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Numero do processo: 10510.002534/2003-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Períodos de apuração: Janeiro/98, Maio a Agosto/98, Fevereiro e
Setembro/2000, Março e Abril/2000 Junho/2001 a Junho/2002, Setembro a
Dezembro/2002 e Março a Maio/200.
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS.
Considerase
acertada a glosa das compensações efetuadas em procedimento
de ofício, quando resta comprovada nos autos a inexistência dos créditos
indicados para aquele fim.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. LEGALIDADE.
Cobramse
multa de ofício e juros de mora por expressa previsão legal.
Lançamento Procedente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.271
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Períodos de apuração: Janeiro/98, Maio a Agosto/98, Fevereiro e Setembro/2000, Março e Abril/2000 Junho/2001 a Junho/2002, Setembro a Dezembro/2002 e Março a Maio/200. COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. Considerase acertada a glosa das compensações efetuadas em procedimento de ofício, quando resta comprovada nos autos a inexistência dos créditos indicados para aquele fim. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Cobramse multa de ofício e juros de mora por expressa previsão legal. Lançamento Procedente. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Walber José da Silva Presidente. Gileno Gurjão Barreto Relator EDITADO EM: 28/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Relatório Fl. 214DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10510.002534/200325 Acórdão n.º 330201.271 S3C3T2 Fl. 2 2 Adoto na íntegra o relatório do acórdão recorrido de fls.159/161: “Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, foi lavrado o auto de infração (fls. 125/135), que exige o recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social no valor de R$ 259.671,61 (duzentos e cinqüenta e nove mil, seiscentos e setenta e um reais e sessenta e um centavos), acrescida da multa de ofício e dos juros de mora, relativa aos períodos de apuração 01, 05 a 08/1998, 02 e 09/2000, 03, 04 e 06/2001 a 06/2002, 09 a 12/2002, 03 e 05/2003, conforme demonstrativos de fls. 130/135, tendo como fundamento legal os dispositivos mencionados às fls. 129/135. O autuante, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 78/79 relata, em síntese, que: o valor da Cofins foi apurada com base em demonstrativos fornecidos pela empresa; o contribuinte declarou em DCTF como débito apenas os valores recolhidos com DARF; foram considerados corno Valor Recolhido os pagamentos com DARF, as compensações referentes a créditos do IPI — objeto de diversos processos, os depósitos judiciais e as compensações relativas a pagamentos a maior do próprio Colins; foram glosadas as compensações relativas a supostos créditos de Finsocial, que aparecem nos demonstrativos fornecidos pela empresa, haja vista que a sentença relativa ao Processo n° 97.63089 — Classe V — 2 Vara, negou o pedido de compensação de valores pagos do Finsocial com a Cofins; a decisão do Tribunal Regional Federal da 5' Região manteve a decisão inicial, concedendo apenas o direito a restituição de parcelas indevidamente pagas a título de Finsocial; com referência ao período de apuração abril/2002, o valor compensado do Finsocial com a COFINS foi de R$ 13.659,08; que foram glosadas também compensações do PIS com a Cofins, haja vista que as decisões relativas ao Processo n° 97.54802 — Classe V — 2' Vara, só concederam o direito à restituição, tendo o pedido de compensação sido considerado "prejudicado"; que estas compensações foram de R$ 8.621,61 e de 3.992,44, relativa, respectivamente, aos períodos de apuração abril/2002 e maio/2003; que os depósitos judiciais considerados foram relativos ao Processo 2000.85.00.00032078 — Classe II — 3' Vara, em que a contribuinte Processo n.° 10510.002534/200325 Acórdão n.° 1511.517 insurgiuse contra as alterações trazidas pela Lei n° 9.718/98, tendo obtido êxito na 1' instância e sido derrotado na 2' instância, tudo conforme cópias das decisões em anexo; que a partir do período de apuração março/2003 o contribuinte passou a calcular a Cofins de acordo com a citada lei, deixando de efetuar os depósitos judiciais. Instruindo os autos encontramse os documentos de fls. 08/126. Regularmente cientificada a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 137/144, acompanhada dos documentos de fls. 145/150, cujo teor é sintetizado a seguir. Diz, após se referir ao objeto de sua empresa, que os recolhimentos de Finsocial, incidentes sobre o faturamento nos moldes dos artigos 9° da Lei n° 7.689, de 1988, 7° da Lei n°7.787, de 1989, 1° da Lei n° 7.894, de 1989 e 1° da Lei n° 8.147, de 1990, foram considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), fato esse que o levou a ingressar na 2' Vara Federal do Estado de Sergipe, com Ação Ordinária, Processo n° 97.63089 (cópia, fls. 62/70), objetivando a compensação dos valores Fl. 215DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10510.002534/200325 Acórdão n.º 330201.271 S3C3T2 Fl. 3 3 recolhidos indevidamente, sendo que lhe foi outorgado tãosomente "a restituição do que fora indevidamente recolhido"; que, nesse passo, e com fulcro no art. 66, da Lei n° 8.383, de 1991, procedeu à compensação ora questionada; Aduz, ainda, que, quem pagou a maior ou indevidamente o Finsocial com fulcro nos dispositivos retro mencionados, poderá compensálo com os futuros pagamentos de quaisquer tributos ou contribuição sociais administrados pela Receita Federal, em face da indevida majoração de alíquotas ali insertas julgadas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estando, assim, a Receita Federal, nos termos do art. 66, da Lei n° 8.383, de 1991 c/c o art. 1009 e seguintes do Código Civil de 1916, obrigada a devolver via compensação tudo aquilo que indevidamente foi arrecadado; Que, contrariamente a todos os princípios legais retro mencionados, o agente do fisco glosou indevidamente todas as compensações legais por ela efetuada, cuja exigência encontrase estampada no bojo do auto de infração ora em combate; Que, caso prevaleça à exigência em comento, se vê ameaçada de ter seu nome inscrito na Dívida Ativa da União e no CADIN, cobrandolhe quantias exorbitantes a título de multas, concomitantemente com juros de mora e atualização pela SELIC, mesmo sabendo a entidade atuante que a autuada é sua credora, contrariando assim todos os postulados legais sobre a matéria, a exemplo do 66, da Lei n° 8.383, de 1991, que se encontrava em vigor á época do acontecimento dos fatos geradores; Argumenta, após citar dispositivos das Leis n's 8.383, de 1991 e 9.430, de 1996, bem como do Código Civil de 1916, que jamais esse débito poderia ter sido cobrado, uma vez que se trata de compensação pertinente a recolhimentos que foram indevidamente efetuados aos cofres do Erário Processo n.° 10510.002534/200325 Acórdão n.° 1511.517 DRJ/SDR F.Is. 1611 Público Federal, conforme substanciado na sentença prolata no Processo n° 97.63089 da 2 Vara Federal do Estado de Sergipe, que lhe autorizou o direito ao ressarcimento das quantias pagas indevidamente; Que, a partir desse prisma equivocado, não há dúvida em concluir pelo seu direito à compensação dos valores do Finsocial pago, devidamente corrigido, com os recolhimentos mensais da Cofins; transcreve, nesse sentido, jurisprudência do TRF/5R e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), argumentando que, a pessoa jurídica que apurar crédito de tributo ou contribuição administrados pela Receita Federal poderá efetuar a compensação com débitos relativos a quaisquer tributo ou contribuição administrados por aquele órgão, independentemente de requerimento, e/ou que seja PIS com Cofins e viceversa; Requer, ante o exposto, que a exigência em comento seja considerada 110 insubsistente por ser da mais lídima e inteira justiça. Em face do despacho de fl. 155, o processo veio a esta DRJ/SDR, para julgamento”. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10510.002534/200325 Acórdão n.º 330201.271 S3C3T2 Fl. 4 4 Decidiu a 4ª Turma DRJ/BA (Salvador) as fls. 158/163 no seguinte sentido: “COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. Considerase acertada a glosa das compensações efetuadas em procedimento de ofício, quando resta comprovada nos autos a inexistência dos créditos indicados para aquele fim. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Cobramse multa de ofício e juros de mora por expressa previsão legal”. Intimada em 25.10.2006, apresentou Recurso Voluntário de fls. 167/202 tempestivamente. No Recurso Voluntário, foi requerida a insubsistência do lançamento, bem como combatida sua procedência, como julgado em 1ª instância, repisando as mesmas razões trazidas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Compulsando os autos, verifico que ao lançamento de ofício surge quando o contribuinte compensou créditos de Finsocial, exsurgentes de ação declaratória de 1997, com débitos da contribuição para a COFINS, na conta gráfica, com base na Lei no. 8.383/91. Verifico outrossim que essa compensação ocorreu entre créditos e débitos dos períodos de apuração de 01, 05 a 08/1998, 02 e 09/2000, 03, 04 e 06/2001 a 06/2002, 09 a 12/2002, 03 e 05/2003, ou seja, posteriormente à edição da Lei no. 9.430/96 quando as regras de compensação foram alteradas, e passaram a permitir por um lado a compensação de créditos, outrossim mediante apresentação de declaração à RFB, o que não fora feito pela contribuinte; e em alguns períodos posteriormente à entrada em vigor do art. 170A do CTN. Constatei compulsando os autos que o teor da decisão judicial foi de mérito, tendo sido afastada a compensação de tais valores, logo o remédio processual do contribuinte deveria ter sido a execução dessa sentença, e consequentemente a apuração e discussão dos respectivos valores com a Fazenda Nacional. Assim manifestouse o Juízo: “b) Decisão : Três são os pedidos. O primeiro, escancaradamente, é pertinente. O STF, em diversas e diversas decisões, declarou a inconstitucionalidade dos aumentos de alíquotas do Fl. 217DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10510.002534/200325 Acórdão n.º 330201.271 S3C3T2 Fl. 5 5 Finsocial, do declei 1.940/82 ocorridos após a promulgação da Constituição vigente. O assunto, no aspecto, está por demais batido. O inconformismo da ré é com a falta de aplicação dessas declarações ao caso em apreciação. Naturalmente que o julgamento do Supremo serve de baliza e de parâmetro a ponto de, escorado nele, não se fazer mais necessário maiores estudos. Só a aplicação. O segundo pedido relacionase à repetição do indébito. A documentação de fls. 1525 consigna recolhimentos feitos sobre a rubrica do Finsocial. Sendo inconstitucionais o aumento da alíquota, todo recolhimento que ultrapassar a 0,5%, deve ser devolvido. O terceiro pedido queda prejudicado, face a repetição encampada, visto não sobrar nada para ser compensado.” Há ainda que citarse a Solução de Divergência no. 38/2008, no seguinte sentido: ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS O ADVENTO DA LEI Nº 10.637, DE 2002. CUMPRIMENTO. As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem dar cumprimento às decisões judiciais em vigor, que disponham sobre a compensação de débitos do contribuinte para com a Fazenda Nacional, relativamente aos tributos e contribuições administrados pelo citado órgão, em seus exatos termos. Há que ser respeitada a interpretação dada à lei pelo Poder Judiciário. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 66; Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 74, alterado pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e pelo art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Assim sendo, não resta a esse julgador alternativa senão a de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 218DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10510.002534/200325 Acórdão n.º 330201.271 S3C3T2 Fl. 6 6 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000257/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
COFINS E PIS. AUTOS DE INFRAÇÃO. MPF. NULIDADE.
INEXISTÊNCIA. MPF.
Reputase
válido o auto de infração instaurado por MPF, que tenha cumprido
todos os requisitos legais necessários à sua validade, bem como tenha sido
alterado obedecendo às regras contidas no art. 9º da Portaria RFB n 11.371,
de 12 de dezembro de 2007.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO EFETUADA DEPOIS DO INÍCIO
DA AÇÃO FISCAL. PERDA DE ESPONTANEIDADE.
Pagamentos e declarações efetuados depois da lavratura do Auto de Infração
não caracterizam denúncia espontânea, excludente da responsabilidade por
infrações, conforme disposto no art. 138 e parágrafo único do CTN, c/c o art.
7º, § 1º, do Dec. nº. 70.235, de 1972.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
COMPENSAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO DE 50%.
RECOLHIMETO.
