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Numero do processo: 13603.002303/2003-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converterem o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converterem o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .0 02 30 3/ 20 03 -7 1 Fl. 890DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 891 ___________ Relatório Tratase de processo de Auto de Infração no valor de R$ 840.501,90 (oitocentos e quarenta mil, quinhentos e um reais e noventa centavos) referente ao Imposto de Importação II, já incluídos encargos legais e R$ 389.452,27 (trezentos e oitenta e nove mil, quatrocentos e cinquenta e dois reais e vinte e sete centavos) referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, já incluídos encargos legais, conforme autos de infração de fls. 03/10 e 11/18, respectivamente, lavrados em razão do descumprimento de obrigações necessárias à permanência no regime drawback suspensão previstos para o gozo do incentivo à exportação sob regime de drawback suspensão, na modalidade para fornecimento no mercado interno e relativo ao Ato Concessório n° 0033.97/0000207, emitido em 06/03/1997, relativo ao fornecimento de toneladas métricas de cantoneiras ASTM AS52 grade 50 [...]. Conforme se extrai do Termo de Verificação Fiscal de fls. 21/30, foi instaurado Procedimento Fiscal, em 18/08/2003, com o objetivo de verificar o cumprimento dos compromissos firmados pelo contribuinte, assim como, os requisitos necessários para a fruição dos benefícios decorrentes da aplicação do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, tendo sido o contribuinte intimado em 28/08/2003, para apresentar sua manifestação, tendo se quedado inerte. Diante disso, a Fiscalização concluiu pela lavratura do competente Auto de Infração para constituição dos Créditos Tributários cuja exigibilidade fora suspensa nas importações cursadas ao amparo do Ato Concessório de Drawback em questão, tendo lançado também, o Imposto sobre Produtos Industrializados, que é exigência reflexa do auto de infração relativo ao II. DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA Cientificado do lançamento em 03/10/2003, conforme documento postal de fls. 71, o contribuinte apresentou tempestivamente, em 03/11/2003, Impugnação Administrativa (fls. 73/98 e anexos até fls. 780 – numeração eletrônica), aduzindo resumidamente os seguintes pontos: Preliminarmente: No caso dos autos, o termo a quo para contagem do prazo decadencial é o do fim do regime, que se deu em 01/03/1998, de modo que quando o contribuinte tomou ciência da ação fiscal em 28/08/2003, o prazo de decadência já havia se consumado há quase 6 meses; Aduz que a multa aplicada com gravame de 112,50%, deve ser desconstituída, pois a sua aplicação ofende os princípios da legalidade e razoabilidade, uma vez que o prazo concedido pelo Fisco para que o contribuinte atendesse as intimações em 10 dias e 48 horas Fl. 891DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13603.002303/200371 Resolução nº 3402000.674 S3C4T2 Fl. 892 3 prorrogadas tendo em vista a vasta documentação necessária para comprovar a exportação de mais de 4 (quatro) mil toneladas de produtos; Alega que, conforme dispunha o Comunicado DECEX nº 21, de 11 de julho de 1997, a autoridade fiscalizadora deveria ter comunicado formalmente quanto ao descumprimento do Regime de Drawback pelo Banco do Brasil; É inadequada a aplicação da Taxa Selic para correção dos tributos federais. Meritoriamente: A condução do Regime de Drawback foi feita na forma estabelecida pelo Comunicado DECEX nº 21, cumprindo todas as obrigações que lhe foram impostas, juntamente com uma agência do Banco do Brasil vinculada à sua jurisdição, motivo pelo qual alega que deveria ter a autoridade fiscal diligenciado junto à citada instituição financeira e, ademais, todos os documentos exigidos pela lei foram apresentados ao longo da vigência do Drawback, tendo, desse modo, cumprido o regime deferido; É impossível a exigência do IPI, por ofensa ao Princípio da não cumulatividade, pois caso não houvesse o benefício fiscal do Drawback, a impugnante adquiriria as matériasprimas com o regular destaque do IPI, que seria tornado como crédito pelo contribuinte que o manteria em sua escrita fiscal, não obstante exportação imune dos produtos industrializados. Por fim, requereu pelo reconhecimento da improcedência do Auto de Infração. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), houve por bem em, por maioria de votos, considerar improcedente a impugnação apresentada, proferido Acórdão nº. 0824.161, ementado nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Importação II Anocalendário: 1997 DRAWBACK. DECADÊNCIA A contagem do prazo de decadência para o regime drawback suspensão começa no primeiro dia do ano seguinte ao término do regime. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPETÊNCIA. Embora a SECEX detenha a competência para a concessão do regime aduaneiro especial de drawback, incluindo as adições e a emissão de aditivos, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13603.002303/200371 Resolução nº 3402000.674 S3C4T2 Fl. 893 4 No regime de drawbacksuspensão é pressuposto essencial que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados. ÔNUS DA PROVA. CUMPRIMENTO DO REGIME DE DRAWBACK É ônus do beneficiário do regime de drawback apresentar os elementos necessários à comprovação da vinculação física entre o insumo importado e o produto objeto de exportação, quando regularmente intimado pelo fisco. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1997 JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ALCANCE A função das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como órgãos de jurisdição administrativa, consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, não lhes sendo facultado pronunciarse a respeito da conformidade ou não da lei, validamente editada, com os demais preceitos emanados pela Constituição Federal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Processo 13603.002303/200371 DRJ/FOR Acórdão n.° 0824.161 Fls. 284 Anocalendário: 1997 AGRAVAMENTO DA MULTA O não atendimento de intimação justifica o agravamento da multa na forma como prevista no art. 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96, mormente quando o contribuinte foi intimado e reintimado durante a auditora, e não justificou a impossibilidade material de seu cumprimento. PRAZO PARA ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. Não configura transgressão ao princípio da razoabilidade a adoção de prazos expressamente previstos na legislação tributária para o contribuinte atender a intimações, quando o interessado sequer apresenta justificativa para o seu não atendimento. JUROS DE MORA. SELIC. Procede a cobrança de juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), por expressa previsão legal. JURISPRUDÊNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL E DOUTRINA. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos proferidos em outros julgados administrativos ou judiciais ou em manifestações da doutrina especializada não vinculam os julgamentos administrativos emanados em primeiro grau pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13603.002303/200371 Resolução nº 3402000.674 S3C4T2 Fl. 894 5 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em apertada síntese a DRJ competente para o julgamento entendeu que é improcedente a alegação de decadência, pois que o termo inicial para contagem do prazo decadencial, neste caso, corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, assim sendo, como o prazo final para que o contribuinte cumprisse com o compromisso foi fixado para a data de 28/08/98 (aditivo ao Ato Concessório n° 0033.97/000207, fls. 63), o prazo quinquenal se findaria em 01/01/2004. Considerando que o contribuinte foi cientificado em 03/10/2003, não há que se falar em decadência. Entendeu também a referida Delegacia que, no que tange aos argumentos de impossibilidade de atender as intimações nos prazos fixados pela autoridade fiscalizadora, não merecem prosperar, pois o prazo fixado no início do procedimento estava devidamente amparado pela legislação. Manteve a o agravamento da multa para 112,5 %, pois que considera estar em conformidade com o art. 44, §2º, da Lei nº 9.430/96. No mérito, entende a DRJ que a recorrente já era obrigada a demonstrar a vinculação física entre a mercadoria importada e o produtos posteriormente exportados, nos termos do artigo 314, I, do Antigo Regulamento Aduaneiro, considerando, portanto, correto o procedimento fiscal em considerar a vinculação física como requisito básico e de prestação obrigatória para efeitos de adimplemento do regime de Drawback. Quanto ao ônus da prova, não acolheu as alegações do contribuinte vez que regularmente intimado, se omitiu de apresentar os livros e documentos solicitados pela fiscalização, impedindo que fosse apurada a vinculação física entre insumos importados e a mercadoria exportada, motivo pelo qual não houve diligencia. No que tange à alegação de ofensa ao princípio da nãocumulatividade do IPI, a DRJ posto que em se tratando de benefício fiscal com efeito suspensivo, o não adimplemento da condição enseja a cobrança dos tributos devidos que não foram pagos quando da importação. Por fim, manteve a taxa SELIC como índice de atualização dos valores devidos, mantendo as exigências como formalizadas. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 14/12/2012, conforme Termo de Ciência de fls. 817 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 819 a 849) em 08/01/2013, aduzindo os fundamentos que a seguir sintetizo: Alegou, preliminarmente, a nulidade do lançamento por ausência de razoabilidade do prazo para atendimento da fiscalização e iliquidez e incerteza dos Fl. 894DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13603.002303/200371 Resolução nº 3402000.674 S3C4T2 Fl. 895 6 lançamentos baseados em presunção, bem como a nulidade da decisão da DRJ por cerceamento de defesa e ausência de análise das provas juntadas pelo Recorrente. No mérito, que o dies a quo para contagem do prazo decadencial é a data do registro da Declaração de Importação, portanto, todos os períodos estão fulminados pela decadência. Alega que cumpriu as condições do regime aduaneiro especial, apresentando ao longo da vigência do referido Regime, os Relatórios de Comprovação de Drawback e Relatórios de Comprovação Parcial de Drawback, que, segundo a legislação vigente da época bastavam para demonstrar o adimplemento do regime aduaneiro. Aduz que é impossível a aplicação do princípio da vinculaçãofísica, uma vez que esta só veio a ser requisito obrigatório com a edição do Decreto nº 4.543/2002, porém, na época dos fatos vigia o Decreto nº 91.030/1985 que não correspondia àquele requisito. Por fim, repisou os argumentos trazidos quando de sua impugnação para afastar a multa agravada e violação do princípio da não cumulatividade. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado eletronicamente até a folha 889 (oitocentos de oitenta nove), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13603.002303/200371 Resolução nº 3402000.674 S3C4T2 Fl. 896 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Entretanto, entendo que não se encontra em condições de ser julgado por demandar diligência visando verificar se os documentos que o Recorrente juntou para atestar que o regime de drawback foi cumprido são capazes de atestar a vinculação física entre a mercadoria importada e os produtos posteriormente exportados. A instância a quo não analisou os documentos trazidos pelo Recorrente, pois entendeu que a não apresentação dos documentos nos prazos anteriormente estipulados, pela autoridade fiscal, para o contribuinte comprovar ao cumprimento de todas as formalidades previstas no regime, era motivo suficiente para ensejar a desconsideração do drawback. Data vênia, discordo da posição da DRJ Fortaleza, pois se o recorrente conseguir provar que os insumos importados sob o regime de drawback suspensão foram incorporados aos produtos finais exportados, entendo cumprida a condição fundamental que rege o regime. Isso porque, dando cumprimento ao Princípio da Verdade Material que norteia esta instituição, quando do julgamento dos seus recursos, necessária se faz que toda a documentação juntada pelo Recorrente seja devidamente analisada, a fim de verificar se, através destes documentos, é possível proceder a vinculação física entre a mercadoria importada e os produtos posteriormente exportados. Assim sendo, somente através de diligência, com o fim de análise dos documentos acostados pelo Recorrente, é possível verificar se o contribuinte logrou êxito em comprovar o cumprimento das condições do Regime de Drawback. Estas situações podem ser confirmadas pela autoridade julgadora, se entender que tais informações são necessárias para a formação de sua convicção, segundo o art. 29, do DecretoLei nº 70.235/72, verbis: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Convençome de que os documentos trazidos pela Recorrente causam dúvida razoável, justificando, portanto, a realização de diligência para que sejam esclarecidos os fatos invocados. Neste diapasão, voto no sentido de baixar o processo em diligência para que a unidade de origem analise os documentos acostados nos autos às fls. 161/688 – numeração eletrônica quando da apresentação da impugnação e elabore um relatório conclusivo sobre a utilização dos insumos importados sob o regime de drawback suspensão nos produtos exportados pelo recorrente. Em outras palavras, faça análise se o recorrente cumpriu a condição de incorporar em seu produto exportado os insumos importados com suspensão tributária. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13603.002303/200371 Resolução nº 3402000.674 S3C4T2 Fl. 897 8 Após emitir relatório conclusivo sobre o resultado da diligencia, deve ser dada ciência ao sujeito passivo, para que, querendo, se manifeste no prazo de no mínimo 30 (trinta) dias, e, posteriormente, devolver os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho. É como voto. João Carlos Cassuli Junior (assinado digitalmente) Fl. 897DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 12893.000141/2007-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 574.706 (ICMS na base de cálculo da Cofins).
