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Numero do processo: 16327.915393/2009-51
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
CPMF. PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE.
O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação.
RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP
A declaração de compensação só pode ser retificada em razão de erro material e tem como data limite a expedição do despacho decisório que decide acerca da homologação ou não da compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-003.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Proferiu sustentação oral, pelo recorrente, Dr. William Rodrigues Alves, OAB/SP nº 314.908.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE. O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação. RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP A declaração de compensação só pode ser retificada em razão de erro material e tem como data limite a expedição do despacho decisório que decide acerca da homologação ou não da compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 53 93 /2 00 9- 51 Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Proferiu sustentação oral, pelo recorrente, Dr. William Rodrigues Alves, OAB/SP nº 314.908. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 14a Turma da DRJ de Ribeirão Preto – SP (fls. 1407/1421), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pelo recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Anocalendário: 2006 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. APROVEITAMENTO EM DCOMP ANTERIOR. DIREITO INEXISTENTE. As informações sobre o direito de crédito e os débitos compensados assinaladas em Declaração de Compensação integram a essência do encontro de contas entre contribuinte e Fazenda Pública e definem os limites da compensação, não podendo ser alterados em sede de manifestação de inconformidade. Não se homologa compensação de débito com direito de crédito já inteiramente comprometido em DCOMP anterior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: A contribuinte apresentou Declaração de Compensação (nº 22388.51995.240608.1.3.043157) pretendendo a extinção de débito próprio com direito de crédito decorrente de suposto pagamento a maior de CPMF. Por meio de despacho decisório, a unidade local não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito. Segundo a decisão, cruzamento de informações mantidas pela Administração Fiscal acusara que o pagamento indicado como Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915393/200951 Acórdão n.º 3802003.654 S3TE02 Fl. 1.491 3 efetuado a maior estava integralmente alocado a débito confessado em DCTF, não havendo, portanto, saldo disponível para suportar a compensação declarada. Inconformada, a interessada interpôs manifestação de inconformidade reiterando o direito ao crédito e mencionando a retificação da DCTF à qual o pagamento fora alocado na íntegra. Referida manifestação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Campinas. Entendeu a DRJ que a contribuinte não teria comprovado a liquidez e certeza do crédito aproveitado. Os autos subiram à segunda instância administrativa. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado contra a decisão da DRJ Campinas, para que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido aquele colegiado que a apresentação da DCTF retificadora alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Encaminhados os autos à origem, a unidade de jurisdição emitiu novo despacho decisório no qual informa que: A DCOMP n° 22388.51995.240608.1.3.043157, objeto deste processo, referese exclusivamente ao DARF de n° 2393135301, período de apuração 22/02/2006, código de receita 5869, no valor original de R$ 71.114.349,09, data de arrecadação 03/03/2006. Com base neste mesmo DARF o interessado apresentou ainda as seguintes Declarações de Compensação: [seguese tabela com as compensações que teriam se utilizado do mesmo DARF] (...) O despacho relata que a contribuinte foi intimada a apresentar documentos relativos ao alegado direito de crédito. Informa ainda a autoridade fiscal que a documentação apresentada comprovaria a cobrança indevida de CPMF dos clientes listados em tabela presente no despacho decisório, assim como dos correspondentes estornos, em um total de R$ 11.658,33. A seguir, conclui o despacho decisório: O interessado comprovou um crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 11.658,33, [...] mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 24.373,53, [..]Na PER/DCOMP n° 18652.39612.120406.1.7.043183 (Retificadora da PER/DCOMP n° 24074.66948.080306.1.3.047867), com informação do crédito relativo a PER/DCOMP n° 22388.51995.240608.1.3.043157 objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 7.406,41, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Não restando crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP n° 22388.51995.240608.1.3.043157. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade argumentando que: a) o crédito em questão referese à CPMF recolhida a maior no valor de R$ 131.146,86 que tem origem em retenções indevidas sobre movimentações financeiras de diversos clientes, sendo o montante utilizado em diversas declarações de compensação; b) atendendo a intimação fiscal, foram apresentados apenas os documentos relativos à formação do direito de crédito aproveitado na DCOMP examinada e não o conjunto probatório de todo o crédito apurado no pagamento; daí porque os valores comprovados não seriam suficientes para a homologação de todas as compensações; c) ademais, cumpre salientar que, da parcela de R$ 16.484,49 objeto do PER/DCOMP, a Manifestante efetuou a comprovação de R$ 15.838,33, conforme documentação já acostada aos autos, todavia, a RFB reconhece apenas a existência de R$ 11.658,33; a diferença de R$ 4.180,00 de CPMF estornada de cliente está composta em outro DARF no valor de R$ 97.835.608,94 e que, por equívoco de preenchimento do PER/DCOMP, não foi informado; d) desta forma, resta demonstrado que o Manifestante possui o crédito pleiteado e, ainda, por se tratar de tributo retido e, posteriormente, devolvido ao correntista, resta comprovado que este assumiu o ônus financeiro do pagamento da CPMF quando efetuou o estorno aos clientes, sendo, portanto, o detentor do crédito, nos termos do artigo 166 do CTN; portanto, em observância ao princípio da verdade material, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, pois demonstram o recolhimento a maior e o erro no preenchimento da DCTF. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 22/01/2014 (ciência eletrônica, fl. 1.426). Inconformada, a mesma apresentou, em 06/02/2014, o recurso voluntário de fls. 1.428/1.433, onde, além dos argumentos já aduzidos na primeira instância, ressalta que: a) o crédito pleiteado decorre de valores recolhidos indevidamente a título de CPMF que, inicialmente, estava alocado ao DARF de R$ 71.114.349,09, porém a Autoridade Fiscal acabou por atrelar indevidamente ao presente feito, diversos PER/DCOMPs cujo crédito é discutido em outros processos, o que tornou o crédito pleiteado insuficiente para homologar o DCOMP sob análise; b) o crédito tem origem em valores recolhidos indevidamente de diversos clientes, que, por motivos diversos, não se sujeitavam à incidência do tributo. Para tanto, elabora um quadro demonstrativo das operações que ensejaram os recolhimentos indevidos; c) para comprovar o recolhimento indevido e a assunção do ônus tributário, junta aos autos, documentos contábeis e fiscais, demonstrativos, listagens dos pedidos de compensação e documento esclarecendo que ocorreu um equívoco no preenchimento do PER/DCOMP nº 22388.51995.240608.1.3.043157, pois foi declarado como sendo o DARF de pagamento indevido ou a maior de R$ 71.114.349,09, relativo período de apuração de Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915393/200951 Acórdão n.º 3802003.654 S3TE02 Fl. 1.492 5 22/02/2006, quando o correto seria para o cliente Hedging – Griffo Skops Fund LLC, DARF de R$ 97.835.608,94, relativo ao período de apuração 15/02/2006; d) o fato de ter mencionado equivocadamente o DARF no PER/DCOMP inicial, considerase que esse erro formal não pode ser fundamento para a não homologação, visto que houve o recolhimento indevido; e) constatase que a Autoridade Fiscal efetuou a verificação de todos os processo de compensação atrelados ao crédito de R$ 131.146,89, que são objeto de outros processos em andamentos, que não apresenta uma relação direta com a presente demanda, mas levou em consideração apenas a documentação apresentada nesses autos; f) apresenta um demonstrativo de todas as compensações vinculadas ao referido crédito indicando as respectivas situações dos processos; g) os valores aqui comprovados não seriam suficientes para a homologação de todas as compensações, mas são suficientes para a homologação da compensação ora pleiteada PER/DCOMP 22388.51995.240608.1.3.043157. O raciocínio inverso também é verdadeiro, qual seja, o crédito informado no PER/DCOMP nº 18652.39612.120406.1.7.04 3138, no valor original de R$ 7.406,41, não é suficiente para homologar a compensação ora pleiteada, mas é para aquela compensação, que vale o registro, está sendo tratada em outro processo, que não guarda correlação como o presente caso. h) de todo o exposto, restou comprovada a existência do indébito tributário que originou a compensação em tela e em observância ao princípio da verdade material sobre a formal, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, pois demonstram o recolhimento a maior e que ocorreu erro no preenchimento da DCTF (retificada) e do PER/DECOMP. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra A ciência (eletrônica) da decisão recorrida se deu em 22/01/2014. Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 06/02/2014, tempestivamente, portanto. No mais, o recurso preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Extraise dos autos que o Recorrente apresentou Declaração de Compensação nº 22388.51995.240608.1.3.043157, pretendendo a extinção de débito próprio com direito de crédito decorrente de suposto pagamento a maior de CPMF. A DRF de origem não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito, não havendo, portanto, saldo disponível para suportar a compensação declarada. Inconformada, a interessada interpôs manifestação de inconformidade reiterando o direito ao crédito e mencionando a retificação da DCTF à qual o pagamento fora Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 alocado na íntegra. Entendeu a DRJ que a contribuinte não teria comprovado a liquidez e certeza do crédito aproveitado. Então, os autos subiram à segunda instância administrativa. Consta dos autos que em 02/10//2009 fora transmitida pela internet DCTF retificadora, portanto em data anterior à emissão do Despacho Decisório Eletrônico (07/10/2009). Na mencionada retificadora foi declarado débito no valor total de R$ 71.053.190,31, constando como créditos pagamento através de DARF no valor de R$ 70.984.342,23. Analisando todo o acima exposto, o CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, decidindo no sentido de que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido que a apresentação da DCTF retificadora, alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Em cumprimento ao Acórdão nº 330201.501 (fls. 71/77), a unidade de jurisdição emitiu novo despacho decisório, onde relata que: A DCOMP n° 22388.51995.240608.1.3.043157, objeto deste processo, referese exclusivamente ao DARF de n° 2393135301, período de apuração 22/02/2006, código de receita 5869, no valor original de R$ 71.114.349,09, data de arrecadação 03/03/2006. Com base neste mesmo DARF o interessado apresentou ainda as seguintes Declarações de Compensação: [seguese tabela com as compensações que teriam se utilizado do mesmo DARF](...) Na sequência, conclui o despacho decisório: O interessado comprovou um crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 11.658,33, [...] mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 24.373,53, [..]Na PER/DCOMP n° 18652.39612.120406.1.7.043183 (Retificadora da PER/DCOMP n° 24074.66948.080306.1.3.047867), com informação do crédito relativo a PER/DCOMP n° 22388.51995.240608.1.3.043157 objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 7.406,41, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Não restando crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP n° 22388.51995.240608.1.3.043157. Nesse contexto, assim se posicionou a decisão a quo, a respeito da compensação tratada na DCOMP nº 12849.34101.240608.1.3.046270: (...) Como relatado, os autos retornam a esta Delegacia de Julgamento por força de acórdão prolatado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que determinou novo exame da compensação declarada pela contribuinte. Entendeu aquele colegiado que a apresentação de DCTF retificadora teria alterado a situação jurídica na qual se baseara o despacho decisório de não homologação, devendose reexaminar a existência do direito creditório. Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915393/200951 Acórdão n.º 3802003.654 S3TE02 Fl. 1.493 7 Em novo despacho decisório, a unidade de origem reconheceu a existência de pagamento a maior. Porém, não haveria como homologar a presente declaração de compensação já que o direito de crédito estaria integralmente comprometido na absorção de débito declarado em outra DCOMP (g.n). O Recorrente, em seu recurso, alega que para comprovar o recolhimento indevido e a assunção do ônus tributário, junta aos autos, documentos contábeis e fiscais, demonstrativos, listagens dos pedidos de compensação e documento esclarecendo que ocorreu um equívoco no preenchimento do PER/DCOMP nº 22388.51995.240608.1.3.04 3157, pois foi declarado como sendo o DARF de pagamento indevido ou a maior de R$ 71.114.349,09, relativo período de apuração de 22/02/2006, quando o correto seria para o cliente Hedging – Griffo Skops Fund LLC, DARF de R$ 97.835.608,94, relativo ao período de apuração 15/02/2006. E prossegue argumentando que de todo o exposto, restou comprovada a existência do indébito tributário que originou a compensação em tela e em observância ao princípio da verdade material sobre a formal, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, pois demonstram o recolhimento a maior e que ocorreu erro no preenchimento da DCTF e do PER/DECOMP. Aduz que os autos retornaram a DEINF, que concluiu pela existência parcial do crédito. Todavia, a compensação aqui discutida mantevese não homologada, inobstante todos os esclarecimentos e comprovações realizadas em diversas oportunidades. Por fim, alega que se não bastasse isso, ao efetuar análise da documentação comprobatória limitada a um único pedido de compensação, atrelouo a todos os DECOMPs transmitidos com o mesmo DARF, muito embora cada pedido de compensação possuísse discussão autônoma e com a documentação comprobatória pertinente acostadas aos processos correspondentes; e que a parcela excedente do crédito é discutida em outros PAF que não possuem relação direta com a presente demanda. Ressaltese que no recurso apresentado pelo Recorrente na época, bem como no Acórdão proferido pelo CARF, em nenhum momento foi noticiado a questão do alegado equívoco no preenchimento do PER/DECOMP. Naquela oportunidade, restringiase ao erro no preenchimento da DCTF e da retificadora, conforme se observa na ementa do Acórdão: COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Acórdão nº 330201.406 sessão de 26/01/2012. No entanto, agora na presente discussão, a não homologação da compensação foi a conseqüência lógica em vista da não retificação da DCOMP, em momento apropriado, por parte do Recorrente. Não obstante, apresentou uma declaração de compensação cujo crédito Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 informado inexiste na base de dados da Receita Federal, não podendo agora, em sede de contencioso, modificar o âmbito de seu pedido, como corretamente asseverou a instância recorrida. O Recorrente, em seu recurso, reafirma a existência de pagamento a maior e admite equívoco no preenchimento do PER/DCOMP, havendo erro na indicação nas características do documento de arrecadação pelo qual teria sido feito o pagamento a maior. Atinente a este fato, vejase trecho da Acórdão recorrido: (...) No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, informando que as características do direito de crédito compensado estariam definidas em outra Declaração de Compensação. Com efeito, na DCOMP sob exame (fl. 22), a contribuinte assinala que o direito de crédito compensado fora informado em outra declaração de compensação, a de nº 24074.66948.080306.1.3.047867. Confirase: (...). Essa DCOMP, conforme observa o despacho decisório, foi retificada pela DCOMP nº 18652.39612.120406.1.7.04.3183. Esse último documento traz, portanto, as características que definem a natureza e a dimensão do direito de crédito aproveitado na declaração de compensação ora em análise. A citada DCOMP que contém as características do pagamento indevido indica o montante do direito de crédito: R$ 7.406,41 (vide fl. 1.285). Esse valor, como se vê, foi integralmente vinculado à compensação do débito de mesmo valor informado naquela mesma declaração. Ou seja, o direito de crédito cujo aproveitamento foi formalizado na DCOMP objeto do presente exame está inteiramente comprometido na compensação de outra dívida, não restando saldo disponível para outra compensação. Com efeito, temse, no caso presente, que a recorrente, na prática, busca alterar o objeto de análise do pleito balizado pelos dados declarados na DCOMP. Ainda que a interessada tenha apresentado prova do direito creditório reclamado, não há como, em sede de contencioso, modificar o objeto do pleito definido pela DCOMP. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915393/200951 Acórdão n.º 3802003.654 S3TE02 Fl. 1.494 9 Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. Como é sabido, pois essa matéria foi regrada por diversos atos da RFB ao normatizar o art. 74, da Lei nº 9.430/96, que tanto a alteração de qualquer uma das características do débito compensado como do pagamento afirmado como feito a maior (data de vencimento, data de recolhimento, valor, CNPJ, período de apuração, data do fato gerador, código de receita de tributo, etc), só podem ser efetivadas mediante a transmissão da correspondente DCOMP retificadora, respeitadas as condições estabelecidas pela legislação, entre elas a inexistência de despacho decisório que decida sobre a DCOMP original (art. 56 a 59 da IN SRF 600/2005 e 76 a 79, da IN RFB nº 900/2008). Para melhor esclarecer o acima descrito, destacase trecho do acórdão recorrido: (...) É esse quadro que dá sustentação ao novo despacho decisório emitido pela unidade local. A nova análise do direito de crédito encomendada pela decisão do CARF resultou na verificação da existência de pagamento a maior cuja compensação não fora formalizada pela contribuinte na DCOMP que veiculou o direito de crédito limitandoo à cifra de R$ 7.406,41,inteiramente consumida na própria DCOMP nº 18652.39612.120406.1.7.043183 (retificadora da PER/DCOMP nº 24074.66948.080306.1.3.047867). Pelas razões explicitadas acima, acerca da impossibilidade de alteração do encontro crédito x débito formalizada na DCOMP, não há como esse julgamento ampliar o montante do direito de crédito informado assim como não cabe, aqui, incluir no crédito compensado, parcela incluída em outro documento de arrecadação. Notese que o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, com respeito ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Instaurado o litígio, não pode a recorrente afirmar que seu crédito seria outro, referente a uma outra compensação, questão completamente alheia ao objeto do litígio, cuja aceitação representaria, também, violação aos princípios do contraditório e da estabilidade da demanda. Cumpre destacar que a modificação do pedido apresenta grandes limitações no direito processual como um todo, como se vislumbra do disposto no artigo 264 do CPC, abaixo reproduzido: Art. 264. Feita a citação, é defeso ao autor modificar o pedido ou a causa de pedir, sem o consentimento do réu, mantendose as mesmas partes, salvo as substituições permitidas por lei.(Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) Parágrafo único. A alteração do pedido ou da causa de pedir em nenhuma hipótese será permitida após o saneamento do processo. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973). Com efeito, como é cediço, a compensação que, nos termos do art. 170 do CTN, pressupõe liquidez e certeza dos créditos, é levada a efeito por meio de declaração capaz Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 de extinguir o débito tributário sob condição da sua ulterior homologação, nos termos dos parágrafos 1º e 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme a redação que lhes foi fornecida pela Lei nº 10.637, de 2002. Portanto, cabe ao Fisco analisar se cabe ou não homologar uma compensação declarada. Noutro giro, os parágrafos sétimo a nono do mesmo art. 74 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, incluídos pela Lei nº 10.833, de 20033, indicam as consequências da não homologação da DCOMP, bem assim o objeto do litígio instaurado em razão da apresentação de manifestação de inconformidade. Focado nesses parâmetros, entendo que o pleito do sujeito passivo não merece acolhida, pois não cabe a este Colegiado ir além da análise do ato de não homologação da Declaração de Compensação e tal ato, como decidido pelo acórdão recorrido, não merece reparo. Observase vários julgados desta Corte que no caso do preenchimento dos dados do PER/DCOMP, cuja finalidade é a comunicação à administração tributária de um crédito e de um débito, os quais se extinguirão mutuamente, o erro na discriminação de qualquer um dos dois é claramente substancial, não podendo ser considerado simples erro material. Neste sentido, quanto ao princípio da verdade material em detrimento do formalismo que deve nortear o processo administrativo fiscal, alegado pelo Recorrente, temos em conta que a DCOMP faz parte de maneira inseparável à compensação. A pesquisa da verdade material se dá em relação às informações assinaladas na DCOMP. Não se trata de investigar minuciosamente da existência ou não do pagamento a maior no montante mencionado pela contribuinte. No caso da compensação, as informações sobre o débito e o crédito inscritas na DCOMP, como dito, fazem parte da essência da compensação. Por fim, temos em conta ainda que como se sabe, tratandose a CMPF de tributo pago por terceiros, cabendo ao interessado, na condição de contribuinte de fato, tão somente a obrigação por seu recolhimento, o direito à sua restituição/compensação se subsume, a teor do disciplinado pelo art. 166 do CTN. Verificase que o Recorrente juntou cópia de demonstrativo dos extratos das contas correntes que receberam os créditos e dos valores estornados dos clientes, visando corroborar as suas alegações de que suportou o ônus de pagamento da CPMF indevidamente retida. Da conclusão Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915393/200951 Acórdão n.º 3802003.654 S3TE02 Fl. 1.495 11 Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902688/2009-35
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Tendo a empresa contribuinte tomado ciência da decisão recorrida em 27/04/2.011 e efetivado o protocolo do inconformismo em 30/05/2.011, tem-se como intempestivo o recurso.
Numero da decisão: 1803-001.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perempção, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmem Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Victor Humberto da Silva Maizman - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente na época do julgamento), Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes e Roberto Armond Ferreira da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perempção, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmem Ferreira Saraiva - Presidente. (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente na época do julgamento), Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes e Roberto Armond Ferreira da Silva (Suplente Convocado).
