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Numero do processo: 10283.909641/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 41 /2 00 9- 01 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909641/200901 Acórdão n.º 3202001.522 S3C2T2 Fl. 348 3 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 349DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10680.013980/2008-18
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2801-000.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase, em parte, o “Relatório” da decisão de primeira instância (fls. 106 e seguintes), complementandoo ao final: Contra o sujeito passivo já identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 10 a 15, relativa ao Imposto sobre a Renda Pessoa Física, exercício 2006, anocalendário 2005, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 26.078,20, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Tendo em vista a revisão da declaração de ajuste anual transmitida pelo contribuinte, houve o cotejo entre os Rendimentos Tributáveis RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 13 98 0/ 20 08 -1 8 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.013980/200818 Resolução nº 2801000.340 S2TE01 Fl. 150 2 Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), ocasião em que se constatou omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 117.496,37, recebido do Banco do Brasil S/A, em virtude de repasse decorrente de ação judicial movida pela tia da declarante (Sra. Isis Genésio Silva, já falecida) contra a União Federal, tendo a Impugnante recebido a mencionada quantia na condição de herdeira, conforme alvará de fls. 77 e 78. Ao julgar a Impugnação, a instância recorrida assim dispôs: a) Cumpre destacar, inicialmente, que o presente lançamento não padece de nenhum vício de forma; conforme já relatado, o lançamento deuse em razão da contribuinte não ter comprovado a natureza isenta do rendimento recebido do Banco do Brasil S/A, em face da ação judicial movida pela Sucedida do sujeito passivo contra a União Federal, no valor de R$ 117.496,37, tendo ocorrido a retenção na fonte da quantia de R$ 3.524,89; b) a herança recebida pelo sujeito passivo foi o direito ao crédito junto à União Federal decorrente de proventos de aposentadoria, então ilíquido e sem data certa para recebimento efetivo, uma vez que o processo sucessório se encerrou no curso do processo judicial contra a União Federal; c) descaracterizada a condição de bem recebido por herança, inexiste previsão para excluir o valor recebido do rendimento bruto, cabendo aplicar o disposto nos artigos 37 e 38 do RIR/99. E assim considerouse improcedente a Impugnação apresentada. Cientificada desse decisão em 19/01/2012 (AR na folha 116), a contribuinte apresentou recurso voluntário (protocolo na folha 117) em 17/02/2012, onde argumenta, em síntese, que: 1 – os valores recebidos pela Recorrente são resultado do direito de herança; manter o lançamento significa incorrer em inconstitucionalidade ao tributar herança, cita o artigo 155 da CF/88. 2 – o lançamento contém irregularidades, materiais (descrição do fato gerador, segurança jurídica) e formais. 3 – na hipótese de manutenção da tributação, devem ser descontados os honorários advocatícios necessários à percepção dos rendimentos pela via judicial. 4 – conforme Parecer da PGFN e reiteradas decisões do STJ, o tributo deve incidir mensalmente e não sobre valores globais. Diz que o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988 determina o momento da incidência mas não a forma de cálculo. Assim, REQUER que seja anulado o lançamento; homologada a DIRPF/2006 apresentada, restituída importância retida sobre o valor dos rendimentos recebidos. Caso assim não se entenda, que sejam descontados os honorários advocatícios, sejam os rendimentos tributados como “ganho de capital”, seja efetuado cálculo do imposto levando em conta os períodos (competências) mensais a que se referem. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.013980/200818 Resolução nº 2801000.340 S2TE01 Fl. 151 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Existem diversas alegações da parte recorrente, mas uma em especial me chama a atenção, que trata sobre a forma de apuração do imposto sobre rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial, movida na Justiça Federal. Falase no artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, em Parecer da PGFN, na jurisprudência do STJ e, acrescento, existe ainda recente decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o assunto. Vejamos: Observase que a tributação deuse, então, na forma do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, que determina que, nesses casos, o imposto incide sobre o total dos rendimentos, no mês do recebimento do valor, diminuído das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento. Ocorre, entretanto, que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos Fl. 151DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.013980/200818 Resolução nº 2801000.340 S2TE01 Fl. 152 4 respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Em 23/10/2014, a Suprema Corte assim decidiu, em relação à matéria: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal em negar provimento ao recurso extraordinário, por maioria, vencida a relatora, Ministra Ellen Gracie, em sessão presidida pelo Ministro Ricardo Lewandowski, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Voto. Ministra Ellen Gracie Relatora: O Acórdão recorrido considerou inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/88, que determinou a incidência do imposto por ocasião do recebimento dos valores, sobre a sua totalidade. Entendeu violados os princípios da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, nos termos do que restou sintetizado na ementa do acórdão relativo à argüição de inconstitucionalidade julgada pela Corte Especial daquele Tribunal Regional Federal da 4ª Região: (...) Voto Ministro Marco Aurélio Redator do Acórdão: Não passa pela minha cabeça que o sistema possa apenar o contribuinte duas vezes. Explico melhor: o contribuinte não recebe as parcelas na época devida. É compelido a ingressar em Juízo para ver declarado o direito a essas parcelas e, recebendoas posteriormente, há a junção para efeito de incidência do Imposto de Renda, surgindo, de início, a problemática da alíquota, norteada pelo valor recebido. (...) Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, temse o envolvimento da capacidade contributiva... Fl. 152DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.013980/200818 Resolução nº 2801000.340 S2TE01 Fl. 153 5 (...) Ou seja, o fato de o direito haver sido resistido e de se ter que acionar garantia inerente à cidadania, que é a do ingresso em Juízo, implicaria a majoração da alíquota. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também já havia se manifestado sobre a matéria, como lembraramse os Ministros do STF, inclusive atribuindo aos recursos a sistemática dos “repetitivos”, sobre a interpretação a ser dada ao dispositivo da Lei nº 7.713/1988, em comento. Vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. (grifei) 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.(grifei) (REsp 1.118.429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226. Ministro HERMAN BENJAMIN (1132). DJe 14/05/2010) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. (...). ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CPC. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de Fl. 153DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.013980/200818 Resolução nº 2801000.340 S2TE01 Fl. 154 6 renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei".(sublinhei) 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PR AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013) Outrossim, diz ALEXANDRE DE MORAES que “assim como podemos afirmar que o STF é o guardião da Constituição, também podemos fazêlo no sentido de ser o STJ o guardião do ordenamento jurídico federal” . Continuando, o autor diz que em relação ao recurso especial, ensinanos o Ministro do STJ Sálvio de Figueiredo Teixeira, tratarse: “de modalidade de recurso extraordinário latu sensu, destinado, por previsão constitucional, a preservar a unidade e autoridade do direito federal, sob inspiração de que nele o interesse público, refletido na correta interpretação da lei, deve prevalecer sobre os interesses das partes...”(MORAES. Alexandre, Direito Constitucional, 15ª ed., São Paulo : Atlas, 2004, p. 496 e 498)(sublinhei) Para REGINA HELENA COSTA, “a aplicação reiterada das normas jurídicas por órgãos do Poder Judiciário constrói pensamento hábil a orientar a conduta dos jurisdicionados, bem como influenciar a atuação dos legisladores e administradores na busca de aperfeiçoamentos e modificações que o ordenamento jurídico requer.”(sublinhei) Assim, conclui a Ministra do STJ e livredocente em Direito Tributário, que: “Nos dias atuais, inegável o papel da jurisprudência como fonte do direito. Conquanto não ostente a mesma importância que apresenta nos países que adotam o sistema da common law, a jurisprudência tem ganho cada vez mais visibilidade, especialmente no campo tributário, à vista do elevado grau de litigiosidade existente nessa seara.” (COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 47)(destaquei) O que os Tribunais Superiores ratificam, na minha modesta leitura, seguindo aliás a melhor doutrina, é que existem, dentre outros, dois aspectos distintos do fato gerador: Aspecto quantitativo do Fato Gerador: neste aspecto, destacamse a base de cálculo e a alíquota. Na operação de lançamento tributário, após a verificação da ocorrência do fato gerador, da identificação do sujeito passivo e da determinação da matéria tributável, há que se calcular o montante do tributo devido aplicandose a alíquota sobre a base de cálculo. Esta é, pois, uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.013980/200818 Resolução nº 2801000.340 S2TE01 Fl. 155 7 Aspecto temporal do Fato Gerador: é de fundamental importância esse aspecto para definição da lei aplicável, segundo o princípio tempus regit actum. Esse aspecto diz respeito ao momento da consumação ou da ocorrência do fato gerador, ....(HARADA. Kiyoshi. Direito Financeiro e Tributário, 23ª ed, Atlas : São Paulo, 2014, p. 544/545) Observo assim a aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Contudo, não localizo nestes autos que esteja anexada a cópia da Sentença da Justiça Federal da Ação nº 2001.38.00.0343187, à qual alude o recurso, para que se verifique a natureza das verbas recebidas (salarial, benefício previdenciário, revisão de benefício,...), os períodos (competências) a que se referem e se houve acordo entre as partes ou não, para o recebimento. Na folha 85 existe ainda um documento que fala em “alimentar”? Mesmo procurando ainda no sítio eletrônico do Tribunal Federal, não localizei o inteiro teor de nenhuma das peças processuais, apesar de verificar a existência da Ação. Nas folhas 81, 82, 83 existe o Alvará de levantamento e os cálculos da contadoria, porém estão concentrados em montantes por beneficiário, sem discriminar os períodos a que se referem. Pelo exposto, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que a Interessada seja intimada a anexar a cópia da Sentença judicial que determinou o pagamento das importâncias e sobre as quais aqui se discute a tributação, com especificação da natureza das verbas, dos períodos a que se referem e se houve ou não acordo entre as partes para recebimento. Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 155DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /03/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 11516.002373/2007-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO IRRF. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE.
O IRRF não pode ser deduzido do IRPF quando se encontrar com exigibilidade suspensa, por força depósito judicial.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-004.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. O IRRF não pode ser deduzido do IRPF quando se encontrar com exigibilidade suspensa, por força depósito judicial. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 23 73 /2 00 7- 14 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.002373/200714 Acórdão n.º 2801004.037 S2TE01 Fl. 224 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6a Turma da DRJ/FNS (Fls. 89), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 04/06), por meio da qual apurado o valor do Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar de R$ 12.150,48, acrescido da multa de e dos juros de mora, relativo ao anocalendário de 2004, motivado por glosa do Imposto de Renda declarado como retido na Ação Judicial no valor de R$ 18.690,85. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 01/02), na qual alega que, em 29/08/2003, através de decisão do juizo da 1a. Vara do Trabalho de Florianópolis foi individualizado em seu nome o valor bruto de R$ 70.653,87, conforme o cálculo de fl. 12, no qual consta o IRRF de R$ 18.690,85. Informa que, através do alvará judicial (fl. 13), foi liberado o valor de R$ 58.744,57, sendo que, deduzidos os honorários advocaticios e periciais, recebeu o valor liquido de R$ 49.157,93, em 16/02/2004. Aduz que cabe a fonte pagadora a responsabilidade de apresentar oportunamente a comprovação dos recolhimentos do IRRF. Requer seja anulada a notificação. Cumpre informar que foi proferido o Acórdão n° 0722.611, de fls. 68/69 e que, como informado no despacho de fl. 71, houve erro na conclusão do Voto. Em face do que preceituam o § 1° do art. 21 da Portaria MF n° 341, de 2011 e art. 32 do Decreto n° 70.236, de 1972, proferese o presente Acórdão em substituição ao anterior. Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/FNS entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF n 2 1.364, de 10 de novembro de 2004.: Cientificado em 28/11/2011 (Fls. 93), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 23/12/2011 (fls. 94 a 97), argumentando em síntese: (...) Contudo, tendo em vista que tal recolhimento do IRRF não foi efetuado na época própria pelo empregador, conforme comprova a declaração anexa (doc. 14), não se tinha os documentos comprobatórios da referida retenção. Todavia, posteriormente, melhor analisando os valores apurados em favor do Recorrente no processo trabalhista n. 634/90, ele constatou que o perito judicial em nova planilha de cálculo protocolizada nos referidos autos em 26052006 às folhas 1221 1345 (doc. 6), indicou como valor bruto total R$ 70.935,74. Na planilha supracitada às folhas 1.231 dos autos do feito trabalhista o perito também apontou a quantia de R$ 7.570.51 como sendo o montante que deveria ser retido pelo empregador a título de imposto de renda, tendo como base de cálculo o valor Fl. 224DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.002373/200714 Acórdão n.º 2801004.037 S2TE01 Fl. 225 3 do principal tributável de R$ 27.055,13, já que o montante de R$ 40.719,47 referese a juros de mora, sobre os quais não incidiu tributação. Portanto, sobre o valor constante no Alvará sobre os valores incontroversos, emitido em favor do Recorrente (R$ 56. 483,53), que atualizado até data do saque ocorrida em 12022004 totalizou R$ 58.744,57 (doc. 7), deveria ter sido retido imposto de renda pelo empregador no valor de R$ 7.570,51. Porém, resolvidos os incidentes processuais interpostos no curso da demanda trabalhista, somente em 24042009 o empregador demandado peticionou (doc. 10) indicando em tabela que anexou às 1.858 (doc. 11) quais os valores referentes aos recolhimentos fiscais e previdenciários dos trabalhadores envolvidos na ação trabalhista coletiva em apreço (dentre eles o Recorrente) que deveriam ser recolhidos do depósito constante nos autos (docs. 8 e 9). Assim, verificase da tabela anexa que o valor de IRRF do Recorrente no caso concreto, atualizado até 01052009 totalizou R$ 13.835.79. o qual integrou o montante total de R$ 567.006.97 devidamente recolhido ao fisco nos autos da ação trabalhista n. 634/90. conforme comprovam a petição do empregador (doc. 10), a tabela contendo o nome do Recorrente e o valor atualizado do IRRF (doc. 11), Ofício SEC n. 2995/09 da 1a Vara do Trabalho de Florianópolis (doc. 12) e comprovante de retenção de imposto de renda determinado pela Justiça do Trabalho (doc. 13), todos anexos. (...) Anexa ao presente cópia dos seguintes documentos: Doc. 1 Carteira de Identidade; Doc. 2 Declaração de Ajuste Anual ano 2005/Exercício 2004; Doc. 3 Notificação de Lançamento n. 2005/609450140464060; Doc. 4 Impugnação de Lançamento Fiscal; Doc. 5 Acórdão n. 0726.213; Doc. 6 Planilha de Cálculo nos autos do processo AT 634/90; Doc. 7 Alvará Judicial; Doc. 8 Comprovante de Depósito do valor para recolhimento de IRRF; Doc. 9 Comprovante de Depósito do valor para recolhimento de IRRF; Doc. 10 Petição do Empregador indicando os valores para retenção de IRRF; Fl. 225DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.002373/200714 Acórdão n.