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 574.706 (ICMS na base de cálculo da Cofins). Antonio Carlos Atulim Presidente Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
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score : 1.0
Numero do processo: 16095.000879/2008-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por declinar da competência para julgamento em favor de uma das Turmas da Terceira Seção de Julgamento do CARF.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo de Assis Guerra, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por declinar da competência para julgamento em favor de uma das Turmas da Terceira Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo de Assis Guerra, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e João Carlos de Figueiredo Neto.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por declinar da competência para julgamento em favor de uma das Turmas da Terceira Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo de Assis Guerra, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foram lavrados os autos de infração de fls. 3, 4 e 719 a 758, referentes a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, anocalendário 2003, para tributar receitas de prestação de serviços, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 751.581,31 de PIS e R$ 1.366.493,56 de Cofins, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .0 00 87 9/ 20 08 -8 3 Fl. 3239DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 07/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16095.000879/200883 Resolução nº 1102000.170 S1C1T2 Fl. 3.240 2 Cientificado da autuação, o sujeito passivo apresentou impugnação, alegando que as verbas eram isentas de PIS e Cofins (fls. 761 a 3.148). Contudo, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) entendeu que os valores em discussão deveriam ser tributados pelas contribuições (fls. 3.154 a 3.166). O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 PAGAMENTOS POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO A SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. A receita proveniente de pagamentos feitos por pessoas jurídicas de direito público a sociedades de economia mista, a título de contraprestação por serviços prestados, não é isenta da Contribuição para o PIS/PASEP, uma vez que tais pagamentos não configuram repasses. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PAGAMENTOS POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO A SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. A receita proveniente de pagamentos feitos por pessoas jurídicas de direito público a sociedades de economia mista, a título de contraprestação por serviços prestados, não é isenta da Contribuição para o PIS/PASEP, uma vez que tais pagamentos não configuram repasses. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância em 22/04/2013 (fl. 3.173), o contribuinte apresentou, em 21/05/2012, o recurso de fls. 3.176 a 3.205, onde insiste na natureza isenta dos repasses recebidos, defende a nulidade da autuação e do julgamento recorrido, bem com questiona a multa e os juros aplicados. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em junho de 2013, numerado digitalmente até a fl. 3.238. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o breve relatório. Fl. 3240DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 07/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 16095.000879/200883 Resolução nº 1102000.170 S1C1T2 Fl. 3.241 3 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo. Tratase de lançamento de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, relativos a valores recebidos pelo contribuinte. A simples descrição do objeto do processo deixa claro que seu escopo está fora da competência de julgamento desta 1a Seção. Isso porque o inciso I do art. 4o do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, inclui o PIS e a Cofins na competência da 3a Seção de Julgamento. Transcrevo: Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; Observese que não se tratam de autuações conexas, decorrentes ou reflexas de outras relativas ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ, não se incluindo no previsto no inciso IV, do art. 2o, do anexo II do Regimento. Diante do exposto, voto por declinar da competência de julgamento em favor de uma das Turmas da 3a Seção de Julgamento do CARF. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 3241DF CARF MF Impresso em 11/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 07/2013 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907893/2012-22
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2009
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1744; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 95 1 94 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.907893/201222 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801003.800 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de julho de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDUSTRIA AUTOMOTIVA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 78 93 /2 01 2- 22 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907893/201222 Acórdão n.º 3801003.800 S3TE01 Fl. 96 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS nãocumulativo, relativo ao fato gerador de 30/09/2009. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 18/01/2013 (fl. 33), o contribuinte apresentou, em 14/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 2/11, com os argumentos a seguir sintetizados. Alega que o valor declarado na DCTF original foi recolhido a maior e, por isso, retificou a declaração, gerando um crédito a seu favor, conforme os demonstrativos que elabora. Em função disso, optou por exercer o seu direito à compensação, transmitindo Per/Dcomp. Portanto, possuía crédito para suportar a compensação pretendida. Talvez por algum desencontro de dados o crédito não foi identificado, o que não pode o prejudicar, sob pena de se ofender o Princípio da Verdade Material sobre o qual discorre, citando posições doutrinárias e decisões do CARF, bem como ocorrer o enriquecimento ilícito da União Federal. Por fim, requer seja cancelado o processo de cobrança, reconhecido o crédito utilizado, homologandose o Per/Dcomp, e, caso seja necessário, seja o procedimento administrativo baixado em diligência para apuração dos fatos pertinentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2009 RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRODUÇÃO DE EFEITOS. A retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto reduzir os débitos relativos a contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. DILGÊNCIA. PROVAS. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907893/201222 Acórdão n.º 3801003.800 S3TE01 Fl. 97 3 Não há como ser admitido o pedido de realização de diligência quando este vise, tão somente, a transferência da produção de provas para a autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907893/201222 Acórdão n.º 3801003.800 S3TE01 Fl. 98 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para o PIS que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que a retificação feita pela recorrente foi em desacordo com as normas que dispõe sobre a DCTF ao reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização e, ainda que pudesse ser aceita a DCTF retificadora, não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Conforme consta nos autos, a retificação do débito declarado na DCTF foi indeferida devido a existência de procedimento fiscal anterior, que seria uma das hipóteses impeditivas previstas no art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 dezembro de 2010. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Não há norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. Quanto ao alegado impedimento para retificação da DCTF, o próprio comando inserto no art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010 , abaixo reproduzido, ao mesmo tempo que afirma que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a redução de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, abre a possibilidade para uma eventual retificação de ofício nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada.. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907893/201222 Acórdão n.º 3801003.800 S3TE01 Fl. 99 5 servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. § 3 º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.(grifei) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907893/201222 Acórdão n.º 3801003.800 S3TE01 Fl. 100 6 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11020.911458/2012-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO.LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO.LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO.LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 14 58 /2 01 2- 16 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911458/201216 Acórdão n.º 3801004.181 S3TE01 Fl. 11 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911458/201216 Acórdão n.º 3801004.181 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto mos autos do processo nº 11020.911453/201293, contra o acórdão nº 0250.260, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), na sessão de julgamento de 29 de outubro de 2013, em que indeferiu as preliminares e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 41976784 emitido eletronicamente em 03/01/13, referente ao PER/DCOMP nº 30649.18212.170408.1.3.040461. O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$3.677,23, decorrente de recolhimento com DARF efetuado em 20/03/08. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN),art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: Preliminarmente, defende a nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e motivação e porque não foi intimado a esclarecer os motivos que o levaram a postular a compensação de débitos com os créditos dos pagamentos que considerou indevidos. Afirma que o procedimento foi eletrônico e que houve preterição do direito de defesa. Acrescenta que o despacho decisório não se presta a instaurar de forma legítima o contraditório administrativo, que não houve Fl. 91DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911458/201216 Acórdão n.º 3801004.181 S3TE01 Fl. 13 4 diligência por parte da fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado e que isso prejudica a ampla defesa. Solicita a posterior juntada de documentos que comprovem suas alegações em respeito ao princípio da verdade material. Defende a ilegalidade e a inconstitucionalidade da multa aplicada sobre o montante do tributo supostamente devido que fere os princípios do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer a nulidade do despacho decisório e a procedência da manifestação de inconformidade.. A DRJ de Belo Horizonte (DRJ/BHE) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário:2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância diante da falta de fundamentação, dizendo ainda que foi prejudicado o contraditório e ampla defesa, alegando também a aplicabilidade da verdade material e, por fim, a inaplicabilidade da multa. É o sucinto relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911458/201216 Acórdão n.º 3801004.181 S3TE01 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares de Nulidade O recorrente afirma que a decisão não respeitou os princípios basilares do processo administrativo, assim como carece de fundamentação aviltando o direito a ampla defesa e contraditório, sendo, portanto, nulo. Preliminarmente cabe serem afastadas as alegações de nulidade. A recorrente invoca genericamente que o auto de infração é nulo por desatender os princípios basilares do processo administrativo fiscal, dentre eles: o da verdade material, da legalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Apesar de discorrer longamente sobre a ausência de fundamentação do ato administrativo e o seu desvio de finalidade, por ausência do dever administrativo de instruir, tenho consagrado que compete ao requerente de crédito líquido e certo que traga os elementos essenciais para a prova de sua certeza e liquidez. Não considero assim, que no presente caso, que o princípio da verdade material entre em contradição com o princípio da iniciativa da prova. Por fim, cabe afastar a alegação de inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional de vedação de confisco. Cabe esclarecer que a multa aplicada possui natureza moratória e não punitiva. De outro lado determina, a Súmula n. 02 a vedação à apreciação por este órgão julgador das matérias constitucionais em conflito. Sendo assim, deixo de apreciar esta matéria por expressa proibição no CARF. Razões de Mérito Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. A RFB constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no tópico “DÉBITO CONFESSADO”. Deste modo, carece de direito creditório o contribuinte, não havendo, pois, apresentando com a manifestação de inconformidade documentos idôneos e suficientes para comprovação de crédito líquido e certo como escrituração contábil e fiscal do período, para fins de confrontar possível erro no sistema da RFB em compensar o crédito com débito confessado em DCTF. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911458/201216 Acórdão n.º 3801004.181 S3TE01 Fl. 15 6 Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirmase apenas que são infundadas as alegações da RFB de que não resta crédito disponível para compensação e que o DARF informado no PER/DCOMP seria suficiente para comprovar a existência do crédito. A recorrente nada diz sobre ter retificado a DCTF, tampouco sobre eventual erro na DCTF considerada pela DRF na verificação da existência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Logo, não foi contestada a utilização do crédito para compensação de crédito confessado em DCTF. Diante dos fatos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, haja vista não ter apresentado em suas razões recursais impugnação específica, quanto a necessidade de comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Portanto, restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911458/201216 Acórdão n.º 3801004.181 S3TE01 Fl. 16 7 “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do crédito, carreando aos autos tão somente cópia do DARF e cópia do PER/DCOMP, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficiente para provar o direito alegado. Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis, o que não ocorreu no caso dos autos por silente o contribuinte. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911458/201216 Acórdão n.º 3801004.181 S3TE01 Fl. 17 8 “Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. “ Deste modo, deixando o contribuinte de trazer aos autos elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Assim, entendo inaplicável ao presente caso o princípio da verdade material, pois ciente a contribuinte de seu dever de trazer aos autos documentação hábil para comprovar seu direito, optou por assim não o fazer. Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 11080.009450/2003-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1995
PIS-REPIQUE. PEDIDO RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. CARACTERIZAÇÃO.
Estavam sujeitas ao recolhimento do PIS-Repique as prestadoras de serviços, assim consideradas aquelas cuja receita de serviços supere o percentual de 90% da receita total, nos termos da Resolução BACEN n° 482/78.
PIS-REPIQUE. PIS-FATURAMENTO. DECRETOS N°S. 2.445 E 2.449, DE 1988. INCONSTITUCIONALIDADE. PEDIDO RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. AFERIÇÃO DOS CRÉDITOS DO INDÉBITO. LIMITES.
Em face da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n°s. 2.445 e 2.449, de 1988, as empresas prestadoras de serviços permaneceram obrigadas ao recolhimento do PIS-Repique e não sobre o faturamento. Não preenchendo as condições para ser considerada prestadora de serviços, no período em que aplicou-se os inconstitucionais Decretos n°s. 2.445 e 2.449, de 1988, o recolhimento a maior do PIS se verifica em cotejo com os valores devidos nos termos da Lei Complementar n° 07/70, incidente sobre o faturamento do sexto mês anterior ao fato gerador, sem correção monetária da base de cálculo, nos termos do parágrafo único do seu art. 6º.
MULTA DE MORA. AFERIÇÃO DE SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO. PERCENTUAL.
