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Numero do processo: 11242.001036/2009-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO DE EMPREGO. VÍCIO NO LANÇAMENTO. NATUREZA
Em se verificando a existência de vício na aplicação da regra matriz de incidência, trata-se de vício de natureza material, não podendo subsistir o lançamento efetuado.
O vício material confundi-se com o próprio provimento do recurso, quando evidenciado que, com as informações constantes do autos, não se conseguiu provar a ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-005.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões, em relação ao conhecimento e ao mérito, a conselheira Patrícia da Silva e em relação apenas ao mérito, os conselheiros Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO DE EMPREGO. VÍCIO NO LANÇAMENTO. NATUREZA Em se verificando a existência de vício na aplicação da regra matriz de incidência, tratase de vício de natureza material, não podendo subsistir o lançamento efetuado. O vício material confundise com o próprio provimento do recurso, quando evidenciado que, com as informações constantes do autos, não se conseguiu provar a ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões, em relação ao conhecimento e ao mérito, a conselheira Patrícia da Silva e em relação apenas ao mérito, os conselheiros Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 24 2. 00 10 36 /2 00 9- 21 Fl. 799DF CARF MF 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de NFLD, DEBCAD: 35.386.6776, lavrado contra o contribuinte identificado acima, constituindo crédito previdenciário, no valor de R$ 3.461.946,74, incluídos multa e juros, de contribuições devidas à Seguridade Social e não recolhidas na data estabelecida em legislação, referente à: i) contribuição a cargo do segurado empregado, não descontada porém, devida, artigo 20 da Lei nº 8.212/91; ii) contribuição a cargo da empresa, devida sobre o total das remunerações pagas a qualquer título durante o mês aos segurados empregados, inciso I, art. 22 da Lei nº 8.212/91; iii) contribuição a cargo da empresa, devida sobre o total das remunerações pagas aos segurados autônomos, inciso III, art. 22 da Lei nº 8.212/91; e iiii) contribuição a cargo da empresa destinada ao financiamento dos benéficos concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente do risco ambiental do trabalho, inciso II, art. 22 da Lei nº 8.212/91. Os levantamentos foram discriminados por período, por estabelecimento e por fato gerador, e constam do DAD – Discriminativo Analítico do Débito. Conforme informações contidas no Relatório Fiscal, os salários de contribuição constantes deste lançamento foram obtidos, por levantamento, e assim discriminados: · caracterização de contribuintes individuais – autônomos – como segurados empregados: no período de 01/99 a 12/01, nos livros Diário e Razão, a fiscalização apurou o pagamento de remuneração a profissionais médicos, tidos pela empresa como autônomos, no entanto, constatou que os médicos reuniam as características de segurado empregado, listadas no art. 3º da CLT – Consolidação das Leis do Trabalho; · caracterização de cooperados como segurado empregado: no período de 01/99 a 12/01, nos livros Diário e Razão, a fiscalização apurou o pagamento de remuneração a médicos contratados, através de cooperativa, para atender aos clientes da notificada, nas dependências e com recursos do Hospital, constatando que esses profissionais reuniam as características de segurado empregado listados no artigo 3º da CLT – Consolidação das Leis do Trabalho; · caracterização dos prestadores de serviços de pessoa jurídica – sociedade civil – como segurados empregados: no período de 01/99 a 12/01, nos livros Diário e Razão, a fiscalização apurou pagamento à Fl. 800DF CARF MF Processo nº 11242.001036/200921 Acórdão n.º 9202005.505 CSRFT2 Fl. 3 3 empresas, sociedades civis, para prestação de serviços médicos pelos próprios sócios, sem o concurso de empregados e com recursos do Hospital, constatando que esses profissionais reuniam as características de segurado empregado listados no art. 3º da CLT – Consolidação das Leis do Trabalho. · contribuição adicional para aposentadoria especial : no período de 04/99 a 12/01, a fiscalização, diante da não apresentação do LTCA Laudo Técnico de Condições Ambientais e do PPP Perfil Profissiográfico Previdenciário e, face a impossibilidade de identificar quais segurados estavam realmente expostos aos agentes nocivos , arbitrou o adicional destinado ao pagamento da aposentadoria especial , para tanto relaciona as alíquotas utilizadas , o período e a legislação que fundamenta o procedimento adotado; A autuada apresentou impugnação, tendo o Instituto Nacional do Seguro Social – Gerência Executiva de Jundiaí/SP julgado o lançamento procedente. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, o Colegiado, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário para exclusão, por vício material, dos levantamentos correspondentes à caracterização como segurados empregados e, conseqüentemente, dos valores de contribuição adicional para aposentadoria especial a eles relativos, mantidos os levantamentos de adicional para aposentadoria especial dos segurados empregados registrados em suas folhas de pagamento. Portanto, em sessão plenária de 17/04/2012, deuse provimento parcial ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2402002.595, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 VICIO MATERIAL. NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência,carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. Recurso Voluntário Provido em Parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 14/06/2012 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs tempestivamente, em 02/07/2012, o presente Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão, declarando a nulidade da NFLD por vício formal. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 100/2014, da 4ª Câmara, de 22/01/2014. A recorrente traz como alegações, que: Fl. 801DF CARF MF 4 § o lançamento é espécie de ato administrativo, estando sujeito, portanto, aos termos da Lei nº 9.784/1999, que, em seu art. 50, exige que todo ato administrativo seja motivado, de forma explícita, clara e congruente, com a indicação dos fatos e fundamentos jurídicos que lhe deram ensejo. § o art. 142 do CTN, ao tratar do assunto, dispôs: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. § ao qualificar o lançamento como o “procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente”, o CTN exigiu que o lançamento, formalizado por meio de Auto de Infração, NFLD, dentre outros, exponha o fato gerador da obrigação correspondente, isto é, as circunstâncias fáticas que, subsumidas à legislação tributária, têm o condão de fazer surgir uma obrigação de pagar tributo ou penalidade pecuniária. § existe uma distinção entre o fato que levou ao lançamento e a descrição desse mesmo fato pelo agente do Fisco; o primeiro, o fato em si, materialmente considerado, é o motivo do lançamento, “é o pressuposto de fato que autoriza ou exige a prática do ato”; já o segundo, a descrição do motivo pelo agente, é o relato, em documento próprio, dos motivos que culminaram na autuação, e a essa descrição a doutrina chama de motivação. § motivo e motivação, a despeito de estarem intimamente ligados, têm natureza diametralmente opostas: um (o motivo) tem natureza material, enquanto o outro (motivação) natureza formal. § uma vez verificado que o motivo alegado não existe, ou que, à luz da legislação, não gera os efeitos pretendidos, terseá vício de ordem material; por outro lado, em se constatando deficiência na descrição dos fatos pelo fiscal, de modo a prejudicar a defesa do contribuinte ou a dificultar a adequada compreensão do ocorrido, terseá vício de ordem formal. § tal distinção é de extrema relevância, pois os atos eivados de vício material não são passíveis de convalidação, ou seja, não podem ser corrigidos, devendo ser obrigatoriamente anulados; por sua vez, os atos com vício de forma, podem ser convalidados ou repetidos, dessa vez sem o defeito original. § na seara tributária, tal distinção tem o condão de permitir o reinício do prazo decadencial para o lançamento, uma vez que o art. 173, II, do CTN, estabelece que o prazo de 5 (cinco) anos para constituição do crédito tributário será contado a partir da “data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”, e assim, a deficiência da motivação gera defeito de ordem formal, o que permite: (i) a convalidação do ato, Fl. 802DF CARF MF Processo nº 11242.001036/200921 Acórdão n.º 9202005.505 CSRFT2 Fl. 4 5 mediante o suprimento do vício, ou (ii) a repetição do ato, desta vez sem o vício que culminou na sua anulação. § como o Colegiado a quo considerou deficitária a motivação da NFLD, razão pela qual decidiu pela anulação do lançamento e, se trata de vício relacionado à motivação, falase em vício formal, razão pela qual, se houver de ser declarada nulidade no caso in foco, isso deve ocorrer em face de vício formal, e não por vício material, resguardandose, assim, o teor do art. 173, II, do CTN. § O Contribuinte foi cientificado do Acórdão nº 2402002.595 e do Recurso Especial da Fazenda Nacional em 05/08/2012, de acordo com despacho de fls. 797, uma vez que havia solicitado cópia do processo antes de ser feita a análise de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Assim, em que pese o despacho de admissibilidade mencionar que deveria ser dada ciência do acórdão recorrido ao contribuinte, considerouse a ciência do contribuinte presumida na data do protocolo de suas contrarazões, sendo, por conseguinte, TEMPESTIVA a sua manifestação. Em suas contrarrazões, o contribuinte alega, preliminarmente, que o apelo da Fazenda Nacional encontrase intempestivo, motivo pelo qual não merece ser conhecido. Isto porque, de acordo com o documento de fls. 385, em 14/06/2012 o presente processo foi encaminhado à PGFN, e considerando o dia 15/06/2012 (sextafeira) como o dia de ciência, o prazo de quinze dias para apresentação do recurso teve início em 18/06/2012 (segundafeira) e término em 02/07/2012 (segundafeira). Ocorre que, conforme atesta o despacho de fls. 384, o recurso especial só foi protocolado junto a esse órgão em 03/07/2012 (terçafeira), ou seja, após o transcurso do prazo para sua interposição, sendo, portanto, intempestivo. · Ainda preliminarmente, alega que os acórdãos recorrido e paradigma cuidam de fatos distintos aos quais foram aplicados entendimentos diversos, de acordo com suas especificidades, motivo pelo qual a divergência jurisprudencial não restou caracterizada, não merecendo assim, ter seguimento o recurso da Fazenda Nacional. · Ressalta que, no caso de ter seguimento o Recurso Especial da Fazenda Nacional, o que se admite apenas em atenção ao princípio da eventualidade, impende notar que o §10 do art. 67 do RICARF determina que o acórdão cuja tese, na data da interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado; e como, a matéria debatida nos presentes autos – nulidade do lançamento por vício material quando não comprovada a ocorrência do fato gerador pela fiscalização – já restou pacificada pela Câmara Superior, assim também, não deve ser conhecido o apelo fazendário. · Argumenta que outro ponto deverá ainda ser analisado quanto à admissibilidade do apelo fazendário: que o acórdão recorrido, Fl. 803DF CARF MF 6 além de constatar que a Autoridade Fazendária não demonstrou a presença dos elementos que caracterizam a relação de emprego – subordinação jurídica, pessoalidade, onerosidade e não eventualidade – foi enfático ao reconhecer que a Recorrida produziu provas em sentido diverso, como: i) os valores recebidos pelos médicos cooperados que prestavam serviços para a Recorrida sofrem oscilações expressivas e os pagamentos não são contínuos, o que comprova a eventualidade com que os serviços são prestados; ii) os prestadores de serviços (autônomos, pessoas jurídicas e cooperativa) também prestaram serviços a outros hospitais e estabelecimentos médicos no período verificado pela fiscalização, o que afasta o requisito da subordinação; e iii) os prestadores de serviços têm estabelecimentos próprios, o que afasta, de uma vez por todas, os requisitos para caracterização da relação de emprego. · Acrescenta que diante de tais fatos, tendo a Recorrida demonstrado, inclusive por outras provas, a inexistência de elementos caracterizadores da relação empregatícia, o apelo recursal não se sustenta, restando claramente a ausência de interesse processual da Fazenda, na medida em que o acórdão recorrido embasouse em mais de um fundamento e nem todos foram objeto de apelo; e que dessa forma, devese aplicar a Súmula 283 do STF, no sentido de que “é inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles”. · Em relação ao mérito, a Recorrente diz que a própria Fazenda Nacional reconheceu, em seu recurso (fls. 381), que o vício no motivo é de natureza material e, portanto, basta demonstrar que o vício apontado pelo acórdão é um vício no motivo; e que isto fica claro considerando que o acórdão recorrido apurou que o vício atingiu a “própria verificação e demonstração da ocorrência do fato gerador da obrigação”. · Por fim, ainda que se considere que o vício reside na motivação e não no motivo, o que se admite apenas por amor ao debate, ainda assim o acórdão recorrido não merece reparos, eis que o entendimento já consolidado na 2ª Turma da CSRF (Acórdão 9202001.530) (...) É o relatório. Fl. 804DF CARF MF Processo nº 11242.001036/200921 Acórdão n.º 9202005.505 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 793. Contudo, existe solicitação, em sede de contrarrazões pelo não conhecimento do recurso, razão pela qual passo a reexaminar a questão. Do Conhecimento Quanto a alegação de não conhecimento face tratarse de fatos distintos, entendo que a situação submetida no acórdão recorrido assemelhase a situação retratada no acórdão paradigma, razão pela qual entendo deve ser conhecido o recurso. Vejamos, o ponto trazido pelo recorrente acerca da demonstração de divergência no paradigma. Ou seja, somente reinicia o prazo decadencial quando a anulação do lançamento anterior decorreu da existência de vício formal; do que me leva a crer que não há reinício do prazo quando a anulação se dá por outras causas, pois a regra geral é a ininterrupção, conforme artigo 207 do Código Civil. Portanto, para a finalidade deste trabalho, é mais razoável que se identifique o conceito de vício formal, e assim por exclusão se reconhecer que a regra especial trazida pelo CTN não alcança os demais casos, do que procurar dissecálos, um por um, ou mesmo conceituar o que se entenda por vício material. [...] Ainda que o Código Civil estabeleça efeitos para os vícios formais dos negócios jurídicos, artigo 166, quando se tratam de atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo seu magistério, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal etc), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Fl. 805DF CARF MF 8 Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. É um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o auto de infração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regra matriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: [...] Abstraindose da denominação que se possa atribuir à falta de descrição clara e precisa dos fatos geradores, o que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador junto com equívocos e omissões na qualificação do autuado, do dispositivo legal, da data e horário da lavratura, apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu (vício formal). Antes de avaliarmos o seguimento dado ao recurso especial, trago em contraponto, para análise objetiva os fundamentos do acórdão paradigma: Entendo que o lançamento possui um vício na formalização. Não restou caracterizado o enquadramento dos segurados como empregados. O relatório fiscal está. incompleto, uma vez que não houve detalhamento acerca da subordinação, para a maioria dos casos o Auditor sequer indicou qual seria a atividade prestada pelo segurado, fi.. 37, Não se pode confundir o órgão fiscalizador com o julgador. Cabe à Receita Federal fiscalizar e lançar os tributos, e cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CAIU a tarefa de verificar a regularidade da decisão de primeira instância, e não efetuar ou complementar o lançamento. O disposto nos artigos 59 e 60 do Decreto n ° 70235/1972, que tratam de nulidades, somente se aplicam para os atos praticados no curso do Fl. 806DF CARF MF Processo nº 11242.001036/200921 Acórdão n.º 9202005.505 CSRFT2 Fl. 6 9 processo administrativo.. O lançamento é ligado ao procedimento fiscal de apuração do crédito. Desse modo, há que se reconhecer a possibilidade de existência de outras nulidades que não somente as previstas nos arts. 59 e 60. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n 70235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal, Entre os elementos Obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso 111 do Decreto n 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juizo.. expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. A falha na motivação pode ser corrigida, desde que o motivo tenha existido.. Não é outra a lição do mais abalizado administrativista brasileiro, Celso Antônio Bandeira de Mello. De acordo com esse doutrinador, na obra Curso de Direito Administrativo, 22' edição, Ed. Malheiros, pág. 385, verbis: "em se tratando de atos vinculados, o que mais importa é haver ocorrido o motivo perante o qual o comportamento era obrigatório, passando para segundo plano a questão da motivação. Assim, se o ato não houver sido motivado, mas for possível demonstrar ulteriormente, de maneira indisputavelmente objetiva e para além de qualquer dúvida ou entre dúvida, que o motivo exigente cio ato preexistia, deverseá considerar sanado o vício do ato" Na mesma obra, página 451, o autor afirma que "a =validação, ou seja, o refazimento de modo válido e com efeitos retroativos do que fora produzido de modo inválido, em nada se incompatibiliza com interesses públicos, Isto é: em nada ofende a índole do Direito Administrativo.. Pelo contrário". Na lição de Celso Antônio, página 453: "A Administração não pode convalidar um ato viciado se este já foi impugnado, administrativa ou judicialmente, Se pudesse fazêlo, seria inútil a argüição do vicio, pois a extinção dos eleitos ilegítimos dependeria da vontade da Administração, e não do dever de obediência à ordem jurídica, Há entretanto, uma exceção. É o caso da "motivação" de ato vinculado expendida tardiamente, após a impugnação do ato. A demonstração, conquanto serôdia, de que os motivos preexistiam e a lei exigia que, perante eles, o ato fosse praticado com o exato conteúdo com que o tbi é razão bastante pala sua convalidação." Diante da irregularidade constatada, há que ser aplicado o Decreto n.° 70,.235/1972 devendo ser efetuado novo lançamento, conforme previsto no 18, § 3 0, nestas palavras: Art. 18 § 3" Quando, em exaness posteriores, diligências ou perícias, • realizados no curso do processo, .fOrem verificadas Fl. 807DF CARF MF 10 incorreções, omissões ou inexatidões. de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legada exigência, .será lavrado auto de infração ou emitida nottficação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada (Redação dada pelo art. .1" da Lei ri" 8.748/93) Tal complementa.çao tem que ser comandada pelo órgão de primeira instância, mesmo que de oficio, pois o capta do art.. 18 é determinante para a autoridade julgadora de primeira instância. É como é sabido os parágrafos e incisos devem ser interpretados em conibrmidade com o capta do dispositivo, que determina a regra. geral. É possível a complementação do relatório fiscal por decisão de primeira instância, entretanto não cabe tal complementação pela segunda instância, pois enquanto a primeira instância aprecia a impugnação quanto ao lançamento, a segunda aprecia o recurso quanto à decisão a quo. [...] Entendo que os meros erros materiais podem ser corrigidos no lançamento, agora as falhas mais graves, os vícios, demandam a realização de um novo ato, A correção dos erros materiais, a complementa.ção de informações, ou esclarecimentos, já constantes no relatório fiscal, podem ser trazidos aos autos por meio de diligência, inclusive coinandada pelo CARF. Pelo exposto, in casu, não se tratou de simples erro material, mas de vício na fórmalização por desobediência ao disposto no art.. 1 O, inciso III do Decreto n " 70,235„ CONCLUSÃO: Assim, voto por ANULAR o lançamento por vicio formal. Ou seja, ao contrário dos argumentos apresentados em sede de contrarrrazões, no acórdão recorrido o relator encaminhou pela nulidade material do lançamento, face não caracterização do requisito subordinação, enquanto o paradigma entendeu que a ausência de detalhamento acerca da subordinação, resultou em vício formal. Dessa forma, entendo que ao fazer o teste de divergência é possível vislumbrar que ao trazer o recorrido para o colegiado do paradigma, poderseia ter o encaminhamento por vício formal, razão pela qual conheço do recurso. Quanto ao segundo ponto de que a tese do paradigma já se encontrava superada, entendo também que razão não assiste ao recorrente. A simples existência de decisões anteriores favoráveis a tese do recorrente não é suficiente para que a CSRF deixe de apreciar recurso especial, já que essa possibilidade não se encontra no rol descrito como tese superada, inclusive porque até hoje não foi editada súmula acerca da questão, ou mesmo existe decisão em sede de recurso repetitivo ou com repercussão geral acerca do tema. Dessa forma, também com relação a essa questão conheço do recurso. Do mérito As questões objeto do recurso referemse, resumidamente, a regra de nulidade do lançamento quando não evidenciados os pressupostos de caracterização de vínculo de emprego. Da nulidade do Lançamento natureza do vício. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 11242.001036/200921 Acórdão n.º 9202005.505 CSRFT2 Fl. 7 11 Primeiramente, compete fazer alguns esclarecimentos sobre a diferença no entender dessa relatora sobre vício formal ou material. No caso, a falta da descrição pormenorizada no relatório fiscal poderia levar a anulação da NFLD por vício formal, por se tratar do não preenchimento de todas as formalidades necessárias a validação do ato administrativo por cercear o direito de defesa do sujeito passivo. No lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo, torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. Logo, se há falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. Como exemplo, nas contribuições previdenciárias se houve lançamento enquadrando o segurado como empregado, mas com as provas contidas nos autos é possível afirmar que se trata de contribuinte individual, há falha no pressupostos de fato e de direito. Agora, se houve lançamento como segurado empregado, mas o relatório fiscal falhou na descrição dos elementos, cerceando o direito de defesa, embora esteja evidente a existência do fato gerador; entendo que haveria falha na motivação, devendo o lançamento ser anulado por vício formal. A autoridade julgadora deverá analisar a observância dos requisitos formais do lançamento, previstos no art. 37 da Lei n ° 8.212. Nessa concepção, o vício material confundise com o próprio provimento do recurso, posto que a fiscalização, com as informações constantes do autos não conseguiu provar a ocorrência do fato gerador, ou seja, no caso concreto não foram apresentados elementos suficientes para determinar a vinculação dos trabalhadores na qualidade de segurados empregados do Centro Clínico Hospitalar Pitangueiras Ltda. Vencida essa etapa, importante identificar no caso concreto, qual a motivação do colegiado a quo para ter anulado o lançamento por vício material. Vejamos trecho do voto do acórdão recorrido, fls. 352 e seguintes: Conforme todas as transcrições extraídas do relatório fiscal e decisão recorrida, a premissa principal que sustenta o lançamento é a impossibilidade de contratação de serviços médicos, em especial como plantonista em ambulatório ou unidades de tratamento intensivo do contratante, que não seja na condição de segurado empregado. Isso porque o plantão médico pressupõe a observância de horário de trabalho fixado pelo contratante e daí a presença de subordinação. Ao adotar essa premissa, de fato, a fiscalização se auto desincumbiu do ônus de demonstração da presença dos elementos que caracterizam a relação de emprego:subordinação jurídica, pessoalidade, onerosidade e não eventualidade. Embora tenha trazido farta doutrina e jurisprudência sobre relações de emprego, carece o lançamento de elementos materiais fáticos para sustentação da conclusão a que chegou a fiscalização. Ademais, em outro sentido estão as contraprovas trazidas aos autos pela recorrente: Fl. 809DF CARF MF 12 a) os valores recebidos pelos cooperados, pagos individualmente pela cooperativa UNICOM, sofrem oscilações expressivas, as vezes para mais e em outros meses para menos. Também os pagamentos não são contínuos, há meses em que os médicos não receberam pagamentos. Esses fatos podem ser constatados através das relações de pagamentos preparadas pela fiscalização e no testemunho dos auditores fiscais; b) muitos dos prestadores de serviços, em quaisquer das modalidades desconsideradas (com exceção de PROPLÁS CIRURGIA PLÁSTICA S/C LTDA, LELIS E LELIS S/C LTDA e SOCLIM SOCIEDADE DE CLÍNICA MÉDICA SIC LTDA), inclusive a cooperativa UNICOM, também prestaram serviços a outros hospitais e estabelecimentos médicos no período verificado pela fiscalização, conforme se constata no exame de notas fiscais emitidas, não seqüenciais, e também no testemunho dos auditores fiscais; e c) há nos autos fotografias que comprovam a existência de estabelecimentos próprios dos prestadores de serviços pessoas jurídicas. Ressaltase que as relações de pagamentos aos cooperados, anexadas ao relatório fiscal, foram obtidas na auditoria fiscal realizada na cooperativa UNICOM. Retornando à premissa adotada pela fiscalização plantão médico pressupõe a observância de horário de trabalho fixado pelo contratante e daí a presença de subordinação, contrapõe na a recorrente sustentando que seu estabelecimento hospitalar atende através de plantões médicos durante as 24 horas do dia, sendo essa uma necessidade de qualquer hospital, não significando daí que seja sua a eleição de um determinado profissional para cada período de plantão. De fato, a premissa adotada não pode ser considerada absoluta a ponto de não se fazer acompanhada dos fatos que a sustentem. É razoável também que o contratante dos serviços médicos informasse à cooperativa tão somente o quantitativo de médicos especialistas em cada equipe que compõe os plantões, integrada também por outros profissionais da área de saúde de seu corpo de funcionários. A partir de então a cooperativa realizasse uma escala de plantão de acordo com a disponibilidade de horário dos médicos cooperados. É sabido que os médicos possuem uma rotina semanal diversificada entre plantões médicos, centros cirúrgicos, atendimentos pelo SUS, consultório próprio etc. O atendimento como cooperado, não raras vezes, pode significar apenas uma de suas formas de exercer a profissão. E é de fato o que aconteceu no caso em exame. Constato na última página da relação de pagamentos preparada pela fiscalização, fls. 080, onde estão os valores mais recentes, 07/2001 a 12/2001, que muitos médicos percebiam menos que o piso salarial à época para a categoria, que era em torno de R$ 1.200,00. Podese presumir que não era essa a única renda mensal do médico; logo, também prestavam serviços para outros hospitais e estabelecimentos médicos. A recorrente era apenas um de seus contratantes de serviços. [...] Fl. 810DF CARF MF Processo nº 11242.001036/200921 Acórdão n.º 9202005.505 CSRFT2 Fl. 8 13 No presente caso, o vício está na própria verificação e demonstração da ocorrência do fato gerador da obrigação, o que pertence ao núcleo material da autuação. Pela análise dos pontos trazidos no voto é possível constatar que o colegiado entendeu que a fiscalização não se desincumbiu do ônus de provar a existência do fato gerador, já que a simples menção de terceirização de serviços finalísticos, não seria suficiente para provar que os profissionais caracterizados como segurados empregados, cumpriam pessoalmente os requisitos previstos no art. 12 da lei 8212/91. Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Nessa concepção, o vício material confundise com o próprio provimento do recurso, posto que a fiscalização, com as informações constantes do autos, não conseguiu provar a ocorrência do fato gerador. Conforme descrito no acórdão recorrido, face os argumentos e documentos trazidos pelo sujeito passivo, não foram apresentados elementos suficientes para determinar a vinculação dos trabalhadores cooperados, autônomos e Pessoas jurídicas como empregados, razão pela qual correto o encaminhamento de vício material do lançamento. Esclareço apenas que no meu entender não existe referido vício, posto que na situação concreta, o que mais correto seria dar provimento ao recurso, contudo, como estamos apreciando recurso da Fazenda Nacional que deseja ter o vício convertido em formal, limito me a NEGAR PROVIMENTO ao Recuso Especial da Fazenda Nacional. Conclusão Face o exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 811DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004790/2006-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/01/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a existência de necessidade de esclarecimento quanto ao alcance da decisão, cabe a admissibilidade dos embargos para a correção do Acórdão.
