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Numero do processo: 15586.000020/2005-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRÁTICA REITERADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. INOCORRÊNCIA.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização.
A simples ocorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que apurada em mais de um exercício, não comprova o evidente intuito de fraude.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE DOLO. REGRA DO ART. 173, I, do CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, inciso I, nas demais situações.
Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um ano-calendário, o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do ano-calendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do segundo ano-calendário a partir da ocorrência do fato gerador.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-003.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para, no mérito, dar-lhe provimento parcial, afastando-se a decadência do direito de lançamento do tributo lançado relativo ao ano-calendário de 1999. Dispensado o retorno ao colegiado a quo, pelo fato de o mérito ter sido enfrentado em relação a todos os períodos de apuração, em conjunto.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 11/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRÁTICA REITERADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. INOCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. A simples ocorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que apurada em mais de um exercício, não comprova o evidente intuito de fraude. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE DOLO. REGRA DO ART. 173, I, do CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, inciso I, nas demais situações. Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um anocalendário, o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do ano calendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do segundo anocalendário a partir da ocorrência do fato gerador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 20 /2 00 5- 37 Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 15586.000020/200537 Acórdão n.º 9202003.596 CSRFT2 Fl. 1.352 2 Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para, no mérito, darlhe provimento parcial, afastandose a decadência do direito de lançamento do tributo lançado relativo ao anocalendário de 1999. Dispensado o retorno ao colegiado a quo, pelo fato de o mérito ter sido enfrentado em relação a todos os períodos de apuração, em conjunto. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório O Acórdão nº 10247.849, da 2a Câmara do então 1o Conselho de Contribuintes (fls. 1.245 a 1.256), julgado na sessão plenária de 17 de agosto de 2006, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência para o ano de 1999, desqualificando, ainda, a multa de oficio aplicada pela fiscalização, reduzindoa ao percentual de 75% e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso para afastar a aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício. Transcrevese a ementa e o decisum do julgado: IRPF DECADÊNCIA — IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA — AJUSTE ANUAL — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO O direito de a Fazenda Nacional lançar o imposto de renda pessoa física, devido no ajuste anual, decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano calendário questionado. Preliminar de decadência acolhida em relação ao anobase de 1999. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA — NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO DOLO A tributação com base em Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 15586.000020/200537 Acórdão n.º 9202003.596 CSRFT2 Fl. 1.353 3 omissão de receita não implica, de per si, na configuração do evidente intuito de fraude, devendo a conduta do contribuinte estar qualificada e individualizada em um dos tipos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/1964. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO — CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do §1o , do artigo 44, da Lei n.° 9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do artigo 44, da Lei n.° 9.430, de 1996) não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. (Ac. CSRF/01 04.987, de 15/6/2004). Preliminar acolhida.Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SÉRGIO STUHR. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DESQUALIFICAR a multa. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka, José Raimundo Tosta Santos e Antônio José Praga de Souza que não a desqualifica. Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência, em relação ao ano calendário de 1999. Vencido o Conselheiro Naury Fragoso Tanaka que não a acolhe. No mérito, por unanimidade de votos, em relação ao anocalendário de 2000, DAR /provimento PARCIAL ao recurso para afastar a multa isolada concomitante com a multa de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Cientificada dessa decisão em 21/03/2007 (fl. 1.257), a Fazenda Nacional manejou, no mesmo dia, recurso por contrariedade à lei ou à evidência de provas, na forma do art. 32 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes combinado com o art. 5o, II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais.ambos então vigentes (fls. 1.258 a 1.270), onde questiona a desqualificação da multa de ofício e a declaração de decadência para os valores lançados vinculados ao anocalendário de 1999, pelo Colegiado a quo. Alega contrariedade à evidência de provas por considerar que a conduta do contribuinte de omitir rendimentos em sua declaração representaria tipo penal de falsidade, o que seria suficiente para caracterização do intuito doloso e fraudulento, necessário para o agravamento da multa de ofício. Ressalta como fator agravante a omissão de rendimentos por três anos. Alega que o recorrido não se aprofundou na delimitação do ato de vontade do autuado, entendendo terem restado violado os arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, bem como o art. 44, II, da Lei no 9.430, de 24 de dezembro de 1996. Quanto à decadência, alega não ter restado a mesma configurada caso se adote a posição jurisprudencial deste Conselho, ressaltando a necessidade de interpretação restritiva à matéria. Requer, assim, o restabelecimento da multa qualificada, restabelecendose, também, o lançamento para o período para o qual se reconheceu a decadência no recorrido (anocalendário de 1999). Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 15586.000020/200537 Acórdão n.º 9202003.596 CSRFT2 Fl. 1.354 4 O recurso especial foi admitido por meio do despacho de fls. 1.276 a 1.277. Cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional em 25/02/2008 (efl. 1281) o contribuinte oferta em 06 de março de 2008 contrarazões de efls. 1282 a 1294, onde, alega que: a) A situação em questão se encaixa perfeitamente na hipótese tratada pela Sumula CARF no. 14, decorrendo daí a necessidade de não conhecimento do Recurso, a partir do disposto no §3o. do art. 7o do mesmo Regimento Interno da CSRF então vigente, quando do pleito. b) Entende que como a autuação se baseou em integralmente em elementos fornecidos pelo autuado, isto afastaria a possibilidade de imputação da multa qualificada, por inexistência de dolo, fraude ou simulação, os quais precisam ser minuciosamente justificados e não curtamente referenciados. c) Entende que a Fazenda estaria buscando um reexame da questão jurídica do dolo já tratada nos autos. d) No mérito, defende tratarse de questão já enfrentada inúmeras vezes neste Conselho e que a jurisprudência administrativa é pacífica em suportar o não provimento do recurso, mantendose, assim, a desqualificação realizada pelo recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Não entendo se tratar de caso de aplicação do 3o. do art. 7o do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF Nº 147, de 25 de junho de 2007, uma vez que, em meu entendimento, a leitura adequada do dispositivo seria a de que não cabe recurso para discutir o entendimento esposado na súmula, nada impedindo porém, a discussão acerca da aplicabilidade da súmula aos fatos descritos nos autos. Ora, a aplicação apressada do dispositivo a qualquer acórdão que aplicasse súmulas do CARF ensejaria uma antinomia no sistema, impossibilitando a discussão, e eventual correção, de supostas equivocadas aplicações de súmulas a casos concretos. Portanto, mesmo que o acórdão recorrido tivesse efetivamente aplicado a Súmula 14, entendo que o recurso não estaria a se insurgir contra os termos da súmula, mas sim contra sua aplicação ao caso dos autos, o que julgo como perfeitamente possível. Assim, conheço do recurso. Analisarei as duas matérias constantes do pleito na ordem em que apresentadas: (a) Quanto à necessidade de qualificação da multa de ofício: Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 15586.000020/200537 Acórdão n.º 9202003.596 CSRFT2 Fl. 1.355 5 Verifico que se está diante de alegação de omissão reiterada de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, por vários anos consecutivos e em montante em muito superior aos rendimentos declarados pelo contribuinte. Observo que, nos autos, a qualificação da multa de ofício se fundamentou na conduta reiterada, mas também no fato do contribuinte não ter declarado a totalidade dos rendimentos, em muito superiores aos declarados e, ainda, não ter comprovado a origem dos créditos. Dessa forma, a discussão nesta matéria se limita a saber se o lançamento, em diversos exercícios, de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada e em volume muito elevado em relação aos rendimentos declarados pelo contribuinte caracteriza o evidente intuito de fraude que permite a majoração multa de ofício para o percentual de 150%. Entendo que a resposta deve ser negativa. Não se pode perder de vista o conteúdo da Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Ainda que se entenda que o conteúdo da súmula não se aplique aos autos, já que não teria ocorrido uma simples omissão de rendimentos, mas sim uma omissão qualificada pela prática reiterada, penso que somente a repetição da infração não comprova a intenção de fraudar. O mesmo pode se dizer quanto à alegação de omissão de montante de valor elevado em relação aos rendimentos declarados, o que, isoladamente ou conjuntamente com a reiteração que seja, não também não estabelece efetiva comprovação acerca do mesmo intuito fraudulento. A propósito, entendo que o aprofundamento de análise quanto ao ato volitivo do contribuinte e a caracterização detalhada de seu intuito fraudulento deveria ter sido realizada pela autoridade autuante, o que não se verifica. Entendo que a comprovação do dolo (requisito para qualificação da multa) demandaria prova de uma ação, um facere, por parte do autuado que prejudique o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da infração cometida, o que não ocorreu. Consequentemente, a mera omissão de informações não seria condição suficiente para caracterizar o dolo. Ademais, a omissão de rendimentos foi apurada por presunção legal, devido ao contribuinte não ter justificado a origem de depósitos bancários em suas contas. Ora, não é possível se concluir que um ato que teve sua existência presumida, ainda que de forma autorizada pela lei, foi perpetrado de forma fraudulenta. Não se está aqui a dizer que não é possível se verificar o evidente intuito de fraude em lançamentos de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Outros fatos do processo podem levar à conclusão de ato fraudulento. Nesse sentido, a própria Súmula CARF nº 34 determina a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 15586.000020/200537 Acórdão n.º 9202003.596 CSRFT2 Fl. 1.356 6 O que se afirma é que a omissão de rendimentos obtida por presunção não permite, por si só, a conclusão de ter sido executada de forma fraudulenta, mesmo que a prática se dê repetidamente ou em montante em muito superior aos rendimentos declarados. É esse o entendimento pacífico desta 2a Turma da CSRF, como demonstram as ementas abaixo transcritas: Ementa: MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996, só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996. (Acórdão nº 920201.679; sessão de 26/07/2011; Relator Marcelo Oliveira) LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA. Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser justificada e comprovada nos autos, não se prestando para tanto a alegação de relevância econômica e reiteração da conduta, desacompanhada da demonstração de outros elementos dolosos na conduta do agente, notadamente quando se trata de exigência alicerçada em presunção legal. (Acórdão nº 920201.835; sessão de 25/10/2011; Relator Gustavo Lian Haddad) RECURSO ESPECIAL POR MAIORIA. MULTA. AGRAVAMENTO. ARTIGO 44, INCISO II, DA LEI N° 9.430/96. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Para a qualificação da multa de ofício, conforme entendimento fixado na súmula n° 14 do CARF, há necessidade de efetiva comprovação do evidente intuito de fraude. A simples omissão de rendimentos ou de receita, ainda que reiterada, não configura, por si só, o dolo de fraude. (Acórdão nº 9202001.855; sessão de 28/11/2011; Relatora Susy Gomes Hoffmann) Assim voto por negar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional quanto a esta matéria, mantendose a desqualificação da multa (b) Quanto à decadência: Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 15586.000020/200537 Acórdão n.º 9202003.596 CSRFT2 Fl. 1.357 7 Com relação à matéria, é de se ressaltar que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 15586.000020/200537 Acórdão n.º 9202003.596 CSRFT2 Fl. 1.358 8 homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação. Neste processo, conforme já tive oportunidade de discorrer acima quando da apreciação da matéria de multa qualificada, entendo não estar comprovada a existência de dolo ou fraude por parte do contribuinte e consequentemente, com relação à decadência, em função , todavia, da não comprovação de antecipação de pagamento nos autos (vide declaração de efl. 701) julgo que deve ser aplicado aos autos o art. 173, I do Código Tributário Nacional, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Neste momento, há que se fazer um esclarecimento quanto ao alcance do decidido no Recurso Especial nº 973.733 – SC. Isto porque esse julgado deixou claro que ‘o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 15586.000020/200537 Acórdão n.º 9202003.596 CSRFT2 Fl. 1.359 9 imponível”, o que, se aplicado literalmente ao IRPF, levaria à conclusão de se tratar do dia 1o de janeiro do ano subsequente, o que, na prática, adiaria o início de contagem do prazo decadencial em apenas um dia. Entretanto, há que se observar que o REsp n° 973.733 – SC trata de Contribuições Previdenciárias, tributo cujo fato gerador é instantâneo (consubstanciado no pagamento de salários a empregados – salientese que há referência no relatório do REsp a servidores sobre cujas remunerações estão sendo exigidas as contribuições previdenciárias). Assim, nessa situação, aplicandose a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, cabe a conclusão de que o termo inicial seria o primeiro dia do exercício subsequente ao da ocorrência do fato gerador, conclusão essa que é constante do parágrafo 3 da ementa do REsp, acima transcrita. Desta forma, para um tributo cujo fato gerador é instantâneo, o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível pode corresponder ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ocorre que o que se impõe aqui é a aplicação dos fundamentos do REsp em questão ao lançamento de Imposto de Renda, cujo fato gerador não é instantâneo. Sendo o Imposto de Renda um tributo com fato gerador complexivo e com período de apuração equivalente ao anocalendário, temse que a aplicação das premissas claramente adotadas pelo STJ ao caso em específico levam à conclusão congruente porém levemente diversa da constante do parágrafo 3 antes reproduzido. Com efeito, para que no caso se cumpra o mandamento do art. 173, I, do CTN, deve ser levado em consideração que: (1) o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um anocalendário (e.g. 31/12/1999); (2) o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do anocalendário seguinte (e.g. 01/01/2000); (3) o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do ano calendário subseqüente (e.g. 01/01/2001); e (4) o prazo decadencial termina ao final de 5 (cinco) anos (e.g. 31/12/2005). Esclareçase que a aplicação literal da conclusão constante do parágrafo 3 da ementa do REsp (que se refere a tributo com fato gerador instantâneo) ao caso (que trata de tributo com fato gerador complexivo) equivale a não aplicar os fundamentos da decisão do STJ sob o pretexto de vinculação à própria decisão. Vale registrar que o próprio STJ, dando aplicabilidade ao recurso repetitivo, tem entendido dessa forma, conforme decisão abaixo referida: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 15586.000020/200537 Acórdão n.º 9202003.596 CSRFT2 Fl. 1.360 10 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. (Edcl no Edcl no AgRg no Resp 674.497/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, Dje 26/02/2010) Desta forma, quanto ao período em litígio, para o qual o Colegiado a quo afastou a decadência (AC 1999), diante da inexistência de dolo e de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2001 e terminou somente em 31/12/2005. Como a ciência do lançamento se deu em 28/02/2005 (efl. 1132), o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência e, assim, voto por dar provimento ao recurso nesta matéria, devendose restabelecer o lançamento para o anocalendário de 1999. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso da Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento parcial, afastandose a decadência do direito de lançamento do tributo lançado relativo ao anocalendário de 1999. Dispensado o retorno ao colegiado a quo, pelo fato de o mérito ter sido enfrentado em relação a todos os períodos de apuração, em conjunto. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS
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Numero do processo: 10865.001767/2005-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 01 76 7/ 20 05 -5 2 Fl. 557DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.001767/200552 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.346 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório MARCELO BENINI BEZANN, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 057.570.31808, com domicílio fiscal na cidade de Santa Cruz das Palmeiras, Estado de São Paulo, à Rua José Augusto Mazzotti, n.º 186, Bairro Vila São Carlos, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 483/501, prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 506/537. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira SP, em 12/09/2005, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 04/12), com ciência por AR, em 16/09/2005 (fl. 388), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 382.549,23 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de 2001 a 2004, correspondente aos anoscalendário de 2000 a 2004, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de declaração de ajuste anual referente aos exercícios de 2001 a 2004, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver depósitos bancários de origem não comprovada e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Infração capitulada no art. 849 do RIR, de 1999; art. 42 da Lei n°9.430, de 1996; art.4° da Lei n° 9.481, de 1997; art. 1° da Lei n° 9.887, de 1999; art. 1° da Medida Provisória no 22/2002 convertida na Lei n° 10.451, de 2002. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação de Infração, datado de 14/09/2005 (fls.13/21), entre outros, os seguintes aspectos: que tratase de contribuinte cujas movimentações financeiras, nos anosbase de 01/2000 a 12/2003, mostraramse incompatíveis com os rendimentos informados nas Declarações de Ajustes Anuais, apresentadas pelo sujeito passivo (fls. 22 a 3 1) motivando a sua seleção para a realização da presente fiscalização; que tendo em vista o não atendimento no prazo estipulado constante do Termo de Inicio e Intimação Fiscal, lavrado em 06/10/2004, para o prosseguimento da auditoria fiscal e conclusão dos trabalhos, em 03/12/2004, e 31/01/2005, foi requisitada, fundamentadamente, nos termos da legislação tributária, junto à autoridade administrativa competente, a transferência de informações bancárias dos bancos do Brasil S/A, HSBC Bank Brasil S/A, Caixa Econômica Federal e ABN AMR° Real S/A (folhas 69 a 72 e 96); por se tratar de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no inciso VII, do Art°. 3° do Decreto 3.724 de 10 de janeiro de 2001; que além da Intimação datada de 06/10/04, o fiscalizado foi novamente intimado, por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 248/04, de 22/04/2005, recepcionado em 26/04/2005, a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos creditados/depositados em Fl. 558DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.001767/200552 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.346 S2C2T2 Fl. 4 3 contas de sua titularidade, nos períodos de janeiro/2000 a dezembro/2003, constantes nas planilhas anexas ao presente Termo (confira folhas 102 a 339); que ficou também cientificado de que, caso não ocorresse tal comprovação, os respectivos valores seriam considerados como omissão de rendimentos, com base no artigo 42 da Lei n.° 9.430/96; que além do Termo de Constatação de n°. 248/04, no dia 25/07/05, o contribuinte foi cientificado pelo Aviso de Recebimento (folha 372), do Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 248/07 a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos creditados/depositados na Conta Poupança n°. 5.5222, na agência 33413 do Banco do Brasil S/A, de sua cotitularidade, nos períodos de agosto/2000 a fevereiro/2001, mantidas conjuntamente com outros 03 (três) correntistas, constantes nas planilhas denominadas de "DEMONSTRATIVOS DE DEPÓSITOS/CRÉDITOS" (confira folhas 365 a 371); que após solicitar duas prorrogações do prazo (fls. 340 a 348) para atendimento das Intimações supracitadas, todas concedidas, em 13/07/2005, foi apresentado, pelos procuradores devidamente habilitados (fls. 360 a 363), um breve arrazoado, contendo as alegações entendidas pertinentes. Também, cumpre ressalvar a circunstância de instruir o aludido documento a "relação" — 02 (duas) laudas — denominada "discriminativo de pagamentos de serviços prestados ao SUS, dos anos de 2000 a 2003" — folhas 357/358; que tendo em vista o arrazoado apresentado pelos procuradores do fiscalizado haver abordado, exclusivamente no campo das alegações, alguns temas relacionados As matérias presumidamente objeto da tributação em análise, foi necessário, a fim de assegurar o exercício do mais amplo direito de defesa, expedir o Termo de Intimação Fiscal n° 248/08, confira folhas n°. 376 a 384. Transcorrido o prazo de 10 dias concedido para o seu atendimento, verificouse que não ocorreu qualquer manifestação do contribuinte; que pertine ao fato de o TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 248/08 haver sido encaminhado diretamente ao endereço do contribuinte fiscalizado, cumpre observar: não se atendeu a "intimação conjunta" (contribuinte e procurador), pela singela circunstância de não se possibilitar o surgimento de datas diferenciadas do ato de cientificação, capaz de gerar dúvida quanto ao momento de inicio do lapso temporal correspondente A eventual manifestação e entrega de documentos, na hipótese, por quem de direito; que com base no artigo 849, § 2°, Incisos I e II, do Regulamento aprovado pelo Decreto n°. 3000, de 26/03/1999 (RIR/99), caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de oficio, os valores creditados em conta de deposito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei n°. 9.430. de 1996, artigo 42). Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 21/09/2005, a sua peça impugnatória de fls. 391/424, instruído pelos documentos de fls. 425/468, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que de plano é possível afirmar o absurdo que representa o presente auto de infração, na medida em que não foi tido mínimo cuidado em averiguar a real existência de Fl. 559DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.001767/200552 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.346 S2C2T2 Fl. 5 4 omissão de receitas, representando uma medida arbitrara, contraria aos interesses do fisco, a interesse publico, ao estado democrático de direito, a moralidade da administração publica etc; que isto porque, de imediato é possível destacar que os valores estampados nos extratos bancários, tidos pelo Sr. agente fiscal como omissão de receitas, correspondem ao recebimento de suas distribuições de lucro advindas da empresa ICD — INSTITUTO DE CLÍNICAS E DIAGNÓSTICOS S/C LTDA., conforme documentos anexos; que tais tentativas de bitributação evidenciam ainda mais que a obrigação de provar o alegado é do Fisco e não do contribuinte, que e nenhum momento foi obrigado pela legislação a manter um controle bancário de seu movimentos. Mesmo assim, tal constatação, feita por amostragem demonstra fragilidade do trabalho fiscal que deve de plano ser considerado nulo; que como já citado anteriormente, para a lavratura do auto de infração, a fiscalização se alicerçou, unicamente nos extratos bancários que foram obtidos junto as instituições financeiras devidamente relacionadas no auto de infração; que, entretanto, é preciso destacar que as prova obtidas são ilícitas, pois com relação ao exercício de 2000 inexistia previsão legal que embasasse o procedimento fiscal; que como no referido exercício de 2000 inexistia previsão legal para os procedimentos adotados pelo fisco, salta aos olhos que as provas utilizadas no presente auto de infração são manifestamente ilícitas; que sabese que a publicação de uma lei tem aplicação para o futuro, não atingindo fatos pretéritos, até mesmo em obediência a principio da segurança jurídica e, sobretudo em obediência ao principio de irretroatividade da norma; que em tais condições, os dados obtidos, por meio da análise de conta bancárias de pessoa física, com relação aos anos anteriores 2001, com fundamento na LC n. 105, são ilegais e ilícitos, não podendo, por conseguinte, dar suporte à lavratura de auto de infração realizada contra a Impugnante, sob pena de ofensa ao principio constitucional da irretroatividade; que tais informações são protegidas pela garantia constitucional do sigilo de dados, estampada no art. 5º, inciso XII, da Constituição da República, razão pela qual mostra se evidente a violação direito da Impugnante, pois está se valendo o Fisco de dados, resguardados por sigilo constitucional, de terceira pessoa, para, assim, atingir a Impugnante; que o STF tem admitido, bem antes da edição da Lei Complementar n2 105/01, que o sigilo bancário somente pode se quebrado em duas hipóteses: em Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e por ordem judicial, desde que, em ambos os casos, estejam fundamentadas as duas situações excepcionais; que nestes termos, o art. 62 da Lei Complementar n. 105/01, ao estabelecer a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, bastando vontade do agente público, ainda que motivada e fundamentada, vai de encontro com posicionamento atual do Supremo Tribunal Federal, razão pela qual não pode se admitido em nosso ordenamento jurídico, sob pena de violar o artigo 52, incisos X e XII da Constituição da República; Fl. 560DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.001767/200552 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.346 S2C2T2 Fl. 6 5 que somente a titulo de argumentação, mesmo se Lei Complementar n 2 105/01 estabelecesse a quebra do sigilo bancário mediante autorização judicial, ainda assim tal regra somente valeria no caso de apuração de crimes fiscais e não em caso de processos administrativos visando apurar crédito tributários em favor da Fazenda Pública; que esta situação não sofre qualquer alteração com a chegada da lei complementar nº 105/01, ademais, no caso em demanda, quebra do sigilo bancário referese ao anobase 2000, isto é, anterior à LC 105/01; que esta nova lei de sigilo bancário não derruba nenhuma premissa sobre a qual se fundam doutrina e jurisprudência pátrias, no sentido ora defendido; que esta lei não afasta a necessidade de ordem judicial para a quebra do sigilo bancário; que esta lei não derruba os direitos e garantia individuais do cidadão, erigidos em cláusula pétrea por expressa vontade do legislado constituinte originário; que o auto de infração impugnado, portanto, encontra fundamento tão somente em mera presunção, eis que, simplesmente, parte de meros extratos bancários; que na rara e improvável hipótese de serem superados os argumentos acima, a incidência da TAXA SELIC sobre o suposto débito apontado no auto também não encontra respaldo jurídico; que os juros moratórios constante do auto de infração também possuem caráter de indenização, tendo por pressuposto a mora, ou seja, agem como complemento indenizatório da obrigação principal destinandose a apenar a mora; que vale dizer: levandose em conta os elementos que integram a fórmula de apuração da TAXA SELIC, não ha nada que lhe confira caráter moratório, mas, bem ao contrário, fica evidente que esta taxa traduz com fidelidade o custo do dinheiro no mercado interno; que se pretende ora ressaltar é que os juros moratórios podem perfeitamente ser fixados ABAIXO de 1% (um por cento), porque o artigo 161, § 1 2, do C.T.N. assim o permite, e, indo mais além, o atual panorama econômico brasileiro reclama esta providência, principalmente se levarmos em conta as baixíssimas taxas inflacionárias vigentes, até com deflação; que por outra banda, a multa aplicada, no auto de infração, ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5º, LIV) e da proibição do confisco (art. 150, inciso IV), previstos na Constituição Federal. que isto porque, o valor da multa de até 150%, de evidente irrazoabilidade e confisco, principalmente, em virtude da Impugnante, e momento algum, sonegou as informações solicitadas; que, portanto, forçoso o cancelamento da multa imposta. No entanto, "ad argumentandum tantum", tendo em vista seu caráter confiscatório, esta deve ser reduzida, no Fl. 561DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.001767/200552 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.346 S2C2T2 Fl. 7 6 mínimo, ao patamar de 20% (vinte por cento), de conformidade com o art. 61, § 2º, da Lei n. 9.430/96, retificandose o auto de infração lavrado; que nos termos das disposições constantes do Decreto 70.2135, requerse a realização da competente prova pericial com o fito de evidenciar a efetiva base de cálculo, bem como a ocorrência dos fatos geradores relevandose as questões colocadas nos autos. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Belém PA, concluíram pela procedência do Lançamento, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que o litigante em diversos momentos de sua petição impugnatória, resistiu pretensão fiscal, argüindo inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas do enquadramento legal da exação fiscal, inclusive sob o argumento de confisco e desrespeito A. Constituição Federal. Entretanto, as normas citadas somente poderiam ser afastados com a sua declaração de inconstitucionalidade ou de ilegalidade. Portanto, tais argumentos não são oponíveis á instância julgadora administrativa, pelo que não se toma conhecimento destes; que a autoridade administrativa se encontra totalmente vinculada aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.