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Numero do processo: 10120.000960/2010-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008
REMUNERAÇÕES LANÇADAS EM FOLHA DE PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Ao comprovar a existência de valores constantes em folha de pagamento não
declarados em GFIP, a Auditoria cumpriu o seu mister de demonstrar a
ocorrência dos fatos geradores correspondentes a esses pagamentos.
REMUNERAÇÃO CONSTANTE EM FOLHA DE PAGAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. INEXISTÊNCIA.
Não se caracteriza a aferição indireta do salário de contribuição
quando o mesmo é obtido de documentos comprobatórios de pagamento de
remuneração, no presente caso, folhas de pagamento.
BIS IN IDEM. APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE AS PARCELAS SALARIAIS NÃO DECLARADAS EM GFIP. INEXISTÊNCIA.
No crédito em questão foram apuradas as contribuições incidentes sobre
remunerações não declaradas em GFIP, assim não há duplicidade de
cobrança, uma vez que em relação a tais parcelas não houve qualquer
recolhimento de contribuições.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008
REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE NORMA OBRIGANDO TAL PROCEDIMENTO.
Inexiste no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal norma que
torne obrigatório o julgamento conjunto de processos lavrados contra o
mesmo contribuinte, ainda que guardem relação de conexão, quando há
elementos que permitam o julgamento em separado.
PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. INAPLICABILIDADE.
O procedimento fiscal possui característica inquisitória, não sendo cabível,
nessa fase, a observância do contraditório, que só se estabelecerá depois de
concretizado o lançamento.
RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA
TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo,
quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos
necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência.
DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO E CARREGA A MOTIVAÇÃO SUFICIENTE AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo,
quando o órgão julgador enfrenta todas as alegações suscitadas por esse e traz
a motivação necessária ao exercício do pleno direito defesa do administrado.
REQUERIMENTO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de perícia técnica/diligência quando esta não
se mostrar útil para a solução da lide.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008
INDICAÇÃO DOS MOTIVOS PARA SELEÇÃO DE EMPRESA A SE SUBMETER A PROCEDIMENTO FISCAL. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA.
Os procedimentos fiscais, em geral, tem por finalidade averiguar a
regularidade do sujeito passivo quanto ao cumprimento de suas obrigações
tributárias, não sendo obrigatório à Administração Tributária justificar os
motivos que a levaram a selecionar determinado contribuinte a ser submetido
a ação fiscal.
DESENVOLVIMENTO DOS TRABALHOS FISCAIS NA SEDE DA EMPRESA FISCALIZADA. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA.
Inexiste norma que obrigue o Fisco a desenvolver os trabalhos de auditoria
obrigatoriamente em estabelecimento do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.049
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar as preliminares suscitadas; II) indeferir o pedido de perícia técnica/diligência; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 REMUNERAÇÕES LANÇADAS EM FOLHA DE PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Ao comprovar a existência de valores constantes em folha de pagamento não declarados em GFIP, a Auditoria cumpriu o seu mister de demonstrar a ocorrência dos fatos geradores correspondentes a esses pagamentos. REMUNERAÇÃO CONSTANTE EM FOLHA DE PAGAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. INEXISTÊNCIA. Não se caracteriza a aferição indireta do salário de contribuição quando o mesmo é obtido de documentos comprobatórios de pagamento de remuneração, no presente caso, folhas de pagamento. BIS IN IDEM. APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE AS PARCELAS SALARIAIS NÃO DECLARADAS EM GFIP. INEXISTÊNCIA. No crédito em questão foram apuradas as contribuições incidentes sobre remunerações não declaradas em GFIP, assim não há duplicidade de cobrança, uma vez que em relação a tais parcelas não houve qualquer recolhimento de contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE NORMA OBRIGANDO TAL PROCEDIMENTO. Inexiste no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal norma que torne obrigatório o julgamento conjunto de processos lavrados contra o mesmo contribuinte, ainda que guardem relação de conexão, quando há elementos que permitam o julgamento em separado. PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. INAPLICABILIDADE. O procedimento fiscal possui característica inquisitória, não sendo cabível, nessa fase, a observância do contraditório, que só se estabelecerá depois de concretizado o lançamento. RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO E CARREGA A MOTIVAÇÃO SUFICIENTE AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando o órgão julgador enfrenta todas as alegações suscitadas por esse e traz a motivação necessária ao exercício do pleno direito defesa do administrado. REQUERIMENTO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica/diligência quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 INDICAÇÃO DOS MOTIVOS PARA SELEÇÃO DE EMPRESA A SE SUBMETER A PROCEDIMENTO FISCAL. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA. Os procedimentos fiscais, em geral, tem por finalidade averiguar a regularidade do sujeito passivo quanto ao cumprimento de suas obrigações tributárias, não sendo obrigatório à Administração Tributária justificar os motivos que a levaram a selecionar determinado contribuinte a ser submetido a ação fiscal. DESENVOLVIMENTO DOS TRABALHOS FISCAIS NA SEDE DA EMPRESA FISCALIZADA. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA. Inexiste norma que obrigue o Fisco a desenvolver os trabalhos de auditoria obrigatoriamente em estabelecimento do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado
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COMPROVAÇÃO. OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Ao comprovar a existência de valores constantes em folha de pagamento não declarados em GFIP, a Auditoria cumpriu o seu mister de demonstrar a ocorrência dos fatos geradores correspondentes a esses pagamentos. REMUNERAÇÃO CONSTANTE EM FOLHA DE PAGAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. INEXISTÊNCIA. Não se caracteriza a aferição indireta do saláriodecontribuição quando o mesmo é obtido de documentos comprobatórios de pagamento de remuneração, no presente caso, folhas de pagamento. BIS IN IDEM. APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE AS PARCELAS SALARIAIS NÃO DECLARADAS EM GFIP. INEXISTÊNCIA. No crédito em questão foram apuradas as contribuições incidentes sobre remunerações não declaradas em GFIP, assim não há duplicidade de cobrança, uma vez que em relação a tais parcelas não houve qualquer recolhimento de contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE NORMA OBRIGANDO TAL PROCEDIMENTO. Inexiste no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal norma que torne obrigatório o julgamento conjunto de processos lavrados contra o Fl. 305DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 mesmo contribuinte, ainda que guardem relação de conexão, quando há elementos que permitam o julgamento em separado. PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. INAPLICABILIDADE. O procedimento fiscal possui característica inquisitória, não sendo cabível, nessa fase, a observância do contraditório, que só se estabelecerá depois de concretizado o lançamento. RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO E CARREGA A MOTIVAÇÃO SUFICIENTE AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA DO SUJEITO PASSIVO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando o órgão julgador enfrenta todas as alegações suscitadas por esse e traz a motivação necessária ao exercício do pleno direito defesa do administrado. REQUERIMENTO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica/diligência quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 INDICAÇÃO DOS MOTIVOS PARA SELEÇÃO DE EMPRESA A SE SUBMETER A PROCEDIMENTO FISCAL. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA. Os procedimentos fiscais, em geral, tem por finalidade averiguar a regularidade do sujeito passivo quanto ao cumprimento de suas obrigações tributárias, não sendo obrigatório à Administração Tributária justificar os motivos que a levaram a selecionar determinado contribuinte a ser submetido a ação fiscal. DESENVOLVIMENTO DOS TRABALHOS FISCAIS NA SEDE DA EMPRESA FISCALIZADA. OBRIGATORIEDADE. INEXISTÊNCIA. Inexiste norma que obrigue o Fisco a desenvolver os trabalhos de auditoria obrigatoriamente em estabelecimento do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 306DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000960/201047 Acórdão n.º 240102.049 S2C4T1 Fl. 306 3 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar as preliminares suscitadas; II) indeferir o pedido de perícia técnica/diligência; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 307DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório O lançamento O presente processo administrativofiscal referese ao Auto de Infração n.º 37.229.0337, no qual foram lançadas contra o sujeito passivo acima identificado as contribuições dos segurados arrecadadas e não recolhidas. O crédito, com data de consolidação em 29/01/2010, assumiu o montante de R$ 69.115,44 (sessenta e nove mil, cento e quinze reais e setenta e quarenta e quatro centavos). De acordo com o Relatório Fiscal, os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento foram os pagamentos efetuados a segurados empregados a serviço da empresa no período de 01/2005 a 11/2008, incluindo o 13.º salário de 2008. Afirmase que a base de cálculo constituise de valores constantes nas folhas de pagamento e não declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. A auditoria menciona ainda que, para todos os fatos geradores aplicouse a multa mais benéfica, considerando a alteração legislativa promovida pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009. Acrescentase ainda que a conduta de arrecadar as contribuições dos segurados sem efetuar o repasse dos valores configura crime contra a Seguridade Social, fato que motivou a lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais. Foram acostados cópias das folhas de pagamento que contém as remunerações que serviram de base para o lançamento. A decisão recorrida A Delegacia de Julgamento – DRJ em Brasília declarou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito. O recurso voluntário Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário no prazo legal, alegando, em apertada síntese, que: a) o recurso é tempestivo; b) todos os recursos relativos aos lançamentos efetuados na ação fiscal que deu ensejo ao presente AI devem ser julgados conjuntamente, em razão da conexão que os vincula; c) a empresa sempre cumpriu com suas obrigações previdenciárias e trabalhistas, prova disso é que contratou um dos mais conceituados escritórios de contabilidade do Estado de Goiás; Fl. 308DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000960/201047 Acórdão n.º 240102.049 S2C4T1 Fl. 307 5 d) não ficou esclarecido qual motivo levou a RFB a iniciar o procedimento fiscal que culminou com a lavratura questionada; e) há uma ação judicial envolvendo a recorrente, ajuizada para evitar que um sócio com poderes de gestão, mediante práticas criminosas, pudesse se apropriar indevidamente do controle da mesma; f) temse a impressão que o procedimento fiscal foi iniciado a partir de denúncias relacionadas à referida ação judicial; g) os autos lavrados na ação fiscal são de um todo absurdos e improcedentes, posto que a empresa sempre cumpriu com suas obrigações tributárias; h) as solicitações da Auditoria Fiscal sempre foram prontamente atendidas pela recorrente; i) com as autuações foram carreados ao processo inúmeros documentos, esses até então desconhecidos pela empresa; j) dentre os processos trabalhistas mencionados pela Fiscalização, verificase a existência de um do ano de 2003, portanto, fora do período fiscalizado; k) conforme a melhor doutrina, o lançamento deve ser efetuado em conformidade com o art. 142 do CTN, não sendo possível o Fisco extrapolar os limites legais; l) devem ser observados os princípios da legalidade, da objetividade da ação fiscal, da audiência do interessado e da instrução probatória ampla; m) a coleta de documentos e a investigação levada a cabo durante o procedimento fiscal deve ser notificada ao fiscalizado, sob pena de invalidação do trabalho da Auditoria; n) a empresa desconhece a maneira como foram feitas diligências em outros órgãos e até mesmo junto a pessoas físicas; o) a descrição do fato gerador presente no Relatório Fiscal não guarda relação com o que prescreve às normas aplicáveis, pois o Fisco não demonstrou a existência da prestação de serviços, quando a mesma ocorreu e quanto foi o montante envolvido; p) a Auditoria Fiscal atevese mais a questão da coerência dos registros contábeis de que a efetiva ocorrência da hipótese de incidência tributária; q) uma vez que as declarações prestadas pela empresa refletem a realidade dos fatos por ela praticados, descabe o procedimento de aferição indireta da matéria tributável; r) o arbitramento utilizado para obter o valor da remuneração paga aos empregados da recorrente não guarda nenhuma coerência técnica; s) o lançamento do tributo foi realizado pelo contribuinte, mediante declaração em GFIP, não sendo possível que seja alterado sem que o Fisco demonstre a ocorrência de irregularidades; Fl. 309DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 t) meros erros nos registros contábeis, não autorizam a desconsideração de toda a contabilidade e o arbitramento do tributo, ainda mais que a sua escrita foi elaborada em obediência aos Princípios Fundamentais de Contabilidade; u) o valor da hora/aula encontrado nos documentos mencionados pelo Fisco está em conformidade com o valor estabelecido em convenção coletiva; v) o fato da empresa ter firmado acordo, perante a Justiça do Trabalho, com seus exempregados não pode ser tomado como confissão de culpa, uma vez que esse instrumento de conciliação tem larga utilização em processos judiciais, em especial nos Tribunais Trabalhistas; w) a análise da documentação deveria ter sido realizada nas dependências da empresa, como manda a boa técnica de auditoria, evitandose assim conclusões errôneas, dissociadas da realidade administrativa da recorrente; x) não pode ser aplicada a aferição indireta se existe a possibilidade de se verificar a base de cálculo pelas folhas de pagamento, GFIP e contabilidade; y) a Auditoria não determinou o momento em que se materializa o fato gerador da obrigação tributária; z) há na ação fiscal o AI n.º 37.229.0345, o qual contempla os mesmos fatos geradores, o que é inadmissível; a1) uma vez arbitrados os valores e descontadas as quantias recolhidas, descabe qualquer outro lançamento complementar; b1) o Fisco desrespeitou o princípio da verdade material, uma vez que não comprovou a ocorrência do fato gerador, não confirmou sua materialidade com base em documentos idôneos, tendo a Auditoria tomado como base apenas em registros secundários, informações obtidas unilateralmente e sem o formalismo exigido para que o ato de investigação pudesse produzir efeito; c1) é obrigação dos agentes da Administração Tributária investigar e demonstrar cabalmente a ocorrência do fato jurídico tributário, somente se podendo inverter o ônus da prova nos casos expressamente previstos em lei, o que não se aplica à situação sob enfoque; d1) notase que o cálculo do tributo foi levado a efeito de forma obscura, carecendo de maiores explicações sobre a forma de apuração da matéria tributável, donde se conclui que foi atropelado o art. 37 da Lei n.o 8.212/1991; e1) se não há clareza e precisão, é evidente o cerceamento ao seu direito de defesa, o que é causa de nulidade, conforme tem decidido reiteradamente o próprio Conselho de Contribuintes; f1) a decisão da DRJ simplesmente homologou as conclusões a que chegou o Fisco, sem levar em conta as diversas alegações de ilegalidade lançadas na peça de defesa; g1) ao tentar arrecadar a contribuição sem a destinação clara de sua aplicação, o ato fiscal fere o princípio de contrapartida da contribuição previdenciária; Ao final, requereu: Fl. 310DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000960/201047 Acórdão n.º 240102.049 S2C4T1 Fl. 308 7 a) o reconhecimento da tempestividade do recurso e o seu regular processamento; b) o reconhecimento dos lançamentos efetuados através da declaração da GFIP; c) a declaração de nulidade do lançamento; d) que o processo seja baixado em diligência para correção das irregularidades apontadas; e) a realização de perícia técnica, conforme quesitos que formula. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Reunião dos processos para julgamento conjunto Requer a contribuinte que todos os recursos relativos aos processos de débito lavrados na mesma ação fiscal, que são vinte e três julgamento conjunto. O pedido, apesar de desejável, não é obrigatório, posto que não há norma legal na seara do processo administrativo fiscal que preveja esse procedimento. Por outro lado, há de se convir que estamos incluindo nessa reunião de julgamento quinze dos processos referidos, de modo que se tenha a eficiência e a coerência desejadas nos julgamentos dos processos dessa empresa. Posso dizer ainda que, para o AI sob cuidado, os dados constantes dos autos são suficientes para o deslinde da controvérsia, não havendo necessidade de que se aguarde a chegada dos oito processos restantes a esse Conselho para que se inicie o seu julgamento. Da necessidade do contraditório durante o procedimento de fiscalização No que diz respeito à falta de comunicação à empresa fiscalizada acerca dos passos seguidos na fiscalização, devese ter em conta que no decorrer da ação fiscal não há contraditório. Os agentes do fisco dão ciência de que a empresa está sob ação fiscal através da entrega do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, promovem a intimação para apresentação da documentação necessária ao desenvolvimento dos trabalhos, elaboram os lançamentos (se cabível) e, por fim, comunicam ao sujeito passivo o resultado da fiscalização. Essa seqüência de atos é que deve ser observada, sob pena de nulidade do lançamento. Na espécie, não vislumbrei qualquer vício relativo ao procedimento narrado que pudesse macular o resultado da ação fiscal. A oportunidade disponibilizada ao contribuinte para demonstrar seu inconformismo ocorre durante o contencioso fiscal. Neste momento é possível apresentar todas as razões e provas que possam afastar ou modificar o lançamento fiscal. Assim, em relação ao trabalho de investigação do auditor fiscal não há o que se falar na obrigatoriedade de manter o contribuinte ciente de todos os passos seguidos pelo agente do Fisco, no entanto, quando da conclusão da fiscalização, o contribuinte deve ser municiado de todos os elementos que lhes sejam úteis a exercer o seu direito de defesa, sob pena de nulidade dos lançamentos porventura lavrados. Nessa linha de pensamento, vale repisar que a ação fiscal é um procedimento inquisitório, de investigação, durante o qual não há obrigatoriedade de ciência do contribuinte em relação ao modo de proceder da Auditoria. Isso porque o direito constitucional ao Fl. 312DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000960/201047 Acórdão n.º 240102.049 S2C4T1 Fl. 309 9 contraditório e à ampla defesa só é de observância obrigatória na fase litigiosa do processo, que tem início apenas com a impugnação ao lançamento. Nesse sentido, mesmo para as diligências realizadas pelo Fisco em órgãos fora da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, não havia obrigatoriedade de se cientificar previamente o sujeito passivo de tais providências, sendo, todavia, obrigatória a menção no Relatório Fiscal dos elementos coletados nas diligências efetuadas que tiveram influência nas conclusões da Auditoria quanto à existência de obrigação tributária não adimplida. Uma leitura do relato do Fisco me deixa à vontade para afirmar com convicção que foram apresentadas à contribuinte todas as fases do procedimento fiscal, bem como, as evidências que foram tomadas como base para se concluir sobre a necessidade de efetuar o lançamento das contribuições previdenciárias. Da apuração fiscal fora da sede da empresa Acerca do inconformismo da empresa quanto ao fato dos trabalhos fiscais terem se desenvolvido fora da sede da empresa, não de acatálo. Essa matéria já se encontra pacificada no CARF, sendo inclusive objeto de súmula, conforme se vê: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Portanto, descabe a alegação de que a apuração fiscal deveria obrigatoriamente ter se dado nas dependências da empresa fiscalizada. Das motivações para início da ação fiscal Também não há necessidade de que a ação fiscal tenha uma motivação específica, posto que o objetivo do procedimento de fiscalização é sempre verificar a regularidade das obrigações tributárias do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB. Os elementos relativos ao procedimento fiscal que devem obrigatoriamente ser informados ao contribuinte são aqueles constantes do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF (art. 7.º da Portaria RFB n.º 11.371/2007), quais sejam: a) natureza do procedimento (fiscalização/diligência); b) o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal; c) o período da verificação. Vejo que esses dados constam do MPF e que não há obrigatoriedade de se informar qual o motivo determinante para que se programe determinada ação fiscal, posto que a seleção de empresas fica no campo da discricionariedade da Administração Tributária. Nesse sentido, não posso dar razão à recorrente quando alega nulidade em razão do seu desconhecimento dos motivos que deram ensejo ao procedimento fiscal, uma vez que, o próprio MPF já esclarece que a finalidade do procedimento é verificar o cumprimento das obrigações tributárias do contribuinte. Fl. 313DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Da ocorrência dos fatos geradores Afirma a recorrente que o Fisco não se desincumbiu do encargo de demonstrar a ocorrência dos fatos geradores de contribuição previdenciária. Pois bem, conforme se verifica do relatório acima, a fiscalização apurou as contribuições sobre parcelas remuneratórias constantes nas folhas de pagamentos apresentadas em arquivos digitais, tais valores não foram declarados na GFIP. Portando, devo afastar desde já argumento da empresa de que cumpria regularmente com suas obrigações fiscais e trabalhistas, uma vez que ao efetuar pagamentos de remuneração sem declarar tais valores na GFIP o contribuinte incorreu em infração a regras do Direito Previdenciário. Entendo, assim, que a verificação de remunerações constantes em folha de salários e não declaradas em GFIP, está bem caracterizada no presente AI, portanto, posso concluir que o Fisco não deixou de demonstrar a ocorrência da hipótese de incidência de contribuições, que se materializou pelo pagamento de parcelas salariais lançadas em folha de pagamento e não declaradas em GFIP, sobre as quais a recorrente não manifestou qualquer discordância. Da aferição indireta da base de cálculo Na presente situação não há o que se falar em aferição indireta da base de cálculo, posto que os valores sobre os quais incidiram as contribuições foram coletados diretamente das folhas de pagamento apresentadas em arquivos digitais. Da inversão do ônus da prova No lançamento sob cuidado não há o que se falar em inversão do ônus da prova, uma vez que o Fisco apresentou a situação fática que o levou a concluir pela ocorrência da hipótese de incidência tributária e fez a composição da base de cálculo com esteio em documentos da própria empresa. Da ocorrência de bis in idem Como já foi mencionado o processo em questão diz respeito às contribuições dos empregados retidas pela empresa, incidentes sobre as remunerações não declaradas em GFIP, cujas contribuições foram calculadas com base nas folhas de pagamento. O AI n.º 37.229.0345, embora refirase ao mesmo período, contempla a contribuição dos segurados que não foi retida pela empresa. Por esse motivo os valores foram incluídos em lançamento diverso, posto que o AI que ora se julga, em tese, referese ao crime de apropriação indébita previdenciária, devendo constar no mesmo apenas as contribuições dos segurados retidas. Ainda sobre essa questão, também não merece acolhimento a tese de que o Fisco desconsiderou as declarações prestadas pela recorrente mediante a GFIP, na verdade, conforme se depreende dos autos, as declarações de GFIP, bem como os recolhimentos efetuados, foram integralmente considerados pela Auditoria, todavia, os valores constantes desse AI não foram declarados na guia informativa. Cabível o lançamento, posto que a declaração prestada pelo sujeito passivo foi prestada com omissão de parcela remuneratória. Assim, o lançamento de ofício é legítimo na medida que o contribuinte apresentou a declaração da GFIP com omissão de parcelas remuneratórias pagas aos segurados ao seu serviço. É essa a inteligência do inciso V, do art. 149 do :CTN, verbis: Fl. 314DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10120.000960/201047 Acórdão n.º 240102.049 S2C4T1 Fl. 310 11 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; (...) Do cerceamento ao direito de defesa em razão de deficiência no Relatório Fiscal Já tendo concluído que o Fisco descreveu com clareza a ocorrência do fato gerador e apresentou de forma clara e precisa os passos seguidos para obtenção da base tributável, além de haver mencionado todas as circunstâncias que o levaram a concluir pela existência de obrigação tributária não adimplida, não devo concordar com a afirmação de que o relato do fisco, por lhe faltarem clareza e precisão, estaria a prejudicar o direito de defesa do sujeito passivo. A meu ver, todos os elementos de que a autuada necessitaria para exercer com amplitude o seu direito de defesa lhe foram fornecidos, de modo que não há de se acolher a tese de cerceamento desse direito. Da decisão de primeira instância A decisão de primeira instância abordou todos os pontos trazidos ao processo com a impugnação, não merecendo sucesso a afirmação da recorrente de que a decisão se baseou tãosó nos argumentos da peça de acusação. Estando em confronto as teses do Fisco e do sujeito passivo, o órgão julgador tem obrigatoriamente que aderir a uma delas para dar uma solução para a contenda jurídica. Todavia essa escolha deve se dar de forma motivada, de modo a não prejudicar o direito de defesa do contribuinte. A motivação apresentada pela DRJ foi satisfatória, tendo sido abordados todos os pontos de inconformismo apresentados pela empresa. Na situação sob testilha, se a tese vencedora foi a da procedência do lançamento, fatalmente a DRJ teria que se basear nos fatos trazidos ao processo pela Auditoria Fiscal. Uma vez expostas as peças de ataque de defesa, tem o julgador que se posicionar, pondo fim à lide naquela instância, desde que o faça com esteio nas provas e na legislação aplicável ao caso. Ponderar se a decisão foi ou não acertada é o que deve fazer o órgão ad quem quando do enfretamento das questões de mérito. O Decreto n. 70.235/1972, quando trata das nulidades, prevê: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 315DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 (...) Por não enxergar na decisão recorrida qualquer das hipóteses acima listadas, afasto a preliminar de nulidade suscitada. Da perícia contábil/diligência Deixo de acatar o pedido para a produção de novas provas, haja vista que os elementos analisados já são suficientes para concluir pela procedência do lançamento, não havendo necessidade de outras dilações probatórias além daquelas já carreadas ao processo. Tenho que concordar com o indeferimento pelo órgão a quo do pedido de produção de novas provas, por entender que no processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida à autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela existência de obrigação tributária não satisfeita pelo devedor. Não há, portanto, necessidade de realização de perícia contábil/diligência, haja vista que os elementos constantes dos autos são suficientes para que se tenha um julgamento seguro da presente lide. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar as preliminares suscitadas, por indeferir o pedido de perícia técnica/diligência e, no mérito, pelo desprovimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 316DF CARF MF Emitido em 20/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/10 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10830.003941/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e quando intimado o contribuinte
deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade dos serviços.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.455
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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RECIBOS. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e quando intimado o contribuinte deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade dos serviços. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 06/09/2011 Fl. 130DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.003941/200841 Acórdão n.º 210201.455 S2C1T2 Fl. 122 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra NATERMES GUIMARÃES TEIXEIRA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 16/18, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2005, exercício 2006, no valor total de R$ 7.476,57, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 29/02/2008. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foi dedução indevida de despesas com instrução, no valor de R$ 2.198,00 e dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 11.586,71. A glosa de despesas médicas encontrase assim descrita na Notificação de Lançamento, fls. 17: 1) Comprovantes apresentados não atendem as especificações legais. Conforme Decreto 3000/99 (RIR/99), artigo 80, item III, as despesas médicas serão consideradas realizadas desde que seus pagamentos sejam especificados e comprovados mediante apresentação de comprovantes com indicação do Nome, Endereço, CPF ou CNPJ de quem os recebeu. 2) Plano de Saúde de beneficiário não dependente. Conforme artigo 80, item II, Decreto 3000/99 (RIR/99) a dedução com despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls.01, e a autoridade julgadora de primeira instância, julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte o lançamento, para cancelar a infração de dedução indevida de despesas com instrução, conforme Acórdão DRJ/SP2 nº 1744.729, de 27/09/2010, fls. 89/92. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 09/11/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 95, o contribuinte apresentou, em 09/12/2010, recurso voluntário, fls. 100/108, no qual traz as alegações a seguir resumidamente transcritas: De todo o exposto, podese concluir que as glosas mantidas no julgamento realizado pela 9ª Turma da DRJ/SPII deverão ser anuladas por todos os subsídios apresentados no caso vertente em síntese pelos pontos abaixo declinados: os documentos já anexados ao processo bem como os que agora se anexa demonstram claramente que o Recorrente faz jus as deduções declaradas em sua DAA. Fl. 131DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.003941/200841 Acórdão n.º 210201.455 S2C1T2 Fl. 123 3 o administrador não possui a faculdade de escolher se acata ou não os recibos apresentados, tratase de ato vinculado da administração pública; todos os recibos apresentados e substituídos estão em conformidade com o exigido na legislação bem como as declarações expressadas pelos profissionais que acompanham o Recorrente demonstram claramente que este realizou e realiza tratamentos médicos e incorreu nos gastos informados. É o Relatório. Fl. 132DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.003941/200841 Acórdão n.º 210201.455 S2C1T2 Fl. 124 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No lançamento foram imputadas ao contribuinte as seguintes infrações: dedução indevida de despesas com instrução, no valor de R$ 2.198,00 e dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 11.586,71. A dedução de despesas com instrução foi cancelada pela decisão recorrida e quanto à infração de dedução indevida de despesas médicas o contribuinte reconheceu a glosa relativa ao plano de saúde de seu filho, no valor de R$ 1.386,71. Assim, temse que o litígio se restringe tãosomente às despesas médicas, com a profissional psicóloga Marilena Germano, no valor de R$ 10.200,00. Pois muito bem. O contribuinte, durante o procedimento fiscal, foi intimado a apresentar os comprovantes de despesas com instrução e de despesas médicas, conforme Termo de Intimação, fls. 32, e, em atendimento ao solicitado, apresentou documentos, fls. 31 e 33/87. A autoridade fiscal de posse dos documentos apresentados pelo contribuinte lavrou Notificação de Lançamento, e no que se refere às despesas médicas, fundamentou a glosa nos seguintes termos: 1) Comprovantes apresentados não atendem as especificações legais. Conforme Decreto 3000/99 (RIR/99), artigo 80, item III, as despesas médicas serão consideradas realizadas desde que seus pagamentos sejam especificados e comprovados mediante apresentação de comprovantes com indicação do Nome, Endereço, CPF ou CNPJ de quem os recebeu. Os recibos apresentados pelo contribuinte, durante o procedimento fiscal, encontramse acostados aos autos, fls. 60/63, sendo certo que todos identificam perfeitamente o profissional emitente. Na impugnação, o contribuinte apresentou novo recibo, fls. 04, firmado pela mesma profissional emitente dos recibos apresentados durante o procedimento fiscal, onde ratificase os recibos anteriormente apresentados. A decisão recorrida não acatou a referida despesa médica sob a seguinte fundamentação: a) os documento juntado referese a pagamento a Marilena Germano Elmôr (fls.4), psicóloga, recibo único emitido em 25 de abril de 2.008 em substituição aos recibos dados no ano de 2.005, juntados a fls. 60 a 63 (doze recibos mensais no valor de R$ 850,00 cada, totalizando R$ 10.200,00), que, embora traga Fl. 133DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.003941/200841 Acórdão n.º 210201.455 S2C1T2 Fl. 125 5 os requisitos legais exigidos, apresenta a irregularidade de ser única para o ano todo, quando os recibos deveriam ser para cada pagamento efetuado, indicando, também o beneficiário do serviço e, uma vez que os recibos originais foram rejeitados, a substituição deveria vir acompanhada de provas complementares que mostrassem a efetiva prestação de serviços e o efetivo pagamento. Pesquisando nos sistemas da Receita Federal do Brasil, verificase que a profissional consta nas DAA de 2004 em diante até o último (2010), ou seja, um tratamento psicológico que dura 6 (seis) anos, com valor significativo e, que, estranhamente, nos últimos anos, a profissional vem diminuindo o recebimento de pessoas físicas, numa alusão de que está deixando de prestar serviços para pessoas físicas e, mais estranho ainda, os recebimentos de pessoas físicas constantes de sua DAA são inferiores aos valores dos recibos juntados a partir do exercício de 2007, sendo que na última declaração não foi declarado nenhum recebimento de pessoa física, e, no entanto consta que o contribuinte utilizou os serviços pagando R$ 9.600,00 (exercício de 2.010), pondo em dúvida os recibos ou declarações da profissional juntados. Assim, julgo carecedor de melhores provas, como demonstrar a necessidade do serviço que lhe é prestado e do efetivo pagamento, mediante apresentação de provas concretas dos pagamentos efetuados (cheques nominativos, transferências bancárias, extratos bancários, e outras que mostrem de forma inequívoca a prestação de serviços e o pagamento para a profissional. Assim exposto, mantenho a glosa, de R$ 10.200,00, correspondendo tributo no valor de R$ 2.805,00 (10.200,00 x 27,5%). Como se vê, durante o procedimento fiscal, o contribuinte foi instado a apresentar somente os recibos de despesas médicas, as quais foram glosadas em razão de os recibos apresentados não atenderem as especificações legais, conforme entendimento da autoridade fiscal. Na impugnação o contribuinte trouxe novo documento. Entretanto, a glosa foi mantida, desta feita por falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços e do efetivo pagamento. Veja que em nenhum momento o contribuinte foi intimado a fazer a comprovação efetiva da prestação do serviço e do efetivo pagamento. A glosa se deu tão somente em razão de os recibos não estarem dentro das formalidades legais. Frisese que as demais alegações formuladas na decisão recorrida não são por si sós suficientes para manter a glosa das despesas médicas, tampouco, existem nos autos indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados. Vale destacar que, no que se refere ao tratamento psicológico prolongado, conforme observado pela decisão recorrida, o recorrente apresentou, juntamente com o recurso, declaração, fls. 111, firmada pela psicóloga, onde restou esclarecido que o contribuinte possui problemas de depressão crônica. Deste modo, considerando que se encontram afastadas as motivações que levaram a autoridade fiscal a glosar as despesas médicas, devese cancelar a infração de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 10.200,00. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10830.003941/200841 Acórdão n.º 210201.455 S2C1T2 Fl. 126 6 Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 135DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 13827.003146/2008-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 23/10/2008
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO
EM GFIP PREVIDENCIÁRIO A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei
9.528, de 10.12.97)”.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO CONEXO COM AUTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AFERIÇÃO INDIRETA AUSÊNCIA DE REGISTRO DE DOCUMENTOS QUE DESCREVEM MÃO DE OBRA BEM COMO IDENTIFICAÇÃO DE VALORES NÃO CONTABILIZADOS INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AI. Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações.
Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Será a aferição indireta utilizada, quando no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a auditoria fiscal constatar que a contabilidade
não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro.
No caso em questão a ausência de contrato com a empresa prestadora de serviços, a ausência de contabilização do movimento bancário, de entrada e saída de matéria prima para industrialização, do valor do frete da saída das mercadorias, justificam a aplicação da aferição.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO CONEXO COM AUTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES.
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está
diretamente relacionado ao resultado dos Autos de Obrigação Principal lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal.
Ao deixar de contabilizar documentos e movimentação financeira, provocou a empresa o descrédito de sua contabilidade, passando a presumir a utilização de mão de obra, cabendo a parte contrária a apresentação de provas para desconstituir o lançamento.
TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA
Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.
REQUERIMENTO DE PERÍCIA AFERIÇÃO INDIRETA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA NECESSIDADE INDEFERIMENTO.
Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.078
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO CONEXO COM AUTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AFERIÇÃO INDIRETA AUSÊNCIA DE REGISTRO DE DOCUMENTOS QUE DESCREVEM MÃO DE OBRA BEM COMO IDENTIFICAÇÃO DE VALORES NÃO CONTABILIZADOS INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AI. Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Será a aferição indireta utilizada, quando no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro Fl. 112DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 documento do sujeito passivo, a auditoria fiscal constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro. No caso em questão a ausência de contrato com a empresa prestadora de serviços, a ausência de contabilização do movimento bancário, de entrada e saída de matéria prima para industrialização, do valor do frete da saída das mercadorias, justificam a aplicação da aferição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO CONEXO COM AUTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos Autos de Obrigação Principal lavradas sobre os mesmos fatos geradores. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Ao deixar de contabilizar documentos e movimentação financeira, provocou a empresa o descrédito de sua contabilidade, passando a presumir a utilização de mão de obra, cabendo a parte contrária a apresentação de provas para desconstituir o lançamento. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. REQUERIMENTO DE PERÍCIA AFERIÇÃO INDIRETA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA NECESSIDADE INDEFERIMENTO. Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 113DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003146/200809 Acórdão n.º 240102.078 S2C4T1 Fl. 113 3 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 114DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado sob o n. 37.083.7070, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. No caso, em Auditoria Fiscal na empresa constatouse que foram entregues GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, para as competências 01/2004 a 12/2004, com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, cujos valores omitidos e a forma de apuração, encontramse discriminados nas planilhas anexos I a V dos autos. Observase que inicialmente o processo em questão foi apensado ao DEBCAD 37.083.7053, por descrever fatos geradores relacionados, envolvendo a contribuição patronal, no período de 01/2004 a 12/2004. Contudo, apresentou o recorrente recursos em separado para cada AI. Apenas para esclarecimentos acerca do AI de obrigação principal, sobre os fato geradores que ensejaram a autuação, conforme descrito no relatório fiscal do AI, DEBCAD 37.083.7053, considerando que a empresa não possui nenhum empregado para o ano 2004 e somente as notas fiscais de serviço da empresa Lazaro Hailton Foganholo Junior ME conforme demonstrado na planilha anexo II do REFISC, e considerando, outrossim, que no exame da escrituração contábil a mesma não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro nos termos do art. 3 Lei 8212 de 24/07/91 combinado com o art. 235 do Regulamento da Previdência Social — RPS aprovado pelo Decreto 3048 de 06/05/99, foi a massa salarial apurada em função da receita bruta e a massa salarial de empregados declarada em GFIP, cujos dados foram extraídos dos sistemas Fazendários SIF 4 e DW PESSOA JURÍDICA 14/08/2008, para o segmento Fabricação de Calçados de Couro do ano calendário 2004 do município de Jaú, cujos dados encontramse na planilhas anexo III do referido relatório. Eclarece a autoridade fical, que a apuração do percentual a ser aplicado sobre o faturamento encontrase demonstrado na planilha anexo IV e dos percentuais apurados de 90,92% (desvio padrão), 51,88% (média) e 26,65% (mediana) foi adotado como critério razoável e proporcional para a aferição indireta da massa salarial a partir do faturamento, o percentual de 26,65% que representa a MEDIANA, que aplicado sobre o faturamento do sujeito passivo fornece a massa salarial. Cabe esclarecer que do valor da mão de obra aferida apurado na aplicação do percentual de 26,65% sobre o faturamento demonstrado na planilha anexo I foi deduzido os valores da mão de obra contido nas notas fiscais de serviços emitidas pela empresa Lazaro Hailton Foganholo ME demonstrado na planilha anexo II, cujos valores foram apurados com base no $ 30 do art. 601 da INSTRUÇÃO NORMATIVA MPS/SRP N° 3, DE 14 DE JULHO DE 2005 aplicandose 50% para a apuração do valor dos serviços contido nas notas fiscais, uma vez que a utilização de equipamento é inerente à execução dos serviços contratados, ainda que não esteja previsto em contrato e para fins de aferição da remuneração da mão de obra utilizada na prestação de serviços, foi aplicado 40% conforme previsto no inciso I do art. 600 IN 03 citada acima. Fl. 115DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003146/200809 Acórdão n.º 240102.078 S2C4T1 Fl. 114 5 Ainda conforme o relatório fiscal, restou detectado que a empresa não contabilizou: todas movimentações financeiras, perfazendo a movimentação anual de todos os bancos um total de R$8.438.194,53 conforme relatório do banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil e cópia do balanço patrimonial 2004; notas fiscais referente a serviços prestados pela empresa Lazaro Hailton Foganholo Junior ME, pagamentos de fretes a cargo da empresa, uma vez que na contabilidade não consta nenhum pagamento de frete tanto na compra como nas vendas de mercadorias. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 24/10/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 21 a 41. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, observandose contudo, a aplicação da multa mais benéfica nos termos da MP 449, em comparação as multas aplicadas nos AI correlatos, fls. 64 a 70. Indicou a autoridade julgadora, que considerando a conexão entre os diversos auto de infração lavrados durante o mesmo procedimento, procedeu a apensação do processos: 13827.003143/200867, 13827.003145/200856, 13827.003146/200809 e 13827.003148/200890, por entenderem que encontramse vinculados ao crédito apurado. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 77 a 108 , onde, em síntese a recorrente traz as mesmas alegações da impugnação, quais sejam: 1. O relatório fiscal não demonstra os motivos que ensejaram a autuação, por não comprovar a efetiva existência de empregados e, não mencionar a respectiva fundamentação jurídica, desrespeitando o contraditório e a ampla defesa, bem como o art. 661 da IN 03/2005, causando a nulidade do ato administrativo face a ausência de motivação. 2. Os dados informados pelo agente fiscal são genéricos, apenas registrando de quais documentos partiram suas conclusões, sem, ao menos, explicitar, de fato, o motivo que deu ensejo à cobrança das Contribuições Previdenciárias supostamente fundamentadas na omissão dos fatos geradores em GFIP, referentes ao ano calendário 2004. 3. A recorrente não realiza a industrialização de seus produtos, ficando apenas com os encargos de laboração, criação e venda, sendo que a efetiva "produção" da mercadoria fica a cargo da terceirizada que atualmente é a empresa Lázaro Hamilton Foganholo Júnior ME, por isso não há valores declarados em GFIP. 4. No tocante às vendas, por tratarse de mercadorias com comercialização reflexa em modas temporais, suas coleções eram extremamente limitadas e os produtos diretamente remetidos a uma lista de clientes, em especial grandes varejistas do mercado nacional, ficando tudo a encargo da empresa recorrente. 5. O agente fiscal ao dirigirse ao estabelecimento da recorrente, só encontrou um escritório administrativo, e descreve que ao procurar os maquinários não os encontrou. Entretanto estes se encontravam nos fundos do estabelecimento, sem utilização. Fl. 116DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 6. O fato de não ter sido comprovada a origem da mãodeobra utilizada na consecução de suas atividades, impossibilita a imputação de pagamentos de valores baseados em mera presunção. 7. São inúmeras as razões determinantes da impropriedade da conclusão de que não ter mãodeobra própria é fato indiciário da aludida omissão de contratações e registros contábeis obrigatórios. 8. Nesse desiderato, a fundamentação do ato administrativo constituise em exigência intransponível no cenário jurídico vigente, em especial quando se tratar de matéria intrínseca ao direito tributário, vez que viabiliza a aferição por parte do contribuinte da sua legalidade, onde a omissão ou contradição do dispositivo legal que motiva a ação Estatal, implicará em verdadeira supressão oblíqua do devido processo legal, da ampla defesa e contraditório. 9. Notase, ainda, que ao contrário das afirmações externadas na r. decisão de que a ora recorrente valeuse do direito de impugnar o Auto de Infração o que por si só afasta a afronta aos princípios constitucionais supra aduzidos, necessário reafirmar que da singela análise do auto compelido verificase a impossibilidade de efetivamente identificar quais foram os motivos e fundamentos utilizados pelo nobre fiscal para configurar a soidisant exigência fiscal. 10. Nessa vereda, como é impossível para o contribuinte ou para qualquer outra pessoa que não seja o próprio fiscal autuante sabermos os verdadeiros motivos, como se deu, as razões e os fundamentos da autuação, é de rigor que seja rechaçada a NFLD ora altercada, haja vista que o vício macula o lançamento de forma integral. 11. No tocante a elaboração das mercadorias da recorrente, conclui não ter sido comprovada a origem da mãodeobra utilizada na consecução de suas atividades, impossibilitando, assim, à autoridade fiscal, a imputação à empresa ao pagamento de valores, baseandose em mera presunção. 12. Os dados fornecidos durante a fiscalização e que fazem parte da autuação (respostas às intimações) demonstraram cabalmente a origem da mãodeobra executora dos serviços e a real responsabilidade da contratação dos trabalhadores. Não tem sentido, portanto, tributar pela via das contribuições sociais previdenciárias a utilização de mãodeobra originada em acordo pactuado entre empresas, mesmo que esse acordo tenha sido celebrado verbalmente. 13. No presente caso não é válida a apuração por aferição indireta, efetuada nos moldes do artigo 597 da IN 03/2005 e art. 33, § 6° da Lei n 8.212/1991, vez que as inconsistências encontradas na escrituração contábil não estão relacionadas à remuneração de empregados, citando vasta jurisprudência para corroborar suas alegações; 14. O próprio agente fiscal, ao lavrar o auto de Infração elucida que as inconsistências apontadas na escrituração contábil se referem à inobservâncias de obrigações acessórias, não podendo, com base nesses argumentos atribuir ao contribuinte a restrita aferição indireta. 15. Ademais, em outro espeque, o artigo 33, 5 6°, da Lei n° 8.212/91 é firme ao prever que a as contribuições efetivamente devidas somente serão apuradas por aferição indireta caso a contabilidade da empresa não se preste a informar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro. Fl. 117DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003146/200809 Acórdão n.º 240102.078 S2C4T1 Fl. 115 7 16. Todavia, no presente AIIM, o Sr. Auditor Fiscal não comprovou todos os pressupostos legais de caracterização de uma relação trabalhista, simplesmente lançando argumentos e suposições, aguardando a comprovação de licitude do requerente, isto é, não provou com documentos e outras provas idôneas os fatos "in concreto" que respaldam a sua autuação. 17. Discorda, ainda, do índice de 26,65% para o cálculo da massa salarial, alegando parâmetros superiores à sua receita bruta, já que o fisco utilizou dados empresariais de outras pessoas jurídicas, as quais sequer fazem parte da mesma atividade profissional desenvolvida pelo recorrente. 18. Para fins de arbitramento foi utilizado o malfadado percentual de 26,65%, contudo, para os descontos relativos às notas fiscais emitidas pela empresa Lazaro Hamilton Foganholo Junior ME, a autoridade fiscal utilizou apenas o percentual de 20%, sendo creditado à recorrente apenas R$ 24.193,20, quando na verdade deveria ser R$ 32.073,79 . 19. Não foi excluído da receita bruta, os valores de faturamento, gerados pela venda dos produtos, fabricados pela empresa prestadora de mãodeobra. 20. Para a fixação do índice em comento, o agente fiscal estabeleceu como parâmetro dados empresariais de pessoas jurídicas outras, além das fabricantes de calçados, as quais sequer fazem parte da mesma atividade profissional desenvolvida pela ora recorrente, o, que definitivamente não se pode asilar! 21. O Sr. Fiscal não se utilizou de base de cálculo "pura" para aferição dos tributos supostamente devidos, o que vicia todo o cálculo da apuração. 22. A busca da verdade material e a tentativa de inversão do ônus da prova almejado pelo Sr. Fiscal, apenas ocorre em casos extremamente específicos e, da forma como vem empregando as autoridades fiscais, além de ferir o artigo 142 do CTN, torna impossível a defesa do contribuinte, ao passo que necessita fazer prova negativa de suposições. 23. O Sr. Fiscal não comprovou todos os pressupostos legais de caracterização de uma relação trabalhista, simplesmente lançando argumentos e suposições, aguardando a comprovação de licitude do requerente, não provando com documentos e outras provas idôneas os fatos "in concreto" que respaldam a autuação; 24. Frisase que a fundamentação adotada pelos julgadores para o indeferimento do pedido da recorrente se perfez à luz dos artigos 16, 18 e 28 do Decreto n°. 70.235/72. 25. No entanto, em sentido diverso, identificamse na doutrina e na jurisprudência posicionandose pela admissibilidade de produção de prova documental em fase seguinte à impugnação. 26. Neles, existe expressa referência ao comando da Lei 9784/99, e aos princípios da legalidade, da oficialidade e da verdade material, dentre outros. 27. De todo o exposto, a recorrente requer a este E. Conselho seja dado provimento ao presente recurso, para o fim de modificar o , Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro/RJ, anulando o lançamento fiscal ou, assim não entendendo, que seja anulada a decisão, convertendose o julgamento de mérito em Fl. 118DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 diligência para que seja dada a oportunidade à recorrente de produzir as provas necessárias. 28. Requereu ainda o recorrente Termo Aditivo a defesa apresentada no seguinte sentido: “ Conforme Termo de Anexação de Documentos (fls. 61) foram juntados ao presente, em 11/03/2009, os documentos de fls. 51/59, por solicitação do sujeito passivo, através dos quais, requer, independente da solução de mérito, que seja determinada a imediata redução da multa pelo suposto descumprimento de obrigação acessória, aplicandose o princípio da retroatividade benigna, disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional,"em função da Lei n° 11.941/2009 de 28/05/2009.” A DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para Julgamento. É o Relatório. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003146/200809 Acórdão n.º 240102.078 S2C4T1 Fl. 116 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 110. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: NULIDADE PELA NÃO DISCRIMINAÇÃO CORRETA DOS FATOS GERADORES O cerne do recurso apresentado referese a falta de motivação para realização de aferição indireta, e apuração de contribuição de segurados, sendo que a empresa alega que não realizava qualquer industrialização. Entendeu que o auditor não descreveu de forma adequada os motivos que respaldaram a aferição, nem tampouco apreciaram o julgadores os pontos trazidos em fase de impugnação que comprovariam a nulidade do lançamento. Quanto as ditas alegações, em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, inclusive solicitando esclarecimentos sobre diversos pontos apurados durante o procedimento quanto a não contabilização de valores. Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos motivos que ensejaram a autuação, valendose do critério da aferição indireta, entendo que razão não assiste ao recorrente. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Observamos que o relatório DAD descreve por competência os valores das contribuições apuradas, tendo o relatório fiscal detalhado de forma satisfatória todos os motivos que levaram a autoridade fiscal a valerse da aferição. Assim, primeiramente descreveu a autoridade as irregularidades quanto a contabilização de valores bancários, bem como de contrato com a empresa prestadora de mão de obra, que segundo a recorrente era quem efetivamente realizava a mão de obra. Ditos fatos, associado a ausência de contratos com a prestadora, ausência de pagamentos a contador, além de outros, levaram a autoridade a lançar valores de mão de obra por aferição, considerando que a contabilidade não apresentava todos os registros para comprovação da regularidade fiscal. Ao contrário do entendimento do recorrente, a falta de contabilização de valores, enseja o descrédito da contabilidade da empresa, levando a autoridade fiscal, a considerar parâmetros para que se apure a mão de obra, capaz de refletir o movimento real da empresa. Neste caso, perfeitamente aceitável não apenas a aferição, como também entendo plenamente cabível a inversão do ônus da prova. Notese que não se trata de contabilização de valore pela empresa, que acabaram desconstituídos pela autoridade fiscal. Pelo contrário, a autoridade fiscal constatou diversas omissões contábeis da empresa, solicitando esclarecimentos, contudo, simplesmente apresentou a empresa defesa e recurso, sem demonstrar com elementos probatórios suas alegações. Entendo que competiria a empresa demonstrar que efetivamente não industrializava os produtos, mas apenas promoveu alegações, sem qualquer elemento de prova. Entendo que para comprovar a não utilização de mão de obra, competiria a empresa demonstrar qual o teor do contrato com a empresa Lázaro, e não simplesmente alegar que o mesmo era verbal. Como aceitar que um contrato de utilização de mão de obra, para fabricação de calçados é feito de forma verbal. Ademais, também não demonstrou o recorrente que entregava a matéria prima para execução dos serviços pela prestadora, deixando em aberto dito fato, resumindose a alegar que a nota era emitida de forma genérica. Pelas alegações da empresa, a mesma agia como mera compradora e vendedora, passando a terceiro toda a sua industrialização. Pois bem, neste caso, competiria a empresa demonstrar a entrada da matéria prima comprada, a saída da mesma para a empresa prestadora de mão de obra, com a apresentação de contrato, indicando de forma detalhado, o custo dos produtos fabricados, o retorno dos mesmos a empresa e sua efetiva venda. Não há como se admitir que a empresa não contabilizava e registrava de forma detalhada, seus custos, a entrada e saída da mercadoria. O custo do frete na saída, já que conforme descrito pelo auditor fiscal, na próprias nota constava que o custo do mesmo era do emitente. Entendo que em demonstrando tais fatos de forma detalhada, poderia a empresa comprovar que toda sua industrialização competiria a terceiros. Oras, o registro contábil dos fatos da empresa, é que servirá como meio hábil a comprovar o fiel cumprimento da legislação previdenciária. Não se trata aqui de mera obrigação acessória, posto que o desrespeito a contabilização de todos os fato geradores, ou mesmo a falta do registro da entrada e saída de matéria prima, de mercadorias prontas até sua venda final, é quelevou ao descrédito de todo o procedimento da empresa. Assim, por ser a atividade do auditor vinculada e havendo indícios de ausência de contabilização de mão de obra, compete a autoridade fiscal, lançar o que entende devido, é claro que dentro de parâmetros descritos pelas normas da previdência social. Assim, prescreve o artigo 33, §§ 1°c 6° da Lei n°8.212/1991: " Art. 33. (.) Fl. 121DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003146/200809 Acórdão n.º 240102.078 S2C4T1 Fl. 117 11 § I° É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009). § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova, em contrário." (grifei). Simplesmente alegar, sem demonstrar a ausência de movimento com documentos relacionados a desconstituição da empresa, ou encontrarse paralisada não é suficiente para refutar o lançamento. Caso a empresa tivesse apresentados os documentos e registro, poderseia cabalmente identificar a pertinência dos mesmos com os fato geradores aqui elencados. Neste caso, a inversão do ônus é bem aplicável, passando para empresa comprovar a inexistência dos fatos geradores, o que não restou provado. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, ou a auência de contabilização do movimento real da empresa, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. DA DECISÃO NOTIFICAÇÃO Com relação a alegação de que a autoridade julgadora, não apreciou devidamente o feito, ignorando provas, ressalto que a Decisão Notificação enfrentou as alegações, sendo desnecessário apreciar uma a uma, quando afastadas as alegações em conjunto. O fato de não ter a autoridade julgadora acatado as alegações do impugnante, de forma alguma, descreve a nulidade da decisão, quando se identifica a apreciação dos fatos e questões de direito suscitadas. DA PERÍCIA Por fim, quanto ao indeferimento da perícia, entendo que razão também não assiste ao recorrente. Assim, como já demonstrado pela autoridade julgadora, de acordo com o disposto no art. 9º, IV da Portaria MPAS n ° 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 9º A impugnação mencionará: Fl. 122DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. No presente caso, não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia, assim considerase não formulado tal pedido. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004: Fl. 123DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003146/200809 Acórdão n.º 240102.078 S2C4T1 Fl. 118 13 Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A Portaria MPAS n ° 520/2004 é a que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, conforme autorização expressa no art. 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 e alterações, nestas palavras: Art.304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, bem como estabelecer as normas de procedimento do contencioso administrativo, aplicandose, no que couber, o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e suas alterações. Como se percebe, a Portaria n ° 520 surgiu em virtude da previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, que transferiu a competência para o Ministério da Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico. E como demonstrado, o assunto acerca de perícias e diligencias está tratado da mesma maneira no Decreto n ° 70.235/1972. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória suscitada pelo recorrente deveria constar dos autos. E com principio basilar do direito processual, cabe à parte provar fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do Fisco. O lançamento foi realizado por aferição, considerando que a documentação apresentada pelo recorrente, e os registros contábeis não registravam em sua totalidade a movimentação da empresa, seguindo a autoridade fiscal o procedimento previsto na legislação. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DO MÉRITO Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de informar a remuneração por segurado por competência referente aos transportadores autônomos que contratou. Justificável apenas a necessária apreciação do desfecho do julgamento do AI de Obrigação Principal que indicou como fatos geradores as remunerações aferidas tendo em vista que a procedência dos fatos geradores descritos no AI – obrigação principal, determina a procedência de autuação pela não informação daqueles fatos em GFIP. Dessa maneira, não tem porque o presente autodeinfração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela Fl. 125DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003146/200809 Acórdão n.º 240102.078 S2C4T1 Fl. 119 15 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista no art. 32, da Lei n ° 8.212/1991. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Restanos agora, averiguar a procedência dos fatos geradores não informados em GFIP, o que se faz possível, por estar sendo submetida a julgamento nesta mesma sessão a NFLD que constitui o crédito. Assim, transcrevo ementa do acordão 240102.075 conexo com o AI em questão. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AFERIÇÃO INDIRETA AUSÊNCIA DE REGISTRO DE DOCUMENTOS QUE DESCREVEM MÃO DE OBRA BEM COMO IDENTIFICAÇÃO DE VALORES NÃO CONTABILIZADOS INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AI. Não compete a empresa apenas alegar, mas demonstrar por meio de prova suas alegações. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Será a aferição indireta utilizada, quando no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a auditoria fiscal constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro. No caso em questão a ausência de contrato com a empresa prestadora de serviços, a ausência de contabilização do movimento bancário, de entrada e saída de matéria prima para industrialização, do valor do frete da saída das mercadorias, justificam a aplicação da aferição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS AFERIÇÃO INDIRETA Fl. 126DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Ao deixar de contabilizar documentos e movimentação financeira, provocou a empresa o descrédito de sua contabilidade, passando a presumir a utilização de mão de obra, cabendo a parte contrária a apresentação de provas para desconstituir o lançamento. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. REQUERIMENTO DE PERÍCIA AFERIÇÃO INDIRETA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA NECESSIDADE INDEFERIMENTO. Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova. Recurso Voluntário Negado Quanto ao julgamento em conjunto para que se determine o valor da multa, notese que o ajuste da mesma já foi explicitado pela autoridade julgadora e 1. Instância, sendo desnecessária nova averiguação face a metodologia aplicada encontrase em consonância com a estabelecida por este colegiado. O Auto de Infração sendo aplicado da maneira como foi imposto não se transforma em meio obtuso de arrecadação. Na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a finalidade precípua de arrecadação, o que pode ser demonstrado pela previsão de atenuação ou até mesmo da relevação da multa, neste último caso o infrator não pagará nenhum valor (art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999). Os valores aplicados em auto de infração pela omissão ou erro na entrega da GFIP justificamse pelo fato da importância deste documento para administração previdenciária. As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão de base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo INSS e comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. Desse modo, a omissão irá prejudicar não apenas a autarquia previdenciária, mas principalmente o segurado do Regime Geral de Previdência Social. Não possuindo caráter confiscatório a multa aplicada. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13827.003146/200809 Acórdão n.º 240102.078 S2C4T1 Fl. 120 17 Assim, foi correta a aplicação do autodeinfração ao presente caso, não tendo o recorrente apresentado prova que o afastaria da condição de responsável pela falta cometida. Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, importante observar que a autoridade julgadora procedeu ao ajuste da multa de acordo com o disciplinado na Lei 11.941/2009, devendo ser esse critério exposto nas fls. 86 a 88, observado quando da execução do julgado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 128DF CARF MF Emitido em 24/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10909.001470/2005-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 30/04/2000
PIS. DECADÊNCIA. PRAZO.
Existindo pagamentos antecipados, o prazo de decadência do PIS/Pasep é de
cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/08/2000, 31/12/2000, 31/03/2001, 31/08/2001,
30/09/2001, 31/01/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 31/07/2002, 31/08/2002,
30/09/2002, 31/10/2002
LEI No 9.718/98 (ALARGAMENTO DE BASE DE CÁLCULO).
INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENO DO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O recente julgamento de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 pelo
Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorado pelo tribunal
administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecido e aplicado de ofício por
qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de
enriquecimento ilícito.
DESCONTOS INCONDICIONAIS. NATUREZA. PROVA.
Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando
constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não
dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. A prova de
que se trata de fato de descontos incondicionais, conforme apurado pela
Fiscalização com base na escrituração, deve ser apresentada pelo contribuinte
na impugnação.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos
tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no
período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de
Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/08/2000, 31/12/2000, 31/03/2001, 31/08/2001,
30/09/2001, 31/01/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 31/07/2002, 31/08/2002,
30/09/2002, 31/10/2002
MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. CLAREZA E CORRESPONDÊNCIA
COM A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL.
O auto de infração deve ser examinado em conjunto às referências nele
contidas aos termos lavrados durante a ação fiscal, antes de se considerar que
a descrição dos fatos possa ser considerada deficiente, a ponto de eiválo
de
nulidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.161
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos
os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão
Barreto, que davam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco
para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2000 PIS. DECADÊNCIA. PRAZO. Existindo pagamentos antecipados, o prazo de decadência do PIS/Pasep é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2000, 31/12/2000, 31/03/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/01/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002 LEI No 9.718/98 (ALARGAMENTO DE BASE DE CÁLCULO). INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O recente julgamento de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorado pelo tribunal administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecido e aplicado de ofício por qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de enriquecimento ilícito. DESCONTOS INCONDICIONAIS. NATUREZA. PROVA. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. A prova de que se trata de fato de descontos incondicionais, conforme apurado pela Fiscalização com base na escrituração, deve ser apresentada pelo contribuinte na impugnação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/20 11 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2000, 31/12/2000, 31/03/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/01/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002 MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. CLAREZA E CORRESPONDÊNCIA COM A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. O auto de infração deve ser examinado em conjunto às referências nele contidas aos termos lavrados durante a ação fiscal, antes de se considerar que a descrição dos fatos possa ser considerada deficiente, a ponto de eiválo de nulidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Relatora (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Redator designado EDITADO EM: 05/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/20 11 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10909.001470/200533 Acórdão n.º 330201.161 S3C3T2 Fl. 2 3 1. Tratase de Auto de Infração (fls. 501/507) de PIS, notificado ao contribuinte em 28/06/05, derivado de supostas diferenças apuradas pelo Fisco entre valores declarados e pagos pelo contribuinte e os valores apurados pela Fiscalização, da análise da contabilidade da empresa. As divergências derivam em sua maioria de receitas financeiras que não teriam sido adequadamente submetidas à tributação pela contribuição – mormente valores derivados de ganhos em contratos de Swap e de contrapartidas de variações cambiais, além de valores excluídos da base da contribuição, tratados como descontos incondicionais pela contribuinte, e que, segundo a Fiscalização, teriam natureza diversa (descontos financeiros). 2. O Relatório da Fiscalização (fls. 508/524) é extremamente confuso e faz referência a Termos de Verificação e seus Anexos, que foram também apresentados pela Fiscalização. Na tentativa de melhor compreender o que se passou, trato separadamente dos dois itens do lançamento. 3. O item 001 do lançamento – Falta ou Insuficiência de Recolhimento do PIS – constitui crédito relativo a diversas competências do anocalendário de 2002. O agente fiscal indica no Relatório da Fiscalização (item 2, sub item 2.1.1) que, em relação àquele período, constituiu crédito com base em valores derivados de variação cambial, relativas a direitos e obrigações da Recorrente, em razão de divergência quanto à opção pelo regime de tributação aplicado pela Recorrente. No entendimento da Fiscalização porque o contribuinte optou pelo regime de competência para fins de IRPJ/CSSL, então também deveria têlo feito em relação à apuração do PIS/COFINS (TVF – fls. 512). Ao tributar os valores, em relação às contribuições, pelo regime de caixa, a Recorrente teria incorrido em erro, de acordo com a interpretação do agente fiscal. 4. Ainda no Termo de Verificação nº 001 o agente fiscal faz referência à ilegal exclusão de valores da base da contribuição, relativa a descontos incondicionais concedidos pela Recorrente, pois o agente fiscal não concorda com tal caracterização. A menção ao fato é bastante superficial, e não está claramente descrita nos Anexos (cálculos) apresentados em conjunto com referido termo (fls. 510), verbis: “Nas bases de cálculo apuradas na contabilidade não estão incluídas as receitas decorrentes dos ganhos auferidos com a alienação de bens do ativo permanente. Já os valores contabilizados a título de descontos e abatimentos sobre vendas, não se referiam, efetivamente, a descontos incondicionais concedidos no ato das vendas, e assim, foram desconsiderados para fins de dedução da base de cálculo do PIS.” 5. Em relação ao item 002 do Auto de Infração – que constituiu créditos em relação à competências dos anoscalendário de 2000 e 2001 , o fundamento da autuação seria a suposta divergência apurada pela fiscalização, entre os valores escriturados e aqueles declarados/pagos pela Recorrente (contabilidade x DCTF’s). 6. O Termo de Verificação Fiscal 002 é referenciado no Relatório da Fiscalização, como documento onde consta a motivação deste ponto do lançamento (item 002 do AI) – o agente fiscal trata ainda, de modo bastante superficial, da glosa das exclusões de descontos incondicionais, concedidos pela Recorrente (fls. 80), verbis: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/20 11 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 4 “Por outro lado, os históricos constantes dos próprios registros contábeis dos anos de 2000 e 2001, permitiram à Fiscalização verificar, através dos lançamentos efetuados nos livros Diário e Razão, quais os tipos de fatos patrimoniais que foram registrados nas respectivas contas, e, assim, interpretálos de acordo com a legislação tributária pertinente a cada imposto e contribuição social. Desse modo, verificouse que a maior parte dos valores registrados pelo contribuinte nas contas representantivas de "descontos e abatimentos sobre vendas", trataramse de descontos financeiros e glosas de valores, e, não de "descontos incondicionais" concedidos no ato da venda, ou, a grosso modo, desconto concedido na própria nota fiscal.” 7. Da análise dos autos constatase que são apenas estas as informações apresentadas pelo agente fiscal acerca da glosa das exclusões realizadas pelo contribuinte – relativas aos descontos incondicionais concedidos. Além de poucas e superficiais, nos autos não constam de forma clara os valores relativos a estes descontos que foram desconsiderados e, portanto, compuseram a base do lançamento. 8. Vale destacar, ainda, que apenas no Termo de Verificação Fiscal nº 02 (fls. 79/81) há referência à glosa da exclusão de descontos incondicionais e que apenas o item 002 do Auto de Infração faz referência ao referido Termo. Logo, muito embora o agente fiscal não tenha sido claro, só é possível concluir que tais glosas constam do item 002 do lançamento. A referência ao Anexo A (fls. 82/88) do Termo de Verificação Fiscal nº 02, também não colabora na solução deste mistério, pois referido Anexo também é extremamente confuso, sem indicação conclusiva de eventuais valores glosados em razão da desconsideração de descontos incondicionais. 9. Portanto, pareceme que o lançamento pode ser assim sintetizado: Item 001 (Relatório Fiscal item 2.1.1 – fls. 509/522): relativo a competências do anocalendário de 2000 e cuja base de cálculo é composta por (i) ganhos em operações de swap, que não teriam sido adequadamente submetidos à tributação pela contribuição; e (ii) descontos incondicionais que foram desconsiderados pelo agente fiscal sem que, no entanto, haja uma justificativa clara para tal desconsideração, tampouco qualquer documento que permita identificar a motivação da glosa. Item 002 (Relatório Fiscal item 2.1.2 – fls. 522/523): relativo a competências dos anoscalendários de 2000 e 2001, e cuja base de cálculo é composta por (i) receitas financeiras de variação cambial, que foram reconhecidas pela Recorrente no regime de caixa, com o qual o Fisco discorda, e submeteu à tributação pelo regime de competência (por entender que, tendo a Recorrente escolhido tal regime para a apuração do IRPJ/CSLL também deveria têlo aplicado à apuração do PIS e da COFINS); e (ii) glosa de descontos incondicionais, que foram excluídos da base da contribuição pela Recorrente e que a fiscalização entendeu que não se classificariam como descontos incondicionais (sem, contudo, esclarecer o porque da discordância, tampouco anexando notas fiscais ou quaisquer outros documentos que nos permitisse compreender o porque da desconsideração). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/20 11 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10909.001470/200533 Acórdão n.º 330201.161 S3C3T2 Fl. 3 5 10. A Recorrente apresentou tempestivamente sua Impugnação (fls. 526/559), alegando em síntese que: (i) Operouse a decadência quanto ao período de abril de 2000; (ii) É ilegítima a cobrança do PIS sobre receitas financeiras com fulcro na Lei n° 9.718/98, pois referida lei é inconstitucional; (iii) Em relação às variações cambiais ativas também é ilegítima a cobrança, pois não existe dispositivo legal que determine a adoção de mesmo regime de tributação para PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, bem como não podem ser tributadas antes da liquidação das obrigações (regime de competência cuja aplicação é pretendida pelo Fisco); (iv) Os ganhos decorrentes de operações de hedge na operação de swap, também não podem ser tributados antes da liquidação da obrigação; e (v) A aplicação da Taxa SELIC é ilegítima. 11. Ao apreciar a Impugnação do contribuinte a DRJ julgoua parcialmente procedente (fls. 625/652), apenas para reconhecer a decadência do período de abril/2000, mantendo o restante do lançamento, em decisão assim ementada: “DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PIS. A Contribuição ao Programa de Integração Social PIS é um tributo, em regra, sujeito a lançamento por homologação. Em caso de pagamento do tributo, ainda que parcial, e não ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial rege se pela norma contida no art. 150, § 4º, do CTN. DESCONTOS INCONDICIONAIS. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. BASE DE CÁLCULO. A partir da vigência da Lei n°9.718, de 27/11/1998, a base de cálculo da Contribuição ao Programa de Integração Social PIS corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, sendo permitidas somente as exclusões determinadas em lei. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÕES JUDICIAIS. A Lei n° 9.718/1998 constitui norma legal regularmente editada segundo o processo legislativo estabelecido, tem presunção de legitimidade, vigorando até sua retirada do ordenamento Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/20 11 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 6 jurídico brasileiro; decisões do Poder Judiciário acerca do alargamento da base de cálculo do PIS, proferidas incidentalmente, beneficiam apenas as partes das respectivas ações. VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. As variações cambiais ativas de direitos e obrigações em moeda estrangeira compõem a base de cálculo da Contribuição para o PIS e, se tributadas pelo regime de competência, conforme opção do contribuinte, devem ser reconhecidas a cada mês, independentemente da efetiva liquidação das operações correspondentes. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. RENDA VARIÁVEL. OPERAÇÕES DE SWAP. GANHOS. CONTABILIZAÇÃO. RECEITAS. Os ganhos relativos às operações de swap, percebidos pela pessoa jurídica, no momento da liquidação destas operações, devem ser reconhecidos e registrados na contabilidade como receitas e não em contas patrimoniais, ficando, assim, sujeitos, integralmente, à incidência da Contribuição ao Programa de Integração Social PIS em conformidade com o regime de competência. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2002 ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a legalidade ou constitucionalidade de norma legal regularmente editada. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Inexiste cerceamento do direito de defesa, quando se constata que o auto de infração e seus anexos descrevem claramente as irregularidades apuradas no procedimento fiscal, permitindo, assim, ao sujeito passivo o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Lançamento procedente em parte.” 12. Intimada da decisão a Recorrente apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário (fls. 656/678), no qual, em relação ao item 01 da Autuação – TVF 01, que trata da constituição de crédito de PIS sobre variações monetárias ativas e supostos “ganhos” em operações de hedge noticia ter ocorrido o trânsito em julgado de decisão favorável em mandado de segurança por ela interposto, visando a declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98, no que se refere ao alargamento da base de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/20 11 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10909.001470/200533 Acórdão n.º 330201.161 S3C3T2 Fl. 4 7 cálculo da contribuição, para incluir as receitas financeiras (“totalidade de receitas”). Neste sentido, ressalta ter havido perda do objeto da discussão administrativa, sendo imperioso o cancelamento do Auto de Infração neste ponto. 13. Em relação ao item 02 da Autuação – TVF 02, que trata do crédito constituído em razão da glosa dos descontos concedidos pela Recorrente, contabilizados na conta de “Descontos e abatimentos sobre vendas” – a Recorrente afirma que há nulidade do lançamento. Em primeiro lugar porque há divergência de informações entre o Termo de Verificação Fiscal 002 e o Relatório da Fiscalização (que fundamenta o AI), pois o primeiro afirma que a Fiscalização teria constatado que parte dos valores contabilizados naquela conta não poderiam ser excluídos da base da contribuição porque não correspondiam a descontos incondicionais. Por outro lado, o Relatório da Fiscalização determinou que a totalidade dos valores indicados na referida conta fossem desconsiderada (determinando, por conseguinte, a inclusão de todos eles na base de cálculo da contribuição). 14. Afirma, ainda, que o lançamento é nulo porque não há indicação clara da razão que levou a Fiscalização a promover a glosa de todos os valores indicados na conta de “Descontos e abatimentos sobre vendas”. Vale dizer, a Fiscalização não apresentou a razão que a levou a desconsiderar a natureza dos descontos incondicionais concedidos, limitandose a apontar dispositivos que determinam a exclusão da base da contribuição dos descontos incondicionais. 15. Vieramme, então, os autos para decidir. 16. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Quanto ao período de abril de 2000, ocorreu a decadência. Tratandose de diferenças apuradas entre os valores escriturados e os recolhidos, a regra de decadência a ser aplicada é a do art. 150, § 4o, do CTN, à vista da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei no 8.212, de 1991, declarada pelo Supremo Tribunal Federal e objeto da Súmula Vinculante no 8. A respeito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento, como demonstra a ementa abaixo reproduzida (REsp 512840 / SP; Relatora: Ministra Eliana Calmon; DJ 23.05.2005 p. 194): TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4o E 173 DO CTN). Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/20 11 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 8 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4o, do CNT). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. 4. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Recurso especial provido. Portanto, tendo sido o auto de infração lavrado em junho de 2005, o período de abril de 2000, que é anterior a junho de 2000, restou decaído. No mérito, inicialmente cumpre ressaltar que durante todo o período objeto da autuação, em relação à COFINS, vigia a Lei nº 9.718/98. Assim, a constituição do crédito tributário relacionada às operações e ganhos financeiros – variações cambiais ativas e “ganhos” em operações de swap/hedge – seja no item 001, seja no item 002 da autuação, não pode prosperar. Assiste razão à Recorrente, no que tange à ilegalidade do lançamento, visto que integralmente fundamentado em dispositivo da Lei nº 9.718/98, que já foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, bem como reconhecido individualmente a seu favor, em decisão judicial transitada em julgado que lhe favorece. Neste sentido, esta Turma e este Conselho já se manifestaram por diversas vezes, reconhecendo a ilegalidade da tributação de receitas financeiras, com base no alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, perpetrado pela Lei nº 9.718/98. A este respeito, destaco trecho de voto que proferi, nos autos do Processo Administrativo nº 10675.003086/200485, verbis: “E, no que se refere à Lei nº 9.718/98, claro está que a principal matéria de mérito referese à constitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS. De acordo com o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as matérias já definitivamente julgadas pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, podem ser conhecidas pelos tribunais administrativos, mesmo que sejam matéria de ordem constitucional. Neste sentido, é de domínio público que “ao julgar os RREE 346.084, Ilmar; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 9.11.2005 (Inf./STF 408), o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal, redação esta anterior a EC nº 20/98” (cf. Ac. da 1ª Turma do STF no Ag.Reg. no RE nº 330.226PR, em sessão de 23/05/06, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/20 11 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10909.001470/200533 Acórdão n.º 330201.161 S3C3T2 Fl. 5 9 publ. in DJU de 16/06/06, pág. 17 EMENT VOL0223703 PP 00481; Ac. da 1ª Turma do STF nos Emb. Dec. no RE nº 368.468PR, em sessão de 23/05/2006, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 23062006, pág. 52 EMENT VOL 0223803 PP00428; Ac.da 1ª Turma nos Emb. Dec. no RE nº 410.691MG, em sessão de 23/05/2006, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 23/06/2006, pág. 52, EMENT VOL0223803 PP00538). Parafraseando o Conselheiro Fernando Lobo D’Eça, que inicialmente trouxe, a esta Câmara, o entendimento da possibilidade de aplicação pelos tribunais administrativos de decisão do pleno do STF, cito: “Por seu turno, analisando os efeitos reflexos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 sobre os lançamentos fiscais, o E. STJ recentemente esclareceu que “a inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito” e, “embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, § único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, art. 741, § único; art. 475L, § 1º, redação da Lei 11.232/05). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, é ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. Conseqüentemente, a base de cálculo das referidas contribuições continua sendo a definida pela legislação anterior, nomeadamente a LC 70/91 (art. 2º), por decorrência da qual o conceito de faturamento tem sentido estrito, equivalente ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RESP nº 828.106SP, Reg. nº 200600690920, em sessão de 02/05/06, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, publ. in DJU de 15/05/06, pág. 186) Consubstanciando atividade essencialmente realizadora do Direito, inteiramente vinculada e subordinada ao princípio da legalidade do tributo (art. 150, inc. I da CF/88; arts. 97 e 142 do CTN), a atividade administrativa do lançamento tributário necessariamente há de conformarse com a Constituição e com a interpretação que lhe empresta a Suprema Corte, só podendo se efetivar nas condições e sob os pressupostos estipulados em lei válida, donde decorre que ante a formal declaração de inconstitucionalidade ou invalidade da lei pela Suprema Corte, deslegitimamse todos os lançamentos fundados nas referidas disposição e base de cálculo inconstitucionais (§ 1º do art. 3º da Lei 9.718/98); em suma, são ilegítimos todos os lançamentos que refujam às base de cálculos do COFINS e PIS/PASEP adotadas pela legislação anterior e ao conceito de faturamento em sentido estrito por ela adotado e equivalente à receita bruta decorrente Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/20 11 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 10 de vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços, ou de serviços de qualquer natureza.” (destaquei) Logo, forço concluir que o lançamento sob análise não pode prosperar. Isto porque o presente auto de infração tem como fundamento a o artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98, pois entendeu a autoridade fiscal que os valores recebidos a título de subvenção são consideradas receitas e, assim, tributáveis pela contribuição ao PIS. Todavia, a ampliação da referida base de cálculo, pretendida por citada norma, ao alargar o conceito de faturamento, já foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, a norma (o fundamento) inconstitucional vicia por completo a autuação. Estando este Conselho obrigado a observar as decisões definitivamente proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, alternativa não há, senão declarar a insubsistência do lançamento ora analisado.” Assim, de se determinar o cancelamento do auto de infração, no que se refere aos créditos constituídos sobre variações cambiais ativas e “ganhos” da Recorrente em operações de hedge e swap, pois se tratam de receitas financeiras, cuja tributação pela COFINS, fundamentada na Lei nº 9.718/98 foi considerada inconstitucional, tanto pelo Supremo Tribunal Federal, como por decisão (transitada em julgado) obtida individualmente pela Recorrente. No que se refere a valores que foram constituídos com base na desconsideração da natureza de descontos incondicionais concedidos pela Recorrente, entendo que o agente fiscal não desempenhou adequadamente sua função. A motivação do lançamento é superficial e não foram apresentados nos autos elementos suficientes a esclarecêla ou demonstrar as alegações apresentadas quanto à inadequação da caracterização dos descontos concedidos como sendo incondicionais. A menção simplória ao fato de que “tratamse de descontos financeiros”, sem maiores esclarecimentos de que tipo de documento ou evidência levaram a tal conclusão invalida a afirmação do agente fiscal. A motivação apresentada não contém mais que cinco linhas e é, no mínimo, rasa e, assim, insubsistente para suportar a glosa pretendida pelo Fisco. A ausência de quaisquer documentos que pudessem trazer uma luz à que se refere o Fisco para promover a descaracterização dos descontos também conta em desfavor do agente fiscal. Tanto é superficial o conteúdo do Relatório Fiscal (e respectivos Termos de Verificação) que a DRJ ao tratar da questão limitase a alegar que a Fiscalização analisou a documentação fiscal do contribuinte e concluiu que os descontos não poderia ser qualificados como incondicionais. Ora, não há motivação clara para tal conclusão. Não há apresentação de nenhum documento que comprove tal justificativa. Ao contrário, a DRJ apresenta, também, uma conclusão rasa a respeito da questão, simplesmente invertendo o raciocínio, afirmando que, se para caracterizar um desconto como incondicional é necessário que o mesmo tenha sido (a) discriminado em nota fiscal de saída e/ou (b) o fato patrimonial a ele correspondente não pode depender de evento posterior, então esses são os motivos apontados pela Fiscalização para promover a glosa. Ocorre que tal raciocínio não é suficiente. Em primeiro lugar porque, ainda que fosse esse mero raciocínio o fundamento da glosa, deveria estar expresso. E não está. Ademais, deveria o Fisco referirse com clareza a qual dos dois requisitos não estariam presentes nos descontos concedidos. Ainda, deveria constar dos autos – até para que a Recorrente pudesse se defender Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/20 11 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10909.001470/200533 Acórdão n.º 330201.161 S3C3T2 Fl. 6 11 adequadamente – que documentos e evidências levaram o agente fiscal a concluir que os descontos não estariam discriminados em nota fiscal ou que fato patrimonial gerou a conclusão de que o desconto dependia de evento posterior. Finalmente, de se notar que sequer os demonstrativos e Anexos dos Termos de Verificação permitem a conclusão de que valores estão envolvidos nessa questão. Logo, é evidente que o agente fiscal não foi diligente e não agiu com o devido comprometimento que deve orientar sua função, em especial no que se refere a apresentar clara e consistente motivação para o lançamento. Os dispositivos legais citados, como bem salientou a Recorrente, assim como os demonstrativos, sequer colaboram com o entendimento da questão. Desta feita, entendo que também em relação aos valores de descontos incondicionais, cuja exclusão da base da contribuição foi glosada, também não pode subsistir o lançamento, por flagrante nulidade, na medida em que a motivação inadequada cerceou o direito de defesa da Recorrente (art. 59, II do Decreto nº 70.235/72). Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos expostos, determinando o cancelamento integral do lançamento, seja em razão da impossibilidade de incidência da contribuição sobre receitas financeiras, em todo o período objeto da autuação, seja porque há flagrante vício no lançamento, por ausência de motivação e conseqüente ofensa ao direito de defesa do contribuinte, em relação ao lançamento que tem por base os valores de descontos incondicionais concedidos pela Recorrente. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Voto Vencedor Conselheiro José Antonio Francisco, designado quanto aos descontos incondicionais Em relação aos descontos incondicionais, considerou a Ilustre Relatora que o a descrição dos fatos contida nos autos de infração seria insuficiente para esclarecer a matéria da autuação. Observese, entretanto, que na fl. 523 dos autos, a Fiscalização relatou o seguinte: [...] Já os valores contabilizados a título de descontos e abatimentos sobre vendas, não se referiam, efetivamente, a descontos incondicionais concedidos no ato das vendas, e assim, foram desconsiderados para fins de dedução da base de cálculo do PIS. Os fatos verficados e apurados estão descritos detalhadamente no TVF n° 002 (79) e no seu Anexo A (fis.82). A Fiscalização Fl. 11DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/20 11 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 12 acatou os esclarecimentos escritos apresentados pelo Contribuinte (fls.500) no que se referiu à diferença apurada no mêscalendário 10/2003 (fis.87), no sentido de já ter sido tributada em período de apuração anterior, parte da receita apurada naquele mêscalendário. Nas justificativas que apresentou, o Contribuinte não questionou as demais diferenças apontadas no Anexo A, do TVF n° 002. Verificase, portanto, que a Fiscalização, anteriormente, havia constatado que os valores lançados como descontos e abatimentos sobre vendas não corresponderiam a descontos concedidos no ato da venda (descontos incondicionais), conforme fls. 79 e seguintes dos autos. No anexo “B” (fls. 89 e seguintes), a Fiscalização relacionou os valores, a conta do razão e a página de onde constou a escrituração. Na fl. 80, a Fiscalização esclareceu: Por outro lado, os históricos constantes dos próprios registros contábeis dos anos de 2000 e 2001, permitiram à Fiscalização verificar, através dos lançamentos efetuados nos livros Diário e Razão, quais os tipos de fatos patrimoniais que foram — registrados nas respectivas__ contas, e, assim, interpretálos de acordo com a legislação tributária pertinente a cada imposto e contribuição social. Desse modo, verificouse que a maior parte dos valores registrados pelo contribuinte nas contas representantivas de "descontos e abatimentos sobre vendas", trataramse de descontos financeiros e glosas de valores, e, não de "descontos incondicionais" concedidos no ato da venda, ou, a grosso modo, desconto concedido na própria nota fiscal. Do que se deduz do descrito acima, concluise que a Fiscalização observou que os valores lançados no razão como “descontos e abatimentos sobre vendas” não constaram das notas fiscais de vendas e, portanto, não representam descontos incondicionais. Portanto, a autuação baseouse em duas premissas: os valores não constaram das notas fiscais como descontos e somente são incondicionais os descontos contidos nas notas fiscais. A Interessada, entretanto, não demonstrou o contrário quanto à matéria fática (não apresentou prova alguma de que os valores constaram como descontos das notas fiscais) e não argumentou ser tal fato relevante ou irrelevante para caracterização dos valores como descontos incondicionais e, portanto, dedutíveis da base de cálculo. Os fatos, portanto, estão claramente relatados e era perfeitamente possível à Interessada chegar às conclusões acima expostas, não tendo apresentado provas ou argumentos que contradissessem a apuração efetuada pela Fiscalização. No tocante à multa e aos juros, aplicamse as seguintes súmulas do Carf: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/20 11 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10909.001470/200533 Acórdão n.º 330201.161 S3C3T2 Fl. 7 13 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. À vista do exposto, voto por negar provimento em relação a essa matéria, acompanhando a relatora em relação às demais. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 13DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 12/09/20 11 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 13/09/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/09/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 18088.000130/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2007 a 30/11/2008
SERVIÇOS MÉDICOS. PRESTAÇÃO POR CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
INCIDÊNCIA DE RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Incide a retenção de 11% para a Seguridade Social sobre serviços médicos prestados por empresas e que envolvam cessão de mão de obra.
