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Numero do processo: 10314.004693/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 27/09/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE.
Os contribuintes podem apresentar Recurso Voluntário frente a acórdãos proferidos pela DRJ no prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, não sendo conhecidos os recursos apresentados após ultrapassado este prazo.
Numero da decisão: 3201-001.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Os contribuintes podem apresentar Recurso Voluntário frente a acórdãos proferidos pela DRJ no prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, não sendo conhecidos os recursos apresentados após ultrapassado este prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 46 93 /2 00 7- 12 Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 2 Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 09/05/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de multa proporcional e juros de mora, além de multa do controle administrativo equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria no valor de R$ 1.613.194,88 em virtude dos fatos a seguir descritos. No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal e conforme programação do Serviço de Fiscalização Aduaneira da Inspetoria da Receita Federal de São Paulo SEFIAII/ IRF/SP, foi realizada auditoria do Regime Aduaneiro Especial de DRAWBACK concedido ao contribuinte acima citado, com o objetivo específico de verificar o regular cumprimento dos requisitos e condições fixadas na legislação aplicável e nos Atos Concessórios abaixo: [...] A fiscalização verificou que não houve a vinculação dos Registros de Exportação apresentados no Relatório Final de Baixa com os Ato Concessórios objeto da fiscalização. Além disso, não foram apresentadas as Notas Fiscais de Saída destas exportações, não estando comprovada a saída do estabelecimento do produto final definido nas condições do Regime. Dessa forma, resolvese a suspensão através da cobrança da tributação suspensa, com os devidos acréscimos legais, e da multa prevista no artigo 633, III, b do decreto 4543/02 pelo não cumprimento de uma das providências previstas no artigo 342 do Regulamento Aduaneiro Decreto n°. 4.543/02 (devolução ao exterior ou reexportação, destruição ou destinação para consumo com o pagamento dos tributos). Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 30/05/2007 (fls. 32), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 28/06/2007, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de folhas 643 a 649. Na forma do artigo 57 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, alegou que: DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO FISCAL FALTA E INDICAÇÃO DE RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO Com efeito, consoante registrado no item 3 (três) da presente, o regime aduaneiro de drawback conferido à Autuada corresponde à modalidade drawback intermediário, através do qual uma terceira empresa, distinta da importadora, efetivamente realiza as exportações. É claro que, neste caso, a empresa que adquire no mercado interno os bens importados igualmente se beneficia do regime aduaneiro especial, em virtude da desoneração conferida à empresa importadora e da conseqüente redução de custos fiscal. No caso em apreço, tanto a Impugnante, importadora dos insumos beneficiados com a suspensão do I.I., quando a Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10314.004693/200712 Acórdão n.º 3201001.812 S3C2T1 Fl. 2.291 3 adquirente exportadora, qual seja, a UNIVELER (IGL Industrial Ltda.) tem interesse comum no que se refere à operação de importação realizada, haja vista que ambas dela se beneficiaram, como assinalado. Neste contexto, força é convir que deveria o Fisco ter arrolado a empresa exportadora como coobrigada solidariamente com a Autuada quanto ao crédito tributário supostamente devido, por força do disposto no precitado artigo 124, I, do C.T.N.. A despeito do instituto da solidariedade implicar, na seara cível, uma simples opção do credor, em se tratando de obrigação de natureza tributária não é lícito ao Fisco deixar de arrolar o devedor solidário para fins da cobrança do seu crédito, haja vista que a atividade de lançamento é plenamente vinculada, a teor do artigo 142 do C.T.N., de tal forma que não pode a administração atuar discricionariamente e escolher este ou aquele devedor para figurar no pólo passivo do processo fiscal. Por conseguinte, ante a falta de arrolamento de todos os sujeitos passivos que devem responder pelo débito, patente é a nulidade da autuação fiscal, por ofensa ao artigo 11, I, do Decreto n.° 70.235/72, o que ora requerse seja reconhecido, ou, ao menos, seja providenciada a intimação e inclusão da empresa exportadora dos produtos importados sob o regime de drawback para que responda aos termos da autuação na qualidade de coobrigada. DO EFETIVO CUMPRIMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAÇÃO E DA IRRELEVÂNCIA DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES FORMAIS O regime aduaneiro especial do drawback consiste, antes de mais nada, em um mecanismo destinado a incrementar as exportações nacionais, sendo este seu propósito e a própria razão de sua existência. Não se confunde, pois, com um mero benefício fiscal, haja vista que a existência de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada (art. 78, II, do DL n.° 347/69) consiste em pressuposto lógico erigido pela legislação instituidora do regime. De igual forma, o Comunicado CACEX n.° 179, de 24.09.87, dispõe que “O benefício do Drawback é um incentivo fiscal à exportação não se confundido com favor fiscal. Naturalmente, se a suspensão dos tributos aduaneiros consiste no meio eleito pelo legislador para se alcançar o seu objetivo final, qual seja, a exportação, é fora de dúvidas que não podem ser privilegiados aspectos meramente procedimentais e formais inerentes ao instituto, ainda que previstos em regulamento, em detrimento sua finalidade precípua. Em outras palavras, as obrigações acessórias inerentes ao regime aduaneiro não podem ser aplicadas e interpretadas literalmente, como se tratassem de um fim em si mesmo, mas sim mediante uma analise teleológica, no sentido de que elas Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 4 existirão somente para propiciar um objetivo que, uma vez alcançado, revela a legitimidade da conduta do contribuinte. Aliás, tendo em vista que o multicitado regime aduaneiro não pode ser classificado como uma isenção ou favor fiscal, e, consequentemente, não lhe sendo aplicável o disposto no artigo 111 do C.T.N., não há como admitir a interpretação literal que implique na descaracterização do benefício por questões meramente formais. Junta textos da Jurisprudência Administrativa da 1ª Câmara do E CONSELHO DE CONTRIBUINTES a respeito do assunto. Para demonstrar que o cumprimento do compromisso inerente ao drawback deve ser aferido levandose em conta a efetivação das exportações, e não diante do cumprimento ou não de outras obrigações acessórias relativas ao regime aduaneiro, insta ressaltar que a própria Coordenação Geral do Sistema de Tributação COSIT, através do Ato Declaratório n.° 20, de 17.05.96, considerou que o benefício deve ser preservado independente mesmo da vinculação física entre o insumo importado e a mercadoria exportada, desde que efetivamente realizadas as exportações. No caso vertente, o fato é que o compromisso de exportação assumido pela autuada foi integralmente cumprido, uma vez que os produtos finais referidos nos atos concessórios de drawback foram exportados no exato volume exigido pela SECEX. Para evidenciar o alegado, a Autuada anexa à presente cópia das Notas Fiscais de Exportação (does. 03, anexos), emitidas pela empresa exportadora (IGL Industrial Ltda.), contendo, dentre outros, os produtos finais aludidos nos precitados atos concessórios (tubos de alumínio contendo “dentifrício”). Ademais, apresenta a Impugnante Planilha detalhada (doc. 04, anexo) relacionando todos os produtos importados com os respectivos atos concessórios, registros de exportação e Notas Fiscais de saída, emitidas pela Autuada para a IGL Industrial Ltda., bem como as Notas Fiscais de Exportação, emitidas por esta última empresa. Pelo exame comparativo entre os documentos ora apresentados fica claro que as lâminas de alumínio importadas, sob o regime de drawback, foram transformadas em embalagens pela Impugnante e vendidas à IGL Industrial Ltda., a qual, por sua vez, exportou seu produto ("dentifrício”) com ditas respectivas embalagens. Inclusive, é patente a relação entre o produto beneficiado vendido à IGL Industrial Ltda. e as exportações descritas nas Notas Fiscais respectivas, haja vista que ambos foram identificados pela marca final do produto (p. ex.. “close up menta triple”). De mais a mais, como se pode inferir do anexo “Contrato de Fornecimento de Mercadorias e Outras Avenças”, a Impugnante é fornecedora exclusiva da embalagens para a IGL Industrial Ltda., o que desde já demonstra a vinculação entre as mercadorias importadas e aquelas exportadas, fato este, inclusive, que não foi diretamente contestado pelo Fisco. Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10314.004693/200712 Acórdão n.º 3201001.812 S3C2T1 Fl. 2.292 5 Sobreleva notar, outrossim, que de um universo de 480 (quatrocentos e oitenta) Notas Fiscais, a Autuada não conseguiu anexar somente 22 (vinte e duas) Notas Fiscais, posto que estas não lhe foram entregues pela empresa exportadora, IGL Industrial Ltda., razão pela qual a Impugnante formula com a presente (item 17, infra) pedido de produção de prova pericial, a fim de que sejam examinados outros documentos, de posse da referida empresa exportadora, aptos a comprovar a efetiva realização das exportações de que cuidam as NF's faltantes. A respeito da essencialidade da efetiva exportação no contexto do drawback, em prejuízo de quaisquer outras obrigações estabelecidas neste regime aduaneiro, traz decisão do E. CONSELHO DE CONTRIBUINTES. O descumprimento de meras obrigações acessórias, a exemplo do registro das exportações na SECEX e da falta de indicação da natureza da operação em Notas Fiscais de exportação, constitui simples erro formal que não descaracteriza as efetivas exportações, as quais, uma vez efetuadas, conferem direito à extinção do crédito tributário do I.P.I suspenso quando da importação. De tal forma que, devidamente comprovadas em gênero e quantidade as exportações relacionadas aos atos concessórios objeto do auto de infração, através da documentação ora colacionada, manifesta é a improcedência da autuação fiscal. Não há, de outro lado, como sustentar o entendimento de que o ônus da prova da regularidade do aproveitamento do regime de drawback seria do contribuinte, de acordo com o artigo 179 do C.T.N.. A uma, porque o supracitado dispositivo legal trata de isenção fiscal, o que, a rigor, não é o caso do benefício aduaneiro em questão. A duas, pois sendo o lançamento fiscal atividade privativa do sujeito ativo da obrigação tributária, a teor do artigo 142 do C.T.N., é a ele que incube o ônus de apontar todos os elementos de fato necessários à determinação da matéria tributável. Junta textos da doutrina de IVES GANDRA MARTINS a respeito do assunto. De sorte que, não tendo sido apresentadas provas contundentes da irregularidade supostamente cometida pelo contribuinte, patente revelase a ilegitimidade do Auto de Infração ora combatido, também nesta parte. INAPLICABÍLIDADE DA MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E AUSÊNCIA DE PREVISÀO LEGAL Merece destaque o fato de que a multa por suposto descumprimento do controle aduaneiro, aplicada à Autuada com fulcro nos artigos 432 e 433 do Regulamento Aduaneiro, bem Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 6 como nas Portarias DECEX n.° 08 de 14.05.91 e SECEX n.° 21 de 12.12.96, não merece prosperar. Com efeito, verificando o teor dos precitados artigos do Regulamento Aduaneiro, percebese que eles simplesmente estipulam as obrigações genéricas do beneficiário do regime de drawback, não estabelecendo, em nenhum momento, uma penalidade administrativa específica para infrações relacionadas ao controle aduaneiro. É de se ressaltar, outrossim, que o alegado descumprimento das condições do drawback já ensejou, na presente autuação, além da cobrança do imposto tido por devido e respectivos juros, multa isolada equivalente a 75 % do crédito tributário exigido. Diante deste contexto, inferese que o Fisco pretende exigir do contribuinte duas penalidades distintas decorrentes de um mesmo fato, a saber, o suposto descumprimento do compromisso inerente ao drawback, o que acarreta, indubitavelmente, efeito confiscatório da penalidade. E nem se diga que a penalidade em questão teria fundamento nas Portarias DECEX n.° 8 e SECEX n.° 21. Isto porque a criação e imposição de penalidades são reservadas para o trato exclusivo da lei, em sentido formal e material. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL Considerando, conforme assinalado no item 11 (onze), que uma pequena parte das Notas Fiscais de exportação não foi entregue pela empresa exportadora (IGL Industrial Ltda.), e tendo em vista o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal, segundo o qual o Fisco deve promover a averiguação efetiva e concreta dos fatos envolvidos na demanda, é a presente para requerer a produção de prova pericial mediante exame dos documentos fiscais e contábeis da IGL Industrial Ltda.. com vistas a verificar a materialidade das operações de exportação, com fulcro no artigo 16, IV, do Decreto n.° 70.235/72, apresentando quesitos. • Pedese ao Sr. Perito que apure, com base na planilha anexa à esta Impugnação (doc. 04) e nas Notas Fiscais de exportação ora anexadas (does. 03), quais as Notas Fiscais que não foram anexadas; • Pedese ao Sr. Perito que verifique, em relação às Notas Fiscais identificadas na resposta ao quesito de n.° 1 (um), se existem documentos contábeis ou fiscais da IGL Industrial Ltda. que são hábeis a comprovar o pagamento pelo fornecimento dos produtos ali consignados, inclusive contratos de câmbio, especificandoos; • Pedese ao Sr. Perito que apure se existe documentação contábil ou fiscal da IGL Industrial Ltda., relacionada às exportações referidas nas Notas Fiscais, através das quais possam ser identificados os produtos que foram exportados, bem como que aponte quais produtos seriam estes; Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10314.004693/200712 Acórdão n.º 3201001.812 S3C2T1 Fl. 2.293 7 • Pedese ao Sr. Perito que verifique se a IGL industrial dispõe de documentação atestando o embarque, ao exterior, de mercadorias que deveriam ser exportadas segundo os atos concessórios de que cuida este PTA, em datas próximas às da emissão das Notas Fiscais faltantes; • Pedese ao Sr. Perito que aponte se nas Notas Fiscais de Exportação anexadas aos autos foram relacionadas mercadorias que deveriam ser exportadas segundo os atos concessórios de que cuida este PTA, identificandoas em gênero e volume; A Impugnante indica como sua assistente técnica a Sra. Erica Tsujimoto, brasileira, contadora, portadora do R.G. n.° 22.682.91012 SSP/SP, inscrita no Ch'F ^ob o n.° 273.384.06812 e no CRC sob o n.° 1SP208195, com endereço profissional na Avenida Valentina Melo Freire Boreinstein, 233, bairro Vila São Francisco, tel.: (11) 4723.4724. DO PEDIDO Diante do exposto, requer a Impugnante seja reconhecida e declarada a nulidade do lançamento, por falta da indicação de sujeito passivo necessário, ou, alternativamente, seja determinada a retificação da autuação de forma a incluir como coobrigada a IGL Industrial Ltda.. Sucessivamente, requerse seja julgado totalmente improcedente o Auto de Infração ora impugnado, para que seja determinado o cancelamento da respectiva exigência fiscal, por ser medida de Direito e Justiça. Ainda sucessivamente, requerse seja julgada procedente a Impugnação, a fim de que seja excluída a multa do controle aduaneiro. Sobreveio decisão da 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 27/09/2002 Auditoria fiscal do Regime Aduaneiro Especial de DRAWBACK, modalidade Suspensão, com o objetivo especifico de verificar o cumprimento das obrigações fiscais relativas os Atos Concessórios. Ao se editar a norma complementar (Portaria Secex n° 35 de 24/11/2006), foram estabelecidos critérios do Secex para comprovação do regime de drawback. É norma complementar compreendida na expressão legislação tributária que o Código Tributário Nacional faz referencia no seu art.113. Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO 8 Não houve a comprovação das exportações vinculadas ao regime de drawback em questão junto ao Secex dentro do prazo regulamentar, nos termos do art. 131 da Portaria Secex n. 35/06.| MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO Improcedente. A fiscalização não trouxe elementos fáticos que apontassem para o descumprimento de requisitos de controle da importação. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto No que tange aos pressupostos de admissibilidade do Recurso Voluntário interposto pela recorrente, verificase não estar presente àquele referente à tempestividade. Isto porque a recorrente apresentou seu recurso voluntário após transcorrido o prazo de 30 dias contados a partir da ciência da decisão, previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235, de 1972. O Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, em seu artigo 33, concede aos contribuintes o direito de, no prazo de trinta dias, apresentar recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, frente a decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instancia; Este mesmo diploma legal estabelece em seu artigo 23 as formas de intimação, entre elas a por meio eletrônico: Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10314.004693/200712 Acórdão n.º 3201001.812 S3C2T1 Fl. 2.294 9 a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) Do exposto, temse que, em se tratando de intimação por meio eletrônico, a mesma se considera feita na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo de 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo. No caso em tela, a recorrente tomou conhecimento do teor do acórdão nº 16 047.060, proferido pela 23 ª Turma da DRJ/SP1, em 21/06/2013, sextafeira. O prazo para a apresentação do recurso voluntário, portanto, iniciou em 24/06/2013, segundafeira, tendo se encerrado em 23/07/2013. Assim, há de ser tomado por intempestivo o presente recurso voluntário, posto protocolizado somente em 2/8/2013. Destarte, voto para não conhecer do recurso voluntário por intempestivo. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO
score : 1.0
Numero do processo: 13401.000782/2004-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
PREJUÍZOS FISCAIS. RESTABELECIMENTO.
Cai por terra o lançamento do IRPJ efetuado unicamente com base em compensação indevida de prejuízos fiscais de períodos anteriores, se o montante indevidamente compensado era objeto de litígio e se, posteriormente, foi prolatada decisão administrativa irrecorrível restabelecendo os prejuízos fiscais questionados.