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score : 1.0
Numero do processo: 10245.000290/2006-76
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 18/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano. Tratase de auto de infração (fls. 76/85), relativo ao IRPF, exercício de 2002, em razão de suposta omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 95/104, aos seguintes fundamentos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 45 .0 00 29 0/ 20 06 -7 6 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10245.000290/200676 Resolução nº 2802000.121 S2TE02 Fl. 297 2 1) Citando doutrina e jurisprudências administrativas e judiciais, afirma que, no tocante à pessoa fisica, a presunção legal estribada nos depósitos bancários encontra os seguintes óbices: não está calcada na experiência anterior; não é possível estabelecer uma correlação direta entre o montante dos depósitos e a omissão de rendimentos; a impossibilidade de o contribuinte produzir a prova necessária e de tal ônus sobre ele recair; 2) Solicita que o Fisco lhe forneça informações as quais seriam úteis para os esclarecimentos, inclusive o dossiê que motivou tal fiscalização. Argüiu o desrespeito ao seu direito constitucional de acesso às informações concernentes a sua situação fiscal, alegando inclusive a ilegalidade em face do que dispõe o Decreto 3.724/2001. 3) O auto de Infração tem como base os depósitos bancários efetuados nas contas correntes da impugnante junto ao Banco do Brasil e Sudameris, tendo como esteio legal a Lei 9.430/96, art. 42, § 1°ao 6°, o que não pode prosperar, ora pela ilegalidade da referida e inaplicável lei, que contraria o entendimento dos Tribunais Superiores, o que também se contrapõe aos próprios julgados administrativos, ora por ignorar legislação que certamente fulmina de nulidade o modo em que se calcou o auto em tela, como o próprio RIR; 4) Invoca o art. 849 do RIR/99, argüindo que, do exame desse texto legal observase a flagrante ilegalidade da apuração, na maioria absoluta, das bases de cálculo contidas à fl. 61. tanto com relação ao Banco do Brasil, como ao Sudameris; 5) Depósitos no Banco SUDAMERIS. Ao analisar os 20 (vinte) depósitos bancários efetuados junto a esse Banco, cuja soma total é de R$ 53.405,97 (cinqüenta e três mil, quatrocentos e cinco reais e noventa e sete centavos), verificase que dezenove deles, individualmente, não ultrapassaram o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais), nem na totalidade o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) anual, devendo assim, não serem considerados, conforme preceitua o inciso II do § 2° do art. 849 do RIR/99, traduzindose em verdadeiro ato ilegal. Existe um depósito cujo valor é superior a RS 12.000,00 (doze mil reais), mais precisamente R$ 29.329,12. Entretanto, tratase tal valor de transferência de crédito, efetuada no dia 17/04/2001, fls. 110/111. Diz respeito a um empréstimo feito pelo esposo da recorrente, indicando as provas de tal fato; 6) Depósitos no Banco do Brasil. Nenhum depósito supera os R$ 12.000,00 (doze mil reais), ou na sua totalidade supera os R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), logo também está eivada de ilegalidade a tributação dos mesmos. O depósito feito na conta corrente da lmpugnante no dia 22/02/2001, no valor de R$ 3.153,14 (três mil, cento e cinqüenta e três reais e quatorze centavos) tem como origem o pagamento feito pelo Tribunal de Contas do Estado de Roraima a titulo de remuneração à Recorrente, fls. 113/115; 7) Finalmente a Recorrente requer o cancelamento ou anulação do débito fiscal reclamado. Em julgamento, a 2ª Turma da DRJ/BEL, em sessão realizada no dia 02/06/2008, decidiu à unanimidade, manter o lançamento em parte aos seguintes fundamentos: que o artigo 142 do CTN e outras normas jurídicas citadas no acordam vedam que a instância administrativa, natureza do presente processo, perquira da constitucionalidade ou legalidade de normas jurídica vigentes que dão fundamento ao lançamento; que a jurisprudência colhida pelo contribuinte não vincula o julgamento dos presentes autos, não se constituindo, em fonte de direito tributário ou administrativo; que não há nos autos vício que comprometa de nulidade o lançamento, tendo sido observada fielmente a legislação de regência; que não procede alegação Fl. 297DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10245.000290/200676 Resolução nº 2802000.121 S2TE02 Fl. 298 3 de cerceamento de defesa pelo não atendimento a requerimentos apresentados pelo contribuinte em fase de fiscalização, quando ainda não instaurado o litígio, que somente se inaugura com o lançamento e a respectiva impugnação; que é ônus do contribuinte provar a origem de depósitos bancários de origem não comprovada, historiando a evolução da legislação e demais normas que regeram e regem a matéria; que a tributação não recai sobre os depósitos bancários, mas sobre a omissão de rendimentos que os mesmos revelam, com base em presunção fundada na lei; que, sendo assim, meras alegações, desacompanhadas de documentos que provem a origem dos valores depositados, não tem o condão de elidir a ilegalidade imputada ao contribuinte; que não tem aplicação a Súmula 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos, editada com base em legislação pretérita e sob a égide de Constituição anterior à que hoje vige, não dizendo respeito ao ordenamento que incide sobre o caso vertente. Intimado da supramencionada decisão, conforme fl. 139, interpôs tempestivamente o recurso de fl.144, alegando que a DRJ não apreciou a alegação da contribuinte em sua impugnação de não caracterização de omissão de rendimentos se os depósitos bancários não ultrapassam individualmente o montante de R$12.000,00 ou de R$ 80.000,00 ao ano, nos termos do RIR/99, o que macula de nulidade o lançamento. O recurso ora analisado foi interposto no âmbito de procedimento administrativo no qual foi constituído, contra o recorrente, crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda. A autuação utilizou como fundamento omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Para alcançar seu desiderato, a Fiscalização utilizou requisição de movimentação financeira (RMF) (fls. 33). A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10245.000290/200676 Resolução nº 2802000.121 S2TE02 Fl. 299 4 Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente(RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 691349 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10245.000290/200676 Resolução nº 2802000.121 S2TE02 Fl. 300 5 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente(RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, Fl. 300DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10245.000290/200676 Resolução nº 2802000.121 S2TE02 Fl. 301 6 informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator(RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe 100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 62A, §1º, do Regimento Interno do CARF e à Portaria CARF nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, sou pelo sobrestamento do presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 301DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 11080.724187/2012-56
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
GLOSA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
Mantém o lançamento quando o contribuinte não apresenta a documentação comprobatória do gasto declarado como despesas de instrução.
GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Somente são considerados hábeis, para fins de dedução de despesas médicas, os pagamentos realizados em favor de profissionais da área de saúde relacionados e que atendam os requisitos formais previstos, dentre os quais, no caso concreto, a indicação do seu endereço.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução dos valores de R$ 7.031,26 (sete mil, trinta e um reais e vinte e seis centavos) a título de despesas médicas, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Vinicius Magni Verçosa, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 GLOSA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Mantém o lançamento quando o contribuinte não apresenta a documentação comprobatória do gasto declarado como despesas de instrução. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Somente são considerados hábeis, para fins de dedução de despesas médicas, os pagamentos realizados em favor de profissionais da área de saúde relacionados e que atendam os requisitos formais previstos, dentre os quais, no caso concreto, a indicação do seu endereço. Recurso voluntário provido em parte.