SERVIÇOS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. DISPENSA DE RETENÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DAS EXIGÊNCIAS NORMATIVAS.
Para que ocorra a dispensa da retenção sobre serviços prestados relativos a profissões regulamentadas é necessário que o tomador comprove que o serviço foi prestado pelo sócio da empresa tomadora, sem o concurso de empregados ou contribuintes individuais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.158
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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PRESTAÇÃO POR CESSÃO DE MÃODE OBRA. INCIDÊNCIA DE RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Incide a retenção de 11% para a Seguridade Social sobre serviços médicos prestados por empresas e que envolvam cessão de mãodeobra. SERVIÇOS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. DISPENSA DE RETENÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DAS EXIGÊNCIAS NORMATIVAS. Para que ocorra a dispensa da retenção sobre serviços prestados relativos a profissões regulamentadas é necessário que o tomador comprove que o serviço foi prestado pelo sócio da empresa tomadora, sem o concurso de empregados ou contribuintes individuais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Fl. 249DF CARF MF Emitido em 22/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 250DF CARF MF Emitido em 22/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.000130/201075 Acórdão n.º 240102.158 S2C4T1 Fl. 250 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.248.6371, lavrado contra o contribuinte acima no qual são apuradas contribuições relativas a retenção sobre notas fiscais/faturas de prestação de serviços contratados pala entidade fiscalizada. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 65/71, os fatos geradores que ensejaram a lavratura foram os serviços prestados por empresas contratadas pela autuada, sem que houvesse declaração dos valores na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, nem destaque no valor das notas fiscais, tampouco recolhimento da quantia que deveria ser retida pela empresa contratante. Segundo o Fisco foi apresentado o contrato firmado pela autuada com a empresa Global S/S Ltda, bem como as notas fiscais de prestação serviços, todavia, em relação à empresa L.F.M. & Cia Ltda não foi exibido o contrato, mas apenas algumas notas fiscais, o que levou a Auditoria a apurar determinados valores de prestação de serviço pela Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF. Foi acostada planilha contendo todos os valores envolvidos na apuração. A entidade apresentou impugnação, cujas razões foram acatadas em parte pela DRJ em Ribeirão Preto, que julgou parcialmente procedente a impugnação, retificando o crédito, fls. 203/209. O órgão recorrido excluiu da apuração duas notas fiscais, nas quais restou comprovado trataremse de casos de dispensa de retenção, posto que os serviços de profissão regulamentada fora prestados pelos sócios, sem o concurso de empregados. A empresa interpôs recurso voluntário, fls. 212/218, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) todas as notas fiscais indicadas pelo Fisco, enquadramse no caso de dispensa de retenção, previsto no inciso III do art. 148 da Instrução Normativa – IN n.º 0302005; b) não hão que se falar em retenção da contribuição previdenciária de 11% sobre o valor pago pela assistência médica, exercida por médicos que têm profissão regulamentada por lei federal; c) nos termos do entendimento firmado pelo Egrégio STJ, não há o que se cogitar de impor a retenção pretendida. Ao final pede a reforma da decisão da DRJ, com o consequente cancelamento do AI. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Emitido em 22/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Incidência da retenção sobre os serviços prestados No seu recurso a entidade autuada reconhece que ocorreu a prestação de serviços médicos pelas empresas listadas pelo Fisco, todavia, invoca o art. 148, III, da IN n.º 03/2005, para afastar a imposição. Vejamos o dispositivo: Art. 148. A contratante fica dispensada de efetuar a retenção e a contratada de registrar o destaque da retenção na nota fiscal, na fatura ou no recibo, quando: (...) III a contratação envolver somente serviços profissionais relativos ao exercício de profissão regulamentada por legislação federal, ou serviços de treinamento e ensino definidos no inciso X do art. 146, desde que prestados pessoalmente pelos sócios, sem o concurso de empregados ou outros contribuintes individuais. (...) § 2º Para comprovação dos requisitos previstos no inciso III do caput, a contratada apresentará à tomadora declaração assinada por seu representante legal, sob as penas da lei, de que o serviço foi prestado por sócio da empresa, no exercício de profissão regulamentada, ou, se for o caso, profissional da área de treinamento e ensino, e sem o concurso de empregados ou contribuintes individuais ou consignará o fato na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. § 3º Para fins do disposto no inciso III do caput, são serviços profissionais regulamentados pela legislação federal, dentre outros, os prestados por administradores, advogados, aeronautas, aeroviários, agenciadores de propaganda, agrônomos, arquitetos, arquivistas, assistentes sociais, atuários, auxiliares de laboratório, bibliotecários, biólogos, biomédicos, cirurgiões dentistas, contabilistas, economistas domésticos, economistas, enfermeiros, engenheiros, estatísticos, farmacêuticos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, geógrafos, geólogos, guias de turismo, jornalistas profissionais, leiloeiros rurais, leiloeiros, massagistas, médicos, meteorologistas, nutricionistas, psicólogos, publicitários, químicos, radialistas, secretárias, taquígrafos, técnicos de arquivos, técnicos em biblioteconomia, técnicos em radiologia e tecnólogos. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 22/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.000130/201075 Acórdão n.º 240102.158 S2C4T1 Fl. 251 5 É fora de dúvida que as contratações em questão, por se referirem a serviços médicos, são regulamentados pela legislação federal. Todavia, para dispensa da retenção não basta só isso. É que a norma acima transcrita exige que a empresa tomadora comprove que os serviços tenham sido prestados pelos sócios, sem o concurso de empregados ou contribuintes individuais. Essa comprovação pode ser feita mediante mero destaque na nota fiscal de prestação de serviços. O órgão recorrido, por esse motivo, excluiu da apuração duas notas fiscais, como se pode ver de excerto do voto condutor do acórdão de primeira instância: Analisandose as NFPS objetos do presente AIOP, constatase que apenas duas delas, a de número 0000026, no valor de R$ 4.300,00 e a de número 000034, no valor de R$ 5.351,00 (fls. 52/53), emitidas pela prestadora L.F.M. Garrucho & Cia Ltda, satisfazem a exigência contida no § 2.° do artigo 148 da IN 03, acima transcrito, por consignarem que os serviços foram prestados por "Dr. Luiz Fernando" (NFPS 000026) e "Dr. Ricardo A dos Santos e Dr. Luiz Fernando" (NFPS 000034), presumidamente os sócios Luiz Fernando Marques Garrucho e Ricardo Alexandre dos Santos, admitidos na sociedade em 26/03/2007 e 07/02/2008, respectivamente, conforme dados obtidos no contrato social e alteração trazidos na impugnação, tendo sido tais informações confirmadas através de consulta efetuada no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil (fls. 197). No meu entender acertou a DRJ quando excluiu da apuração apenas as duas notas fiscais em que ficou consignado que o serviço foi prestado pelos sócios. Não hei de dar razão à empresa que afirma não haver incidência sobre qualquer serviço médico, por ser ele de profissão regulamentada. Não é essa a melhor exegese do dispositivo acima. Eis que a própria IN, hoje revogada, previa os serviços de saúde como suscetíveis de retenção, conforme se vê do inciso XXIII do art. 116: Art. 146. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mãodeobra, observado o disposto no art. 176, os serviços de: (...) XXIII saúde, quando prestados por empresas da área da saúde e direcionados ao atendimento de pacientes, tendo em vista avaliar, recuperar, manter ou melhorar o estado físico, mental ou emocional desses pacientes; (...) Portanto, não é o fato do serviço prestado ser voltado à área de atendimento à saúde que afasta a retenção, mas as condições em que o serviço foi prestado, o que deve ser comprovado pela empresa tomadora. Para que haja a dispensa da obrigação de reter, fazse necessário que o tomador comprove mediante declaração ou mesmo pelo destaque na nota fiscal que o serviço médico foi prestado pelos sócios e sem o concurso de empregados ou contribuintes individuais. Fl. 253DF CARF MF Emitido em 22/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Os autos demonstram que apenas as duas notas já mencionadas continham o destaque de que o trabalho foi executado pelos sócios, para as demais não há como se afastar a obrigação de reter da tomadora dos serviços. A bem da verdade, não é o Fisco que tem que demonstrar que o serviço foi executado exclusivamente pelo sócio, tal ônus cabe a empresa contratante, de modo a se livrar da retenção, eis que a regra geral é que ocorrendo cessão de mãodeobra haja a retenção da contribuição previdenciária. A dispensa da retenção é situação excepcional e o tomador de serviço deve adotar as providências constantes do § 2.º do art. 148 da IN n.º 0302005, sob pena de ter que arcar com o valor da retenção não efetuada, conforme prevê o § 5.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, que passo a transcrever: Art. 33. (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. (...) Conclusão Voto, assim, por conhecer do recurso, negandolhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 254DF CARF MF Emitido em 22/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10283.002409/2003-46
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
Ementa: DECADÊNCIA. CSLL. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8.
MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
Não se conhece do recurso que tem como base legal dispositivo excluído do mundo jurídico por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF). A decadência das contribuições sociais segue as regras dos demais tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo em vista a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, nos termos da Súmula Vinculante STF nº 8.
Numero da decisão: 9101-000.840
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997 Ementa: DECADÊNCIA. CSLL. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não se conhece do recurso que tem como base legal dispositivo excluído do mundo jurídico por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal (STF). A decadência das contribuições sociais segue as regras dos demais tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo em vista a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, nos termos da Súmula Vinculante STF nº 8.
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score : 1.0
Numero do processo: 18471.000999/2005-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003
Ementa: SIMULAÇÃO Configurase como simulação, o comportamento do
contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dá-se pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade.
INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO –
ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL
INOPONÍVEL AO FISCO – INOCORRÊNCIA. No contexto do programa
de privatização das empresas de telecomunicações, regrado pelas Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco.
ABUSO DE DIREITO - A figura de “abuso de direito” pressupõe que o
exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violálos. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deu-se,
exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
LANÇAMENTO DECORRENTE Repousando o lançamento da CSLL nos
mesmos fatos e mesmo fundamento jurídico do lançamento do IRPJ, as decisões quanto a ambos devem ser a mesma.
Numero da decisão: 1301-000.711
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário e NEGAR provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: SIMULAÇÃO Configurase como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dá-se pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO – ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO – INOCORRÊNCIA. No contexto do programa de privatização das empresas de telecomunicações, regrado pelas Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. ABUSO DE DIREITO - A figura de “abuso de direito” pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violálos. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deu-se, exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 LANÇAMENTO DECORRENTE Repousando o lançamento da CSLL nos mesmos fatos e mesmo fundamento jurídico do lançamento do IRPJ, as decisões quanto a ambos devem ser a mesma.
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INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO – ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO – INOCORRÊNCIA. No contexto do programa de privatização das empresas de telecomunicações, regrado pelas Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. ABUSO DE DIREITO A figura de “abuso de direito” pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violálos. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deuse, exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 2 2 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 LANÇAMENTO DECORRENTE Repousando o lançamento da CSLL nos mesmos fatos e mesmo fundamento jurídico do lançamento do IRPJ, as decisões quanto a ambos devem ser a mesma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário e NEGAR provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 3 3 Relatório A pessoa jurídica Tele Norte Leste Participações S/A. foi submetida a um procedimento de fiscalização com vistas a, dentre outros objetivos, verificar a regularidade da incorporação, pela fiscalizada, da empresa 140 Participações S/A. A fiscalização concluiu que (fls. 505/516 do Termo de Verificação Fiscal): As operações que resultaram na incorporação da empresa 140 Participações S/A., foram simuladas (fls. 540 da Representação Fiscal para Fins Penais), cujo objetivo era especificamente o enquadramento em situação jurídica que propiciava redução de pagamento de tributos pela Tele Norte Leste Participações S/A., devendo os negócios jurídicos, que compuseram o planejamento tributário ser afastados, porque se apegam tãosomente à literalidade da estipulação. De acordo com a fiscalização, “não se denota nenhuma finalidade econômica na aproximação dos interessados. Existia a possibilidade jurídica, mas não a vontade sincera de transferir as ações para empresa diversa da verdadeira adquirente. Mesmo admitindo como válida a transferência dos ativos para a empresa 140 PARTICIPAÇÕES, prevalece o fato de que jamais existiu vontade efetiva, haja vista que os documentos (...) explicitavam que o objetivo das partes, seria a economia fiscal”. Assim, em decorrência dos atos praticados, a autoridade fiscal promoveu a glosa da dedução das amortizações do ágio registrado no balanço de incorporação da empresa 140 Participações S/A. pela Tele Norte Leste Participações S/A., resultando na lavratura de autos de infração relativos ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), alcançando os anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e 2003, com imposição da multa qualificada (150%). Por bem colocado, tomo como empréstimo a descrição dos fatos e a descrição da impugnação feita pelo ilustre relator de primeira instância, alterandolhe a numeração dos parágrafos: “Da descrição dos fatos 1. A cronologia dos atos praticados pela interessada, que culminaram na lavratura dos autos de infração sob exame, é a seguinte: 1.1. a TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A. submeteuse, em 1998, ao processo de desestatização das Empresas Federais de Telecomunicações, mediante cisão de parte do acervo da Telecomunicações Brasileiras S/A — Sistema Telebrás (Edital MC/BNDES n°01/1998, de fls. 291); 1.2. a UNIÃO, na condição de acionista controladora da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A e mediante Contrato de Compra e Venda de Ações Ordinárias da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A com opção de pagamento parcelado (fls. 292/299), celebrado em 04/08/1998, vendeu 64.405.151.125 de ações ordinárias de emissão desta Companhia, representativas de 51,79% do capital votante, por R$ 3.434.000.108,00, a Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 4 4 CONSÓRCIO constituído pelas empresas Construtora Andrade Gutierrez S/A, lnepar S/A Indústria e Construções, Macal Investimentos e Participações Ltda, Fiago Participações S/A, Brasil Veículos Companhia de Seguros e Companhia de Seguros Aliança do Brasil, mediante pagamento de 40% à vista e o restante em duas parcelas iguais, com vencimento em 04/08/1999 e 04/08/2000; 1.3. o valor de venda superou o patrimônio líquido contábil (PL) da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, envolvendo parcela substancial de ágio; 1.4. em Assembléia Geral Extraordinária, datada de 09/10/1998, a GUANACO PARTICIPAÇÕES S/A, sociedade constituída em 29/07/1997 pelos mesmos acionistas participantes do CONSÓRCIO, alterou sua razão social para TELEMAR, PARTICIPAÇÕES S/A, ocasião em que seus acionistas resolveram alterar o objeto da Companhia, que passou a ser "a participação exclusiva no capital da sociedade TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A", conforme estabelecido em Ata (fls. 300/301); 1.5. em 27/07/1999, foi firmado o Primeiro Termo Aditivo ao Contrato de Compra e Venda de Ações Ordinárias de Emissão da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A (fls. 311/313), do qual participaram a UNIÃO, o CONSÓRCIO e a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A; 1.6. a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A assume, como sucessora, a integralidade das obrigações contratuais detidas pelo CONSÓRCIO, inclusive a forma e as condições de pagamento das ações adquiridas (cláusula primeira do Termo Aditivo); 1.7. o Laudo de Avaliação e Verificação das ações da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A (fls. 321/340) adquiridas, elaborado por auditores independentes, em 28/07/1999, registra que, de acordo com a administração do CONSÓRCIO, as ações da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A deverão ser vertidas para a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A, tendo como contrapartida a assunção por esta empresa de dívidas das companhias integrantes do CONSÓRCIO; 1.8. em 28/07/1999, o CONSÓRCIO e a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A celebram, em 28/07/1999, Instrumento Particular de Assunção de Dívidas, Dação em Pagamento e Outras Avenças (fls. 354/365), onde consta, basicamente: (i) esclarecimento sobre a formação do CONSÓRCIO, cujos componentes acordaram pela transferência da participação acionária adquirida 'no leilão de privatização para uma Sociedade de Propósito Específico — a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A que seria a sucessora de todos os direitos e obrigações advindas da participação de cada consorciada no leilão; (ii) a assunção da TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A como sucessora da integralidade das obrigações contratuais do CONSÓRCIO; e (iii) o compromisso do CONSÓRCIO de se reunir em Assembléia Geral Extraordinária para aprovar a alteração do Estatuto Social com vistas ao aumento do capital social da TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A (cláusula terceira); Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 5 5 1.9. em Assembléia Geral Extraordinária realizada em 28/07/1999, os acionistas da TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A deliberam, conforme Ata Sumária (fls.314/320), pelo aumento do capital social da Companhia, por subscrição, de R$ 40.000,00 para R$ 2.187.616.239,00, através da emissão de 1.201.475.392 novas ações ordinárias e 986.100.847 novas ações preferenciais classe B, todas sem valor nominal, pelo preço de emissão de R$ 1,00 cada uma, integralmente subscritas naquele ato; 1.10. a integralização de parte do aumento do capital social da TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A deuse em bens, representados por: a) 16.157.053.429 de ações ordinárias escriturais de emissão da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, ao valor de R$ 0,06663 por ação; b) direitos decorrentes de contratos de opção de compra de ações; e c) créditos existentes; 1.11. em 28/07/1999, foi firmado Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações Ordinárias de Emissão da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, através do qual algumas empresas participantes do CONSÓRCIO (Construtora Andrade Gutierrez S/A, Inepar S/A Investimentos em Telecomunicações e Macal Investimentos e Participações Ltda), com interveniência das demais, efetuaram a venda para a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A do montante de 2.102.148.342 de ações ordinárias escriturais do capital social da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, pela importância de R$ 140.066.144,00; 1.12. em 26/11/1999, os antigos sócios pessoas físicas da 140 PARTICIPAÇÕES S/A, sociedade constituída em 07/10/1998, vendem à TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A o total de ações ordinárias nominativas e preferenciais nominativas que possuíam na sociedade (recibos de fls. 371/372); em 29/11/1999, Assembléia Geral Extraordinária da TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A (fls. 403/405) aprova a indicação de empresa para proceder à avaliação das 64.405.151.125 de ações ordinárias de emissão da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A de propriedade da TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A; 1.13 em 29/11/1999, Assembléia Geral Extraordinária da TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A (fls. 403/405) aprova a indicação de empresa para proceder à avaliação das 64.405.151.125 de ações ordinárias de emissão da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A de propriedade da TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A; 1.14. Laudo de Avaliação elaborado em 29/11/1999 (fls. 406/412) estabelece o valor de, pelo menos, R$ 4.267.023.343,13, para as 64.405.151.125 de ações ordinárias nominativas e sem valor nominal de emissão da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, de propriedade da TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A, apurado para a data de 31/10/1999, com base no método de avaliação patrimonial — valor líquido contábil; 1.15. em 30/11/1999, Ata da Assembléia Geral Extraordinária da 140 PARTICIPAÇÕES S/A aprova Laudo de Avaliação e o aumento de capital da Companhia de R$ 1.000,00 para R$ 4.267.023.343,13 (fls. 432/435), Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 6 6 mediante a emissão de 64.405.151.125 ações ordinárias nominativas sem valor nominal, pelo preço de emissão de R$ 0,06625282712 cada uma, totalizando R$ 4.267.023.343,13, inteiramente destinados à conta de capital, totalmente subscritas e integralizadas pela acionista TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A, com as ações mantidas em seu poder, de emissão da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, sendo transferido o investimento para a 140 PARTICIPAÇÕES S/A e permanecendo na TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A o passivo resultante da aquisição das ações da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A no leilão de desestatização, passando a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A a manter, então, o controle indireto da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A; 1.16. a integralização do capital tornou a 140 PARTICIPAÇÕES S/A subsidiária integral da TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A, tendo havido, no caso, uma incorporação de ações; 1.17. Assembléia Geral Extraordinária realizada em 30/12/1999, pela TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, conforme Ata (fls. 438/450), visando a aprovação de Laudo de Avaliação do patrimônio líquido contábil da 140 PARTICIPAÇÕES S/A, em 30/11/1999, e de Protocolo e Justificação da Incorporação da 140 PARTICIPAÇÕES S/A; 1.18. em Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 30/12/1999, a acionista TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A resolve aprovar a incorporação da sociedade 140 PARTICIPAÇÕES S/A ao patrimônio da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A e a conseqüente extinção da 140 PARTICIPAÇÕES S/A, com base no seu valor contábil, mediante o recebimento pela acionista da sociedade incorporada a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A – de 64.405.151.125 de ações ordinárias da sociedade incorporadora TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, conforme laudo de avaliação do investimento, tendo sido verificado ágio no balanço de incorporação; 1.19. devido à incorporação, a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A recebeu, assim, em substituição das ações da 140 PARTICIPAÇÕES S/A, ações da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A na mesma quantidade e espécie das ações originais, subrogandose nos mesmos direitos e obrigações, sem que tenha havido alteração no capital da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A no momento da incorporação; 1.20. observado o disposto na Instrução CVM n° 319, de 03/12/1999, em razão de constituir a 140 PARTICIPAÇÕES S/A sociedade controladora da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, foi registrado no Ativo Diferido da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A o valor de R$ 2.464.787.233,00, equivalente ao montante pago como ágio para a aquisição do controle da Companhia, em contrapartida a conta de patrimônio líquido denominada "Reserva Especial de Ágio”, para amortização no prazo de 60 meses, com base na expectativa de rentabilidade futura das sociedades controladas pela TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 7 7 1.21. havia previsão para que ao término de cada exercício social em que a TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A viesse a gozar do benefício fiscal da amortização do ágio, a parcela da "Reserva Especial de Ágio" correspondente a tal benefício seria objeto de capitalização em proveito do acionista controlador (TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A), ficando o respectivo aumento de capital sujeito ao direito de preferência dos demais acionistas, conforme previsto no parágrafo 1° do artigo 7°, da Instrução CVM n° 319/1999; 1.22. na medida em que o benefício fiscal da amortização do ágio foi gerado através da redução efetiva da carga tributária, foram emitidas ações da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A para a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A; 1.23. em 28/04/2000, foi aprovado em Assembléia Geral Ordinária aumento do capital social da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, mediante a incorporação da "Reserva Especial de Ágio", correspondente à contrapartida do benefício fiscal auferido pela TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, em decorrência da amortização parcial do ágio resultante da operação. 2. O Termo de Verificação elaborado pelo autuante, às fls. 505/516, que ampara os autos de infração, apresenta os seguintes esclarecimentos: 2.1. após uma sucessão de contratos e aditivos, a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A tomouse, até 30/11/1999, controladora da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, data em que aumenta e integraliza o capital da 140 PARTICIPAÇÕES S/A, da qual era proprietária de 100% do capital, com as ações da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, tornando a 140 PARTICIPAÇÕES S/A controladora da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A; 2.2. em 30/12/1999, a TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A incorpora sua controladora, a 140 PARTICIPAÇÕES‘SIA; 2.3. o "Protocolo e Justificação da Incorporação da 140 Participações S.A. na Tele Norte Leste Participações S.A.” (fls.454/456), menciona o objetivo principal da operação: a conseqüente dedução do ágio, ferindo a vontade da lei; 2.4. a documentação apresentada (fls. 464/469) permitiu a constatação do fundamento e da regularidade do registro do ágio, em 31/07/1999; 2.5. a legislação tributária permite a dedução da amortização do ágio na aquisição de ações somente após eventos específicos, dentre eles a incorporação, nos termos dos artigos 385, incisos I e II, § 2°, inciso II, 386, inciso III, § 6°, incisos I e II, 391 "caput” e parágrafo único, e 426, inciso II, todos do RIR/1999; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 8 8 2.6. realizada a incorporação, não houve nenhuma modificação na titularidade das ações; 2.7. os negócios jurídicos que compuseram o planejamento tributário devem ser afastados, porque se apegam tãosomente à literalidade da lei, não se denotando nenhuma finalidade econômica na aproximação dos interessados; 2.8. existia a possibilidade jurídica, mas não a vontade sincera de transferir as ações para sociedade diversa da verdadeira adquirente; 2.9. ainda que se admita como válida a transferência dos ativos para a 140 PARTICIPAÇÕES S/A, jamais existiu vontade efetiva, pois os documentos apresentados explicitam que o objetivo das partes seria a economia fiscal; 2.10. a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A, instada a se pronunciar sob a legalidade fiscal das operações realizadas, não tece considerações sobre a aplicabilidade da combinação do artigo 149, inciso VII, do CTN, com o artigo 51 da Lei n° 7.450/1985, ao qual o item 6 do Parecer Normativo n° 48/1987 faz menção expressa; 2.11. a inobservância pela TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A da legislação de regência, resultou na adição ao lucro líquido do exercício e à base de cálculo da CSLL, dos anoscalendário de 2000 a 2003, apurados de acordo com as DIPJ correspondentes (fls. 07/279), dos valores correspondentes às amortizações do ágio na aquisição das ações da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, ensejando a lavratura dos autos de infração do IRPJ e da CSLL. Da impugnação 3. Inconformada com os lançamentos, dos quais tomou ciência em 07/07/2005, nos próprios autos de infração (fls. 517 e 524), apresentou a interessada, em 05/08/2005, a impugnação de fls. 575/599 e 602/605, instruída com os documentos de fls. 606/799 e 802/811, requerendo o cancelamento dos autos lavrados, pelos seguintes motivos: 3.1. a Fiscalização considerou inaplicável o disposto no artigo 386, do RIR/1999 que assegura a dedutibilidade da amortização do ágio quando este for fundamentado na diferença de valor de mercado ou em previsão de rentabilidade futura, nos casos em que houver absorção de patrimônio por incorporação, fusão ou cisão — sob o entendimento de ter havido a implementação de um planejamento tributário para o aproveitamento do benefício legal de dedução da amortização do ágio, muito embora o fundamento e a regularidade de seu registro, em 31/07/1999, tenham sido atestados pelo fiscal autuante; 3.2. os requisitos normativo exigidos pelo mencionado dispositivo legal estiveram, porém, presentes no ato praticado; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 9 9 3.3. a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A tornouse a "holding" da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A (fls. 636/645), visto que os antigos associados do CONSÓRCIO capitalizaram a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A com as ações adquiridas no leilão, baseandose em laudos contábil e econômico, transferindo para a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A as obrigações por eles assumidas com a União, especialmente o pagamento das duas parcelas restantes do preço (fls. 647/707); 3.4. as ações da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, adquiridas pelo CONSÓRCIO TELEMAR no leilão, por valor superior ao seu valor de patrimônio líquido contábil (PL), foram capitalizados na TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A, que desdobrou o custo de aquisição dos investimentos na controlada, indicando seu valor de PL e o ágio na aquisição, este correspondente à diferença a maior entre o preço de aquisição do investimento e o montante do PL da controlada, ficando a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A com a incumbência de indicar o fundamento econômico do ágio, qual seja, a perspectiva de rentabilidade futura da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A; 3.5. a hipótese subsumiase, exatamente, ao disposto no artigo 7° da Lei n° 9.532/1997, que autoriza, no caso de junção de empresas, por fusões ou incorporações, adquiridas com ágio por rentabilidade futura, em que uma delas detenha investimentos na outra, que o produto da amortização do ágio seja computado no lucro real da empresa resultante da junção, à razão de até 20% ao ano, gerando um ativo diferido amortizável à razão de 1/60 por mês; 3.6. a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A, contudo, como de resto a maioria das empresas que adquiriram o controle das empresas privatizadas, registrava um passivo vinculado à aquisição do controle da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, razão pela qual a incorporação da TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A pela TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A seria inviável, pois esta, como sucessora, herdaria a obrigação referida, resultando em prejuízo para os acionistas minoritários, inclusive com redução dos dividendos, já que os lucros seriam reduzidos devido à amortização do ágio (artigo 117, § 1°, "b", da Lei das S/A e Instruções CVM n° 319/1999, 320/1999 e 349/2001), além de outros inconvenientes negociais, como a perda de controle e do nome TELEMAR, pelo qual a empresa já começava a ser conhecida; 3.7. a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A, por essa razão, a exemplo do que ocorrera com as outras empresas privatizadas, optou por realizar outra operação, qual seja, a aquisição de empresa que ainda não havia entrado em fase operacional, denominada 140 PARTICIPAÇÕES S/A, integralizando, logo em seguida, aumento de capital, e transferindo a esta empresa a totalidade de seus investimentos na TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A pelo valor contábil (custo de aquisição), passando a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A a controlar indiretamente a TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A; Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 10 10 3.8. o investimento, desse modo, migrou para a 140 PARTICIPAÇÕES S/A, que desdobrou o custo do investimento na TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A pelo método de equivalência patrimonial, registrando a diferença como ágio com fundamento em rentabilidade futura, enquanto que o passivo resultante da aquisição da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A permaneceu na TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A; 3.9. para evitar que a amortização do ágio viesse a diminuir os dividendos devidos aos acionistas minoritários da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, a 140 PARTICIPAÇÕES S/A registrou provisão, vinculada à conta de investimento na TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, como prescrito nas Instruções CVM, remanescendo valor líquido equivalente ao da economia fiscal que a incorporação da 140 PARTICIPAÇÕES S/A propiciaria à TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A; 3.10. em dezembro/1999, a TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES incorporou, por fim, a 140 PARTICIPAÇÕES S/A, passando a existir, de fato, duas empresas: a investidora TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A, com registro de ágio em investimento por expectativa de rentabilidade futura, e a sociedade investida TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A; 3.11. razões de cunho societário justificavam, contudo, a adoção da outra forma de incorporação que, igualmente, atenderia aos requisitos do art. 386, do RIR/1999, a saber: a) a 140 PARTICIPAÇÕES S/A passou a deter participação societária na TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A; ) houve uma aquisição, que pode se dar por todas as formas possíveis, inclusive mediante integralização de capital, como foi o caso, já que dispositivo legal não o restringe, além de se tratar de forma expressamente prevista no art. 70 da Lei das S/A; c) a participação foi adquirida com ágio apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei n° 1598/1977 (art. 38 do RIR/1999); d) ao adquirir a participação societária na TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, a 140 PARTICIPAÇÕES S/A, avaliando investimento pelo valor do patrimônio líquido, desdobrou o custo de aquisição (valor da capitalização) em valor do patrimônio líquido e ágio; e) fundamento do ágio, de acordo com o laudo de avaliação da participação na TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, foi a rentabilidade com base em previsão dos resultados de exercícios futuros, de acordo com o § 2° d artigo 385, do RIR11999, ocorrendo, por fim, a incorporação da 140 PARTICIPAÇÕES S/A pela TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A; 3.12. verificase, desse modo, que a 140 PARTICIPAÇÕES S/A e a TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A reuniam as condições para que fosse aplicado o tratamento previsto no artigo 386 do RIR/1999 (artigos 7° e 8°, da Lei n° 9.532/1997), caso ocorresse a incorporação de uma pela outra, conforme se deu na realidade, sendo que tais condições foram cumpridas; 3.13. a lei requer tãosomente, para efeito de amortização, que o ágio seja apurado na forma do artigo 385 do RIR/1999, logo não se Fl. 10DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 11 11 pode ir além do que dispõe a lei, razão pela qual seu aplicador não pode criar, no plano dos fatos, impedimentos não previstos na norma, como, por exemplo, o de vedar à TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A direito à integralização de capital de terceira empresa com o investimento da TELE NORTE PARTICIPAÇÕES S/A, muito embora a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A pudesse incorporar ou ser incorporada; 3.14. a Fiscalização parte da premissa equivocada de que a incorporação foi arquitetada para obter o benefício da amortização do ágio quando, em verdade, o benefício já estava assegurado: bastava que a TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A incorporasse a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A, o que somente não foi feito por razões de caráter societário; 3.15. o artigo 117, § 1°, "b", da Lei das S/A, afirma peremptoriamente ser modalidade de exercício abusivo do poder de controle (por isso vedada, sob pena de responsabilização do controlador pelos danos causados) a incorporação com o fim de obter, para si ou para outrem, vantagem indevida, em prejuízo dos demais acionistas; 3.16. caso houvesse a simples incorporação da TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A pela TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A os acionistas minoritários seriam prejudicados de duas formas: primeiro, porque tendo a participação na TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A sido adquirida pela TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A mediante a assunção de um passivo, a TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A passaria a ser responsável por esse passivo, o que traria reflexo patrimonial negativo para os acionistas minoritários, e em segundo lugar, porque a amortização do ágio por rentabilidade futura contra os lucros a serem obtidos reduziria os dividendos futuros dos acionistas; 3.17. em ambas as situações, haveria vantagem indevida do acionista controlador em prejuízo dos minoritários, o que motivou a CVM a expedir normas sobre o tema, logo, a integralização de capital na 140 PARTICIPAÇÕES S/A com as ações da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A teve por objetivo evitar esse prejuízo aos demais acionistas, ou seja, a operação foi guiada por razões de cunho societário, e não fiscal; 3.18. com este procedimento, não obteve a TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A qualquer vantagem fiscal indevida, muito menos ficou caracterizada a prática de uma ilicitude com dano ao Erário, não sendo praticados atos com o fim de obterse tratamento fiscal mais benéfico, pois o que se deu foi mera aplicação da lei; 3.19. não ocorreram, no caso, simulação, dolo, fraude ou mesmo abuso de direito, tanto é assim que a autuação não demonstra a ocorrência de qualquer dessas figuras jurídicas, limitandose a indicar os dispositivos que entendeu violados; 3.20. o próprio fiscal autuante reconhece que a empresa possuía outros motivos para optar pela modalidade de incorporação adotada, conforme Fl. 11DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 12 12 descrito no Termo de Verificação, reconhecendo a existência de propósitos a justificála; 3.21. as alegações da Fiscalização são, ademais, improcedentes, pelos seguintes motivos: a) não é possível desconsiderar negócios jurídicos válidos com base no parágrafo único do art. 116 do CTN (acrescentado pela Lei Complementar n° 104/2001); b) os atos praticados não configuram simulação ou fraude, a ponto de propiciar a aplicação do artigo 149, VII, do CTN; c) também não se pode falar em abuso da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A por falta de seu elemento material — dano efetivo — e de motivos para a prática de abuso; e d) não são aplicáveis o artigo 51 da Lei n° 7.450/1985 e o Parecer Normativo CST n° 46/1987; 3.22. a Fiscalização afastou os negócios jurídicos realizados, com fundamento nos artigos 116 e 149, inciso VII, do CTN, todavia, tal regra de desconsideração veio a ser introduzida no art. 116 com a edição da Lei Complementar n° 104/2001, desde que observados procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária; 3.23. muito embora a Medida Provisória n° 66/2002 tenha estabelecido nos artigos 13 a 19 a forma pela qual deveria se pautar a atuação da Administração, tais dispositivos foram rejeitados pelo Congresso Nacional, logo, as atribuições fixadas pelo art. 116, parágrafo único, do CTN, continuam dependendo de regulamentação específica, impedindo o exercício da competência da autoridade administrativa, conforme, inclusive, manifestação neste sentido do Conselho de Contribuintes, através dos acórdãos 10193.704, 10194.340, 10194.127 e 10614.480; 3.24. além de o dispositivo ter sua eficácia contida, condicionada à regulamentação por lei ordinária, em qualquer hipótese não poderia a norma fundamentar a presente autuação, visto que a Lei Complementar n° 104, de 10/01/2001, foi editada posteriormente ao período em que foram implementadas as diversas operações pela interessada e pelas empresas a ela ligadas (2° semestre de 1999); 3.25. assim, não poderiam ser atingidos os atos praticados pela TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, sob pena de violação aos princípios da irretroatividade e anterioridade da legislação tributária, inseridos no art. 150, inciso III, "a" e "b", da Constituição Federal, não se sustentando a autuação com base neste fundamento, como aliás parece ter sido reconhecido pela própria Fiscalização ao final do Termo de Verificação; quanto a ser simulação: 3.26. ainda que as novas disposições do parágrafo único do artigo 116 do CTN fossem de aplicação imediata, não houve, no caso, dissimulação da ocorrência do fato gerador do tributo ou da natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, pois, na situação em análise as operações examinadas pela Fiscalização efetivamente ocorreram e se