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Numero do processo: 37216.000771/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/01/2006
Ementa:
AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.
A suspensão da exigibilidade do crédito (artigo 151 do CTN) não impede o Fisco de proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória (art. 142 do CTN) e visa impedir a ocorrência da decadência.
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91,
combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial.
MEDIDA LIMINAR. MULTA DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. Aplicam-se
às contribuições previdenciárias o disposto no artigo 63, §2º da
Lei nº 9.430/96, quanto à interrupção da multa de mora. Em razão de sua sistemática legal de aplicação e gradação, não retroage à data da concessão da medida liminar a decisão judicial que, posteriormente, reconheceu o tributo como devido.
SALÁRIO INDIRETO. Incidem contribuições previdenciárias sobre toda e qualquer vantagem atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-000.870
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Thiago D'Avila Melo Fernandes que entenderam não haver incidência de contribuição sobre a verba lançada.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 30/01/2006 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito (artigo 151 do CTN) não impede o Fisco de proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória (art. 142 do CTN) e visa impedir a ocorrência da decadência. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial. MEDIDA LIMINAR. MULTA DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. Aplicam-se às contribuições previdenciárias o disposto no artigo 63, §2º da Lei nº 9.430/96, quanto à interrupção da multa de mora. Em razão de sua sistemática legal de aplicação e gradação, não retroage à data da concessão da medida liminar a decisão judicial que, posteriormente, reconheceu o tributo como devido. SALÁRIO INDIRETO. Incidem contribuições previdenciárias sobre toda e qualquer vantagem atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte
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SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito (artigo 151 do CTN) não impede o Fisco de proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória (art. 142 do CTN) e visa impedir a ocorrência da decadência. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial. MEDIDA LIMINAR. MULTA DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. Aplicamse às contribuições previdenciárias o disposto no artigo 63, §2º da Lei nº 9.430/96, quanto à interrupção da multa de mora. Em razão de sua sistemática legal de aplicação e gradação, não retroage à data da concessão da medida liminar a decisão judicial que, posteriormente, reconheceu o tributo como devido. SALÁRIO INDIRETO. Incidem contribuições previdenciárias sobre toda e qualquer vantagem atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/03/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Thiago D Avila Melo Fernandes que entenderam não haver incidência de contribuição sobre a verba lançada. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Thiago D’ Ávila Melo Fernandes,Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/03/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37216.000771/200766 Acórdão n.º 230200.870 S2C3T2 Fl. 968 3 Relatório Trata a notificação de contribuições relativas ao INCRA, apuradas com base nas folhas de pagamento da notificada, compreendendo valores pagos a título de prêmios de seguro de vida em grupo, em desconformidade com a legislação vigente, nas competências de 04/2001 a 01/2006. De acordo com o relatório fiscal de fls. 607/612, nesta notificação está sendo apurada a alíquota de 0,2% para os estabelecimentos 000126; 000207 e 000550, com FPAS 566. E para a filial 000630, de, FPAS 507, a alíquota também é de 0,2%. A notificada possui ação judicial na 8ª Vara Federal do Rio de Janeiro, n.º 2002.51.01.0162930, com antecipação de tutela deferida, suspendendo a exigibilidade da contribuição para o INCRA. Aduz o relatório que a empresa mantém seguro de vida em grupo para todos os empregados e dirigentes, porém apenas um sindicato firmou Convenção Coletiva de Trabalho para respaldar o pagamento, na forma expressa pela legislação. Assim os segurados desta categoria não foram incluídos nesta notificação. Após a apresentação da defesa, DecisãoNotificação de fls. 830/842, julgou o lançamento procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo onde alega em síntese: a) a decadência qüinqüenal; b) que não há incidência da contribuição sobre o seguro de vida em grupo porque este não integra o salário de contribuição; c) o artigo 458 da CLT exclui a natureza salarial do seguro de vida; d) a lei n.º 10243/2001, também retirou a natureza salarial do seguro de vida; e) a categoria dos publicitários também deve ser excluída, pois tem convenção coletiva. f) a inexigibilidade da multa moratória frente à exigibilidade suspensa do crédito. Requer o provimento do recurso para que seja reformada a decisão recorrida e julgada improcedente a NFLD. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/03/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A recorrente alega a decadência qüinqüenal para o período lançado até a competência 10/2001. Todavia, muito embora o Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, tenha declarado inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. e tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devam ser observadas as regras do Código Tributário Nacional – CTN, o período lançado não está decadente. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Compulsando os autos é de se verificar através do DAD Discriminativo Analítico do Débito, que não foram efetuados recolhimentos parciais para a rubrica lançada, devendo ser aplicada a regra contida no artigo 173, I do CTN, para se apurar a eventual decadência: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Assim, sendo a notificação lavrada em 27/11/2006, abrangendo o período de 04/2001 a 01/2006 e não havendo recolhimentos parciais para a exação lançada, não há que se falar em decadência. Do Mérito Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/03/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37216.000771/200766 Acórdão n.º 230200.870 S2C3T2 Fl. 969 5 O levantamento referese a contribuição para o INCRA, incidente sobre a rubrica “seguro de vida em grupo”, paga aos segurados em desconformidade com o preceito legal. De acordo com a Lei n.º 8.212, que instituiu o plano de custeio da Seguridade Social e no art. 28, definiu a base de cálculo das contribuições previdenciárias,temos o conceito de salário de contribuição: Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, traz no seu artigo 214, a conceituação do salário de contribuição e no parágrafo 9º, as excludentes do mesmo, onde consta no item XXV, que o valor pago referente a prêmio de seguro de vida, não vai integrar o salário de contribuição quando previsto em acordo ou convenção coletiva e disponível à totalidade de empregados e dirigentes. Ocorre que no caso em questão, apenas o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio Janeiro firmou com a recorrente Convenção Coletiva que a obriga a contratar seguro de vida em grupo. Por esta razão, os empregados desta categoria não foram incluídos na notificação. Por outro lado, embora a recorrente afirme que a categoria dos publicitários também tenha apresentado Convenção Coletiva com obrigatoriedade de pagamento de seguro de vida, a assertiva não se confirmou. Às fls. 759/788, volume III, dos autos, temos as Convenções Coletivas do Sindicato dos Publicitários do Município do Rio de Janeiro, onde não está prevista a contratação de seguro de vida em grupo. Art.214. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/03/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 (...) XXVo valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. (Inciso acrescentado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Portanto em consonância com o texto legal acima exposto, o pagamento de liberalidades efetuados pela empresa, não estão enquadrados nas citadas excludentes do salário de contribuição. Ademais a Constituição Federal, em seu art. 201, parágrafo 4º – hoje transformado no parágrafo 11º desse mesmo artigo pela Emenda Constitucional n.º 20, de 15 de dezembro de 1998 – determina, expressamente: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [sem grifos no original]] O salário indireto se constitui em um ganho habitual que amplia o patrimônio do trabalhador. Consiste, no dizer da melhor doutrina, em toda e qualquer vantagem atribuída ao empregado, sem a qual, para alcançála, teria que arcar com o respectivo ônus. Decorre do contrato de trabalho e é ajustado por meio de acordo expresso ou tácito e o ganho habitual, por sua natureza, é sempre remuneratório. A matéria de ordem tributária é de interesse público, por isso é a lei que determina as hipóteses em que valores pagos aos empregados não integram o salário de contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições socais. Nessa linha, da análise dos autos, verificase que os valores pagos pela empresa aos segurados a título de seguro de vida, somente estão isentos da incidência contributiva previdenciária se previstos em acordos ou convenções coletivas, na forma disciplinada pela legislação vigente, do contrário perfazem base contributiva, estando correto o levantamento. Os interesses particulares não podem se sobrepor aos públicos – cabe a empresa respeitar e adaptarse ao texto legal e não forçar sua interpretação de forma a adaptá lo a sua realidade. Cumpre lembrar a obrigatória observância ao Princípio da Legalidade em respeito ao Princípio do Interesse Público. De fato a lei não limita expressamente a forma de concessão dos referidos benefícios, mas estipula claramente os requisitos para que esse benefícios não sejam tributados; a empresa é livre para estipular até mesmo o prazo de carência, todavia, se a empresa pretende que os valores pagos por esses benefícios não sejam tributados deve cumprir os requisitos legalmente previstos para tal. Quanto ao mérito da contribuição relativa ao INCRA, deixo de me manifestar, vez que a recorrente está contestando a mesma judicialmente, o que importa Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/03/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37216.000771/200766 Acórdão n.º 230200.870 S2C3T2 Fl. 970 7 renúncia à esfera administrativa para exame da questão. Toda a matéria litigiosa no Judiciário impede o conhecimento administrativo. De acordo com o disposto no art. 126, § 3º da Lei n ° 8.213/1991, a propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. No que se refere à multa, é de se atentar que o MS 2004.51.01.0162930, teve deferida liminar, documento de fls.821/825, volume III, que suspendeu a exigibilidade do tributo. Assim, quanto à multa de mora, no caso sob exame, estando a recorrente amparada por medida liminar, entendo que se deve aplicar o disposto no artigo 63, §2º da Lei nº 9.430/96 e no artigo 491 da Instrução Normativa MPS/SRP n° 03, de 14/07/2005, para a exclusão da multa de mora incidente desde o deferimento da medida liminar, verbis: LEI Nº 9.430, de 27/12/96. Débitos com Exigibilidade Suspensa Art. 63. Não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Art. 491. (...) Parágrafo único. A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo, conforme previsto no § 2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela IN MPS/SRP nº 20, de 11/01/2007) No âmbito das contribuições previdenciárias, a sistemática adotada para a aplicação da multa de mora está disciplinada no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, com a redação da época do lançamento, que fixa percentuais progressivos, considerando o tempo em atraso para o pagamento e a fase do contencioso administrativo fiscal em que realizado: prazo de defesa, após o prazo para a defesa e antes do recurso, após recurso e antes de 15 dias da ciência da decisão e após esse prazo, verbis: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/03/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Não se pode negar que a multa de mora seja uma penalidade pelo atraso no cumprimento de uma obrigação pecuniária, como é o caso da tributária. Durante o período em que estava favorecido com a medida liminar, o sujeito passivo não estava em mora. Entendeu por bem o legislador afastar a regra geral através da qual atribuise efeitos retroativos, ex tunc, à decisão que posteriormente revoga a medida liminar. A mora é o comportamento do devedor em face do credor no sentido de retardar a prestação pecuniária. Comportamento este que não lhe poderia ser imputado quando prevalece a decisão judicial reconhecendo o tributo indevido. Considerase, ainda, que mesmo já existindo a regra expressa na lei, cuidou o órgão fiscalizador, Secretaria da Receita Previdenciária, trazêla para uma instrução normativa, orientando seus agentes que a cumpram. Cabe ainda esclarecer que este entendimento somente tem sentido na sistemática das contribuições previdenciárias, onde não se aplica a multa de ofício, mas tão somente a moratória. Constatase nos artigos 44 e 63 caput da Lei n° 9.430, de 27/12/96 que multa de mora e multa de ofício são excludentes entre si. Ou o pagamento é espontâneo, daí com a multa de mora, ou é de ofício, substituindose a primeira. Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/03/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37216.000771/200766 Acórdão n.º 230200.870 S2C3T2 Fl. 971 9 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) ... §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Mpv nº 303, de 2006) ... II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; Para os demais tributos federais, em não havendo pagamento durante os 30 dias seguintes à decisão judicial desfavorável, a multa de ofício é devida porque lhe foi oferecida legalmente a recuperação da espontaneidade e preferiu o sujeito passivo manterse inadimplente, não em razão do período anterior, em que prevalecia a medida liminar lhe favorável. Como a multa de ofício não é graduada em função do decurso do tempo, como no caso das contribuições previdenciárias, este entendimento, desposado em inúmeros acórdãos dos Conselhos de Contribuintes, se não reforça o que aqui se defende, ao menos não o contraria: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006). Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para excluir do crédito a multa moratória, nas razões ofertadas acima. Liege Lacroix Thomasi Relator Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/03/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 22/03/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.002976/2005-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2002
Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. Constatada
evidente contradição entre os fundamentos do acórdão e sua conclusão, acolhem-se os embargos que apontaram o vício para sanálo.
Embargos acolhidos.
Acórdão retificado.
Numero da decisão: 2201-001.112
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos para, retificando o acórdão nº 220100675, subtrair da base de cálculo do lançamento o valor correspondente a 800ha de área de preservação permanente.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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CONTRADIÇÃO. Constatada evidente contradição entre os fundamentos do acórdão e sua conclusão, acolhemse os embargos que apontaram o vício para sanálo. Embargos acolhidos. Acórdão retificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos para, retificando o acórdão nº 220100675, subtrair da base de cálculo do lançamento o valor correspondente a 800ha de área de preservação permanente Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Fl. 97DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Relatório Cuidase de Embargos Declaratórios interpostos pela Delegacia da Receita Federal em Cuiabá/MS em face do acórdão nº220100.675, de 16/06/2010. Em exame preliminar de admissibilidade, o presidente da Câmara acolheu os embargos e determinou a reinclusão do processo em pautas para exame pelo Colegiado. A DRF/Cuiabá/MS aponta possível contradição no acórdão 220100.675. Observa que, embora o acórdão recorrido tenha negado provimento ao recurso, manifestouse no sentido de que deveria ser considerada uma área de preservação permanente de 800,0ha, conforme consta da autuação. Registra a DRF/Cuiabá/MS, contudo, que nos cálculos feitos pela DRJ/Campo Grande/MS não foi considerada a área de 800,0ha como APP. É o relatório. Voto Os embargos foram interpostos tempestivamente. Dele conheço. Fundamentação Como se vê, a questão apontada nos embargos diz respeito ao fato de que a DRJ, ao recalcular a base de cálculo do imposto, deixou de considerar 800,0ha de área de preservação permanente, fato que foi aduzido pelo Recorrente no seu recurso. De fato verifico que, ao julgar procedente o lançamento e, ao final do voto, elaborar os cálculos do crédito tributário mantido, a DRJ não considerou a APP de 800,00ha, embora, no voto, tenha feito referência ao fato de que essa área fora considerada na própria autuação. Observo também que, no recurso, o Recorrente fez referência a este fato, que foi ignorado no julgamento deste Colegiado. Portanto, penso que, neste caso, houve uma omissão do acórdão recorrido ao não observar as ponderações do Recorrente sobre a área de 800,00ha de APP, o que levou à contradição identificada pela DRF/Cuiabá/MS. Assim, em conclusão, penso que a manifestação da DRF/Cuiabá deve ser conhecida e acolhida para que sena sanada a falta. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de acolher os embargos para, retificando o acórdão recorrido, subtrair da base de cálculo do lançamento o valor correspondente a 800ha de área de preservação permanente. Fl. 98DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10183.002976/200592 Acórdão n.º 220101.112 S2C2T1 Fl. 2 3 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CAMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Fl. 99DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Processo nº: 10183.002976/200592 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 01.112. Brasília/DF, 13 de maio de 2011. ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: // Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 100DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 16327.003480/2002-98
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Sun May 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA- IRPJ
Exercício: 1999
IRPJ. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO. PEDIDO FORMULADO ANTES DA PROMULGAÇÃO DA LEI Nº. 10.637/2002. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A regra do art. 74, § 40, da Lei nº 9.430/96, que determina a conversão dos pedidos de compensação pendentes de apreciação na data da promulgação da Lei nº. 10.637/2002, somente se aplica aos pedidos de compensação que se referiam a créditos próprios, não abarcando aqueles formalizados para aproveitamento de créditos de terceiros.
RECURSO DE OFICIO. MULTA DE OFÍCIO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIDO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO.
