Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,733)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13830.901095/2013-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2008 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13830.901095/2013-82
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5748183
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1302-002.249
nome_arquivo_s : Decisao_13830901095201382.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 13830901095201382_5748183.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6875122
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049214354718720
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-07-26T17:14:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-07-26T17:14:15Z; Last-Modified: 2017-07-26T17:14:15Z; dcterms:modified: 2017-07-26T17:14:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:1b7f2c5b-a83a-4a01-8e1d-a344e213bbb5; Last-Save-Date: 2017-07-26T17:14:15Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-07-26T17:14:15Z; meta:save-date: 2017-07-26T17:14:15Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-07-26T17:14:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-07-26T17:14:15Z; created: 2017-07-26T17:14:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2017-07-26T17:14:15Z; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-07-26T17:14:15Z | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.901095/201382 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.249 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MATHEUS RODRIGUES MARILIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 95 /2 01 3- 82 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901095/201382 Acórdão n.º 1302002.249 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901095/201382 Acórdão n.º 1302002.249 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901095/201382 Acórdão n.º 1302002.249 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721236/2014-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
DESPESAS COM PLR E COMISSÕES. APROPRIAÇÃO. MOMENTO FATO GERADOR
A apropriação de despesas com PLR e Comissões deve ser feita no momento em que o contribuinte se viu obrigado a seus pagamentos. Por isso, o reconhecimento da despesa deve ser realizada nesse período e não postergada para exercícios futuros.
Numero da decisão: 1301-002.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 DESPESAS COM PLR E COMISSÕES. APROPRIAÇÃO. MOMENTO FATO GERADOR A apropriação de despesas com PLR e Comissões deve ser feita no momento em que o contribuinte se viu obrigado a seus pagamentos. Por isso, o reconhecimento da despesa deve ser realizada nesse período e não postergada para exercícios futuros.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.721236/2014-44
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5735001
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.484
nome_arquivo_s : Decisao_16327721236201444.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 16327721236201444_5735001.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
dt_sessao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6812002
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049214356815872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1363; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 856 1 855 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721236/201444 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.484 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria DCOMP SALDO NEGATIVO Recorrente BV FINANCEIRA SA CREDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 DESPESAS COM PLR E COMISSÕES. APROPRIAÇÃO. MOMENTO FATO GERADOR A apropriação de despesas com PLR e Comissões deve ser feita no momento em que o contribuinte se viu obrigado a seus pagamentos. Por isso, o reconhecimento da despesa deve ser realizada nesse período e não postergada para exercícios futuros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 36 /2 01 4- 44 Fl. 856DF CARF MF Processo nº 16327.721236/201444 Acórdão n.º 1301002.484 S1C3T1 Fl. 857 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1280.170, proferido pela 5ª Turma da DRJ/RJO, em 29 de março de 2016, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto do relator, para não reconhecer o direito creditório, e não homologar as compensações em litígio. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório confeccionado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: Trata o processo das seguintes Declarações de Compensações, nas quais a interessada pretende utilizar crédito de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2010, no valor de R$ 34.344.405,71: As DCOMP foram analisadas, e a Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo emitiu Despacho Decisório DIORT/DEINF/SP, fls. 212/222, reconhecendo parcialmente o direito creditório no valor de R$ 333.826,54, e homologar as compensações declaradas até o limite do crédito, e não homologar as compensações que ultrapassarem o limite do crédito reconhecido. A decisão decorre das seguintes constatações: Fl. 857DF CARF MF Processo nº 16327.721236/201444 Acórdão n.º 1301002.484 S1C3T1 Fl. 858 3 1) A análise utilizou como fundamento para decisão os documentos juntados ao processo administrativo nº 16327.720540/201393, pois descrevem fatos que impactaram a base de cálculo da CSLL apurada no anocalendário de 2010. 2) O crédito de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 34.344.405,71, objeto do presente processo, decorre do confronto (sic.) das antecipações realizadas ao longo do ano, demonstradas na Ficha 17 da DIPJ/2011, no montante de R$ 132.771.523,78, e a CSLL devida no valor de R$ 98.427.118,07. 3) As antecipações foram confirmadas nos seguintes valores: (i) pagamentos no valor total de R$ 132.439.900,06 e (ii) IRRF no valor de R$ 331.623,72. 4) Constatouse que a interessada retificou a DIPJ/2011 em 21/06/2013, aumentando o valor das “Outras Exclusões”, na linha 60 da Ficha 17, o que acarretou na diminuição da base de cálculo da contribuição social devida. Com este procedimento, o valor da CSLL a pagar no final do período reduziu de R$ 132.771.523,78 para R$ 98.427.118,07, dando origem ao saldo negativo de CSLL no valor de R$ 34.344.405,71. 5) Intimada a esclarecer o motivo da retificação da DIPJ/2011, a interessada esclareceu que as bases de cálculo do IRPJ e CSLL foram reduzidas por ajustes determinados pelo Banco Central do Brasil BACEN, que propôs a alteração nos registros das despesas diferidas de PLR e Comissão antecipada de acordo comercial. 6) Da análise da natureza dos valores excluídos, a autoridade a quo concluiu que as despesas diferidas de PLR e a Comissão antecipada de acordo comercial devem ser apropriadas levando em consideração a vigência do contrato e não devem ser deduzidas antes que se confirmem o adimplemento dos contratos e/ou o cumprimento de metas estabelecidas e vinculada a estes custos. 7) Logo, as despesas diferidas de PLR e Comissão antecipada de acordo comercial devem manterse diferidas para fins tributários, sendo apuradas pelo regime de competência. Portanto, os ajustes determinados pelo BACEN não devem produzir efeitos tributários, não afetando o cálculo e a apuração dos tributos federais. 8) Cita o artigo 177, §2º da Lei nº 6.404/76, que dispõe que a legislação tributária deve ser respeitada naquilo que são divergentes. 9) A pretensão da interessada em deduzir o lucro líquido com despesas condicionadas a receitas ou eventos futuros atribui a essas deduções característica de provisões. No entanto, somente provisões expressamente autorizadas pela legislação tributária podem ser dedutíveis na determinação dos tributos. 10) Concluise que a exclusão efetuada pela interessada, no valor de R$ 226.737.194,48, tomando por base o detalhamento apresentado ao BACEN em 21/10/2013, está em desacordo com a legislação do imposto de renda, visto que não se trata de despesa operacional paga ou incorrida e tampouco pode ser considerada provisão dedutível na determinação do lucro real. 11) A tabela a seguir demonstra a recomposição do saldo negativo de CSLL para o anocalendário de 2010, no valor de R$ 333.826,54: Fl. 858DF CARF MF Processo nº 16327.721236/201444 Acórdão n.º 1301002.484 S1C3T1 Fl. 859 4 A interessada teve ciência da decisão em 15/12/2014, e apresentou manifestação de inconformidade em 13/01/2015, fls. 283/314, com as seguintes alegações: a tempestividade da manifestação de inconformidade. o crédito compensado decorre de erro no reconhecimento e na (falta de) dedução de despesas no curso de 2010, relativas a obrigações de pagamentos de verbas a título de (i) Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) a empregados e (ii) comissões de acordo comerciais a correspondentes bancários. por força dos acordos firmados, encontravase obrigada a pagar PLR e Comissões em função do alcance de metas de vendas/negociações de operações de crédito. por equívoco, considerou que estas despesas seriam incorridas em função do reconhecimento das receitas com origem nas operações de crédito correlatas que compuseram as metas de vendas alcançadas, efetuando o diferimento do reconhecimento fiscal e contábil. assim, de início, as despesas de PLR e Comissões com obrigação de pagamento no anocalendário de 2010 não foram reconhecidas e deduzidas integralmente naquele período, mas no curso dos anos subseqüentes, em paralelo ao prazo das operações de crédito e financiamento correspondentes. em consulta ao BACEN, o órgão asseverou que a obrigação de pagamento de tais verbas não estava condicionada à ocorrência de qualquer evento futuro, e que estas despesas já eram definitivamente incorridas no próprio anocalendário de 2010. quanto à aplicação do Princípio da Competência, na qual supostamente a autuada estaria emparelhando as despesas com as receitas, o BACEN esclareceu que o diferimento estaria equivocado, dada à ausência de individualização entre as despesas (diferidas) e as operações de créditos correlatas. ato contínuo, e estando convencida da inaplicabilidade do diferimento das despesas, promoveu os ajustes contábeis em sua apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, deduzindo tais despesas nos respectivos períodos da obrigação de seus pagamentos. assim, retificou a apuração do Lucro Real, excluindo despesas com PLR e Comissões , provocando majoração do saldo negativo de CSLL – o Crédito Compensado. Fl. 859DF CARF MF Processo nº 16327.721236/201444 Acórdão n.º 1301002.484 S1C3T1 Fl. 860 5 no entanto, a autoridade fiscal se apóia na equivocada idéia de que as despesas com PLR e Comissões estariam condicionadas ao efetivo adimplemento das operações de crédito, e o seu reconhecimento fiscal seria diferido. ocorre que o entendimento fiscal deve ser reformulado, dado que as despesas com PLR e Comissões não são condicionadas, afigurandose incorridas no átimo da obrigação do seu pagamento, este definitivo e irreversível, pelo que sua dedução estaria correta no ano de 2010. é premissa já consolidada que as despesas com PLR e Comissões são operacionais, e dedutíveis no IRPJ e CSLL, e sendo que efetivamente as pagou, de acordo com as obrigações previstas no Acordo Coletivo Trabalhista – ACT, e acordos firmados com os bancários. as obrigações afiguramse efetivas e definitivas, motivadas pelo alcance de metas, e de forma independente do adimplemento das operações de crédito, sendo calculadas com base em fórmulas que contêm diversos componentes, que correspondem à performance do empregado durante o período aquisitivo. concluído o período aquisitivo, os componentes variáveis que compõem a fórmula são definitivamente calculados e aferese o montante da PLR devida a cada empregado, devendo ser pago em até 60 (sessenta) dias contados do semestre civil correspondente, conforme Cláusula Quarta – Do Pagamento da Participação, do ACT. a citada cláusula prevê o pagamento da PLR em caráter definitivo e independente do resultado dos períodos anteriores, surgindo o dever incondicional de pagar a PLR. o mesmo ocorre com as Comissões, que são definidas a partir da quantidade de operações geradas pelos correspondentes bancários; uma vez atingida a meta, surge a obrigação definitiva de pagar as Comissões, que não são suscetíveis ao adimplemento das respectivas obrigações de crédito, ou qualquer outro critério. assim, enquanto despesas operacionais que são, os pagamentos da PLR e Comissões não estão condicionados a eventos futuros e incertos, mas são efetivamente incorridos no exercício a que referem, ou seja, no anocalendário de 2010, devendo ser apropriadas de imediato, observando o Princípio da Competência. as retificações contábeis foram feitas não por determinação do BACEN, mas por força da própria legislação, que obriga a adoção do Regime de Competência para determinação do lucro real. não são provisões, pois as despesas não estão condicionadas a evento futuro, mas sim despesas operacionais, nos termos dos artigos 250, inciso I, artigo 299 e artigo 359 do RIR/99. efetuou uma série de ajustes contábeis em sua escrituração comercial para anular o diferimento equivocado das despesas com PLR e Comissões, não violando o Parecer Normativo CST nº 96/78, citado pela Autoridade Fiscal. os ajustes contábeis determinados pelo BACEN não prestaram a garantir a segurança necessária para atividade financeira, mas sim corrigir procedimento equivocado de contabilidade. as normatizações e as orientações provenientes do BACEN gozam de força cogente e erga omnes, por força do artigo 25 do ADCT. Fl. 860DF CARF MF Processo nº 16327.721236/201444 Acórdão n.º 1301002.484 S1C3T1 Fl. 861 6 deve prevalecer a essência (apropriação correta das despesas com PLR e Comissões no átimo do nascimento da obrigação do pagamento e de forma desvinculada à receita) sobre a forma (tratamento contábil equivocado de diferimento das despesas, refutado pelo BACEN, mas requerido pela Autoridade Fiscal). ainda que fossem provisões, os pagamentos seriam dedutíveis nos termos do artigo 3º, § 3º da Lei nº 10.101/2000. contesta a aplicação dos juros de mora sobre a multa. Foi lavrado auto de infração para cobrança da multa isolada, tendo como base legal o artigo 74, § 17º da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo artigo 62 da Lei nº 12.249/2010, e modificado pela Medida Provisória nº 656, de 07/10/2014, formalizado no processo administrativo nº 16327.721284/201432, em apenso ao presente. É o relatório. Naquela oportunidade, a r.Turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 DESPESA DIFERIDA. DEFINIÇÃO. Despesas diferidas são aquelas que, embora registradas no período de apuração, devam ser transferidas (diferidas) para apropriação ou amortização em períodos de apuração futuros por não competirem ao período em que foram registradas (regime de competência), ou que devam influenciar resultados de períodos subseqüentes. PAGAMENTO DE PLR E COMISSÕES. VÍNCULO COM RECEITAS NOS EXERCÍCIOS SEGUINTES. TRATAMENTO CONTÁBIL. DIFERIMENTO. Com base no pressuposto básico do Regime de Competência, quando as despesas com PLR e Comissões incorridas estiveram relacionadas com os ativos correspondentes que geram receitas em períodos subseqüentes, esses custos devem ser ativados e posteriormente apropriados ao resultado, na mesma proporção e prazo que a receita é apropriada. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A falta de comprovação do crédito líquido e certo, requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido de restituição, e não homologação das compensações. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 861DF CARF MF Processo nº 16327.721236/201444 Acórdão n.º 1301002.484 S1C3T1 Fl. 862 7 Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminarmente, impõese analisar petição protocolizada pela recorrente (fls. 852855), em data de 16 de fevereiro de 2017, assim, posterior à data de protocolo do recurso voluntário e anterior à data deste julgamento, noticiando a existência de processo conexo e reflexo ao presente, em tramitação neste CARF, e requerendo a redistribuição destes autos para a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 1ª Seção. Tratase do PA nº 16327.721227/201453 (IRPJ), e que, realmente, foi distribuído para aquela Turma em data anterior à data em que distribuído este processo para minha relatoria, cujos fatos são os mesmos dos presentes autos, qual seja, reapuração fiscal realizada pela interessada em 2012, mediante apropriação de despesas na apuração da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2010, relativas ao pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados ("PLR") a empregados e de comissões de acordo comercial a correspondentes bancários. Ocorre que justificase reunião de processos para possibilitar o julgamento conjunto de processos que se amparam em fatos e provas idênticos. Todavia não há como reunir este processo para julgamento conjunto com aquele processo, pois encontramse em fases processuais distintas, sendo aquele julgado na sessão de 09 de agosto de 2016, data esta, inclusive, anterior à petição protocolizada pela interessada e que requereu a predita redistribuição. Assim, negase tal pedido. Da Análise do Recurso Voluntário Consoante relatado, por meio de 8 (oito) Per/Dcomps, o contribuinte informou a existência de crédito correspondente a saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2010, no valor de R$ 34.344.405,71, cujas declarações estão assim discriminadas: Fl. 862DF CARF MF Processo nº 16327.721236/201444 Acórdão n.º 1301002.484 S1C3T1 Fl. 863 8 As referidas Dcomp foram analisadas, sendo emitido despacho decisório DIORT/DEINF/SP, no sentido de reconhecer parcialmente o direito creditório no valor de R$ 333.826,54, e homologar as compensações declaradas até o limite do crédito. Irresignada, a recorrente apresenta manifestação de inconformidade, sendo seus argumentos analisados pela DRJ/RJO, que entendeu indeferilos, mantendo os termos do despacho decisório. Assim, a lide diz respeito a glosa parcial do crédito pleiteado, no valor de R$ 34.010.579,17 (34.344.405,71 333.826,54), sob o fundamento de ausência de rigidez de todo o crédito compensado, adotandose o entendimento de que as despesas com PLR e Comissões referentes ao anocalendário de 2010 estariam condicionadas ao efetivo adimplemento das operações de crédito, pelo que, o seu reconhecimento fiscal deveria ser diferido. Registrese que não está sob discussão se as despesas com PLR e Comissões são dedutíveis para fins do IRPJ e da CSLL (i.e., usuais e necessárias) e nem há insurgência por parte de autoridade fiscal quanto ao valor apresentado (R$ 34.344.405,71). Repitase: a discussão está centralizada no fato de tais despesas serem condicionadas ou não a evento futuro e incerto, e o momento de sua dedutibilidade. Fl. 863DF CARF MF Processo nº 16327.721236/201444 Acórdão n.º 1301002.484 S1C3T1 Fl. 864 9 Em suas razões recursais, a recorrente alega preliminarmente nulidade, sustentando que a decisão recorrida trouxe novos argumentos à decisão inicial que não reconheceu integralmente seu pleito compensatório, pois, ao assim proceder, teria a autoridade julgadora modificado os critérios jurídicos que nortearam o despacho decisório, em clara preterição ao direito de defesa. Com relação ao mérito, o contribuinte defende a higidez do crédito compensado, sob a premissa de que as despesas com PLR e Comissões não se afiguram diferidas, tampouco são provisões, dado que o seu pagamento não está condicionado à ocorrência de evento futuro, e por ser originadas com foco no passado, em período de tempo prédefinido em instrumento próprio, sendo definitivas no átimo do nascimento da obrigação do seu pagamento. Com referência à aferição do valor da PLR, assim se expressa: 100. Conforme se verifica, a aferição do valor da PLR, no que tange aos Negócios Externos, considera a (in)adimplência dos contratos em andamento, ou seja, contratados antes do pagamento da PLR, no momento do cálculo da verba PLR devida aos empregados, tomando por base o percentual dos contratos com mais de 30 dias de atraso, em relação à carteira total. Tal atraso, obviamente, referese aos contratos inadimplidos no momento do cálculo (e não no futuro, por óbvio), originando um índice que será considerado, dentre outros, no cálculo do valor definitivo a ser pago a título de PLR. 101. Ora, o fato do cálculo da PLR levar em consideração o índice de adimplemento de contratos em andamento, dentre outros parâmetros, de maneia alguma vincula o pagamento desta verba ao recebimento de receitas futuras, ensejando o diferimento das respectivas despesas, como quer fazer crer a D. Autoridade Julgadora. 102. Ao contrário, com o término do período aquisitivo, para cada empregado, são definitivamente aferidos os valores de cada elemento variável que compõe o cálculo da PLR e, com base nesses valores, determinase a PLR definitivamente devida, a qual, uma vez calculada, não está sujeita a qualquer alteração em decorrência de (in)adimplemento futuro de operações de crédito. 103. Com efeito, para que a argumentação desenvolvida pela D. Autoridade Preparadora pudesse prosperar, deveria existir alguma disposição que alterasse o valor da PLR após a sua aferição, majorandoa ou reduzindoa, em decorrência de variações no índice de adimplemento das operações de crédito, ou, ainda, que condicionasse o pagamento a tal adimplemento. 104. Entretanto, não é o que ocorre. Conforme reiteradamente demonstrado e comprovado, uma vez calculada com base nos parâmetros descritos no ACT, o valor da PLR tornase definitivo e imutável, notadamente por eventos futuros e incertos. 105. Portanto, temse que as despesas com PLR, seja relativa aos Negócios Internos ou aos Negócios Externos, não são condicionadas a eventos futuros e incertos, afigurandose incorridas no átimo da obrigação de seu pagamento. Uma vez calculado o montante da PLR devida a cada empregado, as obrigações afiguram se efetivas e definitivas, e independem do adimplemento futuro das operações de crédito. (G.N) Delimitada a lide, passo a analisar os argumentos da recorrente. Fl. 864DF CARF MF Processo nº 16327.721236/201444 Acórdão n.º 1301002.484 S1C3T1 Fl. 865 10 Primeiramente com relação à sua argüição de nulidade, não penso que a autoridade julgadora teria modificado os critérios jurídicos que nortearam o despacho decisório: acrescentar um novo ou um outro fundamento não é juridicamente inválido, desde que não se afaste a situação fática apresentada inicialmente. Assim, não há uma inovação fática para o indeferimento, e, sim, apenas a aplicação do direito. Logo, não é passível de nulidade a decisão recorrida. Superada esta questão preliminar, passase ao mérito. Para solucionar a lide, vejo na Clausula Quarta do ACT disposição que corrobora com o entendimento de que o cálculo do valor devido a título de PLR não está sujeito a qualquer condição/evento futuro. Confirase seus termos: Ou seja, de acordo com a citada cláusula, o valor devido a título de PLR para cada empregado deve ser realizado em até 60 (sessenta) dias contados do término do semestre civil correspondente, sendo que o pagamento do PLR será em caráter definitivo e independentemente do resultado de períodos anteriores. Assim, entendo que embora o cálculo da PLR devida a cada empregado possua componentes parametrizados em operações de crédito ao término do período aquisitivo, os valores devidos a título de PLR são definitivamente aferidos, surgindo para a recorrente o dever incondicional de pagar a PLR calculada nos moldes acordados. Fl. 865DF CARF MF Processo nº 16327.721236/201444 Acórdão n.º 1301002.484 S1C3T1 Fl. 866 11 Além do mais, nos termos que estabelece nossa Constituição Federal, e seu art. 7º, XI, e Lei 10.101/00, a PLR é devida em função de metas/critérios e no resultado/lucro aferidos na competência do seu pagamento e não em previsões de futuro. O mesmo ocorre em relação às Comissões. Nos acordos firmados com correspondentes bancários, as Comissões são definidas a partir da quantidade de operações geradas pelos correspondentes bancários. Uma vez cumprido este requisito, surge para a recorrente a obrigação definitiva de pagar as Comissões aos correspondentes bancários, as quais, tal como ocorre em relação à PLR, não são suscetíveis de devolução, seja integral ou parcial, em função do adimplemento das respectivas operações de crédito, ou qualquer outro critério. Com efeito, enquanto despesas operacionais que são, os pagamentos de PLR e Comissões não estão condicionados a eventos futuros e incertos, mas são efetivamente incorridos no exercício a que se refere, ou seja,, anocalendário de 2010. Isso porque tais despesas afiguramse incorridas quando do nascimento da obrigação de seu pagamento, no curso de 2010, dadas as suas características de efetividade e definitividade, em detrimento de qualquer condição fundada em evento futuro e incerto. Desta forma, não sendo condicionadas a eventos futuros as despesas com PLR e Comissões, sua apropriação deve ser feita no momento que ocorrer seus fatos geradores, isto é, no momento em que se viu obrigada a seus pagamentos i.e., em 2010, de acordo com o regime de competência, assim definido pela Deliberação da CVM nº 29: "Toda despesa diretamente delineável com as receitas reconhecidas, em determinado período, com as mesmas deverá ser confrontada; os consumos ou sacrifícios de ativos (atuais e futuros), realizados em determinado período e que não puderam ser associados à receita do período nem às dos períodos futuros, deverão ser descarregados como despesa do período em que ocorrerem." 1 Assim, considerando o caso concreto, a obrigação de pagar PLR e Comissões nasceu no momento em que se reúnem as condições legais e necessárias para que o pagamento possa ser realizado, sintetizada no alcance da meta de vendas/negociações estipulada, pelos beneficiários, ocorrida no anocalendário de 2010. Tais despesas, como se vê, não foram condicionadas a qualquer evento futuro e incerto, mas foram incorridas por ocasião do cumprimento de metas, quando nasceu ai a obrigação de pagamento da PLR e das Comissões. Assim, o tratamento contábil adotado pela recorrente se encontra em consonância não somente com as regras contábeis aplicáveis, mas também com a norma jurídica prevista no artigo 3º, §1º, da Lei nº 10.101/00: Art. 3ª A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados 1 In "Manual de contabilidade das Sociedades por Ações Aplicável também às demais sociedades", Sérgio de Ludícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke, 4ª Edição, Ed. Atlas, São Paulo, 1995, p.84. Fl. 866DF CARF MF Processo nº 16327.721236/201444 Acórdão n.º 1301002.484 S1C3T1 Fl. 867 12 nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dento do próprio exercício de sua constituição. (...) (G.N) Tal dispositivo legal autoriza a apropriação da despesa de PLR na qualidade de operacional e dentro do próprio exercício de sua constituição, o que, no presente caso, corresponde ao anocalendário de 2010. Com referência às ponderações trazidas pela D. Autoridade Julgadora da DRJ acerca da comparabilidade do caso com a hipótese de despesas "préoperacionais", com a devida vênia, não concordo com seus fundamentos, por entender que pagamento de PLR não se assemelha a uma despesa incorrida em fase préoperacional. Isso porque as citadas despesas (PLR e Comissões) são incorridas no curso das atividades operacionais da recorrente, e visam retribuir a boa performance operativa dos empregados, além do que, como restou evidenciado, não se trata de uma despesa diferida, na essência contábil, não devendo, por assim, ser tratada como tal. Por fim, apenas a título de registro e como forma de ilustrar as razões de direitos aqui declinadas, registro trecho do voto proferido pelo I. Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, no julgamento do processo nº 16327.721227/201453 (IRPJ), cujos fatos são os mesmos dos presentes autos, qual seja, reapuração fiscal realizada pela interessada em 2012, mediante apropriação de despesas na apuração da base de cálculo da CSLL do ano calendário de 2010, relativas ao pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados ("PLR") a empregados e de Comissões de acordo comercial a correspondentes bancários. Em razão da sua própria natureza, a PLR (participação nos lucros e resultados) possui o caráter nitidamente retrospectivo, ou seja, o trabalhador recebe por aquilo que produziu num determinado período. Esse reconhecimento é posterior ao resultado alcançado. Por isso, a aferição dos critérios qualitativos são semestrais e não numa periodicidade "aberta", que dependeria da duração de cada contrato individual e poderia durar muitos anos após o próprio período de reconhecimento da PRL. O mesmo pode ser dito das comissões, que possuem, na verdade, a natureza de bônus por resultados já obtidos, segundo a própria análise empreendida pelo Bacen abaixo reproduzida: (...) também não é admissível o diferimento da PRL (sic.) e das remunerações com características de bônus pagos aos correspondentes. Como o correspondente ou o funcionário da IF só poderá fazer jus ou não a tais valores dependendo de se atingir condicionantes acordadas e em momento diverso daquele em que a operação de crédito é originada, não é possível incluir esse componente no cálculo da taxa efetiva de juros dessa operação. Conclusão Por estas razões, rejeito a preliminar suscitada de nulidade da decisão recorrida, para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito pleiteado, homologando as compensações realizadas até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 867DF CARF MF Processo nº 16327.721236/201444 Acórdão n.º 1301002.484 S1C3T1 Fl. 868 13 Fl. 868DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.900744/2009-17
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Por aplicação direta da referida súmula, a negativa ao pleito da contribuinte deixa de ter fundamento. Afastado o fundamento que justificou a negativa da compensação, devem os autos retornar à DRF de origem para novo exame do PER/DCOMP em questão.
