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Numero do processo: 11853.000855/2011-87
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento ao recurso com o reconhecimento da ocorrência da denúncia espontânea. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento ao recurso com o reconhecimento da ocorrência da denúncia espontânea. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 3. 00 08 55 /2 01 1- 87 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes Fl. 60DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 0348.226, julgado na sessão de 10 de maio de 2012, pela 4ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Brasília, referente ao processo administrativo n° 11853.000855/201187, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, mantendose por conseguinte o Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Contra a contribuinte acima identificada foi formalizado Auto d e Infração relativo a cobrança de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon do mês de apuração de janeiro/20 06, no qual está sendo exigido o crédito tributário no valor de R$ 49.423,11. O enquadramento legal do lançamento é o art 7 o da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 5/9) ao lançamento alegando, em síntese, que de acordo com as imposições do Art 142 do CTN, o lançamento fiscal obrigatoriam ente deve conter elementos confirmatórios para a sua essência, e deixar clara a tipificação e fundamentação da origem da infraçãotributária. Observa que o inciso IV, art 10 do Dec. 70.235/72, obriga o autu ante a mencionar o dispositivo legal infringido pela contribuinte. No caso, a autoridade lançadora no campo 05 (descrição dos fa tos e fundamento legal) identificou a Lei nº10.246, de 24/04/2002 com fundamento para lançamento de multa por atraso na entreg a do Dacon, normativo este que não trata de penalidades tributárias e sim da Política Agrícola no País; capitulação imprópria que torna nulo o lançamento fiscal.Acrescenta que apresentou a Declaração em atraso, porém espontaneamente, nos termos do artigo 138 do CTN, não cabendo a aplicação de multa sancionatória ou moratória. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes nesse sentido, de não cabimento da multa. Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a presente impugnação e cancelado o débito fiscal reclamado. É o relatório. ” Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 5 4 A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DDF de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DDF conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS (DACON). ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração, intempestivamente, embora feito o rec olhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal,não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 21.06.2012, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls. 4953, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Relator Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, temos que o Despacho Decisório ora contestado não homologou a compensação declarada, sob o argumento de inexistência do crédito a compensar, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos da pessoa jurídica. Esclareceu a recorrente que o pagamento efetuado seria indevido, por se tratar de sociedade civil de profissão regulamentada, prestando serviços de engenharia, e, como tal, estaria isenta da Cofins, nos termos do artigo 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70/91. Alegou, também que o STF ainda não teve uma solução definitiva sobre a matéria. Em que pese em casos idênticos, este Relator tenha sido vencido na questão, entendo ainda assim, por bem, acompanhar a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, nos termos da declaração de voto proferida no acórdão nº 3801002.085, desta Colenda Turma Especial: Como bem se infere da análise do lançamento, tratase de imposição de Multa Regulamentar pelo descumprimento de obrigação acessória convertida em obrigação principal em relação à penalidade aplicável. Há lei em vigor prevendo a aplicação da multa na data da ocorrência da situação que constitui o fato gerador da obrigação acessória. No caso em questão, foi realizada a entrega do DACON após o prazo especificado em lei, o que ensejaria a aplicação da Multa. Ocorre que o artigo 138 do Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Trata o dispositivo transcrito da chamada denúncia espontânea. A denúncia espontânea, por sua vez, é o instrumento através do qual se exclui a responsabilidade pela prática de alguma infração tributária por parte do contribuinte, ou responsável, desde que sejam obedecidos os preceitos ali constantes, quais Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 7 6 sejam, pagamento do tributo devido, se for o caso, e inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte da autoridade fazendária. Deveras, o sujeito passivo tem determinadas obrigações para com o sujeito ativo da relação jurídico tributária, seja de pagamento de tributos no prazo correto, seja de entregar o DACON dentro de prazo determinado pela lei, dentre outros comportamentos legalmente previstos. É, pois, a infração tributária, uma ação ou omissão praticada pelo agente da relação jurídica que, seja de forma direta ou indireta, descumpra deveres jurídicos normatizados em legislações fiscais. No caso em análise, de fato, o Recorrente cometeu uma infração, de natureza formal: a entrega do DACON em atraso. Sempre que ocorrida uma infração tributária, fato seguinte é o surgimento de suas respectivas sanções, as quais fazem com que o contribuinte tenha a ele imputada determinada penalidade. Ocorrida a infração tributária, podem ser desencadeadas três distintas situações: 1) Na primeira, o agente responsável pela infração não realiza nenhum procedimento, que dandose silente e aguarda a eventual ocorrência da decadência do direito da Fazenda Pública em lançar tais valores. 2) A segunda possibilidade é a Fazenda Pública fiscalizar o agente infrator e, desta feita, lavrar o Auto de Infração, onde o sujeito passivo poderá impugnálo administrativamente, recorrer ao Poder Judiciário para anulálo ou, até, adimplir os valores devidos de pronto. 3) Terceira possibilidade é a chamada denúncia espontânea, ou seja, o agente se antecipa a qualquer procedimento fiscalizatório do Poder Público e efetua o pagamento dos valores de pronto, ou realiza a obrigação que deixou de cumprir, comunicandoo, após, do ocorrido. Neste último caso, como exposto acima, o CTN expressamente prevê que, para beneficiar tanto o contribuinte como o próprio Fisco, os contribuintes se valham de um instituto excludente de responsabilidade, desde que cumpram os requisitos lá constantes para sua fruição. A referida norma, art. 138 do CTN, nada mais é do que uma norma indutora de conduta, uma vez que sua hipótese de incidência conclama apenas uma atitude exclusiva do sujeito passivo, não havendo qualquer obrigação para forçálo a agir de tal forma. É uma faculdade do sujeito passivo em se autodenunciar perante a fiscalização e, desta feita, ser beneficiado pela exclusão da penalidade decorrente da infração cometida. E tal faculdade tem Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 8 7 o dom de beneficiar tanto o sujeito passivo que recebe tal benesse, quanto à própria Fazenda. O primeiro é beneficiado porque a legislação lhe dá a oportunidade de ser perdoada a sanção, desde que satisfeitos os pressupostos daquele instituto, o que estimula o adimplemento volitivo de suas obrigações tributárias; enquanto que, para o segundo, representa um estímulo maior para o controle fiscal e o ingresso de divisas, sem que este tenha que ir fiscalizar as empresas e verificar a correição dos procedimentos adotados pelos contribuintes Para que a denúncia espontânea surta seus efeitos, imprescindível a ocorrência de seus pressupostos. No caso ora analisado, todos os pressupostos foram observados, senão vejamos: Os pressupostos da denúncia espontânea são os seguintes: 1º) Denúncia espontânea da infração entrega extemporânea do DACON, e, conseqüentemente, o surgimento da respectiva sanção – no caso, o pagamento de multa pelo descumprimento da obrigação fiscal. Passada esta parte, necessário se faz que o contribuinte realize a chamada “denúncia espontânea”, ou seja, que comunique à Fazenda a ocorrência da infração e o seu respectivo adimplemento. A comunicação solene foi realizada pela Recorrente, através da entrega da DACON espontaneamente, em atraso. 2º) Pagamento do tributo devido e dos juros de mora, se for o caso. Como segundo pressuposto para a plena realização da denúncia espontânea, há a necessidade do adimplemento da obrigação que eventualmente não foi realizada a tempo correto. Neste sentido, mister é que o sujeito passivo, ao denunciarse espontaneamente para o Fisco, acompanhe junto desta comunicação o comprovante de que, ressalvada a multa, a obrigação que deveria ter sido adimplida épocas atrás tenha sido efetivamente cumprida. Vale ressaltar que, apesar de a norma referirse a “pagamento do tributo devido”, a aplicação do instituto da denúncia espontânea não fica reservado apenas para os casos de descumprimento da obrigação tributária principal, relacionada com o recolhimento do tributo efetivamente. A sanção decorrente da inobservância das regras instrumentais do Direito Tributário, notadamente aquelas relacionadas com as obrigações acessórias, também pode ser elidida pela aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Esta assertiva resta absolutamente óbvia quando o legislador utiliza a expressão “se for o caso”. Com efeito, este pressuposto guarda íntima e direta relação com a chamada natureza das infrações fiscais, que podem ser tanto materiais, resultantes diretamente do não adimplemento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária; quanto formais, decorrentes do não cumprimento de uma obrigação, seja através de uma atitude positiva ou negativa. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 9 8 Assim, o não cumprimento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária acarretará no nascimento de uma infração tributária material, relacionada com a expressão “pagamento do tributo”. Já o de um dever instrumental, uma infração formal, está relacionada com a expressão “se for o caso”. Sempre que uma obrigação tributária principal for inadimplida, para os efeitos da aplicação do art. 138 do CTN, necessário será que se pague o tributo devido. Entretanto, se a infração ocorrida for de natureza formal, como no caso presente, a denúncia espontânea consiste simplesmente na formalização junto ao órgão fiscal, do descumprimento de sua obrigação de prestar informações tempestivamente. Não há dúvidas, portanto, que a Recorrente preencheu este segundo pressuposto necessário para que possa usufruir do instituto da denúncia espontânea como forma de afastar a responsabilidade (leiase, punição) pela infração formal cometida. Vale reiterar a importância do caput do artigo 138 do CTN, que abrange sua aplicação tanto para os casos em que há “pagamento do tributo devido”, quanto para os casos em que não há “pagamento do tributo”, como é o caso da expressão “se for o caso”, constante do final daquele texto. Qual a validade da expressão “se for o caso”, se não para as infrações em que não há qualquer relação com valores pecuniários, como são os casos dos deveres instrumentais? CTN, pois não teria aplicação alguma. Só haverá pagamento de tributo devido quando a infração tenha sido não pagálo. Nesse caso, o autodenunciante, ao confessarse, deverá pagar o tributo nãopago. Mas se a infração cometida tenha sido a não prestação de uma informação, a confissão do Recorrente não ensejará o pagamento de tributo, porquanto esse pagamento representaria a não observância do artigo 138 do CTN. 3º) Inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Último pressuposto para a configuração da denúncia espontânea se encontra na figura da ausência de fiscalização, por parte do Fisco, em relação ao tributo sobre o qual o contribuinte, ou o responsável, se autodenuncia. Em suma, entendo que a Recorrente preencheu correta e satisfatoriamente todos os requisitos inerentes ao instituto da denúncia espontânea. É justamente no afastamento da responsabilidade pela infração e, consequentemente, na escusa de toda forma de penalidade, de sanção, que age a denúncia espontânea. Ela funciona como uma “excludente da culpabilidade”. A infração continua existindo. Todavia, o contribuinte não é mais punível. Ou seja, as conseqüências oriundas desta nova relação jurídica (todas elas) não podem mais se externar, pois prejudicado jus puniendi em relação àquele infrator. Isto é o que diz o artigo 138 do Código Tributário Nacional ao dispor que o agente, uma vez realizada a denúncia espontânea, Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 10 9 não pode mais ser responsabilizado pela infração cometida. A norma optou por ser o mais abrangente possível e excluiu a própria responsabilização do agente, o que impossibilita, de resto, a incidência de qualquer penalidade – ou seja, de qualquer medida que possa lhe prejudicar. Por todo o acima exposto, divirjo do voto do Exmo. Relator, e decido no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado, cancelando a exigência consubstanciada no auto de infração de fls.. É assim que voto. Muito embora ainda seja vencido nesta Colenda Turma quanto a presente matéria, mantenho as referidas razões de decidir, nos termos do voto da ilustre Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, cancelando a exigência consubstanciada no auto de infração. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator Designado. Discordo do voto do Conselheiro Relator, pelas razões abaixo. A fiscalização apurou que a contribuinte entregou fora do prazo o Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon e exigiu multa pelo atraso. Os fatos são incontroversos. A infração está tipificada no art. 7º, da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19, da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. Cito: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 11 10 sujeitarseá às seguintes multas: ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004.) (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004.) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004.) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (...) § 6º No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo.( Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.) Logo, não há razão para se considerar nula a exigência. Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF nº 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 12 11 O enunciado da súmula é o seguinte: “Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração.” Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: CSRF/0400.574, de 19/06/2007; 19200.096, de 06/10/2008; 10709.410, de 30/05/2008; 101 96.625, de 07/03/2008; 10516.674, de 14/09/2007; 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 13 12 A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO – DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF nº 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10920.721434/2011-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
RECURSO DE OFÍCIO. AMORTIZAÇÃO DE DESÁGIO EM INCORPORAÇÃO. Para que seja atribuído ao deságio o fundamento econômico de rentabilidade futura negativa do investimento, o valor respectivo deve estar fundamentado em laudo ou em alguma demonstração de caráter econômico, conforme exigência do próprio art. 385, § 3º do RIR/99.
Recurso de ofício negado.
DISTRATO. INDENIZAÇÃO. DESPESA. A obrigação de indenizar contraída em decorrência de distrato de contrato de acionistas constitui valor dedutível na apuração do lucro operacional do próprio exercício da obrigação.
MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. É ilegítima a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre bases estimadas e da multa de ofício lançada conjuntamente com o montante principal do imposto, quando ambas tiverem por base o mesmo fato apurado em procedimento fiscal.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 1102-001.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, quanto ao voluntário, por maioria de votos, dar parcial provimento para cancelar a imposição de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e José Evande Carvalho de Araújo, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Limhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 RECURSO DE OFÍCIO. AMORTIZAÇÃO DE DESÁGIO EM INCORPORAÇÃO. Para que seja atribuído ao deságio o fundamento econômico de rentabilidade futura negativa do investimento, o valor respectivo deve estar fundamentado em laudo ou em alguma demonstração de caráter econômico, conforme exigência do próprio art. 385, § 3º do RIR/99. Recurso de ofício negado. DISTRATO. INDENIZAÇÃO. DESPESA. A obrigação de indenizar contraída em decorrência de distrato de contrato de acionistas constitui valor dedutível na apuração do lucro operacional do próprio exercício da obrigação. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. É ilegítima a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre bases estimadas e da multa de ofício lançada conjuntamente com o montante principal do imposto, quando ambas tiverem por base o mesmo fato apurado em procedimento fiscal. Recurso voluntário provido em parte.
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DRJ Fortaleza ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 RECURSO DE OFÍCIO. AMORTIZAÇÃO DE DESÁGIO EM INCORPORAÇÃO. Para que seja atribuído ao deságio o fundamento econômico de rentabilidade futura negativa do investimento, o valor respectivo deve estar fundamentado em laudo ou em alguma demonstração de caráter econômico, conforme exigência do próprio art. 385, § 3º do RIR/99. Recurso de ofício negado. DISTRATO. INDENIZAÇÃO. DESPESA. A obrigação de indenizar contraída em decorrência de distrato de contrato de acionistas constitui valor dedutível na apuração do lucro operacional do próprio exercício da obrigação. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. É ilegítima a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre bases estimadas e da multa de ofício lançada conjuntamente com o montante principal do imposto, quando ambas tiverem por base o mesmo fato apurado em procedimento fiscal. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, quanto ao voluntário, por maioria de votos, dar parcial provimento para cancelar a imposição de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e José Evande Carvalho de Araújo, que negavam provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 14 34 /2 01 1- 80 Fl. 2125DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Limhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário interpostos contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 DISTRATO. INDENIZAÇÃO. ATIVO DIFERIDO. DESPESA. A obrigação assumida, a título de indenização, em razão do rompimento de contrato entre acionistas constitui valor dedutível na apuração do lucro operacional do próprio exercício da obrigação. Incabível ativarse o importe de tal obrigação para fins de amortizalo mediante cotas dedutíveis na apuração dos lucros de exercícios futuros. DESÁGIO. OUTRAS RAZÕES ECONÔMICAS. REGISTRO. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, na qual detenha participação societária adquirida com deságio, cujo fundamento sejam outras razões econômicas (que não a diferença entre o valor contábil e o valor de mercado de seus bens, ou a expectativa de rentabilidade futura, ou a existência de fundo de comércio ou outro intangível), deverá registrar o valor correspondente como receita diferida ou em conta do patrimônio líquido, não sendo devida a sua amortização, mas devendo ser computado como receita no encerramento das atividades da empresa ou compor a apuração de ganho de capital no caso de alienação do direito que lhe deu causa ou de sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE. Não há óbice para a imposição cumulativa de multa de ofício e multa isolada, uma vez que tratam de obrigações tributárias de natureza diversa, possuem bases de cálculo autônomas e alíquotas diferentes. Fl. 2126DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 4 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. MULTA. CONFISCO. Não cabe aos órgãos administrativos de julgamento a discussão de constitucionalidade de lei, que está devidamente fundamentando o lançamento tributário, ressalvadas as exceções expressamente previstas em lei. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Trata o presente processo de cinco autos de infração realizados para exigir créditos tributários relativos aos anos de 2006 a 2010, conforme os valores contidos na tabela seguinte (todos os valores monetários estão expressos em reais): A autoridade tributária apontou três infrações que resultaram na apropriação indevida de receitas e despesas, reduzindo os valores apurados dos tributos. A ação fiscal e seus fundamentos estão apontados no Relatório Fiscal de fls. 1237/1248, do qual se extrai o seguinte resumo: 1. Recuperação de despesas: PIS e Cofins pagos indevidamente. O contribuinte teria adicionado ao lucro real um valor inferior à despesa recuperada a título de PIS e Cofins pagos indevidamente quando da prestação de serviços de transporte internacional de carga marítima a residente ou domiciliado no exterior. 2. Extinção do contrato de acionistas: a. em outubro de 2005, os sócios da empresa autuada, Cargotop e Cejen Engenharia, detentores de 99,9% do capital social, celebraram um acordo de acionistas pelo qual o sócio Cejen Engenharia adquiriu o direito de preferência na contratação de obras a serem realizadas pela empresa autuada; Fl. 2127DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 5 4 b. em março de 2006, o acordo foi desfeito mediante a celebração de uma transação entre as partes, pela qual a Cargotop pagou uma indenização à Cejen Engenharia, no valor de R$ 3.175.513,15; c. a Cargotop contabiliza a referida indenização no seu ativo diferido; d. ainda em março de 2006, a Cejen Engenharia se retira da sociedade, o passo em que a Cargotop integraliza mais capital da empresa autuada; e. em junho de 2006, o sócio Cargotop possuía prejuízos acumulados e detinha mais de 99,99% do capital social da empresa autuada, quando foi incorporado por esta; f. a partir de 2007, a empresa autuada passa a amortizar o referido ativo diferido, reduzindo as estimativas mensais de IRPJ e CSLL; g. em dezembro de 2007, a empresa autuada dá baixa do restante do referido ativo diferido, contra a conta “lucros acumulados”, como um ajuste de exercícios anteriores; h. a autoridade fiscal entendeu que a indenização supracitada não poderia ser caracterizada como ativo diferido; na verdade, ela seria uma despesa não operacional da empresa Cargotop e, como tal, deveria ter sido apropriada no seu resultado, no momento da sua extinção por incorporação; i. de efeito, aquela autoridade entendeu como indevidas as apropriações realizadas pela empresa autuada, incorporadora da Cargotop. 3. Amortização de deságio na incorporação da Cargotop: a. em setembro de 2004, a empresa Cargotop adquiriu mais de 70% das ações da empresa autuada, com valor patrimonial de R$ 21.056.194,05; b. contudo, o valor pago nessa transação foi de R$ 5.242.619,58, ocasionando o registro de um deságio pela adquirente, no valor de R$ 15.813.574,47; c. em junho de 2006, a empresa autuada incorporou a Cargotop, cujo valor patrimonial era R$ 56.423.712,88, incluindo o deságio supracitado; d. contudo, a empresa autuada registrou esse investimento diretamente na conta capital social, pelo valor de R$ 40.610.134,26, ou seja, já apropriando o valor do referido deságio; e. a autoridade autuante, após intimar e analisar as respostas do contribuinte, concluiu que o referido deságio tem natureza de expectativa de rentabilidade futura negativa do investimento e, como tal, deveria ser amortizado, no mínimo, a 1/60 avos por mês, a partir de julho de 2006, oferecendo à tributação os valores mensais correspondentes. Fl. 2128DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 6 5 Multa isolada sobre IRPJ e CSLL estimativa: as infrações descritas nos itens 1 e 3 acima causaram o efeito de reduzir as estimativas mensais de IRPJ e CSLL da empresa autuada, ensejando a aplicação da multa isolada prevista nos artigos 43 e 44 da Lei nº 9.430, de 1996, considerandose os valores apurados/declarados pelo contribuinte. Por fim, também foram verificadas divergências entre os valores apurados e os valores declarados de IRPJ e CSLL relativos ao ano 2009, resultando em lançamento apenas de CSLL, uma vez que o déficit de IRPJ foi anulado pela existência de imposto retido na fonte. Cientificado pessoalmente do lançamento em 09/11/2011 (fl. 1302), o contribuinte apresentou cinco impugnações, uma para cada auto de infração, em 09/12/2011 (fls. 1328/1350, 1449/1472, 1579/1595, 1728/1744 e 1879/1901). Em sua defesa, o impugnante traz os argumentos resumidos a seguir: 1. Recuperação de despesas: PIS e Cofins pagos indevidamente. Quanto a essa irregularidade, o impugnante reconhece o erro nos ajustes que realizou por ocasião da sua apuração do lucro tributável. 