RETROATIVIDADE DA REGRA DO ART. 18 DA LEI 10.833/2003.
Nos termos da regra do art. 18 da Lei n°. 10.833/2003, na hipótese de não homologação de compensação requerida pelo contribuinte, o lançamento aplicará exclusivamente multa isolada quando verificada falsidade da declaração, não havendo autorização legislativa para imposição de multa de oficio em hipóteses de indeferimento de pedidos de compensação.
Precedentes deste Conselho.
Numero da decisão: 1103-000.485
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA- IRPJ Exercício: 1999 IRPJ. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO. PEDIDO FORMULADO ANTES DA PROMULGAÇÃO DA LEI Nº. 10.637/2002. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A regra do art. 74, § 40, da Lei nº 9.430/96, que determina a conversão dos pedidos de compensação pendentes de apreciação na data da promulgação da Lei nº. 10.637/2002, somente se aplica aos pedidos de compensação que se referiam a créditos próprios, não abarcando aqueles formalizados para aproveitamento de créditos de terceiros. RECURSO DE OFICIO. MULTA DE OFÍCIO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIDO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE DA REGRA DO ART. 18 DA LEI 10.833/2003. Nos termos da regra do art. 18 da Lei n°. 10.833/2003, na hipótese de não homologação de compensação requerida pelo contribuinte, o lançamento aplicará exclusivamente multa isolada quando verificada falsidade da declaração, não havendo autorização legislativa para imposição de multa de oficio em hipóteses de indeferimento de pedidos de compensação. Precedentes deste Conselho.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-10-05T17:50:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 6; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-10-05T17:50:15Z; Last-Modified: 2011-10-05T17:50:15Z; dcterms:modified: 2011-10-05T17:50:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:42539a99-1022-4922-ab36-fba633b5a787; Last-Save-Date: 2011-10-05T17:50:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-10-05T17:50:15Z; meta:save-date: 2011-10-05T17:50:15Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-10-05T17:50:15Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-10-05T17:50:15Z; created: 2011-10-05T17:50:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2011-10-05T17:50:15Z; pdf:charsPerPage: 1664; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-10-05T17:50:15Z | Conteúdo => SI-CITi Fl. 170 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16327.003480/2002-98 Recurso n° 156.388 De Oficio e Voluntário Acórdão n° 1101-00.485 — P Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 29 de maio de 2011 Matéria IRPJ Recorrentes FAZENDA NACIONAL e ITAU CAPITALIZAÇÕES S.A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA- IRPJ Exercício: 1999 IRPJ. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO. PEDIDO FORMULADO ANTES DA PROMULGAÇÃO DA LEI N". 10.637/2002. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A regra do art. 74, § 40, da Lei no. 9.430/96, que determina a conversão dos pedidos de compensação pendentes de apreciação na data da promulgação da Lei n". 10.637/2002, somente se aplica aos pedidos de compensação que se referiam a créditos próprios, não abarcando aqueles formalizados para aproveitamento de créditos de terceiros. RECURSO DE OFICIO. MULTA DE OFÍCIO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIDO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE DA REGRA DO ART. 18 DA LEI 10.833/2003. Nos termos da regra do art. 18 da Lei n°. 10.833/2003, na hipótese de não homologação de compensação requerida pelo contribuinte, o lançamento aplicará exclusivamente multa isolada quando verificada falsidade da declaração, não havendo autorização legislativa para imposição de multa de oficio em hipóteses de indeferimento de pedidos de compensação. Precedentes deste Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. i ALOYSIO JOSÉ - PERCINIO DA SILVA - Presidente HUGO C - Relator EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percinio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero (Vice Presidente), Mário Sérgio Fernandes Barroso, Cristiane Silva Costa, José Sérgio Gomes (Suplente Convocado). Declarou-se impedido o Conselheiro Marcos Shigueo Takata. 2 Processo WI 16327.003480/2002-98 SI-CIT1 Actirdilo n.' 1101-00.485 Fl. 171 Relatório Trata-se de pedido de restituição/compensação formalizado por Hail Capitalização S/A no escopo de utilizar crédito de terceiro (INTRAG Administração e Participações Ltda), pedido este indeferido pela Delegacia da Receita Federal de Sao Paulo (SP) em face da identificação de divergências na apuração do valor do crédito informado pelo Cedente. Indeferido o pedido de compensação, foi lavrado auto de infração para exigir da Recorrente o pagamento dos tributos declarados e não compensados — Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) devidos em 31/05/1999 e 30/06/1999. Cientificada, apresentou a Recorrente impugnação ao lançamento, consignando, em síntese: (a) h época do protocolo dos pedidos de compensação a legislação de regência permitia a utilização de créditos de terceiros para quitação, via compensação, de débitos próprios (art. 15 da IN SRF if. 21/97); (b) a decisão que indeferiu o pedido de restituição formulado pelo terceiro/cedente foi atacada por especifica manifestação de inconformidade; (e) ainda que aviada em momento anterior à. edição da Medida Provisória 135/2003, posteriormente convertida na Lei 10.833/2003, à manifestação de inconformidade apresentada pelo Cedente deveria ter sido aplicada a sistemática própria das declarações de compensação — suspensão da exigibilidade do crédito. A impugnação foi rejeitada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Sao Paulo I (SP), assim: "DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. 0 regime da compensação, instituído pela Medida Provisória n° 66/02 e pela Medida Provisória 135/03, que é realizada por meio de declaração (DCOMP) prestada SRF, não alcança, sob hipótese algtuna, os casos de pedidos de compensação com créditos de terceira pessoa, que o presente caso. JUROS MORATÓRIOS. CABIMENTO. 0 não recolhimento do tributo até o vencimento legal da obrigação implica a cobrança de juros moratórios seja qual for o motivo determinante da falta. MULTA DE OFICIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se a lei a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos .severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Lançamento Procedente em Parte." Em face do acórdão da Delegacia de Julgamento interpôs o contribuinte o recurso voluntário de fls. 73-80, pelos seguintes fundamentos: 3 "Portanto, está totalmente infundada a argumentação da decisão recorrida, pois se o requisito para que a manifestação de inconformidade suspenda a exigibilidade do débito compensado é que o crédito decorra de Declaração c/c Compensagão e a própria Lei impõe a conversão dos pedidos de compensação (protocolados antes da vigência da Lei n° 10.637/2002, mas antes c/c apreciação da autoridade) em Declaração de Compensação, significa dizer que os Processos Administrativos us. 16327.001378/99-64 e 16327.001729/99-37 são decorrentes de Declaração de Compensação!. Por isso, aplicam-se aos processos administrativos em que se discute o crédito todo o disposto no art. 74 da Lei 17° 9.430/96 e não somente parte dele. Ainda que 100 houvesse essa disposição contida no §4° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, coin a redação da Lei n° 10.637/2002, de que os pedidos de compensação foram convolados em Declaração de Compensação para todos os eleitos desse artigo, seria evidente que a regra que dispõe sobre a manifestação de inconformidade se aplica a todos os processos administrativos em andamento." Postula a Recorrente, então, a reforma da decisão pronunciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento para: (a) declarar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto do lançamento de oficio enquanto pendente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Cedente; e (b) exclusão dos encargos moratórios. Processo remetido a este Conselho também por força de recurso de oficio, dada a exclusão, pela decisão da Delegacia de Julgamento, da multa de oficio aplicada pela autoridade lançadora, assim: "Embora a sistemática prevista pela MP n° 135, de 2003 dispense o lançamento de oficio, inclusive cai relação aos documentos apresentados anteriormente a sua vigência, os lançamentos que foram efetuados coin base no art. 90 da MP n°2.158-35, de 2001, assim como eventuais impugnações ou recursos tempestivos apresentados pelo sujeito passivo no curso do processo administrativo fiscal, constituem-se was perfeitos segundo a 1101711C1 vigente õ data em que )(brain elaborados, motivo pelo qual devem ser apreciados pelas instancias julgadoras administrativas previstas para o processo achilinistrativo fiscal. Pelo acima exposto, em .face do principio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, cabível a CX011Cra00 da multa de oficio sempre que se constatar que o lançamento decorreu de auditoria de declarações elitregues pelo siijeito passivo." o relatório. 4 Processo n° 16327.003480/2002-98 SI-CIT1 Acórdao n.° 1101-00.485 Fl. 172 Voto Conselheiro HUGO CORREIA SOTERO, Preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos recursos de Oficio c Voluntário. Observo, de inicio, o recurso de oficio. A Delegacia de Julgamento, considerando que o lançamento se referia a débitos espontaneamente informados pelo contribuinte através de declaração de compensação, hipótese que, de acordo com a legislação de regência, dispensa a formalização do lançamento, aplicou, retroativamente, a disposição inserta no art. 18 da Lei n°. 10.833/2003 para excluir a multa de oficio aplicada pela autoridade lançadora. Confira-se a citada disposição normativa, verbis: "Art. 18. 0 lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n" 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar- se-á à imposição de multa isolada em razão de não- homologação da compensacdo quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo." Nos termos da regra do art. 18 da Lei n°. 10.833/2003, na hipótese de não homologação de compensação requerida pelo contribuinte, o lançamento aplicará exclusivamente multa isolada quando verificada falsidade da declaração, não havendo autorização legislativa para imposição de multa de oficio em hipóteses de indeferimento de pedidos de compensação. nesse sentido a jurisprudência deste Conselho: "DÉBITOS INFORMADOS EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIDO E EM DCTF - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - CORREÇÃO - NECESSIDADE DA EXCLUSÃO DA MULTA DE OFICIO - DÉBITOS INFORMADOS EM DECLARAÇÃO PAES - DUPLICIDADE - VINCULA ÇÃO DOS VALORES LANÇADOS AO PAES - Indeferido o pedido de compensação de débitos do contribuinte com créditos de terceiros, semz inconformidade do contribuinte, mormente no período anterior a vigência da Medida Provisória n° 66/2002, pode-se efetuar o lançamento de oficio dos débitos, com Mero no antigo art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35, mesmos que estes estejam informados em DCTF vinculados à compensação. Entretanto, deve-se cancelar a multa de oficio vinculada aos débitos, por aplicação do principio da retroatividade benigna, em decorrência da alteração no dispositivo legal acima perpetrada pelo art. 18 da Lei n° 10.833/2003. Ainda, caso os mesmos débitos tenham .sido incluídos no PAES, vincula-se apenas o auto 5 de infra cão ao parcelamento especial, evitando a cobrança em duplicidade. (Acórdão n". 106-17.205, I" Conselho, 6a. Camara, rel. Giovanni Christian Nunes Campos, j. 17/12/2008) "MULTA DE OFÍCIO. FATO QUE DEIXOU DE SER CONSIDERADO INFRAÇÃO POR LEI POSTERIOR. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se retroativamente a lei (Lei 172 11.051, de 2004, art. 25) que tenha limitado a aplicação de multa de oficio, relativamente compensação informada em DCTF, aos casos de dolo, fraude ou simulação. " (Acórdão n". 201-80.470, 2" Conselho, 2". Camara, rel. José Antonio Francisco, j. 14/08/2007) "MULTA DE OFICIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Exclui-se integralmente a multa de oficio lançada, pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei 17. 10.833/2003, coin fundamento no art. 106, II, c, do CTV." (Acórdão 11". 202-18.044, 2" Conselho, 2". Camara, rei. António Zomer, j. 23/05/2007) Assim, nos termos da jurisprudência deste Conselho, não há reparos a fazer na decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento, pelo que conheço do recurso de oficio para negar-lhe provimento. Passo a analisar o recurso voluntário. Como dito, pretende o contribuinte, através do recurso voluntário interposto, obter a reforma da decisão proferida pela Delegacia da Julgamento para: (a) declarar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto do lançamento de oficio enquanto pendente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Cedente; e (b) exclusão dos encargos moratórios. Alega o contribuinte que o pedido de restituição formulado pelo terceiro/cedente (INTRAG Administração e Participações Ltda), bem como os pedidos de compensação, foram formalizados em momento anterior à alteração do regime de compensação estabelecido pelo art. 74 da Lei IV. 9.430/96. Nada obstante formalizados sob parâmetro normativo distinto, defende a Recorrente a obrigatoriedade de "conversão dos pedidos de compensação (protocolados antes da vigência da Lei n° 10.637/2002, mas antes de apreciação da autoridade) em Declaração de Compensação", nos ten -nos do que dispõe o § 4° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação da Lei n° 10.637/2002. A conversão dos pedidos de compensação em declarações de compensação (isto 6, aplicação da nova sistemática de compensação estabelecida pela Lei n°. 10.637/2002 e alterações posteriores) significaria atribuição de efeito suspensivo à manifestação de inconformidade apresentada pelo terceiro/cedente e, em consequência, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em lide. Esta a redação do preceito inscrito no § 4 0 do art. 74 da Lei no. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n". 10.637/2002: 6 Process() n° 16327.003480/2002-98 SI-CITI AcórcIdo n.° 1101-00.485 Fl. 173 "Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com transito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. § 42 Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo." A regra, que determina a conversão dos pedidos de compensação pendentes de apreciação na data da promulgação da Lei IV. 10.637/2002 "para os efeitos previstos neste artigo", aplica-se somente aos pedidos de compensação que se referiam a créditos próprios, não abarcando aqueles formalizados para aproveitamento de créditos de terceiros. Com efeito, a sistemática de compensação instituída pela Lei n°. 10.637/2002 refere-se exclusivamente ao aproveitamento de créditos próprios do requerente, vedando expressamente a compensação com créditos de terceiros (§ 12, II, "a", do art. 74 da Lei no. 9.430/96), de sorte que não se faz possível a conversão de pedidos de compensação que indicam créditos de terceiros, posto que tais compensações não se inserem no âmbito de incidência da regra. nesse sentido a manifestação deste Conselho: "PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÃCITA. Os pedidos de compensação de créditos de terceiros não se convertem em Declaração de Compensação, de sorte que não estão sujeitos a homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal." (Acórdão n". 102-49.362, 1" Conselho, 1". Camara, rel. Niibia Matos Moura, j. 5/11/2008) "PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PRÓPRIO COM DÉBITO DE TERCEIRO. CONVERSÃO EM DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. A sistemática relacionada a Declaração de Compensação, inclusive a conversão de pedidos de compensação efetuados ainda no antigo regramento, so se aplica as compensações de débitos próprios, motivo pelo qual aos pedidos de compensação de crédito próprio com débito de terceiros, apresentados nos moldes da IN SRF n.° 21, de 1997, é aplicável o regramento antes vigente. " (Acórdão n". 107-09.564, 1° Conselho, 7". Camara, rel. Luiz Martins Valero," 13/11/2008) Assim, a sistemática de compensação inaugurada pela promulgação da Lei n'. 10.637/2002 não tem aplicação aos anteriores pedidos de compensação pertinentes a créditos 7 dc terceiros, sendo a estes aplicável a legislação anterior que não previa efeito suspensivo As manifestações de inconformidade. No caso, a manifestação de inconformidade apresentada pelo terceiro/cedente não interfere na exigibilidade do crédito lançado contra a Recorrente, nem determina a nulidade do lançamento, corno defendido nas razões de recurso. Por fim, prejudicado o pedido de exclusão dos juros moratórios, vez que fulcrado na suspensão da exigibilidade do crédito, não reconhecida. Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para negar-lhe provimento. 8
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Numero do processo: 13054.001022/2003-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EFEITOS. EXTINÇÃO DO DÉBITO. APRESENTAÇÃO APÓS A DATA DO VENCIMENTO DO DÉBITO. ENCARGOS LEGAIS. INCIDÊNCIA.