Somente o recolhimento (pagamento por meio de Darf) tem o efeito de
reduzir a multa de ofício devida em 50%, se efetuado no prazo de
impugnação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.247
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fez sustentação oral,
pela recorrente, o Dr. Murilo Marco, OAB/SP 238689.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 COFINS E PIS. AUTOS DE INFRAÇÃO. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. MPF. Reputase válido o auto de infração instaurado por MPF, que tenha cumprido todos os requisitos legais necessários à sua validade, bem como tenha sido alterado obedecendo às regras contidas no art. 9º da Portaria RFB n 11.371, de 12 de dezembro de 2007. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO EFETUADA DEPOIS DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. PERDA DE ESPONTANEIDADE. Pagamentos e declarações efetuados depois da lavratura do Auto de Infração não caracterizam denúncia espontânea, excludente da responsabilidade por infrações, conforme disposto no art. 138 e parágrafo único do CTN, c/c o art. 7º, § 1º, do Dec. nº. 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO DE 50%. RECOLHIMETO. Somente o recolhimento (pagamento por meio de Darf) tem o efeito de reduzir a multa de ofício devida em 50%, se efetuado no prazo de impugnação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fl. 464DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 14041.000257/200855 Acórdão n.º 330201.247 S3C3T2 Fl. 460 2 Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Murilo Marco, OAB/SP 238689. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente José Antonio Francisco (Assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 436 a 455) apresentado em 14 de abril de 2009 contra o Acórdão no 0329.036, de 23 de janeiro de 2009, da 2ª Turma da DRJ/BSA (fls. 413 a 423), cientificado em 13 de março de 2009, que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS dos períodos de janeiro de 2004 a dezembro de 2005, considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS PARA A INSTAURAÇÃO DO MPF. Reputase válido o auto de infração instaurado por MPF, que tenha cumprido todos os requisitos legais necessários à sua validade, bem como tenha sido alterado obedecendo às regras contidas no art. 9º da Portaria RFB n 11.371, de 12 de dezembro de 2007. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO EFETUADA DEPOIS DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. PERDA DE ESPONTANEIDADE. Pagamentos e declarações efetuados depois da lavratura do Auto de Infração não caracterizam denúncia espontânea, excludente da responsabilidade por infrações, conforme disposto no art. 138 e parágrafo único do CTN, c/c o art. 7º, § 1º, do Dec. nº. 70.235, de 1972. Fl. 465DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 14041.000257/200855 Acórdão n.º 330201.247 S3C3T2 Fl. 461 3 Declarações de Compensação processadas após o início do Procedimento Fiscal não devem ser consideradas como comprovantes da extinção do crédito tributário; A contribuinte não faz jus a redução de 50% da multa de ofício de 75%, prevista no inciso I, do art. 961 da RIR/1999. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005 LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Aos lançamentos de PIS, aplicase o decidido em relação ao auto de infração da Cofins, formalizado a partir da mesma matéria fática Lançamento Procedente O auto de infração foi lavrado em 15 de março de 2008, de acordo com o termo de fls. 198 a 203. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de Autos de Infração com exigências tributárias da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 03/13) e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/Pasep (fls. 14/22), referentes aos anos calendário 2004 e 2005, incluindo o principal, multa de ofício proporcional (75%) e juros de mora, calculados até 29/02/2008, conforme demonstrativos consolidados às fls. 03 e 14, totalizando R$ 1.243.082,99 de débitos. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins 1.052.709,80 Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/Pasep 190.373,19 Valor do Crédito tributário apurado 1.243.082,99 Conforme Relatório de Verificação Fiscal (fls. 198/199, 2002/2003), a ação fiscal teve como objeto inicial a verificação da correta apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e seus reflexos, conforme o Mandato de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 01.1.01.002007002022. Num primeiro momento, houve a constatação de que a empresa possuía movimentação financeira incompatível com sua receita declarada em relação aos anoscalendário de 2004 a 2005. Em paralelo, constatouse diferenças de valores em todos os meses do período fiscalizado entre a escrituração da contribuinte e a DCTF, em relação às contribuições para o PIS e para a Cofins. Emitiuse Termo de Constatação Fiscal intimando a fiscalizada esclarecer as divergências encontradas (fls. 53/56). Os esclarecimentos apresentados pela contribuinte ratificaram Fl. 466DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 14041.000257/200855 Acórdão n.º 330201.247 S3C3T2 Fl. 462 4 os valores escriturados em sua contabilidade (fls. 67/72 e 115/117). Confirmada a divergência, solicitouse a retificação do RPF/MPF nº 01.1.01.002007002022, incluindo os procedimentos fiscais necessários a fiscalização que deu origem aos presentes Autos de Infração. Em 08/03/2008, a Fiscalização foi ampliada de acordo com a Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, sendo emitido novo Mandato de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 01.1.01.002008003111, dandose ciência à Fiscalizada com a emissão do Termo de Continuidade da Ação Fiscal (fl. 73). Os lançamentos lavrados nos presentes autos de infração decorreram de procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela contribuinte supracitada, que constatou diferenças de valores, em todos os meses do período fiscalizado, entre a escrituração da contribuinte (Livro Razão) e as informações declaradas na DCTF. Foram apuradas nos Autos de Infração as seguintes infrações: • Cofins – falta de recolhimento / declaração da Cofins – insuficiência de recolhimentos ou declaração (fl. 05); • Cofins – incidência nãocumulativa: falta / insuficiência de recolhimento da Cofins (fls. 05/06); • PIS Faturamento – incidência cumulativa: falta / insuficiência de recolhimento do PIS (fls. 15/16). Os quadros demonstrativos das diferenças encontradas estão discriminados nas planilhas “Contabilidade x DCTF” localizadas às fl. 204 e 205. Cientificado, via postal, das exigências em 15/03/2008 (fl. 208 e 95), o sujeito passivo apresentou em 15/04/2008, impugnações dos autos de infração às fls. 210/221 e 312/323, e documentos anexos, contestando o feito fiscal e pedindo a anulação do lançamento tributário, com os argumentos a seguir expostos. Preliminarmente a contribuinte alega que houve mudança de escopo do MPF em desrespeito às formalidades exigidas, requerendo que seja reconhecida a nulidade dos Autos de Infração impugnados. Destacamse os seguintes pontos: • que teria havido inobservância dos requisitos dispostos pela Portaria 4.066, de 2007, o que levaria ao reconhecimento de nulidade formal do lançamento tributário decorrente; • que o MPF expedido em 04/04/2007, teria como escopo a verificação quanto à apuração do IRPJ nos anoscalendário 2004 e 2005, tão somente, Entretanto, a ação fiscal resultou na lavratura de Autos de Infração a título de Cofins e PIS; Fl. 467DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 14041.000257/200855 Acórdão n.º 330201.247 S3C3T2 Fl. 463 5 • que, na tentativa de suprir o suposto vício, a Autoridade Fiscal, ao modificar o escopo do MPF, incluindo a Cofins e o PIS, teria se aproveitado de brecha da prorrogação do MPF, sem adotar o devido procedimento legal; • que, de acordo com a Portaria SRF nº 4.066, de 2007, a alteração de escopo é aceita somente se feita a expedição de Mandato de Procedimento Fiscal Complementar, o que não teria sido observado pela Autoridade Fiscal; • que os alegados vícios formais existentes no MPF, por violação dos requisitos da Portaria SRF nº 4.066, de 2007, levariam à decretação da nulidade do lançamento tributário impugnado; • que Autoridade Fiscal que promoveu a Autuação carecia de competência, de forma que teria havido ofensa ao art. 59, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, restando nulo os presentes lançamentos. Quanto ao mérito, a contribuinte solicita que os presentes lançamentos sejam integralmente cancelados, devido à existência de recolhimentos de Cofins e PIS via pedidos de Compensação (PerDcomp). Seguem os principais argumentos utilizados: • a Autoridade Fiscal não teria considerado, ao efetuar seus cálculos, a existência de recolhimentos feitos mediante entrega de Declaração de Compensação formalizadas em 23/01/2008, conforme Doc 6, presente em ambas as impugnações (fls. 260/308 e 360/411); • se tivessem sido considerados os referidos pedidos de compensação, a insuficiência de recolhimento de Cofins teria sido comprovada somente para os períodos de fevereiro de 2004, outubro de 2005, novembro de 2005 e dezembro de 2005, conforme quadros às fls. 214/215 e 316/317; • o art. 76 da Lei nº 9.430, de 1996, faculta ao contribuinte detentor de créditos administrados pela RFB sua utilização para compensação de débitos próprios para com a Instituição, que estariam extintos, sob condição resolutória de sua ulterior homologação; • o CTN inclui a compensação como uma das hipóteses de extinção do crédito tributário (art, 156, inciso II); • a desconsideração da extinção da obrigação tributária objeto do lançamento teria constituído violação das disposições normativas; • enquanto não examinados os Pedidos de Compensação pela Autoridade Fiscal, a mesma deveria ter assumido como extintos os créditos tributários, sendo vedado efetuar exigência em relação aos mesmos. Em relação à Multa de Ofício, a contribuinte faz os seguintes questionamentos: Fl. 468DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 14041.000257/200855 Acórdão n.º 330201.247 S3C3T2 Fl. 464 6 • a inexigibilidade do crédito tributário faz com que a multa de ofício aplicada também seja inexigível; • a multa de ofício de 75% deve ser aplicada quando verificada falta de pagamento ou recolhimento de imposto ou contribuição no decorrer do processo de fiscalização; no caso concreto, não deveria ter sido admitida a imposição da referida multa de ofício, já que teria sido comprovado o recolhimento das contribuições exigidas; • no momento da compensação, a contribuinte efetuou recolhimentos mediante aplicação de multa de mora, com alíquota de 20%, o que estaria em conformidade com as determinações sobre acréscimos legais, no pagamento após prazo de vencimento (art. 61, § 1º e § 2º, da Lei 9.430, de 1996); • que as multas constantes dos lançamentos lavrados deveriam ser todas canceladas, já que a Impugnante teria cumprido a obrigação tributária, mediante recolhimento de multa de mora calculada a 20%, como determina a legislação; • que a contribuinte teria o benefício da redução de 50% sobre a multa de ofício para os contribuintes que efetuam o pagamento até o vencimento da intimação, conforme dispõe o art. 961, do RIR, caso seja sustentado a aplicação da multa de 75%. Diante das considerações apresentadas, a contribuinte faz os seguintes requerimentos: a) preliminarmente que seja cancelado o presente auto de infração, sem análise de mérito, pelo fato de a Autoridade Fiscal não ter seguido os procedimentos exigidos em lei relativamente ao MPF; b) no mérito: • que seja reconhecida a extinção das obrigações tributárias relativas às exigências do lançamento para as quais houve formalização de Pedido de Compensação antes de sua lavratura; • que seja considerada indevida a aplicação de multa de ofício de 75%, uma vez que os montantes exigidos teriam sido recolhidos antes da lavratura dos Autos de Infração; • caso seja entendido indevido o recolhimento feito antes da lavratura do Auto de Infração, que seja reconhecida a redução de 50% do percentual da multa de ofício, conforme art. 961 do RIR, já que a Impugnante teria efetuado o recolhimento devido antes da lavratura dos Autos de Infração." No recurso, a Interessada repetiu as argumentações da impugnação, ressaltando que, em 23 de janeiro de 2008, quando apresentou as declarações de compensação, ainda não estaria sob fiscalização em relação a PIS e Cofins. Por meio de um gráfico, elaborado na fl. 446, sustentou que para o período de 30 de janeiro de 2008 a 14 de março de 2008, não teria havido prorrogação do MPF. Fl. 469DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 14041.000257/200855 Acórdão n.º 330201.247 S3C3T2 Fl. 465 7 É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação à primeira matéria (MPF), ao recurso da Interessada não trouxe novidades em relação aos fundamentos muito bem elaborados do acórdão de primeira instância, que demonstrou, de forma clara e segura, que não houve irregularidades quanto à emissão dos MPF, aos períodos e contribuições abrangidos e à competência do agente fiscal. O MPF original era relativo ao IRPJ de 2004 a 2005, mas abrangia, como todo MPF abrange, as verificações obrigatórias, que dizem respeito a divergências na apuração de todos os tributos e contribuições federais dos cinco anos anteriores. Portanto, por tais fundamentos, deve ser improvido o recurso da Interessada. Já em relação à segunda questão (declarações de compensação apresentadas em 23 de janeiro de 2003), a Primeira Instância fundamentou sua decisão no art. 138 do CTN. A Interessada, por sua vez, defende sua espontaneidade com base exclusivamente nas prorrogações de MPF. Devese levar em conta o que diz o Decreto no 70.235, de 1972, art. 7º: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Segundo o artigo acima citado, os termos lavrados pela Fiscalização ou quaisquer outros atos escritos, e não só o MPF, interrompem o prazo de sessenta dias para recuperação de espontaneidade. Os atos praticados no curso da Fiscalização foram os seguintes: 1) termo de início de ação fiscal (fl. 30) foi lavrado em 26/04/2007; Fl. 470DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 14041.000257/200855 Acórdão n.º 330201.247 S3C3T2 Fl. 466 8 2) termo de intimação (fl. 35) em 22/05/2007; 3) termo de intimação (fl. 40) em 23/08/2007, com prorrogação para atendimento até 27/08/2007; 4) termo de intimação (fl. 45) em 10/10/2007; 5) termo de intimação (fl. 48) em 12/11/2007; 6) termo de constatação (fl. 53) em 27/12/2007 (fl. 57); 7) termo de constatação (fl. 59) em 15/02/2008 ( fl. 61); 8) termo de intimação (fl. 62) em 22/02/2008. O auto de infração foi lavrado em 15 de março e, portanto, não houve, nunca, recuperação de espontaneidade. A constatação de irregularidade na apuração de PIS e Cofins ocorreu no termo de fls. 53 e seguintes, lavrado, como acima esclarecido, em 27 de dezembro de 2007. Daí até 23 de janeiro não se passaram 60 dias; ademais, o termo de fl. 61 também tratou de PIS e Cofins. Assim, em relação à recuperação de espontaneidade, a Interessada não tem razão alguma, sendo, pelos motivos constantes do acórdão de primeira instância, devida a multa de ofício. Obviamente, a exigibilidade do crédito tributário deve ficar suspensa até o final do processo administrativo e, depois de finalizado, a unidade local da RFB deve tomar as devidas providências para que não haja duplicidade de cobrança. Quanto à multa de ofício, não há que se falar em sua redução, nem mesmo proporcionalmente, uma vez que houve não homologação e somente a efetiva compensação tem efeito sobre a redução, conforme previsto no art. 44, § 3º, da Lei no 9.430, de 1996. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei no 9.784, de 1999, adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância, para negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 471DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 14041.000257/200855 Acórdão n.º 330201.247 S3C3T2 Fl. 467 9 Fl. 472DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/10/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 11041.000145/2005-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2000
DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO.
No lançamento de ofício formalizado em Auto de Infração, em que houve pagamento antecipado do tributo pelo sujeito passivo, sem a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial vence em 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN.
IRPJ. PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO COMPROVADOS.
A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza a prática da omissão de receitas, pela utilização de recursos à margem da contabilidade da empresa, nos termos do art. 40 da Lei nº 9.430/96.
PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
A presunção da omissão de receitas é aquela prevista em lei, cuja atribuição do fisco é fazer a prova do fato indiciário para alcançar o fato presumido (omissão de receitas), que cabe ao contribuinte desfazer. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS e COFINS
Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que ensejaram os lançamentos são os mesmos.