Numero da decisão: 9101-002.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para afastar o fundamento que justificou a negativa da compensação, com retorno dos autos à Unidade de Origem para novo exame do PER/DCOMP em questão.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por aplicação direta da referida súmula, a negativa ao pleito da contribuinte deixa de ter fundamento. Afastado o fundamento que justificou a negativa da compensação, devem os autos retornar à DRF de origem para novo exame do PER/DCOMP em questão.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13116.900744/2009-17
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5740524
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.930
nome_arquivo_s : Decisao_13116900744200917.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 13116900744200917_5740524.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para afastar o fundamento que justificou a negativa da compensação, com retorno dos autos à Unidade de Origem para novo exame do PER/DCOMP em questão. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
id : 6848930
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049214361010176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1866; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13116.900744/200917 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.930 – 1ª Turma Sessão de 8 de junho de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente AUROBINDO PHARMA INDUSTRIA FARMACEUTICA LIMITADA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por aplicação direta da referida súmula, a negativa ao pleito da contribuinte deixa de ter fundamento. Afastado o fundamento que justificou a negativa da compensação, devem os autos retornar à DRF de origem para novo exame do PER/DCOMP em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para afastar o fundamento que justificou a negativa da compensação, com retorno dos autos à Unidade de Origem para novo exame do PER/DCOMP em questão. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 07 44 /2 00 9- 17 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13116.900744/200917 Acórdão n.º 9101002.930 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à possibilidade de restituição ou compensação das estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior. A conclusão dos acórdãos paradigmas é a de que os valores pagos indevidamente ou a maior a título de estimativas mensais de IRPJ/CSLL podem ser compensados com outros débitos mediante a apresentação de Dcomp. O acórdão recorrido, por seu turno, em sentido oposto, entende que os pagamentos indevidos ou a maior de estimativas mensais somente podem ser compensados após o encerramento do exercício, se apurado saldo negativo de IRPJ/CSLL. A PGFN apresentou tempestivamente contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.923, de 08/06/2017, proferido no julgamento do processo 13116.900737/200915, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.923): Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. A questão sobre a possibilidade, ou não, de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi definitivamente solucionada pelo CARF, inclusive com edição de súmula: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. No caso sob análise, a negativa em relação à compensação foi fundamentada no entendimento, já superado, de que os recolhimentos por estimativa não são, em razão de sua própria natureza, passíveis de restituição/compensação. Por aplicação direta da súmula acima transcrita, a negativa ao pleito da contribuinte deixa de ter fundamento. Por via de Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13116.900744/200917 Acórdão n.º 9101002.930 CSRFT1 Fl. 4 3 consequência, os autos devem retornar à unidade de origem para novo exame da compensação em pauta. Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso especial da contribuinte, para afastar o fundamento que justificou a negativa da compensação, devendo os autos retornar à DRF de origem para novo exame do PER/DCOMP em questão. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial e, no mérito, doulhe provimento parcial, para afastar o fundamento que justificou a negativa da compensação, com retorno dos autos à Unidade de Origem para novo exame do PER/DCOMP em questão. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.901897/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
No processo administrativo de restituição e compensação de créditos tributários, incumbe ao contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito (a certeza e liquidez do direito creditório) e, ao Fisco, para indeferir o pleito, provar fatos que evidenciem a inexistência do direito afirmado pelo contribuinte ou que constituam impedimento, modificação ou extinção desse direito.
PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. VERDADE MATERIAL.
A Administração Pública tem o poder-dever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. Esse poder-dever é ainda mais presente na seara tributária, em que é usual a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indícios de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta.
DIREITO CREDITORIO. ORIGEM REMOTA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. INDEFERIMENTO.
Provado nos autos, por indícios fartos, graves, precisos e convergentes, que o negócio jurídico que constituiria a causa remota do direito creditório pleiteado pelo contribuinte não teve lugar no mundo atico, cumpre indeferir o direito creditório e não homologar as compensações declaradas.
DIREITO CREDITORIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO QUE TERIA ENSEJADO A RETENÇÃO DE IRRF. PARCELAMENTO, PELA FONTE PAGADORA, DO IRRF QUE COMPÔS O SALDO NEGATIVO. IMPROCEDÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO, POR AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE.
O fato de a fonte pagadora haver formalizado parcelamento do IRRF pretensamente retido em negócio jurídico simulado não confere materialidade ao direito creditório pleiteado sob a forma de saldo negativo de IRPJ pela pretensa beneficiária da retenção.
SUCESSÃO EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTEÚDO MATERIAL NO PATRIMONIO TRANSFERIDO ENTRE AS EMPRESAS. INEFICÁCIA DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS, A DESPEITO DE SUA LEGALIDADE.
É irrelevante, para fins de apuração da eficácia dos atos de sucessão empresarial, que estes tenham sido praticados com observância da legislação pertinente, quando resta demonstrado nos autos que o patrimônio pretensamente transposto entre as empresas é destituído de conteúdo material.
Numero da decisão: 1402-002.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. No processo administrativo de restituição e compensação de créditos tributários, incumbe ao contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito (a certeza e liquidez do direito creditório) e, ao Fisco, para indeferir o pleito, provar fatos que evidenciem a inexistência do direito afirmado pelo contribuinte ou que constituam impedimento, modificação ou extinção desse direito. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. VERDADE MATERIAL. A Administração Pública tem o poder-dever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. Esse poder-dever é ainda mais presente na seara tributária, em que é usual a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indícios de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. DIREITO CREDITORIO. ORIGEM REMOTA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. INDEFERIMENTO. Provado nos autos, por indícios fartos, graves, precisos e convergentes, que o negócio jurídico que constituiria a causa remota do direito creditório pleiteado pelo contribuinte não teve lugar no mundo atico, cumpre indeferir o direito creditório e não homologar as compensações declaradas. DIREITO CREDITORIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO QUE TERIA ENSEJADO A RETENÇÃO DE IRRF. PARCELAMENTO, PELA FONTE PAGADORA, DO IRRF QUE COMPÔS O SALDO NEGATIVO. IMPROCEDÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO, POR AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE. O fato de a fonte pagadora haver formalizado parcelamento do IRRF pretensamente retido em negócio jurídico simulado não confere materialidade ao direito creditório pleiteado sob a forma de saldo negativo de IRPJ pela pretensa beneficiária da retenção. SUCESSÃO EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTEÚDO MATERIAL NO PATRIMONIO TRANSFERIDO ENTRE AS EMPRESAS. INEFICÁCIA DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS, A DESPEITO DE SUA LEGALIDADE. É irrelevante, para fins de apuração da eficácia dos atos de sucessão empresarial, que estes tenham sido praticados com observância da legislação pertinente, quando resta demonstrado nos autos que o patrimônio pretensamente transposto entre as empresas é destituído de conteúdo material.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10380.901897/2006-11
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5728371
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-002.488
nome_arquivo_s : Decisao_10380901897200611.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10380901897200611_5728371.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
id : 6779535
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049214365204480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 41; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2258; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.128 1 1.127 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.901897/200611 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.488 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2017 Matéria IRPJ Recorrente RCA INTERNACIONAL COMMODITIES S/A (SUCEDIDA) E CONSTRUTORA MARQUISE S/A (SUCESSORA INCORPORADORA). Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. No processo administrativo de restituição e compensação de créditos tributários, incumbe ao contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito (a certeza e liquidez do direito creditório) e, ao Fisco, para indeferir o pleito, provar fatos que evidenciem a inexistência do direito afirmado pelo contribuinte ou que constituam impedimento, modificação ou extinção desse direito. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. VERDADE MATERIAL. A Administração Pública tem o poderdever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. Esse poderdever é ainda mais presente na seara tributária, em que é usual a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indícios de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. DIREITO CREDITORIO. ORIGEM REMOTA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. INDEFERIMENTO. Provado nos autos, por indícios fartos, graves, precisos e convergentes, que o negócio jurídico que constituiria a causa remota do direito creditório pleiteado pelo contribuinte não teve lugar no mundo atico, cumpre indeferir o direito creditório e não homologar as compensações declaradas. DIREITO CREDITORIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO QUE TERIA ENSEJADO A RETENÇÃO DE IRRF. PARCELAMENTO, PELA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 18 97 /2 00 6- 11 Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.129 2 FONTE PAGADORA, DO IRRF QUE COMPÔS O SALDO NEGATIVO. IMPROCEDÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO, POR AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE. O fato de a fonte pagadora haver formalizado parcelamento do IRRF pretensamente retido em negócio jurídico simulado não confere materialidade ao direito creditório pleiteado sob a forma de saldo negativo de IRPJ pela pretensa beneficiária da retenção. SUCESSÃO EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTEÚDO MATERIAL NO PATRIMONIO TRANSFERIDO ENTRE AS EMPRESAS. INEFICÁCIA DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS, A DESPEITO DE SUA LEGALIDADE. É irrelevante, para fins de apuração da eficácia dos atos de sucessão empresarial, que estes tenham sido praticados com observância da legislação pertinente, quando resta demonstrado nos autos que o patrimônio pretensamente transposto entre as empresas é destituído de conteúdo material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.130 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário face v. acórdão, que manteve o decidido no Despacho Decisório, que por sua vez, adotou a Informação Fiscal, fundamentada no Relatório de Análise Tributária da SAPAC de 11/05/2010, onde relatou um esquema de fraude, simulação e conluio entre empresas, com origem remota em negócios fictos de compra e venda de imóveis, geradores de créditos inexistentes de tributos federais e subsequente celebração de contratos simulados entre as empresas dos grupos empresariais CEC Internacional S/A e Grupo Marquise, com o fim de auferimento de vantagens fiscais ilícitas em prejuízo da fazenda nacional. Segundo consta do Relatório de Análise Tributária da SAPAC, o Grupo Marquise, por meio de uma série de atos, incorporava empresas do Grupo Empresarial CEC Internacional S/A, com prejuízos fiscais, utilizando tais créditos para compensar tributos devidos. Contudo, "tais créditos" eram ilegítimos, visto que decorrentes de dolo, simulação e conluio entre as empresas do Grupo Marquise e as empresas do Grupo CEC, as primeiras lucrativas e as segundas em estado de insolvência. Destaca a autoridade fiscal que os atos praticados por cada uma das empresas citadas não podem ser vistos de forma isolada e autônoma, como ocorre na maioria dos negócios imobiliários, financeiros e empresariais em geral, mas contêmse (cada um deles) num conjunto global de atos que buscava, em verdade, um objetivo pré ordenadamente planejado entre as partes. Ao Grupo CEC, estão ligadas as empresas: Sul Diesel S/A; Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda e Maximar Fomento Mercantil Ltda EPP; Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda; Xingu Administração e Participação S/A; à RCA International Commodities S/A estão ligadas as empresas BEX Internacional S/A; Canavieira Florestamento e Reflorestamento S/A e Panagra do Brasil S/A; Agropecuária e Reflorestadora Parente S/A e quanto ao Grupo capitaneado pela Construtora Marquise S/A, a Capitalize Fomento, Comercial Ltda, Construtora Marquise S/A e Ecofor Ambiental S/A. Segundo a autoridade fiscal, conforme descreve no Anexo do Relatório de Análise Tributária, temse os quadros (abaixo colacionados) e a auditoria cruzada das operações intragrupos para rastreamento da origem dos créditos, que geram imposto a recuperar em face das transações realizadas entre contribuintes dos dois grupos empresariais. Vejamos o fluxograma e em seguida as notas explicativas com o panorama global do planejamento tributário ocorrido entre os grupos CEC e MARQUISE. Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.131 4 Seguem as explicações do fluxograma com enfoque global do planejamento tributário entre os grupos empresarias. I) PRINCIPAIS CARACTERES DOS ATOS DE GERAÇÃO FICTÍCIA DE TRIBUTOS 1 Instrumentação por Contratos de Promessa de Compra e Venda de Imóveis formalizados apenas "no papel". 2 — Ausência do substrato material especifico de uma efetiva compra e venda imobiliária (animo de pagar o preço objetivando a transcrição no Cartório de Registro de Imóveis). 3 — Inserção de clausula previsora de multa desarrazoada com o objetivo de entabular a incidência de IRFONTE e conseqüente conversão em crédito transferível de IRRF/Saldo Negativo de IRPJ com destinação posterior préconcebida. 4 — Presença de clausula estipulatória, temporalmente delimitada, de ENCARGOS FINANCEIROS especialmente superavaliados até o mês de Julho/2004, com o objetivo de gerar Créditos de PIS/COFINS NãoCumulativos para posterior transferência. 5 — Agregação daqueles encargos financeiros, conforme nova clausula especialmente alocada para tal, de multa imotivada a Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.132 5 ser reconhecida no especifico mês de Julho/2004, com o mesmo objetivo de gerar Créditos de PIS/COFINS NãoCumulativo. 6 — Operações sempre concebidas e entabuladas como sendo a Prazo, onde o adquirente nada paga (por absoluta inexistência de recursos para tal), e o alienante nada cobra (por ter a operação de compra e venda função outra que não a ordinária aquisição de imóvel). 7 — Operações concebidas sempre em meio a pessoas ligadas. 8 — Operações realizadas em circulo, com vendas sucessivas, reclamando a utilização igualmente simulada do artifício das cessões fictícias de crédito, ante o registro meramente contábil da "venda anterior' ainda não recebida. 9 — Utilização de operações com imóveis , superavaliados, dado o alto valor atribuído aos bens, considerado como método IDEAL a garantir ao Grupo Empresarial transmitente a maior cifra possível de Créditos Fiscais Fictícios, proporcionando maiores vantagens ao Grupo Empresarial recepcionador. II) DETALHES OBSERVADOS NOS ATOS INTERMEDIÁRIOS PRATICADOS COMO CONDIÇÃO NECESSÁRIA À IMPLEMENTAÇÃO DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO QUE OBJETIVOU A TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS A PARTIR DOS ATOS DE GERAÇÃO FICTÍCIA DE TRIBUTOS 1 — Manipulação contábil das empresas adquirentes e alienantes dos bens imóveis geradores dos créditos fiscais fictícios. 2 — Receitas e despesas com origens apenas nas operações intragrupo ou intergrupos empresariais, adequando valores e resultados contábeis/fiscais, sendo sempre aquelas inferiores a estas. 3 — Preparação das empresas para as operações de CISÕES SELETIVAS, com criação de PJs para cumprirem vida efêmera e papéis préordenados. 4 — Segregação dos créditos de tributos fictícios vertidos para as Pessoas Jurídicas então surgidas das Cisões Seletivas. 5 — Negociação simulada das ações/quotas das pessoas jurídicas criadas a partir das Cisões Seletivas com os integrantes do Grupo Empresarial interessado na captação dos créditos fictos. 6 — Incorporações intermediárias das pessoas jurídicas surgidas das Cisões Parciais Seletivas por outras pessoas jurídicas ligadas ao Grupo Empresarial solvente e lucrativo, interessado na captação dos créditos fiscais fictos. III) DETALHES OBSERVADOS NOS ATOS DE RECEPÇÃO FINAL DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FICTÍCIOS PRATICADOS NO SEIO DAS EMPRESAS DO GRUPO EMPRESARIAL. SOLVENTE E LUCRATIVO INTERESSADO NA CAPTAÇÃO ESPECÍFICA DE CRÉDITOS COM O FIM DE EXTINGUIR SEUS DÉBITOS PRÓPRIOS SEM QUALQUER DESEMBOLSO REAL. Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.133 6 1 — Chamamento das situações postas pelas Cisões seletivas para o patrimônio das pessoas jurídicas componentes do Grupo Empresarial lucrativo e solvente. 2 — Captação final dos créditos precedida de transações comerciais/financeiras simuladas, tendentes a ofuscar e obscurecer a visão imediata da recepção direta e pré ordenada dos créditos fiscais fictícios. 3 — Incorporações intermediárias dissimuladoras da recepção direta e imediata dos créditos pelo Grupo Empresarial interessado na captação final. 4 — Incorporações finais (préordenadas) das diversas pessoas jurídicas de vida efêmera recheadas todas de créditos fiscais fictícios. 5 — Usufruto do almejado "recheio fiscal" via PER/DCOMPs pelo Grupo Empresarial economicamente lucrativo, em flagrante prejuízo do Fisco. A autoridade fiscal elaborou longo despacho, descrevendo as transações realizadas entres as empresas adiante citadas. Consta do relatório, que o Grupo Marquise, por meio de uma série de atos, incorporava empresas do Grupo Empresarial CEC Internacional S/A, com prejuízos fiscais, utilizando tais créditos para compensar tributos devidos. Contudo, os créditos eram ilegítimos, visto que decorrentes de dolo, simulação e conluio entre as empresas do Grupo Marquise e as empresas do Grupo CEC, as primeiras lucrativas e as segundas em estado de insolvência. Como destacado pela autoridade fiscal, os atos praticados por cada uma das empresas citadas não podem ser vistos de forma isolada e autônoma em si mesmo, como ocorre na maioria dos negócios imobiliários, financeiros e empresariais em geral, mas contêmse (cada um deles) num conjunto global de atos que buscava, em verdade, um objetivo pré ordenadamente planejado entre as partes. Segundo a autoridade fiscal, temse os seguintes quadros, que geram imposto a recuperar em face das transações realizadas entre contribuintes dos dois grupos empresariais: Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.134 7 Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.135 8 Por fim, o trabalho fiscal objetivou oferecer sólida fundamentação probatória e a motivação legal para o indeferimento liminar de qualquer pedido de restituição/compensação que envolva os créditos tributários de Imposto de Renda Retido na Fonte (convertido ou não em Saldo Negativo de IRPJ) e das Contribuições para o PIS Não Cumulativo e COFINS Não Cumulativo, cujas origens — imediata ou remota — decorra das transações celebradas entre as empresas Cio Grupo CEC e do Grupo Marquise. Foram analisados no documento os fundamentos primáiros da origem dos créditos utilizados finalisticamente pelas empresas do Grupo Marquise em PER/DCOMPs diversas entregues ora pela Construtora Marquise S/A, ora pela ECOFOR Ambiental S/A, ora pela Capitalize Fomento Comercial Ltda. Também forma procedidas as demonstrações dos vícios insanáveis dos negócios jurídicos presentes e considerados em todas as etapas do planejamento tributário evasivo que, ao fim, almejou como objetivo real e querido pelas partes, a geração ficta de créditos para aproveitamento dos mesmos em PER/DCOMPs. Conclusivamente, pretendese que as elementares "simulação", "fraude" e "conluio", qualificadoras da conduta das partes nos casos concretos examinados, sejam não só inseridas na análise, como também e principalmente, pautem a razão de decidir por parte dos Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.136 9 julgadores, no sentido do indeferimento liminar daqueles pedidos restitutórios/compensatorios, fundamentados na origem que apontamos. Assim, tendo em vista que o ponto inicial que criou os créditos que se pretende restituir e compensar é o mesmo dos processos abaixo indicados, tendo em vista a relação de causa e efeito, todos devem ser julgados conjuntamente. 10380.009193/200694 RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A 10380.901897/200611 RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A 10380.901733/200693 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901737/200671 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901739/200661 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901735/200682 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.720384/200872 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.720385/200817 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.720499/200867 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722709/201076 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722703/201007 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722244/201053 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722365/201003 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722355/201060 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722361/201017 CONSTRUTORA MARQUISE S/A 10380.721600/201011 CONSTRUTORA MARQUISE S/A No presente caso, aconteceram os seguintes fatos conforme relatório do v. acórdão recorrido: Versam, os presentes autos, sobre os Pedidos de Restituição — PER de n's 31274.35495.241003.1.2.042994 (fls. 01/03), 09822.73634.241003.1.2.044002 (fls. 57/59) e 06811.53402.280504.1.2.043305 (fls. 151/153), bem corno sobre as Declarações de Compensação — DCOMP de números 12741.71288.080605.1.3.047604 (fls. 04/09) e 32445.03714.080605.1.3.048056 (fls. 60/63), que tratam — todos — de saldo negativo de IRPJ apurado por RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A no anocalendário 1999. Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.137 10 Nas duas DCOMP, a Interessada no presente processo (CONSTRUTORA MARQUISE S/A, sucessora de RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A) declara compensações de débitos próprios de IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, relativos a períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2004 e junho de 2004 (estimativas mensais), com créditos cuja restituição fora pleiteada pela sucedida nos dois primeiros PER antes mencionados (cada um no valor de R$ 557.550,00), sob a forma de pagamento indevido ou a maior de IRRF, depois retificada para saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999 (conforme documentos de fls. 34/50 e 65/80, que instruem os processos referentes às retificações dos PER nos 31274.35495.241003.1.2.042994 e 09822.73634.241003.1.2.04 4002, respectivamente). No terceiro PER transmitido pela sucedida, esta pede a restituição de IRRF, no valor de R$ 19.674,08, sob a forma de pagamento indevido ou a maior, também depois retificada para saldo negativo de IRRI do anocalendário 1999 (conforme documentos de fls. 172/188, que instruem o processo referente à retificação do PER n° 06811.53402.280504.1.2.043305). Os processos relativos à retificação do tipo de crédito pleiteado — de pagamento indevido ou a maior de IRRF para saldo negativo de IRPJ (10380.009191/200603, 10380.009190/2006 51 e 10380.009192/200640) — bem como os processos referentes a dois dos PER apresentados pela sucedida (10380.901898/200665 — PER n° 09822.73634.241003.1.2.04 4002 e 10380.721747/200978 — PER n° 06811.53402.280504.1.2.043305), foram juntados por anexação aos presentes autos, que originalmente tratavam apenas do PER de n°31274.35495.241003.1.2.042994. Com isso, toda a matéria atinente à restituição/compensação de saldo negativo de IRPJ de RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A do anocalendário 1999 passou a ser tratada neste processo. Compulsando os autos, verifico que, em 27/02/2008, RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A foi intimada a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, os seguintes documentos: "a) comprovante(s) de rendimento e do respectivo Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, fornecidos pelas fontes pagadoras, das quais o contribuinte era beneficiário, referentes aos anoscalendário 1999 e 2000; b) comprovação dos registros contábeis dos rendimentos e do respectivo IRRF, referentes aos anoscalendário 1999 e 2000 no livro Razão e lançamentos na conta IRPJ a Recuperar para o referido período; c) declaração, sob as penas da lei, de que os créditos pleiteados não foram compensados com o mesmo tributo ou contribuição apurados em períodos subseqüentes" (fls. 109 e 113). Em atendimento à dita intimação, RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A entregou ao Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fortaleza — Seort/DRF/FOR, mediante o documento de fls. 107, Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.138 11 uma página do seu Livro Razão do ano de 1999, com registro, na conta Impostos a Recuperar, de dois lançamentos sob o histórico "IRRF s/ Multa Contrato", no valor de R$ 557.550,00, perfazendo o total de R$ 1.115.100,00, bem como de um lançamento sob o histórico "IRF s Aplicações", no valor de R$ 19.674,08 (fls. 106); e o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte — Pessoa Jurídica do anocalendário 1999, emitido por IRACEMA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA, CNPJ 11.828.258/000105, em favor de RCA, em que figuram os mesmos valores de IRRF lançados no mencionado Livro Razão sob o histórico "IRRF s/ Multa Contrato" (fls. 108). Em 23/05/2008, a empresa foi novamente intimada, desta feita para apresentar, no prazo de 10 (dez) dias, os seguintes documentos: "a) documento constitutivo da CISÃO; b) Ato constitutivo da empresa com todas as suas alterações; c) apresentar cópia de contratos firmados com a empresa IRACEMA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA, CNPJ 11.828.258/000105, juntamente com cópia da matricula atualizada do imóvel objeto da negociação" (fls. 110 e 114). Em atendimento a essa segunda intimação, RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A apresentou ao Seort/DRF/FOR, mediante o documento de fls. 115, cópias da Ata da sua Assembléia Geral Extraordinária, datada em 31/07/2004, que aprovou a cisão parcial da sociedade e a constituição de três novas empresas, com parcelas do patrimônio cindido: FIBRA CONSTRUÇÕES E EDIF1CAÇÕES S/A; CONCE — CONSTRUTORA NACIONAL CEARENSE S/A e FORTEFACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA (fls. 116/118); da Ata da Assembléia Geral Extraordinária de RCA, datada de 30/08/2004, que cuida da incorporação dessa sociedade a AGROPECUÁRIA E REFLORESTADORA PARENTE S/A, CNPJ 07.795.271/000120 (fls. 119); da Ata da Assembléia Geral Extraordinária de AGROPECUÁRIA E REFLORESTADORA PARENTE S/A, datada de 30/08/2004, que trata da incorporação de RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A (fls. 120/121); e do Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda de Imóvel, celebrado em 28 de dezembro de 1998, entre IRACEMA, na condição de alienante, e RCA, na condição de adquirente, pelo qual a primeira se obriga a transferir a posse e a propriedade de um terreno denominado Gleba Caraiba à segunda, e esta se compromete a pagar o preço de R$ 20.650.000,00 à primeira, em seis parcelas semestrais (fls. 140/142). Ás fls. 182, deparome com Nota de Compra emitida em 10/03/1999 por BCN — Banco de Crédito Nacional S/A, relativa à aquisição de títulos de crédito de propriedade de RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A, no montante de R$ 815.150,00, de que resultou a retenção de IRRF no valor de R$ 19.674,08. Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.139 12 Da leitura atenta dos autos, é possível reconstituir os fatos jurídicos que ensejaram a formação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999 em RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A e sua transposição para o patrimônio de CONSTRUTORA MARQUISE S/A. A seguir, passo A. reconstituição desses fatos: Em 28/12/1998, foi celebrado entre as Empresas IRACEMA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA. e RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A., contrato particular de promessa de compra e venda de imóvel, cujo descumprimento gerou a imposição de multa contratual, nos termos do parágrafo primeiro da cláusula segunda, in verbis: "CLAUSULAS E CONDIÇÕES: (.) SEGUNDA: Omissis Parágrafo Primeiro: Em caso de descumprimento desta, a Outorgante Promitente Vendedora pagará sobre o valor do prep da venda, semestralmente, a Outorgante Promitente Compradora, 18% de multa em 1999, 11% em 2000, 12% em 2001 e 5,5% ern 2002, valores estes acrescidos ainda, de 1% por mês de juros moratários". Por ocasião do pagamento da referida multa h Empresa RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A, em 1999, foi retido o imposto de renda então incidente, no valor total original de R$ 1.115.100,00, conforme a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF da fonte pagadora. Referidos valores, inclusive, foram registrados contabilmente no Livro Razão de ambas as Empresas. O valor então retido formou o saldo negativo de Imposto de Renda da RCA INTERNACIONAL COMMODITIES S/A do ano calendário de 1999, sendo este passível de utilização para compensação com demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Para garantir o reconhecimento dos referidos créditos e evitar a prescrição dos mesmos, a RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A apresentou Pedido de Restituição em 24/10/2003, retificado manualmente em 20/09/2006, no valor original de R$ 557.550,00. Com a cisão da Empresa RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A., detentora do crédito requestado, o valor do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 foi transferido para uma das Empresas resultantes da cisão, qual seja, a FIBRA CONSTRUÇÕES E EDIFICAÇÕES S/A., posteriormente incorporada por AGROPECUÁRIA Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.140 13 SERRA GRANDE LTDA., a qual restou em seguida incorporada por CONSTRUTORA MARQUISE S/A, ora Requerente'. Ato continuo, a Requerente passou a utilizarse dos valores em comento, para compensação com débitos de IRPJ e CSLL, através da apresentação das PER/DCOMP de n's 12741.71288.080605.1.3.047604 e 32445.03714.080605.1.3.04 8056, posteriormente baixadas para análise manual através do processo administrativo de n°. 10380.901897/200611. Além dos valores acima mencionados, também teria composto o saldo negativo de IRPJ de RCA, relativo ao anocalendário 1999, o montante de R$ 19.674,08, correspondente ao IRRF retido por BCN — Banco de Crédito Nacional na operação financeira documentada As fls. 182. Mediante o PER/DCOMP de n° 06811.53402.280504.1.2.043305, RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A também pleiteou a restituição desse valor. Na Informação Fiscal de fls. 751/761, que fundamentou o Despacho Decisório de tls. 762, mediante o qual o Delegado Substituto da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fortaleza indeferiu o direito creditório pleiteado pela Interessada e não homologou as compensações por ela declaradas, 16se, nos itens 8, 9 e 10, que: Em seguida, veio aos autos, a Informação Fiscal (fls.751/761), que se fundamentou no Relatório de Análise Tributária da SAPAC, que concluiu o seguinte: A empresa sucessora acima identificada requer o acolhimento das compensações declaradas mediante os PER/DCOMPs, fls.01/09, 57/62 e 151/153, abaixo discriminados, relativamente ao suposto crédito decorrente, a priori, de saldo negativo de IRPJ da empresa sucedida, anocalendário 1999, com débitos vinculados a períodos posteriores. 2. Ao presente processo, agregouse os de n° 10380.009191/200603, no 10380.901898/200665, n° 10380.721.747/200978 e n° 10380.009192/200640, onde continham pedidos de retificações dos PER/DCOMPs citados acima, protocolizados em 20/09/2006. 3. Nesses PER/DCOMPs a empresa almeja o direito de ver compensado débitos referentes A IRPJ/CSLL, com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.141 14 Posteriormente a empresa reivindicou a retificação do referido pagamento, aduzindo que o crédito se tratava de saldo negativo de IRPJ. 4. Em 11/09/2006, a empresa sucedida foi intimada por este órgão sobre a inexistência do pagamento apontado como indevido em seus PER/DCOMPs ora sob análise, sendo concedido o prazo de 20(vinte) dias para que esta, se fosse o caso, procedesse as devidas retificações (f Is. 35, 66 e 173). 5. Em 21/09/2006, a empresa intimada — já sucedida por AGROPECUÁRIA E REFLORESTADORA PARENTE S/A, CNPJ 07.795.271/000120 — apresentou requerimento visando o acolhimento das retificações dos referidos PER/DCOMPs, sob fundamento de que não foi possível transmitilos eletronicamente face a rejeições pelos seguintes motivos: a) a empresa estava com CNPJ cancelado por ter sido incorporada; b) o programa do PER/DCOMP não permitiu que seja retificado o tipo de crédito, apresentando mensagem de erro "tipo de crédito informado neste documento diferente do tipo de crédito informado no PER/DCOMP retificado"; c) o programa PER/DCOMP não permitiu que seja feita as retificações pela sucessora, o qual apresenta mensagem de erro "PER/DCOMP retificado não pertence ao contribuinte". Em seu pedido de retificação, a empresa declara que o tipo de seu suposto crédito não se trata de pagamento indevido como informado em PER/DCOMP, mas de saldo negativo do IRPJ, exercício 2000 (fls. 34,65 e 172). 6. Em 27/02/2008, a empresa foi intimada a apresentar no prazo de 20(vinte) dias os seguintes documentos: a) comprovante(s) de rendimento e do respectivo Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, fornecidos pelas fontes pagadoras, das quais o contribuinte era beneficiário, referentes aos anoscalendário 1999 e 2000; b) comprovação dos registros contábeis dos rendimentos e do respectivo IRRF, referentes aos anos calendário 1999 e 2000 no livro Razão e lançamentos na conta IRPJ a Recuperar para o referido período; c) declaração, sob as penas da lei, de que os créditos pleiteados não foram compensados com o mesmo tributo ou contribuição apurados em períodos subseqüentes (fls. 105 a 109 e 111 a 113). 7. Em 23/05/2008, novamente a empresa foi intimada a apresentar, agora no prazo de 10(dez) dias, os seguintes documentos: a) documento constitutivo da CISÃO; b) Ato constitutivo da empresa com todas as suas alterações; c) apresentar cópia de contratos firmados com a empresa IRACEMA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA, CNPJ 11.828.258/000105, juntamente com cópia da matricula atualizada do imóvel objeto da negociação (fls. 110 e 114 a 121). Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.142 15 8. De acordo com a contabilidade da empresa, em cotejo com a Ficha 13A da DIPJ/2000 (fls. 13 a 19 e 44), constatouse que o saldo negativo do IRPJ, anocalendário 1999 (R$ 1.115.100,00), ora sob análise, originouse, na sua integralidade, da inexistência de imposto sobre o lucro real e da dedução do IRF que teria sido retido na fonte, por ocasião do registro contábil de multa contratual que seria devida em decorrência de operação da compra do imóvel denominado Gleba Caraiba, registrado na matricula n° 1148, sob o R 9/1148, fls.137v do livro 2FRegistro Geral da Comarca do Canto do Buriti, Cartório Manoel Barbosa e Silva, fruto da negociação com a empresa Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda. 9. A operação estaria comprovada com a cópia do Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda de Imóvel que repousa As fls. 21/23. 10. Constatase às fls. 106 do livro Razão (fls. 15 dos autos) que a empresa contabilizou como imposto a recuperar o valor de R$ 1.115.100,00. Tal valor correspondeu a supostas retenções do imposto de renda incidentes sobre o pagamento de multas sofridas pela empresa, prevista no contrato de compra e venda do imóvel ora referido. 0 saldo negativo do IRPJ, ano calendário 1999, ora sob análise, é todo fundado nos valores das referidas multas e retenções. Sem tais multas e pretensas retenções nenhum crédito seria apurado. 11. Releva observar que, com relação ao PER/DCOMP n° 06811.534.02.280504.1.2.043305, concernente ao Pedido de Restituição no montante de R$ 19.674,08 (IRF retido sobre rendimentos de aplicações financeiras, conforme documento de fls. 182), inicialmente tratado pela Interessada como "Pagamento a Maior", foi o mesmo retificado para "Saldo Negativo de IRPJ referente ao exercício 2000", conforme documento de fls. 174; no entanto, o referido valor não compôs o saldo negativo declarado pelo contribuinte, constante da Ficha 13A da DIPJ/2000 (fls. 44), nem foi objeto das declarações de compensação apresentadas pela sociedade sucessora. Referido fato, inabilita a retenção de afigurarse como objeto de restituição ou de compensação, por não se amoldar ao disposto do art. 231, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/99. 12. Ademais, em razão da negociação imobiliária ora em foco, considerada fictícia, como se verá adiante, o resultado contábil da empresa, anocalendário 1999, está completamente contaminado de vicio, o que afasta a liquidez e certeza de possíveis créditos, condição imperiosa para compensação (CTN, art.170). 13. Em procedimento investigatório ou de diligência realizado por este órgão perante os grupos empresarias, CEC Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.143 16 Internacional S/A e empresas vinculadas ao Grupo Empresarial Marquise, sucessora de RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A, fora encaminhado a este Serviço o "Relatório de Análise Tributária", fls.195/269. Em tal relatório consta que a operação da compra e venda do imóvel que originou o saldo negativo do IRPJ em pauta é fictícia, conforme se conclui da extração dos seguintes contextos: I) operações sucessivas com o mesmo objeto (bem imóvel) — os imóveis objeto dos alegados Contratos são sucessivamente "vendidos" e "comprados" pelas empresas do Grupo CEC, com a utilização da técnica da cessão de créditos para implementar a venda sucessiva à primeira; II) limitação subjetiva quanto as partes nos negócios — as características inusuais de cada um dos negócios, reclamavam a condição de que, alienante e adquirente, se circunscrevessem ás empresas do interior do Grupo CEC (operações domésticas); iii) ausência absoluta de qualquer fluxo financeiro decorrente do pretenso negócio imobiliário — dada a falta de realização de qualquer atividade econômica nas empresas do Grupo CEC hábeis a gerar receitas de qualquer ordem — salvo, obviamente, as simuladas "receitas de vendas de imóveis" — não há qualquer pagamento do prego atribuído ao imóvel por parte do "adquirente". De outro lado, à mingua de, sequer, o recebimento do valor da "entrada", não há nenhum procedimento de cobrança por parte do alienante; iv) precedência de reavaliações do valor contábil dos imóveis sempre em relação ao momento das alegadas vendas — para operacionalizar as vendas dos bens imóveis o alienante sempre recorria à técnica de reavaliações meramente formais do valor contábil v) vendas a prazo com implicações financeiras definidas em relação as partes, mas nunca resolvidas no tempo — os encargos contratuais constituíam receita financeira para o alienante e despesa financeira para o adquirente. Mas aquele que reconhecia a receita (apenas provisionando o crédito) tinha seu resultado fiscal neutralizado por despesas originárias de outros contratos imobiliários em circularização; vi) prep dos bens imóveis fora da realidade econômica — mesmo a despeito das condições jurídicas em que se encontravam os imóveis ao tempo das "vendas", as alienações se deram por valores astronômicos, onde alguns imóveis alcançaram a expressiva cifra de mais de R$ 20.000.000,00, sendo que os "adquirentes" sequer tinham receitas geradas para assunção de tamanho negócio; vii) previsão desproporcional, desarrazoada e sem qualquer justificativa no Direito dos Contratos de pagamentos de multas Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.144 17 pelo alienante — cláusula do Contrato previa "pura e simplesmente" o pagamento de multas pelo alienante. Independentemente do pagamento da "entrada" pelo adquirente, a exigência dessa multa era imperativa. Os valores das multas praticamente se aproximavam do prego de venda do bem. Há caso em que a multa chegou a R$ 14.080.000,00 e o prep de venda do imóvel teria sido de R$ 8.800.000,00; vii) incompatibilidade da consideração simultânea entre a permanência dos efeitos do Contrato de Compra e Venda e da eficácia da cláusula previsora da multa — como o objeto do Contrato (compra e venda do imóvel) seguiu produzindo os efeitos queridos (nas contabilidades, o alienante registrou o Direito Creditório a Receber e suas correções, enquanto o adquirente registrou a obrigação junto àquele, além dos encargos decorrentes da mora), não há como conceber qualquer fato gerador da incidência da multa imputada ao alienante, porque não incidira em inadimplência contratual, mormente porque o "adquirente", sequer pagara qualquer centavo pela "entrada" prevista nos Contratos. Não podia a adquirente reclamar a multa, se não adimplira sua obrigação de pagar a "entrada". A escrituração mostra o absurdo do fato de que a multa devida pelo "alienante" é abatida (descontada) do montante do crédito a receber do adquirente. Na verdade, a presença dessas "multas" nesses Contratos fictícios cumprem uma função especial (vantagem prédefinida) querida pelas partes; ix) uso de preço artificial dos bens imóveis "vendidos" para proporcionar vantagens prédefinidas — as cifras (mnnetárias) com que os bens eram "vendidos" foram previamente mensuradas, de modo que fossem hábeis a garantir vantagens financeiras ao Grupo CEC, vantagens essas dignas de se constituir em fonte de recursos para serem negociadas junto a terceiros. Como se poderá ver logo a frente, constituíram também esses negócios em grande vantagem para o Grupo Marquise, o qual é identificado como o próprio "terceiro" negociador com o Grupo CEC, intervindo diretamente como parte interessoda no produto gerado por aquelas transações i mobiliárias fictícias: x) vantagem tributária especifica da existência de Cláusula previsora de multas — as mulias contratuais atuaram no planejamento tributário como pretenso fato constitutivo da incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte, tendo como beneficiários os supostos adquirentes. Esses créditos de tributos compuseram os Ativos (Tributos a Recuperar) das empresas do Grupo CEC que, logo depois, sofrem Cisão Parcial, segregando exclusivamente (na pratica) o exato montante daquele crédito de tributo, o qual comporá o Ativo de outra empresa, especialmente constituída para absorver o crédito fiscal transferido. 0 passo seguinte, ou é a venda do "controle acionário" da nova empresa (então surgida da Cisão) para empresas do Grupo Marquise, para, em ato continuo a essa aquisição, o Grupo Marquise Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.145 18 adquirente promova a incorporação dessa "nova empresa'', ou, de modo diferenciado, a incorporação direta dessa "nova empresa" por empresas do grupo Marquise. Cumpridas essas etapas, aparentemente licitas, conforme a legislação de regência, fica o Grupo Marquise com a disponibilidade do crédito de IRRF remotamente gerado nos negócios imobiliários entre as empresas do Grupo CEC; xi) vantagens tributdrias especificas das aquisições em si dos Imóveis constantes dos Contratos de Compra e Venda celebrados entre as empresas do Grupo CEC — a mera aquisição (fictícia, porque só existente no papel) dos imóveis cumpriram no planejamento tributário função própria. Pela compra — e titulandoa como "insumo" ou bem adquirido para revenda — o pretenso adquirente se creditava de PIS e COFINS Não Cumulativo, conduta pela qual garantiu apreciáveis valores de Créditos de Contribuições de PIS/COFINS nos Ativos de algumas empresas do Grupo CEC. Mas a mera aquisição como fundamento dos créditos de PIS/COFINS não era bastante para os agentes participes do planejamento tributário fraudulento como não havia nenhum fluxo de recursos nessas Compra e Venda (tal como já explicamos) os negócios eram feitos a Prazo. Isso fazia o adquirente incorrer em encargos financeiros decorrentes da compra, sendo tais encargos — até onde a legislação permitiu (julho/2004) — fatos geradores de créditos de PIS/COFINS. A dupla conduta garantiu mais um conjunto apreciável de Tributos a Recuperar (Créditos de PIS/COFINS) para algumas empresas do Grupo CEC. A partir dai — constatou o Fisco — seguemse as mesmas etapas (cisão/incorporação com fins distintos dos ordinários atribuidos a esses institutos) referidas no inciso anterior, quando descrevemos os caminhos percorridos por estes créditos de tributos que, ao final, chegam para disponibilização pelas empresas dc Grupo Marquise. E, uma vez compondo (aparentemente de forma incensurável) o patrimônio do Grupo Marquise, os pedidos de Restituição/Compensação tornaramse mera implementação final da fraude seguida de conluio na geração/utilização dos créditos fiscais fictícios, xii) existência explicita de uma "causa simulan di" expressa a fundamentar o planejamento tributário fraudulento engendrado entre as empresas do Grupo CEC e as do Grupo Marquise — comprovamos a existência de cobrança executiva Gudicial — Processo n° 2006.0020.13266/0) de valores por parte da Construtora Marquise junto a "controladora" do Grupo CEC ''CEC INTERNACIONAL S/A". Esses "valores" não representavam qualquer operação que tivessem origem na atividade operacional da Construtora (venda de Aptos CEC ou realização de obras civis, por exemplo). A divida da CEC perante a Construtora decorria, na verdade, de "PROMESSA DE VENDA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS GERADOS PELA CEC E NEGOCIADOS PARA A CONSTRUTORA". Os créditos negociados eram de CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Ocorre que, uma vez indeferidos pela DRF FORTALEZA os créditos presumidos de Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.146 19 IPI pretensamente alegados pelo Grupo CEC, restou a CEC INTERNACIONAL S/A como devedora da Construtora Marquise, dando azo ao Processo de Execução desta contra aquela. Mas as partes encerraram o Processo Judicial mediante acordo em juízo (Composição Amigável, cf docto. anexo). Dessa forma, uma vez indeferido na DRF Fortaleza o pleito creditório relativo ao tributo IPI, planejaram as partes resolver o Contrato de Promessa de Venda de Créditos Tributários Federais, mediante a utilização de tributos diversos daquele. Dai todo o estratagema de gerar — num primeiro momento — IRRF a partir de pretensas Multas sobre Contratos de Compra e Venda de Imóveis (todos simulados), além de PIS e COFINS Não Cumulativo pela simples aquisição (fictas) desses imóveis. Num segundo momento, cisões (seletivas) seguidas de incorporações (préordenadas) fizeram com que os CRÉDITOS FISCAIS (agora de IRRF e PIS/COFINS) chegassem ao Grupo Maquise; xiii) presença de fortes indícios da lavratura de documentos "antedatados" na conduta que formalizava os Contratos, o que revela outra característica de hipótese legal de simulação — para que se operassem as cisões (seletivas) seguidas de incorporações (préordenadas), convinha primeiramente, que Contratos Fictícios de Compra e Venda de Imóveis levassem datas antigas, para que implementassem o nascimento de créditos de IRRF e/ou de PIS/COFINS Não Cumulativo. H6 casos de Contratos de Compra e Venda de Imóveis datados de 1998, sendo que, os efeitos quanto aos alegados "Créditos de IRRF sobre Multas" — que teriam suposta incidência nos anos de 1999/2000/2001 e 2002 — só foram reconhecidos em DIRFs entregues globalmente em fins de 2003. Há outro caso de Contrato da mesma natureza, em que se consigna em Cláusula especifica, a cobrança de Multa, a qual fora levada em cômputo a Despesa Financeira, exatamente no mês de JULHO/2004. Este momentolimite é o mês/ano em que a legislação permitiu que "Encargos Financeiros" dessem origem a créditos fiscais de PIS/COFINS. Evidentemente, esses créditos (de IRRF/PIS/COFINS), tão engenhosamente gerados a partir daqueles Contratos simulados quanto ao objeto, pela via de Cisão (seletiva) que, logo após, seguiuse de Incorporação (pré ordenada), chegou aonde se almejava chegar: ao beneficiário Grupo Marquise. [...] Segundo o referido Relatório, no tocante à negociação do imóvel ora em pauta entre as empresas Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda. e RCA International Commodities S/A, o negócio operouse totalmente a prazo, sem qualquer fluxo de recursos financeiros, cabendo citar os seguintes fatos dignos de destaque extraídos do referido Relatório: i) executada sem qualquer registro, a opera cão não alterou a titularidade real do imóvel contida na Certidão do Cartório de Registro de Imóveis. Ou seja, o bem permanece titulado pela IRACEMA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA. Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.147 20 E não pela simulada adquirente RCA International Commodities S/A. Aliás, essa alegada venda (supostamente ocorrida em 28.12.1998) seria, na verdade o desfazimento do negócio real registrado em Cartório na data de 03.08.1998 onde a IRACEMA adquire da RCA; ii)esse fato é de tal importância para se compreender que venda nenhuma houve da IRACEMA para a RCA, dado que, em 1999, aquela titular do imóvel (Iracema Florestamento) promove ato de disposição do bem, com o seu desmembramento em 03 (três) subglebas contíguas (Gleba A, com 500 Ha, Matricula 4417; Gleba B, com 300 Ha, Matricula 4418 e Gleba C, com 2200 Ha, Matricula 4419); iii) o valor da "venda" do imóvel alcança a cifra de R$ 20.650.000,00. Tendo em vista que a "venda" teria se dado em 28.12.1998, época em que havia uma estreita paridade entre as moedas "real" e "dólar americano", cabe dizer que a GLEBA CARAIBA teria sido vendida por cerca de US$ 20,000,000.00 (vinte milhões de dólares americanos). A escolha de um valor assim irreal e grandioso tinha sua razão de ser: proporcionar a criação de multas proporcionais ao prep:, de venda, igualmente imensuráveis com finalidade préordenada; iv) o Contrato, evidentemente, traz cláusula previsora de MULTA aplicável à parte alienante (1RACEMA) em beneficio da parte adquirente (RCA), se aquela não transferir a posse e a propriedade para esta ultima. Esta multa, de valor praticamente igual ao "valor da venda" do imóvel constitui, na visão das partes, fato gerador de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); v) a multa se fez incidida (com o conseqüente IR Fonte) mesmo que a parte adquirente (beneficiária da multa) não tenha cumprido a sua obrigação de pagar o valor da "entrada" a que se obrigara pelo Contrato. Ignorando a cláusula da "exceptio non adimpleti contractus" e seus efeitos próprios, a incidência imediata da multa, a despeito de ser graciosa e ilegítima, cumpriu papel fundamental estranho ao Contrato em si de Compra e Venda, que foi o de gerar crédito fictício de IRRF para posterior transferência ao Grupo Marquise; vi) ainda que incidente a multa (tida como Clausula Penal pela inadimplência da vendedora, substitutiva, pois, da obrigação principal, que era a de "entregar "o imóvel à parte compradora), o Contrato seguiu produzindo os efeitos próprios de uma Compra e Venda a prazo. Ou seja, o alienante reconhece receitas financeiras pelo não recebimento do prego, enquanto que o adquirente se apropria de encargos financeiros pelo pagamento que não fizera. Convém registrar que os efeitos de reconhecimento de receitas são neutralizados por outras operações igualmente fictas. A incompatibilidade entre a incidência da multa e a continuidade do Contrato salta aos olhos do simples intérprete do Direito dos Contratos. Fato curioso neste contexto é que, perdida no emaranhado de atos simulados, Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.148 21 a empresa MAXIMAR, sucessora da 1RACEMA, apresenta ao Fisco cópias de recibos nos quais a RCA teria feito alguns pagamentos para a IRACEMA entre janeiro a agosto de 2004. Mas cabem duas observações sobre esses supostos pagamentos: são eles todos simulados porque os recursos vêm da empresa CAPITALIZE (Grupo Marquise) e a ela retornam; fossem eles verdadeiros, desmenteriam a hipótese de rescisão do contrato, a qual é o fato gerador da pretensa multa e do IRRF dela pretensamente decorrente; vii) em verdade verdadeira, ainda que legitima fosse (no campo contratual) a incidência dessa multa, não teria ela o condão de fazer incidir a regra do IRRF sobre Multas prevista no art. 70 da Lei n° 9.430/96. Se o elemento fatico que faria incidir a multa era a inadimplência do alienante prevista na Cláusula Segunda do Contrato (a falta de transferência em 180 dias da posse e propriedade do imóvel, mesmo que como já registramos o adquirente e beneficiário da multa não tivesse pago sequer o valor da "entrada" pela aquisição do imóvel), a conduta omissiva do alienante (1RACEMA) geraria uma multa contratual que não se adequa à hipótese de incidência (HI) prevista na referida lei. Para que esta HI seja ativada, exigese a efetiva rescisão do contrato (art. 70, Caput). E, como já demonstramos, esse fato da rescisão contratual não se configurou no caso concreto. Outrossim, ainda que alegasse a adquirente a reparação de danos patrimoniais, também não seria caso de incidência da multa legal, conforme expressa exclusão prevista no art. 70, § 5° da Lei n° 9.430/96; viii) observando as condutas que foram direcionadas ao Fisco, praticadas pelas empresas alienante (IRACEMA) e adquirente (RCA) constatamos a presença de fortes indícios do uso de documentos antedatados (os Contratos de Promessa de Compra e Venda). 0 respaldo fático para essa conclusão reside na concentração de atos realizados no anocalendário de 2003 e 2004, quando as DIRFs foram entregues em bloco e as DIPJs retificadas dessa mesma forma. Notar que os Srs. ANTONIO EUGENIO CARNEIRO PORTO, SEBASTIÃO OLIVEIRA SOUSA E MARIA DO SOCORRO VASCONCELOS OLIVEIRA são titulares comuns de ambas as empresas envolvidas (IRACEMA e RCA); ix) diante dessas constatações, fácil ficou para o Fisco visualizar o motivo mesmo desta PRIMEIRA VENDA do imóvel GLEBA CARAÍBA. 0 mote do planejamento tributário era gerar créditos fictícios do tributo IRRF, desde tempos remotos até o ano calendário de 2002 (dai a concentração de atos no ano de 2003 e 2004). 0 instrumento (meio) para tal seriam os Contratos de Promessa de Compra e Venda antedatados para o ano de 1998. 0 objetivo final era a transferência desses IRRF do Grupo CEC. para o Grupo Marquise em etapa posterior. Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.149 22 Os valores originários de IRRF fictos gerados em beneficio da RCA estão na Tabela abaixo com dados da DIRFs (valores em R$); DIRFs ENTREGUES POR IRACEMA/MAXIMAR BENEFICIÁRIO RCA: Comentados esses detalhes relativos a PRIMEIRA VENDA DA GLEBA CARAÍBA da empresa IRACEMA para a empresa RCA, e, como se já não fossem bastante para a demonstração da natureza simulatória da opera cão (a qual visava mesmo a geração ficta de IRRF para "negociação" junto ao Grupo Marquise), passamos a detalhar as circunstancias da SEGUNDA VENDA DO IMÓVEL GLEBA CARAÍBA. Dissemos que o Contrato relativo a primeira venda não fora rescindido de fato (circunstância que, como demonstramos, exclui a eficácia da multa contratual para gerar IRRF). Dissemos também que o valor da venda, compreendendo a intecralidade da área da GLEBA CARAÍBA (3.000 ha) foi considerado no Contrato como sendo de R$ 20.650.000.00. Dissemos ainda, que o terreno fora desmembrado em 03 (três) subglebas de áreas menores (com 500 ha; 300 ha e 2200 ha). Pois bem. Em data de 31.08.2004 a empresa MAXIMAR (na qualidade de sucessora da IRACEMA, titular de direito da Gleba Caraiba com área total) vende conforme mera informação em DOI, mas sem a devida transcrição no Registro Imobiliário, a porção "B" da Gleba Caraiba desmembrada (também denominada Gleba Caraiba 2), com 300 ha objeto da Matricula n° 4418, para a mesma empresa RCA INTERNATIONAL COMMODITIES, pelo valor de R$ 20.650.000,00. A constatação do fato desta SEGUNDA VENDA da Gleba Caraiba constitui um verdadeiro acinte à inteligência do Fisco. Nesta transação há evidências grosseiras da presença de fraude e simulação, além de incompatibilidades lógicas entre as condutas quando observadas panoramicamente. Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.150 23 Vejamos as principais aberrações e o objetivo dissimulado desta SEGUNDA VENDA: i) em primeiro lugar, a inconsistência mesma do negócio como legitima operação de Compra e Venda do imóvel. É que a Gleba Caraiba (total com 3000 ha) já tinha sido "alienada" na PRIMEIRA VENDA em operação envolvendo as mesmas partes. Contrato respectivo não fora rescindido, o que constitui fato impeditivo da concepção de uma segunda venda. Dentro daquele primeiro negócio simulado (dado que só serviu para gerar o IRRF formatado para transferência ao Grupo Marquise) as partes — uma vez perdida em seus próprios atos fraudulentas — promove o absurdo de apresentar ao Fisco recibos igualmente simulados de "pagamento" parciais feitos em 2004, pela primeira aquisição. Se assim fosse, como justificar essa SEGUNDA AQUISIÇÃO?; ii) outra questão vazia de significado é quanto ao valor da venda, quando consideradas as áreas das Glebas "vendidas" (em 1998 e 2004). Já tendo "comprado", em 1998, a Gleba Caraiba total (com 3000 ha) por R$ 20.650.000,00 junto à IRACEMA, a RCA resolve comprar "de novo" uma porção daquilo que já dispunha. É que em 31.08.2004, à vista do desmembramento do terreno, ela "adquire" da 1RACEMA a Gleba Caraiba "B" ou Gleba Caraiba 2, com apenas 300 ha. Mesmo a despeito de comprar o que já teria em totalidade, neste novo momento, por uma área de apenas 10% (dez por cento) daquele todo (a Gleba Caraiba total tem 3000 ha) ela se com promissa em 2004 com a obrigação de pagar o mesmo preço avençado quando comprara "o todo" em 1998. Ou seja, se obrigou a pagar R$ 20.650.000,00 por apenas 300 (trezentos) hectares de terra, que compõe a Gleba Caraíba "B". Não há como admitir veracidade neste negócio; iii) mas outro objetivo (dissimulado, escondido) movia os Grupos Empresariais envolvidos para entabular essa nova venda. Esse motivo é que, pela "aquisição" da Gleba Caraíba "B", a RCA se creditou de PIS e COFINS Não Cumulativo, almejando o repasse, em ato continuo, para o Grupo Marquise; iv) considerando o imóvel como se mercadoria fosse para aquele efeito creditório, a RCA se credita de exatos R$ 347.822,00 de PIS e de R$ 1.675.877,00 de COFINS. Logo depois, vem sua (da RCA) Cisão Seletiva, por meio da qual, criase a empresa efêmera CONCE CONSTRUTORA NACIONAL CEARENSE S/A, cujo Capital soma R$ 2.023.699,00 (curiosamente o somatório daquelas duas cifras relativas aos créditos de P1S/COFINS). Durando apenas pouco mais de 03 (três) meses, e sem qualquer atividade operacional (ou nãooperacional) vem a CONCE (então recheada de créditos fictícios de PIS/COFINS) a ser Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.151 24 incorporada pela MULTIPLA COMERCIAL EXPORTADORA S/A. Desta última, que serviu apenas como mera ponte, o recheio da CONCE seguiu para a Construtora Marquise que, incorporando a MÚLTIPLA, traz definitivamente para si, aqueles preciosos créditos fictos de tributos. Com estas observações o Fisco põe a nu a real finalidade das operações de Compra e Venda do imóvel Gleba Caraiba, envolvendo diretamente as empresas IRACEMA/MAXIMAR e RCA, com efeitos e reflexos diretos e préordenados nas empresas do Grupo Marquise. Mas não pararam por ai. Inacreditavelmente, outras operações de Compra e Venda envolvendo as porções desmembradas da Gleba Caraíbas se sucederam. Em 10/09/2004 a empresa Agropecuária e Reflorestadora Parente S/A (sucessora da RCA remanescente) "vende" para a BEX Internacional S/A a Gleba Caraiba "A" (Gleba Caraiba 01), com 500 ha, pelo valor de R$ 20.650.000,00. Em 06/12/2004, a BEX Internacional S/A vende A Gleba Caraiba "A" (Gleba Caraiba 01) para a Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda, a qual se apropria de créditos de PIS/COFINS Não Cumulativo, transferindoos, por eventos de sucessão à empresa NO VAX CONSTRUÇÕES E EDIFICAÇÕES S/A, que, depois, os transfere para a Construtora Marquise. Em 30/11/2003, a BEX Internacional S/A vende A Gleba Caraiba "B" (Gleba Caraiba 02) para a PANA GRA DO BRASIL S/A. Por esse negócio a adquirente (PANAGRA) se escritura de encargos financeiros e Multa geradores, até Julho/2004, de créditos de tributos P1S/COFINS. Por evento de sucessão (Cisão Parcial Seletiva ) os créditos fiscais fictícios chegam à Construtora Marquise. Em 29/10/2004, a empresa PANA GRA DO BRASIL S/A "vende" para a CEC Internacional S/A a Gleba Caraiba "B", pelo valor de R$ 23.660.000,00. Tudo em opera coes de faz de conta, mas todas com objetivos implícitos: gerar créditos fictícios de tributos, além de manter valores meramente escriturais na contabilidade de cada uma delas, de forma a permitir a inserção de transações de interesse do Grupo Marquise, com quem aquelas empresas do Grupo CEC se interrelacionam com freqüência mediante negócios de consistência simulada. [...] Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.152 25 As Informação Fiscal, sintetiza as operações de compra e venda do imóvel/terreno entre as empresas do mesmo grupo, onde na primeira compra, gerou crédito indevido de IRRF e na segunda de PIS/COFINS. Com base nas conclusões que extraiu do Relatório de Análise Tributária elaborado pela Sapac/DRF/FOR, o Seort/DRF/FOR propôs, então, o não reconhecimento do direito creditório almejado pela empresa sucessora, relativamente a saldo negativo do IRPJ da empresa sucedida RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A, declarado no ano calendário 1999, e a nãohomologação das compensações de que trata o presente processo, bem como de todas as demais compensações, caso existentes, vinculadas ao direito creditório não reconhecido. Devido a tais fatos, os pedidos de restituição e de compensação foram negados, conforme r. Despacho Decisório de 19/05/2010 fls.762, abaixo colacionado. Com base nos fundamentos consubstanciados na Informação Fiscal, fls.751/761, 110 que aprovo, decido: a) NÃO RECONHECER o direito creditorio almejado pela empresa, anocalendário 1999, relativamente ao saldo negativo do IRPJ e, por conseguinte, INDEFERIR os PERs no 31274.35495.241003.1.2.042994, no 09822.73634.241003.1.2.044002 e n° 06811.534.02.280504.1.2.043305; b) NÃO HOMOLOGAR as compensações de que trata o presente processo (PER/DCOMP: n° 12741.71288.080605.1.3.047604 e n° 32445.03714.080605.1.3.048056, e todas as demais compensações, caso existentes, vinculadas ao direito creditório não reconhecido; c) intimar o sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência da presente decisão da não homologação e do não reconhecimento do direito creditório almejado, pagar os débitos indevidamente compensados, assegurandolhe o direito a manifestação de inconformidade contra a denegatória do pleito perante a Delegacia Regional de Julgamento da Receita Federal em Fortaleza DRJFOR, como lhe faculta o art. 66 da IN RFB n°900, de 30/12/2008. A Recorrente ofereceu manifestação de inconformidade de fls., sem juntar documentos novos, referente ao não reconhecimento do direito creditório. Os autos forma encaminhados para Delegacia da Receita Federal de Fortaleza, que se manifestou e informou que para os pedidos de compensação do processo em epígrafe, feitos com estes créditos dos pedidos de restituição destes autos em epígrafe, foi lavrado Auto de Infração exigindo multa isolada, formalizado no processo administrativo 10380.721600/201011. Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.153 26 Em seguida, a DRJ proferiu v. acórdão de fls.851 e seguintes, mantendo o Despacho Decisório, registrando a ementa abaixo colacionada e concluindo da seguinte forma. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 DIREITO CREDIT6R10. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DO ()NUS DA PROVA. No processo administrativo de restituição e compensação de créditos tributários, incumbe ao contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito (a certeza e liquidez do direito creditório) e, ao Fisco, para indeferir o pleito, provar fatos que evidenciem a inexistência do direito afirmado pelo contribuinte ou que constituam impedimento, modificação ou extinção desse direito. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. VERDADE MATERIAL. A Administração Pública tem o poderdever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico. Esse poderdever é ainda mais presente na seara tributária, em que e usual a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. A liberdade de investigação do Fisco pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indicidrios de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 DIREITO CREDITÓRIO. ORIGEM REMOTA. NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. INDEFERIMENTO. Provado nos autos, por indícios fartos, graves, precisos e convergentes, que o negócio jurídico que constituiria a causa remota do direito creditório pleiteado pelo contribuinte não teve lugar no mundo fático, cumpre indeferir o direito creditório e não homologar as compensações declaradas. DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO QUE TERIA ENSEJADO A RETENÇÃO DE IRRF. PARCELAMENTO, PELA FONTE PAGADORA, DO IRRF QUE COMPÔS O SALDO NEGATIVO. IMPROCEDÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO, POR AUSÊNCIA DE MATERIALIDADE. Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.154 27 0 fato de a fonte pagadora haver formalizado parcelamento do IRRF pretensamente retido em negócio jurídico simulado não confere materialidade ao direito creditório pleiteado sob a forma de saldo negativo de IRPJ pela pretensa beneficiária da retenção. SUCESSÃO EMPRESARIAL. SIMULAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTEÚDO MATERIAL NO PATRIMÔNIO TRANSFERIDO ENTRE AS EMPRESAS. INEFICÁCIA DOS ATOS FORMALMENTE PRATICADOS, A DESPEITO DE SUA LEGALIDADE. É irrelevante, para fins de apuração da eficácia dos atos de sucessão empresarial, que estes tenham sido praticados com observância da legislação pertinente, quando resta demonstrado nos autos que o patrimônio pretensamente transposto entre as empresas é destituído de conteúdo material. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por fim, concluiu da seguinte forma: Em seguida, foi interposto Recurso Voluntário pela Construtora Marquise, incorporadora da Agropecuária Serra Grande Ltda, que incorporou a Fibra Construções e Edificações S/A, que por sua vez incorporou a parte cindida da RCA Internacional Commodities, descrevendo os fatos ocorridos, requerendo basicamente a reforma do v. acórdão recorrido, reiterando as alegações da manifestação de inconformidade e basicamente alegando (fls.5/9 do RV) que não pode ser responsabilizada por atos ilícitos praticados por suas sucedidas e terceiros, eis que agiu de boafé e não tinha conhecimento das irregularidades para a criação dos créditos, no momento em que incorporou a parte da RCA. Alega que a empresa IRACEMA, teria parcelado no âmbito do PAES Lei 10.684/2003 o IRRF relativo as multas contratuais da operação de compra e venda do terreno e, por tal motivo, restaria comprovado o direito ao crédito no momento da incorporação. Para concluir este Relatório, informo que os documentos anexados as fls. 850/853, 854/855, 856/860, 861/862, 863, 866/868, 869/874, 875/877, 878/881, 882/884 e 885/888 foram extraídos dos autos dos processos n's 10380.720384/200872, Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.155 28 10380720385/200817 e 10380.720499/200867 que, assim como o presente processo, tratam de Pedidos de Restituição apresentados por RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A e Declarações de Compensação apresentadas por sua sucessora (no caso daqueles processos, a sucessora é CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA., CNPJ 41.575.127/000116; no caso dos presentes autos, a sucessora é CONSTRUTORA MARQUISE S/A, CNPJ 07.950.702/000185). É o relatório. Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.156 29 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e foi interposto por seu representante com poderes para tanto, motivo pelo qual deve ser admitido. No presente caso, a com a cisão da empresa RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A., detentora do crédito requestado, o valor do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 foi transferido para uma das empresas resultantes da cisão, qual seja, a FIBRA CONSTRUÇÕES E EDIFICAÇÕES S/A., posteriormente incorporada por AGROPECUÁRIA SERRA GRANDE LTDA., a qual restou em seguida incorporada por CONSTRUTORA MARQUISE S/A. Quem participou do contrato/compromisso de compra e venda do terreno, foi a empresa Iracema e a RCA. A empresa RCA faz os pedidos de ressarcimento de crédito e os de retificação e a Agropecuária e a Construtora Marquise fazem os pedidos de retificação e de compensação. No Recurso Voluntário do presente processo, não existe nenhuma preliminar a ser analisada, motivo pelo qual, passo ao mérito. Em relação as alegações de que a empresa IRACEMA, vendedora, teria parcelado o IRRF relativo as multas contratuais da operação de compra e venda do terreno, entendo que tais créditos não podem ser opostos face ao Fisco, pois os atos jurídicos, que geraram a multa contratual prevista no instrumento de compra e venda do terreno, restaram comprovadamente inexistentes, eis que foram praticados por meio de fraude, com dolo, simulação e conluio. Vejamos as constatações da Fiscalização que restaram comprovas nos autos por meio do Relatório de Análise Tributária, relativas as operações empresariais: I) operações sucessivas com o mesmo objeto (bem imóvel)— os imóveis objeto dos alegados Contratos são sucessivamente "vendidos" e "comprados" pelas empresas do Grupo CEC, com a utilização da técnica da cessão de créditos para implementar a venda sucessiva 6 primeira; II) limitação subjetiva quanto às partes nos negócios — as características inusuais de cada um dos negócios, reclamavam a condição de que, alienante e adquirente, se circunscrevessem às empresas do interior do Grupo CEC (operações domésticas); Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.157 30 III) ausência absoluta de qualquer fluxo financeiro decorrente do pretenso negócio imobiliário dada a falta de realização de qualquer atividade econômica nas empresas do Grupo CEC hábeis a gerar receitas de qualquer ordem salvo, obviamente, as simuladas "receitas de vendas de imóveis" não há qualquer pagamento do preço atribuído ao imóvel por parte do "adquirente". De outro lado, à mingua de, sequer, o recebimento do valor da "entrada", não há nenhum procedimento de cobrança por parte do alienante; iv) precedência de reavaliações do valor contábil dos imóveis sempre em relação ao momento das alegadas vendas para operacionalizar as vendas dos bens imóveis o alienante sempre recorria à técnica de reavaliações meramente formais do valor contábil; v) vendas a prazo com implicações financeiras definidas em relação às partes, mas nunca resolvidas no tempo — os encargos contratuais constituíam receita financeira para o alienante e despesa financeira para o adquirente. Mas aquele que reconhecia a receita (apenas pro visionando o crédito) tinha seu resultado fiscal neutralizado por despesas originárias de outros contratos imobiliários em circularização; vi) preço dos bens imóveis fora da realidade econômica mesmo a despeito das condições jurídicas em que se encontravam os imóveis ao tempo das "vendas", as alienações se deram porvalores astronômicos, onde alguns imóveis alcançaram a expressiva cifra de mais de R$20.000.000,00, sendo que os "adquirentes" sequer tinham receitas geradas para assunção de tamanho negócio; vii) previsão desproporcional, desarrazoada e sem qualquer justificativa no Direito dos Contratos de pagamentos de multas pelo alienante cláusula do Contrato previa "pura esimplesmente" o pagamento de multas pelo alienante. Independentemente do pagamento da"entrada" pelo adquirente, a exigência dessa multa era imperativa. Os valores das multas praticamente se aproximavam do prego de venda do bem. Há caso em que a multa chegou a R$ 14.080.000,00 e o prego de venda do imóvel teria sido de R$ 8.800.000,00; viii) incompatibilidade da consideração simultânea entre a permanência dos efeitos do Contrato de Compra e Venda e da eficácia da clausula previsora da multa como o objeto do Contrato (compra e venda do imóvel) seguiu produzindo os efeitos queridos (nas contabilidades o alienante registrou o Direito Creditório a Receber e suas correções, enquanto o adquirente registrou a Obrigação junto àquele, alem dos encargos decorrentes da mora), não há como conceber qualquer fato gerador da incidência da multa imputada ao alienante, porque não incidira em inadimplência contratual, mormente porque o "adquirente", sequer pagara qualquer centavo pela "entrada" prevista nos Contratos. Não podia a adquirente reclamar a multa, se não adimplira sua obrigação de pagar a Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.158 31 "entrada". A escrituração mostra o absurdo do fato de que a multa devida pelo "alienante" é abatida (descontada) do montante do crédito a receber do adquirente. Na verdade, a presença dessas "multas" nesses Contratos fictícios cumprem uma função especial (vantagem prédefinida) querida pelas partes; ix) uso de preço artificial dos bens imóveis "vendidos" para proporcionar vantagens predefinidas as cifras (monetárias) com que os bens eram "vendidos" foram previamente mensuradas, de modo que fossem hábeis a garantir vantagens financeiras ao Grupo CEC, vantagens essas dignas de se constituir em fonte de recursos para serem negociadas junto a terceiros. Como se poderá ver logo à frente, constituíram também esses negócios em grande vantagem para o Grupo Marquise, o qual é identificado como o próprio "terceiro" negociador com o Grupo CEC, intervindo diretamente como parte interessada no produto gerado por aquelas transações imobiliárias fictícias; x) vantagem tributária especifica da existência de Cláusula previs ora de multas as multas contratuais atuaram no planejamento tributário como pretenso fato constitutivo da incidência de Imposto de Renda Retido na Fonte, tendo como beneficiário os supostos adquirentes. Esses créditos de tributos compuseram os Ativos (Tributos a Recuperar) das empresas do Grupo CEC que, logo depois, sofrem Cisão Parcial, segregando exclusivamente (na prática) o exato montante daquele crédito de tributo, o qual comporá o Ativo de outra empresa, especialmente constituída para absorver o crédito fiscal transferido. 0 passo seguinte, ou é a venda do "controle acionário" da nova empresa (então surgida da Cisão) para empresas do Grupo Marquise, para, em ato continuo a essa aquisição, o Grupo Marquise adquirente promova a incorporação dessa "nova empresa", ou, de modo diferenciado, a incorporação direta dessa "nova empresa" por empresas do grupo Marquise. Cumpridas essas etapas, aparentemente licitas, conforme a legislação de regência, fica o Grupo Marquise com a disponibilidade do crédito de IRRF remotamente gerado nos negócios imobiliários entre as empresas do Grupo CEC; xi) vantagens tributárias especificas das aquisiciies em si dos Imóveis constantes dos Contratos de Compra e Venda celebrados entre as empresas do Grupo CEC a mera aquisição (fictícia, porque s6 existente no papel) dos imóveis cumpriram no planejamento tributário função própria. Pela compra e titulandoa como "insumo" ou bem adquirido para revenda o pretenso adquirente se creditava de PIS e COFINS Não Cumulativo, conduta pela qual garantiu apreciáveis valores de Créditos de Contribuições de PIS/COFINS nos Ativos de algumas empresas do Grupo CEC. Mas a mera aquisição como fundamento dos créditos de PIS/COFINS não era bastante para os agentes participes do planejamento tributário fraudulento. Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.159 32 Como não havia nenhum fluxo de recursos nessas Compra e Venda (tal como já explicamos) os negócios eram feitos a Prazo. Isso fazia o adquirente incorrer em encargos financeiros decorrentes da compra, sendo tais encargos até onde a legislação permitiu (julho/2004) fatos geradores de créditos de PIS/COFINS. A dupla conduta garantiu mais um conjunto apreciável de Tributos a Recuperar (Créditos de PIS/COFINS) para algumas empresas do Grupo CEC. A partir dai constatou o Fisco seguemse as mesmas etapas (cisão/incorporação com fins distintos dos ordinários atribuídos a esses institutos) referidas no inciso anterior, quando descrevemos os caminhos percorridos por estes créditos de tributos que, ao final, chegam para disponibilização pelas empresas do Grupo Marquise. E, uma vez compondo (aparentemente de forma incensurável) o patrimônio do Grupo Marquise, os pedidos de Restituição/Compensação tornaramse mera implementação final da fraude seguida de conluio na geração/utilização dos créditos fiscais fictícios; xii) existência explicita de uma "causa simulandi" expressa a fundamentar o planejamento tributário fraudulento engendrado entre as empresas do Grupo CEC e as do Grupo Marquise comprovamos a existência de cobrança executiva (judicial Processo n° 2006.0020.13266/0) de valores por parte da Construtora Marquise junto a "controladora" do Grupo CEC "CEC INTERNACIONAL S/A". Esses "valores" não representavam qualquer operação que tivessem origem na atividade operacional da Construtora (venda de Aptos à CEC ou realização de obras civis, por exemplo). A divida da CEC perante a Construtora decorria, na verdade, de "PROMESSA DE VENDA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS GERADOS PELA CEC E NEGOCIADOS PARA A CONSTRUTORA" Os créditos negociados eram de CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Ocorre que, uma vez indeferidos pela DRF FORTALEZA os créditos presumidos de IPI pretensamente alegados pelo Grupo CEC, restou a CEC INTERNACIONAL S/A como devedora da Construtora Marquise, dando azo ao Processo de Execução desta contra aquela. Mas as partes encerraram o Processo Judicial mediante acordo em juízo (Composição Amigável, cf docto. anexo! Dessa forma, uma vez indeferido na DRF Fortaleza o pleito creditório relativo ao tributo IPI, planejaram as partes resolver o Contrato de Promessa de Venda de Créditos Tributários Federais, mediante a utilização de tributos diversos daquele. Dai todo o estratagema de gerar num primeiro momento IRRF a partir de pretensas Multas sobre Contratos de Compra e Venda de Imóveis (todos simulados), além de PIS e COFINS Não Cumulativo pela simples aquisição (fictas) desses imóveis. Num segundo momento, cisões (seletivas) seguidas de incorporações (préordenadas) fizeram com que os CRÉDITOS FISCAIS (agora de iRRF e PiS/C0FiNS) chegassem ao Grupo Marquise; Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.160 33 presença de fortes indícios da lavratura de documentos "antedatados" na conduta que formalizava os Contratos, o que revela outra característica de hipótese legal de simulação para que se operassem as cisões (seletivas) seguidas de incorporações (préordenadas), convinha primeiramente, que Contratos Fictícios de Compra e Venda de Imóveis levassem datas antigas, para que implementassem o nascimento de créditos de IRRF e/ou de PIS/COFINS Não Cumulativo. Há casos de Contratos de Compra e Venda de Imóveis datados de 1998, sendo que, os efeitos quanto aos alegados "Créditos de IRRF sobre Multas" que teriam suposta incidência nos anos de 1999/2000/2001 e 2002 só foram reconhecidos em DIRFs entregues globalmente em fins de 2003. Há outro caso de Contrato da mesma natureza, em que se consigna em Cláusula especifica, a cobrança de Multa, a qual fora levada em cômputo à Despesa Financeira, exatamente no mês de JULHO/2004. Este momentolimite é o mês/ano em que a legislação permitiu que "Encargos Financeiros" dessem origem a créditos fiscais de PIS/COFINS. Evidentemente, esses créditos (de IRRF/PIS/COFINS), tão engenhosamente gerados a partir daqueles Contratos simulados quanto ao objeto, pela via de Cisão (seletiva) que, logo após, seguiuse de Incorporação (pré ordenada), chegou aonde se almejava chegar: ao beneficiário Grupo Marquise. Segundo o referido Relatório, no tocante à negociação do terreno ora em pauta entre as empresas Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda. e a RCA International Commodities S/A, o negócio operouse totalmente a prazo, sem qualquer fluxo de recursos financeiros, sendo que a compradora não tinha condições financeiras para concretizar a compra no valor estipulado, cabendo acrescentar e citar os seguintes fatos dignos de destaque extraídos do referido Relatório: i) executada sem qualquer registro, a operação não alterou a titularidade real do imóvel contida na Certidão do Cartório de Registro de Imóveis. Ou seja, o bem permanece titulado pela IRACEMA FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO LTDA. E não pela simulada adquirente RCA International Commodities S/A. Aliás, essa alegada venda (supostamente ocorrida em 28.12.1998) seria, na verdade o desfazimento do negócio real registrado em Cartório na data de 03.08.1998 onde a IRACEMA adquire da RCA; ii)esse fato é de tal importância para se compreender que venda nenhuma houve da IRACEMA para a RCA, dado que, em 1999, aquela titular do imóvel (Iracema Florestamento) promove ato de disposição do bem, com o seu desmembramento em 03 (três) subglebas contíguas (Gleba A, com 500 Ha, Matricula 4417; Gleba B, com 300 Ha, Matricula 4418 e Gleba C, com 2200 Ha, Matricula 4419); Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.161 34 iii) o valor da "venda" do imóvel alcança a cifra de R$ 20.650.000,00. Tendo em vista que a "venda" teria se dado em 28.12.1998, época em que havia uma estreita paridade entre as moedas "real" e "dólar americano", cabe dizer que a GLEBA CARAÍBA teria sido vendida por cerca de US$ 20,000,000.00 (vinte milhões de dólares americanos). A escolha de um valor assim irreal e grandioso tinha sua razão de ser: proporcionar a criação de multas proporcionais ao prego de venda, igualmente imensuráveis com finalidade préordenada; iv) o Contrato, evidentemente, traz cláusula previsora de MULTA aplicável à parte alienante (IRACEMA) em beneficio da parte adquirente (RCA), se aquela não transferir a posse e a propriedade para esta última. Esta multa, de valor praticamente igual ao "valor da venda" do imóvel constitui, na visão das partes, fato gerador de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); v) a multa se fez incidida (com o conseqüente IR Fonte) mesmo que a parte adquirente (beneficiária da multa) não tenha cumprido a sua obrigação de pagar o valor da "entrada" a que se obrigara pelo Contrato. Ignorando a cláusula da "exceptio non adimpleti contractus" e seus efeitos próprios, a incidência imediata da multa, a despeito de ser qraciosa e ilegítima, cumpriu papel fundamental estranho ao Contrato em si de Compra e Venda, que foi o de gerar crédito fictício de IRRF para posterior transferência ao Grupo Marquise; vi) ainda que incidente a multa (tida como Cláusula Penal pela inadimplência da vendedora, substitutive, pois, da obrigação principal, que era a de "entregar "o imóvel 5 parte compradora), o Contrato seguiu produzindo os efeitos próprios de uma Compra e Venda a prazo. Ou seja, o alienante reconhece receitas financeiras pelo não recebimento do prego, enquanto que o adquirente se apropria de encargos financeiros pelo pagamento que não fizera. Convém registrar que os efeitos de reconhecimento de receitas são neutralizados por outras operações igualmente fictas. A incompatibilidade entre a incidência da multa e a continuidade do Contrato salta aos olhos do simples intérprete do Direito dos Contratos. Fato curioso neste contexto é que, perdida no emaranhado de atos simulados, a empresa MAXIMAR, sucessora da IRACEMA, apresenta ao Fisco cópias de recibos nos quais a RCA teria feito alguns pagamentos para a IRACEMA entre janeiro a agosto de 2004. Mas cabem duas observações sobre esses supostos pagamentos: são eles todos simulados porque os recursos vêm da empresa CAPITALIZE (Grupo Marquise) e a ela retornam; fossem eles verdadeiros, desmentiriam a hipótese de rescisão do contrato, a qual é o fato gerador da pretensa multa e do IRRF dela pretensamente decorrente; vii) em verdade verdadeira, ainda que legitima fosse (no campo contratual) a incidência dessa multa, não teria ela o condão de fazer incidir a regra do IRRF sobre Multas prevista no art. 70 da Lei n° 9.430/96. Se o elemento fatico que faria incidir a multa Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.162 35 era a inadimplência do alienante prevista na Cláusula Segunda do Contrato (a falta de transferência em 180 dias da posse e propriedade do imóvel, mesmo que como já registramos o adquirente e beneficiário da multa não tivesse paqo sequer o valor da "entrada" pela aquisição do imóvel), a conduta omissiva do alienante (IRACEMA) geraria uma multa contratual que não se adequa à hipótese de incidência (HI) prevista na referida lei. Para que esta HI seja ativada, exigese a efetiva rescisão do contrato (art. 70, ca put). E, como já demonstramos, esse fato da rescisão contratual não se configurou no caso concreto. Outrossim, ainda que alegasse a adquirente a reparação de danos patrimoniais, também não seria caso de incidência da multa legal, conforme expressa exclusão prevista no art. 70, § 5° da Lei n° 9.430/96; viii) observando as condutas que foram direcionadas ao Fisco, praticadas pelas empresas alienante (IRACEMA) e adquirente (RCA) constatamos a presença de fortes indícios do uso de documentos antedatados (os Contratos de Promessa de Compra e Venda). 0 respaldo fático para essa conclusão reside na concentração de atos realizados no anocalendário de 2003 e 2004, quando as DIRFs foram entregues em bloco e as DIPJs retificadas dessa mesma forma. Notar que os Srs. ANTONIO EUGENIO CARNEIRO PORTO, SEBASTIÃO OLIVEIRA SOUSA E MARIA DO SOCORRO VASCONCELOS OLIVEIRA são titulares comuns de ambas as empresas envolvidas (IRACEMA e RCA); ix) diante dessas constatações, fácil ficou para o Fisco visualizar o motivo mesmo desta PRIMEIRA VENDA do imóvel GLEBA CARA IBA. 0 mote do planejamento tributário era gerar créditos fictícios do tributo IRRF, desde tempos remotos até o ano calendário de 2002 (dai a concentração de atos no ano de 2003 e 2004). 0 instrumento (meio) para tal seriam os Contratos de Promessa de Compra e Venda antedatados para o ano de 1998. 0 objetivo final era a transferência desses IRRF do Grupo CEC. para o Grupo Marquise em etapa posterior. Os valores originários de IRRF fictos gerados em beneficio da RCA estão na Tabela abaixo com dados da DIRFs (valores em R$); DIRFs ENTREGUES POR IRACEMA/MAXIMAR BENEFICIÁRIO RCA [...] Comentados esses detalhes relativos a PRIMEIRA VENDA DA GLEBA CARAÍBA da empresa IRACEMA para a empresa RCA, e, como se já não fossem bastante para a demonstração da natureza simulatória da opera cão (a qual visava mesmo a geração ficta de IRRF para "negociação" junto ao Grupo Marquise), passamos a detalhar as circunstâncias da SEGUNDA VENDA DO IMOVEL GLEBA CARAÍBA. Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.163 36 Dissemos que o Contrato relativo a primeira venda não fora rescindido de fato (circunstância que, como demonstramos, exclui a eficácia da multa contratual para gerar IRRF). Dissemos também que o valor da venda, compreendendo a integralidade da área da GLEBA CARAÍBA (3.000 ha) foi considerado no Contrato como sendo de R$ 20.650.000,00. Dissemos ainda, que o terreno fora desmembrado em 03 (três) subglebas de áreas menores (com 500 ha; 300 ha e 2200 ha). Pois bem. Em data de 31.08.2004 a empresa MAXIMAR (na qualidade de sucessora da IRACEMA, titular de direito da Gleba Caraiba com área total) vende conforme mera informação em DOI, mas sem a devida transcrição no Registro Imobiliário, a porção "B" da Gleba Caraiba desmembrada (também denominada Gleba Caraiba 2), com 300 ha objeto da Matricula n° 4418, para a mesma empresa RCA INTERNATIONAL COMMODITIES, pelo valor de R$ 20.650.000,00. A constatação do fato desta SEGUNDA VENDA da Gleba Caraíba constitui um verdadeiro acinte à inteligência do Fisco. Nesta transação há evidências grosseiras da presença de fraude e simulação, além de incompatibilidades lógicas entre as condutas quando observadas panoramicamente. Vejamos as principais aberrações e o objetivo dissimulado desta SEGUNDA VENDA: i) em primeiro lugar, a inconsistência mesma do negócio como legitima operação de Compra e Venda do imóvel. É que a Gleba Caraiba (total com 3000 ha) já tinha sido "alienada" na PRIMEIRA VENDA em opera cão envolvendo as mesmas partes o Contrato respectivo não fora rescindido, o que constitui fato impeditivo da concepção de uma segunda venda. Dentro daquele primeiro negócio simulado (dado que só serviu para gerar o IRRF formatado para transferência ao Grupo Marquise) as partes — uma vez perdida em seus próprios atos fraudulentas — promove o absurdo de apresentar ao Fisco recibos igualmente simulados de "pagamento" parciais feitos em 2004, pela primeira aquisição. Se assim fosse, como justificar essa SEGUNDA AQUIS100?; ii) outra questão vazia de significado é quanto ao valor da venda, quando consideradas as áreas das Glebas "vendidas" (em 1998 e 2004). Já tendo "comprado", em 1998, a Gleba Caraiba total (com 3000 ha) por R$ 20.650.000,00 junto à IRACEMA, a RCA resolve comprar "de novo" uma porção daquilo que já dispunha. É que em 31.08.2004, vista do desmembramento do terreno, ela "adquire" da IRACEMA a Gleba Caraiba "B" ou Gleba Caraiba 2, com apenas 300 ha. Mesmo a despeito de comprar o que já teria em totalidade, neste novo momento, por uma área de apenas 10% (dez por cento) daquele todo (a Gleba Caraiba total tem 3000 ha) ela se com promissa em 2004 com a Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.164 37 obrigação de pagar o mesmo preço avençado quando comprara "o todo" em 1998. Ou seja, se obrigou a pagar R$ 20.650.000,00 por apenas 300 (trezentos) hectares de terra, que compõe a Gleba Caraiba "B". Não há como admitir veracidade neste negócio; iii) mas outro objetivo (dissimulado, escondido) movia os Grupos Empresariais envolvidos para entabular essa nova venda. Esse motivo é que, pela "aquisição" da Gleba Caraiba "B", a RCA se creditou de PIS e COFINS Não Cumulativo, almejando o repasse, em ato continuo, para o Grupo Marquise; iv) considerando o imóvel como se mercadoria fosse para aquele efeito credit6rio, a RCA se credita de exatos R$ 347.822,00 de PIS e de R$ 1.675.877,00 de COFINS. Logo depois, vem sua (da RCA) Cisão Seletiva, por meio da qual, criase a empresa efêmera CONCE CONSTRUTORA NACIONAL CEARENSE S/A, cujo Capital soma R$ 2.023.699,00 (curiosamente o somatório daquelas duas cifras relativas aos créditos de PIS/COFINS). Durando apenas pouco mais de 03 (três) meses, e sem qualquer atividade operacional (ou nãooperacional) vem a CONCE (então recheada de créditos fictícios de PIS/COFINS) a ser incorporada pela MULTIPLA COMERCIAL EXPORTADORA S/A. Desta ultima, que serviu apenas como mera ponte, o recheio da CONCE seguiu para a Construtora Marquise que, incorporando a MÚLTIPLA, traz definitivamente para si, aqueles preciosos créditos fictos de tributos. Com estas observações o Fisco põe a nu a real finalidade das opera coes de Compra e Venda do imóvel Gleba Caraiba, envolvendo diretamente as empresas IRACEMA/MAXIMAR e RCA, com efeitos e reflexos diretos e préordenados nas empresas do Grupo Marquise. Mas não pararam por ai. Inacreditavelmente, outras operações de Compra e Venda envolvendo as porções desmembradas da Gleba Caraíbas se sucederam. Em 10/09/2004 a empresa Agropecuária e Reflorestadora Parente S/A (sucessora da RCA remanescente) "vende" para a BEX Internacional S/A a Gleba Caraíba "A" (Gleba Caraiba 01), com 500 ha, pelo valor de R$ 20.650.000,00. Em 06/12/2004, a BEX Internacional S/A vende A Gleba Caraiba "A" (Gleba Caraíba 01) para a Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda, a qual se apropria de créditos de PIS/COFINS Não Cumulativo, transferindoos, por eventos de sucessão empresa NO VAX CONSTRUÇÕES E EDIFICAÇÕES S/A, que, depois, os transfere para a Construtora Marquise. Em 30/11/2003, a BEX Internacional S/A vende A Gleba Caraiba "B" (Gleba Caraiba 02) para a PANAGRA DO BRASIL S/A. Por esse negócio a adquirente (PANAGRA) se Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.165 38 escritura de encargos financeiros e Multa geradores, até Julho/2004, de créditos de tributos PIS/COFINS. Por evento de sucessão (Cisão Parcial Seletiva) os créditos fiscais fictícios chegam à Construtora Marquise. Em 29/10/2004, a empresa PANAGRA DO BRASIL S/A "vende" para a CEC Internacional S/A a Gleba Caraiba "B", pelo valor de R$ 23.660.000,00. Tudo em operações de faz de conta, mas todas com objetivos implícitos: gerar créditos fictícios de tributos, além de manter valores meramente escriturais na contabilidade de cada uma delas, de forma a permitir a inserção de transações de interesse do Grupo Marquise, com quem aquelas empresas do Grupo CEC se interrelacionam com freqüência mediante negócios de consistência simulada. Como se viu, os Contratos/promessas de Compra e Venda do terreno, constituindose com documentos remotos, que originaram todas as demais operações que envolveram os Grupos Empresariais (CEC e Marquise), nos leva à conclusão de que nenhuma operação imobiliária de fato ocorreu, dado o elenco de provas indiciárias graves, precisas e concordantes entre si, apontadas pelo Relatório de Análise Tributária. Diante dessas constatações, não pode o Fisco têlos (os contratos) como produtores dos efeitos pretendidos pelas partes. Em conseqüência, não se pode homologar as compensações vinculadas ao crédito descabido. No caso vertente, inexiste pagamento indevido, muito menos saldo negativo do IRPJ, no anocalendário 1999, ou em qualquer ano entre 1999 e 2002. Destarte, tendo em vista as operações praticadas pelos grupos empresariais, podese concluir, assim como a Fiscalização, que: a) inexiste o crédito alegado pela Interessada, uma vez que, como restou fartamente demonstrado nos autos, ele decorreria de um ato simulado (venda fictícia de imóvel), engendrado com o concurso de terceiros, por meio de conluio, objetivando burlar a Fazenda Nacional, para extinguir débitos tributários legítimos, por meio de pretensos créditos cuja titularidade teria sido adquirida pela Construtora Marquise S/A, em processo de sucessão societária; b) inexiste motivação jurídica para a imposição da multa contratual que teria dado causa à incidência do IRFF, que veio a constituir o pretenso direito de crédito adquirido pela Construtora Marquise S/A, uma vez que a pretensa adquirente do imóvel (RCA International Commodities S/A), nem ao menos cumpriu a obrigação de pagar à pretensa alienante (Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda) o valor correspondente à entrada do correspondente valor da operação; assim, é óbvio que, se se tratasse de uma transação normal, não cabia a esta transferir a posse e a propriedade do imóvel para terceiros, sem qualquer contrapartida da parte adquirente, o que torna injustificável o acatamento pacifico do reconhecimento da divida relativa 6. aludida multa; c) inexiste hipótese Mica para a incidência do IRF na situação tratada nos autos, em razão de a multa de que se cuida — ainda que fosse Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.166 39 legitima não corresponder a rescisão de contrato, única situação eleita pelo legislador como hipótese de incidência do tributo no caso de pagamento ou crédito de multas contratuais, nos termos do art. 70 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. Ou seja, como a operação de compra e venda do terreno não existiu devido a fraude e simulação da compra e venda, logo a multa que acompanha o contrato, também não. Devido a tal fato, não se configurou hipótese de incidência do IRRF a ser parcelado pela vendedora do terreno IRACEMA. (cláusula onde prevê multa quando a vendedora não entrega o bem estipulada no contrato que foi vendido). Desta forma, como entendo que não deveria incidir o IRRF, pois não existiu hipótese de incidência de tal imposto, o parcelamento feito pela empresa IRACEMA, não pode gerar crédito para a empresa incorporadora da compradora (RCA Recorrente Construtora Marquise), face ao Fisco. A empresa IRACEMA, que parcelou IRRF, pagou/parcelou equivocadamente, devendo ela pedir a restituição de tais valores. Os valores parcelados pela empresa vendedora IRACEMA, não fazem parte da discussão dos autos e não podem compor o saldo negativo do IRPJ da compradora RCA, que foi incorporada pela Recorrente, que pretende compensar com seus débitos de imposto. Também é importante ressaltar, que o artigo 136, da Seção III do CTN, que trata de responsabilidade de terceiros, descreve que a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente, da natureza, extinção e extensão dos feitos do ato. (responsabilidade objetiva). Esta responsabilidade objetiva prevista no dispositivo acima indicado, tem presunção relativa (artigos 108, IV e 112 do CTN) e pode ser afastada quando comprovada pelo sujeito passivo, que agiu de boafé, não participou dos atos ilícitos e que não tinha condições de saber, no momento em que determinado ato foi praticado, das ilicitudes que geraram determinados créditos. Ocorre, que no presente caso, ficou constatado no Relatório de Análise Tributária da SAPAC, que o grupo empresarial do qual a Recorrente pertence (Grupo Marquise), que incorporou a compradora do terreno RCA, fez parte (conluio) das operações fraudulentas que criaram os créditos tributários irregulares, agravando ainda mais a situação da Recorrente, não tendo como aceitar determinados créditos e compensações. Neste diapasão, entendo que os valores do parcelamento do IRRF, não deveriam compor o saldo negativo do IRPJ, relativo ao pedido de restituição retificado, feito pela RCA, e muito menos ser transportado para empresa incorporadora, a Construtora Marquise, que também participou do sistema que gerou os créditos, para requerer a compensação. No mais, adoto os fundamentos do v. acórdão recorrido, os quais entendo que devem ser mantidos. Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.167 40 Em relação as alegações de que a sucessão da empresa RCA, não poderiam prejudicar a Recorrente, também entendo que não devem ser providas. Restou comprovado nos autos, que tanto as pessoas físicas, como as empresas dos dois grupos, tinham participação nas operações fraudulentas e detinham participação acionária em ambas empresas, na RCA, nas demais e na incorporadora final Construtora Marquise, não tendo como a Recorrente alegar que não poderia ser responsabilizada por atos da empresa que incorporou. No presente caso, fico comprovado que a Recorrente incorporadora e seus representantes, participaram direta e indiretamente das irregularidades tributárias que geraram os créditos indevidos. Também é importante ressaltar, que todos os atos societários e participações da simulação de promessa/compra e venda do terreno, que ocasionaram as créditos indevidos estão devidamente relacionados e comprovados nos processos abaixo indicados, onde somando todas informações neles contidas, podese facilmente detectar que todas as empresas dos dois grupos agiram em conjunto para fraudar o erário e deixar de pagar impostos. (seguem os processos) 10380.009193/200694 RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A 10380.901897/200611 RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A 10380.901733/200693 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901737/200671 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901739/200661 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.901735/200682 PANAGRA DO BRASIL S/A 10380.720384/200872 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.720385/200817 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.720499/200867 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722709/201076 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722703/201007 CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA. 10380.722244/201053 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722365/201003 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722355/201060 CONSTRUTORA MARQUISE.S/A 10380.722361/201017 CONSTRUTORA MARQUISE S/A 10380.721600/201011 CONSTRUTORA MARQUISE S/A Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento, mantendo integralmente o v. acórdão recorrido, negando deferimento aos pedidos de restituição e não homologando as compensações. Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 10380.901897/200611 Acórdão n.º 1402002.488 S1C4T2 Fl. 1.168 41 Em relação ao Auto de Infração de multa isolada, aplicada pela não homologação da compensação, em tramite nos autos do processo 201011, tendo em vista a constatação da fraude, simulação e conluio nas operações que criaram os créditos, entendo que deve ser mantido em seus termos e deve ser analisada nos autos daquele processo. O Auto de Infração foi lavrado exigindo multa isolada qualificada a 150%, com base no artigo 80 da Lei 10833/03. O dispositivo e a legislação que fundamentaram a multa, não foram alterados até o momento, não se aplicando o pedido de retroatividade benigna da Recorrente, que trata de multa disposta no artigo 74 da Lei 9.430/99. Em relação a impossibilidade de aplicação da multa de ofício em casos de sucessão, entendo que tal pedido também não pode ser acatado, eis que existe a Sumula 47 do CARF/MF, cujo colaciono seu verbete abaixo. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 1168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018349/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/05/2005
CO-RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.
Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.
FOLHA DE PAGAMENTO.
A empresa é obrigada a preparar folhas de pagamento para todos os segurados que lhe prestam serviços.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-005.015
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário apresentado pela empresa SOEBRAS, dando-lhe parcial provimento para excluir sua responsabilidade subsidiária, e, em não conhecer dos recursos apresentados pelas demais empresas, por revelia.
Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/05/2005 CO-RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. FOLHA DE PAGAMENTO. A empresa é obrigada a preparar folhas de pagamento para todos os segurados que lhe prestam serviços. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15504.018349/2008-60
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5735476
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2301-005.015
nome_arquivo_s : Decisao_15504018349200860.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 15504018349200860_5735476.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário apresentado pela empresa SOEBRAS, dando-lhe parcial provimento para excluir sua responsabilidade subsidiária, e, em não conhecer dos recursos apresentados pelas demais empresas, por revelia. Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL.
dt_sessao_tdt : Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
id : 6814914
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049214385127424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1163; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 378 1 377 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.018349/200860 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.015 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: DEIXAR DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTOS Recorrente EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL MANGABEIRAS S/C LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/05/2005 CORESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de CoResponsáveis CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. FOLHA DE PAGAMENTO. A empresa é obrigada a preparar folhas de pagamento para todos os segurados que lhe prestam serviços. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 83 49 /2 00 8- 60 Fl. 378DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário apresentado pela empresa SOEBRAS, dandolhe parcial provimento para excluir sua responsabilidade subsidiária, e, em não conhecer dos recursos apresentados pelas demais empresas, por revelia. Andrea Brose Adolfo PresidenteSubstituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 15504.018349/200860 Acórdão n.º 2301005.015 S2C3T1 Fl. 379 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada em 05/11/2008 pela não preparação das folhas de pagamento de todas as remunerações pagas e dentro dos padrões exigidos, exigência necessária para o procedimento fiscal, conforme detalha o relatório da decisão recorrida. No caso, deixou de incluir em folhas de pagamento o auxílioalimentação na forma de vales refeição: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/05/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. Deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS constitui infração à legislação previdenciária. AQUISIÇÃO DE ESTABELECIMENTO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer titulo, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. Tendo a autoridade fiscal observado o cumprimento dos requisitos legais indispensáveis à validade do lançamento do crédito tributário, eventuais questionamentos acerca da emissão ou execução do MPF, por constituir essencialmente um instrumento de controle administrativo, não importam em nulidade do procedimento fiscal. IMPUGNAÇÃO Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Improcedente Credito Tributário Mantido.” Contra o lançamento, somente a suposta responsável subsidiária SOEBRAS impugnou o lançamento, alegando em síntese: Fl. 380DF CARF MF 4 4. Intimada da decisão a quo em 12/11/2011, conforme aviso de recebimento da ECT de fls. 73, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário fls.237/275 alegando em síntese que: a) preliminarmente, que a SOEBRAS arrendou, a partir de 01/11/2006, a utilização da marca "Promove" em troca de pagamento em dinheiro para o Grupo "Promove", que o Grupo Promove mantém suas atividades empresariais normais, tanto que possui as unidades Mangabeiras, Pampulha, Núcleo e Supletivo. A SOEBRAS não sucedeu o Promove, mas apenas arrendou o uso da marca, a recorrente existia muito antes de propor o citado arrendamento; b) a Promove e SOEBRAS são empresas diversas, com sócios distintos, personalidades jurídicas próprias e independentes, coexistem no mercado e atuam cada qual em seus objetivos sociais, não se podendo falar em sujeição passiva subsidiária; c) pelo simples fato de ter arrendado a marca não pode ser responsabilizado por tais obrigações. Ademais, o período da alegada obrigação não atinge o período de arrendamento que se deu no final de 2007, considerando que a autuação abrange competências a partir de 2003; d) as diversas alterações ocorridas no sistema de entrega de dados, como envio das GFIPs, causaram certa confusão e desconhecimento técnico, o que não pode ser considerado má fé. Entende ainda que não pode ser punida sem ter concorrido para a prática de ato ilícito; e) a SOEBRAS apresentou pedido de parcelamento de débitos protocolado em 15/10/2007, pelo que roga seja transferido todo o passivo fiscal para o CNPJ 22.669.915/000127, permitindo a sua inclusão nos parcelamentos já solicitados, o que é justo e de direito; f) requer, a insubsistência do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, não reconhecendo a sujeição passiva subsidiária atribuída a impugnante ou que seja determinada diligência para adequar o MPF, anulandoo e emitindo outro para reabrir os procedimentos de forma correta, bem como, pede o reconhecimento da imunidade tributária da SOEBRAS; g) por fim, a procedência da defesa com a não imputação de multa, excluindose os valores acrescidos, para manter, tão somente, o débito originalmente constatado, face a inexistência de máfé na atuação da SOEBRAS. Em recurso voluntário, o devedor principal e os responsáveis reiteraram as alegações da empresa SOEBRAS, conforme relatado no relatório da diligência, fls. 295: 1. Tratase de Recurso Voluntário, protocolizado em 30/03/2011, em que o Sujeito Passivo e seus Solidários tiveram ciência do Acórdão 02.28.897/2010, proferido pela 7ª Turma da DRJ/BHE. O Auto de Infração acima foi julgado como Crédito Tributário Mantido. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 15504.018349/200860 Acórdão n.º 2301005.015 S2C3T1 Fl. 380 5 O julgamento foi convertido em diligência para que se informasse sobre a inclusão do presente crédito em parcelamento especial. A resposta foi que no parcelamento existente somente foram incluídos outros créditos tributários. O recorrente não se manifestou sobre a resposta da fiscalização. É o Relatório. Fl. 382DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 383DF CARF MF Processo nº 15504.018349/200860 Acórdão n.º 2301005.015 S2C3T1 Fl. 381 7 III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação das demais questões. Importante ressaltar o disposto nos artigos 17 e 21 do Decreto nº 70.235/72. No caso, apenas o suposto responsável SOEBRAS impugnou o lançamento, assim ocorreu revelia dos demais recorrentes. Como conseqüência, somente será examinado o recurso voluntário da SOEBRAS: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ... Fl. 384DF CARF MF 8 Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Responsabilidade dos representantes legais Quanto ao tema não existe dissenso do colegiado quanto à aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, Após a revogação acima o documento antes sob o título “Relação de CoResponsáveis – CORESP” passou à denominação de “REPLEG Relatório de Representantes Legais”. Segue transcrição: Lei 8.620/93: Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à seguridade social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa. Portanto, a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente não mais existe, fora substituída pela relação de “Representantes Legais – REPLEG” que apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Não é conseqüência do aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no pólo passivo da obrigação tributária. O Relatório "REPLEG" serve apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista no Código Tributário Nacional. Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsídio para, se necessário e cabível, o crédito previdenciário ser exigido dos administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte. No entanto, nem por isso os representantes legais não devam constar em relação preparada pelo fisco. É através do exame de contratos sociais e estatuto que são identificados os sócios e diretores. da empresa e é da relação a PFN poderá indicar eventuais coresponsáveis pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei n.° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional — CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: 1 as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 15504.018349/200860 Acórdão n.º 2301005.015 S2C3T1 Fl. 382 9 RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99: Em síntese, temos que: a) a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído; b) a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 alcança o crédito ainda não definitivamente constituído, pois o documento somente se presta para a cobrança através da Certidão de Dívida Ativa; c) não há de se falar em exclusão da relação que apenas identifica os representantes legais quando os documentos da empresa confirmam a veracidade da informação. Portanto, considerando que a fiscalização, com acerto, apenas indicou os representantes legais da empresa no documento “Representantes Legais – REPLEG” o interesse do recorrente já fora atendido. Responsabilidade subsidiária Tratase do recurso voluntário interposto pela empresa Associação Educativa do Brasil SOEBRAS, CNPJ 22.669.915/000127. A fiscalização atribui responsabilidade sobre o crédito tributário com fundamento no artigo 133 inciso II do CTN nos seguintes termos: 6.5 Além deste mencionado contrato, a SOEBRAS fez constar em seu Balanço Patrimonial em 31/12/2007, a aquisição supra mencionada, lançando em seu Ativo Diferido o montante de R$ 14.383.436,00, referente à incorporação dos estabelecimentos de ensino PROMOVE COLÉGIOS e PROMOVE FACULDADES, "incluindo a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, semoventes e afins". ... 7.1 Esta responsabilidade subsidiária está assim expressa no Art. 133, Inciso II da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer fundo de comércio ou estabelecimento comercial industrial ou profissional e continuara respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato: ... II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da Fl. 386DF CARF MF 10 alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. Entendo que assiste razão ao recorrente. O crédito tributário em questão fora constituído com a aplicação da multa pela infração em não apresentar livros contábeis à fiscalização, fato esse ocorrido posteriormente à aquisição de estabelecimentos de ensino da autuada. De acordo com o MPF, somente a autuada EDUC. INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL MANGABEIRAS S/C LTDA esteve sob procedimento fiscal, sendo os documentos da SOEBRAS obtidos no estabelecimento da autuada. Assim, a SOEBRAS não tem relação com a conduta ou omissão que constitui a infração em questão. E o artigo 133 caput do CTN atribui responsabilidade subsidiária somente em relação aos tributos relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, e não a multas isoladas pelo descumprimento de obrigações acessórias. Em razão do exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário da Associação Educativa do Brasil SOEBRAS para afastar a sua responsabilidade pela infração. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 387DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12269.000170/2008-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL
Na aferição acerca da existência de divergência jurisprudencial, não basta que os acórdãos recorrido e paradigma tratem da mesma matéria, sendo imprescindível que se constate a similitude fática entre os julgados postos em comparação. Soluções diversas em face de situações fáticas diferentes, ainda que gravitem em torno do mesmo tema, não caracterizam dissídio interpretativo.
Numero da decisão: 9202-005.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL Na aferição acerca da existência de divergência jurisprudencial, não basta que os acórdãos recorrido e paradigma tratem da mesma matéria, sendo imprescindível que se constate a similitude fática entre os julgados postos em comparação. Soluções diversas em face de situações fáticas diferentes, ainda que gravitem em torno do mesmo tema, não caracterizam dissídio interpretativo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 12269.000170/2008-98
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5725531
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.397
nome_arquivo_s : Decisao_12269000170200898.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 12269000170200898_5725531.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6765797
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049214390370304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1419; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.134 1 1.133 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12269.000170/200898 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.397 – 2ª Turma Sessão de 26 de abril de 2017 Matéria 67.636.4010 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PENALIDADE/RETROATIVIDADE BENIGNA AIOP/AIOA: FATOS GERADORES ANTERIORES À MP Nº 449, DE 2008. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FOX VEICULOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL Na aferição acerca da existência de divergência jurisprudencial, não basta que os acórdãos recorrido e paradigma tratem da mesma matéria, sendo imprescindível que se constate a similitude fática entre os julgados postos em comparação. Soluções diversas em face de situações fáticas diferentes, ainda que gravitem em torno do mesmo tema, não caracterizam dissídio interpretativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 01 70 /2 00 8- 98 Fl. 1134DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD nº 37.283.7255, à efl. 03, cientificado à contribuinte em 13/02/2008 (efl. 03), com relatório fiscal da infração às efls. 11 e 12. A multa decorrente da infração foi de R$ 30.594,17. A autuação foi lavrada por ter a contribuinte deixado de incluir em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social todos os dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período abrangido entre as competências de 06/2003 a 12/2004. É importante referir que, no lançamento, conforme documento de efls. 10, somente houve lançamento de obrigações acessórias e uma informação fiscal de débitos, sem lançamento, não tendo havido notificação fiscal de lançamento (NFLD), nos termos abaixo reproduzidos: Documento Período Número Data Valor AI 02/2008 02/2008 371400392 11/02/2008 30.594,17 AI 02/2008 02/2008 371400406 11/02/2008 1.195,13 AI 02/2008 02/2008 371400414 11/02/2008 1.195,13 AI 02/2008 02/2008 371400422 11/02/2008 2.151,00 IFD 03/2001 12/2003 371499011 11/02/2008 2.344,16 O AIOA foi impugnado, às efls. 41 a 46, em 12/03/2008. Já a 8ª Turma da DRJ/POA, no acórdão nº 1017.833, prolatado em 26/11/2008, às efls. 1035 a 1038, considerou, por unanimidade, o lançamento procedente, com relevação de parte da multa, pela correção parcial das faltas das informações efetuadas. A relevação das multas reduziu o valor em litígio a R$ 4.301,31. Inconformada, em 17/06/2011, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 108 a 128, discutindo, em síntese: § reafirma o caráter não remuneratório do auxíliocreche, como justificação para não inserir esses valores em GFIP, uma vez que entende ser este de natureza indenizatória; § por eventualidade, caso não seja afastado o auxíliocreche da remuneração, pleiteia redução da multa, pois teria agido Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 12269.000170/200898 Acórdão n.º 9202005.397 CSRFT2 Fl. 1.135 3 simplesmente no atendimento à convenção coletiva do Sindicato dos Comerciários de Porto Alegre. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 28/07/2011, resultando no acórdão 240101.936, às efls. 1124 a 1130, que tem a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5 o E ARTIGO 41 DA LEI N.° 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.° 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES AUXÍLIO CRECHE A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5o da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: "informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)". FATO GERADOR OMISSÃO EM GFIP AUXÍLIO CRECHE PARECER DA PGFN SÚMULA DO CARF NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Não incidem contribuições previdenciárias sobre as verbas concedidas aos segurados empregados a título de auxíliocreche, na forma do artigo 7º, inciso XXV, da Constituição Federal, em face de sua natureza indenizatório, dessa forma, indevida a autuação (...) PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.° 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO Nº 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior Recurso Voluntário Provido em Parte O acórdão teve o seguinte teor: Fl. 1136DF CARF MF 4 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para que se exclua da autuação os fatos geradores relacionados ao pagamento de auxílio creche 505, bem como recalcular o valor da multa, limitandoa, nos termos do art. 32A, I da Lei nº 8.212/91, se mais benéfico ao contribuinte. RE da Fazenda Nacional Cientificada do acórdão, em 29/11/2011 (efl. 1059), a Procuradoria da Fazenda Nacional, em 15/12/2011, manejou recurso especial de divergência RE (efls. 1061 a 1068) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimentos firmados no CARF em matéria de critério de aplicação da retroatividade benigna às penalidades lançadas. A divergência foi assim apontada (efl. 1065): Naquela ocorrência, consignouse que havendo lançamento do tributo, juntamente com a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, o dispositivo legal a ser aplicado passa a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que nos remete ao art. 44 , I , da Lei 9.430/96, haja vista que o art. 32A da Lei 8.212/91 somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A, da Lei 8.212/91, sob pena de bis in idem. Vêse, portanto, que a 3ª Turma da 4ª Câmara da Segunda Seção do CARF considerou ser legítima a aplicação da multa nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, em situação análoga à presente, por entender que, havendo lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise, não mais deve ser aplicado o art. 32A do mesmo diploma legal, sob pena de bis in idem. Assim, o aresto recorrido diverge de entendimento firmado no CARF no acórdão paradigma 240300.035, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento. Por fim, a Procuradora requer o conhecimento e o provimento do RE para a reforma do acórdão para que se adote a tese esposada no paradigma, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das d u a s multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP 449/2008. O RE da Fazenda foi apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho às efls. 1098 a 1100, datado de 23/01/2012, entendendo por lhe dar seguimento, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi intimada do acórdão nº 240101.936, do RE interposto pela Fazenda Nacional e do despacho da admissibilidade deste, por meio da Intimação 2237/2012/SECAT/COB (efl. 1103), em 24/05/2012 (efl. 1104). Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 12269.000170/200898 Acórdão n.º 9202005.397 CSRFT2 Fl. 1.136 5 Em 04/06/2012, ela apresentou suas contrarrazões ao RE da Procuradoria, às efls. 1105 a 1117. Primeiramente, afirma que o RE não deve ser conhecido, por inexistir similitude fática entre o recorrido e seu paradigma, fazendo com que não haja divergência a ser arguida. O acórdão recorrido foi lavrado para exigir multa por descumprimento de obrigação acessória enquanto o paradigma trata de descumprimento de obrigação acessória e principal. Por fim, reafirma a aplicação retroativa da legislação posterior à emissão do AIOA, nos moldes da decisão recorrida. Por essa razão pleiteia que o RE não seja admitido, ou, alternativamente, não lhe seja dado provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo. Preliminarmente, há que se enfrentar o argumento trazido nas contrarrazões da contribuinte. Quando da emissão do AIOA em testilha, não houve emissão de auto de infração de obrigação principal relativa aos tributos não pagos. A contribuinte dispôse a pagá los com base em informação de débito fiscal (IFD, citada na efl. 10). Tal pagamento estava sujeito apenas à multa de mora, do art. 35, inc. I, da Lei nº 8.212/1991, com a redação anterior à vigência da MP 449/2008. O paradigma trazido ao processo, expressamente, busca a adequação do lançamento de multa de ofício em AIOP e lançamento de multa de ofício em AIOA. No relatório do paradigma (efl. 1072, primeiro e segundo parágrafos) constatase: Tratase de recurso voluntário, fls. 89 a 98, acompanhado de anexos às fls. 99 a 137, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Porto Alegre (RS) (DRRPOA), fls. 73 a 79, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, AI n°37.130.9387, lavrada em 25/10/2007, às fls. 01. Observase que a NFLD n° 37.108.3605, relacionada diretamente a este Auto de Infração, AI n° 37.130.9387, aponta no Termo de Encerramento da Ação Fiscal — TEAF, às fls. 39, o resultado do procedimento fiscal: (sublinhei) Após citar o art. 35A, já com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, no voto (efl. 1096, 11º e 12º parágrafos) podese observar: Fl. 1138DF CARF MF 6 Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de oficio, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de oficio, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. (sublinhei) No presente caso, não existe lançamento da então exigida multa de mora sobre o valor da obrigação principal, para que se realize tal adequação, logo, tem razão a contribuinte quando afirma não haver similitude fática entre recorrido e paradigma. Além disso, ainda que fosse admitido o RE, o entendimento que esta Turma vem desposando, quando acata recursos sobre a matéria, culmina com a utilização da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009, para a apuração da multa mais benigna aos contribuintes. O seu art. 3º, § 1º, dispõe: Art. 3ºA análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (sublinhei) Em face do exposto, com a vênia do então Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, entendo que não restou demonstrada a alegada divergência jurisprudencial por falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma.conhecer do RE da Procuradoria da Fazenda. Conclusão Assim, voto por não conhecer do recurso especial de divergência de iniciativa da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 12269.000170/200898 Acórdão n.º 9202005.397 CSRFT2 Fl. 1.137 7 Fl. 1140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000824/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004, 2005
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CRÉDITO DE TERCEIROS. PROCEDÊNCIA.
Constatada a utilização de títulos públicos em compensação contra norma de vedação do art. 74, da Lei nº 9.430/96, é de se manter o lançamento de multa isolada em relação aos débitos indevidamente compensados.
