Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,733)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19515.003840/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2002
GLOSA DE ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. FALTA DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
Desde a edição da Medida provisória nº 66/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002, toda e qualquer espécie de compensação de tributos passou a ser obrigatoriamente efetivada através da entrega de PER/DCOMP. O marco inicial para tal exigência remete para o dia 01/10/2002, data em que entrou em vigor a referida norma. A partir dessa data, a quitação de qualquer tributo mediante compensação estava sujeita ao novo regramento. Referida matéria encontra-se sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, que editou o verbete de nº 145: A partir de 01/10/2002, a compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, ainda que com tributo de mesma espécie, deve ser promovida mediante apresentação de Declaração de Compensação - DCOMP.
Numero da decisão: 1401-004.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Nelso Kichel, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201912
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002 GLOSA DE ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. FALTA DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Desde a edição da Medida provisória nº 66/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002, toda e qualquer espécie de compensação de tributos passou a ser obrigatoriamente efetivada através da entrega de PER/DCOMP. O marco inicial para tal exigência remete para o dia 01/10/2002, data em que entrou em vigor a referida norma. A partir dessa data, a quitação de qualquer tributo mediante compensação estava sujeita ao novo regramento. Referida matéria encontra-se sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, que editou o verbete de nº 145: A partir de 01/10/2002, a compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, ainda que com tributo de mesma espécie, deve ser promovida mediante apresentação de Declaração de Compensação - DCOMP.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 19515.003840/2007-37
anomes_publicacao_s : 202001
conteudo_id_s : 6118402
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 1401-004.064
nome_arquivo_s : Decisao_19515003840200737.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 19515003840200737_6118402.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Nelso Kichel, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
dt_sessao_tdt : Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2019
id : 8042613
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:58:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052650366304256
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-20T19:56:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-20T19:56:17Z; Last-Modified: 2019-12-20T19:56:17Z; dcterms:modified: 2019-12-20T19:56:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-20T19:56:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-20T19:56:17Z; meta:save-date: 2019-12-20T19:56:17Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-20T19:56:17Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-20T19:56:17Z; created: 2019-12-20T19:56:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2019-12-20T19:56:17Z; pdf:charsPerPage: 1948; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-20T19:56:17Z | Conteúdo => S1-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 19515.003840/2007-37 Recurso Voluntário Acórdão nº 1401-004.064 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2019 Recorrente TAVEX BRASIL PARTICIPAÇÕES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2002 GLOSA DE ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. FALTA DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Desde a edição da Medida provisória nº 66/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002, toda e qualquer espécie de compensação de tributos passou a ser obrigatoriamente efetivada através da entrega de PER/DCOMP. O marco inicial para tal exigência remete para o dia 01/10/2002, data em que entrou em vigor a referida norma. A partir dessa data, a quitação de qualquer tributo mediante compensação estava sujeita ao novo regramento. Referida matéria encontra-se sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, que editou o verbete de nº 145: A partir de 01/10/2002, a compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, ainda que com tributo de mesma espécie, deve ser promovida mediante apresentação de Declaração de Compensação - DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Nelso Kichel, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 38 40 /2 00 7- 37 Fl. 354DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-004.064 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003840/2007-37 Relatório Por bem refletir os fatos de que trata o presente processo, reproduzo o Relatório constante da decisão recorrida (v. e-fls. 298/307): Trata o presente processo de lançamento de IRPJ do ano-calendário de 2002, apurado em ação fiscal oriunda de representação fiscal elaborada pela DIORT/DERAT/SPO, que constatou que os valores das estimativas de IRPJ constantes da DIPJ 2003 não teriam sido confessadas em DCTF, ou teriam sido informadas em valor inferior nesta declaração. 2. No curso da ação fiscal, a auditoria conclui que os valores das estimativas de IRPJ do ano-calendário de 2002, bem como as respectivas compensações efetuadas com base no IRPJ pago a maior em 2001, foram suficientes para cobrir os valores informados na Ficha 11 da DIPJ 2003, exceto em relação ao mês de novembro de 2002, que continua com a divergência no valor de R$ 667.883,61 (seiscentos e sessenta e sete mil, oitocentos e oitenta e três Reais e sessenta e um centavos), relativa à compensação com o IR supostamente pago a maior no ano-calendário de 2001. 2.1. Segundo o contribuinte, na ocasião de transmitir a DCTF e informar o débito apurado a titulo de CSLL do mês de novembro de 2002, o programa gerador teria exigido o número de processo da PER/DCOMP, gerando automaticamente DARF pelo atraso da compensação se não informado o referido número da PER/DCOMP. 2.2. Como o contribuinte não apresentou a referida PER/DCOMP, a fiscalização deduziu o referido valor na apuração do IRPJ devido no encerramento do ano- calendário de 2002, tendo apurado insuficiência de recolhimento do mesmo valor de R$ 667.883,61 (seiscentos e sessenta e sete mil, oitocentos e oitenta e três Reais e sessenta e um centavos). 2.3. Em decorrência do exposto, a fiscalização lavrou, na data de 30/11/2007, o auto de infração relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, com fundamento no art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99. 3. Cientificado do auto de infração em 30/11/2007 (fls. 187), o contribuinte apresentou, em 19/12/2007, a impugnação de fls. 195/208, aduzindo, em síntese, que: 3.1. Haveria dissonância na data de ocorrência do fato gerador registrada no Termo de Verificação (novembro de 2002) e no relatório do auto de infração (31/12/2002, com vencimento em 30/03/2003). Tal discrepância macularia também o mérito da autuação, pois no Termo de Verificação cuidar-se-ia de IRPJ — Estimativa Mensal, enquanto no relatório do auto de infração constaria a exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — Ano-calendário 2002. 3.1.1. A conseqüência das incongruências mencionadas acima iria muito além da inobservância de meros aspectos formais da autuação, pois diria respeito à própria materialidade do fato gerador. Isto porque, se procedente fosse a constatação de que a Impugnante teria recolhido imposto a menor no mês de novembro de 2002, o máximo que a fiscalização poderia fazer seria lavrar auto de infração, com fundamento no artigo 44, inciso II, da Lei n°. 9.430/96, para exigir apenas a multa isolada. Fl. 355DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-004.064 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003840/2007-37 3.1.2. A outra conseqüência disso é que a fiscalização, ao considerar que a suposta exação fiscal teria seu vencimento em 30/03/2003, o Auditor Fiscal baseou-se, para fins de verificação da regularidade do procedimento de compensação, nas normas contidas na IN SRF n°. 323, de 24/03/2003, que veio a exigir a Declaração de Compensação até mesmo para os casos de tributos de mesma natureza. Por outro lado, as normas de compensação que efetivamente teriam sido consideradas pela Impugnante foram aquelas previstas na IN SRF n° 21/97 e mantidas na pela IN SRF n°. 210/2002, as quais dispensariam a entrega de declaração de compensação quando os débitos e créditos compensados fossem de mesma natureza. Ou seja, como o fato gerador ocorreu em novembro de 2002 e o vencimento ocorreu em dezembro do mesmo ano, não seria possível à Impugnante observar procedimento que somente veio a ser exigido pela IN SRF n°. 323/2003, com vigência a partir de 24/03/2003. 3.1.3. Ademais, o enquadramento legal relacionado no auto de infração não se coaduna com as condutas apontadas pela fiscalização, vez que teria sido regularmente apresentada a declaração de rendimentos sem qualquer inexatidão em seus dados. 3.2. Em relação à suposta diferença de imposto de renda apontada no valor de R$ 667.883,61 (seiscentos e sessenta e sete mil, oitocentos e oitenta e três Reais e sessenta e um centavos), referente ao mês de novembro de 2002, a improcedência da exigência resultaria patente, pois o próprio Autuante informa que, com base nos documentos apresentados pela Impugnante, teria ficado plenamente demonstrado que tal diferença teria sido regularmente compensada com crédito de imposto de renda apurado em período anterior. 3.2.1. Ressalta-se que não seria necessário que esta compensação fosse veiculada por intermédio de Declaração de Compensação, pois o vencimento da estimativa de , IRPJ de novembro de 2002 teria recaído em data pretérita à edição da IN SRF n°. 323/2003. 3.3. Em adição, assevera o Defendente que, ainda que se considerasse que a diferença apontada no auto de infração se refira ao imposto apurado no final do ano-calendário, e não ao imposto apurado por estimativa mensal em novembro de 2002, a exigência de multa moratória seria totalmente indevida. 3.4. O pedido é pela nulidade ou a improcedência da autuação. A impugnação foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo - DRJ/SP1, que editou o acórdão nº 16-23.703 – 2ª Turma, de 03 de dezembro de 2009. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2002 FALTA DE PAGAMENTO PARCIAL DO IRPJ DEVIDO NO ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. MENÇÃO AS ESTIMATIVAS INADIMPLIDAS NA APURAÇÃO DO QUANTUM DEBEATUR. REGULARIDADE DA AUTUAÇÃO. As estimativas inadimplidas no curso do ano-calendário, informadas em DIPJ e efetivamente deduzidas como recolhidas nos meses supervenientes, afetam a quantificação do saldo do imposto de renda a pagar apurado para o mesmo ano- calendário. Logo, se a fiscalização apura a referida inadimplência, é escorreita a menção à mesma no Termo de Verificação Fiscal, pois esta é a origem do valor inadimplido apurado no encerramento do ano-calendário. Fl. 356DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-004.064 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003840/2007-37 COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA DE IRPJ COM ALEGADO PAGAMENTO A MAIOR DE IRPJ DE ANO-CALENDÁRIO PRETÉRITO. ENCONTRO DE CONTAS POSTERIOR A SETEMBRO DE 2002. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCOMP. DESCABIMENTO DO CÔMPUTO DESTA COMPENSAÇÃO NA QUITAÇÃO DA ESTIMATIVA MENSAL DE IRPJ E NO AJUSTE ANUAL. As compensações entre quaisquer tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, realizadas a partir de outubro de 2002, devem ser necessariamente veiculadas em DCOMP, não sendo possível homologar quaisquer encontros de constas realizados com inobservância deste procedimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CORRESPONDÊNCIA ENTRE A CONDUTA APURADA E 0 DISPOSITIVO LEGAL APONTADO COMO INFRINGIDO. REGULARIDADE DA AUTUAÇÃO. Restando evidenciada a perfeita subsunção entre a conduta verificada pela fiscalização e os dispositivos legais infringidos indicados na autuação, é patente a regularidade da autuação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 MULTA CABÍVEL NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Nos lançamentos de oficio de tributos federais inadimplidos, é imperiosa a aplicação da multa de oficio estatuída no art. 44 da Lei n°. 9.430/96, que foi regularmente aplicada pela fiscalização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão retro, a Contribuinte apresentou o recurso voluntário de e-fls. 313/326, de onde se extrai o seguinte: a) O valor ora exigido, de R$667.883,61, foi objeto de compensação com o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001, realizada pela Recorrente em sua contabilidade; por um lapso, deixou de informar essa compensação na DCTF. Entretanto, tal compensação teria ficado demonstrada com a apresentação da DIPJ e dos registros no livro diário. Logo, não poderia a Fiscalização formalizar o lançamento do crédito tributário sem ter examinado a compensação efetuada pela Contribuinte. Agindo assim, violou o art. 142 do CTN, tendo em vista que teria deixado de esgotar a matéria tributável no ato do lançamento. Daí a defesa no sentido da arguição de nulidade do lançamento; b) Argumenta que incorreu em mero erro formal ao não declarar em DCTF a compensação efetuada tão somente na contabilidade, erro este que não lhe retiraria o direito ao crédito. Requer a conversão do julgamento em diligência “para se averiguar a existência ou a inexistência de créditos tributários”; Fl. 357DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-004.064 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003840/2007-37 c) Aduz ser cabível a compensação realizada, tão somente na contabilidade, à luz do disposto no art. 66, § 1º, da Lei nº 8.383/91; por outro lado, advoga pela impossibilidade da aplicação ao caso concreto da Instrução Normativa nº 210, de 30/08/2002, haja vista que a compensação realizada não se tratava de tributos de mesma espécie. Somente com a edição da IN nº 323, de 24/03/2003, art. 21, § 6º, é que ficou estabelecida a obrigatoriedade da apresentação de declaração de compensação aos tributos de mesma espécie; portanto, não se poderia cogitar da aplicação da IN nº 323/2003 haja vista que na data em que realizada a compensação a mesma ainda não havia sido editada; d) Ainda que se considere que o lançamento se refira a imposto apurado ao final do ano calendário de 2002, e não à estimativa mensal de novembro do mesmo ano, a exigência da multa moratória seria indevida, “na medida em que o artigo 957 do RIR dispõe que nos lançamentos de ofícios as penalidades aplicadas são aquelas ali elencadas, e entre essas penalidade não está incluída a multa moratória”; e) Teria havido excesso de exação, pois as normas legais que regem a apuração mensal do imposto de renda são claras ao dispor que após o encerramento do período base-base não há que se exigir o imposto, os juros e a multa moratórios, mas tão-somente a chamada multa isolada, conforme a previsão contida no art. 44, inc. II, da Lei nº 9.430/96; assim, exigir pretensos débitos de IRPJ decorrentes de antecipação, após o encerramento do período-base, contraria a normas da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil e representa verdadeira afronta ao principio da legalidade, sem considera que no caso em tela, o valor exigido foi, comprovadamente, compensado com saldo do mesmo imposto relativo a anos anteriores; Ao final, vieram os autos para este Conselheiro para relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Antes de qualquer coisa, é preciso delimitar exatamente a matéria tributável em discussão neste processo. A Autuação é decorrente de insuficiência no recolhimento do imposto de renda pessoa jurídica – IRPJ do ano calendário de 2002 (v. auto de infração às e-fls. 212). Verificou a Autoridade Fiscal que a Contribuinte teria quitado, a título de estimativas do Fl. 358DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-004.064 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003840/2007-37 imposto, um valor menor do que aquele declarado e utilizado no cômputo do imposto devido no referido exercício (v. Termo de Verificação Fiscal de e-fls. 205/207). Essa diferença, no importe de R$667.883,61, bate exatamente com o valor correspondente à estimativa apurada no mês de novembro de 2002, considerada pela Fiscalização como não paga. Assim, para que não paire nenhuma dúvida, a matéria tributável corresponde ao imposto de renda pago a menor relativamente ao ano calendário de 2002. Preliminar de nulidade Preliminarmente, argui a Recorrente a nulidade do auto de infração. Isso porque a estimativa relativa ao mês de novembro de 2002 teria sido quitada mediante compensação com saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001, compensação esta realizada tão somente na escrituração contábil; apenas por lapso seu, teria deixado de informar a compensação na DCTF relativa ao 4º trimestre de 2002. Entretanto, segundo a Recorrente, tal compensação teria ficado demonstrada com a apresentação da DIPJ e dos registros no livro diário. Logo, não poderia a Fiscalização formalizar o lançamento do crédito tributário sem ter examinado a compensação efetuada pela Contribuinte. Agindo assim, violou o art. 142 do CTN, tendo em vista que teria deixado de esgotar a matéria tributável no ato do lançamento, eivando o mesmo de nulidade. Reza o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Compulsando o Termo de Verificação Fiscal de e-fls. 205/207 constata-se que a Autoridade Fiscal considerou como necessária que a dita compensação alegada pela Recorrente tivesse sido realizada através de declaração de compensação. Como a Contribuinte não apresentou a declaração de compensação, nem sequer informou a mesma na DCTF, concluiu a Autoridade Fiscal que o valor informado na DIPJ a título de estimativa do mês de novembro de 2002 não poderia ser considerado na apuração do imposto de renda do respectivo ano calendário, do que resultou em pagamento a menor do tributo do respectivo exercício. Portanto, sem entrar no mérito acerca da correção do procedimento fiscal, não vislumbro nenhuma nulidade na autuação for infração ao art. 142 do CTN, haja vista que tanto o fato gerador da obrigação tributária quanto a matéria tributável foram perfeitamente identificados (pagamento a menor do IRPJ no ano calendário de 2002). Como a compensação realizada tão somente na escrituração foi considerada indevida, nada mais havia a ser feito por parte da Autoridade Fiscal senão a exigência do imposto pago a menor. Fl. 359DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-004.064 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003840/2007-37 Portanto, rejeito a preliminar de nulidade do Auto de Infração nos termos em que arguida pela Recorrente. Pedido de diligência Com relação ao pedido de diligência “para se averiguar a existência ou a inexistência de créditos tributários”, haja vista a alegação de que teria incorrido em mero erro formal ao não declarar em DCTF a compensação efetuada tão somente na contabilidade, erro este que não lhe retiraria o direito ao crédito, igualmente não vejo como prosperar. O processo administrativo tributário é informado pelo princípio do livre convencimento motivado, o qual permite ao julgador que analise o caso concreto à luz da legislação pertinente e firme seu convencimento a partir da prova constante dos autos, devendo relatar os fundamentos de sua decisão e os motivos que o levaram a determinada conclusão. Em caso de eventual necessidade de aprofundamento da análise dos fatos apresentados, o julgador pode solicitar a realização de diligência, a ser efetuada pela autoridade autuante ou outra de mesma competência, ou de exame pericial, quando a elucidação de fato ou o exame de matéria demanda o auxílio de um especialista em determinado ramo específico do conhecimento. Em qualquer caso, é certo que as diligências ou perícias não têm por finalidade suprir as deficiências probatórias das partes. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica. Caso não demonstrada a necessidade de conhecimento técnico e especial para a produção de prova, a realização de exame pericial é dispensável. No caso concreto, não vejo necessidade nenhuma de baixar os autos em diligência, haja vista que o processo contém os elementos necessários à formação da convicção deste julgador. Ademais, o cerne da discussão não tem nada a ver com o suposto crédito que teria sido utilizado pela Recorrente para compensar a estimativa apurada no mês de novembro de 2002. A questão de fundo traduz-se na forma como foi realizada dita compensação e se tal proceder se coaduna com a legislação aplicável. Portanto, também neste ponto nego provimento ao recurso. Questões de mérito No mérito, argui a Recorrente que a compensação da estimativa devida relativa ao mês de novembro de 2002, tão somente via escrituração contábil, era perfeitamente possível, à luz do disposto no art. 66, § 1º, da Lei nº 8.383/91. Aqui reside o principal erro de compreensão da legislação de regência por parte da Recorrente. Fl. 360DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-004.064 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003840/2007-37 Desde a edição da Medida provisória nº 66/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002, toda e qualquer espécie de compensação de tributos passou a ser obrigatoriamente efetivada através da entrega de PER/DCOMP. O marco inicial para tal exigência remete para o dia 01/10/2002, data em que entrou em vigor a norma a que nos referimos acima. Assim, a quitação da estimativa referente ao período de apuração de novembro de 2002 mediante compensação, na data de seu vencimento, já estava sujeita à nova sistemática introduzida pela MP nº 66/2002. Referida matéria encontra-se, inclusive, sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, que editou recentemente o verbete de nº 145, abaixo reproduzido, verbis: A partir de 01/10/2002, a compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, ainda que com tributo de mesma espécie, deve ser promovida mediante apresentação de Declaração de Compensação - DCOMP. Por força do disposto no art. 62-A do Regimento Interno deste CARF, os Conselheiros estão vinculados às disposições contidas nas respectivas súmulas editadas pela Instituição, razão pela qual não nos cabe tergiversar a respeito da matéria, que é de aplicação direta. Assim, perde sentido a discussão sobre qual Instrução Normativa da Receita Federal vigia à época do surgimento da obrigação de pagamento da estimativa utilizada na apuração do IRPJ do ano calendário de 2002, se a IN nº 210, de 30/08/2002, ou a IN nº 323, de 24/03/2003, muito menos sobre o conteúdo de cada uma delas, haja vista que a própria lei, no caso a MP nº 66/2002, já era suficiente para resolver a questão. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso no ponto. A Contribuinte alega, ainda, que a exigência da multa moratória seria indevida, “na medida em que o artigo 957 do RIR dispõe que nos lançamentos de ofícios as penalidades aplicadas são aquelas ali elencadas, e entre essas penalidade não está incluída a multa moratória”. Tal argumento é absolutamente despropositado, haja vista que, conforme o Auto de Infração de e-fls. 208/213, não se está exigindo multa de mora da Recorrente mas, tão somente, multa de ofício de 75%, fundamentado no disposto no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Por último, alega a Recorrente que teria havido excesso de exação por parte da Autoridade Fiscal, pois as normas legais que regem a apuração mensal do imposto de renda são claras ao dispor que após o encerramento do período base-base não há que se exigir o imposto, os juros e a multa moratórios, mas tão-somente a chamada multa isolada, conforme a previsão contida no art. 44, inc. II, da Lei nº 9.430/96. Assim, exigir pretensos débitos de IRPJ decorrentes de antecipação, após o encerramento do período-base, contrariaria a normas da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil representando verdadeira afronta ao princípio da legalidade, sem considerar que no caso em tela, o valor exigido teria sido, comprovadamente, compensado com saldo do mesmo imposto relativo a anos anteriores. Tais argumentos também são desarrazoados. Ao iniciar o voto, fizemos questão de delimitar a matéria tributável em discussão neste processo. Naquela oportunidade, deixamos bem claro que a autuação decorreu de insuficiência no recolhimento do imposto de renda pessoa jurídica – IRPJ do ano calendário de 2002. O Auto de infração, portanto, nada tem a ver com a cobrança de estimativas inadimplidas, não havendo espaço para esse tipo de discussão. Assim, também nego provimento ao recurso neste ponto. Fl. 361DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-004.064 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003840/2007-37 Por todo o exposto, voto por afastar as arguições de nulidade bem assim nego provimento ao pedido de diligência e, no mérito, ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 362DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.001377/2008-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
ANO-CALENDÁRIO:2007
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis e idôneas, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN.