° 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). A esta autoridade, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia dos preceitos legais considerados, pelo sujeito passivo, como violadores da Constituição; que em verdade, de acordo com o parágrafo único do art. 142 do CTN, a autoridade fiscal encontrase limitada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais restrições para examinar questões outras como as suscitadas na impugnação em exame. Cabe ao julgador administrativo simplesmente seguir a lei e obrigar seu cumprimento. que são improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, porque tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Destarte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas , naqueles litígios; que assim, apenas as sumulas vinculantes deverão ser observadas pela Administração Pública e aquelas decisões judiciais em que o contribuinte se configure corno parte. Nesse passo, não serão conhecidas as decisões judiciais suscitadas pelo litigante, posto que vinculam somente As partes envolvidas naqueles litígios específicos, não abrangendo terceiros; que todavia, antecipadamente esclareço que, mesmo sem força vinculante, foram utilizadas algumas decisões neste voto, entretanto nunca com a função de norma complementar de que fala o art. 100 do CTN, mas simplesmente para reforço na argumentação; que não cabem os questionamentos do sujeito passivo acerca da validade do procedimento fiscal. Não há nele vicio que comprometa a validade do lançamento. Ao contrario do que entende o impugnante, o auto de infração em epígrafe se revestiu de todas as Fl. 562DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.001767/200552 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.346 S2C2T2 Fl. 8 7 formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto n° 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.748, de 1993; que o lançamento do crédito tributário foi efetuado com observância do disposto na legislação vigente, tendo o sujeito passivo, ao apresentar sua impugnação, instaurado a fase litigiosa do procedimento, como previsto no art. 14 do Decreto n° 70.235/1972. Nenhum procedimento administrativo dificultou ou impediuo de apresentar sua impugnação e comprovar suas alegações, bem como não foi violado qualquer direito assegurado pela Constituição Federal; que tendo o contribuinte ingressado com a impugnação, demonstrando de forma inequívoca seu pleno conhecimento do processo fiscal, e não havendo no auto de infração quaisquer imperfeições ou presunções técnicas capazes de viciar a exigência, não procede a argüição de nulidade; que o interessado teve, sim, conhecimento não só de tudo o que contém o auto de infração e partes integrantes, mas também do processo como um todo, pois lhe foi oportunizada vista dos autos; que diante da garantia do contraditório e da ampla defesa dada no processo está o litígio pautado nos princípios da igualdade e da legalidade, visto que o que interessa é a decisão mais justa e adequada, nos termos do que determinam as normas, jurídicas aplicáveis ao conflito concretamente apresentado; que a respeito da aventada possibilidade de quebra do sigilo bancário somente por autoridade judiciária constituída, a Receita Federal, por intermédio de seus agentes fiscais pode solicitar diretamente das instituições financeiras os extratos bancários do sujeito passivo sem que isso caracterize quebra do sigilo bancário; que o fornecimento desses dados está previsto em lei. Nos termos do inciso II do art. 197 do Código Nacional Tributário (CTN), as entidades financeiras estão obrigadas a fornecer ao fisco as informações solicitadas; que a tributação com base em depósitos bancários deriva de presunção legal. A Lei nº 9.430, de 1996 dispõe que os valores dos depósitos bancários ou aplicações mantidas junto às instituições financeiras, cuja origem dos recursos não tenha sido comprovada pelo titular da conta, quando regularmente intimado a faze1o, caracterizamse como omissão de rendimentos; que ressaltese que as razões oferecidas pelo impugnante, desacompanhadas de provas documentais hábeis e idôneas, não têm o condão de ilidir a tributação; que a impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa, precluindo o direito do impugnante que deixar de faze 1o. A simples alegação desacompanhada dos meios de prova que a justifiquem não é eficaz de acordo com o art. 16 do Decreto n.° 70.235, de 1972; que verificada a ocorrência da hipótese descrita em lei, qual seja, de que a contribuinte recebeu depósitos e eximiuse de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a sua origem, fato gerador descrito no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 correta é a autuação; Fl. 563DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.001767/200552 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.346 S2C2T2 Fl. 9 8 que a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic tem amparo legal no artigo 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995 e no artigo 61, § 3, da Lei n" 9.430,de 27 de dezembro de 1996, este ultimo dispositivo consignado nos demonstrativos integrantes do auto de infração; que primeiramente, verificase que o sujeito passivo equivocase quanto ao percentual aplicado pela Fiscalização, porquanto o mesmo é de 75% (setenta e cinco por cento) e não de 150% (cento e cinqüenta por cento) consoante fls. 05/12; que não há, portanto, como acolher o pleito do autuado de produção de provas e documentos após a fase impugnatória, vez que não se vislumbra nos autos qualquer uma das hipóteses de exceção elencadas na legislação de regência do processo administrativo fiscal e mencionadas no item precedente; que é cediço que a criação de regras de precluso probatória decorre da necessidade de se garantir o andamento lógico do processo administrativo e que a adoção de uma informalidade absoluta, com direito à prova ilimitada, poderia levar a manipulações indesejáveis e à protelação injustificada de seu término. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, urna lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100. II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o art. 96 do Código Tributário Nacional, desde que não se traduzam em súmula vinculante nos termos da Emenda Constitucional n° 45, DOU de 31/12/2004. Da mesma forma, não há vinculação do julgador administrativo à doutrina jurídica. NULIDADE. INCORRÊNCIA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.001767/200552 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.346 S2C2T2 Fl. 10 9 PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O principio da irretroatividade, acolhido no art. 50, inciso XXXVI, da Constituição Federal de 1988, não absoluto, estando vedada a retroatividade das leis apenas quando houver violação ao direito adquirido, coisa julgada e ao ato jurídico perfeito. Em matéria tributária, a Constituição Federal garante a irretroatividade apenas da lei que institua ou majore tributo (art. 150, inciso III, alínea " a" ), mas nada obsta a retroatividade da lei tributária material que não tenha por objeto instituir ou majorar tributo, ou a retroatividade da lei tributária formal (lei que regula o modo pelo qual deve ser realizada a atividade de lançamento). OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRO VENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTODE OFÍCIO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. ENCARGOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. ASPECTO CONFISCATÓRIO. A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, não merecendo prosperar a tese de que é confiscatória por estar a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. Lançamento Procedente. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 12/08/2008, conforme Termo constante às fl. 504, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (10/09/2008), o recurso voluntário de fls. 506/537, instruído pelos documentos de fls. 538/541, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o Relatório. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.001767/200552 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.346 S2C2T2 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator Do exame inicial dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com sobrestamento de julgados. Observase às fls. 13/21 onde consta o Termo de Verificação Fiscal o seguinte excerto: Tendo em vista o não atendimento no prazo estipulado constante do Termo de Inicio e Intimação Fiscal, lavrado em 06/10/2004, para o prosseguimento da auditoria fiscal e conclusão dos trabalhos, em 03/12/2004, e 31/01/2005, foi requisitada, fundamentadamente, nos termos da legislação tributária, junto à autoridade administrativa competente, a transferência de informações bancárias dos bancos do Brasil S/A, HSBC Bank Brasil S/A, Caixa Econômica Federal e ABN AMR° Real S/A (folhas 69 a 72 e 96); por se tratar de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no inciso VII, do Art°. 3° do Decreto 3.724 de 10 de janeiro de 2001. Com visto, resta claro da análise dos autos, que a autoridade administrativa, através da Requisição de Movimentação Financeira – RMF solicitou diretamente às instituições financeiras os extratos bancários. Assim sendo, a discussão sobre os depósitos bancários lançados, por enquanto, não faz sentido haja vista que se trata de mais um caso de sobrestamento de julgado feito, por unanimidade de votos, por esta turma de julgamento, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. É de se ressaltar, que a primeira orientação dada era de que se os extratos bancários fossem acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, o processo deveria ser sobrestado até que a repercussão geral fosse julgada. Entretanto, na evolução da discussão sobre o assunto, surgiu a corrente que defende a tese de que somente é possível sobrestar as matérias que o próprio Fl. 566DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.001767/200552 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.346 S2C2T2 Fl. 12 11 Supremo Tribunal Federal tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinário – RE. Para pacificar o assunto o Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) editou a Portaria CARF nº 001, de 03 janeiro de 2012, determinando os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos, da qual extraio os seguintes excertos: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Resta evidente, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, o fornecimento das informações sobre movimentação bancária do contribuinte foram obtidas pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. O Recurso Extraordinário (RE) 601314 chegou ao Supremo contra uma decisão que considerou legal o artigo 6° da Lei Complementar nº 105, de 2001, que permite a entrega das informações, por parte dos bancos, a pedido do Fisco. Para o autor do recurso, contudo, este dispositivo seria inconstitucional, uma vez que permite a entrega de informações de contribuintes, sem autorização judicial, configuraria quebra de sigilo bancário, violando o artigo 5°, X e XII da Constituição Federal. De acordo com o relator, a matéria discutida no RE 601314, a eventual inconstitucionalidade de quebra de sigilo bancário pelo Poder Executivo (Receita Federal) atinge todos os contribuintes, conforme a ementa, de 20/11/2009, abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE Fl. 567DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.001767/200552 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.346 S2C2T2 Fl. 13 12 601314 RG, Relator (a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422) Em data posterior (15/12/2010) a decretação da repercussão geral o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu, por cinco votos a quatro, que a Receita Federal não tem poder de decretar, por autoridade própria, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, durante julgamento do Recurso Extraordinário interposto pela GVA Indústria e Comércio contra medida do Fisco (RE 389.808), cuja ementa é a seguinte: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Observase que a discussão girou em torno do respaldo constitucional dos dispositivos da Lei nº 10.174, de 2001, da Lei Complementar nº 105, de 2001 e do Decreto nº 3.724, de 2001, usados pela Receita para acessar dados da movimentação financeira. O relator do caso, ministro Marco Aurélio, destacou em seu voto que o inciso 12 do artigo 5º da Constituição diz que é inviolável o sigilo das pessoas salvo duas exceções: quando a quebra é determinada pelo Poder Judiciário, com ato fundamentado e finalidade única de investigação criminal ou instrução processual penal, e pelas Comissões Parlamentares de Inquérito. “A inviabilidade de se estender essa exceção resguarda o cidadão de atos extravagantes do Poder Público, atos que possam violar a dignidade do cidadão”. Por maioria de votos, o STF entendeu ser indispensável à prévia manifestação do Poder Judiciário para que seja legítimo o acesso da Receita Federal às informações que se encontram protegidas pelo sigilo bancário. E assim o fez em virtude de regra clara e inequívoca, constante do artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal, que prescreve que o sigilo de dados somente pode ser afastado mediante prévia autorização judicial. Em seu voto o ministro Celso de Mello, a equação direito ao sigilo — dever de sigilo exige — para que se preserve a necessária relação de harmonia entre uma expressão essencial dos direitos fundamentais reconhecidos em favor da generalidade das pessoas (verdadeira liberdade negativa, que impõe, ao Estado, um claro dever de abstenção), de um lado, e a prerrogativa que inquestionavelmente assiste ao Poder Público de investigar comportamentos de transgressão à ordem jurídica, de outro — que a determinação de quebra de sigilo bancário provenha de ato emanado de órgão do Poder Judiciário, cuja intervenção moderadora na resolução dos litígios, insistase, revelase garantia de respeito tanto ao regime das liberdades públicas quanto à supremacia do interesse público. Os efeitos dessa decisão por ora estão limitados ao caso concreto e não vinculam as instâncias inferiores. Porém, ela reafirma entendimento pacificado do Supremo Tribunal Federal. Não se pode esquecer, pois, que se trata de decisão do Pleno da mais alta corte do país e como tal deve ser entendida e respeitada. Isso quer dizer, na prática, que mesmo que o Supremo ainda não tenha julgado definitivamente a matéria (várias ações diretas de Fl. 568DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.001767/200552 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.346 S2C2T2 Fl. 14 13 inconstitucionalidade contra a lei complementar ainda aguardam para ser julgadas na corte, além do Recurso Extraordinário 601.314), sua decisão em relação à Lei Complementar nº 105, de 2001, poderá ser o argumento para os próximos julgados. Em decisão monocrática publicada em março de 2011, a ministra Cármen Lúcia afirma categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto. "No julgamento do Recurso Extraordinário 389.808 (…), com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários dos contribuintes", disse ela ao julgar o Recurso Extraordinário 387.604, verbis: RE 387.604 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA RECEITA FEDERAL: IMPOSSIBILIDADE. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “EMBARGOS INFRINGENTES. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. COLISÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS. INTIMIDADE E SIGILO DE DADOS VERSUS ORDEM TRIBUTÁRIA HÍGIDA. ART. 5º, X E XII. PROPORCIONALIDADE. 1. O sigilo bancário, como dimensão dos direitos à privacidade (art. 5º, X, CF) e ao sigilo de dados (art. 5º, XII, CF), é direito fundamental sob reserva legal, podendo ser quebrado no caso previsto no art. 5º, XII, 'in fine', ou quando colidir com outro direito albergado na Carta Maior. Neste último caso, a solução do impasse, mediante a formulação de um juízo de concordância prática, há de ser estabelecida através da devida ponderação dos bens e valores, in concreto, de modo a que se identifique uma 'relação específica de prevalência' entre eles. 2. No caso em tela, é possível verificarse a colisão entre os direitos à intimidade e ao sigilo de dados, de um lado, e o interesse público à arrecadação tributária eficiente (ordem tributária hígida), de outro, a ser resolvido, como prega a doutrina e a jurisprudência, pelo princípio da proporcionalidade. 3. Com base em posicionamentos do STF, o ponto mais relevante que se pode extrair desse debate, é a imprescindibilidade de que o órgão que realize o juízo de concordância entre os princípios fundamentais a fim de aplicálos na devida proporção, consoante as peculiaridades do caso concreto, dandolhes eficácia máxima sem suprimir o núcleo essencial de cada um revistase de imparcialidade, examinando o conflito como mediador neutro, estando alheio aos interesses em jogo. Por outro lado, ainda que se aceite a possibilidade de requisição extrajudicial de informações e documentos sigilosos, o direito à privacidade, deve prevalecer enquanto não houver, em jogo, um outro interesse Fl. 569DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.001767/200552 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.346 S2C2T2 Fl. 15 14 público, de índole constitucional, que não a mera arrecadação tributária, o que, segundo se dessume dos autos, não há. 4. À vista de todo o exposto, o Princípio da Reserva de Jurisdição tem plena aplicabilidade no caso sob exame, razão pela qual deve ser negado provimento aos embargos infringentes” (fl. 275). 2. A Recorrente alega que o Tribunal a quo teria contrariado o art. 5º, inc. X e XII, da Constituição da República. Argumenta que “investigar a movimentação bancária de alguém, mediante procedimento fiscal legitimamente instaurado, não atenta contra as garantias constitucionais, mas configura o estrito cumprimento da legislação tributária. Assim, (...) mesmo se considerarmos o sigilo bancário como um consectário do direito à intimidade, não podemos esquecer que a garantia é relativa, podendo, perfeitamente, ceder, se houver o interesse público envolvido, tal como o da administração tributária” (fl. 284). Analisados os elementos havidos nos autos, DECIDO. 3. Razão jurídica não assiste à Recorrente. 4. No julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, Relator o Ministro Marco Aurélio, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: “O Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (LC 105/2001, regulamentada pelo Decreto 3.724/2001). Inicialmente, salientou se que a República Federativa do Brasil teria como fundamento a dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º, III) e que a vida gregária pressuporia a segurança e a estabilidade, mas não a surpresa. Enfatizouse, também, figurar no rol das garantias constitucionais a inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas (art. 5º, XII), bem como o acesso ao Poder Judiciário visando a afastar lesão ou ameaça de lesão a direito (art. 5º, XXXV). Aduziuse, em seguida, que a regra seria assegurar a privacidade das correspondências, das comunicações telegráficas, de dados e telefônicas, sendo possível a mitigação por ordem judicial, para fins de investigação criminal ou de instrução processual penal. Observouse que o motivo seria o de resguardar o cidadão de atos extravagantes que pudessem, de alguma forma, alcançálo na dignidade, de modo que o afastamento do sigilo apenas seria permitido mediante ato de órgão eqüidistante Fl. 570DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.001767/200552 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.346 S2C2T2 Fl. 16 15 (Estadojuiz). Assinalouse que idêntica premissa poderia ser assentada relativamente às comissões parlamentares de inquérito, consoante já afirmado pela jurisprudência do STF”. O acórdão recorrido não divergiu dessa orientação. 5. Nada há, pois, a prover quanto às alegações da Recorrente. 6. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 557, caput, do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publiquese. Brasília, 23 de fevereiro de 2011. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora. Nesta linha de raciocínio, é de se notar, ainda, que nas demais decisões o Supremo Tribunal Federal tem determinado o sobrestamento de tal matéria, conforme é possível se verificar nos julgados abaixo: Decisão: Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presente feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publique se. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012). DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de Fl. 571DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.001767/200552 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.346 S2C2T2 Fl. 17 16 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 714857 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 03/11/2011, publicado em DJe 217 DIVULG 14/11/2011 PUBLIC 16/11/2011). Ora, o presente tema tem sido muito discutido após a Lei nº 10.174, de 2001 (que alterou a Lei nº 9.311, de 1996, e passou a admitir a utilização de dados da extinta CPMF para fins de apuração de outros tributos) e, sobretudo, a Lei Complementar nº 105, de 2001 (cujos artigos 5º e 6º admitem o acesso, pelas autoridades fiscais da União, Estados e municípios, das contas de depósito e aplicações financeiras em geral), tem reflexo direto em inúmeros lançamentos que são fundamentados na existência de movimentação bancária incompatível com os rendimentos e receitas declarados pelo contribuinte. Como visto, anteriormente, o primeiro julgamento de relevância adveio na ação cautelar nº 33 – ajuizada para o fim de atribuir efeito suspensivo a recurso extraordinário – em que, por seis votos a quatro, admitiuse a quebra independentemente de autorização judicial. Votaram a favor do Fisco os ministros Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Carmen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie, enquanto, contrariamente à quebra sem ordem judicial, posicionaramse os ministros Marco Aurélio, Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Todavia, poucas semanas após o próprio recurso extraordinário (nº 389.808) veio a ser apreciado, desta vez com resultado diverso. O ministro Gilmar Mendes mudou de posição e, como o ministro Joaquim Barbosa não participou do julgamento, o placar foi favorável aos contribuintes, por cinco a quatro. Apesar da decisão monocrática da ministra Cármen Lúcia afirmado categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto, entendo, que a questão não está resolvida. Tivesse o ministro Joaquim Barbosa participado do julgamento (no pleno do STF) e mantido sua posição adotada na cautelar, o resultado teria ficado empatado (cinco a cinco). Além disso, existem várias Adins que aguardam julgamento (nºs 2.386, 2.390, 2.397 e 4.010) e o tema já teve sua repercussão geral reconhecida (RE nº 601.314), porém, ainda pendente de julgamento. Por outro lado, existe noticias na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que o mesmo tem determinado o sobrestamento de processos onde a discussão abrange o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Assim, resta evidente, que o assunto se encontra na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314 e que os processos estão sobrestados. É de se ressaltar, que caso a posição definitiva do Supremo Tribunal Federal STF seja no sentido da possibilidade da quebra sem autorização judicial, os autos de infração em curso deverão ser mantidos pelos órgãos administrativos de julgamento, o mesmo sucedendo com os processos judiciais, ressalvadas as questões peculiares envolvidas em cada caso. Contudo, se declarada a inconstitucionalidade dos diplomas que permitem a quebra pelas autoridades administrativas, será preciso verificar com maior critério as consequências nos procedimentos em curso. Isso porque nem sempre o lançamento é motivado apenas na existência de movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. Nos casos, por exemplo, de omissão de receitas (artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996) fundamentados exclusivamente na existência de valores em instituições financeiras, não há dúvida de que, Fl. 572DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.001767/200552 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.346 S2C2T2 Fl. 18 17 declarada a inconstitucionalidade da quebra sem autorização judicial, os lançamentos restarão viciados e deverão assim ser declarados pelo órgão administrativo ou judicial competente. No entanto, há casos em que a existência de recursos financeiros eventualmente não comprovados é apenas um dos indícios que fundamentam a ação fiscal. No caso em questão, resta claro, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, os extratos bancários foram acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001. É conclusivo, que no julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, não aplicável a repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Senhor Ministro Marco Aurélio (Relator), deu provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Falou, pelo recorrente, o Dr. José Carlos Cal Garcia Filho e, pela recorrida, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque, Procurador da Fazenda Nacional. Plenário, 15.12.2010. Naquele julgado, o Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001). Não há duvidas de que o Supremo Tribunal Federal, em sua composição plenária, naquela ocasião, declarou, por maioria de votos, a impossibilidade de acesso aos dados bancários dos contribuintes através de procedimento administrativo efetuado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil diretamente as instituições financeiras, entretanto a decisão, ainda, não transitou em julgado e não se aplica na solução da repercussão geral em Fl. 573DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.001767/200552 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.346 S2C2T2 Fl. 19 18 discussão, razão pela qual entendo que se faz necessário sobrestar o presente julgado até a solução final da repercussão geral em questão. Assim sendo, resta evidente nos autos de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada e parte da discussão se concentra sobre o fornecimento de informações sobre movimentação bancária do contribuinte obtida pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. A vista disso seja o presente processo encaminhado à Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção para as devidas providencias no sentido de atender o sobrestamento do julgamento. Observando que, após solucionada a questão, o presente processo será novamente incluído em pauta publicada. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 574DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 13896.910077/2012-46
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 07 7/ 20 12 -4 6 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910077/201246 Resolução nº 3801000.878 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 254DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910077/201246 Resolução nº 3801000.878 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910077/201246 Resolução nº 3801000.878 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 256DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910077/201246 Resolução nº 3801000.878 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 257DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910077/201246 Resolução nº 3801000.878 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 258DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10850.909633/2011-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2002
DILIGÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DO CRÉDITO
É de ser provido o processo cuja diligência confirma o crédito pleiteado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-002.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2002 DILIGÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DO CRÉDITO É de ser provido o processo cuja diligência confirma o crédito pleiteado. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
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CONFIRMAÇÃO DO CRÉDITO É de ser provido o processo cuja diligência confirma o crédito pleiteado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 96 33 /2 01 1- 99 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10850.909633/201199 Acórdão n.º 3301002.594 S3C3T1 Fl. 218 2 Relatório Trata o presente de Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, com a finalidade de ter restituído valores supostamente recolhidos indevidamente, no valor total de R$ 4.853,48. Devidamente processado o pedido de restituição do contribuinte foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido formulado sob a justificativa de que existe um débito confessado pelo contribuinte por meio de DCTF, no valor igual do recolhimento objeto do pedido de restituição, inexistindo, portanto, crédito a ser restituído. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde requereu a reunião do presente processo a outros por ele relacionados, justificando que tratam da mesma matéria e possuem os mesmos fundamentos e em sede de preliminar alegou, em síntese, que não foi intimado para prestar quaisquer esclarecimentos quanto o direito ao seu crédito, bem como que a fiscalização não teria tomando conhecimento das razões que justificassem o pedido de restituição. No mérito aduziu que o crédito a que pretende a restituição fora indevidamente recolhido conforme ficou evidenciado na declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998 pelo STF. Em sede se julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ houve por bem julgála improcedente nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 31/01/2002 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2002 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que se verifiquem as exceções previstas em lei. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10850.909633/201199 Acórdão n.º 3301002.594 S3C3T1 Fl. 219 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado do acórdão proferido pela DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, juntando nova documentação e alegando, além dos argumentos de sua Impugnação, que a DCTF não é o único meio de prova da existência do crédito passível de restituição, bem como que os artigos 165 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96 não condicionam o reconhecimento do crédito a quaisquer retificações de declarações. Ademais, alega que os documentos apresentados em sua Impugnação (planilha de cálculo e livro diário e os respectivos termos de abertura e encerramento) são suficientes para comprovar o seu crédito e que a DRF teria inovado no processo trazendo tais argumentos novos à lide, o que permitiria, inclusive, a apresentação de provas adicionais ao presente processo ao contrário do que esposado no acórdão recorrido, sob pena de afronta ao princípio da verdade material. A 1ª Turma Especial dessa 3ª Seção do CARF converteu o julgamento em diligência que a Delegacia de origem: a) Examinasse os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificasse a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornasse o processo a este CARF para julgamento. Tomadas as providências requeridas o processo retornou a esse Conselho para decidirmos. É o que importa relatar. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10850.909633/201199 Acórdão n.º 3301002.594 S3C3T1 Fl. 220 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Tratase de retorno de diligência. Após a devida análise o relatório da diligência chegou à seguinte conclusão: Desta forma, proponho o reconhecimento do direito creditório pleiteado no PER nº 00786.00241.140806.1.2.040336, transmitido em 14/08/2006, no valor de R$4.853,48 (fls. 02/04). Esse é exatamente o montante pleiteado pela Recorrente. Reconhecido o pedido em diligência nada mais há a fazer senão homologálo. Nesse sentido voto por julgar procedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 220DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 19515.001719/2006-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009).