2. Extinção do contrato de acionistas e registro, no ativo diferido da Cargotop, da despesa com a respectiva indenização: o impugnante sustenta como correta a escrituração da referida despesa no ativo diferido da Cargotop; entende que a despesa é um ativo intangível passível de amortização no período de tempo em que estiver contribuindo para a formação do resultado da empresa, o que satisfaz a regra do artigo 179 da Lei das S/A e a regra contida no artigo 325 do RIR/99. 3. Amortização de deságio na incorporação da Cargotop e seu fundamento econômico: a. o impugnante afirma que está incorreto o raciocínio realizado pela autoridade autuante pelo qual concluiu que o fundamento do deságio em tela é a expectativa de rentabilidade futura negativa do investimento; afirma que as informações que prestou àquela autoridade não permitem essa conclusão e que houve uma confusão entre o fato e sua projeção; b. a fundamentação econômica do deságio é representada por "outras razões econômicas" e o fundamento fático é a desvalorização do TESC, causada pela ausência de conhecimento, técnica, competência gerencial, governança e expertise comercial e operacional por parte dos antigos acionistas, levandoo a sucessivos prejuízos; c. o TESC informou à fiscalização que foram os prejuízos seguidos da companhia as circunstâncias fáticas que originaram o deságio e nunca afirmou que a Cargotop projetara prejuízos futuros; d. a inexistência de projeções que justifiquem a adoção da perspectiva de rentabilidade futura negativa como fundamento do deságio impedem a Fl. 2129DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 7 6 conclusão a que chegou a fiscalização, sob pena de violação das normas contábeis e tributárias; e. paralelamente, o que teria justificado a aquisição por valor inferior ao patrimonial é o fato de que o maior acionista da Companhia a época do investimento era a Portus Instituto de Seguridade Social, uma entidade de previdência complementar fechada que estava sendo obrigada a alienar o investimento para enquadrarse à Resolução n. 3.121/03 do Banco Central do Brasil, que lhe impunha o limite de 20% de participação no capital social de suas investidas; f. no mundo real dos negócios, verificase que sempre quando um "vendedor" tem a necessidade premente e temporal de se desfazer de algum ativo, (desinvestimento por motivos regulatórios, legais, necessidade de liquidez, conflitos de governança corporativa), tais aspectos se refletem diretamente na redução do preço desse ativo; g. outra circunstância digna de nota que justificava a necessidade da Portus de alienar o investimento era a sua incapacidade de relacionamento com o acionista Cejen, que constantemente utilizava seus poderes previstos no Acordo de Acionistas da Companhia para bloquear os projetos de investimento e deliberações societárias do TESC. A impossibilidade de promoverse aumentos de capital sem a concordância da Cejen, aliado ainda à falta de conhecimento da Portus sobre o mercado marítimo e portuário são circunstâncias adicionais que influenciavam a necessidade da Portus de alienar o seu investimento, necessidade esta de que a Cargotop utilizouse para fazer uma aquisição a um bom preço; h. o procedimento adotado pelo contribuinte, de não amortizar o deságio fundamentado em outras razões econômicas, é correto e encontra amparo no art. 1º, parágrafo 3º, inciso III da IN 11/99 da RFB e, de forma ainda mais contundente, no art. 14, parágrafo 4º da Instrução CVM n. 247, de 27 de março de 1996. 4. Cobrança cumulativa da multa isolada e da multa de ofício: entende o impugnante que é impossível a cominação simultânea da multa isolada pelo não recolhimento de estimativas mensais dos tributos e da multa proporcional pelo não pagamento do tributo apurado no final do exercício, em razão de configurar dupla penalidade sobre uma mesma infração. 5. Efeito de confisco das multas aplicadas: entende o impugnante que os percentuais das multas exigidas (75% e 50%) dão a elas o efeito de confisco, o que é defeso pelo artigo 150, IV, da Constituição Federal. Ademais, ferem o princípio da razoabilidade e o princípio da capacidade contributiva, contido no 145, §1º da Carta Magna. Ao final, o impugnante requer: o reconhecimento da improcedência das exigências realizadas; o afastamento da cominação simultânea das multas isolada e parcial, para o fim de manter apenas a menos gravosa; o reconhecimento do caráter abusivo e confiscatório das multas aplicadas, as Fl. 2130DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 8 7 quais não respeitam os limites impostos pela Constituição Federal; o reconhecimento do direito de apresentação posterior de documentos que venham a ratificar as alegações ora aduzidas. (...)” O acórdão recorrido julgou procedente em parte a impugnação, cancelando o lançamento na parte que se refere à tributação da amortização do deságio na aquisição da empresa Cargotop, pelas razões sintetizadas na ementa acima transcrita. Ante a exoneração parcial do crédito tributário acima do valor de alçada, previsto na Portaria do Ministério da Fazenda nº 3/2008, o Colegiado a quo, suscitou de ofício o reexame da matéria a este órgão julgador de segunda instância. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere: (i) à improcedência da descaracterização contábil do ativo diferido da Cargotop; (ii) à impossibilidade de cobrança cumulativa da multa isolada e da multa proporcional; e (iii) ao efeito confiscatório das multas aplicadas. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso de ofício e voluntário atendem aos pressupostos de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. (i) Recurso de Ofício Segundo o acórdão recorrido, os lançamentos devem ser cancelados na parte relativa à tributação da receita de amortização de deságio que, supostamente, não havia sido oferecida à tributação, em virtude do registro do investimento ter sido efetuado pelo valor líquido, sem o respectivo desdobramento do deságio. A Fiscalização efetuou os lançamentos sob a alegação de que o deságio na aquisição da empresa Cargotop teve como fundamento econômico a expectativa de rentabilidade futura negativa do investimento. Portanto, a partir da incorporação da referida empresa pela recorrente, o deságio deveria ter sido amortizado e a respectiva receita oferecida à tributação, conforme disposto nos arts. 385, § 2º, II e 386, IV do RIR/99. O acórdão a quo, analisando os documentos carreados ao processo, concluiu que o fundamento do deságio não foi a expectativa de resultado futuro negativo do investimento, mas sim um fundamento residual, o que implica mudança de regra de tributação, na medida em que o deságio, nesta hipótese, somente seria objeto de tributação quando da alienação da participação ou quando do encerramento das atividades da empresa. Em relação ao fundamento econômico do deságio, concluiu o acórdão recorrido que: “Por seu turno, o impugnante afirma que a fundamentação econômica do deságio é representada por ‘outras razões econômicas’ e o fundamento fático é a desvalorização da investida, causada por várias dificuldades de natureza administrativa. Afirma que a inexistência de projeções de prejuízos Fl. 2131DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 9 8 futuros da investida impede a conclusão a que chegou a fiscalização, sob pena de violação das normas contábeis e tributárias. Afirma ainda que o procedimento contábil adotado é correto e encontra amparo no Art. 1º, parágrafo 3º, inciso III da IN 11/99 da RFB e no art. 14, parágrafo 4º da Instrução CVM n. 247, de 27 de março de 1996. A empresa Cargotop, ao contabilizar a referida aquisição, registrou o fundamento do deságio da seguinte forma (fl. 253): “Fundamento econômico: Fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. (Art. 385, §2º, inciso III do RIR/99) Direito de exploração de terminal portuário de uso público.” Verificase uma incoerência no registro realizado pelo contribuinte, pois não há como surgir um deságio em razão da existência de um bem intangível (direito de exploração). Essa inconsistência dá margem para que a fiscalização investigue a real causa do deságio. Em resposta a nova intimação (fl. 261), o contribuinte informou que: “item 2: O deságio foi contabilizado tendo como origem "outras razões econômicas". O deságio pago pela Cargotop na aquisição do investimento foi originado no fato de que a Companhia vinha apresentando prejuízos contábeis seguidamente. No ano de 2002 apurou prejuízo no valor de R$ 10,7 milhões e, no ano de 2003, prejuízo de R$ 15,5 milhões. Tal situação vinha ocasionando um desequilíbrio econômico e financeiro que colocava a continuidade operacional da Companhia em risco, enquanto que o valor de mercado de suas ações perdiam valor continuamente”. Acrescentou, ainda, que um parecer emitido por empresa de auditoria constatou que a continuidade operacional da Companhia está vinculada ao sucesso de um processo de reestruturação. Conforme as razões informadas por ocasião da ação fiscal, que são compatíveis com os novos fatos expostos na impugnação, poderseia resumir o fundamento adotado pelo contribuinte como: o valor de mercado da empresa é menor do que o seu valor patrimonial. Contudo, não há um estudo técnico que traga essa afirmativa e, muito menos, que quantifique essa divergência de valores. É certo que, se o valor de mercado da empresa está baixo, há uma expectativa de prejuízos futuros, o que torna razoável o entendimento da autoridade autuante. Contudo, não se pode olvidar as exigências legais para se adotar tal fundamento, especialmente a contida no §3º do artigo 20 do DecretoLei nº 1.598, de 19771. Inexistindo as demonstrações exigidas por esse dispositivo legal, não há como suportar a afirmação de que o contribuinte adotou o fundamento da expectativa de resultados futuros. Fl. 2132DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 10 9 Dessa forma, é forçoso aceitar a afirmação do contribuinte de que o fundamento do deságio são razões econômicas que não estão relacionadas com o valor dos bens do ativo, com a expectativa de rentabilidade futura ou com a existência de intangíveis no seu patrimônio.” (grifouse) O acórdão recorrido não merece reparos. Para que seja atribuído ao deságio o fundamento econômico de rentabilidade futura negativa do investimento, o valor deveria estar fundamentado em laudo ou em alguma demonstração de caráter econômico, conforme exigência do próprio art. 385, § 3º do RIR/99. Sem a adequada fundamentação econômica, no caso, refutada veementemente pela própria Contribuinte, é defeso à Fiscalização conjecturar que o fundamento econômico do deságio seria a da previsão de resultados futuros negativos do investimento. Assim ocorre em relação aos contribuintes em geral, em contrapartida, nas hipóteses de registo de ágio baseado em rentabilidade futura do investimento, nas quais é indispensável a demonstração (por um laudo ou qualquer outro demonstrativo) do real fundamento econômico do ágio. Rejeitase, pois, o recurso de ofício. (ii) Recurso Voluntário a. Da descaracterização contábil do ativo diferido da Cargotop Cingese a discussão acerca da possibilidade (ou não) de a sucedida da Contribuinte registrar no seu ativo diferido, sujeito à amortização, despesa referente à indenização paga em virtude da quebra de um acordo de acionistas que previa o direito . Entendeu o acórdão recorrido que a indenização foi incorretamente registrada no ativo diferido, devendo o valor ter sido escriturado como despesa (não operacional) no resultado da empresa Cargotop (excontroladora que, posteriormente, foi incorporada pela Contribuinte), o que poderia aumentar, desta forma, o seu saldo de prejuízo fiscal. Como a referida empresa foi incorporada e, tendo em vista o disposto no art. 33 do Decretolei nº 2.341/87, o acórdão combatido manteve o lançamento sob o fundamento de que a Contribuinte não poderia se valer dos prejuízos fiscais da empresa incorporada, verbis: “Sendo incorreta a ativação da despesa da empresa Cargotop, verifica se que esta despesa deveria ter composto o resultado da incorporada, como prejuízo acumulado, sendo defeso à incorporadora a compensação desse valor na apuração do seu resultado, por força do artigo 33 do DecretoLei nº 2.341, de 1987: ‘Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida.’ Assim, são indevidas as apropriações realizadas pela empresa autuada, sejam as apropriações mensais, seja a apropriação realizada no encerramento do exercício de 2007, devendo ser mantidas as respectivas glosas os lançamentos tributários correspondentes, ou seja, parte do lançamento de IRPJ e parte do lançamento de CSLL.” Fl. 2133DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 11 10 Aduz a Contribuinte que o pagamento de referida indenização está relacionada à reestruturação de negócios da empresa, sendo que a sua classificação contábil na conta de ativo diferido estava em linha com a legislação vigente à época. Pois bem. A indenização em referência foi acordada mediante a celebração de “Instrumento Particular de Transação e Quitação de Obrigações Recíprocas e Outros Pactos” (fls. 119 a 132), cuja cláusula 2.1. estabelecia que: “2.1. Pelo presente Instrumento e na melhor forma de direito, Cargotop com o fim de evitar e prevenir eventual conflito e/ou litígio com a Cejen em razão da extinção de sua suposta expectativa de direito na realização e/ou fiscalização das obras de engenharia referentes à ampliação do Terminal São Francisco, obrigase a pagar à Cejen o valor de R$ 3.250.000,00 (três milhões, duzentos e cinquenta mil reais) (o ‘Preço’), na forma definida no item 2.2. abaixo.” A referida “expectativa de direito” estava prevista na cláusula 13.2. do Acordo de Acionistas (fls. 151 a 164) firmado pela Contribuinte. Confirase: “13.2. Caberá ao Conselho e Administração da COMPANHIA decidir sobre a oportunidade e as condições de préqualificação e de realização da concorrência aludidas em 13.1 – que deverão contemplar concepção técnica do projeto, execução de engenharia, garantias, preço e condições de pagamento, prazo e financiamento – comprometendose os ACIONISTAS em prover no sentido de que seja aberta à CEJEN a oportunidade de realizar as referidas obras, desde que não seja contrariado o pressuposto essencial de preservação dos interesses da COMPANHIA.” Da leitura dos referidos dispositivos contratuais, pode se concluir que a Cargotop pagou uma indenização à Cejen para que esta (Cerjen) renunciasse ao direito de ser prioritariamente contratada para a prestação de serviços de engenharia definidos no acordo. O art. 179, V da Lei das SA, na redação vigente à época dos fatos, dispunha sobre o conceito diferido das sociedades, verbis: “Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) V no ativo diferido: as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais.” (grifei) Sobre o conceito contábil de ativo diferido, é válido reproduzir os artigos da Norma de Procedimento Contábil (NPC) VIII, expedido pelo IBRACON, que tratava das normas contábeis aplicáveis ao “Ativo Diferido” à época dos fatos, verbis: “Definição, conceitos gerais, avaliação, amortização 1. Classificamse no ativo diferido as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social. Estão compreendidas nesta classificação, entre outras, as Fl. 2134DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 12 11 despesas de organização, custo de estudos e projetos, despesas pré operacionais, despesas com investigação científica e tecnológica para desenvolvimento de produtos ou processos de produção e encargos incorridos com a reorganização ou reestruturação da entidade. (...) O conceito de “formação do resultado de diversos períodos”, que caracteriza os itens classificáveis como ativos diferidos, pode ser definido como uma relação direta, identificada e documentada, entre certos custos ou despesas incorridos em um certo momento, geralmente não identificáveis com ativos físicos, e receitas a serem obtidas em períodos futuros. (...) Neste ponto, é necessário insistir na importância da relação entre as despesas diferidas e as receitas esperadas, para cuja geração essas despesas devem contribuir de forma inequívoca. O conceito de diferimento de despesas nasce com a esperança de se obter receitas em períodos futuros que não se poderiam originar se as despesas diferidas não tivessem sido incorridas. Portanto, não poderão diferirse aqueles itens vinculados a projetos abandonados e que, conseqüentemente, não produzirão receitas, nem tampouco os itens ligados a projetos de viabilidade duvidosa. Neste último caso, a amortização total e imediata das despesas diferidas atende ao principio básico de conservadorismo. (...) 3. Considerações sobre os Principais Exemplos de despesas classificáveis no diferido Despesas de organização Como despesas de organização se entendem, apenas, aqueles custos e gastos incorridos para a formação da entidade, isto é, para que a entidade esteja jurídica e efetivamente em condições de existir. Essas despesas, normalmente, incluem itens, tais como, honorários profissionais para a elaboração dos contratos ou estatutos, despesas de legalização desses documentos e custos dos primeiros registros oficiais da empresa e respectiva legalização. As despesas de organização terminam, assim, quando é legalizada a empresa. A amortização dessas despesas deverá ser feita a partir do início das operações comerciais ou industriais da entidade e não a partir do ano que ela foi constituída. (...) Gastos incorridos com reorganização ou reestruturação da entidade Os gastos com a reorganização ou reestruturação da entidade não devem ser diferidos, a não ser que contribuam para a formação do resultado de períodos subseqüentes. O acréscimo na eficiência ou a redução nos custos operacionais proporcionados pela reorganização ou Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 13 12 reestruturação não são considerados como contribuição para a formação de resultado para fins do teste para a decisão entre diferir ou lançar diretamente às despesas os correspondentes gastos. (...)” (grifouse) Improcedem as razões da Contribuinte na defesa da classificação contábil do pagamento da indenização em referência. O argumento de que referido pagamento fazia parte da reestruturação no negócio da empresa, gerando mais eficiência (“incremento em sua atividade”), não deve prevalecer, pois a norma contábil acima citada dispõe que os gastos com a reorganização ou reestruturação da entidade apenas devem ser diferidos caso contribuam comprovadamente para a formação do resultado de períodos subsequentes. No caso, a indenização em referência visava “evitar e prevenir eventual conflito e/ou litígio com a Cejen em razão da extinção de sua suposta expectativa de direito na realização e/ou fiscalização das obras de engenharia referentes à ampliação do Terminal São Francisco”, cuja natureza e finalidade não podem ser relacionadas à restruturação dos negócios da Contribuinte. Não bastasse, referido NPC dispôs que o conceito de “formação de resultado em períodos diversos” deve ser “uma relação direta, identificada e documentada, entre certos custos ou despesas incorridos em um certo momento, geralmente não identificáveis com ativos físicos, e receitas a serem obtidas em períodos futuros”. Tal circunstância também não restou demonstrada nos autos pela Contribuinte. Assim, como bem ressaltado pelo acórdão recorrido, a despesa deveria ter sido reconhecida no resultado da empresa em março de 2006, aumentando o seu saldo de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL naquele período. Não há que se falar sobre restabelecimento de eventuais prejuízos de IRPJ e CSLL, seja pela ausência de previsão legal para sua utilização pela empresa sucessora, seja pelo fato de o tema não ser objeto de cognição por esse Colegiado, limitado à regularidade (ou não) dos lançamentos tributários. b. Impossibilidade de cobrança cumulativa da multa isolada e da multa proporcional Segundo corrente jurisprudencial majoritária, cujos fundamentos ora se adota como razão de decidir, a exigência da multa de lançamento de ofício isolada, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidos mensalmente, somente se justifica se operada no curso do próprio anocalendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após encerrado o anocalendário, de tributo devido maior do que o recolhido por estimativa. Vejase, nesse sentido, ementas de v. acórdãos proferidos pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: CSLL – MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – TRIBUTO APURADO INFERIOR AO VALOR CALCULADO POR ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa de ofício seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, grandeza que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Na apuração do lucro real anual, o tributo devido pelo contribuinte Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 14 13 só é conhecido ao final do período de apuração quando ocorre a aquisição de renda pelo contribuinte fato gerador do Imposto sobre a Renda. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. (CSRF, Primeira Turma, Processo n. 10680.005834/200312, Relator Marcos Vínícius Neder de Lima, Acórdão 105 139794) No mesmo sentido: CSLL – MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a empresa recolhe, ao longo do ano, valor superior ao apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Recurso especial provido. (CSRF, Primeira Turma, Processo n. 10665.001042/9948, Ac. 108133750, Rel.: Marcos Vinícius Neder de Lima) No mesmo sentido: RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DEPOIS DE ENCERRADO O ANO CALENDÁRIO: Encerrado o período anual da apuração, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência efetivamente devida, apurada com base no balanço anual, revelandose improcedente a cominação de multa, mormente se o contribuinte optou, antes da ação fiscal, em incluir a referida no REFIS. (CSRF, 10140.001362/200247, Ac. 107133806, José Henrique Longo) No mesmo sentido: IRPJ – RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA – MULTA ISOLADA – LANÇAMENTO DEPOIS DE ENCERRADO O ANOCALENDÁRIO: Encerrado o período anual de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido, apurado com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelandose improcedente a cominação de multa sobre eventuais diferenças se o imposto recolhido antecipadamente superou o efetivamente devido. Recurso especial negado. (CSRF, Primeira Turma, Ac. 103124926, Rel.: José Carlos Paussuelo, Processo n. 10280.009389/9926) Também é entendimento assente em seara administrativa o de que é ilegítima a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre bases estimadas e da multa de ofício lançada conjuntamente com o montante principal do Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 15 14 imposto, quando ambas tiverem por base o mesmo fato apurado em procedimento fiscal. Verbis: “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. (Processo n. 10510.000679/200219, Recurso n. 106 131314, Ac. CSRF/0104.987, Primeira Turma, Relator: Leila Maria Scherrer Leitão, 15/06/2004) Do exame dos autos, verificase que os lançamentos de multas isoladas decorreram das infrações que originaram os próprios autos de infração de IRPJ e CSLL, estes já acompanhados da regular multa de ofício de 75% dos tributos lançados. Verbis: Multa isolada sobre IRPJ e CSLL estimativa: as infrações descritas nos itens 1 e 3 acima causaram o efeito de reduzir as estimativas mensais de IRPJ e CSLL da empresa autuada, ensejando a aplicação da multa isolada prevista nos artigos 43 e 44 da Lei nº 9.430, de 1996, considerandose os valores apurados/declarados pelo contribuinte.” Nesse sentido, considerandose a concomitância entre as penalidades de ofício, impõese o afastamento das multas isoladas aplicadas no caso. (iii) Conclusão Por todo o exposto, orientase voto no sentido de (a) conhecer do recurso de ofício, para negarlhe provimento; e (b) conhecer do recurso voluntário, para darlhe parcial provimento, a fim de cancelar a imposição de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 2138DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