Desincumbindo-se a recorrente, por meio de documentos hábeis e registros contábeis, do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o provimento do recurso voluntário.
Direito creditório que se reconhece.
Numero da decisão: 1402-004.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário ofertado pela recorrente para reconhecer os indébitos de R$ 242.130,41 e R$ 89.500,50 a título de IRPJ e de CSLLl, respectivamente, e homologar as compensações discutidas nestes autos, até o limite do direito creditório aqui reconhecido.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu, e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201910
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANO-CALENDÁRIO:2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis e idôneas, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Desincumbindo-se a recorrente, por meio de documentos hábeis e registros contábeis, do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o provimento do recurso voluntário. Direito creditório que se reconhece.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13116.001377/2008-96
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6105114
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-004.122
nome_arquivo_s : Decisao_13116001377200896.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 13116001377200896_6105114.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário ofertado pela recorrente para reconhecer os indébitos de R$ 242.130,41 e R$ 89.500,50 a título de IRPJ e de CSLLl, respectivamente, e homologar as compensações discutidas nestes autos, até o limite do direito creditório aqui reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu, e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2019
id : 8014011
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052650387275776
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-11-29T19:56:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-11-29T19:56:43Z; Last-Modified: 2019-11-29T19:56:43Z; dcterms:modified: 2019-11-29T19:56:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-11-29T19:56:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-11-29T19:56:43Z; meta:save-date: 2019-11-29T19:56:43Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-11-29T19:56:43Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-11-29T19:56:43Z; created: 2019-11-29T19:56:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2019-11-29T19:56:43Z; pdf:charsPerPage: 1722; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-11-29T19:56:43Z | Conteúdo => S1-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13116.001377/2008-96 Recurso Voluntário Acórdão nº 1402-004.122 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2019 Recorrente MINERAÇÃO SERRA GRANDE S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANO-CALENDÁRIO:2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis e idôneas, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Desincumbindo-se a recorrente, por meio de documentos hábeis e registros contábeis, do ônus de comprovar o direito creditório alegado, cabe o provimento do recurso voluntário. Direito creditório que se reconhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário ofertado pela recorrente para reconhecer os indébitos de R$ 242.130,41 e R$ 89.500,50 a título de IRPJ e de CSLLl, respectivamente, e homologar as compensações discutidas nestes autos, até o limite do direito creditório aqui reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu, e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 13 77 /2 00 8- 96 Fl. 389DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-004.122 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13116.001377/2008-96 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima em face de decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ/BSB, sessão de 29 de março de 2010 (fls. 112/115 – numeração digital) que ratificou o entendimento da DRF/Anápolis/GO expresso no Despacho Decisório nº 121, de 27/06/2008 (fls. 30/31) e não homologou as compensações intentadas pela interessada, em decisão abaixo reproduzida: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 Ementa: Declaração de Compensação. DARFs totalmente utilizados, conforme DCTF. Crédito inexistente. Compensação não Homologada As razões de decidir foram expressas no Termo de Informação Fiscal elaborado pela SARAC/DRF/Anápolis/GO, na forma da síntese traduzida a seguir (fls. 30/31): “Relatório Trata-se de caso em que o contribuinte nos enviou as DCOMPs de números 27741.97522.270807.1.3.04-0506 e 20823.31876.270807.1.3.04-5305, aproveitando dois supostos pagamentos a maior, relativos ao IRPJ e à CSLL de 12/2006, com créditos que totalizam R$ 331.630,91 (fls. 01-06 e 15-19), em valores originais. Os débitos compensados são o IRPJ de 07/2007 (principal de R$ 258.522,64) e a CSLL de 07/2007 (principal de R$ 95.559,68). Fundamentos As pesquisas aos nossos sistemas de controle mostram que os DARFs apresentados para respaldar os créditos (pagamentos a maior) estão, na verdade, totalmente alocados aos respectivos débitos, conforme as DCTFs entregues pela Sena Grande S/A, tanto no caso do IRPJ (fls. 06-14), como no caso da CSLL (fls. 20-27). Sendo assim, não há crédito passível de restituição (conforme determina a Lei nº 9.430/1996), que possa ser utilizado para compensar débitos do contribuinte: (...) Conclusão Desta forma, com base nas pesquisas aos nossos sistemas de controle, e na legislação citada, proponho NÃO HOMOLOGAR a compensação objeto do presente processo. Fl. 390DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-004.122 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13116.001377/2008-96 (...) Decisão No uso das atribuições previstas no artigo 238 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n.° 95, de 30 de abril de 2007, publicada na edição extra do Diário Oficial da União de 02 de Maio de 2007, em face das prerrogativas previstas nos artigos 145, III, e 149, VIII, da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN), DECIDO: I) NÃO HOMOLOGAR as compensações encaminhadas nas DCOMPs de números 27741.97522.270807.1.3.04-0506 e 20823.31876.270807.1.3.04-5305; II) COBRAR os débitos indevidamente compensados na forma da Lei n° 9.430/1996”. Insatisfeita, a contribuinte acostou manifestação de inconformidade (fls. 34/37) alegando: que em janeiro de 2007 teria levantado balanço de suspensão referente ao ano- calendário de 2006, calculando como: IRPJ — R$ 28.308.405,54 e como CSLL — R$ 9.551.309,99; tais valores foram pagos pelos DARF de (fls. 61 a 71) e pelas Dcomp n°: 0 30140.63781.070207.1.7.08-9529 (fls. 72 a 76) 0 08757.01835.070207.1.7.09-6100 (fls. 77 a 81) 0 13609.58522.070207.1.7.09-4973 (fls. 82 a 86); por ocasião da elaboração da DIPJ, foi constatado que, inadvertidamente, teria incluído o valor de R$ 994.450,00 de provisão não dedutível da base de cálculo tanto do IRPJ quanto da CSLL; por isso, foram registrados na DIPJ 2007 (fls. 87 a 91) os seguintes valores devidos: como IRPJ — R$ 28.066.275,13 e como CSLL — R$ 9.461.809,49; em razão de descompasso dos procedimentos internos, a retificação da DCTF só foi efetuada em 10/09/2008; conclui requerendo o acolhimento das informações constantes da retificação da DCTF e que sejam homologadas as compensações objeto dos autos. Subindo os autos à apreciação da DRJ/BSB, assim entendeu o voto condutor do Acórdão (fls. 114/115): “...em relação às alegações feitas pela contribuinte, há que se considerar que no processo administrativo tributário é necessária a apresentação pelo sujeito passivo dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta a impugnação, dos pontos de discordância e das razões e provas que possuir, sob pena de preclusão, de acordo com o art. 16, III do já citado Decreto n ° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n °. 8.748, de 1993, c/c o § 4° .do mesmo Fl. 391DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-004.122 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13116.001377/2008-96 artigo, acrescentado pela Lei n °. 9.532, de 1997, salvo os casos excepcionados no mencionado parágrafo, verbis: (...) Logo, a apreciação da matéria objeto de discordância expressa pela contribuinte deve levar em consideração os motivos de fato e de direito em que esta se alicerça, bem como as provas apresentadas. Em espécie, a contribuinte não trouxe aos Autos cópia de sua escrituração contábil ou outro material probatório que comprovasse o preenchimento correto da DIPJ e o equívoco que ocasionaram o pagamento indevido e respectiva retificação da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado, bem como a possibilidade de utilizá-lo para quitar os débitos informados no PER/DCOMP objeto da lide. (...) Assim, apenas protestar pela legitimidade do crédito informado no PER/DCOMP não é suficiente para "desconstituir o que foi constituído" pelo Despacho Decisório, de modo que se faz necessário juntar aos autos as provas em que a contribuinte se baseou para chegar a tal conclusão. Não se admitem no processo administrativo fiscal, para efeitos de impugnação, meras alegações desprovidas de fundamentos”. Decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA - IRPJ Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 ERRO FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO. Não se admitem no processo administrativo fiscal, para efeitos de impugnação, meras alegações desprovidas de fundamentos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Discordando do r. decisum, a contribuinte acostou recurso voluntário (fls. 119/127) no qual rebateu a decisão da DRF e da DRJ, ratificou ter cometido um equívoco em janeiro/2007 quando teria incluído na base de cálculo do IRPJ e da CSLL o valor de R$ 994.450,00, gerando recolhimentos a maior das duas exações de R$ 242.130,41 e R$ 89.500,50, respectivamente (R$ 28.308.405,54 – R$ 28.066.275,13) e (R$ 9.551.309,99 – R$ 9.461.809,49). Referidos valores constam dos PER/DCOMP nºs 27741.97522.270807.1.3.04- 0506 (fls. 3) e 20823.31876.270807.1.3.04-5305 (fls. 17). No mais, reafirmou que “para suportar os PERDCOMP acima mencionados, a requerente deveria também proceder a retificação da DCTF — Declaração de Contribuições e Tributos Federais relativa ao mês de Janeiro/2007, de forma a refletir a correção dos valores devidos à titulo de IRPJ e de CSLL, mas que por um descompasso de procedimentos internos, esta providência foi adotada à época da apresentação da Manifestação de Inconformidade, consoante retificação de DCTF transmitida em 10/09/2008, sob o n° 0765589954”. Fl. 392DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-004.122 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13116.001377/2008-96 Clama pela observância do princípio da verdade material, sustenta ter trazido aos autos, além dos documentos que neles já estavam acostados, “cópias dos Livros Contábeis Razão, Diário Geral e Lalur, como forma de suprir supostas faltas narradas no acórdão ora combatido, o que a Requerente deixa claro não concordar”, requerendo a análise da documentação anexa e o provimento do recurso voluntário. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 393DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-004.122 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13116.001377/2008-96 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone - Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do acórdão recorrido em 13/05/2010 – fls. 118 – protocolização do RV em 02/06/2010 – fls. 119), a representação da recorrente está corretamente formalizada (fls. 129/132) e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. O que se aprecia nestes autos é a requisição da recorrente de que os PER/DCOMP nºs 27741.97522.270807.1.3.04-0506 e 20823.31876.270807.1.3.04-5305 sejam homologados considerando que entende ter efetuado recolhimentos a maior de IRPJ e de CSLL nos valores de R$ 242.130,41 e R$ 89.500,50, respectivamente, frutos da indevida inclusão na base de cálculo das duas exações do montante de R$ 994.450,00, oriundo de “Provisão Indedutível”, gerando, com isso, as seguintes dissintonias: 1. Tributo 2. Vlr. apurado com a inclusão da Provisão Indedutível no valor de R$ 994.450,00 3. Vlr. apurado sem a inclusão da Provisão Indedutível no valor de R$ 994.450,00 4. Diferença (2-3) IRPJ 28.308.405,54 28.066.275,13 242.130,41 CSLL 9.551.309,99 9.461.809,49 89.500,50 Instada a se manifestar em razão da transmissão de PER/DCOMP vinculando débitos da recorrente com os dois créditos acima apontados, a DRF/Anápolis/GO indeferiu o pleito, assentando no DD (fls. 30): “as pesquisas aos nossos sistemas de controle mostram que os DARFs apresentados para respaldar os créditos (pagamentos a maior) estão, na verdade, totalmente alocados aos respectivos débitos, conforme as DCTFs entregues pela Serra Grande S/A, tanto no caso do IRPJ (fls. 06-14), como no caso da CSLL (fls. 20-27). Sendo assim, não há crédito passível de restituição (conforme determina a Lei n' 9.430/1996), que possa ser utilizado para compensar débitos do contribuinte”. De seu lado, a decisão a quo (fls. 115), perfilou que “a contribuinte não trouxe aos Autos cópia de sua escrituração contábil ou outro material probatório que comprovasse o preenchimento correto da DIPJ e o equívoco que ocasionaram o pagamento indevido e respectiva retificação da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado, bem como a possibilidade de utilizá-lo para quitar os débitos informados no PER/DCOMP objeto da lide”. Rebatendo tais assertivas, a contribuinte reconheceu em seu RV (fls. 122) que deveria ter retificado a DCTF antecipadamente à transmissão dos PER/DCOMP (agosto/2007), a fim de “refletir a correção dos valores devidos à titulo de IRPJ e de CSLL”, porém, “por um descompasso de procedimentos internos, esta providência foi adotada à época da apresentação da Manifestação de Inconformidade, consoante retificação de DCTF transmitida em 10/09/2008, sob o n° 0765589954”. Fl. 394DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-004.122 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13116.001377/2008-96 Acresce clamando pela observância do princípio da verdade material e aponta ter trazido aos autos, além dos documentos que neles já estavam acostados, “cópias dos Livros Contábeis Razão, Diário Geral e Lalur, como forma de suprir supostas faltas narradas no acórdão ora combatido” (RV - ibidem). Como visto, a matéria comporta dois parâmetros independentes e ao mesmo tempo vinculados entre si: 1. a não existência de créditos disponíveis quando da prolatação do DD, tendo em conta a alocação de todos os valores às DCTF existentes nos sistemas da RFB; 2. não juntada de escrituração e documentos que pudessem sustentar o pedido. Pois bem, quanto ao primeiro tomo, a contribuinte reconheceu não ter efetuado a retificação da DCTF correspondente em tempo hábil, o que levou à não existência de valores disponíveis nos sistemas da Receita Federal, já que todos os pagamentos estavam alocados. Mas, ainda no dizer da recorrente, tal equívoco foi gerado “por um descompasso de procedimentos internos, esta providência foi adotada à época da apresentação da Manifestação de Inconformidade, consoante retificação de DCTF transmitida em 10/09/2008, sob o n° 0765589954”, ou seja, ainda que “pós” edição do DD, a DCTF foi retificada (fls. 105/109) para inclusão dos valores que a contribuinte entendeu corretos. Com isso, o valor anteriormente declarado de R$ 28.308.405,54 como devido a título de IRPJ passou a ser R$ 28.066.275,13 e o de CSLL de R$ 9.551.309,99 reduziu-se para R$ 9.461.809,49, levando ao nascimento de créditos de R$ 242.130,41 e R$ 89.500,50, respectivamente, tudo isso fruto da retirada da base de cálculo das duas exações do montante de R$ 994.450,00 (“Provisão Indedutível”). Nesse ponto, antes de se passar à análise da correção do procedimento da recorrente de excluir referido valor de “Provisão Não Dedutível” da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, cabe verificar acerca da possibilidade da retificação da DCTF após o DD ser prolatado. Como já tive oportunidade de me manifestar em outros julgamentos envolvendo a mesma matéria fática, parece-me absolutamente induvidoso que, à luz dos princípios da legalidade e da verdade material, seja possível a retificação de declaração, diga-se, os contribuinte devem informar a sua real situação em relação aos tributos devidos e, nos casos em que tais montantes sejam modificados, deve haver razão para isso e – principalmente – justificativa e comprovação dos erros em que fundamentada a retificação pretendida, o que pressupõe, no mínimo, a oferta de documentos e sua escrituração à Autoridade Tributária para análise. Em outro dizer, seria despropositado impedir esse procedimento de retificação de DCTF não só pela lógica jurídica do Direito Administrativo-Tributário que prioriza a chamada “busca da verdade material 1 como pela própria falibilidade humana diante da qual erros ocorrem e podem/devem ser retificados. 