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO.
É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Pelo voto de qualidade, acordam em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os valores de R$20.810,18 (ano-calendário de 2002) e R$ 70.622,70 (ano-calendário de 2003). Vencidos os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Núbia Matos Moura que consideram que os juros de mora sobre a multa de ofício é de 1%. Os primeiros votaram ainda pelo provimento integral ao recurso. Realizou sustentação oral o Dr. Igor Nascimento de Souza, OAB/SP 173.167.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: Relatora Alice Grecchi
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Pelo voto de qualidade, acordam em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os valores de R$20.810,18 (anocalendário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 19 /2 00 6- 90 Fl. 902DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 de 2002) e R$ 70.622,70 (anocalendário de 2003). Vencidos os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Núbia Matos Moura que consideram que os juros de mora sobre a multa de ofício é de 1%. Os primeiros votaram ainda pelo provimento integral ao recurso. Realizou sustentação oral o Dr. Igor Nascimento de Souza, OAB/SP 173.167. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 25/08/2006 no valor de R$ 3.650.014,32, contra o contribuinte acima qualificado, relativo aos anoscalendário 2002 e 2003, que exige crédito tributário no valor de R$ 3.650.014,32, incluída multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, calculados até 31/07/2006, em que foi apurada omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 320/331. Cientificado da exigência tributária em 04/09/2006 (fl. 345) o interessado apresentou impugnação em 03/10/2006 (fls. 351/388), acompanhada dos documentos de fls. 390 e seguintes, na qual traz os seguintes argumentos: a) As pessoas físicas não são obrigadas a manter registro contábil de suas operações financeiras, não sendo razoável a exigência de comprovações de depósitos de pequenos valores; b) Nos demonstrativos elaborados pela Fiscalização, não foram excluídos os valores declarados pelo contribuinte, os quais também foram objeto de depósito nas contas correntes examinadas, caracterizando duplicidade de exigência sobre os mesmos fatos jurídicos; c) "Todos os valores recebidos e declarados pelo Impugnante foram objeto de depósitos ou créditos bancários, quer de forma isolada, quer agrupados a outros valores, razão pela qual deveriam ter sido excluídos da somatória de depósitos levantada pela fiscalização. Deveriam ter sido excluídas, também, as transferências entre contas do mesmo titular, o resgate de aplicações financeiras etc."; d) Apresenta nas fls. 358/363 relação de recursos que alega terem sido objeto de transferência entre contas do mesmo titular, nos quais há coincidência de datas e valores, contestando a justificativa utilizada na Fiscalização (inexistência de número nos documentos) para a rejeição; Fl. 903DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001719/200690 Acórdão n.º 2102003.247 S2C1T2 Fl. 903 3 e) Solicita permissão para juntada posterior de comprovantes de depósitos referentes a reembolso de despesas de viagens da época em que era diretor do Bank os América Brasil S/A, alegando dificuldades na obtenção dos mesmos devido a incorporação por outra instituição; f) Relaciona nas fls. 366/372 as despesas acima, pendentes de comprovação, além de verbas referentes a salário, férias, rescisão contratual, FGTS, pagamento de bônus e distribuição de lucro do banco e de PJ da qual era sócio; g) Cita exemplo de valores que foram desconsiderados: "As fis. 127 dos autos está o comprovante da rescisão contratual do Impugnante com o Bank of America Brasil, onde consta o valor pago de R$ 1.184.589,58. Esse valor (R$ 1.184.589,58 — exatamente igual) foi depositado no Banco Real/ABN Amro Bank, a crédito na conta 17136088, no dia 06/08/03 (fls.211v). O documento da rescisão está sendo repetido sob no 70. 0 Fisco desconsiderou a justificação e a comprovação. Às fls. 129 dos autos está o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, de Capitania Gestores Ltda., relativo ao ano calendário de 2003, onde consta, como rendimentos isentos e nãotributáveis, o valor de R$ 270.000,00. Esse montante foi creditado por meio de quatro depósitos, no Banco Itau S/A, na conta 223643, a saber: R$ 200.000,00 — 08/09/03 (fis. 185) R$ 30.000,00 — 09/10/03 (fis. 188) R$ 10.000,00 — 09/10/03 (fI s. 188) R$ 30.000.00 — 12/12/03 (fls. 194) R$ 270.000,00 total A contacorrente de origem é a de n° 223635, da Agência 3765, do Banco Itaú. Essa conta é da empresa Capitania Gestores Ltda. (antes: GCA Gestores e Consultores Associados Ltda), como comprova o documento 77, ora juntado. O Fisco desconsiderou as justificações e a comprovação." h) Reclama do fato da Fiscalização haver negado dilação do prazo e de não haver acatado os documentos referentes a reembolsos de despesas médicas, hospitalares e odontológicas. Anexa um lote de documentos que comprovariam uma série de lançamentos bancários, relacionandoos nas fls. 375/377; a) Procura justificar outros depósitos do ano de 2003, relativos a restituição do IRPF/2003 e venda de ações da Telemar; j) "Inadmissível a presunção do Sr. Agente Fiscal no sentido de que os depósitos bancários, que transitaram pela conta do Impugnante nos anos de 2002 e 2003 representaram acréscimo de patrimônio" Fl. 904DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 k) "(...) um simples exame das declarações (..), seria suficiente para constatar que os rendimentos declarados, e já tributados, foram suficientes para justificar o acréscimo patrimonial e a renda consumida do Impugnante" 1) "Grande parte da movimentação financeira que todos os contribuintes efetuam em suas contas correntes bancárias referemse a situações pessoais e/ou corriqueiras, para as quais não há, em qualquer lugar do mundo, comprovação mediante documentação hábil e idônea. São situações como o pagamento de despesas próprias ou de familiares, para as quais muitas vezes se faz o reembolso, empréstimos para pessoas próximas, de valores pequenos, e a curto prazo e isto apenas para citar poucos exemplos"; m) "Justamente por esse motivo, o texto legal (art 42, da Lei n° 9.430/96) claro ao dispor que valores inferiores a R$ 12.000,00, até o montante anual de R$ 80.000,00 deverão ser considerados pela fiscalização"; n) "Nesses termos, não poderia o Auditor Fiscal ter inserido os depósitos inferiores a R$ 12.000,00 até o montante de R$ 80.000,00, no crédito tributário constituído por meio do auto de infração originário do presente processo administrativo" 3. Por fim, defende a ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da taxa Selic como juros de mora, requerendo ao final o cancelamento do Auto lavrado. Em 04/10/2006 protocolizou correspondência (fls. 468/469) através da qual anexa novos comprovantes e retifica informações prestadas. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003 INCONSTITUCIONALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. JUROS SELIC. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de dispositivos legais. Os atos regularmente editados segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. Lançamento Procedente em Parte” O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0114.014 da 3ª Turma da DRJ/BEL em 12/06/2009 (fl. 553). Fl. 905DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001719/200690 Acórdão n.º 2102003.247 S2C1T2 Fl. 904 5 Sobreveio Recurso Voluntário em 07/07/2009 (fls. 556/591), acompanhado dos documentos de fls. 592 e seguintes, no qual, em suma, ratifica as razões da impugnação. Sustenta a inaplicabilidade da presunção de omissão de receitas sobre depósitos bancários. Argumenta que a pessoa física não está obrigada a manter registros contábeis. Por tais razões requer o cancelamento do auto de infração. No mérito, aduz que os depósitos tidos como de origem não justificada, e mantidos pela decisão recorrida, decorrem de rendimentos já declarados tributáveis, rendimentos isentos e nãotributáveis e com tributação definitiva/exclusiva na fonte, tais como salários, indenizações, pro labore, lucros e dividendos de empresas nas quais é sócio, conforme se pode verificar nas DIRPF dos anoscalendário 2002 e 2003. Como já demonstrado na impugnação, às fls. 355, o total liquido de rendimentos no anocalendário de 2002 foi de R$ 713.152,34 (DIRPF/2003 fls. 03/07) e no anocalendário de 2003 de R$ 3.883.135,68 (DIRPF/2004 — fls. 9/14). Excluídas as transferências entre contas do mesmo titular, demonstradas e relacionadas às fls. 358/363 dos autos (impugnação), no total de R$ 3.627.657,67, constatase que os valores declarados nas DIRPF de fls. 9/14 comportam integralmente os valores dos depósitos/créditos nas contas bancárias do Recorrente. Com toda certeza esses rendimentos também foram depositados/creditados nas contas bancárias. A nãodedução deles, os quais já estavam justificados e comprovados desde a entrega das Declarações Anuais de Ajuste, implicou num bis in idem, ou seja, na duplicidade de exigência para os mesmos fatos jurídicos tributários. Todos os valores recebidos e declarados pelo Recorrente foram objetos de depósitos ou créditos bancários, quer de forma isolada, quer agrupados a outros valores, razão pelo qual deveriam ter sido excluídos da somatória de depósitos/créditos levantada pela fiscalização. Quanto a esses valores recebidos, uma vez declarados e tributados nas respectivas Declarações Anuais de Ajuste, independem de comprovação. Dessa forma, tendo em vista que os depósitos e créditos tidos como de origem não justificada decorrem do recebimento de salários, de indenizações trabalhistas, de pro labore, de lucros e dividendos, etc., como acima discriminado, temse que o auto de infração ora examinado não poderá prevalecer. A decisão recorrida ao examinar a questão da origem dos recursos (fls. 539) deixa claro, como já o fizera Auditor Fiscal, que a comprovação deveria ocorrer com documentos coincidentes em datas e valores. Ao mencionar a pretensa necessidade de "coincidência de datas e valores" quanto aos documentos a serem apresentados para justificar a movimentação financeira do Recorrente, é citado o artigo 849 do RIR/99, que é a reprodução do art. 42 da Lei no 9.430/96, que em momento algum traz referida exigência. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Argumenta acerca da verdade material, bem como sobre o ônus da prova e da presunção em matéria de prova. Tece argumentos sobre a taxa selic como juros de mora, e dos juros sobre a multa. Por fim, aduz que os valores mantidos pela decisão a quo, direta ou indiretamente foram justificados e comprovados com os documentos entregues à fiscalização, juntados com a impugnação ou posteriormente com as petições protocoladas em 04/10/2006 (fls. 468/500) e em 22/11/2006 (sem referências na decisão recorrida). De fato, o valor de R$ 20.810,18, depositado em 29/04/2002 no Banco Real referese a férias recebidas do Bank of America — Brasil S/A, recebidas em 29/04/2002, conforme cópia do recibo entregue com a impugnação (cópia anexa). O valor de R$ 70.622,70, depositado no Banco Itaú S/A em 28/08/2003, referese ao levantamento do FGTS, conforme o Extrato da Conta do Fundo de Garantia FGTS fornecido pela Caixa Econômica Federal e cópias juntadas aos autos com a impugnação. Após homologada a rescisão contratual em 21/08/2003 (cópia anexa), o Recorrente deu entrada na mesma data do pedido de levantamento do Fundo de Garantia, tendo recebido o valor em 28/03/2008. Verificase do mencionado extrato os valores saídos da conta: R$ 69.851,54 + R$ 781,17 = R$ 70.632,71. Descontados R$ 10,00 para emissão do TED resultou a transferência liquida de R$ 70.632,70 (cópias anexas). Os valores de R$ 200.000,00 depositados em 08/09/2003, de R$ 30.000,00 depositados em 09/10/2003 e de R$ 30.000,00 depositados em 12/12/2003, todos depositados no Banco Itaú S/A, referemse a recebimentos de lucros/dividendos da sociedade Capitania Gestores Ltda. (antes denominada GCA Gestores e Consultores Associados). As fls. 129 consta o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, do ano calendário de 2003 fornecido pela sociedade Capitania Gestores Ltda. o qual nunca foi questionado pelo Fisco. Com a impugnação foi juntado extrato com todos os valores recebidos da sociedade GCA Gestores e Consultores Associados, depois Capitania Gestores Ltda., entre os quais constam os valores acima mencionados e mantidos pela decisão recorrida (cópias anexas). O valor de R$ 29.954,80 depositado no Banco Itau S/A em 17/10/2003, referese a reembolso de despesas adiantadas e suportadas pelo Recorrente quando da formação da sociedade GCA Gestores e Consultores Associados (antiga denominação: BK & K Consultores S/C Ltda.), conforme faz prova o documento anexo. Os contratos sociais e alterações foram juntados com a impugnação. O valor de R$ 20.150,00 depositado no Banco Real S/A em 07/02/2002 referese a reembolso de despesas de representação, quando era diretor do Bank of America Brasil S/A. Essas despesas, suportadas inicialmente pelo Recorrente em viagens e refeições com clientes do Banco, eram reembolsadas quando entregues os comprovantes ao Banco. Com as incorporações do Bank of America Brasil pelo BankBoston e posteriormente pelo Banco Itaú S/A o Recorrente não conseguiu obter cópia de todos os reembolsos de despesas havidas. O valor de R$ 112.000,00, depositado no Banco Real em 08/11/2002, refere se ao valor recebido pela alienação de um veiculo, de propriedade do Bank of America Brasil, utilizado pelo Recorrente, na representação do Banco, na função de diretor que exercia. Como Fl. 907DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001719/200690 Acórdão n.º 2102003.247 S2C1T2 Fl. 905 7 a venda foi tratada com o Recorrente, o comprador depositou a valor da compra em seu nome, tendo havido posterior reembolso dessa importância ao Banco. Da mesma forma, em razão das incorporações do Bank of America Brasil pelo BankBoston e este pelo Banco Itaú S/A o Recorrente não conseguiu cópia da comprovação desse reembolso. Em suma, todos os valores mantidos pela decisão recorrida foram justificados e comprovados, e quando não comprovados de forma categórica, estão justificados e comprovados pelos rendimentos declarados pelo Recorrente em suas DIRPF dos anos calendário de 2002 e 2003, os quais são por demais suficientes a justificar todos os valores depositados/creditados em suas contas bancárias. Em 26/11/2009 o contribuinte protocolou petição constante em fl. 627 desistindo parcialmente do recurso voluntário, conforme segue: 2. Pretendendo usufruir dos benefícios da Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009, vem dizer que desiste parcialmente do referido recurso, bem como renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam os objetos da desistência parcial (bases de cálculo de R$ 132.150,00 relativa a 2002 e R$ 29.954,80 relativa a 2003). Para tanto, junta o Anexo I, instituído pela Portaria Conjunta PGFN/RFB no 6, de 22 de julho de 2009 (doc. anexo). 3. Esclarece, ainda, que nos termos da Lei no 11.941/2009 e da Portaria Conjunta PGFN/RFB no 06/2009 optou pelo pagamento à vista, tendo recolhido R$ 59.995,77 relativamente a 2002 e R$ 12.755,88 quanto a 2003 (DARFs anexos). 4. Isto posto, tendo cumprido as condições legais e regulamentares, respeitosamente, requer a remessa dos autos h Autoridade competente para a devida homologação, nos termos do artigo 182 do CTN. Em fls. 632, o interessado descrimina as bases de cálculo dos quais o mesmo desiste de recorrer. Feito os ajustes no sistema, os presentes autos foram encaminhados ao CARF, que sobrestou o julgamento do recurso, conforme Resolução nº 2102000.128, por tratar de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF). Em 28/08/2013 o contribuinte apresentou embargos de declaração fls. 813/823, argumentando eu a decisão embargada possui vícios pois o embargante nunca questionou nestes autos a constitucionalidade da LC 105/2001, nem para o fato de que o STF não determinou o sobrestamento dos casos que versem sobre essa matéria, o que impede a aplicação do art. 62A do RICARF. Em despacho de fls. 898, o Presidente da 2ª Turma da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, determinou que independentemente do cabimento do recurso em comento, constato a perda do objeto deste, tendo em vista a revogação do § 1º do artigo 62A pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, e considerando que o relator do processo não mais compõe o quadro de conselheiro deste CARF, devolvo o processo para a SECAM incluí Fl. 908DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 lo em lote para novo sorte/distribuição no âmbito da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Sejul. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso de ofício e recurso voluntário, ora analisados, possuem os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merecem ser conhecidos. Tratamse os presentes autos acerca de omissão de rendimentos caracterizada através de depósitos bancários de origem não comprovada. Primeiramente, passase a análise do recurso de ofício. No que concerne aos valores descriminados abaixo, excluídos do lançamento pela DRJ/BEL, posto que restara comprovada a origem de tais valores, ratifico os fundamentos da decisão a quo, conforme segue: 14. No Termo de Verificação, observase que alguns comprovantes relativos a esses casos foram rejeitados pela Fiscalização sob o argumento de que, apesar de coincidentes datas e valores, não havia números de documentos vinculando as transações. 15. Entretanto, entendese que, diante das coincidências acima apontadas, fica difícil deixar de crer que se tratam de transferências de uma conta para outra do Impugnante, principalmente quando coincidem os valores inclusive na casa dos centavos. Além disso, em pesquisa nos sítios do Banco Central e outros relativos ao sistema financeiro, na Internet, não se encontrou a obrigatoriedade de numeração pelos bancos dos documentos de transferência. 16. Coincidentemente, no dia 02.04.2009, este Relator transferiu via DOC determinado valor do Banco do Brasil para a Caixa Econômica, tendo observado que no extrato desta última aparece no campo referente ao número apenas "200001" e a descrição "DOC ELETR". Já no extrato do Banco do Brasil, aparece "EMISSÃO DE DOC", com n° de documento "40.204", o mesmo constante do comprovante de emissão. Ou seja, inexiste relação entre a numeração atribuída pelo banco emitente com a do destinatário. E vale lembrar que na hipótese estáse tratando com bancos públicos. 17. Como exemplo de transferências, cabe citar duas oriundas do HSBC para o Itaú, ambas no dia 08.09.2003 (fl. 362), nos valores de R$ 830.040,88 e 169.960,00, totalmente coincidentes, inclusive nos centavos da primeira. Dessa forma, caberá a Fl. 909DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001719/200690 Acórdão n.º 2102003.247 S2C1T2 Fl. 906 9 revisão desses valores, devendo os mesmos serem excluídos da relação dos depósitos sem comprovação. 18. Na mesma relação, encontrase uma série de resgates de aplicações financeiras no Banco CCF, adquirido pelo HSBC, com correspondentes depósitos no HSBC no mesmo dia e com valores coincidentes. Em casos como esses, a negativa da Unidade também deuse pela falta de documento que comprove as transações. Entretanto, seguindo o mesmo raciocínio anterior, a insistente coincidência de banco, datas e valores não deixa dúvidas quanto correspondência dos mesmos, cabendo a exclusão da relação dos depósitos sem comprovação. 19. Quanto aos comprovantes apresentados posteriormente, conforme item 4 acima, as transferências de fls. 471 e 472 não constam da relação de depósitos sem comprovação (fl. 332 — fev/02) e as de fls. 473 e 474, relativas a. mesma operação, já se encontram na lista apresentada na impugnação (fl. 360). Já a de fl. 475 referese a transferência entre contas Real e HSBC já contemplada conforme itens 13 a 17 acima (fl. 361 — penúltimo item). 20. No caso dos extratos de fundos de investimento (fls. 476/498), em que pese o fato do Impugnante não haver identificado a que depósitos correspondentes, observouse que os mesmos se referem aos valores de resgates já considerados no item 18 acima, sendo alguns coincidentes e outros pertencentes a depósito de mesma data (ex. 11/03/2002). Tais documentos reforçam a necessidade de exclusão dos valores da relação dos depósitos não comprovados. [...] 23. Também devem ser retirados da relação dos depósitos não comprovados: a) Restituição de IRPF — R$ 678,51 — fl. 191 (deposito em 14/11/2003); b) Depósitos decorrentes de venda de ações Telemar — R$ 82.811,88 e R$ 82.955,24 (depósitos em 04 e 05/12/2003 — fl. 194 — TED emitido por Titulo Corretora identificado no extrato); c) Resgate de aplicação financeira — R$ 48.250,55 (depósito em 19/03/2003 — Itaú — comprovante fl. 456); d) Depósito de R$ 1.184.589,58 feito no dia 06/08/2003 (fl. 211 v.) referente a rescisão de contrato de trabalho com o Bank of América, conforme documento de homologação de fl. 457. [...] 26. Com base na tabela, devem ser retirados da relação: a) Os depósitos envolvendo a emissão de "DOC" e "TED" do tipo "D" e resgates de aplicações financeiras, objetos das fls. Fl. 910DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 358/363 nos (2, 3, 9, 12 a 14, 16 a 25, 27 a 36, 40, 42 a 44, 46, 49, 51, 56, 57, 62, 74, 85, 87, 90, 93, 100, 104 a 107, 114, 135 a 139, 141, 147, 148, 154, 157, 158, 161, 163, 166, 168, 172 a 174; b) Os depósitos referentes a reembolsos de despesas médicas e odontológicas, conforme parágrafo 22, acima, objetos da fls. 375/377: nos 79, 80, 91, 98, 101, 102, 103, 118 a 121, 124, 126, 131, 133, 140, 144, 145, 149, 150, 155, 160, 165, 171; c) N° 163, conforme parágrafo 23, "a", acima; d) Ms 169 e 170, conforme parágrafo 23, "b", acima; e) N° 93, conforme parágrafo 23, "c", acima; f) N° 134, conforme parágrafo 23, "d", acima. Assim, pelas razões expostas pela DRJ/BEL, nego provimento ao recurso de ofício. Dito isso, passe a análise do Recurso Voluntário. Cabe frisar que houve desistência parcial do recurso quanto as bases de cálculo de R$ 132.150,00 relativa a 2002 e R$ 29.954,80 relativa a 2003, posto que o contribuinte recolheu o imposto e os juros incidentes, conforme DARFs de fls. 633/634. Quanto a omissão de rendimentos apurada pelo Fisco no presente Auto de Infração, cabe fazer as seguintes considerações. No regime jurídico do art. 42 da Lei 9.430/1996 há uma presunção legal relativa, vez que, intimado à comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada. A presunção em favor do Fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento, analisar a respectiva declaração de ajuste anual e intimar o beneficiário desses créditos a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Com efeito, da análise dos argumentos dispensados pelo contribuinte no recurso, bem como dos documentos acostados aos autos, passase ao exame dos mesmos. No que tange ao valor de R$ 20.810,18 do Banco Real, Conta nº 17136088, de 29/04/2002, assiste razão o recorrente quando afirma tratarse de férias recebidas do Bank Of America – Brasil S/A, uma vez que o “Recibo de Férias” de fls. 431, comprova a origem do numerário coincidente na mesma data, onde o mesmo declara o recebimento da referida importância. Portanto, estando comprovada a origem do valor R$ 20.810,18, este deve ser excluído do presente lançamento. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001719/200690 Acórdão n.