Embargos Providos
Numero da decisão: 3201-003.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para corrigir a decisão do Acórdão, para provimento parcial ao recurso de ofício e provimento parcial ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para corrigir a decisão do Acórdão, para provimento parcial ao recurso de ofício e provimento parcial ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
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OBSCURIDADE. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a existência de necessidade de esclarecimento quanto ao alcance da decisão, cabe a admissibilidade dos embargos para a correção do Acórdão. Embargos Providos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para corrigir a decisão do Acórdão, para provimento parcial ao recurso de ofício e provimento parcial ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 47 90 /2 00 6- 59 Fl. 4402DF CARF MF 2 Relatório Tratase embargos inominados oriundos de despacho da Unidade de Origem, em que são solicitados esclarecimentos sobre a decisão prolatada no Acórdão 3201002.182, que foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/01/2004, 01/05/2004 a 31/05/2004 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. DILIGÊNCIA FISCAL. DIVERGÊNCIA NA EXIGÊNCIA FISCAL. Comprovado em diligência fiscal a necessidade de ajustes no lançamento, devese manter a exigência fiscal com os ajustes apurados na diligência. Recurso de Oficio Negado e Recurso voluntário Parcialmente Provido O pedido de esclarecimento foi assim detalhadas no despacho: Os autos vieram para ciência ao contribuinte do Acórdão nº 3201002.182 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do CARF, de 17/05/2016, que negou provimento ao recurso de ofício e julgou procedente em parte o recurso voluntário, reduzindo o lançamento conforme tabelas à fls. 4364 e 4365. Ocorre que, o Acórdão nº 0416.0192ª Turma da DRJ/CGE julgou procedente em parte a impugnação, exonerando o crédito tributário relativo à COFINS e PIS dos períodos agosto de 2005 a outubro de 2005 e dezembro de 2005. Especificamente com relação aos períodos 09/2005 e 12/2005 da COFINS há divergência de entendimentos uma vez que, tendo sido exonerado pela DRJ e ratificado pelo CARF, não há como se implementar a alteração pretendida para R$ 62.850,53 e 40.873,68, respectivamente. Diante do acima exposto, restituise o processo ao CARF para pronunciamento Fl. 4403DF CARF MF Processo nº 10183.004790/200659 Acórdão n.º 3201003.005 S3C2T1 Fl. 3 3 Os pedidos de esclarecimento da Unidade de Origem foram admitidos como embargos inominados. As motivações para prosseguimento dos embargos, foram assim detalhadas no despacho de admissibilidade. Entendo assistir razão a embargante. O acórdão recorrido não As informações trazidas aos autos pela Unidade de Origem indicam a existência de lapso manifesto no Acórdão prolatada pela Primeira Turma da Segunda Câmara. Nos termos constantes da decisão foi dado provimento parcial ao recurso para aplicar o resultado do relatório de diligência (fl. 4374), que apontou uma divergência de apuração das contribuições para o período de 09/2005 e 12/2005. Consultando a decisão da primeira instância, verificase o parcial provimento a impugnação, exonerando a exigência fiscal para os períodos de agosto a outubro de 2005 e dezembro de 2005. Existe uma divergência clara na decisão, pois, ao considerarse a planilha apresentada na diligência, existiriam débitos da Cofins para o período de 09/2005 e 12/2005, que foram mantidos na decisão do acórdão guerreado e foram cancelados na decisão da primeira instância. Assim, fazse necessária o conhecimento do despacho da Unidade de Origem, como embargos inominados, para solução do lapso manifesto na decisão. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Nos termos constantes do relatório, a decisão do Acórdão ora embargado, manteve a exigência fiscal para os períodos de agosto a outubro de 2005 e dezembro de 2005, nos termos apresentados em diligência fiscal. Entretanto, para os períodos de 09/2005 e 12/2005 os valores já tinham sido exonerados na decisão da primeira instância. Considerando, que os valores exonerados foram objeto de recurso de ofício. A decisão da turma julgadora do CARF, ao decidir aplicar os valores apurados na diligência por ela determinada, deu provimento parcial ao recurso de ofício tornando exigíveis os valores apurados na diligência para os períodos de 09/2005 e 12/2005. Assim, merece acolhida os embargos declaratórios para confirmar a exigência dos tributos apurados pela diligência para os períodos de 09/2005 e 12/2005, e corrigir o acórdão para provimento parcial do recurso de ofício. Fl. 4404DF CARF MF 4 Diante do exposto, acolho os embargos, para confirmar a decisão de acatar as conclusões da diligência fiscal, mantendo a decisão do provimento parcial do recurso voluntário e dar parcial provimento ao recurso de ofício, para determinar a cobrança dos débitos referentes aos períodos de 09/2005 e 12/2005. Winderley Morais Pereira Fl. 4405DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.904095/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.387
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente PARATI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 40 95 /2 01 2- 14 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10925.904095/201214 Acórdão n.º 3302004.387 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o PIS/Pasep. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba SC pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07031.438. O fundamento adotado, em síntese, foi: (i) que, pagamentos efetuados mediante DARF (vinculados a débitos declarados em DCTF) somente se caracterizam como indevidos ou a maior, quando o contribuinte retifica a DCTF, informando corretamente o débito (a menor); e (ii) que, não procede a alegação da contribuinte de que o ICMS não compõe as bases de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins; e (iii) que o órgão administrativo não pode ser pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, aduzindo (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição; (ii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS; (iii) sobrestamento do feito até o transito em julgado da decisão proferida pelo STF (RE 574.706). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.379, de 28 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.907614/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.379): Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10925.904095/201214 Acórdão n.º 3302004.387 S3C3T2 Fl. 4 3 "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 19.03.2014 (fls.43) e protocolou Recurso Voluntário em 07.04.2014 (fls.4653), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito II.1 Inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02 Inicialmente é imperioso destacar que nos termos da Súmula nº 02 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Deste modo, a análise da inconstitucionalidade da legislação tributária envolvendo a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS resta totalmente prejudicada. II.2 Ausência de retificação da DCTF direito creditório É incontroverso nos autos que a Recorrente não retificou a DCTF antes de apresentar o Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, fato este que para fiscalização obsta o direito ao crédito buscado pelo contribuinte. Contudo, o fato de a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, por si só, não é motivo suficiente para que seu crédito não seja reconhecido, podendo, tal procedimento, ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte, nos termos do §1º ao art. 147 do CTN, a saber: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10925.904095/201214 Acórdão n.º 3302004.387 S3C3T2 Fl. 5 4 Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/ RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/ PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10925.904095/201214 Acórdão n.º 3302004.387 S3C3T2 Fl. 6 5 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. Superada essa questão, passase a análise da matéria sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS. II.3 ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente, sem contudo provar, que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.785 2/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158): A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10925.904095/201214 Acórdão n.º 3302004.387 S3C3T2 Fl. 7 6 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10925.904095/201214 Acórdão n.º 3302004.387 S3C3T2 Fl. 8 7 técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10925.904095/201214 Acórdão n.º 3302004.387 S3C3T2 Fl. 9 8 de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10925.904095/201214 Acórdão n.º 3302004.387 S3C3T2 Fl. 10 9 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. II.4 Sobrestamento do processo Por fim, a Recorrente pleiteou o sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do RE 504.706, suplicando pela aplicação do princípio da economia processual. Com todo respeito ao pedido formulado pela Recorrente, as hipóteses de sobrestamento do feito previstas no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, não albergam o pedido do contribuinte, logo, deve ser afastado o requerimento anteriormente citado, por total ausência de fundamento legal. III. Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito e, que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.144.469/PR), aplicável ao presente caso, é no sentido de manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10925.904095/201214 Acórdão n.º 3302004.387 S3C3T2 Fl. 11 10 Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e, não obstante a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004894/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
DECADÊNCIA. IRPF. AJUSTE ANUAL.
"O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário." (Súmula CARF nº 38)
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
"A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26)
QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
"Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas". (Súmula CARF nº 34)
APLICAÇÃO DA TAXA SELIC.
"A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 4)
Numero da decisão: 2202-003.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: Relator JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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IRPF. AJUSTE ANUAL. "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário." (Súmula CARF nº 38) OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. "A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26) QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. "Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas". (Súmula CARF nº 34) APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." (Súmula CARF nº 4) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 48 94 /2 00 8- 09 Fl. 540DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório formulado por ocasião da Resolução nº 2202000.465 que determinou que fosse sobrestado o andamento do presente processo até a conclusão do julgamento do RE nº 601.314 pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 2º, §3º da Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, então vigente Tratase de Auto de Infração de fls. 416 a 424, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anos calendário 2003 e 2004, lavrado contra o contribuinte acima identificado por omissão de rendimentos nas declarações dos exercícios correspondentes, fls. 04 a 11. Esclarece a autoridade administrativa no Termo de Verificação Fiscal, fls. 364/366, que a fiscalização foi reaberta em relação ao contribuinte acima identificado, mediante o Mandado n° 08.190.002008044014, fls. 01, como consequência da fiscalização a contribuinte Fumie Nagase Hayama. Aponta a Auditora Fiscal que tendo expedido intimação para que a contribuinte Fumie Nagase Hayama apresentasse extratos bancários relativos à movimentação financeira na conta corrente do Unibanco S/A, compareceram em 30/08/2007 perante a fiscalização sua filha Iolanda Hayama Osiro e seu cônjuge, informando o falecimento da fiscalizada em 25/08/07. Acrescenta que moravam juntos desde 2003 e que tanto eles como ela, desconheciam a existência de qualquer conta bancária movimentada no Unibanco. Informaram que a contribuinte permaneceu internada desde 11/05/2005, que apresentava déficit cognitivo e estava impossibilitada de exercer os atos da vida civil. Prosseguindo na descrição dos fatos, informa que foi emitida Requisição de Movimentação Financeira — RMF ao Unibanco Fl. 541DF CARF MF Processo nº 19515.004894/200809 Acórdão n.º 2202003.819 S2C2T2 Fl. 541 3 S/A solicitando extratos bancários da fiscalizada e outros documentos como contrato de abertura de conta, cartão de assinaturas e eventual procuração a terceiro. Ao final foi constatado que o Sr. Ricardo Ono Hayama detinha procuração lhe outorgando amplos poderes para movimentar a conta fiscalizada. Diante dos fatos apurados, a fiscalização concluiu que a conta corrente 1328225, na agência 474 do Unibanco S/A, tem como titular de fato o Sr. Ricardo Ono Hayamadetentor dos recursos que nela transitaram. Prosseguindo em sua narrativa a Auditora informa que o procedimento teve início em 17/06/2008 com o envio do Termo de Intimação para que o contribuinte apresentasse documentação que comprovasse a origem dos recursos depositados na conta bancária em questão. Depois de reiteradas e infrutíferas intimações, sendo a última recebida em 04/08/2008, informa que o contribuinte não compareceu, portanto deixou de comprovar a origem dos créditos bancários, caracterizando a omissão de rendimentos nos anos calendários de 2003 e 2004 nos montantes de R$ 3.088.222,75 e R$ 7.372.377,16 respectivamente. Nas declarações de ajuste anual em ambos exercícios a renda tributável informada pelo contribuinte foi de R$ 14.000,00. Cientificado do lançamento o contribuinte ingressou, , com a impugnação de fls. (fls. 428/453). A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo– DRJ/SPOII, negou provimento a impugnação, nos termos do acórdão 1730.118, de 19 de fevereiro de 2009. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário. Na sessão de 13 de março de 2013, a 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento decidiu, por unanimidade de votos, sobrestar o processo nos termos do §3º do art.2 º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. Em virtude da revogação da Portaria CARF que determina o sobrestamento do processo este foi redistribuído a minha relatoria. É o Relatório. Voto Fl. 542DF CARF MF 4 Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, dele conheço 1) PRELIMINAR DECADÊNCIA De acordo com o Recorrente, o imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação previsto no art. 150. do CTN. Assim, no caso específico da omissão de receitas, apuradas com fundamento no artigo 42, combinado com o disposto no art. 150. §4º do CTN, a contagem inicial do prazo decadencial de cinco anos para o lançamento do crédito deverá ser contado a partir do mês que se considerar recebidos os rendimentos omitidos. Incorretas também as alegações do Recorrente quanto à decadência dos valores relativos ao anocalendário de 2003, uma que a ciência do Auto de Infração se deu em 05/09/2008 (fls. 430). É entendimento pacificado no âmbito do CARF (Súmula CARF nº 38) que "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário" . Sendo assim, não há que se falar em decadência dos lançamentos relativos ao anocalendário de 2003. 2) MÉRITO 2.1) SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA E ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. Alega do Recorrente que a fiscalização não comprovou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, o que só seria possível mediante a demonstração de sinais exteriores de riqueza ou do efetivo acréscimo patrimonial. É correta a afirmação do Recorrente no sentido de que o simples depósito em conta corrente não significa renda. No entanto, é pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 543DF CARF MF Processo nº 19515.004894/200809 Acórdão n.º 2202003.819 S2C2T2 Fl. 542 5 I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como destaca Ricardo Mariz de Oliveira1 as razões que justificam a aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes: a ocorrência do fato gerador é constatada a partir de fatos conhecidos e comprovadamente existentes; há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de materiais, sinais exteriores de riqueza, acréscimos patrimoniais, saldo credor de caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador); o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador; a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo contribuinte, característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa; tratase de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos, também desconhecidos, mas hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos) A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Presunções no Direito Tributário. In Martins Ives Gandra da Silva (coord.). Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária e Editora Resenha Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299300 Fl. 544DF CARF MF 6 Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 2.2) DA MULTA QUALIFICADA Requer a Recorrente a redução da multa qualificada no percentual de 150%, pois não haveria nos autos a comprovação de que ele agiu com dolo. Como bem ressaltou a decisão recorrida (fls.481/482): No presente caso, a conta bancária em nome de Fumie Nagase Hayama foi movimente exclusivamente pelo impugnante mediante procuração que, coincidentemente ou não, lhe foi outorgada na mesma data da abertura em 06/04/2001. Contrariamente ao que alega, dentro do contexto em que se insere, é dotada de força probante a declaração de sua filha acerca do desconhecimento da existência de contra de tamanha magnitude e que no ano de 2003 recebeu crédito de R$ 3.088.222,75 e R$ 7.372.377,16 em 2004. Não se pode desconsiderar ainda que as disponibilidades econômicas da correntista certamente seriam de interesse sucessório, contudo, tal situação denota um potencial econômico incongruente à real condição da correntista denunciada nos autos. Da análise da documentação de cadastro bancário da correntista, fls. 251/263, se verifica que a renda mensal informada foi de R$ 1.020,00 e que esta exercia atividade de dona de casa. Notadamente, tal situação é absolutamente incompatível com a movimentação bancária que supera o patamar de 11 milhões e que, incontestavelmente, forma administrados pelo Impugnante. Dessa forma, restou suficientemente demonstrada a utilização de terceira que o titular de fato das contas bancárias era o Recorrente. Conforme disposto na Súmula CARF nº 32 "A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." Sendo assim, correta a qualificação da multa de ofício, uma vez que foi demonstrado no trabalho fiscal que a movimentação dos recurso era realizada por terceiros. É o que determina a Súmula CARF nº 34 (Vinculante) abaixo transcrita: Súmula CARF nº 34 (VINCULANTE): Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 19515.004894/200809 Acórdão n.º 2202003.819 S2C2T2 Fl. 543 7 2.3) DA ILEGALIDADE DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC Como pedido alternativo sucessivo, o Recorrente requer que, caso mantidos os valores discutidos integral ou parcialmente, seja excluída a aplicação da taxa SELIC instituída pelo artigo 13, da Lei no 9.065, de 20 de junho de 1995, que a partir de abril de 1995, alterou o artigo 84 da Lei no 8.981/95, em face da sua ilegalidade diante do disposto no art. 161, §1º do CTN. A aplicação da taxa SELIC é matéria pacificada no âmbito desse Conselho conforme se verifica pela Súmula CARF nº 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito a preliminar de decadência e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 546DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902794/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.164
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1345; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.902794/201214 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.164 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BIC AMAZÔNIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 27 94 /2 01 2- 14 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10283.902794/201214 Acórdão n.º 3302004.164 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02059.005. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10283.902794/201214 Acórdão n.º 3302004.164 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.902794/201214 Acórdão n.º 3302004.164 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.902794/201214 Acórdão n.º 3302004.164 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.902794/201214 Acórdão n.º 3302004.164 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.902794/201214 Acórdão n.º 3302004.164 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.907209/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2010
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.243
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2010 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de COFINS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 72 09 /2 01 2- 13 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10882.907209/201213 Acórdão n.º 3302004.243 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.846. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10882.907209/201213 Acórdão n.º 3302004.243 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907209/201213 Acórdão n.º 3302004.243 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907209/201213 Acórdão n.º 3302004.243 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907209/201213 Acórdão n.º 3302004.243 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907209/201213 Acórdão n.º 3302004.243 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 12268.000319/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/09/2003 a 31/12/2004, 01/02/2005 a 31/12/2005, 02/02/2006 a 28/02/2006, 01/05/2006 a 31/05/2006, 01/07/2006 a 31/07/2006, 01/11/2006 a 30/04/2007, 01/08/2007 a 01/09/2007
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ATENDER NECESSIDADE ESPECÍFICA DO CONTRATANTE NÃO SE CONFUNDE COM A CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS
Não se confunde com cessão de direitos autorais a prestação de serviços na forma de aulas, instruções ou palestras sob encomenda e com a finalidade de comercialização no mercado pelo contratante.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. FORMA DIRETA OU UTILIDADE. AUSÊNCIA.
O salário de contribuição pode ser pago de duas formas, diretamente em pecúnia ou na forma de alguma utilidade efetiva e de imediata fruição. A potencial e presumida utilidade decorrente de alguma vantagem oferecida ao beneficiário ainda não é suficiente para caracterizá-lo.
MULTA DE MORA PREVIDENCIÁRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
Antes da vigência da MP nº 449/2008 não se aplicava às contribuições previdenciárias em atraso, ainda que objeto de lançamento, a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96; portanto, para os fatos geradores ocorridos até 11/2008 o instituto da denúncia espontânea é inaplicável por falta de penalidade prescrita para a falta de recolhimento espontâneo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e dar-lhe parcial provimento, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto votou pelas conclusões na questão da prestação de serviços por pessoas físicas, por entender tratar-se de cessão de direitos autorais. Fez sustentação oral pela recorrente, Flávio Zanetti de Oliveira, OAB/PR 19.116.
Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. FORMA DIRETA OU UTILIDADE. AUSÊNCIA. O salário de contribuição pode ser pago de duas formas, diretamente em pecúnia ou na forma de alguma utilidade efetiva e de imediata fruição. A potencial e presumida utilidade decorrente de alguma vantagem oferecida ao beneficiário ainda não é suficiente para caracterizálo. MULTA DE MORA PREVIDENCIÁRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Antes da vigência da MP nº 449/2008 não se aplicava às contribuições previdenciárias em atraso, ainda que objeto de lançamento, a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96; portanto, para os fatos geradores ocorridos até 11/2008 o instituto da denúncia espontânea é inaplicável por falta de penalidade prescrita para a falta de recolhimento espontâneo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 03 19 /2 00 8- 49 Fl. 1295DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e darlhe parcial provimento, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto votou pelas conclusões na questão da prestação de serviços por pessoas físicas, por entender tratarse de cessão de direitos autorais. Fez sustentação oral pela recorrente, Flávio Zanetti de Oliveira, OAB/PR 19.116. Andrea Brose Adolfo PresidenteSubstituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 12268.000319/200849 Acórdão n.º 2301004.961 S2C3T1 Fl. 1.290 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a autuação realizada em 27/06/2008. O crédito é decorrente da contribuição previdenciária sobre serviços prestados por pessoas físicas contribuintes individuais que celebraram com o recorrente contrato de cessão de direitos autorais; porém, considerados pela fiscalização como prestação de serviços em geral. Também foram lançadas contribuições recolhidas em atraso. A decisão recorrida excluiu do lançamento a parte relativa a glosa de compensação. Seguem transcrições do acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇOES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/09/2003 a 31/12/2004, 01/02/2005 a 31/12/2005, 02/02/2006 a 28/02/2006, 01/05/2006 a 31/05/2006, 01/07/2006 a 31/07/2006, 01/11/2006 a 30/04/2007, 01/08/2007 a 01/09/2007 AIOP 37.161.6204 CESSAO DE MAO DE OBRA. RETENÇAQ 11%. DIREITO A COMPENSAÇAO. Comprovada a prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, tem a empresa prestadora de serviços direito à compensação dos valores retidos em meses de competência posteriores àquela em que se efetivaram as retenções, ainda que não destacadas nas notas fiscais de prestação de serviços, desde que devidamente comprovados os respectivos recolhimentos. GRAVAÇAO EM AUDIVISUAIS. PRESTAÇAO DE SERVIÇOS. DECLARAÇAO DOS VALORES EM GFIP. Não configura cessão de direitos autorais mas sim prestação de serviços a gravação em audiovisuais de cursos, palestras, conferências, incidindo sobre a remuneração contratada as contribuições previdenciárias previstas na Lei 8.212, de 1991. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. EXIGIBILIDADE. A exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da infração não se aplica à multa de mora devida em decorrência do recolhimento em atraso de contribuições sociais, para a qual existe previsão legal específica de incidência no caso de recolhimento extemporâneo, ainda que espontâneo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... Fl. 1297DF CARF MF 4 O presente Auto de Infração AI, no montante de R$ 701.597,98 (setecentos e um mil quinhentos e noventa e sete reais e noventa e oito centavos atualizados até a data do lançamento), foi lavrado em 27/06/2008 contra o sujeito passivo acima identificado, para constituição do crédito relativo a contribuições destinadas à previdência social, previstas no art. 22, III, da I/ei 8.212, de 24 de julho de 1991, e incidentes sobre remuneração paga a segurados contribuintes individuais. ... 3.2 LEVANTAMENTO PALPAGAMENTOS A PESSOAS FÍSICAS: (03/2003 A 02/2007Descontínuo). 3.2.1 O fato gerador das contribuições apuradas neste levantamento, relativo ao periodo citado, é a prestação de serviços remunerados por segurados contribuintes individuais pessoas fisicas. As remunerações não foram declaradas em GFIP. Os valores lavrados neste levantamento foram obtidos nos contratos de prestação serviços firmados entre a empresa e os prestadores de serviços pessoas fisicas. 3.2.2 A empresa contrata profissionais para a gravação de audiovisuais com conteúdo de autoria dos contratados em troca da contraprestação de bens e serviços. Os contratos estipulam um valor em moeda corrente que corresponderia ao montante dos bens e serviços oferecidos em troca , tais como, a produção de comerciais da obra do autor com a conseqüente transmissão em seus canais, a edição de um DVD com a gravação do curso que é repassada ao contratado, a inserção de comercias de divulgação das obras dos autores na grade de programação da empresa, a veiculação do nome e endereço eletrônico do autor em revista mensal e no site da empresa. Estes serviços oferecidos em regime de permuta com os autores estão discriminados nos anexos aos contratos, que estabelecem um valor em espécie pela permuta. Este tipo de contraprestação caracterizase claramente como pagamento in natura, uma vez que a empresa tem por objeto social justamente a produção de programas audiovisuais com o objetivo de promover seminários,simpósios,congressos e treinamento à distância. 3.3 LEVANTAMENTO DAL DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAI O presente levantamento tem por finalidade apurar e`constituir o crédito relativo aos Acréscímos Legais juros e multas) decorrentes dos recolhimentos em atraso das contribuições arrecadados pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, destinadas a Seguridade Social. Contra a parte do lançamento mantida pela decisão recorrida, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: a) os pagamentos efetuados pela impugnante às pessoas físicas, sejam em espécie ou in natura, configuram hipótese de não incidência tributária, pois não constituiriam remuneração pela prestação de serviços, mas sim, contraprestação pela cessão de Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 12268.000319/200849 Acórdão n.º 2301004.961 S2C3T1 Fl. 1.291 5 direitos autorais, parcela sobre a qual não incide a contribuição previdenciária; b) não haveria prestação de serviços por contribuintes individuais. Todos os contratos têm por objeto licenciar, em favor da impugnante, o uso das obras intelectuais de autoria dos contratados. 3. Ilegitimidade da cobrança de diferenças de multas. Seria ilegítima a cobrança da parcela de multa apurada no discriminativo DAL Diferença de Acréscimos Legais, em face do instituto da denúncia espontânea. E também que: Na hipótese, observase, com clareza, que a relação jurídica havida entre a Recorrente e as pessoas físicas indicadas pela Fiscalização tem por objeto verdadeira obrigação de dar coisa certa (obra intelectual), não havendo que se fala em prestação de serviços Partindo dessas premissas, adequadas à realidade concreta, impõese a conclusão de que as permutas implementadas entre a Recorrente e os contribuintes individuais indicados na autuação não integram a materialidade da norma de incidência tributária, mas,_pelo contrário, são dela expressamente excluídas, tratandose de verdadeira hipótese de nãoincidência. Desse modo, é certo que os valores relacionados aos contratos de licença de uso de obras intelectuais não estão sujeitos à imposição da contribuição previdenciária, derruindo, por completo, o lançamento a que se refere a presente notificação (levantamento “PAL”). ... Como se extrai dos dispositivos supra, as obras intelectuais expressadas em material audiovisual, consideramse bens móveis (obrigação de dar), e encontram tutela na lei de direitos autorais. A transferência e a utilização dos direitos autorais, por meio da utilização de obras audiovisuais, também foram disciplinadas pela Lei n° 9.610/98, merecendo destaque os seguintes dispositivos: “Art. 49. Os direitos de autor poderão ser total ou parcialmente transferidos a terceiros, por ele ou por seus sucessores, a título universal ou singular, pessoalmente ou por meio de representantes com poderes especiais, por meio de licenciamento, concessão, cessão ou por outros meios admitidos em Direito, obedecidas as seguintes limitações: (...) Art. 50. A cessão total ou parcial dos direitos de autor, que se fará sempre por escrito, presumese onerosa. Fl. 1299DF CARF MF 6 (...) Art. 81. A autorização do autor e do intérprete de obra literária, artística ou científica para produção audiovisual implica, salvo disposição em contrário, consentimento para sua utilização econômica.” Portanto, é certo que a cessão de direitos autorais por meio de obras audiovisuais encontra guarida no âmbito da legislação específica, devendo ser considerada como autorização para a produção de obras de cunho intelectual, similarmente ao que ocorre nos textos escritos e nas produções literárias. Diferentemente do que sustenta o julgador de primeira instância, não há qualquer impedimento à cessão de direitos autorais na forma de gravação de material audiovisual, tampouco a transmutação da natureza jurídica da obrigação que lhe é subjacente (dar coisa certa) para prestação de serviços, como conseqüência da eleição desse mecanismo de reprodução das obras. Pelo contrário, tal modalidade de transferência de direitos autorais é expressamente protegida pela legislação de regência! É o Relatório. Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 12268.000319/200849 Acórdão n.º 2301004.961 S2C3T1 Fl. 1.292 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 1301DF CARF MF 8 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade. Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Mérito Contrato de cessão de direitos autorais A controvérsia em questão versa sobre o enquadramento da situação em exame no conceito de cessão de direito autoral sobre obras intelectuais, tal como previsto no artigo 7° da Lei 9.610, de 1998: Art. 7° São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: I os textos de obras literárias, artísticas ou cientificas; II as conferências, alocuções, sermões e outras obras da mesma natureza; ... Isso porque não incide contribuição previdenciária sobre a remuneração pela cessão dos direitos autorais: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 12268.000319/200849 Acórdão n.º 2301004.961 S2C3T1 Fl. 1.293 9 Examinando os contratos juntados aos autos, especialmente os anexos I e II, verifico que para todos os serviços é fixado um valor de contraprestação na forma de divulgação dos trabalhos do contratado, marketing junto a potenciais clientes que também poderiam contratar os serviços do contratado: O preço de R$ 5.000,00, cinco mil reais indicado na cláusula 3.* do contrato será pago pela Dtcom Direct to Company S.A o Autor conforme as regras estabelecidas neste anexo. 1. A Dtcom Direct to Company S.A produzirá o comercial no modelo padrão com os parceiros de conteúdo (logomarca e apresentação de um roteiro de 30" definido pelo Autor) e transmitirá nos seus canais, (durante 06 meses, 108 inserções mensais de 30" segundos cada), veiculadas em programas com assuntos ligados à mesma área de atuação do Autor, nos horários entre 8:00 e 23:00h, em dias de semana. 2. Além do previsto no item 2, a Dtcom Direct to Company S.A editará 1 (uma) fita VHS ou um DVD do curso gravado pelo Autor, o qual poderá reproduzila após a transmissão do curso no canal Dtcom Direct to Company S.A, a suas próprias expensas. . 3. Finalmente, a Dtcom Direct to Company S.A realizará para o Autor: a) divulgação do autor na grade de programação da Dtcom Direct to Company S.A; b) inserção de vinhetas com logomarca durante cada programa de autoria da instituição; c) A Dtcom Direct to Company S.A exibirá na Internet propaganda do autor, permitindo link direto para o seu endereço eletrônico, apresentadas no site Dtcom para todos os seus usuários, durante 12 meses todo 0 período de 24 horas/dia. No anexo I são discriminados os detalhes da produção a ser realizada pelo contratado: Estrutura da aula (teleaula) O professor deverá fornecer um esquema, um desenho, ou uma descrição que represente a hierarquia das idéias que serão abordadas teleaula. Deve ficar claro quais serão as idéias principais, as idéias secundárias e assim por diante. A estrutura deve demonstrar a linha de raciocínio utilizada pelo professor para concluir os temas abordados. Conteúdos a serem abordados nos blocos (teleaula) Uma aula corresponde a 48 min divididos em 3 blocos de dezesseis minutos. Os professores deverão mencionar, da mesma forma, o que será abordado em cada um destes blocos. Ex: Bloco 1 tópicos e assuntos abordados Bloco 2 tópicos e assuntos abordados Bloco 3 tópicos e assuntos abordados e fechamento do curso. Fl. 1303DF CARF MF 10 Carga Horária: 2 horasaula Finalidade do Curso O professor deverá explicar o que se pretende com o curso de uma forma geral. Lembrando que o objetivo deve ser razoável e condizente com o conteúdo do curso. Deve ficar claro se o curso irá informar, capacitar, demonstrar etc. Apresentar; analisar e discutir as inovações introduzidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal e seus reflexos no âmbito da Administração Pública, de modo que os servidores. ao final do curso, possam conhecer e interpretar a lei para entender sua relevância e, por conseqüência, evitar as falhas passíveis de punição. Objetivos Específicos O professor deverá informar claramente o que se espera dos alunos na elaboração dos objetivos específicos. O conteúdo de suas aulas deve estar de acordo com estes objetivos que se pretende atingir. Os objetivos específicos devem responder a seguinte frase: ao final desta aula, os alunos deverão ser capazes de ter conhecimento básico do assunto e até mesmo aprofundar os conhecimentos já existentes. Prérequisitos Informar se são necessários alguns pre'requisitos para participar mais eficazmente do curso. Mencionar quais säo e se possível, fornecer fontes onde os alunos possam buscar maiores informações. Preferencialmente indicado para os Gestores e Servidores Públicos do Município, cujas atribuições tenham afinidade com o tema. Referencial teórico principal e complementar O professor deverá indicar em quais referenciais teóricos está embasada sua aula, para que o professor tutor e eventualmente, o desenvolvedor de conteúdo, possam trabalhar melhor o conteúdo na web. Livro: Lei de Responsabilidade Fiscal para os Municipios. São Paulo: Atlas, 2004 Legislação divulgada no site: wvvw.tesouro.fazenda.gov.br Material complementar e de apoio O professor deverá indicar sites, artigos, resenhas, entre outros para constar como indicação de material complementar aos alunos. Livro: Lei de Responsabilidade Fiscal para os Municipios. São Paulo: Atlas. 2004 Legislação divulgada no site: www.tesouro.fazenda.gov.br Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 12268.000319/200849 Acórdão n.º 2301004.961 S2C3T1 Fl. 1.294 11 Como se pode constatar, não se trata de uma produção intelectual livre, uma manifestação da capacidade de criação do autor. Na verdade, o que temos no presente caso é uma produção intelectual, isso não se nega, mas na forma de prestação de um serviço sob encomenda a fim de que o contratante, ora recorrente, disponha de um produto a ser comercializado, principalmente a empresas interessadas em promoverem desenvolvimento corporativo de seus funcionários. Assim, tenho para mim não se tratar de uma cessão de direito autoral, mas uma prestação de serviço; contudo, no caso, não identifico na forma de contraprestação uma remuneração propriamente dita, seja na forma direta ou in natura. Vêse que o contratado, pela prestação de serviços, somente vem auferir um direito de divulgação de seu nome, logotipo e outros meios de marketing pessoal que, de fato, potencializam novas contratações. Quanto mais notoriedade melhor para o profissional que está no mercado para comercialização de seus trabalhos. Assim, o que vejo no presente caso é que a contraprestação por parte do recorrente termina nesse ponto: contribuir para a notoriedade do profissional, mas com isso ainda não se configura um benefício concreto, tangível, uma utilidade a ser usufruída pelo contratado. De acordo com a Lei nº 8.212/91, o salário de contribuição pode ser pago de duas formas, diretamente em pecúnia ou na forma de alguma utilidade. Nenhum dos dois está presente. A potencial e presumida utilidade ainda não configura salário de contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Em síntese, tratase de prestação de serviço e não de cessão de direitos autorais; porém, ausente a remuneração, seja direta ou na forma de utilidade. Diferenças de acréscimos legais Fl. 1305DF CARF MF 12 Nessa parte, discutese uma questão de direito: seria ou não aplicável o instituto da denúncia espontânea à multa de mora previdenciária prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212/91? Entendo que não. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, aplicase às infrações contra a legislação tributária para as quais são fixadas multas isoladas ou multa de ofício. A primeira ocorre com o descumprimento de obrigações acessórias e a segunda, por falta de recolhimento espontâneo do tributo devido: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Acontece que antes da MP 449/2008 não se punia a falta de espontaneidade no pagamento das contribuições previdenciárias. Havia sistemática própria com progressão da multa de acordo com as fases processuais, sendo o lançamento de ofício apenas mais uma dessas fases. Inclusive, a progressividade dos valores continuava até a inscrição em dívida ativa: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 12268.000319/200849 Acórdão n.º 2301004.961 S2C3T1 Fl. 1.295 13 De fato, a multa previdenciária inserida como acréscimo legal nos lançamentos não se confundia com a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, aplicável a todos os demais tributos federais era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim não se aplicava multa de ofício. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Portanto, como o pagamento espontâneo a destempo não caracteriza infração é inaplicável o instituto previsto no artigo 138 do CTN. Voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores a título de prestação de serviços contratados de contribuintes individuais. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1307DF CARF MF 14 Fl. 1308DF CARF MF
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Numero do processo: 12571.000139/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO.