A compensação de tributos federais será efetuada mediante a entrega à RFB, pelo sujeito passivo, da declaração de compensação, e a extinção do débito, sob condição resolutória, ocorre na data da apresentação da referida declaração de compensação. Ocorrendo apresentação de DCOMP após o vencimento do débito, sobre este incide os acréscimos moratórios legais.
PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EM DIVERSOS
PEDIDOS. UTILIZAÇÃO.
Cada pedido de ressarcimento protocolado ou apresentado em datas diversas deve ser analisado isoladamente e as declarações de compensação a ele vinculadas também serão analisadas à luz do crédito pleiteado e reconhecido pela RFB em cada pedido de ressarcimento.
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA.
Na compensação efetuada pelo sujeito passivo os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, entre a data do vencimento e a data da entrega da Declaração de Compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.020
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EFEITOS. EXTINÇÃO DO DÉBITO. APRESENTAÇÃO APÓS A DATA DO VENCIMENTO DO DÉBITO. ENCARGOS LEGAIS. INCIDÊNCIA. A compensação de tributos federais será efetuada mediante a entrega à RFB, pelo sujeito passivo, da declaração de compensação, e a extinção do débito, sob condição resolutória, ocorre na data da apresentação da referida declaração de compensação. Ocorrendo apresentação de DCOMP após o vencimento do débito, sobre este incide os acréscimos moratórios legais. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EM DIVERSOS PEDIDOS. UTILIZAÇÃO. Cada pedido de ressarcimento protocolado ou apresentado em datas diversas deve ser analisado isoladamente e as declarações de compensação a ele vinculadas também serão analisadas à luz do crédito pleiteado e reconhecido pela RFB em cada pedido de ressarcimento. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, entre a data do vencimento e a data da entrega da Declaração de Compensação. Recurso Voluntário Negado.
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EFEITOS. EXTINÇÃO DO DÉBITO. APRESENTAÇÃO APÓS A DATA DO VENCIMENTO DO DÉBITO. ENCARGOS LEGAIS. INCIDÊNCIA. A compensação de tributos federais será efetuada mediante a entrega à RFB, pelo sujeito passivo, da declaração de compensação, e a extinção do débito, sob condição resolutória, ocorre na data da apresentação da referida declaração de compensação. Ocorrendo apresentação de DCOMP após o vencimento do débito, sobre este incide os acréscimos moratórios legais. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EM DIVERSOS PEDIDOS. UTILIZAÇÃO. Cada pedido de ressarcimento protocolado ou apresentado em datas diversas deve ser analisado isoladamente e as declarações de compensação a ele vinculadas também serão analisadas à luz do crédito pleiteado e reconhecido pela RFB em cada pedido de ressarcimento. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, entre a data do vencimento e a data da entrega da Declaração de Compensação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 14/11/2003 a empresa AMADEO ROSSI S/A METALURGIA E MUNIÇÕES, já qualificada nos autos, apresentou a Declaração de Compensação de fl. 01, acompanhada do formulário “CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP” (fl. 02), relativo a créditos de PIS nãocumulativo, previsto no § 1o do art. 5o da Lei no 10.637/2002, referente ao 3º trimestre de 2003. Posteriormente, apresentou declaração retificadora e substituiu o formulário “CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP” pelo o de fl. 34, relativamente ao mês de setembro de 2003, no qual altera o valor do crédito utilizado nas compensações. A DRF em Novo Hamburgo RS incluiu na base de cálculo do PIS o valor dos créditos presumidos de IPI recebidos pela recorrente e, consequentemente, reconheceu créditos em valores inferiores aos declarados na DACON, e homologou as compensações declaradas (fls. 63 a 72), com os acréscimos legais devidos, apurando um saldo credor a favor da recorrente no valor de R$ 13.617,57. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 1016.057, de 29/05/2008, cuja ementa abaixo se transcreve. Ementa: MULTA E JUROS MORATÓRIOS. A espontaneidade do recolhimento não exclui a responsabilidade pelo pagamento dos acréscimos legais previstos pela legislação ordinária, nos recolhimentos ou compensações intempestivos de tributos. RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ANALISE CONJUNTA DE MAIS DE UM PROCESSO. Não existe amparo legal para que se determine que pedidos de ressarcimento e declarações de compensação, encaminhados em diferentes processos, sejam obrigatoriamente examinados em conjunto. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13054.001022/200364 Acórdão n.º 330201.020 S3C3T2 Fl. 3.53 3 Ciente desta decisão em 11/08/2008, a interessada ingressou, no dia 10/09/2008, com o recurso voluntário de fls. 114/121, no qual alega, em apertada síntese, que: 1 a diferença dos créditos devese ao fato da empresa ter feito a apuração e as compensações mês a mês e a Fiscalização fez uma apuração trimestral, gerando as diferenças de valores não compensados. 2 a legislação autoriza a utilização mensal dos créditos e não apenas trimestralmente, como fez a Fiscalização (art. 3º, §4º, da Lei nº 10.637/02, referente ao PIS; e art. 6º, §1º, II, da Lei nº 10.833/03, da Cofins) 3 outro ponto de divergência diz respeito ao período de ocorrência das compensações. Entende a recorrente que os pedidos de ressarcimento não se vinculam às compensações realizadas espontaneamente, não se equiparando às compensações “ex officio”. Solicita a realização de diligência para apurar qualquer tipo de discrepância nos valores utilizados pela recorrente, mas numa análise global do período fiscalizado. Solicita, por fim, que seja analisado, em conjunto, os seus 13 processos de ressarcimento, que relaciona. Na sessão realizada no dia 02/06/2010 esta Turma de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência para a DRF informar as razões da diferença entre o valor pleiteado à fls. 35 e o valor reconhecido, nos termos da Resolução nº 330200.045. Em atenção à referida resolução, a DRF ratificou o valor do ressarcimento reconhecido e informou que levou em consideração, na apuração do crédito, o valor do crédito apurado pela recorrente e informado na DACON, que é diferente do valor constante do pedido de ressarcimento, conforme informação às fls. 137/139. Ciente do resultado da diligência, a recorrente reitera a necessidade de análise conjunta dos 13 processos de pedido de ressarcimento para aproveitar os créditos remanescentes de uns com os débitos remanescentes de outros e protesta pela cobrança dos encargos legais quando as declarações de compensação foram apresentadas após o vencimento dos tributos compensados. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. O recurso voluntário foi conhecido e admitido na sessão realizada no dia 02/06/2010. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Como relatado, a empresa recorrente ingressou com pedido de ressarcimento de PIS não cumulativo e apresentou declaração de compensação vinculados ao pedido de ressarcimento. A RFB reconheceu o crédito em valor inferior ao constante da DACON porque incluiu na base de cálculo da exação a receita recebida a título de crédito presumido do IPI. Inconformada, a empresa recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi indeferida pela DRJ em Porto Alegre RS. Ciente da decisão de primeira instância, a empresa apresentou recurso voluntário no qual contesta o modo como a RFB efetuou as compensações declaradas, ou seja, utilizando os crédito de cada processo de pedido de ressarcimento com os débitos das declaração de compensação vinculadas pela recorrente ao mesmo processo e, também, por ter sido cobrado os encargos legais na hipótese da declaração de compensação ter sido apresentada após o vencimento do débito compensado. Pleiteia a recorrente, em verdade, que o seu crédito seja reconhecido como uno, englobando os 13 processos de pedido de ressarcimento e, em assim sendo, que seja o total do crédito reconhecido utilizado para homologar as compensações declaradas, sem acréscimos legais. Entende, ainda, a recorrente, que o seu direito à compensação pode ser exercido mensalmente porque assim autoriza a lei (§ 4º do art. 3º, c/c inciso II, do § 1º do art. 6º, todos da Lei nº 10.833/03). Sobre a possibilidade de se analisar englobadamente os 13 (treze) processos da recorrente que tratam de pedido de ressarcimento de PIS e de Cofins, entendo que não é possível pelas razões arroladas na decisão recorrida, que ratifico. De fato, as declarações de compensações apresentadas devem indicar, com precisão, qual é o crédito que foi utilizado na compensação, ou seja, em qual processo o crédito foi pleiteado ou reconhecido. Sendo insuficiente o crédito para extinguir a totalidade do débito, este será limitado ao valor do crédito e o saldo remanescente do débito pode ser compensado com crédito existente em outro ou outros processos de pedido de ressarcimento, desde que seja apresentado, em cada processo de crédito, a competente declaração de compensação informando a utilização desse crédito em compensação. Certo é que a compensação de débito em um processo está limitada ao crédito reconhecido neste mesmo processo. Se assim não for, a compensação somente poderá se operar de ofício, quando do ressarcimento em dinheiro de algum crédito, nos termos dos arts. 49 a 54 da IN RFB nº 900/08. Defende a recorrente que estar autorizada a efetuar, mensalmente, a compensação de crédito de PIS e de Cofins não cumulativo com débitos seus, por força do que dispõe o § 4º do art. 3º, c/c inciso II, do § 1º do art. 6º, todos da Lei nº 10.833/03. Enganase a recorrente porque, conforme diz textualmente o inciso II, in fine, do § 1º do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, a compensação ali autorizada deve observar a legislação específica aplicável à matéria, ou seja, à compensação. No caso, deve ser observado o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96, com as alterações das Leis nos. 10.637/02, 10.833/03, 11.051/04, 11.941/09 e 12.249/10, que regula todas as compensações, inclusive de crédito passível de ressarcimento. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13054.001022/200364 Acórdão n.º 330201.020 S3C3T2 Fl. 4.53 5 contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Portanto, não existe previsão legal para a recorrente efetuar, mensalmente, a compensação de débitos outros na conta gráfica do PIS. A previsão existente no inciso I do mesmo § 1º do art. 6º, da Lei nº 10.833/03 é para deduzir o “valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno” e não se confundo com o disposto no inciso II deste mesmo dispositivo legal que trata de compensação. Correto foi o procedimento da RFB que homologou as compensações declaradas pela recorrente neste processo, até o limite do crédito reconhecido. No caso específico deste processo, todas as compensações declaradas foram homologadas. Com relação aos acréscimos legais cobrados quando a declaração de compensação for apresentada após o vencimento dos débitos compensados, não há ilegalidade alguma no procedimento adotado pela autoridade da RFB, nos termos do que dispõe o art. 28 da IN SRF nº 210/02, com a redação da IN SRF nº 323, de 04/04/2003, vigente à época da apresentação das declarações de compensação. Diz o referido dispositivo normativo: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (Redação da IN 323, de 04/04/2003) (grifei). Esclareçase que os arts. 38 e 39 da IN SRF nº 210/02, acima referidos, tratam da restituição de quantias recolhidas ao Tesouro Nacional e não de ressarcimento. Por último, entendo prescindível a realização de diligência porque não há controvérsia sobre o valor do crédito reconhecido e o procedimento adotado pela recorrente nas compensações não encontra respaldo legal. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13002.000659/2005-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Ano-calendário:2003
Ementa:
Inconstitucionalidade de Lei.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Exclusão do SIMPLES. Efeitos.
Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2°;
A exclusão do SIMPLES na condição acima surtirá efeito a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente.