º 2102003.247 S2C1T2 Fl. 907 11 Quanto ao valor de R$ 70.622,70 do Banco Itaú, Conta nº 223643, de 28/08/2003, também assiste razão o contribuinte quando alega tratarse de levantamento do FGTS, isso porque, consta em fl. 613 “Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho” homologado na mesma data do depósito. Inclusive, consta em fl. 459, TED da Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 70.632,70, que, descontado o valor da tarifa de R$ 10,00 descriminado no documento, coincide no valor de R$ 70.622,70, o qual demonstra dessa forma a origem do mesmo. Logo, devidamente comprovada a origem do valor de R$ 70.622,70, este deve ser excluído do lançamento. Relativamente aos valores de R$ 200.000,00, R$ 30.000,00 e R$ 30.000,00, respectivamente nas datas de 08/09/2003, 09/10/2003 e 12/12/2003, todos do Banco Itaú, Conta nº 223643, alega o contribuinte tratarse de recebimento de lucros/dividendos da Sociedade Capitania Gestores Ltda, e para corroborar tais afirmações, acosta “Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte” (fl. 460), onde há registro do valor de R$ 270.000,00. No entanto, não há como vincular este valor, que inclusive foi declarado na DIRF, à distribuição de lucros/dividendos na forma alegada, porquanto, tornouse indispensável à comprovação da sustentada distribuição, que o contribuinte tivesse acostado documentos contábeis, coincidente em datas e nos valores supracitados. Assim, não comprovada a origem dos valores de R$ 200.000,00 (08/09/2003), R$ 30.000,00 (09/10/2003) e R$ 30.000,00 (12/12/2003), devem estes serem mantidos no lançamento. Quanto à insurgência do recorrente em relação à taxa Selic, a matéria resta pacificada neste E. Conselho, conforme Súmula nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, que cristaliza o entendimento da legitimidade de sua aplicação: “Súmula CARF nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Logo, correta a aplicação da taxa Selic. Por fim, contesta o recorrente a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada alegando a ausência de previsão legal neste sentido, posto que os juros de mora podem incidir apenas sobre tributos, mas não sobre a penalidade em questão. Não lhe assiste razão. A previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício está plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN, que possui a seguinte redação: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. [...]” Fl. 912DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 A acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que, após o lançamento de ofício efetuado, a multa aplicada passa a integrar aquele valor. Afinal, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Pela própria localização do referido artigo no CTN, inserido em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário, e numa seção que trata do pagamento, não se vislumbra amparo ao entendimento que visa a reduzir o alcance da palavra crédito, como se o artigo estivesse se referindo exclusivamente ao tributo, e não ao crédito tributário. Os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. O vencimento da multa por lançamento de oficio se dá no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração, momento a partir do qual, se não paga a multa, passa o contribuinte a encontrarse em mora. Conforme dispôs o próprio CTN, somente a lei pode dispor em sentido diverso, eventualmente cogitando da não aplicação de juros sobre alguma parcela do crédito tributário. No caso dos autos, há que se levar em consideração o que dispõe o art. 61 da Lei nº 9.430/96, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ademais, cumpre destacar ainda que o entendimento aqui exposto coaduna se com o que se vem consolidando no STJ, conforme se pode verificar na ementa abaixo transcrita: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 – PR, Relator Min. Benedito Gonçalves, DJe: 10/12/2012: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 19515.001719/200690 Acórdão n.º 2102003.247 S2C1T2 Fl. 908 13 2. Agravo regimental não provido.” Com estas considerações, entendo cabível a incidência de juros de mora sobre a multa punitiva aplicada, os quais, nos termos da legislação de regência, são atualmente calculados com base na taxa Selic. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO Recurso de Ofício E DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir do lançamento os valores de R$ 20.810,18 (anocalendário 2002) e R$ 70.622,70 (anocalendário 2003). (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 914DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10183.721770/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
OPERAÇÃO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. ÁGIO. FALTA DE FUNDAMENTO ECONÔMICO. INEFICÁCIA PARA FINS TRIBUTÁRIOS.
O ágio sem fundamento econômico e oriundo de operação realizada entre empresas do mesmo grupo, ou de alguma forma ligadas entre si, é ineficaz perante o Fisco, não podendo a respectiva amortização ser deduzida da base de cálculo do IRPJ.
MULTA QUALIFICADA. ÁGIO FICTÍCIO. DOLO. AUSÊNCIA. DESCARACTERIZAÇÃO.
Não restando inequivocamente demonstrado o evidente intuito doloso da contribuinte, a multa de ofício deve ser desqualificada.
JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA.
Em se tratando de tributo não pago, a multa deve incidir sobre a totalidade do crédito tributário que deixou de ser recolhido, incluindo-se nele a correção monetária e os juros.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
A decisão adotada em relação ao IRPJ também se aplica ao lançamento da CSLL, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os une.
Numero da decisão: 1401-001.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, para desqualificar a multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento); e II) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento em relação às demais matérias: Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini e Maurício Pereira Faro que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 OPERAÇÃO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. ÁGIO. FALTA DE FUNDAMENTO ECONÔMICO. INEFICÁCIA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. O ágio sem fundamento econômico e oriundo de operação realizada entre empresas do mesmo grupo, ou de alguma forma ligadas entre si, é ineficaz perante o Fisco, não podendo a respectiva amortização ser deduzida da base de cálculo do IRPJ. MULTA QUALIFICADA. ÁGIO FICTÍCIO. DOLO. AUSÊNCIA. DESCARACTERIZAÇÃO. Não restando inequivocamente demonstrado o evidente intuito doloso da contribuinte, a multa de ofício deve ser desqualificada. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. Em se tratando de tributo não pago, a multa deve incidir sobre a totalidade do crédito tributário que deixou de ser recolhido, incluindose nele a correção monetária e os juros. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. A decisão adotada em relação ao IRPJ também se aplica ao lançamento da CSLL, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os une. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, para desqualificar a multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento); e II) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento em relação às demais matérias: Vencidos os Conselheiros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 17 70 /2 01 1- 11 Fl. 2454DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini e Maurício Pereira Faro que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. Fl. 2455DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 1401001.241 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da decisão de piso, fls. 19911999: Tratase de impugnação apresentada contra lançamento que, apurando a falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL decorrente da contabilização de despesas indedutíveis, formalizou a exigência de crédito tributário no montante de R$ 44.413.916,09, compreendendo os dois tributos citados, acrescidos de multa e juros, tendo por fundamento legal o art. 3º da Lei nº 7.689/1988 e demais dispositivos indicados nos autos de infração de fls. 03 a 11, 12 a 21, 24 a 28 e 29 a 35. Os fundamentos de fato e de direito que dão suporte ao lançamento foram descritos no Termo de Verificação Fiscal de fls. 47 a 63, que pode ser assim resumido: A auditoria se instaurou para verificar a legitimidade da amortização de ágio, derivado de aquisição de participação societária, ocorrida nos anos de 2007 e 2008. A verificação, posteriormente, se estendeu aos anos de 2009 e 2010. O ágio deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL teve origem para a contribuinte na operação de incorporação, ocorrida em 01/09/2007, da sociedade denominada Leonvin Participações Ltda., a qual detinha 40% de participação no capital social da incorporadora. A participação societária foi adquirida pelo valor de R$ 135.400.000,00, dos quais R$ 61.657.096,00 correspondem ao valor do patrimônio líquido e R$ 73.742.904,00 a ágio por rentabilidade futura. Inferiu a Fiscalização que a operação com a Leonvin foi engendrada com o único propósito de reduzir o pagamento do IRPJ e da CSLL, mediante amortização de “ágio de si mesma”. Teria havido nessa operação negócio jurídico simulado. A Leonvin Participações fora constituída em 10/12/2004, tendo por sócios Jobelino Vitoriano Locateli e José Tavares de Lucena e por capital social o irrisório valor de R$ 1.000,00. Em 11/01/2005, processouse a primeira alteração contratual, retirandose da sociedade os primitivos sócios e ingressando as pessoas jurídicas denominadas Bebidas Latinas Ltd e Abacus (Nominees) Limited, ambas sociedades organizadas de acordo com as leis da Ilha Jersey, com sede em Motte Chambers, St. Helier, Jersey. As duas pessoas jurídicas foram constituídas na mesma data. O antigo sócio da Leonvin, Jobelino Vitoriano Locateli, embora tendo se retirado formalmente da sociedade, não se afastou dela, pois foi designado diretor da empresa. Fl. 2456DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 Em 13/01/2005, deuse a segunda alteração do contrato social, designandose para a função de diretor Ricardo Torres de Mello, que já exercia na Impugnante idêntica função. Em 24/01/2005, o conselho de administração da Impugnante deliberou a emissão de 10.066.666 ações ordinárias, com preço de emissão de R$ 13.450,03 (sic) por ação, perfazendo um investimento no montante de R$ 135.400.000,00, dos quais R$ 125.333.334,00 a título de ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura. As ações foram subscritas e o valor integralizado, no mesmo dia, pela Leonvin, mediante transferência bancária para a conta da Impugnante. Também na mesma data, 24/01/2005, foi alterado o capital social da Leonvin para R$ 135.925.000,00, sendo ela autorizada a adquirir 40% do capital da Impugnante. Posteriormente, Ricardo Torres de Mello assinou como mandatário de Bebidas Latinas Ltd e de Abacus (Nominees) Limited a deliberação de reduzir o capital social da Leonvin em R$ 2.900.000,00. Em 01/09/2007, deuse a aprovação da incorporação da Leonvin Participações Ltda. pela Impugnante, Renosa Indústria Brasileira de Bebidas Ltda. Essas circunstâncias levaram a Fiscalização a concluir que a pessoa jurídica Leonvin Participações Ltda. fora criada sem fundamentação econômica e sem objeto social de fato, com o único propósito de reduzir artificialmente a tributação, servindo como “empresaveículo” para transferir o investimento realizado diretamente na Impugnante, ensejando a dedutibilidade do ágio. Sobre os motivos declinados pela Impugnante para justificar a incorporação, manifestouse a Fiscalização nos seguintes termos: “Dentre as justificativas apresentadas pelo referido Protocolo e Justificação, vale ressaltar a que argumenta que a incorporação permitirá maior racionalização, otimização de resultados e desenvolvimento das operações sociais da incorporadora e da incorporada, sendo que sua extinção por incorporação ocasionará o aproveitamento fiscal do ágio pago pela incorporada na aquisição de ações da incorporadora. Na verdade não houve nenhuma racionalização, otimização de resultados e desenvolvimento das operações da incorporada, visto que esta jamais teve qualquer atividade operacional, serviu tão somente para transportar o investimento para a fiscalizada, restando o ato de incorporação apenas a última fase do planejamento tributário abusivo, ou seja, apenas a justificativa de aproveitamento do ágio é real.” (fl. 54) A Fiscalização apontou vários elementos fáticos que reforçariam a suspeita de simulação na constituição da pessoa jurídica Leonvin Participações Ltda. Eis os fatos: Fl. 2457DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 1401001.241 S1C4T1 Fl. 4 5 1 A ata da reunião do conselho de administração da Impugnante, realizada em janeiro de 2005, faz referência a um acordo de acionistas (shareholders agreement), firmado pelos acionistas, entre os quais a Leonvin. Igualmente, a ata da reunião do conselho de administração da empresa Refrigerantes Noroeste S.A. (detentora de parte do capital social da Impugnante), ocorrida em 26/12/2004, também menciona o acordo firmado pela Leonvin. Entretanto, analisando os instrumentos dos acordos acima referidos, constatou a Fiscalização que em nenhum deles constava a Leonvin. 2 A Leonvin Participações Ltda. foi criada três dias antes da celebração do acordo de joint venture que deliberou o ingresso dos investidores no capital da Impugnante, fato que, no entender da Fiscalização, deixa ver o real propósito da criação da Leonvin. 3 A quarta alteração contratual da Leonvin reduziulhe o capital social, restituindo os respectivos valores às sócias Bebidas Latinas Ltd e Abacus (Nominees) Limited. O extrato da reunião foi publicado no Diário Oficial Empresarial do Estado de São Paulo. A consulta a tal publicação, entretanto, revela que os valores foram restituídos efetivamente a Jobelino Vitoriano Locateli e Ricardo Torres de Mello e não às pessoas jurídica que formalmente detinham participação no capital da Leonvin, o que, para a Fiscalização, evidencia que Bebidas Latinas e Abacus (Nominees) eram “empresas de papel”. 4 Não existe, em nome da Leonvin, nenhum recolhimento de FGTS e contribuição previdenciária, nem mesmo pelo trabalho supostamente prestado por Jobelino Vitoriano Locateli e Ricardo Torres de Mello. 5 Inicialmente a Leonvin tinha como um dos sócios Jobelino Vitorino Locateli, o qual, de acordo com consulta feita ao sistema de dados da Receita Federal, figura como responsável por 198 empresas, das quais várias com sede no exterior e outras inativas. 6 Pouco mais de um mês depois da criação da Leonvin, Ricardo Torres de Mello passa a exercer simultaneamente o cargo de diretor da Leonvin e da Impugnante. 7 Durante todo o período de sua existência formal, a Leonvin só registrou fatos modificativos e permutativos ligados ao investimento na Impugnante. Nunca auferiu receitas da atividade operacional. 8 A Leonvin apresentou, em fevereiro e março de 2006, duas declarações de empresa inativa. 9 Os recursos investidos na Impugnante provêm da empresa Forsab Investiments (Proprietary) Limited. Fl. 2458DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 10 A partir da data do aporte de capitais na Impugnante, passaram a compor o seu conselho de administração Philippe Hugo Gutsche e Alan David Cook. Por todos esses fatos, extraiu a Fiscalização, acerca do negócio jurídico de compra de 40% do capital da Impugnante, as seguintes conclusões: a) Não houve operação de aquisição de ações da Impugnante pela Leonvin. O negócio jurídico se estabeleceu entre a controladora da Impugnante, Refrigerantes do Noroeste S.A., e a Companhia Forsab Investments (Proprietary) Limited. b) O acordo de joint venture entre a Refrigerantes do Noroeste e a Forsab deixa evidenciado que a Leonvin é subsidiária da Forsab. c) O acordo de joint venture define que as partes no negócio são a Refrigerantes do Noroeste, a Forsab e a Impugnante (Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S.A.). d) O Ato de Concentração – AC nº 08012.000240/200508 diz respeito à operação de constituição pelas requerentes, Refrigerantes do Noroeste S.A. e Forsab, de uma joint venture para atuar principalmente na indústria de bebidas (engarrafamento de refrigerantes). e) A titular da participação acionária sempre foi a Forsab Investments (Proprietary) Limited. Em resumo, são essas as razões que levaram a autoridade lançadora a considerar simulado o negócio jurídico. Quanto à qualificação da multa, afirmou a Fiscalização que a Impugnante se utilizou de artifícios para evitar que se conhecessem a extensão, a natureza ou as circunstâncias materiais do fato, bem como as características essenciais dos fatos geradores ocorridos nos anos de 2007 a 2010. Não resignada, a Impugnante insurgiuse contra o lançamento, fazendo as seguintes alegações: Afirmou, preliminarmente, a tempestividade da impugnação. O objeto do auto de infração foi a legitimidade da amortização de ágio nos anos de 2007 a 2010, em face da incorporação da empresa Leonvin Participações Ltda., que detinha 40% da participação societária na Impugnante, adquirida por meio de subscrição de novas ações em 24/01/2005. A incorporação ocorreu mais de dois anos após a subscrição das ações, ou seja, em 01/09/2007. A Impugnante afirma que as operações tidas por simuladas pela autoridade fiscal tinham como propósito negocial a expansão de suas atividades comerciais. Disse que a empresa Refrigerantes do Noroeste, que detinha a totalidade do capital social da Impugnante, deu início em 2004 a um plano de expansão de suas atividades no Brasil e na América do Sul, que consistia na aquisições de empresas que atuassem no mesmo ramo. Para tanto se fazia necessária a captação de recursos financeiros, que Fl. 2459DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 1401001.241 S1C4T1 Fl. 5 7 seriam obtidos junto a terceiros (investidores e instituições financeiras) e internamente, mediante sucessivos aumentos de capital, com a utilização de reservas de lucros, de capital e de incentivos fiscais. Nesse contexto, firmouse um acordo de joint venture entre a Refrigerantes do Noroeste, a Impugnante e uma companhia sediada na África do Sul, denominada Forsab Investments Limited. Os recursos necessários para a execução do plano de expansão foram captados junto à Forsab. Esta, entretanto, não os repassou diretamente, mas através de uma subsidiária, constituída no Brasil, exclusivamente com o fim de deter 40% de participação no capital da Impugnante. Assim, a opção foi pelo investimento mediante a constituição de uma holding pura, pois a Forsab entendeu que essa seria a forma que sujeitaria o valor investido a menor risco de perda. Afirmou que o investimento poderia ocorrer de três formas, a depender dos interesses relevantes para ambas as partes. Estas eram as formas que, segundo a Impugnante, poderiam ser adotadas para a realização do negócio: “A primeira opção seria um investimento direto da “Forsab” ou de uma de suas subsidiárias no exterior, na Impugnante. Esta alternativa, contudo, obrigaria a “Forsab” e suas subsidiárias a compartilhar diretamente os riscos inerentes ao negócio da Impugnante, especialmente no caso de prejuízos, mesmo que o capital investido ainda não tivesse sido utilizado para as futuras aquisições, o que era bastante factível, pois todo e qualquer processo de aquisição de empresas demanda, em primeiro lugar, (i) aproximação; (ii) oferta; (iii) realização de “due diligences”; (iv) tratativas e reuniões entre as partes e finalmente, (v) fechamento do negócio. No Brasil, considerando nossas especificidades econômicas e os riscos envolvidos para o investidor estrangeiro, principalmente os riscos econômicos, resultam em que o prazo médio para a concretização de uma aquisição é superior a um ano. A segunda opção seria a realização de um empréstimo diretamente para Impugnante que, apesar de vantajosa do ponto de vista fiscal, já que os juros seriam dedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSL, colocaria a Impugnante em estado de subcapitalização, na medida em que seu capital social, à época, era de R$ 15.100.000,00 (...), enquanto que o valor do empréstimo (mútuo) seria de US$ 50.000.000,00. É certo que, à época não havia regra limitando a dedutibilidade dos juros no caso de subcapitalização de empresas, o que só veio a ocorrer a partir da Lei nº 12.249/2010 (conversão da MP nº 472), mas mesmo assim essa opção gerava o risco de questionamento fiscal em relação a tal dedutibilidade, situação esta que, inclusive, já foi objeto de apreciação pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, face às diversas autuações fiscais ocorridas em casos de subcapitalização. Fl. 2460DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 8 A terceira opção seria a constituição de uma subsidiária no Brasil que exerceria o papel de “holding pura” ou “sociedade de participação” com o propósito exclusivo de deter a participação societária de 40% na Impugnante até que esta adquirisse uma outra franqueada da “CocaCola”. Esta alternativa era a única possível nas circunstâncias, pois seria o único meio possível em que a “Forsab” ou suas subsidiárias não seriam obrigadas pela legislação societária brasileira a compartilhar ou arcar com perdas desnecessárias enquanto não fosse efetuada a aquisição e, ao mesmo tempo, evitaria a exposição a um risco cambial decorrente da obrigação de se repatriar o capital investido no prazo máximo de 30 (trinta) dias, conforme a legislação da África do Sul.” (fls. 1730 e 1731) O acordo de joint venture, na sua cláusula 8.1, permitia que a Refrigerantes do Noroeste adquirisse a totalidade das ações detidas pela subsidiária da Forsab, caso as aquisições objeto do plano de expansão não fossem efetivadas dentro de vinte e quatro meses, prorrogável por mais doze meses, a critério das partes. Tratase da chamada cláusula de call option, que é fundamental para se entender a razão subjacente à incorporação que gerou a dedutibilidade do ágio na Impugnante. A subsidiária da Forsab foi constituída no Brasil sob a denominação social de Leonvin Consultoria Mercadológica e Empresarial Ltda.”, em 08/12/2004. Logo depois, procedeuse a uma alteração contratual para a retirada dos sócios e administradores e ingresso de duas subsidiárias da Forsab, sediadas no exterior, Bebidas Latinas Ltd e Abacus (Nominees) Limites. A alteração do contrato social mudou também de objeto e o nome empresarial, que passou a ser Leonvin Participações Ltda. Deuse também a nomeação de Ricardo Torres de Mello como diretor da empresa. Paralelamente a esses fatos, o Conselho de Administração da Impugnante aprovou aumento do capital social no valor de R$ 135.400.000,00, mediante emissão de novas ações subscritas pela Leonvin, sendo R$ 10.066.666,00 atribuídos ao capital social e R$ 125.333.334,00 a ágio fundado em rentabilidade futura. O quadro societário da Impugnante passou a ter a seguinte composição em 24/01/2005: Refrigerantes do Noroeste detinha 60% do capital e Leonvin, 40%. Esta, por sua vez, tinha como sócias Bebidas Latinas Ltd (49,95%) e Abacus (Nominees) Limited (50.05%). Dentro do plano de expansão, a Impugnante adquiriu a Companhia Maranhense de Refrigerante, empresa que atuava nos Estados do Maranhão e de Tocantins. Concretizada a aquisição dessa empresa, o objetivo traçado no acordo de joint venture havia sido plenamente alcançado, razão pela qual já não fazia sentido a existência da Leonvin. Assim, em 01/09/2007, a Impugnante incorporou a Leonvin, passando as empresas Bebidas Latinas e Abacus a deterem participação direta em 40% do capital social da Impugnante. Imediatamente após a incorporação, Bebidas