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Numero do processo: 10380.908971/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2008
CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS EM SEDE DE RECURSO. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO DO ÔNUS PROBATÓRIO.
Iniciando-se o contencioso com despacho decisório eletrônico, é possível, em nome da legítima verdade material e direito a ampla defesa, a apresentação de documentos comprobatórios já em sede de Recurso, quando já havia esclarecimento suficiente da matéria efetivamente em litígio. Assim, estando comprovado o direito creditório em sede de diligência, é de se admitir a compensação.
Numero da decisão: 3401-005.927
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, acolhendo o resultado da diligência
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2008 CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS EM SEDE DE RECURSO. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO DO ÔNUS PROBATÓRIO. Iniciando-se o contencioso com despacho decisório eletrônico, é possível, em nome da legítima verdade material e direito a ampla defesa, a apresentação de documentos comprobatórios já em sede de Recurso, quando já havia esclarecimento suficiente da matéria efetivamente em litígio. Assim, estando comprovado o direito creditório em sede de diligência, é de se admitir a compensação.
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APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS EM SEDE DE RECURSO. INEXISTÊNCIA DE PRECLUSÃO DO ÔNUS PROBATÓRIO. Iniciandose o contencioso com despacho decisório eletrônico, é possível, em nome da legítima verdade material e direito a ampla defesa, a apresentação de documentos comprobatórios já em sede de Recurso, quando já havia esclarecimento suficiente da matéria efetivamente em litígio. Assim, estando comprovado o direito creditório em sede de diligência, é de se admitir a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, acolhendo o resultado da diligência (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 89 71 /2 01 2- 78 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10380.908971/201278 Acórdão n.º 3401005.927 S3C4T1 Fl. 163 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 81 e seguintes) contra decisão da 4ª Turma da DRJ/BSB, que considerou improcedentes as razões da Recorrente contra o Despacho Decisório que não reconheceu créditos da contribuição para o PIS, referente ao período de 2008. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório A recorrente declarou no PER/DCOMP a existência de crédito referente a pagamento indevido de PIS, Porém, a fiscalização emitiu Despacho Decisório não reconhecendo sua existência, nos seguintes termos: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 05/11/2012, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 7), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 401,25. Da Manifestação de Inconformidade A Contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório, em 19/11/2012 (fl.10 ), e interpôs impugnação, em 17.12.2012 (fls.11 e seguintes ), alegando, em síntese, o seguinte: (...) cometido um equívoco no preenchimento da DCTF original referente ao período em análise e que o valor pago teria sido maior do que o efetivamente devido. Acrescenta a DCTF foi retificada após a data da entrega do PER/DCOMP objeto dos autos, de modo que não evidenciou a situação de prejuízo da empresa no período. Conclui que a DCTF, a DIPJ e o PER/DCOMP continham informações divergentes, o que acabou por ocasionar o indeferimento do crédito tributário pleiteado. (...) possui o crédito e, no intuito de comprovar seus argumento, anexa aos autos cópia do Livro de Apuração do Lucro Real – Lalur, bem como documentos contábeis (Balancete de Verificação), que servem de prova do prejuízo fiscal apurado no período. Informa, também, que os dados declarados na a DIPJ do período, transmitida antes do recebimento do Despacho Decisório, estão corretos. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10380.908971/201278 Acórdão n.º 3401005.927 S3C4T1 Fl. 164 3 Ao final, diante das razões de fato e de mérito apresentadas, requer que o Despacho Decisório seja integralmente reformado para que o presente processo seja devolvido a fim de que seja realiza diligência visando a efetiva averiguação, por parte da autoridade administrativa, da existência do crédito decorrente de CSLL. (fl. 74) Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 0359.426 (fls 72 e seguintes), exarado pela 4ª Turma da DRJ/BSB, em 20.02.2014, do qual a Contribuinte tomou conhecimento em 10.04.2014 (fl.79), através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, repetindo as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade, juntando documentos que viessem a comprovar o seu pleito creditório. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10380.908971/201278 Acórdão n.º 3401005.927 S3C4T1 Fl. 165 4 Da Resolução 3401001.352 Em 20.03.2018, essa Turma proferiu a Resolução 3401001.352 (fls 143 e seguintes), sob a relatoria do exconselheiro Robson José Bayerl, nos termos abaixo: Em exame da situação observei que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notei, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua apropriação em outra finalidade. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria uma perfeita demonstração dos argumentos deduzidos, tudo devidamente acompanhado de elementos que os embasasse, especialmente documentos contábeis e fiscais. É certo que na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu a prova necessária, limitandose a anexar cópias de declarações, que, por si só, nada demonstram, entretanto, no recurso voluntário, trouxe planilhas e demonstrativos, além de extrato do balancete, o que, a meu sentir, consubstancia um início razoável de prova a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Nestas condições, é natural que os contribuintes, como no caso vertente, compreendam que a singela retificação da DCTF seja suficiente para a solução da “pendência”, restando claro que esta providência não soluciona o problema somente com a prolação da decisão de primeiro grau administrativo, o que, aliás, até justifica a juntada tardia de um acervo probatório mínimo a supedanear a demonstração dos valores recolhidos indevidamente. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos outros que não apenas declarações ou mesmo debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10380.908971/201278 Acórdão n.º 3401005.927 S3C4T1 Fl. 166 5 · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Os autos foram baixados para cumprimento da diligência e, sendo emitida a Informação Fiscal, pela delegacia da RFB em Fortaleza/CE (fls 150 e seguintes), nos seguintes termos: 4. Desta forma, verificase que, apesar de o crédito estar vinculado as DCOMP's acima, ele ainda não foi utilizado, visto que, encontrase em lide. 5. Após realização de cálculo constatouse que o crédito pleiteado pelo contribuinte é suficiente para quitar a compensação ora analisada, bem como, para quitar a DCOMP 20352.46346.270812.1.3.045361, vejamos no quadro abaixo: (...) 6. Por fim, cumpre registrar, que o contribuinte emitiu as Declarações Retificadoras antes da emissão do Despacho Decisório eletrônico de não homologação, haja vista que o mesmo foi emitido em 05/11/2012 e as Declarações foram retificadas em Julho e Agosto do mesmo ano. 7. Ante o exposto, concluise pela procedência do pleito do contribuinte, se fazendo necessária a homologação da DCOMP ora analisada. (...) Assim, com a conclusão da diligência proposta, os autos retornaram ao CARF e foram sorteados a mim, em razão de o antigo relator não mais compor esse colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10380.908971/201278 Acórdão n.º 3401005.927 S3C4T1 Fl. 167 6 Do Mérito Toda a compreensão do mérito do presente processo fora perfeitamente escrutinada pelo antigo relator que, acertadamente, entendeu que: (a) A mera retificação das DCTF´s não possuem o condão de comprovar o direito creditório; (b) A despeito de o Recorrente não haver apresentado os documentos que fundamentaram o suposto pagamento indevido de PIS no momento da impugnação, é razoável entender que, diante do despacho decisório eletrônico, não fora possível conceber que somente a DCTF retificadora não teria o condão de comproválo, o que ficou apenas claro na leitura da decisão que não deu provimento à sua Manifestação de Inconformidade; (c) Por isso mesmo, entendemos, à época, que a disponibilização de documentos que ambicionassem a sua comprovação quando do Recurso Voluntário, o que foi feito, supririam a carência probatória que estava inicialmente desenhada, devendo ser objeto de análise pela unidade de origem a fim de verificar sua suficiência. Assim, reitero minha concordância com os fundamentos da Resolução que aceitaram a documentação apresentada no Recurso Voluntário e, diante do resultado da diligencia, que averiguou ser plausível o valor pleiteado, não resta a mim senão apenas acolher o seu resultado. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe provimento, acolhendo o resultado da diligência. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10380.908971/201278 Acórdão n.º 3401005.927 S3C4T1 Fl. 168 7 Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.724241/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL.
Diante do Ato Declaratório PGFN n° 12, de 2018, prevalece o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n° 7.713, de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983, incluindo-se no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros.
DEPÓSITO PARCIAL EM JUÍZO. DEPÓSITO ANTES DO VENCIMENTO DO TRIBUTO. MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CASO CONCRETO. INCIDÊNCIA.
O depósito parcial até a data de vencimento do tributo afasta a multa de oficio sobre a parcela depositada em juízo, mantendo-se porém, no caso concreto, a incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário remanescente do auto de infração.
Numero da decisão: 2401-006.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa lançada sobre a parcela dos valores depositados em juízo. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à multa, o conselheiro Cleberson Alex Friess. Vencido em primeira votação o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator) que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. Diante do Ato Declaratório PGFN n° 12, de 2018, prevalece o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n° 7.713, de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983, incluindo-se no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros. DEPÓSITO PARCIAL EM JUÍZO. DEPÓSITO ANTES DO VENCIMENTO DO TRIBUTO. MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CASO CONCRETO. INCIDÊNCIA. O depósito parcial até a data de vencimento do tributo afasta a multa de oficio sobre a parcela depositada em juízo, mantendo-se porém, no caso concreto, a incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário remanescente do auto de infração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa lançada sobre a parcela dos valores depositados em juízo. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à multa, o conselheiro Cleberson Alex Friess. Vencido em primeira votação o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator) que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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GANHO DE CAPITAL. Recorrente THEOLINA STREB FRAÇÃO (ESPÓLIO) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. Diante do Ato Declaratório PGFN n° 12, de 2018, prevalece o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n° 7.713, de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983, incluindose no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros. DEPÓSITO PARCIAL EM JUÍZO. DEPÓSITO ANTES DO VENCIMENTO DO TRIBUTO. MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CASO CONCRETO. INCIDÊNCIA. O depósito parcial até a data de vencimento do tributo afasta a multa de oficio sobre a parcela depositada em juízo, mantendose porém, no caso concreto, a incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário remanescente do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa lançada sobre a parcela dos valores depositados em juízo. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à multa, o conselheiro Cleberson Alex Friess. Vencido em primeira votação o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro (relator) que negava provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 42 41 /2 01 1- 11 Fl. 615DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 616 2 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares e , no mérito, julgou procedente em parte a impugnação contra Auto de Infração, cientificado pessoalmente à inventariante (fls. 175; e Certidão de Óbito, fls. 12), no valor principal de R$ 8.506.309,40, acrescido de multa de 10% e juros de mora, decorre da omissão de ganho de capital na alienação de participação societária na empresa Expresso Mercúrio S/A à TNT Brasil Participações TWO Ltda. ocorrida em 09/01/2007. Do Relatório Fiscal (fls.181/218), em síntese, extraíse que: a) O contribuinte negociou participação societária pelo valor bruto de R$ 94.245.865,00, sendo o valor líquido de R$ 87.665.579,00 pela diferença denominada “parcela retida para contrato de fiança”. Em 28/02/2007, foi recolhido R$ 3.295.268,52 e em 28/06/2007 R$ 439.869,49, a título de imposto de renda sobre ganho de capital. b) No Mandado de Segurança n° 2007.71.0202.0014672/RS, junto à 2a Vara da Justiça Federal em Santa Maria, o contribuinte postulou a isenção do art. artigo 4o do Decretolei n° 1.510, de 1976, para as ações adquiridas, por qualquer forma, até 31/12/1983, depositando judicialmente R$ 8.347.977,49. c) A empresa Expresso Mercúrio S/A distribuiu bonificações em ações, durante o período de 1970 a 2005, tanto na forma de novas ações (grande maioria), como pela capitalização de lucros e reservas sem emissão de novas ações ou modificação do valor nominal destas, conforme faculta o artigo 169,§ 1º da Lei nº 6.404/1976. d) Na planilha de Movimentação das Ações ON para apuração do ganho de capital, elaborada pelo sujeito passivo (Movim. Ações ON, Quadro n° 02, Fl. 616DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 617 3 fls. 17/34, as bonificações adquiridas, pela incorporação de reservas diversas e/ou reservas de lucros (estas, somente a partir de 1997) foram rateadas proporcionalmente às aquisições/subscrições (incluindo as bonificações já rateadas anteriormente) pertencentes ao sujeito passivo até 31/12/1983 e após o referido período, ou seja, a partir de 01/01/1984. As bonificações distribuídas anteriormente à aquisição de 2.213 ações em 25/03/1986 (Ia aquisição/compra de ações após 31/12/1983) foram totalmente alocadas no saldo de ações adquiridas até 31/12/1983. Já as bonificações distribuídas a partir de 25/03/1986 foram rateadas proporcionalmente à participação existente até 31/12/1983 (considerando inclusive bonificações distribuídas após este período) e a partir de 01/01/1984, somandose aos respectivos saldos de ações, existentes em 31/12/1983 e após 01/01/1984, para compor a nova base de cálculo do rateio referente à próxima distribuição de bonificação e assim sucessivamente, ou seja, as bonificações foram rateadas considerando as datas e quantidades de ações originariamente adquiridas/subscritas acrescidas, ainda, dos rateios das bonificações anteriores. e) A forma de apuração das bonificações em ações (rateio proporcional à data de aquisição das ações Movim. e Trib. das Ações Vendidas, Quadros n° 01 e 02, fls. 14/34), foi justificada pela alegação de as bonificações em ações distribuídas a partir de 1984 devem ser consideradas como adquiridas em data anterior a 31/12/1983, para efeito de apuração do ganho de capital auferido na venda das ações em 2007, em face do art. 169 da Lei 6.404/1976 e de as bonificações terem natureza acessória em relação às ações que lhe deram origem e, portanto, derivadas destas. f) Para haver isenção, mesmo em relação às ações adquiridas pela distribuição de bonificações em período anterior a 31/12/1983, deve ser observado o prazo de 05 anos na propriedade do contribuinte durante a vigência do Decretolei n° 1.510/1976. Ou seja, o recebimento das ações bonificadas (aquisição de ações via bonificação) deve ter ocorrido até 31/12/1983, de modo a permitir o transcurso de cinco anos de propriedade sem alienação até a revogação da isenção, uma vez a que a Lei n° 7.713/88 passou a viger a partir de 1701/1989, na forma do art. 104, III, do CTN. g) Dessa forma, o sujeito passivo, utilizando os artigos 1o a 5o do Decretolei n° 1.510/1976, bem como o artigo 5o da Portaria Ministerial MF n° 454 de 25/08/1977 e o Parecer Normativo CST n° 68 de 23/09/1977 todos já revogados pela Lei n° 7.713/1988 como regras de apuração do imposto de renda sobre ganho de capital auferido em 2007 com a alienação das ações da Expresso Mercúrio, apurou incorretamente um custo total de aquisição das ações no valor de RS 10.745.995,58, conforme planilha apresentada (Movim. e Trib. das Ações Vendidas, Quadros n° 01 e 02, em anexo), sendo RS 7.420.172,00 (percentual de 66,65%) referente a ações possuídas até 31/12/1983, incluindo o saldo de bonificações rateadas de forma incorreta, cuja venda foi considerada isenta de IR pelo sujeito passivo, pois seriam possuídas até 31/12/1983 segundo seus critérios. Apurou, também, RS 3.325.823,58 (percentual de 33,35%) de custo das Fl. 617DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 618 4 ações adquiridas a partir de 01/01/1984, tendo considerado a venda destas ações como tributável pelo imposto de renda, estando incluído nesta parcela o valor de R$ 702.056,68, referente ao custo das ações cujo valor de venda foi retido para contrato de fiança, conforme Contrato de Compra e Venda, e cujo ganho de capital correspondente foi diferido até o futuro recebimento do valor. h) Com base na Lei nº 7.718/1988, pertinente às alienações ocorridas a partir de 01/01/1989, o valor de transmissão é o total da alienação constante na cláusula 2.1 e anexo 2.2 do Contrato de Compra e Venda (fls. 46 e 122) realizado sem qualquer dedução e que importou no valor bruto de R$ 94.245.865,00, tendo o sujeito passivo recebido efetivamente, até o momento da autuação, o valor de RS 87.665.579,00. A diferença, ainda não recebida pelo sujeito passivo, no valor de RS 6.580.286,00, referese à parcela retida para contrato de fiança bancária em favor do comprador, conforme cláusula 7.7 do Contrato de Compra e Venda e conforme informação prestada pelo mesmo em resposta às intimações. Em maio de 2007, o contribuinte recebeu o valor de R$ 2.932.463,31 a título de “Valor de Ajuste de Preço de Aquisição”, tendo apurado ganho de capital em separado da parcela principal e recolhido o correspondente imposto de renda (R$ 439.869,49), sem deduzir qualquer parcela da base de cálculo a título de custo de aquisição. Assim, essa parcela não integra o presente lançamento. i) Com base na legislação que a rege a forma de apuração do custo de aquisição das participações societárias ( arts. 128/131 do RIR /1999 e arts. 7º e 16 da IN SRF nº 84/2001, apurase um custo de aquisição no valor de R$ 9.663.072,66, conforme explicitado as fls. 206/213. Mas, o contribuinte havia apurado como custo de aquisição o valor de R$ 10.745.995,58, sendo R$ 7.420.172,00, referente à participação societária possuída até 31/12/1983 e R$ 3.325.823,58 referente à participação societária a partir de 01/01/1984, sendo R$ 702.056,68 deste valor referente ao custo de aquisição da parcela retida, com ganho de capital diferido. Na sistemática de apuração do ganho de capital adotada pelo sujeito passivo, 66,65% do ganho de capital havido na venda foi considerado isento devido ao fato de ter utilizado legislação já revogada (conforme já exposto) na qual faz o rateio das ações novas, distribuídas por incorporação de lucros e reservas, em possuídas até 1983 e a partir de 1984, sendo inexistente a base legal que autorizaria tal procedimento. j) Elaborouse também uma tabela de apuração do ganho de capital e do imposto de renda devido considerando o acaso de o contribuinte obter sucesso no Mandado de Segurança Para a alienação das ações adquiridas até 1983, a fiscalização considerou apenas 0,873% do ganho de capital deste período isento no caso de decisão judicial favorável ao contribuinte, já o sujeito passivo apurou que 66,65% do ganho de capital seria isento. A diferença reside na forma de apuração do ganho de capital mediante o referido rateio, distribuindo as ações recebidas em bonificação, por incorporação de reservas de lucros e/ou reservas diversas, em possuídas Fl. 618DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 619 5 até 1983 e em adquiridas a partir de 1984, mesmo tendo adquirido tais ações a partir de 1984. k) Uma vez que o imposto de renda apurado como ainda devido pela fiscalização (R$ 8.506.309,40) é superior ao montante do depósito judicial, não se aplica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, conforme previsto no inciso II do art. 151 do CTN. Além disso, o depósito judicial efetuado pelo sujeito passivo referese ao Mandado de Segurança impetrado judicialmente, no qual pleiteia a isenção do capital sobre a venda somente de ações adquiridas até 31/12/1983, sem entrar no mérito do cálculo do número de ações e do custo de aquisição das ações adquiridas antes de 31/12/1983, ao passo que o presente Auto de Infração referese à totalidade das ações vendidas, adquiridas antes de 31/12/1983 e, notadamente, após 01/01/1984, e também se refere ao cálculo do custo de aquisição e do número de ações adquiridas antes e após 31/12/1983. Portanto, não cabe considerar o referido depósito judicial como referente ao presente Auto de Infração, já que os objetos do Mandado de Segurança e do Auto de Infração não são exatamente os mesmos. l) Foi aplicada multa de mora no percentual de 10%, incidente sobre o imposto de renda devido pelo espólio. Por meio de procurador regularmente habilitado pela inventariante (fls.283), o contribuinte impugna (fls. 236/281), tempestivamente (fls.316), o auto de infração, em síntese, alegando: a) Nulidade do lançamento fiscal pela inclusão das ações albergadas pela isenção. Reconhecido o direito pelo STJ, ao apurar um custo médio ponderado, incluindo as ações consideradas isentas, a apuração do imposto de renda devido restou integralmente comprometida, não sendo possível simplesmente se excluir a parcela devida a título de imposto de renda relativo ao ganho de capital sobre as ações adquiridas até 31/12/1983. Cita jurisprudência. b) Nulidade do lançamento fiscal Suspensão da exigibilidade e princípio da unicidade da jurisdição. O valor depositado de R$ 8.347.977,49 é integral, pois a Fiscalização aponta R$ 110.773,56 como na alienação de ações adquiridas antes de 31/12/1983. c) Isenção prevista no Decreto Lei nº 1.510/1976. Embora a questão tenha sido levada ao Judiciário, apresenta razões para afastar o entendimento da fiscalização. Logo, a participação societária do impugnante havida em período anterior à entrada em vigor da Lei nº 7.713/1988, que tenham permanecido em seu patrimônio por um período mínimo de cinco anos, ou seja, tenham em 31 de dezembro de 1988, cinco anos ou mais, está ao abrigo da isenção, uma vez que nessa data nasceu o direito subjetivo do impugnante à fruição da isenção. Cita doutrina e jurisprudência. d) Tratamento conferido as bonificações. Bonificação não é nova ação. O aumento do capital se dá por troca entre contas do balanço patrimonial, sem qualquer desembolso por parte do acionista e ingresso de valor de bens ou valores na empresa. Não há aumento do patrimônio da empresa ou do acionista, ambos continuam absolutamente iguais. O aumento de capital pode se dar de duas formas: alteração do valor nominal das ações ou distribuição de bonificações. Não há qualquer diferença entre essas duas opções. A nova Fl. 619DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 620 6 quantidade de ações que o impugnante passou a deter com a distribuição das ações bonificadas representa a mesma participação percentual sobre o mesmo patrimônio que detinha antes da operação. O remanejamento contábil não importa uma transferência de lucros para o acionista, mas sim uma transferência de lucros para conta de capital, em que o acionista mantém a mesma participação, em que pese, no caso das ações bonificadas, representada por um número maior de ações, com o mesmo valor patrimonial. As ações recebidas em bonificação são mera expansão das ações originárias, ou seja, são, “filhotes” das chamadas “ações mães” e podem ser consideradas ações subscritas, pois não há ingresso de recursos ao capital da companhia pelo acionista. Como não há necessidade de norma regulamentadora do rateio das bonificações, a revogação da legislação que trata da matéria não influencia o auto de infração que estaria incorreto. e) Impossibilidade de aplicação de multa e juros de mora sobre o valor do depósito judicial. Por entender incorreto o critério de cálculo utilizado pelo Impugnante, a fiscalização elaborou apuração do imposto de renda e encontrou o valor devido de R$ 8.506.309,40 enquanto o depósito judicial foi realizado no montante de R$ 8.347.977,49. A jurisprudência admite a aplicação de multa e juros somente sobre a diferença encontrada entre o valor lançado e o valor depositado judicialmente. Como o depósito foi realizado dentro do prazo previsto para o pagamento do imposto e muito antes do auto de infração, sobre o seu montante não poderiam ser exigidos os juros, pelo simples fato de que não se caracteriza a mora no caso concreto. O Acórdão DRJ/POA n° 1037.022 (fls. 317/319) não conheceu da impugnação por concomitância de ação judicial. Anulado pelo Acórdão n° 2401004.518 (fls.508/514), foi emitido o Acórdão n° 1058.796 do qual, em síntese, se extrai: a) Delimitação. Devem ser analisadas as questões não constantes do processo judicial nº 2007.71.02.0014672. b) Nulidades. O Auto de infração atende a todos os requisitos legais, não havendo qualquer nulidade prevista no rol exaustivo do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. Além disso, não há nulidade na forma de apuração da base de incidência do IRPF visto que o ganho isento não altera a forma de apuração da base de incidência do IRPF, ou seja, não modifica o custo de aquisição cuja forma de apuração foi definida pelo art. 16 da Instrução Normativa nº 84/2001 e artigo 130 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Em outras palavras, o custo de aquisição não se altera com o benefício da isenção. Ao determinar que não incidiria o imposto nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação, o DecretoLei nº 1.510/1976 não afastou a existência de lucro/ganho de capital na operação, apenas considerou isento de tributação. Por fim, o depósito do montante integral não impede o lançamento (CTN, art. 142) e não estamos diante de uma situação em que o depósito tenha sido efetuado em montante integral, pois como o próprio contribuinte reconhece em sua impugnação existe uma diferença no montante de R$ 158.331,91, entre o valor apurado como devido pelo fisco e o depositado judicialmente pelo contribuinte. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 621 7 c) Jurisprudência. As decisões administrativas e judiciais trazidas pelo impugnante têm efeitos meramente ilustrativos para terceiros estranhos às suas partes, não estando relacionadas no art 100 do CTN. d) Objeto da Ação Judicial. Na ação judicial impetrada ( petição inicial fls. 91 e seguintes), o autuado pleiteou que as ações adquiridas ou subscritas por ele em período anterior a entrada em vigor da Lei nº 7.713/1988, que tivessem permanecido no seu patrimônio por um período de cinco anos, ou seja, as que em 31/12/1988 já estivessem há cinco anos ou mais no seu patrimônio, teriam adquirido o direito à isenção do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital na alienação das ações. O Superior Tribunal de Justiça reconheceu seu direito à isenção do IRPF incidente sobre o ganho de capital apurado na alienação das participações societárias adquiridas no período anterior a 31 de dezembro de 1983 (fls.384/419). Deve ser cancelado o lançamento do ganho de capital apurado sobre as ações alienadas que já se encontravam a mais de cinco anos no patrimônio da contribuinte, quando houve a revogação da norma isentiva, ou seja, 31 de dezembro de 1988. Contudo, as bonificações e participações societárias adquiridas a partir de 01/01/1984 não estão albergadas pela ação judicial, visto que essa só se aplica às aquisições efetivadas até 31/12/1983, posto que a norma foi revogada pela Lei nº 7.713/88 e as aquisições posteriores não cumpriram os requisitos dos cincos anos exigidos para isenção pela norma revogada. e) Bonificações decorrentes da incorporação de reservas e lucros. A fiscalização considerou as bonificações posteriores a 31/12/1983 como ações novas, descrevendo de forma detalhada no item 4 do Relatório Fiscal (efls. 190/205) os critérios e o embasamento legal que utilizou para calcular o ganho de capital, definindo o custo de aquisição das participações societárias por período, demonstrando que agiu rigorosamente dentro da previsão legal. Os argumentos do contribuinte já foram desqualificados Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN quando dispensou os procuradores de recorrer das decisões judiciais favoráveis aos contribuintes referente ao ganho de capital na alienação de participações societárias possuídas pelo contribuinte a cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei nº 7.713/88 com base no Art. 2º, incisos V, VII e §§ 3º e 8º da Portaria PGFN nº 502/2016. Observese que tal fato foi reconhecido em ação judicial impetrada por sócio do contribuinte (MS nº 2007.71.02.0014684/RS), como segue: “Neste contexto, a importância a ser devolvida deverá cingirse apenas ao imposto incidente sobre o lucro auferido decorrente de alienações de participação societária, não compreendendo neste conceito a distribuição de bonificações sob forma de novas ações.” f) Alegação de inexistência de acréscimo patrimonial. Defende o impugnante que as ações recebidas em bonificação são gratuitas e que, ao contrário do aumento por subscrição particular, o aumento do capital previsto no artigo 169 da Lei nº 6.404/76, decorre de mera troca entre contas do balanço patrimonial, não havendo qualquer desembolso por parte do acionista ou ingresso de valores (bens) na empresa. Disto, conclui que não há aumento Fl. 621DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 622 8 do patrimônio individual do acionista ou da empresa. Contudo, a bonificação aumenta o capital individual porque decorre de um aumento do capital social por incorporação do resultado da empresa, decorrente do lucro ou de outras reservas do patrimônio líquido. A fiscalização identifica nas efolhas 195 e 196, através do livro de registro de ações nominativas da Empresa Mercúrio que não havia diluição do valor patrimonial a cada bonificação distribuída, mas que o valor nominal da ação permanecia inalterado e, portanto, aumentando o patrimônio pessoal dos acionistas pelo aumento na quantidade de ações distribuídas. Explica a fiscalização que não se está diante de um desdobramento ou grupamento de ações que não alteram o patrimônio do contribuinte, diferentemente da bonificação decorrente da incorporação de reservas ao capital social, visto que neste caso não há alteração do valor nominal da ação, mas o aumento do capital social distribuído por meio de bonificações recebidas pelos sócios em ações. O contribuinte confunde os conceitos de desdobramento ou agrupamento de ações com bonificação. As bonificações dependem da incorporação das reservas e/ou lucros acumulados ao capital social o que foi demonstrado pela fiscalização no Relatório de Fiscalização. A premissa do contribuinte de que as ações distribuídas a titulo de bonificação não representam aumento do capital social não pode ser aceita visto que a incorporação das reservas aumenta o capital social da empresa. Tal aumento é repassado aos acionistas através da distribuição de ações sob forma de bonificação no montante das reservas ou lucros e na proporção acionária de cada um, não alterando a participação dos sócios na sociedade, mas aumentando o patrimônio individual de cada um. g) Da forma de apuração do ganho de capital. Verificou a Fiscalização pela análise da planilha de apuração do ganho de capital elaborada pelo contribuinte que a regra utilizada para considerar a distribuição/rateio das bonificações no saldo de ações adquiridas até 1983 e a partir de 1984 é idêntica ao preconizado pelo art. 5º do decretolei nº 1.510/1976, bem como pelo art. 5º da Portaria Ministerial MF nº 454, de 25/08/1977, e pelo Parecer Normativo CST nº 68, de 23/09/1977. Tal pressuposto não pode prevalecer visto que tanto a Portaria quanto o Parecer Normativo são atos interpretativos e aplicados na vigência do DecretoLei nº 1.510/76, revogados pela Lei nº 7.713/88. Para apuração do custo de aquisição deve ser aplicado o disposto nas normas vigentes na data de alienação (09/01/2007): IN SRF nº 84/2001 e RIR/1999. Assim, a fiscalização definiu dois períodos de apuração e utilizou a Instrução Normativa nº 84/2001 e o RIR/1999 para apurar os valores lançados a partir de 01/01/1984. Tais valores correspondem ao ganho de capital de R$ 78.677.186,14 e ao IRPF (15%) de R$ 11.801.577,92 dos quais foi recolhido o valor de R$ 3.295.268,52 e, portanto, devido o imposto de R$ 8.506.309,40 g1) O contribuinte diverge dos cálculos, alegando que houve um equivoco por parte da fiscalização que considerou as bonificações como ações novas quando, segundo o impugnante, devem receber o mesmo tratamento das ações adquiridas até 31/12/1983 por ter origem naquelas. Disto, conclui que as bonificações, mesmos que posteriores a 31/12/1983, estão isentas do Fl. 622DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 623 9 IRPF e que as mesmas não representam aumento do patrimônio dos sócios ou da sociedade mas mera troca de contas no balanço patrimonial da empresa. Sustenta que para ocorrer aumento do capital é necessário desembolso por parte do acionista e o ingresso de bens ou valores na empresa, fato que não ocorre nas bonificações através de ações que são recebidas pelos acionistas gratuitamente. Assim, o autuado atribuiu maior percentual do ganho de capital às ações adquiridas até 31/12/1983 visto que considerou que as bonificações, mesmo que distribuídas após esta data, estariam isentas por terem origem naquelas que estavam sob o manto da isenção. O notificado utilizou a proporção das ações existentes antes de 31/12/1983 para definir a proporção das bonificações isentas de tributação no ganho de capital alegando estar amparado pelo Art. 169 da Lei nº 6.404/76 e que as mesmas não representam aumento patrimonial do titular das ações. g2) De fato, o artigo 5º do Decretolei nº 1.510/1976 trazia regramento para apuração do ganho de capital, especialmente sobre o rateio das bonificações, tanto que remetia ao artigo 1º, também revogado pela Lei nº 7.713/1988. Já a Portaria MF nº 454/1977 e o Parecer Normativo CST nº 68/1977, atos normativos de caráter interpretativo, tinham o propósito de esclarecer o tratamento a ser dado às bonificações recebidas e a forma de cômputo das mesmas na apuração do ganho de capital, especialmente em relação ao artigo 5º do Decretolei nº 1.510/1976. Este artigo definia que para efeitos da tributação do artigo 1º do mesmo Decretolei, as bonificações são adquiridas a custo zero nas datas das subscrições ou aquisições a que correspondem e válidos enquanto não revogados pela Lei nº 7.713/1988. Portanto, desde 01 de janeiro de 1989 o tratamento tributário a ser considerado em relação às bonificações está regrado pelos §§ 3º e 4º do artigo 16 da Lei nº 7.713/1988, bem como pelo o parágrafo único do artigo 10 da Lei nº 9.249/1995. Logo, não há razão legal para ratear as bonificações adquiridas posterior a 31/12/1983 na forma estabelecida pelo Decretolei nº 1.510/1976 visto que no regramento tributário atual as bonificações/quotas distribuídas pela empresa mediante incorporação de lucros ou reservas são consideradas ações novas cujo custo de aquisição é dado em função da origem das reservas que resultou na distribuição das ações a titulo de bonificação. Além disso, o reconhecimento do direito adquirido a isenção na alienação de participação societária, somente alcança as ações ou quotas, adquiridas por qualquer modo ou bonificações, até 31/12/1983. h) Multa e Juros de Mora. O crédito tributário decorrente da omissão de ganhos de capital na alienação de ações não negociadas em bolsa somente foi lançado após o falecimento do contribuinte (25/09/2010), sendo imputada a multa de mora prevista no art. 964, I, "b" do RIR/1999, no percentual de 10% e não de 75%. O depósito judicial foi efetivado nos autos da ação judicial em que se discutiu o direito à isenção sobre o ganho de capital apurado sobre a alienação de ações que já compusessem o seu patrimônio a cinco anos ou mais na data da entrada em vigor da Lei nº 7.713/1988, que revogou referida isenção. Portanto, o depósito referese apenas ao ganho de capital apurado sobre a alienação dessas ações, ou seja, Fl. 623DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 624 10 R$ 110.773,56, conforme apontado pela fiscalização. O restante do auto de infração referese ao ganho de capital apurado na alienação de ações que foram adicionadas ao patrimônio do contribuinte a partir de 01/01/1984, portanto não albergadas pela isenção pleiteada. É pacífico na jurisprudência que cabe ao fisco estabelecer o quantum que torna o depósito integral. Assim, para que o depósito seja considerado integral, ele deve espelhar o montante que o Fisco entende ser o valor devido e não o foi no caso concreto. Portanto, não há que se falar em exclusão da multa e dos juros de mora aplicados no lançamento. i) Procedência Parcial da impugnação. Destarte, rejeitandose as preliminares de nulidade, por incabíveis, no mérito, julgase procedente em parte a impugnação, cancelando o Imposto de Renda Pessoa Física sobre o ganho de capital no valor de R$ 110.773,56 e acréscimo correspondentes, referente às ações e bonificações adquiridas até 31/12/1983, devido ao transito em julgado do mandado de segurança nº 2007.71.0202.001467 2/RS que reconheceu a isenção do imposto sobre tais participações e mantendo o imposto de R$ 8.395.535,84 acrescido de multa de mora e juros de mora referente ao ganho de capital na alienação da participação societária do contribuinte decorrente das ações adquiridas sob qualquer forma, inclusive a título de bonificação, a partir de 01/01/1984. Intimado em 25/05/2017 (fls. 551), o contribuinte interpôs em 16/06/2015 (fls. 555) recurso voluntário (fls. 555/600), em síntese, alegando: a) Preliminar de Nulidade da totalidade do lançamento fiscal pela inclusão das ações albergadas pela isenção. O Acórdão parte da premissa de a apuração do ganho de capital ter suporte normativo na legislação vigente na ocorrência do fato gerador, data de alienação, tendo se limitado a repetir a fundamentação constante do relatório da fiscalização, a respaldar o critério da média ponderada adotado na elaboração da planilha de custo de aquisição. Mas, a fiscalização não considerou o direito adquirido à isenção sobre as ações adquiridas até 31 de dezembro de 1983 reconhecido pelo STJ ao recorrente no Mandado de Segurança n° 2007.71.02.0014672. Logo, não pode subsistir a média ponderada unitária, pois as ações abrangidas pela isenção não podem compor o cálculo do custo médio, sob pena de desvirtuamento do próprio ganho de capital e consequente imposto de renda exigido. Nesse contexto, deve ser aplicado o Parecer Normativo CST n° 68, de 1977, o qual reconhece que as ações e suas respectivas bonificações, cujo ganho de capital seja isento, não serão computadas na apuração daquelas ações e suas correspondentes bonificações no cálculo do ganho de capital tributável. O Acórdão não adotou essa solução computando ações/bonificações que cumpriram a condição para isenção na apuração do ganho de capital daquela parcela de participação societária tributável. Não basta excluir a parcela devida a título de IRPF relativo ao ganho sobre as ações adquiridas até 31/12/1983, eis que a nulidade decorre da incorreta apuração do custo médio ponderado com inclusão de ações alcançadas pela isenção. A inclusão de ações isentas no custo médio altera indevidamente a média e compromete o ganho apurado, não sendo possível apenas a declaração de nulidade parcial por estar equivoca a premissa de Fl. 624DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 625 11 cálculo adotada, conforme jurisprudência de caso muito semelhante (Apelação Cível n° 2001.04.01.0804448/RS). b) Tratamento conferido as bonificações. Fiscalização e DRJ levantam argumentos dissociados das premissas básicas do direito societário e tributário, em evidente afronta ao art. 110 do CTN. O conceito de bonificação adotado pela fiscalização foi retirado de página da Bovespa e merece total reprovação, sendo para iniciantes. Para se saber se a ação bonificada pode ser considerada como ação nova, há que se verificar se houve ingresso de recursos do acionista para o recebimento da mesma e, em face do art. 169 da Lei n° 6.404, de 1976, as ações decorrentes da capitalização de lucros ou reservas são meras extensões das já possuídas, em nada alterando o patrimônio do acionista ou da empresa, sendo recebidas gratuitamente, sem qualquer desembolso do acionista ou ingresso de bens ou valores na empresa, a significar mera troca entre contas do balanço patrimonial. Logo, há simples remanejamento contábil e não subscrição de nova ação, não havendo diferença entre a emissão de uma nova ação ou aumento do valor nominal de já possuída, como autoriza o art. 169 da Lei n° 6.404, de 1976. A nova quantidade de ações pelo recebimento das bonificações representa a mesma participação percentual sobre o mesmo patrimônio que detinha antes da operação. Como a reserva encontrase dentro do patrimônio líquido da sociedade, por si só, já faz parte do patrimônio do acionista. A distribuição das ações em bonificação não altera o patrimônio do acionista, na medida em que as ações em bonificação não são adquiridas por subscrição e, dessa forma, não representam ingresso de capital na companhia. Se não houvesse a bonificação, mas liquidação da sociedade, o acionista participaria da reserva de lucros ou de outras de acordo com o percentual correspondente de suas ações. Fiscalização e acórdão se omitem em reconhecer que o aumento do capital social pode ocorrer sem distribuição de ações em bonificação, o que é suficiente para cancelar integralmente o auto de infração. O aumento do patrimônio líquido, ocorrido em um exercício anterior apenas fez com que a participação societária do acionista alcançasse um valor patrimonial maior naquele momento, pois como visto, independente da deliberação acerca do destino a ser dado à conta de reserva, as ações do acionista se valorizaram em função dos bons resultados havidos na companhia. Tal valorização posteriormente transformada em uma distribuição de ações em bonificação em nada altera o valor patrimonial das ações préexistentes, ou seja, o patrimônio é o mesmo, porém, dividido por um número maior de ações, em sendo distribuídas ações em face desta capitalização. Portanto, o remanejamento contábil não importa uma transferência de lucros para o acionista, mas sim uma transferência de lucros para conta capital, em que o acionista mantém a mesma participação, em que pese, no caso das ações bonificadas, representada por um número maior de ações, com o mesmo valor patrimonial. Além disso, as ações bonificadas são meras extensões das preexistentes, uma simples expansão nominal das ações originárias. Não são frutos ou rendas, mas acréscimo ou desdobramento do seu valor, a ele aderindo e formando uma só unidade, ou seja, são produto. Por fim, no Fl. 625DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 626 12 caso de ações sem valor nominal pode haver aumento de capital, sem modificação do número de ações e sem modificação do seu valor nominal. c) Da forma de rateio das ações bonificadas. Segundo a fiscalização a legislação advinda da Lei n° 7.713, de 1988, e também na Lei n° 9,245, de 1995, não há qualquer comando para se distribuir/ratear as bonificações de acordo com as datas das aquisições ou subscrições a que se referem, diferentemente do tratamento do revogado Decretolei n° 1.510, de 1976. Assim, para a fiscalização, no atual regime, as bonificações seriam consideradas novas ações, distribuídas mediante incorporação de lucros ou reservas, cujo custo de aquisição deve ser considerado em função da origem da reserva que resultou na distribuição destas ações ou nos lucros acumulados. Contudo, a natureza das bonificações é única, não podendo ser alterada pela lei tributária. O fato de não haver mais norma específica não significa que as bonificações devam ser tratadas como se fossem novas ações subscritas. Não prospera a alegação de que o rateio empreendido pelo recorrente se pautou em normas revogadas, eis que tal afirmativa desconsidera a decisão judicial que reconheceu, de modo definitivo, a isenção do art. 4°, d, do Decretolei n° 1.510, de 1976. Logo, se o Judiciário reconheceu o direito à isenção do art. 4°, d, do Decretolei n° 1.510, de 1976, a apuração do benefício deve ser implementada com base nas normas deles decorrentes (Portaria Ministerial MF nº 454, de 25/08/1977, e pelo Parecer Normativo CST nº 68, de 23/09/1977), sendo inaplicável qualquer regra posterior. Nesse particular, não há dúvida da aplicação do art. 5° do Decretolei n° 1.510, de 1.976, in verbis: Art 5o Para os efeitos da tributação prevista no artigo 1o deste Decreto lei, presumese que as alienações se referem às participações subscritas ou adquiridas mais recentemente e que as bonificações são adquiridas, a custo zero, às datas de subscrição ou aquisição das participações a que corresponderem. c1) Impõese, portanto, em compreender e interpretar a norma de isenção de acordo com a natureza da ação recebida, não havendo como se exigir o cumprimento da condição de permanecer com a ação cinco anos, eis que as ações recebidas em bonificação são extensão das já existentes, correspondendo ao mesmo patrimônio apenas alterado em valor (Lei n° 6404, de 1976, art. 169). Não há como se adquirir o que já se adquiriu, na medida em que aumentar ou número de ações ou o seu valor não altera a participação e o patrimônio do acionista. Por isso, o art. 4°, d, do Decreto lei n° 1.510, de 1976, empregou o termo participação (= aquisição de ações), sendo que recebimento de bonificações não se confunde com subscrição ou aquisição, posto que nenhuma participação seria acrescida à já existente. E mesmo que se entenda inaplicável o art. 5° do Decretolei n° 1.510, de 1976, a incorporação de reservas não configura alteração do patrimônio preexistente, em face do art. 169 da Lei n° 6.404, de 1976, a exigir o rateio das novas ações de acordo com as que lhes deram origem por serem mero produto das já existentes. Logo, o auto de infração deve ser cancelado, eis que toda sua apuração encontrase equivocada por considerar as bonificações como se novas ações fossem. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 627 13 d) Impossibilidade de aplicação de multa e juros de mora sobre o valor do depósito judicial. Segundo a fiscalização, o montante depositado judicialmente não foi integral, havendo diferença a menor de R$ 158.331,91, a autorizar a aplicação da multa de mora no percentual de 10% (Decretolei n° 5.844, de 1943, art. 49). Diante da jurisprudência administrativa, mesmo o depósito parcial suspende a exigibilidade do crédito e afasta a multa de ofício na exata proporção dos depósitos efetuados. Além disso a importância depositada encontrase disponível ao uso pela Fazenda Nacional (Lei n° 9.703, de 1998, art. 1°). Os valores foram depositados no prazo para pagamento do imposto e antes do auto de infração, não havendo mora e nem sendo o caso da incidência de juros. O exercício regular do direito de ação não pode ser penalizado, devendo o art. 49 do Decretolei n° 5.8454, de 1973 ser aplicado apenas à parcela não depositada. e) Pede o conhecimento do recurso e a reforma do Acórdão, a fim de acolher a preliminar de nulidade e, no mérito, o cancelamento do Auto de Infração ou o afastamento da multa e juros de mora sobre os valores depositados judicialmente. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Delimitação. Nos termos do Acórdão n° 2401004.518, de 21 de setembro de 2016 (fls. 508/514), o presente colegiado, por unanimidade de votos, reconheceu a existência de concomitância parcial entre o Mandado de Segurança n° 2007.71.0202.0014672/RS e o presente processo administrativo, anulando o Acórdão DRJ/POA n° 1037.022 (fls. 317/319). Do voto do Conselheiro Relator, Cleberson Alex Friess, extraise: Concomitância entre processos administrativo e judicial 9. Ao analisar os autos, verifico que a decisão de piso precipitouse ao reconhecer a concomitância integral entre processo administrativo e processo judicial, concluindo equivocadamente pela existência de renúncia à instância administrativa por parte da impugnante devido à interposição do Mandado de Segurança n° 2007.71.02.0014672. no qual se discutia a tributação sobre as participações societárias. 10. Com efeito, extraise de forma clara no relatório fiscal que a discussão neste processo administrativo vai além da discussão judicial, conforme se constata nos excertos abaixo colados (fls. 183/183 e 214): (...) Fl. 627DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 628 14 Em função do ganho de capital auferido na operação, o sujeito passivo e outros acionistas impetraram Mandado de Segurança sob o n° 2007.71.0202.0014672/RS (em anexo) junto à 2' Vara da Justiça Federal cm Santa Maria visando o reconhecimento da isenção de Imposto de Renda sobre o ganho de capital ocorrido na alienação de ações da empresa Expresso Mercúrio S.A., pleiteando o benefício para as ações adquiridas, por qualquer forma, até 31/12/1983. (...) Conforme constatação, não foi objeto do MS a discussão sobre as bonificações em ações recebidas (em forma de novas ações distribuídas pela empresa) após 31/12/1983 estarem também ao abrigo da isenção prevista no artigo 4o do Decretolei n° 1.510/76, visto que estas constituem boa parte das ações pertencentes ao sujeito passivo, fato que alterará profundamente o resultado do ganho de capital apurado pelo sujeito passivo, conforme será demonstrado mais adiante. (...) Considerando que o sujeito passivo impetrou Mandado de Segurança junto à Justiça Federal visando o reconhecimento da isenção de Imposto de Renda sobre o ganho de capital ocorrido na alienação de ações da empresa Expresso Mercúrio S.A., pleiteando o benefício para as ações adquiridas, por qualquer forma, até 31/12/1983, considerando que atualmente encontrase pendente de julgamento no STJ o agravo em recurso especial, c considerando, ainda, que pode transitar em julgado a ação concedendo a segurança requerida pelo sujeito passivo, será apresentado o cálculo da apuração do ganho de capital na alienação das ações de forma separada, até 31/12/1983 e a partir de 01/01/1984, ressaltandose que apenas com o intuito de separar os ganhos de capital ocorridos nos dois períodos para facilitar o entendimento caso o sujeito passivo obtenha êxito na referida ação judicial. Com isso, ficaria demonstrada a parcela do ganho de capital auferida com a alienação da participação societária adquirida até 1983, que, porventura, seja declarada, pelo Poder Judiciário, isenta em função do possível reconhecimento do direito adquirido. (...) 11. O debate a respeito da incidência da tributação sobre o ganho de capital auferido com a alienação de participações societárias adquiridas a partir do ano de 1984, segundo consta no relatório fiscal, não foi submetido ao crivo do Poder Judiciário. De igual maneira, a discussão judicial não comporta a forma de cálculo da apuração do ganho de capital, que envolve a avaliação das ações decorrentes de bonificações adquiridas pela incorporação de reservas do capital social. 12. A ausência de perfeita identidade de objetos entre os processos administrativo e judicial, no que se refere a causa de pedir e ao pedido, é confirmada mediante o confronto do lançamento fiscal com as cópias das peças do processo judicial colacionadas aos autos, tais como inicial e acórdãos (fls. 91/98 e 286/303). 13. De modo tal que as matérias não submetidas a apreciação do Judiciário deveriam ter sido conhecidas pela instância julgadora "a quo", visto que o processo administrativo fiscal terá seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida Fl. 628DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 629 15 judicialmente, na hipótese que contenha objeto mais abrangente do que o judicial. 14. A omissão do julgador na apreciação das matérias deduzidas pelo sujeito passivo, diversas daquelas levadas ao Poder Judiciário, configura negativa de prestação jurisdicional, o que sugere a necessidade do retomo dos autos para a instância "a quo" se pronunciar quanto às questões preliminares e de mérito correspondentes. 15. Por outro lado, quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveita a declaração de nulidade do ato administrativo, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato (art. 59, § 3o, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. 16. Entretanto, ainda que em avaliação não exauriente, a questão de fundo não sinaliza para uma decisão integralmente favorável à recorrente. Logo, um pronunciamento no atual estágio processual dos autos implicaria afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição, o qual orienta o processo administrativo fiscal. 17. Exposto assim, é mister anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, para que outra seja proferida, apreciando, dessa vez, as matérias não submetidas ao Poder Judiciário. Portanto, como já decidido pelo presente colegiado, o debate a respeito da incidência da tributação sobre o ganho de capital auferido com a alienação de participações societárias adquiridas a partir do ano de 1984 não foi submetido ao crivo do Poder Judiciário, não tendo havido discussão judicial acerca da forma de cálculo da apuração do ganho de capital, que envolve a avaliação das ações decorrentes de bonificações adquiridas pela incorporação de reservas do capital social. A seguir, passo a analisar as matérias não objeto do Mandado de Segurança n° 2007.71.0202.0014672/RS. Nulidade. Segundo o recorrente, ao adotar a média ponderada na apuração do custo de aquisição, conforme legislação vigente ao tempo do fato gerador, e não a sistemática do Parecer Normativo n° 69, de 1977, a fiscalização acabou por incluir ações alcançadas pela isenção no cálculo do custo médio, a desconsiderar o direito adquirido à isenção reconhecido no Mandado de Segurança n° 2007.71.0202.0014672/RS. Não bastaria a simples declaração de nulidade parcial, eis que não bastaria a simples exclusão do IRPF relativo ao ganho sobre as ações adquiridas até 31/12/1983. Invocando jurisprudência não vinculante, postula a integral nulidade do lançamento. No caso concreto, como bem destacou o Acórdão de piso, a forma de cálculo do custo demanda a adoção da média ponderada mesmo com o reconhecimento do benefício da isenção, eis que o DecretoLei nº 1.510, de 1976, ao determinar que não incidiria o imposto nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação, não afastou a existência de lucro/ganho de capital na operação, o considerando isento de tributação. Não se pode presumir que "as alienações se referem às participações subscritas ou adquiridas mais recentemente" (presunção veiculada no art. 5° do DecretoLei nº 1.510, de 1976 = regra UEPS e não a da média ponderada) em razão de a Fl. 629DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 630 16 alienação, no caso concreto, ter ocorrido em 2007 sob a égide da lei nova (último dia de vigência do referido art. 5° foi 31/12/1988), a ensejar a adoção para a alienação efetivada em 2007 da média ponderada (Lei n° 7.713, de 1988, art. 16, § 2°) e não da regra de que a última participação adquirida deva ser a primeira a ser tida como alienada (CTN, art. 144). Notese que o art. 5° do DecretoLei nº 1.510, de 1976, determinava a presunção de custo zero para as bonificações e a fiscalização considerou o custo zero, ainda que invocando o art. 130, § 2°, do RIR/99. No lançamento foram incluídas as ações com isenção, contudo a própria fiscalização apresentou cálculo considerando a hipótese de sucesso no Mandado de Segurança n° 2007.71.0202.0014672/RS, tendo o Acórdão de piso cancelado parte do lançamento justamente para assegurar a observância da decisão judicial transitada em julgado. Não havendo nulidade a ser declarada, afastase a preliminar. Tratamento conferido às bonificações e forma de rateio. Para o recorrente, mesmo com a revogação do Decretolei n° 1.510, de 1976, o direito tributário (CTN, art. 110) deve observar a natureza jurídica da bonificação enquanto mera extensão das ações já possuídas (Lei n° 6.404, de 1976, art. 169) e que em nada modifica o patrimônio do acionista ou da empresa (mera troca entre contas do balanço patrimonial; mera expansão nominal das ações originárias; sem ingresso de recursos do acionista; manutenção da participação percentual; patrimônio é sempre o mesmo, ainda que valorizado pelos bons resultados; mero desdobramento do valor). Além disso, por serem meras extensões, não seria exigível a permanência por cinco anos, sendo que por isso o Decretolei teria empregado o termo participações. Acrescenta ainda que a ausência na nova legislação da norma expressa anteriormente veiculada no art. 5° do Decretolei n° 1.510, de 1976, não afastaria a incidência da Portaria MF nº 454, de 1977, e do Parecer Normativo CST nº 68, de 1977, possibilitando a distribuição/rateio das bonificações a considerar as datas das aquisições ou subscrições, ainda mais quando reconhecido judicialmente o direito adquirido do art. 4°, d, do Decretolei n° 1.510, de 1976. Logo, a autuação deveria ser cancelada, pois todo o lançamento estaria equivocado ao considerar bonificações como se ações novas fossem. Diante do Ato Declaratório PGFN n° 12, de 2018, prevalece o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n° 7.713, de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983, incluindose no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros. Como bem destacou o Acórdão de piso, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN ao dispensar os procuradores de recorrer quando dispensou os procuradores de recorrer das decisões judiciais favoráveis aos contribuintes referente ao ganho de capital na alienação de participações societárias possuídas pelo contribuinte a cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei nº 7.713/88, com base nos art. 2º, incisos V, VII e §§ 3º e 8º da Portaria PGFN nº 502/2016, explicitou: u) Alienação de participação societária Decretolei 1.510/76 Isenção Direito adquirido Fl. 630DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 631 17 Precedentes: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1164768/RS, AgRg no REsp 1141828/RS e AgRg no REsp 1231645/RS. Resumo: A Primeira Seção do STJ fixou entendimento no sentido de que o contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em rigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária. OBSERVAÇÃO 1: O entendimento acima explicitado não se aplica às ações bonificadas adquiridas após 31.12.1983, ante à impossibilidade lógica de implementação do lapso temporal de 05 (cinco) anos sem alienação até a revogação da isenção prevista no DecretoLei n° 1.510/76, indispensável à formação do direito, tratandose, nesse passo, de mera expectativa de direito, com relação á qual se aplica a norma do art. 178 do CTN e não a garantia constitucional do direito adquirido. Ainda que as bonificações decorram das ações originais, não é correto afirmar que delas fazem parte, não passando de meras atualizações ou modificações integrativas das ações antigas. Na verdade, elas representam efetivo acréscimo patrimonial, não se comunicando a isenção tributária relativa ao imposto de renda quando da alienação, caso a aquisição tenha ocorrido após 31.12.1983. Precedente: ApelREEX 2007.71.03.0025230, Segunda Turma, Relator Otavio Roberto Pamplona, D.E. 12/01/2011, TRF da 4a Região. OBSERVAÇÃO 2: A isenção é condicionada a certos requisitos, cuja observância é imprescindível: (i) presença da documentação comprobatória de titularidade das ações aqui merece especial atenção o fato de que podem haver operações societárias que tenham repercussão no período de cinco anos necessário para a aquisição do direito, como, por exemplo, a cisão de determinada sociedade em que as ações antigas foram utilizadas para integralização do patrimônio da sociedade nova, com a conseqüente extinção das ações antigas; (ii) aquisição comprovada das ações até o dia 31/12/1983; (iii) alcance do prazo de 5 anos na titularidade das ações ainda na vigência do DL 1.510/76, portanto, antes da revogação pela Lei 7.713/88. Adoto, como razão de decidir, o entendimento acima transcrito. Acrescente se ainda que toda a argumentação do recorrente centrase na consideração de que, como o lucro ou a reserva encontramse dentro do patrimônio líquido da sociedade, eles já integrariam o patrimônio do sócio/acionista. Logo, argumenta que a bonificação não alteraria o patrimônio do sócio/acionista, havendo mera reclassificação contábil, ou seja, mera expansão nominal das ações originárias com desdobramento do valor, sem ingresso de recursos do acionista e com manutenção da participação percentual, sendo o patrimônio sempre o mesmo, ainda que valorizado pelos bons resultados. Os lucros ou a reserva de lucros, contudo, não integram o patrimônio jurídico do sócio/acionista, estando na esfera patrimonial da pessoa jurídica enquanto não houver deliberação social pela distribuição de lucros/reservas ou pelo aumento de capital. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 632 18 Da mesma forma, os prejuízos ou prejuízos acumulados enquanto tal dizem respeito à esfera patrimonial da sociedade, não podendo o sócio/acionista sem a devida deliberação social considerar que ações/quotas integrantes do seu patrimônio tenham seu valor nominal reduzido ou mesmo que parte das ações/quotas estejam canceladas pelo simples fato de a sociedade ter incorrido em perdas irreparáveis. Destarte, a incorporação ao capital social dos lucros e/ou reservas de lucros, com ou sem emissão de novas quotas/ações, implica para o sócio/acionista em acréscimo patrimonial aplicado na aquisição das novas quotas/ações ou no aumento do valor nominal de quotas/ações já possuídas ou em aumento do valor investido em companhia com ações sem valor nominal e sem aumento do número de ações, a abranger as três hipóteses do art. 169 da Lei n° 6.404, de 1976. Há efetiva transferência do patrimônio da empresa para o patrimônio pessoal do quotista/acionista quando ações/quotas são subscritas por incorporação de reservas de lucros ou lucros ao capital social, uma vez que a subscrição poderia ser realizada pelo próprio quotista/acionista e, entretanto, é empreendida com recursos gerados pela própria empresa, a resultar no aumento do patrimônio pessoal do sócio acionista com riqueza nova advinda da sociedade. O fato de a participação societária permanecer percentualmente inalterada é irrelevante para a caracterização do acréscimo patrimonial, eis que há riqueza nova incorporada ao patrimônio pessoal do sócio/acionista advinda dos resultados da sociedade alcançados em períodos anteriores, a representar a bonificação ao mesmo tempo uma renda do capital e um novo investimento, não se sustentando a alegação de ofensa ao art. 110 do CTN. As quotas/ações originais, antes da realização da bonificação (que pode ser inclusive em dinheiro) são tão somente base de cálculo do número de ações bonificadas a que fará jus o quotista/acionista beneficiário. Destarte, ainda que as bonificações decorram das quotas/ações originais, não é correto afirmar que delas fazem parte ou que seriam meras atualizações ou modificações integrativas das ações antigas. Sendo as bonificações quotas/ações novas, ou seja, um efetivo acréscimo patrimonial, não há que se falar em distribuição/rateio das bonificações de acordo com as datas das aquisições ou subscrições, ainda mais ante a impossibilidade de se observar o prazo de 5 anos. Além disso, com o advento do art. 16, §§ 3° e 4° da Lei n° 7.713, de 1988, cessa na esfera tributária a interpretação (Portaria MF nº 454, de 1977, e do Parecer Normativo CST nº 68, de 1977) de as bonificações terem caráter acessório, adotada sob a égide do art. 5° do DecretoLei n° 1.510, de 1976 (CTN, art. 109). A rigor, o art. 5° do Decretolei n° 1.510, de 1976, tratava da apuração do custo de aquisição e não da configuração da isenção. Esse, contudo, não tem sido o entendimento do STJ (REsp 1.443.516/RS e AgInt nos EDcl no REsp 1.449.496/RS). Logo, ainda que se considere que o disposto no art. 5º do DecretoLei 1.510, de 1976, só pode ser adotado como fundamento para isentar do Imposto de Renda o ganho de capital relativo às bonificações representativas do aumento de capital social por incorporação de lucros e reservas enquanto tal ato normativo encontravase vigente; o recorrente, no caso concreto, não comprovou haver ofensa ao direito adquirido pela tributação de ganho de capital por bonificação resultante de lucros ou reservas de lucros ocorrida até 31/12/1988, último dia de Fl. 632DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 633 19 vigência do DecretoLei 1.510, de 1976. Isso porque, tanto a planilha do recorrente como a da fiscalização discriminam reservas diversas e não reservas de lucros. Na tabela da fiscalização (fls. 212 e 219/220), a primeira bonificação a partir de lucros ou reserva de lucros se dá em 05/05/1990 e na tabela do recorrente (fls. 18/374) em 05/04/1997. Logo, o recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar o fato impeditivo (isenção) do lançamento (Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, II; e Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II). Pelos motivos expostos, não prosperam todas as alegações do recorrente acerca do tratamento conferido às bonificações e acerca da forma de rateio das ações bonificadas. Multa e juros. O depósito judicial não foi no montante integral, logo cabível o lançamento com incidência da multa de 10% e dos juros de mora. Não se trata de penalizar o exercício do direito de ação, mas de se aplicar a legislação de regência para a qual é irrelevante que o depositado esteve à disposição da Fazenda Nacional. A jurisprudência administrativa ampara o presente entendimento, conforme revela a seguinte decisão: Acórdão nº 3301004.485, de 22/03/2018 (...) MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. INCIDÊNCIA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não se dá com o depósito do seu montante parcial. Se a tal exigibilidade não restou suspensa, ao tempo do vencimento dos créditos tributário em pauta, incide multa de ofício. JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. INCIDÊNCIA. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Marcelo Costa Marques D'Oliveira e Semíramis de Oliveira Duro. Designado para redação do voto vencedor, o Conselheiro Antonio Carlos Cavalcanti Filho. (...)Voto Vencedor Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho: Com a devido vênia, divirjo do excelente voto da Relatora nos pontos e pelas razões expostas a seguir. O art. 151, II, do CTN determina a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em havendo "o depósito do seu montante integral", o que não ocorreu. Se tal exigibilidade Fl. 633DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 634 20 não restou suspensa, ao tempo do vencimento dos créditos tributário em pauta, incide a multa de ofício prevista no art. 44,1, da Lei n° 9.430/1996. O art. 161 do mesmo CTN assevera que "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta". Também o art. 61, caput e § 3o, da Lei n° 9.430/1996 determina a incidência dos juros de mora quando houver débitos de tributos ou contribuições administrados pela RFB não pagos no prazo da legislação. A Súmula CARF n° 5 determina a incidência dos juros moratórios "sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral", sendo que, no caso, este foi parcial. Assim, não tendo sido integrais os depósitos, subsistem integralmente o multa de ofício e os juros de mora aplicados. Portanto, nesses pontos, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Isso posto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para discordar da sua conclusão sobre a incidência de multa sobre os valores depositados em juízo, assim como dos fundamentos para a manutenção dos juros de mora. Em síntese, por intermédio da ação de segurança sob o n° 2007.71.0202.0014672/RS, a contribuinte postulou a isenção do art. 4o do Decretolei n° 1.510, de 1976, para o fim de reconhecer como isento o ganho de capital auferido pela alienação da participação societária havida, por qualquer forma, até 31/12/1983, realizando depósitos em juízo dentro do prazo previsto para o pagamento do imposto de renda e antes do auto de infração. Com base na legislação de regência, em especial a Lei nº 9.703, de 17 de novembro de 1998, que dispõe sobre os depósitos judiciais e extrajudiciais de impostos e contribuições federais, o depósito efetivado até a data de vencimento do tributo satisfaz integralmente o crédito tributário até o valor por ele coberto, quando é repassado à Conta Única do Tesouro Nacional, ficando disponível para o credor enquanto perdurar a ação judicial, pelo que não é razoável configurar a mora. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 11060.724241/201111 Acórdão n.º 2401006.116 S2C4T1 Fl. 635 21 A multa é uma penalidade, uma sanção pelo atraso no cumprimento da obrigação tributária. O depósito do tributo em juízo é um direito subjetivo do contribuinte, cuja aplicação de penalidade pelo exercício de uma prerrogativa não se justifica, sob pena de obstaculizálo. Além disso, a partir do depósito do montante não há que se falar em mora à época do lançamento de ofício, visto que o sujeito passivo realizou o adimplemento da obrigação tributária no prazo legal. Com efeito, ocorreu o cumprimento da obrigação tributária, de uma forma alternativa, é verdade, porém autorizada pela legislador, ainda que se considere que o depósito não configura um pagamento definitivo, na medida em que a relação jurídicotributária aguarda uma definição do órgão judicial ou administrativo, não resultando, por tal razão, na imediata extinção do crédito tributário (art. 156, VI, do Código Tributário Nacional). É dever assinalar que o depósito parcial do imposto de renda, até a data de vencimento do tributo, como ora se cuida, também asseguraria sobre o valor depositado a não incidência dos juros de mora. Contudo, por ocasião da sustentação oral, o patrono do recorrente esclareceu que o valor do depósito havia sido integralmente devolvido, após o encerramento da lide, considerando que o tratamento tributário às bonificações de ações adquiridas a partir do ano de 1984 e a forma de rateio para fins de apuração do ganho de capital não foram matérias submetidas ao crivo do Poder Judiciário. Assim sendo, pressupõese a devolução do depósito acrescido de juros, na forma estabelecida pelo § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, o que torna inviável a dispensa dos juros de mora sobre o crédito tributário não pago (art. 1º, § 3º, inciso I, c/c art. 2ºA, § 2º, da Lei nº 9.703, de 1998). Ressalto, por fim, que a decisão de piso cancelou parte do lançamento justamente para assegurar a observância da decisão judicial transitada em julgado. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para afastar a imposição da multa de 10% sobre a parcela do imposto de renda depositada em juízo. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 635DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.920575/2012-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/02/2006
REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO.
Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.
Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal.
A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis.
