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Numero do processo: 19311.720479/2011-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
RECURSO ESPECIAL. LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRATANTE. RETENÇÃO. SERVIÇOS POR CESSÃO DE MÃO DE OBRA PARA ÓRGÃOS PÚBLICOS. POSSIBILIDADE. REQUISITOS. AUSÊNCIA.
Conforme determina a Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dez do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observando que o desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.
Já para o Decreto 3048/1999, enquadram-se na possibilidade de retenção o serviço realizado, mediante cessão de mão-de-obra, na operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou sub-concessão.
Para os fins da Lei citada, entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.
No presente caso, não ficaram demonstrados, em sua integralidade, as características da cessão de mão de obra, relacionadas pela Lei, motivo do provimento do recurso do contribuinte.
Numero da decisão: 9202-003.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Drª. Patrícia de Amorim Gomes Macedo.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Igor Araújo Soares (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado).
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 RECURSO ESPECIAL. LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRATANTE. RETENÇÃO. SERVIÇOS POR CESSÃO DE MÃO DE OBRA PARA ÓRGÃOS PÚBLICOS. POSSIBILIDADE. REQUISITOS. AUSÊNCIA. Conforme determina a Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dez do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observando que o desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Já para o Decreto 3048/1999, enquadram-se na possibilidade de retenção o serviço realizado, mediante cessão de mão-de-obra, na operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou sub-concessão. Para os fins da Lei citada, entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. No presente caso, não ficaram demonstrados, em sua integralidade, as características da cessão de mão de obra, relacionadas pela Lei, motivo do provimento do recurso do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Drª. Patrícia de Amorim Gomes Macedo. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Igor Araújo Soares (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado).
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LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRATANTE. RETENÇÃO. SERVIÇOS POR CESSÃO DE MÃO DE OBRA PARA ÓRGÃOS PÚBLICOS. POSSIBILIDADE. REQUISITOS. AUSÊNCIA. Conforme determina a Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dez do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãode obra, observando que o desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Já para o Decreto 3048/1999, enquadramse na possibilidade de retenção o serviço realizado, mediante cessão de mãodeobra, na operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou sub concessão. Para os fins da Lei citada, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 04 79 /2 01 1- 80 Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 No presente caso, não ficaram demonstrados, em sua integralidade, as características da cessão de mão de obra, relacionadas pela Lei, motivo do provimento do recurso do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Drª. Patrícia de Amorim Gomes Macedo. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Igor Araújo Soares (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado). Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19311.720479/201180 Acórdão n.º 9202003.522 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, interposto pelo contribuinte, responsável, contra acórdão que decidiu dar provimento a recurso voluntário, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. OPERAÇÃO DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS, INCLUSIVE NOS CASOS DE CONCESSÃO OU SUBCONCESSÃO. PREVISÃO NORMATIVA EXPRESSA. O artigo 219, § 2°, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99, é categórico no sentido de que a operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão, é passível de enquadramento na cessão de mão de obra, sem embargo da necessidade de comprovação, no caso concreto, do preenchimento de todos os pressupostos caracterizadores da cessão de mão de obra, que se encontram descritos no artigo 31 da Lei n° 8.212/91. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXECUÇÃO MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. OBRIGAÇÃO DA CONTRATANTE. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DE 11% DO VALOR DA NOTA FISCAL OU FATURA EMITIDA PELA PRESTADORA DO SERVIÇO. Configurada a cessão de mão de obra, assim entendida a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a sua atividade fim, há a obrigação de reter e recolher a importância correspondente a 11% do valor da nota fiscal ou fatura emitida pela empresa contratada. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. PODER DE COMANDO. RELAÇÃO JURÍDICA QUE SE ESTABELECE ENTRE CONTRATANTE E CONTRATADO. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA ENTRE TOMADOR DE SERVIÇOS E TRABALHADORES Se o poder de comando ou de controle sobre os empregados estiver com o contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, restará configurada o contrato de emprego e, conseqüentemente, a intermediação ilícita de mão de obra (artigo 9° da CLT e Súmula 331, I, do TST). O poder de comando que deve haver na cessão de mão de obra é, exclusivamente, sobre os serviços contratados, o que é bem diferente de haver poder de comando do tomador de serviços sobre os trabalhadores. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Recurso de Ofício Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao Recurso de Ofício para restabelecer a integralidade do lançamento apenas quanto ao devedor Município de São Paulo Secretaria Municipal de Transportes, porque configurada a prestação de serviço com cessão de mão de obra, mantendo excluída a sujeição passiva solidária da empresa Himalaia Transportes Ltda. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam pela ilegitimidade passiva do Município de São Paulo Secretaria de Transportes para figurar no pólo passivo da autuação fiscal. Em síntese, o litígio em questão versa sobre a existência, ou não de contratação de prestação de serviço mediante cessão de mão de obra pela recorrente, gerando a conseqüente obrigatoriedade da retenção de 11 % sobre a nota fiscal do serviço prestado. Em seu recurso especial o contribuinte alega, em síntese, que: 1. O Fisco entendeu que o Município, na condição de tomador de serviços relacionados com o transporte coletivo municipal, supostamente executados mediante cessão de mão de obra, deixou de efetivar a retenção da contribuição previdenciária, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/1991; 2. A DRJ, por unanimidade de votos, conheceu da defesa interposta e exonerou o crédito lançado, recorrendo de ofício ao CARF; 3. Na decisão da DRJ, ficou clara a ausência da configuração da cessão de mão de obra; 4. Na decisão recorrida entendeuse ser possível a cessão de mão de obra em contrato de concessão de serviço público, pelo fato do Município não delegar completamente sua concessão ao particular; 5. Há vários julgamentos, citados e com acórdãos anexados, de matérias idênticas, dissonantes, do CARF, com o que foi decidido no acórdão recorrido; 6. Dessa forma, fica clara a importância de julgamentos uniformes no CARF por questões idênticas; 7. Nos acórdãos citados, há duas matérias dissonantes do entendimento adotado pelo acórdão recorrido: 7.1 a norma impositiva, Art. 31, da Lei 8.212/1991, diz respeito somente à situação de contratação de serviços executados mediante cessão de mão Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19311.720479/201180 Acórdão n.º 9202003.522 CSRFT2 Fl. 4 5 de obra, não se confundindo com o serviço prestado, com a concessão de serviço público; e 7.2 a distinção entre terceirização de atividades meio, que não se confundem com o objetos institucionais do órgão público, da concessão de serviços públicos, prestado diretamente pelo concessionário, é fundamental para a análise da incidência do Art. 31, caput, da Lei 8.212/1991; 8. Conforme argumentos dos acórdãos paradigmas, na terceirização a Administração Pública transfere a execução de atividades, ao passo que nas concessionárias e permissionárias de serviços públicos há a transmissão da gestão, conforme lição de Celso Antônio Bandeira de Mello; 9. Conforme decidido nos acórdãos paradigmas e conforme a verdade material, o ente público retirouse do encargo de prestar diretamente o serviço à população e o transferiu ao concessionário a qualidade de prestador do serviço ao usuário; 10. Ao fazêlo, ainda que subordinado a regras contratuais gerais, fica clara a ausência de relação direta do Município concedente com a mão de obra empregada pelo concessionário para a prestação das obrigações contratuais; 11. As concessionárias é que desenvolvem as atividades materiais, por sua conta e risco, diretamente aos usuários; 12. Ausente está o poder de comando entre o Município e a mão de obra empregada pelo concessinário para a prestação de serviço público, nos termos do contrato; 13. Como consta dos acórdãos paradigmas, a estrutura de pessoal não está sob controle e responsabilidade direta do Poder Público; 14. São as concessionárias que arcam com os custos e recebem as tarifas, retribuição, pagas pelos usuários; 15. O usuário do serviço de transporte público é o verdadeiro tomador, custeandoo diretamente às concessionárias; 16. O usuário paga às concessionárias pelo serviço que lhe é posto à disposição; 17. Portanto, não há que se falar em retenção, pois ausente a cessão de mão de obra; Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 18. Há decisão judicial do RS que vai ao encontro da tese aqui defendida; 19. Também há decisão judicial, do TRF3, de 2008, que vai ao encontro da tese aqui defendida; 20. Os empregados das empresas operadoras (motoristas, cobradores, fiscais, etc) não ficam e nem nunca ficaram à disposição da contratante/recorrente e nem mesmo com ela se relacionam ou relacionaram diretamente; 21. As empresas particulares operadoras do transporte coletivo eram e são responsáveis pelos seus empregados, dirigindolhes os trabalhos e assumindo os riscos da atividade econômica pelos serviços prestados por eles; 22. Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), só haverá a retenção de 11% se, e somente se, a cessão de mão de obra estiver configurada; 23. Por conseqüente, demonstrada está a divergência entre acórdãos do CARF e a não incidência do art. 31, da Lei 8.212/1991, pois não ocorre a cessão de mão de obra; 24. Por fim, requer a admissão e o provimento de seu recurso. Por despacho, deuse seguimento ao recurso especial. A PGFN apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, pela manutenção da decisão expressa no acórdão recorrido. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19311.720479/201180 Acórdão n.º 9202003.522 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergências confirmadas e não reformadas conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Quanto ao caso, primeiramente cabem alguns esclarecimentos. A retenção de 11% (onze por cento), por serviços prestados por cessão de mão de obra, em casos de operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão, é possível, pois há essa previsão na norma regulamentadora da Lei 8.212/1991. Decreto 3.048/1999: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) ... § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: ... XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) Ainda em esclarecimentos, somente, questionamos essa possibilidade, na realidade dos fatos, pois as definições legais, clássicas e reiteradas de concessão e permissão de serviços públicos possuem diferenças incompatíveis com a definição de cessão de mão de obra, determinada na Lei 8.212/1991. Lei 8.987/1995: Art. 1o As concessões de serviços públicos e de obras públicas e as permissões de serviços públicos regerseão pelos termos do art. 175 da Constituição Federal, por esta Lei, pelas normas legais pertinentes e pelas cláusulas dos indispensáveis contratos. Parágrafo único. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Municípios promoverão a revisão e as adaptações necessárias de sua legislação às prescrições desta Lei, buscando atender as peculiaridades das diversas modalidades dos seus serviços. Art. 2o Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: I poder concedente: a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Município, em cuja competência se encontre o serviço público, precedido ou não da execução de obra pública, objeto de concessão ou permissão; II concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, POR SUA CONTA E RISCO e por prazo determinado; III concessão de serviço público precedida da execução de obra pública: a construção, total ou parcial, conservação, reforma, ampliação ou melhoramento de quaisquer obras de interesse público, delegada pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para a sua realização, por sua conta e risco, de forma que o investimento da concessionária seja remunerado e amortizado mediante a exploração do serviço ou da obra por prazo determinado; IV PERMISSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco. Art. 3o As concessões e permissões sujeitarseão à fiscalização pelo poder concedente responsável pela delegação, com a cooperação dos usuários. Art. 4o A concessão de serviço público, precedida ou não da execução de obra pública, será formalizada mediante contrato, que deverá observar os termos desta Lei, das normas pertinentes e do edital de licitação. Art. 5o O poder concedente publicará, previamente ao edital de licitação, ato justificando a conveniência da outorga de concessão ou permissão, caracterizando seu objeto, área e prazo. Para Celso Antônio Bandeira de Mello: “CONCESSÃO é o instituto através do qual o Estado atribui o exercício de um serviço público a alguém que aceite prestálo em nome próprio, por sua conta e risco, nas condições fixadas e alteráveis unilateralmente pelo Poder Público, mas sob garantia contratual de um equilíbrio econômicofinanceiro, remunerando se pela própria exploração do serviço, em geral e basicamente mediante tarifas cobradas diretamente dos usuários do serviço Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19311.720479/201180 Acórdão n.º 9202003.522 CSRFT2 Fl. 6 9 (MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. São Paulo: Malheiros, 1998)” “PERMISSÃO é ato unilateral e precário, intuito personae, através do qual o Poder Público transfere a alguém o desempenho de um serviço de sua alçada, proporcionando, à moda do que faz na concessão, a possibilidade de cobrança de tarifas dos usuários (MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. São Paulo: Malheiros, 1998)”. Por fim, cabe destacar, ponto interessante, lição da professora Maria Sylvia Zanella di Pietro sobre o assunto: “A forma pela qual foi disciplinada a PERMISSÃO pode tornar bastante problemática a utilização do instituto ou, pelo menos, possibilitar abusos, por ensejar o uso de meios outros de licitação, que não a concorrência, sob pretexto de precariedade da delegação, em situações em que essa precariedade não se justifique”. Como claro acima, tanto na Lei como na Doutrina, em síntese, a concessão e a permissão transmitem ao particular a prestação de serviços públicos, por sua conta e risco, cabendo, claro, a fiscalização pelo poder concedente. Já para a Lei que fundamenta o lançamento em questão, definese que somente nos serviços prestados mediante cessão de mão de obra, termo, também, definido pela Lei, haverá a retenção. Lei 8.212/1991: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33 ... § 3o PARA OS FINS DESTA LEI, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 Portanto, em síntese, as definições legais de concessão e permissão determinam que o concessionário ou permissionário assumirá a prestação do serviço prestado por sua conta e risco, com a fiscalização do poder concedente. Já na definição legal de cessão de mão de obra, motivadora do lançamento, o prestador coloca, fornece ao contratante segurados para a realização de serviços. Nas peças dos autos citadas baixo está claro que se trata de serviço, seja por concessão, seja por permissão, pois os dois institutos são citados, em que o prestador assume o risco da atividade econômica: 1. Relatório Fiscal: A remuneração dos contratados era calculada por meio de planilha técnica de custos operacionais, elaborada de acordo com as fórmulas constantes das cláusulas contratuais que tratam “Da Remuneração pelos Serviços” e seus aditivos (Item 4.31); 2. Contrato: CLÁUSULA PRIMEIRA – DO OBJETO, onde fico demonstrado, em síntese, que o objeto do contrato é a prestação do serviço de transporte coletivo e não a colocação de mão de obra a disposição do contratante, como determina a Lei 8.212/1991 para a exigência da retenção; 3. Contrato: CLÁUSULA SÉTIMA – DA REMUNERAÇÃO PELOS SERVIÇOS, onde fica demonstrado que o contratado/concessionário/permissionário assume o risco da atividade econômica, por sua conta e risco, já que sua remuneração é variável, conforme a prestação dos serviço. Assim, não se configurou a cessão de mão de obra determinada na Lei 8.212/1991 (colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços), mas sim a prestação de serviço determinado, em que o prestador assume o risco da atividade econômica, motivo do cancelamento do lançamento e do conseqüente provimento do recurso do contribuinte citado. Destaquese decisões do CARF que vão ao encontro do decidido: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 RETENÇÃO 11% CESSÃO DE MÃODEOBRA . NÃO CONFIGURADA Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mãodeobra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao dispos to no art. 37, da Lei 8.212/91 Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19311.720479/201180 Acórdão n.º 9202003.522 CSRFT2 Fl. 7 11 A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujei to passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relat or(a) (Acórdão 2301003.992, Relatora: Bernadete de Oliveira Barros). ... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 03/11/2010 RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consu bstanciada no arcabouço jurídicotributário, o recurso de ofício será negado. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS DO FISCO. AUSÊNCIA DEMONSTRA ÇÃO DO FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES. O Fisco tem o ônusdever de demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. No presente caso, em se tratando de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, deve o relatório fisca l conter toda a fundamentação de fato e de direito que possa permitir ao sujeito passivo exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, caberia ao Fisco a demonstração da ocorrência da prestação de serviços m ediante cessão de mão de obra, o que não aconteceu. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os conselheiros Thiago Taborda Simões e Carlos Henrique de Oliveira que davam provimento. O conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões. O conselheiro Carlos H enrique de Oliveira apresentará declaração de voto. Ausente, momentaneamente, o conselheiro L ourenço Ferreira do Prado. (Acórdão 2402003.882, Relator: Ronaldo de Lima Macedo). Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em dar provimento ao recurso do contribuinte, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13710.001289/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2000
Ementa:
RECOLHIMENTO DO IRFONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO.