Numero da decisão: 1201-001.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 PREJUÍZOS FISCAIS. RESTABELECIMENTO. Cai por terra o lançamento do IRPJ efetuado unicamente com base em compensação indevida de prejuízos fiscais de períodos anteriores, se o montante indevidamente compensado era objeto de litígio e se, posteriormente, foi prolatada decisão administrativa irrecorrível restabelecendo os prejuízos fiscais questionados.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PREJUÍZOS FISCAIS. RESTABELECIMENTO. Cai por terra o lançamento do IRPJ efetuado unicamente com base em compensação indevida de prejuízos fiscais de períodos anteriores, se o montante indevidamente compensado era objeto de litígio e se, posteriormente, foi prolatada decisão administrativa irrecorrível restabelecendo os prejuízos fiscais questionados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 0223.558, exarado pela 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte MG. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 1. 00 07 82 /2 00 4- 48 Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13401.000782/200448 Acórdão n.º 1201001.087 S1C2T1 Fl. 3 2 Em face do sujeito passivo em epígrafe foram lavrados dois autos de infração relativos ao IRPJ, o primeiro resultando somente em retificação do saldo de prejuízo fiscal acumulado ao final do anocalendário de 1998 (fls. 01/08), e o segundo em lançamento do IRPJ referente aos anoscalendários de 1999 e 2000 (fls. 11/20). Impugnados os mencionados autos de infração, a DRJ de origem julgou parcialmente procedente os lançamentos para cancelar o auto de infração de fls. 01/08 e manter parte do IRPJ relativo ao ano de 2000 (fl. 397 e ss.). Não houve recurso de ofício. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, entre outras coisas, que a parcela do IRPJ mantida pelo órgão a quo é fruto de glosa de prejuízo fiscal relativo ao ano de 1997, questão essa que está sendo discutida no âmbito do processo administrativo nº 10882.002950/200214, já com decisão parcialmente favorável à contribuinte proferida em primeiro grau. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. Conforme se observa na decisão recorrida, especialmente às fls. 409/410, o IRPJ mantido no presente processo realmente é fruto unicamente da glosa do prejuízo fiscal do ano de 1997, que estava sob discussão nos autos do processo nº 10882.002950/200214. Examinando o andamento do referido processo, verifico que a 2ª Turma Especial da 1ª Seção deste Conselho julgou procedente o recurso interposto pela contribuinte, restabelecendo portando o prejuízo fiscal do ano de 1997 (Acórdão nº 1802001.021, de 22 de novembro de 2011). Verifico também que não houve interposição de recurso especial por parte da Fazenda Nacional, estando o citado processo atualmente no Setor de Arquivo da DRF de Recife PE, conforme consulta ao sítio http://comprot.fazenda.gov.br/egov/default.asp. Houve, portanto, o transito em julgado da decisão proferida pela 2ª Turma Especial. Restabelecido nos autos do referido processo o prejuízo fiscal referente ao ano de 1997, e tendo em conta que o IRPJ mantido pela DRJ de origem é fruto unicamente da glosa daquele prejuízo, devese afastar a exigência. Tendo em vista todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13401.000782/200448 Acórdão n.º 1201001.087 S1C2T1 Fl. 4 3 Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910873/2008-83
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999
DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3803-006.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observando-se as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 DESPACHO DECISÓRIO. NÃO APRECIAÇÃO DA DCTF RETIFICADORA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o despacho decisório, para que um outro seja proferido, observandose as informações prestadas em DCTF retificadora apresentada anteriormente à ciência do despacho decisório, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o despacho decisório, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 08 73 /2 00 8- 83 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910873/200883 Acórdão n.º 3803006.693 S3TE03 Fl. 60 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação, em que pretendia compensar crédito da contribuição no valor atualizado de R$ 1.909,84, decorrente de alegado pagamento a maior. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 20/08/2008, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento efetuado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reforma do despacho decisório, alegando que apresentara DCTF retificadora, em 31/07/2008, declaração essa, segundo ele, apta a demonstrar o direito creditório pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório e da DCTF retificadora. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, amparandose nos seguintes fundamentos: a) falta de comprovação do crédito pleiteado; b) a retificação da DCTF promovida em data posterior à ciência do Despacho Decisório não tem o condão, por si só, de infirmar ou modificar a decisão da repartição de origem; c) “a Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte”; d) “a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida”; e) “ao instruir o processo somente com cópia da DCTF Retificadora transmitida após a emissão do Despacho Decisório, o Contribuinte não demonstrou a origem do crédito”. Cientificado da decisão em 25/11/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2011, requereu a homologação da compensação e repisou o argumento relativo à devida comprovação do crédito a partir da apresentação da DCTF retificadora, esta Fl. 60DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910873/200883 Acórdão n.º 3803006.693 S3TE03 Fl. 61 3 transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo violação do princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições para a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. De pronto, registrese que, junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópia da DCTF retificadora transmitida em 31/07/2008, data essa anterior à emissão e à ciência do despacho decisório, eventos esses ocorridos, respectivamente, em 12/08/2008 e 20/08/2008, não tendo tal declaração sido objeto de apreciação por parte da repartição de origem ou da Delegacia de Julgamento. Ainda que se considere que, nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição/ressarcimento e de declarações de compensação, deva prevalecer o princípio do dispositivo, no sentido de que a atividade probatória é ônus do pleiteante, não se pode ignorar que, no presente caso, as informações adicionais fornecidas por meio de DCTF retificadora não foram consideradas pela Administração tributária na prolação do despacho decisório sobre o qual se controverte nos autos. No momento da emissão do despacho decisório, a base de dados da Receita Federal já refletia a nova situação fática declarada pelo sujeito passivo. Nos termos do § 1º do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 786, de 2007, vigente à época da transmissão da declaração de compensação, “[a] DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores.”. Valendose do disposto no art. 147 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN) 1, que disciplinam o lançamento por declaração, aplicáveis, a meu ver, subsidiariamente, ao lançamento por homologação (já que no disciplinamento deste último tipo de lançamento não se faz referência à retificação da declaração), é possível concluir que, em momento anterior à notificação do sujeito passivo, a este é assegurado o direito de retificar as informações até então prestadas à autoridade administrativa, o que, por outro lado, não exclui o ônus de comprovação das alterações promovidas. 1 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910873/200883 Acórdão n.º 3803006.693 S3TE03 Fl. 62 4 Notese que, tendo sido a DCTF retificadora transmitida anteriormente à emissão de qualquer ato da Administração tributária tendente a confirmar ou não os dados anteriormente declarados, não se vislumbra fundamento normativo à desconsideração por parte da Delegacia de Julgamento da retificação procedida nos termos ora apontados. Além disso, nos termos do disposto no inciso III, do § 2º, do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 786, de 20072, considerase ineficaz a retificação da DCTF promovida após a ciência do início do procedimento fiscal, sendo que, no presente caso, não consta dos autos a ocorrência de intimação anterior à data da transmissão da DCTF retificadora. Poderseia argumentar que, embora a retificação tivesse sido realizada anteriormente à emissão e à ciência do despacho decisório, ela se dera após a transmissão da declaração de compensação, o que inviabilizaria, hipoteticamente, a sua consideração no momento da realização do encontro de contas (DCTF versus PER/DCOMP). Contudo, esse raciocínio, ainda que guarde alguma logicidade, não tem respaldo na legislação tributária, não podendo servir de supedâneo à total desconsideração da nova declaração. Neste ponto, mostrase oportuno transcrever trecho do voto condutor do acórdão nº 330201.797, de 26 de setembro de 2012, da lavra do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, cujo teor vai ao encontro do entendimento ora externado: No caso em tela, o indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 900/2008. Portanto, deve a autoridade da RFB competente para reconhecer o direito creditório pleiteado manifestarse sobre a legitimidade dos débitos declarados na DCTF retificadora (...) e, se for o caso, apurar o crédito a restituir e homologar as compensações realizadas e declaradas pela recorrente. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito a restituir ou apurando em valor inferior ao pleiteado, dar ciência de sua decisão à recorrente, abrindo lhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. (Processo nº 10166.911472/200905, fl. 208) No mesmo sentido, temse o acórdão nº 0821223, de 27 de junho de 2011, da DRJ Fortaleza/CE, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: Normas de Administração Tributária Anocalendário: : 01/01/2004 a 31/12/2004 EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA DE DÉBITO, ENTREGUE ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. EFEITO PROBANTE. A DCTF retificadora que reduz o valor de tributo ou contribuição, quando entregue antes da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação de débito do declarante com crédito cuja origem é 2 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.910873/200883 Acórdão n.º 3803006.693 S3TE03 Fl. 63 5 justamente o pagamento a maior do tributo/contribuição retificado, deve ser aceita como prova do direito creditório pleiteado em declaração de compensação, nos casos em que o indeferimento de tal direito se dera tãosomente pela vinculação do mesmo pagamento ao débito informado na DCTF original. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. INFORMAÇÃO PRESTADA EM DACON. EFEITO PROBANTE. O DACON é mera declaração informativa, não se constituindo em instrumento de confissão de dívidas tributárias nem em veículo de inscrição destas em Dívida Ativa da União. A informação prestada em DACON, desacompanhada de graves elementos de convicção, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. (grifei) Uma vez que, no presente caso, a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório. Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para cancelar o despacho decisório, determinandose à autoridade administrativa a reapreciação do pleito do Recorrente, considerando as informações prestadas na DCTF retificadora, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrarem necessárias à apuração da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado. O interessado deverá ser cientificado da nova decisão, oportunizandolhe, no caso de decisão denegatória do direito, ainda que parcial, o prazo regulamentar para se pronunciar, observados os ditames procedimentais do Decreto nº 70.235, de 1972. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10380.004529/2006-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3403-000.281
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Ivan Allegretti
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho e Liduína Maria Alves Macambira. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 05/18) lavrado para a exigência de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação aos fatos geradores ocorridos entre 31/01/1998 e 31/03/2003. A notificação do contribuinte aconteceu em 18/05/2006 (fl. 05). A descrição dos fatos que deram causa ao lançamento é, em síntese, a seguinte: (...) foi constatado que a contribuinte deixou de informar e nada recolheu a título de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, haja vista que todo o faturamento foi excluído da base de cálculo por ser tratado como receita oriunda de ato cooperativo. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 2 2 Ocorre que as operações praticadas pela contribuinte, em sua esmagadora maioria, são vendas de segurosaúde/plano de saúde médicohospitalarodontológico, que se caracterizam como ATOS NÃO COOPERATIVOS DIVERSOS DOS LEGALMENTE PERMITIDOS em função da contratação e revenda de serviços de terceiros para suprir os serviços que os COOPERADOS não podem oferecer aos usuários (já que se trata de uma cooperativa de serviços médicos), fatos que evidenciam atos de intermediação de negócios, ou seja, mercancia. A UNIMED FORTALEZA, independentemente do que conste nos seus estatutos, divulga fartamente na mídia e vende no mercado, a qualquer pessoa interessada, plano de segurosaúde que assegura a cobertura de assistência médica, diárias e serviços hospitalares, laboratoriais, odontológicos, etc, inclusive seguro de vida, nos mesmos moldes de outras empresas que desenvolvem estas atividades, ficando os usuários sujeitos ao pagamento de taxas de inscrição e de mensalidades, mesmo que não se utilizem dos serviços contratados. Os procedimentos descritos vão de encontro aos objetivos do cooperativismo por serem próprios das sociedades mercantis, como já abordados no PN 38/80, verbis: “3.2 Atos NãoCooperativos Diversos dos Legalmente Permitidos Se, conjuntamente com os serviços dos sócios, a cooperativa contrata com a clientela, a preço global não discriminativo, ainda o fornecimento, a esta, de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura de despesas com (a) diárias e serviços hospitalares, (b) serviços de laboratórios, (c) serviços odontológicos, (d) medicamentos e (e) outros serviços, especializados ou não, por não associados, pessoas físicas ou jurídicas, é evidente que estas operações não se compreendem nem entre os atos cooperativos nem entre os nãocooperativos excepcionalmente facultados pela lei, resultando, portanto, em modalidade contratual com traços de segurosaúde. 3.3 Intermediação Como estas obrigações contratuais não poderão ser cumpridas diretamente pela cooperativa porque seu objeto social é voltado internamente aos associados, nem pelos associados na condição de prestadores de serviços médicos, tornase logicamente imprescindível a aquisição daqueles bens/serviços de outras sociedades ou de outros profissionais, o que, evidentemente, é característica da mercancia, ou seja a intermediação. 3.4 Organização Mercantil Estas atividades, francamente irregulares para este tipo societário, estão iniludivelmente contidas em contexto de modelo comercial, uma vez que seu perfil operacional, neste particular, envolve.(1) atividade econômica, (2) fins lucrativos, (3) habitualidade, (4) organização voltada à circulação de bens e serviços e (5) assunção de riscos. Esta afirmação Fl. 290DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 3 3 melhor estará corroborada se abstrairmos, dentre as obrigações assumidas com a clientela, a de prestação de serviços médicos pelos próprios associados, percebese, então, que seria lógica e juridicamente insustentável considerarse como cooperativa a entidade :que tivesse como único objetivo a revenda de. bens e serviços. (...) Destarte, as receitas auferidas pela UNIMED FORTALEZA, no desempenho de sua atividade (venda de planos de saúde), não se caracterizam como as de ATO COOPERATIVO, mas sim, como decorrentes de operações de mercado, vedadas pelo art. 79, parágrafo único, da Lei n" 5.764/71 Lei das Cooperativas , insusceptíveis, portanto, de quaisquer benefícios, devendo, pois, submeterem se à tributação, de acordo com as normas de regência, "ex vi" da Lei nº 9.718/98 e suas alterações. As receitas que formam as bases de cálculo, referentes ao período compreendido entre agosto de 2002 e dezembro/2004, constam da escrituração contábil e correspondem às declaradas nas fichas 20A da DIPJ/2003, 26A da DIPJ/2004 e 25 da DIPJ/2005. No que diz respeito ao anocalendário de 2005 os dados foram extraídos da contabilidade apresentada pela contribuinte e todas estão demonstradas, bem como o cálculo da contribuição, no papel de trabalho "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada", em anexo. " (fls. 6/7; grifos editados) O contribuinte apresentou impugnação (fls. 69/75), alegando, em síntese, (1) que apenas e exclusivamente pratica atos cooperativos, em relação aos quais goza de isenção, e que conforme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 5a Região, tal isenção não foi validamente revogada, visto que apenas poderia ser validamente revogada por meio de Lei Complementar, não sendo válida a pretensão de revogá la por meio de lei ordinária, e (2) que, ainda que houvesse a tributação, a Fiscalização deixou de levar em consideração as deduções aplicáveis às operadoras de planos de assistência à saúde, previstas no art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98, e que não se poderia alcançar os ingressos financeiros, argumentando ainda que “caso fossem cobrar os tributos exigidos no AI, estes deveriam recair apenas nos valores que ficam na cooperativa, posto que os demais, apenas transitam em sua contabilidade, sem representar patrimônio, e assim sem gerar capacidade tributária, para a entidade” (fl. 75). Em seguida o contribuinte apresentou petição (fls. 130/132) informando que “por um lapso, deixou de informar que, no Processo de n.° 2001 .81.00.00.003863 5, promovido através da MM. 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará, em face de acórdão unânime da Egrégia Terceira Turma do Colendo Tribunal Regional Federal da Quinta Região, Relator S.Exa., o DD. Des. Fed. Ridalvo Costa, publicado no DOU de n.° 140, Seção 2, pág. 5821618 2210712005, foi deferida a segurança, para que a Fazenda Nacional deixasse de cobrar o PISICOFINS da requerente” (fl. 130) e que “provado que em 2210712005, ocorreu decisão que em sede mandamental , que impedia a Fazenda de cobrar tais tributos, os Autos de Infração, lavrados em 18105/2006, estão afrontando essa decisão, razão pela qual, só por isto, devem ser considerados insubsistentes”(fl. 132). Fl. 291DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 4 4 Depois de determinar a realização de diligência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE (DRJ), por meio do Acórdão nº 0810.388, de 23 de março de 2007 (fls. 184/195), manteve apenas em parte o auto de infração, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Tomase como não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. RENUNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ATIVIDADE VINCULADA. A interposição de ação judicial, seja qual for a modalidade, ainda que preencha as condições do artigo 151 do CTN para suspender a exigibilidade do crédito, não elide o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário. CRÉDITO COM EXIBILIDADE SUSPENSA. INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 COOPERATIVAS. COFINS. DEDUÇÃO DAS SOBRAS. FATES. As sociedades cooperativas poderão excluir da base de cálculo da COFINS, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social. Lançamento Procedente em Parte Fl. 292DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 5 5 A DRJ concluiu pela exclusão da multa de 75%, em razão de haver decisão judicial vigente impedindo a exigência do tributo em relação ao contribuinte, e pela redução da base de cálculo em relação aos valores destinados à constituição do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social FATES, em respeito ao art. 1º da Lei nº 10.676/2003, de acordo com os valores apurados na diligência fiscal (fls. 149/150). Em razão dos valores exonerados serem superiores ao previsto na Portaria MF 375/2001, houve a interposição de Recurso de Ofício. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 199/205), no qual reitera os fundamentos da impugnação, requerendo ao Conselho “declarar a nulidade do auto e determinar a revisão do AI de acordo com a Lei 9718 e/ou arquivar o AI em acatamento a decisão mandamental mencionada” (fl. 205). Com efeito, ao mesmo tempo em que reclama que a Fiscalização não respeitou as deduções legais, pedindo a “aplicação do § 9º do art. 3º da Lei 9718, na redação que definitivamente deulhe a MP 21583512001, que, de forma regrada pela Instrução Normativa de n.° 635/06SRF, reduziu a base imponível do PIS/COFINS para as cooperativas operadoras de planos de saúde, permitindolhes excluir os sinistros, responsabilidades cedidas, etc” (fl. 203, item 5), também alega que a ação judicial que propôs foi julgada a seu favor pelo TRF da 5ª Região, nos seguintes termos: 10. Acaso se possa manter a autuação, no mérito, com o devido respeito, ela é de total insubsistência. 11. É que, como vimos, em processo exatamente de interesse da Unimed Fortaleza e a União, Ação n.° 2001.81.00.0038655 oriunda da 4ª Vara da Seção Judiciária do Ceará, que, em sede recursal, teve a seguinte decisão, extraída do sítio oficial da v. Corte (www.trf5.gov.br): REPUBLICÁ FEDERATIVA DO BRASIL TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO GABINETE DO DESEMBARGADOR FEDERAL RIDALVO COSTA APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 87178 CE APTE: UNIMED DE FORTALEZA COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO LTDA ADV/PROC: RODOLFO LICURGO TERTULINO DE OLIVEIRA E OUTROS APDO: FAZENDA NACIONAL RELATOR: DESEMBARGADOR FEDERAL RIDALVO COSTA E M E N T A: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÉNCIA. LEI N.° 9.718198 E MP N.° 1.8586199. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 6 6 Não incidem o PIS e a COFINS sobre atos cooperativos próprios, de prestação de serviço pela cooperativa aos seus associados. Ausência de fim lucrativo. (Precedentes do STJ). ACÓRDÃO Vistos, etc. DECIDE a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 5' Região, por unanimidade, dar provimento à apelação, nos termos do relatório e voto anexos, que passam a integrar o presente julgamento. Recife, (data do julgamento) Des. Federal Ridalvo Costa Relator 12. Tratandose de ação mandamental, sendo coincidente as partes e a tese (não incidência de tributos PISICOFINS sobre todos os atos da cooperativa) é evidente que tendo tomado conhecimento da decisão, manter o presente processo administrativo é desobedecer decisão judicial, com todas as conseqüências daí decorrentes. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator. O recurso é tempestivo (fls. 198 e 199), motivo pelo qual dele conheço. A matéria de fundo trata da incidência da Cofins em relação às cooperativas de trabalho médico, sendo que neste caso concreto a recorrente também propôs medida judicial para a discussão do tema. Foi por isso, aliás, que o acórdão da DRJ deixou de conhecer da impugnação, em razão da impossibilidade da concomitância da discussão nas vias administrativa e judicial. Verificandose a situação da discussão judicial, consta do andamento do caso a notícia de que a recorrente teria pedido desistência da discussão judicial, inclusive com a renúncia do direito em que se funda a ação. Com efeito, é este o teor do andamento obtido pelos sistema informatizado, disponível no sítio do TRF da 5 ª Região em relação à Apelação em Mandado de Segurança nº 2001.81.00.0038635 (CNJ 000386398.2001.4.05.8100 ou AMS87178/01CE): Em 09/06/2011 08:31 Despacho do Desembargador(a) Federal VicePresidente [Publicado em 10/06/2011 00:00] [Guia: 2011.001048] (M124) DECISÃO A impetrante formulou pedido de desistência de qualquer direito obtido com o julgamento da apelação, renunciando a qualquer alegação de Fl. 294DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 7 7 direito sobre o qual se funda a ação, para o fim de aderir ao parcelamento instituído pela Lei nº. 11.941/2009. Posteriormente, peticiona requerendo a determinação de conversão em renda da União de valores depositados em juízo para o pagamento de débitos vinculados às inscrições nº. 3071000077556 e nº. 3061001451810. Os depósitos referidos encontramse suficientemente comprovados pelos documentos de fls. 366/407.Por outro lado, os extratos de consulta acostados às fls. 411/414 pela Fazenda Nacional dão conta de que dentre os débitos imputados à impetrante, apenas os vinculados às inscrições reportadas (3071000077556 e 3061001451810) apresentamse com exigibilidade ativa, estando a dos demais suspensa por força de adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº. 11.941/2009. Ante o exposto:1) Homologo o pedido de desistência e a renúncia do direito sobre o qual se funda a ação;2) Sem honorários por se tratar de mandado de segurança;3) Custas pela impetrante, tendo em vista que a renúncia, após o julgamento, equivale à improcedência para fins de sucumbência;4) Julgo prejudicados os Recursos Especial e Extraordinário interpostos pela Fazenda Nacional;5) Embora a conversão, via de regra, somente ocorra após o trânsito em julgado, no caso, a providência foi requerida pelo próprio contribuinte. Assim, inexistindo qualquer prejuízo em desfavor da Fazenda Nacional, defiro o pedido formulado pela impetrante, para determinar a conversão em renda da União de valores depositados para o pagamento dos débitos vinculados às inscrições nº. 3071000077556 e nº. 3061001451810.6) No que tange à liberação do valor que sobejar, a questão deve ser decidida pelo Juízo de Primeiro Grau.Cumprase. P.I., baixandose os autos. Recife, 08 de junho de 2011. Desembargador Federal Rogério Fialho Moreira VicePresidente do TRF da 5ª Região Ora, se houve a desistência da ação, inclusive com a renúncia ao direito em que se funda a ação, é de se supor que o contribuinte tenha incluído ou pretendido incluir o presente crédito tributário no referido parcelamento. Ante tal contexto dos fatos, com efeito, parece de rigor que se converta o julgamento em diligência para que a Delegacia de origem intime o recorrente a informar e esclarecer quanto ao alcance da referida renúncia, inclusive apresentando cópia dos atos processuais em que foi formulada e homologada, e, se o caso, explicando e demonstrando em que medida o contribuinte entende ter sido afetado ou ainda subsistir seu interesse na presente discussão administrativa. Mesmo porque, de acordo com o previsto no art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6/2009, a inclusão do débito que se discute nestes autos depende de desistência do recurso voluntário, não constando que o tenha feito, nada obstante tenha praticado ato incompatível com o interesse de recorrer, ao desistir da ação judicial, na medida em que parece pretender discutir os mesmos fundamentos em âmbito judicial e administrativo. O contribuinte deve informar, ainda, se existe ou propôs qualquer outra medida judicial em andamento a respeito da sua condição de contribuinte de PIS e Cofins, Fl. 295DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.004529/200622 Resolução n.º 3403000.281 S3C4T3 Fl. 8 8 apresentando cópia das peças processuais (petição inicial, decisão, sentença, apelação, acórdãos etc). Ao final, deve a Delegacia de origem elaborar relatório conclusivo da diligência, em seguida promovendo a intimação do contribuinte para, querendo, manifestarse em 15 dias, depois devolvendose os autos a este Conselho para julgamento. É como voto. Ivan Allegretti Fl. 296DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13601.000426/00-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
NULIDADE. ARTIGO 59 DO DECRETO Nº 70.235/72.
Apesar do julgador não estar obrigado a tratar de todos os argumentos constantes da peça recursal, e de poder decidir com base em um ou mais elementos apresentados, contanto que suficientes à formação de sua convicção, no presente caso a análise de todos os fundamentos trazidos pelo contribuinte, notadamente aqueles resultantes da diligência determinada pela Colenda Câmara a quo, afigura-se imprescindível para o deslinde da presente controvérsia. A ausência dessa análise configura preterição do direito de defesa, a teor do disposto no inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
Numero da decisão: 9303-003.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer, em parte, do recurso especial e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para anular o acórdão recorrido por cerceamento de defesa, determinando o retorno dos autos ao Colegiado "a quo", para novo julgamento. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que negava provimento.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a teor do Memo. PRES/CARF S/N°, de 27 de maio de 2014.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 NULIDADE. ARTIGO 59 DO DECRETO Nº 70.235/72. Apesar do julgador não estar obrigado a tratar de todos os argumentos constantes da peça recursal, e de poder decidir com base em um ou mais elementos apresentados, contanto que suficientes à formação de sua convicção, no presente caso a análise de todos os fundamentos trazidos pelo contribuinte, notadamente aqueles resultantes da diligência determinada pela Colenda Câmara a quo, afigurase imprescindível para o deslinde da presente controvérsia. A ausência dessa análise configura preterição do direito de defesa, a teor do disposto no inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer, em parte, do recurso especial e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para anular o acórdão recorrido por cerceamento de defesa, determinando o retorno dos autos ao Colegiado "a quo", para novo julgamento. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que negava provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 1. 00 04 26 /0 0- 55 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13601.000426/0055 Acórdão n.º 9303003.073 CSRFT3 Fl. 454 2 Rodrigo Cardozo Miranda Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a teor do Memo. PRES/CARF S/N°, de 27 de maio de 2014. Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto por DELPHI AUTOMOTIVE SYSTEMS DO BRASIL LTDA. (fls. 385 a 394) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 325 a 334) que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário no sentido de determinar que o saldo credor do IPI apurado até 31/12/2008 somente poderá ser aproveitado com débitos do próprio imposto, registrados na escrita fiscal do contribuinte. Com isso, não sendo esgotados tais créditos, não se pode deferir o ressarcimento do saldo credor a partir de janeiro de 1999. Os presentes autos tratam, em síntese, de pedido de ressarcimento/compensação de créditos básicos de IPI do 4º trimestre de 1999 com arrimo no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 (fls. 02 e 03). Referido dispositivo tem o seguinte teor: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. O pedido foi inicialmente indeferido através da r. decisão de fls. 38 a 40, fundamentada no Termo de Verificação Fiscal de fls. 35 a 37, onde se entendeu que não teria sido cumprido o disposto no artigo 5º da IN SRF 33/99, especialmente os seus §§ 2º e 3º: Do direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI – Art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999 Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, Fl. 458DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13601.000426/0055 Acórdão n.º 9303003.073 CSRFT3 Fl. 455 3 inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. Art. 5º Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. § 1º Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. § 2º O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1º de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. § 3º O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. O fundamento da r. decisão inicial, em síntese, foi no sentido de que, verbis, o artigo 5º da IN 33/99 dispôs que os créditos acumulados na escrita fiscal, existente em 31/12/98 somente poderiam ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. Todavia, o § 2° do referido artigo vedou a possibilidade de abater débitos referentes a saídas de produtos industrializados com insumos tributados adquiridos a partir de janeiro de 1999. Com isso, em razão de não poder aproveitar os saldo credor acumulado até 31/12/98, a contribuinte deveria, no entendimento da fiscalização, ter optado pelo estorno do referido saldo a fim de possibilitar o ressarcimento/compensação do saldo credor a partir de janeiro de 1999, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15, de 25 de setembro de 2002. Contra essa r. decisão a contribuinte apresentou impugnação (fls. 44 a 55), a qual não foi acolhida pela DRJ de Juiz de Fora – MG (fls. 112 a 116). Essa r. decisão reiterou a fundamentação de que o § 2° do artigo 5° da IN/SRF n.° 33/99 não deixa dúvidas de que os créditos existentes até 31.12.1998 só podem ser consumidos com os débitos decorrentes da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e daqueles fabricados a partir de 1° de janeiro de 1999, porém com a utilização dos insumos originadores desses créditos. Outrossim, reiterou que é extremamente relevante a comprovação de que o saldo credor existente em 31.12.1998 foi consumido mediante a saída de produtos já existentes naquela data e ainda daqueles cuja elaboração final se deu a partir de 01.01.1999 com o Fl. 459DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13601.000426/0055 Acórdão n.º 9303003.073 CSRFT3 Fl. 456 4 aproveitamento dos insumos já existentes no estoque àquela época. Embora intimada, por três vezes, a comproválo, a contribuinte não fez, apresentando informações consideradas insuficientes pela Fiscalização. Contra essa r. decisão, em seguida, foi interposto recurso voluntário (fls. 122 a 137) onde se alegou, dentre outros argumentos, que a legislação, notadamente a IN SRF nº 33/99 não determina que devesse haver uma segregação física e produtiva desses insumos (adquiridos até 31/12/1998) e dos créditos respectivos (até porque isso seria impossível operacionalmente), como quer a fiscalização e o relator que atuou na decisão de 1ª instância. Em face desse recurso voluntário, a Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em Resolução da relatoria do Ilustre Conselheiro Cesar Piantavigna (fls. 219 a 223), decidiu converter o julgamento em diligência para que fosse verificada a forma com que a contribuinte aproveitou o crédito de IPI acumulado em 31/12/98. Determinouse, ainda, que o seu resultado seria disponibilizado nos três processos em que se discute essa questão (processos nºs 13601.000131/0051, 13601.000319/200105 e 13601.000426/0055 – este último o ora em julgamento). O resultado da diligência consta do Termo de Diligência Fiscal acostado às fls. 298 a 299. Em seguida, após manifestação da contribuinte sobre a diligência (fls. 300 a 304), a Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário, fazendoo através de julgado que possui a seguinte ementa: IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. SALDO CREDOR APURADO ANTES DE 1999. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. IN SRF Nº 33/99. A teor do disposto no art. 5º da IN SRF n° 33/99, editada em conformidade com o art. 11 da Lei n° 9.779/99, o saldo credor de IPI apurado até 31/12/98, decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos tributados, inclusive os sujeitos à alíquota zero, somente poderá ser utilizado mediante compensação com débitos do próprio imposto, registrados na escrita fiscal do contribuinte. Recurso negado. A Colenda Turma a quo, em suma, na esteira do voto proferido pelo relator designado, Ilustre Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, entendeu que na situação dos autos, a empresa não cumpriu a IN SRF n° 33/99. Inclusive, não atendeu às três intimações para demonstrar a utilização dos insumos adquiridos até 1998. Certamente porque tal demonstração é contrária à sua interpretação, segundo a qual há possibilidade de o saldo credor de 1998 ser utilizado para abatimento dos débitos gerados a partir de 1999, independentemente da utilização dos insumos adquiridos até 1998 nos produtos vendidos a partir de 01/01/1999. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13601.000426/0055 Acórdão n.º 9303003.073 CSRFT3 Fl. 457 5 Contra essa r. decisão foram opostos embargos de declaração (fls. 358 a 365), os quais não foram acolhidos pelo r. despacho de fls. 371 a 374. Irresignada, a contribuinte interpôs o já mencionado recurso especial, apontando, preliminarmente, com base em divergência jurisprudencial, a nulidade do v. acórdão tendo em vista a não apreciação de todos os argumentos trazidos no seu recurso voluntário, bem como, no mérito, a legalidade do ressarcimento do crédito acumulado de IPI com base no art. 11 da Lei n° 9.779/99, bem como ofensa à legislação, já que teria cumprido as disposições contidas no citado artigo e na IN SRF n° 33/99. O recurso especial foi integralmente admitido através do r. despacho de fls. 433 a 434. Contrarrazões da Fazenda Nacional às fls. 440 a 449, onde se propugnou pela manutenção do v. acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator. Entendo que o recurso especial merece ser conhecido apenas no tocante à arguição de nulidade e, com relação a esta matéria, razão assiste à contribuinte. Com relação ao mérito, qual seja, a legalidade do ressarcimento do crédito acumulado de IPI com base no art. 11 da Lei n° 9.779/99, bem como ofensa à legislação, já que a contribuinte teria cumprido as disposições contidas no citado artigo e na IN SRF n° 33/99, entendo que o recurso interposto não merece ser conhecido. Na espécie, cuidase de recurso especial interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o v. acórdão n° 20311.953, com fundamento no art. 15 do Regimento Interno da CSRF (RICSRF) aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. Após afirmar que o entendimento do aresto recorrido é contrário aos acórdãos n°s 10514.338, 10614.100, 20215.660, 20202.918, 20402.919 e 20402.917, a contribuinte tratou no seu recurso especial de duas matérias sobre as quais afirma haver divergência (nulidade e mérito), alegando, basicamente, com relação ao mérito, haver divergência em relação à possibilidade de aproveitamento do crédito acumulado de IPI com base no art. 11 da Lei n° 9.779/99, bem como ofensa à legislação, já que teria cumprido as disposições contidas no citado artigo e na IN SRF n° 33/99. Para tanto, transcreveu ementa e anexou cópia de inteiro teor do acórdão n° 20215.660 (Recurso n° 124.385), além de anexar cópias dos resultados (e não ementas) de três acórdãos proferidos pela Colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes nos processos n°s 10830.000543/200288, 13601.000196/0005 e 13601.000352/0011 (Recursos Voluntários n°s 137340, 136514 e 136513, respectivamente). Fl. 461DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13601.000426/0055 Acórdão n.