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Numero do processo: 10530.001633/2003-51
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2201-000.055
Decisão:
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizase como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 25 de abril de 2013 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 16 33 /2 00 3- 51 Fl. 778DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Relatório ELIZABETH GUEDES DE CARVALHO PIMENTEL interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSALVADOR/BA (fls. 602) que julgou procedente o lançamento, formalização por meio do auto de infração de fls. 447/454 para exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF no valor de R$ 454.574,63, acrescido de multa de ofício e juros de mora, totalizando um crédito tributário lançado de R$ 1.149.346,49. A infração está assim descrita no auto de infração: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA – Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas durante o anocalendário de 1998, nas instituições financeiras BANCO BANEB S/A, contas nº 199148 e 2125990, agência Paulo Afonso; e CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, contas nº 1065224 e 65220, agência 0985. a origem dos recursos utilizados nestas operações não foi comprovada pelo contribuinte, conforme descrição a seguir. (...) Por meio do Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 25/07/2003, a contribuinte foi intimada a comprovar, em 10 dias, as origens dos valores creditados em suas contas bancárias nas instituições financeiras retro citadas, de conformidade com demonstrativo anexo. Em 15/08/2003, a contribuinte solicita mais trinta dias de prazo para apresentar a comprovação da origem dos recursos depositados em suas contas bancárias. Vencido o prazo, nenhum documento foi apresentado. Como o fato de manter valores creditados em conta de depósito junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados, caracteriza se como omissão de rendimentos, nos termos do art. 42 da lei nº 9.430/96, foi lavrado o presente auto de infração. A Contribuinte apresentou declaração anual para o ano calendário de 1998, com todos os valores iguais a zero, portanto não teve seus rendimentos declarados e nem tributados. Impugnação A Contribuinte impugnou o lançamento (fls. 458/464), aduzindo, em síntese, que os recursos depositados em suas contas pertenciam a terceiros, seus clientes, e se referem à liberação de alvarás judiciais referentes a ações que patrocinou, recursos esses que foram depositados em suas contas para posterior repasse aos seus clientes. Nas palavras da própria Impugnante: Fl. 779DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10530.001633/200351 Acórdão n.º 2201002.062 S2C2T1 Fl. 3 3 À medida que os alvarás iam sendo expedidos, davase entrada deles no Banco Baneb S/A, hoje banco Bradesco S/A (exemplo Doc. 10), sendo o dinheiro sacado das contas mencionadas nos alvarás e depositados na conta de poupança da Impetrante ou parte em conta corrente, todas abertas para este fim específico e pagamento efetuado conforme demonstra o relatório de fls. 33. Para fins de pagamento aos clientes, através de cheques ou ordens de pagamento, o dinheiro saía da caderneta de poupança para a conta corrente numa operação bancária que o Banco fazia que fosse préavisado quer não. Neste caso específico, a conta de poupança era de número 199148 e a conta corrente de número 2125990 conforme se vê do Doc. 67, anexo. Os docs. 11, 13 e 25 a 31 foram encaminhados ao BANEP, a seu pedido só para fins de regularização, daí não ter contrafé já que só interessava ao Banco o qual já tinha se antecipado na operação, vez que assim que o cheque era emitido, bastava um telefonema para o gerente da Agência, que ele automaticamente efetuava a transferência da conta de poupança para a conta corrente, regularizandose por escrito, depois. Ou seja, o mesmo dinheiro que entrava na caderneta de poupança, aos poucos ia migrando para a conta corrente, tendo eles, em comum, a mesma origem, qual seja, os alvarás judiciais expedidos nos autos das ações de desapropriação propostos pela CHESF. Nada ilícito, como se vê. (...) De gizar, que aproximadamente 90% dos alvarás expedidos pela Justiça do Trabalho são para a Caixa Econômica e algo em torno de 10% para o Banco do Brasil. Quando a autora recebia os alvarás, estes eram creditados em sua conta para posterior pagamento a seus clientes. Até o ano de 1992 a Autora tinha dois sócios, o Dr. CELSO PEREIRA DE SOUZA (...) e NEDJAMAR BELÉM RODRIGUES DE MELO (...). A partir de 1992, ficou somente o Dr. CELSO. Pois, bem, quando os alvarás eram recebidos por qualquer dos sócios, para os processos anteriores a 1992 os honorários eram divididos por 03 (três) e a partir de 1992, divididos por 02 (dois). A documentação de n. (Docs. 50 a 70) anexo, mostra como eram feitos os acertos de honorários o que perdurou praticamente até o ano de 2001, sempre em valores irrisórios. A Contribuinte invoca como prova do acima alegado o fato de algumas famílias terem entrado como ações por não terem recebido os recursos a elas destinados; argumenta que de um universo de cerca de 320 famílias, apenas 12 questionaram o não recebimento dos recursos que lhes pertenciam. A DRJSALVADOR/BA julgou procedente o lançamento com base nas seguintes considerações. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Observou a DRJSALVADOR/BA que o auto de infração foi lavrado por servidor competente, de conformidade com o disposto no art. 142 do CTN e está perfeito do ponto de vista formal, conforme artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972; que se trata de lançamento com base em presunção legal de omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origens não comprovadas; que a Contribuinte foi devidamente intimada a comprovar a origem dos depósitos, o que não fez, permitindo, assim, ao Fisco, lançar o crédito tributário, valendose de uma presunção legal de omissão de rendimentos; que é lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída à contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de rendimentos omitidos; que a Contribuinte estava obrigada a manter a documentação atinente aos fatos que alega; que os valores cuja origem houvesse sido comprovada submeterseiam á tributação específica prevista na legislação vigente; que a legislação é clara a exigir a comprovação da origem dos recursos depositados, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea; que, ausente a prova da origem dos valores depositados em conta bancária, prevalece a presunção estabelecida no art. 42 da lei nº 9.430, de 1996, que fundamentou o lançamento. Cientificada da decisão de primeira instância em 06/12/2005 (fls. 611), a Contribuinte apresentou, em 05/01/2006, o recurso de fls. 618/629 no qual reitera a alegação da impugnação de que os depósitos bancários que ensejaram o lançamento referemse a recursos de terceiros, seus clientes, que transitaram por suas contas, procedentes de alvarás judiciais. Reforça os argumentos da impugnação e agrega outros elementos de prova que acosta ao processo às fls. 630/715. O processo foi incluído na pauta de julgamento da antiga Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que decidiu converter o julgamento em diligência para as seguintes providências (Resolução nº 10402.046, de 18 de outubro de 2007): para a Contribuinte fosse intimada a apontar, de forma individualizada, quais depósitos bancários tiveram origem em alvarás judiciais, indicando os alvarás e a ação judicial em questão; de posse dessa informação, intimar a instituição financeira depositária a informar datas e valores das liberações dos alvarás. Tudo isso com o propósito de confirmar e/ou infirmar a vinculação entre as liberações de depósitos judiciais e os respectivos créditos nas constas da Recorrente. Por fim, deveria a autoridade administrativa elaborar relatório circunstanciado, com os dados colhidos na diligência e outras informações que entender pertinentes para o desfecho da lide, dele dando ciência a Contribuinte, assinandolhe prazo de 5 (cinco) dias para, querendo, se manifestar Foi cumprida a diligência quanto às intimações, porém sem que tenha sido dado ciência à contribuinte, conforme determinado. O processo foi, então, novamente incluído em pauta de julgamento, agora já desta Turma que decidiu novamente converter o julgamento em diligência para que a contribuinte fosse intimada do resultado da diligência anterior (Resolução nº 220100.043, de 23 de setembro de 2010. A contribuinte foi, então, cientificada, conforme solicitado (fls.. 774 e 775) e não se manifestou. É o relatório. Voto Fl. 781DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10530.001633/200351 Acórdão n.º 2201002.062 S2C2T1 Fl. 4 5 Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento com base em depósitos bancários sem comprovação de origem. Às fls. 565 consta planilha onde estão relacionados os depósitos considerados na autuação, feitos nas seguintes contas: BANEP, contas nº 199148 e 2125990, Caixa Econômica Federal, constas 106.5224 e 65220. A Contribuinte alega que as origens dos depósitos eram alvarás judiciais referentes ações que patrocinava e que foram sacados de várias contas judiciais e em seguida repassados aos seus clientes. Também afirma que grande parte dos depósitos referese a transferências entre contas. É 0 que se extrai das respostas das instituições financeiras à intimação, determinada por diligência: ambas as instituições financeiras foram categóricas ao afirmar que não foram identificados depósitos decorrentes de alvarás judiciais nas contas da Contribuinte (fls. 756, 759 e 760). Afirma a Recorrente que os alvarás foram depositados em “várias contas judiciais” de onde foram sacados e depositados em suas contas. Porém não comprova este fato. Limitase a Recorrente a apontar, genericamente, a liberação de alvarás judiciais que teriam sido sacados e depositados em suas contas, sem demonstrar a efetiva ocorrência do fato. A Contribuinte apresenta petições e ações propostas contra as instituições financeiras, especialmente o Bradesco pelo qual solicita a apresentação de vários documentos que, segundo ela comprovariam as origens dos depósitos, documentos que, segundo afirma não foram apresentados. Ás fls. 268 a 421 a Contribuinte apresenta vários recibos que comprovariam que repassou a terceiras pessoas, seus clientes, valores referentes a liberações de alvarás. Com isto pretende comprovar a alegada origem dos depósitos, que seriam os tais alvarás. Ocorre que todos os recibos apresentados são datados do ano de 2007, quando a autuação referese a depósitos feitos no ano de 2008. Enfim, o fato é que a Contribuinte não consegue vincular um único depósito ao recebimento dos alegados alvarás judiciais. E quanto às transferências entre contas, da mesma forma, nada foi apresentado que fizesse a ligação entre o saque em uma conta e os depósitos na outra e muito menos a transferência direta entre contas. Ora, o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 é claro quando se refere á comprovação, de forma individualizada, das origens dos depósitos, senão vejamos: Art. 42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Não basta, portanto, a simples referência genérica a uma possível origem para os depósitos, é preciso identificar, de forma individualizada, a origem de cada depósito. E não se diga que tal tarefa é difícil ou impraticável, a um, porque a Lei está em vigor desde 1996, impondo a necessidade de os contribuintes, quando intimados, comprovarem as origens dos depósitos; a dois, porque é inaceitável que alguém que movimente soma tão elevada de recursos, alegadamente de terceiros, não mantenha um mínimo de controle dessa movimentação para futura prestação de contas. O ônus de fazer a prova das origens dos depósitos é do contribuinte e se este não se desincumbe dessa tarefa, resta configurada, por presunção legal, a omissão de rendimentos. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 783DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10530.001633/200351 Acórdão n.º 2201002.062 S2C2T1 Fl. 5 7 Fl. 784DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000542/2010-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/05/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SALÁRIOS
INDIRETOS DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91.
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias,
para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de
afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
SALÁRIO INDIRETO AJUDA DE CUSTO RELACIONADO A DESLOCAMENTO AO TRABALHO SEM DEMONSTRAÇÃO DA NATUREZA “PARA” O TRABALHO.
O pagamento de deslocamento para alguns empregados de sua residência até
o trabalho não demostra a exclusão da base de cálculo, posto que o
empregado teria que se deslocar de qualquer forma, assim, como os demais
demonstrando um benefício direto não concedido a todos os empregados e
que não se coaduna com a regra “para o trabalho”, capaz de excluir a verba
da base de cálculo.
SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE ALUGUEL PARA EMPREGADO.
Não traz o recorrente qualquer documento que demonstre que os valores dos
alugueis fornecidos teriam relação direta com o trabalho desempenhado, mas,
tão somente consiste de benefício direto pago ao empregado, possuindo nítida
feição salarial.
PAGAMENTO DE SALÁRIO AFERIÇÃO INDIRETA PARÂMETRO RAZOÁVEL
Correto o procedimento adotado pelo auditor, ao determinar os valores do
salário do empregado Jorge Okumura, baseando-se no salário pelo mesmo
recebido alguns meses depois.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento
importa em renúncia e consequente concordância com os termos da Decisão
de Primeira Instância.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/05/2007
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES SALÁRIO
INDIRETO NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO
DOS FATOS GERADORES.
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o
pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no
DAD, bem como no relatório fiscal e seus anexos.
INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE
DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder
Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária.
PROCEDIMENTO FISCAL APRESENTAÇÃO DE TODOS OS TERMOS CIENTIFICANDO O RECORRENTE DA CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL.
Tendo a autoridade fiscal cumprido todo o rito necessário a constituição do
crédito e realização do procedimento não padece o lançamento de qualquer
vício.
INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS
A assinatura oposto por empregado do setor de contabilidade, para requisição
de documentos não vicia o procedimento, posto que não se trata de
documento final de constituição do crédito.
TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA
Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra
importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de
imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa
dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se
referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.469
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/05/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SALÁRIOS INDIRETOS DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. SALÁRIO INDIRETO AJUDA DE CUSTO RELACIONADO A DESLOCAMENTO AO TRABALHO SEM DEMONSTRAÇÃO DA NATUREZA “PARA” O TRABALHO. O pagamento de deslocamento para alguns empregados de sua residência até o trabalho não demostra a exclusão da base de cálculo, posto que o empregado teria que se deslocar de qualquer forma, assim, como os demais demonstrando um benefício direto não concedido a todos os empregados e que não se coaduna com a regra “para o trabalho”, capaz de excluir a verba da base de cálculo. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE ALUGUEL PARA EMPREGADO. Não traz o recorrente qualquer documento que demonstre que os valores dos alugueis fornecidos teriam relação direta com o trabalho desempenhado, mas, tão somente consiste de benefício direto pago ao empregado, possuindo nítida feição salarial. PAGAMENTO DE SALÁRIO AFERIÇÃO INDIRETA PARÂMETRO RAZOÁVEL Correto o procedimento adotado pelo auditor, ao determinar os valores do salário do empregado Jorge Okumura, baseando-se no salário pelo mesmo recebido alguns meses depois. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da Decisão de Primeira Instância. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/05/2007 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES SALÁRIO INDIRETO NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal e seus anexos. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PROCEDIMENTO FISCAL APRESENTAÇÃO DE TODOS OS TERMOS CIENTIFICANDO O RECORRENTE DA CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. Tendo a autoridade fiscal cumprido todo o rito necessário a constituição do crédito e realização do procedimento não padece o lançamento de qualquer vício. INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A assinatura oposto por empregado do setor de contabilidade, para requisição de documentos não vicia o procedimento, posto que não se trata de documento final de constituição do crédito. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Negado.