Comprovada a devida retenção na fonte do imposto cuja suposta falta deu origem ao lançamento, cancela-se a exigência.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF
Deve-se reduzir a multa por atraso na entrega da declaração ao valor de R$165,74, quando o contribuinte comprova de forma inequívoca suas alegações.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-002.756
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso e reduzir a multa por atraso na entrega da declaração para o valor de R$ 165,74.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Comprovada a devida retenção na fonte do imposto cuja suposta falta deu origem ao lançamento, cancela-se a exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF Deve-se reduzir a multa por atraso na entrega da declaração ao valor de R$165,74, quando o contribuinte comprova de forma inequívoca suas alegações. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso e reduzir a multa por atraso na entrega da declaração para o valor de R$ 165,74. (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora. EDITADO EM: 30/10/2014 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls.25 a 29), relativa ao ano-calendário 1999, para apurar imposto de renda suplementar no valor de R$32.921,45, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora e multa por atraso na entrega da DIRPF no valor de R$6.584,29. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal foi apurada dedução indevida de imposto de renda retido na fonte fls. 27. Impugnou o lançamento alegando, consoante o relatório da decisão de primeira instância, o seguinte: a peça defensória é tempestiva , uma vez que a informação prestada pelo CAC referente à data da ciência em 08/08/2005 não procede uma vez que não recebeu o auto de infração. Em relação à dedução indevida de imposto de renda retido na fonte afirma que os valores declarados pela fonte pagadora foram recebidos pelo espólio de Jorge Schnaider e declarados em sua DIRPF, ocasionando bi-tributação. A 2ª Turma DRJ/Rio de Janeiro II (RJ), conforme Acórdão 13-27.164– de 17 de novembro de 2009 de fls. 62 e ss, julgou procedente o lançamento, nos termos das seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.MULTA POR ATRASO NA ENTREGA D A DIRPF Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. IMPOSTO D E RENDA RETIDO N A FONTE. COMPROVAÇÃO. Cabe manter a dedução indevida do IRRF consignado na declaração de ajuste anual , quando não comprovada a sua retenção por meio hábil de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. A ciência de tal julgado se deu em 24/03/2011, consoante termo ciência pessoal de fls. 54. Cientificado da aludida decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 01/04/2011, fls. 60. Eis as alegações recursais: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13710.001289/2006-13 Acórdão n.º 2202-002.756 S2-C2T2 Fl. 3 3 Assevera que é um dos herdeiros do Espólio de Jorge Schnaider - CPF 003.342.787-91, o qual é proprietário do imóvel sito no Rio de Janeiro, , na Rua do Catete n°s 78 e 80, o qual foi locado em 27 de abril de 1998 a Igreja Água Viva - CNPJ 02.300.711/0001-07, por contrato daquela data, aditado em 1 o de abril de 2003 (does.1/4).de infração abrangido fatos geradores mensais do ano de 2001. Cita uma vasta jurisprudência visando fundamentar suas alegações. No ano calendário de 1999, a locatária pagou ao locador alugueres no valor de R$ 143.423,46 (cento e quarenta e três mi), quatrocentos e vinte e três reais e quarenta e seis centavos), retendo na fonte Imposto de Renda do montante de R$ 35.121,48, como constante da Informação de Rendimentos Pagos, anexa (doc. 5). Não obstante, o CPF constante desse Comprovante de Rendimentos foi o do inventariante do Espolio, Nelson Goldenstein (CPF 633.583.527-49), e não o do Espólio-locador, como devido (doc. 5). Entregue a um contador os documentos do espolio e de seus herdeiros para a elaboração de suas declarações de ajuste do Exercício de 2000, esse profissional, inexplicavelmente, fez constar na declaração do ora recorrente aqueles rendimentos da locação - que foram do Espolio, e não seus - e o valor do imposto retido. Acresce que o equivocado procedimento da locatária quanto aos comprovantes de rendimentos pagos repetiu-se nos anos calendário de 2000, 2001, 2003, 2004 e 2005, o que a levou a retificações das informações originariamente prestadas (docs. 6/13). Também no exercício de 2001 o profissional encarregado de elaborar a declaração de ajuste do suplicante procedeu da mesma forma, o que deu causa a autuação fiscal e à instauração do processo fiscal n° 13710.-1290/2006-48, no qual ficou demonstrada a indevida inclusão de rendimentos de terceiros e do imposto retido sobre os mesmos rendimentos. Decisão, então proferida, deu acolhida a impugnação apresentada pelo ora recorrente (doc. 14) Com a juntada da documentação agora acostada fica evidenciado que os alugueres no valor de R$ 143.423,46 foram efetivamente pagos ao Espólio de Jorge Schnaider, ao qual incumbiam, e a ele diz respeito a retenção de tributo na fonte no montante de R$ 35.121,48, tudo constante do Comprovante emitido pela Igreja de Nova Vida do Catete (CGC 02.300.711/0001-07), nova designação da Igreja Água Viva. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 É de supor-se que a não-identificação de tal recolhimento deveu-se ao fato de - ao que se infere do documento n° 5 - ter sido o mesmo efetivado sob o CPF do inventariante. O proprietário do imóvel locado à entidade religiosa é o Espólio de Jorge Schnaider, e não seu herdeiro Rui Goldenstein, e a ele, Espólio, e não ao herdeiro, foram pagos os alugueres correspondentes A inépcia constrangedora com que agiram as partes envolvidas, à toda evidência, não cria rendimento que não existiu e, conseqüentemente há matéria econômica a tributar. Havendo pendência quanto ao exercício em questão, não é facultado ao contribuinte, no sistema da Receita Federal, retificar a declaração de ajuste correspondente, mas dos rendimentos declarados pelo suplicante, naquele documento, devem ser excluídos aqueles efetivamente percebidos por terceiro e, bem assim, o valor retido na fonte, que também não lhe é pertinente. QUANTO A MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO IRPF O recorrente solicita que seja aplicado o valor mínimo É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. O LANÇAMENTO JÁ TINHA SIDO REVISTO DE OFÍCIO CONFORME DESPACHO DECISÓRIO DE FLS. 52, nos seguintes termos : 05. A origem do auto de infração foi a glosa do valor informado a título de imposto de renda retido na fonte no montante de R$ 51.759,79 e a apuração da multa por atraso na entrega na declaração no valor:de R$ 9.911,98. 06. O contribuinte alega que os valores apurados no auto de infração foram informados erradamente pois referem-se ao espólio de Jorge Schnaider, CPF 003.342.787-91, seu avô. Informa também que não auferiu rendimentos tributados no ano calendário em causa, estando porém obrigado à entrega da declaração de ajuste anual por possuir cotas.de capital, obedecendo assim o disposto no artigo I o da IN SRF 110/2000. 07. 0 contribuinte anexou à fl.08 a certidão de óbito de seu avô Jorge Schnaider falecido em 22 de fevereiro de 1995. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13710.001289/2006-13 Acórdão n.º 2202-002.756 S2-C2T2 Fl. 4 5 08. Consultando os sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal anexamos às fls. 47 a 50 onde verificamos à fl.49 que a DIRF enviada refere-se ao Espólio Jorge Schnaider, CPF 003.342.787-91, não podendo ser confundida com a do contribuinte, anexada à fl.51, demonstrando não haver: auferido os rendimentos declarados no auto de infração, a retenção de imposto de renda na fonte restando apenas a multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual no valor de R$165,74, conforme dispõem os artigos 1º e 3º o da Instrução Normativa 110/2000. 09. Analisando os elementos do processo verificamos que procedem em parte as alegações do interessado razão pela qual somos pelo cancelamento do imposto suplementar de R$ 49.559,94 da multa de oficio de R$ 37.169,95 e a retificação da multa por atraso na entrega da declaração de ajuste de R$ 9.911,98 para R$ 165,74 fazendo os devidos acertos no PROFISC de fl.41. Às fls. 54 está o seguinte despacho da DIORT – DERAT-RJ: IRPF- IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Exercício 2 0 0 1 Ano - calendário 2 0 00 LANÇAMENTO REVISTO DE OFÍCIO Vistos e examinados os presentes autos e, a vista do Parecer de fls.52/53, cujo teor APROVO e que passa a integrar o presente julgado, DECIDO, face às disposições estabelecidas pelo artigo 2o da Ordem de Serviço Conjunta Derat/Defic/RJO N° 02/2004, REVER DE OFICIO o LANÇAMENTO consubstanciado no auto de infração para CANCELAR o imposto suplementar e a multa de ofício e RETIFICAR a multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual passando o valor da citada multa de R$ 9.911,98 para R$ 165,74 procedendo aos devidos ajustes no PROFISC de fl.41. Encaminhe-se ao apoio da EQPEF/DIORT/DERAT/RJ, para dar ciência do inteiro teor deste, despacho ao interessado e prosseguir na cobrança do débito remanescente.. Assim, com essa prova inequívoca entendo que deve se dado provimento ao recurso e reduzir a multa por atraso na entrega da declaração ao valor de R$165,74. É como voto. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 172DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Relatório Voto
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Numero do processo: 14041.001494/2007-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2007
INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES - CONCORDÂNCIA COM OS VALORES LANÇADOS.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AIOP.
Recurso Voluntário Negado
APLICAÇÃO DE JUROS E MULTA PELO RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO - APLICÁVEL.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Numero da decisão: 2401-003.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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O recorrente apenas alega nulidade e imunidade, sem apresentar qualquer argumentação acerca da inexistência dos fatos geradores ou incorreção dos valores lançados. Simplesmente alegar nulidade não determina a improcedência do lançamento quando todos os argumentos foram devidamente afastados pelo julgador de primeira instância e não trás o recorrente qualquer fato novo. CONDIÇÃO DE ISENTA NÃO COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 8212/91 LEI 3214/56 INAPLICABILIDADE À CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A recorrente não possuía direito à isenção no período do presente lançamento, ou mesmo que considerarmos, como argumentado pelo recorrente, tratarse de imunidade, está será limitado ao cumprimento da lei em se tratando de contribuições previdenciárias, o que novamente não logrou êxito o recorrente em demonstrar. A alegada isenção concedida pela lei 3214/1956, é expressa em referirse a impostos, que assim, como bem descrito pelo auditor notificante não se confunde com contribuições previdenciárias. APLICAÇÃO DE JUROS E MULTA PELO RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO APLICÁVEL. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 14 94 /2 00 7- 52 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2007 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES CONCORDÂNCIA COM OS VALORES LANÇADOS. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AIOP. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001494/200752 Acórdão n.º 2401003.790 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de NFLD, lavrada sob n. 37.139.0737, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e a contribuição de segurados não descontada, bem como a contribuição destinada a terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais, no período de 07/2003 a 03/2007. Conforme o relatório fiscal, fls. 15 e seguintes, o crédito de que trata esta NFLD teve origem em várias situações encontradas na empresa, que tiveram seus fatos geradores cadastrados separadamente (conforme anexos em CD , arquivo : FOLHA e FLDETALHE). a) levantamento DG: valores pagos pela empresa conforme apurado em folha de pagamento e declarados em GF1P; h) levantamento NDG: valores pagos pela empresa conforme apurado em folha de pagamento e não declarados em GFIP; c) levantamento DAL: valores criados automaticamente pelo sistema com os valores de Juros e Multas recolhidos a menor pela empresa e recalculados corretamente pelo sistema.Ainda conforme o relatório o crédito de que trata esta NFLD originou se de diferenças obtidas do confronto entre os valores descontados nas Folhas de Pagamento, declarados nas Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, pagos nos comprovantes de recolhimentos — GPS e os valores já existentes em outras LDC/LDCG/DCG já cadastradas. A entidade tentando comprovar a situação de isenta de contribuições previdenciárias apresentou tão somente os seguintes documentos: • Cópia da Lei 3.124/1957, conferindo isenção de todos os impostos federais para a Fundação Brasileira de Teatro; • Decreto de 1 de Julho de 1996, restabelecendo o título de utilidade pública federal; • Decreto (distrital) 22.706/2002, concedendo o Título de Utilidade Pública; • Certificado de Entidade beneficente de Assistência Social (CEBAS) com validade até 01/03/2002; • Cópia do Ato Declaratório 106/2002, declarando a Fundação Brasileira de Teatro imune quando ao Imposto Sobre Serviços — ISS. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Notese primeiramente que no caso em tela a Lei 3.124/1957 nada tem haver com as contribuições previdenciárias, pois as mesmas não se confundem com impostos. De fato os impostos, contribuições de melhoria, taxas, contribuições sociais compõem o gênero designado constitucionalmente de tributo, mas cada um deles é uma espécie separada e independente, logo, isenção de impostos e isenção de contribuições sociais não se confunde. Segundo, não há mais que se falar em direito adquirido a isenção após a Constituição Federal de 1998, pois conforme seu art. 195, §7°, in verbis: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [ ... ] § 7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." Ou seja, para que a entidade seja isenta deve atender às exigências estabelecidas em lei (que é a Lei 8.212/91). Outrossim, nos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, em seu art. 41, §1°, temos que: "Art. 41. Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis. § 1° Considerar seão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei". Deixando claro que quaisquer incentivos não confirmados por lei após dois anos da data da promulgação da Constituição seriam considerados revogados. Para tornar mais claras as exigências determinadas pela Lei 8.212/91, para que a empresa possa requerer a isenção junto ao INSS, temos o art. 55 e incisos: Ressaltando, que para que seja isenta deve REQUERER A ISENÇAO junto ao órgão e após análise dos requisitos elencados acima será ou não deferida à isenção, logo a entidade não pode se entender como isenta sem que tenha feito o devido requerimento de isenção e sem que este requerimento tenha sido deferido. O que não é o caso da Fundação Brasileira de Teatro que não deve pedido de isenção das contribuições sociais deferido pelo INSS. Logo, resumidamente entendemos que a Fundação Brasileira de Teatro não é entidade isenta em nenhum período (em particular no período de jul/2003 a mar /2007), primeiramente porque não há que se falar em direito adquirido conforme entendimento atual do STJ e, mesmo que fosse contrário o entendimento do STJ, a entidade só possuía isenção de impostos e não de contribuições sociais. Por fim, porque no período de jul/2003 a mar/2007 a entidade não cumpriu o que determina a Lei 8.212/91, no que tange a solicitar no tempo adequado a sua isenção ao INSS e também não cumpriu cumulativamente os requisitos, pois: a) Era detentora de certificado de utilidade pública federal a partir de 1996; b) Era detentora do certificado de utilidade pública Distrito Federal concedido em 2002; Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001494/200752 Acórdão n.º 2401003.790 S2C4T1 Fl. 4 5 C) PORÉM, não era detentora de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEBAS (pois, a validade expirou em 01/03/2002); e d) E não entregou os documentos e relatórios obrigatórios, pois deveria anexar ao seu pedido de isenção a sua contabilidade e anualmente o relatório circunstanciado de suas atividades para demonstrar: d. l ) a gratuitamente dos seus serviços, d.2) a não percepção pelos seus diretores de remuneração ou vantagens e d.3) a aplicação correta do seu resultado operacional (novamente reforçamos que estes documentos e relatórios não foram apresentados em época própria ao INSS). Além de ter sido constatado nas suas folhas de pagamento salários para diretores, contrariando frontalmente a Lei 8.212/91 no seu art. 55, IV que diz literalmente que 1V não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título'. Para melhor esclarecer este ponto os nomes constatados em folha foram os de CRISTIANE JANSEN CABRAL MARTINS, CARGO DIRETORA e LUIZ FERNANDO DE MELO, CARGO VICEDIRETOR DE ADMINISTRACAO, durante todo o período de jul/2003 a Mar/2007. De todo o exposto verificase que a entidade não teve pedido de isenção deferido pelo INSS e não apresentou em momento algum os relatórios anuais circunstanciados de suas atividades, logo, a entidade não é isenta das contribuições previdenciárias devendo recolher como empresa normal todas as contribuições devidas. E caso deseje usufruir de isenção deverá cumprir os requisitos dispostos na Lei 8.212/91 e providenciar pedido ao INSS com todos os documentos exigidos, aguardando deferimento para que possa usufruir da isenção. Foram aproveitados todos os recolhimentos em Guia da Previdência Social — GPS existentes no sistema. Também foram abatidos da respectiva apuração os valores já lançados em DCG num. 35991047 5, 360037046, 360037054 e 360127274. Ressaltase que foram conferidas as rubricas nas quais incidem contribuição previdenciária da folha de pagamento e foram reenquadradas conforme anexo "Anexo com as rubricas consideradas pela fiscalização na apuração', conforme anexo em CD, arquivo: TAB_INCIDE. De todo o exposto verificase que os valores de créditos apurados são as diferenças não recolhidas pela empresa quando confrontados todos os valores devidos sobre as remunerações dos empregados e contribuintes individuais de um lado, e todos os valores recolhidos do outro lado. E que a mesma NÃO SENDO ENTIDADE ISENTA deve recolher como uma empresa normal. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 17/12/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 18/12/2007. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 162 a 178. A DecisãoNotificação confirmou a procedência total da autuação, fls. 181 e seguintes, conforme ementa abaixo transcrita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Relatório Fiscal com discriminação clara e precisa com remissão a anexos da NFLD permite o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo e o atributo de certeza e liquidez do crédito para garantia da futura execução fiscal. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS E RELAÇÃO DE VÍNCULOS. Têm o objetivo de listar no processo e registrar nos sistemas da RFB as pessoas que possuem ou possuíam poder de mando/direção à época da ocorrência dos fatos geradores, não possuindo, por si • sós, o poder de atribuir a responsabilidade tributária de terceiros prevista no art. 135 do CTN. EMPRESA DECLARADA COMO SENDO DE UTILIDADE PÚBLICA FEDERAL. ISENÇÃO NÃO COMPROVADA. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/91 apenas a entidade beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos requisitos dispostos no art. 55 da mesma lei. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE COMPROVAÇÃO. Presumemse verdadeiros os valores lançados pela autoridade fiscal fundamentado nos documentos apresentados pela empresa, cabendo a esta o ônus da prova em contrário. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento, salvo exceções previstas legalmente MULTA. A multa aplicada a título moratóno, incidente sobre Contribuições Sociais em atraso, tem previsão legal, inexistindo natureza confiscatória. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. No Processo Administrativo Fiscal, somente é permitida a juntada posterior de provas caso haja motivo de força maior, Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001494/200752 Acórdão n.º 2401003.790 S2C4T1 Fl. 5 7 ocorrência de fato ou direito superveniente ou necessidade de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PARCELAMENTO DE DÉBITO Não cabe à Delegacia da Receita Federal do Brasil e Julgamento (DRJ) se pronunciar em pedidos de parcelamento de débitos tributários, sendo tal atribuição da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de jurisdição do contribuinte. Lançamento Procedente Não concordando com os termos da decisão apresentou o recorrente recurso fls. 197 e seguintes, onde em síntese alega: Que houve erro da fiscalização quanto ao incorreto enquadramento legal do fato descrito, de onde resulta inocorrer fato imputável à recorrente e, em conseqüência, a nulidade & notificação fiscal; Que houve erro da fiscalização quanto ao incorreto enquadramento legal do fato descrito, de onde resulta inocorrer fato imputável à recorrente e, em conseqüência, a nulidade & notificação fiscal; que por ser a NFLD um ato administrativo vinculado ao princípio da reserva legal, a imprecisão e a falta de clareza quanto aos dispositivos legais que o autorizam e embasam nulificam o procedimento, adotado. Dessa forma, a imprecisão contida na notificação fere o disposto no art.37, da Constituição Federal, porque afasta o ato vinculado da lei, a qual não pode ser omitida em hipótese alguma na peça inicial do Processo Administrativo, o que significa cobrar tributo sem lei, ferindo, novamente a Constituição, cin seu artigo 150, inciso 1. que as alegações acima descritas (cerceamento de defesa) são facilmente constatáveis pela simples leitura da NFLD, pela expressão usada pelo fiscal:"DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA AI'LICADA", transcreve os fatos apurados no Relatório Fiscal da Infração e da. Multa Aplicada da notificação do AI 68; que a Fundação Brasileira de Teatro é instituição mantenedora da Faculdade de Artes, que possui 370 alunos tendo sido fundada pela atriz Dulcina de Moraes, personalidade histórica que de forma vanguardisla inaugurou o primeiro curso de artes cênicas e o primeiro curso de artes plásticas de Brasília e, preservando sua memória seus discípulos vão engrandecendo a cultura centrados principalmente no ensino da arte e na promoção cultural não somente a nível local, como Nacional e Internacional; que a Fundação goza de isenção de tributos por Lei Ordinária Federal n° 3.124, de 15/04/1957 e, como não foi revogada deve ser cumprida cm todos os seus efeitos, pugna, também, pelos cálculos apresentados, por não condizerem com a realidade legal, já que está cobrando (ia Fundação valor de contribuição Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 social majorada. por multa confiscatória, transcreve decisões e jurisprudências no que se refere à "Multa como confisco'; que o procedimento fiscal deve ser revisto ao que diz respeito ao Estatuto da Fundação, que impõe a responsabilidade ativa e passiva tão somente ao presidente, sendo que os demais, aos quais foi atribuída a condição de presidente conforme a seguir elencados, se excluem automaticamente: 1 Carlos Franco de Sá Santoro (falecido) 2 Gúilherme Nery de Oliveira (vice presidente) 3 José Maria Bezerra Paiva (presidente) 4Jorge das Graças Veloso (conselheiro) 5 Roberto Borges da Rocha (contador) ° que devem ser reconhecidos Iodos os certificados e julgamentos do CNAS da Fundação para que não seja fèita injustiça a unia entidade que presta serviços a mais de 52 anos a comunidade nacional. Ao final, requer a produção dos meios de provas cm direito admitidos principalmente a juntada de novos documentos e, caso seja vencido na demanda administrativa requer lhe seja assegurado desde já, os benefícios fiscais de redução ora permitidos de parcelamento e pagamento por rocio de precatórios. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001494/200752 Acórdão n.º 2401003.790 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 214. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: A base da alegação do recorrente é de cerceamento do direito de defesa, posto que o auditor não se desincumbiu de demonstrar a falta cometida, os fatos geradores que justificaram a autuação e a fundamentação legal. Contudo, entendo que a NFLD encontrase devidamente formalizada, não padecendo das irregularidades apontadas pelo recorrente. Batasnos a leitura do relatório fiscal, fls. 15 e seguintes, para que possamos identificar facilmente os fatos geradores incluídos na presente NFLD: "contribuição descontada dos segurados empregados e não recolhida em época própria", bem como os motivos pelos quais a empresa não se enquadra na condição de entidade isenta de contribuições previdenciárias. Transcrevo abaixo, trecho do próprio relatório fiscal, onde desincumbiuse o auditor fiscal de descrever na forma devida o lançamento fiscal, bem como a fundamentação legal: Tratase de NFLD, lavrada sob n. 37.139.0737, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e a contribuição de segurados não descontada, bem como a contribuição destinada a terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais, no período de 07/2003 a 03/2007. Conforme o relatório fiscal, fls. 15 e seguintes, o crédito de que trata esta NFLD teve origem em várias situações encontradas na empresa, que tiveram seus fatos geradores cadastrados separadamente (conforme anexos em CD , arquivo : FOLHA e FLDETALHE). a) levantamento DG: valores pagos pela empresa conforme apurado em folha de pagamento e declarados em GF1P; h) levantamento NDG: valores pagos pela empresa conforme apurado em folha de pagamento e não declarados em GFIP; c) levantamento DAL: valores criados automaticamente pelo sistema com os valores de Juros e Multas recolhidos a menor Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 pela empresa e recalculados corretamente pelo sistema.Ainda conforme o relatório o crédito de que trata esta NFLD originou se de diferenças obtidas do confronto entre os valores descontados nas Folhas de Pagamento, declarados nas Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, pagos nos comprovantes de recolhimentos — GPS e os valores já existentes em outras LDC/LDCG/DCG já cadastradas. A entidade tentando comprovar a situação de isenta de contribuições previdenciárias apresentou tão somente os seguintes documentos: • Cópia da Lei 3.124/1957, conferindo isenção de todos os impostos federais para a Fundação Brasileira de Teatro; • Decreto de 1 de Julho de 1996, restabelecendo o título de utilidade pública federal; • Decreto (distrital) 22.706/2002, concedendo o Título de Utilidade Pública; • Certificado de Entidade beneficente de Assistência Social (CEBAS) com validade até 01/03/2002; • Cópia do Ato Declaratório 106/2002, declarando a Fundação Brasileira de Teatro imune quando ao Imposto Sobre Serviços — ISS. Notese primeiramente que no caso em tela a Lei 3.124/1957 nada tem haver com as contribuições previdenciárias, pois as mesmas não se confundem com impostos. De fato os impostos, contribuições de melhoria, taxas, contribuições sociais compõem o gênero designado constitucionalmente de tributo, mas cada um deles é uma espécie separada e independente, logo, isenção de impostos e isenção de contribuições sociais não se confunde. Segundo, não há mais que se falar em direito adquirido a isenção após a Constituição Federal de 1998, pois conforme seu art. 195, §7°, in verbis: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [ ... ] § 7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." Ou seja, para que a entidade seja isenta deve atender às exigências estabelecidas em lei (que é a Lei 8.212/91). Outrossim, nos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, em seu art. 41, §1°, temos que: "Art. 41. Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis. § 1° Considerar seão revogados após dois anos, a partir da data da Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001494/200752 Acórdão n.º 2401003.790 S2C4T1 Fl. 7 11 promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei". Deixando claro que quaisquer incentivos não confirmados por lei após dois anos da data da promulgação da Constituição seriam considerados revogados. Para tornar mais claras as exigências determinadas pela Lei 8.212/91, para que a empresa possa requerer a isenção junto ao INSS, temos o art. 55 e incisos: Ressaltando, que para que seja isenta deve REQUERER A ISENÇAO junto ao órgão e após análise dos requisitos elencados acima será ou não deferida à isenção, logo a entidade não pode se entender como isenta sem que tenha feito o devido requerimento de isenção e sem que este requerimento tenha sido deferido. O que não é o caso da Fundação Brasileira de Teatro que não deve pedido de isenção das contribuições sociais deferido pelo INSS. Logo, resumidamente entendemos que a Fundação Brasileira de Teatro não é entidade isenta em nenhum período (em particular no período de jul/2003 a mar /2007), primeiramente porque não há que se falar em direito adquirido conforme entendimento atual do STJ e, mesmo que fosse contrário o entendimento do STJ, a entidade só possuía isenção de impostos e não de contribuições sociais. Por fim, porque no período de jul/2003 a mar/2007 a entidade não cumpriu o que determina a Lei 8.212/91, no que tange a solicitar no tempo adequado a sua isenção ao INSS e também não cumpriu cumulativamente os requisitos, pois: a) Era detentora de certificado de utilidade pública federal a partir de 1996; b) Era detentora do certificado de utilidade pública Distrito Federal concedido em 2002; C) PORÉM, não era detentora de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEBAS (pois, a validade expirou em 01/03/2002); e d) E não entregou os documentos e relatórios obrigatórios, pois deveria anexar ao seu pedido de isenção a sua contabilidade e anualmente o relatório circunstanciado de suas atividades para demonstrar: d. l ) a gratuitamente dos seus serviços, d.2) a não percepção pelos seus diretores de remuneração ou vantagens e d.3) a aplicação correta do seu resultado operacional (novamente reforçamos que estes documentos e relatórios não foram apresentados em época própria ao INSS). Além de ter sido constatado nas suas folhas de pagamento salários para diretores, contrariando frontalmente a Lei 8.212/91 no seu art. 55, IV que diz literalmente que 1V não Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título'. Para melhor esclarecer este ponto os nomes constatados em folha foram os de CRISTIANE JANSEN CABRAL MARTINS, CARGO DIRETORA e LUIZ FERNANDO DE MELO, CARGO VICEDIRETOR DE ADMINISTRACAO, durante todo o período de jul/2003 a Mar/2007. De todo o exposto verificase que a entidade não teve pedido de isenção deferido pelo INSS e não apresentou em momento algum os relatórios anuais circunstanciados de suas atividades, logo, a entidade não é isenta das contribuições previdenciárias devendo recolher como empresa normal todas as contribuições devidas. E caso deseje usufruir de isenção deverá cumprir os requisitos dispostos na Lei 8.212/91 e providenciar pedido ao INSS com todos os documentos exigidos, aguardando deferimento para que possa usufruir da isenção. Foram aproveitados todos os recolhimentos em Guia da Previdência Social — GPS existentes no sistema. Também foram abatidos da respectiva apuração os valores já lançados em DCG num. 35991047 5, 360037046, 360037054 e 360127274. Ressaltase que foram conferidas as rubricas nas quais incidem contribuição previdenciária da folha de pagamento e foram reenquadradas conforme anexo "Anexo com as rubricas consideradas pela fiscalização na apuração', conforme anexo em CD, arquivo: TAB_INCIDE. De todo o exposto verificase que os valores de créditos apurados são as diferenças não recolhidas pela empresa quando confrontados todos os valores devidos sobre as remunerações dos empregados e contribuintes individuais de um lado, e todos os valores recolhidos do outro lado. E que a mesma NÃO SENDO ENTIDADE ISENTA deve recolher como uma empresa normal. A própria decisão de primeira instância afastou ditas alegações, deixando claro que os documentos constantes do processos e os relatórios e planilhas entregues em meio magnético CD, fornecem todos os esclarecimentos necessários ao exercícios da ampla defesa e do contraditório. Após a decisão não rebateu o recorrente os pontos ali descritos, resumindo se a reprisar as mesmas alegações da impugnação. Assim, afasto qualquer alegação de nulidade. DO MÉRITO Importante informar, que meros argumentos não afastam os fatos e documentos descritos pela autoridade fiscal, para atestar o lançamento de contribuições. Ao apreciarmos os termos do recurso e impugnação apresentados, que digase são exatamente os mesmos, nem mesmo questionou o recorrente a imputação de desconto de contribuição dos segurados e não recolhimento, mas tão somente a condição de isenta e cerceamento do direito de defesa já afastado em sede de preliminar. DA CONDIÇÃO DE IMUNE Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001494/200752 Acórdão n.º 2401003.790 S2C4T1 Fl. 8 13 Conforme também devidamente indicado pelo auditor e apreciado pelo julgador de primeira instância, em relação as contribuições previdenciárias, a recorrente não possuía direito à isenção no período do presente lançamento, ou mesmo que considerarmos, como argumentado pelo recorrente, tratarse de imunidade, está será limitado ao cumprimento da lei em se tratando de contribuições previdenciárias, o que novamente não logrou êxito o recorrente em demonstrar, conforme se demonstrará adiante. Notese que a alegada isenção concedida pela lei 3214/1956, é expressa em referirse a impostos, que assim, como bem descrito pelo auditor notificante não se confunde com contribuições previdenciárias. No intuito de melhor esclarecer a recorrente acerca do seu direito a isenção (dita pela empresa como imunidade de contribuições), faça uma análise de toda a legislação que abarca a matéria, para esclarecer acerca do seu direito de entidade filantrópica. Inicialmente foi publicada a Lei n.º 3.577, de 4/7/1959, que concedeu o benefício fiscal aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões, para as entidades de fins filantrópicos. De acordo com essa Lei, era concedida a isenção para as Entidades de Fins Filantrópicos reconhecidas como sendo de utilidade pública, cujos membros de sua diretoria não percebessem remuneração. Posteriormente foi publicado o Decreto n.º 1.117, de 01/06/1962, que regulamentou a Lei 3.577 e concedeu ao Conselho Nacional do Serviço Social – CNSS a competência para certificar a condição de entidade filantrópica para fins de comprovação junto ao Instituto de Previdência. Consideravamse filantrópicas as entidades, para fins de emissão do certificado, aquelas que: a) estivessem registradas no Conselho Nacional do Serviço Social; b) cujos diretores, sócios ou irmãos não percebessem remuneração e não usufruíssem vantagens ou benefícios; c) que destinassem a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito das suas finalidades. Em 1977, o DecretoLei n.º 1.572, de 01/09/1977, revogou a Lei n.º 3.577, não sendo possível a concessão de novas isenções a partir de então. Contudo, permaneciam com o direito à isenção de acordo com as regras antigas somente as seguintes entidades: I. As entidades que já eram beneficiadas pela isenção e que possuíssem: II. Decreto de Utilidade Pública expedido pelo Governo Federal; III. Certificado expedido pelo CNSS com prazo de validade indeterminado; IV. As que beneficiadas pela isenção fossem detentoras: V. de declaração de utilidade pública; VI. de certificado provisório de “Entidade de Fins Filantrópicos “ expedido pelo CNSS, mesmo com prazo expirado; desde que comprovassem ter requerido os títulos definitivos de Utilidade Pública Federal até 30.11.1977. Importante destacar que a entidade em questão não se enquadra nas exigências acima descritas. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/07/1991. Nesse sentido, entendo que a alegação do recorrente de que que o dispositivo constitucional determina o reconhecimento da imunidade de contribuições patronais não lhe confiro razão. Considerando que a legislação previdenciária descreve as exigências legais para a que a empresa considerese isenta e esteja desobrigada de recolher a parcela patronal e a destinada a terceiros, o descumprimento de qualquer dos dispositivos legais afasta o direito do recorrente. Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55 da Lei n ° 8.212/1991, com a seguinte redação original: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, renovado a cada 3 (três) anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Conforme se depreende do texto legal, permaneciam isentas as entidades que já estavam beneficiadas com esse direito, desde que se adequassem as novas situações, qual seja: renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos – CEFF a cada três anos, sendo o prazo para renovação até 24/7/1994, na forma do Decreto 612/92; sejam reconhecidas como de utilidade pública estadual, do Distrito Federal ou municipal, a serem apresentadas quando da renovação do CEFF. Por meio da Lei n ° 8.909 de 06/07/1994, foi estabelecido o prazo limite para as entidades registradas no CNSS se recadastrarem no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, criado pela Lei n.º 8.742 de 07/12/1993, prorrogandose a validade dos Certificados de Entidades de Fins Filantrópicos emitidos pelo CNSS até 31/05/1992. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001494/200752 Acórdão n.º 2401003.790 S2C4T1 Fl. 9 15 A Lei n.º 9.429 de 26/12/1996, reabriu o prazo até 25/06/1997 para requerimento da renovação do CEFF e de recadastramento no CNAS, para as entidades possuidoras do título e do registro com validade até 24/07/1994, que haviam perdido o prazo de solicitação da renovação e recadastramento. Além disso, essa Lei revogou os atos cancelatórios e as decisões emitidas pelo INSS, contra as entidades que não apresentaram renovação do pedido de renovação do CEFF até 31/12/1994; extinguiu os créditos decorrentes de contribuições sociais devidas a partir de 25/07/1981, pelas entidades que cumpriram, nesse período, os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91. A Lei n° 9.249, alterou o inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91, exigindo concomitantemente o registro e o atestado de entidade de fins filantrópicos, e não mais a exigência alternativa, nestas palavras: Art. 55 (...) II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26 de dezembro de 1996) Em 1997, por meio da Lei n.º 9.528 de 10/12/1997, resultado da conversão da Medida Provisória n ° 1.5239 de 27/06/1997, foi alterado o inciso V do art. 55 da Lei 8.212/91, estabelecendo a exigência de apresentação de relatório anual das atividades ao INSS e não mais ao CNAS; prorrogandose o prazo de apresentação do relatório para 30 de abril de cada ano, nestas palavras: Art. 55 (...) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Com a publicação da Lei n ° 9.732 de 11/12/1998, houve inúmeras alterações no sistema de reconhecimento do direito à isenção. Entretanto, as alterações promovidas no art. 55 da Lei 8.212/91, pela Lei n.º 9.732/98 estão com eficácia suspensa, por decisão em liminar do STF na ADIn 2.0285/1999. Aplicandose portanto, a redação do art. 55 anteriormente à Lei n ° 9.732/1998. Já em 2001, foi publicada a Medida Provisória n ° 2.1296, de 23/02/2001, reeditada até a de nº 2.18713, de 24/08/2001, vigorando em função do art. 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 11/09/2001, que alterou o art. 55 da Lei n ° 8.212/1991. Houve a alteração da denominação do Certificado, que passou para Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, a ser fornecido pelo CNAS. Também foi incluído o § 6º ao art. 55, sendo a existência de débito motivo para o indeferimento ou cancelamento do direito à isenção de acordo com o previsto no § 3º do art. 195 da Constituição Federal. Dispõe o art. 195, § 3º da Constituição Federal, nestas palavras: § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. A redação em vigor atualmente do art. 55 da Lei n ° 8.212/1991 é a seguinte: Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; IIseja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IVnão percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2ºA isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98 – eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição.(Parágrafo incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) Conforme comprovado nos autos, e apreciado pela autoridade julgadora a recorrente não comprovou cumprir todos os requisitos do art. 55 da lei 8212;91, mais especificamente não possui para o período objeto do lançamento CEBAS (não houve qualquer Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001494/200752 Acórdão n.º 2401003.790 S2C4T1 Fl. 10 17 alegação quanto a essa constatação fiscal) que constitui um dos pontos basilares para o reconhecimento da isenção pretendida a partir da expiração do prazo de validade do certificado anterior. Não formalização do pedido perante a previdência A Constituição Federal é clara no art. 195, § 7º ao prever que o benefício fiscal é condicionada ao atendimento dos requisitos em lei. O Decreto 2536/98, demonstra que a inércia do recorrente em pedir a renovação lhe tira o direito a usufruir do benefício pretendido, qual seja, ter o CEBAS válido para todo o período que pretendi ter a condições de filantrópica reconhecida. Senão vejamos o art. 3: “Faz jus ao Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a entidade beneficente de assistência social que demonstre, cumulativamente:” §2 O certificado de Entidade de fins filantrópicos terá validade de três anos, a contar da data da publicação no Diário Oficial da União da resolução de deferimento de sua concessão, permitida sua renovação, sempre por igual período, exceto quando cancelado em virtude de transgressão de norma que regulamenta a sua concessão. §3 Desde que tempestivamente requerida a renovação, a validade do Certificado contará da data do termo final do Certificado anterior. O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) é o principal instrumento de reconhecimento, pelo poder público, do preenchimento das condições de constituição e funcionamento de entidade que pretenda ser beneficiária da imunidade de contribuições para a seguridade social, de acordo com o que prevê o art. 195, § 7º, da Constituição Federal (CF). Tal imunidade é uma das poucas exceções à regra geral prevista na CF, que instituiu o princípio da solidariedade no custeio do sistema de seguridade social, assim, a ausência de cobertura para um determinado período afasta a imunidade pretendida pelo recorrente. QUANTO A FORMALIZAÇÃO DO PEDIDO A competência para conceder os títulos de utilidade pública federal, estadual e municipal, bem como o registro e concessão do CEBAS, antes da entrada em vigor da Lei 12.101 de 2009, era realizada por cada um dos órgãos envolvidos, dentro de seus limites de competência. É sabido que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, por exemplo, era processado no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, bem com os certificados de Utilidade Pública era, concedidos no âmbito de cada poder competente, seja, no âmbito Federal, Estadual e Municipal. Porém a lei deixa claro que a isenção, mesmo que cumpridos todos os requisitos anteriormente mencionados era adstrita ao INSS e a partir da edição da lei 11.457, de 2007 à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em nome do INSS, de acordo com o art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Conforme podemos extrair do texto legal, diversas eram as exigências legais, mas dentre elas, encontravase expressa a manifestação do INSS (e posteriormente a SRRB), quanto ao necessário “pedido” e manifestação daquele órgão quanto a efetiva concessão do benefício. Assim, não haverseia de confundir a obtenção de documentos (digase também previstos na lei), como argumenta o recorrente, com a também exigência de “pedido formulado perante o INSS” para obtenção do benefício fiscal. Frisese que a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil restringiase à concessão, manutenção e cancelamento da isenção, verificando se os requisitos estariam sendo cumpridos. Dessa forma, a autoridade fiscal, durante o procedimento ora sob análise, ao constatar que a entidade, quando da ocorrência dos fatos geradores, deixava de cumprir quaisquer dos requisitos legais, para usufruir da isenção (ou mesmo imunidade descrita pelo recorrente) procedeu ao lançamento das contribuições devidas, indicando no relatório fiscal os motivos do seu não enquadramento. Portanto, restando claro, que as disposições contidas no art. 55 da Lei 8.212, de 1991, são legítimas, e, por conseguinte, a isenção deve ser requerida ao órgão da previdência social, concluise que, para usufruto desse beneficio, não basta à entidade portar títulos de reconhecimento de utilidade pública, decretos de filantropia ou demonstrar que exerce atividades filantrópicas ou mesmo elaborar relatórios de suas receitas e despesas. Ou seja, mesmo que o preenchimento dos demais requisitos previstos no art. 55, qualificassem o contribuinte a solicitar a isenção, a mesma não se dava de forma automática, considerando que da leitura do § 1°, artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991 para regular concessão seria necessário que a entidade procedesse ao requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, que dispunha de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Assim, também não cumpriu o recorrente requisito fundamental, qual seja, requerer junto ao INSS o pedido de isenção de contribuições, razão pela qual, mais um descumprimento, corretamente imputado pelo auditor, que tira do recorrente o direito ao gozo da isenção de contribuições previdenciárias. POSSIBILIDADE DE AFASTAR NORMAS INCONSTITUCIONAIS No que tange a possibilidade de afastar normas inconstitucionais, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa, ao contrário do que alega o recorrente, em relação a juros e multa aplicadas, as quais imputa confiscatórios. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991, principalmente no que se refere aos requisitos para concessão da isenção.. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual deve o auditor, no exercício de atividade vinculada, cumprir e aplicar todos os dispositivos da legislação previdenciária, sob pena inclusive de falta funcional. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001494/200752 Acórdão n.º 2401003.790 S2C4T1 Fl. 11 19 Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” QUANTO A MULTA IMPOSTA Em relação ao questionamento acerca do caráter confiscatório da multa, observamos, que o item 5 do relatório fiscal, foi muito esclarecedor em relação a multa aplicada. Conforme descrito no referido relatório, a multa originalmente prevista era a do art. 35 da Lei n ° 8.212/1991: No caso, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo que o fato de entender que a verba não constituiria salário de contribuição não é argumento válido para afastar a penalidade. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001494/200752 Acórdão n.º 2401003.790 S2C4T1 Fl. 12 21 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Como consta do relatório FLD, nos termos do art. 35da lei 8212/91 a ausência de recolhimento ensejava a aplicação de multa moratória, não competindo a este conselho afastar multa expressamente prevista em lei. Isto posto, entendo que ao decisão de primeira instância encontrase acertada e na conformidade com o s dispositivos legais. CONCLUSÃO Voto por CONHECER DO RECURSO, para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto proferido. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002272/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 13/07/2005 a 20/07/2006
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS
Sendo classificada a importação por conta e ordem de terceiros, resta caracterizado interposição fraudulenta nos termos o artigo 23, § 2º do Decreto Lei nº 1.455/76, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente.
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO Relator.