º 2801004.037 S2TE01 Fl. 226 4 Doc. 11 Tabela de atualização informando o valor do IRRF a recolher em razão do crédito trabalhista do Recorrente; Doc. 12 Ofício da 1 Vara do Trabalho solicitando o recolhimento do IRRF; Doc. 13 Comprovante de Retenção de Imposto de Renda determinado pela Justiça do Trabalho; Doc. 14 Declaração do Advogado do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Florianópolis e Região. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Em primeiro plano, cumpre ressaltar que o recurso interposto se refere a glosa da dedução indevida de IRRF. Conforme se verifica nos autos, no ano de 1990 o recorrente promoveu ação judicial trabalhista visando a cobrança de diferenças salariais não pagas por seu empregador. Posteriormente apresentou Agravo no qual solicitava a exclusão dos juros da base de cálculo do imposto de renda que viria a incidir sobre os valores recebidos. No caso presente, o valor do suposto IRRF (R$18.690,85) a ser recolhido foi depositado em conta judicial e estava a disposição juízo, enquanto aguardavase decisão acerca da incidência ou não do IR sobre os juros de mora. Em decorrência disto os valores referentes a IRRF tiveram sua exigibilidade suspensa, e não foram repassados para a União Federal. Ocorreu que a decisão veio a transitar em julgado após 2009, ocasião em que o poder judiciário decidiu pela não incidência do IR sobre os juros de mora; sendo convertido em renda para a União uma parte dos valores depositados a título de IRRF e liberado para o contribuinte o restante. Deste modo, penso que, independentemente da decisão do processo judicial, o contribuinte não poderia deduzir o IRRF no exercício de 2005, uma vez que a exigibilidade ainda encontravase suspensa, os valores ainda não haviam sido repassados à União e, portanto, ainda não eram passíveis de dedução. Só houve a conversão em renda para a União de parte do IR depositado por ocasião do trânsito em julgado da sentença e, portanto, o contribuinte apenas poderia Fl. 226DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11516.002373/200714 Acórdão n.º 2801004.037 S2TE01 Fl. 227 5 compensar os valores retidos à título de IRRF na sua Declaração de Ajuste Anual do exercício referente a conversão. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 227DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10325.721914/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, e, por maioria de votos, DETERMINAR o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário interposto pelo responsável tributário, à luz do art. 62-A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012, vencido o conselheiro José Evande Carvalho Araújo, que prosseguia no julgamento.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thomé, Francisco Alexandre Dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araújo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto
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(assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thomé, Francisco Alexandre Dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araújo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 25 .7 21 91 4/ 20 12 -4 1 Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10325.721914/201241 Resolução nº 1102000.176 S1C1T2 Fl. 13 2 RELATÓRIO Tratamse de recursos voluntários interpostos pela Contribuinte e pelo Responsável Solidário contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2008 TEMPESTIVIDADE. PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS. Não se conhece da impugnação apresentada pelo contribuinte fora do prazo. A impugnação tempestiva apresentada pelo responsável solidário aproveita ao contribuinte, inclusive quanto às alegações de mérito. EFEITO DE CONFISCO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Às instâncias administrativas de julgamento é vedada a apreciação da constitucionalidade das leis, e, por conseguinte, da conformação de sua aplicação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao efeito de confisco. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008 A prática de atos de gestão da empresa, inclusive através de procuração, aliada à utilização de recursos da mesma para compras pessoais de valores expressivos, caracterizam a condição de sócio de fato, justificando a responsabilização solidária. EXACERBAÇÃO DA MULTA. O intuito deliberado da ocultação de sócio de fato da sociedade, aliado à discrepância sistemática e injustificável entre o volume de depósitos da empresa e sua receita declarada autorizam a qualificação da multa de 75% para 150%. A resistência reiterada e injustificada ao atendimento das intimações da fiscalização autorizam o agravamento da multa qualificada de 150% para 225%. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em contas bancárias do sujeito passivo em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10325.721914/201241 Resolução nº 1102000.176 S1C1T2 Fl. 14 3 “Contra o contribuinte acima identificado foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 531 a 542); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 543 a 555); Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 556 a 568); Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 569 a 580) e Contribuição Patronal Previdenciária (fls. 581 a 593), todos pela sistemática do SIMPLES, totalizando, na data do lançamento, crédito tributário de R$ 4.130.459,53, já incluídos multa e juros, conforme discriminação constante do demonstrativo de fls. 2. O detalhamento dos fundamentos fáticos e jurídicos da autuação consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 608 a 624, cujo conteúdo sintetizo a seguir: a) a fiscalização decorreu da constatação de movimentação financeira incompatível com as receitas declaradas: no ano calendário de 2008, o contribuinte, optante do Simples, apresentou uma movimentação financeira a crédito de R$ 17.230.671,63, contra um total de receitas declaradas na Declaração Anual do Simples Nacional – DASN, no valor total de R$ 78.541,10; b) após sucessivas intimações para apresentação de livros, documentos e extratos bancários, nenhuma delas atendida, a autoridade fiscal solicitou emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira – RMF e obteve diretamente das instituições financeiras os extratos bancários; c) os extratos bancários foram objeto de análise pela autoridade fiscal, que após excluir os depósitos com características de transferências entre contas ou de estornos, elaborou lista exaustiva dos créditos cuja origem deveria ser comprovada, intimando o fiscalizado a fazêlo. Porém, mais uma vez, a intimação deixou de ser atendida; d) ante tal situação, a autoridade fiscal lavrou o presente auto de infração, imputando ao fiscalizado a infração consistente na omissão de receita, presumida pela ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96; e) após diligências em terceiros, a fiscalização constatou que, além do sócio formal Márcio Rodrigues Barbosa, a fiscalizada contava também com um sócio oculto, o Sr. Werbeth Linhares Caldas; f) tendo em vista a constatação acima, aliada ao fato de as receitas declaradas representarem parcela ínfima das receitas espelhadas na movimentação financeira, a autoridade fiscal qualificou a multa, majorandoa de 75% para 150%, sob o fundamento da caracterização de sonegação fiscal, tipificada no art. 71 da Lei nº 4.502/64; g) tendo em vista a resistência sistemática do fiscalizado em atender às intimações, a multa de lançamento de oficio, além de qualificada, foi também agravada, passando de 150% para 225%, nos termos do inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96; h) por fim, tendo em vista a constatação da condição de sócio de fato, por parte do Sr. Werbeth Linhares Caldas, foi ele arrolado como responsável solidário, conforme Termo de Sujeição Passiva anexo às fls. 627 a 629; Cientes dos autos de infrações, o contribuinte e o responsável solidário, respectivamente em 17/12/12 (fl. 630) e 18/12/12 (fl. 632), apresentaram em 17/01/2013, as impugnações anexas respectivamente às fls. 635 a 761 e 762 a 900. No que diz respeito ao mérito do lançamento, as impugnações apresentam conteúdo semelhante, diferenciandose pelo fato de a impugnação apresentada pelo responsável solidário acrescentar, por Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10325.721914/201241 Resolução nº 1102000.176 S1C1T2 Fl. 15 4 óbvio, alegações relativas à não caracterização da sujeição passiva solidária. Eis, em síntese, as alegações trazidas nas impugnações: a) Da sujeição passiva tributária – não caracterização: não pode o impugnante (responsável solidário) ser responsabilizado porque apenas cumpriu ordens emanadas do seu patrão e não houve acréscimo em seu patrimônio; b) Da exacerbação da multa – princípio da vedação ao efeito de confisco: ao aplicar a penalidade mais severa possível, no caso, multa agravada e qualificada, no percentual de 225%, a autoridade fiscal não levou em consideração o princípio da proporcionalidade e nem o do não confisco; c) Da razoabilidade e a proporcionalidade: limites ao confisco tributário: o valor do crédito tributário constituído contra a autuada, optante do Simples, equivalente a R$ 4.130.459,53, extrapola os limites da razoabilidade; d) A impossibilidade de cumulação do arbitramento com a tributação da omissão de receita pelo lucro real: a tributação cumulou indevidamente o arbitramento do lucro da impugnante, aferido através dos depósitos bancários não identificados, com a tributação das receitas encontradas, pela sistemática do lucro real; vale dizer, para os depósitos bancários de origem não identificada a autuada utilizou a técnica do arbitramento; ao mesmo tempo, no que se refere à diferença de valores encontrada, a fiscalização lançou o crédito tributário pelo lucro real; e) Das necessidades de exclusão da base de cálculo: a pura e simples adoção dos depósitos bancários não constitui elemento válido para a quantificação da base de incidência tributária, uma vez que não são todos os lançamentos ali registrados que implicam faturamento tributável, tais como transferências e outras movimentações; f) Da ausência de requisitos para a imposição da multa punitiva agravada: não caberia a qualificação da multa, porquanto ausente o requisito do dolo, tendo em vista que não restou comprovado o intuito fraudulento; a não declaração de receitas, por si só, não é suficiente para caracterizar a prática de sonegação e com isso a imputação da penalidade agravada. As alegações acima são acompanhadas de diversas referências à jurisprudência judiciária e administrativa. Ao final, solicita o impugnante sua exclusão do pólo passivo da exigência, bem como que seja declarado nulo o lançamento e ‘ultrapassadas essas prejudiciais’, que seja reformado o auto de infração para excluir do crédito tributário os valores exacerbados da multa. É o relatório.” O acórdão recorrido não conheceu da impugnação apresentada pela pessoa jurídica (Contribuinte) e julgou improcedente a impugnação apresentada pelo responsável solidário pelos fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita. Em sede de recurso voluntário, a pessoa jurídica (Contribuinte) e responsável solidário reproduzem suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere à improcedência dos lançamentos pela: (i) não caracterização da sujeição passiva tributária; (ii) exacerbação e falta de proporcionalidade e razoabilidade da multa aplicada em vistas ao Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10325.721914/201241 Resolução nº 1102000.176 S1C1T2 Fl. 16 5 princípio do nãoconfisco; (iii) ausência de elementos para o agravamento da multa; e (iv) erro na apuração da base de cálculo do lançamento. É o relatório. VOTO Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho – Relator O recurso voluntário interposto pela Contribuinte não merece ser conhecido, por não preencher requisito formal de admissibilidade. Conforme salientado em sede de Relatório, o acórdão recorrido não conheceu da impugnação da Contribuinte por força de sua intempestividade, prejudicandose, portanto, a análise do mérito dos argumentos nela aduzidos. Incumbiria à Contribuinte em recurso voluntário, portanto, impugnar os fundamentos da decisão nessa parte, suscitando as razões pelas quais entende equivocado o decisum e necessária a sua reforma, ante a pretensa tempestividade de sua impugnação. Ocorre que a Contribuinte não se insurge minimamente contra o fundamento nuclear do acórdão recorrido relativo à apresentação da impugnação fora do prazo previsto nos artigos 15 do Decreto nº 70.235/72 e 39 do Decreto nº 7.574/11. A ausência de impugnação dos fundamentos do ato decisório implica irregularidade formal do recurso e, consequente, não conhecimento do apelo. Nesse sentido, vejase jurisprudência sumulada pelo E. Superior Tribunal de Justiça, verbis: “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. RAZÕES RECURSAIS QUE NÃO IMPUGNAM O FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 182/STJ. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ESPECIALIDADE PARA CONVERSÃO DO TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL EM COMUM APÓS 1998. AGRAVO REGIMENTAL NÃO CONHECIDO. 1. "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada" (Súmula n. 182 do STJ). 2. De acordo com o entendimento firmado por ocasião do julgamento do REsp 1.151.363/MG , representativo da controvérsia, é possível a conversão do tempo de serviço exercido em atividades especiais para comum após 1998, desde que comprovado o exercício de atividade especial. No caso em tela, a recorrente não logrou êxito em demonstrar o exercício de atividade especial após 10/12/97 devido a ausência do laudo pericial para a comprovação da especialidade da atividade desenvolvida, conforme estipulado na Lei 9.528 /97. 3. Agravo Regimental não conhecido”. STJ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL AgRg no REsp 919484 RS 2007/00154836) No mesmo sentido, vejase decisão do E. Tribunal Regional Federal da 3a Região (SP/MS), verbis: PROCESSUAL CIVIL NEGATIVA DE SEGUIMENTO À APELAÇÃO RAZÕES DISSOCIADAS AGRAVO INOMINADO ALEGAÇÕES Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10325.721914/201241 Resolução nº 1102000.176 S1C1T2 Fl. 17 6 DIVERSAS, NÃO ENFRENTANDO A RECORRENTE OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. I A decisão agravada negou seguimento à apelação porque fundada em razões dissociadas. II Interposto agravo que, sem impugnar os fundamentos deduzidos para o não conhecimento da apelação, tratou tão somente de atacar os dispositivos que embasaram a extinção do feito sem julgamento do mérito pelo juízo "a quo". III Recurso não conhecido.TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 70126 SP 97.03.0701264 (TRF3) Data de publicação: 06/06/2007) O recurso voluntário interposto pelo Responsável Solidário é tempestivo e interposto por parte legítima (Súmula CARF n. 71), pelo que dele se toma conhecimento. Versa o caso dos autos sobre lançamento tributário fundamentado em parte em informações financeiras da pessoa jurídica contribuinte e dos responsáveis tributários pessoas físicas obtidas pela Fiscalização por meio de mero RMF, sem prévia autorização judicial. Nesse sentido, vejase informação fiscal contida na página 5 do Termo de Verificação Fiscal), no qual a Fiscalização afirma ter obtido informações bancárias da Contribuinte diretamente perante instituições financeiras e ter entregue os extratos bancários obtidos por essa via à Contribuinte. Sobre o tema, este Colegiado, por maioria de votos de seus membros, vencido apenas este Relator, no julgamento de recurso voluntário interposto nos autos do Processo n. 10630.720364/200721 (Resolução n. 110200.088), decidiu sobrestar o andamento dos feitos que versassem sobre a matéria citada, em decorrência do quanto disposto .Verbis: “Dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, no que diz respeito ao princípio da legalidade do qual a autoridade administrativa não pode se afastar, está questão inerente ao acesso dos dados bancários por parte da autoridade fiscal, que, no presente caso, se deu, ao menos parcialmente, por meio da emissão de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF às instituições financeiras, sem ordem judicial. Neste aspecto, sirvome das preciosas considerações feitas pelo conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva em excelente estudo sobre o tema, as quais abaixo transcrevo: “Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR,o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086em 10052011. Ementa SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL.Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10325.721914/201241 Resolução nº 1102000.176 S1C1T2 Fl. 18 7 parte na relação jurídico tributária– o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A,§ 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração,com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada em 28/01/2012, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários também está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B,do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10325.721914/201241 Resolução nº 1102000.176 S1C1T2 Fl. 19 8 exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontraseno artigo 543B,do CPC, o qual transcrevo: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados. O sobrestamento decorre da lei. Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10325.721914/201241 Resolução nº 1102000.176 S1C1T2 Fl. 20 9 Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplica se o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B,CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Há que se perceber a diferença entre:a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B,parágrafo único, do CPC) e;b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem,para aplicação dos parágrafos do art. 543Bdo Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10325.721914/201241 Resolução nº 1102000.176 S1C1T2 Fl. 21 10 para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela (sic) em 15122010. Ainda sobre o tema, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo acercado sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral, em19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: “Tratasede agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96(ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10325.721914/201241 Resolução nº 1102000.176 S1C1T2 Fl. 22 11 No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62A. ( ...) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficasse sobrestado, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10325.721914/201241 Resolução nº 1102000.176 S1C1T2 Fl. 23 12 No momento em que o Ministrorelator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, a conclusão a que chego é que tal procedimento corresponde ao sobrestamento previsto no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf.” A Portaria CARF no 1, de 03 de janeiro de 2012, determinou os procedimentos a serem observados no caso de sobrestamento de processos de que trata o artigo 62AdoRegimento Interno do CARF. Uma vez que esta Turma ainda não apreciou, até o momento, nenhum caso envolvendo esta questão, e que outras Turmas de Julgamento deste Conselho possuem entendimento diverso do aqui exposto, foi colocado em pauta o presente processo para a devida manifestação dos conselheiros que a integram. Tendo em vista que o sobrestamento, nesses casos, deve ser feito de ofício pelo próprio relator, nos termos do artigo 62Ado Regimento Interno do CARF, acima transcrito, a proposta que ora submeto à apreciação de meus pares é de que o julgamento do presente feito seja sobrestado até que transite em julgado a decisão a ser proferida pelo STF nos termos do art. 543B,do CPC a respeito do acesso, pela autoridade fiscal, aos dados bancários dos contribuintes, sem ordem judicial.” Nada obstante discorde do entendimento supra , por entender que (a) os casos apreciados pelo C. STF acima citados não se referem direta e especificamente à questão versada neste processo (inconstitucionalidade da quebra sigilo bancário de contribuinte pessoa jurídica em geral, e, notadamente, nos anoscalendários de 2002 e seguintes, em particular), o que, por princípio e definição, impediria no meu sentir a mera reprodução no caso do quanto decidido pela Suprema Corte nos citados paradigmas (causa única da conveniência e obrigatoriedade da suspensão do processo administrativo) e (b) não apresentam o requisito específico previsto na Portaria CARF n. 1/2012 (decisão proferida pelo Plenário do STF determinando a suspensão dos feitos), curvome à orientação do Colegiado e proponho a conversão do julgamento em diligência para que seja sobrestado o andamento desta lide “até que transite em julgado a decisão a ser proferida pelo STF nos termos do art. 543B, do CPC a respeito do acesso, pela autoridade fiscal, aos dados bancários dos contribuintes, sem ordem judicial”. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO
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Numero do processo: 10920.002535/2002-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2002
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
São isentas da Contibuição ao PIS somente as receitas, decorrentes de vendas de mercadorias à empresas situadas na Zona Franca de Manaus (ZFM), enquadradas nas hipótese previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Maria Teresa Martinez Lopes, Mônica Elisa de Lima e Fábia Regina Freitas.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Maria Teresa Martinez Lopes, Mônica Elisa de Lima e Fábia Regina Freitas. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
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ISENÇÃO. São isentas da Cofins somente as receitas, decorrentes de vendas de mercadorias à empresas situadas na Zona Franca de Manaus (ZFM), enquadradas nas hipótese previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/2002 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. São isentas da Contibuição ao PIS somente as receitas, decorrentes de vendas de mercadorias à empresas situadas na Zona Franca de Manaus (ZFM), enquadradas nas hipótese previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Maria Teresa Martinez Lopes, Mônica Elisa de Lima e Fábia Regina Freitas. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 25 35 /2 00 2- 67 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10920.002535/200267 Acórdão n.º 3301002.535 S3C3T1 Fl. 389 2 Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10920.002535/200267 Acórdão n.º 3301002.535 S3C3T1 Fl. 390 3 Relatório Por economia processual adoto o relatório da decisão recorrida, abaixo transcrito: Trata o presente processo de Pedido de Restituição protocolizado em 11/10/2002 (fl. 01) cumulado com as Declarações de Compensação protocolizadas entre 26/02/2004 a 25/11/2004 (fls. 100/199 e 202/229), concernentes a recolhimento a maior de PIS e COFINS, efetuados entre 02/02/1999 a 21/01/2002, em face de alegada isenção prevista para vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville, às fls. 231/237, indeferiu o direito creditório e não homologou as Declarações de Compensação, tendo em vista a inexistência de previsão legal para a exclusão pretendida referente às vendas para a Zona Franca de Manaus da base de cálculo do PIS e da COFINS. Cientificada do citado Despacho Decisório em 19/05/2009 (AR, fl. 242), a contribuinte, por intermédio do procurador habilitado (doc, fl. 265), ingressou, em 17/06/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 243/263, cujo teor será a seguir sintetizado. Alega que as vendas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus foram equiparadas, para fins fiscais, pelos art. 1° e 4°, do Decretolei n° 288/1967, e art. 40 do ADCT, às exportações brasileiras para o estrangeiro, tendo o Poder Judiciário por diversas vezes se manifestado no sentido de que até 2013, tal equiparação permanecerá, conforme jurisprudência citada em sua defesa. Assim, por força da aplicação dos referidos dispositivos legais, combinados com o art. 50 da Lei n° 7.714/1988, art. 7°, I, da LC n° 70/1991 e art. 14, II, da MP 2.15835/2001, tais vendas, realizadas entre 02/02/1999 a 21/01/2002, devem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS. Neste sentido, cita liminar concedida pelo STF na ADIN n° 2.348 MC/DF, que, ao retirar a expressão "Zona Franca de Manaus" do § 2° do art. 14 da MP 2.03724, não fez qualquer restrição ao gozo do benefício. Aduz que a reclamada isenção não poderia ser extinta através de decreto, visto que tal ato afronta diretamente o Princípio Constitucional da hierarquia das leis, consubstanciado no art. 59 da CF/88, bem como desrespeita o art. 99 do CTN, pois resultou em instituição/majoração das contribuições sobre as receitas de vendas para a ZFM sem que tivesse sido editada lei para tanto. Pelo exposto requer: a) Sejam homologadas as compensações de valores indevidamente recolhidos a título de PIS e COFINS, incidentes sobre receitas de operações de vendas para a Zona Franca de Manaus no período de 02/02/1999 a 21/01/2002; b) Seja reconhecido de forma alternativa o benefício fiscal no período em que a ADIN n° 2.348 MC/DF suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus" contida no art. 14, § 2°, I. da MP n° 2.03724/2000, seguido da entrada em vigor do art. 149, § 2°, I, da Constituição, até 21/01/2002, quando ocorreu o último recolhimento indevido que fora compensado; Fl. 403DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10920.002535/200267 Acórdão n.º 3301002.535 S3C3T1 Fl. 391 4 c) Na hipótese de se optar pelo recolhimento dos débitos que se pretende compensar, seja restituído em espécie o valor glosado, face a declaração de que as receitas de venda à ZFM devem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS, por equiparar essa operação à exportação de mercadorias para o exterior; d) Seja encaminhado o resultado do julgamento à empresa e seus procuradores, no endereço indicado à fl. 263. Ao analisar referida manifestação de inconformidade a 3ª Turma da DRJ/CuritibaPR, proferiu o Acórdão nº 0623057, de 15/07/2009, cuja ementa transcrevese a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 11/10/2002 PIS. COFINS. RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS Quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, a isenção do PIS e da COFINS não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1' de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, mas apenas aqueles ocorridos a partir de 22 de dezembro de 2000, relativos às receitas discriminadas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do art. 14 da Medida Provisória n" 2.15835, de 2001. Data fato gerador: 26/02/2004, 13/10/2004, 25/11/2004 DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. DCOMP NÃO HOMOLOGADA. Não tendo sido reconhecido pela autoridade administrativa o direito creditório vinculado às compensações declaradas pela contribuinte, impõese a não homologação das DCOMP apresentadas. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Não concordando com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário por meio do qual tece basicamente as mesmas razões de defesa de sua manifestação de inconformidade e solicita o deferimento integral do seu direito creditório. É o relatório. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10920.002535/200267 Acórdão n.º 3301002.535 S3C3T1 Fl. 392 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. O contribuinte solicita restituição de valores pagos de PIS e Cofins relativos ao período de fev/1999 a fev/2002. Estes valores teriam sidos pagos a maior, segundo o contribuinte, pois seriam referentes a vendas de produtos para a Zona Franca de Manaus, cuja isenção fazia jus ante ao disposto no art. 4º do DecretoLei nº 288/67 e o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT da Constituição Federal. Não entendo que o contribuinte tenha razão. Vejamos o que dispõe o art. 4º do DL nº 288/67: Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. (destaquei). Observase que o dispositivo legal estabeleceu uma equivalência entre vendas de mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus e exportação para o estrangeiro. Deixou claro porém que esta regra valia para todos os efeitos fiscais em relação à legislação em vigor na data de sua publicação em 1967. Esta regra não poderia ser aplicada ao Pis, que foi criado pela Lei Complementar 7/70, e à Cofins que foi criada pela Lei Complementar nº 70/91. Ambas contribuições não existiam na data da edição do DL nº 288/67 e, portanto, por ele não poderiam ser reguladas. Esta também é a dicção do disposto nos art. 177 do CTN, in verbis: Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I às taxas e às contribuições de melhoria; II aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão.(destaquei). Já o art. 40 do ADCT da CF/88, nada inovou no assunto. Somente estendeu o prazo de duração de um benefício fiscal no qual já não continha as isenções do PIS e da Cofins. Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Portanto, não há como acatar que o art. 4º do Decreto Lei nº 288/67 permitia qualquer isenção/imunidade de PIS e da Cofins nas vendas de produtos para empresas situadas Fl. 405DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10920.002535/200267 Acórdão n.º 3301002.535 S3C3T1 Fl. 393 6 na Zona Franca de Manaus. Nesta linha de raciocínio, não procede a argumentação de imunidade na incidência destas contribuições nas operações de venda para a ZFM, pois elas não foram equiparadas a exportação como defende o contribuinte, para efeito destas contribuições, portanto inaplicável a imunidade prevista no art. 149, § 2º, inc. I da CF. Resta analisar se a própria legislação destas contribuições permitia, no período solicitado, a exclusão destas receitas de sua base de cálculo. Sempre lembrando que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, nos termos do art. 111 do CTN. A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que trouxe diversas alterações relativas à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. Em seguida, foi publicada a Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, que em seu art. 14 dispôs sobre as regras de desoneração das contribuições em tela, nas hipóteses especificadas, tendo revogado expressamente todos os dispositivos legais relativos à exclusão de base de cálculo e isenção existentes até o dia 30 de junho de 1999: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (...) II – da exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 1º. São isentas da contribuição para o P1S/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º. As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...) (destaquei) Ressaltese que esta Medida Provisória foi objeto da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADIn nº 2.3489 (DOU de 18/12/2000), que requereu a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de Manaus. O Supremo Tribunal Federal – STF, nesta ação, deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", disposta no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória Nº 2.03724/00, com efeitos ex nunc. Posteriormente, em 02/02/2005, foi prolatada decisão julgando prejudicada a ADIn, sendo o processo arquivado sem apreciação do mérito. Posteriormente à decisão liminar do STF na ADIn nº 2.3489, foi editada a Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001, a qual suprimiu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14, acima citado, que vinha constando em suas edições anteriores. Desta forma, as exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins, no período solicitado no presente processo, fev/99 a fev/2002, eram as previstas no art. 14 da MP 2.158/200135, abaixo transcrito: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: Fl. 406DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10920.002535/200267 Acórdão n.