houveram de forma ostensiva, transparente e com publicidade, foram objeto de auditoria, assim como os registros contábeis e societários, sendo certo Fl. 12DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 13 13 que seus efeitos jurídicos foram rigorosamente observados, sujeitandose as partes às conseqüências jurídicas próprias dos atos e operações praticados; 3.27. a simulação caracterizase pela duplicidade de negócios, o declarado e o oculto, porém, no caso, não existiu essa duplicidade, eis que foi realizado um único negócio, real, verdadeiro, não tendo a Fiscalização negado sua existência, tampouco demonstrado a existência de outro negócio a encobrir os declarados; 3.28. não havendo prova da existência e prática de um negócio oculto e de que o negócio declarado não teria sido realizado, não se pode falar em simulação, conforme, inclusive, posicionamento do Conselho de Contribuintes através do acórdão n° 10193.983/02, sendo certo que, o auto de infração sequer demonstra ou positivamente afirma a existência de simulação no caso, limitandose a dizer que não houve "vontade sincera" ou "vontade efetiva" de transferir as ações, porque o objetivo das partes seria a economia fiscal; 3.29. ao mencionar no Termo de Verificação a ementa do acórdão proferido pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (Ac. n° 10194.340), que contém definição do que sejam simulação e negócio jurídico indireto, o fiscal autuante omitiu que a decisão julgou improcedente a autuação; 3.30. no caso do acórdão citado, a Fiscalização concluiu, a partir de diversos indícios, que os atos declarados de aumento de capital com ágio e resgate de ações qualificarseiam como simulados, pois, na verdade, ocultariam o verdadeiro negócio pretendido pelas partes, qual seja, a compra e venda de ações, porém, a Primeira Câmara ao julgar o caso afirmou que os referidos indícios indicavam apenas que os efeitos práticos (e não jurídicos) dos atos praticados seriam semelhantes aos de uma compra e venda, o que, todavia, não seria suficiente para qualificálos como simulados, eis que para que fosse válida a afirmação seria necessário que os negócios não obedecessem o disposto na legislação em vigor, o que não ocorreu, da mesma forma como não ocorre no caso presente; 3.31. em outro caso analisado, a Primeira Câmara decidiu que determinado negócios seriam simulados, em razão de os diversos atos societário firmados não terem produzido seus regulares efeitos e nem sequer terem sido registrados perante os órgãos competentes (Ac. n° 10194.771/04), ou seja, tratouse de situação oposta à verificada no caso sob exame, em que todos os negócios foram validamente praticados e seus efeitos regularmente obedecidos; quanto a ser fraude à lei: 3.32. não se cuida, igualmente, de hipótese passível de caracterização de fraude lei, pois esta consiste no desrespeito à lei de maneira indireta, através da prática de atos que observam sua literalidade, visando alcançar, ao término, o mesmo resultado vedado pela norma proibitiva, frustrando da mesma maneira sua aplicação; Fl. 13DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 14 14 3.33. todavia, se essa fosse a opção escolhida haveria impedimento contido e norma societária (artigos 15 e 16 da Instrução CVM n° 319/1999), que caracteriza como abuso de poder e infração grave a incorporação da controlada pela controladora ou viceversa, com prejuízo para os demais acionistas, decorrente da assunção pela incorporadora de um passivo assumido pelo controlador ou resultante da redução de dividendos; 3.34. o resultado vedado, portanto, é o da norma societária, pois se os atos praticados revelarem que, ao final, a incorporadora assumiu passivo originariamente do acionista controlador, em face da aquisição da participação, ou se qualquer outro modo ficar caracterizado que houve favorecimento do controlador em prejuízo dos demais acionistas, com redução de seus dividendos, caberá, por conseguinte, cogitarse da aplicação da figura da fraude à lei; 3.35. os diversos atos praticados pelas sociedades TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A, 140 PARTICIPAÇÕES S/A e TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A demonstram, contudo, que não ocorreu o resultado de concentração de ágio e de dívida contraída para a aquisição do controle, tendo o método de incorporação adotado visando exatamente impedir violação à Lei das S/A (artigo 117, § 1°, "b") e à Instrução CVM n° 319/1999 (artigos 15 e 16); 3.36. a relevância do motivo é confirmada pelo fato de a CVM, ao disciplinar os limites e efeitos das fusões, cisões e incorporações de empresas, com registro de ágio, por meio da Instrução n° 319/1999, ter expressamente classificado como abuso de controle, punível como' infração grave, a responsabilidade por sucessão da sociedade, em razão de obrigação contraída pelo seu controlador, pena essa que independe do dever do controlador de indenizar os minoritários prejudicados, por ofensa ao art. 117, § 1°, "b", da Lei das S/A, como estabelece o "caput" desse dispositivo; 3.37. assim, o resultado proibido, que consistiria na acumulação em uma só empresa da dívida contraída pelo controlador para aquisição do controle e das atividades da empresa emissora das ações, não ocorreu, portanto, pois o passivo vinculado à aquisição do controle foi mantido com a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A e a incorporação deuse da 140 PARTICIPAÇÕES S/A pela TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A; 3.38. demonstrase, assim, a impossibilidade de se qualificar os atos praticados como caracterizadores de uma fraude à lei, até porque o Mandado de Procedimento Fiscal sequer aponta neste sentido, limitandose a fazer referência ao dispositivo que a prevê, quanto a ser abuso de direito: 3.39. a Fiscalização afastou os atos praticados, não por ter vislumbrado a figura de simulação ou fraude, mas por entender que os negócios jurídicos realizaramse visando economia fiscal, o que caracterizaria um planejamento, ou seja, estarseia diante da hipótese de abuso de direito; Fl. 14DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 15 15 3.40. em matéria tributária, além da demonstração obrigatória do intuito exclusivo de não recolher tributos ou de diminuição da carga fiscal, exigese a prova do dano efetivo ao Erário (elemento material da infração) e da inexistência de outros motivos não tributários para a prática do ato, entretanto, o elemento material do abuso, no caso, é inexistente, visto que não houve dano consistente na diminuição do recolhimento de tributos, sendo certo que qualquer que fosse a forma adotada serlheia assegurado o direito à fruição do benefício legal contido no art. 386, do RIR/1999; 3.41. como já exposto, o direito à amortização do ágio pago na aquisição do investimento na TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A já se encontrava garantido à TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A e à TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, independentemente das operações realizadas, bastando que ambas se tomassem uma só empresa, por incorporação, que a amortização do ágio seria dedutível na apuração do resultado tributável, nos exatos termos do art. 7°, inciso III, da Lei n° 9.532/1997, inexistindo, assim, qualquer vantagem adicional ao contribuinte em razão da forma adotada; 3.42. em síntese, o direito à amortização do ágio, nos termos e condições do art. 386, do RIR/1999, advindo da realização das operações de aumento de capital da 140 PARTICIPAÇÕES S/A pela TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A, e posterior incorporação da 140 PARTICIPAÇÕES S/A pela TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, seria exatamente o mesmo que seria obtido caso tivesse havido a incorporação da TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A pela TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A; 3.43. as operações realizadas não podem ser desconsideradas pelo simples fato de visarem economia fiscal, sendo indispensável verificarse a inexistência de quaisquer outros motivos, de natureza não tributária, que, por si, justifiquem a adoção de determinados negócios jurídicos; 3.44. sob a ótica da Fiscalização, que não nega a validade dos negócios praticados, não haveria razões econômicas ou negociais que explicariam o aumento de capital da 140 PARTICIPAÇÕES S/A pela TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A, com ações da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, e a subseqüente operação de incorporação da sua nova controladora pela TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, porém desconsideraos para fins fiscais, sob o argumento de que foram realizados de forma exclusiva e previamente definida para que pudessem permitir a obtenção de redução da carga fiscal; 3.45. o que motivou a prática de aumento de capital da 140 PARTICIPAÇÕES S/A com ações da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, para que esta pudesse incorporar sua nova controladora, foi a necessidade de se observar a legislação de direito societário e manter as denominações TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A e TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A; Fl. 15DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 16 16 3.46. dessa maneira, para que pudesse haver o aproveitamento fiscal da amortização do ágio sem que houvesse desrespeito ao que estabelece a legislação societária, as empresas do Grupo TELEMAR deveriam proceder de tal forma que a incorporadora e a incorporada detivessem o ágio, sem, contudo, manter a dívida relacionada com a aquisição da participação societária; 3.47. justamente por essa razão é que se concebeu a idéia de a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A capitalizar uma outra sociedade a 140 PARTICIPAÇÕES S/A — com as ações da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, que passaria a ser a controladora desta, sem a transferência da dívida contraída para a aquisição do controle, fato esse que possibilitaria à 140 PARTICIPAÇÕES S/A incorporar ou ser incorporada pela TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, o que viria a atender as exigências da Lei das S/A e da Instrução CVM n° 319/1999, de modo a preservar os direitos dos acionistas minoritários; essa preocupação encontrase expressa no fato relevante publicado à época da incorporação da 140 PARTICIPAÇÕES S/A pela TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, como se vê nos itens 5 e 12 do documento de fls. 730/733; 3.49. ademais, é de se ressalvar que havia outro interesse na referida operação: evitar a perda do poder de controle pelo CONSÓRCIO adquirente da participação na TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, o que ocorreria se houvesse a incorporação da TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A pela TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, devido à existência do passivo assumido pelo controlador quando da aquisição de sua participação na TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, o que viria a reduzir a relevância de sua participação na hipótese de incorporação da própria TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A pela TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, percebendose, assim, mais uma vez, o interesse de cunho societário a guiar os atos praticados e não o interesse fiscal de obter um benefício; 3.50. a incorporação posterior da 140 PARTICIPAÇÕES S/A pela TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A visou o aproveitamento da amortização do ágio no resultado tributável, direito que poderia ser exercido diretamente pela TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A quando era controladora direta da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A; 3.51. digno de registro o fato de que, tratandose de impedimento de ordem legal todas as pessoas jurídicas que investiram na privatização das empresas do Sistema TELEBRÁS encontravamse na mesma situação, razão pela qual resolveram adotar outras formas de incorporação para manter o seu direito ao benefício sem violar normas societárias (documentos de fls. 735/798); 3.52. desse modo, se não há prejuízo ao Erário ou a qualquer outro interessado, não há abuso, isto é, se o tratamento fiscal da operação direta, evitada pelo contribuinte, for o mesmo da operação indireta realizada, não há abuso tributário, não podendo a Administração arrogar se no papel de censora das formas de negócios praticados, por julgálas Fl. 16DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 17 17 indiretas, se o Erário não for prejudicado; quanto a ser negócio jurídico indireto: 3.53. sequer é possível imaginar, no caso, a existência de negócio jurídico indireto, daí porque, ainda que a Fiscalização concluísse pela sua implementação, consistente na prática de certos atos com a intenção de alcançar efeito não típico, dado que tanto a aquisição como a integralização da 140 PARTICIPAÇÕES S/A não teriam o objetivo de explorar uma atividade negocial nessa empresa, estarseia diante de negócio societário indireto legítimo, mas não fiscal; 3.54. ainda assim, essa hipótese não se verificaria, pois apesar de o negócio indireto ser celebrado para obter um efeito equivalente a outro negócio não desejado pelas partes, como ficou demonstrado, o negócio foi realizado não para obter um resultado societário, mas em face da legislação societária; 3.55. por outro lado, mesmo que a Administração decidisse desconsiderar os :tos praticados por reputálos abusivos, indiretos ou em fraude à lei, seria exigível da Administração a requalificação do fato e a indicação do ato a ser praticado em seu lugar, para fins fiscais; 3.56. à míngua de fundamentos para sustentar a autuação, a Fiscalização aponta como violados o art. 51 da Lei n° 7.450/1985 e o Parecer Normativo n° 46/1987, além do art. 149, inciso VII, do CTN; 3.57. quanto ao preceito inserto no CTN, não se presta para fundamentar a autuação, porque inexistentes, no caso, a simulação ou a fraude, tanto é que o Termo de Verificação não fez sua demonstração, restando igualmente demonstrada a inexistência de vantagem adicional à interessada e, conseqüentemente, de dano ao Erário, além da existência de motivos qualificados que convalidam as operações quanto aos limites impostos à elisão fiscal; 3.58. no que tange ao Parecer Normativo n° 46/1987 e ao art. 51, da Lei n° 7.450/1985, são inaplicáveis à hipótese, visto que da análise do referido dispositivo de lei verificase que a tributação dos rendimentos e dos ganhos de capital dáse independentemente das características dos negócios praticados ou da existência de título ou contrato escrito que lhes tenham dado origem; 3.59. a dúvida que se apresenta na interpretação da norma diz respeito ao espectro de sua aplicação, eis que o referido dispositivo exige somente ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto em norma específica de incidência do IR, para que a operação fique sujeita ao tributo; 3.60. a Administração Fiscal manifestou posição, por meio do Parecer Normativo n°. 46/1987, no sentido de que a regra em exame seria aplicável como verdadeira norma antielisão em matéria de imposto de renda, na medida em que autorizaria a Administração a desprezar a Fl. 17DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 18 18 qualificação jurídica dos negócios praticados, passando a verificar tão somente seus efeitos; 3.61. a posição adotada pela Administração Fiscal foi, todavia, duramente criticada pela doutrina, sob o argumento de que o art. 51 da Lei n° 7.450/1985 só é aplicável nas hipóteses de rendimentos e ganhos originários de aplicações financeiras, pois foi introduzido juntamente com um conjunto de regras que tratam de acréscimos tributáveis a partir dessas atividades; 3.62. a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, de forma firme, adota posição no mesmo sentido, nos termos dos acórdãos n° 10186.905 e 102 44.158, o mesmo ocorrendo com a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acórdão CSRF n° 0104.045; 3.63. no caso, a acusação fiscal é de que a interessada teria amortizado o ágio de forma indevida, significando que teria apropriado despesa dedutível em seu resultado tributável, em desacordo com as normas em vigor; 3.64. desse modo, não se tratando de exigência de tributo resultante da obtenção de rendimentos e de ganhos de capital, a partir de aplicações financeiras, mas sim de glosa de despesas, que se alega serem indedutíveis, não se pode admitir a fundamentação indicada pela Fiscalização para a lavratura do auto de infração; 3.65. ainda que se venha a reconhecer a possibilidade de aplicação do art. 5 da Lei n° 7.450/85 não apenas aos casos que tratam de rendimento e ganhos de capital, mas também aos de amortizações de ágio, o que se admite apenas a título de argumentação, tal dispositivo não se prestaria para fundamentar a exação, isto porque, a finalidade dos negócios praticados seria a incorporação direta da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A pela TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A, o que só não ocorreu em face de as regras contidas na Lei das S/A e na Instrução da CVM vedarem esse procedimento, e assim sendo, a norma específica da legislação aplicável, caso a operação ocorresse de forma direta, seria o art. 7° da Lei n° 9.532/1997, que assegura a amortização do ágio; 3.66. em outras palavras, a imposição da regra específica da legislação ao invés de resultar em tributação do ágio garante de forma expressa a possibilidade de sua amortização; 3.67. é flagrante, pois, a improcedência dos autos de infração, visto que a situação sob exame não caracteriza dolo, simulação ou fraude, e nem sequer abuso de direito, ou mesmo elisão fiscal, pelo fato de tais operações não terem tido por finalidade e nem atingido o resultado de economia fiscal, encerrando, exclusivamente, alternativa para a manutenção de benefício assegurado em lei, por força de limitações impostas pela legislação societária. Quanto à multa qualificada: Fl. 18DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 19 19 3.68. inaplicável é a multa qualificada, posto que a legislação que lhe dá amparo art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, restringese às situações de evidente intuito de fraude definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/1964, sendo aplicáveis nos demais casos a multa normal de 75%, prevista no inciso I; 3.69. para a aplicação da multa de 150% impõese a observância dos limites estabelecidos pela própria norma, de modo que sua finalidade não seja distorcida transformandose em instrumento de coação; 3.70. das três figuras referidas nos artigos 71, 72 e 73, aos quais o inciso II do artigo 44, da Lei n° 9.532/1997 se refere, vêse que a "intenção de fraude" diz respeito ao meio empregado pelo contribuinte para reduzir ou suprimir tributos ou impedir ou dificultar o conhecimento de seu surgimento (meio fraudulento); 3.71. a multa qualificada de 150% justificase por conter uma punição por dupla falta: o não recolhimento do tributo devido e o uso da fraude para evitar a tributação, pois além do não recolhimento ainda está presente a tentativa de ludibriar, de enganar, de falsificar, pretendendose punir o contribuinte que, para atingir o intento de não recolher tributo devido, lance mão, de meios odiosos, contrários ao ordenamento jurídico, desvinculados do não recolhimento do tributo; 3.72. majorase a multa para punição do contribuinte que, para evitar o pagamento de tributo devido, não efetuando seu recolhimento, pratica infração criminal, consistente na fraude, verificandose, a partir daí, que a multa qualificada pune, conseqüentemente, não o resultado atingido — o não recolhimento do tributo — mas, sim, a forma de se alcançar tal intento; 3.73. como decorrência desse entendimento, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes é pacífica no sentido de que a multa qualificada de 150% somente se aplica nas hipóteses de expedição de notas frias (Ac. n° 104 16.151, 10220.033, 1051.444 e Ac. CSRF 010.529), ou paralelas (Ac. n° 10417.246, 10185.896 e 10185.902), ou adulteradas (Ac. n° 10418.640); ou calçadas (Ac. n° 10306.377, 10174.233, 1039.638), e também para casos de conta bancária fictícia (Ac. n° 10312.178, 10192.245), contas correntes fantasmas (Ac. n° 10240.853), CPF falso (Ac. n° 10191.891) e empresas fantasmas (Ac. n° 107233); 3.74. no caso, nenhum desses elementos se encontra presente, eis que todos os atos praticados pela TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A e pelas empresas a ela ligadas foram amplamente divulgados, seja por meio dos instrumentos subscritos e implementados, onde constam, expressamente, os objetivos visados, seja através do regular registro de suas conseqüências e efeitos perante os órgãos competentes (Juntas Comerciais, CVM e Receita Federal); 3.75. especificamente quanto à incorporação da 140 PARTICIPAÇÕES, registrese que tal operação foi objeto de comunicação ao público pela sua Fl. 19DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 20 20 incorporadora TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, como fato relevante, seguindo o que estabelece a Instrução CVM n° 319/1999, através da qual foi divulgado expressamente que um dos objetivos da operação era justamente permitir a dedução do ágio pago na aquisição do investimento, no cálculo do resultado tributável, motivo pelo qual, não há que se falar em fraude ou em subterfúgios de quem procura esconder uma obrigação por meio de uma conduta criminosa e dolosa, como exige a multa qualificada; 3.76. decisões do Conselho de Contribuintes foram prolatadas para situações semelhantes, em que a multa qualificada resultou cancelada em razão de atos praticados com comunicação aos órgãos competentes e com regular registro de todas as operações, conforme determina a legislação (Ac. n° 103 21.046/2002, 10191.455/1997 e 103 20.851/2002); 3.77. a Fiscalização parece confundir "evidente intuito de fraude", exigido para imposição da multa qualificada de 150%, com evidente intuito de obter redução fiscal, que ela acredita existir, vez que para aplicação da punição qualificada tornase necessário provar que o contribuinte teria vontade de praticar o ilícito consistente na fraude e não meramente em não recolher tributo, não tendo ela, nem ao menos, explicitado os motivos pelos quais concluiu pela aplicação da multa qualificada, não tendo apresentado qual a justificativa no auto de infração para a conclusão de que teria ocorrido sonegação, fraude ou conluio, caracterizadores do intuito de fraude; 3.78. o Conselho de Contribuintes vem exigindo justificativa minuciosa nas hipóteses de imposição da multa qualificada (Ac. n° 10194.351, 10321.576, 10419.706, 10614.244), o que impossibilita, no caso, sua manutenção, devido à inocorrência dos pressupostos de sua aplicação e da falta de demonstração de sua ocorrência, conforme, inclusive, entendimento das Delegacias de Julgamento, que em situações equivalentes vêm determinando seu cancelamento (Ac. n° 5690/2005 e 6053/2005— DRJ/Florianópolis, n° 8662/2005—DRJ/Rio de Janeiro II, n° 7985/2005— DRJ/Ribeirão Preto, n° 11811/2005—DRJ/São Paulo, n° 12116/2005— DRJ/São Paulo II, n° 8648/2005DRJ/Rio de Janeiro II, n° 5741/2005 e 6117/2005—DRJ/Campo Grande e n° 6036/2005—DRJ/Porto Alegre). Dos aditamentos à impugnação 4. No sentido de instruir sua peça impugnatória, veio aos autos a interessada, em 08/11/2005, às fls. 814/818, para solicitar a juntada do Parecer de fls. 819/890 sobre a matéria, encomendado ao Professor Ricardo Lobo Torres. “O mencionado Parecerista, em suma, corrobora todos os argumentos já expendidos na impugnação apresentada.” O processo foi submetido a julgamento em 28 de dezembro de 2005, tendo a Turma de Julgamento julgado procedente em parte os lançamentos, mantendo integralmente o principal, porém reduzindo a multa para 75%. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 21 21 Interposto recurso voluntário, a então Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, contudo, por meio do Acórdão n° 10516.710, sessão de 17/10/2007, decretou a nulidade da decisão de primeira instância, conforme ementa a seguir reproduzida: "RECURSO VOLUNTÁRIO: NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É nula a decisão de primeira instância que centra a manutenção da autuação em motivação diversa daquela constante do lançamento, por cerceamento do direito de defesa e por não se revestir a autoridade julgadora da competência para lançar. RECURSO DE OFÍCIO. Tendo a decisão de primeira instância sido anulada, não cabe o exame de recurso de oficio”. Para anular a decisão recorrida, entendeu a Câmara que a Turma Julgadora manteve a exigência pelo fato de a recorrente ter utilizado o benefício da dedução prevista no artigo 386, inciso III, do RIR/99, sem que houvesse o correspondente e efetivo pagamento do ágio, ao passo que a fiscalização, em momento algum, deu como motivação para o lançamento o argumento central contido na decisão atacada, qual seja, a falta de pagamento do ágio, e como tal não possibilitou ao contribuinte a defesa inicial quanto a tal questão. Após a ciência do acórdão proferido pela 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, mais uma vez retornou aos autos à interessada, a qual aditou a impugnação e teceu novos comentários, postulando, ao final, o cancelamento dos lançamentos. Submetido novamente o litígio à Quarta Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro, foi o litígio assim decidido: Vistos, relatados e discutidos, os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os membros da Turma, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada de direito adquirido, e, no mérito, por maioria de votos, JULGAR PROCEDENTE EM PARTE os lançamentos efetuados, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, para, relativamente aos anoscalendário e 2000, 2001, 2002 e 2003: 1) excluir da cobrança a multa qualificada de 150 % (cento e cinqüenta por cento) incidente sobre o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL; II) considerar devidos: a) o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica 1RPJ, no valor de R$ 325.351.915,71 (trezentos e vinte e cinco milhões, trezentos e cinqüenta e um mil, novecentos e quinze reais e setenta e um centavos); b) a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, no valor de R$ 117.126.689,63 (cento e dezessete milhões, cento e vinte e seis mil, seiscentos e oitenta e nove reais e sessenta e três centavos); Fl. 21DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 22 22 c) a multa de 75% (setenta e cinco por cento), incidente sobre o imposto e a contribuição acima; e d) os juros de mora, incidentes sobre os tributos acima, apurados na data da liquidação do débito, de acordo com a legislação vigente. Vencido o julgador Marcelo Franco de Matos que votou pela improcedência do lançamento, conforme declaração de voto que passa a integrar o presente julgado. Vencidas, ainda, a Presidente da Turma, Andréa Duek Simantob, que votou pela manutenção integral do lançamento, conforme declaração de voto que passa a integrar o presente julgado, e a julgadora Nair Castario Martinez Borges, que acompanhou a divergência. O julgador Eduardo Araújo da Rocha Leão também apresentou declaração de voto, que integra o presente julgado. Deste ato a Presidente da Turma recorre de ofício ao Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, face à exoneração da multa qualificada em valor superior ao limite de alçada previsto no art. 10 da Portaria MF n° 03, de 03/01/2008. É a seguinte a ementa do Acórdão proferido: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 PRELIMINAR. ARGÜIÇÃO DE DIREITO ADQUIRIDO ORIUNDO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA NULA. IMPROCEDÊNCIA. O ato administrativo nulo, por conter vício insanável, opera efeito "ex tunc, alcançando o momento de sua edição, porquanto seus efeitos não se convalidam nem pelo decurso do tempo. Conseqüentemente, dele não redunda na criação de qualquer direito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 APURAÇÃO PELO LUCRO REAL TRIMESTRAL. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE CONTROLADORA POR SUA CONTROLADA. AUSÊNCIA DE FINALIDADE ECONÔMICA. ABUSO DE DIREITO. DEDUÇÃO INDEVIDA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. A patologia presente no negócio jurídico praticado corresponde ao abuso de direito, que se caracteriza pelo cometimento de um excesso quanto à observância dos limites e da funcionalidade da lei. Nessas condições, são qualificados como abuso de direito os atos negociais de incorporação de sociedade controladora por Fl. 22DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 23 23 sua controlada, formalmente praticados à luz de interpretação literal da legislação societária específica com o único objetivo de obter efeito fiscal favorável, se sob a ótica do ordenamento jurídico, da "vontade da lei", fica demonstrada a ausência de finalidade econômica na incorporação realizada. Em decorrência, não são oponíveis ao Fisco os efeitos concernentes à dedução da amortização do ágio. EXIGÊNCIA DA MULTA QUALIFICADA DE 150%. ABUSO DE DIREITO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA MULTA DE 75%. Constatado o abuso de direito no negócio jurídico, impõese a aplicação de penalidade pelo ilícito praticado. A hipótese de incidência da multa qualificada prevista no inciso II, do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 c/c os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, não contempla, todavia, a circunstância verificada nos autos de publicidade e ampla divulgação dos atos e negócios realizados, com total conhecimento da Fiscalização. Divergência quanto à interpretação jurídica das operações, vistas pela pessoa jurídica sob a ótica de legislação específica, de modo literal, com a inobservância, contudo, do ordenamento jurídico, não enseja a aplicação da multa qualificada, e sim da multa de 75% (setenta e cinco por cento) prevista no inciso I. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos os elementos novos a ensejar conclusões diversas. Lançamento Procedente em Parte Ciente da decisão em 10 de setembro de 2008, a interessada ingressou com recurso em 09 de outubro seguinte. Alega, em síntese, que os autos de infração devem ser cancelados, face à expressa manifestação de improcedência da acusação veiculada nas exações feitas pela Fiscalização, eis que: (i) os autos de infração foram lavrados a partir da acusação da prática de simulação; (ii) por meio do julgamento já realizado, a 5ª Câmara do 1° Conselho definiu que o fundamento dos autos de infração foi efetivamente a prática de simulação, bem como que o julgador administrativo, na atividade de revisão dos lançamentos, deve se limitar a verificar se a acusação formulada pela Fiscalização, com base nos fatos e na motivação jurídica exposta no lançamento, está correta; (iii) a Delegacia de Julgamento foi peremptória ao afirmar que os atos praticados pela Recorrente não se qualificam como operações simuladas, irregularidade que fundamentou os lançamentos. Fl. 23DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 24 24 Acrescenta que o Conselho de Contribuintes deve manter a conclusão da Delegacia de Julgamento, de que não houve simulação, e cancelar a exigência imposta pelos autos de infração, desconsiderando a inovação improcedente feita pela DRJ. Pondera que pode ser aceito o argumento da DRJ, no sentido de que o PN 46/87, citado como motivação aos autos de infração, autorizaria o Fisco a declarar ineficazes, para fins tributários, os atos classificáveis como abusivos, por serem espécies de "operações simuladas", assim considerados quaisquer negócios que demonstrem suposto desvio de seu perfil objetivo e, nessa medida, sejam tidos por artificiais (§§ 197 a 200 do voto vencedor da decisão DRJ). Afirma que a inexistência de simulação é comprovada por três razões: as ações praticadas pela Recorrente (a) vão ao encontro dos objetivos da Lei 9.532/97, sem lhe atribuir vantagem que já não detinha; (b) são explicáveis por motivos extrafiscais, tanto que não fizeram com que passasse a ostentar direito ao benefício fiscal que já não poderia exercer, e (c) estão devidamente comprovadas, produzindo os efeitos fáticos e jurídicos a ela inerentes. Aduz que mesmo que fosse possível examinar os atos praticados sob a perspectiva da acusação inovadora feita pelo voto vencedor da decisão DRJ abuso de direito , o que se aceita meramente para argumentar, ainda assim os AIs devem ser cancelados. Isso porque os atos em exame: (i) culminaram na produção dos efeitos desejados pelas normas envolvidas; (ii) foram praticados antes da introdução do art. 116, parágrafo único, do CTN, o qual é inaplicável até o momento, face à inexistência de lei ordinária que discipline sua utilização e, (iii) não foram requalificados para o que a Fiscalização julga ter ocorrido, procedimento que é obrigatório. Conclui, afinal: (i) O voto vencedor da decisão afastou a acusação de simulação que deu fundamento aos AIs lavrados pela Fiscalização. Não obstante, manteve a exigência fiscal a partir de argumentação distinta, qual seja, a prática de abuso de direito. Todavia, e vedado as autoridades julgadoras alterar a motivação das exigências fiscais na revisão de lançamentos quando da sua impugnação pelo contribuinte. No caso em exame, a 5ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes já definiu que a fundamentação legal dos AIs é a acusação da prática de simulação. Por esse motivo, deve ser mantida a fundamentação exposta na decisão recorrida para afastar a existência de simulação e alterada a sua conclusão, a fim de ser declarada a improcedência das autuações; (ii) Só se pode cogitar da existência de simulação no campo fiscal quando o contribuinte pratica atos com o propósito exclusivo ou preponderante de alcançar economia fiscal artificial, por meio da declaração da prática de certo negócio quando, na realidade, não realizou negócio algum ou realizou negócio diverso. No caso em exame, a incorporação de 140 Partic. por TNL somente permitiu o exercício de amortização de ágio que já havia sido garantido desde a aquisição das ações no leilão de desestatização. Os arts. 7° e 8 da Lei 9.532/27, já asseguravam a amortização do ágio mediante a mera incorporação de TPART por TNL. A criação da 140 Partic. foi motivada por razões de natureza societária e regulatória e não fiscal, pois a simples incorporação direta produziria efeito tributário idêntico. As operações só se realizaram de forma mais complexa para que houvesse cumprimento integral às legislações fiscais, societária e regulatória, sem que houvesse transferência do passivo vinculado a aquisição do controle de TNL e a perda do controle pelos seus detentores. Com Fl. 24DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 25 25 isso, foi possível exercer o direito de amortização do ágio, semelhantemente às demais empresas que concorreram no processo de privatização, sem se cogitar de simulação; . (iii) Caso se admita possível examinar os atos sob a ótica do abuso de direito, constatarseá que a causa que o motivou foi observar a Lei das S/A e a LGT e, ao mesmo tempo, usufruir da amortização do ágio inequivocamente garantido pelos arts. 7° e 8° da Lei 9.532/97. Tal constatação, ao contrário da demonstração de excesso, de anormalidade e de desvio de conduta caracterizadores do abuso, revela a conformação exata com os propósitos normativos de cada um dos diplomas legais citados, caracterizadores de exercício regular de direito. Isso porque os institutos de direito privado regulatório foram legitimamente utilizados de modo a alcançar seus objetivos, igualmente obter a finalidade fixada pela legislação fiscal. Logo, as operações examinadas eram necessárias, de modo que não poderia ser exigido de TNL conduta diversa, o que afasta a figura do abuso, caracterizando exercício regular de direito, seja do ponto de vista do direito societário, regulatório ou fiscal. É o relatório. Fl. 25DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 26 26 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Ambos os recursos atendem os pressupostos legais para admissibilidade. Deles, portanto, tomo conhecimento. Como se viu do relatório, o litígio gira em torno dos efeitos fiscais decorrentes de reorganização societária, pois passou à Recorrente, relacionada com o programa de desestatização das empresas de telecomunicação. Sua solução, portanto, passa pela compreensão do programa de desestatização levado a efeito na última década do século passado. Da leitura do programa de privatizações vêse que havia exigência no sentido de que a empresa ou grupo de empresas que adquirissem as ações das empresas de telecomunicações de titularidade da União concentrassemnas em sociedade de fim específico – SPE , que funcionaria como holding. E, para tornar mais atrativa a compra das empresas de telecomunicações, a lei instituiu um “benefício fiscal” representado pela possibilidade de, no caso de junção de empresas em que uma delas detenha investimentos na outra, adquiridos com ágio fundamentado na perspectiva de rentabilidade futura da investida, ser computado no lucro real da empresa resultante dessa junção a amortização do ágio. Essa é a compreensão a que levam as normas contidas no Modelo de Reestruturação e Desestatização das Empresas Federais de Telecomunicações, aprovado pelo Decreto nº 2.546/97 (editado em consonância com a Lei nº 9.472/97 Lei Geral das Telecomunicações e com a Lei nº 9.494/97) e nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, que tratou dos efeitos ficais da reestruturação societária. O art. 3º do Modelo de Reestruturação e Desestatização (anexo ao Decreto 2.546/97), estabeleceu que a reestruturação societária das empresas federais de telecomunicações darseia mediante cisão parcial da Telecomunicações Brasileiras S. A. – TELEBRÁS , que ficou autorizada a constituir doze empresas que a sucederiam como controladora das empresas do setor então atuantes. No art. 5º do mesmo Modelo, ficou determinado que a desestatização das empresas darseia mediante alienação onerosa, a uma empresa ou consórcio de empresas, nos termos do edital, das ações de propriedade da União que lhe asseguram, direta ou indiretamente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores da sociedade. O programa de desestatização, supervisionado por comissão ligada hierarquicamente ao Ministério das Comunicações, exigia que o(s) vencedor(es) da licitação concentrasse(m) os investimentos adquiridos em uma empresa veículo, mais especificamente, uma sociedade de propósito específico (SPE), que atuaria como holding. Contemporaneamente à adoção de medidas para implementação das privatizações, foi editada a Lei nº 9.532, de 1997, cujos artigos 7º e 8º passaram a permitir, à pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, quando uma delas detiver participação societária na outra adquirida com ágio com fundamento Fl. 26DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 27 27 em rentabilidade futura (alínea “b” do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598/77), amortizar o valor do ágio nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. A Tele Norte Leste Participações S/A. (TNL) foi uma das empresas constituídas a partir da cisão da TELEBRÁS, conforme previsto no art. 3º do Modelo de Reestruturação e Desestatização. Para uma melhor compreensão dos meus pares, relaciono abaixo, em ordem cronológica, as operações praticadas que geraram questionamentos da fiscalização, valendome do descrito na decisão recorrida. 