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Mantém o lançamento quando o contribuinte não apresenta a documentação comprobatória do gasto declarado como despesas de instrução. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Somente são considerados hábeis, para fins de dedução de despesas médicas, os pagamentos realizados em favor de profissionais da área de saúde relacionados e que atendam os requisitos formais previstos, dentre os quais, no caso concreto, a indicação do seu endereço. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução dos valores de R$ 7.031,26 (sete mil, trinta e um reais e vinte e seis centavos) a título de despesas médicas, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 41 87 /2 01 2- 56 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Vinicius Magni Verçosa, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Trata o presente processo de exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, relativo ao anocalendário de 2008, formalizada pela Notificação de Lançamento, fls. 16 a 22, tendo em vista a constatação de omissão de rendimentos informados em DIRF, no valor de R$317,10, dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$22,.818,14, e de instrução, no valor de R$ 60,00, por falta de comprovação. Em sua impugnação a contribuinte alega, em síntese, que: a Notificação seria nula ou insubsistente, devendo ser cancelado o crédito tributário exigido. desconhece a Companhia Energética Rio das Antas CERAN e nunca prestou qualquer serviço e nem recebeu rendimentos dessa fonte pagadora; as deduções relativas a despesas com instrução (R$ 60,00) e médicos (R$22.818,14) formam deduzidas de acordo com a legislação tributária e devem ser restabelecidas conforme documentos anexados ao processo; solicita a tramitação prioritária do presente processo com base no Estatuto do Idoso. A DRJ em Porto Alegre/RS, fls. 74 a 81, julgou procedente em parte a impugnação, para excluir a tributação incidente sobre o valor de R$ R$ 337,10, lançado a título de omissão de rendimentos, assim como restabelecer parte da dedução das despesas médicas (R$ 6.790,44 e R$1.058,40, relativamente aos planos de saúde da contribuinte e seus dependentes, R$ 813,04, pagos ao Instituto de Previdência do Estado do RGS, R$ 500,00, da Estética Vita Naturales Ltda e R$ 125,00, pagos a Fisiogim – Clínica de Fisioterapia). Cientificada em 18/05/2012, fls. 85, a interessada interpôs recurso voluntário em 14/06/2012, fls. 87 a 96, alegando, em síntese, que: o acórdão tratou de pedidos que não foram feitos, como por exemplo, nulidade do auto de infração, a legalidade da aplicação da multa ou da taxa Selic; deverá ser afastada a glosa do valor de R$531,26, relativo ao plano de saúde de seu cônjuge, uma vez que este veio a falecer em fevereiro de 2008 e não apresentou declaração com o desconto do plano de saúde; também deverá ser afastada a justificativa para o não conhecimento da dedução das despesas com instrução no valor de R$60,00, pois foram acostados aos autos comprovantes dos pagamentos efetuados ao SENAC; os requisitos previstos na legislação não exigem a indicação no recibo do CREFITO do profissional de fisioterapia, Guilherme Bredow; Fl. 102DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.724187/201256 Acórdão n.º 2802003.225 S2TE02 Fl. 102 3 a falta de indicação do endereço no recibo é justificada pelo atendimento domiciliar; a necessidade de tal atendimento se deve ao fato de ser portadora de artrite; os recibos emitidos pela Dra. Jussara Clemens atende aos requisitos exigidos por lei e não fazem menções genéricas, conforme afirmou a decisão recorrida, pois todos mencionam o tratamento psicológico a que foi submetida; estando devidamente comprovadas as despesas médicas não há motivo para a imposição de multa e demais cominações; É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. De acordo com a Notificação de Lançamento, fls. 18, a glosa do valor de R$60,00 de despesas de instrução foi motivada pelo fato de a contribuinte haver comprovado somente parte da totalidade deduzida a esse título. O recorrente contesta a decisão que manteve a glosa da despesa com instrução alegando que dos autos constam demonstrado que o desembolso realizado no valor de R$60,00 destinouse o curso freqüentado no SENAC Educação a Distancia EAD. Compulsandose os autos, constatase que o documento de fls.48, emitido pela citada instituição, informa a inexistência de recebimentos das parcelas relativas aos meses de maio de 2008 a setembro de 2008. Por outro lado, constatase ser o bloqueto de fls. 23 o único documento juntado aos autos que demonstra algum pagamento realizado para essa instituição. No entanto, embora demonstrado o pagamento do valor de R$260,00 (portanto, superior ao que glosado), não há como vinculálo como prova para caso concreto, haja vista que dos autos se observa que a contribuinte sequer conseguiu comprovar a totalidade do montante de R$1.360,00, que foi consignado em sua declaração de ajuste anual a título de despesas instrução na ordem, fls. 71. Portanto, há que ser mantida a glosa do valor de R$60,00, por falta de comprovação de parte das despesas com instrução deduzida indevidamente da base de calculo do imposto de renda. A decisão recorrida manteve a glosa da parte das despesas com plano de saúde, sob o argumento de que estas teriam sido realizadas em benefício de cônjuge que apresentou declaração de rendimentos em separado. Contudo, à falta de elementos nos autos que confirme que referido cônjuge, de fato, apresentou declaração de rendimentos em separado, impõese o restabelecimento da dedução do valor de R$531,26, relativo ao plano de saúde. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 De acordo com a Notificação de Lançamento, fls. 20, os recibos de emissão de Guilherme Bredow não contemplam as informações necessárias, tais como endereço do profissional e número de registro no CREFITO do profissional. A recorrente alega que a exigência da indicação do registro no conselho profissional não é exigida pela legislação e que o atendimento do fisioterapeuta emitente do recibo é domiciliar. Assim dispõe o art. 73, do RIR/1999: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei n° 9.250, de 1995, art. 8°, inciso II, alínea "a"). § 1° O disposto neste artigo (Lei n° 9.250, de 1995, art. 8°, § 2°): (...) II. restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III. limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento” (negritos não constam do original) Portanto, somente são considerados hábeis, para fins de dedução de despesas médicas, os pagamentos realizados em favor de profissionais da área de saúde relacionados e que atendam os requisitos formais previstos, dentre os quais, no caso concreto, a indicação do seu endereço. Do exame dos documentos de fls. 24 a 27, e novamente às fls. 56 a 58, constatase que a falta de indicação do número do registro no respectivo conselho profissional da pessoa emitente daqueles recibos impedem a confirmação de que a pessoa que os assinou seja, de fato, profissional da área de fisioterapia. Também se observa dos mesmos documentos a inexistência do requisito formal atinente ao endereço do emitente. Portanto, mantida a glosa. A glosa das despesas médicas declaradas como pagas à psicóloga Juçara Clemens (R$ 6.500,00), foi motivada por falta de apresentação da documentação comprobatória. A recorrente contesta a manutenção da glosa pela decisão de primeira instância alegado que os recibos apresentados em sua impugnação atendem a todos os requisitos exigidos pela legislação, com a indicação de se referirem a tratamento psicológico no período de 2008 com a menção, inclusive, dos meses em que foram recebidos. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.724187/201256 Acórdão n.º 2802003.225 S2TE02 Fl. 103 5 Do exame dos recibos firmados pela citada psicóloga apresentados pela contribuinte às fls. 29, constatase que deles constam expressos os requisitos formais estabelecidos pela legislação, anteriormente transcritos. Impõese, pois, o restabelecimento da dedução da despesa médica consignada pela contribuinte como paga à psicóloga Juçara Clemens, no valor de R$6.500,00. Voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução dos valores de R$ 7.031,26 (sete mil, trinta e um reais e vinte e seis centavos) a título de despesas médicas. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 105DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10580.720255/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
EMBARGOS INOMINADOS. ACOLHIMENTO.
Constatado erro de fato devido a lapso manifesto, acolhem-se os Embargos de Declaração opostos pelo Conselheiro relator, promovendo-se a devida correção.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF E PORTARIA CARF Nº 01/2012. REPERCUSSÃO GERAL. SOBRESTAMENTO.
Por força do art. 62A do Anexo II do RICARF, bem como a Portaria CARF nº 01/2012, ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.
Numero da decisão: 2201-001.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para anular o Acórdão nº 2201-001.742, de 14/08/2012, e sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: Relator
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ACOLHIMENTO. Constatado erro de fato devido a lapso manifesto, acolhemse os Embargos de Declaração opostos pelo Conselheiro relator, promovendose a devida correção. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF E PORTARIA CARF Nº 01/2012. REPERCUSSÃO GERAL. SOBRESTAMENTO. Por força do art. 62A do Anexo II do RICARF, bem como a Portaria CARF nº 01/2012, ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para anular o Acórdão nº 2201001.742, de 14/08/2012, e sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 02 55 /2 00 9- 17 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentado com base no art. 66, § 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, opostos pelo Conselheiro relator Eduardo Tadeu Farah da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em sessão plenária de 14 de agosto de 2012, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF julgou o processo nº 10580.720255/200917, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2201001.742, assim ementado: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares arguidas pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento, e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, que deram provimento integral ao recurso. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.720255/200917 Acórdão n.º 2201001.951 S2C2T1 Fl. 3 3 Analisandose o Auto de Infração de fls. 26/35, verificase que o lançamento foi efetuado tomando por base a tabela do imposto de renda vigente na data do pagamento do rendimento (regime de caixa) e não a tabela mensal vigente no mês de referência em que o rendimento foi obtido (regime de competência). Assim, como se trata de rendimentos recebidos acumuladamente os autos devem ser novamente apreciado no seu todo pela Turma Julgadora e, em especial, a possibilidade de sobrestamento, conforme determina o art. 62A do Anexo II do RICARF, bem como a Portaria CARF nº 01/2012. É o Relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Os embargos são tempestivos, portanto, conheço. Como se pode verificar da leitura do relatório o lançamento foi efetuado tomando por base a tabela do imposto de renda vigente na data do pagamento do rendimento (regime de caixa). Quanto à forma de tributação dos rendimentos, se regime de caixa ou regime de competência, relativo a rendimentos recebidos acumuladamente, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009), determinou que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal – STF, na sistemática prevista pelos artigos 543B do Código de Processo Civil CPC. Transcrevese o art. 62A do RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifei) Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 01, de 03 de janeiro de 2012, dispõe: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Assim sendo, o Supremo Tribunal Federal ao apreciar a admissibilidade do RE nº 614406, que versa exatamente sobre a forma de cálculo do imposto objeto dos presentes Fl. 139DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 autos, determinou o sobrestamento dos demais feitos que versem sobre o mesmo tema, nos termos do artigo 543B do CPC, verbis: RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SUL REPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 – Publicação DJe 043 DIVULG 03032011 PUBLIC 04032011 EMENT VOL 0247601 PP00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Decisão Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral objeto do recurso e reformou a decisão de inadmissibilidade do extraordinário. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. (grifei) Diante do exposto, voto para que sejam acolhidos os Embargos para anular o Acórdão nº 2201001.742, de 14 de agosto de 2012, e sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 01/2012. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 140DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.720255/200917 Acórdão n.º 2201001.951 S2C2T1 Fl. 4 5 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10730.911200/2009-45
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2006
Decisão. Inovação. Supressão de Instancia. Inocorrência
Não se verifica inovação ou supressão de instância em decisão de Turma Julgadora de 1a. Instância que se limitou a emitir juízo de valor a respeito de provas apresentadas pela recorrente, em atendimento às solicitações da sua unidade de jurisdição, destinadas justamente a comprovar o indébito reclamado.