º 3301002.535 S3C3T1 Fl. 394 7 I – dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II – da exportação de mercadorias para o exterior; III – dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV – do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V – do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI – auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII – de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII – de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX – de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X – relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no §1º não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II – a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; (Revogado pela Lei nº 11.508, de 2007) III – a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10920.002535/200267 Acórdão n.º 3301002.535 S3C3T1 Fl. 395 8 Da leitura do dispositivo legal não é possível localizar que havia previsão legal para exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, das receitas decorrentes de vendas de mercadorias para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. Conforme muito bem destacado na decisão recorrida as únicas isenções que poderiam ser aplicadas seriam as referentes aos incisos IV, VI, VIII e IX do caput do art. 14, acima transcrito, porém não é o caso do presente processo. Somente a partir da edição da Medida Provisória nº 202/2004, que foi convertida na Lei nº 10.996/2004, é que foi reduzida a zero as alíquotas de PIS e Cofins sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus, nos termos do seu art. 2º, in verbis: Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus – ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. Necessário concluir que caso estas receitas já eram isentas/imunes das referidas contribuições sociais, seria totalmente inócua a edição desta lei reduzindo a alíquota para zero. Até porque não se poderia estabelecer alíquota zero para uma operação que estaria fora do campo de incidência das contribuições por força de imunidade constitucional. Quanto às alegadas inconstitucionalidades legislativas levantadas no recurso voluntário, cabe estabelecer que não é possível aos julgadores do CARF pronunciar a este respeito. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 408DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 16682.720429/2012-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Cristiane Silva Costa e Waldir da Veiga Rocha
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1749; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 1.967 1 1.966 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.720429/201277 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 1302000.254 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 11 de setembro de 2013 Assunto Sobrestamento. Lucros no exterior Recorrentes Fazenda Nacional e Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Cristiane Silva Costa e Waldir da Veiga Rocha Conselheiro Alberto Pinto S. Jr. Versa o presente processo sobre recursos de ofício e voluntário interpostos em face do Acórdão n˚ 12048.505, da 15ª Turma da DRJ/RJ1, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constatada a coerência interna entre os fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal e a norma tipificadora da infração, e confirmada a inocorrência de qualquer vício de motivação capaz de prejudicar o exercício RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 42 9/ 20 12 -7 7 Fl. 1973DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.720429/201277 Resolução nº 1302000.254 S1C3T2 Fl. 1.968 2 do direito ao contraditório e à ampla defesa, rejeitase a preliminar de nulidade levantada pelo sujeito passivo. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação de lei validamente inserida no ordenamento jurídico, sob o fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR ATRAVÉS DE COLIGADAS E CONTROLADAS. MOMENTO DA DISPONIBILIZAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior consideramse disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço em que foram apurados (art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001). ALEGAÇÃO DE INCOMPATIBILIDADE ENTRE O ART. 74 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835/2001 E O ART. 43 DO CTN. INOCORRÊNCIA. O art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, ao definir a data do balanço como momento da disponibilização do lucro, não feriu a regramatriz do art. 43 do CTN. Para que esteja configurado o fato gerador do imposto de renda, não é necessário que o lucro da coligada ou controlada estrangeira tenha sido efetivamente distribuído à investidora brasileira (disponibilidade financeira). Basta que tenha havido o efetivo acréscimo patrimonial (disponibilidade econômica). ALEGAÇÃO DE INCOMPATIBILIDADE ENTRE O ART. 74 DA MP 2.15835/ 2001 E O ART. 7º, PARÁGRAFO 1º, DO TRATADO BRASIL HOLANDA. INOCORRÊNCIA. O Tratado BrasilHolanda, a exemplo de outros acordos que adotam o texto base da ConvençãoModelo da OCDE, estabelece, em seu Artigo 7º, Parágrafo 1º, uma cláusula de competência exclusiva em favor do Estado de residência da pessoa jurídica. De acordo com esta regra, os lucros de uma empresa só podem ser tributados no Estado onde ela está domiciliada. A referida cláusula não limita, todavia, o direito de um Estado Contratante adotar regras de transparência fiscal em sua legislação interna, com o objetivo de tributar, na pessoa de seus residentes, o lucro apurado por empresa domiciliada no outro Estado Contratante, na proporção da participação societária destes residentes naquela empresa. Comentários da OCDE ao Artigo 7º, Parágrafo 1º, da Convenção Modelo. Por revestir a natureza de uma regra de transparência fiscal, o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 não conflita com o Artigo 7º, Parágrafo 1º, do Tratado Brasil Holanda. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS AUFERIDOS POR COLIGADAS E CONTROLADAS NO EXTERIOR. Os prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, podem ser compensados com lucros dessa mesma coligada ou controlada. Tais prejuízos, apurados com base na escrituração contábil da coligada ou controlada estrangeira, são aqueles correspondentes aos períodos iniciados a partir do anocalendário de 1996. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA MENSAL. IMPROCEDÊNCIA. Verificado que o contribuinte nada devia a título de estimativas mensais, mesmo após a adição dos lucros não oferecidos à tributação, descabe a Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.720429/201277 Resolução nº 1302000.254 S1C3T2 Fl. 1.969 3 aplicação da multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base estimada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR ATRAVÉS DE COLIGADAS E CONTROLADAS. DECORRÊNCIA. As regras do imposto de renda relativas à tributação dos lucros auferidos no exterior aplicamse, também, à contribuição social sobre o lucro líquido (arts. 21 e 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 02/08/2012 (Termo a fls. 1431) e interpôs recurso voluntário em 31/08/2012 (Termo a fls. 1548), razão pela qual o recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Não obstante, há que se aplicar o disposto no § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF, para se sobrestar o trâmite deste processo, em razão de a matéria (constitucionalidade da trava de 30%) ser objeto do Recurso Extraordinário nº 591.340, o qual tramita sob a sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, conforme se depreende dos seguintes julgados: “RE 611586 RG / PR – PARANÁ REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA Julgamento: 05/04/2012 [...] Ementa: [...] Proposta pelo reconhecimento da repercussão geral da discussão sobre a constitucionalidade do art. 74 e par. ún. da MP 2.15835/2001, que estabelece que os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento, bem como que os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor.” “RE 574975 / PR PARANÁ Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 22/05/2012 [...] Decisão Tratase de recurso extraordinário em que se discute a constitucionalidade do caput e do parágrafo único do art. 74 da Medida Provisória 2.15835/2001. O Plenário desta Corte, em 20/8/2008, ao apreciar Questão de Ordem suscitada no RE 540.410/RS, Rel. Min. Cezar Peluso, decidiu estender a aplicação do art. 543B do Código de Processo Civil aos recursos cujo tema constitucional apresente repercussão geral reconhecida pelo Plenário, ainda que interpostos contra acórdãos publicados antes de 3 de maio de 2007. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 611.586RG/PR, Rel. Min. Joaquim Barbosa). Fl. 1975DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.720429/201277 Resolução nº 1302000.254 S1C3T2 Fl. 1.970 4 Isso posto, afasto o sobrestamento de fl. 250 e determino, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que neste apelo extremo discutese questão que será apreciada no RE 611.586 RG/PR. Publiquese. Brasília, 22 de maio de 2012. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator” “RE 656199 / RS RIO GRANDE DO SUL Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI Julgamento: 14/12/2012 [...] Decisão Despacho: Vistos. Insurgese o recorrente contra a decisão pela qual determinei a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que seja aplicado o disposto no artigo 543B do Código de Processo Civil, por entender que o recurso em apreço deveria aguardar o julgamento do RE nº 611.586/PR, em cujos autos esta Corte avaliará, à luz dos artigos 145 , § 1º; 150, inciso III, alínea “a”; e 153, inciso III, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do artigo 74, caput e parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. A contribuinte admite que sua pretensão também busca amparo na inconstitucionalidade do artigo 74 da Medida Provisória aludida, não obstante, destaca que seus lucros auferidos no exterior não devem ser tributados por força de um tratado internacional firmado entre o Brasil e o Chile para evitar a bitributação. Em análise mais detida, cumpre assentar que o sobrestamento é a medida que melhor se amolda ao caso. O ponto de convergência que justifica tal medida é justamente a constitucionalidade do artigo 74 da MP nº 2.15835/2001, pois tal questão pode interferir diretamente no resultado da lide em apreço. A título de exemplo, suponhamos que a Primeira Turma repute constitucional o dispositivo e não reconheça procedência nos argumentos que se reportam à bitributação. Admitase que, em prosseguimento, o Plenário se manifeste pela inconstitucionalidade do dispositivo questionado neste feito e no recurso extraordinário submetido ao rito da repercussão geral. Nessa simulação hipotética, teríamos uma combinação de resultados que prejudicaria o contribuinte e traria uma indesejável jurisprudência conflitante. No intuito de manter uma prudente uniformidade quanto ao entendimento acerca da relevante questão a ser dirimida no feito submetido à sistemática da Repercussão Geral, entendo que a decisão deve ser reconsiderada, razão pela qual, determino o sobrestamento do feito até o julgamento do RE nº 611.586/PR. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária. Publiquese. Brasília, 14 de dezembro de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator” Notese que a decisão monocrática do Ministro Dias Toffoli, acima transcrita, enfrenta situação totalmente semelhante a destes autos, pois aqui também se discute a aplicação do art. 74 da MP 2.15835, de 2001, sobre a participação da investidora brasileira nos lucros apurados em coligada ou controlada domiciliada em país signatário de Acordo para Evitar a Dupla Tributação com o Brasil. Assim, entendo seja de todo louvável que sigamos a mesma Fl. 1976DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16682.720429/201277 Resolução nº 1302000.254 S1C3T2 Fl. 1.971 5 orientação do Ministro Dias Toffoli, para sobrestar este julgamento até que venha ser publicado o acórdão do julgamento do RE nº 611.586/PR, ocorrido na sessão do Plenário de 10/04/2013. Apenas como reforço, embora não seja essa a hipótese de sobrestamento de que trata o § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF, decisão monocrática do Ministro Fux também sobrestou o trâmite de processos até o julgamento de mérito da ADI nº 2588, se não vejamos: “RE 634556 / MG MINAS GERAIS Relator(a): Min. LUIZ FUX Julgamento: 21/03/2011 [...] DECISÃO : Debatese nos presentes autos a constitucionalidade do artigo 74 da MP n.º 2.15835/01, quanto a sistemática adotada no referido artigo que determina a ocorrência do fato gerador do IR e da CSLL obtido pelas empresas controladas ou coligadas com sede no exterior, no momento em que apurado no balanço contábil da controladora, antes da efetiva disponibilização dos resultados. Tema idêntico está submetido à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos da ADI n. 2.588/DF, da relatoria da e. Min. Ellen Gracie, com julgamento iniciado em 28/9/06, mas suspenso em razão do pedido de vista do Min. Carlos Brito, em 25/10/07. Destarte, tendo recebido em conclusão o referido processo em 03/03/11, determino o sobrestamento do feito até o julgamento de mérito da ADI nº 2.588/DF. Publiquese. Brasília, 21 de março de 2011 Ministro LUIZ FUX Relator” Ocorre, porém, que também o acórdão do julgamento da ADI nº 2588, realizado na sessão do Plenário de 10/04/2013 (a mesma do julgamento do RE nº 611.586/PR) , não foi publicado até o momento. Em face do exposto, voto por sobrestar o feito até que seja publicado o acórdão do julgamento do RE nº 611.586/PR. (assinado digitalmente) Alberto Pinto S. Jr. – Relator. Fl. 1977DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/1 0/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 14485.003327/2007-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/12/2006
APRESENTAÇÃO DA DEFESA FORA DO PRAZO. INEXISTÊNCIA DE CONTENCIOSO.
A fase litigiosa do procedimento fiscal somente se instaura com a apresentação tempestiva da impugnação.
COMPROVAÇÃO DA INTIMAÇÃO PELA VIA POSTAL. AVISO DE RECEBIMENTO. VALIDADE.
A juntada do AR com recebimento no domicílio eleito pelo sujeito passivo é prova de intimação válida, independentemente deste documento ser ou não localizado no sistema de rastreamento eletrônico existente no sítio da ECT
INTIMAÇÃO VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR TRABALHADOR DE CONDOMÍNIO ONDE SE LOCALIZA O DOMICÍLIO FISCAL DO SUJEITO PASSIVO.
É válida a intimação pela via postal recebida por recepcionista de condomínio onde se localiza o endereço eleito pelo sujeito passivo como seu domicílio fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e na parte conhecida negar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 30/12/2006 APRESENTAÇÃO DA DEFESA FORA DO PRAZO. INEXISTÊNCIA DE CONTENCIOSO. A fase litigiosa do procedimento fiscal somente se instaura com a apresentação tempestiva da impugnação. COMPROVAÇÃO DA INTIMAÇÃO PELA VIA POSTAL. AVISO DE RECEBIMENTO. VALIDADE. A juntada do AR com recebimento no domicílio eleito pelo sujeito passivo é prova de intimação válida, independentemente deste documento ser ou não localizado no sistema de rastreamento eletrônico existente no sítio da ECT INTIMAÇÃO VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR TRABALHADOR DE CONDOMÍNIO ONDE SE LOCALIZA O DOMICÍLIO FISCAL DO SUJEITO PASSIVO. É válida a intimação pela via postal recebida por recepcionista de condomínio onde se localiza o endereço eleito pelo sujeito passivo como seu domicílio fiscal. Recurso Voluntário Negado.