Latinas e Abacus Fl. 2461DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 1401001.241 S1C4T1 Fl. 6 9 transferiram à Forsab as suas respectivas participações societárias. Com isso, depois de dois anos da constituição da Leonvin, as operações resultaram na participação direta da Forsab no capital da Impugnante, da seguinte forma: Refrigerantes do Noroeste 60% e Forsab 40%. Todas as empresas envolvidas nas operações societárias acima descritas atuam no mesmo ramo da Impugnante, o que comprova o efetivo propósito negocial subjacente ao investimento feito pela Leonvin. Houve aumento de receitas no período compreendido entre 2004 e 2009, tornando a participação da Impugnante mais efetiva e direta no mercado de bebidas, o que comprova que não houve, no caso concreto, a realização de operações societárias visando exclusivamente a redução de carga tributária. A Fiscalização não mencionou a aquisição da Companhia Maranhense de Refrigerantes, que era um dos propósitos negociais do pacto de joint venture e que motivou a subscrição de ações pela Leonvin. A Impugnante refutou os motivos declinados pela Fiscalização para a glosa da despesa com amortização de ágio, com os seguintes argumentos: Todas as alegações da Fiscalização derivam da premissa de que a Leonvin teria sido uma empresaveículo, criada exclusivamente para possibilitar o registro contábil de ágio na subscrição de ações e a subsequente transferência desse ágio para a Impugnante, dando ensejo à amortização do referido valor, reduzindo assim o IRPJ e a CSLL. A premissa estaria errada, pois a Leonvin foi constituída com o objetivo exclusivo de deter participação societária na Impugnante até que esta implementasse o plano de expansão de suas atividades, mediante a aquisição de outras empresas do mesmo ramo. Não houve simulação, nem fraude. O negócio jurídico foi praticado em conformidade com o art. 104 do Código Civil. A expressão empresaveículo foi utilizada de forma errônea e, por isso, deveria ser extirpada dos autos, já que não é contemplada no ordenamento jurídico brasileiro, que admite que uma companhia possa ter por objeto participar de outras sociedades, inclusive para beneficiarse de incentivos fiscais, conforme disposição contida no art. 2º, §3º, da Lei nº 6.404/1976. A norma inserida naquele dispositivo permite a criação de dois tipos de sociedade holding, as mistas e as puras. A primeira, além de participar no capital de outras sociedades, também podem explorar alguma atividade empresarial específica. A Leonvin era uma “holding pura”. É inerente a esse tipo de sociedade não ter empregados ou qualquer atividade Fl. 2462DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 10 operacional, já que sua função social não é produzir bens ou prestar serviços, mas apenas participar do capital de outras sociedades. Portanto, não se pode falar em ausência de atividade, para concluir que se trata de “empresa de papel”. A Leonvin não foi uma empresa criada e extinta em curto intervalo de tempo. Entre a data da criação e a de extinção transcorreram quase três anos. Além disso, a Leonvin foi criada, como uma etapa do plano de expansão das atividades empresariais da Impugnante, a concretizarse mediante aquisição de outras empresas do mesmo setor. Por outro lado, o ágio baseado em rentabilidade futura não foi fictício e veio a ser confirmado pelos resultados dos exercícios subsequentes. Dessa forma, existindo ágio, era dever do administrador utilizá lo em benefício da companhia, em conformidade com a lei em vigor. Tratase de direito assegurado legalmente. Não há na legislação tributária brasileira regra vedando ou condicionando o aproveitamento do ágio, ainda que mediante o uso de “empresaveículo”. Tendo explicado a operação, passou a Impugnante a rebater as alegações da autoridade fiscal. Disse que era desnecessário referenciar expressa e literalmente a Leonvin no acordo de acionistas e no acordo de joint venture, já que a Leonvin foi criada precisamente para a realização do investimento na Impugnante, o que não desnatura o propósito negocial subjacente à operação. Reiterou que Bebidas Latinas e Abacus eram efetivamente sócias da Leonvin. Os valores pagos em 2006 a título de dividendos foram entregues a Jobelino Vitoriano Locateli e a Ricardo Torres de Mello na condição de representantes daquelas empresas. Jobelino Vitoriano Locateli e Ricardo Torres de Mello, segundo atesta a Impugnante, eram administradores e não sócios da Leonvin. Ademais, Jobelino é sócio da Pryor Consultin Services, empresa de consultoria e assessoria contábilfiscal, que veio a ser contratada pela Leonvin. Esta pagou pelos serviços que lhe foram prestados. Assegurou, por outro lado, que a Leonvin também fez pagamentos de prolabore. O fato de Ricardo Torres de Mello ter sido designado diretor da Leonvin, ao mesmo tempo em que exercia idêntica função na Impugnante nada tem de estranho ou ilegal e tampouco pode ser utilizado como prova ou indício de que a Leonvin tivesse sido criada com o único propósito de servir de “empresaveículo”. Nada mais normal do que empresas do mesmo grupo terem diretores comuns. Quanto às declarações (DIPJ) de empresa inativa, alegou terem sido elas regularmente retificadas. Disse que a eleição de Philippe Hugo Gutsche e Alan Cook para o conselho de administração da Impugnante já estava prevista na cláusula 7.2 do acordo de acionistas. Por outro lado, a Fl. 2463DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 1401001.241 S1C4T1 Fl. 7 11 Leonvin já tinha seus diretores nomeados. O fato, entretanto, não tem relevância tributária, nem altera as relação com o Fisco. A circunstância de essas pessoas terem assinado, uma única vez, por equívoco, como representantes da Leonvin não é suficiente para autorizar a desconsideração da personalidade jurídica. A autoridade fiscal supôs que a transferência das ações em poder de Bebidas Latinas e de Abacus para a Forsab, após a incorporação da Leonvin, estava em desacordo com o estatuto social, que exige a aprovação de no mínimo 80% do capital votante, para qualquer transação que afete a estrutura societária da Impugnante. O procedimento adotado encontra respaldo no próprio acordo de acionistas, que não contraria a regra geral assentada no estatuto, aplicável às hipóteses de transferência de ações para novos subscritores, desde que não pertençam a qualquer uma das empresas que já possuam ações da Impugnante. Quanto à CSLL, alegou inexistir previsão legal para adicionar à base de cálculo o valor correspondente à amortização de ágio havido como não dedutível pela Fiscalização. Disse que as condições para dedutibilidade desses valores estão previstas no art. 7º, inciso III, da Lei nº 9.532/1997. Assim, havendo norma específica, não podem ser aplicadas as normas genéricas contidas no art. 2º da Lei nº 7.689/1988, art. 1º da Lei nº 9.316/1996 e art. 28 da Lei nº 9.430/1996. Incide, no caso, o princípio da especialidade. Por outro lado, sustentou a Impugnante ter havido erro no cálculo relativo ao adicional de 10% do IRPJ. De acordo com o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.249/1995, o adicional recai sobre a parcela do lucro tributável que exceder a R$ 20.000,00 mensais ou R$ 240.000,00 anuais. Todavia, a Fiscalização não excluiu, do cálculo do adicional, a referida parcela. No que toca à multa qualificada, reiterou a ausência de simulação ou fraude que justificassem a exacerbação da penalidade. Enfatizou que para caracterizar simulação ou fraude é necessária a presença de dolo. Age com dolo aquele que, tendo ânimo de prejudicar alguém, adota conduta nesse sentido. A criação da Leonvin se inseriu no contexto de expansão dos negócios da Impugnante, de forma que as operações societárias não tiveram como único propósito a redução da carga tributária mediante amortização de ágio, transferido com a incorporação subsequente. A realização do negócio jurídico, no caso concreto, poderia, quando muito, ser considerado um negócio jurídico indireto, mas nunca um negócio simulado ou fraudulento. Negócio jurídico indireto é aquele contratado de forma lícita, em que as partes visam alcançar um fim que não é típico do negócio adotado; mas, nem por isso, a vontade declarada não é a real. A escolha de uma forma jurídica que venha a proporcionar efeitos tributários mais favoráveis ao contribuinte não significa, Fl. 2464DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 12 necessariamente, ter havido simulação ou fraude praticada pelas partes. O negócio jurídico praticado pela Impugnante ocorreu em conformidade com a legislação societária, em especial o art. 2º, §3º, da Lei nº 6.404/1976. A expansão pretendida foi efetivamente alcançada com a aquisição da Companhia Maranhense de Refrigerantes. Arguiu, por fim, a ilegalidade da exigência de juros incidentes sobre a multa de ofício. A previsão legal cingese à incidência de juros sobre o tributo, o qual não se confunde com multa. Assim, ao formalizar tal exigência, a Fiscalização viola o princípio constitucional da legalidade. Com essas alegações, pugnou pelo cancelamento dos autos de infração. Sucessivamente, caso não acolhido o primeiro pedido, requereu que fosse excluída a exigência da CSLL, corrigido o cálculo do adicional do IRPJ, excluídos os juros sobre a multa de ofício e afastada a multa qualificada. Na petição de fls. 1896 a 1921, a Impugnante requereu o julgamento em conjunto com os processos nº 10183.723526/201185 e 10183.723528/201174, pedido do qual mais tarde veio a desistir (fls. 1986). A 2ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa, fls. 19891990: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 OPERAÇÃO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. ÁGIO. FALTA DE FUNDAMENTO ECONÔMICO. INEFICÁCIA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. O ágio sem fundamento econômico e oriundo de operação realizada entre empresas do mesmo grupo, ou de alguma forma ligadas entre si, é ineficaz perante o Fisco, não podendo a respectiva amortização ser deduzida da base de cálculo do IRPJ. MULTA QUALIFICADA. ÁGIO FICTÍCIO. DOLO. CARACTERIZAÇÃO. O registro contábil e a subsequente amortização de ágio fictício caracteriza conduta dolosa, autorizando a aplicação de multa qualificada. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. FATO NÃO OCORRIDO. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão de julgamento conhecer a impugnação e apreciar a matéria preventivamente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 2465DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 1401001.241 S1C4T1 Fl. 8 13 Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 OPERAÇÃO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. ÁGIO. FALTA DE FUNDAMENTO ECONÔMICO. INEFICÁCIA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. O ágio sem fundamento econômico e oriundo de operação realizada entre empresas do mesmo grupo, ou de alguma forma ligadas entre si, é ineficaz perante o Fisco, não podendo a respectiva amortização ser deduzida da base de cálculo da CSLL. MULTA QUALIFICADA. ÁGIO FICTÍCIO. DOLO. CARACTERIZAÇÃO. O registro contábil e a subsequente amortização de ágio fictício caracteriza conduta dolosa, autorizando a aplicação de multa qualificada. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. FATO NÃO OCORRIDO. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão de julgamento conhecer a impugnação e apreciar a matéria preventivamente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi devidamente cientificado do aludido Acórdão em 07/02/2012, conforme AR de fls. 2015 e apresentou recurso voluntário em 07/03/2012 (v. fls. 20192094), reiterando os argumentos de defesa apresentados na fase impugnatória. Sua peça recursal foi acompanhada dos documentos de fls. 21012407. A Procuradoria da Fazenda Nacional, por sua vez, apresentou as contrarrazões de fls. 24082452. É o relatório. Fl. 2466DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 14 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso apresentado atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Indedutibilidade do ágio A presente controvérsia resumese à análise da oponibilidade ou não, ao Fisco, de sucessivas operações de planejamento tributário, resumidas no quadro abaixo (segundo a visão das autoridades autuantes): Data / Evento Situação / Operação Societária 10/12/2004 Criação da empresa veículo A Leonvin Participações fora constituída em 10/12/2004, tendo por sócios Jobelino Vitoriano Locateli e José Tavares de Lucena e por capital social o irrisório valor de R$ 1.000,00. Antes de 24/01/2005 Início da operação a) A RENOSA (recorrente) é controlada pela NOROESTE S.A.; b) A sua controladora NOROESTE firma um acordo de “Joint Venture” com a pessoa jurídica sulafricana FORSAB, com a anuência da RENOSA. Por meio deste acordo, a FORSAB se compromete a aplicar recursos na RENOSA, recebendo, em troca, 40% de sua participação societária. 24/01/2005 Origem do ágio e Utilização da LEONVIN como “empresa veículo” a) A FORSAB, por meio de suas subsidiárias estrangeiras BEBIDAS LATINAS LTDA e ABACUS aumenta o capital da LEONVIN em R$ 135.924.000,00; b) A LEONVIN aplica esses recursos na RENOSA, adquirindo para si os 40% da participação societária dessa empresa; c) Em decorrência dessa operação, a LEONVIN registra um ágio decorrente da aquisição da participação societária na RENOSA, no valor de R$ 125.333.334,00. 01/09/2007 “Incorporação reversa” e Formação do “ágio de si mesmo” a) A RENOSA incorpora a LEONVIN (que detinha 40% do capital da própria RENOSA) e absorve para si o ágio pago sobre parte de sua própria participação societária. b) Em razão dessa operação, as empresas BEBIDAS e ABACUS (subsidiárias estrangeiras da FORSAB) passam a deter 40% da participação societária da RENOSA. Fl. 2467DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 1401001.241 S1C4T1 Fl. 9 15 24/10/2007 Conclusão da operação As empresas BEBIDAS e ABACUS transferem à FORSAB os 40% de participação societária da RENOSA, dando efetivo cumprimento ao contrato de “Joint Venture” firmando em 2005. Com o intuito de permitir uma melhor compreensão dos fatos ocorridos, considero pertinente transcrever o seguinte trecho do acórdão de piso, fls. 19911992: A Leonvin Participações fora constituída em 10/12/2004, tendo por sócios Jobelino Vitoriano Locateli e José Tavares de Lucena e por capital social o irrisório valor de R$ 1.000,00. Em 11/01/2005, processouse a primeira alteração contratual, retirandose da sociedade os primitivos sócios e ingressando as pessoas jurídicas denominadas Bebidas Latinas Ltd e Abacus (Nominees) Limited, ambas sociedades organizadas de acordo com as leis da Ilha Jersey, com sede em Motte Chambers, St. Helier, Jersey. As duas pessoas jurídicas foram constituídas na mesma data. O antigo sócio da Leonvin, Jobelino Vitoriano Locateli, embora tendo se retirado formalmente da sociedade, não se afastou dela, pois foi designado diretor da empresa. Em 13/01/2005, deuse a segunda alteração do contrato social, designandose para a função de diretor Ricardo Torres de Mello, que já exercia na Impugnante idêntica função. Em 24/01/2005, o conselho de administração da Impugnante deliberou a emissão de 10.066.666 ações ordinárias, com preço de emissão de R$ 13.450,03 (sic) por ação, perfazendo um investimento no montante de R$ 135.400.000,00, dos quais R$ 125.333.334,00 a título de ágio fundado em expectativa de rentabilidade futura. As ações foram subscritas e o valor integralizado, no mesmo dia, pela Leonvin, mediante transferência bancária para a conta da Impugnante. Também na mesma data, 24/01/2005, foi alterado o capital social da Leonvin para R$ 135.925.000,00, sendo ela autorizada a adquirir 40% do capital da Impugnante. Posteriormente, Ricardo Torres de Mello assinou como mandatário de Bebidas Latinas Ltd e de Abacus (Nominees) Limited a deliberação de reduzir o capital social da Leonvin em R$ 2.900.000,00. Em 01/09/2007, deuse a aprovação da incorporação da Leonvin Participações Ltda. pela Impugnante, Renosa Indústria Brasileira de Bebidas Ltda. Essas circunstâncias levaram a Fiscalização a concluir que a pessoa jurídica Leonvin Participações Ltda. fora criada sem fundamentação econômica e sem objeto social de fato, com o único propósito de reduzir artificialmente a tributação, servindo como “empresaveículo” para transferir o investimento Fl. 2468DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 16 realizado diretamente na Impugnante, ensejando a dedutibilidade do ágio. [...] A Fiscalização apontou vários elementos fáticos que reforçariam a suspeita de simulação na constituição da pessoa jurídica Leonvin Participações Ltda. Eis os fatos: 1 A ata da reunião do conselho de administração da Impugnante, realizada em janeiro de 2005, faz referência a um acordo de acionistas (shareholders agreement), firmado pelos acionistas, entre os quais a Leonvin. Igualmente, a ata da reunião do conselho de administração da empresa Refrigerantes Noroeste S.A. (detentora de parte do capital social da Impugnante), ocorrida em 26/12/2004, também menciona o acordo firmado pela Leonvin. Entretanto, analisando os instrumentos dos acordos acima referidos, constatou a Fiscalização que em nenhum deles constava a Leonvin. 2 A Leonvin Participações Ltda. foi criada três dias antes da celebração do acordo de joint venture que deliberou o ingresso dos investidores no capital da Impugnante, fato que, no entender da Fiscalização, deixa ver o real propósito da criação da Leonvin. 3 A quarta alteração contratual da Leonvin reduziulhe o capital social, restituindo os respectivos valores às sócias Bebidas Latinas Ltd e Abacus (Nominees) Limited. O extrato da reunião foi publicado no Diário Oficial Empresarial do Estado de São Paulo. A consulta a tal publicação, entretanto, revela que os valores foram restituídos efetivamente a Jobelino Vitoriano Locateli e Ricardo Torres de Mello e não às pessoas jurídica que formalmente detinham participação no capital da Leonvin, o que, para a Fiscalização, evidencia que Bebidas Latinas e Abacus (Nominees) eram “empresas de papel”. 4 Não existe, em nome da Leonvin, nenhum recolhimento de FGTS e contribuição previdenciária, nem mesmo pelo trabalho supostamente prestado por Jobelino Vitoriano Locateli e Ricardo Torres de Mello. 5 Inicialmente a Leonvin tinha como um dos sócios Jobelino Vitorino Locateli, o qual, de acordo com consulta feita ao sistema de dados da Receita Federal, figura como responsável por 198 empresas, das quais várias com sede no exterior e outras inativas. 6 Pouco mais de um mês depois da criação da Leonvin, Ricardo Torres de Mello passa a exercer simultaneamente o cargo de diretor da Leonvin e da Impugnante. 7 Durante todo o período de sua existência formal, a Leonvin só registrou fatos modificativos e permutativos ligados ao investimento na Impugnante. Nunca auferiu receitas da atividade operacional. 8 A Leonvin apresentou, em fevereiro e março de 2006, duas declarações de empresa inativa. Fl. 2469DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 1401001.241 S1C4T1 Fl. 10 17 9 Os recursos investidos na Impugnante provêm da empresa Forsab Investiments (Proprietary) Limited. 10 A partir da data do aporte de capitais na Impugnante, passaram a compor o seu conselho de administração Philippe Hugo Gutsche e Alan David Cook. Com base nestes amplo conjunto de fatos, os autuantes concluíram que: a) a participação da LEONVIN nesta sequência de operações teve o único propósito de reduzir o pagamento do IRPJ e da CSLL, mediante amortização de “ágio de si mesma” por parte da RENOSA. No caso, estaria claramente evidenciado o negócio jurídico simulado. b) a pessoa jurídica Leonvin Participações Ltda. foi criada sem fundamentação econômica e sem objeto social de fato, com o único propósito de reduzir artificialmente a tributação, servindo como “empresaveículo” para transferir o investimento realizado diretamente na Impugnante, ensejando a dedutibilidade do ágio. c) não houve operação de aquisição de ações da Impugnante pela Leonvin. O negócio jurídico se estabeleceu entre a controladora da Impugnante, Refrigerantes do Noroeste S.A. e a Companhia Forsab Investments (Proprietary) Limited. d) o acordo de joint venture entre a Refrigerantes do Noroeste e a Forsab deixa evidenciado que a Leonvin é subsidiária da Forsab. e) o acordo de joint venture define que as partes no negócio são a Refrigerantes do Noroeste, a Forsab e a Impugnante (Renosa Indústria Brasileira de Bebidas S.A.). f) o Ato de Concentração – AC nº 08012.000240/200508 diz respeito à operação de constituição pelas requerentes, Refrigerantes do Noroeste S.A. e Forsab, de uma joint venture para atuar principalmente na indústria de bebidas (engarrafamento de refrigerantes). g) a titular da participação acionária sempre foi a Forsab Investments (Proprietary) Limited. Assim sendo, a resolução da presente lide resumese a analisar se o presente ágio, criado em sucessivas operações societárias (realizadas entre partes relacionadas), atendeu aos pressupostos legais de sua dedutibilidade na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da Renosa. Ao se proceder esta análise, devese levar em conta que a pessoa jurídica objeto de reavaliação (RENOSA) foi, exatamente, a mesma pessoa jurídica que posteriormente pretendeu deduzir o ágio na apuração da base de cálculo dos tributos devidos (“ágio de si mesma”). A situação sob análise não é nova para este colegiado. Na verdade, o julgamento de situações desta natureza é fenômeno relativamente antigo e bastante frequente neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que já produziu caudalosa e consistente jurisprudência sobre o tema. Fl. 2470DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 18 Antes, contudo, de partir para a análise da jurisprudência, visando sua aplicação analógica ao presente caso, julgo conveniente proceder um breve resumo das opiniões doutrinárias prevalecentes sobre a matéria. Por se tratar de uma análise resumida, vou me limitar a analisar o magistério de Marco Aurélio Greco, reconhecido como uma das maiores autoridades neste assunto. Em sua magistral obra Planejamento Tributário (São Paulo, Dialética, 2004), o festejado doutrinador apresenta um conjunto de situações ou operações que, segundo ele, merecem uma atenção particular do intérprete, antes que se possa considerálas como procedimentos autênticos de planejamento tributário. A título meramente ilustrativo, sintetizo as aludidas operações: (a) Operações estruturadas em seqüência (step transactions), (b) Operações invertidas, (c) Operações entre partes relacionadas; (d) Uso de sociedadesveículo (conduit companies, sociedades aparentes; sociedades fictícias; sociedades efêmeras; interpostas pessoas); (e) Deslocamento da base tributável; (f) Substituições jurídicas; (g) Neutralização de efeitos indesejáveis; (h) Ingresso de sócio seguido de cisão seletiva; (i) Ágio de si mesmo; (j) Empréstimo ao invés de investimento; (k) Operações interestaduais de ICMS sem trânsito; (1) Criação de distribuidoras e base de cálculo do IPI; (m) Autonomização de operações; (n) Outras (ato normal de gestão, negócios indiretos ou fiduciários, redesenhos societários sucessivos, operações recíprocas). Não é preciso muito esforço para verificar que, no presente caso, claramente ocorreram pelo menos cinco dessas situações nebulosas, quais sejam: (1) Operações estruturadas em seqüência (step transactions), (2) Operações invertidas, (3) Operações entre partes relacionadas; (4) Uso de sociedadesveículo (conduit companies); (5) Ágio de si mesmo. Passo a analisar brevemente cada uma destas ocorrências. Operações estruturadas em sequência (step transactions) As operações ocorridas no presente