Numero da decisão: 1801-002.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana de Barros Fernandes (Relatora) e Rogério Aparecido Gil que deram provimento em parte ao recurso voluntário e determinaram o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para análise do mérito do litígio. Designada a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez para redigir o Voto Vencedor.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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INOVAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTANCIA. INOCORRÊNCIA Não se verifica inovação ou supressão de instância em decisão de Turma Julgadora de 1a. Instância que se limitou a emitir juízo de valor a respeito de provas apresentadas pela recorrente, em atendimento às solicitações da sua unidade de jurisdição, destinadas justamente a comprovar o indébito reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Ana de Barros Fernandes (Relatora) e Rogério Aparecido Gil que deram provimento em parte ao recurso voluntário e determinaram o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para análise do mérito do litígio. Designada a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez para redigir o Voto Vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 91 12 00 /2 00 9- 45 Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 12064.171/14 exarado pela Décima Quinta Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ 1, efls. 982 a 998, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como decidiu não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) objetos destes autos. O acórdão restou assim ementado: CSLL. ESTIMATIVA MENSAL CALCULADA COM BASE EM BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO A MAIOR. A comprovação do pagamento a maior da estimativa de CSLL apurada com base em balancete de suspensão/redução exige que o contribuinte apresente o referido balancete, como também o demonstrativo de apuração da base de cálculo da contribuição, relativamente ao período compreendido entre 1° de janeiro, ou o dia de início de atividade, e o último dia do mês a que se referir a estimativa em questão. A mera falta de transcrição do balancete no Livro Diário não invalida este balancete, para efeito de suspensão ou redução da estimativa mensal de CSLL, quando suas informações guardam consonância com a escrituração contábil. Já o demonstrativo de apuração que abrange apenas o mês de competência, sem considerar o período acumulado, reputase imprestável para comprovar o pagamento a maior da estimativa. Ocorre que este processo já havia sido objeto de análise anterior, quando a autoridade a quo havia indeferido o Per/Dcomp emitido pela recorrente por tratarse de repetição de estimativa, entendimento corroborado na primeira decisão prolatada pela Primeira Instância de Julgamento. Por razão do provimento em parte do recurso voluntário então interposto, os autos voltaram à unidade de jurisdição da recorrente para fosse analisado o crédito pleiteado, já que o entendimento deste colegiado (e órgão julgador) é que as estimativas são passíveis de restituição, desde que comprovado que o recolhimento a maior ou indevido deuse por erro1. No Despacho Decisório emitido às efls. 947 a 955 a autoridade a quo, sumariamente, indeferiu o Per/Dcomp da recorrente em razão de que os balancetes de suspensão/redução não haviam sido registrados no Diário. Ao subir os autos a julgamento em Primeira Instância, no votocondutor esta questão foi superada, registrandose no acórdão ora recorrido que a falta de registro dos 1 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911200/200945 Acórdão n.º 1801002.180 S1TE01 Fl. 3 3 balancetes de suspensão/redução no Livro Diário não pode ser razão para que seja desconsiderado, entendimento já adotado por este Conselho, por analogia2. Superada a razão de indeferimento do Per/Dcomp, do Despacho Decisório, a Turma Julgadora, por maioria de votos, decidiu que a recorrente não faz jus ao direito creditório, pois não apresentou documentação hábil a comprovar o alegado erro apresentou somente balancete de suspensão/redução do mês e não do período acumulado, consoante ementa acima transcrita. Em Declaração de Voto, o julgador vencido na votação salientou: "Concordo com o Ilustre Relator que a simples falta de transcrição do balancete no Livro Diário não invalida o mesmo, quando suas informações guardam consonância com a escrituração contábil. No entanto, respeitosamente, divirjo do Ilustre Relator quanto a decidir por considerar imprestável o Demonstrativo de Apuração da CSLL por outras razões não apresentadas no Despacho Decisório, pois entendo que tal situação caracterizaria inovação de motivação, acarretando no cerceamento do direito de defesa. Portanto, meu voto é no sentido de retornar o processo à Unidade prolatora do Despacho Decisório a fim de dar prosseguimento na análise do direito creditório, ainda que haja a possibilidade da autoridade tributária desconsiderar a contabilidade por outros motivos distintos daqueles já apontados por ela." A empresa interpôs tempestivamente3 o Recurso de efls. 1019 a 1033 , reiterando os termos da defesa exordial, em síntese, que faz jus à repetição do indébito tributário consubstanciado na estimativa de CSLL, referente ao mês de novembro de 2006, pois "... estava amparada por sentença judicial que lhe assegurava compensar bases de cálculo negativas de períodos anteriores sem a limitação de 30% prevista no art. 58 da Lei nº 8.981/1995, e no art. 16 da Lei nº 9.065/1995; QUE, amparada por esta decisão judicial, utilizou todo o montante de bases negativas que possuía, para fins de compensação, tendo o estoque se esgotado em dezembro de 2005; QUE, na falta de bases negativas que pudesse compensar, apurou, como estimativa de CSLL de novembro de 2006, um valor de R$ 3.139.572,80; QUE em virtude da subseqüente reforma da decisão judicial, viuse obrigada a recalcular os valores das estimativas de CSLL devidas, levando em conta a trava de compensação de 30%; QUE, após efetuar o recálculo, o montante devido a título de estimativa de CSLL, no mês de novembro de 2006, foi reduzido para R$ 2.192.781,29, valor este devidamente informado na Ficha 16 da DIPJ/2007 (doc. fl. 104) e na própria DCTF (doc. fl. 99); QUE como já havia recolhido a importância de R$ 3.139.572,80, passou a ter um crédito frente à Fazenda Nacional, no valor de R$ 946.791,51; QUE o art. 74, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, ao enumerar as hipóteses de compensações vedadas, não fez qualquer restrição ao aproveitamento de créditos decorrentes de pagamentos a maior de estimativas mensais; QUE a vedação introduzida pelo art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, não tem nenhum amparo legal; QUE a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, que regulamenta atualmente os procedimentos de restituição e compensação no âmbito da Receita 2 Súmula CARF nº 93: A falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a suspensão ou redução da estimativa. 3 AR – 24/10/11, efls. 99; Recurso – 23/11/11, efls. 102 Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Federal, eliminou a restrição que havia quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de recolhimentos a maior de estimativas mensais." Aduz que o acórdão recorrido não pode prosperar porque trouxe inovação às razões de indeferimento veiculadas pela autoridade a quo, suprimindo instância de julgamento, e que a unidade de jurisdição não analisou o crédito tributário em nenhum momento processual, consoante determinado no primeiro acórdão prolatado em segunda instância de julgamento. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. Entendo que assiste razão à recorrente. Adoto as razões de decidir explanadas no Voto Vencido. Por analogia, invoco o disposto no parágrafo 3º do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF): Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Entendo que houve a inovação na fundamentação legal das razões de indeferimento, e, por conseguinte, flagrante cerceamento de defesa da recorrente (artigo 59, inciso II, do PAF). A Turma Julgadora de Primeira Instância ao adentrar no mérito da questão, sem que a autoridade a quo o fizesse, suprimiu uma instância administrativa de julgamento, procedimento defeso, pois aquela autoridade restringiuse a não admitir os meios de prova exibidos pela recorrente (no caso em concreto, por falta de transcrição dos balancetes de suspensão/redução no Livro Diário). Uma vez afastada a razão de indeferimento do pleito da recorrente manifestada pela autoridade a quo, os autos devem retornar para analisarse a contabilidade completa da recorrente, no que concerne a todas as suas alegações, verificarse os valores Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911200/200945 Acórdão n.º 1801002.180 S1TE01 Fl. 4 5 informados em DIPJ e DCTF, e verificar se, efetivamente, houve ou não o recolhimento da estimativa de CSLL a maior, consoante a recorrente explicita, ou seja, se o valor devido de estimativa para o mês de novembro de 2006 é, de fato, R$ 2.192.781,29, em contraposição do valor recolhido, por DARF, da ordem de R$ 3.139.572,80, o que, em tese, enseja a repetição do indébito tributário no valor de R$ 946.791,51. Voto para dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para análise do direito creditório, em vista das argumentações meritórias da contribuinte. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Voto Vencedor Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Redatora Designada. Com o devido respeito ao muito bem fundamentado voto da Ilustre Conselheira Relatora, divirjo de seu entendimento, no presente caso. Como se verifica do relato, a recorrente teve seu pleito de compensação de débitos próprios com direito creditório a título de pagamento indevido ou a maior da estimativa de CSLL do mês de novembro/2006, porque a autoridade administrativa entendeu que pagamentos efetuados a título de estimativa não poderiam ser utilizados como direito creditório, a esse título, em compensações declaradas, e que tais recolhimentos somente poderiam ser aproveitados como dedução ou para compor o saldo negativo porventura apurado no final do período de apuração. Pelo Acórdão n º 1801001.294, de 05/12/2012, esta Turma Especial de Julgamento do CARF decidiu que a compensação de estimativas, a esse mesmo título, seria possível, desde que a recorrente comprovasse, perante a Fazenda Pública, o erro cometido na apuração e/ou recolhimento da estimativa reivindicada como direito creditório nestes autos. Eis o trecho dessa decisão (efls. 158): “Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 3.328,31 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo”. Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 (destaques acrescidos) Dando cumprimento a essa decisão, o SEORT da DRF em Niterói/RJ, intimou a recorrente para que apresentasse os seguintes elementos, a fim de comprovar o direito creditório que alegava possuir (efls. 176/178): a) Demonstrativo de apuração da CSLL, calculada por estimativa mensal, especificando as contas contábeis em que foram escrituradas as receitas que compuseram a base de cálculo; b) Os balancetes mensais de suspensão/redução; c) O plano geral de contas utilizado para o registro na escrituração contábil; d) Os Livros Diário e Razão; e) Cópia autenticada do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante; e f) Cópia autenticada da procuração conferida por instrumento público ou particular e do documento de identidade do outorgado, na hipótese de mandatário do sujeito passivo Constou, ainda, ao final, a seguinte observação: Considerese o contribuinte INFORMADO que o nãoatendimento à presente intimação poderá ensejar o nãoreconhecimento do direito creditório alegado e a nãohomologação da compensação declarada. A recorrente atendeu a solicitação e apresentou os elementos que entendeu suficientes, assim especificados na resposta anexada à efls. 181/182: Diante do exposto a AMPLA apresenta os documentos solicitados nos itens a), b) e c), em arquivo magnético, CDR anexo (Doc. 03), conforme acordado em contato telefônico. Para o item d) seguem os Livros Diários originais e o Razão em arquivo magnético (Doc. 03), ambos do mês de Novembro de 2006. Quanto aos itens e) e f), a Companhia apresenta as cópias dos documentos autenticados também em anexo (Doc. 01). Os elementos apresentados foram anexados às efls. 190 e ss, e referemse a: Plano Geral de Contas Contábeis (fls. 194/283); Balancete mensal de suspensão/redução de novembro/2006 (fls. 284/317); Demonstrativo com o lucro líquido ajustado pelas adições, exclusões e compensações (fls. 318/319); Livros Diário de n ºs 464, 465, 466 e 467, de onde foram extraídas cópias parciais anexadas às fls. 320/335; e Livro Razão, de onde foram extraídas cópias dos lançamentos contábeis efetuados em contas de resultados, às fls. 336/942. Reforçando. A decisão desta 1a. Turma Especial de Julgamento do CARF determinou que a autoridade administrativa colhesse junto à recorrente as provas do indébito analisandoas, a fim de formar sua convicção sobre a existência e suficiência do direito Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.911200/200945 Acórdão n.º 1801002.180 S1TE01 Fl. 5 7 creditório. Assim agiu a unidade de jurisdição da recorrente. Reuniu os elementos apresentados e sobre eles emitiu seu juízo de valor. Nesse sentido, considerou que o balancete de redução/suspensão apresentado pela recorrente, no qual teria sido apurada a estimativa de CSLL de novembro/2006, não teria validade jurídica como elemento probatório, porque não havia sido transcrito no Livro Diário, formalidade exigida por lei. Eis o trecho daquela decisão: (efls. 702) 13. No caso em exame, constatase, à vista do que consta nas cópias parciais dos Livros Diário de nos 464, 465, 466 e 467 (fls. 320/335), que o sujeito passivo deixou de transcrever o balancete mensal de suspensão/redução do período de apuração de novembro/2006 no Livro Diário. 14. Por conta da inexistência de transcrição no Livro Diário, o balancete mensal de suspensão/redução de fls. 284/316 deve ser desconsiderado, em face do disposto no art. 15, § 3º, da IN SRF nº 93/1997, e a CSLL devida em julho/2006 deverá ser aferida nos termos previstos no art. 2º c/c art. 28, ambos da Lei nº 9.430/1996, ou seja, deverá ser determinada sobre a base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Desconsiderado como elemento de prova, o balancete, aquela autoridade promoveu nova apuração da estimativa, agora com base na receita bruta, como determinado pela legislação de regência, do que resultou uma estimativa de CSLL, em novembro/2006, em valor maior do que aquele pago pela recorrente e reclamado a título de direito creditório. Por tal razão a compensação foi não homologada. Da mesma forma foi a atuação da Turma Julgadora de 1a. instância. Debruçouse sobre as provas apresentadas pela recorrente, valorandoas. Assim, ao analisar o mesmo balancete, superou a formalidade exigida pela unidade de jurisdição. Contudo, ao prosseguir na análise do mesmo elemento, o balancete apresentado, verificou que o problema na prova apresentada não era formal, mas sim material, pois residia na própria forma com que a recorrente havia apurado a estimativa. E, assim, consignou: Com efeito: de acordo com a legislação tributária,o resultado contábil, apurado no balancete correspondente ao período de 01/01/2006 a 30/11/2006, deveria ser ajustado pelas adições, exclusões e compensações pertinentes, a fim de se determinar a base de cálculo da CSLL relativa ao período de 01/01/2006 a 30/11/2006: ... Não é isto, todavia, o que temos nos autos. O Demonstrativo de Apuração da CSLL apresentado pela Interessada, às fls. 318/319, abrange apenas o mês de novembro, ou seja, o período de 01/11/2006 a 30/06/2006. Tal fato pode ser facilmente comprovado, confrontandose os valores lançados no referido demonstrativo e os saldos das respectivas contas, extraídos do balancete do período de janeiro a novembro. Vejamos, por exemplo, a adição efetuada a título de Provisão para Contingências Trabalhistas – Conta nº 2219970000. O valor que aparece lançado no Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Demonstrativo de Apuração da CSLL, de R$ 1.011.045,91 (fl. 318), corresponde ao saldo do mês de novembro, e não ao saldo acumulado de janeiro a novembro, que é de R$ 261.940.046,26 (fl. 300). O mesmo problema ocorre com as demais rubricas. Em face de tais erros, reputo o demonstrativo de fls. 318/319 imprestável para comprovar o pagamento a maior da estimativa de CSLL de novembro de 2006. Não vejo, assim, qualquer inovação promovida pela Turma Julgadora de 1a. Instância. Aquela autoridade valorou as provas apresentadas pela recorrente, exatamente como havia feito a unidade de jurisdição da recorrente. Nada além disso. A autoridade administrativa de jurisdição da recorrente considerou que o balancete apresentado não tinha validade jurídica formal como prova. A Turma Julgadora de 1a. Instância superou a falta de validade formal atribuída pela autoridade administrativa, mas considerou que o balancete, como meio de prova, não tinha validade material. Tudo se deu no âmbito de valoração de provas. Entendo, assim, que não houve qualquer inovação ou supressão de instância na decisão proferida pela Turma Julgadora de 1a. Instância. Como a recorrente não comprovou o erro na apuração da estimativa de CSLL apurada com base em balancete de redução e/ou suspensão, e, assim, não fez prova do indébito que alega possuir, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10920.909577/2012-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 95 77 /2 01 2- 01 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909577/201201 Acórdão n.º 3801002.728 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909577/201201 Acórdão n.º 3801002.728 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909577/201201 Acórdão n.º 3801002.728 S3TE01 Fl. 5 4 Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909577/201201 Acórdão n.º 3801002.728 S3TE01 Fl. 6 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909577/201201 Acórdão n.º 3801002.728 S3TE01 Fl. 7 6 decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909577/201201 Acórdão n.º 3801002.728 S3TE01 Fl. 8 7 VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909577/201201 Acórdão n.º 3801002.728 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.904843/2012-43
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2004
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 48 43 /2 01 2- 43 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904843/201243 Acórdão n.º 3801004.483 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904843/201243 Acórdão n.º 3801004.483 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904843/201243 Acórdão n.º 3801004.483 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904843/201243 Acórdão n.º 3801004.483 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904843/201243 Acórdão n.º 3801004.483 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904843/201243 Acórdão n.º 3801004.483 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904843/201243 Acórdão n.º 3801004.483 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 12689.001266/2008-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 02/09/2008
Ementa:
ORDEM JUDICIAL DETERMINANDO A REGULAR TRAMITAÇÃO DO RECURSO DO CONTRIBUINTE, CONTRA DECISÃO DA INSPETORIA DA ALFÂNDEGA. CUMPRIMENTO INCORRETO DA DECISÃO JUDICIAL. NATUREZA DE RECURSO HIERÁRQUICO, REGIDO PELO ART. 56 DA LEI 9.784/1999.
O CARF não é competente para julgar recurso contra decisão proferida pelo Inspetor-Chefe da Alfândega da Receita Federal do Brasil. Cumprimento equivocado da decisão judicial que determinou a regular tramitação do recurso do contribuinte.
Pelo princípio da fungibilidade, o recurso da empresa deve ser recebido como recurso hierárquico, dirigido à autoridade prolatora da decisão, que, se não a reconsiderar, deve encaminhar para apreciação da Superintendência Regional da Receita Federal de sua competência, nos termos do art. 56 da Lei nº 9.784/1999.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3202-001.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (presidente da turma), Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 02/09/2008 Ementa: ORDEM JUDICIAL DETERMINANDO A REGULAR TRAMITAÇÃO DO RECURSO DO CONTRIBUINTE, CONTRA DECISÃO DA INSPETORIA DA ALFÂNDEGA. CUMPRIMENTO INCORRETO DA DECISÃO JUDICIAL. NATUREZA DE RECURSO HIERÁRQUICO, REGIDO PELO ART. 56 DA LEI 9.784/1999. O CARF não é competente para julgar recurso contra decisão proferida pelo Inspetor-Chefe da Alfândega da Receita Federal do Brasil. Cumprimento equivocado da decisão judicial que determinou a regular tramitação do recurso do contribuinte. Pelo princípio da fungibilidade, o recurso da empresa deve ser recebido como recurso hierárquico, dirigido à autoridade prolatora da decisão, que, se não a reconsiderar, deve encaminhar para apreciação da Superintendência Regional da Receita Federal de sua competência, nos termos do art. 56 da Lei nº 9.784/1999. Recurso voluntário não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (presidente da turma), Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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RECURSO HIERÁRQUICO Recorrente RF IMPORTAÇÃO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/09/2008 Ementa: ORDEM JUDICIAL DETERMINANDO A REGULAR TRAMITAÇÃO DO RECURSO DO CONTRIBUINTE, CONTRA DECISÃO DA INSPETORIA DA ALFÂNDEGA. CUMPRIMENTO INCORRETO DA DECISÃO JUDICIAL. NATUREZA DE RECURSO HIERÁRQUICO, REGIDO PELO ART. 56 DA LEI 9.784/1999. O CARF não é competente para julgar recurso contra decisão proferida pelo InspetorChefe da Alfândega da Receita Federal do Brasil. Cumprimento equivocado da decisão judicial que determinou a regular tramitação do recurso do contribuinte. Pelo princípio da fungibilidade, o recurso da empresa deve ser recebido como recurso hierárquico, dirigido à autoridade prolatora da decisão, que, se não a reconsiderar, deve encaminhar para apreciação da Superintendência Regional da Receita Federal de sua competência, nos termos do art. 56 da Lei nº 9.784/1999. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 00 12 66 /2 00 8- 22 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (presidente da turma), Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de auto de infração, no qual é imputando à empresa pena de perdimento de motocicletas importadas, ao argumento de que a contribuinte atuava em condição de interposta pessoa na operação de importação em análise , por presunção legal derivada de não comprovação da origem regular dos recursos empregados para pagamentos dos compromissos financeiros associados, restando a mesma desqualificada como real adquirente dos bens importados. Contra a autuação, a empresa apresentou impugnação e, paralelamente, a recorrente impetrou Mandado de Segurança n.° 2008.33.00.0133982, visando a liberação dos bens, o que lhe foi deferido em medida liminar. Apreciando a impugnação da contribuinte, o InspetorChefe da Alfândega da Receita Federal do Brasil do Porto de Salvador ratificou parecer da Seção de Arrecadação e Cobrança SARAC, não conhecendo a impugnação da empresa, por entender que havia concomitância de discussão administrativa e judicial, declarando, por conseqüência, extinto o processo e procedente a autuação(fls. 174 e ss.). Não resignada, a recorrente interpôs recurso (fls. 218 e ss.), pedindo que fosse reformada a decisão da Inspetoria e julgado improcedente o auto de infração. Concomitantemente, a empresa ajuizou novo Mandado de segurança nº 2008.162741, tendo obtido decisão liminar favorável “para determinar à autoridade impetrada que admita , e dê regular prosseguimento, ao Recurso da impetrante relativo ao auto de infração” (fl. 244 e ss.). Em cumprimento a referida ordem judicial, o presente processo foi remetido ao CARF para julgamento. O processo digitalizado, então, foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12689.001266/200822 Acórdão n.