Numero da decisão: 1202-000.585
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher
parcialmente a preliminar de decadência para considerar decaído o direito de proceder ao lançamento das exigências do PIS com base nos fatos geradores de 31/01/2000, 29/02/2000 e 30/04/2000 e, em relação às exigências da COFINS, aos fatos geradores de 29/02/2000 e 30/04/2000 e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. No lançamento de ofício formalizado em Auto de Infração, em que houve pagamento antecipado do tributo pelo sujeito passivo, sem a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial vence em 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. IRPJ. PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO COMPROVADOS. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza a prática da omissão de receitas, pela utilização de recursos à margem da contabilidade da empresa, nos termos do art. 40 da Lei nº 9.430/96. PRESUNÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A presunção da omissão de receitas é aquela prevista em lei, cuja atribuição do fisco é fazer a prova do fato indiciário para alcançar o fato presumido (omissão de receitas), que cabe ao contribuinte desfazer. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS e COFINS Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que ensejaram os lançamentos são os mesmos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 748DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11041.000145/200563 Acórdão n.º 120200.585 S1C2T2 Fl. 731 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente a preliminar de decadência para considerar decaído o direito de proceder ao lançamento das exigências do PIS com base nos fatos geradores de 31/01/2000, 29/02/2000 e 30/04/2000 e, em relação às exigências da COFINS, aos fatos geradores de 29/02/2000 e 30/04/2000 e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Geraldo Valentim Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Gilberto Baptista. Relatório Tratase de Autos de Infração do IRPJ e reflexos na CSLL, no PIS e na Cofins, pela constatação da existência da omissão de receitas caracterizada pela falta de contabilização dos pagamentos de compras de mercadorias, relativo ao anocalendário de 2000, o que totalizou um crédito tributário exigido no valor de R$ 42.294,68, já incluídos os acréscimos de multa de ofício, no percentual de 75 %, e dos juros de mora, com base na taxa Selic. Intimada pela fiscalização a comprovar a origem dos pagamentos das notas fiscais de compras de mercadorias, a autuada teria indicado uma série de cheques emitidos nominalmente, cujos valores e nomes dos fornecedores, entretanto, não eram coincidentes com o constante das respectivas notas de aquisição, nos termos do que foi descrito no Relatório Fiscal, de fls. 22 a 33. Os valores dos pagamentos das notas de compras, cuja contabilização não foi comprovada, constam resumidos nas planilhas das fls.384 a 387 e detalhados nas fls. 388 a 480, ensejando a presunção da omissão de receitas nos termos do art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996. Irresignada com a autuação, a empresa apresentou sua impugnação, cujos principais pontos abordados estão assim resumidos no Acórdão da DRJ/Porto Alegre, de fls. 705 a 715, o qual adoto, na parte que a seguir transcrevo: “A impugnante alega a decadência dos fatos geradores anteriores a 07/06/2000, tendo em vista o transcurso de mais de cinco anos entre os fatos geradores e o lançamento. No mérito a empresa alega que: Todos os documentos comprobatórios do destino dos recursos descritos nos cheques relacionados pela Fiscalização foram apresentados e estão devidamente contabilizados. Os Fl. 749DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11041.000145/200563 Acórdão n.º 120200.585 S1C2T2 Fl. 732 3 documentos de fls. 57 a 160 encontramse lançados nos livros registro de entrada de mercadorias e diário. (...) 0 simples fato de existirem pequenas distorções entre o valor do cheque emitido e o total das Notas Fiscais correspondentes, não caracteriza em absoluto o pagamento a terceiros sem comprovação. A Fiscalização não apontou nenhum indicio de fraude, utilizandose dos documentos contábeis da empresa para lavrar os autos de infração. Nenhum dos casos elencados no art. 841 do RIR/99 ocorreu para ensejar o lançamento de oficio. A fiscalização presume que tais pagamentos foram realizados em proveito de terceiros, mas não demonstra os indícios e constatações que levaram a essa conclusão. Cabe à fiscalização demonstrar, cabalmente, por intermédio de todos os meios de prova admitidos, as suas presunções. Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 1018.599 da DRJ/Porto Alegre, de fls. 705 a 715, com o seguinte ementário: DECADÊNCIA. Não havendo prova de ter havido pagamento relativo a determinado fato gerador, o prazo de extinção pela decadência do crédito relativo aquele fato gerador é contado nos termos do art. 173, e não do § 4º do art. 150, ambos do CTN. OMISSÃO DE RECEITA. PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS. PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizase como omissão no registro de receita a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica. Lançamento Procedente Os principais fundamentos utilizados no Acórdão recorrido, podem ser assim sintetizados, nos termos do voto condutor e do voto vencedor em relação à decadência, transcritos na parte que interessa: Preliminar de decadência – voto vencido: “Em relação ao IRPJ e à CSLL: No anocalendário 2000 a empresa optou pela apuração pela sistemática do lucro real anual (fls. 344381) e recolheu o imposto de renda e CSLL por estimativas mensais. Portanto, o fato gerador ocorreu em 31/12/2000, data da apuração do IRPJ e CSLL naquele anocalendário e não mensalmente como o contribuinte entende. Desse modo, aplicase a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Então, se o fato gerador ocorreu em 31 de dezembro de 2000, o Fisco estava autorizado a efetuar o lançamento de oficio até dezembro de 2005. Como o lançamento foi efetuado em junho de 2005, não há que se falar em decadência. Em relação ao PIS e à COFINS Fl. 750DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11041.000145/200563 Acórdão n.º 120200.585 S1C2T2 Fl. 733 4 Os fatos geradores que podem estar fulminados pela decadência, dependendo da análise de ter, ou não, ocorrido pagamentos, são 31/01/2000; 29/02/2000 e 30/04/2000 — vide autos de infração. Para constatar a existência de pagamentos, consultei o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil denominado SINAL10. As planilhas que juntamos ao processo (fls. 698 a 704) demonstram que houve pagamentos de PIS Faturamento (código 8109) relativo às competências janeiro, fevereiro, março e abril/2000. Com relação à COFINS (código 2172), houve pagamento referente As competências fevereiro, março e abril/2000, mas não houve pagamento relativo A competência janeiro/2000. Com isso, estão decaídas as exigências de PIS com base nos seguintes fatos geradores:31/01/2000, 29/02/2000 e 30/04/2000. Estão decaídas as seguintes exigências de COFINS: 29/02/2000 e 30/04/2000.” Preliminar de decadência – voto vencedor: “Como se vê, a extinção do crédito tributário prevista nos §§ 1° e 4° do art. 150 do CTN referese ao crédito decorrente de determinado fato gerador e exige que tenha havido algum pagamento relativo aquele fato gerador. Ou seja, no caso de tributos lançados por homologação, tendo havido algum pagamento em relação a determinado fato gerador, mesmo que a menor, a disposição legal, nos termos que estabelece, prevê a extinção definitiva do crédito no prazo cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. De outra banda, caso não tenha havido qualquer pagamento em relação aquele fato gerador, não mais se aplica a regra do art. 150. Nesse caso, o prazo de decadência é contado conforme o art. 173. 0 caso em julgamento se refere a autuação por omissão de receitas, sendo que nenhum elemento trazido pelo autuado demonstra ter havido pagamento parcial do crédito relativo aos fatos geradores correspondentes a essas receitas omitidas. Logo a decadência regese pelo estatuído no art. 173 do CTN. Assim, até dia 1° de janeiro de 2006, poderiam ter sido lançados os tributos correspondentes às receitas omitidas ao longo de 2000. Como no caso em tela a ciência do auto de infração ocorreu em 7.06.2005 e a autuação referese a receitas omitidas em 2000, não há que se falar em decadência de nenhum dos tributos lançados. Mérito: “A contribuinte teria omitido receitas, omissão essa identificada pela falta de contabilização de pagamentos de compras, nos valores consignados nas notas fiscais de fls. 58 a 160 e demonstrativos de fls. 388 a 480. No caso, a presunção de omissão de receita, tem base no art. 40 da Lei n° 9 430, de 1996 (art. 281, II, do RIR/1999). Fl. 751DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11041.000145/200563 Acórdão n.º 120200.585 S1C2T2 Fl. 734 5 A presunção acima admite prova em contrário, tratase de presunção relativa, em que reputase verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. Há, então uma inversão do ônus da prova, cabendo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado. As notas fiscais de fls. 58 a 160 comprovam a realização das operações, ou seja, a aquisição dos produtos, porém, não restou comprovada a alegação de que as aquisições foram pagas com os cheques apontados pelo contribuinte (cópias As fls. 481 a 489). (...) Caberia à empresa comprovar, com documentação hábil e idônea, os pagamentos das referidas compras. Por disposição legal (art. 251 do RIR/99), é obrigação da pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. Reforçando: meras alegações sem respaldo em provas não são suficientes para descaracterizar o lançamento. Não satisfeito com a decisão proferida, a empresa ingressou com recurso voluntário perante este colegiado, mediante arrazoado de fls. 719 a 728, repisando praticamente os mesmos argumentos trazidos na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. A controvérsia do presente processo diz respeito em definir se ocorreu a presunção da omissão de receitas pela falta de comprovação dos pagamentos das notas de compras de mercadorias. Inicialmente, cabe examinar a preliminar de decadência. A ciência dos Autos de Infração ocorreu em 07/06/2005, conforme cópias de fls. 06 a18. Por seu turno, os fatos geradores considerados pela fiscalização nos Autos de Infração do IRPJ, CSLL, foram 31/12/2000, posto que a Declaração DIPJ entregue pela contribuinte indicava a opção pelo lucro real anual, fls. 344. Em relação ao PIS e à Cofins os valores lançados na autuação se referem aos períodos de apuração 31/01/2000, 29/02/2000, 30/04/2000, 30/11/2000 e 31/12/2000. Há que se registrar que se está diante do lançamento dito por homologação, nos termos do art. 150 do CTN, uma vez que a lei atribuiu à pessoa jurídica o dever de antecipar o pagamento do imposto e das contribuições sem prévio exame da autoridade tributária, apurando e recolhendo o quantum devido, antecipandose a qualquer procedimento da repartição fiscal. Tal modalidade de lançamento se opera pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade exercida pelo sujeito passivo, aperfeiçoada pelo pagamento do tributo, expressamente a homologa. Por conseguinte, efetuado o pagamento antecipado do imposto, nos moldes do art. 150 do CTN, sem a ocorrência de dolo, fraude ou Fl. 752DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11041.000145/200563 Acórdão n.º 120200.585 S1C2T2 Fl. 735 6 simulação de parte do sujeito passivo, o decurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, sem manifestação expressa da Fazenda, rejeitando o pagamento, implica na homologação tácita do lançamento, restando definitivo o pagamento antecipado, conforme § 4o do mencionado art. 150 do Código Tributário Nacional. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (destaquei) Na situação em análise, o relator do acórdão recorrido informa em seu voto condutor que consultou o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil denominado SINAL10, juntando planilhas ao processo (fls. 698 a 704), que demonstram a existência de pagamentos de PIS Faturamento (código 8109) relativo às competências janeiro, fevereiro, março e abril/2000. Com relação à COFINS (código 2172), houve pagamento referente às competências fevereiro, março e abril/2000, mas não houve pagamento relativo à competência janeiro/2000. Como os valores do PIS e da COFINS, lançados na autuação, se referem aos períodos de apuração 31/01/2000, 29/02/2000, 30/04/2000, 30/11/2000 e 31/12/2000, entendeu como decaídas as exigências do PIS com base nos fatos geradores: 31/01/2000, 29/02/2000 e 30/04/2000 e, em relação às exigências de COFINS, entendeu decaídos os fatos geradores: 29/02/2000 e 30/04/2000. A recorrente pleiteia a aplicação do § 4o do mencionado art. 150 do CTN, pugnando por considerar decaídos os fatos geradores anteriores a 07//06 2000, ou seja, a mais de 5 anos da ciência das autuações do PIS e da Cofins. Já em relação ao IRPJ e à CSLL, o relator do acórdão recorrido sustenta em seu voto condutor que o prazo decadencial para os fatos geradores do IRPJ e da CSLL, ocorridos em 31/12/2000, iniciaramse em 01/01/2001 e se encerraram cinco anos após, em 31/12//2005. Como a ciência do Auto de Infração ocorreu 07/06/2005, portanto antes do prazo fatal de cinco anos, não teria ocorrido a decadência do direito do fisco em proceder ao lançamento de ofício com relação à esse período. Fl. 753DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11041.000145/200563 Acórdão n.º 120200.585 S1C2T2 Fl. 736 7 No entanto, o voto vencedor entendeu diferentemente. Sustenta que tratando se de autuação por omissão de receitas, e considerando que nenhum elemento trazido pelo autuado demonstra ter havido pagamento parcial do crédito relativo aos fatos geradores dos tributos correspondentes a essas receitas omitidas, deveria o prazo decadencial ser regido pelo disposto no art. 173, I do CTN, que dispõe que a contagem do prazo decadencial extinguese após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Assim, até dia 1° de janeiro de 2006, poderiam ter sido lançados todos os tributos (imposto e contribuições) correspondentes às receitas omitidas ao longo de 2000, descabendose falar em ocorrência da decadência. Creio que merece ser reformado parcialmente o voto vencedor do acórdão recorrido. A redação do caput do art. 150 do CTN acima transcrito é bastante claro ao dispor que nos lançamentos ditos por homologação, referemse aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Como já mencionado nos itens anteriores deste voto, efetuado o pagamento antecipado do imposto, nos moldes do art. 150 do CTN, sem a ocorrência de dolo, fraude ou simulação de parte do sujeito passivo, o decurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, sem manifestação expressa da Fazenda, rejeitando o pagamento, implica na homologação tácita do lançamento, restando definitivo o pagamento antecipado, conforme § 4o do mencionado art. 150 do Código Tributário Nacional. Diferentemente do que mencionou o voto vencedor, inexiste previsão legal de que os pagamentos de que trata o caput do art. 150 do CTN devam se referir à omissão de receitas apurada pela fiscalização. Basta que se identifique a ocorrência de algum pagamento efetuado pelo contribuinte referente àquele imposto ou contribuição que se está examinando, em qualquer fase processual, face ao princípio da busca da verdade material que rege o processo administrativo fiscal. Assim, fico alinhado com o entendimento esposado no voto vencido do acórdão recorrido, que identificou pagamentos do PIS e da Cofins (mencionados no item precedente deste voto), devendo ser considerado decaído o direito de proceder ao lançamento das exigências do PIS com base nos fatos geradores de 31/01/2000, 29/02/2000 e 30/04/2000 e, em relação às exigências de COFINS, os fatos geradores de 29/02/2000 e 30/04/2000. Esse também é o entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justiça, em procedimento de recursos repetitivos (CPC, art. 543C, e Resolução STJ n. 08/2008), conforme decisão proferida pelo Eminente Ministro Luiz Fux no Recurso Especial (REsp) 973.733/SC, DJe 18/09/2009, aos casos em que não há antecipação do pagamento de tributo, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 754DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11041.000145/200563 Acórdão n.º 120200.585 S1C2T2 Fl. 737 8 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. Fl. 755DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11041.000145/200563 Acórdão n.º 120200.585 S1C2T2 Fl. 738 9 RESp 973.733/SC. Rel. Min. Luiz Fux. S1. J 12.08.09. DJe 18.09.2009) Já em relação ao fato gerador do IRPJ e da CSLL, ocorridos em 31/12/2000, o fisco somente poderia proceder ao lançamento no dia seguinte, em 01/01/2001. Portanto, iniciandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia útil seguinte ao fato gerador, a contagem se inicia em 01/01/2001 e se encerra cinco anos após, em 01/01/2006. Como a ciência do Auto de Infração ocorreu 07/06/2005, portanto, dentro do prazo de cinco anos, verificase o direito do fisco em proceder ao lançamento com relação ao fato gerador de 31/12/2000, como concluiu o voto vencedor do acórdão recorrido. Assim, em relação à preliminar de decadência, cabe reformar parcialmente a decisão proferida no acórdão recorrido pelo voto vencedor, devendo ser considerado decaído o direito de proceder ao lançamento das exigências do PIS com base nos fatos geradores de 31/01/2000, 29/02/2000 e 30/04/2000 e, em relação às exigências da COFINS, aos fatos geradores de 29/02/2000 e 30/04/2000. Passo ao exame do mérito. Argumenta a defesa que os documentos comprobatórios do destino dos recursos descritos nos cheques relacionados pela Fiscalização foram apresentados e estão devidamente contabilizados. O fato de existirem pequenas distorções entre o valor do cheque emitido e o total das Notas Fiscais correspondentes, não caracteriza em absoluto o pagamento a terceiros sem comprovação. A fiscalização presume que tais pagamentos foram realizados em proveito de terceiros, mas não demonstra os indícios e constatações que levaram a essa conclusão. Caberia à fiscalização demonstrar, cabalmente, por intermédio de todos os meios de prova admitidos, as suas presunções. Creio não assistir razão à recorrente. Em relação a essa matéria, cabe dizer que a presunção da receita omitida relativo a falta de comprovação da escrituração dos pagamentos das compras efetuados pela pessoa jurídica, decorre de expressa previsão legal, contida no art. 40 da Lei n° 9.430, de 1996, “in verbis”: Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. (grifei) Assim, uma vez que a contribuinte foi regularmente intimada a comprovar os pagamentos das notas fiscais de compra relacionadas pela fiscalização, não comprovando, mediante a entrega de documentação hábil e idônea, a forma como se deram esses pagamentos, bem como a sua regular escrituração, a lei atribuiu que todos os valores pagos sejam considerados omissão de receita, exatamente como procedeu a fiscalização. A presunção da omissão de receitas é a favor do fisco, que o contribuinte pode descaracterizar apresentando a respectiva documentação que demonstre os pagamentos efetuados, tanto na fase procedimental de fiscalização ou na fase impugnatória, contrapondo a omissão de receitas prevista na lei. Ao contrário do que alega a defesa, o fisco não precisa provar o auferimento de renda para fins do lançamento. Tratase de presunção “juris tantum”, passível de prova em contrário, mas que não foi apresentada, pela interessada. O que ocorreu no caso em exame, é que a autuada foi intimada a comprovar a origem dos pagamentos das notas fiscais de compras de mercadorias. Entretanto, a autuada trouxe uma série de cheques emitidos nominalmente, que não coincidiam, nem nos valores e Fl. 756DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 11041.000145/200563 Acórdão n.º 120200.585 S1C2T2 Fl. 739 10 nem nos nomes dos fornecedores constantes das respectivas notas de aquisição, nos termos do que foi descrito no Relatório Fiscal, de fls. 22 a 33. Assim, não restou outra alternativa ao agente fiscal senão proceder ao lançamento dos tributos e contribuições caracterizado pela omissão de receitas, em estrita obediência ao dispositivo legal acima transcrito. A jurisprudência do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes também era pacífica nesse sentido, conforme transcrição de parte da ementa do Acórdão nº 10515499, sessão de 26/01/2006, abaixo reproduzida: OMISSÃO DE RECEITAS COMPRAS NÃO REGISTRADAS PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS A falta de escrituração de pagamentos efetuados na compra de mercadorias pela pessoa jurídica, as quais também não estão registradas na contabilidade (Livro de Registro de Entrada de Mercadorias), evidencia que os pagamentos foram efetuados com recursos mantidos à margem da contabilidade, o que autoriza a presunção de omissão de receitas, conforme o disposto no art. 40 da Lei n° 9.430/1996. Uma vez identificada a omissão de receita, pela falta de comprovação da escrituração dos pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, o que foi decidido quanto ao principal, relativo ao IRPJ, repercute seus efeitos nos lançamentos reflexos da CSLL, PIS e COFINS. Em face do exposto, voto no sentido de que seja acolhida parcialmente a preliminar de decadência, para considerar decaído o direito de proceder ao lançamento das exigências do PIS com base nos fatos geradores de 31/01/2000, 29/02/2000 e 30/04/2000 e, em relação às exigências de COFINS, aos fatos geradores de 29/02/2000 e 30/04/2000, e, no mérito, que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 757DF CARF MF Emitido em 14/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/10/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 11/10/ 2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002306/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias
Período de Apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008 PREMIAÇÃO DE INCENTIVO. SEGURADOS EMPREGADOS.