1 Sobre o tema, Demetrius Nichele Macei, em sua obra “A Verdade Material no Direito Tributário” – Malheiros Editores – 2013 – pg. 53 – afirma: “a matéria tributária em si, independentemente do âmbito em que a lide entre contribuinte e Fisco seja travada, (...) já é suficiente para que o princípio adotado seja o da busca pela verdade material em todos os casos”. Igualmente Celso Antonio Bandeira de Mello, recorrendo às lições de Hector Jorge Escola: “no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou Fl. 395DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-004.122 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13116.001377/2008-96 Concretamente, se uma DCTF foi apresentada com valores indevidos e levou a que um possível direito creditório não fosse reconhecido (pelo equívoco cometido), nada mais natural que se faça a correção e atenda-se à verdade material dos fatos. Em suma, pacífico que deve haver a comprovação dos erros em que se fundamente a retificação pretendida. Reconhecida a possibilidade de a retificadora ser analisada, resta ver se a correção do erro cometido tem suporte documental que lhe dê robustez. Concretamente, o que alega a recorrente é ter inserido na base de cálculo que apurou o IRPJ e a CSLL de dezembro/2006, projeção para janeiro/2007, o valor de R$ 994.450,00 pertinente a “Provisão Indedutível”, levando aos recolhimentos a maior agora buscados em sede de repetição de indébito e compensação. Para justificar tal aspiração, juntou cópias do LALUR, do Diário, do Razão, da DIPJ, além de outros documentos de natureza interna da empresa (fls. 187/200 – 204/257 – 303/306 – 345/351). Além dessas peças, a recorrente acostou DARF com os recolhimentos no período (fls. 166/168 – 185 – 258/271 – 307/318). De plano, não posso deixar de registrar, causa estranheza a pretendida intenção de excluir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL um valor (R$ 994.450,00) cuja conta contábil é nominada pela própria interessada como “Provisão Não Dedutível”, nomenclatura que, ao primeiro olhar, direciona o entendimento justamente para a linha oposta, ou seja, tratando-se de valores “indedutíveis”, o normal seria a sua inclusão nas bases de cálculo dos dois tributos e não a sua exclusão! Todavia, evidente que só o nome da conta não determina sua real natureza, cabendo ver como é feita sua inserção no mundo contábil da empresa e – principalmente – o reflexo que irradia na seara tributária. Pois bem, analisando os documentos e fragmentos da escrituração juntados no recurso voluntário é possível constatar a inclusão da referida rubrica contábil na apuração dos dois tributos a partir dos relatórios gerenciais da empresa e utilizados para apurar provisória e definitivamente os valores devidos a título de IRPJ e de CSLL. Veja-se (fls. 187): pelas partes, a Administração deve sempre buscar a verdade substancial” (in Curso de Direito Administrativo – 29ª Ed. SP – Malheiros – 2012 – pg. 512). Linha em consonância com a jurisprudência da Corte Administrativa Tributária federal: “A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação” (Ac. 103-18789 – 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes). Fl. 396DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-004.122 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13116.001377/2008-96 Igualmente na planilha de acompanhamento (fls. 188/189): Fl. 397DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1402-004.122 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13116.001377/2008-96 Na mesma linha, a planilha de lançamentos que alimenta os registros contábeis no Diário (fls. 345) e o Livro Razão, conta do Passivo (Provisões – fls. 346): Fl. 398DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1402-004.122 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13116.001377/2008-96 Mais, Livro Razão com lançamento da contrapartida na conta 13.201.996 – Conta de Ativo (fls. 347): E, para finalizar, lançamentos em partida dobrada no Livro Diário (fls. 348/349): No detalhe: No detalhe: Resumindo: 1. O valor de R$ 994.450,00 encontra-se devidamente registrado na escrituração da recorrente, conforme atestam o Livro Diário, o Livro Razão e as fichas de lançamentos que alimentam a contabilidade; Fl. 399DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1402-004.122 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13116.001377/2008-96 2. Também compôs a apuração inicial da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme controles internos da empresa juntados aos autos e confrontados com a escrituração e a DIPJ; 3. Os apontamentos mostram que o lançamento contábil realizado em 01/11/2006 teve como conta credora a conta 22.401.004 – Reabilitação Ambiental, cujo grupo sintético é classificado como “Outras Obrigações”, de natureza passiva; 4. De outro lado, a contrapartida mostra lançamento efetuado na conta 13.201.996 – Gastos com Desmobilização, cujo grupo sintético é classificado como “Custo”, conta de ativo; 5. Destaque-se que, embora esta última rubrica seja nominada de “Gastos com Desmobilização” e seu grupo sintético seja definido como “Custo”, tal conta pertence ao “Ativo Imobilizado” da recorrente, ou seja, não se está diante de conta de resultado e, por conseguinte, seus valores não transitaram pela apuração do lucro e, via de consequência, não compuseram as bases de cálculo de IRPJ e de CSLL. Nesse instante, é lícito presumir que, pela urgência com que deveriam ser apurados os valores remanescentes do ano de 2006 (recolhimento em janeiro 2017), que a apuração preliminar realizada (conforme visto na planilha juntada pela recorrente e já reproduzida neste voto - fls. 187) a contribuinte, inadvertidamente, tenha tomado o valor de R$ 994.450,00 e o incluído na base de cálculo do IRPJ e da CSLL e só depois, em junho de 2007, quando da elaboração da DIPJ, é que tal equívoco veio à tona. A esse respeito, a recorrente alertava em seu RV (fls. 121). Além disso, muito provavelmente até o nome da conta utilizada pela recorrente (“Provisões Não Dedutíveis”) pode ter induzido a erro o setor que elaborou a planilha com os cálculos dos tributos devidos. De qualquer modo, como não faz sentido que o contribuinte recolha o que não deve e não é lícito ao Estado locupletar-se do que não lhe pertence, a verdade material se sobrepõe a eventual nomenclatura menos feliz adotada pela recorrente, cabendo verificar se seus argumentos, embasados por provas robustas, se sustentam. Nessa linha, penso que, de tal exigência, a recorrente se safou. Acresça-se, adicionalmente, a juntada pela recorrente de todos os DARF de recolhimento de IRPJ e de CSLL ao longo do período de 2006, comprovando ter efetuado os pagamentos dos tributos apurados e demonstrando, mediante planilhas (fls. 254/255 – IRPJ e 303/304 – CSLL) o saldo residual remanescente a seu favor e aqui discutido como direito creditório da ordem de R$ 242.130,41 a título de IRPJ e R$ 89.500,50 referente à CSLL. Veja-se; IRPJ, planilhas gerencial e de estimativas recolhidas (fls. 255/255): Fl. 400DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1402-004.122 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13116.001377/2008-96 No detalhe: Sequenciamente, veja-se; CSLL, planilhas gerencial e de estimativas recolhidas (fls. 303/304): Fl. 401DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1402-004.122 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13116.001377/2008-96 No detalhe: Pelo exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário ofertado pela recorrente para RECONHECER os indébitos de R$ 242.130,41 e R$ 89.500,50 a título de IRPJ e de CSLL, respectivamente, e HOMOLOGAR as compensações discutidas nestes autos, até o limite do direito creditório aqui reconhecido. Fl. 402DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1402-004.122 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13116.001377/2008-96 É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 403DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006185/2008-99
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte, ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-001.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento parcial. Votaram pelas conclusões as conselheiras Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte, ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10980.006185/2008-99
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6106528
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-001.743
nome_arquivo_s : Decisao_10980006185200899.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : VIRGILIO CANSINO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 10980006185200899_6106528.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento parcial. Votaram pelas conclusões as conselheiras Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2019
id : 8017255
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052650421878784
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-09T17:42:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-09T17:42:27Z; Last-Modified: 2019-12-09T17:42:27Z; dcterms:modified: 2019-12-09T17:42:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-09T17:42:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-09T17:42:27Z; meta:save-date: 2019-12-09T17:42:27Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-09T17:42:27Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-09T17:42:27Z; created: 2019-12-09T17:42:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-12-09T17:42:27Z; pdf:charsPerPage: 1863; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-09T17:42:27Z | Conteúdo => S2-TE02 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10980.006185/2008-99 Recurso Voluntário Acórdão nº 2002-001.743 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 20 de novembro de 2019 Recorrente AMERICO ALVARO FARINHA MARTINS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte, ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento parcial. Votaram pelas conclusões as conselheiras Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 65/74) contra decisão de primeira instância (e-fls. 54/59), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 61 85 /2 00 8- 99 Fl. 80DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.743 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.006185/2008-99 Por meio da Notificação de Lançamento de fls. 42 a 45, exigem-se do contribuinte os montantes de R$ 6.495,50 de imposto suplementar, R$ 4.871,62 de multa de ofício de 75% e encargos legais, relativos ao exercício 2004, ano-calendário 2003. A autuação, originada da revisão da declaração de ajuste anual (fls. 46 a 49), constatou dedução indevida de despesas médicas, R$ 23.620,00, uma vez que, intimado, o contribuinte apresentou comprovantes acatados pelo Fisco no total de R$ 2.329,08, tendo sido excluídas as seguintes parcelas da dedução, por falta de comprovação do efetivo pagamento: MARCOS ANTONIO MULÍNARI R$12.200,00 CAROLINA BENATO R$ 4.780,00 MURAMI GRACIANA DE SOUZA R$ 1.440,00 ALESSANDRA BOSSARDI FRANÇA R$ 5.200,00 Cientificado, em 10/04/2008 (fl. 50), o contribuinte apresentou, em 09/05/2008, por intermédio de procurador (fl. 07), a impugnação de fls. 01 a 06, acatada como tempestiva pelo órgão de origem (fl. 51), alegando se tratar de profissional liberal da área de medicina, especialista em cardiologia, com proventos oriundos de pacientes e planos de saúde, conforme informado em sua declaração de ajuste anual. Diz, ainda, serem seus dependentes diretos a esposa (Lídia Bedenko Martins) e os Filhos (André Américo Bedenko e Adriano Bedenko Martins). Afirma que as despesas médicas glosadas, realizadas com odontologia e fisioterapia, têm previsão legal para dedução e podem ser legalmente comprovadas segundo o disposto no art. 43 da Instrução Normativa n° 15, de 6 de fevereiro de 2001, que transcreve. Argui que as despesas com fisioterapia, serviços prestados pela profissional Alessandra Bossardi França, no total de R$ 5.200,00, se encontram comprovadas pela documentação de cópias às fls. 08 a 16, composta de declaração firmada pela fisioterapeuta, recibos e receituário médico. Aduz que foram realizadas 104 sessões de fisioterapia, no domicilio do contribuinte, para tratamento de sua esposa e filhos, totalizando gastos de R$ 5.200,00. Ratifica que as despesas preenchem os requisitos para dedução, quais sejam: existência de diagnóstico clínico-patológico, atestando o estado de deficiência e a indicação de tratamento especializado; comprovação de pagamento efetuado a fisioterapeuta, terapeuta ocupacional ou a empresa especializada, e a profissional ou empresa registrada no Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Entende que a documentação de cópias às fls. 17 a 25, emitida pela profissional Murami Aparecida Graciano de Souza Gaião, comprova as despesas de R$ 1.440,00, com tratamento odontológico dos filhos, realizados no ano-calendário 2003 e discriminados no prontuário anexado aos autos. Igualmente, estariam comprovadas, cópias de fls. 26 a 30, as despesas com próteses odontológicas de sua esposa, passíveis de dedução (art. 43, § 5° da IN n° 15, de 2001), pagas a Carolina Benato, no total de R$ 4.780,00. Esclarece que as despesas médicas com o profissional Marcos Antonio Mulinari, R$ 12.000,00, se tratam, na verdade, de pagamentos a auxiliar médico, decorrentes do Contrato de Prestação de Serviços Profissionais entre Médicos (cópias da minuta do contrato às fls. 31 a 33), segundo o qual o contratado prestaria serviços personalíssimos de assistente/auxiliar de cirurgias realizadas pelo impugnante, no hospital Sarita Cruz, ficando estabelecido o valor mínimo mensal de R$ 1.000,00, caso Fl. 81DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.743 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.006185/2008-99 não se realizasse um número mínimo de cinco cirurgias no mês. Defende que, tendo o profissional emitido os recibos (cópias às fls. 34 a 38) e tributado o valor auferido, em sua declaração de ajuste anual, que diz anexar, não caberia tributá-lo novamente na declaração do contribuinte, sob pena de se incorrer em bis in idem. Ao final, requer acatamento da comprovação trazida com a petição e restabelecimento das deduções glosadas. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DESPESAS MÉDICAS. EFETIVO DESEMBOLSO. FALTA DE COMPROVAÇAO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COND1ÇÕES. A dedução das despesas médicas restringe-se aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes, devidamente relacionados na declaração de ajuste anual, não se enquadrando nesse conceito pagamentos relativos à despesas de não dependentes e aqueles efetuados em decorrência de contrato de prestação de serviços profissionais entre médicos. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação, requerendo o cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil, Relator. Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 14/02/2011 (e-fl. 63); Recurso Voluntário protocolado em 11/03/2011 (e-fl. 65), assinado por procurador legalmente constituído (e-fl. 75). Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Relata o Sr. AFRF: Glosa do valor de R$ ********23.620,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Contribuinte declarou em sua DIRPF R$ 25.949,03 de DESPESAS MÉDICAS. Intimado, apresentou comprovantes acatados por esta fiscalização na importância de R$ 2.329,08. Das apresentadas, foram excluídas: - DR. MARCOS ANTONIO MULINARI – R$ 12.200,00; Fl. 82DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.743 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.006185/2008-99 - DRA CAROLINA BENATO – R$ 4.780,00; - DRA. MURANI GRACIANA DE SOUZA – R$ 1.440,00; - DRA ALESSANDRA BOSSARDI FRANCA – R$ 5.200,00. Todas, por falta de COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. A r. decisão revisanda, julgou procedente em parte, assim se manifestando: (...) Primeiramente, há que se observar que Lídia Bedenko Martins, não consta da relação de dependentes da declaração de ajuste anual do contribuinte (fl. 48), mesmo porque, se trata de contribuinte autônoma, com apresentação de declaração de ajuste anual em separado (fl. 52). Sendo assim, de pronto, incabível pretender deduzir na declaração sob análise as despesas médicas a ela atinentes (fls. 11, 16 e 26 a 30). No mais, é regra geral no Direito que o ônus da prova cabe a quem alega. Entretanto, a lei também pode determinar a quem caberá a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3° do Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprova-las ou justificá-las, deslocando para ele o ônus probatório. (...) Portanto, revela-se equivocado o entendimento de que os recibos seriam suficientes e hábeis para comprovação dos pagamentos e lisura das deduções pleiteadas. Esta não é a correta interpretação do art. 8°, § 2°, III da Lei 9.250, de 1995, base legal do art. 80 do RIR/1999. A indicação de que o recibo deve conter o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço refere-se apenas aos dados que devem constar na declaração de ajuste anual. Dados estes baseados na documentação. Entretanto, a tônica do dispositivo é a especificação e comprovação dos pagamentos. Tanto que admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas. Entretanto, mesmo o cheque pode estar sujeito à justificação da efetiva prestação do serviço, quando dúvidas razoáveis acudirem ao fisco, pois essa prestação é o substrato material a dar guarida à dedução, consoante o inciso II do mesmo dispositivo legal. Documentos, de natureza particular, por si sós, podem não ser suficientes para a comprovação do efetivo pagamento, mormente quando não constituírem prova de transferência de numerário relativa à efetiva prestação de serviço que permita a dedução a título de despesa médica. Saliente-se que, mesmo sob o aspecto formal, os recibos trazidos aos autos (09 e 10), não cumpririam os requisitos mínimos exigidos, porquanto limitam-se a informações genéricas e inespecíficas, sem indicação dos pacientes (observe-se, inclusive, que sequer permitiriam excluir as despesas com o cônjuge não dependente). Da mesma forma, as declarações acostadas às fls. 08, 17, 19 e 26, desacompanhadas de outros elementos que as substanciem, não são hábeis à comprovação pretendida. (...) Buscando comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas, o contribuinte juntou cópias dos extratos bancários de fls. 15 a 46. Na “complementação da descrição dos fatos” da autuação (fl. 07) consta que, intimado, o contribuinte Fl. 83DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.743 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.006185/2008-99 não comprovou o efetivo pagamento das despesas. Nos extratos bancários apresentados não consta saque bancário em data e valor coincidentes com os recibos e não consta transferência bancária compatível. Também não foram apresentadas cópias de cheques ou qualquer outro meio de prova do efetivo pagamento. A documentação acostada às fls. 15 a 46 não alterou essa situação, permanecendo insuficiente a comprovação pretendida. Desse modo, deve ser mantida a glosa das despesas em relação às quais o contribuinte, intimado a fazê-lo, não logrou comprovar o efetivo desembolso dos valores correspondentes. Adicionalmente, é importante observar que o litigante é médico conveniado e beneficiário de plano de saúde da Unimed que tem considerável rede de médicos e outros profissionais de saúde, laboratórios e hospitais conveniados em Curitiba, não sendo crível, pelo senso comum, que tivesse optado por arcar com despesas expressivas de fisioterapia, quando se sabe que o seu plano cobre tais despesas e o objetivo da opção por um plano de saúde é evitar gastos com saúde. Em especial, quanto aos supostos pagamentos efetuados a Marco Antonio Mulinari, tampouco se caracterizam como despesas médicas do contribuinte ou de seus dependentes conforme previsto no art. 8°, II, a, § 2°, ll da Lei n° 9.250, de 1995. Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio, combatendo o mérito. A controvérsia trazida aos autos diz respeito a deduções indevidas de despesas médicas, referentes a quatro profissionais de saúde assim relacionados: Marcos Antônio Mulinari, Carolina Benato, Murami Graciana de Souza e Alessandra Bossardi França. Relativamente a Dra. Alessandra, os recibos e a declaração não podem serem aceitos pelo fato de não constar o endereço da profissional responsável pelos documentos. Já quanto às despesas da profissional Dra. Murami, constatamos as seguintes irregularidades, alguns pagamentos foram feitos pela esposa do recorrente, que declara em separado e a prótese realizada pela Dra. Carolina paga pelo recorrente foi tratamento feito à sua esposa, conforme impugnação. Quanto ao Dr. Marcos Antônio, a natureza dos pagamentos feitos a este profissional, não são despesas médicas, como bem esclarecido pela r. decisão primeira são pagamentos realizados para seu auxiliar em razão do trabalho por ele prestado. Nesta quadra de entendimento, carece de razão o recorrente em seu apelo. As conselheiras Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll acompanharam o relator pelas conclusões, entendendo que cabe a manutenção das glosas das despesas médicas pela falta de apresentação de provas quanto ao efetivo pagamento, como exigido no curso da ação fiscal. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito, nega-se provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 84DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-001.743 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.006185/2008-99 Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.902377/2012-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. APROVEITAMENTO.
O aproveitamento de créditos extemporâneo no sistema não-cumulativo de apuração das Contribuições requer que sejam observadas as normas editadas pela Receita Federal, que exigem a retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON sempre que forem apurados novos débitos ou créditos ou aumentados ou reduzidos os valores já informados nas Declaração original. Assim, os créditos extemporâneos devem ser pleiteados em procedimentos repetitórios referentes aos períodos específicos a que pertencem.