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INEXISTÊNCIA DE CONTENCIOSO. A fase litigiosa do procedimento fiscal somente se instaura com a apresentação tempestiva da impugnação. COMPROVAÇÃO DA INTIMAÇÃO PELA VIA POSTAL. AVISO DE RECEBIMENTO. VALIDADE. A juntada do AR com recebimento no domicílio eleito pelo sujeito passivo é prova de intimação válida, independentemente deste documento ser ou não localizado no sistema de rastreamento eletrônico existente no sítio da ECT INTIMAÇÃO VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR TRABALHADOR DE CONDOMÍNIO ONDE SE LOCALIZA O DOMICÍLIO FISCAL DO SUJEITO PASSIVO. É válida a intimação pela via postal recebida por recepcionista de condomínio onde se localiza o endereço eleito pelo sujeito passivo como seu domicílio fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 33 27 /2 00 7- 27 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e na parte conhecida negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.003327/200727 Acórdão n.º 2401003.928 S2C4T1 Fl. 165 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 16 18.010 de lavra da 11.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I (SP) (fls. 70/74), que, por entender intempestiva, deixou de conhecer da impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração n.º 37.118.1577. A lavratura em questão referese à aplicação de multa em razão da conduta da empresa de apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções e omissões. A autuação foi encaminhada via postal mediante Aviso de Recebimento AR n° RC 17193391 3 BR (cópia às fl. 31), em 28/12/2007, conforme registrado à fl. 01 dos autos, tendo sido recebida pela empresa em 02/01/2008, conforme cópia do AR colacionada. A impugnação foi protocolizada em 07/02/2008 (fl. 35) e a DRJ deixou de conhecêla em razão da suposta intempestividade. Eis transcrição de excerto da decisão recorrida: "28. No caso presente, a Autuada alega que recebeu a autuação em 10 de janeiro de 2008, não trazendo aos autos nenhum elemento de prova dessa alegação. Ocorre que a data efetiva de recebimento, aposta no Aviso de Recebimento, é 02/01/2008. O prazo para impugnação (30 dias) iniciouse em 03/01/2008 e encerrouse em 01/02/2008. A impugnação foi protocolada em 07/02/2008. É, portanto, intempestiva por apresentada em prazo superior aos 30 dias concedidos pela legislação. 29. Expirado o prazo legal de trinta dias para instauração do contraditório, a defesa apresentada pelo autuado não caracteriza impugnação e nem instaura a fase litigiosa do processo. Dessa forma, não cabe julgamento do mérito das alegações nem conhecimento do pedido de relevação da multa por esta instância de julgamento." Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 82/94), no qual, em apertada síntese, alegou que: a) o recurso é tempestivo e deve ser apreciado em todos os aspectos fáticos e jurídicos; b) foi cientificado do AI em 10/01/2008, data em que recebeu os documentos da lavratura encaminhados pela administração do condomínio onde funciona sua sede, que normalmente faz a remessa no mesmo dia em que o objeto é entregue pelos Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ECT; c) na página eletrônica da ECT não foi possível localizar o objeto citado pelo auditor fiscal, conforme tela de consulta juntada à impugnação; d) o órgão recorrido não faz qualquer consideração acerca da busca na página da ECT, fato que é crucial para pesquisa acerca da tempestividade da defesa; Fl. 166DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 e) se o objeto não consta do banco de dados da ECT, o AR constante nos autos é falso, além de que a assinatura do recebedor demonstra que ele não é empregado da recorrente; f) a lei que criou a obrigação de informar os fatos geradores de contribuições na GFIP é inconstitucional, pois expõe dados das empresas, protegidos por sigilo fiscal, à Caixa Econômica Federal, a qual não tem competência fixada pela Lei n.º 8.212/1991, sendo apenas gestora do FGTS; g) a notificação fiscal correlata ao presente AI foi objeto de parcelamento e os fatos geradores nela constantes foram todos declarados mediante o envio de GFIP retificadora efetuado dentro do prazo de defesa; h) a lavratura em destaque encontrase eivada de vícios na sua origem, posto que as contribuições foram parceladas e as informações foram enviadas na íntegra, conforme documentos acostados à impugnação; i) pelas lições do doutrinador Marcos Vinícius Neder caberia à Administração trazer ao processo os documentos que comprovam que as GFIP foram retificadas e cancelar a autuação; j) não há razão para indicar no auto de infração, como coresponsáveis pelo débito, os sócios e procuradores da empresa autuada, posto que não estão presentes na espécie os requisitos do art. 135 do CTN; k) apresenta farta jurisprudência afastando a responsabilidade dos sócios e administrados quando não se comprove a ocorrência dos pressupostos legais; l) já tendo sofrido a aplicação de multa na NFLD, a presente lavratura representa inaceitável bis in idem; m) não há demonstrativo dos salários lançados, estando patente que não foi respeitado limite máximo do saláriodecontribuição para cálculo da contribuição dos segurados. Ao final pediu que: a) seja reconhecida a tempestividade de sua impugnação; b) seja afastada a responsabilidade dos sócios pelo crédito fiscal; c) seja declarada a nulidade ou improcedência do AI; d) se assim, não se entender, que se releve a multa, posto que preenche os requisitos normativos. É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.003327/200727 Acórdão n.º 2401003.928 S2C4T1 Fl. 166 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Todavia, conforme veremos a seguir, o seu conhecimento ficará restrito à apreciação da questão concernente à tempestividade da impugnação. Da intempestividade da impugnação Uma questão que precede a análise meritória da causa é a verificação acerca da tempestividade da defesa, posto que, caso se conclua que esta foi apresentada fora do prazo legal, sequer houve a instauração da fase litigiosa do procedimento fiscal, conforme se vê do Decreto n.º 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. O argumento utilizado pelo sujeito passivo para demonstrar a tempestividade da impugnação é que normalmente recebe as correspondências da administração do condomínio onde funciona a sua sede na mesma data em que elas são entregues pela ECT. Como somente tomou conhecimento do AI em 10/01/2008, seria essa data que deveria ser adotada como dies a quo para contagem do prazo de defesa. Alega ser falso o documento colacionado à fl. 31, ou seja, o AR RC 171933913 BR mencionado pelo fisco não poderia ser tomado como verdadeiro, haja vista que o sistema de rastreamento da ECT não reconhece este objeto. Vejamos o que dispunha a Portaria RFB n.º 10.875, vigente na época da lavratura do AI, sobre a intimação dos atos do processo administrativo fiscal relativo às contribuições previdenciárias: Art. 29. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal ou telegráfica, com prova de recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; Fl. 168DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (...) § 2 º Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput , na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico, quinze dias contados da data registrada: a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV quinze dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (...) Vêse que quando a Administração opta por efetuar a intimação pela via postal, o ato processual somente tem validade se houver a comprovação documental da ciência no domicílio tributário do sujeito passivo. Nestes casos considerase perfectibilizada a intimação na data em que o documento for recebido, ou seja, quando é aposta a assinatura no AR, o que não precisa ser feito por representante legal do sujeito passivo, nos termos da Súmula CARF n.º 9: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assim, o argumento do sujeito passivo de que o AI não teria sido recebido por seu mandatário ou empregado não tem validade, posto que restou demonstrado mediante a cópia do AR juntado aos autos o recebimento do conteúdo no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. Também recusome a aceitar a alegação de que o AR não seria idôneo pelo fato de não ter sido localizado pelo sistema de rastreamento de objetos da ECT. A bem da verdade este sistema de busca pode ser utilizado como meio subsidiário para comprovar o recebimento de uma remessa, isso para os casos em que não é juntado o documento comprobatório da entrega do objeto, jamais como prova para invalidar um AR que aparentemente não apresenta qualquer irregularidade. Para que se pudesse questionar um documento de inquestionável valor probatório e fé pública a recorrente teria que trazer prova robusta como uma declaração da ECT de que aquele AR é inexistente ou mesmo uma demonstração cabal de que a pessoa identificada no AR não trabalhava sequer no condomínio onde funciona a sede da empresa. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 14485.003327/200727 Acórdão n.º 2401003.928 S2C4T1 Fl. 167 7 A mera falta de informação no sistema de rastreamento da ECT não tem força probatória para invalidar o AR com prova de recebimento em seu domicílio tributário, que tem valor jurídico amplamente reconhecido. A par dessas considerações, não devo conhecer do recurso do sujeito passivo quanto às alegações de mérito, posto que o contencioso fiscal não foi instaurado em razão da perda do prazo de defesa, haja vista que a ciência do AI ocorreu 02/01/2008 (quartafeira), findandose o prazo em 04/02/2008 (segundafeira), e a defesa somente foi apresentada em 07/02/2008, portanto, fora do lapso legal. Conclusão Voto por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, por negar lhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 13603.900349/2013-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1101-000.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari
Relatório
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Reynaldo Becari Relatório Na origem, cuidase de apresentação de 36 (trinta e seis) Declarações de Compensação para compensação de débitos próprios com alegado crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2008 no valor de R$94.576.676,95. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .9 00 34 9/ 20 13 -2 9 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.900349/201329 Resolução nº 1101000.147 S1C1T1 Fl. 3 2 Sinteticamente, tal Saldo Negativo de R$ 94.576.676,95 emergiria da circunstância de o sujeito passivo ter (i) Retenções de Imposto de Renda na Fonte no valor de R$ 68.452.488,15, (ii) Recolhimentos efetuados da ordem de R$ 598.690.052,49 e (iii) Estimativa Compensada de R$ 53.564.375,21, sendo que o IRPJ devido ao final do período alcançava a cifra de R$ 626.130.238,89. Nada obstante, a DRF/Contagem acabou por não confirmar a compensação da estimativa no valor de R$ 53.564.375,21, antecipação essa atinente ao mês de janeiro de 2008 e que foi declarada na DCOMP n. 41382.32658.270208.1.575425. O fiel e sucinto relatório da r. decisão recorrida (fls. 348/351) ratifica o ora asseverado com maiores minúcias, consoante se depreende da leitura dos seus seguintes excertos, verbis: “2. As compensações declaradas pelo contribuinte, sinteticamente: DCOMP Data Crédito utilizado Origem Resultado 34695.56902.230810.1.7.026948 23/08/2010 SN IRPJ AC 2008 Compensação Homologada Parcialmente 34801.85120.250309.1.3.026948 25/03/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 31778.18430.270309.1.3.025372 27/03/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 22323.98256.300309.1.3.024521 30/03/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 12489.75179.300309.1.3.024287 30/03/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 08881.70738.070409.1.3.028022 07/04/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 23871.61693.080409.1.3.026610 08/04/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 39875.47018.140409.1.3.025152 14/04/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 03241.95958.140409.1.3.029032 14/04/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 10082.50474.170409.1.3.027039 17/04/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 24398.65663.170409.1.3.026415 17/04/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 26005.12879.230409.1.3.021818 23/04/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 20454.88504.230409.1.3.023521 23/04/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 35553.31406.230409.1.3.029105 23/04/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 39417.75344.230409.1.3.020067 23/04/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 25048.91469.290409.1.3.023942 29/04/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 02188.46458.290409.1.3.026532 29/04/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 06630.81834.290409.1.3.024020 29/04/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 06523.29516.120509.1.3.020514 12/05/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 24389.51549.120509.1.3.029347 12/05/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 41823.54582.120509.1.3.028851 12/05/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 17091.23473.120509.1.3.028470 12/05/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 19476.32402.120509.1.3.024656 12/05/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 37352.49558.120509.1.3.025627 12/05/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 33089.10536.120509.1.3.027497 12/05/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 41196.77784.230509.1.3.020244 23/05/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 23194.55423.250509.1.3.023565 25/05/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 31551.75358.280809.1.7.025830 28/08/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 40612.16540.310809.1.3.027693 31/08/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 19886.43986.211009.1.7.027009 21/10/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 41195.12641.181109.1.3.021009 18/11/2009 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 30651.74556.070710.1.7.020098 07/07/2010 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 32545.63373.070710.1.7.023133 07/07/2010 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 08985.63037.070710.1.7.023399 07/07/2010 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 02114.90906.130710.1.3.021237 13/07/2010 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 11444.89468.250810.1.3.027319 25/08/2010 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada 03405.41478.300910.1.3.024869 30/09/2010 SN IRPJ AC 2008 Compensação Não Homologada Despacho Decisório da DRF Fl. 463DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.900349/201329 Resolução nº 1101000.147 S1C1T1 Fl. 4 3 3. A análise dos documentos protocolizados pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório n° 048869263 anexado à fl. 46, que apurou: 3.1 Verificadas as antecipações referentes do IRPJ AC 2008 identificadas no PER/DCOMP inicial, foi confirmada a importância de R$667.142.540,64, para um IRPJ devido no valor de R$ 626.130.238,89. Neste contexto, a DRF confirmou a legitimidade do Saldo Negativo de IRPJ utilizado nas DCOMP’s em análise pelo valor de R$41.012.301,75. 3.1.1 O detalhamento da análise do crédito, parte integrante do Despacho Decisório, encontrase anexado ao processo, e indica que parte das antecipações indicadas pelo contribuinte não foi confirmada pela DRF: Parcelas não confirmadas estimativa mensal IRPJ AC 2008 PA N° do Processo/N° da DCOMP Valor compensado Valor não confirmado Justificativa Jan/2008 41382.32658.270208.1.3.575425 53.564.375,21 53.564.375,21 DCOMP considerada não declarada 3.2 A DRF utilizou o crédito reconhecido na extinção dos débitos declarados pelo contribuinte, concluindo pela HOMOLOGAÇÃO PARCIAL das compensações declaradas, em função da insuficiência do crédito utilizado. Manifestação de Inconformidade 4. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 17/04/2013, conforme documento à fl. 60. Irresignado, o contribuinte apresenta em 08/05/2013 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 61 a 126, onde, em síntese, argumenta: 4.1 Ao processar eletronicamente o procedimento do contribuinte, sem que fosse efetuada qualquer diligência fiscal, a DRF deixou de reconhecer o crédito utilizado pelo contribuinte, deixando de homologar parte das compensações declaradas pelo contribuinte. 4.2 Preliminarmente, o manifestante menciona a impossibilidade da redução do saldo negativo de IRPJ extinto através da apresentação de DCOMP, conforme consta da Solução de Consulta Interna COSIT n° 18, de 2006. 