EDITADO EM: 27/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 13/07/2005 a 20/07/2006 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS Sendo classificada a importação por conta e ordem de terceiros, resta caracterizado interposição fraudulenta nos termos o artigo 23, § 2º do Decreto Lei nº 1.455/76, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. EDITADO EM: 27/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1731; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.002272/200731 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302001.995 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de fevereiro de 2013 Matéria NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Recorrente TEXAS TRADING DO BRASIL E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 13/07/2005 a 20/07/2006 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS Sendo classificada a importação por conta e ordem de terceiros, resta caracterizado interposição fraudulenta nos termos o artigo 23, § 2º do Decreto Lei nº 1.455/76, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator. EDITADO EM: 27/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 22 72 /2 00 7- 31 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 12466.002272/200731 Acórdão n.º 3302001.995 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. Trata o presente processo de auto de infração, de folhas 425 a 429, lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 956.719,00 referente a multa prevista no art. 23, § 3% do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/2002. Inicialmente lavrado o auto de infração de folhas 01 a 24, depois de constatado pela autoridade julgadora que havia erro no cálculo da multa, foi determinada diligência que resultou na lavratura de auto de infração complementar (fls. 429 a 435), que ora se aprecia. Do Relatório de Ação Fiscal, que integra o auto de infração (fls. 07 a 13), se extrai que a fiscalização concluiu que as importações registradas em nome da autuada foram realizadas com a ocultação do real adquirente das mercadorias, por meio de interposição fraudulenta de terceiro, com o uso de simulação. As razões que levaram a fiscalização a essa conclusão foram as seguintes: Há incompatibilidade entre o Patrimônio Líquido da empresa e o valor transacionado no comércio exterior, o que demonstra a falta de capacidade econômica da autuada. Foram constatados depósitos de elevados valores em sua conta corrente, com saques em valores quase idênticos, em datas coincidentes às dos registros de Declarações de Importação, todos registradas na modalidade de importação direta. Análise de sua contacorrente comprova que as operações de comércio exterior foram realizadas com recursos de terceiros, pois sem os depósitos realizados a empresa não poderia arcar com as despesas aduaneiras, conforme demonstrativo de fluxo financeiro anexado. A empresa informa inicialmente que os depósitos se referem a adiantamentos de clientes, conforme duplicatas anexadas e que tinham por finalidade o pagamento de despesas relativas às importações. As duplicatas não possuem número da fatura. Em muitas duplicatas não há relação entre o devedor e o destinatário das mercadorias constante da nota fiscal de saída. As datas de vencimento das duplicatas coincidem com as datas dos depósitos em contacorrente, porém esses valores não se referem a pagamento de duplicatas e sim a depósitos. Foi caracterizada a interposição fraudulenta de terceiros, pois a Texas não seria a real adquirente das mercadorias importadas, não havendo venda de mercadorias. Neste aspecto a fiscalização observa que a emissão de duplicatas sem efetiva venda é ilícito penal previsto no art. 172 do Código Penal Brasileiro. A fiscalização registra que a simulação engendrada pela autuada causa prejuízos aos Estados, em função do não pagamento de ICMS, e à União, pois os valores praticamente iguais entre as notas fiscais de entrada e de saída, estas correspondentes aos valores das notas fiscais de entrada acrescidos quase que somente das despesas aduaneiras, determinam um lucro mínimo, com reflexos negativos no IRPJ, CSLL, além do ISS devido aos Municípios. Também há redução Fl. 567DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 12466.002272/200731 Acórdão n.º 3302001.995 S3C3T2 Fl. 4 3 no pagamento de IPI em função da não equiparação do comprador a estabelecimento industrial e pelo fato de o valor importado ser praticamente igual ao valor de venda. Existe ainda apropriação indevida de crédito de IPI relativo a empresas optantes pelo SIMPLES e de PIS/PASEP e COFINS de empresas optantes pelo Lucro Presumido e pelo SIMPLES. O relatório fiscal conclui pela caracterização de dano ao Erário, por não ser a Texas Trading do Brasil Ltda. a real adquirente das mercadorias importadas, aplicandose assim, o disposto no art. 23, V, do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002. Em razão de as mercadorias já terem sido consumidas ou não localizadas, exigese a multa prevista no § Y do art. 23 do mesmo Diploma legal. O crédito tributário constituído no presente processo se refere à parte do total apurado (planilha de fls. 14 a 24) onde foi identificado como real adquirente das mercadorias importadas a empresa HWCN Comércio, Importação e Exportação Ltda (fls. 433 e 433v), tendo sido a mesma autuada como Devedor Solidário. Regularmente cientificada por via postal (AR às folhas 435v e 439v), a contribuinte Texas Trading do Brasil Ltda apresentou a impugnação tempestiva de folhas 455 a 456. A impugnante reitera os termos da impugnação de folhas 378 a 390, com os documentos de folhas 391 a 414 anexos, antes apresentada. A impugnante discorda da conclusão da fiscalização de que teria praticado a "ocultação do real importador", pois, conforme demonstra sua movimentação contábil, registrou os recebimentos a título de "adiantamento de clientes", fato que comprova que não havia intenção em ocultar a origem dos créditos. Alega que as operações que realizou foram importações por encomenda, conforme posteriormente definido pela Lei n° 11.281/2006, art. 11, não se caracterizando importação por conta e ordem e muito menos interposição fraudulenta. Entende que o art. 106 do Código Tributário Nacional deve ser aplicado para o uso de lei mais benéfica ao contribuinte, como é o caso em questão que não está definitivamente julgado. Defende que a importação por encomenda é figura jurídica que sempre existiu e existirá no ordenamento brasileiro e no Direito Internacional, portanto não se pode argumentar que a Lei n° 11.281/2006 foi regulamentada pela IN SRF n° 634/2006, que, extrapolando os limites legais, impõe restrições à importação sob encomenda. Ademais, a maior parte das importações realizadas são anteriores à publicação da IN SRF n° 634/ 2006(que foi editada em 24.3.2006). Dessa forma, não há como descaracterizar a circunstância de importação sob encomenda, sob o argumento de não atendimento dos requisitos instituídos posteriormente por essa INSRF 634106. (destaque do original) Tece considerações sobre as operações por encomenda e desaprova as determinações da IN SRF n° 634/2006, por entender que afrontam a ordem constitucional vigente. Registra que o próprio agente fiscal indica que as notas fiscais de saída não são iguais aos valores das notas fiscais de entrada, demonstrando claramente a existência de resultado pela intermediação da venda por encomenda. Justifica o uso de empresas trading companies por outras empresas em função de sua especialidade e interesse fiscal, defendendo não se caracterizar fraude e sim planejamento tributário. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 12466.002272/200731 Acórdão n.º 3302001.995 S3C3T2 Fl. 5 4 Defende que não há caracterização de dano ao Erário, pois o ICMS é devido ao Estado de domicílio do importador e não no qual as mercadorias foram entregues ou desembaraçadas. Além disso, a lei que instituiu nova tributação pelo IPI aos mencionados fatos não estava em vigor à época das importações. Relembra que apenas a IN SRF 634/06 normatizou o entendimento segundo o qual o encomendante não pode adiantar recursos para a consecução de sua encomenda. Requer a decretação de improcedência do auto de infração e a exoneração de sua responsabilidade A devedora solidária, HWCN Comércio, Importação e Exportação Ltda, foi cientificada por via postal (AR fls. 433v) e apresentou a impugnação tempestiva de folhas 471 a 480, com os documentos de folhas 481 a 492 anexados. A impugnante defende irregularidade no procedimento determinado pela Delegacia de Julgamento, sob o argumento que não lhe cabe a competência de aperfeiçoar o lançamento, conforme jurisprudência que transcreve. No mérito alega que não houve cometimento da infração acusada porque não houve ocultação dos fatos referentes à propriedade das mercadorias em questão, tendo sido os recebimentos, contabilizados pela importadora como "adiantamento de clientes", sem nenhuma ocultação da origem dos créditos. Defende que trataramse de importações que caracterizarseiam como por encomenda, estabelecidas pela Lei n° 11.281/2006, editada posteriormente aos fatos, assim como a IN SRF n° 634/2006, que estabeleceu as exigências de procedimentos. Requer seja declarada a improcedência do auto de infração. Os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, resolveram julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão supra em 14/04/2010, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 06/05/2010. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator Ambos os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, por isso deles conheço. De início, apresento algumas peculiaridades próprias da “importação por encomenda” e da “ importação por conta e ordem de terceiros”. A importação por conta e ordem de terceiros vem disciplinada nos seguintes dispositivos legais: Lei 10.637/02: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Medida Provisória nº 2.15835: Fl. 569DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 12466.002272/200731 Acórdão n.º 3302001.995 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. IN/SRF nº 225/02: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. Art. 2º A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Já a importação por encomenda está prevista nos seguintes dispositivos legais: Lei nº 11.281/06: Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: Fl. 570DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 12466.002272/200731 Acórdão n.º 3302001.995 S3C3T2 Fl. 7 6 I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e IN/SRF nº 634/06: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). Diante dos dispositivos legais supracitados, resta claro que estamos nos referindo a dois tipos de importação diferentes. Na importação por encomenda, de início sabese que o bem importado irá para determinada pessoa, cuja operação é realizada com recursos próprios da importadora. Ainda, a operação cambial para pagamento da importação deve ser realizada exclusivamente em nome do importador que a realiza, ou seja, nas importações por encomenda, a “trading” está importando para destinatário certo, que determina o produto a ser importado, o que, aliás deve estar consignado em contrato firmado entre as partes. Desta forma, tendo em vista que nesse tipo de importação, o importador (trading) adquire mercadoria junto ao exportador no exterior, bem como providencia sua entrada no território nacional e a revende ao encomendante, essa operação tem para o importador os mesmos efeitos de uma importação própria. No que tange a importação por conta e ordem de terceiros, tratase de um serviço prestado por uma empresa, importadora que promove, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadorias adquirida por outra empresa, sendo que neste caso a operação realizase com recursos do próprio adquirente, mesmo que a importadora os antecipe para concretizar a importação, sendo esta mera intermediária, prestadora de serviços para a consecução da atividade de importar, pois será da adquirente a origem dos recursos financeiros. Ante o exposto, podemos dizer que: Importação por Conta e Ordem de Terceiros Importação por Encomenda Trading é apenas prestadora de serviços Trading é a real importadora Operação realizada com recursos do adquirente Operação realizada com recursos da trading Câmbio fechado pelo adquirente Câmbio fechado pela trading Contrato de importação por conta e ordem Contrato de importação por encomenda Posto isso, passemos a análise da questão. Alegam os Recorrentes que as operações de importação por encomenda foram efetuadas antes do início da entrada em vigor da Lei nº 11.281/06, bem como da IN nº 634/06. Ocorre que, diante dos dispositivos legais supracitados, verificamos que no período em que ocorreram as importações, a própria lei já erigia presunção de que, caso houvesse antecipação de recursos de terceiros para que as operações de importação fossem realizadas, tais operações se caracterizariam como importação por conta e ordem de terceiros. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 12466.002272/200731 Acórdão n.º 3302001.995 S3C3T2 Fl. 8 7 Compulsando os recursos interpostos pelas Recorrentes, verificamos em suas argumentações, que realmente houve antecipações de numerários para realizar a operação de importação, e que isso não descaracterizaria a operação para a modalidade conta e ordem. Todavia, seria necessário que a Recorrente Texas, demonstrasse que os valores que transitaram por suas contas não o foram para custear as importações, o que não se comprovou. Deixando as Recorrentes de provar que os recursos antecipados à TEXAS por sua parceira não se destinavam a custear as operações de importação por ela promovidas como se fossem suas, sendo da essência da importação por conta e ordem o emprego de recursos de terceiros para se promover tais operações, temse presente a hipótese de importação por conta e ordem de terceiros, prevista no artigo 27 da Lei nº 10.637/02. Conforme delineado em voto proferido pelo i. Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, em outro processo do mesmo Recorrente: “Demonstrandose mediante prova documental que as movimentações entre as empresas indicam que recursos da adquirente foram empregados pela importadora para promover as operações, com ocultação da real importadora, não há que se falar em importação por encomenda, pois a uma, a operação de importação por encomenda não se confunde com a importação por conta e ordem, e a duas, ao tempo em que ocorreram os fatos geradores, já existia a presunção do artigo 27 da Lei nº 10.637/02 e, como se buscou demonstrar, não lograram as Recorrentes infirmar a presunção mediante contraprova. (Proc. 12466.002301/200764, Acórdão nº 3202000.531, 2ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária, Sessão 17/07/2012) Ademais, no que tange ao pedido de diligência para juntada de cópia de processo administrativo que lhe outorgou habilitação ordinária, utilizome, mais uma vez, do voto proferido pelo i. Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior: “Por fim, requer a TEXAS a juntada de cópia do processo administrativo que lhe outorgou habilitação ordinária para operar no comércio exterior para o fim de demonstrar através das estimativas semestrais de importações que tinha capacidade econômica e financeira para fazer frente às importações por ela promovidas, sem o que, entende que restaria cerceado o seu direito de defesa. Todavia, frente aos argumentos trazidos nos parágrafos precedentes e dado o fato de a capacidade econômica e financeira não ser o único motivo que fez erigir presunção em seu desfavor, sendo certo que essa capacidade foi aferida pela autoridade tributária através da contabilidade da Recorrente (e.g., confronto entre patrimônio líquido e gastos com importação), o que se mostra mais preciso que as estimativas semestrais de importação que instruiu seu pedido de habilitação ordinária – as movimentações financeiras e o emprego de recursos de terceiros nas importações, aliado à falta de contraprovação de que as importações não se configuravam como operações por conta e ordem de terceiros foi o motivo principal –,entendo que a diligência por ela requerida não mudaria o quadro decisório dos autos, razão pela entendo desnecessária a juntada do processo de habilitação ordinária aos presentes autos.” Fl. 572DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 12466.002272/200731 Acórdão n.º 3302001.995 S3C3T2 Fl. 9 8 Portanto, face ao exposto não vislumbro outro entendimento senão considerar a operação realizada pelas Recorrentes como sendo importação por conta e ordem de terceiros. Por fim, sendo considerada verdadeira operação de importação por conta e ordem de terceiros, as Recorrentes, deveriam ter cumprido determinadas obrigações acessórias instituídas pela IN/SRF 225/02, nos termos de seu artigo 2º que prevê: Art. 2º A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Ademais, os Recorrentes não conseguiram comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações, o que nos leva a crer tratarse de interposição fraudulenta, em face da simulação promovida pelos Recorrentes. Nestes termos o artigo 23, § 2º do Decreto Lei nº 1.455/76, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002, prevê: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados Portanto, havendo acorbertamento dos reais intervenientes ou beneficiários da operação resta caracterizado a interposição fraudulenta por parte das Recorrentes face a simulação da referida operação. Isto porque, a operação praticada entre a contribuinte e responsável solidária se revestiu da forma de uma importação em nome próprio, seguida da venda de mercadorias, quando, na verdade, observandose o conjunto de normas que disciplinam as operações de importação por conta e ordem de terceiros já explicitadas, deveria ter se formalizado como tal, o que não ocorreu no presente caso, restando caracterizado a presunção legal do artigo 27, da Lei nº 10.637/02. Finalmente, importante analisarmos acerca da possibilidade de valermonos de legislação posterior mais benéfica ao contribuinte. Nesse sentido, a conduta adotada pelo contribuinte assemelharase àquela que hoje está prevista em lei como importação por encomenda. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 12466.002272/200731 Acórdão n.º 3302001.995 S3C3T2 Fl. 10 9 Creio que temos que discutir a conduta e o tipo penal previsto na legislação aduaneira para ao fim esse Colegiado possa decidir se possível o alívio da pena com base em legislação posterior. A partir do princípio geral da liberdade econômica para a consecução de operações, é de argüirse se a conduta de per si poderia causar o dano. Não creio nesse sentido. Apesar de inexistir na lei a previsão da operação de importação sob encomenda, tal não indica que ela fora proibida, ao contrário, era permitida por não vedada em Lei. Outrossim, analisandose a importação por conta e ordem, a esta eram imputadas determinadas exigências para evitarse que a sua conduta resultasse em dano. O dano, no caso, seria o prejuízo econômico pela ocultação do real importador, inidôneo ou sem capacidade econômica, causado pela interposição fraudulenta, de resto “presumível”. Fazendo o caminho inverso: devemos argüir se houve a conduta que resultou no dano seria punível ou se apenas o dano seria punível. O dano a que se busca punir pode surgir de ambas as condutas, seja da importação por conta e ordem sem observância dos requisitos, seja da importação sob encomenda. Isso significa que apenas a pena decorrente do dano, se esse fosse impossível surgir da conduta a que se busca substituir (conta e ordem por encomenda). Mas não, ele surge de qualquer sorte. Por isso o legislador opta por coibir a conduta. Delimitado o campo de aplicação da retroatividade benigna, ao fazêlo, caso caracterizássemos a conduta como sendo a posteriormente exsurgente da legislação, ou seja, da operação por encomenda, teríamos que analisar a prova. E nesse caso, mesmo a operação denominada como sendo “por encomenda” de acordo com a norma posterior não fo comprovada pela contribuinte, que ao final não demonstrou ter sido tais valores destinados à tais importações. Por todo exposto, conheço dos recursos, e negolhes provimento. Sala das Sessões, em 28 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 19515.002700/2006-61