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Numero do processo: 15504.721726/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presente autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 21 72 6/ 20 13 -1 7 Fl. 19697DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernentes à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 01/2009 a 12/2009. Também há o lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória, que consiste em deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária. O Relatório Fiscal informa que os fatos geradores decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, oriundos dos seguintes fatos: 1. aluguéis residenciais do apartamento à rua Paulo Camil Pena, 585, Belvedere, Belo Horizonte/MG, cedido para moradia do empregado Jean Joseph Marie Bouckaert, contratado para atuar na matriz em Belo Horizonte, onde se deu sua admissão; 2. cartão ecx combustível, em valores fixos, fornecidos no período 01/2008 a 01/2009, a Dejair Soares Porto e Carlos Roberto de Oliveira; 3. PLR a empregados em desacordo com a Lei 10.101/2000; 4. despesas de farmácia e reembolso óculos pagos apenas a empregados da filial Florianópolis; 5. bolsas de estágio pagas sem o termo de compromisso no mês de competência da prestação de serviços; 6. valores pagos a pessoas físicas que prestaram serviços à empresa com todos os requisitos da figura do segurado empregado, porém, indevidamente tidos como segurados contribuintes empresários de pretensas pessoas jurídicas contratadas. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 08/03/2013 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. Ilegalidade na caracterização como empregados da impugnante, dos sócios das empresas contratadas. Fl. 19698DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 4 3 2. Ofensa ao regime de tributação instituído pelo art. 129 da Lei 11.196/2005. O lançamento contraria o art. 50 do Código Civil de duas formas: Primeiro, porque inexiste no caso autorização legal para que a própria autoridade administrativa, à margem do processo judicial, proceda à desconsideração da personalidade jurídica das contratadas. Segundo, porque a responsabilidade pelas obrigações decorrentes da desconsideração da personalidade jurídica é dos sócios da pessoa jurídica desconsiderada. Transcreve o art. 150, §1º, inciso II e §2º, incisos I e II do RIR/99, concluindo que essa legislação, anterior ao art. 129 da Lei 11.196/2005, impedia a constituição de uma sociedade com o fim de atrair as normas de tributação da pessoa jurídica a uma pessoa física que prestasse serviços de engenheiros ou assemelhados com os caracteres de uma relação personalíssima. Ademais, o lançamento fere o art. 129 da Lei 11.196/2005, que alterando a legislação anterior, trouxe novo regime de tributação definido em razão da natureza do serviço prestado, e não mais em razão do caráter personalíssimo ou da relação existentes entre seu sócio e terceiros. A nova ordem jurídica teria impedido a desconsideração da personalidade jurídica para fins de aplicar normas tributárias pertinentes à pessoa física, na medida em que ela própria atribui a essas sociedades o regime de tributação de pessoas jurídicas unicamente em razão da natureza do serviço prestado, sendo irrelevante o caráter personalíssimo e demais características existentes na relação entre seu sócio e terceiros. Não se trata, pois, de simulação de sociedades com o intuito de encobrir uma relação de emprego. A partir da Lei 11.196/2005, constituída a sociedade para a prestação de serviços técnicos, a lei determina a incidência da legislação aplicável às pessoas jurídicas; 3. Ilegalidade da utilização da aferição indireta sem a presença dos pressupostos autorizadores. Outra ilegalidade que acomete o lançamento foi de, sem que estivessem presentes os pressupostos legais do arbitramento (art. 148 do CTN e art. 33, §6º da Lei 8.212/91), utilizar o método da aferição indireta para apurar os valores da remuneração paga ao prestador de serviços em caráter pessoal: presumiuse que todos os valores pagos pela impugnante às sociedades contratadas foram direcionados integralmente ao sócio. Cita doutrina de Mizabel Derzi e Sacha Calmon sobre a excepcionalidade da adoção do procedimento do arbitramento, que só pode ser utilizado se esgotadas as possibilidades de reconstrução da verdade material. No caso concreto, não foi realizada qualquer medida para verificar quanto dos valores pagos pela impugnante constituiu remuneração do sócio apontado como prestador de serviço em caráter pessoal, de forma a segregálo dos valores direcionados aos outros sócios da contratada. Não é razoável supor que todo o valor pago foi todo direcionado ao sócio prestador dos serviços porque seria afirmar que o outro sócio nada recebeu, o que significa a presunção de uma nulidade do contrato de constituição da sociedade desconsiderada, que não foi sequer levantada, muito menos comprovada. Logo, presunção desconectada da realidade, Fl. 19699DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 5 4 desarrazoada, contraria o que comumente ocorre e o que determina o art. 1.008 do Código Civil. Conclui que a apuração da base de cálculo destoa dos parâmetros do art. 148 do CTN e do art. 33 da Lei 8.212/91; 4. Nulidade por ausência de fundamentação legal para a aferição indireta. O lançamento contém vicio de motivação legal a demandar sua anulação uma vez que não constou do anexo “fundamentos legais do débito” os §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei 8.212/91. Cita jurisprudência administrativa; 5. Equívoco na composição da base de cálculo. Necessidade de exclusão dos valores de tributos retidos nas notas fiscais. A base de cálculo não poderia ser fixada no valor integral das notas fiscais de serviços. Partindose da premissa de que a desconsideração é válida, o correto seria apurar os lucros distribuídos aos sócios das pessoas jurídicas desconsideradas e a tributação como salário apenas de parte desses valores, ou seja, o que a pessoa física do sócio recebeu como remuneração pela prestação laboral. Assim, seria necessário, no mínimo, que fosse abatido o montante da carga tributária suportada pelas pessoas jurídicas desconsideradas, de modo a alcançar valores mais próximos do salário de contribuição. Neste contexto e considerando que as notas fiscais de prestação de serviço sofrem retenções na fonte, impõese, subsidiariamente, a redução da base de cálculo apurada para que dela sejam excluídos os tributos retidos na nota fiscal, quais sejam IR, CSLL, PIS e CONFINS. Logo, ainda que se pretendesse utilizar o valor das notas fiscais para apurar o salário de contribuição este nunca poderia ser o montante bruto da nota, eis que as retenções na fonte realizadas pela impugnante reduzem a remuneração paga à pessoa jurídica contratada, diminuindo a base de cálculo previdenciária; 6. Inexistência de simulação e vínculo empregatício. Da atividade da impugnante e característica dos serviços por ela tomados. O falso cenário apresentado pelo lançamento. As contratações debatidas ocorrem em um cenário em que a impugnante é uma empresa tem por atividade fim desenvolvimento de trabalhos técnicos relacionados à engenharia para usinas de energia elétrica e infraestrutura, que consiste na elaboração de projetos completos de engenharia relativos a essas obras. Dada a magnitude e complexidade dessa atividade fim, a impugnante necessita de mãodeobra de diversas especialidades. A demanda por determinadas capacidades e especializações técnicas é, porém, variável em função da especificidade de cada obra. Logo, não há necessidade manter em seu quadro de empregados as mais diversas especialidades, que nem sempre serão utilizados nos projetos em que a empresa está envolvida. São profissionais que autuam nos mais variados projetos desenvolvidos por diversas empresas e se lançam no mercado por meio de sociedades profissionais regularmente constituídas que são contratadas quando forem necessárias a determinado projeto. Esse cenário afasta o contexto apresentado no Fl. 19700DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 6 5 lançamento fiscal, de contratos de emprego por meio de simulação de contratos com pessoas jurídicas. Pelo número de empregados da impugnante devidamente declarados em RAIS e GFIP (doc. 05) nota se que os sócios das empresas contratadas correspondem apenas a 10% do total de empregados. A contratação de pessoas jurídicas de profissionais especializados não é regra, se dá em razão de necessidades momentâneas da impugnante. A presença isolada da onerosidade e a não eventualidade nos contratos não é suficiente para configurar a relação de emprego. São características comuns a quase a totalidade dos contratos típicos do direito privado. Quanto aos demais requisitos da relação de emprego, não se encontram presentes; 7. Inexistência de subordinação. A subordinação que caracteriza o contrato de emprego é a subordinação sobre como fazer, como realizar o trabalho, por meio do qual o empregador controla e dirige qual técnica será utilizada e como será utilizada. Transcreve jurisprudência. Não se pode confundir a subordinação do empregado ao poder diretivo do empregador com a subordinação das partes ao contrato celebrado, próprio do contrato civil de prestação de serviços. A subordinação presente no contrato civil se apresenta como vinculação das partes às obrigações do contrato, em razão o princípio pacta sunt servanda. O tomador dos serviços, por exemplo, é obrigado a respeitar os prazos e não exigir a conclusão dos trabalhos antes do prazo, é obrigado a realizar o pagamento do preço do contrato. Enquanto que o prestador deve concluílo no prazo, respeitar os limites de despesas reembolsáveis, cobrar pelas horas efetivamente trabalhadas e ter como diretriz a obra para a qual seu trabalho se destina. Porém, o desenvolvimento das atividades é realizado com independência e autonomia técnica, ou seja, sem subordinação do prestador ao tomador. Na área de engenharia é isso que ocorre: o prestador se obriga a entregar os trabalhos técnicos contratados (planta, laudo, etc.) sem que tais trabalhos tenham sido desenvolvidos com a ingerência técnica do contratante. Enquanto na relação de emprego há subordinação técnica de como realizar o trabalho, na relação de prestação de serviços a técnica é de aplicação exclusiva e independente do prestador. Assim, não se pode confundir a obrigação do prestador de se submeter a controle de prazos e financeiros do tomador (por exemplo, medição de horas de serviços, atenção para características da obra para a qual se destina o trabalho técnico) com a subordinação técnica de como fazer o trabalho. A Leme não tem nenhuma ingerência sobre a aplicação dos conhecimentos técnicos por parte dos profissionais que integram as pessoas jurídicas que contrata, apenas exige que atentem para as características da obra e o escopo do projeto. A Lei 5.194/66, que regula a profissão de engenheiro, determina que esses profissionais tenham autonomia e independência na elaboração de projetos. Transcreve os arts. 18 e parágrafo único, 19 e 20, parágrafo único da citada Lei. No caso dos autos, é incontroverso que os trabalhos deveriam ser realizados de forma pessoal pelo profissional motivo pelo qual não se revela possível que outro profissional tenha assumido os projetos. Conclui Fl. 19701DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 7 6 se que, por determinação legal, esses profissionais assumem a responsabilidade exclusiva pelo projeto, o que inviabiliza a ingerência técnica da Leme sobre os projetos por eles elaborados. Logo, impossível caracterizar, diante da pessoalidade da prestação e da responsabilidade exclusiva pelo projeto, qualquer ingerência técnica da Leme Engenharia, o que descaracteriza a presença de subordinação. O trabalho pessoal do sócio é elemento característico das sociedades destinadas à prestação de serviços intelectuais de forma pessoal pelos sócios e não uma razão para desconsideração de sua personalidade jurídica. Os serviços constantes do lançamento são técnicos de engenharia ou relacionados à engenharia. Logo, nítido o caráter intelectual dos mesmos. Em assim sendo, o art. 966, parágrafo único do CC exclui o caráter empresarial da sociedade. Não sendo empresária a sociedade organiza os fatores de produção para exercer sua atividade, dentre eles a mãodeobra, pois esta organização é característica de uma sociedade empresária (CC art. 982); 8. Da variabilidade e descontinuidade dos pagamentos realizados pela impugnante: descaracterização da relação de emprego. A considerável variabilidade dos valores pagos mensalmente pela execução dos contratos, demonstrada através de planilhas anexas à defesa (doc. 06) comprovam que a impugnante celebra legítimos contratos civis de prestação de serviços e apontam para a validade e legitimidade dos mesmos, impedindo sua desconsideração para fins de tributar uma suposta relação de emprego. Tal variação afasta a pretensão de classificar como empregados as pessoas jurídicas contratadas uma vez que, em contrato de emprego, a remuneração é a mesma em todos os meses trabalhados, pois paga pelo tempo que o empregado fica à disposição do empregador e que a jornada de trabalho é definida, a teor do art. 74 da CLT. No caso dos autos, as pessoas jurídicas contratadas trabalham o tempo necessário para cumprir o contrato celebrado e entregar o trabalho técnico no prazo avençado. Esta é a razão dos valores mensais pela execução do contrato serem extremamente variáveis: não existe tempo certo pelo qual as pessoas envolvidas na execução do contrato ficavam à disposição da impugnante. Em muitos casos a remuneração sofre diminuição de um mês para outro, principalmente nos últimos pagamentos realizados, o que é incompatível com o já citado artigo da Constituição Federal. A explicação é que os pagamentos não se dão em função da disponibilidade, mas das horas efetivamente gastas na execução do contrato. O contrato se dá para a execução de um contrato com autonomia e independência e não na remuneração pelo tempo à disposição do contratante. Ademais os anexos CE2008 e CV 2009 demonstram que na grande maioria dos casos não há emissão de notas fiscais em todos os meses e verificase emissão de mais de uma nota fiscal no mesmo mês com valores distintos. O pagamento agrupado por sociedade contratada permite ainda visualizar o total equivoco ao afirmar a suposta não eventualidade.Cita exemplos. De qualquer forma, tratandose de contratos para desempenho de trabalhos técnicos não há impedimento para que os pagamentos sejam Fl. 19702DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 8 7 feitos mensalmente de maneira uniforme. Os contratos que tenham por objeto a entrega de trabalho técnico de engenharia (desenho, laudo, projeto, etc) para que seja integrado pela impugnante a um projeto maior que deve entregar a seu cliente configurase como contrato de empreitada que, geralmente, é fechado a preço global, pratica não vedada em lei. Assim, não descaracteriza o contrato o fato de o preço ser pago de forma parcelada durante a execução do trabalho, inexistindo motivo para desconsideração do contrato de prestação de serviço pela uniformidade dos pagamentos ao longo do contrato; 9. Distinção entre os objetos dos contratos da Leme com seus clientes e aqueles celebrados pela Leme com as sociedades contratadas. As sociedades contratadas não desempenham a atividade fim da Leme uma vez que esta é contratada por suas clientes para desenvolver e entregar um projeto completo de obras nos ramos de energia elétrica e infraestrutura. O objeto contratado é amplo, abrangendo diversos aspectos da engenharia, não podendo ser desenvolvido por uma única equipe. É um trabalho técnico complexo, abrangendo várias áreas de conhecimento e demandando atividades diversas, porém, integradas. Pelos objetos dos contratos celebrados com as sociedades contratadas notase que inexiste uma coincidência de objeto, ou seja, o contrato da Leme com suas clientes é mais abrangente e não se confunde com o contrato dessas sociedades prestadoras de serviços, que desenvolvem tarefas técnicas específicas, com autonomia e independência, visando sua integração ao projeto maior contratado junto a Leme pelos seus clientes. Equívoco de tentar enquadrar as sociedades na estrutura da Impugnante. Os cargos constantes do organograma da Leme não são destinados às tarefas contratadas junto às sociedades, pois estas, como visto são tarefas técnicas destinadas a serem utilizadas pela impugnante na elaboração de projetos maiores. As RAIS e GFIP anexas (doc. 05) comprovam que o organograma é preenchido pelos vários empregados que a impugnante tem. O equívoco decorre da suposição de que a impugnante se utiliza exclusivamente de sociedades para exercer suas tarefas, o que se comprovou ser mentira: para trabalhos técnicos específicos, destinados a utilização em projeto, a impugnante contrata sociedades profissionais especializadas e independentes, enquanto que, para o trabalho interno da empresa. realizado pelos cargos constantes do organograma, possui empregados devidamente registrados; 10. A utilização de recursos da conta contábil Participação nos Resultados Geral – Ano anterior não significa pagamentos a empregados. De acordo com os princípios de contabilidade geralmente aceitos, principalmente o da essência sobre a forma, os registros contábeis devem atentar para substancia econômica e não para formas legais. Eventuais pagamentos a prestadores de serviços pessoas jurídicas em razão de bônus de performance calculados com base nos resultados gerados ou mesmo a distribuição de resultados a Fl. 19703DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 9 8 diretores não empregados constituem economicamente participação nos resultados. E por esta razão foram assim lançados na contabilidade. É equivocada a premissa do lançamento fiscal, de que são empregados os beneficiários dos pagamentos lançados na conta contábil “participação nos resultados” uma vez que, de acordo com a Lei 10.101/2000, apenas empregados recebem tais pagamentos. O registro contábil se dá com atenção ao aspecto econômico e não legal. Exclusão dos valores relativos à participação nos lucros e resultados. Caso não sejam acolhidas as alegações de que a desconsideração da personalidade jurídica das contratadas é nula, ao menos os valores apontados como sendo de pagamento de participação de lucros e resultados aos sócios das contratadas devem ser excluídos da base de cálculo. A Participação nos lucros e resultados são desvinculados da remuneração e sobre eles não incidem contribuições previdenciárias, pois os pagamentos respeitaram os termos da Lei 10.101/2000, conforme o exposto no item específico de pagamento de PLR a empregados; 11. PLR a empregados. O fato de o Acordo Coletivo ter sido formalizado posteriormente ao exercício do pagamento da PLR não atrai a incidência de contribuição previdenciária porque a Lei 10.101/2000 só usa o ano civil como parâmetro da periodicidade da remuneração, não demandando acordo prévio. Cita decisão do CARF. A Lei 10.101/2000 não determinou quais critérios deveriam ser seguidos na negociação, limitandose a sugerir duas possibilidades no art. 2º §1º, o que é evidenciado pelo uso da expressão “podendo ser consideradas”. Assim, o que caracteriza a PLR é a negociação entre as partes envolvidas, não se exigindo um programa de resultado previamente estipulado, como pretendido no Auto de Infração. No caso da PLR paga aos empregados do escritório de Belo Horizonte, através de Acordo Coletivo, as partes negociaram e consentiram em delegar ao acionista a escolha do montante a ser distribuído, em função dos resultados atingidos no período, dentre os diversos parâmetros previstos no art. 187 da Lei 6.404/76. No caso da PLR paga aos empregados da filial Florianópolis, a fiscalização alega ausência de avaliação de desempenho que justificasse o pagamento da PLR. Entretanto, o Termo Aditivo, cláusula 2ª do Extra Acordo Coletivo de Trabalho 2008/2009 entre a Leme e SENGE/SC, detalhou inclusive o valor a ser distribuído (50% da remuneração do empregado em dezembro de 2008), sua origem, a base e o percentual do pagamento. No mesmo sentido o Termo Aditivo relativo ao ano de 2007. Quanto a filial do Pará, os pagamentos foram feitos com base no acordo celebrado pela matriz. Se a essência do pagamento é a participação nos lucros e resultados, aplicação do acordo da matriz é suficiente para afastar a tributação. Todos os pagamentos obedeceram aos requisitos da Lei, não incidindo contribuição previdenciária. Cita decisão do STJ; 12. Não incidência de contribuição previdenciária sobre valores despendidos a título de aluguel residência ao Sr. Jean Joseph Fl. 19704DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 10 9 Marie Bouckaer. O Sr. Bouckaert é estrangeiro expatriado da Bélgica, trazido pela empresa para trabalhar no Brasil de acordo com seu programa de mobilidade sumarizado no documento anexo (doc. 08). Tratase, pois, de fornecimento de moradia para estrangeiro não residente no Brasil, essencial para viabilizar seu trabalho em território nacional. Assim, constituise verba indispensável à prestação do serviço, não integra o salário e não sofre tributação. Portando ilegal a inclusão do aluguel na base de cálculo das contribuições devidas, quer por não constituir remuneração pelo trabalho, quer por ser um pagamento eventual, que perdurou apenas enquanto o trabalhador desenvolveu suas atividades na localidade; 13. Valescombustível em forma de cartão – comprovação das despesas. Os valores fornecidos a empregados referentes a combustíveis, sob a forma de cartões ECX CAD, não sofrem a incidência tributária porque se enquadram como ”ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado”, hipótese excluída de tributação pelo art. 28, §9º, “s” da Lei 8.212/91. Acrescenta que o caso concreto se amolda àquela previsão legal porque as despesas em questão estão devidamente comprovadas através dos extratos de uso emitidos pela empresa fornecedora dos cartões (doc. 08). Os referidos cartões foram devolvidos à empresa (doc. 08) ao término da atuação dos referidos profissionais no projeto localizado em Nova Era/MG, haja vista que com a finalização dos serviços cessouse a ocorrência desses gastos específicos; 14. Não incidência sobre reembolso óculos e auxilio farmácia. O reembolso óculos e auxílio farmácia não sofrem incidência de contribuição por não ter natureza remuneratória, mas nítida natureza assistencial, suprindo necessidades do empregado relacionada à saúde e integridade física as quais, de acordo com a Constituição Federal, deveriam ser satisfeitas pelo Estado, a quem cabe, portanto, estimular as empresas que optem pela concessão de tais benefícios, e não penalizálas, com a imposição de um ônus adicional, como é a sujeição da verba à incidência de contribuições previdenciárias. Conforme comprova o lançamento, as verbas têm o caráter de reembolso, eis que é necessário que a despesa seja incorrida, não bastando o fato de ser empregado para recebêlas. Demonstrada, assim, a natureza assistencial. O fato das verbas serem disponibilizadas apenas para os empregados do estabelecimento de Florianópolis não é suficiente para afastar a aplicação do art. 28, § 9º, “r”, da Lei 8.212/91, pois a expressão “empresa” contida na parte final desse dispositivo legal (“abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa” grifamos) deve ser entendida como “estabelecimento”. Não há sentido em exigir que a parcela abranja todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, pois as características regionais podem demandar, a bem do principio da igualdade, a concessão de benefícios para atender apenas as necessidades dos trabalhadores de determinada localidade, que não pode não se reproduzir em todos os estabelecimentos; Fl. 19705DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 11 10 15. Não incidência sobre a bolsa de estágio. As relações de estágio para as quais a defesa não apresentou “termo de estágio” podem ser comprovadas através de relatórios e fichas de avaliação anexa à defesa, documentos estes que demonstram tratarse de relação marcada pelo aprendizado, pela compatibilidade entre as atividades desenvolvidas e os estudos do estagiário, bem como pela supervisão e avaliação regulares da empresa. Comprovado que se trata efetivamente de contrato de estágio e que o processo administrativo fiscal é regido pelo principio da verdade material, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária sobre as bolsas de estágio em foco. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0246.448 da 6a Turma da DRJ/BHE (fls. 14690/14721) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 19706DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 12 11 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Isso porque, um dos argumentos suscitados nas razões de recurso do contribuinte diz respeito às matérias fáticas relacionadas ao pagamento de PLR aos empregados em desacordo com a Lei 10.101/2000, aos Termos de Compromissos dos estagiários e à apuração da base de cálculo para o estabelecimento 33.633.561/000691, competência 03/2009. No que tange às matérias submetidas à controvérsia instaurada, o Fisco informa o seguinte: (i) o pagamento a título de PLR está em desacordo a Lei 10.101/2000, eis que na filial de Florianópolis (33.633.561/000500) não foi apresentada a avaliação de desempenho e a data de homologação do acordo foi em 01/05/2008, posterior ao exercício de 2008. Também não foram apresentados os acordos coletivos que respaldassem os pagamentos da participação nos resultados das Filiais Brasília 33.633.561/000420, Rio de Janeiro 33.633.561/000691, Pará 33.633.561/001159; e para a matriz (Belo Horizonte/MG) a homologação do acordo que versa sobre o exercício de 2008 ocorreu em 29/05/2009; (ii) houve a análise de todos os documentos apresentados pela Recorrente, inclusive dos Termos de Compromisso inseridos aos autos (doc. 10 da peça de impugnação); e (iii) para a apuração da base de cálculo dos prestadores de serviços, foram examinadas as notas fiscais de prestadores de serviços, contratos assinados com os prestadores de serviços, documentos emitidos pela Leme, referentes aos prestadores de serviços, dentre outros. “[...] 3.5. Levantamento PL Participação nos lucros e resultados da empresa PLR (...) Filial Florianópolis 33.633.561/000500: (...) No que concerne ao acordo referente ao exercício de 2008 com pagamento em 2009, assinado em Santa Catarina cabe elucidar, que embora a sua homologação tenha ocorrido 01/05/2008 e, defina que utilizará a avaliação de desempenho individual dos empregados a ser realizada conjuntamente pelos Gerentes de Projeto e Diretoria, não foi apresentada qualquer avaliação de desempenho que justificasse o pagamento escriturado na conta contábil 2.1.08.08.000001 – “PARTICIPACAO RESULTADOS GERAL ANO ANTERIOR”, está claro que se trata na verdade de um premio de desempenho coletivo travestido de participação nos lucros e resultados, onde a autuada busca se beneficiar da inexistência da tributação expressa na Lei 11.101/2000. Não foram apresentados acordos coletivos que respaldassem os pagamentos da participação nos resultados das Filiais Brasília 33.633.561/000420, Rio de Janeiro 33.633.561/000691, Pará 33.633.561/001159 referente ao desempenho do exercício de 2008 com pagamento em 2009. Considerando que não foram comprovadas as exigências apresentadas na Lei 10.101/2000, que dá a verba escriturada na conta contábil 2.1.08.08.000001 – “PARTICIPACAO RESULTADOS GERAL ANO ANTERIOR” a possibilidade de Fl. 19707DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 13 12 enquadrala na categoria almejada, a rubrica em quest. Os valores pagos encontramse detalhamentos no anexo PR, sendo pago a titulo de participação nos resultados um percentual de 50% (cinquenta por cento) sobre o salário base do empregado. ão foi considerada fato gerador das contribuições previdenciárias e das destinadas aos terceiros. 5. Foram examinadas as Notas Fiscais de Prestadores de Serviços, Contratos assinados com os Prestadores de Serviços, documentos emitidos pela Leme, referentes aos prestadores de serviços, que obedecem a um formato padrão e são gerados pela autuada dentre eles as Folhas de Medição de Serviços, de Despesas de Viagens, GPS, GFIP, Acordos Coletivos, Contratos de Estágio, Controle de utilização de Farmácia, escrituração contábil Sped e folhas de pagamento digitais devidamente autenticadas pela empresa no SVA, comprovante anexo ao presente processo e, demais documentos que compõem os lançamentos contábeis. [...]” (Relatório Fiscal, fls. 90/92) Em sentido contrário, a Recorrente afirma, na peça recursal, o seguinte: (i) o pagamento da PLR foi realizado de acordo com a Lei 10.101/2000 e não houve pagamento da participação nos resultados para as filiais de Brasília (33.633.561/000420) e do Rio de Janeiro (33.633.561/000691), para a filial do Pará o pagamento obedeceu às regras da matriz (Belo Horizonte); (ii) o Fisco não analisou todos os Termos de Compromisso dos estagiários, inclusive estes documentos foram inseridos aos autos (doc. 10 da peça de impugnação), assim os valores relacionados a esses documentos (doc. 10) deverão ser excluídos; e (iii) na apuração da base de cálculo do levantamento CVCARACT EMPREGADO, ocorreu um erro na competência 03/2009, estabelecimento 33.633.561/000691, sendo que o Fisco informa o valor de R$223.016,96 e o correto seria de R$206.465,12, conforme planilha contendo os números das notas fiscais e o destinatário de pagamento. Segundo a Recorrente, os documentos que confirmam as suas alegações foram devidamente acostados ao processo no prazo estabelecido pela legislação de regência. Fatos registrados na peça recursal: “[...] O Acordo Coletivo pertinente ao escritório de Belo Horizonte estabelece as regras de aferição do direito dos trabalhadores (doc. 07 da impugnação). A negociação realizada pelas partes resultou na reserva ao acionista, da escolha do montante, ou seja, a delegação da escolha foi consentida. Por fim, é ver que o relatório fiscal, apesar de informar que a filial de Brasília e Rio de Janeiro não tinham celebrado nenhum acordo coletivo, não identifica pagamentos por ela realizados nos Anexos PL 2008 e PR 2009. No caso da filial do Pará, os pagamentos foram feitos com base no acordo celebrado pela matriz. É que não seria justo que, na falta de acordo com os sindicatos daquele Estado os trabalhadores daquela filial ficassem sem receber o pagamento apenas por causa da tributação que incide sobre a empresa. Logo, se a essência do pagamento é de participação nos lucros e resultados, a aplicação do acordo pertinente à matriz é suficiente para afastar a tributação. (...) Fl. 19708DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 14 13 Pois bem. Primeiramente, relembrese que foram apresentados termos de estágio devidamente celebrados entre a Recorrente e seus estagiários. Desta forma, o acórdão recorrido deveria ter, ao mínimo, determinado a exclusão dos valores referentes aos termos apresentados, o que por si só enseja sua reforma. Ademais, ainda nem todos os termos encontremse disponíveis, fato é que, ao contrário do que alega o acórdão, a relação de estágio dos demais pode ser efetivamente comprovada através dos mencionados relatórios e fichas de avaliação em anexo, das quais se desprende tratarse de relação marcada pelo aprendizado, pela compatibilidade entre as atividades desenvolvidas e os estudos do estagiário e pela supervisão e avaliação regulares pela empresa. (...) Como as alíquotas totais são respectivamente de 21% e 5,8%, a base de cálculo considerada para o cálculo foi de R$ 223.016,96. Ocorre que a soma das notas fiscais constantes do ANEXO CV 2009, pagas pelo referido estabelecimento em março de 2009 não totalizam R$223.016,96, mas sim R$ 206.465,12. É ver a relação: (...) Portanto, o lançamento adotou base de cálculo superior àquela demonstrada pelo Fisco, motivo pelo qual deve ser anulado o crédito tributário relativo à rubrica CV CARACT EMPREGADO APÓS 1108 atribuída ao estabelecimento 33.633.561/000691 no mês de março de 2009. [...]” (Recurso Voluntário) A Recorrente argumenta ainda, dentre outros, que, para o levantamento CV CARACT EMPREGADO, ocorreu o lançamento por arbitramento sem a devida motivação. Registrase também que a Recorrente juntou aos autos várias cópias de contratos de prestação de serviços, acompanhados de declarações das prestadoras de serviços, e afirma que: “[...] a) considerando que a LEME não é a única tomadora dos serviços das sociedades desconsideradas, temse que essas são efetivas pessoas jurídicas não havendo qualquer simulação de relação de emprego; b) conforme decorre da sua própria atividade e, nos termos da Lei 5.194/66 (arts. 18 a 20), os serviços são executado com autonomia e independência, de modo que inexiste a subordinação técnica a ensejar vínculo empregatício (TRT, 4a Região, Proc. Nr.00449200638304 001); sendo certo que as sociedades contratadas não desempenham atividadefim e os serviços individualmente considerados não são capazes de satisfazer o interesse dos clientes da Recorrente; c) a maioria das pessoas jurídicas tem em sua composição mais de um sócio habilitado para a mesma profissão o que prova que os sócios atuam em conjunto nos diversos trabalhos da pessoa jurídica, sem prejuízo de indicar um sócio interlocutor representante junto a clientes determinados, o que não faz deste um empregado da Recorrente; d) além disto, os contratos sociais comprovam a ilegalidade da base de cálculo eleita pela fiscalização, por incidir sobre o valor total das Fl. 19709DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 15 14 NF's, nas quais há remunerações de outro(s) sócio(s) e tributos retidos na fonte (IR, CSLL, PIS e COF1NS); e) Por fim, percebese dos contratos sociais, ainda, que a data de constituição dessas PJ's desconsideradas é muito anterior ao período autuado, o que prova que a constituição das pessoas jurídicas não teve como finalidade encobrir relação de emprego. [...]” Assim, necessitamos que a AuditoriaFiscal (Fisco) examine e emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal que foram acompanhados de várias cópias de documentos, juntados aos autos na peça recursal (ou na peça de impugnação). Isso decorre do fato de que o trabalho de auditoria fiscal, em caso de verificação de descumprimento de obrigações tributárias, poderá acarretar o lançamento tributário, ato administrativo impositivo, de império, gravoso para os administrados. Por isso, o trabalho da fiscalização deve sempre demonstrar, com clareza e precisão, como determina a legislação, os motivos fáticos e jurídicos da lavratura da exigência. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto 70.235/1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF): Art. 9°. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Tal entendimento também está em consonância com o art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999 – processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Fl. 19710DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 16 15 Com isso, decido converter o presente julgamento em diligência, a fim de que o Fisco emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal, acompanhada de um conjunto probatório (contratos sociais e declarações das prestadoras de serviços). Tal Parecer deverá responder, dentre outros, os seguintes quesitos: 1. os valores oriundos do pagamento de PLR abarcaram, ou não, as filiais de Brasília (33.633.561/000420) e do Rio de Janeiro (33.633.561/0006 91); 2. os Termos de Compromisso acostados aos autos (doc. 10) já foram, ou não, analisados pelo Fisco, demonstrar a ocorrência do fato; 3. para o levantamento CVCARACT EMPREGADO, a base de cálculo da competência 03/2009 está correta, ou não; 4. dentro ainda do levantamento CVCARACT EMPREGADO, deverá analisar e emitir parecer sobre os documentos acostados pela Recorrente (contratos sociais e declarações), verificando; (i) se a Recorrente é, ou não, a única tomadora dos serviços das sociedades desconsideradas; (ii) se a base de cálculo eleita pelo Fisco abarcou, ou não, outros valores não pagos pela Recorrente; (iii) se o único propósito das sociedades desconsideradas é, ou não, a prestação de serviços para a Recorrente; dentre outros a critério do Fisco na elucidação da controvérsia instaurada. Após essa providência, o Fisco deve elaborar Parecer Fiscal conclusivo sobre a necessidade, ou não, de retificação de valores contidos em cada competência, com os motivos que justificam sua posição. Por fim, após a emissão do Parecer, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 19711DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10665.905469/2009-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário.
Numero da decisão: 3803-005.640
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Cuidase o presente de PER/DCOMP que visa compensar crédito de COFINS, no valor original de R$ 5.050,42, correspondente ao DARF, no valor de R$ 39.900,91, recolhido em 15/07/03, com débitos administrados pela RFB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 54 69 /2 00 9- 13 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10665.905469/200913 Acórdão n.º 3803005.640 S3TE03 Fl. 63 2 O Despacho Decisório está anexo à fl. 37 e foi emitido em 09/06/2009, sob o pressuposto de que foram identificados pagamentos utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte e que estavam vinculados ao DARF mencionado no PER/DCOMP em exame, razão pela qual não há crédito suficiente para a compensação pleiteada. O referido despacho está embasado art. 74 da Lei nº 9.430/1996, bem como nos arts. 165 e 170 do CTN. Às fls. 02/09 está anexa a Manifestação de Inconformidade, a partir dos seguintes argumentos de defesa: a) suscita preliminar de nulidade do Despacho Decisório, devido o fato desse não estar adequadamente fundamentado o que causou prejuízo a ampla defesa; b) advoga que inexiste lei que obrigue a correção das DCTFs para retificar o valor do crédito declarado; c) entende que a declaração de compensação deveria prevalecer em relação a declaração anterior; Já às fls. 42/47 consta o Acórdão nº 0239.807 da 2ª Turma da DRJ/BHE, que indeferiu a compensação devido a inexistência de crédito por falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior de tributo. Além do que, a decisão de piso destacou que o Despacho Decisório não é nulo em razão de ter sido lavrado por autoridade competente e sem que o contribuinte fosse prejudicado em seu direito a ampla defesa e ao contraditório. Os julgadores de piso, argumentaram ainda que o Despacho Decisório está devidamente fundamentado no art. 74 da Lei n.º 9.430/1996, diante da ausência de crédito utilizado no PER/DCOMP e principalmente que no referido despacho consta que o Darf apresentado como crédito foi utilizado para pagamento de tributo declarado com a informação do número do pagamento, do valor original, do período de apuração e o código do tributo. No acórdão exarado pela DRJ, fica claro que os julgadores rechaçam a tese apresentada pelo contribuinte de que a Fazenda Nacional deveria aceitar a PER/DCOMP em exame, enviada posteriormente a DCTF, ainda que ela esteja em divergência com os valores informados nesta última, uma vez que cabe ao contribuinte o ônus tributário de demonstrar a existência de seu direito. Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário às fls. 51/59 e repisou as alegações já explanadas em sua Manifestação de Inconformidade, cabendo destaque sintético em relação à nulidade do Despacho Decisório, pois compreende que a mera afirmação de que “inexiste crédito suficiente para a compensação” é por demais genérica, motivo pelo qual lhe prejudicou a ampla defesa, bem como violou o princípio do devido processo legal. Defende que o pedido de compensação goza de eficácia de presunção e que cabe ao Fisco motivar o indeferimento da sua homologação de forma mais clara. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10665.905469/200913 Acórdão n.º 3803005.640 S3TE03 Fl. 64 3 Insiste na falta de lei que o obrigue a retificar a DCTF para reduzir o valor do débito declarado. Além do que, segundo o contribuinte, se a DCTF constitui confissão de dívida, por outro lado o PER/DCOMP é uma compensação, logo se presume crédito os valores nele declarados. O contribuinte pretende que a PER/DCOMP, posteriormente informada, prevaleça em relação à DCTF, pois para ele aquela substitui e anula a confissão de dívida feita anteriormente, justamente porque a PER/DCOMP foi declarada depois. Em sua defesa, cita julgado do CARF no PAF nº 10530.901536/200875, com o fito de demonstrar que inexiste norma condicionando à apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF. Por derradeiro, requer a nulidade do Despacho Decisório e o reconhecimento do crédito transmitido em PER/DCOMP. Este é o relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Não assiste qualquer razão ao contribuinte. Analisando o Despacho Decisório está evidente no campo 3 deste documento, reservado a fundamentação da decisão, que o motivo do indeferimento do pedido de compensação foi a falta de crédito informado no PER/DCOMP, havendo inclusive a citação do art. 170 do CTN, bem como o art. 74 da Lei n. 9.430/96, os quais por sua vez se referem ao instituto da compensação. Ademais, como bem destacaram os julgadores de primeiro grau, o Despacho Decisório ainda identificou para o DARF informado em PER/DCOMP, o número do pagamento, código do tributo e o seu valor, ou seja, R$ 39.900,91. Com efeito, compreendo que não há que se falar em violação ao princípio da ampla defesa, como deseja o contribuinte, principalmente devido ao fato de que o Despacho Decisório encontrase adequadamente fundamento. Por outro lado, é verdade que a fundamentação é sintética. Também é verdade que para a melhor compreensão do Despacho Decisório eletrônico se exige do sujeito passivo razoável conhecimento dos mecanismos e procedimentos adotados pela RFB. Todavia, ainda assim, não é possível acolher a pretensão do contribuinte de que aquele seja nulo por falta de motivação. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10665.905469/200913 Acórdão n.º 3803005.640 S3TE03 Fl. 65 4 Ainda, “data vênia”, discordo da tese defendida pelo contribuinte de que o envio de uma declaração de compensação possua o efeito de substituir e retificar a DCTF anteriormente enviada, ainda que divergente dos dados informados na DCTF anterior. Outro ponto discordante da tese apresentada pelo sujeito passivo, diz respeito a sua alegação de que o PER/DCOMP constitui crédito com presunção legal de validade. Isso porque, em sede de pedido de compensação é pacífico na doutrina e na jurisprudência que cabe ao contribuinte constituir no PAF a prova do seu direito, visto que incumbe a quem alega fato constitutivo do seu direito. Além do que, o débito confessado em DCTF foi de R$ R$ 39.900,91, mas o contribuinte não juntou prova da existência do pretenso crédito informado em PER/DCOMP. Deste modo, uma vez apresentado pedido de compensação e sobrevindo posteriormente a decisão denegatória, obriga a Fazenda Nacional tão somente a apontar de maneira objetiva o motivo pelo qual inexiste o crédito indicado em PER/DCOMP, exatamente como ocorreu no caso em tela. Assim, a fim de provar a existência do crédito pretendido, ao contribuinte cabia apresentar dos documentos contábeis idôneos necessários para demonstrar a redução do débito declarado. O contribuinte poderia ainda ter apontado “suposto” equívoco do Despacho Decisório, principalmente em relação à informação de que utilizou o DARF indicado em PER/DCOMP para pagamento de outro débito, todavia assim não o fez. Conseqüentemente, deve ser mantida a decisão de piso, uma vez que o contribuinte não desempenhou sua obrigação de comprovar a existência do direito creditório. Ante exposto, nego provimento do recurso. É como voto. Sala das sessões, 27 de fevereiro de 2014. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.002470/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/03/2003 a 31/03/2003, 01/05/2003 a 31/12/2003
Ementa:
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACÓRDÃO DA DRJ. MOTIVAÇÃO. OMISSÃO, INEXISTÊNCIA.
Ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido.
DECADÊNCIA. FRAUDE. INAPLICABILIDADE DO ART. 150, § 4, DO CTN. APLICAÇÃO DA REGRA GERAL DO ART. 173, I, DO CTN. DEVEDORES PRINCIPAIS.
Deve ser reconhecida a decadência em relação as empresas corresponsáveis, quando estas foram notificados dos autos de infração, relativos a fatos geradores do tributo ocorridos há mais de cinco anos, contados do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA.
Existe responsabilidade tributária solidária entre empresas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN.
Demonstrado que as pessoas físicas ora recorrrentes eram quem efetivamente administravam, por meio de seus subordinados, a devedora principal, contrariamente ao que dispõe o contrato social desta empresa e os contratos sociais das empresas por eles dirigidas, impõe-se a responsabilização pessoal, nos termos do art. 135 do CTN.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e; no mérito: (a) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado por GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, GIUCAFÉ ARMAZÉNS LTDA, CARLOS ALBERTO GIUBERTI, PEDRO GIUBERTI e ALFREDO GIUBERTI, para reconhecer a decadência referente ao período de janeiro a novembro de 2003, inclusive, apenas em relação às pessoas jurídicas. Vencido Gilberto de Castro Moreira Junior, que também excluía a responsabilidade tributária solidária das pessoas físicas; e (b) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado por AUGUSTO GIUBERTI. Vencido Gilberto de Castro Moreira Junior. Acompanhou o julgamento o advogado Remis Esto, OAB/ES nº. 45.196.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves .
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/03/2003 a 31/03/2003, 01/05/2003 a 31/12/2003 Ementa: PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACÓRDÃO DA DRJ. MOTIVAÇÃO. OMISSÃO, INEXISTÊNCIA. Ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. DECADÊNCIA. FRAUDE. INAPLICABILIDADE DO ART. 150, § 4, DO CTN. APLICAÇÃO DA REGRA GERAL DO ART. 173, I, DO CTN. DEVEDORES PRINCIPAIS. Deve ser reconhecida a decadência em relação as empresas corresponsáveis, quando estas foram notificados dos autos de infração, relativos a fatos geradores do tributo ocorridos há mais de cinco anos, contados do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. Existe responsabilidade tributária solidária entre empresas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. Demonstrado que as pessoas físicas ora recorrrentes eram quem efetivamente administravam, por meio de seus subordinados, a devedora principal, contrariamente ao que dispõe o contrato social desta empresa e os contratos sociais das empresas por eles dirigidas, impõe-se a responsabilização pessoal, nos termos do art. 135 do CTN. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e; no mérito: (a) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado por GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, GIUCAFÉ ARMAZÉNS LTDA, CARLOS ALBERTO GIUBERTI, PEDRO GIUBERTI e ALFREDO GIUBERTI, para reconhecer a decadência referente ao período de janeiro a novembro de 2003, inclusive, apenas em relação às pessoas jurídicas. Vencido Gilberto de Castro Moreira Junior, que também excluía a responsabilidade tributária solidária das pessoas físicas; e (b) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado por AUGUSTO GIUBERTI. Vencido Gilberto de Castro Moreira Junior. Acompanhou o julgamento o advogado Remis Esto, OAB/ES nº. 45.196. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves .
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/03/2003 a 31/03/2003, 01/05/2003 a 31/12/2003 Ementa: PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACÓRDÃO DA DRJ. MOTIVAÇÃO. OMISSÃO, INEXISTÊNCIA. Ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. DECADÊNCIA. FRAUDE. INAPLICABILIDADE DO ART. 150, § 4, DO CTN. APLICAÇÃO DA REGRA GERAL DO ART. 173, I, DO CTN. DEVEDORES PRINCIPAIS. Deve ser reconhecida a decadência em relação as empresas corresponsáveis, quando estas foram notificados dos autos de infração, relativos a fatos geradores do tributo ocorridos há mais de cinco anos, contados do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. Existe responsabilidade tributária solidária entre empresas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. Demonstrado que as pessoas físicas ora recorrrentes eram quem efetivamente administravam, por meio de seus subordinados, a devedora principal, contrariamente ao que dispõe o contrato social desta empresa e os contratos sociais das empresas por eles dirigidas, impõese a responsabilização pessoal, nos termos do art. 135 do CTN. Recurso voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 24 70 /2 00 8- 15 Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e; no mérito: (a) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado por GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, GIUCAFÉ ARMAZÉNS LTDA, CARLOS ALBERTO GIUBERTI, PEDRO GIUBERTI e ALFREDO GIUBERTI, para reconhecer a decadência referente ao período de janeiro a novembro de 2003, inclusive, apenas em relação às pessoas jurídicas. Vencido Gilberto de Castro Moreira Junior, que também excluía a responsabilidade tributária solidária das pessoas físicas; e (b) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado por AUGUSTO GIUBERTI. Vencido Gilberto de Castro Moreira Junior. Acompanhou o julgamento o advogado Remis Esto, OAB/ES nº. 45.196. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves . Relatório Por bem descrever a autuação, lavrada contra as empresas ora recorrentes, transcrevo o seguinte trecho do relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo de Autos de Infração contra a contribuinte em epígrafe, relativo à falta/insuficiência de recolhimento/declaração da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 1585/1592) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 1593/1600), referente aos períodos de apuração de 01/2003 e 03/2003, 05/2003 a 12/2003, no valor principal de R$ 78.349,01 (PIS) e R$ 361.589,17 (COFINS), acrescidos de multa de ofício de 150% e juros de mora calculados até 28/11/2008, totalizando os créditos tributário de R$ 256.403,55 e R$ 1.183.332,56. No Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal, integrante dos Autos de Infração (fls. 1569/1584), a autoridade lançadora registra, em síntese, que: a) De acordo com os elementos constantes do dossiê da SRFB, a empresa apresenta, no ano de 2003, indícios de omissão de receita. Esta presunção é decorrente da diferença entre a Receita Bruta declarada na DIPJ, no valor de R$ 63.791,72 e o Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.002470/200815 Acórdão n.º 3202001.030 S3C2T2 Fl. 1.979 3 montante das movimentações financeiras no ano de 2003, informado pelas instituições financeiras à SRFB, no valor de R$ 49.450.226,47; b) A fiscalizada atendeu em parte à intimação fiscal, deixando de apresentar o Livro Caixa (obrigatório) e os Livros Diário e Razão; c) de acordo com os elementos integrantes do dossiê integrado que subsidiaram a ação fiscal, desde 1997 a sua atividade preponderante era a comercialização de café em grão cru e ficou evidente sua íntima ligação com a Giucafé importação e Exportação e com a Giucafé Armazéns Gerais, empresas do grupo econômico Giubert; d) além dos fatos e provas encontrados no citado dossiê, outras provas colhidas durante a auditoria da qual foi objeto a escrituração da interessada e que abrangeu o período de 1998 a 2003 comprovam a sua ligação com aquelas empresas, a qual se estendeu até 2004; e) Marlene Giubert Marcon, irmã dos sóciosgerentes das empresas do grupo econômico Giubert, era procuradora da Giucafé Exportação e Importação e também da interessada, de acordo com as procurações juntadas aos autos; f) O Sr. Sérgio Poltronieri, diretor comercial da Giucafé Exportação e Importação, foi procurador da JD Comissária de Café até 17.04.2004, conforme procuração juntada aos autos, com poderes para abrir e movimentar contas bancárias, emitir e endossar cheques, etc, em qualquer instituição financeira no espírito Santo; g) Os dados cadastrais enviados pelos Bancos constam como da JD Comissária de Café Ltda o telefone e o endereço da Giucafé Exportação e Importação e a Sra Marlene Giubert Marcon como responsável e sócia da JD Comissária de Café Ltda; h) A fiscalizada efetuou pagamentos a parentes dos sócios da Giucafé Exportação e Importação Ltda e Giucafé Armazéns Gerais Ltda, sem comprovar a existência de operação comercial que os justifique; i) em 1998, a interessada passou a adquirir produtos de produtores rurais, determinando a entrega nas dependências da Giucafé Exportação e Importação; tempos depois, porém, tais produtos passaram a ser entregues, também por sua determinação, nas dependências da Giucafé Armazéns Gerais; j) a interessada jamais possuiu estabelecimento próprio para armazenagem e não lhe apresentou nenhum contrato de aluguel de local destinado a esse fim. Concluise que a armazenagem por parte da Giucafé Armazéns Gerais se dava de forma graciosa; Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 k) Analisados os contratos sociais e alterações, depreendese que os irmãos Alfredo Giubert, Pedro Giubert, Augusto Giubert e Carlos Alberto Giubert controlam e administram a Giucafé Exportação e Importação Ltda e a Giucafé Armazéns Gerais Ltda. Enquadramse, portanto, nestas condições, no conceito de formação de "Grupo Econômico"; l) os fatos descritos “demonstram, de forma inexorável, que as pessoas responsáveis pela administração e controle da Giucafé Exportação e Importação Ltda e da Giucafé Armazéns Gerais Ltda, continuaram controlando e administrando no ano calendário de 2003 os negócios da fiscalizada”; m) concluiu que a interessada também integra o grupo econômico de fato formado pelas empresas Giucafé Exportação e Importação e da Giucafé Armazéns Gerais; n) o art. 128 do CTN dispõe sobre a possibilidade de a obrigação tributária ser atribuída a terceiros; o) “responsabilidade tributária de terceiros aplicável a sócio ou administrador da pessoa jurídica depende de: a) lei expressa; b) vinculação desse terceiro ao fato gerador da obrigação, conforme dispõe o art. 135 do CTN”; p) de acordo com os esses artigos do CTN, os créditos tributários lançados em nome da interessada têm como corresponsáveis as empresas Giucafé Exportação e Importação e Giucafé Armazéns Gerais, bem como os seus proprietários Pedro Giubert, Carlos Alberto Giubert, Augusto Giubert e Alfredo Giubert, os quais também serão cientificados deste termo; q) Observase, com base na DIPJ, que a receita oferecida à tributação pela fiscalizada referese, unicamente, a receitas de prestação de serviços. Os dados da DIPJ estão em consonância com a DCTF, exceto em dez/2003, em relação ao PIS; r) As Notas Fiscais apresentadas, ratificadas pelos registros no Livro Registro de Saídas, demonstram que foram efetuadas operações de venda de mercadoria no mercado interno e externo, além da prestação de serviços; s) Foram identificadas as diferenças discriminadas nos demonstrativos II e III t) A empresa foi intimada a justificar e comprovar os motivos das diferenças apuradas, não tendo apresentado resposta; u) O IRPJ e a CSLL foram lançados com base no Lucro Arbitrado; v) Da base de cálculo do PIS e da COFINS foram expurgadas das receitas auferidas aquelas comprovadamente destinadas à exportação e compensados os valores informados na DCTF , como também os valores acolhidos pelos Autos de Infração nºs 11543004305/200321 COFINS e n° 11543004306/200375– PIS. Foi elaborado o demonstrativo de fls. 1565; Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.002470/200815 Acórdão n.º 3202001.030 S3C2T2 Fl. 1.980 5 w) pelo exposto e pelo fato: a) de a interessada ter tentado ocultar sua real situação financeira e suas operações comerciais; b) de ela ter retardado o conhecimento da Administração Tributária sobre suas receitas; e c) de ter prestado declaração falsa ao omitir, na DCTF e na DIPJ, débitos fiscais comprovadamente existentes, caracterizando sonegação fiscal, conforme art 71 da Lei 4.502/64, aplicoulhe a multa de 150% prevista no inc. II do art. 44 da Lei 9.430/96. x) Procedeuse à lavratura de Representação Fiscal para Fins penais perante o Delegado da RFB, conforme Decreto 2.730/98 e Portaria SRFB 665/2008. Cientificada dos lançamentos em 29/12/2008 (fls. 1586 e 1594), a empresa autuada, JD COMISSARIA DE CAFÉ LTDA., não os impugnou. As pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas tributariamente foram cientificadas do termo final de verificação e constatação fiscal em 30/12/2008 e 05/01/2009 (fls. 1775/1781). Augusto Giubert, uma das pessoas responsabilizadas, apresentou impugnação individual no dia 28/01/2009 (fls. 1709/1739). As demais apresentaram, na mesma data, impugnação em conjunto (fls. 1606/1639). Conclusos os autos, a DRJ Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I julgou procedente o lançamento (fls. 1.786 e ss.). Com efeito, a DRJ rejeitou o pedido de reconhecimento da decadência do crédito tributário, nos seguintes termos: Em termos práticos podemos afirmar que, caso o lançamento seja julgado improcedente em qualquer instância administrativa de julgamento, extinguese, por conseguinte, a obrigação do terceiro responsável. Ao contrário, afastada a responsabilidade de terceiros, subsiste o auto de infração lavrado em nome do contribuinte (se outra razão não houver para o seu cancelamento), uma vez que a obrigação deste é autônoma em relação à obrigação do responsável solidário. Diante disto, podemos afirmar que os autos de infração foram formalizados em 29/12/2008, com a ciência do contribuinte – JD Comissária de Café Ltda. A ciência das pessoas físicas e jurídicas arroladas como corresponsáveis pode ocorrer a qualquer tempo, devendose respeitar, contudo, o prazo de trinta dias a contar da ciência para que estas, se assim desejarem, possam apresentar defesa contra o lançamento. [...] No presente caso, caracterizada a ocorrência de sonegação fiscal, conforme art. 71 da lei 4.502/64, aplicase a regra decadencial do artigo 173, inciso I do CTN. Os lançamentos abrangem os fatos geradores ocorridos entre janeiro e dezembro de 2003. As contribuições relativas a janeiro de 2003 venceram em fevereiro de 2003, iniciandose em 01/01/2004 a contagem do prazo decadencial e encerrandose em 31/12/2008. Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 Considerandose que a ciência aos Autos de Infração pelo contribuinte deuse em 29/12/2008, não se encontrava decaído o direito de lançar o PIS e a COFINS. Quanto à nulidade do auto de infração por ter citado norma trabalhista (art. 2º, § 2º, da CLT), em sua motivação jurídica, o acórdão recorrido assim fundamentouse: A alegação de nulidade deve ser afastada. O dispositivo legal contestado não serviu de fundamento para os lançamentos de ofício. O enquadramento legal dos autos de infração encontrase em fls. 1588 e 1596 e a base legal da multa de ofício e dos juros de mora exigidos consta em fls. 1591/1592 e 1599/1600. O contestado artigo 2º, § 2º da CLT foi citado pela autoridade autuante no Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal apenas como fundamento para a responsabilização pelo pagamento do crédito tributária atribuída a terceiros e, portanto, ainda que se considerasse inadequada a sua utilização, tal fato não poderia acarretar a nulidade dos lançamentos. O dispositivo citado, portanto, é relevante apenas quanto à questão da imputação da responsabilidade pelo crédito tributário atribuída às empresas Giucafé Exportação e Importação Ltda e Giucafé Armazéns Geraris Ltda e seus sócios, pessoas físicas, o que será analisado a seguir neste voto, não afetando, de forma alguma, os créditos tributários relativos ao PIS e à Cofins, constituídos em nome do contribuinte JD Comissária de Café Ltda. Ou seja, ainda que os corresponsáveis venham a ser afastados da obrigação pelo recolhimento dos tributos exigidos, os autos de infração permanecem válidos e eficazes, uma vez que se verifica que os mesmos contém todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72: [...] O aresto recorrido, ainda, manteve a responsabilidade dos sócios ora recorrentes, com as seguintes palavras: As impugnantes iniciam sua defesa alegando que no processo nº 0035.538.2857, que tratava dos mesmos fatos e que teria por base as mesmas provas, a 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos de Previdência Social decidiu que a empresa Giucafé Exportação e Importação e seus proprietários não poderiam ser responsabilizados por ilícitos tributários praticados pela empresa autuada. Cumpre esclarecer, contudo, que referida decisão não vincula a autoridade julgadora administrativa de primeira instância. Em que pese o referido Acórdão ter decidido de forma favorável à pretensão das Recorrentes, a decisão não foi unânime, restando vencida a relatora. A vinculação do contribuinte com as pessoas responsabilizadas está caracterizada pelos fatos narrados no Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal, dentre os quais destacamos: a) A Sra. Marlene Giubert Marcon, irmã dos sócios gerentes das empresas do Grupo Giubert é procuradora da Giucafé Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.002470/200815 Acórdão n.º 3202001.030 S3C2T2 Fl. 1.981 7 Exportação e Importação Ltda, com poderes amplos para administrar todos os negócios do outorgante e qualificada como gerente financeira da respectiva empresa. Também foi nomeada procuradora da empresa JD Comissária de Café com poderes para assinar proposta de abertura de conta bancária, movimentálas, emitir, endossar cheques, solicitar saldos, extratos, outros, inclusive livre para movimentar através do Sistema de Pagamentos Brasileiro SPB em qualquer instituição financeira no Estado do Espírito Santo; b) A JD Comissária de Café também nomeou seu procurador o Sr. Sérgio Afonso Poltronier, empregado da Giucafé Exportação e Importação no cargo de Diretor Comercial, outorgandolhe os mesmos poderes acima descritos; c) Nos dados cadastrais enviados pelos bancos, consta como da JD Comissária de Café o mesmo telefone e endereço da Giucafé; d) Constatouse que a JD Comissária de Café efetuou pagamentos a parentes dos sócios da Giucafé sem a comprovação da existência de operação comercial que a justifique; e) O café adquirido não transitava pela JD Comissária de Café, indo direto para a Giucafé; f) A JD Comissária de Café nunca possuiu estabelecimento próprio para armazenagem de café. A fiscalização concluiu que a armazenagem pela Giucafé se dava sem custo para a fiscalizada. Diante das constatações acima, a fiscalização concluiu que os sócios da Giucafé Exportação e Importação Ltda e da Giucafé Armazéns Gerais Ltda, todos qualificados como sócios gerentes no período fiscalizado, também controlavam e administravam, no ano de 2003, os negócios da JD Comissária de Café. Os fatos narrados demonstram que a relação entre as três empresas e seus sócios vai muito além de uma simples relação de “amizade” e “confiança”, como querem fazer crer as impugnantes. Os argumentos apresentados na impugnação procuram demonstrar que os fatos apurados pela autoridade fiscal são corriqueiros e naturais entre empresas que mantêm um bom relacionamento comercial. No entanto, empresas independentes entre si e que possuem bom relacionamento comercial não se estabelecem no mesmo endereço, visando minimizar custos ou delegam o direito de movimentar suas contas bancárias a empregados e sócios uma da outra ou concedem empréstimos umas as outras a juros muito abaixo dos que seriam cobrados se a interessada recorresse a instituições financeiras. Ao contrario, a situação encontrada pela auditoria fiscal demonstra que a atividade da JD Comissária de Café Ltda vinculase aos interesses do Grupo Giucafé e é por esta controlada. Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 8 De tudo o que foi descrito no relatório fiscal, chama a atenção o fato de que a JD tinha, desde a sua constituição, a atividade de corretagem de café. A partir de 1997, o objeto social da empresa foi alterado para incluir o comércio de café. A receita proveniente desta nova atividade era, contudo, reiteradamente omitida, tendo sido constatado pela fiscalização que a empresa declarava na DIPJ apenas receita da prestação de serviços. A omissão de receita fica ainda mais patente quando se observa a enorme discrepância entre a Receita Bruta declarada na DIPJ (R$ 63.791,72) e as movimentações financeiras no ano de 2003, informadas pelas instituições financeiras (R$ 49.450.226,47). Além disso, a empresa diversas vezes intimada, deixou de apresentar à fiscalização livros fiscais e contábeis obrigatórios. Por sua vez, a Giucafé Exportação e Importação, que até então sempre adquiriu café diretamente dos produtores rurais, passou a adquirir o café da JD. No entanto, a própria Giucafé realizava o transporte do café desde o produtor rural até os seus armazéns, sem que o produto transitasse pela JD, até porque esta não possui armazém próprio. Além disso, o pagamento aos produtores rurais era efetuado por pessoas ligadas à Giucafé (empregados e parentes) por meio de contas bancárias abertas em nome da JD e livremente movimentadas por estas pessoas “estranhas” à sociedade. A alegação de que a JD efetuava vendas a outras empresas e de que a Giucafé possuía outros fornecedores além da JD não afasta o fato de haver o controle e administração das atividades da JD pela Giucafé. Notese que o transporte dos produtos, o pagamento aos produtores e a armazenagem eram realizados pela própria Giucafé. Somese a isto o fato de a JD e a Giucafé funcionarem no mesmo endereço o que, embora não se possa caracterizar como ilegal, reforça a tese de formação de grupo econômico e demonstra, quando se analisa este fato em conjunto com os demais fatos e elementos trazidos aos autos pela fiscalização, que a atividade de uma empresa se confunde com a outra, mediante uma administração comum. Destaquese neste sentido, os pagamentos realizados pela JD a pessoas ligadas às empresas Giucafé, sem a comprovação da existência de negócio jurídico que justifique tais pagamentos. O que se pode concluir diante de tudo o que foi descrito pela fiscalização, é que a JD era administrada de fato pelos mesmos sócios do grupo Giucafé. Resta claramente demonstrada a vinculação existente entre as empresas Giucafé Exportação e Importação Ltda, Giucafé Armazéns Gerais Ltda e JD Comissária de Café Ltda,caracterizandose a existência de grupo econômico que conjugava esforços demonstrando haver interações que transcendem em muito ao que se pode considerar como normal no âmbito de meras relações empresariais. Também restou evidente que os sócios gerentes da Giucafé controlavam e administravam a JD Comissária de Café Ltda visando seu próprio interesse e por esta razão deve ser mantida a Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.002470/200815 Acórdão n.º 3202001.030 S3C2T2 Fl. 1.982 9 corresponsabilidade pelo crédito tributário constituído em nome da JD. Especificamente quanto à responsabilidade do Sr. Augusto Giubert, a DRJ decidiu o seguinte: O Sr. Augusto Giubert apresentou impugnação individual na qual, além dos mesmos argumentos apresentados pelos demais corresponsáveis, alega que desde 1996 não é mais administrador de fato das empresas Giucafé Exportação e Importação ou Giucafé Armazéns Gerais, residindo, desde então no município de Vitória e que não procedeu a qualquer tipo de ato de gestão com relação à contribuinte. Na forma da jurisprudência hoje pacificada do Superior Tribunal de Justiça– STJ, o sócio que não possui poder de gerência não responde pelas obrigações tributárias da sociedade. Ou seja, a responsabilidade não decorre da condição de sócio, mas sim da atividade de gerência e administração, seja em relação ao administrador de direito ou de fato. No presente caso, verificase que na alteração contratual da empresa Giucafé Exportação e Importação Ltda (fl. 1542/1546), registrada em 28/08/1997 consta no Capítulo III, art. 8º, que a administração da sociedade será exercida por todos os sócios: [...] A retirada do nome do Sr. Augusto Giubert da cláusula que estabelece a responsabilidade pela administração da sociedade ocorreu com a alteração contratual, cuja cópia foi anexada em fls. 1547/1552. O registro da referida alteração na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo ocorreu somente em 09/01/2004 (vide Certidão fornecida pela JUCEES em fls. 1537/1538). Da mesma forma verificase que no contrato social da empresa Giucafé Armazéns Gerais Ltda (fls. 1558/1560) que consta da cláusula quinta que a administração da sociedade será exercida por todos os sócios: [...] Na alteração contratual nº 3 (fls. 1562/1566) houve a retirada do nome do Sr. Augusto Giubert da cláusula que atribui a responsabilidade pela administração da empresa. Esta alteração foi registrada na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo também em 09/01/2004 (vide Certidão fornecida pela JUCEES em fls. 1555/1557). Conforme se verifica, na data da ocorrência dos fatos geradores alcançados pelos autos de infração em análise (janeiro a dezembro de 2003), o Sr. Augusto Giubert detinha o poder de administrar as empresas qualificadas como corresponsáveis pelo crédito tributário exigido, sendo Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 10 irrelevante, para tanto, a comprovação de que residia em município distinto da sede da pessoa jurídica. Comprovado nos autos a vinculação do contribuinte com as empresas arroladas como corresponsáveis e o poder de gerência atribuído ao Sr. Augusto Giubert no contrato social das empresas, vigente à época dos fatos geradores, não há como acatar a sua pretensão, no sentido de afastar a responsabilidade pelo crédito tributário constituído em nome da JD Comissária de Café Ltda. Também não foi acolhido o pedido de produção de mais provas, como se observa do excerto do Voto abaixo: Quanto a novas oitivas, diligências ou perícias requeridas são desnecessárias, pois se encontram presentes circunstâncias fáticas das infrações à legislação tributária suficientemente caracterizadas e legalmente tipificadas na peça de autuação. As provas acostadas nos autos reputamse aptas a formar a convicção do julgador, assim, diligências ou perícias solicitadas, se deferidas, apenas procrastinariam a solução do contencioso, fato incompatível com o ideal de celeridade processual e segurança jurídica. Neste sentido, dispõe o artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: [...] Além disso, as questões formuladas pelas impugnantes (estabelecer se as empresas envolvidas, JD Comissária de Café Ltda, Giucafé Exportação e Importação Ltda e Giucafé Armazéns Gerais Ltda mantinham relações comerciais de armazenagem, compra e venda de café com outras empresas) são desnecessárias à solução da lide, pois o fato de haver relações comerciais com outras empresas não afasta, por si só, a constatação fartamente demonstrada de ser a pessoa jurídica contribuinte administrada e controlada, de fato, pelas pessoas físicas e jurídicas relacionadas como corresponsáveis. Sendo assim e por todos os fundamentos expostos, VOTO por julgar improcedentes as impugnações, no sentido de rejeitar as preliminares, manter os créditos tributários relativos ao PIS e à COFINS constituídos nos autos de infração, declararandoos definitivamente constituídos e e manter o vínculo de responsabilidade de Giucafé Exportação e Importação Ltda, Giucafé Armazéns Gerais Ltda, Pedro Giubert, Carlos Alberto Giubert, Augusto Giubert e Alfredo Giubert. Por fim, o acórdão recorrido não conheceu as alegações de inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC. Cientificados do acórdão acima destacado, o Sr. AUGUSTO GIUBERTI apresentou embargos de declaração (fls. 1.825), os quais foram rejeitados monocraticamente pelo despacho decisório de fls. 1.936, e, em seguida, interpôs recurso voluntário de fls. 1.885. O Sr. AUGUSTO GIUBERTI alega que o acórdão recorrido é nulo, por ser omisso quanto a questões essenciais ao julgamento. Alternativamente, defende a reforma do julgado da DRJ, porque não haveria prova da existência de grupo econômico, como exige o art. Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.002470/200815 Acórdão n.º 3202001.030 S3C2T2 Fl. 1.983 11 135 do CTN. Tampouco, estariam presentes os requisitos legais para a atribuição de responsabilidade tributária. Ademais, pugna que seja reconhecida a decadência, nos termos do art. 173, I, do CTN, uma vez que foi notificado depois de 1º/01/2009 acerca do lançamento tributário. Ao seu turno, a GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA., GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA., CARLOS ALBERTO GIUBERTI, PEDRO GIUBERTI e ALFREDO GIUBERTI interpuseram, conjuntamente, o recuso voluntário de fls. 1.839, ventilando as mesmas matérias trazidas no recurso voluntário do Sr. AUGUSTO GIUBERTI. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Tratamse de recurso voluntários interpostos contra o acórdão recorrido por GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA., GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA., CARLOS ALBERTO GIUBERTI, PEDRO GIUBERTI e ALFREDO GIUBERTI e, também, por AUGUSTO GIUBERTI. Os recorrentes apresentam seu inconformismo contra os autos de infração que os consideraram corresponsáveis pelo pagamento de PIS/COFINS devidos pela empresa JD COMISSARIA DE CAFÉ LTDA. Considerando que os recorrentes trazem diversas matérias em seu recurso voluntário, passo a apreciálas topicamente. Nulidade do acórdão da DRJ Preliminarmente, os recursos voluntários defendem que o acórdão recorrido seria nulo, porque teria sido omisso quanto à alegação dos recorrentes de que houve imputação genérica da corresponsabilidade sem individualização das condutas e sem provas de que as pessoas indicadas como corresponsáveis geriram a empresa JD COMISSARIA DE CAFÉ LTDA. No entanto, verificase que a DRJ esmiuçou as razões pelas quais entendeu que teria sido correta a imputação da corresponsabilidade da pessoas jurídicas e dos seus sócios. Observese: Os fatos narrados demonstram que a relação entre as três empresas e seus sócios vai muito além de uma simples relação de “amizade” e “confiança”, como querem fazer crer as impugnantes. Os argumentos apresentados na impugnação procuram demonstrar que os fatos apurados pela autoridade Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 12 fiscal são corriqueiros e naturais entre empresas que mantêm um bom relacionamento comercial. No entanto, empresas independentes entre si e que possuem bom relacionamento comercial não se estabelecem no mesmo endereço, visando minimizar custos ou delegam o direito de movimentar suas contas bancárias a empregados e sócios uma da outra ou concedem empréstimos umas as outras a juros muito abaixo dos que seriam cobrados se a interessada recorresse a instituições financeiras. Ao contrario, a situação encontrada pela auditoria fiscal demonstra que a atividade da JD Comissária de Café Ltda vinculase aos interesses do Grupo Giucafé e é por esta controlada. De tudo o que foi descrito no relatório fiscal, chama a atenção o fato de que a JD tinha, desde a sua constituição, a atividade de corretagem de café. A partir de 1997, o objeto social da empresa foi alterado para incluir o comércio de café. A receita proveniente desta nova atividade era, contudo, reiteradamente omitida, tendo sido constatado pela fiscalização que a empresa declarava na DIPJ apenas receita da prestação de serviços. A omissão de receita fica ainda mais patente quando se observa a enorme discrepância entre a Receita Bruta declarada na DIPJ (R$ 63.791,72) e as movimentações financeiras no ano de 2003, informadas pelas instituições financeiras (R$ 49.450.226,47). Além disso, a empresa diversas vezes intimada, deixou de apresentar à fiscalização livros fiscais e contábeis obrigatórios. Por sua vez, a Giucafé Exportação e Importação, que até então sempre adquiriu café diretamente dos produtores rurais, passou a adquirir o café da JD. No entanto, a própria Giucafé realizava o transporte do café desde o produtor rural até os seus armazéns, sem que o produto transitasse pela JD, até porque esta não possui armazém próprio. Além disso, o pagamento aos produtores rurais era efetuado por pessoas ligadas à Giucafé (empregados e parentes) por meio de contas bancárias abertas em nome da JD e livremente movimentadas por estas pessoas “estranhas” à sociedade. A alegação de que a JD efetuava vendas a outras empresas e de que a Giucafé possuía outros fornecedores além da JD não afasta o fato de haver o controle e administração das atividades da JD pela Giucafé. Notese que o transporte dos produtos, o pagamento aos produtores e a armazenagem eram realizados pela própria Giucafé. Somese a isto o fato de a JD e a Giucafé funcionarem no mesmo endereço o que, embora não se possa caracterizar como ilegal, reforça a tese de formação de grupo econômico e demonstra, quando se analisa este fato em conjunto com os demais fatos e elementos trazidos aos autos pela fiscalização, que a atividade de uma empresa se confunde com a outra, mediante uma administração comum. Destaquese neste sentido, os pagamentos realizados pela JD a pessoas ligadas às empresas Giucafé, sem a comprovação da existência de negócio jurídico que justifique tais pagamentos. Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.002470/200815 Acórdão n.º 3202001.030 S3C2T2 Fl. 1.984 13 O que se pode concluir diante de tudo o que foi descrito pela fiscalização, é que a JD era administrada de fato pelos mesmos sócios do grupo Giucafé. Resta claramente demonstrada a vinculação existente entre as empresas Giucafé Exportação e Importação Ltda, Giucafé Armazéns Gerais Ltda e JD Comissária de Café Ltda,caracterizandose a existência de grupo econômico que conjugava esforços demonstrando haver interações que transcendem em muito ao que se pode considerar como normal no âmbito de meras relações empresariais. Também restou evidente que os sócios gerentes da Giucafé controlavam e administravam a JD Comissária de Café Ltda visando seu próprio interesse e por esta razão deve ser mantida a corresponsabilidade pelo crédito tributário constituído em nome da JD. Igualmente, o acórdão recorrido expôs os fundamentos para responsabilização do sócio AUGUSTO GIUBERT. Leiase: O Sr. Augusto Giubert apresentou impugnação individual na qual, além dos mesmos argumentos apresentados pelos demais corresponsáveis, alega que desde 1996 não é mais administrador de fato das empresas Giucafé Exportação e Importação ou Giucafé Armazéns Gerais, residindo, desde então no município de Vitória e que não procedeu a qualquer tipo de ato de gestão com relação à contribuinte. Na forma da jurisprudência hoje pacificada do Superior Tribunal de Justiça– STJ, o sócio que não possui poder de gerência não responde pelas obrigações tributárias da sociedade. Ou seja, a responsabilidade não decorre da condição de sócio, mas sim da atividade de gerência e administração, seja em relação ao administrador de direito ou de fato. No presente caso, verificase que na alteração contratual da empresa Giucafé Exportação e Importação Ltda (fl. 1542/1546), registrada em 28/08/1997 consta no Capítulo III, art. 8º, que a administração da sociedade será exercida por todos os sócios: [...] A retirada do nome do Sr. Augusto Giubert da cláusula que estabelece a responsabilidade pela administração da sociedade ocorreu com a alteração contratual, cuja cópia foi anexada em fls. 1547/1552. O registro da referida alteração na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo ocorreu somente em 09/01/2004 (vide Certidão fornecida pela JUCEES em fls. 1537/1538). Da mesma forma verificase que no contrato social da empresa Giucafé Armazéns Gerais Ltda (fls. 1558/1560) que consta da cláusula quinta que a administração da sociedade será exercida por todos os sócios. Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 14 Na alteração contratual nº 3 (fls. 1562/1566) houve a retirada do nome do Sr. Augusto Giubert da cláusula que atribui a responsabilidade pela administração da empresa. Esta alteração foi registrada na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo também em 09/01/2004 (vide Certidão fornecida pela JUCEES em fls. 1555/1557). Conforme se verifica, na data da ocorrência dos fatos geradores alcançados pelos autos de infração em análise (janeiro a dezembro de 2003), o Sr. Augusto Giubert detinha o poder de administrar as empresas qualificadas como corresponsáveis pelo crédito tributário exigido, sendo irrelevante, para tanto, a comprovação de que residia em município distinto da sede da pessoa jurídica. Comprovado nos autos a vinculação do contribuinte com as empresas arroladas como corresponsáveis e o poder de gerência atribuído ao Sr. Augusto Giubert no contrato social das empresas, vigente à época dos fatos geradores, não há como acatar a sua pretensão, no sentido de afastar a responsabilidade pelo crédito tributário constituído em nome da JD Comissária de Café Ltda. Constatase, desse modo, que a DRJ motivou claramente sua decisão e não foi omissa quanto à questão da individualização das condutas e das provas, que embasaram a atribuição de corresponsabilidade, devendo, por isso, ser rejeitada a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Decadência Analiso, agora, a prejudicial de mérito, atinente a ocorrência da decadência do crédito tributário. No caso dos autos, como bem destacou o acórdão recorrido, o prazo decadencial deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN, uma vez que a ocorrência de sonegação afasta a aplicação da regra especial do art. 150, § 4º , do CTN. De fato, constatouse que a devedora principal, JD COMISSARIA DE CAFÉ LTDA., omitiu receitas tributáveis pelo PIS/COFINS, depois de concluída fiscalização desencadeada diante da discrepância existente entre a Receita Bruta Declarada pela fiscalizada em sua DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica 2004/Ano calendário 2003 (doc. de fls. 186 a 223) no valor de R$ 63.791,72 e o montante das suas movimentações financeiras no ano de 2003, informado pelas instituições financeiras à SRFB, no valor de R$ 49.450.226,47 (doc. de fls. 09). Conforme narrado no Relatório do presente acórdão, a DRJ não reconheceu a ocorrência da decadência, porque o devedor principal e as pessoas físicas sócias das empresas corresponsáveis, GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA., GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA., foram intimadas no prazo do art. 173, I, do CTN, uma vez que tomaram ciência do auto de infração em 29/12/2008 e o lustro se encerraria apenas em 1º/01/2009. Confirase: Alegam os impugnantes designados como corresponsáveis que teria ocorrido a decadência do direito de constituir o crédito tributário, uma vez que as empresas Giucafé Exportação e Importação Ltda e Giucafé Armazéns Geraris Ltda somente foram cientificadas do lançamento no inicio de janeiro de 2009. Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.002470/200815 Acórdão n.º 3202001.030 S3C2T2 Fl. 1.985 15 Em termos práticos podemos afirmar que, caso o lançamento seja julgado improcedente em qualquer instância administrativa de julgamento, extinguese, por conseguinte, a obrigação do terceiro responsável. Ao contrário, afastada a responsabilidade de terceiros, subsiste o auto de infração lavrado em nome do contribuinte (se outra razão não houver para o seu cancelamento), uma vez que a obrigação deste é autônoma em relação à obrigação do responsável solidário. Diante disto, podemos afirmar que os autos de infração foram formalizados em 29/12/2008, com a ciência do contribuinte – JD Comissária de Café Ltda. A ciência das pessoas físicas e jurídicas arroladas como corresponsáveis pode ocorrer a qualquer tempo, devendose respeitar, contudo, o prazo de trinta dias a contar da ciência para que estas, se assim desejarem, possam apresentar defesa contra o lançamento. [...] No presente caso, caracterizada a ocorrência de sonegação fiscal, conforme art. 71 da lei 4.502/64, aplicase a regra decadencial do artigo 173, inciso I do CTN. Os lançamentos abrangem os fatos geradores ocorridos entre janeiro e dezembro de 2003. As contribuições relativas a janeiro de 2003 venceram em fevereiro de 2003, iniciandose em 01/01/2004 a contagem do prazo decadencial e encerrandose em 31/12/2008. Considerandose que a ciência aos Autos de Infração pelo contribuinte deuse em 29/12/2008, não se encontrava decaído o direito de lançar o PIS e a COFINS. Entretanto, observo que a GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. tomou ciência do auto de infração, pelos Correios, em 05/01/2009 (fl. 1.777), e GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA., igualmente, foi notificada em 05/01/2009 (fl. 1.780), devendo ser estas datas consideradas para fins de contagem do prazo decadencial. Efetivamente, a intimação das pessoas jurídicas corresponsáveis não podem ser confundidas com a intimação das pessoas físicas corresponsáveis. Dessa forma, é inegável que ocorreu a decadência do crédito tributário, em relação aos devedores corresponsáveis pessoas jurídicas, nos termos do art. 173, I, do CTN, no que diz respeito aos tributos alusivos aos meses de janeiro a novembro de 2003, considerando que a intimação ocorreu em 05/01/2009. No que diz respeito ao mês de dezembro de 2003, entendo que não ocorreu a decadência, dado que o vencimento do tributo ocorreu em 15/01/2004 (fls. 1.591 e 1.599), não podendo haver lançamento antes dessa data, o que conduz o termo final decadencial para o dia 01/01/2010. Porém, em relação aos sócios das pessoas jurídicas correponsáveis (GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA., GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA.), não acolho a alegação de decadência, pois estes foram intimados em 29/12/2008 para pagar tributos originados do ano de 2003, o que põe o lançamento dentro do prazo estabelecido pelo art. 173, I, do CTN. Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 16 Assim, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para decretar a decadência do direito ao crédito tributário, relativo aos tributos alusivos aos meses de janeiro a novembro de 2003, quanto à GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. e à GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA. Grupo Econômico No que se refere ao grupo econômico, relativamente à JD COMISSARIA DE CAFÉ LTDA, à GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. e à GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA, é preciso examinar a matéria, uma vez que subsistiu contra essas pessoas jurídicas a cobrança de tributos, em relação à competência de dezembro de 2003. Nesse aspecto, comungo do entendimento do STJ de que a caracterização de grupo econômico, para fins de responsabilização solidária tributária, depende da prova de que as empresas envolvidas realizam em conjunto a situação configuradora do fato gerador. Confirase: A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. (AgRg no AREsp 21.073/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 26.10.2011). In casu, a situação configuradora do fato gerador é, preponderantemente, a aquisição de receita decorrente da comercialização de café em grão cru. Segundo o auto de infração (fls. 1.569 e ss.), as mencionadas pessoas jurídicas participaram da situação configuradora do fato gerador, como bem frisou a DRJ. Deveras, o acórdão recorrido destacou que a operação, realizada pela JD COMISSARIA DE CAFÉ LTDA., de compra das pessoas físicas produtoras rurais e venda do café cru era, na verdade, controlada e realizada por pessoas ligadas à GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. e à GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA. Vejase o seguinte trecho do aresto recorrido: De tudo o que foi descrito no relatório fiscal, chama a atenção o fato de que a JD tinha, desde a sua constituição, a atividade de corretagem de café. A partir de 1997, o objeto social da empresa foi alterado para incluir o comércio de café. A receita proveniente desta nova atividade era, contudo, reiteradamente omitida, tendo sido constatado pela fiscalização que a empresa declarava na DIPJ apenas receita da prestação de serviços. A omissão de receita fica ainda mais patente quando se observa a enorme discrepância entre a Receita Bruta declarada na DIPJ (R$ 63.791,72) e as movimentações financeiras no ano de 2003, informadas pelas instituições financeiras (R$ 49.450.226,47). Além disso, a empresa diversas vezes intimada, deixou de apresentar à fiscalização livros fiscais e contábeis obrigatórios. Por sua vez, a Giucafé Exportação e Importação, que até então sempre adquiriu café diretamente dos produtores rurais, passou a adquirir o café da JD. No entanto, a própria Giucafé realizava o transporte do café desde o produtor rural até os seus armazéns, sem que o produto transitasse pela JD, até porque esta não possui armazém próprio. Além disso, o pagamento aos produtores rurais era efetuado por pessoas ligadas à Giucafé (empregados e parentes) por meio de contas Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.002470/200815 Acórdão n.º 3202001.030 S3C2T2 Fl. 1.986 17 bancárias abertas em nome da JD e livremente movimentadas por estas pessoas “estranhas” à sociedade. A alegação de que a JD efetuava vendas a outras empresas e de que a Giucafé possuía outros fornecedores além da JD não afasta o fato de haver o controle e administração das atividades da JD pela Giucafé. Notese que o transporte dos produtos, o pagamento aos produtores e a armazenagem eram realizados pela própria Giucafé. Somese a isto o fato de a JD e a Giucafé funcionarem no mesmo endereço o que, embora não se possa caracterizar como ilegal, reforça a tese de formação de grupo econômico e demonstra, quando se analisa este fato em conjunto com os demais fatos e elementos trazidos aos autos pela fiscalização, que a atividade de uma empresa se confunde com a outra, mediante uma administração comum. Destaquese neste sentido, os pagamentos realizados pela JD a pessoas ligadas às empresas Giucafé, sem a comprovação da existência de negócio jurídico que justifique tais pagamentos. O que se pode concluir diante de tudo o que foi descrito pela fiscalização, é que a JD era administrada de fato pelos mesmos sócios do grupo Giucafé. Resta claramente demonstrada a vinculação existente entre as empresas Giucafé Exportação e Importação Ltda, Giucafé Armazéns Gerais Ltda e JD Comissária de Café Ltda,caracterizandose a existência de grupo econômico que conjugava esforços demonstrando haver interações que transcendem em muito ao que se pode considerar como normal no âmbito de meras relações empresariais. Também restou evidente que os sócios gerentes da Giucafé controlavam e administravam a JD Comissária de Café Ltda visando seu próprio interesse e por esta razão deve ser mantida a corresponsabilidade pelo crédito tributário constituído em nome da JD. Como se vê dos excertos acima destacados, restou demonstrado que a GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. e a GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA. participavam ostensivamente da situação configuradora do fato gerador (da compra do café cru das pessoas físicas produtoras rurais à sua venda, armazenamento e transporte), razão pelo qual NEGO provimento ao recurso voluntário, julgando que está configurada a existência de grupo econômico. Da responsabilidade pessoal Tendo apreciado a existência de grupo econômico, relativamente à JD COMISSARIA DE CAFÉ LTDA, GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. e à GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA, resta, dessarte, examinar corresponsabilidade das pessoas físicas, CARLOS ALBERTO GIUBERTI, PEDRO GIUBERTI, ALFREDO GIUBERTI e AUGUSTO GIUBERTI. De acordo com o auto de infração, a corresponsabilidade dos recorrentes decorreria do que dispõem o art. 128 e o art. 135 do CTN (fl. 1.575): Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 18 III – Da responsabilidade tributária 1) A comprovação da unicidade de comando, da cooperação operacional e financeira entre a empresa JD Comissária de Café Ltda e as empresas do grupo Giubert, desde novembro de 1997 e inclusive no ano de 2003, demonstram, apesar do quadro societário distinto entre elas, que a JD Comissária de Café Ltda tem sua administração e controle exercidos pelos mesmos responsáveis que administram e controlam as empresas do Grupo Giubert. A fiscalizada, portanto, tem sua administração totalmente subordinada a este grupo, sendo por ela controlada, em beneficio dos objetivos empresariais do mesmo. 2) Concluise então que, a JD Comissária de Café Ltda também integra o grupo econômico de fato, formado pelas empresas Giucafé Exportação e Importação Ltda e Giucafé Armazéns Gerais Ltda. 3) O art. 128 do CTN dispõe acerca da possibilidade de se atribuir a obrigação tributária a alguém que não seja o contribuinte: [...] 4) A responsabilidade tributária de terceiros aplicável a sócio ou administrador da pessoa jurídica depende de: a) Lei expressa; b) vinculação desse terceiro ao fato gerador da obrigação, conforme dispõe o art. 135 do CTN: [...] 5) De acordo com os artigos do CTN supracitados, os créditos tributários em nome da empresa J.D. Comissária de Café Ltda. tem como coresponsáveis as empresas GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA., GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA., bem como seus sócios Pedro Giuberti..., Alfredo Giuberti.... e Augusto Giuberti..... Como se vê, a fiscalização atribuiu a responsabilidade tributária as pessoas físicas recorrentes, nos termos do art. 135 do CTN, porque, na sua ótica, são elas quem efetivamente administram a devedora principal, J. D. COMISSÁRIA DE CAFÉ LTDA. Diz o auditor: “a JD Comissária de Café Ltda tem sua administração e controle exercidos pelos mesmos responsáveis que administram e controlam as empresas do Grupo Giubert”. Os fatos que levaram a fiscalização a chegar a essa conclusão foram precisamente resumidos pelo acórdão recorrido, nos seguintes termos: A vinculação do contribuinte com as pessoas responsabilizadas está caracterizada pelos fatos narrados no Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal, dentre os quais destacamos: a) A Sra. Marlene Giubert Marcon, irmã dos sócios gerentes das empresas do Grupo Giubert é procuradora da Giucafé Exportação e Importação Ltda, com poderes amplos para administrar todos os negócios do outorgante e qualificada como gerente financeira da respectiva empresa. Também foi nomeada procuradora da empresa JD Comissária de Café com poderes para assinar proposta de abertura de conta bancária, Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.002470/200815 Acórdão n.º 3202001.030 S3C2T2 Fl. 1.987 19 movimentálas, emitir, endossar cheques, solicitar saldos, extratos, outros, inclusive livre para movimentar através do Sistema de Pagamentos Brasileiro SPB em qualquer instituição financeira no Estado do Espírito Santo; b) A JD Comissária de Café também nomeou seu procurador o Sr. Sérgio Afonso Poltronier, empregado da Giucafé Exportação e Importação no cargo de Diretor Comercial, outorgandolhe os mesmos poderes acima descritos; c) Nos dados cadastrais enviados pelos bancos, consta como da JD Comissária de Café o mesmo telefone e endereço da Giucafé; d) Constatouse que a JD Comissaria de Café efetuou pagamentos a parentes dos sócios da Giucafé sem a comprovação da existência de operação comercial que a justifique; e) O café adquirido não transitava pela JD Comissária de Café, indo direto para a Giucafé; f) A JD Comissária de Café nunca possuiu estabelecimento próprio para armazenagem de café. A fiscalização concluiu que a armazenagem pela Giucafé se dava sem custo para a fiscalizada. Para a fiscalização, portanto, os fatos elencados acima, principalmente as procurações (fls. 49 e ss.), dando poderes de movimentação e emissão de cheques de contas bancárias da J.D. COMISSÁRIA DE CAFÉ LTDA.,outorgada à gerente financeira (Marlene Giubert Marcon) e ao diretor comercial (Sérgio Afonso Poltronier) da GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA., seriam prova robusta da administração comum. Ainda de acordo com o auto de infração, a administração comum das empresas citadas já teria sido constatada em fiscalização anterior, que resultou na lavratura de três autuações, constantes dos Processos nº 1154.3004307/200310 (IRPJ), Processo n° 11543004306/200375 (PIS) e Processo n° 11543004305/200321 (COFINS). Ipsis litteris: 4) Além dos fatos e provas acostados no presente processo, originários do dossiê supracitado, corrobora o item anterior, a auditoria realizada pela SRFB na empresa ora fiscalizada, abrangendo o período de 1998 a 2002, iniciada em 20 de junho de 2003, que gerou os Autos de Infração de IRPJ e Reflexos Processo n° 1154.3004307/200310, PIS Processo n° 11543004306/200375 e COFINS Processo n° 11543004305/200321, cujos relatórios (doc. de fls. 25 a 28), respaldados em provas anexas( doc. de fls. 29 a 185) comprovam uma intrínseca ligação da JD Comissária de Café Ltda com as empresas do Grupo GIUBERT, a partir de novembro de 1997, estendendose nos anos de 1998, 1999 , 2000, 2001, 2002; 5) Relativamente ao ano de 2003, os Autos de Infração referentes aos processos 11543004305/200321 e 11543004306/200375, lavrados em 10 de novembro de 2003, cumprem o que foi determinado para a Operação Fiscal n° 3808 Verificações Preliminares e restringemse aos lançamentos da COFINS e do PIS, respectivamente; Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 20 6) A intrínseca ligação entre a JD Comissária de Café Ltda e o Grupo GIUBERT, não se interrompe no anocalendário de 2003, prevalecendo o mesmo "modos operandi", conforme relato a seguir: [...] No meu entender, o referido conjunto probatório revela que as pessoas físicas ora recorrrentes eram quem efetivamente administravam a J.D. COMISSÁRIA DE CAFÉ LTDA., destacandose, nesse sentido, a outorga de procuração aos subordinados das recorrentes, contrariamente ao que dispõe, quanto à administração, o contrato social desta empresa e os contratos sociais das empresas GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. e GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA. Configurada, dessa maneira, a atuação das pessoas físicas recorrentes, através de seus subordinados, contrária ao contrato social, de modo a atrair a responsabilização pessoal, na forma do art. 135 do CTN. In verbis: Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Quanto a alegação do Sr. AUGUSTO GIUBERT, de que não exercia qualquer função de administração, constato que a retirada do nome do Sr. Augusto Giubert da cláusula que estabelece a responsabilidade pela administração da GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. ocorreu com a alteração contratual, cuja cópia foi anexada em fls. 1547/1552. Porém, o registro da referida alteração na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo ocorreu somente em 09/01/2004 (vide Certidão fornecida pela JUCEES em fls. 1537/1538), data posterior ao fato gerador dos tributos lançados. Igualmente, no que diz respeito à GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA., a alteração contratual nº 3 (fls. 1562/1566) houve a retirada do nome do Sr. Augusto Giubert da cláusula que atribui a responsabilidade pela administração da empresa. Esta alteração foi registrada na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo, também, em 09/01/2004 (vide Certidão fornecida pela JUCEES em fls. 1555/1557). A alteração contratual retirando o Sr. AUGUSTO GIUBERT da administração das sociedades fazem prova juris tantum, de que o mesmo exercia a administração das empresas anteriormente a data de sua retirada. Assim, o Sr. AUGUSTO GIUBERT poderia fazer prova em contrário de que não administrava tal sociedade. Todavia, as provas trazidas pelo Sr. AUGUSTO GIUBERT não são suficientes para infirmar o contrato social, O fato de ter trazido comprovação de que residia em município distinto da sede da pessoa jurídica não é prova contundente de que ele não administrava a sociedade. Ante o exposto, REJEITO a preliminar de nulidade do acórdão recorrido e voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário da GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA., GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA CARLOS ALBERTO GIUBERTI, PEDRO GIUBERTI e de ALFREDO GIUBERTI tão Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.002470/200815 Acórdão n.º 3202001.030 S3C2T2 Fl. 1.988 21 somente para reconhecer a extinção do crédito tributário lançado contra as pessoas jurídicas, referente aos meses de janeiro a novembro de 2003, inclusive, em virtude da ocorrência da decadência; e voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário de AUGUSTO GIUBERT. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.907103/2011-22
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2002
INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária - RMIT- do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 71 03 /2 01 1- 22 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Sob a alegação de realização de pagamento a maior ou indevido de PIS/PASEP a contribuinte transmitiu Per/DComp em 11/06/2006, entretanto a compensação realizada restou não homologada, eis que por meio de despacho decisório eletrônico a autoridade administrativa declarou que, a partir do DARF discriminado, constatou haver outros débitos e que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação dos mesmos, não havendo saldo credor o suficiente para solver os débitos declarados na DComp aviada. Sobreveio a manifestação do inconformismo e com ela os argumentos de que: (i) a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento mensal (art. 2º, LC nº 70/91; RE 150.755); (ii) o conceito de faturamento não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”. Verificase que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, aqui entendido como terceiro titular desses valores. Nesse sentido encontrase em fase decisória o RE nº 240.785, Rel. Min. Marco Aurélio, segundo o qual o conceito de faturamento “decorre de um negócio jurídico”, de uma operação, assim, “a base de cálculo da Cofins não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela percebida com a operação mercantil ou similar”. Assim o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de “faturamento”, mas mero “ingresso” na escrituração contábil das empresas. O ICMS e o IPI é antecipação de pagamento (mera transferência) repassado ao consumidor final, não se adequando ao conceito de faturamento, pois tratase de receita do Estado e não da pessoa jurídica; (iii) que possui a garantia constitucional ao direito de propriedade (art. 5º, XXII, CF), da vedação à utilização do tributo com caráter de confisco (art. 150, IV, CF) e do princípio da capacidade contributiva (art. 145, § 1º, CF/88); (iv) que as competências tributárias atribuídas pelos artigos 153, 154 e 155 da CF/88 revelam que os tributos devem incidir, exclusivamente, sobre os fatos signos presuntivos de riqueza e que tributar aquilo que não representa riqueza implica, inevitavelmente, em ofensa a todos os dispositivos constitucionais citados; (v) que o ICMS não é riqueza do contribuinte. Finalmente requereu a restituição corrigida à base da taxa Selic. Colacionou aos autos a título de elemento material de prova o DARF correspondente ao pagamento efetuado e o Registro de Apuração de ICMS, nada mencionando acerca do saldo devedor, apenas sobre o credor. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907103/201122 Acórdão n.º 3803005.904 S3TE03 Fl. 19 3 A decisão prolatada pela 2ª Turma da DRJ/POA, de 24/05/12 (fls. 01/) por meio do Acórdão nº 1038.591, entendeu pela impossibilidade da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição da Cofins, eis que por estrita previsão legal, o ICMS incidente sobre as vendas só poderia ser excluído da receita bruta, para fim de determinação da base de cálculo da contribuição em tela, quando o contribuinte figurar na condição de substituto tributário (até a vigência da Lei nº 10.637, de 2002). Não havendo comprovação da situação prevista em lei, não há como acatar a alegação da defesa. E no mesmo sentido veio a Lei nº 10.833/03. Dessa forma não havendo previsão legal pára as exclusões pleiteadas, caracterizada está a correção do Despacho Decisório Eletrônico e, demonstrada a inexistência dos pretendidos créditos, resta prejudicada a análise da aplicação da taxa Selic sobre aqueles. A legislação que rege o julgamento administrativo de primeira instância não determina a publicação da pauta das sessões no DOU. Ciente da decisão prolatada em 139 processos semelhantes em 20/06/2012, a contribuinte protocolou defesas específicas em 16/07/2012, respectivamente, em sede de recurso voluntário, reiterando, de forma minudente, acerca das razões de defesas apresentadas na exordial. Requereu ainda a publicação da pauta de julgamento no DOU com indicação da empresa recorrente. É relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Relator Jorge Victor Rodrigues O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente cumpre informar que a publicação de pauta de julgamento é de domínio público, constando do DOU e do sítio do CARF, portanto disponível aos interessados. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da referida contribuição, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907103/201122 Acórdão n.º 3803005.904 S3TE03 Fl. 20 5 Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907103/201122 Acórdão n.º 3803005.904 S3TE03 Fl. 21 7 [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907103/201122 Acórdão n.º 3803005.904 S3TE03 Fl. 22 9 b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907103/201122 Acórdão n.º 3803005.904 S3TE03 Fl. 23 11 IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907103/201122 Acórdão n.º 3803005.904 S3TE03 Fl. 24 13 a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907103/201122 Acórdão n.º 3803005.904 S3TE03 Fl. 25 15 "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907103/201122 Acórdão n.º 3803005.904 S3TE03 Fl. 26 17 prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 18 No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto por negar provimento ao recurso interposto. É como voto. Sala de sessão em 26 de março de 2014 Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Relator Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901886/2009-10
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
Numero da decisão: 1803-002.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch Presidente
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch – Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman e Neudson Cavalcante Albuquerque. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 18 86 /2 00 9- 10 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório COMPANHIA REFINADORA DA AMAZÔNIA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, apresentou à Receita Federal do Brasil declaração de compensação que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 6: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Ciente dessa decisão em 02/04/2009 (fl. 8), o interessado apresentou, em 29/04/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 10/18. Em sua peça de defesa, alega, em síntese: a) o indébito apontado na DCOMP não corresponde a uma antecipação, mas recolhimento indevido ou a maior, efetuado com código incorreto, fato que evidencia a improcedência do enquadramento legal apontado, que utilizou até mesmo dispositivo inexistente na época da compensação; b) ainda que se tratasse de antecipação, a vedação trazida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, não pode atingir fatos pretéritos para limitar seu direito à compensação. A DRJ Belém (PA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por meio do Acórdão nº 0121.914, de 6 de junho de 2011 (fls. 33/40), ementando assim a sua decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável, bem como sua oponibilidade à Receita Federal do Brasil. Cientificado dessa decisão em 19/09/2011, por meio de remessa postal (fl. 62), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 48/59), em 18/10/2011, em que reforça os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade e acrescenta: a) a Instrução Normativa (IN) SRF nº 600, de 2005, que fundamentou a decisão recorrida, limita a compensação de indébitos de estimativa apenas dentro do período em que o indébito foi gerado; Fl. 66DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10280.901886/200910 Acórdão n.º 1803002.028 S1TE03 Fl. 66 3 b) a decisão recorrida inovou a fundamentação legal da não homologação, em relação ao despacho decisória, na tentativa de suprir a insuficiência daquele ato. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O contribuinte apresentou DCOMP pela qual extinguiu débito de estimativa de IRPJ do mês de maio de 2006, apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ referente a janeiro do mesmo ano. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal do Brasil não homologou a compensação, sobre o fundamento de que a compensação com crédito de estimativa não era permitida pela legislação. A decisão da DRJ Belém (PA), ao apreciar a correspondente manifestação de inconformidade, seguiu o mesmo raciocínio para confirmar a combatida não homologação. Embora a ementa da decisão recorrida faça menção a uma “ausência de comprovação” do crédito pleiteado, a leitura do voto evidencia que o único fundamento utilizado foi o impedimento legal de se realizar compensação com crédito de estimativa. Destarte, em nenhum momento o mérito da compensação foi analisado, ou seja, a liquidez e a certeza do indébito. Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa” Fl. 67DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Considerando a aplicação retroativa da IN RFB nº 900, de 2008, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada, para que seja superada a questão legal preliminar que a fundamentou. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de compensação de indébitos de estimativa por meio de DCOMP, devendo a unidade de origem apreciar a liquidez e a certeza do indébito declarado. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 16327.910336/2008-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPROVAÇÃO.
Comprovado nos autos que os cálculos da decisão recorrida deixaram de considerar valor de estimativa efetivamente pago a maior, há que se reconhecer a diferença do direito creditório.
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. LIMITES DA LIDE.
Não é possível reconhecer parcela de saldo negativo relativa a imposto de renda retido na fonte, quando esse valor não foi incluído no direito creditório constante do pedido de compensação, por não pertencer aos limites objetivos da lide.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1102-000.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o crédito adicional de R$ 2.142.605,43, relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2005. Declarou-se impedido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Participou do julgamento, em seu lugar, a conselheira Meigan Sack Rodrigues.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que os cálculos da decisão recorrida deixaram de considerar valor de estimativa efetivamente pago a maior, há que se reconhecer a diferença do direito creditório. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. LIMITES DA LIDE. Não é possível reconhecer parcela de saldo negativo relativa a imposto de renda retido na fonte, quando esse valor não foi incluído no direito creditório constante do pedido de compensação, por não pertencer aos limites objetivos da lide. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que os cálculos da decisão recorrida deixaram de considerar valor de estimativa efetivamente pago a maior, há que se reconhecer a diferença do direito creditório. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. LIMITES DA LIDE. Não é possível reconhecer parcela de saldo negativo relativa a imposto de renda retido na fonte, quando esse valor não foi incluído no direito creditório constante do pedido de compensação, por não pertencer aos limites objetivos da lide. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o crédito adicional de R$ 2.142.605,43, relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005. Declarouse impedido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Participou do julgamento, em seu lugar, a conselheira Meigan Sack Rodrigues. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 03 36 /2 00 8- 03 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.910336/200803 Acórdão n.º 1102000.987 S1C1T2 Fl. 172 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Meigan Sack Rodrigues. Relatório PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débitos próprios com crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005, por meio das PER/DCOMPs de fls. 26 a 63, enviadas entre 10/06/2006 e 30/07/2007. O despacho decisório de fl. 65, prolatado em 24/11/2008, não reconheceu o crédito pela divergência entre o valor do saldo negativo indicado (R$ 19.499.813,72) e aquele constante na DIPJ (R$ 19.515.451,58). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado dessa decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 10), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 140 a 141): 3. Irresignada com o teor do despacho decisório do qual foi cientificada em 02/12/2008 (fl. 63), a contribuinte, por intermédio de seu procurador (procuração às fls. 10/12), apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 01/09, acompanhada dos documentos de fls. 10 a 62, em que apresenta os seguintes argumentos: A DIPJ do anocalendário de 2005, retificada em 29/06/2007, consoante o recibo nº 42.14.34.25.1672, apresentou, em sua ficha 12B, saldo negativo de imposto de renda a pagar, ou seja um crédito no valor de R$ 19.515.451,58, formado pelo montante dos recolhimentos efetuados por estimativa mensal, no valor de R$ 19.499.813,72, somados ao valor de R$ 15.637,86 retido na fonte por terceiros, consoante discriminação na ficha 50 da DIPJ; Inferese do artigo 74, da Lei nº 9.430, de 27 de Dezembro de 1996, que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela Receita Federal do Brasil, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão; No desiderato de compensar o crédito relativo ao saldo negativo do imposto de renda do anocalendário de 2005, o contribuinte apresentou, em 13/09/2006, a PER/DCOMP nº 32521.02911.130906.1.3.023197, informando o crédito no valor original de R$ 5.092.430,14. O montante original do referido crédito está de acordo com a DIPJ concernente, conforme sua ficha 12B, apresentada em 29/06/2006; em 29/06/2007, a PER/DCOMP nº 32521.02911.130906.1.3.023197 foi retificada, através da PER/DCOMP nº 21142.22147.290607.1.7.029742, alterandose o crédito original do saldo negativo do IRPJ do anocalendário Fl. 172DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.910336/200803 Acórdão n.º 1102000.987 S1C1T2 Fl. 173 3 de 2005 para o valor de R$ 19.499.813,72, valor este que, inclusive, é menor que o efetivo crédito informado na referida DIPJ retificadora que é de R$ 19.515.451,58; A discrepância entre o valor do crédito advindo do saldo negativo do imposto de renda contido na DIPJ do anocalendário de 2005, e o valor do crédito informado nas referidas PER/DCOMP(s) que pretendem sua compensação, não pode constituir óbice a tal pretensão, já que a PER/DCOMP se presta a permitir ao contribuinte, que desejar, efetuar a compensação dos créditos que tiver apurado (art. 2º da IN SRF 598, de 28/12/2005); Carece de razoabilidade a não homologação das PER/DCOMP (s) em tela, já que o próprio despacho decisório determina o valor do crédito a que tem direito o contribuinte a pleitear a compensação, sendo ele inclusive maior que o valor do referido crédito pelo contribuinte compensado. 3.1. A interessada, ao final de sua manifestação requer: a Seja reformado o despacho decisório no processo em tela para homologar as referidas PER/DCOMP(s) até o montante do crédito solicitado, relativo ao saldo negativo do imposto de renda do anocalendário de 2005, que é, em seu valor original, de R$ 19.499.813,72; b Alternativamente, em caso de remota impossibilidade de homologação das referidas PER/DCOMP(s), seja o contribuinte intimado a proceder à retificação das mesmas para alterar o valor original do crédito, a que pretende compensação, ao valor do saldo negativo do imposto de renda do anocalendário de 2005 contido na concernente DIPJ, para posterior homologação. DILIGÊNCIA SOLICITADA PELA DRJ A DRJ resolveu baixar o processo em diligência para esclarecer pontos que julgou relevantes (fls. 129 a 133). A motivação da diligência, bem com o seu resultado, foram assim descritos pelo relatório do acórdão de primeira instância (fls. 141 a 142): 4. O processo foi baixado em diligência à DIORT/DEINF/SP, para confirmar, ou não, a quitação e/ou procedimento de cobrança, relativamente ao IRPJEstimativa do mês de março/2005, tendo em vista (1) que o direito creditório reclamado pela contribuinte (SN IRPJ do AC 2005) é formado pelo somatório das estimativas mensais recolhidas/compensadas durante o anocalendário de 2005; (2) que a compensação/quitação da estimativa mensal do mês de março/2005 (R$ 2.164.031,48) não se encontra confirmada pelos sistemas de controle da SRF; e, ainda, (3) que não houve expedição de despacho decisório relativamente ao pleito formalizado por meio do PER/DCOMP nº 32622.20020.280405.1.3.049000. 5. No Despacho de fls. 135, a autoridade administrativa competente manifestase de acordo com a seguinte informação fiscal: Informamos que a Dcomp nº 32622.20020.2/80405.1.3.049000 foi inicialmente baixada para tratamento manual pelo processo nº Fl. 173DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.910336/200803 Acórdão n.º 1102000.987 S1C1T2 Fl. 174 4 16327.000277/200774. Porém, ainda em 2007, decidiuse por arquivar esse processo, entre vários outros, para permitir que as respectivas Dcomp voltassem a ser tratadas automaticamente. Em vista da resolução deste processo depender da decisão da Dcomp nº 32622.20020.280405.1.3.049000, providenciamos nova baixa dessa Dcomp para análise manual pelo mesmo processo nº 16327.000277/200774, conforme a cópia do Despacho Decisório de fls. 131 a 134. De acordo com o Despacho Decisório do processo nº 16327.000277/200774 (fls. 131 a 134), informamos que a estimativa de IRPJ de fevereiro/2005 não foi quitada em vista de que o crédito referente ao pagamento da estimativa de fevereiro/2005 não foi comprovado. Informamos, ainda, que o débito relativo a estimativa de IRPJ de março/2005 não foi encaminhado para cobrança, já que o seu eventual pagamento provocaria apenas o aumento do saldo negativo de IRPJ já apurado no anocalendário de 2005. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 139 a 145): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. Comprovada a existência do direito creditório informado em PER/DCOMP, há de se homologar as compensações pretendidas pela contribuinte até o limite do crédito reconhecido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) analisouse o saldo negativo do ano de 2005, verificandose ser ele formado por estimativas no valor de R$ 19.499.813,72 e IRRF de R$ 15.637,86; b) a partir dos dados colhidos junto aos sistemas da RFB (DCTF, SINAL 08 e SIEF/PER/DCOMP), confirmouse o valor das estimativas de janeiro, fevereiro, abril, maio e julho de 2005. A estimativa de março de 2005 foi admitida no valor pago de R$ 991.999,74, mas não na parte compensada de R$ 2.164.031,48, que havia sido não homologada no processo 16327.000277/200774, conforme informações obtidas na diligência; Fl. 174DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.910336/200803 Acórdão n.º 1102000.987 S1C1T2 Fl. 175 5 c) como consequência, reconheceuse um crédito de R$ 17.335.782,23, e homologaramse as compensações dos débitos até esse limite. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 11/11/2009 (fl. 155), o contribuinte apresentou, em 3/12/2009, o recurso voluntário de fls. 156 a 163, onde afirma que: a) não obstante comprovado, tendo, inclusive sido demonstrado pela própria autoridade julgadora de primeira instância no item 7.4 do relatório que embasa sua decisão, o valor de R$ 15.637,86, relativo ao imposto de renda retido na fonte por terceiros, consoante discriminação na ficha 50 da DIPJ, e linha 08 de sua ficha 12B, não foi considerado como crédito do contribuinte; b) a autoridade julgadora de primeira instância também deixou de considerar como crédito do contribuinte o valor de R$ 2.164.031,48, em valor original, relativo ao mês de março de 2005, a título de IRPJEstimativa. O referido crédito tem origem no recolhimento efetuado a maior em relação ao IRPJEstimativa concernente ao mês de fevereiro de 2005. O valor devido a título de IRPJEstimativa para o mês de fevereiro de 2005, conforme a DIPJ daquele exercício e DCTF RETIFICADORA entregue em 11/06/2007, sob recibo n° 03.53.77.49.5649, é de R$ 3.914.988,93. Entretanto, o recolhimento fora procedido erroneamente no valor de R$ 6.057.594,36, ou seja, R$ 2.142.605,43 a maior. O valor recolhido a maior em relação ao mês de fevereiro de 2005, no montante de R$ 2.142.605,43, acrescido de 1% de correção, forma o valor de R$ 2.164.031,48 utilizado para compensar parte do valor devido a título de IRPJEstimativa relativo ao mês de março de 2005; c) a compensação do item anterior foi efetuada através da DComp n° 32622.20020.280405.1.3.049000, a qual, pelas informações contidas no despacho do processo em tela, tomouse conhecimento não ter sido homologada. Contudo, homologada ou não essa DComp, o fato é que o contribuinte efetuou o recolhimento a titulo de IRPJEstimativa, no dia 31 de março de 2005, no valor de R$ 6.057.594,36. Tal valor fora atribuído pelo contribuinte aos meses de fevereiro e março de 2005, como acima detalhado. Ainda que não homologada a DComp relativa ao mês de março de 2005, o crédito continua a existir, devendo ser atribuído, então, como recolhimento relativo ao mês de fevereiro de 2005. Ao final, requer que: a) se considerada homologada a DComp n° 32622.20020.280405.1.3.04 9000, considerar como crédito do contribuinte, além do que já fora considerado pela autoridade julgadora de primeira instancia, o valor de R$ 2.164.031,48, em valor original, decorrente do recolhimento a maior efetuado em relação ao mês de fevereiro de 2005, a título de IRPJ Estimativa, no montante de R$ 2.142.605,43, que, acrescido de 1% de correção, forma o valor de R$ 2.164.031,48, utilizado para compensar parte do valor devido a título de IRPJ Estimativa relativo ao mês março de 2005; b) se considerada não homologada a DComp n° 32622.20020.280405.1.3.04 9000, considerar como crédito do contribuinte, além do que já fora considerado pela autoridade Fl. 175DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.910336/200803 Acórdão n.º 1102000.987 S1C1T2 Fl. 176 6 julgadora de primeira instância, o valor de R$ 2.142.605,43, em valor original, recolhido em 31/03/2005, referente ao mês de fevereiro de 2005, retificando de ofício a DIPJ do referido ano calendário, para constar como recolhimento relativo ao mês de fevereiro de 2005, referente ao IRPJEstimativa, o valor de R$ 6.057.594,36, e não como constou, no valor de R$ 3.914.988,93. c) não sendo possível a retificação de ofício acima requerida, seja o contribuinte intimado a efetuála pela via ordinária, ou seja, através da retificação com o uso do procedimento de costume; d) Seja, também, considerado como crédito do contribuinte, para a compensação em tela, o valor de R$ 15.637,86, em valor original, relativo ao imposto de renda retido na fonte por terceiros, devidamente constante da DIPJ e do próprio despacho da autoridade julgadora de primeira instância. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em agosto de 2013, numerado digitalmente até a fl. 170. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente processo, não foram homologadas compensações de débitos próprios com crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005, pela divergência entre o valor do saldo negativo indicado nas DCOMPs (R$ 19.499.813,72) e aquele constante na DIPJ (R$ 19.515.451,58). Foi só a decisão recorrida quem, de fato, analisou o direito creditório, e reconheceu parte do crédito pleiteado, no valor de R$ 17.335.782,23, não admitindo a parcela de R$ 2.164.031,48, relativa à estimativa de março de 2005, que não havia sido homologada no processo nº 16327.000277/200774. No voluntário, o recorrente pleiteia o reconhecimento da parcela de R$ 2.164.031,48, devidamente corrigida, bem como do imposto de renda retido na fonte por terceiros no valor de R$ 15.637,86, informado na DIPJ, e não considerado pela decisão recorrida. Passo a analisar a procedência dos argumentos expendidos para cada uma das parcelas. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.910336/200803 Acórdão n.º 1102000.987 S1C1T2 Fl. 177 7 Parcela relativa à estimativa de março de 2005: A decisão recorrida somente considerou, no cálculo do saldo negativo, parte da estimativa de março de 2005. Essa estimativa havia sido declarada em DCTF no valor de R$ 3.156.031,22, tendo a ela sido vinculados (i) pagamento de R$ 991.999,74 e (ii) compensação de R$ 2.164.031,48 por meio da DCOMP 32622.20020.280405.1.3.049000. Após baixar o processo em diligência, verificouse que a citada DCOMP foi transferida para o processo nº 16327.000277/200774, onde havia sido proferido despacho decisório, em 21/8/2009, não homologando a compensação. Cópia dessa decisão foi trazida a estes autos nas fls. 134 a 137, onde se verifica que o contribuinte: a) indicou como crédito pagamento a maior feito no mês de fevereiro de 2005, no valor de R$ 6.057.594,36, tendo esse recolhimento sido confirmado; b) tinha inicialmente declarado em DCTF o débito da estimativa de fevereiro de 2005 no valor de R$ 6.057.594,36, mas apresentou DCTF retificadora reduzindoo para R$ 3.914.988,93; c) intimado a esclarecer as razões da redução do valor do débito de estimativa de IRPJ de fevereiro de 2005, apresentando demonstrativos de apuração da base de cálculo e documentação contábil que suportasse esse demonstrativo, apresentou apenas um requerimento em que afirmava que o valor foi recolhido a maior por erro do analista responsável, não havendo “erro na apuração do tributo ou contábil que justifique”, e um demonstrativo de apuração do IRPJ, a partir da base de cálculo que não foi demonstrada. Assim, por falta de comprovação da existência do crédito alegado, a DCOMP 32622.20020.280405.1.3.049000 não foi homologada, constando da decisão a ordem para intimação do contribuinte do despacho decisório, facultando a apresentação de manifestação de inconformidade. Dessa forma, somente nos autos do processo nº 16327.000277/200774 é que poderia discutir a existência da parcela de R$ 2.164.031,48 da estimativa de março de 2005. Contudo, em consulta do sistema COMPROT, verificase que, após a prolação do despacho decisório em 21/8/2009, a próxima movimentação do processo foi para o arquivo geral da SAMFSP desde em 25/11/2009, estando os autos arquivados desde 1º/3/2010. Assim, a única conclusão possível é que o contribuinte deixou de recorrer da não homologação do seu crédito no processo nº 16327.000277/200774, tendo a decisão transitado em julgado na esfera administrativa. Como consequência, neste julgamento devese respeitar o decidido naqueles autos. Esclareçase que, apesar de as declarações de compensação terem natureza de confissão de dívida, o débito compensado na DComp 32622.20020.280405.1.3.049000 não pode ser considerado como constituído, pois ele não foi enviado para cobrança por se tratar de Fl. 177DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.910336/200803 Acórdão n.º 1102000.987 S1C1T2 Fl. 178 8 estimativa, como informado no despacho decisório do processo nº 16327.000277/200774 (fl. 136). Contudo, penso que o julgado recorrido não aplicou aquela decisão de forma completa. Isso porque, se é verdade que a estimativa de março de 2005 foi fixada apenas no valor pago de R$ 991.999,74, isso só aconteceu porque se entendeu que a estimativa de fevereiro de 2005 era também devida no valor originalmente pago de R$ 6.057.594,36. Assim, não é razoável se considerar no cálculo apenas o valor reduzido da estimativa de março, devendose também admitir o valor aumentado da antecipação de fevereiro. Dessa forma, devese retificar a tabela de fl. 144 do acórdão de primeira instância, considerando, como estimativa de fevereiro de 2005, o valor de R$ 6.057.594,36, da seguinte maneira: IR antecipado P.A. Valor R$ IRPJ Estimativa jan/05 3.940.752,54 IRPJ Estimativa fev/05 6.057.594,36 IRPJ Estimativa mar/05 991.999,74 IRPJ Estimativa abr/05 1.789.569,55 IRPJ Estimativa mai/05 5.142.473,84 IRPJ Estimativa jul/05 1.555.997,63 Total 19.478.387,66 Como a decisão recorrida já havia reconhecido o crédito de R$ 17.335.782,23, e demonstrado que o valor a que o recorrente tem direito é de R$ 19.478.387,66, reconhecese, nesta decisão, a diferença de R$ 2.142.605,43. Parcela relativa ao IRRF: Quanto ao reconhecimento do crédito de R$ 15.637,86, informado na DIPJ 2006 como compondo o saldo negativo do ano de 2005, considero que a discussão dessa parcela não compõe a lide. Observese que, na citada DIPJ, o saldo negativo declarado é de R$ 19.515.451,58, composto de R$ 15.637,86, a título de imposto de renda retido na fonte, e de R$ 19.499.813,72, a título de estimativas mensais. Contudo, nas PER/DCOMPs deste processo, o contribuinte solicita apenas o direito creditório de R$ 19.499.813,72 (fls. 33, 37, 45, 50 e 61), estando patente que só se discute a parcela do saldo negativo referente às estimativas mensais. Entendo que o pedido de compensação fixa os limites da lide, não sendo lícita a pretensão de inclusão de novas parcelas do crédito em sede de recurso. Dessa forma, não é possível se reconhecer a parcela do saldo negativo formado pelo imposto retido de renda retido na fonte. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16327.910336/200803 Acórdão n.º 1102000.987 S1C1T2 Fl. 179 9 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o crédito adicional de R$ 2.142.605,43, relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 179DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 12/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 35380.004318/2006-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2005 a 30/09/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTO INDEVIDO.