Numero da decisão: 1401-001.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente
(assinado digitalmente)
ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004, 2005 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CRÉDITO DE TERCEIROS. PROCEDÊNCIA. Constatada a utilização de títulos públicos em compensação contra norma de vedação do art. 74, da Lei nº 9.430/96, é de se manter o lançamento de multa isolada em relação aos débitos indevidamente compensados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.000824/2009-54
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5723957
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-001.832
nome_arquivo_s : Decisao_19515000824200954.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 19515000824200954_5723957.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente (assinado digitalmente) ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), José Roberto Adelino da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
id : 6761569
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049214392467456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1266; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 281 1 280 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000824/200954 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.832 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2017 Matéria Multa Isolada Compensação não declarada Recorrente EDITORA DCL DIFUSÃO CULTURAL DO LIVRO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CRÉDITO DE TERCEIROS. PROCEDÊNCIA. Constatada a utilização de títulos públicos em compensação contra norma de vedação do art. 74, da Lei nº 9.430/96, é de se manter o lançamento de multa isolada em relação aos débitos indevidamente compensados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente (assinado digitalmente) ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 24 /2 00 9- 54 Fl. 281DF CARF MF 2 Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), José Roberto Adelino da Silva. Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da decisão de Piso sobre o caso: Fl. 282DF CARF MF Processo nº 19515.000824/200954 Acórdão n.º 1401001.832 S1C4T1 Fl. 282 3 Fl. 283DF CARF MF 4 Da análise pela DRJ//FOR, resultou a seguinte decisão: Fl. 284DF CARF MF Processo nº 19515.000824/200954 Acórdão n.º 1401001.832 S1C4T1 Fl. 283 5 Cientificado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando às fls. 190/208 , em síntese, que: 1) A compensação baseouse na apresentação de Títulos da Dívida Agrária – TDAs – adquiridos mediante escritura pública originários de ação de desapropriação efetuada pelo Instituto Nacional de Colonização e reforma Agrária – INCRA. 2) O procedimento baseouse nas garantias do art. 100, § 12º, da Constituição Federal, na parte em que a autoriza a cessão de créditos de precatórios a terceiros; 3) Que a empresa efetuou o pagamento dos débitos não compensados mediante empréstimos financeiros, quando extinguiu todos os créditos tributários não compensados; 4) Por tal razão entende não poder ser aplicada a multa isolada, pois o pagamento do débito extingue também a punibilidade, pois o procedimentos consistiu em denúncia espontânea, na forma do art. 138, do CTN; 5) Que a multa não pode ser utilizada com efeitos confiscatórios, consoante art. 150, IV, da CF/88; 6) Que essa vedação ao confisco aplicase, inclusive, às multas impostas pelo Poder Público; 7) Que não pode haver a aplicação de multa isolada concomitantemente com a multa de mora. No caso, como o contribuinte pagou seus tributos com multa de mora, seria incabível a aplicação da multa isolada; 8) Que as leis que impõem a aplicação da multa são todas posteriores a ocorrência do fato gerador, razão pela qual não poderiam ser aplicadas aos referidos débitos; 9) Que a imposição da multa não obedece aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade ao impor restrições aos direitos dos administrados e, principalmente, pelo fato dos tributos terem sido pagos antes da autuação; É o relatório Fl. 285DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator De início cumprese informar que o objeto da lide é a análise acerca da legalidade de imposição de multa isolada relativa aos débitos apresentados à compensação de forma tida irregular por basearse tal compensação em créditos de terceiros, no caso, relativos a ação de desapropriação de terceiros contra o INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. A decisão que considerou não declaradas as compensações foi proferida no processo nº 10880.720919/200611e referido pedido foi indeferido por tratarse de créditos de terceiros. Em consequência da utilização de prática legalmente vedada, foi lavrado o auto de infração objeto deste processo decorrente da decisão que considerou não declarada a compensação baseada em crédito de terceiros. Do Objeto de Análise no Presente Processo e da Distinção das penalidades A análise deste processo prendese, apenas e tão somente, à verificação da regularidade do procedimento fiscal que não decorre do descumprimento da obrigação tributária principal, mas sim do uso indevido da Declaração de Compensação DCOMP como meio extintivo do crédito tributário. Na cobrança dos débitos resultado de compensação não homologada estes se sujeitos à imposição de multa de mora, quando já confessados, ou ao lançamento de oficio do próprio crédito tributário, quando ainda não confessados. Ocorre, no entanto, que quando a compensação é considerada não declarada não estamos mais tratando do crédito tributário e sua cobrança, mas sim da infração cometida pela empresa ao violar dispositivos normativos que impediam a compensação de seus débitos com o crédito que foi manejado. Demonstrase essa diferença pela leitura das normas atinentes ao caso. Iniciamos pela MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, que determina duas providências em face da inadmissibilidade das compe nsações veiculadas em DCOMP: Art. 17. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte reda ção: “Art. 74. ................................................................................. [...]. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8º. Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacio nal para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 19515.000824/200954 Acórdão n.º 1401001.832 S1C4T1 Fl. 284 7 [...] Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passív el de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tribut ária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do a rt. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compens ação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. [...] Nestes termos, a autoridade competente, quando, no presente caso, não admite um PER/DCOMP tem duas obrigações: A primeira, a de cobrar ou lançar os débitos não compensados conforme seja o caso; A segunda, determinar o lançamento de multa isolada no caso das compensações apresentadas pela empresa quando a compensação apresentada infringir qualquer das normas do art. 74, § 12º, da Lei nº 9.430/96, com alterações pela Lei nº 11.051/2004. Ao contrário do que entende o contribuinte em seu recurso, a cobrança dos débitos indevidamente compensados realizase com a simples aplicação da multa de mora, consoante o previsto no art. 61, da Lei nº 9.430/96. A imposição da multa isolada decorre do procedimento irregular de compensação e não dos débitos que foram extintos com a mesma, por isso a multa de mora aplicada ao pagamento dos débitos não pode em qualquer momento, confundirse com a multa isolada aplicada em punição ao irregular procedimento da empresa É certo na jurisprudência que não pode haver a incidência concomitante da multa de mora com a isolada sobre o tributo. Por isso é que, no presente momento, rebatendo as alegações apresentadas pela empresa quanto a este tópico, é necessário demonstrar que esta multa isolada decorrente da infringência de norma legal não guarda relação com o pagamento/lançamento dos débitos indevidamente compensados. Estes, apenas e tão somente, são utilizados como instrumento para calcular o valor da penalidade. Neste caso, a multa isolada por compensação indevida, prevista no art. 18 da Lei n º 10.833/2003, embora associada à falta de recolhimento do débito compensado, decorre do abuso d e forma na apresentação de DCOMP, em hipóteses frontalmente contrárias à lei que autorizou sua u tilização. E isto porque a DCOMP não é mera obrigação acessória, mas sim integra a essência da c ompensação, que somente se efetiva por meio dela (art. 74, § 1º da Lei nº 9.430/96, com a redação d ada pela Lei nº 10.637/2002), formalizando a extinção do crédito tributário, e não apenas sua cons tituição (art. 74, § 2º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). Fl. 287DF CARF MF 8 A multa isolada pune o uso indevido da DCOMP, quando presentes as circunstâncias gravosas previstas em lei, e é proporcional aos efeitos da conduta praticada, qual se ja, o valor dos débitos que o sujeito passivo pretendeu extinguir. Neste sentido, inclusive, já se firm ou o entendimento administrativo de que a multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, deve ser considerada uma nova penalidade, e pode ter como base de cálculo tributos de difer entes espécies, multas e juros, na medida em que é aplicável sobre o valor total do débito indevida mente compensado. (Excerto do Voto da Conselheira EDELI PEREIRA BESSA) Feita a necessária distinção das penalidades aplicadas aos casos de compensação considerada não declarada, passemos aos demais itens apontados no Recurso Voluntário. Da Inexistência de Efeitos Confiscatórios Quanto ao questionamento do contribuinte acerca dos efeitos confiscatórios da Multa Isolada lançada, devemos considerar que a aplicação da penalidade decorre da estrita obediência da autoridade às normas impositivas da legislação tributária. A consideração acerca de analisar se o percentual de aplicação de uma multa representa ou não efeitos confiscatórios descabe na esfera de julgamento administrativo, conforme leciona a Súmula nº 02 do CARF, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, quanto à alegação de efeitos confiscatórios não estão estes caracterizados, posto que o percentual aplicado no cálculo da multa de 75% sobre o valor dos créditos tributários objeto de compensação considerada não declarada, está estabelecido pelas normas do art. 18, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não podendo este Conselho insurgirse contra uma norma regularmente instituída pelo Devido Processo Legislativo. Do Fato de as Normas de Lançamento serem Posteriores aos Fatos Geradores dos Débitos Quanto a esta alegação apresentada pela empresa, devemos novamente, contestar a sua avaliação tendo em vista que as normas impositivas de aplicação de multa isolada são anteriores ao fato típico cometido pela empresa, como bem determina a análise das normas penais. Ora, conforme já dito acima, esta norma penal referese ao procedimento de compensação utilizado pela empresa e não guarda qualquer relação com os créditos tributários extintos pela compensação que foi considerada não declarada. É evidente que a Lei não retroagirá para penalizar e que não poderia ser aplicada uma multa se acaso a infração fosse cometida antes da existência de norma legal impeditiva. Não é o que ocorreu no presente caso. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 19515.000824/200954 Acórdão n.º 1401001.832 S1C4T1 Fl. 285 9 A irregular compensação apresentada pelo contribuinte, que utilizou créditos de terceiros, foi realizada por meio da entrega de dois PER/DCOMP apresentados em 15/12/2004 e 11/02/2005. Por seu turno, a norma que determina a aplicação de multa isolada nos casos de compensação considerada não declarada foi editada inicialmente pela Lei nº 10.833/2003, como norma suplementar da MP nº 2.15835, conforme abaixo, sofrendo diversas alterações posteriores. Recortemos trechos do voto proferido na decisão de piso que bem leciona o assunto. Medida Provisória nº 2.15835 Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Lei nº 10.833, de 2003 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. [...] § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. Lei nº 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; No tocante à DCOMP transmitida em 11/02/2005 (compensação não declarada), a redação vigente do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, e parágrafos especificados, considerando as alterações introduzidas pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, era a seguinte: Fl. 289DF CARF MF 10 Lei nº 10.833, de 2003 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. [...] § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. [...] § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: [...] II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifos acrescentados) Demonstrase assim, que as normas penais foram estabelecidas antes do procedimento de compensação do contribuinte que, contrariamente às normas legais, utilizou crédito de terceiros na compensação. Desta forma as normas penais são anteriores ao fato tipificado legalmente, qual seja, a apresentação de compensação contra expressa vedação legal, fazendo com que o ato de lançamento seja legalmente perfeito. O fato de tais normas serem posteriores aos fatos geradores dos débitos não eiva de nulidade o lançamento, vez que este não se refere aos débitos objeto da compensação irregular, mas sim ao próprio procedimento irregular de compensação. Da Alegação de Ofensa aos Princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade Em relação a este aspecto, novamente não cabe a este CARF fazer a apreciação subjetiva da razoabilidade e da proporcionalidade da aplicação da multa isolada ao caso concreto. Tal interpretação, conforme precedentes apresentados pela empresa, é de competência do Poder Judiciário vez que a Razoabilidade e proporcionalidade questionados decorrem da regular aplicação das normas legais e não de procedimento irregular da autoridade fiscal. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 19515.000824/200954 Acórdão n.º 1401001.832 S1C4T1 Fl. 286 11 Assim, conforme já dito acima, não pode este Conselho incorrer na seara de interpretar a razoabilidade ou proporcionalidade na norma que obrigou a aplicação de penalidade contra a empresa, conforme determina a Súmula nº 02 deste mesmo CARF. Da Alegação do Procedimento Compensatório baseado nas garantias do art. 100, § 12º, da Constituição Federal . Quanto a este tema, vejamos o que dizem as normas de nossa Constituição a respeito do assunto. Constituição Federal de 1988, art.100, § 9º. § 9º No momento da expedição dos precatórios, independentemente de regulamentação, deles deverá ser abatido, a título de compensação, valor correspondente aos débitos líquidos e certos, inscritos ou não em dívida ativa e constituídos contra o credor original pela Fazenda Pública devedora, incluídas parcelas vincendas de parcelamentos, ressalvados aqueles cuja execução esteja suspensa em virtude de contestação administrativa ou judicial. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009). ........................ § 13. O credor poderá ceder, total ou parcialmente, seus créditos em precatórios a terceiros, independentemente da concordância do devedor, não se aplicando ao cessionário o disposto nos §§ 2º e 3º. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009). Os dispositivos acima transcritos demonstram que, apesar de haver a autorização para cessão dos créditos de precatórios, a compensação destes créditos com débitos do terceiro adquirente tem de obedecer ao mesmo rito estabelecido aos detentores dos próprios créditos, qual seja, aguardar o momento da expedição do requisitório e, quando a Fazenda Nacional for intimada para apresentar os débitos do contribuinte a serem satisfeitos com os créditos dos precatórios, neste momento seriam apresentados os débitos do cessionário. Assim, não procedeu o contribuinte que, independente do procedimento judicial, tentou compensar os créditos de terceiros, agindo em confronto às normas que vedavam a utilização de crédito de terceiros. Por isso, a penalização do seu irregular procedimento. Ademais, como se pode ler no próprio dispositivo constitucional, a possibilidade de cessão de precatório somente passou a existir no ano de 2009, ou seja, muito após o procedimento de compensação utilizado pelo contribuinte. Desta forma, não assiste razão ao contribuinte quanto a esta alegação. Fl. 291DF CARF MF 12 CONCLUSÃO Assim, por todo o exposto nesta análise, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e manter integralmente o lançamento realizado. Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13838.000066/98-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 1991, 1992
DECADÊNCIA. Afasta-se a aplicação da regra prescrita no art. 150, §4º, do CTN diante da ausência total de antecipação do pagamento, para a aplicação da regra do art. 173, I do CTN. Nesse sentido, o STJ já se pronunciou no REsp 973.733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 18/09/2009.
RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO OU REDUÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao importador o ônus de provar ao fisco que a mercadoria importada se enquadra na isenção ou redução do imposto de importação requerida na DI.
ISENÇÃO. TRANSPORTE OBRIGATÓRIO EM NAVIO DE BANDEIRA BRASILEIRA.
É obrigatório o transporte em navio de bandeira brasileira de mercadorias beneficiadas com isenção ou redução de tributos, conforme art. 2° e 6° do Decreto-lei n° 666/69, com alterações do Decreto-lei n° 687/69.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-003.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Valcir Gassen que davam provimento parcial em maior extensão, para cancelar o auto de infração também em relação aos itens C, E, G, L e M.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Valcir Gassen e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Ano-calendário: 1991, 1992 DECADÊNCIA. Afasta-se a aplicação da regra prescrita no art. 150, §4º, do CTN diante da ausência total de antecipação do pagamento, para a aplicação da regra do art. 173, I do CTN. Nesse sentido, o STJ já se pronunciou no REsp 973.733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 18/09/2009. RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO OU REDUÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao importador o ônus de provar ao fisco que a mercadoria importada se enquadra na isenção ou redução do imposto de importação requerida na DI. ISENÇÃO. TRANSPORTE OBRIGATÓRIO EM NAVIO DE BANDEIRA BRASILEIRA. É obrigatório o transporte em navio de bandeira brasileira de mercadorias beneficiadas com isenção ou redução de tributos, conforme art. 2° e 6° do Decreto-lei n° 666/69, com alterações do Decreto-lei n° 687/69. Recurso Voluntário parcialmente provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13838.000066/98-40
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5739280
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.619
nome_arquivo_s : Decisao_138380000669840.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 138380000669840_5739280.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Valcir Gassen que davam provimento parcial em maior extensão, para cancelar o auto de infração também em relação aos itens C, E, G, L e M. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Valcir Gassen e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
id : 6843471
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049214396661760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1867; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.033 1 1.032 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13838.000066/9840 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.619 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2017 Matéria Imposto sobre a Importação II Recorrente Tetra Pak Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 1991, 1992 DECADÊNCIA. Afastase a aplicação da regra prescrita no art. 150, §4º, do CTN diante da ausência total de antecipação do pagamento, para a aplicação da regra do art. 173, I do CTN. Nesse sentido, o STJ já se pronunciou no REsp 973.733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 18/09/2009. RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO OU REDUÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao importador o ônus de provar ao fisco que a mercadoria importada se enquadra na isenção ou redução do imposto de importação requerida na DI. ISENÇÃO. TRANSPORTE OBRIGATÓRIO EM NAVIO DE BANDEIRA BRASILEIRA. É obrigatório o transporte em navio de bandeira brasileira de mercadorias beneficiadas com isenção ou redução de tributos, conforme art. 2° e 6° do Decretolei n° 666/69, com alterações do Decretolei n° 687/69. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Valcir Gassen que davam provimento parcial em maior extensão, para cancelar o auto de infração também em relação aos itens C, E, G, L e M. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 8. 00 00 66 /9 8- 40 Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 13838.000066/9840 Acórdão n.º 3301003.619 S3C3T1 Fl. 1.034 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Valcir Gassen e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por economia processual, adoto o relatório da decisão de piso: Trata o presente processo de exigência fiscal originada de fiscalização levada a efeito na contribuinte acima qualificada, relativa a diversas DI registradas em 1991 e 1992, nas quais foram apuradas infrações ao Regulamento Aduaneiro (RA), aprovado pelo Decreto n° 91030, de 05/03/85, e ao Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI), aprovado pelo Decreto n° 87.981, de 23/12/82. Foi lavrado o auto de infração de fls. 01 para exigir da autuada o imposto de importação, no valor de 1.297.612,50 UFIR, a importância de 309.419,72 UFIR a título de Imposto sobre Produtos Industrializados, ambos acrescidos das multas de ofício previstas nos respectivos Regulamentos, com as alterações advindas pela Lei 8.218/91, inclusive a multa agravada por falta de prestação de informações, mais juros moratórios e multa do controle administrativo das importações no montante de 2.453.102,28 UFIR, relativa ao artigo 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, por falta de guia de importação. Na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fls.02/32) e no “Termo de Verificação Fiscal” (fls. 33 a 64), o fiscal autuante expõe os fatos apurados e as razões jurídicas que esteiam a exigência, a seguir sintetizados: As mercadorias importadas com o pleito do benefício fiscal da isenção do IPI vinculado à importação, previsto na Lei n° 8.191/91, através das DFs 2879/91, 3165/91, 3466/91 e DFs 0672, 1931, 3092, 3361, 4682, 5247 e 5415, todas de 1992, deveriam ter sido transportadas em navio de bandeira brasileira, a teor do disposto no artigo 217 do Regulamento Aduaneiro RA bem como dos artigos 2o e 6o do DecretoLei n° 666/69. Foi constatado, porém, que as referidas mercadorias foram transportadas em navios de bandeira estrangeira, sem a devida apresentação de liberação de carga, em total desrespeito às normas supramencionadas, sujeitandose, em decorrência, ao recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescido na multa do artigo 364, inciso II do RIPI, c/c art. 4o, inciso I da MP 297/91 e art. 37 da Lei 8.218/91. Quanto à perda do direito de redução do Imposto de Importação incidente sobre as mercadorias importadas, o autuante relata, na parte II do Termo de Verificação Fiscal (fls. 36 e seguintes), as inconsistências apuradas através das diligências para verificações físicas, dos exames documentais e dos laudos periciais, que culminaram no desenquadramento de diversos “ex” tarifários pleiteados, a saber: Item A do Termo, fls. 37 A mercadoria importada pela DI 007118/92, descrita como “01 Espectofotômetro infra vermelho FTS7, incluindo acessórios e plotter”, não teria direito a se beneficiar da alíquota de zero por cento do imposto de importação, prevista na Portaria MEFP 512/92, por não atender os requisitos essenciais previstos na Portaria, ou seja, ser um espectofotômetro Ultravioleta, com faixa de medição entre 400 e 700nm. Segundo relatado no referido Termo, o aparelho importado opera na faixa de medição entre 4.400 e 400 nm. Item B do Termo, fls. 37 Referese à DI 001931/92, na qual a contribuinte declarou a importação de “01 Máquina automática desbobinadeira de filmes,..., a velocidade de 500 m/minuto”. Em suas diligências o autuante apurou que a velocidade de trabalho na linha de produção variava entre 340 e 362 metros por minuto. Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 13838.000066/9840 Acórdão n.º 3301003.619 S3C3T1 Fl. 1.035 3 Também quando das visitas efetuadas pelo Assistente Técnico do Fisco verificouse que a velocidade de produção era de 349 e 359 m/min. Tendo em conta, também, as informações do engenheiro credenciado de que a emenda e o corte determinam, teoricamente, a velocidade máxima da desbobinadeira em até 500 metros/minuto; tendo em vista, ainda, o fato de a velocidade de produção da máquina estar vinculada à da linha, já que trabalham de forma contínua e sincronizada, entendeu por bem o fiscal autuante em desenquadrar a importação do “ex” pleiteado, previsto na Portaria MF 411/92, por entender não ter a máquina velocidade de operação igual ou superior a 500 metro/minuto. Item C do Termo, fls. 39 Através da Adição 01 da DI 002879/91, a interessada declarou a importação de “01 Máquina automática para envasar leite pasteurizado tipo TR/8,... Transformador, inclusive Kit de ferramentas, e, Kit de peças de reposição.”, pleiteando o enquadramento no “ex” 002 da Portaria MEFP 849/90, o qual apresenta, de relevante, a informação de ser ele destinado a máquina para envasar leite, com controlador lógico programável e pesando acima de 10.000 Kg. Em decorrência da transferência para terceiros da máquina importada, foi a empresa intimada a informar os pesos líquidos e valores individuais da máquina, do transformador, do Kit de ferramentas e do Kit básico de peças de reposição, uma vez que a isenção ampara apenas a máquina descrita na Portaria concessiva, já que deve ser interpretada de maneira literal. Porém, não tendo sido apresentada, pela interessada, nenhuma prova material de que a máquina possui peso líquido superior a 10.000 kg, nem mesmo que possui controlador lógico programável, deixando, portanto, de fazer prova do seu enquadramento nos pressupostos legais, tornase devido o imposto de importação e, no caso, o IPIvinculado, sobre a parcela acrescida. Item D do Termo, fls. 42 Prosseguindo, o autuante apurou que as “18 Máquinas automáticas para envase, Mod TBA/3, usadas”, importadas pela DI 3429/92, estavam em desacordo com o “ex” pleiteado, previsto na Portaria MEFP 1.198/91, em virtude dos fatos apurados, decorrentes dos Laudos Técnicos elaborados por engenheiro credenciado do Fisco. Conforme esclarece o próprio autuante, a totalidade das máquinas foi transferida para terceiros, porém foram elaborados Laudos Técnicos relativos a cinco máquinas que estavam em poder da Agropecuária Tuiuti Ltda e da empresa Irmãos Alves e Cia Ltda., quando se constatou que as máquinas não possuem Controle Lógico Programável, tanto que esse CLP não está mencionado no Certificado CGS n° 7144202. Desta forma, restou descumprido requisito essencial previsto na portaria concessiva do benefício fiscal. Itens E, F, G do Termo, fls. 43/47 Nas DI 00178, 02266 e 07308, todas de 1991, a empresa declarou a importação de diversas “Máquinas automáticas, para envasar alimentos líquidos ou pastosos, Mod TBA/09, descrevendo conjuntamente, sob mesma classificação fiscal, diversos dispositivos e ou equipamentos. Apurou o fiscal que os equipamentos são acessórios não essenciais para o funcionamento da máquina de envase TBA/09, não previstos no texto da portaria concessiva do “ex” tarifário, possuindo todos classificação fiscal própria e que a máquina importada possui peso líquido de 4.310 Kg, não atendendo, portanto, o requisito essencial previsto na Portaria MF 849/90, pleiteado nos despachos, ou seja, ter peso superior a 5.000 kg. Itens H, I e J do Termo, fls.48/50 Estes itens são concernentes às DI 0441/92, 1427/92 e 26240/92, pelas quais foram importadas diversas máquinas automáticas para envasar leite, modelos 500 TR e 650 TR, beneficiadas com “ex” tarifário, o autuante verificou constar dos documentos intitulados “Machine Order Nimco Equipment”, e também das FaturasInvoice que acorbertaram as transações, a discriminação dos valores pagos como sendo relativos às máquinas e a diversos acessórios, opcionais e sobressalentes. Assim, como a Portaria Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 13838.000066/9840 Acórdão n.º 3301003.619 S3C3T1 Fl. 1.036 4 concessiva da redução tarifária mencionou única e exclusivamente a máquina, não estando abrangidos no seu texto os acessórios, opcionais e sobressalentes, foi lançado o imposto incidente sobre esses equipamentos. Item L do Termo, fls. 51/52 Tratase de sobressalentes, já que a máquina para envase mod. TBA/08, importada pela DI 13348/91, veio acompanhada de 02 unidades de limpeza SCU, não abrangidas pelo texto do “ex” tarifário instituído pela Portaria MF 849/90. Assim, e tendo apurado, o circunspecto fiscal, que uma máquina de envase, caso haja interesse, pode utilizar apenas uma Unidade de Limpeza, tanto que a máquina fora transferida para terceiro juntamente com uma única unidade, houve por bem cobrar o imposto de importação sobre o valor das duas Unidades de Limpeza SCU. Item M do Termo, fls. 52/53 Volta o auto a tratar de acessórios, opcionais e sobressalentes, posto que através da DI 1356/92 a contribuinte declarou a importação de “01 Máquina automática para envasar alimentos líquidos ou pastosos,... Mod TBA/08, com os seguintes componentes inclusos; Unidade de Limpeza com CLP, e, 03 Dispositivos HVA de Bomba Asséptica”. Verificado que tais acessórios devem ser classificados no código TABSH 8422.90.000 e que não estavam expressamente mencionados na Portaria MF 1198/91, concessiva de redução tarifária para a máquina de envasar, foi lançado o imposto de importação devido. Multa do Controle Administrativo Em todas as DI elencadas nos itens “B” a “M”, acima citados, foi exigida a multa do controle administrativo das importações prevista no artigo 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro RA , relativa à falta de Guia de Importação, haja vista que as mercadorias importadas não estavam devidamente descritas nas GI existentes, conforme determinação expressa do Comunicado CACEX 204/88, ora pela descrição da Guia não corresponder exatamente à máquina efetivamente importada, ora pela falta de informação de características essenciais da máquina, como peso e valores individuais da máquina e dos acessórios que a acompanharam. Interpretação dos “ex” tarifários Na Parte III do Termo de Verificação, são feitas diversas considerações acerca da interpretação dos “ex” tarifários do imposto de importação, com destaque para os seguintes pontos: sua natureza objetiva, a literalidade na interpretação; possibilidade da revogação de ofício do ato que concedeu isenção, quando não satisfeitas as condições, e, ainda, da vontade expressa na lei quando o legislador quis conceder isenção para as peças de reposição, ferramentas sobressalentes, opcionais e acessórios. Agravamento da Penalidade Aplicada Tendo em vista os diversos Termos de Intimações não respondidos pela contribuinte e por se tratarem, as informações solicitadas, na visão do autuante, de prova material para fins de reconhecimento da isenção, houve por bem o autor do feito, com supedâneo na Lei 8.218/91, artigo 4o, parágrafo primeiro, agravar as penalidades incidentes sobre o imposto de importação relativo às DI n° 13348/91 e 7118, 1931, 3429, 0441, 1427, 26249 e 1356 de 1992. Decadência do lançamento No pertinente à decadência do imposto de importação, os critérios adotados estão relatados na Parte LX do Termo de Verificação, na qual se verifica que tendo havido antecipação no pagamento do imposto, contouse o prazo de cinco anos a partir do pagamento efetuado, e não havendo a antecipação do pagamento foi considerado o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício. Inconformada com a exigência fiscal, a interessada ingressou, tempestivamente, com a impugnação de fls.787/805. Quanto à exigência de transporte em bandeira nacional, alega, em síntese, não ser possível ao AFTN revogar isenções anteriormente concedidas, por ser de competência Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 13838.000066/9840 Acórdão n.