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1803-000.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva. RELATÓRIO Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 76 80, com redução no valor de R$204.939,16 do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado pelo regime de tributação com base no lucro real a ser restituído referente ao anocalendário de 2001. O lançamento fundamentase no recolhimento a menor do IRPJ no valor de R$204.939,16 decorrente do excesso de destinação ao Finam, em conformidade com o Extrato de Aplicação em Incentivos Fiscais, fl. 71 e com o Termo de Verificação, fls. 7375. No presente caso, temse como correto que o limite legal previsto para aplicação em incentivos fiscais, ou seja, Finam, é a base de cálculo correspondente ao valor de R$218.323,91 de IRPJ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 02 70 0/ 20 06 -6 1 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002700/200661 Resolução nº 1803000.093 S1TE03 Fl. 188 2 (calculado à alíquota de 15%) multiplicada pela alíquota de 18% cujo produto é o valor de R$39.298,30. A Recorrente procedeu ao recolhimento em 28.03.2002 do Darf com código específico 7933 – Finam Ajuste Anual, no valor total de R$244.237,46, fl. 66. Por essa razão essa diferença no valor de R$204.939,16 deve ser reduzida do IRPJ a ser restituído no ano calendário 2001 por ser considerada excesso de destinação ao Finam em detrimento do recolhimento do IRPJ devido. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 601 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999) e art. 13 da Medida Provisória nº 2. 058 de 21 de setembro de 2000. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 8285, com as alegações abaixo sintetizadas e ainda: 1. Em 28 de março de 2002 , a IMPUGNANTE efetuou o pagamento do IRPJ, ano calendário 2001, no valor de R$249.732,80, dos quais R$244.237,46 representavam a estimativa apurada para aquele exercício e R$5.495,34, os juros. 2. Contudo , a IMPUGNANTE recolheu , equivocadamente, a aplicação em incentivos fiscais no FINAM (Fundo de Investimento na Amazônia) o código de receita " 7933", no valor de R$244.237,46, sendo que o valor correto e que foi informado' na DIPJ 2002 teria sido R$39.298,30. 3. Pode verificar se que a IMPUGNANTE incorreu em erro formal, na hora do preenchimento do DARF para pagamento da cota única do IRPJ 2001, informando código de receita que não representava o valor correto da aplicação em incentivo fiscal, quando deveria têlo feito com o seguinte desmembramento: recolhimento do IRPJ no valor de R$204.939,16 (mais os acréscimos legais ), sob o código de receita 2430, e aplicação no incentivo fiscal do FINAM, no valor de R$39.298,30, sob o código de receita 7793. 4. Porém, tal erro formal passou inadvertido, tendo inclusive o Banco da Amazônia encaminhado o Certificado de Investimento, no valor total de R$244.237,46, representativo de 142.056.336 cotas, dos quais R$39.298,30 foram aplicados como incentivo fiscal e R$204.939,16, como recursos próprios de investimento voluntário da IMPUGNANTE no FINAM. 5. Em 29 de novembro de 2006 , a IMPUGNANTE constatou a irregularidade formal no preenchimento da DAR , referente ao pagamento da cota única do IRPJ 2001, e protocolou a solicitação de REDARF perante a repartição pública competente, narrando os fatos ora apresentados e solicitando a retificação do documento incorreto, para o fim de ser devidamente considerada a aplicação no FINAM. 6. Apesar dessa providência , a IMPUGNANTE foi autuada do crédito tributário, objeto do presente Auto de Infração , lavrado no valor de R$204.939,16 , sob epígrafe de "aplicação em Fundo de Investimento FINAM com excesso em detrimento do Imposto de Renda IRPJ cabendo lhe nos termos da intimação proceder ao ajuste dos seus registros contábeis e fiscais ou apresentação de defesa , no prazo de 30 ( trinta) dias. 7. Contudo, o valor de R$204.939,16, informado incorretamente como aplicação excedente no FINAM, não é passível de compensação com o saldo negativo da Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002700/200661 Resolução nº 1803000.093 S1TE03 Fl. 189 3 IMPUGNANTE , razão pela qual deve ser reparado o lançamento discutido no Auto de Infração em tela. 8. Depreende se da DIPJ 2002, ano calendário 2001, que a IMPUGNANTE apresentava a seguinte situação fiscal: • Recolhimento na fonte do IR: R$1.077.437,90; • Recolhimento do IR por estimativa: R$922.672,15; • IR apurado como devido para o exercício 2001: R$339.873,18; • Saldo negativo do IR: R$1.660.736,87. 9. Em que pese o valor da aplicação no incentivo fiscal do FINAM tenha obedecido os limites estabelecidos em lei, o valor pago a maior (R$204.939,16) foi recolhido incorretamente sob o código de receita de investimento no FINAM , de modo que a destinação dada pela IMPUGNANTE , informada na DIPJ 2002, ê que deve ser levada em consideração. 10. Dessa forma , o lançamento de R$204.939,16 lavrado no Auto de Infração em discussão deve ser desconsiderado como imposto de renda recolhido a menor , devido a excesso na destinação no FINAM , e, portanto , não serve para compensar a base de cálculo negativa apurada no exercício de 2001. 11. Decorrência disso, o saldo negativo do imposto a compensar , apurado no exercício de 2001, é (R$1.660.736,87), não sendo devidos os R$204.939,16 como abatimento desse valor. Conclui: 12. Por essa razão , a IMPUGNANTE requerer a revisão do Auto de Infração em debate para o fim de cancelamento do lançamento realizado e homologação do Pedido de REDARF protocolado. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 16 21.867, de 23.06.2009, fls. 230238: “Lançamento Procedente. Restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 [...] INCENTIVOS FISCAIS. FINAM. A opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais e manifestada mediante o recolhimento de parte do imposto sobre a renda por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) específico, que deverá conter o código de receita relativo ao Fundo pelo qual houver optado. A opção manifestada pelo recolhimento de DARF com código específico é irretratável e não pode ser alterada, sendo os valores excedentes ao total a que o contribuinte tiver direito considerados aplicados com recursos próprios ou como subscrição voluntária. O pagamento a menor, do imposto deve ser constituído por lançamento, com o acréscimo de multa e juros, calculados de conformidade com a legislação do imposto sobre a renda. Notificada em 27.04.2010, fl. 112, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 27.05.2010, fls. 113119, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002700/200661 Resolução nº 1803000.093 S1TE03 Fl. 190 4 Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que: Tratase de Processo Administrativo embasado em Auto de Infração relativo ao IRPJ, exercício 2002 (anocalendário 2001), lavrado após a RFB, ora Recorrida, ter apurado pagamento a menor da exação acima mencionada, em virtude de excesso na destinação ao FINAM no valor de R$204.939,16 [...]. Em 28 de março de 2002, foi efetuado o pagamento do IRPJ, ano calendário 2001, no valor de R$249.732,80, dos quais R$244.237,46 representavam a estimativa apurada e R$5.945,34 de juros. A Recorrente recolheu, equivocadamente, a aplicação em incentivos fiscais ao FINAM, sob o código de receita 7933, no valor de R$244.237,46, sendo que o valor correto, informado na DIPJ/2002, foi de R$39.298,30. [...]Ao perceber o equivoco, foi realizado o REDARF, o qual não foi aceito, tendo sido lavrado auto de infração, sob epígrafe de "aplicação em Fundo de Investimento FINAM com excesso em detrimento do Imposto de Renda — IRPJ" [...]. Irresignada, a Recorrente apresentou Impugnação Administrativa, a qual foi julgada improcedente, mantendose, em sua integralidade o auto de infração. Diante do acima narrado, a Recorrida não reconhece o erro formal que incorreu a Recorrente, entendendo como devido o montante de R$204.939,16 de IRPJ, em decorrência disso, o saldo negativo do imposto a compensar, apurado no exercício de 001, ao contrário do constante na DIPJ, seria de (R$1.455.797,71), ao invés de (R$1.660.736,87). Contudo, uma análise mais atenta dos fatos corroborada por documentos juntados oportunamente pela Recorrente, aponta para a reforma inevitável do julgado ora recorrido. [...]. Como se verificar, a Recorrente incorreu em erro formal, na hora do preenchimento do DARF, ao invés de informar o código 2430, equivocadamente, indicou o código 7793, aplicando no incentivo fiscal do FINAM, o valor de R$244.237,46. No entanto, conforme narrado anteriormente, a Recorrente deveria ter desmembrado o valor, da seguinte maneira: (i) recolhimento do IRPJ no valor de R$204.939,16 (mais acréscimos legais), sob o código de receita 2430, e (ii) aplicação no incentivo fiscal do FINAM, no valor de R$39.298,30, sob o código de receita 7793. Em que pese o valor da aplicação no incentivo fiscal do FINAM tenha obedecido aos limites estabelecidos em lei, o valor pago a maior (R$204.939,16) foi recolhido incorretamente sob o código de investimento no FINAM, de modo que a destinação dada pela Recorrente, informada na DIPJ 2002, é que deve ser levada a efeito. Ora, a Requerente reconhece que ao preencher a guia de recolhimento, equivocadamente, indicou o código 7793, no valor de R$ 244.237,46, quando o correto, reiterase, seria a aplicação de R$39.298,30 sob o código 7793 e R$204.939,16 sob o código de receita 2430, conforme declarado em sua DIPJ/2002, ou seja, não houve e Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002700/200661 Resolução nº 1803000.093 S1TE03 Fl. 191 5 não há, por parte da mesma máfé, não podendo, em virtude disso ser penalizada com a diminuição de seu saldo negativo de (R$1.660.736,87) para (R$1.455.797, 71). Ou seja, uma vez comprovado que o excesso de R$204.939,16 foi incorretamente destinado ao Fundo de Investimento FINAM, não pode a Recorrida compensar o mencionado valor com o saldo negativo de (R$1.660.736,87). Oportuno salientar, que nosso judiciário já se manifestou no sentido de que, o mero erro de fato no preenchimento não pode ensejar a desconsideração do pagamento efetuado, o mesmo, pela analogia também deve ser estendido para as compensações. [...]O mencionado princípio [da verdade material, como é de notório saber, consiste no dever do Fisco de verificar de que maneira os fatos ocorreram na realidade, independentemente, das provas legais préconstituídas, em outros dizeres, cabe à Autoridade Fiscal, buscar a verdade dos fatos sem quaisquer presunções. Sob esse enfoque, diferentemente do procedimento judicial, onde prepondera o princípio da verdade formal, no procedimento administrativo a autoridade julgadora deverá perseguir, sempre, a verdade dos fatos, mesmo que não tenha sido alegada ou declarada pelo próprio interessado. No caso concreto, o mesmo prevalece, pois, em que pese a Recorrente ter equivocadamente preenchido a guia de recolhimento com o código 7793, a Recorrida possuía subsídios suficientes para verificar que o valor de R$204.939,16, informado incorretamente como aplicação excedente no FINAM, não é passível de compensação com o saldo negativo apontado na DIPJ/2002 de (R$1.660.736,87), razão pela qual o r. despacho decisório recorrido merece ser reformado [...]. O princípio da verdade material, predominante no procedimento administrativo, tem por função confrontar a 'verdade formal das provas produzidas, albergadas pela presunção iuris tantum de legalidade do fato com a norma, a fim de atingir sempre a realidade dos fatos e derrubar, assim, eventual simulação respaldada pelos critérios da verdade formal. Decorrência disso, as declarações contidas nos documentos fiscais — e que podem, muitas vezes, conter irregularidades ou erros em seus conteúdos, sem nenhum propósito específico por parte do contribuinte — não poderão sobrepor a verdade dos fatos, ainda que demandem a iniciativa isolada da autoridade fiscal. Esgotados os argumentos da Requerente, que demonstram a toda prova a ilegalidade do despacho parte desse E. Conselho de Contribuintes. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Ex positis, a Recorrente inteiramente convencida da juridicidade das razões expostas, e confiando no alto senso jurídico que sempre norteou as decisões dessa D. Autoridade Fiscal, pugna pelo julgamento de total provimento ao presente Recurso Voluntário, para o fim de cancelamento do lançamento realizado e homologação do Pedido de REDARF. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002700/200661 Resolução nº 1803000.093 S1TE03 Fl. 192 6 É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente suscita que o procedimento de Redarf, fl. 135137, deve ser homologado. Em conformidade com o inciso IX art. 224 do Anexo do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, cabe à DRF que jurisdiciona a Recorrente “desenvolver as atividades relativas à cobrança, recolhimento de créditos tributários e direitos comerciais, parcelamento de débitos, retificação e correção de documentos de arrecadação”. Temse que não é de competência do CARF o julgamento relativamente à retificação e à correção de documentos de arrecadação. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada em sede de recurso voluntário. Compulsando os presentes autos, resta constatado que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais1. I Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. 1 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002700/200661 Resolução nº 1803000.093 S1TE03 Fl. 193 7 O DecretoLei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, prevê: Art 2º Ficam instituídos o Fundo de Investimentos do Nordeste (FINOR), o Fundo de Investimentos da Amazônia, (FINAM) e o Fundo de Investimentos Setoriais (FISET), administrados e operados nos termos definidos neste Decretolei. [...] Art. 3º Constituem recursos dos Fundos de Investimentos, de que trata o artigo anterior: [...] III subscrições voluntárias efetuadas por pessoas físicas e jurídicas, de direito público ou privado; [...] Art. 4º Os recursos dos Fundos de Investimentos criados por este decretolei serão aplicados em empresas que tenham sido consideradas aptas para receber incentivos fiscais pelas agências de desenvolvimento regional ou setorial, sob a forma de subscrição de ações ou debêntures conversíveis ou não em ações. § 1º O Poder Executivo poderá determinar a subscrição de quotas de um fundo por outro. (Redação dada pelo decretoLei nº 2.304, de 1986) § 2º Os títulos representativos da aplicação de recursos dos Fundos na forma deste decretolei serão custodiados nos respectivos bancos operadores. [...] Art 6º O Fundo de Investimentos da Amazônia (FINAM) será operado pelo Banco da Amazônia S.A. (BASA), sob a supervisão da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). [...] Art 8º Caberá às agências de desenvolvimento regional ou setorial definir prioridades, analisar e aprovar projetos para aplicação dos incentivos fiscais, acompanhar e fiscalizar a sua execução, bem como autorizar a liberação, pelos bancos operadores, dos recursos atribuídos aos projetos, observado o disposto no artigo 4º deste Decretolei. Ainda sobre os incentivos ficais, o Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999), determina: Art.592.A pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido, nos termos do disposto neste Capítulo, em incentivos fiscais especificados nos arts. 609, 611 e 613 (DecretoLei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 1º). Art.593.O valor do imposto recolhido na forma dos arts. 454 e 455, mantidas as demais disposições sobre a matéria, integrará o cálculo dos incentivos fiscais destinados ao FINOR, FINAM e FUNRES (Lei nº 8.541, de 1992, art. 11). [...] Art.597.O FINAM será administrado e operado pelo Banco da Amazônia S.A. BASA, sob a supervisão da SUDAM (DecretoLei nº 1.376, de 1974, arts. 2º e 6º). [...] Art. 601. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002700/200661 Resolução nº 1803000.093 S1TE03 Fl. 194 8 investimentos regionais (arts. 609, 611 e 613) na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado (art. 222), apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º). §1º A opção, no curso do anocalendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) específico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a até (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º, §1º): I dezoito por cento para o FINOR e FINAM e vinte e cinco por cento para o FUNRES, a partir de janeiro de 1998 até dezembro de 2003; II doze por cento para o FINOR e FINAM e dezessete por cento para o FUNRES, a partir de janeiro de 2004 até dezembro de 2008; III seis por cento para o FINOR e FINAM e nove por cento para o FUNRES, a partir de janeiro de 2009 até dezembro de 2013. §2ºNo DARF a que se refere o parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá indicar o código de receita relativo ao fundo pelo qual houver optado (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º, §2º). §3ºOs recursos de que trata este artigo serão considerados disponíveis para aplicação nas pessoas jurídicas destinatárias (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º, §3º). §4ºA liberação, no caso das pessoas jurídicas a que se refere o art. 606, será feita à vista de DARF específico, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º, §4º). §5ºA opção manifestada na forma deste artigo é irretratável, não podendo ser alterada (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º, §5º). §6ºSe os valores destinados para os fundos, na forma deste artigo, excederem o total a que a pessoa jurídica tiver direito, apurado na declaração de rendimentos, a parcela excedente será considerada (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º, §6º): I em relação às empresas de que trata o art. 606, como recursos próprios aplicados no respectivo projeto; II pelas demais empresas, como subscrição voluntária para o fundo destinatário da opção manifestada no DARF. §7ºNa hipótese de pagamento a menor de imposto em virtude de excesso de valor destinado para os fundos, a diferença deverá ser paga com acréscimo de multa e juros, calculados de conformidade com a legislação do imposto de renda (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º, §7º). §8ºFica vedada, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º de janeiro de 2014, a opção pelos benefícios fiscais de que trata este artigo (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º, §8º). Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002700/200661 Resolução nº 1803000.093 S1TE03 Fl. 195 9 Temse que em se tratando de benefício fiscal a legislação tributária deve ser interpretada restritivamente, nos termos do art. 111 do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, as normas que regulam a matéria são claras, explícitas e congruentes no sentido de que: a opção, no curso do anocalendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação com código específico; a opção manifestada é irretratável, não podendo ser alterada; se o valor destinado para o fundo exceder o total a que a pessoa jurídica tiver direito, apurado na DIPJ, a parcela excedente será considerada como recursos próprios aplicados no respectivo projeto ou como subscrição voluntária para o fundo destinatário da opção manifestada no DARF; e no caso de pagamento a menor de IRPJ em virtude de excesso de valor destinado para os fundos, a diferença deverá ser paga com acréscimo de multa e juros, calculados de conformidade com a legislação pertinente. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. A Recorrente manifestou a sua opção por destinar parte do IRPJ ao Finam por intermédio do recolhimento de parcela do imposto devido efetuado em DARF específico. Originalmente a Recorrente apresentou a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) nº 1111884, do anocalendário de 2001, fls. 63 64, consignando o valor de R$244.237,46 como IRPJ destinado ao Finam com base na qual o lançamento fiscal foi realizado. Assim, procedeu ao recolhimento do Darf com código específico 7933 – Finam Ajuste Anual, no valor total de R$244.237,46, fl. 66. Posteriormente apresentou a DIPJ Retificadora do anocalendário de 2001, fls. 1348, consignando o valor de R$39.298,30 como IRPJ destinado ao Finam. No presente caso, temse como correto que o limite legal previsto para aplicação em incentivos fiscais, ou seja, Finam, é a base de cálculo correspondente ao valor de R$218.323,91 de IRPJ (calculado à alíquota de 15%) multiplicada pela alíquota de 18% cujo produto é o valor de R$39.298,30, conforme está explícito no Auto de Infração, fls. 7680. A diferença de R$204.939,16 foi considerada de ofício como de subscrição voluntária ou de destinação com recursos próprios para o Finam. Por essa razão essa diferença foi reduzida do IRPJ a ser restituído no anocalendário 2001 por ser considerada excesso de destinação ao Finam em detrimento do recolhimento do IRPJ devido. A Recorrente alega que teria que ter recolhido esse valor em Darf com código 2430 — IRPJ PJ Obrigadas ao Lucro Real Entidades Não Financeiras. Como comprovação do suposto erro a Recorrente apresentou DIPJ Retificadora do anocalendário de 2001, fls. 1348, consignando o valor de R$39.298,30 como IRPJ destinado ao Finam. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a Fl. 195DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.002700/200661 Resolução nº 1803000.093 S1TE03 Fl. 196 10 autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente intime o Banco da Amazônia S.A. (BASA), sob a supervisão da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) com a finalidade de que seja informado se houve a subscrição e emissão de quotas de Finam com seu recebimento pela Recorrente, em conformidade com o Darf com código específico 7933 – Finam Ajuste Anual, no valor total de R$244.237,46, recolhido em 28.03.2002, fl. 66. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial se houve a subscrição e emissão de quotas de Finam com seu recebimento pela Recorrente, em conformidade com o Darf com código específico 7933 – Finam Ajuste Anual, no valor total de R$244.237,46, recolhido em 28.03.2002, fl. 66. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes2 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 2 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10825.722609/2012-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF N° 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009).
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF n° 28.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNALFEDERAL.