Havendo declaração espontânea pelo contribuinte quanto aos tributos devidos, objeto de compensação com créditos provenientes da Ação Judicial do Pis, enviados após o envio da correspondente DCTF, não há direito em afastar a adição da multa por parte da autoridade fiscal que afere os créditos. Porém, por não se tratar de lançamento de ofício, o percentual desta multa deve limitar-se a 20% por se tratar de multa moratória.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-002.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1995 PISREPIQUE. PEDIDO RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. CARACTERIZAÇÃO. Estavam sujeitas ao recolhimento do PISRepique as prestadoras de serviços, assim consideradas aquelas cuja receita de serviços supere o percentual de 90% da receita total, nos termos da Resolução BACEN n° 482/78. PISREPIQUE. PISFATURAMENTO. DECRETOS N°S. 2.445 E 2.449, DE 1988. INCONSTITUCIONALIDADE. PEDIDO RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. AFERIÇÃO DOS CRÉDITOS DO INDÉBITO. LIMITES. Em face da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis n°s. 2.445 e 2.449, de 1988, as empresas prestadoras de serviços permaneceram obrigadas ao recolhimento do PISRepique e não sobre o faturamento. Não preenchendo as condições para ser considerada prestadora de serviços, no período em que aplicouse os inconstitucionais Decretos n°s. 2.445 e 2.449, de 1988, o recolhimento a maior do PIS se verifica em cotejo com os valores devidos nos termos da Lei Complementar n° 07/70, incidente sobre o faturamento do sexto mês anterior ao fato gerador, sem correção monetária da base de cálculo, nos termos do parágrafo único do seu art. 6º. MULTA DE MORA. AFERIÇÃO DE SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO. PERCENTUAL. Havendo declaração espontânea pelo contribuinte quanto aos tributos devidos, objeto de compensação com créditos provenientes da Ação Judicial do Pis, enviados após o envio da correspondente DCTF, não há direito em afastar a adição da multa por parte da autoridade fiscal que afere os créditos. Porém, por não se tratar de lançamento de ofício, o percentual desta multa deve limitarse a 20% por se tratar de multa moratória. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 94 50 /2 00 3- 92 Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho– Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11080.009450/200392 Acórdão n.º 3402002.426 S3C4T2 Fl. 1.752 3 Relatório Por bem narrados os fatos ocorridos no processo, no relatório da 2ª Turma da DRJ/POA recorrida, adoto o mesmo por fidelidade: Trata o presente do direito creditório proveniente da ação mandamental 2000.71.00.0366448 (RS), transitada em julgado em 20/04/2006, que reconheceu como indevidos os recolhimentos de PisFaturamento efetivados sob a égide dos DecretosLei 2.445/88 e 2.449/88 , obtendo a empresa o reconhecimento ao prazo decadencial de dez anos (cinco mais cinco) para recuperar seus indébitos mediante a compensação Pis com Pis, com incidência dos expurgos inflacionários, conforme o pedido formulado pela empresa na esfera judicial. A empresa encaminhou Dcomp's a partir de 24/09/2003 buscando a extinção de débitos de IRRF, Cofins e Pis, cujas cópias foram anexadas às fls. 01/19 (formuláriopapel) e 74/219 (eletrônicas). Essas compensações somaram R$ 517.359,97. A DRF em Porto Alegre através do Despacho Decisório DRF/POA n° 44, de 29 de janeiro de 2009 (fls. 678/683), reconheceu parcialmente o direito creditório no valor de R$ 66.290,22 em 01/01/1996, justificando ter homologado as compensações declaradas em DCOMP's até o limite do valor reconhecido. Assim, foi determinada a cobrança dos valores cujas compensações não foram homologadas, constantes no extrato de processo e carta cobrança a fls. 770/771, posto que se verificou que o reconhecimento parcial do direito creditório ocorreu especialmente em função da divergência quanto ao enquadramento da empresa como prestadora de serviços, já que auferia percentual superior a 10% de seu faturamento com a venda de mercadorias, conforme informação fiscal a fls. 357/358. Sendo assim, os créditos de Pis foram calculados e reconhecidos segundo o critério da semestralidade e não na modalidade PisRepique. A interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade (fls. 780/781), questionando a cobrança após o encontro de contas que apurou saldo remanescente a pagar, uma vez que dispunha de montante creditório suficiente para extinguir a integralidade dos débitos informados nas Dcomps. Contesta veementemente sua descaracterização como prestadora de serviços para fins de cálculo do Pis, fator que gerou a maior parte da divergência de valores com o apurado pela DRF Porto Alegre. Entende inclusive que esta questão já estava posta na ação judicial acima mencionada (fls. 363 do presente processo administrativo). Discorda de qualquer encargo moratório que esteja sendo aplicado no encontro de contas, devendo ser aplicado o art. 138 Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 do CTN, no tocante à denúncia espontânea. Entende ilegal a cobrança de juros e multa de mora pela apresentação de Dcomp após os vencimentos dos débitos que pretende ver extintos. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na Manifestação de Inconformidade apresentada, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, proferiu o Acórdão de nº. 1025.590, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1995 Pis Repique Atividade de prestação de Serviços. Preponderância. Para enquadramento no PISRepique, a atividade de prestação de serviços será considerada preponderante, se a receita correspondente for superior a noventa por cento da receita bruta apurada. Compensação Acréscimos Moratórios Nos termos da legislação regente à matéria, são devidos acréscimos moratórios por ocasião da efetivação e homologação de encontro de contas nos quais as declarações de compensação foram transmitidas em datas posteriores aos vencimentos dos débitos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Primeiramente a 2ª Turma da DRJ/POA asseverou a impossibilidade do enquadramento da Recorrente como prestadora de serviços, utilizandose da Resolução Bacen n° 482, de 20 de junho de 1978, como fundamento.Deste modo, chegouse ao entendimento de que a Recorrente não fazia jus à utilização da modalidade do PISRepique para apuração do indébito, ocasionando na insuficiência de crédito à compensação, segundo a informação apresentada através do Parecer DRF/Porto Alegre 044/2009. No que tange a compensação e aos acréscimos moratórios, em análise aos documentos de fls. 1/19 e 74/219, a DRJ/POA constatou que a maioria das declarações de compensações foram transmitidas em datas posteriores aos vencimentos dos débitos.Com base na vigência da legislação normativa SRF nº 210/2002, com as alterações da instrução normativa SRF 323/2003, a DRJ/POA concluiu no sentido de que a pretensão da Recorrente não é válida, tendo em vista que a grande parte dos débitos já haviam vencidos antes mesmo da Recorrente ingressar com o pedido de Restituição, acarretando na incidência dos acréscimos moratórios previstos em lei. Após todo o exposto, votou no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, mantendo o despacho proferido pela DRF/POA, considerando correta a data de valoração adotada nos cálculos efetuados e o desenquadramento da Recorrente como prestadora de serviços para fins de cálculo do PIS nos termos da Lei Complementar 07/1970 e demais atos normativos que regulamentaram esta Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11080.009450/200392 Acórdão n.º 3402002.426 S3C4T2 Fl. 1.753 5 contribuição para os períodos em que foram afastados os Decretosleis 2445/1988 e 2.449/1988. DO RECURSO Ciente em 09/08/2010 do Acórdão nº. 1025.590, e não se conformando com a decisão improcedente da manifestação de inconformidade, o contribuinte apresentou em 31/08/2010 Recurso Voluntário a este Conselho. Após fazer uma síntese dos fatos ocorridos até a data da apresentação do Recurso Voluntário, reiterou os argumentos alegados em sede de Manifestação de Inconformidade, afirmando seu enquadramento como prestadora de serviços quando dos recolhimentos de PIS no período de 19901995, e sustentando que o PISRepique seria a forma correta de recolhimento no caso em tela. Afirma ainda, com fulcro no DecretoLei n° 406/69, no item 99, sua classificação como prestador de serviços, estando sujeito ao recolhimento do ISS respectivo (hotelaria), assim comprovado por meio da inscrição no Cadastro de ISSQN e guias recolhidas de ISSQN anexas ao processo. Alega que o seu crédito de PIS merece ser revisto, tendo em vista que em desconformidade com a decisão judicial que o conheceu. Aduziu ainda o fato de que não cabe a autoridade fiscal a análise do enquadramento ou não na categoria de prestador de serviço, sendo que já havia um título judicial determinando a compensação dos valores do PIS. No que se refere a não incidência de multa, utilizou como fundamento o art. 138 do CTN. A Recorrente alegou que não pode incidir multa sobre o débito discutido, sendo que o mesmo originouse da informação prestada pela própria Recorrente, caracterizando desta forma, confissão espontânea. Ademais, a Recorrente assevera que não pode se submeter à multa aplicada, tendo em vista que a mesma tem caráter confiscatório, pois esta extrapola o limite de 30% do valor do débito aceito pelo STF, tornando a cobrança uma afronta ao princípio da capacidade contributiva. Ante o exposto, requereu o provimento do recurso para que seja reconhecida como prestação de serviço sua atividade, logo recolhimento pelo enquadramento na modalidade de PISRepique. Consequentemente, que seja homologado o encontro de contas nos quais algumas DCOMP’s foram transmitidas como datas posteriores aos vencimentos dos débitos, mas recolhidos com o devido acréscimo moratório, tendo em vista o acolhimento do pedido judicial da Recorrente e, por fim, pugnou pelo reconhecimento da compensação, por possuir crédito e pelo valor estar em conformidade com o deferido no processo judicial. DA DISTRIBUIÇÃO Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 10 (dez) Volumes, numerado até a folha 1788 (mil, setecentos e oitenta e oito), estando apto para análise desta Colenda, 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11080.009450/200392 Acórdão n.º 3402002.426 S3C4T2 Fl. 1.754 7 Voto O recurso atende os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento, passando a análise dos fatos articulados pela recorrente. Com relação à alegação de que a Recorrente é prestadora de serviços, a decisão judicial não foi taxativa em reconhecer que esta é considerada como tal, portanto, uma vez que a decisão judicial não enfrenta essa questão de modo a “constituir” uma declaração da modalidade de recolhimento a que submisso o contribuinte, então tenho que assiste razão ao Fisco na informação fiscal que aferiu que as receitas de vendas de mercadorias superam a 90% do faturamento total, ficando a prestação de serviços com menos de 10% apenas, e, como tal, penso que se deveria afastar o enquadramento no PisRepique. Importante destacar no caso da Recorrente, era a Resolução nº 428/78 do Banco Central do Brasil a quem competia regular o assunto à época dos fatos sendo que, segundo tal norma, considerase prestadora de serviços à empresa que possuir mais de 90% de sua receita com essa atividade. A Recorrente, em seu recurso, se limita apenas a alegar que, embora certamente aufira outras receitas que não exclusivamente as de hospedagens (prestação de serviço), isso não significa que não possa ser considerada uma "prestadora de serviços", porém, me filio ao entendimento já esposado nesta Casa de que é aplicável a referida norma que estabeleceu critérios para distinguir entre prestadoras de serviços e empresas mercantis, sendo que para que se assegure o tratamento do PisRepique deveria restar comprovado que a receita correspondente à prestação de serviços foi superior à 90% da total, comprovação essa que não foi trazida pela Recorrente e muito menos enfrentada pelo Poder Judiciário em sua ação mandamental. O extinto Segundo Conselho de Contribuintes já decidia unanimemente em conformidade com a interpretação aqui demonstrada, in verbis: PIS EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS CARACTERIZAÇÃO Para efeitos da legislação do PIS, considerase prestadora de serviços a empresa que aufere mais de 90% da sua receita com essa atividade (Resolução BACEN n° 482/78). JUROS DE MORA CALCULADOS A TAXAS SUPERIORES A 1% AO MÊS LEGALIDADE O art. 161, § 1°, do Código Tributário Nacional permite a cobrança de juros calculados a taxas superiores ao limite de I% ao mês, desde que esteja previsto em lei. Recurso negado. (Processo: 13409.000148/9934 Acórdão: 20307.577Recurso: 116.595) Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Relativamente à questão suscitada acerca dos acréscimos moratórios, entendo que são devidos, entretanto houve equívoco da autoridade fazendária quanto à alíquota, uma vez que a multa poderia ser no máximo de 20% e não 75%, pois que não estamos diante de um lançamento de ofício, mas de indeferimento de compensação, para a qual é prevista essa penalidade em caso de não homologação de compensações. Diante dos fatos já demonstrados no relatório acima, notase que a Recorrente não denunciou espontaneamente o crédito tributário discutido. Assim, a multa exigida pela Autoridade Fiscal quando do ato de lançamento é correta, vez que já figurava contra a Recorrente tanto o procedimento de fiscalização. Porém, devese considerar a multa no limite de 20% e não em 75%. Em que pese às extensas discussões travadas em torno do instituto da denúncia espontânea, pelo menos nas últimas duas décadas, a verdade é que atualmente a matéria encontrase solucionada no âmbito do STJ, o qual acabou por diferenciar as multas tributárias, classificandoas em punitivas (as de ofício) e moratórias (aquela devida pelo simples atraso de tributo declarado pelo próprio contribuinte), e, consequentemente, deu interpretação de que o instituto da denúncia espontânea aplicase unicamente para o caso de pagamento espontâneo sem que tenha havido declaração do débito pelo próprio contribuinte. Tanto assim o é, que a matéria acabou sendo sumulada pelo STJ, conforme abaixo transcrito: "Súmula 360/STJ: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Inclusive, a matéria acabou sendo, recentemente, objeto de julgamento em sede do rito previsto para o julgamento de recursos repetitivos, tendo concluído sua ementa no seguinte sentido: "RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009∕01341424) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : BANCO (...) S∕A ADVOGADO : (...) RECORRIDO : UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11080.009450/200392 Acórdão n.º 3402002.426 S3C4T2 Fl. 1.755 9 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360∕STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423∕SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127∕138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.". Portanto, tratandose de matéria objeto de Súmula emitida pelo Superior Tribunal de Justiça, e, ainda, de julgamento proferido sob o rito dos recursos repetitivos, esta Corte deve atender ao que dispõe o art. 62A, do Regimento Interno do CARF, assim redigida: "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.". Consequentemente, partindo da premissa de que o contribuinte declarou o débito, constituindo o crédito tributário em favor do Fisco, acabou por estar dispensada a Fiscalização para constituição do crédito e imposição de multa. Se, posteriormente, o contribuinte recolheu a destempo o tributo declarado, o entendimento atual é no sentido de que é devida a multa moratória. Entender diferente seria, efetivamente, afastar a aplicação do art. 61, da Lei 9.430/96, o que passaria por argumentos de inconstitucionalidade, procedimento esse igualmente vedado a esta Corte julgadora administrativa, a teor da Súmula nº 2, do CARF. Ante todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, apenas para determinar que no cômputo dos créditos apurados pelo contribuinte, seja abatido o valor da multa pela alíquota da multa para 20% por não se tratar de lançamento de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Jr. – Relator. Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11080.009450/200392 Acórdão n.º 3402002.426 S3C4T2 Fl. 1.756 11 Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 13302.000070/2001-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
IPI - NÃO CUMULATIVIDADE - SALDOS CREDORES - DIREITO AO RESSARCIMENTO NÃO RECONHECIDO - COMPENSAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE.
Ante a ausência de demonstração da liquidez e certeza do valor do suposto crédito ressarciendo de IPI, inexiste o direito à sua compensação com débitos (vencidos ou vincendos), donde decorre que estes últimos devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9430/96 (na redação dada pela Lei nº 10.833/03).