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Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. SALÁRIO INDIRETO AJUDA DE CUSTO RELACIONADO A DESLOCAMENTO AO TRABALHO SEM DEMONSTRAÇÃO DA NATUREZA “PARA” O TRABALHO. O pagamento de deslocamento para alguns empregados de sua residência até o trabalho não demostra a exclusão da base de cálculo, posto que o empregado teria que se deslocar de qualquer forma, assim, como os demais demonstrando um benefício direto não concedido a todos os empregados e que não se coaduna com a regra “para o trabalho”, capaz de excluir a verba da base de cálculo. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE ALUGUEL PARA EMPREGADO. Não traz o recorrente qualquer documento que demonstre que os valores dos alugueis fornecidos teriam relação direta com o trabalho desempenhado, mas, tão somente consiste de benefício direto pago ao empregado, possuindo nítida feição salarial. PAGAMENTO DE SALÁRIO AFERIÇÃO INDIRETA PARÂMETRO RAZOÁVEL Correto o procedimento adotado pelo auditor, ao determinar os valores do salário do empregado Jorge Okumura, baseandose no salário pelo mesmo recebido alguns meses depois. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da Decisão de Primeira Instância. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/05/2007 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES SALÁRIO INDIRETO NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal e seus anexos. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PROCEDIMENTO FISCAL APRESENTAÇÃO DE TODOS OS TERMOS CIENTIFICANDO O RECORRENTE DA CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. Tendo a autoridade fiscal cumprido todo o rito necessário a constituição do crédito e realização do procedimento não padece o lançamento de qualquer vício. INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A assinatura oposto por empregado do setor de contabilidade, para requisição de documentos não vicia o procedimento, posto que não se trata de documento final de constituição do crédito. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 788DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000542/201087 Acórdão n.º 2401002.469 S2C4T1 Fl. 2 3 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.266.3850, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, no período de 01/2007 a 05/2007. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 13 a 20 , com análise das folhas de pagamento e da contabilidade, documentos que consubstanciaram o lançamento, foi detectado o fornecimento de diversos benefícios ao sr. JORGE NOBUYUKI OKUMURA, não considerados pela empresa como base de cálculo de contribuição previdenciária e, consequentemente, não informados em GFIP, declaração de cunho obrigatório, assim, motivo de autuação específica. Ditos fatos geradores consistem: TRANSPORTE (COMBUSTÍVEL/PEDÁGIO), AJUDA DE CUSTO (ALUGUEL) e considerando que o trabalhador não constava da folha de pagamento no período de 01/2007 a 05/2007, seu salário base foi apurado por aferição indireta pelo patamar do seu primeiro salário em folha. A partir de junho de 2007, o segurado foi devidamente incluído em folha de pagamento como funcionário, com salário base de R$ 4.500,00 e recebendo os mesmos benefícios aqui elencados, ainda não considerados pela empresa fatos geradores de contribuição previdenciária. A fonte principal das apuração dos fatos geradores foram a contas contábeis: LEVANTAMENTO AJ – ALUGUEL JORGE OKUMURA 4.3.31.02.00.50 – Foram encontrados recibos de aluguel pago a proprietário pessoa física em nome do empregado Jorge Nobuyuki Okumura, de janeiro a maio de 2007. Na referida conta aparece o histórico contábil: PAGTO OKUMURA E O VALOR DE r$ 320,00. A identificação do lançamento, além do texto e numa análise mais profunda é indiscutivelmente a mesma dos lançamentos da conta “veículos”, para os pagamentos efetuados em nome desse segurado. Apenas que, devido à natureza diversa das despesas (veículos e alugueis) obviamente foram lançadas apropriadamente, cada qual em sua conta. LEVANTAMENTO TJ – TRANSPORTE JORGE OKUMURA 4.3.35.02.00.42 Esse levantamento extraído dos documentos examinados referentes aos lançamentos contábeis da conta 4.3.35.02.00.42 VEÍCULOS para custear o transporte de ida e vinda ao trabalho, como combustível e pedágio. A apuração deuse por meio de demonstrativos de reembolso de despesas mensais com a quilometragem diária efetuada, atribuindose um valor pelo quilômetro rodado, fixado de acordo com o local da residência do funcionário, juntamente com as passagens diárias pelas praças de pedágios de acesso a empresa. As passagens de pedágio foram obtidas por meio das faturas do sistema “Sem parar”. LEVANTAMENTO SJ – SALÁRIO JORGE OKUMURA – Fl. 790DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000542/201087 Acórdão n.º 2401002.469 S2C4T1 Fl. 3 5 Conforme dito anteriormente o sr. Jorge Okumura foi inserido na FOPAG apenas em junho de 2007, conforme documento de todo ano de 2007. Devido aos fatos descritos nos itens anteriores, quanto aos recebimentos por parte do segurado, comprovadamente ajuda de custo veículo (combustível e pedágio) e aluguel de janeiro a maio de 2007. Ressaltouse que os valores não foram declarados em GFIP, tendo sido lavrado auto de infração específico sob o n. 37.266.3818. Procedeu a autoridade fiscal ao comparativo da multa aplicada de acordo com os termos da lei 11.941, procedendo ao comparativo da mesma de forma a aplicar a mais benéfica a recorrente. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 23/09/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 27/09/2010. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 189 a 217. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 411 a 418.. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 472 a 499 , contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, senão vejamos: 1. Não merece prosperar a acordão prolatado uma vez que fadado à discricionariedade e dessa maneira, à inconstitucionalidade e ilegalidade, conforme se verificará nas razões de direito a seguir expostas. 2. Quanto ao MPF não tendo ocorrido a intimação de prorrogação no prazo legal, o contribuinte readquire a espontaneidade, o que torna nula a continuidade do procedimento fiscal. 3. Ao contrário do entendimento do nobre julgador, considerando a obrigatoriedade de observância dos preceitos formais vinculados ao procedimento fiscal deve ser declarada a nulidade do lançamento. 4. Considerando que o Sr. Ozemar não compõe o quadro societário da empresa, a este é vedado receber intimação ou notificação sem o devido instrumento de mandato, posto que as informações constantes em procedimento fiscal são sigilosas. 5. A ajuda de custo não se subsome à hipótese de remuneração passível de incidência, uma vez que se caracteriza como ressarcimento de despesa na realização da função atribuída ao empregado, ou até mesmo na sua locomoção ao estabelecimento onde trabalha. 6. No tocante a moradia, a distância da empresa ficou comprovada, posto que os empregados não residem no mesmo município da sede ora requerente. Logo não possui o caráter salarial. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 7. Não há qualquer vantagem ao empregado sobre o pagamento de ajuda de custo para manutenção de veículo próprio do empregado quando destinado a ressarcir gastos que teve em benefício do empregador, ou seja, no desempenho da atividade que lhe foi atribuída. 8. Ilegal a constituição de crédito tributário através de presunção de fatos por insuficiência de provas. Inaceitável a lavratura de auto de infração por presunção sob o argumento da fiscalização de que inexiste material probatório suficiente para motivar a infração que pretende imputar ao contribuinte. 9. Cumpre esclarecer a boa fé da ora recorrente e a constante contribuição para a fiscalização e a constante contribuição para com a fiscalização, a qual em todos os momentos foi sempre atendida e a ela apresentados todos os documentos técnicos solicitados. 10. No caso em questão o presente AI foi lavrado com base numa presunção de infração em momento algum confirmada mediante prova documental pela fiscalização, a qual demonstra expressamente não ter verificado todos os documentos apresentados, sendo dessa maneira necessária a realização de uma nova diligência pelo fiscal impugnado para efetiva verificação de todos os documentos fiscais devidamente apresentados, mas não analisados adequadamente pela fiscalização, conforme se evidencia claramente no presente AI. 11. A imposição de multa foi fixada em desconformidade inclusive com os dispositivos invocados, caracterizandose confiscatória. 12. Foram inobservados os princípios constitucionais da legalidade, finalidade, motivação, verdade material 13. Os valores disponibilizados aos funcionários da empresa da empresa não possuem natureza salarial dado o caráter de ressarcimento ou incentivo, não constituindo contraprestação ao serviço prestado. 14. Vislumbramse vícios de nulidade no AI, qual seja violação ao sigilo fiscal por não ter sido exigido instrumento hábil a legitimar os funcionários a recebem intimações da impugnante. 15. Nulo também em função de não possui prova documental suficiente para caracterização da infração pretendida, o que invalida o AI. 16. Seja por fim declarada a inexigibilidade da contribuição e multa imposta. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000542/201087 Acórdão n.º 2401002.469 S2C4T1 Fl. 4 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 778 e 472. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Alegando nulidade do procedimento, argumenta o recorrente que o procedimento administrativo adotado não poderia ser realizado da forma como foi, independente da causa, legal ou contratual, o que malfere o princípio do devido processo legal, posto que não houve a devida motivação, ou mesmo fundamentação para que se apurasse determinadas verbas como salário de contribuição. Vejamos de forma sintética, os termos do recurso: Não merece prosperar a acordão prolatado uma vez que fadado à discricionariedade e dessa maneira, à inconstitucionalidade e ilegalidade, conforme se verificará nas razões de direito a seguir expostas. Quanto ao MPF não tendo ocorrido a intimação de prorrogação no prazo legal, o contribuinte readquire a espontaneidade, o que torna nula a continuidade do procedimento fiscal. Ao contrário do entendimento do nobre julgador, considerando a obrigatoriedade de observância dos preceitos formais vinculados ao procedimento fiscal deve ser declarada a nulidade do lançamento. Considerando que o Sr. Ozemar não compõe o quadro societário da empresa, a este é vedado receber intimação ou notificação sem o devido instrumento de mandato, posto que as informações constantes em procedimento fiscal são sigilosas. Quanto as ditas alegações, em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, as nulidade avençadas pelo recorrente Observase que compõem o Auto de Infração todos os documentos pertinentes a constituição do crédito ora sob análise. e mencionado no corpo do próprio relatório, fl. 36 e 50, as autorizações por meio da emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal, anexo IV, fl. 651. Conforme descrito no parágrafo anterior foi emitido o respectivo Termo de Início de Procedimento, instrumento hábil a solicitar a documentação relativa a todo e qualquer recebimento por parte dos segurados empregados a seu serviços, sendo inclusive, solicitada Fl. 793DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 contabilidade formalizada, instrumento que consubstanciou o lançamento. Assim, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, inclusive solicitando esclarecimentos sobre diversos pontos apurados durante o procedimento não haveria de se falar em qualquer vício no procedimento adotado. No mesmo termo, encontrase a devida designação a auditora fiscal responsável pelo procedimento fiscal. Notese que os termos de Intimação, fl. 654 a 659, de n. 02 a 06, foram entregues pessoalmente na figura do Sr. Alfredo Vieira – Diretor Financeiro, já os termos de n. 07 foi entregue em meio postal, fl. 661 a 662, sendo que os Termos de Intimação 9 e 10, foram assinados pelo Sr. Ozemar Soares, porém tratase apenas de solicitação de documentos e intimação para que representante da empresa compareça a Delegacia para prestar documentos, sendo que não há de se falar em cerceamento do direito de defesa. Notese que ao contrário do entendimento do recorrente a solicitação de documentos realizada pela autoridade fiscal, na pessoa de empregado do setor de contabilidade não provoca vício no procedimento, uma vez que não tratase de cientificação acerca da lavratura do auto de infração, esse sim, possível apenas na figura do represente legal. Foi realizada a conclusão dos trabalhos com a emissão do Termo de Encerramento, fl. 668, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Quanto ao questionamento acerca das prorrogações de MPF, que importariam na nulidade do lançamento, entendo que o assunto já foi esclarecido pela autoridade julgadora de primeira instância, não tendo o recorrente apresentado qualquer fato novo que implicasse na alterações da razões descritas na referida decisão. Assim, transcrevo trecho da decisão no que pertine ao MPF, adotando as razões ali expostas como razão de decidir: No que se refere ao MPF, vale lembar que o mesmo encontrase disciplinado pela Portaria RFB n. 11.371 de 12 de dezembro de 2007, que quanto à sua validade e prorrogação assim dispôs: Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Quer dizer o prazo de validade desse Mandado será de 120 dias (cento e vinte) dias, prorrogáveis tantas vezes quantas necessárias, o que ocorreu no presente caso, como se verifica da cópia que juntamos às fls. 1108. Ressaltese que em se tratando de fiscalização, propriamente dita, é emitido o MPFF, conforme dispõe o parágrafo único do art. 2 dessa Portaria. Confira: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos Fl. 794DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000542/201087 Acórdão n.º 2401002.469 S2C4T1 Fl. 5 9 AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF F), e no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Ademais, a sua emissão e prorrogação é uma ato administrativo de natureza discricionária de controle e planejamento da atividade fiscal e de informação ao contribuinte, sendo que eventuais incorreções ou omissões na sua expedição ou renovação não geram nulidade no âmbito do processo administrativo ou contaminam o lançamento decorrente da ação fiscal, sujeitando apenas o auditor fiscal quanto ao aspecto disciplinar. Por outro lado, o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em inúmeros Acordão, ao apreciar idêntica matéria, já se pronunciou no mesmo sentido, como se vê da Decisão a seguir descrita. PRELIMINAR – MPF – FALTA DE CIÊNCIA DE PRORROGAÇÃO – A regulamentação do MPF estabelece que a prorrogação dos mesmos será controlada na internet, não sendo necessária a ciência pessoal das mesmas (Acordão n. 10248623 – Processo n. 18471.001003/200411, DOU de 23.11.2007) O entendimento se fundamenta no fato de que tanto o MPF original quanto a sua prorrogação não se constitui em ato essencial à validade do procedimento fiscal, tratandose de mero instrumento de controle interno. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos motivos que ensejaram a autuação, entendo que razão não assiste ao recorrente. Quanto à necessidade de justificativa para realização de auditoria (motivação), destacase que ao autoridade fiscal possui competência para verificar o fiel cumprimento da legislação previdenciária. Ademais, o próprio conceito de auditoria descrito na normas previdenciárias, esclarece seu objetivo: “A AuditoriaFiscal Previdenciária AFP ou Fiscalização é o procedimento fiscal externo que objetiva orientar, verificar e controlar o cumprimento das obrigações previdenciárias por parte do sujeito passivo, podendo resultar em lançamento de crédito previdenciário, em Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, em lavratura de Auto de Infração ou em apreensão de documentos de qualquer espécie, inclusive aqueles armazenados em meio digital ou em qualquer outro tipo de mídia, materiais, livros ou assemelhados.” Simplesmente alegar, sem demonstrar o cumprimento da legislação, ou mesmo quais os vícios contidos no lançamento não servem como meio para anular o lançamento. Notese que o relatório fiscal, encontrase detalhado, por rubrica, permitindo ao recorrente o exercício do amplo direito de defesa, razão porque correto foi o procedimento adotado. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, ou a descumprimento das obrigações acessórias previstas em lei, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato os respectivos autos de infração de forma vinculada, Fl. 795DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 10 constituindo o crédito previdenciário, ou imputandolhe a multa devida. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Importante enfatizar que não se trata de lançamento por presunção, como questionou o recorrente, tanto que o relatório fiscal, mostrouse detalhado, inclusive anexou a autoridade fiscal diversas planilhas e documentos para demonstrar suas convicções, possibilitando ao recorrente, mesmo para aqueles levantamentos em que não apresentou os documentos pertinentes ao cumprimento da legislação durante o procedimento fiscal, apresentálos na impugnação ou na esfera recursal, demonstrando que os fatos geradores apurados não existiram, contudo, não o fez. Assim, o lançamento encontrase consubstanciado em registros contábeis não contestados pelo recorrente, não servindo meros argumentos desprovido de provas, capazes de desconstituir o lançamento. Nem mesmo fez o recorrente qualquer questionamento quanto a inexistência do vínculo de emprego com o sr. Jorge Okumura. No que tange a arguição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições e sobre as bases de cálculo apuradas, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas previstas na Lei n ° 8.212/1991. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, apenas para efeitos de esclarecimento, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000542/201087 Acórdão n.º 2401002.469 S2C4T1 Fl. 6 11 SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DO MÉRITO No mérito, foram atacados os salários indiretos considerados pela auditoria fiscal, como salário de contribuição para efeitos previdenciários. Porém antes mesmo de apreciar cada um dos fatos geradores isoladamente, convém apreciar o conceito de salário de contribuição e remuneração. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Como o lançamento envolve ainda contribuições sobre os pagamentos feitos a contribuintes individuais fazse conveniente apreciar o salário de contribuição e também em relação a estes segurados. Para os trabalhadores contribuintes individuais, o art. 28, III da referida lei, assim dispõe: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 797DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 12 a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; Fl. 798DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000542/201087 Acórdão n.º 2401002.469 S2C4T1 Fl. 7 13 i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 799DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 14 t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Assim, ao não cumprir os dispositivos legais quanto a concessão dos benefícios: ao sr. JORGE NOBUYUKI OKUMURA, não considerados pela empresa como base de cálculo de contribuição previdenciária e, consequentemente, não informados em GFIP, declaração de cunho obrigatório, assim, motivo de autuação específica. Ditos fatos geradores consistem: TRANSPORTE (COMBUSTÍVEL/PEDÁGIO), AJUDA DE CUSTO (ALUGUEL) e salário não descrito em FOPAG e considerando que o trabalhador não constava da folha de pagamento no período de 01/2007 a 05/2007, seu salário base foi apurado por aferição indireta pelo patamar do seu primeiro salário em folha a partir do mês de Junho/2007. Ao conceder benefícios assumiu o recorrente o ônus de ter os valores dos benefícios integrando o conceito de salário de contribuição, quando pago em desacordo com as respectivas leis. Não há de se argumentar que existia previsão em acordos ou convenções coletivas de trabalho, posto que esses instrumentos de negociação coletiva são válidos para normatizar direitos trabalhistas e não os reflexos desses nas parcelas que compõem a base de cálculo de contribuições previdenciárias. DOS VEÍCULOS E DESPESAS PELO DESLOCAMENTO PARA O TRABALHO Esse levantamento 4.3.35.02.00.42 – VEÍCULOS, engloba os pagamentos feitos pela empresa ao sr. Jorge Okumua para custear o transporte de ida e vinda ao trabalho, como combustível e pedágio. A apuração deuse por meio de demonstrativos de reembolso de despesas mensais com a quilometragem diária efetuada, atribuindose um valor pelo quilômetro rodado, fixado de acordo com o local da residência do funcionário, juntamente com as passagens diárias pelas praças de pedágios de acesso a empresa. As passagens de pedágio foram obtidas por meio das faturas do sistema “Sem parar”. Dessa forma, pelo que restou demonstrado pelo auditor em seu relatório os valores fornecidos ao empregado para o deslocamento de sua residência para o trabalho não se coaduna com os dispositivos legais que excluem ditos valores da base de cálculo do salário de contribuição. m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção Fl. 800DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000542/201087 Acórdão n.º 2401002.469 S2C4T1 Fl. 8 15 estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) “r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; O fato do empregador ressarcir as despesas de deslocamento do empregado para ir ao trabalho, não denota que ditos pagos caracterizamse como “necessários ao desempenho do trabalho”, posto que todos os empregados em geral precisam realizar esse deslocamento, independente do local em que residem. O dispositivo legal, seria aplicável, caso o empregado precisasse do carro para o desempenho de suas atividades, caso as mesmas fossem executadas durante a jornada de trabalho na visita de clientes ou unidades da empresa por exemplo. Deslocarse para o trabalho é ônus de todo e qualquer empregado, devendo o empregador concederlhe vale transporte na forma, da lei, esse sim, excluído do conceito de salario de contribuição. Contudo, ao resolver o recorrente pagar o deslocamento do empregado, teve este um benefício direto, que nada mais é do que um ganho indireto, cuja natureza é eminentemente salarial para efeitos previdenciários. Assim, o benefício nada mais é do que concedido “pelo” trabalho, consistindo em um benefício direto ao trabalho, que para obtêlo teria que dispender valores próprios. Dessa forma, entendo procedente o lançamento quanto a essa rubrica. ALUGUEIS Com relação aos pagamentos apurados por intermédio da conta 4.3.31.02.00.50 – DESPESAS DE ALUGUÉIS , descreve o auditor que foram encontrados recibos de aluguel pago a proprietário pessoa física em nome do empregado Jorge Nobuyuki Okumura, de janeiro a dezembro de 2007. Na referida conta aparece o histórico contábil: PAGTO OKUMURA E O VALOR DE r$ 320,00. A identificação do lançamento, além do texto e numa análise mais profunda é indiscutivelmente a mesma dos lançamentos da conta “veículos”, para os pagamentos efetuados em nome desse segurado. Assim, não traz o recorrente qualquer documento que demonstre que os valores dos alugueis fornecidos teriam relação direta com o trabalho desempenhado, mas, tão somente consiste de benefício direto pago ao empregado, possuindo nítida feição salarial, assim, como os ressarcimentos de despesas com o transporte do referido empregado. Na verdade a fundamentação legal para manutenção do lançamento é a mesma, posto que não demonstrado que a empresa encontravase em local afastado, ou que os empregados precisassem permanecer em local determinado pelo empregador. Por fim, convêm destacar que a nomenclatura utilizada pelo recorrente não e relevante para identificação da sua feição salarial, tendo a identificação da natureza da verba, sido apreciada de acordo com o objetivo da verba, sua destinação, sendo irrelevante o nome adotado. SALÁRIO DO SR. JORGE OKUMURA Fl. 801DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 16 No recurso em questão, quanto ao salário atribuído ao sr. Jorge para os meses de 01 a 05/2007, resumiuse o recorrente a atacar a validade do procedimento fiscal, e os diversos salários indiretos, sem refutar a continuidade da prestação de serviços na qualidade de empregado . Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto deste levantamento, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisãode 1 instância presumese a concordância da recorrente com a referida decisão. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a Decisão quanto a este ponto. Ademais os parâmetros utilizados pelo auditor encontramse dentro da razoabilidade, já que o mesmo utilizou como salário os valores recebidos pelo mesmo empregado alguns meses depois, já que as condições do desempenho da atividade se mantiveram inalterados, quais sejam, fornecimento de aluguel, pagamento do deslocamento, o que demonstra que não houve alteração na prestação de mão de obra ao longo do tempo. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DecisãoNotificação, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. NATUREZA SALARIAL DAS UTILIDADES Após a apreciação individual de cada uma das utilidades fornecidas, entendo importante firmar entendimento do papel das utilidades dentro do conceito de salário de contribuição. Não se pode descartar o fato de que os valores pagos à título de alugueis e despesas de deslocamento em desacordo com a lei não representem alguma espécie de ganho para seu empregado Pelo contrário, estão inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e nãosalariais: "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Ademais, a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei, por mais que se vislumbre a boa intenção do empregador, estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000542/201087 Acórdão n.º 2401002.469 S2C4T1 Fl. 9 17 DA ILEGALIDADE DA APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Alega o recorrente que ilegal a cobrança de juros e multa que lhe foram imputados, contudo, entendo que razão não assiste ao recorrente neste ponto. Conforme já apreciado pela autoridade julgadora, no caso em questão correto a aplicação dos juros e multa, sendo as duas aplicadas em relação ao montante do débito apurado. Os juros de mora são aplicáveis sobre o valor original da contribuição devida, conforme descrito no relatório fiscal fl. 91 e 92, item 100 e seguintes. Na aplicação da multa, a autoridade fiscal procedeu a análise da situação mais favorável, só havendo a aplicação da multa de ofício nas competência em que essa foi mais benéfica ao recorrente. Note que a aplicação de juros SELIC, não se confunde com a multa de ofício, posto que os juros moratórios são aplicáveis pelo inadimplemento da obrigação na época oportuna. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF “ É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais”. Notese que a autoridade julgadora na decisão de 1 instância já refutou os argumentos do recorrente, não havendo reparo a ser feito na referida decisão. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente em sua maioria são insuficientes para refutar a totalidade lançamento. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas (conforme apreciado individualmente acima), no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento em parte. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 803DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 02/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
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Numero do processo: 19679.000518/2003-50
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO AO CRÉDITO DISCUTIDO JUDICIALMENTE. DECISÃO NÃO TRANSITADA EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO NA ESFERA ADMINSTRATIVA. O ressarcimento de créditos discutidos judicialmente deve aguardar o trânsito em julgado para que possa ser deferido administrativamente, nos estritos termos da decisão judicial irrecorrível. Nos termos do art. 37 da IN SRF nº 210/2002, repetido no art. 50 da IN SRF nº 460/2004 e art. 50 da IN SRF nº 600/2005, antes do trânsito em julgado é vedada a restituição, o ressarcimento e a compensação de crédito objeto de discussão judicial.