NATUREZA REMUNERATÓRIA. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
INCIDÊNCIA DA EXAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de empregados e contribuintes individuais, integrando, para efeito de incidência de contribuições previdenciárias, o salário de contribuição de ambos os tipos de segurados.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SEBRAE. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO ADMINISTRATIVO.
As contribuições devidas à Seguridade Social, mas também as decorrentes de RAT e as destinadas a terceiros (SESI, SENAE, INCRA, SEBRAE) incidem sobre a remuneração paga tanto aos segurados empregados, quanto aos trabalhadores avulsos.
Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à
constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário.
SALÁRIO EDUCAÇÃO. A contribuição sobre o Salário Educação é devida também sob a égide da CF/88.
EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a
cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo
inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.
Os Conselhos de Contribuintes não têm competência para apreciar recurso de representação fiscal para fins penais, por se tratar de ato informativo e obrigatório do servidor que tomar conhecimento de fato que, em tese, caracteriza ilícito penal.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais
benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35A
da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a
multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP
449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma
natureza.
Numero da decisão: 2301-002.536
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relato. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento integral da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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SEGURADOS EMPREGADOS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DA EXAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. As premiações de produtividade devem ser compreendidas no conceito de remuneração de empregados e contribuintes individuais, integrando, para efeito de incidência de contribuições previdenciárias, o salário de contribuição de ambos os tipos de segurados. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SEBRAE. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO ADMINISTRATIVO. As contribuições devidas à Seguridade Social, mas também as decorrentes de RAT e as destinadas a terceiros (SESI, SENAE, INCRA, SEBRAE) incidem sobre a remuneração paga tanto aos segurados empregados, quanto aos trabalhadores avulsos. Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário. SALÁRIO EDUCAÇÃO. A contribuição sobre o Salário Educação é devida também sob a égide da CF/88. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 2 2 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Os Conselhos de Contribuintes não têm competência para apreciar recurso de representação fiscal para fins penais, por se tratar de ato informativo e obrigatório do servidor que tomar conhecimento de fato que, em tese, caracteriza ilícito penal. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relato. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento integral da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 15/10/2009, em desfavor de ATENDE BEM SOLUÇÕES DE ATENDIMENTO, INFORMAÇÃO COMUNICAÇÃO, INFORMÁTICA, LOCAÇÃO, COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, referente às contribuições devidas pela empresa incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos empregados, bem como a outras entidades e fundos INCRA, SEBRAE, salárioeducação, SESC e SENAC. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 3 3 Narra o auditor fiscal que, ao analisar o livro diário e o livro razão apresentados, bem como os documentos contábeis que deram sustentação aos lançamentos realizados, constatou que a empresa recorrente efetuou crédito/pagamento aos seus segurados empregados a título de comissões sobre vendas ou prêmio sobre a produção, ora denominada pelo contribuinte de “TOP”. Referido procedimento foi verificado pela auditoria através da análise dos lançamentos contábeis na conta ADIANTAMENTO A FORNECEDORES (CÓD 03055) até 12/2006, e num segundo momento na conta PROGAMA DE INCENTIVOS (CÓD 08086 até 06/2007 e CÓD 95292 após 07/2007). Destaca que, anteriormente à competência de 05/2006, a ora recorrente efetuava o pagamento das mesmas comissões denominadas “TOP” através do cartão “INCENTIVE HOUSE”, não oferecendo as mesmas à tributação. Salienta que o pagamento da rubrica “TOP” tratase, na verdade, de comissão sobre a produção ou vendas não incluídas na folha de pagamento, nem em GFIP, e é objeto de diversas ações trabalhistas, onde o próprio contribuinte reconheceu como um “pagamento por fora”, conforme atesta o Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta, assinado pela recorrente com o Ministério Público do Trabalho. Por fim, informa que a sonegação da contribuição previdenciária configura, em tese, ilícito penal, devendo ser comunicado ao Ministério Público Federal, em relatório a parte, para eventual propositura de ação penal. Inconformada, a ora Recorrente apresentou Defesa tempestiva de fls. 37/81, tendo o acórdão de fls. 131/142 julgado procedente a autuação, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 30/11/2008 AI DEBCAD nº 37.088.8855 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. SALÁRIO DECONTRIBUIÇÃO. PREMIAÇÃO. MULTA. RFFP. A constitucionalidade e legalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. Integra o saláriodecontribuição o pagamento de prêmios a empregados, uma vez que visam a retribuir a prestação de serviços. A penalidade decorrente do não pagamento das contribuições previdenciárias dentro do prazo leal tem incidência automática e obedece a percentuais previstos em lei, vigente à época dos fatos geradores e independe da intenção do infrator ou do grau de infração. A fiscalização deverá formalizar Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP, sempre que tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de ilícito penal com relação às contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 230DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 4 4 Irresignada, a empresa interpôs Recurso Voluntário de fls. 120/146, alegando, em síntese que: a) Os prêmios pagos aos empregados não têm natureza remuneratória, razão pela qual não incide contribuições previdenciárias e fiscais; b) O SEBRAE foi instituído para apoiar as micro e pequenas empresas tendo em vista aspectos que somente dizem respeito a elas, não é válido admitir que os recursos que arrecada devem, também, ser derivados das empresas de médio e grande porte; c) A exigência da contribuição para o INCRA será até a entrada em vigor da Lei 8.212/91, não sendo lícita a cobrança pela Receita Federal em período posterior; d) Não há permissivo legal a embasar a pretensão de cobrança da contribuição a título de salárioeducação; e) A aplicação de juros e multa no caso dos autos, acarretaria um desvio de finalidade destes institutos; f) Não havendo fato gerador a ensejar a contribuição a ser arrecadada, inexiste também o dever legal de informar tais valores em GFIP’s, devendo ser afastada a penalidade do art. 32A da Lei 8.212/91; g) É descabida a representação fiscal para fins penais, tendo em vista que está pendente de processamento e julgamento definitivo o errôneo lançamento realizado; Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do mérito Da incidência de contribuição previdenciária sobre as premiações de incentivo Objetivando a desconstituição do crédito previdenciário, o contribuinte aduz que os prêmios por ele alcançados não têm natureza de salário, bem como não se enquadram Fl. 231DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 5 5 no conceito de saláriocontribuição, pois não possuem características habituais, razão pela qual não deveria sofrer a incidência da contribuição previdenciária. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 16/22, a recorrente efetuou o pagamento de comissões, cuja denominação atribuída pela mesma foi “TOP”, a seus empregados no período fiscalizado, através do cartão “Incentive House”. Tais valores pagos foram considerados salário, passíveis de incidência da contribuição previdenciária por se enquadrarem no conceito de saláriodecontribuição e por não constarem das excludentes legais de tal conceito: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I – para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Integra o saláriodecontribuição, portanto, qualquer tipo de contraprestação paga pela empresa pelos serviços a elas prestados. Tal dispositivo legal, na verdade, disciplina o art. 195, I, a e o art. 201, §11º, ambos da Carta Magna, que afirma que sofrerão tributação para a Seguridade Social os “ganhos habituais do empregado, a qualquer título”. Deste modo, cabe analisar, de início, a natureza da premiação de incentivo, que somente se afastam da fisionomia de remuneração quando pagos eventualmente e por liberalidade do empregador, com regulamentação da empresa sobre a matéria, sem qualquer vinculação com o trabalho prestado. No caso dos autos, contudo, verificase, do relatório fiscal, a presença de diversos elementos, contra os quais não se insurgiu o contribuinte, que conduzem à conclusão de que a premiação sobre a produção se tratam, na verdade, de comissões pagas as empregados, com caráter indiscutivelmente remuneratório. Para cada segurado empregado eram apurados vários valores mensais, os quais eram somados e pagos, normalmente, no mês subseqüente ao de apuração da produção. Além disso, em diversas competências era emitido um cheque no valor total a ser pago a todos os empregados, sendo que montante correspondente em dinheiro era depois distribuído entre estes. Ora, as condições impostas para que o prêmio fosse pago era o desenvolvimento das atividades da empresa em maior quantidade, medida pelos critérios de produtividade do empregado, ou seja, o próprio contrato de trabalho firmando entre prestador e tomador de serviço. A eventualidade, na verdade, decorria do não atendimento das metas previstas no programa de incentivo, e não por liberalidade da empresa. Evidente, portanto, que Fl. 232DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 6 6 o caso ora em apreço não se trata de distribuição de premiação eventual, mas de pagamento de caráter remuneratório, que se formalizou impropriamente, por intermédio de cartões de incentivo, a dificultar sobremaneira a fiscalização dos valores transferidos como premiação. Desta forma, fica evidente a correspondência dos valores pagos e a prestação dos serviços, detendo natureza remuneratória, razão pela qual são devidas as contribuições sociais correspondentes, mesmo quando o pagamento da remuneração é realizado por meros intermediários. Das Contribuições de Terceiros Quanto à alegação de inconstitucionalidade e ilegalidade das contribuições sociais destinadas a Terceiros (SENAC, SESC e SEBRAE), reafirmo que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Desta feita, no que diz respeito à contribuição devida a Terceiros, nossa jurisprudência há muito já se posicionou acerca de sua legalidade e constitucionalidade, como facilmente se depreende nos julgados abaixo, literris: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS GERAIS SESC E SENAC SESCOOP COOPERATIVA DE TRABALHO MISTA ENQUADRAMENTO SINDICAL ART. 557 DA CLT PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE CONSTITUCIONALIDADE DAS EXAÇÕES EXIGIBILIDADE NÃO REFERIBILIDADE DECRETOS LEIS 9.853/46 E 8.621/46 MP 1.89813/99 APELAÇÃO DESPROVIDA 1 Verificado o enquadramento da Apelante, mediante a análise de seus fins, dispostos no estatuto às fls. 32/55 dos autos, nº 2º Grupo do quadro anexo ao art. 577 da Consolidação das Leis do Trabalho E que foi recepcionado pela Carta Magna de 1988 Sujeitase a mesma ao recolhimento de contribuições sociais gerais ao SESC e SENAC. Confirase a jurisprudência deste eg. Tribunal: AMS 2000.33.00.000789 8/BA, 8ª Turma, Rel.: Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 2512008, p. 319) e AMS 1999.38.00.0410304/MG, 7ª Turma, Rel.: Desembargador Federal Catão Alves, DJ de 1342007, p. 76). 2 A exigência do recolhimento das contribuições sociais para o SESC e o SENAC, de natureza jurídica social, encontrase amparada em lei, devidamente recepcionada pela Carta Magna de 1988 (cf. Lei 9504, art. 240), notadamente em face da eleição da valorização do trabalho e o progresso social do trabalhador como princípios pétreos da ordem econômica e social (cf. art. 170, CF/88). Relativamente às cooperativas, a própria Medida Provisória nº 1.89813/99, criadora do SESCOOP, faz referência, em seu art. 9º, ao fato de que as contribuições anteriormente arrecadadas pelas cooperativas e destinadas ao SESC/SENAC, passaram a ser canalizadas para a nova entidade. 3 Desnecessária a referibilidade, relação e vinculação entre a exação e o contribuinte, que prescinde ser beneficiado diretamente pelas exações em comento, porquanto contribuições de intervenção no domínio econômico, cujo objetivo é efetivar, sob todos os aspectos, o apoio e desenvolvimento das empresas, em sua generalidade e independentemente do fato de praticarem atos de comércio Ou não Fl. 233DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 7 7 Ou de serem prestadoras de serviços Ou não. 4 Neste sentido: "As contribuições destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema (S) sindical (SESC/SENAC, SESI/SENAI, SEST/SENAT, SEBRAE) são definidas pela jurisprudência como contribuições sociais de intervenção no domínio econômico, inseridas no contexto da concretização da cláusula pétrea da valorização do trabalho e dignificação do trabalhador, a serem suportadas por todas as empresas, ex vi da relação jurídica direta entre o capital e o trabalho, independentemente da natureza e objeto social delas." (In AC 2000.01.00.0260118/MG, 7ª Turma do TRF/1ª Região, Rel.: Des. Federal Luciano Tolentino Amaral, eDJF1 1952008, p. 124). 5 Recurso de apelação ao qual se nega provimento. (TRF1ª R. AC 2003.38.00.0398970/MG 7ª T. Rel. Itelmar Raydan Evangelista DJe 23.01.2009 p. 202) CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PARA O SESC/SENAC CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE CONSTITUCIONALIDADE 1 Pacificouse no E. Superior Tribunal de Justiça o entendimento no sentido de que a contribuição para o SESC/SENAC é devida pelas empresas prestadoras de serviço (REsp nº 431.347/SC, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Seção, D.J. de 25.11.2002 e REsp nº 587.415/ SC, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, D.J. de 03.5.2004). 2 No julgamento do RE nº 396.266/SC, o E. STF concluiu pela constitucionalidade da cobrança da contribuição para o SEBRAE. 