"É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte" (Súmula CARF nº6 )
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
"A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." (Súmula CARF nº 26)
OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E EFICIÊNCIA
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
Numero da decisão: 2202-003.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. "É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte" (Súmula CARF nº6 ) OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. "A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." (Súmula CARF nº 26) OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E EFICIÊNCIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
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NULIDADE. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. "É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte" (Súmula CARF nº6 ) OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. "A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." (Súmula CARF nº 26) OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E EFICIÊNCIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 01 39 /2 00 9- 12 Fl. 1289DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR: Trata o presente Auto de Infração lavrado contra o sujeito passivo acima identificado no valor total de R$ 2.713.782.,10, sendo R$ 1.442.031,97 a título de IRPF, R$ 1.081.523,97 de multa de ofício no percentual de 75% e R$ 190.226,16 de juros de mora calculados até 31/08/2009, relativos ao período de apuração compreendido entre os anoscalendários 2005 e 2008. Conforme o Relatório da Ação Fiscal: A ação fiscal foi motivada pela incompatibilidade entre a movimentação financeira do fiscalizado e os rendimentos por ele declarados durante o período em análise, o que gerou suspeitas de possível omissão de receitas, tendo culminado com a lavratura de Auto de Infração para lançamento do IRPF resultando no processo administrativo fiscal nº 12571.000139/200912. E como consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o lançamento teve por fundamento: Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta (s) de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme relatório de ação fiscal em anexo. Intimado do lançamento pela via postal, o sujeito passivo apresenta a impugnação de fls. 647 a 674 onde, após discorrer sobre o direito de defesa, alega em síntese que: tendo em vista o Princípio da Verdade Material, a demonstração da origem dos valores lançados pela Fiscalização como omissão de rendimentos, apresentada pelo autuado em 28/09/2009 (fls. 582 a 611), deveria ter sido apreciada ainda que tivesse sido apresentada após o prazo concedido; Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 12571.000139/200912 Acórdão n.º 2202003.821 S2C2T2 Fl. 388 3 não tendo referidos esclarecimentos sido apreciados pela autoridade lançadora, foram eles novamente apresentados para análise pela autoridade julgadora; os valores considerados pela Fiscalização como rendimentos tributáveis eram, na verdade, em sua maioria, simples transferências bancárias entre contas correntes do mesmo titular e as demais estariam todas devidamente justificadas nos esclarecimentos prestados, não havendo que se falar em rendimentos tributáveis além daqueles declarados pelo autuado em suas declarações de ajuste dos exercícios em análise; Tendo em vista que o autuado está respondendo a dois processos judiciais, uma na esfera civil e outro na esfera penal e considerando que, dentre outros, o Ministério Público pede o "ressarcimento integral do dano causado ao erário do município de Ponta Grossa...", caso seja dado prosseguimento à exigência posta nestes autos, a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB estaria se beneficiando indevidamente de recursos de origem ilícita e, pior, tornandoos, com isso, lícitos, o que inviabilizaria a eventual devolução aos cofres públicos de Ponta Grossa; além disso, se nas ações judiciais acima for determinada a devolução dos valores que o Ministério Público indica que teriam sido irregularmente subtraídos da municipalidade pontagrossense, restará comprovada a inocorrência de fato gerador do Imposto de Renda, uma vez que não haverá acréscimo patrimonial do autuado mas sim decréscimo uma vez que além de devolver os valores de que trata a ação judicial, ainda terá recolhido aos cofres federais além do imposto, também a multa e juros incidentes nesse lançamento; seriam abusivos os acréscimos moratórios incidentes e abusiva a multa aplicada, sendo também inexigíveis os juros cobrados com base na taxa SELIC. Ao final pede o seguinte: a) o recebimento e processamento da impugnação administrativa apresentada nesta data, julgandoa procedente em todos os seus termos, sendo, via de consequência, declarada a nulidade da autuação fiscal rebatida, nos termos que precede; b) a revisão do lançamento, em obediência ao princípio da verdade material, via de resultado, o reconhecimento pelo Órgão Federal da comprovação da origem dos valores nas contas bancárias do Impugnante referentes aos anos calendários de 2005 a 2008, não ocorrendo acréscimo patrimonial que gere base imponível pelo imposto sobre a renda; Fl. 1291DF CARF MF 4 c) que a Receita Federal solicite para Câmara Municipal de Ponta Grossa os comprovantes de pagamentos do impugnante no período de 2005 a 2008 para constatar que os rendimentos já foram tributados, via de consequência, retire do presente auto de infração os referidos rendimentos; d) que a Receita Federal solicite aos Bancos (conforme a solicitação do agente) a microfilmagem dos cheques e movimentações financeiras para comprovar que os valores se referem a transferências bancárias entre contas do mesmo titular (Impugnante), portanto, não sendo novos rendimentos passíveis de tributação; e) restando superados todos os argumentos expedidos nesta impugnação, requerse seja declarado o caráter de confisco da multa de mora empregada no percentual de 75%, bem como a improcedência da taxa SELIC como fator informador de juros moratórios e correção, eis que inconstitucional. f) em sendo mantida a Selic, que seja excluída sua aplicação de forma cumulativa com a correção monetária, eis que referida taxa, por sua natureza remuneratória, já possui tal característica. g) Por fim, e no intuito de garantir a busca da verdade material, princípio norteador de todo e qualquer procedimento administrativo fiscal, e por entender que tais procedimentos probatórios são imprescindíveis para o deslinde do feito protesta a Impugnante, com fulcro no inciso IV, do artigo 16 do Decreto 70.235/72, pela produção de todas as provas admitidas em direito, juntada de novos documentos, provas emprestadas de outros procedimentos administrativos e judiciais. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR negou provimento ao recurso em decisão cuja ementa é a seguinte: DIREITO DE DEFESA. VERDADE MATERIAL O descumprimento da apresentação dos esclarecimentos requisitados pela Fiscalização mesmo após sucessivas prorrogações dos prazos concedidos e a obediência aos preceitos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 quanto à possibilidade do contribuinte impugnar o lançamento e apresentar provas em seu favor joga por terra qualquer alegação de cerceamento do direito de defesa ou ofensa ao princípio da verdade material. PROVAS. MODIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO FISCAL A alegação desacompanhada de provas de sua veracidade não tem força para modificar o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo. IRPF. FATO GERADOR. ORIGEM ILÍCITA DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 12571.000139/200912 Acórdão n.º 2202003.821 S2C2T2 Fl. 389 5 Conforme previsão do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador do crédito tributário independe da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelo contribuinte. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Não é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE Legal a aplicação da taxa Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. CORREÇÃO MONETÁRIA X JUROS SELIC Tendo sido extinta em 31/12/1994, não há que se falar em correção monetária sobre créditos constituídos em 2009 e relativos aos anoscalendário 2005 a 2008. Cientificado da decisão acima transcrita (AR fls. 1246) o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reitera as alegações suscitadas na Impugnação. Alega, em particular, nulidade do auto de infração por ter sido lavrado em local diverso do domicílio do autuado. É o Relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. 1) PRELIMINAR NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM RAZÃO DO LOCAL DA LAVRATURA. Alega o Recorrente que o Auto de Infração contém vícios irreparáveis, os quais, nos termos do artigo 10 do Decreto 70.235/72, o tornam nulo. Isso porque, consta do Auto de Infração que o local da lavratura foi a Delegacia da Receita Federal em Ponta Grossa (Rua Visconde de Taunay, nº 1051, Centro, Ponta Grossa, Paraná) e não o domicílio do autuado. Sem razão o Recorrente. Isso porque conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 1135) o fiscalizado foi intimado no domicílio fiscal por ele mesmo informado. Além disso, o contribuinte embora intimado, em 18/03/2009, a apresentar, entre outros documentos, Fl. 1293DF CARF MF 6 extratos bancários de todas as contascorrentes, poupanças e investimentos mantidos em seu nome, no Brasil e no exterior, relativos aos anoscalendários de 2005 a 2008, não atendeu por completo a solicitação. Assim, considerando sua omissão na entrega dos extratos bancários, a autoridade fiscal, com base na autorização constante da Lei Complementar nº 105/2001, emitiu as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira RMF´s nºs 09.1.04.002009 000106 e 09.1.04.002009000114, solicitando as informações omitidas diretamente às instituições bancárias com as quais o fiscalizado operou durante o período fiscalizado. Diante das informações prestadas pelas instituições financeiras, foram constadas diversas contas em nome do fiscalizado. Em 22/06/2009, foi encaminhado ao contribuinte o Termo de Intimação nº 451/2009 solicitando que este apresentasse, para cada crédito, a origem dos recursos que possibilitaram a realização dessas operações e a respectiva tributação, acompanhados de documentação hábil e idônea. Tais fatos evidenciam a improcedência da alegação do Recorrente. Isso porque, o artigo 10 determina que "o auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta" e não no domicílio do contribuinte, como afirmado pelo Recorrente. A constatação da falta foi realizada por meio de RMF dirigidas às instituições financeiras em razão da omissão do contribuinte na entrega dos documentos solicitados o que demonstra a validade do local da autuação. A matéria encontrase, inclusive, sumulada no âmbito do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF, conforme se verifica pela Súmula nº 6 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Em face do exposto, rejeito a preliminar. 2) MÉRITO 2.1) DA AUSÊNCIA DE ANÁLISE DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS NA IMPUGNAÇÃO Alega o Recorrente que a DRJ não analisou os documentos por ele apresentados o que ofenderia o princípio da verdade material. Tal alegação, entretanto, não procede. Isso porque, a decisão recorrida se manifestou sobre a documentação apresentada, conforme se verifica pela passagem abaixo transcrita: No que diz respeito às Declarações de Ajuste apresentadas, não há condições de apurar se a Fiscalização chegou efetivamente a considerálas no lançamento ou não, mas me parece que isso em nada alteraria o lançamento, afinal o que o autuado apresentou foram apenas cópias de suas declarações de rendimentos que ainda não havia apresentado e que, como se sabe, a Fiscalização já tinha acesso via sistemas informatizados do órgão, de modo que a análise dos documentos anexados serviria apenas para atestar que os valores constantes dos sistemas informatizados da RFB são os mesmos constantes das declarações do sujeito passivo. Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 12571.000139/200912 Acórdão n.º 2202003.821 S2C2T2 Fl. 390 7 O que se sabe, entretanto, é que os esclarecimentos sobre a origem dos depósitos bancários indicados na planilha de fls. 557 a 571 não foram prestados e, por isso, a indicação no Relatório de Ação fiscal de que "...constatase que o prazo inicial e suas prorrogações expiraram sem que (sic) fiscalizado tenha atendido o termo, nem apresentasse qualquer nova manifestação sobre as prorrogações" E o presente lançamento teve origem exatamente naqueles depósitos bancários cuja origem dos recursos não foi devidamente esclarecida pelo sujeito passivo. (...) De fato, se tomarmos a planilha apresentada pelo autuado em sua impugnação e a confrontarmos com a planilha de fls. 557 a 571, veremos que a planilha da impugnação vem apresentar justificativas de origem de recursos que não coincidem com os elementos de prova existentes nos autos. (...) Além disso, em diversos outros lançamentos a planilha apresentada na impugnação simplesmente repete a indicação feita pela fiscalização na planilha de fls. 557 a 571, nada esclarecendo a respeito, sem falar nos inúmeros lançamentos a título de salário que encontramos a partir da fls. 569 e que na impugnação o autua indica se tratarem mesmo salários (...) E como se não bastassem (sic) essa falta de esclarecimento da origem de tantos recursos, não há com a impugnação nenhuma prova da efetividade do que se alega nas referidas planilhas. Dessa forma, não há como se acolher em impugnação, as pretensas justificativas apresentadas que, à evidência, se pode dizer que se tratam (sic) de meras alegação sem prova. Verificase, assim, que os documentos apresentados pelo então Impugnante foram analisados e, justificadamente, rejeitados pelo órgão julgador de origem. 2.2) NÃO OCORRÊNCIA DO FATO GERADO DO IMPOSTO DE RENDA Alega ainda o Recorrente que não teria ocorrido o fato gerador, uma vez que vem respondendo Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público do Estado do Paraná, na qual o autor (Ministério Público) requer "o ressarcimento integral do dano causado ao erário do Município de Ponta Grossa". Diante desse fato, não teria ocorrido o fato gerador do imposto de renda, uma vez que não haveria, no caso, acréscimo patrimonial. Fl. 1295DF CARF MF 8 Em primeiro lugar, é importante observar que a tributação efetivada nesses autos não tem relação com a Ação Civil Pública. Tratase, como esclarecido no Relatório Fiscal, de autuação "motivada pela incompatibilidade entre a movimentação financeira do fiscalizado e os rendimentos por este declarados durante o período em análise, o que gerou suspeitas de possível omissão de receitas, tendo culminado com a lavratura de Auto de Infração para lançamento de IRPF." Em razão da recusa do contribuinte em esclarecer a origem dos recursos depositados em conta corrente foi lançado, "por presunção" imposto de renda nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Dessa forma, é impossível a vinculação jurídica de tais valores àqueles discutidos na Ação Civil Pública, uma vez que o pressuposto jurídico do lançamento é, exatamente, a ausência de comprovação da origem dos recursos. O uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira.(grifamos) Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 12571.000139/200912 Acórdão n.º 2202003.821 S2C2T2 Fl. 391 9 Como destaca Ricardo Mariz de Oliveira1 as razões que justificam a aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes: a ocorrência do fato gerador é constatada a partir de fatos conhecidos e comprovadamente existentes; há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de materiais, sinais exteriores de riqueza, acréscimos patrimoniais, saldo credor de caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador); o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador; a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo contribuinte, característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa; tratase de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos, também desconhecidos, mas hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos) A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada 2.3) DA TRIBUTAÇÃO DA RENDA DECORRENTE DE ATOS ILÍCITOS. Alega ainda o Recorrente que a tributação dos valores que transitaram por sua conta corrente "transformaria o Fisco brasileiro na maior forma de legalização do produto do crime." 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Presunções no Direito Tributário. In Martins Ives Gandra da Silva (coord.). Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária e Editora Resenha Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299300 Fl. 1297DF CARF MF 10 O Código Tributário Nacional permite a tributação do produto do ato ilícito, desde que preencha a materialidade de algum de seus tributos. A interpretação conjunta do artigo 3º e artigo 118 do Código Tributário Nacional não deixa dúvida a respeito da matéria. O artigo 3º, ao definir o conceito de tributo é claro ao dispor que este é "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não configure "sanção por ato ilícito".O art. 118, I, por sua vez determina que: "interpretase o fato gerador da obrigação tributária abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados. A conclusão que se pode chegar da interpretação conjunta dos dois dispositivos é a de que o tributo não pode ser sanção de ato ilícito, embora o produto do ilícito, desde que configure fato gerador de algum tributo, possa ser tributado. Como bem esclarece Hugo de Brito Machado: Se em uma situação de fato onde estão presentes cometimentos de ilícitos existem elementos capazes de concretizar uma hipótese de incidência tributária, evidentemente temse como ocorrido o fato gerador do tributo. O tributo é devido e deve ser cobrado, porque naquela situação estão presentes os elementos essenciais, vale dizer, todos os elementos necessários à configuração do fato gerador respectivo.O que naquela situação existe de ilícito poderia deixar de existir sem que se alterassem aqueles elementos que concretizam o fato gerador do tributo. Em outras palavras, a ilicitude naquela situação existente é apenas circunstancial. Poderia deixar de existir sem que se desfigurasse a situação em seus elementos necessários a concretização da hipótese de incidência. (MACHADO, Hugo de Brito Comentários ao Código Tributário Nacional, Vol. II, Ed. Atlas, p 391) Nesse sentido, esclarecedor o precedente do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Habeas Corpus HC 77530, relatado pelo Ministro Sepúlveda Pertence: EMENTA: Sonegação fiscal de lucro advindo de atividade criminosa: "non olet". Drogas: tráfico de drogas, envolvendo sociedades comerciais organizadas, com lucros vultosos subtraídos à contabilização regular das empresas e subtraídos à declaração de rendimentos: caracterização, em tese, de crime de sonegação fiscal, a acarretar a competência da Justiça Federal e atrair pela conexão, o tráfico de entorpecentes: irrelevância da origem ilícita, mesmo quando criminal, da renda subtraída à tributação. A exoneração tributária dos resultados econômicos de fato criminoso antes de ser corolário do princípio da moralidade constitui violação do princípio de isonomia fiscal, de manifesta inspiração ética.(grifamos) Esclarecedor o voto do Ministro Sepúlveda Pertence: É verdade que alguns autores, embora aceitem a conclusão de serem tributáveis as operações ou atividades apreciadas, fazem restrições à plenitude desse entendimento, como é o caso de ORONZO QUARTA, de ANTONIO BERLIRI e de OTTMAR BÜHLER. A doutrina dominante, porém, manifestase pela tributação irrestrita. Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 12571.000139/200912 Acórdão n.º 2202003.821 S2C2T2 Fl. 392 11 Nem pode ser de outro modo, se se tomar em consideração a natureza do fato gerador da obrigação tributária, como um fato jurídico de acentuada consistência econômica, ou um fato econômico de relevância jurídica, cuja eleição pelo legislador se destina a servir de índice de capacidade contributiva. A validade da ação, da atividade ou do ato em Direito Privado, a sua juridicidade ou antijuridicidade em Direito Penal, disciplinar ou em geral punitivo, enfim, a sua compatibilidade ou não com os princípio da ética ou com os bons costumes não importam para o problema da incidência tributária, por isso que a ela é indiferente a validade ou nulidade do ato privado através do qual se manifesta o fato gerador: desde que a capacidade econômica legalmente prevista esteja configurada, a incidência há de inevitavelmente ocorrer. A tese contrária representa, no acertado dizer de POPITZ, a manifestação de um sentimentalismo ilógico e infundado e, do ponto de vista tributário, conduz, isto sim, à violação do princípio da isonomia fiscal. (...) Eis aí um obséquio que a correta identificação da consistência econômica do fato gerador oferece: a indiferença, para o Direito Tributário, de ser civil ou penalmente ilícita a atividade em que se consubstancie o fato gerador, não porque prevaleça naquele ramo do direito uma concepção ética diversa, mas sim porque o aspecto que interessa considerar para tributação é o aspecto econômico do fato gerador ou a sua aptidão para servir de índice de capacidade contributiva. Sendo assim, ainda que se adote o pressupostos de que as verbas tributadas tiveram origem ilícita,(o que, como visto, não é possível, uma vez tratase de lançamento em virtude de depósitos bancários sem origem comprovada), é admissível a tributação do ato ilícito desde materializado o aspecto material da hipótese de incidência tributária. 2.4) DA OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E EFICIÊNCIA. Por fim, alega o Recorrente que a tributação efetuada nesse processo ofende os princípio constitucionais da capacidade contributiva e eficiência. Nesse ponto, é importante destacar que ao Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF não é dada a possibilidade de se manifestar sobre matéria de índole constitucional. Tal impossibilidade encontrase, inclusive, sumulada, conforme se verifica pela Súmula CARF nº 2 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1299DF CARF MF 12 3) CONCLUSÃO. Em face do exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 1300DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000612/2010-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 12/03/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DESCRIÇÃO DETALHADA DA MERCADORIA INSUFICIENTE PARA DEFINIÇÃO DO CORRETO TRATAMENTO ADUANEIRO E TARIFÁRIO. INDEFERIMENTO.
Deve ser indeferido o pedido de restituição do imposto de importação para Declaração de Importação (DI) na qual a mercadoria não esteja corretamente descrita, com todos os elementos suficientes à definição do correto tratamento aduaneiro e tarifário pleiteado.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. SISTEMA HAMONIZADO. ACORDO INTERNACIONAL. ATIVIDADE JURÍDICA QUE NÃO SE CONFUNDE COM PERÍCIA.
A classificação de mercadorias é atividade jurídica, calcada nas Regras constantes do Sistema Harmonizado, fruto de acordo regularmente incorporado ao ordenamento jurídico nacional, com estatura de paridade com alei ordinária brasileira, e não se confunde com a perícia. O perito, técnico em determinada área (química, mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificando-a, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e de outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. NOME COMERCIAL. "NPEL 128". DESNECESSIDADE DE PERÍCIA.
Tendo o produto a ser classificado nome comercial que o individualize tecnicamente (no caso, "NPEL 128"), desnecessária a demanda por perícia, diante da existência de fichas técnicas sobre a mercadoria, especificando suas características.
CARF. SOLUÇÕES DE CONSULTA E DIVERGÊNCIA DA RFB. NÃO VINCULAÇÃO.
O CARF, por ser órgão externo à RFB, não é vinculado por Soluções de Consulta e de Divergência por ela emitidas, podendo emitir juízo independente sobre classificação de mercadorias, desde que calcado nas Regras do Sistema Harmonizado, e nas normas que o complementam, internacional, regional e nacionalmente.
