o resultado obtido por esse método não deve compor o lucro real e não deve ensejar efeitos tributários quanto ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, esses dois últimos com fundamento nos arts. 1° , § 3° , V, b, das Lei n° 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002. • Da Remuneração pelo Direito de Exclusividade pago pela Luizaseg: o chamado "Goodwill": "Goodwill", nos termos do Contrato de Aliança Estratégica, é o montante de R$ 50 milhões pago pela Cardif ao Magazine Luiza S/A em contrapartida aos direitos de exclusividade na distribuição de produtos de seguro e produtos ampliados de seguro, ou seja, não se trata de ágio. Tal valor foi pago pela Luizaseg ao Magazine Luiza e foi oferecida a tributação, conforme trânsito pelo resultado, em duas parcelas de R$ 25 milhões, atestado por seu Razão contábil (doc. 17); Assim, por tudo quanto exposto no que tange à Aliança Estratégica firmada, não há que prosperar a pretensão da fiscalização quanto à constituição dos créditos tributários pertinentes ao IRPJ e CSLL. • Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa: Não existe previsão legal para a exigência de juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício. O art. 13 da Lei n° 9.065, de 1995, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, remete ao art. 84 da Lei n° 8.981, de 1995, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. Multa é penalidade, não é tributo. A exigência de juros de mora sobre a multa de ofício desrespeita o princípio da legalidade, previsto nos art. 5o, II, e 37 da Constituição Federal (CF). Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 10 9 Nem se alegue que a cobrança dos juros sobre a multa estaria amparada pelo art. 43 da Lei n° 9.430, de 1996, já que referido dispositivo autoriza a cobrança apenas em relação à multa exigida isoladamente, o que não é a hipótese dos autos. A DRJ manteve o lançamento fiscal nos seguintes termos, reconhecendo inclusive como extintos os débitos fiscais pagos pela empresa no curso do processo administrativo: Direitos de exclusividade na Luizacred Quanto ao IRPJ e CSLL a contribuinte alega que registrou por valor menor o ágio pago na aquisição das lojas e que poderia, com base no art. 386, III, do RIR, de 1999, amortizar o ágio pago com base na rentabilidade futura e essa despesa seria dedutível na apuração do lucro real. Afirma que haveria a necessidade de abatimento entre os valores das receitas omitidas e o valor do ágio não amortizado. Ou, alternativamente, se não aceito o "abatimento" antes referido, deveria ser aplicado o instituto da postergação de pagamento. Verificase que a contribuinte, na verdade, não discorda que deveria, mas não tributou, os valores recebidos da Luizacred em decorrência da cessão do direito de exclusividade, tendo em vista a ampliação dos pontos de venda proveniente da aquisição de novas lojas. Apenas afirma que eles devem ser compensados com a amortização do ágio pago na aquisição das citadas lojas a que teria direito e que não foi feita. Inicialmente, relativamente à amortização das parcelas que compõem o ágio, o RIR, de 1999, em seu art. 391, dispõe que as "contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426”. A única possibilidade de deduzir o ágio na apuração do lucro real e na apuração da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido está prevista no art. 386 que dispõe sobre o tratamento tributário do ágio ou deságio nos casos de incorporação, fusão ou cisão. No presente caso, a contribuinte, apesar de alegar, não comprova que registrou contabilmente o ágio por valor menor. Ao contrário, consta à fl. 62, a informação de que o ML registrou em sua integralidade os preços contratados pelas aquisições das novas lojas, inclusive no reconhecimento dos ágios decorrentes de rentabilidade futura. O PAF dispõe em seu art. 16, III, que devem ser apresentados na impugnação os documentos e provas que a impugnante possuir, que possam influir na solução do litígio. Portanto, se a contribuinte pretendia ver atendido o seu pleito, deveria ter apresentado os registros contábeis que comprovassem que escriturou os ágios por valores menores do que os efetivamente pagos. Em segundo lugar, deveria comprovar, com documentação hábil e idônea, que se enquadra no disposto no art. 386, III, do RIR, de 1999, o que não ocorreu. Cumpre acrescentar que, ainda que fossem feitas as comprovações acima, não poderseia falar em abatimento entre os valores das receitas omitidas e o valor do ágio não amortizado, pois a amortização Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 11 10 do ágio prevista no art. 386, III, do RIR, de 1999, constitui uma faculdade dada ao contribuinte e deve ser registrada na contabilidade na época própria, o que não foi feito, não cabendo agora depois do lançamento de ofício a sua utilização com vistas a reduzilo ou invalidálo. Quanto à alegada postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao que seria devido, o PN (Cosit) 02, de 1996, explica que: "6. O § 5°, transcrito no item 5, determina que a inexatidão de que se trata, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, inclusive adicional correção monetária e multa se dela resultar postergação do pagamento de imposto para exercido posterior ao em que seria devido ou redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. 6.1 — Considerase postergada a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a determinado períodobase, quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior. 6.20 fato de o contribuinte ter procedido espontaneamente, em períodobase posterior, ao pagamento dos valores do imposto ou da contribuição social postergados deve ser considerado no momento do lançamento de oficio, o qual, em relação às parcelas do imposto e da contribuição social que houverem sido pagas, deve ser efetuado para exigir, exclusivamente, os acréscimos relativos a juros e multa, caso o contribuinte já não os tenha pago. 6.3 — A redução indevida do lucro líquido de um períodobase, sem qualquer ajuste pelo pagamento espontâneo do imposto ou da contribuição social em períodobase posterior, nada tem a ver com postergação, cabendo a exigência do imposto e da contribuição social correspondentes, com os devidos acréscimos legais. Qualquer ajuste daí decorrente, que venha ser efetuado posteriormente pelo contribuinte não tem as características dos procedimentos espontâneos e, por conseguinte, não poderá ser pleiteado para produzir efeito no próprio lançamento." (grifei) Como se depreende da leitura do trecho acima, a discussão se estabelece em torno da postergação de pagamento de tributo, ou seja, quando ocorrer que uma parcela do tributo, que deveria ser paga num determinado períodobase, é efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior, conforme entendimento firmado no item 6.1 acima. No presente caso, a contribuinte não ofereceu à tributação os valores relativos à receita auferida com a cessão dos direitos de exclusividade nos anoscalendário lançados no presente processo e não comprovou a efetivação de qualquer pagamento. De fato, a contribuinte limitase a alegar o suposto oferecimento das receitas em períodos posteriores mas, nada do que afirma foi comprovado por documentação idônea, restando de concreto apenas o não oferecimento das receitas, motivo pelo qual não se altera o lançamento nessa parte. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 12 11 Quanto ao PIS e a Cofins, a contribuinte alega que o direito de exclusividade previsto nos Memorandos de Entendimentos configura um direito integrante do seu fundo de comércio, passível de registro no ativo permanente e, sendo assim, sobre a receita advinda de sua alienação não incidem aquelas contribuições. Temse no processo que a receita auferida se refere ao direito de a Luizacred oferecer seus produtos com exclusividade nas lojas do ML; tratase de transferir a terceiro a possibilidade de oferecer seus produtos à clientela da contribuinte. Não se trata da cessão da carteira de clientes do ML, mas sim tão somente do direito de oferecer a esses clientes operações financeiras, correspondendo à receita operacional obtida no prazo do contrato (10 anos), em razão da atuação da rede varejista na captação dos clientes. Assim, não procede a alegação de não incidência do PIS e da Cofins sobre essa receita. Contratos de cessão de créditos à Portonovo item 2.1 do Termo de Verificação Fiscal (TVF) A contribuinte reconhece que cometeu um erro em sua contabilidade, especificamente em relação ao registro do segundo contrato firmado com a Portonovo e, por esse motivo, valeuse da prerrogativa de redução da multa em 50%, realizando o pagamento dos tributos correspondentes no prazo dessa intimação, conforme comprovam os Darf anexos (doc.04). Dessa forma, nos termos do art. 16, III, e 17 do PAF, o valor do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins relativo a essa matéria é definitivo na esfera administrativa, devendose considerar os pagamentos constantes nos Darf de fls. 587/588. Tributos considerados definitivos na esfera administrativa com exigência da multa de 150% e juros de mora: (...) Da ampliação da rede por meio de Lojas Próprias: A contribuinte reconhece que cometeu um erro em sua contabilidade, especificamente em relação ao valor de R$ 1.422.555,00, correspondente à remuneração recebida pelo direito de exclusividade cedido à Luizacred e, por esse motivo, valeuse da prerrogativa de redução da multa em 50%, realizando o pagamento constante à fl.727. Dessa forma, nos termos do art. 16, III, e 17 do PAF, o valor do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativo a essa matéria é definitivo na esfera administrativa, devendose considerar os pagamentos constantes nos Darf de fl. 727. Tributos considerados definitivos na esfera administrativa com exigência da multa de 150% e juros de mora: (...) Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 13 12 Aliança estratégica com a Cardif. A contribuinte alega que é detentora de 50% da Luizaseg e avaliou esse investimento pelo Método da Equivalência Patrimonial (MEP), ressaltandose que o resultado obtido por esse método não deve compor o lucro real e não deve ensejar efeitos tributários. A esse respeito, cabe registrar, conforme consta no TVF, que, na associação com a Cardiff para a formação da "joint venture", a contribuinte, depois de aportar metade do capital social em valor igual ao integralizado por aquela empresa, receberia R$ 50.000.000,00 e mais a participação societária de metade da seguradora formada, a Luizaseg. Referido valor de R$ 50 milhões pago em contrapartida aos direitos de exclusividade na distribuição de produtos de seguro e produtos ampliados de seguro, conforme esclarece a contribuinte, foi oferecido à tributação, conforme trânsito pelo resultado, em duas parcelas de R$ 25 milhões, atestado por seu razão contábil (doc. 17). Informa o autuante que, na realidade, quem comprou o direito de exclusividade do ML foi a Cardiff, conforme consta no contrato à fl.331, para em seguida aportálo nos ativos da Luizaseg. Financeiramente, no caixa da Luizaseg a NCVP contribuiu com metade mais R$ 50.000.000,00 e, não obstante essa contribuição, detém apenas metade da participação societária na empresa. Isto porque, o ML contribuiu com o valor da cessão dos direitos da clientela, pelo qual recebeu também a participação societária. Relata a fiscalização que, caso não houvesse a montagem da "joint venture", o valor de venda do direito de exclusividade da clientela a fim de que fosse oferecido os planos de seguro seria outro, pois na empresa que explorasse este direito o ML não teria qualquer participação. Assim, o ML teve dois acréscimos patrimoniais: um monetário de R$ 50.000.00,00 e outro não monetário de R$ 25.000.000,00 no valor da metade da participação societária ganha com a injeção de capital exclusiva pela NCVP. Acrescenta que, descaracterizando a existência do ágio descrito no acordo, ocorreu a integralização, em 14/08/2006, em partes iguais, pelas duas acionistas da Luizaseg da quantia de R$ 1.357.728,00, implicando igualdade de participação societária, fato completamente diferente daquele visto anteriormente. Constatou o autuante que a investidora NCVP não considerou como ágio a parcela de R$ 25.000.000,00 subscrita pela ação preferencial classe A, a despeito do contrato assim considerar e considerou como indedutíveis as deduções anuais no valor de R$ 5.000.000,00 amortizadas do ágio, isso porque essa parcela do chamado "goodwill" foi acrescida ao patrimônio do ML sem a correspondente tributação. Verificase, do exposto, que não se trata de receita de equivalência patrimonial, mas sim de receita não operacional auferida na formação da "joint venture", sujeita à tributação. Inicialmente, a riqueza da impugnante (ML) era constituída por 50% de 7.367.914 ações ao valor de R$ 1,00, ou seja, possuía 3.683.957 ações por R$ 3.683.957,00. Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 14 13 No instante seguinte, passa a ser proprietária de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) em espécie, e ainda 50% de 7.367.916 ações, só que agora majoradas para R$ 57.367.916,00 de sorte que seus 50% correspondem a R$ 28.683.958,00. Ora, quando comparadas as riquezas que a contribuinte possuía antes e depois do momento aqui referido, é inequívoco que sua riqueza cresceu de R$ 3.683.957,00, para R$ 28.683.958,00, ou seja, adquiriu a disponibilidade econômica relativamenteimportância de R$ 25.000.001,00. Correta, portanto, a sua tributação e a exigência do IRPJ e CSLL. Juros de mora sobre multa de ofício. A contribuinte questiona a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Cumpre esclarecer que a exigência de juros moratórios sobre a penalidade não é objeto do lançamento ora em litígio, do qual consta a indicação de juros apenas sobre o valor principal. Os juros, incidentes sobre o crédito tributário lançado a título de principal e multa, serão calculados e atualizados até a data do efetivo pagamento, na fase de execução do acórdão e de cobrança do crédito tributário mantido, após se tornar definitiva, na esfera administrativa, a decisão acerca do lançamento impugnado. Portanto, não compete à autoridade administrativa se manifestar sobre essa incidência, pois ela não existe no processo, é um evento futuro e incerto. Compensação Indevida de Base de Cálculo Negativa de Períodos Anteriores. A contribuinte não contesta, também, a exigência de CSLL no valor de R$ 69.804,15, relativa à compensação indevida de base de cálculo negativa da CSLL ocorrida no anocalendário de 2007, conforme auto de infração de fls. 427 a 433. Dessa forma, nos termos do art. 16, III, e 17 do PAF, referido valor, acrescido da multa de 75% e dos juros de mora é definitivo na esfera administrativa. Conclusão. Diante de todo o exposto, voto por considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido e declarando definitiva a exigência do IRPJ no valor de R$ 75.017,06, do PIS no valor de R$ 15.973,60, da Cofins no valor de R$ 94.145,89, da CSLL no valor de R$ 27.006,11, acrescidos de multa de 150% e de juros de mora, e da CSLL no valor de R$ 69.804,15, acrescido de multa de 75% e de juros de mora, conforme demonstrado acima. A contribuinte foi intimada em 25 de julho de 2011. Inconformada com a decisão, interpôs Recurso Voluntário em 23 de agosto de 2011, alegando em síntese que: Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 15 14 Fatos e acusação fiscal quanto ao item 2.3 do TVF Aliança Estratégica com a Cardif S/A ("Cardif") Item 2.3 do Termo Conforme entendimento do Sr. Auditor Fiscal, foi firmado Contrato de Aliança Estratégica, em 13.12.2005, entre a Recorrente, a Cardif e a Cardif do Brasil Seguros e Previdência S/A ("Cardif do Brasil"). Entendeu a Fiscalização tratarse de joint venture entre a rede de varejo, ora Recorrente, e uma seguradora de expressão mundial. Nestes termos, afirmouse que havia "de um lado, a rede varejista de escala nacional trouxe as centenas de pontos de venda de mercadorias e produtos financeiros presentes em vários estados com a sua clientela", enquanto "de outra parte, a seguradora de origem francesa disponibilizará seus conhecimentos na área de seguros", (item 2.3, do Termo de Verificação Fiscal). Observou o Sr. Auditor Fiscal em sua análise que nos pontos de venda da Recorrente ficou consignado o direito de exclusividade no oferecimento de produtos de seguro. Identificou também que ficou estabelecido o pagamento de montante sob a rubrica de "goodwill” pela Cardif à Recorrente por tal cessão de direito de exclusividade. A forma do pagamento de referida monta estaria descrita no Anexo D do Contrato de Aliança Estratégica. Nas palavras e no entendimento do Sr. Auditor Fiscal, assim teriam se dado os fatos: "Este pagamento direto da Cardiff (sic) para a fiscalizada foi feito na forma preconizada no anexo D do Contrato de Aliança Estratégica. Inicialmente previuse que o ML participaria da empresa Luizaseg comprando a metade das ações de emissão da sociedade pelo valor nominal de R$ 3.683.957,00 ao valor de R$ 1,00 por ação, passando a deter metade do capital social. Em seguida, houve o aumento de capital com a emissão de duas ações emitidas com valor nominal de R$ 1,00 cada, classificadas como preferencial classe A e B. Cabe destacar que ambas possuem direitos distintos, pois a preferencial classe A tem direito a receber um dividendo especial de 25% do valor equivalente ao benefício fiscal gozado pela Luizaseg relativamente à amortização do goodwill pago de R$ 50.000.000,00. Já a preferencial classe B tem direito ao dividendo especial de 75% sobre a mesma base. Destarte, a ação preferencial classe B integralizada pelo ML tem valor significativamente maior do que a integralizada pela Cardiff (sic) na contramão do ágio pago. Na subscrição da ação preferencial classe A houve o pagamento de ágio no valor de R$ 50.000.000,00 pela NCVP empresa controlada integralmente pela Cardiff (sic). Por sua parte, o Magazine Luiza subscreveu a sua ação preferencial classe B pelo valor de R$ 1,00. Mesmo ao final desta subscrição em que ambas aportaram quantias tão díspares, os investidores permaneceram com metade da participação societária. A diferença abissal foi o pagamento de ágio por apenas uma delas. Assim está descrito no citado Contrato de Aliança Estratégica." (item 2.2.1 do Termo de Verificação Fiscal) Sob a perspectiva do Sr. Auditor Fiscal, "o artificialismo fica claro", na medida em que "soa desarrazoado imaginar tamanha perda de uma parte em detrimento do ganho de outra corporação". Em sua leitura, Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 16 15 referido ágio não é mais do que "parte do preço pago pela Cardiff (sic) no Contrato de Aliança Estratégica". De modo a respaldar seu racional, a Fiscalização traz à baila informações contábeis da NCVP Participações Societárias S/A ("NCVP"), publicadas no Diário Oficial do Estado de São Paulo. Nelas se verifica que a NCVP reconheceu como investimento na Luizaseg Seguros S/A ("Luizaseg") a quantia de R$ 25 milhões, sendo somente os R$ 25 milhões reconhecidos como ágio. Em seu entendimento, essa seria uma prova de que, em verdade, não houve subscrição da ação preferencial classe B pela NCVP com ágio de R$ 50 milhões, justamente por não corresponder tal valor a efetivo ágio. Outro argumento utilizado pelo Sr. Auditor Fiscal para sustentar seu ponto de vista, seria o fato de que a NCVP considerou indedutíveis as deduções anuais no valor de R$ 5 milhões correspondentes à amortização do ágio então registrado. Por fim, sustentou a Fiscalização que o reflexo contábil da participação societária na Recorrente, como receita não operacional, registrada sob a rubrica "Receita de Equivalência Patrimonial" está equivocado. Isto porque, em seu entender, "não se trata de receita de equivalência patrimonial. Mas sim, consoante retro identificado, representa a parcela do ganho de metade da participação societária na Luizaseg negociada na aliança estratégica." No que tange a este terceiro tópico, especificamente, foram constituídos os seguintes créditos tributários: IRPJ Multa Juros R$4.472.999,998 R$ 3.354.750,00 R$2.366.217,00 CSLL Multa Juros R$ 1.610.279,999 R$ 1.207.710,00 R$ 851.838,12 Tributo Multa Juros R$ 6.083.280,00 R$ 4.562.460,00 R$ 3.218.055,12 TOTAL R$ 13.863.795,11 Preliminar Inexistência de matéria não impugnada quanto à CSLL (compensação indevida de base de cálculo negativa de 2007) De acordo com o entendimento da Turma Julgadora, a Requerente teria deixado de impugnar a exigência de CSLL no valor R$ 69.804,15, relativa a suposta compensação indevida de base de cálculo negativa deste tributo, referente ao anobase de 2007, constituída por meio do auto de infração "complementar", lavrado em 29/11/10. A este respeito, eis o que ficou consignado na decisão da Turma Julgadora: "A contribuinte não contesta, também, a exigência de CSLL no valor de R$ 69.804,15, relativa à compensação indevida da base de cálculo negativa da CSLL ocorrida no anocalendário de 2007, conforme auto de Infração de fls. 427 a 433. Dessa forma, nos termos do art. 16, III, e 17 do PAF, referido valor, acrescido da multa de 75% e dos juros de mora é definitivo na esfera administrativa." (fls. 961 dos autos) Contudo, o auto de infração "complementar", presente às mencionadas fls. 427 a 433 do processo administrativo em questão, no qual se apurou um valor tributável total de R$ 775.601,71 (R$ 266.425,04 + R$ 509.176,67), diz respeito, ao contrário do afirmado pela Turma Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 17 16 Julgadora, a matérias que foram efetivamente impugnadas pela Requerente, uma vez que decorrem, conforme será demonstrado, das glosas de CSLL, para os anos de 2005 e 2006, efetuadas por meio do auto de infração "originário", lavrado em 24/11/10. Em um primeiro momento, a Autoridade Fiscal alegou, no auto de infração "complementar" em comento, que com relação ao anobase de 2007, "foi compensada base de cálculo negativa de contribuição social sobre o lucro líquido em montante superior ao saldo de períodos anteriores". De acordo com o seu entendimento, a Requerente possuía R$ 2.000.692,05 de base de cálculo negativa da CSLL ao final de 2006, "no entanto compensou no anocalendário de 2007 o montante de R$ 2.267.117,09". Nada obstante, a suposta compensação indevida decorre de erro da própria Autoridade Fiscal, quando da lavratura da primeira autuação (24/11/10), em razão das glosas das bases de cálculo da CSLL e da não recomposição do saldo de base negativa de períodos anteriores, como seria de rigor. Efetivamente, caso o Sr. Agente Fiscal tivesse assim procedido, o valor autuado para o ano de 2007 seria exatamente o montante apurado a fls. 48 (R$ 1.697.255,52), acrescido do valor apurado no auto de infração "complementar" (R$ 266.425,04). De fato, no anobase de 2005, a Autoridade Fiscal autuou, a título de CSLL, o montante total de R$ 25.559.999,99. Como a Requerente possuía saldo de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, no valor total de R$ 23.901.257,99, a Autoridade Fiscal compensou o valor de R$ 7.668.000,00 (30% de R$ 25.559.999,99), além do montante já utilizado pela Requerente (R$ 12.437.045,80), chegando a uma base de cálculo, no auto de infração, de R$ 17.891.999,99. Portanto, para o anobase de 2006, embora a Requerente tenha registrado em seu LALUR (cópia anexa) um saldo de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores de R$ 11.464.212,22, a Autoridade Fiscal reconhece, em razão da citada glosa referente ao ano de 2005, apenas o montante de R$ 3.796.212,231 em seu Demonstrativo da Base de Cálculo da CSLL (SAPLI elaborado após a lavratura do auto de infração "original", conforme se pode notar pela análise da tabela abaixo: (...) Desta feita, ao final de 2006, enquanto o LALUR da Requerente registra um saldo de base de cálculo negativa da CSLL de R$ 10.210.022,20, o SAPLI elaborado pela Autoridade Fiscal, em razão da lavratura do "auto complementar", possui saldo de apenas R$ 2.000.692,05, em função da recomposição da base de cálculo efetuada. Chegandose ao anobase de 2007, objeto do auto de infração "complementar", percebese que o Sr. Agente Fiscal acabou por glosar a diferença entre o saldo considerado por ele como disponível (em razão das glosas dos anos de 2005 e 2006), R$ 2.000.692, 05, e o saldo utilizado pela ora Requerente, R$ 2.267.117,09, conforme verificase pela tabela comparativa abaixo: Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 18 17 (...) Portanto, pelo exposto, notase que o valor de R$ 266.425,04, que está sendo exigido da Requerente no auto de infração "complementar", correspondente à diferença entre a parcela compensada pela Requerente (R$ 2.267.117,09) e o suposto valor que estaria disponível para compensação, em razão das glosas efetuadas nos anos de 2005 e 2006 (R$ 2.000.692,05). Claramente, tal montante decorre da retificação, pelo Sr. Agente Fiscal, por meio do "auto complementar" dos respectivos saldos de base negativa passíveis de utilização. A compensação indevida não pode, de modo algum, ser atribuída à Requerente, como pretendeu a Autoridade Fiscal. De fato, como demonstrado anteriormente, a suposta insuficiência de base de cálculo negativa de períodos anteriores R$ 266.425,04 advém, única e exclusivamente, da glosa dos valores correspondentes às bases de cálculo nos anos de 2005 e 2006, que foram devidamente impugnadas pela ora Requerente. Isso porque, ao se considerar como devidas as bases de cálculo autuadas (R$ 25.559.999,99 e R$ 2.214.876,42 fls. 46 e 47 dos autos), em razão da lavratura do auto de infração "original" (24/11/10), alterouse, substancialmente, o montante de base negativa de períodos anteriores passível de compensação, não restando, no entender da fiscalização, base negativa suficiente à compensação no