caso claramente constituem operações estruturadas em seqüência, ou seja, uma seqüência de etapas em que cada uma corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial encadeado com a etapa subsequente, com o único objetivo de buscar um efeito fiscal mais favorável, em desconformidade com a lei. Cada etapa dessa cadeia de operações estruturadas só faz sentido caso exista a etapa anterior e caso seja também deflagrada a operação posterior. Uma operação estruturada como a que ora está sendo examinada indica a existência de uni objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto, indicando, também, uma causa jurídica única. Nesta hipótese, cumpre examinar se há motivos autônomos ou não, pois se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. No caso examinado, nenhum motivo autônomo se apresenta nos autos que venha a justificar a realização de cada uma das etapas da operação. Isto é, não existia uma finalidade diferente para cada etapa das operações. A finalidade era uma única e somente seria obtida ao término de todas as etapas. Tais circunstâncias exigem que a operação seja apreciada como um todo sem que se perca de vista, no entanto, as peculiaridades de cada etapa que integra a operação global. Fl. 2471DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 1401001.241 S1C4T1 Fl. 11 19 Segundo as sábias palavras de Marco Aurélio Greco, “ [...] ao invés de analisar cada fotografia (etapa) é importante analisar o filme (conjunto delas). Mais do que um evento (etapa) é importante interpretar a estória (conjunto)." No caso em análise, o conjunto dessas etapas (aumento de capital acionário, criação de ágio em operação envolvendo empresas relacionadas, utilização de empresa veículo e posterior incorporação reversa) corresponde apenas a uma pluralidade de meios para atingir um único fim: a dedutibilidade do ágio pela própria pessoa jurídica que foi reavaliada (no caso a RENOSA, ora recorrente). Diante deste quadro, é preciso analisar também qual a situação existente antes da deflagração da seqüência de etapas e qual a situação final resultante da última das etapas. Desse modo, só assim será assegurado um exame abrangente de uma operação complexa, subdividida em múltiplas etapas que são meros segmentos de uma operação maior, de modo a verificar, na realidade, qual a operação que se está pretendendo opor ao Fisco (a complexa ou cada parte da operação). No caso concreto, vale ressaltar que, antes do início da seqüência de operações societárias, a sua controladora NOROESTE havia firmado um acordo de “Joint Venture” com a pessoa jurídica sulafricana FORSAB, com a anuência da RENOSA. Por meio deste acordo, a FORSAB se comprometia a aplicar recursos na RENOSA, recebendo, em troca, 40% de sua participação societária. Importante observar que, apenas 3 (três) dias antes da assinatura desse acordo de “JointVenture”, foi criada a pessoa jurídica LEONVIN, que futuramente viria a ser utilizada como empresa veículo. Ao final de toda a cadeia de operações, a FORSAB passou a deter 40% de participação societária da RENOSA, exatamente como previsto no contrato de “Joint Venture” firmando em 2005. Em resumo: a situação planejada antes do início da operação foi efetivamente alcançada após o seu término. No entanto, ao invés da FORSAB adquirir diretamente a parcela de 40% de participação societária na RENOSA, o grupo econômico optou por fazer uma série de operações intermediárias, utilizando a LEONVIN como empresa veículo. Outro elemento importante nestas operações em etapas diz respeito ao tempo decorrido entre cada uma delas. Vale dizer, quanto tempo deve transcorrer entre as etapas para que seja possível considerar cada uma delas separadamente como operações autônomas e, portanto, com efeitos próprios em relação ao Fisco? Não há uma resposta objetiva predeterminada. Serão as circunstâncias fáticas de cada caso concreto que indicarão se um negócio jurídico celebrado ou uma alteração societária implementado será ou não considerada etapa de operação mais ampla ou se terá a feição de operação isolada. Na situação sob análise, chama atenção o fato de que transcorreram apenas 54 dias entre o evento de incorporação reversa da LEONVIN (por parte da RENOSA) e a posterior transferência de 40% da participação da RENOSA para a FORSAB. Fl. 2472DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 20 Nenhum evento externo ocorreu que justificasse a seqüência dessas operações societárias em espaço de tempo tão exíguo (54 dias). A premência com que essas operações foram realizadas denotam, claramente, que elas faziam parte de uma seqüência de etapas, encadeadas com as anteriores, visando a busca de um fim determinado, sem nenhum evento externo que justificasse a altíssima velocidade com que as operações foram realizadas. Operações invertidas Outra operação considerada nebulosa pelo Professor Greco é aquela que ocorre de maneira inversa à habitual, tal como a que ora se apresenta nos autos (incorporação da controladora pela controlada). Segundo a visão do Professor Greco, os institutos jurídicos são desenhados para regular situações que, na vida comum em sociedade, se apresentam como o que freqüentemente ocorre, levando em consideração as características e qualidades dos respectivos participantes. Num grupo societário em que uma pessoa jurídica controla outra, caso haja necessidade de reunião de ambas num único empreendimento, o caminho que a experiência aponta corno natural é a controladora incorporar sua controlada e não o inverso (incorporação às avessas ou incorporação reversa). A legislação reconhece esta figura de caráter inverso (controlada incorporando a controladora), como o artigo 264 da Lei das Sociedades Anônimas que apresenta regras de avaliação para essa hipótese, mas tal fato não afasta a relevância das circunstâncias que podem cercar o caso concreto. Afinal, esta operação inversa pode, eventualmente, estar sendo realizada abusivamente ou como negócio indireto em fraude à lei (salva não à lei societária que regula a incorporação, mas à lei tributária ou outra lei relevante aplicável ao caso concreto). A incorporação às avessas apresentase como hipótese fora do perfil objetivo do instituto jurídico e, por isso, demanda uma razão específica relevante que afaste a estranheza da operação e que mostre sua perfeita adequação à realidade fálica do caso. No caso em análise, em etapa anterior à "incorporação reversa", a FORSAB, por meio de suas subsidiárias estrangeiras BEBIDAS LATINAS LTDA e ABACUS, aumentou o capital da LEONVIN em R$ 135.924.000,00. Ato contínuo, a LEONVIN utilizou esses recursos para adquirir 40% de participação societária na RENOSA, com a criação de um ágio no valor de R$ 125.333.334,00. Ato contínuo, a RENOSA absorveu a pessoa jurídica que detinha 40% do seu capital social (LEONVIN). Desta forma, a LEONVIN (criada 3 dias antes da assinatura do termo de “Joint Venture” entre a controladora da RENOSA e a FORSAB), desapareceu do mundo jurídico, deixando como única “herança” para a RENOSA (ora recorrente) o expressivo valor de R$ 125.333.334,00, contabilizados a título de ágio (“ágio de si mesma”). Em sede recursal, a contribuinte alegou que esta estranha operação de "incorporação reversa" teria possibilitado a expansão do grupo no Brasil. No entanto, a mesma situação societária teria sido obtida mediante a aquisição direta, pela FORSAB, da parcel de 40% de participação societária da RENOSA (obviamente, sem a criação do “ágio de si mesmo” nesta última). Devese ter em conta, ainda, que a LEONVIN sempre foi uma pessoa jurídica com existência meramente formal, posto quer só registrou fatos modificativos e permutativos Fl. 2473DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 1401001.241 S1C4T1 Fl. 12 21 ligados ao investimento na própria RENOSA. A LEOVIN nunca auferiu receitas da atividade operacional e somente apresentou (em fevereiro e março de 2006), duas declarações de empresa inativa. Ao término das estranhas operações societárias, a LEOVIN (empresa veículo) foi extinta por incorporação, deixando de existir no mundo jurídico. Este fato, por si só, reforça a convicção que, no contexto das operações sob análise, a única função da LEOVIN foi a de viabilizar a criação e transferência do ágio para a RENOSA. Tal fato será melhor analisado em tópico específico do presente voto, intitulado “uso de sociedades veículo”. Operações entre partes relacionadas As operações entre partes relacionadas, segundo o magistério de Marco Aurélio Greco, merecem cuidadosa análise, tendo em vista a real possibilidade de que a causa da operação vise unicamente obter algum efeito tributário intragrupo e não uma razão econômica efetiva de mercado. Segundo Greco, quando se está analisando operações entre pessoas jurídicas de um mesmo grupo societário, não se pode ignorar que esta simples circunstância faz com que existam interesses comuns no relacionamento entre seus membros. Neste sentido, o festejado Professor Greco alerta que merece atenção a ocorrência de alterações formais de titularidade patrimonial ou de atribuição de direitos e deveres, mas que, em última análise, por ser o mesmo grupo não causam alterações substanciais. Isto é, operações mediante as quais jurídica e patrimonialmente o grupo permanece inalterado, tal como no caso presente; a única conseqüência relevante é que o Fisco deixa de receber determinado tributo. Da análise de todos os fatos e documentos trazidos aos autos, constatase que cada etapa que compôs a operação completa de planejamento tributário, se examinada individualmente, observou a legislação societária que rege a matéria. No entanto, se as sucessivas operações forem analisadas como um todo, facilmente se constata que em cada etapa houve mera transferência escritural de ações, visando o objetivo final de dedução da amortização do ágio, sem que o ágio embutido nessas ações em nenhum momento tenha sido pago. Ao término de toda a cadeia de operações societárias, o ágio refletido no valor nominal das cotas da RENOSA (ora recorrente) retornou a ela. A contínua – quase frenética transferência de participações societárias chegou ao seu final sem que em nenhuma etapa tivesse havido pagamento efetivo do ágio agregado ao valor das ações. Ao final de toda essa cadeia de operações, tudo resultou inalterado, no que tange à composição societária da RENOSA. O único efeito concreto e relevante é que o Fisco deixaria de receber determinados tributos. Tal fato ilícito somente foi evitado mediante a pronta atuação das autoridades fiscais, que desvendaram o propósito destas operações encadeadas e, ao final, lavraram os presentes autos de infração, para exigir o valor dos tributos que deixaram de ser recolhidos. Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 22 Em resumo: do exame do conjunto das diversas etapas da operação, constato que a finalidade econômica da incorporação realizada pela interessada restou desfigurada, distorcida, ainda que tenha sido observada a legislação societária. Isto porque, sob o ponto de vista econômico, em decorrência da amortização do ágio registrado pela interessada, o único efeito prático das operações realizadas foi a redução ilegal da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Por todas as razões expostas, é forçoso concluir que a situação descrita é totalmente atípica, contrariando totalmente a “ordem natural das coisas”. Uso de sociedadesveículo (conduit companies) Segundo a doutrina de Marco Aurélio Greco, empresa de passagem é uma pessoa jurídica utilizada apenas para servir como canal de passagem de um patrimônio ou de dinheiro, sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto. Tratase de uma operação que serve apenas para transitar um patrimônio ou um determinado recurso. No presente caso, a única função da LEONVIN no conjunto de operações realizadas foi servir de veículo para a criação do ágio e sua quase imediata transferência à própria pessoa jurídica reavaliada (CVI Refrigerantes, ora recorrente). A FORSAB desejava adquirir 40% da participação societária da RENOSA. No entanto, em vez de simplesmente adquirir tal participação diretamente, optou por aumentar o capital da LEONVIN (empresa veículo), que imediatamente adquiriu para si os 40% de participação societária na RENOSA. Nessa operação, a LEONVIN registrou um ágio no valor de R$ 125.333.334,00. Por fim, a RENOSA praticou a chamada “incorporação reversa”, incorporando a LEONVIN e absorvendo para o si o ágio anteriormente pago sobre a aquisição de parte de sua própria participação societária (“ágio de si mesmo”). Como se percebe, ao término destas operações, a LEONVIN (empresa veículo) foi extinta por incorporação, deixando de existir no mundo jurídico. Este fato, por si só, reforça a convicção que, no contexto das operações sob análise, a única função da LEONVIN foi a de viabilizar a criação e transferência do ágio para a RENOSA. Ágio de si mesmo Segundo o Professor Greco, por vezes, quando uma pessoa jurídica adquire determinada participação societária o faz com ágio, pois o valor da aquisição é superior ao respectivo valor de patrimônio liquido. Ocorre que, em um momento posterior à aquisição é feita uma incorporação às avessas que gera uma situação curiosa em relação ao ágio na aquisição da participação societária. O ágio tem por objeto uma participação societária de titularidade da controladora, que representa fração do capital da pessoa jurídica controlada à qual ele se reporta. Na medida em que a controlada incorpora a controladora, desaparece o sujeito jurídico titular da participação societária. Assim, caso preservado, o montante do ágio passaria a estar dentro da incorporadora (antiga controlada), possuindo como origem um elemento que agora integra a própria incorporadora. Seria um "ágio de si mesmo", o que sugere uma preocupação quando se analisa caso concreto que apresente este feitio. De fato, anteriormente à incorporação reversa, a LEONVIN (empresa veículo) era o sujeito jurídico titular da participação societária na RENOSA (empresa controlada, ora recorrente), bem como do ágio decorrente da reavaliação desta última. Fl. 2475DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 1401001.241 S1C4T1 Fl. 13 23 No entanto, por meio da operação de incorporação reversa, a RENOSA (antiga controlada) fez desaparecer a LEONVIN (antiga controladora), transferindo para dentro de si mesma o montante do ágio, cuja origem seria a sua própria reavaliação. Tal fato, por si só, demonstra a patente irregularidade destas operações societárias, quando analisada em conjunto (não obstante sua aparente regularidade, quando analisadas individualmente). Considerações finais Importante observar que nunca houve efetivo pagamento de ágio, em nenhuma etapa deste pretenso procedimento de planejamento tributário. Houve apenas uma reavaliação da CVI Refrigerantes, seguida de uma frenética “troca de ações”, cujo valor nominal refletiu o ágio correspondente à reavaliação da empresa. Desse modo, a participação societária sempre permaneceu a mesma, mudando apenas de "aparência". O investimento e o ágio refletido no valor nominal das ações retornaram à pessoa jurídica original — a RENOSA, ora recorrente e a contínua transferência e troca de ações teve como único efeito o não pagamento efetivo dos tributos sobre o ágio agregado ao valor das ações. Em suma, do exame do conjunto das diversas etapas da operação, salta aos olhos que a finalidade econômica da incorporação realizada pela interessada restou desfigurada, distorcida, ainda que tenha sido formalmente observada a legislação societária. Não obstante a possibilidade de amortização do ágio antes que ocorra a alienação ou liquidação do investimento se caracterize como beneficio fiscal outorgado pela lei, é óbvio que o beneficio se aplica às reais hipóteses de aquisição de investimento com ágio, não àquelas em que tenha havido uma artificial estruturação para possibilitar o aparecimento do ágio a ser amortizado em futura incorporação, com o único objetivo de criar despesas dedutiveis. A reorganização societária, para ser legítima, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. Há que se perquirir se os atos praticados são reais, e não artificalmente criados. Essa análise não há que ser feita para cada negócio isoladamente, mas em relação ao conjunto de negócios encadeados, como um todo. Para distinguir a elisão da evasão, em trabalho publicado em 1977, Ricardo Mariz de Oliveira (in Fundamentos do Imposto de Renda", Ed. Revista dos Tribunais, p. 303) ressaltou que a elisão deve decorrer de atos ou omissões que não contrariem a lei, e de atos ou omissões efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. Essa lição foi repetida em publicação mais recente ("Questões Relevantes, Atualidades e Planejamento com Imposto Sobre a Renda", Anais do 13° Simpósio IOB de Direito Tributário, IOB, 2004) nos seguintes termos (grifado): A elisão fiscal lícita, buscada pelo planejamento tributário, diferenciase da evasão .fiscal ilícita por três e apenas três elementos: (I) decorrer de atos ou omissões da pessoa (que não é Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 24 contribuinte) anteriores à ocorrência dofato gerador da obrigação que ela quer elidir, (2) decorrer de atos ou omissões confirmes à lei, e (3) decorrer de atos ou omissões reais e não simulados. No mesmo trabalho, comentou Mariz: A simulação, que vicia o ato jurídico e invalida a economia tributária pretendida [...] se prova pela densidade de indícios e circunstâncias, que a jurisprudência administrativa vem aplicando com bastante sabedoria, tais como: a proximidade temporal de atos; a disparidade infundada de valores entre eles; o desfazimento dos efeitos do ato simulado; a prática de certos atos entre partes ligadas, por exemplo, ao final do períodobase de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, com a transferência incabível e inexplicável de lucro de uma pessoa jurídica lucrativa para outra deficitária; a existência ou inexistência de outra causa econômica além da economia fiscal; a exagerada arrumação dos fatos. É de todo evidente que o conjunto de operações descritas no presente processo foi articulada pelas pessoas físicas que, direta ou indiretamente, controlam o capital das empresas envolvidas, para criar, formalmente, uma situação que se enquadrasse na possibilidade de deduzir despesas de amortização de ágio, advinda com a publicação da Lei n° 10.637/02. A sucessão dos atos, a inexistência de fluxo financeiro, a proximidade temporal entre eles e a extinção da empresa LEONVIN por incorporação reversa revelam que nunca houve a intenção real de aumentar o capital social da LEONVIN para efetivamente operar segundo seu objetivo social, mas sim de criar uma situação efêmera, de passagem, que possibilitasse um registro de ágio a ser amortizado por empresa do grupo (no caso, a RENOSA, ora recorrente). Em sua peça recursal, a contribuinte alegou que as operações societárias em tela tiveram finalidades negociais, além da mera redução da incidência tributária. No entanto, a inquestionável realidade é que se a FORSAB adquirisse diretamente a participação de 40% no capital da RENOSA (conforme previamente acordado pela controladora da RENOSA (NOROESTE) e a FORSAB) não haveria a formação do ágio dedutível, segundo a legislação brasileira. Por todas as razões expostas, nada do que foi trazido no recurso sensibiliza meu espírito a ponto de produzir dúvida quanto à inexistência de fato da elevação do capital da LEONVIN. Tal operação foi constituída exclusivamente para possibilitar a formação de um ágio, passível de gerar despesa de amortização. E a referida operação foi rapidamente seguida de uma incorporação reversa, visando a transferência do aludido ágio para a própria pessoa jurídica reavaliada, que foi a RENOSA (ora recorrente). Sobre o tema, a Procuradoria da Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, expôs de maneira muito objetiva o desvirtamento ocorrido no processo de criação do presente ágio (fls. 2433 2434 de sua manifestação): Com a seqüência de operações societárias realizadas, o recorrente tornou certa uma rentabilidade futura e incerta, além de têla excluído da tributação do IRPJ e da CSLL. Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 1401001.241 S1C4T1 Fl. 14 25 Como conseqüência das operações realizadas, a RENOSA considerou perdido o lucro futuro e incerto que ela própria iria auferir, e, em razão da exclusão desse investimento nela mesma, considerou que o artigo 386 do RIR/99 a permitiria deduzir a amortização desse ágio em sua conta de resultado. Em outros termos, a RENOSA considerou como perda o cancelamento do seu próprio lucro futuro! Como já explanado, essa não é a intenção da legislação tributária aplicável. Mostrase assim, que, por meio da simulação praticada pelo contribuinte, ele tentou fazer parecer real um investimento inexistente com o fim específico de gerar uma vantagem fiscal indevida. A simulação resta inequívoca uma vez que havia motivos à sua realização (criação de um benefício fiscal indevido), assim como, com a incorporação, o negócio realizado (aumento de capital decorrente de um investimento) não foi executado materialmente. Quanto à validade de negócios realizados entre partes coligadas, merece registro o seguinte ensinamento do autor EDMAR OLIVEIRA ANDRADE FILHO: (...). As operações em circuito fechado submetemse a um filtro de sinceridade; a validade das operações entre partes relacionadas requer que elas tenham sempre uma causa ou um conteúdo econômico e sejam efetivamente realizadas (...) Como pode ser visto, tais condições de validade aos negócios realizados entre coligadas não foram observadas pelo recorrente e o seu grupo econômico. Não houve qualquer “filtro de sinceridade” com a realidade. Conclusão De todo o exposto, concluo que conjunto dessas etapas (criação de ágio em operação envolvendo empresas relacionadas, utilização de empresa veículo e posterior incorporação reversa) correspondeu, de fato, a uma pluralidade de meios para atingir um único fim: a dedutibilidade do ágio pela própria pessoa jurídica que foi reavaliada (no caso a RENOSA, ora recorrente). Por esta razão, em relação a este tema, considero que o recurso voluntário não merece provimento. Adicional do IRPJ Analisando os autos, constato que não houve erro no cálculo do adicional do IRPJ, ao contrário do que apontou a recorrente. No caso de lançamento de ofício, para verificação da incidência do adicional, deve era considerado não apenas o valor do lucro apurado de ofício pelo Fisco, mas também o montante do lucro já declarado pelo contribuinte. Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 26 No caso em tela, constato que a recorrente já havia declarado, em todos os períodos, lucro superior a R$ 240.000,00. Consequentemente, nada mais restava excluir antes da incidência do adicional do IRPJ. Em outras palavras, no presente caso o adicional efetivamente deve incidir sobre o valor total da infração. Assim sendo, em relação a este tema, considero que o recurso voluntário não merece provimento. Adição do ágio à base de cálculo da CSLL Conforme bem apontado pela decisão de piso, fls. 2004, resta prejudicado o argumento da recorrente, no sentido de que não há base legal para exigirse a adição da despesa relativa à amortização de ágio, no que tange à CSLL. Afinal, no caso em apreço restou descaracterizada a própria existência do ágio, que era o pressuposto necessário para aquela despesa. Por esta razão, em relação a este tema, também considero que o recurso voluntário não merece provimento. Qualificação da multa No caso em apreço, não considero amplamente demonstrado o evidente intuito doloso do recorrente no sentido de “forçar” a dedução de despesa com a amortização de um ágio que, por inexistente, não poderia ser dedutível. Com base nos elementos constantes dos autos, não considero possível apontar, com plena certeza, a existência de simulação ou fraude que justificassem a exacerbação da penalidade. Para caracterizar simulação ou fraude é necessária a presença de dolo. Age com dolo aquele que, tendo ânimo de prejudicar alguém, adota conduta nesse sentido. No caso presente em apreço, contudo, é possível admitir que a contribuinte tenha agido com a plena convicção de que seu comportamento estava de acordo com a lei. Com base nestes fundamentos, considero ausente o elemento subjetivo na prática do ilícito, ou seja, a intenção de praticar o ato e de produzir o resultado. Ressalto, por oportuno, que na maioria dos lançamentos que versam sobre a presente matéria, a multa de ofício não é qualificada. Conseqüentemente, a desqualificação da multa se coaduna com a jurisprudência dominante neste colegiado. Assim, considero que no presente caso a multa qualificada é inaplicável, razão pela qual em relação a este tema o recurso voluntário merece ser provido, reduzindose a multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). Juros sobre multa Insurgese a Recorrente contra a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício. A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. É a inteligência dos Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10183.721770/201111 Acórdão n.º 1401001.241 S1C4T1 Fl. 15 27 artigos 3º e 113 do CTN, conjugado com art. 139 que assim dispõe “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” Ou seja, enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Por sua vez, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Em resumo, é cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Assim, não procede o argumento da Recorrente no sentido de afirmar que apenas a partir da existência do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Ora, tal previsão diz respeito à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, a teleologia de tal dispositivo legal vem a reboque de se ratificar a incidência dos juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa de ofício. O Conselheiro Alkmim foi muito feliz em sua explicação por ocasião do Acórdão 140100.155 no qual a referida matéria também foi enfrentada: (...) Seria o óbvio não conter referida previsão quando a multa é aplicada sobre crédito tributário não pago. Isso porque, ao contrário do que afirma a Recorrente, caso existisse tal previsão – de incidência de juros sobre multa , poderseia imaginar a dupla incidência dos juros, é dizer, uma sobre o crédito tributário e outra sobre a multa depois de formalizada. Em se tratando de tributo não pago, a multa deve incidir sobre a totalidade do crédito tributário que deixou de ser recolhido, incluindose nele a correção monetária e os juros. Assim, na verdade, não é o juros que incide sobre a multa, mas sim a multa que incide sobre o crédito tributário com juros e correção monetária. Diante do exposto, mantenho os juros de mora sobre a multa de ofício. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso, apenas para desqualificar a multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 28 Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 3/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