4.2.1 Argumenta que a cobrança das estimativas supostamente não quitadas deve se dar, obrigatoriamente, pelas vias próprias, mas nunca por meio da glosa na apuração do saldo negativo de IRPJ apurado no AC de 2008. Cita acórdão de decisão da DRJRio de Janeiro/RJ. 4.2.1 Informa que a compensação declarada na DCOMP 41382.32658.270208.1.3.575425 foi considerada não declarada conforme consta dos autos do processo 13603.721161/201154. Acrescenta que impetrou mandado de segurança objetivando o reconhecimento do seu direito de ter a sua defesa administrativa processada no rito processual do Decreto n° 70.235, de 1972, inclusive com a suspensão da exigibilidade dos débitos envolvidos até o Fl. 464DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.900349/201329 Resolução nº 1101000.147 S1C1T1 Fl. 5 4 encerramento do processo administrativo. A liminar foi deferida nos termos em que requerida. 4.2.1.1 O processo foi encaminhado à DRJ Belo Horizonte/MG, que proferiu acórdão julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Em face deste acórdão, a requerente apresentou Recurso Voluntário, ainda pendente de julgamento. 4.2.1.2 Considerando que nos autos do processo 13603.721161/2011 54 a requerente demonstra o seu direito à restituição administrativa, bem como a inexistência da prescrição aplicada e que o referido crédito será suficiente para a homologação das compensações a ele vinculadas, não resta dúvida de que a solução jurídica a ser proferida naqueles autos refletirá integralmente nestes autos. Neste contexto, requer o sobrestamento do presente processo até que seja proferida decisão definitiva no processo 13603.721161/201154. 4.3 A seguir, tece extensa argumentação acerca do crédito de IRRF pleiteado no processo 13603.721161/201154 no intuito de validar a antecipação do IRPJ glosada pela DRF. 4.4 Por força do princípio da eventualidade, propugna pela aplicação do parágrafo único do art. 100 do CTN com a exclusão da multa e dos juros aplicados aos débitos compensados. 4.5 Por fim pleiteia: Preliminarmente, a homologação da parcela glosada no saldo negativo do ano calendário de 2008, tendo em vista a SCI COSIT n° 18, de 2006. O sobrestamento do presente processo até o julgamento final do processo 13603.721161/201154. O conhecimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do saldo negativo de IRPJ AC 2008 apurado na DIPJ. A exclusão da multa e juros incidentes sobre os débitos vinculados às compensações não validadas pelo Despacho Decisório ora questionado, nos termos do parágrafo único do art. 100 do CTN. 5. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide (fl. 346). ” Em sessão de julgamento realizada em 10/07/2013, a d. 3ª Turma da DRJ/BHE julgou improcedente o inconformismo do contribuinte, em acórdão assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO Inexistindo previsão legal, não podem as autoridades julgadoras administrativas decidir pelo Fl. 465DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.900349/201329 Resolução nº 1101000.147 S1C1T1 Fl. 6 5 sobrestamento do processo, sob pena de violar o princípio da legalidade inserto na Constituição Federal. MULTA E JUROS Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência dos encargos moratórios previstos em lei desde o seu vencimento até a sua efetiva extinção. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fls. 347/358) À fl. 359, foi lavrado ‘Termo de Abertura de Documento, apontando que “o contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 16/07/2013 8:59h, pela abertura dos arquivos”. No fólio seguinte, há um ‘Termo de Ciência por Decurso de Prazo’, em que “foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal (...) / Data da ciência por decurso de prazo: 30/07/2013”. Cientificado, o contribuinte interpôs, em 28 de agosto de 2013, recurso voluntário (fls. 363/443), defendendo novamente, em síntese, que: (i) Não é possível promover a “redução do saldo negativo de IRPJ, em razão da inafastável aplicação da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18/2006”, em que se externou “entendimento acerca da impossibilidade de redução de saldo negativo quando não forem homologadas as compensações de estimativas utilizadas em sua composição” (fl. 366); (ii) “Na remota hipótese de não acolhimento da primeira preliminar, (...) deve ser determinada a reunião dos presentes autos ao PAF n° 13603.721161/201154, em virtude de sua conexão. ” (fl. 377); (iii) É necessária a “homologação da estimativa de IRPJ referente ao mês de janeiro/2008”, na medida em que “a Recorrente demonstrou em sua Manifestação de Inconformidade que a decisão administrativa que considerou as referidas compensações como não declaradas é totalmente abusiva e ilegal, razão pela qual deve ser reconhecido o crédito indicado na DCOMP n° 41382.32658.270208.1.575425 para a homologação da compensação do IRPJ devido por estimativa em janeiro de 2008 e, posteriormente, reconhecida a integralidade do saldo de declaração apurado ao final do anocalendário” (fl. 379). No ponto, há extensa argumentação do contribuinte no sentido de demonstrar o alegado crédito que deveria compensar a estimativa de Janeiro de 2008 e que, consequentemente, daria azo ao Saldo negativo ora em debate; (iv) Deveria haver, quando menos, a “aplicação subsidiária do parágrafo único do artigo 100 do CTN”, de modo a excluir “cobrança relativa à multa e aos juros aplicados aos débitos indevidamente compensados” (fl. 440/441). É o relatório. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.900349/201329 Resolução nº 1101000.147 S1C1T1 Fl. 7 6 Voto A meu sentir, o recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade. De fato, há dúvida razoável quanto à tempestividade, na medida em que existem dois termos de ciência dando conta de que o contribuinte teve notícia do r. acórdão recorrido em datas diversas. Nesse cenário, penso ser o caso de fazer prevalecer a mais recente certidão de fl. 360 (Termo de Ciência por Decurso de Prazo), em que se lê que a ciência do sujeito passivo data de 30 de julho de 2013 –, rechaçando a informação anterior em sentido diverso. Por assim ser, mostrase tempestivo o recurso voluntário interposto em 28 de agosto de 2013, razão pela qual dele conheço. Superada essa primeira questão relacionada ao conhecimento do Recurso Voluntário, passase ao exame do meritum causae. Nos termos do relatório acima, a questão em debate cingese ao montante de R$53.564.375,21 (valor histórico), parcela essa componente do saldo negativo pleiteado e que corresponde à estimativa de Janeiro/2008. Essa antecipação do IRPJ foi compensada em DCOMP apresentada pelo contribuinte, sendo certo que esse encontro de contas consiste no objeto do Processo Administrativo n. 13603.721161/201154, em trâmite neste Colendo Pretório Administrativo. Recentemente, referido Processo foi julgado pela D. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção (sessão de 26/08/2014), ocasião em que o Recurso Voluntário do contribuinte foi integralmente provido, de modo a “deferir o crédito pleiteado, com a ressalva de que cabe à autoridade responsável pela execução do acórdão a verificação quanto à correta atualização do direito creditório”. A propósito, mister trazer à balha a ementa do Acórdão n. 1402001.781, que reflete o julgamento do recurso voluntário do contribuinte, litteris: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. Pela impossibilidade de utilização do crédito decorrente de ação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva sentença, a data desse evento deve ser tida como termo inicial do prazo para requerer a restituição/compensação. IRRF. COMPENSAÇÃO. VINCULAÇÃO AO SALDO NEGATIVO. O IRRF tem caráter de antecipação do imposto de renda apurado ao final do período de apuração. Sendo assim, não representa indébito passível de restituição, mas sim um componente na apuração de eventual saldo negativo do IRPJ. IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. Demonstrado que o IRRF abrangido pelo litígio judicial encerrado corresponde exatamente à parcela do saldo negativo do IRPJ ainda não reconhecida, devese entender que a Dcomp apresentada referese a este saldo negativo ainda que o IRRF tenha sido indicado como crédito. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.900349/201329 Resolução nº 1101000.147 S1C1T1 Fl. 8 7 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ” Na instância de piso, lembrese, afastouse a possibilidade de sobrestamento dos autos pleiteada pelo contribuinte nos seguintes termos, litteris: “IRPJ Estimativa Mensal DCOMP’s não homologadas 17.Tendo em vista a DCOMP mencionada pelo manifestante, destinada à extinção do IRPJEstimativa Mensal apurado no mês de janeiro/2008 o fisco invalidou o procedimento executado, de modo que, a partir do ato desta não homologação a extinção do débito deixou de existir, mesmo que o contribuinte opte por discutir a questão nos termos previstos em lei. Ou seja, o débito inicialmente extinto (sob condição resolutória) perdeu esta condição pela ação do fisco (não homologação) e, ainda que computado como componente do Saldo Negativo de IRPJ, como é o caso vertente, este não mais goza da liquidez e certeza imprescindíveis à compensação tributária, nos termos do art. 170 do CTN. 17.1 Considerando a natureza dos débitos compensados, antecipação mensal do IRPJ, esta antecipação somente integrará a composição do Saldo Negativo de IRPJ passível de restituição/compensação a partir da sua extinção, quer seja pela reforma do decidido originalmente pela DRF ou pelo pagamento da obrigação. Esta correlação é óbvia e indiscutível: a União somente pode restituir (ainda que através da compensação) um quantum que já foi efetivamente recolhido. 18. Verificando a situação atual do processo em que se discute a não homologação da Estimativa mensal glosada da apuração do Saldo Negativo de IRPJ AC 2008, constatase que a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte no processo de n° 13603.721161/201154 já foi apreciada pela DRJ/Belo Horizonte MG, originando o acórdão de n° 025.946, de 16/11/2011, que julgou improcedentes as razões apresentadas pelo contribuinte e manteve a não homologação da compensação em litígio naquele processo. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF, ainda pendente de julgamento até a presente data. 19. Considerando a situação atual do processo 13603.721161/2011 54, o manifestante propugna pelo sobrestamento deste processo até o julgamento definitivo daquele processo. 19.1 O pleito do contribuinte não tem previsão legal e cada processo é tratado individualizadamente, considerando a origem do crédito indicada em cada grupo de DCOMP’s. O reflexo decorrente das eventuais compensações de valores devidos às Estimativas Mensais é um risco assumido pelo próprio contribuinte ao apresentar as DCOMP’s. É bom lembrar que, a compensação efetuada através da DCOMP é uma hipótese de extinção do crédito tributário facultada pela lei ao contribuinte, sob condição resolutória de ulterior Fl. 468DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.900349/201329 Resolução nº 1101000.147 S1C1T1 Fl. 9 8 homologação; a validação do ato praticado está condicionada ao cumprimento dos requisitos legais afetos ao procedimento: não atendidos estes requisitos o fisco promoverá a não homologação, cancelando o ato praticado pelo contribuinte. 19.2 Neste contexto, indeferese o pedido de sobrestamento deste processo até a decisão final do processo de n° 13603.721161/201154, por inexistência de previsão legal. ” (fl. 353/354) Penso que o entendimento ventilado pela r. DRJ no trecho supracitado não pode prosperar. Com efeito, por mais que até se possa dizer que o crédito pleiteado pelo sujeito passivo não seja revestido da mais objetiva e inarredável certeza – tendo em vista que a compensação da estimativa de Janeiro de 2008, parcela integrante do Saldo Negativo sub examen, ainda carece de homologação definitiva –, entendo que seria verdadeiramente açodada a decisão de não reconhecer, imediatamente, o direito creditório controvertido. Realmente, é inegável que o Recurso Voluntário do Recorrente interposto nos autos do Processo n. 13603.721161/201154 foi recentemente acolhido por este Colendo CARF, através de sua Egrégia 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção, oportunidade em que se reconheceu a higidez da compensação da estimativa de Janeiro/2008. É certo que o Acórdão da 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção não é definitivo, sendo certo que a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial em face do julgado. É certo também que o crédito pleiteado no referido Processo n. 13603.721161/201154 – direito creditício esse com o qual o sujeito passivo pretendeu compensar a estimativa controvertida nesses autos – foi reconhecido com a ressalva de que cabe à autoridade responsável pela execução do acórdão a verificação quanto à correta atualização do direito creditório. Contudo, entendo que a decisão a ser proferida nesses autos é visceralmente ligada à sorte do litígio encerrado nos autos do mencionado Processo n. 13603.721161/2011 54, que ainda pende de decisão definitiva. Nesse contexto, tendo em vista que o Decreto n. 70.235/72 não carreia qualquer preceito normativo a tratar seja da possibilidade de suspensão de um processo, seja da sua impossibilidade, penso que a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil mostrase salutar, eis que o Codex Processual carreia disciplina expressa de hipótese em tudo similar à vertente. É o que se depreende do seguinte preceito do Código de Processo Civil, litteris: Art. 265. Suspendese o processo: (...) IV quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente; Fl. 469DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13603.900349/201329 Resolução nº 1101000.147 S1C1T1 Fl. 10 9 Pelo exposto, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento do presente recurso voluntário em diligência, remeter os autos deste processo à DRF de origem e determinarlhe que devolva este processo administrativo ao CARF apenas quando encerrado o contencioso administrativo no âmbito do processo administrativo n. 13603.721161/201154, para que sem esta prejudicial seja possível decidir acerca da exigibilidade do crédito tributário aqui lançado. É como voto. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Fl. 470DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.723332/2013-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
Arbitramento do Lucro.
A falta de apresentação da escrita contábil à autoridade tributária enseja o lançamento na forma do lucro arbitrado.
Normas Gerais de Direito Tributário
Ano calendário: 2009
Agravamento da Multa de Ofício. Não Apresentação de Esclarecimentos. A falta de apresentação de esclarecimentos, embora com reiteradas intimações, enseja o agravamento da multa de ofício.