ano de 2007. Além disso, a Autoridade Fiscal também alegou, no auto de infração "complementar" que "foi compensada erroneamente à fl. 48 do citado processo o montante de R$ 509.176,67 de base de cálculo negativa de períodos anteriores", uma vez que no período citado não havia saldo a compensar. Analisandose a mencionada fl. 48, que corresponde ao auto de infração originariamente lavrado contra a Requerente "Demonstrativo de Apuração Contribuição Social s/Lucro Líquido Lucro Real" notase que, novamente, a alegada compensação indevida foi fruto de correção do próprio trabalho realizado pela Autoridade Fiscal no auto de infração "original". Ora, no anobase de 2007, foi objeto de autuação "originária" o montante total de R$ 1.697.255,52 a título de CSLL, tendo a Autoridade Fiscal considerado como base de cálculo negativa a ser compensada o valor de R$ 509.176,67. Claramente, a base de cálculo negativa apurada corresponde à simples aplicação do percentual de 30% sobre o valor autuado, sem que a Autoridade Fiscal tivesse levado em conta se efetivamente havia um saldo a ser compensado de períodos anteriores. Insistase: não foi realizada a recomposição do saldo de base negativa passível de compensação no auto de infração "original". Portanto, com relação ao montante de R$ 509.176,67, compensado "de ofício" pelo Sr. Agente Fiscal as fls. 48, evidente que se tratou, também, de um equívoco por parte da fiscalização. De fato, não Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 19 18 existindo saldo de base negativa suficiente para o ano de 2007 – no entendimento do próprio Sr. Agente Fiscal não seria possível uma dedução nesse montante. Ou seja, a constituição desse valor decorre, também, da glosa da CSLL para os anos de 2005 e 2006 que foi devidamente impugnada pela ora Recorrente. Resta assim demonstrado que a parcela que foi autuada no auto de infração "complementar", de R$ 775.601,61 (R$ 266.425,04 + R$ 509.176,67), corresponde em sua totalidade à correção de equívocos do próprio trabalho ("auto original") pela Autoridade Fiscal, em razão da recomposição dos saldos de base negativa passíveis de serem utilizados no abatimento da base tributável constituída, não sendo em nenhuma medida atribuível a erro da Requerente. Portanto, considerandose que as supostas infrações relativas à CSLL, apuradas no auto de infração original, foram integralmente impugnadas pela Requerente (falta de recolhimento da CSLL sobre os valores recebidos da Luizaseg e CSLL sobre receitas omitidas recebidas da Luizacred), não procede a alegação de que esta não teria contestado o montante de R$ 69.804,15. Ante todo o exposto, requerse o cancelamento da constituição definitiva do crédito tributário de CSLL no valor de R$ 69.804,15, promovida na decisão da DRJ de Ribeirão Preto, suspendendose a exigibilidade do referido crédito em sua integralidade, bem como o processamento do Recurso Voluntário anexo. Do Direito II.1 Direito de Exclusividade da Luizacred Item 2.2 do Termo A discussão pertinente ao direito de exclusividade cedido à Luizacred pela Recorrente deve ser, pelas peculiaridades dos argumentos a serem trazidos, dividida em dois subtópicos principais: (i) PIS e COFINS; e (ii) IRPJ e CSLL II.1.1 PIS e COFINS Seguindo a mesma esteira das Autoridades Fiscais, a Turma Julgadora entendeu que incidem o PIS e a COFINS sobre os valores recebidos pela Recorrente em decorrência do contrato celebrado com a Luizacred, pelo qual esta última possui direito de exclusividade nas contratações de operações de empréstimo pessoal e de crédito direto ao consumidor, realizadas nos estabelecimentos comerciais da Recorrente. Desta forma, sustentou a Turma Julgadora que "não procede a alegação de não incidência do PIS e da COFINS sobre essa receita", (fls. 958 dos autos) Destarte, no exclusivo posicionamento da Turma Julgadora, não teria ocorrido em tal hipótese a cessão da carteira de clientes da Recorrente, mas tãosomente a cessão "do direito de oferecer a esses clientes operações financeiras, correspondendo à receita operacional obtida no prazo do contrato (10 anos), em razão da atuação da rede varejista na captação de clientes". (fls. 958 dos autos) Assim, no entender dos Srs. Julgadores, na cessão do direito de exclusividade à Luizacred, não se estaria diante de uma venda de bem do "Ativo Permanente", de modo que seriam devidas as contribuições PIS e COFINS sobre as receitas deste modo obtidas. (...) Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 20 19 Por sua natureza, a carteira de clientes da Recorrente é item que compõe o seu fundo de comércio, sendo por essa razão passível de registro em seu "Ativo Permanente". Como bem do "Ativo Permanente", a cessão de tal carteira de clientes não dá ensejo à incidência das contribuições PIS e COFINS, nos termos do artigo 1o, parágrafo 3o, inciso II, e artigo 15, inciso I, da Lei n° 10.833/03. (...) II.1.1.1 Da Natureza Jurídica do Direito de Exclusividade O exercício contínuo de qualquer atividade comercial ou empresarial pressupõe a existência de bens materiais, tais como instalações, maquinados e estoque e também a existência de bens incorpóreos, tais como clientes ou freguesia, marcas, pontos comerciais e capacidade de gerar recursos. Assim, a atividade comercial ou empresarial corresponde a um conjunto de bens materiais e imateriais que tem por Objetivo a consecução dos fins para os quais se propõe, dentre os quais se inclui o fundo de comércio e os bens e direitos que o compõem. Segundo Waldemar Ferreira7, aviamento é um dos "elementos incorpóreos do estabelecimento", constituindo "elemento essencial, de alto ou menor valor, em consonância com as circunstâncias do tempo e do mercado, tanto quanto das particularidades do comerciante". Por sua vez, uma das principais manifestações do aviamento é o surgimento de um bem incorpóreo: a carteira de clientes e, mais precisamente, do bem denominado pelos franceses de achalandage, ou seja, "a faculdade de aproveitamento da freguesia, ligada ao fundo de comércio, e de usar dos meios adequados para sua conservação e acréscimo". Com efeito, um negócio próspero pressupõe uma carteira de clientes que estabelece uma relação contínua e progressiva de demanda de bens e serviços. (...) Tendo em vista essas considerações, é de se inferir que o direito de exclusividade na contratação de operações de empréstimo pessoal e de crédito direto ao consumidor, que implica na cessão da carteira de clientes da Recorrente quanto a tais produtos/serviços, corresponde a um bem incorpóreo que integra o seu fundo de comércio. Por essa razão, carece de fundamento a assertiva emanada pela Turma Julgadora no sentido de que, no caso concreto, “Não se trata da cessão da carteira de clientes do ML, mas sim tão somente do direito de oferecer a esses clientes operações financeiras, correspondendo à receita operacional obtida no prazo do contrato (10 anos), em razão da atuação da rede varejista na captação dos clientes", (fls. 958 dos autos, g.n.) No limite, o que se pretende afirmar é que qualquer que seja o negócio vinculado ao ambiente criado pela Recorrente, este terá um acréscimo expressivo no seu valor, considerando a sua capacidade em atrair clientes. Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 21 20 Nesse sentido, observase que o acesso à exploração da carteira de clientes da Recorrente para a contratação de operações de empréstimo pessoal e de crédito direto ao consumidor corresponde a um bem imaterial, integrante de seu fundo de comércio e passível de ser cedido a terceiros interessados. Assim, o direito de exclusividade previsto nos Memorandos de Entendimentos nada mais representa do que o direito de explorar a carteira de clientes atual ou futura da Recorrente, com exclusividade, na contratação de operações de empréstimo pessoal e de crédito direto ao consumidor configurando um direito integrante do fundo de comércio da Recorrente. Dessa forma, cumprenos esclarecer que os artigos 178 e 179 da Lei n° 6.404/76 ("LSA"), com a redação dada pelas Leis n° 11.638/07 e 11.941/09, disciplinam a forma e os critérios a serem observados na contabilização de bens e direitos incorpóreos, sobretudo aqueles relacionados ao fundo de comércio das companhias, nos seguintes termos: "Art. 178. No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia. § 1° No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas registrados, nos seguintes grupos: I ativo circulante; e II ativo não circulante, composto por ativo realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível. (...) Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) VI no intangível: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido." (g.n.) Neste ponto, cabe um parênteses. As alterações promovidas pelas Leis n° 11.638/07 e 11.941/09 tiveram grande repercussão, razão pela qual se faz pertinente indicar a evolução da redação do artigo 178 da LSA nesse período. Nesse sentido, a redação original da Lei n° 11.638/07 apenas incluiu os bens intangíveis no grupo do ativo permanente. Posteriormente, a Lei n° 11.941/09 suprimiu a antiga subdivisão dos ativos das companhias em ativo circulante, realizável a longo prazo e permanente, substituindoa pela atual classificação dos ativos simplesmente em dois grandes grupos: circulante e nãocirculante (incluindo neste último grupo os bens intangíveis). Importante registrar que essa atual denominação ainda não está refletida na legislação tributária atualmente em vigor. Não obstante, tendo em vista que os bens intangíveis integram o atual ativo nãocirculante referido na legislação societária, é de se inferir que eles integram o antigo ativo permanente referido na legislação tributária. Bem por isso, para fins Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 22 21 de padronização de nomenclatura, será adotado, a partir deste ponto, o termo "Ativo Permanente" como sinônimo de ativo nãocirculante para os fins que se apresentam na corrente discussão. Pelo supra exposto e transcrito, observase que são classificados como direitos intangíveis aqueles intimamente relacionados com bens incorpóreos que estejam vinculados à manutenção da exploração das atividades das companhias ou que sejam exercidos com essa finalidade, incluindo nesse conceito o fundo de comércio dessa pessoa jurídica, devendo ser registrados no ativonão circulante ("Ativo Permanente", para os presentes fins). Registrese, ainda, que o Pronunciamento Técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis ("CPC") n° 4, que define o tratamento contábil geral aplicável aos ativos intangíveis, os define como ativos não monetários identificáveis sem substância física, explicando a extensão desse conceito nos seguintes termos: "9. As entidades freqüentemente despendem recursos ou contraem obrigações com a aquisição, o desenvolvimento, a manutenção ou o aprimoramento de recursos intangíveis como conhecimento científico ou técnico, desenho e implantação de novos processos ou sistemas, licenças, propriedade intelectual, conhecimento mercadológico, nome, reputação, imagem e marcas registradas (incluindo nomes comerciais e títulos de publicações). Exemplos de itens que se enquadram nessas categorias amplas são: softwares, patentes, direitos autorais, direitos sobre filmes cinematográficos, listas de clientes, direitos sobre hipotecas, licenças de pesca, quotas de importação, franquias, relacionamentos com clientes ou fornecedores, fidelidade de clientes, participação no mercado e direitos de comercialização." (g.n.) É de se concluir, portanto, que direito de exclusividade objeto dos Memorandos de Entendimentos, enquanto representativo dos direitos inerentes à contratação de operações de empréstimo pessoal e de crédito direto ao consumidor a serem oferecidos à carteira de clientes da Recorrente corresponde a um direito intangível, passível de registro no "Ativo Permanente" da companhia. II.1.2 Conceito de Alienação de Bens do "Ativo Permanente" e a Não Incidencia do PIS e da COFINS Nos termos do artigo 1°, parágrafo 3°, inciso II, e artigo 15, inciso I, da Lei n° 10.833/03, o PIS e a COFINS não incidem sobre as receitas decorrentes da alienação de bens do "Ativo Permanente": "Art. 1° A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...) § 3° Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente. Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 23 22 (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: I nos incisos I e II do § 3° do art. 1° desta Lei." (g.n.) Tendo em vista que as receitas nãooperacionais decorrentes da venda de "Ativo Permanente" não compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS, vale aqui abordar a extensão do significado do termo "venda de Ativo Permanente" para deixar claro que a cessão do direito de exclusividade, objeto dos Memorandos de Entendimentos, enquadrase, indiscutivelmente, nessa hipótese. II.1.2 –IRPJ e CSLL No que tange ao IRPJ e CSLL, a Turma Julgadora manteve a autuação perpetrada pela Autoridade Fiscal, entendendo que devem incidir os referidos tributos sobre os valores pagos pela Luizacred à Recorrente, em virtude de contrato de exclusividade no oferecimento de produtos financeiros a seus clientes. Relativamente ao presente tópico, consignou a Turma Julgadora que, embora a Recorrente tenha alegado na impugnação que registrou contabilmente o ágio por um valor menor do que o ágio que foi efetivamente pago, não teria logrado comprovar tal afirmação. Ademais, às fls. 62 dos autos constaria a informação de que a Recorrente "registrou em sua integralidade os preços contratados pelas aquisições das novas lojas, inclusive no reconhecimento dos ágios decorrentes de rentabilidade futura", (fls. 957 dos autos) Assim, a Turma Julgadora concluiu que, "se a contribuinte pretendia ver atendido o seu pleito, deveria ter apresentado os registros contábeis que comprovassem que escriturou os ágios por valores menores do que os efetivamente pagos" (fls. 957 dos autos). Pontuese que a Turma Julgadora entendeu que também deveria a Recorrente ter comprovado, por meio de documentação hábil e idônea, que se enquadra no disposto no artigo 386, III, do RIR/99, o qual prevê a possibilidade de amortização do ágio fundamentado na rentabilidade futura da coligada ou controlada após a ocorrência de incorporação, fusão ou cisão. Por fim, apontou a Turma Julgadora que, ainda que todos os pontos questionados tivessem sido adequadamente comprovados pela Recorrente, "não poderseia falar em abatimento entre os valores das receitas omitidas e o valor do ágio não amortizado, pois a amortização do ágio prevista no art. 386, III, do RIR, de 1999, constitui uma faculdade dada ao contribuinte e deve ser registrada na contabilidade em época própria, o que não foi feito, não cabendo agora depois do lançamento de ofício a sua utilização com vistas a reduzilo ou invalidálo", (fls. 957 dos autos) Contudo, conforme se passará a demonstrar, não podem subsistir os argumentos adotados pela Turma Julgadora, pelos motivos já demonstrados na impugnação, os quais se passa a reproduzir. Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 24 23 De fato, conforme será demonstrado, não houve prejuízo ao Fisco em virtude da não contabilização e tributação das receitas recebidas da Luizacred, de modo que as autuações em questão não podem ser mantidas, devendo ser reformada por este E. Conselho a decisão ora recorrida, com o cancelamento dos créditos tributários em questão. Destaquese que tais lojas foram adquiridas com ágio, devidamente respaldado em competentes laudos de avaliação, os quais se encontram nos autos do processo em epígrafe. Não obstante, em virtude de incorreção contábil, registrouse na contabilidade da Recorrente que as lojas teriam sido adquiridas por valor inferior, conforme demonstrado na tabela abaixo, e comprovado pelos documentos contábeis que seguem em anexo (doc. 3): (...) Salta aos olhos o fato de que a diferença entre o ágio efetivamente pago pela Recorrente na aquisição das diversas lojas e o quanto levado a registro contábil a esse título é exatamente igual ao montante total pago pela Luizacred à Recorrente como remuneração pelo direito de exclusividade: R$ 15.500.000,00. Considerando que tal ágio enseja o aproveitamento correlato da dedutibilidade das despesas por conta da sua amortização, nos termos do artigo 386, do RIR/99, o que se tem, em verdade, é que as receitas de remuneração pelo direito de exclusividade não foram tributadas, porém não houve, na exata mesma medida, o aproveitamento fiscal da diferença do ágio não contabilizado. Nem se alegue, como pretendeu a Turma Julgadora, que a Recorrente não teria comprovado o registro contábil do ágio por valor menor do que o efetivamente pago. Isso porque, no entender da Turma Julgadora, "consta à fl. 62, a informação de que o ML registrou em sua integralidade os preços contratados pelas aquisições das novas lojas, inclusive no reconhecimento dos ágios decorrentes de rentabilidade futura", (fls. 957 dos autos) Ante o exposto, concluise que (i) a Recorrente não tributou as receitas recebidas da Luizacred; (ii) de outra parte, a Recorrente registrou a menor a parcela do ágio paga na aquisição de lojas de sua rede de distribuição; (iii) em virtude do não aproveitamento da dedutibilidade do total do ágio pago, recolheu tributos a maior aos cofres públicos. Considerandose que o montante que não foi oferecido à tributação é exatamente equivalente ao que deixou de ser deduzido do lucro real da Recorrente, fazse necessário reconhecer que não houve qualquer prejuízo do Fisco apto a justificar a manutenção de uma autuação. Desta forma, ainda que se admita a ocorrência de dois equívocos contábeis, resta patente que não houve dano ao Erário que enseje a constituição do crédito tributário tal como pretendido pelo Sr. Auditor Fiscal e mantido pela Turma Julgadora, motivo pelo qual deve este E. Conselho reformar o acórdão recorrido, reconhecendose a compensação dos valores em questão. Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 25 24 II.1.2.1 Ad Argumentandum: da mera postergação do pagamento De fato, pela análise do caso em comento, verificase que eventual receita decorrente do contrato de exclusividade foi efetivamente oferecida à tributação nos anos seguintes, nos quais não houve o aproveitamento adequado do benefício fiscal decorrente da amortização do ágio. Sendo assim, deveria a Fiscalização, nos termos do já citado artigo 273 do RIR/99, ter verificado o efeito da postergação do pagamento do IRPJ e da CSLL, para exigir, apenas, eventuais juros de mora. De fato, a Autoridade Fiscal tem a obrigação de recompor os lucros tributáveis, considerando os efeitos da postergação do pagamento. A recomposição dos lucros tributáveis, para consideração dos efeitos da postergação, tem que ser feita considerandose não só o período no qual foi verificada a suposta postergação de receita, mas também os períodos subseqüentes, encerrandose tal verificação no último exercício anterior à autuação, no caso, dezembro de 2009. (...) Assim, ao deixar de recompor as bases tributáveis dos anoscalendário de 2005 a 2008 e seguintes até o anobase da autuação, em desobediência ao artigo 273 do RIR/99 e ao entendimento firmado pelo antigo E. Conselho de Contribuintes, a Fiscalização e a Turma Julgadora não observaram que o valor do principal exigido nesta autuação referente à suposta receita de cessão do direito de exclusividade, foi, no mínimo, pago sob o efeito da postergação. Por tal razão, a decisão recorrida merece ser reformada por este E. Conselho, com o consequente cancelamento dos Autos de Infração relativos ao presente processo administrativo. II.2 Aliança Estratégica com a Cardif Item 2.3 do Termo A respeito deste tópico, entendeu a Turma Julgadora, no mesmo sentido das Autoridades Fiscais, que a Recorrente não ofereceu à tributação o montante de R$ 25 milhões, que teria acrescido ao seu patrimônio. Nesses termos, eis o que consignou a Turma Julgadora: "Verificase, do exposto, que não se trata de receita de equivalência patrimonial, mas sim de receita não operacional auferida na formação de 'joint venture', sujeita à tributação. Inicialmente, a riqueza da Impugnante (ML) era constituída por 50% de 7.367.914 ações ao valor de R$ 1,00, ou seja, possuía 3.683.957 ações por R$ 3.683.957,00. No instante seguinte, passa a ser proprietária de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) em espécie, e ainda 50% de 7.637.916 ações, só que agora majoradas para R$ 57.367.916,00 de sorte que seus 50% correspondem a R$ 28.683.958,00. Ora, quando comparadas as riquezas que a contribuinte possuía antes e depois do momento aqui referido, é inequívoco que sua riqueza cresceu de R$ 3.683.957,00 para R$ 28.683.958,00, ou seja, adquiriu a disponibilidade econômica relativamente à importância de R$ 25.000.000,00." (fls. 960 e 961 dos autos) Contudo, não pode subsistir a alegação da Turma Julgadora, haja vista que, como já expresso na impugnação, o montante de R$ 25 Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 26 25 milhões registrado na contabilidade da Recorrente, ao qual fazem referência a Autoridade Fiscal e os Srs. Julgadores, não configura receita tributável, e, sim, resultado positivo de equivalência patrimonial, sem quaisquer efeitos tributários. Ademais, o valor de R$ 50 milhões pago pela Luizaseg, em duas parcelas de R$ 25 milhões, como remuneração pela cessão do direito de exclusividade de distribuição das garantias estendidas foi levado a resultado pela Recorrente, sendo devidamente tributado, conforme os ditames da legislação tributária. A Recorrente e a Cardif acordaram em estabelecer uma Aliança Estratégica ("Aliança Estratégica"), que se perfaz numa estrutura híbrida composta por: (i) uma joint venture, dedicada ao desenvolvimento, venda e administração de garantias estendidas para qualquer tipo de produto vendido no Brasil através da rede de distribuição (i.e. lojas) da Recorrente; e (ii) uma parceria para desenvolver, vender e administrar qualquer tipo de produtos de seguro, com exclusividade, por meio do telemarketing ou diretamente nos estabelecimentos da Recorrente (conforme Contrato de Aliança Estratégica que se encontra nos autos do processo administrativo de que se trata). Referida joint venture se deu por meio de estrutura societária envolvendo a Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A, cujas ações eram inicialmente integralmente detidas pela Cardif e suas afiliadas. Além da Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A, a Cardif também tem participação societária na NCVP. A estrutura societária em comento tem início na aprovação pela Cardif, em assembléia de acionistas da NCVP, de aumento de capital desta sociedade em R$ 57.367.914,00, mediante a emissão de 57.367.914 ações ordinárias. Tal montante seria integralizado (i) R$ 50 milhões em dinheiro; e (ii) R$ 7.367.914,00 por meio da transferência das ações então detidas pela Cardif na Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A para NCVP. Ato subsequente, a NCPV vendeu 50% das ações na Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A para a Recorrente, ao valor de R$ 3.683.957,00, operação que foi devidamente comprovada pela juntada do respectivo contrato aos autos do processo, em sede de impugnação. Uma vez adquiridos 50% das ações da Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A pela Recorrente, esta e NCVP deliberaram o aumento de capital da referida sociedade num valor R$ 2,00, mediante a emissão de 1 ação preferencial classe A e 1 ação preferencial classe B, cada uma valendo R$ 1,00. A ação preferencial classe A foi integralizada pela NCVP, que pagou um ágio na subscrição de R$ 50 milhões, num total integralizado de R$ 50.000.001,00. Já a ação preferencial classe B foi integralizada por R$ 1,00 pela Recorrente. Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 27 26 Tais ações dão direitos a dividendo especial, relativo à distribuição de eventual benefício fiscal alcançado pela Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A na amortização do referido ágio. A Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A, finalmente, tem sua razão social alterada para Luizaseg Seguros S/A (já identificada para fins do presente recurso voluntário simplesmente como "Luizaseg"), conforme cláusula 3.3 do Acordo de Acionistas datado de 13.12.2005, devidamente juntado aos autos do presente processo administrativo. A par do ágio pago na subscrição, a Cardif (sociedade francesa) se comprometeu a pagar R$ 50 milhões para a Recorrente em remuneração pela cessão do direito de exclusividade de distribuição das garantias estendidas. O Contrato de Aliança Estratégica, em sua cláusula 6.1, explicita que, embora a Cardif tenha se comprometido a tal pagamento, considerandose que a Luizaseg seria a empresa beneficiada pelos direitos de exclusividade, a ela caberia a responsabilidade pelo pagamento, que ocorreria em duas parcelas de R$ 25 milhões. Desta maneira, NCVP subscreve a ação preferencial classe A com ágio e os recursos provenientes dessa subscrição são utilizados pela sociedade investida (i.e. Luizaseg, antes Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A) para honrar o compromisso de remunerar a Recorrente pela cessão do direito de exclusividade. Notese que embora possa se argumentar que "o dinheiro seja o mesmo", dois momentos jurídicos distintos estão relacionados ao evento: (i) a subscrição com ágio pela NCVP na Luizaseg; e (ii) o pagamento pela Luizaseg de R$ 50 milhões, em duas parcelas de R$ 25 milhões, à Recorrente. Este ponto será retomado oportunamente. É importante, ainda, ter em mente que, a fim de operacionalizar tal Aliança Estratégica, cinco são os documentos fundamentais, os quais foram apresentados pela Recorrente no momento da impugnação: (i) Contrato de Aliança Estratégica, datado de 13.12.2005, firmado entre a Recorrente, Cardif