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.258
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO. Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema. Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal. A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 05 75 /2 01 2- 50 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.920575/201250 Acórdão n.º 3402006.258 S3C4T2 Fl. 3 2 Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 02065.549, através do qual o colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta, mantendo as razões contidas no Despacho Decisório que instrui os autos, indeferindo o pleito da requerente. Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os seguintes argumentos: i) Pleiteou administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente a título de PIS e/ou COFINS em razão da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o qual foi indeferido, sob alegação de inexistência de crédito; ii) O ICMS não integra o faturamento (receita bruta) da empresa, piis tratase de receita do Erário Estadual (artigo 155, inciso II da Constituição Federal), sendo, portanto, inconstitucional a inclusão do referido imosto na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.920575/201250 Acórdão n.º 3402006.258 S3C4T2 Fl. 4 3 iii) O Recurso Extraordinário nº 240.7852/MG, reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; iv) O Supremo Tribunal Federal reconheceu a Repercussão Geral da matéria no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706, motivo pelo qual deve o julgamento ser sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.257, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.940170/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.257) 1: "Na sessão de julgamento, divergi do Voto da Conselheira Relatora, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando esse posicionamento vencedor, razão pela qual apresento abaixo meus fundamentos de decidir. Preliminar de sobrestamento: Entendo que não cabe o sobrestamento do processo até aguardar decisão definitiva sob repercussão geral, pelos mesmos argumentos deduzidos em meu Voto no processo nº 16327.720780/201631, abaixo transcrito: Processo nº 16327.720780/201631 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.854– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 (...) Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada 1 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu no julgamento (voto vencedor). Íntegra (com voto vencido) pode ser consultada no processo paradigma nº 10980.940170/201157). Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.920575/201250 Acórdão n.º 3402006.258 S3C4T2 Fl. 5 4 Na sessão de julgamento do presente processo, divergi parcialmente do Voto do Ilustre Conselheiro Relator, relativamente à proposta de sobrestamento do presente processo até haja ulterior e definitiva decisão no RE nº 609.096, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando o meu posicionamento vencedor pelo voto de qualidade, razão pela qual apresento abaixo minhas razões de decidir. Embora na doutrina e na jurisprudência já se utilizasse o direito processual civil como fonte subsidiária do processo administrativo fiscal, o Código de Processo Civil de 2015, em seu art. 15, inovando em relação ao CPC anterior, trouxe determinação expressa de que: "Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente". Esta Redatora teve a oportunidade de analisar a aplicação do CPC no processo administrativo fiscal em monografia acerca do tema2, na linha de entendimento parcialmente transcrita abaixo: (...) Há um regime jurídico aplicável especialmente ao subsistema processual administrativo fiscal federal, composto pelas normas processuais e princípios contidos, utilizandose da linguagem de James Marins3, nos seguintes quadrantes: constitucional (especialmente o art. 5º, LV e LXXVIII da CF), complementar geral (CTN), ordinário geral do processo administrativo federal (Lei nº 9.784/99) e ordinário federal (Decreto nº 70.235/72), bem como num quadrante infralegal, integrado por um regulamento (Decreto nº 7.574/2011), regimentos internos dos órgãos julgadores (especialmente o Regimento Interno do Carf) e outros atos normativos que veiculem regras processuais. (...) No subsistema processual administrativo fiscal, a Lei nº 9.784/99 tem a função de lei geral do processo administrativo fiscal federal, em cujas normas o intérprete deve se valer na ausência de normas específicas no Decreto nº 70.235/72, antes de, eventualmente, se socorrer de normas de outros subsistemas processuais. (...) 2 PAULA, Maria Aparecida Martins de. Aplicação do Código de Processo Civil no Processo Administrativo fiscal. Monografia (Especialização em Direito Processual Civil) Faculdade Damásio. São Paulo. 2018. 3 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro: administrativo e judicial. 11. ed. rev. e atual. São Paulo, RT, 2018, p. 111. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10980.920575/201250 Acórdão n.º 3402006.258 S3C4T2 Fl. 6 5 A determinação do conteúdo e alcance do art. 15 do CPC envolve a matéria atinente às lacunas e às antinomias, que são defeitos formais do sistema de normas, que devem ser corrigidos em face da unidade e coerência da ordem jurídica. A antinomia jurídica é o conflito entre normas, ou seja, a incompatibilidade que ocorre na aplicação de duas normas vigentes. (...) (...) A lacuna é a incompletude insatisfatória dentro do ordenamento. Sua existência é expressamente reconhecida no ordenamento brasileiro pelo art. 4º da LInDB, que também dispõe sobre a forma de sua colmatação, nestes termos: "Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito". Na integração por analogia, partese da solução prevista em lei para outro caso concreto, concluindose pela validade dessa regra para outro caso semelhante, para o qual inexiste previsão legal. (...) (...) Na proposição antecedente da norma do art. 15 do CPC (hipótese), assim considerada a descrição de um possível evento no mundo social, está a identificação da lacuna no caso concreto; e no consequente da norma está o prescritor de conduta ao juiz ou julgador acerca da forma que tal lacuna deverá ser colmatada. Essa descrição é coerente com o fato de que a lacuna deve ser identificada e colmatada para cada caso concreto, com a criação da norma jurídica individual pelo juiz ou pelo julgador administrativo. Portanto, o que está o art. 15 do CPC a determinar é que o método de integração a ser utilizado para colmatar a lacuna é a analogia, de forma que, a um caso concreto não regulado integral ou parcialmente no subsistema processual especial será aplicada uma norma do Código de Processo Civil, prevista para uma situação distinta mas semelhante ao caso não contemplado. Verificase, na doutrina e na jurisprudência, a tentativa de utilização de uma interpretação literal do art. 15 do CPC, de cabimento da aplicação subsidiária ou supletiva do CPC em todas as situações de ausências ou incompletudes das normas processuais especiais, o que não se coaduna com o melhor direito. Vale dizer que só haverá lacuna no subsistema processual especial quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória de acordo com as diretrizes adotadas por Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.920575/201250 Acórdão n.º 3402006.258 S3C4T2 Fl. 7 6 esse subsistema processual. É certo que haverá omissões propositais nas normas do processo administrativo, decorrentes da própria vontade do legislador ordinário de não incorporar determinados institutos processuais civis em nome de princípios e de outras regras tutelados para o subsistema processual especial, tais como a informalidade e a celeridade. (...) Como dito, no subsistema especial do processo administrativo fiscal só haverá uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador pela analogia, com a aplicação do instituto do CPC, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.4 Dessa forma, no que interessa ao presente caso, não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto processual do CPC para o PAF. Aliás, o fato de ter sido revogada disposição anterior do Regimento Interno do Carf que determinava o sobrestamento5, está a revelar que tal omissão no atual Regimento não é indesejável ou insatisfatória para o subsistema processual especial na esfera do CARF. 4 Como esclarece Tercio Sampaio Ferraz Júnior, a lacuna é uma "incompletude insatisfatória dentro da totalidade jurídica", ou seja, é algo incompleto dentro de um limite e, além disso, é também insatisfatório, no sentido de que exprime uma falta ou insuficiência que não deveria ocorrer. FERRAZ JR., Tercio Sampaio. Introdução ao estudo do direito: técnica, decisão, dominação. 2. ed.São Paulo: Atlas, 1994, p. 218. 5 PORTARIA Nº 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. GUIDO MANTEGA Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 atualmente revogada Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10980.920575/201250 Acórdão n.º 3402006.258 S3C4T2 Fl. 8 7 Não se pode também olvidar que a vinculação com algumas modalidades de acórdãos e enunciados de súmulas judiciais dáse de forma diversa para a Administração Pública e para os juízes e tribunais. Não se pode impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública, como bem explicam Oliveira, Souza e Barbosa6: Essa norma constitucional evidencia o intuito do constituinte de atribuir eficácia vinculante para a Administração Pública apenas a algumas decisões do STF (proferidas após reiteradas decisões e mediante aprovação de no mínimo dois terços dos seus membros) e em determinadas circunstâncias (quando haja controvérsias interpretativas que acarretem grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica). Somamse à hipótese das súmulas vinculantes também (art. 103A da CF) as decisões proferidas pelo STF em controle concentrado de constitucionalidade, que, por força do art. 102, §2°, da CF, também são vinculantes para a Administração Pública. Por expressa opção do constituinte, as demais decisões proferidas pelo Poder Judiciário não irradiam qualquer eficácia vinculante para a Administração Pública.(...) (...) Contudo, não se nega a possibilidade de as leis especiais que regem os processos administrativos preverem tal vinculação. É o que se observa, por exemplo, do art. 62 do Regimento Interno do CARF, que adiciona às hipóteses constitucionais a necessidade de observância dos recursos repetitivos do STJ e do STF. (...) No entanto, diante da omissão do texto constitucional, tratase de medida que se encontra no âmbito da política legislativa de cada entre tributante, não podendo o intérprete conferir tamanha abrangência ao art. 927, a ponto de impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública. Inclusive, no âmbito da própria União, a questão de vinculação aos recursos repetitivos ou proferidos sob repercussão geral dáse de maneira diferente entre o CARF7 e a própria Receita Federal8, eis que, para o 6 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de; SOUZA, Henrique Coutinho de; BARBOSA, Marcos Engel Vieira. O Processo Tributário e o Código de Processo Civil/2015. In: MACHADO, Hugo de Brito (Org.). O processo tributário e o Código de Processo Civil/2015. São Paulo: Malheiros, 2017, p. 352394. 7 Art. 62, §2º do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 343/2005, na alteração dada pela Portaria MF nº 152/2016. 8 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10980.920575/201250 Acórdão n.º 3402006.258 S3C4T2 Fl. 9 8 CARF, basta que a decisão judicial de mérito seja definitiva, enquanto para a Receita Federal a vinculação só existe após a manifestação da PGFN. Com efeito, no caso do CARF, se a vinculação do seu julgador só ocorre após o trânsito em julgado das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC/73 ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015, antes disso o processo deve ter seu seguimento normal, não havendo que se falar em sobrestamento para aguardar a decisão definitiva de mérito do STF ou STJ, mesmo porque, para a Administração Pública, prevalece a constitucionalidade e a legitimidade de todas as leis vigentes enquanto tais atributos não sejam afastados pelo órgão competente. Melhor dizendo, a vinculação dos julgadores do CARF é unicamente à decisão definitiva de mérito de tais processos judiciais, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente, em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade da Administração Pública e da presunção de constitucionalidade das leis. O disposto no art. 1035, §5º do CPC, no sentido de que o relator no Supremo Tribunal Federal, após reconhecida a Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10980.920575/201250 Acórdão n.º 3402006.258 S3C4T2 Fl. 10 9 repercussão geral, determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes que versem sobre a questão e tramitem no território nacional restringese aos processos judiciais, que têm caráter jurisdicional e para os quais há todo um procedimento específico regulado no CPC em face do sobrestamento. Em síntese, embora tenha havido a opção da Administração Pública no âmbito do CARF por vincular seus acórdãos às decisões definitivas de mérito em temas sob repercussão geral, conforme determinado em seu Regimento Interno, não há nele atualmente nenhuma determinação restringindo as condutas dos julgadores até que sobrevenha o julgamento definitivo da questão pelo STF, razão pela qual o procedimento em relação a esses processos é idêntico ao dos demais processos para os quais não há questão controversa envolvendo processos sob repercussão geral. Esse posicionamento tem prevalecido na jurisprudência do CARF, conforme demonstram as ementas abaixo: Acórdão nº 2301005.156 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2017 Relator: João Maurício Vital (...) REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente da decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. (...) Acórdão nº 3401003.636 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Relator: Rosaldo Trevisan (...) Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10980.920575/201250 Acórdão n.º 3402006.258 S3C4T2 Fl. 11 10 REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. (...) Assim, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento do presente processo. (...) Dessa forma, também no presente processo há de ser rejeitada ao proposta de sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do tema sob repercussão geral. ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins: Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/779 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração 9 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.920575/201250 Acórdão n.º 3402006.258 S3C4T2 Fl. 12 11 dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR10, sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 10 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.920575/201250 Acórdão n.º 3402006.258 S3C4T2 Fl. 13 12 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10980.920575/201250 Acórdão n.º 3402006.258 S3C4T2 Fl. 14 13 surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10980.920575/201250 Acórdão n.º 3402006.258 S3C4T2 Fl. 15 14 PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: (...) 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10980.920575/201250 Acórdão n.º 3402006.258 S3C4T2 Fl. 16 15 Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10980.920575/201250 Acórdão n.º 3402006.258 S3C4T2 Fl. 17 16 em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 101DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.725700/2011-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/05/2008
"MARKETING MULTINÍVEL". SISTEMÁTICA DE VENDAS. REMUNERAÇÃO A TÍTULO DE BÔNUS/PRÊMIO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
Os bônus/prêmios pagos aos distribuidores, pelas vendas e divulgação dos produtos da empresa por meio da sistemática de ampliação da rede de distribuição ("marketing multinível"), têm natureza remuneratória, caracterizando-se os respectivos beneficiários como contribuintes individuais.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. SÚMULA CARF nº 119.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 9202-007.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Helena Cotta Cardozo. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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SISTEMÁTICA DE VENDAS. REMUNERAÇÃO A TÍTULO DE BÔNUS/PRÊMIO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Os bônus/prêmios pagos aos distribuidores, pelas vendas e divulgação dos produtos da empresa por meio da sistemática de ampliação da rede de distribuição ("marketing multinível"), têm natureza remuneratória, caracterizandose os respectivos beneficiários como contribuintes individuais. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. SÚMULA CARF nº 119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Helena Cotta Cardozo. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 57 00 /2 01 1- 00 Fl. 3701DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Nos termos em que resumido pelo relatório elaborado pela Turma a quo, esclareço que contra o contribuinte foi lavrado auto de infração para cobrança dos seguintes valores: i. DEBCAD sob nº 37.268.0771 – relativo à contribuição previdenciária patronal incidente sobre remunerações pagas ou creditadas, a título de bônus, a contribuintes individuais, denominados “distribuidores” pelo sujeito passivo; ii. DEBCAD sob nº 37.268.0780 – relativo à contribuição de segurados calculada sobre remunerações pagas ou creditadas, a título de bônus, a contribuintes individuais, denominados “distribuidores” pelo sujeito passivo; iii. DEBCAD sob nº 37.268.0798 – relativo à contribuição previdenciária patronal e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, sobre verbas da folha de pagamento, referentes a segurados empregados, não declaradas em GFIP; bem como relativo à contribuição previdenciária patronal incidente sobre remunerações pagas ou creditadas a contribuintes individuais constantes em folha e contabilidade e não declaradas em GFIP; excetuados os bônus, que foram apurados em Auto de Infração específico; iv. DEBCAD sob nº 37.268.0909 OP – relativo à contribuição de segurados empregados; bem como relativo à parte de segurados incidente sobre remunerações pagas ou creditadas a contribuintes individuais constantes em folha e contabilidade, excetuados os bônus, que foram apurados em Auto de Infração específico; v. DEBCAD sob nº 37.268.1000 OP – relativo à contribuição de Outras Entidades (Terceiros); Fl. 3702DF CARF MF Processo nº 12448.725700/201100 Acórdão n.º 9202007.506 CSRFT2 Fl. 3 3 vi. DEBCAD sob nº 37.268.0801 (CFL 68) – decorrente do fato de a empresa deixar de incluir na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, conforme legislação anterior a MP 449. Ao tratar das BONIFICAÇÕES, a Fiscalização destacou no Relatório Fiscal que observou divergências entre os valores declarados na DIRF como rendimento do trabalho sem vínculo empregatício e os informados na GFIP da Recorrente. Com base na análise da documentação apresentada pelo Contribuinte, inclusive os contratos fornecidos pelo mesmo, concluiu a Auditoria Fiscal que os valores definidos pelo sujeito passivo como Bônus são na realidade compensações pagas pela empresa a distribuidores com base no volume de produtos que ele, e o grupo de colaboradores por ele formado, adquiriram para revenda, de acordo com os requisitos delineados em contrato. Os contratos de contribuintes individuais apresentados, se dividem em duas espécies, sendo um de distribuição e outro de prestação de serviços. No primeiro o Contribuinte concede aos contratantes (distribuidores) o direito de revenda de seus produtos, que tenham sido adquiridos juntos a ela FLP Brasil. Quanto aos contratos de prestação de serviços, o Contribuinte administrar e controla as importâncias entregues aos distribuidores e realiza os cálculos e as distribuições de bonificações a serem feitas aos membros dos respectivos grupos, em razão deste serviço recebe de cada distribuidor independente o valor de 1 real ao mês. Tendo verificado divergência dos pagamentos de bônus a distribuidores, foi requerida pela Fiscalização a relação dos beneficiários, com indicação da competência, valor do imposto de renda retido e o valor do bônus creditado ao beneficiário. Requerendo ainda esclarecimento, quanto ao bônus, da sua natureza, forma de cálculo e os critérios. Em resposta esclareceu o Contribuinte que as bonificações não foram e nem são pagas por ela, já que é mera administradora de valores e que recebe para isto. Disse que no contrato de prestação de serviço ela foi contratada para receber 1 real ao mês para realizar tamanho trabalho, fato que levou a Fiscalização a concluir que os distribuidores são na realidade prestadores de serviços na forma de contribuintes individuais, visto que não possuem vínculo empregatício com a Recorrente, devendo à Previdência Social à luz do que determina o Artigo 22, III da Lei 8.212/91. Como base de cálculo foi considerado os respectivos valores das bonificações pagas aos ditos distribuidores. Tendo em vista que o Contribuinte deveria ter realizado a retenção e recolhimento à Previdência Social da parte dos segurados, sobre o valor bruto das bonificações creditadas aos autônomos distribuidores, foi aplicado o percentual de 11%, respeitando o teto máximo. Confrontando as folhas de pagamento e as GFIP elaboradas pela Recorrente a Fiscalização constatou que na filial 001020, competência 11/2007, havia divergência entre a base de cálculo da folha e a declarada em GFIP. A diferença encontrada foi informada na planilha de fl. 90, tendo sido esclarecido pela Auditoria que a diferença apurada referese as rubricas 401 – HORA EXTRA C/50% e 402 – HORA EXTRA C/100%. Fl. 3703DF CARF MF 4 Analisando a contabilidade da empresa autuada verificou a Auditoria Fiscal que não foram informadas em GFIP as seguintes despesas com autônomos: conta 00675 – CONSERTOS E REPAROS , 00676 – HONORÁRIOS PROFISSIONAIS e 00697 – SERVIÇOS PRESTADOS PF. Em razão das omissões de fatos geradores em GFIP, a Auditoria Fiscal lavrou auto de infração por descumprimento de obrigação acessória – AI 68. Tendo em vista que a infração apontada pelo Fisco teria sido aplicada antes da entrada em vigor da Lei 11.941/2009, a Auditoria comparou as multas decorrentes da aplicação da legislação vigente à época da elaboração das GFIP com as penalidades decorrentes da nova legislação, concluindo que em todas as competências a multa mais benigna é aquela vigente à época da ocorrência do fato gerador. Após o trâmite processual, a 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. Acolhendo as argumentações do Contribuinte, por unanimidade de votos, o Colegiado entendeu pela não caracterização do fato gerador da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de bonificação. Em face do acórdão de nº 2301004.218, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração alegando ocorrência de contradição entre a ementa e a fundamentação do voto do Conselheiro Relator. Em novo julgamento, os embargos foram acolhidos para sanar o vício apontado. Assim, por meio do acórdão 2301005.087, a ementa recebeu a seguinte redação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/05/2008 NFLD DEBCAD sob nº 35.890.7160 NULIDADE DAS AUTUAÇÕES CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Na fase investigativa caberá manifestação desde que perquerida pela autoridade lançadora. Não ocorrendo, por conta do investigador a necessidade de informação não há de se pronunciar o investigado, sem que isto ocorra qualquer agressão a princípios pétreos da Carta Maior, como ampla defesa, contraditório e tão pouco o devido processo legal. No caso em tela alega o Recorrente que foi tolhido o seu direito de defesa em razão de a Fiscalização não ter permitido, quando da ação fiscal, de exercer o seu amplo direito de defesa, mormente quanto prestar esclarecimentos de possíveis divergências entre os documentos que fulcraram a ação e a realidade dos fatos, mas improcede seus argumentos, porque o momento de esclarecimento é na fase impugnatória, perfeitamente exercida. DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO PARA EXIGÊNCIA DO VALOR DA CONTRIBUIÇÃO RELATIVO A PARTE DO SEGURADO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PROVÁVEL DE SERVIÇO A TERCEIROS. QUESITO DEFENSIVO NÃO APONTADO NA IMPUGNAÇÃO IMPRESTABILIDADE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Fl. 3704DF CARF MF Processo nº 12448.725700/201100 Acórdão n.º 9202007.506 CSRFT2 Fl. 4 5 Há de ser provado pelo fiscalizado que contribuintes individuais tenham prestado serviços a outros tomadores, extrapolando o teto máximo do salário contribuição permissível por lei. A mera alegação não prospera, mormente contra fatos comprovados pela fiscalização. Matéria inovadora na peça recursiva, sem que tenha sido apreciada, por falta de objurgação na fase de impugnação e que não seja fato novo, tratase de supressão de instância, que é inconcebível. DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A exigência de contribuição previdenciária demanda a efetiva comprovação da prestação de serviços, o que não ocorreu no presente caso com relação ao pagamento de bonificações. DA MULTA LANÇADA. APLICABILIDADE DA RETROATIVIDADE BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. Multa que melhor beneficia o Recorrente, conforme dispõe o Artigo 106, Inciso II, "c" do CTN. No caso em tela a Fiscalização aplicou a multa mais benéfica ao contribuinte, ou seja o Artigo 35A da Lei n° 8.212/91, que deve ser mantida. 'BIS IN IDEM' OPERAÇÃO CONTINUADA APLICAÇÃO DO ARTIGO 71 DO CÓDIGO PENAL. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DA MULTA DE OFÍCIO E A DE MORA. DESPROPORCIONAL. INOCORRÊNCIA DE APLICAÇÃO DE DISPOSITIVO DE LEI COM ESPECIFICIDADE PENAL. APLICAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE LACUNA DE LEI. A multa imposta através da lavratura do AI 68 decorre do descumprimento de obrigações acessórias, as quais não se confundem com o descumprimento das obrigações principais. Foi esta a razão dos lançamentos, configurando que não houve 'bis in idem'. No caso em tela não procede a alegação da Recorrente de que a aplicação da multa por omissão de fatos geradores em GFIP no período de 01/2007 a 12/2007 importa em afronta ao artigo 71 do Código Penal, já que trata este dispositivo de matéria criminal, não servindo ao direito previdenciário, que tem lei especifica que trata do assunto, matéria tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Intimada do novo acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial. Com base no acórdão 9202.005.548, proferido em lançamento também lavrado contra a Contribuinte, defende ser infundado o argumento de a FLP Brasil figurar na relação ora analisada como prestadora de serviços aos seus 'distribuidores' (administradora/gestora de fundo financeiro), a realidade é diversa. São os distribuidores os verdadeiros prestadores de serviços, "os valores pagos a título de bônus às pessoa físicas “distribuidores” (segurados Fl. 3705DF CARF MF 6 contribuintes individuais) são pagos em decorrência de uma prestação de serviços de venda, e de divulgação dos produtos da empresa, através da ampliação da rede de distribuição". Por fim, defende que uma vez mantido o lançamento, deve a multa ser aplicada nos exatos termos em que fixado pela autoridade fiscal. Contrarrazões do Contribuinte juntada às efls. 3.580/3.609. Inicialmente, a recorrida destaca ter havido o trânsito em julgado da decisão acerca do entendimento do Colegiado quanto à redução da multa de mora para 20%, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91. No mérito, refutando as razões recursais, afirma: (..) percebese claramente que os distribuidores não podem ser qualificados como contribuintes individuais, nos termos da legislação previdenciária, uma vez que, ao contrário do entendimento manifestado pela Fazenda Nacional, não há qualquer prestação de serviços pelos distribuidores credenciados no âmbito do Plano de Marketing a ensejar a incidência tributária. Isso porque, conforme discorrido anteriormente, o distribuidor adquire produtos da marca FLP (para uso próprio ou para revenda no varejo) e estimula o credenciamento de novos distribuidores, mas sem qualquer vínculo de prestação de serviços com a recorrida. O distribuidor atua, assim, como um empreendedor independente, na medida em que pode, a seu único e exclusivo critério, apenas adquirir os produtos FLP com desconto e revendêlos no mercado de varejo com margem de lucro. A relação jurídica entre o distribuidor e a recorrida é meramente comercial. Concomitantemente, o Contribuinte também interpõe recurso Especial de Divergência. Reiterando os apontamentos feitos em sua peça de contrarrazões, defende ser inaplicável ao caso a Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14/2009 e requer a reforma do acórdão pugnando pela fixação da multa com base no art. 32A destacando que: "a multa regulamentar originalmente aplicada (100% sobre o valor das contribuições devidas) é infinitamente superior à penalidade atualmente vigente no ordenamento (R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações omitidas). Logo, outra conclusão não resta senão a aplicação integral do art. 106. inciso II. alínea "c" do CTN ao presente caso, com a consequente redução da multa regulamentar nos moldes do art. 32A, inciso I". Em sede de contrarrazões a Fazenda Nacional requer o não provimento do recurso haja vista jurisprudência pacífica deste tribunal em sentido contrário ao pleiteado pela Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Os recursos preenchem os requisitos legais, razão pela, ratificando os respectivos despachos de admissibilidade, devem ser conhecidos. Fl. 3706DF CARF MF Processo nº 12448.725700/201100 Acórdão n.