Numero da decisão: 1302-000.554
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir a compensação dos valores efetivamente pagos no SIMPLES, observada a partilha descrita no art. 23 da Lei 9317, de 1996.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Exclusão do SIMPLES. Efeitos. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° ; A exclusão do SIMPLES na condição acima surtirá efeito a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [ por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir a compensação dos valores efetivamente pagos no SIMPLES, observada a partilha descrita no art. 23 da Lei 9317, de 1996] (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Fl. 46DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13002.000659/200519 Acórdão n.º 1302000.554 S1C3T2 Fl. 44 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Sandra Maria Dias Nunes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi (vicepresidente) e Marcos Rodrigues de Mello Relatório Tratase de recurso voluntário em relação ao acórdão DRJ que manteve a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, promovida pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/NHO nº 542.601, emitido em 02/08/2004, fls. 10, sob o fundamento de que o sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e a receita bruta global no anocalendário de 2002 ultrapassou o limite legal, fato que veda a opção pelo Simples, de acordo com o disposto na Lei nº 9.317/1996. Os efeitos do referido ato retroagem a 01/01/2003. O contribuinte tomou ciência deste Ato em 26/08/2004 (fls.10) e apresentou Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples (SRS), em 24/09/2004, alegando a impossibilidade jurídica de se retroagir os efeitos da exclusão, sob pena de ofensa ao princípio da irretroatividade e que não se pode punir aquele que não tem conhecimento de seus atos, que é o seu caso. Diz, também, que a razão de sua exclusão é inverídica. E, no caso dela prosperar, só poderá ocorrer no mês posterior ao término da impugnação. Informa, também, que o sócio Claudir Pedrinho Bassani, CPF 263.734.08000 retirouse da sociedade Padaria e Confeitaria Bassani Ltda em 30/12/2003, conforme alteração e consolidação de Contrato Social de fls. 11 a 13. A SRS foi considerada improcedente em 11/11/2005, tendo em vista que o ADE observou a legislação pertinente e a Lei nº 9.317/1996 prevê a exclusão a partir da ocorrência da situação impeditiva ou excludente. O contribuinte tomou ciência da improcedência da solicitação em 28/11/2005 e protocolou manifestação de inconformidade em 23/12/2005, mantendo os argumentos utilizados na peça inicial (SRS), salientando a saída de Claudir Pedrinho Bassani da sociedade e alegando que se há recurso, há efeito suspensivo do ato de exclusão, não podendo ser exigida a tributação como se ela não fosse optante do Simples até que o processo administrativo se encerre. Ao final requer seja revisto o Ato Declaratório Executivo DRF/NHO nº 542.601. A DRJ decidiu: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES SÓCIO OU TITULAR PARTICIPA DE OUTRA EMPRESA COM MAIS DE 10% DO CAPITAL SOCIAL E A RECEITA BRUTA GLOBAL NO ANOCALENDÁRIO DE 2002 ULTRAPASSA O LIMITE LEGAL. EFEITOS. Fl. 47DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13002.000659/200519 Acórdão n.º 1302000.554 S1C3T2 Fl. 45 3 Constatada a participação de sócio ou titular com mais de 10% no capital social de outra empresa e a receita bruta global ultrapassar o limite legal, é devida a exclusão, com referência ao art. 9º, inciso IX, da Lei do Simples. Para as pessoas jurídicas enquadradas na hipótese acima, o efeito da mesma darseá a partir do mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente, de acordo com a IN nº 355/2003, art. 24, II. Não se enquadrando nas hipóteses de exclusão do Simples, poderá retornar ao sistema simplificado de tributação. Destacase no voto condutor do acórdão: O contribuinte se indispõe ao ato de exclusão, mas não contesta a situação que motivou esta exclusão, somente discorre sobre a inconstitucionalidade da aplicação da Lei nº 9.317/1996. Neste caso específico, Claudir Pedrinho Bassani, CPF 263.734.08000 é sócio da empresa Transdalla Transportes Ltda, CNPJ 93.415.198/000155 com 95% do capital social, desde 15/05/1990, data da abertura da mesma (fls. 22), e ainda era sócio da empresa Padaria e Confeitaria Bassani Ltda ME, CNPJ 94.888.476/000154 com 95% do capital social, desde 04/08/1992, data de sua abertura, retirandose da mesma em 13/05/2004 (fls. 24). Na alteração do contrato social de fls. 11 a 13, onde consta a saída do sócio Claudir Pedrinho Bassani, apesar de constar a data de 30/12/2003, somente foi registrada na Junta Comercial do RGS em 13/05/2004. Sendo assim, a situação excludente deixou de existir em 05/2004 quando o contribuinte Claudir providenciou na sua saída da empresa. O contribuinte alega na SRS que a razão de sua exclusão é inverídica. Conforme consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, confirmamos a informação de que a soma da receita bruta das duas empresas, a saber, a “Padaria e Confeitaria Bassani Ltda –ME” e “Transdalla Transportes Ltda”, no anocalendário de 2002 ultrapassou o limite legal que era de R$ 1.200.000,00. Abaixo a conclusão do acórdão: Diante de todo o exposto e de tudo que do processo consta, voto no sentido de DEFERIR EM PARTE a solicitação do contribuinte vertida a fls. 03, mantendo o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/NHO nº 542.601, de 02/08/2004 para os anoscalendário de 2003 e 2004, reformando a decisão para reincluir a empresa no Simples a partir do anocalendário de 2005. A recorrente tomou ciência do acórdão em 03/08/2009 e apresentou recurso em 01/09/2009. Em seu recurso alega que os efeitos retroativos do ADE é inconstitucional e ilegal e que não foram levados em consideração os pagamentos feitos na sistemática do simples. Fl. 48DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13002.000659/200519 Acórdão n.º 1302000.554 S1C3T2 Fl. 46 4 Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Quanto à alegação de inconstitucionalidade do efeito retroativo do ato declaratório executivo, aplicase a súmula nº 2 do 1º Conselho de Contribuintes: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à alegação de ilegalidade, prescreve a Lei 9317: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° ; Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º Como se pode observar, os efeitos da exclusão no caso da recorrente (sócio que participar com mais de 10% do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite do inciso II do art. 2º) se dão a partir do me subseqüente ao que incorrida a situação excludente. Portanto, foi a lei que determinou que os efeitos retroagem a data do fato e não podendo este colegiado analisar a constitucionalidade de lei, esta deve ser aplicada ao caso dos autos. Importante reproduzir a manifestação da DRJ sobre o momento da exclusão e sobre a re inclusão da recorrente na sistemática do simples Neste caso específico, Claudir Pedrinho Bassani, CPF 263.734.08000 é sócio da empresa Transdalla Transportes Ltda, CNPJ 93.415.198/000155 com 95% do capital social, desde 15/05/1990, data da abertura da mesma (fls. 22), e ainda era sócio da empresa Padaria e Confeitaria Bassani Ltda ME, CNPJ 94.888.476/000154 com 95% do capital social, desde 04/08/1992, data de sua abertura, retirandose da mesma em 13/05/2004 (fls. 24). Na alteração do contrato social de fls. 11 a 13, onde consta a saída do sócio Claudir Pedrinho Bassani, apesar de constar a data de 30/12/2003, somente foi registrada na Junta Comercial do RGS em 13/05/2004. Sendo assim, a situação excludente deixou de existir em 05/2004 quando o contribuinte Claudir providenciou na sua saída da empresa. Fl. 49DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13002.000659/200519 Acórdão n.º 1302000.554 S1C3T2 Fl. 47 5 Como se vê, o sócio Claudir retirouse da sociedade apenas em 13/05/2004, data do registro da alteração contratual na junta comercial, estando correta a decisão DRJ que reinclui a empresa na sistemática do Simples a partir de 01 de janeiro de 2005. Embora não alegada em sede de impugnação, analiso o pedido de aproveitamento dos pagamento feitos na sistemática do simples para compensação com os valores devidos em função da exclusão daquela sistemática. A jurisprudência deste colegiado tem entendido que é necessária a compensação dos valores efetivamente pagos na sistemática do simples com os devidos em função da exclusão do sistema: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004 Ementa: CONCOMITÂNCIA Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. COMPENSAÇÃO DARF/SIMPLES Para fins de determinação dos valores a serem lançados de ofício, a autoridade fiscal deve, antes, promover a subtração dos eventuais pagamentos efetuados pelo contribuinte no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES.(Acórdão 10517123) No voto condutor do acórdão, de relato do Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, consta: Em princípio, dos valores apurados pela fiscalização, em qualquer procedimento, devem, para fins de determinação do valor a ser lançado de oficio, ser subtraídos os correspondentes aos pagamentos feitos pelo sujeito passivo a mesmo título. A possibilidade de compensação de valores pagos espontaneamente com os apurados através do procedimento de oficio, portanto, a nosso ver, nasce a partir do momento em que se constata que os valores pagos anteriormente à instauração do procedimento de fiscalização referemse ao mesmo tributo objeto de lançamento. Nesse contexto, me manifestei, em ocasiões anteriores, pela impossibilidade de compensação de valores pagos na sistemática de recolhimento simplificado, calcado na argumentação de que, nessa sistemática, estaríamos diante de pagamentos que não guardavam relação com os apurados de oficio. Rendome, porém, aos valiosos argumentos trazidos por este colegiado, o sentido de que, a luz das disposições contidas no art. 3° da Lei n° 9.317, de 1996, a inscrição no SIMPLES implica pagamento, unificado, dentre outros, do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins, tributos e contribuições que foram objeto de lançamento no presente processo. Fl. 50DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13002.000659/200519 Acórdão n.º 1302000.554 S1C3T2 Fl. 48 6 Assim, sou pela compensação dos valores efetivamente pagos pela recorrente no SIMPLES, observada a partilha prevista no art. 23 da Lei n° 9.317, de 1996. Concordo com a argumentação acima exposta, que adoto como razão de meu voto sobre a matéria. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a compensação dos valores efetivamente pagos no SIMPLES, observada a partilha descrita no art. 23 da Lei 9317, de 1996. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 51DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 11634.000997/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/11/2004
Ementa: DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO – AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois trata-se de lançamento de ofício.
SALÁRIO INDIRETO – ALIMENTAÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT INCIDÊNCIA
DE CONTRIBUIÇÃO
O valor referente ao fornecimento de alimentação pela empresa a seus empregados sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial.
CESSÃO DE MÃO DEO BRA OU EMPREITADA – RETENÇÃO 11%.
A empresa contratante de serviços de construção civil, executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada, está obrigada a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa prestadora dos serviços.
Numero da decisão: 2301-002.028
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao Recurso, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Corrêa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao Recurso, no que tange ao argumento da Recorrente
sobre auxílio alimentação, nos termos do voto da Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Corrêa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao Recurso; II) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso na questão do fornecimento de veículos, nos termos do voto da Relator(a). Os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Corrêa
e Damião Cordeiro de Moraes acompanharam a votação por suas conclusões; b) em negar provimento ao Recurso, no argumento sobre a retenção, nos termos do voto da Relator(a); c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto da Relator(a). Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2002 a 30/11/2004 Ementa: DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO – AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois trata-se de lançamento de ofício. SALÁRIO INDIRETO – ALIMENTAÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O valor referente ao fornecimento de alimentação pela empresa a seus empregados sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. CESSÃO DE MÃO DEO BRA OU EMPREITADA – RETENÇÃO 11%. A empresa contratante de serviços de construção civil, executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada, está obrigada a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa prestadora dos serviços.
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO – AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Não havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. SALÁRIO INDIRETO – ALIMENTAÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O valor referente ao fornecimento de alimentação pela empresa a seus empregados sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. CESSÃO DE MÃODEOBRA OU EMPREITADA – RETENÇÃO 11%. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 A empresa contratante de serviços de construção civil, executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, está obrigada a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa prestadora dos serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao Recurso, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Corrêa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em negar provimento ao Recurso, no que tange ao argumento da Recorrente sobre auxílio alimentação, nos termos do voto da Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Corrêa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao Recurso; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso na questão do fornecimento de veículos, nos termos do voto da Relator(a). Os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Corrêa e Damião Cordeiro de Moraes acompanharam a votação por suas conclusões; b) em negar provimento ao Recurso, no argumento sobre a retenção, nos termos do voto da Relator(a); c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto da Relator(a). Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Ausência momentânea: Adriano Gonzáles Silvério. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11634.000997/200742 Acórdão n.º 230102.028 S2C3T1 Fl. 186 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à contribuição dos segurados, à da empresa, à destinada ao SAT e aos Terceiros, incidentes sobre o pagamento de segurados empregados e contribuinte individuais, e a referente à retenção de 11%, prevista no art. 31, da Lei 8.212/91, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviço de construção civil ou com cessão de mãodeobra. Conforme Relatório Fiscal (fls.74 a 86), os fatos geradores da contribuição lançada são: a) pagamentos relativos a cestas básicas e refeições fornecidas aos segurados empregados, sem adesão ao PAT; b) pagamento de remunerações de segurados contribuintes individuais autônomos, indicadas em documentos de pagamento e na contabilidade; c) o fornecimento de um veículo ao sócioadministrador da empresa, cujo valor foi considerado remuneração pela fiscalização; Segundo relato fiscal, o débito referese também ao desconto da contribuição de onze por cento (11%), devida pelo Contribuinte Individual a partir de 04/2003 e as contribuições incidentes sobre o valor bruto das notas fiscais de serviço ou faturas, dos prestadores de serviço/empreiteiros de mão de obra. A autoridade lançadora informa que a empresa apresentou notas fiscais e um recibo emitidos por contribuintes individuais autônomos para pagamentos por serviços prestados, e discrimina, nos quadros 2 e 3, cada segurado, os valores pagos, datas de emissão das notas e o número da conta de despesa da contabilidade onde os valores foram lançados. Lista os nomes ou razões sociais das empresas que prestaram serviços à Royal, com os respectivos CNPJ, e as contas contábeis que registram as notas fiscais emitidas, referentes a estes serviços. Esclarece que as empresas constantes do Quadro 4 prestaram serviços de construção civil, com exceção das empresas Cobraseg e JRm que prestaram serviços respectivamente de segurança e limpeza. Expõe os motivos pelos quais entende que cabe a retenção prevista no art. 31 da Lei 8.212/91 nos serviços prestados pelas empresas contratadas e informa que a notificada não apresentou os documentos que geraram os lançamentos contábeis indicados no Quadro 5. Relata, ainda, que foi constatado, em 31/12/02, o lançamento do valor de R$53.670,00 na conta veículos, pertence ao grupo de contas 1700000 — Ativo Imobilizado do Ativo Permanente, presente nos Livros Diário e Razão da empresa, cujo histórico informa ser ele relativo à aquisição de um veículo MercedesBens C200 Kompressor. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Como a empresa não apresentou os documentos que geraram tal lançamento contábil e como esse é um carro de passeio de alto padrão e não um veículo de uso operacional, foi considerado que a sua aquisição se destinou ao uso particular, e não profissional, da sócia administradora da Royal. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0616735, da 7a Turma da DRJ/CTA (fls. 69), julgou o lançamento procedente. A notificada, inconformada com a decisão, apresentou recurso tempestivo (fls. 159), reiterando os temos de sua impugnação. Preliminarmente, alega cerceamento de defesa, argumentando falta de aferição da subsunção do fato tributado à hipótese legal de incidência, e não capitulação legal e específica da infração cometida, pois entende que indicar dispositivos legais genericamente, é a mesma coisa que não indicar o dispositivo legal infringido pelo contribuinte. No mérito, reitera que não incide contribuição previdenciária sobre os valores relativos à concessão de cestas básicas aos empregados da empresa e que não pode concordar com a absurda retenção sobre o valor da receita de prestação de serviços, notadamente aqueles não previstos em lei, face à sua total inconstitucionalidade em razão de ofender o princípio da legalidade, além de conter vício formal a lei que a instituiu. Sustenta que o art.31 da Lei 8.212/91, que define os contribuintes sujeitos à retenção, os enumera taxativamente em seus incisos I a IV, porém ressalvando que tais contribuintes estão sujeitos a tal "retenção", "além de outros estabelecidos em regulamento", o que por si só já ofende o principio da legalidade e o principio da independência e da harmonia dos Poderes da União, o qual veda a "delegação legislativa". Reafirma que esse dispositivo legal é inconstitucional porque, além de confiscatório, cria empréstimo compulsório, também inconstitucional por ofender o art.148 da Constituição Federal. Em relação à tributação do valor de R$53.670,00, referente à aquisição de um veiculo descrito no Relatório Fiscal, e que faz parte do imobilizado da empresa, alega que a imposição é absurda, pois além de não demonstrar o dispositivo legal em que se fundamenta o fisco, como se trata de uma empresa de loteamento e construção, os diretores só poderiam talvez dirigir tratores, caminhões, etc. Qualifica de arbitrária e descabida de qualquer fundamentação legal essa imposição, pois imobilizado não é despesa e muito menos rendimento de sócio administrador. Alega, por fim, decadência de parte do débito. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11634.000997/200742 Acórdão n.º 230102.028 S2C3T1 Fl. 187 5 Voto Conselheiro Preliminarmente, a recorrente alega cerceamento de defesa, argumentando que houve falta de aferição da subsunção do fato tributado à hipótese legal de incidência e defendendo que a capitulação legal de forma genérica dificulta a defesa do contribuinte. Contudo, verificase que a autoridade notificante deixou muito claro, nos relatórios que integram a NFLD, quais os fatos geradores que ensejaram o lançamento, apontando o fundamento legal que ampara a retenção e expondo, com muita propriedade, os motivos pelos quais entendeu que as verbas assinaladas integram a base de cálculo da contribuição previdenciária, bem como que os serviços prestados pelas empresas contratadas pela recorrente se enquadram nas hipóteses de que trata o art. 31, da Lei 8.212/91. A fiscalização identificou, de forma clara e precisa, as bases de cálculo da contribuição previdenciária, anexando à NFLD documentos comprobatórios da ocorrência do fato gerador e apontando os dispositivos legais e normativos que disciplinam o lançamento. E como não é facultado ao agente fiscal deixar de cumprir a lei, ao constatar a ocorrência do fato gerador, lançou corretamente o presente débito, discriminando clara e precisamente os dispositivos legais aplicáveis ao caso, já que o relatório FLD Fundamentos Legais do Débito, relaciona a legislação que fundamenta as contribuições que constituem o presente lançamento, além do dispositivo legal que confere a competência para fiscalizar e atuar. Observase, ainda, que a autoridade autuante observou todos os mandamentos contidos no art. 11, do Decreto 70.235/72, na lavratura da NFLD. A NFLD, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito era, à época de sua lavratura, o instrumento que notifica o contribuinte de que ele é devedor da Previdência Social da quantia nela expressa. Dessa forma, o auditor notificante constituiu o crédito tributário por intermédio da presente NFLD, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91: Art.37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Dessa forma, reiterase, ao contrário do que afirma a recorrente, a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Assim, não há que se falar em nulidade da NFLD, motivo pelo qual rejeito a preliminar de cerceamento de defesa. A recorrente alega, ainda, decadência de parte do débito. Verificase que a fiscalização lavrou o presente AI com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11634.000997/200742 Acórdão n.º 230102.028 S2C3T1 Fl. 188 7 “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. A NFLD foi consolidada em 30/07/2007, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 12/09/2007, conforme AR de fl. 99. No caso em tela, entendo que aplicase a regra contida no art. 173, do CTN, uma vez que, para os levantamentos relativos à cesta básica e veículos, não houve recolhimento antecipado, já que a empresa não considerava tais valores integrantes da base de cálculo, e os Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 levantamentos relativos à obrigatoriedade do contratante de serviço mediante cessão de mão deobra ou empreitada de reter 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviço, verificase que não houve adiantamento do tributo, tratandose, portanto, de lançamento de ofício. O art. 173 citado estabelece que: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; O lançamento se refere ao período de 04/2002 a 11/2004. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que não se operara a decadência do direito de constituição do crédito lançado. No mérito, verificase que a recorrente não nega que forneceu auxílio alimentação a seus empregado ou que tenha fornecido o veículo apontado pela fiscalização a sua gerente. Ela apenas entende que os valores relativos à essas verbas não integram o salário de contribuição. No entanto, o conceito de salário de contribuição expresso no art. 28, incisos I e III da Lei 8.212/91 é “...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades...” e “a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o” (grifei).. O § 2º, do art. 458, da CLT, assim dispõe sobre os salário pagos “in natura”: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado....”. A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) Ademais, é oportuno lembrar que, conforme art. 176 do CTN, “a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...”. No presente caso, não resta dúvida que os valores relativos às cestas básicas fornecidas aos empregados sem adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador não estão incluídas nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11634.000997/200742 Acórdão n.º 230102.028 S2C3T1 Fl. 189 9 De fato, a alínea “c”, do citado § 9º, com redação dada pela Lei nº 9.528/97, exclui do salário de contribuição apenas a parcela “in natura” recebida de acordo com o PAT, o que não é o caso em tela, já que a fiscalização constatou que não houve adesão ao referido Programa, o que foi confirmado pela recorrente em sua peça recursal. Corrobora nesse sentido o Parecer/CJ nº 1.059/97, cuja ementa transcrevo a seguir: EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA SOBRE SALÁRIO ALIMENTAÇÃO. SALÁRIO IN NATURA. Levantamento de crédito por falta de recolhimento à Previdência Social do pagamento de salário in natura (Refeição). Devese restabelecer o crédito originariamente lançado posto que integra o saláriodecontribuição as parcelas pagas a funcionários à título de AuxílioAlimentação, cujo programa não tenha sido aprovado pelo Ministério do Trabalho, conforme previsto no artigo 3º, da Lei nº 6.321/76. Parecer pela mantença do crédito. Da mesma forma, a fiscalização constatou a aquisição de um veículo MercedesBens C200 Kompressor, cujo valor foi contabilizado na conta veículos, pertencente ao grupo de contas 1700000 — Ativo Imobilizado do Ativo Permanente, presente nos Livros Diário e Razão da empresa. A empresa não comprovou que tal aquisição seria destinado ao uso profissional da sócia administradora da empresa. A recorrente afirma que o veículo em questão faz parte do imobilizado da empresa, e qualifica de absurda a imposição fiscal. Alega que o fisco não demonstrou o dispositivo legal fundamenta o lançamento, e infere que a autoridade fiscal entendeu que, como se trata de uma empresa de loteamento e construção, os diretores só poderiam talvez dirigir tratores, caminhões, etc. Todavia, como já exposto acima, a fiscalização fundamentou o levantamento no art. 28, inciso III, da Lei 8.212/91, e em nenhum momento registrou que os diretores somente poderiam dirigir caminhões ou tratores. Pelo contrário, buscou elementos que pudessem demonstrar que o veículo seria usado para o trabalho. Contudo, apesar de solicitado por meio de TIAD, a empresa não apresentou os documentos que geraram o lançamento contábil de tal aquisição. Dessa forma, o valor relativo à aquisição do veículo para uso da sócia da empresa integra o salário de contribuição, conforme inciso III, art 28, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.876/99. A notificada sustenta, ainda, que o art.31 da Lei 8.212/91, que define os contribuintes sujeitos à retenção e os enumera taxativamente em seus incisos I a IV, faz também ressalva de que tais contribuintes estão sujeitos à retenção, "além de outros Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 estabelecidos em regulamento", o que por si só já ofende o principio da legalidade e o principio da independência e da harmonia dos Poderes da União, o qual veda a "delegação legislativa". Reafirma que esse dispositivo legal é inconstitucional porque, além de confiscatório, cria empréstimo compulsório, também inconstitucional por ofender o art.148 da Constituição Federal. Porém, o Decreto, que tem natureza de ato normativo regulamentador dos preceitos contidos em lei, deve interpretála e esmiuçála de forma a legitimála em sua plenitude, tornandoa aplicável aos casos concretos. Não se vislumbra, no caso em tela, a “delegação legislativa”, já que o Regulamento, aprovado pelo Decreto 3.048/99, apenas cumpriu seu papel regulamentador. Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. A retenção é uma obrigação principal legal imposta à empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada. A Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, obriga diretamente o contratante dos serviços a efetuar a retenção. O seu art. 31 assim dispõe: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância devida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente de mãodeobra, observado o disposto no parágrafo 5. º do art. 33. Dessa forma, a Lei 8.212/91 estabelece, no art. 31, na redação transcrita acima, que empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância devida aos cofres da Previdência Social. Quanto à legalidade da exação discutida, cumpre informar que o próprio Supremo Tribunal Federal já reconheceu que a obrigação de efetuar a retenção introduzida no art. 31 da Lei 8.212/91 pela Lei 9.711/98 não se configura em criação de um novo tributo e sim em alteração na forma de recolhimento da contribuição, conforme voto do Min. Relator CARLOS VELLOSO, cujo trecho transcrevo abaixo: RE 393946/MG Relatório: A 3ª Turma do Eg. Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em mandado de segurança, deu provimento à apelação e à remessa oficial decidindo pela legitimidade da retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços, introduzida pelo art. 31 da Lei 8.212/91, redação dada pela Lei 9.711/98, uma vez que a citada retenção objetivou facilitar a arrecadação e a fiscalização do recolhimento das contribuições para a Previdência Social, bem como prevenir a sonegação, sendo certo que ela não institui empréstimo compulsório, Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11634.000997/200742 Acórdão n.º 230102.028 S2C3T1 Fl. 190 11 aumento de alíquota ou confisco, tampouco viola a capacidade contributiva ou qualquer princípio constitucional. O acórdão restou assim ementado: "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. RETENÇÃO DE 11% (ONZE POR CENTO) SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU DA FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ARTIGO 31 DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI Nº 9.711/98. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. DECISÕES TRIBUTÁRIAS DO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. RETENÇÃO DE 11% (ONZE POR CENTO) SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU DA FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ARTIGO 31 DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI Nº 9.711/98. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. 1. As modificações introduzidas pela referida Lei 9.711/98 visam, apenas e tãosomente, facilitar a arrecadação e a fiscalização do recolhimento das contribuições para a Previdência Social, prevenindo a sonegação, não havendo nisso nenhuma ilegalidade ou inconstitucionalidade. 2. Com efeito, não se cuida de uma nova fonte de custeio para a Seguridade Social (C.F., art. 195, § 4º), nem, tampouco, de imposto criado na área da competência residual da União (C.F., art. 154, I) ou instituição de empréstimo compulsório (C.F., art. 148). O que houve, não faz mal repetir, foi uma alteração na forma de recolhimento da contribuição previdenciária, sem nenhuma afronta à Constituição, atribuindo responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, o que é permitido não só pelo Código Tributário Nacional (art. 128), como, também, pela atual Carta Magna, que prevê, inclusive, o pagamento antecipado do imposto ou contribuição, com possibilidade de compensação e/ou restituição (C.F., art. 150, § 7º), exatamente como previsto na Lei 9.711/98, ora impugnada, pelo que não há que se falar ou sustentar em, repito, empréstimo compulsório, aumento de alíquota, confisco ou transgressão a qualquer princípio constitucional, muito menos o da capacidade contributiva. (...) No caso, entretanto, registra Fábio Zambitte Ibrahim, com propriedade, que, "mutatis mutantis, é possível comparar a obrigatoriedade da retenção dos 11% com o desconto do imposto de renda na fonte. Em ambas as situações, a fonte pagadora tem dever legal de efetuar determinada retenção, diminuindo o valor pago. É um facere, isto é, uma prestação positiva imposta a determinada pessoa, no interesse da arrecadação de exações devidas." (Fábio Zambitte Ibrahim, "A Retenção de 11% Sobre a MãodeObra", LTr Editora, 2000, pág. 23). Não se tem, portanto, contribuição nova. Temse, sim, "mera obrigação acessória." (Fábio Zambitte Ibrahim, ob. cit., pág. 32). Aqui, repetese, o tomador do serviço, ou o contratante Fl. 11DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, fica obrigado a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente. Não há falar, portanto, vale repetir, em contribuição nova, ou contribuição decorrente de outras fontes C.F., art. 195, § 4º.(grifos meus) Assim, o Supremo concluiu que a Lei 9.711/98 não introduziu nova contribuição e sim nova obrigação acessória, que é a de reter 11% sobre o valor dos serviços prestados contidos na nota fiscal ou fatura. Cumpre destacar que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica”. (grifei) E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria, por meio do Enunciado 02/2007, transcrito a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Assim, a empresa notificada, na condição de tomadora de serviços com cessão de mãodeobra ou empreitada, está obrigada a tal procedimento, e o agente fiscal, ao constatar a prestação de serviço com cessão de mãodeobra e ou empreitada e a falta da retenção, lavrou corretamente a presente NFLD, em observância ao disposto no § 5º do art. 33, da Lei 8.212/1991: Art. 33. (...) §5ºO desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Nesse sentido e, Considerando tudo mais que dos autos consta Voto no sentido de CONHECER do recurso e, no mérito, NEGARHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11634.000997/200742 Acórdão n.º 230102.028 S2C3T1 Fl. 191 13 Bernadete de Oliveira Barros Relatora Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, 1. Preliminarmente, tendo em vista o período de apuração da exação objeto do presente recurso, se faz necessária a verificação, de ofício da matéria relativa aos débitos atingidos pela decadência, nos termos do Código Tributário Nacional. 2. Sobre essa questão, cumpre dizer que o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, verbis: Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 3. Os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 4. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Fl. 13DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 5. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência, prevista no Código Tributário Nacional – CTN, se aplica ao caso concreto. 6. Acerca das regras de verificação da decadência do crédito tributário, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está consolidada no seguinte sentido: “[...] 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “[...] 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos Fl. 14DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11634.000997/200742 Acórdão n.º 230102.028 S2C3T1 Fl. 192 15 ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. Incasu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 7. O recolhimento comprovado de parte das contribuições sociais previdenciárias, ainda que a incidência seja sobre as demais parcelas não lançadas, me leva ao convencimento de que deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 150, §4º do CTN, considerando a incidência do tributo e o seu recolhimento sobre à totalidade da folha salarial da empresa. 8. A contribuição social é um só tributo incidente sobre a folha de salário. A base de cálculo é que pode variar de acordo com a remuneração aferida pelos trabalhadores. Havendo recolhimento de parte dessa exação, devese aplicar o entendimento do STJ (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 9. Considerando que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 12/09/2007 – referente às contribuições do período de 01/04/2002 a 30/11/2004 –, ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências até 08/2002. Restando, entretanto, mantidas as competências de 09/2002 a 11/2004. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 DO AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO 10. No que diz respeito ao auxílio alimentação fornecido pela empresa, entendo que não incide a contribuição social previdenciária sobre a rubrica, por se tratar de verba indenizatória. Tratase em verdade do fornecimento de alimentação para o trabalhador exercer o seu ofício diário, de maneira que não se mostra cabível a tributação de uma verba sem o cunho salarial. 11. Ademais, os valores considerados pela fiscalização eram módicos e não possuíam o condão de substituir a remuneração dos empregados, burlando a legislação tributária. Ao contrário, o fisco não demonstrou que houvesse simulação ou dolo por parte dos representantes da empresa. 12. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário manejado pelo contribuinte, para no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo a decadência do crédito tributário referente às competências até 08/2002 e mantendo o lançamento das competências de 09/2002 a 11/2004, bem como para decotar os valores a título de auxílio alimentação. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 16DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/10 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 04/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10840.001644/2004-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/2001 a 28/02/2004
DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE.
Não provada violação das disposições contidas no Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/06/2001 a 28/02/2004
BASE DE CÁLCULO
A base de cálculo da Cofins com incidência cumulativa é o faturamento
mensal da pessoa jurídica, assim considerada a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, excluídas outras receitas.
DIFERENÇAS APURADAS E NÃO DECLARADAS
As diferenças entre a contribuição declarada nas respectivas DCTFs mensais e a efetivamente devida, apurada com base nos documentos fiscais e na escrita contábil do contribuinte, estão sujeitas a lançamento de ofício, acrescidas das cominações legais.
JUROS DE MORA À TAXA SELIC
Súmula CARF nº 4:
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO
O percentual da multa no lançamento de ofício é previsto legalmente, não cabendo sua graduação subjetiva em âmbito administrativo.
MULTA AGRAVADA
A declaração reiterada por mais de três exercícios seguidos nas respectivas DIPJs e DCTFs da contribuição apurada e devida mensalmente por valores muito inferiores aos efetivamente devidos constitui fraude que enseja o agravamento da multa ofício.