São indevidos os recolhimentos de contribuição previdenciária na modalidade facultativo efetuados após o deferimento da aposentaria se o contribuinte não exercia atividade e tais valores não foram utilizados para fins de cálculo do benefício previdenciário.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 23/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, substituídos pelos Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado).
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTO INDEVIDO. São indevidos os recolhimentos de contribuição previdenciária na modalidade “facultativo” efetuados após o deferimento da aposentaria se o contribuinte não exercia atividade e tais valores não foram utilizados para fins de cálculo do benefício previdenciário. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 38 0. 00 43 18 /2 00 6- 11 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 EDITADO EM: 23/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, substituídos pelos Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado). Relatório Tratase de Requerimento de Restituição de Contribuições Previdenciárias recolhidas nas competências de 12/2005 a 09/2006 (fls. 01 e 02) protocolizado junto à Previdência Social – Agência Botucatu, em 18/12/2006, com a justificativa de que neste período foram recolhidas contribuições previdenciárias indevidamente pois o requerente aguardavaa revisão de cálculos do benefício de aposentadoria. A Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 230100.014, que se encontra às fls. 41 a 49 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 30/09/2006 CONTRIBUINTE FACULTATIVO. CESSAÇÃO DE ATIVIDADE. PAGAMENTO INDEVIDO. REQUERIMENTO DEFERIDO. Após o deferimento do benefício pelo INSS, estando comprovada a cessação das atividades do contribuinte, são indevidos os recolhimentos previdenciários, ainda que na condição de Facultativo, uma vez que não foram utilizadas para efeito de aposentadoria, haja vista ser vedado o recebimento de benefícios de forma cumulativa para todo tipo de aposentado. Pedido Deferido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por maioria de votos, deu provimento ao recurso interposto determinando a restituição dos valores indevidamente recolhidos pelo contribuinte. Intimada do v. acórdão em 28/08/2012 (fls. 50), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 53/56), sustentando divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão n° 20601186, no tocante ao direito do contribuinte à restituição de valores pagos na qualidade de contribuinte facultativo, razão pela qual não devem ser reconhecidos como recolhimentos indevidos. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 35380.004318/200611 Acórdão n.º 9202000.113 CSRFT2 Fl. 7 3 Ao recurso especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2300 116/2013, de 25/03/2013 (fls. 58/60). Regularmente intimado do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (AR de fls. 64) o contribuinte deixou de apresentar suas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Como se verifica dos autos, o recurso foi interposto em razão da divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão nº 20601.186. O acórdão paradigma encontrase assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2004 CUSTEIO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO VALORES RECOLHIDOS APÓS CONCESSÃO APOSENTADORIA SEGURADO FACULTATIVO NÃO É CONSIDERADORECOLHIMENTO INDEVIDO. Não existe vedação no Regulamento da Previdência Social de que o segurado que se encontra desempregado realize recolhimentos na condição de segurado facultativo. Todavia não cabe a devolução de valores pelo arrependimento do recorrente, uma vez efetuando o recolhimento passou a estar segurado pela previdência social com base nos valores recolhidos. Recurso Voluntário Negado.” Verifico que as situações fáticas envolvidas no presente caso e no paradigma são comparáveis e permitem o confronto de teses típico do recurso especial de divergência. No presente caso o v. acórdão recorrido considerou que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte a título de contribuição previdenciária foram indevidos em função de(i) o contribuinte ter comprovado a cessação de sua atividade profissional e (ii) os recolhimentos terem sido efetuados após a obtenção do reconhecimento de sua aposentaria, durante o período em que estava pendente de análise o pedido de revisão de valores. De fato, como se verifica dos autos e do v. acórdão recorrido, o contribuinteteve seu pedido de aposentadoria deferido em 2005 e, não concordando com os valores apresentados pela autoridade previdenciária relativos ao seu benefício mensal, solicitou revisão dos cálculos. Enquanto aguardava o julgamento de seu pedido de revisão o contribuinte efetuou o recolhimento das contribuições previdenciárias objeto do pedido de restituição (de Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 dezembro de 2005 a setembro de 2006) como contribuinte facultativo, mesmo não estando mais em atividade. Ante tal quadrante fático o v. acórdão recorrido entendeu que as contribuições previdenciárias recolhidas pelo contribuinte, mesmo que a título de contribuições facultativas, eram pagamentos indevidos, na linha do Parecer da Consultoria Juridica do Ministério da Previdência n. 2.149/2001. Tal conclusão foi, ainda, reforçada pelo fato de que essas contribuições não terem sido computadas no cálculo do benefício previdenciário e nem seremnecessárias para a manutenção da condição de segurado do sistema previdenciário. No acórdão paradigma verificase situação semelhante, como demonstra trecho do acórdão, para a qual se chegou a conclusão diversa quanto ao direito de restituir: “Alegando recolhimento indevido, nas competências 04/2003 a 06/2004, orecorrente solicitou a restituição das contribuições previdenciárias. Alega que os valores foramrecolhidos após a concessão de sua aposentadoria, e só procedeu ao recolhimento, enquanto não deferido o pedido, face orientação do servidor previdenciário, que falou "para o mesmocontinuar pagando minha autonomia para não perder a minha condição de segurado” (Destacouse) Destarte, conheço do recurso especial. No mérito a questão a ser analisada é se os pagamentos efetuados pelo contribuinte após a concessão de sua aposentadoria, sob o código de recolhimento de segurado facultativo, configuram ou não pagamentos indevidos a autorizar o deferimento do pedido de restituição A Constituição Federal, em seu artigo 194, caput, define a seguridade social como um “conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social”. O objetivo da Previdência Social é garantir aos trabalhadores, após certa idade e/ou tempo de contribuição, o direito à aposentaria, bem como garantir que as fontes de renda do trabalhador e de sua família sejam mantidas quando ele perde a capacidade de trabalhar temporariamente (doença, acidente, maternidade) ou permanentemente (morte, invalidez e aposentadoria). Tratandose de verdadeiro “seguro social” forçoso concluir que a “contribuição previdenciária” é da essência do sistema de previdência socialtendo em vista a necessidade de um fundo de custeio para arcar com os gastos provenientes da concessão e manutenção de benefícios previdenciários.A contribuição previdenciária do trabalhador é, portanto, obrigatória para os que exercem atividade laborativa remunerada. Em outras palavras, a tributação previdenciária é informada pela lógica de que se contribui hoje enquanto se é ativo e se é remunerado para se assegurar que no futuro possa haver o provimento de benefício em função da interrupção da atividade laboral por aposentadoria, invalidez, etc. No presente caso, o contribuinte, à época dos recolhimentos cuja restituição é objeto do presente processo, já estava aposentado e não exercia atividade laboral remunerada. Transcrevo, abaixo, trecho do v. acórdão que analisa a situação do contribuinte: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 35380.004318/200611 Acórdão n.º 9202000.113 CSRFT2 Fl. 8 5 “7. Ao que se refere à comprovação de cessação da atividade como Eletricista de instalação junto a Prefeitura Municipal, essa restou superada conforme documentos, nas fls. 3132, que certificam o início das atividades do contribuinte como Eletricista autônomo em 01 de novembro de 1989 e seu respectivo encerramento em 19 de janeiro de 2004. 8. Portanto, comprovou o encerramento de inscrição junto a Prefeitura Municipal, rebatendo assim os argumentos trazidos pelo Fisco sobre a falta de comprovantes, o que no meu entender, enfraquece a decisão de primeira instância.” Verificase, ainda, que o contribuinte teve deferido em 05/12/2005 seu pedido de concessão de aposentadoria pela Previdência Social, sendo que os recolhimentos efetuados entre 12/2005 a 09/2006 sequer foram considerados para fins de cálculo do benefício concedido ao contribuinte. Aqui peço vênia para novamente transcrever trecho do v. acórdão recorrido confirmando tal fato: “9. E mais, consta ainda nos autos que o recorrente teve o seu benefício deferido pelo INSS em 05/12/2005. Enquanto que as competências requeridas pelo segurado correspondem à 12/2005 a 09/2006, portanto, em período claramente dentro daquele em que o segurado já estava em gozo do benefício. 10. É dizer: os recolhimentos são indevidos porque não foram utilizados para efeito de aposentadoria, bem como compreendem período em que o segurado já gozava do benefício concedido pelo INSS em razão de suas contribuições normais. 11. Vale ressaltar que, no caso do segurado facultativo, o Parecer/CJ nº 2.419 firmou entendimento no sentido de que são indevidas as contribuições vertidas enquanto o segurado estava em gozo de benefício.” Está claro que no presente casoo contribuinte teve seu pedido de aposentadoria deferido em 2005 e, não concordando com o valor de seu benefício mensal, solicitou revisão dos cálculos. Enquanto aguardava o julgamento de seu pedido de revisão o contribuinte efetuou o recolhimento das contribuições previdenciárias objeto do pedido de restituição (de dezembro de 2005 a setembro de 2006) como contribuinte facultativo, mesmo não exercendo mais sua atividade laboral, a fim de evitar a perda da qualidade de segurado. Considerando que tais recolhimentos não foram efetuados em decorrência do exercício de atividade laboral, bem como o fato de que tais valores não foram computados para fins de cálculo do benefício previdenciário do contribuinte, tenho para mim que tais pagamentos são indevidos porque não mais presente o fundamento da tributação previdenciária a correlação entre contribuições e cobertura previdenciária. Em outras palavras, contribuinte já aposentado, que não mais trabalhava à época dos recolhimentos e que não teve tais recolhimentos computados na fórmula de cálculo Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 do benefício previdenciário já havia feito a sua parte no que se relaciona ao financiamento do sistema previdenciário, sendo indevidos recolhimentos adicionais. Em face do exposto conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGARLHE provimento. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 14041.000152/2009-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1998
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL.
Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de vício material em função da possibilidade de aplicação da data de ciência presumida, prevista no §2º, inciso II do artigo 23 do Decreto 70.235/72.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1998 LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1998 LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 52 /2 00 9- 87 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de vício material em função da possibilidade de aplicação da data de ciência presumida, prevista no §2º, inciso II do artigo 23 do Decreto 70.235/72. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 14041.000152/200987 Acórdão n.º 2402003.762 S2C4T2 Fl. 138 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 18/02/2009, decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição a cargo da empresa (cota patronal) e da contribuição ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), no período de 01/03/1996 a 31/12/1998. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 40/48), este lançamento foi efetuado em decorrência da anulação das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087 pelo Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 56/86) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília – DF, ao analisar o presente caso (fls. 90/101), julgou o lançamento procedente, entendendo que (i) na hipótese de lançamento substitutivo, o prazo decadencial é de 5 anos a contar da decisão definitiva que anulou o lançamento anterior; (ii) as decisões administrativas só são validas a partir da ciência do interessado; (iii) as duas empresas respondem solidariamente e sem benefício de ordem; (iv) é regular a notificação somente em face da Via Engenharia; (v) a Recorrente poderia ter elidido a sua responsabilidade, apresentando documentos, como não o fez, é correta a aplicação da aferição indireta; (vi) é devida a multa incidente sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas; e (vii) as decisões colacionadas não constituem normas complementares de direito tributário. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 104/113) argumentando que: (i) o prazo decadencial contase 5 anos após a lavratura do acórdão que anulou os lançamentos anteriores por vício formal; (ii) o crédito já decaiu para o legítimo contribuinte; (iii) a autoridade tributária arbitrou quem seria o responsável pelo tributo e discricionariamente perdoou o contribuinte; e (iv) a Recorrente não é responsável solidário, não devendo sofrer a incidência da multa. Analisando o recurso interposto, este Conselho determinou a conversão em diligência (fls. 122/124), requerendo a juntada de (i) cópia do AR (ou documento equivalente) que comprove a data em que o contribuinte foi notificado das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087; (ii) cópia da carta encaminhada ao contribuinte, mencionada no item 2 no Relatório Fiscal; e (iii) cópia integral dos autos relativos às NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Em resposta à determinação formulada por este Conselho (fls. 133/134), a autoridade fiscal informou que não localizou os documentos solicitados por ocasião da conversão em diligência. É o relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente argumenta que o prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II, do CTN é de 5 anos a contar da data em que foi proferido o acórdão que anulou o lançamento anterior (31/10/2003), e não da data de intimação da referida decisão (18/02/2004). Isso porque, segundo o contribuinte, desta decisão não caberia mais recurso, sendo, portanto, definitiva desde a sua lavratura. Afirma, consequentemente, que o crédito tributário está decaído, posto que o presente lançamento só foi constituído em 18/02/2009, com a intimação do sujeito passivo. No entanto, sem razão a Recorrente no ponto. Analisando o art. 173, II, do CTN, verificase que o prazo decadencial para o Fisco substituir o lançamento anulado por vício formal é de 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado o lançamento anterior, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”. Para que se possa averiguar se a decisão que anulou o lançamento anterior é definitiva é necessário analisar a legislação atinente ao processo administrativo. Em primeiro lugar, o artigo 42, II, do Decreto 70.235/1972 considera uma decisão definitiva quando dela não couber mais recurso ou quando transcorrido o prazo para a sua interposição. Vejase: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Verificado o não cabimento de recurso ou então o transcurso do prazo para sua interposição, poderia até se considerar que aquela decisão seria definitiva. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 14041.000152/200987 Acórdão n.º 2402003.762 S2C4T2 Fl. 139 5 Contudo, a decisão somente pode ser considerada definitiva, para qualquer finalidade, se ela for válida. A decisão, para que seja válida e produza seus efeitos, como todo ato administrativo,está sujeita à publicidade, nos termos do artigo 37, caput, da Constituição Federal e do artigo 2º, parágrafo único, V, da Lei 9.784/1999: CF Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: Lei 9.784/1999 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; No entanto, não basta apenas a publicidade dos atos administrativos pelos meios oficiais. Deve haver a publicação restrita às partes que integram o processo administrativo. Os artigos 26 a 28 da Lei 9.784/1999 determinam a obrigatoriedade da intimação dos interessados acerca de todos os atos do processo administrativo: Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. Neste sentido, as intimações expedidas no processo administrativo se materializam com a ciência do sujeito passivo, de acordo com o que prevê o artigo 23 do Decreto 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Fl. 141DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 Verificase, portanto, que a decisão, para que seja considerada perfeita, válida e eficaz precisa necessariamente cumprir todos os requisitos de validade previstos na legislação, quais sejam, (i) publicidade, (ii) intimação do interessado e (iii) prova de que o sujeito passivo foi cientificado do seu teor. Somente com o cumprimento desses requisitos é que se pode afirmar que a decisão é válida e, portanto, no presente caso, definitiva. Deste modo, entendo que a data de início da contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, II, do CTN é a data da ciência do sujeito passivo da decisão que anulou o lançamento anterior e não a data em que foi proferido o acórdão que anulou o lançamento anterior, como afirma a Recorrente. Muito embora não vingue o entendimento do contribuinte neste ponto, entendo que, por outro motivo, deve o presente recurso ser julgado procedente. Explicase. No presente caso, como já mencionado, este Conselho determinou a conversão do julgamento em diligência, para que restasse comprovada a expedição da intimação da Recorrente, por meio de cópia da carta encaminhada à parte, a respeito das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087, bem como cópia do AR assinado pela Recorrente, comprovando a sua ciência dessas decisões. No entanto, a autoridade fiscal informou que não localizou os documentos solicitados. Ou seja, a autoridade fiscal não comprovou o marco inicial do prazo decadencial para o lançamento substituto, qual seja, a data da intimação da Recorrente das decisões que anularam os lançamentos anteriores.Consequentemente, não restou comprovado que o lançamento substituto foi efetuado dentro do prazo decadencial previsto no artigo 173, II, do CTN. Importa salientar que a previsão do artigo 23, II, §2º, II do Decreto 70.235/1972 não se aplica ao presente caso. Isso porque, o objetivo do referido dispositivo é fixar a data de recebimento quando há prova inequívoca de que a intimação do sujeito passivo foi expedida. No entanto, no presente caso, a autoridade fiscal sequer fez prova da expedição da intimação. Assim, considerando que o Fisco deixou de fundamentar no relatório fiscal,bem como por ocasião das demais oportunidades concedidas pelo órgão julgador, o termo inicial do prazo decadencial para efetuar o lançamento substituto,verificase que houve desrespeito ao artigo 50 da Lei 9.784/1999, que determina que os atos administrativos deverão ser motivados e, consequentemente, ofensa ao artigo 5°, LV, da Constituição Federal, que garante ao sujeito passivo o contraditório e a ampla defesa, requisitos indispensáveis para a validade da autuação. Sendo assim,entendo que a atuação padece de vício material, ante a deficiência de conteúdo do lançamento, em razão de não ter sido demonstrado pela fiscalização o termo inicial para contagem da decadência, para se verificar se o lançamento substituto foi efetuado dentro do prazo ou não, devendo ser a autuação anulada com base no artigo 59, II, do Decreto 70.235/1972. Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, comprovação de que o lançamento foi efetuado dentro do prazo decadencial), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente, importando na existência de um vício material. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 14041.000152/200987 Acórdão n.º 2402003.762 S2C4T2 Fl. 140 7 Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen1: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do fisco com o contribuinte. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PROVIMENTO, a fim de que o presente lançamento seja anulado por vício material. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. 1 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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