º 9303003.073 CSRFT3 Fl. 458 6 Segundo a contribuinte, nesses três processos julgados pela Colenda Quarta Câmara lhe foi reconhecido o direito ao ressarcimento do IPI no ano de 1999, sendo que por ocasião da interposição do presente recurso especial os três acórdãos aguardavam formalização. Defende, todavia, que a circunstância de tais arestos não se encontrarem formalizados não deve ser impeditiva ao reconhecimento da divergência jurisprudencial, invocando em seu favor o artigo 37 da Lei n° 9.784/99, segundo o qual a Administração proverá, de oficio, a obtenção de documentos em seu poder. O recurso especial de divergência tem como suporte regimental, dentre outros dispositivos, os artigos 7°, inciso II, e 15 do RICSRF aprovado pela Portaria MF nº 147/2007: Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 2° Na hipótese de que trata o inciso II do art. 7° deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovandoa mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente da Câmara recorrida. § 3°A cópia de publicação de ementa referida no § 2° quando extraída da internet, deverá ser impressa diretamente da página dos Conselhos de Contribuintes ou da Imprensa Nacional. Ao anexar resultados de três processos cujos acórdãos ainda não estavam formalizados, a contribuinte deixou de observar a regra expressa contida no § 2° do artigo acima transcrito. Aqui o artigo 37 da Lei n° 9.784/99 não lhe socorre, pois cabe ao recorrente providenciar a juntada de cópia de ementa ou de inteiro teor. Ainda cuidando do conhecimento, a contribuinte anexou inteiro teor do acórdão n° 20215.660. Neste ponto, formalmente atendeu ao disposto no § 2° do art. 15 do RICSRF. Apesar disso, referido paradigma não comprova a divergência apontada, na medida em que é claro ao aplicar a IN SRF n° 33/99 e reputála compatível com o artigo 11 da Lei n° 9.779/99, tal como interpretou o v. acórdão recorrido. Os trechos do voto paradigma, transcritos no item 21 do Recurso Especial, apontam expressamente que o beneficio estipulado no artigo 11 da Lei n° 9.779/99 tem com termo inicial “os créditos oriundos dos insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a industrial a partir de 01 de janeiro de 1999", e que "(...) os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, (...) somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado o seu ressarcimento ou compensação." De igual modo o v. acórdão recorrido, que também veda o ressarcimento ao tratar da utilização do saldo credor do IPI apurado até 31/12/98. Desta forma, não comprovada qualquer divergência em relação a esse ponto, o recurso especial não se mostra cabível. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13601.000426/0055 Acórdão n.º 9303003.073 CSRFT3 Fl. 459 7 No tocante à parte conhecida, qual seja, com relação à argüição de nulidade, apesar do julgador não estar obrigado a tratar de todos os argumentos constantes da peça recursal, e de poder decidir com base em um ou mais elementos apresentados, contanto que suficientes à formação de sua convicção, entendo que no presente caso a análise de todos os fundamentos trazidos pelo contribuinte, notadamente aqueles resultantes da diligência determinada pela Colenda Câmara a quo, afigurase imprescindível para o deslinde da presente controvérsia. A ausência dessa análise configura preterição do direito de defesa, a teor do disposto no inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. Deveras, conforme apontado pela contribuinte, inclusive nos seus embargos de declaração, os argumentos que se afiguram imprescindíveis para dirimir a controvérsia são os seguintes: a) a IN SRF n° 33/99 foi publicada apenas em 24/04/99, não sendo possível se admitir que seus efeitos retroajam a janeiro/99, sob pena de ofensa direta aos artigos 105 e 106, ambos do CTN; b) manifestação sobre os Pedidos de Ressarcimentos anteriormente formulados pela Recorrente que foram integralmente deferidos pela então SRF, comprovando que ela, a Recorrente, agiu nos exatos da IN SRF n° 33/99; c) a IN SRF 33/99 determina que os insumos adquiridos até 31/12/99, geradores do crédito acumulado de IPI, sejam utilizados nos produtos acabados a partir de janeiro/99, mas não exclusivamente; d) o controle dos insumos adquiridos é contábil e não físico e está plenamente comprovado na documentação disponibilizada à fiscalização pela ora Recorrente; e) toda a movimentação física está registrada no Livro de Controle de Estoque mediante lançamento contábil; f) a Recorrente esgotou o crédito acumulado de IPI existente em 31/12/98 para, somente em abril/99, passar a deduzir o saldo credor originado a partir de janeiro/99; e g) manifestação acerca do Termo de Diligência Fiscal, datado de 22/02/2006, elaborado em atenção à Resolução n° 20300.664, desse E Conselho de Contribuintes. De maior relevância é, aliás, a diligência realizada nos presentes autos. Consoante o Termo de Diligência Fiscal acostado às fls. 298 a 299, restou comprovado o seguinte: a) A empresa dispunha, em 31/12/1998, do saldo credor do IPI no valor de R$ 1.816.589,76, conforme cópia do Livro Registro de Apuração do IPI as fls.221. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13601.000426/0055 Acórdão n.º 9303003.073 CSRFT3 Fl. 460 8 b) A empresa compensou todo o saldo credor existente em 31/12/1998 com os débitos do IPI ocorridos no primeiro decêndio de janeiro de 1999 ao segundo decêndio de maio de 1999, tendo anotado no campo de observações do Resumo da Apuração do IPI o saldo credor remanescente, conforme cópias do Livro Registro de Apuração do IPI anexas as fls. 222 a 271. c) Os valores dos débitos de IPI da empresa ,do período de janeiro de 1999 a dezembro de 2001, estão informados na coluna (2) da planilha anexa a este Termo, as fls.215 a 219. d) A empresa se utilizou do crédito acumulado do IPI existente em 31/12/1998, para abater débitos do IPI gerados a partir de 1°/01/1999, tendo terminado no segundo decêndio de maio de 1999 de absorver totalmente o crédito, conforme demonstrado na planilha de fls.215 a 219. e) Os valores dos créditos do IPI apropriados pela empresa no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2001 estão informados na coluna (1) da planilha anexa a este Termo, as fls.215 a 219. f) Se forem consideradas devidas as compensações realizadas pela empresa, onde foi utilizado todo o saldo credor existente em 31/12/1998, teremos os seguintes valores de créditos acumulados do IPI nos trimestres relacionados abaixo : TRIMESTRE VALOR DO CRÉDITO ACUMULADO DO IPI VALOR SOLICITADO DE RESSARCIMENTO N NÚMERO DO PROCESSO 4° TRIM/99 2.710.000,00 2.710.000,00 13601.000131/0 051 1° TRIM/00 307.179,17 307.179,17 13601.000196/0 005 2° TRIM/00 430.179,17 430.179,17 13601.000352/0 011 3° TRIM/00 301.915,00 291.884,82 13601.000426/0 055 3° TRIM/01 82.570,10 80.000,00 13601.000319/0 105 g) A transposição do presente Termo para o processo 13601.000319/200105 não foi efetuada, tendo em vista que mesmo se encontra na Terceira Camara — 2CC DF , conforme tela do sistema comprot anexa as fls.273. (grifos nossos) Fl. 464DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13601.000426/0055 Acórdão n.º 9303003.073 CSRFT3 Fl. 461 9 Vale ressaltar, por outro lado, que o Ilustre relator designado, Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, se restringiu apenas à análise da legalidade e aplicabilidade da IN SRF 33/99: Neste ponto ressalto que a norma do art. 11 da Lei n° 9.779/99 não é meramente interpretativa, mas sim constitutiva de direito, tendo alterado a forma de utilização dos créditos básicos do IPI. Na situação dos autos, a empresa não cumpriu a IN SRF n° 33/99. Inclusive, não atendeu às três intimações para demonstrar a utilização dos insumos adquiridos até 1998. Certamente porque tal demonstração é contrária à sua interpretação, segundo a qual há possibilidade de o saldo credor de 1998 ser utilizado para abatimento dos débitos gerados a partir de 1999, independentemente da utilização dos insumos adquiridos até 1998 nos produtos vendidos a partir de 01/01/1999. Como a empresa se recusa a cumprir o § 2° do art. 5° da IN SRF n° 33/99, 1 e como este dispositivo nada tem de ilegal e não é contrário ao art. 11 da Lei n° 9.779/99, o ressarcimento solicitado não lhe pode ser deferido. Aliás, nem mesmo após a oposição dos mencionados embargos de declaração a Colenda Câmara a quo enfrentou todos os fundamentos apresentados pela contribuinte, notadamente o resultado da diligência realizada. Isso é o que se verifica na própria manifestação decorrente dos embargos opostos, também da lavra do Ilustre Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis: Quanto ao resultado da diligência determinada por esta Terceira Câmara, o voto vencedor não lhe fez menção porque nada trouxe de novo aos autos. Apenas serviu, a diligência, para deixar claro que a empresa usou o saldo credor de 31/12/98 nos decêndios de 11/99 a 2 5/99. Desta forma, entendo que, dentre as alegações apresentadas pela contribuinte, conforme acima transcrito, as mais importantes e necessárias à correta análise do presente caso não foram analisadas. Por outro lado, mister ressaltar que o julgador não deve se ater somente aos fundamentos jurídicos de legalidade e aplicabilidade da IN SRF nº 33/99, mas também deve se debruçar sobre as questões fáticas envolvidas, em respeito ao princípio da Verdade Material. O Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello, cujos ensinamentos são de incomensurável valia, é incisivo e objetivo ao declinar a respeito do Princípio da Verdade Material: Princípio da Verdade Material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, Fl. 465DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13601.000426/0055 Acórdão n.º 9303003.073 CSRFT3 Fl. 462 10 deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado, como bem o diz Héctor Jorge Escola. Nada importa, pois, que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é ou que negue veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pelas partes, a Administração deve sempre buscar a verdade substancial. O autor citado escora essa assertiva no dever administrativo de realizar o interesse público. Adiciono que, em perfeita consonância ao Princípio da Verdade Material, foi determinada a baixa do processo em diligência para que fossem averiguadas as alegações da contribuinte, o que resultou na elaboração do Termo de Diligência Fiscal TVF juntada aos autos às fls. 298 a 299. Destaco, outrossim, que no referido TVF ficou evidenciado que a empresa se utilizou do crédito acumulado do IPI existente em 31/12/1998 para abater débitos de IPI gerados a partir de 1°/01/1999, tendo terminado no segundo decêndio de maio de 1999 de absorver totalmente o crédito, conforme demonstrado na planilha de fls.215 a 219. Em suma, reitero que apesar do julgador não estar obrigado a tratar de todos os argumentos constantes da peça recursal, e de poder decidir com base em um ou mais elementos apresentados, contanto que suficientes à formação de sua convicção, no presente caso a análise de todos os fundamentos trazidos pelo contribuinte, notadamente aqueles resultantes da diligência determinada pela Colenda Câmara a quo, afigurase imprescindível para o deslinde da presente controvérsia. A ausência dessa análise configura preterição do direito de defesa, a teor do disposto no inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de conhecer em parte e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial para anular o v. acórdão recorrido por cerceamento de defesa, determinando a remessa dos presentes autos à instância a quo para que novo acórdão seja proferido. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 466DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13601.000426/0055 Acórdão n.º 9303003.073 CSRFT3 Fl. 463 11 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/10/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Numero do processo: 14098.000007/2010-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1202-000.207
Decisão: Vistos, relatos e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatos e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatos e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto. 1 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 98 .0 00 00 7/ 20 10 -8 4 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 373 Relatório e Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator. Recebido o processo para relato, realizei um exame preliminar que indicou estar apto ao julgamento, tendo sido incluído em pauta da sessão de abril de 2013. Ocorre que posterior exame detalhado dos autos para elaboração do relatório e voto demonstrou que, entre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, está a questão inerente ao acesso aos dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. Tratase, entre outras infrações, de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários em conta corrente cuja origem não foi comprovada mediante documentos hábeis e idôneos. Para ter acesso à conta bancária da Recorrente foram emitidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) diretamente às Instituições Financeiras, de maneira que teria ocorrido, em tese, uma possível quebra de sigilo bancário. A discussão sobre a questão do sigilo bancário encontrase em fase de julgamento no Supremo Tribunal Federal, ainda sem decisão definitiva, conforme se passa a demonstrar. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, cuja repercussão geral foi reconhecida, o Plenário do STF, por maioria, proferiu a decisão abaixo (DJe086 em 10052011): SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi recorrido por Embargos de Declaração, com pedido de modificação da decisão. Pesquisa realizada no site do STF nesta data demonstra que os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 09/11/2011 e ainda se encontram pendentes de julgamento. 2 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 373 Assim, considerando que a decisão resultante do RE 389.808/PR ainda não transitou em julgado, é dever deste E. Conselho sobrestar o julgamento dos processos que tratam sobre a matéria, conforme dispõe o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, transcrito abaixo: Art. 62 [....]§ 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais, nos casos de julgamentos no STF, decorre do disposto no art. 543B, do CPC: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Cabe, assim, aos tribunais de origem suspenderem o processamento dos recursos extraordinários quando versarem sobre matéria de múltiplos recursos, com repercussão geral reconhecida, exatamente o caso dos autos. 3 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 373 Diante de todo o exposto, manifestome pelo sobrestamento do julgamento do presente recurso, à luz do RICARF e nos termos do art. 2º, §1º, da Portaria CARF nº 2, de 2012. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto. 4 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 23/10/201 3 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.904802/2009-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2004
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
Numero da decisão: 9303-002.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 48 02 /2 00 9- 24 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela pelo sujeito passivo, contra acórdão proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. É o relatório. Voto Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. Os objetos da presente lide são o ônus probatório nos casos de repetição de indébito e também o momento legal para a apresentação das provas (preclusão temporal), nos termos do art. 16 do decreto 70.235/72. Primeiramente cabe dizer que todo direito pleiteado deve ser acompanhado das provas que trazem a certeza daquele direito, principalmente quando se trata de um direito creditório pleiteado por um particular contra o Estado. Aqui o ônus probante é daquele que pleiteia o direito creditório, nos exatos termos do art. 333 do CPC. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do direito e a parte contrária dos fatos impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.904802/200924 Acórdão n.º 9303002.570 CSRFT3 Fl. 423 3 O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o titular do direito creditório, em tese, é que tem que provar, por meio de provas sufuciciente para demosntrar a certeza e liquidez do direito. A meu ver o contribuinte não se desimcimbiu desse ônus. Destarte, apenas com a retificação da DCTF não gera direito creditório. Mesmo que haja uma retificação a destempo, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando o entendimento da preclusão tanto da retificação da DCTF quanto ao momento da apresentação de provas, desde sejam provas cabais, necessárias e suficientes. A prova deve exaurir em si mesma, ou seja, a sua simples apresentação é suficiente para a comprovação do direito , não tento que se fazer outras averiguações. Reforçando: quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material, desde que sejam apresentadas as provas necessárias e sufucientes para embasar a operação, temse relativizado a ocorrência da preclusão temporal. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observese que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação dos valores pagos a maior pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802 001.598, 3802001.599, 3802001.593, entre outros. Tampouco procede a argumentação da Recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, pois não se está diante de lançamento de ofício. Não há motivos para a pleiteada inversão do ônus da prova. Também não se verificou nehumas da exceções previstas no PAF para apresentação a posteriori das provas alegadas. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.904802/200924 Acórdão n.º 9303002.570 CSRFT3 Fl. 424 5 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000288/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PARCELAS A SEREM EXCLUÍDAS DA BASE TRIBUTÁVEL. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES OMITIDOS.
Presumem-se receitas omitidas os valores creditados em conta-corrente bancária, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos.
Para efeito de determinação da receita omitida, serão desconsiderados os créditos decorrentes de transferências entre contas do mesmo titular, bem assim os oriundos de empréstimos e financiamentos bancários.
Configurada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto de renda a ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Na falta de elementos que possibilitem apurar o lucro real do período, deverá a autoridade fiscal lançar o imposto com base no lucro arbitrado.
LANÇAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO. INEXISTÊNCIA DE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO REGIME DE APURAÇÃO ANUAL.
A opção pelo lucro real anual considera-se manifestada com o pagamento da estimativa referente ao mês de janeiro ou então com o levantamento do respectivo balanço ou balancete de suspensão. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo regime de apuração anual, não é lícito à autoridade fiscal fazê-lo por ato de ofício.
A pretensão fazendária de calcular o imposto de renda da pessoa jurídica mediante aplicação da alíquota de 15% diretamente sobre o lucro líquido do exercício é indevida. Se o contribuinte não fornece elementos que possibilitem identificar os referidos ajustes, a única forma de a autoridade fiscal apurar o imposto devido é pelas regras do lucro arbitrado. O lançamento com base no lucro real é insustentável.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
A obrigatoriedade de efetuar o pagamento de estimativas mensais só alcança as pessoas jurídicas que manifestam sua opção pelo lucro real anual. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo referido regime, é de afastar a aplicação da multa por falta de recolhimento de estimativas.
OMISSÃO DE RECEITAS. DECORRÊNCIA. CSLL
As normas que tratam da apuração da base de cálculo e da forma de pagamento do imposto de renda da pessoa jurídica aplicam-se, também, à contribuição social sobre o lucro.
Verificada a omissão de receita, a autoridade fiscal efetuará o lançamento da contribuição social sobre o lucro de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Na falta de elementos que possibilitem apurar o lucro real do período, a contribuição social deverá ser lançada com base nas regras do lucro arbitrado.
JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, tendo a aplicação da taxa SELIC previsão legal, cuja verificação de constitucionalidade é de competência exclusiva do Poder Judiciário.
