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Numero do processo: 10715.002748/2010-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 07/01/2007 a 19/01/2007
REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 07/01/2007 a 19/01/2007 REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado.
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PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 27 48 /2 01 0- 24 Fl. 331DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Inconformada com a autuação, o Contribuinte apresentou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, com a aplicação retroativa da IN SRF nº 1096/2010, que ampliou o prazo de apresentação de informações para 7 (sete) dias, para afastar a multa em todos os casos em que a informação se deu dentro deste prazo. Em seguida, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 2 Solicita a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 3 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 4 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para a prestação de informações à administração aduaneira. Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Câmaras Baixas para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, os autos foram distribuídos à turma 3402, para relatoria do feito. É o relatório. Voto Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10715.002748/201024 Acórdão n.º 3402004.169 S3C4T2 Fl. 3 3 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no acórdão proferido pela 3ª CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do acórdão proferido na Câmara Baixa, que deixou de deliberar sobre os demais pontos, a despeito do I. Relator têlos enfrentado em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, a despeito de concordância ou não com o mérito da decisão da CSRF, apenas os demais argumentos. 1) Da Ofensa à Reserva Legal Tal matéria foi devidamente enfrentada pelo Conselheiro Paulo Caliendo no Acórdão CARF nº 3801004.879, pelo que adiro às suas conclusões, reproduzindo seu entendimento: A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o vôo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Fl. 333DF CARF MF 4 Mais ainda, é preciso distinguir entre a legalidade veiculada no artigo 5º, II e no artigo 150, I, ambos da Constituição Federal: Art. 5º. (...) II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; Apenas o artigo 150, I veicula comando de reserva de lei, restringindo a exigência ou o aumento de tributo ao manejo deste instrumento legislativo, ao determinar expressamente que a lei deverá estabelecer tais matérias. Diferentemente, o art. 5º, II fala apenas que as obrigações de ação ou omissão deverão ser constituídas em virtude de lei, é dizer, podem sêlo diretamente por ela, mas sem prejuízo da lei remeter, por exemplo, à RFB a determinação de certos aspectos relativos a essas obrigações. É exatamente o caso, como se depreende da tipificação da infração administrativa incorrida, prevista no DecretoLei nº 37/66, art. 107, IV, "e": por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Há uma remissão expressa a ato da RFB que determinará a forma e prazo da prestação de informações, atribuindo competência expressa a esta para regulamentar tal matéria no âmbito infralegal. Frisese, naturalmente, que tal se dá por se tratar de matéria referente a obrigações acessórias, visto que se de tributo se tratasse, somente por lei se poderia criálo ou modificálo. Desse modo, não procede o argumento do Contribuinte. 2) Da Ausência de Dano ao Erário Novamente sobre este tópico, adiro às razões do Acórdão CARF nº 3801 004.879, às quais reproduzo: Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10715.002748/201024 Acórdão n.º 3402004.169 S3C4T2 Fl. 4 5 Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Com razão, é preciso observar, no esteio da jurisprudência deste CARF, que o bem jurídico tutelado pelas obrigações acessórias em matéria aduaneira não é a liquidez do Erário, mas sim o controle das fronteiras, especialmente em relação aos produtos que entram e que saem no transporte internacional. Desse modo, a ausência de prejuízo pecuniário à arrecadação tributária não afeta, de maneira alguma, a aplicação das sanções relativas ao descumprimento de obrigações acessórias com finalidade fiscalização e controle do comércio exterior. Assim, tampouco deve proceder o argumento do contribuinte neste ponto. 3) Da aplicação de multa singular A infração capitulada no art. 107, IV, "e" do DL 37/66 tem o seguinte texto: por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Não procede a tese de contribuinte de aplicação da regra de "crime continuado" prevista no artigo 71 do Código Penal, por inexistir no contexto fático relação de continuidade entre as omissões quanto à prestação de informações a despeito de concordamos com sua assunção no sentido de tal regra ser relativa à infrações administrativas. Isso se dá pelo fato do artigo 71 do CP exigir algum grau de conexão entre as infrações, para a construção do liame de continuidade, o que não há no caso. Tampouco caberiav se falar na aplicação da multa por embarque, é dizer, por embarcação ou por vôo, com base em possível dúvida interpretativa do tipo infracional, com fundamento no artigo 112 do Código Tributário Nacional, visto que a metodologia aplicada pelo fiscal foi exatamente a de aplicar a multa por embarque e não por carga. Ante o exposto, entendo que não deve prosperar o argumento do contributinte neste ponto. 4) Conclusão Em face do que foi analisado acima, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 335DF CARF MF 6 Fl. 336DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014335/2006-51
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRP.1
Ano-calendário: 2001, 2002
FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE NOTAS FISCAIS
Comprovado nos autos que a recorrente não escriturou determinadas notas fiscais, subiste o lançamento que exige a tributação das receitas omitidas
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS - CONCOMITA.' NCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO E LIMITE TEMPORAL PARA A SUA APLICAÇÃO
Não ha entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de
dezembro. Alem disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao Principio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta o argumento sobre a concomitância de multas. O texto do inciso IV do § 1 0 do art. 44 da Lei 9.430/96 não impõe qualquer limite temporal para o lançamento da multa isolada, no sentido de que sua aplicação só caberia no
ano em curso. Ao contrário, o texto prevê a multa ainda que a Pl. "tenha apurado" prejuízo fiscal no final do periodo.
Numero da decisão: 1802-000.700
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar
provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro relator Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, e os Conselheiros Alfredo Henrique Rebell() Brandão e João Francisco Bianco, que davam provimento parcial para afastar a multa isolada. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Correa para redigir o voto vencedor.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRP.1 Ano-calendário: 2001, 2002 FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE NOTAS FISCAIS Comprovado nos autos que a recorrente não escriturou determinadas notas fiscais, subiste o lançamento que exige a tributação das receitas omitidas TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS - CONCOMITA.' NCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO E LIMITE TEMPORAL PARA A SUA APLICAÇÃO Não ha entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Alem disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao Principio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta o argumento sobre a concomitância de multas. O texto do inciso IV do § 1 0 do art. 44 da Lei 9.430/96 não impõe qualquer limite temporal para o lançamento da multa isolada, no sentido de que sua aplicação só caberia no ano em curso. Ao contrário, o texto prevê a multa ainda que a Pl. "tenha apurado" prejuízo fiscal no final do periodo.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-22T12:38:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-22T12:38:36Z; Last-Modified: 2011-08-22T12:38:36Z; dcterms:modified: 2011-08-22T12:38:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:aa880542-e83f-496b-aa4a-f2e011f94ac3; Last-Save-Date: 2011-08-22T12:38:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-22T12:38:36Z; meta:save-date: 2011-08-22T12:38:36Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-22T12:38:36Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-22T12:38:36Z; created: 2011-08-22T12:38:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2011-08-22T12:38:36Z; pdf:charsPerPage: 1990; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-22T12:38:36Z | Conteúdo => SI-TED2 Fl 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10680.0143.35/2006-51 Recurso re 516.617 Voluntário Acórdão n° 1802-00.700 — 2' Turma Especial Sessão de 05 de novembro 2010 Matéria IRPJ Recorrente Sociedade Brasileira de Eletrolise Ltda. Recorrida 4" Turrna/DRJ - Belo Horizonte/MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRP.1 Ano-calendário: 2001, 2002 FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE NOTAS FISCAIS Comprovado nos autos que a recorrente não escriturou determinadas notas fiscais, subiste o lançamento que exige a tributação das receitas omitidas TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS - CONCOMITA.' NCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO E LIMITE TEMPORAL PARA A SUA APLICAÇÃO Não ha entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Alem disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao Principio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta o argumento sobre a concomitância de multas. O texto do inciso IV do § 1 0 do art. 44 da Lei 9.430/96 não impõe qualquer limite temporal para o lançamento da multa isolada, no sentido de que sua aplicação só caberia no ano em curso. Ao contrário, o texto prevê a multa ainda que a Pl . "tenha apurado" prejuízo fiscal no final do periodo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro relator Edwal Casoni de Paula Fernandes 7 7 Oliveira Ferraz orrêa — Redafor designado Júnior, e os Conselheiros Alfredo Henrique Rebell() Brandão e João Francisco Bianco, que davam provimento parcial para afastar a multa isolada. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Correa para redigir o voto vencedor. Ester Marques Lins de Sousa — ente Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior — Relator EDITADO EM: 28 iA N 2 0 I Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, João Francisco Bianco, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior,Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Alfredo Henrique Rebell° Brandão. 2 Processo n° 10680.014335/2006 -SI SI-TE02 Acórd5o ii ° 1802-00,700 Fl 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada contra decisão proferida pela 4n Turma da DRJ de Belo Horizonte/MG, Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado Auto de Infração (fls. 04 — 11), para formalização e exigência de crédito tributário a titulo de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, juros de mora e multa de oficio proporcional referente aos anos calendário 2001 e 2002, apurado com base no lucro real. A Fiscalização constatou ter havido omissão de receitas e a apuração foi efetivada a partir dos valores escriturados no Livro Diário, Livro Razão e Livro de Registro de Apuração do ICMS e nas notas fiscais de saída. Constatou-se ainda, insuficiência de Recolhimento mediante apuração efetivada a partir dos valores declarados e recolhidos. Observa-se haver autos de infração (fls. 12— 17) formalizados para exigência reflexa da CSLL (fls. 18 - 24), Cofins (fls. 25 — 31) e PIS. Ciente das imputações e com elas inconformada, a recorrente apresentou Impugnação (fls. 204 — 206), discorrendo acerca do procedimento fiscal impugnado e concordando expressamente com o valor lançado de R$ 419,65 a titulo de insuficiência de recolhimento de IRPJ em 31/12/2002. No que se refere ao valor tributável de R$ 15.237,00 constante na Nota Fiscal no 000980, de 31/08/2001 (fl. 211), argumentou a recorrente que no lançamento desta receita houve erro operacional "no valor" do lançamento contábil, decorrente do cancelamento anterior desta mesma operação de venda, demonstrado pela NF 000979 (cancelada) de R$12.240,00. Afirmou, portanto, que existe o lançamento contábil de receita, explanado na conta (320102,0001) e comprovado no Livro Razão Out/01, página 79 e Diário n° 27, página 70. Em relação ao valor tributável de R$ 90.945,45 constante na Nota Fiscal n° 001591, de 14/12/2001 (fl. 207), afirmou a recorrente que contabilmente houve um lançamento errôneo, onde deveria empregar a conta contábil de receita n° (310101-41401) fora utilizado a conta "ICMS sobre vendas" (310104.41401), e, fisicamente existiu o fato de acordo com as receitas comprovadas na cópia do Livro Razão de out/01, pagina 78 e Livro Diário n 0 27 página 68 e movimento da transação n°159] de 30/10/01. No que toca à multa isolada alega que "não houve intencionalmente por parte da empresa a omissão de receitas supracitadas", concluindo que a comprovação dos documentos apresentados, descaracterizando, portanto a "omissão de receita" anteriormente substanciada pelo Auto de Infração, padeceria a revisão deste pela insubsistência e improcedência da ação fiscal. Conheceu a Impugnação a 4a Turma da DRJ de Belo Horizonte/MG e nos termos do acórdão e voto de folhas 229 a 234 julgou-se o lançamento procedente assentando 1 para tanto, que o sujeito passivo deve manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, e que estas fazem prova ern seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos. Com base nos elementos disponíveis então apresentados pela recorrente, a autoridade fiscal teria apurado o ilícito tributário da omissão de receitas. Para tanto, fora adotado um critério técnico consistente, observados os princípios contábeis geralmente aceitos, considerando todos os assentamentos efetuados nas respectivas datas das operações. Assentou a decisão recorrida, portanto, que relativamente ao valor tributável de R$ 15.237,00 constante na Nota Fiscal n° 000980, de 31/08/2001 (fl. 211), a recorrente suscita que "houve erro operacional "no valor" do lançamento contábil, provindo do cancelamento anteriormente desta mesma operação de venda, demonstrado pela NF 000979 (cancelada) de R$12.240,00", frisando, portanto, que a alegação seria no sentido de que a receita constante na Nota Fiscal NF 000980, de 31/08/2001 no valor de R$15.237,00 foi escriturada no Livro Razão e no Livro Diário com o valor de R$12.240,00 (fls. 208 – 210). Consignou nesse passo, que a Fiscalização mencionou no Termo de Veri ficação Fiscal (fls. 32 e 32), que em setembro de 2001, a diferença apontada par a menor no livro Razão, no valor de R$ 15.23 7,00, foi proveniente da venda de exportação para a Colômbia relativa à NF 980, que não foi contabilizada como receita neste livro. Dai porque, examinado as informações constantes na "Tabela III — Comparação entre valores dos livros Reg. ICMS e Razão" referente a setembro de 2001 (fl. 36), verificou a decisão recorrida que consta os valores de "Vendas ICMS" de R$ 1.347.799,78, de "Rec. vendas Razão" de RS1.332.562,78 e de "Dif. Razão ICMS" de R$15.23'7,00, não havendo comprovação efetiva de que o valor de R$15.237,00 da receita de vendas foi oferecido à tributação pela recorrente. No mais, considerou-se pertinente ao valor tributável de R$ 90.945,45 constante na Nota Fiscal n° 001591, de 14/12/2001 (fl. 207), assentar que a recorrente arguiu que "contabilmente houve um lançamento errôneo, no qual deveria empregar a conta contábil de receita n° (310101-41401) e fora utilizada a conta "ICMS sobre vendas" IV (310104.41401)", já o argumento seria de que a receita constante na Nota Fiscal n°001591, de 30/10/2001 no valor de R$ 90.945,45 foi escriturada no Livro Razão e no Livro Diário de forma equivocada, fls. 207 e 212/214, no entanto, conforme registrado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 32 – 33), a diferença apontada para menor no livro Razão, no valor de R$ 90.945,45, seria proveniente de venda de produção para o mercado interno relativa h. NF 1591, que não foi contabilizada como receita de vendas, dai porque, examinado as informações constantes na "Tabela HI — Comparação entre valores dos livros Reg. ICMS e Razão" referente a outubro de 2001 (fl. 36), verificou-se que os valores de "Vendas ICMS" de R$ 1.330.588,22, de "Rec. vendas Razão" de R$1.421.533,67 e de "Dif: Razão ICMS" de R$ 90,945,45, não havendo comprovação efetiva de que o valor de R$ 90.945,45 da receita de vendas foi oferecido à tributação. Destarte, considerou-se que as meras alegações da recorrente seriam desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade sendo insuficientes para elidir a motivação do procedimento de oficio. Ciente da decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 239 – 259) aduzindo que o inconformismo se restringia A. multa isolada e ao lançamento de CSLL, afirmando nesse contexto, não existir omissão de receitas, insistindo na ocorrência de meros equívocos contábeis, se opondo à multa e pugnando por provimento , o relatório. 