º 3202001.307 S3C2T2 Fl. 270 3 No Mandado de segurança nº 2008.162741, foi proferida decisão liminar determinando que fosse dado regular trâmite ao recurso da empresa, diante da ausência de identidade entre o que fora debatido em outro processo judicial (Mandado de Segurança n.° 2008.33.00.0133982) e o objeto presente controvérsia. Confirase (fls. 244/ss.): Com efeito, razão assiste ao fundamento de argumentação trazido pela impetrante no sentido de que não existe identidade entre o objeto do Mandado de Segurança n.° 2008 . 133982 e do Recurso Administrativo decorrente do autor de infração n.°0517600/00096108. Enquanto no Recurso Administrativo o pedido formulado é no sentido de que se "reconheça a IMPROCEDÉNCIA TOTAL do Auto de Infração ora combatido , e ainda, sejam imediatamente liberadas as mercadorias indevidamente apreendidas", o pedido formulado no Mandado de Segurança objetiva , mediante liminar, "o regular desembaraço aduaneiro das mercadorias referentes à Declaração de Importação n.° 0810766853 7, garantindo o direito ao uso, gozo e fruição do bem, enquanto perdurar o julgamento", e ao final que seja reconhecido o direito "de ter as mercadorias descritas na Declaração de Importação n° 08/0766853 7 desembaraçadas, se fneidstirem outras barreiras alfandegárias". Por sua vez na decisão proferida no mencionado Mandado de Segurança entendeu se que "afigurase inadequado na estrita via do mandado de segurança discutir se acerca de configuração ou não da interposição fraudulenta apurada pela Administração, uma vez que se trata de matéria que enseja dilação probatória ". Assim, apenas um elemento da decisão administrativa passou a ser analisado em Juízo : "a possibilidade de a autoridade administrativa fiscal aplicar Imediatamente a penalidade de perdimento , prevista em instrução normativa, sem sequer se admitir a possibilidade de garantia do bem" Nestes termos, reconhecendo a autoridade Impetrada que "quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada" (fl. 93), temse por verdadeira a premissa, ruas por equivocada a inferência no sentido de haver identidade de objeto entre o write o processo administrativo. É o que se conclui ao se constatar, inclusive, que no ' Mandado de Segurança se reconheceu expressamente como "legítima a pretensão da impetrante em ter verdadeiramente possibilitada a discussão na esfera administrativa ou judicial quanto ao cabimento ou não das conclusões do procedimento levado a termo pela Administração acerca da interposição fraudulenta, ressaltando na conclusão que a autoridade impetrada deve dar "continuidade ao procedimento fiscal iniciado, podendo inclusive exigir da impetrante, nos termos da lei, garantia como condição de entrega das mercadorias descritas na Declaração de Importação n° 08107668537". Significa dizer, que o mérito do auto de infração não esta abarcado por aquele mandamus (fls. 83184) e pode ser Fl. 271DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 apreciado pela via administrativa ou mediante o procedimento judicial ordinário. Presente, portanto, o fumos bonis iuris, entendo que o periculum in mora se afigura diante da possibilidade da autoridade coatora dar efetividade à decisão que declarou formalmente extinto o processo administrativo e procedente o Auto de Infração, determinando a aplicação da pena de perdimento. Ante o exposto , CONCEDO A LIMINAR para determinar à autoridade impetrada que admita , e dê regular prosseguimento . ao Recurso da impetrante relativo ao auto de infração de n.° 0617600100096108. Como bem observado pela decisão judicial, proferida no Mandado de segurança nº 2008.162741, o mérito da autuação não foi objeto de discussão judicial, travada no Mandado de Segurança n.° 2008.33.00.0133982, pois este último processo judicial se limitou a debater a possibilidade de liberação da mercadoria apreendida. Por conseguinte, os demais temas trazidos na impugnação da empresa mereceriam apreciação pela Inspetoria. Deveras, discutir se houve ou não interposição fraudulenta não se confunde com a defesa acerca da possibilidade jurídica da liberação das mercadorias, enquanto se discute o mérito da autuação. Assim, foi escorreita a decisão liminar favorável à recorrente “para determinar à autoridade impetrada que admita , e dê regular prosseguimento, ao Recurso da impetrante relativo ao auto de infração” (fl. 244 e ss.). Todavia, observo que foi incorreto o cumprimento a referida ordem judicial, remetendo o recurso do contribuinte para julgamento pelo CARF, uma vez que este órgão O CARF não é competente para julgar recurso contra decisão proferida pelo InspetorChefe da Alfândega da Receita Federal do Brasil. Em verdade, pelo princípio da fungibilidade, o recurso da empresa de fls. 218/ss. deve ser recebido como recurso hierárquico, dirigido à autoridade prolatora da decisão, que, se não a reconsiderar, deve encaminhar para apreciação da Superintendência Regional da Receita Federal de sua competência, nos termos do art. 56 da Lei nº 9.784/1999. In verbis: Art. 56.Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito. § 1o O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior. § 2oSalvo exigência legal, a interposição de recurso administrativo independe de caução. § 3oSe o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria enunciado da súmula vinculante, caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, se não a reconsiderar, explicitar, antes de encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso. (Incluído pela Lei nº 11.417, de 2006). Forte nessas razões, voto para NÃO CONHECER o recurso voluntário, determinando à unidade de origem que receba a petição da empresa de fls. 218 e ss., conforme o trâmite do art. 56, § 1º, da Lei nº 9.784/1999. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12689.001266/200822 Acórdão n.º 3202001.307 S3C2T2 Fl. 271 5 É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 273DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13827.000493/2003-67
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/08/2003
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL.
O reconhecimento, no Despacho Decisório, da certeza e liquidez dos créditos declarados na Dcomp, implica homologação da compensação do débito tributário declarado.
Não ha que se conhecer de Recurso Voluntário protocolado em face de Despacho Decisório que reconheceu integralmente os débitos compensados, por falta de interesse processual.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Sem Crédito em Litígio.
Numero da decisão: 3802-003.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2003 a 31/08/2003 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL. O reconhecimento, no Despacho Decisório, da certeza e liquidez dos créditos declarados na Dcomp, implica homologação da compensação do débito tributário declarado. Não ha que se conhecer de Recurso Voluntário protocolado em face de Despacho Decisório que reconheceu integralmente os débitos compensados, por falta de interesse processual. Recurso Voluntário Não Conhecido. Sem Crédito em Litígio.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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HOMOLOGAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL. O reconhecimento, no Despacho Decisório, da certeza e liquidez dos créditos declarados na Dcomp, implica homologação da compensação do débito tributário declarado. Não ha que se conhecer de Recurso Voluntário protocolado em face de Despacho Decisório que reconheceu integralmente os débitos compensados, por falta de interesse processual. Recurso Voluntário Não Conhecido. Sem Crédito em Litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 04 93 /2 00 3- 67 Fl. 923DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – SP (fls. 849/863), que por unanimidade de votos, julgou não conhecer da manifestação de inconformidade apresentada contra o Termo de Constatação Fiscal (fls. 149/155) que concluiu que “a despeito de algumas glosas, o valor de R$ 233.561,67, solicitado encontra respaldo nos valores apurados pela fiscalização podendo ser restituído” e no contido no Despacho Saort/DRF Bauru – SP (fls. 175/179), que com base nas informações presentes no referido Termo, homologou totalmente as compensações declaradas na DCOMP (fl. 3 do eprocesso), cujo crédito provém do saldo credor da contribuição ao PIS, relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência nãocumulativa, referente aos meses de junho a agosto de 2003. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: O processo em epígrafe foi inaugurado para recepcionar a Declaração de Compensação (DCOMP) de fl. 01. O crédito alegado, no montante de R$ 233.561,67, oriundo de saldos de créditos do PIS nãocumulativo, apurados no período de junho a agosto de 2003, foi compensado com débitos de COFINS (2172) e IRRF(1708, 0561 e 0588), vencidos no período de 23/07/2003 a 17/09/2003. A apuração do crédito foi demonstrada pela contribuinte conforme planilhas de fls. 02/17. A fiscalização procedeu as verificações do crédito alegado e manifestouse nos termos do Termo de Constatação Fiscal de fls. 76/79, o qual conclui que "o valor solicitado de R$ 233.561,67 encontra respaldo nos valores apurados pela fiscalização podendo ser restituído". Isto porque, a despeito de algumas glosas efetuadas, o crédito passível de utilização apurado pela fiscalização atingiu o montante de R$ 250.929,00 (contra R$ 345.613,17 apurados pelo contribuinte), superior ao valor informado na referida DCOMP. As divergências apontadas pela fiscalização foram relativas a: 1) valores de exportações menores do que aqueles considerados pela contribuinte; 2) créditos relativos a aquisições de "produtos químicos utilizados em tratamento da água da caldeira, produção de álcool carburante e os referentes a compra de graxa", conforme notas fiscais relacionadas as fls. 61/64; 3) créditos relativos a despesas com prestações de serviços que não puderam ser enquadradas nas definições prescritas na Fl. 924DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000493/200367 Acórdão n.