º 9202007.506 CSRFT2 Fl. 5 7 Recurso da Fazenda Nacional: O recurso da União devolve a esta Câmara Superior a discussão acerca da caracterização das verbas pagas pela Recorrida aos seus colaboradores/distribuidores independentes como remuneração à contribuinte individual na condição de prestador de serviço autônomo. Inexiste nos autos discussão acerca da compreensão do fato gerador da contribuição previdenciária quando presente a figura do contribuinte individual. É patente a incidência do referido tributo sobre os valores pagos à pessoa física que preste serviço à pessoa jurídica de forma eventual e sem a presença dos demais elementos que compõem uma relação de emprego; essa é a regra do art. 12, inciso V, alínea 'g' c/c art. 22, inciso III, todos da Lei nº 8.212/91. Assim, uma vez caracterizada a prestação de serviço, surge no mundo jurídico o fato gerador das duas contribuições, a patronal devida pela empresa nos termos do art. 22, e ainda daquela devida pelo prestador de serviço na condição de contribuinte individual, sendo que neste último caso ficará sob a responsabilidade da pessoa jurídica o recolhimento do valor devido por força do art. 30, I da mesma Lei nº 8.212/91. Com essa premissa, resta analisar se a relação contratual pactuada entre a Contribuinte e seus 'distribuidores independentes' possui ou não natureza de prestação de serviço. E para tanto devem ser analisadas as nuanças do caso. Da análise do Contrato Social da empresa é possível destacar duas atividades: a de importação e comercialização de produtos e a de prestação de serviços de gestão de bens de terceiros. Os instrumentos constitutivos fundamentam a forma adotada pela Contribuinte para viabilizar suas operações comerciais, operações essas baseadas na venda direita sob a modalidade conhecida como "marketing de rede/multinível". Venda direta é um modelo de distribuição de produtos onde são eliminadas vários elos da cadeia da circulação de mercadoria se considerarmos um plano padrão de comercialização. Em regra o produto sai direito da indústria para o consumidor final gerando uma redução significativa de custos com logística, transporte, embalagens e publicidade. A Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD) esclarece em seu sítio (https://abevd.org.br/vendasdiretas/marketingmultinivel/, acesso em 23.01.2019), que a "força do mercado de vendas diretas é formada por empreendedores independentes que atuam como revendedores de produtos e serviços de qualidade em contato direto com os consumidores". E ainda destaca que nesta modalidade de vendas, há dois principais modelos de lucros para os revendedores: o Marketing mononível, o revendedor compra o produto e o revende com uma margem de lucro média de 30%, e o Marketing multinível (MMN), onde o empreendedor obtém lucro tanto com a revenda de produtos e serviços como também com a formação de sua própria equipe de vendas, indicando outras pessoas para a sua rede. Nesse caso, seu faturamento será proporcional à receita gerada pelas vendas dos revendedores do seu time. Este modelo aumenta a capilaridade dos produtos e serviços oferecidos pelas empresas e tem papel importante no fomento de novos empreendedores. Fl. 3707DF CARF MF 8 No caso concreto, defende a Contribuinte que os contratos celebrados entre ela e seus respectivos distribuidores não possuem natureza de prestação de serviços sujeitos a incidência da contribuição previdenciárias, inexiste remuneração por serviço prestado pela pessoa física. É destacado que entre ela e os distribuidores são celebrados dois contratos: um de compra e venda e outro de prestação de serviços de gestão. No primeiro o distribuir adquire produtos a preço de atacado e poderá, a seu critério, consumilos ou revendêlos, obtendo lucro com essa venda. Vale destacar que este lançamento não questiona os valores obtidos pelos distribuidores nesta modalidade. O segundo contrato é um contrato onde a empresa, supostamente, presta serviço consubstanciado na gestão de recursos depositados pelos distribuidores em um fundo comum o qual serve, após o cumprimento das regras previstas nos "Planos de Marketing", para recompensar toda a rede de distribuidores vinculados à FLB. E foi analisando o contexto deste segundo contrato, que a fiscalização entendeu pela caracterização da ocorrência do fato gerador de contribuições previdenciárias. Para a fiscalização o valor repassado a determinado distribuidor como 'bonificação' pelas compras efetuadas pelas pessoas que compõem sua respectiva rede de vendedores credenciados, nada mais é que pagamento decorrente do serviços de intermediação feitos em favor da empresa. Seria, nos dizeres da DRJ, "um serviço de divulgação dos produtos da empresa, através da ampliação da rede de distribuição. A bonificação é o pagamento recebido pelo exercício dessa atividade de agenciamento, realizada por conta própria, mas para a empresa, diretamente vinculada a sua atividade fim, que tem como resultado o incremento de sua atividade produtiva e seu consequente crescimento". Analisando os contratos juntados e os argumentos apresentados, em que pese entendimento em sentido contrário, compartilho das conclusões externadas pela fiscalização e ratificadas pela Delegacia de Julgamento, merecendo destaque alguns apontamentos. Consta do "Boletim de Proteção do Consumidor/Investidor nº 06 Marketing Multinível e Pirâmides Financeiras", citado pelas partes e editado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em parceria com a então Secretaria Nacional do Consumidor (SENACON), documento divulgado em razão de inúmeras consultas de cidadãos sobre a legitimidade do trabalho no marketing multinível que: A venda direta ao consumidor, de bens de consumo e certos serviços, caracterizase pela oferta desses itens fora de um estabelecimento comercial, podendose citar como exemplo a venda porta a porta. As empresas de vendas diretas fornecem diversos produtos à população, tais como cosméticos, utensílios domésticos e alimentos, os quais são distribuídos aos consumidores por meio do contato direto e pessoal dos vendedores com o consumidor. O sistema de marketing de rede ou multinível, como se verá adiante em mais detalhes, é apenas uma das formas de remunerar os revendedores, já que eles ganham não apenas em função do que vendem, mas também pela captação de outros vendedores. (file:///C:/Users/CARF/Downloads/boletim_cvm_senacon_6.pdf, acesso em 23.01.2019) Já em artigo veiculado pelo SEBRAE, o qual trata do crescimento da modalidade de venda diretas no Brasil (http://www.sebraemercados.com.br/distribuicao vendasdiretascrescemnopais/, acesso em 23.01.2019), é destacado que "Para vendedores, Fl. 3708DF CARF MF Processo nº 12448.725700/201100 Acórdão n.º 9202007.506 CSRFT2 Fl. 6 9 horário flexível e perspectivas de novos amigos ou clientes são apontadas como vantagens, além da perspectiva de incremento da renda doméstica. Dependendo da empresa a qual se vincula, o vendedor pode ter a oportunidade ainda de incorporar um ganho adicional de bônus pela prestação de serviços como recrutamento e treinamento de novos distribuidores para aderiram ao sistema. Neste caso, as empresas definem critérios para a qualificação e a remuneração daqueles que desenvolvem as melhores equipes, oferecendo prêmios e vantagens financeiras aos que se destacam." Observando os contratos e a declaração de Política da FLP, o que percebemos é exatamente a caracterização da afirmação acima, ou seja, os distribuidores independentes atuam como intermediadores de negócios e recebem valores proporcionais ao esforço de capitação de colaboradores. Para tanto, entre as funções assumidas no contrato de distribuição está a de prestar apoio e assistência contínua a cada um dos vendedores recrutados. Do teor do Contrato de Distribuição (efls. 2993) firmado entre as partes vale destacar as seguintes regras: 2.2 Na forma descrita na Declaração de Políticas da FLP, em função do volume de compras efetuadas pelo Distribuidor diretamente à FLP do Brasil a cada mês esta lhe concederá as bonificações por volume sob forma de pagamento em dinheiro ou cheque, ficando entendido que os critérios de pagamento e qualificação para recebimento das bonificações de volume são constantes da Declaração de Política da FLP. 5 Patrocínio 5.1 Segundo os termos e condições da Declaração de Políticas da FLP, o Distribuidor poderá submeter à FLP Brasil solicitação para credenciamento de terceiros como Distribuidores independentes dos Produtos. 5.1.1. Caso essa(s) pessoa(s) apresentada(s) pelo Distribuidor seja(m) aprovada(s) pela FLP Brasil, todas as compras por ela(s) efetuadas por novas pessoas apresentadas por tal Distribuidor(es) em cada mês proporcionarão ao Distribuidor a possibilidade de subir de nível no plano de marketing, de acordo com os critérios contidos na Declaração de Políticas da FLP Brasil 5.1.2. O Distribuidor, ao patrocinar o credenciamento de novos Distribuidores, deverá darlhes apoio e a assistência necessários, sem qualquer custo ou ônus, para que os mesmos possam desenvolver sua atividade de modo produtivo. Já do documento de efls. 3282 e seguintes, que nos traz as "Políticas da Companhia", destacamos: As companhias FLP têm uma longa história de sucesso. Elas fornecem produtos de alta qualidade, suporte excepcional e comprovado e um Plano de Marketing justo para seus Distribuidores independentes que compram os produtos para uso Fl. 3709DF CARF MF 10 pessoal ou revenda. O objetivo fundamental do Plano de Marketing da FLP é promover a utilização de seus produtos de alta qualidade, e o primeiro propósito de alguns Distribuidores é construir uma organização de vendas para promover a venda dos produtos a consumidores. Em qualquer nível do Plano de Marketing da FLP, os Distribuidores são incentivados a vender, mensalmente, os Produtos a varejo, mantendo registros dessas vendas. Os Distribuidores podem incentivar outras pessoas a vendar a varejo, tornandose seus patrocinadores. Distribuidores bem sucedidos são atualizados, conhecem o mercado e mantêm seus próprios clientes pessoais de venda a varejo. ... 3.5 A Regra de "Buyback" é designada para impor ao patrocinador e à FLP a obrigação de garantir que o Distribuidor patrocinado esteja comprando produtos de forma consciente. Os Distribuidores não devem comprar mais produtos do que possam esperar vender dentro de um período de 30 dias. O Patrocinador deverá imprimir seus melhores esforços para direcionar os Distribuidores de modo que eles comprem somente os produtos que forem necessários para preencher a demanda imediata de venda e que produtos adicionais sejam comprados somente depois que 75% do estoque inicial de produtos tiver sido vendido ou de outro modo utilizado. ... 5 Bônus de Liderança 5.1 Depois que um Distribuidor se torna Gerente Reconhecido, ele deve apoiar todos os Distribuidores da sua rede com a intenção de ajudálos a obter êxito como Distribuidores da FLP. Um Gerente Reconhecido Ativo se toma Gerente Líder uma vez que tenha desenvolvido um Gerente subordinado e pode se qualificar para receber seu respectivo Bônus de Liderança, desde que tenha vendas creditadas de 12 cc ou mais mensais, pessoais e de grupos de não gerentes Os caixas créditos de grupos de não gerentes são aqueles que não passam por um Gerente (ativo ou inativo). ... 6 Gerentes 6.1 Gerente Sênior Os Distribuidores continuam a vender produtos mensalmente e a patrocinar e desenvolver outros Distribuidores para a posição de Gerente. Uma vez que um Gerente tenha patrocinado e desenvolvido dois (2) Gerentes Patrocinados de l° Geração/Gerentes Reconhecidos, ele se tornará Gerente Sênior e receberá um novo Alfinete de Gerente com duas granadas. Fl. 3710DF CARF MF Processo nº 12448.725700/201100 Acórdão n.º 9202007.506 CSRFT2 Fl. 7 11 10.1 Os Gerentes que preencherem os requisitos mínimos anuais de 1.500 cc contados de 1o de Abril a 31 de Março do ano seguinte se qualificarão para comparecer ao Super Rally Internacional. A FLP transportará o Gerente por via aérea ao Rally, num local designado pela empresa, por 5 dias e 4 noites. O Gerente se reunirá com o pessoal Executivo da FLP e comparecerá ao Rally Workshop e encontros de motivação Gerentes que se qualificam pela primeira vez também têm direito ao Pós Rally. Pela leitura das cláusulas acima é possível afastar as argumentações da Contribuinte de que o valores pagos não seriam remuneração, inexistindo uma prestação de serviços de intermediação ou divulgação dos seus produtos pelos seus colaboradores. Ora, é da própria essência do Marketing Multinível que os distribuidores façam a propaganda dos produtos comercializados, como destacado na própria política de negócios o objeto fundamental do plano é promover os produtos e essa promoção é feita exatamente por meio dos agentes de distribuição, agentes esse que como é de conhecimento geral realizam constantes eventos, reuniões, encontros sempre com o intuito de angariar pessoas para a rede. Afinal, como destacado no plano 'o primeiro propósito de alguns Distribuidores é construir uma organização para promover a venda dos produtos'. Também não procede a alegação de que uma vez adquirido o produto o distribuidor pode optar por simplesmente consumilos. Como consta das cláusulas, antes de efetuar uma nova aquisição, para garantir a viabilidade dos negócios, deve haver a comprovação da efetiva destinação de no mínimo 75% do volume da compra mensal, cabendo ao Distribuidor Patrocinador verificar tal condição nos termos da política do "Buyback". Pelas descrições e condições impostas pela empresa não nos parece apropriado o entendimento de que a bonificação seria baseada na compra, na verdade o objeto é a venda no varejo (este extremamente pulverizado) e é sobre essa venda que são calculadas as vantagens pagas ao distribuidor. No que tange a parte do contrato relacionada à promoção dos produtos, para a empresa a relação contratual entre ela e seus distribuidores seria meramente comercial, recebendo os últimos uma bonificação em razão do volume de vendas. Ora, em relações comerciais as bonificações se dão por meio do envio de mercadoria e não por meio do pagamento de valores em espécie. O conceito contábil de bonificação envolve o desconto comercial dado dentro do documento fiscal por meio de entrega de quantidade maior de mercadorias ao mesmo preço. Bonificação efetuada em dinheiro assume o viés de pagamento ou de doação. E aqui um ponto relevante é discutirmos qual seria de fato a natureza do fundo que custeia este pagamento. Mais uma vez destacamos que não compõe a base de cálculo do lançamento a renda auferida pelas pessoas físicas como lucro na revenda dos produtos, afinal este preço é pago diretamente pelo consumidor final ao distribuidor. No caso nos interessa as comissões/bonificações/bônus recebidos pelo volume de mercadorias vendidas pelo distribuidor. Vale lembrar que somente receberá a bonificação aquele distribuidor que assumir a condição de patrocinador de outros distribuidores. Nos termos do Plano de Marketing da FLB ao 'novo distribuidor' não é pago qualquer bônus, embora pelas regras ele também contribua para o fundo. Fl. 3711DF CARF MF 12 Segundo exposto pela empresa os valores relativos às supostas bonificações são retirados de um fundo formado pelo investimento dos próprios distribuidores, e neste sentido considerando que um distribuidor apenas recebe de volta um valor que foi por ele mesmo aportado, não haveria a caracterização de remuneração. A FLB, mediante recebimento de R$ 1,00, ao mês de cada distribuidor, prestaria o serviço de gerir nos termos das políticas do plano de marketing por ela mesma criado os valores que deveriam ser repassados a cada distribuidor patrocinador em razão do seu esforço de atrair novos vendedores. Em parecer jurídico apresentado pela Contribuinte é esclarecido que: Relatanos a Consulente que a soma dos custos com a importação mais a margem de lucro por ela praticada corresponde a, aproximadamente, 60% dos seus ingressos relacionados às vendas, de modo que os, aproximadamente, 40% restantes seriam a parcela do VAR. Confirma, então, sua receita efetiva em torno de 60% do valor recebido e informado nas notas fiscais, sendo os outros 40% ingressos temporários, recursos de terceiros que a Consulente apenas administra e posteriormente repassa aos Distribuidores/Compradores, a título de prêmios aos integrantes das redes na proporção do consumo daquelas pessoas cadastradas. E acrescenta: Nesse modelo negocial, portanto, não há relação de emprego, de prestação de serviço autônomo ou de distribuição comercial. Formase, sim, um contrato simples de compra e venda por meio do qual as partes concordam em promover um modelo especial de marketing, com atribuição de recursos a um fundo que fica responsável pelo pagamento de prêmios, os quais não são realizados com recursos da Consulente, mas sim com recursos dos próprios Distribuidores/Compradores, por meio do chamado "Valor de Alocação de Rede" VAR, administrado pela Consulente. Diante disso, e corretamente, os valores relativos ao VAR não são contabilizados como receita pela Consulente, e os prêmios distribuídos a partir do montante dessas contribuições não são contabilizados como despesa, vez que se está diante de recursos de titularidade dos Distribuidores/Compradores, e não da FLP. que se limita a prestar o serviço de administração desses recursos. Com todas as honras ao ilustre Parecerista, a narrativa demonstra uma certa incoerência. Pelos apontamentos feitos, o contrato celebrado entre as partes seria um verdadeiro contrato de compra e venda e como tal está acobertado pela emissão de nota fiscal. Do valor total da nota emitida, por deliberação interna da Contribuinte, são considerados como receita apenas 60%, os outros 40% são recursos de terceiros. Ora se são recursos de terceiros por que estão destacadas na nota fiscal como valor de produto? E ainda, uma vez emitida a nota com o valor 'global' a empresa declara que este é o valor da operação e, salvo melhor juízo, sobre ele incidiria inclusive o ICMS e o polêmico IPI, por exemplo. Por qual razão a empresa assumiria esse ônus? Ora, o que se nota são operações de venda por meio da qual a empresa aufere receita e utilizada parte desta, como ocorre em toda atividade comercial, para custear suas despesa operacionais (a qual incluiu os serviços de intermediação e promoção do produto realizados pelos distribuidores patrocinados). Fl. 3712DF CARF MF Processo nº 12448.725700/201100 Acórdão n.º 9202007.506 CSRFT2 Fl. 8 13 Importante ainda dois apontamentos, se o fundo serve apenas para as bonificações e se é custeado pelos distribuidores, poderia um 'novo distribuidor' (que não recebe bonificação) optar por não contribuir para o fundo, assumindo apenas sua condição de consumidor final? Ao que parece não, pela política da empresa antes de receber o produto o distribuidor deve comprovar o efetivo recolhimento dos valores constantes da notas, que como dito traz o valor global do produto. A segregação em 60% / 40% somente é veiculada em documento extrafiscal ('tabela de requisição de produtos') que circula entre os membros da rede de distribuição e tais percentuais podem ser livremente e unilateralmente alterados pela Contribuinte com o intuito de "(I) manter viável o sistema de comercialização, (II) cumprir determinações legais e (III) se adaptar a mudança na economia " (cláusula 8.1 do Contrato de distribuição). Vale destacar que a política de bonificação vai muito além do mero 'repasse de dinheiro', ao que parece este fundo também serviria para custear as viagens, jóias, relógios, eventos de qualificação e esculturas ofertadas ao distribuidores mais qualificados. Afinal, como dito, se o lucro da empresa pela venda é sempre de 60%, todas as despesas para comercialização do produto parecem ser custeadas pelo fundo. Por fim, e como citado pela fiscalização, não nos parece razoável admitir que a Contribuinte preste um serviço de gestão de bens de terceiros, afinal se considerarmos a complexidade da enorme rede de colaboradores, cada qual com seu patamar de bonificação, a remuneração de R$ 1,00/mês recebida por essa suposta prestação de serviço se mostra ínfima e acaba por desnaturar a finalidade do contrato. Assim, ao contrário do entendimento externado pelo acórdão recorrido, entendo que a intenção ou vontade da Empresa ao firmar contratos de distribuição tem como objetivo principal recrutar pessoas que atuarão e prestarão serviços, guardadas as especificidades, semelhante ao de um representante comercial. Essas pessoas receberão comissões sempre que sua cartela de clientes adquirir os produtos da FLB, o fato de a compra/venda se dar sob a sistemática da venda direta em nada afeta a natureza dessa comissão paga ao distribuidor patrocinador. Mais uma vez, não soa real a afirmação que o objeto da empresa seria o de prestar um serviço de gestão mediante remuneração de quantia ínfima. Temos, portanto, a realização da regra matriz de incidência da contribuição previdência, onde pessoa física recebe remuneração paga por pessoa jurídica em razão de um serviço que lhe é prestado, serviço esse no presente caso consubstanciado na intermediação de negócios por meio da promoção dos produtos comercializados pela Contribuinte. Pelo exposto dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Recurso do Contribuinte: Quanto ao recurso do Contribuinte, cujo objeto se limita a discussão acerca do critério de aplicação das multas, necessário tecer alguns esclarecimentos. O acórdão 2301004.218, decisão que enfrentou o tema e não foi modificada pelo acórdão de embargos, assim dispôs sobre a multa: Fl. 3713DF CARF MF 14 Quanto a multa aplicada, diz que a Fiscalização entendeu equivocadamente que a melhor multa a ser aplicada à Recorrente é a que vigia na ocasião dos fatos geradores, mas aplicou a multa do artigo 35A da Lei 8.212/91 que nem existia na época, razão pela qual deverá ser anulada. Anulada não é o caso, mas penso que há de se analisar qual a multa melhor beneficia o Recorrente. Há de se reconhecer o direito do contribuinte à redução da multa incidente pelo não recolhimento da contribuição previdenciária para 20%, sendo a mesma aplicável a todos os períodos, uma vez que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias, devem seguir o princípio da retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte, com previsão legal no artigo 106, inciso II, "c" do CTN, reduzindose o valor da multa aplicada para o percentual de 20%, por aplicação retroativa da Lei nº 9.430/96. O art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional prevê expressamente que a lei nova possa reger fatos geradores pretéritos, desde que se trate de ato não definitivamente julgado, por aplicação do princípio da retroatividade benéfica. De mais a mais, na lei não há distinção da multa moratória e a punitiva, e por isto mesmo o contribuinte faz jus à incidência da multa moratória mais benéfica, sendo cabível a aplicação retroativa do art. 35A da Lei 8.212/91, conforme realizou o lançamento, o que deságua na não assistir razão o Recorrente. E assim restou registrado o decisum do acórdão 2301004.218: Acordam os membros do colegiado DECISÃO: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão das bonificações, devido à ausência de comprovação do fato gerador, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Analisando o relatório fiscal e observando os apontamentos constantes das FLDs (Fundamentos Legais dos Débitos), temos que o lançamento ao efetuar o cálculo se baseou nas regras postas pela legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador, tendo utilizado como multa pelo não pagamento do tributo o percentual de 24%, previsto no revogado art. 35, II, 'a', e para a cobrança da multa pelo descumprimento da obrigação acessória os valores fixos por número de segurados do então art. 32, IV e §4º todos da Lei nº 8.212/91. Segundo apurado e para cumprir a exigência do art. 106 do CTN, entendeu a autoridade fiscal que, no momento do lançamento, os valores anteriores eram mais benéficos ao contribuinte. Conforme destacado, apesar de haver uma pequena confusão na redação do voto, fato é que as partes não embargaram e a Fazenda Nacional também não apresentou recurso contra esta parte da decisão, assim, a meu vez o que teríamos hoje seria uma decisão no sentido de que o percentual a ser aplicado para fins da realização da comparação do cálculo da multa seria o de 20% previsto no atual art. 35 da Lei nº 8.212/91, que nos remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/96. Fl. 3714DF CARF MF Processo nº 12448.725700/201100 Acórdão n.º 9202007.506 CSRFT2 Fl. 9 15 Entretanto, para maioria do Colegiado, a parte da decisão que transitou em julgado foi aquela exposta no decisum que acabou por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte no que tange aos 'demais argumentos', o que inclui a manutenção da multa nos termos em que lançada. Neste cenário, e em que pese os argumentos recursais, é de se ressaltar que esta Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) tem o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna do art. 106 do CTN, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 3715DF CARF MF 16 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é o entendimento deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não Fl. 3716DF CARF MF Processo nº 12448.725700/201100 Acórdão n.º 9202007.506 CSRFT2 Fl. 10 17 apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) Fl. 3717DF CARF MF 18 cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão Fl. 3718DF CARF MF Processo nº 12448.725700/201100 Acórdão n.º 9202007.506 CSRFT2 Fl. 11 19 do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Referido entendimento, que reflete as explicações da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009, foi recentemente ratificado com edição da Súmula CARF nº 119 com o seguinte teor: SÚMULA CARF 119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Assim, quando da execução do julgado deverá ser observada a necessidade de adequação da multa haja vista a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009 e Súmula CARF nº 119. Diante do exposto, nego provimento ao recurso do Contribuinte. Conclusão: Diante do exposto conheço dos recursos para no mérito dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 3719DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.001258/2008-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que junte aos autos todos os documentos apresentados pelo contribuinte quando da intimação fiscal.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que junte aos autos todos os documentos apresentados pelo contribuinte quando da intimação fiscal. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (Assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. RELATÓRIO Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 18 a 23), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas, bem como glosa com despesa de instrução. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 01 25 8/ 20 08 -5 1 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10840.001258/200851 Resolução nº 2002000.075 S2C0T2 Fl. 57 2 Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 14 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: · Comprovou os tratamentos realizados não somente com os recibos, mas também com declaração do profissional que efetivou o tratamento e recebeu os valores; · A Declaração de Rendimentos do Impugnante comprova que o mesmo tinha saldo para efetuar pagamento em dinheiro, o que efetivamente ocorreu; · Todos os recibos atendem os requisitos estampados no RIR/99, deste modo somente caberia a exigência de cheque para a comprovação das despesas médicas, no caso de não ser possível a prova, por documento; · Em tais condições, é possível verificar que, simplesmente, presumiuse a inidoneidade dos documentos apresentados, sem qualquer prova em contrário, adotando, simplesmente, a presunção, e ignorando a boafé do impugnante; · As despesas efetuadas com cursos de idioma representam atualização profissional e são passíveis de dedução, devendo ser consideradas, sob pena de infringência ao conceito constitucional de renda. A impugnação foi apreciada na 8ª Turma da DRJ/SPOII que, por unanimidade, em 09/06/2009, no acórdão 1732.396, às efls. 28 a 33, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 37 a 54, alegando, em síntese: · que possui todos os recibos médicos e que estes foram apresentados, além de colacionar declarações dos profissionais, motivo pelo qual a glosa deve ser afastada; · que na sua DAA resta indicado que o contribuinte tinha numerário suficiente para arcar com tais despesas; · que as despesas com instrução também estão comprovadas. VOTO Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10840.001258/200851 Resolução nº 2002000.075 S2C0T2 Fl. 58 3 Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 26/06/2009, efls. 35, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 20/07/2009, efls. 37, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela dedução indevida de despesas médicas com os profissionais Carlos Alberto Franco Marzola, Roberto Gustavo Furlan e Marcos Eduardo Giacomini A DRJ manteve a autuação sob fundamento de que o contribuinte não colacionou aos autos prova do efetivo pagamento das despesas médicas, como se vê: O Impugnante, em que pesem os esforços expendidos, não logrou demonstrar a efetiva transferência dos valores, sua justificativa, no entanto, é de que tãosomente efetuava os pagamentos em dinheiro. Tal afirmação à luz do bom senso, carece de razoabilidade, pois, tratando neste item somente de despesas médicas, que em um único ano somam R$ 14.310,00, a despeito de tal demanda financeira, quer nos convencer o impugnante que, sem qualquer exceção, em nenhum momento houve transferência de valor econômico por outro meio se não o de pagamento em espécie. Contudo, o processo não está devidamente instruído, vez que os documentos que o contribuinte alega que juntou não constam nos autos. Diante do exposto, conheço do presente Recurso Voluntário e resolvo converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem junte aos autos todos os documentos apresentados pelo contribuinte quando da intimação fiscal. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.904390/2013-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. COMPROVAÇÃO PARCIAL.