Numero da decisão: 3401-003.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. A Conselheira Larissa Nunes Girard atuou em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl, ausente justificadamente.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 12/03/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DESCRIÇÃO DETALHADA DA MERCADORIA INSUFICIENTE PARA DEFINIÇÃO DO CORRETO TRATAMENTO ADUANEIRO E TARIFÁRIO. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de restituição do imposto de importação para Declaração de Importação (DI) na qual a mercadoria não esteja corretamente descrita, com todos os elementos suficientes à definição do correto tratamento aduaneiro e tarifário pleiteado. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. SISTEMA HAMONIZADO. ACORDO INTERNACIONAL. ATIVIDADE JURÍDICA QUE NÃO SE CONFUNDE COM PERÍCIA. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, calcada nas Regras constantes do Sistema Harmonizado, fruto de acordo regularmente incorporado ao ordenamento jurídico nacional, com estatura de paridade com alei ordinária brasileira, e não se confunde com a perícia. O perito, técnico em determinada área (química, mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificando-a, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e de outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. NOME COMERCIAL. "NPEL 128". DESNECESSIDADE DE PERÍCIA. Tendo o produto a ser classificado nome comercial que o individualize tecnicamente (no caso, "NPEL 128"), desnecessária a demanda por perícia, diante da existência de fichas técnicas sobre a mercadoria, especificando suas características. CARF. SOLUÇÕES DE CONSULTA E DIVERGÊNCIA DA RFB. NÃO VINCULAÇÃO. O CARF, por ser órgão externo à RFB, não é vinculado por Soluções de Consulta e de Divergência por ela emitidas, podendo emitir juízo independente sobre classificação de mercadorias, desde que calcado nas Regras do Sistema Harmonizado, e nas normas que o complementam, internacional, regional e nacionalmente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. A Conselheira Larissa Nunes Girard atuou em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl, ausente justificadamente. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira de Ávila.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 12/03/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DESCRIÇÃO DETALHADA DA MERCADORIA INSUFICIENTE PARA DEFINIÇÃO DO CORRETO TRATAMENTO ADUANEIRO E TARIFÁRIO. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de restituição do imposto de importação para Declaração de Importação (DI) na qual a mercadoria não esteja corretamente descrita, com todos os elementos suficientes à definição do correto tratamento aduaneiro e tarifário pleiteado. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. SISTEMA HAMONIZADO. ACORDO INTERNACIONAL. ATIVIDADE JURÍDICA QUE NÃO SE CONFUNDE COM PERÍCIA. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, calcada nas Regras constantes do Sistema Harmonizado, fruto de acordo regularmente incorporado ao ordenamento jurídico nacional, com estatura de paridade com alei ordinária brasileira, e não se confunde com a perícia. O perito, técnico em determinada área (química, mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e de outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. NOME COMERCIAL. "NPEL 128". DESNECESSIDADE DE PERÍCIA. Tendo o produto a ser classificado nome comercial que o individualize tecnicamente (no caso, "NPEL 128"), desnecessária a demanda por perícia, diante da existência de fichas técnicas sobre a mercadoria, especificando suas características. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 06 12 /2 01 0- 94 Fl. 380DF CARF MF 2 CARF. SOLUÇÕES DE CONSULTA E DIVERGÊNCIA DA RFB. NÃO VINCULAÇÃO. O CARF, por ser órgão externo à RFB, não é vinculado por Soluções de Consulta e de Divergência por ela emitidas, podendo emitir juízo independente sobre classificação de mercadorias, desde que calcado nas Regras do Sistema Harmonizado, e nas normas que o complementam, internacional, regional e nacionalmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. A Conselheira Larissa Nunes Girard atuou em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl, ausente justificadamente. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira de Ávila. Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Reconhecimento de Crédito decorrente de Retificação da Declaração de Importação (DI) no 08/115979333, registrada em 09/10/2008, retificada em 17/10/2008 e desembaraçada ainda em 17/10/2008, em canal vermelho. Na segunda retificação efetuada na DI, esta após o desembaraço (da classificação da mercadoria importada, “NPEL 128 – Resina Epóxida sem carga inorgânica, na forma líquida”, do código NCM 3907.30.29 para o código NCM 2910.90.90), pleiteiase o direito de restituição do imposto de importação, em função da diferença de alíquota entre os códigos, no valor de R$ 16.313,16, com fundamento “em decisão favorável proferida no Agravo de Instrumento no 2008.01.00.0706389/DF (originário do Mandado de Segurança no 2008.34.00.0029650). Os documentos referentes à DI e às retificações se encontram às fls. 3 a 13.1 Depois de ter vista aos autos da ação judicial, a fiscalização narra, na informação de fls. 117 a 119, que a empresa entendeu lhe ser favorável a decisão na Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291, de 29/09/2006 (fls. 82 a 86, relativa, entre outros, a “NPEL 128”, a ser importado pela empresa, entendido como classificado no código NCM 2910.90.90), e que não houve apreciação da classificação da mercadoria pelo juízo, pelo que se recomendava a revisão aduaneira da DI. Anexase ainda aos autos a Solução de Divergência no 17, de 24/10/2007, proferida pela CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (COANA), 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 381DF CARF MF Processo nº 12466.000612/201094 Acórdão n.º 3401003.770 S3C4T1 Fl. 381 3 que reforma a Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006, entendendo como correta a classificação do produto de nome comercial “NPEL 128” no código NCM 3907.30.29 (fls. 87 a 92). No parecer conclusivo de fls. 123 a 127, narra a fiscalização que: (a) na Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006 a empresa informa que a mercadoria objeto da consulta seria o composto epóxi fenólico NPEL 134 e NPEL 128, matériaprima para fabricação de resina epóxida, enquanto nas DI declara que a mercadoria importada seria resina epóxida NPEL 134 e NPEL 138; (b) a COANA expressamente reformou a Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006, em 24/10/2007, estabelecendo que o composto epóxi fenólico NPEL 128 classificase no código NCM 3907.30.29; (c) diante da reforma, a empresa foi cientificada sobre a improcedência da retificação, diante da divergência na descrição, e da impossibilidade de laudo técnico, em função de já estarem as mercadorias fora do recinto alfandegado; (d) que a empresa reconhece que existe a resina epóxida NPEL 128, mas que não a importa, mas sim a matériaprima composto epóxi fenólico NPEL 128; (e) a empresa impetrou o Mandado de Segurança no 2008.34.00.0029650 buscando fosse declarada a nulidade da Solução de Divergência COANA no 17/2007, mantendose os efeitos da Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006, sendo a sentença pela improcedência do pedido, havendo, no Agravo de Instrumento no 2008.01.00.0706389 sido autorizada a suspensão dos efeitos da Solução de Divergência COANA no 17/2007, mediante depósito judicial da diferença de tributos; (f) embora a empresa pleiteie a nulidade da referida solução de consulta, suas declarações de importação versam sobre resina epóxida NPEL 128, e não sobre a mercadoria objeto da consulta, como atesta o próprio exportador (NAN YA PLASTIC CORP); e (g) a empresa não se desincumbe do ônus de provar que as mercadorias declaradas pelo importador e pelo exportador na declaração de importação (e em outras 48 DI) como “resina epóxida NPEL 128” em verdade se tratavam de “composto epóxi fenólico NPEL 128”. Com fundamento em tal informação, o pedido de restituição é indeferido pelo Despacho Decisório de fl. 136, datado de 11/04/2013. Ciente do despacho em 02/12/2013 (fl. 136), a empresa apresenta, em 30/12/2013, a Manifestação de Inconformidade de fls. 138 a 149, sustentando, basicamente, que: (a) importa “composto epóxi fenólico NPEL 128”, utilizado como matériaprima para fabricação de resina epóxi, e o classifica no código NCM 29.10.90.90, recolhendo o imposto de importação á alíquota de 2%; (b) a classificação foi confirmada na Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006; (c) a empresa demandou retificação da DI, alterando o código NCM de 3907.30.29 para 29.10.90.90, e a autoridade fiscal a retificou e desembaraçou, mas tal retificação foi irregularmente tornada sem efeito pelo despacho decisório, sob o pretexto de que não mais se teria condição de avaliar as condições da mercadoria importada; (d) no despacho decisório, que reconhece a retificação efetuada pela fiscalização, não foi apresentada qualquer razão para que esta fosse desconsiderada; e (e) a alegação de que não havia mais condições de verificar a mercadoria é improcedente, visto que tal avaliação já foi realizada por diversas vezes pelo fisco (v.g., em agosto de 2003). A decisão de primeira instância, proferida em 04/03/2015 (fls. 226 a 231) é, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, e pela negativa de diligência, pelos seguintes fundamentos: (a) a solução de consulta formulada pelo sujeito passivo revela o pronunciamento formal da Administração sobre a classificação de mercadorias suscitada pelo consulente; (b) o pedido de retificação foi deferido por entender a autoridade fiscal que a decisão proferida no Agravo de Instrumento, ao deferir o efeito suspensivo ao recurso de apelação proposto pela requerente, implicaria atendimento ao pedido formulado pela Fl. 382DF CARF MF 4 interessada de retificação da DI em questão; (c) no momento do registro da DI encontravase em vigor a Solução de Divergência COANA no 17/2007, que determinava a classificação dos produtos denominados "resina epóxida NPEL128 e NPEL134” na NCM 3907.30.29, devendo tal norma ser cumprida pela Administração e pelo julgador administrativo da RFB; e (d) o efeito suspensivo atribuído ao recurso de agravo de instrumento pelo C.P.C. se refere unicamente às decisões de cunho positivo, ou seja, àquelas que concedem algo, não podendo tal efeito suspender uma tutela que havia sido negada pelo juízo a quo. Após ciência da decisão da DRJ, em 11/03/2015 (termo de fl. 235), a empresa apresenta o Recurso Voluntário de fls. 239 a 257, em 07/04/2015 (fl. 355), alegando reiterar os argumentos expressos na manifestação de inconformidade (de que houve retificação pela autoridade aduaneira, aceitando a alteração na classificação, e de que é inaplicável ao caso a Solução de Divergência COANA no 17/2007, porque a empresa importa “composto epóxi fenólico NPEL 128”, utilizado como matériaprima para fabricação de resina epóxi, e não “resina epóxi”, como comprovam os laudos técnicos juntados aos autos), e agregando que: (a) houve decadência, contandose mais de 5 anos entre a aceitação da retificação da DI e a decisão da DRJ; (b) em nome da verdade material, deve ser demandada diligência, para análise dos laudos elaborados, sob pena de nulidade; e (c) houve alteração de critério jurídico utilizado para a classificação fiscal, e a homologação do lançamento se deu com a retificação da DI e com a concordância da classificação fiscal adotada pela recorrente. Às fls. 359 a 379 são apresentadas cópias de peças judiciais (mandado de segurança e petição) nas quais se percebe que o juízo deferiu liminar para que se desse andamento, no prazo de quinze dias, a 19 processos administrativos, no CARF, entre os quais o presente. Em 30/03/2017, o processo foi a mim sorteado, para inclusão em pauta. Ao final de abril, fui informado, por email, pela assessoria jurídica do CARF, de que haveria decisão judicial determinando o julgamento imediato do processo, pelo que o incluí na primeira pauta subsequente. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado atende os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O cerne da questão tratada no presente processo, e jamais submetida a juízo pela empresa, é a correta classificação das mercadorias importadas na DI no 08/115979333. Contudo, há que se enfrentar, preliminarmente, as alegações da empresa de que teria havido decadência. Das preliminares Fl. 383DF CARF MF Processo nº 12466.000612/201094 Acórdão n.º 3401003.770 S3C4T1 Fl. 382 5 A alegação de decadência é afastada de plano por revelar simples equívoco da recorrente em relação aos termos a serem utilizados para contagem do prazo, pois a empresa toma o julgamento da DRJ como se fosse a negativa originária do direito de restituição, olvidandose de que a DRJ é mera instância recursal, e que a negativa deriva do despacho decisório da unidade local (11/04/2013 fl. 136), que não apresenta interstício superior a cinco anos em relação ao pedido de restituição (datado de 12/03/2010 fl. 3). Ainda como preliminar, cabe destacar que as Soluções de Consulta e de Divergência vinculam a RFB, instituição da qual faz parte tanto a autoridade aduaneira que aceitou a retificação quanto a DRJ. A Lei no 9.430/1996 o esclarece, em seus artigos 48 e 50: Art. 48. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única. (...) § 11. A solução da divergência acarretará, em qualquer hipótese, a edição de ato específico, uniformizando o entendimento, com imediata ciência ao destinatário da solução reformada, aplicandose seus efeitos a partir da data da ciência. § 12. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorram após dado ciência ao consulente ou após a sua publicação pela imprensa oficial. (...) Art. 50. Aplicamse aos processos de consulta relativos à classificação de mercadorias as disposições dos arts. 46 a 53 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972 e do art. 48 desta Lei. § 1o O órgão de que trata o inciso I do § 1o do art. 48 poderá alterar ou reformar, de ofício, as decisões proferidas nos processos relativos à classificação de mercadorias. § 2o Da alteração ou reforma mencionada no parágrafo anterior, deverá ser dada ciência ao consulente. § 3o Em relação aos atos praticados até a data da ciência ao consulente, nos casos de que trata o § 1o deste artigo, aplicamse as conclusões da decisão proferida pelo órgão regional da Secretaria da Receita Federal. (...)” Assim, descabe à DRJ se manifestar sobre o conteúdo de Solução de Consulta ou de Divergência. Passamos, no entanto, a analisar a alegação de que a mercadoria importada efetivamente não corresponde àquela constante na Solução de Divergência COANA no 17/2007, porque a empresa importa “composto epóxi fenólico NPEL 128”, utilizado como matériaprima para fabricação de resina epóxi, e não “resina epóxi”. Para avaliar a afirmação, há que se estar certo sobre haver identidade entre a mercadoria importada e aquela presente na Solução de Consulta e na Solução de Divergência. Fl. 384DF CARF MF 6 Da mercadoria efetivamente importada Na DI no 08/115979333, em análise no presente processo, a empresa declara as mercadorias que está a importar, no campo “descrição detalhada da mercadoria”, como (fl. 10): A DI no 08/115979333, recordese, foi registrada em 09/10/2008, retificada em 17/10/2008 e desembaraçada ainda em 17/10/2008, em canal vermelho (com conferência da mercadoria, ainda que por amostragem). A empresa, no campo livre “informações complementares” da referida DI, não sujeito a críticas ou a seletividade, pelo SISCOMEX, já informava que discordava da classificação que ela própria declarava na DI, dando a entender que algo a compelia a classificar o produto em tal código NCM (fl. 8): A retificação efetuada antes do desembaraço (em 17/10/2008) não se destinou a alterar a classificação da mercadoria, mas a registrar que a autoridade aduaneira responsável pelo desembaraço recusouse a reter amostra da mercadoria, por já existir outra declaração de importação da mesma empresa, contendo a mesma mercadoria (DI no 08/15513938) sob análise laboratorial (fls. 11/12): Fl. 385DF CARF MF Processo nº 12466.000612/201094 Acórdão n.º 3401003.770 S3C4T1 Fl. 383 7 O pedido de retificação, alterando a classificação do código NCM 3907.30.29 para o código NCM 2910.90.90, mantendo intacta a descrição detalhada da mercadoria, aqui já transcrita, foi apresentado após o desembaraço, pelo importador, invocando decisão judicial (no Agravo de Instrumento no 2008.01.00.0706389/DF, relativo ao Mandado de Segurança no 2008.34.00.0029650 peças judiciais às fls. 93 a 114). Reparese, por fim, que o pedido de retificação, apesar de alterar a classificação, mantém no texto das informações complementares a mensagem (que passa a ser contraditória) de que “a mercadoria NPEL 128 objeto da adição 001 foi classificada na posição (sic) 3907.30.29 em que pese não concordar, por entender que a classificação correta é a NCM 2910.90.90”. E adicionese que o pedido de retificação foi feito pelo importador, e inserido no SISCOMEX pela fiscalização tão somente porque após o desembaraço o importador não mais consegue, por si, inserir demandas de retificação no referido sistema. É o que dispõe a norma infralegal que disciplina a matéria, IN RFB no 680/2006, em seus artigos 44 e 45: “Art. 44. A retificação de informações prestadas na declaração, ou a inclusão de outras, no curso do despacho aduaneiro, ainda que por exigência da fiscalização aduaneira, será feita, pelo importador, no Siscomex. (...) § 3o Em qualquer caso, a retificação da declaração não elide a aplicação das penalidades fiscais e sanções administrativas cabíveis. Art. 45. A retificação da declaração após o desembaraço aduaneiro, qualquer que tenha sido o canal de conferência aduaneira ou o regime tributário pleiteado, será realizada: I de ofício, na unidade da SRF onde for apurada, em ato de procedimento fiscal, a incorreção; ou II mediante solicitação do importador, formalizada em processo e instruída com provas de suas alegações e, se for o caso, do pagamento dos tributos, direitos comerciais, acréscimos moratórios e multas, inclusive as relativas a infrações administrativas ao controle das importações, devidos, e do Fl. 386DF CARF MF 8 atendimento de eventuais controles específicos sobre a mercadoria, de competência de outros órgãos ou agências da administração pública federal. (...) § 7o A retificação a que se refere o caput independe do procedimento de revisão aduaneira de toda a declaração de importação que, caso necessário, poderá ser proposta à unidade da SRF com jurisdição para fins de fiscalização dos tributos incidentes no comércio exterior, sobre o domicílio do importador.(...)” (grifo nosso) No caso, a retificação foi feita a pedido (e não de ofício), tendo sido recomendada a revisão aduaneira pela fiscalização, tendo em vista que a aceitação definitiva da retificação pendia de decisão judicial. Tudo conforme a legislação aduaneira. No entanto, cabe destacar aqui que tanto a fiscalização quanto a recorrente parecem não perceber a sutileza do presente caso, que é distinto dos demais em análise por este colegiado nesta mesma sessão. Aqui, houve uma retificação anterior ao desembaraço, na qual, aparentemente, acordouse em estender o resultado do exame laboratorial da DI no 08/15513938 ao presente processo, mas não houve qualquer notícia posterior, nem pela Aduana nem pela recorrente, do resultado de tal análise. Das ações judiciais (AI no 2008.01.00.0706389/DF e MS no 2008.34.00.0029650) No relatório da sentença proferida no Mandado de Segurança em epígrafe, resta bem sintetizada a demanda da empresa em juízo: Adotando descrição da mercadoria diferente daquela que usou (e não retificou) na DI, a empresa afirma expressamente que formulou consulta em relação a tal mercadoria, e que a revisão efetuada pela COANA seria equivocada, por tratar de produtos diferentes dos que importa. Exemplar a informação do juízo de que a via mandamental é inadequada para discutir a classificação da mercadoria no Sistema Harmonizado: Fl. 387DF CARF MF Processo nº 12466.000612/201094 Acórdão n.º 3401003.770 S3C4T1 Fl. 384 9 Passa, então, o Poder Judiciário apenas a analisar eventuais vícios na decisão da RFB, não os encontrando. E não há, nos autos, nenhuma decisão judicial em sentido contrário, sendo a única tutela obtida em juízo a referente à necessidade de análise célere do pleito pela Administração, e a presente no Agravo de Instrumento no 2008.01.00.0706389, no seguinte sentido: Fl. 388DF CARF MF 10 A decisão judicial no Agravo de Instrumento é entendida pela autoridade local (fls. 117 a 119) como autorizando a empresa a classificar a mercadoria no código NCM 2910.90.90: E, por isso, é efetuada a retificação solicitada, no SISCOMEX, em 05/04/2010 (fls. 96/97), entendendose que a decisão judicial amparava a classificação a partir da interposição, em 24/01/2008 (fl. 121). No entanto, a restituição não é autorizada, tendo em vista que a descrição detalhada da mercadoria na DI, e endossada pelo exportador nas faturas comerciais, é incompatível com a tratada na Solução de Consulta (fl. 126): Fl. 389DF CARF MF Processo nº 12466.000612/201094 Acórdão n.º 3401003.770 S3C4T1 Fl. 385 11 Daí o indeferimento da restituição, que não contrapõe a decisão judicial, nem a retificação efetuada, pois discute tema diverso: a ausência de prova de que a mercadoria efetivamente importada na DI se tratava de “composto epóxi fenólico NPEL 128”, contrariando a própria declaração da empresa e do exportador: Equivocado, assim, o argumento de defesa que entende que o indeferimento da restituição constitui uma rediscussão da retificação efetuada na classificação, e que a classificação correta seria, segundo o fisco, a indicada na Solução de Divergência COANA no 17/2007. Dita reclassificação, demandada pela empresa e efetuada pelo fisco “em decorrência de determinação judicial”, não constituiu a razão de indeferimento, mas a impossibilidade de se saber se a mercadoria efetivamente importada era a descrita pelo importador e pelo exportador como “resina epóxida, sem carga inorgânica, na forma líquida” (tanto antes quanto depois da reclassificação), endossada pela indisponibilidade da mercadoria para análise. Da Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291, de 29/09/2006 A empresa, apesar de não incluir a referida Solução de Consulta no campo referente à justificativa da retificação, expressamente a menciona em sua defesa, defendendo que trata exatamente dos produtos que importa. Vejase, sobre o tema, a descrição no relatório da consulta (fl. 82): Fl. 390DF CARF MF 12 No relatório da Solução de Consulta são mencionados diversos laudos, de períodos e declarações distintos, mas com o mesmo nome comercial de “NPEL 128”, um deles (FUCAMP) concluindo que a mercadoria era “resina epóxida, sem carga inorgânica, na forma líquida”, outro (IPT), que era uma “resina epóxi”, e outros (Maria C. H. Tcharbadjian e USP) que era “composto epóxi fenólico”. Não tendo sido possível ao laboratório da Aduana (LABOR) analisar a mercadoria, a classificação foi feita com base nas informações prestadas pelo consulente, como assevera a conclusão da Solução de Consulta (sintética, por sequer trafegar pelos textos das posições e notas do Sistema Harmonizado fl. 86): Assim, sequer houve análise efetiva da mercadoria pela Aduana durante o processo que culminou na Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006. Mas o relatório da Solução de Consulta é suficiente para que perceba que havia diferentes entendimentos a respeito do que seria o produto de nome comercial “NPEL 128”. Poderia ser o produto de nome comercial “NPEL 128” uma “resina epóxida, sem carga inorgânica, na forma líquida” (exatamente como a recorrente declarou na DI e como declarou o exportador na fatura comercial) ou um “composto epóxi fenólico” (como a própria recorrente defende que era o produto que importava). É nesse sentido que busca a Solução de Divergência COANA no 17/2007, com base na própria ficha técnica do produto de nome comercial “NPEL 128”, sua definição, obtendo o seguinte resultado: A nosso ver, então, pouco resta a eventual laudo técnico, sendo fácil classificar o produto a partir das próprias informações sobre sua composição, fornecidas na ficha técnica. E foi exatamente o que fez a Solução de Divergência COANA no 17/2007, que, indubitavelmente, trata do mesmo produto “NPEL 128”, agora sim percorrendo detidamente as Regas do Sistema Harmonizado. Aliás, se não tratasse de tal produto a divergência sequer faria Fl. 391DF CARF MF Processo nº 12466.000612/201094 Acórdão n.º 3401003.770 S3C4T1 Fl. 386 13 sentido que ela reformasse a Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291/2006. Vejase, para afastar qualquer dúvida, de qual produto do qual trata a solução de divergência (fl. 88): Assim, pouco importa que a empresa, ao alterar a classificação, tenha eventualmente esquecido de alterar também a descrição detalhada da mercadoria de “resina epóxida, sem carga inorgânica, na forma líquida” para “composto epóxi fenólico”. Isso porque o produto tem nome comercial conhecido, que permite, tecnicamente, sua categorização (“NPEL 128”). A prestação de informação incorreta na descrição da mercadoria tem como consequência, aqui, apenas o afastamento da discussão sobre esta conter todos os elementos necessários ao correto tratamento aduaneiro e enquadramento tarifário pleiteado, visto que o presente processo não trata de multa por erro na descrição da mercadoria. Entendemos, sabendo do que se trata o “NPEL 128”, ser possível a classificação da mercadoria, segundo as regras do Sistema Harmonizado, acordo internacional do qual o Brasil é signatário, tendo sido regularmente incorporado seu texto ao ordenamento jurídico nacional, o que confere ao tratado a estatura de paridade com a lei ordinária brasileira, como entende o STF (v.g., ADIN no 1.480/DF). Inócua, assim, a realização de diligências, pois se sabe a própria composição da mercadoria, em grau suficiente para se ter certeza sobre sua classificação no Sistema Harmonizado, qualquer que seja sua descrição detalhada na DI. No entanto, cabe esclarecer que o contencioso que a DRJ não podia oferecer à empresa, discutindo o mérito das Soluções de Consulta e Divergência, pode ser objeto de análise por este CARF, órgão externo à RFB. Na sequência, tratase do tema, após considerações iniciais esclarecedoras sobre a classificação de mercadorias. Da classificação de mercadorias A classificação de mercadorias se presta primordialmente à uniformização internacional. De nada adiantaria, por exemplo, pactuar alíquotas sobre o imposto de importação internacionalmente, se não fosse possível designar sobre quais produtos recai o acordo. A "Babel" de idiomas sempre foi um fator de dificuldade para o controle tributário e aduaneiro, e também para a elaboração de estatísticas de comércio internacional, e é agravada pelas diversas denominações que uma mercadoria pode ter mesmo dentro de um mesmo idioma (v.g., no Brasil, a tangerina, também denominada de mexerica, bergamota ou mimosa, entre outros). Embora haja registro de iniciativas no século XIX, na Europa, de confecção de listas alfabéticas de mercadorias, é em 29/12/1913, em Bruxelas, na segunda Conferência Internacional sobre Estatísticas Comerciais, que 29 países chegam à primeira nomenclatura de Fl. 392DF CARF MF 14 real importância, dividindo o universo de mercadorias em 186 posições, agrupadas em cinco capítulos: animais vivos, alimentos e bebidas, matériaprima ou simplesmente preparada, produtos manufaturados, e ouro e prata. Depois de diversas iniciativas, como a Nomenclatura de Genebra, da década de 30 do século passado, e a Nomenclatura Aduaneira de Bruxelas, de 1950, com o nome alterado, em 1974, para Nomenclatura do Conselho de Cooperação Aduaneira – NCCA, chegase à Convenção do “Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias" (SH), aprovada em 1983, e que entrou em vigor internacional em 1o de janeiro de 1988.2 A Convenção do SH é hoje aplicada em âmbito mundial, não só entre os 155 países signatários, mas em suas relações com terceiros. No Brasil, a referida convenção foi aprovada pelo Decreto Legislativo no 71, de 11/10/1988, e promulgada pelo Decreto no 97.409, de 23/12/1988, com depósito internacional do instrumento de ratificação em 08/11/1988. Desde 1o de janeiro de 1989, a convenção é plenamente aplicável no Brasil, tendo, segundo entendimento dominante em nossa suprema corte, "status" de paridade com a lei ordinária.3 O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) é uma nomenclatura estruturada sistematicamente buscando assegurar a classificação uniforme de todas as mercadorias (existentes ou que ainda existirão) no comércio internacional, e compreende seis Regras Gerais Interpretativas (RGI), Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, e 21 seções, totalizando 96 capítulos, com 1.244 posições, várias destas divididas em subposições de 1 travessão (primeiro nível) ou dois (segundo nível), formando aproximadamente 5.000 grupos de mercadorias, identificados por um código de 6 dígitos, conhecido como Código SH.4 Desde que não contrariem o estabelecido no SH, os países ou blocos regionais podem estabelecer complementos aos seis dígitos internacionalmente acordados, e utilizar a codificação inclusive para temas e tributos internos. A Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), que serve de base à aplicação da Tarifa Externa Comum (TEC), acrescenta aos seis dígitos formadores do código do Sistema Harmonizado mais dois, um referente ao item (sétimo dígito) e outro ao subitem (oitavo dígito). A inclusão de um par de dígitos efetuada na NCM demandou ainda a edição de Regras Gerais Complementares (RGC) às seis Regras Gerais do SH (para disciplinar a interpretação no que se refere a itens e subitens) e de Notas Complementares.5 2 DALSTON, Cesar Olivier. Classificando Mercadorias: uma Abordagem Didática da Ciência da Classificação de Mercadorias. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2014, p. 182187; BIZELLI, João dos Santos. Classificação fiscal de mercadorias. São Paulo: Aduaneiras, 2003, p. 14; e TREVISAN, Rosaldo. A revisão aduaneira de classificação de mercadorias na importação e a segurança jurídica: uma análise sistemática. In: BRANCO, Paulo Gonet; MEIRA, Liziane Angelotti; CORREIA NETO, Celso de Barros (coords.). Tributação e Direitos Fundamentais conforme a jurisprudência do STF e do STJ. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 358361. 3 Sobre a estatura de paridade dos tratados internacionais regularmente incorporados ao ordenamento jurídico brasileiro com as leis, vejase a ADIn n. 1.480DF. 4 Além do constante estabelecimento de atualizações na nomenclatura, decorrentes de descobertas e aperfeiçoamentos de novos produtos, há publicações complementares que auxiliam no processo de designação e classificação de mercadorias, como as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH (expressando o posicionamento oficial do CCAOMA), o índice alfabético do Sistema Harmonizado e das Notas Explicativas, publicado pelo CCAOMA, os pareceres de classificação emitidos pelo Comitê do Sistema Harmonizado, criado pela convenção, e os atos normativos emitidos por autoridades nacionais a respeito de classificação de mercadorias. 5 Em 01/01/1995, tendo em vista o Tratado de Assunção, os entendimentos havidos no âmbito do Mercosul, e a publicação do Decreto n. 1.343, de 23/12/1994, a antiga Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), que utilizava dez dígitos (os seis do SH mais dois para itens e dois para subitens), deu lugar à Tarifa Externa Comum (TEC), uniformemente adotada por todos os membros do bloco. Tal evolução serviu de base à substituição, em Fl. 393DF CARF MF Processo nº 12466.000612/201094 Acórdão n.º 3401003.770 S3C4T1 Fl. 387 15 Assim, se o Brasil, por exemplo, pactua internacionalmente as alíquotas máximas (no âmbito da Organização Mundial do Comércio OMC) ou a alíquota extrabloco (no âmbito do MERCOSUL) do imposto de importação para determinada classificação, tais pactos são aplicáveis ao que se entende internacionalmente abarcado por tal classificação. Não pode assim, o Brasil, dar a determinada expressão, utilizada na nomenclatura do SH, significado ou amplitude distinta da ali estabelecida, de modo a tornar não uniforme o termo, internacionalmente, sob pena de ser a medida, inclusive, interpretada como tratamento discriminatório no âmbito da OMC (Artigos I e III do GATT). É notório que a classificação de mercadorias é hoje tema complexo, que demanda atenção de especialistas na matéria. No entanto, não se pode confundir especialistas em classificação de mercadorias com especialistas em informar o que são determinadas mercadorias (em geral, peritos). O perito não tem a função de classificar mercadorias na nomenclatura. O perito químico, por exemplo, tem a função, entre outras, de, a partir da composição de determinada mercadoria, informar qual é seu nome técnico e quais são suas características. Esses aspectos são eminentemente técnicos. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. Tais atividades não se confundem. No presente processo, já se sabe o nome técnico da mercadoria, e as características necessárias a sua classificação, e, por isso, é realmente inócua a diligência demandada pela empresa. Podese, então, classificar a mercadoria com fundamento nas Regras do Sistema Harmonizado à luz das informações prestadas nos próprios elementos já carreados aos autos. Cabe, no entanto, informar que a análise de classificação fiscal a ser empreendida por este colegiado administrativo, no curso do contencioso, no caso concreto, não se confunde com aquela que foi objeto de Solução de Consulta e de Solução de Divergência, aplicável, de forma geral, à empresa, o que é melhor esclarecido no tópico seguinte. Da relação do processo contencioso de classificação de mercadorias com o processo de consulta sobre classificação de mercadorias É um pressuposto do Sistema Harmonizado que para toda e qualquer mercadoria existente haja uma e tãosomente uma classificação correta na codificação de seis dígitos internacionalmente acordada (à qual, como exposto, foram agregados posteriormente, em 1995, dois dígitos, no âmbito do MERCOSUL). 01/01/1997, após a publicação do Decreto n. 1.767, de 28/12/1995, da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Fl. 394DF CARF MF 16 Na era da complexidade e da multifuncionalidade, contudo, nem sempre é fácil (aliás, quase sempre é difícil) identificar a correta classificação das mercadorias. Ainda mais porque a classificação envolve temas técnicos multidisciplinares, a serem apreciados à luz das Regras Gerais acordadas internacionalmente, e com auxílio de mecanismos gerenciados pela própria Convenção que disciplina o Sistema Harmonizado. O Sistema Harmonizado, como estabelece a própria convenção (Artigo 1o, “a”), compreende as posições (quatro primeiros dígitos) e subposições (quinto e sexto dígitos) e seus respectivos códigos numéricos, as Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, bem como as seis Regras Gerais para interpretação (Anexo da Convenção), permitindo desdobramentos regionais (como o efetuado no âmbito do MERCOSUL, com a inclusão de item e subitem/sétimo e oitavo dígitos, e de duas Regas Gerais Complementares). A convenção cria ainda um Comitê (Artigo 6o), composto por representantes dos Estados Partes, estando entre as funções do Comitê (Artigo 7o, “b”) “redigir as Notas Explicativas, Pareceres de Classificação e outros pareceres para interpretação do Sistema Harmonizado” e formular recomendações em caso de controvérsias entre Estados Partes sobre interpretação e aplicação da convenção (Art. 10, 2). Assim, são hoje instrumentos para interpretação e aplicação das Regras do Sistema Harmonizado, além do texto da própria Convenção (e suas emendas), as seguintes publicações complementares: (a) as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH)6, expressando o posicionamento do Conselho de Cooperação Aduaneira/CCA (conhecido como Organização Mundial de Aduanas/OMA), o índice alfabético do SH, também publicado pela OMA; e os pareceres de classificação emitidos pelo Comitê do SH7. Ao lado destes atos internacionais há ainda manifestações no âmbito do MERCOSUL8 e atos normativos nacionais, como Instruções Normativas (IN) da RFB e Atos Declaratórios Interpretativos da RFB (ADI). Para que o comerciante, industrial ou importador classifique as mercadorias a serem transacionadas neste vasto universo, seja para fins tributários, de tratamento administrativo ou outro, ou ainda para simples finalidade estatística, é preciso um conhecimento específico nem sempre disponível internamente nas empresas. E, como a classificação fiscal incorreta pode ocasionar, por exemplo, uma maior (ou menor) tributação, uma permissão (ou restrição, ou ainda vedação) à importação, ou mesmo a aplicação de penalidades, tornouse necessário o estabelecimento de um mecanismo pelo qual o órgão público nacional aplicador da convenção esclarecesse previamente aos comerciantes/industriais/importadores a correta classificação as mercadorias transacionadas, contribuindo para a segurança jurídica no comércio (nacional ou internacional). Antes mesmo da existência do Sistema Harmonizado, o processo de consulta sobre classificação de mercadorias já esteve9 inserido no próprio texto da norma que disciplina o processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário, Decreto no 6 A última versão traduzida para língua portuguesa das NESH foi aprovada pela Instrução Normativa no 1.260/2012. Segundo o art. 94, parágrafo único do atual Regulamento Aduaneiro (Decreto n. 6.759/2009), a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da NCM será feita com observância das Regras Geria Interpretativas e Complementares, das Notas Complementares e, subsisiariamente, das NESH. 7 A IN RFB n. 1.459, de 28/03/2014 aprova o texto dos pareceres de classificação do Comitê do SH, e adota as decisões correspondentes. 8 A Comissão de Comércio do MERCOSUL (CCM) tem um Comitê Técnico (CT n. 1 "Tarifas, Nomenclatura e Classificação de Mercadorias") específico para o tratamento do tema. 9 Em verdade, ainda está ali inserido, devendose, na aplicação dos artigos correspondentes, observar também os comandos legais posteriores, que prevalecem em caso de divergência com a disicplina estabelecida no Decreto n. 70.235/1972. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 12466.000612/201094 Acórdão n.º 3401003.770 S3C4T1 Fl. 388 17 70.235/1972 (arts. 46 a 58), que estabelecia processo em instância única (art. 54, III, “a”), a ser julgado pelo Coordenador do Sistema de Tributação. Já sob a égide do Sistema Harmonizado, a consulta sobre classificação de mercadorias ganha, no Brasil, disciplina legal e processo próprios, nos arts. 48 e 50 da Lei no 9.430/1996, aqui já citados, e que mantêm a apreciação em instância única, por órgão central (se a consulta for efetuada também por órgão central ou entidade representativa de âmbito nacional) ou regional da Secretaria da Receita Federal (hoje RFB). O texto do comando legal revela clara preocupação com a celeridade, com a eficiência, com a publicidade e com a segurança jurídica. E a disciplina da lei, em matéria de classificação de mercadorias, vem tanto nos Regulamentos Aduaneiros (Decreto no 4.543/2002 art. 701; e Decreto no 6.759/2009 – art. 790), como nas diversas (e sucessivas) Instruções Normativas da RFB sobre a matéria, sempre mantida a instância única, aliada à disciplina para recurso de divergência e da representação. Efetuei análise detalhada do tema em Declaração de Voto apresentada no Acórdão no 3403 003.186, de 20/08/2014, no qual também discuti os efeitos da consulta sobre o processo administrativo contencioso (naquele caso, referente a auto de infração, que adapto a este, que trata de pedido de restituição). Podese afirmar que a consulta sobre classificação de mercadorias se presta aparentemente a duas finalidades: (a) sanar dúvida do comerciante/industrial/importador sobre caso concreto, e (b) confirmar (ou não) o entendimento do comerciante/industrial/importador sobre a classificação empregada, protegendoo contra eventuais entendimentos diversos nas unidades fiscais da RFB. Há ainda uma terceira finalidade (relevante, mas pouco explorada), que seria a manutenção da livre concorrência (finalidade que não será tratada aqui por fugir ao escopo direto deste estudo).10 Contudo, ao analisar a legislação sobre a matéria, percebese que a primeira finalidade (sanar dúvida) é apenas aparente, pois no momento da consulta a empresa já deve indicar a classificação fiscal adotada e a pretendida, e os correspondentes critérios utilizados, (além de dados técnicos detalhados). Ademais, a consulta não se destina a mera prestação de assessoria jurídica ou contábilfiscal pela RFB. Retirase, assim, do cenário, a sedutora argumentação de que a consulta se presta a simplesmente ajudar o comerciante/industrial/importador a entender as Regras do Sistema Harmonizado ou a ensinálo como classificar as mercadorias que deseja transacionar. Concluise, então, que a real finalidade da consulta é confirmar (ou não) o entendimento do comerciante/industrial/importador sobre a classificação empregada, protegendoo contra eventuais entendimentos diversos nas unidades fiscais da RFB. E tal propósito é suficientemente nobre e homenageia a segurança jurídica, pois evita que a empresa, 10 Se um comerciante/industrial/importador tem convicção da classificação adotada para determinado produto, mas tem ciência de que seus concorrentes utilizam outra classificação (às vezes, simplesmente para recolher menos tributos ou fugir a controles administrativos/aduaneiros), deveria existir um mecanismo tão ágil quanto a consulta para que, numa espécie de delação em prol da livre concorrência, o fisco pudesse garantir o recolhimento uniforme de tributos e o exercício uniforme dos controles apropriados. O próprio formulário eletrônico de consulta deveria permitir que a empresa revelasse (se soubesse) quais outras empresas comercializam/industrializam/importam o mesmo produto, e as respectivas classificações adotadas. Isso certamente contribuiria em proporção mais larga que a inicialmente imaginada pela IN para a uniformização da classificação de mercadorias no país. Fl. 396DF CARF MF 18 detentora de resposta oficial da RFB sobre qual é a classificação do produto transacionado seja surpreendida com entendimentos regionais, locais ou até individuais do fisco em sentido diverso. Abremse, assim, três possibilidades, em relação à consulta, partindose da premissa (para tornar mais completo o exemplo) de que a classificação adotada seja diferente da pretendida (e de que a empresa cumpra as demais regras necessárias à formulação da consulta, principalmente no que se refere à espontaneidade): (a) a resposta à consulta confirma a classificação adotada; (b) a resposta à consulta confirma a classificação pretendida; e (c) a resposta à consulta indica como correta uma terceira classificação. Em qualquer dos casos, durante o período da consulta (do protocolo até o 30o dia seguinte à ciência do resultado) não se pode iniciar qualquer procedimento fiscal relativamente à mercadoria consultada, e não são devidos acréscimos moratórios no caso de eventual pagamento. São os efeitos do próprio procedimento interno, independentemente do resultado da consulta. Sintetizando nosso raciocínio, também detalhado na Declaração de Voto formulada no Acórdão no 3403003.186, de 20/08/2014, temos que o atendimento ao resultado da solução de consulta/divergência impede a lavratura pela RFB de auto de infração em relação à matéria consultada. E o não atendimento ao resultado da solução de consulta, por sua vez, permite a lavratura da autuação, ou a negativa de restituição, que devem ser objeto de julgamento por rito absolutamente diverso daquele inerente ao processo de consulta, e com apreciação restrita à matéria objeto da autuação ou do pedido de restituição. No processo de consulta a solução dada pelo fisco se alastra no tempo, além do período que vai da consulta até a ciência do consulente. Não havendo disposição posterior (v.g. solução divergente, revogação de ofício ou ato normativo superveniente), os efeitos são eternos. E no processo de consulta sempre haverá a indicação da classificação correta, seja ela a adotada pelo consulente, a pretendida pelo consulente, ou outra. No processo de determinação e exigência de crédito tributário, referente a autuação ou a pedido de restituição, a solução dada restringese ao caso concreto analisado, sendo imprestável a vincular a fiscalização em casos ou períodos diversos, ainda que para o mesmo produto e para a mesma empresa. E em tal processo, não há a necessidade de que o julgador chegue à classificação correta. Basta que consiga comprovar que a classificação/argumentação adotada na autuação ou no pedido de restituição estava correta ou que deve ser afastada (sem que seja necessário seguir a busca pela classificação correta). Em suma, o afastamento dos efeitos da consulta se dá apenas dentro do rito processual relacionado às consultas, e não no rito de determinação e exigência de crédito tributário, ou de pedido de restituição, no qual a análise é restrita ao caso autuado, no período autuado, com os elementos constantes na autuação (sejam ou não eles simples cópia dos externados na Solução de Consulta/Divergência). E, por óbvio, a resposta obtida no processo de consulta não inibe o contencioso administrativo provocado pelo fisco em autuação, ou pela empresa, em pedido de restituição. Por isso, ao mesmo tempo em que se compreende ter a DRJ alegado estar vinculada pela Solução de Consulta/Divergência, decindindo ser a classificação aquela já fixada pela RFB e informada à própria empresa, passase aqui, no CARF, órgão externo à RFB, a analisar a procedência do pedido de restituição, no caso concreto, e com efeitos somente sobre ele, de forma independente ao resultado da Solução de Consulta/Divergência. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 12466.000612/201094 Acórdão n.º 3401003.770 S3C4T1 Fl. 389 19 Da classificação da mercadoria importada (“NPEL 128”) Como exposto no tópico anterior, a descrição do produto de nome comercial “NPEL 128” deixa pouca margem de dúvidas ao classificador. E a ficha técnica indicada na Solução de Divergência não representa palpite sobre o produto extraído da internet, mas efetivamente ficha técnica de instituição especialista no tema. Aliás, não é difícil endossar a definição do “NPEL 128” nos sites especializados sobre o tema, inclusive fazendo menção ao fabricante “NAN YA”: “NAN YA EPOXY RESIN NPEL128 General: NPEL128 is a liquid resin,which is manufactured from bisphenolA and epichlorohydrin. It is recognized as standard form which vari ations have been developed. Cured NPEL128 always offers quality and high purity properties in applications,such as maximun mechanical strength,good chemical resistance and excellent heat resistance,etc.” (disponível em: http://www.compositesone.com/wp content/uploads/2013/07/NPEL128.pdf, acesso em 09 mai.2017) “Product Class:Resin Product Name:NPEL128 Supplier Name:NanYa NPEL128 is a liquid resin, which is manufactured from bisphenolA and epichlorohydrin. It is recognized as the standard form which variations have been developed. Cured NPEL128 always offers quality and high purity properties in applications, such as maximum mechanical strength, good chemical resistance and excellent heat resistance, etc.” (disponível em: http://www.fitzchem.com/npel128.html, acesso em 09 mai.2017) “IDENTIFICATION OF THE PRODUCT AND OF THE COMPANY Trade name: NPEL128 Company identification: NAN YA Plastics Corporation Ingredients: BisphenolA epoxy resin(number average molecular weight < 700)” (disponível em: http://www.ankushenterprise.com/pdf/epoxy_resins/epoxyNPEL 128.pdf, acesso em 09 mai.2017) “Nan Ya NPEL128 Multiple Nan Ya Plastics Corp Fl. 398DF CARF MF 20 NPEL128 is a liquid Bisphenol A type epoxy resin.” (disponível em: http://maroon.maroongroupllc.com/products/nan ya%20npel128, acesso em 09 mai.2017) “NPEL 128R Technical DataSheet | Supplied by Nan Ya Lesscrystallizable, epoxy resin produced with bisphenolA and epichlorohydrin. Used in cationic electrodeposition coating and solventfree paint. Offers nonvolatility when curing, small shrinkage, very good dimension stability and electric and mechanism properties, water and chemical resistance, very good adhesive performance with metals, woods, concrete, ceramic and glass, very good performance on hardness and abrasion and storage stability. Can be used in combination with various hardeners, diluents and fillers.” (disponível em: http://coatings.specialchem.com/product/rnanyanpel128r, acesso em 09 mai.2017) Veja que não se está exemplificando o exposto com sítios de “blogs” ou “wikipedia”, ou sites leigos/vulgares sobre o tema, mas em catálogos internacionais, por meio dos quais, inclusive, é possível comprar o produto de nome comercial “NPEL 128”, produzido pelo fabricante “NAN YA”. E, sabendose das características do produto, não é difícil acompanhar o raciocínio empreendido na Solução de Divergência COANA no 17/2007, o que, por óbvio, não se confunde com aplicála ao caso. De acordo com a Regra Geral Interpretativa (RGI) no 1, do Sistema Harmonizado: “Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes”. Vejamos, então, os textos das posições em discussão, a posição 29.10, defendida como correta pela empresa no pedido de retificação e a posição 39.07, na qual a empresa originalmente classifica os produtos: Para se resolver o presente contencioso, desnecessário seguir adiante na classificação (determinando, na sequência, o quinto, o sexto, o sétimo e o oitavo dígitos do código NCM, obrigatoriamente nessa ordem, em função da RGI no 6 e da Regra Geral Complementar – RGC no 1), bastando informar qual a posição correta (quatro primeiros dígitos, que é por onde se inicia a classificação, em obediência à RGI no1, aqui já transcrita. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 12466.000612/201094 Acórdão n.º 3401003.770 S3C4T1 Fl. 390 21 E a mesma RGI no1 remete às notas de capítulo, como a Nota 1, “a” do Capítulo 29, que estabelece: Como o equivalente epóxido do “NPEL 128” se estende ao longo de uma faixa, não se pode entender ser o produto de constituição química definida, sendo incabível a classificação na posição 29.10. Logo, a classificação do “NPEL 128” jamais poderia ser a solicitada na retificação (código NCM 2910.90.90). Por mais que não seja aqui necessário endossar a classificação externada na Solução de Divergência COANA no 17/2007 (código NCM 3907.30.29), bastando afastar a posição pretendida no pedido de restituição, cabe destacar que, internacionalmente, há precedentes no sentido de que o código SH correto é 3907.30, como a lista de concessões tarifárias da Nova Zelândia, afetada pelo mesmo Sistema Harmonizado (SH), com vigor internacional, nos seis primeiros dígitos: 3907.30.09: Epoxy resin, viz: NPEK114, NPEK115, NPEK 132, NPEF164X, NPEF170, NPEF185, Free Free 99 999554E 3/03 NPSN134X90, NPSN901X75, NPEF187, NPES601, NPES604, NPES607, NPES609A, NPEL128, NPES609C, NPES609D, NPES627, NPES629, NPES901, NPES902, NPES903, NPES904, NPES301, NPSN301X65, NPSN 301X75. (grifo nosso) (disponível em: http://www.customs.govt.nz/news/resources/listsandguides/docu ments/approvals.pdf, acesso em 09 mai.2017) Caso se desejasse adquirir o produto, adicionese ainda, a título ilustrativo, que as informações dos exportadores/vendedores, disponíveis em seus sítios web, informam (v.g., Resin NPEL Buyers e Drum NPEL Buyers) ser a classificação tarifária no código SH 3907.30. E, recordese, os seis primeiros dígitos, conforme o SH, são de caráter internacional. Reiterese que o CARF, por ser órgão externo à RFB, não é vinculado pelas Soluções de Consulta e Divergência por ela emitidas, podendo analisar de forma independente a matéria, como aqui se faz, por mais que haja coincidência de argumentos em relação àqueles invocados na Solução de Divergência COANA no 17/2007. Assim, é absolutamente irrelevante, neste julgamento administrativo, eventual afastamento judicial da Solução de Divergência COANA no 17/2007, pois as razões de decidir desta turma não são dela extraídas, mas apenas com ela coincidentes. No pedido de restituição, é inegável que a empresa discorda da própria descrição detalhada da mercadoria por ela inserida (e mantida) na DI, e endossada pelo exportador. Com razão, então, a unidade local em indeferir o pleito, por carência probatória. Fl. 400DF CARF MF 22 E adiciono à carência probatória algo que, no presente processo, poderia ter sido suscitado pela defesa: o fato de a declaração de importação ter sido objeto de retificação, e desembaraçada em canal vermelho, com a classificação defendida pelo fisco, mas que teria havido recusa em retirada de amostra, em função de tal providência já ter sido tomada na DI no 08/15513938. Poderia a empresa ter trazido aos autos o resultado da análise laboratorial na DI no 08/15513938, ou mesmo discutido tal laudo, que ela mesma defendia aplicável à DI em análise no presente processo. No entanto, optou a recorrente por apenas tecer alegações comuns a todos os demais processos em análise nesta sessão, para os quais não se registrou a sutileza aqui narrada. Aliás, em nome da verdade material, verifiquei que a DI no 08/15513938 foi registrada em 01/10/2008 e desembaraçada em 02/10/2008, em canal verde (portanto, sem conferência aduaneira), tomando como correta a classificação no código NCM 3907.30.29. E tal DI é também objeto de pedido de restituição, pela recorrente, no processo administrativo de no 12466.000611/201040, a ser analisado por este colegiado nesta mesma sessão de julgamento. Naqueles autos não se noticia a realização de análise laboratorial na DI, nem a extração de amostras. Por se tratar de pedido de restituição, não se tem dúvidas de que caberia à postulante a prova do direito de crédito, ônus do qual a recorrente não se desincumbe a contento no presente processo. E, aqui neste voto, destacase que, ainda que, eventualmente, superada a alegação de carência probatória, em virtude do aqui exposto, em relação ao nome comercial do produto, restaria incorreta a classificação demandada. E não pode o colegiado autorizar a restituição de quantia que se sabe indevida. Com relação à alegação de alteração de critério jurídico, inaugurada no recurso voluntário, com fundamento no artigo 146 do Código Tributário Nacional, é conveniente destacar que aqui que, ao contrário dos processos comumente tratados por este colegiado sobre o tema, encontrase, efetivamente, no caso, uma alteração de critério jurídico. O critério jurídico (seja ele correto ou incorreto) fixado pela fiscalização, para a empresa, após a ciência da Solução de Consulta SRRF/DIANA no 291, de 29/09/2006, era o de que a classificação do produto de nome comercial “NPEL 128” se dava no código NCM 2910.90.90. E tal entendimento foi revisto pela Solução de Divergência COANA no 17, de 24/10/2007, que passou a entender que o mesmo produto deveria ser classificado no código NCM 3907.30.29. Reparese que não poderia o novo entendimento externado na Solução de Divergência COANA no 17/2007 retroagir a importações da empresa efetuadas antes de sua emissão (em 2006, por exemplo). Mas não é o que se vê nos autos, que trata de importação de 2008. E a retificação proposta após o desembaraço aduaneiro e registrada no SISCOMEX pela fiscalização, a pedido da empresa, está longe de constituir um critério jurídico, ou uma homologação de lançamento, afinal de contas, deuse em função de decisão judicial, a título precário, e que ainda pendia de análise definitiva. Se houve, em tal ato de retificação, um critério jurídico, tal critério seria o seguinte: “respeitese a decisão judicial”. Tal decisão judicial até podia ser um óbice à apreciação pelos órgãos que necessitavam da Solução de Divergência COANA no 17/2007 para decidir, como a unidade local da RFB e a DRJ, mas tal problema não se apresenta neste tribunal administrativo, que pode emitir decisões de forma independente à externada em Soluções de Consulta e Divergência proferidas pela RFB. Para fazer jus à restituição, deveria a empresa comprovar que a mercadoria que sempre declarou como “resina epóxi” não era resina epóxi (erro de fato), não com laudos Fl. 401DF CARF MF Processo nº 12466.000612/201094 Acórdão n.º 3401003.770 S3C4T1 Fl. 391 23 técnicos contraditórios, mas com demonstração inequívoca, ou ao menos convincente o suficiente para demandar diligência a fim de melhor esclarecer os fatos. Mas, a nosso ver, tal tarefa esbarraria, ainda, na comprovação da correção da classificação demandada, diante da existência de nome comercial para o produto, como aqui exposto. E fracassa a defesa nas duas providências. Das considerações finais Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 402DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.722784/2012-84
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
SUSPENSÃO DA ISENÇÃO/IMUNIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LUCRO REAL TRIMESTRAL.