1 a TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A. foi legalmente constituída em maio/1998, em decorrência do processo de reestruturação e privatização do sistema de telefonia brasileiro com a cisão de parte do acervo da sociedade Telecomunicações Brasileiras S/A. Sistema Telebrás ; 2 em agosto/1998, um Consórcio formado por diversas empresas adquiriu, em leilão de desestatização, a totalidade das ações ordinárias da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A. em poder da União, representativas de 51,79% de seu capital votante, correspondente a 64.405.151.125 ações, pelo valor de R$ 3.434.000.108,00, superior ao seu patrimônio líquido contábil (PL), ou seja, o preço pago envolveu parcela substancial de ágio, o qual foi capitalizado na TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A. na mesma base, mediante pagamento de 40% à vista e o restante em duas parcelas iguais, com vencimento em 04/08/1999 e 04/08/2000; 3 no instrumento de constituição do Consórcio Telemar, seus integrantes se comprometeram a constituir uma Sociedade de Propósito Específico – SPE , que seria a sucessora das partes de todos os direitos e obrigações advindos da participação de cada empresa consorciada no leilão de privatização; 4 em cumprimento à referida obrigação, seus integrantes aprovaram, em assembléia extraordinária realizada em outubro/1998, a aquisição de ações da sociedade então denominada GUANACO PARTICIPAÇÕES S/A., constituída em 29/07/1997, bem como a alteração de seu Estatuto Social para o fim de estabelecer que o seu objeto social seria a participação exclusiva no capital social da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A., aprovando ainda a alteração de sua denominação social para TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A.; 5 em 27/07/1999, a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A. assumiu perante a União e o referido Consórcio a responsabilidade pelo integral cumprimento, de todas as obrigações contratuais decorrentes da aquisição das ações ordinárias pelo Consórcio, especialmente as duas parcelas restantes do preço de aquisição da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A.; 6 em 28/07/1999, as empresasintegrantes do Consórcio, acionistas da TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A., resolveram em assembléia extraordinária aumentar o capital social da TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A., capitalizandoa com as ações da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A., passando a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A. a Fl. 27DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 28 28 ser titular das 64.405.151.125 ações ordinárias adquiridas no leilão de privatização e, por conseguinte, controladora direta da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A.; 7 a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A. procedeu ao desdobramento do custo de aquisição das ações, mediante a indicação de seu valor de PL e o ágio correspondente à diferença a maior entre o preço de aquisição do investimento e o montante do PL da controlada; 8 em 26/11/1999, a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A. optou por adquirir uma empresa ainda em fase préoperacional, a 140 PARTICIPAÇÕES S/A.; 9 em 30/11/1999, a 140 PARTICIPAÇÕES S/A. deliberou e aprovou aumento de capital de R$ 1.000,00 para R$ 4.267.024.343,13, mediante a emissão de 64.405.151.125 ações ordinárias nominativas sem valor nominal; 10 ainda em 30/11/1999, essas ações da 140 PARTICIPAÇÕES S/A. foram totalmente subscritas e integralizadas pela acionista TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A. com as ações mantidas em seu poder, de emissão da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A., sendo transferido o investimento para a 140 PARTICIPAÇÕES S/A. e permanecendo na TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A. o passivo resultante da aquisição das ações da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A. no leilão de desestatização, passando a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A a manter, então, o controle indireto da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A.; 11 a integralização do capital acima mencionada tornou a 140 PARTICIPAÇOES S/A. subsidiária integral da TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A., tendo havido, no caso, uma incorporação de ações, nos moldes do artigo 252 da Lei das S/A. 12 tendo em vista que o único ativo da 140 PARTICIPAÇÕES S/A. era o investimento detido na TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A., adquirido com o pagamento de ágio (prêmio), foi aprovada em AGE de 30/12/1999, a incorporação e conseqüente extinção da 140 PARTICIPAÇÕES S/A. pela TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A., pelo valor contábil, mediante o recebimento pelos acionistas da sociedade incorporada de ações da sociedade incorporadora, conforme laudo de avaliação do investimento, tendo sido verificado ágio no balanço de incorporação; 13 assim, devido à incorporação, a TELEMAR PARTICIPAÇÕES S/A. recebeu, em substituição das ações da 140 PARTICIPAÇÕES S/A., ações da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A. na mesma quantidade e espécie das ações originais, sub rogandose nos mesmos direitos e obrigações, sem que tenha havido alteração no capital da TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A. no momento da incorporação; 14 a operação referenciada resultou na constituição de reserva de ágio, registrada no Ativo Diferido no valor de R$ 2.464.787.233,00, equivalente ao montante pago como ágio na aquisição do controle da companhia, em contrapartida de “Reserva Especial de Ágio”, a ser amortizada em 60 meses, com base na expectativa de rentabilidade futura das sociedades controladas pela TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A.; Dessa forma, a TNL passou a amortizar o ágio de R$ 2.464.787.233,00, com base nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, que dispõem: Fl. 28DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 29 29 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b ” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito Fl. 29DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 30 30 que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Por sua vez, a fiscalização considerou ter havido redução indevida do lucro real em razão de exclusão de valores do lucro líquido, no seu entender, sem autorização da legislação. No Termo de Verificação que deu origem ao auto de infração, o autuante reconhece como regular o fundamento e o registro do ágio em 31/07/1999, quando da aquisição das ações da TNL (Termo de Verificação Fiscal, item 2, fl. 3, in fine). Entretanto, a autoridade fiscal justificou o lançamento de ofício alegando que os negócios jurídicos realizados compuseram um planejamento, com apego à literalidade da lei, sem nenhuma finalidade econômica, e que nunca se pretendeu transferir as ações para sociedade diversa de sua real adquirente (a TPAR), sendo que o único objetivo das operações realizadas foi reduzir tributos, mediante aproveitamento da benesse fiscal referente à amortização do ágio. Nas palavras da fiscalização, a Recorrente não conseguiu combater a “tese que as operações que resultaram na incorporação da 140 PARTICIPAÇÕES S/A, foram simuladas, cujo objetivo era especificamente o enquadramento em situação jurídica que propiciava redução de pagamento de tributos pela TELENORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A e, portanto, devem ser afastados porque se apegam tãosomente à literalidade da estipulação. Não se denota nenhuma finalidade econômica na aproximação dos interessados. Existia a possibilidade jurídica, mas não a vontade sincera de transferir as ações para empresa diversa da verdadeira adquirente” (fls. 540). Ou seja, a fiscalização considerou ter ocorrido um planejamento inoponível ao fisco, por não ter havido razão econômica “na aproximação dos interessados” (aumento de Fl. 30DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 31 31 capital da empresa 140 Participações subscrito por TPART e integralizado com ações da TNL), e considerou infringidos os artigos 149, inciso VII e parágrafo único, 105 e 116 do CTN, 51 da Lei nº 7.450/75 e PN 48/87. Em sua defesa a interessada argumentou, em síntese: (a) que a empresa 140 PART e a TNL reuniam as condições para aplicar o tratamento previsto no art. 7º da Lei nº 9.532/97; (b) que não tem qualquer influência o fato de ter sido usada terceira empresa na materialização do benefício, pois a amortização seria possível mesmo que isso não houvesse ocorrido, se a reunião das empresas se desse diretamente entre TNL e TPART; (c) que a incorporação não se deu diretamente para não infringir direitos societários da minoria, como exige a legislação societária; (d) que os atos praticados não podem ser desconsiderados se não acarretaram prejuízo para o fisco (a amortização do ágio seria possível em caso de reunião da TNL com a TPAR, sem interferência da 140 PART), nem para os demais acionistas, pois a estruturação da operação objetivou evitar vantagem indevida para o acionista controlador, como exige a lei; (e) que não é possível desconsiderar o negócio jurídico com base no parágrafo único do art. 116 do CTN e, (f) que não ocorreram dolo, fraude à lei, simulação ou abuso de direito. A vista da impugnação, a decisão de primeira instancia após fazer uma análise das operações praticadas pela Recorrente, com base em doutrina, concluiu que os atos foram praticados com abuso de direito, bem como, que a legislação fiscal somente admite a dedutibilidade da amortização do ágio proveniente de incorporação de sociedade controladora por sua controlada, se efetivamente ocorre o desembolso do valor pago a este título, do mesmo modo que se exige o efetivo pagamento para toda e qualquer dedução pleiteada no âmbito fiscal, ainda que a incorporação realizada tenha observado os ditames da legislação societária. Por sua vez, a extinta 5ª. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao analisar o recurso do contribuinte, declarou nula a decisão recorrida, ao argumento de que “É nula a decisão de primeira instância que centra a manutenção da autuação em motivação diversa daquela constante do lançamento, por cerceamento do direito de defesa e por não se revestir a autoridade julgadora da competência para lançar”, pelo fato de que, enquanto a fiscalização entende como desobedecida a Lei 7.450 e o PN 46/87, pela ocorrência de contradição entre sua vontade e a vontade da Lei (simulação), a motivação central da decisão recorrida para a manutenção da autuação foi a utilização por parte da recorrente do benefício da dedução prevista no artigo 386, inciso III, do RIR/99, sem que tivesse havido o correspondente e efetivo pagamento do ágio, daí concluiu a turma julgadora ter resultado em dano ao Erário. Tendo sido proferida nova decisão, entendeu a Turma Julgadora, por maioria de votos, manter a decisão anterior – provimento parcial para desqualificar a multa de ofício , agora não mais questionando o desembolso do pagamento do ágio para efeito de dedutibilidade, mas redirecionando seus argumentos no sentido de que os pressupostos para a constituição do ágio não foram atendidos. Reprisando os argumentos anteriormente proferidos, assentou que a figura jurídica adequada ao caso examinado, em razão dos fatos e documentos trazidos aos autos, seria a do abuso de direito, uma vez que os motivos de natureza não tributária alegados nos autos não se mostraram suficientemente concretos para o fim de demonstrar que a verdadeira "vontade da interessada" não consistiu, única e exclusivamente, em obter vantagem fiscal. Com tal escopo, teria realizado a citada operação societária, calcandose, tão somente, na interpretação literal da legislação. Fl. 31DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 32 32 Portanto, o deslinde do caso, para uma apreciação completa, passa pelos seguintes passos: 1º passo: Responder a questão: As operações praticadas pelo contribuinte estão inquinadas de simulação, como julgou a peça acusatória, isto é, o auto de infração? 2º passo: Sendo a resposta acima negativa, a concussão imediata é o cancelamento da autuação, eis que foi esse o fundamento da peça acusatória. Contudo, para não ficar sem enfrentamento a conclusão da decisão recorrida, impõese perquirir se as operações foram praticadas com abuso de forma, em prejuízo ao fisco, constituindo, portanto, um “planejamento tributário inoponível”, na lição de Marco Aurélio Greco, como decidiu a DRJ. 3º passo: Se a resposta à segunda questão for negativa, devese determinar como se enquadram as operações em questão, tidas pela fiscalização como sendo um “planejamento tributário”. Vamos as questões: Há simulação nas operações praticadas pelo contribuinte? De plano, registro a minha posição no sentido de que não vislumbro qualquer simulação na operação praticada pela Recorrente, por alguns motivos singelos, quais sejam: (i) as operações, todas elas, foram divulgadas por intermédio de fatos relevantes; (ii) tais operações foram amplamente reguladas pela CVM; (iii) todos os atos foram registrados e contaram com a participação dos órgãos competentes e respeitaram os termos do Edital de Privatização e do Contrato de Compra e Venda realizado com a União, quando da venda de sua participação na Tele Norte Leste. Vejamos isto com mais acuidade. A hipótese encerra a discussão sobre o tênue limiar existente entre os procedimentos e operações praticadas pelos contribuintes com total amparo legal, por isso, considerados como lícitos, por se encontrarem ao abrigo dos comandos legais e não existir nenhuma norma que vede o comportamento ou obrigue em contrário, e aqueles procedimentos que encerram manobras, artifícios ou subterfúgios que contrariam leis ou normas e contêm no seu bojo comportamentos revestidos da característica de dolo, fraude, conluio ou simulação e, portanto, enquadrase como evasão ilícita, configurando o tipo legal dos crimes tributários. Para concluir a propósito da correção ou não das operações realizadas, verifiquemos, inicialmente, se foram lícitos os atos jurídicos praticados pela Recorrente. JOSÉ CARLOS MOREIRA ALVES define negócio jurídico como “toda manifestação de vontade que visa a um fim prático que é tutelado pela ordem jurídica”. Os negócios jurídicos possuem elementos constitutivos, divididos em Gerais: capacidade, objeto lícito e possível e consentimento; naturais: que decorrem da própria natureza do ato praticado, isto é, o ato jurídico de compra e venda, tem como conseqüência natural, a transmissão do domínio do bem, e acidentais: as cláusulas acessórias, que deverão, necessariamente, ser fixadas para modificar, alguns dos elementos naturais do negócio, como por exemplo, a condição, o termo e o encargo. Fl. 32DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 33 33 Tais elementos são fundamentais para determinar o negócio jurídico em três planos: o da existência, o da validade e o da eficácia. O negócio pode existir, mas não ter validade, por falta de capacidade de agente. Pode, ainda, existir e ser válido, mas não possuir eficácia, em razão de uma condição suspensiva. A declaração de vontade é elemento essencial do negócio jurídico. Quando a declaração de vontade apresenta algum vício, dizemos que há um defeito no negócio jurídico. Defeito do negócio jurídico, explica Francisco Amaral: "são as imperfeições que neles podem surgir, decorrentes de anomalias na formação da vontade ou na sua declaração" São vícios do consentimento o erro, dolo, coação, simulação e fraude contra credores. (AMARAL, Direito Civil: introdução, p. 479480). No caso dos autos, importa verificamos apenas o conceito de simulação tida como defeito do negócio jurídico, fundamento do auto de infração. O Vocabulário Jurídico de De Plácido e Silva, assevera que: “Simulação. No sentido jurídico, sem fugir ao sentido normal, é o ato jurídico aparentado enganosamente ou com fingimento, para esconder a real intenção ou para subversão da verdade. Na simulação, pois, visam sempre os simuladores a fins ocultos para engano de terceiros. Praticamente, a simulação resulta da substituição de um ato jurídico por outro, ou da prática de um ato sob aparência de um outro, com a alteração de seu conteúdo ou de sua data, para esconder a realidade do que se pretende. Assim, a doação que se faz sob aparência de venda, a venda que se promove sob o aspecto de um deposito, ou a locação contratada sob a modalidade de venda, revelam simulações. Indicamse contratos que se realizam sob fingimento ou sob disfarces, escondendo a realidade dos verdadeiros contratos.” Caracterizase a simulação como a desconformidade entre o negócio jurídico aparente e o negócio jurídico real, desde que cientes, as partes interessadas, nas hipóteses de (a) conferimento ou transmissão de direitos a pessoas diversas daquelas a quem, realmente, se conferem, ou transmitem, (b) inclusão de declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira, (c) instrumentos particulares antedatados, ou pósdatados, tendo como pressuposto (a) a intenção de prejudicar terceiros ou (b) de violar disposição de lei (simulação contra a lei, inconfundível com a fraude á lei). A simulação, como vício da declaração de vontade, deve reunir os requisitos enunciados.” Por seu turno, a fiscalização enxergou a simulação no caso em concreto, em razão dos seguintes fatos: “Aludidos negócios jurídicos, que compuseram o planejamento tributário, devem ser afastados porque se apegam tãosomente à literalidade da estipulação. Não se denota nenhuma finalidade econômica na aproximação dos interessados. Existia a possibilidade jurídica, mas não a vontade sincera de transferir as ações para empresa diversa da verdadeira adquirente. Mesmo admitindo como válida a transferência dos ativos para a Fl. 33DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 34 34 empresa 140 PARTICIPAÇÕES, prevalece o fato de que jamais existiu vontade efetiva, haja vista que os documentos (ver itens “c”, e “d” acima) explicitavam que o objetivo das partes, seria a economia fiscal.” É fundamental tecer algumas observações preliminarmente. A primeira observação, diz respeito ao fato de o ilustre fiscal iniciar a sua acusação falando em “negócios jurídicos, que compuseram o planejamento tributário”, afirmando, ainda na mesma frase, que estes devem ser “afastados porque se apegam tão somente à literalidade da estipulação”, porém, mais adiante, restringir a acusação de negócio simulado apenas e tão somente à incorporação da 140 PARTICIPAÇÕES pela TNL, ou seja, o que a fiscalização inquinou de simulado e “afastou” foi tão somente um negócio jurídico, qual seja, a incorporação da 140 PARTICIPAÇÕES pela TNL. Na representação fiscal para fins penais, este fato fica ainda mais evidente, pois o fiscal qualifica como responsáveis pela simulação apenas as pessoas físicas que assinaram o Protocolo e Justificação da incorporação da 140 PARTICIPAÇÕES S/A. pela Tele Norte Leste Participações S.A. A segunda observação defluiu de o termo de verificação da autuação carregar a sua explanação com adjetivos, se referindo a uma “vontade sincera”, a uma “vontade efetiva”, como se estes elementos fossem determinantes para se classificar um negócio jurídico como sendo simulado. Você pode firmar um casamento sem nunca ter tido a vontade sincera ou efetiva de casar, por amar uma outra pessoa, e nem por isso esse casamento é simulado. A simulação é um vício da vontade, a vontade em desconformidade com o ato praticado. O elemento central na definição jurídica de simulação é “aparentar a realidade de uma intenção que não é a verdadeira, e que se disfarça por esse fingimento.”(De Plácido e Silva). A pergunta que se deve fazer, assim, para verificar se existiu simulação, é a de que, se os negócios praticados pelo contribuinte foram realizados para esconder ou ocultar um outro negócio que seria a real intenção das partes, esta sim, a verdadeira. No caso dos autos, isto inexistiu. A comprovação disso está nos fatos relevantes publicados na imprensa em 03 de dezembro de 1999, para conhecimento geral, em que o contribuinte explica de forma pormenorizada toda a operação e explicita de forma clara e precisa qual sua intenção com o Plano de Reestruturação Societária. Ocorre que em 03 de dezembro de 1999, a Comissão de Valores Mobiliários editou a IN CVM 319, alterada pela IN CVM 320, de 06/12/99, regulando as operações de incorporação entre companhias abertas e o reconhecimento e aproveitamento do ágio. Em razão deste dispositivo, toda a restruturação comunicada ao mercado por intermédio do fato relevante de 03 de dezembro de 1999, teve que sofrer algumas alterações e foi novamente informada ao mercado, é o que se depreende do “fato relevante” posterior, que ajusta a reorganização societária a nova realidade normativa exarada pela CVM, a saber: “FATO RELEVANTE Telemar Participações S.A. (“Telemar”) e Tele Norte Leste Participações S.A. (“TNL”), em cumprimento ao disposto no artigo 157 da Lei no 6.404/76 e na Instrução CVM no 31/84 e as recentes Instruções CVM no 319/99 e 320/99, Fl. 34DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 35 35 vêm a público divulgar o seguinte fato relevante que em sua integralidade rerratifica o Fato Relevante anterior e a respectiva Nota Explicativa publicadas em 03 de dezembro de 1999, passando a constituir a informação oficial da TNL com respeito à operação aqui descrita: 1. Benefício Fiscal: Objetivando fortalecer a estrutura financeira da TNL, através do incremento da capacidade de geração de caixa e consequentemente da capacidade de investimento, a Telemar e a TNL pretendem que a TNL aproveite em suas operações o benefício fiscal representado pela despesa de amortização do ágio (“Ágio”) pago pela Telemar, por ocasião da aquisição das ações que compõem o controle acionário da TNL (“Ações”). 2. Melhoria no Fluxo de Caixa: O Ágio a ser transferido para a TNL irá possibilitar uma melhoria no fluxo de caixa da TNL, na medida em que a respectiva amortização representa uma despesa não financeira dedutível da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro, nos termos dos art. 7º e 8º da Lei no 9.532/97. 3. Valor do Ágio: O valor do Ágio contabilizado na Telemar em 30 de novembro de 1999 é de aproximadamente R$ 2.465 bilhões. O Ágio poderá ser amortizado, no mínimo, nos próximos 5 exercícios sociais na razão de até 20% ao ano. 5. Não Transferência de Passivos: O aproveitamento do Ágio na TNL ocorrerá após uma série de operações societárias que terão por objetivo impedir que sejam transferidos para a TNL, juntamente com o Ágio, quaisquer dívidas oriundas da aquisição das Ações ou outras obrigações da Telemar ou de qualquer outra companhia criada no curso da operação descrita neste fato relevante. 6. Incorporação: A Telemar subscreveu e integralizou o capital de uma nova companhia holding com as Ações (“Holding”) cem por cento por ela controlada. Posteriormente, a TNL incorporará a Holding (“Incorporação”). 7. Avaliação Patrimonial: A avaliação dos patrimônios para fins da Incorporação será realizada com base nos critérios previstos na Lei n. 6.404/76 para elaboração das demonstrações financeiras, sendo responsável por tal avaliação a Price Waterhouse Coopers Auditores Independentes S/C, a qual já manifestou por escrito que não possui qualquer conflito de interesses, conforme previsto no artigo 2o, Parágrafo 1o, XIV da Instrução CVM no 319/99. A data base da Incorporação será 30 de novembro de 1999, e as variações patrimoniais da Holding posteriores a esta data serão contabilizadas diretamente na TNL. 8. Mesmas Ações: Na Incorporação será vertido para a TNL todo o patrimônio da Holding, que inclui o Ágio e o investimento na própria TNL. O acionista da Holding receberá, em decorrência da Incorporação e em substituição das Ações da TNL, ações na mesma quantidade e na mesma espécie das Ações originais, subrogandose nos mesmos direitos e obrigações, inexistindo, portanto, qualquer alteração no capital da TNL, no momento da Incorporação. 9. Reserva Especial de Ágio: Conforme previsto na Instrução CVM nº 319/99, em contrapartida à contabilização do Ágio no ativo diferido da TNL, será constituída uma Reserva Especial de Ágio na incorporação (“Reserva Especial”). Fl. 35DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 36 36 10. Direito de Preferência: Ao término de cada exercício social em que a TNL vier a gozar do mencionado benefício fiscal decorrente da amortização do Ágio, a parcela da Reserva Especial correspondente a tal benefício fiscal será objeto de capitalização em proveito do acionista controlador (Telemar), estando o respectivo aumento de capital sujeito ao direito de preferência dos demais acionistas, conforme previsto no parágrafo 1o do artigo 7o da Instrução CVM no 319/99 e as importâncias por eles pagas serão entregues à Telemar, sem que tal procedimento possa, a qualquer título, afetar o controle da TNL pela Telemar. 11. Preço de Emissão: As ações a serem emitidas pela TNL em decorrência da capitalização de parcelas da Reserva Especial em cada exercício social terão seus respectivos preços de emissão determinados em consonância com o disposto no parágrafo 1o do artigo 170 da Lei no 6.404/76 e posteriores alterações. 12. Dividendos: A amortização do Ágio não acarretará reflexos negativos sobre o pagamento de dividendos dos acionistas da TNL, comprometendose a Telemar a exercer seus direitos de acionista da TNL de modo a fazer com que os dividendos dos acionistas da TNL não sejam prejudicados em razão da despesa decorrente da amortização do Ágio. 13. Custo de Operação: Estimase que os custos da operação a que se refere este fato relevante serão da ordem de R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais), aí incluídos despesas com auditores, avaliadores, consultores e advogados. 14. Controle Societário: Nenhuma das operações contempladas neste fato relevante importará na alteração do controle societário final da TNL, e sua realização não afetará negativamente as vantagens políticas e patrimoniais dos acionistas detentores de ações ordinárias ou preferenciais. 15. Aprovações: As operações previstas neste fato relevante já foram aprovadas nos Conselhos de Administração da Telemar e da TNL, sendo que a partir desta data serão convocadas e realizadas as assembléias gerais e demais eventos societários necessários para a implementação dessas operações. 16.Comunicações às Autoridades: As operações aqui previstas serão comunicadas às autoridades competentes. 17. Documentos Disponíveis: Os documentos pertinentes às operações aqui previstas estarão disponíveis na sede da TNL para exame e cópia. 18. Incorporação das Operadoras: Considerando a nova situação trazida pela superveniência da Instrução CVM n.o 319/99, as etapas subsequentes do Plano, especialmente aquela descrita no item 3 (iii) do Fato Relevante publicado em 3 de dezembro de 1999, prevendo a incorporação de algumas Operadoras pela TNL, ficam por ora suspensas. 19.Transparência: A Telemar, a TNL e seus acionistas controladores permanecem comprometidos com o futuro das empresas e de suas controladas, assumindo o compromisso perante seus acionistas e o público em geral de divulgar, ao longo do processo, as informações relativas a todos e quaisquer atos e fatos relevantes.” Fl. 36DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 37 37 O fato relevante, cabe registrar, é uma obrigação dos administradores da empresa, nos termos do artigo 157, §4º da Lei 6.404/76, servindo para dar publicidade às situações que influenciam em suas atividades, consoante lição de Modesto Carvalhosa: “A publicidade de fatos relevantes (full disclosure) é o sistema que coloca os acionistas da companhia e os investidores em situação de avaliarem a oportunidade, o preço e as condições dos negócios de aquisição, e a alienação de valores mobiliários emitidos pela companhia. Tratase de regra de defesa da companhia contra eventuais argüições de seus acionistas e do público investidor em geral e, ainda, da Comissão de Valores Mobiliários no que respeita á responsabilidade por transações no mercado que decorram de eventuais mutações no estado de seus negócios. Uma vez plenamente reveladas pela companhia tais modificações, toda a responsabilidade sobre a tomada de decisão, com referência aos valores mobiliários de sua emissão, cabe ao próprio investidor. Os administradores desvinculamse de quaisquer perdas materiais sofridas pelos acionistas ou investidores, no que diz respeito aos negócios realizados com valores emitidos pela sociedade.” Vejam que os “fatos relevantes” acima descrevem exatamente o roteiro das operações que, posteriormente, foram, de fato, adotadas pela Recorrente. Então, como inquinar de simuladas operações que foram inteiramente divulgadas, descrevendo minuciosamente a sua forma e os objetivos, mediante fato relevante? Não há como! De fato, todos os negócios foram realizados e atenderam estritamente os fins almejados e divulgados ao público por intermédio dos fatos relevantes. No caso, inexiste qualquer operação, negócio simulado, fingido, não verdadeiro, que teria sido realizado para encobertar uma outra intenção das partes. O fato relevante de 12 de dezembro de 1999, expressa textualmente o objetivo das operações, que foi a de “fortalecer a estrutura financeira da TNL, através do incremento da capacidade de geração de caixa e consequentemente da capacidade de investimento; a Telemar e a TNL pretendem que a TNL aproveite em suas operações o benefício fiscal representado pela despesa de amortização do ágio (“Ágio”) pago pela Telemar, por ocasião da aquisição das ações que compõem o controle acionário da TNL (“Ações”). Cabe novamente repetir, não há negócio fingido, oculto, visando a encobrir outro negócio que seria o real. Não existem dois negócios, um tentando encobrir outro, elemento essencial a configurar algo com sendo simulado. As operações societárias, de transferência de ativos, de incorporação, foram aquelas declaradas e realizadas de acordo com a legislação que regula estes tipos de operação, e os fins e os meios foram aqueles também expressados nos fatos relevantes e documentos societários. Não existe, repitase outro negócio simulado. Não demonstra o ilustre fiscal que haveria um negócio aparente, onde estaria a declaração enganosa da vontade necessária à caracterização da simulação, e outro negócio real e oculto. E não demonstra porque, mais uma vez, não existe dois negócios, mas apenas um, verdadeiro, qual seja, a transferência de ativos por intermédio de uma incorporação pura e simples. Fl. 37DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 38 38 Veja que o fiscal diz que “existia a possibilidade jurídica” para realizar as operações, negando apenas que houvesse uma “finalidade econômica na aproximação dos interessados”, e que a finalidade do negócio teria como objeto tão somente “a economia fiscal”. A alegação de simulação, portanto, não aponta um vício na manifestação de vontade das partes, elemento necessário a sua configuração, pois se apega apenas e tão somente aos efeitos extrínsecos obtidos com os negócios praticados, que foi a economia fiscal. Vejam a importância da questão, que deve ser analisada e julgada com parcimônia, comedimento, sem emoções que o assunto pode trazer. A fiscalização, como acima demonstrado, lavrou o auto de infração pelo fato de o contribuinte ter realizado operações simuladas, aplicando a multa capitulada no artigo 44, inciso II, da Lei n. 9.430/96, isto é, a multa de 150% para os casos elencados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, promovendo representação fiscal para fins penais, em que se afirma o seguinte: “Evidenciase assim o claro intuito do contribuinte de eximirse de pagar os tributos devidos, com a caracterização da simulação, cabendo assim a aplicação da multa prevista no inciso II do artigo 957 do RIR, de 150%.” E o que é mais sério, a Representação qualifica as pessoas físicas, diretores das duas empresas, que assinaram o Protocolo e Justificação da incorporação da 140 PARTICIPAÇÕES S/A. pela Tele Norte Leste Participações S/A., que no seu entendimento, seriam os responsáveis por esta suposta simulação. Ora, como pode haver simulação neste documento, devidamente registrado na Junta Comercial, objeto de fato relevante submetido ao mercado e à CVM, e que respeitou integralmente as regras da Lei das S/As? Mais uma vez concluo, não há como! Para que se configure a simulação, é imprescindível, comprovadamente, um descompasso entre a intentio facti e o intentio júris, sem os quais, não se pode falar em simulação, eis que a simulação pressupõe operação que não existe, falseiase a realidade do que efetivamente ocorreu, ou seja, ocorre a desconformidade consciente e querida da declaração com a vontade, mas é preordenada com a parte à qual a declaração se dirige e acordado com ela, a fim de enganar terceiros. In casu, os fatos ocorridos não foram fingidos nem simulados e tampouco dissimularam outro fato. Todas as circunstâncias fáticas levantadas no auto de infração realmente aconteceram na realidade negocial e não tiveram o objetivo de encobrir outros fatos. Não se pode deixar de reconhecer que é dever das autoridades fiscais coibir práticas de utilização do ordenamento jurídico por meio de estratagemas, formadas como negócios simulados, com fraude à lei ou com dolo que causem prejuízo ao Erário Público. Bem assim, não pode se negar que os contribuintes utilizam formas simuladas para esconder dolosamente fatos geradores. Contudo, não se pode admitir que considerações ou interpretações subjetivas da autoridade fiscal, possam descaracterizar operações legítimas e revestidas de licitude praticadas pelos contribuintes com total amparo no ordenamento jurídico vigente e qualificálas como simuladas. Fl. 38DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 39 39 De fato, não pode prevalecer o entendimento e a possibilidade de o aplicador da lei, com base em meras interpretações pessoais, no sentido de que, se uma determinada operação fosse realizada de modo diverso ensejaria uma tributação maior, possa identificar conteúdos econômicos diversos daqueles efetivamente queridos e realizados pelos contribuintes, e desconsiderar as operações formalmente legítimas para exigir tributo de acordo com as suas convicções subjetivas, sob a suposição de outra operação considerada por ele como sendo a real. Ora, se de tal operação resultou em economia fiscal para a empresa, não cabe à autoridade administrativa, por faltarlhe competência, poder descaracterizar fatos válidos e lícitos que se encontram acobertados e previstos pelas leis civis, comerciais e fiscais, para exigir tributo, apenas pelo fato de a contribuine ter utilizado uma empresa veículo para não prejudicar acionistas minoritários – redução dos dividendos em razão da amortização do ágio e das despesas de financiamentos pela aquisição das ações do Governo Federal , como determinado pela CVM, reprisando novamente aqui o o fato de que, se a operação tivesse sido efetuada de forma direta, a economia fiscal seria a mesma. Portanto, de plano, afasto a possibilidade de enquadrar a operação em tela como sendo simulada, aliás, como o fez a própria decisão recorrida nas duas vezes em que se pronunciou nos presentes autos, quando afastou a acusação de simulação para enquadrar a reestruturação efetuada pela Recorrente como tendo sido realizada com abuso de direito, sem a qualificação da multa. Pois bem, Constatado a inexistência de qualquer ato simulado, sigo na análise das operações praticadas pela Recorrente, no sentido de que, se as mesmas representariam um abuso de direito, caminho trilhado pela r. decisão recorrida nas duas vezes em que se pronunciou nos autos, devendo, entretanto, ficar consignado aqui que não foi essa a infração imputada pela fiscalização. O abuso de direito A decisão recorrida, arrimandose na obra de Marco Aurélio Greco, traz vários conceitos do que seria um planejamento tributário inoponível ao fisco. Para tanto, classifica a operação praticada pela contribuinte como sendo um ilícito civil, em razão de abuso de direito, colocando a questão nos seguintes termos: “Assim, ainda que nenhum óbice tenha havido em relação a qualquer dispositivo especifico da legislação societária, a partir de sua interpretação literal, devese levar em consideração, contudo, o que motivou a interessada a optar pela pratica das operações descritas. Em outras palavras, devese dar um passo atrás na analise para se averiguar a verdadeira vontade da interessada, se convergente ou não com a vontade do ordenamento jurídico, antes que se pense no passo seguinte: o da compatibilidade das operações praticadas á luz da legislação de regência. O que motivou os atos, bem como a vontade da interessada em praticálos, antecederam as operações realizadas. Então, pesquisando sobre o motivo/vontade que levou a interessada a adotar a estratégia de incorporar a sociedade 140 PARTICIPAÇÕES S/A, será que o seu interesse foi o de observar o verdadeiro ‘’espírito da lei’’, a ‘’vontade da lei’’ que atribui ao instituto da incorporação finalidade de agregação de empresas? Será que ‘’vontade da interessada’’ coincidiu com a ‘’vontade da lei’’, cujo desejo é que o instituto da incorporação apresente uma finalidade econômica? Será que as Fl. 39DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 40 40 operações realizadas tiveram como objetivo essa finalidade econômica, consistente, por exemplo, em agregar o patrimônio da empresa incorporada, reunir atividades econômicas para reduzir custos, otimizar desempenho, incorporar tecnologia, conquistar fatia de mercado trazendo para si novos clientes a fim de tornarse mais conhecida no ramo, melhorar suas condições para fazer face á concorrência, etc?” Após analisar a incorporação realizada, conclui que tal procedimento possibilitou a TNL a deduzir o ágio glosado, Vejamos: “Se a 140 PARTICIPAÇÕES S/A, no âmbito das operações realizadas, não serviu, efetivamente, de instrumento de agregação de empresa, conforme toda documentação acostada aos autos demonstra, se a operação de incorporação não apresenta qualquer substancia econômica, sendo assim dizer, ‘’fatia’’, economicamente falando, sendo utilizada exclusivamente como empresa veiculo para o objetivo visado de dedução da amortização do ágio, e não tendo praticado nenhum ato negocial próprio de empresa enquanto esteve ativa, conforme já comentado neste voto, a resposta a todas as perguntas formuladas no parágrafo anterior, certamente, é ‘’não’’. ‘’Isto é, a vontade da interessada’’, previamente elaborada antes do inicio das operações, não se coaduna com a ‘’vontade da lei’’, com a ‘’vontade do ordenamento jurídico’’ E conclui: “Em suma, não resta duvida de que a interessada tem o direito, previsto na Constituição Federal, de organizar sua vida da maneira que melhor lhe aprouver. Porem, o exercício desse direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. A autoorganização com a finalidade predominante de pagar menos imposto, sem a observância do ordenamento jurídico, configura o abuso de direito. Como tal, uma vez provado tratarse de obrigação com esta razão principal, como penso, restou provado nestes autos, pode o Fisco recusar seus efeitos no âmbito tributário de modo a neutralizar os efeitos fiscais do excesso abusivo. (...) A sociedade controlada TELE NORTE LESTE PARICIPAÇÕES S/A. dispunha de instrumentos na legislação que lhe davam liberdade para agir com relação á operação de incorporação da sociedade controladora 140 PARTICIPAÇÕES S/A., porem, nos termos da Lei nº 7.450/1985 e do Parecer Normativo CST nº 46/1987, o excesso por ela cometido nesta iniciativa consiste na inobservância do ordenamento jurídico, visando obter efeito fiscal favorável. Os motivos de natureza não tributária alegados nos autos não se mostram suficientemente concretos para o fim de demonstrar que a verdadeira ‘’vontade da interessada’’ consistia, única e exclusivamente, em obter vantagem fiscal. Para tanto, realizou a citada operação societária, calcandose, tão somente, na interpretação literal da legislação. Entretanto, essa forma de interpretação da legislação contrapôsse ao ordenamento jurídico, à ‘’vontade da lei’’, cujos preceitos e princípios requerem efetiva finalidade econômica na hipótese de incorporação de empresas. Tal finalidade econômica, entretanto, não restou provada nestes autos, conforme bem concluiu o fiscal atuante e com o qual concordo inteiramente. Por essa razão, considero que os efeitos extraídos do ato jurídico realizado são inoponíveis ao Fisco, por não serem eficaz perante a legislação tributaria. Aqui cabe chamar a atenção para um fato, que em minha opinião é importante, ou melhor, fundamental ao deslinde da questão. Vejamos: Fl. 40DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 41 41 A decisão recorrida a despeito de inicialmente falar que seria necessário “levar em consideração (...) o que motivou a interessada a optar pela pratica das operações descritas”, analisa tão somente uma operação, qual seja, a incorporação da empresa 140 PARTICIPAÇÕES S/A. pela TNL. Passa então a perquirir se esta, e tão somente esta operação, estaria em conformidade com o direito ou, se ao contrário, teria sido praticada de forma abusiva ao direito. Assim, prega uma coisa e realiza coisa distinta, pois diz que planejamento tributário é uma conjugação de negócios praticados que devem ser analisados na sua inteireza, mas para julgar a questão analisa apenas a incorporação em tela, de forma isolada, autônoma, aliás, como fez a fiscalização quando da lavratura do auto de infração. Ou seja, analisa a fotografia que contém a incorporação, e não o filme inteiro que está longe de começar neste singelo evento. Greco chama atenção, em sua obra, sobre esta distinção em enxergar as coisas, dizendo que: “A questão fundamental é saber como devemos enxergar a realidade, pois ela comporta mais de uma perspectiva. Pode ser vista fotograficamente, quadro a quadro, e com isto chegaremos a uma conclusão positiva ou negativa em relação a cada quadro isolado. Mas também pode ser vista cinematograficamente, vale dizer, o filme inteiro.” Carnelutti, em sua Teoria Geral, trata da visão estática (fotografia) e dinâmica (filme), nos seguintes termos: A análise do “fato” planejamento tributário, por seu próprio conceito, pressupõe a verificação da realidade sob o prisma cinematográfico. Ver o filme com todo o seu roteiro, início, meio e fim. Como falar de vontade, causa, de um ato, analisando apenas o quadro ou a cena em que este ato é praticado. Interessante notar que a DRJ expressamente propugna isso, quando diz que “devese dar um passo atrás na análise para se averiguar a verdadeira vontade da interessada, se convergente ou não com a vontade do ordenamento jurídico, antes que se pense no passo seguinte” (Item 169 da decisão da DRJ). Este discurso, quanto à necessidade de se analisar as operações, estão ressaltados nos seguintes trechos da decisão: “201. O abuso de direito é, pois, caso de ineficácia parcial de um ato praticado, cuja figura tem como características uma norma, um direito e um excesso cometido no seu exercício. 202. A ilicitude que contamina a operação está no excesso, não sendo caso de desconsiderála e sim de identificar o ilícito cometido, para o fim de negar sua eficácia perante a legislação tributária. 203. Então, uma vez qualificada como abuso de direito, qual foi o excesso cometido pela interessada em sua conduta objetivando incorporar sociedade? 204. Segundo o Professor Greco, na prática, muitas vezes não se trata de analisar um negócio jurídico isolado, mas seqüência de atos ou negócios. Muitas “operações” de planejamento fiscal se dão através de seqüência que visam certo efeito. Diz, então, que é o exemplo típico relatado no Parecer Normativo n° Fl. 41DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 42 42 46/1987, em que o caso concreto não é de uma operação, mas varias operações encadeadas para um fim almejado”. Mas, contraditoriamente ao discurso acima, a decisão recorrida analisa tão somente a operação de incorporação realizada entre a empresa 140 PARTICIPAÇÕES e a TNL, conforme os seguintes excertos: “205. Conforme expresso neste Parecer Normativo, no qual se apóia o autuante para fundamentar a autuação, as partes interessadas (TELEMAR, 140 e TELE NORTE LESTE) praticaram ato jurídico (incorporação), sob determinado manto legal (legislação societária), para o fim de obter vantagens fiscais (dedução da amortização do ágio), indicando formalmente o fundamento econômico do ágio, satisfazendo assim a legislação de regência, porém, na pratica, a incorporação efetuada revelouse sem nenhuma finalidade econômica. A operação engendrada carrega subjacentemente à intenção de realizar negócio entre as mesmas pessoas, que assumem simultaneamente posição de compradora e vencedora, adquirindo para si mesmas quotas de capital que já lhes pertence. 224. No caso concreto, penso que a interessada praticou ilícito civil, que não configura a hipótese de incidência do inciso II, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, que trata da aplicação da multa qualificada. Todos os atos e negócios por ela praticados foram tornados públicos e amplamente divulgados. Em nenhum momento a Fiscalização deixou de conhecêlos e nem a tal foi impedida. A divergência concentrase na interpretação dos atos negociais praticados: se a incorporação da controladora por sua controlada deve ser vista sob a ótica da interpretação literal da legislação societária, na esteira da conduta adotada pela interessada, ou se deve ser interpretada á luz do ordenamento jurídico, o que os torna ineficazes perante o Fisco, conforme entendimento do fiscal autuante e deste relator.” Então, para análise do fato planejamento tributário no caso em concreto, é fundamental vermos o filme inteiro subjacente às operações praticadas pela contribuinte. E este filme iniciase na década de 90, quando foram implementadas as regras de desestatização de empresas pelo Governo Federal. Dentro desse programa, em julho de 1997, o Congresso Nacional aprovou a Lei Geral das Telecomunicações (Lei nº 9.472), que continha as diretrizes para a privatização do Sistema Telebrás. Segundo a Lei Geral, o processo decisório relativo à privatização do setor ficou a cargo de uma Comissão Especial de Supervisão, ligada hierarquicamente ao Ministério das Comunicações e, em fevereiro de 1998, foi assinado Contrato entre o BNDES e o Ministério das Comunicações, atribuindose ao Banco a coordenação da modelagem de venda e do próprio leilão do Sistema Telebrás. Neste contexto, também foi editada a Lei nº 9.491/97, que alterou os procedimentos relativos ao Programa Nacional de Desestatização PND, estabelecendo em seu artigo 4º, o seguinte: Art. 4º As desestatizações serão executadas mediante as seguintes modalidades operacionais: I alienação de participação societária, inclusive de controle acionário, preferencialmente mediante a pulverização de ações; II abertura de capital; Fl. 42DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 43 43 III aumento de capital, com renúncia ou cessão, total ou parcial, de direitos de subscrição; IV alienação, arrendamento, locação, comodato ou cessão de bens e instalações; V dissolução de sociedades ou desativação parcial de seus empreendimentos, com a conseqüente alienação de seus ativos; VI concessão, permissão ou autorização de serviços públicos. VII aforamento, remição de foro, permuta, cessão, concessão de direito real de uso resolúvel e alienação mediante venda de bens imóveis de domínio da União. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16135, de 2001) § 1º A transformação, a incorporação, a fusão ou a cisão de sociedades e a criação de subsidiárias integrais poderão ser utilizadas a fim de viabilizar a implementação da modalidade operacional escolhida. (grifamos) No contexto do PND, a norma legal permitiu a utilização de várias formas societárias possíveis para a implementação da política, inclusive por meio de empresas veículos, como as subsidiárias integrais, de modo a viabilizar a implementação da modalidade operacional escolhida. Posteriormente, em 14 de abril de 1997, foi editado o Decreto nº 2.546, que aprovou o modelo de reestruturação e desestatização das empresas federais de telecomunicações supervisionadas pelo Ministério das Comunicações. O Modelo de Reestruturação anexo ao Decreto previu, em seu art. 3º, que a reestruturação societária das empresas federais de telecomunicações darseia mediante cisão parcial da Telecomunicações Brasileiras S. A. TELEBRÁS, que ficou autorizada a constituir doze empresas que a sucederiam como controladora das empresas do setor então atuantes. Uma dessas empresas foi a Tele Norte Leste Participações (TNL), criada em julho de 1998. No art. 5º do Modelo anexo ao Decreto nº 2.546/97, ficou determinado que a desestatização das empresas darseia mediante alienação onerosa, a uma empresa ou consórcio de empresas, nos termos do edital, das ações de propriedade da União que lhe asseguram, direta ou indiretamente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores da sociedade. Nos termos do artigo art. 89 da LGT (Lei nº 9.472, de 16 de julho de 1997), a licitação seria disciplinada pela Agência, observados os princípios constitucionais, as disposições da Lei e, especialmente, dentre outro regras, que previa “a participação de consórcio, que se constituirá em empresa antes da outorga da concessão, será sempre admitida.” E o programa de desestatização lançado exigia que o(s) vencedor(es) da licitação concentrasse(m) os investimentos adquiridos em uma empresa veículo, mais especificamente, uma sociedade de propósito específico, que atuaria como holding. Ou seja, no contexto do PND o uso de empresas veículos foi amplamente utilizado, diretamente pela União, que também permitiu o uso destas empresas quando um consórcio, como no caso em tela, ganhasse a concessão. Fl. 43DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 44 44 Ainda no contexto do PND, antes do Edital MC/BNDS nº 1/98, que estabeleceu as regras para a desestatização das empresas federais de telecomunicação, foi editada a Lei nº 9.532, de 1997, cujos artigos 7º e 8º, regularam a amortização do ágio, nos seguintes termos: “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu Fl. 44DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 45 45 causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” Mais adiante analisaremos a natureza jurídica das regras criadas por este dispositivo. Mas o importante, neste momento, é a motivação que levou o legislador a editar esta norma reguladora do agir no contexto do PND, que foi aumentar as ofertas dos participantes do leilão das empresas desestatizadas, mediante a garantia aos investidores da dedutibilidade do ágio pago na aquisição das empresas, que foi substancial conforme relata a "Mensagem do Presidente" da Telebrás à época, Sr. Ronaldo Rangel de Albuquerque, nos seguintes termos1: "A privatização das 12 controladoras regionais, por intermédio de leilão na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro realizado em 29 de julho de 1998, foi considerado um negócio significativo para a União Federal, na medida em que o preço de venda alcançou R$ 22,057 bilhões, representando um ágio de 63,74% em relação ao preço mínimo fixado pelo Governo, que era de R$ 13,470 bilhões. O objeto da alienação, via leilão em bolsa, foi constituído de ações ordinárias, representativas dos 19,26% correspondentes à participação acionária da União Federal no capital social de cada uma das 12 Companhias criadas como conseqüência da cisão parcial da TELEBRÁS.” 1 Disponível no site www.telebras.com.br/mercados/balanço98/mensagem.htm Fl. 45DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 46 46 A ligação da arrecadação deste ágio pela União e as regras que garantiram a sua dedutibilidade foi retratada por Bernardo Estellita Lins, em trabalho intitulado "Privatização das telecomunicações: algumas lições"2: "Os sobrepreços refletiram, provavelmente, três aspectos dessa privatização: primeiramente, a adequada definição do marco regulatório; em segundo lugar, o atendimento a interesses estratégicos dos adquirentes que, eventualmente, vêm conduzindo projetos empresariais de caráter internacional; finalmente, a possibilidade oferecida pela legislação de imposto de renda, de lançar o ágio como despesa da empresa adquirida para fins de redução de imposto devido nos dez anos subseqüentes." (grifamos) Ricardo Mariz de Oliveira também demonstra que a finalidade das regras de dedução do ágio visavam a aumentar o preço ofertado pelas empresas adquirentes no leilão da privatização. Vejamos: A norma legal contida nos art. 7º e 8º foi promulgada com vistas a facilitar as privatizações levadas a cabo pelo Governo Federal, pois passou a permitir a dedução fiscal de certos ágios antes indedutíveis. (...) Portanto, essa norma de concessão do direito à dedução fiscal da amortização é uma norma excepcional, baseada em motivações extratributárias de (1) conveniência da política fiscal no sentido de favorecer as privatizações, à época promulgação da Lei nº. 9.532, e também de (2) justiça econômica contida na amortização do ágio pago na aquisição do negócio, paulatinamente à geração dos lucros que tenham dado lastro a ele, eis que estes são sujeitos à tributação quando surgidos. Este último dado é que justifica a extensão da norma a quaisquer aquisições, mesmo às feitas fora do programa de privatizações que estava em andamento na data da Lei n. 9.532. (grifamos) Posteriormente, o Edital MC/BNDS nº 1/98, estabeleceu as condições da desestatização das empresas federais de telecomunicações, mediante leilão das ações ordinárias das companhias desestatizadas, de propriedade da União. Dentre seus dispositivos está o que estabelece “obrigações especiais”, que assim dispõe: “Além das demais obrigações previstas neste EDITAL, os PARTICIPANTES vencedores do LEILÃO de cada uma das companhias e seus eventuais sucessores, a qualquer título, inclusive em decorrência de posterior cessão e transferência de ações, nos termos da legislação em vigor, estará (ão) obrigado(s), solidariamente, de forma irrevogável e irretratável, a cumprir rigorosamente as seguintes obrigações especiais, exercendo para tal, se necessário, seu direito de voto nas Assembléias Gerais (...)” 2 Disponível no site www.belins.eng.br Fl. 46DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 47 47 Realizado o leilão foi assinado o contrato de compra e venda de ações da TNL, firmado entre a União e as empresas participantes do Consórcio, composto por CONSTRUTORA ANDRADE GUTIERREZ S.A, INEPAR S.A INDÚSTRIA E CONSTRUÇÕES, MACAL INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., FIAGO PARTICIPAÇÕES S.A., BRASIL VEÍCULOS COMPANHIA DE SEGUROS e COMPANHIA DE SEGUROS ALIANÇA DO BRASIL, estipulando na cláusula 5.1, que: “5.1 – O comprador e seus eventuais sucessores, a qualquer título, inclusive em decorrência de posterior cessão e transferência de AÇÕES ORDINÁRIAS, nos termos da legislação em vigor, estão obrigados, solidariamente, de forma irrevogável e irretratável, a cumprir rigorosamente as seguintes obrigações especiais, sem prejuízos daquelas previstas no EDITAL, exercendo para tal, inclusive, seu direito de voto nas Assembléias Gerais da COMPANHIA (...)” O que estou querendo mostrar citando esses dois dispositivos um do Edital e outro do contrato de compra e venda , é que a reorganização societária das empresas participantes do leilão de privatização também foi amplamente utilizada e incentivada, em primeiro lugar pela própria União, como previsto no decreto que criou as holdings operacionais, mas também em razão da Lei nº 9.532/97, que estabelecia o direito à dedutibilidade do ágio e o termo “a quo” do exercício desse direito que seria o momento de uma reorganização societária (incorporação, fusão ou cisão). Aliás, o Poder Legiferante não apenas reconhece a ligação ontológica entre o ágio pago e as regras de dedutibilidade previstas na Lei nº 9.532/97, mas reconhece também que esta norma legal foi um incentivo à reestruturação societária de empresas tão necessárias à economia nacional. Com efeito, foi apresentado pelo então Deputado Waldemar da Costa Neto o Projeto de Lei nº 2.922A, de 2000, que propunha, em seu artigo 1º, a revogação do inciso III do art. 7º da Lei nº 9.532/97, ao argumento de que ser “absurdo o benefício fiscal que ela concedeu às empresas vencedoras dos leilões de privatização de empresas estatais.” Posteriormente, foi apresentada a este Projeto de Lei emenda propondo a sua supressão, ou seja, a manutenção integral do artigo 7º da Lei nº 9.532/97 no ordenamento jurídico, com a seguinte justificativa: “Propomos a supressão do dispositivo, tendo em vista afetar negativamente o tratamento contábil relativo às operações de reorganização societária e, conseqüentemente, o desenvolvimento da economia nacional. Como se sabe, os processos de privatização de empresas estatais e concessão dos serviços públicos têm justamente o objetivo de fortalecer a economia, transferindo aos particulares o controle e a administração de companhias estatais. Desta forma, andou bem o Estado ao promover a privatização de suas empresas, visando justamente incrementar a situação financeiraeconômica do país. Inclusive, a forma de contabilização atualmente prevista no inciso III do art. 7o da Lei n.º 9.532, de 10 de dezembro de 1997, Fl. 47DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 48 48 representou um incentivo para que as empresas privadas participassem dos programas de desestatização. Neste sentido, podemos até dizer que um dos principais incentivos apresentados pelos processos de privatização está inserido na seara fiscal, eis a razão pela qual o benefício fiscal do inciso III do Art. 7o da Lei nº 9.532, de 1997, se faz necessário. A amortização do ágio efetivamente pago, com o fundamento na rentabilidade futura da empresa adquirida, é perfeitamente justa. O ágio consiste num “plus” no valor da empresa negociada, podendo ser bastante subjetivo, devendo, portanto, ser amortizado ao longo do tempo. O ágio, muitas vezes, representa um substancial valor no preço total de negociação de uma empresa. A amortização a longo prazo permite que a empresa adquirente consiga “digerir” o investimento efetuado de uma forma equilibrada, o que incentiva as reorganizações societárias. As demonstrações financeiras da empresa adquirida, por meio de privatização ou não, registram apenas o valor contábil da própria empresa. O eventual ágio a ser pago, que pode ser bastante relevante, não integra o patrimônio líquido da empresa adquirida; na verdade, podemos dizer que representa uma despesa necessária (do ponto de vista da empresa adquirente) para a aquisição ou reorganização. Na categoria de despesa, deve ter o tratamento apropriado para tanto. Importantíssimo ressaltar que a amortização do ágio não traz qualquer lesão ao patrimônio público, até porque o assunto faz parte das normas contábeis e dos princípios geralmente aceitos. Ora, não se pode dizer que a aplicação de um princípio contábil, qual seja, amortização do ágio, traz lesão ao poder público, pois muitos desses princípios são legalmente previstos. Além disso, não há que se falar em prejuízo, porque prejuízo pressupõe a necessária apuração de perda, o que não é o caso. A amortização de ágio é uma tradição contábil e fiscal e representa a verdadeira harmonização entre as normas contábeis e o tratamento tributário. A supressão do referido inciso III do art. 7o da Lei n.º 9.532, de 10 de dezembro de 1997, representará um desastroso descasamento com relação a esses aspectos e terá conseqüências negativas, porque a proposta representa um desincentivo às reorganizações societárias (inclusive às privatizações), o que culminará com o enfraquecimento da economia nacional e, aí sim, o patrimônio público será lesado. Também é importante lembrar que a aprovação do dispositivo prejudica enormemente todas as reorganizações societárias praticadas por empresas privadas, e não só as vencedoras dos leilões de privatização. A aprovação do dispositivo seria um retrocesso na tentativa de reerguer o país, já que representa a imposição de mais um ônus injusto e desnecessário às empresas, e por conseqüência, à população em geral. Fl. 48DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 49 49 O Brasil precisa de medidas construtivas, bem estudadas, para que finalmente consiga atingir o desejado equilíbrio econômico. Ante a todo o exposto, o mais correto é suprimir o referido art. 1° do Projeto de Lei n° 2.922, de 2000, que revoga o inciso III do art. 7o da Lei n.º 9.532, de 10 de dezembro de 1997, fazendo justiça ao próprio projeto de desenvolvimento econômico do país. Sala das Comissões, 22 de agosto de 2003.” Posteriormente, o Relator da questão junto à Comissão de Finanças e Tributação, em seu voto, acolheu integralmente as ponderações apresentadas quando da apresentação da emenda supressiva, asseverando, quanto ao mérito, em seu voto que: “No tocante ao mérito, julgamos conveniente e oportuna a atual sistemática de amortização do valor do ágio, a qual guarda perfeita harmonia com as normas contábeis e com o tratamento tributário. Como o ágio, decorrente da expectativa de rentabilidade positiva do investimento, pode representar um significativo acréscimo no preço total de negociação da empresa, a sua amortização permite que investimento feito nessa empresa seja diluído em determinado período. Estimulase, assim, o investimento em outras empresas e a reorganização societária, tão importantes num contexto de baixo crescimento econômico do país. O investimento em outras empresas e a reorganização societária contribuem para o fortalecimento das bases da economia nacional. Acrescentese ainda que o número de privatizações das empresas estatais a que se referem os autores dos projetos de lei em epígrafe diminuiu significativamente nos últimos anos. Não se deve alterar a legislação tributária vigente com base em argumentos tidos como válidos em outra realidade.” Aqui, aliás, com a devida vênia, cabe uma crítica à decisão recorrida, que menciona o Projeto de Lei nº 2.922, mas apenas na parte que lhe interessa, que foi a motivação que levou o Deputado Waldemar da Costa Neto a apresentar o projeto. Nada diz que esta justificativa foi inteiramente rechaçada pela unanimidade dos membros da Comissão de Finanças e Tributação, tendo sido, posteriormente arquivada. Isso demonstra a paixão que o debate acerca do tema pode trazer, mas que deve ser rechaçado pelo aplicador do direito. Na verdade, o Programa Nacional de Desestatização, juntamente com as regras atinentes à dedutibilidade do ágio fizeram parte de todo um contexto para a formulação dos preços ofertados nos leilões de privatização e para as sucessivas reorganizações societárias realizadas pelas empresas objeto da desestatização, servindo como atrativo e motivo para o aumento substancial dos valores auferidos pelo Governo com a privatização. Noutro giro, a dedutibilidade do ágio e a possibilidade de a empresa realizar a reorganização societária para o seu aproveitamento fez parte do pacote de condições ofertadas às empresas que participaram das privatizações, tendo, todas elas, conforme pesquisa na internet, adotado a política incentivada acima. Fl. 49DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 50 50 Uma questão importante que deixei para ressaltar ao final é o fato de as empresas, ao invés de realizarem a incorporação direta, no caso a TNL pela TPAR ou vicee versa, para efeito de exercer o direito à amortização do ágio, realizarem a reorganização societária por intermédio de uma outra empresa, à qual fora transferido o ágio, o que este Conselho vem denominando de empresa veículo. Conforme documentos acostados aos autos, vêse que outras empresas de telefonia, no caso, a TELESP CELULAR PARTICIPAÇÕES S.A. e a TELE CENTRO OESTE CELULAR PARTICIPAÇÕES S.A., utilizaram o ágio por intermédio de uma empresa veiculo. E por que realizaram essa operação para viabilizar o exercício do direito à dedução do ágio? A resposta a essa indagação está na regra da Instrução Normativa nº 319/97, da CVM, mais precisamente do artigo 15, que prescreveu: “Art. 15 Sem prejuízo de outras disposições legais ou regulamentares, são hipóteses de exercício abusivo do poder de controle: I. o aproveitamento direto ou indireto, pelo controlador, do valor do ágio pago na aquisição do controle de companhia aberta no cálculo da relação de substituição das ações dos acionistas não controladores, quando de sua incorporação pela controladora, ou nas operações de incorporação de controladora por companhia aberta controlada, ou de fusão de controladora com controlada; II. a assunção, pela companhia, como sucessora legal, de forma direta ou indireta, de endividamento associado à aquisição de seu próprio controle, ou de qualquer outra espécie de dívida contraída no interesse exclusivo do controlador; III. o não reconhecimento, no cálculo das relações de substituição das ações dos acionistas não controladores estabelecidas no protocolo da operação, da existência de espécies e classes de ações com direitos diferenciados, com a atribuição de ações, com direitos reduzidos, em substituição àquelas que se extinguirão, de modo a favorecer, direta ou indiretamente, uma outra espécie ou classe de ações; IV. a adoção, nas relações de substituição das ações dos acionistas não controladores, da cotação de bolsa das ações das companhias envolvidas, que não integrem índices gerais representativos de carteira de ações admitidos à negociação em bolsas de futuros; V. a não avaliação da totalidade dos dois patrimônios a preços de mercado, nas operações de incorporação de companhia aberta por sua controladora, ou desta por companhia aberta controlada, e nas operações de fusão entre controladora e controlada, para efeito da comparação prevista no art. 264 da Lei nº 6.404/76 e no inciso VI do art. 2º desta Instrução; e VI. a omissão, a inconsistência ou o retardamento injustificado na divulgação de informações ou de documentos que tenham sido postos à disposição do controlador ou por ele utilizados no planejamento, avaliação, promoção e execução de operações de incorporação, fusão ou cisão envolvendo companhia aberta.” Vejase que, no caso em concreto, a TELEMAR PART assumiu uma dívida com a União instrumento de assunção , conforme se depreende dos autos. Assim, se houvesse uma incorporação entre estas empresas, constituiria manifesto exercício abusivo do Fl. 50DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 51 51 poder de controle, em razão da regra clara do artigo 15, inciso II, da IN 319/99, acima transcrito, com reflexo patrimonial aos acionistas minoritários. Vejamos: Em primeiro lugar, porque a participação na TNL foi adquirida pela TELEMAR PART mediante a assunção de um passivo, e sendo assim, a TNL passaria a ser responsável por esse passivo. Ou seja, haveria um reflexo patrimonial negativo para os acionistas minoritários. Em segundo lugar, a amortização do ágio constituído com base na rentabilidade futura, contra os lucros a serem obtidos, reduzindo, consequentemente, os dividendos futuros dos acionistas, principalmente dos minoritários que não participaram do leilão. Nos dois casos, haveria, assim, uma vantagem indevida do acionista controlador em prejuízo dos minoritários, e foi justamente por isso que a CVM interveio e expediu as normas sobre o tema. De fato, a integralização de capital na empresa 140 Participações com as ações da TNL teve por objetivo — alcançado com sucesso — evitar esse prejuízo aos demais acionistas. Esse seu objetivo, ou seja, a operação realizada foi guiada, como afirmado, por razões de cunho apenas societário, não fiscal. Não se obteve, com a operação, a criação de qualquer vantagem fiscal, muito menos a prática de uma ilicitude. A contribuinte não praticou atos para obter um tratamento fiscal mais benéfico, ao qual ela não teria direito. Ao revés, no caso concreto, a contribuinte já se encontrava em perfeitas condições para a aplicação da norma fiscal. Ademais, a Lei nº 9.472 (LGT) estabelecia em seu artigo 202, que: “Art. 202. A transferência do controle acionário ou da concessão, após a desestatização, somente poderá efetuarse quando transcorrido o prazo de cinco anos, observado o disposto nos incisos II e III do art. 98 desta Lei. § 1° Vencido o prazo referido no caput, a transferência de controle ou de concessão que resulte no controle, direto ou indireto, por um mesmo acionista ou grupo de acionistas, de concessionárias atuantes em áreas distintas do plano geral de outorgas, não poderá ser efetuada enquanto tal impedimento for considerado, pela Agência, necessário ao cumprimento do plano. § 2° A restrição à transferência da concessão não se aplica quando efetuada entre empresas atuantes em uma mesma área do plano geral de outorgas.” Ora, se a TNL incorporasse a TELEMAR PART, ainda em razão da dívida correspondente a 60% do preço da aquisição das ações , estaria violando a regra do artigo 202 da LGT, visto que haveria mudança no controle acionário da empresa, na medida em que seriam emitidas, com a incorporação, ações em substituição aquelas já existentes, reduzindo, em consequência, a participação dos vencedores do leilão substancialmente, ficando inferior a 50% do capital social e, portanto, em desacordo com a LGT. Fl. 51DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 52 52 Pois bem, este é o filme que deve ser analisado, que se inicia com todas as regras do Programa Nacional de Desestatização, inclusive aquela que regulamentou a dedutibilidade do ágio e incentivou a reorganização societária de empresa, e termina, no caso, com a TNL seguindo exatamente o roteiro de promover uma reorganização societária e realizar a dedução, para efeitos fiscais a que tinha direito com o ágio pago na aquisição das ações. E é neste contexto, penso eu, que deve ser analisada a questão. E ai vem a pergunta, onde está o abuso de direito? Com a devida vênia da r. decisão, não vejo no caso em exame a dissimulação de qualquer aspecto da legislação de regência. Inexistiu abuso do direito, da forma jurídica ou da interpretação da mens legis, eis que os negócios jurídicos praticados pela Recorrente tiveram evidente motivação no plano societário e não se resumiram apenas a provocar a economia do imposto, conforme visto pelo Nobre Julgador da decisão recorrida. Portanto, analisando todas as etapas do processo de desestatização até os resultados concretos que levaram as empresas a aproveitaram o ágio por intermédio de empresas ditas veículos, não vejo com enquadrar esta operação como sendo um planejamento tributário abusivo, conforme entendeu a r. decisão recorrida, mesmo porque, para restar compreendida como abusiva, uma conduta deve refletir um conflito entre forma e substância, e a prova de tal conflito deve ser feita com base em elementos objetivos e deve inexistir justificativa razoável para tal operação, a qual não seja mera vantagem fiscal, o que, digase de passagem, em nenhum momento ficou comprovado nos autos. E a melhor forma de justificar esta conclusão é adentrar no último questionamento inicialmente posto, o de saber o que ocorreu na realidade, repitase, na realidade vista na sua inteireza, e não uma realidade parcial, como fez a r. decisão recorrida. Eis a questão: Estamos diante de um planejamento tributário? Utilizando o mesmo método da decisão recorrida, isto é, do método proposto por Marco Aurélio Greco, entendo enquadrarse as operações na categoria das "condutas desejadas (induzidas)" e das "condutas positivamente autorizadas pelo ordenamento", cuja pecha de planejamento tributário inoponível ao fisco é rechaçada pelo próprio Greco, a saber: "Cumpre, desde logo, mencionar três conjuntos de situações que ficarão fora do presente estudo por não configurarem nem planejamento nem elisão. Estes três conjuntos têm em comum serem formados por condutas que recebem do ordenamento uma qualificação – pelo menos no plano teórico com maior grau de precisão, quanto ao modo pelo qual ele as trata. Ou seja, não obstante a imanente faixa de imprecisão (a fuzzyness) que cerca toda realidade e todo processo teórico que a ela se reporta, é possível, com pequeno grau de incerteza, identificar: condutas repelidas; condutas desejadas (induzidas); e condutas positivamente autorizadas pelo ordenamento. Fl. 52DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 53 53 Estes três conjuntos de condutas, por se revestirem dessa qualificação jurídica mais nítida, ficarão fora do presente estudo, embora mereçam alguns comentários neste capítulo, pois saber o que não compõe nosso objeto de estudo auxilia na sua identificação e precisão.”3 As condutas desejadas (induzidas) pelo ordenamento, segundo Greco, são as seguintes4: "O segundo conjunto de hipóteses que deve ser apartado do planejamento tributário compõese das situações em que o ordenamento positivo deseja certo resultado e veicula preceitos no sentido de viabilizar ou induzir condutas dos destinatários da norma. E estas condutas podem, em certos casos, até mesmo levar a um tributo menor. Este conjunto engloba duas principais categorias: a denominada extrafiscalidade pura; e, particularmente, o engajamento do contribuinte em programas de incentivo. Menciono separadamente estas duas figuras, pois embora tenham base conceitual comum (utilizar o instrumento jurídico para induzir comportamentos humanos), a prática mostra que, por um lado, existem situações em que o objetivo visado pela norma é alcançado por outro lado, o atingimento do objetivo depende de um maior esforço do destinatário, muitas vezes consistente na realização de investimentos vultosos ou na formulação de compromissos de desempenho (exportar, incrementar produção, etc).” E exemplifica o ilustre tributarista: "Em determinadas hipóteses, como por exemplo no caso dos produtos sem muita felicidade denominados “supérfluos” ou produtos de baixo grau de essencialidade, a maior carga tributária imposta pelo ordenamento induz o contribuinte a fazer uma substituição material e deixar de consumir determinado produto. Promover a substituição material e passar a consumir outro produto é realizar planejamento tributário? Não. Esta hipótese está fora do campo do planejamento porque de certo modo a conduta que implica menor carga tributária apresenta uma intersecção com sentido da diretriz inerente ao ordenamento. Em outras hipóteses, a submissão a um menor imposto sobre a renda depende da instalação de uma fábrica em determinado ponto do território nacional. Nestes casos, não há dúvida de que a conduta de seguir a diretriz da norma de incentivo fiscal acarretará menor carga tributária, mas este efeito é desejado pelo ordenamento. Ele quer tributar em menor dimensão os rendimentos que decorrerem de atividades econômicas que 3 Obra referida, p.76 4 Obra referida, p. 84/85 Fl. 53DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 54 54 atendem à busca da redução das desigualdades regionais ou, então, os que resultem da exploração de determinada atividade, etc. Greco ressalta ainda, que5: "O tema de incentivos e da extrafiscalidade é amplo e sua referência foi feita apenas para mostrar que há um conjunto de situações em que o contribuinte pode ser induzido, instado, estimulado a adotar certa conduta cujo instrumento para sensibilizálo é a previsão de vantagens no campo tributário, inclusive desonerações de carga tributária. Ora, quando o contribuinte decide agir no sentido indicado pelo ordenamento e, com isto, usufrui da menor tributação, não estamos perante hipótese de planejamento tributário nem de elisão. Em suma, não é a simples circunstância de haver um resultado favorável ao contribuinte que, ipso facto , tratase de hipótese de planejamento ou elisão." Nesse diapasão, entendo que o fato inquinado de planejamento tributário, visto na sua inteireza, repito, o filme, é uma conduta desejada ou induzida pelo ordenamento jurídico, como robustamente demonstrado acima. Ora, o próprio intérprete autêntico, o legislador, reconhece isso, conforme se depreende da exposição de motivo da Comissão de Finanças e Tributação, que rejeitou a revogação do inciso III do artigo 7º da Lei nº 9.532/97, ao acolher o voto do Relator que, textualmente, assevera que este dispositivo teve a função de estimular “o investimento em outras empresas e a reorganização societária, tão importantes num contexto de baixo crescimento econômico do país” sendo que “O investimento em outras empresas e a reorganização societária contribuem para o fortalecimento das bases da economia nacional.” E mais, é possível enxergar no filme todos aqueles atos praticados pela Recorrente, como sendo uma conduta "positivamente autorizada” pelo ordenamento, consoante ensina Greco6: "Neste contexto situase a figura das opções fiscais, que são alternativas criadas pelo ordenamento, propositalmente formuladas e colocadas à disposição do contribuinte para que delas se utilize, conforme a sua conveniência. Estas estão fora do âmbito do planejamento, pois correspondem a escolhas que o ordenamento positivamente coloca à disposição do contribuinte, abrindo expressamente a possibilidade de escolhas. O ordenamento indica dois caminhos deixando ao contribuinte a escolha de seguir um ou outro, sendo que eventualmente um deles pode ser menos oneroso do que o outro. Nas opções estamos sempre perante hipóteses em que há uma escolha expressa que o ordenamento coloca à disposição do contribuinte, hipótese clássica de lei dispositiva. 5 Obra referida, p. 92 6 Obra referida, p.92/93 Fl. 54DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 55 55 Por isso, a opção fiscal desenha uma hipótese de conduta positivamente autorizada pelo ordenamento. Não chega a ser hipótese de incentivo ou induzimento a determinada conduta, mas tratase de uma escolha de ordenamento que expressamente cria e cujos efeitos tributários (de menor tributação) ele assegura. Tratase de figura semelhante àquela que Hans Kelsen examina sob o nome de “conduta regulada positivamente” ou “liberdade em sentido positivo”." No caso aqui discutido, além de ter sido uma forma de aumentar o preço das ofertas no leilão de privatização e estimular as reorganizações societárias (condutas induzidas), o artigo 7º da Lei nº 9.532/97, atribui ao contribuinte o termo “a quo” para o exercício do seu direito de deduzir o ágio (opção fiscal), ao condicionar a dedutibilidade do ágio a partir do evento incorporação, fusão ou cisão, consoante explicitado no dispositivo. O fato é que a decisão sobre o evento de incorporação, fusão ou cisão compete exclusivamente aos acionistas das empresas, a ninguém mais, razão pela qual não vejo como atribuir à pecha de abusividade as operações praticadas pela contribuinte com o intuito de aproveitar a parcela do preço pago à União no leilão de privatização, denominado de ágio. A análise do evento isolado de incorporação e a consequência esdrúxula de sua desconsideração E mesmo que analisarmos isoladamente o evento de incorporação da empresa 140 PARTICIPAÇÕES pela TNL, ainda assim não consigo enxergar qualquer direito exercido de forma abusiva, como sustentou a decisão recorrida. O argumento central da decisão para inquinar de abusivo esta incorporação, seria o fato de inexistir um interesse econômico. Para chegar a esta conclusão, tentando compilar o seu aresto anulado, várias indagações foram postas para se perquirir a economicidade da operação, que são: pesquisando sobre o motivo/vontade que levou a interessada a adotar a estratégia de incorporar a sociedade 140 PARTICIPAÇÕES S/A., será que o seu interesse foi o de observar o verdadeiro ‘’espírito da lei’’, a ‘’vontade da lei’’ que atribui ao instituto da incorporação finalidade de agregação de empresas? Será que a ‘’vontade da interessada’’ coincidiu com a ‘’vontade da lei’’, cujo desejo é que o instituto da incorporação apresente uma finalidade econômica? Será que as operações realizadas tiveram como objetivo essa finalidade econômica, consistente, por exemplo, em agregar o patrimônio da empresa incorporada, reunir atividades econômicas para reduzir custos, otimizar desempenho, incorporar tecnologia, conquistar fatia de mercado trazendo para si novos clientes a fim de tornarse mais conhecida no ramo, melhorar suas condições para fazer face á concorrência, etc? O primeiro ponto é a alegada agregação de empresas como sendo uma finalidade do instituto da incorporação, que deveria ter um cunho econômico, pois “a operação de incorporação tem como fundamento a venda, por parte dos acionistas da incorporada, de Fl. 55DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 56 56 parcela de seu patrimônio aos acionistas da incorporadora e a compra, com o valor da venda, de parte do patrimônio da incorporadora. (item 52 da decisão)”. Nada mais equivocado. Veja, toda a interpretação emocional da decisão recorrida, com o devido respeito, parte de uma operação em que se está incorporando empresas com controle distintos, tal como regulado pelo artigo 227 da Lei da S/A, textualmente citado pela decisão no item 48, e que serviu de ponto de partida para todo o raciocínio. Acontece que a incorporação de empresa controlada sofreu do ordenamento jurídico uma regulação específica, prevista no artigo 264 da Lei nº 6.404/76, na medida em que se trata de um negócio consigo mesmo ou “selfdealing transaction”. Alfredo Lamy Filho, tratando desse dispositivo, afirma que “o direito brasileiro regulou, expressamente, a matéria, e ao fazêlo afastou a discussão doutrinária sobre a eficácia da “selfdealing transaction” por isso que previu a incorporação de controlada pela controladora, isto é, de empresas sob o mesmo controle.” (in Temas de S.A., RJ, Renovar, 2007, p. 258). Aliás, a exposição justificativa do anteprojeto, sobre o artigo 264, mostra a diferença entre a incorporação realizada entre empresas com controle distintos, tal como regulado no artigo 227, e entre empresas com mesmo controle, a saber: "A incorporação de companhia controlada requer normas especiais para a proteção de acionistas minoritários, por isso que não existem, na hipótese, duas maiorias acionárias distintas, que deliberem separadamente sobre a operação, defendendo os interesses de cada companhia”. Por isso que a decisão sobre a criação e a extinção de empresas controladas compete exclusivamente aos acionistas das empresas. A criação de empresas, inclusive de empresas veículos que, aliás, foram amplamente utilizadas pelo próprio Governo para formatar o sistema de privatização, bem como a sua extinção por incorporação, independe de qualquer motivação econômica ou financeira, pois está na órbita exclusiva da decisão dos sócios, como bem ressalta Renato Ventura Ribeiro, Professor Doutor da USP Largo de São Francisco , que ensina: "Os motivos para incorporação de companhia controlada são bem variados, como concentração empresarial, para ganhos de eficiência, possibilidade de maior crescimento, benefícios tributários, oportunidades de aquisição a preços baixos, integrações verticais, proteção contra ofertas hostis, entre outros. A decisão da incorporação, independente da motivação, decorre apenas de uma única vontade, a dos controladores da incorporadora. Com isso, ela diferenciase das incorporações nas quais estão envolvidas sociedades com controladores distintos, pois uma das particularidades da incorporação de companhia controlada, como já dito, é a existência de apenas uma única vontade." Fl. 56DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 57 57 O mesmo raciocínio do ilustre Professor da USP vale para a incorporação da controladora pela controlada. Aliás, o artigo 8º da Lei nº 9.532/97, corrobora esta assertiva, também para efeitos fiscais, ao prescrever que a dedutibilidade do ágio está garantida, inclusive na incorporação reversa, a saber: "Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: (...) b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária." Por essas razões não faz o menor sentido a motivação que levou o auto de infração considerar ter ocorrido um planejamento inoponível ao fisco, por não ter havido razão econômica “na aproximação dos interessados” relativamente à incorporação havida da empresa 140 PARTICIPAÇÕES pela TNL, de modo a possibilitar a dedução do ágio. Ademais, a criação de empresas veículos envolvendo as empresas que fizeram parte da privatização foi amplamente abordada e regulada pela CVM, por intermédio da Instrução CVM nº 349/01, para ajustar as distorções em razão da regulação anterior prevista na Instrução CVM nº 319/99, que tratava da matéria, passando a determinar o seguinte: “Art. 1º O art. 6º da Instrução CVM nº 319, de 3 de dezembro de 1999, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 6º ............................................................................................ § 1º O registro do ágio referido no inciso I deste artigo terá como contrapartida reserva especial de ágio na incorporação, constante do patrimônio líquido, devendo a companhia observar, relativamente aos registros referidos nos incisos II e III, o seguinte tratamento: a . constituir provisão, na incorporada, no mínimo, no montante da diferença entre o valor do ágio e do benefício fiscal decorrente da sua amortização, que será apresentada como redução da conta em que o ágio foi registrado; b. registrar o valor líquido (ágio menos provisão) em contrapartida da conta de reserva referida neste parágrafo; c. reverter a provisão referida na letra a acima para o resultado do período, proporcionalmente à amortização do ágio; e d. apresentar, para fins de divulgação das demonstrações contábeis, o valor líquido referido na letra a no ativo circulante e/ou realizável a longo prazo, conforme a expectativa da sua realização. ............................................................................................ (NR) A Nota Explicativa à Instrução CVM nº 349/2001 explica os ajustes das distorções provocadas pela regulação anterior em razão do aproveitamento do ágio, a saber: Fl. 57DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 58 58 "NOTA EXPLICATIVA À INSTRUÇÃO CVM Nº 349, DE 6 DE MARÇO DE 2001. A Instrução CVM nº 319/99, ao prever que a contrapartida do ágio pudesse ser registrada integralmente em conta de reserva especial (art. 6º, § 1º), acabou possibilitando, nos caso de ágio com fundamento econômico baseado em intangíveis ou em perspectiva de rentabilidade futura, o reconhecimento de um acréscimo patrimonial sem a efetiva substância econômica. A criação de uma sociedade com a única finalidade de servir de veículo para transferir, da controladora original para a controlada, o ágio pago na sua aquisição, acabou por distorcer a figura da incorporação em sua dimensão econômica. Esta distorção ocorre em virtude de que, quando concluído o processo de incorporação da empresa veículo, o investimento e, conseqüentemente, o ágio permanecem inalterados na controladora original. Por outro lado, a criação da empresa veículo e a transferência, para esta, do investimento original e, também, do ágio permitiram que, através desse modelo de incorporação, houvesse a possibilidade do seu aproveitamento fiscal, fazendo surgir, contabilmente, uma espécie de crédito tributário fundamentado na diminuição futura do imposto de renda e da contribuição social, em virtude da possibilidade da amortização desse ágio. Portanto, esse benefício fiscal é a única parcela do ágio que poderá ser aproveitada na controlada e que tem substância econômica. Essa é também a parcela do ágio que a CVM vem entendendo, conforme estabelecido na Instrução CVM nº 319, que pode ser capitalizada em proveito exclusivo do controlador. É, portanto, somente essa parcela com substância econômica que pode ser considerada um ativo e que poderia vir a ser capitalizada. Algumas companhias, a partir da atuação de seus auditores e com a concordância das áreas técnicas desta Comissão, constituíram uma provisão no valor integral ou parcial do valor do ágio transferido, de forma a reconhecer como ativo e como reserva especial somente o montante relativo ao benefício fiscal. A constituição dessa provisão permitiu, ainda, a essas companhias atenderem plenamente uma outra exigência da Instrução CVM nº 319 que estabelece que os dividendos dos acionistas não controladores não podem ser diminuídos pelo montante do ágio amortizado. A CVM se pronunciou formalmente a esse respeito no OFÍCIO CIRCULAR/CVM/SNC/SEP/Nº 01/2000, em que menciona que a análise quanto à recuperação do valor do ágio deve ser feita também "por ocasião da incorporação da controlada ou da controladora, por companhia aberta. Se, em função dessa análise, for verificado que o ágio pode não ser recuperável, parcial ou totalmente, a companhia deverá constituir provisão no montante do valor que espera não recuperar, devendo essa provisão ser apresentada por dedução da conta em que o ágio foi registrado". Não obstante essa manifestação, tem sido Fl. 58DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 59 59 argüido que a inexistência de uma norma impositiva da CVM, determinando a obrigatoriedade da constituição dessa provisão, poderia suscitar a adoção de procedimentos não homogêneos para um mesmo evento econômico, com reflexos diferenciados no patrimônio e nos resultados das companhias abertas. Em decorrência, o art. 1º da nova Instrução veio preencher essa lacuna ao determinar, em última análise, que o ágio na incorporação da controladora, cujo fundamento tenha sido perspectiva de rentabilidade futura ou mesmo direitos de concessão, seja reconhecido nas demonstrações contábeis da incorporadora apenas pelo montante do benefício fiscal esperado. O referido artigo permite também que, para fins de divulgação, esse benefício fiscal seja classificado, de acordo com a sua natureza e prazo de realização, em conta específica do ativo circulante e do realizável a longo prazo. Essa forma de classificação, como crédito tributário, visa registrar a essência econômica do direito realizável, qual seja, a possibilidade da sua transformação em fluxo positivo de caixa em decorrência da dedutibilidade fiscal. Deve ter, portanto, o tratamento de um Ativo Fiscal Diferido sujeito às regras de reconhecimento e divulgação previstas na Deliberação CVM nº 273/98. Deve ser ressaltado que a adoção obrigatória das disposições contidas no art. 1º somente alcança as incorporações ocorridas a partir da data da publicação da nova Instrução no Diário Oficial da União. Existem, no entanto, algumas companhias que adotaram procedimentos diferentes da presente norma respaldados na Instrução CVM nº 319 e até mesmo no vazio normativo existente antes da edição da referida Instrução. Nessas circunstâncias, é evidente que as disposições contidas no art. 1º não podem ter alcance obrigatório sobre essas companhias. No entanto, objetivando permitir um tratamento uniforme dessa matéria, facilitando a comparação entre as demonstrações contábeis das diversas companhias que adotaram esse modelo de incorporação, especialmente entre aquelas que atuam em um mesmo segmento econômico, o art. 2º veio permitir a essas companhias ajustarem as suas demonstrações contábeis, constituindo a referida provisão sem transitar diretamente pelo resultado do exercício, tendo como contrapartida o saldo da reserva especial de ágio. Essa possibilidade alcança, inclusive, as incorporações ocorridas no exercício findo em 31.12.2000. Neste caso, a Instrução prevê a possibilidade das companhias efetuarem esse ajuste a partir da data do início do exercício social, devendo, no entanto, refazer e apresentar à CVM e às Bolsas novas Informações Trimestrais (ITR) devidamente ajustadas. Foi mencionado que, concluído o processo de incorporação da empresa veículo, o investimento e, conseqüentemente, o ágio permanecem inalterados na controladora original. Dessa forma, tornase necessário que, na avaliação do investimento na Fl. 59DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 60 60 controladora, sejam recompostos os montantes da equivalência patrimonial e do ágio remanescente. Embora a nova Instrução não trate da divulgação de fato relevante, é importante mencionar que, em havendo efeito relevante em decorrência da faculdade prevista no art. 2º, deverão ser observadas as disposições contidas na Instrução CVM nº 31/84. Finalmente, cabe ressaltar que, objetivando possibilitar às companhias abertas optarem pelo ajuste previsto no art. 2º ainda nas suas demonstrações contábeis de 31.12.2000, a CVM, em caráter excepcional, não se utilizou do processo de colocação dessa Instrução em audiência pública. O assunto, no entanto, foi objeto de análise no âmbito da Comissão Consultiva sobre Normas Contábeis – grupo de trabalho criado pela CVM, nos termos da Deliberação CVM nº 161/94, e integrada por representantes da Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais (Abamec), da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) e do Instituto Brasileiro de Contadores (Ibracon).” Veja que eventual distorção econômica na utilização da empresa veículo foi causada pela própria regulação levada a efeito pela Instrução CVM nº 319/99, e não pelo veículo utilizado em si. Esta nova Instrução veio consertar isso, legitimando a uso da empresa veículo do ponto de vista econômico, determinando o tratamento do ágio como sendo um Ativo Fiscal Diferido. E neste ponto, cabe retomar a análise dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97. Todos reconhecem que tais dispositivos vieram regular um beneficio fiscal. Aliás, o artigo 7º da Instrução CVM 319/99, foi explicito neste ponto, vejamos: “Art. 7º O protocolo de incorporação de controladora por companhia aberta controlada poderá prever que, nos casos em que a companhia vier a auferir benefício fiscal, em decorrência da amortização do ágio referido no inciso III do art. 6º desta Instrução, a parcela da reserva especial de ágio na incorporação correspondente a tal benefício poderá ser objeto de capitalização em proveito do acionista controlador.” Mas é importante registrar que a obrigação do registro do ágio na aquisição de participação societária decorre da regra do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/77, ao prescrever que: “art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; Fl. 60DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 61 61 II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I.” O ágio, a rigor, é neutro do ponto de vista fiscal, somente produzindo efeitos nesta órbita quando da alienação ou liquidação do investimento. Antes da Lei nº 9.532 tratar da questão, o ágio na baixa do investimento mediante incorporação, fusão e cisão era considerado uma perda de capital, plenamente dedutível para efeito de imposto de renda, nos termos do artigo 34 do DecretoLei nº 1.598/77: “Art. 