Comprovado parcialmente o saldo negativo apurado pelo sujeito passivo, o direito creditório reconhecido fica limitado ao valor da comprovação.
ESTIMATIVAS COMPENSADAS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso relativos às estimativas não confirmadas em razão de não ter havido impugnação específica na Manifestação de Inconformidade apresentada.
Numero da decisão: 1401-003.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para o fim de reconhecer o crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2008, no montante de R$ 18.634.416,19, incluídos neste montante todos os valores já reconhecidos pela Unidade de Origem e Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para o fim de reconhecer o crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2008, no montante de R$ 18.634.416,19, incluídos neste montante todos os valores já reconhecidos pela Unidade de Origem e Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator. Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Comprovado parcialmente o saldo negativo apurado pelo sujeito passivo, o direito creditório reconhecido fica limitado ao valor da comprovação. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso relativos às estimativas não confirmadas em razão de não ter havido impugnação específica na Manifestação de Inconformidade apresentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para o fim de reconhecer o crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2008, no montante de R$ 18.634.416,19, incluídos neste montante todos os valores já reconhecidos pela Unidade de Origem e Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 43 90 /2 01 3- 20 Fl. 2242DF CARF MF Processo nº 16682.904390/201320 Acórdão n.º 1401003.140 S1C4T1 Fl. 2.243 2 Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP relativo a sado negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, do qual, após análise eletrônica dos itens componentes do saldo negativo pretendido, foi emitido despacho decisório eletrônico reconhecendo apenas parcialmente os créditos pretendidos e homologando parcialmente as compensações apresentadas. Dos componentes do crédito objeto de análise constatamos que foram não confirmados integralmente os valores relativos às retenções na fonte apresentadas. Foram ainda não homologadas as compensações apresentadas após o decurso do prazo legal de cinco anos da constituição dos créditos. Cientificada da decisão a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade na qual aduziu os seguintes argumentos. Que a maior parte das retenções não confirmadas decorreu de contratos de mútuo realizados pela empresa e de informações incorretas relativas a retenções do Citibank e Unibanco. Informou ainda de outros equívocos nas informações apresentadas relativas às retenções em valores menores. Não apresentou contestação contra a não confirmação das estimativas compensadas com outros créditos A Delegacia de Julgamento, tomando conhecimento da Manifestação de Inconformidade determinou a realização de diligencia para apurar os argumentos apresentados pela manifestante. Na realização da diligencia a Delegacia de Origem intimou a empresa a apresentar uma série de documentos, no entanto, em conclusão da análise informa que não foi apresentado nenhum fato a modificar o entendimento anterior e, mais, ainda, tece uma série de comentários em desfavor da empresa que, no meu entender não foram convenientes ao caso, Fl. 2243DF CARF MF Processo nº 16682.904390/201320 Acórdão n.º 1401003.140 S1C4T1 Fl. 2.244 3 posto que não se contrapuseram às dificuldades imprimidas pelo próprio órgão contra os contribuintes. Na análise da manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento Julgou procedente em parte reconhecendo apenas os valores relativos às retenções na fonte do Citibank e Unibanco que estavam comprovadas em DIRF. Cientificada da decisão a empresa apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu as seguintes alegações em síntese. 1 – No Recurso apresenta contestação contra a nãohomologação das estimativas compensadas com outros débitos que estariam sendo tratadas em outros processos em fase judicial. 2 – Protesta pero reconhecimento do valor ainda não reconhecido de R$ 2.678.289,63, relativo às retenções na fonte que se encontram registradas na DIRF onde consta a empresa como beneficiária e que não foram aceitos anteriormente, mesmo que não constante da relação do PER/DCOMP, isso em obediência ao princípio da verdade material. Recebendo o processo para análise do recurso voluntário a turma julgadora entendeu que o processo deveria ser baixado em diligência a fim de se esclarecerem alguns pontos que a turma entendeu precisarem de aclaramento. Desta forma, o processo foi baixado em diligência nos seguintes termos: Assim, entendemos que deve ser solicitada a complementação da documentação a ser analisada, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que sejam adotadas as seguintes providências: 1 Sejam acostados todos os extratos resumo de DIRF do anocalendário 2008, em que conste como beneficiário o recorrente e todas as suas filiais. 2 Seja elaborada planilha totalizadora com os valores por código de receita com os seguintes elementos: CNPJ do beneficiário (matriz ou filial) Código da Receita Valor do IR retido vinculado a esta receita 3 Seja feita a totalização dos valores que foram retidos a título de IRPJ no ano calendário 2008 com base na planilha do item precedente. 4 Por fim, com base nos valores acima apurados, seja recalculado o valor do saldo negativo de IRPJ em favor da empresa no exercício. Após a elaboração dos demonstrativos acima, que seja dada ciência ao recorrente para, querendo, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias e, após decorrido este prazo, retornese o processo a este CARF para prosseguimento. Fl. 2244DF CARF MF Processo nº 16682.904390/201320 Acórdão n.º 1401003.140 S1C4T1 Fl. 2.245 4 Atendendo à solicitação do CARF a Delegacia de Origem realizou a diligência solicitada e apresentou o relatório às fls. 2204/2208. Após a ciência ao contribuinte o processo retornou a esta Turma para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. O objeto de análise no presente recurso voluntário prendese aos seguintes elementos: 1 Valores de retenção na fonte que a recorrente alega estarem comprovados e que não teriam sido aceitos pela Receita Federal. 2 Valores de estimativas compensadas com outros tributos que não foram confirmadas na prolação do despacho decisório inicial. Passemos a analisar os ponto de discordância apresentados pelo recorrente. Das Estimativas compensadas e não confirmadas Em relação a este ponto o recorrente suscita que seja revista a não confirmação das estimativas compensadas com outros tributos apontada no despacho da delegacia de origem. Quanto a este ponto, em verdade não houve sequer apresentação de manifestação de inconformidade contra o indeferimento destas parcelas de composição do crédito. Vejase o texto no acórdão recorrido: "............ A Tabela a seguir, extraída do Despacho Decisório, detalha os valores pleiteados e reconhecidos: Fl. 2245DF CARF MF Processo nº 16682.904390/201320 Acórdão n.º 1401003.140 S1C4T1 Fl. 2.246 5 Cumpre inicialmente destacar que a lide ora em questão resumese aos valores de retenção na fonte informados pela contribuinte, no Perdcomp, que não foram validados por falta de comprovação. A empresa não traz qualquer manifestação quanto às estimativas supostamente compensadas que não foram confirmadas pelo despacho decisório." Apenas em sede de recurso voluntário o contribuinte apresenta recurso contra a não confirmação das estimativas. Infelizmente a análise destes ponto encontrase preclusa, posto não ter sido apontada na manifestação de inconformidade e, assim, em relação a esta não ocorreu a formação do litígio, não podendo, apenas em sede de recurso voluntário, o julgador iniciar a apresentação da contestação deste ponto. Desta forma, em relação a este ponto, deixo de conhecer do recurso voluntário por não haver formação do litígio. Das Retenções na Fonte confirmadas parcialmente Verificase que a recorrente apresenta, junto com o seu recurso voluntário os comprovantes de rendimento relativos às retenções na fonte de rendimentos recebidos pelas filiais da recorrente que entende não terem sido aceitas anteriormente. Pelos documentos acostados ao processo verificamos que, no despacho decisório emitido não é possível observar se os rendimentos que foram confirmados total ou parcialmente eram os percebidos pela matriz ou filiais da recorrente. A recorrente apresenta, junto ao recurso, novamente os comprovantes de rendimentos que ela entende não terem sido considerados na decisão inicial. Passemos a apresentar alguns problemas que ocorrem na análise destes processos, notadamente o de grandes empresas ou com uma grande quantidade de registros de fontes pagadoras e que influem na análise dos processos. Inicialmente, o sistema de análise dos PER/DCOMP realiza um batimento individualizado das retenções na fonte. Neste batimento há a conferência entre os códigos de retenção, períodos de apuração e até o complemento do CNPJ de identificação de cada filial com retenção. Assim, ocorrendo a divergência em qualquer destes itens a retenção não é confirmada pelo sistema. Este problema decorre de um fato simples. Não existe nenhum batimento entre os valores das retenções que eram informados nas DIPJs das empresas com os valores informados pelas empresas em suas DIRF. Assim, ao contrário do que ocorre com as declarações de imposto de renda das pessoas físicas, onde cada centavo de retenção informada Fl. 2246DF CARF MF Processo nº 16682.904390/201320 Acórdão n.º 1401003.140 S1C4T1 Fl. 2.247 6 na declaração é confirmada, o mesmo não ocorre com as pessoas jurídicas e, assim, nunca foi realizado um controle dos valores de retenção utilizados pelas empresas. Assim, quando da implantação do sistema de análise dos PER/DCOMP com todo esse rigor, obviamente ocorreram e ainda vão ocorrer inúmeras divergências de informações entre as informações do contribuinte que faz as retenções e daqueles que as utilizam. Por estas razões é que depois de algum tempo foi criada uma opção no próprio sistema de análise dos PER/DCOMP por meio da qual a confirmação das retenções na fonte pode ser feita pelos totais informados nas DIRF em que o contribuinte informado no PER/DCOMP é beneficiário. Tal modalidade facilita a análise por aproveitar todos os valores retidos sem a necessidade de batimento individualizado. Outro problema decorrente decorrente da análise dos PER/DCOMP origina se no fato de os valores das receitas financeiras das empresas serem contabilizados por meio do sistema de competência, enquanto que os valores das retenções na fonte somente são registrados quando do resgate das aplicações financeiras. Assim, por exemplo, uma empresa que teve um grande valor aplicado por um ou dois anos e que efetuou o resgate no terceiro ano, tem um valor pequeno de receitas oferecidas à tributação neste ano em confronto com o valor da retenção na fonte registrado. Para tentar minorar este problema o sistema de análise dos PER/DCOMP também foi atualizado e passou a verificar os valores das receitas da empresa sujeitas às retenções na fonte registradas nos últimos quatro anos o que tenta minorar o problema acima. Por esta razão é que propomos e fomos seguidos pela turma, retornar o processo à Delegacia de Origem para juntar os resumos totalizados das retenções na fonte a fim de possibilitar a utilização de todas as retenções existentes, haja vista que, neste caso, em relação às receitas financeiras, os valores são bem superiores aos informados nas DIRF. Por tudo isso, baixado o processo em diligência, assim respondeu a Delegacia de Origem: 11. Vale dizer, os valores informados nas planilhas juntadas ao processo, bem como o montante informado na planilha a seguir, relativo ao IRRF, consideraram apenas os extratos resumos da DIRF, conforme requerido na Diligência, não tendo sido feito o batimento das Fontes Pagadoras em cada retenção com as informações das mesmas em DCOMP/DIPJ. Considerando o montante de IRRF apurado com base nos Extratos Resumos das DIRF constantes no Sistema RFB da Matriz e respectivas Filiais, foi elaborada a Planilha a seguir: Fl. 2247DF CARF MF Processo nº 16682.904390/201320 Acórdão n.º 1401003.140 S1C4T1 Fl. 2.248 7 Com essa informação elaboramos a tabela abaixo para apresentar o valor final do saldo negativo de IRPJ a que faz jus o contribuinte. IRPJ total a pagar Pagamentos por estimativa Retenções na fonte confirmadas Saldo Negativo anual apurado Decisão DRF 485.515.873,37 476.620.220,97 15.113.269,39 6.217.616,99 Decisão DRJ 485.515.873,37 476.620.220,97 26.736.099,59 17.840.447,19 Decisão CARF 485.515.873,37 476.620.220,97 27.530.068,59 18.634.416,19 Desta forma, conforme todo o apresentado acima, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso a fim de reconhecer o crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2008, no montante de R$ 18.634.416,19, incluídos neste montante todos os valores já reconhecidos pela delegacia de origem e DRJ. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 2248DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15578.720163/2013-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-000.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratamse de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício interpostos em face do Acórdão nº 0130.261 (fls. 12.615 a 12.698), de 09 de outubro de 2014, proferido pela 1ª Turma da DRJBelémPA, que acordou, por maioria qualificada de votos, em considerar procedente em parte a impugnação apresentada por BRAZIL TRADING LTDA contra os autos de infração de IRPJ e CSLL lavrados contra si. Versa o presente processo sobre os Autos de Infração de fls. 12.20212.282, relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), anoscalendários de 2008, 2009 e 2010, com crédito total apurado no valor de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 78 .7 20 16 3/ 20 13 -7 8 Fl. 13447DF CARF MF Processo nº 15578.720163/201378 Resolução nº 1302000.716 S1C3T2 Fl. 13.448 2 R$ 551.974.423,90, incluindo o principal, a multa de ofício, os juros de mora e a multa isolada, atualizados até dez/2013. Conforme relatado na decisão combatida, o Auto de Infração referente ao IRPJ foi lavrado para imputar ao sujeito passivo as seguintes infrações: "1. Dedução de despesas não necessárias: a. Decorrentes de depreciação, seguro e utilização de aeronave– multa de 75%; b. Efetuadas com KIWI PITANGA GASTRONOMIAS LTDA e ANIS COMÉRCIO E LOCAÇÃO LTDA EPP multa de 75%; 2. Dedução de despesas não comprovadas, efetuadas com: a. NEGÓCIOS E SOLUÇÕES ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA – multa de 150%; b. TARGET CONSULTORIA E PLANEJAMENTO LTDA multa de 150%; c. MFB EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA– multa de 150%; d. LITWELL CONSULTORIA E ORIENTAÇÃO TRIBUTÁRIA LTDA – multa de 150%; e. LEVS CONSULTORIA TRIBUTÁRIA LTDA – multa de 150%; f. AUDI CONSULTORIA E PLANEJAMENTO LTDA –multa de 150%; g. ACHOA, MARQUETI, ADVOGADOS ASSOCIADOS –multa de 75 ou 150%; h. UNICONSULT CONSULTORES ASSOCIADOS LTDA multa de 150%; i. TECNOAUD AUDITORES INDEPENDENTES S/S multa de 75%; j. THOMAZ MENEZES ASSESSORIA EM ENGENHARIA LTDA multa de 75%; k. VITALIOURO ASSESSORIA EM COMUNICAÇÃO LTDA multa de 150%; l. SUN MOTORS COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA multa de 75%; m. TODAMARCA PUBLICIDADE CONSULTORIA & MARKETING multa de 150%; n. BARTOLI ADVOGADOS ASSOCIADOS – EPP multa de 150%; o. AUTOGRAF CONSULTORIA EM VENDAS LTDA multa de 150%; p. LA BARCA SERVIÇOS CONTÁBEIS ASSOCIADOS LTDA multa de 150%; q. NEW BUSINESS CONSULTING S/S LTDA multa de 150%; Fl. 13448DF CARF MF Processo nº 15578.720163/201378 Resolução nº 1302000.716 S1C3T2 Fl. 13.449 3 r. FERRÁRIO E FERRÁRIO ADVOGADOS ASSOCIADOS S/C multa de 75%; s. MIRANDA PACHECO ADVOGADOS ASSOCIADOS multa de 150%; 3. Omissão de receitas financeiras, oriundas do Fundo para Desenvolvimento das Atividades Portuárias FUNDAP multa de 150%; 4. Exclusões indevidas na apuração do lucro real, decorrentes de: a. IRRF incidente sobre remessas para o exterior – multa de 75%; b. Receitas Financeiras oriundas do FUNDAP – multa de 75%; c. Créditos tributários utilizados em compensações não homologadas pela RFB – multa de 75%; d. Encargos da PFN apurados a maior multa de 75%; 5. Insuficiência de recolhimento de IRPJ – multa de 75%; 6. Falta de recolhimento de IRPJ mensal sobre a base estimada multa isolada de 50%." Os Autos de Infração referentes à CSLL refletiram as infrações de (i) despesas não necessárias e/ou não comprovadas, (ii) omissão de receitas e (iii) exclusão indevidas, e ainda apresenta as infrações de (iv) insuficiência de recolhimento da CSLL e a (v) falta de recolhimento da estimativa mensal da CSLL Previamente à apreciação dos Recursos, fazse necessário esclarecimento, de modo que deixo de detalhar as razões recursais e passo à elucidação dos pontos a serem esclarecidos. Na verdade, por meio da Resolução nº 1302000.520, de 16 de agosto de 2017, esta Turma já converteu o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: a) informasse, dos totais de IRPJ e CSLL declarados pelo sujeito passivo como pagos a título de estimativa (linhas 18 da Ficha 12A e linha 74 da Ficha 17 das DIPJ relativas aos anocalendários de 2008 e 2009 e linhas 19 da Ficha 12A e linha 81 da Ficha 17 da DIPJ relativa ao anocalendário de 2010), quais os montantes que foram objeto de pagamento, Declaração de Compensação (DComp) e/ou de parcelamento até a data de apresentação das DIPJ constantes às fls. 649 a 851 deste processo; b) detalhasse, para cada mês dos referidos anoscalendários, o desfecho de cada uma das DComp eventualmente apresentadas e/ou parcelamento eventualmente formalizados (com indicação das datas e valores dos montantes liquidados), com especificação do número do processo administrativo correspondente; c) ao fim, elaborasse relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Fl. 13449DF CARF MF Processo nº 15578.720163/201378 Resolução nº 1302000.716 S1C3T2 Fl. 13.450 4 O Resultado da Diligência foi compilado no Despacho de fls. 13.353 a 13.383, do qual a Recorrente foi cientificada e em relação ao qual se manifestou às fls. 13.389 a 13.438. A Recorrente apontou divergência em relação aos valores pagos a título de estimativa em relação ao IRPJ e à CSLL, suscitando, ainda, a nulidade dos autos de infração, por violação ao art. 142 do CTN. Apontou, ainda, divergência em relação aos valores das estimativas apuradas, compensadas e parceladas declaradas em DCTF, renovando a alegação de nulidade. Sustenta, por fim, que as informações colhidas na Diligência confirmam as suas alegações, apresentando os demonstrativos das incorreções que estariam contidas no lançamento fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Como já esclarecido na Resolução anterior, tanto os Autos de Infração lavrados contra o sujeito passivo quanto o Acórdão recorrido consideraram como valores pagos a título de estimativa de IRPJ e CSLL, nos anoscalendários de 2008 a 2010, apenas os valores retidos na fonte e os recolhimentos realizados até o encerramento dos citados períodos. Ocorre que o sujeito passivo sustenta, no Recurso Voluntário, que todos os valores informados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e levados à apuração do saldo negativo nas Declarações de Informação EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) foram objeto de parcelamento e/ou compensação. A análise das referidas declarações corrobora que o sujeito passivo utilizou o valor de estimativas supostamente compensadas e/ou parceladas para a composição dos saldos negativos em suas DIPJ referentes aos anoscalendários de 2008 a 2010. A par disso, o Relatório Fiscal chega a discriminar, no item 10.5, processos administrativos e Declarações de Compensação (DComp) referentes à compensação de estimativas para diversos períodos dos citados anoscalendários, deixando de considerar os respectivos valores sob a alegação de que, ou a compensação havia sido considerada não declarada, ou estava pendente de análise. O entendimento da autoridade fiscal, contudo, está parcialmente correto. É que, conquanto os valores objeto de DComp considerada não declarada não devam ser considerados como estimativas pagas, o mesmo não se pode dizer dos valores informados em DComp pendente de análise. Tais estimativas estariam, à luz do art. 74, §2º, da Lei nº 9.430, de 1996, extintas sob condição resolutória de sua posterior homologação, de modo que não poderiam ser ignoradas. Neste sentido, o recentíssimo Parecer Normativo Cosit nº 2, de 3 de dezembro de 2018 (com status de norma complementar, na forma do art. 100 do CTN), concluiu: Fl. 13450DF CARF MF Processo nº 15578.720163/201378 Resolução nº 1302000.716 S1C3T2 Fl. 13.451 5 "e) no caso de Dcomp não homologada, se o despacho decisório for prolatado após 31 de dezembro do anocalendário, ou até esta data e for objeto de manifestação de inconformidade pendente de julgamento, então o crédito tributário continua extinto e está com a exigibilidade suspensa (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996), pois ocorrem três situações jurídicas concomitantes quando da ocorrência do fato jurídico tributário: (i) o valor confessado a título de estimativas deixa de ser mera antecipação e passa a ser crédito tributário constituído pela apuração em 31/12; (ii) a confissão em DCTF/Dcomp constitui o crédito tributário; (iii) o crédito tributário está extinto via compensação; não é necessário glosar o valor confessado, caso o tributo devido seja maior que os valores das estimativas, devendo ser as então estimativas cobradas como tributo devido; f) se o valor objeto de Dcomp não homologada integrar saldo negativo de IRPJ ou a base negativa da CSLL, o direito creditório destes decorrentes deve ser deferido, pois em 31 de dezembro o débito tributário referente à estimativa restou constituído pela confissão e será objeto de cobrança;" A conclusão diversa se chega, no que se refere às estimativas parceladas. É que, na forma do art. 151, inciso VI, do CTN, o parcelamento constitui uma das formas de suspensão do crédito tributário, não se enquadrando dentre as formas de extinção previstas no art. 156, do mesmo Código. Deste modo, apenas as parcelas pagas poderão compor as estimativas pagas, para fim de apuração do resultado anual. Para a correta quantificação dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de IRPJ e CSLL, como relatado, o processo foi baixado em Diligência, de cujo Despacho final (fls. 13.353 a 13.383), conjugado com a manifestação da Recorrente e demais elementos constantes do processo, extraemse as seguintes conclusões: I. IRPJ Anocalendário de 2008 DCOMP APRESENTADA PARCELAMENTO Valor Situação Valor parcelado Valor pago Processo JAN 44.920,64 Em julgamento 3.832.000,00 FEV 15.240,95 14.972,54 Em julgamento Homologada 5.284.000,00 13804.002635/200712 MAR 53.856,92 1.062.564,32 Em julgamento Homologada 6.026.186,97 6.026.186,97 ABR 85.880,07 771.118,71 Em julgamento Homologada 5.753.225,21 3.766.313,14 MAI 744.527,18 Homologada 5.345.924,15 13804.001336/200841 JUN 115.047,65 Homologada 6.279.000,00 6.279.000,00 JUL 67.932,84 160.584,94 Em julgamento Homologada 8.563.000,00 2.104.296,19 AGO 16.606,76 Homologada 10.004.714,60 13804.003209/200887 SET 3.150,52 Homologada 10.800.000,00 10.800.000,00 OUT 4.770.000,00 Não homologada 4.770.000,00 4.770.000,00 15582.000130/201004 NOV 93.616,58 Homologada 2.753.000,00 2.753.000,00 13804.005392/200855 Fl. 13451DF CARF MF Processo nº 15578.720163/201378 Resolução nº 1302000.716 S1C3T2 Fl. 13.452 6 DEZ 3.800.572,52 3.800.572,52 11543.100099/200974 Sintetizando: PAGAM. COMPENS. PARCEL. TOTAL JAN 425.854,54 44.920,64 470.775,18 FEV 587.707,68 