4 Processo n0 10680.014335/2006-51 Sl-TE02 Acórdlio n ° 1802-00.700 Fl. 3 Voto Vencido Conselheiro Relator, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como relatado acima a autuação decorre da verificação de valores espelhados em determinadas notas fiscais, que não foram devidamente escriturados nem oferecidos tributação. Sinteticamente, a recorrente tern sustentado que as diferenças encontradas decorrem unicamente de equívocos na escrituração não importando qualquer prejuízo ao fisco. Observo, como também o fez a decisão recorrida, contrariamente ao que tem sustentado a contribuinte, que o valor tributável de R$ 15.237,00 constante na Nota Fiscal n° 980, de 31/08/2001 (fl. 211), é decorrente da venda de exportação e não foi contabilizada como receita pela recorrente. Ratifica-se, portanto, as conclusões resultante do confronto das informações constantes na "Tabela III — Comparação entre valores dos livros Reg. ICMS e Razão" referente a setembro de 2001 (fl. 36), por meio da qual se verificou que os valores de "Vendas ICMS" de R$ 1.347.799,78, de "Rec. vendas Razão" de RSI .332.562,78 e de "Dif. Razão ICMS" de R$15.237,00, não havendo comprovação efetiva de que o valor de R$15.237,00 da receita de vendas foi oferecido "A. tributação. Por fim, tendo em vista o valor tributável de R$ 90.945,45 constante na Nota Fiscal n° 001591, de 14/12/2001 (fl. 207), também não subsiste o argumento da recorrente de ter cometido erro contábil, visto que a diferença apontada para menor no livro Razão, no valor já referido 6 proveniente de venda para o mercado interno relativa à NF 1591, que não foi contabilizada como receita de vendas, dai porque, examinado as informações constantes na "Tabela III — Comparação entre valores dos livros Reg. ICMS e Razão" referente a outubro de 2001 (11. 36), de igual forma verifico que os valores de "Vendas ICMS" de R$ 1.3.30.588,22, de "Rec, vendas Razão" de R$1.421.533,67 e de "Dif. Razão ICMS" de RS 90.945,45, não havendo comprovação efetiva de que o valor de R$ 90.945,45 da receita de vendas foi oferecido à tributação. Por essas razões, sendo incontestes as receitas e não comprovado que estas foram tributadas, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões em 5 de novembro de 2010. Edwal Casoni de Paula 'Fernandes Junior 5 Voto Vencedor Conselheiro designado, Jose de Oliveira Ferraz Corrêa Ern que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto à multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais. A norma que estipula penalidade para o não recolhimento das estimativas está contida no art. 44 da Lei 9.43011996, e ela deve ser aplicada ainda que tenha sido "apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente", conforme prevê o inciso IV do §1 0 deste artigo: Art. 44, Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts.. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §. I" As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2", que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano- calendário correspondente; Não vislumbro outra interpretação possível para a parte final do texto acima transcrito, sendo a de que a referida multa deve ser exigida da pessoa jurídica ainda que esta tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Com efeito, a clareza da redação não possibilita entendimento diverso, a menos que se admita o afastamento de norma legal vigente, tarefa que não compete Administração Tributaria. Além disso, a hermenêutica jurídica ensina que se deve preferir a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza 6. inutilidade. Nesse caso, 6 se de Oliveira Ferraz Correa Processo n" 10680 014335/2006-51 S1-TE02 Acórdzio n " 1802-00.700 Fl 4 o entendimento contrario implicaria na supressão ou inutilidade de todo o adendo estabelecido pelo inciso IV acima Também á importante destacar que o texto legal diz "ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ...." e não "ainda que venha a ser apurado prejuízo fiscal numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso. Tudo isso que se disse até aqui serve para demonstrar que as estimativas mensais, de fato, configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador de .31 de dezembro. Sua natureza jurídica, inclusive, a faz destoar totalmente do padrão traçado pelo art. 113 do CTN (que trata das obrigações tributárias), pois ela é uma obrigação que surge antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Seu pagamento, por outro lado, nada extingue, gerando apenas urn registro contábil de credito a favor do contribuinte, a ser aproveitado no futuro. Alem disso, nos termos do art. 44 da Lei 9A30/96, essa obrigação existe mesmo que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Ou seja, existe ainda que não haja tributo devido. Portanto, não ha entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde corn a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. E ainda que assim não fosse, cabe assinalar que não ha. no Direito Tributário algo semelhante ao Principio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta o argumento sobre a concomitância de multas. Assim, voto no sentido de também negar provimento ao recurso voluntário quanto a multa isolada pela falta de estimativas mensais. Sala das Sessões em 5 de novembro de 2010. 7
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Numero do processo: 10480.720359/2010-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.368
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente TAMBAÍ AUTOMOTORES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 03 59 /2 01 0- 85 Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 10480.720359/201085 Acórdão n.º 3301003.368 S3C3T1 Fl. 3 2 Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/Pasep NãoCumulativo – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de PIS/Pasep nãoCumulativo, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 0649.658. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 10480.720359/201085 Acórdão n.º 3301003.368 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 10480.720359/201085 Acórdão n.º 3301003.368 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 10480.720359/201085 Acórdão n.º 3301003.368 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 10480.720359/201085 Acórdão n.º 3301003.368 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 1272DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000026/2011-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.963
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GRAND MOTORS COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 26 /2 01 1- 74 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 12585.000026/201174 Acórdão n.º 3302003.963 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.463. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 122DF CARF MF Processo nº 12585.000026/201174 Acórdão n.º 3302003.963 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 12585.000026/201174 Acórdão n.º 3302003.963 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 124DF CARF MF Processo nº 12585.000026/201174 Acórdão n.º 3302003.963 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 125DF CARF MF Processo nº 12585.000026/201174 Acórdão n.º 3302003.963 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.720152/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.920
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 52 /2 01 2- 81 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11516.720152/201281 Acórdão n.º 3302003.920 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.089. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11516.720152/201281 Acórdão n.º 3302003.920 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11516.720152/201281 Acórdão n.º 3302003.920 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11516.720152/201281 Acórdão n.º 3302003.920 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11516.720152/201281 Acórdão n.º 3302003.920 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900356/2014-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 06/07/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 06/07/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 56 /2 01 4- 62 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13888.900356/201462 Acórdão n.º 3401003.727 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 06/07/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900356/201462 Acórdão n.º 3401003.727 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900356/201462 Acórdão n.º 3401003.727 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.720196/2016-72
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. LEI 9.430, ART. 44. LEI 4.502, ART. 71.
A alteração fictícia da sede da pessoa jurídica e a omissão substancial da receita, comparada à receita declarada ao Fisco Estadual, atestam o dolo na conduta do contribuinte, que justifica a imposição de multa qualificada, nos termos do artigo 44, II, da Lei nº 9.430/1996 combinado com o artigo 71, da Lei nº 4.502/1964.
AGRAVAMENTO DA MULTA. LEI 9.430/1996, ART. 44, §2º. ARBITRAMENTO. SÚMULA CARF 96.
O agravamento da multa é medida gravosa que não se justifica quando há resposta pelo contribuinte às intimações fiscais. Além disso, nos termos da Súmula CARF Nº 96, "a falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros".
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9101-002.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, acordam, (i) por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento quanto à multa qualificada; (ii) por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento quanto à multa agravada. O conselheiro Rafael Vidal de Araújo acompanhou a relatora pelas conclusões nessa matéria. E, (iii) por voto de qualidade, em negar-lhe provimento quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao último tema, a conselheira Adriana Gomes Rego.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. LEI 9.430, ART. 44. LEI 4.502, ART. 71. A alteração fictícia da sede da pessoa jurídica e a omissão substancial da receita, comparada à receita declarada ao Fisco Estadual, atestam o dolo na conduta do contribuinte, que justifica a imposição de multa qualificada, nos termos do artigo 44, II, da Lei nº 9.430/1996 combinado com o artigo 71, da Lei nº 4.502/1964. AGRAVAMENTO DA MULTA. LEI 9.430/1996, ART. 44, §2º. ARBITRAMENTO. SÚMULA CARF 96. O agravamento da multa é medida gravosa que não se justifica quando há resposta pelo contribuinte às intimações fiscais. Além disso, nos termos da Súmula CARF Nº 96, "a falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros". Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, acordam, (i) por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento quanto à multa qualificada; (ii) por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento quanto à multa agravada. O conselheiro Rafael Vidal de Araújo acompanhou a relatora pelas conclusões nessa matéria. E, (iii) por voto de qualidade, em negar-lhe provimento quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao último tema, a conselheira Adriana Gomes Rego. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. LEI 9.430, ART. 44. LEI 4.502, ART. 71. A alteração fictícia da sede da pessoa jurídica e a omissão substancial da receita, comparada à receita declarada ao Fisco Estadual, atestam o dolo na conduta do contribuinte, que justifica a imposição de multa qualificada, nos termos do artigo 44, II, da Lei nº 9.430/1996 combinado com o artigo 71, da Lei nº 4.502/1964. AGRAVAMENTO DA MULTA. LEI 9.430/1996, ART. 44, §2º. ARBITRAMENTO. SÚMULA CARF 96. O agravamento da multa é medida gravosa que não se justifica quando há resposta pelo contribuinte às intimações fiscais. Além disso, nos termos da Súmula CARF Nº 96, "a falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros". ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, acordam, (i) por unanimidade de votos, em negarlhe AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 01 96 /2 01 6- 72 Fl. 539DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 540 2 provimento quanto à multa qualificada; (ii) por unanimidade de votos, em darlhe provimento quanto à multa agravada. O conselheiro Rafael Vidal de Araújo acompanhou a relatora pelas conclusões nessa matéria. E, (iii) por voto de qualidade, em negarlhe provimento quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao último tema, a conselheira Adriana Gomes Rego. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de processo originado por Autos de Infração de IRPJ, com lucro arbitrado decorrente de presunção de omissão de receita pela existência de depósitos bancários de origem não comprovada quanto aos 4 trimestres dos anos de 2005 e 2006, com imposição de multa qualificada e agravada no percentual de 225%. (fls. 6/47 volume 1). De forma reflexa, foram lançadas as contribuições (CSLL, PIS e COFINS). Ademais, consta termo de sujeição passiva solidária às fls. 239, fundamentada no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional. Extraise do Relatório de Atividade Fiscal (fls. 48/) a respeito dos temas ainda em discussão no processo: Descrevemse, abaixo, os fatos constantes do Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, com as constatações Fl. 540DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 541 3 apuradas e conclusão com a proposição de reversão de domicílio fiscal (Processo Administrativo n.s 13116.002254/200872, fls. 65/165): Restou, assim, evidenciado que a matriz da empresa REAL DISTRIBUIÇÃO LTDA, CNPJ 04.244.363/000123, não está localizada no endereço declarado à Receita Federal. (...) Por todo o exposto, encerramos este procedimento de diligência fiscal propondo a alteração de ofício do CNPJ, nos termos do artigo 27 e parágrafos, da IN RFB n.2 748/2007, no sentindo de efetuar a REVERSÃO DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO da empresa REAL DISTRIBUIÇÃO LTDA, CNPJ 04.244.363/0001 23, alterando o endereço da matriz para Av. Brasil, 6700, Policentro I, Anápolis GO, CEP 7502401 0, em conformidade com a real situação desta pessoa jurídica. (...) Diante do exposto, considerando que, uma vez intimada, a autuada não apresentou à fiscalização os livros e documentos de sua escrituração, procedemos ao arbitramento do lucro para fins de apuração dos valores devidos a título de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS nos AC de 2005 e 2006, com base no art. 530, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda e autorização do Chefe da Seção de Fiscalização da DRF/Anápolis/GO, fls. 214. Os valores declarados em DCTF, nos anos de 2005 e 2006, fls. 215/230, a título de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, foram deduzidos dos valores devidos para fins de lavratura do Auto de Infração, conforme consta dos respectivos demonstrativos de cálculos. Diante do exposto, procedemos à lavratura do presente auto de infração para lançamento de ofício, com base no artigo 149, inciso V, do Código Tributário Nacional, dos valores devidos a título de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e CONFINS apurados com base no lucro arbitrado a partir da receita de venda de mercadorias, conforme planilhas de fls. 63/64. A multa de ofício aqui aplicada é qualificada e agravada, no Percentual de 225%, em razão do não atendimento às intimações e da prática reiterada e deliberada da autuada em omitir da fiscalização a receita apurada com a venda de mercadorias, descaracterizando o erro e evidenciando a vontade de omitir ou reduzir os tributos devidos. (...) Ressaltese que para o fisco do Estado de Goiás, que está próximo ao estabelecimento onde as operações são de fato realizadas, o sujeito passivo declara um faturamento em torno de quarenta vezes superior ao declarado para o fisco federal. O dolo consiste em elemento essencial da ação final, e comporta dois elementos, quais sejam, o cognitivo, que é o conhecimento do fato constitutivo da ação típica, e o volitivo, a vontade de realizar a conduta. O elemento cognitivo é pressuposto do Fl. 541DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 542 4 elemento volitivo, ou seja, a vontade não pode existir sem o conhecimento da ação. (...) A análise da conduta da autuada em alterar o seu domicílio fiscal e declarar valores irrisórios para a Receita Federal revela nítida intenção em se esquivar do recolhimento de tributos federais. Ademais, o sujeito passivo optou por não apresentar a escrituração completa, em clara desobediência âs leis fiscais. Notase uma série de condutas, planejadas e ordenadas, visando um objetivo concreto a sonegação dos tributos federais. (...) Observese que não se trata de mera falta de pagamento de tributos, ou seja, uma simples inadimplência. Tratase de uma série de ações tomadas, desde a alteração de domicílio fiscal, a não apresentação da escrituração, até o envio de declarações obrigatórias para pessoas jurídicas, com valores bem inferiores aos apresentados ao fisco estadual. Tais condutas constituemse em ações dolosas praticadas pelo sujeito passivo, através de seus sóciosadministradores, fls. 143 , Zaki Jamil El Bazi, CPF 014.773.15187, e Camilo El Bazi, CPF 348.111.76120, visando impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, o que evidencia o intuito fraudulento de sonegar tributos (art. 71 da Lei n s 4.502/1964, transcrito a seguir), além do não atendimento às intimações, sendo cabível, portanto, a aplicação de multa qualificada e agravada de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), de que trata o art. 44 da Lei 9.430/96. A contribuinte apresentou Impugnação Administrativa (fls. 252 volume 2), decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília pela manutenção integral dos lançamentos, conforme acórdão ementado da forma seguinte (289/316): (...) Anocalendário: 2005, 2006 ARBITRAMENTO DO LUCRO. A não apresentação dos livros de escrituração contábil e fiscal, apesar de reiteradas intimações por parte da Fiscalização, implica no arbitramento do lucro. A receita conhecida a partir das informações prestadas pelo própria autuada ao Fisco Estadual, nas GPI apresentadas àquele órgão, constitui elemento legítimo para o arbitramento do lucro. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE CARACTERIZAÇÃO DA INTENÇÃO DO AGENTE NA PRÁTICA DA INFRAÇÃO A omissão de rendimentos relevantes em todas as declarações apresentadas ao Fisco Federal, praticada de forma reiterada, ocultando o efetivo valor da obrigação tributária principal e impedindo o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores, Fl. 542DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 543 5 evidencia a intenção dolosa do agente no cometimento da infração e implica qualificação da multa de ofício. AGRAVAMENTO DE MULTA A reiterada falta de atendimento às intimações fiscais justifica o agravamento da multa. (...) Destacase do voto do relator trechos a respeito da multa qualificada e agravada: ARBITRAMENTO DO LUCRO O procedimento fiscal que resultou na exação tributária objeto dos autos foi motivado, conforme registrado no Relatório Fiscal (fl.44), pela expressiva disparidade de receita de vendas informada pela Real Distribuição Ltda ao Fisco Estadual, por meio das Declarações Periódicas de Informações DPI, comparativamente à receita bruta informada ao Fisco Federal em suas Declarações do Imposto de Renda DIPJ. Ou seja, enquanto a autuada informou à Secretaria de Fazenda do Estado de Goiás um volume de vendas da ordem de R$142.973.943,51 em 2005 (fl. 202) e R$158.477.706,54 em 2006 (fl. 203), à Receita Federal informou receita bruta anual de apenas R$3.644.811,57 em 2005 e R$3.917.186,33 em 2006, valores correspondentes a apenas 2,5% dos montantes declarados ao Fisco Estadual. (...) A autuada deixou de apresentar os livros solicitados pela Fiscalização, conforme resposta à fl. 169, informando que os mesmos estavam em poder da matriz (em São Paulo). Cumpre ressaltar que quando se iniciaram os trabalhos de fiscalização já havia sido emitido o Ato Declaratório Executivo n° 30, de 13/10/2008, publicado no Diário Oficial da União de 14/10/2008 (fls. 156/157), decorrente das diligências realizadas nos autos do processo administrativo n° 13116.002254/200872 que comprovaram a inexistência do estabelecimento que a autuada informava como sendo a sua matriz em São Paulo, razão pela qual foi determinado que o estabelecimento da empresa em Anápolis, onde a empresa de fato existia e exercia suas atividades, passasse a figurar como estabelecimento matriz. (...) É importante mencionar que de posse das informações prestadas pelo Fisco Estadual a Fiscalização elaborou os Demonstrativos da Receita Bruta Auferida relativos respectivamente aos anos calendário 2005 e 2006 (fls. 202/203) os quais foram submetidos à autuada, juntamente com o Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 200/201), por meio do qual foi também reintimada a apresentar sua escrituração contábil. (...) Assim não tendo o contribuinte apresentado seus livros à Fiscalização, esta procedeu ao arbitramento do lucro com base no disposto no art. 530, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (...) Fl. 543DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 544 6 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA A multa de ofício lançada no Auto de Infração foi agravada e qualificada, estando fundamentada no art. 44, inciso I e § 1º e 2º , da Lei 9.430/1996 (...) No caso sob exame, é fato concreto que a contribuinte prestou ao fisco federal declarações nas quais ofereceu à tributação receita bruta equivalente a apenas 2,5% da receita de vendas informada ao Fisco Estadual nos mesmos anoscalendário de 2005 e 2006, ocultando do Fisco Federal valores tributáveis que somente vieram à tona com o trabalho desenvolvido pela fiscalização, prática que evidencia intuito tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da verdadeira base de cálculo da obrigação tributária principal, o que constitui conduta configuradora do ilícito fiscal de sonegação, conceituado pelo art. 7 1 , inciso I, da Lei n°. 4.502, de 1964. Adicionalmente, a autuada esquivouse de apresentar seus livros de escrituração contábil e ainda indicou como sendo sua matriz estabelecimento inexistente, fatos que também corroboram a tentativa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da verdadeira base de cálculo da obrigação tributária principal. Quanto ao agravamento da multa qualificada para o percentual de duzentos e vinte e cinco por cento, este é previsto pelo art. 44, § 2o . , da Lei n°. 9.430, de 1996, quando o sujeito passivo não atende, no prazo marcado, a intimação fiscal. Na presente situação, vêse que o termo de início de fiscalização (fls. 166/168), bem como os demais termos de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 200/201), e de Ciência e de Continuação do Procedimento Fiscal (fl. 212) não foram atendidos por parte da contribuinte, que ora alegou que os livros se encontravam em estabelecimento matriz inexistente, ora se esquivou apresentando alegação infundada de que estaria aguardando a reconsideração quanto à alteração unilateral de domicílio fiscal. O fato de a autuada não haver atendido às intimações fiscais, negandose a apresentar seus livros de escrituração contábil, constitui motivo suficiente para provocar o agravamento da penalidade. Portanto, no caso em análise a multa de ofício foi qualificada e agravada, no percentual de 225%, em razão do não atendimento às intimações e da prática reiterada e deliberada da autuada em omitir da fiscalização a quase totalidade (97,5%) da receita bruta apurada com a venda de mercadorias, em 24 (vinte c quatro) meses seguidos durante os anos de 2005 e 2006. A contribuinte apresentou recurso voluntário, ao qual foi negado provimento pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara deste Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 Fl. 544DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 545 7 NULIDADE. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte, (Súmula n° 6 do CARF). PROVA EMPRESTADA. FASE OFICIOSA. ADMISSIBILIDADE. As provas obtidas do Fisco Estadual na fase de fiscalização são admissíveis no processo administrativo fiscal, por serem submetidas a novo contraditório e não prejudicarem o direito de defesa do contribuinte. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Cabe o arbitramento do lucro, com fundamento no art. 47, inciso III, da Lei nº 8.981/95, na situação em que a contribuinte regularmente intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, deixa de apresentálos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA . Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Consta do voto do relator, Conselheiro Antonio Bezerra Neto, a respeito dos temas que serão analisados por esta Turma: ARBITRAMENTO Conforme registrado no Relatório Fiscal (fl. 44), o que motivou o aprofundamento da investigação e conseqüente lavratura do auto de infração, foi a expressiva disparidade de receita de vendas informada pela Recorrente ao Fisco Estadual, por meio das Declarações Periódicas de Informações DPI, comparativamente à receita bruta informada ao Fisco Federal em suas Declarações do Imposto de Renda – DIPJ: Informado à Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás: R$ 142.973.943,51 em 2005 (fl. 202) R$ 158.477.706,54 em 2006 (fl. 203), De outra banda, de forma totalmente discrepante, informou receita bruta anual de apenas R$3.644.811,57 em 2005 e R$3.917.186,33 em 2006 (apenas 2,5% dos montantes declarados ao Fisco Estadual) Nesse passo, o Fisco Federal iniciando a fiscalização exigiu a apresentação de todos os seus livros de escrituração contábil e fiscal, conforme Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 166/167). Fl. 545DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 546 8 A autuada não apresentou os livros solicitados pela Fiscalização, informando que os mesmos estavam em poder da matriz em São Paulo (fl. 169). (...) Conforme detalhadamente descrito no Relatório Fiscal, diante da não apresentação dos livros contábeis e objetivando subsidiar o procedimento fiscal, foram solicitadas à Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás, mediante Ofício n° 43/2008 (fl. 170), as informações de posse daquele Fisco Estadual declaradas pela empresa Real Distribuição Ltda nas Declarações Periódicas de Informações DPI durante os anos de 2005 e 2006. (...) Diante de todo esse contexto, não tendo o contribuinte apresentado seus livros à Fiscalização, não restou mais nada à Fiscalização senão proceder com o arbitramento do lucro com base no disposto no art. 530, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99: (...) Multa qualificada de 150% Assoma claro nos autos que a empresa, de forma intencional e reiterada, buscou ocultar receitas com o fim de eximirse do devido recolhimento dos tributos, o que caracteriza ação dolosa visando a impedir ou retardar o conhecimento da obrigação tributária por parte da Fazenda Pública, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, adiante reproduzido: (...) Nesse contexto, como nos autos está devidamente evidenciado através do TVF que o contribuinte, ao longo dois anos, ocultou do Fisco Federal o efetivo valor dos tributos e contribuições a recolher, declarando fração diminuta das receitas declaradas ao fisco estadual na ordem de 2,5%. Dessa forma, a prática de omitir receitas por dois anos de forma reiterada (elemento objetiva) denota concretamente o “evidente intuito de fraude”. Não se pode aqui imaginar que o agente que pratica “erros” de forma contínua por um longo tempo não possua a intenção de retardar/impedir ou afetar as características essenciais da ocorrência do fato gerador. Mas, o caso que se cuida não trata tãosomente de “prática reiterada”, além disso houve o agravante, como ficou sobejamente demonstrado no mérito, que a autuada esquivouse de forma obsessiva de apresentar seus livros de escrituração contábil, talvez em função da grande omissão de receitas que depois foi detectada e garantir mesmo apenas o arbitramento ao invés de tributação direta das omissões. Para tanto, ainda indicou como sendo sua matriz estabelecimento inexistente, fatos que também corroboram a tentativa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da verdadeira base de cálculo da obrigação tributária principal. (...) Multa agravada em 50% O agravamento da multa qualificada em mais cinqüenta por cento, está previsto no art. 44, § 2º, da Lei n°. 9.430, de 1996, Fl. 546DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 547 9 quando o sujeito passivo não atende, no prazo marcado, a intimação fiscal. Conforme ficou sobejamente demonstrado, houve o completo desatendimento por motivo que se mostrou inexistente, o que leva a conclusão de tentativa mesmo de obstaculizar a fiscalização. Juros sobre multa de ofício (...) A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. É a inteligência dos artigos 3º e 113 do CTN, conjugado com art. 139 que assim dispõe “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” (...) Por sua vez, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Em resumo, é cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Em 11/10/2012, a contribuinte foi intimada quanto ao acórdão (fls. 427), interpondo recurso especial em 25/10/2012 (fls. 428/435), no qual sustenta a divergência na interpretação da lei tributária quanto aos seguintes temas: (i) arbitramento dos lucros com base em prova emprestada pelo Fisco Estadual, indicando como paradigma o acórdão nº 10705469; no qual se decidiu que "improcede a tributação por omissão de receita, embasada apenas no confronto de ingresso e saídas lançadas no livro de ICMS, quando não investigadas ocorrências de indícios de receitas que possam ter sido omitidas"; (ii) qualificação da multa de ofício, apontando como paradigma o acórdão nº 10193.791, constando desta decisão que "de acordo com a pacífica jurisprudência administrativa, a não contabilização e o não oferecimento à tributação de receitas, estando as notas fiscais devidamente emitidas, não é suficiente para provar o evidente intuito de fraude, a justificar a penalidade agravada." (iii) agravamento da multa de ofício, identificandose o acórdão paradigma nº 10709.131, do qual se extrai: "descabe o agravamento da multa com fundamento no §2º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 quando o lançamento é feito com base em livros fiscais apresentados pelo sujeito passivo". (iv) incidência dos juros sobre a multa de ofício, com divergência demonstrada com o acórdão nº 10323.566, no qual consta: "por não se tratar Fl. 547DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 548 10 da hipótese de penalidade aplicada na forma isolada, a multa de ofício não integra o principal e sobre ela não incidem os juros de mora". O recurso especial foi parcialmente admitido, pelo então Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção, em 31/07/2014, conforme razões a seguir reproduzidas (fls. 444/449): Pois bem, examinando a questão litigiosa trazida pela Recorrente no tocante à matéria “arbitramento do lucro com base em informações fornecidas pelo Fisco estadual”, verifica se, de plano, que inexiste dissídio jurisprudencial no caso vertente. (...) A recorrente busca demonstrar que o colegiado, no acórdão paradigma, corrobora seu entendimento quanto à impossibilidade de arbitramento do lucro, com base em receita apurada mediante prova emprestada. Todavia, no acórdão paradigma colacionado pela recorrente, a razão de decidir do colegiado fundouse em argumentos que não abordam matéria fática relacionada às questões aduzidas pela Recorrente. (...) Enquanto o acórdão atacado entendeu que o arbitramento do lucro observou os requisitos legais fundamentais para sua utilização, o acórdão paradigma sequer aborda matéria relativa a essa modalidade de tributação. Cabe esclarecer que na apreciação da prova, a autoridade judicante de segunda instância formou livremente sua convicção fundamentada nos elementos produzidos nos autos, amparada no princípio da persuasão racional (art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Não há, pois, qualquer divergência jurisprudencial no presente caso. (...) Por outo lado, no que concerne às divergências referentes às matérias: “qualificação da multa de ofício”, “agravamento da multa de ofício por não atendimento às solicitações da fiscalização” e “incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício”, da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a Recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois em situações fáticas semelhantes, chegouse a conclusões distintas. A divergência é patente: no acórdão recorrido entendeuse que a qualificação e o agravamento da multa de ofício, bem como a incidência dos juros de mora sobre este mesma multa, estão amparos pela legislação pertinente. Por seu turno, nos paradigmas colacionados, nestes mesmos casos, a decisão foi no sentido de considerar improcedente o lançamento. (...) Com fundamento nas razões acima expendidas, nos termos dos art.18, III, c/c art.68, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ADMITO PARCIALMENTE o recurso especial interposto. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 549 11 Acerca do arbitramentodo lucro, encaminhese para reexame pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, nos termos do art.71 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. (...) O Presidente da CSRF confirmou o despacho da Presidente da 3ª Turma em 05/06/2015 (fls. 495/496). Em 24/06/2016 a Procuradoria foi intimada, apresentando contrarrazões ao recurso especial em 24/06/2016, nas quais requereu seja negado provimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Considerando a definitividade da decisão que não conheceu do recurso especial da contribuinte quanto ao arbitramento, deixo de tomar conhecimento a respeito desta matéria, com fundamento no artigo 71, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em redação vigente ao tempo em que proferida esta decisão (Portaria MF 343/2015), verbis: Art. 71. O despacho que rejeitar, total ou parcialmente, a admissibilidade do recurso especial será submetido à apreciação do Presidente da CSRF. (...) § 3° Será definitivo o despacho do Presidente da CSRF que negar ou der seguimento ao recurso especial. Com efeito, em 05/06/2015, o Presidente da CSRF confirmou o despacho do Presidente da 4ª Câmara que negou seguimento a parte do recurso especial da contribuinte, decisão que é definitiva de acordo com o Regimento Interno vigente àquela oportunidade. No tocante às demais matérias, o recurso especial da contribuinte é tempestivo e foi devidamente demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária quanto (i) à qualificação da multa de ofício; (ii) ao agravamento da multa de ofício e (iii) à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, conforme despacho de admissibilidade, cujas razões adoto para conhecimento do recurso. Assim, passo à análise do mérito. Multa Qualificada Fl. 549DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 550 12 A qualificação da multa no caso teve fundamento no artigo 44, II, da Lei nº 9.430/1996, que tinha a seguinte redação ao tempo dos fatos em discussão (anoscalendários de 2005 e 2006): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Este dispositivo legal foi combinado com os artigos 71, da Lei nº 4.502/1964, no lançamento tributário: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. O elemento doloso na conduta do agente é fundamental na identificação da sonegação na forma do artigo 71, para justificar a qualificação da multa de ofício. No processo em análise, o agente autuante menciona que há dolo na conduta, especialmente pelas razões a seguir sintetizadas: O dolo consiste em elemento essencial da ação final, e comporta dois elementos, quais sejam, o cognitivo, que é o conhecimento do fato constitutivo da ação típica, e o volitivo, a vontade de realizar a conduta. O elemento cognitivo é pressuposto do elemento volitivo, ou seja, a vontade não pode existir sem o conhecimento da ação. (...) A análise da conduta da autuada em alterar o seu domicílio fiscal e declarar valores irrisórios para a Receita Federal revela nítida intenção em se esquivar do recolhimento de tributos federais. Ademais, o sujeito passivo optou por não apresentar a escrituração completa, em clara desobediência âs leis fiscais. Notase uma série de condutas, planejadas e ordenadas, visando um objetivo concreto a sonegação dos tributos federais. (...) Observese que não se trata de mera falta de pagamento de tributos, ou seja, uma simples inadimplência. Tratase de uma série de ações tomadas, desde a alteração de domicílio fiscal, a não apresentação da escrituração, até o envio de declarações obrigatórias para pessoas jurídicas, com valores bem inferiores aos apresentados ao fisco estadual. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 551 13 Tais condutas constituemse em ações dolosas praticadas pelo sujeito passivo, através de seus sóciosadministradores, fls. 143 , Zaki Jamil El Bazi, CPF 014.773.15187, e Camilo El Bazi, CPF 348.111.76120, visando impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, o que evidencia o intuito fraudulento de sonegar tributos (art. 71 da Lei nº 4.502/1964, transcrito a seguir), além do não atendimento às intimações, sendo cabível, portanto, a aplicação de multa qualificada e agravada de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), de que trata o art. 44 da Lei 9.430/96. Como se observa do trecho acima reproduzido, 3 (três) fatos foram determinantes para a qualificação e agravamento da multa, quais sejam: (i) alteração (fictícia) do domicílio fiscal da pessoa jurídica; (ii) não apresentação de escrituração e (iii) envio de declarações obrigatórios com valores bastante inferiores àqueles declarados ao Fisco Estadual. Dentre os fatos acima narrados, isoladamente pareceme que é irrelevante a não apresentação de escrituração, afinal, este fato já ocasionou o arbitramento dos lucros da pessoa jurídica. Nesse sentido, são as Súmulas CARF nº 25 e 96: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Ocorre que este fato está relacionado a outros dois relevantes indicados pela fiscalização, quais sejam, a (i) alteração (fictícia) do domicílio fiscal da pessoa jurídica; (ii) envio de declarações obrigatórios com valores bastante inferiores àqueles declarados ao Fisco Estadual (cerca de 2,5%). É especialmente relevante o fato alteração do domicílio fiscal, como relatada pelo agente fiscal autuante. De fato, a contribuinte tem contra si o elemento descrito pelo auditor fiscal autuante, consistente na alteração da sua sede para outra cidade (São Paulo) formalmente sem que efetivamente tenha ocorrido esta modificação de suas atividades para aquele Município. A situação é explicitada pelas razões do Relatório Fiscal, que remete ao processo administrativo nº 13116.002254/200872, no qual apurada tal situação. Destaco, em especial, os fatos (a) do site da própria contribuinte mencionar que esta pessoa jurídica está localizada em Anápolis; e (b) a diligência realizada no endereço em São Paulo revelar que não há qualquer escritório da empresa naquele local. A omissão substancial (cerca de 97,5%) da receita, quando comparada com a receita declarada ao fisco estadual também é fato relevante a ser considerado para fins de apuração do dolo na conduta da contribuinte, notadamente quando no contexto acima relatado. Portanto, o contexto fático descrito pelo agente fiscal autuante demonstra a intenção (dolo) da contribuinte para impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária, configurandose hipótese de qualificação da multa de ofício. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 552 14 Lembro que a Turma Ordinária manteve a qualificação da multa pelas razões que destaco a seguir: Nesse contexto, como nos autos está devidamente evidenciado através do TVF que o contribuinte, ao longo dois anos, ocultou do Fisco Federal o efetivo valor dos tributos e contribuições a recolher, declarando fração diminuta das receitas declaradas ao fisco estadual na ordem de 2,5%. Dessa forma, a prática de omitir receitas por dois anos de forma reiterada (elemento objetiva) denota concretamente o “evidente intuito de fraude”. Não se pode aqui imaginar que o agente que pratica “erros” de forma contínua por um longo tempo não possua a intenção de retardar/impedir ou afetar as características essenciais da ocorrência do fato gerador. Mas, o caso que se cuida não trata tãosomente de “prática reiterada”, além disso houve o agravante, como ficou sobejamente demonstrado no mérito, que a autuada esquivouse de forma obsessiva de apresentar seus livros de escrituração contábil, talvez em função da grande omissão de receitas que depois foi detectada e garantir mesmo apenas o arbitramento ao invés de tributação direta das omissões. Para tanto, ainda indicou como sendo sua matriz estabelecimento inexistente, fatos que também corroboram a tentativa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da verdadeira base de cálculo da obrigação tributária principal. (...) Diante disso, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte quanto à multa qualificada, mantendo o acórdão recorrido neste ponto. Multa Agravada Consta do Relatório Fiscal que acompanha os Autos de Infração a existência de dolo da contribuinte e a causa para o agravamento da multa de ofício (fls. 48): Notase uma série de condutas, planejadas e ordenadas, visando um objetivo concreto a sonegação dos tributos federais. (...) Observese que não se trata de mera falta de pagamento de tributos, ou seja, uma simples inadimplência. Tratase de uma série de ações tomadas, desde a alteração de domicílio fiscal, a não apresentação da escrituração, até o envio de declarações obrigatórias para pessoas jurídicas, com valores bem inferiores aos apresentados ao fisco estadual. Tais condutas constituemse em ações dolosas praticadas pelo sujeito passivo, através de seus sóciosadministradores, fls. 143 , Zaki Jamil El Bazi, CPF 014.773.15187, e Camilo El Bazi, CPF 348.111.76120, visando impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, o que Fl. 552DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 553 15 evidencia o intuito fraudulento de sonegar tributos (art. 71 da Lei n s 4.502/1964, transcrito a seguir), além do não atendimento às intimações, sendo cabível, portanto, a aplicação de multa qualificada e agravada de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), de que trata o art. 44 da Lei 9.430/96. Do mesmo Relatório Fiscal constam as intimações e respostas da contribuinte ao longo da fiscalização, que sintetizo nas razões que seguem: (i) em 21/10/2008 a contribuinte foi intimada do Termo de Início de Ação Fiscal por meio de Aviso de Recebimento dos correios enviada ao estabelecimento em Anápolis, para apresentação em 5 dias úteis os Livros Fiscais e atos constitutivos da pessoa jurídica (fls. 172/174). O prazo esgotariase em 28/10/2008. Segundo Relatório Fiscal, a contribuinte "não atendeu à intimação para apresentação dos livros ali exigidos" (ii) em 29/10/2008, a contribuinte solicita prorrogação do prazo da apresentação de documentos por 15 dias, pois os livros estariam em poder da matriz (fls. 175). Este pedido de prazo foi indeferido, diante do ADE 30 e constatação prévia da inexistência de estabelecimento no endereço indicado como da matriz; (iii) em 31/10/2008, a auditor fiscal solicitou à Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás informações constantes de Declarações Periódicas de Informações (DPI) quanto aos anos de 2005 e 2006. Em 06/11/2008 foi atendido tal solicitação pela SEFAZ/GO; (iv) em 10/11/2008, a contribuinte pleitea suspensão da fiscalização, discorrendo sobre irregularidade da alteração do domicílio pela Receita Federal e sobre contestação ao Ato Declaratório nº 30/2008 (fls. 211/215); (v) em 13/11/2008, a contribuinte foi reintimada a apresentar escrituração contábil completa quanto aos anos de 2005 e 2006, ocasião em que elaborados demonstrativos da receita bruta com base nas informações do fisco estadual (fls. 206/210); (vi) em 18/11/2008, a contribuinte apresenta petição alegando a falta de competência da Delegacia da Receita Federal para sua fiscalização, considerando a pendência de decisão a respeito do pedido de reconsideração no que concerne à alteração unilateral de sua sede (ADE 30/2008) (fls. 217/218); (vii) em 19/11/2008, a contribuinte é intimada sobre inexistência de previsão legal para suspensão da ação fiscal, validade da alteração do estabelecimento e para apresentação de documentos (escrituração contábil), conforme intimação de 10/11/2008 (fls. 219). Esta intimação não foi respondida. O agravamento da multa teve por fundamento o artigo 44, §2º, da Lei nº 9.430/1996, que tinha a seguinte redação ao tempo dos fatos em discussão (2005 e 2006). Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos Fl. 553DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 554 16 de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) prestar esclarecimentos; (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) A decisão da Turma Ordinária tratou da multa agravada da forma seguinte: Conforme ficou sobejamente demonstrado, houve o completo desatendimento por motivo que se mostrou inexistente, o que leva a conclusão de tentativa mesmo de obstaculizar a fiscalização. Conforme muito bem colocou a decisão de piso: Na presente situação, vêse que o termo de início de fiscalização (fls. 166/168), bem como os demais termos de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 200/201), e de Ciência e de Continuação do Procedimento Fiscal (fi. 212) não foram atendidos por parte da contribuinte, que ora alegou que os livros se encontravam em estabelecimento matriz inexistente, ora se esquivou apresentando alegação infundada de que estaria aguardando a reconsideração quanto à alteração unilateral de domicílio fiscal. O fato de a autuada não haver atendido às intimações fiscais, negandose a apresentar seus livros de escrituração contábil, constitui motivo suficiente para provocar o agravamento da penalidade. Portanto, mantenho também o agravamento da multa que elevou o percentual da multa para o patamar de 225%. Em que pese a contribuinte não tenha apresentado livros fiscais no curso da fiscalização, como acima relatado, respondeu praticamente todas as intimações, requerendo prazo, ou alegando a irregularidade da fiscalização e solicitando sua suspensão. Assim, a despeito da fragilidade dos fundamentos em suas manifestações e da ausência de apresentação efetiva dos livros fiscais, de fato houve resposta pela contribuinte. Acrescento que o agravamento de penalidade é medida extremamente gravosa e depende da efetiva ocorrência de negativa da contribuinte na prestação de informações à Receita Federal do Brasil, situação que não se vislumbra no presente caso, em que existiram diversas respostas pela contribuinte (embora insuficientes). Ademais, pondero que a fiscalização concedeu prazos exíguos (5 dias) e encerrou a fiscalização em exatos 30 (trinta) dias (intimação do Termo de Início de Ação Fiscal 21/10/2008 e ciência dos Autos de Infração em 21/11/2008). Além disso, a omissão da contribuinte na apresentação de documentos e esclarecimentos ocasionou o arbitramento de lucros, mantido pelo acórdão recorrido. Como anteriormente mencionado, o arbitramento foi objeto de recurso especial não admitido. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 555 17 Pois bem. A omissão na apresentação de documentos é insuficiente para o agravamento da penalidade quando este fato já ocasionou o arbitramento de lucros. Nesse sentido, é a Súmula CARF 96: Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Tampouco são relevantes para fins de agravamento da penalidade os seguintes fatos descritos pelo Relatório Fiscal: (i) alteração (fictícia) do domicílio fiscal da pessoa jurídica; (ii) envio de declarações obrigatórios com valores bastante inferiores àqueles declarados ao Fisco Estadual. Estes fatos, como acima citado, são relevantes para demonstrar o intuito doloso da sonegação, para fins de qualificação da penalidade, mas não podem cumulativamente ocasionar o agravamento da multa. Diante de tais razões, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da contribuinte para afastar o agravamento da multa, mantendoa no percentual de 150% (qualificada). Juros sobre a Multa Como manifestado em julgamentos anteriores, acolho o recurso especial para reconhecer a ilegalidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, em face da falta de previsão expressa em lei para tanto. Isto porque o caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, trata apenas dos débitos de tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 555DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 556 18 O caput acima colacionado, ao dispor sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições tratou dos débitos decorrentes dos fatos geradores que originam a cobrança destes tributos e contribuições, isto é, os débitos dos tributos. Não tratou, assim, das penalidades decorrentes do descumprimento da obrigação tributária. Acrescentese que o §3º deste dispositivo legal trata da possibilidade de incidência de juros de mora sobre os débitos a que se refere o citado artigo, isto é, débitos de tributos e contribuições devidas à Receita Federal do Brasil expressamente tratados pelo caput , confirmando que não há previsão para incidência de juros sobre a multa de ofício. Ressaltese que os parágrafos de um artigo expressam aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo, ou exceções à regra por ele estabelecidas, conforme artigo 11, III, alínea "c", da Lei Complementar nº 95/1998: Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: (...) III para a obtenção de ordem lógica: (...) c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida; Assim, a disposição do §3º, do artigo 61 deve se conformar ao caput deste dispositivo, regulando, assim, os débitos de tributos, contribuições e multa de mora. É oportuno lembrar que o legislador expressamente previu a incidência de juros sobre multas isoladas, como se depreende do artigo 43, da mesma Lei nº 9.430/1996: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ao regular a multa de ofício, em sentido contrário, o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 não estabeleceu expressamente a incidência de juros. Nesse sentido, destacase a , redação do citado dispositivo, com redação vigente ao tempo do fato gerador tratado nestes autos (2007): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 556DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 557 19 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; Ressaltese que o Código Tributário Nacional trata de crédito tributário com dois sentidos diferentes, em alguns dispositivos tratando da obrigação tributária e a penalidade pelo descumprimento desta obrigação, como se observa dos artigos 121, 139, 142, em outros apenas como a obrigação tributária principal, como se verifica dos artigos 161 e 164. Colacionase o artigo 164, do Código Tributário Nacional: Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente pelo sujeito passivo, nos casos: I de recusa de recebimento, ou subordinação deste ao pagamento de outro tributo ou de penalidade, ou ao cumprimento de obrigação acessória; II de subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências administrativas sem fundamento legal; III de exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo idêntico sobre um mesmo fato gerador. § 1º A consignação só pode versar sobre o crédito que o consignante se propõe pagar. Ao dispor que cabe a consignação na hipótese de recusa ao pagamento "outro tributo ou de penalidade" evidencia que no crédito tributário tratado pelo artigo 164 não está incluída penalidade. No mesmo sentido, dispõe o artigo 161, do Código Tributário Nacional: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Notese que o artigo 161, do Código Tributário Nacional, define a incidência de juros de mora, "sem prejuízo das penalidades", revelando que estas penalidades não compõe o crédito tributário na acepção expressa por este dispositivo. O §1º do artigo 161 expressa "aspectos complementares à norma enunciada no caput" (conforme artigo 11, III, alínea "c", da Lei Complementar nº 95/1998) e, portanto, não infirma a conclusão que a penalidade não está incluída no crédito como definido por este dispositivo. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 558 20 Por tais razões, voto também pelo provimento ao recurso especial quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício. Conclusão Diante disso, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da contribuinte para cancelar o agravamento da penalidade, mantendoa no percentual qualificado de 150%, afastando, ainda, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rego, Redatora Designada Em que pese o muito bem fundamentado voto proferido pela ilustre Conselheira relatora, este colegiado divergiu de sua conclusão quanto a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Em seu voto, a relatora entendeu ser ilegal a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, por falta de expressa previsão em lei. Quanto ao tema, em recente julgado proferi meu voto no sentido de afirmar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício (acórdão 9101002.349, de 14/06/2016), o qual foi ratificado pela maioria dos Conselheiros da 1ª Turma da CSRF, conforme razões que reafirmo a seguir. A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu artigo 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa Selic. Vejase: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do Fl. 558DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 559 21 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (Grifei) De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Grifei) Ora, dos artigos 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (Grifei) Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Resta evidente que a multa de ofício proporcional, bem como a multa isolada, lançadas juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora por força do disposto no artigo 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1996. Aliás, se a intenção do legislador fosse limitar a aplicação do artigo 61 apenas aos débitos principais de tributos e contribuições, como sustenta a recorrente, bastaria suprimir o termo "decorrente", como bem pontua o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, no voto condutor do Acórdão nº 1401001.653: É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Além disso, o CTN claramente permite a aplicação de juros sobre "crédito", conceito no qual se insere a multa de ofício. O artigo 161, caput, do Código, estabelece a incidência de juros de mora sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento", dispondo o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da Fl. 559DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 560 22 aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifei) Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do artigo 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os artigos 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiando se de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Adotando estas premissas, o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa também concluiu, no voto condutor do Acórdão nº 220101.630, que, se o artigo 113 do CTN incorpora à obrigação principal o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, e o artigo 139 do CTN estipula que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, é evidente que a penalidade pecuniária integra o conceito de crédito tributário. Em acréscimo, o Conselheiro expõe que: Nesse mesmo sentido, no art. 142, que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a “crédito” no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capítulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão “o crédito não integralmente pago” possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo Fl. 560DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 561 23 legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual “a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário”. Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse texto a prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. [...] Não é preciso grande esforço de interpretação, portanto, para se concluir que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação que harmoniza os diversos dispositivos do CTN, ao contrário da tese oposta. Acrescentese, supletivamente, que, como se verá com detalhes mais adiante, a legislação ordinária de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de ofício, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluo, assim, no sentido de que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Porém, conforme disposto no seu parágrafo primeiro, esses deverão ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de ofício com base na taxa Selic. Corroborando o entendimento de que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis, em 1/9/2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça assim decidiu nos autos do Recurso Especial nº 1.129.990/PR, sob a condução do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 562 24 2. Recurso especial provido. Analisouse, no caso, norma estadual questionada sob o argumento de que a multa por inadimplemento de ICMS não integraria o crédito tributário. Interpretando o artigo 161 do CTN em conjunto com os artigos 113 e 139 do CTN, o Ministro concluiu que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis e, tendo em conta que o artigo 161 do CTN, ao se referir ao crédito, está tratando de crédito tributário, concluiu que referido dispositivo autoriza a exigência de juros de mora sobre multas. Este foi, aliás, o entendimento da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, como se vê no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688/PR, de 4/12/2012, Relator Min. Benedito Gonçalves: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (Grifei) Vale destacar o seguinte trecho da decisão: Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento." (Grifei) Em julgado recente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, conforme se verifica a partir da ementa do Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, do qual foi relator o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 13116.720196/201672 Acórdão n.º 9101002.827 CSRFT1 Fl. 563 25 Portanto, não assiste razão à Contribuinte quando afirma que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício não encontra respaldo na legislação. Como se viu, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício decorrem da lei. Por fim, conforme o antes transcrito § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a taxa aplicável ao débitos de que aqui se trata, aí incluídos, como se viu, os decorrentes da aplicação de multa de ofício, é aquela "a que se refere o § 3º do art. 5º", qual seja a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Vejase: Art. 5º (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Pelo exposto, voto no sentido de manter a aplicação dos juros de mora à taxa SELIC sobre a multa de ofício, negando provimento ao recurso do contribuinte no que diz respeito a este tema. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Fl. 563DF CARF MF
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Numero do processo: 15940.720188/2012-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
GLOSA DE CUSTOS OU DESPESAS. FORNECEDOR INEXISTENTE DE FATO. PROVAS ROBUSTAS. DESNECESSIDADE DE DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO.
A existência de provas robustas no sentido de inexistência de fato da pessoa jurídica fornecedora, transfere ao adquirente o ônus de provar a efetividade das operações, através da comprovação do pagamento e recebimento das mercadorias.
Numero da decisão: 9101-002.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que lhe negou provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego.
Julgamento iniciado na reunião de 04/2017 e concluído em 10/05/2017.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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FORNECEDOR INEXISTENTE DE FATO. PROVAS ROBUSTAS. DESNECESSIDADE DE DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. A existência de provas robustas no sentido de inexistência de fato da pessoa jurídica fornecedora, transfere ao adquirente o ônus de provar a efetividade das operações, através da comprovação do pagamento e recebimento das mercadorias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que lhe negou provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego. Julgamento iniciado na reunião de 04/2017 e concluído em 10/05/2017. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 01 88 /2 01 2- 13 Fl. 3132DF CARF MF Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 9101002.811 CSRFT1 Fl. 3.133 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Relatório Tratase o presente de Recurso Especial, interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional, em relação à matéria “ônus da prova em caso de empresa fornecedora tida como inapta ou inexistente de fato (inidônea), mas sem declaração de inaptidão”. Na origem foram efetuados lançamentos para exigência de IRPJ, CSLL e respectivos consectários legais, bem como IRRF em razão da constatação de pagamentos sem causa realizados nos anoscalendário 2007 e 2008. A razão da autuação foi a identificação da existência de contabilização de documentos inidôneos, com consequente glosa dos custos da empresa. Neste sentido, também se exigiu o IRRF, incidente sobre pagamentos sem causa ou de operações não comprovadas. Sobre o trabalho fiscal, vale a transcrição da seguinte passagem do relatório da decisão a quo: Relatou a autoridade fiscal no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal (definido pelo próprio fiscal como TVF) que, em cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) 08105002010001849, constatouse que durante o 3° e 4° trimestres do ano calendário de 2007 e 1°, 2°, 3° e 4° trimestres do anocalendário de 2008, a contribuinte se utilizou aquisições de insumos e despesas incorridas para obter benefícios fiscais do PIS e da Cofins, nos termos das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. O agente fiscal constatou que a empresa contribuinte adquiriu matéria prima do fornecedor de couro Rubens Batista do Amaral Rancharia nos anoscalendário de 2007 e 2008, no total de R$ 11.587.358,00. Com informações fornecidas pela Secretaria da Fazenda Estadual SP, constatouse que o fornecedor Rubens Batista do Amaral Rancharia foi declarado inexistente de fato desde o início das atividades, embasado no processo administrativo n° 10835.720681/201128, e que não houve contestação do citado contribuinte a respeito dessa declaração. Feitos pagamentos pela empresa ao fornecedor Rubens Batista, mediante emissão de cheques que foram compensados na conta Fl. 3133DF CARF MF Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 9101002.811 CSRFT1 Fl. 3.134 3 da contribuinte, mas não foram levados a efeito na conta do fornecedor, uma vez que, segundo os sistemas informatizados da RFB, não foi feito nenhum registro de Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof) para aquele fornecedor. Referidos pagamentos pelas supostas compras de couro foram feitos a Octávio Pellin Júnior, que não mantém relação empregatícia, laboral, autônoma ou societária com qualquer das partes (fornecedor e comprador). A empresa contribuinte declarou que os pagamentos foram efetivados ao Sr. Octávio, tendo em vista autorização do Sr. Rubens. Contudo, em algumas dessas autorizações não se tem o reconhecimento da assinatura do autorizante, conforme se vê nos pagamentos da nota 47312, de 18/02/2007, efetuados mediante emissão dos cheques 120709 e 120710, do Banco do Brasil. Os valores relativos aos pagamentos efetivados à empresa Rubens Batista do Amaral Rancharia, objeto das glosas dos pedidos de ressarcimentos do PIS e da Cofins, foram considerados pagamentos efetuados sem comprovação da operação ou causa, sendo redutores de custo das mercadorias e produtos vendidos, dando azo a resultado tributável diferente do declarado pela contribuinte. Tendo em vista a apropriação no custo de valores constantes de notas fiscais inidôneas, foi alterada a composição dos balancetes de redução/suspensão que embasaram a apuração do recolhimento por estimativa. Foram refeitos os cálculos e, consequentemente, nos meses em que foi apurado resultado positivo, foram cobrados valores relativos à multa isolada do IRPJ e CSLL, na forma prescrita no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Foram lançados o IRPJ, a CSLL e IRRF com exigência da multa de 150%, tendo em vista a utilização de notas fiscais inidôneas como custo. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais. Inconformado o Contribuinte apresentou Impugnação, que fora julgada improcedente pela DRJ. Assim, foi apresentado Recurso Voluntário ao CARF. No julgamento do Recurso Voluntário a 2ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento, por unanimidade, a ele deu provimento, sob o fundamento de que não havendo declaração de inaptidão da empresa fornecedora, competia a Fiscalização provar a inidoneidade da empresa fornecedora e a máfé da empresa adquirente, conforme ementa e decisão abaixo transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 NULIDADE. COMPROVAÇÃO DA MÁFÉ DO CONTRIBUINTE. Fl. 3134DF CARF MF Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 9101002.811 CSRFT1 Fl. 3.135 4 Não havendo declaração de inaptidão da empresa fornecedora, competia a Fiscalização provar a inidoneidade da empresa fornecedora e a máfé da empresa adquirente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase aos autos de infração reflexos as mesmas conclusões às quais se alcançou em relação ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Cientificada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando discutir a matéria “ônus da prova em caso de empresa fornecedora tida como inapta ou inexistente de fato (inidônea), mas sem declaração de inaptidão”. Para demonstrar a divergência a Fazenda Nacional aponta os Acórdãos 1402 001.199 e 20312.636. No Acórdão 1402001.199 restou decidido que é cabível o lançamento decorrente da glosa de documentos representativos de custos ou despesas, emitidos por empresas inaptas por inexistência de fato, quando restar comprovado que o adquirente não efetuou o pagamento a tais fornecedores, tampouco e recebeu os respectivos bens. Já no Acórdão 20312.636 restou decidido que independentemente da declaração de inaptidão do CNPJ das pessoas jurídicas emitentes, reputamse inidôneas notas fiscais emitidas por empresas existentes de direito, mas inexistentes de fato ou inativas, quando o destinatário não comprova nem o efetivo ingresso das mercadorias no estabelecimento industrial de destino nem os pagamentos respectivos Sobre a divergência, alega a Fazenda Nacional que cotejando os casos concretos analisados pelo acórdão recorrido e pelos paradigmas, observase a similitude do contexto fático, pois todos tratavam de apropriação no custo de valores constantes de notas fiscais inidôneas motivadas pela suposta aquisição de produtos/mercadorias/serviços de pessoas jurídicas inexistentes de fato. Ainda sobre a divergência, alega a Fazenda Nacional que sob a ótica do Colegiado a quo, “Em virtude de não ter sido comprovada no âmbito federal a declaração de inidoneidade da empresa fornecedora e o fato de a declaração no âmbito estadual não suprir a falta de declaração no âmbito federal, não há que se falar em inversão do ônus da prova, fazendo com que se presuma a máfé da empresa adquirente e esta precise, para não ser tributada pelos correspondentes tributos (IRPJ, CSL e IRRF), comprovar o recebimento das mercadorias e o pagamento do preço respectivo”. Por outro lado, de acordo com os paradigmas, se os elementos de prova são suficientes para a caracterização de inidoneidade dos documentos fiscais, não é necessário que se aguarde a declaração de inaptidão pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal. Ou seja, se as provas trazidas pelo Fisco atestam a inexistência de fato da empresa fornecedora, é possível considerar a documentação fiscal como tributariamente ineficaz, independentemente da declaração de inaptidão em ato oficial adequado. Fl. 3135DF CARF MF Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 9101002.811 CSRFT1 Fl. 3.136 5 Nesse contexto, requer o conhecimento de seu Recurso Especial. Em suas razões, alega a Fazenda Nacional, em suma: ü Que o acórdão recorrido considerou que não bastaria a motivação da glosa estar amparada na condição de não habilitada da empresa apontada pelo autuado como fornecedora. Caberia à fiscalização comprovar que o sujeito passivo teria ciência da condição da empresa com quem transacionou, o que não teria ocorrido no caso; ü Contudo, cabe observar que há sim declaração de inaptidão da empresa fornecedora, no âmbito federal, tal qual afirmado pela Fiscalização; ü Nos autos do processo administrativo nº 10835720681/201128 foi exarado o seguinte ADE nº 08, de 25/06/2012 reconhecendo a inexistência de fato do fornecedor cujo custo de aquisição foi glosado, com base no artigo 24, “a” e “c”, da IN/RFB 1.183/2011; ü O art. 81 da Lei 9.430/96 trata das hipóteses de declaração de inaptidão da inscrição de uma pessoa jurídica junto Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ). Entre essas hipóteses está a da pessoa jurídica inexistente de fato, ou seja, aquela pessoa que não possui existência real (estabelecimento, bens necessários à consecução de seus objetivos etc), mas apenas formal (registro dos atos constitutivos, inscrição estadual, inscrição no federal etc.); ü Já o art. 82 da Lei 9.430/96 cuida de um dos efeitos da declaração de inaptidão, qual seja, a presunção de inidoneidade dos documentos emitidos pela pessoa jurídica declarada inapta, ressalvada ao sujeito passivo a produção de prova em contrário. Tratase de presunção legal relativa cujo efeito é a inversão do ônus da prova. ü Em assim sendo, declarada a inaptidão da pessoa jurídica, caberá ao interessado que com ela manteve negócios comprovar o recebimento dos bens e o respectivo pagamento, sem o que poderá o fisco presumir que aqueles negócios efetivamente não ocorreram; ü A decisão do STJ apontada pelo contribuinte, exarada no âmbito do REsp 1.148.444–MG, vai ao encontro do estabelecido no art. 82 da Lei nº 9.430/96; ü Isso porque o STJ flexibilizou a interpretação do fisco estadual somente em relação às notas fiscais emitidas antes da publicação do ato que as declarou inidôneas. Em relação a esses casos, entendeu a Corte que o creditamento do ICMS seria admitido, desde que o interessado no crédito comprovasse a efetiva realização da operação. Dito de outro modo, nestes casos permanece a presunção legal de inidoneidade da nota fiscal e, portanto, é vedado o creditamento do ICMS, facultado ao contribuinte produzir prova em contrário, caso em que fará jus ao crédito. Tratase, assim, de presunção legal relativa; Fl. 3136DF CARF MF Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 9101002.811 CSRFT1 Fl. 3.137 6 ü Nesse diapasão, considerandose que todas as notas fiscais objeto da glosa foram emitidas pelo fornecedor da contribuinte antes de publicado o ato declaratório de sua inidoneidade, há que se concluir que, seja com base no art. 82, parágrafo único, da Lei n 9.430/96, seja com base na interpretação dada pelo STJ ao art. 23 da Lei Complementar nº 87/1996, aquelas notas fiscais são inidôneas à comprovação dos atos nelas registrados, facultado à contribuinte a produção de prova em contrário; ü A guarida dada pela legislação para resguardar a boafé, alegada pela contribuinte, deve atender a duas prescrições de ordem objetiva. São elas o efetivo pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens correspondentes; ü Os formulários apresentados pela impugnante registram lançamentos contábeis que não se prestam a justificar o efetivo ingresso dos bens, pois apenas representam o que consta dos documentos fiscais; ü Os formulários apresentados pela impugnante registram lançamentos contábeis que não se prestam a justificar o efetivo ingresso dos bens, pois apenas representam o que consta dos documentos fiscais; ü Tampouco podese considerar o controle de estoque que apresentou como suficiente para comprovar o recebimento dos produtos, pois ele não traz o registro individualizado por nota fiscal de aquisição, nem possibilita perfeita apuração do estoque permanente, como estabelece o art. 388 do RIPI; ü Para atender ao requisito previsto na legislação e comprovar o recebimento dos produtos constantes das notas fiscais apresentadas pela contribuinte, é imprescindível o registro individualizado por documento e por produto, o que o autuado não fez; ü Se a fiscalização repetiu as afirmações já postas quando do início e conclusão do procedimento fiscal é porque as provas apresentadas pelo contribuinte não foram contundentes ou com força probatória suficiente para contrariar o vasto acervo probatório que faz parte desse caderno processual; ü Ainda que se considere que há aqui um conjunto de indícios e não uma prova direta do ilícito, o fato é que esses indícios são robustos, convergentes e coincidentes entre si, de forma a dispensar outras provas a cargo do Fisco e demandar, ao revés, uma demonstração com provas idôneas e suficientes, sob ônus do contribuinte; ü Não é necessário que se aguarde a declaração de inaptidão pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal. Tampouco se mostra imprescindível que o Fisco comprove a máfé do contribuinte autuado; Fl. 3137DF CARF MF Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 9101002.811 CSRFT1 Fl. 3.138 7 ü Outrossim, ainda que assim não fosse, há Ato Declaratório Executivo declarando baixada a inscrição da empresa fornecedora na RFB por inexistência de fato; ü Com efeito, se uma determinada empresa de fato nunca existiu e nem mesmo possuía estrutura física apta a comportar os supostos negócios espelhados nas notas fiscais por ela emitidas, como seria possível o adquirente desconhecer completamente essa circunstância? Aliás, questionase exatamente como poderia ter a empresa fornecedora em questão praticado efetivamente qualquer negócio realmente válido e efetivo, haja vista sua total condição de operar; ü Nos termos acima expostos, fica claro que o acórdão recorrido merece reforma, devendo ser restaurada a decisão de primeira instancia que, de forma salutar, manteve o lançamento em sua totalidade; ü Nesse contexto, a Fazenda pede a reforma do da decisão a quo. A Autoridade competente deu seguimento ao Recurso Especial, nos seguintes termos: “Enquanto a decisão recorrida entendeu que o ônus da prova em caso de empresa fornecedora tida como inapta ou inexistente de fato (inidônea), mas sem declaração de inaptidão, é do fisco, os acórdãos paradigmas apontados decidiram, de modo diametralmente oposto, que o referido ônus é do sujeito passivo. Por tais razões, neste juízo de cognição sumária, concluise pela caracterização da divergência de interpretação suscitada. Pelo exposto, do exame dos pressupostos de admissibilidade, PROPONHO seja ADMITIDO o Recurso Especial interposto.” Regularmente intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões, alegando e requerendo, em suma: ü Ausência de similitude fática, pois nos paradigmas a autuação foi mantida por não haver prova do ingresso das mercadorias e dos pagamentos respectivos, enquanto que no presente caso foi provado tanto o ingresso das mercadorias, quanto o respectivo pagamento; ü No despacho de admissibilidade do recurso equivocadamente restou consignado que a causa seria solucionada com a mera atribuição do ônus da prova no caso de inexistir declaração de inaptidão da empresa fornecedora; ü Entretanto, o fato é que o Colegiado adentrou nas peculiaridades do caso para concluir que a autuação é improcedente. O Colegiado concluiu que o fisco não provou a inidoneidade da empresa fornecedora e a máfé da empresa adquirente. São argumentos autônomos e suficientes para manter o Acórdão; Fl. 3138DF CARF MF Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 9101002.811 CSRFT1 Fl. 3.139 8 ü Essa Câmara Superior, para analisar a pretensão da Fazenda Nacional, teria que se debruçar sobre os documentos juntados aos autos, o que é impossível em sede de Recurso Especial de divergência; ü Ausência de demonstração analítica da divergência; ü Nesse contexto, pugna pelo não conhecimento do Recurso Especial; ü Quanto ao mérito, os documentos fiscais do fornecedor não podem ser considerados inidôneos sem anterior emissão de ato declaratório de inaptidão do CNPJ; ü O documento fiscal só deixa de produzir efeitos em relação a terceiros na hipótese de o emissor ter sua inscrição no CNPJ considerada inapta antes dos fatos, o que não ocorreu; ü A fiscalização se limitou a mencionar um suposto processo onde havia declaração de inaptidão, sem juntálo aos autos, o que impossibilitou a recorrida de se defender; ü O STJ e o próprio CARF entendem que é inadmissível que os documentos fiscais do fornecedor sejam declarados inidôneos em ADE com efeitos retroativos; ü A fiscalização se apoiou integralmente em declaração de inidoneidade estadual (posterior aos fatos) e que também não se encontra nos autos, o que também causa cerceamento do direito de defesa; ü O ato estadual foi anulado pela justiça estadual, que reconheceu a regularidade das aquisições realizadas do fornecedor em questão; ü O contribuinte comprovou o pagamento e o registro da operação no seu Livro Registro de Entradas, foram juntados aos autos ainda o Livro Razão, balanço patrimonial e DRE, além dos comprovantes bancários de pagamento; ü O Contribuinte tomou as cautelas exigidas pelo STJ, consultando, por ocasião da celebração das operações comerciais a situação do fornecedor no SINTEGRA, identificando que ele se encontrava “habilitado”, juntando cópia das consultas realizadas; ü Além disso não há nos autos prova da participação do Contribuinte nas irregularidades; ü Portanto, o acórdão recorrido não merece qualquer reparo. É o relatório. Fl. 3139DF CARF MF Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 9101002.811 CSRFT1 Fl. 3.140 9 Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre a admissibilidade do Recurso entendo ser necessário o debate. No acórdão recorrido foi rechaçada a inversão do ônus da prova, com fulcro no artigo 82, da Lei 9.430/96, nos seguintes termos: Em virtude de não ter sido comprovada no âmbito federal a declaração de inidoneidade da empresa fornecedora e o fato de a declaração no âmbito estadual não suprir a falta de declaração no âmbito federal, não há que se falar em inversão do ônus da prova, fazendo com que se presuma a máfé da empresa adquirente e esta precise, para não ser tributada pelos correspondentes tributos (IRPJ, CSL e IRRF), comprovar o recebimento das mercadorias e o pagamento do preço respectivo Isso porque, a inversão do ônus da prova apenas ocorre nas hipóteses previstas em lei e tanto o artigo 82, caput e parágrafo único, da Lei nº 9.430/96, quanto o artigo 48, § 1º e § 2º, da Instrução Normativa RFB nº 748, de 28 de junho de 2007 tão somente invertem o ônus da prova quando a empresa fornecedora esteja com a inscrição declarada inapta no CNPJ. Mais adiante o Relator continua seu raciocínio: Não ocorrendo a inversão do ônus da prova, compete, por força dos dispositivos acima transcritos, ao Fisco demonstrar a inidoneidade da empresa fornecedora e a máfé da empresa adquirente, ora Contribuinte. Corroborando com esse entendimento, apresentamos teor do RESP 1.148.444, de relatoria do Ministro Luiz Fux (DJ 27/04/2010): (....) E a conclusão do Relator foi a seguinte: As provas juntadas foram suficientes para demonstrar a inidoneidade da empresa fornecedora, mas não foram aptas a demonstrar a máfé da Contribuinte. No presente caso, a autoridade fiscal, partindo da premissa de um fornecedor possivelmente irregular (“Rubens”), apenas presumiu que a atividade da Recorrente também estava irregular, não desincumbindo, assim, do seu ônus de provar tais irregularidades. Fl. 3140DF CARF MF Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 9101002.811 CSRFT1 Fl. 3.141 10 Por seu turno, o Colegiado que proferiu o Acórdão 20312.636, assim se manifestou sobre o tema: “O voto vencido considera relevante a circunstância de a declaração de inidoneidade das notas fiscais ser posterior às datas de suas emissões. Por isto considera admissível o aproveitamento dos créditos, por parte da recorrente. Todavia, tal circunstância só seria crucial se a recorrente tivesse demonstrado que as operações de compra e venda relativas às notas fiscais se realizaram efetivamente. Para tanto, devia ter comprovado, ao menos, o ingresso das mercadorias adquiridas no estabelecimento industrial e os pagamentos respectivos. (...) Reputo irrelevante a data de declaração dos documentos fiscais porque esta, meramente declaratória que é, até pode ser dispensada. (...) Por pertinente, observo que podem ser caracterizados como inidôneos os documentos fiscais emitidos por empresas não declaradas inaptas, quando inexistentes de fato ou sabidamente sem funcionarem (inativas). O importante é ficar demonstrado que as empresas supostamente emitentes não realizaram as operações de venda consignadas nas notas fiscais de saída. Esta caracterização de inidoneidade, assim como aquela proveniente da declaração de inaptidão, admite provas em contrário, especialmente a comprovação de entrada dos insumos no estabelecimento industrial, acompanhada dos pagamentos respectivos. Como tais provas não foram apresentadas, os efeitos tributários decorrentes da inidoneidade dos documentos fiscais atingem a recorrente, na qualidade de beneficiária direta da utilização dos mesmos. (...) Na situação dos autos cabe a inversão do ônus da prova. Somente por meio da comprovação da entrada dos insumos e dos pagamentos é que poderiam ser elididas as provas levantadas pela fiscalização. Neste sentido os seguintes acórdãos (sublinhados acrescentados):" Como se pode ver, no Acórdão recorrido restou decidido que apenas após a declaração de inidoneidade ocorre a inversão do ônus da prova e que não ocorrendo a inversão cabe à autoridade fiscal demonstrar a inidoneidade e a má fé do Contribuinte. Por outro lado, no Acórdão paradigma admitiuse a imputação de inidoneidade no próprio procedimento fiscal, admitindo com isso a inversão do ônus da prova em relação à comprovação da boa fé do contribuinte, através da comprovação da entrada da mercadoria e do respectivo pagamento. Assim sendo, clara está a divergência jurisprudencial, de modo que deve ser conhecido o Recurso Especial em análise. Fl. 3141DF CARF MF Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 9101002.811 CSRFT1 Fl. 3.142 11 Pois bem. No mérito, a questão a ser aqui definida e se a inversão do o ônus da prova prevista no artigo 82, da Lei 9.430/96 ocorre apenas quando a empresa fornecedora esteja com a inscrição declarada inapta no CNPJ ou se a inaptidão fornecedor for constatada através do procedimento fiscal que culminou no respectivo lançamento, invertese o ônus da prova em relação à comprovação da boa fé do adquirente. Em relação à esse tema, penso de forma semelhante aos julgadores do Acórdão recorrido. A inversão do ônus da prova apenas ocorre nas hipóteses previstas em lei, notadamente o artigo 82, caput e parágrafo único, da Lei nº 9.430/96, donde se extrai que tão somente invertese o ônus da prova quando a empresa fornecedora esteja com a inscrição declarada inapta no CNPJ. Nos seguintes termos: “Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços." Não ocorrendo a inversão do ônus da prova, compete, por força dos dispositivos acima transcritos, ao Fisco demonstrar a inidoneidade da empresa fornecedora e a máfé da empresa adquirente, ora Contribuinte. De fato, o STJ, no Resp 1.148.444, menciona apesar de adquirente de mercadoria de fornecedor posteriormente declarado inidôneo ser considerado terceiro de boa fé, posteriormente condiciona o direito ao crédito do imposto à comprovação da veracidade da compra e venda efetuada, conforme se pode depreender da seguinte passagem do voto do Relator: Nada obstante, a jurisprudência das Turmas de Direito Público é no sentido de que o comerciante que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) tenha sido, posteriormente declarada inidônea, é considerado terceiro de boafé, o que autoriza o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, desde que demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada (em observância ao disposto no artigo 136, do CTN), sendo certo que o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação. Ora, sob minha ótica, há um equívoco nessa decisão, pois, se o adquirente tem boa fé, não há a necessidade de provála, isso apenas ocorreria se houvesse uma presunção de máfé. Ora, máfé não se pode presumir, tem que se provar, mesmo que todos os elementos fáticos levem à dedução de inidoneidade do fornecedor. Fl. 3142DF CARF MF Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 9101002.811 CSRFT1 Fl. 3.143 12 Logo, não tenho reparos a fazer na decisão a quo, quando assim conclui: "As provas juntadas foram suficientes para demonstrar a inidoneidade da empresa fornecedora, mas não foram aptas a demonstrar a máfé da Contribuinte. No presente caso, a autoridade fiscal, partindo da premissa de um fornecedor possivelmente irregular (“Rubens”), apenas presumiu que a atividade da Recorrente também estava irregular, não desincumbindo, assim, do seu ônus de provar tais irregularidades. As provas colacionadas nos autos demonstram justamente o contrário. Em nenhum momento, a autoridade fiscal informou que havia lançamento contábil errôneo. Nenhuma escrituração no livro de inventário foi alegada inexata ou faltante pelo fiscal. Quando o mesmo comenta sobre as exportações (algo mais simples de verificarse fls. 1887 e segs.), confirmou a existência de seus registros. Ainda que a DRJ alegasse que não se pode precisar se houve circulação de mercadorias, ao menos, não se constatou que não havia estoque físico de matéria prima (por exemplo) para a produção da mercadoria acabada; nem que não havia estoque de produtos acabados para que fossem vendidos; ou que as exportações não ocorreram ou referidos valores não foram recebidos. Entre tantas outras verificações (movimentações bancárias, por exemplo) que foram ou que poderiam ter sido feitas para o esclarecimento do caso, nada foi apontado pelo fiscal. Nesse sentido, observase que, com relação à glosa dos créditos pelo fisco paulista, socorreuse a Recorrente do judiciário através de ação anulatória, obtendo êxito integral em primeira instância (fls. 2594 e segs.), decisão esta confirmada em sede de Tribunal (fl. 2807 e segs.). É importante destacar, que o juiz de primeira instância declarou que referida glosa de créditos era “insensata e absurda”, e que não encontrou indícios de envolvimento da Recorrente com seu cliente “Rubens”. Sendo assim, conduzo o meu voto pela nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, vez que a Fiscalização não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a suposta máfé da empresa adquirente, ora Contribuinte. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário." Nesse contexto, NEGO provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 3143DF CARF MF Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 9101002.811 CSRFT1 Fl. 3.144 13 Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Redatora designada. Ouso divergir do ilustre relator porque entendo que a dedutibilidade da despesa não está necessariamente atrelada à demonstração de máfé da contribuinte mas sim à comprovação de que as operações de fato ocorreram. A máfé é um elemento subjetivo necessário para manutenção ou não da multa qualificada. No caso em apreço, há uma acusação fiscal de que a contribuinte teria adquirido matériaprima do fornecedor RUBENS BATISTA DO AMARAL – RANCHARIA, que era pessoa jurídica inexistente de fato. A Fiscalização constatou uma incapacidade de a empresa RUBENS BATISTA DO AMARAL RANCHARIA produzir ou fornecer matéria prima à recorrida, uma vez que não tinha condições físicas adequadas, não possuía trabalhadores ou autônomos, nem pessoas jurídicas a lhe prestar serviços, bem como não recebeu os pagamentos efetuados pela recorrida. No que diz respeito aos destinatários dos pagamento, o TVCF destacou (fl.1992): È curial notar, que os supostos pagamentos efetuados pelo CURTUME TOURO ao suposto fornecedor RUBENS BATISTA DO AMARAL RANCHARIA, ocorreu mediante a emissão de cheques, os quais foram depositados e compensados na conta do suposto adquirente (Curtume Touro), todavia, de outro lado, os referidos valores não foram levados a efeito na conta do suposto fornecedor, pois, que, compulsando o sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil, temse claro que para todo o ano de 2007, não se tem qualquer registro de Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira DIMOF, para o suposto fornecedor e, digase o mesmo, para o período de 01/2008 a 04/2008. Ora, vêse, com solar clareza, que os supostos pagamentos efetuados como se fosse para a empresa RUBENS BATISTA DO AMARALRANCHARIA, em verdade, foram creditados na conta de terceiros. Não se pode olvidar, ademais, que os pagamentos pelas supostas compras de couro efetuadas junto à firma RUBENS BATISTA DO AMARAL RANCHARIA foram todos efetuados ao Senhor Octavio Pellin Júnior, que, absolutamente, nada tem a ver com suposto fornecedor nem com suposto adquirente, ou seja, o Senhor Octávio, não mantém relação empregatícia, laboral autônoma ou societária com qualquer das partes. Curioso é que, os recibos de quitações das supostas aquisições de couros junto ao fornecedor Fronteiras Subprodutos Bovinos Ltda ME, também foram firmados pelo Senhor Octavio Pellin Júnior, que, também, neste caso, não se Fl. 3144DF CARF MF Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 9101002.811 CSRFT1 Fl. 3.145 14 tem quaisquer prova de sua relação com o suposto fornecedor (os valores dos créditos do PIS e da COFINS pleiteados pelo Curtume Touro, referente as notas fiscais do suposto fornecedor Fronteiras Subprodutos Bovinos Ltda ME foram indeferidos). Chamado a se pronunciar sobre o assunto o Curtume Touro, em 03/05/2012, declarou que os pagamentos foram efetivados ao Sr. Octávio, tendo em vista que tinha autorização do Senhor Rubens para tanto. Contudo, em algumas de tais autorizações nem sequer o reconhecimento da assinatura do autorizante (Rubens), conforme depreende, exemplificativamente, dos pagamentos da nota 47312, emitida em 18/02/2007 e respectivos pagamentos efetuados em 21/02/2007, mediante a emissão dos cheques 120709 e 120710, ambos do Banco do Brasil S A. Ademais disso, a cessão de crédito para produzir efeitos contra terceiros tem que atender os ditames do artigo 288, combinado com o artigo 654, inciso I, ambos do Código Civil Brasileiro, que assim proclamam: (...) No tocante aos pagamentos efetuados ao Senhor Octávio, referente às supostas aquisições da empresa Fronteiras Subprodutos Bovinos Ltda ME, temos que, conforme declaração do Curtume Touro o mesmo tinha autorização do fornecedor para assinar recibos e receber os cheques, contudo tal autorização não apresentada e, ademais, não há qualquer prova que vincule o suposto fornecedor com o Senhor Octavio. Não é despiciendo aduzir, que o Senhor Octavio é titular da empresa OCTAVIO PELLIN JÚNIOR EPP, inscrita no CNPJ sob n° 05.579.410/000152 , porém a precitada pessoa jurídica está na situação de NÃO HABILITADA junto à Fazenda Pública Paulista, desde 31/08/2007. Assim sendo, não se pode dizer que o senhor Octavio tinha crédito com o Senhor Rubens que autorizasse a suposta "cessão de crédito". Em síntese, diante do circunstanciado, podese inferir que as vendas da firma RUBENS BATISTA DO AMARAL RANCHARIA para o CURTUME TOURO LTDA, no período de 01/2007 a 04/2008, jamais existiram, mormente porque não houve o pagamento das supostas aquisição dos produtos e o Senhor Rubens ter firmado 06/12/2011, declaração de próprio punho declinando que a mais de cinco anos esta com as atividades paralisadas.(grifei) De acordo com os fatos narrados no TVCF, constatase que a recorrida efetivou pagamentos por meio de cheque (confirmase que a contribuinte efetuou pagamentos). Todavia esses pagamentos não foram para a empresa RUBENS BATISTA DO AMARAL RANCHARIA, emissora das notas fiscais, tendo em vista que a mesma não teve movimentação financeira após a autoridade fiscal consultar a DIMOF. Por sua vez, o próprio Sr. Rubens declarou em dezembro de 2011 que fazia aproximadamente 05 anos que estava com as atividades paralisadas (fl.1501). Fl. 3145DF CARF MF Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 9101002.811 CSRFT1 Fl. 3.146 15 Em que pese formalmente a declaração de inidoneidade só ter sido formalizada após os fatos geradores, entendo oportuno transcrever trechos da decisão de primeira instância que analisou tanto a acusação fiscal, quanto a impugnação e assim concluiu: Consta no presente processo que a Secretaria da Fazenda Estadual, mediante o cumprimento de Mandado de Busca e Apreensão Domiciliar autorizado pela justiça, obteve documentos que comprovam que no local declarado como sede da empresa Rubens Batista do Amaral – Rancharia o seu titular mantém escritório no qual gera pseudoempresas com atividade de frigorífico e/ou de comercialização de carne bovina e demais produtos e subprodutos do abate, cujos impressos de notas fiscais se prestam a acobertar operações de venda de carne e de couros bovinos efetivamente realizadas por terceiros e a transferir crédito de ICMS para os estabelecimentos destinatários de forma que os verdadeiros titulares das operações permanecem no anonimato e sem a responsabilidade pelos tributos estaduais e federais incidentes. Tal situação foi devidamente comprovada por inúmeros documentos apreendidos pelo fisco no curso de ação fiscal empreendida, conjuntamente com o Ministério Público Estadual e com a Polícia Civil, junto ao estabelecimento do contribuinte Rubens Batista do Amaral Rancharia, bem assim na residência do seu titular e na sede do estabelecimento comercial não inscrito no cadastro de contribuintes do ICMS, situado no sítio Estrela de Davi, no município de Pirapozinho – SP., que tem como sócio e administrador o Sr. Octávio Pellin Júnior. A empresa Rubens Batista do Amaral Rancharia não exercia efetivamente a atividade declarada em seus registros comerciais e fiscais (frigorífico, abate de bovinos), mas sim a de emitir documentos fiscais para acobertar operações com mercadorias realizadas por terceiras empresas, recebendo, para tanto, vantagem financeira indevida representada por pagamento de determinada importância por parte da empresa adquirente do referido documento fiscal. Os documentos apreendidos demonstram as formas utilizadas para remunerar o Sr. Rubens Batista do Amaral pela emissão e fornecimento de notas fiscais em seu nome, as quais eram utilizadas pelo estabelecimento não inscrito no cadastro de contribuintes do ICMS, pertencentes a Octávio Pellin Júnior e Luiz Fernando de Oliveira, controladores da empresa de fato, denominada Mega Couros Campany. Esse procedimento tinha o objetivo de ocultar do fisco as operações realizadas pelas empresas que adquiriam os documentos fiscais, fazendo com que se eximissem de assumir a obrigação tributária decorrente de suas operações, as quais eram assumidas pelo contribuinte Rubens Batista do Amaral Rancharia, que as declarava perante o fisco e assumia os débitos fiscais como se fossem de sua responsabilidade. Ao mesmo tempo elevados valores de créditos de ICMS eram irregularmente transferidos para terceiros adquirentes de produtos junto a empresas que se utilizavam dos documentos fiscais confeccionados em nome de Rubens Batista do Amaral, os quais eram utilizados em suas escritas fiscais para reduzir o valor do débito de Fl. 3146DF CARF MF Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 9101002.811 CSRFT1 Fl. 3.147 16 imposto apurado nos períodos de entradas de mercadorias ou para serem acrescentados aos saldos credores de ICMS eventualmente existentes nos meses de apuração. Além disso, diligências comprovaram que o estabelecimento da citada fornecedora Rubens Batista do Amaral – Rancharia se constitui de escritório administrativo que cuida dos interesses de diversas outras empresas, sem qualquer condição para se constituir num estabelecimento frigorífico, ante a inexistência de locais para armazenamento e resfriamento de produtos resultantes de abate de bovinos. Citada fornecedora, apesar de ter movimentado expressivo volume de mercadorias nos anos fiscalizados, não possui e jamais possuiu em seu nome qualquer tipo de veículo de carga, que fosse utilizado no transporte dessas mercadorias, como era de se esperar. O Sr. Rubens Batista do Amaral, titular da fornecedora Rubens Batista do Amaral – Rancharia, participou do quadro societário da “empresa” Frigorífico São Matheus Ltda. (posteriormente alterada para Card Alimentos Ltda.), a qual, apesar de ter sua inscrição estadual cassada, a partir de 03/10/2001, em face da comprovada simulação de existência do estabelecimento, continuou a emitir notas fiscais para supostas operações de compra e venda de mercadorias. Constatouse, também, que referido Senhor participou ativamente de negociações relacionadas às empresas Comercial de Alimentos Dualdo Ltda. e Comercial de Alimentos Santa Gertrudes Ltda., ambas com atividade de comércio atacadista de carnes, cujas inscrições estaduais foram declaradas “inaptas” perante a Secretaria da Fazenda e os documentos fiscais por elas emitidos foram considerados inidôneos em decorrência da comprovada simulação de existência dos estabelecimentos. Temse, assim, que há elementos suficientes nos autos que atestam a inidoneidade da documentação fiscal emitida pela empresa fornecedora da contribuinte.(grifei) Assim, há um conjunto de indícios que convergem no sentido de demonstrar que as notas fiscais emitidas pela fornecedora não correspondiam à efetiva movimentação de mercadorias. Essa reunião de indícios são, na realidade, uma presunção relativa que admite a prova em contrário. Como a contabilidade do sujeito passivo faz prova a seu favor, desde que comprovada por documentos hábeis (art. 9º, §1º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977), cabe ao sujeito passivo demonstrar que essa movimentação de mercadorias ocorreu, que, de fato, adquiriu do fornecedor a mercadoria, e que pagou por essa mercadoria adquirida desse fornecedor. É essa, inclusive, a dicção do legislador também ao dispor no parágrafo único do art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja Fl. 3147DF CARF MF Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 9101002.811 CSRFT1 Fl. 3.148 17 inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços.(grifei) Assim, diferentemente do que interpretou a decisão recorrida, é de se entender que caberia à contribuinte provar a efetivação do pagamento e o recebimento dos bens. Ou seja, se a adquirente comprovar o efetivo pagamento e a efetiva operação, ainda que a fornecedora seja declarada inapta, as notas fiscais produzem efeito tributários para esse adquirente. É verdade que no presente caso não se tem a declaração de inaptidão, mas há provas robustas no sentido da inexistência da pessoa jurídica fornecedora e é dever da contribuinte demonstrar as operações a efetividade das operações que contabilizou. Em relação ao recebimento dos bens, a prova trazida não foi considerada suficiente porque os livros de entrada lastreados nas notas fiscais cuja idoneidade está sendo questionada, por si só, já perdem o seu valor probatório. Em relação aos pagamentos, também não há prova de pagamentos à fornecedora, mas sim ao Sr. Octávio Pellin Jr, que dava quitação das duplicatas, mas não restou comprovada sua relação com a empresa emissora das notas fiscais. Além disso, como bem observou a Fiscalização e a decisão de primeira instância, a alegação de que havia cessão de crédito da fornecedora a favor do Sr Octávio Pellin Jr também não restou cabalmente demonstrado, conforme transcrevo da mencionada decisão: Há que se registrar que as cessões de crédito, para ter eficácia perante terceiros, nos termos do art. 288 do Código Civil, reclamam sejam celebradas por instrumento público ou, no caso de instrumento particular, deverão conter os elementos referidos no art. 654, § 1º daquele diploma legal, a saber: Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1º do art. 654. Art. 654. Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante. § 1o O instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos. Fl. 3148DF CARF MF Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 9101002.811 CSRFT1 Fl. 3.149 18 Ademais, para que os efeitos de tais transações transcendam as partes contratantes e sejam oponíveis a terceiros, é condição indispensável que sejam lançados no Registro de Títulos e Documentos, a teor do que prescreve a Lei de Registros Públicos: Art. 127. No Registro de Títulos e Documentos será feita a transcrição: I dos instrumentos particulares, para a prova das obrigações convencionais de qualquer valor; (...) Art. 129. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: (...) 9º) os instrumentos de cessão de direitos e de créditos, de subrogação e de dação em pagamento. E conclui o acórdão de primeira instância: Não é usual ou razoável que a maioria da movimentação de pagamentos se dê com relação a terceiros. Nada impede que a contribuinte realize pagamentos a terceiros por dívida mantida com fornecedores. Entretanto, no caso presente, os fatos constatados clamam pela comprovação de relação jurídica apta a justificar os referidos pagamentos. Chama, ainda, a atenção a seguinte observação da decisão de 1ª instância: Ao contrário do que afirma a contribuinte, à fl. 25 do relatório do fisco estadual, consta que foram encontradas no estabelecimento comercial sem inscrição no cadastro de contribuintes do ICMS (Mega Couros Company) não somente cópia de cheques emitidos pelo Curtume Touro tendo como beneficiária a empresa Rubens Batista do Amaral Rancharia, mas também demonstrativos de pagamentos realizados à citada empresa pelo fornecimento de notas fiscais para acobertar operações de saídas de mercadorias, com menção de datas, notas fiscais, romaneios e valores.