Numero da decisão: 1301-001.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 Arbitramento do Lucro. A falta de apresentação da escrita contábil à autoridade tributária enseja o lançamento na forma do lucro arbitrado. Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário: 2009 Agravamento da Multa de Ofício. Não Apresentação de Esclarecimentos. A falta de apresentação de esclarecimentos, embora com reiteradas intimações, enseja o agravamento da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 33 32 /2 01 3- 69 Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ em Salvador/BA. Verificase pela análise do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração relativos ao IRPJ, CSLL, Cofins e PIS, acrescidos de multa regulamentar, relativos ao anocalendário 2009 e acrescidos de multa de ofício no percentual de 112,5% exceção da multa regulamentar e dos juros legais. De acordo com o disposto no Termo de Verificação Fiscal, o Termo de Início do Procedimento Fiscal, lavrado em 25/07/2012, foi encaminhado via Correios ao endereço do contribuinte constante do cadastro CNPJ, contudo, fora devolvida a referida correspondência com a informação: "mudouse". Desta forma, assinala a Fiscalização que foi publicado, em 17/08/2012, nas dependências do Ed. Receita Federal do Brasil em Salvador, o Edital de Intimação n° 114/12 com o objetivo de cientificar o contribuinte do Termo de Início do Procedimento Fiscal, sendo que a cópia do referido Termo de Início do Procedimento Fiscal foi encaminhada, aos sócios do contribuinte, conforme endereços constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil. A correspondência encaminhada ao sócio Sr. Helenilson Leandro Souza Chaves, inscrito no CPF sob o n° 884.076.16591 foi recebida no dia 06/09/2012, enquanto a correspondência encaminhada ao sócio Manoel Almeida, inscrito no CPF sob o n° 118.703.70520, foi recebida no dia 10/09/2012. Assinalou a Fiscalização que em 28/09/2012, o contribuinte apresentou solicitação de dilação de prazo, por mais 15 dias, para apresentação dos documentos e esclarecimentos requeridos no Termo de Início do Procedimento Fiscal e em 25/10/2012, apresentou o seu Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) referente ao anocalendário 2009, bem como cópia do seu Contrato Social e de cinco Alterações Contratuais, não apresentando o comprovante de entrega da Escrituração Contábil Digital (ECD) referente ao anocalendário 2009, nos termos da Instrução Normativa RFB n° 787, de 19/11/2007, bem como sem justificar divergências entre os valores informados nos seus DACON’s e nas suas DCTF's referentes aos valores devidos a título de PIS e Cofins no anocalendário 2009, tendo sido lavrado, então, em 25/10/2012, o Termo de Reintimação Fiscal n° 0001. Em face do não atendimento ao quanto disposto no Termo de Reintimação Fiscal n° 0001, foi lavrado, em 07/12/2012, o Termo de Reintimação Fiscal n° 0002, reiterando o quanto disposto na reintimação anterior. Pontuou a Fiscalização que mais uma vez, o contribuinte não apresentou os documentos e esclarecimentos requeridos, tendo sido lavrado então, em 25/01/2013, o Termo Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.723332/201369 Acórdão n.º 1301001.748 S1C3T1 Fl. 3 3 de Reintimação Fiscal n° 0003. Por fim, em virtude de continuar sem apresentar os elementos requeridos, foi lavrado, em 06/03/2013, o Termo de Reintimação Fiscal n° 0004. Considerando que o contribuinte não apresentou a sua Escrituração Contábil Digital (ECD) requerida através do Termo de Início de Procedimento Fiscal, bem como dos diversos Termos de Reintimação Fiscal, conforme acima exposto, não restou alternativa que não o arbitramento do lucro da empresa para o período de 01/01 a 31/12/2009, conforme dispõe o artigo 530, III, do RIR/99. Sendo assim, considerando que a receita bruta da empresa fiscalizada era conhecida a partir das informações constantes dos seus DACON’S, conforme planilha em anexo, bem como de sua DIPJ referentes ao anocalendário 2009, determinouse a base de cálculo do imposto a partir do disposto no art. 532 do RIR. Registrou a Fiscalização que de conformidade com o disposto na sua 49ª Alteração Contratual, o contribuinte tem como objetivo social diversas atividades, tais como: a) planejamento, incorporação, implantação e administração de empreendimentos industriais, comerciais e imobiliários; b) construção civil, comércio atacadista e varejista de materiais de construção; c) construção e administração de shopping center; d) atuação no âmbito da engenharia civil, seus afins e correlatos; e) coleta de resíduos sólidos domiciliares, hospitalares e industriais; f) varrição de vias e logradouros públicos, capinação, roçagem, limpeza de feira, pintura de meio fio, locação de equipamentos e veículos; g) administração e operação de terminais rodoviários, hidroviários, ferroviários e aeroportuários; h) exploração de estacionamentos; i) operação de guardavolumes; j) vigilância; I) conservação e limpeza; e m) participação em outras sociedades sob qualquer forma de associação. Contudo, a partir da análise da DIPJ do contribuinte, verificavase que sua receita bruta é composta quase que integralmente por Receita de Prestação de Serviços no Mercado Interno (R$ 34.352.752,41 Linha 05 da Ficha 06A). Ainda segundo a Fiscalização, a partir da análise da DIPJ, verificavase que não houve custo com material aplicado na produção de serviços (Linha 30 da Ficha 04A), ao contrário do custo com pessoal aplicado na produção dos serviços (R$ 12.818.696,88 Linha 32 da Ficha 04A), destarte, considerando que a quase totalidade da receita bruta do contribuinte seria decorrente de receita de prestação de serviços sem aplicação de material na produção dos serviços, o lucro arbitrado será determinado mediante a aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta conhecida (conforme planilha em anexo) acrescido de 20% (vinte por cento), resultando no percentual de 38,4% (trinta e oito vírgula quatro por cento). Ressaltouse que o valor da receita bruta total referente ao anocalendário 2009 informada na sua DIPJ é de R$ 34.717.622,71 (trinta e quatro milhões, setecentos e dezessete mil, seiscentos e vinte e dois reais, setenta e um centavo), enquanto nas suas DACON's o valor total é de R$ 32.034.704,34 (trinta e dois milhões, trinta e quatro mil, setecentos e quatro reais, trinta e quatro centavos). De forma mais favorável ao contribuinte, foram utilizados para efeitos da fiscalização os valores informados nos DACON’s, conforme planilha em anexo. Quanto ao PIS e Cofins, considerando a determinação da forma de tributação pelo Lucro Arbitrado, a apuração dos mesmos será efetuada pelo regime cumulativo, ou seja, aplicação das alíquotas de 0,65% e 3%, respectivamente, sobre a receita bruta conhecida. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Assinalouse ainda, em relação à multa pela não apresentação de escrituração contábil digital, que de acordo com o artigo 3º da Instrução Normativa RFB n° 787, de 19/11/2007, as sociedades empresárias sujeitas à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real, que é o caso do contribuinte, ficam obrigadas a adotar a Escrituração Contábil Digital (ECD) em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2009, frisando que a IN referida dispõe, em seu artigo 5º, que a ECD deverá ser transmitida ao SPED até o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao anocalendário a que se refere a escrituração, no caso em tela 30/06/2010. Reforçou a Fiscalização que se verificou que o contribuinte não havia efetuado a entrega da ECD até o início do procedimento fiscal e, desta forma, no Termo de Início do Procedimento Fiscal, de 25/07/2012, foi requerido ao contribuinte, dentre outros elementos, a apresentação da ECD, e a contribuinte não o teria feito, sujeitandose à multa de R$ 1.000,00 (um mil reais) por mêscalendário, conforme artigo 8º, II, da Lei n° 12.766, de 27/12/2012, de sorte que a Fiscalização elaborou a planilha denominada Multa pela Não Apresentação de ECD com o objetivo de apurar o valor devido pelo contribuinte em virtude do não cumprimento da sua obrigação acessória e, por fim, tratouse do agravamento da multa de ofício, aduzindo que o agravamento da multa de ofício, ou seja, a aplicação da multa de 112,50% (cento e doze vírgula cinquenta por cento) sobre o valor dos tributos objeto dos lançamentos supra mencionados, segue a determinação do Art. 44, I, § 2º, I, da Lei n° 9.430/96, visto que o contribuinte não prestou esclarecimentos quanto às divergências entre os valores informados nos DACON's e nas DCTF's referentes aos valores devidos a título de PIS e Cofins no anocalendário 2009, conforme requerido através do Termo de Início de Procedimento Fiscal e dos diversos Termos de Reintimação mencionados. Devidamente cientificada do lançamento de ofício, a Contribuinte apresentou quatro Impugnações, uma relativa a cada tributo lançado (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins) alegando, resumidamente, que em atendimento à legislação de regência da matéria apura o IRPJ com base no lucro real, adotando, para tanto, a sistemática de pagamentos mensais por estimativa, incidentes sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão/redução, realizando o competente ajuste, ao final do anocalendário, entre os valores recolhidos a título de antecipação e o montante efetivamente devido no período. Especificamente quanto ao anocalendário 2009, defendeu que em todos os meses apurou prejuízo fiscal, eximindose assim, da obrigação de recolher as respectivas estimativas mensais ou qualquer valor a título de IRPJ no final daquele ano e que a inexistência de estimativa ou de imposto a pagar no ano de 2009, decorrente da apuração de prejuízo fiscal, foi devidamente apurada através do levantamento de balancetes mensais do tributo em foco, os quais foram transcritos no Livro de Apuração do Lucro Real (doc. 03), em consonância com art. 13 da IN SRF 93/1997, ocorrendo que com o objetivo de verificar divergências identificadas entre DCTF's e DACON's, no que tange aos débitos declarados de Contribuição para o PIS e COFINS, o Fisco Federal instaurou o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 0510100.2012.00663, com a finalidade de se apurar o cumprimento das obrigações tributárias do contribuinte, transcrevendo trecho do Termo de Verificação Fiscal. Relatou a contribuinte, portanto, que muito embora tenham sido apresentados documentos contábeis e fiscais aptos a comprovar a inexistência de IRPJ a pagar no ano calendário 2009, eis que apurou prejuízo fiscal, a Fiscalização arbitrou o lucro da empresa pelo simples fato de o contribuinte não ter apresentado a sua Escrituração Contábil Digital (ECD), aduzindo que a Fiscalização, embora tenha tido acesso aos registros contábeis e fiscais aptos a demonstrar a existência de prejuízos fiscais no anocalendário 2009, entendeu que a falta de entrega da Escrituração Contábil Digital (ECD) configuraria o descumprimento de uma Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.723332/201369 Acórdão n.º 1301001.748 S1C3T1 Fl. 4 5 obrigação acessória, capaz de legitimar o arbitramento do lucro e a cobrança do IRPJ nestes moldes, com acréscimo de multa por infração à razão de 112,5%. Defendeu, entretanto, que a exigência seria manifestamente arbitrária, não merecendo subsistir, pois, conquanto não tenha apresentado a Escrituração Contábil Digital, transcreveu regularmente os balancetes mensais de suspensão e redução no Livro de Apuração do Lucro Real, a teor do art. 13 da IN SRF 93/1997, inexistindo, pois, o descumprimento de obrigação acessória que justificasse o arbitramento do lucro relativo ao anocalendário 2009, de sorte que não teria sido observado o princípio da verdade material, já que o Auditor Fiscal autuante possuía outros meios igualmente idôneos para atestar a regularidade da apuração realizada por ela contribuinte, as quais apontariam a inexistência de estimativa a pagar e de imposto devido no final do anocalendário, mencionando ainda, que caso se entendesse que se afigura hipótese de arbitramento do lucro, a aplicação da penalidade à razão de 112,5%, nos termos do art. 44,1, § 2°, I, da Lei n° 9.430/96, jamais poderia prevalecer, haja vista que não deixou de prestar nenhum esclarecimento ao Fiscal Autuante acerca da apuração do IRPJ, tal como pode se verificar, inclusive, do Termo de Verificação Fiscal. Ainda segundo sustentou a recorrente, apesar de sua escrituração no ano calendário 2009, indicar a inexistência de qualquer estimativa ou imposto a ser pago ao final do ano, o Fiscal autuante entendeu por bem efetuar o lançamento de IRPJ sobre um lucro arbitrado, calculado a partir da receita bruta informada em suas DACON's, sob o argumento de não ter sido apresentada a correlata Escrituração Contábil Digital, restando inequívoco, pois, que o Fiscal Autuante apenas efetuou o lançamento de ofício ora combatido pelo simples fato de ter sido descumprida a obrigação acessória de apresentar a Escrituração Contábil Digital, arrazoando a contribuinte a fragilidade de tal premissa, haja vista que outras obrigações instrumentais, a que estava adstrita, foram atendidas nos termos da legislação em vigor, inexistindo, pois, causa que justificasse o arbitramento do lucro relativo ao anocalendário 2009. Após aludir a legislação e os atos interpretativos de regência, reputou a contribuinte que trazendo esse conteúdo ao caso concreto observase que os balanços patrimoniais que respaldaram os procedimentos fiscais adotados no anocalendário 2009, foram transcritos no Livro de Apuração do Lucro Real, conforme atestam as cópias identificadas como doc. 03, atendendo às regras da IN/SRF n° 93/96. Defendeu, destarte, que não se poderia negar que, embora não tenha sido apresentada a Escrituração Contábil Digital, os demais procedimentos contábeis e fiscais adotados e observaram os termos da legislação em vigor, não havendo que se cogitar da desconsideração da apuração pelo lucro real, com vistas a promover o arbitramento do lucro, para fins de apuração do IRPJ, ficando evidente que a Fiscalização, ao ignorar os balancetes regularmente elaborados e transcritos no Livro de Apuração do Lucro Real todos os meses do período fiscalizado, interpretou distorcidamente os arts. 35 da Lei n° 8.981/95, 13 da IN SRF n° 93/97 e 230 do RIR/99, ressaltando que em momento algum foi questionada a idoneidade dos demonstrativos contábeis e fiscais apresentados, de sorte que sua autuação com base em lucro arbitrado decorreu exclusivamente pelo fato de não ter sido apresentada a Escrituração Contábil Digital. Arrazoou ainda, ser evidente que a autuação revelase arbitrária e, na improvável hipótese de não serem acatados os fundamentos acima suscitados, que por si só seriam suficientes a ensejar a improcedência da autuação, cumpriria demonstrar que a Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 autuação, ante o princípio da verdade material, igualmente não subsiste, tornando a dizer que a despeito de não ter sido apresentada Escrituração Contábil Digital (ECD), a Fiscalização dispunha de documentação suficiente à comprovação da regularidade da apuração do IRPJ realizada, não havendo como prosperar a autuação em tela, que teria se afastado da verdade material, apegandose a formalidades, para exigir IRPJ com base em lucro arbitrado, ainda que tendo restado comprovada a inexistência de tributo com base no lucro real. Defendeu ser pacífico tanto na doutrina, quanto na jurisprudência, que o princípio da verdade material deve nortear a atividade das Autoridades Fazendárias que, por sua vez, possuem o dever de dirigir sempre a investigação dos atos tributários praticados pelo contribuinte com base em tal premissa e que para chegarse a constatação do cumprimento de obrigações ou existência de direitos, cabe ao Fisco utilizar todo o manancial probatório disponível, tais como o confronto de documentos, guias de recolhimento, dentre outros, sob pena de agir baseado exclusivamente em presunções, quando lhe é possível descobrir a efetiva ocorrência dos fatos correspondentes, eis que o processo administrativo fiscal possui natureza inquisitiva, onde a Autoridade Fiscal dispõe de um cabedal vastíssimo de meios para formar sua convicção, não podendo se eximir da constatação do que realmente ocorreu, tendo em vista o apego a meros formalismos. Reputou ainda, que seria uma grande impropriedade a afirmação em contrário, dado que as formalidades não são um fim em si mesmo, mas existem justamente para que o órgão julgador possa firmar seu juízo de valor sobre a ocorrência dos fatos alegados e que, de fato, a busca da verdade material, em contraponto ao apego a formalismos, encontra elucidativa guarida na doutrina, sendo que no intuito de não causar prejuízo ao contribuinte, ou enriquecimento ilícito ao Estado, que o referido juízo de valor, a ser emitido pela autoridade fiscal, não pode jamais ser pautado em presunções formais, de maneira que o deferimento ou não de qualquer pleito deve levar em consideração o direito de que o contribuinte efetivamente é detentor, fazendo alusão a precedentes do então Conselho de Contribuintes. Tornou a dizer que sequer foram analisados os documentos trazidos à apreciação da Fiscalização, os quais demonstravam a inexistência de imposto a pagar ao final do ano de 2009, efetuandose o lançamento com base no lucro arbitrado pelo simples fato de não ter sido apresentada Escrituração Contábil Digital, aplicando, ainda, multa à razão de 112,5% por suposta falta de pagamento, que poderia, facilmente, verificar inexistente. Ademais, insurgiuse contra a multa aplicada no patamar de 112,5%, alegando que o art. 44, I, § 2°, I, da Lei n° 9.430/96, autoriza o agravamento em 50%, na hipótese em que o sujeito passivo deixa de prestar os esclarecimentos necessários nos casos de falta de pagamento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, sendo que no caso em tela, conforme se verifica do Termo de Verificação Fiscal, a Fiscalização não teria solicitado em nenhum momento, esclarecimentos acerca do IRPJ apurado pela Impugnante, não havendo, portanto, que se cogitar no agravamento da multa em comento. Ressaltou que o agravamento da penalidade aplicada acabou por atingir níveis exorbitantes, que ultrapassam o limite do que se admite como aceitável para uma sanção jurídica configurando assim, manifesta ofensa aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da vedação ao confisco, eis que a aplicação da sanção tributária deve sempre guardar um vínculo com o objetivo da sua imposição, posicionandose de forma proporcional entre o quantum da multa e o valor do tributo, bem como se atrelando ao grau de culpabilidade do agente, de sorte que a multa deve ser utilizada como forma de desestimular o ilícito e punir o infrator, não devendo consistir em um meio para que o Estado lance mão do patrimônio do contribuinte, sob pena de violação ao princípio da razoabilidade. Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.723332/201369 Acórdão n.