Numero da decisão: 3402-002.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Ausente, o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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BETTARELLO CURTIDORA E CALÇADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 IPI NÃO CUMULATIVIDADE SALDOS CREDORES DIREITO AO RESSARCIMENTO NÃO RECONHECIDO COMPENSAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Ante a ausência de demonstração da liquidez e certeza do valor do suposto crédito ressarciendo de IPI, inexiste o direito à sua compensação com débitos (vencidos ou vincendos), donde decorre que estes últimos devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9430/96 (na redação dada pela Lei nº 10.833/03). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 2. 00 00 70 /2 00 1- 02 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Ausente, o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 80/85) contra o v. Acórdão DRJ/BEL nº 0115.540 de 03/11/09 constante de fls. 77/78 exarado pela 3ª Turma da DRJ de Belém PA que, por unanimidade de votos, houve por bem “indeferir a solicitação” contida na manifestação de inconformidade de fls. 70/74, mantendo o Despacho Decisório da SAORT da DRF de Fortaleza CE (fls. 58) e respectivo Parecer (fls. 52/55), que indeferiu o Pedido de Ressarcimento de crédito presumido de IPI relativo ao 1° trimestre/2001, no valor de R$86.143,34, com base na lei 9.363/1996, Portaria MF 38/97, IN SRF 23/97 e IN SRF 103/97. O r. Despacho Decisório da SAORT da DRF de Fortaleza CE (fls. 58) e respectivo Parecer (fls. 52/55), explicita o motivo do indeferimento do Pedido de Ressarcimento, nos seguintes termos: “INFORMAÇÃO FISCAL A empresa, acima qualificada, protocolizou em formulário, em 03/07/2001, Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI, relativo ao 1° trimestre/2001, no valor de R$86.143,34, com base na lei 9.363/1996, Portaria MF 38/97, IN SRF 23/97 e IN SRF 103/97. 2. Juntou o formulário Pedido de Ressarcimento (fls.01), não indicando o período de apuração. Cópia de folha de Livro de Apuração do IPI, com referência a junho/2001 (fls.02 e 08). Cópia da DCTF do 10 trimestre de 2001(fls.03/06). 3. Em 04/07/2001, o presente processo foi encaminhado ao Serviço de Fiscalização desta Unidade para que se procedesse á análise quanto à legitimidade do crédito pleiteado (Vide despachos as fls.18). 4. Em 06/09/2007, foi juntado, por apensação, o processo n° 13855.000627/200311, protocolizado em 31/03/2003, que trata de Declaração de Compensação dos seguintes débitos com origem no crédito de ressarcimento do processo n° 13302.000070/200102: Código: 2484 PA: 02/2003 Venc. 31/03/03 Valor: R$ 21.970,13 Código: 2362 PA: 02/2003 Venc. 31/03/03 Valor: R$ 21.429,38 Observese que o pedido do processo principal, embora não conste expressamente qual o trimestre, pela DCTF, supõese seja o 1º de 2001 (fls.03). No processo apenso, a referência é o 2° trimestre de 2002 ?! No entanto, pela consulta ao espelho da PER/DCOMP (fls.46/49) concluise que o crédito indicado tem suposta origem no 1° Trimestre/2001. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13302.000070/200102 Acórdão n.º 3402002.395 S3C4T2 Fl. 3 3 5. Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 2008003170, a fiscalização diligenciou junto ao contribuinte, elaborando o Termo de Inicio de Ação Fiscal, às fls.22/44. Propôs o INDEFERIMENTO DO CREDITO, conforme Termo de Informação Fiscal (fls.21), porquanto a empresa deixou de comprovar a existência dos créditos alegados. 6 De fato, ao buscar o reconhecimento do crédito, para assegurarlhe o direito de lhe ser deferido o pedido de ressarcimento de IPI em comento, pressupõese que a impetrante dispõe em seu poder dos elementos contábeis — fiscais, necessários à comprovação do seu direito. 7. Neste sentido, a Instrução Normativa n°21/97 dispõe: Art. 7° Compete A autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal (DRF) ou da Inspetoria da Receita Federal, classe A (IRFA), do domicilio fiscal do contribuinte, decidir acerca do crédito pleiteado e autorizar o seu pagamento, relativamente A parte em que for favorável a decisão, na forma da Instrução Normativa Conjunta n° 117, de 16 de novembro de 1989, expedida pela SRF e pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, a autoridade competente poderá determinar seja efetuada diligência fiscal prévia, nos estabelecimentos do contribuinte, de modo a constatar, face A sua escrituração contábil e fiscal, a veracidade dos dados apresentados. Igualmente, a mesma orientação se encontra na IN SRF n° 210/2002: Art. 7° Compete a autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal (DRF) ou da Inspetoria da Receita Federal, classe A (IRFA), do domicilio fiscal do contribuinte, decidir acerca do crédito pleiteado e autorizar o seu pagamento, relativamente a parte em que for favorável a decisão, na forma da Instrução Normativa Conjunta n° 117, de 16 de novembro de 1989, expedida pela SRF e pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Parágrafo . único. Para efeito do disposto neste artigo, a autoridade competente poderá determinar seja efetuada diligencia fiscal prévia, nos estabelecimentos do contribuinte, de modo a constatar, face à sua escrituração contábil e fiscal, a veracidade dos dados apresentados. 8. Ainda com relação a matéria disciplinada, a Instrução Normativa 600/2005 trata nos artigos 16 a 20 da utilização e condições da formalização do crédito na escrita fiscal, o que significa dizer que, sem o seu exame in concreto, pelo menos perfunctório, não há como se lhe aferir a regularidade. 9. Por sua vez, a Lei n° 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Fl. 401DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 Federal, dispõe, em seu art 4°, inciso IV, que é dever do administrado, perante a Administração, prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. Assevera, ainda, em seu art. 36, que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Já no art. 40 dispõe que quando dados, atuações documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo. 10. Como vemos, em contrapartida ao direito de petição previsto no art. 5°, inciso XXXIV, alínea a, da Constituição Federal, cabe ao administrado fornecer os elementos necessários esclarecimento dos fatos, sob pena de arquivamento do processo. 11 Em que pese o contribuinte não ter atendido, em sua totalidade, a intimação expedida pela fiscalização — perde o direito assim o seu objeto, o que caracteriza motivação para que se proceda ao arquivamento do processo sem apreciação do mérito. 12. No que tange à compensação, objeta do processo apenso(fls.01), protocolizado em 31/03/2003, reza o art. 74 da lei 9430/96 com a redação dada pelo art. artigo 49 da Lei n° 10.637 de 30.12.2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele acórdão. (grifo nosso) § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º. 0 prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (redação dada pelo artigo 17 da Lei n° 10.833 de 29.12.2003) § 6º. A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (redação dada pelo artigo 17 da Lei n° 10.833 de 29.12.2003). 13. Verificase que o requerente, no processo apenso (n° 13855.000627/200311), declarou a compensação em 31/03/2003, extinguindo o crédito tributário sob condição resolutória, tendo o Fisco 5 (cinco) anos para homologálo. Não Fl. 402DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13302.000070/200102 Acórdão n.º 3402002.395 S3C4T2 Fl. 4 5 o fazendo, no decorrer deste período, considerase então, por expressa disposição legal, definitivamente extinto o crédito. 14 .Resguardando o interesse da Fazenda Pública, constatouse ainda que o crédito ressarcível, ora objeto de proposta de indeferimento, o requerente vinculouo também na compensação da Cofins (Período de Apuração (PA) abril/2003, venc. 15/05/2003, valor R$37.707,47, conforme PER/COMP n° 38683.47766.150503.1.3.014658, transmitida em 15/05/2003. ( fls.46/49). 15. Isto posto, em resumo, proponho a homologação da compensação dos débitos do item 4, retro. Indeferimento da compensação da Cofins, (item 14) posto que o crédito pleiteado pelo contribuinte não foi objeto de comprovação. A consideração a Superior. Fortaleza, 03 de abril de 2009. (...) DESPACHO DECISÓRIO Com base na informação fiscal às fls. 51/54, que aprovo, e no uso da competência prevista no art. 238, inciso VI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 95/2007, indefiro o Pedido de Ressarcimento de IPI relativo ao 1° TRIMESTRE de 2001, objeto do processo 13302.000070/200102; homologo a compensação pleiteada no processo n° 13855.000627/200311 (apenso), conforme §§ 1°, 2°, 5° e 6° do art.74, da Lei 9430/96 e, indefiro a compensação da Cofins, declarado no PER/DCOMP n° 38683.47766.150503.1.3.014658. 2 — Cientifiquese o interessado, encaminhandolhe, em conjunto com a presente decisão, cópia do Termo de Verificação Fiscal de fls.21.” Por seu turno a r. decisão de fls. 77/78 da 3ª Turma da DRJ de Belém PA, houve por bem “indeferir” a manifestação de inconformidade de fls. 70/74, mantendo o Despacho Decisório da SAORT da DRF de Fortaleza CE (fls. 58), aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 PROVA. 0 contribuinte possui o ônus de impugnar com provas, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que esteja enquadrado nas alíneas do §4º do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 403DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 Direito Creditório Não Reconhecido” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 80/85) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito ressarciendo, tendo em vista: a) que teriam sido desconsideradas e não juntadas ao processo duas solicitações feitas no decorrer da diligência: a primeira para prorrogação do prazo para apresentação de documentos, em virtude de incêndio ocorrido em 14.11.2007, no qual teriam sido perdidos documentos fiscais; e a segunda, feita em 08.04.2008, após o recebimento do termo de encerramento, para de reabertura da fiscalização. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade mas, no mérito não merece provimento. Desde logo verificase que a r. decisão ora recorrida merece ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos que rebatem com vantagem as objeções levantadas pela ora Recorrente, quando assevera que: “5. Observase que, em sua defesa, a empresa não trouxe nenhum elemento que comprovasse suas afirmações de que teria apresentado os documentos a que se referiu , e que não teriam sido anexados ao processo. E presumível que, ao apresentar qualquer documento referente ao seu pleito, cuide a interessada de guardar consigo o comprovante do recebimento por parte da Unidade da Receita Federal do Brasil responsável pela análise. 6. Além disso, independentemente de tais documentos, tendo sido o Ultimo apresentado um ano antes da ciência do despacho decisório de indeferimento, a interessada já teria tempo suficiente para localizar os documentos solicitados e apresenta los juntamente com a sua manifestação de inconformidade. 7. Ora, é conhecido em direito o seguinte brocardo: "alegar sem provar é o mesmo que não alegar" ("allegatio et non probatio, quasi non allegatio"). Ou seja, não bastando simplesmente questionar os argumentos do Fisco, deveria a interessada rebater tais argumentos de forma coerente e com meios de prova idôneos, nos termos do art. 15 e 16, III e §4º, do Decreto n° 70.235/1972, verbis: "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo 30 trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. ... Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 404DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13302.000070/200102 Acórdão n.º 3402002.395 S3C4T2 Fl. 5 7 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos discordância e as razões e provas possuir; (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) § 4°A prova documental será apresentada na impu2nacTio, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei n°9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, motivo de força maior;(incluído pela Lei n°9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) c) destine se a contrapor fritos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n°9.532, de 1997)" (grifouse) 8. Desse modo, resta votar pela improcedência da presente manifestação de inconformidade, sendo mantida a decisão da Unida e de origem.” Ante à ausência de demonstração da liquidez e certeza do valor do suposto crédito ressarciendo de IPI, é evidente que inexiste o direito à sua compensação com débitos (vencidos ou vincendos), donde decorre que estes débitos devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9430/96 (na redação dada pela Lei nº 10.833/03). Não se justifica, assim a reforma da r. decisão recorrida que deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos, considerandose ainda que tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a ora a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente, seja para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do resssarcimento, seja para demonstrar a legitimidade do crédito ressarciendo. Considerando a inexistência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública, os débitos eventual e indevidamente compensados, devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (redação da Lei nº 10.833, de 2003). Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter a r. decisão recorrida por seus próprios e jurídicos fundamentos. É o meu voto. Sala das Sessões, em 28 de maio de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 405DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 16408.000152/2007-44
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
Nulidade. Lançamento Tributário. Descrição dos Fatos. Enquadramento Legal.
Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. A descrição dos fatos foi realizada de forma a possibilitar a recorrente o conhecimento da infração tributária e se coadunada com o enquadramento legal expresso nos lançamentos tributários.