(grifei) Com efeito, à efl. 1.455, consta como dentre os documentos apreendidos pela Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, as seguintes informações: Fl. 3149DF CARF MF Processo nº 15940.720188/201213 Acórdão n.º 9101002.811 CSRFT1 Fl. 3.150 19 Consta ainda à efl. 1.447 também como dentre os documentos apreendidos pela Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, as seguintes informações: Ou seja, há uma reunião de indícios convergentes no sentido de demonstrar que havia um esquema envolvendo notas fiscais de favores, e como a contribuinte não logra provar que efetivamente pagou para o fornecedor das mercadorias, é de se aplicar o entendimento do acórdão paradigma 1402001.199, do qual transcrevo o seguinte trecho: Provada por todos os meios juridicamente admitidos, incluído o empréstimo de provas de outra entidade tributante, no bojo de um processo de exigência tributária concernente à empresa adquirente de mercadorias, a inexistência de fato de uma empresa supostamente fornecedora ou a inexistência de fornecimentos específicos desta com elementos irrefutáveis como inexistência de fato do estabelecimento, empresa fictícia, ausência de comprovação do transporte de mercadorias, etc., constatadas em diligências, permite considerar a documentação fiscal como tributariamente ineficaz, independentemente da declaração de inaptidão em ato oficial adequado. Essa é a situação presente nos autos. (grifei) Assim, a despeito de a declaração de inaptidão só ter sido publicada em 2012, portanto, após os fatos geradores, o fato é que há provas nos autos suficientes a infirmar que as operações de fato ocorreram. E, como a contribuinte não logra demonstrar o efetivo pagamento e o efetivo ingresso das mercadorias, é de se manter a glosa das despesas. No que diz respeito à multa qualificada, muita isolada, lançamento do IRRF e demais questionamentos trazidos no recurso voluntário que não foram analisados pela decisão recorrida, por terem sido prejudicados, é de se determinar o retorno dos autos ao colegiado a quo. Por essas razões, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para restabelecer a exigência principal, devendo a turma recorrida analisar as demais questões trazidas pelo Recurso Voluntário que não foram apreciadas pela decisão recorrida. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 3150DF CARF MF
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Numero do processo: 11686.000087/2008-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 - eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda - quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda - quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.126
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Recorrente SLC ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 00 87 /2 00 8- 35 Fl. 648DF CARF MF Processo nº 11686.000087/200835 Acórdão n.º 9303005.126 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302002.796, que, no tocante à matéria de interesse, não reconheceu o direito de crédito das contribuições não cumulativas sobre os fretes de produtos acabados transportados entre estabelecimentos da mesma empresa. Cientificada, a Fazenda Nacional não apresentou recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Irresignado, o contribuinte interpôs apelo suscitando divergência quanto ao direito à tomada dos créditos em foco, argumentando, em resumo, que: · O objeto do presente recurso especial diz respeito ao direito de apuração de créditos de PIS e de Cofins, atinentes aos fretes de transferência de produtos acabados entre os estabelecimentos; · É pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz, estando sujeita ao recolhimento de tributos, dentre as quais se destacam o PIS e a Cofins na sistemática não cumulativa; · As despesas ora em discussão são desdobramentos do frete de venda; · Para o regular desempenho de sua atividade, transfere os seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade, com o intuito de se obter melhores resultados, visto que devido às exigências do mercado, em não havendo estes centros, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; · Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; · O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, visto que seus grandes clientes, adquirentes de seus produtos, situamse, em sua grande maioria, na Região Sudeste e necessitam do produto à pronta entrega quase que diariamente; Fl. 649DF CARF MF Processo nº 11686.000087/200835 Acórdão n.º 9303005.126 CSRFT3 Fl. 4 3 · Tendo em vista que a maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos, os fretes são realizados por transporte ferroviário, como desdobramentos do frete de venda – o que demora 15 dias; · Para conseguir atender a sua demanda de pedidos, remete grandes quantidades por trem que, devido à demora no trânsito das mercadorias, quando chegam ao destino já estão vendidos; · A mercadoria, em muitos casos, já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. Em Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, contemplando, entre outros argumentos, que não é todo frete que pode ser considerado para fins de crédito da contribuição para fins de diminuição do débito ou ressarcimento. E que o entendimento administrativo somente permite o frete quando é feito diretamente para a venda do bem ou produto. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 11686.000087/200835 Acórdão n.º 9303005.126 CSRFT3 Fl. 5 4 Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Fl. 651DF CARF MF Processo nº 11686.000087/200835 Acórdão n.º 9303005.126 CSRFT3 Fl. 6 5 Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou Fl. 652DF CARF MF Processo nº 11686.000087/200835 Acórdão n.º 9303005.126 CSRFT3 Fl. 7 6 entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis Fl. 653DF CARF MF Processo nº 11686.000087/200835 Acórdão n.º 9303005.126 CSRFT3 Fl. 8 7 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 654DF CARF MF Processo nº 11686.000087/200835 Acórdão n.º 9303005.126 CSRFT3 Fl. 9 8 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; Fl. 655DF CARF MF Processo nº 11686.000087/200835 Acórdão n.º 9303005.126 CSRFT3 Fl. 10 9 b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Fl. 656DF CARF MF Processo nº 11686.000087/200835 Acórdão n.º 9303005.126 CSRFT3 Fl. 11 10 · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a Fl. 657DF CARF MF Processo nº 11686.000087/200835 Acórdão n.º 9303005.126 CSRFT3 Fl. 12 11 atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 11686.000087/200835 Acórdão n.º 9303005.126 CSRFT3 Fl. 13 12 Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: · Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; · Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; · O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: · A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; · A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse Fl. 659DF CARF MF Processo nº 11686.000087/200835 Acórdão n.º 9303005.126 CSRFT3 Fl. 14 13 dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 660DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004684/2007-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003, 2004, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Constatado no acórdão erro de fato devido a lapso manifesto, acolhem-se os Embargos Declaratórios, para que seja promovida a devida correção.
ARL - ÁREA DE RESERVA LEGAL. RECONHECIMENTO. LIMITES.
Tratando-se de Recurso Especial da Fazenda Nacional questionando o reconhecimento, no acórdão recorrido, de determinada ARL - Área de Reserva Legal, não pode a Instância Especial, ainda que por lapso, reconhecer área superior, sob pena de operar-se reformatio in pejus.
Numero da decisão: 9202-005.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, rerratificando o Acórdão nº 9202-004.633, de 25/11/2016, com efeitos infringentes, para alterar a conclusão do voto e a parte dispositiva do julgado, para dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa da APP - Área de Preservação Permanente de 600 ha e, com relação à ARL - Área de Reserva Legal, limitá-la a 12.980,3 hectares, nos exercícios de 2003 e 2004, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento e, ainda, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial em menor extensão.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ARL ÁREA DE RESERVA LEGAL. RECONHECIMENTO. LIMITES. Tratandose de Recurso Especial da Fazenda Nacional questionando o reconhecimento, no acórdão recorrido, de determinada ARL Área de Reserva Legal, não pode a Instância Especial, ainda que por lapso, reconhecer área superior, sob pena de operarse reformatio in pejus. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, rerratificando o Acórdão nº 9202004.633, de 25/11/2016, com efeitos infringentes, para alterar a conclusão do voto e a parte dispositiva do julgado, para darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa da APP Área de Preservação Permanente de 600 ha e, com relação à ARL Área de Reserva Legal, limitála a 12.980,3 hectares, nos exercícios de 2003 e 2004, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento e, ainda, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial em menor extensão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 46 84 /2 00 7- 56 Fl. 689DF CARF MF 2 Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 25/11/2016, foi julgado Recurso Especial do Procurador, prolatandose o Acórdão 9202004.633, assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003, 2004, 2005 APP ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. GLOSA. ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL INTEMPESTIVO. Incabível o acolhimento de Área Preservação Permanente cujo ADA foi protocolado após o início da ação fiscal. ARL ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. ATO CONSTITUTIVO. A averbação da Área de Reserva Legal à margem da matrícula do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador, autoriza o acolhimento da área averbada, independentemente do protocolo do ADA." A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para restabelecer a glosa da APP Área de Preservação Permanente de 600 ha e, com relação à ARL Área de Reserva Legal, admitir a exclusão de 12.980,3 ha nos exercícios de 2003 e 2004, e de 16.081,579 ha no exercício de 2005, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento e, ainda, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial em menor extensão." O processo foi encaminhado à PGFN em 05/01/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 678). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia opor Embargos de Declaração até 09/02/2017, o que foi feito em 30/01/2017 (fls. 679 a 681), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 682. Nos Embargos de Declaração, a Fazenda Nacional alegou a existência de contradição e omissão no acórdão embargado, porém os aclaratórios foram acolhidos Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10183.004684/200756 Acórdão n.º 9202005.346 CSRFT2 Fl. 684 3 parcialmente, apenas quanto à alegação de omissão (Despacho de Admissibilidade de fls. 684 a 687). Quanto à suposta omissão, a Embargante assim a define: "Ademais, convém observar que o Acórdão nº 9202004.633, ao admitir a área de 16.081,579 ha como sendo de reserva legal do exercício de 2005, violou o princípio que veda a reformatio in pejus, sem apresentar qualquer motivação para isso (omissão). Somente a União recorreu do Acórdão nº 210201.815, e esse reconheceu apenas a área de 15.981,0 ha." (destaques da Embargante) Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Os Embargos de Declaração são tempestivos e, na parte em que foram acolhidos, atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto devem ser conhecidos. Nos aclaratórios a Fazenda Nacional alega, em síntese, que o Acórdão nº 9202004.633, de 25/11/2016, ao admitir a área de 16.081,579 ha como sendo de ARL Área de Reserva Legal do exercício de 2005, violou o princípio que veda a reformatio in pejus, sem apresentar qualquer motivação para isso, o que caracterizaria omissão. Isso porque somente a União recorreu, e no acórdão recorrido reconheceuse apenas a área de 15.981,0 ha: Assiste razão à Embargante ao asseverar que, para o exercício de 2005, no acórdão embargado se reconheceu indevidamente uma área de ARL maior que aquela reconhecida no acórdão recorrido, prolatado pela Turma Ordinária. Com efeito, tratandose de Recurso Especial da Fazenda Nacional, o alargamento da área reconhecida no acórdão recorrido caracterizaria reformatio in pejus, o que é vedado no Processo Administrativo Fiscal, portanto a situação demandaria ao menos uma explicação acerca de tal procedimento. Entretanto, não se tratou de omissão e sim de erro de fato devido a lapso manifesto, uma vez que esta Relatora em momento algum intentou praticar reformatio in pejus. O que ocorreu foi que esta Relatora se ateve ao total da ARL averbada para o exercício de 2005 16.081,579 sem se dar conta de que, no acórdão recorrido, as áreas que superaram esse quantitativo foram aceitas pelos Conselheiros vencidos e não pelos vencedores, cuja ARL considerada foi efetivamente de 15.981,0 ha, para todos os exercícios em testilha. Confirase: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de ilegitimidade passiva da recorrente Maria Madalena Oliveira da Costa. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em RECONHECER uma área de preservação permanente de 600 ha e, por voto de qualidade, em reconhecer uma área de reserva legal de 15.981,0 ha. Vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura (relatora), que reconhecia Fl. 691DF CARF MF 4 uma área de reserva legal de 14.969,3 ha para os exercícios 2003 e 2004 e de 18.069,5 ha para o exercício 2005, e Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Rubens Maurício Carvalho, que reconheciam uma área de reserva legal de 18.069,5 ha para os três exercícios. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos." (grifei) Os quadros abaixo dão a noção exata do ocorrido: HISTÓRICO ITR/2003 ÁREAS ISENTAS (em hectares) DITR Auto de Infração Decisão 1ª Instância Decisão 2ª Instância Decisão CSRF ARL 15.981,0 0 0 15.981,00 12.980,3 APP 600,0 0 0 600,0 0 HISTÓRICO ITR/2004 ÁREAS ISENTAS (em hectares) DITR Auto de Infração Decisão 1ª Instância Decisão 2ª Instância Decisão CSRF ARL 15.981,0 0 0 15.981,00 12.980,3 APP 600,0 0 0 600,0 0 HISTÓRICO ITR/2005 ÁREAS ISENTAS (em hectares) DITR Auto de Infração Decisão 1ª Instância Decisão 2ª Instância Decisão CSRF ARL 15.981,0 0 0 15.981,00 15.981,00 APP 600,0 0 0 600,0 0 Resumo da averbação tempestiva da ARL, apurada no acórdão embargado: exercício de 2003 12.980,3 hectares (7.990,80 + 4.989,5) exercício de 2004 12.980,3 hectares (7.990,80 + 4.989,5) exercício de 2005 16.081,579 hectares (7.990,80 + 8.090,7790) Conforme as informações acima, nos exercícios de 2003 e 2004, a averbação tempestiva abrangeu área menor que a declarada e aceita no acórdão de 2ª Instância. Já no caso do exercício de 2005, embora a averbação tempestiva tenha superado a área declarada, no Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10183.004684/200756 Acórdão n.º 9202005.346 CSRFT2 Fl. 685 5 acórdão 2ª Instância ela foi limitada ao valor declarado, de sorte que ampliála efetivamente configuraria reformatio in pejus. Assim, os presentes Embargos de Declaração devem ser acolhidos com efeitos infringentes, alterandose a conclusão do voto e a parte dispositiva do acórdão, conforme a seguir. Conclusão do voto: "Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento parcial para restabelecer a glosa da APP Área de Preservação Permanente de 600 hectares e, com relação à ARL Área de Reserva Legal, limitála a 12.980,3 hectares, nos exercícios de 2003 e 2004." Parte dispositiva do acórdão: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para restabelecer a glosa da APP Área de Preservação Permanente de 600 ha e, com relação à ARL Área de Reserva Legal, limitála a 12.980,3 hectares, nos exercícios de 2003 e 2004, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento e, ainda, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial em menor extensão." Diante do exposto, acolho os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para, rerratificando o Acórdão nº 9202004.633, de 25/11/2016, alterar a conclusão do voto e a parte dispositiva do julgado, conforme constante do presente voto. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 693DF CARF MF
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