30.213,49 617.921,17 MAR 753.813,03 1.116.421,24 6.026.186,97 7.896.421,24 ABR 719.774,79 856.998,78 3.766.313,14 5.343.086,71 MAI 669.075,75 744.527,18 1.413.602,93 JUN 698.301,27 115.047,65 6.279.000,00 7.092.348,92 JUL 952.518,80 228.517,78 2.104.296,19 3.285.332,77 AGO 1.756.179,21 16.606,76 1.772.785,97 SET 1.202.626,62 3.150,52 10.800.000,00 12.005.777,14 OUT 530.565,06 4.770.000,00 5.300.565,06 NOV 306.890,77 93.616,58 2.753.000,00 3.153.507,35 DEZ 444.366,85 3.800.572,52 4.244.939,37 9.047.674,37 3.250.020,62 40.299.368,82 52.597.063,81 II. CSLL Anocalendário de 2008 DCOMP APRESENTADA PARCELAMENTO Valor Situação Valor parcelado Valor pago Processo JAN 1.403.000,00 FEV 1.921.000,00 13804.002635/200712 MAR 373.545,82 Homologada 2.225.410,17 2.225.410,17 ABR 207.208,40 Homologada 2.124.013,56 1.378.863,64 MAI 236.195,57 Homologada 1.953.750,26 13804.001336/200841 JUN 2.130.000,00 2.130.000,00 JUL 3.182.000,00 944.823,36 AGO 3.800.000,00 13804.003209/200887 SET 3.892.000,00 3.892.000,00 OUT 1.757.000,00 1.757.000,00 15582.000130/201004 NOV 1.063.000,00 1.063.000,00 13804.005392/200855 DEZ 1.459.661,10 1.459.661,10 11543.100099/200974 Sintetizando: PAGAM. COMPENS. PARCEL. TOTAL JAN 156.928,10 156.928,1 FEV 213.772,95 213.772,95 MAR 278.589,83 373.545,82 2.225.410,17 2.877.545,82 ABR 265.986,44 207.208,40 1.378.863,64 1.852.058,48 MAI 245.249,74 236.195,57 0,00 481.445,31 JUN 257.771,33 0,00 2.130.000,00 2.387.771,33 JUL 354.014,71 0,00 944.823,36 1.298.838,07 AGO 442.615,27 0,00 0,00 442.615,27 SET 433.279,69 0,00 3.892.000,00 4.325.279,69 OUT 195.364,70 0,00 1.757.000,00 1.952.364,7 NOV 118.254,28 0,00 1.063.000,00 1.181.254,28 DEZ 168.705,67 0,00 1.459.661,10 1.628.366,77 Fl. 13452DF CARF MF Processo nº 15578.720163/201378 Resolução nº 1302000.716 S1C3T2 Fl. 13.453 7 3.130.532,71 816.949,79 14.850.758,27 18.798.240,77 III. IRPJ Anocalendário de 2009 DCOMP APRESENTADA PARCELAMENTO Valor Situação Valor parcelado Valor pago Processo JAN 404.750,92 Não homologada 3.640.000,00 3.640.000,00 10166.008796/201090 FEV 1.319.000,00 1.319.000,00 13804.000810/200907 MAR ABR MAI 257.000,00 257.000,00 JUN 1.527.979,60 1.527.979,60 JUL 4.031.976,25 4.031.976,25 AGO 3.609.822,64 3.609.822,64 10166.008796/201090 SET 764.338,64 Não homologada 6.515.076,99 4.781.268,92 13804.003247/200911 OUT 12.727.986,75 2.963.154,21 10166.008796/201090 NOV 7.000.943,18 Não homologada 7.000.943,18 5.137.843,58 13804.004557/200952 DEZ 8.082.220,03 Não homologada 8.082.220,03 5.931.374,88 13804.000263/201095 Sintetizando: PAGAM. COMPENS. PARCEL. TOTAL JAN 404.750,92 404.750,92 3.640.000,00 4.449.501,84 FEV 146.728,53 1.319.000,00 1.465.728,53 MAR ABR MAI 29.582,30 257.000,00 286.582,3 JUN 179.260,18 1.527.979,60 1.707.239,78 JUL 473.025,14 4.031.976,25 4.505.001,39 AGO 423.508,75 3.609.822,64 4.033.331,39 SET 764.338,64 764.338,64 4.781.268,92 6.309.946,2 OUT 1.493.227,49 2.963.154,21 4.456.381,7 NOV 821.339,70 5.137.843,58 5.959.183,28 DEZ 948.193,41 5.931.374,88 6.879.568,29 5.683.955,06 1.169.089,56 33.199.420,08 40.052.464,7 IV. CSLL Anocalendário de 2009 DCOMP APRESENTADA PARCELAMENTO Valor Situação Valor parcelado Valor pago Processo JAN 1.333.000,00 1.333.000,00 10166.008796/201090 FEV 525.000,00 525.000,00 13804.000810/200907 MAR ABR MAI 170.000,00 170.000,00 JUN 655.499,50 655.499,50 JUL 1.533.481,95 1.533.481,95 AGO 1.340.060,48 1.340.060,48 10166.008796/201090 SET 275.308,90 Não homologada 2.346.680,63 2.346.680,63 13804.003247/200911 Fl. 13453DF CARF MF Processo nº 15578.720163/201378 Resolução nº 1302000.716 S1C3T2 Fl. 13.454 8 OUT 5.121.653,81 1.183.227,09 10166.008796/201090 NOV 2.530.000,83 2.530.000,83 13804.004557/200952 DEZ 2.921.466,10 2.921.466,10 13804.000263/201095 Sintetizando: PAGAM. COMPENS. PARCEL. TOTAL JAN 148.475,93 1.333.000,00 1.481.475,93 FEV 59.189,10 525.000,00 584.189,10 MAR ABR MAI 19.476,35 170.000,00 189.476,35 JUN 76.902,18 655.499,50 732.401,68 JUL 179.905,70 1.533.481,95 1.713.387,65 AGO 157.213,81 1.340.060,48 1.497.274,29 SET 275.308,90 275.308,90 2.346.680,63 2.897.298,43 OUT 537.773,65 1.183.227,09 1.721.000,74 NOV 296.815,73 2.530.000,83 2.826.816,56 DEZ 342.741,83 2.921.466,10 3.264.207,93 2.093.803,18 275.308,90 14.538.416,58 16.907.528,66 V. IRPJ Anocalendário de 2010 DCOMP APRESENTADA PARCELAMENTO Valor Situação Valor parcelado Valor pago Processo JAN 10.370.631,39 7.610.798,50 13804.000581/201056 FEV 5.954.237,90 4.369.699,50 13804.000929/201013 MAR 8.568.795,64 6.288.478,50 13804.001415/201077 ABR 6.866.662,29 5.036.807,49 13804.001865/201066 MAI 0,00 JUN 787.323,01 Não homologada 659.391,58 659.391,58 11543.001732/201086 JUL 0,00 AGO 2.130.761,24 Não homologada 7.356.699,23 7.041.899,35 10166.008268/201031 SET 949.999,99 Não homologada 0,00 OUT 0,00 NOV 0,00 DEZ 0,00 Sintetizando: PAGAM. COMPENS. PARCEL. TOTAL JAN 1.216.663,25 7.610.798,50 8.827.461,75 FEV 698.541,88 4.369.699,50 5.068.241,38 MAR 1.005.277,69 6.288.478,50 7.293.756,19 ABR 805.586,07 5.036.807,49 5.842.393,56 MAI 8.156.501,77 8.156.501,77 JUN 787.323,01 659.391,58 1.446.714,59 JUL 0,0 AGO 2.130.761,24 7.041.899,35 9.172.660,59 Fl. 13454DF CARF MF Processo nº 15578.720163/201378 Resolução nº 1302000.716 S1C3T2 Fl. 13.455 9 SET 4.308.851,53 949.999,99 5.258.851,52 OUT 3.715.833,13 3.715.833,13 NOV 11.373.359,36 11.373.359,36 DEZ 10.583.985,30 10.583.985,3 41.864.599,98 3.868.084,24 31.007.074,92 76.739.759,14 VI. CSLL Anocalendário de 2010 DCOMP APRESENTADA PARCELAMENTO MÊS Valor Situação Valor parcelado Valor pago Processo JAN 3.748.917,71 2.751.255,42 13804.000581/201056 FEV 2.177.855,83 2.177.855,83 13804.000929/201013 MAR 3.186.276,75 2.338.348,61 13804.001415/201077 ABR 2.472.930,96 2.472.930,96 13804.001865/201060 MAI JUN 265.521,30 Não homologada 256.535,71 256.535,71 11543.001732/201086 JUL AGO 656.308,58 Não homologada 2.761.350,12 2.761.350,12 10166.008268/201031 SET 342.000,00 Não homologada OUT NOV DEZ Sintetizando: MES PAGAM. COMPENS. PARCEL. TOTAL JAN 439.817,16 2.751.255,42 2.751.255,42 FEV 255.502,64 2.177.855,83 2.177.855,83 MAR 273.809,00 2.338.348,61 2.612.157,61 ABR 290.120,39 2.472.930,96 2.763.051,35 MAI 2.945.683,38 2.945.683,38 JUN 265.521,30 256.535,71 522.057,01 JUL AGO 656.308,58 2.761.350,12 3.417.658,70 SET 1.558.586,80 342.000,00 1.900.586,80 OUT 1.372.668,81 1.372.668,81 NOV 4.122.225,52 4.122.225,52 DEZ 11.258.413,70 1.263.829,88 12.758.276,65 24.585.200,43 Da referida análise, contudo, restaram pendentes algumas dúvidas, de modo que voto no sentido de converter, mais uma vez, o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Vitória/ES), para que: a) junte ao processo o comprovante dos recolhimentos de R$ 129.427,58 e R$ 49.338,90, referentes ao IRPJ e CSLL, respectivamente, do período de apuração de dezembro de 2008 (conforme apontado no ANEXO IV do Despacho de fls. 13.353/13.383; b) Esclareça o fato de que o ANEXO II do citado Despacho indica que o sujeito passivo vinculou em sua DCTF relativa ao período de apuração de outubro de 2008, o Fl. 13455DF CARF MF Processo nº 15578.720163/201378 Resolução nº 1302000.716 S1C3T2 Fl. 13.456 10 montante de R$ 4.770.000,00 em compensações de IRPJ, enquanto o extrato de fl. 625 aponta, como invocado pelo sujeito passivo em sua manifestação à Diligência, um valor adicional de R$ 34.793,83. Apresente, ainda, o resultado da DComp apresentada em relação a este último valor; c) Esclareça o fato de que o ANEXO II do referido Despacho indica que o sujeito passivo compensou CSLL em relação ao período de apuração de março de 2008, no valor de R$ 278.589,83, enquanto o ANEXO IV aponta compensações homologadas no montante de R$ 373.545,82 (valor coincidente com o informado na DCTF de fl. 530); d) Esclareça o fato de que o ANEXO II do citado Despacho indica que o sujeito passivo vinculou em sua DCTF relativa ao período de apuração de abril de 2008, o montante de R$ 207.208,40 em compensações de CSLL, enquanto o extrato de fl. 623 aponta, como invocado pelo sujeito passivo em sua manifestação à Diligência, um valor adicional de R$ 42.311,16. Apresente, ainda, o resultado da DComp apresentada em relação a este último valor; e) Esclareça o fato de que o ANEXO II do citado Despacho indica que o sujeito passivo não vinculou em sua DCTF relativa ao período de apuração de junho de 2008 qualquer valor em compensações de CSLL, enquanto o extrato de fl. 623 aponta, como invocado pelo sujeito passivo em sua manifestação à Diligência, um valor de R$ 166.194,29. Apresente, ainda, o resultado da DComp apresentada em relação a este último valor; f) Esclareça o fato de que o ANEXO I do citado Despacho indica que o sujeito passivo recolheu, em relação ao período de apuração de julho de 2009, o valor de R$ 473.025,14, a título de IRPJ, enquanto o ANEXO IV aponta o montante de R$ 473.235,14. Apresente, ainda, o resultado da DComp apresentada em relação a este último valor; g) Esclareça se as estimativas de IRPJ e CSLL apontadas como recolhidas no ANEXO IV ao citado Despacho, em relação ao período de apuração de setembro de 2009, nos valores respectivamente de R$ 764.338,64 e R$ 275.308,90 são decorrentes das DComp informadas em DCTF relativa àquele período e não homologadas, conforme ANEXO III; h) Manifestese sobre os valores constantes dos quadros acima dispostos (itens I a VI), apontando eventuais divergências. Cabe observar que a referida manifestação deve levar em consideração as premissas acima adotadas, ou seja: que as estimativas compensadas e não homologadas devem compor o saldo negativo; que os valores pagos das estimativas parceladas devem ser considerados. Ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo de trinta dias, para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 13456DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.002994/2002-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS APROVEITADOS EM OUTRAS COMPENSAÇÕES.
Havendo saldo negativo de IRPJ em favor do contribuinte, e tendo sido este utilizado em outras compensações, a análise deste ser feito naquela seara, sendo objeto estranho ao referido processo.
ESTIMATIVAS MENSAIS - COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO - PROVA DA EXTINÇÃO - NECESSIDADE.
Não podem ser computados, na apuração final do IRPJ, os valores de estimativas cuja extinção, seja por pagamento, seja por compensação, não tenha sido comprovada.
Numero da decisão: 1302-003.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGÉRIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS APROVEITADOS EM OUTRAS COMPENSAÇÕES. Havendo saldo negativo de IRPJ em favor do contribuinte, e tendo sido este utilizado em outras compensações, a análise deste ser feito naquela seara, sendo objeto estranho ao referido processo. ESTIMATIVAS MENSAIS - COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO - PROVA DA EXTINÇÃO - NECESSIDADE. Não podem ser computados, na apuração final do IRPJ, os valores de estimativas cuja extinção, seja por pagamento, seja por compensação, não tenha sido comprovada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Havendo saldo negativo de IRPJ em favor do contribuinte, e tendo sido este utilizado em outras compensações, a análise deste ser feito naquela seara, sendo objeto estranho ao referido processo. ESTIMATIVAS MENSAIS COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO PROVA DA EXTINÇÃO NECESSIDADE. Não podem ser computados, na apuração final do IRPJ, os valores de estimativas cuja extinção, seja por pagamento, seja por compensação, não tenha sido comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 29 94 /2 00 2- 50 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.002994/200250 Acórdão n.º 1302003.375 S1C3T2 Fl. 196 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em exame, transcrevo o relatório da DRJ/CPS, complementandoo ao final: Trata o presente processo de Pedido de Restituição, protocolizado em 22/03/2002 (fls. 01), pelo qual a interessada solicita a restituição de saldo negativo de IRPJ gerado no anocalendário de 2000, no valor de R$ 323.438,41. Na mesma data a interessada apresentou Pedido de Compensação (fl. 02) solicitando o aproveitamento de parte do valor pleiteado R$ 4.483,25 — para utilizálo na compensação de débito de CSLL — estimativa — de mesmo montante, do período de apuração fevereiro de 2002. Depois de analisar o pedido, a DRF em Campinas/SP, por meio do Despacho Decisório de fls. 84 a 87, proferido em 12/03/2007, indeferiu o pleito e não homologou a compensação pleiteada. Consta da decisão: "10. O saldo negativo pleiteado a restituir tem origem em Recolhimentos por Estimativa e IRRF, portanto fezse necessário verificar a consistência destes itens. 11. Análise realizada na DIPJ/01 com foco no IR mensal pago por Estimativa indica um valor de R$ 139.185,87 (fl. 47); originado dos meses de Fevereiro/00 — R$ 47.719,02 e Marco/00 — R$ 91.466,85 (fl. 83). Entretanto consulta no SIEF — FISCEL, DCTF Gerencial e SINAL 08 (pág. 78, 79 e 83) não apresentaram informações sobre estes débitos, dessa forma nãodeclarados e não quitados pelo contribuinte, impossibilitando seu aproveitamento. 12. Quanto ao IRRF do período de 2000, foi realizada análise comparativa entre os valores declarados em DIPJ pelo contribuinte e DIRF, apresentado pelas fontes pagadoras, mostrando compatibilidade entre as declarações (DIPJ fl. 48; e DIRF fl. 49 a58), estando Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.002994/200250 Acórdão n.º 1302003.375 S1C3T2 Fl. 197 3 portanto comprovado o saldo negativo no período no valor de R$ 184.252,50. 13. Pesquisa realizada no sistema DCTF Gerencial apresentou compensações efetuadas pelo contribuinte a partir do crédito pleiteado com os seguintes débitos: 14. 0 débito tributo 2484, CSLL, período de apuração 02/2002, foi apresentado a compensar no presente processo e está informado em compensação DCTF (doc. fl. 39). 15. Efetuados os cálculos de compensação conforme demonstrativo nas fls. 80 a 82, os quais fazem parte do presente despacho, observase que o montante de R$ 184.252,50 foi completamente utilizado em compensações efetuadas pelo contribuinte e não há, portanto,qualquer crédito a ser restituído, além de o contribuinte ter utilizado montante maior que o disponível para compensar — valor este constante no documento fl. 82, atualizado até março de 2007". Cientificada do conteúdo do despacho, em 16/03/2007, conforme atesta o Aviso de Recebimento anexado A fl 93, a contribuinte protocolizou, em 16/04/2007, manifestação de inconformidade, acostada As fls. 94 a 97, protestando contra o indeferimento do pleito. Segundo alega, a Administração reconheceu, a seu favor, parte do direito creditório pleiteado, no valor de R$ 184.252,50, homologando as compensações a ele vinculadas, mas que o indeferimento da parcela restante do crédito reivindicado, no valor de R$ 139.185,87, não tem nenhum fundamento, diante da legitimidade do indébito de sua titularidade. Observa que os montantes de R$ 47.719,02 e R$ 91.466,85, relativos às estimativas de IRPJ dos meses de fevereiro/2000 e março/2000, respectivamente, cuja quitação não foi reconhecida pela autoridade administrativa diante da ausência de informações nos sistemas internos da RFB, na verdade teriam sido compensados com saldo negativo do ano calendário 1999. Afirma que, à época dos fatos, não havia obrigatoriedade de submeter esse tipo de compensação A apreciação administrativa, e que essa exigência só passou a vigorar com o advento da Instrução Normativa n° 210, de 2002. Ademais, segundo suas palavras, "os valores que a fiscalização julga não Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.002994/200250 Acórdão n.º 1302003.375 S1C3T2 Fl. 198 4 declarados foram devidamente informados em DCTF retificadora, e o que se verifica da análise da documentação anexa (documento 5)". Julgando ser seu legitimo direito requer, ao final, o deferimento integral da restituição pleiteada bem como a homologação total da compensação efetuada. É o relatório.” Após análise das razões acima, a 2ª Turma de Julgamento da DRJ/CPS, através do Acórdão n.º 0521.502, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e, por via de consequência, não reconheceu o direito creditório pleiteado. Vejamos a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 SALDO NEGATIVO APROVEITAMENTO CONCOMITANTE EM DIVERSAS COMPENSAÇÕES COM E SEM PROCESSOS INSUFICIÊNCIA. Deve ser indeferido o direito credit6rio pleiteado em pedido de restituição bem como devem ser declaradas não homologadas as compensações a ele vinculadas quando se verifica que o crédito invocado já foi utilizado em outras compensações efetuadas sem processo. ESTIMATIVAS MENSAIS COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO PROVA DA EXTINÇÃO NECESSIDADE. Não podem ser computados, na apuração final do IRPJ, os valores de estimativas cuja extinção, seja por pagamento, seja por compensação, não tenha sido comprovada. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário submetendo o caso à apreciação deste Conselho, aduzindo, em síntese, as mesmas razões da Manifestação de Inconformidade, acrescentando o seguinte: (a) o pedido de restituição solicitado pelo contribuinte remontaria o montante original de R$ 323.438,41, sendo oriundo do (i) IRPJ pago por estimativa nos meses de fevereiro e março/2000, no montante de R$ 139.185,87; e (ii) de IRRF referente ao período de 2000, na quantia de R$ 184.252,50, ambos acrescidos dos juros SELIC; (b) o crédito tributário, no montante de R$ 139.185,87, decorre de compensação anterior, efetuada com o saldo negativo de IPRJ do anocalendário de 1999, conforme constatam a DIPJ/2001 e a DCTF do primeiro trimestre de 2000; (c) por outro lado, o restante do crédito tributário, no valor de R$ 184.252,50 foi validado pela RFB em consulta ao seu sistema eletrônico, tendo sido indeferida apenas a Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.002994/200250 Acórdão n.º 1302003.375 S1C3T2 Fl. 199 5 sua restituição, uma vez que tal crédito havia sido utilizado para compensação de outros valores; (d) o crédito tributário total foi utilizado para compensação de R$ 4.483,25 CSLL estimativa, em fevereiro/2002, além de parte das compensações nos valores de (i) R$ 203.416,52 IRPJ estimativa, apurado em fevereiro/2002; e, (ii) R$ 205.259,73, IRPJ estimativa, referente a março/2002; (e) com base nisso, o presente processo administrativo não ventila o deferimento da restituição previamente pleiteada, mas sim a homologação das compensações ora mencionadas. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade recursal, conheço do presente Recurso Voluntário. O crédito aqui discutido decorre de pagamento indevido ou a maior relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, correspondente ao valor de R$ 323.438,41 relativa ao ano calendário de 2000. O Contribuinte alega ter apurado saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ("IRPJ") originado de (i) recolhimentos de imposto de renda pago por estimativa, referente aos meses de fevereiro/2000 e março/2000, nos montantes de R$ 47.719,02 e R$ 91.466,85, respectivamente, e (ii) retenções de Imposto de Renda Retido na Fonte ("IRRF"), na quantia total de R$ 184.252,50. Em seguida, tendo observado que a DCTF do período, por um equívoco, não contemplava a compensação ocorrida com o saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 1999, apresentou DCTF retificadora em 04/2007. O Contribuinte alegou ainda, em sua defesa, que, ao compensar o valor de R$ 139.185,87, não apresentou pedido de compensação, já que à época dos fatos não existia a obrigatoriedade da entrega quando o débito e o crédito objeto da compensação se referiam a um mesmo tributo. Esta obrigatoriedade passou a existir a partir da Instrução Normativa n° 210, de 2002. A unidade de origem aduziu que, de fato, a análise realizada na DIPJ/01 com foco no IR mensal pago por Estimativa indicara um valor de R$ 139.185,87 (fl. 47); originado dos meses de fevereiro/00 — R$ 47.719,02 e março/00 — R$ 91.466,85 (fl. 43). Entretanto consulta no SIEF — FISCEL, DCTF Gerencial e SINAL08 (pág. 78, 79 e 83) não apresentou informações sobre estes débitos, dessa forma nãodeclarados e não quitados pelo contribuinte, impossibilitando seu aproveitamento. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10830.002994/200250 Acórdão n.º 1302003.375 S1C3T2 Fl. 200 6 Em relação ao crédito de R$ 184.252,50, observou a fiscalização que, efetuados os cálculos de compensação conforme demonstrativo nas fls. 80 a 82, os quais fazem parte do presente despacho decisório, se verificou que o referido montante foi completamente utilizado em compensações efetuadas pelo contribuinte e não há, portanto, qualquer crédito a ser restituído, além deste ter utilizado montante maior que o disponível para compensar — vide fl. 82 atualizado até março de 2007. Conforme exposto no acórdão recorrido, esse valor já fora utilizado em compensações posteriores para a quitação de débitos de estimativas de IRPJ, referentes aos meses de fevereiro e março de 2002. Interessante apontar que o próprio contribuinte admite o exposto no acórdão, em sede de Recurso Voluntário. Desta feita, já tendo sido tal valor aproveitado em outras compensações, se torna objeto estranho ao referente processo. Se é correta ou não a homologação destas, isso deve ser analisado nos processos relativos ao aproveitamento de tais créditos, e não no presente caso. Passando à análise da parcela de R$ 139.185,17, vejamos: A recorrente afirma que tal valor, composto pelos montantes de R$ 47.719.02 e 91.466,85 são referentes aos meses de fevereiro e março de 2000, respectivamente, e teriam sido compensados com saldo negativo do ano calendário de 1999. Vejase o trecho no qual acórdão recorrido se manifestou sobre o tema: De fato, analisando referidas afirmações, constatase, em pesquisas efetuada junto aos sistemas internos da RFB, que no anocalendário 1999 a recorrente teria apurado saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 318.951,69. No entanto, o fato de a Declaração de IRPJ indicar a existência de saldo negativo de IRPJ não implica, necessariamente, na consistência do valor apurado, tampouco que as compensações efetuadas com esse suposto crédito apresentem as necessárias condições para que sejam considerados extintos os respectivos débitos. (Grifei) Como se observa da leitura do acórdão, restou caracterizado "não ser possível concluir que o saldo negativo de IRPJ de 1999 tenha sido efetivamente utilizado na compensação das estimativas de IRPJ dos meses de fevereiro e março de 2000, já que a recorrente poderia têlo aproveitado de outra forma (...)." De fato, consultas no SIEF — FISCEL, DCTF Gerencial e SINAL 08 (pág. 78, 79 e 83) não apresentaram informações sobre estes débitos, dessa forma nãodeclarados e não quitados pelo contribuinte, impossibilitando seu aproveitamento. Em que pese a recorrente ter agido dentro dos termos da lei, não há, de fato, informações no processo que permitam concluir se tal saldo, no valor de R$ 139.185,87, foi ou não foi utilizado em compensações sem processo. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10830.002994/200250 Acórdão n.º 1302003.375 S1C3T2 Fl. 201 7 Ademais as planilhas apresentadas pela recorrente em sede de impugnação, vide fls. 131 e segs, não se prestam a comprovar o seu direito creditório. Como se sabe, em se tratando de compensação, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus do contribuinte, conforme interpretase do 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Nessa situação particular, a Recorrente não apresentou documentação comprobatória de seu suposto direito creditório. Assim, correta a decisão recorrida. Conclusão Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 201DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19395.900742/2013-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/06/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO.