Recurso negado.
Numero da decisão: 203-12038
Nome do relator: Emanuel Carlos Dantas de Assis
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Acórdão n2 :203-12.038 pub et, b Rolo 4-.= bt? /rd otk-1". Interessado : UNILEVER BRASIL LTDA db. pou Recorrida: DRJ em Juiz de Fora-MG IP!. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO AO CRÉDITO DISCUTIDO JUDICIALMENTE. DECISÃO NÃO TRANSITADA EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO NA ESFERA ADMINSTRATIVA. O ressarcimento de créditos discutidos judicialmente deve aguardar o trânsito em julgado para que possa ser deferido administrativamente, nos estritos termos da decisão judicial irrecorrivel. Nos termos do art. 37 da IN SRF n° 210/2002, repetido no art. 50 da IN SRF n° 460/2004 e art. 50 da IN SRF n° 600/2005, antes do trânsito em julgado é vedada a restituição, o ressarcimento e a compensação de crédito objeto de discussão judicial. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: UNILEVER BRASIL LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira, Dory Edson Marianelli e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, que não conheciam em parte, face à opção pela via judicial, e na parte conhecida também negavam provimento. Sala de Sessões, em 22 de maio de 2007. tomo erra ero____ .1-SEGUNDO COh.:EU10 DE CONTRABUiNTESPreside . counftE CCM G ORIGINAL Em. - t Brama 09Á jrx9 I CA- re3a-- •. 2 ,ejj- (4 e Assi - R • 41 616,NO Participaram, ain a, do presente julgamento, os Conselheiros Ivan Alegretti (Suplente), Odassi Guerzoni Fi o e Lu . ' ano Pontes de Maya Gomes. 1 2° CC-MF . Ministério da Fazenda AP-SEGUNDO Cr.t..5:. :',..••INBUlttft£S Fl. ti; z":0- Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE C..: TA :.:C•hta;t0. " wfr BrasIlla 01- Processo 112 : 19679.000518/2003-50 Recurso n2 : 136.782 Marrele Ct. r dr, °Mira Acórdão n2 : 203-12.038 Mat. Sid;.e. 51650 Recorrente : UNILEVER BRASIL LTDA RELATÓRIO Trata-se do Pedido de Ressarcimento de créditos do 1121 de fl. 01, protocolizado em 11/08/2003 com fundamento no art. 11 da Lei n° 9.779/99, no valor de R$ 18.894.206,91 e relativo ao 1° trimestre de 2003. O pedido foi formulado pela matriz da pessoa jurídica, sendo que o estabelecimento detentor dos créditos é a filial 0190, situada em Vespasiano-MG. Por resumir com fidelidade o que consta dos autos até então, reproduzo o relatório da primeira instância (fls. 101/102): "Na parte superior do pedido, consta a informação manuscrita: "Recebido por insistência do contribuinte, posto deveria entregar pela internet Derat-Eqitd". Dentre os elementos que instruíram o pedido, destaca-se a cópia do livro fiscal de "registro de apuração do IPI" defls. 21/68. Pelo despacho de ft 71, houve o encaminhamento do processo para a Delegacia da Receita Federal (Dl??) em Sete Lagoas-MG para análise do direito creditó rio em razão do disposto no art. 32 da Instrução Normativa (1P.9 SI?? n° 210, de 30 de setembro de 2002, e pelo fato de ser tal Delegacia a de jurisdição sobre o domicílio do estabelecimento detentor dos créditos — a filial de CNPJ n° 61.068.276/0190-34 localizada no município de Vespaziano-MG. No despacho decisório n°200/03, de fls. 72/73, proferido em 03/09/2003 pela DRF-Sete Lagoas, o pleito de ressarcimento foi indeferido integralmente sob o fundamento: "(.) preceitua o art. 3°., parágrafo único, da Instrução Normativa SI?? n°. 323, de 24/03/03, transcrito a seguir: Art. 3°. Os formulários a que se refere o art. 44 da Instrução Normativa SRF C 210, de 30 de setembro de 2002, somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional, embora admitida pela legislação federal, não possa ser requerido ou declarada à SRF mediante utilização do programa PER/DCOMP, aprovado pela Instrução Normativa SRF n°320, de 11 de abril de 2003. Parágrafo único. Na hipótese de descumprimento do disposto no caput, considerar-se-á não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação. Tendo em vista que o pedido de fl. 01 foi protocolado em 11/08/03, portanto após a publicação da IN SI?.? n°. 323/03, propomos o indeferimento do pleito de fi. 01." Cientificada do indeferimento em 10/09/2003 (11, 75), a interessada, por meio de procurador (fl. 85), apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 76/84 em 10/10/2003, na qual, em síntese: - expôs que formulara o pedido de ressarcimento de IPI em questão com base nos procedimentos da I N SRF n°210, de 2002, e que, em respeito ao princípio da isonomia, o montante pleiteado referia-se a valor de imposto acrescido pela taxa Selic; - alegou que, por razões de prazo de vencimento de tributo e de problemas de informática no acesso ao programa PER/DECOMP, só teve como alternativa valer-se de formulários manuais (em papel) que foram apresentados em repartição da Receita Federal, tendo sido recebidos e protocolados sem5?ressalvas ou arbitrariedades,1 2 4 411"t r CC-MF _&-;• -,.. Ministério da Fazenda ~CONDO CONSELNO DEC Fl. S:Pc5 Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O OF2INAl. "1"114763 Processo n2 : 19679.000518/2003-50 Recurso n2 : 136.782 Stade Cudge Acórdão n2 : 203-12.038 Mat. Stapa 91650"8" "consumando-se a aceitação tácita do fisco no tocante ao meio de compensação utilizado"; - desenvolveu argumentação no sentido de que o programa PER/DECOMP 1.0, aprovado pela IN SRF n° 320, de 2003, continha problemas funcionais que impediam a opção de importação eletrônica de dados da pessoa jurídica interessada, bem como que, pela legislação pertinente, não era viável o preenchimento manual das fichas do programa. - acusou que a IN SRF n° 323, de 2003, no seu art. 3°, apenas previu genericamente a possibilidade de entrega do pedido via formulário em papel, "deixando o problema para o contribuinte, visto que não apontou as hipóteses", tendo optado simplesmente por "desconsiderar o pedido via formulário, conforme prevê o parágrafo único"; - apontou a existência de outros problemas existentes no sistema PER/DECOMP, concluindo que ele só trouxera ônus ao contribuinte; - ressaltou que a IN SRF n°360, de 2003, ao revogar a IN SRF n°320, de 2003, e dispor sobre a versão 1.1 do sistema PER/DECOMP, corrigira, principalmente pelos seus arts. 2°, III, e 3°, falhas existentes na versão anterior, o que provava e demonstrava a entrega via formulário como sendo a única possibilidade nos casos anteriores a tais correções. Nesse contexto, aduziu: "H o art. 3°. dessa IN 260/2003 [W], contempla as hipóteses não mencionadas no art. 2°., que é o que ocorre com as compensações feitas de créditos judiciais, não transitado em julgado, todavia não é o caso de VESPASIANO". Pelo que expôs, requereu o acato às suas razões e a procedência do pleito de ressarcimento. Em apenso ao presente processo, encontra-se o de n°19679.010076/2003-50 referente à declaração de compensação (de fi. 01), com a indicação de R$ 6.438.942,15 como débito da COFINS e a seguinte observação manuscrita e rubricada pelo possuidor do CPF 090.251.718-00 e RG 15.175.045: "Recebido por insistência do contribuinte, que afirma não ser possível enviar pela internei". As fis. 02 e 04 de tal processo contêm informações sobre a compensação daquele débito com parte do montante pleiteado em ressarcimento no presente processo. A V Turrna_da flR Tmanteve_aindeferimento,considerando o seguinte. De plano, cumpre ressaltar que, à luz de informações constantes dos processos administrativos nat 13609.000739/2005-37 e 13609.000740/2005-61, o valor objeto do pedido de ressarcimento decorre de créditos de IPI, corrigidos, denominados pela contribuinte de "créditos presumidos", por ela registrados na sua escrita fiscal e calculados com base em insumos isentos, não-tributados ou sujeitos à aliquota zero. Ocorre que o respectivo direito a tais créditos encontra-se sob discussão em trâmite na esfera judicial (mandados de segurança n" 2000.38.00048109-1/MG; 2001.38.00008337-0/MG e MS 2000.38.00003694-2/MG). Veja-se, a respeito, trecho de relatório dos acórdãos (n" 09-13.653 e 09-13.654, ambos de 13/17/2006) proferidos por esta Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora-MG nos processos administrativos supracitados; "A contribuinte havia ajuizado três Mandados de Segurança (MS), a saber: 1) MS 2000.38.000481 09-1/MO (11. 23), no qual pleiteava o direito a créditos do IPI que foram escriturados no 3° decéndio de janeiro de 2003 (3-1/2003) no livro fiscal de 41 3 , 1414C-GUe"owEra"egsiSrDE COWIRSUIN - Ministério da Fazenda r CC-MF Fl. ttcn A- Segundo Conselho de Contribuintes ORIGNAI Processo n2 : 19679.000518/2003-50 _ftRecurso n2 : 136.782 11111101 ~off as* Acórdão n2 :203-12.038 me &age gloso "registro de apuração de IPI" (RAIPI), no valor de R$ 78.107.348,13, relativos a insumos adquiridos entre 01/94 a 12/99 com isenção, não incidência ou aliquota zero do 1PL Houve sentença prolatada em 05/03/2004, julgando parcialmente procedente o pedido ao declarar o direito de crédito do IPI incidente sobre insumos beneficiados pela isenção ou aliquota zero, apurados em valor proporcional e equivalente ao IPI devido na saída do produto final em valores corrigidos. 2) MS 2001.38.0008337-0/MG (fl. 24), no qual pleiteava o direito ao creditamento do 1P1 relativo a insumos adquiridos entre 01/01/2000 a 10/02/2000, com sentença proferida em 28/09/2001 que extinguira o processo sem julgamento de mérito por ocorrência de litispendência. Houve apelação interposta pela impetrante, ainda não julgada. 3) MS 2000.38.0003694-2/MG (fl. 25 e 26), no qual pleiteava o direito ao creditamento do IPI relativo a insumos adquiridos a partir de 01/01/2000 com isenção, não incidência ou aliquota zero. Em liminar de 04/04/2000 e na segurança publicada em 29/06/2000, foi declarado o direito ao crédito pleiteado para os insumos isentos, não-tributados ou com alíquota zero. Em 25/09/2001, acórdão do Tribunal Regional Federal dera provimento parcial à apelação da União, afastando o direito de crédito para os insumos adquiridos com alíquota zero, tendo sido interposto recurso extraordinário, ainda não julgado, contra tal acórdão. Em ação cautelar n° 38, a impetrante obteve liminar (fls. 27 a 30) para manter suspensa a eficácia daquele acórdão do TRF até a decisão final do recurso extraordinário, restabelecendo-se os efeitos da segurança concedida." Nesse contexto, o Fisco, sob o propósito de garantir-se contra uma eventual decadência do seu direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento, procedeu, naqueles processos na 13609.000739/2005-37 e 13609.000740/2005-61: a) à glosa dos valores registrados e aproveitados na escrita fiscal da contribuinte a titulo do aludido "crédito presumido" de IPI corrigido; b) à reconstituição da escrita fiscal por meio de planilhas "A" e "B" de cópias às fls. 94/99 e c) ao lançamento de oficio a parcela remanescente de saldos devedores do imposto então apurados. Especificamente sobre o período indicado no pedido de ressarcimento de fl. 01 ora em apreço, qual seja, o I° trimestre de 2003, conforme se observa na cópia da planilha "A" acima mencionada (na fl. 97 — célula referente à conjunção da linha do decêndio 03- 03/2003 com a coluna intitulado "Saldo Escriturado e Declarados ?), o saldo credor apurado pela contnbutnte foi R$ 76.446.973Ji, sendo que o valor indicado no pleito de ressarcimento — R$ 18.894.206,91 — correspondeu a uma parcela daquele saldo credor, tendo sido feito o estorno desse valor pleiteado no decêndio 03-08/2003 (conforme indicado na planilha "A", na conjunção da linha referente a esse decêndio com as colunas 9°e 109. Já por decorrência da glosa efetuada pelo Fisco, o saldo apurado ao final do I° trimestre de 2003 passou a ser devedor, no valor de R$ 1.575.734,25, o qual foi lançado de oficio no processo n°13609.000739/2005-37. Assim, pelos procedimentos do Fisco, não houve, ao final daquele trimestre, qualquer valor de saldo credor de IPI passível de ser pleiteado em ressarcimento. Com efeito, torna-se patente que serão as futuras decisões transitadas em julgado proferidas nos processos judiciais dos mandados de segurança retrocitados que resolverão em definitivo a legitimidade da contribuinte aos créditos de IPI em questão, englobando diretamente as questões: a) da procedência ou não das glosas dos "créditos presumidos" efetuadas pelo Fisco nos processos ri" 13609.000739/2005-37 e 13609.000740/2005-61; b) do lançamento de oficio consubstancie e.•r naqueles processos; amb 4 2° CC-MF 'ar Ministério da Fazenda Fl. t er:::: g' Segundo Conselho de Contribuintes 7(;,r>;-• Processo n2 : 19679.00051812003-50 Recurso n2 : 136.782 Acórdão n2 : 203-12.038 c) do direito creditário adstrito ao pedido de ressarcimento objeto do presente processo e, conseqüentemente, das compensações a ele vinculadas." Para indeferir o pleito, a DRJ levou em conta o que se transcreve acima e reportou-se aos arts. 37 da IN SRF n° 210/2002, 50 da N SRF n° 460/2004 e 50 da IN SRF n° 600/2005 — segundo os quais é vedado o ressarcimento, a restituição e a compensação de crédito objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecê-lo -, bem como ao art. 170-A do CTN, acrescentado pela Lei Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001 — que veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Ao final também consignou que o fimdamento do indeferimento proferido no despacho decisório encontrava-se, à época, plenamente aplicável, porquanto baseado em norma da legislação tributária que era dotada de validade e eficácia. O Recurso Voluntário de fls. 118/126, tempestivo (fls. 106, 107 e 118), repisa as alegações no sentido de impossibilidade de emprego do programa PER-DCOMP, requerendo ao final seja deferido o ressarcimento solicit. o mediante o formulário entregue. É o relatório. 41i IPb IasuP"Cr.1820°,1c,2144."1"T" e.2.1 I /02_ Margeie Ctast de Miara Mat. Siape 91650 5 kliFNSEGtmel0 CONSELAL)-ar ONTRIBUINTES 2° CC-MF, Ministério da Fazenda w- CONFERI COM O Fl. Segundo Conselho de Contribuintes is III"'"Al• ';n ,"&t:?;.k: n1 Processo e : 19679.000518/2003-50 • Recurso n2 : 136.782 Cytt 0"191Mat. 91650 Acórdão n2 : 203-12.038 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS O Recurso Voluntário é tempestivo e atende às demais condições do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Para a solução do litígio importa decidir, primeiramente, se a circunstância de o Pedido de Ressarcimento ter sido feito mediante entrega de formulário (em vez de empregado o programa PER/DCOMP), por si só acarreta o indeferimento, como entendeu o órgão de origem. Em seguida cabe investigar acerca do direito aos créditos, levando-se em conta os Mandados de Segurança impetrados pelo contribuinte e decidindo se os créditos, apesar de estarem sendo discutidos judicialmente, podem ser deferidos nesta via administrativa. Com relação ao primeiro ponto, entendo que a contribuinte podia, sim, ter empregado o formulário, diante das dificuldades encontradas na utilização do programa PER/DCOMP. Se no mérito o direito lhe fosse favorável, caberia deferir-lhe o ressarcimento. Os créditos não lhe poderiam ser negados apenas porque utilizado o meio residual (formulário) para o pedido. Os créditos pretendidos, contudo, devem ser indeferidos nesta via administrativa porque ainda estão sendo discutidos judicialmente, sem qualquer provimento judicial determinando o ressarcimento pleiteado. Na situação dos autos, cujo Pedido administrativo foi formulado antes do trânsito em julgado, somente poderia ser deferido o ressarcimento se já houvesse provimento judicial neste sentido. Havendo decisão liminar ou sentença determinando o ressarcimento, o provimento judicial prevaleceria sobre os atos normativos infralegais que exigem o trânsito em julgado. À luz das informações constantes dos processos administrativos n92 13609.000739/2005-37 (Recurso Voluntário n° 136.783) e 13609.000740/2005-61 (Recurso Voluntário n° 136.784), o valor objeto do Pedido de Ressarcimento decorre de créditos de IPI, corri:idos denominados * elo contribuinte de "créditos ' resumidos" registrados na sua escrita fiscal e calculados com base em insumos isentos, não-tributados ou sujeitos à alíquota zero. Os autos do Recurso Voluntário n° 136.783, inclusive, demonstram que no período de apuração 3-08/2003 o contribuinte escriturou, como débito, o valor de 18.894.206,91, exatamente a importância objeto deste ressarcimento (fl. 180, Planilha A, elaborada pela fiscalização, do processo n° 13609.000739/2005-37). Tratando da hipótese dos autos, de crédito discutido em processo judicial, os arts. 12, capta e § 7°, e 14, § 6°, da Instrução Normativa SRF n° 21, de 10/03/97, já exigiam, além do trânsito em julgado, a formalização de processo administrativo. Posteriormente, a IN SRF n° 210, de 30/09/2002, no seu art. 37, bem com as IN SRF n"s 460/2004 e 600/2005, estas duas no art. 50, continuaram a exigir o trânsito em julgado. A IN SRF n° 210/2002 também esclareceu que, quando for o caso, o requerente deverá comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios, e que .44 6 2° CC-MF wk, Ministério da Fazenda Fl. < Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 19679.000518/2003-50 Recurso n2 : 136.782 Acórdão n2 : 203-12.038 não poderão ser objeto de restituição ou de ressarcimento os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório (art. 37, § 2° e 3°). Observo, ao final, que como nas referidas ações judiciais a recorrente discute exatamente o direito aos créditos ora debatidos, descabe a este tribunal administrativo qualquer pronunciamento sobre o mérito do direito aos créditos, tendo em vista o parágrafo único do art. 38 da Lei n° 6.830/80. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto da lide administrativa, importa em renúncia a esta última. Pelo exposto, nego provimento ao Recurso. Sala das Sessões, em 22 de maio de 2007. d ai EMANUEL CirrilretTS D. ASSIS tnout400 cozitocogighlri ostas1/4....s2b_a—LS fie no. Siape 91650 7 Page 1 _0034800.PDF Page 1 _0034900.PDF Page 1 _0035000.PDF Page 1 _0035100.PDF Page 1 _0035200.PDF Page 1 _0035300.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.720484/2011-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
O lançamento de tributos objeto de depósito de seu montante integral, apesar de desnecessário, não é inválido. Precedentes do STJ.