Numero da decisão: 1401-001.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Maurício Pereira Faro e Antonio Bezerra Neto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PARCELAS A SEREM EXCLUÍDAS DA BASE TRIBUTÁVEL. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES OMITIDOS. Presumem-se receitas omitidas os valores creditados em conta-corrente bancária, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Para efeito de determinação da receita omitida, serão desconsiderados os créditos decorrentes de transferências entre contas do mesmo titular, bem assim os oriundos de empréstimos e financiamentos bancários. Configurada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto de renda a ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Na falta de elementos que possibilitem apurar o lucro real do período, deverá a autoridade fiscal lançar o imposto com base no lucro arbitrado. LANÇAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO. INEXISTÊNCIA DE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO REGIME DE APURAÇÃO ANUAL. A opção pelo lucro real anual considera-se manifestada com o pagamento da estimativa referente ao mês de janeiro ou então com o levantamento do respectivo balanço ou balancete de suspensão. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo regime de apuração anual, não é lícito à autoridade fiscal fazê-lo por ato de ofício. A pretensão fazendária de calcular o imposto de renda da pessoa jurídica mediante aplicação da alíquota de 15% diretamente sobre o lucro líquido do exercício é indevida. Se o contribuinte não fornece elementos que possibilitem identificar os referidos ajustes, a única forma de a autoridade fiscal apurar o imposto devido é pelas regras do lucro arbitrado. O lançamento com base no lucro real é insustentável. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A obrigatoriedade de efetuar o pagamento de estimativas mensais só alcança as pessoas jurídicas que manifestam sua opção pelo lucro real anual. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo referido regime, é de afastar a aplicação da multa por falta de recolhimento de estimativas. OMISSÃO DE RECEITAS. DECORRÊNCIA. CSLL As normas que tratam da apuração da base de cálculo e da forma de pagamento do imposto de renda da pessoa jurídica aplicam-se, também, à contribuição social sobre o lucro. Verificada a omissão de receita, a autoridade fiscal efetuará o lançamento da contribuição social sobre o lucro de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Na falta de elementos que possibilitem apurar o lucro real do período, a contribuição social deverá ser lançada com base nas regras do lucro arbitrado. JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, tendo a aplicação da taxa SELIC previsão legal, cuja verificação de constitucionalidade é de competência exclusiva do Poder Judiciário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Maurício Pereira Faro e Antonio Bezerra Neto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
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INDEFERIMENTO. A perícia não se presta a suprir a inércia do sujeito passivo que deixou de apresentar, no momento processual devido, provas documentais que já poderiam ter sido carreadas aos autos. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELOS ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS DE JULGAMENTO. É vedado aos órgãos administrativos de julgamento deixar de observar ou afastar a aplicação de leis validamente inseridas no ordenamento jurídico, sob o fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PARCELAS A SEREM EXCLUÍDAS DA BASE TRIBUTÁVEL. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES OMITIDOS. Presumemse receitas omitidas os valores creditados em contacorrente bancária, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Para efeito de determinação da receita omitida, serão desconsiderados os créditos decorrentes de transferências entre contas do mesmo titular, bem assim os oriundos de empréstimos e financiamentos bancários. Configurada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto de renda a ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Na falta de elementos que possibilitem apurar o lucro real do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 02 88 /2 00 7- 31 Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.579 2 período, deverá a autoridade fiscal lançar o imposto com base no lucro arbitrado. LANÇAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO. INEXISTÊNCIA DE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO REGIME DE APURAÇÃO ANUAL. A opção pelo lucro real anual considerase manifestada com o pagamento da estimativa referente ao mês de janeiro ou então com o levantamento do respectivo balanço ou balancete de suspensão. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo regime de apuração anual, não é lícito à autoridade fiscal fazêlo por ato de ofício. A pretensão fazendária de calcular o imposto de renda da pessoa jurídica mediante aplicação da alíquota de 15% diretamente sobre o lucro líquido do exercício é indevida. Se o contribuinte não fornece elementos que possibilitem identificar os referidos ajustes, a única forma de a autoridade fiscal apurar o imposto devido é pelas regras do lucro arbitrado. O lançamento com base no lucro real é insustentável. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A obrigatoriedade de efetuar o pagamento de estimativas mensais só alcança as pessoas jurídicas que manifestam sua opção pelo lucro real anual. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo referido regime, é de afastar a aplicação da multa por falta de recolhimento de estimativas. OMISSÃO DE RECEITAS. DECORRÊNCIA. CSLL As normas que tratam da apuração da base de cálculo e da forma de pagamento do imposto de renda da pessoa jurídica aplicamse, também, à contribuição social sobre o lucro. Verificada a omissão de receita, a autoridade fiscal efetuará o lançamento da contribuição social sobre o lucro de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Na falta de elementos que possibilitem apurar o lucro real do período, a contribuição social deverá ser lançada com base nas regras do lucro arbitrado. JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, tendo a aplicação da taxa SELIC previsão legal, cuja verificação de constitucionalidade é de competência exclusiva do Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.580 3 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Maurício Pereira Faro e Antonio Bezerra Neto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.581 4 Relatório Tratase de recurso de ofício e voluntário no Acórdão nº 1223.936, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro IRJ. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória ES, foram lavrados contra a empresa em epígrafe os autos de infração de fls. 523/556, para exigência do crédito tributário abaixo discriminado: (...) As infrações que motivaram a autuação encontramse descritas no relatório fiscal de fls. 517/522, cuja transcrição é a que segue: "RELATÓRIO FISCAL IINTRODUÇÃO No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento ao MPF n° 0720100.2006.006272, foi realizada a Auditoria na Empresa PROTECTION SISTEMAS DE VIGILÂNCIA LTDA, CNPJ 02.210.878/000187. A fiscalização foi motivada em virtude da discrepância entre as receitas informadas pelos clientes da fiscalizada, a movimentação financeira da empresa e as receitas conhecidas através dos sistemas, diferença esta detectada pelos controles da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A composição do Capital Social segundo a última alteração contratual é a seguinte: Nome CPF/CNPJ Participação Jesus Guarnieri 679.762.55800 50,00% Pedro Garschagen Filho 525.777.16753 50,00% IIDA AUDITORIA Através do Termo de Início de fls. 0086 a 0090, datado de 28/12/2006, enviado por via postal e recebido em 03/01/2007, intimouse a empresa a apresentar Livros Contábeis, Fiscais e demais documentos. Em 29/01/2007 e nova Intimação foi enviada a empresa já que a primeira ainda não havia sido respondida, fls. 0091 a 0094. Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.582 5 Examinandose o Dossiê da empresa preparado pelo Setor de Seleção desta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Vitória constatamos divergência entre os valores Declarados na DCTF, fls. 0084 a 0085, de onde se pode obter a Receita, as DIRF's de 53 clientes, fls. 0016 a 0024 e a movimentação financeira da empresa obtida pelas Declarações de CPMF dos Bancos, fls. 0011 a 0014. AC RECEITA D1PJ RECEITA DCTF DIRF'S CLIENTES MOVIMENTAÇÃO FINANC. (gastos) CPMF 2003 0,00 85.652.00 5.612.434,33 11.077.528,83 Caracterizase, portanto, a hipótese de gastos realizados incompatíveis com a receita conhecida. Em virtude disto e da não apresentação de documentação e dos extratos bancários pedidos, solicitamos aos bancos através de RMFa movimentação bancária do ano de 2003. De acordo com os extratos obtidos através de RMF, fls. 0203 a 0509, os valores creditados nas contascorrentes da empresa são os mostrados na planilha abaixo: MÊS BANESTES RURAL BRASIL REAL UN1BANCO TOTAL jan/03 356.929M I94.X37.45 41.407.X7 0.00 115.856.12 709.031.32 fn/03 290.724.44 114.705.05 34.903.55 0.00 125.286.64 565.619.68 mar/03 300.5*1.112 13X677.56 I32.24X.23 0.00 211.4X1.57 782.989.18 abr/03 322.272.16 149.1X4,03 156.221,50 0,00 116.221,25 743.898,94 mai/03 476.693.34 II6.73X.07 14X260.49 0.00 192.247.54 933.939.44 ¡un/03 320.466.9S 151.771.45 192.567.60 0.00 126.778.60 791.584.63 jul/03 326.417.57 101.5X2.49 202X77.69 100.00 130.749.61 761.727.36 ago/03 312.093.53 30.771,X0 1S7.S39.17 13.244.52 122.427.60 636.376.62 sel03 361.389.56 11.727.52 194.114,33 33.1IO.XO 110.541,43 710.883.64 oul/03 405.465.76 9.95X.81 124.863,31 51.132.62 97.944.94 689.365.44 nov/03 352.X74.97 0.00 143.226,55 50.2X6.93 81.705.45 628.093.90 dez/03 591.923.97 0,00 197.603,16 63.450.00 224.657,70 1.077.634.83 TOTAL 4.417.833,98 1.019.954.23 1.726.133.45 2U.324.X7 1.655.898,45 9.031.144.98 Em vista da movimentação financeira ocorrida em contraste com os valores informados pela empresa na DCTF, enviamos mais uma Intimação em 26/02/2007, fls. 0095 a 0127, solicitando mais uma vez os Livros da empresa, bem como que fosse explicada e comprovada a origem dos créditos ocorridos nas contascorrentes da PROTECTION. Em 03/2007 recebemos os primeiros documentos da empresa, isto é, Diário de 2003, Razão de 2003 e notas fiscais do ano de 2003. Só a título de comparação apresentamos abaixo tabela com os valores das contas bancárias contabilizadas: (...) Vêse claramente a diferença entre os valores bancários contabilizados, 0162 a 0167 e os apurados através dos extratos bancários, fls. 0203 a 0509. Em 19/03/2007 através de outra Intimação, fls. 0129 a 0140, solicitamos à empresa entre outras coisas o LALUR, uma vez que como optante pela tributação pelo Lucro Real este livro é obrigatório. Solicitamos também mais uma vez que explicasse e comprovasse a origem dos créditos recebidos em suas contas correntes. Até a presente data ainda não recebemos resposta a estes questionamentos. IIIINFRAÇÕES Examinandose a documentação da empresa bem como consultando os nossos sistemas detectamos os seguintes fatos: Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.583 6 a) A DIPJ do ano calendário de 2003, fls. 0029 a 0083, com opção pelo Lucro Real Trimestral foi preenchida com os campos zerados, ou seja, sem apuração do IRPJ e da CSLL. b) Apuramos também que as DCTF's, fls. 0084 a 0085, informaram valores de PIS e COFINS não condizentes as receitas constantes da contabilidade, fls. 0175 a 0176. Os respectivos Autos de Infração foram lavrados em processo apartado. c) Nas DCTF's também não foram declarados valores de IRPJ e CSLL. d) Observandose os valores escriturados no RAZÃO, no DIÁRIO e no Balanço do ano de 2003 constatase que a apuração do IRPJfoi feita de forma anualizada e com lucro de R$ 306214,95, fls. 0161 a 0192. e) Embora na contabilidade conste como tendo sido paga IRPJ e CSLL tendo como contrapartida a conta CAIXA, fls. 0161, pelo exame dos pagamentos efetuados conforme sistema SINAL, fls. 0026 a 0028, vêse que nada foi pago em relação a estes tributos. J) A empresa não apresentou balanços de suspensão nem efetuou pagamentos por estimativa do IRPJ. Diante do todo o exposto lavramos os seguintes Autos de Infração: 1 OMISSÃO IRPJ E REFLEXOS A diferença entre os depósitos bancários fornecidos pelos bancos e o valor das receitas escrituradas não foram devidamente explicadas nem tiveram sua origem comprovada. São consideradas receitas omitidas de acordo com a legislação. MÊS RECEITA CONTABILIZADA CRÉDITOS BANCOS OMISSÃO jan/03 460.209.35 710.148.16 249.938.81 fev/03 445.451.97 565.619.68 120.167.71 mar/03 507.900.51 783.539.18 275.638.67 abr/03 554.203.66 743.898.94 189.695.28 mai/03 597.381.87 945.265.44 347.883.57 jun/03 528.738.14 791.682.11 262.943.97 jul/03 526.361.25 761.727.36 235.366.11 ago/03 495.071.95 636.376.62 141.304.67 set/03 529.787,18 710.883.64 181.096,46 MÊS RECEITA CONTABILIZADA CRÉDITOS BANCOS OMISSÃO out/03 545.260,94 689.365,44 144.104,50 Nov/03 519.088,61 628.093,90 109.005,29 Dez/03 468.768,72 1.077.636,98 608.868,26 De acordo com o RIR/99 artigo 287RIR Art. 287. Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei n" 9.430. de 1996, art. 42). § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42, § 1°). Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.584 7 2 FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO POR ESTIMATIVA Em virtude da opção pela tributação pelo Lucro Real e na falta de apresentação de Balanços de Suspensão, o não recolhimento das estimativas devidas ou o seu recolhimento com insuficiência sujeita a empresa à cobrança da multa isolada a que se refere o art. 44, parágrafo 1°, inciso VI, da Lei n° 9.430/96. Apesar de na DIPJ haver a opção pelo Lucro Real trimestral os quadros da mesma estão sem preenchimento, não houve apresentação de balanços trimestrais à fiscalização e a contabilidade, Diário, Razão e Balanço, está toda anualizada, ou seja, foi apurado lucro anual e não trimestral. Por este motivo lavramos Auto de Infração para cobrança da multa isolada prevista na legislação. MÊS RECEITARazão ESTIMATIVA MULTA(75%) jan/03 460.209,35 36.816.75 27.612,56 fev/03 445.451.97 35.636.16 26.727,12 mar/03 507.900,51 40.632,04 30.474,03 abr/03 554.203.66 44.336,29 33.252.22 mai/03 597.381,87 47.790.55 35.842.91 jun/03 528.738.14 42.299.05 31.724,29 jul/03 526.361,25 42.108.90 31.581.68 ago/03 495.071.95 39.605.76 29.704.32 set/03 529.787,18 42.382.97 31.787.23 out/03 545.260.94 43.620.88 32.715.66 nov/03 519.088,61 41.527.09 31.145.32 dez/03 468.768.72 37.501.50 28.126.12 6.178.224.15 494.257.93 370.693,45 3 FALTA DE RECOLHIMENTO E DECLARAÇÃO DO IRPJ E CSLL APURADOS NA CONTABILIDADE Conforme Balanço apresentado pela empresa constante de seu Livro Diário e respectiva conta do Razão o contribuinte apurou Lucro Líquido de R$ 306.214,95, fls. 0188. A DIPJ tem seus campos zerados, não tendo apresentado Lalur (apesar de intimada) e apurado adições e exclusões. O IRPJ e CSLL sobre este lucro apurado na contabilidade deveriam ter sido declarados em DCTF e pagos, o que não ocorreu. Em virtude do exposto lavramos os competentes Autos de Infração do IRPJ e da CSLL não pagos/declarados acompanhados das respectivas multas de oficio. LUCRO APURADO IRPJ CSLL 306.214,95 45.932,24 27.559,35 IVFINALIZAÇÃO 1 Os procedimentos adotados nesta fiscalização foram preconizados para a Operação 91231 Movimentação Financeira incompatível com receita declarada, ficando ressalvado o direito de a Fazenda Pública, dentro do prazo decadência!, proceder a outras fiscalizações, nestas ou em outras ações fiscais. 2 Os fatos, bases de cálculo, créditos tributários e enquadramentos legais encontramse no Auto de Infração, folhas de continuação ao Auto de Infração, Demonstrativo de Apuração e Demonstrativo de Multa e Juros. 3 Este Termo de Verificação, os demonstrativos, quadros e demais documentos nele mencionados são partes integrantes e inseparáveis do Auto de Infração. Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.585 8 Inconformada com a exigência, de que foi cientificada em 09/05/2007, a Interessada apresentou, em 08/06/2007, as impugnações de fls. 561/574 (IRPJ), fls. 776/789 (PIS), fls. 994/1007 (COFINS) e fls. 1205/1218 (CSLL), instruídas com a documentação anexa de fls. 575/775, fls. 790/993, fls. 1008/1204, fls. 1219/1420 e fls. 1423/1428, alegando, em síntese: que, ao analisar os extratos das contascorrentes bancárias, a autoridade fiscal deixou de considerar transferências entre contas de mesma titularidade, adiantamentos de créditos futuros, descontos de duplicatas, depósitos em cheque entre contas bancárias da própria empresa, financiamentos e outras operações de crédito que não configuram faturamento; que a multa de ofício é excessivamente gravosa e sua aplicação ofende o princípio constitucional da vedação de utilização de tributo com efeito de confisco; que a aplicação da taxa Selic também é inconstitucional, uma vez que não foi criada por lei, além do que não se presta, tampouco, à atualização de débitos fiscais. Finalizando seu arrazoado, requereu a Interessada a realização de perícia nos seus extratos bancários, a fim de demonstrar a existência de transferências entre contas de mesma titularidade, adiantamentos de créditos futuros, descontos de duplicatas, depósitos em cheque entre contas bancárias da própria empresa, financiamentos e outras operações de crédito que não configuram faturamento. É O RELATÓRIO. A DRJ, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento e RECORRENDO DE OFÍCIO da parte CANCELADA, nos seguintes termos: a) JULGAR IMPROCEDENTE o auto de infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ; b) JULGAR IMPROCEDENTE o auto de infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; c) JULGAR PROCEDENTE, EM PARTE, o auto de infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, para considerar, afinal, devido o valor principal de R$ 24.328,24 (vinte e quatro mil, trezentos e vinte e oito reais e vinte e quatro centavos), acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, na forma da legislação vigente; d) JULGAR PROCEDENTE, EM PARTE, o auto de infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, para considerar, afinal, devido o valor principal de R$ 44.233,16 (quarenta e quatro mil, duzentos e trinta e três reais e dezesseis centavos), acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, na forma da legislação vigente O Acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.586 9 A perícia não se presta a suprir a inércia do sujeito passivo que deixou de apresentar, no momento processual devido, provas documentais que já poderiam ter sido carreadas aos autos. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELOS ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS DE JULGAMENTO. É vedado aos órgãos administrativos de julgamento deixar de observar ou afastar a aplicação de leis validamente inseridas no ordenamento jurídico, sob o fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PARCELAS A SEREM EXCLUÍDAS DA BASE TRIBUTÁVEL. TRIBUTAÇÃO DOS VALORES OMITIDOS. Presumemse receitas omitidas os valores creditados em contacorrente bancária, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Para efeito de determinação da receita omitida, serão desconsiderados os créditos decorrentes de transferências entre contas do mesmo titular, bem assim os oriundos de empréstimos e financiamentos bancários. Configurada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto de renda a ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Na falta de elementos que possibilitem apurar o lucro real do período, deverá a autoridade fiscal lançar o imposto com base no lucro arbitrado. LANÇAMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO. INEXISTÊNCIA DE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO REGIME DE APURAÇÃO ANUAL. A opção pelo lucro real anual considerase manifestada com o pagamento da estimativa referente ao mês de janeiro ou então com o levantamento do respectivo balanço ou balancete de suspensão. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo regime de apuração anual, não é lícito à autoridade fiscal fazêlo por ato de ofício. De mais a mais, a pretensão fazendária de calcular o imposto de renda da pessoa jurídica mediante aplicação da alíquota de 15% diretamente sobre o lucro líquido do exercício é descabida. O lucro líquido contábil, em si mesmo, não pode ser tomado como base de cálculo do imposto, devendo ser ajustado pelas adições, exclusões e compensações previstas na legislação tributária. Se o contribuinte não fornece elementos que possibilitem identificar os referidos ajustes, a única forma de a autoridade fiscal apurar o imposto devido é pelas regras do lucro arbitrado. O lançamento com base no lucro real é insustentável. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.587 10 A obrigatoriedade de efetuar o pagamento de estimativas mensais só alcança as pessoas jurídicas que manifestam sua opção pelo lucro real anual. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo referido regime, é de afastar a aplicação da multa por falta de recolhimento de estimativas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DECORRÊNCIA. As normas que tratam da apuração da base de cálculo e da forma de pagamento do imposto de renda da pessoa jurídica aplicamse, também, à contribuição social sobre o lucro. Verificada a omissão de receita, a autoridade fiscal efetuará o lançamento da contribuição social sobre o lucro de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. Na falta de elementos que possibilitem apurar o lucro real do período, a contribuição social deverá ser lançada com base nas regras do lucro arbitrado. LANÇAMENTO DA CSLL COM BASE NO LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO. INEXISTÊNCIA DE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO REGIME DE APURAÇÃO ANUAL. A opção pelo lucro real anual considerase manifestada com o pagamento da estimativa referente ao mês de janeiro ou então com o levantamento do respectivo balanço ou balancete de suspensão. Não havendo, no caso concreto, qualquer evidência de que o contribuinte tenha optado pelo regime de apuração anual, não é lícito à autoridade fiscal fazêlo por ato de ofício. De mais a mais, a pretensão fazendária de apurar a contribuição social mediante aplicação da alíquota de 9% diretamente sobre o lucro líquido do exercício é descabida. O lucro líquido contábil, em si mesmo, não pode ser tomado como base de cálculo da contribuição, devendo ser ajustado pelas adições, exclusões e compensações previstas na legislação tributária. Se o contribuinte não fornece elementos que possibilitem identificar os referidos ajustes, a única forma de a autoridade fiscal apurar a contribuição devida é pelas regras do lucro arbitrado. O lançamento com base no lucro real é insustentável ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DECORRÊNCIA. O valor da receita omitida, apurado para fins de exigência do imposto de renda da pessoa jurídica será considerado, também, na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DECORRÊNCIA. Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.588 11 O valor da receita omitida, apurado para fins de exigência do imposto de renda da pessoa jurídica será considerado, também, na determinação da base de cálculo da COFINS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 MULTA DE OFÍCIO. ARGUIÇÃO DE CONFISCO. A aplicação da multa de ofício de 75%, na hipótese de falta de pagamento de tributo, está prevista, expressamente, em lei. A alegação de que a referida penalidade violaria o princípio constitucional de vedação do confisco em matéria tributária não comporta exame pelos órgãos administrativos de julgamento. TAXA SELIC. QUESTIONAMENTO DE SUA UTILIZAÇÃO PARA EFEITOS DE CÁLCULO DOS JUROS DE MORA DE DÉBITOS FISCAIS. A utilização da taxa Selic, para efeitos de atualização de débitos tributários, está prevista expressamente em lei. A alegação de que o uso da referida taxa, para fins de cálculo dos juros de mora, violaria o princípio constitucional da estrita legalidade em matéria tributária não comporta exame pelos órgãos administrativos de julgamento. Irresignada com a decisão de primeira instância na parte mantida, a interessada interpôs recurso voluntário de fls. 1466/1480 para este CARF, bem assim se insurgindo sobre suposto arbitramento do lucro. É o relatório. Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.589 12 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recursos de ofício e voluntário preenchem os requisitos de admissibilidade. A DRJ cancelou os autos de infração do IRPJ e CSLL, fundamentalmente, por erro no critério temporal do lançamento de ofício. O Contribuinte optou pela apuração trimestral do IRPJ e CSLL e a fiscalização lançou de ofício com apuração anual. Eis os exatos termos do cancelamento feito pela DRJ: A segunda infração apontada na peça acusatória diz respeito à suposta falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL calculados com base na contabilidade. No caso em questão, sabese que a Interessada apurou, no anocalendário de 2003, um lucro líquido contábil de R$ 306.214,95 — cfr. demonstração do resultado do exercício, transcrita no Livro Razão (copia à fl. 188). A partir do referido lucro, a autoridade lançadora calculou o IRPJ e a CSLL anuais da seguinte forma: IRPJ = (15%)(R$ 306.214,95) = R$ 45.932,24 CSLL = (9%)(R$ 306.214,95) = R$ 27.559,35 Ora, a pretensão fazendária de tributar o lucro líquido do exercício como se fosse "lucro real anual" é descabida. O lucro líquido contábil não pode ser equiparado diretamente ao lucro real, devendo ser ajustado pelas adições, exclusões e compensações previstas na legislação tributária (art. 247, caput, do RIR/99). Se o contribuinte não fornece à autoridade fiscal elementos que lhe possibilitem identificar os referidos ajustes, tornase simplesmente impossível apurar o lucro real. Neste caso, a única saída admissível seria o arbitramento do lucro (art. 275, inciso II, c/c art. 530, inciso I, in fine, do RIR/99). E mesmo que se admitisse como correta a forma de apuração adotada pela autoridade lançadora, ainda assim não haveria fundamento para manter a autuação com base no lucro real anual. Afinal, a opção pelo regime de apuração anual cabe exclusivamente ao contribuinte, não havendo norma legal que autorize ao Fisco adotála por ato de ofício. A propósito do assunto, vale lembrar que, nos termos da legislação tributária vigente, a opção pelo lucro real anual considerase manifestada com o pagamento da estimativa referente ao mês de janeiro ou do início de atividade, ou então com o levantamento do respectivo balanço ou balancete de suspensão (art. 222, parágrafo único, c/c art. 230, § 2o, do RIR/99; e art. 17, §§ Io e 2o, da Instrução Normativa SRF n° 93, de 24/12/1997): (...) Pois bem. No caso concreto, não se tem conhecimento de qualquer ato do contribuinte que possa ser interpretado como opção pelo lucro real anual. Antes pelo contrário: — ao preencher a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica referente ao Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.590 13 anocalendário de 2003, a Interessada indicou, expressamente, o regime de apuração trimestral — cfr. DIP J/2004 Ficha 01, à fl. 29. O fato de a empresa haver elaborado uma demonstração de resultado para o exercício de 2003 não significa dizer que tenha optado pela tributação pelo lucro real anual. A apuração do resultado econômico ao fim de cada exercício social constitui, antes de mais nada, uma exigência da lei societária (art. 1.020 c/c art. 1.053, do Código Civil). Pelas razões acima expostas, reputo improcedente esta parcela da exigência Como se vê, o fiscal deveria ter lançado no lucro real trimestral e não no lucro real anual e na falta de elementos, no máximo ter arbitrado o lucro. Portanto, revisados os autos, constato a correção do Acórdão recorrido, adotando as mesmas razões de decidir do voto condutor, negando provimento ao recurso de ofício. Da falta de recolhimento das estimativas mensais O terceiro item da autuação também foi cancelado pela DRJ e submetido à Recurso de Ofício. Esse item se refere à aplicação de multa isolada em virtude de falta de recolhimento de estimativas mensais. Ora, tal autuação é reflexo da anterior que foi cancelada. É que a obrigatoriedade do recolhimento das estimativas mensais só alcança as pessoas jurídicas que manifestam a opção pelo lucro real anual (arts. 221 e 222 do RIR/99). Como o contribuinte não optou pelo referido regime, é de se afastar a aplicação de qualquer penalidade por falta de recolhimento de estimativas. Portanto, nego também provimento ao recurso de ofício neste item. Transferências entre contas da mesma titularidade/empréstimos e financiamento Por fim, a DRJ expurgou da base de cálculo do lançamento de omissão de receitas oriundas de depósitos bancários de origem não comprovada as transferências entre contas de mesma titularidade, como manda a Lei, bem assim quando pelo nomenclatura dos extratos bancários se comprova efetivamente que a origem de tais depósitos na verdade se deve a empréstimos ou financiamentos. Portanto, revisados os autos, constato também a correção do Acórdão recorrido nesse item, adotando as mesmas razões de decidir do voto condutor e negando provimento ao recurso de ofício. Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.591 14 RECURSO VOLUNTÁRIO Perícia A Recorrente requer a realização de diligência bem assim se insurge contra a decisão de primeira instância que a considerou prescindível. Nesse ponto reproduzo as bem colocadas razões de decidir da DRJ que para justificaram bem a negativa de se baixar o feito em diligência: Com relação à perícia requerida na peça impugnatória, não vejo motivo que justifique a sua realização. A comprovação das parcelas que a Interessada pretende ver excluídas da base tributável — transferências entre contas do mesmo titular, liberações de empréstimos, financiamentos etc. — é tarefa simples, que requer não mais que a juntada de extratos bancários. Em algumas situações, pode até ocorrer que as rubricas constantes dos extratos não sejam suficientemente esclarecedoras, suscitando dúvida quanto à natureza das operações. Neste caso, porém, é ônus do contribuinte apresentar documentos hábeis e idôneos que sejam capazes de elucidar a questão. No caso em exame, cumpre destacar que a Interessada foi intimada, por TRÊS VEZES, a comprovar a origem dos valores creditados em suas contas bancárias e não foi capaz de justificar um único lançamento sequer— cfr. Termo de Intimação de 26/02/2007, às fls. 95/97; Termo de Intimação de 19/03/2007, às fls. 129/130; e Termo de Constatação e Intimação de 25/04/2007, às fls. 158/159. À vista de tais circunstâncias, indefiro o pedido da impugnante e passo a julgar o feito exclusivamente com os elementos que se encontram no processo, deixando claro que a perícia não se presta a suprir a inércia do sujeito passivo que deixou de apresentar, no momento processual devido, provas documentais que já poderiam ter sido carreadas aos autos. Ademais, o deferimento de diligência e perícia é uma decisão do âmbito de discricionariedade do julgador, cabendo a ele fazêla ou não a depender da formação de sua convicção (diligência) ou mesmo que se lhe exigirá conhecimentos técnicos específicos que somente um perito especializado poderia ter (perícia), o que não é o caso dos autos em que se requer apenas análise de meros dados contábeis, fiscais e legais, perfeitamente dentro da alçada de competência do Auditor Fiscal Portanto, indefiro o pedido de perícia/diligência. PRESUNÇÃO LEGAL Depósitos Bancários Sem Comprovação da Origem dos Recursos O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ora, como se vê da descrição dos fatos, a empresa não apresentou documentação suficiente que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos que foram mantidos pela fiscalização (listagens de fls. 106/109,110/117,118/119, 120/126 e Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.592 15 132/139). A recorrente não logrou comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos recebidos em conta bancária. Em sede impugnatória e recursal, a interessada não contesta a base legal do lançamento, mas sim o seu quantum tributado como omissão de receitas, alegando que a autoridade lançadora deixou de considerar dos extratos bancários vários lançamentos que não poderiam lá constar como faturamento ou receita: descontos de duplicatas, transferências entre contas do mesmo titular, adiantamentos de créditos futuros, financiamentos e outras operações de empréstimo. Em relação ao primeiro ponto, descontos de duplicatas, a DRJ já justificou a contento a manutenção do lançamento: No que diz respeito aos valores provenientes de descontos de duplicatas, a alegação da impugnante não procede. Afinal, se houve uma duplicata descontada, é porque houve uma operação mercantil sujeita a tributação. Considerandose que a autoridade lançadora já excluiu do somatório de depósitos bancários não comprovados o montante das receitas escrituradas nos livros do contribuinte, não há qualquer risco de os valores referentes às duplicatas descontadas estarem sendo tributados duas vezes. Ora, partindo da premissa que por trás de todo desconto de duplicata há uma operação mercantil sujeita à tributação, de fato essa operação deveria estar entre aquelas receitas escrituradas que o fiscal já excluiu da tributação. De fato, não há perigo de bitributação, mas caso ela não tenha sido escriturada aí sim, não há como não ser tributada nos moldes que o foi. Em relação aos valores que transitaram entre contas do mesmo titular a DRJ já considerou tudo que havia para ser considerado. No que concerne aos empréstimos/financiamentos também a DRJ já cancelou tudo aquilo que a terminologia dos extratos bancários permitiram: Quanto aos ingressos provenientes de empréstimos e financiamentos, a Interessada tem razão, em tese, quando requer o expurgo de tais valores da base tributável. O problema está na identificação das referidas operações: — em alguns casos, a simples análise dos extratos já elucida a natureza da transação; em outros, porém, o histórico do lançamento não é suficientemente esclarecedor. Considerando que a impugnante não apresentou nenhum documento, além dos extratos, capaz de provar suas alegações, limitome, aqui, a excluir os valores em relação aos quais podese afirmar, com razoável segurança, serem provenientes de operações de empréstimos e financiamentos bancários: LANÇAMENTOS PROVENIENTES DE EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS BANCO AGÊNCIA CONTACORRENTE DATA HISTÓRICO VALOR (RS) EXTRATO FLS. 409 7363 ' 1311849 03/01/2003 LIBER. CRED. C/C 7.576,51 404 409 7363 13M849 10/01/2003 LIBER. CRED. CC 6.781.30 407 409 7363 1311849 13/01/2003 LIBER. CRED. C/C 4.861.76 408 409 7363 1311849 15/01/2003 LÍBER. CRED. C/C 11.826,74 409 409 7363 1311849 15/01/2003 LÍBER. CRED. C/C 5.328,49 409 409 7363 1311849 20/01/2003 LÍBER. CRED. C/C 5.036.27 409 409 7363 1311849 22/01/2003 LIBER. CRED. C/C 4.307.20 410 409 7363 1311849 29/01/2003 LÍBER. CRED. C/C 5.197.62 412 409 7363 1311849 07/02/2003 LÍBER. CRED. C/C 11.216,58 416 409 7363 1311849 10/02/2003 LÍBER. CRED. C/C 9.678,19 417 409 7363 1311849 11/02/2003 LÍBER. CRED. C/C 1.966.86 418 409 7363 1311849 12/02/2003 LIBER. CRED. C/C 6.208,49 418 409 7363 1311849 13/02/2003 LÍBER. CRED. C/C 5.701.41 419 409 7363 1311849 25/02/2003 LIBER. CRED. C/C 4.878,52 423 409 7363 1311849 26/02/2003 LIBER. CRED. C/C 7.686,64 423 409 7363 1311849 05/03/2003 LÍBER. CRED. C/C 16.490.06 425 409 7363 1311849 07/03/2003 LÍBER. CRED. C/C 6.277,25 428 409 7363 1311849 11'03/2003 LIBER. CRED. C/C 3.107,41 429 409 7363 1311849 19/03/2003 LIBER. CRED. C/C 4.620.39 432 409 7363 1311849 24/03/2003 LIBER. CRED. C/C 10.595.50 434 409 7363 1311849 26/03/2003 LIBER. CRED. C/C 16.006.61 436 Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.593 16 409 7363 1311849 27/03/2003 LIBER. CRED. C/C 2.921.04 437 409 7363 1311849 01/04/2003 LIBER. CRED. C/C 4.503.35 439 409 7363 1311849 08/04/2003 LIBER. CRED. C/C 3.767.35 442 409 7363 1311849 08/04/2003 LIBER. CRED. C/C 7.747.72 442 409 7363 1311849 09/04/2003 LIBER. CRED. C/C 1.578,30 443 409 7363 1311849 16/04/2003 LIBER. CRED. C/C 15.897,46 448 409 7363 1311849 05/05/2003 LÍBER. CRED. C/C 21.868.94 455 409 7363 1311849 19/05/2003 LÍBER. CRED. C/C 16.834.28 463 409 7363 1311849 21/05/2003 LIBER. CRED. C/C 12.445.01 463 409 7363 1311849 23/05/2003 LÍBER. CRED. C/C 6.594,35 466 021 0051 6.060.651 23/05/2003 LIB. FIN. CRED. CONS. 130.000.00 223 LANÇAMENTOS PROVENIENTES DE EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS BANCO AGÊNCIA CONTACORRENTE DATA HISTÓRICO VALOR (RS) EXTRATO FLS. 409 7363 1311849 26/05/2003 LÍBER. CRED. c/c 2.448,62 468 409 7363 1311849 04/06/2003 LÍBER. CRED. c/c 13.193.23 470 409 7363 1311849 10/06/2003 LÍBER. CRED. OC 10.745.90 472 409 7363 1311849 13/06/2003 LÍBER. CRED. C/C 9.000.41 474 409 7363 1311849 26'06/2003 LÍBER. CRED. C/C 3.068.12 477 409 7363 1311849 01/07/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 25.128.44 479 409 7363 1311849 02/07/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 9.925,57 479 409 7363 1311849 14/07/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 3.401.04 479 409 7363 1311849 21'07/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 38.831,26 480 409 7363 1311849 05/08/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 14.846.44 481 409 7363 1311849 06/08/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 21.452.38 481 356 0349 7.7215514 18/08/2003 REALGIRO 3.607,50 370 356 0349 7.7215514 19/08/2003 REALGIRO 1.392.50 371 409 7363 1311849 04/09/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 15934,86 483 409 7363 1311849 11/09'2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 22.035.40 483 409 7363 1311849 25/09/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 7.614.37 484 409 7363 1311849 09/10/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 16.472.65 486 356 0349 7.7215514 1 l / l 1/2003 REALGIRO 1.100.00 378 409 7363 1311849 04/12/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 11.001.89 490 409 7363 1311849 11/12/2003 LIBERAÇÃO DE CREDITO CFO 64.625,71 490 021 0051 6.060.651 16/12/2003 L1B. FIN. RÊD. CONS. 50.000.00 259 409 7363 1311849 18/12/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 10.538,69 491 409 7363 1311849 19/12/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 14.566.22 491 409 7363 1311849 22/12/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 6.611,89 491 409 7363 1311849 23/12/2003 LIBERAÇÃO CONTRATO DE CREDITO 1.354.52 491 Outrossim, em seu recurso a Recorrente se insurge sobre a ilegalidade de suposto arbitramento. Ora, não houve arbitramento no caso concreto. Tratouse, como já se disse alhures, de uma presunção legal de omissão de rendimentos, onde o ônus da prova fica invertido e a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no caso presente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida, o que só ocorreu em parte como já foi demonstrado. Por todo o exposto, mantenho o lançamento nesse aspecto. Multa confiscatória Sobre a argüição de ser confiscatória e gravosa a multa aplicada, cumpre gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN), não é dado apreciar questões – como a de que a multa fiscal seria confiscatória – que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15586.000288/200731 Acórdão n.º 1401001.376 S1C4T1 Fl. 1.594 17 Como se vê, a aplicação da multa de 75% prevista em norma legal e vigente não pode ser afastada, muito menos substituída pela multa de mora de 20%, aplicável apenas em situações pagamento em atraso mas de forma espontânea. Legalidade dos Juros de Mora Em relação aos juros de mora, determina a legislação que sobre os débitos pagos fora de prazo, independente de qualquer causa, incidirão eles a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.Não cabe, portanto, a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálos, encontrando óbice, inclusive nas Súmula nº 4 do CARF, in verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso de ofício e voluntário (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.722343/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
IRRF. FINANCIAMENTO EXTERNO. PRÉ-PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO. BENEFÍCIO. ALÍQUOTA ZERO. REQUISITOS. CUMPRIMENTO.