O art. 22, IV da lei 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário frente à existência de ação judicial e na parte conhecida dar-lhe parcial provimento para que sejam excluídas do lançamento as contribuições lançadas com base no inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, em razão da Decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI e LEO MEIRELLES DO AMARAL.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF n° 28. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNALFEDERAL. O art. 22, IV da lei 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 26 09 /2 01 2- 35 Fl. 568DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário frente à existência de ação judicial e na parte conhecida darlhe parcial provimento para que sejam excluídas do lançamento as contribuições lançadas com base no inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, em razão da Decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI e LEO MEIRELLES DO AMARAL. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10825.722609/201235 Acórdão n.º 2302003.574 S2C3T2 Fl. 569 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 509 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: (...) No extenso Relatório Fiscal (fls. 6/27), é apresentada, em síntese, a situação de levantamento de contribuições sociais previdenciárias (patronais) e de terceiros (outras entidades e fundos), em decorrência de constar informação em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) sob o código FPAS 639, destinado às entidades isentas, sem o devido preenchimento de diversos requisitos legais, a saber: (i) falta do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) válido para o período fiscalizado, já que o apresentado encontrase vencido desde 23/05/2002; (ii) não atendimento dos critérios legais quanto ao percentual mínimo (20%) de gratuidade oferecida; (iii) falta de Declaração de Utilidade Pública do Estado de São Paulo; e (iv) falta de Certidão Negativa de Débito ou equivalente, em razão de pendências junto à Receita Federal do Brasil (RFB). Menciona a regência da matéria pela Medida Provisória (MP) n.º 446/2008 de 10/11/2008 a 11/02/2009; pelo art. 55 da Lei n.º 8.212/91 de 12/02/2009 a 29/11/2009; e pela lei n.º 12.101/2009, a partir de 30/11/2009, além do decreto n.º 2.536/1998, que trata da concessão ou renovação do CEBAS pelo Conselho Nacional de Assistência Social– CNAS. Em conseqüência, por não atender aos requisitos legais para fruição da isenção das contribuições previdenciárias no período, deuse a constituição do crédito tributário relativo à quota patronal. A presente autuação envolve os seguintes créditos tributários: Debcad n.º 51.026.0390: Auto de Infração de Obrigações Principais (AIOP), com lançamento de contribuições sociais relativas à parte da empresa (patronal) e à parte destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais (autônomos), no montante de R$ 1.360.205,41 (um milhão e trezentos e Fl. 570DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 sessenta mil e duzentos e cinco reais e quarenta e um centavos), referente ao período de 01/2009 a 13/2009. Debcad n.º 51.026.0403: AIOP com lançamento de contribuições sociais relativas à parte da empresa (patronal), incidentes sobre os serviços tomados de cooperativas de trabalho médico (Unimed de Jaú), no montante de R$ 13.942,99 (treze mil e novecentos e quarenta e dois reais e noventa e nove centavos), referente ao período de 01/2009 a 12/2009. Debcad n.º 51.026.0411: Auto de Infração de Obrigações Principais (AIOP), com lançamento de contribuições devidas aos chamados Terceiros (FNDE, INCRA, SESC e SEBRAE), incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, no montante de R$ 287.331,93 (duzentos e oitenta e sete mil e trezentos e trinta e um reais e noventa e três centavos), referente ao período de 01/2009 a 13/2009. (...) Por fim, registra a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), com base, em tese, de infração ao art. 337A, I do Código Penal (processo n.º 10825.722610/201260) e de Representação Administrativa ao Ministério da Educação (processo n.º 10825.722611/201212), visando à não renovação ou concessão da Certificação (CEBAS), consoante o art. 27, II da lei n.º 12.101/2009. A interessada foi cientificada do lançamento em 26/10/2012, e apresentou IMPUGNAÇÕES específicas para cada crédito (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 529 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: * que a entidade goza de imunidade constitucional, e não de simples isenção, em relação às contribuições patronais, nos termos da Constituição Federal (CF/88) art. 195 e § 7º, cujos comandos exigem lei complementar, isto é, os requisitos do art. 14 do Código Tributário Nacional (CTN), os quais são cumpridos pela entidade e seus estatutos. Assim, são inaplicáveis para a definição de seu direito à imunidade, por não estarem contidas em leis complementares, as disposições e exigências da lei n.º 8.212/91, da lei n.º 9.732/98 e da lei n.º 12.101/2009, nem tampouco os requisitos do Decreto nº 2.536/98, no que tange ao percentual mínimo de gratuidade. Em suma, tais disposições são todas inconstitucionais; * que ingressou com ação judicial declaratória de imunidade, processo nº 2001.61.17.0020386, na 1.ª Vara Federal de Jaú (documentos anexos), cujo objeto é a imunidade em relação às contribuições previdenciárias patronais, não tendo ainda ocorrido o trânsito em julgado; * quanto à Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), esta deve ser reapreciada e desconsiderada a representação de cometimento de crime contra a Seguridade Social, por ser Fl. 571DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10825.722609/201235 Acórdão n.º 2302003.574 S2C3T2 Fl. 570 5 entidade imune, não existindo dolo pela falta de recolhimento da parte patronal; * especificamente em relação ao levantamento de contribuições devidas pela tomadora de serviços da Unimed, sustenta que não se trataram de serviços prestados por cooperados (médicos), mas sim de pagamento de mensalidade de plano de saúde por parte de empregados da entidade, cujos valores eram descontados desses trabalhadores e repassados à cooperativa. Ou seja, a entidade fazia tãosomente o repasse, não podendo ser tal encargo atribuído à recorrente, já que a prestação de serviços davase entre a cooperativa e seus cooperados. Além disso, não incide contribuição patronal sobre valores a título de pagamento de plano de saúde, já que estão excluídos do conceito de salário por conta do art. 458, § 2.º e inciso IV da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT); * especificamente em relação ao levantamento de contribuições devidas aos Terceiros (FNDE, INCRA, SESC e SEBRAE), alega serem inconstitucionais, devendo ter como basesdecálculo o faturamento e não a folha de salários. Além disso, o INSS/ União seriam partes ilegítimas para promover a cobrança.É o relatório. É o relatório. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Voto CONSELHEIRO RELATOR ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Ação Judicial. Conforme já destacado no relatório supra, a recorrente intentou ação judicial declaratória de imunidade n.º 2001.61.17.0020386, que tramitou na 1.ª Vara Federal de Jaú, cujo objeto central, efetivamente, é a imunidade da entidade em relação às contribuições previdenciárias patronais, nos termos do art. 195 e § 7º da CF/88, haja vista o preenchimento dos requisitos do art. 14 do CTN. Pelos argumentos oferecidos, não poderia ter seus requisitos regulados em mera lei ordinária (no caso, o art. 55 da Lei n.º 8.212/91), por inconstitucionalidade desse dispositivo. É o que se depreende da petição inicial deduzida (fls. 449/489), pela qual pretende colocarse a salvo da exigência das contribuições sociais a cargo da empresa. Conforme informado no decisório a quo, a ação, em primeira instância, foi extinta sem julgamento do mérito, por falta de interesse de agir. A apelação da entidade foi provida em parte pelo Tribunal Regional Federal competente (TRF3), tãosomente para afirmar seu interesse de agir; e, apreciando o pedido inicial nos termos do art. 515 e § 3.º do Código de Processo Civil (CPC), julgouo improcedente em decisão monocrática do relator. No agravo legal em apelação foi novamente decidido contra a entidade autora, em razão de não ter comprovado a posse de certificado (CEBAS) ou qualquer renovação do mesmo por parte do CNAS, como requisito imposto pelo art. 55 da Lei n.º 8.212/91. Os embargos de declaração em face de tal acórdão também foram julgados improcedentes. Referida ação judicial encontrase atualmente pendente de julgamento definitivo, haja vista a interposição de Recursos Especial e Extraordinário, conforme consulta processual ora realizada. Portanto, houve renúncia ao contencioso administrativo quanto às matérias submetidas à apreciação judicial. Com efeito, o artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que seja afastada da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao Judiciário e este não pode furtarse da apreciação e solução da matéria. As decisões deste Poder sobrepõemse às decisões administrativas, pelo que, tendo sido proposta ação judicial na qual são discutidas as mesmas questões de mérito suscitadas em defesa administrativa, encerrandose o processo judicial, a decisão administrativa seria substituída pela sentença. É por essa razão que ocorrerá renúncia ao contencioso quando a ação judicial tiver por “o mesmo objeto” ou “pedido” do processo administrativo. É o que dispõem a Súmula CARF n° 1; o artigo 126, § 3º, da Lei no 8.213/91; o artigo 38 da Lei n° 6.830/80; e o artigo 87 do Decreto 7.574/11: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o Fl. 573DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10825.722609/201235 Acórdão n.º 2302003.574 S2C3T2 Fl. 571 7 mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Lei n° 8.213/91: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) “(sem grifos no original) Parágrafo único. Se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, o julgamento limitarseá à matéria diferenciada” (sem grifos no original) Lei n° 6.830/80: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto Decreto 7.574/2011: (Regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil) (...) Fl. 574DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei n° 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. (Todos destaques são nossos) Assim, devese reconhecer a renúncia ao contencioso administrativo quanto às alegações relativas à imunidade constitucional (art. 195, § 7º, da CF). Terceiros. Inconstitucionalidade. Ilegitimidade. Especificamente em relação ao levantamento de contribuições devidas aos Terceiros (FNDE, INCRA, SESC e SEBRAE), alega serem inconstitucionais, devendo ter como bases de cálculo o faturamento e não a folha de salários. Além disso, o INSS/ União seriam partes ilegítimas para promover a cobrança. Quanto ao aspecto da inconstitucionalidade, temse que, sendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais órgão do Poder Executivo, não lhe compete apreciar a conformidade de lei validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Ademais, o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A que é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Tal disposição é repetida em termos semelhantes no art 62 do Regimento Interno deste Colegiado, Portaria MF nº 256/2009. Outro fundamento para a impossibilidade de deferimento dos pleitos da recorrente é que a Súmula CARF n° 2 estabelece que o “CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, sendo que o art. 72 da Portaria MF 256/2006 tornou obrigatória a observância por parte dos membros do CARF das súmulas do colegiado. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, dos pleitos da recorrente de reconhecimento de inconstitucionalidade das exações. Referentemente ao aspecto da ilegitimidade, temos que esta decorre do art. 3° da Lei n° 11.457/2007: Art. 3o As atribuições de que trata o art. 2odesta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras Fl. 575DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10825.722609/201235 Acórdão n.º 2302003.574 S2C3T2 Fl. 572 9 entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. Portanto, não há qualquer irregularidade no lançamento. RFFP. Alega a recorrente a impropriedade da Representação Fiscal para Fins Penais, devendo esta ser reapreciada e desconsiderada a representação de cometimento de crime contra a Seguridade Social, por ser entidade imune, não existindo dolo pela falta de recolhimento da parte patronal. Realmente consta do Relatório Fiscal que foi formalizado processo de "Representação Fiscal Para Fins Penais". Ocorre que a súmula CARF nº 28, de observância obrigatória, exclui a competência deste Conselho para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Destarte, as razões recursais relativas à Representação Fiscal para Fins Penais não devem ser apreciadas por este relator e nem pelo colegiado. Cooperativas de Trabalho. Especificamente em relação ao levantamento de contribuições devidas pela tomadora de serviços da Unimed, sustenta que não se trataram de serviços prestados por cooperados (médicos), mas sim de pagamento de mensalidade de plano de saúde por parte de empregados da entidade, cujos valores eram descontados desses trabalhadores e repassados à cooperativa. Ou seja, a entidade fazia tãosomente o repasse, não podendo ser tal encargo atribuído à recorrente, já que a prestação de serviços davase entre a cooperativa e seus cooperados. Além disso, não incide contribuição patronal sobre valores a título de pagamento de plano de saúde, já que estão excluídos do conceito de salário por conta do art. 458, § 2.º e inciso IV da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). As questões suscitadas sequer necessitam ser enfrentadas diante do fato de que o art. 22, IV, da lei 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n° 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Sendo assim, não mais existe base jurídica para a manutenção do referido lançamento. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para que sejam excluídas do lançamento as contribuições lançadas com base no inciso IV do artigo 22, da Lei n.º Fl. 576DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 8.212/91, em razão da decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 577DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10850.907776/2011-66
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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(Incorporadora de GREEN VEÍCULOS COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 77 76 /2 01 1- 66 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907776/201166 Acórdão n.º 3803006.529 S3TE03 Fl. 145 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do pedido de restituição formulado pelo contribuinte supra identificado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) em 14 de abril de 2004, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, período de apuração abril de 1999, no valor de R$ 75,86. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu o pedido de restituição, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorrera da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Argüiu o interessado que não fora previamente intimado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, tendo sido o despacho decisório prolatado sem que a fiscalização tivesse examinado a situação concreta do pedido de restituição. Requereu, também, o então Manifestante, em respeito ao princípio da economia processual, a reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando terem todos eles o mesmo objeto. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do comprovante de arrecadação, de planilha por ele elaborada contendo a identificação dos valores das receitas financeiras auferidas no período e de parte do balancete. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 30/04/1999 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907776/201166 Acórdão n.º 3803006.529 S3TE03 Fl. 146 3 Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 30/04/1999 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, “ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se [desincumbira] de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior”, uma vez que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. Cientificado da decisão de primeira instância em 19 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 21 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo contestado o argumento da autoridade julgadora de piso relativamente à necessidade de prévia retificação da DCTF para se atestar a liquidez e certeza do crédito, argüindose que tal documento, além de não ser exigido em lei, não é o único apto a comprovar a existência de crédito passível de restituição. Afirmou ainda o Recorrente que apresentara, junto à Manifestação de Inconformidade, cópias do livro Diário, com seus termos de abertura e fechamento, bem como do balancete, contendo a identificação das receitas financeiras indevidamente incluídas no cômputo da contribuição, tratandose de documentos suficientes à comprovação do crédito pleiteado. Contestou também o argumento do julgador de piso que, segundo ele, pretendera anteceder qualquer ato processual futuro, relativamente à preclusão processual, pois que novos fatos e razões foram trazidos aos autos, reclamando pela aplicação do contido na alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Junto ao recurso, o contribuinte trouxe aos autos cópia de parte do livro Razão. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907776/201166 Acórdão n.º 3803006.529 S3TE03 Fl. 147 4 Em 13/01/2014, a repartição de origem juntou a este processo, por apensação, o processo administrativo nº 10850.909891/201175, contendo a declaração de compensação do crédito controvertido nestes autos. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à alegação de que o despacho decisório fora prolatado em desconformidade com a legislação de regência, dada a inocorrência de prévia intimação do interessado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, há que se ressaltar que o ato administrativo, muitas vezes, “prescinde da existência de um procedimento específico”, pois, quando “o agente administrativo [detém] todas as informações necessárias à configuração do fato imponível e à extração de todas as conseqüências tributárias” 1, ele não necessita colher novas informações ou provas, podendo decidir com base nos elementos presentes nos sistemas internos do órgão, quando suficientes à prolação do despacho decisório. Quanto ao pedido de reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando que todos eles têm o mesmo objeto, há que se salientar que todos os processos presentes no lote em que figurou como interessada a pessoa jurídica Green Veículos Comércio e Importação Ltda., incorporada por Pará Automóveis Ltda., foram incluídos na pauta para julgamento na mesma sessão deste 3ª Turma Especial. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição de valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 2, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como 1 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 266267. 2 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907776/201166 Acórdão n.º 3803006.529 S3TE03 Fl. 148 5 hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF3, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, não abrangendo, por conseguinte, outras receitas, como as receitas financeiras alheias ao objeto social da pessoa jurídica. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise, em tese, pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto à Manifestação de Inconformidade, havia trazido aos autos, além de cópia do balancete, cópia do livro Diário, sendo que, compulsando os autos, se verifica que tal afirmativa não se confirma, pois somente a cópia do balancete foi juntada à peça recursal interposta em primeira instância. A par da decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, o contribuinte traz aos autos cópia de parte do livro Razão, porém, conforme se dera em relação ao balancete, restrito às informações relativas às receitas financeiras, não se identificando o faturamento, dado esse imprescindível à apuração da contribuição efetivamente devida no período. De acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; 3 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907776/201166 Acórdão n.º 3803006.529 S3TE03 Fl. 149 6 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte no momento da Manifestação de Inconformidade não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. A mesma falha ocorreu em sede de recurso, pois a parte do livro Razão apresentada também se restringiu às receitas financeiras, inviabilizandose a comprovação pretendida. A meu ver, essa constatação, por si só, já impede que se acate o pedido do Recorrente, pois mesmo afastando, em tese, a preclusão acima abordada, não se tem por configuradas as características de liquidez e certeza requeridas em casos da espécie. Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade (art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999), à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Fl. 149DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907776/201166 Acórdão n.º 3803006.529 S3TE03 Fl. 150 7 Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Destaquese que, em razão da incompletude da prova apresentada, um eventual retorno dos autos à repartição de origem para a reabertura da apreciação do presente feito não encontra respaldo na legislação processual tributária, pois, conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 4 (ir para a frente). Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que o documento então acrescentado não foi apto a suprir a falha de instrução do processo que já havia sido detectada na primeira instância. Nesse contexto, por ausência de prova da efetiva existência do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator 4 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10830.012784/2008-65
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2002, 2003, 2004
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. VERBA NÃO TRIBUTÁVEL.
O auxílio-alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
SEGURO DE VIDA EM GRUPO PAGOS PELO EMPREGADOR. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. PARECER PGFN.
A jurisprudência uníssona do STJ já declarou a natureza não remuneratória dos valores pagos a seguro de vida a grupos de segurados, inclusive com parecer de não contestabilidade da PGFN.