Numero da decisão: 9303-009.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. APROVEITAMENTO. O aproveitamento de créditos extemporâneo no sistema não-cumulativo de apuração das Contribuições requer que sejam observadas as normas editadas pela Receita Federal, que exigem a retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON sempre que forem apurados novos débitos ou créditos ou aumentados ou reduzidos os valores já informados nas Declaração original. Assim, os créditos extemporâneos devem ser pleiteados em procedimentos repetitórios referentes aos períodos específicos a que pertencem.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13884.902377/2012-91
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6106496
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-009.739
nome_arquivo_s : Decisao_13884902377201291.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 13884902377201291_6106496.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
id : 8016633
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052650433413120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1529; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 564 1 563 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13884.902377/201291 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303009.739 – 3ª Turma Sessão de 11 de novembro de 2019 Matéria PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EMBRAER S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. APROVEITAMENTO. O aproveitamento de créditos extemporâneo no sistema nãocumulativo de apuração das Contribuições requer que sejam observadas as normas editadas pela Receita Federal, que exigem a retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON sempre que forem apurados novos débitos ou créditos ou aumentados ou reduzidos os valores já informados nas Declaração original. Assim, os créditos extemporâneos devem ser pleiteados em procedimentos repetitórios referentes aos períodos específicos a que pertencem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 23 77 /2 01 2- 91 Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13884.902377/201291 Acórdão n.º 9303009.739 CSRFT3 Fl. 565 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 209/222), admitido pelo despacho de fls. (248/250), contra o Acórdão 3301 003.162, de 25/01/2017, cuja ementa, na parte objeto do recurso, restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 TOMADA DE CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. DESNECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DO DACON Não há base legal para condicionar o aproveitamento de crédito extemporâneo de PIS à retificação do DACON. A Fazenda acosta dois paradigmas (3302003.188 e 3302003.189), demonstrando a divergência quanto ao entendimento de que para o aproveitamento de créditos extemporâneos devem ser observadas as norma editadas pela RFB, dentre elas a necessidade de entrega de DACON retificadora. E assevera concluindo: ... não há nenhuma objeção ao reconhecimento do direito alegado pela Parte, fundamentado na previsão contida no artigo 3º, §4º, da Lei n° 10.833/03 e no artigo 1º, do Decreto nº 20.910/32. O que se exige é que se sejam observadas as formalidades definidas na legislação como instrumento de controle da apuração e utilização dos créditos escriturados, sob pena de restar o Fisco obrigado a revisar e uma enorme quantidade de informações a cada situação na qual o administrado age em desacordo com as regras estabelecidas. ... Portanto, temse que o saldo credor remanescente após o encerramento do trimestrecalendário pode ser utilizado para compensação ou ser objeto de pedido de ressarcimento, observadas as condições e procedimentos estipulados no art. 22 da IN SRF n° 600/2005. E a referida instrução normativa, dispõe, em seu parágrafo 3º, que cada pedido de ressarcimento deverá referirse ao saldo credor de um único trimestre. Ao final, pede o provimento do recurso para reformar o recorrido de modo que se reconheça a necessidade de retificação de DACON para fim de aproveitamento de crédito extemporâneo. Em contrarrazões (fls. 259/271), o contribuinte pede a manutenção do recorrido. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13884.902377/201291 Acórdão n.º 9303009.739 CSRFT3 Fl. 566 3 O recurso especial do contribuinte foi rejeitado em agravo (fls. 361/364). É o relatório. Voto Conselheira Jorge Olmiro Lock Freire Relator A questão posta ao nosso conhecimento restringese ao direito de aproveitamento de créditos extemporâneos do PIS, no caso nãocumulativo, prescindindo ou não de retificação da respectiva DACON. Sobre tal matéria já tive oportunidade de me manifestar nesta C. Turma no aresto 9303007.510, de 17/10/2018, tendo sido designado redator para o voto vencedor, cuja ementa dispôs: CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. APROVEITAMENTO. O aproveitamento de créditos extemporâneo de PIS não cumulativo está condicionado a apresentação dos Dacon retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas DCTF retificadoras. As leis que instituíram o PIS e a Cofins com incidência não cumulativa, assim dispõem quanto ao aproveitamento dos créditos destas contribuições: Lei nº 10.637, de 3012/2002 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; [...]. § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: Fl. 377DF CARF MF Processo nº 13884.902377/201291 Acórdão n.º 9303009.739 CSRFT3 Fl. 567 4 I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; ... § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [...].” Lei 10.833, de 29/12/2003 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...];IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; [...]IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...]. § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; [...]. § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; ... Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13884.902377/201291 Acórdão n.º 9303009.739 CSRFT3 Fl. 568 5 § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. ... Art. 92. A Secretaria da Receita Federal editará, no âmbito de sua competência, as normas necessárias à aplicação do disposto nesta Lei.” Dispõe a Lei nº 11.116, de 18/05/2005: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” Em cumprimento ao disposto no art. 92 da Lei nº 10.833/2003, o Secretário da Receita Federal editou a IN SRF nº 600, de 28/12/2005, disciplinando o ressarcimento/compensação do saldo credor da Cofins não cumulativa, que estatui: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; Fl. 379DF CARF MF Processo nº 13884.902377/201291 Acórdão n.º 9303009.739 CSRFT3 Fl. 569 6 II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência; ou [...]. ... § 6º A compensação dos créditos de que tratam os incisos II e III e o § 4º somente poderá ser efetuada após o encerramento do trimestrecalendário. § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I, remanescentes da dedução de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 26. § 8º A compensação de créditos de que tratam os incisos I e II e o § 4º, efetuada após o encerramento do trimestre calendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento formalizado de acordo com o art. 22. Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II e o § 4º do art. 21, acumulados ao final de cada trimestre calendário, poderão ser objeto de ressarcimento. [...]. § 2º O pedido de ressarcimento dos créditos acumulados na forma do inciso II e do § 4º do art. 21, referente ao saldo credor acumulado no período de 9 de agosto de 2004 até o final do primeiro trimestrecalendário de 2005, somente poderá ser efetuado a partir de 19 de maio de 2005. § 3º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário. II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação.” Ou seja, segundo a regulamentação, o crédito não aproveitado no mês poderá ser aproveitado nos meses seguintes e o saldo credor apurado em cada trimestre poderá ser compensado com outros débitos tributários e objeto de pedido de ressarcimento. No presente caso, a recorrente não apresentou as Dacon com a apuração dos créditos extemporâneos e dos saldos credores trimestrais nem dos respectivos Dacon retificadores, limitandose a alegação de que os créditos existem. Portanto, sem a menor certeza e liquidez. Consigna a IN SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005: “Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13884.902377/201291 Acórdão n.º 9303009.739 CSRFT3 Fl. 570 7 mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. §1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. ... § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. ... A apuração de tais valores se dá justamente por meio das declarações fiscais do contribuinte (IN SRF 384/2004, que instituiu a DACON). Assim, ausente a prévia apuração do montante a ser aproveitado, mediante a devida retificação da DCTF e DACON, não se pode ter como certa a dedução de tais créditos extemporâneos pelo contribuinte. Até porque, é mediante os acertos promovidos que a autoridade fiscal pode identificar eventuais duplicidades no uso/apuração dos créditos. Ora, se a legislação institui regras e instrumentos para a apuração do crédito a favor ou contra a Administração Tributária, essas regras devem ser seguidas e os instrumentos adequadamente utilizados. O crédito só será considerado apurado devidamente na medida em que tal apuração atender aos procedimentos impostos. Portanto, não é possível a análise dos créditos extemporâneos, da forma como os declarou a contribuinte, ou seja, simplesmente consignados como desconto das contribuições no Dacon de período posterior, sem a devida recomposição através de documentos retificadores de todos os seus créditos frente aos débitos de períodos anteriores. Em remate, provado que a recorrente não apresentou os Dacon retificadores demonstrando os créditos extemporâneos e os saldos credores trimestrais apurados, a glosa de tais créditos deve ser mantida por absoluta falta de liquidez e certeza. DISPOSITIVO Em face do exposto, conheço e dou provimento ao recurso especial da Fazenda. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 381DF CARF MF Processo nº 13884.902377/201291 Acórdão n.º 9303009.739 CSRFT3 Fl. 571 8 Fl. 382DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.725379/2010-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2007
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA
Não há que se falar em nulidade de auto de infração que atende a todos os requisitos legais dispostos na legislação regente.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS (IOF)
Ano-calendário: 2007
OPERAÇÃO DE CRÉDITO. CONTRATO DE MÚTUO.
Configura-se operação de crédito, para fins de incidência do IOF, a operação de mútuo realizada entre pessoas jurídicas, comprovada mediante a apresentação de contrato de mútuo e dos registros da movimentação na conta contábil correspondente.
Numero da decisão: 3001-000.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA Não há que se falar em nulidade de auto de infração que atende a todos os requisitos legais dispostos na legislação regente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS (IOF) Ano-calendário: 2007 OPERAÇÃO DE CRÉDITO. CONTRATO DE MÚTUO. Configura-se operação de crédito, para fins de incidência do IOF, a operação de mútuo realizada entre pessoas jurídicas, comprovada mediante a apresentação de contrato de mútuo e dos registros da movimentação na conta contábil correspondente.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10380.725379/2010-71
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6105078
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3001-000.999
nome_arquivo_s : Decisao_10380725379201071.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCOS ROBERTO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10380725379201071_6105078.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
id : 8013662
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052650437607424
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-06T21:02:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-06T21:02:03Z; Last-Modified: 2019-12-06T21:02:03Z; dcterms:modified: 2019-12-06T21:02:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-06T21:02:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-06T21:02:03Z; meta:save-date: 2019-12-06T21:02:03Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-06T21:02:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-06T21:02:03Z; created: 2019-12-06T21:02:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-12-06T21:02:03Z; pdf:charsPerPage: 1494; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-06T21:02:03Z | Conteúdo => S3-TE01 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10380.725379/2010-71 Recurso Voluntário Acórdão nº 3001-000.999 – 3ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 13 de novembro de 2019 Recorrente COMPANHIA EXPORTADORA DE PESCADOS DO BRASIL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA Não há que se falar em nulidade de auto de infração que atende a todos os requisitos legais dispostos na legislação regente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS (IOF) Ano-calendário: 2007 OPERAÇÃO DE CRÉDITO. CONTRATO DE MÚTUO. Configura-se operação de crédito, para fins de incidência do IOF, a operação de mútuo realizada entre pessoas jurídicas, comprovada mediante a apresentação de contrato de mútuo e dos registros da movimentação na conta contábil correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 53 79 /2 01 0- 71 Fl. 258DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-000.999 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.725379/2010-71 Relatório Por economia processual e por bem relatar a realidade dos fatos reproduzo parte do relatório da decisão de piso: Trata o processo de autos de infração de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF, relativo ao ano calendário de 2007. 2. O auto de infração de IOF (fls. 02/09) exige o recolhimento de R$ 12.148,55 de imposto e R$ 9.111,39 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 10/21: Falta de recolhimento/declaração do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou Relativas a Títulos /Valores Mobiliários: nos períodos de 07/2007 a 12/2007. Multa de 75%. Inconformada com a autuação, a interessada apresenta impugnação alegando, em síntese, o descrito no trecho a seguir no qual foi extraído do voto condutor da decisão recorrida: i) da análise de cada dispositivo, percebe-se claramente que os mesmos não conferem, a quem os descumprir, qualquer modalidade de sanção, e mesmo que tais sanções estejam tipificadas em outros dispositivos, estes não foram contemplados pelo auto ora impugnado, pelo que não se pode considerá-los, sob pena de malferir o principio do devido processo legal, uma vez que a Impugnante só pode se defender das tipificações levantadas pelo auto ora impugnado; ii) o Ilustre agente autuante esqueceu-se de avaliar se tais dispositivo estão em vigência, visto que o art. 37 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002 encontra-se revogado pelo Art. 42, II, a, da lei n° 11.727/08; iii) o auto não elucida, nas tipificações ali carreadas, as extensões pelo descumprimento de tais preceitos, o que traz embaraço à presente defesa; iv) embora o termo de verificação fiscal seja parte integrante do auto em comento, o mesmo em nada diz respeito às obrigações tributárias de responsabilidade da Impugnante, sequer são mencionadas, no dito termo de verificação, as infrações supostamente cometidas pela Requerente; v) no referido termo de verificação, o agente aduz que restou "caracterizada a infração pagamento sem causa". Referidos pagamentos se deram por conta e ordem da empresa COMPESCAL - COMÉRCIO DE PESCADO ARACATIENSE LTDA, inscrita no CNPJ n° 07.108.145/0001-50, conforme se demonstrou sobejamente através de requerimento e documentos que o integram, datado de 19/10/2010, ora acostado, apresentado a esta Secretaria, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal datado de 14/10/2010; vi) não há que se falar em pagamentos sem causa, visto que todos os pagamentos foram devidamente comprovados, quando do Termo de Intimação Fiscal retro mencionado; vii) restou malferido o Art. 10, IV, do PAF, já que as disposições legais supostamente infringidas estão devidamente transcritas nesta Impugnação, e nenhuma delas é passivel de infração, ou seja, constituem disposições gerais sobre a tributação das exações capituladas no auto de infração. A titulo de exemplo, pinça-se das tipificações carreadas no auto combatido o Art. 51, do Decreto 4.524/02, verbis, que está entre as tipificações imputadas à Impugnante, no que concerne à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS; viii) houve ofensa ao contraditório e ampla defesa, visto que é impossível se defender quando não se sabe a penalidade que lhe é atribuída. Não se vê no auto impugnado, embora o mesmo seja demasiadamente longo, qualquer Fl. 259DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-000.999 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.725379/2010-71 menção às penalidades atribuidas à Impugnante, restando caracterizada e comprovada a ofensa ao Art. 10, IV, do Decreto n° 70.235/72, pelo que deve o auto ser anulado. Muito embora o doutíssimo Auditor tenha consignado no auto de infração inúmeros dispositivos legais, não se vê, nem ao menos se compreende, quais deles foram infringidos e em que extensão, cerceando, pois, o direito de defesa da Impugnante. A DRJ de Curitiba/PR julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário conforme Acórdão n o 06-53.332 a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS - IOF Ano-calendário: 2007 IOF. OPERAÇÃO DE CRÉDITO. CONTRATO DE MÚTUO. Configura-se operação de crédito, para fins de incidência do IOF, a operação de mútuo contraído entre pessoas jurídicas, que resta comprovado pela existência de contrato de mútuo e registros da movimentação em conta contábil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA OU ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. Não cabe alegar nulidade por cerceamento do direito de defesa, sob alegação de falta ou erro no enquadramento legal, já que o contribuinte não se defende do enquadramento legal mas sim dos fatos a ele imputados, desde que estes estejam descritos no TVF com clareza suficiente para a compreensão da acusação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância trazendo, em síntese, os seguintes argumentos: 1) que não há incidência de IOF nas operações de mútuo mediante contrato de conta corrente com comutação em adiantamento a fornecedores; 2) ofensa aos princípios constitucionais de direito público e do devido processo administrativo tributário. Dando-se prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Fl. 260DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-000.999 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.725379/2010-71 Voto Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Relator. Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar A Recorrente alega nulidade do Auto de Infração tendo em vista a presença de vícios formais do servidor público fazendário que desprezou as informações do contribuinte e a verdade material dos fatos. Neste sentido afirma que houve ofensa a princípios constitucionais do direito público e do processo administrativo tributário. Cita a inobservância dos princípios da legalidade, da moralidade, da finalidade e da eficiência. As nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal devem ser declaradas quando houver a necessidade de expurgar do mundo jurídico os atos que tenham sido praticados com vícios formais. Caracterizam-se tais vícios quando da ausência de condição ou requisito de forma indispensável para a sua validação. Também resta caracterizado o vício quando o ato for praticado com preterição do direito de defesa da parte. Destaque-se que as nulidades no processo administrativo fiscal estão previstas nos art. 59 e 60 do Decreto n o 70.235/72, que assim estabelecem: “Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 261DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-000.999 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.725379/2010-71 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”. Dentro do estabelecido na previsão legal sobre o ponto em questão, entendo que não houve vício de incompetência ou cerceamento do direito de defesa que pudesse anular o auto de infração. A autoridade fiscal para lavratura do auto de infração possui a competência para o seu lançamento. Tendo em vista que restou demonstrada a irregularidade apontada pela fiscalização, permitindo, inclusive, ao sujeito passivo efetuar a sua plena defesa por meio da impugnação e do recurso voluntário, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada. Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre lançamento de auto de infração referente ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF) tendo em vista a existência de contrato de mútuo firmado entre a Recorrente e a empresa COMPESCAL – COMÉRCIO DE PESCADO ARACATIENSE LTDA. A interessada apresentou impugnação tempestiva na qual alega que a autuação se pautou em dispositivo legal revogado, sem elucidar as tipificações carreadas causando embaraço à defesa e ofendendo o disposto no art. 10, IV do Decreto n o 70.235/72, especialmente por não estar discriminado no termo de verificação as infrações supostamente cometidas. Afirma ainda que não há que se falar em pagamento sem causa, conforme descrito no Termo de Verificação. A decisão de piso manteve o lançamento do auto de infração, sob os seguintes argumentos: 11. No caso, entendo que o cerceamento de defesa não se configurou, já que o Termo de Verificação Fiscal contém a descrição dos fatos com clareza suficiente para a impugnante compreender a infração incorrida pelo contribuinte, no caso, falta de declaração ou pagamento de IOF incidente sobre empréstimos concedidos na forma de contrato de mútuo. O teor dessa descrição será analisado na seqüência. O fundamento dessa conclusão decorre do entendimento de que o contribuinte não se defende do enquadramento legal mas sim dos fatos a ele imputados. Visto assim, eventual falta ou erro na capitulação legal não enseja a nulidade da autuação, desde que os fatos estejam narrados de forma compreensível, conforme jurisprudência consolidada do CARF, abaixo citadas: (...) Fl. 262DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-000.999 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.725379/2010-71 12. A ação fiscal foi deflagrada pelo Termo de Início de fl. 23, pelo qual a fiscalizada foi intimada a apresentar livros e documentos fiscais do ano calendário 2007. Após analisar a documentação apresentada, a autoridade fiscal lavrou o Termo de Intimação de fl. 76, pelo qual o contribuinte foi instado a comprovar a origem de depósitos bancários efetuados em contas de sua titularidade. Na resposta, à fl. 90, a fiscalizada apresentou uma série de documentos bancários e contrato de mútuo, juntado às fls. 91/92, firmado em 07/02/2007 com a empresa Compescal - Comércio de Pescado Aracatiense Ltda, em que formaliza a concessão de empréstimos financeiros à citada empresa. 13. Nova intimação foi feita, às fls. 94/103, sendo que um dos itens solicitados foi a comprovação da regularização dos débitos de IOF incidentes sobre os somatórios de saldos devedores mensais dos empréstimos concedidos à Compescal. Na resposta, às fls. 104/106, a autuada trouxe o seguinte esclarecimento: (...) 15. A fiscalização observou que a empresa contabilizou a movimentação financeira relativa aos citados empréstimos na rubrica contábil 4943 - 1.1.3.9.01.0013 - COMPESCAL COM. DE PESCADO ARACATIENSE. E concluiu que a fiscalizada apresentou esclarecimentos que não justificam a falta de recolhimento do IOF incidente sobre a soma mensal dos saldos devedores diários dos empréstimos concedidos à empresa. Conseqüentemente, foi lançado de ofício o IOF incidente sobre os somatórios mensais dos saldos devedores diários dos empréstimos concedidos à empresa COMPESCAL. 16. Entendo que a exigência é correta, já que a legislação do IOF é clara no sentido de que o empréstimo firmado por contrato de mútuo configura operação de crédito para fins de incidência do IOF. De fato, de acordo com o art. 13 da Lei n° 9.779/1999, compilada no art. 3° inciso III do Decreto nº 6.306/2007, abaixo transcrito, as operações de crédito alcançam o mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas. Inconformada, a Recorrente discorre em sua peça processual que ficou comprovado nos autos que os pagamentos de eventuais tomadas de numerários ocorriam sempre vinculadas a operações de ambas as empresas. Que a natureza da operação, apesar de travestida de mútuo, em verdade consistia em fornecimento com antecipação de pagamento (ou adiantamento de fornecedores), portanto, incabível a incidência de IOF sobre a referida operação. Não assiste razão à Recorrente. Vejamos novamente os procedimentos adotados pela fiscalização. Em procedimento de auditoria fiscal a autoridade tributária lavrou termo de intimação (e-fl. 76) para que a fiscalizada comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados/creditados bem como a destinação dos recursos sacados nas contas bancárias conforme demonstrativo anexo àquele termo. Em sua resposta (e-fl. 90) a Recorrente apresenta diversos documentos à fiscalização e, dentre eles, encontram-se as cópias de contratos de mútuo entre a Companhia e a Compescal (e-fls. 91 a 93). Em novo Termo de Intimação (e-fl.94) a fiscalização determina a ora Recorrente a comprovar a regularização dos débitos de IOF incidentes sobre os somatórios dos saldos devedores mensais dos empréstimos concedidos à empresa COMPESCAL. Na resposta ao Termo de Intimação, a Recorrente alega que passou a efetuar adiantamento de recursos à Fl. 263DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-000.999 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10380.725379/2010-71 COMPESCAL destinados exclusivamente a compra de “peixes”, “lagostas” e “crustáceos em geral”. Neste caso, afirma que não restou caracterizada a operação financeira mas sim operação comercial pura, o que implica a não incidência de IOF. Diante destes fatos, a fiscalização efetuou o lançamento de ofício incidente sobre os somatórios mensais dos saldos devedores diários dos empréstimos concedidos à empresa COMPESCAL tendo por base a movimentação financeira relativa a tais empréstimos constante da conta contábil 4943 – 1.1.3.9.01.0013 – COMPESCAL COM DE PESCADO ARACATIENSE. Reputo corretos os procedimentos adotados pela fiscalização e mantidos pela decisão recorrida tendo por fundamento o lançamento do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF) em face do contrato de mútuo firmado entre a Recorrente e a empresa COMPESCAL por restar caracterizado o fato gerador de incidência do referido tributo. Destaque-se ainda que não procedem as alegações da Recorrente de que a natureza da operação, apesar de travestida de mútuo, em verdade consistia em fornecimento com antecipação de pagamento (ou adiantamento de fornecedores). Isto porque o que caracteriza o fato gerador deste imposto é a operação de crédito com a disponibilização de recursos financeiros entre as pessoas jurídicas conforme bem destacado pela decisão recorrida quando afirma que a operação de mútuo restou comprovada pelo contrato de e-fls. 91 a 93 e pela sua execução demonstrada na conta contábil 1.1.3.9.01.0013. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.984590/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1302-004.152