e Cardif do Brasil16, com o objetivo de desenvolver e distribuir produtos de seguro e garantias estendidas com exclusividade na rede de distribuição da Recorrente; (ii) Acordo de Acionistas (Anexo B ao Contrato de Aliança Estratégica), firmado entre a Recorrente e Cardif, que regula a relação de ambas no que tange às suas participações societárias na Luizaseg (atual razão social da Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A); (iii) Acordo operacional, firmado entre a Recorrente e Cardif do Brasil para desenvolver, vender e administrar qualquer tipo de produtos de seguro vendidos no Brasil através da rede de distribuição da Recorrente. Neste sentido, dentro do conceito de estrutura híbrida da Aliança Estratégica acima referido, este Acordo operacional perfaria a chamada parceria entre a Recorrente e Cardif; (iv) Contrato de Distribuição, firmado entre a Recorrente e Luizaseg (ainda antes da mudança de sua razão social para tal) de modo a regular o relacionamento entre ambas no que tange ao Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 28 27 desenvolvimento, comércio e administração das garantias estendidas para qualquer produto comercializado na rede de distribuição da Recorrente. Tendo em mente a estrutura híbrida supra referida, tal Contrato de Distribuição está relacionado à joint venture, que é a própria Luizaseg; (v) Contrato de Prestação de Serviços, firmado entre Luizaseg (ainda antes da mudança da razão social) e Cardif do Brasil. Tal Contrato se justifica pelo fato de que a Luizaseg não tem sua própria estrutura para desenvolver as atividades que lhe competem dentro da Aliança Estratégica firmada. Desta forma, conta com a prestação de serviços da Cardif do Brasil para atingir esse objetivo. Referida prestação abarca os seguintes serviços: backoffice, call center, processamento e manutenção de tecnologia da informação, gestão de contenciosos (jurídico), contabilidade e tesouraria, auditoria interna e atuariais. Mais uma vez, dentro da lógica da estrutura híbrida, este Contrato estaria relacionado à joint venture, que é a própria Luizaseg, tomadora dos serviços em questão. II.2.1 Da Subscrição com Ágio e os efeitos na Recorrente: Equivalência Patrimonial Como visto anteriormente, houve, de fato, a subscrição da ação preferencial A pela NCVP com ágio de R$ 50 milhões na Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A (posteriormente, Luizaseg). Referido valor foi contabilizado, como de fato é devido, pela Luizaseg (então sociedade investida), em reserva de capital. A questão que emerge e que será enfrentada nos subtópicos seguintes é o efeito que referida subscrição gera, reflexamente, por equivalência patrimonial, na Recorrente, detentora de 50% da Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A (posteriormente, Luizaseg). Equivocado está o Sr. Auditor Fiscal ao entender que referido valor é pagamento de preço pela Cardif à Recorrente. Da mesma forma, não procede a alegação da Turma Julgadora de que se está, no caso concreto, diante de "receita não operacional auferida na formação da joint venture', sujeita à tributação". (fls. 960 dos autos) Em verdade, conforme descritivo supra, houve, sim, o pagamento de uma remuneração pela cessão do direito de exclusividade pela Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A (posteriormente, Luizaseg) à Recorrente. E essa remuneração, como se demonstrará no tópico II.2.2 infra, foi efetivamente levada a resultado pela Recorrente e tributada nos termos da legislação em vigor. No entanto, os reflexos decorrentes da avaliação do investimento da Recorrente na Luizaseg por equivalência patrimonial são neutros fiscalmente. (...) Assim, os efeitos reflexos na Recorrente, em observância do MEP, pela variação do patrimônio líquido (no caso específico, registro de R$ 50 milhões em reserva de capital) da Luizaseg, sua coligada, não deve ensejar efeitos tributários de qualquer natureza (IRPJ, CSLL, PIS ou Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 29 28 COFINS), motivo pelo qual não podem prosperar as autuações fiscais em questão, tampouco as alegações da Turma Julgadora que as mantiveram. II.2.2 Da Remuneração pelo Direito de Exclusividade pago pela Luizaseg: o chamado "Goodwill" "Goodwill", nos termos do Contrato de Aliança Estratégica, é o montante de R$ 50 milhões pago pela Cardif à Recorrente em contrapartida aos direitos de exclusividade na distribuição de produtos de seguro e produtos ampliados de seguro; ou seja, não se trata do conceito decorrente da tradução literal do temo para o português: "ágio". O mesmo Contrato, em sua cláusula 6.1, no entanto, estabelece que "tendo em vista que a Sociedade (Luizaseg, outrora Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A) é quem será beneficiada pelos direitos de exclusividade (...) a Sociedade então pagará ao ML o valor correspondente a tal Goodwill em duas parcelas (...)", tudo nos termos ainda mais explícitos do Anexo D do referido Contrato. Importante destacar, mais uma vez, que o pagamento realizado pela Luizaseg à Recorrente corresponde à remuneração desta pela cessão do direito de exclusividade na exploração da sua rede de distribuição na distribuição dos produtos de seguro. E referida remuneração foi devida e corretamente oferecida à tributação, conforme trânsito pelo resultado da Recorrente, em duas parcelas de R$ 25 milhões, tal como acordado entre as partes, e conforme atesta seu razão contábil, já juntado aos autos do processo administrativo ora discutido. Assim, por tudo quanto exposto no que tange à Aliança estratégica firmada, não há que prosperar a pretensão da Fiscalização quanto à constituição de créditos tributários pertinentes a IRPJ e CSLL, devendo a decisão recorrida ser reformada por este E. Conselho. II.3 Da Ilegalidade da Cobrança de Juros sobre a Multa Ainda que se entenda pela manutenção das autuações em análise, o que se alega a título argumentativo, é certo que os juros calculados com base na taxa Selic não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. Na decisão recorrida, a Turma Julgadora ventilou o entendimento de que não caberia à autoridade administrativa manifestarse sobre a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que tal exigência não estava presente no processo, correspondendo a evento futuro e incerto. Não obstante, ao discorrer sobre o tema, a Turma Julgadora acabou por expressar seu posicionamento no sentido de que, quando da constituição definitiva do crédito tributário em esfera administrativa, os juros incidiriam sobre o crédito tributário, que corresponderia ao principal e à multa. Eis o teor do que dispôs a Turma Julgadora a este respeito: "Os juros, incidentes sobre o crédito tributário lançado a título de principal e multa, serão calculados e atualizados até a data do efetivo pagamento, na fase de execução do acórdão e de cobrança do crédito Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 30 29 tributário mantido, após se tomar definitiva, na esfera administrativa, a decisão acerca do lançamento impugnado." (fls. 961 dos autos, g.n.) Nesse passo, impende esclarecer que não pode prosperar o entendimento preconizado pela Turma Julgadora, de que os juros moratórios devem também incidir sobre a multa de ofício, pelos motivos já expostos no momento da impugnação, os quais se passa a repisar. (...) Ante o exposto, caso não sejam acolhidos os demais argumentos aduzidos no presente recurso, o que se admite apenas a título argumentativo, a Recorrente aguarda que esse E. Conselho determine expressamente o cancelamento dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício lançada nos Autos de Infração originários do presente processo administrativo. Não há contrarrazões da Fazenda Nacional. Este é o relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Antes de adentrar ao julgamento, a Recorrente aponta em seus petitórios a informação de que teria tributado em duas oportunidades os valores relativos ao pagamento da carteira de clientes paga pela Luizaseg, perfazendo o montante de R$ 50 milhões. Vejamos: Importante destacar, mais uma vez, que o pagamento realizado pela Luizaseg à Recorrente corresponde à remuneração desta pela cessão do direito de exclusividade na exploração da sua rede de distribuição na distribuição dos produtos de seguro. E referida remuneração foi devida e corretamente oferecida à tributação, conforme trânsito pelo resultado da Recorrente, em duas parcelas de R$ 25 milhões, tal como acordado entre as partes, e conforme atesta seu razão contábil, já juntado aos autos do processo administrativo ora discutido. A contribuinte juntou em seus petitórios cópia do Livro Razão que contempla a adição de dois valores de R$ 25 milhões em conta de resultado, informando da tributação dos valores pagos à autuada. Não tenho dúvidas de que a autuação fiscal que exige os tributos objeto do lançamento se baseou em um desses dois pagamentos de R$ 25 milhões, pois os mesmos não foram contabilizados pela autuada. Já o valor relativo ao método de equivalência patrimonial no mesmo montante de R$ 25 milhões fora escriturada pela autuada, ou seja, houve o registro na contabilidade da Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO Processo nº 13855.002820/201015 Resolução nº 1201000.111 S1C2T1 Fl. 31 30 Recorrente, não sendo esse o valor objeto da autuação, pois a acusação fiscal aponta a seguinte descrição: 3) Receita não operacional não escriturada, decorrente do acordo de associação com a Cardiff, no qual houve acréscimo patrimonial obtido na aquisição de participação societária na Luizaseg. Diante disso, como forma de termos a certeza de que os dois valores pagos pela Luizaseg foram tributados pela autuada, o primeiro pagamento no valor de R$ 25 milhões, registrado em 21 de dezembro de 2005 no Livro Razão, e o segundo pagamento no valor de R$ 25 milhões, registrado em 30 de junho de 2006, conforme informação extraída no documento 17 da defesa administrativa (fls. 942 e 943 dos autos), entendo pela baixa dos autos em diligência, para que a fiscalização ateste e confirme a tributação desses dois pagamentos. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por RAFAEL CORREIA FU SO
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Numero do processo: 10830.904647/2009-30
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a DRF do domicílio tributário da recorrente certifique o valor da receita financeira constante da sua escrita contábil e fiscal anexa aos autos nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Relatório
Cuida-se o processo de pedido de restituição originado em crédito de COFINS recolhido indevidamente ou a maior, apurado no período de 30.04.2005, com o objetivo de extinguir débito de IRPJ no valor de R$ 32.082,17.
À fl. 02 está anexo o despacho decisório em face de Bombardier Recreational Products Brasil Ltda, CNPJ n° 02.666.299/0001-43 por meio do qual foi verificado que a partir do DARF anexo à fl. 83 e mencionado no PER/DCOMP, foram apurados pagamentos utilizados para quitação de débitos do Recorrente, portanto, não restando crédito suficiente para a compensação dos débitos em questão.
Ocorre que a empresa Bombardier Recreational Products Motores da Amazônia Ltda, CNPJ n° 22.782.833/0001-94, apresentou a Manifestação de Inconformidade à fl. 01, que por sua vez não teve o mérito apreciado pela DRJ de Campinas, tendo em vista que esta decidiu, por meio de resolução, por encaminhar os autos para a DRF de Manaus, uma vez que aquela não era mais competente para decidir em razão da mudança do domicílio tributário do sujeito passivo.
À fl. 77 a DRF de Manaus indeferiu o pedido de restituição e não homologou o pedido de compensação, sob o argumento de que o DARF indicado no PER/DCOMP foi utilizado na quitação de outros débitos da Recorrente.
Deste modo, à fl. 78 a Recorrente foi devidamente cientificada do despacho decisório acima mencionado e a RFB aceita como tempestiva a Manifestação de Inconformidade já apresentada à DRJ/Campinas à fl. 03, por intermédio da qual a contribuinte requer a homologação do seu direito creditório, sob o argumento de que retificou a DCTF para a exclusão da base de cálculo da COFINS de valores sujeitos à alíquota zero.
Assim, às fls. 79/82 foi exarado o Acórdão n.º 0124.405 pela 3 ª Turma da DRJ/BEL, que teve lavrada a seguinte ementa:
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA.
O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF.
Tratando-se de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado.
Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido
Analisando o acórdão acima prolatado, observa-se que este fundamentou o indeferimento do pedido de compensação nos efeitos jurídicos do art. 5º do Decreto-Lei n.º n.º. 2.124/1984. Sustentou que a DCTF tem o condão de constituir confissão de dívida, bem como que somente mediante a apresentação de prova contábil e fiscal incontestes é possível excluir o débito nela confessado.