Numero da decisão: 1201-000.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, devendo a exigibilidade do crédito tributário permanecer vinculada à decisão judicial definitiva a ser proferida no âmbito do processo n° 2008.61.00013839-3. Vencidos os Conselheiros Carlos Mozart Barreto Vianna e Rafael Correia Fuso, que votaram pelo cancelamento da exigência.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto (Presidente substituto), Marco Antonio Pires (Suplente Convocado) Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. O lançamento de tributos objeto de depósito de seu montante integral, apesar de desnecessário, não é inválido. Precedentes do STJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, devendo a exigibilidade do crédito tributário permanecer vinculada à decisão judicial definitiva a ser proferida no âmbito do processo n° 2008.61.00013839-3. Vencidos os Conselheiros Carlos Mozart Barreto Vianna e Rafael Correia Fuso, que votaram pelo cancelamento da exigência. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto (Presidente substituto), Marco Antonio Pires (Suplente Convocado) Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2056; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720484/201125 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201000.776 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de março de 2013 Matéria CSLL FALTA DE DECLARAÇÃO Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. O lançamento de tributos objeto de depósito de seu montante integral, apesar de desnecessário, não é inválido. Precedentes do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, devendo a exigibilidade do crédito tributário permanecer vinculada à decisão judicial definitiva a ser proferida no âmbito do processo n° 2008.61.000138393. Vencidos os Conselheiros Carlos Mozart Barreto Vianna e Rafael Correia Fuso, que votaram pelo cancelamento da exigência. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Marcelo Cuba Netto (Presidente substituto), Marco Antonio Pires (Suplente Convocado) Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1634.203, exarado pela 10ª Turma da DRJ em São Paulo SP. Por bem descrever os fatos objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 169 e ss.): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 04 84 /2 01 1- 25 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720484/201125 Acórdão n.º 1201000.776 S1C2T1 Fl. 3 2 DA AUTUAÇÃO Conforme o Termo de Verificação nº 03/2009.001097 de fls. 55/68, em fiscalização empreendida junto à empresa acima identificada, o autuante verificou em síntese que: 1. Foi analisada a relação de depósitos judiciais efetuados a título de CSLL, apresentada pela contribuinte às fls. 16/17 em resposta à intimação de fls. 15, a fim de comparálos com os valores declarados em DCTF. 2. Observese que o crédito tributário em questão encontrase suspenso por medida judicial, tendo em vista a suficiência dos depósitos judiciais. 3. A contribuinte foi intimada a apresentar planilha demonstrativa com todos os valores depositados judicialmente, a titulo de CSLL, referentes ao mandado de segurança nº 2008.61.000138393, em função do que elaborou a planilha de fls. 17, contendo os valores depositados e o período de apuração dos mesmos. 4. Constatouse que o valor da CSLL informado pela contribuinte, a despeito da aludida discussão judicial, não corresponde ao declarado em DCTF, situação que impõe o lançamento de ofício do crédito tributário, com o objetivo de prevenir a decadência. O débito assim constituído permanecerá com sua exigibilidade suspensa enquanto houver amparo judicial para tanto e não será aplicada multa de oficio em observância ao previsto no art. 151, II, do CTN, e no art. 63 da Lei n° 9.430/96. Em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 02/05/2011 foi lavrado Auto de Infração de CSLL (fls. 03/08), com fundamento legal no art. 841, I, III e IV, do RIR/99; art. 63, da Lei n° 9.430/96; e art. 151, II, do CTN; num valor total de R$ 44.595.064,44, composto de principal, R$ 38.915.743,50, e juros de mora, R$ 5.679.320,94, calculados até 29/04/2011. DA IMPUGNAÇÃO A autuada apresentou a impugnação de fls. 26/35, protocolizada em 07/06/2011 e acompanhada dos documentos de fls. 36/167, expondo, em síntese, que: 1. Em 12/06/2008, a impugnante impetrou mandado de segurança para afastar a exigência da CSLL com a majoração da alíquota de 9% para 15%, promovida pela Medida Provisória n° 413/2008, convertida na Lei n° 11.727/2008 (fls. 74/101). 1.1. Como a medida liminar requerida para a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em discussão não foi concedida, a impugnante optou por realizar o depósito judicial do valor correspondente à majoração da alíquota da CSLL, ou seja, do valor controverso. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720484/201125 Acórdão n.º 1201000.776 S1C2T1 Fl. 4 3 2. Em razão de autuação anterior (fls. 102/116), correspondente à CSLL dos anoscalendário de 2004 a 2006, na qual se exigiu o recolhimento da CSLL não paga, devido aos ajustes de superveniência de depreciação e insuficiência de depreciação efetuados na base de cálculo, na forma da Circular BACEN n° 1429/1999, a impugnante optou por não efetuar mais os ajustes que não tinham sido aceitos pela RFB. 2.1. Entretanto, em 17/06/09, o referido auto de infração foi cancelado pelo CARF, por meio do acórdão de fls. 117/134, o qual foi confirmado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que negou seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 135/147). 2.2. Diante disso, a impugnante resolveu rever a apuração da CSLL correspondente aos anoscalendário de 2008 e 2009, para promover os ajustes de superveniência de depreciação e insuficiência de depreciação, previstos na Circular BACEN nº 1429/1999, e apresentou as DCTFs retificadoras e a DIPJ retificadora referentes ao anocalendário de 2008 (fls.148/160), e a DIPJ relativa ao anocalendário de 2009 (fls.161/167) com a base de cálculo correta. 2.3. Como consequência dessas alterações, há divergências entre as informações prestadas nas DCTFs retificadoras e DIPJs apresentadas pela impugnante e os valores depositados, que foram encontradas pelo Fisco. 2.4. Isto porque, embora a impugnante tenha efetuado depósitos judiciais da CSLL, conforme declarado nas DCTFs retificadoras e DIPJs dos anoscalendário de 2008 e 2009, a empresa nada devia a título de CSLL referente a esses períodos. 2.5. Desta forma, deve ser cancelada a presente autuação, com o reconhecimento de que a impugnante nada deve a título de CSLL correspondente aos anoscalendário de 2008 e 2009. 3. O fenômeno da depreciação afeta de forma significativa o resultado tributável das pessoas jurídicas dedicadas ao arrendamento de bens ou à atividade de "leasing", o que leva o BACEN a exigir uma escrituração que demonstre o resultado levando em consideração o efetivo valor dos ativos objeto de desgaste. 3.1. Os ajustes determinados pelo BACEN (COSIF item 1.11.8.4) devem ser considerados tanto para fins de determinação do resultado (lucro) tributável pelo IRPJ, como para a apuração do valor tributável pela CSLL. 3.2. O lucro líquido ajustado é a base de cálculo da CSLL, ou seja, a mesma base do IRPJ, logo evidenciase que o intuito do legislador ordinário, ao editar a Lei nº 7.689/88, foi o de instituir uma contribuição social calcada na capacidade contributiva da pessoa jurídica. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720484/201125 Acórdão n.º 1201000.776 S1C2T1 Fl. 5 4 3.2. A impossibilidade da exclusão dos valores apurados a título de superveniência de depreciações conduzirá à cobrança de tributo sobre base de cálculo distorcida, uma “nãorenda”, o que importa em tributação do próprio patrimônio da pessoa jurídica, ao arrepio da sua capacidade contributiva. 3.3. Diante disso, resta claro o acerto da revisão promovida pela impugnante na base de cálculo da CSLL referente aos anos calendário de 2008 e 2009, que culminou na apuração de base negativa, não havendo, portanto, qualquer valor a ser recolhido a esse título. Apreciadas as razões de defesa, a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação sob o argumento de que a interessada não provou que o objeto da presente autuação diga respeito a fato preteritamente julgado no processo nº 16327.002088/200736. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fl. 179 e ss.) pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as seguintes alegações, em síntese: a) ao contrário do afirmado na decisão recorrida, a contribuinte não pretendeu extrapolar os limites da decisão proferida nos autos do processo nº 16327.002088/200736, referente a fatos geradores da CSLL ocorridos nos anos de 2004 a 2006; b) naquela ocasião a contribuinte, em observância ao disposto na Circular BACEN n° 1429/1989, excluiu da base de cálculo da CSLL valores a título de superveniência e/ou insuficiência de depreciação. Referida exclusão, todavia, foi considerada ilegítima pela fiscalização, que exigiu de ofício a CSLL apurada; c) apesar de haver impugnado o auto de infração, a contribuinte não mais promoveu aquela exclusão nos anos subsequentes. No entanto, em 2009, o CARF julgou procedente o recurso interposto, considerando legítima a exclusão realizada nos anos de 2004 a 2006; d) por sua vez a contribuinte, que não havia originalmente promovido a exclusão a título de superveniência e/ou insuficiência de depreciação nos anos de 2008 e 2009, refez a apuração da CSLL desses períodos para promovêla; e) como tal apuração resultou em bases negativas de CSLL para os anos de 2008 e 2009, retificou as DCTFs originalmente apresentadas, reduzindo os valores dessa contribuição para zero no período; f) mas uma vez que antes da retificação das aludidas DCTFs já havia feito os depósitos judiciais pertinentes ao mandado de segurança onde discute a majoração da alíquota da contribuição de 9% para 15%, ocorreu divergência entre os valores da CSLL depositados e aqueles informados nas DCTFs retificadoras. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso Fl. 201DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720484/201125 Acórdão n.º 1201000.776 S1C2T1 Fl. 6 5 O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Do Objeto do Lançamento O lançamento foi realizado apenas para prevenir a decadência da CSLL dos anos de 2008 e 2009, haja vista que, apesar de haver promovido o depósito de seu montante integral nos autos do processo judicial n° 2008.61.000138393, a contribuinte declarou em sua DCTF retificadora não possuir qualquer débito de CSLL naqueles períodos. O lançamento, para prevenir a decadência, de tributos objeto de depósito do montante integral, apesar de desnecessária, não é vedada pela jurisprudência consolidada do STJ, conforme se observa, a título exemplificativo, na ementa ao AgRg no REsp 1163271/PR, a seguir transcrita: RECURSO ESPECIAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ART. 151, II, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONVERSÃO EM RENDA. DECADÊNCIA. 1. Com o depósito do montante integral temse verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Se a Fazenda aceita como integral o depósito, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, aquiesceu expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no art. 150, § 4º, do CTN. 2. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há mais falar no transcurso do prazo decadencial nem na necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedentes da Primeira Seção. (Grifamos) 3. Agravo regimental não provido. Por outro lado, devese ter em conta que a questão da exclusão da superveniência e/ou insuficiência de depreciação prevista na Circular BACEN n° 1429/1989 não foi objeto do lançamento. Em outras palavras, a autoridade não se debruçou sobre a validade ou não dessa exclusão. Limitouse a lançar a diferença entre o valor da CSLL declarada em DCTF (zero) e o valor depositado. Em assim sendo, não deve este Colegiado pronuncarse sobre a questão da superveniência e/ou insuficiência de depreciação, haja vista que, no caso, não há litígio sobre ela. Essa questão, a meu ver, deve ser tratada nos autos do aludido processo judicial n° 2008.61.000138393, onde a contribuinte poderá argüir e demonstrar ter realizado depósitos judiciais a maior, em função de não haver promovido a exclusão a que alega ter direito. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.720484/201125 Acórdão n.º 1201000.776 S1C2T1 Fl. 7 6 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto negar provimento ao recurso voluntário, devendo, todavia, a exigibilidade do crédito tributário permanecer suspensa, haja vista a existência de depósito do montante integral nos autos do processo judicial n° 2008.61.000138393. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 203DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 13054.000423/2006-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004
COFINS. RECONHECIMENTO DO INDÉBITO EM SEDE DE MANDADO DE SEGURANÇA. POSSIBILIDADE.
Considera-se reconhecido o indébito em sede de mandado de segurança quando o contribuinte tenha requerido a sua compensação e os indébitos estejam, claramente, dentre os períodos de apuração abrangidos pela ação.
COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. AÇÃO JUDICIAL. PRAZO.