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar o óbice para a análise do direito creditório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para a continuidade de seu exame, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10880-984600/2009-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s :
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 10880.984590/2009-59
anomes_publicacao_s : 202001
conteudo_id_s : 6117539
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 1302-004.152
nome_arquivo_s : Decisao_10880984590200959.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 10880984590200959_6117539.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar o óbice para a análise do direito creditório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para a continuidade de seu exame, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10880-984600/2009-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
id : 8038841
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052650441801728
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-13T15:05:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-13T15:05:51Z; Last-Modified: 2019-12-13T15:05:51Z; dcterms:modified: 2019-12-13T15:05:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-13T15:05:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-13T15:05:51Z; meta:save-date: 2019-12-13T15:05:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-13T15:05:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-13T15:05:51Z; created: 2019-12-13T15:05:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-12-13T15:05:51Z; pdf:charsPerPage: 1941; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-13T15:05:51Z | Conteúdo => S1-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.984590/2009-59 Recurso Voluntário Acórdão nº 1302-004.152 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de novembro de 2019 Recorrente ENERTRADE COMERCIALIZACAO E SERVICOS DE ENERGIA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Data do fato gerador: 31.05.2005 NULIDADE PARCIAL. DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO DO CONTRIBUINTE É parcialmente nulo o despacho decisório que, ao não homologar o pedido de compensação com entendimento já superado no âmbito administrativo, deixa de analisar o direito creditório invocado pelo contribuinte. COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. POSSIBILIDADE. Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar o óbice para a análise do direito creditório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para a continuidade de seu exame, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10880-984600/2009-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lucia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira, Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 45 90 /2 00 9- 59 Fl. 286DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.152 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.984590/2009-59 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 1302-004.151, de 13 de novembro de 2019, que lhe serve de paradigma. Trata-se processo administrativo decorrente de Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, ora Recorrente, em face de despacho decisório que não homologou pedido de compensação administrativa, que pretendia compensar parte do débito de estimativa do período, com o crédito relativo a pagamento a maior de estimativa do período de que trata os autos. Como se depreende dos autos, o litígio que envolve o presente processo decorre da análise da possibilidade legal de restituição e posterior compensação de recolhimentos a maior de estimativas mensais, uma vez que o contribuinte alega que recolheu, a título de estimativas mensais, valor superior ao devido no período, como se observa da Manifestação de Inconformidade que deu origem ao procedimento administrativo em questão. Contudo, em que pese os argumentos apresentados pelo contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) entendeu por bem julgar como improcedente o apelo do contribuinte, sob o argumento de que o pagamento indevido ou a maior de estimativa deve ser deduzido do tributo apurado ao final daquele período ou compor o saldo negativo, não podendo ser objeto de restituição/compensação, como pretendido. O acórdão recebeu a seguinte ementa: Devidamente intimado, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, requer o reconhecimento do seu direito creditório e, por consequência, a homologação da compensação apresentada. Este é o relatório. Fl. 287DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.152 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.984590/2009-59 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 1302-004.151, de 13 de novembro de 2019, paradigma desta decisão. DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 03/03/2011 (fl. 77), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 30/03/2011 (fls. 81 e seguintes), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente e, por isso, uma vez cumpridos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA POSSIBILIDADE DE SE VER RESTITUÍDO/COMPENSADOS OS PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR RELATIVOS ÀS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. Como demonstrado no relatório acima, o Despacho Decisório não homologou a compensação pretendida, sob o seguinte argumento: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratar-se de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O contribuinte, por sua vez, demonstrou que houve o recolhimento a maior das estimativas, juntando aos autos, inclusive, documentação comprobatória e que, por isso, estava caracterizado o indébito tributário, passível de compensação. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP), contudo, sem analisar o direito creditório do contribuinte, fundamentou o seu voto com o argumento de que "está claro que na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido da CSLL calculada por estimativa — como no presente caso -, este valor somente poderia ter sido utilizado na dedução da CSLL apurada ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo da CSLL”. Fl. 288DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.152 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.984590/2009-59 Com esse entendimento, aquela DRJ julgou como improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte. Entretanto, é fato que o Despacho Decisório, com entendimento equivocado, data venia, deixou de analisar o direito creditório do contribuinte. É que o Despacho Decisório, cujo fundamento foi ratificado pela decisão DRJ, entendeu que o crédito das estimativas pagas a maior deve ser deduzido da CSLL apurada ao final daquele período ou compor o saldo negativo, não podendo ser objeto de restituição/compensação. Contudo, ao contrário do que constou daquele despacho, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu diversos julgados em sentido diametralmente oposto, sendo a discussão encerrada com a edição da súmula CARF nº 84, que tem a seguinte redação: Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Ademais, em que pese o entendimento já sumulado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não se pode olvidar que a própria Receita Federal do Brasil alterou o posicionamento, quando da publicação da Solução de Consulta Interna COSIT Nº 19, de 05 de dezembro de 2011, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1ºde janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracteriza-se como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº460, de 2004, e IN SRF nº600, de 2005.A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº900, de 2008, aplica-se inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1ºde janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº460, de 2004, e IN SRF nº600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2ºe 74; IN SRF nº460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº900, de 30 de dezembro de 2008. Assim, o entendimento exarado pela DERAT de São Paulo não pode prevalecer, devendo o direito creditório ser analisado nos limites do que já restou consolidado pelo CARF e externado através da súmula acima citada. Fl. 289DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-004.152 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.984590/2009-59 Portanto, devem os autos retornarem à DRF onde tem domicilio o Recorrente, para que proceda a análise do direito creditório do contribuinte e se este é passível de liquidar os débitos, nos termos do pedido de compensação apresentado. Por todo exposto, vota-se por DAR PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO, determinando-se o retorno dos autos para que Delegacia de origem analise o direito creditório do contribuinte, com base no entendimento de que é possível, para fins de restituição e compensação, caracterizar, como indébito, o pagamento indevido ou a maior, pelo contribuinte, das estimativas. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar o óbice para a análise do direito creditório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para a continuidade de seu exame, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 290DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.731843/2015-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE.
As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138, do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº49.
MULTA. GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE.
Estando o contribuinte obrigado a efetuar a entrega de GFIP, e tendo-a feito após o prazo estabelecido na legislação, é devida a multa pelo atraso.
Numero da decisão: 2002-001.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201912
ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE. As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138, do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº49. MULTA. GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE. Estando o contribuinte obrigado a efetuar a entrega de GFIP, e tendo-a feito após o prazo estabelecido na legislação, é devida a multa pelo atraso.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 11080.731843/2015-10
anomes_publicacao_s : 202001
conteudo_id_s : 6120190
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2002-001.824
nome_arquivo_s : Decisao_11080731843201510.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 11080731843201510_6120190.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2019
id : 8051157
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:58:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052650444947456
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-27T19:49:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-27T19:49:40Z; Last-Modified: 2019-12-27T19:49:40Z; dcterms:modified: 2019-12-27T19:49:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-27T19:49:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-27T19:49:40Z; meta:save-date: 2019-12-27T19:49:40Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-27T19:49:40Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-27T19:49:40Z; created: 2019-12-27T19:49:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-12-27T19:49:40Z; pdf:charsPerPage: 2006; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-27T19:49:40Z | Conteúdo => SS22--TTEE0022 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 11080.731843/2015-10 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 2002-001.824 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 16 de dezembro de 2019 RReeccoorrrreennttee BAR LANCHERIA E RESTAURANTE NOSSA SENHORA DE LOURDES LTDA - ME IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE. As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138, do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº49. MULTA. GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE. Estando o contribuinte obrigado a efetuar a entrega de GFIP, e tendo-a feito após o prazo estabelecido na legislação, é devida a multa pelo atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Trata o presente processo de auto de infração consubstanciando exigência referente à multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. Cientificada em 10/11/2017 da decisão do colegiado de primeira instância, a qual julgou improcedente a impugnação, a empresa apresentou, em 6/12/2017, recurso voluntário, alegando, em síntese, que: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 18 43 /2 01 5- 10 Fl. 35DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.824 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.731843/2015-10 - teria sido mal orientada na RFB acerca da entrega da GFIP, não tendo sido comunicada que, caso já tivesse entregue, deveria apenas reenviar os documentos. - seria indevida a cobrança de multa tendo em vista sua espontaneidade, citando, entre outros, o artigo 138 do CTN. - não seria exigível a cobrança de multa no tocante a fatos geradores ocorridos no período de 27/5/2009 a 31/12/2013, citando os artigos 48 e 49 da Lei nº 13.097, de 2015. - a cobrança desse crédito inviabilizaria a continuidade das atividades da empresa. - não teria mais a comprovação em mídia da entrega da GFIP dentro do prazo legal, mas o órgão autuante, por indução, teria produzido a prova da entrega ao solicitar a nova entrega das GFIPs. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. A recorrente alega que teria entregue a GFIP tempestivamente, tendo sido induzida pela RFB a proceder a uma nova entrega do documento. Acrescenta não ter mais comprovação dessa entrega. Ora, é regra, não só do Processo Administrativo Fiscal, como também do Direito Processual Civil, que cabe àquele que alega o ônus da prova. Alegar e não provar é como não alegar, portanto devem ser consideradas improcedentes as argumentações feitas pelo impugnante cujas provas não são apresentadas. O ônus de quem alega é a prova dos fatos (artigo 16, inc. III, e § 4°, do Decreto nº70.235, de 1972). Se o contribuinte apresenta fatos para produzir sua defesa, cabe a ele o encargo de provar a veracidade de suas alegações. Sem a juntada de qualquer documento a fazer prova da entrega tempestiva da GFIP, sua alegação não pode ser acolhida. Como consignado na decisão recorrida, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. No tocante à espontaneidade na entrega da Declaração, trago a Súmula CARF nº 49, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. A Lei nº 13.097, de 2015, conversão da Medida Provisória (MP) nº 656, de 2014, anistiou tão-somente as multas lançadas até sua publicação (20/01/2015) e dispensou sua aplicação para fatos geradores ocorridos até 31/12/2013, no caso de entrega de declaração sem Fl. 36DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.824 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.731843/2015-10 ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária, que não é o caso dos autos, pois o auto de infração denota que houve fato gerador das contribuições e ele foi lavrado depois da publicação da referida lei. Registro ainda que as declarações foram entregues após transcorridos de oito meses até mais de um ano do prazo para suas entregas. Por fim, esclareço que a exigência da penalidade independe da capacidade financeira ou de existência de danos causados à Fazenda Pública. Ela é exigida em função do descumprimento da obrigação acessória. A possibilidade de ser considerada, na aplicação da lei, a condição pessoal do agente não é admitida no âmbito administrativo, ao qual compete aplicar as normas nos estritos limites de seu conteúdo, sem poder apreciar arguições de cunho pessoal. Assim, não assiste razão à impugnante ao pleitear a exclusão multa, aplicada de acordo com a legislação que rege a matéria indicada na autuação. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 37DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.900944/2017-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1201-003.239
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para análise do direito creditório considerando como tipo de crédito "saldo negativo de IRPJ ou CSLL"; prolatar novo Despacho Decisório; retomando-se novo rito processual. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10825.900935/2017-02, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 10825.900944/2017-95
anomes_publicacao_s : 202001
conteudo_id_s : 6117797
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 1201-003.239
nome_arquivo_s : Decisao_10825900944201795.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10825900944201795_6117797.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para análise do direito creditório considerando como tipo de crédito "saldo negativo de IRPJ ou CSLL"; prolatar novo Despacho Decisório; retomando-se novo rito processual. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10825.900935/2017-02, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
id : 8039449
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052650447044608
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-01-02T18:03:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-01-02T18:03:39Z; Last-Modified: 2020-01-02T18:03:39Z; dcterms:modified: 2020-01-02T18:03:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-01-02T18:03:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-01-02T18:03:39Z; meta:save-date: 2020-01-02T18:03:39Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-01-02T18:03:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-01-02T18:03:39Z; created: 2020-01-02T18:03:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2020-01-02T18:03:39Z; pdf:charsPerPage: 2033; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-01-02T18:03:39Z | Conteúdo => S1-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10825.900944/2017-95 Recurso Voluntário Acórdão nº 1201-003.239 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2019 Recorrente COMPANHIA DE HABITACAO POPULAR DE BAURU Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 RESTITUIÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL. Uma vez colacionados aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios suficientes e hábeis, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório postulado. Caso contrário, fica prejudicada a liquidez e certeza do crédito vindicado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para análise do direito creditório considerando como tipo de crédito "saldo negativo de IRPJ ou CSLL"; prolatar novo Despacho Decisório; retomando-se novo rito processual. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando- se o decidido no julgamento do processo 10825.900935/2017-02, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 09 44 /2 01 7- 95 Fl. 193DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.239 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.900944/2017-95 Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 1201-003.230, de 11 de novembro de 2019, que lhe serve de paradigma. A contribuinte, já qualificada nos autos, interpôs recurso voluntário em face de decisão proferida por Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF. Trata a matéria recorrida de Pedido de Restituição, referente a crédito de estimativa de IRPJ, decorrente de pagamento indevido ou maior de IRPJ, no período e valor constantes dos autos. A contribuinte declarou no PER a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor originário do recolhimento. A autoridade local, mediante Despacho Decisório, não homologou a compensação declarada ante a inexistência de crédito: O crédito associado ao DARF acima identificado foi objeto de análise em PER/DCOMP anteriores que referenciam o mesmo pagamento, cuja decisão concluiu pela inexistência de crédito remanescente para utilização em novas compensações ou a atendimento de pedidos de restituição. Diante do exposto, INDEFIRO o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no PER/DCOMP acima identificado. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente alegou, em síntese, equívoco no preenchimento do campo tipo do crédito: em vez de “Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL”, informou “Pagamento indevido ou a maior”. A Turma julgadora de primeira instância, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS INFORMAÇÕES SOBRE O TIPO DE CRÉDITO DECLARADO NO PER/DCOMP. A retificação da informação referente ao tipo de crédito, em relação ao PER/DCOMP original, não é permitida, pois tal situação não configura inexatidão material de preenchimento, mas sim inovação, sendo necessária a apresentação de novo pedido/declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão de primeira instância, interpôs recurso voluntário em que reitera o pedido apresentado em primeira instância. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.239 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.900944/2017-95 Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 1201-003.230, de 11 de novembro de 2019, paradigma desta decisão. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A recorrente apresentou pedido de restituição decorrente de pagamento indevido ou maior de IRPJ. Indeferido o pedido, alegou equivoco no preenchimento no pedido de restituição. A DRJ ao analisar o feito, assentou que a substituição do tipo de crédito pretendida não é permitida porquanto não configura inexatidão material de preenchimento de declaração, mas sim inovação material: Assim, a substituição do tipo de crédito informado pelo contribuinte, em relação ao PER/DCOMP, não é permitida, pois tal situação não configura inexatidão material de preenchimento do PER/DCOMP, mas sim inovação. Tal hipótese exige apresentação de novo PER/DCOMP e os acréscimos legais devem ser calculados desde o vencimento da obrigação até a data de transmissão do novo pedido/declaração. O art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN estabelece que a lei pode, nas condições e garantias que especifica, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Em consonância com o art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN, o art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e respectivas alterações, dispõe que a compensação deve ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração em que constem informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos compensados. O mencionado dispositivo estabelece, ainda, que a compensação declarada à Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Se na compensação é necessário que o crédito fiscal do contribuinte seja líquido e certo, de igual forma essa liquidez e certeza deve estar presente Fl. 195DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.239 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.900944/2017-95 no crédito passível de restituição, proquanto se trata de transferência de numerário dos cofres da União para o sujeito passivo. Faz-se necessário, portanto, que o crédito fiscal do sujeito passivo seja líquido e certo para que possa ser compensado/restituído (arts. 156 e 170 do CTN c/c art. 74, §1º da Lei 9.430/96). Por outro lado, a verdade material, como corolário do princípio da legalidade dos atos administrativos, impõe que prevaleça a verdade acerca dos fatos alegados no processo, tanto em relação ao contribuinte quanto ao Fisco. O que nos leva a analisar, ainda que sucintamente, o ônus probatório. Nos termos do art. 373 da Lei 13.105, de 2015 - CPC/2015, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O que significa dizer, regra geral, que cabe a quem pleiteia provar os fatos alegados, garantindo-se à outra parte infirmar tal pretensão com outros elementos probatórios. Nessa esteira, para fins de comprovação do direito creditório, cabe ao contribuinte provar o direito alegado. Uma vez colacionados aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios suficientes e hábeis, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório postulado. Caso contrário, fica prejudicada a liquidez e certeza do crédito vindicado. No caso em análise, a recorrente alega equívoco no preenchimento do PER, informou o tipo de crédito “pagamento indevido ou a maior”, quando o correto seria “saldo negativo IRPJ ou CSLL”. Compulsando os autos, verifica-se que os valores informados a titulo de pagamento de estimativa de IRPJ na DIPJ/2006 superam o valor devido de IRPJ, o que revela indícios de saldo negativo a ser repetido (e-fls. 24- 31). Com efeito, tivesse a recorrente informado no PER/DCOMP como tipo de crédito “saldo negativo de IRPJ ou CSLL” e não “Pagamento Indevido ou a Maior” (e-fls. 12), tudo leva a crer que o processamento ocorreria normalmente. Nessa linha, de forma diversa da decisão de piso, tal equívoco não se configura inovação, mas sim inexatidão material no preenchimento do PER/DCOMP. Afinal, o direito a esse tipo de crédito já existia desde o momento em que o PER/DCOMP fora apresentado, o que houve foi um equívoco no preenchimento, o qual, nesse caso, é possível de ser revertido. Nesse contexto, entendo a DIPJ/2006, o balanço Fl. 196DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-003.239 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10825.900944/2017-95 patrimonial e o balancete apresentado como elementos probatórios suficientes e hábeis. Conforme salientado acima, no caso de erro no preenchimento de declaração, uma vez colacionados aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis para comprovar o direito alegado o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado. Nesse sentido, o direito creditório deve ser novamente analisado à luz do novo tipo de crédito. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para análise do direito creditório considerando como tipo de crédito “saldo negativo de IRPJ ou CSLL”; prolatar novo Despacho Decisório; retomando-se novo rito processual. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para análise do direito creditório considerando como tipo de crédito "saldo negativo de IRPJ ou CSLL"; prolatar novo Despacho Decisório; retomando-se novo rito processual. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.005402/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2005, 30/11/2005, 28/02/2006, 30/04/2006
DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF E NÃO LIQUIDADOS. EXIGIBILIDADE. POSSIBILIDADE.