Numero da decisão: 1801-002.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS JUDICIAIS. PRÓPRIA DSPJ. AUSÊNCIA DE PER/DCOMP. Não procede a compensação efetuada pela contribuinte ao arrepio do disposto nas normas tributárias, efetuada em declaração que não aquela instituída pela norma para este fim específico. A compensação tributária só é permitida nos estritos moldes especificados pelas normas de administração tributária. Correto o lançamento fiscal efetuado para exigir os tributos e glosar as compensações efetuadas de forma imprópria. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 NULIDADE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. ENQUADRAMENTO LEGAL. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. A descrição dos fatos foi realizada de forma a possibilitar a recorrente o conhecimento da infração tributária e se coadunada com o enquadramento legal expresso nos lançamentos tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 8. 00 01 52 /2 00 7- 44 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Trata de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 0625.879/10, proferido pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR, efls. 133 a 143. A contribuinte foi autuada por ter informado na DSPJ – Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica, relativa ao anocalendário de 2003, Ficha 08 (Compensações), compensações dos valores dos tributos apurados com créditos judiciais, “ADI 14170DF”. Os Autos de Infração foram lavrados com a finalidade de excluir os valores compensados e para a exigência dos tributos federais apurados espontaneamente pela contribuinte, pela sistemática do regime de tributação favorecido, simplificado e diferenciado – Simples, regido pela Lei nº 9.317/96 – efls. 24 a 61. O crédito tributário perfaz o montante de R$ 9.858,14 (com acréscimos legais). Aproveito trechos do minucioso Relatório e Voto do acórdão recorrido para melhor historiar os fatos quanto às contestações da recorrente e fundamentação do voto condutor: “[...] Preliminar. Princípio da formalidade a. Alega que o ato administrativo está sujeito a condições de validade: competência, finalidade e forma, sendo imprescindível a observância de outros dois princípios: proporcionalidade da sanção e a legalidade dos meios empregados; b. Assevera que o ato administrativo deve estar revestido de todas as formalidades legais previstas, correspondendo a sua descrição exatamente aos fatos e circunstâncias encontradas pelo autuante, bem como deve enquadrar os fatos descritos na lei e nos artigos que entende infringidos, indicando a norma que autoriza e determina o montante da pena a ser aplicada, e indicando corretamente o eventual infrator; c. Cita doutrina acerca do princípio da formalidade, e entende que não procede a sanção aplicada, desde que o agente, ao lavrar o auto de infração, inobservou norma constitucional básica, permanente e obrigatória; d. Considera que a autoridade fiscal laborou em equívoco quando mencionou notas canceladas, bem como notas com valores equivocados, sendo a decretação da nulidade do ato administrativo que ensejou a notificação a medida que se impõe, conforme doutrina; Fl. 166DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16408.000152/200744 Acórdão n.º 1801002.128 S1TE01 Fl. 3 3 e. Pede a nulidade do ato, a anulação de todos os seus efeitos, retroagindo como se o ato nunca tivesse existido no mundo jurídico; Mérito f. Explica que o auto de infração referese a dois pontos distintos: i) apresentação de Declaração PJSI como microempresa, sendo optante do Simples na modalidade EPP; ii) informação da declaração "declaração de compensação" sem ter apresentado a declaração de compensação onde conste a origem do crédito utilizado para tal compensação; g. Quanto ao primeiro ponto, ressalta que a empresa de fato declarou enquadrarse na categoria de microempresa ate janeiro de 2004, sendo que a autuação referese a período anterior à mudança de categoria da empresa, e portanto os valores recolhidos sob a alíquota para microempresas estavam corretos, não remanescendo irregularidades que deva ser punida com o auto de infração; h. Destaca que o recolhimento foi feito de forma escorreita, não havendo nenhum prejuízo para os cofres públicos; i. Argumenta que nesse ponto reside a matéria de fundo, configurandose a falha na elaboração do documento, observando que a autuação tem como fundamento deixar de recolher corretamente o imposto devido; j. Frisa que não deixou de recolher o imposto devido, posto que a solicitação para alteração da categoria da empresa para EPP deusc somente em 16/01/2004; k. Com relação ao segundo ponto, alega que a compensação foi formalizada, ao contrário do que firma o autuante; 1. Cita julgado do STJ, pela possibilidade de autocompensação na própria escrita fiscal, possível antes da Lei n° 10.637/2002, e que a compensação regese pela lei vigente à época em que a compensação deve ser feita; m. Justifica que, no período anterior à vigência das leis 10.637/2002 e 10.883/2003, o sujeito passivo podia realizar a compensação com parcelas do próprio tributo sem a necessidade de informar tal fato à SRF, conforme jurisprudência do STJ; n Contesta o valor da penalidade, pois à míngua de elementos que pudessem motivar a autuação, jamais poderia o fisco estipular a autuação no valor de R$ 9.858,14, sem demonstrar os parâmetros utilizados para chegar a esse valor; o. Conclui que, diante do pagamento corretamente feito pela empresa, e da inobservância dos princípios da formalidade, sem a demonstração da motivação do ato, sem a quantificação da cominação, a autuação não pode prevalecer, impondose sua nulidade. [...] Inicialmente, cabe esclarecer que, no âmbito do processo administralivo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972: [...] Fl. 167DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 No caso em tela, não consta nenhuma irregularidade na lavratura dos autos de infração inclusive quanto à descrição dos fatos c enquadramento legal. Verificase que, no corpo dos autos, a autoridade fiscal narrou com clareza que a autuação decorreu do fato de a empresa ter informado compensações na declaração simplificada, sem a devida apresentação da declaração da compensação, questão esta a ser melhor apreciada no mérito. [...] O exame da matéria revela que os lançamentos não merecem reparos. Os presentes autos de infração são relativos ao ano calendário de 2003, período em que o contribuinte era optante do Simples. Na Declaração Anual Simplificada desse período o contribuinte informou valores a compensar, com indicação de que se referem ao processo judicial ADI 14170 DF, conforme fls. 18/19. No corpo do auto de infração, a autoridade fiscal justificou que o lançamento decorreu da falta de apresentação da Declaração de Compensação. Na impugnação, a interessada sequer faz menção à suposta medida judicial que a autorizasse a compensar eventuais créditos, e nem cogita de demonstrar, ou ao menos, explicar quais créditos teria para compensar com os tributos do Simples. Diante disso, ainda que fosse possível aceitar a compensação feita na declaração simplificada, sem apresentação de declaração de compensação o que não é verdade, conforme analisado na seqüência , tal compensação não poderia ser deferida, diante da total falta de comprovação dos supostos créditos do contribuinte. E ademais, a compensação realizada pela empresa, abrangendo todos os tributos do Simples, não pode ser aceita, já que a legislação tributária prescreve um instrumento próprio para formalizálo. A Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997, dispôs sobre a restituição, o ressarcimento e a compensação de tributos e contribuições federais, administrados pela Secretaria da Receita Federal. Apesar de esse instrumento legislativo prever o direito à compensação entre quaisquer tributos e contribuições administradas pela SRF, o mesmo dispositivo, no art. 12, §3°, estabelecia que, para tanto, o contribuinte deveria formalizar a compensação mediante "Pedido de Compensação". Confirase o dispositivo: [...] 17. Essa exigência vigorou até a instituição da Declaração de Compensação (Dcomp), o que se deu com a Lei n° 10.637, de 30/12/2002, que alterou o §1° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, que é procedida pelo próprio contribuinte, tendo esta o efeito de extinguir o crédito tributário sob condição resolutoria de sua ulterior homologação pela autoridade administrativa competente: [...] 18. Temse, portanto, que a legislação em vigor, mesmo anteriormente à época do envio da declaração simplificada do ano calendário 2003, já estipulava uma condição para o exercício do direito à compensação. Deveria o contribuinte ter interposto Pedido de Compensação, até 30/12/2002, ou Declaração de Compensação, após esta data. A ausência dessa declaração inviabiliza qualquer outra forma de compensação pretendida pela empresa. [...] Dessa forma, correto o procedimento adotado pelo autuante, que não tomou conhecimento da compensação efetuada pelo contribuinte na declaração simplificada, e exigiu os respectivos valores mediante auto de infração. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16408.000152/200744 Acórdão n.º 1801002.128 S1TE01 Fl. 4 5 21. Na peça impugnatória, a interessada alega que a autuação referese a período anterior à mudança de categoria para EPP, e que os valores recolhidos sob a alíquota para microempresas estariam corretos. Tal argumentação é irrelevante, já que a mudança de enquadramento de microempresa para EPP, 16/01/2004, em nada influenciou o lançamento, tendo em vista que o auditor fiscal limitouse a exigir os tributos do Simples correspondentes às valores indevidamente compensados pela empresa. 22. Rejeito também a reclamação contra o valor da penalidade, em que a interessada alega inexistir elementos que pudessem motivar a autuação, o que impediria o fisco de estipular a autuação no valor de R$ 9.858,14, sem demonstrar os parâmetros utilizados para chegar a esse valor. É que a multa de ofício de 75% deve ser acompanhada dos tributos exigidos mediante lançamento de ofício, sendo que sua previsão legal encontrase disciplinada no art. 44,1 da Lei n° 9.430, de 1996. [...]” A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de fls. 146 a 156, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese, que não a autuação não procede haja vista a compensação ter sido realizada e não foi considerada por mera formalidade. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 12/04/10, efls. 145; Recurso – 11/05/10, efls. 146 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. As contestações recursais da recorrente não merecem prosperar. O litígio trazido a esta segunda instância de julgamento centralizase no fato de a recorrente haver informado em ficha da Declaração Simplificada, Pessoa Jurídica, (DSPJ), indevidamente, compensação do valor devido dos tributos com supostos créditos oriundos de ação judicial, haja vista não ser permitido tal procedimento nas normas tributárias. A despeito da recorrente alardear que as normas pertinentes à compensação tributária mediante a instituição da Declaração de Compensação (Dcomp) são posteriores ao anocalendário em questão, defendendo que as compensações contábeis ainda eram admissíveis para o anocalendário de 2003, equivocase. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Em se tratando da modalidade de extinção de tributo, por compensação, o Código Tributário Nacional é claro ao declinar para a norma tributária estipular as condições e garantias sine qua non para que os contribuintes possam usufruir deste instituto: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a FazendaPública. (grifos não pertencem ao original) Assim foi editada a Lei nº 10.637/02 que alterou profundamente a redação do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 ao instituir a Declaração de Compensação – Dcomp como meio necessário para que se procedesse a qualquer compensação de créditos com débitos de tributos próprios: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (grifos não pertencem ao original) Dada a natureza cogente das normas tributárias, em especial as que tratam de compensação, insuscetíveis de invocação os princípios da verdade material, razoabilidade, do informalismo (próprio ao processo administrativo tributário) e outros que negam a observância das mesmas quando a forma é inerente ao direito, potestativo, a ser exercido pelo contribuinte. Não observada a norma, ipsis litteris, em seus procedimentos formais, não pode o contribuinte impor a sua forma de agir para pleitear a compensação, conforme requer. Daí que a compensação efetuada apenas na escrituração contábil, e/ou na DSPJ, como alega a recorrente, não pode ser admitida pois frontalmente em arrepio às normas tributárias vigentes, desde outubro de 2002. Em assim sendo a “compensação” informada na DSPJ/04 entregue pela recorrente não pode, com efeito, ser admitida. No que respeita à nulidades suscitadas, verificase que todo o procedimento fiscal está respaldado na legislação tributária. As infrações tributárias verificadas na auditoria são simples, consoante abordado. No Auto de Infração a infração tributária foi explicitada, ou seja, a inadmissibilidade de se efetuar a quitação dos valores dos tributos devidos e declarados com a compensação na forma que foi realizada; a fundamentação legal foi exposta, os valores das matérias levadas à tributação também estão expressos, os demonstrativos de cálculos, inclusive dos acréscimos legais (multa de ofício e juros moratórios, enfim, todos os elementos materiais e formais Fl. 170DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16408.000152/200744 Acórdão n.º 1801002.128 S1TE01 Fl. 5 7 constam da autuação, consoante exige o artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto aos elementos materiais, e o artigo 10 do PAF, quanto aos elementos formais: Lançamento – art. 142, caput, CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72 – art. 10, PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Infundadas, por conseguinte, as alegações de que os Autos de Infração lavrados contra a recorrente possui quaisquer vícios, ou omissões, que possam acarretar a nulidade dos lançamentos tributários. A infração tributária tanto foi explicitada que a recorrente se defendeu com conhecimento da autuação. Quanto à cominação da penalidade, no caso multa de ofício cominada na forma regular – 75% dos tributos exigidos, de igual forma, está explícito nos demonstrativos correspondentes a capitulação legal, vigente e aplicável aos lançamentos tributários realizados ex officio. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar a nulidade suscitada pela recorrente e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 171DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10293.720080/2007-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE RESERVA LEGAL. TERMO DE RESPONSABILIDADE AVERBADO.
Cabe excluir da tributação do ITR a área de reserva legal reconhecida em Termo de Responsabilidade firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade ambiental competente, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer a área de reserva legal de 13.951,20 ha. Vencidos os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada (Relator) e Marcelo Vasconcelos de Almeida que negavam provimento ao recurso. Designada Redatora do voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora Designada.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada, José Valdemir da Silva e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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TERMO DE RESPONSABILIDADE AVERBADO. Cabe excluir da tributação do ITR a área de reserva legal reconhecida em Termo de Responsabilidade firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade ambiental competente, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer a área de reserva legal de 13.951,20 ha. Vencidos os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada (Relator) e Marcelo Vasconcelos de Almeida que negavam provimento ao recurso. Designada Redatora do voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente e Redatora Designada. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada, José Valdemir da Silva e Ewan Teles Aguiar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 29 3. 72 00 80 /2 00 7- 11 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 2 Relatório Contra o contribuinte identificado foi lavrada Notificação de Lançamento, conforme folhas 15 e seguintes, onde foi exigido Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR suplementar, relativo ao exercício de 2005, no valor de R$ 261.405,00, acrescido de multa proporcional de 75%, no valor de R$ 196.053,75 e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic, tendo por objeto o imóvel rural denominado “Serinal Itatinga”, cadastrado na RFB sob o nº 6.764.6557, com área declarada de 17.439,0 há e localizado no Município de Manoel Urbano/AC. Na “descrição dos fatos”, constante de fls. 16, narra a Autoridade Fiscal que efetuou o lançamento que, após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, o valor da Terra Nua declarado. O valor foi então arbitrado e, desde a impugnação, o contribuinte expressamente manifestou sua concordância com o arbitramento, dispondose a pagar o crédito tributário apurado em relação a essa alteração. Entretanto, na mesma “descrição” observase outra infração, assim discriminada: Área de Reserva Legal não comprovada Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da Área declarada a titulo de reserva legal no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC II E AL "A" L 9393/96 A DITR objeto da revisão fiscal está copiada na folha 03, entregue em 14/11/2006. Na folha 02 consta cópia do Termo de Intimação, com AR na folha 12, tendo sido recebido em 09/08/2007. A Notificação de Lançamento foi lavrada em 22/10/2007. Inconformado com o lançamento do crédito tributário, o contribuinte apresentou impugnação (folha 20 e seguintes). Tal manifestação foi conhecida e tratada pela DRJ/BRASÍLIA, nos seguintes termos, em resumo: O impugnante alegou que a DITR/2005 foi elaborada e transmitida por terceiro, presumidamente o antigo proprietário, e que não conseguiu transmitir a declaração retificadora. Analisando o pretendido envio da DITR/2005 retificadora, com o pagamento do valor apurado em 25/10/2007 (fls. 41), confirmou que o contribuinte já tinha perdido a espontaneidade para enviála, pois o procedimento fiscal já havia sido iniciado com o recebimento do respectivo termo de intimação, em 09/08/2007; Constatou que a autoridade fiscal glosou a área ambiental declarada de reserva legal (13.951,2 ha), por falta do Ato Declaratório Ambiental – ADA, requerido tempestivamente ao IBAMA, dentre outros documentos, conforme exigido no termo de intimação inicial; Fl. 95DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 3 Destacou que a exigência do ADA vem desde o ITR/1997, para as áreas de reserva legal, citando o art. 10, § 4º, da IN/SRF nº 043/1997, com redação dada pelo art. 1º da IN/SRF nº 67/1997) e, para o exercício de 2005, encontravase prevista na IN/SRF nº 256/2002 e no Decreto nº 4.382/2002 – RITR (art. 10, § 3º, inciso I), tendo como fundamento o art. 17O da Lei 6.938/81, em especial o caput e parágrafo 1º, cuja atual redação foi dada pelo art. 1º da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000; O Ato Declaratório Ambiental – ADA para o ITR/2005, observado o disposto no art. 9º, § 3º, inciso I, da IN/SRF nº 256/2002, deveria ter sido protocolado junto ao IBAMA até 31 de março de 2006, considerandose o prazo de 6 (seis) meses, contado da data final de entrega da DITR/2005 (30/09/2005), de acordo com a IN/SRF nº 544/2005. Como consta dos autos a protocolização do ADA/exercício de 2007 no IBAMA em 29/07/2007 (fls. 24), com a área de reserva legal declarada (13.951,2 ha), considerouo intempestivo para justificar a exclusão dessa área do cálculo do ITR/2005. Dispôs ainda que no presente caso, foi comprovada, conforme matrícula AV12272 de 02/06/2003 (fls. 25), a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, de 13.951,2 ha, tempestiva para o ITR/2005, considerandose cumprida essa exigência para a área declarada. Dessa forma, não cumprida a exigência de ADA tempestivo, para isenção do ITR/2005, entendeu que deva ser mantida a glosa, efetuada pela autoridade fiscal. Quanto ao arbitramento do VTN em R$ 1.307.925,00 (R$ 75,00/ha), para o ITR/2005, efetuado com base no SIPT e acatado pelo contribuinte, sem contestação nos autos, considerou matéria não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972. Assim, decidiu o Acórdão recorrido “por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação do contribuinte interessado,.... Regularmente cientificado dessa decisão, conforme Aviso de Recebimento em 13/09/2013 (fl. 75), o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 07/10/2013 (fl. 77) onde assim expõe suas razões, objetivando reconhecerse, em síntese: 1 A área de reserva legal foi regularmente averbada na matrícula do imóvel, em data anterior ao período fiscalizado. Tal situação foi reconhecida pelas Autoridades lançadora e Julgadora de 1ª instância. A existência real está, portando, comprovada; 2 – O ADA foi protocolado no IBAMA, em ano posterior; 3 – Discorre sobre a averbação da reserva legal como condição para gozo de isenção, para concluir que sua exigência não encontra amparo na legislação (fl. 80): “Com efeito, a exigência da averbação como précondição para o gozo de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural –ITR não encontra amparo na legislação.” Desta feita, REQUER que seja julgado procedente seu recurso para considerar, no cálculo do imposto, a área de reserva legal “realmente existente” e regularmente averbada na matrícula do imóvel e com ADA protocolado no IBAMA.: Não anexa novos documentos Fl. 96DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 4 É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Conheço do recurso, já que tempestivo, conforme relatado, e com condições de admissibilidade. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em arquivo eletrônico (formato .pdf). DOS LIMITES DA LIDE. NÃO CONTESTAÇÃO DO VALOR DO VTN ARBITRADO. Na lição clássica de Carnelutti, para que haja lide ou litígio é necessário que ocorra “um conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida”, sendo a pretensão “a exigência de uma parte de subordinação de um interesse alheio a um interesse próprio” (Apud THEODORO JR. Humberto, Curso de Direito Processual Civil, 41 ed, Forense, Rio de Janeiro: 2004, p. 32) assim, importante estudar os contornos da lide. Segundo Marcos Vinicius NEDER e Maria Teresa Martinez LOPÉZ: “Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação....(grifei) A lei processual estabelece regras que deverão presidir as relações entre os intervenientes na discussão tributária. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética....Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera,depois, deles um novo impulso....”Se no curso deste processo, constatarse a concordância de opiniões, devese por fim ao processo, já que o próprio objeto da discussão perdeu o sentido. Da mesma forma, não há o que julgar se o contribuinte não contesta a imposição tributária que lhe é imputada.(NEDER, Marcos Vinícius e LOPEZ, Maria Teresa Martinez. Processo Administrativo Fiscal Comentado. 2ª ed,. Dialética, São Paulo, 2004, p. 265/266) ...esclarece Alberto Xavier que “nos caos em que o ato do lançamento impugnável seja ‘cindível’, a impugnação pode ser apenas parcial, de tal modo que o impugnante poderá individualizar o objeto do processo, especificando as ‘questões ou pedidos parciais’ que pretende impugnar, ficando as demais, em virtude da renúncia á impugnação, sujeitas á preclusão”(XAVIER. Alberto. Do lançamento...2ª ed. Forense, São Paulo, 1997, p. 333, Apud NEDER, Op. Cit, p. 269)(grifei) Fl. 97DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 5 O procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Destaco que em relação à alteração procedida no VTN declarado do imóvel, não foi matéria contestada nem na Impugnação, tampouco no Recurso, e a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972 considerarseá não impugnada e fora do litígio, conforme acima exposto. DA AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL NA MATRÍCULA DO IMÓVEL Para fazer jus à isenção, ao contrário do que afirma o Recorrente, deverá o sujeito passivo cumprir determinada exigência, especialmente em relação à reserva legal. Tratase da averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental, conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.166/67, de 24 de agosto de 2001, verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Bem, penso que a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal, documenta e cria um registro público da sua existência e faz surgir uma obrigação real de preservação. Ademais, o Mestre SÍLVIO RODRIGUES, ao tratar da forma dos atos jurídicos, ensina que para alguns atos a lei exige forma determinada. Para o renomado autor, não obstante a importância da forma venha diminuindo com o tempo, e ele identifica um recuo nessa ocorrência, se o formalismo apresenta alguns aspectos negativos, apresenta outros favoráveis, pois ele estabelece de maneira indiscutível a vontade das partes e conserva a memória de sua manifestação, garante a autenticidade do ato, chama a atenção para a seriedade Fl. 98DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 6 do mesmo, facilita a prova que se fizer necessária e traz o elemento importante publicidade. (RODRIGUES. Silvio, Direito Civil, Parte Geral, vol 1, São Paulo: Saraiva, 2003, pp. 264/5). Acrescentese, ainda, que a averbação na matrícula do imóvel produz efeitos erga omnes, preservando a área mesmo no caso de transmissão a qualquer título, desmembramento e etc... Com o devido respeito à jurisprudência que colaciona o Recorrente, que não é unânime neste CARF, contudo, entendo que a área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto. Essas observações, neste caso, tem apenas escopo de esclarecimento, uma vez que, de fato, não há controvérsia em relação à averbação da Reserva Legal na matrícula do imóvel, que foi providenciada e reconhecida pelo Julgamento recorrido, conforme relatado: “...foi comprovada, conforme matrícula AV12272 de 02/06/2003 (fls. 25), a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, de 13.951,2 ha, tempestiva para o ITR/2005, considerandose cumprida essa exigência para a área declarada. (Acórdão DRJ, fl. 60)” Façamos ainda breve digressão sobre o instituto da isenção tributária: CTN Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração Natureza da isenção Conforme art. 175, caput, a isenção exclui o crédito tributário, ou seja, surge a obrigação, mas o respectivo crédito não será exigível; logo, o cumprimento da obrigação resta dispensado. Para Rubens Gomes de Souza, favor legal consubstanciado na dispensa do pagamento de tributo. Para Alfredo Augusto Becker e José Souto Maior Borges, hipótese de nãoincidência da norma tributária. Para Paulo de Barros Carvalho, o preceito de isenção subtrai parcela do campo de abrangência do critério antecedente ou do conseqüente da norma tributária, paralisando a atuação da regra matriz de incidência para certos e determinados casos.(PAULSEN. Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 10 ed – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008, p. 1179) DO ADA COMO REQUISITO PARA ISENÇÃO A Lei nº 9.393/1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em seu artigo 10, que trata da apuração e pagamento do imposto, menciona que para efeitos de apuração do ITR considerarseá “área tributável” a área total do imóvel “menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal”, previstas na Lei nº 4.771 de 15 de setembro de 1965, com redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. O tamanho da área tributável influi no cálculo e, conseqüentemente, no valor a pagar de ITR. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 7 A apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, que outrora era exigida pela RFB com base em norma infra legal, surgiu no ordenamento jurídico com o art. 1º, da Lei nº 10.165/2000, que incluiu o art. 17O, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001: Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) §1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (grifei) Assim, por expressa previsão legal, o ADA não se presta tão somente ao recolhimento de Taxa de Vistoria ao Ibama, e também observo que a Lei 6.938 é de 1981, mas a alteração foi procedida em 2000, portanto posterior à Lei 9.393/1996. A jurisprudência deste CARF já se consolidou, com a edição da Súmula nº 41: “A não apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Ora, claro está, a contrario sensu, que a partir do exercício de 2001, com a alteração legal supracitada, a exigência do ADA é obrigatória. O Decreto regulamentador do ITR também possui determinação expressa. Decreto 4.382/2002: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II – de reserva legal, ... § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 8 dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e(grifei) Primeiramente, antes de nossa análise, cabe ressaltar a importância do Ato Declaratório Ambiental (ADA). O ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental e possui como função cadastramento as áreas de interesse ambiental declaradas, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável pela área ambiental. Com essa declaração aos órgãos responsáveis, em busca da preservação ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR. Destaquese que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). Buscase, assim, uma conduta determinada dos cidadãos. No caso, o objetivo é a preservação das áreas em comento, pela fiscalização das áreas informadas pelo ADA e o órgão que possui a qualificação técnica para tal é o Ibama. Desta forma, o objetivo da isenção é estimular a preservação e proteção da flora e das florestas e, conseqüentemente, contribuir para a conservação da natureza e proporcionar melhor qualidade de vida. “O postulado da proporcionalidade exige que o Poder Legislativo e o Poder Executivo escolham, para a realização de seus fins, meios adequados, necessários e proporcionais. Um meio é adequado se promove o fim. Um meio é necessário se, dentre todos aqueles meios igualmente adequados para promover o fim, for o menos restritivo relativamente aos direitos fundamentais. E um meio é proporcional, em sentido estrito, se as vantagens que promove superam as desvantagens que provoca”. (ÁVILA, Humberto. Teoria dos Princípios: da definição á aplicação dos princípios jurídicos. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 102) O órgão de controle, Ibama, a seu turno, por meio da Portaria nº 162, de 18 de dezembro de 1997, cuidou, entre outras providências, de estabelecer o modelo do ADA, bem como instruções para preenchimento (pelos solicitantes) e recepção dos correspondentes formulários. Estabeleceu, em seu art. 1º: “Art. 1º. O Ato Declaratório Ambiental ADA conforme modelo apresentado no anexo I da presente Portaria, representa a declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR.” (Grifos acrescidos) A IN Ibama nº 76, de 31 de outubro de 2005, que expressamente revogou a supra mencionada Portaria, estabeleceu: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental ADA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 9 de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR”. Observo ainda que a Instrução Normativa nº 76 do Ibama traz considerações importantes sobre o ADA e seu disciplinamento, para justificar a necessidade de padrões e prazos. Abaixo transcrevemos alguns: “ Considerando a necessidade de padronizar o modelo de Ato Declaratório AmbientalADA; Considerando a necessidade de regulamentação das modalidades de apresentação do ADA, para fins de isenção e/ou dedução de Imposto Territorial Rural ITR ; Considerando a necessidade de o Ibama instituir um cadastro das propriedades rurais que possuem áreas de interesse ambiental, mediante apresentação do ADA;...(grifei)” Por fim, a IN Ibama nº 76, de 2005 foi expressamente revogada pela IN Ibama nº 5, de 25 de março de 2009, a qual, entre outras determinações, definiu modelo de laudo técnico de vistoria de campo um dos documentos comprobatórios das declarações prestadas no ADA, passível de ser exigido em momento posterior à apresentação do ADA, deixou de contemplar o formulário padrão como um dos modelos de apresentação do ADA e determinou o prazo para a apresentação do ADA bem como de sua retificação: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental – ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. (...) Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). (...) § 3o O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Bem, não estamos discutindo a existência da área de preservação permanente ou de utilização limitada/reserva legal, frisese. A não existência ou a não preservação poderia ensejar, para o proprietário, outras repercussões ou sanções previstas na legislação ambiental/penal. Na esfera tributária, o que nos cabe discutir e avaliar, creio, é se os requisitos estabelecidos para que seja aproveitada uma isenção estão presentes. Não me parece que a exigência do ADA não tenha previsão legal. Tampouco que ela não esteja disciplinada e ainda que não seja, a partir do excerto que citamos acima, proporcional e adequada. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 10 Notese que a lei que estamos citando é de 2000 (Lei nº 10.165) e o exercício tributário para fins de ITR o de 2005. E ainda que o procedimento administrativo deuse em 2007. Sete anos se passaram, portanto. Entendo que o §7º do artigo 10 da Lei nº 9.393/1996, incluído pela MP nº 2.166/2001, ao dizer que: §7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas a e d do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis, referese à questão do lançamento do ITR darse por homologação, nos termos do Art. 150 do CTN, e reputo importante destacar os termos “declaração” e “prévia”. Não é necessário que o contribuinte apresente nenhum documento para que em sua declaração faça constar a informação das áreas isentas, de reserva legal e preservação permanente, e, desta feita, conseqüentemente, apure o imposto devido e faça o recolhimento, cabendo ao Fisco simplesmente chancelar tal apuração, quando a entenda correta, mediante homologação expressa ou tácita. Nenhum ato prévio do Fisco, pois, se faz mister. Contudo, entendendo a autoridade fiscal que se faz necessária comprovação, principalmente no que diz respeito a uma isenção pleiteada pelo declarante, cabe a este atendê la. Quando não o faz, na forma prevista em diploma legal, que, portanto, revestese de todas as prerrogativas e formalidades que possamos aqui discutir, é de entenderse que restou não comprovada a veracidade da declaração. Assim, data vênia, não vejo que o dispositivo legal tenha vindo a criar uma isenção sem condições ou requisitos para sua fruição ou mesmo permita entender que outros documentos possam vir a suprir um especificamente indicado por Lei. Também não vislumbro que caiba ao Fisco provar que o contribuinte não satisfaz os requisitos para isenção, cabendo apenas regularmente intimálo para tal, estando a cargo do declarante comprovar a veracidade das informações. DO PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO ADA. No que diz respeito ao prazo para apresentação do ADA, a legislação vigente à época do fato gerador, a Instrução Normativa SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002, em seu art. 9o, §3o, inciso I , determinava a entrega no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da Declaração do ITR, determinação essa repetida no art. 10 da IN SRF nº 554, de 12 de julho de 2005. A DITR do exercício de 2005 deveria ser entregue até o dia 30 de setembro de 2005, conforme dispunha o art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 554/2005. Assim, o ADA relativo ao exercício de 2005 poderia ser entregue até o dia 31 de março de 2006. Após longos debates, a jurisprudência da 2a Turma da CSRF passou a admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal, desde que as áreas deduzidas fossem devidamente comprovadas com documentação complementar. Vejase, como exemplo, a seguinte decisão: Fl. 103DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 11 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR, LAUDO PERICIAL E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador (reserva legal) e Laudo Pericial do próprio IBAMA, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 9202 01.843, sessão de 26/10/2011, Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira)(grifei) Com o devido respeito à jurisprudência administrativa, peço vênia para discordar, por dois aspectos: O primeiro, de cunho formal, entendendo que a lei não fixou prazo para apresentação do ADA e não deveria mesmo fazêlo, competindo aos órgãos administrativos disciplinarem esta entrega, estabelecendo modelos, formulários, vias de apresentação e prazo. É o que é feito em todas as declarações a serem apresentadas pelo contribuinte e estava previsto no Decreto que regulamenta o ITR, nº 4.382/2002, já transcrito. Observese, por exemplo, que o artigo 8º da Lei nº 9.393/1996 remete à Secretaria da Receita Federal a fixação de data e condições para a entrega da DITR Vejamos também o disposto na lei nº 9.779/1999: “Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. (grifei) LEANDRO PAULSEN, ao comentar sobre o princípio da legalidade, homenageado no art. 150, I, da CF/88, assim ensina: Fl. 104DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 12 “O prazo para recolhimento do tributo não constitui elemento da hipótese de incidência, de maneira que sua fixação independe de lei.” (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.164) Também já se posicionou a jurisprudência do STF: “...3. Não se compreende no campo reservado à lei, pelo Texto Constitucional, a definição de vencimento...das obrigações acessórias.” (STF, AGRAG 178723/SP, Min. Mauricio Correa, mar/96) Assim, seja a obrigação principal, sejam elas acessórias, a fixação de prazo não é matéria reservada à lei. Desta feita, a justificativa para que se admita ADA protocolizado intempestivamente porque “a legislação” não fixou prazo, não me parece a melhor aplicação do direito. O Código Tributário, por seu turno, ao estabelecer as normas gerais em matéria de direito tributário, traz que: Art. 96. A expressão “legislação tributária” compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas Complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Transcrevo, por oportuno, a jurisprudência dos tribunais: “Ementa: .... I. Tendo a Lei 7.232/84 (art. 19) autorizado expressamente o estabelecimento dos critérios, condições e prazo para a fruição da isenção por ela concedida nos artigos 13 e 15, não há violação ao disposto no art. 176 do CTN, nem ao art. 5º, inciso II, da Constituição, uma vez que a restrição decorre diretamente da lei que a facultou, sendo certo que o Direito Tributário não desconhece a existência de normas Complementares das leis (CTN, art. 100), inclusive os decretos (CTN, art. 96), donde decorre que o Decreto 92.187/85 (art. 7º, IV, a e b”) não incidiu em ilegalidade. ....” (TRF1ª Região. AC 1999.01.00.1112420/MG. Rel.: Juiz Federal Leão Aparecido Al ves (convocado). 2ª Turma Suplementar. Decisão: 29/10/02. DJ de 21/11/02, p. 79.)(sublinhei) “Ementa: .... V. As normas Complementares do Direito Tributário são de grande valia porquanto empreendem exegese uniforme a ser obedecida pelos agentes administrativos fiscais (art. 100 do CTN). Constituem, referidas normas, fonte do Direito Tributário porquanto integrantes da categoria ‘legislação tributária’ (art. 96 do CTN). ....” (STJ. REsp 460986/PR. Rel.: Min. Luiz Fux. 1ª Turma. Decisão: 06/03/03. DJ de 24/03/03, p. 151.)(sublinhei) Assim, não entendo porque se desprezar a “legislação tributária”, especialmente o Decreto que regulamenta o ITR, art 10, § 3º, I, ao estabelecer que o ADA, que tem previsão legal, “deveria ser entregue nos prazos e condições fixados em ato normativo” e as Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal e IBAMA que dispuseram sobre o prazo. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 13 O segundo aspecto, de interesse material, pois como a idéia subjacente a essa finalidade, da exigência do ADA, é de informar ao órgão ambiental sobre as áreas isentas do ITR, para que este possa, se assim desejar, verificar a real existência dessas áreas e repassar as informações á Receita Federal, deve haver um “tempo” para tal, não podendo o contribuinte fazer isso a seu bel prazer. Considerando que existe fixada a data de ocorrência do fato gerador, o prazo para entrega de declaração do ITR, o prazo decadencial para eventual constituição de crédito tributário (arts 150, § 4º ou 173, I do CTN), não creio razoável aceitar que o contribuinte possa entregar o ADA mesmo até o início da ação fiscal, o que não daria tempo ao IBAMA de verificar se as áreas realmente existem, efetuando o controle ambiental, e informar à RFB a eventual irregularidade, a ser considerada na mesma ação fiscal. Quando fixa o prazo para a entrega do ADA em até seis meses após a data de entrega da DITR, além de estar atendendo ao comando legal de que não é necessária “prévia comprovação” para valerse da isenção na DITR, mostrase benéfica ao contribuinte, já que, se não o fizesse, o cumprimento da exigência deveria se reportar então à data de ocorrência do fato gerador, onde se apura a situação do imóvel para efeitos de lançamento do imposto, sujeito a lançamento por homologação. DA DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA. CONCLUSÃO. Como já exposto, não se discute quanto à averbação da reserva legal à margem da matrícula do imóvel, que já foi apreciada e admitida pelo Julgador de 1ª instância. A ação fiscal foi iniciada com o primeiro ato de ofício lavrado, por escrito, para apuração das informações constantes da DITR, ou seja, o Termo de Intimação Fiscal que consta da folha 02, datado de 30/07/2007 e recebido pelo contribuinte em 09/08/2007. (fl. 12) Mesmo para os que entendem que o ADA pode ser considerado tempestivo se protocolizado no IBAMA até o início da ação fiscal, este caso não aproveita ao contribuinte, cujo ADA só foi protocolizado em 29/10/2007, conforme folha 31, após inclusive a lavratura da Notificação de Lançamento, em 22/10/2007. Entendendo pela necessidade do cumprimento do requisito formal estabelecido em lei para a isenção da área de reserva legal, qual seja, apresentação do ADA tempestivo no órgão de controle e, face ao exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 14 Voto Vencedor Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Redatora Designada. Com a devida vênia do Ilustre Relator, Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, permitome divergir de seu voto que manteve a glosa da área de reserva legal pela falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental tempestivo. Em relação ao ADA, há que se esclarecer que sua apresentação passou a ser obrigatória com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do art. 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, fazendo estampar, em seu §1o, que “A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. O prazo para a apresentação do documento foi definido na legislação infralegal. A legislação vigente à época do fato gerador, a Instrução Normativa SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002, em seu art. 9o, §3o, inciso I , determinava a entrega no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da Declaração do ITR DITR. Entretanto, como a lei não fixou prazo para a apresentação do documento, muitos passaram a defender não ser possível se admitir que isso fosse feito por atos infralegais. Após longos debates, a jurisprudência da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais passou a admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal, desde que as áreas deduzidas fossem devidamente comprovadas com documentação complementar. Veja se, como exemplo, a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR, LAUDO PERICIAL E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador (reserva legal) e Laudo Pericial do próprio IBAMA, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 15 Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 9202 01.843, sessão de 26/10/2011, Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) Vale dizer que a protocolização do ADA marca a data em que o interessado comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas como tal pelo Poder Público inclusive para fins de redução do valor do ITR. Ou seja, o formulário ADA apresentado pelo contribuinte ao Ibama ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali prestadas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência, em seu imóvel, de áreas que têm, em última análise, algum interesse ecológico. Assim, consoante entendimento dominante da CSRF, aceito a apresentação intempestiva do ADA ou da comunicação da existência da áreas isentas ao órgão de fiscalização ambiental, desde que antes do início da ação fiscal. Isso porque, até essa data, seria possível ao órgão ambiental começar espontaneamente procedimento de verificação das informações. Assim, no exame do caso concreto, se faz necessário investigar se o contribuinte, até o início do procedimento fiscal 09/08/2007. (fl. 12), já havia informado a órgão ambiental estadual ou federal a existência da área de reserva legal declarada. A Certidão de fls. 36/38 comprova que, antes da data de ocorrência do fato gerado (01/01/2005), já havia ocorrido a comunicação da existência da área de reserva legal ao órgão de fiscalização ambiental, eis que foi firmado, em data de 02 de maio de 2003, Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal entre o proprietário do imóvel e o instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA com área de 13.951,20 ha. Dessa forma, restando também comprovada a comunicação tempestiva a órgão de fiscalização ambiental da área de reserva legal de 13.951,20 ha, tal área deve ser aceita para fins de exclusão da área tributável pelo ITR. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para restabelecer a área de reserva legal de 13.951,20 ha. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 108DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA 16 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Numero do processo: 11516.721608/2011-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
NEGÓCIO JURÍDICO. DESCONSIDERAÇÃO. EFEITOS.
A configuração de negócios simulados com o fito de fugir à tributação enseja a autuação, tendo como base a situação de fato, desconsiderando os atos jurídicos simulados e exigindo o tributo de quem teve relação e interesse direto com o fato gerador.
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 26-A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário IMPROVIDO.
Crédito Tributário MANTIDO.
Numero da decisão: 2302-003.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade
de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Presidente
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 NEGÓCIO JURÍDICO. DESCONSIDERAÇÃO. EFEITOS. A configuração de negócios simulados com o fito de fugir à tributação enseja a autuação, tendo como base a situação de fato, desconsiderando os atos jurídicos simulados e exigindo o tributo de quem teve relação e interesse direto com o fato gerador. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário IMPROVIDO. Crédito Tributário MANTIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 16 08 /2 01 1- 49 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 2 de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi –Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 11516.721608/201149 Acórdão n.º 2302003.294 S2C3T2 Fl. 701 3 Relatório Adoto o relatório da DRJ (fls. 211/220) “Cuidase de crédito tributário envolvendo, exclusivamente, contribuições sociais patronais, destinadas à Seguridade Social (AI 51.003.4349) e a terceiros (FNDE/INCRA/SESI/SENAI/SEBRAE, que compõem o AI 51.003.4357), relativas às competências 01/2009 a 12/2010, inclusive décimoterceiro salário dos exercícios de 2009 e 2010, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados, para as quais não houve comprovação de recolhimentos. Consoante relatório fiscal (fls. 24/46), as bases de cálculo foram obtidas das folhas de pagamento confeccionadas em nome da MET Máquinas ET Ltda ME, dada a apuração pelo fisco de que mencionados segurados laboraram, de fato, no citado período, para a UNESA Indústria e Comércio de Máquinas. Para corroborar tal entendimento, o fisco assinala que: I – a MET Máquinas ET Ltda ME não tem estabelecimento próprio, e figura, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ, com o mesmo sócioadministrador da UNESA Indústria e Comércio de Máquinas: Sr. Eti Galvani Uliano; II – o quadro societário da MET Máquinas ET Ltda ME é composto pelo supracitado sócio administrador e sua esposa, enquanto o da na UNESA Indústria e Comércio de Máquinas Ltda compõese do mesmo sócioadministrador e seu filho menor de idade; III consta, na página eletrônica da UNESA (www.unesamaquinas.com.br), referência à MET Máquinas ET Ltda ME, como primeiro empreendimento do Sr. Eti Galvani Uliano, criado em 1995, secundado pela UNESA Indústria e Comércio de Máquinas Ltda, ambas voltadas à fabricação de máquinas; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 4 IV a partir da inscrição da MET Máquinas ET Ltda ME como optante pelo SIMPLES NACIONAL, houve progressiva redução de empregados da UNESA Indústria e Comércio de Máquinas Ltda, que foram transferidos, sem solução de vínculo empregatício, para os quadros da MET, consoante anotações nos livros de registros de empregados e CNIS – Cadastro Nacional de Informações Sociais (tabela fl. 36 e extratos fls. 89/101). De sorte que, desde 12/2007 até 12/2010, período de abrangência da ação fiscal em comento, a UNESA contava com apenas 2 empregados, apesar de frisar, no endereço eletrônico acima referido, que se trata de empresa arrojada, com tecnologia de ponta e com máquinas em todos os estados do Brasil e em diversos países, com obras de ampliação de seu parque fabril em mais 2.500 m2; V – identificou conhecimentos de transporte, com mercadorias destinadas à UNESA, assinados por trabalhadores, formalmente registrados pela MET (fls. 75/6); VI – a UNESA Ind. e Com. de Máquinas Ltda tentou filiarse, a partir de 07/2007, ao SIMPLES NACIONAL, sem êxito, dada a existência de pendência com o fisco municipal de Braço Norte/SC; VII – a contabilidade de ambas evidencia dicotomia no trato de despesas/custos: enquanto a empresa MET Máquinas ET Ltda ME incorre somente em gastos com frete e serviços de industrialização, a UNESA apresenta despesas de energia elétrica, água e esgoto, telefone, internet, material de consumo, manutenção de veículos e serviços de terceiros; VIII – o faturamento da UNESA é extraordinariamente superior ao da MET Máquinas ET Ltda ME, apesar de a primeira ter massa salarial bem reduzida, quando confrontada com a segunda, consoante quadro à fl. 39 dos autos. Conclui, assim, que a MET Máquinas ET Ltda ME tem existência meramente formal, a fim de que a UNESA se beneficie, indevidamente, do SIMPLES NACIONAL, de sorte que os segurados, que figuram nas folhas de pagamento da primeira, laboraram, de fato, para a segunda, motivo pelo qual constituiu o presente crédito, responsabilizando esta última, para a exigência Fl. 251DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 11516.721608/201149 Acórdão n.