º 3802003.391 S3TE02 Fl. 924 3 IN SRF n° 247/2002, "neste caso, açúcar e outros produtos sujeitos à não cumulatividade", conforme notas fiscais relacionadas a fl. 67; 4) créditos relativos a notas fiscais que deveriam ter sido ativadas (porque não se comprovou que a vida útil do bem reparado não aumentou),aquelas cuja descrição do serviço não deixava claro se eram custo ou despesa operacional e aquelas que se referiam claramente a gastos que deveriam ter sido ativados, relacionadas a fl. 68; 5) créditos relativos a aluguéis de máquinas que a empresa não demonstrou terem sido utilizadas na fabricação de açúcar e outros produtos com direito ao crédito do PIS não cumulativo, relacionadas a fl. 69; 6) créditos relativos a gastos de fretes na venda dos produtos, os quais só passaram a ser admitidos a partir de 2004. A apuração do montante de crédito passível de utilização foi, então, realizada pela autoridade fiscal conforme demonstrado nas planilhas de fls. 73/75. Concluído o trabalho da fiscalização, o processo foi encaminhado à Saort, para providencias de sua alçada, tendo sido elaborado o despacho decisório de fls. 89/91, que homologou as compensações declaradas uma vez constatado que o crédito reconhecido pela fiscalização era maior que o valor dos débitos compensados, inclusive considerandose a incidências dos acréscimos moratórios até a data da compensação. Assim sendo, dos R$ 250.929,00 reconhecidos pela fiscalização foram utilizados R$ 245.472,61 para compensar os débitos informados na DCOMP, já considerando os acréscimos moratórios. Cientificado do referido despacho (fls 106/107), a contribuinte, por meio de procurador regularmente instituído (fls. 142/153), ingressou com manifestação de inconformidade conforme peça de fls. 122/141 (e anexos), por meio da qual aduz, em síntese, que: a) uma parcela significativa de seus créditos (no montante de R$ 94.684,17) foi objeto de injustificadas glosas, o que implicará na exigências do "pagamento dos tributos compensados com acréscimos legais correspondentes à multa e juros equivalentes à taxa SELIC"; b) quanto aos valores das receitas de exportação, apurados pela fiscalização, esta "não revela ou sequer sugere, omissão cremos propositada, qual teria sido o método ou critério por ela adotado para chegar àquele resultado discrepante, impedindo, assim, o exercício do direito constitucionalmente garantido à Fl. 925DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ampla defesa e ao devido processo legal". Neste aspecto, a sua apuração levou em consideração a taxa de câmbio vigente no dia do embarque, como determina a "Portaria n° 356/88" e em consonância com o entendimento esposado na Solução de Consulta Cosit n° 10, de 2002. Os valores escriturados de suas receitas de exportação consideram este critério (docs. 04/11). A fiscalização, por outro lado, considerou uma "data qualquer não revelada quando havia mera expectativa de exportação, visto que o embarque poderia ou não ocorrer ou então não ser liquidado o contrato de câmbio"; c) quanto à questão dos créditos de PIS relativa a aquisição de insumos produtivos, diferentemente do que ocorre com o ICMS, o texto constitucional (via Emenda n° 42, de 2003) "não traz qualquer restrição ao crédito da nãocumulatividade". Sendo assim, "deve ser garantido aos contribuintes o direito de deduzir, na apuração da referida contribuição, o montante do crédito de PIS relativo as aquisições anteriores, despeito das restrições impostas pelos atos administrativos editados pelo Fisco e, principalmente, pelo olhar estrábico e restritivo da fiscalização, no presente caso"; d) há que se ter em mente que os créditos de PIS não seguem a mesma lógica dos "créditos físicos" de IPI e ICMS. Nesse sentido, como já se pronunciou a melhor doutrina, 6 preciso considerar que, no contexto da nãocumulatividade do PIS, "os insumos de que trata a Lei não são, somente, as matérias primas utilizadas que sofrem desgaste ou perdas de suas propriedades em razão do contato físico com o produto em fabricação ou na prestação de serviços, mas todos os bens e serviços, desde que utilizados na fabricação de bens ou na prestação de serviços", já que o legislador expressamente não limitou o conceito. Nestes termos, concluise que a interpretação da fiscalização "não está condizente com os critérios de hermenêutica consolidados pela doutrina e pela jurisprudência pátria, bem como pelos critérios de interpretação normativa que podem ser sacados a partir da análise da Lei Complementar n° 95/98" e) "em momento algum a fiscalização se dispôs a aquilatar e a discorrer sobre o processo industrial da Impugnante e, ainda, a verificar onde e como os produtos que alega não atenderem ao conceito de insumos são empregados e consumidos e tampouco se dignou a especificar, identificar e classificar tais produtos"; f) os produtos químicos utilizados para tratamento de toda a água utilizada no processo produtivo (inclusive caldeira) são imprescindíveis e indispensáveis à geração de energia utilizada em todo o processo produtivo, razão porque os créditos a eles relativos não podem ser objeto de glosas; g) não procedem as glosas dos créditos relativos a insumos que a fiscalização alega serem utilizados apenas na Fl. 926DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000493/200367 Acórdão n.º 3802003.391 S3TE02 Fl. 925 5 produção do álcool carburante (sujeito à cumulatividade). Estes insumos, na verdade, são utilizados nos dois processos (açúcar e álcool), conforme se demonstra na planilha anexada (doc. 3), não tendo havido o necessário rateio proporcional dos insumos; h) a fiscalização não se preocupou em verificar que, em verdade, parte do álcool produzido não foi o carburante, mas sim destinado a outros fins que não o combustível, como demonstram as notas fiscais anexadas ao recurso e também a sua escrituração contábil (docs. 15/18). E em algumas das notas fiscais esta conclusão pode ser observada "apenas pela singela leitura da razão social do destinatário da mercadoria". Disto decorre "a certeza da precariedade e subjetividade do trabalho realizado pela fiscalização que, por consequência atestam a incontestável nulidade da glosa efetuada"; i) as glosas relativas as aquisições de graxas também não podem prevalecer já que não mais são do que lubrificantes (os quais foram aceitos pela fiscalização) "pastosos" ou "consistentes". E a Solução de Divergência Cosit n° 37, de 2008, pronunciouse no sentido de que os lubrificantes utilizados no processo de produção geram direito a créditos do PIS nãocumulativo; j)) a legislação de regência autoriza a utilização dos créditos relativos a prestações de serviços utilizadas na prestação de outros serviços, apenas excetuando expressamente as aquisições efetuadas junto a pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não estabelecidas no pais. Portanto, o ato normativo citado pela fiscalização (IN SRF n°247/2002)não pode estabelecer restrições que a lei não estabeleceu; k) não é aceitável que a fiscalização exija dela a produção de prova negativa (não houve aumento da vida útil do bem reparado). Ademais, isto não é possível quando os serviços tratamse de engenharia técnica de projeto, atendimento técnico especializado, serviços de montagens e assistência técnica; l) a glosa relativa aos serviços listados a fl. 77 também não procede, porquanto não ha se falar ativação de serviços relativos a bens cuja durabilidade é menor que um ano; m) não é possível compreender os critérios adotados pela fiscalização na glosa de alguns serviços (listados as fls. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 67/69) porquanto idênticos serviços foram listados as fls. 70/72, com direito a créditos; n) a própria RFB vem modificando os critérios de definição de insumo para fins de crédito das contribuições, deixando de vinculálos ao desgaste ou contato físico com o produto final para relacionálos aplicação no processo produtivo, como se vê nas recentes Soluções de Divergência apontadas no recurso. Assim sendo, "revelase legitimo Impugnante o direito de tomar o crédito, como o fez, sobre o valor da aquisição de insumos que são e foram aplicados diretamente no seu processo produtivo e não compuseram seu ativo imobilizado". Após protestar pela "juntada de todas as provas em direito admitidas, inclusive a realização de diligências e Laudo Técnico Pericial", conclui pedindo pela decretação da nulidade do despacho recorrido, ou da sua improcedência, para o fim de reconhecer os créditos que apurou. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram conhecidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL. Não ha que se conhecer de manifestação de inconformidade protocolada em face de despacho decisório que reconheceu integralmente os débitos compensados, por falta de interesse processual. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida. Sem Crédito em Litígio. Cientificada da referida decisão em 09/08/2011 (fls. 873), a Recorrente, em 23/08/2011, apresentou o recurso voluntário (fls. 875/913), com as alegações abaixo sintetizadas: a) preliminarmente, argumenta que ocorreu o cerceamento do direito de defesa, uma vez que ficou evidenciado que houve sim o não reconhecimento do direito creditório relativamente a inúmeras aquisições de produtos e serviços, ainda que o montante homologado tenha sido suficiente e bastante para absorver o valor efetivamente compensado e restado pequeno saldo a compensar; b) que incorreu em erro a decisão a quo ao fixar seu entendimento baseado unicamente na comparação entre o valor que foi compensado e aquele que foi homologado, sem ter sequer adentrado ao âmago meritório. Assim, carece de fundamento e de juridicidade a conclusão da DRJ Ribeirão Preto (SP) no sentido da inexistência de litígio e de falta de interesse processual que veio a culminar com o não conhecimento da Manifestação de Fl. 928DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000493/200367 Acórdão n.º 3802003.391 S3TE02 Fl. 926 7 Inconformidade, impedindo, ipso facto, o exercício do direito constitucionalmente garantido da ampla defesa e ao devido processo legal; c) no que se refere aos tópicos abaixo relacionados, questiona o Fisco pelas glosas efetuadas sobre os créditos pela aquisições de insumos, expressando seus argumentos para cada item, observandose que na maioria deles, houve por parte da fiscalização algum tipo de restrição pelos mesmos não se enquadrarem no conceito de insumos: 1) Da Definição de Insumos no Contexto da NãoCumulatividade; 2) Dos Insumos (Produtos Químicos) Consumidos Pela Recorrente; 3) Falta Distinção Entre o Álcool Cumulativo e Não Cumulativo; 4) Os Lubrificantes Utilizados no Processo Produtivo; 5) Dos Serviços Tomados Pela Recorrente; 6) Do Aluguel de Máquinas e Equipamentos; Por fim, requer que seja reformada integralmente a decisão ora recorrida, para o fim de declarar sua improcedência e, em decorrência, ser reconhecido a totalidade do direito creditório, como medida de seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Alega a recorrente que teria havido ausência de apreciação de todas as razões suscitadas em sua manifestação de inconformidade e que a decisão a quo incorreu em erro ao fixar seu entendimento baseado unicamente na comparação entre o valor que foi compensado e aquele que foi homologado, sem ter sequer adentrado ao âmago meritório. Entende que carece de fundamento e de juridicidade a conclusão da DRJ, impedindo o exercício do direito constitucionalmente garantido da ampla defesa e ao devido processo legal. Notese que na decisão recorrida fica esclarecido que “quanto ao saldo de créditos a compensar (após as compensações analisadas nos autos), relativo ao período sob exame e informado pela Recorrente, no montante de R$ 588,48 (eventualmente por ele utilizado em outras compensações), é inferior ao saldo que teria restado após a apuração da fiscalização, já considerando a incidência dos encargos moratórios (saldo este superior a R$ 5 mil)”. É importante frisar, como bem reportado na decisão recorrida, que as glosas efetuadas pela fiscalização bem como a incorreta utilização de créditos relativos ao mercado externo para abater os débitos da própria contribuição, conforme demonstrado nos autos, não Fl. 929DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 implicaram na exigência de quaisquer débitos indevidamente compensados a ensejar o ajuizamento de recurso voluntário, ou seja, não se vislumbra nestes autos exigência de débitos indevidamente compensados, bem como restou detalhado pela DRJ, as razões pelas quais resultou em não conhecer da manifestação de inconformidade, que foi motivado pela falta de interesse processual, não havendo crédito em litígio, aplicando subsidiariamente os termos do art. 267, inc. VI, do Código de Processo Civil. É importante ressaltar também que nos presentes autos, não restou comprovada qualquer restrição ao direito de defesa alegada pela recorrente. Concluindo, votase, assim, pelo nãoconhecimento do recurso voluntário, uma vez que as compensações declaradas foram totalmente homologadas, quando da análise do Despacho Decisório e corroboradas na decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 930DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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