Os saldos a pagar de tributos e contribuições federais, portanto débitos, confessados em DCTF, que não tenham sido extintos ou suspensos nas formas da legislação de regência, são imediatamente exigíveis, pois a DCTF se constitui em auto-lançamento dos tributos e contribuições ali declarados, e passíveis de inscrição em Dívida Ativa da União.
DEPÓSITOS JUDICIAIS. LEVANTAMENTO. EXTINÇÃO DA CAUSA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO A ELES VINCULADOS.
A conversão de depósito judicial em renda da União é modalidade de extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso VI, do Código Tributário Nacional. Na via inversa, se a decisão judicial foi favorável ao sujeito passivo, o levantamento dos depósitos judiciais, na sua integralidade, depósitos estes que garantiam a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, tem como consequência a imediata exigibilidade dos débitos confessados em DCTF, por se caracterizarem como auto-lançamento.
MULTA DE MORA.TRIBUTO DECLARADO EM DCTF. NOCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. PAGAMENTO REALIZADO A DESTEMPO.COBRANÇA. POSSIBILIDADE.
Por não configurar denúncia espontânea da infração, prevista no artigo 138 do CTN, o pagamento do crédito tributário constituído pelo próprio contribuinte, mediante prévia DCTF , realizao após o prazo de vencimento, deve ser acrescido da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS
DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF E NÃO LIQUIDADOS. EXIGIBILIDADE. POSSIBILIDADE.
Os saldos a pagar de tributos e contribuições federais, portanto débitos, confessados em DCTF, que não tenham sido extintos ou suspensos nas formas da legislação de regência, são imediatamente exigíveis, pois a DCTF se constitui em auto-lançamento dos tributos e contribuições ali declarados, e passíveis de inscrição em Dívida Ativa da União.
DEPÓSITOS JUDICIAIS. LEVANTAMENTO. EXTINÇÃO DA CAUSA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO A ELES VINCULADOS.
A conversão de depósito judicial em renda da União é modalidade de extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso VI, do Código Tributário Nacional. Na via inversa, se a decisão judicial foi favorável ao sujeito passivo, o levantamento dos depósitos judiciais, na sua integralidade, depósitos estes que garantiam a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, tem como consequência a imediata exigibilidade dos débitos confessados em DCTF, por se caracterizarem como auto-lançamento.
MULTA DE MORA.TRIBUTO DECLARADO EM DCTF. NOCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. PAGAMENTO REALIZADO A DESTEMPO.COBRANÇA. POSSIBILIDADE.
Por não configurar denúncia espontânea da infração, prevista no artigo 138 do CTN, o pagamento do crédito tributário constituído pelo próprio contribuinte, mediante prévia DCTF , realizao após o prazo de vencimento, deve ser acrescido da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996
Numero da decisão: 3301-007.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Assinado digitalmente
Ari Vendramini- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201910
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2005, 30/11/2005, 28/02/2006, 30/04/2006 DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF E NÃO LIQUIDADOS. EXIGIBILIDADE. POSSIBILIDADE. Os saldos a pagar de tributos e contribuições federais, portanto débitos, confessados em DCTF, que não tenham sido extintos ou suspensos nas formas da legislação de regência, são imediatamente exigíveis, pois a DCTF se constitui em auto-lançamento dos tributos e contribuições ali declarados, e passíveis de inscrição em Dívida Ativa da União. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LEVANTAMENTO. EXTINÇÃO DA CAUSA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO A ELES VINCULADOS. A conversão de depósito judicial em renda da União é modalidade de extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso VI, do Código Tributário Nacional. Na via inversa, se a decisão judicial foi favorável ao sujeito passivo, o levantamento dos depósitos judiciais, na sua integralidade, depósitos estes que garantiam a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, tem como consequência a imediata exigibilidade dos débitos confessados em DCTF, por se caracterizarem como auto-lançamento. MULTA DE MORA.TRIBUTO DECLARADO EM DCTF. NOCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. PAGAMENTO REALIZADO A DESTEMPO.COBRANÇA. POSSIBILIDADE. Por não configurar denúncia espontânea da infração, prevista no artigo 138 do CTN, o pagamento do crédito tributário constituído pelo próprio contribuinte, mediante prévia DCTF , realizao após o prazo de vencimento, deve ser acrescido da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF E NÃO LIQUIDADOS. EXIGIBILIDADE. POSSIBILIDADE. Os saldos a pagar de tributos e contribuições federais, portanto débitos, confessados em DCTF, que não tenham sido extintos ou suspensos nas formas da legislação de regência, são imediatamente exigíveis, pois a DCTF se constitui em auto-lançamento dos tributos e contribuições ali declarados, e passíveis de inscrição em Dívida Ativa da União. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LEVANTAMENTO. EXTINÇÃO DA CAUSA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO A ELES VINCULADOS. A conversão de depósito judicial em renda da União é modalidade de extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso VI, do Código Tributário Nacional. Na via inversa, se a decisão judicial foi favorável ao sujeito passivo, o levantamento dos depósitos judiciais, na sua integralidade, depósitos estes que garantiam a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, tem como consequência a imediata exigibilidade dos débitos confessados em DCTF, por se caracterizarem como auto-lançamento. MULTA DE MORA.TRIBUTO DECLARADO EM DCTF. NOCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. PAGAMENTO REALIZADO A DESTEMPO.COBRANÇA. POSSIBILIDADE. Por não configurar denúncia espontânea da infração, prevista no artigo 138 do CTN, o pagamento do crédito tributário constituído pelo próprio contribuinte, mediante prévia DCTF , realizao após o prazo de vencimento, deve ser acrescido da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11020.005402/2008-44
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6103186
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-007.022
nome_arquivo_s : Decisao_11020005402200844.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ARI VENDRAMINI
nome_arquivo_pdf_s : 11020005402200844_6103186.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
dt_sessao_tdt : Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
id : 8008272
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052650449141760
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-11-26T15:51:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-11-26T15:51:34Z; Last-Modified: 2019-11-26T15:51:34Z; dcterms:modified: 2019-11-26T15:51:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:6419fc91-23d7-418d-947c-924e7f3bdc50; Last-Save-Date: 2019-11-26T15:51:34Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-11-26T15:51:34Z; meta:save-date: 2019-11-26T15:51:34Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-11-26T15:51:34Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-11-26T15:51:34Z; created: 2019-11-26T15:51:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; Creation-Date: 2019-11-26T15:51:34Z; pdf:charsPerPage: 2095; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-11-26T15:51:34Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 382 1 381 S3C3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.005402/200844 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301007.022 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2019 Matéria Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS Recorrente CBP SUL COLCHÕES E ESPUMAS INDUSTRIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2005, 30/11/2005, 28/02/2006, 30/04/2006 DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF E NÃO LIQUIDADOS. EXIGIBILIDADE. POSSIBILIDADE. Os saldos a pagar de tributos e contribuições federais, portanto débitos, confessados em DCTF, que não tenham sido extintos ou suspensos nas formas da legislação de regência, são imediatamente exigíveis, pois a DCTF se constitui em autolançamento dos tributos e contribuições ali declarados, e passíveis de inscrição em Dívida Ativa da União. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LEVANTAMENTO. EXTINÇÃO DA CAUSA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO A ELES VINCULADOS. A conversão de depósito judicial em renda da União é modalidade de extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso VI, do Código Tributário Nacional. Na via inversa, se a decisão judicial foi favorável ao sujeito passivo, o levantamento dos depósitos judiciais, na sua integralidade, depósitos estes que garantiam a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, tem como consequência a imediata exigibilidade dos débitos confessados em DCTF, por se caracterizarem como autolançamento. MULTA DE MORA.TRIBUTO DECLARADO EM DCTF. NOCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. PAGAMENTO REALIZADO A DESTEMPO.COBRANÇA. POSSIBILIDADE. Por não configurar denúncia espontânea da infração, prevista no artigo 138 do CTN, o pagamento do crédito tributário constituído pelo próprio contribuinte, mediante prévia DCTF , realizao após o prazo de vencimento, deve ser acrescido da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 54 02 /2 00 8- 44 Fl. 382DF CARF MF 2 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF E NÃO LIQUIDADOS. EXIGIBILIDADE. POSSIBILIDADE. Os saldos a pagar de tributos e contribuições federais, portanto débitos, confessados em DCTF, que não tenham sido extintos ou suspensos nas formas da legislação de regência, são imediatamente exigíveis, pois a DCTF se constitui em autolançamento dos tributos e contribuições ali declarados, e passíveis de inscrição em Dívida Ativa da União. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LEVANTAMENTO. EXTINÇÃO DA CAUSA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO A ELES VINCULADOS. A conversão de depósito judicial em renda da União é modalidade de extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso VI, do Código Tributário Nacional. Na via inversa, se a decisão judicial foi favorável ao sujeito passivo, o levantamento dos depósitos judiciais, na sua integralidade, depósitos estes que garantiam a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, tem como consequência a imediata exigibilidade dos débitos confessados em DCTF, por se caracterizarem como autolançamento. MULTA DE MORA.TRIBUTO DECLARADO EM DCTF. NOCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. PAGAMENTO REALIZADO A DESTEMPO.COBRANÇA. POSSIBILIDADE. Por não configurar denúncia espontânea da infração, prevista no artigo 138 do CTN, o pagamento do crédito tributário constituído pelo próprio contribuinte, mediante prévia DCTF , realizao após o prazo de vencimento, deve ser acrescido da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Fl. 383DF CARF MF Processo nº 11020.005402/200844 Acórdão n.º 3301007.022 S3C3T1 Fl. 383 3 Relatório 1. Adoto o relatório que compõe o Acórdão DRJ/SALVADOR, aqui combatido, por sua clareza na descrição dos fatos : Tratase o processo de recurso administrativo interposto pelo contribuinte contra a cobrança dos débitos da contribuição para o PIS e a Cofins declarados em DCTF, com a exigibilidade anteriormente suspensa em função dos depósitos judiciais vinculados a ação judicial n°2005.71.07.0027290, ora levantados pelo contribuinte, tendo o processo sido encaminhado a esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador para julgamento, por determinação contida no Mandado de Segurança n°2008.71.07.0051875/RS. O Despacho de fis.01/04 da DRF/Caxias do Sul afirma que de acordo com o processo de acompanhamento judicial n°11020.001990/200502 (fis.01/04), o contribuinte impetrou mandado de segurança pleiteando a declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins efetuada pelo artigo 3°, §1°, da Lei n°9.718, de 1998, e a compensação dos valores recolhidos a maior com as futuras parcelas dos tributos administrados pela Receita Federal nos moldes do art.49 da Lei n°10.637, de 2002, tendo o acórdão transitado em julgado da ação, ocorrido em 17/05/2007, para: (i) declarar a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS/Cofins efetuada pelo art. 3°, § 1°, da Lei n°9.718, de 1998; (ii) declarar o direito de o interessado requerer a restituição/compensação no prazo de 10 anos, a contar do fato gerador; (iii) declarar o direito de efetuar a compensação, após o trânsito em julgado da ação, nos termos da Lei n°10.637, de 2002, ou seja, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal e mediante apresentação de declaração. Afirma ainda o despacho, que tendo encerrado a ação, o impetrante solicitou a devolução dos depósitos judiciais, e apesar da oposição da Fazenda Nacional, foi autorizado judicialmente o levantamento dos depósitos em 21/09/2007, e assim, os débitos do PIS e da Cofins (agosto/2005 a abril/2006), declarados na DCTF como suspensos em razão dos depósitos judiciais, passaram a ser exigíveis a partir desta data. Através da consulta aos sistemas da RFB verificou que os débitos confessados em DCTF estavam suspensos por depósito judicial, mas a partir do levantamento dos valores depositados, a causa da suspensão deixou de existir. Ademais, em relação aos débitos do interessado, de 2005 e 2006, a decisão judicial não se Fl. 384DF CARF MF 4 aplica tendo em vista que o contribuinte optou pelo lucro real o que acarreta na não cumulatividade e obrigatoriedade de aplicação da Leis n°10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para o PIS e a Cotins, não cumulativos, respectivamente, e não pela Lei n°9.718, de 1998. O interessado, cientificado, apresentou em 26/08/2008, o Recurso Administrativo de fls.38 e 48/65 (documentos de fls.66/199 e 202/271) à DRF Caxias do SulRS, contra a não confirmação dos créditos vinculados informados na DCTF e cobrança dos débitos seguiu o rito da Lei n°9.784, de 1999 (Despacho de fls.01 /04), que prevê o prazo de dez dias contados da ciência, fl.37, sem suspensão da exigibilidade. Na inconformidade alega o contribuinte que é ilegal a majoração da base de cálculo do PIS e da Cofins pela Lei n°9.718, de 1998, razão pela qual impetrou Mandado de Segurança n°2005.7107.0027290, tendo a autoridade administrativa pleno conhecimento de que os depósitos judiciais foram realizados pela requerente no período exigido e da existência do indébito tributário ante o reconhecimento da inconstitucionalidade do §1° do art.3° da mencionada lei. Os valores apurados na forma determinada judicialmente, docs.05 e 06, representam o indébito, com saldo suficiente para garantir a compensação levada a efeito, razão pela qual anexa demonstrativo dos valores a que faz jus dos depósitos levantados, bastando à fiscalização o cotejo do indébito para homologar a compensação levada a efeito. Por fim, alega que os valores de PIS/Cofins foram objeto de extinção por decisão judicial nos termos do art.156, X, do CTN. À f1.287 consta despacho informando que o contribuinte efetuou o pagamento espontâneo do débito do PIS de abril/2006, com o código de receita indevido, 2849, fl.273, que deveria ser usado para conversão em renda pela Caixa Econômica Federal, cabendo a retificação para 8109 e alocação ao débito cadastrado. Às fls.288/291, o despacho da DRF/Caxias do Sul analisando as peças judiciais conclui pela manutenção da cobrança dos demais débitos para os quais o contribuinte alega ter efetuado compensação sem DCOMP em desacordo a decisão judicial e considera o pagamento espontâneo do PIS nos termos do art.56 da Lei n°9.784, de 1999, parcial, por concluir inexistir provimento legal ou judicial que ampare o procedimento adotado pelo interessado. Cientificado da intimação e cobrança dos débitos não compensados, 1299, o interessado apresentou documento endereçado a DRJ de Caxias do Sul fls.301/ 304, no qual DF CARF MF Fl. 325 Documento de 180 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1019.12083.ZKOB. alega quanto aos débitos remanescentes, para os quais não foi Fl. 385DF CARF MF Processo nº 11020.005402/200844 Acórdão n.º 3301007.022 S3C3T1 Fl. 384 5 acatado o pagamento voluntário, efetuado em tempo hábil, após o encerramento do processo judicial 2005.71.07.0027290, que ratifica todos os argumentos já apresentado anteriormente e requer a homologação dos débitos nas competências de 15/08/2005, 15/11/2005 para a Cofins, e de 15/08/2005, 15/02/2006 e 15/04/2006 relativo ao PIS, além da suspensão de exigibilidade por força dos §§9°a 110 do art.74 da Lei n°9.430, de 1996. O processo foi encaminhado a Superintendência da Receita Federal do Brasil da 10a Região Fiscal, mediante Despacho de fls.306. O processo foi devolvido a DRF/Caxias do Sul em razão de o contribuinte ter obtido liminar em mandado de segurança n°2008.71.07.0051875/RS (fls.309/314) determinando a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários consubstanciados nos referidos processos administrativos e que a discussão ocorra nos termos do art.74 da Lei n°9.430, de 1996, inclusive quanto ao disposto no §11 que prevê que os recursos obedecerão o rito processual do Decreto n°70.235, de 1972. Tendo em vista a Portaria RFB n°2.132, de 27 de outubro de 2010, publicada no Diário Oficial da União de 04/06/2010, o processo foi encaminhado para a DRJ/Salvador 2. A DRJ/SALVADOR exarou o Acórdão de nº 1526.022, que assim restou ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição informados na DCTF, que não tenham sido pagos nos prazos previstos na legislação, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, exceto se o crédito tributário estiver abrangido por qualquer das hipóteses de suspensão da exigibilidade prevista no art.151 do CTN. LEVANTAMENTO DOS DEPÓSITOS JUDICIAIS. A conversão do depósito judicial em renda, após solução favorável à União, é nos termos do art.156, inciso VI, do CTN, modalidade de extinção do crédito tributário. Por outro lado, na hipótese de ser o sujeito passivo o vencedor da contenda, o levantamento integral dos depósitos judiciais que garantiam a suspensão da exigibilidade implica na imediata exigência dos débitos confessados com fundamento na DCTF, que formaliza o cumprimento da obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário. Fl. 386DF CARF MF 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição informados na DCTF serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, exceto se o débito estiver abrangido por qualquer das hipóteses de suspensão da exigibilidade prevista no art.151 do CTN. LEVANTAMENTO DOS DEPÓSITOS JUDICIAIS. A conversão do depósito judicial em renda, após solução favorável à União, é nos termos do art.156, inciso VI, do CTN, modalidade de extinção do crédito tributário. Por outro lado, na hipótese de ser o sujeito passivo o vencedor da contenda, o levantamento integral dos depósitos judiciais que garantiam a suspensão da exigibilidade implica na imediata exigência dos débitos confessados com fundamento na DCTF, que formaliza o cumprimento da obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Irresignado, o requerente apresentou recurso voluntário, dirigido a este CARF, onde, em síntese, repisa as mesmas razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade, alegando : I DA EXPOSIÇÃO DOS FATOS Conforme se depreende dos autos deste procedimento administrativo, a Autoridade Tributária, examinando as DCTF da REQUERENTE, tempestivamente apresentadas, concluiu que não há mais causa de suspensão da exigibilidade dos débitos do PIS e da COFINS, em razão do mandado de segurança ng 2005.71.07.0027290, devido ao levantamento integral dos depósitos judiciais efetuados pelo contribuinte. No entendimento da fiscalização, portanto, resta possível a cobrança dos valores supostamente pendentes face ao levantamento II – DAS RAZÕES DE REFORMA Efetivamente, verificase que a indigitada decisão administrativa de fls. não aceita a liberação dos valores depositados judicialmente, em relação ao PIS e COFINS, determinando a cobrança das mesmas, contrariando a decisão judicial proferida em demanda judicial transitada em julgado. Ocorre, contudo, que a REQUERENTE ingressou com o Mandado de Segurança n2 2005.71.07.0027290 postulando o não recolhimento e do PIS e da COFINS, exigidos aos auspícios do inconstitucional § 12, do artigo 32, da lei Ordinária n2 9.718/98, conforme cópia das principais peças já juntadas aos autos. Dentro desse quadro, é relevante destacar que a Fl. 387DF CARF MF Processo nº 11020.005402/200844 Acórdão n.