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos;” Em razão da incorporação há a liquidação do investimento, representando o ágio uma perda de capital imediata dedutível do IRPJ e da CSLL, como, alias, é a jurisprudência desse E. Conselho (Acórdãos nºs. 10189.158, 10188.018, 10704.213 e 107 05.875). Então, até o advento da Lei nº 9.532/97, quando da liquidação do investimento, a dedutibilidade do ágio decorria de sua própria natureza de perda de capital, que afetava o lucro contábil da empresa, reduzindo, por conseguinte, imediatamente, o lucro tributário. Por sua vez, a Lei nº 9.532/97, deu um tratamento diverso ao ágio reconhecido nos termos do artigo 20 do Decretolei n. 1598/77, e o fez apenas para efeito fiscal. Regulou o aproveitamento do ágio condicionado ao evento absorção do patrimônio e montante ao longo de determinado prazo. Com efeito, a cabeça e o inciso III do artigo 7º da Lei 9532/97, prescrevem o seguinte: “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: ... III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração;” Fl. 61DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 62 62 Assim, este dispositivo previu a amortização do ágio com fundamento em rentabilidade futura apenas para efeitos fiscais, tanto que a norma fala em “balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração”. Em outras palavras, estabeleceu o dispositivo uma nova regra para a utilização do ágio, diferente daquela prevista anteriormente, possibilitando o contribuinte, sob determinada condição (absorver o patrimônio) e por prazo certo, forma de reduzir a base de cálculo do IRPJ mensalmente por, ao menos, 60 meses. No presente caso, o auto de infração e a decisão recorrida suprimiram este benefício fiscal ao criarem condições inexistentes na própria legislação tributária, mais precisamente, no inciso II, do artigo 7º, da Lei nº 9.532/97. Esse dispositivo condicionou a amortização do ágio apenas e tão somente à absorção do patrimônio da investida pela investidora ou viceversa (art. 8º da norma legal), absorção esta que só pode ocorrer mediante incorporação, cisão ou fusão. Vejase que o evento condicionante trazido pela norma não é, em si, a incorporação, fusão ou cisão, mas sim a absorção do patrimônio. E por que a absorção do patrimônio foi determinada como evento condicionante para o contribuinte usufruir o benefício condicional? Simples! Porque com a absorção do patrimônio este ágio simplesmente desaparece, na medida em que há uma confusão do patrimônio de uma empresa com a outra. O artigo 219 da Lei nº 6.404/76, é claro ao dizer que: “extinguese a companhia: I pelo encerramento da liquidação; II pela incorporação ou fusão, e pela cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades.” Veja que o inciso III, do artigo 7º, da Lei nº 9.532/97 abarca apenas as extinções realizadas mediante incorporação, fusão ou cisão, e não abarca a regra do encerramento por liquidação, em que o ágio será considerado perda de capital. No caso dos autos ocorreu este evento, conforme se denota de todos os documentos acostados; a TNL absorveu o patrimônio da empresa 140 PARTICIPAÇÕES, que foi extinta, fazendo desaparecer, pela confusão patrimonial, o ágio existente. Portanto, a condição da regra fiscal foi cumprida, fazendo jus, o contribuinte, a usufruir no prazo determinado (mínimo e máximo estipulado) o beneficio fiscal estabelecido, que não pode ser revogado por uma nova norma legal, e muito menos por ato administrativo, como é o auto de infração. Na verdade, há uma total inversão da questão no caso. Uma coisa é o contribuinte utilizarse de negócios jurídicos para obter vantagens fiscais. Como é sabido, este Conselho vem reiteradamente rechaçando operações, como a denominada “casa e separa”, ou mesmo o “ágio interno”, quando a causa da operação societária é tão somente a criação de uma vantagem fiscal. Outra coisa completamente diversa é quando a legislação tributária cria regra fiscal para regular a utilização pelo contribuinte de determinadas “vantagens fiscais” (dedução Fl. 62DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 63 63 de despesa, amortização, etc.), trazendo e regulando em seu bojo eventos, por exemplo, elementos e situações do direito societário, civil ou comercial. Nas perdas no recebimento de créditos, por exemplo, a legislação fiscal – RIR/99 criou uma série de regras para possibilitar a sua dedução, dispondo que: Art. 340. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º). § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 1º): I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: a) até cinco mil reais, por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b) acima de cinco mil reais, até trinta mil reais, por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c) superior a trinta mil reais, vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; De fato, na maioria dos casos, por questões de mercado, os comerciantes só iniciam uma cobrança administrativa ou judicial da dívida em casos extremos. Tentam, em primeiro plano, todas as formas para cobrar a dívida amigavelmente, como, aliás, faz a própria Receita Federal do Brasil para cobrar seus créditos. Porém, o comportamento de ingressar com medida judicial pode ser alterado em razão de aspectos estritamente fiscais, com o intuito de o contribuinte obter a dedutibilidade da perda com o crédito. Assim, por exemplo, se o contribuinte possui um crédito de R$ 500.000,00, vencido há mais de um ano, pode iniciar o processo judicial por motivos exclusivamente fiscais, isto é, para obter a dedução da perda como despesa. E neste caso, não cabe ao intérprete perquirir se este processo judicial é procedente ou improcedente, razoável ou não razoável, bom ou ruim. A lei fiscal não trouxe esses elementos qualificativos do evento que condiciona a dedutibilidade da perda. Na verdade, neste e noutros casos, a lei fiscal induz o comportamento, ou seja, interfere na própria vontade do contribuinte. A vontade, o impulso que leva a prática da ação é eminentemente fiscal. Realmente, não há qualquer abusividade ou ilicitude no caso de o contribuinte realizar determinado negócio jurídico motivado por vantagens fiscais instituídas Fl. 63DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 64 64 pela legislação. O que é ilícito, por ser abusivo, seria a causa de o negócio jurídico ser a vantagem fiscal. Não há ilícito o fato de a motivação ser fiscal. Este é o ponto fundamental, pois causa e motivo são coisas distintas. A causa é de natureza objetiva, enquanto que o motivo é subjetivo. O motivo constitui a causa impulsiva, a causa, a causa final.7 MOREIRA ALVES, resume bem a questão, quando ensina que: “a causa de um negócio jurídico difere dos motivos que levaram as partes a realizálo. Com efeito, a causa se determina objetivamente (é a função econômicosocial que o direito objetivo atribui a determinado negócio jurídico); já o motivo se apura subjetivamente (diz respeito aos fatos que induzem as partes a realizar o negócio jurídico). No contrato de compra e venda, a causa é a permuta entre a coisa e preço (essa é a função econômicosocial que lhe atribui o direito objetivo; essa é a finalidade prática a que visam, necessária e objetivamente, quaisquer que sejam os vendedores e quaisquer que sejam os compradores); os motivos podem ser infinitos (assim, por exemplo, alguém pode comprar uma coisa para presentear com ela um amigo). (...) A distinção entre causa e motivo é importante porque, em regra, a ordem jurídica não leva em consideração o último.” Assim, a título de síntese, enquanto a causa é a função típica de determinado negócio jurídico, o motivo é a razão metajurídica que levou a pessoa a realização do mesmo, que só influenciará na órbita jurídica se esta motivação for ilícita (art. 166 do CCv.). O problema da reorganização societária “ilícita” do ponto de vista tributário está quando a causa, isto é, a função econômicosocial que o direito objetivo atribui a determinado negócio jurídico, é distorcida para criar, instituir ou estabelecer uma vantagem fiscal. Aliás, a própria decisão recorrida cita casos em que o vício encontrase na causa típica dos negócios jurídicos, como no acórdão 10196.724, que tratou de “ágio fabricado internamente”. Neste caso, a operação societária cria um ágio artificialmente, para assim obter a vantagem fiscal. O vício está na formação do ágio e não no seu aproveitamento posterior, quando da incorporação. Entretanto, é óbvio que o vício do ágio macula o seu próprio aproveitamento. Mas se o ágio é legítimo como no caso em tela, o seu aproveitamento deve seguir a causa típica estipulada no ordenamento para a incorporação de empresas. Se na compra e venda a causa é a permuta entre a coisa e preço, como asseverou Moreira Alves, na incorporação a causa típica é a absorção de uma ou mais sociedades por outra; esta é a função econômicosocial que lhe atribui o direito objetivo, como deixa patente o art. 227 da Lei nº 6.404/76, verbis: “Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações.” 7 cf. W. Barros Monteiro, p29 Fl. 64DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 18471.000999/200529 AAccóórrddããoo n.º 1301000.711 SS11CC33TT11 Fl. 65 65 A absorção do patrimônio de uma empresa por outra é a finalidade prática a que visam, necessária e objetivamente, quaisquer que sejam as empresas incorporadoras e incorporadas, constituindo, esta, por conseguinte, a sua causa típica. E foi exatamente esta causa típica, a pessoa jurídica absorver o patrimônio de outra, estipulada pelo artigo 7º, III, da Lei nº 9.532/97, como condição para o contribuinte usufruir da regra do benefício fiscal oneroso. Neste caso, a lei concede o benefício fiscal, e condiciona o seu aproveitamento, isto é, a vantagem fiscal estipulada em lei, à pessoa jurídica absorver o patrimônio de outra. Tratase de indução da norma fiscal à realização de absorção de patrimônio de empresa por intermédio de incorporação, cisão ou fusão, o que não passou despercebido do Poder Legiferante, que corroborou isso ao vetar o projeto de lei que pretendia revogar a norma isencional em tela, como acima demonstrado. Assim, por tudo que foi dito acima, entendo, sem nenhuma dúvida, não ter ocorrido, quer simulação, quer abuso de direito e/ou planejamento tributário em desacordo com a lei, mas tão somente a prática de conduta abarcada e induzida pelo ordenamento jurídico, por intermédio das regras estipuladas nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, sem qualquer prejuízo para Fazenda Pública que pudesse caracterizar economia ilícita de imposto, pois a escolha de outras soluções legais e direta como a incorporação, produziria idêntica consequência tributária com relação à amortização de ágio feita por intermédio da empresa veículo. Pelo exposto, DOU provimento ao recurso voluntário. Quanto ao recurso de ofício, sua apreciação fica absorvida pelo decidido no recurso voluntário, e por consequência, negolhe provimento. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de outubro de 2011. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Relator. Fl. 65DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 35390.003069/2006-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA O
descumprimento da obrigação contida no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei n.º 8.212/91, enseja a lavratura de auto de infração
com a aplicação das penalidades legais. AUTO DE INFRAÇÃO PENALIDADE FIXA DECADÊNCIA Havendo infração dentro de período não decadente, em nada altera a multa aplicada por se tratar de valor fixo, independente do número de infrações.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.099
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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BETTARELLO CURTIDORA E CALÇADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA O descumprimento da obrigação contida no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei n.º 8.212/91, enseja a lavratura de auto de infração com a aplicação das penalidades legais. AUTO DE INFRAÇÃO PENALIDADE FIXA DECADÊNCIA Havendo infração dentro de período não decadente, em nada altera a multa aplicada por se tratar de valor fixo, independente do número de infrações. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente justificadamente o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei n.º 8.212/91. De acordo com o Relatório Fiscal , a empresa apresentou o Programam de Prevenção dos Riscos Ambientais PPRA e o Programa de Controle Médico da saúde Ocupacional – PCMSO sem as formalidades legais exigidas. Inconformada com a Decisão de fls.77/86 a empresa apresentou recurso onde alega em apertada síntese: Que a presente autuação está intimamente ligada ao desfecho da NFLD 35.502.6201 sendo que todos argumentos e provas suscitados em defesa possuem campo próprio que é a referida notificação. Que as considerações de mérito encontramse alicerçadas em Laudos técnicos com a competente anotação de responsabilidade Técnica – ART, sendo que a DN não enfrentou os argumentos desenvolvidos pela recorrente; Aduz que há um adequado gerenciamento dos riscos ocupacionais, inviabilizando a correspondente contagem de tempo de trabalho para fins de aposentadoria especial e o PPRA elaborado pela recorrente atende todas as exigências sendo exageradas as insinuações fiscais; Reafirma que os agentes químicos não extrapolam os limites de tolerância quanto à correspondente exposição de seus empregados, sendo inadequada a presente autuação. Sustenta que as conclusões fiscais relativas ao PCMSO elaborado pela recorrente, são frágeis e não foram saneadas pela decisão de primeira instância. Alega que a decisão recorrida é nula por nítido cerceamento de defesa, decorrente de uma instrução processual administrativa que inviabilizou ao contribuinte a realização de prova pericial postulada oportuna, adequada e justificadamente, sem apresentar a DN, por seu turno, uma fundamentada justificativa para tal indeferimento; Requer o conhecimento do recurso para que seja declarada nula a presente autuação. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35390.003069/200627 Acórdão n.º 240102.099 S2C4T1 Fl. 118 3 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Como bem alegado pela recorrente, o deslinde da presente autuação está intimamente ligado ao desfecho da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito correlata, pelo que, em face do julgamento do processo principal ocorrido em julho de 2011, transcrevemos a decisão proferida através do Acórdão 230201.226 da 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento do CARF, conforme abaixo: Processo nº 35390.003070/200651 Recurso nº 251.255 Voluntário Acórdão nº 230201.226 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de julho de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NFLD Recorrente H. BETTARELLO CURTIDORA E CALÇADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/10/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontrase atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendolhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. ADICIONAL DE SAT. APOSENTADORIA ESPECIAL. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 O benefício da aposentadoria especial será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212/91, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. ADICIONAL DE SAT. DOCUMENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. Nos procedimentos fiscais em que for constatada a falta do PPRA, PGR, PCMAT, PCMSO, LTCAT ou PPP, quando exigíveis ou a incompatibilidade entre esses documentos, o AFPS fará, sem prejuízo das autuações cabíveis, o lançamento arbitrado da contribuição adicional, com fundamento legal previsto no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA PROVA. CRITERIO DA LIVRE CONVICÇÃO. A autoridade julgadora tem liberdade para apreciar livremente as provas produzidas nos autos e emitir sua decisão em conformidade com a sua íntima convicção, ressalvados as hipóteses irradiadoras de efeitos vinculantes previstas na Lei Maior e em leis específicas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, e, na parte conhecida, por maioria de votos, em concederlhe provimento parcial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Vera Kempers de Moraes Abreu que entenderam aplicarse o art. 150, paragrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente, não houve divergência. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa, Vera Kempers de Moraes Abreu e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Wilson Antonio de Souza Correa. Relatório Período de apuração: 01/04/1999 a 31/10/2003 Data da lavratura da NFLD: 29/06/2005. Data da Ciência do NFLD : 04/07/2005. “Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao financiamento do benefício da aposentadoria especial previsto no caput do artigo 57 da Lei 8.213/91, na redação dada pela Lei 9.528/97, incidentes sobre a remuneração dos segurados sujeitos a condições especiais que prejudicam a saúde ou a integridade física e ensejam a concessão de aposentadoria especial, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 76/79 e anexos. Os estabelecimentos, agentes nocivos presentes no ambiente de trabalho, segurados sujeitos a condições especiais e respectivas remunerações encontramse detalhadamente descritos no anexo intitulado "CARACTERIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES ESPECIAIS DE TRABALHO — CCET”, a fls. 80/122, no "RELATÓRIO DOS TRABALHADORES SUJEITOS A CONDIÇÕES ESPECIAIS”, a fls. 123/150 e no "RELATÓRIO ANALÍTICO DOS FATOS GERADORES", a fls. 151/566. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35390.003069/200627 Acórdão n.º 240102.099 S2C4T1 Fl. 119 5 Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 1502/1526. A Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária em Ribeirão Preto/SP baixou o feito em diligência, para que fossem esclarecidos pontos específicos no lançamento, conforme Despacho a fl. 1533. Relatório Fiscal complementar a fls. 1534/1581. Promovida a ciência ao sujeito passivo, este se manifestou a fls. 1593/1594. O feito foi baixado mais uma vez em diligências, conforme despacho a fl.1605. Informação Fiscal a fls. 1687/1688. Promovida a ciência ao sujeito passivo, este se manifestou a fls. 1693/1694. A Delegacia da Receita Previdenciária de Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Notificação as fls. 1700/1729 julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 06/11/2006, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1730. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 1733/1764, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que os seus empregados não estão sujeitos a riscos ocupacionais no ambiente de trabalho a ponto de fazerem jus à concessão de aposentadorias especiais; • Que a decisão recorrida é nula por nítido cerceamento de defesa, decorrente de uma instrução processual administrativa que inviabilizou ao contribuinte a realização de prova pericial postulada oportuna, adequada e justificadamente, sem apresentar a DN, por seu turno, uma fundamentada justificativa para tal indeferimento; • Que a presente NFLD não atende aos primados da eficiência (esperar que o beneficiário / segurado se movimente, provocando o INSS, ao invés deste, ex officio, promover os atos administrativos de sua responsabilidade) e da moralidade (cobrar, de forma contundente e com acréscimos legais exorbitantes, contribuições para o custeio de determinado benefício, que, sequer se preocupa em disponibilizar como contrapartida legítima, aos seus correspondentes beneficiários, ou seja, mantendo em seus cofres valores arrecadados sem lhes dar a destinação que, em tese, legitimaria tal arrecadação),e que, portanto, deve ser aniquilada e extirpada do mundo jurídico; • Que as orientações aviadas na Circular MF/SRP 1002, de 20 de outubro de 2005 não foram consideradas na decisão recorrida; • Que promove um eficaz, diligente e contínuo gerenciamento dos riscos ocupacionais, que neutraliza ou elimina a exposição dos empregados aos agentes agressivos à saúde. Assim, não enseja o beneficio da aposentadoria especial e consequentemente fica desobrigado do pagamento da alíquota adicional para custear este beneficio; • Que o fisco previdenciário valeuse de arbitramento para fins de impor a obrigatoriedade ao contribuinte de suportar os acréscimos de SAT, sem a verificação efetiva e técnica do correspondente ambiente de trabalho, ou seja, valendose o fisco apenas, para concluir que o segurado empregado teria direito à aposentadoria especial, da regularidade formal de documentos, atitude esta em flagrante desprestigio à primazia Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 da realidade, caracterizada, justamente, pelo gerenciamento fático dos riscos ocupacionais, observado o específico ambiente de trabalho; • Que o inadequado preenchimento, ao menos do LTCAT, sujeita o contribuinte à imposição de multa, não se caracterizando como fator hábil à validação de arbitramentos; • Que o indeferimento de prova pericial configurouse cerceamento de defesa; • Que há precedente da 4ª CaJ do CRPS no sentido da tese defendida pelo Recorrente. Ao fim, requer o reconhecimento da nulidade da NFLD, pela precariedade de sua constituição. Contrarrazões pelo Órgão Fazendário a fls. 1768/1793. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 06/11/2006. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 05/12/2006, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Pondera o Recorrente que a presente NFLD não atende aos primados da eficiência (esperar que o beneficiário / segurado se movimente, provocando o INSS, ao invés deste, de ofício, promover os atos administrativos de sua responsabilidade) e da moralidade (cobrar, de forma contundente e com acréscimos legais exorbitantes, contribuições para o custeio de determinado benefício, que, sequer se preocupa em disponibilizar como contrapartida legítima, aos seus correspondentes beneficiários, ou seja, mantendo em seus cofres valores arrecadados sem lhes dar a destinação que, em tese, legitimaria tal arrecadação),e que, portanto, deve ser aniquilada e extirpada do mundo jurídico; Argumenta também que as orientações aviadas na Circular MF/SRP 1002, de 20 de outubro de 2005, não foram consideradas na decisão recorrida. Tais alegações, no entanto, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não integram o litígio em julgamento. O Recorrente aproveitou a oportunidade concedida pela lei para se manifestar nos autos para deduzir extenso arrazoado sobre o que entende sobre a eficiência e moralidade da autarquia previdenciária no que tange às fontes de custeio da Seguridade Social e a concessão de benefícios, matéria essa totalmente alheia à motivação e aos fundamentos que esteiam a presente Notificação Fiscal. Tece igualmente considerações acerca de uma suposta circular interna, versando sobre procedimentos de fiscalização a serem observados na apuração do adicional de SAT, a qual teria sido editada em 20/10/2005 pelo Ministério da Fazenda e pela Secretaria da Receita Previdenciária, sob a égide da MP nº 258, de 21/07/2005, ou seja, quase 04 meses após a lavratura da vertente notificação fiscal, e cujas disposições não teriam sido observadas pelo órgão julgador de entrância. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35390.003069/200627 Acórdão n.º 240102.099 S2C4T1 Fl. 120 7 Ora, as circulares internas de procedimentos de fiscalização são dirigidas aos agentes fiscais, não aos órgãos julgadores. Além disso, à data em que a indigitada circular foi editada, a ação fiscal já havia sido concluída há quase 04 meses, não havendo como os agentes fiscais observarem suas disposições. Além disso, as circulares internas de procedimentos não possuem caráter normativo “erga omnes”. São editadas em caráter “interna corporis” e dirigidas a um público certo e determinado de servidores, não criando direitos nem impondo obrigações aos contribuintes, de modo que uma eventual não observância de qualquer de suas disposições não irradia efeitos extra muros. No rito do Processo Administrativo Fiscal, a fase litigiosa do procedimento é instaurada mediante o oferecimento tempestivo de Impugnação à exigência fiscal, cujo instrumento de bloqueio deve mencionar, no mérito, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta bem como os pontos de discordância. Nessa perspectiva, para que se instaure o litígio, é imperioso o confrontamento de posições entre o fisco e o sujeito passivo, sendo, por tal motivo, consideradas como não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante. Também não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento, como se consubstanciam, exatamente, as alegações deduzidas pelo Recorrente nos parágrafos preambulares deste item 1.2. Por tais motivos, esquivamonos de conhecer das questões aventadas nos dois primeiros parágrafos deste tópico, eis que, em seu louvor, não se instaurou qualquer controvérsia no presente processo a ser dirimida por este Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO 2.1. DA DECADÊNCIA Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, “ex officio”, a questão relativa à fluência do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário objeto do vertente processo. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “ São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103 A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato” in concreto” à norma de regência revela que, ao caso “sub examine”, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o lançamento realizado em 29 de junho de 2005, este apenas alcançaria os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/1999, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, encontramse atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 1999, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. 2.2. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Alega o Recorrente ser nula a decisão recorrida em razão do cerceamento de defesa decorrente de uma instrução processual administrativa que inviabilizou ao contribuinte a realização de prova pericial postulada oportuna, adequada e justificadamente, sem apresentar a DN, por seu turno, uma fundamentada justificativa a tal indeferimento. Razão não lhe assiste. Cumpre de plano ressaltar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que a perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de prova pericial revelasse apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por meios, nos documentos acostados aos autos. Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de situações fáticas, cujo teor já é do conhecimento do auditor fiscal no momento da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da autoridade julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Por óbvio que nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 11 da Portaria MPS nº 520/2004, c.c. art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35390.003069/200627 Acórdão n.º 240102.099 S2C4T1 Fl. 121 9 Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004. Art. 11. A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva Decisão Notificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. (grifos nossos) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. §2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) No caso vertente, o postulante pleiteou a realização de perícia para análise das informações contidas nos PPRA e PCMO e para inspeção do ambiente de trabalho. Quanto à análise das informações contidas nos PPRA e PCMO, o pedido foi indeferido ao fundamento de que o entendimento da fiscalização já estaria exposto no anexo intitulado “Caracterização das Condições Especiais de Trabalho — CCET”, sendo assim desnecessária a produção de perícia. No que tange à perícia do ambiente de trabalho, o pedido foi indeferido por entender o julgador “a quo” que a perícia só teria o condão de averiguar as condições do gerenciamento do ambiente de trabalho relativo ao ano de 2006, mas não o ambiente que imperava nas competências objeto do lançamento – abril/1999 a outubro/2003. Assentado que o Processo Administrativo Fiscal é permeado pelo Principio da Livre Convicção da autoridade julgadora, não detém este Colegiado competência para sindicar as razões de conveniência e oportunidade de conduziram a autoridade de 1ª instância a considerar prescindível a realização da perícia requerida pelo contribuinte. Não se mostra dispiciendo relembrar que a legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrasse na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Previdência Social, a disciplina do rito processual em tela restou a cargo da Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004, cujo art. 9º assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004. Art. 9 A impugnação mencionará: I – a autoridade julgadora a quem é dirigida; II – a qualificação do impugnante; III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 IV – as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. §1° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos §2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. §3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. §4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contrarrazões, se houver recurso. §5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. §6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. (grifos nossos) §7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. §8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. Avulta, nesse panorama jurídico, que as provas documentais têm que ser produzidas em juízo de impugnação. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, estas têm que, necessariamente, ser colacionadas na peça de defesa, sob pena de preclusão, somente sendo permitido a sua apresentação em momento outro – futuro – caso restem caracterizadas as hipóteses autorizadoras excepcionais previstas no §1º do art. 9º da Portaria MPS nº 520/2003, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais presumirseão verdadeiras. 3.1. DOS FATOS GERADORES. Alega o Recorrente que os seus empregados não estão sujeitos a riscos ocupacionais no ambiente de trabalho a ponto de fazerem jus à concessão de aposentadorias especiais. Aduz que promove um eficaz, diligente e contínuo gerenciamento dos riscos ocupacionais, que neutraliza ou elimina a exposição dos empregados aos agentes agressivos à saúde. Assim, não enseja o beneficio da aposentadoria especial e consequentemente fica desobrigado do pagamento da alíquota adicional para custear este beneficio; Não foi essa a realidade verificada pela fiscalização. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35390.003069/200627 Acórdão n.º 240102.099 S2C4T1 Fl. 122 11 A ação fiscal que culminou na lavratura da vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi deflagrada ao intuito de se verificar se a empresa recorrente promovia o gerenciamento efetivo e adequado do ambiente de trabalho, mediante a neutralização, eliminação e controle dos agentes nocivos à saúde e à integridade física dos seus trabalhadores. Após cerca de 02 meses de trabalho, concluiu a fiscalização que tal gerenciamento revelasse deficiente, conforme detalhadamente reportado no relatório intitulado “CARACTERIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES ESPECIAIS DE TRABALHO”, a fls. 80/122, cujas conclusões rogamos vênia para transcrever em sua íntegra. “5) Por todo o exposto, concluise que a empresa não pôde comprovar que gerência adequadamente os riscos ocupacionais existentes em seu estabelecimento (Matriz/Franca), de modo a assegurar que os trabalhadores não se expõem a agentes nocivos capazes de comprometer sua saúde ou integridade física, tendo em vista que: • Não avalia adequadamente a exposição dos trabalhadores ao agente nocivo RUIDO, por não controlar Níveis e Tempo de Exposição, na forma estabelecida pela NR15 do MTE; • Não avaliou nenhuma vez, no período fiscalizado (quatro anos e meio), os agentes químicos existentes no processo produtivo; • Apesar de os PPRAs informarem que a empresa fornece EPI, não existe no âmbito do programa o estabelecimento de normas ou procedimento para promover o fornecimento, o uso, a guarda, a higienização, a conservação, a manutenção e a reposição do EPI, visando a garantir as condições de proteção originalmente estabelecidas, bem como, não há o estabelecimento de critérios e mecanismos de avaliação da eficácia das medidas de proteção implantadas, conforme determinado na NR9 do MTE. • Os Relatórios Anuais do PCMSO indicam que os monitoramentos biológicos não estão sendo realizados na periodicidade exigida pela NR7 em seu item 7.4.2.1.; • Há diversas informações nas atas de reunião da CIPA — Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, nas quais se pode constatar o não uso e/ou a falta de cuidado com o uso de EPIs; • Não registra e informa, mediante Comunicação de Acidente de Trabalho, todos os acidentes ocorridos com seus empregados”. Em relação às filiais, relatou de forma conclusiva a fiscalização. “Ad litteris et verbis”: 6) Por todo o exposto, concluise que a empresa não pôde comprovar que gerência adequadamente os riscos ocupacionais existentes em seu estabelecimento (Filial/Aracati), de modo a assegurar que os trabalhadores não se expõem a agentes nocivos capazes de comprometer sua saúde ou integridade física, tendo em vista que: • Não avaliou nenhuma vez, no período fiscalizado (dois anos e meio), os agentes químicos existentes no processo produtivo; • Apesar de os PPRAs informarem que a empresa fornece EPI, não existe no âmbito do programa o estabelecimento de normas ou procedimento para promover o fornecimento, o uso, a guarda, a higienização, a conservação, a manutenção e a reposição do EPI, visando a garantir a condições de proteção originalmente estabelecidas, bem como, não há o estabelecimento de critérios e mecanismos de avaliação da eficácia das medidas de proteção implantadas, conforme determinado na NR9 do MTE; • Os Relatórios Anuais do PCMSO dos anos de 2002 e 2003 foram elaborados em desacordo com o item 7.4.6.1 da NR 7, pois não descrevem a natureza dos exames realizados; • Não foi apresentado o Relatório Anual de Exames Médicos do ano de 2001; • Há diversas informações nas atas de reunião da CIPA — Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, nas quais se pode constatar o não uso e/ou a falta de cuidado com o uso de EPIs. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 • Não registra e informa, mediante Comunicação de Acidente de Trabalho, todos os acidentes ocorridos com seus empregados. No capitulo reservado à seguridade social, nossa Lei Soberana estatui que tal direito social será financiado por toda a sociedade, mediante recursos provenientes, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo do empregador, da empresa e das entidades a elas equiparadas, incidentes sobre a afolha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Estabelece ainda que nenhum benefício ou serviço da seguridade social pode ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total e confere à lei a competência para instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social. Na seção dedicada à Previdência Social, a Carta Constitucional preordenou como direito social previdenciário a cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada, assim como a aposentadoria especial para os casos de atividades exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador, dentre outros benefícios. Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II – do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. §5º Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total. Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I – cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) § 1º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos beneficiários do regime geral de previdência social, ressalvados os casos de atividades exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade Fl. 12DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35390.003069/200627 Acórdão n.º 240102.099 S2C4T1 Fl. 123 13 física e quando se tratar de segurados portadores de deficiência, nos termos definidos em lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005) (...) A matéria em relevo foi confiada à Lei nº 8.213/91, que instituiu o Plano de Benefícios da Previdência Social, reservando aos seus artigos 57 e 58 a disciplina legal do benefício da aposentadoria especial em favor do segurado que houver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, e, em ádito, a sua fonte de custeio, “verbis”: Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) §1º A aposentadoria especial, observado o disposto no art. 33 desta Lei, consistirá numa renda mensal equivalente a 100% (cem por cento) do salário de benefício. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) §2º A data de início do benefício será fixada da mesma forma que a da aposentadoria por idade, conforme o disposto no art. 49. §3º A concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação pelo segurado, perante o Instituto Nacional do Seguro Social–INSS, do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) §4º O segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, exposição aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, pelo período equivalente ao exigido para a concessão do benefício. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) §5º O tempo de trabalho exercido sob condições especiais que sejam ou venham a ser consideradas prejudiciais à saúde ou à integridade física será somado, após a respectiva conversão ao tempo de trabalho exercido em atividade comum, segundo critérios estabelecidos pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, para efeito de concessão de qualquer benefício. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995) §6º O benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) (grifos nossos) §7º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais referidas no caput. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) (grifos nossos) §8º Aplicase o disposto no art. 46 ao segurado aposentado nos termos deste artigo que continuar no exercício de atividade ou operação que o sujeite aos agentes nocivos constantes da relação referida no art. 58 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) Fl. 13DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) §1º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) §2º Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) §3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) §4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento.(Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997). Normatizando o preceito insculpido nos §§ 6º e 7º do art. 57 da Lei nº 8.213/91, visando a garantir, preventivamente, a preservação da saúde e da integridade física dos trabalhadores, validar as informações do banco de dados do CNIS, evitar a concessão de benefícios indevidos e a garantir o custeio dos benefícios devidos a Instrução Normativa INSS/DC 100/2003 resenhou uma série de procedimentos a serem observados pela fiscalização objetivando o eficaz e correto recolhimento da contribuição adicional destinada ao custeio da aposentadoria especial. Considerase risco ocupacional a probabilidade de consumação de danos à saúde ou à integridade física do trabalhador, em decorrência de sua exposição a fatores de riscos no ambiente de trabalho. Dentre os fatores de riscos ocupacionais, no entanto, apenas são considerados para efeito de cobrança das alíquotas adicionais constantes do §6º do artigo 57 da Lei nº 8.213/91 os fatores de riscos ambientais, tão somente, assim entendidos aqueles decorrentes da exposição a agentes químicos, físicos ou biológicos ou à associação desses agentes, nos termos da Norma Regulamentadora nº 09 (NR09) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A remuneração decorrente de trabalho exercido em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador, com exposição a agentes nocivos de modo permanente, não ocasional nem intermitente, configurase o fato gerador da contribuição social previdenciária adicional para custeio da aposentadoria especial, a qual será devida pela empresa em relação à remuneração paga, devida ou creditada ao segurado empregado, trabalhador avulso ou cooperado sujeito a condições especiais. Registrese que tal contribuição será devida na hipótese de as demonstrações ambientais da empresa – PPRA, PGR, PCMAT, PCMSO, LTCAT, PPP e CAT atestarem a ocorrência das condições especiais de trabalho que gerem direito à aposentadoria especial. Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos montantes acima referidos não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego da aferição indireta. No caso específico sobre o qual ora nos debruçamos, a contribuição adicional para o custeio da aposentadoria especial somente seria exigida das empresas cujos trabalhadores estivessem sujeitos de modo permanente a fatores de riscos ambientais ensejadores do direito ao benefício previdenciário em realce. A existência de tais condições maléficas, no arquétipo jurídico estruturado pela legislação previdenciária, seria comprovada a partir das demonstrações ambientais da empresa previstas no art. 404 da IN INSS/DC nº 100/2003. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35390.003069/200627 Acórdão n.