Não restando comprovado, pelo interessado, o Pagamento Indevido ou Maior, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve homologada a compensação efetuada.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Não restando comprovado, pelo interessado, o Pagamento Indevido ou Maior, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve homologada a compensação efetuada. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1390; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 148 1 147 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19395.900742/201300 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.658 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria COFINS Recorrente COMPANHIA PETROLIFERA MARLIM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Não restando comprovado, pelo interessado, o Pagamento Indevido ou Maior, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve homologada a compensação efetuada. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 5. 90 07 42 /2 01 3- 00 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 19395.900742/201300 Acórdão n.º 3301005.658 S3C3T1 Fl. 149 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 79 a 92) interposto pelo Contribuinte, em 27 de abril de 2018, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1482.782 (fls. 63 a 68), de 22 de março de 2018, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que decidiu, por unanimidade de votos julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 4 e 17) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente, de Declaraçaõ de Compensação transmitida pelo Sistema PER/DCOMP sob no 11352.48205.131010.1.3.044453, data da transmissão 13/10/2010, com a utilização de créditos oriundos de Pagamento Indevido ou a Maior do tributo COFINS, código da receita 5856, referente ao período de apuracã̧o 31/05/2004, no valor de R$ 638.581,24, contido em pagamento efetuado em 15/06/2004, no valor de R$ 5.145.847,32. O interessado acima qualificado é sucessora por incorporação da Companhia Petrolífera Marlim S/A, inscrita no CNPJ sob no 02.854.397/000104 e sucessora por incorporação de Marlim Participações CNPJ no 03.301.811/000110. O PER/DCOMP acima descrito foi apresentado pela sucedida CNPJ no 02.854.397/000104. Juntouse ao presente Relatório Fiscal denominado "Intervençaõ da DCOMP" com proposta de não reconhecimento do direito creditório, doc. de fls. 57 a 62. Despacho Decisório eletrônico da Delegacia da Receita Federal do Brasil, no Rio de Janeiro – RJ, datado de 06/05/2014, doc. de fls. 29, não homologou a compensação declarada sob o argumento de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos sem saldo reconhecido para compensaca̧õ dos débitos informados PER/DCOMP. O Interessado apresentou manifestaçaõ de inconformidade alegando em síntese: 1. Que seu crédito não foi reconhecido conforme fundamentação contida no processo de guarda de nº 16682.720804/201106, vez que a fiscalização entendeu que a razão do ajuste que causara a redução da receita não restou esclarecida no processo. Além disso, ressaltou que, há uma divergência entre os valores da receita de prestação de serviços oferecida à tributação, constantes da DIPJ e da DIRF apresentada pela fonte pagadora declarante desse tipo de receita (no caso, a própria Petrobras); 2. Segundo o contrato firmado em dezembro de 1998, entre a Petrobras e a Companhia Petrolífera Marlim, por meio do qual a Petrobras tinha a obrigação de repassar à Marlim o valor correspondente às despesas suportadas pela Marlim com o pagamento de empréstimos. Assim a Marlim contabilizava como despesas os valores que pagava às instituições financeiras a título de empréstimo contraído em prol do Contrato Anexo 1 e quando do repasse dos respectivos Fl. 149DF CARF MF Processo nº 19395.900742/201300 Acórdão n.º 3301005.658 S3C3T1 Fl. 150 3 valores pela Petrobras, a Marlim contabilizava como receita (reproduz cláusulas do contrato); 3. Entretanto, no período de maio de 2004, houve um erro na contabilização das despesas de juros pagos a título de empréstimo, e tais juros foram provisionados sobre o valor principal do empréstimo, sem considerar as amortizações havidas no montante do principal, para o período de janeiro a agosto de 2004. Assim com a redução das despesas de juros contabilizada, houve a necessidade de se ajustar a receita da Companhia Marlim, conforme demonstrado no livro razão, de forma que para o período de janeiro a agosto de 2004, houve recolhimento a maior da contribuição, em função da receita supervalorizada; 4. Por meio de planilhas em anexo, demonstramse os valores de receita da Companhia Marlim antes e depois do ajuste nas despesas de juros, bem como das receitas mensais apuradas antes e depois dos ajustes; 5. Que relativamente à incongruência de valor constante na DCTF Retificadora com o valor declarado no DACON, ficou explicitado por meio da resposta à intimação fiscal que na DCTF não foi considerado o crédito de R$ 1.576.063,02, que está declarado no DACON, ocorrendo erro material no preenchimento da DCTF, não podendo comprometer o direito do contribuinte. Reproduzindo nesse sentido acórdão proferido pelo CARF; 6. No que tange a divergência de valores informados em DIPJ e DIRF, ressalta que tais declarações não podem ser comparadas para efeito validação de uma pela outra, eis que tais documentos são elaborados com base em critérios diferentes e para finalidades diversas, pois somente serão compatíveis no caso de uma empresa que receba toda a sua receita à vista, e na qual a emissão das notas fiscais das receitas apuradas pelo regime de competência sejam emitidas dentro do mês correspondente. Nesse sentido o CARF já se manifestou conforme citação de ementas proferidas pelo aludido Órgão. Diante do exposto, requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade homologando a compensação declarada, protesta pela juntada posterior de documentos, bem como pela produção de outras provas para o deslinde da ação. Requer ainda que todas as intimações sejam encaminhadas ao procurador da requerente Dr. Nílton Antônio de Almeida Maia, OAB/RJ 67.460. Foram juntados os seguintes documentos: a) Cópia da Memória de Cálculo do Ajuste ref. Juros MTN Program diferença entre a situação atual e a nova; b) Cópia do Demonstrativo de Apuração de Contrições Sociais DACON; c) Cópia do Livro Razão; d) Cópia de Demonstrativo de Apuração da Contribuição "Situação: ANTIGA e NOVA"; e) Cópia do Contrato de criação do Consórcio entre Petrobras e Cia Marlim, no idioma inglês e suplemento de preços no idioma nacional; f) Cópia da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF; g) Cópia do Contrato de suporte firmado entre Petróleo Brasileiro SA Petrobras e Cia. Petrolífera Marlim, datado de 14/12/1998; Diante da decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 19395.900742/201300 Acórdão n.º 3301005.658 S3C3T1 Fl. 151 4 É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1482.782 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/06/2004 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada à existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo, no domicílio fiscal eleito por ele. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/06/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Não restando comprovado, pelo interessado, o Pagamento Indevido ou Maior, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve homologada a compensação efetuada. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O entendimento da autoridade administrativa fiscal e da DRJ no que tange a matéria principal foi de que sem a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado não há como homologar a compensação pretendida. O Contribuinte requer preliminarmente a reunião do processo nº 19395.900203/201796, referente a pedidos de restituição (PER 02290.19182.230108.1.2.04 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 19395.900742/201300 Acórdão n.º 3301005.658 S3C3T1 Fl. 152 5 6218 e PER 13801.59939.200409.1.2.041813), com o presente processo referente a DCOMP 11352.48205.131010.1.3.044453, para julgamento em conjunto com o intuito de evitar decisões contraditórias. Atendendo a preliminar, o julgamento do presente processo e do processo nº 19395.900203/201796 serão julgados na mesma sessão por ser pertinente e importante a solicitação. Em seguida o Contribuinte apresenta em seu recurso quadro demonstrativo da composição do indébito e os pontos controversos acerca da (i) retificação da DCTF e DACON e (ii) Divergência entre a DIRF e a DIPJ. A questão primeira envolve, no entender do Contribuinte, ajustes de contas de despesas de juros e que promoveram efeitos nas contas de receitas, em que o Contribuinte (fls. 85): ficara responsável por gerir as despesas de consórcio, com o qual assumiu, por exemplo, a responsabilidade por pagar os empréstimos contratados por ele para a execução da sua atividade. Por óbvio que, em razão do rateio das despesas entre as parceiras, cumpria a Recorrente exigir o ressarcimento daquilo que foi obrigada a dispender para o pagamento dos referidos empréstimos. Aludidos valores, quando retornavam, eram oferecidos à tributação pela Recorrente. Entretanto, em dezembro de 2004 as empresas parceiras identificaram equívocos, de janeiro a agosto de 2004, que determinaram a majoração indevida no cálculo, ocasião em que exigiram a devolução do respectivo valor. Aludida situação determinou, por óbvio, a redução das depesas com juros contabilizada pela Recorrente e, paralelamente, na também da sua contabilidade, a redução da parcela relativa à receita de devolução dos aludidos juros que lhe eram reembolsados mês a mês. (...) Esta circunstância, conforme exposto, levou ao ajuste de receita, com base nos instrumentos contratuais, anexados com a manifestação de inconformidade, justificaram a redução da despesa de juros contabilizada, necessitando ajustar a receita da Companhia Petrolífera Marlim nos períodos e valores respectivos. (...) Por outro lado, vale também destacar o erro material sob o qual a Recorrente incorreu quando do preenchimento de sua DACON retificadora ativa, o qual também veio a ser utilizado para minar a integridade do indébito perseguido pela Contribuinte. (...) Já em relação a divergência entre a DIRF e DIPJ assim se pronuncia o Contribuinte: Em relação a divergência apontada no relatório fiscal e no acórdão da DRJ, verifica se que a Fiscalização parte de equivocada premissa de que os valores constantes na DIRF (sujeita ao regime de caixa) tem que corresponder ao valor constante na DIPJ (...) Dito isto fica demonstrada essa pseuda diferença, em que nada interfere no pedido ora em análise, posto que aludida diferença não configura receita a ser levada à tributação, imprestável, portanto, como fundamento para a glosa ora questionada. Em relação a estes dois pontos o Contribuinte reforça o já exposto quando da Fl. 152DF CARF MF Processo nº 19395.900742/201300 Acórdão n.º 3301005.658 S3C3T1 Fl. 153 6 Manifestação de inconformidade. De forma suplementar, se não provido o recurso, requer provimento parcial nestes termos (fls. 91): Na eventualidade de se superar os itens anteriores, resta suscitar pelo simples amor ao debate, que o indébito de COFINS (cód. 5856) no período de apuração maio de 2004 guarda estreita relação com o indébito de PIS (cód. 6912) no mesmo período. Nesse sentido, o indébito de PIS (cód. 6912) no período de apuração maio de 2004 – tratado no PAF n º 19395.900908/201461 – teve despacho decisório parcialmente favorável, onde se reconheceu a importância de R$ 50.106,40 (DOCUMENTO_COMPROBATORIO 03). Dessa forma e aplicando a mesma metodologia adotada no referido PAF paradigma, não resta dúvidas que no presente caso, no mínimo, devese reconhecer o indébito de R$ 230.793,12, apenas por medida de coerência. Na análise do pedido principal do Contribuinte entendo que este, mesmo em sede de Recurso Voluntário, não comprova a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Como visto acima tece argumentos acerca do ocorrido, mas não traz aos autos a comprovação necessária do crédito, com a juntada genérica de documentos contábeis. Neste sentido, por bem expressar o entendimento, cito trechos da decisão ora recorrida como razões para decidir: Mérito. A contestação do contribuinte se resume em alegar que o indébito é decorrente de erro de contabilização das despesas de juros que após os ajustes elaborados refletiu na receita de prestação de serviços entre a sucedida (Marlim) e sucessora (Petrobras), abrangendo o período de janeiro a agosto de 2004, nos termos do consórcio modelado entre a Petrobras e a Marlim. Também alega que as divergências dos valores da receita informada na DIPJ em confronto com a receita da DIRF não deve ser comparada, pois tais documentos são elaborados com base em diversas finalidades e diferentes critérios e com apuração pelo regime de competência. Por fim alega erro de preenchimento da DCTF. Cabe destacar que no decorrer da análise do direito creditório o interessado foi intimado a prestar os esclarecimentos acerca da redução do valor do débito apurado na DCTF relativamente à contribuição em questão, tendo em vista que foi apontado diferenças entre o DACON (receitas de prestação de serviços) e DCTF (contribuição apurada). O interessado também foi intimado para apresentar demonstrativo/planilha de apuração da base de cálculo que resultou no valor total pago do tributo, demonstrando, ainda, quais foram os ajustes efetuados que culminaram na retificação do valor originalmente apurado e os correspondentes motivos de tais alterações, juntando documentação contábil/fiscal que respalde tal procedimento. Também foi intimado a explicar a divergência entre o valor da receita de prestação de serviços oferecida à tributação (DIPJ) e a informada na DIRF. O interessado apresentou à fiscalização demonstrativos/planilhas e cópia do Livro Razão para comprovar a existência de seu suposto crédito pleiteado esclarecendo que a redução dos débitos da contribuição deveuse à queda na Receita da prestação de serviços. Consta no Relatório Fiscal que o Razão Analítico apresentado para contemplar o lançamento total relativo à diferença da contribuição do mês de janeiro a Fl. 153DF CARF MF Processo nº 19395.900742/201300 Acórdão n.º 3301005.658 S3C3T1 Fl. 154 7 agosto/2004, não ficou esclarecida a razão da redução na receita, apenas explica que houve a necessidade de ajustar os juros a pagar de um empréstimo e que em função disso houve a necessidade de reduzir a receita. Verificouse que na planilha apresentada não foi possível identificar a composição do referido valor da diferença da receita, pois não estão detalhadas as rubricas e valores que compuseram referido montante. Os documentos juntados na manifestação de conformidade, não corroboraram para elucidar a existência do suposto crédito. De igual modo, relativamente a divergência apurada entre o valor da receita de prestação de serviços oferecida à tributação na DIPJ e a informada em DIRF do ano de 2004 pela fonte pagadora declarante desse tipo de receita, constante dos sistemas RFB, o interessado alegou que os valores de receita registrados na escrita contábil dificilmente seriam os mesmos constantes da DIRF, uma vez que na DIPJ seriam informados segundo o regime de competência e os valores da DIRF obedeceriam ao regime de caixa, sendo esse o motivo da diferença. Entretanto não comprovou que a diferença entre os valores da receita foram oferecidos à tributação em anos anteriores. Ficou neste item desprovido de comprovação, pois o interessado não trouxe aos autos os esclarecimentos e os devidos registros contábeis lastreado por documentação que permitam verificar o alegado de forma exata, certa e líquida. Concluise que não basta entender o interessado que detém o crédito a restituir/compensar, mas deve comproválo, trazendo à colação dos autos os assentamentos contábeis/documentação que permitam verificar o alegado. A documentação apresentada não se mostrou hábil e idônea para possibilitar formar convicção quanto às alegações do interessado. Há que se consignar, nos termos do art. 156, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN, que a compensação tributária é uma modalidade de extinção do crédito tributário, mediante a qual se promove o encontro de duas relações jurídicas: (i) a relação jurídica de indébito tributário, na qual o contribuinte tem o direito de exigir, e o Estado tem o dever de restituir determinada quantia ao contribuinte; e (ii) a relação jurídica tributária, na qual o Estado tem o direito de exigir, e o contribuinte o dever de recolher determinada quantia aos cofres públicos (crédito tributário). Nesse sentido, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se o pedido de restituição/compensação, ora em exame, encontrase devidamente instruído, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Portanto, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional, exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório recai sobre o contribuinte interessado. Não ficando demonstrada a liquidez do crédito tributário pleiteado para fins de restituição ou compensação, não há como conceder direitos creditórios, nem homologar a compensação, sob pena de afrontar o art. 170 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Nesse sentido, concluise não ter sido comprovada, nos autos, a existência integral do direito creditório, líquido e certo, do interessado contra a Fazenda Pública, passível de restituição ou compensação, nos termos do art. 170 do CTN. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 19395.900742/201300 Acórdão n.º 3301005.658 S3C3T1 Fl. 155 8 Diante do exposto, VOTO para julgar a manifestação de inconformidade como improcedente. Já no que tange ao pedido suplementar, de reconhecimento de indébito com referência a outro processo, padece também do mesmo problema, ou seja, não se apura, não se comprova a liquidez e a certeza do crédito alegado. Portanto, de acordo com os autos do processo e da legislação aplicável, voto por negar provimento ao recurso do Contribuinte. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000475/2005-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
COFINS. DECADÊNCIA. REGRAMENTO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
O art. 45 da Lei nº 8.212/91, que previa o prazo decadencial de dez anos para a Cofins, foi declarado inconstitucional, conforme Súmula Vinculante nº 8 do STF, pelo que deve ser utilizado o regramento do Código Tributário Nacional, que tem, como prazo máximo, cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Recurso especial do contribuinte provido.
Numero da decisão: 9303-008.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 COFINS. DECADÊNCIA. REGRAMENTO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O art. 45 da Lei nº 8.212/91, que previa o prazo decadencial de dez anos para a Cofins, foi declarado inconstitucional, conforme Súmula Vinculante nº 8 do STF, pelo que deve ser utilizado o regramento do Código Tributário Nacional, que tem, como prazo máximo, cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Recurso especial do contribuinte provido.
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E SOLIDÁRIOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 COFINS. DECADÊNCIA. REGRAMENTO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O art. 45 da Lei nº 8.212/91, que previa o prazo decadencial de dez anos para a Cofins, foi declarado inconstitucional, conforme Súmula Vinculante nº 8 do STF, pelo que deve ser utilizado o regramento do Código Tributário Nacional, que tem, como prazo máximo, cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Recurso especial do contribuinte provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 04 75 /2 00 5- 38 Fl. 606DF CARF MF Processo nº 18471.000475/200538 Acórdão n.º 9303008.222 CSRFT3 Fl. 3 2 Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte (fls. 381/389), admitido pelo despacho datado de 30/05/2008 (fls. 424/427) apenas quanto à decadência, e mantido pelo reexame de admissibilidade de 02/09/2015 (fls. 565/567), contra o Acórdão 20311.554 (fls. 332/342), de 09/11/2006, assim ementado na matéria que foi devolvida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2000 a 31/12/2000 COFINS. DECADÊNCIA. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário da Cofins decai em dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o crédito poderia ter sido constituído, consoante o art. 45 da Lei nº 8.212/91. Em resumo postula o contribuinte em relação à decadência que seja aplicada a norma do art. 150, § 4º, uma vez que houve recolhimento parcial dos valores dos períodos abarcados pelo lançamento, e não o art. 45 da Lei 8.212/91, como entendeu o recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso do contribuinte nos termos em que foi admitido. Como relatado, a discussão cingese à contagem do prazo decadencial. Foram lançados nestes autos a cobrança da COFINS da diferença apurada entre o valor tributável apurado em fiscalização e o valor declarado pelo contribuinte entre 01/01/2000 e 31/12/2000. O contribuinte tomou ciência da exação em abril de 2005. A decisão recorrida aplicou o art. 45 da Lei 8.212/91. A solução da lide não comporta maiores delongas ante o teor da Súmula Vinculante 08 do STF que declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91. Tem a mesma o seguinte enunciado: Súmula Vinculante nº 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 18471.000475/200538 Acórdão n.º 9303008.222 CSRFT3 Fl. 4 3 Portanto, inconteste que o prazo decadencial das contribuições sociais passou a ser regrado exclusivamente pela normas complementares a respeito veiculadas pelo CTN. Sendo a COFINS sujeita à lançamento por homologação, a contagem do prazo, em caso, tem como termo a quo a data de ocorrência do fato gerador, eis que houve parcial pagamento das mesmas, nos termos em que inicialmente declarado em DCTF. Portanto, para o termo a quo aplicase o art. 150 § 4º. Assim, decaído o direito do Fisco em constituir crédito tributário de janeiro a março de 2000. Nesse sentido vários julgados desta E. Turma da CSRF. Cito um recente, o aresto 9303007.821, julgado em 12/12/2018, de relatoria do Dr. Rodrigo Pôssas. CONCLUSÃO Em face do exposto, dou provimento ao recurso especial do contribuinte para declarar a decadência das cobranças relativas aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2000. Quanto aos demais, resta mantido o lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 608DF CARF MF Processo nº 18471.000475/200538 Acórdão n.º 9303008.222 CSRFT3 Fl. 5 4 Fl. 609DF CARF MF
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