º 3301003.619 S3C3T1 Fl. 1.037 5 do Delegado da Receita Federal, muito menos exigir a multa punitiva do artigo 364 do RIPI, pois afirma que o não pagamento do IPI na ocasião do desembaraço deuse em virtude da homologação da isenção. Assevera já estar extinto o crédito tributário referente às DI registradas em 1991, por força da decadência, porque ultrapassado o quinquênio durante o qual o fisco poderia proceder à cobrança dos tributos. Entende que a Lei 8.191 de 12/06/91, base legal da isenção pleiteada, concedeu ao IPI uma isenção incondicionada, não havendo nesse diploma legal, qualquer alusão à obrigatoriedade de transporte em navio de bandeira brasileira. Aduz, ainda, que a exigência contida no artigo 2o do D.L. 666/69 afronta o disposto no inciso II do artigo 150 da Constituição Federal de 1988, pois, no seu entender, o fato de o transporte ter ocorrido por embarcação de bandeira estrangeira não pode mais ser tido como elemento ensejador da perda do favor fiscal, sob pena de se estar discriminando contribuintes que se encontram em situações idênticas, ferindo, portanto, o princípio da igualdade tributária. Quanto ao desenquadramento dos “ex” tarifários, inicialmente, reafirma já ter ocorrido o prazo prescricional para todas as DI anteriores a 14/11/91, tornando a revisão aduaneira pretendida impossível de ser realizada, haja vista já ter escoado o prazo de cinco dias previsto no artigo 50 do DL 37/66 e no artigo 447 do Regulamento Aduaneiro, não podendo o Fisco, após esse prazo, proceder à desclassificação fiscal da mercadoria importada. Repisa a tese de que a multa de oficio aplicada não pode prosperar porque em cada desembaraço aduaneiro houve o reconhecimento da redução do imposto de importação, tendo a importadora agido, então, de acordo com o entendimento da autoridade aduaneira. Discorda da afirmação do fiscal autuante de que alíquota zero é igual a isenção, não cabendo falarse em reconhecimento de isenção para os “ex” tarifários, tratandose, sim, de alíquota zero, que independe de qualquer reconhecimento. Tratando especificamente das DI autuadas, pelo desenquadramento dos “ex” tarifários pleiteados, alega, para as DI relacionadas nos itens “A”, “C” e “D” do Termo de Verificação, carecer de provas a autuação fiscal. No tocante à DI 001931/92, item “B”, afirma constar do próprio Laudo Técnico juntado pelo fiscal, a informação de que a velocidade de operação da máquina é de 500 metros por minutos, de acordo, portanto, com a previsão do “ex” tarifário. Quanto às DI relacionadas nos demais itens, aduz, basicamente, que os equipamentos importados são acessórios das máquinas, que delas fazem parte, quando encomendados pelos clientes para uso conjunto, pois afirma que sem esses equipamentos seria impossível o envase de produtos, finalidade das máquinas. Transcreve excertos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado que, no seu entender, demonstram que as peças de reposição devem ser classificadas na mesma posição da máquina a que se destinem. Argui que está sendo cobrado em duplicidade o imposto de importação relativo às DI 1356, 7308 e 26240. Assevera ser descabido falarse em aplicação do inciso II do artigo 526 do Regulamento Aduaneiro porque, além de haver Guia de Importação regularmente emitida, as mercadorias foram importadas dentro dos prazos de validade das guias. No tocante ao agravamento da multa prevista no artigo 4o da Lei 8.218/91, entende que a quantidade de intimações já é suficiente para justificar o atraso no atendimento. Não concorda que tenha havido embaraço à fiscalização, já que a atuação está detalhada. Junta diversas correspondências para demonstrar o atendimento às solicitações, terminando por afirmar que o citado artigo 4 da Lei 8.218/91 somente se aplica ao imposto sobre a renda. Posicionase contra a cobrança da Taxa Referencial Diária TRD , no período anterior a agosto de 1991, asseverando não ser possível a aplicação da Lei 8.218 de 29/08/91, que determinou a aplicação da TRD a título de juros de mora, em fato gerador ocorrido anteriormente à sua edição. Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 13838.000066/9840 Acórdão n.º 3301003.619 S3C3T1 Fl. 1.038 6 Por fim, requer seja efetuada perícia, indicando seu perito, pois deseja ver perfeitamente esclarecidos os fatos apontados na Parte II do Termo de Verificação Fiscal. Pretende que os “experts”, examinando todas as máquinas, respondam se a descrição de cada uma delas é a mesma constante das Guias de Importação e das Declarações de Importação, apontando as características das máquinas, opinando se atendem aos requisitos dos respectivos “ex” tarifários. Para os itens A a D, a autuação se deu por divergência nas especificações técnicas das máquinas, em descumprimento às descrições das Portarias do Ministério da Fazenda. Para os demais itens, o lançamento entendeu ser inaplicável a redução e a isenção às peças de reposição, ferramentas, sobressalentes, opcionais e acessórios que acompanhavam as máquinas. Adicionalmente, aplicou as seguintes penalidades: (i) multa do art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº. 91.030/1985, por falta de Guia de Importação em face da descrição incorreta das mercadorias importadas; (ii) multa do art. 364, inciso II, do RIPI; (iii) agravamento da penalidade de ofício pelo não atendimento de intimações, na forma do art. 4º, inciso I, da Lei nº 8.218/91. A DRJ exonerou parte do lançamento, em decisão assim ementada: REDUÇÃO DO "EX" TARIFÁRIO Interpretase literalmente a legislação que dispuser sobre benefícios fiscais (art. 111 do CTN). Assim, se a mercadoria importada não se enquadrar no "EX" tarifário, sua importação não recebe o benefício fiscal da redução de alíquota. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO As mercadorias devem ser descritas na GI em consonância com as disposições do Comunicado CACEX 204/88, de maneira que fiquem devidamente identificadas. Assim, a descrição sem o peso líquido, quando este seja essencial, e, também, com as partes, peças, acessórios e outros equipamentos, como sendo uma só mercadoria, sujeita a contribuinte à multa do artigo 526, inciso II do R.A. NORMAS DE PROTEÇÃO AO TRANSPORTE DE BANDEIRA NACIONAL A inobservância das regras de proteção ao transporte de bandeira nacional em importação beneficiada com isenção ou redução do IPIVinculado acarreta a perda do benefício. O não atendimento, no prazo marcado e diversas vezes prorrogado, da intimação para prestar esclarecimentos sobre as mercadorias importadas, dá ensejo ao agravamento da multa do artigo 4º da Lei 8.218/91, conforme previsto no parágrafo primeiro desse artigo. Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 13838.000066/9840 Acórdão n.º 3301003.619 S3C3T1 Fl. 1.039 7 AGRAVAMENTO DA PENALIDADE EXIGÊNCIA FISCAL PARCIALMENTE PROCEDENTE A DRJ exonerou o seguinte: (i) exclusão dos Impostos sobre DIs 007308, de 25/07/91, 001356, de 30/03/92, e 026240, de 26/06/92, lançadas em duplicidade na apuração do auto de infração; (ii) redução da multa prevista no art. 364, inciso II, do RIPT, de 100% para 75% por força do tratamento mais benéfico estabelecido pela Lei n° 9.430/96; (iii) exclusão do agravamento da penalidade para as DIs 7118/92 e 1931/92, em face da apresentação das informações solicitadas pelo Fisco; (iv) exclusão da tributação do item B do auto de infração por ter sido comprovada a velocidade de produção de 500m/minuto; (v) redução da multa administrativa aplicada em relação aos itens H, I e J, acerca do não enquadramento dos acessórios no ex 001 da Portaria MF nº 677/91, por estarem corretamente descritos na guia de importação; (vi) limitação da multa administrativa apenas para os módulos automáticos de limpeza, não contemplados pelo Ex e que a fiscalização não considerou como integrantes da unidade funcional; (vii) limitação da multa administrativa apenas para os módulos automáticos de limpeza e para a bomba asséptica não contemplados pelo Ex e que a fiscalização não considerou como integrantes da unidade funcional; (viii) exclusão da TRD no período entre 04/02/1991 a 29/07/1991, na forma da INS RF nº 32/1997. Tendo em vista a interposição de Recurso Voluntário pela Interessada, em face da parte em que foi vencida, houve a formação deste processo administrativo fiscal sob nº 10830.000066/9840, para apartar os créditos tributários mantidos pela decisão de primeira instância, destinado à apreciação do Recurso Voluntário. Já os créditos tributários exonerados ficaram para apreciação do Recurso de Ofício, sob o nº 10830.006450/9621, o qual foi improvido nos termos do Acórdão nº 30134.202, de 15/12/2007. Os dois processos estão apensos, mas o recurso de ofício já foi julgado, com decisão assim ementada: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO "EXTARIFÁRIO" Definida pela "exceção tarifária" que a máquina deva ter velocidade igual ou superior a determinado fator, a constatação por meio de laudo técnico a capacidade de a máquina atingir a velocidade mínima definida, deve ser concedido o benefício estabelecido. Deste modo a "máquina automática desbobinadeira de filmes para aplicação em cartão kraft, com corte e emenda automática e velocidade de operação igual ou superior a 500m/minuto" que desenvolva a velocidade de, no mínimo, 500m/minuto, atende ao "EXTARIFÁRIO" definido pela Portaria MEFP n° 411/1992. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE Relacionado o fato gerador em duplicidade na apuração do crédito tributário constituído pelo auto de infração, Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 13838.000066/9840 Acórdão n.º 3301003.619 S3C3T1 Fl. 1.040 8 deve ser ajustado o lançamento sem que implique nulidade do ato administrativo. IPI VINCULADA À IMPORTAÇÃO MULTA DEFINIDA NO ART. 364, INCISO II, DO RIPI Aplicase retroativamente o tratamento mais benéfico dado pela redução da penalidade perpetrada pela Lei n° 9.430/1996. PENALIDADE AGRAVADA Na reunião num mesmo auto de infração de diversos fatos geradores, o agravamento de penalidade definido pelo art. 4º, inciso I, da Lei 8.218/1991, deve restringirse àqueles fatos geradores para os quais não houve o atendimento às intimações realizadas pela fiscalização. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DA IMPORTAÇÃO Havendo descrição da unidade funcional máquina que contemple módulos acessórios ou complementares cujos módulos não são acolhidos como integrantes da unidade funcional, a penalidade deve limitarse à ausência da descrição desses módulos não alcançando a máquina principal que for perfeitamente descrita na Declaração de Importação / Guia de Importação. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO Em cumprimento ao r. despacho de fls. 168, de abril de 1999 e às Resoluções nºs 3011207, de 17/10/2001 e 3011990, de 07/08/2008, foram realizadas perícias nos seguintes equipamentos: item A, item B, item F, item I e item J. Quanto aos demais itens do auto de infração, houve novamente conversão em diligência do julgamento, conforme o que determinou a Resolução nº 3101000.313, de 27 de novembro de 2013 (fls. 969/976) da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para que o Instituto Nacional de Tecnologia realizasse a perícia nos itens restantes. Para tanto, a unidade de origem deveria intimar a Recorrente para que indicasse a localização das máquinas objeto de perícia (itens C, D, E, G, L, M) e diante da indicação da localização das máquinas, que complementasse as informações necessárias para que o INT concluísse os respectivos laudos requeridos. A autoridade intimou a Recorrente para apontar o local onde se encontravam os itens a serem periciados. De posse das informações prestadas, foi enviado o Ofício nº 276/2014/ALFVCP/SRRF08/RFB/MFSP (fls. 1.002/1.005) ao Instituto Nacional de Tecnologia (INT), sediado na cidade do Rio de JaneiroRJ, para que elaborasse parecer técnico com vistas a responder os quesitos formulados pela autoridade julgadora (fls. 974 a 976) sobre os equipamentos descritos nos itens C, E, G, L e M do Termo de Verificação Fiscal (TVF). Houve também a apresentação de quesitos pela Recorrente. Além dos quesitos, foram transcritas no ofício as informações prestadas pela TETRA PAK acerca da localização das máquinas. Foi encaminhado também catálogo técnico do equipamento descrito no item C do TVF, face à informação prestada pela TETRA PAK quanto à localização de tal equipamento. A diligência foi cumprida, conforme relatório de efls. 1023, que, em suma, informou não ter sido possível a realização de perícia nos itens C, E, G, L, M, por falta de condições técnicas necessárias. Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 13838.000066/9840 Acórdão n.º 3301003.619 S3C3T1 Fl. 1.041 9 É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. Decadência para o Fisco constituir os respectivos créditos tributários e as penalidades, na forma do CTN e o RA A Recorrente alega que se operou a decadência dos fatos geradores, nos termos do §4º do art. 150 do CTN. Neste processo, o objeto em litígio é a cobrança de II e IPI decorrente de total ausência de recolhimento desses tributos incidentes sobre as DIs listadas no auto de infração. A II e o IPI são tributos que se sujeitam ao lançamento por homologação, contudo a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pela regra geral do art. 150, §4°, do CTN, apenas quando o contribuinte tiver realizado o respectivo pagamento antecipado ainda que parcial. Então, afastase a aplicação da regra prescrita no art. 150, §4º, do CTN diante da ausência total de antecipação do pagamento, para a aplicação da regra do art. 173, I do CTN. Nesse sentido, o STJ já se pronunciou no REsp 973.733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 18/09/2009. Por conseguinte, as DI’s autuadas foram registradas a partir de 25/01/1991, o prazo decadência começou a fluir em 01/01/1992, expirandose me 31/12/1996. O auto de infração foi lavrado em 12/11/1996 e cientificado à contribuinte em 14/11/1996. Assim, não houve a decadência. Ocorrência de mudança de critério jurídico por parte da administração aduaneira em face das circunstâncias do desembaraço aduaneiro Entendo que não assiste razão à Recorrente neste pleito, pois a revisão aduaneira não implica em mudança de critério jurídico, os critérios em vigor na data da conferência aduaneira não mudaram, apenas houve a constatação de descumprimento das normas pela Recorrente. Nos termos do art. 149, V e parágrafo único, do CTN, a revisão aduaneira poderá ser efetivada para constituição do credito tributário. Incidência da isenção em face do transporte feito em navio de bandeira estrangeira Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 13838.000066/9840 Acórdão n.º 3301003.619 S3C3T1 Fl. 1.042 10 É fato incontroverso nos autos a utilização de navio com bandeira estrangeira. A defesa voltase apenas à consideração de que o DecretoLei nº 666/69 afronta a igualdade tributária e que a Lei nº 8.191/91 concedeu isenção incondicionada para o IPI. A descaracterização do direito à isenção fiscal de IPI na importação de mercadorias transportadas por via marítima foi decorrente da constatação de que o transporte foi feito em navio de bandeira estrangeira. Citase abaixo a legislação aplicável: DECRETOLEI Nº 666, DE 2 DE JULHO DE 1969. Institui a obrigatoriedade de transporte em navio de bandeira brasileira e dá outras providências. DOU 3.7.1969 (…) Art 2º Será feito, obrigatoriamente, em navios de bandeira brasileira, respeitado o princípio da reciprocidade, o transporte de mercadorias importadas por qualquer Órgão da administração pública federal, estadual e municipal, direta ou indireta inclusive emprêsas públicas e sociedades de economia mista, bem como as importadas com quaisquer favores governamentais e, ainda, as adquiridas com financiamento, total ou parcial, de estabelecimento oficial de crédito, assim também com financiamentos externos, concedidos a órgãos da administração pública federal, direta ou indireta. (...) Art 5º Para os fins dêste DecretoLei, considerase navio de bandeira brasileira o navio afretado por empresa brasileira devidamente autorizada a funcionar no transporte de longo curso. Art. 6º Entendemse por favores governamentais os benefícios de ordem fiscal, cambial ou financeira concedidos pelo. Govêrno Federal. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 687, de 1969) Parágrafo único. As dúvidas de Interpretação sôbre o conceito de favores governamentais serão dirimidas pelo Ministério da Fazenda. (Incluído pelo Decreto Lei nº 687, de 1969) DECRETO No 91.030, DE 5 DE MARÇO DE 1985 Capítulo X Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 13838.000066/9840 Acórdão n.º 3301003.619 S3C3T1 Fl. 1.043 11 Proteção à Bandeira Brasileira Art. 217 – Respeitado o princípio da reciprocidade de tratamento, é obrigatório o transporte: (…) III – Em navio de bandeira brasileira, de qualquer outra mercadoria, a ser beneficiada com isenção ou redução do imposto (DecretoLei no 666/69, art. 2O). §1O Para fins deste artigo, também se considera de bandeira brasileira, o navio estrangeiro afretado por empresa nacional autorizada a funcionar regularmente (DecretoLei no 666/69, art. 5O). (…) Art. 218 – O descumprimento do disposto no artigo anterior: (…) II quanto ao inciso III, importará na perda do benefício de isenção ou redução de tributos. A exigência do transporte realizado por navio de bandeira brasileira como pressuposto para fruição de isenção já foi enfrentada pela Súmula nº 581, do STF: A exigência de transporte em navio de bandeira brasileira, para efeito de isenção tributária, legitimouse com o advento do Decretolei 666 de julho de 1969. O Decretolei nº 666/69 objetivava incentivar a Marinha Mercante Nacional. Cotejando os dispositivos legais, temse que o conceito de “transporte em navio de bandeira brasileira, para fins de importações que utilizem o transporte marítimo” é construído a partir dos art. 2º e 5º do Decretolei nº 666/1969. Assim, respeitado o princípio de reciprocidade, é obrigatório o transporte em navio de bandeira brasileira de mercadoria a ser beneficiada com isenção ou redução tributária (art. 2º do DL nº 666/1969; art. 217 e 218, do Regulamento Aduaneiro vigente à época, Decreto no 91.030). Dessa forma, o reconhecimento do direito ao benefício está condicionado ao transporte em navio de bandeira brasileira ou ao transporte em navio estrangeiro fretado por empresa nacional autorizada a funcionar regularmente no transporte de longo prazo, conforme prescrição do art. 5º. A Lei nº 8.191/91 tratou da isenção de IPI vinculado à importação, das mercadorias constantes da relação publicada no Decreto nº 151/91. Todavia, a Lei nº 8.191/91 Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 13838.000066/9840 Acórdão n.º 3301003.619 S3C3T1 Fl. 1.044 12 não revogou o referido DecretoLei, permanecendo intacta a regra de proteção à bandeira, de aplicação geral a todos os favores governamentais, conforme acima disposto. Portanto, não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. Subsunção das 12 importações às normas jurídicas que definiram os respectivos “ex tarifários” Alega a Recorrente que, para os itens A a D, o auto de infração carece de provas. Já para as DI relacionadas nos demais itens, aduz a Recorrente que os equipamentos importados são acessórios das máquinas, que delas fazem parte, quando encomendados pelos clientes para uso conjunto, pois afirma que sem esses equipamentos seria impossível o envase de produtos, finalidade das máquinas. Em seu recurso voluntário, a empresa alega cerceamento de defesa, por ausência de realização de perícias. O CARF, por meio de várias Resoluções, determinou a realização das perícias em cada um dos itens do auto de infração. Os resultados das determinações de perícia seguem abaixo elencados. Item A Referese a DI 007118, de 17/07/92 – produto desembaraçado com redução de alíquota descrito como “Espectofotometro eletrônico tipo ultravioleta visível, de reflectância, com faixa de medição de 400 a 700 nm [nanômetros]”, na forma da Portaria MEFP nº 512/1992, A fiscalização afirma que, conforme prospectos técnicos e manuais da máquina, verificouse ter reflectância com faixa de medição de 400 a 4400 nanômetros. Por sua vez, o Laudo do item A, às fls. 243/267, apresenta a seguinte conclusão: “O equipamento vistoriado está parcialmente em conformidade com a documentação apresentada. Em vistoria física e reconhecimento do aparelho e por análise em catálogos pudemos constatar: (a) tratase efetivamente de espectrofotômetro, com acessórios (plotter não localizado), (b) o equipamento não atinge a faixa de 400 namômetros: a faixa de trabalho é de 4000 a 400 cm1 (o que equivale a uma faixa de trabalho entre 2730 e 25000 nanômetro).” Então, deve ser mantida a autuação para o item A, com multa de ofício (com o agravamento já retirado pela DRJ e confirmado no julgamento do recurso de ofício). Item B Excluído do auto pela DRJ e confirmado em recurso de ofício. Item D Referese a DI 003429, de 04/09/92, produto desembaraçado com redução de alíquota descrito como “Máquina automática para envasar alimentos líquidos ou pastosos, alimentadas por bobina de cartão kraft laminado com polietileno e alumínio, com controlador lógico programável”, na forma da Portaria MEFP nº 1.198/1991. Para a fiscalização, “as Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 13838.000066/9840 Acórdão n.º 3301003.619 S3C3T1 Fl. 1.045 13 máquinas analisadas NÃO INCORPORAM Controlador Lógico Programável – CLP, NÃO PODENDO desta forma gozar do benefício”. Segundo a manifestação, de fls. 211/212, da Recorrente: “não foram objeto de apresentação de quesitos pela Recorrente, encontrandose, assim, fora do trabalho pericial a ser realizado”. Ademais, o prospecto apresentado pela contribuinte e Certificado SGS n° 7144202 (fls. 191/212) não provam se a máquina possuía Controlador Lógico Programável. Por isso, deve ser mantida a autuação para o item D, mantidas as multas aplicadas. Item F Produtos desembaraçados com redução de alíquota descritos como “Máquina automática para envasar alimentos líquidos ou pastosos em embalagens asséptica, alimentada por bobinas de cartão kraft laminado com polietileno e alumínio, com controlador lógico programável, pesando acima de 5.000 kg”, na forma da Portaria MF nº 849/1990, que, excluídos os denominados acessórios importados em conjunto com as máquinas (“Transformador”, “Dispositivo PULL TAB”, “Dispositivo HVA”, Unidade de Limpeza com CLP”, Válvula de Reserva”) considerados como não integrantes do “ex”, o peso líquido estimado (para a máquina importada com o dispositivo “PULL TAB”) foi considerado 4.310kg, aquém do peso previsto na Portaria que instituiu a redução. O Laudo do item F do auto de infração, às fls. 402/533, tem a seguinte conclusão: “Com base nas observações e constatações feitas na visita de perícia, confirmadas através das referências aos catálogos dos equipamentos e entrevistas com os seus responsáveis, este perito confirma que a máquina TBA/9 somente poderá produzir embalagens tipo PUL TAB única e exclusivamente se possuir o equipamento PULL TAB”. O laudo atesta que a máquina possui controlador lógico programável (fl. 406), bem como é possível se afirmar que o peso se coaduna com a exigência legal. Assim, deve ser cancelada a autuação para o item F. Item H Referese a produtos desembaraçados com redução de alíquota descritos como “Máquina automática para envasar leite pasteurizado em embalagens cartonada pré montada de cartão kraft laminado com polietileno”, na forma da Portaria MF nº 677/1991, que, por considerar que o “ex” abrange apenas a máquina, excluiu os “extra equipaments” ou “optional accessories”, denominados “acessórios, opcionais, sobressalentes e peças de reposição”. Em relação aos equipamentos identificados no item H, os laudos realizados para os itens I e J, para equipamentos idênticos, juntados às fls. 269/333 e fls. 335/338, suprem perfeitamente a integridade da descrição necessária à identificação e classificação fiscal das máquinas importadas sob o amparo das DIs 000441, de 31/03/92, 001427, de 03/04/92 e 026240, de 26/06/92. Deve ser cancelada a autuação deste item. Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 13838.000066/9840 Acórdão n.º 3301003.619 S3C3T1 Fl. 1.046 14 Item I Laudo do item I do auto de infração (equipamentos idêntico aos itens H e J) “Máquina automática para envasar leite pasteurizado em embalagens cartonada prémontada de cartão kraft laminado com polietileno” às fls. 269/333, com a seguinte conclusão: “O equipamento vistoriado está em conformidade com a documentação apresentada. As partes descritas como acessórios no paking list, são efetivamente essenciais ao funcionamento, ou seja: se removidos, impediriam o perfeito funcionamento da máquina periciada na operação de envase.” Deve ser cancelada a autuação deste item. Item J Laudo do item J do auto de infração (equipamentos idêntico aos itens H e I) “Máquina automática para envasar leite pasteurizado em embalagens cartonada prémontada de cartão kraft laminado com polietileno” às fls. 335/338, com a seguinte conclusão: “O equipamento vistoriado está em conformidade com a documentação apresentada. As partes descritas como acessórios no paking list, são efetivamente essenciais ao funcionamento, ou seja: se removidos, impediriam o perfeito funcionamento da máquina periciada na operação de envase.” Deve ser cancelada a autuação deste item. Itens C, E, G, L, M A Resolução nº 3101000.313 determinou a perícia para esses itens, contudo, o Ofício nº 692/INT (fls. 1.010 a 1.014), esclareceu o que segue, conforme consta do Relatório da Diligência (efls. 10201023): 1. Que o INT entende não ser possível executar perícia à distância, com base apenas em catálogos, o que inviabiliza o atendimento aos quesitos do Item C; 2. Que o INT entende não ser possível executar perícia por semelhança de equipamentos, o que inviabiliza o atendimento aos quesitos do Item L; 3. Que em contato com representante da TETRA PAK, Sr. José Cláudio Pires, o INT foi informado que a única máquina ainda em funcionamento no Brasil é a de modelo TBA/09; 4. Que o INT entende ser necessário observar as máquinas em funcionamento para resposta aos quesitos, o que inviabiliza o atendimento aos quesitos do Item M (máquina modelo TBA/08, fl. 67); 5. Que o INT afirma que os endereços das máquinas fornecidos pelo próprio importador não se mostraram suficientes, o que inviabiliza o atendimento aos quesitos dos demais Itens E e G; Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 13838.000066/9840 Acórdão n.º 3301003.619 S3C3T1 Fl. 1.047 15 6. E por fim, que o INT afirma que até o momento não teve fornecidas as condições para que as perícias sejam realizadas, mesmo após ter contatado representante da empresa. Ressaltese que, regularmente notificada, a Recorrente sobre o relatório da diligência não se manifestou. Para o reconhecimento de isenção ou redução de impostos, cabe ao importador o ônus de provar ao fisco que a mercadoria importada se enquadra na isenção ou redução do imposto de importação requerida na DI. Salientese que o auto de infração foi instruído com conhecimentos de transporte, faturas, notas fiscais de saída das máquinas de envase, catálogos, laudos periciais e etc. Portanto, deve ser mantida a autuação para os itens C, E, G, L, M. Taxa Referencial Diária como juros de mora É exigível a Taxa Referencial Diária como juros de mora, por determinação expressa do art. 3º da Lei nº 8.218/91. O período de 4 de fevereiro a 29 de julho de 1991 já excluído e foi objeto do recurso de ofício já julgado. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 22 de maio de 2017. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 1047DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.900598/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13896.900598/2009-90
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5742220
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-002.542
nome_arquivo_s : Decisao_13896900598200990.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO
nome_arquivo_pdf_s : 13896900598200990_5742220.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6858399
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049214426021888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1956; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.900598/200990 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.542 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria IRPJ/CSLL/Compensação Recorrente NYLOK TECNOLOGIA EM FIXAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 05 98 /2 00 9- 90 Fl. 382DF CARF MF Processo nº 13896.900598/200990 Acórdão n.º 1402002.542 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 383DF CARF MF Processo nº 13896.900598/200990 Acórdão n.º 1402002.542 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 13896.900598/200990 Acórdão n.º 1402002.542 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 13896.900598/200990 Acórdão n.º 1402002.542 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 386DF CARF MF Processo nº 13896.900598/200990 Acórdão n.º 1402002.542 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 387DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900619/2012-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13830.900619/2012-37
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5748056
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1302-002.150
nome_arquivo_s : Decisao_13830900619201237.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 13830900619201237_5748056.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6874850
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049214431264768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.900619/201237 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.150 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente MATHEUS RODRIGUES MARILIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 19 /2 01 2- 37 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900619/201237 Acórdão n.º 1302002.150 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900619/201237 Acórdão n.º 1302002.150 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900619/201237 Acórdão n.º 1302002.150 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