º 2302003.294 S2C3T2 Fl. 702 5 das contribuições patronais incidentes sobre as remunerações a eles pagas. O fisco elaborou, ainda, representação administrativa para baixa de ofício no CNPJ da MET Máquinas ET Ltda ME, bem como representação fiscal para fins penais. Ressalta haver aplicado, no presente feito, penalidade agravada, nos moldes do art. 44, I, § 1º, da Lei 9.430/96, dada a configuração da intenção firme e consciente do contribuinte em suprimir tributo mediante sonegação. O lançamento totalizou, na ocasião de sua consolidação, o montante de R$331.424,03 (trezentos e trinta e um mil, quatrocentos e vinte e quatro reais e três centavos). Cientificada do mesmo em 27/09/2011, conforme fls. 6 e 16, a UNESA, juntamente com a MET Máquinas ET LTDA ME, manejaram impugnação em 25/10/2011 (fls.125/144), ocasião em que requer a extinção/arquivamento do crédito ou a redução da multa para 30% (trinta por cento), argüindo, em síntese: I ambas as empresas existem , estão regularmente constituídas e exercem atividades independentes, tendo clientes diferentes, consoante documentos que faz anexar às fls. 146/208. Diz que cada uma tem sede e administração diferenciadas. II – a MET Máquinas ET Ltda ME sempre atendeu aos requisitos da Lei n.º 9.317/96 para optar pelo SIMPLES. Também, a UNESA, por sua renda bruta anual, poderia optar pela mesma benesse, sendo o AI inconstitucional e arbitrário. III – como se trata de pequenas empresas, merecem tratamento tributário diferenciado. IV – abuso e arbitrariedade do fisco em desconsiderar a existência da MET Máquinas ET Ltda ME e seu direito de continuar a recolher tributos na sistemática do SIMPLES, não tendo a UNESA obrigação de quitar tributos de forma desordenada. V – a MET Máquinas ET Ltda ME cumpriu suas obrigações fiscaltributárias, sendo do fisco o ônus da prova do fato gerador, não podendo Fl. 252DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 6 apenas presumir um fato, mas devendo demonstrar a certeza do mesmo. Não há provas de que a empresa não existe ou que tenha havido sonegação de informações. VII – a multa imposta é inconstitucional, porque confiscatória.” A DRJ/Recife julgou a impugnação improcedente. Tais foram os fundamentos: a) Foi constatado, a partir das folhas de pagamento e livros de registro de empregados das duas empresas, além dos dados do CNIS, ter ocorrido uma migração dos trabalhadores da UNESA para a MET Máquinas ET LTDA. Na competência 07/2007, a UNESA tinha em seu quadro de pessoal 15 empregados e a MET, 5; os empregados da primeira foram sendo transferidos para a segunda de forma gradual até que, a partir de 12/2007, a MET tinha mais de 20 trabalhadores, enquanto a UNESA permaneceu ativa com apenas 2 obreiros; b) Em conseqüência, os gastos com pessoal reduziram sensivelmente na autuada e cresceram extraordinariamente na MET Máquinas ET LTDA; c) Que é irrazoável admitirse que a UNESA Indústria e Comércio de Máquinas Ltda tenha expandido seus negócios, inclusive, com a adição, em seu parque fabril, de mais um galpão de 2.500 m2, e disponibilizado máquinas, por ela produzidas, em todos os estados do Brasil e em diversos países, como ela própria atesta em sua página eletrônica, reduzindo, em contraposição, drasticamente sua mãodeobra, chegando, no período de 11/2007 a 12/2010, a ter somente 2 segurados; d) Que se tornaram inexplicáveis tanto a expressiva receita bruta, quanto a significativa movimentação financeira da UNESA, no mesmo período, sobretudo, quando confrontado com o registrado pela MET Máquinas ET LTDA ME, a partir de dados obtidos da documentação das referidas empresas; e) Que houve migração formal dos obreiros de uma empresa para outra, com expansão do faturamento da empresa cedente e redução do mesmo na destinatária, já que absorvido pelo custo da mãode obra que esta última teve de suportar. Que se chegou ao extremo, na MET Máquinas ET LTDA ME, de as despesas com pessoal, nos exercícios de 2008 e 2009, ultrapassarem em muito a receita bruta da empresa, e se tornarem praticamente iguais no exercício de 2010, valores que são incompatíveis com a própria existência desta empresa no mundo econômico, fato não explicado pela Impugnante; f) Que da simples verificação dos balanços patrimoniais das duas empresas, juntados, pela fiscalização, às fls. 101/117, evidenciase que, em 2010, a MET Máquinas ET LTDA ME tinha imobilizado Fl. 253DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 11516.721608/201149 Acórdão n.º 2302003.294 S2C3T2 Fl. 703 7 ínfimo, correspondente a computadores e periféricos de R$ 3.136,70 e máquinas e equipamentos de R$ 1.000,00, enquanto a UNESA Indústria e Comércio de Máquinas Ltda registrou, para o mesmo período, um total de R$ 458.309,99 de imobilizado; g) O entrelaçamento familiar entre os integrantes das duas empresas, embora não encontre óbice legal, favoreceu, em muito, a operação apontada pelo fisco, dado que o Sr. Eti Galvani Uliano é, ao mesmo tempo, sócio e diretor de ambos os empreendimentos, tendo como aliados, na UNESA, seu filho e, na MET Máquinas ET LTDA ME, sua esposa; h) A confusão entre os empreendimentos é tamanha que a fiscalização identificou conhecimentos de transporte, com mercadorias destinadas à UNESA, assinados por trabalhadores, formalmente registrados pela MET Máquinas ET LTDA ME (fls. 75/6), denotando a unicidade empresarial; i) Que no tocante à argüição de inconstitucionalidade da multa, é mister salientar que não é o foro administrativo o local apropriado para a discussão da matéria, competindo à Receita Federal do Brasil tão somente aplicar a legislação, o que foi feito no caso em apreço; Devidamente intimado (fls. 221/222), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 223/242) reiterando os argumentos dispostos na Impugnação. É o relatório. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 8 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido e examinado. 1 – Da simulação: De acordo com o relatório fiscal foi realizada uma fiscalização junto à empresa Unesa Indústria e Comércio Ltda. com abrangência da pessoa jurídica MET Máquinas ET Ltda. ME. a qual resultou na lavratura do presente auto de infração, cobrando daquela primeira o pagamento das contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social e a Terceiros, inclusive o SAT/RAT, no período de 01/2009 a 12/2010. As provas carreadas aos autos pelo auditor demonstram que a empresa MET Máquinas ET Ltda. ME embora tenha sido constituída formalmente, não existe na prática. Tais foram as constatações do fisco: a) Perguntado sobre o espaço físico da empresa MET Máquinas ET Ltda. ME, o próprio sócioadministrador Sr. Eti Galvani Uliano (também sócio administrador da empresa Unesa Indústria) não soube identificar o espaço físico, a sede social nem mesmo a atividade desenvolvida pela empresa (fls. 30); b) Os trabalhadores que celebraram o contrato de trabalho com a empresa MET possuíam simultaneamente vínculos trabalhistas com a empresa UNESA, conforme registro mensal no cadastro nacional de informações sociais efetuado por ambas as empresas via GFIP (fls. 89 e seguintes). De acordo com o quadro abaixo, as respectivas empresas adotaram a mesma data de admissão para o mesmo funcionário o que demonstra que os trabalhadores, independentemente dos registros terem sido formalizados com a pessoa jurídica MET Máquinas ET Ltda ME, são de fato empregados da empresa UNESA Indústria e Comércio de Máquinas Ltda. (fls. 36): Unesa Indústria e Comércio MET Máquinas ET Ltda. ME Nome do Trabalhador Admissão Transferência/Rescisão Admissão Rescisão Adriano Rodrigues Marcol 01/12/2003 01/11/2007 01/12/2003 Cedenir Salvador de Jesus 01/08/2006 01/11/2007 01/08/2006 28/08/2010 Cleberson Koch 14/12/2006 01/11/2007 14/12/2006 19/12/2007 Fabrício Camillo 26/02/2006 01/11/2007 26/02/2006 03/12/2009 Fabrício de Souza Luciano 01/03/2004 01/11/2007 01/03/2004 22/01/2008 Fernando Cezar Saldanha 01/08/2005 01/11/2007 01/06/2005 Galbe Librelato 01/08/2005 01/11/2007 01/08/2005 20/02/2008 Graziela Nasario Soethe 01/11/2004 01/11/2007 01/11/2004 19/06/2008 Ivandro Heidemann 01/12/2003 01/11/2007 01/12/2003 07/05/2008 Jucemar Souza 02/05/2006 01/11/2007 02/05/2006 16/05/2009 Loreni Naiz 01/07/2004 01/11/2007 01/07/2004 28/02/2008 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 11516.721608/201149 Acórdão n.º 2302003.294 S2C3T2 Fl. 704 9 c) Conforme quadro ilustrativo acima, a partir de Novembro/2007 os empregados da empresa UNESA foram transferidos para a empresa MET, sem rescisão do vínculo anterior; d) Os trabalhadores Fabrício Volpato e Valmir Salvador que a despeito de estarem formalmente registrados na pessoa jurídica MET Máquinas ET Ltda ME, conforme dados abaixo discriminados, assinam conhecimentos de transportes da empresa Ouro Negro Ltda. (transportadora) atestando o recebimento de mercadorias destinadas ao sujeito passivo UNESA Indústria e Comércio de Máquinas Ltda. e) De acordo com a Demonstração do Resultado do Exercício de 2010, conta – outros custos de fabricação (fls. 116) – o auditor verificou que a pessoa jurídica denominada MET Máquinas ET Ltda ME assumiu somente as despesas com frete e serviços de industrialização por encomenda, enquanto a empresa Unesa apresentou despesas típicas e obrigatórias tais como: energia elétrica, materiais de consumo, manutenção de veículos e serviços de terceiros, dentre outras (fls. 109); f) Em relação as “despesas gerais administrativas” informadas nos Demonstrativos do Resultado do Exercício/2010, revela que a UNESA contempla, dentre outras, despesas relativas a água e esgoto, despesas telefônicas, internet, manutenção de máquinas e equipamentos, serviços de terceiros e outras despesas (fls. 109), enquanto que a MET Máquinas limita se as despesas de manutenção de máquinas e equipamentos, material de expediente e serviços de terceiros (fls. 116). g) Em 2010, embora a empresa UNESA tenha declarado uma receita bruta de R$ 1.216.712,00 (fls. 109), na ocasião possuía apenas dois funcionários; h) Enquanto na Unesa os encargos salariais representaram 0,28 % (vinte e oito décimos por cento) da receita bruta auferida em 2008, na pessoa jurídica MET Máquinas esta relação atinge absurda marca de 1.985,35 % (um mil, novecentos e oitenta e cinco inteiros e trinta e cinco décimos por cento). Outras razões foram elencadas pelo auditor para motivar a autuação, a exemplo de ambas as empresas possuírem o mesmo sócioadministrador, mesmo objeto social e terem como sócios membros de uma mesma família (fls. 52 e 62). No entanto, ao meu ver, tais fatos, por si só, não induzem à conclusão de se tratar de negócio simulado. Todavia, o Fisco demonstrou com veemência que a empresa UNESA valendose do tratamento diferenciado gozado pela empresa MET Máquinas (empresa Nome do trabalhador Duração contrato Função Data assinatura dos conhecimentos de frete Folha dos autos Fabrício Volpato 01/09/08 a 26/11/10 Almoxarifado 10/10/2008 75 Valmir Salvador 05/11/07 a 03/08/09 Encarregado almoxarifado 28/11/2007 76 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 10 interposta), reduziu o seu número de funcionários, transferindoos para esta última, beneficiária de tratamento tributário diferenciado, de modo a abrandar o débito previdenciário. Destaco, ainda, que a defesa apresentada pelas empresas combatem superficialmente o lançamento, sem demonstrar possíveis equívocos na fiscalização. A Recorrente não logrou êxito em comprovar que a empresa MET Máquinas existe de fato. As provas por ela produzidas consistem tão somente em reproduções fotográficas de cartão de visita dos sócios, de propaganda e de catálogo de produtos. Tais elementos não demonstram que a empresa possuía clientela ativa e que estava em pleno funcionamento, assim como afirmado pela Recorrente. Se o auto de infração deve ser lavrado pelo auditor após verificada a ocorrência do fato gerador e apurado o valor devido, nos termos do art. 142 do CTN, é certo afirmar que a autoridade previdenciária foi bastante feliz em comprovar com riqueza de detalhes a simulação do negócio jurídico praticado pela empresa UNESA com suporte da empresa MET Máquina (optante do SIMPLES NACIONAL) Nos termos do art. 116, parágrafo único, do CTN, a autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei , in verbis: “Art. 116 Salvo disposição de lei em contrário, considera se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”. Pela leitura do artigo 33 da Lei n.º 8.212/91 c/c art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, também fica claro que o Auditor Fiscal pode desconsiderar o contrato pactuado, quando o segurado preencher as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º do Decreto. “Lei nº 8.212/91 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11, as contribuições incidentes a título de substituição e as devidas a outras entidades e fundos.” (Alterado pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, de 3.12.2008) “Decreto nº 3.048/99 Art. 229. ... Fl. 257DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 11516.721608/201149 Acórdão n.º 2302003.294 S2C3T2 Fl. 705 11 § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado” (grifo nosso). O mencionado art. 9º traz o rol de segurados obrigatórios da Previdência Social, dentre os quais, o seu inciso I, aliena ‘a’ dispõe sobre o enquadramento dos segurados empregados assim como retratada na situação posta em análise, vejamos: “Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;” No mesmo sentido (por se tratar de lei ordinária não poderia ser diferente), segue o art. 9º, inciso I, alínea, ‘a’, da Lei nº 8.212/91: “Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;” O Enunciado nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho veda a contratação de trabalhadores por empresa interposta (empresa MET Máquinas), formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, no caso a empresa UNESA, quando existente a pessoalidade e subordinação. “Enunciado do TST Nº 331 Contrato de prestação de serviços. Legalidade Revisão do Enunciado nº 256 O inciso IV foi alterado pela Res. 96/2000 DJ 18.09.2000 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6019, de 3.1.74).” Fl. 258DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 12 Desse modo, por todos os dados constantes do processo, restou configurada a simulação e, por isso, certo o lançamento efetuado. 2 – Da Multa: Aduz a Recorrente que a multa aplicada implica em confisco, em grave ofensa ao art. 150, inciso IV da Constituição Federal/1988. A partir de 12/2008, com a criação da MP 448/09 convertida na Lei nº 11.941/09, o atraso no pagamento das contribuições sociais passou a ser conduta punida pela multa fixada no art. 35A da Lei nº 8.212/91 (com redação da pela Lei nº 11.941/09) a qual remetia aos percentuais fixados no art. 44 da Lei nº 9.430/96: “Lei nº 8.212/91 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).” “Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas Fl. 259DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 11516.721608/201149 Acórdão n.º 2302003.294 S2C3T2 Fl. 706 13 ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” (grifo nosso) Por sua vez, os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 assim dispõem: “At. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Como se vê, a aplicação da multa qualificada decorre da comprovação da conduta simulada praticada pela empresa Recorrente com a finalidade de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência das contribuições previdenciárias. Com efeito, a tipificação da multa decorre de lei, por isso, a argüição de inconstitucionalidade no âmbito administrativo não é o local apropriado para a discussão da matéria. Neste sentido, dispõe o art. 26A, do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei n.º 11.941/2009: “Art. 26A No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)” Sendo assim, por se tratar de percentual fixado em ato legal, perante esta Corte Administrativa, não há como afastála. Por todo o exposto: CONHEÇO do Recurso Voluntário, por tempestivo, para NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo integralmente o crédito previdenciário. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 14 É como voto. Sala das Sessões, em 12 de Agosto de 2014. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Fl. 261DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ
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