Tendo sido apresentada ação judicial que abrangia os créditos em litígio, não há que se falar em prescrição quando o pedido administrativo de restituição tenha sido apresentado dentro do prazo de cinco anos do trânsito em julgado da ação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-002.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 COFINS. RECONHECIMENTO DO INDÉBITO EM SEDE DE MANDADO DE SEGURANÇA. POSSIBILIDADE. Considera-se reconhecido o indébito em sede de mandado de segurança quando o contribuinte tenha requerido a sua compensação e os indébitos estejam, claramente, dentre os períodos de apuração abrangidos pela ação. COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. AÇÃO JUDICIAL. PRAZO. Tendo sido apresentada ação judicial que abrangia os créditos em litígio, não há que se falar em prescrição quando o pedido administrativo de restituição tenha sido apresentado dentro do prazo de cinco anos do trânsito em julgado da ação. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva - Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITOS DISCUTIDOS EM MANDADO DE SEGURANÇA. APRESENTAÇÃO EM FORMULÁRIO PAPEL. Somente prevendo o formulário eletrônico a modalidade de ação de repetição de indébito para os créditos reconhecidos em ação judicial, admissível é a apresentação de pedido em formuláriopapel no caso de a ação ser o mandado de segurança. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. HABILITAÇÃO PRÉVIA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não tendo a autoridade de origem oposto ao direito de apresentar pedido de restituição a formulação prévia de habilitação dos créditos reconhecidos por ação judicial, descabe às autoridades julgadores imporlhe tal restrição como novo óbice, sob pena de inovação do litígio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004 COFINS. RECONHECIMENTO DO INDÉBITO EM SEDE DE MANDADO DE SEGURANÇA. POSSIBILIDADE. Considerase reconhecido o indébito em sede de mandado de segurança quando o contribuinte tenha requerido a sua compensação e os indébitos estejam, claramente, dentre os períodos de apuração abrangidos pela ação. COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. AÇÃO JUDICIAL. PRAZO. Tendo sido apresentada ação judicial que abrangia os créditos em litígio, não há que se falar em prescrição quando o pedido administrativo de restituição tenha sido apresentado dentro do prazo de cinco anos do trânsito em julgado da ação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 00 04 23 /2 00 6- 40 Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1380 a 1461) apresentado em 26 de dezembro de 2011 contra o Acórdão no 1034.830, de 11 de outubro de 2011, da 2ª Turma da DRJ/POA (fls. 1369 a 1374), cientificado em 20 de dezembro de 2011, que, relativamente a pedido de restituição de Cofins dos períodos de fevereiro de 1999 a janeiro de 2004, considerou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2004 Considerase não formulado o pedido de restituição/compensação que não atenda aos requisitos da legislação vigente. Prazo Prescricional em caso de litígio judicial envolvendo restituição/compensação, contase o prazo (prescricional) de cinco anos do trânsito em julgado para interposição do pedido administrativo. ASSUNTO CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2000 a 30/09/2002 Considerase não formulado o pedido de restituição/compensação que não atenda aos requisitos da legislação vigente. Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13054.000423/200640 Acórdão n.º 3302002.091 S3C3T2 Fl. 1.464 3 Prazo Prescricional em caso de litígio judicial envolvendo restituição/compensação, contase o prazo (prescricional) de cinco anos do trânsito em julgado para interposição do pedido administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A declaração de compensação foi transmitida em 23 de junho de 2006 e inicialmente apreciado pelo despacho decisório de fl. 1337, com base no parecer de fls. 1327 a 1336. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo do Pedido de Restituição em Formulário Papel (fl. 01) entregue em 23 de junho de 2006, através do qual a interessada pleiteia a restituição de créditos de Cofins (R$ 1.444.264,69) e de Pis (R$ 101.578,84), explicando como Motivo do Pedido tratarse de crédito decorrente de Mandado de Segurança impetrado em 08/04/1999 visando o reconhecimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins pela Lei n° 9.718, de 1998, e cuja sentença transitada em julgado resultou que os recolhimentos foram efetivados a maior que o devido das duas contribuições, que seriam passíveis de restituição nos termos do artigo 165,1, do Código Tributário Nacional, e art. 2o , I, da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Considera que os créditos, por serem oriundos de decisão em mandado de segurança, não teriam sua restituição prevista entre as hipóteses em que cabe a apresentação do pedido através da utilização de PER/DCOMP. Seu raciocínio é que a IN SRF n° 600 não contempla a ação mandamental, referindose apenas à ação de repetição de indébito, conforme seus artigos 50, § 2°, e 51, § 2 o , inciso "V". Também argumenta que a utilização de PER/DCOMP inviabilizaria o aproveitamento de créditos decorrentes de pagamentos efetuados há mais de 5 anos, conforme explicitado no artigo 26, § 10, da mesma Instrução Normativa. Junto com o Pedido de Restituição apresentou documentos a fls. 02/510 consistindo, dentre outros, de peças da ação judicial impetrada por diversas empresas inclusive a interessada, em 08/04/1999 Mandado de Segurança com Pedido de Liminar. Também foram juntadas cópias da inicial, Sentença, Acórdão do TRF ao julgar a Apelação das autoras, admissão parcial dos Embargos de Declaração das autoras e Decisão do Supremo Tribunal Federal naquele processo, cujo trânsito em julgado ocorreu em 10/02/2006 . Juntou também a Planilha de Cálculo em que declara as receitas sobre as efetivou recolhimentos, sobre os quais aplica a alíquota das contribuições, resultando que o valor pago ou extinto por compensação, corrigido, constituiria o seu crédito . Apresenta cópias de DARF's relativos aos pagamentos de PIS e de Cofins e das Declarações de Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Compensação (formulário papel ou eletrônico) dos valores daquelas contribuições através das quais pleiteou a extinção por compensação. Também junta cópias das Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e dos Balanços Patrimoniais, buscando comprovar a liquidez e certeza do direito creditório. A DRF em Novo Hamburgo analisou o pedido de Restituição através do Despacho Decisório DRF/NHO n° 346, de 27 de outubro de 2006 (fls. 513/523), bem como o teor do pedido judicial formulado e a sentença transitada em julgado, assim como a legislação que norteia os procedimentos de restituição, ressarcimento e compensação. Com base nestes elementos, considerou, preliminarmente, não formulado o pedido de restituição já que a contribuinte não se utilizou do formulário adequado (PER/DCOMP eletrônica, de acordo com os termos dos artigos 31 da IN SRF n° 600, de 2005), e no mérito, indeferiu o pedidb de restituição, não homologando as compensações, pela ocorrência da decadência relativamente aos pagamentos anteriores a 23/06/2001, com base nos termos do Código Tributário Nacional e da Lei Complementar n° 108, de 2005. Aquele Despacho determinou ainda, na Ordem de Intimação, que a interessada teria direito a apresentar manifestação de inconformidade dirigida a esta DRJ, relativamente ao mérito, esclarecendo que o mérito seria o indeferimento do pedido de restituição e a não homologação da compensação. Cientificada do Despacho Decisório em 07/12/2006 (AR fls. 527), contribuinte apresentou tempestivamente (em 04/01/2007) sua manifestação de inconformidade (fls. 528/548) dentro do prazo fixado para tal na Ordem de Intimação, com o fim de reverter o decidido pela DRF em Novo Hamburgo. Argumenta que o direito creditório nasceu da sentença no Mandado de Segurança que questionou a constitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998, sendo relativo aos pagamentos de PIS/PASEP e Cofins efetivados a maior que o devido entre fevereiro de 1999 a janeiro de 2004. Entendeu que não seria viável a aplicação do artigo 51 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, mas do artigo 26, § 5 o , da mesma IN, pleiteando, como conseqüência, a restituição em formulário papel — Pedido de Restituição, e não via PER DCOMP eletrônica. Analisa que a Decisão dividiuse em duas partes, sendo a primeira que considerou não formulado o pedido por ter sido apresentado em papel, e a segunda que não homologou as compensações e considerou decaído o direito à restituição para pagamentos anteriores a Afirma estar "parcialmente resignada com o teor dessa decisão administrativa, a manifestante habilitará os créditos posteriores a 23/06.2001, para ulterior declaração de compensação, através do PER/DCOMP, segundo disposições da IN SRF n° 600/2005. Contudo, jamais poderia se conformar com a pretendida decadência de seu direito à restituição ou compensação do PIS e Cofins que recolheu a maior aos cofres fazendários, por haver Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13054.000423/200640 Acórdão n.º 3302002.091 S3C3T2 Fl. 1.465 5 pago essas contribuições, durante a tramitação de seu mandado de segurança , de acordo com o que determinava a Lei n° 9.718/98". No entanto, em relação à não homologação da compensação e à decadência que teria ocorrido, apresenta seus questionamentos. Relata que postulou na ação mandamental impetrada em 08.04.1999 o reconhecimento do direito à compensação com créditos originados dos recolhimentos a maior em função das alterações introduzidas pela Lei n° 9.718, de 1998, sendo reconhecida em sentença transitada em julgado em 10.02.2006 a inconstitucionalidade da norma no tocante à ampliação da base de cálculo das contribuições. Discorda da Decisão da DRF Novo Hamburgo no tocante à decadência, considerando tratarse de prazo prescricional, e comentando as conseqüências da ação judicial na contagem do prazo para o exercício do seu direito. Assegura que a contagem somente começa a fluir a partir da data do trânsito em julgado, estando assegurados os direitos em relação aos recolhimentos efetivados no decorrer da ação. No processo 10680.008529/200617, foi indeferida a habilitação de créditos reconhecidos por sentença judicial, que foi protocolado pela Interessada em 14 de agosto de 2006. Segundo o despacho, as razões da não habilitação seriam: • O pedido do Requerente está bem claro e limitase ao reconhecimento do direito de não recolher a COFINS nos moldes da Lei n° 9.718/98; • Não há, na peça inicial ou em qualquer outro momento processual, pedido de compensação ou de reconhecimento de crédito proveniente de eventual recolhimento indevido; • A decisão judicial proferida pelo STF decidiu pela inconstitucionalidade somente do alargamento da base de cálculo da COFINS, porque declarada pelo Supremo Tribunal a inconstitucionalidade do § Io do artigo 3o da Lei n. 9.718/1998; • No Despacho anexado à fl. 105 do presente processo, o Juiz Substituto da Sexta Vara proferiu a seguinte decisão: "Indefiro o pedido de homologação da renúncia à execução, conforme requerido pela impetrante, tendo em vista que a presente ação é meramente declaratória (...), não havendo, portanto, nada a executar nestes autos, até porque mandado de segurança não é substituto de ação de cobrança”. (grifei) No recurso, a Interessada alegou não haver possibilidade, à época própria, de apresentar declaração de compensação eletrônica, uma vez que o programa gerador de declaração (PGD) só previa a ação de repetição de indébito e não o mandado de segurança. Ademais, o PGD não gerava declarações relativas a recolhimentos efetuados há mais de cinco anos. Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Tais foram os motivos para a apresentação de declaração em formulário papel. A seguir, tratou do despacho decisório e do acórdão de primeira instância. No mérito, lembrou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins e afirmou ter exercido seu direito por meio do pedido de restituição e do pedido de habilitação de crédito. Alegou, ainda, que instrução normativa não poderia criar condição não prevista em lei (prévia habilitação de créditos) para a apresentação do pedido. Citou ementas de acórdãos do Carf sobre a apresentação de pedido em papel e concluiu pela necessidade do provimento de seu recurso. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, esclareçase que a Delegacia de origem considerou não formulado o pedido de restituição, pelo fato de não ter sido efetuado por meio de PER, e, no mérito, considerou inexistir o direito de crédito. A DRJ, por sua vez, além de considerar que o pedido não poderia ter sido efetuado em papel, também constatou que o pedido de habilitação do crédito foi posterior ao do pedido de restituição, concluindo o seguinte: Ressaltese assim que o procedimento a ser adotado por parte da interessada deveria ser a apresentação do pedido de habilitação prévia de créditos, nos termos da Instrução Normativa SRF 517/2005), respeitando o prazo de 5 anos a partir do trânsito em julgado da sentença judicial, na forma preconizada pelo então vigente artigo 51 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. O fundamento da DRF teria como consequência – da consideração de não ter sido efetuado pedido válido – a inexistência de direito ao processo administrativo do Decreto n. 70.235, de 1972. Nessa hipótese, seria cabível o processo previsto na Lei n. 9.784, de 1999. A DRJ, entretanto, tomou conhecimento da manifestação de inconformidade e considerou que o pedido deveria ter sido efetuado por meio eletrônico e após prévia habilitação dos créditos. Nesse contexto, dois óbices que normalmente seriam impostos ao seguimento da manifestação de inconformidade acabaram ficando superados. Isso por que a inexistência de habilitação prévia não foi oposta ao direito da Interessada originalmente, incorrendo a DRJ em inovação, razão pela qual deve ser afastada essa exigência. Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13054.000423/200640 Acórdão n.º 3302002.091 S3C3T2 Fl. 1.466 7 Além disso, a Lei n. 9.430, de 1996, art. 74, não condiciona a apresentação de pedido de restituição à prévia habilitação de créditos. A instituição de tal providência, em si só, não representa ilegalidade, uma vez que se trata de medida de controle necessária ao Fisco para analisar o mérito das dos pedidos de restituição e declarações de compensação que serão apresentados pelo contribuinte. Entretanto, o condicionamento a que o contribuinte espere até que a autoridade fiscal julgue a habilitação e a defira representa restrição temporal de direito não prevista em lei e, portanto, não pode ser reconhecida como legítima. Na realidade, nem mesmo o indeferimento da habilitação poderia impedir o contribuinte de apresentar as declarações de compensação, embora permita que a autoridade fiscal as indefira sumariamente, mas com direito ao processo administrativo, nos termos do já citado artigo. Se existe o direito de apresentar manifestação de inconformidade, dele decorre o direito de discutir o mérito do pedido e, portanto, a liquidez e certeza do crédito, independentemente do deferimento da habilitação prévia. Do contrário, concluirseia que a instrução normativa teria criado uma limitação ao direito de contraditório previsto constitucionalmente. Ademais, a não apresentação de pedido eletrônico não foi obstáculo ao seguimento da manifestação de inconformidade, da qual a DRJ tomou conhecimento, gerando, por conseguinte, o direito a recurso. Ainda assim, é preciso analisar se seria exigível a apresentação do PER. As alegações da Interessada são consistentes, uma vez que, em se tratando de pedido de restituição, o PGD que gera o pedido somente previa, conforme demonstrado, a ação de repetição de indébito. Como o contribuinte entendia que seu direito havia sido reconhecido por acórdão em mandado de segurança, não havia tal opção para geração do PER. Notese que a lei trata rigorosamente, com imposição de multa, a prestação de informação falsa. Portanto, deve ser reconhecido que a Interessada tem razão em relação a essa alegação, pois, de fato, para preservar as verdades dos fatos, teria que apresentar o pedido em formulário. Se se tratasse de mandado de segurança que somente tivesse tratado do não recolhimento dos débitos futuros, caberia razão ao despacho que não habilitou os créditos em discussão, pois o caput do art. 74 e o art. 51 da Instrução Normativa referemse a “créditos reconhecidos” por ação judicial. Mas o mandado de segurança com pedido de autorização para compensação (com ou sem liminar) tinha efeitos sobre os indébitos recolhidos anteriormente à propositura da ação. O reconhecimento da existência de indébitos é pressuposto para autorização da compensação. Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Como a segurança foi denegada, a liminar não foi concedida e o recurso de apelação também restou não provido, a Interessada somente obteve tal reconhecimento com o acórdão do Supremo Tribunal Federal, quando já não vigiam mais as disposições, para tributos e contribuições administrados pela RFB, do art. 66 da Lei n. 8.383, de 1991. Não admitir a possibilidade de restituição dos referidos valores, portanto, equivaleria a considerar que o acórdão transitado em julgado simplesmente não teria tido efeito algum sobre os indébitos, apesar de os reconhecer para efeito de compensação. O pedido constante da inicial foi o seguinte (fl. 66 do processo original): Requerem o recebimento e processamento do presente mandado de segurança, com concessão da liminar (nos termos do supra explicitado e postulado) e determinação de notificação à autoridade impetrada. Ao final, colhidas ou não as informações da autoridade coatora e ouvido o douto Ministério Público, pedem dignese Vossa Excelência de conceder a segurança pleiteada para eximir, definitivamente, as impetrantes do pagamento das majorações das bases de cálculo do PIS e da COFINS e da alíquota dessa mesma COFINS, introduzidas pela Lei Ordinária n° 9.718/98, como já demonstrado, reconhecendo a inexistência de relação jurídica válida autorizadora das incidências pretendidas por essa mesma Lei Ordinária n° 9.718/98, mantida a sistemática anterior até eventual e superveniente nova legislação válida, reconhecendo e autorizando, ainda, o direito de compensar os montantes adicionais assim indevidamente recolhidos (os acréscimos advindos de tais novos ditames da Lei n° 9.718/98) com contribuições vincendas, respectivamente, desses mesmos PIS e COFINS (compensação o cuja exatidão ficará sujeita à Fiscalização da exigibilidade das majorações das bases de cálculo do PIS e da COFINS, assim como da alíquota dessa última (COFINS), introduzidas pela Lei Ordinária n° 9.718/98, permitindo às impetrantes persistir recolhendoas na forma anterior à dita lei ordinária, coibindo sanções de qualquer espécie, ressalvandose à autoridade impetrada o direito de persistir exigindo ditas exações na modalidade anteriormente disciplinada. O Supremo Tribunal Federal reconheceu parcialmente o direito, nos seguintes termos (fls. 87 e 88): No que toca à compensação facultada à pessoa jurídica pelo § 12 do art. 8º da Lei n. 9 9.718/98, esta Corte, no julgamento do RE nº 336.134 (Pleno, Rei. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 16.05.2003), reputoua constitucional, ao afastar alegada ofensa ao princípio da isonomia. 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, para, concedendo, em parte, a ordem, excluir, da base de incidência do PIS e da COFINS, receita estranha ao faturamento da recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas em proporção. O alegado direito de crédito somente poderia ser exercido após o trânsito em julgado, por meio de PER ou de DCOMP. Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13054.000423/200640 Acórdão n.º 3302002.091 S3C3T2 Fl. 1.467 9 Notese, além disso, que, na demonstração dos indébitos, a Interessada relacionou na fl. 18 somente períodos de apuração a partir de janeiro de 2000. Portanto, os valores que são objeto do presente pedido são posteriores à impetração do mandado de segurança e estão por ele necessariamente abrangidos. No presente caso, o pedido de restituição foi apresentado em 23 de junho de 2006. A DRJ enfatizou que o mandado de segurança transitou em julgado em 10 de fevereiro de 2006 (fl. 512), ao declarar prescritos os indébitos anterior a 23 de junho de 2001. Entretanto, não faz sentido essa interpretação, uma vez que o prazo prescricional interrompese na data da apresentação da ação e reiniciase na data do trânsito em julgado (arts. 202 e 204 do Código Civil). O prazo estabelecido pelo art. 150, § 4º, do CTN foi alterado pela Lei Complementar n. 118, de 2005. No Recurso Extraordinário no 566.621, apresentado pela União contra decisão do Tribunal Regional Federal da 1a Região, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria. O recurso foi julgado em 04 de agosto de 2011, estabelecendo que a disposição do art. 3º da referida LC somente se aplicaria a partir da sua vigência, que ocorreu 120 dias após a publicação, que ocorreu em 10 de fevereiro de 2005. Somente aos pedidos apresentados após a vigência é que se aplicaria o novo prazo. Portanto, como o mandado de segurança foi apresentado em 1999, o prazo de prescrição original retroagiria a 10 anos da impetração e, assim, ficaria interrompido em relação a todo o período até o trânsito em julgado. A partir daí, começaria a correr, em relação a todos os indébitos não abrangidos originalmente pela prescrição. Por esse raciocínio, somente para argumentar, estariam prescritos os indébitos recolhidos anteriormente a 1989. Não há, assim, que se falar em prescrição. Entretanto, resta apurar o montante do indébito, o que ainda deve ser efetuado pela Delegacia de origem. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para afastar os impedimentos a que o pedido seja considerado validamente formulado e para afastar a prescrição, devendo a Delegacia de origem apurar o montante devido e efetuar a restituição. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 16327.001907/2004-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1994 a 31/12/1994 PIS. DECADÊNCIA. PRAZO. Existindo pagamentos antecipados, o prazo de decadência do PIS/Pasep é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-001.416