O Recurso Voluntário foi apresentado às fls. 85/87 e suscita preliminar que na realidade se confunde com o próprio mérito, quando argumenta de que foram retificados o DACON e DCTF em razão de que possui direito a alíquota zero do PIS/COFINS com fundamento no Decreto n.º 5.442/2005, mas especificamente em relação às receitas financeiras.
Importante mencionar que o contribuinte confessa não ter apresentado na Manifestação de Inconformidade os documentos fiscais e contábeis para fundamentar o seu direito, por compreender que a redação do Decreto n.º 5.442/2005 era suficiente para assegurar o deferimento do seu pedido.
Advoga em sua defesa que na DACON o valor da receita financeira foi alocado na linha 07, da ficha 07, quando o correto era na linha 13, sendo que à fl. 28 há a prova de que a DACON foi retificada para que fosse transferindo o valor de R$ 447.868,17 para a linha correta, ou seja, receitas isentas, com suspensão, ou sujeitas a alíquota zero.
Cumpre informar que somente no Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou às fls. 112/258 Livro de Saída e páginas do Livro Razão, por intermédio dos quais, segundo o seu entendimento, é possível apurar as receitas financeiras que foram oferecidas a tributação por equívoco e por fim requer o reconhecimento do seu direito creditório.
É o relatório.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a DRF do domicílio tributário da recorrente certifique o valor da receita financeira constante da sua escrita contábil e fiscal anexa aos autos nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Cuida-se o processo de pedido de restituição originado em crédito de COFINS recolhido indevidamente ou a maior, apurado no período de 30.04.2005, com o objetivo de extinguir débito de IRPJ no valor de R$ 32.082,17. À fl. 02 está anexo o despacho decisório em face de Bombardier Recreational Products Brasil Ltda, CNPJ n° 02.666.299/0001-43 por meio do qual foi verificado que a partir do DARF anexo à fl. 83 e mencionado no PER/DCOMP, foram apurados pagamentos utilizados para quitação de débitos do Recorrente, portanto, não restando crédito suficiente para a compensação dos débitos em questão. Ocorre que a empresa Bombardier Recreational Products Motores da Amazônia Ltda, CNPJ n° 22.782.833/0001-94, apresentou a Manifestação de Inconformidade à fl. 01, que por sua vez não teve o mérito apreciado pela DRJ de Campinas, tendo em vista que esta decidiu, por meio de resolução, por encaminhar os autos para a DRF de Manaus, uma vez que aquela não era mais competente para decidir em razão da mudança do domicílio tributário do sujeito passivo. À fl. 77 a DRF de Manaus indeferiu o pedido de restituição e não homologou o pedido de compensação, sob o argumento de que o DARF indicado no PER/DCOMP foi utilizado na quitação de outros débitos da Recorrente. Deste modo, à fl. 78 a Recorrente foi devidamente cientificada do despacho decisório acima mencionado e a RFB aceita como tempestiva a Manifestação de Inconformidade já apresentada à DRJ/Campinas à fl. 03, por intermédio da qual a contribuinte requer a homologação do seu direito creditório, sob o argumento de que retificou a DCTF para a exclusão da base de cálculo da COFINS de valores sujeitos à alíquota zero. Assim, às fls. 79/82 foi exarado o Acórdão n.º 0124.405 pela 3 ª Turma da DRJ/BEL, que teve lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratando-se de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Analisando o acórdão acima prolatado, observa-se que este fundamentou o indeferimento do pedido de compensação nos efeitos jurídicos do art. 5º do Decreto-Lei n.º n.º. 2.124/1984. Sustentou que a DCTF tem o condão de constituir confissão de dívida, bem como que somente mediante a apresentação de prova contábil e fiscal incontestes é possível excluir o débito nela confessado. O Recurso Voluntário foi apresentado às fls. 85/87 e suscita preliminar que na realidade se confunde com o próprio mérito, quando argumenta de que foram retificados o DACON e DCTF em razão de que possui direito a alíquota zero do PIS/COFINS com fundamento no Decreto n.º 5.442/2005, mas especificamente em relação às receitas financeiras. Importante mencionar que o contribuinte confessa não ter apresentado na Manifestação de Inconformidade os documentos fiscais e contábeis para fundamentar o seu direito, por compreender que a redação do Decreto n.º 5.442/2005 era suficiente para assegurar o deferimento do seu pedido. Advoga em sua defesa que na DACON o valor da receita financeira foi alocado na linha 07, da ficha 07, quando o correto era na linha 13, sendo que à fl. 28 há a prova de que a DACON foi retificada para que fosse transferindo o valor de R$ 447.868,17 para a linha correta, ou seja, receitas isentas, com suspensão, ou sujeitas a alíquota zero. Cumpre informar que somente no Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou às fls. 112/258 Livro de Saída e páginas do Livro Razão, por intermédio dos quais, segundo o seu entendimento, é possível apurar as receitas financeiras que foram oferecidas a tributação por equívoco e por fim requer o reconhecimento do seu direito creditório. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a DRF do domicílio tributário da recorrente certifique o valor da receita financeira constante da sua escrita contábil e fiscal anexa aos autos nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Cuidase o processo de pedido de restituição originado em crédito de COFINS recolhido indevidamente ou a maior, apurado no período de 30.04.2005, com o objetivo de extinguir débito de IRPJ no valor de R$ 32.082,17. À fl. 02 está anexo o despacho decisório em face de Bombardier Recreational Products Brasil Ltda, CNPJ n° 02.666.299/000143 por meio do qual foi verificado que a partir do DARF anexo à fl. 83 e mencionado no PER/DCOMP, foram apurados pagamentos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 04 64 7/ 20 09 -3 0 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.904647/200930 Resolução nº 3803000.284 S3TE03 Fl. 105 2 utilizados para quitação de débitos do Recorrente, portanto, não restando crédito suficiente para a compensação dos débitos em questão. Ocorre que a empresa Bombardier Recreational Products Motores da Amazônia Ltda, CNPJ n° 22.782.833/000194, apresentou a Manifestação de Inconformidade à fl. 01, que por sua vez não teve o mérito apreciado pela DRJ de Campinas, tendo em vista que esta decidiu, por meio de resolução, por encaminhar os autos para a DRF de Manaus, uma vez que aquela não era mais competente para decidir em razão da mudança do domicílio tributário do sujeito passivo. À fl. 77 a DRF de Manaus indeferiu o pedido de restituição e não homologou o pedido de compensação, sob o argumento de que o DARF indicado no PER/DCOMP foi utilizado na quitação de outros débitos da Recorrente. Deste modo, à fl. 78 a Recorrente foi devidamente cientificada do despacho decisório acima mencionado e a RFB aceita como tempestiva a Manifestação de Inconformidade já apresentada à DRJ/Campinas à fl. 03, por intermédio da qual a contribuinte requer a homologação do seu direito creditório, sob o argumento de que retificou a DCTF para a exclusão da base de cálculo da COFINS de valores sujeitos à alíquota zero. Assim, às fls. 79/82 foi exarado o Acórdão n.º 0124.405 pela 3 ª Turma da DRJ/BEL, que teve lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Analisando o acórdão acima prolatado, observase que este fundamentou o indeferimento do pedido de compensação nos efeitos jurídicos do art. 5º do DecretoLei n.º n.º. 2.124/1984. Sustentou que a DCTF tem o condão de constituir confissão de dívida, bem como que somente mediante a apresentação de prova contábil e fiscal incontestes é possível excluir o débito nela confessado. O Recurso Voluntário foi apresentado às fls. 85/87 e suscita preliminar que na realidade se confunde com o próprio mérito, quando argumenta de que foram retificados o DACON e DCTF em razão de que possui direito a alíquota zero do PIS/COFINS com fundamento no Decreto n.º 5.442/2005, mas especificamente em relação às receitas financeiras. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.904647/200930 Resolução nº 3803000.284 S3TE03 Fl. 106 3 Importante mencionar que o contribuinte confessa não ter apresentado na Manifestação de Inconformidade os documentos fiscais e contábeis para fundamentar o seu direito, por compreender que a redação do Decreto n.º 5.442/2005 era suficiente para assegurar o deferimento do seu pedido. Advoga em sua defesa que na DACON o valor da receita financeira foi alocado na linha 07, da ficha 07, quando o correto era na linha 13, sendo que à fl. 28 há a prova de que a DACON foi retificada para que fosse transferindo o valor de R$ 447.868,17 para a linha correta, ou seja, receitas isentas, com suspensão, ou sujeitas a alíquota zero. Cumpre informar que somente no Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou às fls. 112/258 Livro de Saída e páginas do Livro Razão, por intermédio dos quais, segundo o seu entendimento, é possível apurar as receitas financeiras que foram oferecidas a tributação por equívoco e por fim requer o reconhecimento do seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A questão controversa no presente processo administrativo fica adstrita a aferir se o contribuinte conseguiu ou não fazer prova de que cometeu erro no preenchimento da DCTF, mais especificamente em relação ao oferecimento a tributação da COFINS da receita de R$ 447.868,17, referente a receitas financeiras. O Decreto n.º 5.442/2005, determina que ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Em relação ao conceito de despesa financeira, o art. 373 do RIR/99, dispõe que devem ser consideradas despesas financeiras os juros recebidos, os descontos obtidos, o lucro na operação de reporte e o prêmio de resgate de títulos ou debêntures e os rendimentos nominais relativos a aplicações financeiras de renda fixa, auferidos pelo contribuinte no período de apuração, compõem as receitas financeiras e como tal deverão ser incluídas no lucro operacional. Com efeito, analisando os documentos acostados aos autos apenas no Recurso Voluntário, verificase que seus argumentos possuem fundamento jurídico, uma vez que realmente observando o DACON anexo à fl. 28, observase que de fato este foi retificado para que o valor de R$ 447.868,17 fosse transferido para a linha 13, destinada as receitas não tributadas pela COFINS, enquanto que na DACON original constava este valor na linha 7, ou seja, no espaço reservado para valores integrantes da base de cálculo do tributo. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.904647/200930 Resolução nº 3803000.284 S3TE03 Fl. 107 4 Outro aspecto importante na defesa, diz respeito ao Balancete Acumulado de Abril a Junho de 2005, anexo à fl. 141, por intermédio do qual se verifica que o R$ 447.868,17 está devidamente contabilizado como receita financeira. Assim, considerando que o Decreto n.º 5.442/2005 autoriza a Fazenda Nacional e o contribuinte a reduzir a zero as alíquotas das contribuições incidentes sobre as receitas financeiras e este demonstrou ter se equivocado no oferecimento destas receitas para a tributação e ainda que em sua contabilidade há realmente o registro de valores correspondentes a estas receitas, então deve ser reconhecido o direito creditório, pois restou demonstrado o erro no preenchimento da DACON e DCTF. É verdade que o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, em princípio, limita a aplicação, no processo administrativo, do princípio da verdade material. Ainda assim, em que pese esta limitação normativa, atual jurisprudência do CARF tem se manifestado no sentido de atenuar esta regra, através de suas construções jurisprudenciais, o rigor da regra, visando assegurar que se alcance a principal finalidade que é garantir a legalidade da apuração do crédito tributário. Além do que, é preciso lembrar que o despacho decisório foi proferido de forma eletrônica e neste não foram apresentados os argumentos referentes aos motivos que embasaram o indeferimento do pedido. Destaco ainda é todo inegável que este despacho é confuso Assim, considerando que somente após a decisão da DRJ adveio a fundamentação de que o contribuinte não apresentou documentos fiscais para embasar o seu direito, então compreendo que deve ser mitigada a preclusão de apresentação de prova extemporaneamente, com fundamentaram na alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72, uma vez que a prova documental destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Cumpre citar decisão do Segundo Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara. Turma Ordinária no Acórdão nº 20181496 do Processo 10920002509200310: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREENCHIMENTO DE DCTF. ERRO MATERIAL. Devidamente comprovada a ocorrência de erro material no preenchimento da DCTF, há que se cancelar o lançamento, em nome do princípio da verdade material. Recurso voluntário provido. Em sua obra, Processo Administrativo Tributário, Lídia Maria Ribas trata do tema, registrando o seguinte: “Contrariamente ao que acontece no processo judicial, em que prevalece o princípio da verdade formal, no processo administrativo tributário, além de levar novas provas após a inicial, é dever da autoridade administrativa levar em conta todas as provas e fatos de que tenha conhecimento e até mesmo determinar a produção de provas, trazendoas aos autos, quando elas forem capazes de influenciar na decisão. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.904647/200930 Resolução nº 3803000.284 S3TE03 Fl. 108 5 (...) A importância do princípio da verdade material é enfatizada por Luís Eduardo Schoueri, que afirma ser força e base de todo o Estado de Direito, concluindo que “ o princípio da verdade material, conquanto decorrente do princípio da legalidade, é também exigência do princípio da igualdade”. (RIBAS, Lídia Maria e Lopes Rodrigues Ribas. Processo Administrativo Tributário. 2ª edição). Neste passo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste em uma providência que resulta na melhor aplicação do Direito e da Justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Neste passo, voto para reverter o julgamento em diligência para que a DRF “certifique” se o valor de R$ 447.868,17, registrados nos documentos fiscais anexo à fl. 141, referese efetivamente a despesas financeiras a partir da análise dos documentos originais, visto que os documentos trazidos extemporaneamente pelo contribuinte não foram analisados pelo agente fazendário. Ante o exposto, reverto o julgamento em diligência. Sala das sessões, 22 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000434/2007-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL.