3 Apelação improvida. (TRF1ª R. AC 2005.33.00.0178953/BA 7ª T Rel. Des. Fed. Catão Alves DJe 06.03.2009 p. 140) Precedentes. Agravo regimental não provido. Da Contribuição ao SEBRAE Já a contribuição ao SEBRAE, prevista no artigo 8º, §3º da Lei 8.029/90, com redação dada pela Lei 8.154/90, é constitucional, e não se restringe às micro e pequenas empresas. Assim, todas as empresas sujeitas ao pagamento das contribuições ao SESC, SENAC, SESI e SENAI, estão também obrigadas ao pagamento da contribuição ao SEBRAE. Esse é o entendimento pacífico do colendo Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO SESC E AO SENAC. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. REVISÃO DO ENTENDIMENTO PELA 1ª SEÇÃO DO STJ. PRECEDENTES. ADICIONAL. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. 1. Tratam os autos de mandado de segurança impetrado por CONSERBENS LTDA. contra ato do Coordenador da Divisão/Serviço de Arrecadação e Fiscalização do INSS em Recife/PE, objetivando desobrigarse de recolher contribuição social para SESC, SENAC e SEBRAE. O juízo monocrático denegou o segurança, sob o argumento de que é devida a exação em comento em face da natureza comercial da empresa impetrante. Inconformada, a ora recorrente apelou, tendo o TRF da 5ª Região, à unanimidade, negado provimento ao recurso. Em sede de recurso especial, aponta violação aos artigos 535, II, do CPC, 110 do CTN, 4º do Decreto lei nº 8.621/46, 3º do Decretolei 9.853/46, 8º, §§ 3º e 4º da Lei nº 8.029/90, além de divergência jurisprudencial. 2. O julgador não está obrigado a enfrentar todas as teses jurídicas deduzidas pelas partes, sendo suficiente que preste fundamentadamente a tutela jurisdicional. In Fl. 234DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 8 8 casu, não obstante em sentido contrário ao pretendido pelo recorrente, constatase que a lide foi regularmente apreciada pela Corte de origem, o que afasta a alegada violação da norma inserta no art. 535, do CPC. 3. Novo posicionamento da Primeira Seção do STJ no sentido de que as empresas prestadoras de serviço, no exercício de atividade tipicamente comercial, estão sujeitas ao recolhimento da contribuição social destinada ao SESC e SENAC. 4. O art. 8º, § 3º, da Lei nº 8.209/90, com a redação da Lei nº 8.154/90, impõe que o SEBRAE (Serviço Social Autônomo) será mantido por um adicional cobrado sobre as alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, isto é, as que são recolhidas ao SESC e SENAC, sendo exigível, portanto, o adicional ao SEBRAE. 5. Recurso especial improvido.(REsp 691056 / PE; RECURSO ESPECIAL 2004/01366999. Relator Ministro José Delgado. STJ. 1ª Turma. DJ 18.04.2005 p. 235) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AUTÔNOMA. ADICIONAL AO SEBRAE. EMPRESA DE GRANDE PORTE. EXIGIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. 1. As contribuições sociais, previstas no art. 240, da Constituição Federal, têm natureza de "contribuição social geral" e não contribuição especial de interesses de categorias profissionais (STF, R n.º 138.284/CE) o que derrui o argumento de que somente estão obrigados ao pagamento de referidas exações os segmentos que recolhem os bônus dos serviços inerentes ao SEBRAE. 2. Deflui da ratio essendi da Constituição, na parte relativa ao incremento da ordem econômica e social, que esses serviços sociais devem ser mantidos "por toda a coletividade" e demandam, a fortiori, fonte de custeio. 3. Precedentes: RESP 608.101/RJ, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 24/08/2004, RESP 475.749/SC, 1ª Turma, desta Relatoria, DJ de 23/08/2004. 4. Recurso especial conhecido e provido. (REsp 662911 / RJ; RECURSO ESPECIAL 2004/00729112. Relator Ministro Luiz Fux. STJ. 1ª Turma. DJ 28.02.2005 p. 241) *** TRIBUTÁRIO ADICIONAL AO SEBRAE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO EMPRESAS DE MÉDIO E GRANDE PORTE EXIGIBILIDADE 1 A Contribuição para o SEBRAE (§ 3º, do art. 8º, da Lei nº 8.029/90) configura intervenção no domínio econômico, e, por isso, é exigível de todos aqueles que se sujeitam a Contribuições para o SESC, SESI, SENAC e SENAI, independentemente do porte econômico (micro, pequena, média ou grande empresa). Agravo regimental improvido. (STJ AgRgREsp 1.042.041 (2008/00618479) 2ª T Rel. Min. Humberto Martins DJe 25.05.2009 p. 1412) *** AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE CONSTITUCIONALIDADE DO § 3º DO ARTIGO 8º DA LEI 8.029/90 PRECEDENTE 2 A contribuição do sebrae é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a Lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais pertinentes ao SESI, SENAI, sesc e senac. Constitucionalidade do § 3º do artigo 8º da Lei 8.029/90. Precedente do Tribunal Pleno. Agravo regimental a que se nega provimento. (STF AgRgRE 520.8150 Rel. Min. Eros Grau DJe 09.05.2008 p. 154) *** PROCESSUAL CIVIL AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE SEST/SENAT CONTRIBUIÇÃO SEBRAE LEGALIDADE PRECEDENTES I Fl. 235DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 9 9 Com o advento da Lei 8.706/93, não houve a criação de novo encargo a ser suportado pelos empregadores, mas tãosomente a alteração do destinatário das contribuições devidas pelas empresas de transporte ao SESI/SENAI, não alterando a sistemática de recolhimento da contribuição para o SEBRAE. II A constitucionalidade da contribuição SEBRAE foi decidida por esta Corte, no julgamento do RE 396.266/SC, Rel. Min. Carlos Velloso. III Agravo regimental improvido. (STF AIAgR 596552 MG 1ª T. Rel. Min. Ricardo Lewandowski J. 06.11.2007) *** TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE DA PESSOA JURÍDICA INDEPENDENTEMENTE DA NATUREZA DE MICRO OU PEQUENA EMPRESA. 1. Ao instituir a referida contribuição como um "adicional" às contribuições ao SENAI, SENAC, SESI e SESC, o legislador indubitavelmente definiu como sujeitos ativo e passivo, fato gerador e base de cálculo, os mesmos daquelas contribuições e como alíquota, as descritas no § 3º do art. 8º da Lei nº 8.029/90. 2. Assim, a contribuição ao SEBRAE é devida por todos aqueles que recolhem as contribuições ao SESC, SESI, SENAC e SENAI, independentemente de seu porte (micro, pequena, média ou grande empresa). 3. Recurso especial provido. (REsp 608101 / RJ; RECURSO ESPECIAL 2003/02069199. Relator Ministro Castro Meira. STJ. 2ª Turma. DJ 04.10.2004 p. 254) Tendo em vista a jurisprudência acima colacionada, resta cabalmente comprovada a exigibilidade das contribuições destinadas ao SEBRAE, bem como mostrase inegável o fato da referida obrigação não restringirse apenas às micro e pequenas empresas. Da inconstitucionalidade da cobrança de contribuição do SALÁRIO EDUCAÇÃO Manifestamente improcedente, outrossim, a argumentação que questiona a constitucionalidade da contribuição para o salárioeducação, vez que a definição sobre o tema já se acomodou definitivamente no âmbito jurisprudencial, culminando inclusive na formulação do verbete nº 732 da Súmula do E. STF, que assim orienta: “SÚMULA Nº 732 – É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96.” Portanto, escorreito e incensurável o lançamento que exigiu a cobrança dos créditos referentes ao salárioeducação. Da constitucionalidade da exigência de recolhimento de contribuições destinadas ao INCRA por empresas urbanas Alegouse, também, a inconstitucionalidade da exigência da contribuição previdenciária destinada ao INCRA, sob a justificativa de que a cobrança estaria a comprometer o princípio contributivo regente do sistema previdenciário constitucional, tendo em vista a empresa matriz da Recorrente estar situadas em área de perímetro urbano. Mantidas as ressalvas já articuladas em item anterior, em que se delineou os limites cognitivos traçados para a atuação desta instância administrativa, devese observar, a Fl. 236DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 10 10 par da questão constitucional, que o E. STJ revisou a jurisprudência de suas Turmas de Direito Público a partir do julgamento do ERESP nº 770451/SC e passou a reconhecer na exação instituída pelo art. 15, II, da Lei Complementar nº 11/71, a natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico, e não mais de contribuição social, de modo que sua imposição estaria mantida mesmo após a vigência da Lei nº 8.212/91. Admitiuse, dessa forma, que a arrecadação promovida em nome do INCRA não seria destinada ao financiamento de benefícios e de serviços previdenciários destinados ao trabalhador rural, mas ao custeio das atividades institucionais cometidas constitucionalmente ao INCRA para a realização da reforma agrária. Vale trazer à colação a ementa deste julgamento: “TRIBUTÁRIO. INCRA. CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. INAPLICABILIDADE. 1. O INCRA foi criado pelo DL 1.110/70 com a missão de promover e executar a reforma agrária, a colonização e o desenvolvimento rural no País, tendolhe sido destinada, para a consecução de seus objetivos, a receita advinda da contribuição incidente sobre a folha de salários no percentual de 0,2% fixada no art. 15, II, da LC n.º 11/71. 2. Essa autarquia nunca teve a seu cargo a atribuição de serviço previdenciário, razão porque a contribuição a ele destinada não foi extinta pelas Leis 7.789/89 e 8.212/91 ambas de natureza previdenciária , permanecendo íntegra até os dias atuais como contribuição de intervenção no domínio econômico. 3. Como a contribuição não se destina a financiar a Seguridade Social, os valores recolhidos indevidamente a esse título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. 4. Nos termos do art. 66, § 1º, da Lei n. 8.383/91, somente se admite a compensação com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 5. Embargos de divergência improvidos. (EREsp 770451/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Rel. p/ Acórdão Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27.09.2006, DJ 11.06.2007 p. 258)” Reconsiderada a natureza da mencionada contribuição, também restou assentado no âmbito do E. STJ o entendimento de que as contribuições vertidas ao INCRA e ao FUNRURAL são perfeitamente exigíveis de empresas urbanas, o que se colhe da leitura da seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO AO FUNRURAL E AO INCRA. EMPRESA URBANA. LEGALIDADE DA COBRANÇA. ENTENDIMENTO DO STF. PRINCÍPIO DA SOLIDARIZAÇÃO DA SEGURIDADE SOCIAL. PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. Configurada, à época, divergência entre o acórdão embargado (que entende exigível a Contribuição de empresa urbana para o FUNRURAL e o INCRA) e o acórdão paradigma (que preconiza a não exigência das Contribuições em casos análogos), aplicase o entendimento da Primeira Seção, no sentido da decisão recorrida. 2. "É legítimo o recolhimento da contribuição previdenciária para custeio do FUNRURAL e do INCRA por empresas urbanas, já que a lei não exige a vinculação da empresa a atividades rurais." (ERESP 412.923/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ de 09/08/2004). 3. Embargos de Divergência não providos. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 11 11 (EREsp 177661/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13.12.2006, DJ 01.10.2007 p. 203)” Portanto, em obséquio à autoridade da interpretação consolidada no âmbito da Corte de pacificação da legislação infraconstitucional, devem ser afastadas as postulações da Recorrente que pleiteiam a desconstituição dos lançamentos referentes à contribuição destinada ao INCRA. Quanto às alegações do contribuinte que é descabível a representação fiscal para fins penais, cabe trazer a lume o disposto no art. 83, caput, da Lei n° 9.430/96 e no art. 1°, incisos I e II do Decreto n° 2.730/98, in verbis: Art. 83 da Lei 9.430/1996. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1° e 2° da Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nos arts. 168A e 337A do DecretoLei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), será encaminhada ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. Art. 1º do Decreto 2.730/1998. O AuditorFiscal do Tesouro Nacional formalizará representação fiscal, para os fins do art. 83 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em autos separados e protocolizada na mesma data da lavratura do auto de infração, sempre que, no curso de ação fiscal de que resulte lavratura de auto de infração de exigência de crédito de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda ou decorrente de apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento, constatar fato que configure, em tese: I crime contra a ordem tributária tipificado nos arts. 1º ou 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990; II crime de contrabando ou descaminho. Vêse, portanto, que a legislação prevê que os auditores fiscais formalizem processo contendo representação fiscal para fins penais sempre que no curso da ação fiscal identificarem situações que, em tese, configurem crime definido no art. 1° ou 2° da Lei n° 8.137/90 ou nos arts. 168A e 337A do DecretoLei n° 2.848/40 (Código Penal), in verbis: Art. 1°. Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; IV elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; V negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecêla em desacordo com a legislação. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 12 12 Art. 168A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional. Art. 337A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; II deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; III omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias. A formalização da representação encerra a atividade da Receita Federal, sendo as conseqüências penais totalmente alheias à sua alçada, cabendo, tão somente, informar a ocorrência de fato que possa se enquadrar na figura típica do ilícito, o que é obrigação legal. Por este mesmo motivo, foge totalmente à alçada deste CARF a discussão sobre a configuração do crime, podendo o contribuinte oferecer suas razões de defesa perante o Ministério Público Federal, a quem competirá propor a ação penal, se entender cabível. Face ao exposto, não se deve tomar conhecimento, em sede recursal, das alegações de mérito acerca da inexistência da infração penal. Da aplicação de penalidade benéfica A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 13 13 Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 14 14 Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 15 15 Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11065.002306/200917 Acórdão n.º 2301002.536 S2C3T1 Fl. 16 16 Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de janeiro de 2012. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 243DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 10980.007762/00-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO POR AQUISIÇÕES DE INSUMOS PROVENIENTES DE NÃO-CONTRIBUINTES.