º 1301001.748 S1C3T1 Fl. 5 7 Nessa ordem de ideias, defendeu que no caso em tela, conforme reiteradamente demonstrado, a exigência decorre do mero descumprimento de uma única obrigação acessória, qual seja, o envio da Escrituração Contábil Digital, que não poderia ensejar o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ, concluindo que não se poderia cogitar do agravamento da multa prevista no § 2º, do art. 44, que se aplica para hipóteses em que o sujeito passivo não presta os esclarecimentos solicitados pela Receita Federal do Brasil, estando evidente, pois, que a ela contribuinte, que não apurou IRPJ a pagar em 2009 e não deixou de prestar esclarecimentos acerca da apuração do IRPJ, jamais poderia ter contra si agravada a multa em destaque. A 2ª Turma da DRJ em Salvador/BA, nos termos do acórdão e voto de folhas 899 a 914, julgou o lançamento procedente, assinalando para tanto, que após a intimação inicial, solicitando a comprovação da entrega da ECD e os esclarecimentos quanto às divergências nos valores de PIS e Cofins declarados nas Dacon e nas DCTF, além dos contratos sociais e do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), a contribuinte foi reintimada em 25 de outubro de 2012, em 7 de dezembro de 2012, em 25 de janeiro de 2013 e, por fim, em 6 de março de 2013, sendo que após a primeira intimação, foram apresentados o LALUR e os contratos sociais, concluindo, assim, que a recorrente não apresentou a escrituração contábil digital, tampouco qualquer outro tipo de escrita contábil. Assinalou a decisão recorrida, quanto à viabilidade do arbitramento, que foi aplicado ao caso concreto o inciso III, do artigo 530, do RIR/99, o qual determina o arbitramento do lucro sempre que o contribuinte não apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração contábil e fiscal, sendo que no caso presente, a recorrente não teria apresentado os livros e documentos de sua escrita contábil, tendo oferecido ao Auditor Fiscal o seu LALUR, o que não seria suficiente à obtenção do lucro real, como alega a contribuinte. Segundo a decisão recorrida, portanto, o lucro real apresentado neste livro tem como ponto de partida o lucro líquido do exercício, obtido, única e exclusivamente, dos registros contábeis da Fiscalizada, comprovados, por sua vez, pela documentação que lhe dá suporte, de sorte que não haveria sentido em uma Fiscalização Tributária uma atuação sem conferências, batimentos, comparações, simplesmente acreditando no que o contribuinte registra no LALUR, e que não seria por outro motivo que a lei obriga à apresentação não só da escrita contábil e fiscal, mas, também, dos documentos relativos aos registros feitos. Decidiuse assim, que a alegação de não observância do princípio da verdade material, por sua vez, é totalmente desarrazoada e que a atividade da autoridade fiscal é totalmente vinculada, e ante a não apresentação da escrituração contábil só há uma forma de tributação, que é pelo regime do lucro arbitrado e que o princípio da verdade material não pode violentar o da legalidade e, neste caso, há uma previsão clara da forma de tributação, estando correta a forma como foi constituído o crédito tributário, ou seja, pelo lucro arbitrado. Com referência ao agravamento da multa, registrou a decisão recorrida que entre outubro de 2012 e março de 2013 a recorrente foi intimada por cinco vezes para justificar as divergências entre os valores declarados em Dacon e em DCTF, relativos ao montante devido de PIS e de Cofins e, apesar disso, em nenhum momento apresentou qualquer justificativa para a referida divergência, estando clara a incidência do inciso I do parágrafo 2º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Na tentativa de intimarse a contribuinte do resultado da decisão acima relatada o respectivo Aviso de Recebimento foi devolvido pelos Correios (fl. 919), sendo providenciado o pertinente Edital (fl. 921), afixado em 08/10/2013, sendo que em 04/12/2013 a contribuinte solicitou cópias do processo (fl. 924), e em 28/01/2014 foi lavrado o Termo de Perempção (fl. 929). Às folhas 945 a 949 foi juntada Decisão Judicial determinando nova intimação da contribuinte, em seu novo endereço. Em 24/04/2014 a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 970 em diante), reiterando seus argumentos e pugnando pela reforma da decisão recorrida. A autoridade preparadora propôs o encaminhamento do feito para apreciação deste CARF (fl. 1.011), retificando a data da ciência da decisão recorrida para 25/03/2014. É o relatório. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.723332/201369 Acórdão n.º 1301001.748 S1C3T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Considerada a decisão judicial de folhas 945 a 949 e o Despacho de folha 1.011, assinalo a tempestividade do Recurso Voluntário e a presença dos demais requisitos autorizadores do seu conhecimento. Admitoo, portanto, para julgamento. A questão tratada nos autos versa autuação, por omissão de receitas, considerado o arbitramento do lucro no AC 2009, levado a efeito nos termos do artigo 530, III, do RIR/99, porquanto a recorrente não apresentou a sua Escrituração Contábil Digital (ECD) requerida através do Termo de Início de Procedimento Fiscal, bem como dos diversos Termos de Reintimação Fiscal. Tal como descrito no relatório acima circunstanciado, após os procedimentos de ciência do início dos trabalhos de fiscalização, a recorrente apresentou solicitação de dilação de prazo, por 15 dias, para apresentação dos documentos e esclarecimentos requeridos no Termo de Início do Procedimento Fiscal e em 25/10/2012, apresentando o seu Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) referente ao anocalendário 2009, bem como cópia do seu Contrato Social e de cinco Alterações Contratuais, não apresentando, todavia, o comprovante de entrega da Escrituração Contábil Digital (ECD) referente ao período em questão, nos termos da Instrução Normativa RFB n° 787, de 19/11/2007, bem como sem justificar divergências entre os valores informados nos seus DACON’s e nas suas DCTF's referentes aos valores devidos a título de PIS e Cofins, tendo sido lavrado, em 25/10/2012, o Termo de Reintimação Fiscal n° 0001. Diante do não atendimento ao Termo de Reintimação Fiscal n° 0001, foi lavrado, em 07/12/2012, o Termo de Reintimação Fiscal n° 0002, reiterando o quanto disposto na intimação anterior. Pontuou a Fiscalização que mais uma vez, o contribuinte não apresentou os documentos e esclarecimentos requeridos, tendo sido lavrado então, em 25/01/2013, o Termo de Reintimação Fiscal n° 0003. Por fim, em virtude de continuar sem apresentar os elementos requeridos, foi lavrado, em 06/03/2013, o Termo de Reintimação Fiscal n° 0004. Considerando que o contribuinte não apresentou a sua Escrituração Contábil Digital (ECD) requerida através do Termo de Início de Procedimento Fiscal, bem como dos diversos Termos de Reintimação Fiscal, foi que a Fiscalização promoveu o arbitramento do lucro da empresa para o período de 01/01 a 31/12/2009, conforme dispõe o artigo 530, III, do RIR/99, considerando a receita bruta da recorrente a partir das informações constantes dos seus DACON’S, conforme planilha elaborada, bem como de sua DIPJ referentes ao anocalendário 2009, determinandose a base de cálculo do imposto a partir do disposto no art. 532 do RIR. A contribuinte, por seu turno, tem defendido que apresentou, para o período em questão, prejuízo fiscal, conforme levantado em balancetes de suspensão e redução e indicado no seu LALUR, os quais foram devidamente apresentados, de sorte que o Fisco teria violado o princípio da verdade material, ao valerse de arbitramento do lucro sem desqualificar o prejuízo fiscal que ostentaria para o período. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 Em análise da pertinência do arbitramento, o que aliás é ponto central de defesa da contribuinte, assinalo que a decisão recorrida conferiu correta interpretação aos fatos e às normas aplicáveis. Com efeito, o arbitramento não se deu por mera conveniência, tampouco a Fiscalização ignorou a apresentação do LALUR e dos balancetes do período. Todavia, dar a tais documentos o condão de afastar a hipótese de arbitramento do lucro, equivaleria a um procedimento fiscalizatório meramente chancelador dos apontamentos realizados pelo contribuinte. Não se proclama que tais elementos não tenham força probatória alguma, é que desacompanhado da documentação que dê suporte aos lançamentos, tendo a Fiscalização reiterado diversas intimações para fossem apresentados tais elementos, de fato impunhase arbitrar o lucro. Bem anotou a decisão recorrida, aliás, que a matriz legal sobre a qual se apoia o arbitramento levado a efeito, é o inciso III do artigo 530 do RIR/99, consagrador de que o imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando, entre outras hipóteses, o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Ora, na espécie, o contribuinte não apresentou a sua Escrituração Contábil Digital (ECD) requerida através do Termo de Início de Procedimento Fiscal, bem como dos diversos Termos de Reintimação Fiscal, trazendo aos autos apenas o LALUR, inservível para aferirse o lucro real do período, impondose assim, tal como fez a Fiscalização, o arbitramento do lucro. No que toca à multa pela não apresentação de escrituração contábil digital, que de acordo com o artigo 3º da Instrução Normativa RFB n° 787, de 19/11/2007, como bem reconheceu a própria contribuinte e já assinalou a decisão recorrida, tratase de matéria não impugnada, e em relação ao agravamento da multa de ofício, temse que a Fiscalização verificou que o contribuinte não prestou esclarecimentos quanto às divergências entre os valores informados nos DACON's e nas DCTF's referentes aos valores devidos a título de PIS e Cofins no anocalendário 2009, conforme requerido através do Termo de Início de Procedimento Fiscal e dos diversos Termos de Reintimação mencionados, situação que se repetiu tanto na Impugnação quanto no Recurso Voluntário, a revelar que de fato a contribuinte não atendeu a Fiscalização, sujeitandose à multa aplicada. Diante do exposto, encaminho meu voto no sentido de Negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 03 de fevereiro de 2015. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Relator Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10580.723332/201369 Acórdão n.º 1301001.748 S1C3T1 Fl. 7 11 Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 13502.001221/2007-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1995 a 31/12/1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA.
Caso a omissão apontada como motivadora para a interposição dos embargos não fique caracterizada, os embargos não serão conhecidos.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2403-002.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração por não reconhecer a omissão apontada. Vencido o, relator, Ivacir Julio de Souza. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari
CARLOS ALBERTO MESS STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. Caso a omissão apontada como motivadora para a interposição dos embargos não fique caracterizada, os embargos não serão conhecidos. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração por não reconhecer a omissão apontada. Vencido o, relator, Ivacir Julio de Souza. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari CARLOS ALBERTO MESS STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 12 21 /2 00 7- 71 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Com fulcro no art. 65 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, às fls.409 a Procuradora da Fazenda Nacional, opôs, Embargos de Declaração, contra suposta omissão no Acórdão nº 240301.212, de lavra desta Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF. Tratase de lançamento substitutivo ao anteriormente anulado pelo então Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS. Registra a embargante que “com efeito, o Acórdão CRPS nº 2402, proferido em 23/01/2003, reconheceu a natureza formal do vício que ensejou a nulidade do lançamento original, tanto que no corpo da decisão sempre se fez referência expressa à possibilidade do INSS refazer o lançamento com fulcro em vício formal, previsto no art. 173, II, CTN”. O i. Embargante aduz , ainda, que a decisão ora recorrida foi omissa quanto a natureza formal do vício e tratou de matéria a qual já haviam se operado os efeitos da preclusão e ignorando a coisa julgada administrativa. Complementou destacando que tal procedimento é defeso a este Conselho Administrativo. Na seqüência exortou que no caso dos autos, especificamente, ocorreu a preclusão “pro judicado” que impede o órgão julgador de decidir novamente a matéria já julgada, nos termos do art. 471, do CPC.: “Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, r.” Alfim, requereu sejam conhecidos e providos os presentes Embargos ante a demonstração da omissão, a fim de que seja anulado o acórdão recorrido e realizado novo julgamento, aplicandose o prazo previsto no art. 173, II do CTN, nos termos dos votos vencidos. É o Relatório. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13502.001221/200771 Acórdão n.º 2403002.542 S2C4T3 Fl. 3 3 Voto Vencido Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE Os embargos são tempestivos e admissíveis. Portanto, os RECONHEÇO . De acordo com o Relatório Fiscal às fls.74, a ação fiscal teve início através do MPF n°09284979, de 23/01/2006 e ao final com ciência do sujeito passivo em 30.01.2007 foi lavrada a NFLD nº 37.054.6792 lançada em substituição à NFLD n° 32.615.8146 cuja a ciência do sujeito passivo em 21/01/1999, foi anulada por decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme Acórdão n° 2402, de 14/10/2003. DO PEDIDO Como visto alhures, a i. Embargante requereu sejam conhecidos e providos os presentes Embargos ante a demonstração da omissão, a fim de que seja anulado o acórdão recorrido e realizado novo julgamento, aplicandose o prazo previsto no art. 173, II do CTN, nos termos dos votos vencidos. DO VOTO VENCEDOR Cumpre ressaltar que o Acórdão embargado tratase de VOTO VENCEDOR o qual fui designado redator. DA NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO De fato, segundo as lições de VICENTE GRECO FILHO, “Após, a coisa julgada torna o branco preto e o preto branco, porque não há mais possibilidade de modificação mesmo da sentença errada”. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Analisados os argumentos interpostos pela i. Embargante cumpre declarar a nulidade do Acórdão recorrido para em seguida realizar novo julgamento. Entretanto é precipitado garantir que se fará aplicação do previsto no art. 173, II do CTN, nos termos dos votos vencidos, isto porque eventual divergência nova pode alterar a conclusão então manifestada pelo o Relator na condução do voto outrora vencido. Assim, retornemse os debates à condição original do relatório do i.Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro para que esta Colenda Turma se manifeste a respeito daqueles argumentos na oportunidade vencidos sem enfrentamento do mérito. Face ao encimado, convém que o Relator vencido reassuma a relatoria. Eis que, neste sentido trago anexo a íntegra do Acórdão recorrido cujo original pode ser compulsado às fls. 308 ( 297) do processo em comento. CONCLUSÃO De tudo que foi exposto, CONHEÇO e ACOLHO os EMBARGOS para DAR PROVIMENTO ao pedido e concluir NULO o Acórdão recorrido procedendose a novo julgamento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza – Relator Fl. 427DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13502.001221/200771 Acórdão n.º 2403002.542 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Vencedor Quando do julgamento do recurso voluntário do processo, a turma decidiu, por maioria, reconhecer reconhecendo a anulação do lançamento original por vício material, do que resultou a decadência total do lançamento. Acórdão 240301.211 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, reconhecendo a anulação do lançamento original por vício material, o que resulta em decadência total do lançamento presente. Vencidos o relator Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. O presente embargo foi interposto em face de suposta omissão no acórdão 240301.211. Com a devida vênia, o acórdão recorrido restou omisso, na medida em que deixou de abordar ponto essencial, sobre o qual esta Câmara deveria se pronunciar,qual seja, a existência de decisão definitiva quanto à natureza do vício motivador da nulidade do lançamento original. Apesar de não concordar com a tese que prevaleceu naquele julgamento, visto que, junto com o relator, fiquei vencido, entendo não caracterizada a omissão. O voto vencedor se manifestou acerca da decisão do CRPS e sobre a natureza do vício motivador da nulidade do lançamento original. Voto Vencedor Analisandose todo o desenvolvimento e estrutura lógica do arrazoado do CRPS sobre a infração em tela, se infere que, contrariamente a conclusão sobre ter havido vício formal, o que restou demonstrado é que ocorreu vício material posto que fora Fl. 428DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 por falta de motivação e conseqüente cerceamento de defesa que a referida NFLD fora anulada. Senão vejamos : ... CONCLUSÃO Voto por não conhecer dos Embargos de Declaração, por não reconhecer a omissão apontada. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 429DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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