A alíquota zero de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre juros oriundos de créditos obtidos no exterior para financiamento de exportações brasileiras é assegurada, desde que o contribuinte comprove que os recursos foram utilizados em operações de exportação.
Numero da decisão: 2201-002.583
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Fez sustentação oral pelo Contribuinte a Dra. Ana Paula Schincariol Lui Barreto, OAB/SP 157.658.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 01/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e EDUARDO TADEU FARAH.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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TUBOS E CONEXOES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007, 2008, 2009 IRRF. FINANCIAMENTO EXTERNO. PRÉPAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO. BENEFÍCIO. ALÍQUOTA ZERO. REQUISITOS. CUMPRIMENTO. A alíquota zero de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre juros oriundos de créditos obtidos no exterior para financiamento de exportações brasileiras é assegurada, desde que o contribuinte comprove que os recursos foram utilizados em operações de exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Fez sustentação oral pelo Contribuinte a Dra. Ana Paula Schincariol Lui Barreto, OAB/SP 157.658. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 01/12/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 23 43 /2 01 1- 61 Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e EDUARDO TADEU FARAH. Relatório Por meio do Auto de Infração de fls. 1.691 e seguintes, lavrado em 21/11/2011, exigese do Contribuinte TIGRE S.A. TUBOS E CONEXOES o montante de R$ 5.505.736,30 de imposto de renda retido na fonte (IRRF), R$ 2.078.872,39 de juros de mora e R$ 4.129.302,21 de multa de ofício, totalizando um crédito tributário de R$ 11.713.910,90 (atualizado até a data da autuação), referente aos anos calendário 2007, 2008 e 2009, decorrente de falta de recolhimento de IRRF sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior. O Termo de Verificação Fiscal (TVF), de fls. 1671 a 1690, relata que o Contribuinte obteve crédito junto instituição financeira estrangeira, tendo fundamentado que o empréstimo se destinava a financiar exportação, gozando, em princípio, da redução de alíquota (zero) de IRRF devido sobre os juros a serem remetidos ao exterior como correção do respectivo crédito, art. 691 do RIR/99. Entretanto, a fiscalização aponta que o Contribuinte não atendeu a legislação supracitada para redução da alíquota de IRRF, uma vez que não comprovou que o referido crédito foi efetivamente destinado ao financiamento de exportação. Pelo contrário, alega a fiscalização que o referido crédito foi destinado a cobrir o fluxo de caixa das operações nacionais do Contribuinte, em razão da dificuldade de caixa em razão do fechamento de capital por meio da OPA (oferta pública de ações), realizada em 2003, que exigiu do Contribuinte recursos para honrar a compra das ações da União de Comércio e Participações Ltda. (“UNIÃO”) e da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (“PREVI”), portanto não fazendo jus à redução à alíquota zero de IRRF. Os motivos de fato e de direito que levaram à lavratura do Auto de Infração estão pormenorizados no Termo de Verificação Fiscal (TVF), de onde se extrai os trechos a seguir transcritos, com a finalidade de trazêlos de forma resumida para este Relatório: O TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 04, em seu item 2.2, relacionou uma série de questionamentos à FISCALIZADA acerca de operação de financiamento externo de prépagamentos de exportações, doravante denominada simplesmente PPE. Sobre estes questionamentos, a TIGRE, em sua resposta, disponibilizou cópia do CONTRATO original e seus ADITIVOS, do CONTRATO DE GARANTIA e seus ADITIVOS, bem como de documentos afetos à comissão de estruturação da operação, intermediada pelo BANCO REALAMRO BANK. Além disso, a FISCALIZADA apresentou DEMONSTRATIVO com a evolução do financiamento PPE desde sua origem até 31/12/2008, onde se verifica que neste interregno, não houve nenhum tipo de amortização da dívida, tendo havido apenas pagamentos de juros à instituição no exterior. A análise do contrato e seus aditivos, bem como do demonstrativo apresentado pela FISCALIZADA, permite que sejam feitas as seguintes constatações: a) O valor do financiamento, datado de 20/07/2004, foi de US$ 50.000.000,00 (equivalente na época a cerca de 150 milhões de reais); b) O total de juros pagos no período de 2004 a 2008 foi de R$ 26.568.058,20; c) O total de comissões pagas no período de 2004 a 2008 foi de R$ 2.989.201,25; Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10920.722343/201161 Acórdão n.º 2201002.583 S2C2T1 Fl. 3 3 d) Os pagamentos dos juros eram semestrais; e) O contrato original previa um prazo de carência de 02 anos para o início das amortizações, sendo que os juros eram devidos no prazo de carência. Assim, as amortizações deveriam se iniciar em 10/07/2006, e terminar em 14/06/2011, totalizando 11 pagamentos; f) Em 10/07/2006, foi formalizado o 1º aditivo ao contrato, que postergou o início das amortizações para 30/06/2008, permanecendo 11 parcelas, terminando em 03/06/2013; g) Em 20/03/2008 houve novo aditivo, também postergando o início das amortizações para 18/06/2010, com as mesmas 11 parcelas, com término em 25/05/2015; h) O saldo da dívida em 31/12/2008 era de US$ 50.019.791,67 (equivalente à época a R$ 116.896.253,13); (...) Conforme veremos mais adiante, existe exigência legal para se usufruir da isenção do IRRF sobre os juros pagos, de que os recursos recebidos sejam comprovadamente aplicados no financiamento das exportações. Ou seja, existe sim uma obrigação por parte da empresa de demonstrar onde aplicou os recursos recebidos pelo PPE. ...para gozo da isenção do IRRF, existe a necessidade de se comprovar que os recursos obtidos com o financiamento externo tenham sido aplicados, comprovadamente, no financiamento das exportações. A alíquota reduzida de IRRF (...) teve por objetivo desonerar fiscalmente a captação de recursos externos de custo menor para incremento da atividade exportadora. ... o ateste do Banco Central, dizendo que a amortização efetivada se tratou de operação de pagamento antecipado de exportações é necessária, mas não suficiente para o gozo do benefício fiscal, não comprovando, por si só, que os recursos foram efetivamente utilizados no financiamento das exportações. Ocorre que a legislação é clara: o recurso tem que ser comprovadamente aplicado no financiamento da exportação, e não na realização de outros negócios. Ainda que o crédito externo seja obtido na condição de capital de giro, este deve se voltar, unicamente, à exportação, e não às demais operações praticadas pela pessoa jurídica no desempenho de suas atividades sociais. Verificase que não houve incremento algum nas exportações da empresa, principalmente quando comparadas com a sua receita bruta total. Outro aspecto a destacar é a existência de exportações em 2006, 2007, 2008 e 2009. Lembrando, o contrato original do PPE previa uma carência de 02 anos, com o início das amortizações em 2006. Ora, a TIGRE obteve 150 milhões de reais em julho de 2004 para financiar as suas exportações, e quando exportou, não utilizou as respectivas receitas para amortizar o empréstimo, nos termos do contrato original. (...) O que se constatou é que a FISCALIZADA, diante dos pagamentos elevados que teria que fazer em decorrência da OPA, estava com seu fluxo de caixa afetado, necessitando de recursos para as suas atividades normais. Recorreu então ao PPE, evidenciando que estes recursos não foram utilizados para financiar suas exportações. (...) Não obstante a divergência entre a informação prestada pela empresa e o total da contabilidade, o importante aqui é destacar o fato de a empresa pegar 150 milhões de Fl. 1879DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 reais em 2004 para financiar as suas exportações, exporta e não amortiza o principal do financiamento com estas exportações, e ainda mais, nos anos seguintes contrata ACC para, justamente, financiar suas exportações! Ora, o que ela fez com os R$ 150 milhões? Está claro que a TIGRE não aplicou o valor obtido pelo PPE no financiamento de suas exportações. Realmente utilizou os recursos para capital de giro, mas não para as suas exportações, e sim para sua atividade como um todo. Como estava endividada, com pagamentos elevados nos anos de 2004 a 2008 pelo fechamento do capital ocorrido em 2003, a forma encontrada para a obtenção de capital de giro a custo baixo foi o PPE, caso contrario ficaria com o caixa comprometido. Qual seria então a razão para a não amortização do PPE com as exportações realizadas entre 2006 a 2009? Falta de caixa! Somente depois que quitou a OPA em maio de 2008, conseguiu fôlego financeiro para começar a amortizar o PPE. (...) Este exercício hipotético nos permite verificar que há um limite, ou até mesmo um impedimento, para a postergação de contratos como este. O Contribuinte tomou ciência do lançamento tributário no corpo do próprio Auto de Infração em 29/11/2011, tendo apresentado Impugnação, de fls. 1.699 e seguintes, em 28/12/2011: § Apresentando dados para demonstrar que, entre 2005 e 2010, aplicou mais de R$ 150 milhões na fabricação de produtos exportados, apurando uma receita de exportação na importância de R$ 226.141.026,94. § Apresentando dados para demonstrar a sua capacidade de geração de caixa, ponderando que tais valores seriam mais do que suficientes para o financiamento da sua produção interna, mesmo com o pagamento das dívidas relativas à OPA. § Acerca da OPA, afirma que a mesma foi realizada com recursos oriundos de suas reservas, conforme constava do respectivo edital registrado na CVM. § Informando que, entre 2005 e 2008, a receita de exportação teve um acréscimo de R$ 9.223.259,22. Argumenta que o erro da fiscalização foi comparar receitas de exportação com a receita bruta total, pois a intenção nunca foi fazer com que as receitas no mercado interno fossem superadas pelas receitas no mercado externo. § Explicando que, não obstante ter sempre tenha gerado caixa positivo em suas operações, os recursos gastos com a compra das ações da PREVI e da UNIÃO foram obtidos do atendimento do mercado interno (principal fonte de receitas da Contribuinte). Dessa forma, com vistas a manter suas operações no estrangeiro, optou pelo empréstimo externo para continuar financiando suas exportações, ante o risco do fluxo de caixa não atender as duas operações (nacional e internacional). Assim, através da contratação do PPE, o Contribuinte encontrou a solução para a manutenção da difusão de sua marca no mercado externo e de suas vendas, através do financiamento de suas exportações. § Defendendo que o fato de ter repactuado com a instituição financeira a data da amortização da dívida, operação que inclusive foi aprovada pelo BACEN, em nada interfere na incidência da alíquota zero sobre os juros remetidos ao exterior, haja vista aplicação dos fundos captados pelo empréstimo externo ter sido utilizado nas exportações. Fl. 1880DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10920.722343/201161 Acórdão n.º 2201002.583 S2C2T1 Fl. 4 5 § Argumentando que a fiscalização não comprova em momento algum que o PPE deixou de ser aplicado nas exportações. Discorre acerca da obrigação da prova incumbir ao Fisco nos lançamentos de ofício, concluindo que o Auto de Infração carece de suporte probatório pois está calcado em meras ilações da autoridade fiscal. § No tocante à aplicação da alíquota zero a incidir sobre os juros remetidos ao exterior, defende que considerando que o BACEN, órgão competente para a concessão do Registro de Operações Financeiras (ROF), aprovou as remessas de juros ao exterior, reconhecendo que a referida remessa estava vinculada à operação de pagamento antecipado de exportação, não poderia o auditor fiscal descaracterizar a operação e tributála na forma do § 12 do art. 691 do RIR/99. § No que tange à alegação da Autoridade Fiscal no sentido de que haveria um impedimento as prorrogações no pagamento da amortização do PPE, ante os aditamentos pactuados entre o Contribuinte e a instituição financeira, não merece guarida o entendimento da autoridade fiscal, pelo simples fato de que há previsão expressa nesse sentido como se observa do já citado artigo 28, § 3º da Circular BACEN n° 3.027 de 22/02/2011. § Ponderando ser incabível a manutenção de controles diferenciados sobre recursos de origens diversas, bastando que a empresa tenha receitas de exportação no período para restar atendido o requisito que os recursos obtidos com o PPE foram utilizados na exportação. Alega ainda que não se aplica ao caso o princípio de vinculação física, notadamente quando se trata de ingresso de recursos financeiros utilizados na compra de insumos comuns aos produtos exportados e os vendidos no mercado nacional. Portanto, o dinheiro uma vez transferido para a conta corrente do Contribuinte não possui marca ou carimbo (tornase fungível). Logo, não importa se a sua origem é nacional ou não, basta que o Contribuinte efetue e comprove operações de exportação, nos prazos e condições previstas no contrato firmado com a instituição financeira, que será ressarcida pelo prépagamento de exportações, pois se trata de bem fungíveis. § Defendendo a ausência de liquidez e certeza do crédito tributário lançado, pois entende que o Fisco deixou de considerar no seu cálculo os valores das exportações ocorridas no período autuado. Alega que a sua contabilidade faz prova, em seu favor, da utilização dos recursos obtidos nas exportações ocorridas nos períodos posteriores ao contrato de empréstimo § Defendendo não ser cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. A 2ª Turma da DRJ/JFA, na sessão de 28/05/2013, pelo do Acórdão nº 09 44.236, de fls. 1.853 e seguintes, julgou procedente a Impugnação nos seguintes termos: FINANCIAMENTO EXTERNO. PRÉPAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO. IRF. BENEFÍCIO. ALÍQUOTA ZERO. COMPETÊNCIA PARA VERIFICAÇÃO DOS REQUISITOS. A comprovação da aplicação de créditos obtidos no exterior no financiamento de exportações brasileiras, para fins de fruição dos benefícios regulados pelo art. 691 do RIR/99, é encargo dos bancos autorizados a operar em câmbio, de forma imediata, e do Banco Central do Brasil, de forma mediata, nos termos da legislação de regência. O Contribuinte foi notificado do Acórdão através de AR de fls. 1.862, em 11/06/2013. Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Com base no art. 1º da Portaria MF nº 03/08 e no art. 34 do Decreto nº 70.235/72 o crédito tributário foi encaminhado para apreciação da presente instância administrativa, em razão de recurso necessário. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, inclusive o requisito específico de admissibilidade previsto na Portaria/MF nº 03/08, uma vez que extinguiu o crédito tributário no montante de R$ 11.713.910,30, portanto dele conheço. A Autoridade Lançadora afirma que o Contribuinte desviou os valores recebidos da instituição financeira estrangeria decorrente do Contrato de PréPagamento de Exportação (PPE) para alimentar seu fluxo de caixa que estava comprometido em razão dos pagamentos decorrente da operação fechamento do capital decorrente de Oferta Pública de Ações (OPA). Desta feita, a fiscalização elabora planilha demonstrando que o percentual da receita de exportação em relação a receita bruta total no período de 2005 a 2009 era muito pequeno, variando de 2,17 a 2,81%, não tendo ocorrido, portanto, incremento nas exportações. Em complemento elabora planilha demonstrando o alto endividamento do Contribuinte no mesmo período devido a OPA, fato que comprometeria seu fluxo de caixa. Com base nos fatos acima a Autoridade Lançadora justifica as duas postergações para o início da amortização, uma vez que não haveria outro motivo para não pegar as receitas das exportações para amortizar o empréstimo. Com a devida vênia ao entendimento da Autoridade Lançadora, entendo que o desvio dos valores obtidos através do PPE para o fluxo de caixa corrente do Contribuinte não restou devidamente comprovado. Inicialmente, o fato de a receita de exportação representar um percentual menor que 3% da receita bruta do Contribuinte, não significa que o valor do PPE não foi destinado a financiar as exportações. Como bem apontou o Contribuinte, não encontra em seu objetivo fazer com que as receitas no mercado interno fossem superadas pelas receitas no mercado externo, mas apenas obter a financiabilidade das operações de exportação. No que diz respeito ao endividamento decorrente do fechamento capital através da Oferta Publica de Ações (OPA), o Contribuinte acostou aos autos do presente procedimento administrativo tributário uma série de documentos contemporâneos devidamente registrados que destaca de onde obterá os valores para cumprimento da OPA: · Edital da OPA, informando que a ofertante adquirirá as ações até o limite de suas reservas disponíveis, caso este limite não seja suficiente, as ações remanescentes serão adquiridas nas mesmas condições. · Ata da 333 Reunião do Conselho de Administração, afirmando possuir reservas legais exigidas, de acordo com o art. 7º da Instrução CVM nº 10 de 14 de fevereiro de 1980, onde adquirirá ações até o valores do saldo de lucros ou reservas, exceto a legal, para permanência em tesouraria. Fl. 1882DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10920.722343/201161 Acórdão n.