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Numero do processo: 15586.720024/2012-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, à luz do art. 62-A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012. Vencido o Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, que prosseguia no julgamento.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo de Assis Guerra, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: Não se aplica
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Omissão de receitas. IRPJ. Omissão de receitas com base em depósitos bancários não comprovados. Arbitramento do lucro. Multa qualificada e agravada. Responsabilidade tributária. Recorrentes Responsáveis solidários de SOUSA JESUS COMÉRCIO ATACADISTA DE CARNES E COUROS LTDA ME FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, à luz do art. 62A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012. Vencido o Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, que prosseguia no julgamento. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo de Assis Guerra, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .7 20 02 4/ 20 12 -6 4 Fl. 2353DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Resolução nº 1102000.166 S1C1T2 Fl. 2.354 2 Tratase de autos de infração cujos lançamentos fundaramse em omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Consoante o que consta no Termo de Verificação de Infração, considerando que o contribuinte não apresentou os livros e documentos solicitados, foram emitidas as requisições de informação sobre movimentação financeira (RMF) para a instituição com a qual o contribuinte efetuava suas operações bancárias (BANESTES). Em atendimento, a referida instituição remeteu os documentos e extratos bancários solicitados. A partir dos depósitos constantes destes extratos, cuja origem não teria sido comprovada, é que ficou configurada a mencionada receita omitida. O contribuinte apurou o Imposto de Renda com base na sistemática do SIMPLES (janeiro a junho de 2007) e SIMPLES NACIONAL (julho a dezembro de 2007). Em relação ao período de janeiro a junho de 2007, a forma de tributação adotada pelo Fisco para apuração do crédito tributário foi a mesma forma pela qual o contribuinte optou, ou seja, de acordo com a sistemática do SIMPLES FEDERAL. Foi, então, efetuado o lançamento de ofício dos tributos abrangidos pelo SIMPLES incidentes sobre os valores correspondentes às receitas omitidas. Quanto ao período de julho a dezembro de 2007, o contribuinte se enquadrou numa das hipóteses de exclusão de ofício do SIMPLES NACIONAL, razão pela qual foi declarada sua exclusão desse regime com efeitos a partir de 01/07/2007. Devido a isso e considerando que não foram apresentados os livros da escrituração contábil/fiscal, partiuse das receitas omitidas para o arbitramento do lucro e lançamento de ofício dos correspondentes tributos e seus reflexos. Diante dos fatos constatados, procedeuse também à qualificação e ao agravamento das multas aplicadas. Foram considerados solidariamente responsáveis pelo crédito tributário, mediante Termo de Sujeição Passiva Solidária, as seguintes pessoas físicas e jurídicas: Forte Boi Indústria de Alimentos LTDA (CNPJ: 05.975.865/000197) Valmir Pandolfi (CPF: 896.559.66704) Americo Groberio Neto (CPF: 557.541.55700) Apenas a empresa Forte Boi e o Sr. Valmir Pandolfi apresentaram impugnações, as quais contiveram o mesmo teor. Dentre outros argumentos, essas impugnações frisaram a impossibilidade de acesso pelo Fisco às informações bancárias protegidas pelo sigilo de dados sem a devida autorização judicial. O Acórdão nº 1252.968 da 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I julgou parcialmente procedentes os lançamentos e, quanto ao argumento destacado, assim se pronunciou o voto condutor do julgamento: Os impugnantes alegam que seria flagrantemente inconstitucional a presente autuação, em virtude da quebra de sigilo bancário, e que toda a documentação utilizada Fl. 2354DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Resolução nº 1102000.166 S1C1T2 Fl. 2.355 3 como base para fins de lançamento tributário estaria maculada e não poderia ser utilizada. Tais alegações não procedem. Em primeiro lugar, cabe registrar que as autoridades administrativas não têm competência para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei, já que tal competência está adstrita à esfera judicial. A seguir, citase ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes neste sentido. “NORMAS PROCESSUAIS – INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS – As autoridades administrativas, incluídas as que julgam litígios fiscais, não têm competência para decidir sobre argüição de inconstitucionalidade das leis, já que, nos termos do art. 102, I, da Constituição Federal/1988, tal competência é do Supremo Tribunal Federal”. (Ac. nº 10194.200 – 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). No caso em concreto, cabe esclarecer que é lícito ao Fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. A seguir, citase o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001: “Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.” Salientese que, in concreto, havia procedimento fiscal em curso quando foram solicitados os documentos às instituições financeiras. Esclareçase que o sujeito passivo foi cientificado do Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls.02/03) em 25/05/2010, através do Edital nº 135/2010 (fl. 04), sendo emitida a Requisição de Movimentação Financeira – RMF 09/07/2010, portanto com procedimento fiscal já em curso, estando a indispensabilidade da solicitação justificada na própria RMF (fls. 08/10). O Decreto 3.724/2001 regulamentou o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, tendo instituído a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), o que foi perfeitamente cumprido pela fiscalização. As informações foram prestadas à Secretaria da Receita Federal – SRF por diversas instituições financeiras em estrita observância aos dispositivos legais acima citados e ainda, ao art. 11, § 2º, da Lei nº 9.311/1996, art. 11, § 3º da mesma Lei, alterado pela Lei nº 10.174/2001 e art. 144, § 1º, da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN). Portanto, há previsão legal para quebra do sigilo bancário. O citado Acórdão também recorreu de ofício de sua decisão em razão do montante do crédito tributário exonerado. Fl. 2355DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Resolução nº 1102000.166 S1C1T2 Fl. 2.356 4 Novamente, as pessoas indicadas como sujeitos passivos solidários (a empresa Forte Boi e o Sr. Valmir Pandolfi) compareceram ao processo e interpuseram recursos voluntários, os quais contiveram o mesmo teor e, relativamente ao sigilo bancário, reforçam o argumento exposto nas impugnações. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Quanto à impossibilidade de acesso aos dados bancários, pelo Fisco, sem autorização judicial, este Colegiado tem decidido pelo sobrestamento dos feitos, em obediência ao que determina o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com as alterações das Portarias MF nº 446/2009 e 556/2010. Neste sentido, transcrevo trecho do voto condutor da decisão contida no processo nº 10630.720364/200721 (Resolução no 110200.088), da lavra do Ilustre Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, a qual firmou o entendimento deste Colegiado: Dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, no que diz respeito ao princípio da legalidade do qual a autoridade administrativa não pode se afastar, está questão inerente ao acesso dos dados bancários por parte da autoridade fiscal, que, no presente caso, se deu, ao menos parcialmente, por meio da emissão de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF às instituições financeiras, sem ordem judicial. Neste aspecto, sirvome das preciosas considerações feitas pelo conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva em excelente estudo sobre o tema, as quais abaixo transcrevo: “Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10052011. Ementa SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Fl. 2356DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Resolução nº 1102000.166 S1C1T2 Fl. 2.357 5 Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada em 28/01/2012, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários também está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontrase no artigo 543B, do CPC, o qual transcrevo: Fl. 2357DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Resolução nº 1102000.166 S1C1T2 Fl. 2.358 6 Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados. O sobrestamento decorre da lei. Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Fl. 2358DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Resolução nº 1102000.166 S1C1T2 Fl. 2.359 7 Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B, CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Há que se perceber a diferença entre: a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B, parágrafo único, do CPC) e; b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela em 15122010. Ainda sobre o tema, o MinistroRicardo Lewandowski, relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral, em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: Fl. 2359DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Resolução nº 1102000.166 S1C1T2 Fl. 2.360 8 “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a Fl. 2360DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Resolução nº 1102000.166 S1C1T2 Fl. 2.361 9 outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62A. ( ...) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficasse sobrestado, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314 RG/SP. No momento em que o Ministrorelator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, a conclusão a que chego é que tal procedimento corresponde ao sobrestamento previsto no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf.” Em razão dos fundamentos acima expostos e na esteira do entendimento deste Colegiado, entendo que se deva proceder ao sobrestamento do julgamento do presente feito até que transite em julgado a decisão a ser proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do Fl. 2361DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15586.720024/201264 Resolução nº 1102000.166 S1C1T2 Fl. 2.362 10 art. 543B, do Código de Processo Civil, acerca do acesso aos dados bancários, pelo Fisco, sem autorização judicial. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 2362DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 14041.001151/2007-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2302-003.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em acolher os Embargos de Declaração opostos para manter a nulidade do lançamento e identificar a natureza do vício como formal.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em acolher os Embargos de Declaração opostos para manter a nulidade do lançamento e identificar a natureza do vício como formal. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 11 51 /2 00 7- 98 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 2 Tratase de embargos opostos tempestivamente pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão que negou provimento ao recurso de ofício e decretou a nulidade do lançamento realizado. Entende a embargante que a decisão foi omissa quanto a caracterização do vício que ensejou a nulidade, devendo ser reconhecido, expressamente que este se constitui como vício formal, pois seu fulcro estaria centrado em fato procedimental. É o Relatório. Voto Tratase de embargos de declaração contra acórdão, amparado na existência de omissão na decisão. O Regimento Interno deste Órgão Colegiado prevê, em seu art. 65 e seguintes, o manejo de embargos declaratórios contra seus julgados que restarem omissos, obscuros ou contraditórios em algum de seus termos, sendo estes os requisitos indeclináveis para o acatamento dos declaratórios. Analisando as alegações da embargante e contrastandoa com o Acórdão guerreado concluímos que há razão na peça recursal, pois se afigura nítida omissão na qualificação do vício de erro na identificação do sujeito passivo. O Acórdão decide pela nulidade do lançamento, pela existência de vício, mas não conceitua o tipo de vício, conforme se depreende do trecho abaixo transcrito: Analisados os documentos e argumentos constantes dos autos, entendo que o Acórdão recorrido não merece qualquer reparo, pois há erro quanto à identificação do sujeito passivo, conforme se extrai do voto prolatado pelo i. Relator do decisum recorrido, Marcelo de Sousa Sá teles, que, peço licença para transcrever e adotar como razões de decidir: DA LEGITIMIDADE PASSIVA Verificase que a notificação foi lavrada em nome da Secretaria de Educação do Distrito Federal, órgão do Poder Executivo do Distrito Federal que não possui personalidade jurídica, já que esta é insita ao ente federado respectivo, ou seja, DISTRITO FEDERAL, nos moldes do art. 41, inciso I, do Código Civil. Neste diapasão os arts.340 e 639 da INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP n° 03, DE 14 DE JULHO DE 2005, in verbis: Art. 340. Os documentos de constituição do crédito previdenciário serão emitidos em nome da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, quando a Auditoria Fiscal se desenvolver nos órgãos públicos da administração direta (ministérios, assembléias legislativas, câmaras municipais, secretarias, órgãos do Poder Judiciário, dentre outros), sendo obrigatória a lavratura de documento de constituição de crédito distinto para cada órgão. Art. 639. Em se tratando de órgão da Administração Pública direta, a NFLD será lavrada em nome da União, do estado, do Distrito Federal ou do município, seguido da identificação do órgão, devendo constar do relatório fiscal a identificação do dirigente e respectivo período de gestão. Tal vicio, constante da capa da NFLD (fi.1) e demais anexos (fis.2130), macula sobremaneira o crédito levantado. Ademais, Fl. 265DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 14041.001151/200798 Acórdão n.º 2302003.565 S2C3T2 Fl. 3 3 Verificase que o ato processual anterior fiscalização também está viciado, ou seja, o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF (fis.31/32), uma vez que tal documento também foi emitido em nome do órgão e não em nome do Distrito Federal, seguido da identificação do órgão. O Código Tributário Nacional, o qual usamos subsidiariamente, dispõe: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrative constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcionaL" Do exposto, duas questões merecem ser destacadas: Primeiro, de que na constituição do crédito pelo lançamento, a identificação do sujeito passivo é requisito formal essencial e a incorreta identificação do mesmá toma nulo o lançamento. Segundo, que em sendo a atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigatória, não pode prescindir da observância da norma legal. Nesse sentido, também, a decisão administrativa emanada da 4' Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS, consubstanciada no acórdão n° 1557, de 22.07.2005, dispõe: "...temse que o lançamento fiscal é referente às contribuições sociais incidentes sobre as remunerações pagas pela Câmara Municipal aos servidores, a contribuintes individuais e vereadores. Assim, podese concluir que o crédito foi apurado na Câmara Municipal e não na Prefeitura Municipal, sendo dever da fiscalização lavrar a NFLD em nome do Município, todavia, seguido do órgão a que se refere, no caso em concreto, a Cámara Municipal, o que não ocorreu, acabando por viciar o lançamento. (.) Assim, podemos concluir que a observância das formalidades legais para a efetivação do lançamento fiscal por meio da lavratura da NFLD, é dever inarredável da fiscalização, e uma vez estando ao arrepio da legislação que o rege, implicará em nulidade da atividade fiscal desenvolvida, tornando imperioso se u reconhecimento pela instância superior. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO, para ANULAR A NFLD, para que outra seja lavrada, com observância das formalidades acima indicadas." Desta forma é nulo o lançamento por ser a Secretaria de Educação do Distrito Federal, parte ilegítima na obrigação tributária (art. 121 do CTN), já que não possui personalidade jurídica, por força do art. 267, inciso VI, parágrafo 3° do CPC, aplicado subsidiariamente ao procedimento fiscal por força do art. 38 da Portaria RFB n" 10.875, de 16 de agosto de 2007. Destarte, necessária a correção. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 4 Para a correção, precisamos analisar o recurso novamente. DA PRELIMINAR Quanto às preliminares, devemos analisar o tipo de vício existente quando na fiscalização de órgão público da administração direta, a constituição de crédito previdenciário não forfeita em nome da União, estado ou município,seguido da designação do órgão a que se refere. Sobre o vício praticado entendo ser o mesmo de natureza formal. Nos atos administrativos, como o lançamento tributário, por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro.1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. O vício material, por sua vez, no caso do ato administrativo de lançamento tributário é encontrado quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, vez que, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 14041.001151/200798 Acórdão n.º 2302003.565 S2C3T2 Fl. 4 5 deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Para ratificar esse entendimento destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” Nesse sentido, segue jurisprudência: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). Fl. 268DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 6 Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, pois não há dúvida no lançamento de que o fato gerador existiu. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da existência do fato gerador. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação ocorreu e que esse fato existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Por todo o exposto, entendo como formal o vício presente no erro na identificação do sujeito passivo. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em acolher os embargos propostos, para analisar o vício existente e conceituálo como formal, conforme o voto. Destarte, acato a preliminar por ocorrência de vício formal, ficando prejudicado o exame do mérito. Sala das Sessões, em 04 de dezembro de 2014 LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Relator Fl. 269DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10235.720040/2007-56
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE GLOSA -IMPRESCINDIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA
Quanto às áreas de preservação permanente, indispensável a apresentação do ADA para tornar regular a dedução das mesmas.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL - DESNECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA
Fundamentando-se o a respectiva glosa unicamente na falta de apresentação do ADA, é de se cancelar a mesma, tendo em vista a prescindibilidade deste documento para esta finalidade
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a glosa da área de utilização limitada (reserva legal), nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández que também excluía a glosa da área de preservação permanente.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 21/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello (Relator), Ronnie Soares Anderson, German Alejandro San Martin Fernandez e Jaci de Assis Junior. Ausente justificadamente a Conselheira Juliana Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE GLOSA -IMPRESCINDIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA Quanto às áreas de preservação permanente, indispensável a apresentação do ADA para tornar regular a dedução das mesmas. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL - DESNECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA Fundamentando-se o a respectiva glosa unicamente na falta de apresentação do ADA, é de se cancelar a mesma, tendo em vista a prescindibilidade deste documento para esta finalidade Recurso provido em parte.