Recurso Voluntário Provido - Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-003.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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CUSTEIO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. VERBA NÃO TRIBUTÁVEL. O auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. SEGURO DE VIDA EM GRUPO PAGOS PELO EMPREGADOR. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. PARECER PGFN. A jurisprudência uníssona do STJ já declarou a natureza não remuneratória dos valores pagos a seguro de vida a grupos de segurados, inclusive com parecer de não contestabilidade da PGFN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 27 84 /2 00 8- 65 Fl. 710DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10830.012784/200865 Acórdão n.º 2803003.718 S2TE03 Fl. 711 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10830.012784/200865 Acórdão n.º 2803003.718 S2TE03 Fl. 712 3 Relatório Os autos tratam de aplicação de multa por descumprimento de obrigação instrumental, na forma do art. 32A, II, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da MP 449/2008, que segundo a parte teriam relação à questões materiais (probatórias) e cumulatividade de multas com o que fora lançado em NFLD’s constantes nos processos n. 10830.012780/201087, 10830.012779/200852 e 10830.012781/200821. Os lançamentos foram realizados sobre valores pagos a título de alimentação (in natura) e seguro de vida em grupo pago pela peticionaria, em favor de grupo de funcionários. O período do lançamento é de dez/2002 a dez/2004, sendo a ciência realizada em 19.12.2008. A Recorrente declara que as supra citadas NFLD’s estão sob análise dos respectivos órgãos do contencioso administrativo, bem como alega que está sendo duplamente penalizada, pois sobre tais pagamentos também foram constituídos créditos de obrigação principal, com multa de ofício na forma do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com redação da Lei n. 11941/2009. Que o relatório de coresponsável é equivocado e indevido, por não haver atendimento dos dispostos nos arts. 124 e 135, do CTN, e inconstitucionalidade o art. 8620/1993. O julgamento foi convertido em diligência, no sentido de que seja solicitado à autoridade preparadora informações e cópias dos processos administrativos tributários inaugurados pela NFLD’s constantes nos processos n. 10830.012780/201087, 10830.012779/200852 e 10830.012781/200821, de forma a se precisar o conteúdo, andamento processual, localização e as decisões que houverem a respeito dos mesmos. Após a realização da diligência, deve ser oportunizada a manifestação por parte da Recorrente pelo prazo de 30(trinta) dias, retornando os autos ao presente relator. Em resposta, a autoridade preparadora apenas juntou extratos de movimentação dos mesmos informando que encontramse no CARF. A parte juntou impugnação requerendo a aplicação do Ato Declaratório n. 12/2011, em que o Ministro da Fazenda aprovou o Parecer PGFN/CRJ n. 2119/2011, que dispensa a apresentação de recursos e desistência dos já interpostos nas ações judiciais que discutam a incidência de contribuição previdenciária sobre valores pagos a título d seguro de vida em grupo contratado em favor do grupo de empregados. Os autos foram devolvidos à esta Turma para apreciação. É o relatório. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10830.012784/200865 Acórdão n.º 2803003.718 S2TE03 Fl. 713 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato 1) O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. 2) Em razão de dever de ofício, em razão do princípio da legalidade e moralidade da Administração Pública, devese anotar quanto à hipótese de incidência e base de cálculo do tributo em questão, os valores pagos a título de auxílio alimentação, mediante in natura, verbas encontramse na lista daquelas que não integram o saláriodecontribuição, nos moldes do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, desde que o contribuinte, observe os critérios que o próprio dispositivo legal estabelece. A inobservância dos critérios previstos em lei, certamente levará a autoridade administrativa incumbida do lançamento a cumprir seu dever legal, sob pena de responsabilidade funcional, conforme assevera o parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN. Realizado o lançamento, ao contribuinte será dada a oportunidade de se defender via impugnação e, sendo mantido o lançamento, via recurso voluntário à segunda instância administrativa, que na situação vertente é o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) do Ministério da Fazenda. Na hipótese de o contribuinte continuar vencido em suas argumentações também na segunda instância administrativa, observadas as regras previstas na legislação tributária vigente, o crédito, a partir do esgotamento de recursos nessa esfera, será objeto de cobrança pela via judicial, cobrança essa manejada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Como o assunto diz respeito ao descumprimento de legislação federal, o rito processual será realizado na Justiça Federal, podendo a discussão chegar (e em regra chega) ao Superior Tribunal de Justiça – STJ. Toda essa movimentação, obviamente, trará para as partes despesas de vários matizes, tendo em vista que nada sai de graça na utilização da máquina do judiciário. Partindo das premissas acima descritas e refletindo melhor sobre posicionamentos anteriores, percebo que algumas verbas, mesmo previstas em lei, e apesar da correção do lançamento levado a efeito pela autoridade administrativa, não serão alcançadas pelo fisco, tendo em vista que, ao fim e ao cabo, o Poder Judiciário, o STJ, em especial, a qualificará como não incidente de contribuição previdenciária, como é o caso do pagamento de auxilioalimentação sem o devido registro da empresa perante o Ministério do Trabalho e Emprego. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10830.012784/200865 Acórdão n.º 2803003.718 S2TE03 Fl. 714 5 Tais afirmativas encontram ressonância, por exemplo, na decisão proferida pelo STJ, no AgRg no AREsp 5810 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2011/00810687, publicado no DJe de 10/06/2011, cuja ementa transcrevo, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (grifouse e destacouse) Como se pode observar, tratase de jurisprudência pacificada no STJ, situação essa que a meu ver deve balizar os julgamentos nas esferas administrativas, motivo pelo qual passo, de agora em diante, a conduzir meus votos nesse sentido, considerando que a verba ora guerreada não possui natureza salarial, sendo, inclusive, desnecessária a inscrição ou não do empregador no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Ou seja, é um caso de nãoincidência, não de isenção, pois tais valores não se encontram no alcance e sentido do fato gerador e base de cálculo definidas no art. 28, I, da Lei n. 8.212/1991, que exige a natureza remuneratória (contraprestação pelo serviço) de tais pagamentos. Entendimento esse inclusive reconhecido pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, DOU de 24/11/2011, Ato Declaratório nº 03/2011. Em razão dos argumentos acima expendidos excluo do lançamento a parcela in natura paga a título de alimentação (mesmo em vale/ticket alimentação, fornecimento de cestas básicas, ressarcimento de custos com restaurantes, restaurantes pagos pela empresa, pois somente pode ser utilizado para obtenção de alimentos pelo funcionário, mantendo sua característica), tendo em conta que ela não tem natureza salarial, bem como ser despiciendo o registro da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, do Ministério do Trabalho e Emprego. Neste caso, merece acolhimento o recurso. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10830.012784/200865 Acórdão n.º 2803003.718 S2TE03 Fl. 715 6 3) Quanto à alegação do Ato Declaratório n. 12/2011, em que o Ministro da Fazenda aprovou o Parecer PGFN/CRJ n. 2119/2011, pode ser aplicada ao caso, pois os valores pagos realizados à seguradora, para determinado grupo de empregados, mas sem identificação dos prêmios de cada um deles, sendo arcado integralmente pela peticionaria. Lê se trecho do indicado parecer: 10. Da leitura das decisões acima transcritas é possível depreender a firme posição do STJ contrária ao entendimento da Fazenda Nacional acerca da matéria, que sempre foi no sentido de que, em se tratando de seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor de grupo de empregado, o prêmio do seguro custeado pelo empregador constituiria, em verdade, salárioutilidade, sendo, portanto, base de cálculo das contribuições previdenciárias a cargo do empregador. 11. Nesse sentido, citamse, além dos acima elencados, os seguintes exemplos de decisões que expressam o posicionamento pacífico firmado no âmbito do E. STJ: REsp 660.202/CE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/05/2010, DJe 11/06/2010; AgRg na MC 1661 /RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/04/2010, DJe 29/04/2010; AgRg no REsp 720.021/SC, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 26/08/2009; AgRg no Ag 903.243/CE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 06.11.2007, DJe 31.10.2008; e REsp 794.754/CE, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14.03.2006, DJ 27.03.2006. (...) Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, II, da Lei nº 10.522, de 19.07.2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10.10.97, recomendase sejam autorizadas pela Senhora ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que discutam a incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles. Assim, em razão do disposto do art. 19, II, da Lei n. 10.522/2002 c/c art. 62 do Anexo II, do Regimento Interno do CARF/MF, sobre tais verbas pagas deve ser reconhecida a não incidência das contribuições em questão. 4) Observando que as rubricas questionadas não estão previstas entre as hipóteses de incidência da contribuição previdenciária, não pode ser a peticionaria obrigada a declarála em GFIP, na forma do art. 32, da Lei n. 8.212/1991, não havendo descumprimento de obrigação instrumental. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10830.012784/200865 Acórdão n.º 2803003.718 S2TE03 Fl. 716 7 5) Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento, no sentido reformar a decisão a quo e cancelar o crédito tributário objeto do lançamento em razão de insubsistência deste. É como voto. (assinado digitalmente) Gustavo Vettorato – Relator Fl. 716DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11080.729596/2011-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, CONHECERAM dos embargos, dando-lhes efeitos infringentes para baixar o feito em diligência. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) que não conhecia os embargos e rejeitava a diligência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, CONHECERAM dos embargos, dandolhes efeitos infringentes para baixar o feito em diligência. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) que não conhecia os embargos e rejeitava a diligência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira., nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 29 59 6/ 20 11 -6 8 Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11080.729596/201168 Resolução nº 1401000.291 S1C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão embargado (fls. 837844): Tratamse de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 485/499) lavrados em face de Supermercado Guanabara S/A (doravante denominado por Supermercado Guanabara) em razão do não oferecimento à tributação de ganhos de capital. Os valores constituídos encontramse discriminados a seguir: Imp./Contrib. Juros Multa Total IRPJ 1.638.164,09 641.341,24 2.457.246,14 4.736.751,47 CSLL 5 44.767,61 213.276,52 817.151,42 1.575.195,55 Total 2.182.931,70 854.617,76 3.274,397,56 6.311.947,02 Valores em Reais Concluiu a Fiscalização a ocorrência de simulação, nos seguintes termos: em 14/08/2006 o impugnante, dois de seus sócios pessoas físicas e familiares desses, constituíram nova empresa (Luperca Administração e Participações Ltda, doravante tratada por Luperca); o capital, no valor de R$ 2.136.263,00, foi totalmente integralizado mediante versão de bens de seu ativo imobilizado, a valor contábil, ou seja, segundo sua contabilidade, não houve ganho de capital nas operações; o mesmo procedimento foi adotado pelas pessoas físicas sócias de Luperca, que a essa transferiram imóveis pelo valor consignado em suas respectivas declarações de renda; em 07/02/2007 o objeto social da nova empresa foi alterado, incluindose a atividade de compra e venda de imóveis próprios e de terceiros e intermediação na compra e venda de imóveis, alterandose ainda a denominação social para Luperca Negócios Imobiliários e Participações Ltda (fl. 65); segundo a Fiscalização (fl. 477), Todas essas ações descritas até aqui, a constituição da empresa Luperca com a integralização de capital com imóveis rurais (campos e florestas) tanto pelas pessoas físicas, quanto pela jurídica, e a alteração de objeto social para a inclusão de compra e venda de imóveis próprios foram atividades preparatórias para que esses bens fossem vendidos com uma tributação extrema e indevidamente reduzida. Essa inclusão de atividade de venda de bens imóveis próprios no objeto social da Luperca era imprescindível para que os envolvidos no caso Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11080.729596/201168 Resolução nº 1401000.291 S1C4T1 Fl. 4 3 (leiase os sócios da Luperca) pudessem atingir seu objetivo que era reduzir drasticamente a tributação havida na operação. Ora, se a Luperca não pudesse classificar a receita da venda desses imóveis como de atividade operacional sujeita a coeficiente de presunção no lucro presumido todo o planejamento realizado até então seria inóquo e até prejudicial, uma vez que a tributação incidente sobre o ganho de capital na venda de ativos imobilizados não se sujeita a coeficientes de presunção uma vez que essa é uma atividade eventual e não operacional e o ganho é imprevisível, logo a tributação na Luperca seria a mesma que no Supermercado se ele vendesse direto seus imóveis e mais onerosa do que a tributação de ganho de capital para as pessoas físicas, se elas vendessem direto seus imóveis à Resinas Brasil. 07 dias após a alteração de objeto social, todos os bens imóveis dados como integralização de capital (campos e florestas) foram objeto de alienação (Escrituras Públicas de Compromisso de Compra e Venda às fls. 73/90); o montante das operações foi de R$ 10.692.074,34; desde a constituição de Luperca, até o final do ano de 2010, a empresa teve como única atividade operacional a venda dos imóveis oriundos da integralização de capital; o valor do recebimento foi contabilizado como “Créditos Pessoas Ligadas”; considerando que Luperca, cujo objeto social engloba a compra e venda imóveis, inclusive próprios, optou pela tributação do IRPJ com base no lucro presumido, o ganho de capital auferido foi tributado utilizandose o percentual de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL, reduzindose drasticamente o valor de tributos recolhidos na operação comparativamente ao que seria recolhido por Supermercado Guanabara e sócios de Luperca caso a venda tivesse sido realizada diretamente por esses, sem a operação intermediária (constituição de Luperca); ao final das operações, os ganhos obtidos nas vendas de imóveis foram distribuídos a Supermercado Guanabara e aos demais sócios, sendo assim demonstrado pela Fiscalização (fl. 479): (+) Valor total recebido pelas áreas vendidas R$10.692.074,34 () Valor de custo dos bens vendidos (valor dos imóveis recebidos na integralização) R$ 2.136.263,00 (=) Lucro Bruto R$ 8.555.811,34 () Despesas constituição empresa R$ 1.520,13 (=) Lucro líquido na operação de vendas das áreas rurais entregues na integralização R$ 7.852.714,61 Lucros distribuídos aos sócios em 2007 R$ 7.815.500,00 Lucros distribuídos aos sócios em 2009 R$ 37.214,61 Total dos lucros distribuídos R$ 7.852.714,61 Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11080.729596/201168 Resolução nº 1401000.291 S1C4T1 Fl. 5 4 especificamente em relação a Supermercado Guanabara, o valor distribuído a título de lucro foi de R$ 1.888.935,23, totalmente isento de tributação; conclui, assim, ter havido simulação na operação, já que essa teria tido como único objetivo diminuir a tributação oriunda da venda dos imóveis de Supermercado Guanabara e de seus sócios. Convém descrever as considerações da Fiscalização (fl. 480): Ora todos os fatos até aqui relatados apontam para uma única conclusão: que a empresa Luperca foi criada apenas para encobrir o real fato gerador da obrigação tributária e os verdadeiros vendedores dos imóveis (seus sócios pessoas físicas e o Supermercado Guanabara) com o objetivo único e exclusivo de pagamento a menor de tributos na alienação desses bens e consequente recebimento de valores a título de rendimentos ou receita isentos na forma de lucros distribuídos, conforme demonstrado acima. A constituição e integralização de capital da Luperca pelos sócios com campos e florestas foi formalmente lícita, no entanto, foi desprovida de qualquer substância e propósito negocial, uma vez que o fato realmente ocorrido foi a venda de imóveis dos sócios a uma terceira pessoa (Resinas Brasil). Os bens usados na integralização de capital não serviram para que a empresa recém criada pudesse ser operacional, ou seja um estoque de produtos/mercadorias, uma vez que todo o valor da venda que restou após os tributos foi distribuído aos sócios, descapitalizando totalmente a empresa, inclusive com redução de capital em 2009 após a distribuição final dos lucros (fls.205/206 e 240). Não houve investimento nenhum na empresa com o valor recebido ou qualquer reposição de estoque. A criação de uma empresa cuja integralização de capital foi feita apenas com imóveis que seriam em seguida totalmente vendidos e a classificação dessa venda como atividade operacional fez com que não houvesse ganho de capital na operação de venda dos mesmos, mascarando o real fato gerador. [...] o que de fato aconteceu foi a venda de bens que compunham o ativo permanente do Supermercado Guanabara e de bens imóveis registrados nas declarações de renda das pessoas físicas para uma terceira pessoa interessada, Resinas Brasil. Logo, os sócios pessoas físicas e o Supermercado Guanabara são os reais sujeitos passivos da obrigação tributária cujo fato gerador ocorrido é o ganho de capital na alienação de bens. (grifos do original) ao final, Luperca foi descapitalizada, com seu capital reduzido a R$ 100.000,00; foi aplicada a multa de 150% prevista no art. 44, I, c/c §º, da Lei nº 9.430/96 em razão de a Fiscalização entender ter ocorrido “simulação do fato gerador em si [...] e real sujeito passivo da obrigação tributária...” (fl. 482). O contribuinte foi cientificado em 27/10/2011 (fl. 500). Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11080.729596/201168 Resolução nº 1401000.291 S1C4T1 Fl. 6 5 Irresignado, Supermercado Guanabara apresentou impugnação em 24/11/2011 (fls. 506/561). Em resumo, assim se manifestou: que a criação de Luperca é parte da segregação de atividades já realizada pelo Grupo Guanabara, e teve como objetivo concentrar as atividades de exploração das atividades primárias (especificamente a atividade de reflorestamento) nessa nova empresa; objetivou também unir as atividades primárias, ligadas ao reflorestamento, realizadas por Supermercado Guanabara e demais pessoas físicas sócias da Luperca; alega que à época da constituição de Luperca, “a atividade de produção de papel e celulose encontravase em plena e promissora ascensão e, juntamente com esta, a de reflorestamento”; cita e anexa diversas matérias jornalísticas sobre o tema; durante negociação de venda das florestas que compunham seus imóveis, surgiu a oportunidade de alienar, além das plantações em si, também as áreas de terra onde essas se encontravam; diante desse cenário, e vislumbrando nova forma de atuação, qual seja, também a venda de ares (sic) de terra com florestas cultivadas, entenderam por bens os sócios de Luperca ampliar seu ramo de atuação, inserindo em seu objeto social a atividade de compra e venda de imóveis; em 15/02/2007, Luperca firmou “com a empresa Resinas Brasil uma escritura pública de compromisso de compra e venda dos imóveis de sua propriedade (compreendendo os campos e as florestas de reflorestamento), o que veio a ser concretizado definitivamente no decorrer do ano de 2007”; após a realização da operação (final do ano de 2007), o mercado do setor de papel e celulose retraiuse consideravelmente, transformando se em uma crise com repercussão mundial, que perdura até os dias de hoje; anexa diversas reportagens sobre o tema; tal crise teria repercutido também na região em que Luperca atuava (sul do Estado do Rio Grande do Sul), incluindo o mercado de imóveis envolvendo terras reflorestáveis, conforme declaração firmada por corretor de imóveis que atua na localidade; esses fatos seriam responsáveis pela ausência de operação da empresa desde então, e Luperca estaria aguardando a melhoria do cenário para retomar suas atividades; quanto à destinação dos recursos da venda, alega que os utilizou em prol do Grupo Guanabara, uma vez que, ao contrário do ramo de reflorestamento, as demais atividades desenvolvidas pelo grupo estavam em franca expansão; essa seria a explicação para a descapitalização da empresa; alega as circunstâncias que teriam o condão de desconstituir o lançamento de ofício: 1. A Fiscalização não se pautou pelo princípio da legalidade, aderindo ao inconstitucional “princípio do palpite fiscal”; Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11080.729596/201168 Resolução nº 1401000.291 S1C4T1 Fl. 7 6 2. Os atos praticados na constituição de Luperca e na venda dos imóveis foram realizados de modo legal e com inegáveis propósitos negociais, e a desconstituição realizada pela Fiscalização não possui qualquer fundamentação jurídica, baseado em subjetivismo e com a utilização de presunções de duplo grau (“presunção da presunção”), sem qualquer amparo probatório; 3. Os atos desconsiderados pela Fiscalização são dotados de propósitos negociais, conforme já argumentado (caráter societário estruturação do Grupo Guanabara, definição de função e participação de cada familiar nas atividades praticadas e comercial – explorar atividade, à época, em ascensão, diminuição de custos, aumento do poder de barganha e oportunidades de negócios); 4. Seria impossível concluir que todos os membros da família, ao mesmo tempo, quisessem vender seus imóveis, e reuniramse em uma nova sociedade unicamente com o propósito de reduzir a carga tributária; 5. Alega que os atos praticados foram públicos e houve total cooperação com a Fiscalização durante o procedimento fiscal; 6. Os atos praticados foram lícitos e a documentação correspondente goza de plena regularidade, não tendo a autoridade fiscal apresentado qualquer ilegalidade objetiva praticada pela contribuinte; 7. Argumenta que o lapso temporal entre a constituição de Luperca e a venda dos bens (cerca de seis meses entre a constituição e o compromisso de compra e venda, e outros seis meses para a concretização do negócio) são suficientes para demonstrar a licitude da operação, concluindo que (fl. 532) Sabidamente, as operações estruturadas de forma irregular e fraudulenta tendem a ser realizadas em um lapso temporal ínfimo, normalmente com todos os atos praticados na mesma semana, ou até no mesmo dia, pois é essa a exigência e a realidade do universo empresarial. 8. Cita jurisprudência do CARF com vistas a justificar a legalidade da operação; 9. Aduz também que outro fato que indica a lisura das operações é que, após essas, Luperca não foi extinta, como é de costume em operações fraudulentas; a ausência de operações posteriores deverseia à crise do setor, conforme já salientado; 10. Outra evidência da ausência de fraude na operação, seria o recolhimento dos tributos decorrentes dos negócios entabulados; caso houvesse a intenção de não recolher tributos, os proprietários do imóvel poderiam ter se utilizado de planejamento fraudulento (fl. 535): poderiam os sócios da Luperca, em vez de constituírem tal sociedade, terem criado uma outra empresa juntamente com a Resinas Brasil, com a integralização dos bens negociados, e, logo em seguida, deixarem a sociedade recebendo valores em espécie. Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11080.729596/201168 Resolução nº 1401000.291 S1C4T1 Fl. 8 7 ao final, a despeito da legalidade das operações praticadas, aponta supostas impropriedades na medida fiscal, a saber: i. A Fiscalização teria omitido que a constituição de Luperca e a conferência de bens para integralização do capital operouse de forma regular; ii. Sendo Luperca proprietária dos bens imóveis, não poderia a Fiscalização ter atribuído aos seus sócios os ganhos de capitais correspondentes; iii. O lançamento teria ofendido orientação expressa da RFB no tocante a não tributação do ganho de capital, na pessoa do sócio que integralizou capital com imóveis, quando a empresa aliena os mesmos bens; iv. O Fisco ignorou o art. 132 do RIR/99, que possibilita a transferência de bens, para fins de integralização de capital, pelo valor constante na declaração de renda da pessoa física ou do valor contábil constante na escrituração da pessoa jurídica subscritora; v. Haveria equívoco por parte da Fiscalização ao desconsiderar que determinadas áreas vendidas por Luperca seriam somente terra nua, enquanto em outras haveria também florestas, o que alteraria, e muito, o valor e a proporção dos respectivos ganhos de capital; na integralização do capital de Luperca, Supermercado Guanabara teria transferido imóveis que não possuíam florestas, ou seja, somente terra nua (equivalente a 72,92 da área total objeto da negociação entre Luperca e Resinas Brasil), e o valor total pago por Resinas Brasil concernente à terra nua foi de R$ 4.046.919,19, o valor tributável da receita com a venda dos referidos imóveis de antiga propriedade de Supermercado Guanabara deveria ser somente de R$ 2.951.013,47, e não os R$ 7.851,963,32 imputados pela Fiscalização; vi. A venda da área reflorestada era de propriedade exclusiva dos quotistas Luiz Pereira de Carvalho e Luiz Carlos da Silva Carvalho e o tratamento tributário dado à alienação de árvores plantadas deveria receber o tratamento tributário concernente à atividade rural e não ser tratado como ganho de capital; vii. Na lavratura do auto de infração, considerouse os valores recolhidos por Luperca a título de IRPJ e CSLL (R$ 311.315,89), mas deixouse de compensar os recolhimentos de PIS e Cofins sobre as operações (R$ 389.960,71); viii. A distribuição de lucros realizada por Luperca, como impõe o art. 39, XXVII a XXIX do RIR/99, não deve ser tributada nos beneficiários, não podendo ser utilizada pela Fiscalização como circunstância que pudesse fortalecer o lançamento; ix. A aplicação da multa qualificada de 150% seria equivocada, uma vez que inexistiu ilicitude na operação; na ausência do animus fraudandi não há que se falar em sonegação, fraude ou conluio, hipóteses que autorizam a aplicação da multa cominada, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11080.729596/201168 Resolução nº 1401000.291 S1C4T1 Fl. 9 8 O impugnante requer, ao final, a total desconstituição do lançamento. Subsidiariamente requer a retificação do lançamento, nos seguintes termos: (1) considerar que as florestas pertenciam exclusivamente às pessoas físicas dos Srs. Luiz Pereira de Carvalho e Luiz Carlos da Silva Carvalho; (2) abater a quantia recolhida pela empresa LUPERCA a título de PIS/COFINS e (3) afastar a majoração da multa de ofício. Cientificada pessoalmente do referido Acórdão em 09/04/2012 (fls. 694), a contribuinte apresentou em 08/05/2012 o recurso voluntário de fls. 697765, basicamente reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória, com o intuito de demonstrar que a constituição da empresa Luperca e todos os demais negócios ralizados foram lícitos, possuindo propósito negocial e não contrariando qualquer dispositivo legal.. A peça impugnatória foi acompanhada dos documentos de fls. 766833. Em sede de preliminar, na hipótese de remanescerem dúvidas acerca da titularidade das florestas de pinus e eucalipto, requereu a realização de diligência, com o intuito de apurar se tais florestas eram de propriedade da Recorrente ou das pessoas físicas Luiz Pereira de Carvalho e Luiz Carlos da Silva Carvalho. Este colegiado, em 13 de setembro de 2012, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de diligência e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário, por meio do Acórdão nº 1401000.868 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2007 OPERAÇÕES ESTRUTURADAS. SIMULAÇÃO Constatada a desconformidade, consciente e pactuada entre as partes que realizaram determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais de declaração de vontade, resta caracterizada a simulação relativa, devendose considerar, para fins de verificação da ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, o negócio jurídico dissimulado. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. LEGALIDADE FORMAL. ILEGITIMIDADE MATERIAL. A realização de operações estruturadas em seqüência, embora individualmente ostentem legalidade do ponto de vista formal, não garante a legitimidade material do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. CRIAÇÃO DE EMPRESA FICTÍCIA. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL UTILIZAÇÃO DE “EMPRESA VEÍCULO” Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a criação de pessoa jurídica, sem qualquer finalidade negocial ou societária. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da aludida empresa como mera “empresa veículo” para redução ilegal da incidência tributária. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A prática de simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11080.729596/201168 Resolução nº 1401000.291 S1C4T1 Fl. 10 9 de qualificação da multa de ofício, nos termos da legislação de regência. O retrocitado Acórdão foi cientificado ao contribuinte em 14/01/2013 (v. 867). Em 12/11/2012, a contribuinte interpôs os embargos de declaração de fls. 869 877, alegando que o acórdão embargado teria incorrido em 4 omissões e 1 contradição, a seguir especificadas: 1ª omissão – ausência de indicação das fls. dos autos onde supostamente estaria indicado que o Supermercado Guanabara, antes da constituição da Luperca, era titular das florestas; 2ª omissão e 1ª contradição – ausência de consideração do custo de formação das florestas. Tal omissão, no entender da embargante, também configura uma contradição, pois se o acórdão vergastado reconheceu que a embargante era titular das florestas, necessariamente deveria considerar o custo de formação das citadas florestas; 3ª omissão – ausência de análise dos documentos de fls. 612620 e 770780, que no seu entender comprovariam que as florestas pertenciam, em sua totalidade, não ao Supermercado Guanabara (ora embargante), mas às pessoas físicas Luis Carlos da Silva Carvalho e Luis Pereira Carvalho; 4ª omissão – ausência de efetiva e frontal análise da escritura pública de venda (fls. 7390), firmada em 15/02/2007, bem como da avaliação de mercado feita por um “expert” da região (fls. 610). Na opinião da embargante, o colegiado julgador não diferenciou a parcela do valor correspondente à terra nua e a parcela correspondente às florestas. É o relatório. Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11080.729596/201168 Resolução nº 1401000.291 S1C4T1 Fl. 11 10 VOTO VENCIDO Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Os presentes embargos atendem aos requisitos legais, razão pela qual devem ser conhecidos. Tendo este Relator ficado vencido no prosseguimento do julgamento, deixo para me pronunciar acerca do mérito dos embargos quando do retorno da diligência. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 11080.729596/201168 Resolução nº 1401000.291 S1C4T1 Fl. 12 11 VOTO VENCEDOR Conselheiro ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA Redator Designado Os embargos de declaração devem ser conhecidos pois, a partir dos documentos trazidos aos autos no recurso e em sede de embargos de declaração, parecem submergir documentos que merecem melhor análise por parte deste Conselho. Assim, a Turma Julgadora, à exceção do nobre Conselheiro Relator, entendeu por baixar o feito em diligência, com o seguinte objetivo: a) Confirmar a titularidade e montante das subscrições do capital social da LUPERCA, nos termos da documentação apresentada; b) identificar o processamento nas DIRPF e livro caixa das pessoas físicas dos sócios da Contribuinte, acerca do oferecimento à tributação dos valores relativos à venda das florestas situadas na Estância Alto Alegre; c) Confirmar e conferir a validade das notas fiscais de venda das pessoas físicas, conforme documentos apresentados em memorial, assim como de eventuais outras vendas realizadas no mesmo sentido; d) Identificar a partir dos documentos constantes dos autos, em planilha, os custos de formação das florestas constituídas na Estância Alto Alegre; e) Elaboração de parecer conclusivo do resultado da diligência. Concluídos os trabalhos, o Contribuinte deverá ser notificado do inteiro teor de seu resultado, deferindolhe o prazo de 30 dias para se pronunciar, se assim desejar. Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ALEXANDRE A NTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10630.720272/2010-47
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2009
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO ART. 150, § 4º.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
COOPERATIVAS DE TRABALHO, RETENÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RE 595.838. VINCULAÇÃO. RICARF.