º 2201002.583 S2C2T1 Fl. 5 7 · Ata da 362ª Reunião do Conselho de Administração, onde foi aprovada a contração do empréstimo há o registro de apresentação de performance do MERCOSUL e exportações. · Ofícios destinados ao Banco Santander, requisitando a transferência de US$ 9.500.000,00 do PPE para pagamento de contratos, onde os clientes não são residentes no país. Diante do exposto, no meu sentir as provas produzidas pela Autoridade Lançadora não demonstram que os recursos obtidos pelo PPE foram aplicados para fomentar o capital de giro do Contribuinte, com vistas a atender a demanda do mercado interno ou assegurar que suas obrigações advindas da OPA fossem honradas. Quanto à comprovação de que o recurso obtido através do PPE foi destinado às exportações, entendo que o Contribuinte logrou êxito no atendimento ao requisito legal para fruição da alíquota zero na remessa dos juros para o credor no exterior, qual seja demonstrar que no período em questão ocorreram operações de exportação. Com base na tabela 01 – Receita de Exportação, elaborada pelo Auditor Fiscal, fl. 1.679, verificase que a receita total de exportação para o período de 2005 a 2009 foi de R$ 190.123.355,27. Notese que a receita de exportação do período é bem superior ao montante de R$ 150 milhões obtidos pelo PPE, o que viria em respaldo a afirmação do Contribuinte quanto a destinação específica dos recursos à exportação. Ademais, acompanho o entendimento exarado pela DRJ/JFA no sentido de que cabe ao Banco Central a verificação do cumprimento do requisito para que seja adimplido o PPE, qual seja, que os fundos captados junto ao mercado, sejam utilizados em operações de exportação. Em sendo tal fato chancelado pelo Banco Central, entendo não caber à autoridade fiscal desconstituílo. A Autoridade Fiscal reconhece o ateste do Banco Central, dizendo que a amortização efetivada se tratou de operação de pagamento antecipado de exportações é necessária, todavia, não é suficiente para o gozo do benefício fiscal, pois não comprova, por si só, que os recursos foram efetivamente utilizados no financiamento das exportações. Complementa argumentando que o Banco Central tem a atribuição de fazer o controle cambial das operações, mas compete à Receita Federal verificar a regularidade da utilização do recurso, para aferir a procedência da isenção do IRRF. Portanto, para possibilitar tal verificação o Contribuinte deve fazer constar em sua escrituração a identificação das aplicações de tal recurso, mantendo em ordem a documentação que respalde essas operações. Quanto ao presente ponto, fazse mister analisar a redação da legislação pertinente ao tema. A redução a zero da alíquota do IRRF, na hipótese de pagamento de juros a não residentes no país, decorrente de crédito obtido no intuito de financiar a exportação, está previsto no art.1º XI da Lei nº 9.481/97. Confirase: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 (...) XI juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações; (...) Parágrafo único. Nos casos dos incisos II, III, IV, VIII, X, XI e XII do caput deste artigo, deverão ser observadas as condições, as formas e os prazos estabelecidos pelo Poder Executivo. O parágrafo único do dispositivo supracitado faz referência a ato do Poder Executivo, que por sua vez delega ao Ministério da Fazenda conforme parágrafo 1º do art. 691 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR): Art. 691.A alíquota do imposto na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (...) XI juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações . § 1º Nos casos dos incisos II, III, IV, VIII, X e XI, deverão ser observadas as condições, formas e prazos estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda . Neste contexto a Portaria MF nº 70/97, que veio dispor sobre as condições para aplicação da alíquota zero do IRRF incidente nas remessas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior determinou que a comprovação pelo banco autorizado a operar em câmbio, será efetuada mediante confronto dos pertinentes saldos contábeis globais diários, observadas normas específicas, expedidas pelo Banco Central do Brasil (BACEN): Art. 1º Para efeito do benefício da alíquota zero do imposto de renda incidente nas remessas para beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, nas hipóteses dos incisos II, III, IV, VIII, X e XI do art. 1º da Medida Provisória nº 1.563, de 1996, devem ser atendidos os seguintes requisitos: (...) V nos pagamentos de juros de desconto, no exterior, de cambiais de exportação e as comissões de banqueiros inerentes a essas cambiais, bem assim de juros e comissões relativos a créditos obtidos no exterior e destinados ao financiamento de exportações: tenham sido os recursos, comprovadamente, aplicados no financiamento de exportações brasileiras. (...) § 2º A comprovação a que se refere o inciso V, pelo banco autorizado a operar em câmbio, será efetuada mediante confronto dos pertinentes saldos contábeis globais diários, observadas normas específicas, expedidas pelo Banco Central do Brasil. Como bem destacou a 2ª Turma da DRJ/JFA a Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil, através do art. 1º da Circular nº 2.751, decidiu como se daria a comprovação da aplicação de créditos obtidos no exterior no financiamento de exportações brasileiras, nos seguintes termos: Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10920.722343/201161 Acórdão n.º 2201002.583 S2C2T1 Fl. 6 9 Art. 1º Para efeito de comprovação da aplicação de créditos obtidos no exterior no financiamento de exportações brasileiras, de modo a fazer jus à redução a zero da alíquota do imposto de renda na fonte prevista no art. 1º da Medida Provisória nº 1.563, de 31.12.96, os bancos autorizados a operar em câmbio devem utilizar o formulário de modelo anexo, no qual serão registrados os saldos diários em moedas estrangeiras, expressos por sua equivalência global em dólares dos Estados Unidos, apresentados nas seguintes contas: Diante do exposto, entendo que os dispositivos susomencionados conferem ao Banco Central do Brasil a competência técnica para reconhecer se o contrato de financiamento externo adere ao PPE. Nesta senda, uma vez que o Contribuinte junta, às fls. 1.830 a 1.842, os Registros de Operação Financeira (ROF) onde o Banco Central do Brasil atribui nível de responsabilidade 4 (isento/ não aplicável) para operação, restou reconhecida a operação de financiamento internacional para fins de operações de exportação. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 1885DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 01/12/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 15586.000198/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2012 a 31/12/2012
DIPJ - NECESSIDADE DE LANÇAMENTO - AUTO DE INFRAÇÃO PROCEDENTE
A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins não declarado em DCTF enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais posto que a DIPJ consiste em instrumento informativo, não de constituição de crédito tributário.
SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - DIFERENÇA DE EXTINÇÃO - APLICAÇÃO DO ARTIGO 151 DO CTN -NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 156 DO CTN
A suspensão do crédito tributário em razão do parcelamento não impede o lançamento dos valores devidos. A suspensão é da exigibilidade do crédito regularmente constituído, conforme determina o artigo 151 do Código Tributário Nacional - CTN.
MULTA 75% - PREVISÃO LEGAL - MATÉRIA SUJEITA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA.
A incidência de multa punitiva no patamar de 75% em matéria tributária, está prevista na Lei nº 9.430/96, devendo, portanto, ser aplicada.
ASPECTOS CONSTITUCIONAIS - SUMULA CARF - IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE.
É defeso aos julgadores administrativos analisar a constitucionalidade das normas legais, competência privativa do Judiciário. Súmula CARF no 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2012 a 31/12/2012 DIPJ - NECESSIDADE DE LANÇAMENTO - AUTO DE INFRAÇÃO PROCEDENTE A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins não declarado em DCTF enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais posto que a DIPJ consiste em instrumento informativo, não de constituição de crédito tributário. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - DIFERENÇA DE EXTINÇÃO - APLICAÇÃO DO ARTIGO 151 DO CTN -NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 156 DO CTN A suspensão do crédito tributário em razão do parcelamento não impede o lançamento dos valores devidos. A suspensão é da exigibilidade do crédito regularmente constituído, conforme determina o artigo 151 do Código Tributário Nacional - CTN. MULTA 75% - PREVISÃO LEGAL - MATÉRIA SUJEITA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A incidência de multa punitiva no patamar de 75% em matéria tributária, está prevista na Lei nº 9.430/96, devendo, portanto, ser aplicada. ASPECTOS CONSTITUCIONAIS - SUMULA CARF - IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. É defeso aos julgadores administrativos analisar a constitucionalidade das normas legais, competência privativa do Judiciário. Súmula CARF no 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2111; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 10 9 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000198/200740 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.751 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2014 Matéria COFINS Recorrente TERRAPLENAGEM NOSSA SENHORA DA PENHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2012 a 31/12/2012 DIPJ NECESSIDADE DE LANÇAMENTO AUTO DE INFRAÇÃO PROCEDENTE A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins não declarado em DCTF enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais posto que a DIPJ consiste em instrumento informativo, não de constituição de crédito tributário. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DIFERENÇA DE EXTINÇÃO APLICAÇÃO DO ARTIGO 151 DO CTN NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 156 DO CTN A suspensão do crédito tributário em razão do parcelamento não impede o lançamento dos valores devidos. A suspensão é da “exigibilidade” do crédito regularmente constituído, conforme determina o artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN. MULTA 75% PREVISÃO LEGAL MATÉRIA SUJEITA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. A incidência de multa punitiva no patamar de 75% em matéria tributária, está prevista na Lei nº 9.430/96, devendo, portanto, ser aplicada. ASPECTOS CONSTITUCIONAIS SUMULA CARF IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. É defeso aos julgadores administrativos analisar a constitucionalidade das normas legais, competência privativa do Judiciário. Súmula CARF no 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Recurso voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 01 98 /2 00 7- 40 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Após o cumprimento do MPF nº 2006005870 foi lavrado Auto de Infração (AI) em 11/06/2007 visando a constituição de crédito tributário de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) referente ao ano calendário de 2002. Compulsando o Termo de Apuração Fiscal inserido nos autos, apurouse que: 1. As bases de cálculo da COFINS conferem com os valores da receita auferida pelo contribuinte e com os valores declarados na DIPJ (doc. fls. 24/29 e 34/36); 2. Os valores apurados da COFINS, calculados sobre o faturamento são superiores aos valores declarados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fls. 33; 3. O contribuinte recolheu a menor os valores referentes à COFINS dos meses de fevereiro a dezembro de 2002; 4. Os débitos da COFINS que constam do pedido de parcelamento não foram objeto de lançamento de oficio (fls. 37/167). Da lavratura do Auto de Infração resultou o crédito tributário de R$463.739,72 (quatrocentos e sessenta e três mil, setecentos e trinta e nove reais, setenta e dois Fl. 252DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS centavos), acrescido de juros e correção monetária discriminados no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (fls. 02 e 77). A ciência do AI se deu em 11/06/2007, tendo a interessada apresentado Impugnação (fls.87/91) alegando, em síntese que: 1) os valores lançados já teriam sido objeto de parcelamento anteriores a constituição do crédito (PAEX, etc), de maneira que o órgão julgador deveria excluir tais valores do lançamento; 2) é inconstitucional o alargamento da base de cálculo e a majoração de alíquota previstos na Lei nº 9.718/98; 3) a multa aplicada pelo lançamento deveria ser reduzida. A 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro II (DRJ), por meio do Acórdão 13 37.353 53 (fls. 223/226), decidiu nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Período de apuração: 01/02/2002 a 31/12/2002 A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins e da contribuição ao PIS apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de oficio com os acréscimos legais. PERÍCIA/DILIGÊNCIA DENEGADAS A perícia e a diligência se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Desta decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário em 20/12/2011 (fls. 232/244), oportunidade onde reiterou os argumentos trazidos na Impugnação, informando ainda, no item II.1.18 do recurso, que seus débitos outrora parcelados foram migrados para o parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 (fls. 238). Tendo sido enviado para este Colegiado, o recurso foi distribuído para minha relatoria. É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele conheço. Conforme se verifica dos autos, a principal alegação da Recorrente referese ao fato de que os valores, ora cobrados, encontramse parcelados desde 12/11/2004 (itens II.1.3 e 1.4 do recurso de fls. 232), e que seus débitos outrora parcelados foram migrados para o parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 (fls. 238). A partir daí, a Recorrente pleiteia a suspensão da exigibilidade dos débitos, ora parcelados ou alternativamente a alocação dos valores parcelados dentre os créditos ora constituídos, excluindose destes os primeiros e, por fim, requer o cancelamento do AI pela alocação. Ocorre que a inclusão de débito em parcelamento não tem o efeito pretendido pela Recorrente, no sentido de excluir o crédito tributário do lançamento. Constituído o crédito tributário pelo lançamento, eventual pedido de parcelamento apenas teria o efeito de tornar incontroversa a procedência da exigência fiscal e consequentemente o valor devido. Em suma, ao parcela, o contribuinte concorda que o crédito tributário constituído é devido. Para melhor compreensão, passo a analisar a questão em etapas. Inicialmente é preciso constituir o crédito tributário, o que se faz por meio do auto lançamento (valores declarados em DCTF) ou por meio do lançamento de ofício (auto de infração). No caso percebese que existem as duas situações: o contribuinte declarou valores em sua DCTF e outros, diversos e maiores, em sua DIPJ. Após apurar os fatos em procedimento de fiscalização, os agentes administrativo constataram que a declaração realizada na DIPJ era a correta e lançaram, por meio do auto de infração discutido nos presentes autos, a diferença entre DCTF e DIPJ. Constituído o crédito tributário, é preciso pagar o valor constituído, o que pode ser feito por meio de pagamento via DARF, compensação ou, caso o tributo não tenha sido pago, parcelamento após o vencimento. De fato, às fls. 197 é possível se verificar que a Recorrente fez a indicação dos débitos relativo aos períodos de 09/2004, 10/2004, 11/2004, 12/2004, 03/2005, 09/2005, 10/2005 e 11/2005 para o parcelamento da Lei n. 11.941/2009. A conclusão é que o parcelamento do valor em nada interfere na constituição do crédito tributário que, inclusive, tem que estar constituído para ser pago/parcelado. E como a DIPJ tem caráter informativo e não constitutivo, correta a fiscalização ao lavrar o auto de infração em apreço. Todavia, o contribuinte traz aos autos comprovantes de pagamentos dos parcelamentos, requerendo o reconhecimento da extinção do crédito tributário. Neste aspecto, basta uma singela análise dos autos para se verificar que os valores incluídos no parcelamento indicados às fls. 56/57 e 67, a título da COFINS, em nada se assemelham aos valores indicados pelo próprio contribuinte às fls. 58/59 e 60 em planilha demonstrativa do cálculo da COFINS no período autuado, cuja legitimidade a DRJ – II acatou nos seguintes termos: Fl. 254DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS ” ...Ao observarmos a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, anocalendário 2002, na Ficha 20 A — Cálculo da Cofins — fl.24v/29v., em confronto com as planilhas apresentadas pelo contribuinte — fl.34/36, podemos aferir que os valores do Faturamento indicado na DIPJ e nas Planilhas são similares e provenientes de emissão de Notas Fiscais relacionadas pelo próprio interessado em seu demonstrativo e que foi supedâneo para o presente lançamento.” Registrase que das informações constantes dos autos, como o primeiro parcelamento foi anterior à lavratura do auto de infração, quando estavam constituídos apenas os valores declarados em DCTF, parece que foram parcelados apenas estes débitos declarados pelo contribuinte, que se diferem daqueles constituídos no auto de infração em análise (diferença entre DCTF e DIPJ). Por outro lado, a inclusão do crédito tributário no parcelamento depende da expressa desistência da discussão administrativa (art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2/2011 e Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 6/2009). Não consta dos autos a indicação de que o contribuinte pediu desistência e renúncia do direito em relação aos débitos aqui inseridos ou “migrados” pelo que incide, em vício no que tange ao cumprimento dos requisitos para a permanência do regime do parcelamento quanto aos referidos débitos. Assim, não há, pois, qualquer reparo a fazer quanto ao entendimento de que os débitos, ora cobrados, não foram objeto dos parcelamentos informados nos autos e que legítima se mostra sua cobrança de ofício, in verbis: “...Logo, não assiste razão ao contribuinte ao consignar que as importâncias lançadas estariam englobadas no parcelamento pela justificativa pura e simples de que seus débitos foram incluídos no parcelamento (PAES ou parcelamento comum), pois, por óbvio, os referidos débitos deveriam ter sido confessados espontaneamente pelo contribuinte. Como não o foram, houve a necessidade de sua constituição pelo presente lançamento com o crédito tributário correspondente. (...) ...os valores integrantes do parcelamento são aqueles constantes na DCTF no anocalendário 2002, enquanto que no PAEX — fl.196/197, não constam valores do período autuado.” Claro que na hipótese de os valores aqui inseridos terem sido objeto de parcelamento – o que o contribuinte poderá informar e comprovar para a autoridade administrativa responsável pela execução do presente acórdão – não poderão ser exigidos, com base no art. 151 do CTN. Contudo, esta análise é tarefa que compete a DRF responsável, aplicável não à fase de constituição do crédito tributário, mas à fase de cobrança do crédito tributário constituído. A segunda alegação da Recorrente, referente à base de cálculo do valor tributado estar majorada em vista da inconstitucionalidade do alargamento promovido pelo artigo 3o da Lei no 9.718/98, não merece guarida. É que, conforme comprovam as DIPJs acostadas aos autos, a Recorrente não possuía receita outra que não fosse operacional, razão pela qual o dispositivo legal que permitia a tributação sobre a base alargada não produziu efeitos práticos a serem retificados. Improcedente a pretensão do contribuinte também neste particular. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Por fim, questiona a Recorrente acerca da possibilidade de aplicação da multa de ofício no patamar de 75%. Mais uma vez a argumentação da Recorrente não merece guarida. A incidência da multa punitiva na grandeza de 75% está prevista na Lei nº 9.430/96, e é a penalidade cabível para as hipóteses de não recolhimento de tributos, devendo, portanto, ser aplicada. Também não procede a alegação da contribuinte de que a multa de ofício violaria os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e nem da legalidade. Isto porque o agente fiscal limitouse a aplicar a legislação tributária vigente, levando a efeito a punição estipulada pelo legislador. A lei não confere qualquer âmbito de discricionariedade ao agente administrativo, nem ao julgador, no tocante à dosimetria desta punição, sendo suficiente que se caracterize a situação descrita na norma para que haja a aplicação da punição, por dever de ofício. Alegações de inconstitucionalidade da própria lei teriam de ser feitas por meio de ação judicial, tendo em vista que apenas o Poder Judiciário tem competência para afastar a aplicação de dispositivo de lei. Este Tribunal Administrativo não tem competência para afastar a aplicação de uma lei em vigor, que goza de presunção de constitucionalidade. O entendimento a respeito deste tema foi consolidado na Súmula CARF nº 2. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Pelas razões expostas, voto por negar provimento ao recurso interposto. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 256DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 31/1 0/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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