º 240102.099 S2C4T1 Fl. 124 15 É de extrema relevância salientar que a fiel elaboração da GFIP e das demonstrações ambientais de que trata o art. 404 da IN INSS/DC nº 100/2003 constituemse obrigações acessórias relativas à contribuição do adicional de SAT referida no art. 57. §6º da Lei nº 8.213/91, nos termos do inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, do art. 22 e dos §§ 1º e 4º do art. 58 da Lei nº 8.213/91 e dos §§ 2º, 6º e 7º dos artigos 68 e 336 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Nesse contexto, a deficiência na elaboração das citadas demonstrações ambientais, da estatura das que foram verificadas pela Autoridade Fiscal, frustram os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de informação. Diante desse quadro, a deficiência na elaboração das citadas demonstrações ambientais figura como motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado no parágrafo 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, como assim reportou a fiscalização em relação à Matriz e às filiais, respectivamente: 6) Tendo em vista, portanto, que os documentos apresentados são insuficientes para demonstrar um adequado gerenciamento dos riscos ocupacionais presentes no ambiente de trabalho, a informação prestada em GFIP de que os trabalhadores não estão expostos a agentes nocivos não pode ser validada. Assim, nos termos do art. 33, §3° da Lei n2 8212, de 1991, combinado com o art. 233 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e artigo 410 da Instrução Normativa INSS/DC 100 de 18/12/2003 (DOU 24/12/2003) foi efetuado o lançamento arbitrado da contribuição adicional para o financiamento da Aposentadoria Especial, atribuindose as alíquotas de 2% (dois por cento) para o período de 04/99 a 08/99, 4% (quatro por cento) para as competências 09/99 a 02/00 e 6% (seis por cento) para o período de 03/00 a 10/2003, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados presumidamente expostos a agentes nocivos. 7) Tendo em vista, portanto, que os documentos apresentados são insuficientes para demonstrar um adequado gerenciamento dos riscos ocupacionais presentes no ambiente de trabalho, a informação prestada em GFIP de que os trabalhadores não estão expostos a agentes nocivos não pode ser validada. Assim, nos termos do art. 33, §3° da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 233 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e artigo 410 da Instrução Normativa INSS/DC 100, de 18/12 12003, (DOU 24/12/2003), foi efetuado o lançamento arbitrado da contribuição adicional para o financiamento da Aposentadoria Especial, atribuindose a alíquota de 6% (seis por cento), incidente sobre a remuneração dos segurados empregados presumidamente expostos a agentes nocivos, abrangendo o período de 06/2001 a 10/2003. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS e o Departamento da Receita Federal – DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) Fl. 15DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Outro não é o Direito positivado no art. 410 da IN INSS/DC nº 100/2003: Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003 Art. 410. Em procedimento fiscal que for constatada a falta do PPRA, PGR, PCMAT, PCMSO, LTCAT ou PPP, quando exigíveis ou a incompatibilidade entre esses documentos, o AFPS fará, sem prejuízo das autuações cabíveis, o lançamento arbitrado da contribuição adicional, com fundamento legal previsto no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 233 do RPS, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Tivesse a empresa cumprido, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação, os eventuais fatos geradores da contribuição adicional ora em relevo teriam sido apurados diretamente a partir das demonstrações ambientais descritas no art. 404 da IN INSS/DC nº 100/2003. Mas assim não ocorreu. A não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma miríade de outros documentos para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. Conforme evidenciado, razão não assiste ao Recorrente ao asseverar que o inadequado preenchimento, ao menos do LTCAT, sujeitaria o contribuinte, somente, à imposição de multa, e que não se caracterizaria como fator hábil à validação de arbitramentos. Restou demonstrado que a deficiência na elaboração de tais documentos configurouse motivo justo, bastante e suficiente para a apuração da base de cálculo do adicional de SAT por aferição indireta, com fundamento jurídico no §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 410 da IN INSS/DC nº 100/2003. Diante de tal panorama, avulta pueril a alegação de que o fisco previdenciário valeuse de arbitramento para fins de impor a obrigatoriedade ao contribuinte de suportar os acréscimos de SAT, sem a verificação efetiva e técnica do correspondente ambiente de trabalho. A legislação previdenciária determina que a contribuição adicional em debate será devida pelo empregador na hipótese de as demonstrações ambientais acima mencionadas atestarem a ocorrência das condições especiais de trabalho que gerem direito à aposentadoria especial. De acordo com o já salientado, a fiel elaboração de tais documentos não se constitui uma mera faculdade da empresa, mas, sim, uma obrigação acessória de curial observância, eis que foram instituídas no interesse da arrecadação ou da fiscalização do tributo em tela, em conformidade com os artigos 96, 100, 113 e 115 do CTN. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 404. A existência ou não de riscos ambientais em níveis ou concentrações que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador será comprovada mediante a apresentação das seguintes demonstrações ambientais, entre outras, que deverão respaldar as informações prestadas em GFIP: (grifos nossos) I – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), que visa à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, por meio da antecipação, do reconhecimento, da avaliação e do consequente controle da ocorrência de riscos ambientais, sendo sua abrangência e profundidade dependentes das características dos riscos e das necessidades de controle, devendo ser elaborado e implementado pela empresa, por estabelecimento, nos termos da NR09, do MTE; II – Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que é obrigatório para as atividades relacionadas à mineração e substitui o PPRA para essas atividades, devendo ser elaborado e implementado pela empresa ou pelo permissionário de lavra garimpeira, nos termos da NR22, do MTE; III – Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT), que é obrigatório para estabelecimentos que desenvolvam atividades relacionadas à indústria da construção, identificados no grupo 45 da tabela de Códigos Fl. 16DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35390.003069/200627 Acórdão n.º 240102.099 S2C4T1 Fl. 125 17 Nacionais de Atividades Econômicas (CNAE), com vinte trabalhadores ou mais por estabelecimento ou obra, e visa a implementar medidas de controle e sistemas preventivos de segurança nos processos, nas condições e no meio ambiente de trabalho, nos termos da NR18, substituindo o PPRA quando contemplar todas as exigências contidas na NR09, ambas do MTE; IV – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), que deverá ser elaborado e implementado pela empresa ou pelo estabelecimento, a partir do PPRA, PGR e PCMAT, com o caráter de promover a prevenção, o rastreamento e o diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho, inclusive aqueles de natureza subclínica, além da constatação da existência de casos de doenças profissionais ou de danos irreversíveis à saúde dos trabalhadores, nos termos da NR07, do MTE; V – Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT), que é a declaração pericial emitida para evidenciação técnica das condições ambientais do trabalho; VI Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), que é o documento histórico laboral individual do trabalhador, segundo modelo instituído pelo INSS, conforme modelo anexo à Instrução Normativa que estabelece critérios a serem adotados pelas áreas da Receita Previdenciária e de Benefícios; VII Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT), que é o documento que registra o acidente do trabalho, a ocorrência ou o agravamento de doença ocupacional, mesmo que não tenha sido determinado o afastamento do trabalho, conforme previsto nos arts. 19 a 23 da Lei nº 8.213, de 1991, e nas NR7 e NR15, ambas do MTE, sendo seu registro fundamental para a geração de análises estatísticas que determinam a morbidade e mortalidade nas empresas e para a adoção das medidas preventivas e repressivas cabíveis. §1º Revogado. §2º Os documentos dispostos nos incisos II e III do caput deverão ter Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), devidamente registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA). §3º As entidades e órgãos da Administração Pública direta, as autarquias e as fundações de direito público, inclusive os órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário, que não possuam trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estão desobrigados da apresentação dos documentos previstos nos incisos I a IV do caput, nos termos do subitem 1.1 da NR01, do MTE. §4º A empresa contratante de serviços de terceiros intramuros deverá informar à contratada os riscos ambientais relacionados à atividade que desempenha e auxiliála na elaboração e na implementação dos documentos a que estiver obrigada, dentre os previstos nos incisos I a V do caput, os quais terão de guardar consistência com os seus respectivos documentos, ficando a contratante responsável, em última instância, pelo fiel cumprimento desses programas, recebendo e validando os relatórios anuais do documento previsto no inciso IV do caput, da contratada, bem como implementando medidas de controle ambiental, indicadas para os trabalhadores contratados, nos termos do subitem 7.1.3 da NR07, do subitem 9.6.1 da NR09, do subitem 18.3.1.1 da NR18, dos subitens 22.3.4, alínea “c” e 22.3.5 da NR22, todas do MTE. §5º A empresa contratada para prestação de serviços intramuros deverá acrescentar, nos documentos referidos no § 4º deste artigo, informações relativas aos riscos intrínsecos às atividades que desenvolve. §6º A empresa contratante de serviços de terceiros intramuros deverá apresentar os documentos a que estiver obrigada, dentre os previstos nos incisos I a V do caput, relativos à empresa contratada, para elisão da solidariedade ou comprovação da não obrigatoriedade do acréscimo da retenção, relativas à contribuição adicional prevista no § Fl. 17DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 6º do art. 57 da Lei nº 8.213, de 1991, nos termos do inciso VI do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991 e art. 6º da Lei nº 10.666, de 2003. §7º Para restituição do acréscimo da retenção, previsto no art. 6º da Lei nº 10.666, de 2003, a empresa contratada deverá anexar ao requerimento os documentos a que estiver obrigada, dentre os previstos nos incisos I a V do caput. §8º Entendemse por serviços de terceiros intramuros todas as atividades desenvolvidas por trabalhadores contratados mediante cessão de mão de obra, empreitada, trabalho temporário ou por intermédio de cooperativa de trabalho, para prestarem serviços no estabelecimento da contratante. Art. 405. A remuneração decorrente de trabalho exercido em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, com exposição a agentes nocivos de modo permanente, não ocasional nem intermitente, conforme previsto no art. 57 da Lei nº 8.213, de 1991, é fato gerador de contribuição social previdenciária adicional para custeio da aposentadoria especial, conforme disposto na Instrução Normativa que estabelece critérios a serem adotados pelas áreas da Receita Previdenciária e de Benefícios. Parágrafo único. A GFIP e as demonstrações ambientais de que trata o art. 404 constituem se em obrigações acessórias relativas à contribuição referida no caput, nos termos do inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 22 e dos §§ 1º e 4º do art. 58 da Lei nº 8.213, de 1991 e dos §§ 2º, 6º e 7º do art. 68 e do art. 336 do RPS. (grifos nossos) Art. 406. A contribuição adicional de que trata o art. 405, é devida pela empresa ou equiparada em relação à remuneração paga, devida ou creditada ao segurado empregado, trabalhador avulso ou cooperado sujeito a condições especiais, conforme previsto no § 6º do art. 57 da Lei nº 8.213, de 1991, e nos §§ 1º e 2º do art. 1º da Lei nº 10.666, de 2003. §1º A contribuição adicional referida no caput será calculada mediante a aplicação das alíquotas previstas no § 2º do art. 93, de acordo com a atividade exercida pelo trabalhador e o tempo exigido para a aposentadoria, observado o disposto nos §§ 3º a 5º do art. 93. §2º A contribuição adicional de que trata este artigo será devida na hipótese de as demonstrações ambientais, previstas no art. 404, atestarem a ocorrência das condições especiais de trabalho que gerem direito à aposentadoria especial. (grifos nossos) Nesse cenário, a fonte matriz para a sindicância das condições ambientais do trabalho concentrase nas demonstrações ambientais em relevo, de acordo com as tintas que imprimem o “caput” do art. 404 da IN INSS/DC nº 100/2003, e não em perícias ou diligências a serem realizadas nas dependências da empresa, como assim sugere e pugna o Recorrente. Por derradeiro, revelase auspicioso iluminar que o sistema jurídico brasileiro adotou o critério do livre convencimento, tendo a autoridade julgadora liberdade para apreciar livremente as provas produzidas nos autos e emitir sua decisão em conformidade com a sua intima convicção, ressalvados os casos previstos na Lei Maior e em leis específicas que irradiem efeitos vinculantes, dentre os quais, por certo, não se inclui qualquer precedente exarado pela 4ª CaJ do CRPS, nem mesmo de outra Turma deste Egrégio Conselho. Decreto nº 70.235/72 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídos todos os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos na competência novembro de 1999 e nas competências anteriores a esta, bem como aqueles referentes ao 13º salário desse mesmo ano. É como voto. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35390.003069/200627 Acórdão n.º 240102.099 S2C4T1 Fl. 126 19 Arlindo da Costa e Silva” Entendo como importante a transcrição integral do Acórdão que julgou a Notificação Fiscal diretamente ligada à presente autuação, tendo em vista que tanto naquele processo quanto no ora analisado, são levantadas praticamente as mesmas razões recursais no que se refere a correta elaboração de PPRA e PCMSO. O recurso apresentado pela empresa basicamente se insurge alegando a correta elaboração dos programas de prevenção. Conforme se verifica no julgado acima colacionado, tais temas foram exaustivamente debatidos, tendo sido mantido o lançamento em relação à estes fatos geradores. Como a obrigação principal fora mantida pela 3ª Câmara, consequentemente a obrigação acessória deve ter o mesmo destino em face ao descumprimento da obrigação acessória contida no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei 8212/91, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(grifo nosso) Embora a NFLD correlata tenha sido julgada parcialmente procedente em face de período decadente, na presente autuação este fato em nada altera o valor da multa vez que esta independe do número de competências abrangidas, pois, há período fora do prazo decadencial e a multa é fixa para estes tipos de infrações. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a autuação. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 19DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 Fl. 20DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 19515.002149/2006-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES.
Excluem-se da tributação os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
EXCLUSÃO.
A presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não alcança valores cuja origem tenha sido comprovada, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010)
RO Negado e RV provido em parte.
Numero da decisão: 2102-001.465
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR
provimento ao recurso de ofício e em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para reduzir o valor da omissão de rendimentos da infração de depósitos bancários com origem não comprovada para R$ 1.847.376,94. Vencida a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que dava provimento em maior extensão para também considerar como de origem comprovada o lucro distribuído no importe de R$ 202.383,00, que constou na declaração de ajuste anual do
contribuinte.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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EXCLUSÕES. Excluemse da tributação os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. A presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não alcança valores cuja origem tenha sido comprovada, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) RO Negado e RV provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício e em DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para reduzir o valor da omissão de rendimentos da infração de depósitos bancários com origem não comprovada para R$ 1.847.376,94. Vencida a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que dava provimento em maior extensão para também considerar como de origem comprovada Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002149/200655 Acórdão n.º 210201.465 S2C1T2 Fl. 434 2 o lucro distribuído no importe de R$ 202.383,00, que constou na declaração de ajuste anual do contribuinte. Fez sustentação oral a Dra. Maria Andréia Ferreira dos Santos Santos, OAB SP 154.065, patrona do fiscalizado. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 08/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra ARI TEIXEIRA DE OLIVEIRA ARIZA foi lavrado Auto de Infração, fls. 116/120, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2002, exercício 2003, no valor total de R$ 3.544.958,84, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 29/09/2006. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 113/115, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 126/147, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento, para excluir da base de cálculo do imposto a quantia de R$ 2.182.445,97, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1730.498, de 11/03/2009, fls. 350/369. A DRJ São Paulo II recorreu de ofício de sua decisão a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em razão do limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 03, de 3 de janeiro de 2008. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 17/04/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 374, o contribuinte apresentou, em 19/05/2009, recurso Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002149/200655 Acórdão n.º 210201.465 S2C1T2 Fl. 435 3 voluntário, fls. 385/406, onde afirma, em apertada síntese, que devese afastar a presunção de omissão de rendimentos, pois a origem dos depósitos bancários justificase em (i) operações de poupança, (ii) créditos de operações com bolsa, (iii) distribuição de lucros e empréstimos, (iv) transferências entre contascorrentes do recorrente, (v) contrato de mútuo e operações de empréstimos, (vi) alienação de automóveis e imóveis e (vii) resgates de previdência privada. Afirma, ainda, que a taxa Selic fere as garantias fundamentais da segurança jurídica e da legalidade. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002149/200655 Acórdão n.º 210201.465 S2C1T2 Fl. 436 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura Do recurso de ofício O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. Cuida o lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e a decisão recorrida excluiu da base de cálculo do imposto devido depósitos bancários cujas origens restaram comprovadas na impugnação. De fato, da análise da documentação acostadas aos autos, verificase que o contribuinte comprovou a origem de depósitos, que perfazem o somatório de R$ 2.182.445,97. Restou evidenciado, conforme perfeitamente descrito na decisão recorrida, que tal quantia está relacionada a resgates de poupança, resgate de título de capitalização e recebimentos de corretora de valores em razão de operações em bolsa de valores. Os créditos comprovados na impugnação foram realizados na conta BCN nº 280.9689, cujos extratos estão nas fls. 44/99 (apresentado durante o procedimento fiscal) e 287/314 (apresentado na fase de impugnação). Insta frisar que os extratos não são exatamente iguais, pois possuem formatações diferentes, sendo observado que por vezes os valores de resgate de poupança indicados no extrato fornecido durante o procedimento fiscal, estão agrupados em um único lançamento no extrato fornecido na fase de impugnação. No mais, nenhuma outra diferença foi observada. Contudo, no que diz respeito aos resgates de poupança, o histórico contido no extrato apresentado na fase de impugnação (resgate poupança viva) é mais preciso, deixando perfeitamente evidenciado que de fato se trata de resgate de poupança. Já o extrato apresentado durante o procedimento fiscal possui histórico confuso (depósito poupança viva), que não permite a clara identificação da operação a que se refere. Nessa conformidade, devese NEGAR provimento ao recurso de ofício. Do recurso voluntário O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O contribuinte afirma no recurso que a presunção de omissão de rendimentos deve ser afastada, pois a origem dos depósitos bancários justificase em (i) operações de poupança, (ii) créditos de operações com bolsa, (iii) distribuição de lucros e empréstimos, (iv) transferências entre contascorrentes do recorrente, (v) contrato de mútuo e operações de empréstimos, (vi) alienação de automóveis e imóveis e (vii) resgates de previdência privada. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002149/200655 Acórdão n.º 210201.465 S2C1T2 Fl. 437 5 Cada uma das justificativas apresentadas pelo recorrente serão a seguir examinadas: (i) operações de poupança No recurso, o contribuinte afirma que a decisão recorrida, embora tenha reconhecido que alguns créditos eram provenientes de resgates de poupança, deixou de fazêlo em relação a outros, conforme planilha que apresentou na peça recursal. De fato, do exame dos extratos da conta BCN nº 280.9689, fls. 287/314, observase a existência de vários créditos relativos a resgates de poupança viva, que não foram identificados e excluídos pela decisão recorrida. Assim, devese excluir da referida conta, por tratarse de regate de poupança viva, os seguintes valores: Data Valor em R$ 09/01/2002 72.000,00 10/01/2002 1.810,00 17/01/2002 1.658,50 21/01/2002 1.300,00 22/01/2002 1.482,00 22/01/2002 18.825,00 22/01/2002 2.900,00 29/01/2002 49.250,00 30/01/2002 25.000,00 05/02/2002 15.000,00 05/02/2002 6.300,00 06/02/2002 1.400,00 06/02/2002 1.415,96 25/02/2002 73.300,00 26/02/2002 500,00 27/02/2002 18.466,24 19/03/2002 1.750,00 19/03/2002 29.891,00 16/04/2002 20.000,00 16/04/2002 4.051,49 26/04/2002 50.000,00 30/04/2002 4.799,58 05/05/2002 31.791,06 07/05/2002 100,80 07/05/2002 100,80 11/06/2002 42.095,45 11/06/2002 42.800,00 16/08/2002 150.000,00 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002149/200655 Acórdão n.º 210201.465 S2C1T2 Fl. 438 6 16/08/2002 10.000,00 29/08/2002 29.507,40 29/08/2002 3.952,60 Total 711.447,88 Logo, devese excluir da base de cálculo do imposto devido a quantia de R$ 711.447,88, correspondente a resgates de poupança. (ii) créditos de operações com bolsa Da mesma forma que ocorreu com os resgates de poupança viva, a decisão recorrida também deixou de identificar e excluir da base de cálculo do imposto devido alguns créditos efetivados na conta BCN nº 280.9689, fls. 287/314, que de fato correspondem a recebimentos de corretoras que operam na bolsa de valores, os quais são a seguir relacionados: Data Valor em R$ Histórico 08/02/2002 4.828,43 Recebimento São Paulo Corretora de Valores Ltda 07/05/2002 335,12 Recebimento São Paulo Corretora de Valores Ltda 18/09/2002 1.233,43 Recebimento São Paulo Corretora de Valores Ltda Total 6.396,98 Observese que da listagem apresentada pela defesa, no que diz respeito aos créditos efetivados no BCN, temse que os demais valores (R$ 4.051,49, R$ 8.000,00, R$ 7.387,29) não foram acolhidos, em razão de no extrato não haver a identificação do depositante. Vale, ainda, dizer que o valor de R$ 4.051,49 já foi excluído como resgate de poupança. O contribuinte listou ainda vários depósitos havidos na contacorrente Citibank 4802640, esclarecendo que os mesmos também tem origem em operações realizadas em bolsa de valores, conforme extrato emitido pela Corretora de Valores de São Paulo, fls. 191/197. Do cotejo da relação dos créditos não comprovados, fls. 104/111, com o extrato fornecido pela Corretora de Valores de São Paulo, fls. 191/197, verificase que assiste razão ao contribuinte no que concerne aos créditos (Citibank) a seguir listados: Data Valor em R$ 21/06/2002 8.187,75 11/07/2002 15.000,00 29/07/2002 3.419,46 31/07/2002 2.637,96 06/08/2002 1.646,64 09/08/2002 4.807,76 29/08/2002 1.445,50 30/08/2002 4.174,04 17/09/2002 5.000,00 31/10/2002 5.000,00 05/11/2002 7.234,63 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002149/200655 Acórdão n.º 210201.465 S2C1T2 Fl. 439 7 06/11/2002 9.213,14 07/11/2002 8.904,46 08/11/2002 11.243,43 11/11/2002 10.182,67 13/11/2002 9.840,11 Total 107.937,55 Acolhese, portanto, todos os valores listados pelo recorrente, com exceção apenas para o crédito de R$ 2.669,45 (13/08/2002), por não se identificar nesta data nenhuma TED de igual valor no extrato fornecido pela Corretora de Valores de São Paulo. Nessa conformidade, devese excluir da base de cálculo do imposto devido a quantia de R$ 114.334,53, correspondente ao somatório de R$ 6.396,98 e R$ 107.937,55. (iii) distribuição de lucros e empréstimos Em sua defesa, o contribuinte afirma que é sócio controlador da pessoa jurídica Ariza Barenstein Intermediações e Serviços S/C Ltda e que recebeu, no decorrer do anocalendário 2002, valores a título de distribuição de lucros e de empréstimo da referida empresa. Nesse sentido, o contribuinte listou créditos, que perfazem o somatório de R$ 554.943,46 e solicita a exclusão dos mesmos. É fato que o contribuinte indicou em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2003, anocalendário 2002, fls. 05/10, rendimentos tributáveis recebidos de Ariza Barenstein Intermediações e Serviços S/C Ltda, no valor de R$ 10.800,00 e lucros e dividendos de R$ 202.383,00. Ressaltese que o contribuinte, segundo sua declaração de bens, é sócio de outra pessoa jurídica. Vêse, portanto, que os valores que o contribuinte procura justificar com distribuição de lucros e empréstimos recebidos da pessoa jurídica Ariza Barenstein Intermediações e Serviços S/C Ltda são bastante superiores àqueles indicados em sua DAA. Observase, ainda, que o contribuinte juntou aos autos algumas cópias do livro Razão da pessoa jurídica Ariza Barenstein Intermediações e Serviços S/C Ltda, fls. 180/184. Entretanto, do cotejo das informações contidas nas referidas cópias não se evidencia nenhuma compatibilidade com os créditos listados pelo contribuinte. Logo, as provas trazidas pela defesa são insuficientes para comprovar sua alegação. Entretanto, devese acatar a alegação do recorrente somente no que diz respeito aos créditos abaixo listados (Banco BCN, conta 280.9689), cujos históricos contidos nos extratos bancários identifica a pessoa jurídica Ariza Barenstein Intermediações e Serviços S/C Ltda como depositante: Data Valor em R$ 23/07/2002 20.000,00 28/08/2002 14.000,00 09/09/2002 10.500,00 24/10/2002 11.500,00 29/10/2002 40.000,00 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002149/200655 Acórdão n.º 210201.465 S2C1T2 Fl. 440 8 04/11/2002 200,00 19/11/2002 1.500,00 Total 97.700,00 Devese excluir, portanto, da base de cálculo do imposto devido a quantia de R$ 97.700,00. (iv) transferências entre contascorrentes do recorrente Na peça recursal, o contribuinte identifica dois depósitos, ambos da conta corrente mantida junto ao Citibank: 05/07/2002 – R$ 3.000,00 e 21/11/2002 R$ 8.000,00, cuja origem é a transferência entre contas do próprio contribuinte (BCN), conforme resta devidamente comprovado, mediante documentos, fls. 207 e 212. Assim, tais créditos, que totalizam a quantia de R$ 11.000,00, devem ser excluídos da base de cálculo do imposto devido. (v) contrato de mútuo e operações de empréstimos Neste tópico, o contribuinte afirma que os créditos recebidos na conta mantida junto ao BCN n°2809689, em 02/10/2002, nos valores de R$ 500.000,00 e R$ 100.000,00, referemse a contrato de mútuo firmado com a Brascorp Participações, conforme evidenciado pelo contrato, fls. 262/263, pela DAA, exercício 2003, fls. 05/10, e pelo próprio extrato da conta bancária, fls. 95verso. De fato, assiste razão ao contribuinte. No extrato está identificado que os depósitos foram feitos pela Brascorp Participações, sendo que a data e o valor dos créditos são perfeitamente compatíveis com o contrato e com as informações prestadas na DAA, exercício 2003. Logo, devese excluir da base de cálculo do imposto devido a quantia de R$ 600.000,00. Ainda, no que diz respeito aos empréstimos, o contribuinte afirma que obteve empréstimo junto ao Banco BCN e que a quantia teria sido repassada, também a título de empréstimo, para outras pessoas (físicas e jurídicas). Nessa conformidade, relaciona vários créditos havidos em sua conta BCN nº647.5137, os quais teriam sua origem justificada pela quitação dos empréstimos concedidos a estas pessoas físicas e jurídicas. Entretanto, a despeito de tais operações encontraremse registradas em sua DAA, exercício 2003, temse que o contribuinte não trouxe nenhum documento que comprovasse que os créditos tenham sido de fato realizados pelos tomadores dos empréstimos. Veja que o contribuinte sequer vincula os créditos com os tomadores do empréstimo. Limitandose a afirmar que os mesmos foram realizados pelos devedores. Logo, por não restarem comprovadas as alegações do contribuinte permanecem não comprovadas a origem dos créditos que o contribuinte buscou justificar com a operação de repasse de empréstimo obtido junto ao Banco BCN. Ainda no que se refere aos empréstimos, o contribuinte esclarece que os depósitos havidos em sua conta mantida junto ao Citibank (05/02/2002 – R$ 15.000,00, Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002149/200655 Acórdão n.º 210201.465 S2C1T2 Fl. 441 9 02/05/2002 R$ 15.000,00 e 23/08/2002 – R$ 9.950,00) referemse a quitação de empréstimo, no valor de R$ 40.000,00, que havia concedido a André Ariza. Mais uma vez, a despeito de tal empréstimo constar registrado na DAA, exercício 2003, não foram acostados aos autos documentos que identifiquem que os referidos depósitos tenham de fato sido efetivados por André Ariza. Permanecem, portanto, sem comprovação da origem os referidos créditos. Por fim, carece de comprovação a alegação do recorrente de que o depósito de R$ 9.500,00, havido em 09/01/2002, na conta BCN nº 645.5137, seja proveniente de doação recebida de seu pai, Ary Ariza Oliveira. Ressaltese que nenhum documento foi acostado aos autos, tampouco no extrato encontrase identificado o depositante. (vi) alienação de automóveis e imóveis Afirma o recorrente que os créditos recebidos em 11/06/2002, nos valores de R$ 42.095,45 e R$ 42.800,00, dizem respeito ao recebimento do preço pelo qual foram vendidos seus automóveis Crysler Caravan SE e Pathfinder, operações estas que estão devidamente apontadas em sua DAA, exercício 2003. A despeito dos esclarecimentos prestados pelo recorrente, tais créditos já foram excluídos da tributação, por constarem no extrato, fls. 287/314, como resgate de poupança viva. Já no que se refere a alegação do recorrente de que os créditos, nos valores de R$ 150.000,00 (16/08/2002), R$ 10.000,00 (16/08/02) e R$ 104.000,00 (23/08/02) referemse à venda de imóvel que o recorrente possuía em São Sebastião para a Helbor Empreendimentos Imobiliários Ltda, temse que os dois primeiros créditos também já foram excluídos da tributação, por constarem no extrato, fls. 287/314, como resgate de poupança viva. Contudo, no que diz respeito ao valor de R$ 104.000,00, a alegação da defesa não pode prosperar, pois não foram juntados aos autos documentos que permitam concluir pela compatibilidade entre o referido crédito e a venda do imóvel. (vii) resgates de previdência privada Por fim, no que se refere ao crédito de R$ 4.051,49 (16/04/2002), que o contribuinte indica como sendo resgate de previdência privada temse que o valor também já foi excluído da tributação, por constar no extrato, fls. 287/314, como resgate de poupança viva. Resultado final das exclusões da base de cálculo do imposto devido Nessa conformidade, considerando o acima exposto, devese excluir da base de cálculo do imposto devido a quantia total de R$ 1.534.482,41. Logo, os depósitos que permanecem sem comprovação da origem perfazem o total de R$ 1.847.376,94, que corresponde a diferença entre R$ 5.564.305,32 (valor levado à tributação no Auto de Infração) e R$ 2.182.445,97(valor excluído na decisão DRJ) e R$ 1.534.482,41 (valor comprovado no recurso). Quanto aos juros Selic, a matéria já foi pacificada neste colegiado, conforme Súmula CARF nº 4, que cristaliza o entendimento de que é legítima a sua aplicação: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002149/200655 Acórdão n.º 210201.465 S2C1T2 Fl. 442 10 Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Da conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para reduzir o valor da infração de depósitos bancários com origem não comprovada para R$ 1.847.376,94. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 10DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 08/09/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000623/2005-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO
E MULTA DE OFÍCIO.
CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Incabível a aplicação da multa isolada pelo não pagamento do imposto de renda como antecipação mensal carnê-leão
quando em concomitância com a multa de ofício exigida juntamente com o imposto apurado no ajuste anual, ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2101-001.241
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a aplicação da multa isolada pelo não pagamento do imposto de renda como antecipação mensal carnêleão quando em concomitância com a multa de ofício exigida juntamente com o imposto apurado no ajuste anual, ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Fl. 170DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/ 09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor do contribuinte CHAIM RUCHLEIMER foi emitido o Auto de Infração de fls. 64 a 67, no qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar correspondente ao anocalendário 2002 (exercício 2003) no valor de R$ 15.588,84 (quinze mil, quinhentos e oitenta e oito reais e oitenta e quatro centavos), acrescido de multas de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 29/04/2005, perfazendo um crédito tributário total de R$ 49.224,18 (quarenta e nove mil, duzentos e vinte e quatro reais e dezoito centavos). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 65, a Fiscalização reportou: (i) omissão de rendimentos recebidos do exterior, na Declaração de Ajuste do exercício 2003, anocalendário 2002, decorrentes de contrato com o PNUD, com fundamento no art. V, seção 17 e 18, e art. VI, seção 22, do Decreto n ° 27.784/50; art. V, do Decreto n° 59.308/66; arts. 98 e 111, II, da Lei no 5.172/66 (Código Tributário Nacional); arts. 1.º a 3.º e §§, e 8 °, da Lei n ° 7.713/88; arts. 1 ° a 3 ° , da Lei n ° 8.134/90; Parecer PGNF/CAT/n ° 92/2005; arts. 22, II; 39; 43 e 55, V, do RIR/99; art. 1° da Medida Provisória n ° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451/2002; (ii) classificação indevida de rendimentos na DIRPF, com base no art. V, seção 17 e 18, e art. VI, seção 22, do Decreto n o 27.784/50; art. V, do Decreto n° 59.308/66; arts. 98 e 111, II, da Lei no 5.172/66. (Código Tributário Nacional); arts. 1.º a 3.º e §§, e 8°, da 41 r.1 ° 7; 7 13/88; arts. 1° a 3°, da Lei n° 8.134/90; Parecer PGNF/CAT/n ° 92/2005; Arts. 22, II; 39; 43 e 55, V, do'RIR/99; art. 1° da Medida Provisória n° 22/2002,convertida na Lei n° 10.451/2002; (iii) multa isolada por falta de recolhimento de IRPF devido a título de Carnê Leão. Em 21 de junho de 2005 foi apresentada Impugnação (fls. 71 a 78), na qual o contribuinte alega, em síntese, que: • não houve intenção de dolo ao Fisco, pois seguiu orientação de Órgãos ligados à arrecadação de impostos; • não houve sonegação, pois os contratos negociados tratavam de valores supostamente isentos de impostos; • houve irresponsabilidade ética e administrativa dos atores envolvidos; Fl. 171DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/ 09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.000623/200514 Acórdão n.º 210101.241 S2C1T1 Fl. 162 3 • não houve perda de arrecadação e os únicos penalizados são os consultores, que terão que arcar também com os valores de multa e juros; • se está sendo multado por não pagar o imposto, não deveria estar sendo multado por não recolher o carnêleão; • também é função da SRF orientar e cobrar os contribuintes; Por fim, requer a impugnação do auto de infração correspondente ao crédito tributário lançado. Ao examinar o pleito, a 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II decidiu pela procedência do lançamento, por meio do Acórdão n.º 1322.865, de 22 de dezembro de 2008, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 FUNCIONÁRIOS DA ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. ISENÇÃO. Os rendimentos decorrentes da prestação de serviços junto ao PNUD/ONU são tributáveis, quando recebidos por nacionais contratados no pais, por faltarlhes a condição de funcionários de organismos internacionais, pois nem todos fazem jus A isenção, mas tão somente os funcionários internacionais mais graduados, que gozam de privilégios semelhantes aos dos agentes diplomáticos para o bom desempenho de suas funções. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE (CARNÊLEÃO) A multa de lançamento de oficio é exigida isoladamente no caso de pessoa física sujeita ao recolhimento mensal obrigatório do imposto (carnêleão) que deixar de fazêlo. Lançamento Procedente Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de abril de 2009 (fls. 132 a 147), no qual alega ser isento do imposto sobre a renda de pessoa física, conforme lhe foi informado pela Unidade de Coordenação Estadual do Programa Nacional de Apoio à Administração Fiscal do Estado do Rio de Janeiro (UCE), pontuando que, conforme prevê o artigo 5°, da Lei n° 4.506/64, os servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais tenha se obrigado por tratado ou convenção estão isentos do Imposto de Renda no que tange aos rendimentos auferidos pelo seu labor. Entende que, no seu caso, aplicase por inteiro a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas de 13/02/1946, notadamente as Seções 18 e 22. Salienta que o artigo 98 do Código Tributário Nacional estabelece que os tratados e as convenções internacionais devem ser observados e aplicados. Por isso, a Fonte Pagadora PNUD/ONU aplicou a Convenção acima mencionada e considerou isentos os rendimentos de trabalho auferidos pelo Recorrente. Todavia, tanto no Auto de Infração quanto na decisão de primeira instância negouse vigência à referida norma internacional, reputando se tributáveis os rendimentos decorrentes do trabalho do Recorrente. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/ 09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 4 Ressalta que a decisão de primeira instância suscitou a exigência contida no artigo 22, da Instrução Normativa n° 73/98, de que a isenção dos rendimentos é reconhecida pelo Secretário da Receita Federal. Contudo, exigese como condição de implementação que a Fonte Pagadora relacione os beneficiários e informe à Receita Federal do Brasil, condição independe de qualquer atividade do Recorrente. Além do mais, entende que a exigência da IN é descabida, já que restringe o que a Convenção Internacional não restringiu. Alega que os rendimentos auferidos em novembro de 2002 estão sendo cobrados por meio de dois itens do auto, isto é, o valor foi consignado como rendimento omitido e como rendimento indevidamente classificado. Devese, assim, excluir este rendimento quanto ao Item I, do lançamento. Entende que as penalidades aplicadas devem ser excluídas em razão de ter agido de boafé, haja vista ter sido induzido a proceder de tal maneira porque foi informado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento do Brasil que tais rendimentos eram isentos. Transcrevendo ementas de decisões do Conselho de Contribuintes, sustenta que, ao menos, devese afastar a multa isolada, já que tal medida resulta na dupla penalização do mesmo fato. Além disso, entende que a multa isolada, lançada por falta de recolhimento do Carnê Leão, com base no artigo44, § 1.º, inciso III, da Lei n.º 9.430, de 1996, não pode prosperar ante a alteração introduzida no referido dispositivo pela Lei n.º 11.488, de 2007, que alterou para 50% o percentual da multa isolada nesses casos. Pede que se reconheça a não incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício, com suporte em conclusões de decisões do Conselho de Contribuintes. Pede, em suma, seja reformada a decisão recorrida. Em 10 de fevereiro de 2010, por meio da petição anexada às fls. 152, o contribuinte requer a desistência parcial do recurso interposto, no tocante especificamente ao valor do imposto lançado, da multa proporcional e dos juros de mora, informando ter parcelado o montante objeto da desistência. Mantém, todavia, a impugnação à multa isolada. É o relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. Ante a desistência parcial do recurso interposto pelo contribuinte, mantémse a discussão somente no tocante à multa isolada, lançada por falta de recolhimento do Carnê Leão. Sobre o assunto, o Recorrente argumenta que a aplicação de multa isolada por falta de antecipação do imposto de renda – Carnê Leão, que incide sobre o valor do imposto não recolhido a esse título, concomitantemente à aplicação da multa de ofício proporcional, pela falta de recolhimento do tributo resulta na dupla penalização de um mesmo Fl. 173DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/ 09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.000623/200514 Acórdão n.º 210101.241 S2C1T1 Fl. 163 5 fato. Também entende que a multa isolada, lançada por falta de recolhimento do Carnê Leão, com base no artigo 44, § 1.º, inciso III, da Lei n.º 9.430, de 1996, não pode prosperar ante a alteração introduzida no referido dispositivo pela Lei n.º 11.488, de 2007, que alterou para 50% o percentual da multa isolada nesses casos. Assiste razão ao Recorrente quando alega ter havido dupla penalização. Neste tema, impende ressaltar que, neste Colegiado, restou decidido de forma reiterada que a multa isolada pela falta de recolhimento do CarnêLeão não pode ser exigida em conjunto com a multa de oficio quando as mesmas incidirem sobre a mesma base de cálculo. É o que se verifica dos seguintes julgados: MULTA ISOLADA E DE OFICIO — CONCOMITÂNCIA — BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do 1RPF devido a titulo de carnêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de oficio incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas .fisicas, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. (Ac. 10615.639, de 22.6.2006. Rel. Cons. Gonçalo Bonet Allage) MULTA ISOLADA DE OFÍCIO CARNÊLEÃO INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO CONSECTÁRIA DO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL EM DECORRÊNCIA DA COLAÇÃO DO RENDIMENTO QUE NÃO FOI OBJETO DO RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO IMPOSSIBILIDADE Mansamente assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnêleão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado, em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo. (Ac. 10617.242, de 5.2.2009. Rel. Cons. Giovanni Christian Nunes Campos.) Sendo assim, no presente caso, em razão da concomitância entre a aplicação destas duas multas (isolada e de oficio, esta última objeto de parcelamento), há de se excluir do lançamento a multa isolada. Isto posto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 174DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/ 09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 6 Fl. 175DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/ 09/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
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