º 3301007.022 S3C3T1 Fl. 385 7 Autoridade Administrativa tinha pleno conhecimento dos depósitos judiciais realizados pela REQUERENTE, no período exigido, na medida em que os mesmos sempre foram informados nas respectivas DCTFs, as quais igualmente foram anexadas com a defesa inicial, no entanto, a fiscalização nunca se insurgiu contra tal procedimento. Ora, na sistemática levada a efeito pela REQUERENTE, e acatada pelo Poder Judiciário, tratouse apenas de depósito judicial, o qual simplesmente preservou o direito do contribuinte de não recolher o tributo passível de quitação com os créditos advindos do reconhecimento dos pagamentos indevidos, o que veio a ser reconhecido com o trânsito em julgado da aludida demanda judicial E os depósitos judiciais realizados pela REQUERENTE nos autos do aludido mandado de segurança ng 2005.71.07.0027290 devem seguir o destino da impetração. Portanto, sendo a ação julgada totalmente procedente, logo, os valores nela depositados foram levantados pela parte vencedora, em caráter premente, considerando a ocorrência do trânsito em julgado da demanda, cabendo a Autoridade Administrativa promover a extinção dos débitos até então suspensos e informados em DCTFs Seja como for, não está entre as atribuições da REQUERENTE promover as competentes baixas dos depósitos judiciais no contacorrente fiscal da empresa, pela extinção do crédito tributário em decorrência da decisão judicial que lhe foi favorável. Efetivamente, é a fiscalização federal quem deve promover a extinção do crédito tributário e demais acertos no conta• corrente do contribuinte, nos moldes do artigo 156, X do Código Tributário Nacional, por conta de determinação judicial, exatamente como ocorreu nos casos exemplificativos acima Portanto, transitado em julgado o mandado de segurança n9 2005.71.07.0027290, com definição favorável à REQUERENTE, os créditos tributários que estavam suspensos por depósitos judiciais foram extintos, até o limite do indébito tributário, conforme o teor da decisão do Poder Judiciário, nos termos do artigo 156, X do Código Tributário Nacional. Dentro desse contexto, basta a simples análise dos valores indicados nas aludidas planilhas de indébito tributário para certificarse que, indiscutivelmente, há saldo suficiente para garantir a compensação levada a Fl. 388DF CARF MF 8 efeito. Aliás, não há nos autos qualquer cálculo realizado pela Administração Pública que demonstre quais os valores que a REQUERENTE tem direito, face aos recolhimentos que indevidamente realizou às Burras Públicas. Portanto, bastaria à fiscalização cotejar os valores levantados, com o indébito tributário que a empresa detém para verificar da existência de valores suficientes para o levantamento implementado e, finalmente, homologar a compensação levada a efeito, tudo de acordo com a decisão soberana emanada do Poder Judiciário. De outro lado, relativamente às demais competências exigidas no presente feito e que estavam suspensas pelo depósito judicial, nada mais há para exigir da REQUERENTE, a qualquer título, porquanto os valores de PIS, relativamente à competência 04/2006 (parcialmente) foi objeto de recolhimento espontâneo, acompanhado da devida atualização da Taxa Selic como o recolhimento foi efetuado sob os auspícios da denúncia espontânea, uma vez que o tributo não havia sido consitutído por lançamento, não cabe a cobrança de multa e nem de juros. III – CONCLUSÃO Diante das considerações até aqui apresentadas e devidamente comprovadas, chegase a conclusão de que, os valores de PIS e de COFINS aqui exigidos, relativamente às competências de 15/08/2005 e 15/11/2005 de COFINS e 15/08/2005,015/02/2006 e 15/04/2006, de PIS, foram objeto de extinção, por decisão judicial, nos termos do artigo 156, X do Código• Tributário Nacional, cujo indébito tributário é decorrente do reconhecimento pelo Poder Judiciário, no caso concreto da REQUERENTE da inconstitucionalidade do § 12, do artigo 32, da Lei Ordinária nº 9.718/98. Dentro desse quadro, deverá a fiscalização federal, em cumprimento à decisão mandamental decorrente da procedência do mandado de segurança nº 2005.71.07.0027290, promover a imediata baixa dos valores até então suspensos pelo depósito judicial, providenciando a extinção de qualquer dívida fiscal de PIS e de COFINS no contacorrente fiscal da REQUERENTE, isto é, que decorra as DCTF nesses autos apresentadas. Finalmente, com relação às demais competências, a 41, REQUERENTE entende não ser devedora do principal, da atualização e multa de ofício, uma vez que promoveu o recolhimento do PIS de forma espontânea, vale dizer, antes de qualquer procedimento de fiscalização a ser exercida pela Autoridade Fiscal. IV – DOS PEDIDOS Fl. 389DF CARF MF Processo nº 11020.005402/200844 Acórdão n.º 3301007.022 S3C3T1 Fl. 386 9 DIANTE DO EXPOSTO, a REQUERENTE, convicta de que efetuou a compensação tributária obedecendo os ditames da coisa julgada proferida na impetração nº 2005.71.07.0027290, requer seja integralmente reformado o Acórdão ni2 1526.022 — da Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador(BA), determinando Vossas Excelência a baixa integral da indigitada exigência fiscal aqui impugnada. Outrossim, a REQUERENTE postula a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto do presente processo administrativo, por força dos §§92 a 11 do art. 74 da Lei ni2 9.430/96, com redação dada pela Lei ng 10.833/031, até o julgamento definitivo deste processo administrativo. 4. Os autos foram então a mim distribuídos. É o relatório Voto Conselheiro Ari Vendramini 5. O recurso voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. 6. Em preliminar, há que se destacar que o recurso voluntário está sendo julgado por força de liminar concedida em Mandado de Segurança de nº2008.71.07.0050287/RS, que, conforme se verifica no despacho de fls .320 dos autos digitais, determinou a suspensão da exigibilidade dos créditos consubstanciados no referido processo administrativo e que a discussão administrativa ocorra nos termos do artigo 74 da lei nº 9.430/96. 7. Em pesquisa no site do TRF4 encontramos Acórdão do E. Tribunal reformando a sentença monocrática exarada no MS 2008.71.07.0050287/RS, que manteve a liminar concedida, transcrevemos o relatório e voto condutor do Acórdão, de autoria da Exma, Des. Federal Luciane Amarala Corrêa Munch : RELATÓRIO M.P. Maquinapack Máq. Ind. para Embalagens Ltda. e outros impetraram mandado de segurança, com pedido de liminar, contra o Delegado da Receita Federal, objetivando a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários discutidos nos processos administrativos de nºs 11020.005372/200876, 11020.005391/200801 e 11020.005402/200844, bem como a determinação da expedição de Certidão Positiva com Efeitos de Negativa. Fl. 390DF CARF MF 10 Alegam as impetrantes que o crédito tributário exigido pela Receita Federal decorre de compensações não homologadas com créditos reconhecidos na ação judicial nº 2005.71.07.0027290 que está impedindo a emissão de certidão positiva com efeitos de negativa, está com a exigibilidade suspensa em virtude de pendência de discussão administrativa. A autoridade coatora prestou as informações, sustentando que a exigência de que as compensações objeto do presente processo fossem efetuadas mediante a entrega de DCOMP não foi o único fundamento da Fazenda, que considerou ilegítimas também por outros motivos: os contribuintes pretenderam efetuar as compensações em questão utilizando créditos que decorreriam de decisão judicial ainda não transitada em julgado, contrariando, frontalmente o art. 170A do CTN, e mesmo o caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com redação que lhe deu o art. 49 da Lei nº 10.637/2002. O pedido liminar foi deferido. O MM. Juízo, sentenciando, concedeu a segurança para o fim de, enquanto não exaurida a discussão administrativa nos termos do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, reconhecer a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários discutidos nos processos administrativos n.ºs 11020.005372/200876, 11020.005391/20081 e 11020.005402/200844, bem como determinar à autoridade impetrada que forneça Certidão Positiva de Débitos com Efeito de Negativa CPDEN às impetrantes, salvo se existirem outros débitos não discutidos nesta ação que fundamentem a negativa. Inconformada, interpôs apelação, sustentando que a sentença teria afastado ao caso dos autos o contido no art. 170A do CTN, que veda a compensação antes do trânsito em julgado, um dos motivos apontados pela autoridade coatora para não homologação da compensação pretendida pela impetrante. Alegou, também, que a autoridade fiscal não teria homologado a compensação, uma vez que efetivada por DCTF, sem apresentação da DECOMP como requisito de validade da compensação Com contrarazões, subirão os autos a esta Corte. Parecer do Ministério Público Federal pela manutenção da sentença. É o relatório. VOTO É consabido que desde o advento da Lei nº 10.637/2002 houve profunda alteração na sistemática de compensação, que passou a ser realizada mediante Declaração de compensação, podendo abranger débitos e créditos de espécies tributárias distintas, desde que administrados pela SRF e pertencentes ao mesmo sujeito passivo. A atual redação do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 ainda sofreu as modificações por leis posteriores, a saber, as Leis nº 10.833/2003 e 11.051/2004. Segundo a atual sistemática de compensação prevista no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, existem três efeitos possíveis para o procedimento compensatório, a saber: a) a compensação extingue o crédito tributário, sob condição de sua ulterior homologação, que pode ser expressa ou tácita (§2º); b) a compensação não é Fl. 391DF CARF MF Processo nº 11020.005402/200844 Acórdão n.º 3301007.022 S3C3T1 Fl. 387 11 homologada pela autoridade fiscal, sendo garantida a possibilidade de manifestação de inconformidade, com suspensão da exigibilidade do crédito tributário (§§ 7º, 9º e 10º); c) a compensação é considerada não declarada, nas hipóteses do § 12, caso em que não é cabível a manifestação de inconformidade, nos termos do § 13º. Com vistas a regulamentar a matéria, a Secretaria da Receita Federal, no uso da competência atribuída pelo referido artigo 74, editou diversos atos normativos. Quando do advento da Lei nº 10.637/2002 ainda estava vigendo a IN SRF nº 210/2002, que previa ainda o uso de formulários em papel. Essa instrução normativa foi alterada pela IN SRF nº 320/2003, que aprovou o programa PER/DECOMP (Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de compensação), cuja transmissão de dados se dá pela Internet. A partir de então, a regra geral passou a ser o uso do formulário eletrônico. A IN SRF nº 323/2003 ainda cuidou de prever em seu artigo 3º o uso dos formulários em papel, admitidos exclusivamente na hipótese de não ser possível a utilização do programa eletrônico. A IN SRF nº 460/2004 repetiu o teor dos atos anteriores, prevendo que o uso de formuláriopapel em casos outros que os autorizados pela norma, acarretaria o efeito de tornar a compensação não declarada. IN SRF 460/2004 Art. 31. A autoridade competente da SRF considerará não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 4º do art. 76, não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação. Art. 76. (...) § 1º (...) § 2º Os formulários a que se refere o caput somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerida ou declarada eletronicamente à SRF mediante utilização do Programa PER/DCOMP. § 3º A SRF caracterizará como impossibilidade de utilização do Programa PER/DCOMP, para fins do disposto no § 2º, no § 1º do art. 3º, no § 3º do art. 16 e no § 1º do art. 26, a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento ou de compensação no aludido Programa, bem como a existência de falha no Programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de compensação. § 4º A falha a que se refere o § 3º deverá ser demonstrada pelo sujeito passivo à SRF no momento da entrega do formulário, sob pena do enquadramento do documento por ele apresentado no disposto no art. 31. Fl. 392DF CARF MF 12 § 5º Aos formulários a que se refere o caput deverá ser anexada documentação comprobatória do direito creditório. No mesmo sentido, mas de forma ainda mais detalhada, dispôs a IN SRF nº 600/2005. No caso dos autos, a Delegacia da Receita Federal na análise dos processos administrativos nºs 11020.005372/200876, 11020.005391/20081 e 11020.005402/200844, chegou a conclusão de que as compensações que oscilaram, conforme a impetrante, entre agosto/05 a abril/2006, consoante os termos das intimações fiscais acostadas às fls.135/160, só poderiam ter sido efetuadas por intermédio de DCOMP, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (com redação da Lei nº 10.637/2002), e após o trânsito em julgado, nos termos do art. 170A do CTN. Ocorre que no caso, restou verificado que não foi apresentado DCOMP para os débitos em questão, não tendo sido informada a compensação sequer em DCTF e o trânsito em julgado ocorreu somente em 17052007, após, portanto, as compesações efetivadas. Como se vê, correta a decisão administrativa que não conheceu das compensações apresentadas pelas impetrantes por outro documento que não PER/DCOM. A legislação supra transcrita é plenamente aplicável, uma vez que quando do encontro de contas, o art. 74 da Lei nº 9.430/96 já exigia, nos termos da redação dada pela Lei nº 10.637/02, a necessidade de apresentação da Declaração de Compensação. Ademais, as impetrantes violaram o disposto do art. 170A do CTN, introduzido pela Lei Complementar n.º 104/01, o qual condiciona a compensação ao trânsito em julgado da decisão. O direito das impetrantes à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS/COFINS (Processo nº 2005.71.05.0027290) somente foi poderia ser exercido a partir de 17052007, quando se operou o trânsito em julgado daquela ação. Dessa forma, considerando que as impetrantes não tinham título judicial passado em julgado a amparar as compensações levada a efeito lapso temporal de agosto/05 a abril/2006, correta a atuação da autoridade fiscal em considerar como não declaradas as compensações indicadas. Se realmente fosse caso de não homologação de compensação, os §§ 7° a 11º do art. 74 da Lei n° 9.430/96 garantiriam a possibilidade de manifestação de inconformidade e, inclusive, recurso ao Conselho de Contribuintes, observado o rito do processo administrativo fiscal (Decreto n° 70.235/72), com atribuição de efeito suspensivo ao crédito tributário, nos termos do art. 151, inc. III, do CTN. Todavia, como as compensações das impetrantes foram consideradas "não declaradas", nenhum desses efeitos pode ser verificado, inexistindo a aplicação do rito administrativo tributário (consoante § 13º do art. 74 da Lei n° 9.430/98) e do disposto no art. 5° da Portaria Fl. 393DF CARF MF Processo nº 11020.005402/200844 Acórdão n.º 3301007.022 S3C3T1 Fl. 388 13 Conjunta PGFN/SRF n° 1, de 03.01.2007. A propósito o Ministério Público se manifestou a respeito, conforme trecho a seguir que convém ser transcrito: Dessa forma. s.m.j., não há como os recursos interpostos pela apeladas serem considerados manifestações de inconformidade, mostrandose acertado o processamento dos mesmos de acordo com o art. 61 da Lei nº 9.784/99, como feito pelo Fisco (fls. 135, 144 e 154). Cumpre salientar que a norma do art. 151, inciso III, do CTN, não permite, por si só, que se suspenda a exigibilidade do crédito tributário em razão da tramitação desses recursos, pois inexiste lei tributária específica que dê suporte tal efeito. Assim, há que se reformar a sentença, porquanto os créditos não se encontram com sua exigibilidade suspensa, havendo, pois, empecilho a expedição de certidão positiva com efeitos de negativa. Ante o exposto, voto por dar provimento à apelação e à remessa oficial. 8. Assim, verificase que o próprio Poder Judiciário admite que não cabe o recurso apresentado pela recorrente como manifestação de inconformidade, não cabendo, portanto, o rito do Decreto n º 70.235/1972, e sim o rito processual estabelecido na Lei nº 9.784/99, no seu artigo 61, como feito pela unidade de origem. 9. Verificase, portanto, que a recorrente pretende que o Fisco, de ofício, extinga débitos por ela confessados, efetue compensação de ofício do crédito reconhecido com outros débitos restantes, sem amparo judicial e em contradição ás regras normativas impostas. 10. É pertinente esclarecer que, em conformidade com o teor do Despachos Decisório da DRF/DUQUE DE CAXIAS, os presentes autos tratam da cobrança do saldo remanescente dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins dos meses de AGOSTO/2005, NOVEMBRO/2005, FEVEREIRO/2006 E ABRIL/2006 , objeto de ação judicial e confessados em DCTF pela própria Recorrente. 11. Por meio dE petição, a Recorrente insurgiuse contra a referida decisão. Inicialmente, o pressente litígio foi submetida ao rito de julgamento da Lei nº 9.784, de 1999, porém, por força da decisão judicial, ele passou a ser submetido ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), conforme determinação contida no § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. 12. No presente Recurso, reafirmou a Recorrente que, com o trânsito em julgado do Mandado de Segurança n° 2005.71.07.0027290, em que discutira a constitucionalidade do alargamento da base de cálculo das referidas Contribuições, cuja decisão final foilhe favorável, foram extintos, nos termos do artigo 156, X, do CTN, os créditos tributários que estavam suspensos, em decorrência dos respectivos depósitos judiciais, até o limite do indébito tributário. 