Se a auditoria fiscal encontra contabilidade confiável e suficiente a apurar os resultados tributáveis com base nas regras do Lucro Real, não se justifica o arbitramento, ainda que se trate de entidade de assistência social que tenha tido suspenso o gozo do benefício da isenção/imunidade, e não escriture o LALUR.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. SISTEMÁTICA CUMULATIVA E NÃO-CUMULATIVA.
O decidido acerca da exigência principal deve-se refletir nas exigências reflexas, em decorrência de íntima relação de causa-efeito.
Numero da decisão: 9101-002.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial quanto à qualificação da multa de ofício. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial quanto à possibilidade de apuração pelo lucro real, no caso de não apresentação do Lalur e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Rafael Vidal de Araújo. Encerrado o prazo regimental, não foram apresentadas declarações de voto.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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MULTA QUALIFICADA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado HOSPITAL DE CARIDADE DR. ASTROGILDO DE AZEVEDO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 SUSPENSÃO DA ISENÇÃO/IMUNIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LUCRO REAL TRIMESTRAL. Se a auditoria fiscal encontra contabilidade confiável e suficiente a apurar os resultados tributáveis com base nas regras do Lucro Real, não se justifica o arbitramento, ainda que se trate de entidade de assistência social que tenha tido suspenso o gozo do benefício da isenção/imunidade, e não escriture o LALUR. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. SISTEMÁTICA CUMULATIVA E NÃOCUMULATIVA. O decidido acerca da exigência principal devese refletir nas exigências reflexas, em decorrência de íntima relação de causaefeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial quanto à qualificação da multa de ofício. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial quanto à possibilidade de apuração pelo lucro real, no caso de não apresentação do Lalur e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Rafael Vidal de Araújo. Encerrado o prazo regimental, não foram apresentadas declarações de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 27 84 /2 01 2- 84 Fl. 6801DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.802 2 (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial (efls. 6.732/6.747), contra o acórdão de nº 1202001.201 (efls. 6.706/6.730), que teve o seguinte resultado: (i) por maioria de votos, negou provimento ao recurso de ofício, (ii) por unanimidade de votos, afastou a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa; (iii) pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário contra ato de suspensão da imunidade, (iv) por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário contra a manutenção do crédito tributário de PIS e COFINS no regime cumulativo; (v) por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário contra a qualificação da multa de ofício; e, (vi) por unanimidade de votos, afastou a prejudicial de decadência. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 IRPJ. IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE. Caracterizado o descumprimento de requisito previsto no CTN, art. 14, inciso III, suspendese a imunidade ao IRPJ, prevista no art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. O prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador somente nos casos em que, cumulativamente, (a) o contribuinte efetuar pagamento antecipado do respectivo crédito tributário e (b) não estiverem presentes as hipóteses de dolo, fraude e simulação. MULTA. QUALIFICAÇÃO. Fl. 6802DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.803 3 Não havendo sólidos e inquestionáveis elementos comprobatórios da ocorrência de específica atitude dolosa fraudulenta, retirase a qualificadora de multa de ofício. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CSLL, PIS E COFINS. ISENÇÃO. DESATENDIMENTO DE REQUISITOS. RITO APLICÁVEL. Constatado que a entidade não atendeu aos requisitos para gozo de isenção, a fiscalização relatará os fatos que demonstram o não atendimento e lavrará o auto de infração ao período correspondente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ IRPJ E CSLL. LUCRO REAL. REQUISITOS. ESCRITURAÇÃO DO LALUR. Não tendo o sujeito passivo apresentado Lalur, descabe a apuração de resultados com base no lucro real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO LUCRO REAL. REGIME NÃOCUMULATIVO.INAPLICABILIDADE A aplicabilidade do regime nãocumulativo é condicionada à apuração do IRPJ com base no lucro real. HOSPITAIS E OUTROS ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE.ALÍQUOTA ZERO. INAPLICABILIDADE. Os hospitais, prontos socorros, clínicas médicas, odontológicas, de fisioterapia e de fonoaudiologia, e os laboratórios de anatomia patológica,citológica ou de análises clínicas, estão sujeitos à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep sobre a totalidade das receitas auferidas, mediante a aplicação das alíquotas de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e 3% (três por cento), respectivamente, sendo vedado a essas entidades a segregação, na receita bruta, do valor correspondente aos produtos relacionados no art. 1º da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000,utilizados como insumos na prestação de seus serviços, bem como a aplicação de alíquotas zero das referidas contribuições sobre parcelas da receita bruta relativa aos mencionados produtos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS HOSPITAIS E OUTROS ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE.ALÍQUOTA ZERO. INAPLICABILIDADE. Os hospitais, prontos socorros, clínicas médicas, odontológicas, de fisioterapia e de fonoaudiologia, e os laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, estão Fl. 6803DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.804 4 sujeitos à incidência cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre a totalidade das receitas auferidas , mediante a aplicação das alíquotas de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e 3% (três por cento),respectivamente, sendo vedado a essas entidades a segregação, na receita bruta, do valor correspondente aos produtos relacionados no art. 1º da Lei nº10.147, de 21 de dezembro de 2000, utilizados como insumos na prestação de seus serviços, bem como a aplicação de alíquotas zero das referidas contribuições sobre parcelas da receita bruta relativa dos mencionados produtos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, nos termos do voto do relator e do voto vencedor: I por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima; II por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa; III pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário contra improcedência da manifestação de inconformidade contra ato de suspensão da imunidade, vencidos os Conselheiros Orlando José Gonçalves Bueno (relator), Geraldo Valentim Neto e Nereida de Miranda Finamore Horta, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima; IV por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário contra a manutenção do crédito tributário de PIS e COFINS no regime cumulativo; V por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário contra a qualificação da multa de ofício; e, VI por unanimidade de votos, em afastar a prejudicial de decadência. Trata este processo de suspensão do benefício da imunidade/isenção da instituição interessada, e conseqüente lavratura de Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, com acréscimo de multa de ofício qualificada, relativamente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2006 e 2007. Os fatos apurados pela auditoria fiscal e que levaram à suspensão do benefício da imunidade/isenção foram os seguintes (efls. 5.072/5.308): importação de equipamentos médicos cedidos a empresas terceirizadas, por violação do CTN, art. 14, I e II; terceirização de serviços médicos, por violação ao CTN, art. 14, I e II; desvirtuamento do conceito de gratuidade e inexatidão no registro de despesas com gratuidades, por violação do CTN, art. 14, II e III; inexatidão no registro de receitas com subvenções para custeio (por violação do CTN, art. 14, III); aluguel de terreno à empresa ALT, por violação do CTN, art. 14, I e II; Fl. 6804DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.805 5 o envolvimento do HCAA no âmbito da operação Fariseu, por violação do CTN, art. 14, I e II; e a remuneração do exdiretor executivo Alfredo Longhi, , por violação do CTN, art. 14, I e II. Como decorrência da suspensão do referido benefício, a auditoria fiscal intimou a entidade a optar por uma das formas de tributação. Como a opção não foi feita, a fiscalização lavrou os autos de infração para exigir IRPJ e CSLL na forma do lucro real trimestral, por entender que, em que pese a inexistência de escrituração do LALUR, a entidade mantinha contabilidade contendo dados suficientemente confiáveis à apuração dos tributos por essa modalidade (Relatório de Fiscalização efls. 6.406 e ss.). Procedeu também à apuração do PIS e da Cofins, tomando como regra a não cumulatividade, mas também adotando a cumulatividade em casos específicos, efetuando os ajustes que entendeu necessários. Os mesmos fatos que deram ensejo à suspensão do benefício da imunidade/isenção, justificaram a qualificação da multa de ofício. O acórdão recorrido manteve, por votação unânime, a suspensão do benefício da imunidade/isenção mas, negando provimento ao recurso de ofício, julgou improcedentes as exigências de IRPJ, CSLL e PIS e COFINS no regime de cumulatividade, por entender, o colegiado, que a legislação impõe o lucro arbitrado como única forma de apuração quando o contribuinte não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixa de elaborar demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. A multa qualificada foi reduzida ao percentual de 75% porque o fato de todos os aspectos levantados pelo fisco estarem contabilizados, apoiados em contratos e com os documentos arquivados afastariam a acusação de fraude. No Recurso Especial manejado (efls. 6.732/6.747) a PFN aponta divergência jurisprudencial em relação aos seguintes temas: 1) em relação à possibilidade de apuração pelo lucro real, no caso de não apresentação do Lalur. Indicou como paradigma o Acórdão nº 10196.469, que tem a seguinte ementa: IRPJ ARBITRAMENTO DE LUCRO FALTA DE ESCIRUTAÇÃO DO LALUR Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das conseqüências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A simples falta de escrituração do LALUR, sem demonstrar a ocorrência do efetivo prejuízo para o Fisco, não é suficiente para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o conseqüente arbitramento dos lucros. Fl. 6805DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.806 6 2) em relação à qualificação da multa de ofício. Indicou como paradigma o Acórdão nº 10323.416, que tem a seguinte ementa, no tocante à matéria: DECADÊNCIA MULTA QUALIFICADA caracterizado o aspecto volitivo da conduta delitiva, deve ser aplicada a regra de decadência prevista no art. 173, inciso I, do CTN, bem como qualificado o patamar sancionador. Nas razões meritórias de defesa, após reproduzir argumentos deduzidos em memoriais e apoiarse nas razões de decidir adotadas no Acórdão nº 10196.469, conclui que a simples não apresentação do Lalur não é suficiente para impor o arbitramento do lucro eis que, de acordo com a legislação tributária, esta modalidade somente deve ser adotada em casos extremos de imprestabilidade da contabilidade da empresa. No tocante à exoneração da qualificação da multa, deduziu, em suas palavras: Quanto ao afastamento da qualificação da multa de ofício, este também não pode prosperar. Importante ressaltar, inicialmente, que quem redigiu a parte do acórdão que trata da qualificação da multa foi o relator original do processo, que, por sinal, afastou a suspensão da imunidade do contribuinte. O voto vencedor tratou apenas da questão da imunidade, que teve sua suspensão mantida, não adentrando na qualificação, apesar de ter concordado com o relator original nesse ponto. Isto posto, restou claro que os argumentos utilizados para afastar a qualificação da multa são praticamente os mesmos que convenceram o relator de afastar a suspensão da imunidade, mas ficou vencido nesse ponto. Dessa forma, como foi afastada a imunidade do contribuinte e, por todos os fatos trazidos no relatório fiscal, a qualificação da multa de ofício deve ser mantida, em virtude da caracterização da fraude praticada pela empresa. Pede, ao final, pelo conhecimento e provimento total do apelo. Pelo despacho de admissibilidade de efls. 6.750/6.754, o Recurso Especial da PFN é admitido pelo Presidente da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, em relação a ambas as matérias divergentes suscitadas. Cientificada do Recurso Especial da PFN e do despacho que o admitiu, a interessada apresentou Contrarrazões (efls. 6.768/6.784). Aduz, primeiramente, que o Recurso Especial não pode ser admitido porque não teriam sido caracterizadas as divergências sucitadas. Nesse sentido, em relação ao primeiro paradigma, aponta que os fundamentos que levaram a turma da DRJ, bem como a turma recorrida a afastar a adoção do Lucro Real estariam relacionados a critérios muito mais sólidos do que a simples falta do Lalur. Quanto ao segundo tema acusa a falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma como impedimento para o conhecimento do REsp. Aqui, destaca que as decisões comparadas tem resultados divergentes por conta da instrução probatória distinta para cada caso, o que justificaria a disparidade de conclusões. Fl. 6806DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.807 7 No mérito, reproduz as razões de defesa deduzidas em sede de impugnação e de Recurso Voluntário. Pede, ao final, pelo não conhecimento do apelo especial e pelo seu improvimento no mérito. A contribuinte não apresentou recurso especial no tocante ao ato de suspensão da imunidade/isenção, e nem no tocante ao PIS/Cofins cumulativos. Este é o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora Preliminarmente. Para fins de ciência do Acórdão nº 1202001.201, o processo foi encaminhado eletronicamente à PFN em 11/02/2015 (efl. 6.731). A intimação presumida ocorreu em 13/03/2015, sextafeira e em 16/03/2015 (segundafeira) passou a correr o prazo de 15 dias para apresentação do Recurso Especial, que findou em 30/03/2015. Assim, o Recurso Especial apresentado em 20/02/2015 (efl 6.748) é tempestivo. Também devo salientar que as Contrarrazões são tempestivas, visto haver informações contraditórias quanto à data da ciência do Recurso Especial da PFN e do despacho que o admitiu. Com efeito, o Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da PFN foi elaborado em 07/10/2015 (efls. 6.750/6.754). O Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (efl. 6.766), informa que a interessada teve ciência da intimação da DRF em Santa Maria para tomar conhecimento do Recurso Especial e do Despacho de Admissibilidade, além do próprio acórdão recorrido, em 26/10/2015. Já, o Termo de Solicitação de Juntada (efl. 6.767), dá conta de que a interessada solicitou a juntada aos autos, das Contrarrazões, em 06/11/2015. Por outro lado, a cópia anexada ao processo digital da referida Contrarrazões, tem protocolo de recebimento com data de 06/10/2015, o que não é possível, já que nessa data sequer havia sido elaborado o despacho que admitiu o Recurso Especial da PFN. Contudo, à efl. 6.787, foi juntada uma "declaração" da funcionária da repartição retificando a data de protocolo das Contrarrazões, para 06/11/2015, o que demonstra que as Contrarrazões são tempestivas. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso é tempestivo porém, como a Recorrida traz em Contrarrazões argumentos no sentido do seu não conhecimento, passo a analisálos. Fl. 6807DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.808 8 Diz a Recorrida que os paradigmas apresentados pela Recorrente não caracterizam divergência jurisprudencial em ambas as matérias discutidas. Vejamos. 1ª Divergência possibilidade de apuração pelo lucro real, no caso de não apresentação do Lalur. O acórdão recorrido, nesse tema, recebeu a seguinte ementa: IRPJ E CSLL. LUCRO REAL. REQUISITOS. ESCRITURAÇÃO DO LALUR. Não tendo o sujeito passivo apresentado Lalur, descabe a apuração de resultados com base no lucro real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO LUCRO REAL. REGIME NÃOCUMULATIVO.INAPLICABILIDADE A aplicabilidade do regime nãocumulativo é condicionada à apuração do IRPJ com base no lucro real. O paradigma indicado, recebeu, na mesma matéria, a ementa abaixo: Acórdão nº 10196.469 IRPJ ARBITRAMENTO DE LUCRO FALTA DE ESCIRUTAÇÃO DO LALUR Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das conseqüências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A simples falta de escrituração do LALUR, sem demonstrar a ocorrência do efetivo prejuízo para o Fisco, não é suficiente para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o conseqüente arbitramento dos lucros. Como a Recorrida aduz que as situações fáticas tratadas em ambos os julgados não são semelhantes, o que não permitiria caracterizar a divergência jurisprudencial, há, então, que trazer para análise o contexto fático de cada julgado. No caso sob apreciação, sabese, a entidade teve suspenso o gozo do benefício da imunidade/isenção, por Ato Declaratório da DRF em Santa Maria/RS. Com isso, sujeitouse a ter os seus resultados tributados como as demais pessoas jurídicas. A auditoria fiscal formalizou as exigências com base no Lucro Real trimestral por entender que a entidade, embora não escriturasse o LALUR, mantinha escrituração regular e confiável, permitindo, assim, a apuração dos resultados pelo Lucro Real. A DRJ em Porto Alegre/RS julgou improcedente as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (nãocumulativos), sob a seguinte justificativa: Fl. 6808DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.809 9 Assim, de acordo com a legislação, não tendo sido escriturado o Lalur, a tributação darseá com base no lucro arbitrado, sendo, portanto procedente a alegação do interessado de que não seria correto o procedimento da fiscalização de adotar o lucro real para fins de efetuar o lançamento de ofício. O colegiado a quo analisou o assunto ao apreciar o Recurso de Ofício manejado pela DRJ em Porto Alegre em razão do valor da exoneração do crédito tributário relativos ás exigências de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Nesse sentido, assim se manifestou o relator do voto condutor do tema: Conforme já informado no Relatório, a DRJ a quo considerou, neste processo, insubsistentes os lançamentos de IRPJ, CSLL e PIS/COFINS (não cumulativos), por inadmissível, no caso, a adoção, pela fiscalização, do Lucro Real. Efetivamente, segundo a legislação pertinente, o fisco não tem autorização legal para escolher, no lugar do contribuinte, a forma de tributação a adotar, a não ser o lucro arbitrado. No caso, como expôs o relator a quo (fl. 6569), a legislação tributária é categórica ao impor o lucro arbitrado como única forma de apuração quando o contribuinte não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixa de elaborar demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. Evidentemente, no caso, a escrituração não foi elaborada em conformidade com as leis comerciais e fiscais, por direcionada ao atendimento das exigências de entidade sem fins lucrativos. Também, a apuração do Lucro Real, a separação das receitas para fins de PIS/COFINS não cumulativo ou cumulativo, a seleção dos custos/despesas que admitem créditos para a apuração do PIS/COFINS não cumulativo, embora demonstrados pela fiscalização em dezenas de planilhas (fls. 6329 a 6501), foram elaborados com critérios subjetivos, alheios às peculiaridades da escrituração. Além, essas apurações, por iniciativa do fisco, não tem embasamento legal. Diante disso, endossase as razões do acórdão recorrido para negar provimento ao recurso de ofício. No caso do paradigma, extraise, do relatório do acórdão que a fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro da contribuinte em razão da não apresentação do LALUR correspondente aos anoscalendário de 1999 e 2000, sobre as receitas de vendas e de prestação de serviços obtidas das informações constantes de suas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ dos exercícios de 2000 e 2001. A autoridade julgadora de 1ª Instância manteve as exigências sob a mesma justificativa: Por outro lado, o colegiado que julgou o Recurso Voluntário apresentado neste caso, consignou o seguinte: Como visto do relatório, tratase de auto de infração lavrado em decorrência do arbitramento dos lucros nos anoscalendário de 1999 e 2000, pela desclassificação da escrituração contábil em decorrência da falta de apresentação do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR. ... Analisado o texto transcrito, temse que a autorização para o arbitramento determinada pela norma legal está condicionada a irregularidade material insanável Fl. 6809DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.810 10 que revele a ocorrência de vícios, erros, deficiências ou evidentes indícios de fraude capazes de tornar imprestável a escrituração para determinar lucro real. ... Diante disso, não deve ser aceito como motivo do arbitramento a falta de escrituração dos livros auxiliares, tampouco do livro Razão Como visto acima, também não restou caracterizada a existência de vícios e/ou erros insanáveis que tornassem imprestável a escrituração da recorrente. Vimos de ver que a autoridade autuante não constatou a existência de fraude ou omissões de registros na escrituração, tampouco a ocorrência de omissão de receitas. Como é cediço, a desclassificação de escrita com o conseqüente arbitramento de lucros é uma salvaguarda do crédito tributário cujo exercício somente se justifica em caso extremo quando a contaminação seja de tal monta que inviabilize a apuração do lucro real da pessoa jurídica. No caso sob julgamento, a fiscalização em longo e percuciente trabalho conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal, não detectou uma única falha nos registros contábeis da empresa, entretanto, com a devida vênia entendo que a contabilidade da pessoa jurídica contém informações capazes de propiciar a determinação do seu lucro real, sem embargo de eventuais falhas existentes, as quais, porventura, efetivamente existentes, deixaram de ser mencionadas pela fiscalização. A jurisprudência administrativa e a judicial é pacífica no sentido de somente aceitar a desclassificação da escrita quando as deficiências apresentadas na escrituração sejam de tal monta que as tornam insanáveis, apesar dos esforços envidados pela fiscalização para o seu aproveitamento. Aos acórdãos citados e transcritos pela defesa inúmeros outros podem ser acrescentados, sempre nessa direção. O arbitramento somente pode ser acolhido quando as falhas e vícios encontrados e devidamente demonstrado pela fiscalização, levam à imprestabilidade do conjunto da escrituração é que podem determinar a desclassificação da escrita. Ressaltese ainda, que não foram apurados quaisquer indícios de omissão de receitas ou mesmo a prática de quaisquer outras irregularidades, denotando que a ação fiscal deixou de aprofundar a um patamar seguro as investigações que fosse suficiente a dar guarida a sua pretensão, limitandose a optar pela via extrema do arbitramento do lucro simplesmente pela inexistência do LALUR, o qual, na sua falta, não impede a apuração do lucro tributável. ... Em outras palavras, neste caso específico em que a natureza dos ajustes procedidos no lucro líquido é perfeitamente identificável, a falta de atualização do LALUR não tem o condão de tornar a escrituração da empresa imprestável para apuração do lucro real, o que a enquadraria no inciso II do artigo 47 da Lei nº 8.981/95, base legal do feito. ... Nessa linha, e na esteira de jurisprudência dominante no sentido de que o arbitramento é medida extrema, que somente se justifica quando absolutamente Fl. 6810DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.811 11 imprestável a escrita para a apuração do resultado real, meu voto é no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento ao Recurso Voluntário. Claro está, portanto, que o paradigma analisou caso em que a pessoa jurídica deixou de escriturar/apresentar o LALUR à autoridade fiscal, quando intimada, que promoveu o arbitramento dos lucros em razão disso, em que pese ter encontrado escrituração, ainda que não completa, que permitiria apurar os resultados pelo Lucro Real. E, justamente por essa razão a existência de escrituração ainda que incompleta a permitir o conhecimento do lucro real é que o colegiado a quo entendeu por exonerar a exigência na forma do lucro arbitrado que, no seu entendimento, é medida máxima, que deve somente ser adotada quando não há qualquer possibilidade de apurar o lucro real. Vêse, então, que, apesar de o paradigma ter cancelado também a exigência, ambos se debruçaram sobre situações semelhantes (escrituração contábil completa e fiscal incompleta), porém as conclusões a que chegaram os colegiados foi distinta, o que caracteriza o dissenso jurisprudencial. 