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ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL DESNECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA Fundamentandose o a respectiva glosa unicamente na falta de apresentação do ADA, é de se cancelar a mesma, tendo em vista a prescindibilidade deste documento para esta finalidade Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a glosa da área de utilização limitada (reserva legal), nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández que também excluía a glosa da área de preservação permanente. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 72 00 40 /2 00 7- 56 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 EDITADO EM: 21/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello (Relator), Ronnie Soares Anderson, German Alejandro San Martin Fernandez e Jaci de Assis Junior. Ausente justificadamente a Conselheira Juliana Bandeira Toscano. Relatório Contra o contribuinte foi emitida Notificação de Lançamento, fls.01 e ss., do imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercício 2003, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Mangueiras”, localizado no Município de Chaves – PA, em razão das seguintes supostas infrações: glosa integral das áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal e rejeição do VTN declarado, que entendeu se subavaliado, tudo por falta de comprovação, apesar de regularmente intimado o contribuinte para apresentar os comprovantes respectivos. Cientificado do lançamento, o interessado protocolou sua impugnação (fls. 29 e ss.), acompanhada de documentos (fls. 45112), alegando o seguinte: descreve a situação fática da notificação de lançamento, notadamente as glosas das áreas ambientais declaradas como de preservação permanente e reserva legal, por falta do ADA e do arbitramento do VTN, por falta de entrega do Laudo de Avaliação; fundamenta a defesa afirmando não ser exigível o ADA para demonstrar a existência das áreas ambientais de preservação permanente e reserva legal, conforme jurisprudência do STJ;_ transcreve excertos do art. 10 da Lei 9393/96, notadamente o § 7o, introduzido pela MP 2.16667/2001, para afirmar que a própria Lei dispensou a apresentação do ADA para efeito de fruição do beneficio de considerar as áreas ambientais como isentas de tributação do ITR; que o dispositivo legal está em vigor desde 2001, data anterior ao lançamento fiscal ora contestado, afirmando que a comprovação prévia das áreas ambientais não é necessária, e que o contribuinte seria obrigado a recolher o tributo apenas se restar comprovado que sua declaração não é verdadeira; questiona a validade da norma legal, que não poderia dispor sobre matéria tributária, mesmo assim a exigência foi revogada pelo § 7°, anteriormente mencionado; que a declaração do contribuintë "não pode ser desconsiderada apenas de forma presumida, sendo necessário provar que a declaração não .é verdadeira; que somente com demonstração de que a realidade não condiz com a declaração do contribuinte é que o lançamento tributário seria valido; que desconhecia a necessidade do ADA, mas que tão logo tomou conhecimento da exigência tratou de protocolar o documento junto ao IBAMA, em 2007, conforme anexo; Fl. 155DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10235.720040/200756 Acórdão n.º 2802002.989 S2TE02 Fl. 155 3 transcreve excertos do RE 2004/00998650, do STJ, para consolidar a tese da desnecessidade de comprovação prévia das áreas ambientais; que mesmo sem o ADA, o contribuinte poderia fluir da isenção, pois é vedada a interpretação extensiva da norma de isenção; que a prova exigida — ADA é meramente declaratória e não constitutiva; que não existe amparo legal a exigência de Laudo de Avaliação nos moldes da NBR 14.6533 para demonstrar o valor da terra nua, nem mesmo instrução normativa da RFB, transcrevendo excertos do art. 10 da Lei 9393/96 para amparar sua tese; Em julgamento, a 1ª Turma da DRJ/BSB, em sessão realizada no dia 16/09/2009, a fls.122, por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento, revendo de ofício a área total do imóvel, nos termos de documentos dos autos, com base em erro de fato, admitindo o VTN nos termos do laudo apresentado pelo contribuinte e mantendo no mais o lançamento aos fundamentos de que devese manter a glosa de área de reserva legal e utilização limitada/preservação permanente em virtude da não apresentação do ADA tempestivamente protocolado. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl.137, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 138 e ss., atacando a decisão exarada pela DRJ, tão somente quanto à glosa de área de reserva legal e utilização limitada/preservação permanente, repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O recurso é tempestivo, razão pela qual conheço do mesmo no que tange à impugnação do lançamento com base na desconsideração das áreas de reserva legal e de preservação permanente apontadas pela contribuinte. Quanto as ementas de decisões colacionadas pelo Recorrente com o intuito de embasar seu entendimento, registrese que a autoridade administrativa julgadora não se encontra obrigada a se submeter a decisões, desprovidas de efeito erga omnes, envolvendo terceiros estranhos à controvérsia, podendo firmar seu livre convencimento na apreciação da matéria, em consonância com a legislação de regência a que se encontra vinculada. A apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA se tornou obrigatória, a partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000. Referida lei acrescentou à Lei 6938/81 o artigo 170, que dispõe, verbis: "Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — 1TR, com base em Ato Fl. 156DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n° 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo da Taxa de Vistoria § 1ºA A. Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído pela Lei nº 10.165, de 2000). § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. ( ) “ Assim sendo, para que o sujeito passivo possa se beneficiar da isenção do ITR relativa às áreas de preservação permanente a partir do exercício de 2001, deve apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA (ou, pelo menos, comprovar a protocolização do requerimento do mesmo no órgão competente na data legalmente estabelecida) Nos termos do art. 10, § 4º' da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997 e, para o exercício em questão, encontra se prevista na IN/SRF nº 256/2002, no Decreto nº 4.382/2002 – RITR (art. 10, § 3º, inciso I), tendo como fundamento o art. 17O da Lei 6.938/1981, em especial o caput e parágrafo 1º, cuja atual redação foi dada pelo art. 1º da Lei 10.165/2000, acima transcrito, o contribuinte teria o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao lbama. No caso presente, a não apresentação do ADA relativo ao exercício em tela, devidamente protocolado no prazo legal, fato admitido pelo contribuinte, é por si só razão suficiente para afastar a pretensão de ver restabelecida a dedução da área de utilização limitada de que trata os autos. Todavia, a exigência de apresentação de tal documento não possui o condão de fundamentar a glosa de área declarada pelo contribuinte como de utilização limitada ou de reserva legal, bastando para tanto sua averbação junto à matrícula do imóvel, fato que passou ao largo da fundamentação do lançamento. Isto posto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para excluir a glosa da área de utilização limitada, mantendose o lançamento quanto aos demais itens. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10665.003272/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1989 a 01/09/1995
PIS - COFINS - DECADÊNCIA -- Aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-002.138
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1989 a 01/09/1995 PIS - COFINS - DECADÊNCIA -- Aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1480; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.003272/200867 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.138 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2013 Matéria PIS/PASEP Recorrente CERÂMICA PARAPUAN LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1989 a 01/09/1995 PIS COFINS DECADÊNCIA Aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 32 72 /2 00 8- 67 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto por Cerâmica Parapuan Ltda contra Acórdão n. 0239.423, de 28 de maio de 2012 (fls. 416/422), proferido pela 1ª Turma da DRJ/BH, que manteve o indeferimento parcial (R$ 208.332,81) do direito creditório pleiteado (R$ 410.659,29), originário da ação judicial n.º 1998.38.00.046.1854, na qual a Contribuinte requereu a compensação de valores recolhidos indevidamente a título de PIS, por determinação dos Decretoslei 2.445 e 2.449, declarados inconstitucionais pelo STF. A sentença, transitada em julgado em 03 de março de 2005, declarou a inexistência de relação jurídicotributária fora das balizas da LC n° 07/70, reconhecendo às autoras o direitodever de recolhimento da contribuição ao PIS somente sobre o faturamento do sexto mês anterior, até a vigência da Medida Provisória n° 1212/95 e reedições, assim como assegurar o direito de compensar os valores indevidamente recolhidos, com as contribuições do próprio PIS, corrigidos monetariamente senão vejamos o dispositivo da sentença: “Sob esses fundamentos, JULGASE PROCEDENTE o pedido veiculado na Ação de Cerâmica Parapuan Ltda. e Cerâmica São Judas Tadeu Ltda. ajuizada em face da União (Fazenda Nacional), declarando a inexistência de relação jurídicotributária fora das balizas da LC n.° 07/70, reconhecendo às Autoras o direitodever de recolhimento da contribuição ao PIS somente sobre o faturamento do sexto mês anterior, até a vigência da Medida Provisória n.° 1.212/95 e reedições, assim como assegurar às Autoras o direito de compensar os valores (a que aludem as peças documentais entranhadas nos autos), indevidamente recolhidos, com as contribuições do próprio PIS, monetariamente corrigidos, com estrita observância ao comando da fundamentação retro e estrita observância aos limites materiais da Lei n. ° 8.383/91 com as subsequentes alterações (Leis n.`'s 9.069/95 e 9.250/95), bem como os limites percentuais posteriormente estabelecidos pelas Leis n.°s 9,032/95 e 9.129/95.” Dessa decisão apenas a Fazenda Nacional apresentou recurso de Apelação, requerendo a reforma da sentença e a aplicação dos mesmos índices de correção utilizados para o recolhimento, tendo o E. Tribunal Regional Federal da 1ª Região, à unanimidade, negado provimento ao presente Recurso. A União (Fazenda Nacional) interpôs Recurso Especial ao qual foi negado seguimento pelo STJ e, ainda, Agravo Regimental que foi improvido. Cabe destacar que a Contribuinte, em sede em Embargos de Declaração, buscou afastar a incidência do limite de 30%, imposta pela Lei n° 9.129/95, por não estar o PIS inserido no rol das contribuições devidas ao INSS. Nesse sentido, acolhidos os Embargos, restou assegurado à Contribuinte o seguinte direito creditório: Direito creditório compensável: pagamentos indevido do PIS, a partir de 17/12/1988, com base nos decretosleis n.s 2.445/88 e 2.449/88, que superou os valores devidos de acordo com a sistemática prevista pela Lei Complementar n° 7/70; Correção monetária: IPC, incluídos os expurgos inflacionários de jan/89 (42,72%), mar/90 (84,32%), abr/90 (44,80%), maio/90 (7,87%) e fev/91 (21,87%), até a vigência da Lei 9.250/95 e a partir de 1° de janeiro de 1996 pela taxa Selic. • Débitos Compensáveis: PIS. Após constituição do crédito tributário supramencionado, originário da ação judicial, a Contribuinte formalizou junto à Delegacia da Receita Fl. 443DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10665.003272/200867 Acórdão n.º 3301002.138 S3C3T1 Fl. 3 3 Federal do Brasil em Divinópolis, Minas Gerais, pedido de Habilitação de Crédito, transmitindo assim as PER/Dcomp’s listadas às fls 373/374. Contudo, para tal compensação a Contribuinte apurou o valor de R$ 410.659,29 (quatrocentos e dez mil seiscentos e cinquenta e nove reais e vinte e nove centavos), confrontado pela DRF Divinópolis que procedeu a valoração do aludido crédito, através do Despacho Decisório de fls. 369/375, reconhecendo à Contribuinte direito creditório original no valor de R$ 74.426,30 (setenta e quatro mil quatrocentos e vinte e seis reais e trinta centavos), atualizado até 31/12/1995 e, posteriormente de R$ 208.332,81 (duzentos e oito mil trezentos e trinta e três reais e oitenta e um centavos), atualizado até 11/11/2004, visto entender que a Contribuinte faz jus apenas a diferença entre os valores recolhidos com base nos DecretosLei n.º 2.445 e 2.449, ambos de 1988, e os apurados na forma da Lei Complementar 7/70 e alterações posteriores e não à totalidade do crédito. Desta feita, a DRF Divinópolis deferiu parcialmente o pedido de compensação da Contribuinte, homologando integralmente as Dcomp’s n.s 01 a 21, parcialmente a Dcomp de n.º 23 e não homologando as Dcomp’s de n.s 24 a 49, Face ao deferimento parcial de seu pedido de compensação, a Contribuinte apresentou, em 01/12/2008, Manifestação de Inconformidade (fls. 398/406), senão vejamos as argumentações abaixo sintetizadas: Óbvio então que toda a contribuição recolhida pela Recorrente, como expresso dos autos, foram procedidas em desacordo com o disposto na letra "b", do art. 3°, da Lei Complementar n° 7, de 07.09.70, com as alterações introduzidas pela Lei Complementar n° 17, de 12.12.73, salvo determinação de desconsiderar a decisão judicial transitada em julgado, determinação que se revela patente na medida em que da decisão recorrida expresso: Repisese que o crédito a que a interessada faz jus é tão somente a diferença entre os valores recolhidos com base nos Decretos Lei 2.445/88 e 2.449/88 e os apurados na forma da Lei Complementar 7/70 e alterações posteriores e não a totalidade do recolhimento. Não fosse o bastante, verificase dos quadros anexados decisão contra a qual adotada a presente manifestação de inconformidade, que os créditos não foram atualizados monetariamente, nem tampouco remunerados por juros equivalentes à SELIC da data dos pagamentos indevidos até a data do vencimento da obrigação tributária compensada, desconhecendose, para tanto, o comando imperativo decorrente de decisão judicial transitada em julgado, decisão essa que estabelece de forma clara, bem clara, que a atualização monetária deve incidir da data do recolhimento indevido até a compensação, pouco importando, no caso vertente, o contido em sede da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08, de 27.06.97. De outra feita, não se sabe porque, desconhecido que à Requerente assegurado o direito de restituição, via compensação, dos indébitos, aos quais devido os acréscimos atinentes a juros na razão de 1,00% (hum por cento), por mês decorridos, contados do trânsito em julgado da decisão correspondente, como expresso da cópias integral dos autos da ação de procedimento ordinário adotada contra a União Federal, direito esse assegurado pelo disposto no parágrafo primeiro, do art. 167, do Código Tributário Nacional. Impõese, assim, a pronta revisão da decisão proferida para determinar a revisão dos cálculos procedidos em razão da citada informação, acrescendo Fl. 444DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 se, por revisão, juros na razão de 1,00% (hum por cento) a contar da data do trânsito em julgado da decisão que determinou a restituição via compensação, juros esses que, além de devidos independentemente do que assegurado por decisão judicial transitada em julgado, devem incidir até a data da efetiva compensação na medida em que expressa a norma decorrente de lei materialmente complementar e, assim, hierarquicamente superior às disposições de lei materialmente ordinárias. Não fosse o bastante, desconhece a decisão de fls., que as restituições devem levar em conta para fins de incidência de atualização monetária, as datas dos respectivos recolhimentos, impondose, assim, a incidência prorata do respectivo índice, sob pena de reconhecer direito creditório por valor inferior ao efetivamente devido. Por sua vez, não pode deixar de ser verificado que as importâncias devidas à União Federal por contribuições devidas ao PIS Programa de Integração Social somente podem ser exigidas nos 5 (cinco) anos anteriores à formalização do Pedido de Restituição via Compensação, uma vez que a Fazenda Nacional, que insistia na cobrança nos critérios afastados pela decisão Judicial transitada em Julgado, deixou de formalizar, via lançamentos, as exigências com base na legislação própria e em vigor. Deixando decorrer o prazo para tanto óbvio que decai do seu direito de assim proceder e, assim, não pode agora, em sede de Pedido de Restituição via Compensação creditarse por valores vencidos a mais de cinco anos, desconhecendo, para tanto, a legislação relativa à decadência, corno de verse do disposto no art. 173, do Código Tributário Nacional. Impõese, assim, a revisão integral da decisão contra a qual adotada a presente Manifestação de Inconformidade na medida em que: a determinação do crédito reclama o integral atendimento do comando imperativo decorrente de decisão judicial transitada em julgado, em especial no que tange à atualização monetária e juros remuneratórios, esses devidos a contar do transito em julgado da informada decisão judicial; indevida a utilização do crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado para compensação de contribuição tida como devidas ao PIS Programa de Integração Social, fulminadas pela decadência. evidente assim que a decisão contra a qual adotado a presente MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, não guarda consonância para com o direito vigente, nem tampouco para com a decisão judicial transitada em julgado, cujo reconhecimento se impõe para, provendo a presente, restar determinado a revisão dos cálculos procedidos, ora pedido e requerido”. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e manteve o indeferimento parcial do direito pleiteado em acórdão com a seguinte com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1989 a 28/02/1996 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL – COISA JULGADA. A sentença definitiva em ação judicial produz efeitos nos estritos termos em que foi passada, sendo possíveis de compensação, até o limite do direito creditório, os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10665.003272/200867 Acórdão n.º 3301002.138 S3C3T1 Fl. 4 5 Cientificado do referido acórdão em 12 de junho de 2012 (fl. 434), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18 de junho de 2012 (fls. 435/440), defendendo, nos mesmos termos que a Manifestação de Inconformidade, que, quando a DRF em Divinópolis considera restituível apenas a diferença entre os valores recolhidos com base nos DecretosLei n.ºs 2.445/88 e 2.449/88 e os valores devidos nos termos da LC 7/70 está, na realidade, formalizando, em 11/11/2004, lançamento de oficio dos valores devidos pela Contribuinte com base na LC 7/70, já fulminados pela decadência uma vez que decorridos mais de 05 (cinco) anos dos fatos geradores, os quais ocorreram entre janeiro de 1989 e setembro de 1995. Assegura a Contribuinte que, nos termos do artigo 173, I, do CTN, a DRF, ao alocar parte dos créditos reconhecidos em benefício da interessada para liquidação de obrigações tributárias desta em face do PIS, devidas entre 01/89 e 09/95, o faz desconsiderando que as aludidas obrigações já se encontravam fulminadas pela decadência, nos termos do citado dispositivo legal, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; A Contribuinte reforça sua tese alegando que até 11/11/2004 a Fazenda Nacional não havia formalizado qualquer tipo de exigência referente à contribuição para o PIS com base na LC 7/70, não o podendo fazer, via transversa, lançamento daquela exigência e, ainda, via retenção, os respectivos pagamentos dos valores apontados como devidos. Diante de todo o exposto, pleiteia a Contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, que seja reconhecida a decadência das obrigações tributárias devidas ao PIS, por fatos geradores ocorridos entre 01/1989 a 09/1995, não se justificando, então, a retenção de parte dos créditos reconhecidos em favor da Contribuinte para se proceder, via transversa, o resgate ou pagamento de obrigações tributárias fulminadas pela decadência, determinandose a revisão dos cálculos procedidos. É o relatório. Voto Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Como observado no relatório, a Contribuinte constituiu crédito tributário, proveniente da ação judicial n.º 1998.38.00.046.1854, na qual requereu a compensação de valores recolhidos indevidamente a título de PIS, por determinação dos Decretoslei 2.445 e 2.449, declarados inconstitucionais pelo STF. Após deferimento parcial do aludido crédito, a Contribuinte se insurgiu, em sede de Manifestação de Inconformidade contra decisão da Delegacia da RF em Divinópolis, sob o argumento de que referida delegacia considera restituível apenas a diferença entre os valores recolhidos com base nos DecretosLeis n. 2445/88 e 2449/88 e os valores devidos nos termos do disposto da Lei Complementar n. 7/70. Observando o ato da delegacia de origem, podese afirmar que a delegacia estava, na realidade, formalizando em 11/11/04 um lançamento de ofício dos valores devidos pela Recorrente com base na Lei Complementar n. 7/70, já fulminados pela decadência na medida em que decorridos mais de 5 anos dos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1989 a setembro de 1995. Sendo assim, a questão que sobe para apreciação desse colegiado, fica delimitada apenas a questão da decadência do lançamento supracitado. Por sua vez, o contribuinte defendeu em seu recurso, que o CTN estabeleceu três fases distintas sobre decadência e prescrição: “a que vai até a notificação do lançamento ao sujeito passivo, em que ocorre o prazo decadência (art.173, I e II); a que se estende da notificação de lançamento até a data da solução do processo administrativo, em que não correm nem prazo de decadência, nem de prescrição, por estar suspenda a exigibilidade do crédito (art.151,III); e a que só começa na data da solução final do processo administrativo, quando corre prazo de prescrição da ação judicial da Fazenda (art. 174)”. Não basta, aqui, anunciarmos que ambas extinguem o crédito tributário e que a prescrição sucede a decadência no tempo, sem lacuna, servindo o lançamento como o termo responsável por dividir estes dois institutos: antes do lançamento flui o prazo decadencial e depois do lançamento iniciase a fluência do prazo prescricional. Nesta seara, a discussão que merece análise é o termo inicial do prazo decadencial para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é uma questão complicada, que vinha dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há anos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no atual CARF, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. Inicialmente, a jurisprudência se orientava no sentido de somar os prazos estabelecidos nos artigos 150, §4º e 173, I, ambos do CTN, originando a tese dos 5+5, entendimento já superado. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário Fl. 447DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10665.003272/200867 Acórdão n.º 3301002.138 S3C3T1 Fl. 5 7 estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a questão não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitivo a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrasse regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Fl. 448DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observando o acórdão do REsp nº 973.733/SC, verificase que essa decisão foi submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. No mesmo sentido, temos que o Supremo Tribunal Federal, valendose da sistemática prevista no art. 543B, do CPC, pacificou, no RE 566.621, o entendimento de que inconstitucional a atribuição de feitos retroativos ao art. 3º da Lei Complementar nº 118/05, devendo sua aplicação plena se restringir às ações ajuizadas a partir de 09.06.05: DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 1010 2011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) Destarte, devese aplicar ao presente caso o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos: Fl. 449DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10665.003272/200867 Acórdão n.º 3301002.138 S3C3T1 Fl. 6 9 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, é válido citar o recente julgado deste Conselho: “Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998 DECADÊNCIA PARA LANÇAR. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para Programa de Integração Social PISPasep é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento ou da compensação do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso Especial do Procurador Negado.” (Acórdão 9303002.285 – PROCESSO 10380731050201120 – 3ª SESSÃO – 4ª CAMARA). O caso concreto submetido à análise enquadrase perfeitamente ao precedente acima transcrito. Afinal, quando a Delegacia da Receita Federal em Divinópolis, em 11/11/2004, através do procedimento compensatório em questão, alocou parte dos créditos reconhecidos em prol da Recorrente para liquidação de obrigações tributárias desta em face do PIS, devidas entre 01/89 a 09/95, o faz desconsiderando que, em 11/11/2004, as ditas obrigações tributárias já se encontravam fulminadas pela decadência. Neste contexto, embora o pedido tenha sido transmitido antes da data fixada no referido precedente (09/06/2005) o que em tese se aplicaria a tese dos 5+5 para repetição, não se vislumbrando, assim, a prescrição, não resta dúvida que, relativamente aos recolhimentos contidos na DCOMP, referentes à 01/89 a 09/95, estes se encontram atingidos pela decadência, afetando o lançamento feito pela delegacia de origem. Conclusão Por todo o exposto, voto por NÃO DAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário. Fábia Regina Freitas Relator Fl. 450DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 CheckBox1 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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