13. Não procede tal argumento, com a devida vênia, pois, conforme noticia os autos, antes que fosse realizada a conversão em renda da União da parcela dos créditos Fl. 394DF CARF MF 14 tributários devidos, concernentes aos depósitos judiciais realizados pela Recorrente, ela procedeu, com a devida autorização judicial, conforme Alvará Judicial, o levantamento integral do valor dos depósito realizados, deixando em aberto a parcela dos valores dos créditos tributários cobrados nos presentes autos. Assim, se os referidos depósitos judiciais foram integralmente devolvidos a Interessada, por óbvio, a autoridade fiscal não poderia realizar, de ofício, a conversão do depósito em renda pretendido pela Recorrente, conforme previsto no inciso II do § 3º do art. 1º da Lei 9.703, de 17 de novembro de 1998, a seguir transcrito: Art. 1º Os depósitos judiciais e extrajudiciais, em dinheiro, de valores referentes a tributos e contribuições federais, inclusive seus acessórios, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, serão efetuados na Caixa Econômica Federal, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, específico para essa finalidade. [...] § 3º Mediante ordem da autoridade judicial ou, no caso de depósito extrajudicial, da autoridade administrativa competente, o valor do depósito, após o encerramento da lide ou do processo litigioso, será: I devolvido ao depositante pela Caixa Econômica Federal, no prazo máximo de vinte e quatro horas, quando a sentença lhe for favorável ou na proporção em que o for, acrescido de juros, na forma estabelecida pelo § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e alterações posteriores; ou II transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. [...] 13. Nesse sentido, cabe ainda ressaltar que a Recorrente estava plenamente consciente dessa consequência, uma vez que na data em que realizou o levantamento dos referidos depósitos também procedeu o pagamento dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins dos meses de agosto (parcial) a dezembro de 2005, conforme Darf de fls. 227/236, remanescendo apenas o saldo dos débitos objeto do presente litígio. Assim, diante da inexistência dos referidos depósitos, a autoridade fiscalficou impossibilitada de realizar a quitação pretendida pela Recorrente, mediante conversão em renda da União, em consequência, deixou de existir a causa de suspensão da exigibilidade dos saldos remanescentes dos débitos das referidas Contribuições, ratificando a legalidade da cobrança em apreço. 14. Cabe ainda destacar que, ante a ausência de Declaração de Compensação (DComp), também revelase inaplicável ao caso em tela a compensação dos referidos débitos, por falta de atendimento dos requisitos estabelecidos no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações posteriores. 15. Também não procede a alegação da Recorrente, no sentido de que, no pressente caso, era indevida a cobrança da multa de mora, prevista no art. 611 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. De fato, tratandose de crédito Fl. 395DF CARF MF Processo nº 11020.005402/200844 Acórdão n.º 3301007.022 S3C3T1 Fl. 389 15 tributário previamente confessado pela Recorrente por meio da DCTF, uma vez desaparecida a causa suspensiva da sua exigibilidade, com a devolução do depósito, e não pago o tributo no prazo estabelecido, a referida multa passou a ser devida. Nesse sentido, o entendimento consolidado pelo E. Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 962.379 / RS, submetido ao regime do recurso repetitivo, estabelecido no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), cuja ementa restou assim redigida, in verbis: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 962379/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) (grifos não originais) 16. Dessa forma, por se tratar de decisão definitiva de mérito, com trânsito em julgado em 24/04/2009, proferida pelo E. STJ, na sistemática do art. 543C do CPC, em conformidade com o disposto no art. 62A3 do Regimento Interno deste Conselho, como razão de decidir, adoto integralmente os fundamentos aduzidos no referido julgado, haja vista que o crédito tributário o objeto da presente controvérsia enquadrase perfeitamente na questão Fl. 396DF CARF MF 16 jurídica decidida no mencionado acórdão paradigma. 17. Entretanto, para que não se alegue cerceamento de defesa, diante da não apresentação de novos argumentos de defesa nas razões recursais, e com fulcro no § 3º do artigo 57 do Regimento Interno do CARF, confirmo e adoto o voto condutor do Acórdão da DRJ/SALVADOR, de lavra da Ilustre Julgadora Maria Madalena de Souza Oliveira, por sua clareza e precisão : Tendo em vista a liminar deferida no Mandado de Segurança n°2008.71.07.0051875/RS determinando que o crédito tributário discutido no presente processo administrativo tenha suspensa sua exigibilidade e tenha exaurida a discussão administrativa nos termos do art.74 da Lei n°9.430, de 1996, deixo de observar a tempestividade da apresentação da presente inconformidade, cabendo sua apreciação. No presente litígio o contribuinte discorda da exigência dos débitos do PIS e da C(4íris declarados em DCTF, pois entende que estão com a exigibilidade suspensa em função da compensação com créditos que decorriam de decisão judicial. Nas DCTF anexadas aos autos constatase que os débitos do PIS e da Cofins do período em questão foram declarados como suspensos em razão de "Depósito judicial no montante integral" vinculado ao processo 200571070027290 (fls.100/165), nos códigos de receita 810902PIS e 217201 (Cofins) — 2005 e 691201 (PIS) e 585601 (Cotins) — 2006. O contribuinte impetrara ação judicial no Mandado de Segurança 20057 l070027290/RS para discutir a inconstitucionalidade do § 1° do art.3° da Lei n°9.718, de 1998, na sistemática de apuração da Cofins e do PIS e a possibilidade de compensação dos valores recolhidos indevidamente com quaisquer tributos. A liminar foi indeferida e a segurança pleiteada negada, conforme sentença proferida em 23/11/2005. Publicada a sentença, as impetrantes apresentaram recurso de apelação, o qual foi recebido somente no efeito devolutivo. Remetidos os autos ao Tribunal Regional Federal da 4a Região, foi prolatado o acórdão dando provimento ao apelo, contra o qual foram apresentados, pelos autores, os embargos de declaração, cujo provimento para afastar a obscuridade do julgado, sem alterarlhe o resultado foi proferido em 07/03/2007, tendo sido certificado o trânsito em julgado em 17/05/2007 (Certidão de fls.13/14). O Acórdão que transitou em julgado em sua ementa, 11.05, assim já determinara: 5. Por força do art.170A do CTN (introduzido pela Lei Complementar n°104/2001), todavia, a compensação somente será viável após o trânsito em julgado da decisão. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 11020.005402/200844 Acórdão n.º 3301007.022 S3C3T1 Fl. 390 17 Na fundamentação do acórdão, a Juiza Desembargadora relatora afirmara que desde 30 de dezembro de 2002, com a edição da Lei n°10.637, de 2002, que alterou a redação do art.74 da Lei n°9.430, de 1996, que "... a compensação é viável apenas após o trânsito em julgado da decisão, devendo ocorrer, de acordo com o regime previsto na Lei 10.637/02, isto é, (a) por iniciativa do contribuinte, (b) entre quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, (c) mediante entrega de declaração contendo as informações sobre os créditos e débitos utilizados, cujo efeito é o de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação". Os Embargos de Declaração manteve a decisão na íntegra e proveu os embargos para afirmar que o direito de compensação dos valores pagos a maior em decorrência do indevido alargamento da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins estava relacionado ao período compreendido entre a vigência da Lei n°9.718/98 (fev/99 — art.17) e o advento da Leis n's 10.637/02 e 10.833/03. Assim, conforme sentença de fls.09/12: " Com efeito, posteriormente ao advento das Lei n's10.637/02 e 10,833/03, é legítima a cobrança do PIS e da Cofins tendo como base de cálculo o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, no sistema da nãocumulatividade por elas instituído …" O Despacho judicial determinou a expedição de alvará judicial em favor da impetrante para levantamento integral dos valores depositados nas contas do depósito judicial em 21/09/2007, de fls.15/16. Salienta a decisão que "...tal comportamento não implica, por óbvio, em declaração de que o valor ora liberado corresponde de fato ao tributado questionado, restando franqueada ao Fisco a possibilidade de verificação do acerto do afirmado pela Impetrante à luz dos dados emergentes de seus registros contábeis." . Tendo o contribuinte efetuado o levantamento dos depósitos judiciais, os débitos do PIS e da Cofins declarados na DCTF, cuja suspensão da exigibilidade estava vinculada aos depósitos judiciais em seu montante integral, na forma do inciso II do art.151 do Código Tributário Nacional, imediatamente passaram a ser exigidos, posto que não mais suspensos, sob quaisquer da hipóteses prevista em lei, não cabendo razão ao interessado quando este afirma que houve desrespeito a decisão judicial e que os débitos continuavam suspensos. Tampouco prospera a alegação de que os débitos ora cobrados não Fl. 398DF CARF MF 18 poderiam ser exigidos pois estavam suspensos em razão da compensação, uma vez que os débitos ora relacionados não foram objeto de Declaração de Compensação. O art.74 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim dispõe quanto a compensação entre tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuado mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (A redação do caput e deste parágrafo foi dada pelo artigo 49 da Lei n°10.637 de 30.12.2002). Além disso, conforme já expusera o Juiz no acórdão mencionado, a compensação viável somente poderia ser efetivada após o trânsito em julgado da ação, em respeito ao art.170A do CTN, mas à época dos fatos geradores em questão, o trânsito em julgado ainda não tinha ocorrido. O direito à compensação não se confunde com o direito ao crédito. Caberia ao contribuinte, após o trânsito em julgado da sentença que reconheceu a inconstitucionalidade do §1° do art. 3° da Lei n°9.718, de 1998, exercer judicialmente o seu direito à compensação, executando a sentença — como mesmo mencionou o juiz relator no acórdão proferido — ou então, administrativamente, apresentando PER/DCOMP afim de ter quantificado e confirmado pelo Fisco os valores que teria a restituir/compensar, em não o fazendo, inexiste a extinção dos débitos do PIS e da Cofins dos períodos mencionados, mediante a compensação com quaisquer créditos, inclusive judiciais, não sendo competência deste órgão julgador e tampouco da DRF, apurar os valores de indébito do contribuinte reconhecido judicialmente, este a quem cabia requerer a quantificação do crédito e sua compensação com os valores de débitos, mediante a transmissão de Declarações próprias para este fim.. Tampouco foram extintos pelo pagamento ou mesmo pela conversão do depósito em renda da União, posto que ao contrário, segundo mesmo declarou o interessado foi feito o levantamento do valor integral depositado pelo contribuinte. Deste modo, os débitos não extintos passaram a ser imediatamente exigíveis, sendo importante ressaltar que é desnecessário o lançamento de oficio para exigência dos valores apurados e não recolhidos como dispunha o art.90 da Medida Provisória n° 2.158, Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11020.005402/200844 Acórdão n.º 3301007.022 S3C3T1 Fl. 391 19 de 2001, alterada pelo art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, uma vez que a Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, obrigação acessória que comunica a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência de crédito tributário, podendo ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, na forma do Decretolei n°2.124, de 1984. Na medida em que o contribuinte informa a existência do débito e a ele não vincula crédito, ou vincula a menor, ou mesmo como no presente caso, efetua o levantamento do depósito judicial que estava vinculado ao débito, considerase confessado o "Saldo a Pagar", que não recolhido, é enviado à PFN — Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para cobrança. A DRF/Caxias do Sul, apurou corretamente os valores devidos do PIS e da Cofins na conformidade do que foi determinado pelo acórdão transitado em julgado na esfera judicial, fl.02, excluindo da base de cálculo (o faturamento mensal), as outras receitas além do faturamento, conforme determinado na sentença transitado em julgado. Com relação ao ano de 2006, verificouse que o contribuinte optou pelo regime de apuração do Lucro Real, estando obrigado a apuração do PIS e da Cofins não cumulativa, na forma das Leis n°10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, respectivamente, conforme declarado nas DCTF, e portanto, não se aplicando a tais contribuições a decisão que transitou em julgado, na inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo prevista no §1° do art.3° da Lei n°9.718, de 1998, conforme propriamente afirmado nos acórdãos já mencionados e transcritos neste voto, e assim, exigíveis integralmente. Ante o exposto voto pela improcedência da inconformidade apresentada pelo interessado e pela continuidade da cobrança dos débitos declarado nas DCTF. Conclusão 12. Por todo o exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Relator Fl. 400DF CARF MF 20 Fl. 401DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16366.001625/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
INTEMPESTIVIDADE
Não será conhecido o recurso protocolado fora do prazo legal.
Numero da decisão: 3401-007.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade.
(documento assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto e Luis Felipe de Barros Reche (suplente convocado). Ausente o conselheiro Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 INTEMPESTIVIDADE Não será conhecido o recurso protocolado fora do prazo legal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16366.001625/2007-64
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6105659
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-007.139
nome_arquivo_s : Decisao_16366001625200764.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARA CRISTINA SIFUENTES
nome_arquivo_pdf_s : 16366001625200764_6105659.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto e Luis Felipe de Barros Reche (suplente convocado). Ausente o conselheiro Rosaldo Trevisan.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2019
id : 8015531
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052650457530368
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-06T17:38:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-06T17:38:31Z; Last-Modified: 2019-12-06T17:38:31Z; dcterms:modified: 2019-12-06T17:38:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-06T17:38:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-06T17:38:31Z; meta:save-date: 2019-12-06T17:38:31Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-06T17:38:31Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-06T17:38:31Z; created: 2019-12-06T17:38:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-12-06T17:38:31Z; pdf:charsPerPage: 2061; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-06T17:38:31Z | Conteúdo => S3-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16366.001625/2007-64 Recurso Voluntário Acórdão nº 3401-007.139 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2019 Recorrente MADISON GARDEN COMERCIAL E TRADING DE PRODUTOS ALIMENTICIOS S/A (EX KING MEAT ALIMENTOS DO BRASIL SA) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 INTEMPESTIVIDADE Não será conhecido o recurso protocolado fora do prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestividade. (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto e Luis Felipe de Barros Reche (suplente convocado). Ausente o conselheiro Rosaldo Trevisan. Relatório A contribuinte peticionou em 25/07/2007 a incidência da taxa Selic sobre os valores a título de ressarcimento de saldo credor do IPI relativo ao 2ª trimestre de 2002, protocolado no Processo 13906.000157/2002-53. A empresa protocolou pedido de ressarcimento que foi compensado sem correção monetária. Por isso agregou pedido de restituição dos valores relativos a correção pela taxa Selic conforme previsto no art. 39 da Lei nº 9.250/95, que reconheceu o direito de restituir os valores acrescidos de juros calculados a partir do protocolo do pedido de restituição ate a data da efetiva restituição ou compensação de acordo com a taxa Selic. O Despacho decisório da DRF Londrina, em 23/02/10, indeferiu o pleito por prescrição, por os créditos serem relativos ao período de abril/2002 a junho/2002, de acordo com AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 16 25 /2 00 7- 64 Fl. 157DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-007.139 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.001625/2007-64 o art. 1º do Decreto nº 20.910/1932. Além disso, a titulo de argumentação, aduziu que não existe embasamento legal para incidência da taxa Selic sobre valores a título de ressarcimento de saldo credor de IPI. A impugnação foi julgada pela DRJ Ribeirão Preto, improcedente por unanimidade de votos, acórdão nº 14-33.680, de 11 de maio de 2011: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. E incabível, por falta de previsão legal, a atualização monetária dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI. Regularmente cientificado em 29/03/2012 a empresa apresentou Recurso Voluntário em 08/05/2012 repetindo os mesmos argumentos da impugnação e reiterando seu direito a atualização pela taxa Selic do crédito presumido do IPI. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Conforme pode ser verificado à efls. 28 o aviso de recebimento dos correios encontra-se datado de 29/03/2012 (quinta-feira). Á efl. 138 consta o carimbo da DRF Londrina acusando o recebimento do Recurso Voluntário em 08/05/2012. O prazo fatídico para apresentação de recurso foi 30/04/2012, segunda-feira, conforme contagem estabelecida no art. 5º do Decreto nº 70.235/72: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Buscando a certeza da decisão consultei os feriados e dias de expediente normal na repartição e não consta que tenha havido nenhum evento que pusesse óbice ao protocolo, observe-se que o feriado da sexta-feira da semana santa ocorreu em 06/04/2012. Ademais a recorrente repete os mesmos argumentos da impugnação e não traz nenhuma argumentação justificando o protocolo a destempo. Pelo exposto não conheço do recurso voluntário por intempestivo. (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Fl. 158DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-007.139 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.001625/2007-64 Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