A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2301-003.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Eduardo de Abreu Coutinho. OAB: 95.319/RJ.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Eduardo de Abreu Coutinho. OAB: 95.319/RJ. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
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MONTREAL INFORMÁTICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Eduardo de Abreu Coutinho. OAB: 95.319/RJ. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 34 /2 00 7- 57 Fl. 872DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório 1. Tratase de embargos opostos tempestivamente pela MI MONTREAL INFORMÁTICA, contra acórdão assim ementado: LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização de ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava na localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado Crédito Tributário Exonerado. 2. Entende a embargante, em síntese, que houve omissão no referido acórdão, dada a falta de análise acerca da natureza jurídica da nulidade por cerceamento do direito de defesa, uma vez que julga necessário um pronunciamento explícito da Turma sobre o tipo de vício que motivou a anulação do lançamento. 3. Além disso, a embargante tece algumas considerações sobre o acórdão embargado e argumenta que houve contradição entres os termos do voto e o dispositivo da decisão, uma vez que entende que no caso do contribuinte, a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, conforme jurisprudência do CARF, deuse por vício material e não vício formal: “o vício não é de mero procedimento, formal, mas sim intrínseco ao lançamento do crédito tributário e a determinação da matéria tributável, ou seja, evidentemente material” (f. 758). 4. Para subsidiar sua tese a embargante transcreve alguns parágrafos do voto condutor do julgamento, que sob sua ótica contradizem o dispositivo do decisório e ao final de sua exposição argumentativa, solicita que os embargos sejam conhecidos e providos, para incluir no acórdão embargado, como justificativa da nulidade do lançamento, o vício material. Fl. 873DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000434/200757 Acórdão n.º 2301003.588 S2C3T1 Fl. 873 3 Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes 5. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. 6. Na análise do acórdão proferido verificamos que, de fato, apesar de haver expressamente no item 15 o reconhecimento da nulidade do lançamento por vício formal, não houve o cotejamento da natureza jurídica do mencionado vício com o caso concreto, sendo assim no que tange a esse ponto, merece razão a embargante. 7. Para adentrar ao mérito da alegação de contradição, suscitando o reconhecimento do vício material como causa da nulidade do lançamento, mister se faz a distinção de vício formal e vício material. 8. Entendese por vício formal aquele relacionado aos requisitos objetivos para a validade do lançamento. Diz respeito a exigências legais préestabelecidas para o ato administrativo. Por outro lado, vício material está diretamente relacionado à própria matéria tributada pela autoridade administrativa. Envolve questões relacionadas à interpretação das normas jurídicas, situação fática apurada pela fiscalização, dados contábeis, etc. 9. O vício material diz respeito à própria obrigação tributária e não aos requisitos burocráticos exigidos ao lançamento. 10. Destarte, ao analisar o voto condutor, observase que as alegações ali trazidas referemse á impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, ensejando, por consectário, a nulidade do auto por vício material, consubstanciado nos artigos 142 e 173, II, do Código Tributário Nacional. 11. Como é cediço, é formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 12. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. 13. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. 14. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. A sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. 15. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Fl. 875DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000434/200757 Acórdão n.º 2301003.588 S2C3T1 Fl. 874 5 Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) 16. Para ratificar esse entendimento destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” 17. O que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador, equívocos e omissões no dispositivo legal, da data e horário da lavratura, identificação do sujeito passivo. 18. Apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu. Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). 19. Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, pois não há dúvida no lançamento de que o fato gerador existiu. 20. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. Fl. 876DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 21. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da existência do fato gerador. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação ocorreu e que esse fato existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. 22. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. 23. Ademais, este Conselho já se posicionou sobre esta matéria, ao analisar o Recurso Voluntário n. 12045.000302/200725, cuja relatoria coube ao eminente Conselheiro Igor Araújo Soares, deixando patente que o cerceamento de direito de defesa acarreta a nulidade do auto de infração por vício material. AUTO DE INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE NO MOMENTO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. De acordo com o disposto no art. 142 do CTN, deverá o fiscal, ao efetuar o lançamento, verificar e comprovar a ocorrência do fato gerador, da matéria tributável e da penalidade a ser aplicada. Em se tratando de Auto de Infração, um dos elementos que deverá ser comprovado pela fiscalização no momento do lançamento da multa pelo descumprimento da legislação previdenciária é a ocorrência ou não de circunstâncias agravantes, as quais determinam o cálculo do montante do crédito tributário a ser lançado. A posterior verificação pelo acórdão recorrido da ocorrência de circunstância agravante, não apurada quando do lançamento da multa objeto do Auto de Infração, enseja a nulidade do lançamento efetuado, pela inobservância do art. 142 do CTN. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Quando o lançamento não obedece aquilo o que determinado pelo art. 142 do CTN, deverá ser considerado como carecedor de algum de seus fundamentos principais de validade, o que enseja a ocorrência de vício material insanável. Lançamento Anulado 24. Ora, os embargos de declaração possuem o fito de aprimoramento do julgado, como bem observou o Eminente Ministro Marco Aurélio em seu voto no AI 163.047 5/PR: “os embargos declaratórios não consubstanciam crítica ao ofício judicante, mas servemlhe ao aprimoramento. Ao apreciálos, o órgão deve fazêlo com espírito de compreensão, atentando para o fato de consubstanciarem verdadeira contribuição da parte em prol do devido processo legal”. 25. Destarte, não paira dúvida de que há a necessidade de sanar a omissão e contradição apontadas no presente recurso horizontal, devendo constar na ementa do julgado anulação do lançamento por vício material, ensejando, assim, a procedência das alegações da embargante. CONCLUSÃO 26. Pelo exposto, voto em acolher os embargos propostos, para analisar o vício existente e conceituálo como material, conforme o voto. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12045.000434/200757 Acórdão n.º 2301003.588 S2C3T1 Fl. 875 7 (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 878DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 13603.720042/2007-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 09/06/2004
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO."EX" TARIFÁRIO. APLICAÇÃO.
Os "ex" tarifários estabelecidos para reduzir o Imposto de Importação têm aplicação restrita aos bens expressamente discriminados no ato ministerial e decorrem de prévio exame da Administração Pública, mormente de similaridade, com o objetivo de proteger a indústria nacional, descabendo a interpretação extensiva de forma a beneficiar bens não especificados no ato ministerial e cujas características e finalidades sejam completamente distintas das que foram contempladas.
ESTAQUE EX. INDICAÇÃO INCORRETA. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO.
Exclui-se a multa de ofício dos créditos tributários lançados e exigidos em decorrência de indicação incorreta do destaque ex, tendo em vista a descrição correta do produto importado, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário, nos casos em que não se constate intuito doloso ou má-fé por parte do declarante.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-001.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Bernardo Motta Moreira. A conselheira Fábia Regina Freitas declarou-se impedida. Fez sustentação pela recorrente o advogado Igor Vasconcelos Saldanha, OAB/DF 20.191.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 09/06/2004 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO."EX" TARIFÁRIO. APLICAÇÃO. Os "ex" tarifários estabelecidos para reduzir o Imposto de Importação têm aplicação restrita aos bens expressamente discriminados no ato ministerial e decorrem de prévio exame da Administração Pública, mormente de similaridade, com o objetivo de proteger a indústria nacional, descabendo a interpretação extensiva de forma a beneficiar bens não especificados no ato ministerial e cujas características e finalidades sejam completamente distintas das que foram contempladas. ESTAQUE EX. INDICAÇÃO INCORRETA. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. Excluise a multa de ofício dos créditos tributários lançados e exigidos em decorrência de indicação incorreta do destaque “ex”, tendo em vista a descrição correta do produto importado, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário, nos casos em que não se constate intuito doloso ou máfé por parte do declarante. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Bernardo Motta Moreira. A conselheira Fábia Regina Freitas declarouse impedida. Fez sustentação pela recorrente o advogado Igor Vasconcelos Saldanha, OAB/DF 20.191. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 00 42 /2 00 7- 06 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Recife que julgou improcedente a impugnação interposta contra os lançamentos dos créditos tributários referentes ao Imposto de Importação, ao Imposto sobre Produtos Industrializados, ao PIS Importação, à Cofins Importação, ao PIS Importação, acrescidos das cominações legais, multa de oficio e juros de mora, e, ainda, multas regulamentares, referentes ao fato gerador ocorrido na data de 9 de junho de 2004. Os lançamentos decorreram da classificação equivocada de produto importado, adotado pela recorrente no “ex” indicado na Subposição 7426.41.00, gerando diferenças de tributos a recolher, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de cada um dos autos de infração e Relatório de Fiscalização Fiscal às fls. 27/51. Cientificada das exações, a interessada impugnou os lançamentos (fls. 143/156), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: Nas Preliminares: 1) Da incompatibilidade com o Tratado de Assunção: Alega que uma alíquota do II de 35% não é compatível com os objetivos traçados pelo Mercosul, cujo Acordo prevê que nas relações com terceiros países, os Estados Partes assegurarão condições eqüitativas de comércio, para tal fim aplicando suas legislações nacionais para inibir importações cujos preços estejam influenciados por subsídios, dumping ou qualquer outra prática desleal. Que por essa razão a exegese defendida no AI caminha em sentido diametralmente oposto aos fins visados pelo Tratado de Assunção, promulgado no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 350, de 1991. Afirma que a tese defendida pela autuação (erro na classificação fiscal da mercadoria importada) “...ultrapassa barreiras intransponíveis, como a da política de comércio exterior assumida no Mercosul ou ainda a inalterabilidade dos conceitos jurídicos informados por nossa legislação (art. 110 CTN)” 2) Da Falta de motivação: Alega que a aplicação da alíquota do II de 35% terseia dado por exclusão, assim se expressando a autoridade lançadora no Relatório Fiscal: “...estará sujeita à alíquota ad valorem normal do Imposto de Importação II devido para classificações fiscais NCM TEC adotadas...”, ou seja, não se enquadrando no “Ex” (alíquota reduzida), enquadrase na alíquota regular prevista na NCM/TEC. No Mérito: 3) Das características e classificação do bem: Fl. 290DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13603.720042/200706 Acórdão n.