Numero da decisão: 3301-000.858
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as
preliminares de nulidade da decisão recorrida, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2001 a 28/02/2004 DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. Não provada violação das disposições contidas no Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2001 a 28/02/2004 BASE DE CÁLCULO A base de cálculo da Cofins com incidência cumulativa é o faturamento mensal da pessoa jurídica, assim considerada a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, excluídas outras receitas. DIFERENÇAS APURADAS E NÃO DECLARADAS As diferenças entre a contribuição declarada nas respectivas DCTFs mensais e a efetivamente devida, apurada com base nos documentos fiscais e na escrita contábil do contribuinte, estão sujeitas a lançamento de ofício, acrescidas das cominações legais. JUROS DE MORA À TAXA SELIC Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO O percentual da multa no lançamento de ofício é previsto legalmente, não cabendo sua graduação subjetiva em âmbito administrativo. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 MULTA AGRAVADA A declaração reiterada por mais de três exercícios seguidos nas respectivas DIPJs e DCTFs da contribuição apurada e devida mensalmente por valores muito inferiores aos efetivamente devidos constitui fraude que enseja o agravamento da multa ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. José Adão Vitorino De Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Ribeirão Preto, SP, que julgou procedente o lançamento da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) referente aos fatos geradores dos meses de competência de junho de 2001 a fevereiro de 2004, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal às fls. 06/07. O lançamento decorreu de diferenças entre os valores declarados/pagos e os efetivamente devidos, apuradas com base nos livros fiscais e escrita contábil. Inconformada com a exigência do crédito tributário, a recorrente interpôs a impugnação às fls. 648/687, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “a) recebera bonificações concedidas pelas empresas industrializadoras, que deveriam ser excluídas da base de cálculo apurada; b) a definição de receita bruta dada pela Lei n° 9.718, de 1998, art. 3° trata se de nova fonte de custeio, passível de ocorrer apenas por lei complementar; inconstitucional, portanto; c) a elevação da alíquota, por lei ordinária, é inconstitucional, em face do princípio da hierarquia das leis; d) é incabível não reconhecer a possibilidade de apurarse a base de cálculo adotandose o critério da não cumulatividade; e) improcede o valor do ICMS compor a base de cálculo da contribuição; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10840.001644/200419 Acórdão n.º 330100.858 S3C3T1 Fl. 934 3 f) é ilegal a imposição de juros baseada na taxa Selic; g) a multa imposta tem caráter confiscatório e atenta contra o princípio da razoabilidade. Ao final, propugnou fosse julgado improcedente o lançamento ora sob exame ou, então, fosse revisto, observandose: a) a exclusão dos valores relativos a outras receitas, inclusive as decorrentes de bonificação; b) apurarse a base de cálculo nos termos da LC 70, de 1991, bem assim alíquota de 20, afastandose as disposições constantes da Lei n° 9.718, de 1998, no tocante à determinação da base de cálculo; c) a aplicação da sistemática da nãocumulatividade; d) a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da Cofins; e) a limitação dos juros a 1% ao mês, afastandose a incidência de juros Selic, bem assim o cancelamento da multa de ofício, em vista de seu caráter confiscatório. Requereu, caso necessária, a produção de prova pericial com o fim de ‘excluir as bonificações, bem como para a delimitação da base de cálculo tendo em vista o aumento da alíquota de 2% para 3% bem como pela impossibilidade do alargamento proposto pela lei 9.718/98’. Requereu, por fim, ajuntada de novos documentos.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgou o lançamento procedente, conforme acórdão nº 5.965, datado de 27/08/2004, às fls. 718/730, sob as seguintes ementas. “MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins, podendo, a partir de fevereiro de 1998, ser excluído da base de cálculo da contribuição somente quando cobrado pelo vendedor de bens ou serviços, na condição de substituto tributário. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 745/790, requerendo a sua reforma a fim que se julgue improcedente o Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 lançamento, alegando, em síntese: a) em preliminar, a nulidade da decisão recorrida sob os argumentos de: a.1) nãoapreciação da alegada inconstitucionalidade da exigência da Cofins nos termos da Lei nº 9.718, de 1998; e, a.2) nãoapreciação da alegação acerca das bonificações e do pedido de perícia; e, b) no mérito: b.1) as receitas decorrentes de bonificações não constituem receitas operacionais e, portanto, não compõem a base de cálculo da Cofins; b.2) a ampliação da base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718, de 1998, é inconstitucional e ilegal; b.3) a elevação da alíquota de 2,0 % para 3,0 % não tem validade por ter sido efetuada por meio de lei ordinária, em face do princípio da hierarquia das leis; b.4) a exigência da Cofins sobre o faturamento, calculada e paga sem a dedução do valor pago na etapa imediatamente anterior fere o princípio constitucional da nãocumulatividade dos impostos, além disto, o faturamento, na realidade, compreende a diferença entre o custo dos produtos vendidos e a receita de venda; b.6) o ICMS por não constituir receita da recorrente não integra a base de cálculo da Cofins; b.7) a exigência de juros de mora à taxa Selic não tem respaldo jurídico em virtude de sua natureza remuneratória; e, b.8) a multa aplicada fere os princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição ao confisco. É o relatório Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em preliminar, a recorrente suscitou a nulidade da decisão recorrida sob os argumentos de: a.1) nãoapreciação da alegada inconstitucionalidade da exigência da Cofins nos termos da Lei nº 9.718, de 1998; e, a.2) nãoapreciação da alegação acerca das bonificações e do pedido de perícia. Ao contrário do entendimento da recorrente nenhum dessas preliminares constituem fundamento de nulidade da decisão recorrida. De acordo com o Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59, inciso II, são nulas somente as decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, assim dispondo, in verbis: Art. 59 São nulos: (...); II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” No presente caso, a decisão recorrida foi proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ Ribeirão Preto, colegiado competente para julgar o lançamento impugnado pelo sujeito passivo, nos termos do art. 36, I, nº 70.235, de 1972, art. 25, I. A nãoapreciação de inconstitucionalidade de leis na instância administrativa constitui matéria já sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), conforme súmula nº 2, in verbis: “Súmula CARF nº 2 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10840.001644/200419 Acórdão n.º 330100.858 S3C3T1 Fl. 935 5 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Já em relação nãoapreciação da alegação acerca das bonificações, a decisão recorrida se manifestou expressamente às fls. 722. Quanto ao pedido de perícia, além ter sido indeferido sob o fundamento de que não atendeu ao disposto no artigo 16, inciso IV daquele mesmo Decreto, cabe à autoridade julgadora decidir sobre sua necessidade ou não. Assim, não procedem as alegações de nulidade da decisão recorrida. No mérito as questões se restringem à: a) composição da base de cálculo da Cofins cumulativa; b) alíquota de cálculo; c) juros de mora à taxa Selic; e, d) multa aplicada. b) base de cálculo da contribuição No período em que o lançamento foi efetuado, 25/06/2004, a Lei nº 9.718, de 27/11/1998, assim dispunha quanto à base de cálculo da Cofins: “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo (revogado pela MP nº 2.15835, de 24/08/2001; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 6 IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...).” Ora, segundo estes dispositivos legais, a base de cálculo da Cofins é o faturamento mensal da pessoa jurídica correspondente a sua receita bruta, assim entendida o total de suas receitas independentemente de suas naturezas e classificação contábil adotada, deduzidos os valores expressamente discriminados. No entanto, especificamente quanto a outras receitas, ou seja, receitas não operacionais – ampliação da base de cálculo – o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito dos Recursos Extraordinários nºs 357.950 e 358.273, com decisões transitadas em julgado em 5 de setembro de 2006, considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins, promovidas pela Lei nº 9.718, de 27/11/1998, art. 3º, §1º. Também, o próprio Poder Executivo, levandose em conta estas decisões, revogou, por meio da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 79, inciso XII (MP nº 449, de 03/12/2008), aquele parágrafo primeiro que determinava a ampliação da base de cálculo dessas contribuições. Dessa forma, deve ser afastada a exigência da Cofins sobre outras receitas, inclusive sobre receitas financeiras, mantendoa somente o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Especificamente com relação ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) faturado e ao custo das mercadorias vendidas (CMV), inexiste amparo para a exclusão de tais valores da base de cálculo daquela contribuição. Conforme demonstrado no dispositivo legal citado e transcrito acima, a base de cálculo da contribuição é o faturamento mensal, assim entendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Tanto o ICMS faturado como o CMV integram a receita bruta e, portanto, a base de cálculo da Cofins. A título de esclarecimento, cabe informar que a constitucionalidade da Cofins sobre o faturamento foi expressamente declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na ADC nº 1, de 1º de dezembro de 1993, cuja ementa é a seguinte: “AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 1, 2, 9. (EM PARTE), 10 E 13 (EM PARTE) DA LEI COMPLEMENTAR N. 70, DE 30.12.91. COFINS. A DELIMITAÇÃO DO OBJETO DA AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE NÃO SE ADSTRINGE AOS LIMITES DO OBJETO FIXADO PELO AUTOR, MAS ESTES ESTÃO SUJEITOS AOS LINDES DA CONTROVÉRSIA JUDICIAL QUE O AUTOR TEM QUE DEMONSTRAR. IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL INSTITUÍDA PELA LEI COMPLEMENTAR N. 70/91 (COFINS). AÇÃO QUE SE CONHECE EM PARTE, E NELA SE JULGA PROCEDENTE, PARA DECLARARSE, COM OS EFEITOS PREVISTOS NO PARÁGRAFO 2. DO ARTIGO 102 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, NA REDAÇÃO DA EMENDA Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10840.001644/200419 Acórdão n.º 330100.858 S3C3T1 Fl. 936 7 CONSTITUCIONAL N. 3, DE 1993, A CONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 1, 2. E 10, BEM COMO DAS EXPRESSÕES” A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O FATURAMENTO DE QUE TRATA ESTA LEI NÃO EXTINGUE AS ATUAIS FONTES DE CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL "CONTIDAS NO ARTIGO 9, E DAS EXPRESSÕES” ESTA LEI COMPLEMENTAR ENTRA EM VIGOR NA DATA DE SUA PUBLICAÇÃO, PRODUZINDO EFEITOS A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SEGUINTE NOS NOVENTA DIAS POSTERIORES, AQUELA PUBLICAÇÃO,..."CONSTANTES DO ARTIGO 13, TODOS DA LEI COMPLEMENTAR N° 70, DE 30 DE DEZEMBRO DE 1991.” Dessa forma, não há que se falar na exclusão dos valores do ICMS faturado e do CMV da receita bruta para a apuração da base de cálculo da Cofins. b) alíquota de cálculo A alíquota inicialmente fixada pela LC nº 70, de 1991, foi alterada por meio da Lei nº 9.718, de 1998, art. 8º, de 2,0 % para 3,0 %. No mesmo julgamento em que o STF julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo dessa contribuição, julgou constitucional a elevação da alíquota de 2,0 % para 3,0 % sobre o faturamento mensal. Assim, correta a exigência da Cofins à alíquota de 3,0 % sobre o faturamento mensal. c) juros de mora à taxa Selic Tratase matéria já sumulada pelo Carf, nos termos da Súmula 04, que assim dispões, in verbis: “Súmula CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Dessa forma, em relação à exigência dos mora à taxa Selic, aplicase esta súmula. d) multa aplicada. A multa aplicada teve como fundamento a Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, II, que assim dispõe, in verbis: “Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 8 (...); II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...).” A multa no lançamento de ofício tem como objetivo punir o sujeito passivo pela prática de infrações tributárias (falta de lançamento, de declaração e de pagamento da contribuição). Não há amparo, no âmbito administrativo, para reduzir ou altear, por critérios meramente subjetivos, o percentual fixado em lei. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório. A multa de ofício foi agravada pelo fato de recorrente reiteradamente ter declarado por mais de três exercícios seguidos, nas respectivas DCTFs, valores calculados irregularmente sobre bases de cálculo apuradas com exclusão do CMV e do ICMS faturado, reduzindo drasticamente a base de cálculo dessa contribuição e, ainda, a fim de “maquiar” as informações e dificultar as verificações do cumprimento da obrigação tributária, alterou o modo de preencher a DIPJ do anocalendário de 2002, em relação à de 2001. Exemplificando: no 4° trimestre de 2001, informou na DIPJ ficha 20 A – Cálculo da Cofins, linha 01 – Valor do faturamento de R$ 15.759.969,42 (fls. 136/137), que corresponde ao consignado na ficha 06 A –Demonstração do Resultado linha 07 Receita de Revenda de Mercadorias (fls. 115)). Esse valor foi escriturado nos livros registro de saídas (fls. 20/317); esse mesmo procedimento foi adotado para os demais períodos. Ainda na mesma ficha 20 A (fls. 132/1370 foram excluídas na linha 05 as vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais a que tinha direito; entretanto, na linha 15 – a rubrica “outras exclusões” – foi excluído indevidamente o total das compras de mercadorias adquiridas para revenda (CMV); esse total de compras foi o mesmo informado na ficha 04 nas linhas 20 e 21 – Compras de Mercadorias à vista e a prazo, naquele trimestre (fls.104/107); já na DIPJ do anocalendário de 2002 (posterior a autuação), diferentemente do procedimento adotado em 2001, a contribuinte informou, por exemplo, no 4º trimestre na ficha 20 A linha 01 – Faturamento/ Receita Bruta de R$ 2.405.319,00 (fls. 189/191) e na ficha 06 A –Demonstração do Resultado, linha 07 – Receita de Mercadorias declarou R$ 19.594.180,60 (fls. 157); o mesmo procedimento foi adotado pela contribuinte em relação aos demais períodos; analisando ainda a DIPJ anocalendário de 2002, ficha 20 A, observase que, como a fiscalizada declarou o valor de faturamento reduzido, na linha 01 (fls. 185/191), não informou nenhum valor nas linhas 05 e 15 (vendas canceladas e outras exclusões); ainda, na mesma DIPJ, no mês de dezembro de 2002, constatase que na ficha 19 A – Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep linha 01, foi declarado como Faturamento/Receita Bruta o montante de R$ 8.102.632,32 (fls. 179) enquanto que na ficha 20 A – Cálculo da Cofins linha 01, foi declarado como Faturamento/Receita Bruta o valor irrisório de apenas, R$ 1.040.639,00 (fls. 191). Tal procedimento ratifica mais uma vez a intenção dolosa da contribuinte de reduzir o montante do tributo devido e evitar o recolhimento ao Tesouro Nacional; haja vista que partir do mês de dezembro/2002, o PIS passou a ser calculado nos moldes da nãocumulatividade (Lei nº 10.637/2002), enquanto que a Cofins era devida com incidência cumulativa. A apresentação reiterada das DCTF com valores muito reduzidos em relação aos efetivamente devidos e, ainda, a entrega das DIPJs com a omissão das receitas operacionais Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10840.001644/200419 Acórdão n.º 330100.858 S3C3T1 Fl. 937 9 e dos custos e despesas operacionais, bem como a omissão dos cálculos das contribuições para o PIS e Cofins apuradas, levaram a Secretaria da Receita Federal a acreditar que a recorrente estava em dia com suas obrigações tributárias, mascarando a situação irregular em que se encontrava, assim como as infrações que vinha cometendo e que somente foram detectadas por meio do procedimento administrativo fiscal nela realizado. Tal conduta tipificase tanto na Lei nº 4.502, de 1964, art. 71 (sonegação), como na Lei nº 8.137, de 1990, art. 1º, II (crime contra ordem tributária). Essa conduta está perfeitamente descrita no termo de verificação de infração, sendo claro tratarse de uma ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais (art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964). Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, rejeito as preliminares de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso voluntário para que se exclua do crédito tributário impugnado os valores da Cofins correspondentes a outras receitas, mantendose apenas os valores da contribuição calculada sobre a receita bruta de vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, acrescidos da multa de ofício agravada e dos juros de mora à taxa Selic. José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 9DF CARF MF Emitido em 04/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 24/03/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 15/04/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10042.000075/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/05/2003
DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE
STF SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes
aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência parcial do lançamento adotando como critério para o início da contagem do prazo decadencial, art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ATRASO NO RECOLHIMENTO Constatado
o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições
destinadas à Seguridade Social, a fiscalização lavrará Notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas.
AFERIÇÃO INDIRETA POSSIBILIDADE A constatação de que os registros contábeis não refletem o movimento real das remunerações pagas pela empresa autoriza a aferição indireta do salário~de contribuição nos termos do art. 33, § 6° da Lei 8.212/91.
BASE DE CÁLCULO De acordo com o art. 33, § 3° da Lei 8.212/91, A recusa, a sonegação ou a apresentação deficiente de documentos solicitados pela fiscalização previdenciária possibilita a inscrição de oficio, por arbitramento, de importância que reputar devida, sem prejuízo da penalidade cabível, cabendo
à empresa o ônus da prova em contrario.