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1612; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 185 1 184 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001907/200485 Recurso nº 255.519 Voluntário Acórdão nº 330201.416 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2012 Matéria PIS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SUDAMERIS ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1994 a 31/12/1994 PIS. DECADÊNCIA. PRAZO. Existindo pagamentos antecipados, o prazo de decadência do PIS/Pasep é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Fabio de Almeida Garcia – OAB/SP 237078. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Helio Eduardo de Paiva Araújo e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 136 a 147) apresentado em 21 de janeiro de 2008 contra o Acórdão no 1615.175, de 19 de outubro de 2007, da 8º Turma da DRJ/SPO I (fls. 118 a 129), cientificado em 23 de dezembro de 2007, que, relativamente a auto de infração de PIS dos períodos de junho a dezembro de 1994, considerou procedente em parte o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/06/1994 a 31/12/1994 DUPLICIDADE. Deve ser cancelado o crédito tributário em duplicidade. DECADÊNCIA. SEGURIDADE SOCIAL. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme previsto em lei ordinária. EMENDA CONSTITUCIONAL 1/1994. O PIS devido no mês de junho de 1994 já deve ser calculado com base na EC nº 01/1994. TAXA SELIC. Em relação aos débitos , cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Lançamento Procedente em Parte O lançamento foi efetuado em 28 de dezembro de 2004, de acordo com o termo de fls. 03 e 04. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Em procedimento de fiscalização, a empresa em referência foi autuada e notificada a recolher o crédito tributário de PIS, incluindo acréscimos legais, no valor total de R$ 839.716,64 (fls. 1 – demonstrativo consolidado do crédito tributário, auto de infração fls. 2/4). A fiscalização apurou a falta de recolhimento do PIS, nos seguintes termos: “O contribuinte recolheu o PIS dos períodos de apuração 07/94 à 12/96, em 26/02/1999, com base na Lei 9.779/1999 e suas alterações. Contudo a autoridade administrativa em despacho fundamentado no processo administrativo nº 16327.000646/200486, cuja cópia é parte integrante deste auto, indeferiu o direito de usufruto do pagamento de PIS, período de apuração 06/1994 à 12/1996, com o benefício concedido pelo artigo 17 da Lei 9.779/1999 pela falta de pagamento do período de apuração junho de 1994, o que descaracterizou o Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.001907/200485 Acórdão n.º 330201.416 S3C3T2 Fl. 186 3 recolhimento efetuado pelo contribuinte, que passou a ser um recolhimento em atraso. “O lançamento do período de apuração 06/1994 à 12/1994 está sendo realizado através deste auto por falta de declaração dos valores em DCTF. Os valores lançados foram obtidos da base de cálculo apresentada na Declaração de IRPJ do exercício 1995/anobase 1994, cuja cópia integra este auto de infração”(fls. 3). A empresa apresentou impugnação, protocolizada em 27/01/2005 (fls. 28/48), alegando em síntese o seguinte: a) Primeiramente, cumpre à Impugnante ressaltar que se operou a decadência do direito da autoridade fiscal à constituição do crédito tributário em tela. Isso porque, consoante se depreende da intimação, a mesma se refere a fatos geradores relativos aos meses de 07/94 a 01/1999, ou seja, ocorridos há mais de cinco anos. b) Nos termos do § 4º, do art. 150, do CTN, é inconteste a decadência no presente caso, visto que a autoridade fiscal, por inércia, não efetuou o lançamento no prazo de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador. c) Nem se alegue que aplicase ao presente caso o disposto no art. 45, da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que, ao tratar do prazo de decadência, a referida lei fere, frontalmente, as regras do CTN, contidas no art. 150, § 4º. d) O PIS, criado pela LC nº 7/70, foi recepcionado pelo art. 239, da CF/88, como contribuição social geral, não se confundindo com as contribuições sociais, previstas no art. 195, da Constituição Federal, razão pela qual não lhe são aplicáveis a Lei nº 8.212/91, prevalecendo o prazo decadencial previsto no § 4º do art. 150 do CTN. e) O período de apuração de 06/1994 não constitui objeto da Ação Ordinária nº 94.00269749. f) O parágrafo 1º da EC nº 01/94 dispõe que as alíquotas e bases de cálculo previstas em seus incisos III e V aplicarseão a partir do primeiro dia do mês seguinte aos noventa dias posteriores à sua promulgação. g) A EC nº 01/94 foi promulgada em 1/03/94, data em que se iniciou a contagem dos noventa dias, os quais se encerraram em 1/6/94. h) Somente a partir de 1/7/94 (fato gerador) a Impugnante passou a estar obrigada a apurar e recolher o PIS nos termos do disposto no art. 72, do ADCT, com a redação dada pela EC nº 01/94, acima transcrito. Em outras palavras, a EC nº 01/94 passou a ter eficácia sobre os fatos geradores ocorridos a partir de julho/94, recolhimento ago/94. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 i) Assim, o débito de PIS referente ao fato gerador ocorrido em 06/94 não está abrangido pela medida judicial, tendo em vista que, para esse período ainda não eram aplicáveis as disposições da EC nº 01/94. j) Dessa forma, concluise que a integralidade dos débitos objeto da referida medida judicial, quais sejam, a partir do fato gerador 07/94, foram pagos nos termos da anistia prevista na Lei nº 9.779/99. k) A Impugnante em relação ao fato gerador 06/94 deveria apurar o PIS com base no disposto na LC nº 7/70 na base de 5% sobre o Imposto de Renda devido, qual seja, na sistemática PIS REPIQUE. l) No referido período a Impugnante não apurou IRPJ a recolher, conforme se verifica da Declaração de Rendimentos relativa ao ano calendário 1994, razão pela qual não realizou o respectivo recolhimento de PIS. m) Assim, mesmo diante do fato de que esse período não era objeto da medida judicial proposta e, portanto, não foi incluído no pagamento realizado nos termos da anistia, não há qualquer irregularidade em relação ao procedimento adotado. n) A Impugnante protocolou petição nos autos da AO nº 94.00269749 informando a edição da EC nºs 10/96 e 17/97 e requerendo que as mesmas fossem consideradas quando do julgamento da ação. o) Posteriormente informou o pagamento dos débitos de PIS nos termos da anistia concedida pela Lei nº 9.779/99, o que acarretou a prolação de sentença extinguindo o processo sem julgamento do mérito, em face do recolhimento da contribuição ao PIS nos moldes das EC nºs 1/94, 10/96 e 17/97. p) Na sentença homologatória da desistência apresentada, constou expressa alusão às Emendas Constitucionais 1/94, 10/96 e 17/97, o que implica concluir que as três Emendas citadas constituíram objeto da referida medida judicial. q) A taxa de juros Selic à época dos referidos fatos geradores ainda não havia sido instituída para cobrança de débitos tributários, visto que a lei que determina sua incidência (Lei nº 9.065/95) sobre débitos fiscais federais, foi editada em março/95, objeto de conversão da MP nº 947/95, e, portanto, somente atinge fatos geradores ocorridos a partir de tal data. r) No caso dos autos não pode incidir a taxa de juros Selic, sob pena de ofensa ao princípio da irretroatividade das leis. s) Requer que seja definitivamente homologado o pagamento realizado a título de PIS, quer pela preliminar de decadência, quer pelo mérito. No recurso, a Interessada repetiu as alegações da Impugnação. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.001907/200485 Acórdão n.º 330201.416 S3C3T2 Fl. 187 5 Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. No tocante à decadência, tratandose de diferenças apuradas entre os valores apurados e os recolhidos, a regra de decadência a ser aplicada é a do art. 150, § 4º, do CTN, à vista da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n. 8.212, de 1991, declarada pelo Supremo Tribunal Federal e objeto da Súmula Vinculante n. 8. A respeito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento, como demonstra a ementa abaixo reproduzida (REsp 512840 / SP; Relatora: Ministra Eliana Calmon; DJ 23.05.2005 p. 194): TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4o E 173 DO CTN). 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4o, do CNT). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. 4. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Recurso especial provido. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Portanto, tendo sido o auto de infração lavrado em dezembro de 2004, já se havia consumado a decadência. À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10830.006261/2005-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
Ementa:
DEPÓSITO BANCÁRIO – NULIDADE – ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. Quando há omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, deve se aplicar ao lançamento o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996.
A aplicação ao lançamento de outra base legal no caso os artigos 1° ao 3° parágrafos e 8°, da Lei 7.713/88; artigos 1° a 4° da Lei 8.134/90; art. 6° da Lei n° 9.250/95, arts. 55, inciso VII, e 995do RIR/99; art 1°, da Lei 9.887/99, causam a nulidade do mesmo.
Numero da decisão: 2202-001.795
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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Quando há omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, deve se aplicar ao lançamento o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. A aplicação ao lançamento de outra base legal no caso os artigos 1° ao 3° parágrafos e 8°, da Lei 7.713/88; artigos 1° a 4° da Lei 8.134/90; art. 6° da Lei n° 9.250/95, arts. 55, inciso VII, e 995do RIR/99; art 1°, da Lei 9.887/99, causam a nulidade do mesmo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator. (assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (assinado digitalmente) Fl. 132DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2012 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por NELSON MALLMANN 2 Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2012 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10830.006261/200537 Acórdão n.º 220201.795 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Contra a Recorrente LAURA STERIAN foi lavrado o auto de infração (fls. 57/64) com o lançamento de imposto de renda relativo ao anocalendário 2000 de R$ 162.408,37, de multa de ofício de R$ 121.806,27, multa isolada de R$ 124.506,27 e de juros de mora calculados até 31/10/2005 de R$ 132.184,17, perfazendo um crédito total de R$ 540.905,08. A ação fiscal contra a Recorrente foi iniciada em 20/09/2005, com a ciência do Termo de Início de Fiscalização de fls. 02/03, em que o contribuinte foi intimado a apresentar, em relação ao anocalendário 2000, documentos comprobatórios da origem dos recursos financeiros movimentados no exterior, por meio da conta mantida no banco Merchants Bank of New York, no total de US$ 320.000,00 e se os valores das transações bancárias estavam sujeitos à tributação. De posse de documentos recebidos por meio de Representação Fiscal da Coordenação de Fiscalização (COFIS) que comprovam transferências financeiras em conta no exterior e de outros documentos colhidos no decorrer da ação fiscal,o auditor, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 53/55, encerra a ação fiscal com a lavratura do auto de infração, tendo em vista que foram apuradas as seguintes infrações à legislação tributária: Rendimentos Recebidos de Fontes no Exterior/Omissão de Rendimentos Recebidos de Fontes no Exterior. Omissão de rendimentos caracterizada por valores remetidos/creditados em conta bancária mantida em instituição financeira no exterior, no/anocalendário de 2000, em relação aos quais o contribuinte regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme devidamente relatado no Termo de Verificaçao Fiscal que é parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração. Multas Isoladas/Falta de Recolhimento do IRPF a Titulo de Carnê Leão. Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de carnê leão, apurada tendo em vista a falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física, decorrentes de rendimentos recebidos no exterior no anoCalendário de 2000. Cientificado da autuação em 15/12/2005 (assinatura de fls. 55), a Recorrente apresentou a impugnação de fls. 65/80 em 12/01/2006, por meio de procurador devidamente qualificado em fls. 81. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, DRJ/SPOII ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em dar provimento parcial a impugnação, cancelando a multa isolada, através da ementa abaixo transcrita: Fl. 134DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2012 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por NELSON MALLMANN 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício:.2001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SÚMULA 182 DO TFR. INAPLICABILIDADE A LANÇAMENTOS EMBASADOS EM LEI POSTERIOR.'„ A Súmula 182 do TFR aplicase a lançamentos vertidos com base no' ordenamento jurídico contemporâneo à sua edição, imprestável, portanto, para aferir a legalidade de lançamentos embasados na Lei n2 9.430, de 1996, que lhe é posterior. MULTA ISOLADA. CARNÊLEÃO. Descabe a aplicação da multa isolada, em virtude de não recolhimento de Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de camêleão, quando a infração foi apurada com base em depósito bancário com origem não comprovada Devidamente intimado desse decisão em 17 de abril de 2009, a Recorrente apresenta tempestivamente em 13 de maio de 2009 recurso voluntário, onde alega em síntese: Não teria ocorrido a omissão de receitas, tendo em vista que a Recorrente comprovou as origens dos valores depositados no exterior , decorrem de alienações de bens imóveis, conforme devidamente declarado em suas declarações de rendimentos; O único erro cometido pela Recorrente foI não ter declarado o estoque em moeda estrangeira, o que não gera em si rendimentos tributáveis; Ademais segundo a autoridade lançadora e de julgamento, a Recorrente teria comprovado a origem dos valores depositados na conta no exterior. A omissão de receitas foi caracterizada porque não houve coincidência entre as datas e valores, pois aS alienações ocorreram em janeiro e julho de 1998 e julho de 2000; Que o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, não prevê a necessidade da coincidência de datas e valores, mas somente que se consiga demonstrar a origem dos valores depositados; Que a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, é nula de pleno direito, pois não levou em consideração a origem dos recursos devidamente demonstrada pela Recorrente. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2012 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10830.006261/200537 Acórdão n.º 220201.795 S2C2T2 Fl. 3 5 É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2012 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por NELSON MALLMANN 6 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. Antes de mais nada, vou suscitar de ofício a nulidade do auto por vício material. O presente lançamento trata de omissão de rendimentos de rendimentos de fontes no exterior, e teve como origem depósitos efetuados em contas bancárias situadas no exterior. Como a Recorrente não teria logrado êxito em comprovar a origem dos depósitos bancários o lançamento teve como fundamento o artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, conforme podemos verificar no termo de verificação fiscal: 13. O fato da não comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nas operações ventiladas neste Termo Fiscal, aliado, ainda, a não declaração dos referidos valores em sua Declaração de Imposto de Renda autoriza serem eles considerados como rendimentos omitidos e, por conseguinte, sujeito à tributação pelo Imposto de Renda, o que será efetuado através de Auto de Infração do qual o presente Termo Fiscal passa a fazer parte integrante e indissociável (art. 42 da Lei n° 9.430/96). 14. O valor dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira (art. 42, § 1°, da Lei n° 9.430/96). 15. Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira (art. 42, § 4°,, da Lei n° 9.430/96) A DRJ por sua vez ao decidir também entendeu que a Recorrente teria violado o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme podemos verificar no acórdão abaixo tranacrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício:.2001 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2012 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10830.006261/200537 Acórdão n.º 220201.795 S2C2T2 Fl. 4 7 DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SÚMULA 182 DO TFR. INAPLICABILIDADE A LANÇAMENTOS EMBASADOS EM LEI POSTERIOR.'„ A Súmula 182 do TFR aplicase a lançamentos vertidos com base no' ordenamento jurídico contemporâneo à sua edição, imprestável, portanto, para aferir a legalidade de lançamentos embasados na Lei n2 9.430, de 1996, que lhe é posterior. MULTA ISOLADA. CARNÊLEÃO. Descabe a aplicação da multa isolada, em virtude de não recolhimento de Imposto de Renda da Pessoa Física devido a título de camêleão, quando a infração foi apurada com base em depósito bancário com origem não comprovada Ocorre todavia, ao verificarmos o auto de infração, lavrado pela autoridade lançadora, o embasamento legal foi: 001 Rendimentos Recebidos de Fontes no Exterior/Omissão de Rendimentos Recebidos de Fontes no Exterior. Omissão de rendimentos caracterizada por valores remetidos/creditados em conta bancária mantida em instituição financeira no exterior, no anocalendário de 2000, em relação aos quais o contribuinte regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme devidamente relatado no Termo de Verificaçao Fiscal que é parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração. Fundamentação Legal: artigos 1° ao 3 0 parágrafos e 8°, da Lei 7.713/88; artigos 1° a 4° da Lei 8.134/90; art. 6° da Lei n° 9.250/95, 1 arts. 55, inciso VII, e 995do RIR/99; art 1°, da Lei 9.887/99. Podemos verificar, que a autoridade lançadora ao lavrar o auto de infração utilizou de fundamentação legal diversa, do que deveria ter sido aplicada ao presente caso, ou seja o artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2012 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por NELSON MALLMANN 8 A infração cometida pela Recorrente, ou seja omissão de rendimentos por decorrência de depósito bancário de origem não comprovada, tem embasamento legal específico, não podendo a autoridade lançadora, embasar o lançamento com outra norma legal, o que ocorreu no presente caso. Desta forma, entendo que o lançamento este padece de vício insanável, devendo ser anulado. Portanto, conheço do recurso e dou provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 139DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/07/2012 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10680.935620/2009-50