A Lei nº 9.363/96 no art. 2º refere-se ao valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, sem referir-se a exclusões de qualquer natureza dentre as quais as relativas a não- contribuintes do PIS e da COFINS.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.887
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO POR AQUISIÇÕES DE INSUMOS PROVENIENTES DE NÃOCONTRIBUINTES. A Lei nº 9.363/96 no art. 2º referese ao valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, sem referirse a exclusões de qualquer natureza dentre as quais as relativas a não contribuintes do PIS e da COFINS. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALB, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Nanci Gama e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Contra o Acórdão de fls. 189/195 que por maioria entendeu pelo deferimento parcial do Recurso Voluntário, incluindo na base de cálculo do ressarcimento de IPI as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, anteriormente excluídas na decisão a quo, insurgiu a Fazenda em Recurso Especial às fls. 197/213, admitido pelo despacho às fls. 214/216, bem como a Contribuinte, às fls. 217/228, tendo seu seguimento negado às fls. 241/243. Aduz a Fazenda que a decisão combatida é contrária à Lei 9.363/96, pois os produtos adquiridos de entes que não sofrem ditas contribuições estão livres de tal oneração em sua etapa anterior. Transcreve também quase a integralidade do Parecer PGFN/CAT/nº 3092/2002, às fls. 200/208, tendo em sua conclusão, decisão judicial ementada que norteia sua tese: "Agravo de Instrumento 32877 Órgão Julgadora Quarta Turma DJ: 0210212001, p.337 Relator Desembargador Federal Napoleão Maia Filho Decisão unânime Ementa TRIBUTÁRIO. LEI 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI A TÍTULO DE RESSARCIMENTO DO PIS/PASEP/PASEP E DA COFINS EM PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E/OU RURAIS QUE NÃO SUPORTARAM O PAGAMENTO DAQUELAS CONTRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DE FUMUS BONI JURIS AO CREDITAMENTO. 1. Tratandose de ressarcimento de exações suportadas por empresa exportadora, tal como se dá com o benefício instituído pelo art. 1º da lei 9.363/96, somente poderá haver o crédito respectivo se o encargo houver sido efetivamente suportado pelo contribuinte. 2. Sendo as exações PIS/PASEP/PASEP e COFINS incidentes apenas sobre as operações com pessoas jurídicas, a aquisição de produtos primários de pessoas físicas não resulta onerada pela sua cobrança, daí porque impraticável o crédito dos seus valores, sob a forma de ressarcimento, por não ter havido a prévia incidência. 3. Tutela liminar deferida” 46. Em face do exposto, impõese a seguinte conclusão: o crédito presumido, de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, somente será concedido ao produtor/exportador que adquirir insumos de fornecedores que efetivamente pagarem as contribuições Fl. 250DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALB, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.007762/0022 Acórdão n.º 930301.887 CSRFT3 Fl. 248 3 instituídas pelas Leis Complementares nº 7 e nº 8 de 1970, e nº 70, de 1991. “ Outrossim, aduz também que os insumos passíveis de inserção na base de cálculo devem ser consumidos em decorrência de uma ação direta com o produto em fabricação ou por este diretamente sofrida. Para fortalecer sua assertiva, transcreve à fl. 209 trecho do Parecer Normativo CST nº 181, de 08 de outubro de 1974, abaixo: “(...) 13. Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças, e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive, lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. (...)” À fl. 211/213 transcreve acórdãos paradigmas que decidem pela exclusão de tais produtos em matéria semelhante. Por fim, pede a reforma da decisão para restabelecer a decisão de Primeira Instância Administrativa, excluindo da base de cálculo o que fora incluído no Acórdão recorrido. Em Contrarrazões, argumenta a Contribuinte que tal crédito foi concedido como ressarcimento das contribuições PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Observa, ainda, que a base de cálculo conforme disposto no art. 2º da referida Lei 9.363/96 é o “valor total” das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, abrangendo, portanto, tais produtos que pretende a Fazenda verem excluídos. Como precedentes aos argumentos aduzidos, cita às fls. 234/236 ementas de decisões deste CARF cujo texto transmite o sentido de seus argumentos, corroborando com a tese da inclusão dos produtos adquiridos de pessoa física e cooperativas na base de cálculo do crédito pugnado. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALB, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator Nas fls. 214/216, Despacho nº 202426, conferindo admissibilidade parcial a este Recurso da Fazenda Nacional para darlhe seguimento ao que se refere apenas às aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS. O Recurso Especial da Contribuinte teve admissibilidade negada fls. 241/242, sem inconformidade constante dos autos. Da minha maneira de ver, irrepreensível o Acórdão lavrado pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de então, porque interpretando corretamente o disposto na Lei nº 9.363/96, principalmente quanto a inexistência de exclusões da base de cálculo. Em razão do exposto sou por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para admitir a inclusão das aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS na base de cálculo do crédito presumido do IPI criado pela Lei nº 9.363/96. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Fl. 252DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALB, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 14489.000123/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social Previdenciária
Período de Apuração: janeiro/04 a outubro/04 TIAD. PRAZO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O art. 591 da IN – SRP nº 03/2005, dispõe que o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD tem por finalidade intimar o sujeito passivo a apresentar, em dia e em local nele determinados, os documentos necessários à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias, os quais deverão ser deixados à disposição da fiscalização até o término do procedimento fiscal.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defender-se do lançamento, não há que se falar em cerceamento de defesa.
NÃO ELABORAR O PERFIL PROFISSIOGRÁFICO. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de elaborar e manter atualizado o formulário DIRBEM 8030,
substitutivo do Perfil Profissiográfico, abrangendo as atividades desenvolvidas por todos os seus empregados que trabalham em condições especiais.
EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS. PREJUÍZO AOS SÓCIOS GERENTES.
É flagrante o prejuízo aos sócios gerentes com a sua inclusão na relação de corresponsáveis, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN.
Numero da decisão: 2301-002.941
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente. Vencidos os
Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de co-responsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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PRAZO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O art. 591 da IN – SRP nº 03/2005, dispõe que o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD tem por finalidade intimar o sujeito passivo a apresentar, em dia e em local nele determinados, os documentos necessários à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias, os quais deverão ser deixados à disposição da fiscalização até o término do procedimento fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defenderse do lançamento, não há que se falar em cerceamento de defesa. NÃO ELABORAR O PERFIL PROFISSIOGRÁFICO. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de elaborar e manter atualizado o formulário DIRBEM 8030, substitutivo do Perfil Profissiográfico, abrangendo as atividades desenvolvidas por todos os seus empregados que trabalham em condições especiais. EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS. PREJUÍZO AOS SÓCIOS GERENTES. É flagrante o prejuízo aos sócios gerentes com a sua inclusão na relação de corresponsáveis, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14489.000123/200885 Acórdão n.º 2301002.941 S2C3T1 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. . Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra TECNOSONDA S/A, em 25/05/2005, por ter essa empresa deixado de comprovar, perante a fiscalização, que elaborou e manteve atualizado o Perfil Profissiográfico Previdenciário – PPP de todos os seus empregados que trabalham em condições especiais, no período de janeiro/2004 a outubro/2004, conforme se infere do Relatório Fiscal às fls. 06/07, infringindo o disposto no artigo 58, § 4°, da Lei 8.213/91, na redação dada pela Lei 9.528/97, c/c o artigo 68, §§ 6°, 9° e 10°, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 e alterações posteriores. Afirma ainda o aludido relatório que, quando da rescisão dos contratos de trabalho, não restou comprovado a entrega de cópia autenticada do PPP, por parte do contribuinte, embora tenha ele reconhecido que diversos empregados trabalham em condições especiais, conforme informações contidas na GFIP. Apresentada impugnação tempestiva às fls.157/185, foi mantido o lançamento pela DecisãoNotificação de fls. 191/199, cuja ementa assim dispôs: AUTO DE INFRAÇÃO. A empresa deverá elaborar e manter atualizado o Perfil Profissiográfico previdenciário que abranja as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e a ele fornecer, quando da rescisão de contrato de trabalho, cópia autenticada do mesmo. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14489.000123/200885 Acórdão n.º 2301002.941 S2C3T1 Fl. 3 3 Não tendo sido apresentados os PPP's dos seus trabalhadores, e havendo fortes indícios ou inerência da existência de agentes nocivos no ambiente de trabalho da empresa, assim como esteja comprovada esta existência, será a empresa autuada, nos termos do art. 58, § 40 da Lei n°8.213/91. AUTUAÇÃO PROCEDENTE Irresignada, apresentou o Recurso Voluntário sob exame, às fls. 209/ 214, junto com documentos e procuração, reiterando todos os argumentos apresentados na impugnação, quais sejam: 1) Preliminarmente, alega que a inclusão de pessoas físicas que exerçam cargos de direção em empresas como codevedoras dos créditos tributários de responsabilidade da empresa só é permitida em casos excepcionais, quando haja a possibilidade de imputação de dolo a estes diretores, por este motivo requereu a exclusão dos corresponsáveis; 2) Afirma que houve nulidade da fiscalização, posto que os TIAD anexos ao Auto de Infração solicitaram a apresentação de toda a documentação da contribuinte em prazo exíguo; 3) Diz que houve cerceamento de defesa, uma vez que não foi possível apreender os fatos que levaram à lavratura do auto, pelas informações contidas no Relatório Fiscal; 4) Aduz que em momento algum se recusou a fornecer os documentos solicitados pelo Auditor; 5) Informa que possui toda documentação em meio magnético; 6) Afirma que o lançamento referente a esta mesma infração foi efetuado duas vezes, em dois autos de infração distintos; 7) Defendeu que se trata de caso de infração de natureza continuada, isto é, uma mesma infração cometida mais de uma vez; 8) Rezou que as infrações de natureza continuada, como é o caso, são consideradas uma só infração pela doutrina e jurisprudência. Ato contínuo, a Delegacia de Receita Previdenciária/RJ requereu, na fl. 315, que o processo fosse encaminhado à Seção de Fiscalização, para que a junta fiscal emitisse relatório complementar para ser entregue à empresa, com reabertura de prazo para a defesa de 30 (trinta) dias, tendo em vista a necessidade de identificação de cada trabalhador, para a apuração da penalidade aplicada, que seria efetuada por ocorrência, considerandose cada trabalhador sem o PPP como uma ocorrência. Diante da determinação supramencionada, a DRP/RJ enviou à empresa o Relatório Complementar do Auto de Infração, junto com uma planilha em que contavam os nomes dos 344 empregados demitidos entre 04/2004 a 10/2004. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14489.000123/200885 Acórdão n.º 2301002.941 S2C3T1 Fl. 4 4 Diante disso, a ora recorrente apresentou Defesa Complementar tempestivamente, às fls. 427/432, em que ratificou os argumentos já mencionados na impugnação. Assim vieram os autos a este Conselho de Contribuintes, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da não configuração da nulidade do auto de infração Ainda em sede de preliminar, alega a ora Recorrente, que o prazo concedido pela autoridade fiscalizadora, para a apresentação dos documentos solicitados nos TIAD anexos ao auto de infração foi exíguo. Todavia, conforme se vislumbra da análise dos autos, diversas oportunidades foram dadas a Recorrente para que apresentasse os documentos solicitados, através dos TIAD de: 13/01/05 (fl. 20), 14/03/05 (fl. 23), 04/04/05(fl. 26) e 17/05/05 (fl. 32), consoante Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal — TEAF, às fis.36/38, constatandose, assim, um espaço temporal de quatro meses, o que se mostra suficiente ao contrário do alegado pela contribuinte. Destarte, ao observar o disposto no art. 591 da IN – SRP nº 03/2005, verifica se que O Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD tem por finalidade intimar o sujeito passivo a apresentar, em dia e em local nele determinados, os documentos necessários à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias principais e acessórias, os quais deverão ser deixados à disposição da fiscalização até o término do procedimento fiscal. Por tudo o que foi exposto, resta claro que o prazo concedido para a apresentação de toda a documentação não foi exíguo e, portanto, não se verifica qualquer motivo para que seja o auto de infração considerado nulo. Da ausência de cerceamento de defesa Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14489.000123/200885 Acórdão n.º 2301002.941 S2C3T1 Fl. 5 5 Preliminarmente, a Recorrente alega que houve cerceamento no pleno exercício do seu direito de defesa, uma vez que não foi possível apreender os fatos que levaram à lavratura do auto, pelas informações contidas no Relatório Fiscal. Entretanto, essa alegação não merece prosperar, posto que o Relatório fiscal (fls.06/07) traz todas as informações necessárias, de forma discriminada, tais como os valores, os pagamentos, o fato gerador e a base de cálculo das contribuições devidas, para que o contribuinte identifique qual a obrigação que se encontra insatisfeita, bem como proporciona todas as instruções fundamentais para a elaboração da defesa. Ademais, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa da Recorrente, tendo em vista que lhe foi dada a oportunidade de impugnar o presente lançamento, bem como de se manifestar acerca das Informações Fiscais apresentadas posteriormente, ocasiões nas quais se constatou que o contribuinte tinha pleno conhecimento da matéria objeto da presente autuação. Do exposto, destaquese restar clarividente que não houve qualquer cerceamento do direito de defesa do contribuinte lhe tendo sido dadas oportunidades para defenderse da presente autuação, bem como para apresentação de documentos, em momentos diversos durante o decorrer do processo. Sendo assim, restaram plenamente respeitados os princípios da ampla defesa e do contraditório, imprescindíveis à garantia do devido processo legal em matéria tributária. Do Mérito A presente autuação referese ao fato de a empresa não ter comprovado perante a fiscalização que elabora e mantém atualizado o DIRBEN8030, em substituição ao perfil profissiográfico, abrangendo as atividades desenvolvidas por todos os seus empregados que trabalham em condições especiais, nem haver comprovado o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e o controle dos riscos ocupacionais existentes, expondo seus trabalhadores a agentes nocivos à saúde e a integridade física. Desta feita, fora lavrado o presente Auto de Infração, por descumprimento ao disposto no art. 58, §4º, da Lei 8.213/91, in verbis: “Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) § 4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento.(Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997)” (grifos acrescidos) Entretanto, a ora Recorrente, em momento algum alegou não ter cometido a infração contida no dispositivo supracitado. Afirmou, em suas razões de defesa, que o lançamento referente a esta mesma infração foi efetuado duas vezes, em dois autos de infração distintos, o que não deveria ter acontecido, já que se trata de infração de natureza continuada. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14489.000123/200885 Acórdão n.º 2301002.941 S2C3T1 Fl. 6 6 Além disso, informou ainda a Recorrente que: Considerando a mudança na legislação, principalmente as alterações provocadas pelo Decreto 4.729, de 09/08/03, ao Decreto 3.048/99 e por interpretação dada a partir da vigência, em abril de 2004, da Instrução Normativa número 100, de 18 de dezembro de 2003, quando se entende que a multa pela não entrega do PPP ao trabalhador na rescisão do contrato de trabalho, configura uma ocorrência bem como pela não elaboração do PPP para os empregados em atividade que trabalham expostos a agentes nocivos, ficou entendido (...) que devem ser aplicadas duas multas. Uma pelo valor mínimo independente do número de ocorrências e outra a partir da vigência da IN n° 100 de dezembro/03, considerando o número de ocorrências, e que, por essa razão, a Auditoria Fiscal emitiu (...) dois autos de infração contra a empresa, um pelo valor mínimo pela não elaboração e por conseguinte a falta de fornecimento do DIRBEN8030 ao empregado demitido, em substituição ao PPP até a competência dezembro/03 e também a não elaboração e a falta de entrega do PPP aos empregados demitidos a partir de janeiro de 2004, considerando, no entanto, que o número de ocorrências foram multiplicadas pelo valor mínimo e incluído o valor encontrado, em novo auto de infração no mesmo fundamento legal 89. Ocorre que, conforme já demonstrado pela decisão recorrida, a auditoria fiscal proferiu relatório, em que explicou que, somente a partir da IN/INSS/DC nº 100, de 18/12/2003 é que o PPP passou a ser expressamente considerado como infração por ocorrência. Embora a lei 8.213/91, em seu art. 58, já identificasse o documento por trabalhador, pode se inferir, a partir da leitura do referido dispositivo, que a cada trabalhador cujas obrigações do PPP fossem descumpridas, seria gerada uma infração, consequentemente, uma ocorrência. Sendo assim, temos que com a entrada em vigor da aludida Instrução Normativa nº 100, do INSS, o valor da multa a ser aplicado é o valor mínimo contido no art. 133, da Lei nº 8.213, aplicado cumulativamente para cada trabalhador demitido sem a entrega do PPP. No que tange ao argumento da recorrente de que o lançamento em discussão foi realizado em duplicidade, o que não poderia ter ocorrido, sob a alegação de que se trata de infração de natureza continuada, este não merece prosperar, vez que entendo não se tratar de infração de natureza continuada, pois a cada PPP não emitido ao trabalhador exposto aos agentes nocivos, ou a cada PPP não atualizado ou não entregue ao trabalhador quando da rescisão do seu contrato de trabalho, acarreta uma ocorrência, consoante reza o art. 646, II, da IN/SRP nº 03/2005 e seu respectivo parágrafo único: Art. 646 – parágrafo único: O termo ocorrência citado no caput significa infrações isoladas que, por economia processual, integrarão um único Auto de Infração, porém individualizadas no relatório fiscal. Por todo exposto, contatase que a ora Recorrente ignorou os ditames da Lei, tendo em vista que não comprovou perante a fiscalização que elabora e mantém atualizado o formulário DIRBEM 8030, substitutivo do Perfil Profissiográfico, abrangendo as atividades Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14489.000123/200885 Acórdão n.