2ª Divergência em relação à qualificação da multa de ofício. Neste tema, o acórdão recorrido deduziu a seguinte ementa: MULTA. QUALIFICAÇÃO. Não havendo sólidos e inquestionáveis elementos comprobatórios da ocorrência de específica atitude dolosa fraudulenta, retirase a qualificadora de multa de ofício. Já o paradigma indicado encontrase assim ementado: Acórdão nº 10323.416 DECADÊNCIA MULTA QUALIFICADA caracterizado o aspecto volitivo da conduta delitiva, deve ser aplicada a regra de decadência prevista no art. 173, inciso I, do CTN, bem como qualificado o patamar sancionador. Aqui também a Recorrida acusa a inexistência de similitude fática entre os casos analisados pelo acórdão recorrido e pelo paradigma, o que nos leva, novamente, a apreciar os fatos tratados por cada uma das decisões. Extraio do relatório do acórdão recorrido: Observase que a fiscalização aplicou a multa de ofício qualificada em todos os autos de infração inseridos neste processo, utilizando, para demonstrar a fraude, os mesmos fatos que apresentou para a suspensão da imunidade/isenção (fl. 6445 a 6451). Em contraposição, além de contestar os fatos em si, a fiscalizada argüiu que estes “não caracterizam irregularidades capazes de comprovar a suposta fraude, pois os atos praticados pelo Impugnante decorrem do fato de que a legislação não proíbe as entidades filantrópicas de exercer atos lícitos de negociações que gerem efeitos econômicos, os quais são destinados, frisese, à finalidade do Impugnante” (fl. 6571). Fl. 6811DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.812 12 No julgamento, o voto condutor manifestouse pela manutenção da multa qualificada, pois entendeu que “estava suficientemente comprovado o evidente intuito de fraude” (fl. 6571). Argumentou que “dos fatos de que a fiscalização lançou mão para qualificar a multa, o que mais chama a atenção é ter o interessado aplicado uma vultosa parcela de seu patrimônio à formação de estruturas destinadas à prestação de serviços médicos. Adicionalmente, dotoua de pessoal próprio. No entanto, apesar de todo esse esforço, em vez de explorar diretamente essas estruturas – repito, criadas com recursos e pessoal próprios, cedeu seu uso a terceiros, cessão essa que redundou na obtenção de alguma receita por parte do interessado, porém em um valor muito inferior ao volume de receitas obtidas pelos terceirizados exploradores. A meu ver, esse tipo de operação é, como diz a fiscalização, fraudulento, na medida em que serviu para uma disfarçada distribuição para terceiros de resultados do interessado” (fl. 6571). Assim, o digno relator a quo concluiu por manter a qualificação da multa, o que foi aprovado. Por conseguinte, também sucumbiu a alegação de decadência, uma vez que a contagem do hiato decadencial, no caso, seria o previsto no art. 173 do CTN. O relator do voto condutor deste tema, no acórdão recorrido, observou que a autoridade julgadora de 1ª instância apontou a questão da aplicação dos recursos da entidade na formação de estruturas destinadas a prestação de serviços médicos por terceiros, dentre outros, como um dos fatos mais graves ensejadores da qualificadora. E sobre os fatos que levaram à qualificação da penalidade, assim se pronunciou: Todavia, quando analisado na essência esse excerto, percebese que de fato as inferências não estão comprovadas: não está provado se efetivamente as terceirizadas teriam auferido exorbitantes lucros; sabese que o custo do pessoal era de responsabilidade das terceirizadas e não do HCAA; sabese que as estruturas, instaladas no HCAA, eram, são e permanecem após encerrado o contrato na propriedades deste; sabese que um significativo percentual da receita auferida pelas terceirizadas é repassado para o HCAA; as terceirizadas atendem os pacientes do HCAA com gratuidade; enfim, a terceirização é um procedimento administrativo que, enquanto não se prove o contrário, favorece ao sistema operacional e as finanças do hospital. Além, também afasta a acusação de fraude o fato de todos os aspectos levantados pelo fisco estarem contabilizados, apoiados em contratos, com os documentos arquivados, etc. Por fim, embora não reconhecidos pela fiscalização, a entidade exibe as diversas certificações caracterizadoras de entidades imunes/isentas, tem suas demonstrações financeiras conferidas e aprovadas por empresas de auditoria externa, recebeu declarações do gerenciamento do SUS local de que cumpre suas finalidades de atendimento a necessitados, etc., são fatores que me convencem de que não cabe a qualificação da multa. Votase, pois, pela redução da multa de ofício para 75%. O paradigma indicado para o tema também analisou situação em que foi suspensa a imunidade tributária de uma entidade de cultura e assistência social, com conseqüente lavratura de autos de infração para exigir IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, com a penalidade qualificada que foi justificada na fraudulenta escrituração mantida pela associação, que demonstraria remuneração indireta de dirigentes e seus parentes, distribuição de Fl. 6812DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.813 13 patrimônio/renda da entidade, pagamento de despesas pessoais dos sócios, utilização de interpostas pessoas, dentre outras irregularidades. De acordo com o relatório do paradigma, a Turma Julgadora de 1ª Instância manteve a qualificação sob os seguintes termos: A justificativa para a aplicação da multa qualificada está no termo de constatação fiscal (l7s. 6.241/3) e no processo de representação fiscal para fins penais (processo n° 16004.001177/200627), ou seja, utilização de artifício contábil fraudulento (simulação de suprimento de caixa, simulação de escrituração de pagamentos, simulação de empréstimos bancários efetuados por interposta pessoa) com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da distribuição de recursos da entidade, haja vista que esse procedimento é vedado pela legislação regente (CTN, art. 9°, § 1°, e art. 14, 1, 11 e III). Ressaltaram, ainda, os autuantes, que não se trata de um fato isolado que pudesse evidenciar um mero erro ou esquecimento por parte da fiscalizada, mas sim de utilização de fraude contábil ao longo de todos os anoscalendário (de 2001 a 2003), distribuindo recursos aos sócios na ordem de R$ 8.105.308,63, ou seja, 11,42 % da receita bruta contabilizada. No voto proferido no paradigma o relator demonstrou as situações dolosas encontradas na análise do caso: [...] Diversos valores, num total de R$ 1.364.723,34 (fl. 6.162), foram registrados como saques para suprimento da conta caixa, mas, na verdade, eram relativos a cheques depositados em contas de terceiros. É curioso notar, como destacado pela autoridade fiscal, que, em face dos montantes registrados na conta caixa, como o de R$ 1.233.725,09, no dia 15/03/2001 em que foram sacados R$ 5.500,00, não havia qualquer justificativa para a operação. Ao longo de 3 (três) anos, só essa quantia perfaz o desvio médio de quase R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) mensais; montante nem de longe pouco significativo. Esse foi um dos fatos que a autoridade considerou comprovadores do elemento doloso da conduta dos agentes, em razão das características das operações. Como exemplo, o valor de R$ 2.604,20, relativo ao cheque n° 043328, ao revés de ingressar na Conta Caixa, como registrado, foi depositado em conta poupança de um dos sócios da entidade. Mas há ainda outros fatos, igualmente inexplicáveis. Houve obtenção de recursos financeiros a favor de sócio da entidade (Sr. Clemente) junto a instituição financeiras, mas liquidadas pela própria entidade. Tais operações foram realizadas mediante triangulação de um "laranja" (Sr. Clemente F. S. Neto), num total de R$ 556.706,64 ao longo dos três anos. A autoridade fiscal "rasteou" as operações, conforme planilha às fls. 6.204 e 6.205, bem como tomou depoimento do Sr. Clemente (reprodução à fl. 6.199). Quanto a tais fatos, a defesa traz a absurda alegação de que "Os empréstimos tomados pela pessoa do Sr. Clemente visaram exclusivamente suprir situações emergenciais tendo em vista a situação já de endividamento e dificuldade de obtenção de crédito por parte da recorrente". Haveria ainda muitos outros fatos a serem analisados. Estes, contudo, são mais que suficientes para me levar à plena convicção de que a entidade foi empregada, de forma dolosa e fraudulenta, por seus sócios com a finalidade Fl. 6813DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.814 14 lucrativa e diversa dos seus fins sociais, o que justifica na plenitude a suspensão da imunidade nos termos do Código Tributário Nacional, bem como a aplicação da regra de decadência estampada no art. 173, inciso I, do CTN. E deduziu a seguinte conclusão sobre o tema: Por derradeiro, a multa qualificada no patamar de 150% é devida, uma vez caracterizado o elemento volitivo da conduta, conforme já discorri na parte preliminar. Ademais, seu patamar não foi alterado pela MP 351/2007. Contra essa decisão foram interpostos Embargos de Declaração que foram julgados procedentes para o fim de sanar uma omissão que não se relaciona com a questão ora analisada, razão pela qual não farei maiores comentários a respeito. Como se vê, não há similitude fática entre os fatos que levaram o colegiado que julgou o paradigma a manter a multa qualificada e aqueles que levaram o colegiado do recorrido a exonerála. Com efeito, tratamse, os dois sujeitos passivos autuados, no paradigma e no recorrido, de entidades que se beneficiavam do gozo da imunidade, mas as semelhanças entre os casos acabam por aí. As circunstâncias que levaram à aplicação da penalidade qualificada em ambos são totalmente distintas. A divergência jurisprudencial se caracteriza quando os acórdãos recorrido e paradigma, em face de situações fáticas similares, conferem interpretações divergentes à legislação tributária. Mas não se tratam de situações fáticas similares, o que impede a caracterização de divergência. Por tais razões voto por conhecer do apelo especial no se refere ao tema "possibilidade de apuração pelo lucro real, no caso de não apresentação do Lalur", e por não conhecer do Recurso Especial no que toca ao tema "qualificação da multa de ofício". Mérito FORMA DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO REAL TRIMESTRAL. Como visto do breve relatório, a entidade ora interessada teve suspenso o gozo do benefício da isenção/imunidade, por Ato Declaratório da DRF em Santa Maria/RS. Os fatos motivadores da suspensão da isenção/imunidade não estão mais em discussão, já que a questão transitou em julgado na esfera administrativa de forma desfavorável à pretensão da entidade, uma vez que o colegiado a quo, por maioria, manteve suspenso o benefício da imunidade e a entidade não apresentou Recurso Especial contra essa decisão. A legislação de regência Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º determina que na apuração dos resultados as pessoas jurídicas submetamse à regra geral de tributação que é a do Lucro Real Trimestral. Mas, como opção, a pessoa jurídica pode apurar seus resultados com base no Lucro Real Anual, Lucro Presumido ou Lucro Arbitrado, desde que atendidas as condições impostas pela legislação para cada uma dessas modalidades. Fl. 6814DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.815 15 Quando uma entidade perde ou tem suspenso o gozo do benefício da isenção/imunidade, fica ela sujeita a apurar os seus resultados e sobre eles recolher os devidos tributos, como as demais pessoas jurídicas em geral. Isto significa dizer que a entidade pode optar por fazer a apuração de seus resultados com base nas regras do Lucro Real (trimestral ou anual), do Lucro Presumido ou do Lucro Arbitrado. Com efeito, o art. 1º da Lei nº 9.430, de 1996, determina que a partir do ano calendário 1997 o imposto será apurado por períodos trimestrais e será calculado com base no Lucro Real, Lucro Presumido ou Lucro Arbitrado: Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. Por outro lado, a partir de 1º de janeiro de 2003, até 2012, as pessoas jurídicas que auferissem receita total, no anoanterior, em valor superior a R$ 48.000.000,00, ficariam obrigadas a apurar os resultados com base no Lucro Real. É o que dispõe o art. 14, da Lei nº 9.718, de 1998: Art. 14. Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: I cuja receita total, no anocalendário anterior seja superior ao limite de R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 (doze) meses; (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Como opção à apuração trimestral, a Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, no art. 2º, que a pessoa jurídica poderá calcular e recolher o imposto apurado com base no Lucro Real de forma anual, desde que promova o recolhimento de estimativas mensais: Art. 2 A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Já o art. 3º da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que a opção pela apuração do imposto de forma anual, com recolhimento estimados feitos mensalmente, deve ser manifestada com o pagamento correspondente ao mês de janeiro ou início de atividade. Da mesma forma, a opção pelo Lucro Presumido deve ser feita com o pagamento inicial, feito no mês de janeiro, ou início de atividade: Lei nº 9.430, de 1996 Fl. 6815DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.816 16 Art. 26.A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. § 1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário. O Lucro Arbitrado, também em períodos trimestrais, nos termos do art. 27, da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser apurado quando presentes as condições impostas pelo art. 47, da Lei nº 8.981, de 1995, ou seja, quando imprestável a escrita mantida pela pessoa jurídica para apuração pelo Lucro Real. No presente caso, a entidade, após ter suspenso o gozo do benefício da isenção/imunidade, foi intimada pela auditoria fiscal a indicar por qual forma de apuração desejava optar. A entidade, contudo, recusouse a fazer essa opção, inconformada que estava com a suspensão da isenção/imunidade. Assim, coube à auditoria fiscal adotar, de ofício, a forma de tributação a que se submeteria a entidade. Como a regra geral é a do Lucro Real Trimestral, a auditoria tratou de avaliar se a entidade atendia às condições impostas para essa forma de apuração. E nessa avaliação fez as seguintes constatações e ponderações (Termo de Verificação Fiscal pg 6 e ss): Fl. 6816DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.817 17 Fl. 6817DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.818 18 Essa conduta da auditoria fiscal está correta porque se a entidade possuía escrituração contendo dados confiáveis e suficientes à apuração do Lucro Real, sem máculas ou apontamentos fraudulentos, não havia razão para impor o Lucro Arbitrado, que somente deve ser adotado nas situações previstas no art. 47, da Lei nº 8.981, de 1995, base legal do art. 530, do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; Fl. 6818DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.819 19 III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Da leitura desse artigo percebese que a intenção do legislador é restringir os casos em que a Fiscalização pode arbitrar o lucro do sujeito passivo a situações em que não é possível apurar pelo lucro real. A partir desse entendimento, inclusive, é que a fiscalização procedeu a uma minuciosa e profunda auditoria dos lançamentos contábeis, como demonstra o relatado no Termo de Verificação Fiscal, às páginas 24 a 31, inclusive lançando mão de arquivos magnéticos fornecidos pela entidade. E concluiu: E a partir deste ponto, a auditoria passa a demonstrar todos os ajustes efetuados de ofício no lucro líquido apurado para cada período. De tudo o que constou do Termo de Verificação Fiscal não se encontra nenhuma das situações referidas no art. 47, da Lei nº 8.981/95 (art.530, do RIR/99). Muito pelo contrário. A auditoria encontrou contabilidade confiável, suficiente, organizada, que permitiu a apuração dos resultados na forma a que devem se submeter as pessoas jurídicas em geral. A necessidade de subsumir os fatos às situações elencadas como ensejadoras do arbitramento dos lucros para que seja mantida a validade dessa forma de tributação já foi inúmeras vezes abordada em precedentes desta corte administrativa. Nesse sentido podese citar os seguintes julgados: Fl. 6819DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.820 20 APURAÇÃO PELO LUCRO ARBITRADO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA CONTÁBIL. NÃO COMPROVAÇÃO O arbitramento do lucro é uma medida extrema, só aplicável quando não há possibilidade de apurar o imposto o por outro regime de tributação, não podendo ser aplicado como penalidade. Improcede o arbitramento do lucro, quando as razões elencadas pela fiscalização não são determinantes para fundamentar e comprovar a imprestabilidade da escrituração contábil. Correta a decisão da DRJ. (Ac. 1402002.177. Rel. Cons. Demetrius Nichele Macei.). E do voto condutor colho o seguinte trecho: O instituto do arbitramento, como se sabe, não é penalidade, é forma lícita de tributação e, como tal, quando utilizado pelo fisco requer máxima cautela. É o último recurso, de que se serve, após esgotadas todas as possibilidades de apuração do lucro real. Tem o fisco à faculdade de arbitrar o lucro quando sua escrita fiscal se mostra imprestável, devendo, portanto, comprovar que as falhas apontadas se constituem fatos que camuflam expressivos fatos tributáveis que, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. LUCRO REAL E ARBITRADO NÃO EXERCÍCIO DE OPÇÕES FISCAIS a impossibilidade para o contribuinte exercer opções fiscais, como o diferimento do lucro na contratação com entes governamentais, em razão de não manter registros aptos a tal fim, não torna a sua escrituração imprestável para fins de determinação do lucro real. Correto, pois, o regime de tributação adotado pela autoridade fazendária. Ao desqualificar a incorreta opção pelo lucro presumido para aferir a base de cálculo pelo lucro real, ao revés do lucro arbitrado, o agente fiscal atuou dentro da legalidade. (Ac. 1401001.453. Rel. Cons. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes) E do voto do relator extraio os seguintes trechos: O lançamento foi realizado sob o regime do lucro real em razão da equivocada opção pelo lucro presumido. O recorrente aduz que a autoridade estaria obrigada a promover o lançamento com base no lucro arbitrado, em razão de ter optado equivocadamente pelo lucro presumido e pelo fato de não terem sido deduzidas compensações e exclusões para fins de apuração do lucro real. ... Diante disso, a autoridade fiscal consignou que a escrituração comercial do sujeito passivo é completa e, com base nela, ajustou o lucro comercial com o fim de determinar o lucro real ao proceder a adição de donativos, brindes e multas (fls. 703), realização de reservas de reavaliação (fls. 703/704). Também facultou ao fiscalizado apurar o lucro real por meio da apresentação do LALUR (Livro de Apuração do Lucro Real) e, diante da sua recusa e da razão Fl. 6820DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.821 21 apontada, aduziu que esse ajuste se caracteriza como uma faculdade, cujo exercício não tem o condão de afastar a tributação pelo lucro real. ... A autoridade fiscal, ao intimar o fiscalizado para elaborar o LALUR, franqueou a oportunidade para exercer a opção. Foi o contribuinte, que não teve condições para tal. ... ... Ademais, conforme reiterada jurisprudência administrativa, o agravamento é medida extrema, que só deve ser adotada no caso de absoluta impossibilidade de aferição da base real. Abaixo, transcrevo, apenas a título ilustrativo, decisão nesse sentido: ARBITRAMENTO. MEDIDA EXTREMA. Ficam sujeitos ao arbitramento do lucro, medida extrema e excepcional de auditoria, os contribuintes cuja escrituração contiver deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. (AC 1402001.743, de 30/07/2014) ... LUCRO ARBITRADO. Incabível o lançamento do IRPJ mediante arbitramento do lucro quando a autoridade tributária não demonstrar que os vícios, erros ou deficiências contidos na escrituração contábil do sujeito passivo a torna imprestável para identificar a movimentação financeira da empresa ou para determinar o lucro real. (Ac. 1201001.227. Rel. Cons. Marcelo Cuba Neto). Trechos do voto: Ocorre que a confissão de que os arquivos transmitidos ao SPED não representam corretamente a escrituração da empresa não autoriza concluirse que, necessariamente, essa escrituração seja imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira ou para determinar o lucro real. Em outras palavras, não há uma relação necessária entre os vícios, erros ou deficiências genericamente confessados pela fiscalizada, e a imprestabilidade da escrita. Em assim sendo, caberia ao auditor comprovar esta relação, demonstrando assim a imprestabilidade da escrituração do sujeito passivo. A autoridade, entretanto, não o fez.[...]. E, por último: ARBITRAMENTO DOS LUCROS. PROCEDIMENTO PRÉVIO PARA DEFINIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DESNECESSIDADE. A legislação ordinária reguladora do arbitramento dos lucros suprimiu a discricionariedade conferida à autoridade lançadora pela legislação complementar, fixando as hipóteses de arbitramento, os referenciais e os coeficientes para determinação do lucro tributável, e assim suprimindo, no âmbito administrativo, a Fl. 6821DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.822 22 possibilidade de avaliação contraditória. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. LIVROS CONTÁVEIS ESCRITURADOS POR ESTABELECIMENTO. Demonstrada a imprestabilidade da escrituração para apuração do lucro real, correto o arbitramento dos lucros. RECEITAS PRESUMIDAMENTE OMITIDAS. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS. A lei determina a adoção do maior coeficiente aplicável às atividades exercidas pela pessoa jurídica para determinação do lucro arbitrado em razão de receitas presumidamente omitidas. ( Ac. 1302001.758. Rela. Cons. Edeli Pereira Bessa). Neste caso a Cons. Edeli Pereira Bessa ressaltou, com muita propriedade: Ocorre que no âmbito do arbitramento de lucros, base imponível do IRPJ e da CSLL, a discricionariedade atribuída à autoridade administrativa pelo mencionado dispositivo legal foi substituída por critérios objetivamente postos, atualmente, na Lei nº 8.981/95: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VI (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998) VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2º do art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) ... Fl. 6822DF CARF MF Processo nº 11060.722784/201284 Acórdão n.º 9101002.894 CSRFT1 Fl. 6.823 23 Nestes termos, no âmbito da apuração do lucro tributável, a autoridade fiscal somente pode afirmar que são omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, se demonstrar presente uma das circunstâncias previstas nos incisos do art. 47 da Lei nº 8.981/95, das quais destacamse aquelas aplicáveis aos optantes pelo lucro real no período aqui fiscalizado: 1) escrituração que não observa as leis comerciais ou fiscais, ou falta de elaboração de demonstrações financeiras (inciso I); 2) escrituração comercial imprestável para identificação da movimentação financeira ou determinação do lucro real (inciso II); 3) falta de apresentação dos livros e documentos à Fiscalização (inciso III); e 4) falta de escrituração do Livro Razão (inciso VII). A defesa lançou mão do argumento de que seria dever de ofício da fiscalização proceder ao arbitramento do lucro, diante da falta da escrituração do LALUR, livro imprescindível à apuração do Lucro Real. É certo que se a auditoria fiscal tivesse lançado mão do arbitramento, a defesa tomaria a via de afirmar o contrário, que em face de a entidade possuir escrituração suficiente à apuração do Lucro Real, e o arbitramento seria medida ilegal. Sobre a escrituração do LALUR inúmeros julgados já mencionados exaustivamente nestes autos dão certo que a sua simples falta de escrituração não determina, de per si, o arbitramento dos lucros da pessoa jurídica. Aliás, a Fiscalização se pautou na jurisprudência deste Conselho, citada em abundância no Termo de Verificação Fiscal, para adotar a forma de tributação pelo lucro real trimestral. Não vejo, assim, nenhuma irregularidade na forma de tributação adotada pela auditoria fiscal, pelo que voto por restabelecer as exigências de IRPJ, CSLL, e PIS e COFINS nãocumulativos. Por todos estes fundamentos, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE o Recurso Especial da FAZENDA NACIONAL, e no mérito, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO para reformar a decisão do colegiado a quo no sentido de restabelecer as exigências de IRPJ, CSLL e PIS e COFINS, tanto na sistemática cumulativa, como nãocumulativa, acrescidas da multa de ofício regular de 75% e dos juros de mora. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 6823DF CARF MF
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