COMPENSAÇÃO DE VALORES IMPOSSIBILIDADE DEDUÇÃO JÁ EFETUADA NO LANÇAMENTO Os valores relativos a retenções efetivamente recolhidos pelas empresas contratantes ou apenas destacados nas notas fiscais foram considerados no lançamento, não havendo novos créditos sujeitos a compensação.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2401-001.711
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 12/1999. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votaram por aplicar a regra decadencial prevista
no art. 173, I do CTN. II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1999 a 30/05/2003 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência parcial do lançamento adotando como critério para o início da contagem do prazo decadencial, art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ATRASO NO RECOLHIMENTO Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições destinadas à Seguridade Social, a fiscalização lavrará Notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas. AFERIÇÃO INDIRETA POSSIBILIDADE A constatação de que os registros contábeis não refletem o movimento real das remunerações pagas pela empresa autoriza a aferição indireta do salário~de contribuição nos termos do art. 33, § 6° da Lei 8.212/91. BASE DE CÁLCULO De acordo com o art. 33, § 3° da Lei 8.212/91, A recusa, a sonegação ou a apresentação deficiente de documentos solicitados pela fiscalização previdenciária possibilita a inscrição de oficio, por arbitramento, de importância que reputar devida, sem prejuízo da penalidade cabível, cabendo à empresa o ônus da prova em contrario. COMPENSAÇÃO DE VALORES IMPOSSIBILIDADE DEDUÇÃO JÁ EFETUADA NO LANÇAMENTO Os valores relativos a retenções efetivamente recolhidos pelas empresas contratantes ou apenas destacados nas notas fiscais foram considerados no lançamento, não havendo novos créditos sujeitos a compensação. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Decadência parcial do lançamento adotando como critério para o início da contagem do prazo decadencial, art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ATRASO NO RECOLHIMENTO Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições destinadas à Seguridade Social, a fiscalização lavrará Notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas. AFERIÇÃO INDIRETA POSSIBILIDADE A constatação de que os registros contábeis não refletem o movimento real das remunerações pagas pela empresa autoriza a aferição indireta do salário~de contribuição nos termos do art. 33, § 6° da Lei 8.212/91. BASE DE CÁLCULO De acordo com o art. 33, § 3° da Lei 8.212/91, A recusa, a sonegação ou a apresentação deficiente de documentos solicitados pela fiscalização previdenciária possibilita a inscrição de oficio, por arbitramento, de Fl. 3427DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 importância que reputar devida, sem prejuízo da penalidade cabível, cabendo à empresa o ônus da prova em contrario. COMPENSAÇÃO DE VALORES IMPOSSIBILIDADE DEDUÇÃO JÁ EFETUADA NO LANÇAMENTO Os valores relativos a retenções efetivamente recolhidos pelas empresas contratantes ou apenas destacados nas notas fiscais foram considerados no lançamento, não havendo novos créditos sujeitos a compensação. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 12/1999. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votaram por aplicar a regra decadencial prevista no art. 173, I do CTN. II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 3428DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10042.000075/200813 Acórdão n.º 2401001.711 S2C4T1 Fl. 1.700 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada contra o contribuinte acima identificado relativo às contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, destinadas a Seguridade Social referentes a contribuições devidas e não recolhidas pela empresa, correspondente a parte da empresa, dos empregados e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho além das destinadas a terceiros, no período de 07/1999 a 07/2004,. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 44/49, as contribuições lançadas nesta Notificação Fiscal — NFLD foram apuradas por aferição indireta da base de calculo, com base nos §§ 30 e 6° do art. 33 da Lei 8.212/91, pelo fato de a empresa ter deixado de apresentar Livro Caixa, contratos de prestação de serviços e algumas folhas de pagamento, fato que ensejou a lavratura do Auto de Infração n° 35.754.1154. Inconformada com a Decisão de fls. 148 a 164, a empresa apresentou recurso reiterando os argumentos da defesa onde alegou em síntese: a) a legislação tributária veda o bis in idem, e a presente NFLD 35.753.9150 possui os mesmos elementos da NFLD n.35.753.9141, alterando apenas o método de fiscalização. b) a fiscalização utilizou o método da aferição indireta, sendo possível a fiscalização pelas folhas de pagamentos apresentadas e também pelo competente Livro Caixa, devendo o INSS apresentar relatório discriminado da fiscalização, em que conste prova inequívoca de atendimento aos dispositivos legais, que autorizaram a aferição indireta; c) que seja utilizado para base de cálculo das contribuições ao INSS as Guias de Recolhimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, nos termos do 51°, do artigo 225, do Decreto n. 3.048/99; d) Admitindo para argumentar que seja mantida a fiscalização por aferição indireta, que se aplique a alíquota de 10% e não 40%, sob pena de afronta aos princípios da razoabilidade e do não confisco; e) A compensação do valor cobrado com todos os recolhimentos efetuados ao INSS, conforme retenções efetuadas pelo contratante nas notas fiscais e "Extrato de Contribuições de Empresas e Equiparados", fornecido pelo próprio INSS; f) A compensação do valor cobrado com todos os recolhimentos que deveriam ser efetuados ao INSS, conforme notas fiscais que não apresentam as retenções pelo contratante devidamente destacadas, sendo que compete ao INSS fiscalizar a obrigação de terceiros, conforme fundamentação exposta; g) Que seja declarada a nulidade do auto de infração por ausência dos requisitos indispensáveis à sua validação, nos termos acima; Fl. 3429DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 h) Admitindo para argumentar que seja reconhecido algum débito com o INSS, requer a aplicação dos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade das multas fiscais, do não confisco e da capacidade contributiva, com a redução das multas aplicadas. É o relatório. Fl. 3430DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10042.000075/200813 Acórdão n.º 2401001.711 S2C4T1 Fl. 1.701 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Embora não tenha sido suscitada pela recorrente deve ser conhecida de ofício a preliminar de decadência por se tratar de matéria de ordem pública. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. No presente caso o a notificação foi consilidada em janeiro de 2005, conforme se verifica às fls. 01 e as contribuições exigidas referemse às competências de julho de 1999 a julho de 2004, o que fulmina em parte o direito do fisco de constituir o lançamento, utilizandose entendimento adotado para o início da contagem do prazo decadencial, art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional CTN. Pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores ocorridos até dezembro de 1999, inclusive. Fl. 3431DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 DO MÉRITO Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo não deve prosperar. Ao contrário do alegado em recurso, não ocorreu o chamado “bis in idem” conforme entende a empresa. O fato de terem sido lavradas duas NFLD’s contra a recorrente não se caracteriza por si só a ocorrência da duplicidade de cobrança de contribuição. A presente notificação foi lavrada em decorrência do descumprimento de obrigação principal por ter a recorrente apresentado de forma deficiente a documentação solicitada pelo Auditor Fiscal, o que impediu a determinação do movimento real de remuneração dos segurados a serviço da empresa ora notificada e, em face do disposto no § 3º/6° do Art. 33 da Lei n° 8.212/1991 foram apuradas as contribuições lançadas nesta notificação, por aferição indireta. Já a NFLD nº.35.753.9141, trata de lançamento relativo ás remunerações constantes das folhas elaboradas mensalmente, cujos valores foram reconhecidos como corretos pela notificada e apresentados à fiscalização, sendo separados exatamente para se constituir em processo autônomo. Cumpre lembrar que foi excluído, deduzido integralmente do montante aferido, conforme planilha juntada àqueles autos. Sobre a aferição, também entendo como medida excepcional ocorre que do que se depreende dos autos, diante da falta de escrituração contábil, de contratos de prestação de serviços e da apresentação de parte das notas emitidas, só restou à fiscalização proceder a aferição indireta da mãodeobra remunerada pela notificada. Conforme planilha fiscal acostada às fls. 57/63 dos autos, apôs o calculo foi aferido em cima das notas fiscais a auditora deduziu a base de cálculo das folhas de pagamento mensais, de empregados, de administradores (PróLabore) e de autônomos (contribuintes individuais) emitidas pela empresa e lhes entregues durante a auditoria, para que se apurasse a diferença entre o valor aferido e o valor registrado de pagamento da folha. Desta forma, somente a escrituração contábil regular, que atenda as formalidades exigidas pela legislação, devidamente amparada documentalmente é hábil e idônea para fazer prova do salário de contribuição real para incidência das contribuições providenciadas. Todas as exigências previstas na legislação previdenciária visam, dentre outros objetivos, garantir a fiscalização a verificação dos fatos geradores das obrigações tributárias. Quanto a aplicação da alíquota de 40% (quarenta por cento) agiu a fiscalização dentro das determinações legais existentes durante o período fiscalizado, conforme transcrevemos abaixo: Ordem de Serviço INSS/DAF n° 165, de 11/07/97, vigência 01/08/97 a 10/05/00: Item 25 A empresa de construção civil (construtora, empreiteira e subempreiteira) deve ser fiscalizada com base nos elementos contábeis e na documentação relativa as obras alou serviços de sua responsabilidade. Item 25.1 Se não houver escrituração contábil, mesmo que por dispensa legal, ou quando a fiscalização desconsiderar a contabilidade em face de não espelhar a realidade econômico financeira da empresa,por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração Fl. 3432DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10042.000075/200813 Acórdão n.º 2401001.711 S2C4T1 Fl. 1.702 7 dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, o salário de contribuição será obtido: b) mediante a aplicação dos percentuais previstos no Titulo V sobre o valor de notas fiscais de serviço/fatura de empreitada ou subempreitada; Titulo V: Item 31 É fixado em 40% (quarenta por cento) o percentual mínimode salário de contribuição contido em nota fiscal de serviço/fatura. IN 18. de 11/05100. DOU 12/05/00 — vigência 12105100 a 30/09102: Art. 48. A obra de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica deverá ser fiscalizada com base na escrituração contábil e na documentação relativa ás obras ou aos serviços. Parágrafo único. Considerase empresa com escrita contábil aquela que apresenta o livro Diário devidamente escriturado e formalizado. Art. 49 Se não houver escrituração contábil, mesmo quando a empresa estiver desobrigada da apresentação, ou quando a contabilidade não espelhar a realidade econômicofinanceira da empresa por omissão de qualquer lançamento contatai, ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, a remuneração dos segurados utilizados para a execução da obra ou para a prestação dos serviços será obtida: (...) II mediante a aplicação dos percentuais previstos na Seção VIII deste Capitulo sobre o valor da nota fiscal de serviço, fatura ou recibo de empreitada ou de subempreitada; Seção VIII Art. 53. É fixado em 40% (quarenta por cento) o percentual mínimo correspondente à remuneração, a incidir sobre o valor dos serviços da nota fiscal, fatura ou recibo. IN 69, de 10105/00. DOU em 15/05/02 vigência de 01110/02 a 31103/04: Art. 66. A obra de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica deverá ser fiscalizada com base na escrituração contábil conforme inciso II combinado com E 13. ambos do art. 225 do RPS e na documentação relativa as obras e aos serviços. Art. 72 Na falta de escrituração contábil, mesmo quando a empresa estiver desobrigada da apresentação ou mesmo quando a contabilidade não espelhar a realidade econômicofinanceira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro, a remuneração dos segurados utilizados para a execução da obra ou para a prestação dos serviços será obtida: Fl. 3433DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 I mediante a aplicação dos percentuais previstos nos artigos 74 a 79 sobre o valor da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços de empreitada ou de subempreitada; (...) Ar! 74. É fixado em 40% (quarenta por cento) o percentual mínimo correspondente à remuneração a incidir sobre o valor dos serviços da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços. IN 100, de 18/12/03, DOU em 24/12/03 e republicações posteriores, vigência a partir de 01/04/04: Art. 616. Na aferição indireta da remuneração paga pela execução de obra, ou serviço de construção civil, observarseão as regras estabelecidas nos termos dos arta 441, 442, 616, 619, 622 e 623 ou nos termos do Capitulo IV do Titulo V. Art. 441. O valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde, no mínimo, a quarenta por cento do valor dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. Art. 486. A obra ou o serviço de construção civil, de responsabilidade de pessoa jurídica, devera ser utilizada com base na escrituração contata observado o disposto nos arts. 433 e 435, e na documentação relativa á obra ou ao serviço. Parágrafo único. Os livros Diário e Razão, com os lançamentos relativos á obra, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores. Art. 487. Á base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 41, 3°, 4°e r do art. 33 da Lei n° 8212 de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil; II quando não houver apresentação de escrituração contábil no prazo fixado no § 6° doba. 65; IV quando houver, sonegação ou recusa, pelo responsável, de apresentação de qualquer documento ou informação de interesse do INSS; V quando os documentos ou informações de interesse do INSS forem apresentados de forma deficiente. (...) § 1° Nas situações previstas no caput a base de cálculo aferida indiretamente será obtida: I mediante a aplicação dos percentuais previstos nos arta. 441, 619 e 623, sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços ou sobre o valor total do contrato de empreitada ou de subempreitada; Art. 441. O valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde, no mínimo, a quarenta por cento do valor dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. Fl. 3434DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10042.000075/200813 Acórdão n.º 2401001.711 S2C4T1 Fl. 1.703 9 Com relação às compensações, de acordo com as informações fiscais contidas nos autos, podese verificar que foram compensados todos os créditos em favor da empresa, tendo a auditoria confeccionado planilha demonstrativa das retenções compensadas nos diversos tipos de levantamento, separandoas por competência. Logo não assiste razão à recorrente. Por fim, verificase que a NFLD em apreço foi lavrada em estrita observância as determinações legais, não podendo ser acolhida a tese de nulidade da autuação. Ante ao exposto: VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, acolher DE OFÍCIO a preliminar de DECADÊNCIA PARCIAL, para que sejam excluídos do levantamento todos os fatos geradores ocorridos até dezembro de 1999, inclusive, com fulcro no art. 150, § 4º do CTN e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator Fl. 3435DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Fl. 3436DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13808.001439/93-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1989, 1990, 1991, 1992
DEPÓSITOS JUDICIAIS. VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS.
Tratando-se de exigência de atualização monetária de depósitos judiciais, não é adequado falar-se em disponibilidade jurídica de renda, vez que, no caso, o que se busca é tão-somente neutralizar correção de idêntico valor de conta
representativa da origem dos recursos depositados. No caso vertente, em que restou comprovado que a obrigação correspondente aos depósitos judiciais efetuados não foi objeto de correção, descabe falar em tributação da variação
monetária ativa dos referidos depósitos, sob pena de se eliminar a neutralidade objetivada pelo instituto.