O Supremo Tribunal Federal Julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Preliminarmente: Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência das competências de 01/2005 a 11/2005. No mérito: Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para exonerar o crédito relativo a tributação incidente sobre serviços tomados de cooperativas de trabalho consubstanciado nos Levantamentos CO, CO1 e CO2 que tratam da contribuição do art. Do art. 22, IV da Lei 8.212/91, declarada inconstitucional pelo STF no RE 595.838
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO ART. 150, § 4º. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. COOPERATIVAS DE TRABALHO, RETENÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RE 595.838. VINCULAÇÃO. RICARF. O Supremo Tribunal Federal Julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO ART. 150, § 4º. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. COOPERATIVAS DE TRABALHO, RETENÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RE 595.838. VINCULAÇÃO. RICARF. O Supremo Tribunal Federal Julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 02 72 /2 01 0- 47 Fl. 775DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, Preliminarmente: Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência das competências de 01/2005 a 11/2005. No mérito: Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para exonerar o crédito relativo a tributação incidente sobre serviços tomados de cooperativas de trabalho consubstanciado nos Levantamentos CO, CO1 e CO2 que tratam da contribuição do art. Do art. 22, IV da Lei 8.212/91, declarada inconstitucional pelo STF no RE 595.838 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10630.720272/201047 Acórdão n.º 2403002.836 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 0231.739 – 7ª Turma da DRJ/BHE, fls. 660/670, que julgou totalmente improcedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.314.0100, referente ao período de 01/2005 a 12/2009, no valor de R$ 323.887,18 (trezentos e vinte e três mil oitocentos e oitenta e sete reais e dezoito centavos). A presente autuação almeja o recolhimento das contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, relativas a parte da empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, a parte da empresa incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais que prestam serviços à cooperativa, a diferença do RAT do período de 07/2007 a 12/2009, relativa a filial 24.136.038/000405, a contribuição sobre os serviços prestados por cooperados por intermédio da UNIMED, conforme Relatório Fiscal, fls. 172/177: 4 DA APURAÇÃO DO DÉBITO 4.1 Os lançamentos fiscais foram baseados nos documentos solicitados pela fiscalização, através do “Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF” e dos “Termos de Intimação Fiscal – TIF” nº 01 a 03. Esclarecemos que as folhas de pagamento e os lançamentos contábeis foram entregues em meio magnético (CD). 4.2 Serviram de base também as Guias de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social – GFIP constantes dos Sistemas Corporativos da Receita Federal do Brasil; cabendo ressaltar que para a apuração do débito foi considerado como valia a última GFIP exportada antes do Início do Procedimento Fiscal. 4.3 Os fatos geradores de contribuições previdenciárias foram separados por levantamentos distintos, conforme discriminados: Levantamento: DG, DF, D1, D2, D3, PR DECLARADOS NA GFIP Utilizado para o lançamento das bases de cálculo declaradas na GFIP, este levantamento não participa da apuração dos débitos eé criado somente para demonstrar a apropriação das guias de recolhimento. Por força normativa, os levantamentos classificados como declarados em GFIP recebem do próprio Sistema de Auditoria Fiscal – SAFIS, um grau Máximo de prioridade de apropriação de Guias de recolhimento, denominado “Ä”. As eventuais sobras de GPS = Guias de recolhimento da Previdência Social, são apropriadas nos demais levantamentos, conforme demonstrado Fl. 777DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA. Levantamento: FP, FP1, FP2, FL, FL1, FL2 – SEGURADO EMPREGADO NÃO DECLARADO EM GFIP OU DECLARADO COM VALOR A MENOR Neste levantamento estão lançadas as remunerações pagas ou diferenças de base de cálculo relativas aos segurados empregados não declaradas ou declaradas a menor nas GFIP(s), conforme discriminado na PLANILHA A e RELATÓRIO DE LANÇAMENTO – RL, anexos. As alíquotas aplicadas correspondem a: a)contribuição da empresa (patronal), alíquota de 20% (vinte por cento) incidente sobre a remuneração dos empregados; b) financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), alíquota de 3% (três por cento) de 01/2005 a 05/2007 e 2% (dois por cento) de 06/2007 a 12/2009 incidente sobre a remuneração dos segurados empregados. Levantamento: CO, CO1, CO2 – COOPERATIVA DE TRABALHO A empresa em todo o período fiscalizado deixou de informar na GFIP no campo – VALORES PAGOS ÀS COOPERATIVAS DE TRABALHO o valor referente aos serviços médicos prestados por cooperados através da UNIMED relativo aos estabelecimentos matriz CNPJ: 24.136.038/000154 e filial ES CNPJ: 24.136.038/000588. Fundamentação Legal – Lei 8212 de 24/07/91, art. 22, IV (com a redação dada pela Lei n. 9876 de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social – RPS aprovado pela Decreto n. 3048, de 06.05.99, art. 201, III (na redação dada pelo Decreto n. 3265, de 29/11/99. A alíquota aplicada corresponde a 15% (quinze por cento) incidente sobe o valor dos serviços prestados pelas Cooperativas. No estabelecimento filial ES CNPJ: 24.136,083/000588, não houve a discriminação do serviço médico, portanto, foi utilizada como base de cálculo, o valor do ato principal. Levantamentos: LC, LC1 E LC2 – LANÇAMENTOS CONTÁBEIS Analisando a contabilidade da empresa, constatamos que foram lançados nas contas 3.3.01.02.0001 – Gastos de Funcionamento da Usina, conta 3.3.01.03.0002 – Gastos comerciais filial e conta 3.3.01.03.0007 – Gastos funcionamento administrativo, diversos pagamentos feitos a contribuintes individuais, para os quais não foram efetuados os descontos devidos nem tampouco, foram informados nas folhas de pagamento e GFIP(s). Os contribuintes individuais estão discriminados na planilha C e Fl. 778DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10630.720272/201047 Acórdão n.º 2403002.836 S2C4T3 Fl. 4 5 identificados nos recibos de pagamento, (por amostragem), em anexo. Levantamento: RA, RA1, RA2 – DIFERENÇA DE RAT Relativamente a filial CNPJ: 24.136.038/000405, foi apurado a diferença de 1% (um por cento) de RAT, sendo que o correto é de 2% (dois por cento) neste período, cabendo ressaltar que na empresa com mais de 1 (um) estabelecimento e diversas atividades, a alíquota do RAT é determinada pela atividade preponderante, que é aquela atividade que o ocupa o maior número de empregados. Levantamento: CI, CI1, CI2 CONT INDIVIDUAIS NÃO DECLARADOS EM GFIP As bases de cálculo dos contribuintes individuais categoria 13 e transportadores autônomos categoria 15 que não foram informados na GFIP, estão discriminados na PLANILHA B, anexa. Levantamento: TA, TA1, TA2 TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS NÃO DECLARADOS EM GFIP O pagamento a transportadores autônomos lançados na contabilidade sem o respectivo desconto e informação na folha e GFIP, estão discriminados na planilha B, anexa. 5 Os lançamentos dos débitos apurados na ação fiscal referem se exclusivamente às bases de cálculo não oferecidas à tributação pelo contribuinte através da declaração em GFIP (Guia de Recolhimento do GFTS e Informações à Previdência Social). ... 8 DA MULTA APLICADA RETROATIVIDADE BENIGNA Para as infrações acessórias, com fato gerador anterior a 04/12/2008, data da entrada em vigor da MP n. 449/2008, convertida na Lei 11.941 de 27/05/2009, a multa aplicada deve observar o princípio da retroatividade benigna, conforme previsão do art. 106, inc. II, c, do CTN,), que admite que lei posterior por ser mais benéfica se aplique a fatos pretéritos, desde que o ato não esteja definitivamente julgado. Para tanto foi efetuada a comparação pelo Sistema de Auditoria Fiscal – SAFIS por competência das multas anterior AI Código de Fundamento Legal 68 x multa atual AI Código de Fundamento Legal 78 com a multa de ofício, no percentual de 75%, no mínimo, aplicado sobre o valor do débito em cada competência, conforme previsto no art. 44 da Lei 9.430/06. Na comparação feita pelo mencionado sistema, em apenas uma competência a multa mais benéfica ao contribuinte foi a multa anterior (AIOA nº 37.288.8739 CFL 68 – R$ 354,04), nas outras competências a multa mais benéfica ao contribuinte foi a multa atual, tendo sido aplicado o AIOA nº 37.288.8747 – CF 78 – R$ 17.760,00, Fl. 779DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 conforme demonstrado no QUADRO COMPARATIVO DE ULTA, anexo. O mesmo procedimento foi adotado em relação à multa mais benéfica para os Autos de Infração de obrigação principal. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 603/612. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do então impugnante, a 7ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, prolatou o acórdão 0231.739, de fls. 660/670, a qual julgou improcedente a impugnação ofertada para manter incólume o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2010 DECADÊNCIA O prazo de decadência previsto no § 4º, do artigo 150, do CTN, aplicase somente quando o sujeito passivo apura o valor devido, presta as informações ao fisco a que está obrigado em virtude de lei e faz, efetivamente, o pagamento antecipado. PARTE NÃO IMPUGNADA De acordo com as normas do Processo Administrativo Fiscal, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. OFENSA. Fica vedado aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A DRJ constatou que o contribuinte apenas impugnou a matéria relativa a inconstitucionalidade da contribuição prevista no artigo 22, IV da Lei 8.212/91 e determinou que o órgão preparador – DRF, observasse o disposto no art. 21, parágrafo 1º e 3º do Decreto n. 70.235/72, a qual realizou o desmembramento do processo em diversos, quais sejam: 010630720278201014, 010030720777201070, 010630720276201025, 010630720275201081, 010630720274201036, 010630720273201091 e 010630720279201069, para cobrança imediata da dívida da parte não impugnada, conforme fls. 710/740. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada, a recorrente, COOPERATIVA AGROPECUÁRIA DE RESPLENDOR LTDA CAPEL, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário contestou a Fl. 780DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10630.720272/201047 Acórdão n.º 2403002.836 S2C4T3 Fl. 5 7 autuação fiscal em epígrafe por meio de instrumento de fls. 678/695., requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1 – A decadência do crédito tributário das competências anteriores a 12/2005 2 – A inconstitucionalidade do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91. É o relatório. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 768, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais Fl. 782DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10630.720272/201047 Acórdão n.º 2403002.836 S2C4T3 Fl. 6 9 órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Conforme o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal, fl. 170, foi analisada pela Autoridade fiscal Guias de Recolhimento pagas pela da recorrente, assim sendo, entendo que deve ser aplicado o disposto no art. 150, § 4º. Portanto, tendo em vista que o contribuinte, de acordo com a fl. 02, tomou ciência do Auto de Infração no dia 09/12/2010, está extinto o crédito tributário nas competências anteriores a 11/2005, tendo em vista que o auto de infração compreende o período de 01/2005 a 12/2009. DA COOPERATIVA. Tratam os Levantamentos CO, CO1 e CO2 de valores pagos às cooperativas de trabalho, pagos pelos serviços médicos prestados por cooperados através da UNIMED relativo aos estabelecimentos matriz CNPJ: 24.136.038/000154 e filial ES CNPJ: 24.136.038, tendo a empresa em todo o período fiscalizado deixado de informar na GFIP a alíquota de 15% incidente sobre o valor dos serviços prestados. Tal contribuição devidas a cargo da empresa, tem sua disposição no artigo 22, IV, da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além dos disposto no art. 23, é de: (...) IV – quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Ocorre que o Supremo Tribunal Federal – STF , em sessão plenária realizada em 23/04/2014, em sede de Recurso Extraordinário, de n.º 595838, sob o manto da Repercussão Geral, art. 543B do CPC, ajuizado pela Etel Estudos Técnicos Ltda., em face da União, cuja inconstitucionalidade fora declarada pela unanimidade de votos, conforme se percebe de seu trecho abaixo, in verbis: Fl. 783DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014 Referida decisão fora publicada na ATA Nº 10, de 23/04/2014. DJE nº 85, divulgado em 06/05/2014, cuja ementa segue a seguir: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Apenas para aclarar o alcance e motivo da inconstitucionalidade, colaciona se trecho do voto do Ministro Relator, disponibilizado no sítio eletrônico do Supremo Tribunal Federal (http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaSTF/anexo/RE595838.pdf), cuja redação é a que segue: Diante de tudo quanto exposto, é forçoso reconhecer que, no caso, houve extrapolação da base econômica delineada no art. 195, I, a, da Constituição, ou seja, da norma sobre a competência de instituir contribuição sobre a folha ou sobre outros rendimentos do trabalho. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10630.720272/201047 Acórdão n.º 2403002.836 S2C4T3 Fl. 7 11 Houve violação do princípio da capacidade contributiva, estampado no art. 145, §1º, da Constituição, pois os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus associados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. Ademais, o legislador ordinário acabou por descaracterizar a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. A contribuição instituída pela Lei nº 9.876/99 representa nova fonte de custeio, sendo certo que somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, §4º, com remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. É como voto. Diz o art. 195, I, “a” da Constituição Federal.: A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei incidentes sobre: a) folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Tendo em conta que a cooperativa é, por certo, pessoa jurídica e que os pagamentos são feitos à cooperativa contratada, e não diretamente aos cooperados, revelase, na Lei 9.876/99, uma nova contribuição que só por lei complementar poderia ter sido instituída. Por tal razão, e diante da vinculação deste conselho à decisão supra, conforme arts. 62, I, e 62A do RICARF, merece ser exonerado o crédito tributário. DOS DEMAIS LEVANTAMENTOS No tocante aos demais lançamentos, cumpre destacar que eles foram subdivididos em diversos outros processos pela DRF, conforme explanado no relatório do presente voto, uma vez que o contribuinte não os teria impugnado expressamente quando da oportunidade de apresentação de impugnação, entendendo a DRJ que aqueles valores já poderiam ser cobrados imediatamente, por ser matéria incontroversa, conforme art. 21, parágrafos 1º e 3º do Decreto 70.235/72. No presente Recurso o contribuinte afirma que o procedimento adotado pela DRF, em razão do entendimento da DRJ, foi equivocado. Ocorre que apesar dessa afirmação, Fl. 785DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 no Recurso Voluntário o contribuinte comete a mesma omissão, não impugnando os demais levantamentos, nem trazendo contraprova deles. Dessa forma, não merece provimento o argumento recursal neste tocante. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento do Recurso Voluntário, para, preliminarmente, reconhecer a decadência das competências de 01/2005 a 11/2005 e, no mérito, exonerar o crédito tributário relativo a tributação incidente sobre serviços tomados de cooperativa de trabalho consubstanciado nos Levantamentos CO, CO1 e CO2 que tratam da contribuição do art. 22, IV da Lei 8.212/91, declarada inconstitucional pelo STF no RE 595.838. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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