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO. Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 3a. Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações pleiteadas em PERDCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 35 62 0/ 20 09 -5 0 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935620/200950 Resolução nº 1801000.214 S1TE01 Fl. 3 2 Por meio de PERDCOMP a interessada pretende a compensação de débitos próprios com direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ apurado no ajuste do anocalendário 2003. O valor do indébito pleiteado nos presentes autos totaliza R$ 253.362,20. Pelo Despacho Decisório a DRF em Belo Horizonte não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações sob o argumento de que o DARF mencionado pela interessada como origem do indébito havia sido alocado a um débito confessado em DCTF e, assim, não haveria crédito disponível para compensação pleiteada. Em manifestação de inconformidade defendeuse a interessada alegando que, de acordo com a DIPJ do anocalendário 2003 – exercício 2004, teria apurado um saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 40.003,77. Assim, considerandose o débito apurado e o pagamento efetuado, verificarseia o indébito no valor de R$ 294.465,83. Apresenta planilha demonstrativa do pretenso indébito, confrontando DCTF original, DCTF retifícadora e DIPJ. Afirma ter cometido mero erro de fato no preenchimento da DCTF, de modo que não haveria recolhimento suplementar algum a ser efetuado após a retificação da DCTF. Defendeuse, ainda, contra os encargos moratórios imputados ao débito exigido. No julgamento do litígio a Turma Julgadora de 1a. instância observou que a DCTF retificadora foi apresentada após a não homologação da compensação pleiteada e que a contribuinte não teria apresentado qualquer prova do erro cometido no preenchimento da DCTF original. Observou que na DIPJ do anocalendário 2003 teria sido apurado um saldo negativo de IRPJ, assim composto: DIPJ 2003 DCTF Original DCTF Retificadora IRPJ Apuração Anual Alíquota 15% 330.483,34 Adicional 196.322,22 Total IRPJ Apurado 526.805,56 () Deduções () IRRF 294.465,83 () IR Pago Estimativa 192.335,96 () Total Deduções 486.801,79 IR a Pagar IRPJ Apurado Deduções 40.003,77 334.496,60 40.003,77 Assinalou que o IRPJ declarado na DCTF original foi apurado sem o cômputo do IRRF consignado pelo contribuinte em sua DIPJ. Nesse sentido o direito de crédito Fl. 201DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935620/200950 Resolução nº 1801000.214 S1TE01 Fl. 4 3 invocado na manifestação de inconformidade corresponderia a esta mesma importância R$ 294.465,83 e que o valor deduzido a título de "IR pago por estimativa", no importe de R$ 192.335,96 estaria em consonância com os valores declarados em DCTF, extintos pelo pagamento. Assim, o valor do IRPJ a pagar, consignado na DIPJ, estaria adstrito à confirmação do IRRF deduzido. Constatou que, de acordo com a DIPJ, que o IRRF teria origem em rendimentos obtidos com juros sobre o capital próprio recebidos pela interessada de 2 (duas) fontes pagadoras que estariam em consonância com aqueles informados em DIRF. Contudo, na DIPJ, a linha correspondente aos rendimentos de juros sobre o capital próprio estaria zerada (Ficha 06 B – linha 37), razão pela qual a dedução do IRRF não teria amparo. Assim, o DARF utilizado para pagamento do IRPJ apurado no anocalendário 2003 não representaria indébito. Também justificou a aplicação dos encargos moratórios sobre o débito indicado para compensação. Notificada da decisão, em 05/09/2011, apresentou, a interessada, em 04/10/2011, recurso voluntário. Nas razões de defesa aduz, quanto à retificação da DCTF, que a declaração é o instrumento para se dar conhecimento ao Fisco do cumprimento das obrigações fiscais dos contribuintes e que as informações nela contidas devem retratar a realidade das atividades econômicas, não se podendo admitir a vedação da correção de erros que possam ser comprovados pela análise de sua documentação contábil, livros fiscais e documentos correlatos. Pondera que com a retificação da DCTF teria comprovado, de maneira hialina, a existência de crédito, e consequentemente, do seu direito em ser restituído do pagamento a maior efetuado, já que a DIPJ comprovaria um IRPJ devido para o anocalendário 2003, de R$ 40.003,77, enquanto que no valor recolhido, de R$ 334.469,60, por equívoco, não teria sido feita a dedução do IRRF de R$ 294.465,83. Explica que auferiu rendimentos com juros sobre o capital próprio, mas que parte do valor teria sido contabilizado e oferecido à tributação no anocalendário 2002, na conta “2.7.1.9.99 Outras Rendas Operacionais” (Conta COSIF n° 7.1.9.99) no valor total de R$ 2.288.905,47. O valor teria sido registrado, na DIPJ, equivocadamente na linha 43 – “Outras Receitas Operacionais”. Esclarece que muito embora parte da receita auferida com Juros sobre o Capital Próprio tenha sido obtida no ano calendário de 2002 e declarada na DIPJ AC 2002, apenas foi realizada a retenção do IRRF no ano de 2003, conforme se verificaria das informações prestadas no comprovante de rendimentos (doc. n° 10), porque somente em 2004 teria recebido da fonte pagadora o respectivo informe de rendimentos. Teria assim procedido em estrita observância à legislação que determina que somente o IRRF comprovado com o informe de rendimentos pode ser deduzido na apuração anual. Afirma que, comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos auferidos com juros sobre o capital próprio, parte no anocalendário 2002 e parte no anocalendário 2003, faria jus à dedução do valor do IRRF de R$ 294.465,83 no ajuste do anocalendário 2003. Apresenta cópia de registros contábeis e outros documentos para comprovar suas alegações. Tece considerações a respeito da vedação de enriquecimento ilícito do Fisco, do princípio da verdade material da não caracterização da mora e da não incidência de encargos moratórios. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935620/200950 Resolução nº 1801000.214 S1TE01 Fl. 5 4 Ao final pugna pelo acolhimento do recurso. É o relatório. VOTO. Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Verifico que o presente processo não está em condições de julgamento. A recorrente pleiteia o reconhecimento de indébito, no valor de R$ 294.465,83, pelo recolhimento a maior de IRPJ apurado no ajuste do anocalendário 2003. O valor do indébito seria resultado da diferença entre o valor efetivamente devido, de R$ 40.003,77, como apurado na DIPJ do anocalendário 2003, e o valor recolhido em DARF, de R$ 334.469,60. O direito creditório pleiteado nestes autos também é pleiteado e encontrase em litígio nos seguintes processos distribuídos a esta Relatora: 10680.935618/200981; 10680.935619/200925; 10680.935621/200902; 10680.935622/200949; 10680.935623/200993; 10680.935625/200982; 10680.933966/200913; Nos processos acima listados as peças e argumentos de defesa apresentados pela interessada são idênticos, assim como são idênticas as decisões proferidas pela Turma Julgadora de 1a. instância. Em pesquisas realizadas junto ao sistema Eprocesso constatei a existência de inúmeros outros processos em nome da mesma interessada. Entretanto, não foi possível verificar quantos deles se referem aos mesmos fatos – mesmo direito creditório. A Portaria RFB n º 666, de 24/04/2008, assim dispõe: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo:... IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935620/200950 Resolução nº 1801000.214 S1TE01 Fl. 6 5 ... Art. 3º Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1º, serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem. ... Assim, nos termos da Portaria acima mencionada, deverá a Unidade de jurisdição da recorrente proceder à juntada do presente processo ao processo de nº. 10680.933966/200913; bem como de todos os processos acima listados e de todos os demais processos formalizados que estejam em andamento neste CARF ou em qualquer outra unidade da RFB que tratem do mesmo direito creditório pleiteado nestes autos pela mesma interessada. Quanto ao mérito noto que a Turma Julgadora de 1a. instância consignou que, apesar do valor do IRRF informado pela recorrente na DIPJ ter sido confrontado e confirmado com o valor informado pelas fontes pagadoras em DIRF, os rendimentos que deram origem a tais retenções não teriam sido oferecidos à tributação pois a linha correspondente na DIPJ estaria zerada. A seu turno a recorrente alega que teria se equivocado no preenchimento da DIPJ, informando o valor dos rendimentos obtidos com juros sobre o capital próprio, na linha 43 – “Outras Receitas Operacionais”. Observou, ainda, que parte dos rendimentos teria sido oferecida à tributação na DIPJ do anocalendário 2002 e parte na DIPJ do anocalendário 2003. Apresentou, para comprovar suas alegações, cópia do Livro Razão e balancetes de 2002 e 2003 na conta “2.7.1.9.99 Outras Rendas Operacionais” (Conta COSIF n° 7.1.9.99), assim como comprovantes de rendimentos. Pelo exposto voto no sentido de converter o presente julgamento na realização de diligência para que: 1) a Unidade de jurisdição da recorrente proceda a juntada do presente processo ao processo de nº. 10680.933966/200913; bem como de todos os processos acima listados e de todos os demais processos formalizados que estejam em andamento neste CARF ou em qualquer outra unidade da RFB que tratem do mesmo direito creditório pleiteado nestes autos pela mesma interessada; 2) verifique, junto aos registros contábeis da recorrente, se, de fato, os rendimentos obtidos com juros sobre o capital próprio, que deram origem às retenções discutidas nos autos, foram oferecidos à tributação, esclarecendo, ainda, quanto ao período de apropriação e de oferecimento à tributação de tais receitas e de retenção do IRRF. Ao final deverá o agente fiscal encarregado elaborar relatório circunstanciado e conclusivo dos trabalhos efetuados a fim de atender a esta solicitação, dandose ciência à interessada do resultado, conforme determina o PAF, retornandose, posteriormente, o presente processo, a esta relatora, para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 204DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935620/200950 Resolução nº 1801000.214 S1TE01 Fl. 7 6 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11020.004081/2005-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1989 a 30/09/1995 PIS. COMPENSAÇÃO INDÉBITO. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE. É possível haver a compensação de créditos relativos à contribuição para o PIS/PASEP reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos referentes a outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil nos casos em que, como no presente, a denegação da compensação com tributos de espécie distinta somente ocorrera em face de ter sido aplicada legislação que à data do reconhecimento judicial do direito creditório já havia sido modificada com a edição de legislação que passara a permitir a compensação na forma pretendida pelo sujeito passivo e na qual a própria Administração Tributária vem se orientando na homologação de compensações de tributos e contribuições sob sua administração.
Numero da decisão: 3302-001.421
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1989 a 30/09/1995 PIS. COMPENSAÇÃO INDÉBITO. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE. É possível haver a compensação de créditos relativos à contribuição para o PIS/PASEP reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos referentes a outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil nos casos em que, como no presente, a denegação da compensação com tributos de espécie distinta somente ocorrera em face de ter sido aplicada legislação que à data do reconhecimento judicial do direito creditório já havia sido modificada com a edição de legislação que passara a permitir a compensação na forma pretendida pelo sujeito passivo e na qual a própria Administração Tributária vem se orientando na homologação de compensações de tributos e contribuições sob sua administração. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Alexandre Gomes. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/06/2012 por WALBER JO SE DA SILVA 2 Relatório Tratase de Declarações de Compensação – DCOMP entregues entre 12/11/2004 e 12/01/2005, nas quais é requerida a compensação de débitos de PIS e COFINS com crédito oriundo da Ação Ordinária nº 1999.71.07.0050995, no valor de R$13.464,88, transitada em julgado, reconhecendo o direito da contribuinte de calcular o PIS nos moldes da Lei Complementar 7/70, considerando inconstitucionais as alterações introduzidas pelos DecretosLeis nºs. 2.445/1988 e 2.449/1988. O Despacho Decisório da DRF/Caxias do Sul RS, de 15/03/2006 (fls. 192), homologou parcialmente a pleiteada compensação, deixando de fazêlo em relação aos débitos de COFINS e acatando somente a compensação dos débitos de PIS, consoante determinava a decisão judicial. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) – DRJ/POA, no Acórdão nº 1030.540 sessão de 24/03/2011, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mediante decisão assim ementada (fls. 280 a 283): Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1989 a 30/09/1995 AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA A decisão definitiva em ação judicial produz efeitos nos estritos termos em que foi passada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada dessa decisão em 02 de maio de 2011 (AR. de fls. 286) interpôs recurso voluntário a este Conselho no dia 27 seguinte (fls. 287 a 205), apresentando as razões de defesa a seguir sintetizadas: que muito embora a sentença delimite a compensação de PIS com PIS, legislação ordinária disponível autoriza o possuidor de crédito perante a Receita Federal a utilizálo da forma disposta no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002; que não se trata de recusa em pagar o valor devido, mas do uso de direito líquido e certo de usar crédito reconhecido judicialmente na liquidação de débitos que espontaneamente foram declarados; que a partir da edição da citada Lei nº 10.637/2002 a RFB não mais dispõe da faculdade de autorizar ou não a compensação de créditos passíveis de restituição; que a multa de 75% sobre o valor do tributo, estipulada pela Fazenda, deve ser reduzida para 20%, consoante estabelece a Lei nº 9.430/1996, pois no caso os supostos débitos originaramse de compensação, ou seja, a empresa declarou os valores e compensou ao invés de pagar. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/06/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 330201.421 S3C3T2 Fl. 2 3 É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/06/2012 por WALBER JO SE DA SILVA 4 Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz – Relator. O recurso é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. A questão posta à apreciação deste Colegiado diz respeito à possibilidade da utilização de indébito fiscal reconhecido por decisão judicial transitada em julgado na liquidação de créditos tributários de espécie distinta da que a decisão contemplara, ou seja, o PIS recolhido indevidamente somente poderia ser compensado com dívidas relativas ao próprio PIS. No caso sob análise, na inicial da ação ordinária impetrada em outubro de 1999 foi solicitado o direito à restituição de indébitos fiscais do PIS recolhido com base nas alterações introduzidas na Lei Complementar 7/70 pelos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449/1988, consideradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal STF, permitindo que a restituição pleiteada fosse efetuada por meio de compensação com o próprio PIS, a COFINS, a CSLL ou o IRPJ. A decisão do Juízo Federal de primeira instância, em 25/10/2000, declarou o direito da parte autora de compensar os valores pagos a maior, a esse título, com a aplicação de correção monetária sobre a base de cálculo, com futuras parcelas devidas relativas somente ao próprio PIS, (...), aplicando ao caso o regime da Lei nº 8.383/1991 art. 66, considerando que o regime jurídico de compensação disciplinado na Lei 9.430/96 não é aplicável à espécie sub judice, uma vez esta pressupõe requerimento administrativo (compensação que é levada a efeito no âmbito da Secretaria da Receita Federal), hipótese diversa da que ora é apreciada (compensação que é efetuada no âmbito do lançamento por homologação). (fls. 93) Eis a íntegra do dispositivo da Lei nº 8.383/1991, acima citado: Art. 66 Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. (...). Referida sentença foi proferida em 25/10/2000 (fls. 101), vindo a transitar em julgado somente em 10/02/2004, consoante Certidão de Trânsito fornecida pelo Superior Tribunal de Justiça STJ (fls. 127), tendo as DCOMP’s sido entregues no período compreendido entre 12/11/2004 e 12/01/2005, nas quais é requerida a compensação de débitos das Contribuições PIS e COFINS, portanto em desacordo parcial com o que fora sentenciado pelo juízo de primeira instância, em 25/10/2002, que a admitira para que fosse realizada somente em relação a débitos da contribuição para o PIS, em face do disposto no § 1o. do artigo 66 da Lei nº 8.383/91. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/06/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 330201.421 S3C3T2 Fl. 3 5 Importante ressaltar que essa decisão de mérito proferida na instância singular não mais foi objeto de questionamento, porquanto a Fazenda Nacional interpusera ao TRF da 4ª Região recurso de apelação somente sobre questões acessórias, sendo que ao STJ a Fazenda Nacional interpôs recurso especial argüindo que deve prevalecer a tese da contagem do prazo prescricional a partir da declaração de inconstitucionalidade pela Suprema Corte, sendo aplicável a correção monetária no caso do PIS – SEMESTRALIDADE, tese essa que não foi acolhida. Vêse, pois, que a sentença de primeiro grau permaneceu intocada quanto às questões outras que não as acima relatadas, ficando seu trânsito em julgado na dependência da apreciação, pelo STJ, dessas mesmas arguições da Fazenda Nacional, o que veio a ocorrer com a decisão proferida em 28/10/2003 (fls. 125/126). Da leitura dos acima transcritos fundamentos que embasaram a sentença inicial, que restou consolidada, sem retoque, quando do seu trânsito em julgado, verificase que, tendo sido proferida anteriormente à edição de Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a mesma, por óbvio, não poderia adotar legislação superveniente mais benéfica, aplicável indistintamente a todos os contribuintes detentores de crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita, nos seguintes termos: Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002 (DOU de 31.12.2002 Edição Extra) Art. 49. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...). Anteriormente às alterações introduzidas pelo supramencionado art. 49 da Lei nº 10.637/2002, o art. 74 da Lei nº 9.430/1996 apresentava a seguinte redação: Art. 74 Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Da leitura desses dispositivos verificase que a Lei nº 10.637/2002 foi ainda mais benéfica para o contribuinte do que tinha sido a Lei nº 9.430/1996, na sua redação original, em relação à legislação então vigente, representada pelo art. 66, § 1º, da Lei nº Fl. 308DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/06/2012 por WALBER JO SE DA SILVA 6 8.383/1991, porquanto dispensara a autorização prévia da Receita Federal para a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração, bastando, a partir da hodierna legislação de regência, que o detentor do crédito apresente à RFB Declaração de Compensação DCOMP, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Em suma, no caso sob análise a contribuinte valeuse de legislação superveniente mais benéfica (Lei nº 10.637/2002) vigente na data da apresentação das DCOMPs, efetuada no período de 12/11/2004 a 12/01/2005, declarando crédito judicial originado de decisão singular proferida em 25/10/2000, que, no mérito, restou consolidada, sem retoque, somente quando do seu trânsito em julgado em 10/02/2004, sendo que nesse interregno, de 25/10/2000 a 10/02/2004, somente questões outras (que não a necessidade de que a compensação fosse realizada somente com a mesma contribuição ao PIS) foram postas em discussão, significando dizer que a definitividade da decisão nesse aspecto já fora decretada desde 25/10/2000, porquanto essa questão, repitase, não mais fora posta em discussão na via judicial. Entendo, assim, que essa é a forma como o caso deve ser apresentado e submetido à apreciação deste Colegiado. Vale dizer que a análise deve partir do pressuposto de que a decisão judicial transitada em julgado, considerandose a data de 10/02/2004, fora embasada em legislação restritiva (§ 1o. do artigo 66 da Lei nº 8.383/91) que não mais era aplicável aos contribuintes em geral, pela superveniência da legislação que passara a viger com a edição da Lei nº 10.637, de 30/12/2002. Dessa forma, entendo que não está em causa a interpretação dada à norma pelo Poder Judiciário, mesmo porque se assim fosse estarseia cometendo uma abominável e descabida afronta ao nosso arcabouço jurídico constitucional, estando essa hipótese, assim, totalmente fora de cogitação. O que se põe é a necessidade de a norma vigente ser aplicada, na sua literalidade, ao caso concreto, porquanto no momento em que a decisão judicial foi proferida não mais vigia o dispositivo que permitia afirmar que a compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie, mas sim a legislação de regência permitindo que o crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Receita Federal pode ser utilizado na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fazse mister trazer à baila o pronunciamento da Administração Tributária a respeito do tema, através da Nota Cosit nº 141, de 23/05/2003, da qual transcrevo os excertos a seguir: (...). 