º 3301001.878 S3C3T1 Fl. 287 3 A autoridade lançadora partiu de suposições irrelevantes, como a do número de cabines e a de velocidade máxima do veículo, esquecendose do fundamental: verificar se tal veículo especial é assim conceituado pela legislação, pois na NCM não se encontra nenhum “caminhãoguindaste”, ultrapassando, pois, a exegese proposta pelo lançamento, o limite traçado pelo Código Tributário Nacional (CTN), uma vez que “...A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias” (art. 110, CTN). Não obstante esse equívoco da proposta de “...nova conceituação para veículos especiais...”, é de se observar que nem mesmo a exegese com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se mostra convergente à classificação do equipamento importado em “Ex” diverso do utilizada pelo contribuinteimportador. Na tentativa de demonstrar as divergências de classificação, o Relatório Fiscal traz a informação de que a autoridade lançadora partiu das Notas explicativas do SH (NESH) referentes às Posições 8426 e 8705, donde teria resultado a exclusão do Guindaste importado da Posição 8426 e remessa para a Posição 8705. Curioso observar, no entanto, que a Posição 8705 traz notas explicativas em sentido inverso ao proposto pela posição 8426, a saber: “.....Pelo contrário, permanecem classificados, por exemplo, nas posições 84.26, 84.29 e 84.30, os aparelhos e máquinas autopropulsores (guindastes, escavadoras, etc.) em que um ou mais dos mecanismos de propulsão ou de comando acima mencionados se encontram reunidos na cabine da máquina de trabalho montados sobre um chassi com rodas ou lagartas, mesmo que o conjunto seja capaz de circular por estrada ou por seus próprios meios”. A exigência, como visto, é a da reunião em uma só cabine de comando dos mecanismos de propulsão ou de comando, aí não se incluindo, por óbvio, os mecanismos de direção e de movimentação do veículo, como sugere, ao contrário, a interpretação da autoridade lançadora. Houve, portanto, equívoco da autoridade lançadora ao restringir a análise da classificação da mercadoria às RGI nºs 1 e 6 do SH, incorporadas pela NCM e NBM, devendose aplicar ao bem a RGI 3 a), que versa sobre a prevalência da Posição mais específica sobre a mais genérica. Cita as NESH sobre o assunto e afirma que um “Ex” que identifique claramente a mercadoria importada, como é o caso do indicado pelo importador deve ser tido como mais específico. Não obstante, ratifiquese, ter essa interpretação incorrido no erro ainda maior, que foi o de ignorar as limitações impostas pelo artigo 110, do CTN, seguindo em direção contrária à política de comércio exterior determinada pelo Tratado de Assunção (MERCOSUL). Impõese, a conclusão, portanto, que a classificação fiscal com base na “EX” n° 005 (Resolução Camex n° 16/2003) está correta, tornando justo o benefício fiscal de redução de alíquota usufruído pela autuada. A acusação da prática de infrações teve como ponto comum ou núcleo a suposta “inobservância de normas estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo” (art. 602, Decreto n° 4.543/2002). Depreendese que a pretensa não observância resultou de uma Fl. 291DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 interpretação errônea e equivocada do conteúdo de atos administrativos destinados a integrar o Regulamento Aduaneiro. Tendo se tornado incontroverso que não se trata de descumprimento aos literais termos de lei, mas sim de uma inferência de desrespeito de normas extraída da exegese desses termos, já se tem como suficiente o afastamento da prática de ilícito, para efeito de se caracterizar infrações e aplicar sanções, nos moldes pretendidos nos autos. Exame mais cuidadoso da matéria sob as luzes do CTN e do Regulamento Aduaneiro como um todo acaba por revelar, contudo, que a acusação de erro de classificação de fato não ocorreu na espécie. Levandose em consideração que foi esse o fundamento básico para as autuações, a sua exclusão há de levar à constatação de inexistência de tipicidade e, pois, à anulação ou revogação dos Autos de Infração, objeto das objeções veiculadas nessa impugnação. 3) Das multas. Cumulatividade e confisco: A aplicação das multa em duplicidade caracteriza a ilegalidade do lançamento, em primeiro lugar porque são aplicadas sobre a mesma base de cálculo e em segundo lugar porque nos AI lavrados propõese a aplicação de penalidades diversas atribuídas a fontes diversas “...Gatt, Regulamento Aduaneiro...”, o que se configura como confisco, nos termos da Carta magna vigente; também é questionável a aplicação da taxa selic para o cômputo dos juros de mora. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 1136.625, datado de 11/04/2012, às fls. 226/246, sob as seguintes ementas: “Classificação incorreta de mercadoria As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) Tarifa Externa Comum (TEC) e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Caminhãoguindaste, autopropulsado, pneumático, com capacidade máxima de carga de 55 t, com lança telescópica, com alcance de 2,5m., montado em chassi próprio de caminhão, provido de cabines separadas, uma comportando os comandos próprios de locomoção do veículo: motor de propulsão, caixa e dispositivos de mudança de marchas (velocidades), órgãos de direção e de travagem, e a outra com os comandos pertinentes às operações da haste, classificase na Subposição 8705.10.00, da NCM/TEC e NBM/TIPI, vigentes à época da ocorrência do fato gerador. Insuficiência de recolhimento do II. Multa de ofício de 75% Constatado o não recolhimento de diferença do II incidente sobre o bem importado, em razão de erro ocorrido em sua classificação fiscal, e consequente não enquadramento em Destaque tarifário previsto pela Resolução Camex nº 13, de 2003, alterada pelo artigo 6º da Resolução Camex nº 16, de 2003. e nº 5, de 2004, cabe o lançamento da diferença desse imposto, acrescida de juros de mora e da multa de ofício de 75%. Classificação incorreta de mercadoria. Multa de 1% sobre o seu valor aduaneiro Fl. 292DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13603.720042/200706 Acórdão n.º 3301001.878 S3C3T1 Fl. 288 5 Pela classificação incorreta da mercadoria na NCM/TEC, cabe a aplicação da multa proporcional ao seu valor aduaneiro (1%). Insuficiência de recolhimento do IPI. Multa de Ofício Em razão do agravamento da alíquota do II, em decorrência da reclassificação fiscal da mercadoria importada, ocorreu alteração na base de cálculo do IPI, além de majoração da alíquota do IPI incidente sobre a mercadoria abrangida pelo novo código (de 3,5% para 5%), cabendo, portanto, o lançamento da diferença do imposto, acrescida de juros de mora e multa de ofício. Insuficiência de recolhimento da Cofins. Multa de Ofício Em razão da reclassificação fiscal da mercadoria importada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa contribuição e o recolhimento de sua diferença, nos termos da Lei nº 10.865, de 2004, acrescida dos juros de mora e da multa de ofício de 75%, nos termos da Lei nº 9.430, de 1996. Insuficiência de recolhimento do PIS/PASEP. Multa de Ofício Em razão da reclassificação fiscal da mercadoria importada, cabe a reconstituição da base de cálculo dessa contribuição e o recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei nº 10.865, de 2004, acrescida dos juros moratórios e da multa de ofício de 75%., nos termos da Lei nº 9.430, de 1996. Revisão de Ofício Tendo o contribuinte agido em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, no estrito cumprimento de seu dever, deve proceder à revisão de ofício e, se for o caso, exigir, por meio do respectivo lançamento, os tributos não pagos por ocasião do desembaraço da mercadoria, além dos acréscimos legais e regulamentares cabíveis.” Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls.272/276), requerendo a sua a reforma a fim de que se cancele os lançamentos, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na impugnação, e subsidiariamente e por cautela, caso se entenda que houve classificação errônea do bem, sejam excluídas as multas de ofício da composição dos créditos tributários, com base no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 10/02/2002, que declarou não constituir infração punível a indicação indevida de destaque “ex” quando ausentes o dolo e a máfé, como no presente caso. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 As questões opostas nesta fase recursal se restringem à classificação fiscal do produto importado e à exclusão das multas de ofício. I – classificação fiscal A recorrente importou guindaste móvel telescópico, com capacidade máxima de carga de 55 t, alcance de 2,5 m, marca LIEBHERR, Modelo LTM 1055/1, número de série 055626, chassis nº WO93735004ELO5432, PN nº 055626, AFM nº 54073000304, item nº AFM 001, e o classificou na Subposição 8426.41.00 da NCM/TEC, e enquadrando em “Ex”. A classificação fiscal de mercadorias é feita de conformidade com as Regras Gerais Interpretativas (RGI) para o Sistema Harmonizado de Designação de Codificação de Mercadorias (SH) que constam do Anexo à Convenção Internacional de mesmo nome, aprovada, no Brasil, pelo Decreto nº 97.409, de 23/12/1988, alterado pelo Decreto nº 766, de 03/03/1993, e pelas Regras Gerais Complementares à Nomenclatura Comum do Mercosul (RGC/NCM/TEC/TIPI). Assim, a base legal para a classificação de mercadorias na nomenclatura do SH é a RGI1 e na NCM/SH as RCG. Segundo a RGI1 a classificação deve ser feita pelos textos das Posições e das Notas de Seção e de Capítulo, recorrendose às demais RG quando não for possível o enquadramento pela aplicação da RGI1 ou caso de mercadorias com características específicas. Por seu turno, a RG16 aplicase às Subposições enquanto as RCG são utilizadas para a NCM (Item e Subitem). Ressaltamos que, ao citar a NCM, está se reportando apenas à Nomenclatura (código e designação da mercadoria) e, quando for mencionada a NCM/TEC, a referência diz respeito ao código a à designação do produto mais a alíquota do imposto de importação. As Regras Gerais para Interpretação estabelecem uma hierarquia na classificação da mercadoria dentro do SH, de forma que uma mercadoria sempre se classifique primeiramente em uma posição (primeiros quatro dígitos da classificação). Somente após enquadrada em uma posição poderá ser feito o enquadramento nas subposições e posteriormente nos itens, subitens e em último lugar o enquadramento em “Ex” tarifário. Assim, uma mercadoria só faz jus a um “Ex” tarifário se ela for corretamente classificável na posição, subposição e item onde está o referido “Ex”. A Regra n° 1, assim dispõe: “Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes ...” Já Regra nº 6 estabelece: “A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, bem como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Na acepção da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário.” Fl. 294DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13603.720042/200706 Acórdão n.º 3301001.878 S3C3T1 Fl. 289 7 O SH é complementado por Notas Explicativas do próprio Sistema (NESH), concebidas para facilitar sua implementação e, além disso, assegurar sua interpretação uniforme pelos diversos países. As NESH aplicadas, no SH, na versão em língua portuguesa foram aprovadas pelo Decreto nº 435, de 27/01/1992, que assim dispõe: “Art. 1° São aprovadas as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, do Conselho de Cooperação Aduaneira, com sede em Bruxelas, Bélgica, na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, anexas a este Decreto. Parágrafo único. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome.” Segundo a TIPI, vigente na data do fato gerador dos tributos em discussão, a classificação na NCM 87.05 abrange as seguintes mercadorias (bens/produtos): “Veículos automóveis para usos especiais (por exemplo, autosocorros, caminhõesguindastes, veículos de combate a incêndio, caminhõesbetoneiras, veículos para varrer, veículos para espalhar, veículosoficinas, veículos radiológicos), exceto os concebidos principalmente para transporte de pessoas ou de mercadorias”; a NCM 87.05.10 abrange:“Caminhõesguindastes”; e a NCM 87.05.10.00: “Com haste telescópica de altura máxima superior ou igual a 42 m, capacidade máxima de elevação superior ou igual a 60 toneladas, segundo a Norma DIN 15019, Parte 2, e com 2 ou mais eixos de rodas direcionáveis”. Ressaltamos que, para esta classificação, inexiste “Ex” Ora, a mercadoria (bem) importado pela recorrente e objeto dos lançamentos em discussão, descrito anteriormente, se enquadra na NCM 8705.10.00, então vigente. Portanto, correta as diferenças de tributos apurados em decorrência da classificação fiscal equivocada adotada pela recorrente, objeto dos lançamentos em discussão. II – Multas de Ofício. Além das diferenças de II, IPI, PIS Importação e Cofins Importação, foram também lançadas as respectivas multas de ofício, com fundamento na Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...].” Fl. 295DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 No entanto, o Secretário da Receita Federal, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24/08/2001, e considerando o disposto no art. 84. e seu § 2º, da MP nº 2.15835, de 24/08/2001, expediu o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 10/09/2002, declarando: “Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante.” No presente caso, o produto foi corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado pela recorrente. Dessa forma, as multas de ofício aplicadas sobre as diferenças de tributos lançadas e exigidas por meio dos lançamentos de ofício em discussão devem ser excluídas dos respectivos totais. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente para excluir as multas de ofício, no percentual de 75,0 %, aplicadas sobre as diferenças dos tributos lançados e exigidos por meio dos lançamentos em discussão (II, IPI, PIS Importação e Cofins Importação). (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 296DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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