Numero da decisão: 1302-000.691
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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CASTELO ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1989, 1990, 1991, 1992 DEPÓSITOS JUDICIAIS. VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. Tratandose de exigência de atualização monetária de depósitos judiciais, não é adequado falarse em disponibilidade jurídica de renda, vez que, no caso, o que se busca é tãosomente neutralizar correção de idêntico valor de conta representativa da origem dos recursos depositados. No caso vertente, em que restou comprovado que a obrigação correspondente aos depósitos judiciais efetuados não foi objeto de correção, descabe falar em tributação da variação monetária ativa dos referidos depósitos, sob pena de se eliminar a neutralidade objetivada pelo instituto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13808.001439/9389 Acórdão n.º 130200.691 S1C3T2 Fl. 335 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13808.001439/9389 Acórdão n.º 130200.691 S1C3T2 Fl. 336 3 Relatório Trata o presente processo de RETORNO DE DILIGÊNCIA, decorrente da RESOLUÇÃO nº 1051.420, de 18 de setembro de 2008, da Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes. Reproduzo, a seguir, o RELATÓRIO consignado na referida Resolução. Aos 09/06/1993, a contribuinte foi cientificada dos autos de infração que lhe exigem crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e IRRF, relativo aos anoscalendário de 1988, 1989, 1990 e 1991, lavrados em decorrência da glosa de custos/despesas indedutiveis porque não necessárias ou não comprovadas e da omissão de variações monetárias ativas decorrentes de depósitos judiciais, bem como a multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos dos exercícios de 1989 e 1992. Ao impugnar os lançamentos, a autuada concordou expressamente com a autuação referente à glosa de despesas e se insurgiu contra a infração relativa à correção monetária de depósitos judiciais e contra a imposição de multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos, aduzindo que estas foram entregues tempestivamente e que a indisponibilidade dos depósitos bancários impede o reconhecimento da correção monetária como renda auferida ou acréscimo patrimonial, descabendo a sua inclusão no lucro. A decisão de primeira instância afastou a multa por atraso na entrega das declarações de rendimento, julgou improcedente o lançamento do PIS, excluiu a cobrança da TRD no período de 04/02/1991 a 29/07/91 e reduziu a 75% o percentual da multa de lançamento de oficio, a teor da decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991 Ementa: CONCORDÂNCIA COM A MATÉRIA OBJETO DO LANÇAMENTO Tendo a empresa reconhecido a procedência do ilícito fiscal consignado no auto de infração 'despesas não necessárias e/ou com deficiência na comprovação' há que se manter os valores na base tributável. CORREÇÃO MONETÁRIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS O instituto de correção monetária tem por objetivo assegurar a neutralidade das demonstrações financeiras da pessoa jurídica, face aos efeitos da inflação, o que só acontece se mantido o equilíbrio na correção das contas credoras e devedoras. Se a empresa não conseguir comprovar que, também, não atualizou a(s) conta(s) do passivo da(s) obrigação(ões) referente(s) ao(s) tributo(s), com a exigibilidade suspensa que originaram os depósitos judiciais, há que se exigir a correção monetária da(s) conta(s) que abriga(m) os valores depositados judicialmente. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO E MULTA DE OFICIO Não devem ser lançadas simultaneamente Fl. 3DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13808.001439/9389 Acórdão n.º 130200.691 S1C3T2 Fl. 337 4 à multa por atraso na entrega da declaração e a de oficio, quando têm a mesma base de cálculo, como na espécie. TAXA REFERENCIAL DIÁRIA TRD Deve ser excluída a cobrança da TRD no período de 04/02/91 a 29/07/91 INS SRF n° 32 de 09.04.97. Lançamento Procedente. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA O decidido em relação ao lançamento do Imposto de Renda – Pessoa Jurídica, em conseqüência da relação de causa e efeito existentes entre as matérias litigadas, aplicase por inteiro aos procedimentos fiscais que lhe sejam decorrentes. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE E CONTRIBUIÇÃO SO4JAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO. Lançamentos Procedentes. PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS/FATURAMENTO – a exclusão da base de cálculo com a declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis nºs 2.445, 2.449 de 1988, as variações monetárias não fazem parte da base de cálculo do PIS, pois a Lei Complementar 07/70 fez incidir sobre o faturamento. Lançamento Procedente". Inconformada, a contribuinte recorre voluntariamente, aduzindo que não contabilizou as obrigações referentes à contribuições para o PIS no passivo, razão pela qual, aliada à impossibilidade de exigência de correção monetária dos depósitos judiciais antes do término da ação judicial, não pode prosperar o lançamento. A citada Quinta Câmara, por unanimidade, decidiu pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade administrativa de jurisdição da contribuinte esclarecesse se a contrapartida contábil dos depósitos judiciais, registrada no passivo, havia sido objeto de correção monetária. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo, por meio do Relatório de fls. 327/328, prestou o seguinte esclarecimento: ... Intimamos a empresa a apresentar os livros contábeis dos anos calendários de 1988 a 1991, onde a Fiscalização comprovou e juntou cópias do alegado pelo contribuinte, ou seja, não houve lançamentos no Passivo referente a contra partida dos depósitos judiciais, nem tampouco constatado lançamento da correção monetária dos valores recolhidos na ContaPIS. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13808.001439/9389 Acórdão n.º 130200.691 S1C3T2 Fl. 338 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o PIS e Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido (ILL), relativas aos anoscalendário de 1988 a 1991, formalizadas a partir de glosa de custos e despesas, tido como indedutíveis, e da imputação de falta de oferecimento à tributação de variação monetária ativa decorrente de depósitos judiciais. Foi formalizada, ainda, exigência relativa à multa por atraso na entrega de declarações de rendimentos relativas aos exercícios de 1989 e 1992. As exigências relacionadas à glosa de custos e despesas e ao atraso na entrega das declarações não fazem parte da lide submetida a este Colegiado, vez que, em relação à primeira, a contribuinte não apresentou razões de defesa, e, no que tange à multa, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu que ela era indevida, inexistindo, no caso, recurso de ofício. Às fls. 10 (Termo de Constatação 2), a autoridade responsável pelo lançamento assinalou: OS FATOS 8. Durante os anos de 1989, 1990 e 1991, a L. Castelo efetuou depósitos judiciais em garantia de instância em face de obtenção de medida liminar relativa à pagamento de PISReceita Operacional. 9. Intimada em 25493 (Termo Fiscal nº 04) a esclarecer o tratamento contábil/fiscal dos referidos depósitos, a L. Castelo forneceu a esta fiscalização relação, que doravante passa a integrar o presente termo, contendo a data dos depósitos e respectivos indicativos da contabilização esclarecendo ainda, que não efetuara correção monetária nem tampouco reconhecera seu valor à titulo de variação monetária ativa para efeito de tributação. 10. Em face da presente constatação, têmse que os valores correspondentes aos depósitos judiciais, estão sujeitos à correção monetária e os resultados obtidos, calculados conforme consta de demonstrativo anexado ao presente, deverão ser oferecidos à tributação a titulo de variação monetária ativa, nos anosbase correspondentes , cuja consolidação a seguir relacionamos: ... O DIREITO 11. Os fatos acima descritos,infringem o artigo 254 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n9 85.450/80. 12. Os valores apurados no item 10 supra, serão adicionados aos respectivos lucros líquidos, para recomposição das bases de cálculos dos lucros reais Fl. 5DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13808.001439/9389 Acórdão n.º 130200.691 S1C3T2 Fl. 339 6 correspondentes aos períodos ali mencionados, tudo conforme o previsto no inciso I, do artigo 387 do RIR/80, aprovado pelo Decreto n9 85.450/80. Apreciando a impugnação interposta pela contribuinte, a autoridade julgadora de primeira instância assim se pronunciou: ... No tangente a segunda infração "Correção Monetária de Depósitos Judiciais" é mister registrar, inicialmente, que concordo com todo o exarado pela impugnante, sobre o assunto, sem qualquer reparo ou observação. Por outro lado registro que, a discordância da requerente encontra guarida, em outros acórdãos, além do(s) referenciado(s) na peça impugnatória. Porém contrapondose a estes existem outros tantos em sentido contrário que apenas a título exemplificativo cito os de n° 10186.766/94, 10187.244/94, 10187.589/94, 105 5.002/90 e 10183514/92. A controvérsia sobre a correção monetária dos depósitos judiciais é um assunto datado, pois o controle da inflação as regras de indexação não mais integram a legislação de regência do Imposto de Renda. No entanto comungo com o entendimento daqueles que, sempre entenderam haver a necessidade da correção monetária dos depósitos judiciais (a não ser que a obrigação, no passivo, não fosse também atualizada) até mesmo porque, a contrapartida do registro contábil, no passivo, do valor dos tributos em litígio judicial (obrigações) igualmente era atualizada, gerando uma despesa de variação monetária, anulando, praticamente o efeito contábil da correção monetária do depósito judicial. Vale transcrever a ementa do Acórdão n° CSRF/0102.868, DOU e 14.12.2000, no qual, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no cumprimento de uma das suas finalidades maior de unificar o entendimento sobre questões tributárias na esfera administrativa exarou o referido julgado: "O instituto de correção monetária tem por objetivo assegurar a neutralidade das demonstrações financeiras da pessoa jurídica, face aos efeitos da inflação, o que só acontece se mantido o equilíbrio na correção das contas credoras e devedoras. Não corrigida a obrigação não há que se exigir a correção da conta que abriga os valores depositados judicialmente". Com efeito, nos casos em que a contribuinte não lograr comprovar, como na espécie, que não procedeu à correção monetária nas contas de passivo que fizeram contrapartida com as contas ativas representativas dos depósitos judiciais, é cabível a autuação conforme processada no Auto de Infração IRPJ. Ratifico "in casu" faltou apenas a impugnante demonstrar que não efetuou, também, correção monetária nas contas passivas que originaram os depósitos judiciais. As exigências, entendo, devem, ser mantidas na tributação. (GRIFEI) Em sede de recurso, a contribuinte sustentou, in verbis: Conforme comprovam as anexas cópias do Livro Razão (docs. 01/03), a ora Recorrente não efetuou o lançamento contábil das obrigações referentes à contribuição do PIS no passivo da empresa. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13808.001439/9389 Acórdão n.º 130200.691 S1C3T2 Fl. 340 7 Com efeito, os lançamentos efetuados a titulo de depósito judicial limitaram se a contas do ativo, tendo sido cada valor da contribuição creditado à conta "caixa" e debitado à conta "depósito judicial". Junta com o presente recurso, também, cópia, por amostragem, das folhas do Livro Diário, as quais demonstram que a conta depósito judicial se refere a conta do ativo (conta 1.3.04.003) (docs. 04/05). Ressaltase que a própria fiscalização, quando da lavratura do auto de infração, nada se referiu às contas do passivo ou do patrimônio liquido, tendo fundamentado a autuação, única e exclusivamente, pela falta de reconhecimento à titulo de variação monetária ativa, ou seja, em relação à conta dos depósitos judiciais constantes em conta do ativo da contabilidade. ... Isto posto, resta claro que a pretensão fiscal é improcedente pois, na esteira da jurisprudência citada, bem como pelo próprio entendimento da r. decisão recorrida, não havendo a contrapartida do lançamento contábil dos depósitos judiciais no passivo, não haveria que falar em atualização monetária da conta no ativo (variação monetária ativa). ... Dessa forma, antes que ocorra o trânsito em julgado da ação judicial de PIS, não há que se falar em qualquer efeito no patrimônio do contribuinte. Por tal motivo, a correção monetária das suas contas do ativo (depósito judicial) jamais deveriam ser atualizadas monetariamente, sob pena de refletirem um ganho irreal nas suas demonstrações financeiras. Esclareço, primeiramente, que, diferentemente do que se poderá depreender do alegado pela Recorrente, não estamos diante de ausência de contabilização de provisão, situação em que a solução da controvérsia poderia ser dirigida para a análise dos efeitos na correção monetária das demonstrações financeiras em razão da majoração indevida do Patrimônio Líquido. Como demonstram as folhas do Livro Razão trazidas pela diligência requerida pela Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 313/317), as provisões relativas ao PIS foram devidamente contabilizadas, restando comprovado, contudo, que referidas contas não foram objeto de atualização monetária. Às fls. 329, o responsável pela realização da diligência em comento assinalou: Os lançamentos da correção monetária foram feitos nas contas 32.03.006 e 48.01.001 onde se verifica não ter havido lançamentos referentes a conta do Pis. Foram efetuadas provisões com relação aos depósitos judiciais efetuados na conta do PIS conforme fls. anexadas ao presente. Desta forma, a fiscalização concluiu não ter havido correção monetária ativa de suas contas no Ativo, bem como lançamento nas contas do Passivo. Nessas circunstâncias, isto é, em que resta comprovado nos autos que a Recorrente, não obstante não ter computado no resultado operacional a variação monetária Fl. 7DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13808.001439/9389 Acórdão n.º 130200.691 S1C3T2 Fl. 341 8 ativa incidente sobre os depósitos judiciais, não computou também, nesse mesmo resultado, qualquer parcela relativa à correção monetária da obrigação correspondente (provisão para pagamento do PIS), descabe falar em tributação, vez que, se assim for, ficará afetada a neutralidade objetivada pelo mecanismo então vigente. Alinhome, aqui, ao entendimento predominantemente esposado em julgados deste Colegiado, conforme transcrições abaixo. Acórdão CSRF nº 0106.004, de 12/08/2008 O instituto da correção monetária tem por objetivo assegurar a neutralidade das demonstrações financeiras da pessoa jurídica, face aos efeitos da inflação, o que só acontece se mantido o equilíbrio na correção das contas credoras e devedoras. Somente se comprovado que não foi corrigida a obrigação, é que descaracterizaria a exigência de correção da conta que abriga os valores depositados judicialmente. Não caracteriza omissão de receita a falta de contabilização e lançamento de variação monetária ativa sobre depósitos judiciais quando em paralelo, demonstradamente, o sujeito passivo não procedeu à correção da obrigação tributária sob discussão, neutralizando, assim, os efeitos de uma e outra. Acórdão nº 10196444, de 09/11/2007 VARIAÇÃO MONETÁRIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. Tendo em vista que o instituto da correção monetária tem por objeto assegurar a neutralidade das demonstrações financeiras da pessoa jurídica, face aos efeitos da inflação, o que só acontece se mantido o equilíbrio na correção das contas credoras e devedoras, não corrigida a obrigação, descabe a correção da conta que abriga os valores depositados judicialmente. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 04 de agosto de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 8DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 8/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
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Numero do processo: 13005.000799/2005-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
CORREÇÃO DE ERRO MATERIAL. É pacífica na jurisprudência,
administrativa e judicial, a possibilidade de correção de erros materiais, aritméticos ou de cálculos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Diante da ausência de elementos concretos
de prova em sentido contrário, deve a autuação ser mantida.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-001.175
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para considerar o acréscimo patrimonial referente ao mês de 03/2001 o valor de R$16.648,08.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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É pacífica na jurisprudência, administrativa e judicial, a possibilidade de correção de erros materiais, aritméticos ou de cálculos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Diante da ausência de elementos concretos de prova em sentido contrário, deve a autuação ser mantida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para considerar o acréscimo patrimonial referente ao mês de 03/2001 o valor de R$16.648,08. (assinado digitalmente) FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 25/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 25/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA 2 Retorna o presente processo para julgamento após desistência PARCIAL apresentada pelo contribuinte (fls.848/851), do Recurso Voluntário, fls.775/783, acompanhado pelos documentos de fls.784/845, apresentado em 22/05/2009, após intimação do contribuinte, ocorrida em 04/05/2009 (“AR” fls.771) da decisão de primeira instância (fls.733/761), que julgou procedente em parte o lançamento, nos termos do Acórdão n.1810.244 de 30 de janeiro de 2009, exarado pela 2ª Turma de Julgamento de Santa Maria/RS. O contribuinte manteve sua inconformidade sobre os seguintes pontos: a) Do item “acréscimo patrimonial a descoberto” envolvendo um erro aritmético (simples transcrição de valor), no valor de R$30.000,00 (trinta mil reais) na VP, tributandose indevidamente; b) Fato gerador de 31/12/2003, no valor de R$49.572,00, relativo a um empréstimo feito ao contribuinte em 23/12/2003, conforme consta do lançamento contábil constante das fls.830 dos autos, classificado como rendimento para pessoa física, que teve uma parte parcelada no valor original de R$32.072,00 (Processo n.13052.000298/200515) o que equivale à tributação do valor do rendimento de R$32.072,00. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 858 (última). Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Passemos a análise individualizada dos dois pontos ainda em discussão no presente processo. a) Acréscimo patrimonial a descoberto Erro na transcrição do valor Observando o Demonstrativo de Variação Patrimonial (fls.459) verificase, que no mês de março há um acréscimo patrimonial no valor de R$16.648,08, assim como consta esse mesmo valor no valor tributável da descrição dos fatos e enquadramentos legais do Auto de Infração (fls.586). Entretanto, no Demonstrativo de Apuração constante da decisão de primeira instância, consta para o mês 31/03/2003, o valor de R$46.648,08. Efetivamente neste tocante cabe razão ao recorrente, devendo ser considerado o valor R$16.648,08 na base de cálculo do valor tributável, relativo ao mês de marco de 2003, conforme inclusive apurado no lançamento. b) Rendimento para pessoa física, no valor de R$49.572,00 Ao analisar esse ponto a decisão de primeira instância consignou: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 25/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 13005.000799/200559 Acórdão n.º 220101.175 S2C2T1 Fl. 2 3 “Os valores que o contribuinte pretende excluir referem se a duas parcelas de R$8.500,00 e R$9.000,00 que já teriam sido tributados nos anos calendários de 2004 e 2005. O que o impugnante pretende na realidade é que parte da omissão da receita apontada seja compensada com rendimentos que teria declarado em exercícios posteriores. Não existe previsão legal para essa compensação. (...) No caso, estando perfeitamente demonstrada e comprovada a omissão de rendimentos é procedente o lançamento na parte impugnada.” Malgrado a insurgência do contribuinte, não há reparos a fazer sobre esse entendimento da decisão de primeira instância. Se parte desse valor já foi efetivamente parcelado e pago pelo contribuinte, esse valor deve ser reduzido do saldo de imposto a pagar, reduzindo inclusive a multa e juros incidentes. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para considerar no acréscimo patrimonial o valor de R$16.648,08, referente ao fato gerador de 31/03/2003. Devendo ainda, a autoridade preparadora verificar se relativo ao valor de R$49.572,00, há efetivamente algum valor parcelado e pago, para que o mesmo seja afastado do lançamento, permanecendo integral eventual saldo. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 25/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 25/07/2011 __________(assinado digitalmente)_____________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 25/07/2011 por RAYANA ALVE S DE OLIVEIRA FRANCA
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