11. Não obstante isso, concluise que tratamento similar deve ser dispensado pela Administração Tributária ao caso em comento, qual seja a execução da decisão judicial transitada em julgado em conformidade com a norma que fundamentou a decisão até a data de início da vigência da norma que regulou a matéria objeto do litígio de forma mais favorável ao sujeito passivo, após a qual referida decisão deve ser executada em conformidade com a legislação superveniente. 12. A adoção do procedimento acima esposado não implica, de modo algum, descumprimento da decisão judicial transitada em julgado, mas sim a implementação da decisão mediante sua Fl. 309DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/06/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 330201.421 S3C3T2 Fl. 4 7 necessária integração à legislação superveniente e mais favorável ao sujeito passivo, na hipótese de a implementação vir a ocorrer em data na qual a norma que fundamentou a decisão e que orienta sua execução não mais se mostrar aplicável. 13. Referida exegese merece acolhimento inclusive nas hipóteses em que a compensação do crédito na forma prevista na legislação superveniente à decisão judicial tenha sido pretendida pelo sujeito passivo e denegada pelo Poder Judiciário, haja vista que tal denegação somente ocorreu em face da ausência de base normativa à data do reconhecimento judicial do direito creditório, situação modificada com a edição da legislação que permitiu a compensação na forma pretendida pelo sujeito passivo e na qual a própria Administração Tributária vem se orientado na homologação de compensações de tributos e contribuições sob sua administração. (...). Também a esse respeito, peço vênia para transcrever os fundamentos postos pela Divisão de Tributação (Disit) da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 6ª Região Fiscal (SRRF06), quando do encaminhamento de consulta interna à Coordenação Geral de Tributação, constante da Solução de Consulta Interna nº 10 COSIT, de 11/03/2005, nos termos a seguir: (...). Segunda Situação (decisão judicial transitada em julgado impõe ao contribuinte regras de compensação mais restritivas que aquelas previstas pela legislação vigente, que já existia na data em que a decisão foi prolatada) 15. (...) o que fazer quando decisão judicial transitada em julgado impõe ao contribuinte regras de compensação mais restritivas que aquelas previstas pela legislação atual, que já existia na data em que a decisão foi prolatada? É o que se verá a seguir. 16. Como, nas sociedades modernas, o Estado detém o monopólio da força, as pessoas que acreditam ter seus direitos lesados ou ameaçados não podem recorrer à autotutela para se defenderem. Em vez disso, devem apresentar suas pretensões ao Estado, que, por meio do Poder Judiciário, as resolverá de forma impessoal e de acordo com regras préestabelecidas. Esse mecanismo de solução de conflitos, utilizado mesmo quando o próprio Estado está envolvido na controvérsia, tem como resultado a pacificação social, pois permite prever as conseqüências dos atos das pessoas e propicia segurança jurídica à sociedade. 17. De modo geral, as lides de natureza tributária envolvem discussões em que a Administração Pública (sujeito ativo) exige de outra pessoa (sujeito passivo) o cumprimento de determinada obrigação, e em que o sujeito passivo resiste a essa pretensão. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/06/2012 por WALBER JO SE DA SILVA 8 18. A Administração sempre deve pautar seu comportamento pelos princípios da Legalidade e da Moralidade (CF, art. 37, caput), antes, durante e depois do desenrolar do processo, e é esse dever que definirá a solução do caso examinado. (destaque acrescido) 19. O objetivo do instituto da coisa julgada, que tem proteção constitucional (CF, art. 5º, XXXVI), é garantir a pacificação social e a segurança jurídica, ao impedir que o conflito já solucionado seja reiniciado por uma das partes ou ressuscitado por alguma alteração da lei. 20. Quando a parte que teve sua pretensão reconhecida em juízo é um particular, pode, por liberalidade, abrir mão do cumprimento estrito da decisão transitada em julgado: é o caso da mãe que detém a guarda dos filhos, mas que permite ao pai visitálos com uma freqüência maior que aquela determinada pela Justiça, ou do credor que concede ao devedor um prazo maior para a quitação da dívida que o prazo estabelecido na decisão judicial. 21. Tal situação muda quando o vencedor da lide é um ente da administração pública, já que o interesse público é indisponível e prevalece sobre o interesse privado. O servidor público que ocupa a função de administrador não pode agir com liberalidade, porque zela por interesses que não são seus, e sim da sociedade. Os princípios da Legalidade e da Moralidade exigem que o servidor atue sempre em defesa do interesse público. Daí a importância de definirse o que é interesse público. 22. No caso em questão, é de interesse público que o sujeito passivo da obrigação tributária cumpra a lei: pague os tributos exigidos por lei, faça o que ela ordena e se abstenha de fazer o que ela proíbe: tudo isso exatamente como a lei, interpretada pelo Poder Judiciário, prescreve nada a mais ou a menos. 23. Ora, na hipótese examinada, a decisão judicial transitada em julgado estabeleceu normas mais rígidas para o demandante que as normas definidas em lei para os demais contribuintes. Não é interesse do Estado punir esse contribuinte por haver ajuizado uma ação para defender um direito que julgava possuir, nem tratar esse contribuinte de forma mais rígida que aquela definida em lei. Portanto, concluise que a compensação deve ser realizada nos termos definidos pela legislação em vigor, nos quesitos em que ela for mais favorável ao contribuinte que a decisão judicial. 24. Notese que essa conclusão não contraria a proteção constitucional à coisa julgada. Com efeito, já se viu que tal proteção tem o objetivo de garantir a pacificação social proporcionada pela solução do conflito, sendo que esse objetivo não será prejudicado pela adoção da solução proposta. (destaques acrescidos) A par desses posicionamentos emanados de órgãos da Administração Tributária, cumpre assentar que em julgados do Superior Tribunal de Justiça STJ foi admitido que questões dessa natureza podem ser manejadas administrativamente, conforme se extrai da Fl. 311DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/06/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 330201.421 S3C3T2 Fl. 5 9 leitura da ementa a seguir transcrita, com destaque para a parte que interessa ao caso sob análise: Título: AgRg nos Edcl no Resp 886334/SP Data: 10/08/2010 TRIBUTÁRIO. PIS. PRESCRIÇÃO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO DECENAL. DIREITO SUPERVENIENTE. PEDIDO E CAUSA DE PEDIR FUNDADOS NA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA AÇÃO. ART. 3º DA LC Nº 118/05. JULGADO DA CORTE ESPECIAL. CONDENAÇÃO. PARTE MÍNIMA. SUCUMBÊNCIA. ART. 21, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FIXAÇÃO SUPOSTAMENTE DESARRAZOADA. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. 1. Extinguese o direito de pleitear a restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação, não sendo esta expressa, somente após o transcurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais cinco anos contados da data em que se deu a homologação tácita (EREsp 435.835/SC, j. em 24.03.04). 2. Na sessão do dia 06.06.07, a Corte Especial acolheu a arguição de inconstitucionalidade da expressão "observado quanto ao art. 3º o disposto no art. 106, I, da Lei n. 5.172/1966 do Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05 (EREsp 644.736PE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 27.08.07). 3. Naquela assentada, firmouse ainda o entendimento de que, "com o advento da LC 118/05, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a ação de repetição de indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova". 4. A ausência de requerimento administrativo para a compensação tributária torna a autora carecedora do direito de ação, já que o art. 74 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original, somente autorizava a compensação de espécies tributárias diferentes mediante pedido prévio formulado à Secretaria da Receita Federal. 5. Legislação superveniente que venha a flexibilizar o procedimento de compensação tributária não poderá ser aplicada às ações já em curso, uma vez que os pedidos e causas de pedir tiveram como fundamento legislação pretérita, não podendo ser alterados no curso do processo. 6. Ainda que o título executivo emanado pelo Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos créditos do PIS com outros tributos administrados pela SRF, nada obsta que tal pleito seja manejado administrativamente sob a regência da legislação posteriormente concebida. 7. Decaindo a autora de forma mínima da sua pretensão, a sucumbência deverá recair por inteiro sobre a parte adversa. 8. A mera alegação de que os Fl. 312DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/06/2012 por WALBER JO SE DA SILVA 10 honorários advocatícios foram arbitrados de forma desarrazoada, sem demonstrar especificamente o suposto desacerto na decisão impugnada, não é suficiente para a análise recursal. A deficiência na fundamentação atrai a incidência da Súmula 284/STF. 9. Agravo regimental não provido. Decisão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins (Presidente), Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Da leitura da ementa supra, extraise que foi negado provimento ao agravo regimental por uma questão processual, como seja: 5. Legislação superveniente que venha a flexibilizar o procedimento de compensação tributária não poderá ser aplicada às ações já em curso, uma vez que os pedidos e causas de pedir tiveram como fundamento legislação pretérita, não podendo ser alterados no curso do processo. Entretanto, visando resguardar o exercício daquele direito que se mostrava patente, o Exmº Sr. Ministro relator consignou que: 6. Ainda que o título executivo emanado pelo Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos créditos do PIS com outros tributos administrados pela SRF, nada obsta que tal pleito seja manejado administrativamente sob a regência da legislação posteriormente concebida. De onde se infere que não fosse o impedimento de ordem processual, a prestação jurisdicional, já naquela assentada, teria sido satisfeita pelo STJ. Para finalizar, transcrevo ementa de julgados administrativos deste Conselho, em que foi admitida a aplicação de legislação superveniente para a compensação entre tributos de diferentes espécies, a seguir: • Acórdão nº 20176.511 – Sessão de 17/10/2002 PIS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. RECURSO PARCIAL. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DIFERENTES. A interpretação sistemática do art. 66 da Lei n° 8.383/91, c/c os arts. 39 da Lei n° 9.250/95, 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, e 12 da IN SRF n° 21/97, nos leva a concluir ser possível, no processo administrativo, assegurar ao contribuinte a compensação de seus créditos de PIS com débitos de quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, não obstante a decisão judicial tenha se adstrito a possibilitar a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS. Recurso provido. • Acórdão nº 10421.883 – Sessão de 20/09/2006 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/06/2012 por WALBER JO SE DA SILVA Processo nº 11020.004081/200518 Acórdão n.º 330201.421 S3C3T2 Fl. 6 11 COMPENSAÇÃO COISA JULGADA LEI SUPERVENIENTE FAVORÁVEL O sujeito passivo pode compensar créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos próprios referentes a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação, disponha diversamente. Recurso provido. • Acórdão nº CSRF/0305.388 – Sessão de 15/05/2007 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS DE ESPÉCIES DIFERENTES O art. 74 da Lei nº 9.430, publicada no DOU em 30/12/1996, estabelece que o contribuinte que apurar créditos passíveis de ressarcimento ou restituição, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativos a tributos ou contribuições administrados pela SRF, poderá utilizálos na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por este Órgão. Por essas razões e fundamentos, dou provimento ao recurso voluntário para admitir a compensação dos créditos relativos ao recolhimento indevido do PIS com tributos diversos administrados pela Receita Federal do Brasil, à luz do que dispõe o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com a nova redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 314DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente e m 13/06/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 30/06/2012 por WALBER JO SE DA SILVA
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Numero do processo: 19647.002414/2003-57
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2006
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 11/04/2001 a 10/11/2001
Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO.
A falta de recolhimento do imposto rende ensejo ao lançamento de ofício com os consectários que lhe são inerentes.
INCONSTITUCIONALIDADE.
As instâncias administrativas de julgamento não podem negar vigência à lei, sob mera alegação de inconstitucionalidade.
Recurso negado.
Numero da decisão: 202-17481
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 11/04/2001 a 10/11/2001 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta de recolhimento do imposto rende ensejo ao lançamento de ofício com os consectários que lhe são inerentes. INCONSTITUCIONALIDADE. As instâncias administrativas de julgamento não podem negar vigência à lei, sob mera alegação de inconstitucionalidade. Recurso negado.
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I *J. MINISTÉRIO DA FAZENDA Mo - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 19647.002414/2003-57 Recurso n° 126.761 Voluntário Matéria Falta de recolhimento de IPI e consectários do lançamento de oficio Acórdão n° 202-17.481 2 PUBLI:ADO NO 0.0. U. .2 Sessão de 08 de novembro de 2006 0.1.E/ Oe1- / C Recorrente D'MARCAS COMÉRCIO LTDA. C Rubricer Recorrida DRJ em Recife - PE Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 11/04/2001 a 10/11/2001 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta de recolhimento do imposto rende ensejo ao lançamento de oficio com os consectários que lhe são inerentes. MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INCONSTITUCIONALIDADE. CONFERE COM O ORIGINAL Bfla 44 11,0% As instâncias administrativas de julgamento não podem negar vigência à lei, sob mera alegação de inconstitucionalidade. "• Andrezza dillarston Schmcikal Mat. Sign: I377389 Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM •5 Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONT : : UINTES, \por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. • ANTÓNIO CARLOS A ULIM Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Nadja Rodrigues Romero, Simone Dias Musa (Suplente), Antonio Zomer, Ivan Allep-etti (Suplente) e Maria Teresa Martínez López. MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBU;N: " 1 Processo a.' 19647.00241412003-57 4 • Acórdão ri. • 202-17.481 CONFEIRE COPA O ORIGINAI Fls. 2 &adia, ? //4_, h006 Andrezza Nascimento Schnicikal Relatório Mat. Siape 1377389 Trata-se de auto de infração lavrado em 01/10/2003 para exigir o crédito tributário de R$ 1.916.240,26, relativo ao IPI, multa de oficio e juros de mora, em razão da falta de recolhimento do imposto nos períodos de apuração compreendidos entre 2-04/2001 e 1-11/2001, conforme termo de verificação de fls. 20/25. A 5! Turma da DRJ em Recife - PE manteve o lançamento por meio do Acórdão ne 07.319, de 20/02/2004. Regularmente notificado daquele Acórdão em 23/03/2004, o sujeito passivo interpôs o recurso voluntário de fls. 302/316, em 22/04/2004. A autoridade administrativa atestou, à fl. 319, a existência de arrolamento de bens que está sendo controlado em processo separado. Alegou a recorrente, em síntese, que não houve falta de recolhimento, uma vez que os débitos lançados foram extintos por meio de uma compensação que foi autorizada nos autos do Mandado de Segurança r3.2 2000.83.08000453-2, da 8! Vara Federal de Petrolina - PE. Disse que o fato de não ter apresentado DCTF caracteriza apenas a falta de urna obrigação acessória e que não pode ser punida por meio de auto de infração por não ter cumprido a obrigação principal, pois esta foi satisfeita pela compensação com o crédito reconhecido pelo Poder Judiciário. Insurgiu-se contra os consectários multa de oficio e juros de mora na forma posta no lançamento, por considerá-los inconstitucionais. Requereu a reforma da decisão recorrida e o cancelamento do auto de infração. É o Relatório. • HF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTI.:St Processo n.• 19647.00241412003-57 CONFERE COM O ORIGINAL • Acórdão n.• 202-17.481Fls. 3 Brasília. •0 0006 Andrezza Na cimento Schnicikal Mal Sioc 1377310 Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS ATULIM, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Alegou a recorrente que os débitos ora lançados foram extintos por meio da• compensação com créditos reconhecidos no Mandado de Segurança Coletivo n2 200023.08.000453-2. A sentença foi proferida em 15 de dezembro de 2000, conforme transcrição da recorrente à fl. 306. O juiz autorizou a compensação na forma da Lei n 2 9.430/96 e das IN SRF n2s 31, 32, 37 e 73, de 1997, e submeteu a decisão ao duplo grau de jurisdição, o que significa que tal sentença só passaria a produzir efeitos depois de confirmada pelo Tribunal, à luz do disposto no art. 475 do CPC. Acontece que em 07/05/2002 o TRF da 55 Região deu provimento à remessa de oficio e à apelação da Fazenda Nacional, conforme se pode conferir na fl. 182. Portanto, é inequívoco que a sentença de fls. 164/169, proferida em 15/12/2000, nunca chegou a produzir efeito algum, o que significa que a recorrente não tem crédito algum oriundo deste mandado de segurança. Desse modo, encontrando-se em aberto os saldos devedores registrados no livro - de apuração de IPI e não tendo sido apresentadas DC1'F nos períodos de apuração abarcados pelo auto de infração, não merecem reparo algum o auto de infração e a decisão recorrida. Fica claro, portanto, que a recorrente foi punida por não ter recolhido o imposto e não porque não apresentou DCTF. A multa de oficio foi aplicada pela falta de recolhimento apurada em procedimento de oficio e não porque a recorrente deixou de apresentar DCTF. Relativamente aos consectários do lançamento de oficio, esclareça-se que o foro administrativo não tem competência para afastar a aplicação de lei, sob mera alegação de que ofende a letra ou os princípios constitucionais, uma vez que tal competência é exclusiva do Poder Judiciário, a teor do art. 102, I, "a" e III, da Constituição. Considerando que a recorrente não trouxe aos autos nenhum motivo de fato ou de direito relevante capaz de suscitar mudanças na decisão recorrida, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões,. em 08 de novembro de 2006. In AN oN10 CARLOS ATULIM Page 1 _0064100.PDF Page 1 _0064200.PDF Page 1
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