º 2301002.941 S2C3T1 Fl. 7 7 desenvolvidas por todos os seus empregados que trabalham em condições especiais e também não comprovou que fornece a estes, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autenticada deste documento, apesar de entender que seus empregados estão expostos a riscos ambientais do trabalho. Por essa razão, o presente lançamento foi corretamente arbitrado com base no art. 33 §3º da Lei 8.212/91. Por fim, diante do acima exposto, uma vez que a Recorrente agiu em total dissonância com o disposto no §4º do art. 58, da Lei 8.213/91, não vislumbro outra possibilidade, senão manter incólume a decisão de primeira instância. Da Exclusão dos Corresponsáveis Quanto à solicitada exclusão dos sócios gerentes, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis anexada aos autos pela Fiscalização, no meu particular entendimento, tem como escopo garantir a possibilidade de inclusão dos sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal, e não simplesmente listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. O prejuízo aos corresponsáveis é imediato, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será imediatamente inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os corresponsáveis listados na relação anexa ao Auto de Infração. No caso da pessoa jurídica contribuinte, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois ela, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. Contudo, a lei prevê que, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. É o que determina o comando do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Pelo referido comando, esta responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sócio administrador, para o diretor responsável ou para o representante legal capaz. Além disso, esta transferência só poderá acontecer quando houver prova de que estes praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14489.000123/200885 Acórdão n.º 2301002.941 S2C3T1 Fl. 8 8 Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos sócios diretores ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais só aceitam a citação dos corresponsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e só nessa hipótese, poderá constar o nome do corresponsável. Sim, pois partese do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do sócio administrador, do diretor ou do representante nela incluído, presumirseá, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620/93, o chamamento dos corresponsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art. 135 do CTN. Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça, tem farta jurisprudência determinando que se o nome do corresponsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao corresponsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a penhora), fazer contraprova à sua condição de sujeito passivo. Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do corresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no polo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Logo, resta claro o prejuízo aos corresponsáveis com a sua inclusão na relação anexa ao presente Auto de Infração, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN, pois essa relação servirá de base para uma futura inscrição do débito em dívida ativa. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para que seja mantida a autuação, excluindose dela, contudo, a lista dos corresponsáveis. É como voto. Sala das Sessões, em 11 de julho de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14489.000123/200885 Acórdão n.º 2301002.941 S2C3T1 Fl. 9 9 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901454/2006-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3401-000.303
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Maria Sartori, Raquel Motta Brandão Minatel e Fernando Marques Cleto Duarte. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/09/201 1 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983901454200631 Resolução n.º 3401000.303 S3C4T1 Fl. 133 2 Relatório Por meio da Resolução nº 340100.058, de 30 de setembro de 2010, esta Turma, com outra composição, convertera o julgamento em diligência para que a Unidade de origem trouxesse a informação precisa quanto aos valores que efetivamente integram as rubricas “receitas financeiras” e “receitas não operacionais”, ou seja, se nelas estariam ou não contidos valores que nada têm a ver com o conceito de “faturamento” da empresa. Na ocasião, especificáramos que a Recorrente deveria ser cientificada dos termos da diligência para que, fosse o caso, se manifestasse sobre seus termos no prazo de dez dias. A diligência foi concluída pela Equipe de Arrecadação e cobrança da DRF em Florianópolis/SC, porém, com a observação de que o encaminhamento anterior do processo ao Carf se dera de forma equivocada, haja vista que a apresentação do Recurso Voluntário por parte da Recorrente teria se dado mediante a assinatura de pessoa [Maurício Alvarez Mateos] sem legitimidade para representála, visto que a procuração para tanto teria sido outorgada ao Sr. Vicente Grecco Filho e ao Sr. Fabrício Fávero, com vedação expressa a substabelecimento. Assim, considera aquela Autoridade preparadora que o prazo para apresentação do Recurso Voluntário transcorreu sem qualquer manifestação válida do contribuinte, o que justificaria a imediata cobrança dos débitos indevidamente compensados. Remeteu o processo a este Colegiado com a proposição de que, antes de se prosseguir no julgamento do mérito, seja reavaliada a preliminar de legitimidade por ela aventada. O resultado da diligência não foi comunicado à Recorrente. No essencial, é o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/09/201 1 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983901454200631 Resolução n.º 3401000.303 S3C4T1 Fl. 134 3 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. De fato, o Recurso Voluntário submetido a esta Turma fora firmado pelo Sr. Maurício Alvarez Mateos, que sobrepôs sua assinatura (precedida da sigla “p.p.”) ao nome do Sr. Vicente Grecco Filho, este detentor de procuração constante dos autos para representar os interesses da Recorrente neste e em outros vários processos de compensação. Também, de fato, acompanhou o Recurso Voluntário apenas uma cópia autenticada da Carteira da Ordem dos Advogados do Brasil do referido Sr. Maurício, ou seja, não se fez acompanhado o referido recurso de qualquer procuração legitimandoo para representar os interesses da Recorrente, a qual, na Procuração de fl. 63, fizera constar a vedação expressa do substabelecimento total ou parcial a qualquer outro advogado/procurador. Essas circunstâncias passaram despercebidas, tanto pela autoridade preparadora do processo, que remeteu o processo para julgamento no Carf, quanto por este Relator, que considerou que o Recurso Voluntário preenchera todos os requisitos para sua admissibilidade. Pois bem. Tivesse eu me dado conta da falta de legitimidade da pessoa que assinou o Recurso Voluntário, certamente teria proposto à Turma, em homenagem aos princípios da lealdade processual e do formalismo moderado que rege o processo administrativo fiscal, que devolvêssemos o processo à Unidade de origem de forma a se obter os necessários esclarecimentos e/ou documentos da Recorrente sobre tal acontecimento. Não o tendo feito no momento oportuno, invoco a defesa da observância dos princípios a que me referi acima e ao da eficiência administrativa, para, considerando ainda a situação em que se encontra o presente processo [diligência já realizada para fins de análise do mérito], propor que o processo retorne à Unidade de origem de modo que, primeiro, intime a Recorrente para regularizar a referida representação processual em nome do signatário do Recurso Voluntário, e que, segundo, seja cientificada a Recorrente dos termos da diligência de fls. 130/131, para que, caso deseje, manifestese sobre ela no prazo de trinta dias. É como voto. Odassi Guerzoni Filho Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/09/201 1 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000833/2005-27
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA TEMPESTIVO. APRESENTAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. PRECLUSÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
O princípio da verdade material determina que o processo administrativo tributário seja conduzido de modo a que o seu desfecho seja amparado, da melhor maneira possível, na verdade dos fatos apurados. A apresentação do Ato Declaratório Ambiental, tempestivo, pelo contribuinte, ainda que posteriormente à impugnação, por desbancar o fundamento mesmo da autuação, não pode ser desconsiderada, sob pena de se solucionar o respectivo processo administrativo fiscal em descompasso com a verdade dos fatos, apenas em benefício de formalidades procedimentais.
Numero da decisão: 9202-002.295
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA TEMPESTIVO. APRESENTAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. PRECLUSÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material determina que o processo administrativo tributário seja conduzido de modo a que o seu desfecho seja amparado, da melhor maneira possível, na verdade dos fatos apurados. A apresentação do Ato Declaratório Ambiental, tempestivo, pelo contribuinte, ainda que posteriormente à impugnação, por desbancar o fundamento mesmo da autuação, não pode ser desconsiderada, sob pena de se solucionar o respectivo processo administrativo fiscal em descompasso com a verdade dos fatos, apenas em benefício de formalidades procedimentais.
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ADA TEMPESTIVO. APRESENTAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. PRECLUSÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material determina que o processo administrativo tributário seja conduzido de modo a que o seu desfecho seja amparado, da melhor maneira possível, na verdade dos fatos apurados. A apresentação do Ato Declaratório Ambiental, tempestivo, pelo contribuinte, ainda que posteriormente à impugnação, por desbancar o fundamento mesmo da autuação, não pode ser desconsiderada, sob pena de se solucionar o respectivo processo administrativo fiscal em descompasso com a verdade dos fatos, apenas em benefício de formalidades procedimentais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Fl. 163DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 15586.000833/200527 Acórdão n.º 9202002.295 CSRFT2 Fl. 2 2 Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte. Lavrouse auto de infração contra o contribuinte, para a cobrança de crédito tributário concernente ao ITR de 2001, tendo em vista que o Ato Declaratório Ambiental apresentado foi expedido em 2005, concernente à Área de Preservação Permanente (358,2 ha). O contribuinte apresentou impugnação (fls. 40/50). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 55/62) julgou o lançamento procedente, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está. condicionada ao protocolo do Ato Declaratório Ambiental ADA no Ibama ou em órgão estadual competente, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Lançamento Procedente O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 67/82). Fl. 164DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 15586.000833/200527 Acórdão n.º 9202002.295 CSRFT2 Fl. 3 3 A 1° Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 85/87) negou provimento ao recurso do contribuinte, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL INTEMPESTIVIDADE Incabível a exclusão de área de preservação permanente respaldada tãosomente em Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolizado fora do prazo previsto na legislação. Recurso negado. O contribuinte interpôs recurso especial de divergência às fls. 93/113, sustentando, na hipótese, a desnecessidade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Alegou, em primeiro lugar, que, em verdade, consta dos autos ADA, protocolado tempestivamente no Ibama no dia 18/02/02. Por outro lado, relativamente à divergência jurisprudencial, argumentou, em síntese, que, segundo o artigo 10, §7°, da Lei n° 9.393/96, basta a declaração do contribuinte para a exclusão da área de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR. Alegou que, não obstante tal artigo de lei tenha sido inserido no ordenamento após a ocorrência do fato gerador em questão, a sua aplicação retroage, por se cuidar de dispositivo legal meramente interpretativo (art. 106, inciso I, do CTN). A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 141/152). Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade. A divergência jurisprudencial restou efetivamente comprovada. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 15586.000833/200527 Acórdão n.º 9202002.295 CSRFT2 Fl. 4 4 No presente caso, a autuação teve por objeto a glosa de área declarada como de preservação permanente (358,2 ha), com base na intempestividade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental. O contribuinte, no seu recurso voluntário, alegou que, equivocadamente, apresentou, anteriormente, à fiscalização ADA protocolizado em 21/06/2005, juntando, na ocasião (da interposição do recurso voluntário), o ADA tempestivamente protocolizado no IBAMA em 18/02/2002. No acórdão recorrido, negouse provimento ao recurso do contribuinte, sobre o fundamento de que, em verdade, não consta dos autos referido documento, ao contrário do alegado pelo contribuinte. No recurso especial, o contribuinte assevera que: “Destacase que em registro na abertura do voto da ilustre Conselheira Relatora e Presidente da Turma Especial, é mencionado que não consta dos autos a cópia do Ato Declaratório Ambiental, tempestivamente protocolado no IBAMA em 18.02.2002, que a Recorrente alega ter anexado aos autos como doc. 1 (...) Cabe salientar, no entanto, que o Ato Declaratório Ambiental existe e sua apresentação se faz nesta oportunidade (doc. 2) para a devida apreciação desta Câmara Superior de Recurso Fiscais ou, ante apresentação do documento de prova o reexame da matéria pela l° Turma Especial.” Com efeito, vêse que o Ato Declaratório Ambiental em questão encontrase presente às fls. 115, constando como respectiva data: 06/02/2002. Pareceme que, numa situação que tal, em que a situação fática que rendeu ensejo à autuação efetivamente, no decorrer do processo, veio a ser afastada pela prova apresentada pelo contribuinte, não há como se desconsiderar essa prova, ainda que tenha assomado nos autos perante esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. No presente caso, cumpre ressaltar, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 60/2001, o prazo para a protocolização do requerimento do ADA expirou em 28/03/2002, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR (28/09/2001). Desta forma, o ADA constante dos autos é tempestivo e não pode ser desconsiderado. Com efeito, não há que se falar em preclusão. Isto porque, como se sabe, o processo administrativo fiscal é informado, dentre outros, pelo princípio da verdade material, a qual deve ser perseguida sempre pelos órgãos julgadores do CARF. Neste sentido, cito o ilustre Fábio Soares de Melo: “O exercício da busca pela verdade material, por intermédio do exame pormenorizado e da valoração das provas carreadas aos Fl. 166DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 15586.000833/200527 Acórdão n.º 9202002.295 CSRFT2 Fl. 5 5 autos pelas partes (tanto pelas autoridades fazendárias quanto pelos contribuintes), é, sem dúvida, um dos mais relevantes no âmbito do processo administrativo tributário (...) No que concerne ao objeto, a instrução do processo administrativo tributário tem por finalidade a incessante busca pela verdade material, de forma que seus meios de instrução possibilitem a formação da convicção acerca da efetiva e real existência do fato tributário”. 1 O princípio da verdade material restaria absolutamente desrespeitado, no presente caso, se não se aceitasse, como prova, o Ato Declaratório Ambiental apresentado pelo contribuinte, independentemente do momento em que tal apresentação ocorreu. E de uma forma bastante afrontosa, na medida em que não se estaria a negar a busca propriamente dita da verdade real. Mais grave, estarseia, sim, a fechar os olhos à verdade real efetivamente comprovada nos autos. A previsão de um momento próprio para a produção probatória, em princípio e em tese, funciona como uma baliza, uma orientação acerca do momento mais propício para a comprovação dos fatos que serão analisados nos autos. Não pode servir de obstáculo intransponível, pois que, neste caso, como no presente caso, tal baliza importaria violação dos princípios que devem sempre nortear a condução do processo administrativo fiscal, como a verdade material. Citese Eduardo Domingos Bottallo, ao comentar o Decreto n° 7.574/2011: “Com relação à prova documental, declara o parágrafo 4° do dispositivo ora sob comentário que a não ser em casos excepcionais, os mesmos deverão ser apresentados com a impugnação, sob pena preclusão. Esta previsão não se compraz com a tradicional vocação do processo administrativo tributário, orientado para a busca da verdade material. Não bastasse isso, a Lei n° 9.784/1999 que, como já foi dito em outra oportunidade, trata do processo administrativo federal, não abona tal limitação na medida em que assegura ao administrado o direito de ‘formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente’ (art. 3°, III). Antes da decisão não significa, como é óbvio, com a impugnação, como, indevidamente se pretendeu impor ao processo administrativo tributário federal, tornando clara a incompatibilidade entre esta determinação e as exigências da ampla defesa, com os meios a ela inerentes” 2. Devese ter em mente, sempre, que as normas de cunho processual e procedimental são constituídas por uma característica essencial: a instrumentalidade. Não são normas que encerram uma finalidade em si mesmas. Elas devem servir, devem instrumentalizar, da melhor maneira possível, a aplicação do direito material. Se, num caso concreto, a aplicação cega de uma dada norma procedimental importar, como importa no 1 MELO, Fábio Soares de. Processo Admistrativo Tributário: Princípios, Vícios e Efeitos Jurídicos. São Paulo: Dialética, 2012. 2 BOTTALLO, Eduardo Domingos. Processo Administrativo Tributário (Comentários ao Decreto n° 7.574/2011 e à Constituição Federal). São Paulo: Dialética, 2012.p.71. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 15586.000833/200527 Acórdão n.º 9202002.295 CSRFT2 Fl. 6 6 presente caso, uma violação da sua instrumentalidade, violando a finalidade para que fora editada, tal aplicação não pode imperar. É nesta toada que acolho o Ato Declaratório Ambiental apresentado pelo contribuinte, de sorte que a glosa da área declarada como de preservação permanente, que se deu justamente com base na ausência do ADA, não pode subsistir. Diante de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial do contribuinte. Sala das Sessões, em 08 de agosto de 201208 de agosto de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 168DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
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Numero do processo: 10314.005968/2004-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Importação - II Exercício: 1999, 2000,02001, 2002, 2003 REVISÃO ADUANEIRA. DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao despacho aduaneiro de Importação, extingue-se em 5 (cinco) anos contados da data do Registro da Declaração de Importação.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDO TÉCNICO.
Constando em laudo técnico que a reclassificação de mercadoria realizada
pela Fiscalização Aduaneira não corresponde as mercadorias importadas.
Deverão ser mantidas as classificações registradas na Declaração de
Importação.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3102-001.380
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Ricardo Rosa, que foi substituído pela Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Importação II Exercício: 1999, 2000,02001, 2002, 2003 REVISÃO ADUANEIRA. DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao despacho aduaneiro de Importação, extinguese em 5 (cinco) anos contados da data do Registro da Declaração de Importação. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LAUDO TÉCNICO. Constando em laudo técnico que a reclassificação de mercadoria realizada pela Fiscalização Aduaneira não corresponde as mercadorias importadas. Deverão ser mantidas as classificações registradas na Declaração de Importação. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Ricardo Rosa, que foi substituído pela Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Trata o presente processo de Recurso de Ofício interposto pela 3ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II RJ, para ver reexaminado a exoneração do lançamento referente a desclassificação de mercadoria. A empresa importadora realizou diversas importações de equipamentos de medição, todos classificados na posição NCM 9031.8090. A Fiscalização Aduaneira, em procedimento de revisão das declarações, considerou incorreta as classificações adotadas. Os equipamentos bloco padrão individual, bloco padrão em V, paralelo ótico para micrômetro, aferidor de anel padrão, padrão de altura para micrômetro, aferidor de micrômetro e aferidor de paquímetro foram reclassificados para a posição 9017.30.90 e os equipamentos relógio apalpador, relógio comparador, aferidor de relógio comparador, comparador de diâmetro e medidor de diâmetro, a Fiscalização reclassificou na posição 9017.80.90. As alegações para alteração dos produtos em litígio, concentramse no fato da Fiscalização entender que são instrumentos de medida dimensional e de aferição de instrumentos de uso manual, o que alteraria a classificação originalmente adotada nas declarações de importação. Cientificado do lançamento, a empresa autuada veio aos autos apresentando manifestação de inconformidade, alegando que mais de 90% dos despachos de classificação foram submetidos a conferência por parte da fiscalização, que o Auto de Infração não foi elaborado a partir de laudo técnico, que os instrumentos são portáteis e não manuais, que a fiscalização não deveria aterse somente ao catálogo comercial e sim em literatura técnica e na análise física dos equipamentos. Os equipamentos em discussão podem ser armados e desarmados, mas não podem ser manobrados com as mãos, pois são de metrologia de altíssima precisão. Ao final questiona as multas aplicadas, os juros com utilização de taxa Selic e requer a conversão do julgamento em diligência. A Delegacia de Julgamento decidiu por converter o julgamento em diligência, sendo designado o Instituto Nacional de Tecnologia INT, para que fossem respondidos os seguintes quesitos: i) Tratase de instrumentos de medida de distâncias ? ii) Tratase de calibre ou instrumento semelhante ? iii) Foram os instrumentos concebidos para serem utilizados apenas quando montados permanentemente em suportes ou ligados (por cabos, tubos flexíveis por exemplo) a máquinas ou aparelhos ? Fl. 772DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.005968/200484 Acórdão n.º 310201.380 S3C1T2 Fl. 2 3 iv) Se positiva a resposta ao quesito 2, possui o instrumento dispositivos reguláveis que permitem apenas controlar, por comparação, dimensões, ângulos, formas, etc. (por exemplo calibradores tampão, medidores de anel) ? v) Outras considerações que julgar necessárias. Concluída a diligência, o laudo técnico foi juntado às fls. 352 a 394. A Delegacia de Julgamento exonerou a integralidade do lançamento, parte em razão da decadência que alcançou os lançamentos anteriores a 30/08/1999 e no mérito, observando as considerações do laudo técnico, entendeu que a classificações imposta pela Fiscalização Aduaneira não correspondem aos produtos em discussão. A decisão da DRJ foi assim ementada: "ASSUNTO: Imposto Sobre a Importação II Exercício: 1999,2000,2001, 2002, 2003 Decadência. Transcorrido o prazo de cinco anos, homologaram se os pagamentos. Decadente o Lançamento em relação a parte das DI. Mérito. Classificação fiscal. Constatado, com base em laudo técnico pericial produzido em diligência, que os produtos importados não possuem as características merceológicas exigidas pela posição da NCM imputada pela autoridade fiscal. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado." Diante dessa decisão, cuja exoneração do sujeito passivo ultrapassou o limite de alçada, foi apresentado pela Turma Julgadora o competente recurso de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. O recurso protocolado pela autoridade a quo, teve o condão de ver novamente analisada a exoneração realizada sobre o lançamento constantes do Auto de Infração. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 De início aprecio a decadência de parte do lançamento. O autuado teve ciência do auto de infração em 30/08/2004, e os lançamentos referemse a declarações registradas no período de 13/01/1999 a 10/06/2003. A autoridade de primeira instância decidiu pela decadência para os lançamentos referente às Declarações de Importação registradas em data anterior a 30/08/1999, considerando o prazo de 5 (cinco) anos contados da data do fato gerador. È cediço nos entendimentos deste colegiado que o prazo decadência para exigência é de 5 (cinco) anos, contados a partir da data do fato gerador, caso tenha ocorrido antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º do CTN ou nos outros casos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. Examinando os autos consta a informação que a Recorrente realizou o registro das DI, com o recolhimento referente ao imposto de importação e Imposto sobre Produtos Industrializados. Portanto, tendo em vista a ocorrência de recolhimento, o termo de início para contagem do prazo decadencial é aquele previsto no art. 150, § 4ª do CTN. Não existindo nenhum reparo a ser feito na decisão da autoridade a quo. Quanto ao mérito, os produtos em litígio que sofreram reclassificação por parte da Fiscalização Aduaneira são instrumentos de medida dimensional e de aferição de instrumentos. O importador classificou os produtos na posição 9031.80.90 e a Fiscalização aduaneira entendeu que por tratarse de equipamentos de uso manual seriam classificados na posição 9017.30.90 e 9017.80.90. A posição indicada pelo importador 9031.80.90 e as posições apuradas pela Fiscalização 9017.30.90 e 9017.80.90, encontramse assim descrita na TEC. 90.31 Instrumentos, aparelhos e máquinas de medida ou controle, não especificados nem compreendidos noutras posições do presente Capítulo; projetores de perfis. 9031.10.00 ‐ Máquinas de balancear (equilibrar) peças mecânicas 14BK 9031.20 ‐ Bancos de ensaio 9031.20.10 Para motores 14BK 9031.20.90 Outros 14BK 9031.4 ‐ Outros instrumentos e aparelhos ópticos: 9031.41.00 ‐‐ Para controle de plaquetas (wafers) ou de dispositivos semicondutores ou para controle de máscaras ou retículos utilizados na fabricação de dispositivos semicondutores 14BK 9031.49 ‐‐ Outros 9031.49.10 Para medida de parâmetros dimensionais de fibras de celulose, por meio de raios laser 0BK 9031.49.20 Para medida da espessura de pneumáticos de veículos automóveis, por meio de raios laser 0BK 9031.49.90 Outros 14BK 9031.80 ‐ Outros instrumentos, aparelhos e máquinas 9031.80.1 Dinamômetros e rugosímetros 9031.80.11 Dinamômetros 14BK 9031.80.12 Rugosímetros 14BK 9031.80.20 Máquinas para medição tridimensional 14BK 9031.80.30 Metros padrões 10BK 9031.80.40 Aparelhos digitais, de uso em veículos automóveis, para medida e indicação de múltiplas grandezas tais como: velocidade média, consumos instantâneo e médio e autonomia (computador de bordo) 16BIT 9031.80.50 Aparelhos para análise de têxteis, computadorizados 0BK 9031.80.60 Células de carga 14BK 9031.80.9 Outros 9031.80.91 Para controle dimensional de pneumáticos, em condições de carga 0BK 9031.80.99 Outros 14BK 9031.90 ‐ Partes e acessórios 9031.90.10 De bancos de ensaio 14BK Fl. 774DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10314.005968/200484 Acórdão n.º 310201.380 S3C1T2 Fl. 3 5 9031.90.90 Outros 14BK 90.17 Instrumentos de desenho, de traçado ou de cálculo (por exemplo, máquinas de desenhar, pantógrafos, transferidores, estojos de desenho, réguas de cálculo e discos de cálculo); instrumentos de medida de distâncias de uso manual (por exemplo, metros, micrômetros, paquímetros e calibres), não especificados nem compreendidos noutras posições do presente Capítulo. 9017.10 ‐ Mesas e máquinas de desenhar, mesmo automáticas 9017.10.10 Automáticas 0BK 9017.10.90 Outras 18 9017.20.00 ‐ Outros instrumentos de desenho, de traçado ou de cálculo 18 9017.30 ‐ Micrômetros, paquímetros, calibres e semelhantes 9017.30.10 Micrômetros 10 9017.30.20 Paquímetros 18 9017.30.90 Outros 18 9017.80 ‐ Outros instrumentos 9017.80.10 Metros 18 9017.80.90 Outros 18 9017.90 ‐ Partes e acessórios 9017.90.10 De mesas ou máquinas de desenhar, automáticas 0BK 9017.90.90 Outros 16 As classificações adotadas pela fiscalização, considerou as informações constantes dos manuais dos equipamentos que descreviam a possibilidade de utilização manual e portanto, a classificação deveria ser aquela constante da posição 9017. Analisando as exigências para classificação na posição 9017, constantes das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, há de se verificar 3 (três) características gerais que deverão ser apresentadas pelos produtos ali classificados: serem utilizados para medir distâncias, de uso manual e nos casos de calibres e semelhantes, que aqueles sem "dispositivos reguláveis", excluemse dessa posição. O laudo técnico determinado pela autoridade de primeira analisou estas características, conforme se depreende da leitura do laudo técnico, a maioria dos instrumentos não se trata de equipamentos para medir distâncias, não podendo ser classificados na posição 9017. Dos produtos analisados, restaram 5 (cinco), considerados equipamentos para medir distâncias: Padrão de altura para micrômetro, Aferidor de paquímetro, Relógio apalpador, Relógio comparador, Aferidor de relógio comparador. Entretanto, os 5 equipamentos, segundo o laudo técnico, não são de uso manual, não sendo classificados na posição 9017. Considerando as conclusões do laudo técnico, os equipamentos reclassificados que deram origem ao lançamento, não podem classificarse na posição adotada pela fiscalização e portanto, há de se exonerar o lançamento, não existindo nenhum reparo a fazer na decisão de primeira instância. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 Winderley Morais Pereira Fl. 776DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 16/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10215.720167/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2004
DA REVISÃO DO LANÇAMENTO - ERRO DE FATO.
O lançamento deverá ser revisto, de ofício, quando caracterizada a ocorrência de erro de fato na área total do imóvel, informada na declaração anual do ITR.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 2202-001.768
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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O lançamento deverá ser revisto, de ofício, quando caracterizada a ocorrência de erro de fato na área total do imóvel, informada na declaração anual do ITR Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, PEDRO ANTONIO RODRIGUES DE MELLO, foi lavrada a notificação de lançamento nº 02102/00020/2007 (fls. 04), no qual foi intimado a recolher o crédito tributário de R$ 4.870.890,28, correspondente ao lançamento do ITR/2003, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora calculados até 31/11/2007, tendo como objeto o imóvel rural "Fazenda Mello” (NIRF 6.565.9465), com a área total declarada de 1.290.762,0 ha, localizado no município de Novo Progresso – PA. A descrição dos fatos, o enquadramento legal da infração e o demonstrativo da multa de ofício e dos juros de mora encontrase às fls. 04/07. A ação fiscal, proveniente da revisão da DITR/2004, iniciou se com o termo de intimação de fls. 01/02, não atendido, para o contribuinte apresentar laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. Na análise da DITR/2004, a autoridade fiscal desconsiderou o VTN declarado de R$ 0,00, arbitrandoo em R$ 22.020.399,72 (R$ 17,06/ha), com base no SIPT, tendo sido apurado imposto suplementar de R$ 2.202.029,97, conforme demonstrado às fls. 06. Cientificado do lançamento em 18/12/2007 (fls. 29/30), o contribuinte, inconformado com a referida notificação de lançamento, protocolou em 28/12/2007 a impugnação de fls. 10/11, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 17/28, alegando, em síntese: A área total informada na DITR/2004 foi digitada indevidamente com 1.290.762,0 ha, quando, verdade, o imóvel possui um total de 1.290,7 ha, área essa já cadastrada na Receita Federal e de acordo com documentos anexados; solicita a respectiva alteração no campo “área total do imóvel” e concorda em pagar quaisquer débitos oriundos desse NIRF. Ao final, o contribuinte espera e requer o acolhimento da presente impugnação, por insubsistência e improcedência da ação fiscal, cancelando se o débito fiscal reclamado referente ao ITR/2003. A DRJ Brasília ao apreciar as razões do impugnante julgou a impugnação procedente, retificando a área total informada na DITR/2004 de 1.290.762,0 ha para 1.290,7 ha, mantendose o VTN arbitrado (R$ 17,06/ha), com a redução do imposto suplementar apurado de R$ 2.202.029,97 para R$ 936,75, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A DRJ submeteu recurso de ofício à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. O contribuinte foi cientificado do Acórdão da DRJ por edital, não se pronunciando sobre o mesmo. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10215.720167/200711 Acórdão n.º 220201.768 S2C2T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso ofício reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Em sua impugnação o contribuinte questionou que teria cometido um erro no preenchimento da DITR. Em face dos elementos presentes nos autos não resta dúvida que o erro está demonstrado. Ao tratar da matéria assim se pronunciou a DRJ: O contribuinte alega que a área total correta da propriedade (1.290,7 ha), constante do CAFIR da RFB (fls. 19), foi informada erroneamente na DITR/2003 com 1.290.762,0 ha, por erro de digitação. Em princípio, a aceitação da pretendida área total de 1.290,7 ha estaria prejudicada pela modalidade de lançamento do ITR/2004, autolançamento, e por ter sido apresentada somente após o início do procedimento de ofício. Entretanto, quando argüida pelo contribuinte na fase de impugnação, a hipótese de erro de fato deve ser analisada, observando se aspectos de ordem legal. Caso fosse negada essa oportunidade ao contribuinte, estaria sendo ignorado um dos princípios fundamentais do Sistema Tributário Nacional, qual seja, o da estrita legalidade e, como decorrência, o da verdade material. Porém, na hipótese levantada, o lançamento regularmente impugnado somente poderá ser alterado, nos termos do art. 145, inciso I, do CTN, em caso de evidente erro de fato, devidamente comprovado através de provas documentais hábeis e idôneas, previstas na Norma de Execução Cofis nº 003/2006. No presente caso, o contribuinte também anexou aos autos cópia do protocolo do INCRA, memorial descritivo do imóvel e plantas topográficas (fls. 18/28), para comprovar a área total pretendida. Diante dos fatos, atuou corretamente a DRJ ao retificar a área total do imóvel informada erroneamente na DITR/2004, de 1.290.762,0 há para 1.290,7 ha e, consequentemente, ajustadas as áreas declaradas de preservação permanente e como ocupadas com benfeitorias, respectivamente, de 645.381,0 ha para 645,3 ha e de 190,0 ha para 0,2 ha. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 66DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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